segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A-ha - Stay On These Roads

Muita gente acredita que o A-ha foi apenas uma banda norueguesa que fez muito sucesso na década de 1980 com suas canções de refrões pegajosos e depois disso sumiu do mapa sem deixar vestígios. Nada mais longe da realidade. Na verdade o A-ha é um dos grupos europeus mais interessantes que já surgiram no mundo da música. Embora realmente tenham tido uma fase de sucesso FM, o fato é que eles seguiram em frente após isso e gravaram trabalhos excelentes, acima da média mesmo. Muitos desses álbuns não fizeram grande sucesso entre o público brasileiro mas devem ser redescobertos, como por exemplo, o excepcional "Memorial Beach", um grande fracasso de vendas cuja qualidade é inversamente proporcional ao seu fraco sucesso comercial.

Considerado por muitos o melhor disco do grupo ele demonstra que mesmo não alcançando mais o topo das paradas o A-ha conseguiu manter um bom nível de qualidade em seus discos. "Stay On These Roads", por outro lado, faz parte da fase de maior sucesso do grupo. Lançado em 1987 o disco emplacou nas rádios e paradas com várias de suas canções, que viraram hits como "You Are the One", "Touchy!", "The Blood That Moves the Body", "The Living Daylights" e a própria faixa título do disco, a baladona "Stay on These Roads". Esse foi o terceiro disco do A-ha na gravadora Warner e contou com todo o apoio da gravadora multinacional que não mediu esforços para continuar divulgando o grupo, inclusive escalando a banda para compor e cantar o tema do novo filme de James Bond, "Marcado Para Morrer". A faixa "The Living Daylights" é inclusive considerada até hoje um dos melhores temas do agente inglês no cinema. Composta em quatro mãos por Paul Waaktaar-Savoy e John Barry, não fez feio nem nas paradas e nem na avaliação dos principais críticos de música na época de seu lançamento. Um grande êxito.

Para promover o disco o A-ha caiu na estrada e realizou mais de 80 concertos mundo afora. Uma turnê exaustiva e muito produtiva em termos de divulgação. Para os fãs brasileiros essa turnê marcou época pois o grupo a encerrou justamente no Brasil ao realizar cinco shows em São Paulo e no Rio de Janeiro. A presença dos noruegueses por aqui inflamou as vendas do conjunto que foi premiado pela Warner Brasil com um Disco de Platina pelas vendas excepcionais. Como se não bastasse a filial brasileira da Warner até mesmo inventou uma coletânea chamada "A-ha In Brazil" que também fez bonito nas lojas, vendendo milhares de cópias. Infelizmente "Stay On These Roads" marcaria o fim da fase de maior sucesso da carreira do A-ha. Depois da enorme turnê eles resolveram dar um tempo. Cada um foi para seu lado produzir trabalhos próprios e o A-ha como grupo só voltaria ao mercado dois anos depois com o álbum "East of the Sun, West of the Moon" que ficou famoso por causa do hit "Crying in the Rain", uma regravação de um antigo sucesso da dupla The Everly Brothers. Não faz mal. "Stay On These Roads" está aí como um disco acima da média com nada mais, nada menos, do que cinco grandes sucessos em um álbum com apenas 10 faixas - um resultado excepcional em termos de popularidade. Se você gosta do A-ha ou da sonoridade da década de 80 então “Stay On These Roads” é simplesmente indispensável em sua coleção.

A-ha - Stay On These Roads (1987)
Stay on These Roads
The Blood That Moves the Body
Touchy!
This Alone Is Love
Hurry Home
The Living Daylights
There's Never a Forever Thing
Out of Blue Comes Green   
You Are the One
You'll End up Crying

Pablo Aluísio e Erick Steve.

domingo, 30 de dezembro de 2012

George Michael - Faith

Fim de ano é tempo de organizar algumas bagunças. Remexendo em uma velha pilha de discos de vinil da minha velha coleção acabei me deparando com uma cópia antiga, já bem gasta pelo tempo, desse "Faith". Para matar um pouco a saudade resolvi colocar para tocar algumas faixas. Provavelmente apenas Michael Jackson e Madonna eram mais populares do que George Michael na década de 80. O cantor inglês era um dos maiores vendedores de discos do mundo! Suas turnês lotavam estádios planeta afora e George Michael tinha um fã clube tão forte e organizado como os de Madonna e Michael Jackson. "Faith" foi seu auge absoluto. Depois de um começo de carreira no Wham! (uma espécie de Menudo em versão dupla) o cantor rompeu com o antigo amigo e se lançou em carreira solo. Após assinar com uma grande gravadora ele mudou o visual (saiu o estilo namoradinho de colegial e entrou o jeito motoqueiro de ser). George Michael encarnava naquele momento o cara durão de rua, que arranjava briga em bares de motoqueiro onde só havia caras durões para bater. Com uma jukebox dos anos 50 ao lado e casaco de couro negro, o cantor praticamente se reinventou. O novo design caiu imediatamente no gosto de seu extenso fã clube feminino. As mulheres iam ao delírio vendo aquele jeito completamente másculo de ser! No colégio muitas garotas tinham George Michael estampado nas capas de seus cadernos. Claro que estamos falando de uma época em que ninguém sabia que George Michael era na realidade gay! Com tanto poder e dinheiro em jogo com o projeto Faith não convinha a ele revelar sua verdadeira orientação sexual, até porque a alma de qualquer fã clube que se preze sempre é formada pelas fãs mais devotadas. E elas viam no cantor o seu namorado ideal. George Michael era o namorado idealizado que todas elas sonhavam! Quando o clipe surgiu na MTV então foi aquele alvoroço! Apelando sem timidez para seu sex appeal com a mulherada, George Michael estava pronto para reinar nas paradas! E reinou mesmo!

Faith vendeu quase 30 milhões de cópias ao redor do mundo! George Michael com seu visual de borracharia, barba por fazer e óculos espelhados virou um ícone de sensualidade e perigo para todas as adolescentes do mundo! Depois de conquistar o primeiro lugar nas paradas George Michael partiu para conquistar o mundo através de turnês megalomaníacas! Lotou estádios dos EUA à Europa e até no Brasil o ídolo das massas aterrissou. Por aqui inclusive se apaixonou perdidamente por um brasileiro, um garotão de praia muito bem apessoado. Talvez sua passagem carioca tenha sido justamente o começo de seus problemas. A gravadora fazia de tudo para esconder a homossexualidade de George Michael, a ponto de literalmente esconder o superstar dos olhares mais curiosos. Finalmente depois de alguma hesitação o cantor resolveu abrir o jogo. Apaixonado pelo brasileiro convocou a imprensa britânica e saiu do armário, revelando ao mundo finalmente suas preferências. Era gay e ponto final! Deixando todas essas estórias de alcova de lado temos que reconhecer que "Faith" é um álbum fantástico! Muitas vezes trabalhos assim, que viram febres nas rádios, perdem credibilidade artística até porque nem tudo que é muito popular é bem visto pela crítica. Bobagem. "Faith" traz o som pop definitivo da década de 80. Foi um dos primeiros álbuns gravados digitalmente no mundo - uma revolução e tanto para aquela época. George Michael mostrando uma maturidade incomum foi praticamente o único produtor de todas as faixas. Usando a nova tecnologia ao limite ele conseguiu produzir um disco único que até hoje causa admiração em quem ouve. Além disso ele sempre mostrou ser um intérprete muito talentoso, com voz muito agradável. Infelizmente assim como aconteceu com Michael Jackson, sua vida pessoal cheia de problemas e escândalos nublaram a isenção dos que escreviam sobre suas obras. O fato porém é que George Michael nunca mais voltou ao nível comercial e artístico que apresentou nesse "Faith", um álbum que até hoje é um dos maiores representantes da musicalidade da década de 80. Um apogeu que jamais voltaria a ele.

George Michael - Faith (1987)
Faith
Father Figure
I Want Your Sex (Parts I & II)
One More Try
Hard Day
Hand to Mouth
Look at Your Hands
Monkey
Kissing a Fool
      CD / cassette faixas bonus:    
Hard Day (Shep Pettibone Remix)
A Last Request (I Want Your Sex Part III)

Pablo Aluísio e Erick Steve.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Quantum of Solace

Esse foi o segundo filme de James Bond com o ator Daniel Craig. O êxito do primeiro filme demonstrou que o público de uma forma em geral havia aprovado o novo ator na pele do mais famoso agente secreto da história do cinema. Craig surgia com uma caracterização bem mais séria, sem espaços para humor ou até mesmo chanchada (que se tornou marca característica de Roger Moore no papel). Com o fim da guerra fria Bond ficou sem os seus vilões preferidos, os comunistas soviéticos e assim as tramas de seus filmes foram modernizadas para a realidade sociopolítica do mundo atual. Os novos escritores responsáveis por essa revitalização se viram como podem para suprir essa lacuna (os agentes russos continuam imbatíveis como vilões da franquia Bond mas hoje em dia soam ultrapassados, anacrônicos). Talvez por essa razão – a falta de vilões mais consistentes – a trama desse filme tenha sido tão criticada. Outro ponto fraco do filme anterior aqui também é atenuado. No primeiro filme muitos reclamaram da falta do velho charme sedutor do agente e por essa razão os roteiristas aqui capricharam envolvendo Bond não apenas com uma Bond Girl mas com duas! Funcionou? Apenas em termos. A verdade é que Daniel Craig é ótimo em cenas de ação e violência mas quando tem que interpretar o lado mais romântico do personagem não se sai bem. Isso é uma característica muito pessoal desse ator. Talvez por essa razão os seus filmes tenham sido tão movimentados, com impecáveis cenas de ação e perseguições. Muito provavelmente os produtores queiram compensar sua falta de charme com muita correria e pirotecnia.

Na trama James Bond (Daniel Craig) passa por um momento de desilusão amorosa após ser abandonado por uma paixão. Procurando seguir em frente ele acaba descobrindo uma grande organização criminosa especializada em extorsões e chantagens. Para piorar o serviço secreto britânico descobre que há um traidor agindo dentro do sistema. Bond é designado para tentar descobrir de quem se trata. Suas investigações acabam levando o famoso espião ao encalço de Dominic Greene (Mathieu Amalric), um empresário poderoso que pretende ter sob controle os recursos naturais de uma extensa parte do planeta. Suas ligações incluem não apenas políticos locais corruptos como também membros do próprio serviço britânico e CIA, o que leva Bond ao descobrimento de uma extensa e complexa rede criminosa com vários tentáculos nos próprios governos dos principais países ocidentais. Como não poderia de ser o filme tem várias cenas espetaculares mas todos aqueles diálogos sobre controle de águas em terras áridas acaba cansando um pouco. Como é de praxe em filmes da série, Bond também viaja para várias partes do mundo. Aqui ele passa por Afeganistão, Chile, México, Áustria e Itália (locações onde o filme foi realizado). Ao custo de 200 milhões de dólares (orçamento digno dos maiores blockbusters da indústria americana), o filme rendeu ao redor do mundo mais de 500 milhões de dólares – um lucro excepcional. O sucesso absoluto sedimentou o caminho de Daniel Craig na franquia. Se tudo ia bem nas bilheterias o mesmo não se podia dizer nos bastidores pois brigas judiciais pelos direitos autorais nublavam o futuro de Bond no cinema. Felizmente ano passado os problemas foram finalmente resolvidos e celebrados com mais um lançamento com o personagem. Não foi dessa vez que acabaram com 007 que ao que parece terá ainda vida longa nas telas de cinema de todo o mundo.

Quantum of Solace (Idem, EUA, Inglaterra, 2008) Direção: Marc Forster / Roteiro: Paul Haggis, Neal Purvis, Robert Wade baseados no personagem criado por Ian Fleming / Elenco: Daniel Craig, Olga Kurylenko, Mathieu Amalric, Judi Dench, Giancarlo Giannini, Gemma Arterton, Jeffrey Wright / Sinopse: O agente secreto James Bond tem que superar uma desilusão amorosa ao mesmo tempo em que combate uma complexa organização liderada por um empresário poderoso e corrupto que pretende dominar vastos recursos naturais do planeta para atender seus interesses criminosos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Há um velho estigma dentro do cinema que afirma que a terceira continuação de uma franquia é sempre a pior. Fazendo uma retrospectiva realmente temos muitos exemplos disso. Esse último filme de Batman sob a direção de Christopher Nolan não contradiz essa velha máxima. Realmente é o filme menos brilhante da franquia mas é bom ressalvar que apesar disso ainda consegue ser um filme realmente excepcional. Ainda considero “Batman Begins” o melhor roteiro escrito e “Batman O Cavaleiro das Trevas” como o mais marcante em termos de atuação e direção (basta lembrar do Coringa de Heath Ledger para entender isso). Esse último filme de trilogia se destaca por ser o mais caótico, diria até mesmo anarquista, de todos eles. A figura de Bane surpreende por se revestir de tons revolucionários, pregando o poder para o povo (mesmo que seja mera desculpa para seus atos terroristas). Sua retórica chega a lembrar até mesmo dos líderes populistas e falsos socialistas que proliferam na América Latina atualmente. A trama é brilhantemente construída. É uma pena que não possa debater aqui todos os detalhes e reviravoltas que surgem em cena pois não daria qualquer tipo de spoiler que estragasse as surpresas do filme mas fica a observação de que, pela primeira vez em muito tempo, Hollywood conseguiu criar um argumento muito sólido que consegue explicar excepcionalmente bem a origem e as motivações de seus personagens. Mesmo com tantos acertos encontramos erros também no timing da película. Embora seja um grande filme temos que reconhecer que há certos momentos que quebram a espinha dorsal da trama. Achei excelente o uso de certos momentos mas também pude perceber nitidamente a presença de cenas desnecessárias que quebraram o ritmo frenético dos acontecimentos. Batman, ou melhor dizendo, Bruce Wayne, surge incrivelmente vulnerável nesse terceiro filme. Quase sempre se recuperando de alguma lesão ou fratura – o que lhe deu uma humanidade muito acentuada, valorizando o lado mais realista do personagem, algo bem típico dos filmes de Christopher Nolan, que sempre procura ficar com os pés no chão. Um exemplo disso vemos também no próprio vilão Bane. Nos quadrinhos e desenhos animados ele é basicamente um brucutu brutal que literalmente “infla” com músculos desproporcionais, virando uma espécie de gigante descomunal. Nolan ignorou tudo isso em favor de um maior realismo (algo que esperava embora no íntimo tenha ficado torcendo para ele virar o monstro que conhecemos dos gibis).

Em termos de elenco nada a acrescentar ou criticar. Certamente a atriz Anne Hathaway como Mulher Gato passa longe do carisma de Michelle Pfeiffer (que continua sendo a melhor personificação do personagem no cinema) mas mesmo assim não compromete no saldo final. Ela na verdade é pouco sensual, mais parecendo uma daquelas modelos sem sal das revistas de moda, mas não faz feio.  Christian Bale continua muito bem como Bruce Wayne / Batman. Ator sem muito carisma conseguiu se sair muito bem na pele do complexo e martirizado milionário. Seu jeito sorumbático caiu como uma luva para o personagem sombrio que vive em eterna crise existencial. O restante do elenco de apoio continua ótimo, todos grandes atores que trazem muito para o resultado final. Já analisar o trabalho do ator Tom Hardy como Bane fica mais complicado. Com uma máscara que lhe tira toda a expressão facial não há como qualificar como bom ou ruim sua performance. Bane é um personagem que não abre muitos espaços para interpretações inspiradas como Coringa ou Pingüim. Nos quadrinhos ainda é menos expressivo se limitando a ser uma montanha de músculos brutalizada. Aqui pelo menos ainda criaram toda uma estória em torno dele, tentando obviamente lhe passar alguma personalidade. De qualquer maneira as cenas de ação e lutas ficaram muito bem elaboradas e executadas. Impossível não sentir um frio na espinha na hora em que ele dá um golpe quase mortal no herói mascarado, quebrando suas costas. Em suma, reforçando minhas conclusões diria que “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge” é certamente o mais fraco da série mas isso não significa em absoluto que seja ruim ou deixe a desejar, pelo contrário. O que acontece é que os filmes anteriores são maravilhosos e esse também é excepcional mas um ponto abaixo dos demais. Parabéns a Christopher Nolan pelo talento, bom gosto e competência na realização dessa extremamente bem sucedida franquia que se encerra aqui. Não sei qual é o futuro do Homem-Morcego nas telas – provavelmente volte em uma nova franquia daqui alguns anos – mas sei de antemão que se igualar ao nível de qualidade dos filmes de Nolan não será nada fácil. De qualquer modo fico realmente feliz em saber que essa trilogia foi fechada com chave de ouro.

Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises,  EUA, 2012) / Direção: Christopher Nolan / Roteiro: Christopher Nolan, Jonathan Nolan / Elenco: Christian Bale, Gary Oldman, Morgan Freeman, Michael Caine, Anne Hathaway, JosephGordon-Levitt, Liam Neeson, Tom Hardy, Cilliam Murphy, Marion Cotillard, Juno Temple, Daniel Sunjata, Joey King, Matthew Modine / Sinopse Após os acontecimentos do filme anterior Bruce Wayne (Christian Bale) tenta se recuperar fisicamente dos ferimentos sofridos. Nesse meio tempo surge em Gotham City um terrorista mercenário chamado Bane (Tom Hardy) que deseja sob uma falsa retórica populista destruir a cidade. Apenas Batman pode deter seus planos de destruição.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Robin Hood - O Príncipe dos Ladrões

Robin Hood segue sendo um personagem controvertido. Até hoje os historiadores não chegaram a uma conclusão definitiva se ele foi uma pessoa real que viveu na Inglaterra durante a Idade Média ou se é apenas fruto da imaginação de trovadores, poetas e prosadores medievais. O máximo que se conseguiu chegar através de documentos históricos foi a confirmação da existência de não apenas um mas de dois criminosos famosos da época que lutavam contra o terrível Xerife de Nothingham. Muito provavelmente os escritores medievais resolveram fundir ambos em apenas um personagem apenas, surgindo daí a figura lendária de Robin Hood tal como a conhecemos. Inicialmente habitando as páginas da literatura Robin logo foi adotado nos primórdios do nascimento do cinema. Não é de se admirar pois esse é seguramente um personagem talhado para a sétima arte. Nas aventuras de Robin Hood temos emoção, romance e a eterna luta do bem contra o mal. Embora medieval Robin Hood parece mesmo ter sido criado para as telas. Essa aqui é uma das versões mais simpáticas e bem realizadas. Kevin Costner no auge de sua popularidade resolveu encarar esse projeto do amigo Kevin Reynolds que trazia para o público atual as irresistíveis estórias do príncipe dos ladrões, que roubava dos ricos para dar aos pobres. O curioso é que Costner não acreditava muito no filme, confessando inclusive que o fez mais por consideração ao amigo cineasta do que por qualquer outra razão. Mal sabia ele que esse iria se tornar um de seus grandes sucessos no cinema. (sua bilheteria ultrapassou os 400 milhões de dólares, um enorme êxito para a década de 90).

E qual afinal foi a razão de tanto sucesso? Simples, o filme respeita e mantém a essência e o espírito do personagem. Robin Hood é isso: aventura, paixão e muita ação. O resultado fica bem longe do mais recente filme feito que se tornou bem chato ao se preocupar em ser historicamente correto demais. Essa produção da Warner não nega as origens do herói e se assemelha bastante até mesmo ao clássico estrelado por Errol Flynn. A trama se passa na Inglaterra medieval do século XII. Robin Hood (Kevin Costner) é um veterano das cruzadas do Rei Ricardo Coração de Leão (Sean Connery) que volta para seu lar após muitos anos na terra santa. Ao retornar descobre que sua querida terra está sob as ordens do infame Xerife de Nothingham (Alan Rickman, sempre inspirado) que não hesita em explorar e humilhar os mais pobres e humildes da região. Acusado injustamente de um crime que não cometeu Robin encontra refúgio na floresta de Sherwood onde encontra uma comunidade de foras-da-lei. Decidido a lutar contra as injustiças acaba criando um verdadeiro mito em torno de seu nome, que representará pelos séculos afora a luta do homem comum contra o poder despótico dos poderosos. Destaque para o personagem mouro Azeem em carismática interpretação de Morgan Freeman e da participação especial de Sean Connery como o mitológico rei. Sua presença no filme inclusive foi escondido do grande público para criar surpresa no espectador na cena final quando finalmente surge na tela. Assim fica a dica para quem ainda não conhece: Robin Hood com Kevin Costner, uma aventura com o sabor das antigas matinês.

Robin Hood - O Príncipe dos Ladrões (Robin Hood: The Prince of Thieves, EUA, 1991) Direção: Kevin Reynolds / Roteiro: Pen Densham, John Watson / Elenco: Kevin Costner, Morgan Freeman, Mary Elizabeth Mastrantonio, Christian Slater, Alan Rickman, Geraldine McEwan, Michael McShane, Brian Blessed, Nick Brimble, Michael Wincott, Sean Connery / Sinopse: Nova versão para as aventuras do mitológico Robin Hood. Veterano das cruzadas ele é perseguido pelo Xerife de Nothingham tendo que fugir para a floresta onde começa a roubar dos ricos para dar aos pobres.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Treme

Mais uma ótima série com o selo HBO, que praticamente nunca erra em suas produções. O nível da produção é alto e os roteiros são extremamente bem escritos. O que me levou inicialmente a acompanhar Treme desde o começo foi sua ótima trilha sonora que se utiliza da rica musicalidade de New Orleans, a cidade que é um dos berços do Jazz americano. Os personagens são bem carismáticos (com destaque para o de John Goodman, ótimo como sempre)  A tônica é muito realista, mostrando os desafios da população em reerguer a cidade depois da passagem do furacão Katrina. O que vemos em cena é que não são apenas os políticos brasileiros que são ineficientes mas os americanos também - e muito! Mesmo após tantos anos a cidade continua completamente destruída. Os moradores só contam com eles mesmos para tentar reverter a situação. A burocracia e a crise nos EUA combinadas tornaram tudo muito mais complicado. O Estado americano se mostra tão incompetente quanto o brasileiro. Políticos corruptos a rodo e muita licitação fraudulenta. Parece familiar para você? Pois é. Nós brasileiros criamos essa mentalidade equivocada que apenas a nossa classe política é corrupta e ineficiente sendo a americana um primor. Ledo engano, os políticos americanos são tão corruptos quanto os nossos, os prefeitos e vereadores dos ianques são iguaizinhos. Treme mostra perfeitamente isso. 

O argumento tenta mostrar o cotidiano de típicos moradores da cidade. Assim temos a família negra que perdeu sua casa e não tem onde morar; o professor e escritor universitário que usa a internet para atacar o governo que nada faz em prol da população sem ajuda governamental; a advogada que tenta encontrar um jovem negro que desapareceu sob a custódia da polícia local (também tão violenta e corrupta quanto a nossa); o músico negro que tenta sobreviver de sua arte; a jovem cozinheira que tenta sobreviver numa cidade devastada e por fim um DJ e aspirante a músico que ama a cidade, mesmo ela estando toda quebrada. O retrato de todos esses personagens é muito humano. A série é um tapa na cara da classe política dos EUA e um retrato revelador de seus moradores. New Orleans também é um dos personagens da série. Cidade com muita personalidade e cultura marcante (diferente da maioria das cidades americanas que não tem carisma nenhum), a comunidade tenta sobreviver um dia de cada vez mesmo que tudo ao redor esteja mofado, destruído, alagado. Para piorar ainda mais todos têm que lidar com as altas taxas de criminalidade que assolam as ruas após a tragédia. Enfim, recomendo bastante. Quem ainda não conhece não deixe de dar uma olhada.

Treme (Treme, EUA, 2010 - 2012) Criado por Eric Overmyer e David Simon / Direção: Anthony Hemingway, Ernest R. Dickerson, Agnieszka Holland entre outros / Roteiro: Eric Overmyer, David Simon, George Pelecanos, entre outros / Elenco: Khandi Alexander, Rob Brown, Kim Dickens, John Goodman, Melissa Leo, Steve Zahn / Sinopse: A série "Treme" mostra a luta do dia a dia dos moradores de New Orleans que tentam voltar ao normal mesmo após o desastre natural que se abateu sobre a comunidade. Abandonados pela classe política eles tentam reerguer tudo contando apenas com si mesmos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

A Entidade

Ellison Oswalt (Ethan Hawke) é um escritor em crise que em busca da criatividade perdida resolve tomar uma decisão radical. Especialista em livros sobre crimes bárbaros e famosos ele decide se mudar junto com sua família para uma casa onde vários homicídios contra crianças foram cometidos. Lá procura desvendar o terrível crime para assim escrever mais um best-seller. Conforme vai avançando nas investigações ele descobre que a morte das crianças tem ligação com vários outros crimes acontecidos em diversas cidades espalhadas pelos EUA. Ao mesmo tempo começa a notar vários eventos sobrenaturais ocorrendo ao seu redor na sinistra casa. "A Entidade" se propõe a ser muitas coisas ao mesmo tempo: terror de casas mal assombradas, filme de suspense, produção de investigação sobre assassinatos em série para no fim trazer um toque sobrenatural envolvendo um demônio secular. Também brinca metaforicamente com a figura do "bicho papão", tão presente no universo infantil. Atirando para todos os lados o roteiro até consegue enganar bem mas o resultado deixa a desejar. O argumento, por exemplo, lembra demais "O Chamado", aquele famoso filme de terror oriental que depois virou remake de sucesso nos EUA.

O grande problema do filme é que o personagem principal se torna muitas vezes cansativo, histérico. A produção também desperdiça ótimas oportunidades de criar suspense e terror com a família na casa onde os crimes foram cometidos. O uso de um velho equipamento de Super 8 talvez seja uma das boas idéias do filme mas é usado em excesso o que tira o fator surpresa de seu uso. A tal entidade também é bem decepcionante. Inspirada num velho demônio da antiguidade (Bagul, o devorador de almas inocentes) não consegue passar medo por ser estilizado demais, beirando a caricatura. Se fosse melhor trabalhado poderia facilmente virar mais um ícone do gênero como Freddy Krueger ou quem sabe até mesmo um novo Jason de "Sexta-Feira 13". Do jeito que está só vai criar pavor mesmo em criancinhas muito pequenas que ainda acreditam no bicho papão. Enfim, nesse ano de 2012 em que tivemos tantos filmes de terror envolvendo possessões e mundo sobrenatural "A Entidade" não conseguiu se destacar muito por causa justamente dessas suas falhas. O resultado final é certamente abaixo do esperado.

A Entidade (Sinister, EUA, 2012) Direção: Scott Derrickson / Roteiro: Scott Derrickson, C. Robert Cargill / Elenco: Ethan Hawke, Vincent D’Onofrio, James Ransone, Fred Dalton Thompson, Juliet Rylance / Sinopse: Escritor especializado em livros sobre crimes bárbaros decide se mudar com a família para uma casa onde várias crianças foram mortas de maneira hedionda. No curso de elaboração de seu novo texto descobre que as mortes estão relacionadas com ocultismo e forças demoníacas. Não tarda e perceber que está envolvido com forças sobrenaturais ao seu redor.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 23 de dezembro de 2012

A Bela Adormecida

Após "A Dama e o Vagabundo" Walt Disney resolveu levar para as telas um conto de fadas da linha mais tradicional. A estória cheia de princesas, príncipes, fadas e rainhas do mal caiu como uma luva em suas pretensões. "A Bela Adormecida" foi compilada em 1812 pelos irmãos Grimm mas eles não são os autores originais. De fato esse é um conto de fadas de longa tradição oral dentro da cultura germânica e tem seus primeiros registros escritos datados do século XV. É o tipo de estorinha onde o bem vence o mal, criada para que as crianças recebam suas primeiras lições de virtude, beleza e moral. A animação de Disney é um primor. Como sempre ele se cercou dos melhores artistas e animadores em seu estúdio para criar mais uma pequena obra prima. O resultado é sublime, cada cena é extremamente bem trabalhada, com quadros que muitas vezes mais lembram quadros de arte. A trilha sonora com lindas canções (interpretadas ao velho estilo) engrandecem ainda mais o desenho. Todas as músicas foram adaptações do balê Sleeping Beauty, de Piotr Ilitch Tchaikovsky.

A trama? Aurora é uma linda princesa que nasce em um reino harmonioso e feliz. Logo no berço porém é amaldiçoada por uma Rainha má e feiticeira que lhe joga a seguinte maldição: aos 16 anos ela encontrará sua morte ao encostar num velho objeto medieval. Para salvá-la desse triste destino três fadinhas mudam o feitiço, evitando que morra, mas que sim entre em profundo sono até ser acordada por um lindo príncipe que a despertará através de um beijo apaixonado. O conto tem uma série de semelhanças com "Branca de Neve" o que é esperado uma vez que ambos os contos tiveram uma origem comum, na mesma cultura medieval alemã. Disney fez várias adaptações do conto original para tornar a animação mais fluente e dinâmica (no original, por exemplo, eram 12 fadas e não 3 como mostrado aqui). Em nenhum momento isso atrapalha sua versão, pelo contrário, todas suas decisões foram extremamente bem realizadas. Assim "A Bela Adormecida" se revela ainda hoje muito cativante e apaixonante. É sem dúvida mais uma prova da genialidade de Walt Disney.

A Bela Adormecida (Sleeping Beauty, EUA,1959) Direção: Clyde Geronimi / Roteiro: Walt Disney (não creditado), Erdman Penner, Joe Rinaldi, Winston Hibler baseados no conto de fadas “Dornröschen”, compilado pelos irmãos Grimm / Elenco (vozes): Mary Costa, Bill Shirley, Eleanor Audley, Bill Shirley / Sinopse: Jovem princesa é amaldiçoada por uma bruxa má. Para livrá-la da maldição do sono eterno ela terá que ser beijada ternamente pelo seu príncipe encantado. Indicado ao Oscar de Melhor Trilha Sonora e ao Grammy na categoria melhor álbum de trilha sonora original.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu

A Última Casa da Rua

Bons filmes de suspense andam em falta ultimamente. Por essa razão esse "A Última Casa da Rua" é uma bela surpresa. O filme conta a estória de Sarah (Elisabeth Shue) e Elissa (Jennifer Lawrence), mãe e filha, que alugam uma bela casa ao lado de um parque nacional florestal. O imóvel tem aluguel mais barato do que o normal porque é vizinho a uma casa onde aconteceu uma terrível tragédia no passado quando uma jovem com problemas mentais assassinou seus pais. Para surpresa delas a casa ainda é habitada pelo único remanescente da família, o jovem  Ryan (Max Thieriot) que leva uma vida discreta e afastada dos demais moradores da região. A coisa muda quando Elissa acaba se tornando amiga de Ryan e depois sua namorada. Reservado, tímido e retraído o jeito de Ryan se torna irresistível para Elissa. Ela só não contava com o fato de que a realidade é bem diferente das aparências. "A Última Casa da Rua" lida muito bem em seu roteiro com a dualidade dos personagens. Também manipula muito bem o espectador, ora simpatizando com o romance, ora temendo pelo pior. No começo o espectador pode até mesmo achar meio clichê mas conforme avança o filme o enredo vai melhorando bastante, revelando novos fatos para surpresa de todos. Particularmente gostei bastante do background psicológico envolvido onde fizeram uma bela miscelânea de fatores internos e externos que acabam levando alguém a cometer atos psicóticos. Revelar mais seria temerário por isso não me aprofundarei demais na análise da trama. A surpresa é uma grande parte do sucesso do filme.

Liderando o elenco temos duas atrizes bem interessantes. Jennifer Lawrence está no auge de sua carreira e popularidade. Depois do grande sucesso "Jogos Vorazes" ela sedimenta seu espaço em Hollywood. A boa notícia é que ela é realmente talentosa e tem muito potencial para se tornar uma grande estrela - a má notícia é que está gordinha além do ponto. Bochechuda demais terá que se policiar de agora em diante para não perder a linha. Já Elizabeth Shue tem uma história interessante no cinema americano. Quando sua carreira estava decolando ela largou tudo para se formar na prestigiosa Universidade de Harvard, uma das melhores instituições de ensino superior do mundo. Depois de estar devidamente graduada tenta um retorno às telas agora. Esse é seu melhor filme até o momento. Se souber escolher bem seus papéis terá também um belo futuro pela frente. Outro que tenta alcançar o seu lugar ao sol é o próprio diretor Mark Tonderai. Com apenas cinco títulos na carreira - nenhum expressivo – esse ex- DJ e ator de séries tenta agora chamar a atenção dos grandes estúdios. Se depender de mais bons filmes como esse será bem sucedido. Em suma, "A Última casa da Rua" é uma boa opção para quem estava com saudades de bons thrillers de suspense com várias reviravoltas na trama. Não chega a ser brilhante mas é muito bom no final das contas. Por isso está devidamente recomendado.

A Última Casa da Rua (House at the End of the Street, EUA, 2012) Direção: Mark Tonderai / Roteiro: Peter Block, Hal Lieberman, Aaron Ryder baseados na novela de Jonathan Mostow / Elenco: Jennifer Lawrence, Elisabeth Shue, Max Thieriot, Gil Bellows, Nolan Gerard Funk / Sinopse: Mãe e filha alugam uma casa vizinha a uma residência onde no passado ocorreu um terrível crime. No isolado imóvel mora sozinho o único sobrevivente de uma família assassinada. Retraído e isolado ele vive em um lugar onde nada realmente é o que aparenta ser de verdade.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Dredd

Violento, sujo e sem roteiro. Assim de forma simples poderia definir essa nova adaptação das estórias do Juiz Dredd para o cinema. Como se sabe o personagem futurista habita um mundo sem esperanças. O ar está contaminado com altas doses de radiação, o mundo é caótico, onde 96% das pessoas estão desempregadas. Os sobreviventes ocupam enormes cidades onde vivem apertados em pequenos cômodos imundos em prédios gigantescos. Como não há trabalho e nem meio de vida grande parte do povo vive do crime. Nesse quadro de hecatombe o Estado investiu a certos "juízes" a função de capturar, julgar e punir os criminosos. O juiz Dredd (Karl urban) é um desses combatentes. Esqueça o primeiro filme que foi estrelado por Stallone, esse aqui procura ser mais fiel ao mundo dos quadrinhos, o problema é que se esqueceram de escrever um roteiro melhor. Tudo se resume a uma longa caçada de gato e rato dentro de um dos edifícios de Mega City One, onde Dredd vai investigar um triplo homicídio. A partir daí não há mais nenhuma novidade. Ação sem freios, violência explícita e muita correria.

Karl Urban interpreta Dredd mas poderia ser qualquer um. Ele nunca tira o capacete e está sempre mandando chumbo em alguém. O ator que já apareceu em "Star Trek" e "Red - Aposentados e Perigosos" não compromete mas também não brilha, talvez pelo fato do roteiro simples não abrir espaço para isso. Melhor se sai Olivia Thirlby na pele de uma juíza novata que acompanha Dredd e que tem estranhos poderes de mediunidade (ela consegue ler os pensamentos das pessoas ao seu redor). A direção de arte não chega a impressionar também pudera, quase todo o filme é passado dentro do edifício onde Dredd e sua companheira são caçados pela mega traficante e ex-prostituta Ma-ma (Lena Headey com uma enorme cicatriz no rosto). Apesar dos pesares "Dredd" consegue ser bem melhor que o primeiro filme com Stallone, isso porém não significa que ele seja grande coisa  De certa maneira é apenas um filme de ação escapista extremamente violento. Se você gosta do estilo arrisque, caso contrário, se estiver esperando apenas por um bom filme Sci-Fi é melhor desistir.

Dredd (Dredd, EUA, 2012) Direção: Pete Travis / Roteiro: Alex Garland baseado nos personagens criados por John Wagner e Carlos Ezquerra / Elenco: Karl Urban, Olivia Thirlby, Domhnall Gleeson, Santi Scinelli, Lena Headey / Sinopse:  Em um prédio super povoado na metrópole Mega City One um juiz e sua colega em treinamento são encurralados por uma gangue extremamente violenta de traficantes liderado por Ma-ma, ex prostituta e agora homicida em série.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu

Entrando Numa Fria Maior Ainda Com a Família

Enquanto Al Pacino coleciona prêmios nessa altura de sua carreira, Robert De Niro coleciona micos como esse muito fraco "Little Fockers". Não interessa que o filme renda bilheteria pois o prestigio de qualquer ator sério vai para o vaso sanitário ao participar de um produto tão raso e ruim como esse. O pior de tudo é que se trata realmente de um mico coletivo. Grandes nomes do passado como Dustin Hoffman e Barbara Streisand também estão embarcados nessa canoa furada. Como é que tanta gente boa topou fazer algo tão ridículo? Será que estão falidos ou algo parecido? Ver Streisand de tantas glórias no passado atuando aqui só traz vergonha alheia e pena. Nada funciona, o filme não tem uma estória para contar, as situações são sem graça e beiram o tédio (algo mortal para um filme que supostamente seria uma comédia). É um tipo de humor estúpido, rasteiro, debilóide, infame. O título original dessa pavorosa franquia já diz a que veio - um trocadilho idiota do nome da família com um palavrão bem conhecido da língua inglesa. De fato esse tipo de comédia só vá agradar a pessoas sem muito nível cultural ou educacional. O roteiro é completamente imbecilizado e o argumento sequer existe, de tão péssimo que é.

Ben Stiller continua péssimo, fazendo sempre o mesmo personagem, filme após filme. Novamente aqui ele entrega mais um personagem pamonha para acabar com nossa paciência. Comediante completamente sem graça ele se limita a fazer cara de paspalho por toda a sua filmografia. É especializado em vender lixo para um público idiota. Parece que os americanos gostam de seu tipo uma vez que ele está por ai já há um bom tempo. Bom, como diria Brando o público americano não é mesmo conhecido por sua inteligência e nem bom gosto. Ele é um tipo baixinho, franzino, sem expressão e só perde no quesito mediocridade para o também horrível Adam Sandler, esse campeão absoluto nessa categoria. Mas isso nem é o pior, o constrangedor mesmo é ver o grande Robert De Niro participando de cenas ridículas de flatulências e ereções involuntárias. Muito tosco. O que será que deu na cabeça dele para jogar seu prestígio assim pela latrina? Será que perdeu o prazer de atuar ou apenas virou um mercenário que aceita fazer qualquer tipo de filme apenas por causa do dinheiro? No meio de tanta coisa ruim apenas a gracinha Jessica Alba se salva. Voluntariosa ela tenta trazer alguma credibilidade à sua personagem, uma vendedora de remédios para disfunção erétil (um papel bem parecido já foi feito recentemente por Jake Gyllenhaal em "Amor e Outras Drogas"). Mesmo assim ganhou o Framboesa de Ouro de Pior atriz coadjuvante. Se ela é a melhor coisa do filme e levou o Framboesa imagine o resto! Aliás o filme foi fartamente indicado no Razzie Award concorrendo ainda nas categorias “Pior Roteiro” e novamente “Pior Atriz Coadjuvante” para Barbra Streisand, que poderia muito bem se aposentar sem passar por essa vergonha. Enfim, "Little Fockers" é chato como uma festa para crianças, só que no caso os palhaços sem graça são atores consagrados e você que pagou para ver esse abacaxi. Vai encarar?

Entrando Numa Fria Maior Ainda Com a Família (Little Fockers, EUA, 2010) Direção: Paul Weitz / Roteiro: John Hamburg, Larry Stuckey, Greg Glienna, Mary Ruth Clarke / Elenco: Robert De Niro, Ben Stiller, Owen Wilson, Dustin Hoffman, Barbra Streisand, Blythe Danner, Teri Polo, Jessica Alba, Laura Dern / Sinopse: Mais uma continuação da franquia sem graça Fockers. Aqui a família tem que lidar com bebezinhos chatinhos que puxaram aos pais nos quesitos aborrecimento e tédio.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Criação

Charles Darwin (1809 -1882) certamente foi um dos grandes gênios da humanidade. Cientista, teórico e naturalista brilhante foi uma figura chave no nascimento da teoria da evolução das espécies e da seleção natural. Seu livro "On the Origin of Species" publicado pela primeira vez em 1859 é um marco do pensamento científico. Nele Darwin expõe a evolução que todos os seres vivos passam ao longo dos séculos, evolução essa determinada pela seleção natural e por fatores internos e externos inerentes a todas as espécies do planeta, inclusive o homem, fruto direto dessa escalada evolutiva. Obviamente um pensamento tão profundo e marcante como esse bateu de frente com as idéias religiosas de seu tempo pois a origem divina do ser humano mostrada no livro do gênesis da Bíblia não admitia qualquer forma de questionamento. O interessante é que o próprio Darwin era uma pessoa religiosa. Quando chegou nas conclusões de seu livro mais famoso passou por uma grande crise existencial sobre o que havia descoberto. Ele sabia que colocaria por terra muitos dos fundamentos religiosos da doutrina Cristã judaica. O filme capta exatamente esse momento em que Darwin tinha que escolher entre publicar suas descobertas ou se calar. O que fez o cientista mudar de posicionamento foi o receio de que sua teoria fosse roubada e creditada a outra pessoa. Temendo isso ele finalmente optou pela publicação de seu livro o que lhe trouxe  uma série de críticas e ataques dos setores mais reacionários da sociedade inglesa da época.

A grandeza de seu pensamento segue firme e forte até os nossos dias. Suas teorias foram confirmadas nas últimas décadas pelos avanços da engenharia genética. Darwin certamente se mantém como um pensador de sólidas bases teóricas. Ao longo de tantos anos sua teoria foi atacada de todas as formas mas nunca perdeu a robustez. Ela segue tão brilhante como veio ao mundo no século 19. Dito isso chegamos a esse filme  "Criação" que tenta desmistificar o grande cientista, tentando mostrar o lado mais humano de sua personalidade. Apesar de ter lido criticas negativas gostei bastante desse filme. Aprecio muito esse tipo de biografias e se forem de grandes cientistas, melhor. O mais interessante é que mostra o lado mais íntimo de Darwin, as questões religiosas que teve que enfrentar e aspectos pessoais de sua vida familiar que eu desconhecia. Reconheço que sou suspeito pra falar porque adoro história (biografias ainda mais) e sou fã do Darwin e sua teoria da evolução. Esse tipo de filme (mesmo deixando a desejar em termos) jamais deixaria de assistir. Gosto demais desse tipo de produção. É sempre gratificante ver ali personificado em cena um cientista que admiramos. A produção é de bom gosto e a direção de arte também me agradou muito. Esse clima Vitoriano que vemos em cena sempre garante elegância aos filmes passados nessa época histórica. "Criação" é um excelente filme, muito bem realizado com produção luxuosa. Por tudo isso está mais do que recomendado.

Criação (Creation, EUA, 2009) Direção: Jon Amiel / Roteiro: John Collee / Elenco: Paul Bettany, Jennifer Connelly, Jeremy Northam, Toby Jones, Benedict Cumberbatch, JimCarter, Teresa Churcher, Zak Davies, Harrison Sansostri / Sinopse: "Criação" conta parte da história do famoso cientista inglês Charles Darwin (Paul Bettanny), que no século 19 abalou o mundo da ciência com a publicação de seu revolucionário livro onde explicava os mecanismos da evolução das espécies. Brilhante pensador, homem de família, o filme mostra a sua luta interior nascida da indecisão entre publicar seus escritos (que iam contra o pensamento religioso da época) ou se resignar completamente sobre isso.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Fim dos Tempos

Já que o fim do mundo será o tema mais falado de hoje para amanhã que tal lembrar um filme tão ruim que eu pensei sinceramente que o mundo ia acabar quando vi? "Fim dos Tempos" é provavelmente um dos piores filmes de todos os tempos. Sinceramente, eu não tenho qualquer tipo de preconceito contra o M. Night Shyamalan, até hoje considero "O Sexto Sentido" um belo filme, muito bom, sua obra prima mas... Esse "Fim dos Tempos" é uma das piores coisas que já tive o desprazer de ver na minha vida. Eu tenho como lema nunca abandonar um filme pelo meio, eu sempre assisto até o fim, haja o que houver, mas nesse aqui eu quase me levantei e fui embora, aliás muitas pessoas simplesmente foram embora do cinema. Eu me segurei na cadeira para não rumar para a porta da saída! Foi uma luta feroz para chegar ao fim! É muito, muito ruim... Pense em um filme ruim. Pensou? Pois então, esse aqui é pior. O filme custou quase 50 milhões de dólares e não diz a que veio. O sinal vermelho já havia acendido em "A Dama da Água" um filme complicado que não consegue se decidir a que gênero se encaixa ou o que quer passar para o espectador. Como ainda tinha cacife com os grandes estúdios o diretor resolveu filmar esse delírio maluco sem sentido. A trama? A natureza (de alguma forma) procura se vingar da humanidade que está destruindo o planeta. Para isso lança uma substância no ar (de alguma forma) o que faz as pessoas simplesmente se matarem! Assim mesmo, no meio da rua, na frente de todos. Se for possível alguém embarcar nessa lorota (de alguma forma) sugiro que procure o psicólogo mais próximo (de alguma forma).

Com o desastre de "Fim dos Tempos" o diretor M. Night Shyamalan jogou pelo ralo o resto de prestigio que ainda tinha. Nada funciona aqui. A direção é sem rumo, sem foco, o argumento é uma piada de mal gosto e até mesmo no suspense o cineasta não consegue criar nada de novo - demonstrando de forma definitiva que ele passa longe daquela suposta genialidade que atribuíam a ele no começo da carreira. O elenco também não ajuda. O filme é estrelado por Mark Wahlberg, ator de uma nota só, sem qualquer expressividade. A gracinha Zooey Deschanel surge perdida em cena, sem saber do que se trata (e nem o público para falar a verdade). O único que parece estar se divertindo nessa presepada é o ator John Leguizamo. Não me admira já que ele é especialista em filmes bizarros e sem sentido, então está em casa. Em suma não adianta mais bater - o filme é uma porcaria mesmo. Se você ainda não viu torça para o mundo acabar amanhã já que assim você se livrará de topar com esse abacaxi qualquer dia por aí zapeando pela TV. Fuja para outro mundo!

Fim dos Tempos (The Happening, EUA, 2008) Direção: M. Night Shyamalan / Roteiro: M. Night Shyamalan / Elenco: Mark Wahlberg, Zooey Deschanel, John Leguizamo, Spencer Breslin, Betty Buckley, Tony Devon, Victoria Clark / Sinopse: O fim do mundo na visão do diretor M. Night Shyamalan. Na estória a natureza resolve se vingar da humanidade espalhando uma toxina no ar que leva os humanos a se matar!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

2019 - O Ano Da Extinção

Antes de tudo esqueça o bizarro título nacional. Esqueça também a moda dos vampiros que assola Hollywood. Se você passar por cima dessas duas coisas já terá um bom motivo para assistir esse Daybreakers. O filme tem um ponto de partida bem bolado: o que aconteceria se praticamente toda a humanidade se tornasse vampira? Onde os seguidores de Vlad iriam arranjar sangue humano para sobreviver? É a partir dessa crise que se desenvolve o argumento principal do filme. O grande problema de Daybreakers é que mesmo com uma boa idéia nas mãos os roteiristas não conseguiram desenvolver bem o tema. É o típico caso de uma idéia que ficou pelo meio do caminho.

A mistura High Tech futurista com vampiros não deu muito certo. Não deixa de ser chato termos que encarar vampiros na pele de militares ultra bem armados. O charme que sempre acompanhou os seres da noite se perde totalmente em coisas como essa. A tal "cura" mostrada também não convence. É uma solução simples demais e pouco verossímil (pelo menos dentro da mitologia dos vampiros). O elenco também apenas passeia em cena. Até bons atores (como Willem Dafoe) não parecem se interessar muito. Em controle remoto a única coisa que chama atenção em sua interpretação é seu visual "Raul Seixas citando Elvis Presley". Fora isso o filme se torna apenas mediano. Parece muito com seriado de TV inspirado em quadrinhos. Para se tornar um filme realmente bom faltou um melhor desenvolvimento por parte dos roteiristas.

2019 - O Ano da Extinção (Daybreakers, EUA, 2009) Direção: Michael Spierig, Peter Spierig / Roteiro: Michael Spierig, Peter Spierig / Elenco: Ethan Hawke, Willem Dafoe, Sam Neill / Sinopse: O que aconteceria se praticamente toda a humanidade se tornasse vampira? Onde os seguidores de Vlad iriam arranjar sangue humano para sobreviver? É a partir dessa crise que se desenvolve o argumento principal do filme.

Júlio Abreu.

The Kennedys

Série da TNT que procura reviver o apogeu da família Kennedy na década de 1960. Os Kennedys foram o mais próximo que os Estados Unidos tiveram de ter uma realeza. País republicano desde seus primórdios a nação acabou adotando a família Kennedy como sua versão de família real. E como toda monarquia que se preze a história desses anglo-irlandeses também foi cheia de dramas, tragédias e tristezas. Trazer essa história tão próxima ao povo americano certamente não seria nada fácil. Embora não seja em nenhum momento excepcional "The Kennedys" consegue manter um bom padrão de qualidade. A recriação de época da série está muito bem realizada. O elenco também está adequado, embora com algumas falhas pontuais. Tom Wilkinson interpretando o patriarca Joseph P. Kennedy está excepcional. Já Katie Holmes certamente não tem o porte e a elegância de Jackie Kennedy. Talvez esse seja o ponto mais fraco em termos de atuação. Ainda bem que compensando isso Greg Kinnear surge simplesmente de forma sobrenatural como JFK. Em certas tomadas de câmera ficamos até mesmo impressionados com a semelhança absurda que o ator transparece na tela. Greg consegue até mesmo recriar, com raro brilhantismo, os pequenos maneirismos do presidente, seja ao franzir a testa, seja no olhar de preocupação. Grande trabalho de caracterização. Alguns defeitos da família foram delicadamente varridos para debaixo do tapete como a constrangedora simpatia que Joseph Kennedy nutria pelo nazismo. O lado mais mulherengo de JFK também foi tratado com a máxima discrição possível. Muito provavelmente os produtores temiam algum tipo de processo da família Kennedy que até hoje segue muito influente e poderosa nos EUA.

Por outro lado tiveram coragem suficiente para mostrar a péssima idéia de Joseph em se aproximar da máfia italiana liderada pelo chefão Sam Giancana, líder da cosa nostra de Chicago.  Adivinhem quem fez a ligação entre ambos? Ele mesmo, o cantor Frank Sinatra! Na época das eleições, extremamente preocupado em ganhar na cidade de Chicago de todas as formas, o pai de JFK determinou a Sinatra que ele falasse com o Giancana para que as eleições naquela cidade fossem garantidas de uma forma ou outra  para John Kennedy. Usando da força dos sindicatos, todos corrompidos e corruptos, o jovem JFK acabou tendo ampla maioria lá, o que pavimentou sua escalada rumo à Casa Branca. Depois que foi eleito JFK nomeou seu irmão Bob como procurador geral e ele foi ao encalço de Giancana e cia. Obviamente que tudo foi visto como uma grande traição, por isso que em muitas teorias da conspiração temos a máfia americana como uma das prováveis autoras do assassinato de JFK. O roteiro da série porém preferiu não entrar nesse verdadeiro universo de teorias sobre a morte do presidente, se limitando a mostrar o terrível atentado e os efeitos que esse evento causou na alma da nação. Já para os fãs de Marilyn Monroe a minissérie pode ser um pouco decepcionante. Sua participação é discreta mas pelo menos foi enfocada. Pensei sinceramente que também iriam esconder esse aspecto (um dos mais famosos) da biografia dos Kennedys. Felizmente mostraram, até porque acredito que seria simplesmente impossível ignorar esse romance tão escandaloso da atriz com os dois irmãos. Assim podemos dizer que temos aqui um bom produto, que passa longe de ser o definitivo sobre a história dos Kennedys, mas que termina agradando dentro de suas modestas pretensões. De certa forma ainda é muito apegado à história oficial e por isso não procura levantar muitas polêmicas, preferindo ao invés disso saudar a memória do falecido presidente americano. Mesmo assim vale a pena conhecer.

The Kennedys (The Kennedys, EUA, 2011) Direção de Jon Cassar / Roteiro de Stephen Kronish e Joel Surnow / Elenco: Greg Kinnear, Barry Pepper, Tom Wilkinson. Katie Holmes / Sinopse: Minissérie que mostra os anos de glória da família Kennedy. Mostrando a chegada de John Kennedy à Casa Branca, a nomeação de seu irmão como procurador geral e os diversos problemas pessoais enfrentados pela família ao longo de todos aqueles anos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Eagles - Hotel California

Eu adoro o Eagles. Essa banda tem aquele sonzão poderoso da década de 70 que sempre me agrada. O meu primeiro álbum do Eagles, ainda na era do vinil, foi esse "Hotel California" que traz a música mais conhecida do grupo. Basta começar o excelente dedilhado de introdução para todos os ouvintes saberem de que música se trata. A canção é conhecidíssima e envolta em muitas lendas urbanas por causa de sua letra que para alguns é muito sinistra e sombria. Afinal o que seria o Hotel California? O purgatório? O próprio Hades? Cada um aparece com uma interpretação diferente o que mitifica ainda mais a música que é realmente maravilhosa. O Eagles é um dos grupos mais interessantes do country rock americano pois ao mesmo tempo em que são campeões de vendas de discos nunca perderam seu estilo muito singular, que qualifico tranquilamente como alternativo. Seu som único embala há gerações e eles ainda hoje seguem com o pé na estrada mostrando a vitalidade de seu nome mesmo nos dias de hoje. Sempre tocando em concertos com lotação esgotada por onde se apresentam o Eagles tem um público fiel só comparado aos grandes nomes da história da música como Beatles, Elvis ou Pink Floyd.

Hoje eles soam bem mais comportados mas na década de 70 os membros do Eagles não eram nada fáceis. Suas histórias extravagantes durante as turnês são lendárias. Formado por grande beberrões e farristas o Eagles surpreende por ter sobrevivido àqueles anos alucinados. Viveram realmente o lema do "Sexo, Drogas e Rock n Roll" em plenitude. Esse álbum foi gravado naquela fase conturbada. Como viviam brigando entre si o Eagles teve muitas formações diferentes ao longo dos anos. Aqui o grupo surge pela primeira sem o membro fundador Bernie Leadon que resolveu deixar a banda para alcançar vôos solos. Sem dúvida uma grande perda pois além de ótimo vocalista era um letrista dos mais capazes. Mesmo com sua saída o grupo seguiu em frente, demonstrando que poderiam seguir sem Bernie.

O som aqui surge mais bem elaborado, com ótimos arranjos. Não há espaços em branco no som do Eagles. Há sempre uma guitarra solando no fundo (às vezes até duas ou mais) o que deixa a sonoridade encorpada e brilhante. Credito a Hotel California o título de um dos mais roqueiros trabalhos do grupo. Seu som ficou mais forte, com muita pegada. Um exemplo é a ótima "Life in the Fast Lane" onde Don Henley consegue uma vocalização extremamente bem integrada com a parte instrumental (há também um dos melhores solos do Eagles).  Don Henley aliás predomina na parte vocal, sendo seguido de perto por Glenn Frey e Joe Walsh, ambos em grande forma. Tanto bom gosto resultou em excelentes números. "Hotel California", o álbum, vendeu 16 milhões de cópias apenas nos EUA, um número fantástico. Junte-se a isso os 3 singles extraídos do disco (todos campeões de vendas) e você entenderá o sucesso do Eagles. Sua coletânea "Eagles Greatest Hits" vendeu inacreditáveis 42 milhões de cópias o que mostra a força do grupo dentro do mercado fonográfico. Isso porém é o de menos. O que vale a pena é sempre ouvir esses loucos maravilhosos e sua sonoridade única. Eagles é realmente tudo de bom.

Eagles - Hotel Califórnia (1876)
Hotel California
New Kid in Town
Life in the Fast Lane 
Wasted Time 
Wasted Time (Reprise) 
Victim of Love
Pretty Maids All in a Row
Try and Love Again 
The Last Resort

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

Eu particularmente adoro a trilogia inicial de Indiana Jones. Acho aqueles filmes um excelente resgate do sabor dos antigos seriados das décadas de 1930 e 1940 que dominavam as matinês nos cinemas. Eram aventuras escapistas, muito imaginativas e bem boladas. Aqueles filmes faziam a alegria da garotada da época. James Bond resgatou de certa forma aquele espírito e na década de 1980 Indiana Jones consolidou de uma vez o estilo. A idéia foi fruto da parceria entre dois grandes nomes, George Lucas e Steven Spielberg, que queriam realizar o filme definitivo de aventura. A trilogia inicial foi maravilhosa e encerrou um ciclo inesquecível para quem cresceu vendo as aventuras de Indiana Jones na década de 80. Infelizmente Lucas e Spielberg não contentes em fechar com chave de ouro aquela série resolveram estragar tudo com essa continuação tardia e desnecessária. Tudo tem seu tempo certo na vida. O tempo de Indiana Jones no cinema já passou. Eu sempre gostei bastante da trilogia inicial e a achava bem fechada entre si. Era para terminar ali, já que não estamos mais nos anos 80 e Harrison Ford está chegando na terceira idade. Mas o dinheiro falou mais alto. Provavelmente Spielberg tenha ficado com ambição de voltar ao topo das bilheterias. Ele foi o diretor de maior sucesso dos anos 70 e 80 e depois que virou um diretor "sério" perdeu espaço nesse aspecto. Então ele resolveu que queria voltar ao velho sucesso só que... já passou o tempo dessa franquia.

Esse Indiana Jones é muito ruim. Não há outra definição. O filme é ruim, simples assim. Até mesmo o totem do filme é ruim (a tal Caveira de Cristal, uma tremenda bobagem). Para piorar os roteiristas resolveram fazer um péssimo argumento, misturando ETs com arqueologia - um roteiro completamente esquecível, bobo, sem inspiração, chato. No elenco muitos problemas: Ford já passou da idade de dar uma de aventureiro, Shia LaBeouf é seguramente o pior ator a surgir no cinema desde os filmes da Xuxa e a Cate Blanchett some no meio de tanta ruindade. Ela é excelente atriz e profissional e não merecia se perder no meio desse abacaxi. Assim como não dá para voltar aos anos 80 também não há como requentar certas coisas como Indiana Jones. Se fizerem o quinto então correrão o risco de perderem até mesmo a dignidade pois o respeito já se foi com essa produção. Tomara que não saia do papel. Enfim, "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" foi seguramente uma das piores decepções que tive no cinema nos últimos anos. Certo estava Pelé que saiu por cima, na hora certa. Spielberg e Lucas certamente não aprenderam essa lição.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull, EUA, 2008) Direção: Steven Spielberg / Roteiro: David Koepp, George Lucas, Jeff Nathanson, Philip Kaufman / Elenco: Harrison Ford, Cate Blanchett, Karen Allen, Shia LaBeouf, Ray Winstone, John Hurt / Sinopse: Indiana Jones (Harrison Ford), o famoso arqueólogo agora se vê no meio de uma complicada teoria da conspiração envolvendo Estados Unidos e União Soviética em plena guerra fria. A chave de todo o mistério parece estar em uma rara caveira de cristal de origem desconhecida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Hancock

Dividiu opiniões, alguns gostaram outros detestaram. Fico no meio termo. Nunca espero muito dos filmes de Will Smith, sei que ele é na essência um ator de blockbusters, então não espero muito e por isso não me decepciono. Esse Hancock pega carona na moda de filmes de super heróis mas apresenta algumas poucas novidades: A mais nítida delas é o próprio personagem central, Hancock. Ao invés de ser um sujeito valoroso, íntegro, dotado de responsabilidades para o bem comum da população ele é na verdade um beberrão, irresponsável e que não está nem aí para nada. É um super anti-herói, vamos dizer assim. A grande surpresa do filme é a presença de Charlize Theron, uma atriz talentosa demais para servir de mera escada para Smith. Confesso que ver Charlize em produções como essa me deixam desanimado e frustrado. Prefiro que ela faça mais filmes sérios e com temáticas mais profundas do que esse chiclete de verão. No começo de sua carreira ainda era aceitável ela estar em um produto como esse apenas como meio de viabilizar sua escalada ao estrelado mas agora?! Depois de vencer o Oscar e ser reconhecida como uma atriz de talento e conteúdo?! Até hoje não consegui entender porque ela aceitou participar de um filme assim - com um personagem tão derivativo, vazio, sem importância!

Já Will Smith segue na dele! O ator surgiu como comediante de TV e conseguiu realizar uma bem sucedida transição para o mundo do cinema aonde conseguiu emplacar um grande sucesso de bilheteria atrás do outro. Ele se tornou o rei do verão norte-americano. "Hancock", por exemplo, conseguiu uma excelente bilheteria mesmo sendo um filme muito fraco em termos artísticos. O fato é que o ator começa a se segurar nas fórmulas fáceis, ou seja, filmes com muito marketing e efeitos digitais, além das inevitáveis continuações sem fim. Depois de Homens de Preto 3 ele agora aposta na sequência de Hancock, prevista para chegar aos cinemas em 2014. Será que o repertório do ator finalmente chegou ao fim? Ao que tudo indica, sim. Basta ver seus futuros projetos já anunciados por seu agente: "Eu Robô 2", "Bad Boys 3", "Hancock 2"... pelo visto o ator vai se segurar agora em seus antigos sucessos para levar a carreira em frente. De resto fica o conselho: se estiver realmente a fim de ver algum blockbuster com personagens em quadrinhos procure pelos originais da Marvel ou da DC Comics. "Hancock" nada mais é que uma paródia - e nem das mais inteligentes. Entre um whisky falsificado do Paraguai e um original escocês de fábrica você nunca vai escolher o primeiro não é mesmo?

Hancock (Hancock, EUA, 2008) Direção: Peter Berg / Roteiro: Vincent Ngo, Vince Gilligan / Elenco: Will Smith, Charlize Theron, Jason Bateman,  Jae Head / Sinopse: John Hancock (Will Smith) tem superpoderes tais como aqueles que vemos nos grandes personagens de quadrinhos. O problema é que Hancock passa muito longe do bom mocismo. Ele bebe, arranjar confusões, promove bagunças e arruaças e demonstra ser um grande irresponsável. Seus modos porém irão mudar com a chegada de um novo desafio em sua vida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Risco Duplo

Título no Brasil: Risco Duplo
Título Original: Double Jeopardy
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Bruce Beresford
Roteiro: David Weisberg, Douglas Cook
Elenco: Tommy Lee Jones, Ashley Judd, Bruce Campbell, Annabeth Gish, Bruce Greenwood
  
Sinopse:
Libby Parsons (Ashley Judd) acaba entrando em uma situação completamente surreal. Condenada por supostamente ter matado seu marido com um machado, ela é condenada a uma dura sentença. Libby não se lembra de nada, tudo o que consegue se lembrar é de acordar com as roupas cheias de sangue e uma arma na mão. Dentro da cadeia acaba descobrindo que foi vítima de uma grande farsa, envolvendo seu marido e sua melhor amiga. Agora ela tentará provar sua inocência ao mesmo tempo em que lutará para que os verdadeiros assassinos sejam presos.

Comentários:
O roteiro é bom, ideal para o espectador que gosta de tramas conspiratórias, com muitas reviravoltas surpreendentes. A questão é que a tal reviravolta que é um dos pilares da estória soa tão absurda e fantasiosa que isso tira um pouco da credibilidade do filme como um todo. Mesmo assim, com um pouco de boa vontade, o filme funciona como diversão ligeira. É curioso porque o diretor Bruce Beresford sempre foi muito prestigiado em Hollywood por seus excelentes dramas tais como "Conduzindo Miss Daisy" e "Uma Razão para o Amor" e aqui ele optou por algo bem diferente, um thriller policial envolvendo assassinatos e traições. No fim das contas quem salva o filme de sua inegável burocracia é o ator Tommy Lee Jones (sempre ele!). Jones com seu jeito sério, de sujeito durão, com poucos amigos, acaba se destacando justamente por trazer um pouco de credibilidade para um enredo que por si só não seria lá muito convincente. Sua presença e a sempre segura direção de Bruce Beresford se tornam assim os melhores motivos para conferir essa produção. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Milk - A Voz da Igualdade

Gus Van Saint foi o queridinho da crítica especializada nas décadas de 1980 e 1990. Não é para menos. Van Saint dirigiu pelo menos três grandes obras naqueles anos: "Drugstore Cowboy" (sobre viciados em drogas),"Garotos de Programa" (sobre a triste realidade da prostituição masculina) e "Gênio Indomável", que o consagrou definitivamente. Depois desse êxito inicial ele teve a péssima idéia de fazer um remake cena a cena do grande clássico "Psicose" de Alfred Hitchcock. Foi um desastre e a partir daí sua carreira entrou em parafuso. Depois de uma série de produções apagadas ele finalmente voltou aos holofotes com esse sensível drama político "Milk". O enredo conta a estória de Harvey Milk (1930-1978), um corajoso político norte-americanno que resolveu assumir sua homossexualidade na década de 1970. Na época a simples menção de que algum político fosse gay já era suficiente para destruir sua carreira. Milk assim quebrou esse estigma e demonstrou que honestidade e espírito público nada tinham a ver com a opção sexual de cada um. São coisas completamente independentes. Como sempre a democracia americana se tornou o grande palco dessa verdadeira mudança de mentalidade dentro da sociedade. Assim Milk, mesmo sendo assumidamente gay, acabou sendo eleito para um importante cargo público em sua cidade. Gus Van Saint procurou ser sutil. Não estigmatiza seu personagem principal, pelo contrário, o respeita e o trata da forma mais digna possível. O roteiro também conta sua história da forma mais honesta possível, sem manipulações.

A interpretação de Milk valeu o Oscar de melhor ator para Sean Penn. Eu gosto bastante de seu trabalho, tanto aquele desenvolvido como ator como também diretor. O fato, pelo menos na minha opinião, é que sua interpretação não foi melhor ou mais bem elaborada do que a de Mickey Rourke em "O Lutador". Nesse filme Mickey foi literalmente visceral, absoluto. Em "Milk" não vemos tanta grandeza. Acredito que até mesmo Sean ficou constrangido na noite do Oscar pois assim que subiu ao palco apontou em direção a Rourke (quase pedindo desculpas por ter vencido, na verdade). Foi uma premiação controvertida que não convenceu a todos. De qualquer modo acredito que essa foi a forma encontrada pela Academia para não deixar o filme sair da noite de premiação de mãos vazias, o que se revelou um erro pois quando os prêmios foram anunciados "Milk" acabou sendo também premiado com o Oscar de Melhor Roteiro Original. Assim Rourke deveria ter vencido seu prêmio pois era mais do que merecido. Deixando de lado esses aspectos ligados a prêmios temos que chamar a atenção para o fato de que "Milk" é uma daquelas produções que ajudam a criar uma consciência positiva no grande público. Mostra que a sexualidade pertence a cada um e que isso não define ninguém como digno ou não, pelo contrário, todos possuem sua própria dignidade como pessoa, ser humano, e isso independe de suas preferências sexuais ou afetivas. Esse é o grande valor de "Milk".

Milk (Milk, EUA, 2008) Direção: Gus Van Saint / Roteiro: Dustin Lance Black / Elenco: Sean Penn, Emile Hirsch, Josh Brolin, Diego Luna, James Franco, Alison Pill, Victor Garbe / Sinopse: Biografia do político americano e ativista gay, Harvey Milk. Eleito na década de 1970 a um importante cargo público, mesmo se declarando homossexual assumido, Milk se tornou um marco dentro da mudança de mentalidade da sociedade americana.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A Negociação

Robert Miller (Richard Gere) é um grande executivo de Wall Street. Após sucessivos sucessos em sua carreira ele acaba investindo de forma equivocada em uma grande mina de cobre na Rússia que acaba não gerando o lucro esperado. Para esconder o enorme prejuízo que sua empresa enfrenta ele tenta de todas as formas manipular em seus demonstrativos contábeis o fato de estar praticamente falido e isso é um crime federal. Sua última grande chance é vender a empresa para um grande banco americano antes que eles descubram o que se passa de verdade. Sua vida pessoal também é confusa. Embora goste de posar de bom pai e marido exemplar ele tem uma amante escondida, uma jovem estudante de artes que almeja fazer sucesso no concorrido circuito de exposições de Nova Iorque. Após um de seus encontros noturnos furtivos Robert acaba dormindo ao volante. No acidente sua amante morre. Agora ele terá duas coisas a esconder, a morte de sua namorada e a falência de sua empresa que quer vender de qualquer maneira.. 

"A Negociação" é a nova aposta do veterano Richard Gere para voltar ao topo. Aqui ele encarna um tipo que lhe cai bastante bem - a do capitalista selvagem que pouco está ligando para os aspectos morais e éticos de seus atos. Para conseguir o que deseja ele mente, rouba e engana seus acionistas. Em essência é um mestre no jogo sujo do mundo das finanças do sistema norte-americano. Talvez aí esteja o maior problema de "A Negociação". O roteiro cria simpatia com seu personagem principal que não passa de um escroque completo. Que tipo de mensagem afinal o filme quer passar? A de que o mundo é dos espertos? Ou de que devemos procurar levar vantagem em tudo? O final, nada ético ou moral, deixa todas essas perguntas no ar. De qualquer modo, tirando o aspecto moral do filme que é bem decepcionante, não podemos deixar de qualificar o resultado final como bom. Não é nenhuma maravilha e nem pode ser considerado um excelente filme. "A Negociação" não desenvolve muito bem seus personagens e desperdiça grandes nomes como Susan Sarandon. Mesmo assim, sem a devida profundidade e nem um melhor capricho no desenvolvimento da trama, até que o filme funciona bem como entretenimento. Já como lição de moral ele é simplesmente uma aberração.

A Negociação (Arbitrage, EUA, 2012) Direção: Nicholas Jarecki / Roteiro: Nicholas Jarecki / Elenco: Richard Gere, Susan Sarandon, Tim Roth, Jennifer Butler, William Friedkin / Sinopse: Figurão do mundo dos negócios em Wall Street tenta esconder da polícia que estava presente no acidente que matou sua amante. Ao mesmo tempo tenta enganar um grande banco americano para lhes vender sua empresa que está praticamente falida por causa de investimentos equivocados.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Mildred Pierce

Depois da consagração popular em Titanic a atriz Kate Winslet tem procurado se envolver em projetos ousados, intrigantes e de excelente nível cultural. Essa minissérie "Mildred Pierce" é um exemplo. É uma ótima adaptação do canal HBO do famoso romance da década de 1940 de autoria de James M. Cain. A trama gira em torno de Mildred Pierce (Kate Winslet) uma mulher que após várias adversidades em sua vida decide tomar as rédeas de seu próprio destino. Sem meios de sobrevivência resolve abrir seu próprio negócio, um restaurante. Lutando contra todos os problemas ela consegue enfim prosperar se tornando uma das mulheres mais bem sucedidas dos EUA. Dona de seu próprio nariz, sem depender de absolutamente ninguém, os únicos problemas que terá que enfrentar agora é a criação de sua filha rebelde Veda Pierce (Evan Rachel Wood) e o romance que tenta levar em frente com um playboy arruinado, Monty Beragon (Guy Pearce).

Como sempre a HBO capricha e muito em suas produções televisivas. Temos aqui uma excelente reconstituição de época. A atriz Kate Winslet está excepcionalmente muito bem no papel. Ela se despe de qualquer vaidade e encarna com perfeição a personagem principal, uma mulher que levou muitas bordoadas da vida mas que não se abateu por isso. Outro ponto positivo é o desenvolvimento do roteiro que acompanha as mudanças de costumes na sociedade americana ao longo das décadas. A minissérie também serve como ótimo programa para as mulheres que queiram abrir seu próprio negócio pois no fundo o argumento é sobre o empreendedorismo e os sonhos de Mildred Pierce, que ousou transformar em realidade suas idéias e seu projeto de vida. Achei inclusive paralelos interessantes com pessoas conhecidas de meu próprio círculo social o que demonstra muito bem que o filme pode servir de inspiração para quem tem planos de abrir seu próprio negócio e ir em frente. O resultado final de Mildred Pierce agradou bastante os críticos e o filme recebeu um festival de prêmios. Kate Winslet foi premiada como melhor atriz no Emmy, no Globo de Ouro e no Screen Actors. Guy Pearce e Evan Rachel Wood também foram premiados. A minissérie também levantou o Emmy e o Globo de Ouro de Melhor Minissérie do ano. Então o que você está esperando? Corra para assistir.

Mildred Pierce (Idem, EUA, 2012) Direção: Todd Haynes / Roteiro: Todd Haynes, Jon Raymond / Elenco: Kate Winslet, Guy Pearce, Evan Rachel Wood, Melissa Leo / Sinopse: Mildred Pierce (Kate Winslet) é uma garçonete sem muitas perspectivas de vida que decide acreditar em seus sonhos  ao abrir um restaurante.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Désirée - O Amor de Napoleão

Napoleão Bonaparte (Marlon Brando) é um general francês que em sucessivas batalhas acaba conquistando vastas terras e países. Feroz no campo de batalha, ele se rende ao amor de Désirée Clary (Jean Simmons), uma linda jovem que encanta o grande conquistador.  Marlon Brando fez esse filme com literalmente uma espada sobre sua cabeça. Acontece que ele abandonou o set de "O Egipcio" depois de discutir com o produtor e sair falando aos quatro ventos que o filme "era uma tremenda porcaria com péssimo roteiro, um dos piores que já tinha visto na vida". O estúdio então o processou em algumas centenas milhares de dólares. Na audiência inaugural perante o juiz Marlon acabou entrando no seguinte acordo: ele filmaria Desirée do mesmo estúdio e se livraria do processo em que estava envolvido.

Apesar de ter feito o filme por acordo judicial Brando resolveu causar o maior número de problemas possíveis no set de Desirée. Errava as cenas de propósito e fazia sotaques inadequados ao imperador francês, como um inglês arcaico ou um caipira do sul dos EUA; Claro que tudo resultou em muita dor de cabeça para a produção, sempre refilmando as cenas em que Brando propositalmente destruía. O auge de sua rebeldia foi ter levado uma mangueira de bombeiro para o luxuoso set e molhar todo o cenário, estragando inclusive as luxuosas roupas da produção. Ele estava se vingando do processo que sofreu. Apesar das confusões o filme foi terminado e se tornou um grande sucesso da carreira de Brando que depois disse em tom irônico: "O público americano não é dos mais inteligentes que existem do mundo".

Desirée - O Amor de Napoleão (Désirée, EUA, 1954) Direção: Henry Koster / Roteiro: Annemarie Selinko, Daniel Taradash / Elenco: Marlon Brando, Jean Simmons,  Merle Oberon, Michael Rennie, Cameron Mitchell / Sinopse: Napoleão Bonaparte (Marlon Brando) é um general francês que em sucessivas batalhas acaba conquistando vastas terras e países. Feroz no campo de batalha, ele se rende ao amor de Désirée Clary (Jean Simmons), uma linda jovem que encanta o grande conquistador.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu

sábado, 15 de dezembro de 2012

Os Delírios de Consumo de Becky Bloom

Rebecca Bloomwood (Isla Fisher) é uma jovem jornalista de Nova Iorque que trabalha numa modesta revista sobre jardinagem. Seu sonho é ir trabalhar na melhor revista de moda da cidade e para isso ela topa qualquer parada, inclusive usar uma publicação sobre finanças da mesma editora como trampolim, para assim tentar entrar no emprego de seus sonhos. Sua vida pessoal não é menos confusa pois Becky é uma consumista inveterada que não resiste a comprar todo tipo de tranqueiras e roupas de que não necessita. Atolada em dívidas nos seus 12 cartões de crédito, Becky agora terá que se virar para escapar dos credores que vivem em seu pé. "Os Delírios de Consumo de Becky Bloom" é uma comédia romântica das mais simpáticas. Lidando com um tipo de mulher cada vez mais comum hoje em dia - a da viciada em compras - o roteiro consegue ser muito divertido pois enfoca algo que tem se tornado rotineiro, os problemas das pessoas que ficam extremamente endividadas pois acabam tirando dezenas de cartões de crédito ao mesmo tempo. Com a facilidade de uso e o crédito rápido o efeito é devastador pois as dívidas surgem em cascata até o ponto em que não há mais como pagar tantas faturas dos cartões. Certamente muita gente vai se identificar com a personagem principal do filme. 

Isla Fisher, que interpreta a "Becky compra tudo" é uma boa comediante. Ela faz o tipo "The Girl Next Door" ou seja, aquele tipo de garota que poderia ser sua vizinha, colega de trabalho ou parente. Sua cena em que fica completamente descontrolada ao comprar uma bota das mais cafonas é muito engraçada. Também temos aqui um elenco de apoio que simpatizo muito. Seu pai, por exemplo, é interpretado pelo sempre bom John Goodman. Talvez o resultado tenha sido acima da média por causa dos livros que lhe deram origem, "Confessions of a Shopaholic" e "Shopaholic Takes Manhattan", ambos escritos pela autora Sophie Kinsella, ela própria uma viciada assumida em compras desvairadas. Produção de orçamento médio (custou meros 17 milhões de dólares) acabou tendo ótima bilheteria (quase 140 milhões em caixa). Por isso acredito que em breve teremos alguma continuação - só espero que com a mesma Isla Fisher. No mais o filme está recomendado caso você esteja endividado ou não.

Os Delírios de Consumo de Becky Bloom (Confessions of a Shopaholic, EUA, 2009) Direção: P. J. Hogan / Roteiro: Tracey Jackson, Tim Firth, Kayla Alpert / Elenco: Isla Fisher, Hugh Dancy, Krysten Ritter, Joan Cusack, John Goodman, John Lithgow, Kristin Scott Thomas / Sinopse: Becky (Isla Fisher) é uma jornalista de Nova Iorque que simplesmente não consegue resistir a uma vitrine de loja. Usando descontroladamente seus 12 cartões de crédito ela acaba completamente endividada. Ironicamente começa a escrever uma coluna numa revista de economia ensinando aos leitores como cuidar de seu dinheiro e vida financeira. Nem precisa dizer que em pouco tempo ela acaba se tornando um sucesso editorial absoluto.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.  

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Te Amarei Para Sempre

"Te Amarei Para Sempre" é um filme muito romântico. Seu enredo e argumento não fazem muito sentido mas isso não importa muito pois o roteiro se foca mesmo em contar uma estória de amor. Essa é na realidade a versão americana para o cinema do romance "A Mulher Do Viajante No Tempo" de autoria de Audrey Niffenegger. O título original já explica muita coisa. Na trama acompanhamos a improvável aproximação de Henry (Eric Bana) e Clare (Rachel McAdams). O que parece ser um casal comum na realidade esconde o fato dele ser formado por pessoas que vivem em épocas diferentes. Clare é uma estudante de artes que vive em sua época mas Henry é na realidade uma espécie de viajante no tempo que vai e vem na história conforme lhe convém. Assim de tempos em tempos ele surge na vida de Clare que é completamente apaixonada pelo estranho visitante. O enredo com ares de H.G. Wells tem que ser absorvido e aceito pelo espectador sem grandes indagações logo nas primeiras cenas pois caso contrário o filme simplesmente não funcionará. Assim se você achou tudo fantasioso demais é melhor nem começar a assistir.

A explicação para o fato do personagem de Eric Bana ter essa capacidade de ir e vir no tempo é no mínimo esquisita: ele teria sofrido algum tipo de mutação genética que lhe proporciona esse tipo de poder. O roteiro porém não perde muito tempo com esse tipo de coisa pois como já citei o foco do filme é mesmo no romance entre os pombinhos. Em minha concepção o filme deveria ter deixado de lado esse confuso pano de fundo para contar apenas uma estória de amor convencional. Do jeito que está não atrai nem os fãs de Sci-Fi e nem o público mais cativo de romances. Assim o resultado final vai depender muito da postura do público. Se ele comprar a idéia do argumento pode até vir a se divertir um pouco, caso contrário não existe a menor possibilidade de vir a gostar do filme em si. "Te Amarei Para Sempre" é aquele tipo de produção ao estilo "Ame ou Odeie". Na dúvida arrisque.

Te Amarei Para Sempre (The Time Traveler's Wife, EUA, 2009) Direção: Robert Schwentke / Roteiro: Bruce Joel Rubin / Elenco: Michelle Nolden, Alex Ferris, Arliss Howard, Eric Bana, Katherine Trowell, Bart Bedford / Sinopse: Um viajante do tempo se apaixona por uma linda jovem estudante de arte. O romance se torna tão forte que consegue romper até mesmo as limitações de tempo e espaço ao qual todos estamos presos pelas leis da física.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Legado Bourne

Quarto filme da franquia Bourne. Como Matt Damon não chegou a um acordo satisfatório sobre seu cachê nesse filme seu personagem, Jason Bourne, foi retirado da trama. Ao invés disso os roteiristas se concentraram em um outro agente da CIA, Aaron Cross (Jeremy Renner). Fruto do mesmo programa que criou Bourne, ele tem que escapar das garras da própria agência pois a informação sobre o projeto ameaça vazar para o grande público através da imprensa. Para evitar um escândalo nacional  a CIA então resolve, sob o comando do diretor Eric Byer (Edward Norton), eliminar todos os agentes do programa. Em vista disso Aaron começa a ser caçado pelos quatro cantos do mundo. Para ajudá-lo a conseguir as drogas de que precisa para sobreviver Aaron acaba contando com a ajuda da cientista Dra. Marta Shearing (Rachel Weisz). Juntos vão até Manila para tentar conseguir as tais pílulas. Essa franquia Bourne sempre se destacou por unir muita ação com roteiros complexos, bem trabalhados, com muitas reviravoltas. Esse "O Legado Bourne" porém só tem ação. A estória é rasa, ao estilo "caça ao rato" sendo que o agente Aaron aqui é o rato. Nada de muito inteligente ou complexo se encontra no roteiro que é bem derivativo. Como o argumento não é lá essas coisas os produtores se concentraram na elaboração de várias cenas de ação, algumas muito boas, é verdade, mas que não conseguem esconder as fragilidades do produto final. 

O que mais me surpreendeu em "O Legado Bourne" foi o elenco que a Universal conseguiu reunir. Ótimos atores como Edward Norton e Rachel Weisz que não tem muito o que fazer em cena, a não ser participar da correria reinante. Já Jeremy Renner só confirma sua falta de carisma. Hollywood vem tentando transformar esse ator em astro desde "Guerra ao Terror" mas as coisas pelo visto não andam muito boas. Esse novo Bourne, por exemplo, que deveria ter sido o primeiro de uma trilogia com o mesmo Renner não se deu bem nas bilheterias, se tornando um verdadeiro fiasco em lucros para a Universal. A produção foi muito cara e mal conseguiu recuperar o investimento desde seu lançamento. Por isso muito provavelmente esse seja o último da franquia original Bourne. Talvez daqui alguns anos eles tentem reinventar o personagem Jason Bourne com outro ator mas até lá todo mundo (Bourne, Aaron, a CIA, etc) vão ficar mesmo é na geladeira em Hollywood. 

O Legado Bourne (The Bourne Legacy, EUA, 2012) Direção: Tony Gilroy / Roteiro: Tony Gilroy, Dan Gilroy / Elenco: Jeremy Renner, Rachel Weisz, Edward Norton, Joan Allen, Albert Finney, Corey Stoll, Scott Glenn, Oscar Isaac, Stacy Keach, Sheena Colette / Sinopse: A CIA tentando desativar um projeto ultra-secreto começa a eliminar os agentes criados pelo programa, entre eles Aaron Cross (Jeremy Renner), que tentará de todas as formas se manter vivo. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Outra História Americana

O Nazismo não morreu. Essa frase dita assim certamente causa impacto e arrepios na maioria das pessoas mas não há como negar que isso é um fato. A ideologia que levou Hitler ao poder absoluto sobrevive, encontrando terreno fértil entre os mais jovens, geralmente brancos pobres sem muitas perspectivas de vida. O nacionalismo exarcebado, o ódio contra as minorias e a intolerância são em essência  as principais características dessa ideologia. Na Europa onde cresce o desemprego e a falta de oportunidade para os mais jovens os grupos neo nazistas ganham cada vez mais adeptos. Até no Brasil existem grupos organizados que seguem esse estilo de vida. "A Outra História Americana" foi um dos filmes mais corajosos a mostrar essa realidade social. Através da estória de dois irmãos o filme disseca de forma excepcional as razões que levam alguém a aumentar as fileiras dessa nova forma de nazismo que teima em crescer nas grandes cidades pelo mundo afora. Essa é uma produção que gosto de classificar como visceral. Isso porque o que é mostrado na tela choca e conscientiza ao mesmo tempo. O tema forte não abre concessões e o espectador não é poupado de nada, nem das cenas mais violentas. Entre elas a que mais marcou foi aquela em que o personagem de Edward Norton coloca a cabeça de um desafeto no meio fio da rua e... nem vale a pena narrar, é algo realmente terrível, só vendo o filme  para entender o impacto.

Por falar no ator temos aqui mais uma ótima interpretação de Edward Norton. Ele está perfeito na pele de um rapaz que finalmente consegue entender o abismo em que se meteu. Tentando salvar seu irmão mais jovem do mesmo destino ele tenta de todas as formas afastá-lo daquele ambiente. Confesso que o filme me deixou surpreso pois sempre havia associado o neo nazismo a grupos de jovens europeus. Em minha ótica seria completamente contraditório um jovem americano se tornar seguidor do nazismo uma vez que os EUA venceram a II Guerra Mundial contra o Terceiro Reich. De fato não dá muito para entender como a nova geração do país vencedor da guerra consegue  criar laços ideológicos com o sistema que foi vencido no mesmo conflito. Uma ironia da história? Certamente. Por mais sem sentido que isso possa parecer o fato é que realmente a figura de Hitler tem ganho cada vez mais espaço entre a parcela da juventude americana mais desiludida com o sistema em que vivem. Nesse sentido "A Outra História Americana" se torna muito didático e conscientizador. Como já foi provado pela história, nenhum regime absoluto ou ditadorial consegue dominar por longo tempo uma sociedade. A liberdade é inerente ao ser humano e nesses regimes não há espaço para as liberdades individuais. Por isso sempre naufragam. Além disso conceitos como raça superior, arianismo e outros pilares do pensamento Hitlerista já foram desmistificados pela ciência. O Darwinismo Social é completamente desacreditado atualmente. De qualquer modo fica o alerta. Já aconteceu uma vez e ninguém pode duvidar que venha acontecer de novo. Assim o melhor caminho é a conscientização sobre a importância da nossa liberdade. Só assim o mundo se verá completamente livre de ideologias como essa, que tantos males causou para a humanidade.

A Outra História Americana (American History X, EUA, 1998) Direção: Tony Kaye / Roteiro: David McKenna / Elenco: Edward Norton, Edward Furlong, Fairuza Balk, Beverly D´Angelo. / Sinopse: "A Outra História Americana" conta a estória de dois irmãos envolvidos no movimento neo nazista (skinheads). O mais velho deles, Derek Vinyard (Edward Norton), acaba sendo preso e passa longos anos na cadeia onde acaba criando uma nova mentalidade sobre aquilo que acreditava. Depois de finalmente ganhar a liberdade ele tenta de todas as formas afastar seu irmão mais jovem do mesmo movimento. Em busca de redenção procura livrar seu irmão daquele meio onde imperam o ódio racial e a violência contra as minorias.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.