domingo, 21 de maio de 2017

Fome de Poder

Dois irmãos do interior decidem fugir da pobreza e da falta de emprego onde moram e se mudam para San Bernardino na Califórnia. No começo eles se dão mal em uma série de pequenas empresas que não dão certo. Então decidem abrir uma lanchonete. Um deles resolve inovar no atendimento, criando um sistema rápido, onde o cliente não ficaria muito tempo esperando por seu lanche. A ideia acabou dando certo e eles denominaram seu empreendimento de McDonald's!

Apesar desse começo promissor os dois irmãos não vão muito longe. A lanchonete, embora muito eficiente, não consegue passar de ser uma pequena pequena empresa familiar onde eles tiram seu sustento. Tudo muda porém com a chegada de Ray Kroc (Michael Keaton). Ele é um vendedor de porta em porta que está tendo dificuldades de vender sua máquina de fazer milk shake. Ray fica impressionado com o método de venda dos irmãos McDonald's  e decide se unir a eles, criando uma rede de franquias que se tornaria mundial e elevaria a marca comercial McDonald's ao patamar de ser uma das maiores do mundo dos negócios.

O enredo desse filme, baseado em fatos reais, é extremamente interessante. É uma história que desconhecia. Não sabia, por exemplo, que a rede mundial de fast food McDonald's tinha tido um começo tão modesto. O roteiro então explora essa metamorfose de uma pequena lanchonete de dois irmãos caipiras a uma potência do ramo de alimentação. A figura central nessa jornada de sucesso absoluto no ramo comercial se deveu e muito a um sujeito meio inescrupuloso, ganancioso e muito esperto. O Ray Kroc interpretado por Michael Keaton é um achado, um dos personagens mais interessantes já explorados pelo cinema nesses últimos anos.

É óbvio que em muitos momentos percebemos um certo malabarismo do filme em tentar esconder as canalhices de Kroc, como por exemplo, quando ele começa a passar a perna nos irmãos McDonald's, mas isso se torna secundário diante das próprias qualidades do filme. A história começa a ser contada em 1954, quando Kroc teve um estalo de que poderia ganhar muito dinheiro com aquele sistema de vendas de comida fast food. Aliás essa expressão seria criada por ele. Um tipo de alimentação rápida, barata e gostosa. Claro que também nada saudável, o que criaria nos Estados Unidos (e no mundo) uma geração de pessoas obesas e doentes. Isso porém nem é discutido no roteiro. Para Kroc o que importava era mesmo os negócios e sob esse ponto de vista ele foi certamente um vencedor. Afinal de contas no mundo do capitalismo selvagem americano o que conta realmente são os lucros milionários, acima de tudo!

Fome de Poder (The Founder, Estados Unidos, 2016) Direção: John Lee Hancock / Roteiro: Robert D. Siegel / Elenco: Michael Keaton, Laura Dern, Patrick Wilson, Nick Offerman, John Carroll Lynch / Sinopse: Ray Kroc (Michael Keaton) é um vendedor de máquinas de milk shake que acaba conhecendo a lanchonete McDonald's, um pequeno estabelecimento comercial que vende lanches. De propriedade de dois irmãos do interior, Kroc então tem a excelente ideia de vender franquias daquele comércio, criando assim uma das maiores redes de alimentação de todo o mundo.

Pablo Aluísio.

sábado, 20 de maio de 2017

Séries - The Young Pope 1.04 / The Path 1.08

Enquanto o país vai derretendo com mais uma crise política aproveitei o tempo livre para assistir mais alguns episódios das séries que acompanho. Dentre elas uma das melhores é "The Young Pope". Nesse quarto episódio da primeira temporada as intrigas palacianas no papado do Papa Pio XIII continuam. Aqui surge um novo vidente. Um sujeito com cara de maluco, um criador de ovelhas, que diz ver e ouvir a virgem Maria. Ele aparece na TV, enquanto o Papa fuma tranquilamente seu cigarro.

Essa cena, diga-se de passagem, ficou hilária por causa da cara cínica que Jude Law faz! Impagável. Outro ponto divertido desse episódio surge quando o Papa recebe a visita da primeira ministra da distante e fria Groenlândia. Os católicos por lá são minoria, embora tenha sido a primeira religião a chegar na ilha, cinco séculos atrás. O Papa então pergunta o que estaria por baixo de tanto gelo naquele distante lugar. Com a premier meio embaraçada ele conclui: "Acho que Deus está por baixo de todo aquele gelo!". Um diálogo muito espirituoso e bem escrito, demonstrando que os roteiros dessa série são bem caprichados. Em outro momento no mínimo curioso o Papa comunica ao seu secretário geral que todos os gays do clero devem ser expulsos! A reação do velho cardeal é igualmente divertida. Enfim, se existe uma boa série em cartaz atualmente essa é "The Young Pope", mesmo com sua ironia de humor negro.

E deixando a Igreja Católica de lado e indo para o lado das seitas malucas que proliferam nos Estados Unidos, vi mais um episódio de "The Path". O personagem de Aaron Paul começa sua caminhada de descoberta, enquanto o líder da seita que ele segue precisa se livrar de um "presunto". Ele matou o sujeito depois de uma discussão sobre o controle de poder dentro da seita. Acabou abrindo seu pescoço com uma faca. Uma cena curiosa surge quando Aaron Paul na pele de seu personagem começa a recitar a oração de São Francisco em um abrigo mantido pela Igreja, onde ele passa a noite. Ao lado de um padre ele ora e momentos depois encontra a si mesmo em uma praia da Califórnia. Pelo visto sua mente finalmente está se livrando dessa mentalidade perigosa que se alastra entre seitas da nova era. Algo de fato bem perigoso.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Horizonte Profundo - Desastre no Golfo

Título no Brasil: Horizonte Profundo - Desastre no Golfo
Título Original: Deepwater Horizon
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Summit Entertainment
Direção: Peter Berg
Roteiro: Matthew Michael Carnahan, Matthew Sand
Elenco: Mark Wahlberg, Kurt Russell, John Malkovich, Kate Hudson, Douglas M. Griffin, Ethan Suplee

Sinopse:
Com roteiro baseado em fatos reais, o filme mostra um momento decisivo na vida de Mike Williams (Mark Wahlberg), um homem feliz, bem casado, que adora sua pequena filha de 10 anos. Ele tem um emprego numa estação de extração de petróleo no golfo da Louisiana. Durante um teste padrão algo sai errado e tudo termina em um grande desastre, quando a estação sofre um enorme incêndio.

Comentários:
Esse estilo de filme, chamado pelos americanos de "Disaster Movies" e de "Cinema catástrofe" por nós, brasileiros, é um velho conhecido dos cinéfilos. Muitos deles são baseados em fatos reais, grandes tragédias que marcaram época. Esse é o caso aqui. O filme foi baseado no enorme incêndio que atingiu a estação "Deepwater Horizon". Nessa trama três personagens são bem centrais. O protagonista é um técnico de manutenção, interpretado por  Mark Wahlberg. Esse é o único personagem que é mais bem desenvolvido pelo roteiro, mostrando sua vida familiar, aspectos de sua vida pessoal. O outro é o chefe de segurança Jimmy Harrell (Kurt Russell). Ele é um profissional respeitado, premiado, por ser linha dura na segurança dos lugares onde trabalhou. É o único que bate de frente com a companhia, cujos interesses são defendidos por Mark Vidrine (John Malkovich), um supervisor que quer a estação funcionando à toda, para evitar custos e perda de dinheiro. O problema é que ainda não há certeza sobre a segurança dos equipamentos. Durante um teste de pressão da broca de exploração profunda tudo sai do controle. Depois que o fogo se alastra tudo se resume na busca pela sobrevivência naquele inferno de chamas, que para piorar tudo é localizado em alto-mar. Os efeitos especiais são bons, a produção idem, porém não consegui me empolgar em nenhum momento. Acredito que em termos de dramaticidade e emoção o filme deixe a desejar. Não empolga mesmo. Em muitos momentos soa burocrático. De interessante mesmo apenas as cenas finais quando somos apresentados às pessoas reais, aos sobreviventes. Vale por registrar essa história, mas como puro cinema não chega a emocionar. Falta mesmo emoção nessa obra. Uma pena.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A Infância de Um Líder

Título no Brasil: A Infância de Um Líder
Título Original: The Childhood of a Leader
Ano de Produção: 2015
País: França, Inglaterra, Hungria
Estúdio: Bow and Arrow Entertainment
Direção: Brady Corbet
Roteiro: Brady Corbet, Mona Fastvold
Elenco: Tom Sweet, Bérénice Bejo, Liam Cunningham, Stacy Martin, Robert Pattinson, Rebecca Dayan

Sinopse:
O filme acompanha a infância de um garoto, filho de um diplomata americano na França. A I Guerra Mundial acabou e as nações vencedoras impõe uma dura realidade para a Alemanha derrotada no Tratado de Versalhes. A família é disfuncional. O pai do garoto trai sua mãe com sua própria professora de língua francesa. A mãe é uma religiosa fervorosa e o próprio menino é rebelde e indomável.

Comentários:
Um filme interessante que porém não chega a empolgar em nenhum momento. O roteiro se perde em detalhes que tornam o filme longo demais, penoso de assistir. Muitos vão desistir na primeira meia hora. Seguindo uma velha fórmula do cinema europeu, tudo vai se desenvolvendo bem lentamente. Outro aspecto que me incomodou é que a trama não parece ir para lugar nenhum. Claro que vi aqui várias metáforas que sugerem a própria ascensão do nazismo. Afinal a história se passa logo após o fim da I Guerra Mundial quando os aliados impuseram uma série de medidas massacrantes contra a Alemanha e o povo alemão. Isso criou um ressentimento que depois levou ao poder Adolf Hitler e o Partido Nazista. Essa premissa não fica totalmente clara, tudo é mais sugerido, apelando para uma certa inteligência histórica por parte do espectador, porém no geral o que temos é isso mesmo: uma metáfora, um enredo cifrado que procura demonstrar as razões de ascensão de um líder ditatorial. Por fim uma advertência para as fãs de Robert Pattinson. Ele aparece pouco, em breves momentos. Sua interpretação e importância são praticamente nulas, a não ser no clímax quando ele finalmente assume uma maior relevância. Porém nem todos vão pegar o que aquela cena significa. Como eu escrevi, será necessário ao espectador ter esse background histórico cultural para pegar todas as nuances do roteiro. Sem isso o filme só vai parecer mesmo apenas um drama insosso sobre um garotinho chato.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O Dia do Atentado

Inicialmente não estava com muita vontade de assistir a esse filme. Como muitas pessoas que acompanharam os fatos na época do atentado em Boston, fiquei com a sensação de que o assunto já estava saturado. Foi algo marcante, mas assistir a um filme sobre isso não me animava muito. Porém como o filme estreou no Brasil nessa semana resolvi dar um voto de confiança ao diretor Peter Berg e ao ator Mark Wahlberg e resolvi conferir o filme. Olha, devo dizer que fui completamente surpreendido (mais uma vez!). O filme é muito bom, diria até mesmo excelente.

Sem perder tempo com bobagens o roteiro vai direto ao ponto. Em poucos minutos somos apresentados ao protagonista, o oficial da polícia de Boston Tommy Saunders (Mark Wahlberg) e em trinta minutos as cartas já estão na mesa. O atentado é cometido na maratona de Boston e começam as investigações para descobrir quem seria o autor daquele crime terrível. É a tal coisa, nem considero esse tipo de informação como spoiler porque os eventos reais são amplamente conhecidos pelo público. A não ser que você more na Coreia do Norte certamente sabe do que se trata a história do filme e como se deu seus principais desdobramentos - diria até mesmo seu final, como tudo acaba. É algo notório.

Isso porém passa longe de ser o mais importante aqui. O que realmente importa é a preciosa direção do cineasta Peter Berg que deu um dinamismo acima da média ao filme. Embora tenha mais de duas horas de duração, esse é aquele tipo de filme que você nem percebe que o tempo está passando. O elenco também está muito bem escolhido. Mark Wahlberg vem crescendo bastante na carreira. De astro chocho e sem graça ele vem conquistando cada vez mais espaço com bons filmes. Ele parece saber muito bem onde atuar. Suas escolhas andam certeiras nesse aspecto. Kevin Bacon, como o agente do FBI, também acertou em cheio. Ele tem uma participação bem pontual, mas igualmente importante.

E por falar em pequenas, mas preciosas atuações, o que podemos dizer do sargento interpretado por  J.K. Simmons? Ele começa surgindo apenas em pequenos momentos até entrar pra valer na cena que considero a melhor de todo o filme, quando a polícia de Boston encurrala o carro dos terroristas numa rua residencial suburbana da cidade. Excelente sequência, com trocas de tiros face a face! Enfim, falar mais seria estragar surpresas. Tudo o que você precisa saber mesmo no final é que "O Dia do Atentado" é um dos melhores filmes de 2017. Muito, muito bom!

O Dia do Atentado (Patriots Day, Estados Unidos, 2016) Direção: Peter Berg / Roteiro: Peter Berg, Matt Cook / Elenco: Mark Wahlberg, Kevin Bacon,  John Godman, J.K. Simmons, Michelle Monaghan/ Sinopse: Oficial do Departamento de Polícia de Boston é designado para participar da segurança da maratona anual da cidade. Inicialmente ele fica bem contrariado de ter que trabalhar naquele dia, em um serviço que ele considera de rotina. Tudo muda dramaticamente quando um atentado é cometido bem na linha de chegada da maratona, levando Boston a entrar em um situação de segurança nacional contra atentados terroristas. Filme baseado em fatos reais.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Sete Minutos Depois da Meia-Noite

Dos filmes mais recentes que assisti esse foi seguramente um dos que mais me impressionaram. A história central é até básica. Um garotinho chamado Conor (Lewis MacDougall) está passando por uma das piores fases de sua vida. Na escola ele é mais uma vítima do bullying violento, apanhando praticamente todos os dias de outros alunos. Em casa a situação não é melhor. Sua mãe está morrendo de câncer e os tratamentos não parecem surtir qualquer efeito em sua melhora. Sua única saída é a imaginação. Conor começa a imaginar um personagem de fantasia, uma criatura que durante o dia é uma árvore e durante a noite o procura para contar histórias.

Essa criatura de realismo fantástico é seguramente uma das melhores coisas do filme. Com voz de Liam Neeson, esse ser absolutamente fora do normal, vai através de seus enredos de contos de fada passar ao garoto preciosas lições de vida. Toda fábula tem um significado que pode ser usado na própria vida do garoto Conor. Desde o conto de uma rainha má que matou a esposa do jovem príncipe herdeiro, até uma pequena estorinha de um boticário que passa a ser perseguido por um pastor fanático em uma aldeia medieval. No final tudo se encaixará perfeitamente, em plena harmonia.

Embora pareça um filme feito para o público infantil o fato é que sua mensagem não é nada pueril. O roteiro explora a situação de alguém que está passando pelos sentimentos de se perder um ente querido. No caso do personagem principal do filme temos o garoto que está prestes a ir morar com sua avó, pois sua mãe vive seus últimos dias. Ela está morrendo. Assim temos duas realidades no filme passando ao mesmo tempo. Numa delas somos apresentados à vida real do garoto, com todos os dramas e tristezas. Na outra, sem aviso prévio, entramos na mente criativa do menino, com seres mágicos, sábios e de fantasia. É tudo tão bem realizado, delicadamente harmonizado, que ao final do filme não podemos ficar menos do que encantados com o que vimos. Sim, há muita melancolia envolvida nesse filme, porém um tipo de melancolia boa, que nos faz crescer e pensar em nós mesmos. No fundo é uma grande lição sobre a vida em forma de cinema.

Sete Minutos Depois da Meia-Noite (A Monster Calls, Estados Unidos, Espanha, Inglaterra, 2016) Direção: J.A. Bayona / Roteiro: Patrick Ness / Elenco: Lewis MacDougall, Sigourney Weaver, Liam Neeson, Felicity Jones  / Sinopse: Garoto decide buscar por ajuda em sua própria imaginação. Com a mãe morrendo de câncer e sofrendo no colégio nas mãos de alunos mais velhos (e violentos) ele procura por cumplicidade com uma estranha criatura em forma de árvore, que vem lhe fazer visitas, contando contos de fadas e estórias de fantasia. Filme premiado pelo Goya Awards nas categorias de Melhor Fotografia (Oscar Faura), Melhor Direção (J.A. Bayona), Melhor Design de produção (Eugenio Caballero) e Melhores Efeitos Especiais (Paul Costa e Félix Bergés).

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

The Beatles - Eight Days a Week

Título no Brasil: The Beatles - Eight Days a Week
Título Original: The Beatles - Eight Days a Week
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Apple Corps
Direção: Ron Howard
Roteiro: Mark Monroe, P.G. Morgan
Elenco: Paul McCartney, Ringo Starr, John Lennon, George Harrison, George Martin, Larry Kane
  
Sinopse:
"The Beatles: Eight Days a Week - The Touring Years" é um documentário que resgata as primeiras turnês dos Beatles nos Estados Unidos. Após um começo de carreira modesto, tocando em pequenos clubes e bares da Inglaterra e Alemanha, os Beatles se tornam uma sensação do mundo da música com álbuns e singles de sucesso. Após atingir o primeiro lugar nas paradas americanas com a música "I Want to Hold Your Hand" eles decidem viajar para a América, para sua primeira turnê de sucesso. Filme indicado ao BAFTA Awards na categoria de Melhor Documentário.

Comentários:
Não há nada de muito surpreendente nesse novo documentário sobre os Beatles. A história da Beatlemania já foi contada inúmeras vezes no cinema e na TV. As imagens de histeria, seus primeiros concertos nas cidades americanas, a apresentação no Ed Sullivan Show. Tudo já foi visto e revisto. A única novidade mais interessante vem de novos depoimentos de Paul McCartney e Ringo Starr. Como esse documentário foi produzido pela Apple Corps (a empresa que pertence aos próprios Beatles), temos as músicas e tudo o mais relacionado ao grupo, sem restrições de direitos autorais. Paul se mostra o mais presente, esclarecendo algumas questões e parecendo se divertir bastante em relembrar de tudo o que aconteceu. Imagens do passado de John e George completam o quadro informativo. O diretor Ron Howard preferiu focar nos concertos, indo do começo da Beatlemania até a gravação do disco "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" quando os Beatles decidiram parar de fazer turnês. Os álbuns são mostrados de forma bem didática, inclusive com informações bem interessantes como o tempo em que ficaram no primeiro lugar das paradas. Depois de "Sgt. Pepper´s" o diretor faz pequenas referências sobre o resto da discografia e o que aconteceu com a banda. Nada sobre as brigas e atritos entre eles é explorado. Tudo é jogado para debaixo do tapete. É um documentário feito por fãs e para fãs. Curiosamente a cena final explora o "último concerto dos Beatles", na verdade um show improvisado nos telhados da Apple. Como escrevi, para o fã mais antigo dos Beatles não há grandes novidades. Já para as novas gerações o filme poderá funcionar como um resgate histórico sobre o passado dos Beatles e seu impacto na cultura pop mundial. Não deixa assim de ter o seu valor.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Chet Baker: A Lenda do Jazz

Chet Baker foi um dos grandes músicos da história do jazz. Ele marcou época em um tempo onde só havia gênios atuando nesse estilo musical como Miles Davis e Dizzy Gillespie. O roteiro desse filme "Born to Be Blue" porém não se ocupa dos anos de glória de Chet Baker, mas sim de seus anos de queda. Após um início promissor no mundo da música, com muitos discos de sucesso, tanto do ponto de vista comercial como de crítica, Chet começou a decair. Seu talento não havia desaparecido, ele apenas estava viciado em heroína.

A partir da perda do controle de seus problemas com drogas ele começou a sofrer reveses sucessivos, tanto na vida profissional como pessoal. Sua mulher o abandonou, a gravadora rescindiu seu contrato e uma surra dada por traficantes acabou quebrando todos os seus dentes. Para quem era trompetista a perda dos dentes representou um problema e tanto. Em pouco tempo ele estava praticamente acabado.

O filme começa quando Chet saiu da prisão. Um produtor de Hollywood pagou sua fiança para que ele estrelasse um filme sobre sua vida pessoal. Chet iria interpretar ele mesmo. A produção não deu certo e assim o músico precisou reencontrar o caminho do sucesso e do respeito. O roteiro do filme mostra apenas uma pequena parte da vida do músico, justamente aquela em que ele tenta se reerguer na vida. Arruinado financeiramente, sem trabalho, ele busca pela última chance em sua vida. Há uma luta interna para não voltar para as drogas e a humilhação de ter que tocar em pequenos bares para sobreviver. Um momento particularmente difícil em sua trajetória.

O ator Ethan Hawke se sai muito bem em sua interpretação de Chet Baker. Esse ator sempre teve uma característica bem interessante, a de passar uma certa vulnerabilidade, até mesmo uma fraqueza física e psicológica em todos os personagens que interpretou. Algo que foi mais do que adequado para esssa atuação. Seu Chet é um ídolo caído, um sujeito que já foi grande, mas que agora beija a sarjeta. Seus maneirismos, as humilhações que teve que passar, tudo é muito bem desenvolvido por Hawke. Ele só não conseguiu ser tão boa pinta como o verdadeiro Chet Baker (que lembrava até mesmo um Elvis Presley do mundo do jazz). Não tem problema, esse filme é realmente muito bom para resgatar a trágica história desse músico que foi do céu ao inferno em sua arte.

Chet Baker: A Lenda do Jazz (Born to Be Blue, Estados Unidos, 2015) Direção: Robert Budreau / Roteiro: Robert Budreau / Elenco: Ethan Hawke, Carmen Ejogo, Callum Keith Rennie / Sinopse: O filme narra parte da vida do músico de jazz Chet Baker, desde o momento de sua queda na carreira e na vida pessoal causada pelo vício em heroína, até suas tentativas de voltar ao topo no mundo da música.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

A Ilha do Tubarão Gigante

Título no Brasil: A Ilha do Tubarão Gigante
Título Original: Lair of the Mega Shark
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Discovery Channel
Direção: Jeff Kurr, Andy Casagrande
Roteiro: Jeff Kurr, Andy Casagrande
Elenco: Jeff Kurr, Andy Casagrande, Dickie Chivell, Clayton Mitchell, Winston Peters, Richard Squires
  
Sinopse:
Documentário feito para a TV mostrando uma equipe de especialistas e mergulhadores em busca do covil dos mega tubarões brancos. Eles viajam até a distante e isolada ilha de Guadalupe localizada no Oceano Pacífico, em torno da costa do México, para registrar em filmagens esses imensos predadores em seu habitat natural. O objetivo é capturar em imagens aquele que é considerado o maior tubarão branco jamais visto.

Comentários:
No ano passado foi filmado o maior tubarão branco dos oceanos. Chamado pelos pesquisadores de "Deep Blue", esse animal tinha mais de sete metros. Um predador magnífico. Esse documentário foi realizado um pouco antes das filmagens do "Deep Blue", porém capturou em cena animais de seis, cinco metros, todos da espécie tubarão branco, nas costas da ilha mexicana de Guadalupe. Como tudo o que se trata com o selo Discovery, esse documentário é muito bem realizado, com cenas de alto impacto. Uma das novidades é uma gaiola transparente, feita de acrílico reforçado, que um dos mergulhadores usa para as filmagens. Ele fica ali, bem no meio de uma dezena de tubarões brancos o cercando. Como se trata de uma armação transparente, apelidada de jaula fantasma, a sensação que o espectador tem é a de que o mergulhador está completamente à mercê dos ataques dos tubarões. Uma excelente cena, captada com a devida emoção, principalmente quando uma das portas se quebra e um desses animais tenta entrar na gaiola para devorar o mergulhador. Em outra cena ainda mais arriscada um dos pesquisadores mergulha sem gaiola de proteção ou armas. Ele fica completamente indefeso enquanto um enorme tubarão branco vai chegando perto de onde ele está. Não é à toa que de vez em quando somos informados que pessoas que trabalham nesse tipo de documentário foram mortas por animais selvagens. Muitas vezes a falta de segurança coloca esses profissionais em situações de perigo, tudo para causar sensação no espectador. A cena final mostra uma grande fêmea, provavelmente grávida, subindo para perto do barco dos pesquisadores. Era justamente isso que todos eles queriam. Não é o tão famoso "Deep Blue", mas não fica muito a dever a ele em termos de tamanho e opulência. Enfim, mais um bom documentário do canal Discovery. Está mais do que recomendado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Blade Runner 2049

Ontem foi divulgado o trailer de "Blade Runner 2049", a tão aguardada sequência do clássico Sci-fi dos anos 80. Sinceramente fico com um pé atrás. Continuações tardias como essa não possuem um bom histórico. Há muitos filmes ruins nesse tipo de categoria. Geralmente aproveitam apenas o nome comercial de um filme famoso para faturar nas bilheterias.

Assistindo ao trailer porém pude perceber que, apesar das expectativas baixas, há algum fio de esperança. A presença de Ryan Gosling pode ser um indício de que o roteiro é realmente bom, afinal esse ator não costuma se envolver com abacaxis. Ele é bem independente em relação a Hollywood  e acredito que se ele aceitou fazer o filme então boa coisa vem por aí.

Já a presença de Harrison Ford no elenco infelizmente não quer dizer muita coisa. Embora ele tenha estrelado o filme original, aquela era uma época diferente em sua carreira. Dos anos 90 para cá a presença de Ford não traz mais nenhuma garantia que o filme seja bom ou promissor. Ele atuou em muitos filmes caça-níqueis, alguns deles até constrangedores. Por isso não me anima nada vê-lo no trailer. Agora pior mesmo é saber que Ridley Scott não estará na direção. Ele apenas será o produtor executivo desse novo filme. Isso pode ser um sinal ruim.

O estúdio resolveu entregar a direção para o canadense Denis Villeneuve. E quem é ele? Bom, em termos de ficção ele dirigiu um filme recente que foi extremamente elogiado pela crítica, "A Chegada". Também dirigiu o bom " Sicario: Terra de Ninguém". Assim como Ryan ele não costuma participar de projetos meramente oportunistas. Assim, no final dessa balança de expectativas, temos coisa boas e ruins nos dois lados. Se o filme vai ser mesmo um marco ou apenas um blockbuster que pediu emprestado o nome de um clássico, só o tempo dirá. O filme tem data de estreia marcada para outubro.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Uma Lista de Filmes - Parte 2

Em fevereiro de 2000 assisti ao clássico "O Grande Ditador" de Charles Chaplin, O roteiro era obviamente uma sátira mordaz contra o ditador nazista Adolf Hitler. Muitos não param para pensar nisso, mas Chaplin rodou o filme antes dos Estados Unidos entrarem na guerra. Na época o governo americano procurava se manter neutro diante do que acontecia na Europa. Outro fato marcante é que Chaplin não sabia na ocasião que milhões de judeus como ele estavam sendo mortos em campos de concentração na Alemanha e na Polônia ocupada. Ele inclusive chegou a dizer que se soubesse na época das filmagens que o holocausto estava ocorrendo jamais faria o filme em respeito ás vítimas desse horror. O que podemos dizer ainda de um filme como esse, tão importante? Praticamente nada. É uma das grandes obras primas da história do cinema. Magnífico.

Outro bom filme assistido nesse mês foi "Magnólia". Com o tempo esse drama de Paul Thomas Anderson acabou sendo mais lembrado por causa de sua estranha cena final, com a chuva de sapos sobre Los Angeles. O fato porém é que Magnólia é bem mais do que isso, valorizado por um roteiro bem inteligente, ao estilo mosaico, que contava ainda com um excelente elenco com, entre outros, Tom Cruise, Jason Robards e Julianne Moore. Esse aliás foi um dos últimos filmes cult da carreira de Cruise que pelo visto desistiu desse tipo de produção, se limitando a estrelar um blockbuster atrás do outro. Uma pena, já que esse produto tipicamente da Miramax, tem seus méritos inegáveis. "Meninos não Choram" é outro bom drama dos anos 90. Um retrato muito bem realizado da questão LGBT naquela época. A atriz Hilary Swank teve a maior interpretação de toda a sua carreira e levou o Oscar! Prêmio mais do que merecido. A temático do filme aliás continua bem atual, ainda mais agora onde se discute tanto a tal teoria do gênero.

No cinema assisti "O Homem Sem Sombra". O filme é praticamente um remake do clássico de terror "O Homem Invisível". Claro que se no antigo filme tínhamos apenas um homem com pano enrolado na cabeça, aqui havia o melhor em termos de efeitos especiais, mostrando literalmente em detalhes o desaparecimento do personagem de Kevin Bacon. Há uma cena com um gorila que até hoje impressiona pela qualidade dos efeitos digitais. Não havia mais limites para o que o cinema podia reproduzir na tela com os avanços da tecnologia.

Por fim mais dois filmes. "Vivendo no Limite" era estrelado por Nicolas Cage. Ele interpretava um paramédico prestes a perder a sanidade em uma Nova Iorque caótica e insana. O diretor Martin Scorsese aproveitou sua experiência com seu vício em cocaína para imprimir um ritmo todo surreal ao seu filme. Não fez tanto sucesso e nem hoje é tão lembrado, mesmo assim é um filme que vale a pena. Já "Mortos de Fome" era um estranho filme de horror. O roteiro misturava suspense, morbidez e canibalismo nessa fita que causou uma certa repercussão em seu lançamento.

Pablo Aluísio.

domingo, 7 de maio de 2017

Uma Jornada Para Toda a Vida

Esse filme é baseado na história real da australiana Robyn Davidson. Na década de 1970 ela decidiu que iria atravessar o deserto da Austrália (um dos ambientes naturais mais hostis do planeta) em direção à costa banhada pelo oceano Índico (no oeste do país). Um objetivo e tanto, principalmente pelo desafio de percorrer mais de 1700 milhas sozinha, ao lado de quatro camelos e um cachorro. Ela era jovem, tinha problemas emocionais a superar e seu desafio acabou chamando a atenção da revista National Geographic.

Sua aventura deu origem a um livro chamado "Tracks" (Trilhas) onde a autora contou tudo o que passou nessa jornada. O roteiro desse filme é baseado justamente nesse livro, que se tornou best-seller na Austrália. A protagonista é interpretada pela atriz Mia Wasikowska, aqui deixando todo o glamour de lado para dar vida a uma mulher dura, de firmeza inabalável. Foi no mínimo curioso ver Mia longe do visual que ela sempre usou para outros filmes. Ao invés de belos vestidos e figurino fashion, ela surge na mais pura simplicidade. Suja de areia, com os pés enfiados numa sandália surrada e muito queimada do sol, Mia parece outra pessoa. Quem a conhece de "Alice" ou "Madame Bovary" não vai reconhecê-la.

Filmes como esse são bem instrutivos, diria até mesmo educacionais. Ao longo de sua história você vai descobrir informações sobre a Austrália que poucas pessoas conhecem. Por exemplo, você sabia que os desertos australianos possuem o maior número de camelos selvagens do planeta? Superam em número até mesmo o Oriente Médio! Esses animais não são naturais da Austrália, eles foram levados para lá no século XVII por uma expedição, depois soltos no meio ambiente. O curioso é que o animal se deu muito bem naquelas pastagens e não apenas se firmou como progrediu no meio dos desertos sem fim. Outra informação bem curiosa é saber que os cangurus são vistos pelos australianos como um apetitoso prato culinário! Os animais inclusive servem de comida para a protagonista durante sua jornada. Então é isso, um bom filme, muito bem realizado, com uma série de informações curiosas sobre as terras desertas da distante Austrália.

Uma Jornada Para Toda a Vida / Trilhas (Tracks, Austrália, 2013) Direção: John Curran / Roteiro: Marion Nelson, baseado no livro escrito por Robyn Davidson/ Elenco: Mia Wasikowska, Adam Driver, Lily Pearl / Sinopse: Jovem australiana desiludida com sua própria vida, enfrentando problemas emocionais, decide partir para uma aventura inédita: atravessar o deserto australiano em direção às belas praias da costa oeste banhada pelo Oceano Índico. Filme vencedor do Australian Cinematographers Society na categoria de Melhor Fotografia (Mandy Walker). Indicado ao Australian Film Critics Association Awards nas categorias de Melhor Filme, Melhor Atriz (Mia Wasikowska) e Melhor Fotografia.

Pablo Aluísio.

sábado, 6 de maio de 2017

A Descoberta

A premissa desse filme até que é muito boa. O cientista interpretado por Robert Redford consegue provar que realmente há vida após a morte. Sua descoberta, que deveria ser um grande acontecimento científico, logo gera efeitos colaterais imprevistos, como o aumento o número de suicídios por todo o mundo. Vendo a repercussão negativa, o Dr. Thomas (Redford) não se intimida. Ele aluga uma velha instituição e lá monta seu QG. Seu novo objetivo é descobrir para onde vai a consciência das pessoas mortas.

Enredo interessante, boa premissa, tudo bem. O problema é que o filme não desenvolve bem sua estória. Tudo é desperdiçado. O roteiro não explica em detalhes como o cientista chegou na prova de que haveria vida após a morte. Um diálogo bem genérico é dito, envolvendo partículas subatômicas, mas tudo fica por aí. Essa ligação entre a descoberta científica da existência de vida após a morte e suicídios também me pareceu uma tolice, não muito bem explicada. Algo gratuito e forçado, até porque não se sustenta por muito tempo.

A razão que me levou a assistir esse filme foi a presença do ator Robert Redford. Ele aliás é uma das poucas coisas que se salvam nessa produção equivocada. Sua magnífica presença está lá, toda a dignidade de um grande ator de tantos clássicos do cinema também, mas seu personagem, que poderia render muito, acaba sendo apenas vazio. Os roteiristas colocaram um romance entre o filho do cientista e uma garota suicida, mas isso não faz muita diferença. Também não salva o filme a reviravolta final, que tenta impressionar pela originalidade, mas que falha do mesmo modo. Há momentos que lembram filmes B de ficção dos anos 50, como o nada convincente aparelho de gravação de memórias! Enfim, achei bem decepcionante.

A Descoberta (The Discovery, Estados Unidos, 2017) Direção: Charlie McDowell / Roteiro: Justin Lader, Charlie McDowell / Elenco: Robert Redford, Mary Steenburgen, Brian McCarthy / Sinopse: Cientista renomado (Redford) consegue provar que a consciência sobrevive à morte, ou seja, que há ainda vida após a morte do corpo físico. A descoberta gera uma série de reações dentro da sociedade. O autor da façanha científica porém não se intimida, desejando ir além em suas descobertas sobre o tema.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Até que a Fuga os Separe

Título no Brasil: Até que a Fuga os Separe
Título Original: Life
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Ted Demme
Roteiro: Robert Ramsey, Matthew Stone
Elenco: Eddie Murphy, Martin Lawrence, Nick Cassavetes, Bernie Mac, Obba Babatundé
  
Sinopse:
Dois golpistas e picaretas, Rayford Gibson (Eddie Murphy) e Claude Banks (Martin Lawrence), acabam caindo nas mãos da justiça após longos anos enganando os outros. Por seus crimes acabam pegando prisão perpétua. Sem querer eles acabaram caindo numa cilada armada pelos tiras. Condenados eles passarão seis décadas atrás das grades. O filme explora seus anos na prisão.

Comentários:
Em que momento da carreira o comediante Eddie Murphy perdeu o rumo? Acredito que depois dos anos 80, que foi sua década de ouro no cinema, ele só desceu ladeira abaixo. Houve sim alguns poucos filmes depois dessa época que valeram a pena, em que Murphy, por poucos momentos, recuperou parte de sua graça e talento. Esses momentos porém foram ficando cada vez mais raros. Por uma ironia do destino Murphy precisou fazer parceria até mesmo com comediantes que apenas seguiam seus passos, versões genéricas dele mesmo, só que ainda menos engraçadas. Uma dessas cópias mal feitas atende pelo nome de Martin Lawrence! Que sujeito chato! Seus filmes nunca primaram pelo bom gosto ou pela diversão, apenas pela baixaria e vulgaridade. Ao lado de Murphy ele se tornou ainda menos divertido. Esse filme "Life" é apenas isso, uma reunião de dois comediantes em plena decadência. Com tantos problemas até mesmo os sorrisos amarelos vão rarear. Melhor não perder seu tempo com essa bomba.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

O Talentoso Ripley

Título no Brasil: O Talentoso Ripley
Título Original: The Talented Mr. Ripley
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Miramax, Paramount Pictures
Direção: Anthony Minghella
Roteiro: Anthony Minghella
Elenco: Matt Damon, Gwyneth Paltrow, Jude Law, Cate Blanchett, Philip Seymour Hoffman, Jack Davenport
  
Sinopse:
Tom Ripley (Matt Damon) não é um sujeito comum. Ele tem o dom natural para copiar o modo de ser das pessoas, além de as manipular com maestria. Ao viajar para a Europa ele acaba se aproximando do casal formado por Dickie Greenleaf (Jude Law) e Marge Sherwood (Gwyneth Paltrow). No começo ele parece ser apenas uma pessoa agradável e amigável, mas logo surgem suspeitas sobre as suas reais intenções.

Comentários:
Boa adaptação do romance escrito por Patricia Highsmith. O enredo é tecido sobre as sutilezas do comportamento humano, mostrando que nem sempre uma amizade pode ser criada apenas por sentimentos nobres e verdadeiros. Um aspecto curioso é que o filme, apesar de ser americano, procurou copiar o melhor do estilo do cinema europeu. Por isso, para muitos, o filme tem um ritmo um pouco arrastado, quase parando. Essa crítica é porém injusta. Como a trama é baseada em nuances comportamentais, era mesmo de se esperar que existisse um certo tempo para desenvolver todas elas. Melhor para o elenco que assim teve a oportunidade de dar o melhor de si em termos de atuação. Embora todo o trio protagonista esteja muito bem (até o limitado Matt Damon se sobressai), eu gostaria de dar o devido crédito para o grande (em todos os aspectos) Philip Seymour Hoffman. Ele não tem um grande papel dentro da trama, isso é verdade, mas acaba roubando o show em todos os momentos em que surge na tela. Sua morte, causada por uma overdose acidental, deixou um vácuo muito grande dentro da indústria americana de cinema. Por fim, a título de informação, é importante salientar que "The Talented Mr. Ripley" virou uma espécie de queridinho da crítica americana em seu lançamento, o que proporcionou ao filme ser indicado a cinco categorias no Oscar, incluindo Melhor Ator (Jude Law), Melhor Roteiro Adaptado (para o próprio diretor Anthony Minghella que também escreveu o texto do roteiro) e Melhor Direção de Arte (para a dupla formada por Roy Walker e Bruno Cesari, em um reconhecimento mais do que merecido). Então é isso, um filme americano com todo o jeitão do elegante cinema europeu, em uma espécie de estudo da alma humana em frangalhos. Incisivo, mordaz e cruel nas medidas certas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.