sexta-feira, 30 de novembro de 2012

De Arma em Punho

Ransome Callicut (Randolph Scott) é um forasteiro que chega na pequena vila de Los Angeles, um lugar inóspito perdido no meio do deserto, infestada de malfeitores. Ele desembarca no local afirmando ser um simples professor de crianças mas o oficial da cavalaria na região, o capitão Roy Giles (Philip Carey), acredita que ele esteja mentindo pois é bastante parecido com um major desertor das forças armadas durante a guerra civil. Enquanto investiga o recém chegado ele percebe que Ransome está cada vez mais envolvido nos problemas políticos locais. Há um grupo de rebeldes que deseja a separação do sul da Califórnia da federação americana, o que pode levar a uma nova guerra de secessão. Afinal qual seria a ligação entre o misterioso personagem de Randolph Scott com a turbulenta situação política em Los Angeles? “De Arma em Punho” é mais uma produção com o ator Randolph Scott para a Warner. Esse aqui tem um roteiro bem mais trabalhado com uma intrigada trama que provavelmente vá confundir um pouco o espectador menos atento. Callicut (Scott) pode ser tanto um desertor do exército como também um espião enviado pelo governo americano para investigar os problemas envolvendo os rebeldes californianos.

O filme foi rodado praticamente todo dentro do estúdio. Existem cenas em locações reais mas essas são geralmente pontuais, feitas com uma segunda unidade. As principais seqüências que contam com Scott e o elenco principal são praticamente todas recriadas em cenários dentro dos estúdios da Warner. Hoje em dia esse tipo de técnica é facilmente perceptível. Alguns não gostam pois soa artificial mas pessoalmente acho tudo muito charmoso e elegante. O horizonte ao longe é pintado, por exemplo, mas tudo com tão bom gosto que não há como se aborrecer com detalhes assim. Além dos costumeiros tiroteios e perseguições “De Arma em Punho” ainda tem uma dupla de atores mais cômicos (um se veste de mulher para enganar os rebeldes) e duas seqüências musicais com canções cantadas em espanhol pela atriz e intérprete Lina Romay. Para os fãs de Randolph Scott é bom salientar que "Stardust", seu lindo cavalo Palomino branco e marrom, está em cena, mostrando todo seu porte imponente e beleza. Em conclusão é isso, mais um bom filme com Scott que ainda conta com o diferencial de mostrar pequenos toques de mistério e tramas políticas. "De Arma em Punho" é um eficiente western da década de 50 que deve ser assistido pelos fãs do gênero.

De Arma em Punho (The Man Behind the Gun, EUA, 1953) Direção: Felix E. Feist / Roteiro: John Twist, Robert Buckner / Elenco: Randolph Scott, Patrice Wymore, Dick Wesson / Sinopse: Um forasteiro recém chegado a Los Angeles pode ser tanto um simples professor como um perigoso pistoleiro e desertor do exército norte-americano. A região está instável pois um grupo rebelde luta pela secessão do sul da Califórnia do resto do país.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Elvis Presley - FTD Loving You

Essa é a edição especial dupla da trilha sonora de Loving You lançada pelo selo FTD. Como sempre tudo muito caprichado e de bom gosto. Material gráfico de primeira, muitas fotos interessantes internamente e todos os detalhes que os fãs de Elvis sempre gostam de saber (ficha técnica, data de gravação etc). Sempre gostei desse disco, não apenas pela qualidade musical (impecável em minha opinião) como também pelo próprio filme que é muito bom e nostálgico para os fãs do cantor. O CD vem com muito material demonstrando que muita coisa da sessão foi salva. Não deixa de ser uma excelente notícia já que infelizmente algumas sessões preciosas não sobreviveram ao tempo (como takes de algumas canções de Elvis em sua primeira sessão na RCA).

Por falar em nostalgia comentar sobre o disco Loving You sempre é um prazer renovado pois esse foi um dos primeiros que adquiri de Elvis, ainda na época do vinil (que tenho preciosamente guardado até hoje). O curioso é que em essência o álbum Loving You nada mais é do que uma jogada (boa por sinal) da RCA Victor e do Coronel Parker. A primeira trilha de um filme de Elvis, como todos sabemos, foi Love Me Tender, lançado em compacto duplo com quatro canções em 1956. Obviamente foi um grande sucesso de vendas o que fez a RCA acreditar definitivamente nas trilhas de Elvis, transformando as sete canções do filme em um álbum ao juntar aquele material com faixas avulsas gravadas por Elvis para a gravadora em outras sessões. O resultado de tudo isso foi excelente, pois o material é dos mais acessíveis e agradáveis da carreira do cantor.

Como não poderia deixar de ser o selo FTD aproveitou esse bom momento da discografia de Elvis e caprichou em sua edição especial que traz não apenas a íntegra do LP original mas também uma série de takes alternativos, outtakes e gravações específicas feitas especialmente para o filme (como as várias versões e derivações da canção tema Loving You). Nesse aspecto penso que houve um excesso de preciosismo por parte de Ernst Jorgensen, o produtor. Isso porque o segundo CD traz mais de 30 versões de apenas uma canção, a já citada Loving You. Penso que tal coisa além de comercialmente desinteressante é desnecessária, já que até mesmo os colecionadores teriam acesso a esse material em outros lançamentos. Seria bem melhor um maior equilibrio na escolha das faixas, procurando até mesmo valorizar ótimas faixas do disco original que não foram muito prestigiadas nesse lançamento, como Blueberry Hill.

Entre os takes mais expressivos cito o Take A-7 de Party (ainda sem encontrar o pique necessário que conhecemos da versão oficial). É muito interessante notar que Elvis ainda está mais melódico, porém sem a energia necessária que esse rock necessita. Ficou parecendo até mesmo um R&B de passo rápido. Algo parecido acontece com o take de Mean Woman Blues. Logo no começo notamos a falta dos vocais de fundo (que tanto conhecemos da versão oficial e que se parece como pessoas conversando despreocupadamente) A ausência desse pequeno detalhe acaba deixando a versão "vazia". É incrível como um detalhe que pode soar banal muda completamente a audição de uma música não é mesmo? Por outro lado o vocal de Elvis soa muito mais solto e espontâneo aqui e o grupo de apoio parece muito mais centrado em tocar mais concentrado. Eu devo confessar que gostei bastante do estilo de Elvis nessa versão pois ele soa juvenil e livre, bem ao estilo "Rebel Without a Cause" daqueles anos de brilhantina.

O take de Got A Lot O Livin To Do intitulado "finale" é outra boa surpresa. É a típica versão "igual mas diferente". Como foi gravada visando o filme ela soa menos contida mas bem mais energética. Uma das minhas favoritas, a já citada "Blueberry Hill" surge com apenas uma versão! Isso é desapontador e mostra que de certa forma existe sim um desequilíbrio na seleção das faixas. Enquanto a música tema Loving You aparece com dezenas de takes, "Blueberry Hill" surge com apenas uma representante (e não é por falta de versões existentes pois as conhecemos muito bem de outros títulos lançados no mercado). Apesar de tudo o FTD Loving You se mostra essencial para colecionadores e fãs em geral. Impossível passar incólume por essas canções e sair ileso. O melhor dos anos 50 certamente está aqui. Aproveite (mesmo sabendo que existem omissões decepcionantes).

Pablo Aluísio.

O Código

Luke Wright (Jason Statham) é um policial que cai em desgraça após entregar tiras corruptos de Nova Iorque. Sem meios de sobrevivência entra para o mundo da luta livre onde acaba descontentando uma máfia de apostas. Perseguido se esconde nas ruas da cidade, em abrigos para sem tetos. Desiludido decide colocar um fim em sua vida no metrô mas no último momento percebe uma pequena garotinha chinesa (Catherine Chan) fugindo de capangas da máfia chinesa. Decide ajudá-la e acaba se envolvendo numa terrível conspiração criminosa envolvendo as máfias russas e chinesas e a banda podre da polícia nova-iorquina."Safe" é o novo filme do astro dos filmes de ação, Jason Statham. Ele já tem seu público formado de admiradores e realiza produtos destinados para esse tipo de público de filmes de muita ação e pancadaria, por isso nem adianta reclamar que suas produções não possuem roteiro e nem boas atuações. Jason não está em cena para atuar mas sim para bater, dar tiros, sopapos e distribuir porradas a atacado!

Esse "Safe" certamente vai satisfazer seu público. O filme me lembrou muito os filmes de ação e artes marciais de Hong Kong. A edição é nervosa, rápida e não perde muito tempo em situações dramáticas. Nos primeiros 20 minutos de filme a trama é apresentada rapidamente, tanto a estória do tira vivido por Jason quanto da garotinha órfã que superdotada é usada pela máfia chinesa para decorar dados sigilosos como senhas, números e receitas de sua organização criminosa. As cenas de pancadaria são em grande número e pelo menos há uma boa sequência com Jason em cima de um vagão de metrô em Nova Iorque. De resto o filme traz no elenco de apoio o sumido Chris Sarandon (o vampiro do primeiro "A Hora do Espanto"). Ele tem apenas duas cenas mas que valem para mostrar que o ator está ainda atuante no cinema. Enfim, "Safe" é indicado para o público que gosta dos filmes de Jason Statham. Para quem o detesta é melhor ficar longe pois o filme é justamente aquilo que parece, sem maiores surpresas.

O Código (Safe, EUA, 2012) Direção: Boaz Yakin / Roteiro: Boaz Yakin / Elenco: Jason Statham, Catherine Cham, Chris Sarandon / Sinopse: Ex policial conhecido como "o lixeiro" (apelido dado pois gostava de limpar as ruas da escória) acaba ajudando ao acaso uma garotinha chinesa perseguida pelas máfias chinesas e russas. Com seu estilo "quebra ossos" tenta manter a menina a salvo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Monster - Desejo Assassino

O cinema americano já mostrou a vida sinistra de muitos assassinos em série mas esse "Monster" tem um diferencial importante. Mostra a história real de Aileen Wuornos (Charlize Theron), uma das mais famosas Seial Killers americana, acusada de matar vários homens em sua trajetória. O modus operandi de Aileen era relativamente simples: Ela era prostituta de rua e saía geralmente com caminhoneiros ou homens mais velhos. Assim que o programa era acertado eles iam a lugares remotos. Lá Aileen os matava a tiros e depois os roubava, levando consigo tudo o que conseguia encontrar de valor com seus "clientes". Fruto de uma infância terrível onde sofreu abusos de toda ordem, ela se iniciou muito jovem na prostituição, com apenas 13 anos. Todos esses fatos acabaram criando na assassina um transtorno de personalidade conhecido como Borderline. Esse problema mental é causado por histórico de exposição a traumas durante a infância e juventude. As pessoas que desenvolvem essa doença geralmente são impulsivas e não agem de forma racional. Curiosamente mesmo sendo diagnosticada com esse mal ela foi julgada e sentenciada à morte pela justiça americana. Se fosse no Brasil não sofreria pena e nem prisão mas apenas Medida de Segurança. Enviada a uma instituição adequada teria tratamento e acompanhamento médico.

O grande destaque de "Monster", como não poderia deixar de ser, vem da brilhante atuação da atriz Charlize Theron. Vista até  aquele momento como apenas uma beldade nas telas, Charlize aqui surpreende. Com forte maquiagem a atriz fez de tudo para literalmente incorporar a verdadeira assassina. O resultado é excepcional. Theron deixa de existir para dar lugar a Aileen! Ela fez um trabalho primoroso onde reproduz até os mínimos detalhes de ser da verdadeira assassina. Ver uma atuação desse nível e depois ter que encarar essa talentosa profissional fazendo papel de bruxa má em remake de Branca de Neve realmente me deixa perplexo. De qualquer modo Charlize foi reconhecida pelos grandes prêmios pois venceu o Oscar de Melhor Atriz, além de ter sido premiada com o Urso de Prata de Veneza e o Globo de Ouro. Também merece destaque a atuação inspirada de Christina Ricci, que interpreta a namorada lésbica de Charlize no filme. Sem medo de me equivocar digo que é o melhor momento de ambas as atrizes em suas vidas profissionais. Nem antes e nem depois conseguiram desenvolver um trabalho melhor do que esse. Em conclusão afirmo que "Monster" não é uma produção fácil e nem leve. Seu tema é pesado e sua trama não é nenhum conto de fadas. Mesmo assim temos aqui uma obra não menos do que brilhante. Uma ótima crônica que tenta registrar para a posteridade a triste existência de Aileen Wuornos. Não deixe de conferir.

Monster - Desejo Assassino (Monster, EUA, 2003) Direção: Patty Jenkins / Roteiro: Patty Jenkins / Elenco: Charlize Theron, Christina Ricci, Bruce Dern, Scott Wilson, Lee Tergesen./ Sinopse: O filme conta a história real de Aileen Wuornos (Charlize Theron), assassina em série que se tornou famosa nos Estados Unidos por uma longa série de mortes contra homens que a contratava como prostituta. O filme traz uma visão dura e cruel dessa criminosa.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Ruby Sparks - A Namorada Perfeita

Calvin Weir-Fields (Paul Dano) é um jovem escritor em crise criativa que acaba criando em seus textos aquela que seria a namorada perfeita - simpática, amiga, leal, sensual e meiga. Ele lhe dá o nome de Ruby Sparks e pretende escrever com esse personagem o seu próximo grande livro. O problema é que a própria Ruby se materializa em sua vida, se tornando uma pessoa real e não uma mera invenção ficcional. Sabendo que pode determinar os atos de Ruby apenas escrevendo o que espera dela em uma folha de papel, o escritor acaba entrando numa grande confusão. Lida assim a sinopse a primeira impressão é que Ruby Sparks é uma comédia romântica das mais bobas mas para minha surpresa não é. O filme se leva à sério, exagera nas tintas do drama e procura levantar, mesmo que de forma bem superficial, a questão do livre arbítrio e da imagem que projetamos dos outros em nós mesmos. 

A Ruby não tem vontade própria, ela faz o que seu criador deseja. Assim ele projeta nela tudo aquilo que esperaria de uma namorada perfeita mas esse tipo de coisa logo se revela um desastre para Calvin e os outros ao redor. Infelizmente o enredo parte dessa premissa absurda e se o espectador não comprar a idéia do filme então tudo vai por água abaixo. O tom mais sério da trama também pode afastar um pouco seu público alvo, que seria as adolescentes. De qualquer modo o resultado final não é ruim, apenas previsível. O argumento não explica porque uma personagem de ficção se materializou na vida real e os demais personagens do filme assumem isso com absurda naturalidade. O ator que faz o escritor Calvin, Paul Dano, é pouco carismático, para não dizer chato. Quem acaba segurando o filme nas costas é mesmo sua parceira de cena, Zoe Kazan, que também assina o roteiro. Ela é neta do grande cineasta e autor Elia Kazan. Fazendo a fofinha Ruby Sparks ela foi a responsável direta por eu ter ido até o fim do filme. Ela manteve meu interesse. Em suma, Ruby Sparks não é nenhuma maravilha da sétima arte. Embora colocado no nicho das comédias românticas procura ser um pouco mais inteligente do que habitualmente se faz nesse gênero. Não vai agradar a todo mundo mas se você não for muito exigente pode até servir como passatempo para um domingo à noite. 

Ruby Sparks - A Namorada Perfeita (Ruby Sparks, EUA, 2012) Direção: Jonathan Dayton, Valerie Faris / Roteiro Zoe Kazan / Elenco: Zoe Kazan, Antonio Banderas, Paul Dano, Alia Shawkat, Deborah Ann Woll, Annette Bening, Steve Coogan, Chris Messina, Elliott Gould, Aasif Mandvi / Sinopse: Escritor em crise de criatividade resolve criar uma personagem de ficção que atendesse a tudo aquilo que ele desejaria numa verdadeira "namorada perfeita". O problema é que sua personagem ganha vida no mundo real, levando muitos problemas para o pacato escritor.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 25 de novembro de 2012

A Lenda dos Guardiões

Por mais incrível que isso possa parecer a verdade é que "A Lenda dos Guardiões" é uma animação sobre a II Guerra Mundial. Explico. O roteiro é totalmente inspirado nos eventos da Grande Guerra que abalou o mundo nos anos 40. Na verdade essa animação é uma alegoria daqueles acontecimentos. Senão vejamos: existem dois grandes grupos de aves. O primeiro grupo é formado por corujas que se consideram "Puras" (tal qual os nazistas e sua teoria da raça superior, os arianos). Esse grupo do "mal" também tem um líder carismático que escraviza e doutrina as corujinhas mais jovens (juventude Hitlerista) e as usam nos campos de batalha. Existe também toda aquela ideologia que já conhecemos bem dos regimes ditatoriais.

Já o outro grupo, chamado de "Guardiões" tem um personagem que é obviamente inspirado no primeiro ministro inglês durante a II Guerra: Winston Churchill. É um velho turrão, com passado de glórias no campo de batalha. Para completar assim como Churchill o personagem do filme também escreveu suas memórias contando as suas lutas do passado, inspirando a jovem corujinha do filme. O mais curioso dessa animação é que ela tenta passar simpatia e humanidade pelas corujas, um bicho que não tem quase nenhuma tradição nos personagens animados. Em algumas regiões do Brasil inclusive as pobres corujinhas são símbolos de forças do mal e até mesmo mal agouro (azar ou maldição). Por isso é bastante interessante o trabalho desenvolvido aqui. Um bom passatempo e uma boa alegoria sobre o maior conflito armado da humanidade. Em poucas palavras: World War II for Kids!

A Lenda dos Guardiões (Legend of the Guardians: The Owls of Ga'Hoole, EUA, 2010) Direção:  Zack Snyder / Roteiro: John Orloff, John Collee / Elenco (vozes): Emilie de Ravin, Hugo Weaving, Ryan Kwanten, Helen Mirren, Geoffrey Rush / Sinopse: Soren é uma jovem coruja que adora histórias de guerra contadas por seu pai. Ele lhe coloca a par sobre a lenda dos guardiões, guerreiros da mitologia que lutaram contra as forças do mal.  Soren nem desconfia que em breve estará envolvido em grandes aventuras com o mitológico grupo alado..

Júlio Abreu e Pablo Aluísio.

Pink Floyd - The Wall

Escrever para esse blog Music é bem terapêutico. Como escrevo resenhas de discos vou recordando aspectos de minha vida através da música. Poucas pessoas percebem isso mas a música cria um grande vínculo sentimental conosco. Ouvir música é uma das melhores formas para recordamos de certos momentos de nossas vidas. Fazia tempo que tinha ouvido o álbum The Wall do Pink Floyd. Só resolvi escutar agora para escrever essa resenha para você, prezado leitor. Assim que coloquei para tocar tive um choque de lembranças da minha época na universidade - sim, a trilha sonora dos meus anos universitários foi ao som do bom e velho Pink Floyd. É maravilhosa a capacidade da música em nos transportar para anos passados - e nesse processo nos lembramos de pessoas, fatos e sentimentos que há muito tempo estavam esquecidos. Maravilha mesmo. Mas voltemos ao The Wall. Esse é o disco da egotrip suprema de Roger Waters. É o momento em que ele olhou com desdém para o resto da banda e proclamou: "Sinto que estou me transformando em um Deus!" Isso mesmo, Waters foi o mais egomaníaco rockstar da história. Seu ego não tem qualquer semelhança com nenhum outro artista. De fato Roger Waters ama Roger Waters apaixonadamente (e loucamente).

The Wall nasceu assim. O disco é Waters da primeira à última faixa. Os demais integrantes do Floyd aqui não passam de uma banda de apoio. O auto proclamado Deus supremo do Rock Progressivo escreveu as canções, fez seus arranjos e só não tocou tudo sozinho porque aí seria demais. Em suas letras Roger Waters se expõe como nunca antes na história da banda. Ele é o personagem principal de todas as faixas - os sentimentos são deles, a visão de mundo é dele... um exercício de egolatria... nisso se resume The Wall. Ironicamente é um dos trabalhos mais conhecidos do grupo (talvez só perca para The Dark Side of The Moon). Assim temos um tremendo paradoxo pois ao mesmo tempo em que é uma das obras mais populares do Pink Floyd também é o menos coletivo álbum do grupo. Rpger Waters, completamente enlouquecido, entra em uma viagem dentro de si mesmo sem limites, sem pudores, beirando à insanidade total.

Até hoje The Wall é louvado por público e crítica. Não advogo dessa opinião. Embora haja clássicos absolutos entre suas faixas considero o resultado final irregular. Em um mesmo espaço convivem obras de arte eternas da história da música ("Another Brick in the Wall", "Comfortably Numb", "In the Flesh?","Hey You") com bobagens absolutas ("Goodbye Cruel World", "One of My Turns"). Hoje em dia não é mais aquele disco que eu pare para ouvir da primeira à última música. Apenas pincelo suas obras primas e o resto deixo pra lá. Waters é um artista que admiro profundamente, mas ele é sem dúvida uma pessoa de extremos - quando está inspirado, é ótimo, excelente, quando não, se torna insuportável. De qualquer modo fecho o texto deixando claro: The Wall é um marco absoluto. De certa forma é o último grande momento da carreira do Pink Floyd, mas não é infalível e nem isento de críticas. Agora que você leu tudo corra para ouvir The Wall e tente se possível sair para fora do muro. Is There Anybody Out There?

Pink Floyd - The Wall (1979)
In the Flesh? 
The Thin Ice 
Another Brick in the Wall (Parte 1) 
The Happiest Days of Our Lives 
Another Brick in the Wall (Parte 2) 
Mother 
Goodbye Blue Sky 
Empty Spaces 
Young Lust 
One of My Turns 
Don't Leave Me Now
Another Brick in the Wall (Parte 3) 
Goodbye Cruel World 
Hey You 
Is There Anybody Out There? 
Nobody Home 
Vera 
Bring the Boys Back Home 
Comfortably Numb
The Show Must Go On 
In the Flesh 
Run Like Hell 
Waiting for the Worms 
Stop 
The Trial 
Outside the Wall 

Pablo Aluísio e Erick Steve.

sábado, 24 de novembro de 2012

Ilha do Medo

Esse é um dos mais recentes filmes de Martin Scorsese. Ilha do Medo é o típico filme que engana. Você vai ao cinema pensando que vai assistir um tipo de gênero e acaba encontrando outro completamente diferente. Eu, por exemplo, fui assistir convencido que iria me deparar com um bom filme de suspense policial, com muito clima noir. Pensei que iria assistir algo no estilo de Chinatown, mas acabei vendo um curioso derivado de Um Estranho no Ninho. Dito isso quero deixar claro que o filme não é ruim, em hipótese alguma. Ele passeia muito bem pelos estilos com desenvoltura e prende a atenção do espectador. Não é para menos já que Scorsese é um dos diretores mais brilhantes da história do cinema. Então se você vai ao cinema assistir A Ilha do Medo pensando tratar-se de um filme de terror, suspense policial ou trama de espionagem, esqueça. O roteiro usa desses gêneros apenas para contar uma outra estória, bem mais pesada e trágica do que o típico filme de detetives. Não vou aqui estragar a surpresa de ninguém, por isso quanto menos contar melhor. O que posso adiantar é que Di Caprio está muito bem no papel (não chega a ser excepcional mas apresenta uma boa atuação). Ben Kingsley também mantém o alto nível do elenco mas é Max Von Sydow que se sobressai, apesar de suas cenas serem pequenas e esporádicas.

Em termos de produção, atuação e direção não há o que reclamar, Scorsese é praticamente um gênio e nesses aspectos técnicos só se poderia esperar o melhor mesmo. O grande ponto negativo do filme realmente é seu roteiro. Não que seja ruim, longe disso, mas é previsível. Quem tiver o mínimo de atenção logo irá matar o "segredo" do filme. Várias dicas são deixadas ao longo da projeção - algumas inclusive bem óbvias. Em certo sentido me lembrei de um dos meus filmes preferidos, Coração Satãnico, onde também havia um pretexto inicial do roteiro que desbancava para uma grande reviravolta nos momentos finais. Mas o que era sobrenatural em Angel Heart aqui se torna introspectivo, pesado e principalmente psicológico. Por isso digo que quem mais irá apreciar o filme no final serão os estudantes e estudiosos de psiquiatria e psicologia. Esses realmente terão um prato cheio para debater depois da exibição.

Ilha do Medo (Shutter Island, EUA, 2009) Direção: Martin Scorsese / Roteiro: Laeta Kalogridis / Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Emily Mortimer, Michelle Williams, Max von Sydow, Jackie Earle Haley, Dennis Lynch./ Sinopse: Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) é um detetive contratado para descobrir o paradeiro de uma mulher acusada de assassinato. Sua última localização foi em um hospital psiquiátrico instalado na isolada Ilha Shutter Lá começa a juntar as peças de um grande quebra cabeças envolvendo a todos, inclusive ele próprio.

Pablo Aluísio.

Gran Torino

Os Estados Unidos sempre foram uma nação de imigrantes porém nos último anos o fluxo se intensificou e a sociedade americana ficou mais miscigenada do que nunca. Ao contrário do padrão WASP (sigla em inglês que significa "Branco, Anglo Saxão e Protestante") o que se vê hoje naquele país é o aumento de latinos (brasileiros incluídos nesse grupo), orientais e outras etnias nas grandes cidades da América. O americano tradicional, médio, ficou um pouco perplexo com essa nova situação. Os vizinhos já não eram tão familiares como antes e muitos deles sequer sabiam falar inglês. De fato em poucos anos se falará mais espanhol nos EUA do que inglês segundo algumas pesquisas. Para a mentalidade do americano tradicional essa verdadeira "invasão" de seu país significou menos emprego, barateamento da mão de obra, além do aumento da criminalidade e miséria. Essa é de certa forma uma visão simplista sobre o problema mas de fato os Estados Unidos estão bem longe daquele país do American Way of Life da década de 50. Hoje predomina a massa imigrante. Tentando entender essa nova realidade social o diretor e ator Clint Eastwood resolveu colocar à frente esse "Gran Torino", um filme muito interessante que lida com as mudanças que a sociedade americana vive nesse momento.

O enredo mostra um americano típico. Sujeito conservador, de ideais e valores tradicionais que agora tem que lidar com gangues formadas por latinos e asiáticos. Nesse processo de aumento de criminalidade ele acaba tendo seu querido carro da marca Gran Torino sendo cobiçado por meliantes provenientes de famílias imigrantes. Esse argumento analisado assim se torna até perigoso pois o roteiro poderia desbancar para a xenofobia mas Clint Eastwood evitou cair na armadilha, o que de certa forma me surpreendeu pois ele é notório membro do Partido Republicano que defende medidas restritivas contra estrangeiros nos Estados Unidos (fator aliás que fez com que fossem derrotados nas últimas eleições presidenciais, vencendo Obama o preferido justamente dos imigrantes, mulheres e negros). Ao invés de adotar uma postura de crítica contra o estrangeiro que supostamente estaria "emporcalhando" o sonho americano, Clint mostra uma faceta bem mais amistosa e tolerante com essas pessoas. Eu costumo dizer que esse é tipicamente um "filme-tese" onde Eastwood debate a atual onda de imigração desenfreada ao seu país. Recebido friamente por crítica e público o filme merecia ter melhor destino uma vez que toca em um tema delicado e atual. Afinal de contas, estaria mesmo desaparecendo os Estados Unidos dos puritanos e dos pioneiros para dar lugar a uma nova nação, mais latina, mais hispânica e asiática? Assista ao filme e tire suas próprias conclusões.

Gran Torino (Gran Torino, EUA, 2008) Direção: Clint Eastwood / Roteiro: Nick Schenk, Dave Johannson / Elenco: Clint Eastwood, Geraldine Hughes, John Carroll Lynch, Cory Hardrict, Dreama Walker, Brian Haley. / Sinopse: Walt Kowalski (Clint Eastwood) é um americano tradicional, veterano de guerra e conservador que começa a ser ameaçado por um grupo de jovens latinos que formam uma gangue de ladrões da região onde mora. Para superar o problema terá que mudar de atitude, inclusive colocando em dúvida antigos valores que considerava primordiais em sua vida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Flor do Deserto

O cinema não deve ser visto apenas como puro entretenimento. Um dos aspectos mais importantes da sétima arte é a conscientização dos espectadores. Um exemplo maravilhoso nesse sentido é esse "Flor do Deserto", um filme muito marcante e tocante que expõe um dos lados mais tristes da condição feminina em certos países. O roteiro foi baseado no livro autobiográfico da modelo somali Waris Dirie (interpretada aqui por Liya Kebede). Em um ato de coragem digno de aplausos ela expõe um drama de sua vida pessoal para conscientizar o mundo de um problema ainda muito atual em vários países africanos: a mutilação genital feminina. Assim ela conta como aos cincos anos foi circuncidada de acordo com um antigo costume tribal. Essa mutilação genital é vista com normalidade no lugar onde nasceu. A prática visa retirar da mulher toda e qualquer possibilidade de em sua vida adulta vir a ter algum prazer sexual. Obviamente se trata de uma tradição que em essência é uma verdadeira barbaridade. Como se não bastasse o direito de escolha também é tirado dessas mulheres pois elas são vendidas logo na infância em casamentos completamente arranjados por familiares e mercadores. 

No caso de
Waris Dirie ela conseguiu fugir de sua região indo parar em Mogadishu, capital da Somália. Lá finalmente conseguiu se alfabetizar (a educação também é proibida para as mulheres no local onde nasceu). Após arranjar  um emprego em um restaurante de fast food finalmente conseguiu chamar a atenção de um renomado fotógrafo que viu nela todas as qualidades das grandes top models. Após ir para os Estados Unidos ela iniciou uma carreira de sucesso que dura até os dias de hoje. Uma história com final feliz que ensina muito sobre a precária condição feminina em certos lugares do mundo. O livro da modelo (e o excelente filme feito a partir dele) não deve despertar pena do leitor / espectador. Pelo contrário, o sentimento é de admiração pela coragem e bravura dessa mulher que ousou expor um trauma pessoal para levar ao mundo essa denúncia sobre o que ocorre na Somália e em outros países da África. Infelizmente as mulheres ainda não alcançaram a plenitude de seus direitos mas conforme estamos acompanhando já há grandes avanços nesse aspecto. Organizações internacionais tentam erradicar essa prática monstruosa em lugarejos atrasados e arcaicos. Um dia certamente essa monstruosidade será finalmente banida da vida de todas essas mulheres. 

Flor do Deserto (Desert Flower, EUA, 2009) Direção: Sherry Horman / Roteiro: Smita Bhide / Elenco: Liya Kebede, Sally Hawkins, Craig Parkinson, Meera Syal, Anthony Mackie, Juliet Stevenson, Timothy Spall, Soraya Omar-Scego / Sinopse: "Flor do Deserto" conta a história real da modelo Waris Dirie que sofreu mutilação genital feminina ainda em sua infância. A obra é um alerta e uma denúncia contra essa terrível prática que ainda persiste em certos países africanos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Mar em Fúria

Bastante subestimada essa boa aventura "Mar em Fúria" que foi na verdade mais um meio promocional para lançar George Clooney no mundo do cinema. Na época ele ainda tentava fazer a complicada transição das séries de TV para os filmes nas telas de cinema. O roteiro é bem escrito, enxuto e consegue tirar excelente proveito da trama interessante. Aqui acompanhamos a embarcação Andrea Gal, capitaneada por Billy Tyne (George Clooney). É um barco comercial que vai até regiões isoladas do Oceano para recolher um tipo especial de pescado muito valorizado no mercado americano. O problema é que bem no meio da viagem todos são surpreendidos por uma "Tempestade Perfeita", uma denominação usada para caracterizar a fusão de uma série de fatores climáticos que criam uma tempestade feroz, formando ondas no Oceano do tamanho de um prédio de dez andares. No meio do caos em que se encontram todos os membros da tripulação tentam sobreviver da melhor forma possível. Esse é um daqueles argumentos de tirar o fôlego, onde não sobra muito tempo para o espectador respirar. Inspirado no romance de aventuras escrito por Sebastian Junger.o filme consegue deixar a adrenalina alta, sem cair no marasmo em nenhum momento.

O filme obviamente usa e abusa de efeitos digitais, todos extremamente bem realizados. Como se sabe sempre houve grande desafio em recriar digitalmente com sucesso o Oceano. Aqui tudo soa muito bem feito, criando realmente a sensação de se estar vendo imagens reais do pequeno barco no meio da imensidão azul em fúria. O orçamento foi milionário (140 milhões de dólares) e a aposta ousada pois não se sabia ao certo se o público compraria a idéia de ver um grupo de marujos comerciais enfrentando uma tempestade épica no meio do mar. Depois do lançamento todos respiraram aliviados pois a produção conseguiu fazer sucesso de bilheteria. Muito do mérito do sucesso cabe ao diretor Wolfgang Petersen que já tinha conseguido grande êxito em um filme levemente semelhante,"O Barco - O Inferno no Mar". De qualquer modo ele deveria ter deixado esse tema um pouco de lado pois depois afundou de forma monumental com o remake de "Poseidon", um grande fracasso de público e crítica. Isso porém é tema para outra resenha. Aqui deixo a dica de "Mar em Fúria" uma boa aventura com o mesmo espírito dos antigos filmes do mar que tanto conhecemos. Um bom programa de entretenimento em suma.

Mar Em Fúria (The Perfect Storm, EUA, 2000) Direção: Wolfgang Petersen / Roteiro: William D. Wittliff / Elenco: George Clooney, Mark Wahlberg, Diane Lane, Mary Elizabeth Mastrantonio, Karen Allen, William Fichtner, Michael Ironside./ Sinopse: Navio comercial de pesca se vê envolvida por uma enorme tempestade em alto mar. Para sobreviver os tripulantes terão que partir para uma verdadeira luta contra as forças da natureza.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A Aparição

Um grupo de jovens universitários decide fazer uma experiência científica para tentar estudar se seria possível realmente se comunicar com os mortos. No meio da experiência porém algo sai muito errado e um portão entre o mundo dos vivos e dos mortos é aberto. De lá surge uma entidade poderosa que começa a deixar um rastro de destruição por onde passa. Anos depois um jovem casal vai morar numa bela casa em um bairro afastado de Los Angeles e começa a notar estranhos eventos no local: móveis se movendo, mofo nas paredes e uma estranha sensação de que eles não estão sozinhos naquela casa. Bem, pela sinopse já deu para perceber que estamos na presença de mais um filme sobre casas mal assombradas, só que esse nem se pode comparar com os grandes filmes desse gênero. O roteiro tenta criar um clima mais científico para o tema mas naufraga totalmente. A produção de orçamento mínimo não consegue assustar e nem criar clima. O casal de atores é muito fraco e o argumento não tem um gancho para manter o espectador interessado.

Some-se a isso a sua curta duração (pouca mais de 70 minutos) e você terá algo completamente desnecessário. A entidade que surge nas sombras é sem graça e a tentativa de explicar tudo soa infantil e bobo. Logo no começo quando vi a marca da Dark Castle já fiquei com um pé atrás pois essa produtora anda deixando muito a desejar em seus últimos filmes. Sem dinheiro tudo é reciclado e o gosto de prato requentado incomoda. Não espere também ver nada de bom em termos de maquiagem ou efeitos especiais em A Aparição. Tudo é muito pobre nesse aspecto. A direção do jovem Todd Lincoln que só havia dirigido curtas antes, soa amadora e sem timing. Enfim, não adianta mais apontar os defeitos de A Aparição, eles são muitos. Procure por algo melhor para ver pois esse aqui é bem decepcionante.

A Aparição (The Apparition, EUA, 2012) Direção: Todd Lincoln / Roteiro: Todd Lincoln / Elenco: Ashley Greene, Sebastian Stan, Tom Felton / Sinopse: Jovem casal vai morar numa casa onde começa a surgir estranhos fenômenos como móveis se movendo sozinhos, mofo nas paredes e sombras que parecem observar seus moradores. Seria uma alma em busca de redenção ou uma estranha entidade que conseguiu deixar o mundo dos mortos para aterrorizar os vivos?

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Frankenstein de Mary Shelley

O sucesso de Drácula de Bram Stoker fez com que naturalmente os estúdios procurassem o mais rápido possível adaptar outros livros clássicos de terror. Assim a Tri-Star Pictures colocou em andamento um projeto ambicioso: adaptar o famoso livro de Mary Shelley, Frankenstein. A fórmula seria a mesma que foi usada em Drácula, ser o mais fiel possível ao texto original, ignorando todos os filmes anteriores sobre o tema. Não era uma missão fácil. O design da criatura dos filmes da Universal faz parte da cultura pop até os dias atuais. A estória todos já conheciam mas como adaptação dos mesmos filmes. Era uma mitologia muito conhecida afinal. As surpresas vieram logo quando o nome do diretor e ator Kenneth Branagh foi anunciado para dirigir o novo filme. Ele era muito mais associado às adaptações de William Shakespeare e não tinha muita intimidade com o universo dos filmes de terror tradicionais. Maior surpresa ocorreu depois quando o estúdio anunciou o grande ator Robert De Niro para viver a criatura! Essa seguramente foi a escolha de elenco mais improvável da história de Hollywood. De Niro interpretando o monstro seria no mínimo esquisito. Fora isso a nova versão de Frankenstein teve o melhor em termos de produção e estrutura. Nesse meio tempo o diretor Roger Corman em mais um lance de oportunismo lançou sua própria versão de Frankenstein. Um filme pra lá de bizarro que chegou até mesmo a ser lançado em nossas locadoras na época.

De qualquer modo as pessoas ansiavam mesmo pela produção classe A de De Niro  e Branagh. O filme finalmente foi lançado em novembro de 94. A crítica se dividiu. Para muitos a produção era sem inspiração, preguiçosa e maçante. Para outros era válida a iniciativa de se revisar o texto original de Mary Shelley. Em meu conceito Frankenstein é bem irregular mas não credito todos os problemas apenas ao filme em si. De certa forma o próprio texto de Mary Shelley envelheceu terrivelmente. Escrito como uma aposta da autora que queria produzir o romance mais aterrorizante de sua época,  Frankestein é uma obra que intencionalmente carrega nas tintas a todo momento. Nunca teve a sofisticação dos textos de Bram Stoker. Essa falta de sutileza assim se torna óbvio no transcorrer do filme. Além do mais a segunda parte da trama soa muito ultrapassada nos dias atuais. Com tantos problemas no texto original não é de se estranhar que o filme tenha tantos problemas. A produção de primeira linha está lá, um bom diretor e um elenco de ótimos profissionais também, mas o filme não empolga, não surpreende em nenhum momento. A nova visão do livro de Mary Shelley fez sucesso nas telas mas jamais conseguiu se tornar uma unanimidade como o filme de Francis Ford Coppola. Sem dúvida deixa a desejar em vários aspectos.

Frankenstein de Mary Shelley (Frankestein, EUA, 1994) Direção: Kenneth Branagh / Roteiro: Steph Lady baseado na obra de Mary Shelley / Elenco: Robert De Niro, Kenneth Branagh, Tom Hulce, Helena Bonham Carter, Aidan Quinn, Ian Holm, John Cleese, Richard Briers / Sinopse: Victor Frankenstein (Kenneth Branagh) é um cientista vitoriano que decide utilizar as recentes descobertas sobre eletricidade para tentar criar vida a partir de restos humanos de pessoas falecidas. Seus experimentos acabam dando origem a uma estranha criatura (Robert De Niro) que a despeito de sua precária condição consegue expressar e desenvolver muitos dos mais nobres sentimentos humanos. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - Elvis e Lizabeth Scott


Quando Elvis chegou em Hollywood para finalmente estrelar Loving You o produtor Hal Wallis o apresentou imediatamente para a atriz Lizabeth Scott. Naquela altura ela já era uma veterana das telas, tendo estreado no cinema na década de 40. Scott era uma revelação do produtor que tentou por vários anos a transformar numa estrela. Seu plano era muito simples, transformar Lizabeth Scott numa nova Elizabeth Taylor. Ambas tinham origem inglesa e um porte elegante, assim Wallis acreditava que a escalada rumo ao topo seria apenas questão de tempo. Sempre a escalando em seus filmes ele foi tentando abrir caminho para sua pupila mas as coisas não pareciam dar muito certo. A imprensa de Hollywood satirizou porque Wallis queria transformar Lizabeth Scott numa segunda Lauren Bacall, uma versão loira da grande estrela da MGM. Ele a preparou, contratou publicitários, promoveu mas ela nunca conseguiu se firmar como chamariz de público. Nunca teve a vocação para as marquises dos cinemas.

Assim quando foi escalada para atuar ao lado de Elvis ela já sabia que nunca iria alcançar os picos da fama e da glória. Sua idade já não permitia ter esse tipo de sonho. Mesmo assim Wallis nunca a abandonou e continuou escalando a loira para vários filmes, inclusive Loving You, o musical que faria para promover seu recém contratado, o cantor jovem Elvis Presley. Lizabeth traria experiência ao filme. Elvis e Dolores Hart eram muito jovens, com pouco mais de 20 anos e não poderiam sustentar um filme daquele porte sozinhos. Assim Lizabeth vinha para contrabalancear a inexperiência do casal e trazer um pouco mais de conteúdo dramático nas cenas. Logo no começo ela se deu muito bem com Elvis. No começo pensou que por causa de sua fama e sucesso ele poderia ser um daqueles astros jovens de Hollywood cheios de si, arrogantes ao extremo. Mas não foi isso o que ocorreu. Elvis sempre pareceu prestativo e atento em suas dicas de interpretação. Ao invés de se comportar como um arrogante, Elvis foi inteligente e procurou aprender com a atriz, que sempre surgia dando palpites e dicas para ele. Entre uma cena e outra Lizabeth ensaiava com Elvis as falas, a postura, a forma de agir diante das câmeras.

As filmagens foram tranquilas, sem sobressaltos. Se dentro do set tudo corria em paz, fora dele as coisas eram bem mais complicadas. Na época Lizabeth Scott tinha que lidar com muitos problemas, inclusive em sua vida pessoal. Havia uma série de boatos afirmando que na verdade ela era lésbica. Dentro do meio cinematográfico sua suposta homossexualidade já era bem conhecida. Ela seria assim uma das mais famosas lésbicas de Hollywood na era clássica. A grande preocupação era que esse seu segredo fosse divulgado ao grande público o que arruinaria sua reputação e carreira. Revistas de escândalos como a Confidential estavam no pé da atriz durante as filmagens de Loving You. Hal Wallis sabia dos riscos mas resolveu apoiar sua intérprete. Havia sempre uma tensão no ar quando um novo número da revista chegava nas bancas. A ansiedade e o medo parecem ter sido decisivos para uma decisão radical tomada pela atriz após as conclusões das filmagens. Assim que o diretor gritou "corta" pela última vez ela se reuniu com Wallis nos camarins e lhe comunicou que era o fim. Não mais atuaria no cinema, estava farda de tanta pressão e tensão. Ela não queria mais ser pressionada, nem ser alvo de fofocas. Queria viver sua vida privada em paz, ser feliz acima de tudo. Lizabeth simplesmente se encheu de tudo e todos e partiu para uma vida reclusa, longe dos holofotes. Não queria sofrer aquele tipo de constrangimento.

De fato ela só retornaria às telas uma única vez em 1972 para uma pequena participação em um filme de um amigo. Fora isso decretou adeus a Hollywood com Loving You. Para os fãs de Elvis só resta o agradecimento. Assistindo ao filme hoje em dia podemos perceber nitidamente a importância de Lizabeth Scott na produção. As cenas mais fortes do ponto de vista dramático pertencem a ela. Sua experiência e ótima presença cênica fizeram toda a diferença do mundo no resultado final. Elvis e Dolores Hart eram duas crianças perto da longa caminhada que Scott já vinha trilhando, caminho esse que ela resolveu abandonar após as filmagens de seu primeiro e único filme ao lado de Elvis Presley. Um adeus marcante de uma atriz talentosa que nunca chegou ao estrelado mas que deixou sua marca registrada em vários filmes durante sua conturbada carreira.

Pablo Aluísio e Erick Steve.  

Madonna - True Blue

Ah, os anos 80... a gente era feliz e nem sabia! Naquela década a música mundial era dividida em dois feudos básicos na categoria pop: um era do Michael Jackson, o outro de Madonna. Os fãs obviamente queriam que seus ídolos superassem o concorrente / rival. Dessa forma cada novo lançamento nas lojas era um verdadeiro evento da mídia. Assim foi com esse True Blue, um álbum da Madonna lançado bem no auge de seu sucesso absoluto nas paradas.

Por essa época ela desenvolveu uma paixão avassaladora pelo mito de Marilyn Monroe e começou a incorporar aspectos da imagem da deusa do cinema em sua carreira. Pintou seus cabelos na cor da famosa atriz e até reproduziu a pintinha de Monroe no rosto. Teria Madonna ficado louca? Para completar ela ainda insistia em levar adiante seu relacionamento com o troglodita e espancador de Paparazzis Sean Penn, um sujeito nada simpático que naqueles anos ainda era apenas um ator marrento e com ares de brigador de rua (anos depois ele viraria um excelente diretor mostrando que nada melhor do que a idade para melhorar certas pessoas).

Pois bem, a obsessão de Madonna com Marilyn Monroe não se resumiu à imagem. Ela procurou trazer o espírito vintage do passado para sua música também. O maior exemplo é esse álbum "True Blue" que traz em certas músicas aquele sabor deliciosamente inocente das músicas das décadas de 50 e 60. Claro que revisto hoje em dia o som soa datado. Há exagero nos arranjos de sintetizadores (marca registrada da sonoridade da década de 80). Mesmo assim em termos de melodia temos que admitir que canções como "True Blue" (a bonita canção título) e "Jimmy, Jimmy" parecem provenientes dos anos dourados. Nesses anos é bom entender também que a carreira de Madonna era movida a polêmica e controvérsia, tudo para emplacar mais espaço na mídia. Assim esse álbum, mesmo sendo leve como é, também teve sua cota de brigas.

Como sempre Madonna escolhia seu saco de pancadas preferido: a Igreja Católica. A polêmica foi sobre o aborto. A música "Papa Don´t Preach" era um libero sobre a gravidez na adolescência (uma praga do mundo moderno) e a possibilidade dessas jovens terem direito a abortar. Claro que uma mensagem assim criou um rebuliço geral. Será que Madonna chegou mesmo a defender tal causa ou tudo não passou de mero marketing? Complicado saber o que pensava a loira platinada. O que sabemos porém é que a estratégia deu muito certo e o disco vendeu horrores, alcançando o primeiro lugar em praticamente todos os países ocidentais. Singles acompanharam o sucesso, tornando Madonna um fenômeno de vendas novamente. E o mundo mudou alguma coisa? Não, a Igreja Católica continua firmemente contra o aborto e o Sean Penn continuou distribuindo sopapos, inclusive na própria Madonna, mas essa é uma outra história!

Madonna - True Blue (1986)
Papa Don't Preach
Open Your Heart
White Heat
Live to Tell
Where's the Party
True Blue
La Isla Bonita
Jimmy Jimmy
Love Makes the World Go Round

Erick Steve e Pablo Aluísio

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O Homem Bicentenário

Muito malhado na época de seu lançamento, O Homem Bicentenário não conseguiu também agradar integralmente os fãs de ficção. O fato é que o filme foi baseado em famosa obra de Isaac Asimov e toda adaptação  desse autor é bem complicada. Para piorar os produtores resolveram realizar algo mais pop e menos existencialista que é a chave do livro original. A trama é até singela: Uma família compra um robô de tarefas domésticas chamado Andrew (Robin Williams). O que parecia ser apenas mais um objeto para facilitar a vida de todos acaba surpreendendo pois ele é um robô diferente, que consegue exteriorizar muita personalidade e caráter, duas características próprias do ser humano. Andrew consegue mostrar sentimentos para com as pessoas, começa a elaborar dúvidas sobre si mesmo e entra em conflito na sua convivência com os membros da família. Suas atitudes seriam a materialização de um velho sonho dos cientistas em desenvolver uma inteligência artificial? Só assistindo para conferir. 

Em minha concepção O Homem Bicentenário é bem abaixo da profundidade da obra literária original. O que ameniza é saber que nem sempre há como adaptar Asimov com fidelidade (outras adaptações são mais medonhas do que essa). No final temos um produto cinematográfico que consegue trazer, mesmo que em pequenas doses, alguns dos questionamentos mais relevantes do autor. No final o que prejudicou o filme foi seu custo elevado para a época (mais de 100 milhões de dólares de orçamento) e a escalação do diretor errado, Chris Columbus, que tem mais intimidade com o universo infanto-juvenil, nunca tendo antes dirigido uma ficção desse nível. Assim o filme não conseguiu agradar ao público do universo Sci-fi e nem atraiu a garotada que forma a maior parte da platéia de Columbus. Apesar disso o filme não foi o fracasso todo que dizem - certamente teve um prejuízo mas foi relativamente pequeno diante da ousadia de se produzir algo assim. Hoje em dia é interessante ser visto, mesmo sabendo de antemão que é em essência um produto meramente pop, bem longe da expressividade da obra de Asimov. 

O Homem Bicentenário (Bicentennial Man, EUA, 1999) Direção: Chris Columbus / Roteiro: Nicholas Kazan. baseado na obra de Isaac Asimov / Elenco: Robin Williams, Sam Neill, Oliver Platt, Embeth Davidtz, Wendy Crewson./ Sinopse: Um robô criado para realizar tarefas rotineiras e domésticas começa a desenvolver traços humanos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Drácula de Bram Stoker

Drácula de Bram Stoker (1847 - 1912) é um clássico absoluto da literatura de terror. Publicado originalmente em 1897 o livro é considerado o marco zero na mitologia moderna sobre vampiros. Obviamente que a lenda sobre vampirismo atravessou séculos mas foi Stoker, com raro brilhantismo, que conseguiu unir seus principais elementos em um texto único, extremamente bem trabalhado e rico em detalhes e nuances que anos depois seria usado exaustivamente pela sétima arte. O que fez o genial Stoker foi reunir em um só romance as lendas, os mitos e até as histórias reais (como a da Condessa Isabel Bathory) para criar um personagem singular, um Conde que esconde uma maldição secular em seu castelo sombrio. Foi justamente com a intenção de ser o mais fiel possível a essa obra que Francis Ford Coppola realizou sua versão de Drácula em 1992. Considerado por muitos como a obra definitiva sobre o personagem o filme ainda hoje impressiona por sua brilhante direção de arte, seu clima soturno e o excelente trabalho do roteiro em mostrar um lado até então pouco explorado em todos os filmes sobre Drácula: o aspecto mais romântico da personalidade do Conde. De fato seu maior fardo é a sua dor pela perda de sua amada, dor essa que atravessa os séculos, tornando-se o verdadeiro martírio do monstro. Ao explorar esse aspecto o filme traz uma carga humana muito intensa ao personagem, tornando tudo muito mais real e visceral.

Passados 20 anos de seu lançamento ouso dizer que Drácula foi a última grande obra prima do mestre Coppola. É uma constatação penosa, haja visto que sem dúvida ele foi um dos cineastas mais brilhantes de Hollywood. Seu grande trabalho aqui se revela na escolha do elenco ideal (Gary Oldman personifica as várias faces do vampiro de forma maravilhosa), no uso correto e pontual de ótimos efeitos especiais (todos recriando uma oportuna atmosfera Vitoriana) e na fidelidade ao texto original. O resultado de tanto talento se vê nas telas de forma grandiosa. Ao custo de 40 milhões de dólares o filme demonstra ter todas as peças perfeitamente encaixadas, resultando em um trabalho magnífico, uma obra de arte realmente. O velho Stoker certamente ficaria orgulhoso.

Drácula de Bram Stoker (Dracula, EUA, 1992) Direção: Francis Ford Coppola / Roteiro:  James V. Hart baseado na obra de Bram Stoker / Elenco: Gary Oldman, Winona Ryder, Anthony Hopkins, Keanu Reeves, Richard E. Grant, Billy Campbell, Sadie Frost, Tom Waits, Monica Bellucci / Sinopse: Jonathan Harker (Keanu Reeves) vai a um distante e isolado castelo com a missão de vender uma propriedade a um estranho e recluso Conde chamado Drácula (Gary Oldman). Ao ver o retrato de sua amada o monstro fica admirado com a semelhança com sua antiga paixão, uma jovem falecida há muitos séculos. Não tardará para que o Conde vá ao seu encontro.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

À Espera De Um Milagre

A recente morte do ator Michael Clarke Duncan trouxe novamente á tona essa pequena obra prima da década de 1990. O filme tem uma estória muito lírica e bonita que certamente agradou a muitos, tanto na época de seu lançamento como agora. É curioso porque eu me recordo que a recepção foi um tanto fria por parte da crítica, embora o público tenha adorado. O tempo porém lhe fez justiça e mostrou quem realmente tinha razão. Um dos seus grandes méritos é o argumento espiritualista que consegue uma grande proeza, não se tornando panfletário em nenhum momento. Credito isso a essa bem sucedida parceria entre dois grandes talentos:  Frank Darabont e Stephen King. O cineasta Frank Darabont já havia chamada bastante a atenção em seu filme anterior, Um Sonho de Liberdade, outra crônica extremamente inspirada sobre um homem comum numa situação limite. Aqui ele retorna ao sistema penitenciário para contar a estória de John Coffey (Michael Clarke Duncan), um prisioneiro afro-americano de mais de dois metros de altura condenado à morte pelo assassinato de duas garotas brancas no sul racista dos Estados Unidos. O título original, The Green Mile, se refere justamente ao chamado "corredor da morte", onde criminosos perigosos que cometeram crimes bárbaros esperam pela hora de sua execução.

O comportamento de Coffey logo chama a atenção do guarda Paul Edgecomb (Tom Hanks) que percebe que ele na realidade é uma pessoa muito espiritual. Assim vamos acompanhando os acontecimentos, inclusive em flashbacks, onde os eventos que levaram Coffey à prisão são mostrados, demonstrando que nada é o que realmente aparenta ser. Além da produção primorosa e elegante, "À Espera de um Milagre" conta com elenco inspirado, a começar pelo próprio Michael Clarke Duncan que concorreu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante mas não foi premiado, de forma bem injusta aliás. Embora tenha sido também indicado a praticamente todas as categorias principais da Academia saiu de mãos abanando na noite de entrega. Como afirmei antes atribuo isso ao fato da crítica especializada ter torcido o nariz para o filme em seu lançamento. Não faz mal, o tempo fez jus a Green Mile e hoje a obra é considerada uma produção cult por excelência, vencendo o desafio do tempo. Maior prêmio do que esse não há.

À Espera De Um Milagre (The Green Mile, EUA, 1999) Direção: Frank Darabont / Roteiro: Frank Darabont baseado na obra de Stephen King / Elenco: Tom Hanks, David Morse, Bonnie Hunt, Michael Clarke Duncan, James Cromwell, Michael Jeter, Graham Greene, Doug Hutchison, Gary Sinise, Sam Rockwell / Sinopse: Prisioneiro no corredor da morte acaba demonstrando a um guarda seus grandes poderes espirituais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Pecados de Guerra

Fracasso de público e crítica em seu lançamento esse Pecados de Guerra merece passar por uma revisão. Lançado no auge da exploração do cinema sobre a Guerra do Vitetnã o filme teve a coragem de mostrar uma história baseada em fatos reais que incomodou e muito a sociedade americana na época. Sempre vistos como heróis os militares americanos no exterior aqui são retratados como criminosos, estupradores e insanos em um conflito sem o menor sentido. Sean Penn faz o Sargento Tony Meserve, um sujeito com ares de psicopata que comete um estupro durante a campanha americana no Vietnã. Já Michael J. Fox interpreta o soldado Eriksson que numa crise de consciência resolve contar tudo o que aconteceu. Obviamente que agindo assim ele ganha a hostilidade imediata de Meserve que o intimida e o ameaça, mostrando que nem as fileiras do maior exército do mundo estão a salvo de psicopatas e criminosos. Sean Penn na época vivia  sua pior fase pessoal. Casado com Madonna ele estava sempre entrando em brigas com Paparazzis que insistiam em tirar fotos de sua esposa nos momentos mais inconvenientes. A verdade pura e simples é que Penn era muito jovem e muito esquentado, sempre se envolvendo em confusões que o levaram inclusive para a cadeia por agressão e desordem.

Seu relacionamento durante as filmagens não melhorou em nada. Confundindo personagem com vida real ele misturou ficção com realidade e partiu para o confronto com o pacato Michael J. Fox fora das telas. Ambos viviam em tensão constante e Fox evitava até mesmo sentar perto de Penn durante as refeições no set. Segundo foi noticiado depois por alguns membros da equipe Penn inclusive chamou Fox para a briga após uma cena particularmente intensa. Tanta dedicação e entrega ao seu personagem porém não adiantaram muito. O público parecia cansado de filmes realistas sobre o Vietnã e o tema envolvendo estupro pareceu pesado demais para a platéia que abandonou os cinemas vazios. Pior para Brian De Palma que começou aí um inferno astral em sua carreira, com sucessivos fracassos que acabaram enterrando sua até então bem sucedida filmografia. De qualquer modo, pelo tema instigante e polêmico o filme merece passar por uma revisão - caso não tenha assistido ainda procure conhecer Pecados de Guerra, um filme forte demais para a década de 80.

Pecados de Guerra (Casualties of War, EUA, 1989) Direção: Brian De Palma / Roteiro: David Rabe baseado no livro de Daniel Lang / Elenco: Michael J. Fox, Sean Penn, Don Harvey,  John C. Reilly,  John Leguizamo / Sinopse: Durante a guerra do Vietnã um soldado testemunha um estupro promovido por um insano sargento americano. Disposto a falar ele enfrentará todo tipo de pressão e hostilidade para ficar de boca fechada. Baseado em fatos reais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Caso 39

Emily Jenkins (Renée Zellweger) trabalha como assistente social e em seu trabalho conhece a triste história de garota de apenas dez anos que sofreu abuso em sua família. O que ela não contava era que na realidade a pequena Lillith Sullivan (Jodelle Ferland) tem muitos segredos a esconder. Hollywood quando não faz remakes assumidos consegue reciclar velhas idéias e produzir remakes "disfarçados". Esse é um caso desses. O filme tem nuances de vários e vários filmes de terror do passado, só para se ter uma idéia da situação imediatamente me lembrei de "A Profecia", por exemplo, pois o argumento é idêntico em (quase) tudo. Dos mais recentes impossível não lembrar de "O Orfanato" e até mesmo de "Deixe Ela Entrar" (embora esse último seja posterior a esse filme).

Claro que haverá toda uma situação paranormal em volta da pequena criança. O filme tem alguns bons sustos mas são poucos. A trama demora um pouco a engrenar, a morte do psicólogo me lembrou muito um filme antigo, clássico, de terror dos anos 70 chamado Dr. Phibes. É tão parecida a cena que se quisessem os produtores daquele filme poderiam até pensar em processar o estúdio desse Caso 39. O negócio cheirou a plágio. De bom tem a Zellwegger, ainda bela mas no controle remoto. Crianças com poderes paranormais já viraram um filão esgotado em Hollywood e por isso essa produção não traz nada de original ou que venha a soar como novidade. Para completar seu final vai desagradar a muitos pois soa desproporcional e desnecessário. De qualquer modo o filme prova que Hollywood está com uma falta de criatividade dos diabos! (desculpe, não pude dispensar o trocadilho infame).

Caso 39 (Case 39, EUA, 2009) Direção: Christian Alvart / Roteiro: Ray Wright / Elenco: Renée Zellweger, Jodelle Ferland, Ian McShane, Kerry O'Malley, Callum Keith Rennie, Bradley Cooper / Sinopse: Emily Jenkins (Renée Zellweger) trabalha como assistente social e em seu trabalho conhece a triste história de garota de apenas dez anos que sofreu abuso em sua família. O que ela não contava era que na realidade a pequena Lillith Sullivan (Jodelle Ferland) tem muitos segredos a esconder.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Império Contra Ataca

Considerado até hoje o melhor filme da franquia Star Wars, O Império Contra Ataca segue sendo reverenciado como a melhor aventura desse universo. Qual foi o segredo de seu sucesso de público e crítica? De fato são vários fatores que fizeram o filme ter esse status especial. Primeiro de tudo temos aqui o melhor roteiro já escrito, onde os personagens da primeira produção são desenvolvidos com profundidade, mostrando aspectos de suas vidas e personalidades que ficaram ausentes do filme anterior, que obviamente priorizava mais a ação e a aventura. Além disso os efeitos especiais são bem mais trabalhados, fruto do avanço técnico alcançado pelos especialistas da empresa de George Lucas. Some-se a isso ainda a bela direção de Irvin Kershner, um veterano que trouxe toda a sua experiência para a saga. Aliás é bom que se diga que apesar de ser um dos grandes criadores do cinema no século XX, George Lucas nunca foi um bom diretor. O problema é que ele definitivamente nunca aprendeu a dirigir bem seu elenco em cena, assim foi muito inteligente de sua parte ficar nos bastidores, na produção, entregando essa função para Irvin Kershner. A diferença se nota em cada cena, em cada atuação. Os atores estão mais focados, mais coesos. Uma pena que Lucas não tenha aprendido a lição, repetindo todos os seus erros nos três filmes mais recentes de Star Wars (todos medonhos nesse aspecto).

A Fox, depois do sucesso espetacular do primeiro Star Wars, também investiu tudo o que tinha de melhor na realização de O Império Contra Ataca. Se nas filmagens do original tudo soava como descrédito e sobras de produção, aqui tudo do bom e do melhor foi colocado à disposição de Lucas e seus atores. Alguns dos personagens mais cativantes da série, como o Mestre Jedi Yoda também surgiram pela primeira vez aqui. A linha narrativa segue em várias frentes, evoluindo em estórias de certo modo independentes ao longo do filme, o que deixou o espectador praticamente sem fôlego. No final tudo se une em um dos momentos mais climáticos de todos os filmes envolvendo o herói Luke Skywalker (Mark Hamil) e o vilão Darth Vader (David Prowse). Obviamente que passados tantos anos todos já sabem do que estou falando mas evitarei dar esse spoiler para quem ainda não viu a saga original. Por fim quero registrar que preferi usar o nome do filme em que assisti na época sem essa bobagem de classificação que Lucas inventou após o lançamento da nova trilogia. Nunca vi esse filme como Episodio V e nunca irei me acostumar com esse tipo de coisa. A obra de arte tem que ser respeitada tal como foi lançada. Modificar tudo após tantos anos é equivocado. Outro absurdo foi o fato de Lucas ter inserido várias cenas digitais na produção após tantos anos. Além de tirar o charme dos efeitos especiais originais, ainda o desfigura como obra cinematográfica pronta e acabada. Dito isso aconselho aos novatos que procurem pelo filme tal como foi lançado no começo da década de 80 e esqueçam as várias "edições especiais" lançadas por Lucas pois são verdadeiros retalhos em celulóide desprovidos de alma e carisma.

O Império Contra Ataca (The Empire Strikes Back, EUA, 1980) Direção: Irvin Kershner / Roteiro: Leigh Brackett, Lawrence Kasdan, George Lucas / Elenco: Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, David Prowse, Billy Dee Williams, Anthony Daniels, Frank Oz. / Sinopse: A luta entre as forças rebeldes e o Império continua. Para se tornar um cavaleiro Jedi, Luke Skywalker (Mark Hamil) vai até o distante planeta Dagobah conhecer o mestre Jedi Yoda (Frank Oz). Enquanto isso Darth Vader (David Prowse) consegue infringir duros golpes entre a resistência rebelde, aprisionando Han Solo (Harrison Ford) e Chewbacca (Peter Mayhew). Já a Princesa Léia (Carrie Fisher) acaba caindo nas garras de Jabba, The Hutt.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Os Embalos de Sábado à Noite

Existem alguns filmes que acabam virando símbolo de toda uma década. Os Embalos de Sábado à Noite é um desses filmes. O período histórico retratado é a década de 70, no auge da discoteca. Para quem não se recorda ou não viveu, a Discoteca foi aquele período musical em que as músicas deixaram de ter qualquer conotação política ou social para virarem simples diversão, embalo, dança! Obviamente que tudo vai soar datado hoje em dia: as roupas, as danças e as músicas mas isso é apenas um charme a mais para quem for assistir ao filme atualmente. Duas características são bem marcantes aqui: a trilha sonora do Bee Gees, que fez um sucesso estrondoso jamais repetido pelo grupo em qualquer um de seus trabalhos futuros e o carisma de John Travolta, muito jovem, cheio de maneirismos típicos dos jovens daquela época. De fato esse foi o filme de sua virada na carreira. Ele já tinha aparecido em outros sucessos como Carrie A Estranha e até mesmo em um telefilme famoso chamado O Menino da Bolha de Plástico, mas estava longe de ser um astro. Foi justamente Os Embalos de Sábado à Noite que o transformou em um ator do primeiro time em Hollywood.

O roteiro procura criar uma crônica sobre a vida de um jovem tentando se divertir na metrópole nesses anos do Disco. De dia ele intercala uma série de subempregos para sobreviver, nenhum deles promissor. Sua vida é dura e cheia de dificuldades. Durante a semana  Tony Manero (John Travolta) dá um duro danado na vida mas quando vai chegando o fim de semana ele vai renascendo pois sabe que poderá arrasar nas pistas de dança da cidade. O dinheiro que ganha de forma suada nos dias de trabalho são investidos em roupas maneiras para impressionar no sábado á noite. É curioso que o roteiro do filme tenha sido escrito a partir de um artigo publicado na revista Time intitulado "Tribal Rites of the New Saturday Night" que tentava entender a geração jovem que amava a Discoteca. Eles não tinham qualquer ideologia ou inclinação política ou social, nada disso os interessavam, estavam bem longe da geração consciente da década de 60. Os jovens dos anos 70 só queriam mesmo se divertir, dançar, namorar e aproveitar a vida até o dia raiar.  E é justamente isso que o filme se propõe. Os Embalos de Sábado à Noite é assim um belo retrato daqueles dias dançantes. Definitivamente um musical que marcou época.

Os Embalos de Sábado à Noite (Saturday Night Fever, EUA, 1977) Direção: John Badham / Roteiro:  Norman Wexler baseado no artigo "Tribal Rites of the New Saturday Night" de Nik Cohn / Elenco: John Travolta, Karen Lynn Gorney, Barry Miller,  Joseph Cali / Sinopse: A vida de Tony Manero (John Travolta) não é nada fácil. Durante a semana se vira como pode em subempregos para ajudar sua família. No fim de semana porém se diverte como nunca nas pistas de discoteca por toda a cidade. Um dançarino talentoso que logo chama a atenção de todos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 18 de novembro de 2012

Ed Wood

Alguns filmes soam como maravilhosas declarações de amor ao cinema. Um dos mais famosos nesse sentido é Ed Wood, uma homenagem a todos que amam a sétima arte. Ao contar a história do diretor Ed Wood (1924 - 1978) o cineasta Tim Burton realizou sua mais sincera ode à arte que todos adoramos. Ed Wood era realmente um sujeito sem o menor talento para dirigir qualquer coisa mas sua paixão pelo cinema, seu entusiasmo absoluto pelos filmes que realizava e sua visão pessoal de que era um grande filmmaker fez toda a diferença do mundo no final das contas. Atualmente considerado o "pior diretor de todos os tempos" (um título mais carinhoso do que aparenta ser) Wood acabou criando com sua filmografia uma legião de fãs que o idolatram justamente por isso, por ser ruim demais, ruim a um ponto de acabar se tornando bom, por mais absurdo que isso possa parecer. Tim Burton nesse que é um de seus momentos mais felizes na carreira acertou em cheio ao resolver contar a curiosa história de Ed e o resultado é realmente excelente. Além de ter dirigido verdadeiras pérolas, Wood ainda chamava atenção por sua personalidade um tanto diferente. Só para citar um exemplo ele adorava se vestir de mulher, fato que deu origem a uma de suas "obras primas", o estranho, para dizer o mínimo, "Glen or Glenda". De fato o sujeito não era nada comum.

Outro aspecto que chama atenção no filme é a presença do ator Bela Lugosi na trama. De fato no final da vida, pobre, abandonado e viciado em drogas, o grande ator do passado estava arruinado completamente, tanto na vida como na carreira. Foi nesse momento que Ed Wood resolveu lhe ajudar, o escalando para uma série de fitas de terror trash que trouxe ao velho Lugosi um mínimo de dignidade que ainda lhe restava. Esse ponto do enredo é dos mais humanos que já vi em filmes recentes. Burton lida com carinho seu personagem, dando a Martin Landau (que interpreta Lugosi no filme) o papel de sua vida, tanto que foi vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Um reconhecimento que em minha opinião premiou não apenas Landau mas também Lugosi pois foi uma forma encontrada pela Academia de homenagear esse grande nome do passado que morreu esquecido e abandonado, infelizmente. Outra sábia decisão de Burton foi filmar tudo em uma linda fotografia preto e branco. O clima  de algo antigo nos remete de forma imediata aos grandes anos do cinema clássico quando Lugosi era ídolo dos fãs de filmes de suspense e terror. Em suma, Ed Wood é um belo poema de amor ao cinema. Um filme muito lírico que soube como poucos resgatar a "genialidade" de Ed Wood, que sendo o pior diretor de todos os tempos ou não, conseguiu entrar na história do cinema de  uma forma muito especial.

Ed Wood (Ed Wood, EUA, 1994) Direção: Tim Burton / Roteiro: Scott Alexander, Larry Karaszewski / Elenco: Johnny Depp, Martin Landau, Sarah Jessica Parker, Patricia Arquette, Jeffrey Jones, Vincent D'Onofrio / Sinopse: Ed Wood (Johnny Depp), um diretor obtuso, resolve reunir um grupo de estranhos atores e um veterano consagrado mas decadente para filmar uma nova obra prima que em sua opinião vai revolucionar para sempre a sétima arte!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Batman: Ano Um

Já tive a oportunidade de chamar a atenção dos leitores sobre uma série de animações que a DC Comics e a Warner tem lançado ultimamente no mercado de venda direta ao consumidor. Esse Batman: Ano Um é outro exemplo de bom produto, com excelente nível técnico aliado a uma boa estória que prende a atenção. Como sugere o título, aqui acompanhamos o primeiro ano de atividades do novo herói, chamado pela imprensa de Gotham City de Batman, o Homem-Morcego. Na verdade se trata do milionário Bruce Wayne (Ben McKenzie) que traumatizado pela morte de suas pais resolve ganhar as ruas, varrendo a criminalidade dos becos mais escuros da cidade. Em outra linha narrativa vemos a chegada de um novo policial na cidade, um promissor tenente chamado Jim Gordon (Bryan Cranston). Ético e honesto, recém-casado, ele logo enfrentará muitos problemas pelo nível de corrupção que está mergulhada a polícia de Gotham. Os caminhos desses dois personagens não tardarão a se cruzarem.

A animação segue o estilo tradicional, procurando de certo modo recriar a direção de arte dos primeiros quadrinhos de Batman (o uniforme do herói, por exemplo, é bem fiel ao que conhecemos dos primeiros gibis do personagem nos EUA). Foi essa inclusive a intenção da Graphic Novel de Frank Miller e David Mazzucchelli, que deu origem a essa animação. Curiosamenmte o roteiro trabalha bastante a figura de Jim Gordon (futuro comissário Gordon). Sua vida pessoal é mostrada em detalhes, os problemas com a esposa, seu filho recém nascido e até uma pequena falha de caráter do personagem, que apesar de toda a ética profissional acaba se envolvendo em um caso extraconjugal com uma colega de trabalho. O clima é soturno, pessimista e dentro das possibilidades também realista. O vilão é materializado na rede de corrupção da própria polícia. A Mulher-Gato também surge mas sem grande atuação dentro da trama. Coringa também é citado, mas não chega a surgir na aventura. Enfim, Batman: Ano Um é um ótimo programa para os fãs do herói que o conhecem mais pelos filmes de cinema. Que tal ver Batman na forma da qual foi concebido? Você não irá se arrepender.

Batman: Ano Um  (Batman: Year One. EUA, 2011) Direção: Sam Liu, Lauren Montgomery / Roteiro: Tab Murphy, Frank Miller, David Mazzucchelli, baseados na obra de Bob Kane / Elenco: Bryan Cranston, Ben McKenzie, Eliza Dushku / Sinopse: Após ter seus pais mortos por um criminoso, o herdeiro milionário Bruce Wayne resolve assumir  uma nova identidade, Batman. Ao mesmo tempo um jovem policial chamado Jim Gordon chega para trabalhar na polícia de Gotham City, uma corporação completamente corroída pela corrupção e pelo crime.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 17 de novembro de 2012

Gladiador

Em 1994 Steven Spielberg se uniu a David Geffen e Jeffrey Katzenberg para fundar um novo estúdio em Hollywood chamado Dreamworks. Era o sonho do diretor em ter seu próprio estúdio de cinema. Depois de muitos fracassos e erros a Dreamworks, praticamente falida, foi vendida para a Paramount. Olhando para trás o grande momento dessa empresa aconteceu mesmo com esse Gladiador que foi sucesso de público e crítica, tendo sido premiado com os Oscars de Melhor Ator (Russel Crowe), Figurino, Efeitos Visuais, Melhor Filme, Som e foi indicado aos de Ator Coadjuvante (Joaquin Phoenix), Direção de Arte, Fotografia, Direção (Ridley Scott), Edição, Trilha Sonora e Roteiro Original. Como se vê a Academia se rendeu mesmo à produção. Na realidade Gladiador representou mesmo uma tentativa de se voltar aos anos de ouro do cinema americano onde os filmes não eram apenas peças de marketing, mas cinema espetáculo, produções milionárias que tinham como objetivo causar comoção no público, disponibilizar uma experiência única ao espectador que se sentia na própria antiguidade, revivendo os grandes momentos da história. O filme referência desse Gladiador é obviamente Ben-Hur, o épico recordista de Oscars que até hoje em dia é sinônimo de grandeza nas telas. Outro filme no qual Ridley Scott procurou se inspirar foi em "A Queda do Império Romano", que inclusive se passa na mesma época da história Romana que esse Gladiador.

Como não poderia deixar de ser a produção do filme é de encher os olhos. Muito do que se vê nas telas foi recriado digitalmente, perdendo de certa forma o impacto que os antigos filmes tinham pois todos os cenários eram realmente construídos. Mesmo assim tudo é de certa forma tão bem feito, tão bem realizado, que não podemos ignorar o impacto do filme ao se assistir. A trilha sonora também soa evocativa aos grandes épicos do passado. Ridley Scott deixa certos maneirismos irritantes de sua filmografia e se concentra em contar da melhor forma possível a estória do general romano Maximus (Russell Crowe) que após a morte do Imperador Marcus Aurelius (Richard Harris) cai em desgraça pois o novo Imperador, Commodus (Joaquin Phoenix), o vê como um inimigo na sua sucessão. Após muitas reviravoltas ele acaba indo parar nas grandes arenas de gladiadores. A sua luta agora se trava nessas areias onde tentará sobreviver a cada combate mortal. O filme havia sido escrito especialmente para Mel Gibson que declinou do convite por se achar fora da idade ideal para interpretar um gladiador. Melhor para Russell Crowe que a partir dessa produção virou astro de primeira grandeza. Uma pena que o sucesso de Gladiador não tenha salvado a Dreamworks da falência anos depois. De qualquer modo ficou como símbolo do que de melhor o estúdio de Spielberg conseguiu realizar. Uma volta corajosa aos grandes épicos do passado.

Gladiador (Gladiator, EUA, 2000) Direção: Ridley Scott / Roteiro: David H. Franzoni, John Logal, William Nicholson / Elenco: Russell Crowe, Joaquin Phoenix, Oliver Reed, Richard Harris, Derek Jacobi, Connie Nielsen./ Sinopse: Gladiador conta a estória do general romano Maximus (Russell Crowe) que após a morte do Imperador Marcus Aurelius (Richard Harris) cai em desgraça pois o novo Imperador, Commodus (Joaquin Phoenix), o vê como um inimigo na sua sucessão.Após muitas reviravoltas ele se vê nas areias das grandes arenas de gladiadores. A sua luta agora se trava nesse espaço, onde tentará sobreviver a cada combate mortal.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Pulp Fiction

O termo "Pulp Fiction" era usado para designar um tipo de publicação que se tornou muito popular nos EUA nas décadas de 50 e 60. Era uma linha de livros de bolsos com estórias cheias de violência, sexo e ação que logo caiu no gosto do grande público, principalmente entre jovens. E foi um desses garotos chamado Quentin Tarantino que resolveu homenagear esse tipo de literatura na década de 90 com esse filme, que muito provavelmente é o seu melhor momento no cinema. Unindo as características daquele tipo de texto com uma linha narrativa ousada e inovadora no cinema, Tarantino começou uma nova era dos filmes de ação de Hollywood. Obviamente que a violência extrema e irracional está lá em doses generosas, assim como as cenas absurdas, uma atrás da outra, mas pontuando tudo isso o espectador é bombardeado com uma sequência de diálogos espertos e bem escritos com referências mil à cultura pop, fruto obviamente da cultura nerd que Tarantino acumulou durante anos e anos. O resultado é realmente de impacto, pois o filme soa completamente original, diferente de tudo o que já havia sido lançado antes. De certo modo foi o filme certo, na hora exata, para o público ideal. A Academia, tão conservadora, se rendeu a esse texto extremamente criativo e inovador e premiou Tarantino com o Oscar de Melhor Roteiro Original. Um feito e tanto para alguém que naquele momento não passava de um cineasta em começo de carreira.

A trama é básica: dois assassinos profissionais, Vincent Vega (John Travolta) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson), são contratados para realizar cobranças para um grande criminoso do submundo. Durante seus "serviços" enfrentam todos os tipos de imprevistos e problemas. Enquanto tentam executar as ordens que lhes foram dadas vão discutindo sobre a vida e o mundo. O pior acontece quando são designados para cuidar da esposa de seu chefe, a piradinha Mia Wallace (Uma Thurman), que parece mais interessada em se divertir até o fim. Numa segunda linha narrativa acompanhamos um momento decisivo da vida do lutador  Butch Coolidge (Bruce Willis) que procura por redenção em sua carreira e em sua vida. Além da ótima direção de Tarantino o filme tem um excelente timing - com destaque para as cenas entre John Travolta e Samul L. Jackson, que aqui consolida o tipo de personagem que iria repetir durante toda a sua carreira. Para Travolta foi um renascimento pois sua carreira foi marcada por altos e baixos, sendo que Pulp Fiction lhe deu uma enorme sobrevida em Hollywood. Outro aspecto do filme digno de nota é sua trilha sonora inspirada, cheia de canções obscuras que foram resgatadas por Tarantino, dando uma personalidade sonora ao filme que até hoje lhe soa como verdadeira marca registrada. Em suma, Pulp Fiction é uma obra prima Tarantinesca, com tudo de bom e ruim que isso significa. Não deixe de assistir. 

Pulp Fiction (Pulp Fiction, EUA, 1994) Direção: Quentin Tarantino / Roteiro: Quentin Tarantino, Roger Avary / Elenco: John Travolta, Samuel L. Jackson, Uma Thurman, Bruce Willis, Tim Roth, Harvey Keitel, Amanda Plummer, Ving Rhames, Eric Stoltz, Maria de Medeiros, Christopher Walken, Rosanna Arquette. / Sinopse: Dois assassinos profissionais passam por maus bocados enquanto tentam executar suas últimas ordens. Enquanto isso um lutador fracassado procura por algum tipo de redenção em sua carreira e em sua vida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - Elvis e Dolores Hart

Ela tinha um futuro promissor. Era considerada a estrela do amanhã por uma grande publicação em Hollywood e tinha conseguido assinar seu grande contrato com a Paramount no valor de 1 milhão de dólares. Tudo parecia caminhar muito bem para ela até que desistiu de tudo para abraçar uma vida religiosa enclausurada em um convento Beneditino na zona rural de Connecticutt. Lida assim a história da vida da atriz Dolores Hart mais parece um roteiro, mas não é. Em 2011 ela finalmente voltou às telas no documentário "Deus é o Elvis Maior", que concorreu ao Oscar em sua categoria. Desde 1962 Dolores não pisava em uma noite de premiação da Academia mas voltou para ajudar na divulgação do filme. Vestida com o hábito de freira ela chamou atenção por onde passou. Aos 73 anos, sorridente e simpática, encantou a todos os presentes.

Ainda bonita, com lindos olhos azuis que lhe valeram por anos uma comparação com a diva Grace Kelly, Dolores aos 18 anos teve o privilégio de ser a atriz que pela primeira vez beijou Elvis Presley em um filme. Foi em "Loving You" (A Mulher Que Eu Amo, no Brasil), um musical que captou o jovem Rei do Rock no auge da carreira e da beleza. Sobre Presley ela só tem coisas boas a dizer: "Ele era uma pessoa muito doce. Muito amigo e companheiro nas filmagens. Éramos muito jovens e inexperientes então nos ajudamos mutuamente. Ele adorava James Dean e Marlon Brando e queria ter uma carreira como a deles. Se empenhava muito nas cenas e levava tudo muito à sério". Elvis inclusive compareceu a sua festa de aniversário realizada com a nata jovem de Hollywood presente para lhe homenagear.

O sucesso de Loving You abriu ainda mais as portas para Dolores em Hollywood. Ela foi escolhida pelo próprio mestre do suspense Alfred Hitchcock para aparecer em seu famoso programa de TV e depois foi selecionada por um dos grandes cineastas do cinema americano, George Cukor, para aparecer no clássico "A Fúria da Carne". Ela voltou a trabalhar com Elvis Presley em "Balada Sangrenta" mas começou a sentir a pressão de ser uma jovem starlet na capital do cinema. Havia muita competição na luta pelos papéis e aos poucos Dolores foi percebendo que não mais se sentia feliz com sua carreira de atriz. Ela fez nove filmes em cinco anos e foi ficando cada vez mais cansada daquele ambiente. Em 1963 participou de seu último filme, "Come Fly WIth Me" onde interpretava uma aeromoça. Estava noiva e compromissada mas deu uma reviravolta em sua vida resolvendo finalmente abraçar uma existência religiosa cristã. Após passar alguns dias de férias em uma distante propriedade em Connecticut ela resolveu conhecer a abadia local e se encantou com a paz do lugar. Após pensar muito resolveu virar freira, algo que foi visto com desconfiança pela Madre Superiora que não acreditava que uma atriz de Hollywood poderia se tornar uma religiosa praticamente da noite para o dia. "Levou três anos e muitas visitas ao convento para que as freiras finalmente acreditassem em mim e me dessem as ordens sagradas" relembra Dolores.

"Eu não entendo porque as pessoas se surpreendem tanto por eu ter abraçado o caminho de Deus! Elas possuem dúvidas sobre isso? Eu não!" - resume Dolores. Sobre o passado Dolores ainda guarda boas lembranças. "Elvis veio ao meu aniversário, tocou clarinete e depois sentou ao piano para tocar algumas canções. Era uma pessoa divertida, com ótimo humor mas que mantinha uma certa timidez que era muito charmosa. Era um cavalheiro, um exemplo de simplicidade. Guardo boas lembranças dele". Apesar do que foi fofocado na época nada houve entre eles nas filmagens, apenas uma sincera amizade. Dolores já estava de caso sério com o arquiteto Don Robinson que anos depois, desiludido por Dolores ter virado freira, jamais se casou, sempre a visitando quando possível em seu convento de reclusão. A atriz porém continuou membro da Academia, votando todos os anos nos concorrentes ao Oscar. Ela poderia ter sido uma grande atriz com o status de uma Elizabeth Taylor, quem sabe? De qualquer forma preferiu virar uma estrela de Cristo. "Quem afinal consegue entender os caminhos que Deus traça para todos nós?" - pergunta Dolores ao final.

Pablo Aluísio.  

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Michael Jackson Untouchable

Certas celebridades não conseguem morrer de fato. Suas vidas são fuçadas, estudadas, esmiuçadas ao extremo. Já havia acontecido antes em grande escala com Elvis Presley e agora começa a acontecer com outros ídolos mortos mais recentemente. A bola da vez é o superstar Michael Jackson. No livro "Michael Jackson Untouchable" o autor foca seu texto na vida íntima e sexual do cantor americano. Falar na vida sexual de Michael é algo que soa cansativo hoje para a maioria das pessoas pois durante anos esse tema foi exaustivamente explorado pela mídia. Como se sabe Michael Jackson foi acusado de ser pedófilo e teve que ir ao tribunal para se defender e provar que tudo o que diziam contra ele não era verdade. Agora surge uma nova visão sobre a vida do star. Para o autor Randall Sullivan a questão é simples de entender: Michael Jackson não era pedófilo, nem gay, nem hetero. Na verdade ele era assexuado e teria morrido virgem aos 50 anos de idade. Quem explica é o próprio Sullivan: "De todas as respostas que alguém pode dar sobre a pergunta central envolvendo a memória de Michael Jackson, a que tem mais apoio das evidências é a de que ele morreu como um virgem de 50 anos, tendo nunca feito sexo com nenhum homem, mulher ou criança, em um estado especial de solidão que é responsável em grande parte por ele ter se tornasse único enquanto artista e tão infeliz enquanto ser humano".

A declaração causou controvérsia essa semana nos Estados Unidos uma vez que Michael Jackson foi casado com a filha de Elvis Presley, Lisa Marie Presley. Será que o casamento tantas vezes acusado de ser  uma farsa jamais se consumou? Lisa Marie não quis dar declarações sobre o novo livro. O assunto para ela parece ter sido encerrado de forma definitiva. Para os fãs de Michael Jackson porém o tema ter voltado à tona agora é mais uma fonte de dor de cabeça pois terão que novamente responder às mesmas perguntas cansativas de antes como: Michael Jackson era pedófilo? Michael Jackson era gay? Michael Jackson era assexuado? O que significa isso afinal? As pessoas continuam extremamente preocupadas com a vida sexual alheia. O assunto como se vê parece longe de chegar ao fim. Para finalizar porém fica a grande pergunta nesse momento: E no que a afirmação de que Michael Jackson não era interessado por sexo se baseia? Segundo o autor ele teria ouvido pessoas próximas a Jackson como seu advogado Tom Mesereau, que defendeu Jackson das acusações de pedofilia em 2005. Mas afinal qual é a verdade no meio de tudo isso? Ninguém ao certo jamais saberá.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.