domingo, 20 de maio de 2018

Elvis Presley - Stuck On You / Fame and Fortune

O mundo havia mudado. O tempo em que Elvis passou no exército, longe na Alemanha, o tinha mantido afastado da indústria fonográfica por longos dois anos. Nesse meio tempo astros de sua época afundaram, foram presos, morreram em acidentes e o cenário de estrelas musicais em evidência era outro completamente diferente. A indústria ciente da força do mercado juvenil investiu fortemente em ídolos muitos jovens (na faixa de 16 anos), com visual impecável, comportamento exemplar e bom mocismo. O rock de astros negros como Chuck Berry e Little Richard tinha ficado para trás.

As canções que faziam sucesso agora eram da linha pop romântica adolescente. Nada de rebeldia ou afronta aos valores dos pais. As letras falavam geralmente do mesmo tema, a paixão na escola, a garota ideal, o romantismo de tentar conquistá-la. O romantismo pueril estava de volta. O curioso é que houve um grande retrocesso nas próprias letras, se nas músicas de Chuck Berry ele usava de carrões para dar uns amassos nas garotas, os personagens do novo bom mocismo tinham um outro comportamento. Agora os carinhas das músicas usavam os carros dos pais (obviamente emprestados) para levar as mocinhas aos bailes da escola. Tudo muito bem comportado, é bom explicar. Nada de cruzar o sinal como fazia Berry.
 
Diante desse novo cenário a música de Elvis também mudou. Nos primeiros singles que Presley lançou logo após deixar o exército praticamente não havia mais rocks (e os que apareciam eram muito suaves). Ele se concentrou em também abraçar um pop romântico mais inofensivo. Um exemplo disso é esse seu primeiro compacto após voltar para a vida artística nos EUA. “Stuck On You / Fame and Fortune” é um single pop por excelência.

Nas paradas reinava há nove semanas a ultra romântica "Theme from A Summer Place" de Percy Faith. Embora tivesse uma melodia lindíssima – que até hoje emociona – aquilo definitivamente não tinha mais nada a ver com Rock ´n´ Roll. Elvis, a RCA e o Coronel Parker preferiram ir por essa linha ao invés de tentar ressuscitar o velho Rock dos anos 50, que agora cheirava mal e causava desconfiança nos mais velhos. Afinal Elvis havia virado também um bom moço, após servir o exército e sair com ficha impecável em seu serviço militar. Sai o Elvis roqueiro e entra o Elvis pop. Apesar disso nenhuma das faixas deixam a desejar, são inegavelmente boas canções, belamente executadas, mas que não tinham mais nenhum sinal do bom e velho rock de Elvis Presley. Pois é, o mundo havia mudado e o Rei... do Rock também.

Elvis Presley - Stuck On You / Fame and Fortune (1960)
Elvis Presley (vocais e guitarra) / Hank Garland (baixo e guitarra) / Scotty Moore (guitarra) / Bob Moore (baixo) / D.J. Fontana (bateria) / Murrey "Buddy" Harman (bateria) / Floyd Cramer (piano) / The Jordanaires: Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker (Backup Vocals) / Prudução: Steve Sholes e Chet Atkins / Engenheiro de Som: Bill Porter / Local de Gravação: RCA Studio B, Nashville, Tennessee, EUA.

Stuck On You (Aaron Schroeder - J. Leslie McFarland) - You can shake an apple off an apple tree / Shake-a, shake- sugar, / But you'll never shake me / Uh-uh-uh / No-sir-ee, uh, uh / I'm gonna stick like glue, / Stick because I'm Stuck on you / Gonna run my fingers thru your long black hair / Squeeze you tighter than a grizzly bear / Uh-uh-uh, / Yes-sir-ee, uh, uh / I'm gonna stick like glue / Stick, because I'm Stuck on you / Hide in the kitchen, hide in the hall / Ain't gonna do you no good at all / 'Cause once I catch ya and the kissin' starts / A team o' wild horses couldn't tear us apart / Try to take a tiger from his daddy's side / That's how love is gonna keep us tied / Uh-uh-uh / Yes-sir-ee, uh,uh / I'm gonna stick like glue / Stick, because I'm Stuck on you / Hide in the kitchen, hide in the hall / Ain't gonna do you no good at all / 'Cause once I catch ya and the kissin' starts / A team o' wild horses couldn't tear us apart / Try to take a tiger from his daddy's side / That's how love is gonna keep us tied / Uh-uh-uh / Yes-sir-ee, uh,uh / I'm gonna stick like glue / Stick, because I'm Stuck on you / I'm gonna stick like glue / Stick, because I'm Stuck on you / I'm gonna stick like glue / Stick, because I'm Stuck on you / Gravado no dia 21 de março de 1960.

Fame And Fortune (Fred Wise - Ben Weisman) - Fame and fortune / how empty they can be / But when I hold you in my arms / That's heaven to me / Who cares for fame and fortune / They're only passing things / But the touch of your lips on mine / Makes me feel like a king / Your kind of love is a treasure I hold / It's so much greater / than silver or gold / I know that I have nothing / If you should go away / But to know that you love me / Brings fame and fortune my way / But to know that you love me / Brings fame and fortune my way / Gravado no dia 21 de março de 1960.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

sábado, 19 de maio de 2018

The Beatles - With The Beatles - Parte 1

A primeira composição de George Harrison a entrar em um álbum dos Beatles foi justamente essa gravação de "Don't Bother Me" que ouvimos nesse disco. Claro que com os anos George iria melhorar muito em termos de melodia e letra, mas aqui já demonstra bons sinais de seu talento. Não é uma grande canção, diria que é até mesmo uma criação básica, mas que serviu para quebrar o gelo. Além disso trazia em sua letra aspectos da própria personalidade do "Beatle quieto", afinal uma música que tinha uma mensagem de "Não me perturbe" não poderia ser mais característica do Beatle. Enquanto Paul sempre trazia o lado mais romântico e otimista e John surgia com o rock mais ácido e pessimista, George fazia contrabalanço aos dois, tentando aparecer e se esconder ao mesmo tempo no meio dos dois gênios.

"All My Loving" provavelmente seja uma das canções mais populares desse álbum. Embora muitos a associem a Paul exclusivamente, essa foi uma criação a quatro mãos, com Paul e John trocando ideias face a face. Claro que a letra foi criada quase que exclusivamente por McCartney, baseada em seu relacionamento com a atriz Jane Asher, porém John apareceu dando importantes dicas no desenvolvimento da melodia em si. Para John a canção tal como fora apresentada pela primeira vez por Paul nos estúdios Abbey Road ainda não tinha o pique necessário. Foi John então que a acelerou um pouco, trazendo mais vida para a música. Ficou excelente após a colaboração de Lennon. George Martin decretou após ouvir o primeiro ensaio: "É isso, está perfeita, vamos gravar!".

Voltando para a letra seria interessante dar uma olhada em seus versos: "Feche os olhos e eu te beijarei / Amanhã sentirei sua falta / Lembre-se que sempre serei verdadeiro / E quando eu estiver longe / Vou te escrever todo dia / E mandar todo meu amor pra você / Vou fingir que estou beijando / Os lábios dos quais sinto falta / E torcer para meus sonhos virarem realidade".

Eu poderia classificar esse tipo de sentimento presente na letra como um amor adolescente, algo que poderia ter sido escrito por um colegial apaixonado pela garota da escola. Não estou escrevendo isso para desmerecer Paul como letrista, mas sim para salientar como é também arriscado escrever canções de amor para o público jovem. Paul, como bem demonstrou o sucesso da balada, acabou acertando em cheio. Até porque o público dos Beatles por essa época era formado basicamente por jovens histéricas que gritavam pelos membros do grupo nos shows. Foi justamente para essas fãs que Paul escreveu essas palavras. Nada mais complicado do que captar o sentimento dessas garotas em versos e melodia.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Montgomery Clift - Além da Alma - Parte 1

Edward Montgomery Clift nasceu em uma família aristocrata de Omaha, Nebraska, a mesma cidade que deu ao mundo outro gênio da atuação, Marlon Brando. Entre os dois atores haveria sempre uma coincidência de destinos. Eles nasceram na mesma década (Clift em 1920 e Brando em 1924) e na mesma cidade. Durante os anos 1950 se tornariam grandes astros do cinema americano, elogiados por suas grandes atuações nas telas. Apenas as origens sociais eram diferentes. Enquanto Montgomery Clift nasceu no lado rico de Omaha, em uma família bem tradicional da cidade, Brando era apenas o filho de um caixeiro viajante, membro de uma família bem disfuncional que vivia no lado pobre de Omaha, do outro lado da linha do trem.

Mesmo assim o destino e a sétima arte os uniriam, até mesmo porque a riqueza da família Clift seria tragada por causa da grande depressão que arrasaria a economia americana em 1929, durante a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque. O pai de Monty, um rico especulador de ações, perderia praticamente tudo com a crise. Arruinados financeiramente, a família Clift mudou-se então para Nova Iorque, deixando o meio oeste durante os anos 1930. Essa mudança de cidade iria também mudar para sempre o destino de Montgomery Clift. Criado para ser um dândi da elite de Nebraska, ele precisou rever seus conceitos na grande cidade, na grande Maçã, como Nova Iorque era conhecida.

Ao invés de estudar em colégios privados tradicionais ele foi parar em uma escola pública do Brooklyn. Monty que sempre havia estudado com jovens ricos e bem educados de Omaha, se viu de repente no meio de um pessoal mais barra pesada, que partia para a briga nos intervalos. Nova Iorque era realmente uma selva e para sobreviver por lá o jovem Monty precisou se impor, não por meio de sua educação refinada, mas sim pela força dos punhos. Sem dúvida foi uma mudança brutal, de um meio aristocrático, para um realidade bem mais pé no chão.

Em meio a tantas mudanças algo no novo colégio mudaria para sempre sua vida. Ele se apaixonou pelo teatro. O departamento teatral da escola era muito bom, muito original, um ambiente que valorizava o talento dos alunos que mostravam o interesse pela arte de interpretar. Monty foi fisgado desde os primeiros dias. Ele sabia que Nova Iorque era um dos lugares mais efervescentes do mundo em termos teatrais. Havia muitas peças sendo encenadas na Broadway e no circuito Off-Broadway. As oportunidades estavam em todos os lugares. Vendo que poderia arranjar trabalho no meio teatral da cidade ele se empenhou nas peças escolares em que atuou. Seu objetivo era ganhar experiência para partir para a Broadway, até porque trabalhar havia se tornado uma necessidade em sua casa, pois seu pai enfrentava muitas dificuldades para arranjar um emprego.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Desejo de Matar

O filme "Desejo de Matar" de 1974 foi um dos maiores sucessos da carreira do ator Charles Bronson. Grande sucesso de bilheteria rendeu várias continuações ao longo dos anos. Agora temos um ramake daquele clássico de ação. No lugar de Bronson entra Bruce Willis. A trama segue basicamente a mesma, com pequenas e pontuais modificações. A profissão do protagonista, por exemplo, mudou. No filme original ele era um arquiteto, agora Willis interpreta um médico. De resto tudo segue na mesma linha. Ele é o pai da família feliz, com uma bela esposa e uma filha estudiosa que está prestes a entrar na universidade. Tudo caminhando muito bem, até que a família se torna vítima da extrema violência que assola Chicago.

Três criminosos invadem a casa, fazendo de reféns mãe e filha. Eles querem dinheiro e joias que estão em um cofre. O assalto foge do controle quando a filha tenta reagir, no meio da confusão as duas são baleadas. O Dr. Paul Kersey (Bruce Willis),  considerado um homem racional e equilibrado, começa a perceber que nem sempre confiar nas forças policiais traz algum resultado. O departamento tem centenas de casos abertos, sem solução. Há poucos investigadores para tantos crimes. Os homens que mataram sua esposa estão soltos, livres para cometer outros assassinatos. Assim ele resolve fazer justiça com as próprias mãos. Com a posse de uma arma, ele começa a investigar, ir atrás dos criminosos. Quem assistiu a algum filme da série original "Desejo de Matar" sabe bem o que acontece daí para a frente. O roteiro é um dos mais emblemáticos nessa temática de justiceiro das ruas. Aliás foi copiado à exaustão por anos e anos por outras produções ao longo de todo esse tempo.

Apesar da falta de novidades, confesso que gostei do filme. Bruce Willis é uma ótima escolha para substituir Charles Bronson. Isso não apenas pelo fato dele ter estrelado filmes de ação por toda a sua carreira, mas também por convencer plenamente como um homem comum, pai de família, que entende que deverá sujar as mãos para fazer a justiça que tanto espera. Isso não aconteceria caso Stallone estrelasse o filme. Aliás o ator havia acertado com o estúdio que iria estrelar essa fita. Quando a pré produção começou a ser feita era o nome de Stallone que figurava nos cartazes promocionais do filme. Só que o ator, na última hora, resolveu pular fora. Para amigos disse que seria complicado superar Charles Bronson em um filme tão associado a ele. Com isso Bruce Willis foi contratado. Decisão bem certeira, já que o resultado ficou realmente bom. Simples e eficiente esse novo "Desejo de Matar" cumpre o que promete e não desmerece o legado de Charles Bronson.

Desejo de Matar (Death Wish, Estados Unidos, 2018) Direção: Eli Roth / Roteiro: Joe Carnahan, baseado no romance policial escrito por Brian Garfield / Elenco: Bruce Willis, Dean Norris, Elisabeth Shue, Vincent D'Onofrio / Sinopse: Após sua esposa ser morta em um assalto em sua casa, o médico e pacata pai de família Dr. Paul Kersey (Bruce Willis) começa a perceber que os criminosos ficaram soltos. A polícia de Chicago tem centenas de casos em aberto, sem solução. Falta investigadores e infra estrutura. Assim ele decide fazer justiça com as próprias mãos, indo atrás dos assassinos para eliminar um a um os bandidos.

Pablo Aluísio. 

 

quarta-feira, 16 de maio de 2018

As vidas de Marilyn Monroe - Parte 2

O sucesso de "Os Homens Preferem as Loiras" fez com que a Fox desse uma estrela na calçada da fama para Marilyn Monroe e Jane Russell, as estrelas do filme. Era uma grande honraria, só dada aos grandes astros e estrelas do passado. Jane reagiu muito bem à homenagem, chegando a dizer que "Já estava na hora" disso acontecer. Já Marilyn ficou completamente apavorada. Ela sentia-se muito jovem para ter sua própria estrela da fama e além disso passava longe de se considerar naquela altura de sua vida uma verdadeira estrela de cinema. No máximo Marilyn se achava uma modelo que tivera a sorte grande de ser levada à sério como atriz.

A insegurança e o medo de ir para a cerimônia se tornou mais uma vez um problema. Como recorda sua cabeleireira particular Gladys, a quem Marilyn chamava carinhosamente de Gladyness, ela ficou em crise quando soube que seria homenageada em Hollywood. "Marilyn tinha um problema de auto estima muito grave, desenvolvido provavelmente em seus anos como órfã, em lares adotivos onde ninguém dava muita atenção para ela. Quando se é assim qualquer elogio ou homenagem é visto como algo embaraçoso demais para se lidar. Assim na manhã do dia em que haveria a fixação de sua estrela na calçada da fama ela me ligou logo cedo. Pelo tom de sua voz pensei que era algo muito sério, pois ela parecia estar em pânico. Quando cheguei em sua casa, dirigindo em alta velocidade, pude perceber que Marilyn estava aterrorizada na verdade apenas por não saber qual vestido usaria naquela tarde!". A insegurança de Marilyn já tinha ficado clara para sua amiga Jane Russell que relembrou anos depois em uma entrevista: "Marilyn era completamente insegura. Ela chegava mais cedo do que eu no set de filmagens, completamente preparada, com o texto na ponta de língua, mas ficava apavorada demais dentro do camarim, com medo de enfrentar a câmera. Era algo patológico em sua personalidade".

Para aliviar a tensão Marilyn começou a tomar doses e mais doses de Vodka russa. Quando chegou na calçada da fama ao lado de Jane Russell já estava devidamente calibrada para enfrentar aquele momento. Tudo o que ela tinha que fazer era molhar as mãos para colocar no cimento fresco e depois assinar com um palitinho seu nome ao lado da estrela da fama. Só sorrisos, ensaiou até algumas piadas para o público presente, dizendo que Jane deveria se abaixar para que o cimento preservasse seu famoso busto - e não parou por aí, chegou a dizer que iria sentar no cimento para que seu bumbum ficasse eternamente gravado na calçada da fama em Hollywood. Era óbvio que Marilyn estava de fogo por causa da vodka que havia tomado, mas ninguém se importou muito com isso, todos riram e a cerimônia foi um sucesso de divulgação e publicidade. A Fox até colocou um pequeno diamante no pingo do "i" de Marilyn para causar ainda mais impacto nos jornais (no final do dia os próprios funcionários do estúdio foram até o local para tirar a peça valiosa, uma vez que seria seguramente roubada durante a noite). Marilyn ficou extasiada com a homenagem e começou a dizer para amigos que pela primeira vez sentia-se uma verdadeira estrela. Todos na Fox a adoravam pois Marilyn procurava tratar todos os funcionários de maneira igual, fossem eles altos executivos ou empregados comuns, como faxineiros, maquiadoras, cabeleireiras, guardas, etc. Marilyn conhecia todos pelo nome e sempre os cumprimentava, mesmo depois quando virou a maior estrela do estúdio. No fim de ano ela também providenciava pequenas lembranças para todos, presentes que saía distribuindo a cada um. Eram mimos simples, mas significativos, que ela fazia questão de presentear.

Para sua professora particular de interpretação, Natasha Lytess, Marilyn foi além e deu de presente seu próprio carro, um Potomac branco que havia sido dado a ela pela Fox. O relacionamento de Natasha Lytess com Marilyn aliás ia muito além da simples relação professora e aluna. Natasha tinha desenvolvido ao longo dos anos uma grande paciência com a personalidade e o modo de agir de Marilyn. Como se sabe Marilyn poderia ser uma doce pessoa, quase uma criança indefesa, como também um monstro de irritação e ataques de raiva, pânico ou depressão. Natasha conseguia passar por cima de tudo isso. Para muitos autores a professora de Marilyn era na verdade lésbica e tinha uma grande atração pela atriz. Ao que tudo indica Marilyn, que era muito sensitiva sobre esse tipo de questão, logo percebeu que sua professora estava apaixonada por ela, e procurou respeitar sua opção sexual, mas sempre deixando subentendido nas entrelinhas que jamais haveria um romance entre elas. A verdade é que Marilyn Monroe tinha curiosidade em relação às lésbicas, embora soubesse que era cem por cento heterossexual. Naqueles tempos o preconceito era muito forte na sociedade e os gays em geral eram tratados como verdadeiras párias da sociedade. Marilyn porém tinha uma visão diferente e procurava respeitar todos eles. Quando alguém lhe contava uma piada sobre bichas, Marilyn imediatamente se sentia ofendida, dizendo que aquilo não era engraçado, mas sim um grande desrespeito com as pessoas homossexuais.

A verdade é que a atriz precisava mesmo de uma pessoa com muita paciência para lidar com ela no dia a dia. Monroe era completamente desorganizada em sua vida cotidiana. Ela poderia levar horas para chegar em um encontro e mesmo quando era algo relacionado ao seu trabalho a atriz poderia simplesmente esquecer de aparecer. Mais de uma vez ligou para Natasha para que ela a viesse buscar na rodovia de Los Angeles pois tinha esquecido de colocar gasolina em seu carro e tinha ficado parada no meio do caminho, sem combustível. Seu apartamento era de uma bagunça incrível, com roupas jogadas pelo chão e móveis fora do lugar. Anos depois Natasha confidenciou que tinha ficado chocada na primeira vez que entrou no apê de Marilyn. Havia roupas em todos os lugares, malas abertas, gavetas fora do lugar. Por anos Marilyn havia vivido em diversos apartamentos perto de Hollywood. Quase sempre deixava de pagar o aluguel e era despejada. Isso criou nela um hábito de deixar sua mala sempre por perto, pois era quase certo ela de repente precisaria colocar tudo dentro dela para ser despejada mais uma vez. Contas de telefone também eram outro problema na vida de Marilyn. Ela ficava horas e horas conversando ao telefone, mas nunca se lembrava de pagar as contas. Ao longo da vida Marilyn foi processada mais de dez vezes por longas contas de telefone que nunca pagou.

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 15 de maio de 2018

O Zoológico de Varsóvia

A subida ao poder dos nazistas e sua subsequente expansão territorial por toda a Europa, fato que iria culminar na II Guerra Mundial, obviamente mexeu com a vida de milhões de pessoas. A maioria dessas histórias foi bem trágica, sendo que muitas delas estão sendo recuperadas pelo cinema. Todos os anos assistimos a novos filmes contando a vida de pessoas comuns que sofreram bastante com a chegada de Hitler ao topo do poder na Alemanha. Uma forma de enxergamos a situação pelos olhos dos que sofreram naquela época histórica.

Aqui temos mais um fato histórico que o público em geral certamente desconhecia, mas que demonstra muito bem tudo o que aconteceu. A história se passa em Varsóvia. no ano de 1939. Antonina Zabinska (Jessica Chastain) e seu marido cuidam do Zoológico da cidade. Uma vida boa, tranquila e na paz, afinal ela sempre adorou animais em geral. Trata todos eles com o maior carinho, dando nomes a cada um. São seus filhotes queridos, como ela sempre gostava de dizer. A vida bucólica porém acaba quanto a Polônia é invadida pelas tropas do III Reich. A partir daí o que é felicidade logo se transforma em tragédia.

Os acontecimentos que se vê no filme foram baseados em fatos reais. A conhecida brutalidade dos nazistas se impõe desde os primeiros dias que suas botas atravessam os muros da cidade. Imediatamente eles transformam o Zoo em centro de estacionamento das tropas alemãs. E como de costume logo começam todas as atrocidades, principalmente contra os judeus da região. Bem, se você sabe o mínimo sobre a guerra sabe que Varsóvia ficou particularmente conhecida por causa do gueto que foi criado pelos nazistas, onde eles confinaram todos os judeus da cidade. Em péssimas condições humanitárias as famílias eram presas lá para depois serem enviadas para os campos de concentração. A Polônia em particular ficou muito conhecida por causa de Auschwitz, o maior campo de extermínio dos nazistas. Milhares de poloneses foram mortos entre seus muros. É o que a história iria chamar nos anos que viriam de Holocausto.

Esse é um aspecto amplo da questão. O roteiro desse filme porém procura contar a história particular de Antonina e de como ela conseguiu salvar vidas, usando justamente dos esconderijos de seu Zoológico. Uma jaula de tigres no subsolo ou o reduto onde os ursos viviam, tudo virou refúgio para que crianças, mulheres e homens judeus pudessem escapar da caçada do nazismo. Um filme que me surpreendeu positivamente pois mostra que pessoas comuns também podem fazer grande diferença quando é necessário, principalmente em momentos cruciais da história. No final a mensagem que realmente fica desse filme pode ser resumida naquela singela frase do Talmud que diz: "Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro!". A mais pura verdade! 

O Zoológico de Varsóvia (The Zookeeper's Wife, Inglaterra, Estados Unidos, República Tcheca, 2017) Direção: Niki Caro / Roteiro: Angela Workman, baseada no livro escrito por Diane Ackerman / Elenco: Jessica Chastain, Johan Heldenbergh, Daniel Brühl, Timothy Radford / Sinopse: Antonina Zabinska (Jessica Chastain) vive feliz ao lado do marido, trabalhando e administrando o Zoológico de Varsóvia até que tudo acaba em tragédia quando as tropas nazistas começam a ocupar o país, a Polônia, dando origem ao conflito internacional que ficaria conhecido como Segunda Grande Guerra Mundial.

Pablo Aluísio. 


segunda-feira, 14 de maio de 2018

James Dean - Hollywood Boulevard - Parte 1

Foi na primavera de 1954 que James Dean pintou pela primeira vez em Hollywood como ator contratado. Ele havia fechado contrato com a Warner em Nova Iorque para interpretar Cal Trask na adaptação para o cinema do livro de John Steinbeck. Elia Kazan iria dirigir o filme e havia indicado expressamente Dean pois o tinha visto atuando em Nova Iorque em uma peça e se convencera que aquele era certamente o ator que tanto esperava para dar vida ao atormentado e sombrio Cal. Assim que chegou na costa oeste Dean foi recepcionado por Kazan, que fez um trabalho especial para que sua presença passasse despercebida pela imprensa local pois queria que James Dean se concentrasse apenas em seu papel e nada mais. Era vital que ele ficasse longe dos holofotes e das colunas de fofocas dos jornais da cidade. Como ainda era um perfeito desconhecido na época os planos de Kazan deram completamente certo.

Dean não tinha onde morar em Los Angeles e assim a Warner alugou para ele um pequeno quarto em cima de uma drogaria, bem em frente aos portões principais do estúdio. Assim tudo o que Dean tinha que fazer era atravessar a rua pela manhã para ir até a Warner começar seu trabalho. O quarto era modesto, cujo aluguel era de apenas 50 dólares, mas para Dean, apenas um jovem na época já estava de ótimo tamanho. Todas as manhãs Dean ia até uma lanchonete na esquina, tomava um pequeno café preto, comprava um maço de cigarros e ia para o balcão onde o filme estava sendo rodado. A Warner apostou alto no filme e reconstruiu a cidade de Salinas, onde o enredo se passava, em estúdio. O tamanho da produção intimidou Dean nos primeiros dias. Elia Kazan logo percebeu que o ator ficava muitas vezes retraído, tímido e muito na dele, não procurando se socializar com os demais membros do elenco.

Kazan, um mestre em lidar com atores complicados, logo começou a criar uma amizade bem próxima com Dean, lhe incentivando a discutir as cenas, debatendo as melhores formas de atuar. O resultado dessa aproximação se refletiu em cada cena do filme, hoje considerado um dos grandes clássicos do cinema americano. Curiosamente o estilo de trabalhar de Dean bateu de frente com os atores mais veteranos. Raymond Massey que interpretava o pai de Dean no filme, Adam Trask, se irritava com as improvisações de Dean no set. Massey havia estudado atuação em Oxford, era um ator da velha escola, e não via com bons olhos aquele método de atuar típico do Actors Studio de Nova Iorque. Ele queria seguir à risca o que estava no roteiro enquanto Dean achava que o ator também era parte essencial no processo de criação de um filme e deveria colocar parte de sua personalidade em cada linha de diálogo. Foi um verdadeiro choque de escolas em plena filmagem, algo que Elia Kazan não viu como algo ruim, pelo contrário, como pai e filho eram problemáticos no enredo nada mais interessante que trazer essa tensão entre a nova geração e a velha também durante as filmagens. Ele sabia que no final o filme é que sairia ganhando com esse duelo.  

Fora dos estúdios a Warner determinou a Dick Clayton, um ex-ator e agora agente, que ficasse de olho em Dean, que era conhecido por ter atitudes inesperados e impulsivas. Ao longo dessas primeiras semanas ao lado de Dean, Clayton acabou confirmando o que diziam dele. Assim que recebeu seu cachê de 10 mil dólares as duas primeiras coisas que o ator fez foi comprar um cavalo palomino e um carro esporte GM, que passou a dirigir em alta velocidade pelas ruas de Hollywood. A compra do cavalo era um exemplo de como Dean agia. Ela não montava e não tinha um rancho onde colocá-lo mas ao se deparar com o animal em um estábulo nos estúdios da Warner (ele estava sendo usado em um filme com Randolph Scott) não pensou duas vezes e o comprou, assim, sem mais, nem menos. Em relação ao carro Dick resolveu escrever um memorando aos executivos da Warner para que tomassem cuidado com Dean pois ele "dirigia feito um louco" e caso sofresse algum acidente poderia trazer prejuízos financeiros para a Warner futuramente. O tempo provaria que ele tinha toda a razão do mundo.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

domingo, 13 de maio de 2018

Elvis Presley ‎– Rock Around The Bloch

Elvis Presley - Rock Around The Bloch'
Já havia escrito rápidas pinceladas sobre esse lançamento antes, mas agora vale a pena também trazer maiores detalhes do aspecto visual do produto em si. Como se sabe essa coleção com livro e CD celebra o concerto que Elvis realizou em 25 de março de 1961, no Havaí, na Bloch Arena. O evento teve ampla cobertura da imprensa. Recentemente um farto material fotográfico foi descoberto pelos pesquisadores do selo FTD. As fotos foram encontradas em diversos arquivos pertencentes a órgãos havaianos de imprensa. Um verdadeiro tesouro escondido.

Com tanto material disponível era de se esperar mesmo que algo nesse sentido fosse lançado. O resultado desse trabalho de arqueologia musical está aí para os fãs. Intitulado "Rock Around The Bloch" (um trocadilho bem humorado com o nome da famosa música de Bill Halley e da arena onde Elvis se apresentou), é um daqueles itens preciosos que os fãs não podem perder. No total são 288 páginas ricamente ilustradas, com mais de 100 fotos inéditas do Rei do Rock nessa apresentação que foi uma breve volta aos palcos. Some-se a isso a gravação do show completamente restaurado e uma recém descoberta coletiva de imprensa de Elvis naquelas praias maravilhosas do Havaí e você terá um item de colecionador em mãos.

É interessante que esse concerto iria fazer parte da verdadeira despedida de Elvis dos palcos até 1968 quando ele retornaria para fazer seu especial de TV na NBC, voltando depois definitivamente para os concertos em Las Vegas, em temporadas anuais. Ora, a pessoa que não conhece muito a biografia de Elvis pode se perguntar o que ele teria feito durante todos esses anos fora do palco. Bem, Elvis estava em Hollywood, fazendo uma média de três filmes por ano, tentando emplacar como astro de cinema. Uma pena que ele tenha deixado os shows de lado por essa época. Basta ver a lista de músicas dessa apresentação para ver como seria interessante ter mais concertos dados pelo cantor. Um exemplo é a inclusão do gostpel  "Swing Down Sweet Chariot" do álbum His Hand in Mine que Elvis nunca mais voltaria a cantar ao vivo. E o que dizer de versões ao vivo de "Such A Night" e "Reconsider Baby", dois clássicos do disco "Elvis is Back" que ele nunca mais voltaria a apresentar nos palcos? Pois é, musicalmente Elvis só perdeu durante seu exílio em Hollywood.

Elvis Presley ‎– Rock Around The Bloch
1.  Introduction Of Elvis
2.  Heartbreak Hotel
3.  All Shook Up
4.  (Now And Then There's) A Fool Such As I
5.  I Got A Woman
6.  Love Me
7.  Introductions
8.  Such A Night
9.  Reconsider Baby
10.  I Need Your Love Tonight
11.  That's All Right
12.  Don't Be Cruel
13.  One Night
14.  Are You Lonesome Tonight
15.  It's Now Or Never
16.  Swing Down Sweet Chariot
17.  Hound Dog
18.  Tom Moffatt Interviews Colonel Parker And Elvis During The Filming Of G.I. Blues, June 21, 1960
19.  Press Conference And Awards Ceremony, March 25, 1961
20.  Tom Moffatt Interviews Elvis On The Set Of Blue Hawaii, April 1961.

Pablo Aluísio.

sábado, 12 de maio de 2018

Marlon Brando em Hollywood - Parte 1

Em 1953 Marlon Brando entrou no set de seu novo filme, "The Wild One" que no Brasil seria intitulado "O Selvagem". Brando, já naquela altura considerado o maior rebelde de Hollywood, iria interpretar o papel de um jovem motoqueiro chamado Johnny Strabler. A direção seria do cineasta húngaro Laslo Benedek que havia dirigido a adaptação para o cinema do clássico da literatura "A Morte do Caixeiro Viajante" dois anos antes. Inicialmente Brando não viu grande coisa no roteiro. Para ele seria um filme apenas para cumprir contrato com o produtor Stanley Kramer. Como era um filme pequeno, de curta duração e com enredo simples, não haveria muito trabalho à vista.

Nada que poderia se comparar com os filmes anteriores do ator, verdadeiras obras primas como "Espíritos Indômitos", "Uma Rua Chamada Pecado", "Viva Zapata!" e principalmente "Júlio César" que havia exigido muito dele em termos de atuação. Afinal de contas Brando havia suado a camisa para se sair bem em seus primeiros filmes, em especial o último, uma complicada adaptação para o cinema da famosa peça escrita por William Shakespeare, sob direção do austero Joseph L. Mankiewicz. Assim interpretar Johnny era quase como um passeio no parque. Além do mais Brando adorava motos e o universo que as cercava, então foi mesmo a união de algo que gostava de fazer em sua vida pessoal com a possibilidade de dar um tempo nos filmes mais sérios e desafiadores.

Para sua surpresa porém o filme virou um dos maiores cult movies da história. Inicialmente Brando não gostou da película. Como ele próprio recordou em suas memórias a primeira vez que assistiu a "O Selvagem", logo após sua estreia nos cinemas, não gostou mesmo do que viu. Achou o filme violento e sem conteúdo. Curiosamente a fita acabou virando o estopim de uma série de revoluções comportamentais ocorridas na juventude americana nos anos 1950, desembocando na revolução cultural que iria estourar nos anos 1960. Para Brando foi tudo uma grande surpresa. Ele não tinha consciência na época que havia todo um sentimento reprimido por parte dos jovens e que seu filme seria usado para aprofundar todos esses anseios. Johnny, na visão de Brando, era apenas mais um personagem a interpretar. A juventude da época porém viu de outro modo. Aquele motoqueiro, vestido de couro preto da cabeça aos pés, era a personificação da liberdade. O roteiro dava a ele uma conotação ruim, algo que não poderia ser usado como modelo, mas como um aviso contra a delinquência juvenil. Para reforçar isso o estúdio colocou um texto avisando sobre os males de se seguir o exemplo dos personagens. Brando percebeu que o tiro sairia pela culatra. A juventude em geral ignorou a mensagem moralista quadrada e obsoleta e abraçou o personagem como um ícone, um mito, um exemplo a seguir. Para Brando não poderia ser melhor e ele foi elevado à altura de símbolo máximo entre os jovens da época.

Realmente, do ponto de vista puramente cinematográfico "O Selvagem" não pode ser comparado aos demais clássicos que Brando rodou por essa época em sua carreira. Já do ponto de vista meramente cultural e sociológico é de fato um dos mais marcantes momentos de sua carreira no cinema. Isso porque o filme não pode ser visto apenas sob a ótica do que se vê na tela, e sim muito mais além disso, pois teve enorme influência dentro da sociedade, principalmente entre os jovens, que viram ali um modelo de liberdade incrível. Numa época em que havia grande repressão e os controles morais eram extremos, ver Johnny atravessando a América de moto, sem dar satisfações a ninguém, e vivendo com um grupo de rebeldes como ele, era de fato um impacto para o jovem americano típico dos anos 1950. Depois que Brando surgiu com aquela imagem ícone, nasceu toda uma cultura jovem no país, até porque a juventude de um modo em geral era completamente ignorada dentro da sociedade até então, sendo considerada apenas uma transição entre a infância e a vida adulta. Depois de Brando vieram James Dean - o maior símbolo de juventude que o cinema jamais produziu - o Rock ´n´ Roll, Elvis Presley e toda a iconografia da cultura jovem que conhecemos hoje em dia.

Para Brando o filme passou logo, mas os efeitos dele se tornaram duradouros. Assim que terminou as filmagens da fita ele foi procurado novamente por Elia Kazan. Ele o convidou para participar do filme "On the Waterfront" (no Brasil, "Sindicato de Ladrões"). Assim que leu o roteiro Brando entendeu do que se tratava. Era uma grande metáfora em forma de película, que justificava de certa forma o comportamento do próprio Kazan durante o Macartismo, onde ele havia dedurado vários colegas de profissão. Depois disso a biografia do cineasta havia sido manchada para sempre. Ele tencionava com o filme resgatar parte de seu prestígio dentro da comunidade cinematográfica, ao mesmo tempo em que justificava seu ato e pedia desculpas pelo que fez. No começo Brando relutou em fazer o filme. Desde sempre ele se considerava um liberal e o que Kazan havia feito era realmente algo desprezível. A vontade porém de realizar mais uma obra prima foi maior do que seus escrúpulos pessoais. Assim, ainda vestido de Johnny, ele se encontrou nos corredores da MGM e assinou o contrato com Kazan. Mal sabia que estaria prestes a realizar um dos maiores filmes de toda a sua carreira.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

The Alienist

Achei apenas interessante. Obviamente não há como julgar apenas por um episódio, até porque é apenas o primeiro episódio, porém minha impressão inicial foi justamente essa. O cenário é uma Nova Iorque que parece a Londres dos tempos de Jack, o Estripador, com suas ruas cheias de miséria, muito nevoeiro e corpos esquartejados! Pois é, apesar de Jack ter sido um assassino inglês, aqui os roteiristas deram um jeito de transferir esse mundo de crimes horrendos para Nova Iorque. O protagonista é um especialista em mentes doentias, que naquela época se denominava alienista. Não havia ainda um ciência da criminologia e nem da medicina forense para estudar a mente dos assassinos em série. Era tudo muito novo e inexplorado. Os policiais simplesmente iam até o lugar do crime e procuravam por pistas deixadas no lugar da morte. Só isso. Não estavam ainda preparados para entrarem nas mentes dos criminosos.

No caso desse primeiro episódio temos a morte de um garoto, um menino que era explorado por gigolôs para ser abusado sexualmente por pedófilos ricos. Barra pesada. Pois bem, o corpo do menino está esquartejado, no alto de uma construção, com órgãos dilacerados e outros faltando, pois foram retirados de seu corpo. ADakota Fanning tem também uma personagem bem central, a primeira mulher a trabalhar no departamento de polícia da cidade. No começo ela não vai muito com a cara do alienista, mas depois topa ajudá-lo nas investigações, nem que seja para aprender mais essa nova arte de investigação que nascia justamente naquela época. No quadro geral ainda é cedo para dizer se a série é realmente boa, afinal só vi o primeiro episódio. Porém uma coisa posso garantir: tem uma excelente produção, com roteiro bem escrito e reconstituição histórica de primeira. Já é um bom começo. Vou assistir mais alguns episódios para ver se tomo gosto pela série.

The Alienist (Estados Unidos, 2018) Direção: Jakob Verbruggen / Roteiro: Hossein Amini, baseado no livro escrito por Caleb Carr / Elenco: Daniel Brühl, Dakota Fanning, Luke Evans, Brian Geraghty / Sinopse: Primeiro episódio da nova série "The Alienist", intitulado de "The Boy on the Bridge". No enredo um garoto é encontrado morto no alto de uma construção em Nova Iorque. Ele foi assassinado com requintes de crueldade. Para descobrir a identidade do assassino entra em cena o psiquiatra Laszlo Kreizler (Daniel Brühl) que vai procurar entender a mente do psicopata que cometeu o crime.

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 10 de maio de 2018

12 Heróis

Desconhecia totalmente essa história (que é baseada em fatos reais). Tudo começa no fatídico 11 de setembro de 2001. Dispensa maiores explicações, sabemos bem o que aconteceu em Nova Iorque. Pois bem, depois disso as forças armadas americanas se preparam para invadir o Afeganistão, berço estratégico do grupo internacional terrorista de Bin Laden. O ator Chris Hemsworth interpreta um tenente do exército que é designado para liderar um pequeno grupo de militares, de apenas 12 homens, que devem ir até o país inimigo para sondar a região, procurando colaborar com um "Senhor a guerra" afegão, um general da chamada Aliança do Norte. Esse pequeno pelotão acabou sendo o primeiro grupo de militares americanos a pisarem no solo do Afeganistão após os atentados. Ao chegar no lugar designado, eles percebem que a guerra naqueles rincões ainda era feita com recursos bem primitivos, como cavalos e armas antigas. Mesmo assim o primeiro contato se mostra promissor.

O filme assim vai avançando, misturando o choque cultural dos americanos com os afegãos e as diversas cenas de combate que são mostrados em praticamente todo o filme. Boas sequências, é bom frisar, com a paisagem desértica daquele país montanhosos, frio e violento servindo como um belo cenário para as batalhas. Claro que um roteiro como esse tem uma dose bem forte de ufanismo. Os tais heróis, os militares americanos, são retratados na tela como pessoas impecáveis, virtuosas e cheias de boas intenções. Nada de carga negativa em cena ou realismo. Nesse ponto o filme me lembrou dos antigos filmes de guerra de Hollywood, ao velho estilo, onde não havia espaço para o cinza, mas apenas para o preto e branco. Heróis eram heróis, vilões eram apenas vilões desalmados e nada mais. Em termos de questões políticas o filme não se preocupa em ir mais a fundo. Na verdade é uma fita de ação bem produzida e estrelada pelo Thor, ele mesmo, o ator Chris Hemsworth, que se não é grande coisa, pelo menos não enche nossa paciência como momentos de canastrice. Ele consegue se salvar. Existe algumas bobagens no meio do caminho, como a forma juvenil que alguns militares agem uns com os outros nos acampamentos, mas tudo é isso é algo menor. O que vale mesmo são as cenas de guerra, com os americanos montados a cavalo, lutando nas encostas montanhosas, enquanto vão escapando da artilharia do Talibã. Visto sob esse ângulo já está de bom tamanho. 

12 Heróis (12 Strong, Estados Unidos, 2018) Direção: Nicolai Fuglsig / Roteiro: Ted Tally, Peter Craig / Elenco: Chris Hemsworth, Michael Shannon, Michael Peña / Sinopse: O filme mostra a história real de um grupo de 12 militares das forças especiais do exército americano que se tornaram os primeiros ocidentais a entrarem no Afeganistão, para consolidar uma ajuda com a Aliança do Norte, logo após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

Pablo Aluísio. 

 

quarta-feira, 9 de maio de 2018

As Cartas de Grace Kelly

Após deixar Hollywood para se casar e ser literalmente uma princesa na Europa, Grace Kelly resolveu manter uma boa postura sobre sua despedida do cinema. Ele raramente deu entrevistas ou disse o que achava da capital do cinema mundial. Discreta, procurou evitar polêmicas desnecessárias, afinal de contas uma nobre de sangue azul não poderia se envolver em fofocas e coisas do tipo. Isso ficou guardado a sete chaves até que recentemente várias cartas de Grace Kelly foram divulgadas, trazendo algumas opiniões da atriz sobre os anos em que passou trabalhando para os grandes estúdios americanos.

Esses escritos revelam de certa forma uma dubiedade na opinião dela sobre tudo o que vivenciou em seus anos como atriz famosa e estrela de Hollywood. Ora Grace parece ter uma visão muito ruim e pessimista sobre a indústria, ora parece saudosista e com muitas saudades daqueles anos. Sobre as relações sociais em Hollywood Grace resumiu tudo em uma frase bem mordaz dizendo: "Tenho muitos conhecidos por lá, mas nenhum amigo!". Depois confessou que o clima de se trabalhar naqueles grandes estúdios não era tão glamoroso quanto o público pensava naquela época. Sobre isso ela escreveu a uma amiga confessando: "Hollywood é um lugar sem piedade. Não conheci nenhum outro lugar no mundo com tantas pessoas sofrendo de crises nervosas, com tantos alcoólatras, neuróticos e tanta gente infeliz. Parece sagrada para o público, mas na verdade é mais profana do que o demônio.”

Um aspecto que chamou bastante a atenção de Grace Kelly quando trabalhava em Hollywood e que talvez tenha sido crucial para que ela largasse a vida de estrela veio da observação que teve sobre a realidade das atrizes mais velhas do que ela. Elas tinham sido estrelas do passado, mas agora não tinham mais importância para os produtores. Grace chegou na conclusão de que quanto mais velha se ficava em Hollywood, menos se conseguia bons papéis e bons salários nos filmes em que atuavam. Isso, claro, quando se conseguia trabalho, pois Grace ficava entristecida como certas estrelas do passado eram mal tratadas pelos produtores após a idade chegar para elas. Ele resumiu suas conclusões em uma carta escrita a um amigo jornalista de Nova Iorque que perguntava se um dia ela retornaria para trabalhar em algum filme. Respondendo a ele, Grace escreveu: "Não vou voltar! Conheci grandes estrelas do passado que praticamente imploravam por um papel quando perdiam a beleza e a juventude! Era muito triste! Elas tinham sido grandes estrelas, fizeram com que os estúdios ganhassem milhões com seus filmes, mas depois de muitos anos ninguém mais se importava com elas ou as respeitavam! Eu quero outro futuro para a minha vida!"

A carga de trabalho também não era nenhum passeio como ela bem explicou: "Há alguns anos, quando cheguei a Hollywood, eu começava a fazer a maquiagem às oito horas da manhã. Depois de uma semana o horário foi adiantado para às 7h30. Todos os dias via Joan Crawford, que começava a ser preparada às cinco, e Loretta Young, que já estava lá desde as quatro da manhã! Deus me livre de viver em uma atividade em que tenho de me levantar cada vez mais cedo e levar cada vez mais tempo para poder encarar as câmeras”. De qualquer maneira Grace Kelly nunca chegou a fechar definitivamente as portas para quem sabe um dia voltar para o cinema! Quando Alfred Hitchcock a convidou para voltar para apenas mais um último filme ela lhe respondeu de volta agradecendo, mas explicando que não voltaria tão cedo. Para o mestre do suspense Grace escreveu: “Obrigada, meu querido Hitch, por ser tão compreensivo e atencioso. Odeio decepcionar você! Também odeio o fato de que provavelmente existam muitas outras ‘cabeças’ capazes de fazer esse papel tão bem como eu – Apesar disso, espero continuar a ser uma de suas ‘vacas sagradas”. Nesse trecho Grace fez um trocadilho com uma declaração que Hitchcock havia feito sobre os atores e atrizes com quem havia trabalhado, os comparando com gado! Depois de forma muito terna ela se despediu dizendo: "Com um imenso carinho me despeço querido amigo" (onde acabou destacando bem a palavra “imenso”). Assinado “Grace”.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 8 de maio de 2018

The Titan

Título no Brasil: The Titan
Título Original: The Titan
Ano de Produção: 2018
País: Estados Unidos
Estúdio: Netflix, Nostromo Pictures
Direção: Lennart Ruff
Roteiro: Max Hurwitz, Arash Amel
Elenco: Sam Worthington, Taylor Schilling, Tom Wilkinson, Agyness Deyn, Nathalie Emmanuel, Diego Boneta

Sinopse:
O Tenente Rick Janssen (Sam Worthington) da Marinha dos Estados Unidos decide entrar em um projeto pioneiro que enviará o primeiro homem para a distante lua de Saturno conhecida como Titã. Maior do que o planeta Mercúrio, o distante mundo é especialmente perigoso para os seres humanos pois possui uma atmosfera tóxica. Os cientistas porém acharam uma maneira de mudar o DNA dos astronautas, os tornando ideias para aquele satélite. O problema é que a mudança também acaba ocasionando muitos efeitos colaterais perigosos em todos os que passaram pelas experiências genéticas.

Comentários:
Mais uma produção original da Netflix. Mais uma produção que deixa a desejar. A premissa é interessante, não tenha dúvidas. Uma missão pretende enviar o primeiro homem para Titã, uma lua de Saturno. O problema é que seria impossível para um ser humano viver lá por causa das temperaturas congelantes e do excesso de Nitrogênio na atmosfera. Como resolver isso? Como promover uma adaptação? Simples. Mudando o próprio DNA dos astronautas que vão para lá. E ai começam todos os testes e experiências. O personagem de Sam Worthington acaba sendo um dos mais promissores nas mutações, já que seu organismo aguenta a violência das modificações em sua estrutura. Só que há um problema no meio do caminho. Os que passam pelas transformações acabam também desenvolvendo um modo de ser violento, assassino, que coloca todos em perigo. Eu pessoalmente esperava bem mais desse filme quando li a sinopse. Esperava por efeitos especiais de primeira linha (não espere por isso) ou pelo menos por uma maquiagem da criatura que fosse surpreender (e que infelizmente é outra decepção!). Além disso a tal chegada do primeiro homem em Titã quase não acontece. Praticamente 99 por cento de todo o enredo se passa nos treinamentos da missão e, é claro, nos procedimentos de mutação. Com isso o filme perde muito ritmo e decai muito em certos momentos. Não se surpreenda se começar a bocejar lá pelo meio do filme. É o tédio que se impõe, tudo misturado com decepção e um incômodo aborrecimento. O tal primeiro homem em Titã não consegue empolgar muito, nem mesmo os mais interessados no tema da conquisa do homem dos confins do universo. Em certo aspecto só conseguimos sentir sono, muito sono desse filme que não consegue suprir as expectativas de ninguém. Não foi dessa vez que acertaram.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Whitney: Can I Be Me

Muito bom esse documentário sobre a vida da cantora Whitney Houston. É uma produção feita em parceria entre a BBC e o Showtime, então o padrão de qualidade está garantido. Em pouco mais de 100 minutos de duração somos apresentados a sua história, feita em edição rápida que funciona muito bem. Intercalando tudo temos vários depoimentos de pessoas próximas a ela, como familiares, sua mãe e o ex-marido Bobby Brown. Obviamente eu acompanhei grande parte da carreira de Whitney Houston, até porque era impossível viver nos anos 90 e nunca ter ouvido uma de suas belas interpretações. Mesmo assim meu conhecimento sobre ela era superficial. Aqui temos um retrato melhor da artista.

Um dos aspectos que me causaram surpresa foi saber que a sua carreira foi daquelas de sucesso imediato. Já no primeiro disco ela quebrou recordes de vendas, seguida de inúmeros elogios da crítica. Todos merecidos aliás, porque ela foi mesmo uma cantora de grande talento, com um timbre de voz poderoso e único, talvez sendo a última grande cantora americana negra a dominar o mercado. Aspectos de sua vida pessoal também desfilam pela tela. Sua infância e juventude em um gueto de New Jersey, a conturbada relação com a mãe (Cissy Houston, também uma cantora talentosa que chegou a trabalhar ao lado de grandes cantores como Elvis Presley), sua formação inicial em coros de igrejas evangélicas e finalmente o sucesso absoluto. Tendo morrido de uma overdose de drogas, o documentário não poderia ignorar o fato dela ter sido viciada em praticamente toda a sua vida. Porém o documentário explora esse sério problema dela de forma respeitosa, sem exageros ou sensacionalismo. Ponto positivo. Em suma, um documentário ideal para fãs e não fãs, ouvintes ocasionais, que cresceram ouvindo a bela voz de Whitney Houston tocando nos rádios e fazendo sucesso.

Whitney: Can I Be Me (Estados Unidos, 2017) Direção: Nick Broomfield, Rudi Dolezal / Roteiro: Nick Broomfield, Marc Hoeferlin / Elenco: Whitney Houston, Bobbi Kristina Brown, Bobby Brown, Cissy Houston / Sinopse: Documentário sobre a vida e a carreira da cantora negra norte-americana Whitney Houston (1963 - 2012), desde seus primeiros anos até o estouro de seu primeiro disco, passando também por seu casamento problemático e o abuso de drogas, que iria colocar um ponto final em sua vida.

Pablo Aluísio.

domingo, 6 de maio de 2018

2012

Pois é, o mundo ia acabar em 2012. O calendário Maia só ia até 12-12-2012, então é claro que os teólogos da conspiração entraram em surto, dizendo que isso era a "prova" definitiva que o mundo já tinha data para acabar. Uma tremenda bobagem, mas que com a ajuda da internet se alastrou e ficou popular. Como Hollywood está sempre de olho em novas oportunidades de faturar em assuntos da moda não demorou a produzir um filme mostrando justamente isso, o fim do mundo em 2012. Eu nunca havia assistido a esse filme até ontem. Foi puro desinteresse mesmo. Afinal era um filme dirigido por Roland Emmerich, o "irmão" cinematográfico do Michael Bay. Ambos fazem sempre o mesmo tipo de fita. Muitas explosões, muito barulho e pouquíssimo roteiro. Esse "2012" não fugiu em nada desse estilo bombástico (e lamentável) de fazer cinema.

O que mais me admirou foi ver o cult ator John Cusack no meio do elenco. Ele não tem muito o que fazer em cena a não ser correr para lá e para cá, com cara de espanto, enquanto o mundo vai chegando ao fim. Seu personagem é piegas, insuportável e cheio de clichês. Um pai de família que tenta salvar os filhos enquanto o resto da humanidade vai para o buraco (literalmente falando!). Essa coisa de pai de família que vai se tornando herói é mais do que batido. Pior são as cenas em que a família (a ex-esposa e os filhos chatinhos) vão escapando em aviões enquanto lá embaixo a crosta terrestre vai entrando em colapso. O mais bizarro desse filme nem é tanto seu desenvolvimento, mas seu final. O que os bilionários fazem para fugir do apocalipse? Embarcam em uma nave espacial? Bom, isso seria o mais lógico a fazer em um planeta que está em destruição. Mas não, eles todos entram em arcas!!! Isso mesmo, iguais aquelas do velho testamento. O que você vai fazer dentro de uma arca enquanto o mundo vai se acabando? Por acaso os oceanos não fazem parte do planeta também? O roteiro, muito estúpido, não responde a esse tipo de pergunta. Apenas leva o filme até o momento final, com todos felizes e salvos na Arca de Noé! Tenha santa paciência...

2012 (2012, Estados Unidos, 2009) Direção: Roland Emmerich / Roteiro: Roland Emmerich, Harald Kloser / Elenco: John Cusack, Thandie Newton, Chiwetel Ejiofor / Sinopse: Os Mais estavam certos. O mundo começa a se acabar no ano de 2012. Ondas de radioatividade, em explosões de neutrinos começam a bombardear o núcleo da Terra, causando o colapso da crosta terrestre. Enquanto isso o pai interpretado por John Cusack tenta salvar sua família, bem no meio do apocalipse mundial. 

Pablo Aluísio e Erick Steve.