terça-feira, 30 de junho de 2015

The Beatles - In My Life

The Beatles - In My Life
John Lennon nunca foi necessariamente um sujeito nostálgico. Na verdade ele pouco ligou para seu passado em Liverpool, tanto que depois que ficou rico e famoso praticamente não voltou mais para sua cidade natal. Quando sua tia Mimi se mudou de lá acabou-se mesmo qualquer motivo para Lennon voltar para o lugar onde nasceu. Ao invés disso ele procurou preservar em sua memória os anos de juventude e infância. Como o próprio John explicou em uma entrevista a canção "In My Life" surgiu dessa necessidade de se olhar um pouco mais para trás, relembrando os velhos tempos. Inicialmente John escreveu a letra, procurando colocar nela lugares e pessoas de seu passado, mas em pouco tempo percebeu que a ideia, embora fosse muito boa, não estava fluindo bem. A primeira versão tinha ficado "chata" em sua opinião.

Assim ele sentou-se com seu amigo Paul para reescrever a canção, que depois seria lançada no disco "Rubber Soul". Paul, que era um mestre em escrever sobre temas ficcionais, sem ligação direta com a realidade (como em "Eleanor Rigby", por exemplo), sugeriu que John seguisse essa linha mais imaginativa em sua letra. Seria como recordar dos velhos tempos para a pessoa amada, deixando claro para ela que que tudo aquilo não significava mais nada perante a importância de a ter encontrado em sua vida. De certa maneira era algo distante da ideia inicial de Lennon, mas como ele próprio havia reconhecido a coisa tinha ficado ruim e era necessário tomar um outro caminho.

A versão final que chegou até nós e que se tornou a gravação original é de uma singeleza ímpar! Lennon conseguiu captar com a melodia um claro sentimento de nostalgia, não apenas particular, referente ao próprio passado dele, mas sim universal, que diz respeito a todos nós. É o velho sentimento de que um dia todos encontraremos nossa alma gêmea que nos fará olhar para trás e reconhecer que apesar de tudo ela era aquilo tudo que todos estávamos buscando! Curiosamente embora estivesse casado há anos John Lennon não se sentia verdadeiramente no espírito da canção, já que ele ainda não havia encontrado a mulher definitiva de sua vida - que aliás acabaria sendo Yoko Ono, algum tempo depois. O mais crucial é que Lennon realmente acabou criando uma bela música, embalada por uma das mais bonitas melodias da carreira dos Beatles e isso, senhoras e senhores, definitivamente não é pouca coisa!

In My Life
(John Lennon - Paul McCartney)
There are places I'll remember
All my life, though some have changed
Some forever, not for better
Some have gone and some remain
All these places have their moments
With lovers and friends I still can recall
Some are dead and some are living
In my life, I've loved them all

But of all these friends and lovers
There is no one compares with you
And these memories lose their meaning
When I think of love as something new
Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before
I know I'll often stop and think about them
In my life, I love you more

Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before
I know I'll often stop and think about them
In my life, I love you more
In my life-- I love you more.

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Feitiço Branco

Título no Brasil: Feitiço Branco
Título Original: White Witch Doctor
Ano de Produção: 1953
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Henry Hathaway
Roteiro: Ivan Goff, Ben Roberts
Elenco: Susan Hayward, Robert Mitchum, Walter Slezak
  
Sinopse:
Ellen Burton (Susan Hayward) é uma enfermeira americana que aceita o convite para trabalhar em um posto médico avançado no interior selvagem do país africano do Congo. A região é de complicado acesso, assim ele precisa contar com o apoio do aventureiro John 'Lonni' Douglas (Robert Mitchum) que ganha a vida como mercador de animais selvagens para os principais zoológicos do mundo. Ele tem suspeitas de que uma tribo isolada da civilização guarda em seu poder um manancial enorme de ouro, algo que ele precisa conferir com os próprios olhos, enquanto finge apenas ajudar Ellen em sua viagem de trabalho.

Comentários:
Apesar do filme ter sido dirigido pelo especialista Henry Hathaway, cineasta que assinou tantos clássicos da era de ouro do cinema clássico americano e do excelente elenco liderado pela carismática Susan Hayward e pelo sempre competente Robert Mitchum, "White Witch Doctor" se revelou realmente um pouco decepcionante. Inicialmente se percebe que o roteiro quis mesmo se inspirar nos antigos seriados de aventuras que reinaram nas matinês das décadas de 1930 e 1940, além de obviamente se mostrar bem próximo dos filmes de Tarzan, que ainda faziam grande sucesso de bilheteria nos cinemas naquela época. O problema é que em nenhum momento a trama se decide entre virar um filme dramático, romântico ou de aventura. Fica tudo no meio termo e nada é desenvolvido até o fim. Em termos de aventura "Feitiço Branco" tem pouco a oferecer, se resumindo mesmo em poucas cenas de combates ou ação. O herói Mitchum passeia em cena como uma figura heróica e aventureira, mas ao mesmo tempo também gananciosa, pois ele está de olho numa fortuna em ouro escondido nos confins da África negra. Seu romance com a personagem de Susan Hayward também não vai adiante, se resumindo em alguns beijinhos esporádicos e flertes casuais. Tampouco o lado mais dramático do roteiro pode ser considerado bom. Ele se desenvolve no idealismo da enfermeira que decide ir para o Congo para tratar de populações carentes da região. O problema é que uma vez lá ela não encontra mais a médica com a qual iria trabalhar, pois ela teria morrido por uma doença tropical. Sobra assim poucos momentos realmente interessantes nesse aspecto. Ela até tenta salvar vidas, mas como apenas é uma enfermeira e não uma médica e pouco conhece das doenças daquela parte do mundo tudo parece seguir em vão. Por fim temos que admitir também que a produção deixa a desejar em certos momentos. É nitidamente B. O uso excessivo de externas filmadas na África sendo projetadas nas costas do elenco incomoda. Os cenários pintados a mão também não convencem. Há um gorila em cena, logo no começo do filme, mas ele é tão mal feito, deixando tão claro que é um ator vestido de macaco, que chega a criar um humor involuntário, algo muito ruim para um filme como esse. Enfim, uma aventura que envelheceu mal, ficou muito datada e com roteiro inconclusivo e indeterminado. Definitivamente não é dos melhores.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 28 de junho de 2015

Papa Pio IX

Foi um dos grandes Papas da história. Giovanni Maria Mastai-Ferretti nasceu em um berço liberal na cidade de Senigália, na Itália, em 13 de maio de 1792 (reparem que na mesma data em que séculos depois ocorreria a aparição de Nossa Senhora em Fátima). Sua família era conhecida por sempre abraçar as ideologias mais progressistas, mais modernas. Na juventude foi impedido de seguir carreira militar, como muitos jovens de sua época, por causa de um sério problema de saúde: Giovanni tinha ataques de epilepsia frequentes. Muito religioso, desde cedo demonstrou ter vocação para os assuntos de Deus. Resolveu então dedicar-se ao estudo da teologia. Em poucos anos se tornou sacerdote católico, se tornando padre em 1819, com a idade um pouco acima da média da de outros membros do clero ao iniciarem sua carreira religiosa. Foi enviado então para servir na América do Sul, no Chile, onde ficou por longos anos. Foi uma grande experiência de vida pois deu a Giovanni a oportunidade de conhecer outros povos, outras culturas, outras manifestações religiosas do catolicismo. Em 1825 retornou para a Itália onde começou a alcançar postos mais importantes dentro da hierarquia da Igreja católica. Dois anos depois foi nomeado arcebispo na cidade de Spoleto e em 1840 se tornou cardeal na diocese de Imola.

Muito por causa de sua linhagem familiar, Giovanni foi por décadas considerado um representante da ala mais liberal e progressista da Igreja, abrindo diálogo com todos os setores da sociedade, inclusive com a maçonaria. Esse rótulo o acompanhou e quando seu nome surgiu com força no conclave para escolher o sucessor de Gregório XVI, ele foi apoiado justamente por esses setores mais reformistas. Eleito Papa em 1846, Giovanni resolveu adotar o nome Papal de Pio IX em homenagem a Pio VIII, a quem tinha uma admiração muito especial. Queria se espelhar nele como novo Papa da Igreja. Todos esperavam que Pio IX promovesse profundas reformas estruturais e de liturgia dentro da Igreja. No começo de seu pontificado ele foi visto como a grande esperança dos liberais por toda a Europa. Afirmava-se que a maçonaria havia celebrado sua eleição. De fato no começo de seu reinado no trono de Pedro, Pio IX realmente nutriu grandes esperanças em se aliar com esses tipos de movimentos sociais, mas um fato mudou seu modo de ver a questão.

Agentes da Igreja Católica interceptaram mensagens maçônicas que em códigos secretos traziam planos para literalmente destruir a Igreja. Nas mensagens líderes maçônicos influentes planejavam infiltrar membros ligados a eles dentro do próprio clero católico. Era uma forma de desestabilizar as bases de fundação da Igreja por dentro de sua própria estrutura. Pio IX ficou profundamente abalado com as revelações. A partir desse ponto ele entendeu que aqueles que se diziam seus aliados e amigos na verdade estavam planejando sua queda. Pio IX resolveu reagir e começou a tomar uma série de medidas para reforçar os dogmas e os princípios católicos mais importantes. Abraçando o conservadorismo dentro de seu estilo de governar Pio IX começou a surpreender todos os que diziam que ele iria adotar uma linha extremamente liberal. No documento Syllabus Errorum condenou diversas ideologias que começavam a dominar corações e mentes por todo o mundo naquela época. Condenou em especial o comunismo, o socialismo, o racionalismo e a maçonaria. Foi um choque para seus antigos admiradores liberais.

Pio IX também entendeu que a única forma de combater os setores anti-católicos era se tornar extremamente católico. Reforçar o Papado, a crença nos santos e na virgem Maria, pontos sempre atacados por setores protestantes. Começou uma série de canonizações em série, algo inédito dentro da história da Igreja. Assim determinou que os processos de canonização fossem mais céleres e rápidos (alguns levavam séculos para se chegar numa conclusão definitiva). Na visão de Pio IX a Igreja precisava de mais exemplos positivos, de mais santos consagrados em sua história. Em 1854 proclamou o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria, algo que causou forte reação dos protestantes europeus que defendiam que Maria era apenas uma mulher comum, como todas as outras. Isso porém não deveria ser considerado por católicos e Maria deveria ser sempre valorizada, algo que ficou muito claro na encíclica Ineffabilis Deus.

Dando continuidade em sua valorização do catolicismo o Papa Pio IX convocou o Concílio Vaticano I com a presença de mais de 700 bispos de todo o mundo. Nessa ocasião, procurando valorizar a figura do Papa, foi confirmado o dogma da infalibilidade papal. Os protestantes arrancaram os cabelos de tanta indignação. Os católicos celebraram. Era mais um ato de valorização da religião católica por parte de Pio IX, como sempre valorizando a Virgem Maria, os Santos e o Papa. Outra preocupação do Papa foi reforçar a presença católica em países onde havia ocorrido problemas políticos envolvendo a Igreja no passado. Na Inglaterra, onde a Igreja Católica havia sido praticamente banida por ordens do Rei Henrique VIII, a Igreja voltou a organizar seus quadros. A hierarquia foi restabelecida e muitas propriedades que tinham sido roubadas pelo antigo monarca foram devolvidas para a Igreja Romana. Em países onde havia ocorrido uma verdadeira guerra de intolerância religiosa contra católicos por parte de setores protestantes, Pio IX conseguiu das autoridades locais a garantia de proteção dos templos católicos, seus sacerdotes e os fiéis. Com isso o catolicismo começou a crescer novamente após ter sido banido por décadas por governos protestantes, principalmente nos países nórdicos da Europa.

Pio IX governou por mais de três décadas (seu papado durou 31 anos e sete meses) e foi o mais longo da história, atrás apenas de Pedro, apóstolo de Jesus e considerado o primeiro Papa. Ele enfrentou problemas sérios como a perda dos territórios papais e chegou a sofrer risco real de ser assassinado por seus inimigos. Em determinada ocasião precisou fugir de Roma, disfarçado de padre, para não ser morto por assassinos contratados. Enfrentou com coragem a ferrenha oposição de maçons, protestantes, judeus e comunistas. Sua decisão de reforçar o catolicismo foi seu maior legado. Pio IX mostrou grande inteligência e inspiração ao conduzir a Igreja Católica em um dos períodos mais duros da história, quando a fé católica estava sendo atingida por todos os lados e por setores poderosos da sociedade. Sua firmeza de caráter e perseverança em defender a Igreja é um exemplo que deve ser seguido por todos os católicos. Ele morreu aos 85 anos de idade em 7 de fevereiro de 1878. Em setembro de 2000 o Papa João Paulo II o beatificou. Sua festa litúrgica é celebrada no dia 7 de fevereiro. Um merecido reconhecimento por um homem que lutou bravamente por sua fé e suas crenças católicas.

Pablo Aluísio.

A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça / 007 - O Mundo Não é o Bastante

A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça
O conto original faz parte do folclore americano, das tradições que deram origem ao feriado nacional daquele país conhecido como Halloween, o dia das bruxas. É aquele tipo de obra cultural que já deu origem a livros, filmes, desenhos e todos os tipos de produtos que você possa imaginar. Adaptar algo assim sempre envolve controvérsias pelo fato de ser algo muito conhecido pelo público em geral. Nas mãos de Tim Burton, o mais gótico de todos os cineastas americanos, era de se esperar que tivéssemos um grande filme. Na realidade essa produção só é realmente fantástica em termos de direção de arte. Figurinos, cenários, efeitos digitais, tudo é de primeira linha. Fora isso algumas coisas realmente parecem bem fora do lugar. O próprio elenco não foi bem escalado. Johnny Depp, em eterna parceria com Burton, tem certamente o seu valor, mas não se mostra adequado para viver o personagem Ichabod Crane. Depp não tinha idade e nem o visual certo para interpretar Crane, que basicamente era um sujeito na meia idade, nada heróico, que tinha que enfrentar um grande mal. Em termos de roteiro Burton não quis arriscar muito, preferindo rodar uma história que lembra bastante o texto original. Provavelmente teria sido melhor dar pitadas de inovação em certos aspectos. Do jeito que está não existe grande justificativa para a produção de algo tão elaborado assim. A única coisa realmente memorável vem das participações de veteranos consagrados como o mito Christopher Lee, recentemente falecido. Sua presença vale por quase todo o filme. Vencedor do Oscar na categoria de Melhor Direção de Arte. Indicado nas categorias de Melhor Fotografia e Melhor Figurino. / A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Sleepy Hollow, EUA, 1999) Direção: Tim Burton / Roteiro: Washington Irving, Kevin Yagher/ Elenco: Johnny Depp, Christina Ricci, Miranda Richardson, Christopher Walken, Christopher Lee.

007 - O Mundo Não é o Bastante
Eu sempre gostei muito de Pierce Brosnan como o agente James Bond. Muitos dizem que os roteiros dos filmes que estrelou não eram grande coisa e talvez possa existir algum fundo de verdade nisso, mas a despeito de tudo isso o feeling do Bond original foi bem captado por Brosnan (mais até do que o atual Bond, o carrancudo e nada charmoso Daniel Craig). Na era de Brosnan como Bond o estúdio priorizou mesmo a ação, com cenas extremamente bem elaboradas, algumas inclusive entre as mais bem realizadas de toda a franquia. Esse foi o terceiro filme estrelado pelo ator, logo após os grandes sucessos "007 Contra GoldenEye" de 1995 e "007 - O Amanhã Nunca Morre" de 1997. Seu contrato inicial determinava a realização de uma trilogia que chegaria ao final aqui. Se a produção fizesse o mesmo sucesso ele poderia renovar um novo contrato, caso contrário o estúdio iria atrás de outro ator. Assim que chegou nas telas a fita logo se revelou outro grande êxito de bilheteria, o que abriu as portas para um quarto filme, "007 - Um Novo Dia Para Morrer" em 2002, o último que faria na pele de Bond. Curiosamente o estúdio ofereceu a Brosnan um novo contrato para a realização de mais três filmes, mas ele preferiu assinar para a produção de apenas mais um filme. Parecia preocupado em ser marcado para sempre por apenas um papel, algo que havia atingido outros atores que passaram pela série como no caso de Roger Moore. "The World Is Not Enough" fica na média de sua passagem pela franquia. É bem movimentado, tem uma trama que lembra os primeiros livros de Ian Fleming e conta com um vilão bacana. Em poucas palavras tem tudo o que fez da fórmula Bond uma das mais bem sucedidas da história do cinema. É divertido, movimentado e tem um bom ator no papel principal. Sinceramente não vejo como ter algo a mais do que isso em um filme da série do mais famoso agente secreto do cinema. Está realmente de bom tamanho. / 007 - O Mundo Não é o Bastante (The World Is Not Enough, Inglaterra, Estados Unidos, 1999) Direção: Michael Apted / Roteiro: Neal Purvis, Robert Wade / Elenco: Pierce Brosnan, Sophie Marceau, Robert Carlyle, Denise Richards, Judi Dench, John Cleese.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

2ª Carta aos Tessalonicenses (São Paulo)

Ação de graças e súplica
Irmãos, devemos agradecer sempre a Deus a vosso respeito. O que é muito justo, pois a vossa fé tem feito grandes progressos, como também a caridade de uns pelos outros cresceu muito em cada um de vós. Assim, nós mesmos somos levados a gloriar-nos de vós, nas igrejas de Deus, por causa da vossa constância e da vossa fé, em meio a todas as perseguições e tribulações que suportais. Elas são sinal do justo juízo de Deus, pois, por elas, vos tornais dignos do reino de Deus, pelo qual vós também sofreis. De fato, é justo diante de Deus que os vossos atribuladores recebam tribulações como retribuição e que vós, os atribulados, recebais como recompensa o descanso conosco. Isto vai acontecer, quando se revelar o Senhor Jesus vindo do céu com os anjos do seu poder, num fogo chamejante, para punir aqueles que não conhecem a Deus e os que não obedecem ao Evangelho de nosso Senhor Jesus. Eles serão punidos com a ruína eterna, longe da face do Senhor e da glória do seu poder, quando ele vier, naquele dia, para ser glorificado nos seus santos e para ser admirado em todos os que tiverem crido. Ora, vós acreditastes no testemunho que demos diante de vós. Eis por que não cessamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos do seu chamado e, por seu poder, vos leve a realizar todo o bem que desejais fazer e a obra da vossa fé. Assim, o Nome de nosso Senhor Jesus Cristo será glorificado em vós, e vós sereis glorificados nele, segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.

A parusia
Quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião junto dele, nós vos pedimos, irmãos, que não vos deixeis abalar, assim tão depressa, em vossas convicções, nem vos alarmeis com alguma pretensa revelação do Espírito ou alguma instrução ou carta atribuída a nós e que desse a entender que o dia do Senhor já está chegando. Que ninguém vos iluda de nenhum modo. É preciso que, primeiro, venha a apostasia e se revele o Iníquo, destinado à perdição, o Adversário, aquele que se levanta contra tudo o que se chama deus ou que se adora, a ponto de se assentar no Santuário de Deus, proclamando-se deus. Acaso não vos lembrais que eu já vos dizia essas coisas, quando ainda estava entre vós? E sabeis o que atualmente retém o Adversário, de maneira que ele se revele somente na hora devida. Pois o mistério da iniqüidade já está em ação. Basta que o obstáculo atual seja afastado. Então, ele se revelará, o Iníquo, que o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e destruirá com a manifestação da sua vinda. Ora, a vinda do Iníquo se dará pela ação do Satanás, com toda espécie de milagres e sinais e prodígios enganadores, e com todas as seduções da iniqüidade para aqueles que estão a se perder, por não terem acolhido o amor da verdade que os teria salvo. Por isso, Deus lhes envia uma força que os extravia, fazendo-os crer na mentira, de modo que sejam condenados todos aqueles que não creram na verdade, mas se comprazeram na iniqüidade.

Exortação e voto de bênção 
Quanto a nós, devemos continuamente dar graças a Deus a vosso respeito, irmãos amados no Senhor, porque Deus vos escolheu, desde o começo, para serdes salvos pelo Espírito que santifica e pela fé na verdade. Deus vos chamou também, pela nossa pregação do evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, irmãos, ficai firmes e guardai cuidadosamente os ensinamentos que vos transmitimos, de viva voz ou por carta. O próprio Senhor nosso Jesus Cristo, com Deus nosso Pai, que na sua graça nos amou e nos deu consolação eterna e uma feliz esperança, confortem vossos corações e vos confirmem em tudo que fazeis ou dizeis de bom.

Pedido de oração
Quanto ao mais, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se espalhe rapidamente e seja glorificada como é entre vós. Orai também para que fiquemos livres das pessoas importunas e más, pois nem todos têm a fé. Mas o Senhor é fiel: ele vos confirmará e vos guardará do maligno. Quanto a vós, estamos certos no Senhor de que estais fazendo e continuareis fazendo o que ordenamos. E que o Senhor dirija os vossos corações para o amor de Deus e para a constância de Cristo.

***

Obs: Considero muito relevante essa carta de São Paulo onde ele já antecipa muito do que estamos vivendo hoje. Leia atentamente "A parusia" e faça uma profunda reflexão sobre o mundo atual. Mesmo com tantas iniquidades devemos perseverar no caminho do evangelho e na palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só há salvação em Jesus e em sua mensagem. Fiquem firmes amados cristãos. (Pablo Aluísio).

McFarland dos EUA

Título no Brasil: McFarland dos EUA
Título Original: McFarland, USA
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Walt Disney Pictures
Direção: Niki Caro
Roteiro: Christopher Cleveland
Elenco: Kevin Costner, Maria Bello, Ramiro Rodriguez
  
Sinopse:
Jim White (Kevin Costner) é um treinador de futebol americano que acaba sendo demitido de seu emprego após jogar um capacete em um aluno indisciplinado de seu time. Por acidente o equipamento acaba ferindo o rosto do rapaz e White acaba mesmo indo para o olho da rua. Sem opções de empregos melhores ele acaba aceitando um trabalho numa cidadezinha pobre da Califórnia chamada McFarland, um lugar com forte presença de imigrantes mexicanos na população. Lá começa a dar aulas de educação física e percebe que há muito potencial em determinados alunos que vão todos os dias para a escola correndo pelos campos da região. Em pouco tempo ele então resolve criar uma equipe de cross country com sete dos melhores corredores da escola. O que começa como um projeto sem grandes ambições toma um rumo inesperado quando a cidade inteira se mobiliza para apoiar e torcer por seus jovens atletas. Filme vencedor do prêmio da Heartland Film na categoria de Melhor Filme inspirado em uma história real.

Comentários:
Baseado em fatos reais não deixa de ser em nenhum momento um filme muito bem intencionado. Na verdade a história procura explorar um aspecto positivo na união envolvendo um treinador tipicamente americano com um grupo de alunos latinos, descendentes de famílias mexicanas pobres formadas por humildes trabalhadores rurais das plantações da Califórnia. Após uma aproximação um pouco ressabiada o treinador vai finalmente descobrindo que naquela cidade existem pessoas realmente maravilhosas e que a origem delas nada diz sobre seu caráter e bondade. Como se sabe existe uma certa tensão racial na América, causada principalmente por ondas e mais ondas de imigrantes ilegais que vão em busca de uma vida melhor nos estados americanos. Muitos deles vão trabalhar na lavoura ou em empregos mal remunerados. O racismo infelizmente está em todas as partes e é potencializado com esse movimento imigratório cada vez mais intenso, mas sabiamente o roteiro não procura bater muito nessa tecla, preferindo se concentrar no valor pessoal de cada um daqueles atletas. Um aspecto curioso é o choque cultural que a família do treinador White leva ao chegar pela primeira vez em McFarland. Supostamente deveria ser uma típica cidadezinha americana, mas eles acabam encontrando mesmo é uma forte presença da comunidade mexicana, criando inclusive uma situação inusitada, a de americanos ou gringos que acabam sendo considerados praticamente estrangeiros em seu próprio país! Uma amostra do que vem acontecendo dentro das fronteiras dos Estados Unidos. Gradualmente a  cultura americana tradicional vai sendo substituída pela cultura proveniente da grande presença latina de imigrantes. De uma maneira ou outra o argumento acerta em promover a integração dessas duas culturas pelo bem de todos. Claro que em determinados momentos se cria um pequeno mal estar ao explorar a mentalidade do personagem de Kevin Costner que tem ideias equivocadas e até preconceituosas sobre aquelas pessoas, algumas delas inclusive nada lisonjeiras, como por exemplo, associar a criminalidade ao povo mexicano. Depois que o filme avança e a própria família do treinador (que achava aquele lugar um horror) começa a mudar de ideia finalmente temos o ponto ideal do que há de mais importante nesse enredo, a de buscar a integralização das etnias. De resto o roteiro não foge muito das fórmulas de filmes desse tipo, mostrando a superação da inúmeras dificuldades enfrentadas por aqueles atletas até finalmente sua consagração final! Particularmente gostei do resultado, das boas intenções e da história inspiradora. Poderia ser mais curto, com mais ou menos uma hora e meia de duração, mas do jeito que ficou não chega a irritar. Vale a pena conferir e se inspirar na moral da história. Afinal de contas estamos precisando mesmo de mais finais felizes.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Juliano - O Imperador Anticristão

O Imperador Romano Juliano pertencia à casta familiar do Imperador Constantino que foi figura central na consolidação do Cristianismo no Império Romano. Para muitos historiadores o Cristianismo jamais teria tido a influência e expansão que teve se não fosse pela participação crucial de Constantino e seu apoio. É de se admirar assim que um membro da casa de Constantino tenha sido um dos mais infames imperadores anticristãos da história. Foi justamente isso que aconteceu. Quando Constantino morreu houve uma brutal disputa familiar pelo poder como era comum acontecer dentro do Império Romano. A ala familiar de Juliano levou a pior e foi dizimada pelos vencedores. O único que sobrou foi justamente o próprio Juliano que se encontrava muito doente e por isso foi poupado da chacina pois os assassinos de sua família acreditaram que ele morreria logo.

Juliano não apenas sobreviveu como conseguiu se reerguer politicamente das cinzas. Guiado por uma sede de vingança sem precedentes ele foi subindo cada vez mais dentro do xadrez de poder em Roma. Aliando chantagens, assassinatos de parentes e muitos  crimes, Juliano foi eliminando todos os seus opositores. Procurou também matar cada um membro de sua casta que tivesse tido algum tipo de participação nas mortes de seus pais e irmãos. Com pouco mais de 25 anos de idade Juliano já tinha conseguido executar todos eles. Suas mãos estavam cheias de sangue, mas ele se considerava realizado e saciado em sua sede de vingança mortal. Durante sua caminhada rumo ao poder supremo em Roma, Juliano foi tentando suprimir todo o legado de Constantino, homem que ele particularmente desprezava e odiava.

O Cristianismo, aquela nova religião estranha que havia sido colocada em um ponto tão alto do Império exatamente por Constantino, era uma aberração na visão de Juliano. Ele ansiava em revalorizar a antiga religião pagã imperial. Juliano acreditava que o Cristianismo tinha que ser eliminado o mais rapidamente possível, mas isso teria que ser feito com inteligência e não com  violência e brutalidade. Esse tipo de opressão, muito utilizada por imperadores no passado, não havia dado bons frutos. Ao contrário disso, havia fortalecido a fé dos cristãos pois a morte de mártires aumentava ainda mais o número de adeptos e seguidores daquele judeu a quem chamavam de Cristo.

Quando se tornou Imperador em Roma, Juliano começou a perseguir os cristãos que faziam parte do aparelho de Estado. Demitiu altos funcionários do Império apenas por eles serem Cristãos, confiscou terras e mandou bloquear bens e finanças de importantes líderes daquela nova religião. A intenção de Juliano era destruir a influência e poder dos cristãos, sejam eles financeiros, políticos ou militares. Ao mesmo tempo em que asfixiava o povo cristão de Roma, mandou restaurar e reconstruir antigos templos dedicados aos velhos e tradicionais Deuses Romanos. Procurando demonstrar sua fidelidade ao paganismo o próprio imperador teria participado de um ritual Pagão de purificação, se banhando no sangue de um touro sacrificado em sua presença! Juliano dizia que para eliminar os cristãos não era necessária a violência, mas sim a quebra da estrutura que os mantinha no topo da hierarquia romana. Seus planos de destruição da religião cristã porém tiveram uma interrupção abrupta quando o imperador foi morto numa sangrenta batalha campal contra os Persas. Pelo visto seus amados deuses romanos não o livraram da morte com uma espada inimiga atravessando seu pescoço.

Pablo Aluísio.

Fora de Alcance

Título Original: Beyond the Reach
Título no Brasil: Fora de Alcance
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Furthur Films
Direção: Jean-Baptiste Léonetti
Roteiro: Robb White, Stephen Susco
Elenco: Michael Douglas, Jeremy Irvine, Martin Palmer
  
Sinopse:
Madec (Michael Douglas) é um milionário empresário apaixonado por caças. Ele agora pretende ir até o Novo México para caçar um veado selvagem muito raro de se encontrar livre na natureza. Tudo com o objetivo de ter mais um belo prêmio pendurado em sua lareira. Para tanto contrata os serviços de Ben (Jeremy Irvine) que conhece como ninguém a região. Durante a caçada porém Madec comete um erro fatal, atingindo um morador do lugar, pensando se tratar de seu alvo. A fatalidade o coloca numa situação delicada pois como homem de negócios ele não pode se dar ao luxo de ser acusado de um homicídio. Ele precisa esconder o acontecimento, mesmo que para isso necessite eliminar o jovem Ben que pretende denunciar o ocorrido para o xerife local. Não demora muito e começa uma verdadeira caçada humana para encobrir tudo o que aconteceu.

Comentários:
Já houve um tempo em que Michael Douglas era sinônimo de sucesso de bilheteria. Seus filmes geralmente chegavam facilmente no top 10 da indústria cinematográfica americana. Os tempos agora são outros. Veja o caso desse "Beyond the Reach". O filme teve lançamento discreto nos Estados Unidos e na Europa e sequer encontrou uma empresa distribuidora interessada em lançá-lo no Brasil. Assim continua inédito em nosso mercado. Deixando esses aspectos comerciais de lado o fato é que realmente se trata de um thriller sem maiores novidades. A premissa até que é interessante ao colocar um ser humano no lugar de um animal sendo caçado. Muito provavelmente o criador da história (o escritor Robb White) tenha desejado mostrar o absurdo das caçadas de animais selvagens, a maioria delas proibidas em diversas partes do mundo. Que melhor jeito de mostrar seu ponto de vista do que usar um homem no lugar de um animal em fuga? O caçador interpretado por Michael Douglas é um capitalista selvagem que está pouco se importando com a questão ética de seu hobbie preferido. Enquanto tenta alvejar seu alvo ele segue negociando milhões com empresários chineses do outro lado do mundo. Assim fica fácil de entender as duas principais críticas subliminares de seu texto, numa mensagem nitidamente social e ecológica. Na questão puramente cinematográfica "Beyond the Reach" também não empolga muito. O roteiro explora apenas uma situação - a própria caçada humana - e não sai muito disso. A coisa só não fica pior porque o diretor Jean-Baptiste Léonetti teve o bom senso de rodar um filme curto, justamente por entender que não tinha muita história para contar. Ponto para ele que acabou realizando um filme que, se não consegue ser marcante em nenhum momento, pelo menos se mostra eficiente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Papa Francisco: "Há casos em que a separação é moralmente necessária!"

(Vaticano) - O Papa Francisco afirmou hoje que, em casos extremos, quando é moralmente necessária a separação de um casal, os pais precisam ter a plena consciência do sofrimento que o fim de um casamento pode causar em seus filhos. O Papa Francisco explicou que em determinados casos, principalmente quando envolve situações de grave violência, a vida conjugal se torna impossível, o que abriria as portas para uma separação moralmente necessária entre o casal. O Papa exemplificou que o modelo sadio de família nem sempre ocorre no mundo real. Quando ao invés de amor, compreensão e paz surge a briga, a discórdia e as ofensas entre marido e mulher a situação se torna muito danosa para os filhos que acabam arcando com o maior sofrimento psicológico dentro dessa família. O Papa explicou a situação ao afirmar que as mágoas geralmente crescem com o tempo e quando não podem mais ser corrigidas, sendo ao invés disso negligenciadas, a vida do casal só tende a piorar. Com o passar dos anos tudo se transforma em arrogância, hostilidade e desprezo. Nesse ponto o amor que uniu o casal se rompe, criando lacerações profundas que dividem definitivamente marido e mulher, levando-os a procurar outro lugar para a compreensão, o apoio e a consolação. Quando isso acontece é melhor pensar no bem da família.

O Papa Francisco então explicou que nesse ponto os casamentos ficam esvaziados do verdadeiro amor conjugal. O ressentimento só cresce e a desintegração dos laços do casal acaba atingindo também os filhos. Muitos pais ficariam até mesmo anestesiados em relação às feridas que são abertas na alma de seus filhos. Isso porém não pode ser deixado de lado e tampouco se pode curar sua dor com presentes ou guloseimas. São feridas dolorosas e profundas, acrescentou Francisco. Assim é necessário uma profunda reflexão para que o peso da separação não esmague o espírito das crianças. Francisco afirmou: "Quando os pais perdem a cabeça, quando cada um começa a pensar apenas em si mesmo e tendem a se machucar um ao outro, se ofendendo mutuamente, as crianças é quem acabam sofrendo mais. Muitas delas experimentam uma verdadeira sensação de desespero por causa de tudo o que acontece ao seu redor".

Para o Papa Francisco a dor da separação deixa sempre uma marca para toda a vida na alma dos filhos. Muitos escondem o que sentem e choram sozinhos, por eles mesmos. Para o Papa Francisco esse tipo de ferida espiritual acaba afetando toda a família. "Marido e Mulher formam uma só carne" - explicou Francisco - "Assim seus filhos também são carne de sua carne. Numa separação todos sofrem, a dor e o abandono causam marcam profundas, ficam gravadas na carne viva de seus filhos".

O Papa Francisco então citou o Evangelho de Mateus, mostrando a importância do vínculo matrimonial como fundamento da vida familiar, mas lembrou também que em determinadas situações o casamento se torna impossível de seguir em frente. Francisco disse: "Há casos em que a separação é inevitável. Em determinados momentos a separação se torna moralmente necessária, principalmente quando há violência, humilhação e exploração, além de negligência e indiferença". Para Francisco a separação porém não significa o fim de vínculo matrimonial pois os cônjuges mesmos separados podem evitar novos relacionamentos. "Pessoas separadas podem, sustentadas em sua fé, optar apenas pelo amor de seus filhos. Seria um testemunho de sua fidelidade, naquilo que acreditam, mesmo com um casamento impossível de se reerguer". O Papa porém reconheceu que nem sempre isso acontecerá. "Nem todos os cônjuges separados, no entanto, sentem esta vocação. Nem todo mundo reconhece, na (sua) solidão, uma chamada do Senhor dirigida e cada um deles". Por fim o Papa pediu a Deus que olhe por essas famílias, que a e sua misericórdia eterna ajude a todos passarem por esse momento tão complicado na vida de cada pessoa que vê seu casamento ruir após anos de sonhos e esperanças.

Pablo Aluísio.

O Garoto da Casa ao Lado

Título no Brasil: O Garoto da Casa ao Lado
Título Original: The Boy Next Door
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Rob Cohen
Roteiro: Barbara Curry
Elenco: Jennifer Lopez, Ryan Guzman, Kristin Chenoweth
  
Sinopse:
Claire Peterson (Jennifer Lopez) é um professora de ensino médio que precisa lidar com o fim de seu casamento. Após a traição do marido ela deseja se divorciar dele. Com um filho adolescente e vários problemas pessoais ela comete o erro fatal de se envolver com o jovem que acaba de se mudar para a casa ao lado. Noah Sandborn (Ryan Guzman) se mudou recentemente para a casa vizinha para ajudar seu tio-avô que está passando por problemas de saúde. O que começa como um flerte casual acaba saindo do controle ao Claire perceber que o jovem tem sérios problemas psicológicos, o que dá origem a uma obsessão perigosa por parte dele.

Comentários:
Filme bem fraco estrelado pela atriz e celebridade Jennifer Lopez. Pelo visto sua carreira entrou em uma curva descendente, acumulando fracassos comerciais e filmes sem repercussão ou importância. Esse aqui tem um roteiro rasteiro, cheio de clichês batidos. Basicamente se trata de uma professora mais velha que acaba se envolvendo com um garotão que não demora a demonstrar ter sérios problemas mentais, se tornando obsessivo e um homicida em potencial depois que ela o rejeita após uma noite de sexo casual. O viés moralista é mal conduzido e leva a uma série de cenas sem originalidade alguma. Para tentar salvar a fita do desastre completo o roteiro procura explorar de forma apelativa a imagem de símbolo sexual da atriz Jennifer Lopez a colocando em uma cena que supostamente deveria elevar o clima de sensualidade do filme. Não consegue. A cena é convencional, rápida e não passa erotismo algum. Depois que o jovem começa a agir feito um louco após ela o dispensar discretamente a fita desanda de vez. Ele a chantageia, dizendo que vai revelar seu caso amoroso no colégio onde ela ensina (e onde ele também é aluno), além de começar a ir em sua casa para visitas completamente constrangedoras. Em pouco tempo o comportamento inconveniente se transforma em ameaças veladas. Se tornando amigo de seu filho o sujeito também começa a usar o adolescente para jogá-lo contra sua própria mãe. Quando a situação fica completamente insuportável começam os atos de violência que acabam dando origem a uma cena particularmente trash quando ela enfia o dedo em seu olho, o mesmo onde momento antes afundou uma seringa imensa! Enfim, chega! É muita besteira para um thriller que se propunha a ser mais interessante. Do jeito que ficou, tudo o que conseguiu mesmo foi se tornar uma grande perda de tempo!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 23 de junho de 2015

São João

"Houve um homem enviado por Deus.
Seu nome era João.
Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da Luz!" (Jo 1,6s)

“Ah, São João, São João do carneirinho, você é tão bonzinho...” – era assim que o Luiz Gonzaga cantava o São João nordestino. É este o São João do imaginário popular, colega de Santo Antônio, o “casamenteiro”, e de São Pedro, o “chaveiro do céu”.

Mas, quem foi João Batista, o santo cujo nascimento a Igreja celebra neste 24 de junho? Há aspectos fascinantes na sua trajetória existencial, de tal modo que se pode, para ele, usar as palavras da Carta aos Hebreus: “depois de morto, ele ainda fala” (11,4).

João foi, antes de tudo, um homem querido por Deus: “Houve um homem enviado por Deus. Seu nome era João” (Jo 1,6).

Sua missão fora anunciada cerca de quatrocentos anos antes de seu nascimento pelo profeta Malaquias: “Eis que vou enviar o Meu mensageiro para que prepare um caminho diante de Mim. Então, de repente, entrará em seu Templo o Senhor que vós procurais, o Anjo da Aliança, que vós desejais. Eis que vos enviarei Elias, o profeta, antes que chegue o Dia do Senhor, grande e terrível. Ele fará voltar o coração dos pais para os filhos e o coração dos filhos para os pais" (3,1.23).

Foi também um homem do Absoluto, um homem de Deus, alguém que só de olhar para ele, fazia recordar, com saudade, as coisas do Céu.

Aliás, já o seu nome, Iohanah, exprime disso: o Senhor dá a graça, é o que significa.
João viveu em função de Deus, viveu no deserto. Não era João do carneirinho, não era bonzinho. Era um homem duro como pedra, alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre, vestia-se com pêlos de camelo e um cinturão de couro (cf. Mt 3,4). Era um homem que arriscou acreditar em Deus, escutar Seu chamado, dizer “sim” à missão que o Senhor lhe confiara e viver só para esse Deus.

Certa vez, Jesus fez-lhe um elogio rasgado: “Quem fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas finas? Mas os que vestem roupas finas vivem nos palácios dos reis. Então, que fostes ver? Um profeta? Eu vos afirmo que sim, e mais que um profeta... Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu nenhum maior do que João, o Batista” (Mt 11,7-11).

Dom Henrique Soares da Costa
Bispo da Diocese de Palmares

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Papa Francisco: "Sudário é um ícone do amor"


(Vaticano) - O Papa Francisco tocou em silêncio o Santo Sudário e dedicou alguns minutos para uma oração em silêncio durante sua visita à exposição da histórica peça em Turim, na Itália. O Papa fez uma visita muito especial para rezar e ter alguns momentos de reflexão perante uma das mais famosas relíquias do cristianismo. Segundo a tradição esse pano teria sido usado no corpo de Jesus após sua crucificação. Até hoje cientistas e pesquisadores ainda não conseguiram chegar a uma conclusão sobre a maneira como a imagem que está no linho surgiu. Para o Papa Francisco essa é uma questão de menor importância pois ele qualifica a peça como um "Ícone do amor". É um símbolo de fé e de crença em Jesus Cristo e sua paixão, acima de tudo.

Depois, durante uma breve declaração, o Papa Francisco afirmou que todos os seus pensamentos estavam também em Maria, mãe amorosa e atenta a todos os seus filhos, a quem Jesus confiou na cruz, enquanto ele oferecia a si mesmo, no maior ato de amor pela humanidade. Para o Papa Francisco o Santo Sudário seria assim o "ícone do amor" de Cristo por sua criação. A presença do Papa na cidade de Turim levou mais de cem mil pessoas aos arredores da famosa catedral onde o Santo Sudário está exposto desde o dia 19 de abril.

Depois da visita o Papa Francisco ainda reservou um breve momento para prestar sua homenagem a um jovem nativo de Turim, um rapaz chamado Pier Giorgio Frassati que morreu com apenas 24 anos, em uma existência marcada pela ajuda aos mais pobres. Em seguida, durante sua homília, o Papa Francisco lembrou a todos os presentes dos três mais importantes aspectos do amor de Deus: O amor do Altíssimo é fiel, criou todas as coisas e é eterno.

Pablo Aluísio.

O Amor que Me Deste

Título no Brasil: O Amor que Me Deste
Título Original: Homecoming
Ano de Produção: 1948
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Mervyn LeRoy
Roteiro: Sidney Kingsley, Jan Lustig
Elenco: Clark Gable, Lana Turner, Anne Baxter, John Hodiak
  
Sinopse:
A vida corre maravilhosamente bem para o Dr. Ulysses Johnson (Clark Gable), um médico de sucesso e cirurgião respeitado, que agora colhe os frutos de seu êxito profissional ao inaugurar sua própria clínica particular. Ele planeja em breve se casar com a doce e terna Penny Johnson (Anne Baxter), sua noiva de muitos anos. Ela parece ser o tipo de mulher que se tornará a esposa ideal, atenciosa e devotada ao seu amado. Tudo muda da noite para o dia porém quando os Estados Unidos entram na II Guerra Mundial. Atendendo o chamado da pátria o Dr. Johnson se alista nas forças armadas. Com a patente de Major é enviado para a Europa onde conhece a enfermeira e tenente Jane 'Snapshot' McCall (Lana Turner) que irá balançar o seu coração.

Comentários:
Muitos cinéfilos só conhecem o trabalho do mito Clark Gable através de seus mais famosos filmes, como por exemplo, o clássico "E o Vento Levou". A carreira do ator porém foi muito além disso. Um exemplo temos aqui nesse romance de guerra chamado "O Amor que Me Deste". Inicialmente é importante frisar que embora sua história se passe na II Guerra o foco de seu roteiro é realmente os dramas passionais pelos quais passa o protagonista, Dr. Johnson (Gable). Ele acha que finalmente encontrou o rumo certo de sua vida ao ver sua carreira profissional ser um sucesso ao mesmo tempo em que pretende se casar com a bela Penny (Baxter), para ele naquele momento de sua vida, a mulher ideal de seus sonhos. Suas convicções mudam completamente quando ele vai para a guerra, trabalhar como médico no front. Lá ele descobre finalmente o lado humano da medicina, de sua profissão, ao ter que lidar com jovens combatentes morrendo em suas mãos. Ao mesmo tempo começa a nutrir uma paixão pela tenente 'Snapshot' (Turner) que trabalha ao seu lado como enfermeira. Ela é o extremo oposto de sua querida Penny. Enquanto a mulher que deixou nos Estados Unidos é submissa e pacata, tipicamente uma dona de casa e do lar, a tenente é espevitada, brigona e petulante! Mesmo sendo tão diferente da outra o Dr. Johnson logo se vê apaixonado por ela! A independência de Snapshot e sua disposição para encarar o Major de frente acaba se revelando algo extremamente atraente para ele. Muitos homens realmente sentem uma grande atração por mulheres desafiadoras e independentes!


O roteiro também trabalha muito bem na mudança de personalidade do personagem de Gable. Antes da guerra, enquanto trabalha como médico de sucesso nos Estados Unidos, ele se mostra como um sujeito egocêntrico, centrado em si mesmo e mais preocupado em ficar rico com a medicina do que qualquer outra coisa. Chega ao ponto de recusar o pedido de ajuda de um médico que estudou ao seu lado na faculdade para ajudar pessoas pobres que estão morrendo por um surto de malária em um vilarejo pobre de sua região! Quando vai para a guerra e vê o sofrimento de jovens americanos perdendo suas vidas em prol de uma causa, ele muda completamente seu modo de ver o mundo e passa a entender finalmente que a medicina não pode ser encarada apenas em seu sentido mercadológico! Um roteiro muito bem trabalhado nesse sentido. Em termos de elenco, além da sempre preciosa atuação de Clark Gable, temos uma Lana Turner bem diferente. Ela se despiu de maiores vaidades para esse papel, abraçando um visual bem mais casual, praticamente sem maquiagem, o que curiosamente realçou ainda mais sua beleza natural. Seu desempenho é ótimo, a ponto inclusive de ter sido considerada injustiçada por não levar uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz naquele ano. Sua química ao lado de Gable também funciona muito bem o que é crucial em um romance como esse. A direção foi entregue ao sofisticado cineasta Mervyn LeRoy, um diretor que valorizava especialmente o lado mais humano dos seus personagens. No geral "Homecoming" é um grande filme, uma excelente produção do cinema clássico americano, valorizado ainda mais por sua proposta principal ao demonstrar que o amor pode brotar nas situações mais diversas, inclusive em pleno campo de batalha de uma das mais sangrentas guerras da história.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 21 de junho de 2015

Cinderela

Contos de fadas sempre são fascinantes, mesmo depois que nos tornamos adultos e deixamos as coisas de criança para trás. O império Disney foi construído em cima justamente dessa base. Sabendo disso os executivos do estúdio descobriram uma nova fórmula de faturar grandes bilheterias no cinema com a produção de filmes convencionais que nada mais são do que remakes de suas animações mais famosas do passado. Assim temos agora essa nova versão de "Cinderela". A historinha é por demais conhecida, mostrando a sofrida vida de Ella (Lily James), uma jovem de bom coração, muito doce e cheia de bons sentimentos, que acaba ficando numa situação muito complicada após a morte dos pais, tendo que morar ao lado da sua madrasta (Cate Blanchett), uma verdadeira megera e suas duas filhas fúteis e frívolas. Humilhada e transformada praticamente numa serva, com muitas obrigações e quase nenhum direito dentro de sua própria casa, ela vê sua cinzenta vida tomar um rumo bem mais feliz e colorido ao conhecer o jovem Kit (Richard Madden) numa floresta. Na verdade ele, que se passa como um simples aprendiz, é na verdade o príncipe herdeiro de seu reino. Para não assustar a jovem e bela camponesa o nobre rapaz assim acaba escondendo sua verdadeira identidade. Quando o Rei decide que chegara o momento de seu filho se casar ele decreta que todas as jovens do reino devem comparecer no grande baile do ano. Cinderela assim vê uma bela oportunidade para rever seu apaixonado, enquanto as filhas de sua madrasta estão mais interessadas em casar com o príncipe para colocarem suas mãos em sua fortuna. A partir daí o roteiro segue os passos do desenho clássico, com as passagens que tanto conhecemos, os sapatinhos de cristal, a fada madrinha, a carruagem de abóbora, os ratinhos que se transformam em lindos cavalos brancos, o bater dos sinos da meia-noite e a desesperada busca do príncipe por sua amada, usando para isso um de seus sapatinhos de cristal que ficou para trás. Tudo mais ou menos igual (com pequenas modificações) ao conto de fadas original.

A direção foi entregue para Kenneth Branagh, uma decisão acertada pois o ator e diretor irlandês tem grande experiência com adaptações de obras literárias do passado. Basta lembrar de suas famosas transições para a tela da obra de William Shakespeare em filmes como "Henrique V", "Muito Barulho por Nada" e "Hamlet". Assim não seria grande desafio trazer a história de "Cinderela" para os cinemas dessa vez. Algumas de suas características mais marcantes estão presentes, como a bela direção de arte que acaba recriando com um belo visual, reinos encantados de um tempo distante indefinido. Outra decisão interessante foi colocar atores e atrizes provenientes de séries americanas em papéis coadjuvantes. Uma das filhas da madrasta, Anastasia, é interpretada pela linda Holliday Grainger que se destacou muito na série "Os Bórgias" no papel de Lucrécia Bórgia. Nonso Anozie, que foi o fiel escudeiro de Drácula na série de mesmo nome, também está presente no elenco como um capitão da guarda fiel ao príncipe. Sophie McShera, a Daisy de "Downton Abbey", também atua como a outra filha da madrasta de Cinderela. Já no elenco principal quem se destaca mesmo (e isso já era bem previsível) é a atriz Cate Blanchett. Usando um figurino exótico ela dá vida para a personagem da madrasta, uma mulher com uma personalidade desprezível mesmo. Seus olhares já dizem tudo sobre ela. A atriz Lily James que surge como Cinderella não chega a impressionar, mas pelo menos também não estraga o filme. Nada surpreendente, leva sua atuação em um termo médio. Ela é bonitinha, mas sinceramente poderia ser mais, pois esse é um papel que exige uma beleza extrema, tal como no desenho. O roteiro segue até bem fiel com o conto de fadas que todos conhecemos, mas os roteiristas resolveram acrescentar alguns pequenos detalhes que não descaracterizam em nenhum momento o conto clássico. No final fica a sensação de se ter visto um belo filme, com uma mensagem bonita e pertinente (o verdadeiro amor não tem preço). Tudo realizado com muito bom gosto, classe e beleza.

Cinderela (Cinderella, EUA, 2015) Direção: Kenneth Branagh / Roteiro: Chris Weitz / Elenco: Lily James, Cate Blanchett, Richard Madden, Helena Bonham Carter, Stellan Skarsgård, Holliday Grainger, Sophie McShera, Nonso Anozie, Derek Jacobi, Ben Chaplin. / Sinopse: Remake com atores de carne e osso da famosa animação da Disney, "Cinderela". A historinha narra a vida da gata borralheira, uma jovem de boa índole que cai nas garras de uma madrasta cruel e desalmada que a explora, junto de suas duas odiosas filhas, enquanto ela procura reencontrar o grande amor de sua vida, um jovem que se diz ser um mero aprendiz que conhecera em um bosque próximo de sua casa.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.



sábado, 20 de junho de 2015

Whiplash: Em Busca da Perfeição

Tudo o que o jovem Andrew (Miles Teller) sonhou na vida foi se tornar um grande baterista. Em busca desse objetivo ele acabou sendo admitido numa das mais prestigiadas escolas de música dos Estados Unidos. Lá acaba tendo que lidar com o professor Fletcher (J.K. Simmons), um mestre rígido, extremamente disciplinador e irascível. Tentando conciliar seus estudos musicais com uma vida privada quase inexistente, Andrew acaba se interessando por uma garota que trabalha no cinema onde costuma frequentar. Assim tentará vencer tanto no mundo da música como em seu complicado relacionamento com a nova namorada. "Whiplash" foi bastante elogiado pela crítica americana em seu lançamento, ao ponto inclusive de ter faturado uma improvável indicação ao Oscar de Melhor Filme desse ano. Sinceramente achei um pouco superestimado. Não há dúvida que é um bom filme, muito bem conduzido pelo (ainda inexperiente) diretor Damien Chazelle. O resultado agrada, mas não chegaria ao ponto de o qualificar como um dos dez melhores filmes do ano. Talvez um dos problemas seja a incômoda sensação de que o ainda praticamente novato cineasta não conseguiu resistir a certos clichês. A luta pelo protagonista em se tornar um grande músico, ao ponto de se mirar em seu ídolos do passado transformando tudo numa verdadeira obsessão, muitas vezes assume um tom exageradamente épico, principalmente quando ele surta em seu instrumento, tendo ataques, com as mãos ensanguentadas, finalizando tudo com socos e chutes em sua própria bateria! O que ele estaria pensando? Que seria um Rocky, um Lutador, das baquetas? Tudo aquilo tem apenas a finalidade de impressionar o espectador, ou em outras palavras, são cacoetes narrativos... clichês! Há uma cena que resume bem isso quando Andrew passa por uma verdadeira odisséia para chegar a tempo em uma apresentação. Além de seu ônibus furar o pneu e ele ter que alugar um carro, no caminho ainda sofre um sério acidente ao colidir com uma carreta! Cheio de sangue escorrendo pela face, bastante ferido, ele (pasmem!) acaba chegando a tempo para o concerto! Um pouco exagerado demais não é mesmo?

Bom, mesmo com tanto exagero narrativo duas coisas salvaram "Whiplash" do lugar comum. A primeira fica clara desde as cenas iniciais: a música! Não é nada mal ouvir um belo e sofisticado jazz tradicional desde os caracteres de abertura. O filme, como não poderia deixar de ser, tem uma trilha sonora sofisticada e de alto nível, diria até maravilhosa. Embora em parte a beleza sonora seja muitas vezes ofuscada pelo duelo de egos que se trava entre Andrew e seu mestre, a verdade é que ela acaba se sobressaindo, uma forma ou outra. O outro ponto forte vem da atuação brilhante do veterano J.K. Simmons. Relegado por anos a papéis secundários em filmes meramente medianos, ele aqui encontrou o personagem de sua vida. O professor e maestro que interpreta é um sujeito arrogante ao extremo, petulante, ofensivo e rude e o mais supreendente de tudo é que ao final do filme você acabará gostando dele, de suas ideias e de seu mau-caratismo! A cena final inclusive, quando Andrew sem saber acaba caindo em uma ardilosa armadilha para que seja destruído no meio musical, é extremamente bem bolada! Apesar das lágrimas de crocodilo derramadas em estúdio a verdadeira face de Fletcher se revela justamente ali! Isso foi particularmente interessante porque o roteiro não se rendeu a uma solução fácil, previsível, fugindo (finalmente) dos clichês que vinham pontuando o enredo. Nem é necessário dizer que mesmo em um papel meramente coadjuvante o ator J.K. Simmons domina o filme da primeira à última cena. Seu trabalho foi devidamente reconhecido e ele levou para casa todos os mais importantes prêmios do cinema na categoria. Tudo devidamente merecido é bom frisar. Assim, no saldo final, temos um belo filme, muito bom em seus resultados, com ótimas atuações, mas que tampouco pode ser considerada uma obra prima cinematográfica perfeita como alguns quiseram fazer crer. Por fim recomendo ativamente sua trilha sonora que aliás não sai do meu player já há um bom tempo. Assista o filme, mas não esqueça de também curtir a trilha, pois sem dúvida ela é um complemento essencial para compreender "Whiplash" inteiramente.

Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash, EUA, 2014) Direção: Damien Chazelle / Roteiro: Damien Chazelle / Elenco: Miles Teller, J.K. Simmons, Melissa Benoist. / Sinopse: Um professor absurdamente rígido de música encara o desafio de testar todos os limites psicológicos e musicais de um jovem aluno na prestigiada escola de música onde leciona. Filme vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (J.K. Simmons), Melhor Edição (Tom Cross) e Melhor Mixagem de Som. Também indicado nas categorias de Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado (Damien Chazelle). Vencedor do Globo de Ouro, BAFTA Awards e Screen Actors Guild Awards na categoria de Melhor Melhor Ator Coadjuvante (J.K. Simmons).

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Cavalos Selvagens

Título Original: Wild Horses
Título no Brasil: Cavalos Selvagens
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Patriot Pictures
Direção: Robert Duvall
Roteiro: Robert Duvall, Michael Shell
Elenco: Robert Duvall, James Franco, Josh Hartnett
  
Sinopse:
Scott Briggs (Robert Duvall) é um velho rancheiro texano que se considera um bom homem, honesto, cristão e honrado. Um sujeito da velha escola com seus valores tradicionais e conservadores. Ele tem três filhos e sonha que sua extensa propriedade seja levado adiante por eles, como manda a tradição no Texas. Agora, no final de sua vida, precisa lidar com uma investigação policial de um caso de desaparecimento de um de seus ex-empregados. O jovem sumiu após Briggs descobrir que ele estava tendo um caso com seu próprio filho, Ben (James Franco), que sempre teve uma relação conturbada com seu pai pelo fato de ser homossexual. Teria o velho Briggs alguma ligação com o sumiço desse jovem no passado?

Comentários:
"Wild Horses" é um projeto bem pessoal do ator Robert Duvall. Ele dirigiu, produziu, atuou e escreveu o roteiro do filme. Para completar ainda escalou sua própria esposa, Luciana Pedraza (aqui surgindo nos créditos como Luciana Duvall), para interpretar a Texas Ranger que resolve reabrir um velho caso de desaparecimento envolvendo o ex-empregado de um rancheiro rico e próspero da região. Por falar nisso o personagem de Duvall é um presente e tanto para qualquer grande intérprete. O ator dá vida a um homem com valores firmes e sólidos, tipicamente texanos, que precisa lidar com um filho homossexual. Em um ambiente rural, conservador e rústico como aquele isso seria a última coisa que ele poderia esperar. O conflito se instala rapidamente e o choque de gerações e valores se torna cada vez mais forte. Em pouco tempo a situação vai ficando insuportável para ambas as partes e Ben Briggs (Franco) resolve ir embora. Anos depois retorna ao rancho pois seu velho pai deseja fazer algumas modificações em seu próprio testamento, o que faz ressurgir velhos fantasmas do passado. Para piorar ainda mais a tensa relação entre eles, Ben desconfia que seu pai teve algo a ver com o desaparecimento de Jimmy Davis, um antigo capataz da fazenda que teve um caso amoroso com ele no passado. Com uma nova policial na cidade, disposta a reabrir velhos casos arquivados, o cerco vai cada vez mais se fechando sobre o velho Briggs. Robert Duvall assim encarna esse veterano que precisa viver em um mundo que se parece cada vez menos com o que ele aprendeu a viver. Os valores se modificaram e de repente tudo o que ele acreditava ser o certo vai sendo colocado de lado. É um bom homem que pensa estar fazendo o certo, mas que se vê enganado por seus próprios instintos e atos impensados. O argumento obviamente procura explorar algo que é mais comum do que se pensa, as tensões familiares que surgem quando uma pessoa resolve se assumir gay. O melhor desse roteiro é que ele não levanta bandeiras e nem sai defendendo a causa gay de forma ostensiva e panfletária, o que tornaria tudo muito chato e maçante. Ao contrário disso se contenta em apenas explorar e mostrar uma situação de conflitos que surge dentro dessa família para tirar o melhor proveito disso. A mensagem assim fica nas entrelinhas, nunca ofendendo a inteligência do espectador. Será esse, em última análise, que irá entender e tirar suas próprias conclusões do que está assistindo. Assim o próprio público poderá criar uma certa identificação tanto com o personagem de Duvall, o velho rancheiro conservador, como com seu filho Ben, representando essa nova mentalidade de ser da sociedade. O resultado final é muito bom, um belo filme que toca em assuntos importantes. Assista e escolha seu lado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Wyatt Earp - O Retorno a Tombstone

Título no Brasil: Wyatt Earp - O Retorno a Tombstone
Título Original: Wyatt Earp - Return to Tombstone
Ano de Produção: 1994
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Broadcasting System (CBS)
Direção: Paul Landres, Frank McDonald
Roteiro: Daniel B. Ullman, Rob Word
Elenco: Hugh O'Brian, Harry Carey Jr, Bruce Boxleitner, Paul Brinegar, Bo Hopkins, Don Meredith
  
Sinopse:
Anos depois de ter ido embora da cidadezinha de Tombstone, o ex-xerife Wyatt Earp (Hugh O'Brian) retorna para o lugar que o tornou célebre dentro da mitologia do velho oeste americano. A região está diferente, a cidade cresceu e novos colonos se mudaram para lá em busca de uma vida melhor. Velhas rixas porém se negam a morrer e a volta de Earp a Tombstone revive velhas rivalidades que voltam à tona com sua presença. Um clima de duelo e acerto de contas começa então a pairar sobre as ruas empoeiradas de Tombstone.

Comentários:
A história do xerife Wyatt Earp (1858 - 1929) se recusa a morrer. De tempos em tempos novos filmes são feitos, tentando recontar a história desse homem da lei. Nesse telefilme americano exibido pelo canal CBS nos anos 90 temos algumas peculiaridades bem interessantes. Uma delas foi o uso de cenas antigas do seriado "The Life and Legend of Wyatt Earp" (1955) nos flashbacks da produção. Sempre que o xerife Earp lembra de algum evento de sua passado surgem essas sequências da série dos anos 50 como complemento de suas recordações. Como a série original foi exibida em preto e branco a CBS resolveu colorizar as partes que foram usadas nesse filme. É um tipo de homenagem e resgate de um dos programas americanos mais populares de sua época. O curioso é que mesmo tendo em vista esse recurso narrativo o fato é que "Wyatt Earp - Return to Tombstone" funciona também muito bem como um complemento a todos os filmes já feitos sobre esse personagem histórico. Isso se deve ao fato de que nas produções antigas (e também nas atuais) os roteiros terminam no duelo do OK Curral, não se importando muito em contar o que aconteceu depois disso (com a honrosa exceção do filme de Kevin Costner que foi além). Assim o roteiro desse filme avança muito a frente do que estamos acostumados a ver. É, em suma, um bom faroeste, valorizado pelas ótimas paisagens naturais do Arizona. Chegou a ser lançado no Brasil em DVD, mas hoje em dia é uma filme bem complicado de se achar. Se tiver a oportunidade de assistir não deixe passar em branco.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Christopher Lee

Christopher Lee
Nascido em berço de ouro no bairro de Belgravia, em Londres no dia 27 de maio de 1922, como Christopher Frank Carandini Lee, Christopher Lee, ou melhor, "Sir" Christopher Lee (título que lhe foi conferido em 2009 pelo conjunto de sua brilhante obra), era filho de um tenente coronel da Guarda Real britânica e da condessa Estelle Mari Carandini di Sarzano. Passou a infância na Suíça, após o divorcio de seus pais. De volta a Londres, sua mãe se casou com o banqueiro Harcourt Ingle Rose, tio de outro mito do século XX, o escritor Ian Fleming, criador de James Bond. Iniciou sua carreira artística exatamente onde são forjados todos os grandes atores ingleses: No teatro. Mas antes de brilhar nos palcos e nos cinemas, Lee voluntariou-se para servir ao exército finlandês na Segunda Guerra Mundial, em 1939, durante 5 anos. "Aquilo sim foi horror e sangue de verdade. Quando a Segunda Guerra terminou eu tinha 23 anos e já tinha visto, em 1939, quando tinha apenas 17, desgraça suficiente para o resto da minha vida. Vi coisas terríveis, pavorosas, sem dizer uma palavra sequer. Portanto, ver terror e sangue em set de filmagem não me afeta muito". Disse, sobre gênero que o tornou mítico.

Lee costumava dizer a todos, que assistira pessoalmente à última execução pública na França em 1939. Em 1958, aos 36 anos, Lee assinou com a produtora inglesa Hammer Film Productions para interpretar uma série de filmes sobre Drácula. Foram 11 filmes no total sobre o demoníaco príncipe da Transilvânia. Dono de uma voz poderosa e cavernosa, além de um incrível carisma e presença física, Cristopher Lee alcançou sucesso imediato e mundial na pele de um Drácula charmoso, janota e sensual. Em 1969 o famoso diretor Billy Wilder fez-lhe um convite pessoal para que Lee desse uma folga para o vampiro e fosse para Hollywood interpretar Mycroft Holmes - irmão do famoso detetive Sherlock Holmes - no ótimo longa  "A Vida Íntima de Sherlock Holmes", lançado em 1970 e com direção do próprio Wilder.  Em 1974 consolidou-se de forma definitiva como vilão quando encarnou o bandidão, Francisco Scaramanga, em "007 Contra o Homem da Pistola de Ouro", com Roger Moore em seu segundo papel como James Bond. Scaramanga ainda é um dos maiores rivais da saga do agente 007. Em 2001 volta a brilhar na fantástica trilogia "O Senhor dos Anéis" na pele do poderoso Saruman, líder dos magos Istari. Em 2002, vive Count Dooku, numa das franquias mais famosas do cinema: "Star Wars: Episódio 2 - Ataque dos Clones". Papel que Lee voltaria a encarnar em 2005, já com 83 anos, em "Star Wars: Episódio 3 - A Vingança dos Sith".

Pouco antes de morrer, Lee declarou numa entrevista: - "Toda uma nova carreira se iniciou quando entrei para O Senhor dos Anéis e Star Wars -". Como um legítimo inglês, Christopher Lee era amante de rock, mais especificamente do gênero heavy metal. Em dezembro de 2013, transformou-se no intérprete mais idoso com uma canção nas paradas de sucessos norte-americana da Billboard com Jingle Hell, faixa presente no single "A Heavy Metal Christmas Too". E em 2014 comemorou seu 92º aniversário com o lançamento de um álbum de heavy metal, intitulado “Metal Knight”. O disco foi seu terceiro trabalho musical solo, todos voltados ao universo do rock.

O personagem que mais encantava Christopher Lee era o anti herói espanhol Dom Quixote. Numa entrevista em 2009, Lee, disse: “O público espanhol poderia me aceitar nesse personagem? É um sonho, e infelizmente estou ultrapassando um pouco a sua idade. Mas tenho sua cara e entendo perfeitamente o seu comportamento. Um homem com grande força, que trata cada mulher como se fosse uma princesa. Uma história maravilhosa”. E afirmava: “Vivo no presente, não no passado. Não estou preso em casa recordando minhas décadas de trabalho. Digo sempre aos atores jovens: ‘Façam o melhor que puderem’. É melhor ser profissional que ter talento".

Segundo nota da edição do dia 11 de junho de 2015, da publicação britânica "Telegraph", Lee faleceu no hospital Chelsea e Westminster, em Londres, onde estava internado em decorrência de problemas respiratórios. O anúncio da morte do artista demorou a sair porque a mulher dele, a ex-atriz e modelo Gitte Lee, decidiu esperar até que todos os parentes próximos fossem avisados. O casal ficou junto por mais de 50 anos e teve uma filha, Christina Erika Lee, de 53 anos.

Que Deus ilumine sua alma e obrigado por tudo, Christopher Lee. Descanse em paz...

Telmo Vilela Jr.

domingo, 14 de junho de 2015

Papa Francisco se encontra com membros do Clero Católico em Roma

(Vaticano) - O Papa Francisco se reuniu nesse domingo com membros do clero católico na Arquibasílica de São João de Latrão em Roma. O encontro contou com mais de mil sacerdotes provenientes de mais de noventa países. O Papa Francisco aproveitou o momento para em duas horas ministrar uma grande palestra para os presentes. Os sacerdotes estão reunidos para um retiro patrocinado pela Renovação Carismática Católica Internacional e pela Fraternidade Católica. O tema era a evangelização. Mas o Papa aproveitou a oportunidade para falar sobre uma variedade de outros temas também. O Papa começou chamando a atenção para o ambiente interno da Igreja. Em sua maneira de ver os pensamentos diferentes entre os membros do clero são bem-vindos. É natural que dentro da própria Igreja existam opiniões diferentes, argumentos diversos. Para o Papa uma Igreja sem esse tipo de contraste de ideias está morta, é um cemitério. Depois o Papa ressaltou mais uma vez a importância do papel das mulheres dentro da Igreja. "Elas são uma graça, afinal a Igreja é mãe, noiva, mais importante dos que os próprios apóstolos." - explicou o Papa.

Após essa abertura Francisco chamou atenção para que todos os sacerdotes sempre coloquem Deus em primeiro lugar nas suas vidas. Mesmo quando estão cansados, mesmo quando caírem em pecado, o sacerdote católico não pode desanimar de sua missão e nem ter medo de Deus. Para o Papa, Deus está sempre disposto a ajudar, a ouvir os choros e os pedidos de perdão. "Deus é terno e misericordioso!" - explicou Francisco. Um dos aspectos mais interessantes desse encontro é que o Papa fez questão de que os bispos se sentassem ao lado dos padres na plateia, todos misturados. Nada de lugares reservados ou lugares Vips. Essa foi a forma encontrada por Francisco para que todos estivessem e se sentissem no mesmo plano de importância, independente de seu título ou cargo dentro da Igreja Católica. O Papa Francisco aproveitou inclusive para fazer algumas comparações divertidas entre as diferenças entre padres e bispos dentro da hierarquia da Igreja, demonstrando no final de tudo que não deveria haver diferenças, já que todos eram iguais perante Deus.

O Papa Francisco deixou claro que o caminho do evangelho passa pelo amor, pelo cuidado para com os fiéis, em especial idosos, doentes, pessoas pobres e sem recursos. Para ele não pode haver escárnio ou desprezo dentro de um verdadeiro caminho que leve a Deus. Isso não seria o verdadeiro evangelho. Francisco ressaltou: "Existe tanta miséria no mundo! Essa miséria não é apenas material, está inclusive na alma dos ricos! Como eu desejaria que todos fossem livres e não escravos de seu próprio dinheiro". Depois Francisco dedicou algumas palavras sobre a Encíclica sobre o meio ambiente que será lançada na próxima semana. Francisco deixou claro que deseja que sua mensagem chegue aos mais diversos recantos do mundo, inclusive na África, continente que ele revelou ter vontade de conhecer em breve, talvez no outono próximo. O Papa aproveitou ainda a oportunidade para comunicar que muito provavelmente visitará a República Centro-Africana, Uganda e Quênia. Também chamou a atenção para os diversos problemas que muitos países africanos enfrentam na atualidade. O Ocidente deve olhar para o continente e promover políticas de ajuda, evitando assim que o número de refugiados aumente a cada ano.

Por fim, depois de falar por mais de duas horas, o Papa Francisco disse que iria terminar seu discurso para não aborrecer os membros do clero que estavam presentes. Todos riram. O Papa se despediu lembrando da importância da festa do sagrado coração de Jesus e do dia mundial de oração para a santificação dos sacerdotes que está sendo celebrada nas mais diversas paróquias católicas ao redor do mundo. Finalizando Francisco deixou as seguintes palavras: "Deixe-se ser amado por Deus! Sua presença nos atrai para os laços do amor. Ele veio ao nosso mundo e nos libertou da escravidão do pecado"

Pablo Aluísio.

A Saga de um Fugitivo

Título no Brasil: A Saga de um Fugitivo
Título Original: Desperado
Ano de Produção: 1987
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Television
Direção: Virgil W. Vogel
Roteiro: Elmore Leonard
Elenco: Alex McArthur, David Warner, Yaphet Kotto
  
Sinopse:
O cowboy Duell McCall (Alex McArthur) é injustamente acusado de um crime que não cometeu. Tentando fugir da cadeia, ao mesmo tempo em que tenta provar sua inocência, ele atravessa os desertos do Arizona em busca de justiça. Filme baseado na famosa canção "Desperado" do grupo de rock-country The Eagles.

Comentários:
Telefilme americano lançado no Brasil em VHS pelo selo CIC (que era especializado em lançar no mercado brasileiro filmes dos estúdios Paramount e Universal). Em termos gerais fica claro desde o começo que o filme tenta seguir os passos de "Silverado", um faroeste que fez muito sucesso nos cinemas durante a década de 1980. A diferença básica é que aqui o orçamento foi bem mais modesto, uma vez que o filme foi realizado para ser exibido na TV americana. Mesmo assim há coisas interessantes nessa produção. Uma delas é o fato de seu roteiro ter sido escrito pelo grande Elmore Leonard, roteirista veterano de filmes de western onde se destacam clássicos como "Galante e Sanguinário", "Quando os Bravos se Encontram" e "Hombre". Além de roteirista aclamado ele também foi um produtivo escritor, tendo vários de seus livros adaptados para o cinema. Nesse aqui ele usou como matéria prima uma música do grupo The Eagles. Conforme ele próprio explicou: "Assim que ouvi essa canção pensei em um roteiro completo. Todos os elementos estavam lá. Só era necessário escrever a adaptação!". Dito e feito, acabou escrevendo um ótimo roteiro, bem melhor do que o próprio filme. Quem sabe um dia esse texto não ganhe um remake mais bem produzido? É esperar para ver.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros

Título no Brasil: Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros
Título Original: Jurassic World
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Amblin Entertainment, Legendary Pictures
Direção: Colin Trevorrow
Roteiro: Rick Jaffa, Amanda Silver
Elenco: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Ty Simpkins
  
Sinopse:
Duas décadas depois dos trágicos acontecimentos vistos em "Jurassic Park" há um novo parque temático em funcionamento na Costa Rica, chamado Jurassic World. Sucesso de público, a empresa que administra o parque temático investe em novos dinossauros, não se contentando em apenas recriar espécies do passado, mas também criando novas criaturas em laboratório. Afinal de contas uma nova atração certamente traria mais lucros para a empresa. Fruto de engenharia genética, o Indominus rex é a grande aposta para atrair um novo público. Criado a partir de combinações de animais diferentes o novo dinossauro mostra ter uma inteligência acima da média, além de uma ferocidade jamais vista antes.

Comentários:
Quarto filme da franquia "Jurassic Park". Os roteiristas resolveram ignorar os acontecimentos das partes 2 e 3 e criaram um ponte direta com o primeiro filme. Embora Steven Spielberg não tenha dirigido "Jurassic World", preferindo só atuar como produtor executivo, o que temos aqui é uma obra com a marca registrada do cineasta. Talvez por isso também não seja um filme muito inovador, procurando mesmo repetir as velhas fórmulas do passado. Os personagens humanos, vamos colocar desse modo, não são muito interessantes. Há duas irmãs, sendo uma delas a executiva que cuida do parque. Ela tem que conviver por alguns dias com seus sobrinhos, mas não encontra muito tempo para isso. Na verdade nem está muito preocupada com esse tipo de coisa, pois é uma mulher moderna que não está definitivamente muito preocupada em ter filhos ou se casar, preferindo investir em sua carreira, ao contrário da irmã que virou uma dona de casa típica (e pra lá de chata). Os garotos são protagonistas típicos dos filmes de Spielberg, jovens de famílias suburbanas que estão enfrentando alguns problemas como o iminente divórcio do pais (velha obsessão de Steven, presente em praticamente todos os seus filmes com personagens jovens, talvez impulsionado pelo fato de que os próprios pais do diretor se divorciaram quando ele era garoto, criando um certo trauma em sua mente!). Por fim há um ex-militar, Owen (Chris Pratt de "Guardiões da Galáxia"), que está promovendo um treinamento básico para velociraptors. Uma das boas cenas do filme surge justamente quando um funcionário do parque cai acidentalmente na jaula dos animais e Owen precisa colocar em prática suas técnicas de treinamento. Bom, a verdade porém é que ninguém vai ver algum filme de "Jurassic Park" em busca de personagens profundos ou psicologicamente interessantes, mas sim para ver os dinossauros. O primeiro a surgir em cena leva cerca de vinte minutos de filme para aparecer, o que deixará a garotada meio frustrada. Depois disso as grandes novidades são mesmo o novo dino geneticamente modificado Indominus rex e um grupo de velociraptors que parecem responder a um treinamento de adestramento (por mais absurdo que isso possa parecer!). Essa foi a forma encontrada pelos roteiristas para reaproveitar mais uma vez esses predadores pré-históricos que tanto sucesso fizeram nos filmes anteriores. Uma maneira de colocá-los ao lado dos mocinhos na história. Outros monstros jurássicos que se destacam são os pterodáctilos que promovem um verdadeiro massacre quando são libertados de seu aviário (esses dinossauros alados já tinham se destacado na parte 3 da franquia). Cheio de erros e equívocos científicos por todos os lados (não vá levar nada do que vê em cena muito à sério), "Jurassic World" se mostra acima de tudo como uma boa diversão, para assistir no cinema comendo pipoca sem stress. O resultado final é bom, mas nada excepcional. De todos os filmes da série "Jurassic Park" ele se apresenta superior apenas a "Jurassic Park 3", sendo superado por boa margem por todos os demais. O enredo simples ao extremo demonstra que os produtores não estavam em busca de nada marcante, mas apenas a produção de mais um blockbuster do circuito comercial, com tudo o que de ruim e quadrado que isso possa significar.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.


sábado, 13 de junho de 2015

The Eichmann Show

Título Original: The Eichmann Show
Título no Brasil: Ainda Não Definido
Ano de Produção: 2015
País: Inglaterra
Estúdio: British Broadcasting Corporation (BBC)
Direção: Paul Andrew Williams
Roteiro: Simon Block
Elenco: Martin Freeman, Anthony LaPaglia, Rebecca Front
  
Sinopse:
O filme acompanha os preparativos e filmagens do julgamento do Coronel Nazista Adolf Eichmann em 1961, após ele ser capturado por agentes israelenses na Argentina, onde o criminoso de guerra se escondia há anos. Esse foi um dos primeiros julgamentos a serem transmitidos para todo o mundo pela televisão, causando comoção e indignação internacionais por causa das testemunhas do holocausto que contaram seus dramas e as atrocidades que sofreram em campos de concentração por toda a Europa. Também foi a primeira vez que a TV transmitiu as cenas captadas por tropas americanas em campos da morte como Auschwitz e Treblinka. Filme baseado em fatos reais.

Comentários:
Adolf Eichmann (1906 - 1962) foi um dos principais mentores da chamada "solução final para o problema judeu na Alemanha nazista". O nome pomposo camuflou um dos maiores crimes da história da humanidade, quando o regime nazista decidiu eliminar os judeus que lotavam seus campos de concentração. Para isso criou-se as câmaras de gás e toda uma estrutura direcionada para a destruição do povo judeu. Adolf Eichmann era um tenente-coronel da SS que se empenhou pessoalmente para que o holocausto nazista se tornasse operacional e eficiente. Durante a guerra ele e seus subordinados promoveram todos os tipos de crimes, levando à morte idosos, crianças e mulheres que eram deportados de toda a Europa para os campos de concentração nazistas. Quando a guerra chegou ao final ele conseguiu fugir como centenas de outros criminosos de guerra. No começo da década de 1960 os israelenses finalmente o acharam, vivendo escondido na América do Sul, na Argentina. Preso e enviado para israel ele foi levado a julgamento por crimes contra a humanidade. O roteiro de "The Eichmann Show" explora um aspecto diferente desse julgamento, a do trabalho desenvolvido pelo produtor Milton Fruchtman (Martin Freeman) e do diretor Leo Hurwitz (Anthony LaPaglia) em registrar todos os detalhes do julgamento, realizando aquele que foi considerado o primeiro documentário televisivo da história. E é justamente na oportunidade de se assistir a cenas reais captadas no julgamento de Eichmann que se encontra o grande atrativo para se conhecer essa produção. O diretor Hurwitz era um americano judeu que havia entrado na lista negra do Macartismo e por essa razão não conseguia mais encontrar trabalho nos Estados Unidos. Sem chance no mercado americano ele acabou indo para Israel para dirigir as filmagens desse evento histórico. O interessante é que Hurwitz tinha esperanças em captar para a posteridade algum sinal de humanidade no infame criminoso nazista. Por essa razão estava sempre muito preocupado em que seus cameramens sempre o focassem em close. Para sua decepção porém não conseguiu captar nada, nenhuma lágrima, nenhum sinal de remorso ou arrependimento, nem mesmo um sorriso irônico na face de Eichmann que confirmasse sua personalidade psicopata. Ao contrário disso só encontrou uma frieza impressionante no sujeito. Já para o produtor Fruchtman o mais importante era realizar um bom trabalho, mesmo sob condições adversas, incluindo aí ameaças de morte feitas contra ele e sua família. A produção desse filme é da BBC, então não é necessário se preocupar com qualidade técnica, pois essa é certamente garantida. No final de tudo a grande lição que fica é a de que os nazistas não estavam em busca de humanidade ou redenção, mas sim colocar em prática seus planos fanáticos, por mais absurdos e sanguinários que fossem. Alguns deles foram realmente nazistas até o fim, até o seu último suspiro na forca.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Um Estado de Liberdade - Free State of Jones

Está em cartaz nos cinemas brasileiros o western histórico "Um Estado de Liberdade". O filme mostra a história (baseada em fatos reais) do soldado confederado Newton Knight (Matthew McConaughey). Durante a guerra civil ele testemunha todas as atrocidades de um dos mais sangrentos conflitos armados da história. Depois da morte de um parente, que era apenas um garoto, mal saído da infância, ele decide largar tudo.

Coloca sua farda cinza de lado, monta em seu cavalo e vai embora, se tornando um desertor. Dentro do exército sulista a deserção era punida com a pena de morte. Para não ser enforcado ele então parte para os pântanos de seu estado natal, onde acaba encontrando um grupo de escravos negros fugidos.

Da convivência vem a aproximação e Newton acaba formando seu próprio bando de resistência, cuja única bandeira são eles mesmos e sua luta pela liberdade. O filme também explora a vida de um dos descendentes de Newton, cujos direitos são contestados no tribunal por ele ter tido descendência negra - algo muito bem explicado pela próprio roteiro do filme que mostra duas linhas narrativas históricas.

No geral é um bom filme, valorizado pela lição histórica que apresenta. Infelizmente não obteve sucesso nos cinemas americanos. Como sabemos aquele país vive um momento político turbulento, principalmente depois das recentes eleições presidenciais. Assim o público não parece muito interessado nessa temática, tanto que outro filme, também com tema semelhante, "O Nascimento de uma Nação", igualmente fracassou nos cinemas. Ignore tudo isso e procure conferir esse filme, pois ele tem seus méritos cinematográficos. Particularmente gostei bastante do resultado.

Um Estado de Liberdade (Free State of Jones, Estados Unidos, 2016) Direção: Gary Ross / Roteiro:  Leonard Hartman, Gary Ross / Elenco: Matthew McConaughey, Gugu Mbatha-Raw, Mahershala Ali / Sinopse: Soldado confederado foge do campo do batalha e se refugia em um pântano, onde acaba se unindo a um grupo de escravos negros fugitivos, onde forma sua própria milícia de luta pela liberdade. Roteiro baseado em fatos históricos reais.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

No Vale da Violência

A primeira coisa que notei quando esse faroeste começou foi o fato dele ter sido produzido pela companhia Blumhouse Productions. Essa empresa é especializada na produção de filmes de terror. Pelo visto estão ampliando o leque de gêneros, apostando agora no bom e velho western. Bom saber disso. Pois bem, "No Vale da Violência" tem várias referências dos filmes clássicos, principalmente aos das décadas de 1960 e 1970. O roteiro aposta novamente na figura do estranho sem nome (alguém aí lembrou de Clint Eastwood?), aquele sujeito sem passado e sem nome que chega numa cidadezinha do velho oeste.

Acompanhado apenas pelo seu cão, o forasteiro interpretado por Ethan Hawke chega nesse lugar desolado. A maioria da população foi embora após o fim do carimbo de prata e tudo o que ficou para trás se resume em uma cidadela decadente e abandonada. Após entrar no saloon o desconhecido acaba topando por mero acaso com o valentão da cidade, um idiota chamado Gilly (James Ransone). Ele é filho do xerife e se acha o bonzão dos gatilhos, mas no fundo não passa mesmo de um imbecil. Ao provocar o recém chegado forasteiro acontece o que todos já esperavam, ele leva uma tremenda surra na rua principal da cidade.

O xerife do lugar, pai do sujeito que apanha até dizer chega, é interpretado por John Travolta. Com perna de pau (pois ele perdeu a sua durante a guerra civil), o velho e cansado homem da lei é até um sujeito polido. Ele logo descobre que o cavaleiro desconhecido provavelmente seja um militar do exército americano por causa de seu rifle e outros instrumentos que carrega em sua sela de cavalo. Por isso evita maiores confusões. Assim o personagem de Ethan Hawke simplesmente aceita a sugestão de ir embora da cidade, sem problemas. Tudo estaria acertado se o filho do xerife (sempre agindo como um perfeito estúpido) não fosse atrás do pistoleiro no meio do deserto, dando origem a um verdadeiro banho de sangue na cidade.

"No Vale da Violência" é um bom filme de western. Há elementos em seu roteiro que certamente vão agradar aos fãs do estilo. Minha única crítica mais consistente a esse filme vem da escolha do protagonista. O ator Ethan Hawke não me pareceu muito adequado a esse papel. Ele tem um estilo de interpretação mais fragilizado, mais sutil, ele próprio não tem o aspecto físico que um pistoleiro como esse exige. Melhor se sai Travolta, com seu xerife durão, mas justo. No final a diversão se torna garantida, principalmente quando todos resolvem acertar suas contas pelas ruas daquele lugar esquecido por Deus. Está bem recomendado se você gosta de faroestes.

No Vale da Violência (In a Valley of Violence, Estados Unidos, 2016) Direção: Ti West / Roteiro: Ti West / Elenco: Ethan Hawke, John Travolta, Taissa Farmiga, James Ransone / Sinopse: Um forasteiro chega numa velha cidade do oeste americano e acaba entrando em atrito com o filho do xerife, dando origem a uma rixa sanguinária e brutal.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.