sexta-feira, 28 de abril de 2017

Cinquenta Tons Mais Escuros

Depois que esse filme acabou fiquei com aquela sensação de que ele foi bem mais leve e convencional do que o primeiro. Claro que as mentes de muitas mulheres que são loucas por esses livros da autora E.L. James ainda precisam ser estudadas (como alguém pode amar um protagonista que espanca as mulheres e as chamam de submissas?), mas de um modo em geral achei a trama desse segundo filme bem mais sensata e equilibrada. Não há tanta violência e nem absurdos como vimos na primeira estória.

O bilionário Christian Grey (Jamie Dornan) continua um doente que adora misturar prazer sexual com violência física, porém nesse segundo livro a autora o suavizou bastante, talvez por causa das inúmeras críticas que recebeu. Ele ainda gosta de dar uns tapas na namorada Anastasia Steele (Dakota Johnson), mas sem tortura e sadismo. O sujeito aliás está mais romântico, parece ter mais sentimentos e até pensa em casamento! Os tempos mudaram mesmo...

E é justamente por ter pegado mais leve que essa continuação funciona melhor. O romance do casal parece ser mais normal, sem insanidades violentas exageradas e inoportunas. Grey ainda tem muito a esconder da namorada, mas tirando seu passado traumático de lado ele surge como um namorado mais normal, diria até convencional. Claro que suas demonstrações de riqueza ainda pipocam aqui e acolá (parecendo que as mulheres, apesar de todos os avanços, ainda possuem um fetiche por homens ricos e poderosos). Darwin explicaria. Mesmo assim, com esse revés (que tem grande fundo de verdade no mundo real), o fato é que a trama é bem mais fluída, redonda e funcional.

Ainda continua sendo um filme feito e direcionado essencialmente para o público feminino. Para os homens pode até vir a funcionar se você tiver um pouquinho de paciência. Muitos vão achar alguns momentos piegas demais (e realmente são), porém como é uma estória de transição as coisas ainda vão se encaixando para serem solucionadas na terceira parte da franquia, no já anunciado "Cinquenta Tons de Liberdade", com previsão de chegar nos cinemas em 2018 ou 2019. Assim temos que ter, como já escrevi, um pouco da paciência para assistir tudo. No final das contas não aborrece e nem chateia. Apenas serve como passatempo.

Cinquenta Tons Mais Escuros (Fifty Shades Darker, Estados Unidos, 2017) Direção: James Foley / Roteiro: Niall Leonard / Elenco: Dakota Johnson, Jamie Dornan, Kim Basinger, Eric Johnson, Marcia Gay Harden, / Sinopse: Após as experiências traumáticas vistas no primeiro filme a jovem Anastasia Steele (Dakota Johnson) resolve dar uma nova chance para o bilionário Christian Grey (Jamie Dornan). Ele parece mais equilibrado e sensato, mas será que uma volta aos seus braços realmente daria certo?

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

James Bond - Roger Moore

O ator Roger Moore faleceu no último dia 23 de maio em sua casa na Suíça. O ator vinha lutando contra um câncer devastador, descoberto apenas recentemente. Ao longo de sua carreira Moore atuou em muitos filmes e séries, na TV e no cinema. No total foram 95 títulos, demonstrando como foi vasta, rica e interessante sua filmografia. Porém o fato inegável é que Roger Moore sempre será lembrado por seus filmes como James Bond. Ele atuou em sete produções, se tornando assim o ator que mais interpretou James Bond no cinema até hoje! Moore veio para substituir Sean Connery e George Lazenby no papel do famoso agente inglês. Connery era considerado insubstituível nesse quesito, algo que Lazenby sentiu na pele ao ver seu filme como Bond fracassar nas bilheterias. Apenas Roger Moore conseguiu levar em frente a franquia com sucesso após a saída de Sean Connery. Ele segurou o posto durante as décadas de 1970 e 1980. Abaixo segue todos os filmes de Moore como Bond, com seus altos e baixos. É a nossa singela homenagem a Roger Moore e seu legado cinematográfico como Bond.

1. Com 007 Viva e Deixe Morrer (1973)
Depois que Sean Connery resolveu abandonar de uma vez por todas o personagem do agente secreto James Bond a pergunta mais frequente passou a ser se outro ator conseguiria levar adiante a franquia. Após a saída de Connery houve uma tentativa com o modelo George Lazenby, mas definitivamente o público não gostou (embora o filme estrelado por ele fosse, em si, muito bom). Então eis que em 1973 a MGM apresentou finalmente o nome do novo James Bond, Roger Moore! Para quem conhecia os bastidores da série seu nome não foi exatamente uma novidade. A verdade é que Moore quase foi escolhido no lugar de Sean Connery no passado, mas o carisma do ator escocês falou mais alto. Agora com Connery fora do caminho começaria uma nova era nas aventuras do agente secreto mais famoso da história do cinema. Esse "Live and Let Die" porém não ficou conhecido apenas por ter sido a estreia de Roger Moore. Dois outros fatos contaram positivamente em seu favor. O primeiro foi a trilha sonora escrita e composta por Paul McCartney. Verdade seja dita, a canção tema é uma das melhores (isso se não for a melhor) de toda a filmografia Bond. Paul conseguiu como poucos capturar a essência do personagem, transformando sua canção em um hit e em um sucesso também de crítica (a ponto de ter sido indicada ao Oscar e ao Grammy). Inclusive até hoje Paul a usa em seu repertório fixo, se tornando um dos pontos altos de seus concertos mundo afora. Outro ponto que chama bastante a atenção do espectador é que nesse filme já surge o humor acentuado em primeiro plano, algo que seria a marca registrada dos filmes com Roger Moore. Claro que por ser uma estreia as coisas ainda andaram um pouco dentro da normalidade, algo que nos filmes seguintes se tornaria um pouco mais exagerado. De qualquer maneira gosto bastante desse filme e acredito que foi um dos mais felizes e bem sucedidos de todos os filmes da série. Com Roger Moore os filmes ganhariam uma nova etapa, retornando o personagem ao topo das bilheterias, para alegria dos fãs de James Bond em todo o mundo. / Com 007 Viva e Deixe Morrer (Live and Let Die, Inglaterra, 1973) Direção: Guy Hamilton / Roteiro: Tom Mankiewicz / Elenco: Roger Moore, Yaphet Kotto, Jane Seymour.

2. 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro (1974)
O serviço secreto inglês descobre que seu agente James Bond (Roger Moore) está na mira de um assassino profissional conhecido como Francisco Scaramanga (Christopher Lee). Suas intenções de liquidar 007 ficam óbvias após ser encontrado uma bala de ouro com o código de Bond impresso nela. Há suspeitas que o mesmo assassino tenha matado friamente o agente 002 numa missão. Para evitar maiores problemas a agência de espionagem resolve assim afastar Bond de seus serviços por um tempo. Livre de cumprir uma agenda de missões, Bond resolve então ir atrás por conta própria de Scaramanga. Como pista usa a própria bala que foi dirigido a ele. Em pouco tempo James Bond segue seu rastro em lugares tão distantes como Beirute, Hong Kong e Macau. O infame assassino profissional usa uma arma de ouro, com calibre próprio. Para Bond essa seria uma pista segura para se chegar até ele. Esse foi o segundo filme de Roger Moore como James Bond. O primeiro, "Com 007 Viva e Deixe Morrer", foi sucesso de público e crítica. Uma alívio para os produtores que temiam que a franquia chegasse ao fim com a saída de Sean Connery. Esse segundo filme não é tão bom quanto o anterior, mas inegavelmente tem seus méritos. O maior deles talvez seja a presença do ótimo ator Christopher Lee como o vilão Scaramanga. Ele é um tipo bizarro, com uma característica física incomum (tem três mamilos!) e um assistente anão tão perverso quanto o próprio. Esse papel foi interpretado pelo ator Hervé Villechaize (que ficou muito conhecido no Brasil interpretando o personagem Tatu na série "A Ilha da Fantasia", que fez bastante sucesso na TV brasileira durante os anos 70). O roteiro não tem muitos mistérios ou tramas internacionais a se revelar, se resumindo muitas vezes a ser apenas uma disputa de vida ou morte entre Bond e Scaramanga. Esse porém não é um problema exclusivo do filme em si. O livro escrito por Ian Fleming em 1965 também foi criticado por essa razão. Enfim, um bom filme da safra com Roger Moore que com ele se estabeleceria definitivamente como Bond, só deixando a série em meados da década seguinte. / 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro (The Man with the Golden Gun, Inglaterra, 1974) Direção: Guy Hamilton / Roteiro: Richard Maibaum, Tom Mankiewicz, baseados no livro escrito por Ian Fleming / Elenco: Roger Moore, Christopher Lee, Hervé Villechaize, Britt Ekland / Sinopse: O agente inglês James Bond (Roger Moore) passa a ser caçado pelo assassino profissional Francisco Scaramanga (Christopher Lee), dando início a uma disputa de vida e morte entre eles. Filme premiado pelo Saturn Award na categoria Best DVD / Blu-Ray Collection.

3. 007 - O Espião Que Me Amava (1977)
Nessa terceira aventura de Roger Moore como James Bond, o agente inglês 007, ele precisa desvendar uma grande conspiração internacional envolvendo submarinos nucleares das grandes potências, tramas de espionagem e, é claro, um novo envolvimento amoroso com uma agente russa da temida KGB. Esse filme da franquia oficial acabou ficando conhecido por várias cenas marcantes, porém hoje em dia é mais recordado por trazer a bela atriz  Barbara Bach como a Major Anya Amasova, uma agente do serviço secreto soviético. É curioso que em plena guerra fria os filmes de Bond tenham investido em uma Bondgirl vermelha, comunista e assassina. A atriz Barbara Bach na época era casada com o ex-Beatle Ringo Starr, o que não diminuiu os rumores de que ela havia se envolvido com Roger Moore durante as filmagens. Outro aspecto sempre lembrado desse filme foi o fato de aparecer pela primeira vez na franquia o vilão Jaws, interpretado pelo ator (e gigante) Richard Kiel. Ele era bem cartunesco em cena, conseguindo as maiores proezas (como mastigar fios de alta tensão) e fez tanto sucesso que acabou voltando no filme seguinte. Por fim um fato curioso: esse filme de James Bond conseguiu a proeza de ser indicado em três categorias do Oscar, Melhor Direção de Arte (Ken Adam e Peter Lamont), Melhor Trilha Sonora Incidental (Marvin Hamlisch) e Melhor Música original ("Nobody Does It Better", de autoria de Marvin Hamlisch e Carole Bayer Sager). Também arrancou duas indicações ao Globo de Ouro nessas mesmas últimas categorias. Não é de se admirar que com tantas músicas românticas bonitas tenha sido considerado o filme mais romântico de James Bond com Roger Moore. / 007 - O Espião Que Me Amava (Inglaterra, Estados Unidos,1977) Direção: Lewis Gilbert / Roteiro: Christopher Wood, Richard Maibaum / Elenco: Roger Moore, Barbara Bach, Curd Jürgens.

4. 007 Contra o Foguete da Morte (1979)
O Agente James Bond (Roger Moore) é enviado pelo serviço secreto para investigar um suposto plano internacional envolvendo armas espaciais. No meio das investigações acaba descobrindo que se trata de algo bem maior do que se pensava, um projeto visando dar origem a um verdadeiro genocídio no planeta Terra. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhores Efeitos Especiais. É uma pena que logo o filme em que James Bond veio ao Brasil seja considerado um dos piores da franquia. A intenção seria modernizar o personagem, o colocando no meio de um enredo que lembrava até mesmo o grande marco de bilheteria da época, "Guerra Nas Estrelas". O problema é que o tiro saiu pela culatra. O enredo não ajuda em nada, os efeitos especiais revistos hoje em dia parecem completamente toscos e sem noção (apesar de terem sido indicados ao Oscar na época) e Roger Moore... bem, ele continuou sendo Roger Moore, fanfarrão até dizer chega, cheio de piadinhas e cenas supostamente cômicas que só estragam o resultado final. Jamais parece levar algo à sério durante todo o filme. De certa forma "Moonraker" serve apenas como uma forma de demonstrar que em plenos anos 70 o personagem perdia cada vez mais força e relevância. De bom mesmo apenas algumas boas sequências de ação, uma delas com o famoso vilão Jaws (interpretado pelo ator Richard Kiel, um grandalhão recentemente falecido) que luta com Bond nos bondinhos do Rio de Janeiro, imagine você! No geral não há muito por onde ir, "007 Contra o Foguete da Morte" é de fato muito ruim mesmo. Pelo jeito o Brasil fez mal a 007, Um James Bond para esquecer. / 007 Contra o Foguete da Morte (Moonraker, Estados Unidos, 1979) Direção: Lewis Gilbert / Roteiro: Christopher Wood / Elenco: Roger Moore, Lois Chiles, Michael Lonsdale.

5. 007 - Somente Para Seus Olhos (1981)
Um embarcação da frota britânica afunda e com isso uma importante arma secreta desaparece de forma misteriosa. Para investigar o paradeiro dela o serviço de inteligência real envia o agente 007, James Bond (Roger Moore), para dar solução a todo o mistério, pois caso a arma caia em mãos inimigas o mundo correrá um grande risco. Filme indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro na categoria Melhor Canção Original (Bill Conti e Michael Leeson pela música "For Your Eyes Only"). Quinto filme de Roger Moore na pele de James Bond. O ator segurou as pontas por duas décadas, de 1973 (quando realizou o primeiro filme com o personagem em "Com 007 Viva e Deixe Morrer") até 1985 (quando se despediu de Bond em "007 - Na Mira dos Assassinos"). Esse "007 - Somente Para Seus Olhos" seria seu antepenúltimo filme como o mais famoso agente inglês do cinema. Por essa época os produtores já se movimentavam para dar um novo fôlego para as aventuras de 007. Roger Moore já estava ficando velho para o papel e seu estilo, mais escrachado, quase indo para a galhofa completa, estava minando a credibilidade do personagem como herói de ação. Revisto hoje em dia muito dos filmes de Moore se tornam anacrônicos, datados, pouco atrativos, justamente por trilhar muitas vezes o caminho da auto paródia. Claro que Roger Moore foi importante dentro da franquia, principalmente após Sean Connery decidir abandonar os filmes de Bond, mas também trouxe um certo desgaste para a série de uma forma em geral. Não gosto muito desse filme em particular pois acho que teve uma das mais fracas produções, embora algumas cenas - como a perseguição na neve e o ataque de tubarões - tenham algum valor. A música tema também é bonita, embora ande esquecida. Em suma, um Bond de rotina na era de Roger Moore. / 007 - Somente Para Seus Olhos (Inglaterra, Estados Unidos,1981) Direção: John Glen / Roteiro: Richard Maibaum, Michael G. Wilson / Elenco: Roger Moore, Carole Bouquet, Topol.

6. 007 Contra Octopussy (1983)
Após a morte de um importante agente, um plano criminoso que envolve falsificação de obras de arte é descoberto. James Bond (Roger Moore) é designado para o caso mas acaba descobrindo algo maior, envolvendo até mesmo o uso de armas nucleares para dominar toda a Europa. No centro de tudo o agente inglês acaba se deparando com a perigosa contrabandista Octopussy (Maud Adams), que está disposta a tirar 007 de seu caminho. Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy Horror Films nas categorias Melhor Filme e Melhor Atriz Coadjuvante (Maud Adams). Mais um filme de James Bond na era Roger Moore que será exibido essa semana pela TV a cabo brasileira. "Octopussy" é um dos mais conhecidos filmes com Moore e também um dos mais bem sucedidos de bilheteria - o que deu uma sobrevida ao ator na pele do agente secreto inglês. Mesmo com a boa recepção do público, a crítica achou que as palhaçadas (literalmente falando) em cima do personagem já tinham passado do limite. Existem cenas tão absurdas que acabam transformando o filme numa auto paródia de humor involuntário. Como se não bastasse ainda temos que encarar Bond dando uma de Jim das Selvas em momento tão sem graça como constrangedor. De bom mesmo apenas as boas locações na Índia - com destaque para o famoso Taj Mahal, além da produção bem mais caprichada e bem realizada do que a do filme anterior. Também merecem destaque algumas boas cenas de ação, entre elas aquela em que Bond pilota o que é chamado de menor jato do mundo (uma geringonça que mais parece um ultraleve turbinado) e outra, quando fica pendurado no teto de um avião em pleno vôo (um maravilhoso trabalho do dublê do filme). Esse seria o penúltimo filme de Moore no papel, algo que para muitos deveria ser o último. De qualquer maneira, como é um Bond da franquia oficial (pois o filme de Sean Connery estava saindo nesse mesmo ano nos cinemas para disputar nas bilheterias), vale a pena ser assistido por pelo menos uma vez na vida, afinal os fãs de 007 não deixariam passar mais essa aventura em branco. / 007 Contra Octopussy (Estados Unidos, 1983) Direção: John Glen / Roteiro: George MacDonald Fraser, Richard Maibaum / Elenco: Roger Moore, Maud Adams, Louis Jourdan

7. 007 - Na Mira dos Assassinos (1985)
É o último filme de Roger Moore como James Bond. Assistindo realmente chegamos na conclusão que era o fim da linha para Moore. Ele já estava velho demais para bancar o agente inglês (sinais da idade estão em toda parte, até seu pescoço, por exemplo, que mostra claros sinais da passagem do tempo). Além disso ele surge usando um cabelo estranho, de cor nada natural, bem artificial. Roger Moore foi um bom ator para a franquia. Ele nunca se levava muito à sério, seu filmes sempre tinham um lado de chanchada bem diferente dos que foram feitos por Sean Connery que apresentavam uma postura mais séria com o personagem. O roteiro é baseado em um pequeno conto de Ian Fleming publicado em 1960 (praticamente todos seus livros já tinham sido adaptados e por isso tiveram que apelar para pequenos textos deixados pelo autor). Para completar a trama misturaram com outros filmes de James Bond e o resultado de tanta mistura surge em cena. O filme não é ruim, tanto que anos depois o próprio Roger Moore confessou ser esse seu filme preferido com o personagem, mas a sensação de Deja Vu é muito forte. Os vilões são bacanas - o antagonista de Bond, o industrial Zorin, é interpretado por um Christopher Walken com peruca loira totalmente fake (o que torna tudo ainda mais divertido). Ele está totalmente sem freios em cena! Já a vilã é feita por uma estranha Grace Jones (ok, seu tipo exótico era bem curioso mas não tem como negar que ela era uma péssima, péssima atriz, daquelas que não conseguem falar uma linha de diálogo com veracidade). A trilha sonora é assinada pelo grupo Duran Duran (grupo extremamente popular na década de 1980). O interessante é que em seu último trabalho como o agente inglês as antigas galhofas que faziam parte dos filmes com Roger Moore são deixadas de lado. "007 Na Mira dos Assassinos" é bem mais sisudo e menos galhofeiro do que os outros filmes feitos por ele mas mantém o interesse por causa de algumas cenas legais (como as feitas na Torre Eiffel em Paris e na Ponte de São Francisco). Claro que a trama é uma bobagem, mas releve! Vale a curtição de se ver (ou rever). / 007 Na Mira dos Assassinos (A View to a Kill, EUA / UK, 1985) Direção: John Glen / Roteiro: Richard Maibaum, Michael G. Wilson / Elenco: Roger Moore, Tanya Roberts, Christopher Walken, Grace Jones, Patrick Macnee, Fiona Fullerton, Desmond Llewelyn, Robert Brown./ Sinopse: James Bond (Roger Moore) é o agente do serviço secreto inglês que tem que enfrentar o industrial Max Zorin (Christopher Walken), um empresário francês que planeja provocar um grande terremoto para destruir o Vale do Silício, na Califórnia, se tornando assim o único a explorar o mercado de tecnologia.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Dinheiro Sujo

O filme começa mostrando a rotina dessa jovem mãe chamada Chloe (Alice Eve, muito bonita). Ela cria a filha sozinha, no limite do possível, trabalhando e morando em um motel de beira de estrada. A curadora da infância está no pé dela pois aquele definitivamente não é um ambiente para se criar uma garotinha. O problema é que Chloe não tem dinheiro para alugar uma casa ou um apartamento em outro lugar. A vida é dura.

A maioria dos que frequentam o motel são prostitutas e seus clientes, o que significa que de vez em quando há confusões e brigas dentro dos apartamentos. Uma noite chega para se hospedar um estranho sujeito conhecido como Topo (Bryan Cranston), um homem de poucas palavras. Ele parece ter problemas de visão, porém não deixa o jeito misterioso de ser. Ele se hospeda em um dos quartos. Seu parceiro aluga outro, mas acaba no meio de uma enorme confusão com uma garota de programa.

Topo e seu partner são criminosos que precisam levar um "pacote" para uma quadrilha, só que na confusão com a garota que o sujeito levou para o quarto tudo se complica. Ele é esfaqueado, a garota morre com um tiro no peito e a polícia chega. Topo precisa sair dali para continuar sua tarefa, mas a polícia acaba levando o carro apreendido, com toda a grana dentro. A pobre Chloe acaba assim no meio do caos, ao ser levada como refém. Tanta coisa assim acontece apenas nos trinta minutos iniciais de filme, depois começa um jogo mortal em busca do dinheiro que Topo precisa entregar para sua quadrilha, com direito a mortes, acerto de contas e traições.

Gostei bastante desse thriller policial, principalmente pelo roteiro eficiente que nunca deixa o ritmo cair. Há sempre uma situação de tensão no ar e a duração certa do filme (com pouco mais de 80 minutos) prende a atenção do espectador, do começo ao fim, sem momentos de tédio ou aborrecimento. Como não poderia deixar de ser o grande destaque no elenco vai para Bryan Cranston, o Walter White de "Breaking Bad". Ele interpreta esse criminoso frio que está ficando quase que completamente cego. Mesmo assim ele precisa entregar o "pacote" para o filho do chefão da quadrilha onde presta "serviços". Outro destaque vai para a gatinha Alice Eve, que mais parece a irmã mais velha de Sarah Jones. Sua personagem, uma sofrida mãe que cria a filha sozinha, não é tão inocente e frágil como se pensa. Então é isso, um bom filme policial onde todos estão do lado errado da lei. Vale conferir.

Dinheiro Sujo (Cold Comes the Night, Estados Unidos, 2013) Direção: Tze Chu / Roteiro: Tze Chun, Oz Perkins / Elenco: Bryan Cranston, Alice Eve, Ursula Parker, Logan Marshall-Green  / Sinopse: Chloe (Eve), a funcionária de um motel, cai nas mãos de um perigoso criminoso, Topo (Cranston), que precisa recuperar o dinheiro de sua quadrilha após a polícia levar o carro onde estava todo a grana dos criminosos que ele deveria entregar.

Pablo Aluísio.

Série - O Atirador

Série: O Atirador
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Simon Cellan Jones, entre outros
Roteiro: John Hlavin, Simon Cellan Jones, entre outros
Elenco: Ryan Phillippe, Shantel VanSanten, Cynthia Addai-Robinson, Eddie McClintock, Omar Epps, David Marciano
  
Episódios Comentados:

Shooter 1.01 - Point of Impact 
A série acompanha a história do veterano de guerra Bob Lee Swagger (Ryan Phillippe). Durante a invasão americana no Iraque (operação Tempestade do Deserto) ele se tornou um exímio franco atirador dos Marines. Agora está longe da carreira militar, curtindo a vida ao lado da mulher e sua pequena filha, uma garotinha de oito anos. Para não perder a mira faz incursões na floresta, procurando manter a prática dos tempos em que era um fuzileiro naval. Sua paz e tranquilidade são quebradas quando ele é procurado por um agente da CIA, um sujeito que tem a responsabilidade de manter a segurança do presidente dos Estados Unidos.

Há pouco a agência de inteligência detectou a presença de um sniper estrangeiro dentro do país e todos temem pela vida do líder na nação. Durante sua campanha militar Bob Lee enfrentou esse mesmo atirador, aliás foi ferido por ele. Por isso se torna a pessoa ideal para enfrentá-lo. Essa é basicamente a premissa da série. Confesso que gostei desse primeiro episódio, embora tenha algumas críticas sobre o ritmo do roteiro, que muitas vezes me pareceu apressado demais, tentando fisgar o espectador de todo jeito. Mesmo com esse problema até que me diverti. A série é produzida pelo ator Mark Wahlberg que também interpretou um sniper das forças armadas no cinema. Acredito que promete, acima de tudo, uma vez que uma segunda temporada já está em produção para exibição no mercado americano. Pelo visto o público de lá gostou bastante. Enfim, vale a pena acompanhar.

Shooter 1.03 - Musa Qala  
No episódio anterior o sniper (atirador de elite) Bob Lee Swagger (Ryan Phillippe) conseguiu escapar da prisão. E nem precisa esclarecer que todos querem pegá-lo, desde o FBI, passando pela CIA e pela agência de segurança nacional. Se torna imperioso para todos eles colocarem as mãos em Bob Lee. Porém como ele é treinado para desaparecer no meio da multidão isso vai ficando cada vez mais complicado. Uma possibilidade é forjar a própria morte, algo que ele faz assim que possível. Ele se deixa filmar em um mercadinho de conveniência e depois seu paradeiro numa cabana na floresta é localizado. Tudo fachada. Ele cria um ambiente onde sua morte é praticamente confirmada. O que o bem treinado atirador porém deseja é justamente isso, que todos pensem que ele está morto. Enquanto isso contando com a ajuda da agente Memphis ele pretende provar sua inocência, ao mesmo tempo em que localiza os responsáveis por tudo o que aconteceu. / Shooter 1.03 - Musa Qala (Estados Unidos, 2016) Direção: Roxann Dawson / Roteiro: John Hlavin, Adam Fierro / Elenco: Ryan Phillippe, Shantel VanSanten.

Shooter 1.04 - Overwatch  
Muito bom esse episódio. Bob Lee Swagger (Ryan Phillippe) forjou sua morte no episódio anterior e isso lhe traz uma certa liberdade em seu raio de ação. O roteiro então bifurca o enredo do episódio. Mostrando a atualidade, onde Bob Lee procura se aliar a uma agente do FBI para ter uma fonte no governo e o passado, quando somos levados até uma operação no Afeganistão. Bob Lee está em uma missão complicada, quando um grupo dos marines entram em um vilarejo onde está um procurado líder terrorista. Inicialmente todos pensam em contar com a colaboração dos moradores, mas essa premissa logo se mostra frágil quando todos são emboscados, desarmados e ficam à mercê dos terroristas. Apenas um tiro certeiro dado por Bob Lee pode contrabalancear as forças. Nesse episódio também se vai desvendando a participação da CIA em tudo o que está acontecendo. E essa interferência da agência de inteligência do governo americano começou há muito tempo atrás. / Shooter 1.04 - Overwatch (Estados Unidos, 2016) Direção: Cellan Jones / Roteiro: John Hlavin, T.J. Brady / Elenco: Ryan Phillippe, Shantel VanSanten, Cynthia Addai-Robinson.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Paul McCartney - Pipes of Peace (1983)

Um dos grandes sucessos de Paul na década de 80, naqueles que foram alguns dos anos mais criativos de toda sua carreira. Aqui Paul segue com a fórmula que havia dado muito certo em "Tug of War", ou seja, reunir-se a um grande nome da música com produção do maestro George Martin, seu produtor mais constante desde a época dos Beatles. Se em "Tug of War" tínhamos a presença muito especial de Stevie Wonder aqui Paul resolveu trazer nada mais, nada menos, do que o auto proclamado Rei do Pop, sim ele mesmo, Michael Jackson! Foi uma via de mão dupla,. Jackson participou de "Pipes of Peace" e em contrapartida Paul deu às caras no fenomenal disco "Thriller" (na ótima faixa “The Girl Is Mine”). Em Pipes of Peace Michael Jackson participa de duas excelentes canções, a simpática "Say, Say, Say" e a baladona "The Man". Ambas as músicas foram assinadas por Paul e Michael. Infelizmente essa parceria bem sucedida dentro dos estúdios, não duraria muito, pois Paul e Michael se desentenderam depois por causa da venda dos direitos autorais das músicas dos Beatles. Paul queria comprar, mas Michael lhe passou a perna e as comprou antes, deixando Paul desolado... e furioso! Sobre o acontecimento Jackson resumiria tudo com a seguinte frase: "Amigos, amigos, negócios à parte". Nunca mais voltaram a trabalhar juntos embora as regras de boa educação fizessem com que evitassem uma troca de acusações por meio da imprensa na época!

Além de Michael Jackson, Paul resolveu formar uma nova banda para as gravações, formação essa que eu pessoalmente considero das melhores, contando com o ex-Beatle Ringo Starr (dispensa maiores apresentações), Denny Laine (do Wings), Eric Stewart (ex-10cc) e Stanley Clarke (um instrumentista excepcionalmente talentoso). Tantos talentos juntos geraram um excelente álbum com músicas excepcionais como a própria música título, "Pipes of Peace", que ganhou um dos melhores videoclips da carreira de McCarntey. Passada na I Guerra Mundial a estória relembra um pequeno evento, baseado em fatos reais, que aconteceu quando dois exércitos inimigos resolveram bater uma bolinha nos campos enlameados do front durante uma trégua. Paul inclusive surge dos dois lados, como um inglês e como um alemão. Extremamente bem produzido o clip até hoje é lembrado, tal sua qualidade. A música "Say, Say, Say" também virou um videoclip bastante divertido com Paul e Michael interpretando charlatões no século passado. A canção se tornou o carro chefe do disco e foi lançada em single que trazia uma estranha capa com Paul e Michael com pernas enormes, realmente desproporcionais. No lado B desse single foi encaixada a bacaninha "Ode a Koala Bear", uma musiquinha muito simpática e bem arranjada.

Um fato curioso é que Paul, na época da gravação desse disco, estava muito envolvido no projeto para um musical a ser lançado no cinema. Assim as coisas ficaram meio atropeladas. Tentando ganhar tempo Paul acabou incluindo várias composições que iriam entrar em "Tug Of War", mas que acabaram ficando de fora do disco como "Keep Under Cover", "Hey Hey", "Tug Of Peace" e "Sweetest Little Show". Talvez por essa razão "Pipes of Peace" ganharia uma injusta fama de ser uma “sobra” de "Tug of War". Tal forma de pensar é bem injusta pois o álbum apesar de sofrer influências do disco anterior certamente tem identidade própria. No final o disco fez sucesso, e apesar dos pesares, conseguiu emplacar nas paradas, chegando a vender 1 milhão de cópias apenas nos EUA. O êxito prosseguiu em vários outros países conquistando vários discos de ouro e platina. Paul McCartney assim confirmava mais uma vez sua grande vocação para o sucesso.

1. Pipes of Peace (Paul McCartney) - Paul sempre caprichou nas canções que davam título aos seus álbuns. O mesmo aconteceu com a música "Pipes of Peace". A inspiração para Paul veio de um evento histórico real acontecido durante a Primeira Guerra Mundial, quando soldados ingleses e alemães, inimigos no campo de batalha, aproveitaram uma trégua para disputar uma animada pelada de futebol no meio dos campos cheios de lama desse conflito que ficou conhecido como a guerra das trincheiras. O clip obviamente aproveitou a ideia e usou um artifício bastante curioso, colocando Paul atuando tanto como um soldado inglês como um alemão, com seus uniformes, bigodinhos e insígnias próprias de cada país. Realmente genial. Em termos musicais Paul e George Martin (sempre ele, sempre presente nos melhores trabalhos dos Beatles) criaram um maravilhoso arranjo, clássico e erudito, para acompanhar a singela letra. Eu considero essa gravação uma verdadeira obra prima, sem favor algum!

2. Say Say Say (Paul McCartney / Michael Jackson) - O maior sucesso desse disco foi uma parceria que Paul fez com Michael Jackson. Na verdade era uma troca de gentilezas. Paul trabalhou no álbum "Thriller" de Jackson, cantando na canção "The Girl Is Mine" e ele retribuiu aqui, gravando "Say Say Say" ao lado de Paul. Na época Michael Jackson era certamente o maior nome da música. Nunca um disco havia vendido tanto como "Thriller" (recorde que permanece até os dias de hoje) e ele estava no auge de sua popularidade. Era um super astro do mundo da música, estava realmente no topo do mundo! "Say Say Say" foi lançada como single e ganhou um clip. Desnecessário dizer que foi um mega sucesso. No videoclip (lembre-se que a MTV estava nascendo), Paul e Michael interpretavam vendedores ambulantes do começo do século XX, um tipo muito comum naquele tempo. Vendendo garrafas de elixir milagroso (que não passavam de embustes) eles tinham que dar no pé assim que o golpe era descoberto. Um dos melhores clips de Paul e Jackson que ajudou o álbum a vender muito, se tornando um dos singles campeões de vendas dos anos 80.

3. The Other Me (Paul McCartney) - Essa canção "The Other Me" quase entrou no álbum "Tug of War", mas ficou de fora por falta de espaço. Na verdade Paul tinha tantas composições disponíveis naquela época - uma das mais criativas e produtivas de sua carreira - que ele até mesmo cogitou a possibilidade de gravar um disco duplo. Só desistiu da ideia depois que a gravadora EMI o aconselhou a gravar dois discos separados, um para ser lançado em 1982 e outro em 1983. Comercialmente seria mais interessante. Paul concordou com a ideia e assim tivemos "Tug of War" e "Pipes of Peace", duas obras primas da carreira solo de McCartney. A letra da música fala sobre o "Outro Eu". Nos versos Paul resume a questão ao cantar: "Eu sei que fui um louco idiota / Por tratá-la do jeito que tratei / Mas algo tomou conta de mim / Eu realmente não ficaria surpreso / Se você tentasse encontrar um "Outro Eu". Dizem alguns autores que Paul escreveu essa letra como um pedido de desculpas para a sua esposa Linda. Houve uma época em que ele começou a beber em demasia e Linda o confrontou sobre isso, gerando grandes discussões entre o casal. Ao que tudo indica Paul realmente entendeu que ele estava errado, agindo como um idiota. Pois é, nunca é tarde para se reconhecer um erro.

4. Keep Under Cover (Paul McCartney) -  Um dos problemas desse disco é que ele foi lançado em um espaço de tempo muito curto em relação ao disco anterior, "Tug Of War". Isso fez com que Paul utilizasse material que havia sido descartado nos trabalhos das sessões de 1982. Um exemplo disso vem em "Keep Under Cover" que fazia parte da primeira lista de canções que deveriam fazer parte de "Tug of War". Como foi descartada, Paul resolveu colocá-la aqui nesse LP. Ao lado de George Martin, Paul criou um arranjo que saísse do comum, ao invés do tradicional piano ele resolveu acrescentar belos solos de cravo, de forma bem discreta, ao fundo. A letra foi escrita na fazenda de Paul na Escócia e tem tudo a ver com a vida cotidiana por lá. Para torná-la mais comercialmente viável Paul colocou alguns clichês, versos de amor bem banais, para falar a verdade. Apesar disso (ou em razão disso) a música acabou funcionando muito bem do ponto de vista harmônico.

5. So Bad (Paul McCartney) - A balada "So Bad" é um dos melhores momentos desse álbum. Mostra claramente o tipo de composição que Paul sempre soube fazer muito bem. Baladas românticas, sem medo de soarem piegas ou bregas. A música tem belos versos como "Há uma dor, dentro de meu coração / Você significa muito para mim / Garota, Eu te amo / Garota, Eu te amo tanto!" - versos mais do que simples, mas que acabam tocando qualquer um que esteja apaixonado. Paul sempre soube criar grandes músicas usando versos batidos, isso é bem verdade, mas que são atemporais, nunca perdendo a essência de sua mensagem de amor. Paul sempre foi um romântico incorrigível, vamos ser bem sinceros e isso talvez tenha sido o segredo de seu sucesso como Beatle e depois como artista solo. O simples, muitas vezes, funciona mais do que o complexo, o rebuscado.

6. The Man (Paul McCartney / Michael Jackson) - "The Man" foi a outra canção feita em parceria com Michael Jackson. Paul estava bem à vontade e animado por trabalhar ao lado do cantor mais famoso do mundo na época, mas a amizade teve um fim precoce. Michael Jackson, sem avisar a Paul, lhe passou uma rasteira, comprando todo o catálogo das canções dos Beatles, justamente em um período em que Paul se preparava financeiramente para ele mesmo adquirir as canções que havia escrito ao lado de John Lennon. Isso significou o fim da aproximação entre Paul e Michael. Nunca mais se falaram novamente. Uma pena, porque pelo menos artisticamente eles pareciam dar muito certo. Basta ouvir essa balada "The Man", um primor pop que tocou muito nas rádios da época, para ter certeza disso. Tem um refrão pegajoso, um bom arranjo instrumental e aquela vocação para se tornar hit nas rádios (coisa que a música realmente se tornou assim que foi lançada).

7. Sweetest Little Show (Paul McCartney) - Já "Sweetest Little Show" se sobressai pelos bons arranjos acústicos. É interessante que Paul, ao trabalhar ao lado de George Martin, sempre procurava por bons materiais, uma vez que o famoso produtor só aceitava trabalhar tendo total poder de veto, ou seja, Martin podia rejeitar qualquer composição que Paul trouxesse para o estúdio caso ele entendesse que não era muito boa. Claro que também com os anos o relacionamento entre eles foi se desgastando justamente por isso. Paul era tão dominador e controlador quanto George Martin. O próprio George Harrison em vários ocasiões acusou Paul de ser um arrogante prepotente dentro dos estúdios, sempre impondo suas escolhas aos outros. Embora respeitasse muito George Martin pelo que ele havia feito pelos Beatles no começo da carreira, ele agora não parecia mais disposto a ouvir um não de seu produtor. Por essa razão também essa música acabou sendo uma das últimas parcerias entre eles. Paul ficou possesso, pois George Martin quase a tirou do disco "Pipes of Peace" por ser, em sua opinião, "banal demais". Imaginem o ataque de raiva de Paul, o controlador, ao ouvir esse tipo de crítica!

8. Average Person (Paul McCartney) - Se você estiver procurando conhecendo melhor o som mais pop dos anos 80 eu recomendo essa gravação de Paul para o álbum "Pipes of Peace". Notem os arranjos, algo que foi muito utilizado pelos grupos da época. No meio dos efeitos sonoros, Paul parece ter usado todos os instrumentos que eram modinha naqueles tempos, com direito a uma bateria eletrônica e muitos sintetizadores. É interessante porque gravações como essa acabam ficando mais datadas do que as demais, feitas ao estilo mais tradicional. Pois é, o moderninho tem mesmo a tendência de envelhecer mais rápido do que a velha e boa sonoridade musical de raiz. Fica a lição.

9. Hey Hey (Paul McCartney) - Um fato curioso é que "Pipes of Peace" foi gravado meio às pressas, para aproveitar o sucesso da parceria entre Michael Jackson e Paul McCartney (que juntos gravaram duas músicas, "Say Say Say" e "The Man"). Assim Paul teve que se virar para completar o álbum. Uma das soluções que ele encontrou foi encaixar algumas composições que havia criado para o disco anterior, "Tug of War". Ele pegou algumas faixas que tinham sobrado, muitos delas trabalhadas ao lado do produtor George Martin (dos Beatles) e começou a trabalhar em cima delas. Algo de bom poderia sair daquelas canções inacabadas. Uma dessas músicas descartadas foi "Hey Hey". Na verdade a falta de tempo fica patente na faixa que sequer tem letra! Na verdade é uma boa jam session de Paul com seu grupo e nada mais! Curiosamente a canção até tem boa melodia, agradável, mas nada disfarça o fato dela ser uma grande encheção de linguiça. O próprio Paul ficou um pouco decepcionado de ter incluído canções como essa (que no máximo poderiam ser usadas como lados B de seus compactos mais obscuros). Anos depois ele diria: "Não tive realmente tempo de colocar algo melhor no disco. Reconheço minha falha!".

10. Tug of Peace (Paul McCartney) - "Tug Of Peace", por sua vez, é o que gosto de chamar de canção link! O que exatamente significa isso? Essencialmente é uma faixa de ligação com o disco anterior, "Tug of War". Quase que puramente instrumental - com um pequeno refrão por um coro que parece ter saído de algum álbum dos Wings - essa faixa é apenas uma espécie de gravação experimental de Paul no disco. Afinal os fãs dos Beatles pensavam que apenas John Lennon e Yoko Ono podiam se dar ao prazer de gravar faixas assim? Porém ser experimental era obviamente pouco para Paul McCartney. Assim o ex-Beatle escreveu alguns belos arranjos para solos de sua guitarra Gibson, que atravessam praticamente toda a gravação. Uma canção um pouco abaixo das demais presentes nesse disco, mas certamente uma das mais interessantes do ponto de vista puramente musical. Paul sendo um pouco Lennon, para variar.

11. Through Our Love (Paul McCartney) - Embora, como sempre, tenha seus detratores, o fato é que o álbum "Pipes of Peace" também tem momentos muito bons, canções inegavelmente bem escritas. A música "Through Our Love" selecionada por Paul para fechar o disco, tem uma melodia belíssima e um maravilhoso arranjo. Aqui Paul realmente trabalhou duro ao lado do produtor e maestro George Martin para lapidar cada nuance, cada nota. A letra, despudoradamente romântica é quase uma carta de amor de Paul (obviamente para Linda) para deixar as coisas sem importância para trás, não se perdendo mais tempo com elas. Em reflexão Paul admite que já perdeu tempo demais em coisas sem a menor importância. O que importa no final de tudo é realmente dar o amor para a pessoa que se ama, nada mais. Enfim, uma bela melodia embalada por uma letra bem articulada, honesta, cheia de sentimentos. Paul em sua mais pura essência.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Bruxa de Blair (2016)

Título no Brasil: Bruxa de Blair
Título Original: Blair Witch
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Lionsgate Films
Direção: Adam Wingard
Roteiro: Simon Barrett
Elenco: James Allen McCune, Callie Hernandez, Corbin Reid, Brandon Scott, Wes Robinson, Valorie Curry
  
Sinopse:
Um grupo de jovens decide viajar até a cidade de Burkittsville para adentrar na sombria floresta de Black Hills Forest. A irmã de um dos jovens desapareceu nesse mesmo lugar há muitos anos e ele precisa descobrir o que aconteceu a ela. Há a velha lenda de uma bruxa que havia sido morta na região, mas ele definitivamente não acredita em nada disso. Portando aparelhos de gravação de última geração ele pretende localizar a garota desaparecida, ao mesmo tempo em que tem a intenção de desmistificar tudo da velha lenda local.

Comentários:
Muita gente andou pensando que esse seria um remake do primeiro filme "A Bruxa de Blair", mas não! Esse filme não é um remake, mas sim uma espécie de continuação. Seu nome correto deveria ser "A Bruxa de Blair III", pois é uma continuação da estória dos filmes anteriores, porém por motivos comerciais os produtores não quiseram seguir por esse caminho. O filme segue basicamente o mesmo estilo da produção original, ou seja, vários jovens com câmeras na mão, filmando tudo o que lhes acontece dentro da floresta onde supostamente vive uma bruxa amaldiçoada. No geral não é um filme muito assustador. O impacto do primeiro filme há muito passou, dessa maneira o que temos aqui é mais um genérico do estilo mockumentary. As situações não são particularmente originais, nem bem boladas e nem muito menos assustadoras. A tal bruxa novamente fica à espreita e quase nunca aparece frontalmente. Aqui ainda usaram um pouco de computação gráfica para mostrá-la em momentos breves, mas a tal criatura, a bruxa, não consegue ser nem muito aterrorizante. O filme assim só tem um mérito: é melhor filmado do que o primeiro, com enquadramentos melhores e imagem melhor. Fora isso, nada de muito importante. É uma continuação que tenta ser diferente, mas que no final apenas repete o primeiro filme. Em suma, mais do mesmo, sem muitas novidades.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Série - Bellevue

Série: Bellevue 
Ano de Produção: 2017
País: Canadá
Estúdio: Canadian Broadcasting Corporation (CBC)
Direção: Adrienne Mitchell, entre outros
Roteiro: Jane Maggs, Adrienne Mitchell
Elenco: Anna Paquin, Shawn Doyle, Billy MacLellan, Sharon Taylor, Patrick Labbé, Vincent Leclerc
  
Episódios Comentados:

Bellevue 1.01 - Pilot
Uma nova série que assisti recentemente o episódio piloto foi Bellevue. Essa série é estrelada pela atriz Anna Paquin, que interpretava a personagem Sookie Stackhouse de "True Blood". Com o cancelamento daquela série em 2014, ela agora finalmente volta ao mundo das séries nesse novo programa. A estória se passa em uma pequena cidade chamada Bellevue. É lá que mora a policial Annie Ryder (Paquin). O lugar é pacato, remoto e como era de se esperar, sem crimes. Os policiais possuem uma rotina quase tediosa, sem ter muito o que fazer. As coisas porém mudam quando um jovem rapaz desaparece. Ele é um conhecido atleta da escola, um dos melhores jogadores de Hockey. Todos da cidade ficam alarmados com seu sumiço, já que ele era um garoto muito promissor. O caso então vai parar nas mãos da oficial Annie. Ela então começa a investigar. O interessante é que o adolescente, que parecia ser um modelo para os outros rapazes de sua idade, escondia alguns segredos. Na verdade tudo indicava que ele era gay, gostava de se vestir de mulher escondido, quando estava sozinho e parecia ter intenção de se tornar um travesti. Assim começam a surgir no horizonte indícios de um crime de ódio, de homofobia. Para completar o quadro ainda parece haver muitas ligações com uma velha igreja abandonada na região. Enfim, avaliar uma série apenas por seu episódio piloto pode ser bem precipitado. No quadro geral até gostei, mas senti que o programa não foge muito do padrão mediano de séries policiais da TV que são produzidos lá fora. Nada de muito impactante, nem inovador. / Bellevue 1.01 - Pilot (Canadá, 2017) Direção: Adrienne Mitchell / Roteiro: Jane Maggs, Adrienne Mitchell / Elenco: Anna Paquin, Shawn Doyle, Billy MacLellan, Sharon Taylor, Patrick Labbé, Vincent Leclerc

Bellevue 1.02 - He's Back
Essa série explora homossexualismo juvenil, homofobia e assassinato. O primeiro episódio rodou em torno do desaparecimento de um jovem, um jogador do time da escola que às escondidas gostava de se vestir de mulher. Um garoto que desejava ser travesti, enfim. A detetive Annie Ryder (Anna Paquin) pega o caso e como era de se esperar procura por informações com as pessoas que eram suas amigas na escola, etc. Bingo! Acaba descobrindo mesmo o que aconteceu, mesmo que nem todas as versões batam entre si. Basicamente é a velha história: garoto com tendências gays, sofre com sua opção sexual, virando alvo dos jovens de sua idade. Alguns querem encher ele de porrada, enquanto outros tentam convencer ele a passar por um tratamento de reversão do homossexualismo (seja lá o que isso signifique!). A policial encontra pistas interessantes, como pequenos pedaços de pele numa cerca elétrica. O pior vem na cena final do episódio quando finalmente Annie encontra um corpo boiando em um lago, dentro de uma floresta. Pode ser ou não o garoto desaparecido. A resposta virá (assim espero) no próximo episódio. / Bellevue 1.02 - He's Back (Estados Unidos, 2017) Direção: Adrienne Mitchell / Roteiro: Jane Maggs, Adrienne Mitchell / Elenco: Anna Paquin, Shawn Doyle, Billy MacLellan.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Alien: Covenant e outras estreias

Infelizmente para Ridley Scott seu mais recente filme na franquia Aliens, o novo "Alien: Covenant", não tem sido muito bem recebido pela crítica. É até algo parecido com o que aconteceu com o primeiro filme dessa nova linha, o "Prometheus" que também passou longe de colecionar boas resenhas dos críticos ao redor do mundo.

Agora surpresa mesmo é perceber que o novo filme de Scott tem sido criticado principalmente em relação ao seu roteiro, considerado por muitos como primário, desorganizado e sem novidades, repleto de clichês por todos os lados! Ainda não assisti ao filme, mas esse tipo de crítica me parece bem surpreendente. De qualquer maneira por ser um filme novo da série que vem se consagrando nos cinemas desde "Alien o Oitavo Passageiro", não há como ignorar o filme. É aquele tipo de produção obrigatória para todos os fãs do gênero Sci-Fi.

Existem outras opções para os fãs de terror nessa semana? A partir do dia 18 (próxima quinta-feira) estreia o filme nacional de terror e suspense "O Rastro". Dirigido por J. C. Feyer e com um elenco que conta com Leandra Leal, Natália Guedes e Rafael Cardoso. Esse interpreta um médico que precisa coordenar a transferência de um hospital público no Rio de Janeiro. Durante essa mudança ele toma contato com uma jovem que aparente ter poderes sobrenaturais. É sempre bom saber que o cinema brasileiro está procurando por novos caminhos. Só o fato de termos um filme de suspense e terror feito aqui no Brasil já é uma boa notícia por si mesma.

Por fim, para quem gosta de fantasia medieval, fica a dica de "Rei Arthur - A Lenda da Espada". É mais uma produção que explora a figura lendária do Rei inglês que para alguns historiadores foi apenas um personagem lendário e para outros teria alguma ligação a história real da formação da nação britânica. O filme foi dirigido por Guy Ritchie (amado por alguns, odiado por outros) e conta no elenco com Charlie Hunnam (da série "Sons of Anarchy) no papel principal e Jude Law, mais uma vez atuando nesse tipo de filme. Uma nova versão sobre Arthur que vale a pena conferir nesse próximo fim de semana.

Pablo Aluísio.

Ouro e Cobiça

Título no Brasil: Ouro e Cobiça
Título Original: Gold
Ano de Produção: 2017
País: Estados Unidos
Estúdio: Black Bear Pictures
Direção: Stephen Gaghan
Roteiro: Patrick Massett, John Zinman
Elenco: Matthew McConaughey, Edgar Ramírez, Bryce Dallas Howard, Corey Stoll, Toby Kebbell, Bill Camp
  
Sinopse:
Após a morte de seu pai, Kenny Wells (Matthew McConaughey) herda a companhia mineradora dele. As coisas porém vão de mal a pior. Em pouco tempo a empresa entra em uma situação tão ruim que praticamente fica à beira da falência. Desesperado para salvá-la, Wells resolve ir até a distante Indonésia para uma cartada final. Ele vende seus últimos bens e investe em uma suposta mina de ouro situada no meio da floresta. Seu parceiro Michael Acosta (Edgar Ramírez) acredita saber onde o ouro está. Assim Wells sai em busca de investidores que queiram financiar aquele ousado projeto, só que as coisas não vão sair exatamente como eles planejaram.

Comentários:
O poster desse filme vai enganar muita gente. Nele vemos o ator Matthew McConaughey olhando para uma floresta fechada, certamente procurando por seu Eldorado pessoal. Isso pode levar alguns a acreditarem que vão assistir a um filme de aventuras na selva, do tipo Indiana Jones. Ledo engano. Na verdade o que temos aqui é um drama baseado em fatos reais. A história verdadeira de um empresário do ramo de mineração que investiu seus últimos centavos no sonho meio louco de encontrar uma enorme mina de ouro nos confins das selvas da Indonésia. Confiando numa teoria não muito confiável chamada "anel de fogo" ele parte para uma expedição alucinada ao lado de seu parceiro, um especialista chamado Michael Acosta. Para levantar fundos ele vai até a bolsa de valores de Nova Iorque em busca de investidores e assim começa uma insana captação de recursos em um empreendimento que ficou famoso não exatamente por suas descobertas de grandes jazidas de ouro. O roteiro explora muito bem essa falta de controle no mercado de valores das principais bolsas dos Estados Unidos. Basta uma conversa mais ou menos crível para que uma chuva de dinheiro venha a surgir no horizonte. O que era apenas uma aposta em uma suposta mina existente na selva logo se torna uma ciranda financeira sem controle nenhum. Matthew McConaughey se empenhou em sua atuação. Ele está gordo, careca e com dentição ruim, tudo para se parecer com o Kenny Wells da vida real. Ele provavelmente estava apostando em uma indicação ao Oscar ou ao Globo de Ouro, só que isso não se concretizou. O filme acabou sendo indicado apenas ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Música Original ("Gold" de Iggy Pop). O filme de um modo em geral me agradou bastante. Não era bem o que eu estava esperando, mas certamente funcionou dentro de sua proposta inicial. No fundo é um tratado sobre a cobiça sem limites do ser humano.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Asas de Águias

Título no Brasil: Asas de Águias
Título Original: The Wings of Eagles
Ano de Produção: 1957
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: John Ford
Roteiro: Frank Fenton, William Wister Haines
Elenco: John Wayne, Maureen O'Hara, Dan Dailey, Ward Bond, Ken Curtis, Edmund Lowe
  
Sinopse:
Durante a formação da primeira esquadrilha de aviões da marinha americana, o piloto Frank 'Spig' Wead (John Wayne) acaba se destacando por sua coragem e audácia. Ele é um militar rebelde que nem sempre segue as ordens. Quando a marinha resolve disputar com o exército uma volta ao mundo ele prontamente se dispõe a liderar sua equipe. Apenas uma surpresa do destino acaba parando seus planos para essa aventura inesquecível.

Comentários:
John Ford foi um mestre do cinema. Disso ninguém tem dúvidas. A questão é que até mesmo os grandes cineastas dão tropeços em sua carreira. Esse "Asas de Águias" foi seguramente um dos piores filmes de Ford. Mesmo trabalhando ao lado de John Wayne, em uma história tão interessante, baseada em fatos reais, pouca coisa funciona. No começo do filme Ford adota um tom exageradamente pastelão. Isso mesmo, em um filme que se propunha a ser um drama de guerra, Ford colocou cenas exageradamente cômicas, com direito a bolos e tortas na cara e calhambeques disputando corridas com aviões (como se o espectador estivesse assistindo a um velho filme de "O Gordo e o Magro"). Nada chega a ser engraçado, apenas constrangedor. Depois o filme avança e Ford, aos poucos, vai mudando o estilo. O personagem de John Wayne sofre um acidente doméstico, ao cair de uma escada, e se torna paraplégico. Ele que sempre foi um militar audacioso teria que lidar agora com uma terrível nova realidade. E aí, do nada, o que era pastelão se torna dramalhão. É um pouco demais para o público, vamos convir. Essa montanha russa de estilos cinematográficos acaba atrapalhando o filme como um todo. Sem ter como pilotar novamente então o personagem de John Wayne vai para Hollywood e se torna roteirista de filmes de guerra. A história real de Frank 'Spig' Wead poderia render algo muito mais interessante. Ele próprio poderia ter escrito um roteiro melhor para o filme, porém quando esse foi realizado ele já estava morto. Uma pena, de certa forma John Ford, apesar de todas as suas boas intenções e talento, estragou essa biografia do velho piloto da marinha. Se tivesse adotado um tom sério e mais centrado no drama real vivido por Spig teríamos um filme muito mais interessante. Do jeito que ficou tudo soa muito bobo e fora de propósito. Esse filme certamente foi uma bola fora dentro da filmografia do grande John Ford. A lição que fica é a de que até os grandes gênios do cinema cometem sua dose de bobagens nas telas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 23 de abril de 2017

10 Curiosidades - Alien: Covenant (2017)

10 Curiosidades - Alien: Covenant (2017)

1. O novo filme da franquia Aliens custou 111 milhões de dólares. Um valor considerado até bem razoável para um filme como esse, que tem pretensões de ser um blockbuster, um arrasa quarteirão nas bilheterias.

2. O diretor Ridley Scott ficou meses em dúvida se iria ou não dirigir esse primeiro filme depois de Prometheus (2012), Esse foi o primeiro filme dessa nova linha de produções e na opinião de Scott não foi tão bem recebido como ele pensava. A decepção por parte da crítica o fez pensar em dar a sequência para outro diretor dirigir. Depois pensou melhor e resolveu assumir definitivamente a direção desse novo filme.

3. Em entrevistas Ridley Scott confidenciou que havia odiado Alien³ (1992). Ele então juntou peças de um antigo roteiro que havia escrito na época de lançamento daquele filme (e que nunca havia sido filmado) com elementos novos que surgiram depois de Prometheus. Juntando ideias novas e antigas ele finalmente chegou na versão final dessa nova estória vista em Alien: Covenant.

4. Por questões financeiras e fiscais o estúdio Fox decidiu que esse novo filme seria filmado em Sydney, na Austrália. Toda a equipe técnica americana assinou um contrato especial que previa a permanência naquele país por pelo menos seis meses. No final, como bem explicou Ridley Scott, o filme foi praticamente todo feito em Sydney, não apenas em relação às filmagens, mas montagem e edição também. Apenas os efeitos digitais foram produzidos em Los Angeles.

5. O ator Michael Fassbender teve um choque de agendas entre as filmagens desse novo filme "Alien: Covenant" e "X-Men: Apocalipse". Ridley Scott então, por pura gentileza profissional, adiou o começo das filmagens para que Fassbender tivesse tempo de terminar seus compromissos e viajar para a distante Austrália para começar a trabalhar nesse nova produção.

6. O primeiro nome do filme era "Alien: Paradise Lost" (Alien: Paraíso Perdido). Era esse o título que Ridley Scott queria para a produção, mas os executivos da Fox o convenceram a escolher outro nome, isso porque poderia haver uma certa confusão na mente do público com a série "Lost". Além disso, para a Fox, o título escolhido por Ridley Scott era pouco comercial e até brega!

7. Ridley Scott explicou que esse "Alien: Covenant" é na verdade o segundo filme de uma trilogia que serve como prequel para a franquia principal Aliens. O enredo se passa antes do que é visto em "Alien: O Oitavo Passageiro". O primeiro filme dessa nova trilogia foi exatamente o filme "Prometheus" de 2012. O terceiro filme está previsto para ser lançado nos cinemas em 2019 ou 2020.

8. O título "Alien: Covenant" se refere a um pacto entre criadores e criaturas. Uma óbvia referência à história bíblica do pacto entre Deus e os homens que está presente nas escrituras sagradas da tradição judaico-cristã.

9. Os nomes de andróides, David e Walter, são uma homenagem de Ridley Scott aos produtores David Giler e Walter Hill. "Uma questão que apenas os envolvidos no filme vão entender completamente" - explicou o diretor.

10. Na apresentação do filme aos jornalistas americanos o diretor Ridley Scott explicou: "Eu fiquei em dúvida se faria esse segundo filme. Havia também uma nova continuação para Blade Runner e eu pensei por um tempo em ir dirigir o outro filme, mas depois optei por Alien. No final terminamos o filme no custo previsto e no cronograma certo. Estou feliz com o resultado. Espero que todos gostem do novo filme".

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 22 de abril de 2017

Capitão Fantástico

Definitivamente Ben (Viggo Mortensen) não é um sujeito muito comum. Ele cria seus filhos no meio da natureza, onde não frequentam a escola e nem recebem uma educação formal e tradicional. Após a morte de sua esposa, ele precisa finalmente enfrentar de novo o mundo real pois os pais de sua mulher (que cometeu suicídio) querem um enterro católico e normal para ela. Ben pensa diferente. A esposa queria um funeral completamente fora dos padrões em seu testamento. Assim, ao lado dos filhos ele então parte para uma jornada de despedida.

"Capitão Fantástico" é um belo filme. Ele traz em seu roteiro elementos do velho movimento hippie, onde algumas pessoas sonharam por uma vida diferente, que fugisse dos padrões impostos pela sociedade. Era uma maneira de procurar por uma liberdade de vida sem limites, a ser alcançada de todas as formas. Ben tenta passar esses valores para os filhos, os tornando pequenos intelectuais extremistas, muito embora todos acabem percebendo que esse caminho, apesar de ser bem inspirador, não é muito adequado para uma família como aquela.

O roteiro é bem interessante porque mostra um pai de família que tem uma visão de mundo muito intelectualizada, demonstrando que teorias abstratas em excesso nem sempre funcionam muito bem no mundo real. Os filhos se ressentem disso e o seu sogro (interpretado pelo ótimo Frank Langella) se torna um oponente à altura na criação de seus netos. Ele quer que os garotos frequentem uma escola, que tenham amigos, que namorem, que tenham um futuro pela frente, indo para universidades, etc. Já Ben rejeita tudo isso, baseado muitas vezes em uma visão idealista demais da realidade. Tão idealista que se torna muitas vezes surreal.

O saldo final porém é muito positivo. Como cinema "Capitão Fantástico" é uma pequena obra prima que inclusive deveria ter mais reconhecimento. As tímidas indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro de melhor ator para Viggo Mortensen não condizem com a excelente qualidade dessa obra cinematográfica como um todo. O roteiro levanta muitas questões, muitos questionamentos, que ficam na mente do espectador por um bom tempo. Encontrar filmes hoje em dia que levantem tais questões e faça pensar é cada vez mais raro, por isso sua importância. De tantas produções que foram indicadas ao Oscar nesse ano essa foi seguramente uma das mais injustiçadas. Não deixe passar em branco.

Capitão Fantástico (Captain Fantastic, Estados Unidos, 2016) Direção: Matt Ross / Roteiro: Matt Ross / Elenco: Viggo Mortensen, Frank Langella, George MacKay, Samantha Isler / Sinopse: Após a morte da esposa, que se matou em uma crise de bipolaridade, o pai Ben (Mortensen) junta seus filhos para irem ao seu funeral. Algo que irá trazer muitos conflitos pois seu sogro deseja um enterro tradicional para a filha, enquanto Ben e as crianças estão dispostos a cumprirem os últimos desejos da mãe.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Blade Runner 2049

Ontem foi divulgado o trailer de "Blade Runner 2049", a tão aguardada sequência do clássico Sci-fi dos anos 80. Sinceramente fico com um pé atrás. Continuações tardias como essa não possuem um bom histórico. Há muitos filmes ruins nesse tipo de categoria. Geralmente aproveitam apenas o nome comercial de um filme famoso para faturar nas bilheterias.

Assistindo ao trailer porém pude perceber que, apesar das expectativas baixas, há algum fio de esperança. A presença de Ryan Gosling pode ser um indício de que o roteiro é realmente bom, afinal esse ator não costuma se envolver com abacaxis. Ele é bem independente em relação a Hollywood  e acredito que se ele aceitou fazer o filme então boa coisa vem por aí.

Já a presença de Harrison Ford no elenco infelizmente não quer dizer muita coisa. Embora ele tenha estrelado o filme original, aquela era uma época diferente em sua carreira. Dos anos 90 para cá a presença de Ford não traz mais nenhuma garantia que o filme seja bom ou promissor. Ele atuou em muitos filmes caça-níqueis, alguns deles até constrangedores. Por isso não me anima nada vê-lo no trailer. Agora pior mesmo é saber que Ridley Scott não estará na direção. Ele apenas será o produtor executivo desse novo filme. Isso pode ser um sinal ruim.

O estúdio resolveu entregar a direção para o canadense Denis Villeneuve. E quem é ele? Bom, em termos de ficção ele dirigiu um filme recente que foi extremamente elogiado pela crítica, "A Chegada". Também dirigiu o bom " Sicario: Terra de Ninguém". Assim como Ryan ele não costuma participar de projetos meramente oportunistas. Assim, no final dessa balança de expectativas, temos coisa boas e ruins nos dois lados. Se o filme vai ser mesmo um marco ou apenas um blockbuster que pediu emprestado o nome de um clássico, só o tempo dirá. O filme tem data de estreia marcada para outubro.

Pablo Aluísio.

Vida / Joaquim / Paixão Obsessiva / Paterson

O principal lançamento dessa semana é a ficção "Life" ("Vida" no Brasil). O filme tem um excelente elenco (que conta entre outros com Jake Gyllenhaal e Ryan Reynolds) e explora a história de seis astronautas que descobrem, através de amostras retiradas de Marte, vida naquele planeta desolado.  É inicialmente um ser unicelular que ganha o nome carinhoso de Calvin. Tudo corre bem até que eles descobrem que não há nada de inofensivo naquela nova forma de vida. O filme tem sido elogiado lá fora, muito embora muitas críticas chamem a atenção para as inúmeras semelhanças entre esse enredo e a famosa franquia "Aliens". De minha parte estou curioso em conferir o filme. A comparação com "Aliens" é de certa forma até esperada, uma vez que essa série de filmes sempre foi uma das mais influentes da história do cinema.

Outro lançamento da semana que chama a atenção é o drama histórico nacional "Joaquim". Uma produção entre Brasil e Portugal que procura resgatar a história de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, personagem central na chamada Inconfidência Mineira. O filme tem sido bastante elogiado e vem para preencher um vazio que existia dentro da cinematografia brasileira sobre esse tão falado e ao mesmo tempo tão pouco conhecido herói da nossa história. O filme é obviamente bem mais recomendado para quem aprecia história do Brasil.

Voltando aos enlatados americanos os cinemas brasileiros recebem outras opções nessa semana. A atriz Katherine Heigl conhecida por suas comédias romântica bobinhas procura por um novo caminho em sua carreira. Ela deixa o humor de lado para estrelar "Paixão Obsessiva", um thriller de suspense envolvendo uma mulher traída pelo marido que resolve se vingar de sua amante. Será que após vários fracassos comerciais, Heigl conseguirá retomar o caminho do sucesso trocando de estilos cinematográficos? É esperar para ver, muito embora eu pessoalmente não leve muita fé nesse seu novo filme que parece ser bem ruinzinho.

Uma melhor opção é conferir "Paterson" de Jim Jarmusch. O cult diretor volta aos cinemas nesse drama sensível sobre um homem que ganha a vida como motorista de ônibus, embora tenha talento e vocação mesmo para a poesia. Um filme bucólico e lírico que merece ser mais conhecido. Já "O Sonho de Greta" explora aquela fase complicada da adolescência quando uma jovem garota está prestes a completar 15 anos de idade. Indicado para pré-adolescentes em geral que certamente vão se identificar com a história. Por fim, para quem estiver em busca de filmes do velho continente fica a dica do filme francês "O Novato". Também é uma crônica sobre a pré-adolescência, contando a história de um garoto que vai morar em Paris e passa a sofrer bullying na escola.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Uma Lista de Filmes - Parte 2

Em fevereiro de 2000 assisti ao clássico "O Grande Ditador" de Charles Chaplin, O roteiro era obviamente uma sátira mordaz contra o ditador nazista Adolf Hitler. Muitos não param para pensar nisso, mas Chaplin rodou o filme antes dos Estados Unidos entrarem na guerra. Na época o governo americano procurava se manter neutro diante do que acontecia na Europa. Outro fato marcante é que Chaplin não sabia na ocasião que milhões de judeus como ele estavam sendo mortos em campos de concentração na Alemanha e na Polônia ocupada. Ele inclusive chegou a dizer que se soubesse na época das filmagens que o holocausto estava ocorrendo jamais faria o filme em respeito ás vítimas desse horror. O que podemos dizer ainda de um filme como esse, tão importante? Praticamente nada. É uma das grandes obras primas da história do cinema. Magnífico.

Outro bom filme assistido nesse mês foi "Magnólia". Com o tempo esse drama de Paul Thomas Anderson acabou sendo mais lembrado por causa de sua estranha cena final, com a chuva de sapos sobre Los Angeles. O fato porém é que Magnólia é bem mais do que isso, valorizado por um roteiro bem inteligente, ao estilo mosaico, que contava ainda com um excelente elenco com, entre outros, Tom Cruise, Jason Robards e Julianne Moore. Esse aliás foi um dos últimos filmes cult da carreira de Cruise que pelo visto desistiu desse tipo de produção, se limitando a estrelar um blockbuster atrás do outro. Uma pena, já que esse produto tipicamente da Miramax, tem seus méritos inegáveis. "Meninos não Choram" é outro bom drama dos anos 90. Um retrato muito bem realizado da questão LGBT naquela época. A atriz Hilary Swank teve a maior interpretação de toda a sua carreira e levou o Oscar! Prêmio mais do que merecido. A temático do filme aliás continua bem atual, ainda mais agora onde se discute tanto a tal teoria do gênero.

No cinema assisti "O Homem Sem Sombra". O filme é praticamente um remake do clássico de terror "O Homem Invisível". Claro que se no antigo filme tínhamos apenas um homem com pano enrolado na cabeça, aqui havia o melhor em termos de efeitos especiais, mostrando literalmente em detalhes o desaparecimento do personagem de Kevin Bacon. Há uma cena com um gorila que até hoje impressiona pela qualidade dos efeitos digitais. Não havia mais limites para o que o cinema podia reproduzir na tela com os avanços da tecnologia.

Por fim mais dois filmes. "Vivendo no Limite" era estrelado por Nicolas Cage. Ele interpretava um paramédico prestes a perder a sanidade em uma Nova Iorque caótica e insana. O diretor Martin Scorsese aproveitou sua experiência com seu vício em cocaína para imprimir um ritmo todo surreal ao seu filme. Não fez tanto sucesso e nem hoje é tão lembrado, mesmo assim é um filme que vale a pena. Já "Mortos de Fome" era um estranho filme de horror. O roteiro misturava suspense, morbidez e canibalismo nessa fita que causou uma certa repercussão em seu lançamento.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Aftermath

Esse filme me deixou com um aperto no peito! Antes de qualquer coisa vale um aviso: se você é um fã do ator Arnold Schwarzenegger do passado, de seus filmes de ação e pancadaria, melhor esquecer! Esse é o filme mais pesadamente dramático da filmografia do ator. Não há nada parecido com o que ele tenha feito antes. É um filme sobre o luto, sobre a perda e sobre a solidão. O clima é pesado, tenso e o roteiro, em nenhum momento, parece disposto a aliviar para o espectador. É de fato um daqueles dramas trágicos, onde nada parece ter salvação e a esperança parece estar definitivamente enterrada.

Arnold Schwarzenegger interpreta Roman. Ele é um trabalhador da construção civil que parece bem equilibrado e feliz em sua vida. Quando o filme começa acompanhamos seu dia de rotina no trabalho. A única novidade é que ele precisa ir ao aeroporto para buscar sua esposa e filha que estão chegando de viagem. E aí começa a grande tragédia em sua vida. Ao chegar lá ele percebe que há algo errado. Assim que os funcionários da companhia aérea percebem que ele está em busca de informações sobre o voo eles o levam para um lugar separado.

Roman então é informado que o avião de sua família caiu. Imediatamente ele também percebe que seu mundo acabou! Pior, ele descobre que tudo foi causado por uma falha humana, pelo erro de um controlador de tráfego aéreo. A partir daí sua vida perde a razão de ser. Roman entra em uma crise depressiva que quase se torna suicida. O roteiro também explora o inferno que a vida do operador de voo se torna após o acidente. Roman começa a criar uma obsessão em conhecer pessoalmente aquele que com seu erro causou a morte de sua família e o que já era desastroso começa a ficar trágico de vez.

Esse filme é surpreendente porque Arnold Schwarzenegger aceitou interpretar um personagem que foge completamente de seu  habitual, principalmente quando comete uma verdadeira loucura, uma insanidade causada pelo desespero. Tenho percebido que em seus últimos filmes, os realizados após ele retornar ao cinema, Arnold Schwarzenegger tem se preocupado em colocar sempre um elemento comum nos roteiros dos filmes em que atua: a família! O próprio ator viu sua família desmoronar após um caso de infidelidade de sua parte e desde então parece ter adotado uma espécie de calvário nas telas sobre o que aconteceu em sua vida real. Esse "Aftermath" é mais um passo nessa direção. Arnold Schwarzenegger louva a importância da família ao mesmo tempo em que parece gritar por alguma ajuda através de seu personagem. Algo surpreendentemente sincero, humano e atroz!

Aftermath (Estados Unidos, 2017) Direção: Elliott Lester / Roteiro: Javier Gullón / Elenco: Arnold Schwarzenegger, Maggie Grace, Scoot McNairy / Sinopse: Roman (Arnold Schwarzenegger) é um homem comum que se vê em uma grande tragédia pessoal ao ser informado que sua esposa e filha morreram em um trágico acidente aéreo. A partir desse ponto ele começa a criar uma obsessão em encontrar o controlador de voo que acabou causando o acidente por causa de um erro na torre de controle.

Pablo Aluísio.

sábado, 15 de abril de 2017

Alien: Covenant (2017)

Até tentei gostar desse novo filme, mas o roteiro é muito básico. Se duvida disso posso resumir tudo em poucas linhas: Nave de colonizadores passa por uma tempestade solar. Há problemas. A tripulação é acordada. O novo comandante decide ir em um planeta próximo. O lugar está cheio de aliens. Todos vão morrendo. Fim. Achou muito simples? É bem por aí mesmo.

O filme anterior "Prometheus" abriu um monte de possibilidades e deixou inúmeras perguntas no ar. Só que esse novo filme não está nem aí para elas. Ele se contenta apenas em contar uma estorinha banal de astronautas sendo devorados por aliens e é só. Ninguém vai ter nenhuma informação a mais sobre os novos rumos da série. É tudo muito básico, com uma equipe de colonos servindo de menu para aliens famintos. Há algumas novidades de design dos monstros, mas igualmente não vemos nada de muito interessante. era mesmo de se supor que haveria pelo menos alguma novidade nesse aspecto. A tecnologia melhorou nos efeitos digitais. Era claro que tudo seria mais bem feito. Isso é o mínimo de se esperar. Não é novidade. 

Foi decepcionante. Claro que o filme continua investindo em um visual bem peculiar, bem característico dos filmes de Aliens, mas nada vai muito além disso. Uma boa ficção não vive apenas de efeitos especiais. Tem que ter um enredo inteligente, coisa que Alien: Covenant não tem. Esses personagens da nave Covenant são muito chatos e sem conteúdo. Essa coisa de um usar chapéu de cowboy, a outra ter traumas pela morte do marido (passa o filme todo chorando, que saco!) e o velho clichê do comandante inexperiente, já deu o que tinha que dar há anos. Nenhum personagem humano tem maior profundidade. São todos rasos, como convém a astronautas que só estão lá para serem devorados em série. Que coisa feia Sr. Ridley Scott! Pensei que iria pelo menos criar alguma personalidade para essas pessoas.

Só sobra de bom mesmo os dois sintéticos interpretados por Michael Fassbender. Um é bonzinho, o outro malvadão. Um segue sendo leal aos seres humanos, cumprindo todas as suas funções dentro da equipe. O outro quer que os seres humanos se danem, pois em sua opinião é uma raça desgraçada e inútil, que destrói tudo por onde anda no universo (em certo aspecto ele até tem razão sobre isso). Esse sintético antigo prefere os aliens, que ele admira como uma espécie predadora perfeita. Além disso, por não ser uma criatura orgânica ele vive muito bem ao lado deles, que não vão devorar um sintético feito de substância químicas tóxicas. Provavelmente esse personagem será central no próximo filme ou não - dependendo do que Ridley decida. Não me admira se ele ignorar esse segundo filme, como fez com o primeiro. Então é isso ai. Um novo aliens que não acrescenta nada, que não melhora e nem marca dentro da série. É banal demais para ser levado à sério.

Título no Brasil: Alien: Covenant
Título Original: Alien: Covenant
Ano de Produção: 2017
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Ronald Shusett                  
Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup
Custo de produção: 97 milhões de dólares
Data de Estreia: 17 de maio de 2017.

Júlio Abreu e Pablo Aluísio.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Brad Pitt - Primeiros Filmes

A primeira vez que ouvi falar em Brad Pitt foi por causa de sua participação no filme "Thelma & Louise" de 1991. Ele interpretava um jovem com chapéu de cowboy chamado J.D. Não havia nada de especial em sua "interpretação", na verdade Pitt chamou a atenção do público feminino mesmo por causa de sua beleza e sensualidade. Como o roteiro do filme explorava duas mulheres que tinham decidido deixar suas vidas chatas de donas de casa para trás, correndo em busca de aventuras, o bonitão vivido por Pitt representava antes de mais nada essa liberdade sexual recentemente recuperada por elas.

O fato porém é que esse não foi o primeiro papel do ator no cinema. Ele havia estreado bem antes, ainda nos anos 80, aparecendo em filmes como "Hunk - Um Pacto dos Diabos", "Atraídos Pelo Perigo" e "Abaixo de Zero". Em nenhum deles chegou nem perto de atrair a atenção do público. Suas participações eram nulas, muitas vezes seus "personagens" sequer tinham nomes. Em "Hunk" ele apareceu nos créditos como "O Rapaz na Praia", ou seja, nada muito promissor ou importante. Como todo jovem ator em Hollywood, Pitt precisou ralar um bocado para alcançar seu lugar ao sol.

Como havia muitos testes todos os dias para arranjar um trabalho, Pitt acabou indo parar até mesmo na série "Dallas" onde interpretou um jovem chamado Randy. Aparecer em Dallas foi bem importante para ele, principalmente para se tornar mais conhecido de agentes, diretores e produtores. A TV porém não era bem aquilo que ele procurava, por isso sua participação se limitou a apenas quatro episódios exibidos em 1987 no canal ABC. Depois disso Brad Pitt ainda trabalhou na televisão por cachês que seguravam sua barra como em "Anjos da Lei" e até mesmo "A Hora do Pesadelo", série feita para a televisão baseada nos famosos filmes de terror. Nada porém parecia dar muito certo ou colher bons frutos para sua carreira.

Sua sorte só mudou mesmo com Thelma & Louise. Esse filme foi realmente o divisor de águas em sua filmografia. Após bastante tempo estrelando séries, telefilmes e filmes sem grande importância, ele teve sua chance de aparecer para os grandes estúdios. Essa produção foi considerada uma das mais bem sucedidas daquele ano e apesar de ser estrelada pelas atrizes  Susan Sarandon e Geena Davis, todos só falavam da pequena e importante participação de Brad Pitt nas telas. O ator então vendo um bom momento em sua carreira trocou de agente e passou a fazer parte de uma agência bem importante de Los Angeles. Seus novos agentes prometiam oportunidades em grandes filmes que estavam sendo produzidos. Um novo horizonte finalmente se abria para Brad naquele começo dos anos 90.

Depois de chamar a atenção com "Thelma & Louise" os produtores lançaram no mercado um estranho filme que Brad Pitt havia estrelado chamado "Johnny Suede". Esse filme chegou a ser lançado no Brasil, em VHS, mas pouquíssimas pessoas assistiram. Era uma produção nonsense, com pretensões de se tornar cult, trazendo Pitt interpretando um personagem com um imenso topete (de fazer inveja a Elvis e James Dean). O roteiro era fraco e o filme como um todo não fazia muito sentido. Mesmo assim, visando principalmente ganhar algum proveito em cima da fama do ator, acabou sendo lançado, mas sem causar maior interesse tanto do público como da crítica. Em 1992 Brad Pitt estrelou outro filme que era bem fora dos padrões chamado "Mundo Proibido". Essa produção misturava cenas com atores reais e desenhos animados. Era de certa forma uma nova versão mais pobre e sem os mesmos recursos do sucesso "Uma Cilada Para Roger Rabitt". A protagonista era uma versão animada da atriz Kim Basinger, que fazia de tudo para copiar a sensual Jessica Rabbit. O filme não deu certo, foi fracasso de público e crítica, justamente por não ser nada original. Nem o clima de fim noir, que o diretor tentou imprimir à direção de arte, ajudou. Hoje em dia é uma produção que poucos conhecem, sendo praticamente desconhecida.

Curiosamente por essa época Brad Pitt fez dois trabalhos na TV americana. Um deles foi o telefilme "Histórias Insólitas", que trazia um daqueles roteiros com pequenas histórias diferentes, como se fossem contos literários adaptados para as telas. Nesse filme tínhamos enredos explorando pistoleiros do velho oeste a combatentes da I Guerra Mundial. Brad Pitt interpretou um personagem chamado Billy no segmento "King of the Road". Esse filme nunca foi lançado no Brasil, nem nos tempos das locadoras de vídeo. E isso apesar de ter sido dirigido pelos excelentes cineastas Richard Donner e Tom Holland. Também desconheço qualquer exibição em canais a cabo no Brasil. Pelo visto segue sendo inédito. O interessante é que esse mesmo filme foi relançado depois dentro da série "Contos da Cripta", esse sim lançado em vídeo no Brasil, porém de forma incompleta, o que deixou de fora "King of the Road". justamente aquele em que Pitt atuava. Apesar de tudo, Brad sentia que sua carreira estava demorando demais para decolar. Desde 1988 quando havia surgido pela primeira vez em "Anjos da Lei" ele procurava por uma saída, algum projeto que o lançasse finalmente no cinema. Sua impaciência chegaria ao fim ainda nesse ano de 1992, quando ele finalmente recebeu uma grande proposta para atuar em um filme classe A de Hollywood. Algo que vamos tratar no próximo texto. Até lá!

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Sleepless - Nos Limites da Lei

Título no Brasil: Sleepless - Nos Limites da Lei
Título Original: Sleepless
Ano de Produção: 2017
País: Estados Unidos
Estúdio: Riverstone Pictures
Direção: Baran bo Odar
Roteiro: Andrea Berloff, Frédéric Jardin
Elenco: Jamie Foxx, Michelle Monaghan, Dermot Mulroney, David Harbour, Gabrielle Union, Octavius J. Johnson
  
Sinopse:
Durante uma operação contra traficantes de drogas o policial Vincent (Jamie Foxx) decide roubar para si e seu parceiro 25 kgs de cocaína, algo que no mercado seria vendido por oito milhões de dólares. Os criminosos porém não parecem dispostos a deixar isso barato e sequestram o filho de Vincent. Ou ele devolve a droga ou então eles vão matar o jovem. Vincent agora precisa salvar o filho, ao mesmo tempo em que corre para não ser preso pela corregedoria do departamento de polícia.

Comentários:
Bem decepcionante esse filme. A presença de Jamie Foxx poderia dar a falsa impressão de que viria coisa boa pela frente, até porque esse ator tem uma ótima filmografia. Passados os vinte minutos iniciais do filme as esperanças de que algo bom vai surgir na tela se vão. É muito formulaico e cheio de clichês esse filme policial. Nenhum personagem tem o menor desenvolvimento, tudo se resumindo em uma cena de ação atrás da outra. Nem o cenário mais diferente de Las Vegas importa. Há uma estranha cena de perseguição pelas ruas da cidade onde não se vê uma pessoa viva nas ruas. Certamente a produção teve que gravar de madrugada para economizar nos custos! O roteiro é banal, aquela velha história do tira que parece corrupto, mas que no fundo pode não ser. Uma reviravolta boba atrás da outra. Ok, é um filme de ação de rotina, burocrático, sem problemas. O problema maior é se perguntar se ele funciona apenas nesse quesito? A resposta é não! Veja, além de ser bem fraco essa fita policial não funciona como filme de ação! Com isso tudo se perde. Supostamente o tira interpretado por Jamie Foxx teria tentado roubar um traficante e se dado mal quando os criminosos colocaram as mãos em seu filho. Toda a ação se passa quase que exclusivamente dentro de um cassino de Las Vegas, mas isso pouco importa no final. O filme é curto - meros 90 minutos - mas é tão aborrecido que parece durar uma eternidade (Einstein explica!). Nada se salva no final. Assim meu veredito é o pior possível. Seguramente temos em mãos o pior filme da carreira de Jamie Foxx. Não poderia ser pior. Ignore e poupe seu tempo com esse amontoado de clichês cinematográficos obsoletos e saturados.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Mel Gibson - Primeiros Filmes

A carreira de Mel Gibson começou muito modesta, ainda nos tempos em que ele morava na Austrália. Embora fosse americano de origem (o ator nasceu em Nova Iorque no ano de 1956), Gibson foi ainda muito jovem morar na distante Austrália por causa dos pais. Lá ele começou a se interessar por atuação, muito embora ainda fosse jovem demais para decidir o que faria da vida no futuro. Seu primeiro trabalho foi na televisão, em uma participação mínima na série "The Sullivans". Era o ano de 1976, Gibson com apenas 20 anos de idade curtiu a experiência, mas percebeu que o mundo da televisão não era para ele.

Seu primeiro filme para o cinema foi "O Último Verão", uma fita sobre quatro amigos que resolvem viajar pela Austrália em busca da onda perfeita. Os personagens eram surfistas (inclusive Gibson) e o roteiro era, para ser bem educado, completamente primário. Um filme que foi renegado pelo próprio Gibson anos depois. Durante uma entrevista o ator, perguntado sobre seu primeiro filme, foi enfático, descartando a produção, a chamando de ridícula. Realmente o título original era bem adequado, "Summer City", pois esse era inevitavelmente um filme vazio de verão, com surf, praias, garotas e nada mais. Não era mesmo nenhuma obra cinematográfica mais relevante. Se não fosse pela participação de Mel Gibson no elenco esse filme já teria sido esquecido completamente.

Depois de "O Último Verão" Gibson faria mais um filme, dessa vez um telefilme para ser exibido exclusivamente no canal ABC da Austrália. O filme se chamava "The Hero" (até hoje sem nome oficial no Brasil). Era uma produção muito fraca, quase um documentário, sobre a vida de atores na Austrália. Foi tão ruim e decepcionante que Gibson chegou ao ponto de pensar em abandonar seus sonhos de se tornar um ator, de viver da arte de atuar.

O que salvou a carreira de Mel Gibson foi o fato do diretor George Miller se interessar por ele após assistir a "O Último Verão". O cineasta acreditou que havia finalmente encontrado o tipo ideal para seu novo projeto, um filme com roteiro insano mostrando um patrulheiro rodoviário tentando colocar ordem e justiça em um mundo pós-apocalíptico. Era uma proposta bem ousada, a ser filmada nas estradas mais desertas e inóspitas do interior australiano. Miller queria mostrar um mundo destruído, desolado e abandonado, cuja a lei deveria ser imposta com violência e insanidade. O nome do filme seria "Mad Max" (Louco Max) e poucos sabiam, mas esse seria um marco absoluto na história do cinema mundial. Mel Gibson foi então convidado para um teste, sem levar nada muito à sério. Mal sabia ele o que estava por vir...
 
O filme "Mad Max" foi uma produção barata que não negava suas origens. O filme foi produzido com apenas 200 mil dólares, tudo feito a toque de caixa. O diretor George Miller porém tinha uma visão inovadora, bastante original. Ele mandou confeccionar um belo cartaz do filme e viajou até os Estados Unidos para lançá-lo no circuito independente. Ele sabia que nesse meio o filme teria maior recepção.

E tudo correu de acordo com o que ele pensava. "Mad Max" passou a ser exibido em um mercado mais underground, que o transformou rapidamente em um cult movie. Além disso quando o filme finalmente foi lançado (em 1979) o mercado de cinema estava prestes a sofrer uma enorme transformação. A indústria se preparava para o lançamento de um novo aparelho doméstico, o videocassete, que iria mudar para sempre os hábitos dos cinéfilos.

"Mad Max" acabou assim se tornando um dos primeiros grandes sucessos de lançamento no recém inaugurado mercado de vídeos domésticos, VHS. Com esse novo meio de comercialização de filmes os produtores encontraram um novo meio de ganhar muito dinheiro com os filmes. O que antes se resumia nas bilheterias de cinema, agora mudava para um novo formato. O consumidor alugava o filme e levava uma fita para assistir em casa, no conforto do lar. Com isso "Mad Max" foi ficando cada vez mais popular. A boa receptividade chamou a atenção para Mel Gibson, o ator que interpretava Max. Embora fosse americano ele morava na Austrália. Seu agente o aconselhou a ir embora, vindo morar em Los Angeles.

Antes de ir embora para a América Mel Gibson rodou um novo filme na Austrália. O filme se chamava "Tim - Anjos de Aço". Esse roteiro deu oportunidade para Gibson mostrar que era muito mais do que apenas um patrulheiro rodoviário em um mundo destruído. Seu personagem se chamava Tim Melville, um rapaz com retardo mental que trabalhava em pequenos serviços, como jardineiro, etc. Interpretar alguém excepcional, com necessidades especiais, foi um grande desafio para Mel que pegou gosto pelo drama e pelos enredos mais edificantes. Claro, ele estava prestes a se tornar um dos mais populares atores do gênero ação nos Estados Unidos, mas ao mesmo tempo sempre iria procurar por desafios como esse em sua futura carreira.
 
Depois do sucesso de "Mad Max" no mercado de vídeo nos Estados Unidos, Gibson viu as portas do cinema americano se abrirem para ele. Antes de ir para a América porém Gibson precisou cumprir alguns contratos que havia assinado na Austrália. Ela já havia decidido ir embora, para morar em Los Angeles por alguns anos, mas sem perder sua ligação com a Austrália, que adorava. Inclusive com o dinheiro ganho em "Mad Max" ele comprou sua primeira pequena fazenda no país, algo que iria manter por muitos anos. Ele também queria continuar a trabalhar no cinema australiano, independente de qualquer coisa.

Um desses filmes de sua fase australiana final foi o filme de guerra "Força de Ataque Z". A história se passava na II Guerra Mundial, quando um comando de militares australianos embarcavam numa missão contra as forças do Japão imperial. Gibson interpretava uma capitão chamado John Kelly nessa produção que se não chegava a ser uma obra prima, pelo menos cumpria bem seus objetivos no quesito diversão. No elenco havia ainda outro bom ator que também iria fazer carreira no cinema americano, o versátil Sam Neill.

Outro filme de guerra dessa mesma época foi "Gallipoli". Era uma produção bem superior ao filme anterior. Enquanto "Força de Ataque Z" era um filme de ação sem maiores pretensões a não ser divertir o público, esse "Gallipoli" era um ótimo drama de guerra dirigido pelo talentoso e reconhecido cineasta Peter Weir. O filme se passava durante a I Guerra Mundial. Gibson interpretava um jovem australiano que era enviado junto de sua companhia para lutar nas areias escaldantes do front egípcio. O inimigo era representado pelas forças militares de uma Turquia ainda muito fanatizada e cruel. Esse filme pode ser considerado o primeiro grande filme da carreira de Mel Gibson. Tinha excelente produção, linda fotografia e um roteiro realmente muito bem escrito. Era o tipo de filme que Gibson queria fazer. Algo muito além das meras cenas de ação dos filmes anteriores.

A produção acabou sendo considerada o grande filme australiano do ano, sempre premiada em várias categorias do Australian Film Institute (uma espécie de Oscar australiano), entre eles melhor filme, direção e ator, com Gibson sendo premiado pela primeira vez em sua carreira. O filme teve tão boa repercussão de público e crítica que acabou sendo lançado nos cinemas brasileiros na época, algo bem raro em se tratando de filmes australianos. Isso demonstrava como havia sido bem recebido em todo o mundo. Por muitos anos Gibson diria que "Gallipoli" havia sido certamente o melhor filme de toda a sua carreira até aquele momento.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.