sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Spencer Tracy - Broken Lance (1954)

Nesse fim de semana eu conferi mais um clássico do western americano. O filme se chama "Broken Lance" (no Brasil o filme recebeu o título de "Lança Partida"). A estória se passa no Arizona, no século XIX. Nessas terras desertas e hostis o velho patriarca Matt Devereaux (Spencer Tracy) construiu um império baseado na criação de gado em sua fazenda. Matt é da velha escola, um homem duro, austero, que não admite qualquer tipo de ameaça ao seu poder absoluto. O símbolo máximo de uma sociedade completamente patriarcal.

Ele tem quatro filhos, todos devidamente achatados pela personalidade dominante do pai. Entre eles se destacam o jovem mestiço Joe (Robert Wagner), o caçula do clã, e Ben (Richard Widmark), o mais velho dentre eles, um homem que não consegue abrir seus próprios caminhos na vida por causa de seu pai opressivo e dominador. O enredo segue uma linha mais tradicional dos antigos faroestes, mas tem uma inesperada reviravolta (de natureza jurídica) que o transforma quase em um filme de tribunal. Uma mineradora da região está jogando cobre nas águas dos rios que cortam a fazenda dos Devereauxs. Algumas cabeças do rebanho morrem envenenadas pelo metal pesado e o velho Matt parte para dar o troco nos mineradores. Isso claro com revólver em punho, como era costume naqueles tempos pioneiros.

O diretor Edward Dmytryk joga então luzes sobre esse enredo (cujo roteiro foi premiado com o Oscar) de forma muito talentosa, mas quem rouba o filme todo para si é o excelente elenco. A começar pelo veterano Spencer Tracy. Católico devoto, ele teve uma vida sentimental ao mesmo tempo muito discreta e comentada em Hollywood. Acontece que Tracy era muito próximo de Katherine Hepburn, a grande diva do cinema americano, recordista na premiação do Oscar. Essa aproximação sempre gerou boatos de que eles mantiveram um caso amoroso escondido por anos e anos a fio. Muitas biografias afirmam que eles se amavam muito, mas que nunca puderam se casar pelo fato de que Tracy já era casado e não poderia se divorciar da esposa, por causa da precariedade de sua saúde (ela passou anos em coma).

Essa pelo menos foi a versão que durou muito tempo, até a morte do casal. Recentemente um livro foi publicado nos Estados Unidos dando uma outra visão dos fatos. Para esse autor (que inegavelmente faz a linha mais sensacionalista), Spencer Tracy e Katherine Hepburn não tinham um verdadeiro caso de amor, mas apenas fingiam que tinham. Por quê? Porque ambos seriam gays! Sinceramente, não acredito muito nisso. E nem é por causa da Katherine, que era uma mulher cosmopolita e aberta a todo tipo de experiência sexual e emotiva, mas sim por causa de Spencer Tracy. Pensar que esse homem ultra conservador e religioso, sempre ligado aos valores mais tradicionais, pudesse ser gay é algo completamente fora da realidade de sua biografia e história. De qualquer forma se formos deixar as picuinhas de lado e nos concentrar apenas em seus bons filmes deixo aqui a dica desse faroeste clássico "Lança Partida", uma prova de que nas telas o velho Spencer Tracy ainda conseguia impressionar, mesmo com a idade já bem avançada.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Galeria de Fotos: Cine Western - Errol Flynn, Ricardo Montalban e Cyd Charisse


Errol Flynn com o fardamento de general da União no clássico "O Intrépido General Custer", filme produzido em 1941. O roteiro mostrava parte da história do famoso General Custer e o regimento sob seu comando, a Sétima Cavalaria dos Estados Unidos, que seria dizimada por um ataque de nativos comandados pelos chefes Touro Sentado e Cachorro Louco. Dirigido por Raoul Walsh e contando com a presença de Olivia de Havilland no elenco, esse é considerado um dos melhores clássicos do western americano.


Na foto abaixo: Ricardo Montalban e Cyd Charisse em cena do filme "A Marca do Renegado" de 1951. Dirigido por Hugo Feronese o filme contava a história da formação do estado da Califórnia durante o século XIX. Marcos Zappa (Montalban) é um aventureiro e nobre que se envolve em uma perigosa conspiração envolvendo bandoleiros, renegados e até mesmo piratas. Em meio a uma sanguinário luta de poder o líder político Don Pedro Garcia ambiciona se tornar o primeiro Imperador da Califórnia. Embora não muito preciso do ponto de vista histórico o filme se destaca por causa das ótimas cenas de ação e aventura.


Pablo Aluísio.

Galeria de fotos - Cinema Clássico: Debbie Reynolds


Debbie Reynolds - Não poderíamos fechar o ano sem deixar nossa homenagem a Debbie Reynolds que faleceu no dia de ontem, após sofrer um AVC em decorrência do choque causado pela morte de sua filha Carrie Fisher. Aqui vai uma galeria de fotos especialmente dedicada à essa atriz fantástica. Claro que em uma filmografia tão rica e diversificada muitos filmes ficaram de fora, mas trataremos de todos eles no tempo devido. Por enquanto fica aqui essa singela homenagem para Debbie em momentos especiais de seu trabalho nas telas.


A única indicação ao Oscar para Debbie Reynolds veio com a comédia "A Inconquistável Molly" em 1964. Dirigida por Charles Walters a atriz interpretava uma garota do interior, moradora das montanhas do sul, que ia para a cidade grande em busca de oportunidades, um bom marido e uma nova vida. No total o bem sucedido filme conseguiu ser indicado a seis categorias da Academia. Embora nunca tenha vencido um Oscar em sua vida, a atriz foi finalmente homenageada em 2016 com o prêmio humanitário Jean Hersholt, dado pela própria Academia de Hollywood.  


Certamente o filme mais popular e conhecido da carreira de Debbie Reynolds foi o clássico musical "Cantando na Chuva", considerado por muitos críticos como o melhor filme musical de todos os tempos. Dirigido por Stanley Donah e estrelado pelo excelente dançarino Gene Kelly, o filme é um marco da era de ouro dos musicais da Metro. No filme Debbie interpretava a bondosa e ingênua Keith Selden. Dona de uma linda voz ela emprestaria seu talento para dublar a medíocre protegida do dono do estúdio que apesar de ser bela tinha uma dicção simplesmente pavorosa. Um filme realmente imortal que por si só já valeria a eternidade para a carreira de Debbie. 


Outro musical sempre lembrado da carreira de Debbie Reynolds foi "Marujos e Sereias" de 1955 onde ela teve a oportunidade de dançar, cantar e atuar. Ainda bastante jovem a atriz demonstrava que dominava todos as artes necessárias para se destacar nos musicais dos estúdios Metro-Goldwyn-Mayer, o maior da época. Dentro da constelação de grandes atrizes, atores e dançarinos, Debbie conseguiu se destacar por causa de sua maravilhosa veia artística. 



E não foi apenas em musicais e romances de época que Debbie Reynolds conseguiu brilhar. Ela também atuou maravilhosamente bem em dramas como "A Taberna das Ilusões Perdidas" onde interpretava uma jovem que tentava sobreviver na grande cidade. Iludida pela falta de oportunidades e pela dificuldade em pagar até mesmo seu próprio aluguel ela finalmente encontrava um fio de  esperança e alegria na companhia de um jovem músico (interpretado por Tony Curtis) que também chegava do interior cheio de vontade de vencer em Nova Iorque. Nesse que é considerado um dos filmes mais dramáticos de sua carreira podemos comprovar como Debbie também era uma excelente atriz em cenas de dramaticidade e tensão.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Debbie Reynolds (1932 - 2016)


E com imensa tristeza que acabei de saber que a atriz Debbie Reynolds acaba de falecer em Los Angeles após sofrer um AVC. Ela estava muito abalada após a morte da filha Carrie Fisher. Um trágico momento para o cinema pois Debbie Reynolds foi uma das mais famosas estrelas da sétima arte em sua era de ouro. Pretendo escrever mais sobre sua carreira dentro de alguns dias, quando o choque de sua morte for mais bem assimilada. Por enquanto deixo aqui meus mais sinceros pêsames por essa notícia terrível. Que mãe e filha descansem em paz. Pablo Aluísio.

Carrie Fisher (1956 - 2016)

Como todos sabemos a atriz Carrie Fisher morreu ontem em Los Angeles após lutar alguns dias pela vida no hospital, onde ela estava em estado crítico em decorrência de uma parada cardíaca que sofreu quando estava voltando de avião de Londres. A imprensa mundial obviamente ressaltou sua presença na saga "Star Wars", até porque Carrie sempre será lembrada como a Princesa Leia. Ela porém foi bem mais versátil como atriz e escritora do que muitos pensam.

Na verdade Carrie já nasceu com os holofotes sobre si. Ela era uma genuína filha da aristocracia de Hollywood, pois era filha de outra atriz muito famosa, Debbie Reynolds e de um cantor também de sucesso, Eddie Fisher. Aliás desde a infância Carrie Fisher foi alvo da imprensa sensacionalista pois seu pai acabou o casamento para ir viver com Elizabeth Taylor, naquele que foi um dos casos mais falados na imprensa na época. Um escândalo que repercutiu por muito anos. Carrie jamais superou isso e em diversas ocasiões, de forma bem sarcástica (uma das qualidades mais marcantes de sua personalidade), comentou sobre a canalhice do próprio pai. "Quando você mistura duas pessoas famosas de Hollywood o resultado é uma pessoa como eu!" - costumava dizer com ironia.

Como não poderia deixar de ser sua estreia como atriz veio pelas mãos de sua mãe, no telefilme "Debbie Reynolds and the Sound of Children", um musical meio bobinho que serviu para que Carrie experimentasse pela primeira vez o gostinho de representar. Em 1975 ela então apareceu em seu primeiro filme no cinema, na comédia "Shampoo". Era uma crônica de época, estrelada pelo galã Warren Beatty. Um bom filme que abriu as portas para o convite para atuar em um novo filme de George Lucas chamado "Star Wars". É curioso porque todo o elenco achava o roteiro meio idiota e eles tinham sérias dúvidas se aquele filme sobre vilões e mocinhos espaciais iria dar certo. A própria Carrie achava que estava atuando em um legítimo filme trash durante as filmagens. Ela estava enganada. Desnecessário dizer que o filme foi um dos maiores sucessos de bilheteria de todos os tempos.

Carrie assim ficou muito marcada como a Princesa Leia já em seu segundo filme para o cinema, algo perigoso para qualquer ator ou atriz pois corre-se o risco de ficar marcado para sempre por apenas um papel. E ela bem sabia disso e até que se saiu muito bem ao procurar por personagens diferentes. Atuou em "Os Irmãos Cara de Pau" (outro clássico dos anos 80), no filme "Hannah e suas Irmãs" (sendo dirigida por Woody Allen) e em "Harry & Sally" (um dos grandes sucessos da comédia romântica da década de 80). Talvez Carrie só não tenha tido uma carreira melhor por causa de problemas pessoais bem sérios que enfrentou.

A atriz foi dependente química desde muito jovem. Na "realeza" de Hollywood conheceu as drogas e a vida sem freios. Como ela própria confessou em um de seus livros, o fato de você pertencer a esse seleto grupo abria todas as portas, inclusive a de festas regadas a muitas drogas. O vício foi decorrência desse estilo de vida. Assim Carrie lutou por muitos anos para superar esse problema. Para se entender melhor também começou a escrever e fazer análise. Descobriu que sofria de transtorno bipolar, o que explicava muitos aspectos obscuros de sua personalidade. O fim do casamento também demonstrou que ela precisava encontrar equilíbrio em sua vida, algo que alcançou em seus últimos anos. Uma das obras mais indicadas para entender a pessoa Carrie Fisher é "Lembranças de Hollywood", filme cujo roteiro foi inspirado em um dos livros autobiográficos escritos pela atriz. Lá você poderá entender em parte as pressões e as angústias pelas quais passou. Um retrato muito sincero de uma princesa de Hollywood que precisou enfrentar desde muito cedo grandes traumas e fantasmas em sua vida pessoal.

Morre Carrie Fisher (1956 - 2016)
Os familiares da atriz Carrie Fisher divulgaram nota informando a morte da atriz hoje (27/12) em Los Angeles. Carrie Fisher, que se tornou mundialmente famosa como a Princesa Leia da saga Star Wars, tinha 60 anos de idade e não suportou os efeitos de um ataque cardíaco que sofreu durante viagem entre Londres e a costa oeste dos Estados Unidos. Em nota a mãe de Carrie, a também atriz Debbie Reynolds, lamentou: "É com profundo pesar que informamos a morte de Carrie Fisher. Ela faleceu hoje pela manhã às 8:55hs. Ela que sempre amou a todos, deixará saudades eternas e tristeza profunda com quem compartilhou sua vida!".

A notícia do ataque cardíaco:
A atriz Carrie Fisher sofreu uma parada cardíaca no fim de semana durante um voo em direção a Los Angeles. A atriz teve a parada no coração durante a viagem que vinha de Londres, o que dificultou enormemente a ajuda médica. Aos 60 anos de idade a situação da atriz é bastante complicada segundo a equipe médica que a atendeu. Assim que o avião pousou no aeroporto da cidade americana a atriz foi levada às pressas até o hospital para pronto atendimento.

A empresa United Airlines, proprietária do avião em que Carrie viajava informou por meio de uma nota de imprensa que Carrie sofreu uma parada cardíaca no meio da viagem e que apesar de todos os esforços da tripulação não conseguiu reagir ou mostrar reação. Seu estado de saúde é considerado crítico. A atriz tem um longo histórico de problemas de saúde principalmente por causa de um sério vício de cocaína que quase causou sua morte há pouco mais de 10 anos. Agora resta aguardar por novas informações.

Confirmação da morte - Os familiares da atriz Carrie Fisher divulgaram nota informando a morte da atriz hoje em Los Angeles. Carrie Fisher, que se tornou mundialmente famosa como a Princesa Leia da saga Star Wars, tinha 60 anos de idade e não suportou os efeitos de um ataque cardíaco que sofreu durante viagem entre Londres e a costa oeste dos Estados Unidos. Em nota a mãe de Carrie, a também atriz Debbie Reynolds, lamentou: "É com profundo pesar que informamos a morte de Carrie Fisher. Ela faleceu hoje pela manhã às 8:55hs. Ela que sempre amou a todos, deixará saudades eternas e tristeza profunda com quem compartilhou sua vida!".

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

George Michael (1963 - 2016)

George Michael (1963 - 2016)
Definitivamente não queríamos nos despedir de 2016 com uma postagem como essa, lamentando a morte de mais um excelente artista. Infelizmente o mundo e o destino nos reservam também esse tipo de situação. Só podemos lamentar seu falecimento.

De qualquer forma George Michael, de quem já falamos aqui no site, certamente não será página virada para todos nós. Ainda falaremos bastante dele nos próximos meses que virão. Assim preferimos não deixar um adeus, mas apenas um até breve!

A Morte de George Michael   
George Michael ficou famoso muito jovem e no começo de sua carreira a gravadora investiu bastante em seu apelo sexual, só que direcionado para as adolescentes que compravam seus discos e compactos. Obviamente todo aquele assédio de fãs deixava George Michael bem constrangido pois ele não curtia meninas, mas sim meninos. A gravadora Sony porém queria deixar tudo escondido e isso foi um dos principais motivos que levou o cantor a brigar com a empresa - numa batalha judicial em prol de seus direitos autorais que durou anos! No começo dos anos 90 o cantor não aguentou mais a pressão e resolveu contar para a imprensa que era gay. Curiosamente ele preferiu ir aos poucos, primeiro dizendo que era bissexual, para só depois dizer que era gay desde a juventude.

A partir daí a imprensa sensacionalista nunca mais deixou George Michael em paz. E ele também não se fez de tímido. Começou a andar com seus namorados publicamente, dando entrevistas escandalosas que fizeram a festa da imprensa inglesa. Para destruir sua imagem de símbolo sexual masculino declarou para a BBC: "Eu sou muito gay - já transei com mais de 500 homens até hoje e a conta não vai parar por aí!". Pior aconteceu quando foi preso em um banheiro público de Londres ao seduzir um policial disfarçado no lugar. Michael ofereceu dinheiro em troca de sexo oral. Foi preso e condenado. Depois de solto fez um videoclip satirizando o ocorrido. Claro que ao se assumir gay o cantor perdeu grande parte do público original de sua carreira que era formado por garotinhas apaixonadas platonicamente por ele. De qualquer forma ele conseguiu com seu talento formar um novo público, não apenas de gays, como era de se esperar, mas também de admiradores de bons discos, extremamente bem gravados, com a ajuda inclusive de grandes orquestras. Nunca foi um ativista GLS chato, daqueles que gostam de dar lição de moral em todo mundo. Procurou apenas gravar boas músicas de bons compositores. Isso garantiu a perenidade de seu legado musical até os dias de hoje.

Hoje o mundo ficou estarrecido ao ser informado da morte do cantor George Michael. O astro da música pop tinha 53 anos de idade e segundo sua assessoria de imprensa ele "morreu em paz, em sua casa". O que não se sabe ainda com certeza é qual teria sido a causa mortis de Michael. Especulações dominaram a internet desde então. Para alguns o cantor teria morrido de um câncer. Sua decadência física dos últimos anos poderia corroborar essa teoria, porém para outros a causa de sua morte foi a AIDS. George Michael assumiu sua homossexualidade nos anos 90. Depois teve inúmeros casos amorosos ao longo da vida. Em 2011 ele ficou incomodado ao dizer em uma entrevista para a BBC que nunca havia feito teste para saber se tinha AIDS pois tinha medo de receber um resultado positivo. Já o amigo Michael Lipp declarou ao Hollywood Reporter que George Michael havia falecido de uma insuficiência cardíaca. Nada porém foi confirmado oficialmente pela família. Pelo visto o cantor quis esconder a verdadeira doença que vinha sofrendo de todos os curiosos até o fim.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 


terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O Abominável Dr. Phibes

Título no Brasil: O Abominável Dr. Phibes
Título Original: The Abominable Dr. Phibes
Ano de Produção: 1971
País: Estados Unidos
Estúdio: American International Pictures (AIP)
Direção: Robert Fuest
Roteiro: James Whiton, William Goldstein
Elenco: Vincent Price, Joseph Cotten, Hugh Griffith
  
Sinopse:
O Dr. Anton Phibes (Vincent Price) é um cientista renomado e prestigiado que vê sua vida sair dos trilhos após um grave acidente. O carro em que viajava sai da estrada e ele fica desfigurado com a batida. Pior do que isso, sua amada esposa morre. Inconformado com os rumos do destino e sofrendo de alucinações o antes equilibrado e racional homem da ciência começa um plano de vingança contra todos aqueles que ele culpa pela tragédia.

Comentários:
É curioso que na fase final de sua carreira o ídolo dos filmes de terror Vincent Price tenha estrelado o maior sucesso comercial de sua filmografia. Sim, "The Abominable Dr. Phibes" foi o maior sucesso de bilheteria de Vincent Price. Ele mal sabia que ao aceitar o convite para atuar como o insano Phibes iria se tornar mais popular do que nunca. Um veterano das telas que realmente merecia esse reconhecimento. Bem recebido por público e crítica em seu lançamento o status cult desse filme só cresceu com o passar dos anos. Para os especialistas essa fita tinha uma primorosa direção de arte (a ponto de alguns deles afirmarem que era o último suspiro da era dos filmes barrocos de terror), um roteiro muito bem escrito (baseado em uma velha peça teatral londrina) e, é claro, a sempre marcante atuação de Price, com sua voz maravilhosa, uma de suas maiores marcas registradas. O curioso é que o ator passa grande parte do filme escondido nas sombras ou sob pesada maquiagem, mas nem isso atrapalhou. Esse "O Abominável Dr. Phibes" é realmente um de seus momentos mais marcantes nas telas. Price inclusive foi homenageado na Espanha, durante o Sitges - Catalonian International Film Festival, recebendo o prêmio de melhor ator. Mais do que merecido, não apenas pelo conjunto da obra, mas também por seu carisma à prova de falhas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Crime em Palmetto

Título no Brasil: Crime em Palmetto
Título Original: Palmetto
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Castle Rock Entertainment
Direção: Volker Schlöndorff
Roteiro: James Hadley Chase, E. Max Frye
Elenco: Woody Harrelson, Elisabeth Shue, Gina Gershon
  
Sinopse:
Na ensolarada Flórida, a fútil e ambiciosa Rhea Malroux (Elisabeth Shue) faz um pacto criminoso com o jornalista Harry Barber (Woody Harrelson). Ele deve simular um sequestro envolvendo ela, para tirar dinheiro de seu marido, um milionário que ela sinceramente detesta. Barber, que acabou de sair da prisão, acaba aceitando a proposta, mal sabendo ele na mortífera armadilha em que está se envolvendo.

Comentários:
A atriz Elisabeth Shue interrompeu uma promissora carreira no cinema para se formar na prestigiada universidade de Harvard nos Estados Unidos. Após a conclusão de seu curso ela tentou várias vezes retomar seu trabalho como atriz e esse thriller policial chamado "Palmetto" foi uma das tentativas. O filme não teve grande bilheteria e no Brasil só foi lançado em vídeo, mesmo assim há coisas interessantes nessa produção. A primeira delas é a forma em que o roteiro tenta reviver os antigos filmes noir dos anos 40. Claro que sob uma perspectiva histórica não há comparações, porém essa personagem interpretada por Shue traz todos os elementos que fizeram a fama das famosas mulheres fatais dos filmes antigos clássicos. Em essência ela é uma víbora que se aproveita da fragilidade dos que estão ao redor para manipula-los ao seu bel prazer. Uma psicótica que tenta dar um grande golpe em seu marido, ao mesmo tempo em que destrói a vida do jornalista que a ajuda nessa empreitada criminal. Outro ponto a favor é a atuação do ator Woody Harrelson. Sempre gostei de seu estilo. Seu jeito redneck de ser é uma marca característica que sempre funciona. Então deixamos a dica desse bom policial que explora o lado mais sórdido dos seres humanos. Afinal todo cuidado é pouco.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Um Anjo em Minha Vida

Título no Brasil: Um Anjo em Minha Vida
Título Original: The Preacher's Wife
Ano de Produção: 1996
País: Estados Unidos
Estúdio: The Samuel Goldwyn Company
Direção: Penny Marshall
Roteiro: Robert E. Sherwood
Elenco: Denzel Washington, Whitney Houston, Courtney B. Vance, Gregory Hines
  
Sinopse:
O bondoso Dudley (Denzel Washington) é um anjo enviado por Deus para ajudar no casamento em crise do reverendo Henry Biggs (Courtney B. Vance) e sua bela e simpática esposa Julia (Whitney Houston). Sua missão é unir novamente os dois, mas algo sai errado quando Julia começa a mostrar muito mais do que simples interesse no recém chegado ser angelical. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Música (Hans Zimmer).

Comentários:
Essa foi mais uma tentativa de transformar a cantora Whitney Houston em uma estrela de cinema. O roteiro é bem simples, onde aspectos religiosos, música e romance tentam se misturar em formato de comédia romântica inofensiva. Na verdade se trata de um remake do filme "The Bishops's wife" estrelado por Cary Grant em 1947. A mais notável diferença - além da inclusão de várias canções para Houston - vem da presença de um elenco predominantemente de artistas negros. Apesar disso não espere por uma obra de natureza ativista ou nada parecido. O tom é realmente muito leve, feito para a família. Apesar do carisma sempre presente de Denzel Washington e da simpática presença da estrela da música Whitney Houston (que nunca foi grande atriz, mas que sabia se impor apenas por ser bem carismática), o filme nunca decola. É, em poucas linhas, artificial demais. Nada convence, nem o roteiro com sua trama pseudo religiosa e nem a lição de moral que tenta passar ao espectador. Esse é daqueles filmes que você se esforça para chegar ao final após quase cochilar no sofá de tanto tédio a que é submetido. Quando o roteiro procura ser pueril demais a coisa desanda mesmo, sem força dramática tudo o que sobram são bocejos em série. É um filme indicado apenas para os fãs mais fiéis da cantora Whitney Houston e nada mais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

The Hollow Point

Esse filme se passa no moderno oeste americano, sendo mais específico na fronteira entre México e Estados Unidos. É um lugar perigoso, onde os cartéis mexicanos da droga começam a dominar. É no meio desse deserto que trabalha o veterano xerife Leland (Ian McShane). Homem da lei experiente, ele começa a desconfiar do vai e vem sem fim de caminhonetes dirigidas por jovens da região. A maioria desses rapazes são desempregados que topariam qualquer trabalho, mas Leland começa a ficar bem desconfiado pois eles parecem transportar velhas peças de ferro-velho, algo que não faria muito sentido.

Ao parar um desses jovens ele acaba perdendo o controle da situação e em um gesto impensado termina matando o garoto com um tiro certeiro na cabeça. John Wallace (Patrick Wilson), também um xerife da fronteira, é então designado para investigar a morte. Logo de cara ele vai até a casa de Leland para pegar sua estrela e sua arma, demonstrando que a partir daquele momento o velho policial estaria fora de suas funções oficialmente. O que Wallace nem desconfia é que ele está prestes a enfrentar uma situação de extrema violência, da qual nem ele mesmo poderia escapar sem danos irreparáveis.

Esse filme tem uma lição muito interessante ao passar para o espectador. Os dois xerifes possuem modos de agir e pensar bem diferentes. O veterano acredita que muitas vezes é vital fazer justiça pelas próprias mãos. Já o mais jovem pensa diferente. Ele quer seguir todas as regras do manual, sem se desviar do que ele acredita ser o certo. Com o tempo, exposto a uma violência descomunal, o próprio Wallace acaba agindo como o veterano da lei, mostrando que em certas situações realmente não há salvação. A cena final é bem representativa disso.

O filme é protagonizado por Patrick Wilson, um bom ator de que sempre gostei, embora ele nunca tenha alcançado o status de grande astro. Seu personagem passa por uma situação limite, de dar nos nervos, ao ter sua mão decepada em uma situação sangrenta e bem violenta. Ao se ver mutilado ele começa a rever seus velhos conceitos. Outra boa surpresa do elenco vem da presença do ator John Leguizamo. Não me lembro de ter visto ele interpretar um criminoso tão violento e insano como o desse filme. Por ter origem latina Leguizamo sempre foi estigmatizado no cinema americano, interpretando tipos marginais (ou insanamente lunáticos), mas aqui ele conseguiu imprimir uma sordidez digna de aplausos ao presidiário que interpreta. Em suma, mais um bom filme que nos remete aos bons filmes de faroeste do passado, com seu roteiro versando sobre vingança, violência e morte no meio de um deserto imprestável.

The Hollow Point (Estados Unidos, 2016) Direção: Gonzalo López-Gallego / Roteiro: Nils Lyew / Elenco: Patrick Wilson, Ian McShane, John Leguizamo, Jim Belushi, Lynn Collins / Sinopse: Xerifes da fronteira entre México e Estados Unidos precisam lidar com um matador profissional, presidiário, que executa pessoas que fazem parte de uma lista negra de assassinatos.

Pablo Aluísio.

Marlon Brando - A História de um Mito - Parte 10

Depois de muita discussão dentro do estúdio finalmente a Paramount Pictures resolveu contratar Marlon Brando para estrelar "O Poderoso Chefão". O cachê do ator foi estabelecido em 500 mil dólares, um valor irrisório para os padrões atuais, mas que seriam muito bem-vindos para Brando que na época estava em dificuldades financeiras. Seu nome estava envolvido em muitos processos, desde os que disputavam as guardas de seus filhos com ex-esposas, como os que lhe cobravam inúmeras dívidas de sua companhia cinematográfica que havia ido à falência. Levantar dinheiro rápido era algo extremamente necessário para o ator naquele momento.

Antes das filmagens começaram Brando resolveu fazer uma viagem até Omaha, sua antiga cidade, onde havia passado a infância. Fazia muitos anos que Brando tinha ido até aquele lugar e ele se encontrava nostálgico dos velhos tempos. Assim que chegou na cidade Brando foi até sua antiga casa, que ainda estava lá, em pé. Ficou alguns minutos em frente a ela, mas logo começou a lembrar que sua mãe havia sido uma alcoólatra e que seu pai fora um homem violento e abusivo com os próprios filhos. Isso deixou a visita com um sabor de triste melancolia. Brando deu meia volta, foi até uma lanchonete próxima onde tomou café e foi embora de Omaha para sempre. Ele havia percebido que não mais pertencia àquele lugar e que não tinha mais nada a fazer ali. Nunca mais voltaria a Omaha. Aquela visita de menos de duas horas havia sido o seu adeus definitivo às suas origens.

De volta a Nova Iorque, Brando foi para seu primeiro dia de filmagem. Ele foi apresentado formalmente pelo diretor Francis Ford Coppola para todo o elenco. Al Pacino, James Caan, todos eles estavam ali diante daquele que consideravam o maior ator vivo. Brando percebeu que havia uma certa reverência em torno de si e decidiu que aquele clima não seria muito bom para as filmagens, por isso tratou logo de se tornar amigo de todos, procurando não agir como alguém superior, mas sim como a um igual, um ator a mais no elenco. Para demonstrar sua humildade mandou o estúdio parar de enviar limusines luxuosas para lhe pegar em seu hotel. Um carro comum já era o bastante. A atitude de Brando pegou muito bem entre os demais atores e a equipe técnica. Na hora do almoço Brando procurava fazer suas refeições no refeitório do set, ao lado de técnicos, câmeras e quaisquer pessoas que estivesse trabalhando no filme. Ele não queria passar a imagem de um astro arrogante e vaidoso, cheio de si.

Ele logo percebeu que Coppola era um grande diretor. Ambos conseguiam trabalhar muito bem juntos. Eles tinham uma visão parecida sobre a máfia americana. Para eles a máfia era uma instituição tão americana como a Casa Branca ou o monumento à Lincoln. Em entrevistas após o lançamento do filme Brando explicou esse ponto de vista dizendo: "No fundo tudo são negócios. A máfia não quer criar algo pessoal com seus inimigos, não, nada disso, o que se precisa é apenas acertar algo que não está indo no caminho certo nesse mundo de negócios. A máfia é capitalista. Se alguém está colocando problemas em seus negócios deve ser tirado do meio do caminho. Nada pessoal, apenas negócios!".  O filme acabou se tornando a maior bilheteria do ano. Um grande sucesso tanto de público, como de crítica. Brando sabia que seu nome estava sendo cogitado para o Oscar e preparou uma surpresinha para a Academia, caso viesse a vencer. Essa porém é uma outra história...

Pablo Aluísio.

Galeria Cine Western - Gary Cooper / Steve McQueen


Gary Cooper - High Noon (1952)
Certamente é o maior western da carreira de Cooper. No filme ele interpreta o xerife Will Kane. Prestes a se aposentar para se casar com sua bela noiva (interpretada por Grace Kelly) o veterano homem da lei é informado que um dos bandidos que aprisionou no passado está de volta às ruas e mais do que isso... ele promete vingança contra o xerife que o colocou atrás das grades. O filme mostra a tensão pela chegada do trem com a quadrilha de criminosos, ao mesmo tempo em que o xerife é deixado completamente sozinho para enfrentá-los. É o filme definitivo da carreira do mito Gary Cooper.


Steve McQueen - Tom Horn
O astro Steve McQueen posa para ilustração promocional do filme "Tom Horn, O Cowboy", filme de 1980, dirigido por William Wiard. Na época de lançamento dessa produção os filmes de faroeste já não eram mais tão populares como no passado. Havia um sentimento de que filmes de western já não rendiam mais boas bilheterias. Indo contra a corrente o ator Steve McQueen escolheu estrelar esse que foi um dos poucos bons momentos de um gênero cinematográfico que estava em franca extinção, tal como o cowboy interpretado com convicção pelo ídolo McQueen nas telas.

Pablo Aluísio.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Segredos Imperiais da China

Título no Brasil: Segredos Imperiais da China
Título Original: China's Megatomb Revealed
Ano de Produção: 2016
País: Inglaterra, China
Estúdio: National Geographic
Direção: Hugh Ballantyne, Kaige Chen
Roteiro: Nic Young
Elenco: Dong Chunguang, Liming Geng, Ma Kun
  
Sinopse:
Documentário da National Geographic que enfoca as revelações arqueológicas e descobertas realizadas na tumba milenar do primeiro imperador da China. Qin Shihuang foi o primeiro governante na história do povo chinês que conseguiu conquistar os cinco grandes estados que dominavam as vastas extensões territoriais chinesas de sua época, unificando pela primeira vez o enorme território da China sob um único poder. Ele reinou dois séculos antes do nascimento de Jesus e foi um dos mais sangrentos e despóticos governantes que se tem notícia na história, tendo construído a maior tumba da história, além da sempre lembrada muralha da China. 

Comentários:

O ser humano tem uma certa atração por tiranos sanguinários e assassinos. Só esse aspecto da natureza humana poderia explicar a subida ao poder de um sujeito como o primeiro imperador da China. Ele era um verdadeiro psicopata que não tinha qualquer respeito pela vida humana. No auge de seu poder teve sob seu domínio pessoal mais de 700 mil escravos que utilizou para construir uma megatumba própria. Durante dez anos ele massacrou milhares de pessoas para dar vazão ao seu ego descomunal. Esse documentário realizado na China nos dias de hoje mostra parte dessas revelações arqueológicas. Além de esqueletos de trabalhadores o filme revela também a extensão do tamanho da tumba imperial que era maior do que Manhattan!!! O interessante é que apesar de se saber sua localização e as possibilidades de descobrir tesouros incríveis o governo chinês nunca autorizou a escavação do lugar onde o imperador foi enterrado, que segue sendo intocado. O que se pesquisou foram sítios arqueológicos periféricos como aquele onde foi encontrado o exército de terracota. Soldados que o imperador queria levar para o outro mundo para continuar suas guerras de conquistas sem fim. Um documentário bem revelador que mostra até que ponto pode chegar a megalomania do ser humano. Não deixe de assistir. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Star Wars - Rogue One: Os Personagens


Jyn Erso (Felicity Jones)
Filha do engenheiro do Império Galen Erso. Ele tentou deixar o Império de lado, mas acabou sendo perseguido até o planeta onde se refugiou. Após a morte da esposa e a fuga da filha, foi levado de volta. Jya acabou sendo encontrada pelo rebelde radical Saw Gerrera (Forest Whitaker). Depois se desgarrou dele também. Acabou virando uma garota que não dava mais importância para a luta entre a Aliança Rebelde e o Império. Tudo muda quando acaba sendo levada pelos rebeldes que desejam que ela encontre valiosas informações deixadas por seu pai para a destruição da Estrela da Morte. Para quem nunca se importou muito com política Jyn acaba virando uma mártir da causa na última cena do filme.


Galen Erso (Mads Mikkelsen)
Engenheiro chefe, especializado em armas de destruição em massa do Império. Pai de Jyn. Ele tenta fugir das garras imperiais, mas é localizado em um planeta distante, tentando levar uma vida pacífica de fazendeiro. De volta ao seio imperial acaba atuando decisivamente na construção da Estrela da Morte, mas não sem antes deixar a incrível arma vulnerável para ataques. Para isso resolve vazar informações sobre como conseguir destruir a arma para os rebeldes. Acaba pagando um alto preço por essa traição. O Império descobre seus planos, ameaça matar seus engenheiros e para salvar a vida de todos ele se entrega, selando seu próprio destino para sempre.


Saw Gerrera (Forest Whitaker)
No passado foi considerado um grande líder rebelde porém sua forma de pensar se radicalizou com os anos, principalmente após perder suas pernas em um ataque imperial. Com pernas robóticas e dificuldades de respiração ele começa então sua própria guerra particular contra o Império, usando para isso de todos os métodos legais e ilegais. Usa de tortura contra prisioneiros e se torna um violento paranoico, dado a ataques de extrema violência. É um fundamentalista radical que acredita que apenas o uso da guerra suja irá salvar o universo das garras do imperador.


K-2SO
Droide do Império que foi reprogramado para atuar nas linhas rebeldes. As novas configurações de programação não foram tão bem feitas, causando um estranho efeito colateral no robô, a ponto dele ter desenvolvido uma personalidade sarcástica e extremamente sincera (mais do que seria salutar). Acaba virando uma peça importante para os rebeldes, principalmente quando tentam penetrar em instalações imperiais. Afinal o K-2SO é uma máquina construída pelas forças do Império.


Cassian Andor (Diego Luna)
Piloto mercenário, acaba se unido com as forças rebeldes para destruir o Império. Seria o equivalente ao piloto Han Solo da saga clássica nessa nova aventura. Cassian tem ao seu lado a bravura e a coragem de enfrentar os maiores desafios para colocar as mãos nas valiosas informações que podem levar à destruição da Estrela da Morte. Apesar de suas motivações nunca serem tão claras, acaba se tornando um dos mártires heróis da missão Rogue One.


Orson Krennic (Ben Mendelsohn)
Alto comandante do Império. Cabe a ele coordenar a construção da Estrela da Morte. Para isso ele não mede esforços, eliminando quem estiver em seu caminho. Com personalidade psicopata e fria (como convém a todo oficial imperial), ele caça o engenheiro Galen Erso, para que retorne ao programa de construção da super arma. Seu único problema é conseguir encarar frente a frente Darth Vader, que não parece disposto a fazer nenhum tipo de barganha com ele dentro da hierarquia imperial.


Darth Vader
Anakin Skywalker foi cavaleiro Jedi no passado, mas acabou cedendo ao lado negro da força. Agora usa seus poderes para destruir inimigos do Império. Em Rogue One ele surge como um dos maiores inimigos da Aliança Rebelde. Sua função é aniquilar toda a resistência, evitando assim que a Estrela da Morte fique vulnerável a ataques inimigos. Vader é capaz de enfrentar toda uma tropa rebelde, praticamente sozinho, usando de seus poderes incomuns para remover possíveis obstáculos às forças imperiais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Loucos de Amor

Título no Brasil: Loucos de Amor
Título Original: She's So Lovely
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: Miramax
Direção: Nick Cassavetes
Roteiro: John Cassavetes
Elenco: Sean Penn, Robin Wright, John Travolta, James Gandolfini
  
Sinopse:
Maureen (Robin Wright) é uma jovem grávida de seu primeiro filho. Para seu desespero seu marido Eddie (Sean Penn) está sumido. Teria ele ido embora, com medo das responsabilidades? Não se sabe. Nervosa e com ansiedade ela resolve aceitar o convite do vizinho Kiefer (James Gandolfini) para ir em sua casa, tomar alguns drinks e relaxar, mas as coisas fogem do controle e ele tenta estuprá-la. Algum tempo depois Eddie retorna e descobre que a vida de sua ex-esposa está um completo caos emocional.

Comentários:
Esse filme chegou a ser premiado em Cannes e no Screen Actors, mas poucos ainda se lembram dele. Um filme chamado "Loucos de Amor" pode dar a falsa impressão de que se trata de uma daquelas comédias românticas bobas. Nada mais longe da verdade. Embora o lado emocional (e com um pouco de força, romântico) esteja presente nessa estória o que temos aqui é realmente um drama. Esse é aquele tipo de filme que você ia até a locadora nos anos 90 e acabava levando para casa apenas por causa do elenco. Mesmo naquela época a fita passou longe de ser muito popular ou ter muita repercussão, porém o fato é que a presença de Sean Penn e John Travolta compensava o risco. Além deles dois outros nomes chamam bastante a atenção. O primeiro é a presença no elenco de James Gandolfini. Ele interpreta um sujeito asqueroso que se esconde por trás de uma imagem de bonachão e gente boa. Embora fosse um veterano nas telas o ator ainda não era conhecido do grande público na época pois ele só iria se tornar famoso de verdade dois anos depois com a estreia da excelente série "Família Soprano". Já Robin Wright era esposa de Sean Penn quando o filme foi rodado. Sempre a considerei uma das atrizes mais subestimadas da história de Hollywood. Talentosa e competente nunca conseguiu ter o espaço que merecia. Assim deixo a indicação desse "She's So Lovely", uma crônica melancólica sobre os destinos que cada um partilha ao longo da vida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O Deus dos Judeus e o Deus dos Cristãos

Esse é um aspecto polêmico, mas vale a reflexão. Antes de mais nada é importante frisar que estou nesse texto tratando de um aspecto teológico, ou seja, não é minha intenção criticar qualquer tipo de crença ou fé alheia. Dito isso vamos para a análise. A primeira é uma afirmação que não está livre de controvérsias. O Deus dos judeus não é o mesmo Deus dos cristãos. O Deus dos cristãos é Jesus. Jesus é Deus dentro da doutrina cristã. Deus se fez homem na figura de Jesus. O Deus dos  judeus é apenas Deus, o eterno. Os judeus não acreditam que Jesus era Deus. Não acreditam nem que ele era o Messias. Assim muitos confundem esse tema. Jesus por ser judeu seguia em parte as leis do judaísmo e tecnicamente o Deus que ele adorava seria o mesmo Deus dos cristãos. Será mesmo? Não se deve confundir as bases do Judaísmo com as bases do Cristianismo. O Judaísmo é uma religião, o Cristianismo é outra. As regras de uma doutrina religiosa não valem necessariamente para a outra. Nem o Deus de uma das religiões é o mesmo da outra. Duvida? Então vamos lá.

Quem acha que o Deus do Judaísmo é o mesmo do Cristianismo nunca refletiu muito a fundo sobre os fundamentos do próprio cristianismo. Teologia é importante, justamente por essa razão, é algo importante para a vida! Assim vamos expor as bases de cada religião aqui. Jesus é Deus na doutrina do cristianismo (católico e protestante). Para o Judaísmo Jesus não é Deus. Ele foi apenas um judeu que viveu no século I e que tinha sua própria visão religiosa. Nada mais do que isso. Se Jesus é Deus dentro do cristianismo e não é Deus dentro do judaísmo, logo chegamos na conclusão lógica que as duas grandes religiões do mundo ocidental não seguem a mesma divindade. O Deus de uma religião não é o mesmo Deus da outra religião.

Claro que existirão aqueles que dirão que o Deus que Jesus adorou foi o mesmo Deus do judaísmo tradicional. Isso porém vai até um determinado momento histórico. Com a morte de Jesus e a crença em sua ressurreição temos uma clara ruptura entre o Judaísmo tradicional e a nova religião que nascia. Uma expressão muito interessante que expressa isso diz que a cruz de Jesus rasgou a cortina do templo, ou seja, sua morte e ressurreição rompe definitivamente com as amarras e leis do velho Judaísmo tradicional. O próprio Jesus ao longo de sua vida pregou vários temas que fugiam ao que era imposto pelas autoridades do templo. Basta lembrar do evento em que ele disse "Que atire a primeira pedra quem nunca pecou!" ao impedir o apedrejamento de acordo com as leis judaicas ou então quando rompeu com uma velha tradição sobre o não consumo de alimentos por parte dos judeus em determinado dia da semana. Nesse dia Jesus disse: "O que torna impuro os homens não é que entra de sua boca, mas o que sai dela!".

Então o que vemos é um Jesus que não estava disposto a seguir cada detalhe secundário da doutrina do judaísmo, muito longe disso. E por parte das autoridades do templo ele tampouco era o Messias e para sustentar essa posição alegavam e traziam de volta as antigas profecias que diziam o que o verdadeiro Messias deveria fazer. Não há salvação nesse ponto. O cristianismo apresenta muitos laços históricos com o judaísmo, mas em termos de identificação as semelhanças logo param e param justamente na figura de Jesus, o Deus dos cristãos. A Trindade, por exemplo, algo tão vital na crença dos cristãos não é também aceita pelos judeus. As diferenças são enormes e não cabe aqui expor todas elas.

O Judaísmo tem seus dogmas, doutrinas religiosas e sistema de crenças próprios. O cristianismo também. Não são ambos idênticos e por essa razão não são a mesma religião. Por isso vejo com espanto quando algum líder religioso cristão levanta regras do velho Judaísmo para criticar outras vertentes do cristianismo. Do ponto de vista teológico isso não faz o menor sentido. Um exemplo vem da tão falada idolatria dos católicos em relação às imagens. Ora, essa é uma velha regra do Judaísmo que sequer deveria ser levada em conta dentro do cristianismo. Pior do que isso, os católicos não veneram imagens, como já bem expliquei aqui no blog. Mesmo que adorassem imagens, não haveria em si mesmo nenhum problema. O catolicismo tem seus próprios dogmas religiosos, suas próprias doutrinas. Não segue literalmente tudo o que o velho Judaísmo prega. Como um evangélico pode levantar uma regra do velho Judaísmo contra os católicos se os judeus sequer acreditam que Jesus é o Messias? Não faz muito sentido não é mesmo?

Além disso a ignorância impera em muitos setores. O idolatrismo condenado pelos judeus era bem outro. Primeiro só se referia a idólatras dentro do próprio Judaísmo e segundo que os textos antigos se referem a cultos de idolatria onde havia até mesmo sacríficios humanos de crianças. Quem pode comparar algo assim tão terrível com a arte sacra dos católicos? É simplesmente absurdo. Dessa forma fica então esses aspectos que levantei para pura reflexão. Pense sobre tudo o que leu e reflita sobre tudo o que eu escrevi.

Pablo Aluísio.

Sangue de Bárbaros

O filme "Sangue de Bárbaros" ficou notório por vários motivos. Um deles e o mais visível é que John Wayne ficou realmente ridículo com maquiagem de Gengis Khan. Essa foi uma das escolhas mais infelizes em termos de elenco na história de Hollywood. Simplesmente puxaram os olhos do ator para trás, para que ele parecesse um oriental. Nada convincente. Imaginar aquele grande cowboy americano como um bárbaro mongol era exigir demais do público.

Outro erro - e esse foi fatal - foi a escolha do lugar das filmagens. Escolheram um lugar em Utah, no meio do deserto, para parecer com as longas planícies da Mongólia onde o verdadeiro Gengis Khan viveu. O problema número 1 é que o lugar não se parecia em nada com as vastas terras do império Mongol e o problema número 2 é que o governo americano havia feito testes nucleares na região. Estava tudo contaminado com radiação.

A maioria dos membros do elenco e da equipe técnica morreriam de câncer com o passar dos anos. Até hoje muitos autores e biógrafos defendem que todos eles morreram por causa da radiação a que foram expostos. Nas cenas em que os cavaleiros de Khan descem as montanhas podemos perceber bem toda aquela poeira vermelha (e radioativa) se espalhando pelo ar. Uma tragédia. E nem se o filme fosse bom isso seria justificável. O pior é que ao assistir a "Sangue de Bárbaros" percebemos logo que não se trata de um bom filme, muito pelo contrário.

O roteiro se propõe a ser uma reconstituição dos primeiros anos de Gengis Khan. Ainda um jovem líder mongol que começa a fazer alianças com tribos diversas para a formação de um grande exército. Para filmar um épico dessa magnitude o produtor Hall Wallis deveria ter disponibilizado um grande orçamento, mas não foi isso que aconteceu. As cenas de batalha, por exemplo, são pífias e em certo sentido até medíocres. Como se não bastasse a péssima caracterização envolvendo John Wayne ainda havia o problema do suposto romance de seu personagem com a de Susan Hayward. Ele a rapta, mata seu esposo e depois leva com brutalidade para suas terras. Que mulher em sã consciência iria se apaixonar por um criminoso desses? Pois os roteiristas inventaram um amor inverossímil que brota sem mais nem menos. Lamentável. Enfim, essa é uma produção que foi infeliz em vários aspectos, tanto do ponto de vista da contaminação radioativa como também pela má qualidade artística de seus resultados.

Sangue de Bárbaros (The Conqueror, Estados Unidos, 1956) Direção: Dick Powell / Roteiro: Oscar Millard / Elenco: John Wayne, Susan Hayward, Pedro Armendáriz, Lee Van Cleef, William Conrad / Sinopse: O filme narra a história de Gengis Khan (John Wayne) em seus primeiros anos de conquista. Ao se aliar a antigos rivais ele acaba criando o maior exército de todos os tempos.

Pablo Aluísio. 



Rogue One: Uma História Star Wars

Gostei bastante desse novo filme "Star Wars" e por vários motivos. Antes de qualquer coisa é importante parabenizar os roteiristas dos estúdios Disney por esse roteiro. Eles pegaram uma linha de citação do primeiro filme "Guerra Nas Estrelas" (1977) e criaram todo um enredo em cima disso. O roteiro é não apenas muito imaginativo (e original) como também coeso e bem estruturado. Basta lembrar o clímax do primeiro filme da saga, com a destruição da Estrela da Morte pelos rebeldes, para bem entender o que se conta em "Rogue One". Como a Aliança Rebelde descobriu a grande falha estrutural da incrível máquina de guerra do Império? Bom, você saberá tudo aqui.

O enredo gira em torno de dois personagens básicos, pai e filha. O pai é Galen Erso (interpretado pelo sempre ótimo Mads Mikkelsen). Ele trabalha para o Império como engenheiro. Sua função é colaborar para a criação de armas cada vez mais poderosas e mortíferas. Quando o conceito da Estrela da Morte surge, ele entra em crise de consciência. Afinal uma arma tão poderosa a ponto de destruir planetas poderia causar uma devastação no universo sem precedentes. Ele tenta fugir de seu destino, indo morar em um planeta isolado, vivendo em paz como fazendeiro, mas isso se torna impossível. O Império vai atrás dele.

Sua filha é Jyn Erso (interpretada pela atriz Felicity Jones, de "Inferno", "A Teoria de Tudo" e "O Espetacular Homem-Aranha 2"). Separada do pai na infância, ela acaba sendo criada por um rebelde radical, Saw Gerrera (Forest Whitaker, uma das melhores coisas do filme). Quando seu pai envia um piloto do Império para entregar valiosas informações para os rebeldes, Jyn se torna peça chave em um momento crucial na luta entre a Aliança Rebelde e as forças do Imperador. E assim se desenvolve "Rogue One", com uma boa trama, nada infantil (ainda bem que não existem palhaçadas pelo meio do caminho do tipo Jar Jar Binks). Tudo é levado em ritmo de ação e aventura, porém sustentada por uma boa estória.

Alguns personagens clássicos da saga original surgem no filme, o que é natural, já que o enredo de "Rogue One" se passa pouco antes do primeiro filme da série. Entre eles o mais celebrado pelos fãs é justamente Darth Vader. Sua participação é pequena, isso é verdade, mas ele tem boas cenas no roteiro. Além disso os roteiristas capricharam em sua primeira aparição em cena, criando todo um clima, que se revelou mais do que acertado. Um fato curioso aconteceu com outro personagem clássico, Grand Moff Tarkin. No filme de 1977 ele foi interpretado pelo ator Peter Cushing. Ele seria um dos personagens centrais de "Rogue One", mas como colocar esse comandante do império de volta às telas, no novo filme, se o Peter Cushing havia falecido em 1994? A solução foi criar o personagem de forma totalmente digital. A tecnologia trouxe a solução. O resultado impressiona. Então é isso, entre erros e acertos dentro dos filmes com a marca "Star Wars" esse aqui é certamente um dos acertos. Que a Disney traga mais filmes todos os anos, os fãs agradecem.

Rogue One: Uma História Star Wars (Rogue One, Estados Unidos, 2016) Direção: Gareth Edwards / Roteiro: Chris Weitz, Tony Gilroy / Elenco: Felicity Jones, Mads Mikkelsen, Forest Whitaker, Diego Luna, James Earl Jones, Peter Cushing, Carrie Fisher / Sinopse: O pai de Jyn Erso (Felicity Jones), um engenheiro do Império, resolve vazar informações para a Aliança Rebelde através de um piloto desertor. Assim Jyn se torna peça central para se chegar nessas valiosas informações sobre uma incrível máquina de destruição imperial chamada de Estrela da Morte.

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Jiu Ceng Yao Ta

Esse é um filme chinês de fantasia que foi recentemente lançado nos Estados Unidos com o título de "Chronicles Of The Ghostly Tribe". É a tal coisa, fica claro desde o começo que os chineses estão tentando seguir os passos dos grandes blockbusters americanos ao estilo "O Senhor dos Anéis" ou até mesmo "O Hobbit". Dito isso você já deve ter uma ideia do que encontrará. O enredo, devo dizer, não faz muito sentido. No começo do filme encontramos um grupo de arqueólogos que encontram ossos de dragão em uma caverna remota.

A partir desse ponto as coisas começam a acontecer rapidamente, principalmente quando surge a lenda de uma tribo ancestral de fantasmas do passado (eu disse que a coisa toda não faz muito sentido, não foi?). Pois é. Os chineses certamente possuem os recursos para realizar uma produção bem feita, com monstros digitais e tudo o mais. Isso fica bem claro no filme. Os efeitos especiais são realmente bem feitos, não deixando nada a dever aos americanos, só que o enredo é mal desenvolvido. Esqueceram de caprichar no roteiro, isso é um fato.

Os anos vão passando (como se isso fosse fazer alguma diferença) até que os heróis da resistência (vamos chamá-los assim) encontram em uma cidade deserta um grupo de monstros que mais se parecem com os lobisomens da franquia "Um Lobisomem Americano em Londres". Essa aliás é a melhor parte de todo o filme. O roteiro tem muito papo furado e lá pela metade você quase desiste de assistir até o fim, porque tudo é mal construído em termos de lógica, mas segure firme pois o filme melhora! Quem insistir vai ver logo que o filme ganha pique em sua terça parte final e os efeitos especiais (repito, todos bem realizados), compensam o esforço.

Como se trata de um filme chinês obviamente não compensa discutir sobre o diretor do filme e nem o elenco pois todos são desconhecidos do público ocidental. O que vale mesmo aqui são os monstros, como já falei. Há desde morcegos destrutivos, passando por dinossauros das profundezas e até mesmo lobisomens sanguinários. Se o seu negócio é ver monstros e mais monstros então provavelmente vai curtir. A estória? Esqueça, essa realmente não tem pé e nem cabeça. Desligue o cérebro e procure se divertir o máximo possível com os bichanos que vão surgindo cena após cena. E isso é tudo.

Jiu Ceng Yao Ta (China, 2015) Direção: Chuan Lu / Roteiro: Chuan Lu, Bobby Roth / Elenco: Mark Chao, Jin Chen, Li Feng  / Sinopse: Grupo de pesquisadores chineses encontram uma antiga caverna com ossos de monstros de um passado distante. O que eles nem desconfiam é que no lugar há uma passagem para outra dimensão. Ao cruzar o portal eles acabam libertando todos os tipos de bestas monstruosas para o nosso mundo.

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

A Invasão 2

Título no Brasil: A Invasão 2
Título Original: The Second Arrival
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Rootbeer Films
Direção: Kevin Tenney
Roteiro: Mark David Perry
Elenco: Patrick Muldoon, Jane Sibbett, Michael Sarrazin
  
Sinopse:
Jack Addison (Patrick Muldoon) é o irmão mais novo e nerd de Zane Zaminsky (interpretado por Charlie Sheen no primeiro filme, lançado em 1996). Usando de técnicas de informática ele atuando como hacker consegue ter acesso a um arquivo classificado Top Secret. Nele ele consegue os códigos para entrar em contato com uma civilização extraterrestre que planeja invadir o planeta Terra.

Comentários:
Continuação muito fraca (sendo bem sincero, bem ruim) do filme "A Invasão", aquele mesmo estrelado por Charlie Sheen. Praticamente nada se salva, na época em que o filme foi lançado se dizia que a única coisa que prestava era o poster do filme - que tinha realmente um design bem feito. Fora isso temos aqui um desastre completo. O roteiro é mal escrito e a estória (na base da pseudo ciência barata) não funciona. Furos de lógica estão em todas as partes, com destaque para os supostos objetivos e intenções dos alienas (se aquilo fosse verdade poderíamos chegar na conclusão que a civilização na Terra realmente seria a única forma de inteligência no universo!). O ator Patrick Muldoon é completamente sem talento. O absurdo é que ele é, no enredo obtuso, o "irmão" do personagem de Charlie Sheen! Vejam que mediocridade... como Sheen não quis participar dessa sequência por causa do péssimo roteiro o texto foi reescrito às pressas, onde havia o personagem de Charlie Sheen ele virou seu irmão... tudo pessimamente amarrado. E os efeitos especiais? Melhor nem comentar, ainda mais nos dias atuais onde qualquer adolescente com um bom PC em casa consegue fazer algo bem melhor. Enfim, um dos piores filmes Sci-fi dos anos 90. Bomba completa!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Newton Boys - Irmãos Fora-da-Lei

Título no Brasil: Newton Boys - Irmãos Fora-da-Lei
Título Original: The Newton Boys
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Richard Linklater
Roteiro: Richard Linklater
Elenco: Matthew McConaughey, Ethan Hawke, Vincent D'Onofrio, Julianna Margulies
  
Sinopse:
Quatro irmãos da família Newton, tradicional fazendeira do interior, resolvem procurar por outro caminho na vida. O campo já não traz mais o pão de cada dia e eles estão prestes a perder a propriedade rural para um banco. Assim eles decidem formar uma quadrilha de roubo a bancos. Em pouco tempo os Newton Boys, como passam a ser chamados pela imprensa, começam a causar pânico por onde passam, até decidirem promover o maior roubo de banco da história dos Estados Unidos. Algo que custará caro para todos eles.

Comentários:
Sempre vi esse filme como uma tentativa tardia de revitalizar os antigos filmes de gangsters, como aqueles clássicos produzidos na década de 1940. Filmes que foram extremamente populares em sua época. A receita do roteiro escrito pelo diretor Richard Linklater é bem simples de entender. Ele apenas adaptou o livro original de Claude Stanush para uma roupagem mais moderna, escalando atores jovens e galãs para os personagens principais. Ganhou em estética, mas ao mesmo tempo perdeu em veracidade histórica (já que os verdadeiros gangsters não se pareciam com modelos como esses que vemos nesse filme!). Assim o estúdio escalou Matthew McConaughey para ser o protagonista, uma vez que ele estava sendo bastante cotado para se tornar o astro do amanhã, já que sua popularidade aumentava a cada dia. Ethan Hawke, que tinha mais bagagem no quesito atuação, também foi contratado para contrabalancear de certa maneira a inexperiência de Matthew. Um dos aspectos curiosos ao se rever essa produção é constatar que a atriz Julianna Margulies está no elenco. Ela, que iria se tornar no futuro a estrela de uma série de grande sucesso nos Estados Unidos chamada "The Good Wife", aqui surge bem jovem, com maquiagem pesada e exagerada - típica das mulheres dos anos 40. No mais é aquilo de sempre: muitos crimes e tiroteios com as famosas metralhadoras conhecidas como "Tommy Gun", a preferida dos criminosos e gangsters daqueles tempos em que Al Capone reinava em Chicago.  

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Apóstolo

Título no Brasil: O Apóstolo
Título Original: The Apostle
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: United International Pictures (UIP)
Direção: Robert Duvall
Roteiro: Robert Duvall
Elenco: Robert Duvall, Farrah Fawcett, Billy Bob Thornton, Miranda Richardson
  
Sinopse:
Eulis 'Sonny' Dewey (Robert Duvall) é um pregador protestante que tem a firme convicção de que foi abençoado por Deus. Ele tem um bom ministério religioso, seguidores e uma boa esposa. Seu mundo porém desmorona quando ele descobre que sua mulher está tendo um caso com um membro de sua igreja. Enfurecido, pega um taco de beisebol e atinge a cabeça de sua esposa, que entra em coma. Após esse ato de extrema violência ele resolve fugir, indo parar numa pequena cidade do sul, onde pretende recomeçar sua vida do zero!

Comentários:
Esse é um projeto bem pessoal do ator Robert Duvall. Ele produziu, dirigiu, atuou e escreveu o roteiro. O que inspirou Duvall foi um caso real acontecido com um pregador que ele inclusive conhecia pessoalmente. O caso chocou sua comunidade. Como aquele homem que se dizia tão bondoso e seguidor da filosofia de Jesus Cristo era capaz de praticar um ato de tamanha violência doméstica contra sua própria esposa? Na vida real a esposa do pastor havia sido assassinada por ele! Mais chocante do que isso impossível! Para não sofrer processos, Duvall obviamente inseriu dentro dessa história real adaptada várias peças de pura ficção. Ainda assim é um filme com tintas fortes, que explora o lado mais sórdido dos seres humanos. Após lançar o filme o ator acabou sendo premiado não apenas com uma série de boas críticas, mas também por uma inesperada (e justa) indicação ao Oscar de Melhor Ator. Realmente é impossível ficar indiferente à ótima atuação de Duvall que se entregou de corpo e alma (literalmente) para interpretar o protagonista, um homem com uma belo talento para a oratória, mas que tem um coração realmente enegrecido pelo orgulho e ira. Um bom retrato para os que já conheceram pregadores desse tipo.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Filmes da TV aberta: Semana (19/12 a 25/12)

Teremos uma semana bem fraca em termos de filmes da TV aberta. Vai chegando o natal e as emissoras brasileiras parecem ter optado por escolher apenas filmes de medianos para fracos. Nenhuma grande obra prima será exibida. Na segunda, em Tela Quente, teremos um drama bem mais ou menos chamado Um Momento Pode Mudar Tudo. É a estória de uma universitária que se apaixona por seu professor, ao mesmo tempo em que começa a cuidar de uma mulher com uma séria doença. Em termos gerais tudo muito na média. No elenco temos Josh Duhamel, e Marcia Gay Harden, em roteiro cansativo. Na madrugada de segunda a Globo também exibirá Red: Aposentados e Perigosos. Esse é um filme de ação que tenta ser engraçadinho, mas falha nos dois gêneros. No final tudo o que você sentirá é pena de um elenco desses (Morgan Freeman, John Malkovich e Helen Mirren) se envolver em tamanha bobagem.

Como acontece todos os anos a programação estará cheia de filmes bregas de natal. Nenhum deles muito interessante ou que venha a valer sua atenção. Alguns, como Um Natal Brilhante, que será exibido na quarta, só vale mesmo pelo elenco. Danny Devito e Matthew Broderick tentam trazer alguma graça em um roteiro bem banal, focalizando na típica família suburbana americana. Do tédio tenta-se fazer humor, mas sendo bem sincero esse é um daqueles filmes que você só consegue assistir uma vez na vida (isso se conseguir chegar até o seu final, é claro!). E por falar em família chatinha suburbana a Globo exibirá no Corujão desse mesmo dia a comédia Querida, Encolhi as Crianças. O enredo mostra um paizão que inventa uma máquina que deixa tudo em tamanho miniatura. Em um acidente seus filhos são atingidos e ficam perdidos no jardim da casa, onde enfrentam todos os tipos de perigos. Esse filme foi produzido por Steven Spielberg e tem ótimos efeitos especiais, revolucionários na época de seu lançamento. Quem estrela a produção é o comediante Rick Moranis (de Os Caça-Fantasmas).

Na quinta a Globo exibe Gonzaga: De Pai pra Filho. Muita gente já viu essa biografia do cantor e compositor nordestino Luís Gonzaga. Se por acaso ainda não viu deixo a recomendação. Embora seja uma produção nacional considero um filme até muito bem realizado. O roteiro foca na conturbada relação entre pai e filho, em um Brasil com muitas mudanças sociais e políticas. Já para as crianças fica a recomendação da animação Como Treinar o Seu Dragão, que será exibida sexta, na Sessão da Tarde. Também produzido por Steven Spielberg, essa animação foi um dos maiores sucessos de bilheteria de seu estúdio. O enredo é conhecido: a do garoto viking que tenta treinar um filhote de dragão, causando todos os tipos de problemas.

Por fim para encerrar uma semana (fraca) em termos de filmes teremos a exibição na íntegra de Jesus de Nazaré de 1977. Há muitos anos a TV Record comprou os direitos dessa produção e a exibe com certa regularidade em sua programação. As reprises sucessivas desgastaram um pouco a obra no Brasil, mas mesmo assim ainda considero um dos bons filmes já realizados sobre Jesus. A direção ficou a cargo de Franco Zeffirelli e ao contrário do que muitos pensam esse não era um filme, mas sim uma minissérie que foi exibida na década de 1970 na Europa e nos Estados Unidos. No Brasil já chegou da forma como todos conhecemos, em formato de longa-metragem. No total são 380 minutos de duração, então o cinéfilo tem que ter fôlego redobrado. Além da boa direção, ainda temos um excelente elenco que conta com, entre outros, Laurence Olivier, Christopher Plummer, Ernest Borgnine, Anne Bancroft, Claudia Cardinale, Anthony Quinn, Rod Steiger, Michael York e James Mason! Isso sem esquecer do excelente Robert Powell como o protagonista. É sem dúvida um programão para o dia de sábado.

Pablo Aluísio. 

Galeria de Fotos - Cine Western


John Wayne e Constance Towers no clássico "Marcha de Heróis" (1959) de John Ford. 


Lloyd Bridges, Katy Jurado, Gary Cooper e Grace Kelly em "Matar ou Morrer" (1952)


Alan Ladd, Katy Jurado e Ernst Borgnine em "Homens das Terras Bravas" (1958)


Bob Hope e Lucille Ball em "Um Conde em Sinuca" (1950)

Zsa Zsa Gabor


Zsa Zsa Gabor
Morreu ontem a atriz e celebridade Zsa Zsa Gabor. Natural de Budapeste, na Hungria, Zsa Zsa foi embora para os Estados Unidos no começo dos anos 50. Como havia sido miss em seu país natal acreditou que apenas sua beleza era necessária para vencer no cinema americano. Acabou se dando bem, atuando em filmes de sucesso como "Travessuras de Casados" e "Moulin Rouge". Em 1954 atuou ao lado de Jerry Lewis e Dean Martin na comédia "O Rei do Circo". Seu último grande momento nas telas foi no clássico "A Marca da Maldade" de Orson Welles. Apesar dos bons filmes da década de 50 sua carreira como atriz nunca decolou de fato. Assim Zsa Zsa resolveu apostar na pura celebridade. Dizia que não era necessário ter talento, mas sim saber aparecer na mídia.

Colecionou marido ricos e escândalos ao longo de sua vida. Casou-se ao total nove vezes, todos com homens ricos aos quais depois admitiu nunca ter amado nenhum deles. "Casar por dinheiro é tão bobo quanto casar por amor!" - confidenciou. Ela teve uma filha com o herdeiro do império Hilton, mas esse se separou de sua mãe, dizendo que a menina não era filha dele. Assim começou uma longa batalha nos tribunais em busca da fortuna do ex-marido. Vivendo de aparições esporádicas em programas e séries de TV, a atriz dizia que em Hollywood poucas atrizes tinham realmente talento. "A maioria das estrelas apenas sentou no colo dos executivos certos" - dizia ela com sua característica ironia. Zsa Zsa morreu aos 99 anos, após sofrer uma parada cardíaca.


domingo, 18 de dezembro de 2016

A Garota Dinamarquesa

O filme se passa na década de 1920, na fria Dinamarca. Gerda (Alicia Vikander) e Einar Wegener (Eddie Redmayne) formam um casal de artistas que tentam viver de seus quadros. São até bem felizes diante das circunstâncias. Tudo caminha bem até Einar começar a apresentar um comportamento fora dos padrões da época. Eventualmente ele se veste de mulher para posar para a esposa, que está sempre explorando a imagem feminina em suas pinturas. Com o tempo porém Einar começa a tomar gosto pelos vestidos e roupas feitas para o universo feminino. Mais do que isso, ele começa a ter uma certa repulsa por sua personalidade masculina. Em pouco tempo surge uma versão feminina de si mesmo chamada Lili Elbe.

Nem precisa dizer que o casamento entra em crise. A esposa Gerda até leva numa boa as primeiras manifestações desse lado afeminado do marido, mas tudo desanda quando ele começa não apenas a se vestir como uma mulher, mas a também se envolver com outros homens. Diante de uma situação tão delicada acaba confessando para a esposa que em seu passado teve algumas experiências homossexuais. A esposa, que sempre viu o marido como um homem heterossexual, fica obviamente sem chão com a nova situação e assim ambos decidem procurar por ajuda médica. Naqueles tempos a homossexualidade era considerada uma doença, algo a ser tratado.

Einar é então submetido a todos os tipos de tratamento exóticos (alguns até absurdos) até que conhece um médico que lhe propõe uma solução radical para seus problemas, uma inédita operação de troca de sexo, onde seus órgãos sexuais masculinos seriam removidos, sendo construído depois uma vagina por procedimentos cirúrgicos. Einar acaba então sendo o primeiro ser humano da história a passar por uma cirurgia dessas, que visava trocar seu sexo. Seu caso criou toda uma nova literatura médica que desde então passou a tratar o tema como uma nova realidade chamada de transexualismo.

Bom, o que me levou a assistir esse filme foi o Oscar vencido pelo ator Eddie Redmayne por sua atuação como esse transexual pioneiro. Eddie foi uma escolha sensata para interpretar esse personagem. O ator já tem naturalmente um aspecto bem indefinido, diria até transgênero. Com estrutura física frágil e indefeso ele combinou muito bem com o papel. Sua Lili porém não é a personagem mais forte dessa história. De certa forma, se formos pensar bem, a verdadeira personagem principal desse enredo, aquela que precisa superar todas as diversidades e aguentar a barra da situação, demonstrando ter uma grande força interior é a sua esposa. A história desse filme é baseada em fatos reais e a grande conclusão que tirei de tudo é que Gerda Wegener deve ter sido realmente uma grande mulher, uma pessoa realmente admirável. Passar por tudo o que ela passou definitivamente não foi fácil.

A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl, Estados Unidos, Alemanha, Dinamarca, 2015) Direção: Tom Hooper / Roteiro: Lucinda Coxon, baseada no livro escrito por David Ebershoff / Elenco: Eddie Redmayne, Alicia Vikander, Amber Heard / Sinopse: Gerda (Alicia Vikander) e Einar Wegener (Eddie Redmayne) formam um casal que passa por uma grave crise de relacionamento após o marido assumir uma identidade feminina. Depois de anos casado, ele decide assumir seu lado mulher, se arriscando a se submeter a uma perigosa operação de mudança de sexo.

Pablo Aluísio.