sábado, 28 de dezembro de 2013

Obsessão

Título no Brasil: Obsessão
Título Original: The Paperboy
Ano de Produção: 2012
País: Estados Unidos
Estúdio: Millennium Films, Nu Image Films
Direção: Lee Daniels
Roteiro: Lee Daniels, Peter Dexter
Elenco: Matthew McConaughey, Nicole Kidman, John Cusack, Zac Efron, David Oyelowo 

Sinopse:
Hillary Van Wetter (John Cusack) é condenado à morte por supostamente ter assassinado o xerife de uma cidadezinha da Flórida. Convencidos de sua inocência, dois jornalistas investigativos, Ward (Matthew McConaughey) e Yardley (David Oyelowo) ao lado do jovem Jack Jansen (Zac Efron) e da namorada do condenado, Charlotte Bless (Nicole Kidman), resolvem ir a fundo nas investigações para colher provas que inocentem Hillary. A verdade porém não será tão simples assim de encontrar.

Comentários:
Bom filme que apesar do interessante e até mesmo realista roteiro não irá certamente agradar a todos, principalmente o público que deseja ver um belo e convencional final feliz. A trama se passa nos anos 60, em uma região isolada, pantanosa, do calorento estado da Flórida. O espectador é levado todo o tempo a acreditar numa tese sobre a verdadeira morte do xerife local mas isso é apenas uma parte do que será revelado. É um enredo bem escrito e com reviravoltas que para alguns serão radicais demais. Mesmo assim não há como negar que a estória envolve e agrada. O elenco é excepcionalmente muito bom. Nicole Kidman interpreta uma personagem bem distante de seus últimos trabalhos onde a classe e a elegância eram os pontos fortes. Sua Charlotte Bless é uma mulher obsessiva por se apaixonar por homens condenados, prisioneiros no corredor da morte. Ela é a imagem da mulher beirando a vulgaridade da década de 60, sempre se envolvendo com os homens errados. Zac Efron surge como o jovem que se apaixona platonicamente por ela - uma paixão que lhe dará muitos desgostos e tragédias em sua vida pessoal. Apesar de certos exageros no desenrolar de tudo gostei bastante do filme. Certamente não agradará a todos, como já frisei, mas quem embarcar na proposta do diretor certamente vai gostar do resultado final.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Vingança

Título no Brasil: A Vingança
Título Original: Kid Vengeance
Ano de Produção: 1977
País: Estados Unidos, Israel
Estúdio: Cannon Group
Direção: Joseph Manduke
Roteiro: Ken Globus, Bud Robbins
Elenco: Lee Van Cleef, Jim Brown, Leif Garrett

Sinopse: 
Bando de ladrões, assassinos e estupradores encontra uma família viajando pelo deserto. Após matar sua única vaca resolvem continuar seus atos criminosos. Estupram a mãe e matam o pai. O caçula da família porém escapa pois estava no momento caçando nas montanhas da região. Ao voltar e presenciar tudo resolve partir para a vingança contra todos aqueles facínoras.

Comentários:
A produtora Cannon se notabilizou pelas fitas de ação que produziu para astros de pancadaria ao estilo Chuck Norris mas também se aventurou por outros estilos como esse western filmado em Israel com uma equipe americana. Logo nas primeiras cenas fica muito claro que o objetivo do filme é recriar o clima dos faroestes spaghettis. O roteiro, a edição e a trilha sonora lembram isso a todo tempo para o espectador. Lee Van Cleef também está no elenco para ninguém ter a menor dúvida sobre esse aspecto. Aliás o ator surge nas cenas com uma esquisita bandana sobre a cabeça, sem chapéu e ostentando sua careca com orgulho o tempo todo. O título original do filme é bem explicativo, "Kid Vengeance", um garoto que parte em busca de vingança após a morte de seus pais de forma brutal pelo bando de foras-da-lei comandados pelo personagem de Cleef. O curioso é que para aparentar ser ainda mais antigo os produtores resolveram envelhecer propositalmente a película do filme, dando um aspecto de surrado e sujo ao produto final. A verdade porém é que o resultado final não consegue ser grande coisa. Com muitos clichês "A Vingança" perde mesmo simplesmente por não ser um western spaghetti legítimo. Quem diria que um dia os americanos iriam imitar os italianos sem êxito...

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O Mordomo da Casa Branca

Título no Brasil: O Mordomo da Casa Branca
Título Original: The Butler
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Follow Through Productions
Direção: Lee Daniels
Roteiro: Danny Strong, Wil Haygood
Elenco: Forest Whitaker, Oprah Winfrey, John Cusack, Mariah Carey, Vanessa Redgrave, Cuba Gooding Jr, James Marsden, Alan Rickman, Jane Fonda

Sinopse: 
Baseado em fatos reais o filme conta a história de Cecil Gaines (Forest Whitaker), pobre e negro, nascido em um dos estados sulistas mais racistas dos Estados Unidos. Após testemunhar seu pai ser morto por um branco que não sofreu qualquer condenação por esse assassinato, ele começa a aprender uma nova profissão, a de serviçal na fazenda rural onde mora. Conforme os anos passam ele começa a melhorar de vida, inclusive trabalhando em grandes hotéis, até ser admitido para ser mordomo na Casa Branca, exercendo essa função por mais de 30 anos.

Comentários:
Filme que tem causado grande repercussão nos Estados Unidos. Não é para menos já que conta a história do homem que vê sua vida passando, servindo como mordomo da Casa Branca, ao mesmo tempo em que vai testemunhando as mudanças sociais pelas quais passa a sociedade americana. Ele chega na Casa Branca durante a presidência de Dwight D. Eisenhower, ainda nos anos 1950, e só se aposenta durante os anos presidenciais do republicano Ronald Reagan. O roteiro é extremamente bem escrito e mostra nos dois filhos de Cecil o destino de muitos jovens negros daquela época. Um deles se torna ativista, entra para os Panteras Negras e começa a lutar pelos direitos civis dos negros. O outro resolve ir por um caminho diferente e se torna soldado do exército americano durante a Guerra do Vietnã. Com isso a família de Cecil acaba sendo um alegoria do que foi toda a história dos negros americanos durante aqueles anos turbulentos.

Conforme a imprensa dos EUA revelou recentemente alguns eventos mostrados no filme são meramente ficcionais mas isso em nada diminui a ótima qualidade cinematográfica desse "O Mordomo da Casa Branca". Em termos de elenco o espectador encontrará uma galeria de estrelas mas como não poderia ser diferente quem rouba todas as atenções é mesmo o ator Forest Whitaker no papel principal. Ele tem uma atuação magistral mostrando o mordomo Cecil desde sua juventude até seus dias de velhice e aposentadoria. A apresentadora de TV Oprah Winfrey interpreta sua esposa e se saí muito bem. Embora não sejam parecidos fisicamente com os personagens que interpretam os atores John Cusack (Nixon), James Marsden (Kennedy) e Alan Rickman (Reagan) conseguem trazer para o filme a essência dos presidentes que interpretam. A direção também é muito bem realizada, procurando nunca cair na pieguice mas sem perder a emoção em nenhum momento. Enfim, grande filme, bela mensagem e uma forma muito didática e agradável de contar parte da história americana do século XX. Seja você ativista ou não, assista, pois é uma excelente obra cinematográfica.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A Família

Título no Brasil: A Família
Título Original: The Family
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos, França
Estúdio: EuropaCorp, Relativity Media
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson, Michael Caleo
Elenco: Robert De Niro, Michelle Pfeiffer, Tommy Lee Jones, Dianna Agron

Sinopse: 
Giovanni Manzoni (Robert De Niro) e sua família chegam no norte da França, na Normandia, para tentar recomeçar mais uma vez suas vidas. Eles entraram no programa de proteção às testemunhas do FBI após Manzoni entregar toda a sua família mafiosa de Nova Iorque. Na nova cidade os garotos tentam se acostumar com a nova escola enquanto Manzoni resolve assumir a nova identidade de Fred Blake que seria supostamente um escritor americano escrevendo sobre o famoso Dia D quando a França finalmente foi libertada por tropas aliadas.

Comentários:
Sempre gostei muito do cinema de Luc Besson. Desde o primeiro filme que vi dele (Imensidão Azul, ainda nos anos 80) pude perceber que ele é um dos poucos cineastas em atividade que ainda conseguiam realizar obras que aliavam o clima mais cult com a boa e velha cultura pop. Aqui isso se repete. Besson na verdade faz quase uma homenagem à persona de Robert De Niro no cinema. Seu mafioso é uma sátira-homenagem aos grandes papéis que interpretou ao longo de sua grande carreira. Isso se torna muito claro quando De Niro vai ao lado de Tommy Lee Jones para um debate sobre grandes clássicos do cinema americano e o filme exibido é nada mais, nada menos, do que o grande clássico "Os Bons Companheiros" de Martin Scorsese que tinha no elenco justamente... sim, ele mesmo... Robert De Niro! Usando sempre dessa excelente ideia o filme consegue divertir e dar uma boa sensação aos fãs de cinema em geral pois seu clima de fino humor negro combina muito bem com sua proposta de divertir e homenagear ao mesmo tempo. Gostei bastante do resultado final pois em alguns aspectos temos uma gama incrível de referências bem humoradas sobre filmes da máfia em geral que vão desde "Donnie Brasco", passando por filmes sobre mafiosos de Scorsese chegando até o sucesso da HBO "The Sopranos". Um ótimo programa certamente. Há tempos que De Niro não soava tão satisfatório como nessa película. Está recomendado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Sleepy Hollow

Título no Brasil: Sleepy Hollow 
Título Original: Sleepy Hollow 
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox Television
Direção: Paul A. Edwards, Ken Olin
Roteiro: Phillip Iscove, Alex Kurtzman, Roberto Orci
Elenco: Tom Mison, Nicole Beharie, Orlando Jones

Sinopse: 
Durante a guerra de independência dos Estados Unidos o soldado Ichabod Crane (Tom Mison) acaba decapitando um estranho mercenário inimigo mas na luta termina sendo morto também. Dois séculos e meio depois ressurge do mundo dos mortos para destruir o cavaleiro sem cabeça, o mesmo que havia matado no passado. A estranha criatura deve ser destruída pois caso encontre seu antigo crânio poderá abrir as portas para a chegada dos quatro cavaleiros do apocalipse nos dias atuais.

Comentários:
"Sleepy Hollow" traz para a TV a conhecida estória do cavaleiro sem cabeça. Como o universo de séries na TV americana é extremamente concorrido os roteiristas jogaram praticamente toda a trama já no episódio piloto. A intenção é certamente prender o espectador, criando um interesse para acompanhar os episódios seguintes. Por isso tudo soa meio apressado, jogado às pressas, sem tempo para tomar fôlego. Esse tipo de desenvolvimento honestamente não me agrada muito pois sempre preferi que tudo acontecesse aos poucos, em seu devido tempo. Mesmo assim, com esses problemas que entendo perfeitamente, pois é a eterna luta pela audiência, ainda consegui gostar do que vi. Se você gosta da versão do cinema, que tem uma direção de arte primorosa e muitos efeitos digitais, provavelmente vai achar tudo muito acanhando nesse campo. Mas releve esse tipo de comparação e tente gostar da nova série. Ainda é cedo para dizer se ela vai conseguir se firmar mas que tem potencial, certamente tem.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Boêmio Encantador

Título no Brasil: Boêmio Encantador
Título Original: Holiday
Ano de Produção: 1938
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: George Cukor
Roteiro: Donald Ogden Stewart, Sidney Buchman
Elenco: Katharine Hepburn, Cary Grant, Doris Nolan

Sinopse: 
Rapaz se apaixona por uma garota rica. Ela corresponde aos seus avanços mas ele teme ser rejeitada pela família milionária dela. Para superar isso ele decide elaborar um plano para ser executado durante um feriado muito especial.

Comentários:
Comédia romântica sofisticada da década de 1930 em que se destacam o elenco e a direção sempre muito elegante do mestre George Cukor. O casal formado pelos sempre ótimos Katharine Hepburn e Cary Grant esbanja charme e elegância em cena. Muito jovens ainda, eles literalmente carregam o filme nas costas, uma vez que não há como negar o roteiro é bem ingênuo e não muito bem escrito. Na verdade ele se apóia em um tipo de inocência social que hoje em dia soa até esquisito e sem muito nexo. Mesmo assim o espectador deve ter em mente que está assistindo a um filme que foi produzido há mais de 70 anos e por isso deve tentar se adequar ao contexto histórico social em que ele foi realizado. Por falar nisso um dos problemas que o cinéfilo terá que enfrentar é a má qualidade das cópias que sobreviveram ao desafio do tempo. O diretor Martin Scorsese trabalhou com sua equipe na restauração de filmes antigos e esse "Holiday" foi um deles. O resultado melhorou muito a qualidade da imagem e som mas obviamente por ser tão antigo há um limite para esse tipo de melhoria. Assim se você se interessa pela história do cinema não deixe de ver "Boêmio Encantador" nem que seja para apenas conhecer os trejeitos sociais daqueles tempos ou ver dois mitos do cinema ainda jovens e esbanjando sedução e charme em cena, tudo embalado por um fino humor dos anos 30.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Dinheiro Sangrento

Título no Brasil: Dinheiro Sangrento
Título Original: El kárate, el Colt y el impostor
Ano de Produção: 1974
País: Estados Unidos, Espanha, Itália, Hong Kong
Estúdio: Champion films, Harbor Productions
Direção: Antonio Margheriti
Roteiro: Miguel De Echarri, Barth Jules Sussman
Elenco: Lee Van Cleef, Lieh Lo, Patty Shepard

Sinopse: 
Ho Chiang (Lieh Lo), um mestre de artes marciais chinesas, se une a Dakota (Lee Van Cleef), um ás do gatilho e pistoleiro americano, para descobrir o paradeiro de um tesouro de ouro e prata escondido por bandoleiros do velho oeste no meio do deserto. No caminho enfrentarão muitos desafios e perigos.

Comentários:
Na década de 70, nos chamados "cinemas de bairro", dois tipos de filmes se tornaram extremamente populares. O primeiro, que mais nos diz respeito, era o famoso Spaghetti Western, formado por produções italianas geralmente rodadas no deserto espanhol de Almería, Andalucía. Eram filmes de faroeste bem mais sujos, violentos e menos sofisticados do que os similares americanos. Talvez justamente por essas razões tenham se tornado tão populares. Já o outro tipo de fita que formava filas e filas nas portas dos cinemas populares era o que por aqui no Brasil ficou conhecido como "filmes de Kung-Fu ou Karatê". Eram esses os nomes populares dados aos filmes de artes marciais geralmente produzidos em Hong Kong com muita pancadaria e violência. Pois bem, "Dinheiro Sangrento" era uma tentativa de unir esses dois ramos do cinema que o povão mais gostava nos anos 70. O próprio nome original dessa película, "El kárate, el Colt y el impostor" já deixava bem claras as suas intenções para o espectador. Lee Van Cleef foi um dos atores americanos mais populares do Spaghetti e Lieh Lo era um ator muito popular dentro da indústria de cinema de Hong Kong. Só para se ter uma ideia de sua popularidade na China ele estrelou incríveis 225 filmes!!! Sem dúvida deve ser um dos recordistas mundiais! Hoje em dia "Dinheiro Sangrento" vale como curiosidade de uma época que não existe mais. Não vá esperar nada muito bem feito ou roteirizado. Aqui temos um exemplar perfeito do cinema povão dos anos 70 e nada mais. Diversão pura para as massas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Os Fantasmas de Scrooge

Título no Brasil: Os Fantasmas de Scrooge 
Título Original: A Christmas Carol
Ano de Produção: 2009
País: Estados Unidos
Estúdio: Walt Disney Pictures
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Robert Zemeckis, baseado na obra de Charles Dickens
Elenco: Jim Carrey, Gary Oldman, Colin Firth

Sinopse: 
Scrooge (Jim Carrey) é um ser humano desprezível. Muito rico mas completamente mesquinho não quer saber de absolutamente ninguém em sua vida. Extremamente materialista só pensa em dinheiro e nada mais. Quando seu sócio morre ele acaba recebendo a visita de três fantasmas do natal. Um dos natais passados, outro do natal do presente e finalmente um terceiro, representando os natais do futuro. Juntos eles levarão o velho Scrooge numa jornada de auto conhecimento e renovação do verdadeiro espírito do natal.

Comentários:
Produção milionária que teve um orçamento estimado em absurdos 200 milhões de dólares. Não é para menos. Aqui o cineasta Robert Zemeckis reuniu um elenco de primeira e tecnologia de ponta para contar mais uma versão do famoso livro (imortal, diga-se de passagem) do grande Charles Dickens. Jim Carrey aproveita o uso dessa técnica para deitar e rolar em suas caracterizações. Apesar de seu talento reconhecido temos que admitir que sua atuação nem sempre funciona a contento. A questão é que essa estória, muito evocativa e belamente escrita, já foi adaptada tantas vezes (a primeira em 1910, totalizando quase 100 versões até hoje) que já não existe a menor possibilidade de surpreender. Nem mesmo sob uma nova roupagem, com tecnologia de ponta, muda essa situação. Agora se você é jovem demais para se lembrar ou nunca viu nada sobre esse enredo até pode ser uma boa opção. De fato a direção de arte desse filme é acima da média e o enredo do velho avarento encontrando sua verdadeira felicidade ainda pode emocionar aos novatos. De qualquer modo não é uma má ideia para uma madrugada de natal. Assim se estiver no espírito certo não deixe de conferir pois o filme será exibido nessa madrugada pela Rede Globo. Aproveite e tenha um Feliz natal de muita paz e alegria!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Um Natal Brilhante

Título no Brasil: Um Natal Brilhante
Título Original: Deck the Halls
Ano de Produção: 2006
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: John Whitesell
Roteiro: Matt Corman, Chris Ord
Elenco: Matthew Broderick, Danny DeVito, Kristin Chenoweth

Sinopse: 
Steve Finch (Matthew Broderick) é louco pelo natal. Na verdade essa é a época do ano mais feliz em sua vida e ele não faz a menor questão de esconder isso, tanto que cultiva uma infinidade de tradições natalinas, alguma bem absurdas. Seu fanatismo do natal é tamanho que ele chega até mesmo a incomodar sua família. Seu otimismo porém começa a ser abalada quando um novo vizinho se muda para a casa ao lado. Buddy Hall (Danny DeVito) é o extremo oposto de Steve. Não demora muito para que ambos entrem numa rivalidade sem limites, uma rixa completamente maluca.

Comentários:
Já que é natal vamos falar sobre alguns filmes natalinos, em especial os que serão exibidos amanhã pela Rede Globo em uma maratona que vai pela madrugada adentro com três filmes cujo tema não poderia ser outro, a festa de natal. "Um Natal Brilhante" é o primeiro deles. Se trata de uma comédia de costumes, um subgênero divertido que sempre rende bons momentos no cinema. A intenção é de sempre satirizar o chamado American Way of Life, com seus maridos suburbanos meio idiotizados, seus filhos disfuncionais e suas esposas no fundo bem frustradas sobre tudo. É um tipo de humor que nasce das pequenas banalidades da vida. Esse aqui porém é dos mais leves, coisa bem família mesmo, sem qualquer tipo de ousadia maior com o americano médio que sempre é o alvo preferido desse tipo de fita. O destaque vai para o bom elenco onde se merecem citar as boas atuações de Matthew Broderick e Danny DeVito, ambos muito bem em seus respectivos papéis, o de um pai meio abobalhado e o de um sujeito baixinho e invocado. Vale a espiada depois da ceia e da Missa do Galo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Arthur Newman

Título no Brasil: Arthur Newman
Título Original: Arthur Newman
Ano de Produção: 2012
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Dante Ariola
Roteiro: Becky Johnston
Elenco: Colin Firth, Emily Blunt, Anne Heche

Sinopse: 
Wallace (Colin Firth) é um gerente de uma grande empresa americana. Divorciado, pai de um filho de 13 anos que mal fala com ele, decide jogar tudo para o alto e partir pela estrada. Após assumir a identidade de Arthur Newman em sua viagem conhece uma jovem cheia de problemas, Mike (Emily Blunt). Ela também não parece contar a verdade sobre sua identidade real mas isso pouco importa. Juntos acabam atravessando os Estados Unidos, vivendo várias experiências amorosas e de vida pelos lugares por onde passam.

Comentários:
Arthur Newman é um road movie existencialista. O personagem principal interpretado muito bem por Colin Firth é um sujeito que acima de tudo deseja fugir de si mesmo, da sua vida chata e de seus relacionamentos fracassados. Sonhando entrar em um torneio de golfe para ricaços entediados ele resolve cair na estrada. Fugir da rotina, da monotonia que sua vida se tornou. Mike, que tem nome de homem mas é uma garota bonita, tem certamente mais problemas do que ele. Sua mãe enlouqueceu e sua irmã também. Com receio que a loucura genética a atinja mais cedo ou mais tarde ela procura viver tudo intensamente, o que para Wallace será um achado pois é justamente isso que ele procura. Mesmo com o encontro entre ambos, de seu turbulento relacionamento, não vá esperar um filme romântico tradicional. Uma fina melancolia atravessa o filme de ponta a ponta como se aquele casal não tivesse mesmo qualquer futuro promissor pela frente. Emily Blunt, apesar da maquiagem pesada, está perturbadoramente atraente e sensual. No final das contas o que temos aqui é de fato um romance sui generis, nada banal que certamente agradará aos românticos mais existencialistas. Se é o seu caso, arrisque!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - FTD It Happened At The World´s Fair

Quem assiste ao filme "It Happened At The World´s Fair" de 1963 logo percebe que muitas das versões presentes nas cenas em que Elvis canta as músicas são bem diferentes da trilha sonora lançada na época. Isso obviamente abriria um espaço bem interessante para esse FTD. O curioso é que em certos momentos Elvis até deixa o playback de lado e arrisca soltar a voz em determinadas canções. Em "One Broken Heart For Sale" isso acontece timidamente, mas acontece. Pena que a cena com ele cantando na rua ao lado de maridos suburbanos não empolgue em nada o espectador.

Outra boa ideia teria sido colocar a trilha incidental do filme nesse CD. Quer um exemplo? "Beyond The Bend" orquestrada, que toca mais de uma vez durante as cenas. Seria muito bom ouvir esse tipo de coisa com boa qualidade sonora, se possível não em mono mas stereo. Infelizmente quem for procurar por algo assim aqui certamente ficará decepcionado. No CD não estão nem as versões mostradas no filme e nem muito menos qualquer tipo de trilha incidental orquestrada. Além disso parte do material que temos aqui já havia sido lançada antes em CDs como "Collectors Gold", "Elvis Aron Presley" e "Today, Tomorrow And Forever".

Esse FTD sofre de dois problemas ao meu ver. O primeiro, já amplamente exposto aqui em nosso blog, provém da falta de qualidade do material em si. O conjunto das músicas não empolga, não surpreende. O que temos não é rock ´n´ roll mas puro pop romântico açucarado dos anos 60 mesmo. Para piorar há o excesso de canções ao estilo "gracinha", feitas exclusivamente para Elvis cantar ao longo do filme ao lado da chinesinha que ele toma conta enquanto seu tio está desaparecido! Isso, não há como negar, piora ainda mais o que já não era muito bom. Nessa categoria se incluem as maçantes "Cotton Candy Land" (momento canção de ninar do filme), "Take Me To The Fair" (que ele canta em cima de um caminhão) e "How Would You Like To Be" (cuja versão do filme apresenta uma linha de melodia a mais, inexistente na trilha).

Algumas músicas até teriam potencial mas Elvis está de fato no controle remoto. "Happy Ending" se não fosse tão Hollywoodiana poderia ter um destino melhor. Curiosamente na cena do filme - a última sequência - temos uma nervosa montagem onde Elvis na frente da banda surge ora pelo sistema de back projection (filmado em Hollywood, dentro do estúdio com cenas externas captadas sendo exibidas em um telão atrás) ora em locação mesmo, em Seattle, ao lado do público e tudo mais. Por que não filmaram tudo em locações? Ficaria bem mais real e satisfatório. Em suma, não adianta chorar sobre o leite derramado. Aconselho aos fãs terem esse FTD It Happened At The World´s Fair simplesmente para não deixar a coleção incompleta ou com furos. Em termos de pura qualidade musical temos que admitir que até seria um item dispensável mas como se trata de Elvis Presley é no mínimo interessante possuir esse título.

FTD It Happened At The World´s Fair
1. Beyond The Bend
2. Relax
3. Take Me To The Fair
4. They Remind Me Too Much Of You
5. One Broken Heart For Sale
6. I'm Falling In Love Tonight
7. Cotton Candy Land
8. A World Of Our Own
9. How Would You Like To Be
10. Happy Ending
11. One Broken Heart For Sale (takes 2, 3, 1)
12. They Remind Me Too Much Of You (take 1)
13. I'm Falling In Love Tonight (takes 1, 2, 3, 4)
14. Beyond The Bend (takes 1, 2)
15. Cotton Candy Land (takes 1, 2, 4)
16. How Would You Like To Be (take 2)
17. They Remind Me Too Much Of You (take 4)
18. Beyond The Bend (take 3)
19. Take Me To The Fair (takes 4, 5, 6, 7)
20. I'm Falling In Love Tonight (take 6)
21. They Remind Me Too Much Of You (takes 6, 7)
22. Relax (takes 5, 6, 7)
23. Happy Ending (takes 4, 5, 6)
24. Take Me To The Fair

Pablo Aluísio.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Homem de Ferro e Hulk - Super-Heróis Unidos

Título no Brasil: Homem de Ferro e Hulk - Super-Heróis Unidos
Título Original: Iron Man & Hulk: Heroes United
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Marvel Studios
Direção: Eric Radomski, Leo Riley
Roteiro: Brandon Auman, Henry Gilroy
Elenco: Adrian Pasdar, Fred Tatasciore, Dee Bradley Baker

Sinopse: 
Hulk é capturado pela Hydra com o objetivo de drenar sua energia para a construção de uma super arma de energia letal. A experiência porém acaba dando errado fazendo com que o reator entre em implosão, criando no processo uma estranha criatura de pura energia chamada Zzzax que ameaça todo o mundo pois é alimentada por energia de todas as formas. Para ajudar a destruir a nova ameaça Hulk e Homem de Ferro se unem para neutralizar o novo monstro energético.

Comentários:
Nova animação dos estúdios Marvel. Aqui temos o uso da técnica de computação gráfica. O resultado é bem interessante mas o roteiro se concentra mesmo no quebra pau generalizado entre os personagens. Inicialmente Hulk e um monstro também criado por raios gama chamado Abomination saem na pancadaria, depois Hulk e Homem de Ferro tentam vencer a nova e estranha criatura feita de energia. Como a animação se concentra mesmo nas brigas o desenho é mais recomendado para a garotada que adora esse tipo de enredo e produção. Hulk e Homem de Ferro trocam muitas figurinhas na animação, dando origem a boas piadinhas mas o que vale mesmo aqui são as lutas. Outro ponto que poderia ser mais bem desenvolvido é a luta dos heróis Marvel contra criaturas mitológicas que encontram em um sombrio cemitério. Não faz mal. Enfim, recomendo pois o resultado final é bem divertido e movimentado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Giovanni Battista Salvi

Vamos falar um pouco de arte? Em especial arte sacra. Adoro arte sacra em geral. Fico até comovido ao entender o clima histórico, cultural e religioso em que muitas dessas peças, grandes obras de arte, foram produzidas. Uma das minhas preferidas de todos os tempos é essa ao lado, a virgem Maria orando de autoria do grande pintor barroco italiano Giovanni Battista Salvi que era chamado também de "Il Sassoferrato", uma referência sobre seu local de nascimento. Infelizmente apesar de ter pintado obras realmente magníficas seu nome ainda não é tão famoso como os de Caravaggio ou Da Vinci. Mesmo assim sou um fã assumido do estilo do pintor. Suas cores são vivas, presentes, e seus detalhes, como podemos ver ao lado, fazem toda a diferença do mundo para apreciadores de artes plásticas.

Mas afinal quem foi Giovanni Battista Salvi? Lamentavelmente sua biografia foi pouco documentada. O que se sabe é que nasceu na pequena cidade de Sassoferrato, localizada no centro da Itália, no caminho entre Roma e Florença. Uma vila praticamente medieval que pouco mudou com os séculos. Aprendeu a pintar com seu pai, que também era artista, Tarquinio Salvi. Na época os pintores eram contratados por Mecenas, burgueses ricos que pagavam por seus serviços para que pintassem seus retratos ou então eram pagos pela Igreja Católica que sempre estava atrás de pintores talentosos para enfeitarem seus templos religiosos.

E foi assim que Battista fez suas principais obras. Pintou o interior do convento de San Pietro em Perugia e das igrejas, em especial a de Santa Sabina em Roma. Foi uma vida das mais produtivas. Sassoferrato morreu em 1685 de causas que foram apagadas pelo tempo. Sua obra porém se tornou imortal. Hoje ela é bastante comparada ao estilo de Rafael. O interesse crescente em seus quadros renasceu quando seu talento foi redescoberto pelas cortes da Inglaterra e França. Sua mais completa coleção inclusive se encontra no Castelo de Windsor e pertence a família real inglesa. Reconhecimento um pouco tardio mas não menos do que merecido. Não há como negar que Il Sassoferrato é sem dúvida um dos maiores gênios da pintura na história.

Pablo Aluísio.

Sahara

Título no Brasil: Sahara
Título Original: Sahara
Ano de Produção: 1943
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Zoltan Korda
Roteiro: John Howard Lawson, Zoltan Korda
Elenco: Humphrey Bogart, Bruce Bennett, J. Carrol Naish

Sinopse: 
Um tanque das forças armadas americanas sob o comando do Sargento Joe Gunn (Humphrey Bogart) acaba perdido no meio das areias do deserto do norte da África durante a II Guerra Mundial. Cercados por tropas alemãs por todos os lados Gunn e seus homens tentam desesperadamente encontrar algum poço com água na região pois suas reservas estão quase no final. No caminho acabam fazendo dois prisioneiros, um soldado italiano e um oficial alemão, que se recusa a colaborar com seus inimigos americanos.

Comentários:
A despeito de ter sido feito durante o esforço de guerra americano ainda no meio dos acontecimentos, em plena II Guerra Mundial, e ter como principal objetivo levantar a moral das tropas aliadas, "Sahara" é um belo retrato dos militares que lutaram nas areias escaldantes do deserto africano. O sargento interpretado por Bogart é um exemplo disso. Eles encontram um soldado italiano no meio do deserto. Como havia escassez de água e comida levar o inimigo não seria uma boa ideia. Deixá-lo no Sahara também não, pois o condenaria à morte certa. Por uma questão de humanidade decide então salvar a vida do soldado, mesmo sendo seu inimigo. É o bom mocismo das tropas americanas colocada em primeiro plano no roteiro, uma forma de deixar claro que aqueles homens estavam lutando pelos verdadeiros ideais, pelo lado certo do conflito.

Outro aspecto interessante em Sahara é a linha dramática que o filme explora. Após procurar por um poço de água no meio daquele inferno de areias sem fim, os soldados americanos descobrem um que está praticamente vazio, apenas no fundo encontram uma gruta que pinga algumas gotas de água para finalmente matarem sua sede. O local assim passa a ser disputado de forma violenta por americanos e alemães que também sofrem com o clima hostil da região. O personagem de Bogart mesmo sabendo que há pouca água no poço resolve transformar o local numa moeda de troca com as tropas de soldados alemães que estão em maior número mas sedentos de sede.

O que se desenrola a partir daí é umas melhores coisas do filme pois os americanos, como se estivessem num jogo de poker, começam a blefar com os oficiais alemães, prometendo água (que na realidade não possuem em abundância) em troca da rendição das tropas do Reich. Um brilhante jogo de tensão psicológica então se impõe entre os inimigos, revelando um roteiro muito bem escrito, acima da média, para um filme da época. Assim deixamos a dica para quem gosta de filmes sobre a II Guerra Mundial. "Sahara" mostra que acima das ideologias e das doutrinas políticas existe apenas a luta pela sobrevivência do homem contra as forças da natureza ao qual ele não tem o menor controle.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Cavalgada dos Proscritos

Título no Brasil: Cavalgada dos Proscritos
Título Original: The Long Riders
Ano de Produção: 1980
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists / MGM
Direção: Walter Hill
Roteiro: Bill Bryden, Steven Smith
Elenco: David Carradine, Stacy Keach, Dennis Quaid, Keith Carradine, Robert Carradine, James Keach, Stacy Keach, Randy Quaid, Nicholas Guest

Sinopse: 
Jesse James (James Keach) e seu irmão Frank James (Stacy Keach) resolvem formar um bando de assaltantes de bancos e trens no Missouri do século XIX, poucos meses depois do fim da guerra civil. Ao lado dos irmãos Youngers eles colocam as pequenas cidades do velho oeste em pavorosa. Para enfrentá-los a agência de investigação Pinkerton envia seus melhores homens.

Comentários:
Mais um filme enfocando a lendária figura do fora da lei Jesse James (1847 - 1882). O roteiro procura inovar bastante na forma como conta essa história. Assim ao invés de focar exclusivamente na figura de James o texto procura também desenvolver os outros homens de seu bando, em especial os irmãos Youngers, que cavalgaram por muitos anos ao lado de Jesse. Há três grandes cenas nessa produção que merecem menção. A primeira quando o grupo fica encurralado numa casinha de madeira no pé da montanha. Cercados pelos Pinkertons eles precisam descer um desfiladeiro em debandada debaixo de uma chuva de tiros. Outra cena muito boa é o tiroteio final ocorrido nas ruas de uma cidadezinha de Minnesota. Nessa sequência em particular o estilo do diretor Walter Hill homenageia o grande Sam Peckinpah ao filmar tudo em câmera lenta, mostrando todos os mínimos detalhes da violência do confronto entre bandidos e policiais. Por fim há a cena que abre a história. Nesse momento o que é valorizado é a tensão pois o grupo está em um banco, cercado por homens da lei do lado de fora. Curiosamente o bando de Jesse James é formado por três grupos de irmãos no elenco, os Carradines (David, Keith e Robert), os Quaids (Dennis e Randy) e os Keachs (James e Stacy), tudo contribuindo para o excelente resultado final desse western que é certamente muito recomendado para os fãs do gênero.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Ripper Street

Título no Brasil: Ripper Street
Título Original: Ripper Street
Ano de Produção: 2012 - 2013
País: Inglaterra
Estúdio: British Broadcasting Corporation (BBC)
Direção: Andy Wilson, Tom Shankland
Roteiro: Richard Warlow, Toby Finlay
Elenco: Matthew Macfadyen, Jerome Flynn, Adam Rothenberg

Sinopse: 
O detetive e inspetor Edmund Reid (Matthew Macfadyen) é designado para resolver vários crimes brutais ocorridos na Londres do século XIX, entre eles o assassinato de uma jovem em Whitechapel, bairro onde ocorreram as mortes das vítimas do conhecido serial killer Jack, o Estripador. As circunstâncias porém o levam a dúvida já que a garota encontrada sem vida não parece ter sido morta da mesma forma que as demais mulheres que caíram nas mãos de Jack. Coincidência ou acobertamento de um crime promovido por um outro psicopata serial?

Comentários:
Pelo visto não é apenas a TV americana que vive seu momento áureo, a TV inglesa segue no mesmo caminho. Um excelente exemplo vem dessa maravilhosa série "Ripper Street". Produzido pela BBC somos levados ao cotidiano de investigações e casos do inspetor Edmund Reid (Matthew Macfadyen), que ao lado de seus assistentes, tenta resolver crimes escabrosos ocorridos na Londres de 1888. Essa data é significativa pois foram nos meses de agosto a novembro desse mesmo ano que ocorreram os brutais assassinatos atribuídos a um dos mais famosos psicopatas da história, Jack o Estripador. Logo no episódio piloto o detetive se vê as voltas com a morte de mais uma suposta prostituta nos becos sinistros e escuros de Whitechapel. Teria sido Jack o autor da nova morte? É justamente esse o tema da primeira trama da série. Excelente produção (como convém à requintada BBC), atores realmente acima da média e tramas bem boladas, aliadas a bons roteiros. Se você gosta de séries policiais com muitos mistérios, suspense e até mesmo doses exatas de terror, "Ripper Street" é uma ótima pedida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Lara Croft: Tomb Raider - A Origem da Vida

Título no Brasil: Lara Croft: Tomb Raider - A Origem da Vida 
Título Original: Lara Croft Tomb Raider: The Cradle of Life 
Ano de Produção: 2003
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Jan de Bont
Roteiro: Dean Georgaris, Steven E. de Souza
Elenco: Angelina Jolie, Gerard Butler, Chris Barrie, Ciarán Hinds, Djimon Hounsou

Sinopse: 
A heroína dos games está de volta às telas. Agora a arqueóloga e aventureira Lara Croft (Angelina Jolie) parte em busca de um objeto mitológico, a famosa Caixa de Pandora que contém supostamente em seu interior todas as forças malignas do universo. Croft sai em busca na expedição de sua vida ao tomar conhecimento do lugar onde estaria o tal artefato, uma região localizada no continente africano chamada "Origem da Vida".

Comentários:
O problema de filmes fracos fazerem sucesso é que eles geralmente dão origem a continuações igualmente fracas - ou ainda piores! Esse é o caso desse "Lara Croft: Tomb Raider - A Origem da Vida". O primeiro filme da franquia sempre foi reconhecidamente muito fraquinho mas a força do nome comercial dos games o tornaram um sucesso também nos cinemas. Assim o estúdio resolveu colocar a velha máxima em uso novamente, ou seja, não se deve mexer em time que está ganhando! Todos os erros cometidos em Lara Croft Tomb Raider continuam nesse filme que tem ainda um grave defeito pois se leva à sério demais e se mostra totalmente pretensioso! O resultado porém é igualmente decepcionante!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O Sistema

Título no Brasil: O Sistema
Título Original: The East
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Scott Free Productions
Direção: Zal Batmanglij
Roteiro: Zal Batmanglij, Brit Marling
Elenco: Brit Marling, Alexander Skarsgård, Ellen Page, Toby Kebbell

Sinopse: 
Um grupo de ativistas radicais anarquistas liderados por Benji (Alexander Skarsgård) adota uma linha de retaliação contra grandes grupos corporativos capitalistas na base do "olho por olho, dente por dente". Assim eles promovem ataques, a que chamam de "peças", para protestar e ao mesmo tempo dar aos grandes executivos um pouco de seus próprios venenos. Para descobrir a verdadeira identidade do grupo uma corporação de investigação resolve infiltrar a agente Sarah (Brit Marling) entre eles. A aproximação com as ideologias e bandeiras que o grupo defende porém irá mudar para sempre a forma de pensar dela.

Comentários:
Um filme muito oportuno para o momento em que vivemos, inclusive no Brasil onde grupos anarquistas estão ficando cada vez mais numerosos. O roteiro procura mostrar todos os lados dessa nova e complicada realidade social. O grupo de ativistas mostrada no filme é formada por jovens da alta classe, filhos de industriais, milionários, etc, que certo dia descobrem o vazio em que vivem. Para trazer algum sentido em suas vidas eles resolvem se unir para lutar contra as grandes corporações que não se inibem em destruir o meio ambiente ou contaminar pessoas (até crianças!) visando única e exclusivamente lucros e mais lucros. Uma das coisas pelas quais bato palmas em relação a esse filme é que ele evita o moralismo fácil e de certa forma procura se manter numa postura bem neutra. A agente infiltrada no grupo de anarquistas, por exemplo, acaba sendo seduzida por sua ideologia. Eu credito esse roteiro inteligente não só aos roteiristas mas também a Ridley Scott e seu irmão, Tony Scott, que produziram o filme. Certamente temos aqui uma produção para levantar questionamentos, levar à reflexão. Todo o elenco está muito bem com destaque para a sempre ótima Ellen Page e Alexander Skarsgård, o vampiro de "True Blood" em seu primeiro grande papel no cinema. É um filme realmente muito bom que não pode passar batido em sua lista. Desde já o consideramos um dos melhores do ano, por isso não vá perder!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Loiras, Ruivas e Morenas

Título no Brasil: Loiras, Ruivas e Morenas
Título Original: It Happened at the World's Fair
Ano de Produção: 1963
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Norman Taurog
Roteiro: Si Rose, Seaman Jacobs
Elenco: Elvis Presley, Joan O'Brien, Gary Lockwood, Vicky Tiu, Kurt Russell, Yvonne Craig

Sinopse: 
Mike Edwards (Elvis Presley) é um piloto de aviões que ganha a vida pulverizando plantações de batatas com seu teco-teco Bassie. Seu sócio no negócio, Danny Burke (Gary Lockwood), é viciado em jogos de cartas e acaba perdendo todo o dinheiro de ambos numa noite de má sorte. Sem dinheiro e precisando de 1.200 dólares para recuperar o avião, agora dado como garantia para os devedores de Danny, os dois, completamente quebrados, pegam uma carona até a feira mundial de Seattle. Eles esperam conseguir um emprego mas no caminho se tornam amigos dos Lins e na grande cidade Mike acaba conhecendo a garota de seus sonhos, a enfermeira Diane Warren (Joan O'Brien).

Comentários:
Esse foi o primeiro filme de Elvis na MGM após firmar contrato de sete anos com o estúdio. A última produção do cantor na Metro havia sido o clássico "Jailhouse Rock" ainda na década de 50 e muitos esperavam por um filme tão marcante como aquele. Bom, quem pensou assim certamente se decepcionou. Esse "t Happened at the World's Fair" é um filme romântico muito pueril e leve que ficou muito distante da rebeldia do grande musical da era do rock. Por falar em rock não espere encontrar nada do gênero na trilha sonora que é notoriamente muito fraca e sem personalidade. O roteiro também não ajuda pois não há qualquer carga dramática. A estorinha é das mais banais e para piorar tudo Elvis passa quase todo o filme cuidando da garotinha Sue-Lin (Vicky Tiu) enquanto tenta achar seu tio desaparecido. Essa função de babá abre espaço para um monte de musiquinhas infantis sem importância que vão minando a paciência dos fãs de Presley ao longo do filme.

O personagem de Elvis é um conquistador barato que acaba caindo de amores por uma bonita enfermeira interpretada pela correta mas sem sal Joan O'Brien. Não há muita química no romance entre os dois em cena. Certamente ela foi uma das estrelas mais fracas ao lado de Elvis em sua carreira no cinema. Melhor se sai Yvonne Craig numa cena mais sensual onde o cantor apresenta a canção "Relax". Ela ficaria famosa depois ao virar a Mulher-Gato no seriado de TV "Batman" alguns anos mais tarde. Por falar em coadjuvantes roubando a cena não podemos esquecer de citar a participação muito divertida e curiosa do futuro astro Kurt Russell aqui dando uns chutes nas canelas de Elvis! Mesmo com essas curiosidades não há maiores atrativos no filme que é realmente de rotina. As boas cenas externas na feira mundial até ajudam a manter o interesse mas o clima geral é realmente pueril demais para quem um dia sustentou o título de Rei do Rock! Aliás a conclusão final não poderia ser outra, pois "Loiras, Ruivas e Morenas" definitivamente não tem nada a ver com Rock ´n´ Roll.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Sobrevivendo ao Natal

Título no Brasil: Sobrevivendo ao Natal
Título Original: Surviving Christmas
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: DreamWorks
Direção: Mike Whitcher
Roteiro: Deborah Kaplan, Harry Elfont
Elenco: Ben Affleck, Christina Applegate, James Gandolfini, Catherine O'Hara, Josh Zuckerman, Bill Macy

Sinopse: 
Executivo bem sucedido, saudoso dos natais passados ao lado de sua família, decide voltar para a cidade onde nasceu. Na antiga casa encontra uma outra família morando o que o faz recordar ainda mais de suas anos de infância. Para superar a nostalgia ele então decide tomar uma decisão no mínimo fora do comum ao "alugar" uma família para passar esse novo natal ao seu lado!

Comentários:
Para desespero de muitos vai começar a temporada de filmes natalinos na TV aberta. Produções que focam no natal nem sempre dão certo. Claro que existem os clássicos como os filmes estrelados por James Stewart na era de ouro do cinema americano mas aquelas produções são certamente exceções. Na maioria das vezes esse subgênero de filmes de natal não apresentam películas muito relevantes. Esse "Surviving Christmas" tenta trazer alguma inovação embora seu roteiro seja bem derivativo. Basicamente repete a situação dos livros de Charles Dickens, onde ricaços sem almas são tocados pelo espírito natalino de uma forma ou outra e assim se tornam pessoas melhores. Como se pode perceber a mensagem é bem velha e batida mas ainda encontra eco no público que vai aos cinemas nesse período de festas para conferir filmes como esse. Aqui o destaque vai para o novo Batman, sim ele mesmo, Mr. Ben Affleck que tenta disfarçar sua canastrice crônica se escorando no roteiro cheio de boas intenções. Funciona? Bom, aí vai depender de seu estado de espírito ao assistir ao filme.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Família Addams

Título no Brasil: A Família Addams 
Título Original: The Addams Family
Ano de Produção: 1991
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Barry Sonnenfeld
Roteiro: Caroline Thompson, baseada na obra de Charles Addams
Elenco: Anjelica Huston, Raul Julia, Christopher Lloyd, Christina Ricci

Sinopse: 
A Família Addams pode ser tudo, menos normal. Com gosto exagerado para o sombrio, eles na verdade são uma versão radical da típica família americana suburbana. Agora terão que lidar com um misterioso acontecimento envolvendo seu querido tio Fester (Christopher Lloyd). Adaptação da famosa obra do cartunista Charles Addams para o cinema.

Comentários:
Poucas vezes vi uma escolha de elenco tão acertada como essa no cinema americano. Os famosos personagens criados por Charles Addams encontraram atores simplesmente perfeitos para a tela. Some-se a isso uma brilhante direção de arte e uma produção requintada e de bom gosto e você terá um grande filme em mãos, sem exagero algum. O humor negro nunca foi tão divertido e engraçado como aqui. Obviamente todos estão ótimos em seus respectivos papéis mas destaco Christina Ricci e Anjelica Huston. Ricci parece ter incorporado a sua personagem Wednesday Addams não apenas nesse filme mas em sua própria personalidade como atriz. Basta ver qualquer outro filme dela para entender isso. Já Huston está tão adequada à Morticia Addams que para ser sincero nem seria necessária aquela maquiagem toda! Barry Sonnenfeld conseguiu assim realizar aquilo que chamo de "adaptação perfeita", definitiva. Tanto isso é verdade que nenhuma tentativa posterior de trazer essa estranha família de volta às telas deu certo. É algo parecido com o que aconteceu com Drácula de Bram Stoker. Depois daquela adaptação não há mais espaço para mais nada. Assista, se divirta muita e dê boas risadas!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Masters of Sex

Título no Brasil: Masters of Sex
Título Original: Masters of Sex
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Showtime
Direção: Michael Apted, Michael Dinner
Roteiro: Michelle Ashford, Tyler Bensinger
Elenco: Michael Sheen, Lizzy Caplan, Caitlin FitzGerald

Sinopse: 
O Dr. William Masters (Michael Sheen) é um respeitado médico de um dos melhores centros de tratamento contra a infertilidade. Ele pretende levar adiante uma série de estudos sobre a sexualidade humana mas acaba esbarrando nos inúmeros preconceitos que rondam seu objeto de estudo. A instituição na qual trabalha não vê com bons olhos a criação de uma ala especial para desvendar os segredos da vida sexual de homens e mulheres. Masters porém está determinado em começar suas pesquisas sobre o tema.

Comentários:
Nova série do canal Showtime. Em primeiro lugar temos que admitir que o assunto certamente vai chamar a atenção de muitas pessoas, afinal a sexualidade sempre está em voga. A série porém tenta abraçar o ponto de vista da ciência, mostrando as pesquisas do Dr. Masters da forma mais contida possível. Por isso não vá esperar por cenas quentes de sexo ou algo parecido, não é essa a proposta do seriado. Aliás achei tudo um tanto quanto frio, principalmente pelo tema que o programa desvenda. O próprio personagem do Dr. Masters é completamente frio e praticamente sem emoções. Embora estude a sexualidade dos outros ele próprio tem problemas sexuais. Seu relacionamento embaixo dos lençóis com sua esposa é complicado, nada amoroso e eles passam por vários dificuldades para que ela finalmente venha a engravidar. A trama da série se passa em 1956, o que traz um charme especial aos episódios, mas de uma forma em geral ainda está muito distante dos grandes programas do Showtime como "Dexter" e "Homeland", por exemplo. Tem potencial para crescer, basta apenas alguns ajustes na construção de determinados personagens. Vamos acompanhar para torcer por melhorias.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Lenda

Título no Brasil: A Lenda
Título Original: Legend
Ano de Produção: 1985
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Ridley Scott
Roteiro: William Hjortsberg
Elenco: Tom Cruise, Mia Sara, Tim Curry

Sinopse: 
Jack (Tom Cruise) é um jovem que precisa vencer o senhor da escuridão para que assim possa trazer paz e harmonia para seu mundo, desposando a jovem princesa de seus sonhos. Fantasia com ares medievais dirigido pelo grande cineasta Ridley Scott.

Comentários:
Tom Cruise resolve finalmente assumir seu lado galã de vez. E nada melhor para isso do que interpretar um príncipe dos sonhos em uma fantasia juvenil. Dirigido pelo grande Ridley Scott (de Alien, o Oitavo Passageiro) o filme tentava transportar para as telas uma estória cheia de fadas, duendes, unicórnios e seres mágicos. A produção foi concebida para ser um grande sucesso ao estilo Star Wars. Não deu muito certo. O filme foi criticado por ser excessivo, com direção de arte duvidosa e kitsch. Cruise também não está bem em cena, seu personagem é vazio e destituído de profundidade, raso demais até para um conto de fadas. Com custo milionário "A Lenda" afundou nas bilheterias se tornando um grande fracasso. Não seria dessa vez que Cruise iria despontar para o estrelado, para o time das grandes estrelas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Um Sonho Distante

Título no Brasil: Um Sonho Distante
Título Original: Far and Away
Ano de Produção: 1992
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Ron Howard
Roteiro: Bob Dolman, Ron Howard
Elenco: Tom Cruise, Nicole Kidman, Thomas Gibson

Sinopse: 
O jovem Joseph Donnelly (Tom Cruise) decide deixar sua terra natal, a Irlanda, em busca de uma nova vida na América. Seu objetivo é participar da corrida em busca de novas terras na colonização do território do Oklahoma em 1893. O filme é um retrato da expansão rumo ao oeste dos Estados Unidos da América.

Comentários:
Após conhecer Nicole Kidman no set de "Dias de Trovão" e se apaixonar por ela, Cruise retorna à parceria nessa super produção com ares de filmes antigos. A pretensão do ator era realmente estrelar um épico ao velho estilo, com muitas cenas edificantes, músicas grandiosas e paisagens de cartão postal. Aqui ele interpreta um imigrante irlandês que vem tentar a sorte na América em 1892. O filme tem linda fotografia, uma direção de arte suntuosa e uma produção de encher os olhos mas não conseguiu cair no gosto do público. Feito para render milhões o filme comercialmente falando ficou bem abaixo das expectativas. De qualquer forma é um bom momento na carreira de Cruise, um filme que foi prejudicado por um marketing equivocado mas que mesmo assim vale a pena como bom entretenimento.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Lara Croft: Tomb Raider

Título no Brasil: Lara Croft: Tomb Raider
Título Original: Lara Croft: Tomb Raider
Ano de Produção: 2001
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Simon West
Roteiro: Sara B. Cooper, Mike Werb
Elenco: Angelina Jolie, Jon Voight, Iain Glen, Daniel Craig.

Sinopse: 
Adaptação da popular personagem do mundo dos games  Lara Croft, aqui interpretada pela bela estrela Angelina Jolie. Na trama ela terá que enfrentar um grupo perigoso de vilões que estão em busca de artefatos antigos dotados de grande poder.

Comentários:
Abrindo o jogo devo dizer que nunca gostei dessa franquia. É artificial demais. O que era muito elegante em Indiana Jones aqui vira puro pixel. Também nunca vi um roteiro de Tomb Raider que valesse alguma coisa. Dizem que 99% das adaptações de games para o cinema são bombas. Bom, assistindo a Lara Croft não tenho como discordar. O único interesse maior para o cinéfilo é a presença da atriz Angelina Jolie e do futuro James Bond Daniel Craig. Jolie se apaixonou pelas locações no Camboja a ponto de adotar um garotinho que encontrou por lá. Já Craig chamou a atenção a ponto de virar a estrela de uma das mais populares séries do cinema mundial, a do 007. Em suma todos ganharam de uma forma ou outra menos o espectador que não terá muito o que fazer a não ser bocejar nas inúmeras sequências de ação forçadas ao longo do filme.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Rollerball

Título no Brasil: Rollerball
Título Original: Rollerball
Ano de Produção: 2002
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: John McTiernan
Roteiro: William Harrison
Elenco: Chris Klein, LL Cool J, Rebecca Romjin-Stamos, Jean Reno

Sinopse: 
No futuro nenhum esporte consegue ser mais popular do que o Rollerball. Esse jogo extremamente violento e muitas vezes mortal se torna uma febre com inúmeras arenas de competição distribuídas em todo o mundo. Nesse mundo altamente competitivo alguns jogadores resolvem denunciar a corrupção nos altos escalões envolvendo dirigentes importantes do esporte. Não tardará para que virem alvos desses criminosos de colarinho branco.

Comentários:
Esperava bem mais de John McTiernan. Afinal estamos falando do mesmo cineasta que deu ao mundo do cinema filmes como "Predador", o primeiro "Duro de Matar" e "Caçada ao Outubro Vermelho". De repente ele inventa de fazer esse remake de uma conhecida fita de sci-fi dos anos 70 e se dá muito mal. Eu sempre digo que nada é mais perigoso para um diretor do que topar fazer um remake. As probabilidades do novo filme ser um desastre são grandes. Esse novo Rollerball não empolga, não convence e deixa saudades do filme original que na minha opinião também nunca foi grande coisa. Certas estórias já encontraram suas adaptações definitivas para o cinema, não precisa mais tentar fazer algo que já foi feito melhor no passado. John McTiernan deveria saber disso

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Reign

Título no Brasil: Reign
Título Original: Reign
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: CBS Television Studios
Direção: Jeremiah S. Chechik, Holly Dale
Roteiro: Laurie McCarthy, Stephanie Sengupta
Elenco: Adelaide Kane, Megan Follows, Torrance Coombs

Sinopse: 
Criada em um convento na Escócia a jovem princesa católica Mary Stuart (Adelaide Kane), filha de Henrique VIII e Catarina de Aragão, é enviada para a França para conhecer seu futuro noivo e herdeiro do trono francês, o jovem Francis II (Toby Regbo). O romance porém terá que superar muitas intrigas palacianas para se concretizar.

Comentários:
A premissa dessa nova série era muito boa: explorar a juventude da famosa rainha Mary Stuart da Escócia. O problema é que ao invés de fazer algo mais de acordo com a história real optou-se por se produzir um programa no estilo "The Tudors" encontra "The Vampire Diaries". E o que exatamente isso significa? Significa que o que temos aqui é uma série teen, endereçada para jovens adolescentes, ou seja, o mesmo público que ama a saga "Crepúsculo" e seu equivalente televisivo, o já citado "The Vampire Diaries". A jovem Mary, por exemplo, que era uma católica fervorosa, sisuda, que sempre se vestia de negro, e que era de poucos amigos na história real, virou uma jovem cheia de sonhos, calorosa e amiga, que não pensa duas vezes em sair dançando com suas damas de honra pelos salões, enquanto músicas modernas tocam a todo volume (por essas e outras esqueça qualquer tipo de fidelidade histórica). Até me lembrou em certos aspectos de "The White Queen" mas é bem mais juvenil. Agora para finalizar devo confessar que apesar de todos os problemas esse novo "Reign" não chegou a me aborrecer. Claro que passa longe de empolgar mas não causa desconforto ao assistir, desde que, é óbvio, você saiba de antemão o que irá encontrar pela frente. Já para o público alvo da série (adolescentes) fica a recomendação. Afinal de contas sonhar com príncipes, princesas e castelos faz mesmo parte dessa idade!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Exorcista - O Início

Título no Brasil: Exorcista - O Início
Título Original: Exorcist: The Beginning
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Renny Harlin
Roteiro: William Wisher Jr.
Elenco: Stellan Skarsgård, Izabella Scorupco, James D'Arcy

Sinopse: 
No Oeste da África, em um lugar remoto e abandonado por séculos, o padre e arqueólogo Lankester Merrin (Stellan Skarsgård) acaba descobrindo evidências de rituais macabros e satânicos em solo sagrado. Suas descobertas revelarão a presença de um demônio milenar que tentará tomar o controle de seu corpo e espírito.

Comentários:
Como se sabe "O Exorcista" é até hoje considerado um dos maiores filmes de terror já feitos. Um daqueles filmes que marcaram tanto que se tornaram ícones do gênero. Infelizmente nem suas continuações (todas bem fracas) e nem as tentativas de criar algo novo com aquela estória deram certo. Assim a Warner tentou revitalizar a franquia em 2004 com esse "Exorcista - O Início". O que temos aqui é um Prequel, ou seja, o roteiro explora as origens do padre Merrin e seus primeiros contatos com as forças demoníacas que anos depois iriam atingir a jovem garota no filme "O Exorcista". A ideia como se pode perceber era muito boa, além de ser mais do que interessante para os fãs do filme original.

O problema é que a produção desse filme foi muito tumultuada. Diferenças artísticas entre o diretor e o estúdio tornaram tudo muito tenso e desgastante para todos os envolvidos. A primeira versão foi considerada ruim e praticamente tentou-se realizar outro filme mais adequado ao mercado dos dias de hoje. O resultado de tudo isso é uma bela produção, com muito efeitos digitais mas pouco aterrorizante. As cenas em que uma pessoa possuída passeia pelas paredes escuras de uma caverna podem até ser bem realizadas do ponto de vista técnico mas nada assustadoras já que o verdadeiro clima de terror foi substituído por pirotecnias digitais, esfriando o suspense que a fita poderia ter. De bom mesmo apenas a elogiada atuação do ator Stellan Skarsgård que se esforça muito para criar uma complexidade psicológica para seu personagem. Fora isso nada de muito digno de nota. Em termos de "O Exorcista" isso é pouco, muito pouco, temos que convir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Homeland

Título no Brasil: Homeland
Título Original: Homeland
Ano de Produção: 2011 - 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Showtime
Direção: Michael Cuesta, Lesli Linka Glatter
Roteiro: Henry Bromell, William Bromell
Elenco: Claire Danes, Damian Lewis, Morena Baccarin

Sinopse: 
Após ficar longos anos prisioneiro de grupos radicais islâmicos o fuzileiro naval Nicholas Brody (Damian Lewis) retorna aos Estados Unidos mudado. Resgatado por tropas americanas e recebido em seu país como um herói na guerra contra o terrorismo ele esconde um segredo. Convertido ao islamismo se torna peça chave de retaliação contra os altos escalões do governo americano. Para investigar a ligação de Brody com grupos terroristas a CIA envia a agente Carrie Mathison (Claire Danes) para o caso. Ela porém acaba descobrindo muito mais embaixo de toda a imagem ufanista construída em torno de Brody.

Comentários:
"Homeland" é outra ótima série atualmente em cartaz na TV americana. Produzida pelo canal Showtime (o mesmo de "Dexter"), o seriado se tornou uma febre conquistando até mesmo a audiência do presidente Obama. Eu sou fã assumido. No momento estou começando a conferir a terceira temporada. Todos os personagens já estão bem delimitados e as peças do grande xadrez que formam a trama de "Homeland" já estão sobre a mesa. A interpretação da agente bipolar vivida por Claire Danes é um achado. Ela realmente incorpora os maneirismos, os olhares perdidos e os desafios pelos quais uma pessoa em sua condição passa. Nessa nova temporada temos mais um grande ator adicionado no elenco, o sempre ótimo F. Murray Abraham. Ele havia aparecido timidamente nos últimos episódios da temporada anterior mas agora assume um papel melhor já que depois do grande atentado que fechou a segunda temporada vários personagens foram simplesmente eliminados! Para quem pensa que a guerra contra o terrorismo é algo simples de entender, com vilões e mocinhos bem definidos, "Homeland" é uma ótima pedida.

Pablo Aluísio.

Linha de Frente

Título no Brasil: Linha de Frente
Título Original: Homefront
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Millennium Films, Nu Image Films
Direção: Gary Fleder
Roteiro: Sylvester Stallone, Chuck Logan
Elenco: Jason Statham, James Franco, Winona Ryder, Kate Bosworth 

Sinopse: 
Após trabalhar como infiltrado numa missão que não acaba bem, o agente da Interpool Phil Broker (Jason Statham) decide se mudar para uma cidadezinha do interior para criar sua pequena filha em uma região mais pacata e tranquila. Sua paz porém chega ao fim quando uma confusão banal, envolvendo sua filha e um colega de classe, acaba desencadeando uma série de acontecimentos sem controle, principalmente após o traficante Morgan 'Gator' Bodine (James Franco) descobrir a verdadeira identidade de Broker.

Comentários:
"Linha de Frente" é um projeto bem pessoal do ator Sylvester Stallone. Ele roteirizou e produziu o filme mas ao invés de estrelar essa boa fita de ação resolveu escalar seu amigo Jason Statham no papel principal. O resultado dessa dobradinha se revelou muito boa. Não é um filme de pancadaria pela pancadaria, Stallone desenvolveu toda uma situação em que os eventos vão acontecendo aos poucos. O tira interpretado por Statham só quer mesmo sossego e paz para seguir com sua vida em frente mas seu passado, envolvendo mortes de uma gangue de motociclistas que ele desbaratou, volta para lhe assombrar. James Franco por sua vez interpreta um traficante cruel mas pé de chinelo que quer ganhar muito dinheiro cozinhando metanfetamina, em um reflexo do recente sucesso da série de TV Breaking Bad. Como não poderia deixar de ser nesse tipo de produção alguns clichês se fazem presentes mas nada que vá depor contra a qualidade do filme em si. No geral temos aqui realmente um bom filme de ação valorizado ainda mais pela presença de Winona Ryder (que andava meio desaparecida) como uma prostituta. Enfim, assista sem medo pois vale de fato a pena.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - One Broken Heart for Sale / They Remind Me Too Much of You

Logo em janeiro de 1963 a RCA Victor colocou no mercado americano o novo single de Elvis com duas músicas da trilha sonora do filme "It Happened at the World's Fair". Foi um fiasco comercial. A canção não conseguiu emplacar nem no Top 10, algo bem raro em se tratando de canções inéditas de Elvis Presley. Além da má recepção por parte do público a crítica também achou o material muito fraco.

Um jornalista de Los Angeles perguntou ironicamente se o nome do artista não estava errado pois a canção "One Broken Heart for Sale" parecia ter saído do repertório açucarado de Doris Day. "They Remind Me Too Much of You" se saiu ainda pior não conseguindo ficar nem as 50 canções mais ouvidas - um desastre! Nem músicos de primeira viagem conseguiam posições tão ruins como aquelas. Pior é que o público tinha razão. Por volta desse ano os fãs começaram a estranhar a enxurrada de músicas para filmes, muitas com qualidade bem duvidosa. De repente se deram conta que a pura verdade era que assim como os filmes as canções das trilhas não tinham capricho nenhum, era lançadas exclusivamente para gerar lucro e os consumidores que se virassem.

O curioso é que foi justamente nesse ano que Elvis assinou um desastroso contrato de sete anos com a MGM. O estúdio que foi um dos maiores da história de Hollywood estava sempre em dificuldades financeiras e esperava lucrar bastante com Elvis. Veja bem, os piores filmes do cantor foram feitos justamente na MGM. A intenção do estúdio era gerar lucros e não qualidade, assim Presley foi jogado em um mar de abacaxis Made in Hollywood cujo único objetivo era faturar.

Os filmes eram baratos - e alguns ridículos como "Harum Scarum" - e se apoiavam inteiramente na fama de Elvis Presley para faturar uns trocados a mais. Esse contrato também mostrava como o Coronel Tom Parker era um empresário ruim pois ninguém mais assinava esse tipo de obrigação contratual por longos sete anos sem qualquer direito de veto aos projetos que o estúdio bem entendesse. Financeiramente foi até bom para Elvis mas artisticamente tornaria ele um obsoleto em poucos meses, afinal os Beatles estavam chegando na América e passariam por cima de todos, inclusive de Elvis, naquela altura considerado um artista de uma era passada, um ultrapassado.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Downton Abbey

Título no Brasil: Downton Abbey 
Título Original: Downton Abbey
Ano de Produção: 2010 - 2013
País: Inglaterra
Estúdio: ITV
Direção: Brian Percival, Andy Goddard
Roteiro: Julian Fellowes, Tina Pepler, Shelagh Stephenson
Elenco: Hugh Bonneville, Phyllis Logan, Elizabeth McGovern, Jim Carter, Maggie Smith

Sinopse: 
Lord Robert Crawley (Hugh Bonneville) e sua esposa Lady Cora Crawley (Elizabeth McGovern) vivem as alegrias, dramas e tristezas de administrar e manter uma grande mansão de campo chamada Downton Abbey no interior da Inglaterra. Suas três filhas e a grande equipe de empregados da mansão completam esse delicado e complexo drama familiar passado no começo do século XX.

Comentários:
Eu devo confessar que sempre fui uma pessoa que zelei pelo meu próprio bom gosto. Nunca fui de correr atrás de produtos culturais apenas pelo seu sucesso comercial. Nesse aspecto sempre nutri uma grande admiração pelas séries inglesas. Acompanhei todas as que pude, com ênfase nas maravilhosas produções do canal BBC. É o que sempre digo, o diferencial está mesmo na qualidade do povo inglês, sempre muito culto, educado e instruído. Vejam o caso dessa excelente série Downton Abbey. Tenho orgulho em dizer que acompanho religiosamente desde o primeiro episódio. Que classe! Que sofisticação! O tema lembra um dos meus filmes favoritos de James Ivory, "Vestígios do Dia" com Anthony Hopkins. Tal como naquela película somos levados para o cotidiano de uma daquelas belas e enormes mansões do interior da Inglaterra. O enredo de "Downton Abbey" se passa nas primeiras décadas do século XX, passando pela I Guerra Mundial (quando a casa se torna um hospital improvisado por causa do esforço de guerra) e segue em frente no pós-guerra. O elenco é fabuloso com destaque para Jim Carter como o mordomo Mr. Carson e a brilhante Maggie Smith como a condessa de Grantham, sempre roubando as atenções. Esse é o tipo de programa que nos deixa com vontade de ter vivido naquela época, com aqueles costumes, aquele modo de ser. Uma nostalgia muito gostosa de um tempo não vivido. Melhor e mais sofisticado do que isso na TV você não encontrará em nenhum outro canal. Não deixe de conhecer.

Pablo Aluísio.

Peter O'Toole

Foi com grande pesar que recebemos a notícia da morte do mito Peter O'Toole, até hoje considerado um dos grandes atores da história do cinema. Ator teatral se rendeu à TV ainda na década de 50 onde participou de três telefilmes que hoje em dia são considerados verdadeiras raridades. Só em 1960 estreou no mundo do cinema. Aos 28 anos surgiu como Robin MacGregor em "A Espada de um Bravo" uma aventura capa e espada muito colorida da Disney. Embora não tenha sido uma grande participação em um filme menor o estilo pareceu combinar muito bem com o jeito elegante de Peter O'Toole. Em "Sangue Sobre a Neve" (que já comentamos aqui em nosso blog) o ator novamente chamaria a atenção embora seu personagem fosse um mero coadjuvante para o esquimó interpretado por Anthony Quinn. Nos dois anos seguintes a carreira passou por um impasse. Embora reconhecido como um bom ator as coisas pareciam meio paradas para ele, tanto que retornou para a TV onde apareceu na série "Rendezvous".

A sorte só mudaria definitivamente quando o diretor David Lean o escolheu para ser T.E. Lawrence no grande clássico "Lawrence da Arábia". O papel seria de Marlon Brando mas ele desistiu ao descobrir que as filmagens no deserto seriam longas e exaustivas. Peter O'Toole até aquele momento não era um astro mas o diretor Lean confiou que ele faria um grande trabalho. Acertou em cheio. Essa foi a interpretação da vida do ator que, com o sucesso espetacular do filme, virou um astro de primeira grandeza praticamente da noite para o dia. Sua formação de ator clássico caiu como uma luva para seu personagem nesse que foi um dos mais marcantes épicos da história de Hollywood.

Após "Lawrence da Arábia" as portas do cinema americano e mundial se abriram para Peter O'Toole e ele acertou novamente no filme seguinte ao atuar de forma majestosa em "Becket, O Favorito do Rei". No lançamento do filme explicou que estava se sentindo um pouco pressionado pois depois do grande sucesso do épico de David Lean todos estavam ansiosos pela sua próxima atuação. Assim Peter decidiu ficar por longos dois anos fora das telas. O sucesso de crítica de "Becket" acalmou seus ânimos mas não sua vida privada. O ator tinha um sério problema com a bebida. Não raro passava semanas completamente embriagado. Isso, como ele próprio admitiu em sua autobiografia mais tarde, o prejudicaria muito em sua carreira.

Em 1965 voltaria a brilhar numa boa adaptação para o cinema de uma novela de Joseph Conrad chamada "Lord Jim". O roteiro explorava mais um roteiro histórico onde Peter O'Toole interpretava um nobre inglês na marinha britânica no começo do século XX. A boa fase seguiria pelos anos 60 adentro com mais pelo menos dois ótimos filmes, "A Noite dos Generais" (onde interpretava um oficial nazista psicopata) e "O Leão no Inverno" (onde teve a oportunidade de contracenar com outro grande mito da história do cinema, Katharine Hepburn). Sua interpretação do rei Henrique II nesse último filme é até hoje considerada uma das melhores encarnações do famoso monarca no cinema.


Nos anos 70 como ele próprio admitiu seus problemas etílicos lhe prejudicaram. As bebedeiras sem fim afastaram os grandes estúdios que tinham receios de o escalar para grandes e milionárias produções. Peter O'Toole começou a sentir que estava sendo deixado de lado. Mesmo assim ainda realizou bons filmes e alguns até marcantes. "O Homem de la Mancha", "Setembro Negro" e o polêmico "Calígula" onde interpretava o pedófilo imperador Tiberius marcaram época. Na década de 80 tentou enveredar por outros estilos como na comédia "Um Cara Muito Baratinado" ou na fracassada ficção "Supergirl". Nada que abalasse seu prestígio porém era fato que sua estrela começava a se apagar lentamente. Embora respeitado como um dos grandes atores do cinema ele sentia dificuldades em encontrar bons personagens em filmes relevantes. Apesar disso nunca ficou realmente preso ao ostracismo, procurando sempre trabalhar, mesmo em filmes muito abaixo de sua dignidade.

Seu último grande filme foi "O Último Imperador", o grande vencedor do Oscar em seu ano de lançamento. Seu papel de Sir Reginald 'R. J.' Johnston demonstrava que apesar de todos os grandes problemas enfrentados ao longo da vida seu talento ainda continuava lá, intacto. Depois de oito indicações ao Oscar, sem ganhar nenhum, a Academia resolveu lhe homenagear lhe dando um Oscar pelo conjunto da obra. Um reconhecimento tardio mais do que merecido. No total foram 94 películas, sendo a última, "Katherine of Alexandria", ainda inédita nos cinemas. Só nos resta em última homenagem conferir sua última atuação. Que o grande ator agora finalmente descanse em paz!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Batalha no Riacho Comanche

Título no Brasil: Batalha no Riacho Comanche / Fúria de Brutos
Título Original: Gunfight at Comanche Creek
Ano de Produção: 1963
País: Estados Unidos
Estúdio: Allied Artists Pictures
Direção: Frank McDonald
Roteiro: Edward Bernds
Elenco: Audie Murphy, DeForest Kelley, Ben Cooper, Colleen Miller

Sinopse: 
Um grupo de bandidos liderados por Amos Troop (DeForest Kelley) se especializa em um crime muito engenhoso. Eles libertam da cadeia criminosos com recompensas altas e os colocam para assaltar bancos. Depois que fazem o serviço os matam para ganhar o dinheiro prometido pela lei, para quem os capturarem vivos ou mortos. A repetição de tantos crimes iguais leva uma agência de combate ao crime a enviar dois agentes para investigar quem seriam os autores de todos os assaltos e assassinatos. Assim o agente Bob Gifford (Audie Murphy) se infiltra no bando para saber quem seria o autor intelectual de todos os planos executados por eles.

Comentários:
Faroeste B estrelado por Audie Murphy. Como sempre eram produções de orçamentos menores, feitos pelo pequeno estúdio Allied Artists que acabaria indo à falência apenas alguns anos depois. Esse western foi salvo não pela sua produção, que é bastante modesta, mas sim pelo bom roteiro que consegue manter o interesse. O filme é curto, pouco mais de 80 minutos, mas bem balanceado e chama a atenção pela trama bem bolada. Audie Murphy, perto de abandonar o cinema, está um pouco fora de forma mas consegue mostrar um bom desempenho em cena. Já para os fãs de "Jornada nas Estrelas" um brinde especial. O líder dos bandidos é nada mais, nada menos, do que DeForest Kelley, o Dr McCoy da nave Enterprise. Ele está ótimo como um típico fora da lei do velho oeste, um sujeito que nem pensa duas vezes antes de mandar bala em todos aqueles que contrariam seus interesses criminosos. Por fim gostaria de elogiar a boa narração em off que permeia todo o enredo. O uso de um narrador ajuda o filme a ter melhor desenvolvimento, explicando em vários momentos o que se passa na trama. Uma boa opção do roteiro, que repito, é realmente bem escrito.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Do Inferno

Título no Brasil: Do Inferno
Título Original: From Hell
Ano de Produção: 2001
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Albert Hughes, Allen Hughes
Roteiro: Eddie Campbell, baseado na obra de Alan Moore
Elenco: Johnny Depp, Heather Graham, Ian Holm

Sinopse: 
A trama se passa na sombria Londres de 1888. Pelos becos mais escuros de Whitechapel uma série de prostitutas são encontradas mortas de forma extremamente violenta e brutal. O assassino, um serial killer que se auto denomina Jack, o Estripador, desafia a polícia para descobrir a origem e a sua verdadeira identidade. O investigador Frederick Abberline (Johnny Depp) então é designado para solucionar o caso. Suas investigações porém o levarão a um beco sem saída!

Comentários:
E afinal quem foi Jack, o Estripador? Essa é uma das mais famosas perguntas não respondidas da história. De fato o serial killer que colocou Londres em um verdadeiro terror e pavor de sangue segue sendo desconhecido. Ele provou que o crime perfeito existe pois cometeu atos bárbaros e não pagou pelos seus assassinatos. Tudo o que temos até hoje são especulações, mas nada comprovado, nada solucionado. E foi em torno dessa história que Alan Moore resolveu escrever um de seus trabalhos mais conhecidos, a graphic novel "From Hell". Essa adaptação que temos aqui para o cinema é de fato muito boa e interessante. Muitos confundem pensando ser um filme de Tim Burton pois além da presença de Johnny Depp ainda há todo aquele clima de sombras que tanto marcou as obras do cineasta. A reação ao filme foi divergente. Alguns acusaram o roteiro de mastigar demais a trama para o grande público, deixando o clima sufocante e pessimista de Alan Moore de lado para agradar aos fãs de blockbusters. Para outros se trata do melhor trabalho da carreira de Johnny Depp. Deixando as controvérsias de lado não há como negar que é uma produção tecnicamente muito bem realizada, com uma trama que prende a atenção do espectador da primeira à última cena. Não resolve a contento sobre o mistério de Jack, o Estripador mas apresenta uma tese interessante. Vale a pena ser assistido.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Ponto de Vista

Título no Brasil: Ponto de Vista
Título Original: Vantage Point
Ano de Produção: 2008
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures
Direção: Pete Travis
Roteiro:  Barry L. Levy
Elenco: Dennis Quaid, Mathew Fox, Forest Whitaker

Sinopse: 
A execução de uma tentativa de assassinato ao presidente dos Estados Unidos é analisado sob cinco diferentes pontos de vista. Produção que investe na ação e no suspense, levemente inspirada no filme de Akira Kurosawa, 'Rashomon'.

Comentários:
Considero um filme tecnicamente muito bem realizado mas no aspecto entretenimento deixa a desejar pois a mesma situação é repetida inúmeras vezes causando um inevitável aborrecimento no espectador. Assim o mesmo atentado à vida do presidente americano é visto sob o ponto de visão de cinco personagens diferentes, cada um com sua própria versão dos acontecimentos. Certamente o roteiro pegou carona nas inúmeras tentativas de explicar a morte do presidente JFK. Como mostrado em um recente programa do Discovery a morte de Kennedy pode ser recriada sob inúmeros pontos de vista, com centenas de versões divergentes entre si. Foi justamente isso que o diretor pretendeu com esse filme. Certo, é uma boa ideia, inclusive pode ser muito interessante sob o aspecto cinematográfico mas o resultado, não tem como negar, é cansativo. Na quarta repetição dos fatos o espectador já estará torcendo para o filme acabar logo. Enfim, é válido como uma tentativa de inovação das técnicas de narrativa mas fora isso nada de muito relevante.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.