sábado, 16 de junho de 2018

O Que te Faz Mais Forte

O filme conta a história real do jovem Jeff Bauman (Jake Gyllenhaal). Tentando reatar o namoro com sua antiga namorada ele descobre que ela estará correndo na maratona de Boston. Então resolve ir até lá, levando um cartaz de incentivo para a garota. Por um trágico evento do destino ele fica bem ao lado do lugar onde o terrorista plantou uma das bombas naquele atentado que ficou famoso na época. Quando a bomba explodiu Jeff acabou severamente ferido, perdendo as duas pernas. Imagine um rapaz como ele, com toda a vida pela frente, agora ter que encarar um destino desses! O roteiro assim vai se desenvolvendo, mostrando as lutas do dia a dia após perder suas pernas, as dificuldades de adaptação, além do conturbado relacionamento com a ex-namorada.

O curioso é que Jeff também acabou virando um símbolo da força da cidade de Boston em superar os atentados. Chamado de "A força de Boston" ele acabou sendo considerado um herói, sempre convocado para abrir grandes eventos, mostrando que Boston jamais iria sucumbir ao terror. Em termos narrativos o filme é bem convencional. Penso até que não poderia ser diferente. Há uma história edificante para contar e não haveria outro modo de fazê-lo. Cinematograficamente falando é o filme mais convencional da filmografia do ator Jake Gyllenhaal, logo ele que sempre procurou por filmes mais ousados e fora dos padrões. O seu Jeff é uma homenagem ao protagonista da vida real, uma pessoa que precisou superar muitos obstáculos para seguir sua vida em frente. Pela bonita mensagem a produção como um todo já está justificada por seus próprios méritos.

O Que te Faz Mais Forte (Stronger, Estados Unidos, 2017) Direção: David Gordon Green / Roteiro: John Pollono, baseado no livro "Stronger", escrito por Jeff Bauman / Elenco: Jake Gyllenhaal, Tatiana Maslany, Miranda Richardson / Sinopse: O filme conta a história real de Jeff Bauman (Jake Gyllenhaal), uma das vítimas do atentado da maratona de Boston. Ao ir para a maratona, com a intenção de incentivar a ex-namorada, acaba sendo atingido em cheio pela bomba plantada pelos terroristas, perdendo as duas pernas com a explosão.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

A Morte de Stalin

Historicamente as coisas não aconteceram exatamente da forma que o filme mostra, mas esse tipo de licença poética foi necessária para que o roteiro inserisse muito humor negro em sua narrativa. O importante é que a essência de tudo o que aconteceu foi preservada. E olha que o resultado final ficou muito bom. Como o título já deixa claro o filme mostra os últimos dias do ditador soviético Stálin e o caos que se criou após sua morte. Tirano sanguinário que matou mais do que Hitler, Stálin era uma cria da ilusão do comunismo. Assim que tomou o poder absoluto começou a matar todos os opositores ao seu regime, fossem eles reais ou apenas imaginários. Claro que em um sistema de pura violência como esse, onde a vida não valia nada, todos ao seu redor agiam com extrema paranoia, pois a qualquer momento eles poderiam entrar para as listas dos inimigos "do povo", sendo executados sumariamente.

Quando o filme começa vemos a corte de puxa-sacos e parasitas que orbitavam o líder assassino. Todos querendo ganhar a simpatia de Stálin, todos morrendo de medo de serem mandados para a morte certa. Diante de uma situação tão absurdamente bizarra o roteiro aproveita para fazer humor com os comunistas. Quando Stálin sofre um derrame cerebral e cai no chão de seu gabinete ninguém consegue tomar uma decisão. Fica complicado até mesmo achar um médico em Moscou pois muitos já tinham sido mortos pelo regime. E assim ficam aqueles ministros e assessores discutindo coisas óbvias, enquanto Stálin jaz no chão, morrendo a cada minuto. Uma metáfora de seu estúpido sistema de governo. Depois que finalmente ele morre começa a disputa pelo poder, onde cada um tenta puxar o tapete do outro para tentar ser o novo líder supremo da nação. O filme, apesar de seu humor negro, tem muito a mostrar sobre a estupidez do socialismo, seus heróis fabricados e a mediocridade daqueles que estão no poder. Uma baita lição de história.

A Morte de Stalin (The Death of Stalin, Inglaterra, França, Bélgica, Canadá, 2017) Direção: Armando Iannucci / Roteiro: Armando Iannucci, David Schneider / Elenco: Steve Buscemi, Simon Russell Beale, Jeffrey Tambor / Sinopse: Quando o grande líder Stálin é encontrado morto em seu gabinete, começa uma insana luta pelo poder por seus homens mais próximos, ao mesmo tempo em que todos tentam tomar alguma decisão sobre seu funeral e enterro. Uma alegoria bem humorada, com muito humor negro, sobre os últimos dias do sanguinário e psicopata ditador da União Soviética. "Tripliquem, quadrupliquem a guarda na tumba do camarada Stálin para que ele nunca mais volte de lá", já dizia o poeta russo.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Gringo

Filme bem mais ou menos que usa uma sucessão de erros em seu roteiro para fazer humor. O filme não é tecnicamente uma comédia, mas aposta bastante no cinismo de seus personagens, quase todos meras caricaturas de pessoas reais. E do que se trata o enredo? Basicamente temos esse jovem gerente negro chamado Harold (David Oyelowo). Ele trabalha numa empresa do ramo farmacêutico. Tem uma bela esposa e a vida está nos eixos. Tudo muda porém quando ele precisa fazer uma viagem ao México com os patrões. Richard Rusk (Joel Edgerton) e Elaine Markinson (Charlize Theron) são os executivos dessa empresa que precisam encerrar uma parceria comercial com um cartel de drogas além da fronteira, antes que eles vendam a companhia numa lucrativa fusão com uma empresa maior. Harold não sabe dessa aliança com o mundo do crime e se dá mal.

O cartel de drogas claro não aceita o fim da "sociedade" e isso dá origem a uma série de problemas para o pobre do Harold. Ele sabe que mais cedo ou mais tarde vai perder o emprego e decide forjar um sequestro, mas tudo dá errado, porque afinal os traficantes vão acabar sequestrando ele de verdade. É um filme que cansa um pouco por ser longo demais. Deveria ter sido mais ágil na edição. As situações vão se sucedendo e isso cria um certo cansaço no espectador. O humor também não me pareceu muito bem encaixado, pois o roteiro tenta tirar graça até mesmo das situações mais violentas, como sessões de tortura, etc. No geral achei apenas razoável. Provavelmente o maior pecado dessa produção tenha sido desperdiçar a presença da atriz Charlize Theron no elenco. Ela interpreta uma mulher vulgar e ambiciosa que no final das contas nem faz muita diferença. Assim não dá!

Gringo: Vivo ou Morto (Gringo, Estados Unidos, 2018) Direção: Nash Edgerton / Roteiro: Anthony Tambakis, Matthew Stone / Elenco: Joel Edgerton, Charlize Theron, David Oyelowo / Sinopse: Harold (David Oyelowo) é um jovem gerente de uma empresa do ramo de remédios que vê sua vida virar de cabeça para baixo durante uma confusa negociação além da fronteira do México. Ele de repente se vê alvo de membros de um violento cartel de drogas, de agentes do DEA e até mesmo de mercenários contratados para localizá-lo.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

15h17: Trem para Paris

Parece que o diretor Clint Eastwood nessa fase de sua carreira quer contar a história de heróis americanos, ou melhor dizendo, de improváveis heróis americanos. Esse tema já havia sido explorado no filme anterior dele, "Sully: O Herói do Rio Hudson". Agora Clint volta ao mesmo conceito. O enredo é simples. O diretor foca suas lentes para a amizade de três amigos, desde os tempos da infância, quando brincavam de guerra nos bosques da Califórnia, até a fase adulta, quando dois deles resolvem entrar para as forças armadas. Um vai para a Força Aérea e o outro para o Exército. Durante uma folga eles resolvem se encontrar na Europa, para conhecer novos países, novas culturas. Férias merecidas. Primeiro vão para Roma, onde conhecem o Vaticano, etc. Depois partem para a Holanda.

Após curtir bastante Amsterdã, eles decidem ir para Paris onde vão acabar seus dias de curtição. Hora de voltar ao trabalho. Na viagem para a cidade francesa acontece o inesperado. Um terrorista armado de fuzil surge no meio do trem, para executar o maior número possível de ocidentais infiéis. Loucuras do fanatismo islâmico. No meio do caos que acontece, os três jovens americanos acabam virando heróis. E nisso basicamente se resume o filme. Clint realizou uma obra cinematográfica bem enxuta, com pouco mais de 90 minutos de duração. É um exemplo da sua conhecida eficiência atrás das câmeras. Mesmo assim acabei gostando do resultado final. É um filme que procura resgatar e registrar para a história a bravura de seus personagens, sem se importar muito com aspectos periféricos. Como pura narrativa o filme, nesse quesito, se sai muito bem. Além disso traz à tona essa história que segue até bem pouco conhecida.

15h17: Trem para Paris (The 15:17 to Paris, Estados Unidos, 2018) Direção: Clint Eastwood / Roteiro: Dorothy Blyskal, baseado no livro escrito por Anthony Sadler / Elenco: Alek Skarlatos, Anthony Sadler, Spencer Stone / Sinopse: Durante férias na Europa três jovens americanos descobrem que estão numa situação de extremo risco, quando um terrorista islâmico resolve cometer um atentando em um trem que sai da Holanda rumo a Paris. Armado de um potente fuzil ele quer matar o maior número de ocidentais infiéis em nome de Alah! Filme baseado em fatos reais.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Elvis Presley & Frank Sinatra

São considerados os maiores cantores do século XX. Sinatra conhecido como “The Voice” gravou álbuns maravilhosos, alguns deles entre os melhores da história da música americana. Presley surgiu com o Rock em meados dos anos 50. Era considerado um artista único, revolucionário, que ajudou a quebrar certas estruturas que amarravam a musicalidade americana até aquele momento. Curiosamente, embora fossem grandes astros, jamais se deram muito bem. Frank Sinatra surgiu bem antes, quando estourou em Nova Iorque, levando suas fãs à loucura no Teatro Paramount. Também fez parte de grandes orquestras e se tornou de certa forma o primeiro grande popstar dos EUA. Ultrapassou a linha de mero cantor para se tornar uma celebridade. Por essa época Elvis era apenas um garotinho. Apenas nos anos 50 surgiu no mundo musical o jovem Presley. Com dança e performances desafiadoras era a antítese do que Sinatra representava. Provavelmente isso tenha levado Frank a soltar farpas contra Elvis e toda aquela nova geração de roqueiros. Para quem interpretava grandes obras escritas por Cole Porter e cia, aquelas músicas estridentes realmente soavam como “tambores na selva tocados por selvagens”.

Em 1960 quando Elvis voltou do exército, Sinatra finalmente deu o braço a torcer, pagando uma pequena fortuna para Presley cantar algumas poucas músicas em seu programa televisivo. Foi uma aproximação um pouco problemática, afinal Elvis definitivamente não gostava de Sinatra, mas no final tudo deu certo. A verdade é que embora não fossem rivais diretos (Sinatra tinha um outro estilo musical e um outro público, bem diferente do de Elvis), eles nunca conseguiram se entrosar. Frank Sinatra fazia mais o estilo do sujeito criado nas ruas das grandes cidades, filho de italianos pobres, tinha criado todo aquele estilo meio malandro de quem sempre está querendo tirar proveito dos outros. Elvis Presley teve uma origem bem diferente, criado em pequenas cidades do sul rural, cresceu sob a proteção de uma mãe que certamente não o deixou vivenciar as coisas que Sinatra aprendeu desde cedo em sua vida. O mais discrepante de tudo era que Elvis era profundamente religioso enquanto Sinatra fazia piadinhas com a Bíblia. Pessoas tão diferentes assim certamente nunca seriam amigas.

Isso talvez explique o fato de ambos terem trabalhado somente uma vez na vida, justamente nesse programa de TV. Ao longo dos anos 60 Sinatra bem que tentou outras parcerias. Entrou em contato várias vezes com o Coronel Parker sugerindo que queria trabalhar ao lado de Elvis no cinema. Ofertas foram feitas mas jamais se concretizaram. Sinatra confidenciou a amigos que desconfiava que Parker nem sequer passava suas propostas para Elvis e por isso resolveu procurar Presley pessoalmente no set de filmagens de “Frankie e Johnny”. Elvis como sempre foi muito educado e polido e ouviu as sugestões de Sinatra para estrelar um filme ao seu lado. Prometeu pensar mas nunca deu uma resposta direta, aceitando ou recusando a idéia. Só a partir desse encontro Sinatra teve certeza que o problema não era o Coronel mas o próprio Elvis, que definitivamente não ia com sua cara. De qualquer modo de um jeito ou outro Elvis abriu as portas não para Sinatra mas para sua filha, Nancy, no filme “Speedway”. Provavelmente fez isso para Frank parar de mandar novas propostas de trabalho juntos.

O curioso é que na década de 70 Elvis foi para Las Vegas, o verdadeiro QG de Sinatra e o Rat Pack. Mesmo assim não houve novamente uma boa aproximação entre ambos. Pra falar a verdade Elvis gostava bem mais de Dean Martin, cantor que admirava e que tinha uma boa amizade. Durante as filmagens de “Saudades de um Pracinha” (G.I. Blues, 1960) Dean Martin havia promovido uma festa surpresa para Elvis e desde então eles se tornaram bons colegas. Em 1977 após a morte de Elvis, Sinatra declarou que “Havia perdido um grande amigo”. Curioso, já que Elvis definitivamente nunca realmente quis ser amigo de Sinatra.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Os Curados

Cada vez mais complicado achar um filme de terror dessa nova safra que seja realmente bom. A maioria dos novos filmes são decepcionantes. Esse "Os Curados" é outra bobagem. Com um roteiro sobre zumbis (o tipo de monstro mais chato que existe), ele tenta inovar um pouco, sem grandes resultados. Bom, o ponto de partido é o de praxe. Um vírus desconhecido se espalha na humanidade. Os infectados viram zumbis, com todo aquele background que já conhecemos bem, aqueles maltrapilhos correndo atrás de cérebros para devorar. Pura rotina. Pois bem, uma cura é encontrada e consegue trazer de volta 75% dos doentes com o vírus. Essas pessoas que ficam boas são chamadas de "os curados". Poderia ser algo bom, mas não, pois eles começam a sofrer preconceito dentro da sociedade. Ninguém consegue confiar neles plenamente. Seria uma metáfora sobre a situação dos imigrantes na Europa atualmente? Penso que sim...

A Ellen Page é uma jovem viúva cujo marido morreu na grande contaminação. Ela recebe seu cunhado, um dos curados. O problema é que ele tem algo a esconder, pois quando infectado participou da morte do próprio irmão, justamente o marido da Page. E assim segue o filme, nesse draminha que pouco convence. A produção é fraca, pobre e sem efeitos visuais. Aliás fazer filme nesse estilo sem os recursos adequados é uma verdadeira cilada, um apocalipse zumbi, porque vai mesmo resultar em um filme ruim. Eu particularmente odeio filmes de zumbis, perdi a paciência sobre esse tipo de produção. A única coisa que me fez assistir a esse filme foi mesmo a presença da atriz Ellen Page cujo trabalho aprecio desde os tempos de "Juno". Bom, se for o seu caso também desista. A Page está apática, sem graça, sem vida. Achei inclusive que ela está envelhecida precocemente. Em um filme fraco como esse, em que nada ajuda, sua presença no elenco se torna apenas um detalhe constrangedor.

Os Curados (The Cured, Irlanda, 2017) Direção: David Freyne / Roteiro: David Freyne / Elenco: Ellen Page, Sam Keeley, Tom Vaughan-Lawlor / Sinopse: Após a proliferação de um vírus que transforma as pessoas infectadas em zumbis, um dos curados pelas novas drogas, volta para casa, para morar com a cunhada e a sobrinha. O problema é que dentro da sociedade surge um preconceito contra esses curados, pois para muitos eles não são de confiança. Haveria uma base de verdade nesse tipo de pensamento?

Pablo Aluísio.

sábado, 9 de junho de 2018

The Beatles - With The Beatles - Parte 2

Desde o primeiro álbum os Beatles sempre deixavam uma música, geralmente a mais simples, para o baterista Ringo Starr cantar. Viroi uma tradição que foi sendo seguida até o último disco. Embora Ringo não tivesse um grande talento vocal, seu timbre de voz era interessante, ideal para rocks mais agitados ou então músicas com sabor country and western. No caso do "With The Beatles" Paul e John reservaram para ele a agitada "I Wanna Be Your Man" que inclusive acabou virando um ponto alto também nos concertos ao vivo do grupo.

Ringo sempre muito animado criava um verdadeiro frisson entre as fãs quando mandava ver na apresentação dessa canção. O interessante é que os Beatles não foram os primeiros a gravarem a canção. John Lennon havia dado de presente aos Rolling Stones a música. Eles a gravaram e a lançaram em fins de 1963. O single com "Not Fade Away" no Lado A foi um dos primeiros sucessos do grupo de Mick Jagger. Talvez esse sucesso todo tenha incomodado um pouco John que resolveu que os Beatles iriam colocá-la em seu novo álbum, algo que os Stones não esperavam. Em entrevistas feitas anos depois John Lennon deixou escapar um certo ressentimento pelo fato dos Rolling Stones terem feito sucesso com uma canção escrita por ele. Chegou até mesmo a desmerecer a música, dizendo que nunca daria algo realmente bom para os Stones gravarem. Foi algo meio rude de sua parte.

"Roll Over Beethoven" era um cover dos Beatles para um velho sucesso de Chuck Berry. Não era surpresa para ninguém que os Beatles adoravam a primeira geração do rock americano, com destaque para Elvis Presley, Little Richard, Buddy Holly e claro o próprio Chuck Berry. A letra era uma gozação de Berry para com os críticos da época que diziam que o Rock ´n´ Roll era um tipo de música muito simples, com letras fracas e melodias primárias. Tudo isso era compensado com a vibração da canção. O interessante é que os Beatles poderiam ter incluído nas faixas do disco dois dos maiores sucessos da banda na época como "She Loves You" e "I Want To Hold Your Hand". O problema é que as gravadoras não incluíam músicas lançadas em singles nos álbuns, nos LPs. Um erro que atingiu a discografia não apenas dos Beatles, mas de outros grandes artistas do rock também. Uma forma de pensar equivocada. Sem ter músicas originais inéditas para tantos lançamentos o jeito foi mesmo gravar esse cover, que aliás ficou excelente, recebendo elogios do próprio Chuck Berry.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Paulo, Apóstolo de Cristo

Filme que procura contar a história de Paulo de Tarso, um dos mais importantes seguidores da mensagem de Jesus. A ideia é boa, bem-vinda, mas a execução deixa a desejar. Tudo surge como algo bem superficial. O centro do roteiro se concentra na amizade entre Lucas e Paulo. Lucas, para quem não sabe, foi um dos escritores do novo testamento, um médico amigo, muito próximo de Paulo, que consegue receber autorização para visitar Tarso na prisão romana. Dessas visitas surgem os primeiros escritos, algo que iria dar origem a um dos primeiros evangelhos. Já estando preso, Paulo vai assim recordando o passado, com passagens importantes em sua vida, quando caiu na estrada de Damasco e teve uma visão do próprio Jesus, que lhe perguntava porque ele o perseguia.

Paulo, um judeu violento e fanatizado, havia perseguido cristãos no advento do nascimento da nova religião. Após a crise em Damasco, ele finalmente mudou os rumos de sua vida, se tornando assim um dos mais comprometidos com a nova causa, se tornando uma figura essencial na difusão da nova crença. Infelizmente, como eu escrevi no começo desse texto, tudo soa um tanto superficial. O surgimento do cristianismo foi algo historicamente marcante, turbulento, cheio de nuances importantes que o roteiro ora ignora, ora trata com extrema superficialidade. A única boa novidade é que o filme serve, pelo menos, como porta de entrada para os que tiveram curiosidade para se aprofundar na obra de Paulo. Só que nesse caso não haverá outro jeito, pois apenas com a leitura das obras certas você terá uma consciência maior sobre esse homem que foi um dos mais importantes no nascimento do cristianismo tal como o conhecemos.

Paulo, Apóstolo de Cristo (Paul, Apostle of Christ, Estados Unidos, 2018) Direção: Andrew Hyatt / Roteiro: Terence Berden, Andrew Hyatt / Elenco: Jim Caviezel, James Faulkner, Olivier Martinez / Sinopse: O filme conta a história de Paulo de Tarso, um judeu convertido ao cristianismo, antigo perseguidor de cristãos que abraça a nova fé, fazendo da mensagem de Jesus de Nazaré o seu objetivo de vida.  Filme baseado em fatos históricos reais, no nascimento dos primeiros escritos que dariam origem ao Novo Testamento.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Histórias de Rock Hudson - Parte 2

Enquanto Rock Hudson ia se firmando dentro da Universal, ele começou a desenvolver duas paixões que jamais o abandonariam até o fim de sua vida: colecionar discos e viajar. Rock gastava um valor enorme de seu salário na compra de discos, de todos os gêneros, que colecionou com grande dedicação até sua morte. Era um aficcionado por música. Certa vez declarou: "Não consigo viver sem música. É como o ar que respiro. Mal chego do estúdio depois de um dia de trabalho duro e a primeira coisa que faço é ligar meu toca-discos". De fato Rock não curtia um novo invento que estava chegando em todos os lares durante os anos 1950, a TV, mas se esbaldava nos fins de semana, comprando todos os vinis que encontrava pela frente. Era de fato um colecionador voraz, desses que pagam pequenas fortunas por discos raros, com selos diferentes ou edições limitadas. Esse hobby encontrou alguns contratempos ao longo da vida. Quando estava no complicado processo de divórcio de sua primeira e única esposa, ela em um acesso de fúria começou a quebrar os raros exemplares que Rock havia movido montanhas para comprar.  Suas cópias raras de Ella Fitzgerald e Duke Ellington ficaram em pedacinhos em questões de minutos. Talvez por isso Rock tenha jurado aos amigos mais próximos que jamais se casaria novamente, promessa que aliás cumpriu com afinco.

Além de colecionar vinis, Rock adorava viajar pelo mundo. Assim que virou um astro em Hollywood ele começou a cruzar os céus e os mares para conhecer outras culturas, outros países. A primeira viagem que fez e o encantou foi na Itália. Rock voltaria para lá várias vezes, inclusive algumas a trabalho quando filmou filmes na região, mas nada superaria o prazer de conhecer velhos castelos e vilas medievais. Rock não era um turista tradicional, desses que compram pacotes fechados de viagem. Ele queria também sentir a emoção da aventura. Assim não raro alugava um carro em algum país europeu e saía viajando pelas estradas, sem rumo certo. Rock certa vez realizou uma longa viagem de automóvel que começou em Portugal, atravessou a Espanha, França e terminou quase nas fronteiras da cortina de ferro, a barreira erguida pela União Soviética separando os países socialistas do resto da Europa. Ele até tentou aprender algumas línguas, mas depois de várias tentativas de aprender francês reconheceu que não era sua praia. Rock se considerava velho demais para se tornar um bom aluno de língua estrangeira.

Obviamente que sua vida pessoal e privada continuava fechada a sete chaves. Nas entrevistas promocionais Rock se mostrava simpático, alegre, e diplomaticamente fechado. Como se soube muitos anos depois Rock escondeu por décadas suas verdadeiras preferências sexuais, afinal ele era gay. Aos poucos porém isso foi deixando de ser um problema para ele, do ponto de vista estritamente pessoal. A publicação do livro "Sexual Behavior in the Human Male" de Alfred C. Kinsey, foi o ponto chave na aceitação de sua homossexualidade. Por anos Rock viveu com culpa e vergonha, se sentindo inferior ou uma aberração. O livro do professor Kinsey colocava muitos mitos ao chão. Assim o fato de ser gay não poderia ser mais considerado uma doença ou um desvio de caráter. O cientista havia concluído com suas pesquisas que a homossexualidade era algo natural na natureza. Muitos animais seguiam essa tendência e não havia nada de errado nisso. Para completar, ele afirmava em seus estudos que praticamente todos os seres humanos tinham uma tendência natural para gostar de outros humanos do mesmo gênero. Poucos eram absolutamente heterossexuais. Havia uma escala que ia da homossexualidade absoluta até a heterossexualidade completa. Os seres humanos geralmente ficavam no meio dessa escala, indo para um lado ou para o outro. Rock e a comunidade gay da Califórnia receberam com alívio essas conclusões. Afinal naquela época ser gay era algo completamente condenável, tanto do ponto de vista legal, social e até científico. Kinsey deu uma nova visão sobre o tema. Claro que Rock não iria se assumir publicamente, afinal ele interpretava galãs nos filmes e se o fato de ser gay viesse a público ele seria ridicularizado. Dentro de sua alma porém ele se sentia aliviado.

Já profissionalmente as coisas caminhavam bem. Todo fim de ano a Universal publicava uma lista de atores demitidos, dos quais ela não tinha mais interesse em continuar sob contrato. Era um momento de tensão para os jovens aspirantes a astro do estúdio. Rock temia ser demitido, mas para sua felicidade continuou dentro do cast da empresa. Outro de sua mesma turma que ganhou novo contrato foi o futuro astro Tony Curtis. Agora Rock poderia respirar mais aliviado. Como era um tipo grande, alto e forte, lembrando os pioneiros que foram para o oeste em busca de uma nova vida, Rock foi imediatamente escalado para contracenar com James Stewart e Shelley Winters no faroeste "Winchester '73". A direção seria do grande diretor do gênero Anthony Mann. O papel de Rock não era muito significante, mas tinha o espaço suficiente para que ele se mostrasse bem na tela, além disso havia bons diálogos para declamar. Era o começo de uma nova virada profissional em sua vida no cinema.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Mary Shelley

Gostei bastante desse filme. O nome da escritora Mary Shelley está ligado para sempre ao seu livro mais famoso, aquele que a tornou imortal. Ela tinha apenas 18 anos de idade quando escreveu "Frankenstein". Como isso aconteceu? É justamente essa história que o roteiro desse filme conta. Quando o filme começa Mary é apenas uma garota de 16 anos de idade que mora com o pai e os irmãos em Londres. Sua mãe faleceu no parto e seu pai viúvo ganha a vida com dificuldades, vendendo livros em um pequeno negócio. E foi justamente nesse mundo de apertos financeiros e muitos livros ao redor que Mary foi criada.

Ele gostava de livros com histórias de fantasmas. Para desgosto do pai ela ia até um cemitério próximo de sua casa, onde sua mãe estava enterrada, para ler livros de literatura gótica, muito populares na Inglaterra naquela época. Depois de alguns anos seu pai decidiu que ela deveria ir até a Escócia, passar uma temporada por lá. Foi justamente nessa região que ela iria conhecer o amor de sua vida, o poeta Percy Shelley. O filme assim vai mostrando o namoro do casal, a explosão da paixão ao som dos versos do jovem poeta e depois a decepção completa por parte dela ao saber que Percy já era casado, com esposa e filha pequena para criar. Imagine o escândalo que isso provocou.

O filme é focado mesmo na vida pessoal de Mary. Seu conturbado romance com Percy, as dificuldades dos primeiros anos, quando o casal ficou praticamente na miséria, a amizade com o infame e libertino Lord Byron e finalmente a criação da maior obra prima literária da jovem autora, o livro "Frankenstein ou o Moderno Prometeu", publicado pela primeira vez em 1823. Em apenas pouco mais de 200 páginas ela conseguira mudar a literatura de terror para sempre, criando um dos personagens mais famosos da história. O mais importante do filme porém é realmente o resgate da vida sofrida da autora. Uma jovem vitoriana que fez suas escolhas e pagou caro por elas. Conseguiu superar preconceitos, tragédias pessoais e se firmou no mundo da literatura, que na época era bem machista e conservador. Um filme essencial para quem quiser conhecer melhor a trajetória de vida de Mary Shelley e como isso influenciou na criação de sua maior obra prima.

Mary Shelley (Inglaterra, Estados Unidos, 2017) Direção: Haifaa Al-Mansour / Roteiro: Emma Jensen, Haifaa Al-Mansour / Elenco: Elle Fanning, Maisie Williams, Ben Hardy / Sinopse: Aos 16 anos de idade a jovem Mary (Elle Fanning) conhece o poeta Percy Shelley em uma fazenda na Escócia. A aproximação muda a vida dela para sempre. Completamente apaixonada, se entrega de corpo e alma ao poeta, ao mesmo tempo em que enfrenta escândalos, traições e privações pessoais de todas as formas. Filme baseado na história pessoal da escritora Mary Shelley, autora do livro "Frankenstein".

Pablo Aluísio. 

 

terça-feira, 5 de junho de 2018

Marlon Brando em Hollywood - Parte 2

"Sindicato de Ladrões" foi de certa maneira uma forma que o diretor Elia Kazan encontrou de se justificar aos seus colegas de profissão após ter dedurado uma série de profissionais do cinema e teatro para o comitê de atividades anti americanas. Parte dessas pessoas tinham participado do Partido Comunista americano e isso era algo muito sério naquela época. Para escapar da prisão ou talvez até mesmo de ser banido de Hollywood, Kazan resolveu entregar todos aqueles que ele sabia serem membros do Partido. Obviamente que aquilo tudo pegou muito mal e da noite para o dia Kazan passou a ser um nome a ser evitado. Como contornar uma situação dessas? A resposta caiu no colo de Kazan poucas semanas depois.

No roteiro desse filme também havia um sujeito que fora forçado pela situação para entregar os nomes de pessoas que tinham se envolvido em esquemas de corrupção. Quando Marlon Brando foi convidado para o papel de Terry Malloy ele imediatamente disse não, mas depois acabou sendo convencido que seria mais uma boa oportunidade de realizar um grande filme - e isso era a mais absoluta verdade. As filmagens se concentraram entre Nova Iorque e Hoboken, New Jersey e foram muito duras. Com baixas temperaturas, Brando precisou aprender parte da manha dos trabalhadores braçais do porto da cidade. Acabou fazendo amizades entre eles e em pouco tempo estava completamente à vontade em seu papel.

Por ser uma obra delicada que serviria a um propósito maior, Kazan queria seguir o script à risca, mas isso definitivamente não aconteceria com Marlon Brando no elenco. Numa cena com Rod Steiger e ele, o diretor sugeriu uma determinada situação de confronto no banco de trás de um carro. Brando achou que duas pessoas tão próximas como eram os personagens deles nunca se tratariam daquele jeito e por isso sugeriu mudanças. Ao invés de acontecer uma luta insana e feroz, o personagem de Brando apenas olharia com rosto chocado quando Steiger lhe apontasse uma arma. Era uma reação mais natural. Após um longo combate criativo Kazan finalmente se convenceu que Brando estava mesmo com a razão. Para Brando a resposta positiva por parte de Kazan confirmava o que ele pensava do diretor: que ele era de fato um dos cineastas mais brilhantes da história de Hollywood. Por seu engajamento no filme e principalmente por sua ótima atuação, Brando mais uma vez acabou sendo indicado ao Oscar de Melhor Ator.

Hoje em dia, depois que Brando recusou seu Oscar por "O Poderoso Chefão", todos conhecem a extrema ojeriza que o ator sentia pela Academia, mas naquela época, ainda um jovem talento em ascensão, Brando decidiu que compareceria à premiação. Para sua surpresa seu nome foi anunciado e ele, pela primeira vez em sua carreira, seria premiado com a estatueta mais cobiçada do cinema americano. Usando um comportado terno, todos sorrisos, Brando subiu ao palco e recebeu seu Oscar das mãos de uma princesa, Grace Kellly. Estaria o mais famoso selvagem de Hollywood devidamente domado? Pelo menos naquela noite memorável sim. Brando foi um perfeito gentleman. Agradeceu até emocionado pelo reconhecimento e depois fez um discurso bem nos moldes que todos esperavam, sem atropelos ou escândalos. Anos depois o Oscar de Brando foi parar numa casa de leilões. Em seu livro o ator reconheceu não se lembrar mais onde ele havia ido parar, mas depois de um ou dois minutos admitiu que o havia dado de presente - só não lembrava direito a quem! Imagine, o prêmio mais desejado de Hollywood indo parar nas mãos de qualquer um... enfim, coisas de Marlon Brando...

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

As vidas de Marilyn Monroe - Parte 3

O sucesso de "Os Homens Preferem as Loiras" elevou Marilyn Monroe ao time das grandes atrizes de Hollywood. De repente a jovem aspirante que estava sempre implorando por papéis insignificantes havia sido catapultada para o grupo de elite do elenco da Fox. Com o sucesso veio também a pressão. Marilyn era agora nome certo nas listas das principais festas e premiações da indústria do cinema. Além disso veio junto também toda a repercussão na mídia, nas revistas de cinema, de moda e nos ensaios de publicidade. Marilyn, no fundo apenas uma jovem garota que mal conseguia organizar os aspectos mais simples de sua vida, tinha agora que se manter na linha, comparecer a todos os eventos, sempre surgindo com a melhor imagem possível. Por essa época a Fox incentivava seus astros a se consultarem regularmente com o departamento médico da empresa. O objetivo não era apenas ajudar seu elenco, mas principalmente ficar de olho se todos estavam bem tanto do ponto de vista médico como psicológico.

Nem é preciso ser expert na história de Marilyn para entender que ela deixava muito a desejar nesse último aspecto. Com um histórico de vida muito complicado a atriz vivia em um fio de navalha, tentando se mostrar segura, firme e de bem com a vida em público, enquanto que na vida pessoal as coisas pareciam desmoronar rapidamente. Marilyn tinha um segredo: ela estava se viciando em bolinhas, como eram chamadas as pílulas em Los Angeles durante os anos 50. Para se manter magra, esbelta e atenta com tudo o que acontecia ao redor, Marilyn começou a usar uma enorme série de inibidores de apetite, de estimulantes e soníferos. Era uma roleta russa. Para ficar bonita Marilyn tomava os inibidores. Para ficar sóbria e atenta nos sets de filmagens usava estimulantes e para conseguir dormir depois muitos soníferos. Sua figurinista na Fox sempre ficava surpresa quando Marilyn surgia no estúdio com um saco cheio de comprimidos, de todas as cores e tamanhos.

Esse uso indiscriminado de drogas muitas vezes trazia problemas para a atriz. Ao misturar todos eles com champagne, que Marilyn tomava durante as festas, era criada uma reação que ora a deixava completamente nauseada, ora totalmente bêbada. E quando Marilyn ficava de pileque ela costumava dar vexames em público, ficando super agitada, dando gritinhos e saindo seduzindo despudoradamente todos que encontrava no meio do salão, até mesmo dando em cima de homens casados na frente de suas próprias esposas. Era uma situação delicada. Numa dessas festas aconteceu uma saia justa. Marilyn esbarrou na cantora Billie Holiday. A atriz era grande fã daquela voz e estilo únicos e quis lhe conhecer, mas Billie Holiday a esnobou e o pior, foi extremamente grosseira, chegando ao ponto de lhe chamar de "puta"!

A Fox também logo entendeu que Marilyn não podia ficar muito tempo sem trabalhar pois ela, mais cedo ou mais tarde, se envolveria em confusões na sua vida pessoal. Assim o estúdio a escalou para filmar a comédia musical "Como Agarrar um Milionário". O filme seria dirigido por Jean Negulesco e contaria o divertido enredo envolvendo três mulheres  interesseiras em busca de maridos ricos. Marilyn dividiria o estrelato com duas outras famosas atrizes: Betty Grable e Lauren Bacall! Eram veteranas, profissionais e muito queridas em Hollywood. Perto delas Marilyn era apenas uma novata de sorte. Será que juntar três estrelas desse naipe em um só filme daria realmente certo? Só o tempo responderia a essa pergunta...

Pablo Aluísio.

domingo, 3 de junho de 2018

Elvis Presley - It´s Now Or Never / A Mess of Blues

O primeiro single de Elvis após sua volta aos Estados Unidos foi “Stuck On You / Fame and Fortune”. O compacto vendeu bem, alcançou boas posições nas paradas, mas definitivamente não causou maior impacto dentro da indústria fonográfica. Elvis precisava de um big hit, um sucesso espetacular para provar que não havia perdido o seu talento de ser fenomenal também no aspecto puramente comercial. E esse grande sucesso veio. Em julho de 1960 chegou nas lojas o novo single de Elvis Presley com “It´s Now Or Never” no lado A e “A Mess of Blues” no lado B.

De inicio a crítica estranhou o fato de Elvis estar gravando uma versão em língua inglesa da famosa canção italiana “O Sole Mio”. O cantor havia tomado contato com ela enquanto estava na Europa, servindo o exército americano. Era inevitável e praticamente impossível um artista como Elvis não sofrer qualquer tipo de influência enquanto estivesse no velho continente. Presley absorveu as sonoridades que ouviu por lá e as trouxe para a América, incorporando ao seu som. O resultado foi muito bom pois trouxe variedade ao seu repertório. No começo Elvis pensou em gravar uma nova releitura da primeira versão em língua inglesa de “O Sole Mio” chamada "There's No Tomorrow", gravada pelo cantor Tony Martin em 1949, mas depois mudou de ideia.

A RCA então designou dois compositores de Nova Iorque, Wally Gold e Aaron Schroeder, para que fizessem uma nova versão. Assim nasceu “It´s Now Or Never”. Desnecessário até falar muito sobre o impacto que essa canção teve ao ser lançada. Basta dizer apenas que rapidamente se tornou o single mais vendido da carreira de Elvis até então. A primeira semana nas lojas americanas foi um estrondo. O compacto vendeu inacreditáveis seis milhões de cópias, sendo superado na semana seguinte com oito milhões de exemplares. Um fenômeno. E o sucesso se espalhou pelo mundo afora, se tornando finalmente o grande estouro que a RCA vinha esperando desde que Elvis voltara. Embora estimativas precisas sejam complicadas de se chegar, em razão dos problemas de comunicação e documentação da época, o fato é que especula-se que o single “It´s Now Or Never” tenha vendido ao total algo em torno de 22 a 25 milhões de cópias em todo o mundo. Foi o produto fonográfico mais bem sucedido da história até aquela data, virando um marco de vendas e um recorde que seria complicado de superar! Nunca Elvis havia vendido tantas cópias de apenas uma música em sua carreira!

O lado B “A Mess of Blues” foi obviamente subestimado, mas também era uma excelente gravação de Elvis em um momento particularmente muito inspirado de sua voz. Essa gravação tinha todas as características que fizeram de seu disco "Elvis is Back!" um dos mais interessantes de sua discografia. Aliás a canção foi gravada para fazer parte desse álbum, mas a RCA Victor achou por bem trazer qualidade nesse compacto também em seu lado B. A gravadora já vinha apostando no sucesso do single antes mesmo dele começar a ser produzido. Depois do sucesso confirmando nas lojas a RCA finalmente pôde respirar aliviada. Elvis, o fenômeno de vendas, estava definitivamente de volta ao mercado.

It's Now Or Never (Aaron Schroeder - Wally Gold / Di Capua) - It's now or never, / come hold me tight / Kiss me my darling, / be mine tonight / Tomorrow will be too late, / it's now or never / My love won't wait. / When I first saw you / with your smile so tender / My heart was captured, / my soul surrendered / I'd spend a lifetime / waiting for the right time / Now that your near / the time is here at last. / It's now or never, / come hold me tight / Kiss me my darling, / be mine tonight / Tomorrow will be too late, / it's now or never / My love won't wait. / Just like a willow, / we would cry an ocean / If we lost true love / and sweet devotion / Your lips excite me, / let your arms invite me / For who knows when / we'll meet again this way / It's now or never, / come hold me tight / Kiss me my darling, / be mine tonight / Tomorrow will be too late, / it's now or never / My love won't wait. / Data de Gravação: 3 de abril de 1960.

A Mess of Blues (Doc Pomus / Mort Shuman) - I just got your letter baby / Too bad you can't come home / I swear I’m goin' crazy / Sittin' here all alone / Since your gone / I got a mess of blues / I ain't slept a week since Sunday / I can't eat a thing all day / Every day is just blue Monday / Since you've been away / Since your gone / I got a mess of blues / Whoops there goes a teardrop / Rollin' down my face / If you cry when you're in love / It sure ain't no disgrace / Whoops there goes a teardrop / Rollin' down my face / If you cry when you're in love / It sure ain't no disgrace / I gotta get myself together / Before I lose my mind / I'm gonna catch the next train goin' / And leave my blues behind / Since your gone / I got a mess of blues / I got a mess of blues / Data de Gravação: 20 de março de 1960.

Elvis Presley - It´s Now Or Never / A Mess of Blues (RCA Victor, EUA, 1960)
Data de gravação: 3 de abril e 20 de março de 1960
Local de gravação: RCA Studio B, Nashville, Tennessee
Produção: Steve Sholes / Chet Atkins
Engenheiro de Som: Bill Porter
Músicos: Elvis Presley (vocais e violão) / Hank Garland (guitarra) / Scotty Moore (guitarra) / Bob Moore (baixo) / D.J. Fontana (bateria) / Murrey "Buddy" Harman (bateria) / Homer "Boots" Randolph (sax) / Floyd Cramer (piano) / The Jordanaires: Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker (Backup Vocals).

Pablo Aluísio.

sábado, 2 de junho de 2018

In Darkness

Tipicamente aquele caso de filme que começa bem, mas que depois vai decaindo, decaindo... até chegar em um final decepcionante. Quando o filme começa conhecemos a protagonista, uma jovem cega chamada Sofia (Natalie Dormer). Apesar de seu problema ela tenta ter uma vida normal. Todos os dias vai para o trabalho de metrô. Ela é uma pianista talentosa, que atua numa orquestra de sua cidade. A vida vai seguindo em frente até que sua vizinha cai (ou é jogada) de seu apartamento. A polícia logo a interroga, atrás de informações, já que Sofia mora no apartamento de baixo, então se ela tivesse ouvido alguma coisa seria de grande ajuda. Sofia nega, diz que não ouviu nada no dia da morte, mas está mentindo. Pessoas com problemas em alguns dos sentidos acaba desenvolvendo muito bem todos os outros. Ela não vê nada, mas ouviu tudo o que aconteceu. Vira logo uma peça chave na solução do crime.

Assim o que poderia ser um thriller de suspense dos mais interessantes acaba se perdendo bastante quando o roteiro vai se desenvolvendo e percebemos que Sofia nem é a pessoa indefesa e vulnerável que pensamos. Por falar em roteiro ele foi escrito pela própria atriz Natalie Dormer. Assim de nome você provavelmente não vai se lembrar dela, mas se gosta de séries a reconhecerá imediatamente. Ela foi a trágica rainha Ana Bolena em "The Tudors". Mais recentemente esteve em "Game of Thrones" no papel de Margaery Tyrell. Em eventos de cultura nerd ela é sempre muito bem recebida, causando sensação nos fãs da série. Pois bem, nesse filme aqui a fantasia é deixada de lado. No background de tudo está a guerra dos Balcãs, mas revelar mais seria estragar algumas surpresas do roteiro. No geral não achei um grande filme. Ele, como já escrevi, começa bem, apostando numa trama simples, mas se perde ao querer trazer complexidade demais nos eventos que se sucedem. Muitas vezes a simplicidade é o melhor caminho a seguir.

In Darkness (Inglaterra, Estados Unidos, 2018) Direção: Anthony Byrne / Roteiro: Anthony Byrne, Natalie Dormer / Elenco: Natalie Dormer, Emily Ratajkowski, Ed Skrein / Sinopse: Sofia (Natalie Dormer) é uma jovem pianista que tenta levar uma vida normal apesar de ser cega. Uma noite sua vizinha do andar de cima cai (ou e é jogada) de seu apartamento e morre. Depois disso Sofia vira alvo da polícia e dos supostos criminosos, todos tentando descobrir o que ela ouviu naquela noite em que tudo aconteceu.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

True Crimes

Provavelmente você cresceu assistindo aos filmes do Jim Carrey. As comédias malucas, onde o ator comediante sempre exagerava nas caretas a cada nova cena. Ele fez muito sucesso nessa linha. Agora, aos 56 anos de idade, ele tem procurado por novos caminhos. Nada de comédias, nada de personagens como o Máscara. Aqui ele interpreta um policial polonês. Após cair em desgraça dentro da corporação ao plantar provas falsas e ser descoberto por isso, ele vê uma chance de recomeçar ao se deparar com um velho caso sem solução. Uma investigação de um rapaz que foi brutalmente assassinado. Envolvido em uma rede de prostituição e masoquismo, acabou sendo morto por um cliente que foi longe demais. O mais intrigante é que mesmo após anos de investigação a polícia nunca conseguira chegar na identidade do assassino. Seria algum figurão intocável?

O tira envelhecido interpretado por Carrey vai juntando as pistas e acaba chegando na figura de um escritor de livros sobre perversão sexual. Nem preciso dizer que as coisas vão se complicando cada vez mais, até chegar em pessoas que estavam acima de qualquer suspeita. Achei o filme bem pesado. Não há lugar para ironias ou tiradas cômicas. Aquele lado da Europa que penou com o comunismo surge cinza, escura, fria e triste. O lugar ideal para degenerados sexuais surgirem para explorar jovens e inocentes garotas. Fica claro desde a primeira cena que Jim Carrey quer provar que pode topar qualquer personagem, qualquer desafio. Sem um pingo de humor o seu investigador policial é um homem sem esperanças. Ficando careca, barrigudo e com um grande barba branca messiânica que em nada lembra seu passado como Clown. Nunca deixa de ser interessante ver Carrey interpretando alguém tão sinistro, mas também fica o gostinho de decepção no ar ao perceber que o filme nunca chega a funcionar muito bem. É um potencial que não se cumpre em seus noventa minutos de duração.

True Crimes (Dark Crimes, Inglaterra, Estados Unidos, Polônia, 2016) Direção: Alexandros Avranas / Roteiro: Jeremy Brock, baseado em artigo escrito por David Grann / Elenco: Jim Carrey, Charlotte Gainsbourg, Marton Csokas / Sinopse: Veterano investigador, em crise na carreira após ter plantado provas em um caso explorado pela imprensa, vê a grande chance de recuperar seu prestígio como policial ao reabrir um velho caso arquivado de homicídio. As novas pistas o levam até um escritor de romances pornográficos e pervertidos, mas isso parece ser apenas a ponta do iceberg, envolvendo uma extensa rede de prostituição e masoquismo nos porões da cidade.

Pablo Aluísio.