sábado, 30 de novembro de 2013

Gene Autry


Em recente pesquisa realizada entre o público americano o nome de Gene Autry se destacou entre os mais lembrados cowboys da história do entretenimento daquele país. Não é para menos. Autry de fato foi um fenômeno de popularidade. Ator, cantor, compositor, apresentador de programas de TV e rádio, empresário de sucesso, ele conseguiu transformar seu nome em uma marca de sucesso, o que lhe rendeu a imortalidade na memória dos fãs, mesmo após tanto tempo do fim de sua carreira. Foram três décadas de grande sucesso. Autry surgiu no final dos anos 1930 e teve seu auge nas décadas seguintes onde literalmente fez de tudo: estrelou westerns de sucesso no cinema, gravou discos country, protagonizou programas de grande audiência na TV, apresentou programas de rádio e até virou personagem de histórias em quadrinhos. Soube comercializar muito bem seu nome e se tornou um dos homens mais ricos do show business americano. No cinema foram 93 filmes ao total. É um dos poucos artistas a fazer parte das principais galerias da fama, sendo parte do Country Music Hall of Fame e do Hollywood Walk of Fame em todas as cinco categorias (cinema, TV, música, rádio e apresentações ao vivo). Até nome de cidade virou. O estado americano de Oklahoma o homenageou dando seu nome a uma das cidades. Maior prova de seu legado certamente não há.

O Melhor de Gene Autry:
Cavaleiros do Céu
Cidade Fantasma
Alma Intrépida
O Revólver de Prata
Chamas da Vingança
A Corrida do Diabo
Robin Hood no Texas
Almas Indomáveis

Pablo Aluísio.

As Aventuras de Búfalo Bill

Título no Brasil: As Aventuras de Búfalo Bill
Título Original: Pony Express
Ano de Produção: 1953
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Jerry Hopper
Roteiro: Charles Marquis Warren, Frank Gruber
Elenco: Charlton Heston, Rhonda Fleming, Jan Sterling, Forrest Tucker

Sinopse: 
Os lendários Buffalo Bill Cody (Charlton Heston) e Wild Bill Hickok (Forrest Tucker) se empenham pessoalmente no sucesso da Pony Express, uma via de comunicação rápida entre a distante Califórnia e o centro do poder americano, Washington. O sucesso da rede é vital para manter o estado da Califórnia como parte integrante da União, pois políticos inescrupulosos desejavam que ocorresse uma separação, uma secessão do mais importante e rico estado do oeste do restante do país. Por essa razão não foi nada fácil estabelecer essa via de integração entre as duas costas da nação americana pois poderosos interesses queriam que tudo se tornasse um fracasso.

Comentários:
Um roteiro que mistura personagens reais com eventos de ficção. Assim podemos definir esse "As Aventuras de Búfalo Bill". Obviamente que tanto Buffalo Bill como Wild Bill Hickok existiram de fato e se tornaram símbolos da mitologia do velho oeste mas também é verdade que nunca se envolveram em algo como é mostrado nesse filme, muito embora a Pony Express também tenha existido, tanto que no final da película os produtores colocaram inclusive uma carta do presidente Abraham Lincoln elogiando os serviços dessa via de comunicação que serviu para manter a Califórnia unida ao restante dos Estados Unidos. Assim o que fizeram os escritores foi a criação de um realismo fantástico que inclusive funciona muito bem. Alguns anos depois essa forma de escrever enredos que misturavam fatos reais com ficção se tornaria bem popular em Hollywood.

Outro aspecto a se considerar é a interpretação de Charlton Heston no papel de Búfalo Bill. Como se sabe Bill foi um dos maiores tagarelas e inventores de histórias que se tem notícia. Tanto que fundou uma empresa circense, especializada em apresentações de cowboys e índios, que o tornaram muito rico. O enredo desse filme passa longe disso, procurando mostrar o personagem em sua juventude mas isso não inibiu Heston que encontrou o tom certo para Búfalo Bill, um sujeito meio malandro, que fala pelos cotovelos e adota uma postura até mesmo bem canastrona. Claro que o filme não avança muito nesse aspecto (tente comparar com a caracterização que Paul Newman faria de Bill anos mais tarde e você entenderá a diferença substancial entre as duas interpretações) mas mesmo assim ficou muito interessante, se aproximando mais do homem que realmente existiu e se distanciando do mito das histórias inventadas. No saldo geral é um bom western valorizado pelo enredo que presta homenagem aos cavaleiros da Pony Express que com seus esforços mantiveram uma nação unida, de costa a costa, apesar de todas as dificuldades.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Josey Wales - O Fora da Lei

Título no Brasil: Josey Wales - O Fora da Lei
Título Original: The Outlaw Josey Wales
Ano de Produção: 1976
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros, Malpaso Company
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Philip Kaufman, baseado no livro de Forrest Carter
Elenco: Clint Eastwood, Sondra Locke, Chief Dan George, Bill McKinney 

Sinopse: 
Josey Wales (Clint Eastwood) é um pequeno rancheiro que vive da terra ao lado de sua esposa e seu filho. Sua vida passa por uma tragédia pessoal quando um grupo de soldados da União entra em sua propriedade e matam sua mulher e o garoto pelo simples fato dele ser sulista do Missouri. Não contentes ainda colocam fogo na casa do rancho. Apunhalado, Josey não consegue salvar sua amada família. Depois de recuperado entra nas fileiras das tropas confederadas para lutar contra o exército que massacrou seus familiares. Lá cria fama de bom atirador e guerreiro. Ao final da guerra civil fica sem rumo certo mas não entrega suas armas ao inimigo, o que faz com que seja caçado e procurado por caçadores de recompensas e oficiais do exército americano pelos lugares mais inóspitos do oeste americano.

Comentários:
"The Outlaw Josey Wales" é um ótimo western, bem acima inclusive de outros faroestes clássicos estrelados por Clint Eastwood. Seu personagem Josey Wales é um achado. Um veterano confederado que entra na guerra para se vingar das tropas da União. Se negando a se render ele leva em frente sua própria guerra pessoal contra os "casacas azuis". O personagem assim funciona como um símbolo do sentimento sulista e confederado dos Estados Unidos, que com muito orgulho jamais aceitou a derrota no conflito mais sangrento da história americana. Clint Eastwood também capricha na caracterização de seu papel, fazendo um sujeito de poucas palavras mas rápido no gatilho que tem um hábito horrível (mas muito divertido) de sair cuspindo fumo mascado em todo lugar! Até o pobre cachorrinho que o segue pelas pradarias vira alvo! Ao seu lado brilha a honesta interpretação de Chief Dan George que interpreta um velho índio, cansado de guerra, desiludido pelas mentiras contadas pelo homem branco ao longo de todas aquelas décadas.

Esse foi o sexto filme dirigido por Clint Eastwood, produzido por sua própria companhia de cinema, a Malpaso Company. Impossível negar que ele já mostra uma maturidade incrível na direção, não deixando o filme cair no marasmo ou no lugar comum em nenhum momento. O roteiro escrito pelo futuro cineasta Philip Kaufman (de "Os Eleitos" e "A Insustentável Leveza do Ser", entre outros) certamente ajuda muito para o belo resultado final. É um texto muito bem escrito, com ótimo timing, sem qualquer aresta no enredo. Mesmo cenas mais fortes como a da tentativa de estupro coletivo promovida por um grupo de comancheros em cima da personagem de Sondra Locke (que se tornaria mulher de Clint na vida real) não soam fora do contexto ou desproporcionais. Tudo está em seu devido lugar. Em suma, um grande faroeste que não pode faltar na coleção de nenhum fã do gênero. Clint mais uma vez está perfeito no velho oeste. Não deixe de assistir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Elvis Presley - Return To Sender / Where Do You Come From

Single de grande sucesso lançado por Elvis em 1962. As duas músicas foram extraídas da trilha sonora do filme "Girls, Girls, Girls". Esse foi o projeto cinematográfico mais bem sucedido do cantor naquele ano. "Return To Sender" embora não tenha sido escrita por Elvis é considerada uma de suas canções originais uma vez que Presley foi o primeiro a gravar a música.

Na Billboard a canção não conseguiu chegar ao topo das mais vendidas, emplacando apenas um honroso segundo lugar. Já na Inglaterra o balanço da canção caiu em cheio no gosto do público o que levou a gravação ao primeiro posto no ranking dos mais vendidos por lá. Por falar em vendas o single conseguiu ainda romper a marca de um milhão de cópias vendidas o que lhe valeu a premiação com o disco de platina. Nada mal!

O single seria relançado na Alemanha em 1969 e depois nos Estados Unidos em 1977, no ano da morte de Elvis. No Brasil uma bela surpresa pois o compacto chegou em nossas lojas na semana de estréia do filme por aqui. Pela primeira vez na carreira de Elvis a filial brasileira da RCA lançava músicas inéditas do cantor no tempo certo dando oportunidade ao fã de sair do cinema direto para a loja de discos para comprar seu compacto.

O álbum com todas as canções do filme só chegaria no mercado nacional dois meses depois do lançamento de "Garotas e Mais Garotas" em nossos cinemas. Interessante notar também que apesar de todo o bom resultado comercial de "Return To Sender" Elvis não parece ter se apaixonado muito pela música já que quando retornou aos palcos não a utilizou nem em Vegas e nem muito menos nas turnês. Raras foram as ocasiões em que tentou cantar a canção ao vivo, demonstrando que não a levava muito à sério. Seria uma reação negativa ao seu passado em Hollywood?

Pablo Aluísio.

The Commitments - Loucos Pela Fama

Título no Brasil: The Commitments - Loucos Pela Fama
Título Original: The Commitments
Ano de Produção: 1991
País: Inglaterra, Irlanda
Estúdio: Ardmore Studios, Herbert Road
Direção: Alan Parker
Roteiro: Dick Clement, Ian La Frenais, Roddy Doyle
Elenco: Robert Arkins, Michael Aherne, Angeline Ball

Sinopse: 
Jimmy Rabbitte (Robert Arkins) está na pior. Desempregado e sem vias de melhorar de vida em um futuro próximo ele resolve finalmente colocar um antigo sonho de pé, formando uma banda de soul music para arrasar nos clubes noturnos de Dublin. Para isso resolve convocar músicos experientes e outros nem tanto para formar um grupo musical chamado The Commitments. Durante os primeiros ensaios tudo parece correr muito bem, inclusive ele logo descobre que há de fato um grande som saindo daquela união. As coisas porém logo começam a sair dos trilhos quando uma guerra de egos entre os músicos começa a destruir o seu projeto internamente.

Comentários:
Alan Parker sempre foi um cineasta genial. Aqui ele retorna para o gênero musical no qual sempre se deu muito bem. O cenário é uma Irlanda católica com muitos problemas sociais. O desemprego é alto e a falta de perspectivas dos mais jovens é assustadora. No meio da dureza do dia a dia um jovem resolve formar uma banda com pessoas da cidade, dando origem aos The Commitments, um grupo formado por músicos bem talentosos mas igualmente viscerais, geniosos e complicados de se lidar. A grande sacada de Alan Parker foi ter reunido um elenco formado por músicos profissionais que nunca tinham atuado antes em suas vidas. Essa falta de experiência acaba trazendo muito para o resultado do filme pois o espectador em determinado momento começa a pensar estar realmente assistindo a um documentário tal a veracidade das atuações dos membros da banda. Some-se a isso a ampla liberdade que Parker deu a todos em cena e você logo entenderá que de fato muitos estão interpretando a si mesmos! Já a música que ouvimos é de primeira qualidade, só grandes sons e ótimas performances. Por essa razão sempre coloquei "The Commitments" entre os grandes musicais da década de 1990. Um show de musicalidade de bom gosto, acima de tudo!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A Múmia - A Tumba do Imperador Dragão

Título no Brasil: A Múmia - A Tumba do Imperador Dragão
Título Original: The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor
Ano de Produção: 2008
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Rob Cohen
Roteiro: Alfred Gough, Miles Millar
Elenco: Brendan Fraser, Jet Li, Maria Bello

Sinopse: 
Em busca da imortalidade o imperador do império da China antiga (Jet Li) tenta encontrar algum feitiço que o torne eterno. Os seus planos só não se concretizam porque ele trai a confiança da feiticeira que o joga em uma maldição secular. Dois mil anos depois ele retorna após ser encontrado e desenterrado pelo jovem Alex O'Connell (Luke Ford), filho do experiente aventureiro e caçador de tesouros Rick O'Connell (Brendan Fraser). Juntos tentarão deter a ameaça do renascido do mundo dos mortos que agora tenciona dominar o mundo.

Comentários:
Terceiro filme da franquia "A Múmia". Infelizmente essa série de filmes não consegue progredir, ficando sempre na mesma, ou seja, toneladas de efeitos digitais, roteiro mínimo e muita pirotecnia. O diferencial aqui se resume ao fato do filme se passar na China. Ora, não precisa ter bola de cristal para entender que isso foi uma jogada comercial de Hollywood para faturar no maior mercado consumidor do mundo, justamente o chinês, onde os filmes americanos estão entrando aos poucos. Para não dizer que não existe qualquer atrativo nessa produção temos que dizer que o argumento tem uma leve inspiração na vida real do próprio imperador da China que em sua era realmente procurou pela vida eterna. O problema é que seus conselheiros o indicaram o mercúrio como fonte da imortalidade. Assim o vaidoso e lunático monarca começou a tomar doses do metal todos os dias. Nem precisa dizer que ele morreu louco e precocemente, fruto de sua insanidade. Como se pode perceber a história real acaba sendo mais curiosa e interessante do que a mera ficção blockbuster. Infelizmente essa aventura juvenil, tipicamente pipoca, não vai tão longe, preferindo mesmo apostar em velhos e surrados clichês e nada mais. De certa forma o que temos aqui com essa franquia é apenas um genérico de "Indiana Jones" só que sem o carisma e a qualidade do arqueólogo mais famoso do cinema. Para piorar a franquia não perdeu sua característica de ser cheia de piadinhas boboquinhas que não farão rir ninguém. Dessa forma se viu algum da série e não gostou pode dispensar essa continuação sem qualquer problema, pois não lhe fará falta alguma.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Esqueça os ídolos...

Essa recente visita desse cantor e ídolo teen Justin Bieber me fez pensar na frase que dá título a esse texto. Qual é afinal a serventia de se ter ídolos? Quando você é adolescente geralmente fica fã de algum ídolo da música ou do cinema, até penso que isso é muito natural, faz parte do desenvolvimento emocional do ser humano. A questão é que você cresce, inclusive intelectualmente, e chega na conclusão de que tudo isso não passa de uma grande bobagem. E quando me refiro a ídolos não estou resumindo isso ao mundo das artes, mas a todos os setores, afinal existem pessoas que cultivam ídolos nos esportes, na política (sim, acredite nisso!) e em vários segmentos. É tudo um grande equívoco. O fã que se deslumbra com seu ídolo perde a noção do certo e do errado, do bom senso e acaba virando um tolo na frente das demais pessoas.

Assim são tolos os fãs de Justin Bieber que não enxergam que seu ídolo está debochando deles quando cospe em cima de suas admiradoras de um hotel cinco estrelas e é igualmente tolo um partidário cego que não consegue ver a realidade da corrupção de seus ídolos políticos. Absolutamente ninguém deve se colocar numa posição de cegueira em relação a esse tipo de coisa pois ídolos são pessoas comuns, muitas vezes, para falar a verdade, nem são boas pessoas, não tem bom caráter e nem merecem que você perca seu precioso tempo com eles, os idolatrando inutilmente. Alguns são verdadeiros crápulas e sujeitos desprezíveis que não merecem absolutamente nada de você. Afinal a própria ideia de se cultivar um ídolo é uma grande besteira pois todos os seres humanos, independente de sua condição social ou poder financeiro, fama, etc estão no mesmo patamar.

Agora o caldeirão fica explosivo mesmo quando se misturam fanatismo, idolatria e obsessão. Há um filme muito interessante estrelado por Robert De Niro chamado "O Fã" que mostra bem isso. O sujeito que idolatra seu ídolo perde a noção de normalidade e fica obcecado por seu objeto de desejo. Casos extremos estão em toda parte, como no triste caso de John Lennon que foi morto por um fã obcecado e enlouquecido dos Beatles. E isso foi uma ironia trágica porque Lennon sempre lutou contra esse tipo de atitude. Não raro passava sermões em seus fãs, conscientizando-os de que ele era uma pessoa normal e que parassem de o tratar como uma espécie de divindade na Terra. Aliás esse desejo de andar nas ruas e viver como um cidadão como qualquer outro acabou sendo bem trágico para ele mesmo. Uma ironia do destino mesclada com humor negro sem graça.

Claro que já tive ídolos em minha vida. Isso como eu disse á algo normal mas hoje em dia embora goste da arte de muitos cantores, atores e artistas em geral não aponto mais absolutamente ninguém como um ídolo a se seguir. Ídolos são de barro, como diz o ditado popular. E isso é a mais pura verdade. Depois que você os conhece mais a fundo e descobre seu lado negro e menos lisonjeiro tudo se desfaz como um castelo de areias. E não se engane, isso vai acontecer com qualquer ídolo pois todos são humanos e todos são imperfeitos. Nessa semana que passou vi muitos documentários sobre o presidente JFK e pude testemunhar como os americanos o elegeram como um ídolo político simplesmente perfeito no imaginário popular. O idolatraram e o colocaram em um patamar que como escrevi em texto anterior pouco tem a ver com a realidade histórica. JFK no fundo só é perfeito na imaginação de seus admiradores.

Assim procure não cultivar ídolos. Ouça boa música, assista bons filmes, reconheça o trabalho desses artistas mas jamais os coloque em uma posição de idolatria ou divindade. Isso é uma enorme perda de seu tempo. Sempre os veja como são de verdade, seres humanos de carne e osso, cheios de defeitos, com problemas de caráter, emocional, etc. Nunca veja um defeito de seu ídolo como algo positivo pois em pouco tempo você poderá até cometer os mesmos erros em sua vida pessoal. Esqueça essa coisa de achar que um ídolo é alguém mais especial do que você mesmo. Mude sua postura. Faça isso caso contrário vão cuspir em sua cara e você, da forma mais idiota possível, vai acabar chorando emocionado achando tudo aquilo o máximo. Não passe por essa vergonha, pois se arrependerá muito depois. Descarte todos os ídolos de sua vida, assim você será bem mais feliz.

Pablo Aluísio.

Sinfonia Prateada

Título no Brasil: Sinfonia Prateada
Título Original: Has Anybody Seen My Gal
Ano de Produção: 1952
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Douglas Sirk
Roteiro: Joseph Hoffman, Eleanor H. Porter
Elenco: Piper Laurie, Rock Hudson, Charles Coburn, James Dean, Gigi Perreau

Sinopse: 
Samuel Fulton (Charles Coburn) é um dos homens mais ricos do mundo. Magnata da indústria percebe que sua vida está chegando ao fim e ele não tem a quem deixar sua fortuna milionária. Nunca se casou e nunca teve filhos, pois sua vida sempre foi focada no mundo dos negócios. Nesse momento lembra-se de uma antiga paixão, que já não vive mais. Resolve então transformar em herdeiros a filha e os netos de seu amor do passado mas antes disso resolve ir conhecer a todos pessoalmente. Se fazendo passar por um velho artista aposentado vivendo de empregos medíocres chamado John Smith ele se hospeda na casa da família para entender se eles merecem mesmo se tornarem seus herdeiros após sua morte. A experiência mudará a vida de todos mas principalmente a do velho milionário.

Comentários:
"Sinfonia Prateada" é um primor. Dirigido por Douglas Sirk o filme reúne um ótimo elenco aliado a uma produção muito bem realizada, embalada por uma estória cativante. Sirk realizou uma fina comédia de costumes onde mostra que dinheiro e riqueza podem apenas revelar o verdadeiro caráter das pessoas mas nunca mudar sua verdadeira essência. O milionário que se faz passar por pobre velhinho sem ter onde cair morto é um achado. Interpretado excepcionalmente bem pelo talentoso Charles Coburn ele é a alma da produção. Em determinado momento resolve testar a verdadeira personalidade da família que está conhecendo (e estudando) para ver como eles se comportam como novos ricos. Doa 100 mil dólares para observar como aquela família reage com um dinheiro desses. Claro que a partir desse momento tudo muda. A família que era unida e muito humana se torna vaidosa, dada a exageros, desvalando para a pura cafonice. John Smith, claro, assiste tudo sem revelar sua verdadeira identidade.

Uma das melhores coisas de "Sinfonia Prateada" é seu elenco. A começar pelos figurantes - isso mesmo! Imagine que numa ponta não creditada temos nada mais, nada menos, do que o mito James Dean em cena. Foi uma das primeiras oportunidades que teve em Hollywood. Ele interpreta o pequeno papel de um jovem desmiolado que pede um complicado sundae para John Smith, naquela altura de seu disfarce trabalhando como balconista de uma pequena mercearia. São poucos minutos em cena mas que entraram para a história do cinema. Já outro astro, Rock Hudson, faz o papel de um pobretão que quer casar com a doce Millicent Blaisdell (Piper Laurie) mas vê suas chances diminuírem consideravelmente após perceber que ela ficou rica da noite para o dia! Embora todos os jovens atores estejam marcantes de uma forma ou outra temos que admitir que o filme pertence mesmo ao veterano Charles Coburn, que está realmente arrasador em seu personagem - que aliás é o principal de todo o enredo. Em suma, "Has Anybody Seen My Gal" é realmente uma delícia de filme. Encantador, charmoso e nostálgico é aquele tipo de obra que nos deixam mais leves e felizes no final da exibição.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Região do Ódio

Título no Brasil: Região do Ódio
Título Original: The Far Country
Ano de Produção: 1954
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Anthony Mann
Roteiro: Borden Chase
Elenco: James Stewart, Ruth Roman, Corinne Calvet

Sinopse: 
Jeff Webster (James Stewart) é um cowboy contratado para levar um grande rebanho de gado para a distante Seattle, quase na fronteira com o Canadá. Chegando lá acaba involuntariamente atrapalhando uma execução na forca de alguns bandidos locais. O fato acaba levando o juiz Gannon (John McIntire) a tomar de posse todo o rebanho sob o título de multa contra seu ato. Webster obviamente entende a verdadeira razão de Gannon, pois ele é um magistrado corrupto que usa a lei em seu proveito próprio, sempre roubando do povo local. Com medo todos recuam em relação aos seus atos arbitrários. Mas para Webster as coisas serão diferentes pois ele não vai admitir que seu gado seja roubado dessa forma.

Comentários:
Mais um ótimo western dirigido por Anthony Mann e estrelado pelo ator James Stewart. A dupla foi responsável por grandes filmes do gênero nas décadas de 1950 e 1960. "Região do Ódio" logo chama a atenção por algumas particularidades. A primeira e mais visível é a bonita fotografia, fruto da linda região onde o filme foi realizado, nas montanhas nevadas da fronteira entre Estados Unidos e Canadá. A beleza natural do local realmente chama a atenção e proporciona ótimas tomadas de cena. Em uma delas a equipe do filme teve a sorte de capturar uma grande avalanche de neve. Imagine a dificuldade que a produção teve em filmar naquele local remoto. Além disso grande parte do enredo se passa numa pequena comunidade de mineradores no pé da montanha, o que faz com que a natureza esteja sempre presente em praticamente todas as cenas. Outro aspecto muito interessante vem da própria construção psicológica do personagem de James Stewart. Por anos ele interpretou grandes homens de uma integridade acima de qualquer suspeita. Aqui na pele do cowboy Jeff Webster temos uma outra perspectiva. Ele é individualista, até mesmo egoísta, e ciente de que não se deve confiar muito nas pessoas ao redor. Talvez seu único contato mais próximo venha da amizade que tem com o seu pobre amigo de viagem. Mesmo quando parece se importar com mulheres ele não abaixa a guarda. Só no final, em ótimo clímax, finalmente Stewart recupera, mesmo que indiretamente, a grandeza que sempre foi característica de seus principais personagens no cinema. O grau de injustiça na localidade se torna tão alto que mesmo ele em seu individualismo extremo resolve agir, mostrando aos moradores que apenas a omissão garante a opressão.


"Região do Ódio" também expõe algo que anda bem comum atualmente em nosso país (infelizmente). A corrupção generalizada das autoridades e a certeza da impunidade. O grande vilão do filme é o juiz Gannon (John McIntire) que usa a lei e seu poder para tomar os bens de todos na comunidade. Primeiro ele avança no rebanho do personagem de James Stewart e depois, não satisfeito, começa a tomar posse de todas as minas da região. Um verdadeiro ladrão que usa a lei em proveito próprio. No filme pelo menos a população da cidade se revolta contra as várias injustiças. Afinal tudo tem um limite e até os poderosos devem pagar por seus crimes. Aprenda a lição povo brasileiro! Enfim, temos aqui um faroeste classe A, uma produção da era de ouro de Hollywood que até hoje se mostra atual e relevante. Um show de cinema com a assinatura de Anthony Mann.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Alan Moore: "Quadrinhos são para crianças!"

Alan Moore, um dos grandes nomes da retomada do universo dos quadrinhos voltados para um público mais adulto resolveu soltar um depoimento de sinceridade em entrevista ao conceituado "The Guardian". Em sua forma de entender adultos que ainda consomem quadrinhos de super-heróis, mesmo sob o rótulo de que são "Graphic Novel" possuem algum problema emocional, são sujeitos que na verdade não querem crescer pois os personagens que idolatram foram criados para crianças até no máximo 13 anos. Depois disso o culto aos comics se torna anacrônico, absurdo, segundo Moore. Leia na íntegra o pensamento do criador de tantas obras cultuadas até nos dias de hoje:

"Eu não leio nada de super-heróis desde que terminei Watchmen. Odeio super-heróis. Acho que eles são abominações. Eles não significam mais o que costumavam significar. Eles ficavam originalmente nas mãos de escritores que ativamente expandiam a imaginação de seu público, formado por crianças de nove a 13 anos. Eles faziam isso muito bem. Hoje, os quadrinhos de super-heróis não tem nada a ver com essas crianças de nove a 13 anos. É uma audiência formada geralmente por homens, de 30, 40, 50, 60 anos. Alguém criou o conceito de graphic novel. Os leitores se agarraram a ele, interessados em uma maneira de validar seu contínuo amor pelo Lanterna Verde ou Homem-Aranha sem parecer de alguma forma emocionalmente subnormal. Eu não acho que o super-herói significa nada de bom. Acho bastante alarmante ver adultos assistindo ao filme dos Vingadores e se deliciando com conceitos e personagens criados para entreter crianças de 12 anos dos anos 1950.”

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Você Já Foi à Bahia?

Título no Brasil: Você Já Foi à Bahia?
Título Original: The Three Caballeros
Ano de Produção: 1944
País: Estados Unidos
Estúdio: Walt Disney
Direção: Norman Ferguson, Clyde Geronimi
Roteiro: Homer Brightman, Ernest Terrazas
Elenco: Aurora Miranda, Carmen Molina, Dora Luz

Sinopse: 
Pato Donald recebe diversos presentes em seu aniversário, entre eles uma viagem muito especial ao México e ao Brasil em companhia dos simpáticos Panchito e Zé Carioca.

Comentários:
Animação que virou um clássico dos estúdios Disney, embora não fosse essa a intenção do estúdio quando a lançou na década de 1940. Na verdade o desenho foi feito sob encomenda numa tentativa de melhorar as relações diplomáticas, comerciais e culturais entre os países da América, em especial México e Brazil (ops, Brasil). Havia uma política de boa vizinhança no ar e Disney, um gênio da animação e das relações públicas, criou dois personagens que de certa forma representavam as nações mostradas no enredo. O primeiro era Panchito, um galo mexicano, amante das touradas e das danças típicas, com seu enorme sombreiro. O segundo seria Zé Carioca (dublado pelo brasileiro José Oliveira), uma ave verde (como a floresta Amazônica) que mostrava toda a ginga latina. Era um símbolo do que os americanos pensavam dos cariocas de uma maneira em geral, ou seja, um sujeito malandro, bom de papo, mas também com bom coração! Um personagem muito simpático que dentro do universo Disney internacional teria pouca expressão nos anos seguintes mas que em nosso país continuaria a ser muito querido por décadas e décadas - a ponto inclusive de ter sua revistinha publicada por longos anos. "The Three Caballeros" é hoje em dia considerado um cult, quem diria. Até mesmo no exterior o filme é reverenciado, principalmente pela presença do esquentado e ranzinza Pato Donald, um dos personagens mais populares da galeria Disney. Deixando toda a diplomacia e boas intenções de lado não temos como negar a simpatia irresistível dessa animação que resistiu muito bem ao tempo. Uma graça.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Viagem à Lua de Júpiter

Título no Brasil: Viagem à Lua de Júpiter
Título Original: Europa Report
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Magnolia Pictures
Direção: Sebastián Cordero
Roteiro: Philip Gelatt
Elenco: Sharlto Copley, Michael Nyqvist, Christian Camargo

Sinopse: 
Uma expedição é enviada até a distante lua de Júpiter, Europa. Aquele desconhecido e congelado mundo é considerado o mais promissor para se achar vida dentro do sistema solar uma vez que é grande a possibilidade de existência de água no estado líquido embaixo de suas enormes calotas polares. Água é certamente uma das premissas para o desenvolvimento da vida tal como conhecemos. Durante 20 meses a nave viaja pelo universo até chegar ao seu destino, que lhe espera com uma enorme surpresa para todos os tripulantes.

Comentários:
Não é de hoje que Europa chama a atenção da comunidade científica, afinal se trata de um satélite natural de Júpiter coberto de gelo e ao que tudo indica nas pesquisas com um enorme oceano subterrâneo (o único fora da Terra dentro do nosso sistema solar). O roteiro desse filme então explora como seria uma expedição para esse distante lugar. É curioso porque o filme procura manter uma postura de acordo com as descobertas da ciência até o momento. O enredo vai surgindo levemente fragmentado ao espectador, com idas e vindas no tempo da missão. Isso não é ruim e consegue manter a atenção de quem assiste da primeira à última cena. Nesse espaço de tempo o roteiro procura desenvolver todos os personagens, suas funções dentro da missão e a forma como interagem entre si. Não há atores conhecidos em cena o que ajuda ainda mais a manter o clima de autenticidade ao que acontece na estória. A produção é boa, com cenas de gravidade zero muito bem realizadas. O design da nave também não vai decepcionar a quem gosta de efeitos digitais. Seu grande atrativo é de fato a forma como tudo se desenvolve. As descobertas estão de acordo com o que supõe-se encontrar em Europa se um dia o homem conseguir chegar lá. O uso de atores reproduzindo entrevistas de cientistas da área tornam tudo ainda mais interessante. Claro que a fantasia também se mostra presente no filme mas tudo colocado de uma forma muito sutil e interessante. No final das contas é aquele tipo de película que surpreende pois não esperamos grande coisa e acabamos vendo um filme sci-fi muito curioso, bem desenvolvido e com ótimas escolhas na forma como é conduzido. Certamente vale a indicação para quem se interessa por ciência e pelas viagens espaciais - que hoje em dia parecem cada vez mais distantes, infelizmente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Hamburger Hill

Título no Brasil: Hamburger Hill
Título Original: Hamburger Hill
Ano de Produção: 1987
País: Estados Unidos
Estúdio: RKO Pictures
Direção: John Irvin
Roteiro: James Carabatsos
Elenco: Anthony Barrile, Michael Boatman, Don Cheadle

Sinopse: 
Durante a guerra do Vietnã um grupo de soldados americanos fica encurralado numa colina no meio da selva mas a defendem com valentia. Depois de sofrer mais de 70% de baixas os militares são surpreendidos pelas novas ordens recebidas por seus superiores. Um espelho da insanidade de um dos conflitos mais sangrentos da história americana.

Comentários:
"Mais uma produção do ciclo do Vietnã que legou ao cinema algumas clássicos como 'Platoon', 'Nascido Para Matar' e 'Nascido em 4 de Julho', todos grandes filmes daquela época. Esse aqui é bem menos conhecido e de certa forma foi ofuscado pelos demais. O bom é que narra um fato real, uma colina onde muitos americanos morreram. Na época um soldado resumiu a situação afirmando que o inimigo havia feito 'hamburguer' com seu pelotão! O clima mais cru ajuda a apreciação do filme mas de fato não consegue ter o mesmo impacto ou a mesma qualidade dos melhores filmes dessa fase do cinema americano" (Pablo Aluísio) / "Na vida real as tropas americanas fizeram um tremendo sacrifício para tomar o Hamburguer Hill (o morro onde eles estavam virando Hamburguer, literalmente) para depois abandonar o local sem mais nem menos por ordens superiores. Os que morreram, morreram em vão... Anos depois a colina virou o símbolo da falta de direção do comando americano na guerra. Não havia foco e nem sentido em muitos dos confrontos. Um fato histórico muito marcante e interessante. Já o filme é apenas mediano mas dá para assistir sem problemas" (Júlio Abreu)

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Marcado Para a Morte

Título no Brasil: Marcado Para a Morte
Título Original: Marked for Death
Ano de Produção: 1990
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Dwight H. Little
Roteiro: Michael Grais, Mark Victor
Elenco: Steven Seagal, Joanna Pacula, Basil Wallace

Sinopse: 
Steven Seagal interpreta John Hatcher, um agente especial da agência de combate ao narcotráfico (DEA) que tem seu parceiro morto por traficantes em atuação na Colômbia. De volta aos EUA ele procura por vingança contra a morte de seu amigo policial.

Comentários:
O sucesso de "Nico" abriu as portas para uma carreira cinematográfica de Steven Seagal. Aqui ele basicamente faz um genérico de seu primeiro sucesso. O enredo se passa dentro da guerra envolvendo as agências de repressão dos Estados Unidos e o crime organizado colombiano. Na época estava muito em voga a figura de Pablo Escobar, um megatraficante que tinha um poder financeiro e de fogo que impressionava os americanos, tudo fruto de suas vendas de cocaína dentro do mercado consumidor milionário dos EUA. O curioso é que "Marcado Para a Morte" antecipou o que iria acontecer com vários filmes de Seagal nos anos seguintes. A carreira nos cinemas era modesta, com bilheterias boas mas nada excepcionais. Já no mercado de fitas VHS o estouro era certo. Seagal se tornou um campeão de locações pois seus filmes se mostravam adequados para o consumo doméstico. Revisto hoje em dia encontramos todas as características que fizeram a alegria dos fãs de action movies dos anos 80 (embora esse filme tenha sido lançado na década de 90). Cenas de tiroteios, confrontos, lutas e ação! Um entretenimento que soa nostálgico atualmente para muita gente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu

Poltergeist - O Fenômeno

Título no Brasil: Poltergeist - O Fenômeno
Título Original: Poltergeist
Ano de Produção: 1982
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Tobe Hooper
Roteiro: Steven Spielberg, Michael Grais
Elenco: JoBeth Williams, Heather O'Rourke, Craig T. Nelson

Sinopse: 
Uma típica família americana é abalada quando sua pequena filha começa a manifestar poderes estranhos. Ela consegue abrir um meio de se comunicar com entidades paranormais que entram em contato com ela de forma violenta e incontrolável pela tela da TV. Para combater o mal eles recorrem a uma pessoa com mediunidade que lhes informa que o problema vem do local onde a casa teria sido construída, um antigo cemitério secular. "Eles estão Aqui!"

Comentários:
Esse é um dos grandes clássicos do cinema de horror americano. Na época Spielberg tinha planos de dirigir o filme, afinal o roteiro era de sua autoria mas teve que abrir mão disso por causa da agenda extremamente ocupada (o diretor estava em uma das fases mais brilhantes de sua carreira, inclusive cuidando da direção de um de seus mais lembrados filmes, "E.T. O Extraterrestre"). A direção então foi dada a Tobe Hooper de "O Massacre da Serra Elétrica" e "Pague Para Entrar, Reze Para Sair". Podemos apenas supor como teria ficado o filme sob direção de Spielberg mas não podemos negar que Hooper fez um excelente trabalho. Ele caprichou no clima, no desenvolvimento dos personagens e nas cenas de horror, todas contextualizadas e bem colocadas na trama. O sucesso foi tamanho que rendeu continuações, nenhuma porém tão boa e bem realizada como essa. Em termos de elenco o destaque vai para a garotinha Heather O'Rourke que era realmente muito talentosa. Infelizmente morreu muito cedo, sem ter a chance de fazer a transição para uma carreira adulta. Até hoje ela ainda é muito lembrada por sua atuação aqui, afinal em muitos momentos Heather contracena apenas com si mesma, em ótima performance. "Poltergeist - O Fenômeno" é certamente um dos mais bem realizados filmes de terror de todos os tempos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Apocalipse de Um Cineasta

Título no Brasil: O Apocalipse de Um Cineasta
Título Original: Hearts of Darkness: A Filmmaker's Apocalypse
Ano de Produção: 1991
País: Estados Unidos
Estúdio: American Zoetrope
Direção: Fax Bahr, George Hickenlooper, Eleanor Coppola 
Roteiro: Fax Bahr, George Hickenlooper
Elenco: Dennis Hopper, Martin Sheen, Marlon Brando, John Milius, Francis Ford Coppola

Sinopse: 
Documentário que mostra as filmagens do clássico "Apocalypse Now" uma das maiores obras primas da história da sétima arte. O enfoque se concentra no tumultuado processo de filmagens, na complicada relação entre equipe técnica e atores e na luta para se filmar em uma região de clima indomável e imprevisível.

Comentários:
Para quem é fã da sétima arte esse documentário é simplesmente imperdível. Aqui acompanhamos os complicados bastidores de filmagens de "Apocalypse Now", que segundo o próprio Francis Ford Coppola, foi a mais terrível filmagem de que participou em toda a sua carreira. Assim que chegaram nas locações o ator Martin Sheen sofreu um infarto. O outro astro do elenco, o mitológico Marlon Brando, conhecido por ser um ator impossível de se controlar, também se tornou uma fonte de dores de cabeça para Coppola. Demorou para chegar no set de filmagens e quando finalmente se instalou resolveu trazer uma série de sugestões para o roteiro do filme. Algumas foram realmente ótimas como se pode conferir no filme. Brando sugeriu a Coppola que não fizesse mau uso de seu personagem, o deixando na penumbra até o clímax. Esse por sua vez foi um monumental trabalho por parte de Marlon. Ele não usou script - pois não tinha mais paciência para memorizar falas nessa altura de sua vida. Tudo o que ouvimos e vemos na cena final é fruto de pura improvisação de sua parte, o que mostra sua genialidade, acima de tudo.

Brando, por exemplo, resolveu por conta própria raspar seu cabelo para dar uma aura de misticismo e mistério ao alto oficial americano que está perdido no meio da floresta em plena guerra do Vietnã. Francis Ford Coppola foi inteligente o suficiente para incorporar todas as sugestões, reescrevendo por inúmeras vezes o roteiro. Por falar nisso não são poucas as cenas em que Coppola surge em cena, martelando sua surrada máquina de escrever. O curioso é que presenciamos muito de improvisação, decisões tomadas no calor do momento e maleabilidade por parte de Coppola e sua equipe. Isso demonstra que até mesmo as grandes obras de arte não nascem completamente idealizadas ou organizadas. O caos também pode servir de ótimo caldeirão de criação, como muito bem podemos notar aqui ao acompanhar tudo. No geral esse documentário é uma verdadeira delícia para quem gosta de cinema pois mostra diversos gênios trabalhando juntos para dar vida a um dos maiores clássicos da sétima arte. Quer algo melhor do que isso?

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Hung

Título no Brasil: Hung
Título Original: Hung
Ano de Produção: 2009 - 2011
País: Estados Unidos
Estúdio: HBO
Direção: Colette Burson, Dmitry Lipkin
Roteiro: Colette Burson, Dmitry Lipkin
Elenco: Thomas Jane, Jane Adams e Charlie Saxton

Sinopse: 
Ray Drecker, um professor e treinador de basquetebol de uma escola secundária de classe média cuja vida está desmoronando, tenta ganhar uma renda extra de qualquer maneira. Depois de pensar em várias alternativas ele acaba descobrindo que sua única chance é virar um garoto de programa para senhoras mais velhas. Assim ele resolve então ser um gigolô nas horas vagas para pagar suas dívidas. Sua primeira cliente, uma mulher frustrada que não consegue se relacionar com os homens, acaba se tornando sua empresária no ramo, ou melhor dizendo, sua cafetina!

Comentários:
Com a crise americana o mar não está para peixe. Esse filme mostra um professor que não consegue mais viver com seu salário miserável. Para sobreviver então resolve radicalizar. A série é bem curiosa e interessante principalmente porque tem um tipo de humor que eu gosto bastante - é aquele tipo de situação engraçada que nasce do constrangimento, onde o espectador não sabe direito se ri ou chora da situação do personagem principal. No caso aqui um professor de High School completamente falido, sofrendo com o divórcio e além do mais sem casa (pois a sua pega fogo no primeiro episódio). Sem grana, corneado, falido e na rua a única coisa que lhe resta é utilizar o único talento natural que ele tem, que aliás faz muito sucesso com as mulheres! A série (que infelizmente já foi cancelada) tem certos paralelos com o sucesso "Breaking Bad". Em ambos os casos o enredo gira em torno de um professor colegial com muitos problemas financeiros. No caso de "Breaking Bad" tínhamos um professor de química que resolve entrar no tráfico de drogas pesadas. Já aqui é praticamente a mesma coisa, só que ao invés de vender drogas o professor resolve se vender, literalmente. Apesar disso o tom é bem humorado e divertido. A conclusão que chegamos ao final é a de que ser professor não é dureza apenas no Brasil mas ao que parece nos Estados Unidos também. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - Elvis, Girls e Priscilla

Enquanto o filme "Girls, Girls, Girls" ia chegando aos principais cinemas dos Estados Unidos, Elvis intensificou seus contatos telefônicos com sua antiga namoradinha na Alemanha, Priscilla. Elvis queria que ela viesse passar o natal ao seu lado. Já havia se passado dois anos mas Elvis ainda insistia com a garota adolescente que havia deixado na Europa. Era uma ironia. Enquanto tentava se divertir ao máximo possível em Hollywood, Havaí e por onde passasse, Elvis ia também sentindo um vazio em sua vida emocional, afinal de contas as garotas eram muitas mas nenhuma delas conseguia preencher sua solidão que havia se agravado muito depois da morte de Gladys.

O interessante disso tudo é que Priscilla parecia se enquadrar no ideal de mulher que Gladys sonhara para seu filho. Era de uma boa família e como também era muito jovem poderia ser moldada no ideal feminino que Presley procurava. Assim Elvis jamais fechou essa porta. Estava sempre fazendo longos telefonemas internacionais para Priscilla, comentando sobre seus filmes, suas trilhas, os acontecimentos que vivia nas longas filmagens.

O Coronel Parker sabia da existência de Priscilla e recomendou cautela a Elvis. Afinal era uma adolescente e qualquer coisa poderia causar um escândalo na imprensa como aconteceu com Jerry Lee Lewis. Assim Elvis resolveu pedir aos pais de Priscilla que ela viesse passar o natal ao seu lado em 1962. Tudo seria mantido como um grande segredo e ninguém poderia comentar nada sobre isso fora dos muros de Graceland.

Elvis Presley estava prestes a reencontrar a garota que havia mexido com ele enquanto estava no exército. Mal sabiam eles que isso seria apenas o recomeço de uma longa história que não teria fim tão cedo! O destino realmente tinha várias surpresas para o casal.

Pablo Aluísio.

Roy Orbison

Muita gente conhece apenas superficialmente Roy Orbison. No Brasil poucos conseguem citar mais de uma canção dele. Na maioria das vezes vem a mente seu grande sucesso "Pretty Woman" e nada mais. Uma pena pois esse texano de Vernon, Texas, foi um grande cantor e compositor americano. Seu estilo era uma perfeita combinação de todos os ritmos que deram origem ao bravo Rock ´n´ Roll em seus anos iniciais, com enfase na country music.

Tímido, de estrutura física frágil, o que lhe caia muito bem quando interpretava introspectivas baladas românticas, Roy teve o privilégio de ter sido apontado como o "Melhor cantor do mundo" por ninguém menos do que Elvis Presley!

O elogio não era exagerado pois Roy conseguia realmente vivenciar aquilo que estava cantando. Suas interpretações vindas do fundo da alma marcaram época e até hoje emocionam os fãs de seu inconfundível estilo vocal.

Foi certamente uma carreira longa, produtiva e importante. Infelizmente ele se foi muito cedo, com apenas 52 anos, enquanto levava uma vida sossegada em Madison, Tennessee. Era o dia 6 de dezembro de 1988. Para não deixar a data passar em branco resolvemos antecipar essa homenagem para esse ícone da música popular americana (e mundial). Em breve escreverei mais sobre Roy aqui, inclusive comentando seus discos que são em sua maioria excepcionais. Aguarde.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Stop-Loss - A Lei da Guerra

Título no Brasil: Stop-Loss - A Lei da Guerra
Título Original: Stop-Loss
Ano de Produção: 2008
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures, MTV Films
Direção: Kimberly Peirce
Roteiro:  Kimberly Peirce e Mark Richard
Elenco: Ryan Phillippe, Channing Tatum, Abbie Cornish, Joseph Gordon-Levitt, Timothy Olyphant

Sinopse: 
Um grupo de soldados americanos de volta aos Estados Unidos após servirem por longo período em conflitos no Oriente Médio se revoltam ao saberem que devem, por obrigação legal, se alistarem novamente nas forças armadas para voltar ao Iraque. Caso não o façam serão considerados desertores, podendo até mesmo serem presos por isso.

Comentários:
Esse filme é interessante porque retrata a geração americana jovem de hoje. Com a economia em crise o jovem americano que não consegue ir para a faculdade fica sem muitas opções de vida e acaba entrando nas forças armadas. Esse tipo de jovem é vulgarmente conhecido nos EUA como "lixo branco"! O exército americano hoje vive basicamente do alistamento desse pessoal. Como se sabe o serviço militar naquele país deixou se ser obrigatório por causa do que aconteceu na Guerra do Vietnã. Hoje o jovem que queira entrar nas forças armadas americanas acaba assinando um contrato de trabalho, com duração pré-fixada. O problema é que muitas vezes o exército adiciona uma pequena cláusula contratual afirmando que esses jovens precisam voltar ao serviço caso haja déficit de homens em operações militares no exterior. Esse malabarismo legal acabou ficando conhecido como "Stop-Loss". Obviamente uma forma de obrigar o soldado a voltar para às fileiras de guerra. Agora imagine você a surpresa que isso causa em muitos desses veteranos, pois a maioria deles, sem conhecimento legal, nem sabem da existência desse tipo de manobra legal. O roteiro do filme se desenvolve (muito bem) em torno dessa situação. O personagem principal não quer voltar para o front, pelo contrário, quer ficar nos Estados Unidos para tentar reconstruir sua vida mas se vê no meio de uma armadilha jurídica - caso não volte para as tropas será preso por deserção! O filme é um bom retrato do jovem americano dos dias atuais e conta com um elenco bem interessante, inclusive com a presença do ator Timothy Olyphant que depois faria muito sucesso com a série "Justified" no canal FX.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Joana D'Arc

Título no Brasil: Joana D'Arc
Título Original: Joan of Arc
Ano de Produção: 1948
País: Estados Unidos
Estúdio: RKO Pictures
Direção: Victor Fleming
Roteiro: Maxwell Anderson, Andrew Solt
Elenco: Ingrid Bergman, José Ferrer, Francis L. Sullivan

Sinopse: 
No século XV, em plena guerra dos cem anos entre Inglaterra e França, surge uma pobre camponesa chamada Joana (Ingrid Bergman) afirmando que Deus teria lhe dado uma missão divina. Ela deveria marchar com as tropas francesas para expulsar o invasor inglês de seu país e logo após colocar no trono o futuro Rei Carlos VII (José Ferrer). Animados pela presença da vidente e santa em suas fileiras o exército francês começa uma série de campanhas vitoriosas contra as tropas do exército do rei britânico Henrique VI, virando completamente os rumos do sangrento conflito. Após atingir seus objetivos, concretizando o que diziam suas vozes a agora adorada pelo povo, Joana D'Arc, de apenas 19 anos, acaba sendo traída e enviada para um tribunal religioso corrompido pela coroa da Inglaterra. Seu destino acabará se tornando uma mensagem de fé e devoção cristã.

Comentários:
Grande filme dirigido por Victor Fleming, o mesmo cineasta do clássico imortal "E O Vento Levou". Aqui temos uma das personagens históricas mais conhecidas de todos os tempos, Jeanne d'Arc (1412 - 1431). Heroína francesa ela se tornaria santa católica séculos depois de sua morte quando o Papa Bento XV finalmente reconheceu que seu julgamento foi uma grande farsa, comandada por interesses políticos ingleses. Afinal ela seria considerada a grande responsável pelas derrotas sofridas pelas tropas do Rei Henrique VI. Joana foi um símbolo, tanto do ponto de vista religioso como político. De certa forma ela foi usada pelos franceses como um sinal divino de que, naquela guerra que parecia interminável, Deus estaria do lado da França. Isso de fato aumentou a moral do exército francês que a partir daí colecionou vitórias e mais vitórias contra os ingleses. Infelizmente Joana estava do lado de um rei francês corrupto, fraco e frívolo chamado Carlos VII, que não pensou duas vezes em praticamente vendê-la aos ingleses em troca de uma grande soma em dinheiro. Nas mãos dos inimigos foi montado um julgamento completamente parcial que tinha como único e exclusivo objetivo a enviar para a fogueira para ser queimada como herege e bruxa (de fato os ingleses a chamavam de feiticeira durante as sangrentas batalhas das quais participou).

A produção é de excelente nível. Indicada a vários Oscars e vencedor do prêmio de Melhor Figurino. A atriz Ingrid Bergman encarna a guerreira com perfeição. Ora inocente, ora seguidora de uma fé cega, Joana logo cai nas mãos de traidores que nem pensaram duas vezes antes de a enviar para um terrível martírio. Temos que reconhecer que há uma clara simplificação na história de Joana no filme. Isso é até fácil de entender pois a intenção não era fazer um épico com três ou mais horas de duração. Assim a trama política que envolveu Joana na vida real foi simplificada para dar mais agilidade ao roteiro, decisão que se mostra acertada pois o filme realmente tem um timing excelente, jamais cansando o espectador. Na época em que viveu, Joana teve muitos inimigos, príncipes gananciosos, nobres ateus, pequenos reinados e feudos que a queriam morta. Como forma de enxugar tudo isso os roteiristas colocaram apenas os ingleses e os borguinhões como seus inimigos viscerais. O julgamento de Joana, que ficou famoso na história, tema de inúmeros livros e filmes, também foi simplificado, contando apenas com os mais marcantes momentos. Nada disso porém traz o menor demérito ao filme que certamente continua excelente, mesmo revisto hoje em dia.

Como Joana D'Arc sempre foi uma personagem muito marcante na história o cinema de vez em quando realiza produções explorando sua enigmática biografia. São mais de 90 filmes feitos enfocado a santa católica. Essa produção da RKO pode certamente ser considerado uma das melhores, até porque conta com a preciosa e iluminada interpretação de Ingrid Bergman, mito do cinema que ficou imortalizada no eterno clássico "Casablanca". Ela está no tom certo e em termos estéticos ficou maravilhosa com os cabelos curtos tão característicos de Joana. Também adota uma postura de grande respeito com a sua personagem, a tornando muito digna e devota, tal como os livros de história a retrataram por todos esses séculos. Assim se o tema lhe chama a atenção e a personagem lhe desperta curiosidade ou devoção (caso seja católico) não perca esse clássico absoluto do cinema americano. É um filme grandioso que realmente faz jus ao mito eterno da donzela de Orleans.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 24 de novembro de 2013

Meu Malvado Favorito 2

Título no Brasil: Meu Malvado Favorito 2
Título Original: Despicable Me 2
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures, Illumination Entertainment
Direção: Pierre Coffin, Chris Renaud
Roteiro: Cinco Paul, Ken Daurio
Elenco: Steve Carell, Kristen Wiig, Benjamin Bratt

Sinopse: 
Depois de uma vida dedicada ao sonho de se tornar o maior vilão de todos os tempos o agora aposentado do mundo do crime Gru (Steve Carell) tenta levar uma vida pacata e honesta ao lado de suas três filhinhas adotivas. Sua vida porém muda repentinamente quando uma liga mundial de combate aos vilões o recruta para descobrir a identidade secreta de um novo vilão que surge tentando dominar o mundo. Ao lado de seus Minions ele tentará de todas as formas desmascarar a nova ameaça.

Comentários:
O primeiro filme foi um tremendo sucesso de bilheteria. Não é de se admirar então que tenhamos essa sequência. De fato é uma animação muito divertida, muito bem escrita e que conta com a participação muito engraçada dos Minions, que inclusive viraram febre nas redes sociais, em especial o Facebook. Curiosamente todas as vozes desses carinhas são feitas apenas por dois dubladores, que são justamente os diretores do filme! Não há como negar que a dupla é muito talentosa. Em minha forma de ver o diferencial vem do fato deles imprimirem uma visão também européia ao conceito da produção, afinal de contas são franceses. Por falar nos Minions já está em pós-produção uma animação para 2014 estrelada apenas por eles - alguém duvida que será mais um novo sucesso de bilheteria? Eu não duvido em absolutamente nada. Por fim cabe um pequeno elogio ao fato dos roteiristas terem criado uma vida sentimental para Gru, até porque os brutos... digo os vilões, também amam!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu

Entrevista com Hitman

Título no Brasil: Entrevista com Hitman
Título Original: Interview with a Hitman
Ano de Produção: 2013
País: Inglaterra
Estúdio: Scanner-Rhodes Productions
Direção: Perry Bhandal
Roteiro: Perry Bhandal
Elenco: Luke Goss, Caroline Tillette, Stephen Marcus

Sinopse: 
Viktor (Luke Goss) é um assassino profissional que aceita conceder uma longa entrevista para um jornalista inglês. Ele relembra sua entrada no mundo do crime quando era apenas um garoto, os primeiros assassinatos e o jogo sujo que impera entre os chefões da criminalidade no leste europeu e na Inglaterra. O que o repórter nem desconfia é que Hitman tem contas a acertar com ele mesmo.

Comentários:
Hitman é um personagem conhecido do mundo dos games. O assassino profissional careca que elimina todos que ousam cruzar seu caminho. Com ele contrato feito é trabalho cumprido. Assim ele se torna peça chave entre os barões do crime da Europa. O que ele nem imaginava é que acabaria se apaixonando por uma romena bonita que ele salva do estupro por um grupo de criminosos. Esse novo Hitman não é um filme ruim, pelo contrário, até apresenta uma bem bolada trama que conta as origens do personagem. Obviamente que não pode ser comparado a uma produção americana com orçamento generoso mas mesmo assim cumpre o que promete. O roteiro apresenta algumas pequenas falhas de lógica mas nada que estrague o programa. Na verdade o que temos aqui é um filme eficiente sobre assassinos profissionais e o espectador certamente já sabe de antemão o que encontrará. O roteiro é uma derivação da ideia central do filme "Entrevista com o Vampiro" (onde sai o vampiro interpretado por Brad Pitt e entra o assassino, o Hitman). Em relação a isso não há o que negar. A coisa beira o plágio mas o público deve deixar esse detalhe de lado e se divertir, acima de tudo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 23 de novembro de 2013

JFK 50 Anos

Essa semana os Estados Unidos (e o mundo) relembraram os cinquenta anos da morte do presidente americano JFK. Muitos especiais foram passados nos canais a cabo durante os últimos dias. Hoje à noite em particular assisti um muito bom chamado "Os Filmes Perdidos dos Kennedys" que reúne um acervo realmente fabuloso de imagens raras captadas da intimidade da família Kennedy, em especial dos momentos de lazer e diversão quando o clã se reunia numa casa de verão, à beira do mar. O John Kennedy que surge dessas imagens é muito diferente do mito que estamos acostumados a ver em aparições oficiais. O que pode se ver é basicamente um jovem, agindo ainda como um garoto o tempo todo. JFK nada na piscina, joga futebol, faz brincadeiras com suas irmãs e com seu irmão Bob e acima de tudo procura curtir a vida (que ele não sabia, mas seria breve e terminaria numa grande tragédia).

Eu sempre fui de opinião de que JFK só se tornou esse ícone americano por causa da forma como se deu sua morte. Politicamente sempre achei sua presidência muito fraca. Coisas como a crise dos mísseis de Cuba e as violações dos direitos civis de negros no sul dos EUA só ocorreram mesmo porque seus inimigos políticos o consideravam jovem e inexperiente demais para ser presidente da nação mais rica e poderosa do mundo.

O seu lado playboy e mulherengo, cantado em coro e verso por todos esses anos, que muitos associam como uma vantagem, vejo como um sinal de fraqueza. De certa forma Kennedy não se dava ao respeito e não agia de acordo com o cargo que ocupava. Em certo sentido nunca deixou de se comportar como um playboy inconsequente, levando sua presidência muitas vezes à beira do abismo. Seu romance com Marilyn Monroe foi uma vergonha. Quando ela cantou "Happy Birthday" em Nova Iorque foi como se houvesse uma declaração pública e notória dos casos de infidelidade do presidente. Além disso aquele namoro, que para ele nada significou, acabou levando Marilyn para uma rota suicida em sua vida.

Outro dia li um artigo afirmando que a Guerra do Vietnã jamais teria acontecido se JFK tivesse ficado vivo por mais um mandato presidencial. Não penso assim. Ele como presidente já havia ordenado o envio das primeiras tropas americanas ao sudeste asiático. Muito provavelmente teria afundado a nação naquele lamaçal tal como fizeram seus sucessores na Casa Branca. Aqui não está em dúvida a personalidade ou seus ideais mas sim a simples constatação de que independente de quem ocupasse a presidência a ordem de ir ao Vietnã seria dada. Aliás que político americano conseguiu até hoje se sobrepor ao poder da indústria de armas daquele país? Nenhum é a resposta.

Já em relação às inúmeras teorias da conspiração sobre sua morte também tenho uma visão mais conservadora e tradicional. Em minha opinião foi realmente Lee Oswald quem matou o presidente. Ele agiu sozinho, fruto de uma mente perturbada. Muitos vão pensar que isso é uma forma simplista de analisar a situação. Será mesmo? Na maioria das vezes a solução de todos os mistérios está realmente nas coisas mais simples, nos eventos mais banais. Oswald tinha ressentimentos com a liderança do país e muitas vezes afirmou ter especial ódio contra a imagem de família feliz e bem sucedido dos Kennedys. Depois de passar um tempo na União Soviética e voltar aos EUA para viver de um emprego medíocre, não é de se admirar que esse ex-marine, excelente atirador, tenha realmente perdido a noção, decidindo explodir os miolos do presidente sem medir as consequências de seus atos. Claro que o fato dele ter sido morto logo depois inflamou ainda mais os que defendiam uma ampla e complexa teoria da conspiração mas eu realmente não acredito em nada disso. Já li vários livros sobre o assunto e sempre fiquei cético em relação a tudo.

Bom, basicamente é isso. Fique de olho na programação de seus canais a cabo pois muita coisa tem sido exibida essa semana sobre o presidente. Filmes, séries, documentários e muito mais. Para quem gosta de história é realmente um prato cheio de curiosidades, imagens raras, detalhes interessantes. Eu não sou particularmente fã do presidente JFK mas é impossível negar que ele foi o símbolo de uma era que não voltará mais. Aquela nação americana, cheia de entusiasmo, alegria, otimismo, onde até o presidente era um garotão que esbanjava charme, realmente não existe mais, e isso faz, ora vejam só, 50 anos! Camelot provavelmente nunca mais se repetirá.

Pablo Aluísio.

O Que Esperar Quando Você Está Esperando

Título no Brasil: O Que Esperar Quando Você Está Esperando
Título Original: What to Expect When You're Expecting
Ano de Produção: 2012
País: Estados Unidos
Estúdio: Lionsgate
Direção: Kirk Jones
Roteiro: Shauna Cross, Heather Hach
Elenco: Cameron Diaz, Elizabeth Banks, Rodrigo Santoro, Chris Rock, Ben Falcone, Dennis Quaid.

Sinopse: Cinco casais vivem o momento especial do nascimento de seus filhos. O filme enfoca como cada um enfrenta a proximidade da maternidade, as particularidades e o modo de encarar essa nova realidade. O roteiro procura mostrar como reagem as diversas pessoas nesse momento delicado em todo casamento.

Comentários:
"Bobagem, acima de tudo. Filmes sobre um grupo de casais esperando o nascimento de seus respectivos filhos provavelmente só interessará para as mulheres que estiverem grávidas (nem seus maridos vão querer ver isso, acredito). Tudo muito açucarado, bobinho ao extremo, beirando o insuportável. A tal maternidade nunca foi tão chata no cinema como aqui! Provavelmente não me enquadro no público alvo que esse filme quis atingir porque o achei simplesmente um xarope sem fim!" (Júlio Abreu).

"Fui forçado a ir pelo minha esposa que me ameaçou! Depois que a sessão terminou pensei comigo mesmo: Da próxima vez prefiro tomar veneno! Não dá, certos filmes não são feitos para o público masculino. Nosso lado viking acha aquilo tudo mortalmente sacal! Para piorar temos no elenco a Cameron Diaz que até hoje não me convenceu que é uma atriz. Ela é um só uma modelo loira com uma boca enorme! Tive pena do Dennis Quaid também... pagar um mico desses nessa altura da vida não deve ser fácil. Assim se fosse for homem e sua mulher o levar para ver isso, desconverse, finja uma dor qualquer, prefira sair de casa. Faça qualquer coisa mas dispense esse abacaxi maternal" (Erick Steve).

Pablo Aluísio.

1941 - Uma Guerra Muito Louca

Título no Brasil: 1941 - Uma Guerra Muito Louca
Título Original: 1941
Ano de Produção: 1979
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures, Columbia Pictures
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Robert Zemeckis, Bob Gale
Elenco: John Belushi, Dan Aykroyd, Treat Williams, Christopher Lee, Toshirô Mifune, John Candy, Nancy Allen

Sinopse: 
Durante a Segunda Guerra Mundial os habitantes da Califórnia entram em pânico quando um boato se espalha em todas as cidades. Os rumores dão conta que as cidades da costa oeste serão em breve bombardeadas por uma grande esquadrilha de aviões japoneses. Assim que a falsa notícia se espalha o caos se instala em todos os lugares por causa do iminente ataque!

Comentários:
Ontem citei o comediante John Belushi (1949 - 1982) comentando uma comédia mais recente e isso me fez recordar desse "1941 - Uma Guerra Muito Louca". Belushi como todos sabemos foi cria do programa SNL da TV americana. Lá ele criou tipos inesquecíveis e virou ídolo da juventude que morria de rir com suas performances. Isso obviamente abriu as portas do cinema americano para ele e depois do sucesso de "Clube dos Cafajestes" o comediante estrelou esse filme, considerado o mais ambicioso de sua carreira até então. Dirigido por Steven Spielberg e roteirizado por Robert Zemeckis havia grandes expectativas de que se tornaria um grande campeão de bilheteria. Infelizmente isso não aconteceu. Produção muito cara o filme não conseguiu atrair a atenção do público, mesmo parecendo estar tudo em ordem, com as peças certas. O que deu errado? Muito provavelmente o tema (comédia passada em plena II Guerra Mundial) não tenha despertado a atenção do público na época. Afinal o cinema vivia uma outra fase, com filmes de ficção e aventura dominando as atenções. Outro problema vem do próprio roteiro escrito por Zemeckis e seu colega Bob Gale (os mesmos que criariam a franquia "De Volta Para o Futuro" alguns anos depois). Tudo é desorganizado, com excesso de personagens e falta de foco. Não demora muito para o espectador ficar desorientado no meio daquele enredo sem muito pé, nem cabeça. Para piorar as piadas são fracas e a sensação de estar vendo uma comédia sem graça logo domina. Revisto hoje em dia o filme serve apenas como curiosidade. Para relembrar John Belushi e entender que nem mesmo Steven Spielberg, o mago do cinema, era imune ao fracasso.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu

Garotas e mais Garotas

Título no Brasil: Garotas e mais Garotas
Título Original: Girls, Girls, Girls
Ano de Produção: 1962
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Norman Taurog
Roteiro: Allan Weiss, Edward Anhalt
Elenco: Elvis Presley, Stella Stevens, Laurel Goodwin, Jeremy Slate

Sinopse: 
Ross Carpenter (Elvis Presley) é um pescador americano no Havaí que de repente se vê perto de perder seu emprego uma vez que seu patrão está para vender todos os barcos de sua frota para ir morar no Arizona, por recomendação médica. Ross tem especial carinho por dois barcos, "West Wind" e "Kingfisher" que construiu ao lado de seu pai antes de falecer. Agora terá que arranjar dinheiro para comprá-los de um dono de companhia pesqueira inescrupuloso, Wesley Johnson (Jeremy Slate). Enquanto tenta arranjar a quantia ele vai também levando em frente os relacionamentos complicados que tem com duas mulheres, a cantora de boates Robin Ganter (Stella Stevens) e a jovem riquinha Laurel Dodge (Laurel Goodwin). Quem afinal conquistará o coração de Ross Carpenter?

Comentários:
Via de regra os filmes de Elvis Presley na Paramount eram mais bem realizados. Havia um cuidado maior com cenários, figurinos e produção. Um exemplo podemos encontrar aqui. Elvis tinha emplacado um grande sucesso no estúdio no ano anterior, "Feitiço Havaiano", e agora estava de volta com praticamente a mesma equipe técnica do seu último filme nesse estúdio. De certa forma "Girls! Girls! Girls!" é um genérico de "Blue Hawaii". Obviamente existem mudanças mas tudo segue uma linha ao estilo "Diferente, mas igual". Afinal o que desejava o produtor Hall Wallis era repetir o sucesso do musical havaiano. E até que deu certo. Esse foi o maior êxito de bilheteria de Elvis em 1962, faturando bem mais do que os dois filmes que havia rodado na United Artists recentemente. O roteiro como sempre é básico. Na vida profissional o personagem de Elvis precisa de 10 mil dólares para comprar os barcos que foram construídos por ele e seu pai já que seu antigo patrão os estão vendendo. Na vida amorosa Elvis tem que se decidir entre uma garota mais jovem (e mais rica) e uma mulher mais velha que canta na mesma boate que ele. Esse padrão de roteiro iria se repetir várias e várias vezes em seus filmes, por isso não existe grande surpresa nesse aspecto.

Há um excesso de músicas ao longo do filme. Isso é bem fácil de notar pois sempre que o enredo vai caindo no lugar comum há um número musical com Elvis para acordar o público. Como seu personagem é um pescador resolveu-se colocar o cantor para no meio de uma pescaria de atum soltar a voz. São três as cenas em que isso acontece. Soa estranho, claro, mas os fãs de Elvis queriam isso mesmo, temos que admitir. Numa das cenas o próprio Elvis parece tirar onda da situação forçada. Já no palco da pequena boate onde canta em busca de alguns trocados Elvis apresenta o grande sucesso do filme, a boa "Return to Sender" (grande canção apesar da letra ser nada original). Analisando friamente temos aqui mais do mesmo. Elvis namora um pouquinho, pesca um pouquinho e canta um monte de músicas, tudo em pouco mais de 90 minutos de duração. O clima de maneira em geral é simpático, fruto natural das belas locações do Havaí. Curiosamente nenhuma das atrizes se destaca muito, exceto Stella Stevens que tem a chance de apresentar no mínimo três canções, algo bem raro dentro da filmografia do cantor. Interessante é que na cena final, que fecha a estória, Elvis dá passos de twist (a moda musical da época) enquanto dança ao lado de bailarinas representando todos os povos da Terra (inclusive brasileiras, citadas até na letra da versão alternativa da canção título que dá nome ao filme). Assim "Girls! Girls! Girls!", tal como os dois filmes anteriores realizados por Elvis na United Artists, também fica no meio termo. Não é dos melhores filmes de Presley mas tampouco fica entre os desastres que iria fazer a seguir como "Harum Scarum", por exemplo. É um filme de verão realmente, para ver nas férias escolares, como bem queria o Coronel Tom Parker. Dentro dessa proposta até que pode ser considerado um bom entretenimento despretensioso e inofensivo.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Dias Incríveis

Título no Brasil: Dias Incríveis
Título Original: Old School
Ano de Produção: 2003
País: Estados Unidos
Estúdio: DreamWorks
Direção: Todd Phillips
Roteiro: Court Crandall, Todd Phillips
Elenco:  Luke Wilson, Vince Vaughn, Will Ferrell, Juliette Lewis, Elisha Cuthbert

Sinopse: 
Três amigos, trintões, resolvem voltar aos velhos dias de glória do passado e se matriculam numa universidade para viver toda a farra e festa que só os anos universitários proporcionam. Para isso acabam fundando sua própria fraternidade estudantil, o que dará origem a muitas confusões no campus.

Comentários:
Esperava bem mais, já que tinha lido alguns resenhas positivas sobre o filme. Pois bem, no fundo não passa de mais uma comédia irregular com Luke Wilson, Will Ferrell e Vince Vaughn. Aqui um grupo de trintões resolve abrir uma fraternidade universitária. O tema poderia render bem mais porém ficou tudo no mais ou menos mesmo. Esse filão de filmes de fraternidades universitárias já rendeu ótimas produções como o famoso (e sempre lembrado) "Clube dos Cafajestes" com o falecido John Belushi. Se naquela produção antiga tínhamos muito escracho e humor escatológico aqui tudo o que você vai encontrar é algo muito mais pasteurizado, com medo de ser ousado ou de mostrar algo mais picante. A comparação se mostra muito cruel para "Dias Incríveis" que não surpreende, não inova e nem impressiona. Para falar a verdade até mesmo a série "Greek" da ABC que se desenvolve no mesmo cenário das fraternidades do sistema grego é melhor do que isso. Curiosamente Vince Vaughn fez recentemente um papel levemente semelhante em "Os Estagiários" pois também interpretou um cara mais velho que se mete no meio do mundo da garotada para tentar ser aceito (aqui ele tenta ser o descolado de uma fraternidade e no outro filme era um quarentão que tentava descolar um emprego no Google). Em ambos os casos, apesar de seu carisma, temos que reconhecer que o resultado é bem mediano, indo para fraco. Alguns risinhos amarelos aqui e acolá não melhoram as coisas. Enfim, o filme passa longe de ser tão incrível quanto seu título nacional nos leva a pensar.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Tortura do Silêncio

Título no Brasil: A Tortura do Silêncio
Título Original: I Confess
Ano de Produção: 1953
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: George Tabori, William Archibald
Elenco: Montgomery Clift, Anne Baxter, Karl Malden

Sinopse: 
Inesperadamente o empregado de uma paróquia resolve se confessar ao padre Michael Logan (Montgomery Clift) revelando que acabara de assassinar um advogado após um assalto mal sucedido. Para isso ele tinha até mesmo usado a própria batina do religioso roubada de seus aposentos. Como fruto de confissão Logan agora não pode contar mais a verdade para a polícia. O pior de tudo é que o inspetor Larrue (Karl Malden) começa a desconfiar que o próprio padre foi de fato autor do crime, afinal todas as pistas parecem apontar para seu lado, inclusive um complicado relacionamento dele com a bela Ruth Grandfort (Anne Baxter), uma mulher casada que estava sendo chantageada pelo mesmo advogado que foi morto. E agora, conseguirá o Padre Logan provar sua inocência sem romper seu juramento de nunca revelar as confissões de seus fiéis?

Comentários:
Provavelmente um dos mais bem elaborados filmes do mestre Alfred Hitchcock. Aqui ele coloca vários dogmas da fé católica na berlinda ao mostrar um padre que não pode romper o segredo da confissão ao mesmo tempo em que tenta provar sua inocência em razão de um crime que nunca cometeu. Outro ponto interessante é a forma como Hitchcock lida com o celibato dos padres. Logan tem um amor em seu passado, quando era apenas um jovem prestes a ir para a guerra, justamente uma mulher casada que mesmo após tantos anos não consegue esquecer sua paixão. A montagem do quebra-cabeças acaba levando o padre, um homem de grande fibra moral, ao desprezo público. Todos o consideram culpado, apenas pelo fato de ser um homem religioso que se encontrava com um antigo amor. Será que ele não merecia nem ao menos um voto de confiança? Como pode um homem tão bom e íntegro ser desacreditado assim, praticamente da noite para o dia?

O papel do torturado e existencial Padre Logan se mostra ideal para Montgomery Clift. A fragilidade física do ator aliada a uma grande fibra espiritual, se mostra perfeita para a proposta do enredo. Há uma cena em que Hitchcock faz um paralelo muito perspicaz sobre o verdadeiro calvário que seu personagem passa. Enquanto ele anda a esmo, na rua, em profundo conflito interior por tudo o que passa, surge em primeiro plano, no alto de uma igreja, uma imagem de Cristo e os soldados romanos durante sua penosa caminhada rumo ao calvário. Um efeito até mesmo simples mas muito significativo do mestre do suspense. A imagem funciona assim como uma materialização de tudo aquilo que o pobre padre passa naquele momento. A vivência mais plena do que é ser cristão de verdade.


Por falar no diretor ele é a primeira pessoa que surge em cena, no alto de uma grande escadaria logo na abertura do filme. Hitchcock sempre fazia essas aparições em suas produções e aqui o momento é mais do que divertido. Mas por trás da graça também há um aspecto sério a se considerar. A impressão que passa é que o cineasta tenta exorcizar mais um de seus conflitos internos com o filme. Como se sabe Hitchcock tinha uma relação de amor e ódio em relação ao catolicismo, algo que aqui ele acaba passando para a tela. Ao mesmo tempo em que martiriza seu personagem principal, o padre, também o enche de muita dignidade e honestidade. Uma cristalina imagem do que ele próprio sentia em relação à Igreja de Roma. Assim fica a recomendação desse grande trabalho do genial diretor. Fé, conflito espiritual, tentação, injustiça, mentira e hipocrisia formam o núcleo de uma trama simplesmente brilhante. Assista e entenda porque Hitchcock foi um dos maiores gênios da história do cinema.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Poquer de Sangue

Título no Brasil: Poquer de Sangue
Título Original: 5 Card Stud
Ano de Produção: 1968
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Henry Hathaway
Roteiro: Marguerite Roberts, Ray Gaulden
Elenco: Dean Martin, Robert Mitchum, Inger Stevens, Roddy McDowall

Sinopse: 
No velho oeste qualquer desonestidade no jogo de pôquer era punida com a morte. Assim quando um forasteiro tenta enganar um grupo de jogadores em Rincón, Colorado, ele acaba selando seu destino. Assim que seu golpe é descoberto os demais jogadores o amarram e o enforcam numa ponte na saída da cidade. Apenas Van Morgan (Dean Martin) tenta salvar o trapaceiro mas é impedido com violência. O xerife nada pode fazer pois não conhece a identidade dos assassinos. Nesse momento complicado para a comunidade um novo reverendo chega para pregar a palavra de Deus para todos. Seu nome é Jonathan Rudd (Robert Mitchum), um sujeito com uma forma muito curiosa de levar a palavra do Senhor aos cowboys: com sua arma Colt. Suas boas intenções porém não mudam o quadro e pouco a pouco todos os envolvidos no enforcamento começam a aparecer mortos! Quem estaria por trás dos crimes?

Comentários:
Muito bom o roteiro desse western "Poquer de Sangue". A trama tem todos os ingredientes que fizeram a mitologia do faroeste americano e mais um adicional que acrescenta muito ao resultado final: o mistério sobre quem estaria matando todos os justiceiros da cidade que tinham enforcado um trambiqueiro no jogo de cartas. O leque de suspeitos é amplo. Van Morgan (Dean Martin) seria um deles pois provavelmente quer se vingar dos que o espancaram quando ele tentou evitar o crime. Uma nova dama de Saloon, a bonita Lily Langford (Inger Stevens), também pode ser suspeita pois chegou na cidade assim que as mortes começaram. Até mesmo o novo pregador, Jonathan Rudd (Robert Mitchum), pode ter algum tipo de culpa nas mortes, principalmente depois de pregar afirmando que nenhum dos assassinos escapará da ira de Deus! Assim temos um verdadeiro mistério à la Agatha Christie sobre a identidade do assassino na pequena cidade. Dean Martin como sempre está muito correto, além disso canta duas canções no filme (na abertura e nos créditos finais). Sua voz era realmente maravilhosa. Agora quem rouba o show mesmo é o sempre carismático Robert Mitchum. Seu personagem lembra de certo modo o seu papel no grande clássico "Mensageiro do Diabo". E isso só acrescenta ainda mais no belo resultado final dessa produção realmente imperdível para os fãs de western.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Penthouse

Título no Brasil: Penthouse
Título Original: The Penthouse
Ano de Produção: 2010
País: Estados Unidos
Estúdio: Wingman Productions
Direção: Chris Levitus
Roteiro: Kyle Kramer, Corey Large
Elenco: Rider Strong, Corey Large, April Scott, Kaley Cuoco

Sinopse: 
Vencedor de um reality show resolve torrar o dinheiro ganho com o programa convidando dois amigos para participar de festas e farras com muitas garotas em seu apartamento. Nem tudo porém será tão fácil como ele pensava.

Comentários:
Essa é uma comediazinha B que saiu diretamente em DVD nos EUA. Só encarei por causa da Kaley Cuoco (a Penny de "The Big Bang Theory"). Como a sinopse falava em "Três amigos farristas morando em um apartamento cheio de garotas" pensei que a Cuoco iria ser mais ousada em cena, quem sabe até com alguma cena de nudez, poderia até acontecer, mas infelizmente nada acontece! Ela faz a comportada namorada de um deles... então nada de ousadia para ela em cena! Na verdade o filme, apesar de usar como título o nome de uma conhecida revista adulta americana e se vender com um marketing dando a entender que seria uma comédia picante (ao estilo "Porky´s" dos anos 80), se mostra mais careta e conservadora do que qualquer outra coisa. A capinha coloca toda a turma pelada numa cama, em poses bem sugestivas mas esqueça. É propaganda enganosa mesmo! Decepção é uma boa palavra para definir, afinal de contas se a intenção fosse mesmo fazer um entretenimento quadradinho então que se evitasse de usar um nome tão sugestivo. Os atores não são lá muito engraçados e nem há cenas marcantes ou memoráveis. É aquele tipo de filme que poucos minutos depois de assistir você provavelmente vai esquecer de tudo. Então se for para esquecer mesmo é melhor esquecer por antecipação e não conferir esse filminho, afinal não lhe fará a menor falta.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Hardcore - No Submundo do Sexo

Título no Brasil: Hardcore - No Submundo do Sexo
Título Original: Hardcore
Ano de Produção: 1979
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Paul Schrader
Roteiro: Paul Schrader
Elenco: George C. Scott, Peter Boyle, Season Hubley

Sinopse: 
Após o desaparecimento de sua filha e da morosidade da polícia em encontrar seu verdadeiro paradeiro, Jake VanDorn (George C. Scott) resolve investigar por conta própria o que teria acontecido com a garota. Suas pistas o levam até o submundo da pornografia de Nova Iorque onde encontra todos os tipos de barbaridades e perversões imagináveis. 

Comentários:
Um filme muito bom estrelado pelo ótimo George C Scott. Ele faz um pai em busca de sua filha que foi sequestrada por pessoas do submundo da pornografia em pleno anos 70. O interessante é que a produção procura mostrar como era o mundo do entretenimento adulto há 40 anos. Esqueça qualquer sinal de erotismo ou sofisticação. O que se vê são verdadeiros buracos e espeluncas espalhadas pelas ruelas da grande cidade. Nos anos 80 a prefeitura de Nova Iorque resolveu revitalizar a cidade e muitos desses locais foram fechados pela vigilância sanitária (imagine como eram sujos e desprezíveis!). Assim, esse mundo subterrâneo que já não existe mais acabou sendo captado (e imortalizado) nessa produção muito realista e hardcore (o título nesse sentido não poderia ser melhor). Como não poderia deixar de ser todos os aplausos vão para George C Scott. Ele está literalmente possesso em cena. Há uma sequência em particular que ficou famosa. Ele adentra um cinema de filmes pornôs e acaba reconhecendo sua própria filha na fita! A câmera foca diretamente em Scott, em sua reação, e seu trabalho é de fato maravilhoso. Hoje em dia esse mundo de filmes adultos nos EUA mudou radicalmente e virou uma indústria realmente. Nada comparado com o lado marginal que existia na época em que esse filme foi realizado. O saldo final é mais do que positivo. Fiquei muito satisfeito com o que assisti pois a película é realmente bem acima da média. E rever em cena o grande George C. Scott (que foi comparado inclusive a Marlon Brando em sua época) é mais do que gratificante.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.