domingo, 30 de abril de 2017

Papa Francisco no Egito

Papa Francisco no Egito - Nessa semana o Papa Francisco esteve em uma visita histórica no Egito. Essa passagem do Papa em um país massivamente muçulmano teve um significado muito relevante. Não faz muito tempo e um atentado covarde matou dezenas de cristãos que assistiam a uma missa no Cairo. Essa tragédia tocou fundo a alma do sumo pontífice. Assim Francisco decidiu levar sua mensagem de paz a um país conturbado pelo fanatismo religioso.

Esse tema aliás foi o mais presente nos discursos, mensagens e homilias realizadas por Francisco em sua passagem pelo Egito. Ele fez questão de separar o islamismo, a grande massa de seguidores dessa religião, que são pessoas pacíficas que nunca fizeram mal a ninguém, dos extremistas e terroristas. Os atos criminosos dessas pessoas fanatizadas, que cometem suicídio como homens-bombas, arrastando a vida de centenas de milhares de pessoas inocentes com esse tipo de ato, não pode ser extensiva para todos os islâmicos. A generalização é sempre condenável pois fomenta o ódio e o preconceito.

O Papa Francisco assim reforçou sua mensagem de paz, tolerância religiosa e combate ao fanatismo extremista. A mensagem básica é que cristãos e muçulmanos podem viver juntos, em paz e harmonia. Com essa mensagem pacificadora o Papa recebeu apoio de todos os líderes islâmicos do Egito, que participaram ao seu lado de um ato de fraternidade. Também contou com a constante presença do patriarca da religião cristã copta, considerado o sucessor de São Marcos, o evangelista que foi até o Egito divulgar a mensagem do evangelho de Jesus Cristo. Teodoro II esteve o tempo todo ao lado de Francisco.

A religião cristã copta é a mais numerosa do Egito. Os católicos formam uma minoria. O país é majoritariamente islâmico. O Egito passa atualmente por um momento político delicado. A democracia não funcionou muito bem, colocando no poder líderes políticos fundamentalistas, com ideias radicais. Assim a visita ao Egito não foi basicamente uma viagem evangelizadora de Francisco, mas sim política. Sua presença na região, reforçando a importância da convivência entre religiões, é a mensagem mais importante de sua viagem em terras egípcias.

Pablo Aluísio.

10 Curiosidades - ...E o Vento Levou

1. Embora o estúdio só tenha creditado o cineasta Victor Fleming na direção, o filme na realidade teve três diretores diferentes. Além de Fleming trabalharam na complicada produção os diretores George Cukor e Sam Wood. Cada um deles, ao seu modo, também contribuíram para esse grande clássico da história do cinema.

2. A atriz Vivien Leigh não se deu muito bem com Clark Gable durante as filmagens. O astro era conhecido em Hollywood por sempre tentar seduzir as estrelas com quem trabalhava. Leigh não tinha nenhuma atração pessoal por Gable e isso criou um certo clima de tensão entre eles. Nos dias atuais, pelos padrões da nossa sociedade, poderia se dizer que Gable assediou Vivien Leigh de uma forma nada profissional.

3. O filme até hoje é considerado a maior bilheteria da história do cinema americano. Embora em números absolutos essa bilheteria tenha sido superada por outros filmes ao longo dos anos, o fato é que se fazendo cálculos de atualização monetária, nenhum outro filme rendeu tanto como "...E O Vento Levou", que chegou nas telas de cinema pela primeira vez em 1939.

4. A diferença de cachê entre Vivien Leigh e Clark Gable foi absurdo. Ele ganhou quarenta vezes a mais que sua parceira de cena. A razão era que Gable já era um superstar quando o filme foi feito. Ele era um dos astros mais populares de Hollywood. Já Vivien Leigh era considerada na época apenas uma atriz de sorte que acabou sendo escolhida para interpretar uma das personagens mais cobiçadas pelas estrelas de Hollywood.

5. Hattie McDaniel se tornou a primeira atriz negra a ser indicada e premiada pelo Oscar por sua atuação no filme.

6. Durante a pré-produção o estúdio ficou com sérias dúvidas se o filme seria colorido ou em preto e branco. Na época alguns executivos defenderam a ideia de que sendo em preto e branco o filme teria mais chances no Oscar. Depois o chefão da MGM decidiu que o filme seria rodado em cores. Nesse aspecto "... E O vento Levou" acabou sendo o grande pioneiro, se tornando assim a primeira produção colorida da história a vencer o Oscar de Melhor Filme.

7. Também se tornou o filme mais longo da história a ser premiado em todas as grandes categorias do Oscar. A média dos vencedores anteriores era de uma hora e meia de duração. "...E O Vento Levou" derrubou esse paradigma com seus longos 240 minutos de duração.

8. Segundo descobriu-se anos depois em documentos, mais de mil atrizes foram entrevistadas para interpretar Scarlett O'Hara. Dessas, 400 foram chamadas para testes. No final de um processo exaustivo de seleção a MGM finalmente escolheu a atriz inglesa Vivien Leigh para interpretá-la, algo que causou controvérsia por causa de sua nacionalidade não americana.

9. Vivien Leigh confidenciaria anos depois em uma entrevista que a parte mais complicada de fazer o filme foi aturar o mau hálito de Clark Gable. O ator era fumante inveterado e tinha alguns problemas de estômago, o que piorava ainda mais a situação. E Leigh tinha que passar a impressão que era apaixonada por ele nas telas.

10. O produtor David O. Selznick procurou por Alfred Hitchcock, perguntando se ele estava disposto a trabalhar no filme. Educadamente Hitchcock disse que não era o tipo de filme em que ele costumava trabalhar. Mesmo recusando o convite aceitou ajudar em apenas uma cena do filme, em que o estúdio não considerava muito bem dirigida.

Pablo Aluísio.

10 Curiosidades - Os Filhos de Katie Elder

1. John Wayne contraiu pneumonia durante as filmagens. Com dificuldades de respiração o estúdio contratou um médico particular para o ator. Uma pequena unidade de tratamento também foi instalada, com equipamentos de oxigênio para ajudar na recuperação de Wayne.

2. Durante uma das cenas o espectador consegue ouvir um garotinho chamando "dad" (pai) em relação a Wayne. O menino que chama ele é o seu próprio filho, Ethan Wayne, que acompanhou John durante as filmagens da produção. O diretor  Henry Hathaway não percebeu o problema e o erro acabou indo para a versão final. Acabou sendo mais uma gafe famosa em um grande filme de Hollywood.

3. O roteiro foi inspirado numa história real envolvendo os irmãos Marlowe, que viveram no século 19, no Colorado. Praticamente toda a premissa do enredo, com a morte da matriarca, foi realmente um fato histórico real.

4. Dean Martin elogiou a atuação de John Wayne no filme. Mesmo doente o ator trabalhou muito bem, não passando ao espectador que ele teria enfrentado problemas de saúde durante a produção. Sobre isso Martin declarou: "John Wayne estava doente. Ele poderia simplesmente deixar o filme de lado, sentindo pena de si mesmo. Ao contrário disso enfrentou as filmagens com uma garra que me deixou admirado. Ele era um sujeito muito corajoso, de se admirar".

5. O ator Tommy Kirk foi demitido pelo estúdio após ser preso com porte de drogas. A polícia localizou no carro dele alguns cigarros de maconha.

6. As filmagens começaram em outubro de 1964, mas só chegaram ao fim em janeiro de 1965.

7. Durante o tratamento da pneumonia, John Wayne recebeu uma notícia devastadora. Os exames detectaram que ele tinha câncer de pulmão! Foi um choque, principalmente porque John não desconfiava que sofria da doença. Fumante inveterado que chegou até mesmo a fazer comerciais de cigarro, ele estava sofrendo da terrível doença justamente por causa de sua hábito de fumar até duas carteiras de cigarro por dia.

8. A doença de John Wayne foi escondida do público, mas toda a equipe técnica do filme ficou sabendo que o ator havia sido diagnosticado com câncer. George Kennedy ficou surpreso ao perceber que mesmo após saber que estava com câncer de pulmão o ator continuou fumando cigarros tranquilamente, como se nada tivesse acontecido.

9. Depois que descobriu que estava com câncer, o ator John Wayne sugeriu ao diretor Henry Hathaway que ele contratasse Kirk Douglas para substitui-lo. A sugestão de Wayne foi recusada.

10. Antes de contratar John Wayne o estúdio pensou contratar o ator Charlton Heston para seu papel. O convite não foi aceito por Heston porque ele já havia assumido compromissos com outros filmes.

Pablo Aluísio.

As 3 Espadas de Zorro

Título no Brasil: As 3 Espadas de Zorro
Título Original: Le Tre Spade di Zorro
Ano de Produção: 1963
País: Itália, Espanha
Estúdio: Hispamer Films, Rodes Cinematografica
Direção: Ricardo Blasco
Roteiro: Mario Amendola
Elenco: Guy Stockwell, Gloria Milland, Mikaela, Giuseppe Addobbati, Franco Fantasia, Juan Luis Galiardo

Sinopse:
A história se passa em 1830, no ano da independência do México. Um grupo de tirânicos governantes decide impor à população mais pobre e humilde um governo de opressão e tirania. Apenas um homem parece disposto a lutar pelos mais humildes, um cavaleiro de capa e espada chamado Zorro! Mas quem estaria por trás daquela máscara?

Comentários:
O famoso personagem Zorro também foi explorado dentro do western spaghetti! Esse filme é uma adaptação italiana de suas aventuras. Para dar uma impressão de que se tratava de um filme feito em Hollywood os produtores contrataram o ator norte-americano Guy Stockwell. Com longa experiência na TV, onde atuou em várias séries ao longo dos anos, Stockwell resolveu cruzar o Atlântico para dar vida a esse justiceiro negro, de capa e espada, tão cultuado dentro da cultura pop. Até que não ficou tão mal. O filme obviamente não pode ser comparado às produções americanas da mesma época, que contavam com maiores recursos e orçamentos mais milionários. Mesmo assim esse filme funciona até muito bem se você é fã do Zorro. Curiosamente em 1972 um filme chamado "Les aventures galantes de Zorro" usou várias cenas desse filme como pano de fundo! A produtora Hispamer Films estava indo à falência, por essa razão usou vários cenas rodadas para essa produção para suprir a falta de dinheiro para um novo filme sobre o Zorro. Oportunismo puro, claro.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Um Homem Dificil de Matar

Dois velhos cowboys, Monte Walsh (Lee Marvin) e Chet Rollins (Jack Palance), cruzam o velho oeste em busca de trabalho. As fazendas e ranchos estão nas mãos de bancos e o seu tradicional estilo de vida parece estar chegando ao fim. Eles acabam arranjando trabalho em uma dessas fazendas, tocando o gado, cuidando dos cavalos e conservando as cercas. Quando o banco, que agora é o proprietário do lugar, resolve cortar custos vários cowboys são demitidos. Alguns deles acabam se tornando ladrões de bancos e cavalos. Durante um assalto, o amigo de Walsh, Rollins, acaba sendo assassinado covardemente. Assim só resta ao velho cowboy partir para a vingança contra seus antigos colegas de trabalho, agora todos no mundo do crime.

"Um Homem Dificil de Matar" hoje em dia é considerado um dos melhores trabalhos da carreira do ator Lee Marvin. Isso se levarmos em conta a sua grande e ampla filmografia só vem a reforçar como esse western é bom! Na realidade é um faroeste lançado já no começo da decadência do gênero, quando os filmes se tornavam mais baratos, com orçamentos limitados, justamente pelas modestas bilheterias que alcançavam. Nada disso porém tira a grande qualidade desse filme. O roteiro é muito bem escrito, se preocupando inicialmente apenas em mostrar a vida cotidiana de um cowboy do século XIX, já vivendo o fim de sua profissão, com as grandes fazendas e ranchos sendo engolidos pelo capital financeiro. Com isso muitas dessas propriedades tiveram suas atividades encerradas, levando um grande número de trabalhadores ao desemprego.

Os dois personagens centrais do filme são homens velhos, cowboys veteranos, que a cada dia sofrem mais na busca por um novo trabalho. Contando com velhas amizades eles ainda conseguem um trabalho em uma fazenda que agora pertence a banqueiros de Nova Iorque. Essa gente não estava muito interessada no estilo de vida dos cowboys, pois só visavam lucro. Por isso de tempos em tempos mais vaqueiros eram demitidos. Jogados no desemprego, muitos deles simplesmente viraram bandidos. Assim o roteiro explora justamente a luta entre cowboys ainda na ativa contra bandidos e ladrões, que só se tornaram criminosos por falta de outro caminho a seguir. Embora em muitas cenas haja momentos de bom humor, uma melancolia (realçada por uma trilha sonora triste) passeia por todo o filme. É algo que chega até mesmo a incomodar. De qualquer maneira esse é seguramente um dos melhores faroeste sociais da época. Um retrato não muito feliz do fim de uma era, a era do cowboy americano.

Um Homem Dificil de Matar (Monte Walsh, Estados Unidos,1970) Direção: William A. Fraker / Roteiro: Lukas Heller, David Zelag Goodman / Elenco: Lee Marvin, Jeanne Moreau, Jack Palance / Sinopse: Monte Walsh (Lee Marvin) é um cowboy veterano que precisa partir para a vingança pela morte de seu amigo de longa data, Chet Rollins (Jack Palance). Walsh conhece bem o assassino, um homem que até bem pouco tempo atrás trabalhou ao seu lado em uma fazenda. Demitido e desempregado, ele se tornou ladrão de bancos, cavalos e pequenos estabelecimentos comerciais. Agora chegou a hora de Walsh acertar as contas com ele. Filme indicado ao Laurel Awards na categoria de Melhor Ator (Lee Marvin).

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Cinquenta Tons Mais Escuros

Depois que esse filme acabou fiquei com aquela sensação de que ele foi bem mais leve e convencional do que o primeiro. Claro que as mentes de muitas mulheres que são loucas por esses livros da autora E.L. James ainda precisam ser estudadas (como alguém pode amar um protagonista que espanca as mulheres e as chamam de submissas?), mas de um modo em geral achei a trama desse segundo filme bem mais sensata e equilibrada. Não há tanta violência e nem absurdos como vimos na primeira estória.

O bilionário Christian Grey (Jamie Dornan) continua um doente que adora misturar prazer sexual com violência física, porém nesse segundo livro a autora o suavizou bastante, talvez por causa das inúmeras críticas que recebeu. Ele ainda gosta de dar uns tapas na namorada Anastasia Steele (Dakota Johnson), mas sem tortura e sadismo. O sujeito aliás está mais romântico, parece ter mais sentimentos e até pensa em casamento! Os tempos mudaram mesmo...

E é justamente por ter pegado mais leve que essa continuação funciona melhor. O romance do casal parece ser mais normal, sem insanidades violentas exageradas e inoportunas. Grey ainda tem muito a esconder da namorada, mas tirando seu passado traumático de lado ele surge como um namorado mais normal, diria até convencional. Claro que suas demonstrações de riqueza ainda pipocam aqui e acolá (parecendo que as mulheres, apesar de todos os avanços, ainda possuem um fetiche por homens ricos e poderosos). Darwin explicaria. Mesmo assim, com esse revés (que tem grande fundo de verdade no mundo real), o fato é que a trama é bem mais fluída, redonda e funcional.

Ainda continua sendo um filme feito e direcionado essencialmente para o público feminino. Para os homens pode até vir a funcionar se você tiver um pouquinho de paciência. Muitos vão achar alguns momentos piegas demais (e realmente são), porém como é uma estória de transição as coisas ainda vão se encaixando para serem solucionadas na terceira parte da franquia, no já anunciado "Cinquenta Tons de Liberdade", com previsão de chegar nos cinemas em 2018 ou 2019. Assim temos que ter, como já escrevi, um pouco da paciência para assistir tudo. No final das contas não aborrece e nem chateia. Apenas serve como passatempo.

Cinquenta Tons Mais Escuros (Fifty Shades Darker, Estados Unidos, 2017) Direção: James Foley / Roteiro: Niall Leonard / Elenco: Dakota Johnson, Jamie Dornan, Kim Basinger, Eric Johnson, Marcia Gay Harden, / Sinopse: Após as experiências traumáticas vistas no primeiro filme a jovem Anastasia Steele (Dakota Johnson) resolve dar uma nova chance para o bilionário Christian Grey (Jamie Dornan). Ele parece mais equilibrado e sensato, mas será que uma volta aos seus braços realmente daria certo?

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

James Bond - Roger Moore

O ator Roger Moore faleceu no último dia 23 de maio em sua casa na Suíça. O ator vinha lutando contra um câncer devastador, descoberto apenas recentemente. Ao longo de sua carreira Moore atuou em muitos filmes e séries, na TV e no cinema. No total foram 95 títulos, demonstrando como foi vasta, rica e interessante sua filmografia. Porém o fato inegável é que Roger Moore sempre será lembrado por seus filmes como James Bond. Ele atuou em sete produções, se tornando assim o ator que mais interpretou James Bond no cinema até hoje! Moore veio para substituir Sean Connery e George Lazenby no papel do famoso agente inglês. Connery era considerado insubstituível nesse quesito, algo que Lazenby sentiu na pele ao ver seu filme como Bond fracassar nas bilheterias. Apenas Roger Moore conseguiu levar em frente a franquia com sucesso após a saída de Sean Connery. Ele segurou o posto durante as décadas de 1970 e 1980. Abaixo segue todos os filmes de Moore como Bond, com seus altos e baixos. É a nossa singela homenagem a Roger Moore e seu legado cinematográfico como Bond.

1. Com 007 Viva e Deixe Morrer (1973)
Depois que Sean Connery resolveu abandonar de uma vez por todas o personagem do agente secreto James Bond a pergunta mais frequente passou a ser se outro ator conseguiria levar adiante a franquia. Após a saída de Connery houve uma tentativa com o modelo George Lazenby, mas definitivamente o público não gostou (embora o filme estrelado por ele fosse, em si, muito bom). Então eis que em 1973 a MGM apresentou finalmente o nome do novo James Bond, Roger Moore! Para quem conhecia os bastidores da série seu nome não foi exatamente uma novidade. A verdade é que Moore quase foi escolhido no lugar de Sean Connery no passado, mas o carisma do ator escocês falou mais alto. Agora com Connery fora do caminho começaria uma nova era nas aventuras do agente secreto mais famoso da história do cinema. Esse "Live and Let Die" porém não ficou conhecido apenas por ter sido a estreia de Roger Moore. Dois outros fatos contaram positivamente em seu favor. O primeiro foi a trilha sonora escrita e composta por Paul McCartney. Verdade seja dita, a canção tema é uma das melhores (isso se não for a melhor) de toda a filmografia Bond. Paul conseguiu como poucos capturar a essência do personagem, transformando sua canção em um hit e em um sucesso também de crítica (a ponto de ter sido indicada ao Oscar e ao Grammy). Inclusive até hoje Paul a usa em seu repertório fixo, se tornando um dos pontos altos de seus concertos mundo afora. Outro ponto que chama bastante a atenção do espectador é que nesse filme já surge o humor acentuado em primeiro plano, algo que seria a marca registrada dos filmes com Roger Moore. Claro que por ser uma estreia as coisas ainda andaram um pouco dentro da normalidade, algo que nos filmes seguintes se tornaria um pouco mais exagerado. De qualquer maneira gosto bastante desse filme e acredito que foi um dos mais felizes e bem sucedidos de todos os filmes da série. Com Roger Moore os filmes ganhariam uma nova etapa, retornando o personagem ao topo das bilheterias, para alegria dos fãs de James Bond em todo o mundo. / Com 007 Viva e Deixe Morrer (Live and Let Die, Inglaterra, 1973) Direção: Guy Hamilton / Roteiro: Tom Mankiewicz / Elenco: Roger Moore, Yaphet Kotto, Jane Seymour.

2. 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro (1974)
O serviço secreto inglês descobre que seu agente James Bond (Roger Moore) está na mira de um assassino profissional conhecido como Francisco Scaramanga (Christopher Lee). Suas intenções de liquidar 007 ficam óbvias após ser encontrado uma bala de ouro com o código de Bond impresso nela. Há suspeitas que o mesmo assassino tenha matado friamente o agente 002 numa missão. Para evitar maiores problemas a agência de espionagem resolve assim afastar Bond de seus serviços por um tempo. Livre de cumprir uma agenda de missões, Bond resolve então ir atrás por conta própria de Scaramanga. Como pista usa a própria bala que foi dirigido a ele. Em pouco tempo James Bond segue seu rastro em lugares tão distantes como Beirute, Hong Kong e Macau. O infame assassino profissional usa uma arma de ouro, com calibre próprio. Para Bond essa seria uma pista segura para se chegar até ele. Esse foi o segundo filme de Roger Moore como James Bond. O primeiro, "Com 007 Viva e Deixe Morrer", foi sucesso de público e crítica. Uma alívio para os produtores que temiam que a franquia chegasse ao fim com a saída de Sean Connery. Esse segundo filme não é tão bom quanto o anterior, mas inegavelmente tem seus méritos. O maior deles talvez seja a presença do ótimo ator Christopher Lee como o vilão Scaramanga. Ele é um tipo bizarro, com uma característica física incomum (tem três mamilos!) e um assistente anão tão perverso quanto o próprio. Esse papel foi interpretado pelo ator Hervé Villechaize (que ficou muito conhecido no Brasil interpretando o personagem Tatu na série "A Ilha da Fantasia", que fez bastante sucesso na TV brasileira durante os anos 70). O roteiro não tem muitos mistérios ou tramas internacionais a se revelar, se resumindo muitas vezes a ser apenas uma disputa de vida ou morte entre Bond e Scaramanga. Esse porém não é um problema exclusivo do filme em si. O livro escrito por Ian Fleming em 1965 também foi criticado por essa razão. Enfim, um bom filme da safra com Roger Moore que com ele se estabeleceria definitivamente como Bond, só deixando a série em meados da década seguinte. / 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro (The Man with the Golden Gun, Inglaterra, 1974) Direção: Guy Hamilton / Roteiro: Richard Maibaum, Tom Mankiewicz, baseados no livro escrito por Ian Fleming / Elenco: Roger Moore, Christopher Lee, Hervé Villechaize, Britt Ekland / Sinopse: O agente inglês James Bond (Roger Moore) passa a ser caçado pelo assassino profissional Francisco Scaramanga (Christopher Lee), dando início a uma disputa de vida e morte entre eles. Filme premiado pelo Saturn Award na categoria Best DVD / Blu-Ray Collection.

3. 007 - O Espião Que Me Amava (1977)
Nessa terceira aventura de Roger Moore como James Bond, o agente inglês 007, ele precisa desvendar uma grande conspiração internacional envolvendo submarinos nucleares das grandes potências, tramas de espionagem e, é claro, um novo envolvimento amoroso com uma agente russa da temida KGB. Esse filme da franquia oficial acabou ficando conhecido por várias cenas marcantes, porém hoje em dia é mais recordado por trazer a bela atriz  Barbara Bach como a Major Anya Amasova, uma agente do serviço secreto soviético. É curioso que em plena guerra fria os filmes de Bond tenham investido em uma Bondgirl vermelha, comunista e assassina. A atriz Barbara Bach na época era casada com o ex-Beatle Ringo Starr, o que não diminuiu os rumores de que ela havia se envolvido com Roger Moore durante as filmagens. Outro aspecto sempre lembrado desse filme foi o fato de aparecer pela primeira vez na franquia o vilão Jaws, interpretado pelo ator (e gigante) Richard Kiel. Ele era bem cartunesco em cena, conseguindo as maiores proezas (como mastigar fios de alta tensão) e fez tanto sucesso que acabou voltando no filme seguinte. Por fim um fato curioso: esse filme de James Bond conseguiu a proeza de ser indicado em três categorias do Oscar, Melhor Direção de Arte (Ken Adam e Peter Lamont), Melhor Trilha Sonora Incidental (Marvin Hamlisch) e Melhor Música original ("Nobody Does It Better", de autoria de Marvin Hamlisch e Carole Bayer Sager). Também arrancou duas indicações ao Globo de Ouro nessas mesmas últimas categorias. Não é de se admirar que com tantas músicas românticas bonitas tenha sido considerado o filme mais romântico de James Bond com Roger Moore. / 007 - O Espião Que Me Amava (Inglaterra, Estados Unidos,1977) Direção: Lewis Gilbert / Roteiro: Christopher Wood, Richard Maibaum / Elenco: Roger Moore, Barbara Bach, Curd Jürgens.

4. 007 Contra o Foguete da Morte (1979)
O Agente James Bond (Roger Moore) é enviado pelo serviço secreto para investigar um suposto plano internacional envolvendo armas espaciais. No meio das investigações acaba descobrindo que se trata de algo bem maior do que se pensava, um projeto visando dar origem a um verdadeiro genocídio no planeta Terra. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhores Efeitos Especiais. É uma pena que logo o filme em que James Bond veio ao Brasil seja considerado um dos piores da franquia. A intenção seria modernizar o personagem, o colocando no meio de um enredo que lembrava até mesmo o grande marco de bilheteria da época, "Guerra Nas Estrelas". O problema é que o tiro saiu pela culatra. O enredo não ajuda em nada, os efeitos especiais revistos hoje em dia parecem completamente toscos e sem noção (apesar de terem sido indicados ao Oscar na época) e Roger Moore... bem, ele continuou sendo Roger Moore, fanfarrão até dizer chega, cheio de piadinhas e cenas supostamente cômicas que só estragam o resultado final. Jamais parece levar algo à sério durante todo o filme. De certa forma "Moonraker" serve apenas como uma forma de demonstrar que em plenos anos 70 o personagem perdia cada vez mais força e relevância. De bom mesmo apenas algumas boas sequências de ação, uma delas com o famoso vilão Jaws (interpretado pelo ator Richard Kiel, um grandalhão recentemente falecido) que luta com Bond nos bondinhos do Rio de Janeiro, imagine você! No geral não há muito por onde ir, "007 Contra o Foguete da Morte" é de fato muito ruim mesmo. Pelo jeito o Brasil fez mal a 007, Um James Bond para esquecer. / 007 Contra o Foguete da Morte (Moonraker, Estados Unidos, 1979) Direção: Lewis Gilbert / Roteiro: Christopher Wood / Elenco: Roger Moore, Lois Chiles, Michael Lonsdale.

5. 007 - Somente Para Seus Olhos (1981)
Um embarcação da frota britânica afunda e com isso uma importante arma secreta desaparece de forma misteriosa. Para investigar o paradeiro dela o serviço de inteligência real envia o agente 007, James Bond (Roger Moore), para dar solução a todo o mistério, pois caso a arma caia em mãos inimigas o mundo correrá um grande risco. Filme indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro na categoria Melhor Canção Original (Bill Conti e Michael Leeson pela música "For Your Eyes Only"). Quinto filme de Roger Moore na pele de James Bond. O ator segurou as pontas por duas décadas, de 1973 (quando realizou o primeiro filme com o personagem em "Com 007 Viva e Deixe Morrer") até 1985 (quando se despediu de Bond em "007 - Na Mira dos Assassinos"). Esse "007 - Somente Para Seus Olhos" seria seu antepenúltimo filme como o mais famoso agente inglês do cinema. Por essa época os produtores já se movimentavam para dar um novo fôlego para as aventuras de 007. Roger Moore já estava ficando velho para o papel e seu estilo, mais escrachado, quase indo para a galhofa completa, estava minando a credibilidade do personagem como herói de ação. Revisto hoje em dia muito dos filmes de Moore se tornam anacrônicos, datados, pouco atrativos, justamente por trilhar muitas vezes o caminho da auto paródia. Claro que Roger Moore foi importante dentro da franquia, principalmente após Sean Connery decidir abandonar os filmes de Bond, mas também trouxe um certo desgaste para a série de uma forma em geral. Não gosto muito desse filme em particular pois acho que teve uma das mais fracas produções, embora algumas cenas - como a perseguição na neve e o ataque de tubarões - tenham algum valor. A música tema também é bonita, embora ande esquecida. Em suma, um Bond de rotina na era de Roger Moore. / 007 - Somente Para Seus Olhos (Inglaterra, Estados Unidos,1981) Direção: John Glen / Roteiro: Richard Maibaum, Michael G. Wilson / Elenco: Roger Moore, Carole Bouquet, Topol.

6. 007 Contra Octopussy (1983)
Após a morte de um importante agente, um plano criminoso que envolve falsificação de obras de arte é descoberto. James Bond (Roger Moore) é designado para o caso mas acaba descobrindo algo maior, envolvendo até mesmo o uso de armas nucleares para dominar toda a Europa. No centro de tudo o agente inglês acaba se deparando com a perigosa contrabandista Octopussy (Maud Adams), que está disposta a tirar 007 de seu caminho. Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy Horror Films nas categorias Melhor Filme e Melhor Atriz Coadjuvante (Maud Adams). Mais um filme de James Bond na era Roger Moore que será exibido essa semana pela TV a cabo brasileira. "Octopussy" é um dos mais conhecidos filmes com Moore e também um dos mais bem sucedidos de bilheteria - o que deu uma sobrevida ao ator na pele do agente secreto inglês. Mesmo com a boa recepção do público, a crítica achou que as palhaçadas (literalmente falando) em cima do personagem já tinham passado do limite. Existem cenas tão absurdas que acabam transformando o filme numa auto paródia de humor involuntário. Como se não bastasse ainda temos que encarar Bond dando uma de Jim das Selvas em momento tão sem graça como constrangedor. De bom mesmo apenas as boas locações na Índia - com destaque para o famoso Taj Mahal, além da produção bem mais caprichada e bem realizada do que a do filme anterior. Também merecem destaque algumas boas cenas de ação, entre elas aquela em que Bond pilota o que é chamado de menor jato do mundo (uma geringonça que mais parece um ultraleve turbinado) e outra, quando fica pendurado no teto de um avião em pleno vôo (um maravilhoso trabalho do dublê do filme). Esse seria o penúltimo filme de Moore no papel, algo que para muitos deveria ser o último. De qualquer maneira, como é um Bond da franquia oficial (pois o filme de Sean Connery estava saindo nesse mesmo ano nos cinemas para disputar nas bilheterias), vale a pena ser assistido por pelo menos uma vez na vida, afinal os fãs de 007 não deixariam passar mais essa aventura em branco. / 007 Contra Octopussy (Estados Unidos, 1983) Direção: John Glen / Roteiro: George MacDonald Fraser, Richard Maibaum / Elenco: Roger Moore, Maud Adams, Louis Jourdan

7. 007 - Na Mira dos Assassinos (1985)
É o último filme de Roger Moore como James Bond. Assistindo realmente chegamos na conclusão que era o fim da linha para Moore. Ele já estava velho demais para bancar o agente inglês (sinais da idade estão em toda parte, até seu pescoço, por exemplo, que mostra claros sinais da passagem do tempo). Além disso ele surge usando um cabelo estranho, de cor nada natural, bem artificial. Roger Moore foi um bom ator para a franquia. Ele nunca se levava muito à sério, seu filmes sempre tinham um lado de chanchada bem diferente dos que foram feitos por Sean Connery que apresentavam uma postura mais séria com o personagem. O roteiro é baseado em um pequeno conto de Ian Fleming publicado em 1960 (praticamente todos seus livros já tinham sido adaptados e por isso tiveram que apelar para pequenos textos deixados pelo autor). Para completar a trama misturaram com outros filmes de James Bond e o resultado de tanta mistura surge em cena. O filme não é ruim, tanto que anos depois o próprio Roger Moore confessou ser esse seu filme preferido com o personagem, mas a sensação de Deja Vu é muito forte. Os vilões são bacanas - o antagonista de Bond, o industrial Zorin, é interpretado por um Christopher Walken com peruca loira totalmente fake (o que torna tudo ainda mais divertido). Ele está totalmente sem freios em cena! Já a vilã é feita por uma estranha Grace Jones (ok, seu tipo exótico era bem curioso mas não tem como negar que ela era uma péssima, péssima atriz, daquelas que não conseguem falar uma linha de diálogo com veracidade). A trilha sonora é assinada pelo grupo Duran Duran (grupo extremamente popular na década de 1980). O interessante é que em seu último trabalho como o agente inglês as antigas galhofas que faziam parte dos filmes com Roger Moore são deixadas de lado. "007 Na Mira dos Assassinos" é bem mais sisudo e menos galhofeiro do que os outros filmes feitos por ele mas mantém o interesse por causa de algumas cenas legais (como as feitas na Torre Eiffel em Paris e na Ponte de São Francisco). Claro que a trama é uma bobagem, mas releve! Vale a curtição de se ver (ou rever). / 007 Na Mira dos Assassinos (A View to a Kill, EUA / UK, 1985) Direção: John Glen / Roteiro: Richard Maibaum, Michael G. Wilson / Elenco: Roger Moore, Tanya Roberts, Christopher Walken, Grace Jones, Patrick Macnee, Fiona Fullerton, Desmond Llewelyn, Robert Brown./ Sinopse: James Bond (Roger Moore) é o agente do serviço secreto inglês que tem que enfrentar o industrial Max Zorin (Christopher Walken), um empresário francês que planeja provocar um grande terremoto para destruir o Vale do Silício, na Califórnia, se tornando assim o único a explorar o mercado de tecnologia.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Marlon Brando - A História de um Mito - Parte 13

Depois do aclamado "O Último Tango em Paris", Marlon Brando surpreendeu a todos ao aceitar participar do novo filme de Arthur Penn chamado de "The Missouri Breaks" (Duelo de Gigantes, no Brasil). Era realmente de cair o queixo o fato do grande ator aceitar trabalhar em um filme menos pretensioso, menos artístico. Além disso era um western, gênero que ninguém pensava que Brando voltaria a atuar.

Na realidade o ator queria mesmo relaxar. Ele tinha atuado em filmes fortes, verdadeiros clássicos e estava de certa forma exausto da repercussão que essas obras tinham provocado. Era impossível para Brando encarar mais uma obra de grande magnitude pela frente. Assim ele optou por algo mais comercial, mas simples, menos estressante. Some-se a isso o fato de Brando ter a chance de atuar ao lado de seu amigo e vizinho Jack Nicholson, um sujeito de quem ele gostava bastante, algo raro dentro da comunidade de cinema em Los Angeles, onde todos pareciam competir ferozmente entre si.

Um fato curioso aconteceu durante as filmagens desse filme. O estúdio começou a atrasar os depósitos dos pagamentos de Brando em sua conta corrente. Isso irritou o ator. Nada parecia menos profissional do que atrasar o cachê de um astro de seu porte. Assim Brando começou a jogar também. Ele de repente começou a esquecer sua falas, atrasando completamente o cronograma de filmagens. Os dias iam passando e nada de Brando acertar suas cenas. O amigo Jack Nicholson logo entendeu as intenções de Marlon e se divertiu muito com o fato. O impasse durou até o produtor Elliott Kastner resolver ir pessoalmente até o trailer do ator. Brando, com aquele seu jeito único, explicou a situação então ao produtor: "Sabe Elliot, talvez se não esquecerem mais de me pagar, eu consiga me lembrar das minhas falas!". Recado dado e entendido, a Paramount nunca mais atrasou os pagamentos de Marlon.

Outra coisa que chamou a atenção foi o fato de Brando novamente resolver improvisar. Ele achava que o roteiro não era grande coisa, por isso começou a criar coisas absurdas para seu personagem. Em seu livro de memórias o ator explicou que seu personagem era um pistoleiro genérico, sem muitos atrativos. Então ele resolveu se vestir de mulher, ter um comportamento excêntrico e fazer coisas impensáveis para um assassino profissional no velho oeste. O diretor Arthur Penn gostou das inovações e assim Brando imprimiu sua marca autoral nesse faroeste que tinha tudo para ser mais uma fita banal do gênero.

Pablo Aluísio.

A Biografia de John Wayne - Parte 4

John Wayne passou por uma fase de insignificância logo no começo de sua carreira. Como ele era ainda um jovem sem nome dentro da indústria cinematográfica, acabou aceitando os trabalhos que iam surgindo. Na maioria desses filmes Wayne fez apenas figurações sem importância. Ora ele interpretava um membro do bando do xerife para caçar bandidos no deserto, ora ele era da quadrilha dos bandoleiros, fugindo da lei.

O importante nem era tanto aceitar filmes pensando em um futuro na carreira, mas sim trabalhar, atuar no que vinha pela frente. Ter o dinheiro para morar e viver em Los Angeles, mesmo que modestamente, já era uma vitória para o jovem ator. Ele que havia sido criado numa fazendo de criação de cavalos já tinha a experiência de montaria necessária para atuar em qualquer cena de western.

O que faltava para John Wayne nesse longo período, que durou praticamente toda a década de 1920, era uma chance de se destacar no elenco e chamar a atenção do público. Ao invés disso porém nos anos 20 o ator foi fazendo uma sucessão de filmes sem muita importância. Curiosamente ele chegou a atuar nesse tempo até mesmo em filmes bíblicos como "A Arca de Noé" de 1928. Infelizmente muitas dessas fitas antigas se perderam porque as películas eram altamente inflamáveis e expostas ao calor pegavam fogo. Como os estúdios na época não tinham maiores preocupações em preservar os filmes depois deles terem sido exibidos muita coisa se perdeu com o tempo.

A grande virada em sua carreira aconteceria apenas em 1930 quando ele, pela primeira vez, interpretaria um personagem de destaque, inclusive com nome. Na maioria dos filmes anteriores John Wayne interpretava tipos que sequer tinham nomes nos roteiros. Ele era identificado apenas como o Extra 1 ou o Extra 2, ou então nem era creditado. Já em "A Grande Jornada" ele interpretava finalmente um cowboy que tinha nome e sobrenome. Seu personagem se chamava Breck Coleman. Outra novidade importante: Wayne era o principal nome do elenco, o astro do filme! Dirigido pelo grande cineasta da história de Hollywood, o mestre Raoul Walsh, ele tinha a primeira grande chance em quatro anos amargando papéis sem importância em Hollywood.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Dinheiro Sujo

O filme começa mostrando a rotina dessa jovem mãe chamada Chloe (Alice Eve, muito bonita). Ela cria a filha sozinha, no limite do possível, trabalhando e morando em um motel de beira de estrada. A curadora da infância está no pé dela pois aquele definitivamente não é um ambiente para se criar uma garotinha. O problema é que Chloe não tem dinheiro para alugar uma casa ou um apartamento em outro lugar. A vida é dura.

A maioria dos que frequentam o motel são prostitutas e seus clientes, o que significa que de vez em quando há confusões e brigas dentro dos apartamentos. Uma noite chega para se hospedar um estranho sujeito conhecido como Topo (Bryan Cranston), um homem de poucas palavras. Ele parece ter problemas de visão, porém não deixa o jeito misterioso de ser. Ele se hospeda em um dos quartos. Seu parceiro aluga outro, mas acaba no meio de uma enorme confusão com uma garota de programa.

Topo e seu partner são criminosos que precisam levar um "pacote" para uma quadrilha, só que na confusão com a garota que o sujeito levou para o quarto tudo se complica. Ele é esfaqueado, a garota morre com um tiro no peito e a polícia chega. Topo precisa sair dali para continuar sua tarefa, mas a polícia acaba levando o carro apreendido, com toda a grana dentro. A pobre Chloe acaba assim no meio do caos, ao ser levada como refém. Tanta coisa assim acontece apenas nos trinta minutos iniciais de filme, depois começa um jogo mortal em busca do dinheiro que Topo precisa entregar para sua quadrilha, com direito a mortes, acerto de contas e traições.

Gostei bastante desse thriller policial, principalmente pelo roteiro eficiente que nunca deixa o ritmo cair. Há sempre uma situação de tensão no ar e a duração certa do filme (com pouco mais de 80 minutos) prende a atenção do espectador, do começo ao fim, sem momentos de tédio ou aborrecimento. Como não poderia deixar de ser o grande destaque no elenco vai para Bryan Cranston, o Walter White de "Breaking Bad". Ele interpreta esse criminoso frio que está ficando quase que completamente cego. Mesmo assim ele precisa entregar o "pacote" para o filho do chefão da quadrilha onde presta "serviços". Outro destaque vai para a gatinha Alice Eve, que mais parece a irmã mais velha de Sarah Jones. Sua personagem, uma sofrida mãe que cria a filha sozinha, não é tão inocente e frágil como se pensa. Então é isso, um bom filme policial onde todos estão do lado errado da lei. Vale conferir.

Dinheiro Sujo (Cold Comes the Night, Estados Unidos, 2013) Direção: Tze Chu / Roteiro: Tze Chun, Oz Perkins / Elenco: Bryan Cranston, Alice Eve, Ursula Parker, Logan Marshall-Green  / Sinopse: Chloe (Eve), a funcionária de um motel, cai nas mãos de um perigoso criminoso, Topo (Cranston), que precisa recuperar o dinheiro de sua quadrilha após a polícia levar o carro onde estava todo a grana dos criminosos que ele deveria entregar.

Pablo Aluísio.

Série - O Atirador

Série: O Atirador
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Simon Cellan Jones, entre outros
Roteiro: John Hlavin, Simon Cellan Jones, entre outros
Elenco: Ryan Phillippe, Shantel VanSanten, Cynthia Addai-Robinson, Eddie McClintock, Omar Epps, David Marciano
  
Episódios Comentados:

Shooter 1.01 - Point of Impact 
A série acompanha a história do veterano de guerra Bob Lee Swagger (Ryan Phillippe). Durante a invasão americana no Iraque (operação Tempestade do Deserto) ele se tornou um exímio franco atirador dos Marines. Agora está longe da carreira militar, curtindo a vida ao lado da mulher e sua pequena filha, uma garotinha de oito anos. Para não perder a mira faz incursões na floresta, procurando manter a prática dos tempos em que era um fuzileiro naval. Sua paz e tranquilidade são quebradas quando ele é procurado por um agente da CIA, um sujeito que tem a responsabilidade de manter a segurança do presidente dos Estados Unidos.

Há pouco a agência de inteligência detectou a presença de um sniper estrangeiro dentro do país e todos temem pela vida do líder na nação. Durante sua campanha militar Bob Lee enfrentou esse mesmo atirador, aliás foi ferido por ele. Por isso se torna a pessoa ideal para enfrentá-lo. Essa é basicamente a premissa da série. Confesso que gostei desse primeiro episódio, embora tenha algumas críticas sobre o ritmo do roteiro, que muitas vezes me pareceu apressado demais, tentando fisgar o espectador de todo jeito. Mesmo com esse problema até que me diverti. A série é produzida pelo ator Mark Wahlberg que também interpretou um sniper das forças armadas no cinema. Acredito que promete, acima de tudo, uma vez que uma segunda temporada já está em produção para exibição no mercado americano. Pelo visto o público de lá gostou bastante. Enfim, vale a pena acompanhar.

Shooter 1.03 - Musa Qala  
No episódio anterior o sniper (atirador de elite) Bob Lee Swagger (Ryan Phillippe) conseguiu escapar da prisão. E nem precisa esclarecer que todos querem pegá-lo, desde o FBI, passando pela CIA e pela agência de segurança nacional. Se torna imperioso para todos eles colocarem as mãos em Bob Lee. Porém como ele é treinado para desaparecer no meio da multidão isso vai ficando cada vez mais complicado. Uma possibilidade é forjar a própria morte, algo que ele faz assim que possível. Ele se deixa filmar em um mercadinho de conveniência e depois seu paradeiro numa cabana na floresta é localizado. Tudo fachada. Ele cria um ambiente onde sua morte é praticamente confirmada. O que o bem treinado atirador porém deseja é justamente isso, que todos pensem que ele está morto. Enquanto isso contando com a ajuda da agente Memphis ele pretende provar sua inocência, ao mesmo tempo em que localiza os responsáveis por tudo o que aconteceu. / Shooter 1.03 - Musa Qala (Estados Unidos, 2016) Direção: Roxann Dawson / Roteiro: John Hlavin, Adam Fierro / Elenco: Ryan Phillippe, Shantel VanSanten.

Shooter 1.04 - Overwatch  
Muito bom esse episódio. Bob Lee Swagger (Ryan Phillippe) forjou sua morte no episódio anterior e isso lhe traz uma certa liberdade em seu raio de ação. O roteiro então bifurca o enredo do episódio. Mostrando a atualidade, onde Bob Lee procura se aliar a uma agente do FBI para ter uma fonte no governo e o passado, quando somos levados até uma operação no Afeganistão. Bob Lee está em uma missão complicada, quando um grupo dos marines entram em um vilarejo onde está um procurado líder terrorista. Inicialmente todos pensam em contar com a colaboração dos moradores, mas essa premissa logo se mostra frágil quando todos são emboscados, desarmados e ficam à mercê dos terroristas. Apenas um tiro certeiro dado por Bob Lee pode contrabalancear as forças. Nesse episódio também se vai desvendando a participação da CIA em tudo o que está acontecendo. E essa interferência da agência de inteligência do governo americano começou há muito tempo atrás. / Shooter 1.04 - Overwatch (Estados Unidos, 2016) Direção: Cellan Jones / Roteiro: John Hlavin, T.J. Brady / Elenco: Ryan Phillippe, Shantel VanSanten, Cynthia Addai-Robinson.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 25 de abril de 2017

O Cinema de Steven Spielberg - Parte 1

O cinema de Steven Spielberg
Há muitas histórias diferentes sobre Steven Spielberg em seu começo de carreira no cinema. Algumas dizem que ele simplesmente um dia pegou um crachá do estúdio Universal, entrou lá e fingindo ser um diretor experiente começou a dirigir seus primeiros filmes. Claro que algo assim passa longe da verdade, são mitos divertidos que o próprio Spielberg usou para se divertir. O fato é que por trás desse tipo de anedota se esconde um dos diretores mais importantes da história do cinema americano. Não é exagero. Spielberg é seguramente um dos cineastas mais marcantes das últimas décadas.

Em seu nível provavelmente só teremos nomes como Francis Ford Coppola e Martin Scorsese. A diferença básica é que enquanto cineastas como esses procuravam acima de tudo agradar a crítica, Spielberg direcionou praticamente toda a sua carreira para o grande público. Certa vez ele disse que o seu cinema não tinha muitos mistérios, que ele apenas dirigia aqueles filmes que ele próprio, como um fã de cinema, gostaria de assistir. É foi justamente pensando nisso que Spielberg cravou seu nome na história de Hollywood.

Judeu, louco por cinema desde a juventude, Steven decidiu bem cedo que queria dirigir filmes. Ele nunca quis dar uma de intelectual com suas obras. Na verdade Steven Spielberg teve sua infância nos anos 1950, justamente a era de ouro da ficção no cinema americano. Essa influência ficou com ele para sempre. Os filmes do diretor jamais deixaram essa herança de lado, sempre com extraterrestres, fantasia, diversão. Exatamente por ser um fã de cultura pop é que Spielberg se tornou o que é hoje em dia.

Seus filmes nunca foram tão eruditos como os de Coppola ou Scorsese. Ao invés disso o diretor direcionou sua filmografia para a diversão do jovem louco por quadrinhos, TV e cinema. E tudo começou lá atrás, quando ele dirigiu um episódio da série de sucesso "O Incrível Hulk". Spielberg ainda era um jovem, mas a emissora, confiante em seu talento, o escalou para dirigir o episódio chamado "Never Give a Trucker an Even Break". Esse foi o ponto zero da carreira de Spielberg na direção. A série era estrelada pelos atores Bill Bixby (que interpretava o cientista  Dr. David Banner) e Lou Ferrigno (que dava vida ao monstro verde dos quadrinhos). Como já era tradição dentro da indústria americana, primeiro os jovens diretores ganhavam experiência em séries de TV, para só depois tentar a sorte nas telas de cinema, algo que para Spielberg veio até muito rápido, rápido demais para dizer a verdade.

Pablo Aluísio.

Paul McCartney - Pipes of Peace (1983)

Um dos grandes sucessos de Paul na década de 80, naqueles que foram alguns dos anos mais criativos de toda sua carreira. Aqui Paul segue com a fórmula que havia dado muito certo em "Tug of War", ou seja, reunir-se a um grande nome da música com produção do maestro George Martin, seu produtor mais constante desde a época dos Beatles. Se em "Tug of War" tínhamos a presença muito especial de Stevie Wonder aqui Paul resolveu trazer nada mais, nada menos, do que o auto proclamado Rei do Pop, sim ele mesmo, Michael Jackson! Foi uma via de mão dupla,. Jackson participou de "Pipes of Peace" e em contrapartida Paul deu às caras no fenomenal disco "Thriller" (na ótima faixa “The Girl Is Mine”). Em Pipes of Peace Michael Jackson participa de duas excelentes canções, a simpática "Say, Say, Say" e a baladona "The Man". Ambas as músicas foram assinadas por Paul e Michael. Infelizmente essa parceria bem sucedida dentro dos estúdios, não duraria muito, pois Paul e Michael se desentenderam depois por causa da venda dos direitos autorais das músicas dos Beatles. Paul queria comprar, mas Michael lhe passou a perna e as comprou antes, deixando Paul desolado... e furioso! Sobre o acontecimento Jackson resumiria tudo com a seguinte frase: "Amigos, amigos, negócios à parte". Nunca mais voltaram a trabalhar juntos embora as regras de boa educação fizessem com que evitassem uma troca de acusações por meio da imprensa na época!

Além de Michael Jackson, Paul resolveu formar uma nova banda para as gravações, formação essa que eu pessoalmente considero das melhores, contando com o ex-Beatle Ringo Starr (dispensa maiores apresentações), Denny Laine (do Wings), Eric Stewart (ex-10cc) e Stanley Clarke (um instrumentista excepcionalmente talentoso). Tantos talentos juntos geraram um excelente álbum com músicas excepcionais como a própria música título, "Pipes of Peace", que ganhou um dos melhores videoclips da carreira de McCarntey. Passada na I Guerra Mundial a estória relembra um pequeno evento, baseado em fatos reais, que aconteceu quando dois exércitos inimigos resolveram bater uma bolinha nos campos enlameados do front durante uma trégua. Paul inclusive surge dos dois lados, como um inglês e como um alemão. Extremamente bem produzido o clip até hoje é lembrado, tal sua qualidade. A música "Say, Say, Say" também virou um videoclip bastante divertido com Paul e Michael interpretando charlatões no século passado. A canção se tornou o carro chefe do disco e foi lançada em single que trazia uma estranha capa com Paul e Michael com pernas enormes, realmente desproporcionais. No lado B desse single foi encaixada a bacaninha "Ode a Koala Bear", uma musiquinha muito simpática e bem arranjada.

Um fato curioso é que Paul, na época da gravação desse disco, estava muito envolvido no projeto para um musical a ser lançado no cinema. Assim as coisas ficaram meio atropeladas. Tentando ganhar tempo Paul acabou incluindo várias composições que iriam entrar em "Tug Of War", mas que acabaram ficando de fora do disco como "Keep Under Cover", "Hey Hey", "Tug Of Peace" e "Sweetest Little Show". Talvez por essa razão "Pipes of Peace" ganharia uma injusta fama de ser uma “sobra” de "Tug of War". Tal forma de pensar é bem injusta pois o álbum apesar de sofrer influências do disco anterior certamente tem identidade própria. No final o disco fez sucesso, e apesar dos pesares, conseguiu emplacar nas paradas, chegando a vender 1 milhão de cópias apenas nos EUA. O êxito prosseguiu em vários outros países conquistando vários discos de ouro e platina. Paul McCartney assim confirmava mais uma vez sua grande vocação para o sucesso.

1. Pipes of Peace (Paul McCartney) - Paul sempre caprichou nas canções que davam título aos seus álbuns. O mesmo aconteceu com a música "Pipes of Peace". A inspiração para Paul veio de um evento histórico real acontecido durante a Primeira Guerra Mundial, quando soldados ingleses e alemães, inimigos no campo de batalha, aproveitaram uma trégua para disputar uma animada pelada de futebol no meio dos campos cheios de lama desse conflito que ficou conhecido como a guerra das trincheiras. O clip obviamente aproveitou a ideia e usou um artifício bastante curioso, colocando Paul atuando tanto como um soldado inglês como um alemão, com seus uniformes, bigodinhos e insígnias próprias de cada país. Realmente genial. Em termos musicais Paul e George Martin (sempre ele, sempre presente nos melhores trabalhos dos Beatles) criaram um maravilhoso arranjo, clássico e erudito, para acompanhar a singela letra. Eu considero essa gravação uma verdadeira obra prima, sem favor algum!

2. Say Say Say (Paul McCartney / Michael Jackson) - O maior sucesso desse disco foi uma parceria que Paul fez com Michael Jackson. Na verdade era uma troca de gentilezas. Paul trabalhou no álbum "Thriller" de Jackson, cantando na canção "The Girl Is Mine" e ele retribuiu aqui, gravando "Say Say Say" ao lado de Paul. Na época Michael Jackson era certamente o maior nome da música. Nunca um disco havia vendido tanto como "Thriller" (recorde que permanece até os dias de hoje) e ele estava no auge de sua popularidade. Era um super astro do mundo da música, estava realmente no topo do mundo! "Say Say Say" foi lançada como single e ganhou um clip. Desnecessário dizer que foi um mega sucesso. No videoclip (lembre-se que a MTV estava nascendo), Paul e Michael interpretavam vendedores ambulantes do começo do século XX, um tipo muito comum naquele tempo. Vendendo garrafas de elixir milagroso (que não passavam de embustes) eles tinham que dar no pé assim que o golpe era descoberto. Um dos melhores clips de Paul e Jackson que ajudou o álbum a vender muito, se tornando um dos singles campeões de vendas dos anos 80.

3. The Other Me (Paul McCartney) - Essa canção "The Other Me" quase entrou no álbum "Tug of War", mas ficou de fora por falta de espaço. Na verdade Paul tinha tantas composições disponíveis naquela época - uma das mais criativas e produtivas de sua carreira - que ele até mesmo cogitou a possibilidade de gravar um disco duplo. Só desistiu da ideia depois que a gravadora EMI o aconselhou a gravar dois discos separados, um para ser lançado em 1982 e outro em 1983. Comercialmente seria mais interessante. Paul concordou com a ideia e assim tivemos "Tug of War" e "Pipes of Peace", duas obras primas da carreira solo de McCartney. A letra da música fala sobre o "Outro Eu". Nos versos Paul resume a questão ao cantar: "Eu sei que fui um louco idiota / Por tratá-la do jeito que tratei / Mas algo tomou conta de mim / Eu realmente não ficaria surpreso / Se você tentasse encontrar um "Outro Eu". Dizem alguns autores que Paul escreveu essa letra como um pedido de desculpas para a sua esposa Linda. Houve uma época em que ele começou a beber em demasia e Linda o confrontou sobre isso, gerando grandes discussões entre o casal. Ao que tudo indica Paul realmente entendeu que ele estava errado, agindo como um idiota. Pois é, nunca é tarde para se reconhecer um erro.

4. Keep Under Cover (Paul McCartney) -  Um dos problemas desse disco é que ele foi lançado em um espaço de tempo muito curto em relação ao disco anterior, "Tug Of War". Isso fez com que Paul utilizasse material que havia sido descartado nos trabalhos das sessões de 1982. Um exemplo disso vem em "Keep Under Cover" que fazia parte da primeira lista de canções que deveriam fazer parte de "Tug of War". Como foi descartada, Paul resolveu colocá-la aqui nesse LP. Ao lado de George Martin, Paul criou um arranjo que saísse do comum, ao invés do tradicional piano ele resolveu acrescentar belos solos de cravo, de forma bem discreta, ao fundo. A letra foi escrita na fazenda de Paul na Escócia e tem tudo a ver com a vida cotidiana por lá. Para torná-la mais comercialmente viável Paul colocou alguns clichês, versos de amor bem banais, para falar a verdade. Apesar disso (ou em razão disso) a música acabou funcionando muito bem do ponto de vista harmônico.

5. So Bad (Paul McCartney) - A balada "So Bad" é um dos melhores momentos desse álbum. Mostra claramente o tipo de composição que Paul sempre soube fazer muito bem. Baladas românticas, sem medo de soarem piegas ou bregas. A música tem belos versos como "Há uma dor, dentro de meu coração / Você significa muito para mim / Garota, Eu te amo / Garota, Eu te amo tanto!" - versos mais do que simples, mas que acabam tocando qualquer um que esteja apaixonado. Paul sempre soube criar grandes músicas usando versos batidos, isso é bem verdade, mas que são atemporais, nunca perdendo a essência de sua mensagem de amor. Paul sempre foi um romântico incorrigível, vamos ser bem sinceros e isso talvez tenha sido o segredo de seu sucesso como Beatle e depois como artista solo. O simples, muitas vezes, funciona mais do que o complexo, o rebuscado.

6. The Man (Paul McCartney / Michael Jackson) - "The Man" foi a outra canção feita em parceria com Michael Jackson. Paul estava bem à vontade e animado por trabalhar ao lado do cantor mais famoso do mundo na época, mas a amizade teve um fim precoce. Michael Jackson, sem avisar a Paul, lhe passou uma rasteira, comprando todo o catálogo das canções dos Beatles, justamente em um período em que Paul se preparava financeiramente para ele mesmo adquirir as canções que havia escrito ao lado de John Lennon. Isso significou o fim da aproximação entre Paul e Michael. Nunca mais se falaram novamente. Uma pena, porque pelo menos artisticamente eles pareciam dar muito certo. Basta ouvir essa balada "The Man", um primor pop que tocou muito nas rádios da época, para ter certeza disso. Tem um refrão pegajoso, um bom arranjo instrumental e aquela vocação para se tornar hit nas rádios (coisa que a música realmente se tornou assim que foi lançada).

7. Sweetest Little Show (Paul McCartney) - Já "Sweetest Little Show" se sobressai pelos bons arranjos acústicos. É interessante que Paul, ao trabalhar ao lado de George Martin, sempre procurava por bons materiais, uma vez que o famoso produtor só aceitava trabalhar tendo total poder de veto, ou seja, Martin podia rejeitar qualquer composição que Paul trouxesse para o estúdio caso ele entendesse que não era muito boa. Claro que também com os anos o relacionamento entre eles foi se desgastando justamente por isso. Paul era tão dominador e controlador quanto George Martin. O próprio George Harrison em vários ocasiões acusou Paul de ser um arrogante prepotente dentro dos estúdios, sempre impondo suas escolhas aos outros. Embora respeitasse muito George Martin pelo que ele havia feito pelos Beatles no começo da carreira, ele agora não parecia mais disposto a ouvir um não de seu produtor. Por essa razão também essa música acabou sendo uma das últimas parcerias entre eles. Paul ficou possesso, pois George Martin quase a tirou do disco "Pipes of Peace" por ser, em sua opinião, "banal demais". Imaginem o ataque de raiva de Paul, o controlador, ao ouvir esse tipo de crítica!

8. Average Person (Paul McCartney) - Se você estiver procurando conhecendo melhor o som mais pop dos anos 80 eu recomendo essa gravação de Paul para o álbum "Pipes of Peace". Notem os arranjos, algo que foi muito utilizado pelos grupos da época. No meio dos efeitos sonoros, Paul parece ter usado todos os instrumentos que eram modinha naqueles tempos, com direito a uma bateria eletrônica e muitos sintetizadores. É interessante porque gravações como essa acabam ficando mais datadas do que as demais, feitas ao estilo mais tradicional. Pois é, o moderninho tem mesmo a tendência de envelhecer mais rápido do que a velha e boa sonoridade musical de raiz. Fica a lição.

9. Hey Hey (Paul McCartney) - Um fato curioso é que "Pipes of Peace" foi gravado meio às pressas, para aproveitar o sucesso da parceria entre Michael Jackson e Paul McCartney (que juntos gravaram duas músicas, "Say Say Say" e "The Man"). Assim Paul teve que se virar para completar o álbum. Uma das soluções que ele encontrou foi encaixar algumas composições que havia criado para o disco anterior, "Tug of War". Ele pegou algumas faixas que tinham sobrado, muitos delas trabalhadas ao lado do produtor George Martin (dos Beatles) e começou a trabalhar em cima delas. Algo de bom poderia sair daquelas canções inacabadas. Uma dessas músicas descartadas foi "Hey Hey". Na verdade a falta de tempo fica patente na faixa que sequer tem letra! Na verdade é uma boa jam session de Paul com seu grupo e nada mais! Curiosamente a canção até tem boa melodia, agradável, mas nada disfarça o fato dela ser uma grande encheção de linguiça. O próprio Paul ficou um pouco decepcionado de ter incluído canções como essa (que no máximo poderiam ser usadas como lados B de seus compactos mais obscuros). Anos depois ele diria: "Não tive realmente tempo de colocar algo melhor no disco. Reconheço minha falha!".

10. Tug of Peace (Paul McCartney) - "Tug Of Peace", por sua vez, é o que gosto de chamar de canção link! O que exatamente significa isso? Essencialmente é uma faixa de ligação com o disco anterior, "Tug of War". Quase que puramente instrumental - com um pequeno refrão por um coro que parece ter saído de algum álbum dos Wings - essa faixa é apenas uma espécie de gravação experimental de Paul no disco. Afinal os fãs dos Beatles pensavam que apenas John Lennon e Yoko Ono podiam se dar ao prazer de gravar faixas assim? Porém ser experimental era obviamente pouco para Paul McCartney. Assim o ex-Beatle escreveu alguns belos arranjos para solos de sua guitarra Gibson, que atravessam praticamente toda a gravação. Uma canção um pouco abaixo das demais presentes nesse disco, mas certamente uma das mais interessantes do ponto de vista puramente musical. Paul sendo um pouco Lennon, para variar.

11. Through Our Love (Paul McCartney) - Embora, como sempre, tenha seus detratores, o fato é que o álbum "Pipes of Peace" também tem momentos muito bons, canções inegavelmente bem escritas. A música "Through Our Love" selecionada por Paul para fechar o disco, tem uma melodia belíssima e um maravilhoso arranjo. Aqui Paul realmente trabalhou duro ao lado do produtor e maestro George Martin para lapidar cada nuance, cada nota. A letra, despudoradamente romântica é quase uma carta de amor de Paul (obviamente para Linda) para deixar as coisas sem importância para trás, não se perdendo mais tempo com elas. Em reflexão Paul admite que já perdeu tempo demais em coisas sem a menor importância. O que importa no final de tudo é realmente dar o amor para a pessoa que se ama, nada mais. Enfim, uma bela melodia embalada por uma letra bem articulada, honesta, cheia de sentimentos. Paul em sua mais pura essência.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Bruxa de Blair (2016)

Título no Brasil: Bruxa de Blair
Título Original: Blair Witch
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Lionsgate Films
Direção: Adam Wingard
Roteiro: Simon Barrett
Elenco: James Allen McCune, Callie Hernandez, Corbin Reid, Brandon Scott, Wes Robinson, Valorie Curry
  
Sinopse:
Um grupo de jovens decide viajar até a cidade de Burkittsville para adentrar na sombria floresta de Black Hills Forest. A irmã de um dos jovens desapareceu nesse mesmo lugar há muitos anos e ele precisa descobrir o que aconteceu a ela. Há a velha lenda de uma bruxa que havia sido morta na região, mas ele definitivamente não acredita em nada disso. Portando aparelhos de gravação de última geração ele pretende localizar a garota desaparecida, ao mesmo tempo em que tem a intenção de desmistificar tudo da velha lenda local.

Comentários:
Muita gente andou pensando que esse seria um remake do primeiro filme "A Bruxa de Blair", mas não! Esse filme não é um remake, mas sim uma espécie de continuação. Seu nome correto deveria ser "A Bruxa de Blair III", pois é uma continuação da estória dos filmes anteriores, porém por motivos comerciais os produtores não quiseram seguir por esse caminho. O filme segue basicamente o mesmo estilo da produção original, ou seja, vários jovens com câmeras na mão, filmando tudo o que lhes acontece dentro da floresta onde supostamente vive uma bruxa amaldiçoada. No geral não é um filme muito assustador. O impacto do primeiro filme há muito passou, dessa maneira o que temos aqui é mais um genérico do estilo mockumentary. As situações não são particularmente originais, nem bem boladas e nem muito menos assustadoras. A tal bruxa novamente fica à espreita e quase nunca aparece frontalmente. Aqui ainda usaram um pouco de computação gráfica para mostrá-la em momentos breves, mas a tal criatura, a bruxa, não consegue ser nem muito aterrorizante. O filme assim só tem um mérito: é melhor filmado do que o primeiro, com enquadramentos melhores e imagem melhor. Fora isso, nada de muito importante. É uma continuação que tenta ser diferente, mas que no final apenas repete o primeiro filme. Em suma, mais do mesmo, sem muitas novidades.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Série - Bellevue

Série: Bellevue 
Ano de Produção: 2017
País: Canadá
Estúdio: Canadian Broadcasting Corporation (CBC)
Direção: Adrienne Mitchell, entre outros
Roteiro: Jane Maggs, Adrienne Mitchell
Elenco: Anna Paquin, Shawn Doyle, Billy MacLellan, Sharon Taylor, Patrick Labbé, Vincent Leclerc
  
Episódios Comentados:

Bellevue 1.01 - Pilot
Uma nova série que assisti recentemente o episódio piloto foi Bellevue. Essa série é estrelada pela atriz Anna Paquin, que interpretava a personagem Sookie Stackhouse de "True Blood". Com o cancelamento daquela série em 2014, ela agora finalmente volta ao mundo das séries nesse novo programa. A estória se passa em uma pequena cidade chamada Bellevue. É lá que mora a policial Annie Ryder (Paquin). O lugar é pacato, remoto e como era de se esperar, sem crimes. Os policiais possuem uma rotina quase tediosa, sem ter muito o que fazer. As coisas porém mudam quando um jovem rapaz desaparece. Ele é um conhecido atleta da escola, um dos melhores jogadores de Hockey. Todos da cidade ficam alarmados com seu sumiço, já que ele era um garoto muito promissor. O caso então vai parar nas mãos da oficial Annie. Ela então começa a investigar. O interessante é que o adolescente, que parecia ser um modelo para os outros rapazes de sua idade, escondia alguns segredos. Na verdade tudo indicava que ele era gay, gostava de se vestir de mulher escondido, quando estava sozinho e parecia ter intenção de se tornar um travesti. Assim começam a surgir no horizonte indícios de um crime de ódio, de homofobia. Para completar o quadro ainda parece haver muitas ligações com uma velha igreja abandonada na região. Enfim, avaliar uma série apenas por seu episódio piloto pode ser bem precipitado. No quadro geral até gostei, mas senti que o programa não foge muito do padrão mediano de séries policiais da TV que são produzidos lá fora. Nada de muito impactante, nem inovador. / Bellevue 1.01 - Pilot (Canadá, 2017) Direção: Adrienne Mitchell / Roteiro: Jane Maggs, Adrienne Mitchell / Elenco: Anna Paquin, Shawn Doyle, Billy MacLellan, Sharon Taylor, Patrick Labbé, Vincent Leclerc

Bellevue 1.02 - He's Back
Essa série explora homossexualismo juvenil, homofobia e assassinato. O primeiro episódio rodou em torno do desaparecimento de um jovem, um jogador do time da escola que às escondidas gostava de se vestir de mulher. Um garoto que desejava ser travesti, enfim. A detetive Annie Ryder (Anna Paquin) pega o caso e como era de se esperar procura por informações com as pessoas que eram suas amigas na escola, etc. Bingo! Acaba descobrindo mesmo o que aconteceu, mesmo que nem todas as versões batam entre si. Basicamente é a velha história: garoto com tendências gays, sofre com sua opção sexual, virando alvo dos jovens de sua idade. Alguns querem encher ele de porrada, enquanto outros tentam convencer ele a passar por um tratamento de reversão do homossexualismo (seja lá o que isso signifique!). A policial encontra pistas interessantes, como pequenos pedaços de pele numa cerca elétrica. O pior vem na cena final do episódio quando finalmente Annie encontra um corpo boiando em um lago, dentro de uma floresta. Pode ser ou não o garoto desaparecido. A resposta virá (assim espero) no próximo episódio. / Bellevue 1.02 - He's Back (Estados Unidos, 2017) Direção: Adrienne Mitchell / Roteiro: Jane Maggs, Adrienne Mitchell / Elenco: Anna Paquin, Shawn Doyle, Billy MacLellan.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

The Son

"The Son" é uma nova série de western do canal amc. Como era de se esperar é um programa excelente. No primeiro episódio temos duas linhas narrativas, uma no passado e outra no presente. Na juventude Eli McCullough presencia o rancho em que sua família vive ser atacado por índios selvagens. Eles cercam o lugar e começam a forçar a entrada na casa. Dentro dela só está Eli, seu irmão mais jovem, sua irmã e sua mãe. Pessoas indefesas contra um bando de nativos violentos. Esse acontecimento vai moldar a personalidade de Eli pelo resto de sua vida.

Muitas décadas depois reencontramos Eli. Ele é um homem poderoso, dono de terras, pai de família. Um sujeito forjado na dureza do Texas. Conhecido como o coronel do sul do estado, eles quer atrair investidores para seus recém construídos poços de perfuração de petróleo, pois acredita que as terras do Texas estão cheias do ouro negro. O problema é ter que lidar com um grupo de jovens mexicanos que acham os americanos invasores de suas terras (originalmente o Texas pertencia ao México, em um passado distante). Assim promovem sabotagens e podemos até dizer, atos de terrorismo contra os empreendimentos de Eli, que ao velho estilo texano resolve responder com violência, sem lugar para o perdão.

Já no primeiro episódio você sabe que "The Son" é uma excelente série. A produção é impecável e os episódios são extremamente bem produzidos, escritos e atuados. Uma novidade muito bem-vinda é a chegada do ex- James Bond Pierce Brosnan nesse novo mercado, das séries televisivas. Ele tem um personagem forte e marcante em mãos (o Eli) e pode certamente ter agora um dos melhores trabalhos de toda a sua carreira. Com duas linhas temporais, os roteiros exploram a dura vida de um Texas ainda inóspito, cheio de índios e depois recebendo as primeiras inovações de um mundo mais tecnológico que nascia, com carros e indústria petrolífera. Enfim, essa é uma série imperdível para quem gosta de história e western.

The Son (The Son, EUA, 2017) Direção: Brian McGreevy, Philipp Meyer, Lee Shipman / Roteiro: Kevin Dowling, Olatunde Osunsanmi, Tom Vaughan / Elenco: Pierce Brosnan, Jacob Lofland, Henry Garrett / Sinopse: A série mostra a vida de Eli McCullough (Brosnan), um homem que tenta sobreviver na aridez e na selvageria do Texas, onde índios e mexicanos tentam de tudo para destruir seus planos e sonhos de ter uma vida melhor.

Episódios Comentados:

The Son 1.02 - The Plum Tree
Deixando a Inglaterra da era Vitoriana para trás conferi mais um episódio de "The Son". O segundo episódio se chama "The Plum Tree". No anterior um grupo de mexicanos (que sonham com a anexação do sul do Texas ao México) resolveram destruir uma plataforma de petróleo da propriedade do Coronel Eli McCullough (Brosnan). Capturados, agora vão precisar contar tudo no velho estilo de resolver problemas do Texas, com um bastão de beisebol usado para quebrar suas pernas. Ironicamente o filho do Coronel acha tudo aquilo bem indigno, mas acaba tendo que, digamos, sujar as mãos! Uma guerra racial então fica prestes a explodir. / The Son 1.02 - The Plum Tree (Estados Unidos, 2017) Direção: Kevin Dowling / Roteiro: Philipp Meyer / Elenco: Pierce Brosnan, Jacob Lofland, Henry Garrett.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Série - Eyewitness

Série: Eyewitness
Episódio: Buffalo '07
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Studios
Direção: Catherine Hardwicke
Roteiro: Adi Hasak
Elenco: Julianne Nicholson, Tyler Young, James Paxton, Gil Bellows, Warren Christie, Tattiawna Jones
  
Sinopse e comentários:
Nova série policial que está sendo exibida no Brasil e nos Estados Unidos nos canais Universal e USA. Esse é o episódio piloto. Começa com dois adolescentes andando de bicicleta. Há um certo clima entre eles, uma tensão homossexual. Eles então procuram por um lugar isolado para se beijarem e terminam numa cabana remota, no meio da floresta.

São surpreendidos então pela chegada de um grupo de criminosos que trazem um refém. As coisas saem do controle e assassinatos são cometidos dentro da cabana, com os garotos como testemunhas oculares do crime. Todos os envolvidos são "soldados" do tráfico de heroína e um dos mortos é um importante informante do FBI.

Quando a policial Helen Torrance (Julianne Nicholson) chega na cena do crime ela descobre que agentes do FBI já estão no lugar, numa verdadeira "operação abafa". O que afinal estaria acontecendo ali? Até gostei desse primeiro episódio. Ok, não é nenhuma obra prima, mas pela trama parece que manterá o interesse. Um fato interessante é que a série é estrelada pela atriz Julianne Nicholson, uma mulher madura, algo nem sempre muito fácil de encontrar em enlatados americanos. Nada de gatinhas loirinhas posando de tiras duronas. Enfim, é acompanhar para ver no que tudo isso vai dar.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Alien: Covenant e outras estreias

Infelizmente para Ridley Scott seu mais recente filme na franquia Aliens, o novo "Alien: Covenant", não tem sido muito bem recebido pela crítica. É até algo parecido com o que aconteceu com o primeiro filme dessa nova linha, o "Prometheus" que também passou longe de colecionar boas resenhas dos críticos ao redor do mundo.

Agora surpresa mesmo é perceber que o novo filme de Scott tem sido criticado principalmente em relação ao seu roteiro, considerado por muitos como primário, desorganizado e sem novidades, repleto de clichês por todos os lados! Ainda não assisti ao filme, mas esse tipo de crítica me parece bem surpreendente. De qualquer maneira por ser um filme novo da série que vem se consagrando nos cinemas desde "Alien o Oitavo Passageiro", não há como ignorar o filme. É aquele tipo de produção obrigatória para todos os fãs do gênero Sci-Fi.

Existem outras opções para os fãs de terror nessa semana? A partir do dia 18 (próxima quinta-feira) estreia o filme nacional de terror e suspense "O Rastro". Dirigido por J. C. Feyer e com um elenco que conta com Leandra Leal, Natália Guedes e Rafael Cardoso. Esse interpreta um médico que precisa coordenar a transferência de um hospital público no Rio de Janeiro. Durante essa mudança ele toma contato com uma jovem que aparente ter poderes sobrenaturais. É sempre bom saber que o cinema brasileiro está procurando por novos caminhos. Só o fato de termos um filme de suspense e terror feito aqui no Brasil já é uma boa notícia por si mesma.

Por fim, para quem gosta de fantasia medieval, fica a dica de "Rei Arthur - A Lenda da Espada". É mais uma produção que explora a figura lendária do Rei inglês que para alguns historiadores foi apenas um personagem lendário e para outros teria alguma ligação a história real da formação da nação britânica. O filme foi dirigido por Guy Ritchie (amado por alguns, odiado por outros) e conta no elenco com Charlie Hunnam (da série "Sons of Anarchy) no papel principal e Jude Law, mais uma vez atuando nesse tipo de filme. Uma nova versão sobre Arthur que vale a pena conferir nesse próximo fim de semana.

Pablo Aluísio.

Ouro e Cobiça

Título no Brasil: Ouro e Cobiça
Título Original: Gold
Ano de Produção: 2017
País: Estados Unidos
Estúdio: Black Bear Pictures
Direção: Stephen Gaghan
Roteiro: Patrick Massett, John Zinman
Elenco: Matthew McConaughey, Edgar Ramírez, Bryce Dallas Howard, Corey Stoll, Toby Kebbell, Bill Camp
  
Sinopse:
Após a morte de seu pai, Kenny Wells (Matthew McConaughey) herda a companhia mineradora dele. As coisas porém vão de mal a pior. Em pouco tempo a empresa entra em uma situação tão ruim que praticamente fica à beira da falência. Desesperado para salvá-la, Wells resolve ir até a distante Indonésia para uma cartada final. Ele vende seus últimos bens e investe em uma suposta mina de ouro situada no meio da floresta. Seu parceiro Michael Acosta (Edgar Ramírez) acredita saber onde o ouro está. Assim Wells sai em busca de investidores que queiram financiar aquele ousado projeto, só que as coisas não vão sair exatamente como eles planejaram.

Comentários:
O poster desse filme vai enganar muita gente. Nele vemos o ator Matthew McConaughey olhando para uma floresta fechada, certamente procurando por seu Eldorado pessoal. Isso pode levar alguns a acreditarem que vão assistir a um filme de aventuras na selva, do tipo Indiana Jones. Ledo engano. Na verdade o que temos aqui é um drama baseado em fatos reais. A história verdadeira de um empresário do ramo de mineração que investiu seus últimos centavos no sonho meio louco de encontrar uma enorme mina de ouro nos confins das selvas da Indonésia. Confiando numa teoria não muito confiável chamada "anel de fogo" ele parte para uma expedição alucinada ao lado de seu parceiro, um especialista chamado Michael Acosta. Para levantar fundos ele vai até a bolsa de valores de Nova Iorque em busca de investidores e assim começa uma insana captação de recursos em um empreendimento que ficou famoso não exatamente por suas descobertas de grandes jazidas de ouro. O roteiro explora muito bem essa falta de controle no mercado de valores das principais bolsas dos Estados Unidos. Basta uma conversa mais ou menos crível para que uma chuva de dinheiro venha a surgir no horizonte. O que era apenas uma aposta em uma suposta mina existente na selva logo se torna uma ciranda financeira sem controle nenhum. Matthew McConaughey se empenhou em sua atuação. Ele está gordo, careca e com dentição ruim, tudo para se parecer com o Kenny Wells da vida real. Ele provavelmente estava apostando em uma indicação ao Oscar ou ao Globo de Ouro, só que isso não se concretizou. O filme acabou sendo indicado apenas ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Música Original ("Gold" de Iggy Pop). O filme de um modo em geral me agradou bastante. Não era bem o que eu estava esperando, mas certamente funcionou dentro de sua proposta inicial. No fundo é um tratado sobre a cobiça sem limites do ser humano.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Asas de Águias

Título no Brasil: Asas de Águias
Título Original: The Wings of Eagles
Ano de Produção: 1957
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: John Ford
Roteiro: Frank Fenton, William Wister Haines
Elenco: John Wayne, Maureen O'Hara, Dan Dailey, Ward Bond, Ken Curtis, Edmund Lowe
  
Sinopse:
Durante a formação da primeira esquadrilha de aviões da marinha americana, o piloto Frank 'Spig' Wead (John Wayne) acaba se destacando por sua coragem e audácia. Ele é um militar rebelde que nem sempre segue as ordens. Quando a marinha resolve disputar com o exército uma volta ao mundo ele prontamente se dispõe a liderar sua equipe. Apenas uma surpresa do destino acaba parando seus planos para essa aventura inesquecível.

Comentários:
John Ford foi um mestre do cinema. Disso ninguém tem dúvidas. A questão é que até mesmo os grandes cineastas dão tropeços em sua carreira. Esse "Asas de Águias" foi seguramente um dos piores filmes de Ford. Mesmo trabalhando ao lado de John Wayne, em uma história tão interessante, baseada em fatos reais, pouca coisa funciona. No começo do filme Ford adota um tom exageradamente pastelão. Isso mesmo, em um filme que se propunha a ser um drama de guerra, Ford colocou cenas exageradamente cômicas, com direito a bolos e tortas na cara e calhambeques disputando corridas com aviões (como se o espectador estivesse assistindo a um velho filme de "O Gordo e o Magro"). Nada chega a ser engraçado, apenas constrangedor. Depois o filme avança e Ford, aos poucos, vai mudando o estilo. O personagem de John Wayne sofre um acidente doméstico, ao cair de uma escada, e se torna paraplégico. Ele que sempre foi um militar audacioso teria que lidar agora com uma terrível nova realidade. E aí, do nada, o que era pastelão se torna dramalhão. É um pouco demais para o público, vamos convir. Essa montanha russa de estilos cinematográficos acaba atrapalhando o filme como um todo. Sem ter como pilotar novamente então o personagem de John Wayne vai para Hollywood e se torna roteirista de filmes de guerra. A história real de Frank 'Spig' Wead poderia render algo muito mais interessante. Ele próprio poderia ter escrito um roteiro melhor para o filme, porém quando esse foi realizado ele já estava morto. Uma pena, de certa forma John Ford, apesar de todas as suas boas intenções e talento, estragou essa biografia do velho piloto da marinha. Se tivesse adotado um tom sério e mais centrado no drama real vivido por Spig teríamos um filme muito mais interessante. Do jeito que ficou tudo soa muito bobo e fora de propósito. Esse filme certamente foi uma bola fora dentro da filmografia do grande John Ford. A lição que fica é a de que até os grandes gênios do cinema cometem sua dose de bobagens nas telas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 23 de abril de 2017

10 Curiosidades - Alien: Covenant (2017)

10 Curiosidades - Alien: Covenant (2017)

1. O novo filme da franquia Aliens custou 111 milhões de dólares. Um valor considerado até bem razoável para um filme como esse, que tem pretensões de ser um blockbuster, um arrasa quarteirão nas bilheterias.

2. O diretor Ridley Scott ficou meses em dúvida se iria ou não dirigir esse primeiro filme depois de Prometheus (2012), Esse foi o primeiro filme dessa nova linha de produções e na opinião de Scott não foi tão bem recebido como ele pensava. A decepção por parte da crítica o fez pensar em dar a sequência para outro diretor dirigir. Depois pensou melhor e resolveu assumir definitivamente a direção desse novo filme.

3. Em entrevistas Ridley Scott confidenciou que havia odiado Alien³ (1992). Ele então juntou peças de um antigo roteiro que havia escrito na época de lançamento daquele filme (e que nunca havia sido filmado) com elementos novos que surgiram depois de Prometheus. Juntando ideias novas e antigas ele finalmente chegou na versão final dessa nova estória vista em Alien: Covenant.

4. Por questões financeiras e fiscais o estúdio Fox decidiu que esse novo filme seria filmado em Sydney, na Austrália. Toda a equipe técnica americana assinou um contrato especial que previa a permanência naquele país por pelo menos seis meses. No final, como bem explicou Ridley Scott, o filme foi praticamente todo feito em Sydney, não apenas em relação às filmagens, mas montagem e edição também. Apenas os efeitos digitais foram produzidos em Los Angeles.

5. O ator Michael Fassbender teve um choque de agendas entre as filmagens desse novo filme "Alien: Covenant" e "X-Men: Apocalipse". Ridley Scott então, por pura gentileza profissional, adiou o começo das filmagens para que Fassbender tivesse tempo de terminar seus compromissos e viajar para a distante Austrália para começar a trabalhar nesse nova produção.

6. O primeiro nome do filme era "Alien: Paradise Lost" (Alien: Paraíso Perdido). Era esse o título que Ridley Scott queria para a produção, mas os executivos da Fox o convenceram a escolher outro nome, isso porque poderia haver uma certa confusão na mente do público com a série "Lost". Além disso, para a Fox, o título escolhido por Ridley Scott era pouco comercial e até brega!

7. Ridley Scott explicou que esse "Alien: Covenant" é na verdade o segundo filme de uma trilogia que serve como prequel para a franquia principal Aliens. O enredo se passa antes do que é visto em "Alien: O Oitavo Passageiro". O primeiro filme dessa nova trilogia foi exatamente o filme "Prometheus" de 2012. O terceiro filme está previsto para ser lançado nos cinemas em 2019 ou 2020.

8. O título "Alien: Covenant" se refere a um pacto entre criadores e criaturas. Uma óbvia referência à história bíblica do pacto entre Deus e os homens que está presente nas escrituras sagradas da tradição judaico-cristã.

9. Os nomes de andróides, David e Walter, são uma homenagem de Ridley Scott aos produtores David Giler e Walter Hill. "Uma questão que apenas os envolvidos no filme vão entender completamente" - explicou o diretor.

10. Na apresentação do filme aos jornalistas americanos o diretor Ridley Scott explicou: "Eu fiquei em dúvida se faria esse segundo filme. Havia também uma nova continuação para Blade Runner e eu pensei por um tempo em ir dirigir o outro filme, mas depois optei por Alien. No final terminamos o filme no custo previsto e no cronograma certo. Estou feliz com o resultado. Espero que todos gostem do novo filme".

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Cinco Lindas Igrejas Católicas






5 Lindas Igrejas Católicas ao redor do mundo:

1. Basílica de Sâo Paulo, Roma
2. Basílica de Sâo Pedro, Vaticano
3. Catedral de Santo Isaac, São Petersburgo, Rússia
4. Igreja de Sâo Francisco Xavier, Nova Iorque, EUA
5. Basílica de Sâo Paulo e São Pedro, Lituânia

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Pablo Aluísio.