quinta-feira, 31 de agosto de 2017

A Semana do Papa Francisco

(Papa Francisco visitará a Colômbia em Setembro) - Durante essa semana o Papa Francisco se reuniu com autoridades da Colômbia. O Papa está com viagem marcada para aquela nação. Sua visita será realizada entre os dias 6 a 11 de setembro. Será um retorno do Papa à América do Sul, seu continente natal. Na agenda diversos temas interessantes serão debatidos, entre eles a questão dos refugiados venezuelanos. Brasil e Colômbia estão sendo o principal destino de chegada para os refugiados que estão indo embora da Venezuela após o país se tornar uma violenta ditadura de esquerda.

(Papa Francisco recebe sobreviventes da Chapecoense) - Durante essa semana o Papa Francisco se encontrou com os jogadores sobreviventes daquele terrível acidente de avião que matou quase toda a equipe de futebol do Chapecoense. O desastre comoveu o mundo e o Papa igualmente. O Papa abençoou os jogadores e os membros da comissão técnica do clube, entre eles seus dirigentes também. Francisco reforçou a fé em Deus de todos eles. Depois do encontro o jogador Jakson Ragnar Follmann, goleiro sobrevivente da queda do avião, declarou que se tornou ainda mais fã do Papa depois do encontro. O humanismo solidário e misericordioso do Papa Francisco impressionou a todos que estiveram em sua presença.

(Papa Francisco fala sobre o furacão Harvey) - Em Roma, o Papa Francisco declarou estar profundamente comovido com as vítimas do furacão Harvey que devastou parte dos Estados Unidos, deixando milhares de pessoas desabrigadas, isso obviamente sem contar as diversas mortes que aconteceram pela passagem do evento natural de proporções devastadoras. O telegrama enviado pelo Vaticano ao governo dos Estados Unidos dizia: "O Papa Francisco está profundamente comovido pelas perdas trágicas de vidas humanas e pelos enormes danos materiais que esta catástrofe natural deixou atrás de si, o papa reza pelas vítimas e pelas suas famílias e por todos os envolvidos nas atividades essenciais de socorro, de restabelecimento e de reconstrução".

Pablo Aluísio. 

The Beatles - White Album - Parte 2

John Lennon queria colocar Yoko Ono nos Beatles! Era um absurdo, mas Lennon gostava desse tipo de ideia nonsense. E ele parecia disposto a prova seu ponto de vista, mesmo com as negativas de Paul McCartney sobre a entrada de Yoko na banda. Para provar que Yoko Ono tinha talento musical, John a levou para a gravação de "The Continuing Story of Bungalow Bill". Essa estranha composição havia sido criada na Índia, quando os Beatles estavam meditando com o guru Maharishi Mahesh Yogi em Rishikesh. A letra era uma sátira contra turistas ocidentais que iam até a Índia caçar animais selvagens (como tigres) e depois iam aos templos religiosos em busca de um encontro espiritual elevado! Lennon criticava essa postura hipócrita daquele que matava de dia e à noite ia atrás de elevação espiritual.

Yoko Ono foi colocada para cantar e... com todo respeito a quem gosta da "Yoko música" (seja lá o que isso queira dizer) o fato é que como cantora ela era uma excelente artista plástica. Yoko deu então seus gritos estridentes e praticamente destruiu a gravação. George Harrison tentou convencer John a apagar a participação de sua "patroa", mas sua sugestão foi recebida com insultos. John se sentiu ultrajado com a opinião de George! Foi se criando um clima ruim entre eles dentro dos estúdios Abbey Road, a tal ponto que quase chegaram às vias de fato! Faltou pouco para não se agredirem. Paul McCartney também não gostou nem da música em si e nem da participação de Yoko, mesmo assim ainda colaborou nos arranjos, tocando baixo e fazendo vocais de apoio (para melhorar o coro e disfarçar um pouco a falta de talento de Yoko nos microfones).

Outra gravação que trouxe problemas entre John Lennon e os Beatles foi "Revolution 9". Não era uma música, mas uma coleção de sons experimentais sem nexo. Era algo que fazia a cabeça de John e Yoko, mas que no fundo não tinha nada a ver com o som dos Beatles. Esse tipo de ideia seria levada à exaustão no LP solo de John chamado "Two Virgins". Tudo fazia parte da terapia do grito primal que John vinha seguindo há tempos. Durante muito tempo, até quase na véspera do lançamento do álbum, Paul tentou de todas as formas convencer John a tirar "Revolution 9" do álbum. Ele recusou até o fim a sugestão de Paul, dizendo com firmeza: "A música fica!". Quando o disco finalmente chegou nas lojas a crítica não soube lidar muito bem com aquele tipo de (falta) de musicalidade. Parecia algo maluco que John havia colocado no disco por pura birra e arrogância. Algo do tipo "Eu posso fazer isso e o farei!".

Felizmente nem tudo era feito de sons estranhos e falta de notas musicais. John ainda era capaz de compor belas melodias. "I'm So Tired" era um exemplo da delicada mistura de gêneros musicais que John fazia muito bem. A música tinha um estilo blues, aliado a uma interpretação bem inspirada de John, cantando como se realmente estivesse cansado de tudo. Como havia efetivamente música ali, Paul resolveu também se empenhar, escrevendo algumas linhas da melodia. George Martin também foi essencial, criando um belo arranjo para servir de fundo à performance de Lennon. Durante algum tempo John pensou em lançar a faixa como single na Inglaterra, para promover o álbum. A canção seria lançada antes, justamente para divulgar o LP que viria. Depois, com as brigas e atritos com Paul e George, tudo foi deixado de lado. Mesmo assim, por sua beleza melódica, essa bela balada acabou se destacando dentro do álbum branco. Ela foi encaixada no Lado B do disco 1, bem depois da também bela balada "Martha My Dear" de Paul McCartney.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

The Beach Boys: Uma História de Sucesso

Mais um título nacional extremamente equivocado. O filme não é propriamente a história de sucesso da banda Beach Boys, mas sim do drama pessoal enfrentado pelo cantor e compositor Brian Wilson após ser diagnosticado como esquizofrênico e paranoico. Líder e mentor intelectual de um dos grupos de rock de maior sucesso dos anos 60 ele viu tudo desmoronar por causa de seus problemas psiquiátricos. Wilson é interpretado no filme por dois atores, que seguem em linhas narrativas diferentes, uma no passado, durante o apogeu do grupo nos anos 60 e outra mais à frente, nos anos 80, com Wilson lutando contra sua doença mental, em um estado bem mais avançado. Nos anos 60 ele é bem interpretado por Paul Dano. Aqui Wilson já é o líder dos Beach Boys. Ele começa a apresentar um comportamento anormal, que começa a alarmar os demais membros do grupo. Depois surta dentro do estúdio tentando criar um álbum completamente fora dos padrões comerciais, tentando superar os Beatles, o maior rival nas paradas dos Beach Boys.

John Cusack dá vida a Brian Wilson já completamente destruído pela esquizofrenia. Ele passa a ser dominado por um médico que acaba se revelando mais maluco do que ele. Um sujeito que o explora e o coloca sob um coquetel de drogas pesadas para tentar ficar com sua fortuna. Quem o salva da morte é uma ex-modelo, vendedora de carros, chamada Melinda Ledbetter (Elizabeth Banks). Wilson se apaixona por Melinda e ela tenta de todas as formas ajudá-lo a sair daquela prisão em que ele se encontra. O roteiro do filme se foca completamente em Brian Wilson, por isso se você estiver em busca de algo mais relacionado ao grupo The Beach Boys é melhor procurar por outro filme, algum documentário musical. Aqui só temos mesmo os dramas pessoais de Wilson, seus problemas de saúde, seus traumas, suas lutas contra o estigma da doença mental e outros dramas mais pesados. No final é um filme muito bom, mas também muito triste para quem nunca conheceu em maiores detalhes os problemas enfrentados por esse genial músico.

The Beach Boys: Uma História de Sucesso (Love & Mercy, Estados Unidos, 2014) Direção: Bill Pohlad / Roteiro: Oren Moverman, Michael A. Lerner / Elenco: John Cusack, Paul Dano, Elizabeth Banks, Paul Giamatti / Sinopse: O filme conta a história real do cantor e compositor Brian Wilson. Líder do famoso grupo de rock e surf music The Beach Boys. Ele acabou tendo que lutar contra a doença mental, no auge do sucesso, após ser diagnosticado como esquizofrênico e paranoico. Filme indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (Paul Dano) e Melhor Música Original ("One Kind of Love" de Brian Wilson e Scott Montgomery Bennett).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Megan Leavey

Título no Brasil: Megan Leavey
Título Original: Megan Leavey
Ano de Produção: 2017
País: Estados Unidos
Estúdio: LD Entertainment
Direção: Gabriela Cowperthwaite
Roteiro: Pamela Gray, Annie Mumolo
Elenco: Kate Mara, Common, Ramon Rodriguez, Tom Felton, Will Patton, Bradley Whitford

Sinopse:
Cansada de sua vida banal e dos problemas familiares envolvendo sua mãe, a jovem Megan Leavey (Kate Mara) decide se alistar no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. Após um período de treinamento pesado ela é enviada para o Iraque, onde passa a integrar um grupo especial designado para localizar bombas e explosivos, usando para isso cães especialmente treinados. Filme vencedor do Heartland Film Festival.

Comentários:
Filme especialmente indicado para quem curte filmes sobre os Marines americanos e criadores de cães treinados. O roteiro é baseado na história real da cabo Megan Leavey que foi remanejada para um esquadrão de localização de bombas com cães e acabou criando um vínculo muito forte com seu animal, um pastor alemão chamado Rex. Esses pastores pertencem na realidade aos fuzileiros navais americanos, mas os próprios oficiais aconselham aos soldados que esses criem fortes vínculos entre eles, até para ajudar no cumprimento das missões no meio do deserto. Megan acabou levando a determinação bem à sério, se tornando muito afeiçoada ao seu cão. Quando ambos são atingidos por uma bomba ela fica ainda mais próxima do animal. Pensando em deixar os marines ela tenta adotar Rex, mas bate de frente contra seus oficiais comandantes. Mesmo ferido o cão não poderia ser enviado para viver ao lado dela, numa vida civil. Um animal treinado para o campo de batalha poderia ser extremamente perigoso nas ruas. Assim o filme também levante esse curioso debate. Por fim um detalhe não menos importante: praticamente toda a equipe técnica é formada por mulheres, da diretora, passando pelas roteiristas, etc. O filme assim tem um fator subliminar de empoderamento das profissionais que trabalham no cinema.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Preço do Poder

Título no Brasil: O Preço do Poder
Título Original: Il prezzo del potere
Ano de Produção: 1969
País: Itália, Espanha
Estúdio: Patry Film, Films Montana
Direção: Tonino Valerii
Roteiro: Massimo Patrizi
Elenco: Giuliano Gemma, Warren Vanders, María Cuadra, María Luisa Sala, Ángel Álvarez, Norma Jordan

Sinopse:
Bill Willer (Giuliano Gemma) é um agente especial da agência de detetives Pinkerton que é enviado para o deserto do Texas, numa região bem isolada e remota, para investigar a morte do presidente James Garfield em 1881. Depois das primeiras investigações ele descobre uma enorme teia de conspirações envolvendo assassinos profissionais e políticos desonestos e gananciosos.

Comentários:
Segundo os produtores desse western spaghetti o roteiro era baseado nos acontecimentos que levaram ao assassinato do presidente JFK em Dallas. Até aí tudo bem, o problema histórico porém é que o enredo da fita se passava no século XIX. Assim usou-se a morte de outro presidente norte-americano, James Garfield, para se fazer uma grande mistureba de eventos, fatos e conspirações históricas, tudo junto e misturado! Quem gosta de spaghetti western porém não haverá muito do que reclamar pois a receita e a fórmula desse tipo de produção é seguido à risca, inclusive com aquelas trilhas sonoras bem marcantes, muitos tiros e violência estilizada. Uma das coisas que mais me chamaram a atenção foi a atuação de Giuliano Gemma. Embora fosse um ator bem apessoado, sempre notei uma certa indiferença dele em cena. Seria pura omissão ou falta de um talento maior em termos dramáticos? Isso fica a critério de cada um descobrir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Norman

Mais um bom filme de Richard Gere. Aqui ele interpreta esse sujeito incomum chamado Norman. Ele passa o dia inteiro pelas ruas de Nova Iorque pendurado em seu celular! Em que ele exatamente trabalha? Não se sabe ao certo. Ele mesmo afirma que dá consultorias (não se sabe de quê!) e que presta serviços (sem conseguir explicar quais seriam esses serviços!). Na sua rotina Norman tenta entrar em contato com pessoas ricas e poderosas. Ele acredita que o mais importante de tudo é ter contatos, aproximações com esse tipo de gente. Para isso ele topa qualquer coisa, inclusive entrar de bicão, sem ser convidado, para festas de milionários (obviamente sempre sendo convidado a se retirar depois). Após muitas portas na cara, Norman finalmente tira a sorte grande ao conseguir se aproximar com êxito de um político de segundo escalão do governo de Israel.

Na cara de pau mesmo, Norman o segue pelas ruas de Nova Iorque e depois consegue se aproximar do tal sujeito. Trocam cartões e mantém contatos. Para sua grande surpresa o tal político acaba se tornando primeiro ministro de Israel, o que acaba abrindo todas as portas para Norman, justamente por sua proximidade com o figurão. Só que com todo esse conhecimento tudo o que Norman acaba conseguindo é entrar numa tremenda enrascada! Pois é, esse personagem (mais um presente para Richard Gere em sua carreira) é uma espécie de herói picaresco (para usar um termo de nossa literatura), um homenzinho sem muita sorte que vai abrindo seu próprio espaço com artimanhas, jogadas de sorte (e também de inteligência), nem sempre se dando bem no final. A trilha sonora do filme reforça bem esse aspecto da personalidade do protagonista. Todas as vezes que ele vai entrando em uma nova enrascada lá está aquele trombone em tom de humor farsesco. É um filme realmente muito bom, valorizado por Richard Gere, ora com um olhar de bom malandro, ora como um inocente que não sabe bem onde está entrando. Divertido e até mesmo em certos aspectos lírico, esse "Norman" é um dos filmes mais surpreendentes desse ano.

Norman: Confie em Mim (The Moderate Rise and Tragic Fall of a New York Fixer, Estados Unidos, Israel, 2016) Direção: Joseph Cedar / Roteiro: Joseph Cedar / Elenco: Richard Gere, Michael Sheen, Steve Buscemi, Lior Ashkenazi / Sinopse: Norman Oppenheimer (Richard Gere) se autodenomina um consultor, um estrategista, embora ninguém saiba ao certo quem ele é ou o que faz da vida. Forçando aproximação com pessoas ricas e poderosas ele acaba conhecendo Micha Eshel (Lior Ashkenazi), um político sem muita importância que acaba se tornando primeiro ministro de Israel. Usando dessa proximidade Norman começa a tecer uma enorme teia de relações e contatos, dando origem a uma enorme confusão. Filme indicado ao Cleveland International Film Festival.

Pablo Aluísio.

Os Filmes de Montgomery Clift - Parte 3

O primeiro filme de Montgomery Clift em Hollywood foi "Perdidos na Tormenta". Esse foi filme foi realizado em 1948, uma produção da Metro-Goldwyn-Mayer que tinha como tema o pós-guerra na Europa. Um tema muito adequado pois a II Guerra Mundial havia terminado apenas três anos antes. O diretor Fred Zinnemann queria trazer para o público americano a situação em que se encontrava os países europeus depois de um dos conflitos armados mais sangrentos da história. Foi uma excelente iniciativa pois capturava em tela a situação de Berlim, a antiga capital do III Reich de Hitler, agora reduzida a uma pilha de escombros depois dos intensos bombardeios dos aviões aliados. E foi justamente para esse caos que a equipe de filmagem foi enviada. Clift interpretava no filme um militar americano chamado Ralph Stevenson. Após o fim da guerra ele era enviado justamente para Berlim, onde acabava ajudando um garoto de origem tcheca a encontrar sua mãe.

Filmar ali foi uma grande experiência para o ator. Embora ele tivesse conhecimento de tudo o que havia acontecido na II Guerra, era algo bem diferente estar ali, bem no meio do povo alemão derrotado, tentando sobreviver de todas as formas. O filme também serviu como propaganda americana ao colocar soldados e militares dos Estados Unidos como pessoas prontas a ajudar os sobreviventes da guerra, os retratando como pessoas amigáveis e prestativas, militares honestos e de boa índole. Após seu lançamento o filme foi bastante elogiado, vencendo um Oscar numa categoria importante, a de Melhor Roteiro (prêmio dado aos roteiristas Richard Schweizer e David Wechsler). Além disso foi indicado ainda ao Oscar nas categorias de Melhor Direção e Melhor Ator, justamente para Montgomery Clift, que estreava assim com reconhecimento em Hollywood. Afinal ser indicado ao Oscar por seu primeiro filme era algo para poucos...

Após uma estreia tão bem sucedida Clift assinou contrato para trabalhar em mais um filme, dessa vez no estúdio United Artists. É interessante notar que a MGM ofereceu a Clift um contrato de sete anos e meio (o que era o padrão na época para grandes astros), mas o ator recusou, afirmando que queria ter toda a liberdade para escolher os filmes em que iria atuar. A United Artists havia sido fundada por atores, atrizes e artistas e tinha fama de produzir filmes mais voltados para a arte, ao invés da fábrica de lucros de outros estúdios, como a própria MGM, conhecida por ser uma das grandes majors da indústria cinematográfica americana.

O roteiro que havia atraído Clift daria origem ao filme "Rio Vermelho", considerado hoje em dia como um dos maiores clássicos de western de todos os tempos. Obviamente que Montgomery Clift, o ator de Nova Iorque, não tinha pretensões de virar um ídolo cowboy das telas. O que o levou a contracenar com o mito John Wayne, sendo dirigido pelo mestre Howard Hawks, foi realmente o inspirado roteiro, um épico sobre os verdadeiros cowboys americanos, um espécie em extinção. Fisicamente o filme iria exigir bastante de Monty, por isso ele passou por um treinamento antes de entrar no set de filmagens. Aprendeu a montar, cavalgar e usar o laço. Para um sujeito que agora estava acostumado com Nova Iorque era realmente algo necessário. E ele não poderia fazer feio ao lado justamente de John Wayne, um ícone dos filmes de faroeste.

Pablo Aluísio.

domingo, 27 de agosto de 2017

A Descida de Jesus ao Inferno

Uma das partes mais misteriosas e intrigantes das escrituras é aquela que narra uma suposta descida de Jesus Cristo ao inferno. O Apóstolo Pedro escreveu que Jesus teria ido pregar aos espíritos em prisão, os mesmos que teriam sido desobedientes a Deus nos tempos de Noé! Depois ele afirma que Jesus teria pregado a essas almas atormentadas. Outro trecho afirma que Jesus teria levado o evangelho para aqueles espíritos, os levando consigo depois ao céu. A expressão "Levou cativo o cativeiro, para o alto" seria o indicativo da salvação dessas almas. Esses trechos da Bíblia até hoje causam controvérsia. Teria realmente Jesus descido aos infernos para pregar aos espíritos que lá estavam em prisão? E teria Ele trazido a sua misericórdia para todas aquelas almas que sofriam nos porões infernais desde os tempos de Noé?

Cada segmento religioso traz sua própria interpretação. No setor evangélico existem pastores que afirmam que Jesus nunca desceu aos infernos, nunca pregou a almas condenadas que lá sofriam. Tudo seria uma questão de uma equivocada forma de analisar a questão. No Cristianismo primitivo, na época em que circulavam vários evangelhos que seriam depois classificados como apócrifos, a descida de Jesus ao inferno, logo após sua crucificação e antes de sua ressurreição, era visto como algo direto. Sim, ele teria mesmo visitado as fossas infernais do Hades (o termo que em grego significava justamente o lugar para onde as almas eram enviadas para o eterno sofrimento).

Para a doutrina católica temos a seguinte interpretação: Ao morrer na cruz Jesus teria descido à "mansão dos mortos" e vencido o diabo, pois Ele teria superado àquele que teria o poder da morte. Ao ressuscitar Jesus Cristo teria superado isso, mostrando toda a sua gloria. O termo "mansão dos mortos" seria mais amplo do que inferno, pois para essa mansão seriam enviados os justos e os pecadores. Uma vez lá Jesus teria levado consigo todos as almas dos justos, dos santos, dos que morreram antes de sua chegada ao mundo.

Dessa maneira Jesus não teria salvo os que foram pecadores, que pecaram contra Deus e o espírito santo, os condenados, enfim. Longe disso Jesus teria resgatado da mansão dos mortos os justos, os honestos e os fiéis a Deus. Essa visão seria inclusive a origem do purgatório, segundo alguns teólogos e historiadores, pois haveria um lugar intermediário entre o nosso mundo e o inferno. Para o purgatório seriam enviadas as almas que ainda não tinham condições de subir ao céu, mas que ao mesmo tempo também não deveriam ser enviadas ao inferno, para a condenação eterna. O purgatório seria dessa maneira um lugar intermediário, de purificação da alma, para que depois uma vez superados os pecados cometidos em vida, poderia enfim ganhar a glória de Deus no céu.

Pablo Aluísio.

Tobe Hooper

O cinema de terror perdeu um de seus mestres, o diretor Tobe Hooper. Tive o prazer de assistir muitos filmes de Hooper no cinema, como tinha que ser. Ele foi um criador de películas de horror em um tempo onde o politicamente correto não interferia na criatividade dos cineastas, onde tudo era possível e não havia muitos limites. Assim Hooper teve a chance de dirigir e produzir um autêntico cinema podreira de qualidade. No total dirigiu 37 filmes! Uma marca e tanto em termos de produtividade.

O primeiro grande sucesso de sua filmografia foi "O Massacre de Serra Elétrica" de 1974. Como se diz hoje em dia esse é um filme terror de raiz! O diretor aproveitou um caso real (acredite, o roteiro é baseado em acontecimentos reais ocorridos no Texas) e criou essa sangrenta fita, onde psicopatas cruéis matavam suas vítimas com requintes de crueldade. O filme, feito com orçamento mínimo, se tornou um cult movie e colocou Hooper no radar dos fãs de horror. Depois disso o diretor começou uma fase áurea, tudo culminando com o sucesso de "Poltergeist" de 1982. O diretor foi escolhido a dedo por Steven Spielberg, que produziu a fita. Nas palavras de Spielberg ninguém mais poderia dirigir aquela história tão bem como Hooper.

Na década de 80 Hooper colecionou filmes mais do que interessantes. Produções B de terror que com o tempo se tornaram pequenas obras primas do gênero. Em "Pague Para Entrar, Reze Para Sair" o diretor usou um parque de diversões, esse lugar tão infantojuvenil, para explorar o máximo em termos de sangues e tripas. Já em "Força Sinistra" Hooper levou o terror para o espaço. Misturando filmes de terror com Sci-Fi ele criou uma espécie de alienígena que sugava a força vital dos seres que encontrava pela frente. Um tipo de "vampiros espaciais" como bem definiu Hooper. Nem é preciso dizer que a fita caiu no gosto dos fãs de filmes trash (mas aqui feitos com bons orçamentos).

Hooper repetiu a dose em "Invasores de Marte", mais um filme que misturava os dois gêneros mais populares entre os adolescentes dos anos 80. Essa aliás era uma característica interessante da obra do diretor. Ele sempre procurava misturar o gênero terror com outros gêneros cinematográficos. Assim levou humor ao horror em "O Massacre da Serra Elétrica 2", onde no meio da matança desenvolveu momentos de puro humor negro como poucas vezes visto no cinema da época. O diretor também trabalhou na TV, em séries como "Histórias Maravilhosas" ao lado de Spielberg novamente. O diretor continuava na ativa, intercalando seus trabalhos de direção com produção, sempre no estilo que o consagrou: o terror. Para quem levou sustos no cinema com suas obras (ora divertidas, ora assustadoras) fica assim a sensação de vazio de um mestre que nos deixou. Descanse em paz, Tobe Hooper.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Déjà Vu

Título no Brasil: Déjà Vu
Título Original: Deja Vu
Ano de Produção: 2006
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: Tony Scott
Roteiro: Bill Marsilii, Terry Rossio
Elenco: Denzel Washington, Val Kilmer, Paula Patton, Jim Caviezel, Elle Fanning, Bruce Greenwood

Sinopse:
Uma balsa é explodida em um atentado terrorista em New Orleans. Mais de 500 pessoas são mortas, entre eles marinheiros e familiares. Para investigar o caso é enviado o agente Agente Especial Doug Carlin (Denzel Washington). Ele começa as investigações e descobre que há um meio de voltar ao passado, para reviver os acontecimentos e quem sabe mudá-los!

Comentários:
Esse filme é uma produção de Jerry Bruckheimer, então meio que você sabe tudo o que vai acontecer. Muitas explosões, muitas cenas de ação. Um verdadeiro Deja Vu! O diferencial é que essa fita foge um pouco do lugar comum ao investir em um roteiro mais diferenciado, com toques de ficção (puro Sci-fi!). Isso porque há um programa especial do governo que consegue ver o passado com nitidez. Chamado de "Branca de Neve" ele consegue recriar todos os acontecimentos envolvendo o ato terrorista. E vai além disso, se for bem manipulado! Particularmente gostei desse filme, mas devo dizer que com certas reservas. Nem sempre a ideia principal do roteiro funciona muito bem. Em alguns momentos inclusive achei tudo muito forçado, causando um certo cansaço. É aquele tipo de enredo que exige muita boa vontade do espectador para embarcar em suas propostas (que são bem complicadas de engolir em um primeiro momento). Tecnicamente porém tudo é muito bem realizado. O diretor Tony Scott (que se matou em 2012) era um especialista nesse tipo de blockbuster. Já o elenco traz além de um sempre competente Denzel Washington, outro astro carismático, Val Kilmer. Ele trabalhou ao lado de Scott em "Ases Indomáveis" e aqui repetiu a bem sucedida parceria. Então é isso, um filme que pode ser considerado até bom, isso se você conseguir abraçar todas as situações inusitadas criadas por esse roteiro diferente. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 26 de agosto de 2017

Rush - No Limite da Emoção

A Rede Globo vai exibir esse filme hoje em Supercine. É mais um excelente filme que mostra um interessante capítulo da história da Fórmula 1. Curioso que produções como essa estão se tornado cada vez mais comuns, um tipo de filme biográfico esportivo que ultimamente tem cada vez mais chamado a atenção dos cinéfilos e fãs de esportes. Pois bem, na trama vemos a rivalidade histórica que surgiu entre dois pilotos da F1, James Hunt (Chris Hemsworth) e Niki Lauda (Daniel Brühl). O primeiro um mulherengo incorrigível, um sujeito fanfarrão que adorava festas e diversão. O segundo um piloto arrojado, disciplinado, que fazia das pistas seu objetivo de vida. Do choque de duas personalidades tão diferentes surge uma concorrência marcada por brigas, mas também por respeito e admiração mútuas. Eu não conhecia essa história, o que tornou o filme como um todo ainda mais interessante.

Apesar de não ser tão velho ainda me lembro de Niki Lauda nas pistas. Na época ele já trazia as marcas que deformaram seu rosto após um grave acidente (que inclusive é mostrado no filme). Já James Hunt realmente não cheguei a conhecer, pois ele, impulsivo e indisciplinado, já tinha deixado as corridas quando me dei conta da existência da Fórmula 1. Esse filme procura transitar justamente do choque entre esportistas tão diferentes entre si durante o campeonato de 1976. É um belo drama esportivo, muito bem conduzido, que vai no final das contas agradar aos fãs das corridas em geral bem como também ao sujeito que não liga muito para a F1 desde a morte de Senna, mas que ainda esteja disposto a assistir a um bom filme dramático. Embora Lauda seja o principal personagem do enredo quem acaba roubando a cena realmente é James Hunt, pois sua personalidade extrovertida e expansiva, termina por chamar mais a atenção do espectador. Assim deixamos a dica desse bom filme sobre esportes. Não importa se você anda cansado da Fórmula 1, no final vai gostar, não se preocupe em relação a isso.

Rush - No Limite da Emoção (Rush, Inglaterra, Alemanha, 2013) Estúdio: Imagine Entertainment / Direção: Ron Howard / Roteiro: Peter Morgan / Elenco: Daniel Brühl, Chris Hemsworth, Olivia Wilde / Sinopse: O filme conta a grande rivalidade surgida nas pistas de Fórmula 1 envolvendo os famosos pilotos James Hunt (Chris Hemsworth) e Niki Lauda (Daniel Brühl). Filme indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Drama e Melhor Ator Coadjuvante (Daniel Brühl).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Marca do Zorro

Título no Brasil: A Marca do Zorro
Título Original: Zorro
Ano de Produção: 1975
País: França, Itália
Estúdio: Les Productions Artistes Associés
Direção: Duccio Tessari
Roteiro: Giorgio Arlorio
Elenco: Alain Delon, Stanley Baker, Ottavia Piccolo

Sinopse:
Don Diego (Alain Delon) chega em uma nova província espanhola na Califórnia. O lugar está sob poder do tirano e corrupto Coronel Huerta. Para despitar ele se mostra perante todos como um sujeito fraco e que não representa ameaça, mas durante as noites se transforma no Zorro, um justiceirot implacável contra os crimes do Coronel.

Comentários:
Que tal ver o famoso galã francês Alain Delon como o Zorro? Pois foi justamente isso que aconteceu em meados dos anos 70. Com uma produção muito boa, bem acima da média, os produtores franceses cobriram o mais popular ator do país com a capa e a máscara do Zorro. O resultado ficou muito bom. Para muitos fãs do Zorro aliás esse é certamente um dos melhores filmes feitos sobre o personagem. Embora tenha sido intitulado como "A Marca do Zorro" essa não é uma refilmagem do clássico com Tyrone Power e nem tampouco uma adaptação literal do livro original que deu ínicio a saga do famoso mascarado. Na verdade o filme traz uma história própria, muito bem escrita, mostrando o Zorro lutando contra a corrupção e a tirania de uma caudilho local. Como toda produção europeia desse estilo o filme tem um acentuada dose de bom humor, mas que não chega a atrapalhar. Como diversão o filme funciona excepcionalmente bem e passa longe de decepcionar os fãs de longa data do Zorro. Um filme que realmente fez jus a esse famoso personagem da cultura pop, com ótimas cenas de luta de espadas, mostrando que Delon era também um bem treinado espadachim. Enfim, "A Marca do Zorro" é diversão garantida para todas as idades.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

The Beatles - White Album - Parte 1

O White Album (Álbum Branco) foi um disco bem singular dentro da discografia dos Beatles. Nesse trabalho cada um dos Beatles, de forma bem individual, compôs o que quis e gravou o que bem entendeu. Poucas músicas foram de autoria coletiva. De forma em geral John trouxe suas canções, Paul idem e George, que sempre compôs praticamente sozinho, também trouxe seu lote de músicas. Houve uma liberdade individual nesse disco como nunca antes havia acontecido em um álbum dos Beatles. A simplicidade parecia dar o tom, algo que veio expresso até mesmo em sua capa, onde não havia nada, apenas o nome do conjunto em relevo.

A maioria dessas composições foram criadas na Índia, onde os Beatles tinham ido naquela sua fase de seguir gurus. Segundo John as músicas em geral soaram diferentes porque foram compostas em violão. Geralmente há uma diferença entre canções compostas em violão e em piano. Para John essa foi uma característica marcante em termos de sonoridade. Assim o White Album acabou parecendo como pequenos e isolados discos solos de cada um dos membros da banda. Em uma faixa o ouvinte tinha John Lennon e uma banda de apoio, que por acaso eram os Beatles, na seguinte Paul e seus colegas de grupo e por aí vai. Criações bem individuais em um disco de grupo.

Um exemplo marcante disso veio em "Julia". Essa linda balada foi composta por John Lennon em homenagem a sua mãe que faleceu em 1958, após ser atropelada por um policial embriagado. A morte de Julia Lennon marcou demais a vida de John. Ele não gostava de seu pai, um marinheiro que mal conheceu em sua infância e juventude, mas tinha grande afinidade com a mãe. Ele herdou em grande parte o espírito livre dela. A gravação oficial de Julia acabou saindo tão simples como a versão que John compôs na Índia. Praticamente apenas voz e violão, com o vocal duplicado de John fazendo contraponto a ele mesmo. Os versos são lúdicos, envolvendo lembranças emocionais de John em sua infância, quando ia ao lado de Julia em pequenos passeios na praia. Tudo muito bonito e sentimental. Um dos grandes momentos do disco.

O curioso é que John podia ir do sentimentalismo à galhofa em questão de segundos. Assim ao lado da bela e cândida Julia, ele também trouxe para os estúdios a divertida "Everybody's Got Something to Hide Except Me and My Monkey". Esse era um rock mais visceral, com claras influências de Chuck Berry. John estava sempre dizendo que no final o que lhe interessava mesmo em termos de música era o bom e velho rock ´n´ roll dos anos 50, de sua fase de juventude. Essa criação demonstra bem isso. John voltando aos tempos da brilhantina e casacos de couro de forma bem humorada e divertida. Além disso John vivia tentando lembrar a Paul que os Beatles eram em essência um grupo de rock ´n´ roll, como explicou depois em uma entrevista dos anos 60. "Eu sou uma velha banda de rock, os Beatles eram puro rock! Eu não poderia deixar isso morrer nunca enquanto estivesse na banda" - resumiu Lennon, com sua conhecida franqueza.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Pastoral Americana

Título no Brasil: Pastoral Americana
Título Original: American Pastoral
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Lakeshore Entertainment
Direção: Ewan McGregor
Roteiro: John Romano
Elenco: Ewan McGregor, Jennifer Connelly, Dakota Fanning, Valorie Curry, Molly Parker, Rupert Evans

Sinopse:
Baseado no livro escrito por Philip Roth, o filme conta a história de um casal tradicional que nos anos 60 precisa enfrentar a radicalização política da própria filha. Ela se une a outros jovens, todos militantes de uma esquerda radical, para cometer atos de terrorismo, implantando bombas em estabelecimentos comerciais, levando inocentes à morte. 

Comentários:
Esse é o primeiro filme dirigido pelo ator Ewan McGregor. Ele já havia feito uma experiência antes nesse sentido para a televisão, mas agora ele se arrisca pela primeira vez na direção de uma produção para o cinema. O resultado ficou muito bom, aliás iria além, diria que é mesmo surpreendente. O roteiro é muito interessante pois explora o perigo que existe quando uma jovem é doutrinada em ideias radicais de extrema esquerda. Durante os anos 60, a garota Merry Levov (Dakota Fanning) decide entrar em um grupo radical, que a pretexto de protestar contra a guerra do Vietnã, começa a promover atos de terrorismo, colocando bombas em lugares públicos. Os seus pais, Swede Levov (Ewan McGregor) e sua esposa Dawn (Jennifer Connelly), entram em desespero quando descobrem tudo... mas o que poderiam fazer? Pessoas queridas na comunidade, gente de bem, que de repente se vê cercada pelo FBI, dentro de sua própria casa, procurando por pistas da própria filha, agora uma terrorista caçada pela agência de investigação. Esse roteiro tem uma grande lição a passar. Em dias de polaridade política extrema em que vivemos ele demonstra os perigos do pensamento fundamentalista e da radicalização política. A jovem interpretada pela atriz Dakota Fanning, que sempre foi uma pessoa graciosa, de repente se transforma em um poço de ideias radicais, se voltando até mesmo contra seus próprios pais e a comunidade em que sempre viveu. Com isso acabou destruindo sua família. Toda a sua história é contada em flashback, quando um veterano decide ir a uma festa de reunião de antigos alunos da escola local e descobre o que aconteceu com um dos estudantes mais promissores da sua época, justamente o "sueco", interpretado por Ewan McGregor. Bom filme, valorizado por sua mensagem mais do que relevante nos dias atuais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Confissões de um Espião Nazista

Título no Brasil: Confissões de um Espião Nazista
Título Original: Confessions of a Nazi Spy
Ano de Produção: 1939
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Anatole Litvak
Roteiro: Milton Krims, John Wexley
Elenco: Edward G. Robinson, George Sanders, Francis Lederer, Paul Lukas, Henry O'Neill,  Dorothy Tree

Sinopse:
Um americano de origem alemã, desempregado e precisando ganhar dinheiro para sustentar sua família, aceita fazer serviços de espionagem para a Alemanha nazista de Hitler. Assim começa a passar informações militares dos Estados Unidos para espiões do III Reich, o que leva o agente do FBI Edward Renard (Edward G. Robinson) a abrir uma investigação para descobrir todo o aparato de espionagem.

Comentários:
Bom filme que fica ainda melhor se levarmos em conta alguns fatos históricos importantes. O primeiro deles é saber que essa produção foi realizada em 1939, ou seja, antes dos Estados Unidos entrarem na II Guerra Mundial. O nazismo naquela época era visto como algo absurdo pelos americanos, mas o governo do país não parecia disposto a entrar em mais um conflito de proporções épicas, onde muitos soldados e militares iriam morrer nos campos de batalha da Europa (algo que havia acontecido na I Guerra e que o povo americano não queria ver se repetir). Assim como Chaplin em "O Grande Ditador" esse filme também não perde tempo, se posicionando claramente contra o regime nazista, colocado aqui como vilão. O roteiro também chama bastante a atenção por não ter uma linha narrativa tão tradicional, ao invés disso segue por um estilo do tipo mosaico, com inúmeros personagens dispersos que depois vão se encontrar já perto do final do filme em um mesmo momento da trama. O ator Edward G. Robinson interpreta um agente do FBI, mas só aparece bem depois, quando todo o esquema de espiões de Hitler já se encontra bem montado e funcionando. O ator aliás foi peça central na produção desse filme já que a Warner tinha receios de produzir algo tão incisivo.  Robinson porém estava decidido em bater de frente com a ideologia nazista e nem pensou duas vezes em enfrentar Hitler e seus seguidores, pelo menos no cinema. Fica assim a lição de história e de bom cinema, onde a sétima arte foi colocada à serviço de bons ideais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

The Beatles - Revolver - Parte 4

Até hoje ninguém sabe ao certo quem teve a ideia de compor uma música psicodélica chamada "Yellow Submarine". Pelo tema de fantasia poderíamos dizer que foi Paul, mas as contribuições de John Lennon também não foram poucas. O que se sabe com certeza é que todo álbum dos Beatles, desde o primeiro, tinha que trazer uma música mais simples para ser cantada pelo baterista Ringo Starr. O próprio John explicaria isso ao dizer: "Eu e Paul sempre fazíamos alguma música para Ringo cantar. Ele não era o melhor cantor do mundo, então as músicas dadas a ele eram as mais simples!".

Bom, olhando para o resultado final podemos dizer que esse nem foi bem o caso da música. "Yellow Submarine" foi intensamente trabalhada por Paul, John e George Martin dentro dos estúdios. Tudo para criar aquela sonoridade única que ouvimos, algo parecido com um desenho animado segundo a opinião de Paul. O curioso é que de fato ela iria virar uma animação futuramente, mas na época em que foi gravada ninguém realmente pensava que isso iria acontecer. Era apenas mais uma faixa do "Revolver" que fugia completamente dos padrões do que os Beatles tinham gravado antes.

Paul também foi o criador de outro momento sublime do álbum. A música se chamava "For No One". Assim como aconteceu com "Eleanor Rigby", Paul e o produtor e maestro George Martin sentaram para discutir como seria gravada essa linda balada. Usar os instrumentos básicos dos Beatles (guitarras, baixo e bateria) parecia soar banal demais para Paul McCartney. Ele queria algo mais erudito, mais clássico. Assim Paul dispensou as participações de John Lennon e George Harrison. Ao invés deles Paul trouxe para o estúdio o músico Alan Civil. Dos demais Beatles apenas Ringo compareceu fazendo uma percussão bem mais sutil. A letra foi mais uma vez inspirada no relacionamento de Paul com Jane Asher. Paul descrevia pequenos detalhes que revelavam como o namoro entre eles estava chegando ao fim. Uma grande composição de Paul McCartney, sem dúvida.

Outra surpresa em termos de arranjo do "Revolver" veio com a gravação de  "Love You To". Que George Harrison estava completamente imerso na religião hindu, todos já sabiam. De todos os Beatles ele foi aquele que mais caiu de cabeça dentro da cultura oriental, quando o grupo foi até a Índia atrás dos ensinamentos de um guru indiano, o Maharishi Mahesh Yogi. O que ninguém esperava era que George iria trazer o som da Índia para dentro dos discos dos Beatles. No começo houve uma certa resistência de Paul em colocar a música dentro do álbum. Era estranha demais para os ouvidos dos ocidentais, dos fãs dos Beatles. Depois cansado das brigas com Harrison, finalmente cedeu. A música serve de certa maneira como uma forma de enriquecimento cultural maior dos trabalhos dos Beatles, mas Paul tinha razão em dizer que ela não deveria ter entrado no disco. Teria sido bem melhor que George Harrison a tivesse lançado em um single solo, até mesmo porque ele foi o único Beatle a participar da gravação. Todos os demais, por questões óbvias, ficaram de fora. Ninguém sabia tocar aqueles estranhos instrumentos musicais indianos. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Doce Lar

A Rede Globo vai exibir esse filme hoje na Sessão da Tarde. O enredo é bem simples. Melanie Smooter (Reese Witherspoon) fica eufórica quando é pedida em casamento pelo boa pinta e partidão Andrew Hennings (Patrick Dempsey). Só tem um probleminha que ela precisa resolver antes de aceitar o maravilhoso pedido: resolver seu antigo casamento pois ela ainda não conseguiu se divorciar do caipirão Jake Perry (Josh Lucas). Assim ela resolve fazer uma viagem rápida à cidade natal no Alabama para formalizar seu divórcio do primeiro casamento, mas... voltar para o antigo lar acaba mexendo completamente com ela, ao relembrar sua antiga vida e os amores do seu passado.

De maneira geral é uma simpática comédia romântica cujo roteiro se baseia nas diferenças regionais dos estados americanos. Reese Witherspoon, sulista de nascimento como sua personagem (a atriz nasceu em  New Orleans, na Louisiana), encarna uma garota do Alabama que consegue dar a volta por cima na cidade grande, mas que precisa retornar ao seu "lar" no Alabama para "consertar" um pequeno problema em seu estado civil. Eu costumo dizer que Reese Witherspoon nem é tão carismática e passa longe de ser uma maravilhosa atriz, mas tem um talento e tanto para escolher os filmes certos a estrelar. Veja o caso desse aqui, uma comédia romântica até despretensiosa, de orçamento meramente mediano (custou pouco mais de 30 milhões de dólares, uma pechincha, tendo Reese como uma das produtoras) e que acabou faturando muito bem nas bilheterias americanas. A fotografia é bonita, os figurinos são de bom gosto e se no final ficamos com aquele sentimento de termos visto uma obra vazia, mas bonitinha. Tudo bem, valeu o tempo perdido. Já para os fãs da atriz o filme é uma indicação certeira pois a personagem do filme tem muito dela mesma.

Doce Lar (Sweet Home Alabama, Estados Unidos, 2002) Estúdio: Touchstone Pictures / Direção: Andy Tennant / Roteiro: Douglas J. Eboch, C. Jay Cox / Elenco: Reese Witherspoon, Patrick Dempsey, Josh Lucas, Candice Bergen / Sinopse: Garota do sul, que conseguiu vencer na cidade grande, precisa voltar para sua cidade natal para se acertar com seu ex-marido antes de se casar novamente. Filme indicado ao MTV Movie Awards e ao Teen Choice Awards na categoria de Melhor Atriz (Reese Witherspoon).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Matá-lo

Título no Brasil: Matá-lo
Título Original: ¡Mátalo!
Ano de Produção: 1970
País: Espanha, Itália
Estúdio: Rofima Cinematografica
Direção: Cesare Canevari
Roteiro: Nico Ducci, Eduardo Manzanos Brochero
Elenco: Lou Castel, Corrado Pani, Antonio Salines

Sinopse:
Uma quadrilha de bandoleiros e ladrões de bancos e trens resgata um dos seus comparsas e depois parte para uma nova onda de crimes. Seu alvo é uma diligência que está carregando ouro e prata. Logo após o roubo são cercados pelo xerife e decidem fugir para o deserto onde finalmente encontram seu trágico destino...

Comentários:
Filme espanhol que surfa na onda do western spaghetti. Esse aqui procura misturar elementos do velho oeste com um roteiro que explora até mesmo o mundo do sobrenatural. Acontece que os bandidos vão parar em uma cidade fantasma perdida no meio do deserto. A desolação é completa. Nesse lugar não existe nenhuma alma viva a não ser uma velha misteriosa que surge nas sombras, trazendo maldições e terror para os bandoleiros que chegam por lá. A fita é estrelada pelo colombiano Lou Castel. Ator (e também diretor), foi muito produtivo na era do cinema italiano, chegando ao recorde de ter trabalhado em nada mais, nada menos, do que 150 filmes! Provavelmente um recorde mundial na época. Noventa por cento desses filmes de faroeste nunca foram lançados no mercado brasileiro, com algumas exceções, é claro. Entre seus filmes mais conhecidos por aqui estão "Gringo" de 1967 e o clássico "O Leopardo" onde ele fazia apenas uma pequena participação. Esse "Matá-lo" acabou sendo assim um dos destaques de sua filmografia, chegando a ser lançado nos cinemas brasileiros no começo dos anos 70.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Borboleta Negra

Gostei bastante desse novo thriller de suspense. De certa maneira seu roteiro me lembrou até mesmo de "Misery - Louca Obsessão", aquele bom filme baseado na obra de Stephen King. Pois bem, as semelhanças são bem óbvias. A história conta a crise de criatividade que se abate sobre Paul (Antonio Banderas), um escritor. No passado ele fez sucesso com seus livros, sendo aclamado muito jovem por público e crítica. Depois desse começo arrebatador veio a crise. Ele entrou em um período ruim, onde não conseguia criar mais nada que fosse relevante. Com isso sua carreira entrou em declínio, sua esposa o deixou e ele resolveu se isolar, indo morar numa velha casa no meio do campo, sem nada e nem ninguém por perto. Isolamento completo. Numa manhã acaba resolvendo dar uma carona a um andarilho, Jack (Jonathan Rhys Meyers). Pouco tempo antes esse mesmo Jack o havia defendido de um caminhoneiro truculento em um bar da cidade.

Agora, para retribuir o favor, Paul resolve dar uma mão ao sujeito. Mais do que isso, o convida para ir em sua casa, tomar um banho, descansar um pouco. Só que Paul nem desconfia que Jack pode ser um homem bem perigoso. Se ouvisse as notícias que circulam na região, sobre um violento serial killer, teria mais consciência da armadilha que estaria se metendo. Falar mais seria estragar as surpresas do roteiro, que aliás usa e abusa de reviravoltas. Para se ter uma ideia com dez minutos de seu final a trama tem uma grande reviravolta, dessas de deixar todos com o queixo caído. E não fica por aí. No minuto final, mais uma enorme reviravolta! Penso que apesar de todas essas surpresas serem até bem boladas, não era necessário tanta montanha russa. Mesmo assim a diversão estará garantida. A dupla central é muito boa. Tudo bem que acreditar que Antonio Banderas seja um intelectual em crise seja um pouco demais, porém tudo é compensado pela boa atuação de Jonathan Rhys Meyers. Ele está bem magro e com aspecto ameaçador. O ator teve recentes problemas com drogas, o que acabou, mesmo de forma indireta, ajudando em seu trabalho. Então é isso, um bom thriller de suspense que faria até mesmo Stephen King assinar embaixo.

Borboleta Negra (Black Butterfly, Estados Unidos, Espanha, 2017) Direção: Brian Goodman / Roteiro: Marc Frydman, Justin Stanley / Elenco: Antonio Banderas, Jonathan Rhys Meyers, Piper Perabo / Sinopse: Escritor em crise, dominado pelo alcoolismo, entra em uma armadilha mortal ao resolver dar carona a um andarilho das estradas que conheceu em um bar local. O sujeito logo o joga em uma situação de vida e morte dentro de uma cabana perdida no meio do nada. Filme indicado ao Madrid International Film Festival.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Jerry Lewis (1926 - 2017)

Jerry Lewis foi um adorável palhaço. Ontem tivemos a triste notícia de sua morte, aos 91 anos de idade. Viveu bastante e viveu bem. Além de sua obra cinematográfica maravilhosa, Jerry também se dedicou às causas humanitárias, comandando durante anos um programa de TV, o Teleton, onde angariava verbas para ajudar pessoas com necessidades especiais. Foi justamente em um desses programas ao vivo que ele reencontrou pela última vez seu parceiro Dean Martin. O encontro foi arranjado por Frank Sinatra, amigo de ambos, que tinha esse velho sonho de reunir novamente a dupla de tantos filmes inesquecíveis do passado.

Além de grande comediante, Jerry Lewis foi também um grande ator. Ontem o diretor Martin Scorsese reforçou justamente esse aspecto. Humoristas em geral nem sempre são reconhecidos por serem grandes atores, tanto que a Academia muito raramente premia esses profissionais por suas atuações. Assim como aconteceu com outro gênio da comédia, Charles Chaplin, Jerry nunca levantou o Oscar por seu trabalho em algum de seus filmes, nunca foi premiado por seu genial trabalho no cinema. O máximo que conseguiu em termos de premiações foi ser indicado ao Globo de Ouro por sua atuação em "Boeing, Boeing" de 1966, onde ele interpretava um sujeito mais normal, nada parecido com o seu mais famoso personagem, a do adulto com personalidade de criança que utilizou em tantos filmes ao longo de sua carreira.

Também foi um diretor cheio de criatividade e originalidade. No começo da carreira, principalmente quando ainda formava dupla com Dean Martin, Jerry Lewis teve que atuar sob direção de cineastas como Norman Taurog e Frank Tashlin (com quem realizou seus melhores filmes nos anos 1950 e 1960). Depois quando percebeu que tinha status suficiente para comandar suas produções, o próprio Jerry assumiu o controle. Começou a dirigir seus filmes, a escrever os roteiros, fazendo aquilo que sempre quis, dando asas para sua imaginação fértil. No total dirigiu 23 de seus filmes, começando com "O Mensageiro Trapalhão" e indo até "As Loucuras de Jerry Lewis", já na década de 1980. Um de seus filmes mais interessantes foi "The Day the Clown Cried" sobre um palhaço de circo que era usado para enganar as crianças enquanto elas eram levadas para os campos de concentração do horror nazista. Pelo tema forte demais para a época, Jerry resolveu arquivar a produção para só ser lançada, quem sabe algum dia, após sua morte.

Por fim e não menos importante, Jerry Lewis sempre será lembrado por ter levado o sorriso a milhões de espectadores mundo afora com suas comédias. No Brasil ele virou uma espécie de rei da Sessão da Tarde pois seus filmes eram constantemente reprisados, principalmente nas décadas de 70 e 80. Com isso formou-se toda uma nova geração de admiradores de seu trabalho. Filmes como "Artistas e Modelos", "Ou vai ou Racha", "Bancando a Ama-Seca", "O Rei do Laço", "O Terror das Mulheres", "Errado pra Cachorror" e "O Professor Aloprado", entre tantos outros, sempre serão lembrados por todos que viveram essa época. Ontem a reação ao seu falecimento nas redes sociais foi enorme. Muitos lembrando como ele havia sido o ídolo da infância de tanta gente. Um admirador escreveu: "Com a morte de Jerry se vai parte também da minha infância". Nada poderia definir melhor a sua obra do que essa singela frase. Descanse em paz Jerry Lewis e muito obrigado por seus filmes!

Pablo Aluísio. 

domingo, 20 de agosto de 2017

Papa Gregório XIV

O conturbado século XVI ia chegando ao fim quando o cardeal Niccolò Sfondrati foi eleito o novo Papa. Ele adotou o nome papal Gregório XIV e se viu diante de mais crises políticas envolvendo a Igreja Católica. Havia uma enormidade de reis, rainhas, nobres, todos lutando entre si pelo poder e todos igualmente pedindo o apoio da Igreja para consolidar seus interesses pessoais. Só que conforme logo saberiam tinham batido na porta errada.

Niccolò Sfondrat passou para a história como um dos papas mais humildes que já tinham reinado no trono de São Pedro. Ele definitivamente não estava interessado nos jogos políticos da nobreza europeia e nem na guerra interna entre eles para assumir o poder supremo em suas nações, feudos e reinos. O novo Papa queria saber mesmo dos assuntos da fé e não da politicagem que teimava em chamar sua atenção.

Criado de forma humilde na cidade de Cremona, na Itália, o Papa teve uma infância feliz, passada ao lado de pessoas bem humildes da região. Ele nunca esqueceu de onde veio e procurou levar essa humildade para Roma, lugar aliás de que ele não gostava muito. Mesmo quando ele foi eleito cardeal pouco ia para a sede da igreja, não se envolvendo nas intrigas palacianas próprias da época. Muitos historiadores acreditam que essa forma de ser e agir foi a chave para sua eleição, pois ele nunca se envolveu em brigas entre grupos rivais dentro da igreja. Assim quando surgiu a nova eleição todos preferiram apoiar um homem que representava o equilíbrio, a sensatez ou como foi dito na época "uma terceira via".

Sobre esse Papa um cronista da época escreveu: "Nasceu na região de Somma Lombarda. Seus pais e antepassados sempre viveram em Cremona, embora alguns parentes fossem de Milão. Ele morou em Cremona por muitos anos, sendo um amigo próximo da família de Carlo Borromeo. Não se sabe ao certo quando decidiu se tornar padre e entrar para a vida eclesiástica. Suas motivações ainda hoje são desconhecidas. O certo é que em fevereiro de 1560 decidiu estudar para fazer parte do clero católico. Sua atuação como padre foi considerada maravilhosa pelas pessoas de sua paróquia, principalmente pelos atos de caridade que praticava com os mais pobres e miseráveis. Logo se tornou bispo de Cremona. Depois Roma soube de seus feitos e o fez Cardeal. Para Nicolo o que importava era fazer diferença em sua paróquia, por isso pouco ia a Roma, a não ser quando era preciso e necessário, para votar nos conclaves ou então para cumprir suas obrigações congregacionais. Quando se tornou papa resolveu homenagear o velho papa Gregório XIII, cuja história admirava.". O Papa Gregórius XIV morreu em 15 de outubro de 1591, tendo ficado pouco tempo como pontífice, apenas dez meses no mais alto cargo da igreja católica.

Pablo Aluísio. 

The Beatles - Abbey Road - Parte 6

John Lennon gostava de passar suas férias na Espanha, nas praias que banhavam a costa do mar Mediterrâneo. Foi justamente numa dessas viagens que ele compôs "Sun King". Ele inclusive decidiu colocar algumas palavras em espanhol na letra original(que depois contaria com a preciosa colaboração de Paul que sabia mais algumas frases na língua espanhola). Embora seja um bom momento do disco não há como negar que se trata de mais um pedaço de música inacabada por John que acabou sendo encaixada no lado B do álbum. Como havia muitos trechos como esse, Paul teve a brilhante ideia de juntá-las todas, como se fizessem parte de um grande medley.

O mesmo valeu para "Golden Slumbers". Paul tirou a ideia da canção de uma obra infantil, um conto de fadas. Depois escreveu o arranjo como se fosse uma velha canção de ninar. Para a letra Paul usou a obra do poeta Thomas Dekker. Mesmo com tantas fontes de inspiração Paul não se sentiu muito confortável com o resultado final. Para ele ainda estava faltando algo, pois a gravação original realmente tinha ficado bem curta.

Assim ele resolveu unir a música anterior com "Carry That Weight", outra de suas composições que ele trazia para o álbum. John Lennon ficou um pouco irritado após ouvir a primeira demonstração da música por Paul dentro do estúdio porque a letra era obviamente outra indireta contra Allen Klein, o sujeito que John havia trazido para ser o novo empresário dos Beatles. Paul havia ficado muito irritado com essa escolha pois ele queria que seu sogro se tornasse o novo homem de negócios do grupo. John porém passou por cima de Paul, colocando Klein no comando. A troca de farpas entre eles dentro dos estúdios Abbey Road assim se tornou bem óbvia. John inclusive cogitou mais uma vez sabotar a criação de seu colega de banda, colocando todos os tipos de problemas para tocar na gravação. Sua má vontade tinha se tornado bem clara para todos.

"Mean Mr. Mustard" por sua vez era mais uma contribuição de John. Ele havia escrito poucas linhas do que viria a se tornar a canção quando estava na Índia. De certa forma era uma sobra das gravações do "White Album" que John resolveu resgatar. O curioso é que anos depois ele destruiu a música ao comentar sobre ela durante uma entrevista. Ele próprio reconheceu que a composição era "Um lixo que ele havia escrito em algum pedaço de papel quando estava na Índia". Como se pode ver John não deixava pedra sobre pedra com seu estilo mordaz de criticar não apenas os outros, como também a si próprio.

Pablo Aluísio.

Filhos do Desprezo

Título no Brasil: Filhos do Desprezo
Título Original: Juvenile Court
Ano de Produção: 1938
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: D. Ross Lederman
Roteiro: Michael L. Simmons
Elenco: Paul Kelly, Rita Hayworth, Frankie Darro, Hal E. Chester, Don Latorre, Richard Selzer

Sinopse:
Após a condenação de um jovem delinquente à pena de morte, o defensor público Gary Franklin (Paul Kelly) promete a si mesmo não mais falhar no tribunal. Ele fica frustrado até o surgimento de um novo caso, envolvendo um jovem acusado de um crime que não cometeu.

Comentários:
Bom filme de tribunal. Hoje em dia a grande atração para os cinéfilos que gostam de filmes clássicos é a presença de uma ainda bastante jovem Rita Hayworth no elenco. Ela interpretava a irmã de um jovem acusado de um crime do qual seria inocente. Quando o filme foi rodado um dos produtores sugeriu que Rita pintasse seu cabelo de loiro porque sua personagem fazia parte de uma família de imigrantes holandeses em Nova Iorque. O teste de câmera não ficou bom, por essa razão ela acabou aparecendo com seus longos cabelos negros que iriam virar sua marca registrada em Hollywood. Esse filme foi recentemente relançado nos Estados Unidos em um box com várias outras produções envolvendo o tema da delinquência juvenil. Por lá os jovens eram julgados como criminosos comuns, adultos, não havendo espaço para a proteção da lei contra menores de idade. O roteiro até que abre margem para um debate maior sobre esse tema, mas se concentra mesmo nos aspectos jurídicos do crime cometido pelo jovem acusado. Um bom filme, curtinho, mas bem eficiente. Além disso trouxe um dos primeiros trabalhos de Rita Hayworth que muito em breve iria se tornar uma das grandes estrelas de Hollywood.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 19 de agosto de 2017

The Beatles - Revolver - Parte 3

A obra prima de John Lennon em "Revolver" foi justamente essa estranha (para a época)  "Tomorrow Never Knows". Para muitos especialistas em rock essa canção foi o verdadeiro marco zero no que viria a ser depois chamado de Rock Psicodélico. Quando John entrou em Abbey Road pela primeira vez com o esboço da letra dessa música ele não tinha exatamente ideia do que ela iria se transformar. Ao lado do maestro e produtor George Martin ele passou dias, horas e mais horas de estúdio, tentando reproduzir o tipo de sonoridade que ele procurava. John queria que George Martin recriasse o som que ele definia como a de uma fita de gravação sendo rebobinada. Algo inédito na época. Depois de muitas tentativas e erros finalmente a gravação foi finalizada, se tornando a primeira grande experimentação musical dos Beatles em sua discografia. Não havia mais limites a respeitar em termos de criatividade dentro dos estúdios.

Para o álbum "Revolver" John Lennon parecia estar mesmo muito inspirado. Tanto que ele iria trazer outra "pauleira" para ser gravada. A música se chamava apenas "She Said She Said". Ao contrário de "Tomorrow Never Knows" essa já estava praticamente feita quando John a apresentou aos demais membros da banda. Ele havia gravado uma fita demo e tudo já estava ali, sem precisar trabalhar muito nela. Mais uma vez a presença do produtor George Martin se mostrou vital. Ele sugeriu a John que aumentasse a distorção das guitarras, já que ele queria um rock bem ao velho estilo. O resultado saiu melhor do que o esperado.

A composição surgiu de uma conversa entre John e Peter Fonda. A inspiração obviamente veio do LSD, o ácido lisérgico, que ia se tornando cada vez mais popular. John e Paul não se deram muito bem durante as gravações. Eles discordaram muito sobre como a música deveria ser gravada. Paul queria mais melodia, enquanto John queria um som bem mais cru. Como não chegaram a um acordo satisfatório, Paul resolveu abandonar sua participação na música. John então pediu a George Harrison que tocasse o baixo. Isso demonstrava que o stress e as brigas entre John e Paul já vinha de algum tempo. Algo que iria destruir o grupo em alguns anos.

Por falar em George Harrison ele também trouxe suas próprias composições para o disco. Uma delas foi "I Want to Tell You". Nessa todos os Beatles estavam presentes. No começo Paul não gostou muito da melodia e disse a George que era necessário trabalhar mais na música antes de gravá-la. Era precisa escrever mais algumas linhas de melodia, acrescentar mais notas musicais, mas Harrison recusou a ajuda de Paul. No final a música foi gravada do jeito que George queria, embora ao ouvi-la se chegue na conclusão de que Paul McCartney realmente tinha razão. A música parece não ir para lugar nenhum, exagerando no uso e abuso do refrão, algo que no final das contas se torna até mesmo cansativo.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

A Garota Húngara

Szebeni Kató (Laura Döbrösi) é uma pobre garota vinda do interior que chega na capital em busca de trabalho. Não está fácil, ela é jovem, não tem experiência e nem cartas de recomendação de empregos anteriores. Para ela é uma questão crucial arranjar logo alguma forma de sobrevivência pois o inverno chegou e ela não tem onde morar. Solidária com sua situação, a governante de uma atriz e cortesã resolve lhe dar o emprego de doméstica. Sua nova patroa, Mágnás Elza (Patricia Kovács), vive de explorar os sentimentos de um homem mais velho, apaixonado por ela. Elza está ficando cada dia mais velha, perdendo o clamor da juventude, então para ela fica cada vez mais evidente que é preciso tirar o maior proveito daquele sujeito enquanto ele ainda tem interesse nesse caso romântico (no fundo, pura prostituição mesmo, pois ela não o ama).

 Gostei desse filme produzido na Hungria. Não é muito fácil encontrar produções feitas no leste europeu, ainda mais dessa qualidade. O enredo tem um toque de decadência moral, mostrando uma jovem inocente vindo do interior tendo que agora lidar com uma nova vida, com a sordidez de um ambiente onde sua patroa explora um velho rico, visando única e exclusivamente tirar dinheiro dele. Ela quer fazer um filme sobre Joana D´Arc (pois é uma atriz frustrada) e a única forma de levantar esse dinheiro é depenando ainda mais o velho babão que é apaixonado por ela. Não demora e Elza percebe que sua nova empregada é bonitinha e daria uma bela prostituta também, só que a garota é religiosa, procura sempre andar no bom caminho. Porém, sendo pobre demais e sem perspectivas de um futuro melhor, até onde ela vai resistir a vender seu próprio corpo em troca de favores, luxo e dinheiro? Então é isso. Um bom drama, com algumas cenas mais picantes (nada vulgares), mostrando como até mesmo as mulheres mais virtuosas podem balançar em suas convicções quando a pobreza bate à porta!

A Garota Húngara (Félvilág, Hungria, 2015) Direção: Attila Szász / Roteiro: Norbert Köbli / Elenco: Patricia Kovács, Dorka Gryllus, Laura Döbrösi / Sinopse: Jovem e inocente garota vinda do interior acaba arranjando um emprego de doméstica na casa de uma atriz frustrada que vive como cortesã de um homem rico. Logo a nova patroa percebe que sua nova criada é bem bonita, que poderia lhe render bem como a nova prostituta da cidade. A garota porém está decidida a resistir seguir por esse caminho.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Papa Francisco e o horóscopo

(Roma) - Nessa semana o Papa Francisco falou sobre a consulta a horóscopo e cartomantes. A doutrina católica tradicional sempre condenou esse tipo de superstição, sem base alguma nas escrituras. Para o Papa Francisco o uso diário de consultas a horóscopos e cartomantes revela sinais de pouca fé pessoal na mensagem de Cristo.

Durante a oração do Ângelus no Vaticano o Papa Francisco afirmou: "Cristãos que consultam cartomantes e horóscopos demonstram que não possuem uma fé tão forte. Esses fiéis que dizem se apegar à palavra do Senhor precisam, para ter mais segurança, consultar horóscopos e cartomantes! Com isso a pessoa começa a chegar ao fundo!". Depois o Papa concluiu: "Apenas a fé dá a segurança da presença de Jesus, que nos impulsiona a superar as tempestades existenciais. É a certeza de segurar uma mão que nos ajuda com as dificuldades, apontando o caminho, mesmo quando está escuro”

Na Bíblia Sagrada podemos encontrar a proibição expressa sobre o tema. Veja: "Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou â invocação dos mortos, porque o Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas, e é por causa dessas abominações que o Senhor, teu Deus, expulsa diante de ti essas nações. Serás inteiramente do Senhor, teu Deus." (Deuteronômio 18:10-13).

A astrologia e a consulta ao horóscopo é uma pratica milenar. Já existia desde os tempos dos antigos profetas do velho testamento, sendo muito praticado entre os povos do oriente como persas, mesopotâmicos e egípcios. A religião judaica sempre foi contra todas essas práticas que basicamente procuravam descobrir o futuro ou como os astros do cosmos influenciavam na vida cotidiana de cada pessoa. Essa tradição foi absorvida pelo catolicismo que também condena esse tipo de conhecimento obscuro, oculto, que nada tem a ver com o verdadeiro evangelho. Assim o Papa aproveitou sua fala aos fiéis na Praça de São Pedro para relembrá-los desse aspecto da doutrina católica.

Pablo Aluísio.

Na Mira do Atirador

Apenas razoável esse novo filme de guerra produzido pelo recentemente inaugurado Amazon Studios. Tudo se passa nos últimos dias da intervenção americana no Iraque. Dois soldados da força Ranger são enviados para um posto avançado na tentativa de localizar um sniper (atirador de elite) iraquiano. Eles passam então um longo tempo camuflados esperando localizar o inimigo, mas em vão. Cansados, acabam abrindo guarda e um deles é logo atingido por um tiro certeiro. O outro se fere e procura abrigo em um pequeno muro de uma escola em ruínas. O sniper iraquiano então começa a entrar em contato com ele pelo rádio, dando origem a uma guerra psicológica entre os dois.

É aquele tipo de roteiro que explora uma situação única. Tudo se passa em pouco tempo, com o soldado americano encurralado pelo atirador de elite das forças inimigas, tentando sobreviver aos tiros e ao calor infernal daquele deserto. Até que em alguns momentos o filme apresenta boas cenas, mas no geral não consegue sair muito do lugar comum. O atirador iraquiano nunca aparece, apenas sua voz é ouvida. Ele parece também ser um sujeito bem sádico e ao mesmo tempo bem inteligente pois consegue abater vários soldados americanos. Igualmente é um mestre na camuflagem, nunca sendo localizado pelos rangers. De certa maneira o roteiro dá muito destaque ao sniper inimigo, algo que causa surpresa pois afinal é uma produção americana que deveria colocar os seus como os heróis do filme. Ao contrário disso eles viram patinhos, alvos ambulantes para o muçulmano. Não é algo muito fácil de encontrar em filmes desse tipo. Fora isso é apenas uma fita de guerra mais convencional, que até consegue agradar um pouco, se você não for muito exigente.

Na Mira do Atirador (The Wall, Estados Unidos, 2017) Direção: Doug Liman / Roteiro: Dwain Worrell / Elenco: Aaron Taylor-Johnson, John Cena, Laith Nakli / Sinopse: Dois soldados americanos da força Ranger do exército acabam encurralados por um atirador de elite iraquiano que já matou diversos militares inimigos durante a intervenção americana no Iraque. Filme indicado ao Golden Trailer Awards na categoria cinema independente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Charlton Heston - Parte 1

O primeiro filme da carreira de Charlton Heston foi realizado quando ele era apenas um adolescente. O filme se chamava "Peer Gynt" e contava a história do rebelde protagonista (interpretado por Heston), um jovem indomável que era praticamente banido de seu vilarejo por causa de seu temperamento fora do comum. Assim ele acabava indo para a floresta, viver no meio da natureza. Duas coisas chamavam bastante a atenção nesse primeiro filme do ator: sua juventude (ele era praticamente um menino alto e magricela) e a direção de David Bradley, que na época tinha apenas 21 anos de idade. É uma produção praticamente amadora, muito rara de se encontrar hoje em dia para se assistir.

Embora Heston sempre lembrasse desse primeiro filme com carinho, ele considerava que seu primeiro trabalho de verdade como ator havia sido "Julius Caesar" de 1950. O filme era uma versão para o cinema da famosa peça teatral escrita por William Shakespeare. Heston só ganhou o papel de Marco Antônio porque a direção foi entregue ao seu amigo David Bradley com quem havia trabalhado em "Peer Gynt". Produzido pelo estúdio Avon, esse filme não foi uma grande produção em termos técnicos, pois não contava com um orçamento generoso. Pelo contrário, foi algo bem mais modesto, onde o elenco se esforçou ao dobro para compensar a falta de maiores recursos. Embora fosse ainda inexperiente, Charlton Heston se saiu muito bem, ganhando os primeiros elogios na carreira. Foi um prenúncio de sua vitoriosa carreira em filmes épicos, principalmente passados no mundo antigo, da Roma clássica dos tempos de Júlio César. Ele sempre fotografava muito bem em trajes do império romano.

Nesse mesmo ano de 1950 o ator fez uma rara participação em uma série de TV. Chamada "The Clock", era um programa semanal que adaptava histórias de terror e suspense da rádio ABC, agora adaptadas para a televisão. Tudo filmado em Nova Iorque, fez com que Heston ganhasse ainda mais experiência, principalmente pelo fato dos episódios muitas vezes serem encenados ao vivo, onde não havia espaço para o erro. Muitos dos episódios dessa série em que Heston atuou se perderam, por causa da precariedade técnica da época. Mesmo assim alguns resistiram ao tempo e foram lançados em uma coleção especial em DVD nos Estados Unidos. Uma peça de colecionador.

Embora tenha sido algo interessante trabalhar na televisão, o ator queria despontar mesmo no cinema. Assim voltou para Hollywood para atuar no filme noir "Cidade Negra". Esse filme foi produzido por Hal Wallis para a Paramount Pictures. Esse produtor foi muito importante na carreira de Charlton Heston pois iria produzir alguns dos maiores filmes de sua carreira nos anos seguintes. "Dark City" era um típico noir da época, com detetives, jogadores desonestos de poker e mulheres fatais. Todo filmado usado técnicas de luz e sombras, ainda hoje chama a atenção por sua fotografia que é muito bem realizada. Dirigido por William Dieterle e tendo no elenco ótimos profissionais como Lizabeth Scott e Viveca Lindfors, foi sem dúvida o primeiro filme de Heston considerado muito bom pelos críticos. Ajudou ainda mais a abrir os caminhos para ele em Hollywood.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O General Lee e a Supremacia Branca

Essa semana não houve notícia mais comentada do que o desfile dos supremacistas brancos na pequena cidade de Charlottesville, no estado sulista da Virgínia. A coisa toda começou quando algumas pessoas decidiram que era hora de colocar abaixo uma estátua do General Robert Lee, o herói confederado da guerra civil americana. Como gosto muito de história não deixei de prestar atenção em todos os acontecimentos. O mais curioso de tudo é saber que o velho general Lee foi, através do tempo, alçado a uma posição, se tornando símbolo de uma causa, que nem ele mesmo acreditava em vida.

O General Lee virou de certa forma um ícone desse movimento de supremacia branca nos Estados Unidos. O problema é que Lee não era um defensor da escravidão negra como muitos pensam. Ao contrário disso ele era um sujeito bem pragmático, um militar que mesmo tendo lutado ao lado dos confederados, sabia muito bem que não havia volta sobre a libertação dos escravos. A roda da história havia girado e não teria mais como manter a escravidão dos negros nas plantações de algodão das grandes fazendas do sul. O General Lee ia além e sabia até mesmo de antemão que seria impossível vencer a guerra. Homem experiente, general famoso do exército americano, ele tinha plena consciência de que as melhores tropas, os melhores armamentos e oficiais estavam do lado da União, dos ianques. Vencer aquela guerra civil era praticamente impossível.

Assim você pode se perguntar: Se Robert Lee não acreditava na escravidão e sabia que o Sul jamais venceria a guerra, por que afinal ele ficou do lado do exército confederado? A resposta sobre essa questão pode ser encontrada em qualquer biografia do militar americano. Ele sempre dizia que havia entrado para o lado rebelde simplesmente porque seu estado natal, a Virgínia, havia decidido lutar ao lado da Confederação. Ele dizia amar sua terra natal e assim foi para um exército que tinha poucas chances de vitória, lutando por uma causa que nem sequer acreditava. Ele nem era um racista, mas sim um homem do seu tempo, que sabia muito bem que a escravidão estava com os dias contados.

E a história também tem suas ironias. Com os anos Robert Lee virou esse símbolo dos supremacistas, dos neonazistas americanos do sul, mas a verdade é que ele não tinha essa visão que seus supostos seguidores ainda defendem. Já o presidente Abraham Lincoln, dito como o grande libertador, escreveu textos de cunho nitidamente racistas. Em um deles chegou a dizer que os negros jamais poderiam ser comparados aos brancos, que eram superiores. Mais do que isso, em determinado momento da guerra Lincoln estava disposto a abrir mão da abolição da escravidão em troca da paz, algo que pelo calor dos acontecimentos foi negado pelos sulistas. Assim o tempo muda as percepções. Nem Lincoln foi esse herói todo que muitos almejam, nem Robert Lee foi esse racista da supremacia branca que tantos o descrevem. A verdade histórica é bem mais complexa do que muitos imaginam.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

A Herança do Deserto

Título no Brasil: A Herança do Deserto
Título Original: Heritage of the Desert
Ano de Produção: 1932
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Henry Hathaway
Roteiro: Zane Grey, Harold Shumate
Elenco: Randolph Scott, Sally Blane, J. Farrell MacDonald, David Landau, Gordon Westcott, Guinn 'Big Boy' Williams

Sinopse:
Adam Naab (J. Farrell MacDonald) é um fazendeiro, antigo bandoleiro e pistoleiro, que tem ambições de dominar todo o condado em que vive no Arizona. Ele tenta comprar as terras do rancheiro Jack Hare (Randolph Scott), mas esse se recusa a vender seu rancho. Pior do que isso, Naab deseja também a garota de Jack. Com isso a situação vai se tornando cada vez mais tensa até o inevitável duelo final.

Comentários: 
Depois de vários filmes mais sofisticados, chiques, produções do tipo "bolhas e champagne", finalmente Randolph Scott foi contratado para atuar em um faroeste. "A Herança do Deserto" de  Henry Hathaway trazia Randolph Scott como um cowboy envolvido bem no meio de uma disputa de terras no velho oeste americano. Ele fotografou muito bem com seus trajes de pistoleiro. O roteiro também foi um presente pois era bem escrito, com cenas marcantes. Produzido pela Paramount Pictures, filmado no próprio rancho da companhia, esse foi o primeiro grande sucesso de bilheteria de sua carreira. Um filme bem importante, que determinaria os rumos da filmografia do ator nas próximas décadas. O interessante é que por essa época Scott ainda não havia decidido se dedicar apenas aos filmes de faroeste. Ele tinha a ideia de apenas esporadicamente participar desse tipo de filme, porém com o tempo ele foi percebendo que as bilheterias de seus filmes de western eram bem superiores aos dos dramas e romances. Assim viu que o público o queria ver mesmo em trajes de cowboy, caminho do qual iria se dedicar mais com o passar dos anos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

King Kong

Para muitos quando se fala no "King Kong original" o que lhe vem na cabeça é justamente essa versão dos anos 70. Também pudera, o verdadeiro filme original sobre o gorila gigante é da década de 30, quando esses nem eram nascidos. Esse também é o meu caso. O primeiro filme com o personagem King Kong que assisti foi justamente esse. É uma produção do famoso produtor Dino De Laurentiis feito em parceria com a Paramount Pictures. Dino havia comprado os direitos do gorilão dois anos antes. Inicialmente ele pensou em rodar um filme em Roma, mas com o interesse dos americanos ele resolveu produzir o filme em Hollywood mesmo. Embora King Kong tivesse sido explorado em uma série de filmes japoneses (ao estilo trash), De Laurentiis queria uma produção classe A, para ser lançado no natal daquele ano.

Para modernizar a história tudo foi mudado, mantendo-se apenas as linhas básicas da trama. No primeiro filme tudo se passava na década de 30 (algo que seria mantido por Peter Jackson anos depois em sua versão), mas aqui o enredo se passa na atualidade. Kong não enfrenta mais aviões antigos, da I Guerra Mundial (os teco-tecos nostálgicos), mas sim aviões modernos. Ele também não sobe no Empire State, mas sim no World Trade Center (as torres gêmeas que seriam destruídas em 11 de setembro). O elenco também tinha atrativos. Jeff Bridges, ainda bem jovem e com cabelão, chamava a atenção, porém quem roubava a cena era mesmo a loira Jessica Lange, no auge de sua beleza. Suas cenas sensuais até hoje chamam a atenção. No final o diretor John Guillermin realmente fez um belo trabalho. Haveria ainda uma continuação, já nos anos 80, mas dessa é melhor esquecer.

King Kong (King Kong, Estados Unidos, 1976)  Direção: John Guillermin / Roteiro: James Ashmore Creelman, Ruth Rose / Elenco: Jeff Bridges, Charles Grodin, Jessica Lange / Sinopse: Um grupo avançado acaba descobrindo numa ilha remota do pacífico um monstro, um gorila gigante chamado King Kong. Eles então resolvem levá-lo de volta à civilização para explorar economicamente suas aparições públicas, mas tudo acaba saindo do controle, levando caos e destruição a Nova Iorque. Filme vencedor do Oscar na categoria de Melhores Efeitos Especiais (Carlo Rambaldi, Glen Robinson e Frank Van der Veer). Também indicado nas categorias de Melhor Fotografia (Richard H. Kline) e Melhor Som. Vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz (Jessica Lange).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Dragnet - Desafiando o Perigo

Complicado entender o porquê desse filme não ter dado certo. Já nos anos 80 quando o aluguei pela primeira vez já o achei muito fraquinho, completamente sem graça. O curioso é que havia dois comediantes excelentes formando a dupla principal do filme, Dan Aykroyd e Tom Hanks. Aykroyd estava no pique do sucesso em sua carreira no cinema, ainda aproveitando os frutos do sucesso de "Caça-Fantasmas". Já Hanks ainda era bem jovem, mas já havia se tornado um ator bem conhecido, principalmente por filmes como "Splash - Uma Sereia em Minha Vida", "Um Dia a Casa Cai" e "A Última Festa de Solteiro". Por essa época ele era apenas um comediante e não havia começado sua carreira como ator dramático. Como se não bastasse a presença dos dois ainda havia gente como Christopher Plummer no elenco de apoio...

Mas nem isso, nem o fato de ser um remake de uma série policial de sucesso do passado, ajudou o filme. É tudo muito inofensivo, sem sal, fraco demais... essa é a palavra! Basicamente é uma comédia policial onde Dan Aykroyd interpreta o tira certinho (beirando a obsessão, seguindo à risca as regras) e Hanks é o policial mais deslocado, malandro, com jogo de cintura. E com tudo isso sob a mesa pouca coisa ainda funciona. Acredito que o que estragou o filme foi a trama, muito clichê! Eles deveriam ter escolhido uma estorinha melhor, afinal se "Dragnet" havia sido uma série certamente havia algo melhor em seus vários episódios para adaptar. Do jeito que ficou acabou sendo um tremendo desperdício de tempo, dinheiro e talento. O que era para ser o primeiro de uma série de filmes acabou parando por aqui mesmo. Faltou mesmo gás nessa adaptação.

Dragnet - Desafiando o Perigo (Dragnet, Estados Unidos, 1987) Direção: Tom Mankiewicz / Roteiro: Dan Aykroyd, Alan Zweibel  / Elenco: Dan Aykroyd, Tom Hanks, Christopher Plummer / Sinopse: Dois policiais de Los Angeles resolvem se unir para solucionar um mistério envolvendo um crime que parece ser sem solução. Para isso eles acabam usando dos meios mais incomuns para prender os verdadeiros culpados.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.