quarta-feira, 31 de maio de 2017

As Cartas de Grace Kelly - Parte 6

Em 1951 Grace Kelly aceitou o convite para ir até Hollywood filmar um novo faroeste que iria se chamar "Matar ou Morrer". Ela teve um certo desejo de não aceitar o convite porque afinal de contas estava se dando muito bem em Nova Iorque, trabalhando como modelo e como atriz em peças na Broadway e em teleteatros filmados que eram exibidos nos canais de TV. Tudo corria maravilhosamente perfeito, mas seu agente lhe disse que um convite como aquele não poderia ser recusado.

Assim, até meio a contragosto, ela finalmente arranjou três semanas livres e voou até Los Angeles. Acabou encontrando um set de filmagens com um diretor muito estressado, detalhista ao extremo, e um ator amável e gentil. Gary Cooper aos 51 anos era um veterano das telas, com décadas de carreira em Hollywood e Grace era apenas uma novata esforçada, aos 21 anos de idade. Apesar da diferença de gerações (afinal ele tinha idade para ser o pai dela), as coisas fluíram muito bem entre eles. O que começou com uma amizade sincera entre dois colegas de trabalho acabou se tornando algo mais.

Grace Kelly levou o romance das telas para a vida real. Ela teve um romance com o cinquentão Cooper, que dono de uma personalidade bem tímida e retraída nunca ficou muito confortável com aquela situação. Na verdade o ator ficou em dúvida se aquela jovem queria tirar algum proveito dele ou se realmente tinha um verdadeiro sentimento no relacionamento que começou bem no meio das filmagens. De uma forma ou outra o próprio Cooper resolveu acabar com o breve romance. Ele disse a Grace Kelly já perto do fim das filmagens que já tinha vivido muito para saber que algo como aquilo não tinha muito futuro. Assim de forma educada e gentil resolveu encerrar o romance.

Nos anos que viriam Grace Kelly iria se relacionar com muitos atores com quem trabalharia. Ela parecia ter um tipo de fetiche em namorar os grandes astros de Hollywood, por isso acabou ficando conhecida por ser muito namoradeira na época. Só um grande astro resistiu ao seu charme. Apesar de todos os esforços Grace Kelly não conseguiu conquistar o homem que ela considerava perfeito: Rock Hudson. Grace ficou apaixonadíssima por ele, pois era alto, bonito e tinha um ótimo carisma, se revelando simpático e muito acessível. O que Grace não sabia (poucos sabiam disso em Hollywood) era que Hudson era gay e escondia isso do estúdio e do público em geral. Afinal segredos eram para serem bem guardados.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - The Wonder Of You: Elvis With The Royal Philarmonic Orchestra

Elvis Presley - The Wonder Of You: Elvis With The Royal Philarmonic Orchestra
Esse é o CD do momento em termos de Elvis Presley. Primeiro lugar entre os mais vendidos na Inglaterra, trazendo mais um recorde para a carreira de Elvis. Diante disso vamos tecer alguns comentários sobre esse título nesse primeiro texto que será seguido por outros em breve. A priori eu sou aquele tipo de fã que aprecia os arranjos originais dos discos oficiais de Elvis. Esse sistema de trazer um novo arranjo modernizado não me agrada muito. Mesmo assim vou deixar esse tipo de opinião de lado para analisar o CD de forma mais isenta.

01. A Big Hunk o' Love (Aaron Schroeder / Sid Wyche) - A primeira faixa é o rock "A Big Hunk O' Love". Essa canção foi gravada pouco antes de Elvis seguir rumo à Alemanha para o serviço militar. Essa sessão é até hoje uma das mais celebradas em termos de Rock ´n´ Roll de toda a carreira de Elvis Presley. Foi o auge de sua fase rocker. Seu arranjo original é perfeito pois o rock americano dos anos 50 combinava perfeitamente com esse tipo de sonoridade mais crua e direta. O rock em suas origens era visceral e simples, por isso muitas vezes era considerado selvagem demais pelos padrões musicais dos anos 50. Caberia mesmo um arranjo orquestral por parte de uma filarmônica nesse tipo de música? Pessoalmente acredito que não, porém como essa é a proposta do CD, vamos lá... Particularmente gostei da introdução, com uma belo arranjo de cordas, sendo seguido por um piano ao estilo Fats Domino. Também houve acertos ao colocar a filarmônica em segundo plano, nunca atropelando o vocal de Elvis. O destaque ao piano "anos 50" por toda a canção foi algo que eles não poderiam ignorar. A única coisa que não gostei muito foi a introdução de um coro vocal feminino ao fundo. Não combinou muito bem, devo confessar. No mais a palavra que mais destacaria aqui é diversão. Ficou divertido. A original porém segue sendo insuperável.

02. I've Got a Thing About You Baby (Tony Joe White) - A base de baixo que abre essa nova "I've Got A Thing About You Baby" me lembrou imediatamente de "Baby I Don´t Care" da trilha sonora de "Jailhouse Rock". Claro que foi proposital. Esse novo arranjo porém não me agradou muito e em minha opinião foi o mais fraco de todo o CD. Há uma levada para cima, um clima de comercial de margarina que pouco tem a ver com a proposta da gravação original. Ok, quiseram deixar o clima em alto astral, alegre acima de tudo, porém não combinou. O som Stax foi removido para debaixo do tapete. O uso da percussão mais em destaque também me soou bem desconfortável. Prestem atenção no que vou escrever: esse tipo de arranjo estará completamente ultrapassado dentro de poucos anos enquanto o original gravado por Elvis nos anos 70 seguirá imbatível a atemporal. Efeitos sonoros plásticos demais não resistem ao teste do tempo.

03. Suspicious Minds (Mark James) - Dando continuidade na análise das faixas do novo CD "The Wonder Of You" vamos falar um pouco agora dessa nova versão de "Suspicious Minds". Bom, quando esse título foi anunciado os produtores do projeto disseram que a gravadora iria priorizar as canções menos conhecidas de Elvis, os chamados "Lados B". Ótima iniciativa já que Elvis tem músicas maravilhosas que são completamente desconhecidas do ouvinte ocasional de sua obra. Pois bem, apesar disso os velhos medalhões da discografia de Elvis não poderiam ficar de fora. São os impulsionadoras de vendas e não podem ser ignorados. É o caso do sucesso imortal "Suspicious Minds". Aqui criaram uma introdução intimista, mas preservaram o dedilhado original (pois seria impossível removê-lo). Assim nessa nova versão convivem o novo e o velho arranjo. Em determinados momentos fiquei com a impressão ruim que há duas vitrolas tocando ao mesmo tempo, uma com o single "Suspicious Minds" e outra executando algum disco de música clássica. Ficou estranho! Isso definitivamente não é bom, provando que o novo arranjo orquestral não combinou muito bem com a boa e velha gravação. Na verdade fizeram apenas uma intervenção sonora sem muito resultado prático. Não me convenceu em nenhum momento.

04. Don't (Leiber / Stoller) - Uma das melhores coisas desse CD é esse belíssimo arranjo que foi criado para "Don´t", outra balada gravada na sessão de despedida de Elvis antes de ir para a Alemanha servir o exército americano. Devo dizer que ficou muito bom, mas com alguns probleminhas. O novo coro feminino ficou muito incisivo em minha opinião. A original era mais sutil e delicada. Curiosamente o trabalho dos Jordanaires foi preservado. A razão é fácil de entender. Nos anos 50 uma das principais características das gravações de Elvis era a presença desse ótimo quarteto vocal. Retirá-los era, além de tecnicamente muito complicado, pois suas vozes foram gravadas no mesmo canal da voz principal (a de Elvis) como também tiraria seu sabor nostálgico, o que em canções como essa é praticamente tudo.

05. I Just Can't Help Believin' (Mann / Well) - Escrevi recentemente sobre "I Just Can't Help Believin'" em outro artigo. Acho uma música romântica maravilhosa, standart, que jamais teve o reconhecimento merecido. Entre tantas versões existentes os produtores acertaram em usar a master ao vivo que foi lançada no disco original da trilha "That´s The Way It Is". Isso trouxe alguns problemas, pois canções ao vivo nem sempre são tecnicamente perfeitas, principalmente no fator tempo, mas os ingleses fizeram um belo trabalho, consertando sutilmente seus pequenos erros. E assim como aconteceu com "Suspicious Minds" resolveram preservar parte do arranjo original - principalmente no arranjo de metais de Las Vegas. O vocal feminino foi modificado, o que não me deixou plenamente satisfeito, pois as cantores de palco de Elvis eram extremamente talentosas. Em termos gerais gostei desse novo arranjo, pois preservou o que era possível da bela gravação de 1970. De qualquer forma, apesar dessas nuances, esse momento é certamente um ponto positivo nesse novo CD.

06. Just Pretend (Guy Fletcher / Douglas Flett) - A nova versão de "Just Pretend" seguiu basicamente as linhas básicas da gravação original. A diferença principal é que um fundo incidental, muito discreto e elegante, foi adicionado. Um violão muito sensível, em dedilhado quase inaudível, também foi um belo acréscimo. De maneira em geral considerei essa uma das melhores versões desse novo CD, basicamente por ter sido bem respeitosa em relação ao que ouvimos no álbum "That´s The Way It Is". Isso prova que Felton Jarvis fez realmente um grande trabalho em 1970, sem necessidade de muitas mudanças agora.

07. Love Letters (Edward Heyman / Victor Young) - "Love Letters" que vem logo a seguir, por outro lado, já sofreu maiores modificações. Curiosamente já li muitos textos afirmando que os arranjos desse álbum de Elvis ficaram terrivelmente datados com os anos - será mesmo? Os produtores desse CD certamente trocaram a orquestra original pela Filarmônica britânica - saem os antigos instrumentos e entram os novos. Porém se formos pensar bem a linha base de melodia segue sendo a mesma, apenas com um arranjo mais bem elaborado, mais sutil e elegante. Curiosamente os produtores também resolveram adicionar um novo grupo feminino em destaque, eliminando a participação original das vocalistas de Elvis. Ficou bom, tenho que admitir.

08. Amazing Grace (John Newton) - O tradicional gospel "Amazing Grace" sempre foi um dos preferidos de Elvis. Ele tinha grande reverência por essa música. Aqui eu notei que foi escrito um belo arranjo de introdução, mas penso que a transição para a versão original de Elvis se fez de forma muito abrupta, quase um susto! Os produtores deveriam seguir por uma transição menos impactante, afinal essa é uma canção reflexiva, de teor religioso, quase uma oração! De qualquer maneira a decisão de manter o grupo vocal que gravou ao lado de Elvis foi acertada - ao que parece se tornou impossível separar os vocais de Elvis dos de seus grupos de apoio. Melhor para o ouvinte, que assim toma maior contato, mesmo que indiretamente, com a gravação do álbum "He Touched Me". Certas gravações são mesmo para sempre!

09. Starting Today (Don Robertson) - "Something for Everybody" de 1961 é um dos mais belos trabalhos da discografia de Elvis Presley. Sempre achei um disco que foi muito subestimado, nunca ganhando o devido reconhecimento. Por essa época Elvis havia adotado um estilo vocal muito suave e terno que deu uma beleza incomum a todas as canções desse disco. Aqui os produtores resolveram resgatar a bela balada "Starting Today". Eu sempre vou preferir a versão original, em todos os aspectos, porém não deixarei de elogiar essa nova versão. Conseguiram o ideal: manter a beleza original acrescentando um arranjo que serve basicamente para realçar a beleza da melodia. Um ponto positivo desse CD, sem dúvida.

10. Kentucky Rain (Eddie Rabbitt) - "Kentucky Rain" nunca foi das minhas canções preferidas de Elvis. Seu arranjo original nunca foi muito bem realizado. Aqui nessa nova orquestração a música certamente ganhou mais consistência. O curioso é que esse feeling instrumental me soou tão anos 80! Não sei se todos perceberam isso, mas esses novos instrumentos poderiam muito bem estar em qualquer álbum de uma daquelas bandas de um sucesso só, que se tornaram tão comuns naquela década. Melhorou, certamente melhorou, mas com esse estilo 80´s, tudo me pareceu também um pouco datado. Arranjaram espaço até para uma bateria eletrônica... quem diria.

11. Memories (Davis / Strange) - "Memories" vem logo a seguir. Essa canção foi gravada especialmente por Elvis para seu especial de TV no canal NBC, conhecido como "Comeback Special". Em minha visão essa música já ganhou sua orquestração definitiva, que foi justamente a da gravação original. Não precisava fazer mais nada. Os produtores desse novo CD provavelmente pensaram dessa mesma forma pois apesar de toda a instrumentação ter sido substituída, tudo no final das contas ficou igual. Assim a palavra chave aqui é desnecessária. Não há necessidade nenhuma de tirar os músicos originais para colocar novos músicos executando praticamente o mesmo arranjo de 1968. Completamente desnecessário.

12. Let It Be Me (Curtis / Pierre) - Como sabemos a versão original de "Let It Be Me" do álbum "On Stage" foi gravada ao vivo. Penso que tentar colocar novos arranjos em versões ao vivo é um erro e tanto, pois não se trata apenas da performance do vocalista, mas também da sua banda, todos absorvendo as energias do público. Até mesmo os pequenos erros contam a favor em se tratando de gravações ao vivo. É tudo um grande complexo de fatores. Assim os produtores aqui erraram feio. Isolaram a voz de Elvis da reação do público, de seu grupo de apoio e com isso tiraram a alma dessa faixa. Era preciso fazer algo assim? Não, não era. Além disso se equivocaram com alguns instrumentos, como por exemplo, essa maldita bateria eletrônica dos anos 80 (que aqui volta a assombrar). O que Elvis e sua música tem a ver com os plastificados anos 80? Nada, absolutamente nada. Prefira a versão original do disco ao vivo gravado em Las Vegas e nada mais.

13. Always on My Mind (Mark James / Wayne Carson / Johnny Christopher) - Já "Always on My Mind" até que ficou bonita. Gostei da introdução mais bem trabalhada, parecendo até uma pequena canção de ninar. Apesar dos bons arranjos dessa nova instrumentação o problema se repete. Os produtores ficaram com receio de modificar muito a versão original que é, queiram ou não, um standart da música popular americana. Optando novamente pelo "novo, mas igual", seguiram basicamente as diretrizes da gravação original de Elvis, até mesmo nas linhas de acompanhamento e nos instrumentos de destaque. As únicas modificações aliás foram mesmo na introdução (bonita, repito) e nas linhas finais, que a despeito dos violinos bem executados, continuam na mesma levada do single de 1972. Dois pequenos detalhes que não justificam a existência dessa nova versão.

14. The Wonder of You (Baker Knight) - Pois bem, finalizando a análise das canções desse novo CD de Elvis Presley vou tecer os últimos comentários sobre essas novas versões. O CD oficial, na versão comercial simples, termina com duas faixas. A penúltima é "The Wonder of You", A versão original, gravada ao vivo, foi lançada no disco "On Stage - February 1970". Como eu já escrevi antes essa situação de remodelar versões gravadas no palco sempre me soou bem equivocada. Quando se isola o vocal do cantor, retirando da faixa os demais membros da banda e a reação do público, muita coisa se perde. É um processo de perda, impossível negar. De todas essas novas versões remodeladas essa nova de "The Wonder of You" foi uma das que mais me desagradaram. O som saiu excessivamente metálico da nova sala de edição. A música que tinha um arranjo opulento, forte, grandioso, perdeu grande parte de sua força. Embora, como em todas as demais versões, essa seja também seja creditada com a participação da Royal Philharmonic Orchestra, o fato inegável é que poucos instrumentos foram acrescentados. Tudo me pareceu bem errado, da primeira à última nota. Definitivamente não gostei.

15. Just Pretend (Guy Fletcher / Douglas Flett) - O CD, em sua edição standart, se encerra com mais uma versão moderna de "Just Pretend". Dessa vez temos um dueto com a cantora Helene Fischer. Ela canta bem, em um estilo country Nashville que muito provavelmente Elvis apreciaria. Desde "Duets" com Frank Sinatra, essa fórmula tem dado muito certo. Geralmente são essas faixas de duetos que conseguem espaço nas rádios, trazendo de novo esses grandes cantores de volta às paradas. De maneira em geral, apesar de achar duas versões de Just Pretend em um mesmo CD, algo meio excessivo, até que me agradei. Não é algo para bater palmas ou ficar admirado, mas não aborrece. No mínimo é curioso e agradável.

Bonus Songs - Além da edição standart o CD também ganhou outra edição de luxo intitulada "Deluxe version". Essa saiu apenas nos Estados Unidos e Europa e traz mais duas outras faixas como bonus songs: "You Don't Have to Say You Love Me" e "You Gave Me a Mountain". A primeira foi lançada originalmente no excelente disco "That´s The Way It Is", fechando o lado A do antigo vinil. Já a segunda é a nossa velha e boa versão retirada do disco "Aloha From Hawaii". Para o fã veterano não há grandes novidades. Já para os que estão chegando agora, na condição de marinheiros de primeira viagem, nunca é demais a inclusão de grandes músicas como essas, pois certamente vão despertar a atenção deles, que assim irão em busca do material original, girando a roda de renovação de fãs na nova geração.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Alien: Covenant

Sinceramente falando fiquei bem decepcionado com esse novo filme da franquia Aliens. Tudo bem, antes de assistir ao filme vi várias reações negativas aqui e acolá, o que me fez baixar as expectativas, porém não pensei que seria tão decepcionante. O filme tem muitos problemas, mas o pior mesmo é ver como seu roteiro é fraco e sem novidades. Qualquer episódio de uma série como "Star Trek" supera e muito esse filme em termos de ideias e originalidade. É até complicado perceber como um cineasta tão talentoso como Ridley Scott conseguiu realizar um filme tão mediano e insosso como esse! Certa vez um famoso crítico de cinema americano disse que o auge de um diretor só dura 10 anos, no máximo. Após conferir esse novo Alien e perceber no abismo em que Ridley Scott entrou, estou praticamente convencido disso.

O enredo é banal até dizer chega! Acompanhamos a longa viagem de uma nave de colonização chamada Covenant. Ela está levando mais de dois mil colonos para um planeta distante, bem parecido com a Terra. O único tripulante a bordo que não está em casulo e hibernação é um ser sintético denominado Walter (Michael Fassbender), Tudo transcorre muito bem, até que a nave passa por uma tempestade estelar e aí as coisas começam a dar bem errado. Para evitar um desastre maior o próprio sistema da espaçonave desperta a tripulação. O capitão está morto e um novo comandante, sem muita experiência de comando, assume. Ele é inseguro e não conta com a confiança dos demais tripulantes. Pior do que isso, ele comete um erro fatal ao desviar a nave, indo para um planeta próximo, onde um sinal foi detectado. Inicialmente o lugar parece muito adequado para a vida dos seres humanos, só que algumas coisas estranhas chamam a atenção. Entre elas a completa ausência de formas de vida. Nem pássaros, nem insetos, nada parece viver ali. O que teria acontecido?

Lendo esse pequeno resumo da estória você logo perceberá que a trama não tem nada de original. Esse tipo de enredo já foi usado à exaustão em centenas de outros filmes ao longo dos anos. E se você já viu pelo menos um filme dessa franquia Aliens já sabe que tudo é mero pretexto para criar o clima do surgimento das criaturas alienígenas. Infelizmente isso é basicamente tudo. Não existem grandes novas ideias no roteiro e nem há nada de muito interessante acontecendo. Talvez a única coisa realmente boa seja um duelo intelectual que nasce do encontro entre dois sintéticos, do mesmo modelo, mas de gerações diferentes. O mais velho criou uma consciência própria, com forte personalidade. Já o mais novo é mais isento de emoções e não contesta a superioridade dos seres humanos. Ambos são interpretados por Michael Fassbender, e vamos convir que ele está muito bem em cena. Acabou salvando o filme no quesito atuação porque o resto do elenco é bem fraco e todos os demais personagens passem longe de serem interessantes. As personagens femininas passam o tempo todo dando gritos e com cara de choro. Deu saudades da Tenente Ripley! Confesso que fiquei entediado em vários momentos, pois o roteiro tem problemas de ritmo. Some-se a isso a falta de novidades e a ausência de uma trama mais interessante e você terá realmente um quadro completo do tamanho da decepção.

Alien: Covenant (Idem, Estados Unidos, 2017) Direção: Ridley Scott / Roteiro: Jack Paglen, John Logan, baseados nos personagens criados por Dan O'Bannon e Ronald Shusett / Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup / Sinopse: O jovem capitão de uma nave colonizadora decide sair de sua rota para investigar um sinal de rádio que foi enviado de um planeta próximo. Ao chegar lá ele descobre que a nave Prometheus, desaparecida há anos, caiu naquele distante mundo. O pior porém ele descobrirá depois, quando uma criatura desconhecida começa a devorar todos os seus tripulantes.

Pablo Aluísio.

Entre o Amor e o Pecado

Título no Brasil: Entre o Amor e o Pecado
Título Original: Forever Amber
Ano de Produção: 1947
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Otto Preminger
Roteiro: Philip Dunne, Ring Lardner Jr
Elenco: Linda Darnell, Cornel Wilde, Richard Greene, George Sanders, Jessica Tandy, Glenn Langan

Sinopse:
Durante o reinado de Charles II da Inglaterra, uma camponesa chamada Amber St. Clair (Linda Darnell) se apaixona pelo aventureiro e corsário Bruce Carlton (Cornel Wilde). Seguindo seu coração, ela decide segui-lo até Londres, onde ela toma contato pela primeira vez com a corte real. Seu amado vai para o mar e a deixa, mas Amber não desiste. Embora venha a se relacionar com outros nobres ao longo do anos, ela jamais consegue esquecer o grande amor de sua vida. E passa a esperar pela chance de voltar um dia aos seus braços.

Comentários:
Filme romântico muito bem produzido. É um romance de época, passado no século XVII. Isso significa ter uma bela produção, com excelentes figurinos. Tão caprichado é o filme que conseguiu ser até mesmo indicado ao Oscar na categoria de Melhor Música (de autoria de David Raksin). O roteiro também é muito bem escrito, explorando uma época particularmente complicada da história da Inglaterra. Há uma guerra civil a ser superada, um rei com problemas e a presença da peste negra, matando milhares de pessoas por todo o reino. É justamente nesse cenário de caos que a bela donzela Amber (em boa interpretação de Linda Darnell) tenta viver. Ela é o que hoje em dia poderia se chamar de "alpinista social". De origem humilde ela começa a se relacionar com nobres ricos e poderosos, incluindo um Duque bem mais velho do que ela, com quem acaba se casando. Seus bons contatos sociais a levam até mesmo ao rei Charles II (Sanders) que não perde a oportunidade de cortejá-la! Seu coração porém pertence apenas a um homem, um corsário, um capitão de caravelas que passa mais tempo nos mares do que em casa. Ela tem um filho dele e jamais o esquece, embora seu romance seja cheio de sobressaltos e dramas. No geral é um daqueles romances ao velho estilo que merecem uma revisão. Tudo muito bem trabalhado, escrito, ambientado. O enredo original vem de um romance vitoriano escrito pela autora Kathleen Winsor. Tudo muito romântico e dramático, especialmente indicado para o público feminino, que certamente vai apreciar bastante esse bom drama romântico de época. Um filme até mesmo inspirador, para corações apaixonados que não desistem de viver o grande amor de sua vida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 28 de maio de 2017

O Último Malfeitor

Título no Brasil: O Último Malfeitor
Título Original: Bad Men of Tombstone
Ano de Produção: 1949
País: Estados Unidos
Estúdio: King Brothers Productions
Direção: Kurt Neumann
Roteiro: Philip Yordan, Arthur Strawn
Elenco: Barry Sullivan, Marjorie Reynolds, Broderick Crawford, Fortunio Bonanova, Guinn 'Big Boy' Williams

Sinopse:
Durante a corrida do ouro, no velho oeste americano, um cowboy chamado Tom Horn (Barry Sullivan) chega em Tombstone. Durante um assalto ele é confundido com um dos bandoleiros e é preso. Alegando ser inocente das acusações, ele tenta provar sua inocência, mas só conseguirá isso se sair da prisão. Para sua fuga conta com seus companheiros que o salvam de ser enforcado injustamente.

Comentários:
Antigo western, lançado originalmente na década de 1940, que recentemente chegou nas lojas americanas em uma edição especial da Warner Bros. Infelizmente não temos nenhuma notícia sobre o lançamento desse DVD no Brasil. De qualquer forma esse faroeste B sempre é bastante lembrado no círculo de colecionadores. O filme fez tanto sucesso em sua época que virou até mesmo revista em quadrinhos. Como sabemos havia muitas adaptações de personagens do cinema para o mundo dos comics (a nona arte) e isso se refletiu também no Brasil onde uma revistinha mensal explorou essa mesma adaptação. Em termos de roteiro, como era de se esperar, existe a sempre presente dualidade dos personagens, entre os mocinhos e os bandidos. O curioso de "Bad Men of Tombstone" é que isso não é assim tão transparente. Parece existir uma intenção nesse roteiro de confundir mesmo o espectador, o que não deixa de ser algo muito positivo para um filme dos anos 40. Já naquela época os escritores procuravam fugir um pouco do lugar comum.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Santa Helena - Flavia Iulia Helena

Flavia Iulia Helena era filha de uma modesta família da Ásia Menor, onde hoje se localiza a Turquia. Apesar de sua origem plebeia sua vida mudou quando conheceu o general e político romano Constâncio Cloro. Ele se encontrava naquela província em função de sua posição dentro do império romano. Com Helena teve um filho a que chamou Constantino, que se tornaria o futuro imperador de Roma. Os historiadores ainda debatem se Helena foi ou não casada com Constâncio, uma vez que seu relacionamento logo chegou ao fim pois ele se casou com a filha do imperador Maximiano, deixando Helena para trás. 

Provavelmente sua origem em uma família modesta seja fruto desse acontecimento. Para Constâncio era mais proveitoso se casar com uma mulher influente dentro do império. O tempo porém passou, Constâncio morreu e seu filho com Helena se tornou o único imperador. Constantino atribuiu sua vitória a um acontecimento de ordem sobrenatural. Enquanto marchava para vencer as tropas inimigas ele viu uma cruz no céu. Uma voz divina então lhe disse "Com esse símbolo vencerás". Constantino então mandou seus soldados pintarem o símbolo da cruz em seus escudos e acabou se tornando vencedor da guerra pelo trono de Roma. Tal como havia sido profetizado.

O imperador Constantino foi figura central nos primeiros anos do Cristianismo porque ele iria tornar essa a religião oficial do Império. Sua mãe Helena também foi uma figura extremamente importante. Ela se tornou uma devota cristã e já envelhecida, aos 80 anos de idade, resolveu viajar até Jerusalém em busca dos locais sagrados e de relíquias envolvendo a história de Jesus Cristo. Na Terra Santa ela localizou o lugar onde Jesus foi crucificado e mandou erguer uma grande igreja no lugar. Também localizou vários outros lugares importantes para o cristianismo, mandando construir templos nos mesmos lugares onde os eventos descritos no evangelho aconteceram. 

Mais do que localizar os pontos mais importantes da história do cristianismo em seus primeiros séculos, Helena também conseguiu achar a cruz que foi usada na crucificação de Jesus. Ela havia sido escondida pelos primeiros cristãos em uma velha pedreira usada por judeus e romanos no século I. Foi uma descoberta histórica. Helena então mandou levar tudo para Roma. Ainda hoje o "títulus", a inscrição que Pôncio Pilatos mandou escrever para colocar acima da cruz que dizia "Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus", ainda se encontra em uma igreja católica romana que foi erguida onde se localizava o antigo palácio de Helena na cidade. Dois anos após essa viagem histórica, extremamente importante para o cristianismo, Helena morreu em Roma, feliz por ter encontrado tantos lugares e relíquias sagradas da vida de Jesus Cristo em Jerusalém. 

Pablo Aluísio.

sábado, 27 de maio de 2017

Uma História de Vingança

Ninguém pode acusar o ator Nicolas Cage de não tentar levantar sua carreira. Ano após ano Cage está sempre na ativa, tentando alcançar o sucesso perdido. Agora ela tenta novamente, dessa vez usando uma antiga fórmula, tirada lá dos velhos filmes de Charles Bronson dos anos 70. Se você pensou em "Desejo de Matar", acertou em cheio! É mais um roteiro que explora a figura do policial que indignado pelas falhas do sistema judiciário resolve fazer justiça com as próprias mãos. O curioso é perceber que apesar de ser algo bem batido ainda consegue funcionar em certos momentos.

Vamos ao enredo: Nicolas Cage interpreta um policial veterano do departamento de polícia da cidade de Niagara Falls, um conhecido point turístico. Quando uma jovem viúva é estuprada por um grupo de vagabundos locais, ele entra no caso. Sua indignação e envolvimento pessoal se tornam maiores porque os estupradores cometeram seu crime na presença da pequena filha da vítima, uma garotinha de apenas 10 anos de idade. Após identificar cada um deles, todos são presos e levados para julgamento. Entra em cena então um advogado sem escrúpulos interpretado por Don Johnson, que acaba inocentando todos eles. Usando das velhas brechas da lei, todos são então libertados e recomeçam a incomodar a vítima e sua filha.

Bom, com esse tipo de estória você já deve ter percebido o que aconteceria dali em diante. Cage resolve literalmente limpar as ruas daqueles estupradores e criminosos. Um aspecto curioso é que o roteiro não se foca completamente no policial interpretado por Nicolas, mas sim na família da vítima e nos próprios criminosos. Dessa forma Nicolas Cage está sempre em segundo plano, aparecendo apenas para fazer sua "limpeza social". No final das contas, colocando tudo na balança e fazendo uma análise mais fria, o que temos aqui é apenas um banal filme policial que requenta velhas fórmulas. Poderia muito bem ser um filme de Charles Bronson, como já citei. Paradoxalmente, mesmo assim não deixa de ser uma boa diversão. Pelo visto a figura do justiceiro (ou vigilante, como dizem os americanos) ainda tem seu apelo junto ao público espectador.

Uma História de Vingança (Vengeance: A Love Story, Estados Unidos, 2017) Direção: Johnny Martin / Roteiro: John Mankiewicz, baseado no romance policial escrito por Joyce Carol Oates / Elenco: Nicolas Cage, Don Johnson, Anna Hutchison, Talitha Bateman / Sinopse: Policial fica indignado após presenciar um grupo de estupradores sendo inocentados pela justiça. Após ser informado que além de estarem soltos pelas ruas eles ainda recomeçaram a importunar a vida da vítima estuprada, decide fazer justiça com suas próprias mãos, livrando sua cidade daquela escória imunda.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Terra Prometida

A história do filme acompanha Steve Butler (Matt Damon) e sua colega Sue Thomason (Frances McDormand) que viajam até uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos. Na região há um vasto reservatório de gás natural no subsolo. Eles trabalham para uma empresa que tem planos de explorar economicamente essa reserva. Para isso porém será necessário convencer os moradores e donos de fazendas a venderem suas propriedades para a companhia mineradora, algo que não vai ser muito fácil pois ao mesmo tempo em que chegam na cidade também aparece um ecologista que lutará para que ninguém venda suas terras.

O que mais me deixou admirado nesse filme de Gus Van Sant foi seu terrível convencionalismo. Van Sant foi um dos diretores mais inovadores de sua geração, sempre explorando temas polêmicos, optando muitas vezes por uma linguagem cinematográfica inovadora. Só que aqui ele preferiu o convencional, o banal, diria até o burocrático. O filme é totalmente quadrado, sem qualquer tipo de inovação de qualquer tipo. Van Sant conta a sua história com extrema preguiça, sem maiores envolvimentos. Por tudo isso podemos dizer que esse "Promised Land" é seguramente um dos seus filmes mais enfadonhos. Quem estiver em busca do bom e velho Van Sant, do artístico e autoral Van Sant, certamente vai quebrar a cara.

O personagem principal interpretado pelo ator Matt Damon é de um bom mocismo irritante. Ele trabalha para uma companhia de exploração de combustíveis naturais, que quer explorar a região para extrair gás natural, mas acredita piamente (e estupidamente) que essa grande corporação bilionária, capitalista ao extremo, só tem intenções boas e positivas sobre as terras que deseja comprar. É ser muito bobo para convencer o espectador. Pior é saber que o ecologista que o combate também tem seus segredos. Aliás a figura desse oponente é responsável pela única reviravolta digna de surpresas dentro do enredo, porque tudo o mais é terrivelmente chatinho. Enfim, tirando um ou outro momento esse filme deixa bastante a desejar. Pelo visto o outrora rebelde e contestador Gus Van Sant virou apenas um cineasta comum... e dos mais entediantes.

Terra Prometida (Promised Land, Estados Unidos, 2012) Direção: Gus Van Sant / Roteiro: John Krasinski, Matt Damon / Elenco: Matt Damon, Frances McDormand, John Krasinski / Sinopse: Dois empregados de uma bilionária companhia mineradora vão até o interior com o objetivo de convencer os moradores a venderem suas terras. A empresa tem planos de explorar um rico manancial de gás natural que existe no subsolo. Um jovem ecologista porém também chega para convencer todos do contrário. Ele defende a ideia que a companhia já destruiu o meio ambiente de outras cidades, causando um grande desastre ambiental. Filme participante da seleção do Berlin International Film Festival.

Pablo Aluísio.

Tarzan e o Menino da Selva

Título no Brasil: Tarzan e o Menino da Selva
Título Original: Tarzan and the Jungle Boy
Ano de Produção: 1968
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Robert Gordon
Roteiro: Robert Gordon
Elenco: Mike Henry, Rafer Johnson, Aliza Gur, Steve Bond, Edward Johnson, Ron Gans

Sinopse:
Um jornalista e sua noiva viajam até a África para descobrir o paradeiro de um garoto desaparecido, o filho de um geólogo inglês famoso. Mal sabe o casal que Tarzan (Mike Henry), o Rei da Selva, já encontrou o menino. Ele estava perdido na selva. Agora Tarzan luta para mantê-lo seguro, uma vez que uma tribo nativa quer colocar as mãos nele. Na lei da selva apenas o mais forte conseguirá sobreviver.

Comentários:
Terceiro e último filme do ator Mike Henry no papel de Tarzan, o imortal personagem criado por Edgar Rice Burroughs. Ele havia estreado nos filmes de Tarzan em "Tarzan e o Vale do Ouro" em 1966, sendo seguido de sua continuação "Tarzan e o Grande Rio", um ano depois. Nenhum desses filmes conseguiu ser um grande sucesso de bilheteria. Mesmo sendo bem produzidos, com a marca de qualidade da Paramount Pictures, o fato é que o público parecia um pouco cansado do próprio personagem Tarzan. Era algo previsível pois desde os primeiros filmes com Johnny Weissmuller havia uma certa regularidade de lançamento de filmes com o Rei das Selvas. Assim a fórmula foi se desgastando naturalmente pelo excesso de filmes, ano após ano. Com Mike Henry as coisas não melhoraram muito. Seus três filmes como Tarzan até que são bons, podem ser consideradas aventuras divertidas. O problema é que Mike Henry não tinha muito nome dentro da indústria e ele mesmo não parecia confortável no papel, tendo que arcar com acidentes e problemas durante as filmagens. Em certo momento chegou a ser mordido por um chipanzé, em outro foi atacado por um touro enfurecido. Assim acabou resolvendo deixar Tarzan de lado, encerrando sua participação como o famoso herói dos livros e quadrinhos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Rio Bravo: Ricky Nelson


Rio Bravo: Ricky Nelson
Foto promocional do jovem cantor e ator Ricky Nelson no filme "Rio Bravo". Eric Hilliard Nelson ou simplesmente Ricky Nelson, foi um bem sucedido intérprete de músicas jovens, principalmente entre o final dos anos 1950 e começo dos anos 1960. Considerado uma espécie de "sucessor" de Elvis Presley, que naquele momento servia o exército americano na Alemanha, Nelson conseguiu emplacar vários sucessos na principal parada musical dos Estados Unidos, a Billboard Hot 100. No total foram mais de 50 sucessos. A partir dos anos 1970 sua carreira começou a declinar e ele foi sumindo lentamente do cenário musical. Morreu em dezembro de 1985, já praticamente esquecido de seus antigos fãs do passado.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Rua Cloverfield, 10

Esse filme ganhou várias resenhas positivas em seu lançamento. É uma espécie de spin-off de "Cloverfield - Monstro" de 2008. Caso você não tenha assistido ao primeiro filme não precisa se preocupar. A linha que une as duas histórias é muito tênue e eles podem ser assistidos separadamente, sem nenhum problema. Em certos aspectos apenas o nome Cloverfield une os dois filmes, mesmo que os roteiristas insistam no fato de que essa estória que vemos aqui corre paralelamente ao do filme original. Penso que forçaram a barra. Particularmente não vi mesmo muitas ligações diretas entre os dois enredos.

Basicamente o que temos aqui é uma trama até bem singela. Após sofrer um acidente de carro, a jovem Michelle (Mary Elizabeth Winstead) acorda no que parece ser o porão de alguém. Pior do que isso é perceber que está presa pela perna. Sua apreensão vai piorando quando ela conhece Howard (John Goodman), o dono do lugar. Ele é um veterano da marinha e aquilo é um abrigo contra ataques nucleares. Ele trouxe Michelle para aquele lugar após bater em seu carro. Ele queria salvar a vida dela. Como se tudo isso já não fosse ruim o bastante, Howard explica a Michelle que os Estados Unidos sofreram um ataque, nuclear ou químico, e por essa razão eles não podem sair do abrigo que fica debaixo de sua fazenda.

A coisa toda não a convence. Parece ser surreal que o mundo lá fora esteja sendo destruído enquanto ela fica presa com aquele desconhecido. Estaria o velho Howard falando a verdade ou tudo não seria uma mentira para ele trancafiar ela naquele abrigo? A resposta a essa pergunta o espectador só terá nos últimos minutos de filme. E ela não será tão simples ou convencional como se pode pensar. Assim o roteiro vai explorando à exaustão essa situação, ora dando pistas de que tudo seria loucura do personagem de John Goodman, demonstrando que ele estaria mentindo e de que seria na verdade algum tipo de pervertido ou maníaco, ora mostrando que há sim um fundo de verdade no que ele afirma.

É verdade que muitos não vão gostar do final do filme. Para esses é importante lembrar algumas coisas, entre elas a que esse filme faz parte da franquia Cloverfield. Isso significa que se trata de uma produção Sci-fi, embora isso não fique muito claro nas cenas iniciais do filme. Definitivamente não é um thriller de suspense comum ou nada parecido. No mais o diretor Dan Trachtenberg fez um bom trabalho, principalmente no que diz respeito ao seu elenco. Todos estão muito bem, em especial John Goodman, nunca deixando muito claro quais seriam as reais intenções de seu personagem. Com seu bom trabalho ele faz exatamente o que o roteiro pede, ou seja, deixar o espectador sem saber o que pensar até o último e definitivo momento.

Rua Cloverfield, 10 (10 Cloverfield Lane, Estados Unidos, 2016) Direção: Dan Trachtenberg / Roteiro: Josh Campbell, Matthew Stuecken / Elenco: John Goodman, Mary Elizabeth Winstead, John Gallagher Jr / Sinopse: Jovem mulher, Michelle (Mary Elizabeth Winstead), se vê acorrentada em um tipo de abrigo anti-nuclear após sofrer um acidente na estrada. Lá vive o estranho Howard (John Goodman), um veterano de guerra que diz a ela que o mundo lá fora está destruído, pois provavelmente houve um ataque nuclear ou químico. Eles precisam ficar no abrigo para sobreviver. Estaria Howard falando a verdade ou escondendo tudo para aprisioná-la naquele lugar?

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - Elvis Country - Parte 7

A música "The Fool" (literalmente em português "O Tolo") nunca se destacou dentro da discografia de Elvis. Era aquele tipo de faixa que servia para completar cronologicamente um disco. Essa gravação tem uma linha melódica singular, cantada com uma certa quebra de ritmo, sempre presente ao longo de sua execução. Só acelera um pouco depois quando Elvis tenta trazer alguma energia. Particularmente aprecio o arranjo bem country and western. Aqui a banda TCB poderia muito bem ser substituída por qualquer grupo regional das montanhas do Kentucky. Aliás seria mais do que adequada. No geral é isso, um country um pouco preguiçoso que poucos pararam para prestar maior atenção. Importante dizer também que você não deve confundir essa "The Fool" com "Fool" que é outra música, essa do álbum "Elvis" de 1973.

De qualquer forma o álbum finalmente chegou ao mercado americano em janeiro de 1971, para aproveitar o período de férias. Na época muitos criticaram o Coronel Parker e a RCA Victor por eles terem escolhido a época errada para lançar o disco que deveria ter sido lançado no natal, em dezembro de 1970, uma vez que era justamente nas festas de fim de ano que os discos de Elvis vendiam bem, muito acima da média. Esse cochilo porém acabou não atrapalhando muito as vendas do disco. Ele conseguiu chegar entre os 12 álbuns mais vendidos da seletiva lista Billboard Hot 100. Uma ótima posição para Elvis naquela época, ainda mais se tratando de um disco de música country. E na lista especializada de country music o disco se saiu ainda melhor, atingindo a sexta posição. Nada mal.

Outra boa notícia em termos comerciais para a RCA Victor foi a boa receptividade do single "I Really Don't Want to Know / There Goes My Everything" nas paradas, chegando inclusive a ser premiado com um disco de ouro. Desde o lançamento do primeiro single de Elvis nos anos 70 (com as canções "Kentuck Rain / My Little Friend") o cantor vinha em uma bem sucedida sucessão de boas vendas de seus compactos, sempre premiados com discos de ouro ou platina. Uma onda muito boa que Elvis vinha surfando desde seus primeiros shows em Las Vegas. E esse novo single não seria exceção. A má notícia para os fãs brasileiros era saber que "Elvis Country" não seria lançado em nosso país. Só nos anos 90 a filial nacional completou essa lacuna imperdoável na discografia brasileira, finalmente lançando o vinil em nosso país. Antes tarde do que nunca.

Elvis Presley - Elvis Country I'm 10.000 Years Old (RCA Victor, Estados Unidos, 1971): Elvis Presley (voz, violão e piano) / James Burton (guitarra) / Chip Young (guitarra) / Charlie Hodge (violão) / Norbert Putnam (baixo) / Jerry Carrigan (percussão e bateria) / Kenneth Buttrey (bateria) / David Briggs (piano) / Joe Moscheo (piano) / Glen Spreen (orgão) / Charlie McCoy (orgão, harmônica e percussão) / Farrel Morris (percussão) / Weldon Myrick (steel guitar) / Bobby Thompson (Banjo) / Buddy Spicher (violino, rabeca) / The Jordanaires (vocais) / The Imperials (vocais) / June Page, Millie Kirkham, Temple Riser e Ginger Holladay (vocais) / Al Pachucki (engenheiro de som) / Arranjado e produzido por Felton Jarvis e Elvis Presley / Data de Gravação: 4 a 8 de junho e 22 de setembro de 1970 nos Estúdios B da RCA em Nashville / Data de Lançamento: janeiro de 1971 / Melhor posição nas charts: #12 (EUA) e #6 (UK).

Pablo Aluísio.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Sicario: Terra de Ninguém

A fronteira entre Estados Unidos e México é seguramente um dos lugares mais violentos do mundo. É justamente essa rota que os cartéis mexicanos de drogas usam para transportar sua produção para o maior mercado consumidor de entorpecentes do mundo. Pois é, os mexicanos produzem e transportam as drogas, enquanto os americanos as consomem. Regra básica do capitalismo. Enquanto houve consumidor de um produto, haverá um produtor. Nesse campo de batalha trabalha a agente do FBI Kate Macer (Emily Blunt). Após sua equipe estourar uma casa do cartel, onde encontram corpos literalmente enterrados em suas paredes, ela aceita o convite para entrar em uma nova missão.

Esse novo grupo é comandado pelo agente da CIA Matt Graver (Josh Brolin). Ele é um sujeito experiente que sabe com quem está lidando. Por isso seu grupo é bem heterogêneo, contando inclusive com um ex-traficante barra pesada conhecido apenas como Alejandro (Benicio Del Toro). Os traficantes do cartel da fronteira mataram sua família no passado e agora ele está disposto a fazer qualquer coisa por vingança. Esses três personagens formam o trio central desse filme policial dirigido por Denis Villeneuve, novo cineasta que tem chamado bastante a atenção, principalmente por causa de seu último filme, a ficção "A Chegada", um dos melhores do ano passado.

Dizem que todo filme desse estilo precisa ter pelo menos três boas cenas. Requisito cumprido por Sicario. A primeira sequência, quando a equipe de Blunt chega na casa utilizada pelos traficantes é muito boa, com suspense e ação nas doses certas. Outra boa cena vem quando eles entram no México para levar até os Estados Unidos um parente do principal chefão mexicano. Andar naquelas ruas sendo cercados por criminosos é pura adrenalina, por si só. Por fim o filme fecha tudo com uma ótima cena final quando Del Toro finalmente tem a chance de concretizar sua vingança pessoal.

Hoje em dia fala-se muito no fracasso da guerra contra o tráfico. Que tudo deveria ser liberado para que não houvesse mais esse tipo de violência, como a que vemos no filme. Embora essa nova forma de pensar tenha alguns bons argumentos em seu favor, sou completamente contra esse tipo de pensamento. Basta ver como vivem e quais são os limites (ou a falta deles) dos que controlam esse tipo de atividade. Fora o fato de que se tudo fosse liberado a sociedade iria ter que arcar com os custos de ter que lidar com uma geração de zumbis, os próprios viciados. Lembre-se da Cracolândia. Assim embora seja algo nocivo, violento, que gera muitas mortes, a repressão ainda se faz necessária. "Sicario" mostra acima de tudo que nessa guerra nem sempre os lados estão bem delimitados. A guerra contra as drogas porém, ao contrário do que muitos dizem, pode sim ainda ser vencida.

Sicario: Terra de Ninguém (Sicario, Estados Unidos, 2015) Direção: Denis Villeneuve / Roteiro: Taylor Sheridan / Elenco: Emily Blunt, Josh Brolin, Benicio Del Toro / Sinopse: O filme acompanha um grupo de agentes do FBI e da CIA atuando na fronteira entre Estados Unidos e México. A missão deles é colocar atrás das grades o grande chefão do tráfico de drogas na região. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Fotografia (Roger Deakins), Melhor Música Original (Jóhann Jóhannsson) e Melhor Edição de Som (Alan Robert Murray).

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O Humor de Jerry Lewis - Parte 1

Sem exageros, Jerry Lewis foi certamente um dos humoristas mais populares e queridos do cinema americano. O curioso é perceber que sua ida para as telas foi quase um acaso do destino. Jerry era comediante de palco, fazia apresentações em hotéis, cassinos e restaurantes. Sua grande sacada foi se unir ao cantor Dean Martin. Jerry interpretava o pateta da dupla, enquanto seu colega era o galã, o conquistador. Desse choque de diferenças nascia a maioria das situações de humor.

A fórmula deu tão certa que a dupla foi convidada pelo produtor Hal Wallis (de "Casablanca") para aparecer no filme "A Amiga da Onça" (My Friend Irma, 1949). Era uma comédia romântica bem bobinha (mas igualmente divertida) estrelada pela atriz Diana Lynn. Era verdade que não havia muito espaço dentro do roteiro para Martin e Lewis, mas isso acabou se revelando uma vantagem e não um problema. Isso porque nas poucas cenas que tiveram para mostrar seu trabalho eles conseguiram se destacar. Mais do que isso, muitos críticos foram além, dizendo que eles tinham roubado o show, o filme, só para si.

Havia ficado meio óbvio para Hal Wallis e os executivos da Paramount Pictures que ali poderia haver uma grande oportunidade de ganhos e lucros. Afinal muitas duplas cômicas tinham feito sucesso antes no cinema como, por exemplo, O Gordo e o Magro e Abbott & Costello. Curiosamente Wallis também logo percebeu que a cabeça pensante da dupla não era Dean Martin, como muitos poderiam pensar. O verdadeiro talento para negociar contratos e impor cláusulas e condições para novos filmes vinha de Jerry Lewis. Basicamente ele havia criado aquele número e não estava disposto a abrir mão do controle artístico dos filmes em que iria atuar.

No começo Jerry Lewis abriu espaço para vários diretores, mas depois de um tempo ele mesmo assumiu a direção dos filmes, aumentando seu controle sobre tudo. Dean Martin era um sujeito bem cool, que parecia não se importar e nem se preocupar muito. Para ele o importante era que a dupla estava fazendo cinema em Hollywood, ganhando bem e com enorme potencial de sucesso nos anos que viriam. Era um sonho realizado. Já Lewis não era tão tranquilo assim. Mesmo no começo da carreira ele fazia questão de discutir os roteiros dos filmes com os diretores, sempre colocando "cacos" em sua interpretação. Nesses primeiros filmes ele ainda não havia mostrado toda a sua sede de controle, mas era apenas questão de tempo para tudo isso acontecer.

Pablo Aluísio.

A Biografia de John Wayne - Parte 5

O filme "A Grande Jornada" colocou John Wayne em primeiro plano em Hollywood. Esse filme porém não significou um pulo imediato rumo ao estrelato. Wayne ainda precisaria ralar mais um pouco para se tornar um verdadeiro astro do cinema americano. Assim seus filmes seguintes foram dramas e não faroestes. Em "Girls Demand Excitement" (sem título no Brasil, jamais lançado em nosso país), o ator voltou a interpretar um estudante, um jovem atleta da classe trabalhadora que enfrentava vários desafios em sua vida.

A diva Loretta Young seria a estrela do próximo filme de Wayne intitulado "Três Garotas Perdidas" (Three Lost Girls, 1931). Aqui John Wayne voltava aos personagens coadjuvantes nesse drama urbano sobre uma jovem mulher que se tornava vítima de um crime. Ela vinha do interior e alugava um pequeno apartamento para morar com outras duas jovens. Todas as suspeitas de autoria do crime apontavam para um arquiteto famoso que havia se envolvido com uma delas. John Wayne interpretava justamente o tal sujeito. Um filme que não teve muita repercussão, mas que serviu como aprendizado para o ator.

As coisas só melhoraram mesmo para Wayne no filme seguinte com "Estância de Guerra" (The Range Feud, 1931). Aqui ele retornava para os filmes de western nessa produção estrelada por Buck Jones, um ator que na época disputava o título de ator cowboy mais popular do cinema com Tom Mix, a quem Wayne procurava seguir os passos. O filme obviamente tinha um roteiro muito simples, com bandidos e mocinhos bem delimitados, o que era próprio para um faroeste de matinê. Depois dessa produção o ator chegou na conclusão que se continuasse a aparecer em papéis secundários jamais conseguiria atingir seus objetivos.

Por essa razão ele recusou várias propostas de trabalho que pareciam não colaborar muito para o avanço de sua carreira. O ator parecia firme no sentido de só aceitar novos filmes em que ele próprio fosse o protagonista. "Águia de Prata" (The Shadow of the Eagle, 1932) era o tipo de filme que ele procurava na época. Dirigido por Ford Beebe e produzido pelo estúdio Mascot Pictures, nessa película Wayne interpretava Craig McCoy, um piloto pioneiro, veterano da I Guerra Mundial, que decidia montar sua pequena companhia aérea. Aviador inteligente ele acabaria sendo o primeiro piloto da história a colocar um rádio de comunicação em sua aeronave. Um filme muito bom, com roteiro bem escrito e ótimas cenas de aviação. Justamente o que John Wayne estava buscando em sua carreira.

Pablo Aluísio.

domingo, 21 de maio de 2017

Fome de Poder

Dois irmãos do interior decidem fugir da pobreza e da falta de emprego onde moram e se mudam para San Bernardino na Califórnia. No começo eles se dão mal em uma série de pequenas empresas que não dão certo. Então decidem abrir uma lanchonete. Um deles resolve inovar no atendimento, criando um sistema rápido, onde o cliente não ficaria muito tempo esperando por seu lanche. A ideia acabou dando certo e eles denominaram seu empreendimento de McDonald's!

Apesar desse começo promissor os dois irmãos não vão muito longe. A lanchonete, embora muito eficiente, não consegue passar de ser uma pequena pequena empresa familiar onde eles tiram seu sustento. Tudo muda porém com a chegada de Ray Kroc (Michael Keaton). Ele é um vendedor de porta em porta que está tendo dificuldades de vender sua máquina de fazer milk shake. Ray fica impressionado com o método de venda dos irmãos McDonald's  e decide se unir a eles, criando uma rede de franquias que se tornaria mundial e elevaria a marca comercial McDonald's ao patamar de ser uma das maiores do mundo dos negócios.

O enredo desse filme, baseado em fatos reais, é extremamente interessante. É uma história que desconhecia. Não sabia, por exemplo, que a rede mundial de fast food McDonald's tinha tido um começo tão modesto. O roteiro então explora essa metamorfose de uma pequena lanchonete de dois irmãos caipiras a uma potência do ramo de alimentação. A figura central nessa jornada de sucesso absoluto no ramo comercial se deveu e muito a um sujeito meio inescrupuloso, ganancioso e muito esperto. O Ray Kroc interpretado por Michael Keaton é um achado, um dos personagens mais interessantes já explorados pelo cinema nesses últimos anos.

É óbvio que em muitos momentos percebemos um certo malabarismo do filme em tentar esconder as canalhices de Kroc, como por exemplo, quando ele começa a passar a perna nos irmãos McDonald's, mas isso se torna secundário diante das próprias qualidades do filme. A história começa a ser contada em 1954, quando Kroc teve um estalo de que poderia ganhar muito dinheiro com aquele sistema de vendas de comida fast food. Aliás essa expressão seria criada por ele. Um tipo de alimentação rápida, barata e gostosa. Claro que também nada saudável, o que criaria nos Estados Unidos (e no mundo) uma geração de pessoas obesas e doentes. Isso porém nem é discutido no roteiro. Para Kroc o que importava era mesmo os negócios e sob esse ponto de vista ele foi certamente um vencedor. Afinal de contas no mundo do capitalismo selvagem americano o que conta realmente são os lucros milionários, acima de tudo!

Fome de Poder (The Founder, Estados Unidos, 2016) Direção: John Lee Hancock / Roteiro: Robert D. Siegel / Elenco: Michael Keaton, Laura Dern, Patrick Wilson, Nick Offerman, John Carroll Lynch / Sinopse: Ray Kroc (Michael Keaton) é um vendedor de máquinas de milk shake que acaba conhecendo a lanchonete McDonald's, um pequeno estabelecimento comercial que vende lanches. De propriedade de dois irmãos do interior, Kroc então tem a excelente ideia de vender franquias daquele comércio, criando assim uma das maiores redes de alimentação de todo o mundo.

Pablo Aluísio.

sábado, 20 de maio de 2017

Elvis Presley - Elvis Country - Parte 6

A melhor versão de "It's Your Baby You Rock It" você não ouvirá no disco oficial lançado em 1970. O melhor take dessa gravação foi lançado muitos anos depois na caixa "Walk a Mile in My Shoes: The Essential '70s Masters". Nesse box finalmente ouvimos a versão que deveria ter sido a master, bem completa e com ótimo arranjo. De qualquer forma essa é uma faixa que não se destacou como merecia dentro da discografia de Elvis. Também composta pelo autor Shirl Milete, da estranha "Life", ele aqui foi mais convencional, menos esquisito. Sua maior qualidade é de fato a melodia, dando destaque para os solos do guitarrista James Burton. O interessante é que Elvis a gravou originalmente, porém a RCA Victor não trabalhou na música. Assim acabou não se tornando um sucesso. Uma pena.

"I Really Don't Want To Know" é seguramente uma das melhores músicas do repertório de "Elvis Country".  Essa linda balada country foi composta por Don Robertson. Esse compositor era velho conhecido na discografia de Elvis. Chegou a compor uma canção para o primeiro disco do cantor, em 1956. A faixa era "I´m Couting on You". Depois seguiu compondo para Elvis ao longo dos anos. Especialmente nos anos 60 escreveu lindas canções românticas como  "There's Always Me" e "Starting Today". Era um pianista talentoso, criador de melodias maravilhosas. A versão original dessa faixa do "Elvis Country" porém não foi escrita para Elvis, mas sim para Eddie Arnold. Lançada como single em 1954 acabou se tornando bem conhecida no sul. De certa maneira chamou a atenção de Elvis, ainda na sua juventude, quando ainda dava os primeiros passos em sua vida profissional como cantor.

"Faded Love" nunca foi muito conhecida. Também nunca se tornou um sucesso na carreira de Elvis. Era uma velha canção country, lançada originalmente por Bob Wills and The Texas Playboys em 1950. Elvis sempre ouviu muito rádio, principalmente em sua juventude. Por isso acabou se lembrando dessa antiga gravação, uma representante tardia do gênero Western swing. A letra era uma lembrança emocional e nostálgica de Bob Wills em relação ao seu pai falecido. Nada de amores impossíveis, como muitos pensam. Patsy Cline, uma cantora que Elvis particularmente apreciava, também fez sua versão em 1963.

Outro country dos anos 60 foi "There Goes My Everything". Em 1965, ainda sob efeitos da Beatlemania, o cantor regional Dallas Frazier lançou seu single, conseguindo um sucesso espantoso para uma música country, ainda mais naquela época onde o rock vivia uma de suas fases de maior impacto dentro das paradas. Ele logo chamou a atenção de Elvis, que estava sempre sintonizando as estações de rádio country de Memphis. Acabou apreciando muito a música e quando teve a chance registrou sua versão pessoal. O interessante é que Elvis imprimiu um tom bem dramático em sua gravação, algo que beirava a sacralidade. Talvez por apresentar essa característica a canção nunca se tornou uma unanimidade entre os fãs. Na Inglaterra fez um sucesso inesperado na voz de Elvis, chegando na sexta posição entre os singles mais vendidos. E Elvis não desistiu dela, fazendo uma nova gravação de sua melodia, com uma letra gospel, chamada de "He Is My Everything". Pelo visto ele tinha mesmo um carinho especial por essa composição.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Horizonte Profundo - Desastre no Golfo

Título no Brasil: Horizonte Profundo - Desastre no Golfo
Título Original: Deepwater Horizon
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Summit Entertainment
Direção: Peter Berg
Roteiro: Matthew Michael Carnahan, Matthew Sand
Elenco: Mark Wahlberg, Kurt Russell, John Malkovich, Kate Hudson, Douglas M. Griffin, Ethan Suplee

Sinopse:
Com roteiro baseado em fatos reais, o filme mostra um momento decisivo na vida de Mike Williams (Mark Wahlberg), um homem feliz, bem casado, que adora sua pequena filha de 10 anos. Ele tem um emprego numa estação de extração de petróleo no golfo da Louisiana. Durante um teste padrão algo sai errado e tudo termina em um grande desastre, quando a estação sofre um enorme incêndio.

Comentários:
Esse estilo de filme, chamado pelos americanos de "Disaster Movies" e de "Cinema catástrofe" por nós, brasileiros, é um velho conhecido dos cinéfilos. Muitos deles são baseados em fatos reais, grandes tragédias que marcaram época. Esse é o caso aqui. O filme foi baseado no enorme incêndio que atingiu a estação "Deepwater Horizon". Nessa trama três personagens são bem centrais. O protagonista é um técnico de manutenção, interpretado por  Mark Wahlberg. Esse é o único personagem que é mais bem desenvolvido pelo roteiro, mostrando sua vida familiar, aspectos de sua vida pessoal. O outro é o chefe de segurança Jimmy Harrell (Kurt Russell). Ele é um profissional respeitado, premiado, por ser linha dura na segurança dos lugares onde trabalhou. É o único que bate de frente com a companhia, cujos interesses são defendidos por Mark Vidrine (John Malkovich), um supervisor que quer a estação funcionando à toda, para evitar custos e perda de dinheiro. O problema é que ainda não há certeza sobre a segurança dos equipamentos. Durante um teste de pressão da broca de exploração profunda tudo sai do controle. Depois que o fogo se alastra tudo se resume na busca pela sobrevivência naquele inferno de chamas, que para piorar tudo é localizado em alto-mar. Os efeitos especiais são bons, a produção idem, porém não consegui me empolgar em nenhum momento. Acredito que em termos de dramaticidade e emoção o filme deixe a desejar. Não empolga mesmo. Em muitos momentos soa burocrático. De interessante mesmo apenas as cenas finais quando somos apresentados às pessoas reais, aos sobreviventes. Vale por registrar essa história, mas como puro cinema não chega a emocionar. Falta mesmo emoção nessa obra. Uma pena.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Os Filmes de Montgomery Clift - Parte 2

Montgomery Clift sempre teve um relacionamento muito complicado com seu pai. Isso se referia à sua vida pessoal e profissional. O pai queria que Monty arranjasse um trabalho convencional, que estudasse para ser advogado ou médico. Monty não queria saber de passar sua vida dentro de um consultório ou escritório. Ele queria atuar. O pai achava que ser ator era algo completamente indigno, até vergonhoso. Atuação era coisa de prostitutas e vagabundos na mente dele. Monty porém via isso como uma visão grotesca e antiga, que sequer merecia comentários. Por isso resolveu ser ator em Nova Iorque. Estudar para isso.

Em relação à vida amorosa também havia muitos conflitos. O pai queria que ele se casasse, que formasse uma família. Monty detestava essa ideia. Na verdade ele não queria ser como seu pai, tendo uma vida completamente enfadonha, vivendo de migalhas em um casamento infeliz. Tão ruim era a ideia do casamento que Monty jamais se casaria. Ele adorava ser solteiro, explorar outras possibilidades. Além disso o que ele menos desejava era uma esposa mandona, que o controlasse. A vida de casado era completamente fora de seus planos. E obviamente isso o levou a ter brigas e mais brigas com o pai, até o dia em que o ator viu que era hora de morar sozinho. Ele alugou um apartamento em Nova Iorque foi à luta.

Depois de passar por um exame extremamente concorrido finalmente foi aceito no Actors Studio. Essa foi uma escola lendária de arte dramática, fundada por Elia Kazan e outros grandes professores e diretores, tanto de teatro como de cinema. Estudando e trabalhando em peças pela cidade, Monty foi firmando sua reputação como ator talentoso e profissional. Sempre era pontual nos ensaios e nunca esquecia suas falas. No Actors Studio conheceu Marlon Brando. O colega estava indo para Hollywood, após se consagrar nos palcos de teatro de Nova Iorque. Monty não tinha, pelo menos naquele momento, esse tipo de ambição. Ele queria antes se tornar um grande ator de teatro, para só depois, quem sabe, virar um ator de cinema.

Isso duraria pouco. Monty era um ator profissional e vivia de seu trabalho. Sempre que surgia uma boa proposta de trabalho ele tinha que levar em consideração. Em 1948 um produtor de Hollywood chamado Lazar Wechsler entrou em contato com a agente de Monty em Nova Iorque. Ele queria contratar o ator para atuar no filme "Perdidos na Tormenta" que seria dirigido por Fred Zinnemann. O cachê era excepcionalmente bom, o equivalente a quatro meses de trabalho duro como ator de teatro em Nova Iorque. Monty engoliu todas as reservas que tinha contra os filmes e pegou o primeiro avião para a costa oeste. Ele estava prestes a fazer seu primeiro filme na cidade, algo que definitivamente mudaria sua vida dali em diante. 

Pablo Aluísio.  

Rebelião em Dakota

Título no Brasil: Rebelião em Dakota
Título Original: The Black Dakotas
Ano de Produção: 1954
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Ray Nazarro
Roteiro: Ray Buffum, DeVallon Scott
Elenco: Gary Merrill, Wanda Hendrix, John Bromfield, Noah Beery Jr, Howard Wendell, James Griffith

Sinopse:
O presidente Lincoln decide amenizar a crise com as nações indígenas do oeste. Em plena guerra civil ele envia um emissário para os territórios da nação Sioux para propor um tratado de paz. Além disso envia um carregamento de ouro para os índios, uma maneira de mostrar sua boa vontade. Brock Marsh (Gary Merrill), um espião confederado, descobre sobre essa missão e decide que irá roubar o ouro para a causa dos estados do sul.

Comentários:
Bom western B. A premissa se baseia em um fato histórico real, quando os confederados (que tinha senso de honestidade e ética bem maleáveis) decidem roubar um carregamento de ouro enviado pelo presidente Lincoln ao oeste. É curioso que o roteiro não coloque como protagonista nenhum dos militares da união, conhecidos como ianques, mas sim um espião do lado confederado, um sujeito que inclusive usa um nome falso (Zachary Paige) para se infiltrar entre os soldados de casaca azul para planejar um grande roubo. O filme tem um elenco interessante, com destaque para Gary Merrill, um veterano, com mais de 100 filmes na carreira. Quase sempre atuando como coadjuvante aqui ele teve uma chance de aparecer em primeiro lugar nos créditos. Um presente de reconhecimento por parte da Columbia. Outro nome que sempre chamará atenção nos créditos é o do diretor Ray Nazarro. Esse certamente foi um dos grandes mestres da era de auge dos faroestes americanos. Um verdadeiro artesão do Bang-Bang made in USA.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

A Infância de Um Líder

Título no Brasil: A Infância de Um Líder
Título Original: The Childhood of a Leader
Ano de Produção: 2015
País: França, Inglaterra, Hungria
Estúdio: Bow and Arrow Entertainment
Direção: Brady Corbet
Roteiro: Brady Corbet, Mona Fastvold
Elenco: Tom Sweet, Bérénice Bejo, Liam Cunningham, Stacy Martin, Robert Pattinson, Rebecca Dayan

Sinopse:
O filme acompanha a infância de um garoto, filho de um diplomata americano na França. A I Guerra Mundial acabou e as nações vencedoras impõe uma dura realidade para a Alemanha derrotada no Tratado de Versalhes. A família é disfuncional. O pai do garoto trai sua mãe com sua própria professora de língua francesa. A mãe é uma religiosa fervorosa e o próprio menino é rebelde e indomável.

Comentários:
Um filme interessante que porém não chega a empolgar em nenhum momento. O roteiro se perde em detalhes que tornam o filme longo demais, penoso de assistir. Muitos vão desistir na primeira meia hora. Seguindo uma velha fórmula do cinema europeu, tudo vai se desenvolvendo bem lentamente. Outro aspecto que me incomodou é que a trama não parece ir para lugar nenhum. Claro que vi aqui várias metáforas que sugerem a própria ascensão do nazismo. Afinal a história se passa logo após o fim da I Guerra Mundial quando os aliados impuseram uma série de medidas massacrantes contra a Alemanha e o povo alemão. Isso criou um ressentimento que depois levou ao poder Adolf Hitler e o Partido Nazista. Essa premissa não fica totalmente clara, tudo é mais sugerido, apelando para uma certa inteligência histórica por parte do espectador, porém no geral o que temos é isso mesmo: uma metáfora, um enredo cifrado que procura demonstrar as razões de ascensão de um líder ditatorial. Por fim uma advertência para as fãs de Robert Pattinson. Ele aparece pouco, em breves momentos. Sua interpretação e importância são praticamente nulas, a não ser no clímax quando ele finalmente assume uma maior relevância. Porém nem todos vão pegar o que aquela cena significa. Como eu escrevi, será necessário ao espectador ter esse background histórico cultural para pegar todas as nuances do roteiro. Sem isso o filme só vai parecer mesmo apenas um drama insosso sobre um garotinho chato.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O Dia do Atentado

Inicialmente não estava com muita vontade de assistir a esse filme. Como muitas pessoas que acompanharam os fatos na época do atentado em Boston, fiquei com a sensação de que o assunto já estava saturado. Foi algo marcante, mas assistir a um filme sobre isso não me animava muito. Porém como o filme estreou no Brasil nessa semana resolvi dar um voto de confiança ao diretor Peter Berg e ao ator Mark Wahlberg e resolvi conferir o filme. Olha, devo dizer que fui completamente surpreendido (mais uma vez!). O filme é muito bom, diria até mesmo excelente.

Sem perder tempo com bobagens o roteiro vai direto ao ponto. Em poucos minutos somos apresentados ao protagonista, o oficial da polícia de Boston Tommy Saunders (Mark Wahlberg) e em trinta minutos as cartas já estão na mesa. O atentado é cometido na maratona de Boston e começam as investigações para descobrir quem seria o autor daquele crime terrível. É a tal coisa, nem considero esse tipo de informação como spoiler porque os eventos reais são amplamente conhecidos pelo público. A não ser que você more na Coreia do Norte certamente sabe do que se trata a história do filme e como se deu seus principais desdobramentos - diria até mesmo seu final, como tudo acaba. É algo notório.

Isso porém passa longe de ser o mais importante aqui. O que realmente importa é a preciosa direção do cineasta Peter Berg que deu um dinamismo acima da média ao filme. Embora tenha mais de duas horas de duração, esse é aquele tipo de filme que você nem percebe que o tempo está passando. O elenco também está muito bem escolhido. Mark Wahlberg vem crescendo bastante na carreira. De astro chocho e sem graça ele vem conquistando cada vez mais espaço com bons filmes. Ele parece saber muito bem onde atuar. Suas escolhas andam certeiras nesse aspecto. Kevin Bacon, como o agente do FBI, também acertou em cheio. Ele tem uma participação bem pontual, mas igualmente importante.

E por falar em pequenas, mas preciosas atuações, o que podemos dizer do sargento interpretado por  J.K. Simmons? Ele começa surgindo apenas em pequenos momentos até entrar pra valer na cena que considero a melhor de todo o filme, quando a polícia de Boston encurrala o carro dos terroristas numa rua residencial suburbana da cidade. Excelente sequência, com trocas de tiros face a face! Enfim, falar mais seria estragar surpresas. Tudo o que você precisa saber mesmo no final é que "O Dia do Atentado" é um dos melhores filmes de 2017. Muito, muito bom!

O Dia do Atentado (Patriots Day, Estados Unidos, 2016) Direção: Peter Berg / Roteiro: Peter Berg, Matt Cook / Elenco: Mark Wahlberg, Kevin Bacon,  John Godman, J.K. Simmons, Michelle Monaghan/ Sinopse: Oficial do Departamento de Polícia de Boston é designado para participar da segurança da maratona anual da cidade. Inicialmente ele fica bem contrariado de ter que trabalhar naquele dia, em um serviço que ele considera de rotina. Tudo muda dramaticamente quando um atentado é cometido bem na linha de chegada da maratona, levando Boston a entrar em um situação de segurança nacional contra atentados terroristas. Filme baseado em fatos reais.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - Let's Be Friends - Parte 1

Em 1970 a RCA lançou muitos álbuns de Elvis. Como não havia tanto material novo gravado em seus arquivos, a gravadora através de seu selo azul RCA Camden jogou no marcado mais um disco de preço promocional. O LP se chamou "Let's Be Friends" e seguindo os passos do disco "Almost In Love" também era recheado de sobras de estúdio, relançamento de singles e músicas de trilhas sonoras dos anos 60. Curiosamente esse disco nunca foi lançado no Brasil, talvez porque a filial da gravadora em nosso país tenha chegado na conclusão de que não haveria mercado para tantos álbuns de Elvis sendo lançados ao mesmo tempo. Afinal não havia como comparar o nosso país com o mercado consumidor americano.

O disco não prima muito pela organização e nem por seguir qualquer critério visível. É mesmo uma colcha de retalhos sonora, muitas vezes dita como produto caça-níquel. A música título "Let's Be Friends" é boa, tem boa qualidade técnica e uma performance na média por parte de Elvis. Ela foi escrita pelo trio de compositores Calvin Arnold, David Martin e Geoff Morrow e provavelmente seria esquecida para sempre caso não tivesse dado título a esse álbum. Originalmente ela fez parte da trilha sonora do filme "Ele e as três Noviças" (Change Of Habit), tendo sido gravada em março de 1969 nos estúdios da Universal, na costa oeste. Muitos se confundem dizendo que a música teria feito parte do pacote de gravações do American Studios, mas isso é obviamente um erro.

Uma boa razão para se comprar esse disco na época de seu lançamento foi a inclusão de "Mama" em seu repertório. Essa era uma antiga faixa que embora tenha sido gravada para a trilha sonora do filme "Girls, Girls, Girls" foi deixada de lado pelos produtores da RCA. A razão segue sendo desconhecida, uma vez que Mama tinha sua importância dentro do filme, sendo ouvida e executada entre as cenas. Alguns autores dizem que a RCA Victor ficou incomodada com o excesso de músicas gravadas para essa trilha sonora e por isso cortou Mama e outras faixas, como por exemplo, "Plantation Rock". Essa última nem fez muita falta, mas Mama certamente deveria ter sido incluída. Foi mais um dos vários erros cometidos pelos responsáveis pela discografia de Elvis na época.

Outra que soava como completa novidade para os colecionadores era a desconhecida "If I'm a Fool". Naqueles tempos as capas dos discos não traziam informações sobre as datas das gravações, os músicos participantes, nada! Assim era quase um trabalho de arqueologia descobrir onde foram produzidas determinadas músicas. Na realidade essa faixa era uma sobra (embora essa denominação possa parecer inadequada) das sessões do American Studios. Uma canção que não havia sido aproveitada em lugar nenhum até aquele momento. Escrita por Stan Kesler não é bem o que se poderia chamar de uma obra prima inesquecível. Na verdade é uma balada country até bem honesta, mas nada muito além disso. Jamais iria se destacar mesmo, ainda mais se levarmos em conta a extrema qualidade do material gravado por Elvis no American. Não foi por acaso que acabou ignorada. De qualquer maneira, para não passar em branco completamente, acabou sendo colocada aqui nessa seleção pelo produtor Felton Jarvis que adorava qualquer tipo de canção country.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Sete Minutos Depois da Meia-Noite

Dos filmes mais recentes que assisti esse foi seguramente um dos que mais me impressionaram. A história central é até básica. Um garotinho chamado Conor (Lewis MacDougall) está passando por uma das piores fases de sua vida. Na escola ele é mais uma vítima do bullying violento, apanhando praticamente todos os dias de outros alunos. Em casa a situação não é melhor. Sua mãe está morrendo de câncer e os tratamentos não parecem surtir qualquer efeito em sua melhora. Sua única saída é a imaginação. Conor começa a imaginar um personagem de fantasia, uma criatura que durante o dia é uma árvore e durante a noite o procura para contar histórias.

Essa criatura de realismo fantástico é seguramente uma das melhores coisas do filme. Com voz de Liam Neeson, esse ser absolutamente fora do normal, vai através de seus enredos de contos de fada passar ao garoto preciosas lições de vida. Toda fábula tem um significado que pode ser usado na própria vida do garoto Conor. Desde o conto de uma rainha má que matou a esposa do jovem príncipe herdeiro, até uma pequena estorinha de um boticário que passa a ser perseguido por um pastor fanático em uma aldeia medieval. No final tudo se encaixará perfeitamente, em plena harmonia.

Embora pareça um filme feito para o público infantil o fato é que sua mensagem não é nada pueril. O roteiro explora a situação de alguém que está passando pelos sentimentos de se perder um ente querido. No caso do personagem principal do filme temos o garoto que está prestes a ir morar com sua avó, pois sua mãe vive seus últimos dias. Ela está morrendo. Assim temos duas realidades no filme passando ao mesmo tempo. Numa delas somos apresentados à vida real do garoto, com todos os dramas e tristezas. Na outra, sem aviso prévio, entramos na mente criativa do menino, com seres mágicos, sábios e de fantasia. É tudo tão bem realizado, delicadamente harmonizado, que ao final do filme não podemos ficar menos do que encantados com o que vimos. Sim, há muita melancolia envolvida nesse filme, porém um tipo de melancolia boa, que nos faz crescer e pensar em nós mesmos. No fundo é uma grande lição sobre a vida em forma de cinema.

Sete Minutos Depois da Meia-Noite (A Monster Calls, Estados Unidos, Espanha, Inglaterra, 2016) Direção: J.A. Bayona / Roteiro: Patrick Ness / Elenco: Lewis MacDougall, Sigourney Weaver, Liam Neeson, Felicity Jones  / Sinopse: Garoto decide buscar por ajuda em sua própria imaginação. Com a mãe morrendo de câncer e sofrendo no colégio nas mãos de alunos mais velhos (e violentos) ele procura por cumplicidade com uma estranha criatura em forma de árvore, que vem lhe fazer visitas, contando contos de fadas e estórias de fantasia. Filme premiado pelo Goya Awards nas categorias de Melhor Fotografia (Oscar Faura), Melhor Direção (J.A. Bayona), Melhor Design de produção (Eugenio Caballero) e Melhores Efeitos Especiais (Paul Costa e Félix Bergés).

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

The Beatles - Eight Days a Week

Título no Brasil: The Beatles - Eight Days a Week
Título Original: The Beatles - Eight Days a Week
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Apple Corps
Direção: Ron Howard
Roteiro: Mark Monroe, P.G. Morgan
Elenco: Paul McCartney, Ringo Starr, John Lennon, George Harrison, George Martin, Larry Kane
  
Sinopse:
"The Beatles: Eight Days a Week - The Touring Years" é um documentário que resgata as primeiras turnês dos Beatles nos Estados Unidos. Após um começo de carreira modesto, tocando em pequenos clubes e bares da Inglaterra e Alemanha, os Beatles se tornam uma sensação do mundo da música com álbuns e singles de sucesso. Após atingir o primeiro lugar nas paradas americanas com a música "I Want to Hold Your Hand" eles decidem viajar para a América, para sua primeira turnê de sucesso. Filme indicado ao BAFTA Awards na categoria de Melhor Documentário.

Comentários:
Não há nada de muito surpreendente nesse novo documentário sobre os Beatles. A história da Beatlemania já foi contada inúmeras vezes no cinema e na TV. As imagens de histeria, seus primeiros concertos nas cidades americanas, a apresentação no Ed Sullivan Show. Tudo já foi visto e revisto. A única novidade mais interessante vem de novos depoimentos de Paul McCartney e Ringo Starr. Como esse documentário foi produzido pela Apple Corps (a empresa que pertence aos próprios Beatles), temos as músicas e tudo o mais relacionado ao grupo, sem restrições de direitos autorais. Paul se mostra o mais presente, esclarecendo algumas questões e parecendo se divertir bastante em relembrar de tudo o que aconteceu. Imagens do passado de John e George completam o quadro informativo. O diretor Ron Howard preferiu focar nos concertos, indo do começo da Beatlemania até a gravação do disco "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" quando os Beatles decidiram parar de fazer turnês. Os álbuns são mostrados de forma bem didática, inclusive com informações bem interessantes como o tempo em que ficaram no primeiro lugar das paradas. Depois de "Sgt. Pepper´s" o diretor faz pequenas referências sobre o resto da discografia e o que aconteceu com a banda. Nada sobre as brigas e atritos entre eles é explorado. Tudo é jogado para debaixo do tapete. É um documentário feito por fãs e para fãs. Curiosamente a cena final explora o "último concerto dos Beatles", na verdade um show improvisado nos telhados da Apple. Como escrevi, para o fã mais antigo dos Beatles não há grandes novidades. Já para as novas gerações o filme poderá funcionar como um resgate histórico sobre o passado dos Beatles e seu impacto na cultura pop mundial. Não deixa assim de ter o seu valor.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Paul Newman e o seu Tempo - Parte 1

Quando Paul Newman surgiu no mundo do cinema muitos o compararam com James Dean, o ídolo rebelde. Afinal eles tiveram praticamente as mesmas origens, estudaram nas mesmas escolas, moraram nos mesmos lugares e até mesmo se conheceram pessoalmente, se tornando amigos. Dean gostava de Newman e acreditava que ele um dia iria se tornar um astro. Estava mais do que certo. Havia um espírito de camaradagem e amizade entre eles porque afinal de contas ambos eram ex-alunos da principal escola de arte dramática de Nova Iorque: o Actors Studio. 

Fundado por Elia Kazan, essa pequena escola fincada no 44th Street do bairro de Hell's Kitchen, formou uma geração de grandes atores como Marlon Brando, Al Pacino e os próprios James Dean e Paul Newman. Kazan queria que a arte dramática atingisse um novo patamar de excelência, tanto nos palcos como nas telas de cinemas. Paul Newman acreditava nesse ideal e seus primeiros trabalhos nos palcos de Nova Iorque foram maravilhosos. Ele surpreendeu a crítica não apenas por causa de seu ótimo visual, mas também pelo talento que demonstrava ao interpretar seus personagens. 

Como Paul Newman estava se destacando nas peças teatrais e também em aparições na TV americana, onde interpretava personagens épicos em grandes adaptações de autores consagrados para o mundo da televisão, ele logo chamou a atenção dos grandes estúdios de Hollywood. Era o mais forte candidato a substituir James Dean. Claro que o tempo iria demonstrar que Paul Newman não era apenas o sucessor de Dean. Ele era um artista completo, com suas próprias peculiaridades, qualidades e personalidade. E Newman também não queria ser visto apenas como uma espécie de herdeiro de James Dean. Isso o limitaria demais como ator. Ele obviamente queria ter o seu próprio espaço. 

A estreia de Newman em Hollywood porém foi bem decepcionante. Sem ter experiência, ele sucumbiu aos interesses dos executivos da Warner Bros. Ele imediatamente foi escalado para atuar na produção "O Cálice Sagrado", filme dirigido pelo cineasta Victor Saville. Era um épico sobre as origens do cristianismo. Um filme de época, que para falar a verdade não era o mais adequado para Newman naquele momento de começo em sua carreira no cinema. O roteiro tinha problemas, sendo reescrito a todo tempo, enquanto se filmava às pressas. A direção de arte também era bem estranha, com cenários e ambientação fugindo demais do que era esperado de um filme como aquele. O clima de tensão e stress não ajudou em nada e anos depois o próprio Paul Newman reconheceu que sua atuação havia deixado muito a desejar. Logo ele, que tanto primava por atuar bem. Quando o filme surgiu nas telas, Newman decidiu fazer algo inédito na história de Hollywood, publicando uma carta nos jornais pedindo desculpas por sua fraca atuação. Ele prometia melhorar nos próximos filmes em que iria atuar. 

Pablo Aluísio.

Os Cruéis

Título no Brasil: Os Cruéis
Título Original: I Crudeli
Ano de Produção: 1967
País: Itália, Espanha
Estúdio: Alba Cinematografica
Direção: Sergio Corbucci
Roteiro: Sergio Corbucci, Albert Band, Louis Garfinkle
Elenco: Joseph Cotten, Norma Bengell, Al Mulock, Julián Mateos, Aldo Sambrell, Gino Pernice

Sinopse:
Após a derrota humilhante na guerra civil americana as tropas do sul são dispensadas. Muitos veteranos começam a vagar pelo velho oeste em busca de algum meio de sobrevivência. Para o Coronel Jonas (Joseph Cotten) essa situação é humilhante. O veterano então decide planejar um grande roubo de ouro para reerguer o exército confederado. Um sonho megalomaníaco que ele lutará para transformar em realidade. 

Comentários:
Western Spaghetti dirigido pelo grande diretor Sergio Corbucci. Esse cineasta seguramente foi um dos mais talentosos mestres do cinema italiano, em especial dos faroestes. Ele criou e dirigiu o grande sucesso "Django", provavelmente o filme mais famoso dessa época. Colhendo os frutos desse sucesso (e de muitos outros), Sergio Corbucci procurou ampliar os horizontes desse tipo de filme, explorando mais aspectos históricos, etc. Ao ler sobre um fanático oficial confederado que lutou para reerguer a Confederação sulista após o fim da guerra civil nos Estados Unidos, o diretor resolveu escrever o roteiro desse filme. A história (que era real) parecia tão absurda que daria certamente um ótimo western italiano. Inicialmente Corbucci pensou em escalar Franco Nero para o papel, mas como o protagonista era um veterano coronel sulista, bem mais velho, o ator não foi contratado. Outro detalhe que chama a atenção no elenco é a presença da atriz brasileira Norma Bengell. Com um figurino elegante, em trajes negros, ele chama a atenção pela classe e sofisticação. Então é basicamente isso. Um bom faroeste italiano que prima por ter sido dirigido por um dos grandes mestres do gênero.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.