sexta-feira, 30 de junho de 2017

Elvis Presley - FTD A Date With Elvis

Mais um CD duplo lançado pelo selo FTD (Follow That Dream) nesse ano de 2017. Eu particularmente tenho minhas reservas quando a FTD lança álbuns especiais de meras coletâneas da discografia oficial de Elvis Presley, Tudo bem que "A Date With Elvis" tem seu espaço de importância dentro da coleção de discos do cantor, mas será que realmente seria mesmo necessário fazer uma edição dupla desse disco? Não seria mais inteligente simplesmente fazer um box com as músicas da Sun Records, por exemplo?

Isso tudo porque "A Date With Elvis" foi um LP (designação dos tempos do vinil) que não tinha muito critério. A RCA Victor apenas reuniu algumas gravações dos tempos da Sun, uniu a músicas de trilhas sonoras e faixa avulsas que estavam arquivadas, colocou tudo no mesmo pacote e o lançou. A ideia principal era não deixar o mercado sem novidades sobre Elvis enquanto ele estava servindo o exército na Alemanha. O título obviamente era uma jogada de marketing, para deixar suas fãs adolescentes na época sonhando com o ídolo distante.

Curiosamente se formos nos ater apenas nas dez canções que realmente fizeram parte do disco original, vamos perceber que a FTD resolveu investir pouco nelas, muito provavelmente por falta mesmo de material inédito em seus arquivos. Afinal hoje em dia é bem complicado localizar takes alternativos de músicas que foram gravadas há tanto tempo! A coisa piora em relação às que foram gravadas na Sun Records. O produtor Sam Phillips simplesmente não costumava arquivar o resto das sessões de gravação. O que sobrava da edição final era simplesmente jogado na lata de lixo!

Assim o selo acabou criando esse CD 2 intitulado " Private Recordings from Germany", todo composto por gravações amadoras, informais, feitas por Elvis enquanto estava na Alemanha. Ele simplesmente sentava-se ao piano após um dia de trabalho duro no quartel do exército e cantava um pouquinho, muitas vezes apenas para animar um pouco o ambiente de seu círculo mais íntimo de amigos e namoradas. Esse material já fora explorado antes, em um lançamento da própria FTD. Assim não vejo muito interesse nesse relançamento, mesmo com capa nova e encartes de luxo.

Elvis Presley - FTD A Date With Elvis (2017)
Disc 1: Blue Moon Of Kentucky / Young And Beautiful / Baby I Don't Care / Milkcow Blues Boogie / Baby Let's Play House / Good Rockin' Tonight / Is It So Strange / We're Gonna Move / I Want To Be Free / I Forgot To Remember To Forget / Bonus Songs: I Don't Care If The Sun Don't Shine / Let Me / Stereo and Binaural: Young And Beautiful / Baby I Don't Care / We're Gonna Move / I Want To Be Free (movie version, Splice of takes 10, 12 & 13) (binaural) / I Want To Be Free (record version, Splice of takes 11 & final ending take 5) (binaural) / Is It So Strange (take 1) / Is It So Strange (takes 2-9) / Is It So Strange (take 10) / Is It So Strange (take 11) / Is It So Strange (take 12, Original master take).

Disc 2 - Private Recordings from Germany: I'm Beginning To Forget You / I Can't Help It (ending only) /Mona Lisa / I Can't Help It / Guitar Piece / Danny Boy (1) / Danny Boy (2) / Loving You (incomplete) / Talk / I'm Beginning To Forget You (2) / Christmas / I'm Beginning To Forget You (3) / I'm Beginning To Forget You (4) / I Asked The Lord (1 incomplete) / I Asked The Lord (2 incomplete) / Apron Strings (1) / Soldier Boy / I Asked The Lord (3 incomplete) / I Asked The Lord (4) / I Asked The Lord (5) / Earth Angel / I Will Be True / There's No Tomorrow / I'll Take You Home Again Kathleen (slow 2) / Que Sera, Sera / Hound Dog / I Asked The Lord (6) / I'll Take You Home Again Kathleen (fast 2) / Apron Strings (3) / The Titles Will Tell / Send Me Some Lovin' / The Fool (1) / The Fool (2 incomplete) / The Fool (3) / The Fool (4) / Badly Distorted Audio: I'll Take You Home Again Kathleen (fast 1) / I'll Take You Home Again Kathleen (slow 1) / Apron Strings (2) / It's Been So Long Darling.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

O Último Ato

Um filme que de certa forma passeia por vários gêneros cinematográficos. Começa como drama, quando encontramos o velho ator de teatro Simon Axler (Al Pacino) tentando atuar em sua última apresentação. Com a idade surgem inúmeras dificuldades em decorar suas falas. Perdido no palco, ele resolve tomar uma atitude absolutamente inesperada e se joga da borda, indo parar no chão, bem no meio das pessoas que ficam completamente atônitas! A partir daí sua carreira, que já vinha em decadência, fica praticamente destruída de vez.

Ele então resolve se isolar de tudo e de todos, começando um tratamento de análise com seu terapeuta via Skype. Recluso em sua casa, ele acaba recebendo a visita da filha de um casal amigo, Pegeen Mike Stapleford (Greta Gerwig). A última vez que a tinha visto ela era apenas uma criança. Agora é uma mulher adulta, dona de si, muito bem resolvida. Ele brigou com os pais por ter se tornado lésbica, mas nem isso a impede de ter um relacionamento com o velho ator decadente. Quando era jovem Pegeen teve uma paixão platônica por ele e agora parece decidida a transformar esse sentimento em realidade.

Assim o filme que começa como drama, passa pelo romance, começa a desenvolver situações de humor. Isso porque o personagem de Pacino é bem mais velho que sua jovem namorada, que sendo uma mulher liberal, não deixa de ter seus casinhos por fora com outras mulheres lésbicas. O curioso é que o roteiro vai deixando algumas pistas contraditórias pelo meio do caminho, levando o espectador a desconfiar que tudo não passaria apenas de algum tipo de alucinação do próprio personagem. Essa situação porém nunca é claramente resolvida pelo roteiro, deixando muita coisa apenas subentendida, a critério da visão de cada um. Uma situação bem curiosa aliás.

De qualquer maneira Al Pacino continua excelente, segurando todas as pontas. Mesmo que o roteiro não seja grande coisa e mesmo que seu personagem seja de certa forma até mesmo um alter ego do ator, tudo acaba funcionando bem. Claro que a pequena reviravolta final, quando Simon (Pacino) é surpreendido por uma revelação sobre Pegeen que ele jamais cogitara existir, vai pegar muita gente de surpresa. Isso porém é de pouca importância. O que vale a pena é realmente conferir mais uma atuação do veterano Pacino, aqui reconhecendo de uma vez por todas o peso da idade e dos anos passados.

O Último Ato (The Humbling, Estados Unidos, 2014) Direção: Barry Levinson / Roteiro: Buck Henry, Michal Zebede / Elenco: Al Pacino, Greta Gerwig, Dianne Wiest, Charles Grodin, Kyra Sedgwick, Nina Arianda  / Sinopse: Simon Axler (Al Pacino) é um ator decadente, envelhecido, que se apaixona por uma mulher muitos anos mais jovem do que ele, chamada Pegeen Mike Stapleford (Greta Gerwig). Ela é filha de um casal de amigos de Axler, algo que lhe trará inúmeros problemas, agora que já está na velhice e praticamente aposentado da sua profissão.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Elvis Presley - Dragonheart

Elvis Presley - Dragonheart - Este lançamento do selo FTD (Follow That Dream) ficou mais conhecido pela polêmica causada pelos fãs americanos de Elvis (considerados os mais chatos do planeta!). Acontece que alguns fã clubes protestaram formalmente contra a gravadora por causa do mau gosto da capa!!! (que bobagem!). A BMG USA até pensou em retirar o CD do mercado e confeccionar uma nova capa, mas depois chegou a conclusão que isso estava era no fim das contas se transformando em uma tremenda publicidade grátis para o lançamento. Coisas de marketing. Eu particularmente não acho a capa tão pavorosa assim, existem piores na discografia de Elvis.

Mas e o CD? Esse traz um show inédito da carreira de Elvis gravado em 1974, com ótima qualidade de som. Esse ano de 1974 ficou marcado por diversos acontecimentos nos concertos de Elvis. As críticas começaram a soar mais severas porque Elvis começou a se apresentar de forma desconexa, muitas vezes ignorando o público, errando muito as letras, isso quando não acontecia algo mais grave no palco. Hoje em dia os biógrafos de Elvis consideram 74 o ano mais alucinado de Elvis. Segundo alguns autores Elvis começou a flertar perigosamente com drogas mais pesadas (inclusive cocaína!) o que acabou prejudicando bastante suas apresentações. Ele havia perdido a velha elegância que havia marcado durante tantos anos seus concertos ao vivo, segundo a própria Priscilla Presley.

Esse show gravado em South Bend dá uma ideia de seus problemas. O show é de mediano para fraco. Elvis parece disperso, sem foco. Além disso falha em canções que exigiam mais dele como por exemplo o clássico "Bridge Over Troubled Water". De novidade interessante, por outro lado, temos versões ao vivo de ".It's Midnight" (do álbum Promised Land) e ".Let Me Be There" (que eram novidades de repertório na época!). "Big Boss Man" também era outra boa adição, uma música que de certa maneira havia sido mal lançada em sua época original, mas que ganhava uma segunda chance ao vivo. Para muitos ela nunca chegou a funcionar muito bem, mas essa é uma opinião de menor importância. "Steamroller Blue" era outra boa canção, que servia para melhorar e diversificar seu repertório naqueles dias. Havia sido lançada como single (com uma estranha capa com uma máquina a vapor!) e levava Elvis de volta ao bom e velho blues. 

Como brinde o CD ainda traz duas faixas gravadas em  College Park, considerado até bem pouco atrás como o show mais "louco" da carreira de Elvis. O curioso é que quando a gravação desse concerto finalmente foi lançada alguns anos atrás - em qualidade Audience, nada boa - tudo pareceu mais normal do que se dizia. Pelo visto a lenda em torno do College Park era só isso mesmo, uma lenda bem contada e repetida por anos e anos a fio. Em suma, temos aqui um título da FTD (Follow That Dream) que é pelo menos interessante. Por todos esses aspectos esse é um CD que realmente vale a pena ter na coleção, mesmo com essa capa de gosto duvidoso!

Elvis Presley - Dragonheart (Live in South Bend on Oct. 1, 1974) - (FTD #26) 82876-53366-2 - : 1.See See Rider 3:42 2.I Got A Woman/Amen 6:56 3.Love Me 1:29 4.Blue Suede Shoes 1:24 5.It's Midnight 3:46 6.Big Boss Man 2:35 7.Fever 3:38 8.Love Me Tender 2:14 9.Hound Dog 2:04 10.Heartbreak Hotel 2:21 11.If You Love Me 2:50 12.Bridge Over Troubled Water 4:25 13.Introductions 5:01 14.Lawdy Miss Clawdy 1:36 15.Introductions 0:51 16.All Shook Up 1:00 17.Teddy Bear/Don't Be Cruel 2:02 18.Let Me Be There 3:22 19.It's Now Or Never 2:34 20.You Gave Me A Mountain 3:14 21.Johnny B. Goode 4:00 22.Hawaiian Wedding Song 2:31 23.Steamroller Blues 2:48 24.Can't Help Falling In Love 1:39 25.Closing Vamp and Announcements 0:56 (Bonus tracks) 26.Alright, Okay, You Win (74-09-29 Detroit) 27.Trying To Get To You (74-09-28 College Park) 28.Blue Christmas (74-09-28 College Park).

Pablo Aluísio.

T2 Trainspotting

Vinte anos após os acontecimentos que vimos no filme "Trainspotting - Sem Limites (1996)", o personagem Renton (Ewan McGregor) retorna para Edimburgo, Escócia. Ele quer resolver velhos problemas do passado e reencontrar seus amigos de infância e juventude. O problema é que Renton os traiu, os roubou e agora precisa acertar contas com todos eles. O tempo passou e deixou marcas em todos. O próprio Renton está com problemas de coração, tentando superar seu antigo vício em heroína. Pior está Spud (Ewen Bremner) que nunca conseguiu superar a droga e agora tenta se matar. Já Begbie (Robert Carlyle) não quer saber de conversa e está decidido a enfiar uma faca no coração de Renton assim que o encontrar novamente.

É a tal coisa, sequências tardias são necessárias ou não! Alguns filmes soam como meros caça-níqueis, tentando aproveitar bilheteria em cima do nome de velhos sucessos, clássicos modernos que marcaram época. Sem dúvida o primeiro filme "Trainspotting - Sem Limites" foi um marco no cinema britânico dos anos 1990. Tinha uma linguagem inovadora, ritmo alucinado (como a mente de seus personagens, todos jovens viciados em cocaína e heroína) e procurava retratar uma juventude perdida, sem rumos, valores ou ética. O roteiro explorava esses punks que só queriam saber de usar drogas, roubar e tocar o terror em sua cidade, uma Edimburgo tradicional, histórica, mas também velha e maltratada.

O filme também praticamente lançou as carreiras do diretor Danny Boyle e do jovem ator Ewan McGregor, que depois iria para Hollywood construir uma carreira de sucesso, se tornando até mesmo o mestre Obi-Wan Kenobi de "Star Wars". Nada mal para quem havia começado interpretando um junkie marginalizado de rua. No ano passado "Trainspotting" completou vinte anos de seu lançamento original, então o elenco, o diretor e a equipe técnica resolveram celebrar essa data justamente rodando esse segundo filme. Afinal o que teria acontecido com todos aqueles jovens, tanto tempo depois? Os anos passaram, eles tiveram vários problemas para se livrarem das drogas, alguns foram parar na cadeia e outros não conseguiram dar certo na vida, se tornando eternos fracassados. Embora muitos tenham afirmado que essa continuação seria desnecessária, penso que esse filme não foi de todo gratuito ou em vão. Pelo contrário, gostei de seu proposta, de seu roteiro e principalmente das atuações dos atores. Um caso raro de sequência bem tardia que realmente tem sua razão de ser.

T2 Trainspotting (T2 Trainspotting, Inglaterra, 2017) Direção: Danny Boyle / Roteiro: John Hodge, Irvine Welsh / Elenco: Ewan McGregor, Ewen Bremner, Robert Carlyle, Jonny Lee Miller / Sinopse: Vinte anos depois de ter enganado e passado a perna em seus antigos amigos, fugindo com todo o dinheiro de um roubo bem sucedido, Renton (Ewan McGregor) retorna a Edimburgo. Ele quer se desculpar com todos eles, aparando velhos problemas do passado. A volta porém não será será pacífica pois alguns deles querem saciar sua sede de vingança.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Série - Big Little Lies

Série: Big Little Lies
Ano de Produção: 2017
País: Estados Unidos
Estúdio: HBO
Direção: Jean-Marc Vallée, entre outros
Roteiro: Liane Moriarty, David E. Kelley, entre outros
Elenco: Reese Witherspoon, Nicole Kidman, Shailene Woodley, Alexander Skarsgård, Laura Dern

Episódios Comentados:


Big Little Lies 1.01 - Somebody's Dead
Essa nova série tem um elenco muito bom, acima da média, além de ter sido muito bem recomendada pela crítica. Esse primeiro episódio porém não me convenceu muito. Fiquei com a impressão de estar assistindo a uma versão adulta de "Pretty Little Liars". Saem as adolescentes e entram mulheres mais velhas, donas de casa, mães de famílias. Há um crime - não muito explicado - e durante as investigações um longo flashback é aberto, mostrando as principais envolvidas no assassinato de uma pessoa numa festa (o roteiro não explica muito além disso). Assim voltamos no tempo e encontramos uma série de personagens bem chatas (para dizer o mínimo). Todas parecem ser altamente falsas, frívolas e arrogantes.

A principal que puxa o coro é Madeline Martha Mackenzie (Reese Witherspoon) que fala pelos cotovelos e parece ter amizades (falsas) com todas as mulheres da região. Completam o quadro a recém chegada (e esquisita) Jane Chapman (Shailene Woodley) e a tímida e introvertida Celeste Wright (Nicole Kidman). O ponto alto da "dramaticidade" desse primeiro episódio é uma briguinha de pré-escola envolvendo os filhinhos delas. Muito chato. Certamente eu não faço parte do público que esse tipo de série quer alcançar, pois parece mesmo um novelão Made in USA. Não gostei muito desse primeiro episódio e muito provavelmente não irei acompanhar. Assisti mesmo por mera curiosidade e de fato não apreciei muito o que vi. A palavra chatice parece resumir tudo por aqui. / Big Little Lies 1.01 - Somebody's Dead (Estados Unidos, 2017) Direção: Jean-Marc Vallée / Roteiro: Liane Moriarty, David E. Kelley / Elenco: Reese Witherspoon, Nicole Kidman, Shailene Woodley, Alexander Skarsgård, Laura Dern. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Com a Lei e a Ordem

O filme conta a história de um xerife de Tombstone. Não é Wyatt Earp, mas sim Frame Johnson (Ronald Reagan). Após duas décadas na cidade ele conseguiu erradicar a criminalidade. Um sucesso, mas agora já mais envelhecido, pensa em se aposentar, cuidando de um rancho que comprou na cidade vizinha de Cottonwood. Após capturar o temido pistoleiro Durango Kid ele finalmente decide que chegou a hora. Entrega sua estrela de xerife e finalmente se muda. Seu desejo é se casar com a bela Jeannie (Dorothy Malone) para viver em paz ao seu lado nos seus últimos anos de vida.

Sua fama de xerife implacável porém não deixará isso acontecer. Em Cottonwood ele encontra uma cidade sem lei, dominada por uma família de criminosos. Um deles perdeu a sua mão anos atrás em um duelo com o próprio xerife Johnson. A sede de vingança ainda fala alto. Após o irmão de Johnson se tornar xerife na cidade e ser morto por esses criminosos, ele não vê outra alternativa a não ser voltar a ser o homem da lei da cidade, dando início a um novo confronto entre a lei e a criminalidade imposta por essa quadrilha de foras-da-lei.

Revisto nos dias atuais o grande atrativo desse faroeste "Law and Order" é a presença do ator e futuro presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan. Ele é o protagonista dessa fita B sem maiores destaques. O roteiro, embora procure inovar em certos aspectos, fugindo um pouco do velho tema da vingança, não traz maiores novidades. Esse tipo de enredo do xerife que não consegue colocar uma pedra em seu passado por causa dos criminosos que um dia perseguiu, já foi devidamente explorado em outros filmes de western. O filme também é muito curto, com 79 minutos de duração. Há um alívio cômico na presença de um agente funerário que vê seus negócios irem mal por causa da lei e da ordem instaurada pelo xerife Reagan e é só. No geral achei bem mediano realmente. Provavelmente se não fosse a presença daquele ator que um dia iria se tornar presidente, o filme não seria lembrado. Vale apenas como curiosidade histórica.

Com a Lei e a Ordem (Law and Order, Estados Unidos,1953) Direção: Nathan Juran / Roteiro: Inez Cocke, baseada na novela de W.R. Burnett / Elenco: Ronald Reagan, Dorothy Malone, Preston Foster / Sinopse: Frame Johnson (Ronald Reagan) é um velho xerife que só deseja se aposentar para criar gado em seu novo rancho, mas que não consegue se livrar da estrela de homem da lei por causa de seu passado e dos bandidos que desejam acertar contas com ele. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Além da Ilusão

A sinopse pode até animar o espectador, mas infelizmente não espere por grande coisa. Na história duas irmãs americanas, Laura (Natalie Portman) e Kate Barlow (Lily-Rose Depp), chegam a Paris com a intenção de ganhar muito dinheiro com a elite local. Elas promovem sessões de espiritismo, conversando com entes queridos falecidos. Inicialmente elas se apresentam com um agente circense em apresentações públicas e depois começam a realizar sessões privadas, particulares.

As coisas porém não andam tão bem. A única saída aparece quando um produtor de cinema, André Korben (Emmanuel Salinger), se interessa pelas irmãs. Poderia haver alguma forma de ganhar dinheiro com elas no cinema? Não demora muito e um roteiro é escrito, justamente para explorar nas bilheterias os supostos poderes mediúnicos das irmãs americanas, mas tudo acaba saindo do controle rapidamente.

Com uma premissa tão promissora, "Além da Ilusão" acaba ficando pelo meio do caminho. Não é um filme sobre espiritismo e nem charlatanismo, não vai pela linha do terror e falha como drama romântico. No fundo é aquele tipo de roteiro que acaba não indo para lugar nenhum, causando grande frustração no espectador. A atriz Natalie Portman está apagada em uma personagem ruim. Nem a cena de nudez dela vai despertar muito interesse. A atriz Lily-Rose Depp, que é filha de Johnny Depp com a cantora francesa Vanessa Paradis, também não diz a que veio. Com um semblante de tédio e marasmo ela não chama atenção. Para piorar aparece com um estranho visual de sobrancelha cortada, algo que nunca é explicado pelo roteiro do filme. Assim só sobra mesmo um enredo devagar, quase parando. O cinema francês geralmente é dito como chato, arrastado, em contraposição com o cinema americano. Pois bem, essa produção francesa só serve mesmo para confirmar esse velho preconceito.

Além da Ilusão (Planetarium, França, Bélgica, 2016) Direção: Rebecca Zlotowski / Roteiro: Rebecca Zlotowski, Robin Campillo  / Elenco: Natalie Portman, Lily-Rose Depp, Emmanuel Salinger / Sinopse: Duas irmãs americanas, Laura (Natalie Portman) e Kate Barlow (Lily-Rose Depp), decidem ir até Paris para ganhar dinheiro com supostas sessões de espiritismo e acabam caindo nas graças de um produtor de cinema, André Korben (Emmanuel Salinger), que começa a produzir um filme sobre o tema envolvendo a comunicação entre vivos e mortos. Filme indicado ao César Awards na categoria de Melhor Design de Produção (Katia Wyszkop). Também indicado ao Lumiere Awards na categoria de Melhor Música (Robin Coudert).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 25 de junho de 2017

São João Batista

Já que estamos em época de festas de São João, nada mais adequado do que relembrar a importante figura de João Batista. Ele ficou conhecido nos evangelhos justamente por essa denominação "Batista" que significa "aquele que batiza!". De fato, segundo o Novo Testamento João Batista teria batizado o próprio Jesus Cristo, uma honra imensa, inigualável, que demonstra sua importância histórica para o cristianismo. Não há quem diminua sua participação mais do que relevante para a história de Cristo.

Em vista disso cada vez mais ganha a importância a pergunta:  Quem teria sido realmente João Batista sob o ponto de vista histórico? Como um personagem importante, mas também coadjuvante no Novo Testamento, sabemos algumas informações básicas sobre João. Sabe-se que ele tinha grau de parentesco com o próprio Jesus. Ele seria filho de Isabel, prima de Maria, mãe de Jesus. Seu pai era um sacerdote judeu chamado Zacarias.

Segundo algumas fontes João teria sobrevivido ao massacre dos inocentes, quando o louco Rei Herodes mandou assassinar todas as crianças da Judeia, com receios de que estaria nascendo o Messias, o novo Rei dos Judeus. Seus pais teriam salvo João da morte certa, mas seu pai não teria escapado das mãos do sanguinário Herodes. Sua mãe Isabel o levou, ainda criança, para o deserto, onde ele passou praticamente toda a sua vida. João teria sua educação religiosa a cargo de um grupo de homens religiosos conhecidos apenas como os nazarenos (provavelmente por serem de Nazaré). Durante anos João batizou crianças nas águas do Rio Jordão e teria ele próprio criado seu grupo de seguidores. Quando perguntado se ele era o Messias tão esperado pelo povo judeu, teria esclarecido que não, que alguém mais iluminado por Deus viria e esse acabou sendo Jesus.

João Batista batizou Jesus e a partir daí o homem de Nazaré começou sua trajetória e vida de pregações. Enquanto Jesus seguia seu caminho, João Batista continuou sua vida de homem devotado a Deus. Ele seria morto a mando de Herodes Antipas dois anos antes da crucificação de Jesus. João Batista era considerado um homem santo, que não poupava críticas contra os governantes de seu tempo, denunciando suas vidas de luxo e depravação moral. Antipas assim teria mandado executá-lo, deixando claro que sua cabeça deveria ser levada numa bandeja para o Palácio. Hoje em dia muito se discute sobre a história de João Batista. Há alguns textos apócrifos, não oficiais, que relatam aspectos de sua vida, mas a origem desses textos é incerta. Dele ficou a imagem do profeta ermitão, com grande amor a Deus, que se vestia com peles de animais selvagens, comia insetos e vivia de forma livre, no meio da natureza. Essa imagem traz uma forte mensagem de desprezo pela vida material e valorização do crescimento espiritual de cada pessoa. Por isso João Batista não é apenas um santo, mas um ícone do pensamento e da doutrina cristã.

Pablo Aluísio. 

The Beatles - Abbey Road - Parte 3

A canção "Octopus's Garden" tem algumas características bem próprias. Essa música foi composta por Richard Starkey, ou melhor dizendo, Ringo. Desde os primeiros discos dos Beatles sempre uma faixa era separada para ser cantada por Ringo. Segundo John as músicas mais simples eram escolhidas por ele e Paul para o baterista soltar a voz. Em um momento pouco feliz de sua tagarelice, John chegou a debochar do baterista durante uma entrevista nos anos 70 dizendo que ele definitivamente "não era o melhor cantor do mundo!". Não deveria ter dito algo assim. De qualquer maneira era tradicional abrir esse espaço para o bom e velho Ringo. A novidade era que "Octopus's Garden" era uma criação própria de Ringo e não apenas uma música composta por Lennon e McCartney e interpretada por ele. De certa maneira causou até mesmo uma surpresa entre John e Paul o fato de Ringo surgir no estúdio com uma canção nova, feita apenas por ele! Não era algo que eles esperavam acontecer durante aquelas sessões.

Desde o momento em que ele mostrou uma demo bem crua para os demais, Paul, John e o produtor George Martin decidiram que ali deveria haver muitos efeitos sonoros, tal como havia acontecido com "Yellow Submarine". Aliás para muitos críticos e especialistas da obra dos Beatles essa canção era mesmo uma espécie de sequência daquela famosa música do álbum "Revolver". Paul e John sentaram no estúdio e escreveram alguns efeitos que deveriam aparecer na gravação. Embora não tenham sido creditados na autoria da canção o fato é que a participação deles foi essencial para que "Octopus's Garden" tivesse aquela sonoridade bem conhecida, diferente de todas as outras músicas desse disco.

Já "I Want You (She's So Heavy)" era uma composição inteiramente feita por John Lennon. Na verdade eram duas músicas diferentes, sobre temas diversos que Lennon resolveu unir em uma só para ser lançada no álbum "Abbey Road". A primeira chamada "I Want You" foi composta para Yoko Ono. John dizia que em relação a ela tinha que compor versos primários mesmo, pois sua paixão pela japonesa era algo primal, praticamente visceral. Por essa razão a maioria das letras falando de seu romance com Yoko eram de uma sinceridade e singeleza que chegavam a incomodar. Essa linha seria seguida por John Lennon em praticamente todos os seus discos da carreira solo que invariavelmente também tinha um só tema: seu amor por Yoko Ono.

Por outro lado "She´s So Heavy" era bem mais pesada. O "She" (Ela) da letra não se referia a uma mulher, mas sim a uma droga. Na época em que a criou John estava afundado em um pesado vício na heroína, uma droga da pesada que causava forte dependência em seus usuários. John já tinha tido problemas antes em escrever letras sobre drogas, principalmente no que dizia respeito a boicotes em rádios inglesas e americanas. Aqui as coisas foram mais amenizadas pois como a música foi unida a outra criou-se a (falsa) impressão que toda a letra dizia somente respeito a Yoko Ono. No estúdio John também resolveu inovar. Criou uma parede sonora, bem pesada, que anos depois seria associada ao Rock Progressivo. Também resolveu fazer um corte abrupto no final da faixa, o que fez alguns compradores voltarem às lojas dizendo que seus discos estavam com defeito! Não era defeito de fabricação, mas sim um jeito inovador que Lennon resolveu criar na sala de edição do produtor George Martin.

Pablo Aluísio.

sábado, 24 de junho de 2017

Elvis Presley - Reconsider Baby - Parte 2

"Tomorrow Night" foi gravada por Elvis Presley ainda nos tempos da Sun Records. Até hoje não se sabe com exatidão em que ano ela foi gravada, se 1954 ou 1955. Quando o passe de Elvis foi comprado pela RCA Victor a gravadora levou todos os takes e músicas gravadas por Elvis na Sun Records. Essa foi uma delas. Ficou arquivada anos e anos e depois relançada com novo arranjo no álbum "Elvis For Everyone" de 1965. Ela ganhou uma roupagem musical nova com a assinatura do grande músico e produtor Chet Atkins. Os executivos da RCA achavam que não dava para lança-la tal como gravada na Sun, pois a consideravam muito simples, muito sem sofisticação. Atkins foi então designado para dar uma sonoridade mais moderna e bonita.

A versão que temos nesse álbum é a crua, tal como foi gravada pelos Blue Moon Boys (Elvis, Scotty Moore e Bill Black). Embora a versão embelezada dos anos 60 seja de fato muito bonita, com uma bela guitarra tocada pelo próprio Chet Atkins atravessando toda a faixa, aqui a ouvimos tal como foi registrada por Elvis e banda em seus primórdios. É de fato a versão definitiva de Mr. Presley. Já a música original é bem mais antiga e foi lançada pelo cantor e compositor Lonnie Johnson. Hoje em dia essa composição é considerada uma das mais importantes da história do blues norte-americano. Evocativa e muito bem escrita, realmente é um ponto alto da discografia de Elvis Presley. Um momento que não foi bem aproveitado na época de sua gravação.

A versão de "So Glad You're Mine” que ouvimos nesse álbum é a mesma do disco "Elvis" de 1956, sem maiores novidades. Apenas a RCA Victor trabalhou um pouco mais na master original para recuperá-la adequadamente. Alguns fãs e críticos dizem que ela tem uma leve aceleração em seu ritmo normal. De fato, se ouvirmos o disco de vinil lançado em 56, vamos notar mesmo uma pequena variação em sua duração. Esse porém é um detalhe tão absurdamente minucioso que para o ouvinte comum não fará muita diferença. No mais esse blues é outro grande clássico, criado e composto por Arhur "Big Boy" Crudup, um artista de blues pelo qual Elvis tinha especial admiração. Não podemos nos esquecer que a primeira gravação profissional de Elvis se deu com uma outra composição de Big Boy, a hoje clássica "That´s All Right (Mama)".

"One Night" foi lançada como single em 1957. Chamou muito atenção em seu lançamento original pois a música foi considerada quase pornográfica para aquela sociedade muito conservadora e puritana dos anos 50. E isso porque o produtor Steve Sholes optou pelo lançamento de uma versão mais leve, não totalmente provocante que ficou conhecida dentro do estúdio como "One Night Of Sin". Pois foi justamente um dos takes da versão envenenada que foi selecionado para esse disco. Como não existia mais a preocupação em não chocar ou não escandalizar, a RCA resolveu restaurar os takes originais, sendo que esse ótimo momento chegou pela primeira vez no mercado justamente nesse título "Reconsider Baby", quase quarenta anos depois de sua gravação original! Como diz o ditado, antes tarde do que nunca...

Pablo Aluísio.

CHIPS

Título no Brasil: CHIPS
Título Original: CHIPS
Ano de Produção: 2017
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Dax Shepard
Roteiro: Dax Shepard, Rick Rosner
Elenco: Michael Peña, Dax Shepard, Vincent D'Onofrio, Adam Brody, Rosa Salazar, Jessica McNamee

Sinopse:
Um agente do FBI é infiltrado dentro do departamento de polícia de Los Angeles para descobrir uma quadrilha de tiras corruptos. Ele assume então a identidade do patrulheiro Frank 'Ponch' Poncherello (Michael Peña). Ao lado de seu parceiro Jon Baker (Dax Shepard), um ex-piloto de motos de competição, ele quer descobrir quais policiais estariam envolvidos no roubo de carros de transporte de valores. Tudo indica que eles são patrulheiros da CHIPS.

Comentários:
A série "CHiPs" foi um grande sucesso da história da TV americana. Durou seis temporadas e foi exibida (inclusive no Brasil) entre os anos de 1978 a 1983. Marcou época e deixou saudades, sem dúvida. Agora temos essa adaptação para o cinema desse programa que durante anos foi líder de audiência. Os dois personagens principais foram mantidos (Ponch e Baker), mas de resto tudo mudou. Se a série original era um programa policial ao velho estilo enlatado, aqui optou-se por uma linha com mais humor. Não chega a ser uma comédia besteirol, manteve-se ainda um certo pé no chão, porém o lado da comédia falou mais alto. Não é um filme de todo ruim, tem lá seus bons momentos, inclusive no quesito diversão, porém é óbvio que deixará muito a desejar em relação aos fãs da série original. Essa nova dupla de atores obviamente não consegue repetir o carisma da velha dupla (onde se destacava o ator Erik Estrada, que aqui faz uma pontinha na cena final, dentro da ambulância), mas no geral também não aborrece. A conhecida trilha sonora da série, que tinha uma abertura que também ficou muito famosa nos anos 70 e 80, foi timidamente aproveitada, o que achei um erro, já que CHips, queiram ou não, já virou uma peça de nostalgia. Eles deveriam ter investido mais nisso. Assim no saldo final, tirando certos exageros, principalmente no aspecto mais vulgar de certas piadas, até que essa adaptação para o cinema dos patrulheiros californianos não chega a ser tão ruim. É assistível e não enche a paciência, o que em relação a comédias americanas da atualidade já é um feito e tanto!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Elvis Presley - You'll Never Walk Alone - Parte 4

A última música a se falar desse disco "You'll Never Walk Alone" de 1971 é o gospel "Who Am I?". Na falta de uma definição melhor poderíamos dizer que essa gravação era mais um daqueles momentos de Elvis em estúdio que ficavam completamente perdidos dentro de sua discografia. Muitas vezes Elvis gravava um grande lote de novas músicas em Nashville ou em Memphis e depois todo o pacote era levado para a central da RCA Victor em Nova Iorque onde eles escolhiam quais seriam lançadas e de que forma (em álbuns, singles, etc).

Nem sempre todas as faixas eram aproveitadas e muitas delas ficavam literalmente pegando poeira nos arquivos da RCA NYC. Um absurdo? Bem isso. Assim quando bolavam um novo título para Elvis a ser lançado no mercado eles simplesmente vasculhavam esses arquivos em busca de algo inédito. A maioria das coletâneas eram selecionadas dessa forma, sem muito critério, com tudo cheirando a uma grande bagunça e desorganização por parte da companhia que tinha os direitos sobre o lançamento de discos de Elvis Presley nos Estados Unidos e em grande parte do mundo.

Essa canção religiosa havia sido escrita por Rusty Goodman, membro de um grupo vocal gospel sulista chamado The Goodman Family Revival ou como era mais conhecido, The Happy Goodman Family. Esse tipo de artista só uma pessoa nascida e criada no sul dos Estados Unidos e mais ainda, que fizesse parte da comunidade evangélica, poderia conhecer. Era um tipo de grupo de nicho mesmo, bem específico. Como Elvis adorava a sonoridade de quartetos gospel, não é de se admirar  que ele conhecesse muito bem a obra desse grupo religioso. Afinal ele era um colecionador desse tipo de disco. A sua versão porém só veio muitos anos depois, sendo gravada em fevereiro de 1969.

Curiosamente, bem no meio da maratona das sessões do American Studios em Memphis, Elvis naquela noite só registrou essa faixa. Para muitos ele estava exausto, já para outros autores o que aconteceu foi que Elvis interrompeu os trabalhos após ser acometido por uma forte gripe que o pegou de jeito. De uma maneira ou outra o fato é que embora tenha dedicado toda uma noite para gravar apenas essa faixa, ela depois foi absurdamente negligenciada pela RCA que praticamente nada fez por ela, nem divulgação, nem nada. Enfim, ossos do ofício.

Pablo Aluísio.

Nina

Nina Simone foi uma cantora muito popular nos Estados Unidos. Ela teve formação clássica, estudando para ser pianista, porém não conseguiu espaço dentro desse mundo muito exclusivo. Assim resolveu partir para a música popular. Se tornou cantora de boates e night clubs. Com uma voz belíssima ela foi conquistando seu espaço, gravando seus discos (no total lançou mais de 40 álbuns), se tornando muito famosa e respeitada no universo do soul negro dos Estados Unidos. Ao lado da artista talentosa existia também uma mulher atormentada. Alcoólatra, viciada em drogas e com propensão para doenças mentais (ela foi diagnosticada como maníaca depressiva com surtos psicóticos), sua carreira começou a afundar cada vez mais.

O roteiro desse filme se concentra nos últimos anos de Nina. Ela já está completamente decadente, sem nem ao menos conseguir se apresentar ao vivo. Os donos de casas de shows estavam cansados de seus problemas e seus escândalos no palco (ela chegou a esfaquear um homem durante seus concertos!). Quando o filme começa encontramos Nina internada em um hospital psiquiátrico. Completamente surtada ela precisa de cuidados especiais. Com o uso de remédios começa a recobrar a sanidade. Nesse hospital ela simpatiza com um enfermeiro jovem chamado Clifton e resolve contratá-lo como assistente pessoal. Leva o rapaz para a França, onde ela morava, e começa assim uma relação muito próxima que iria durar anos (ele se tornaria empresário dela algum tempo depois).

Como se pode perceber Nina Simone não era uma pessoa de fácil convivência. O filme mostra muitos aspectos negativos de sua personalidade irascível, mas ao mesmo tempo demonstra ter um respeito sempre presente por ela. Esse foi um projeto muito pessoal da atriz Zoe Saldana, que se esforçou bastante para a realização do filme. Produziu e tirou dinheiro do próprio bolso para que essa produção fosse feita. Ela inclusive está muito bem em cena e surpreende quando descobrimos que ela canta praticamente todas as canções do filme, não fazendo feio em momento nenhum! Zoe tem grande talento vocal, isso fica claro nas cenas em que canta. No mais é um resgate dessa cantora que hoje em dia já não é tão lembrada, nem nos Estados Unidos. É um registro importante da vida de Nina, embora cinematograficamente falando seja apenas na média.

Nina (Nina, Estado Unidos, 2016) Direção: Cynthia Mort / Roteiro: Cynthia Mort / Elenco: Zoe Saldana, David Oyelowo, Kevin Mambo / Sinopse: O filme mostra parte da vida da cantora Nina Simone (1933 - 2003). Menina prodígio, era uma excelente pianista clássica, mas não conseguiu vencer nesse meio por causa de problemas raciais. Assim torna-se cantora de soul e depois de muitos anos consegue o sucesso. O filme mostra os últimos anos de Nina quando ela se tornou muito próxima de um jovem chamado Clifton, seu enfermeiro e assistente pessoal. Filme indicado ao Women Film Critics Circle Awards.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

A Senhora da Van

O cinema inglês sempre foi particularmente inspirado para contar histórias como a desse filme. Tudo foi baseado parcialmente em fatos reais. A personagem central se chama Miss Shepherd (interpretada pela maravilhosa Maggie Smith). Ela vive pelas ruas de Londres, dirigindo uma velha van. Sem ter onde morar, ela vai estacionando pelas redondezas. De certa maneira é uma homeless (sem-teto) em versão motorizada. Casualmente acaba indo parar na frente da casa do dramaturgo Alan Bennett (Alex Jennings). Ele obviamente se sente incomodado pela presença nada comum de Miss Shepherd, já que ela tem um comportamento muito excêntrico e bizarro, mas aos poucos vai criando uma afinidade com seu jeito de ser.

O roteiro desse filme foi escrito pelo próprio Alan Bennett que inicialmente escreveu uma peça teatral de suas experiências ao lado de Miss Shepherd. De fato, em determinado momento Alan resolveu mudar de casa, mas para sua surpresa percebeu que independente de onde fosse morar a van de Miss Shepherd o acompanhava. Claro que ele jamais iria ser rude ou grosseiro com uma velhinha como aquela (isso nunca passaria na mente de um inglês), mas a situação que começou constrangedora acabou se tornando divertida, exótica, quase surreal. Intrigado pela vida dela o dramaturgo então começou a pesquisar sobre seu passado e acabou descobrindo que na juventude ela teria sido uma pianista clássica de primeira linha. Para sua surpresa também descobriu que ela havia se tornado freira em um período de sua vida!

"A Senhora da Van" assim se desenvolve, dentro do relacionamento entre Alan e a Miss Shepherd. Ele um tímido escritor de peças, homossexual enrustido, um homem introvertido e ela o oposto disso. Rabugenta, espaçosa, invasiva em sua vida particular. O roteiro tem um aspecto bem inteligente, ao dividir o personagem de Alan em dois! Um deles é o sujeito que precisa lidar com os problemas do dia a dia (inclusive lidando com a presença da senhora da van) e o outro é o intelectual que escreve todas as peças de teatro. O resultado é muito bom. Para quem aprecia o trabalho de Maggie Smith esse é certamente um de seus filmes mais recomendados. Ela está ótima como essa simpática e nada comum velhinha sobre rodas.

A Senhora da Van (The Lady in the Van, Inglaterra, 2015) Direção: Nicholas Hytner / Roteiro: Alan Bennett / Elenco: Maggie Smith, Alex Jennings, Jim Broadbent / Sinopse: Miss Shepherd (Maggie Smith) é uma velhinha inglesa que não tem onde morar. Na verdade ela vive dentro de sua van. Um dia conhece por acaso o dramaturgo Alan Bennett (Alex Jennings) e resolve lhe seguir. Sempre que Alan mudava de casa, lá estava a senhora Shepherd com sua van, estacionando perto. O que parecia uma situação constrangedora no começo logo se torna uma amizade cheia de calor humano (pelo menos da parte dele!). Filme indicado ao Globo de Ouro e ao BAFTA Awards na categoria de Melhor Atriz (Maggie Smith). Premiado pelo Evening Standard British Film Awards na mesma categoria.

Pablo Aluísio.

Histórias de Rock Hudson - Parte 9

No começo de sua carreira Roy Harold Scherer Jr queria adotar o nome artístico de Roy Fitzgerald. Soava como algo aristocrático para ele. Seu agente Henry Wilson por outro lado achava o nome horrível. "Não há como imaginar um nome desses na marquise de um cinema de Nova Iorque. Vamos procurar por outra coisa". Henry Wilson era muito bom em criar nomes artísticos. Ele havia criado os nomes de Tyrone Power, John Saxon, Dean Jagger - todos nomes viris que ajudaram seus atores a se tornarem famosos.

Olhando para Roy, um homem alto e atlético, Henry pensou imediatamente no nome Rock (rocha). Era algo viril, muito adequado. Depois para o sobrenome lembrou do Rio Hudson, majestoso, indomável. Era assim que ele via Roy, um homem forte como uma rocha, uma força da natureza. E foi assim, no meio de uma reunião no escritório de Henry Wilson, que foi criado o nome de Rock Hudson, que seria uma das obras primas do agente. O próprio Rock inventaria outras versões divertidas sobre a criação de seu nome artístico, mas o fato é que tudo foi pensado mesmo por seu astuto e inteligente empresário.

Henry Wilson sabia que Rock era gay. Ao criar um nome tão masculino e viril ele deixou claro para Rock que ele jamais poderia tornar público sua opção sexual. "Isso está fora de cogitação. Vou tornar você um astro de Hollywood ao velho estilo. Um galã para as mulheres suspirarem no cinema! Tenha seus casos e seus amores, mas tudo escondido, sem jamais baixar a guarda para o público e a imprensa!". Esses conselhos de Henry Wilson seriam seguidos por Rock até praticamente o fim de sua vida. Só quando resolveu dizer publicamente que estava com AIDS, em 1985, com pouco tempo de vida pela frente, é que Rock resolveu assumir publicamente sua homossexualidade.

Em pouco tempo a fórmula criada por Henry Wilson deu certo. Rock Hudson acabou se tornando o ator de maior bilheteria dos estúdios Universal. Naquela época a popularidade de um astro era medida pelo número de cartas que recebia de seus fãs ao redor do mundo. Em uma publicação sobre cinema Rock tirou uma foto em cima de uma montanha de cartas enviadas até ele. Era uma prova de seu sucesso! Curiosamente um dos aspectos mais louváveis da personalidade de Rock também se sobressaiu nessa época: sua generosidade. No natal de seu primeiro grande ano como superstar ele comprou dezenas de presentes para distribuir a todos os empregados da Universal, desde os mais simples funcionários como porteiros e pessoal da limpeza, até os produtores, executivos da companhia. Na dia de natal Rock chegou no estúdio com um grande saco de presentes e tal como se fosse um Papai Noel moderno saiu dando presentes para todo mundo. Ele era o ator mais querido dos funcionários do estúdio e todos torciam para que seus filmes fizessem cada vez mais sucesso. Rock era considerado uma ótima pessoa com quem trabalhava ao seu lado.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Série - Genius

Série: Genius
Ano de Produção: 2017
País: Estados Unidos
Estúdio: National Geographic
Direção: Ron Howard, entre outros
Roteiro: Noah Pink, entre outros
Elenco: Geoffrey Rush, Johnny Flynn, Samantha Colley

Episódios Comentados:


Genius 1.01 - Einstein: Chapter One
Essa nova série é uma produção conjunta entre a Fox e a National Geographic, o que acaba unindo um ótimo roteiro (com precisão histórica) a um excelente elenco e direção. Essa primeira temporada conta a história do cientista Albert Einstein. São duas linhas temporais, duas linhas narrativas. A primeira se passa em 1895. Nessa época Einstein era apenas um jovem estudante que não sabia ao certo que rumo tomar na vida. Quando seu pai decide se mudar para a Itália, Einstein fica sozinho na Alemanha, precisando lidar com a ausência dos pais. Ele inicialmente estuda para entrar na universidade de Berlim, porém logo depois muda de ideia, indo estudar na escola politécnica de Zurique, algo que irrita bastante seu pai. Na outra linha narrativa encontramos Einstein mais velho, já casado e dando aulas em uma universidade alemã.

O ano é 1932 e o nazismo começa a se espalhar, principalmente pela ação dos camisas pardas, a juventude de Hitler que começa a ameaçar e agredir judeus pelas ruas. Inicialmente Einstein, que era judeu, se recusa a deixar a Alemanha como queria sua esposa, mas depois começa a perceber que ir embora pode salvar sua vida. Ele tem convites para ensinar nos Estados Unidos e isso parece ser uma boa opção. A última cena desse episódio mostra Einstein passando por uma tensa entrevista na embaixada americana. A primeira esposa de Einstein se envolveu com grupos radicais de esquerda, o que talvez o impeça de entrar na América. Ótimo episódio inicial, com destacada reconstituição de época e uma bela interpretação do ator Geoffrey Rush como o famoso físico. Essas duas linhas narrativas, pelo visto vão seguir nos próximos episódios, unindo momentos temporais diferentes na vida de Einstein. Nada mais conveniente uma vez que o cientista sempre defendeu que o tempo nada mais era do que um aspecto relativo das leis do universo. / Genius 1.01 - Einstein: Chapter One (Estados Unidos, 2017) Direção: Ron Howard / Roteiro: Noah Pink / Elenco: Geoffrey Rush, Johnny Flynn, Samantha Colley.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Lisa Marie Presley reencontra as filhas!

Lisa Marie Presley reencontra as filhas!
Finalmente Lisa Marie Presley reencontrou as filhas em Los Angeles. Como se sabe Lisa perdeu a guarda das filhas após enfrentar inúmeros problemas pessoais.

Tendo em vista um processo de divórcio problemático e doloroso com o pai das crianças, um tratamento de reabilitação em dependência química e vários problemas financeiros, um juiz da Califórnia achou mais adequado que as duas filhas de Lisa passassem a morar com a avó Priscilla Presley.

Somente Priscilla poderia dar uma situação mais estável para as netas que ainda são crianças, em fase de crescimento. Segunda a sentença a estabilidade emocional, financeira e familiar vem em primeiro plano. As relações entre Lisa e Priscilla porém não andam nada bem. Segundo algumas fontes Lisa e Priscilla não estão se falando no momento, o que talvez justifique o fato de Priscilla não ter ido encontrar Lisa quando ela foi visitar suas netas.

Também esteve presente no encontro a atriz e modelo Danielle Riley Keough, a outra filha de Lisa de seu primeiro casamento. Riley vem em um ótimo momento na carreira, se destacando em filmes e séries em que tem atuado. Confira as fotos que foram publicadas pelo Daily Mail. (Pablo Aluísio).

terça-feira, 20 de junho de 2017

Papa Urbano VII

O Papa Urbano VII passou para a história como Urbano, o Breve. A razão do título se deu por causa da brevidade de seu papado. Urbano ficou apenas 13 dias no trono de Pedro. Ele morreu antes mesmo de completar duas semanas no poder. O que teria acontecido? Por muitos anos se especulou que Urbano teria sido envenenado, pura e simplesmente. Afinal muitos papas foram envenenados e assassinados no Vaticano durante a história. Ele provavelmente não teria sido uma exceção.

Estudos históricos mais recentes porém demonstram que a verdade provavelmente foi bem mais simples. Ao invés de tramas e conspirações de assassinatos, o que teria acontecido é que Giambattista Castagna teria subido ao trono papal já muito doente. Ele havia contraído malária durante seus anos como cardeal na Espanha. Essa doença é traiçoeira, nunca deixando o paciente totalmente curado. Com os anos ela vai piorando.

Durante o conclave o cardeal Castagna demonstrava superficialmente gozar de boa saúde. O fato porém é que ele escondeu dos demais cardeais seus graves problemas de saúde. No século XVI houve uma intensa movimentação entre as metrópoles e suas colônias. Colonizadores, navegadores e europeus iam até o novo mundo, as Américas, e de lá traziam doenças tropicais que não eram muito conhecidas dos europeus. A Espanha era uma dessas metrópoles colonizadoras, uma potência militar que explorava o continente recentemente descoberto. O cardeal Castagna provavelmente esteve em algum lugar de contágio enquanto trabalhava nas cidades espanholas. Quando retornou ao Vaticano já estava doente.

Em menos de 13 dias de papado não há muito o que se fazer, nem o que conspirar contra. Por isso os historiadores acham muito improvável que tenha surgido uma conspiração de assassinato para matá-lo, até porque o Papa ainda era bem visto de seu clero. Ninguém realmente o odiava naqueles breves dias como Papa para o envenenar assim, tão prematuramente. Urbano VII morreu em 15 de setembro de 1590. Ele tinha 69 anos de idade. Sua morte foi um choque em Roma. Os sintomas que o atingiram no leito de morte corroboram a tese de que de fato ele morreu da famigerada e temida malária, uma doença dos navios que iam e vinham das terras da América.

Pablo Aluísio.

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 4

O diretor Henry Hathaway voltou a pedir ao estúdio que contratasse Randolph Scott para mais um faroeste. Ele havia assinado para trabalhar na direção da adaptação para as telas de cinema do romance de Zane Grey. Em sua visão apenas Scott tinha os atributos para interpretar o personagem principal, um cowboy chamado Chane Weymer. O filme iria se chamar "Wild Horse Mesa" (no Brasil recebeu o título de "Audácia Entre Adversários").

O roteiro desse western era bem interessante, mostrando os conflitos e lutas de um rancheiro que desejava tocar sua vida em uma região inóspita, bem no meio do deserto do Arizona. As filmagens foram feitas em locações desérticas, algo que exigiu muito do elenco e da equipe técnica. Scott ficou bem amigo da estrela do filme, Sally Blane. Essa aproximação (que não passava de simples amizade) acabou caindo nas revistas de fofocas, onde se dizia que os dois atores estavam tendo um caso no set de filmagens. "Pura mentira, mas que ajudava a promover o filme" - relembraria anos depois o próprio ator.

"Wild Horse Mesa" foi sucesso de bilheteria. Ainda hoje é cultuado pelos fãs do gênero western. Um bom filme certamente, embora não fugisse muita da mitologia auto centrada que os estúdios de cinema tinham criado para os filmes de faroeste. Havia o mocinho, a mocinha que seria conquistada, os vilões malvados e, é claro, a exuberância dos cenários naturais. A diferença é que o filme foi dirigido pelo grande e talentoso cineasta Henry Hathaway que iria se notabilizar em Hollywood pela diversidade de filmes que dirigiu. Embora tenha feito também grandes filmes de western, inclusive ao lado de John Wayne, esse cineasta procurava ser o mais eclético possível, passeando por todos os tipos de filmes, sem ficar preso a nenhum gênero.

Algo que Randolph Scott tentou no começo da carreira, embora no íntimo ele soubesse que seu futuro vinha mesmo dos filmes de faroeste. Seu próximo filme demontra bem isso, um dos poucos filmes de terror e suspense da filmografia de Randolph Scott. "Vingança Diabólica" foi dirigido por A. Edward Sutherland, um cineasta inglês que tentava melhorar a qualidade dos filmes de terror nos Estados Unidos. Os ingleses eram considerados mestres no suspense cinematográfico naquela época. "Não deu certo!" - confidenciaria anos depois o ator. "Eu não fui bem nesse filme. Estava deslocado, sem saber muito bem o que fazer! Essa coisa de terror não era a minha área." Ao contrário do faroeste anterior essa fita com ares de cinema noir foi um fracasso de bilheteria, fazendo com que Randolph Scott começasse a se concentrar nos cavalos, nas esporas, nas estrelas de xerife e nos duelos ao pôr do sol. Os filmes de western eram mesmo o seu porto seguro em termos de público e crítica.

Pablo Aluísio.

The Beatles - Abbey Road - Parte 2

"Maxwell's Silver Hammer" é uma das músicas mais interessantes do álbum "Abbey Road" dos Beatles. Essa canção foi uma das mais perfeitas, do ponto de vista técnico, da discografia do grupo. Essa perfeição porém teve seu preço. Os demais membros do grupo começaram a se irritar com Paul McCartney porque a gravação parecia nunca ter fim... Paul sempre aparecia querendo lapidar ainda mais a faixa, acrescentar algum detalhe, alguma novidade em sua sonoridade. O preciosismo absurdo de Paul irritou tanto os outros que Lennon simplesmente sumiu do estúdio por duas semanas apenas para não se envolver mais na gravação dessa faixa. Para ele "Maxwell's Silver Hammer" era de uma chatice indescritível.

Depois que John foi embora, George Harrison também começou a criticar a música de Paul, dizendo que ela era uma coisa velha, ultrapassada, Parecia a música que Paul estava fazendo para seu avô - por causa da sonoridade anos 1920 que McCartney queria trazer para a faixa. Tentando amenizar tudo Ringo Starr (sempre ele, o conciliador) afirmou que havia um exagero na rabugice de John e George. Ok, a música tinha um timing envelhecido, de tempos antigos, mas também era verdade que ela resultou em uma gravação absurdamente perfeita, cheia de inovações sonoras, que não eram comuns em discos de banda de rock dos anos 60. Mais uma inovação sem precedentes dos Beatles nesse aspecto.

Depois ouvimos a bela canção romântica "Oh Darling!". Que Paul McCartney sempre foi um grande compositor de baladas, isso provavelmente todo mundo já sabe. O que poucos conhecem é que nos bastidores dos Beatles sempre havia uma disputa surda envolvendo Paul e John. Enquanto McCartney estava sempre lapidando suas criações românticas, John ficava pegando em seu pé, dizendo que ele estava sempre fazendo canções piegas. O próprio John chegou a declarar sobre isso em uma entrevista: "Eu estava sempre surgindo nos estúdios com rocks pesados, enquanto Paul surgia como o poeta romântica dos Beatles. Eu ficava perplexo com isso porque queria contrabalancear nos discos dos Beatles e como Paul só parecia surgir com músicas de amor eu tinha que me virar criando rocks! Quando os Beatles se separaram eu até mesmo fiquei em dúvida se ainda conseguiria compor alguma música romântica depois de anos de pauleira". Pois é, não foi fácil para John aguentar por anos e anos as intermináveis declarações de amor de Paul em forma de notas musicais...

De qualquer forma, indiferente com as críticas de John, Paul surgiu no estúdio Abbey Road com essa nova faixa romântica "Oh Darling!" - aliás mais do que isso, uma das mais sinceras e ternas melodias de sua carreira. A inspiração de Paul veio de velhas músicas americanas dos anos 50, com todos aqueles refrãos pegajosos e ultra românticos. Para gravar seus vocais Paul também decidiu que iria chegar mais cedo no Abbey Road para chegar no tipo de vocalização que considerava a ideal. Ele acreditava que sua voz ficava particularmente mais bonita nas primeiras horas da manhã. Assim mal o estúdio era aberto às sete da manhã e lá estava Paul gravando sozinho, sem os demais Beatles que só apareciam muitas horas depois. Depois que Paul finalmente gravou seus vocais o resto da banda contribuiu com a parte instrumental. John foi para o piano tirar algumas notas evocativas daquele espírito rock romântico dos 50´s. George criou um bonito solo de guitarra e Ringo fez o feijão com arroz com sua bateria. Até Billy Preston (que havia trabalhado em "Let It Be") deu uma pequena canja tocando seu sintetizador (embora na versão oficial Paul tenha eliminado essa parte). Então é isso, uma canção despudoradamente apaixonada, como tem que ser. Afinal grandes amores sempre são melhores quando são loucamente vividos.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - FTD Girls, Girls, Girls

Elvis Presley - FTD Girls, Girls, Girls
Outro CD interessante, já lançado há algum tempo, é a edição especial do selo FTD trazendo a trilha sonora do filme "Girls, Girls, Girls" (Garotas, Garotas e mais Garotas, no Brasil). Como é de praxe nos CDs desse selo temos aqui o resgate do álbum original com vários takes alternativos das sessões originais de gravação. O destaque para o colecionador vinha na adição de duas músicas que tinham sido originalmente gravadas para o disco original, mas que ficaram de fora. Em minha opinião ambas, "Mama" e "Plantation Rock", deveriam ter sido lançadas sem problemas, até porque a primeira, "Mama" tinha seu espaço dentro do filme, inclusive foi usada em cena, mas sem grandes explicações por parte da RCA Victor foi simplesmente cortada do álbum de 1962.

Esse "Girls, Girls, Girls" foi um filme sessão da tarde que Mr. Presley rodou nos anos 60. Tudo que já conhecemos bem, não precisando repetir palavras ao vento. A trilha sonora também é na média do que ele fazia naquela época. Sonoridade agradável, qualidade artística mediana. Uma boa novidade é assim ouvir o CD FTD Girls, Girls, Girls que traz muitos outtakes e takes alternativos dessa sessão. É ouvir o que ficou pelo chão de edição da RCA Victor - isso resumindo tudo em poucas palavras. Uma das novidade vem da presença, pela primeira vez em disco, do medley "Dainty Little Moonbeams / Girls! Girls! Girls!". Pois é, você ouviu isso no filme, mas quando chegou a hora de ouvir a trilha oficial ficou a ver navios ou veleiros, sendo mais exato. É o momento em que Elvis dança um pouco na praia, com as garotinhas chinesas e um grupo de bailarinas de verão. Lembra bastante de "Clambake"!

Uma das coisas que me irritaram nesse CD, mesmo ele trazendo algumas preciosidades sonoras, foi o sumiço de versões alternativas da música que deu título ao filme! A impressão é que nada sobreviveu, o que é bem trágico, já que a faixa é a melhor coisa da trilha. Ao invés disso encaixaram os takes 8 e 10 de "I Don't Wanna Be Tied". Praticamente perfeita, idêntica ao disco oficial, com apenas uma diferença crucial: sumiram com a ótima introdução percussiva desse take! Qual é a razão? Nunca saberemos! Pena. É um embalo daqueles, ótimo se tivesse se mantido no LP. Infelizmente não pensaram dessa maneira e editaram a gravação original. Pelo menos o final blues foi mantido.

Outra curiosidade é a capela de Elvis e seu grupo na vocalização de "Thanks To The Rolling Sea". Nesse take você não ouve o acompanhamento instrumental, nem a banda, apenas as vozes de Elvis e cia. E não é que a coisa funciona muito bem! Para falar a verdade a música ganhou uma grandiosidade que não tinha na versão original. O único instrumento que usaram foi um solitário violão ao fundo, sendo devidamente superado pela excelente performance vocal de Elvis e seus músicos. Ficou muito bom! Quem diria... O grupo vocal The Amigos (ao estilo mexicano) também ganhou seu próprio espaço, com uma versão solo de "Mama". Então é isso. Não é um título completo, que sirva como edição definitiva dessa trilha sonora, mas serve como ótima opção para quem deseja ter algo a mais dessas sessões.

FTD Girls, Girls, Girls
Girls! Girls! Girls! / I Don't Wanna Be Tied / Where Do You Come From / I Don't Want To / We'll Be Together / A Boy Like Me, A Girl Like You / Earth Boy / Return To Sender / Because Of Love / Thanks To The Rolling Sea / Song Of The Shrimp / The Walls Have Ears / We're Coming In Loaded / Mama / Plantation Rock / Dainty Little Moonbeams - Girls! Girls! Girls! / A Boy Like Me, A Girl Like You (Takes 1, 2)  / Mama (Takes 1, 2, 3, 4) / Thanks To The Rolling Sea (Take 3)  / Where Do You Come From (Take13)  / Earth Boy (movie splice 2/4) / We'll Be Together (Takes 8, 10)  / Mama (Takes 5, 6, 7, 8) / I Don't Wanna Be Tied (Takes 10, 8) / A Boy Like Me, A Girl Like You (Takes 3, 4)  / Thanks To The Rolling Sea (Take 10)  / Plantation Rock (Take 17 & insert) / Mama (Take 9) / Mama (The Amigos) / Mama (instrumental) / Mama (album version).

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Vingança ao anoitecer

Nicolas Cage interpreta um agente da CIA que está prestes a se aposentar. Ele foi diagnosticado com um sério problema de saúde, um mal que o atinge neurologicamente. Antes de vestir o pijama da aposentadoria porém ele está disposto a ir atrás de um fundamentalista islâmico, um terrorista que o torturou anos atrás, quando seu disfarce foi revelado. Esse criminoso internacional também está passando por uma grave doença, o que o faz procurar por médicos e remédios no ocidente, justamente a pista que Nick Cage está há tanto tempo procurando. Ele quer matar o líder terrorista islâmico, para só então se aposentar e se tratar.

"Vingança ao Anoitecer" é até um bom filme. O roteiro não foge muito daquela velha fórmula de vingança, que já estamos acostumados a assistir, porém o desenvolvimento até que traz algumas surpresas. Uma delas é o fato dos dois personagens principais (o protagonista e o antagonista) estarem com os dias contados. Ambos estão morrendo, com doenças severas, mas não desistem de acertar contas entre si. O agente da CIA interpretado por Cage já demonstra problemas de saúde bem visíveis, com as mãos tremendo, esquecimentos e mudanças de humor bruscas. Seu mal é diagnosticado como uma fase de demência que o deixará totalmente incapacitado com o tempo. Com isso a vingança não poderá mais tardar, tem que ser feita o quando antes, com ou sem a ajuda da sua agência de inteligência.

O diretor Paul Schrader fez recentemente um filme com o próprio Nicolas Cage chamado "Cães Selvagens". Se aquele tinha algumas passagens mais autorais, com toques cult, esse aqui é bem mais convencional. Não há espaço para momentos surreais e inusitados. Tudo se desenvolve numa fórmula mais quadrada, nunca fugindo do normal. Também é o filme mais arroz com feijão da filmografia de Schrader. Para quem escreveu o roteiro de "Taxi Driver" e dirigiu filmes diferentes como "A Marca da Pantera" e "Hardcore - No Submundo do Sexo" esse "Vingança ao anoitecer" vai parecer mesmo uma Sessão da Tarde sem maiores novidades ou saltos de genialidade. Os anos em que ele quis revolucionar o cinema americano ficaram definitivamente para trás.

Vingança ao anoitecer (Dying of the Light, Estados Unidos, 2014) Direção: Paul Schrader / Roteiro:  Paul Schrader / Elenco: Nicolas Cage, Anton Yelchin, Alexander Karim / Sinopse: Agente da CIA se torna obcecado em colocar as mãos no terrorista fundamentalista islâmico que o torturou anos atrás. O tal sujeito está morrendo de uma grave doença o que acaba deixando pistas para seguir. O plano do americano é se infiltrar na organização do terror para matar pessoalmente o criminoso internacional, procurado há tantos anos.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - Elvis Las Vegas ´74

Outro lançamento do selo FTD (Follow That Dream) que está chegando nas lojas. Esse aqui se chama "Elvis Las Vegas ´74". O título é auto explicativo, trazendo dois concertos realizados por Elvis em sua segunda temporada em Las Vegas durante o ano de 1974, ambos gravados no mesmo dia (24 de agosto), um no Dinner Show (show com jantar, ao estilo tradicional, geralmente realizado às oito da noite) e o Midnight Show (apresentação que era geralmente feita próxima da meia-noite, o segundo show do dia, onde os jantares eram trocados por drinks e petiscos).

A boa notícia é que o ano de 1974 vinha sendo negligenciado pelo selo FTD, talvez por não existir mesmo muitas gravações de Elvis nessa temporada em Las Vegas. A nota ruim, dissonante, é que embora seja o material até considerado raro, a qualidade sonora não é tão boa. Os engenheiros de som de Las Vegas que gravavam essas fitas dos shows do cantor não tinham consciência que seria algo tão valioso no futuro, por essa razão nem sempre a qualidade de som era caprichada. Mesmo assim é um registro importante até porque sem essas fitas não teríamos a chance de ouvir Elvis nessas apresentações.

No repertório eu destacaria algumas músicas interessantes. No Dinner Show temos Elvis cantando "It’s Midnight" do disco "Promised Land". O detalhe curioso é que o álbum ainda não havia sido lançado, o que tornava a música completamente inédita para os ouvidos dos fãs que foram ao show. O mesmo valia para "If You Talk In Your Sleep", que era uma tentativa por parte de Elvis em renovar um pouco a seleção musical das apresentações. No Midnight Show mais surpresas: Elvis trazia o rock de Chuck Berry "Promised Land" que iria dar nome ao seu próximo álbum a chegar nas lojas. O CD também traz bonus songs do dia 28, com as novas interpretações no palco de " Help Me" e "My Boy", todas músicas novas, raramente cantadas por Elvis nos shows até aquele momento. Para os fãs que foram até Las Vegas foi um presente e tanto.

Outro aspecto que chama a atenção é que o ano de 1974 foi particularmente polêmico na carreira de Elvis. Muitos autores salientam o fato de que o Rei do Rock vinha passando por uma fase tumultuada em sua vida pessoal. Ele aumentou o consumo de drogas, o que trouxe problemas no palco. Por essa época Elvis fez shows onde nem tudo saiu conforme o script. Ele chegou a fazer concertos bem ruins, desastrosos, que ficaram notórios por esses acontecimentos. Pela primeira vez o público começou a perceber que havia algo de errado com ele, principalmente por causa desses deslizes. De qualquer forma esse novo item é uma bela dica de aquisição para colecionadores em geral. Ouvir Elvis no ano de 1974 sempre chama a atenção dos fãs e admiradores do Elvis de palco, dos concertos ao vivo. Não deixe de adquirir esse novo CD.

Elvis Presley - Las Vegas ´74 (2017)
Disc 1 - August 20th 1974 – Dinner Show
01) CC Rider / 02) I Got A Woman/Amen / 03) Love Me / 04) If You Love Me (Let Me Know) / 05) It’s Midnight / 06) Big Boss Man / 07) Fever / 08) Trying To Get To You / 09) Love Me Tender / 10) All Shook Up / 11) I’m Leavin’ / 12) Softly As I Leave You / 13) Hound Dog / 14) You Gave Me A Mountain / 15) Polk Salad Annie / 16) Introductions (part missing) / 17) If You Talk In Your Sleep / 18) Why Me Lord / 19) (Let Me Be Your) Teddy Bear/Don’t Be Cruel / 20) Heartbreak Hotel / 21) Bridge Over Troubled Water / 22) Hawaiian Wedding Song / 23) Let Me Be There / 24) Can’t Help Falling In Love / Bonus Song: (Recorded September 2, Midnight Show) 25) It’s Now Or Never (second version)

Disc 2 - August 20th 1974 – Midnight Show
01) CC Rider / 02) I Got A Woman/Amen / 03) Love Me / 04) If You Love Me (Let Me Know) / 05) It’s Midnight / 06) Proud Mary / 07) Trying To Get To You / 08) Big Boss Man / 09) Fever / 10) Promised Land / 11) Love Me Tender / 12) All Shook Up / 13) I’m Leavin’ / 14) Softly As I Leave You / 15) Hound Dog / 16) You Gave Me A Mountain / 17) Polk Salad Annie / 18) Introductions / 19) If You Talk In Your Sleep / 20) Why Me Lord / 21) (Let Me Be Your) Teddy Bear/Don’t Be Cruel (incomplete)  / 22) Hawaiian Wedding Song (incomplete) / 23) Let Me Be There / 24) Can’t Help Falling In Love / Bonus Songs (Recorded August 28, Dinner Show): 25) Help Me 26) My Boy 27) How Great Thou Art.

Pablo Aluísio.

Enigma de uma Vida

O filme começa com Ned Merrill (Burt Lancaster) chegando na casa de amigos, vizinhos, velhos conhecidos. Há muito tempo que ele não aparecia por lá. A recepção é a melhor possível. É um domingo pela manhã, lindo dia de sol. Ned está animado para nadar na piscina da casa deles. Ele parece estar com ótimo humor, uma pessoa de bem com a vida. Entre conversas triviais ele fica sabendo que a maioria das casas vizinhas agora possuem sua própria piscina. É uma longa caminhada de Ned até chegar na sua residência, então ele decide fazer uma coisa inusitada: nadar em todas as piscinas que encontrar, até chegar em sua casa. Ele quer, em suas próprias palavras, chegar nadando até lá!

Então sem perder muito tempo Ned começa sua estranha jornada. Apenas com calção de banho, ele vai indo de casa em casa, pedindo licença aos moradores, para dar uma bela nadada em suas piscinas. No começo tudo parece bem fútil e até mesmo bobo, porém conforme Ned vai reencontrando velhos amigos e pessoas de seu passado, sua própria vida vai se revelando nessa sua caminhada. Ele revê sua antiga amante, uma mulher amargurada que está decidida a não mais cair em seus braços, também reencontra a babá de seus filhos, uma garota que agora está com 20 anos e que confessa que na adolescência havia criado uma paixão platônica avassaladora por ele. Cada uma dessas pessoas vai deixando uma marca em Ned. Ele porém não encontra apenas pessoas amigáveis, pelo contrário, também se vê diante de inimizades, moradores ricos e esnobes e gente que o trata mal.

Olha, o roteiro desse filme clássico "Enigma de uma Vida" pode até parecer bem simples numa visão superficial. Porém conforme o enredo vai se desenvolvendo percebemos que há muito mais por trás de sua suposta singeleza. O personagem interpretado por Burt Lancaster parece otimista e cheio de vida no começo do filme, mas quando começa sua jornada pelas piscinas da vizinhança ele começa a cair, sofrer ataques de pessoas que tinham alguma mágoa ou contas a acertar com ele e assim sua animação vai se esvaziando conforme ele avança. Lancaster já não era um garotão quando fez esse filme, mas estava em ótima forma física. Ele mescla uma atuação mais física com ótimos momentos em que demonstra grande talento dramático.

O título original do filme em inglês, que significa "o nadador" (The Swimmer), pode até dar a impressão que o protagonista só quer cumprir uma tarefa bem boba, auto imposta por ele mesmo, porém ao encontrar seus vizinhos e pessoas do passado, sua própria vida vai se revelando. O roteiro é assim uma verdadeira metáfora da vida do personagem. A vida começa cheia de esperanças, otimismo e alegria. Conforme o tempo vai passando e sofremos perdas, decepções, revezes e infortúnios, o sol que brilhava tanto já não brilha mais. Por isso a cena final é toda passada em uma grande chuva torrencial. Quando ele finalmente bate a porta de sua antiga casa, tudo é revelado. Em suma, ótima filme em roteiro que surpreende por sua profundidade (até mesmo filosófica). Uma verdadeira obra prima, para dizer a verdade.

Enigma de uma Vida (The Swimmer, Estados Unidos,1968) Direção: Frank Perry, Sydney Pollack / Roteiro: Eleanor Perry, John Cheever / Elenco: Burt Lancaster, Janet Landgard, Janice Rule / Sinopse: Ned Merrill (Burt Lancaster), um morador da região, decide fazer uma maratona nas piscinas de seus vizinhos. O que inicialmente parece ser uma grande bobagem acaba se revelando um momento de reflexão sobre sua vida, seu passado e as pessoas que conheceu ao longo de todos esses anos.

Pablo Aluísio.

domingo, 18 de junho de 2017

Série - American Gods

Série: American Gods
Ano de Produção: 2017
País: Estados Unidos
Estúdio: Starz
Direção: David Slade, entre outros
Roteiro: Michael Green, baseado na obra de Neil Gaiman
Elenco: Ricky Whittle, Ian McShane, Gillian Anderson, Emily Browning, Crispin Glover, entre outros

Episódios Comentados:


American Gods 1.01 - The Bone Orchard 
Os quadrinhos não invadiram apenas o cinema, mas o mundo das séries de TV também. Esse "American Gods" é uma adaptação do quadrinista Neil Gaiman, um autor que tem bastante prestigio entre os fãs dos comics. Como nunca li o material original cai de paraquedas aqui nesse primeiro episódio. Digo com antecedência que nada é muito claro ou objetivo. Há um personagem principal, o protagonista, um homem negro que sai da prisão após cumprir sua pena. Nada de muito novo nesse sentido. Ao sair ele acaba conhecendo uma série de personagens estranhos e bizarros, que não são bem explicados pelo roteiro (pelo menos nesse primeiro momento). Já li certa vez que todos seriam deuses da antiguidade vivendo nos tempos atuais, mas nem sei se essa informação procede. De qualquer forma acabei gostando do resultado. A curiosidade me levará a acompanhar os próximos episódios para entender melhor o que se passa e que rumo tomará essa história nada comum. Outro fato que me fará seguir em frente, tentando gostar dessa série, é o fato dela ser produzido pelo canal Starz. Quem acompanhou "Spartacus" sabe bem do que estou falando. Então é isso. Ainda é cedo demais para avaliar com mais consistência, porém tudo pelo menos promete. Vamos ver o que virá daqui para frente. / American Gods 1.01 - The Bone Orchard  (Estados Unidos, 2017) Direção: David Slade / Roteiro: Bryan Fuller, baseado na obra de Neil Gaiman / Elenco: Ricky Whittle, Emily Browning, Crispin Glover.

American Gods 1.02 - The Secret of Spoons
A primeira cena desse episódio é um achado. No século XVII somos levados aos porões de um navio negreiro levando escravos da África para a América. Um deles reza e ora para sua divindada que se materializa ali mesmo, na sua frente. A tal divindade da cultura africana explica que todos eles vão sofrer inúmeras violências e injustiças, algo que irá se perpetuar nos próximos séculos. Por isso todos devem se libertar, colocando fogo naquela embarcação holandesa, mesmo que todos venham a morrer. Afinal é melhor a morte do que a escravidão. Depois dessa cena realmente muito boa, somos levados de volta ao momento presente. Shadow Moon (Ricky Whittle) dirige o carro de seu patrão até Chicago. O chefe quer recuperar um martelo que sempre lhe pertenceu (seria ele a antiga divindade Thor, o Deus do Trovão?). Mr. Wednesday (Ian McShane) não abre o jogo sobre sua verdadeira identidade, apenas deixa pistas em alguns momentos. Além disso ele não se parece nada com Thor, mas sim com uma versão mais cansada e desanimada de Al Pacino! Estranho... De qualquer forma eles chegam em Chicago. O tal martelo está nas mãos de um conhecido. Um sujeito asqueroso com sotaque russo que vive com três irmãs (seriam todos eles deuses esquecidos da antiguidade também? Quem sabe...). O clímax do episódio acontece quando Shadow topa jogar um inocente jogo de damas, onde ele aposta sua própria vida. Caso perca será literalmente abatido na cabeça com o sangrento martelo. Tudo ao amanhecer... / American Gods 1.02 - The Secret of Spoons (Estados Unidos, 2017) Direção: David Slade / Roteiro: Michael Green, baseado na obra de Neil Gaiman / Elenco: Ricky Whittle, Ian McShane, Gillian Anderson, Emily Browning, Crispin Glover.

Pablo Aluísio e Linda Marina. 

Ricardo Coração de Leão e a Terceira Cruzada

Richard I ou Ricardo Coração de Leão segue sendo um dos monarcas mais amados e admirados da história inglesa. Ele subiu ao trono em julho de 1189 e se notabilizou por ter liderado a Terceira Cruzada em direção a Jerusalém. Naquela época a cidade estava sob dominação dos muçulmanos. Ele havia participado da Primeira Cruzada, mas retornou reclamando que ela havia sido desorganizada e sem planejamento. Para essa terceira expedição rumo à Terra Santa, Ricardo Coração de Leão fez um planejamento minucioso, além de ter angariado um verdadeiro tesouro entre seus súditos e vassalos para que nada faltasse durante a longa jornada em direção ao Oriente Médio.

Para fortalecer ainda mais a Cruzada, Ricardo contou com o apoio de outro monarca, o Rei Filipe II da França. Embora existissem várias diferenças políticas entre eles, que quase o levaram à guerra no passado, o fato de marcharem juntos agora selava uma poderosa aliança entre os reinos da França e Inglaterra. A causa comum que os unia era justamente a cruzada intercontinental. A cruzada se organizou na França e os dois monarcas começaram a viagem, passando por cidades italianas, chegando finalmente aos principais portos do Mar Mediterrâneo. Em Chipre o rei bizantino local achou que todos aqueles exércitos significavam uma ameaça, iniciando-se uma das primeiras batalhas da cruzada. Ricardo sagrou-se vencedor e tornou Chipre uma província do seu império.

Ricardo Coração de Leão chegou na Terra Santa bem no meio do calor do conflito. As forças de Saladino, líder muçulmano, massacravam o povo de Jerusalém. Qualquer cristão capturado tinha sua cabeça decapitada pelos seguidores do islã. As tropas de Ricardo chegaram no meio de uma grande batalha campal entre cristãos e islâmicos e conseguiu arrancar uma grande vitória no front. Os principais generais de Saladino foram aprisionados e executados. Grande parte de seus guerreiros abaixaram as espadas e se renderam. Quando a notícia chegou na Inglaterra o Rei Ricardo foi saudado como um herói da fé cristã e católica. Um monarca que deixou tudo para trás em nome da libertação da Terra Santa.

Infelizmente Ricardo teve que retornar para a Inglaterra menos de um ano depois sem conseguir seu grande objetivo: a tomada definitiva de Jerusalém. Ele teve que retornar para deter uma conspiração de nobres que ameaçavam sua coroa. Havia também disputas por territórios que contrariavam os interesses de seu reinado. Na viagem de retorno Ricardo foi capturado por outro monarca cristão, Leopoldo da Áustria, que tinha uma velha rixa com o Rei inglês. Feito prisioneiro, Ricardo foi enviado para uma prisão controlada por Henrique VI do Sacro Império Romano Germânico. Só após o pagamento de um valioso resgate ele foi libertado. Tudo isso atrapalhou e muito os objetivos de Ricardo de voltar um dia para Jerusalém para terminar o que havia começado com a Terceira Cruzada. Em abril de 1199 o Rei Ricardo Coração de Leão levou uma flechada mortal no abdômen. Ele foi ao campo de batalha sem armadura, um erro que lhe custou a vida. Ricardo tinha planos de pacificar as fronteiras dominadas pelo império inglês para só então retomar para a Terra Santa, mas não houve tempo. Ele morreria antes de concretizar seus sonhos e seus objetivos.

Pablo Aluísio.

Belas e Perseguidas

Título no Brasil: Belas e Perseguidas
Título Original: Hot Pursuit
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: New Line Cinema
Direção: Anne Fletcher
Roteiro: David Feeney, John Quaintance
Elenco: Reese Witherspoon, Sofía Vergara, Matthew Del Negro, Michael Mosley, Robert Kazinsky, Richard T. Jones

Sinopse:
A policial Rose Cooper (Reese Witherspoon) é designada para acompanhar a viagem de Daniella Riva (Sofía Vergara) e seu marido até o Texas. Eles vão depor contra um traficante de drogas, um chefão de um poderoso cartel mexicano. O que parecia ser uma missão de rotina acaba se transformando em uma aventura quando eles são atacados por membros da quadrilha do criminoso. 

Comentários:
Eu fico impressionado como a atriz Reese Witherspoon sai de um filme tão bom como "Livre" para uma porcaria como essa! Uma verdadeira montanha russa em sua filmografia, indo da extrema qualidade cinematográfica para o lixo absoluto de um filme para o outro! Onde está o agente dessa atriz? Esse "Belas e Perseguidas" não tem salvação. Hoje em dia está mais fácil encontrar político brasileiro honesto do que arranjar uma boa comédia americana para se assistir. De todos os gêneros cinematográficos da indústria de cinema dos Estados Unidos, o gênero comédia é o mais saturado, o que mais passa por crise. Não há bons comediantes na atualidade e os filmes de humor são péssimos, péssimos. Esse aqui não tem graça nenhuma. A dupla formada por Reese Witherspoon e Sofía Vergara não funciona em nenhum momento! A Sofia foi descoberta interpretando uma latina espalhafatosa e vulgar na série "Modern Family" e segue no mesmo estereótipo! É lamentável que o público americano tenha essa visão preconceituosa das mulheres latinas, sempre retratadas como burras, vulgares e bonecas de sexo em todos os filmes. Aqui a Vergara apenas reforça essa visão banalizada. Já a Reese Witherspoon é alvo de todos os tipos de piadas infames durante o filme, pena que nenhuma delas funcione. O roteiro é ridículo. E olha que o filme foi dirigido por uma mulher! As feministas não terão nem do que reclamar! É mais do que difícil entender como Reese, que vinha em um bom momento na carreira, aceitou fazer essa bomba! Enfim, uma comédia sem graça que não serve para absolutamente nada!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 17 de junho de 2017

Elvis Presley - FTD Elvis At Madison Square Garden

E os lançamentos de junho não param. Previsto para chegar nas lojas no próximo dia 28, o selo FTD (Follow That Dream) anunciou esse novo CD chamado "FTD Elvis At Madison Square Garden". Como se sabe em 1972 Elvis finalmente chegou em Nova Iorque para uma série de apresentações ao vivo no majestoso Madison Square Garden, um dos ginásios mais representativos da cidade. Elvis jamais havia se apresentado ao vivo em Nova Iorque até aquele momento, o que era um absurdo em vista de sua carreira de sucesso. Era o último grande nome da música mundial que chegava nos palcos da cidade.

Por essa razão houve uma grande expectativa e repercussão por parte da imprensa e do público. Grandes nomes foram prestigiar Elvis em seus concertos, entre eles John Lennon e George Harrison. Todos queriam conferir o grande astro se apresentando pela primeira vez na big apple (como NYC era carinhosamente chamada por seus moradores). Sucesso de público e crítica, os concertos se tornaram um marco na volta de Elvis aos palcos, já que ele havia passado praticamente toda a década anterior se concentrando apenas em sua carreira em Hollywood, fazendo um filme atrás do outro, ano após ano.

Para muitos a grande expectativa e repercussão da presença de Elvis em Nova Iorque fez com que ele se empenhasse ao máximo em seus shows, resultando tudo em concertos bem acima da média, com Elvis dando o melhor de si em termos de performance e energia nos palcos. O estranho de tudo é que na época estava se realizando as filmagens de um documentário sobre as turnês de Elvis pelos Estados Unidos, mas absurdamente os produtores não filmaram esses históricos concertos, o que até hoje causa transtorno em todos os fãs. Para preencher essa lacuna imperdoável muitos lançamentos estão explorando os shows de Elvis no Madison em 1972.

Agora temos aqui esse novo CD do selo FTD. É um box, com o show de Elvis realizado no dia 9 de junho de 1972 e um livro de 300 páginas trazendo fotos, informações, detalhes técnicos, reportagens da época, etc. Infelizmente o concerto está em qualidade audience, o que deixa muito a desejar em termos de qualidade sonora. Mesmo assim é sempre interessante conferir mais um material que tem como tema essa semana realmente histórica na carreira de Elvis Presley, quando ele finalmente chegou para conquistar a maior metrópole dos Estados Unidos, Nova Iorque.

Elvis Presley - Elvis At Madison Square Garden (2017)
1) Also Sprach Zarathustra / 2) That's All Right / 3) Proud Mary / 4) Never Been To Spain / 5) Until It's Time For You To Go / 6) You Don't Have To Say You Love Me / 7) You've Lost That Loving Feeling / 8) Polk Salad Annie / 9) Love Me / 10) All Shook Up / 11) Heartbreak Hotel / 12) Teddy Bear/Don't Be Cruel / 13) Love Me Tender / 14) Blue Suede Shoes / 15) Hound Dog / 16) Bridge Over Troubled Water  / 17) Suspicious Minds / 18) Introductions by Elvis / 19) For The Good Times / 20) American Trilogy / 21) Funny How Times Slips Away / 22) Can't Help Falling In Love / 23) Closing Vamp.

Pablo Aluísio.