sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Elvis Presley - Follow That Dream (1962)

Após o sucesso estrondoso de Blue Hawaii, Elvis praticamente deu adeus ao sonho de se tornar um ator dramático em Hollywood. Embora ele pessoalmente tentasse bravamente lutar por bons papéis a simples verdade era que o público preferia assistir filmes em que Elvis cantasse e não interpretasse seriamente como havia acontecido em Wild In The Country e Flaming Star. Ele mesmo já havia entendido o recado dado pelas bilheterias de seus últimos filmes. O próprio Elvis acabou se vendo defendendo seus filmes em certas entrevistas. Numa delas ele declarou: "Intelectuais criticam os filmes que faço, porém o público os adora. Seria um louco se mexesse em algo assim!" Pois é, Elvis estava devidamente domado pelos dólares vindo da indústria cinematográfica. E foi assim que Elvis voltou aos estúdios de gravação em julho de 1961 para gravar uma nova trilha sonora para seu próximo filme. As canções foram gravadas por encomenda dos estúdios da United Artists, que iria produzir o filme. Embora Elvis tivesse assinado com a Paramount Pictures por sete anos em 1960, o contrato não exigia exclusividade, o que permitia Elvis trabalhar em outros estúdios nos períodos em que não estava trabalhando na Paramount (em 1963 ele assinaria outro contrato semelhante com a MGM). Com essa lacuna contratual Elvis já tinha nos dois anos anteriores estrelado filmes na 20th Century Fox e agora arriscava a sorte na United, empresa formada por artistas durante o cinema mudo, tendo como um de seus fundadores Charles Chaplin.

Infelizmente o espírito artístico que caracterizava a United Artists em sua fundação estava obscurecido pela necessidade urgente do estúdio em equilibrar suas contas. O estúdio (que anos mais tarde iria à falência) lutava para obter um grande sucesso de bilheteria. Assim qualquer tentativa de inovar ou trazer mudanças no novo filme de Elvis Presley foi varrida imediatamente para debaixo do tapete. O que a United precisava mesmo era de um sucesso ao estilo de Blue Hawaii. Dessa forma não era necessário ser adivinho para saber rapidamente o que isso significava. A United tratou logo de elaborar com seus roteiristas uma versão genérica de Blue Hawaii. Assim Follow That Dream seguiria a "fórmula Elvis" de fazer cinema nos anos 60. O filme não passaria de mais uma comédia romântica ao velho estilo, com canções suaves e familiares, enredo engraçadinho e fotografia turística, com belas locações na ensolarada Flórida. O papel escrito para Elvis era apenas um clichê, baseado numa versão distorcida dos caipiras americanos, o colocando como um tolo ingênuo e beirando as raias da idiotice. Para quem vinha almejando seguir os passos de James Dean e Marlon Brando realmente foi um grande retrocesso.

A trilha sonora foi gravada com a turma tradicional que acompanhava Elvis nos estúdios. Ao contrário da 20th Century Fox que sempre trocava os músicos nas sessões de gravação de suas trilhas, aqui Elvis contou com a banda de sempre. Até mesmo o estúdio de gravação foi o de rotina, ou seja, o velho e bom RCA Studio B em Nashville, onde Elvis raramente gravava músicas para trilhas. Evitando tirar Elvis de seu ambiente a United Artists deslocou o produtor Hans Salter para comandar as gravações na cidade sulista. Apesar dos esforços em tentar arranjar um sucesso à la Blue Hawaii, Follow That Dream fez um sucesso modesto em seu lançamento. O EP contendo a trilha sonora foi lançado sem muito estardalhaço e conseguiu apenas um tímido 15º lugar entre os mais vendidos, o mesmo se repetindo nas bilheterias do cinema. Não seria dessa vez que o sucesso de Blue Hawaii se repetiria.

Elvis Presley - Follow That Dream (1962)
Follow That Dream
Angel
What a Wonderfull Life
I´m Not The Marrying Kind
Sound Advice
A Whistiling Tune

Ficha Técnica: Vocais: Elvis Presley / Guitarra: Hank Garland / Guitarra: Scotty Moore / Guitarra: Neal Matthews / Baixo: Bob Moore / Bateria: Murrey "Buddy" Harman / Bateria: D.J. Fontana / Piano: Floyd Cramer / Saxophone: Homer "Boots" Randolph / Backup Vocals: Millie Kirkham / Backup Vocals: The Jordanaires (Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker) / Produzido por Hans Salter / Engenheiro: Bill Porter / Gravado no RCA Studio B, Nashville, Tennessee / Data de Gravação: 02 de julho de 1961 / Data de lançamento: abril de 1962 / Melhor posição nas charts: # 15 (Billboard) / # 34 (UK)

Pablo Aluísio - agosto de 2009.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Elvis Presley - Wild In The Country (1961)

Um ano após deixar o exército Elvis Presley deu seguimento ao seu plano de se tornar um ator respeitado em Hollywood. Depois de fazer concessões aos estúdios com G.I.Blues Elvis se sentia forte o suficiente para exigir certo controle artístico sobre sua carreira no cinema. O chefão da Fox, Darryl F. Zanuck, já havia dado carta branca a Elvis para ele escolher o roteiro que quisesse para seu próximo filme no estúdio. Então Elvis foi à caça de uma boa história  para ser filmada. Depois de ler pilhas de scripts e roteiros Elvis escolheu "Wild in The Country", uma adaptação de uma peça teatral que havia sido escrita para ser estrelada pelo ator Montgomery Clift. Infelizmente antes das filmagens programadas Clift sofreu um sério acidente de carro ao sair da casa de Elizabeth Taylor e teve o rosto completamente desfigurado pelo painel de seu carro. Com isso o projeto do filme foi arquivado. Ao cair nas mãos de Elvis no verão de 1960 o rei do rock se entusiasmou pelo roteiro e pela chance de finalmente fazer um filme com conteúdo mais dramático. Para Elvis esse filme deveria ser filmado de forma fiel à adaptação da peça teatral. Com a aprovação de Darryl F. Zanuck o projeto começou a tomar forma com a contratação do conceituado diretor Phillp Dune e a escalação das atrizes Hope Lange, Tuesday Weld e Cristina Crawford. Tudo ia bem até o dia em que o coronel Parker resolveu ler o teor da trama do novo filme de Presley. Parker ficou chocado com o que leu! Em primeiro lugar a história era completamente dramática com final trágico - Elvis faria um personagem que se envolvia com uma mulher mais velha, não haveria músicas e o pior: Elvis se suicidaria no final! Uma coisa inaceitável na visão de Tom Parker, sempre preocupado com a imagem de seu principal (e único) cliente!

Atuando pelas costas de Elvis o coronel começou a tomar as rédeas do projeto: o final foi mudado por um grupo de roteiristas contratados pelo empresário, o romance entre Elvis e uma mulher mais velha foi suavizado e foi encaixada diversas músicas dentro do filme (no roteiro original o personagem principal nem sabia cantar!). Elvis ficou completamente desapontado pois o filme agora se aproximava cada vez mais de sua comédias bobocas! Tudo em que havia apostado agora estava indo por água abaixo! Tentou vencer a queda de braço com Parker e Zanuck mas não conseguiu, principalmente depois que o diretor Phillip Dune resolveu ceder às pressões comerciais envolvidas na realização da película. Assim Elvis se viu totalmente sozinho na defesa do roteiro original que havia lido. Finalmente o presidente da Fox se reuniu com Elvis e demonstrou que as mudanças seriam mais benéficas ao sucesso do filme. Elvis resolveu então tentar salvar o que restava do script mas não obteve êxito em um set completamente controlado pela mão forte do todo poderoso magnata Darryl F. Zanuck. Finalmente acabou cedendo as pressões, com um forte sentimento de frustração e decepção com a maneira de fazer filmes em Hollywood. E assim "Coração Rebelde" se tornou um filme sem identidade própria, um mistão indigesto que tentava colocar sob o mesmo teto conceitos teatrais complexos com romances inventados na última hora para suavizar a forte densidade melodramática da trama. E também se tornou o adeus de Elvis às suas pretensões de exercer uma atividade de ator independente de sua carreira musical, principalmente depois do sucesso arrasa quarteirão do filme "Feitiço Havaiano", que chegou nas telas nesse mesmo ano. E a fusão desse dois fatores: o sucesso de "Feitiço Havaiano", comédia musical leve cheia de canções, e o relativo fracasso de "Coração Rebelde", filme com pretensões mais sérias, iria determinar como seria a futura carreira de Elvis no cinema, onde ele não iria mais sair do esquema imposto pelos grandes estúdios, das comédias musicais românticas. Era o fim do sonho de Elvis em se tornar um novo Marlon Brando ou James Dean. Será que se tivesse tido a oportunidade ideal, Elvis teria se tornado um grande ator? Nunca saberemos ao certo, infelizmente.

Elvis Presley - Wild In The Country (1961)
Wild In The Country
Lonely Man
I Slipped I Stumbled I Feel
In My Way
Forget Me Never

Elvis Presley - Wild In The Country (1961): Vocais e violão: Elvis Presley / Guitarra: Scotty Moore / Guitarrra: Hilmer J. "Tiny" Timbrell / Baixo: Michael "Meyer" Rubin / Bateria: D. J. Fontana / Acordeon: James Haskell - somente em Lonely Man / Piano: Dudley Brooks / Backup Vocals: The Jordanaires: Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker / Produzido por Urban Thielmann / Engenheiro: Thorne Nogar / Gravado no Radio Recorders, Hollywood, California / Data de Gravação: 07 e 08 de setembro de 1960 / Lançado em maio de 1960 (single I Feel So Bad / Wild In The Country) / Melhor posição nas charts: #26 (Billboard) e #2 (UK)

Pablo Aluísio - janeiro de 2005

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Elvis Presley - Elvis e o Pop dos anos 60!

Um dos melhores álbuns de Elvis Presley nos anos 60 foi também um dos mais subestimados. Lançado no meio de vários filmes, singles e trilhas sonoras, Something For Everybody foi sendo paulatinamente esquecido pelos fãs do cantor ao longo dos anos. Grande injustiça. O disco é excepcionalmente bom e retrata um ótimo momento vocal de Elvis. Talvez a pouca atenção que tenha recebido ao longo das décadas que se seguiram ao seu lançamento tenha advindo do fato desse ser mais um grande representante do momento em que Elvis trocou definitivamente o Rock´n´Roll dos anos 50 pelo suave e doce pop romântico do começo da década de 60.

É fato. O disco é essencialmente um trabalho anos luz de distância dos momentos mais roqueiros do cantor. Elvis canta canções ternamente suaves como Gently e mesmo quando se arrisca a acelerar o ritmo, como em I´m Coming Home, não se arrisca a ultrapassar a linha que separa o pop do rock mais visceral. Muito se criticou essa nova postura que Elvis tomou em sua carreira mas os críticos se esqueceram também de analisar o contexto musical em que a volta de Elvis do exército estava inserida.

Não foi apenas Elvis que suavizou sua música, todos os cantores do ínício da década de 60 fizeram isso. Até mesmo artistas que foram endeusados pela mídia, como os Beatles, faziam um som bastante suave, com letras pueris e comportadas em sua primeira fase. Com o fim da década de 50 os antigos roqueiros caíram em ostracismo e o Rock teve que se adequar e se reinventar para sobreviver. Analisando friamente em contexto histórico o Rock, como gênero musical, só conseguiu encontrar sua antiga garra após 1967, quando surgiu o movimento Hippie e o Rock abraçou o psicodelismo que imperava entre a juventude da época.

Exigir uma postura diferente dessa, antes dessa data, soa fora de foco. Para 1961 e para o som que se ouvia nessa época, Something For Everybody se enquadrava bem na média do que era produzido pela indústria do disco nos Estados Unidos. O álbum chegou ao primeiro lugar naquele país e consolidou uma ótima fase comercial em sua carreira, que iria se acentuar depois com a trilha sonora de Blue Hawaii, um grande sucesso de vendas. Para Elvis, naquele momento, tudo parecia ir bem e no caminho correto pois desde sua volta das forças armadas no ano anterior Elvis vinha colecionando um sucesso após o outro. Something For Everybody também se destaca por ser um dos poucos discos de estúdio de Elvis nos anos 60.

Como sabemos Elvis se dedicou de corpo e alma a Hollywood durante essa fase da carreira e o foco foi desviado para a gravação de trilhas sonoras, deixando em segundo plano os LPs convencionais de estúdio. Ao lado de Pot Luck e Elvis is Back, Something For Everybody foi o único disco convencional gravado por Elvis até 1969 quando foi lançado From Elvis in Memphis! Por tudo isso e muito mais o disco realmente necessitava de um revisão que lhe colocasse no lugar que sempre mereceu.

Foi então que o selo FTD promoveu o lançamento de um CD duplo com grande parte das sessões que deram origem ao disco original. Ernst Jorgensen, produtor e diretor do selo FTD, também resolveu prestigiar as canções dos singles I Feel So Bad, Good Luck Charm, Little Sister, His Latest Flame e Anything That´s Part Of You. Foi uma decisão correta e evita que o CD fique cansativo, pois como demonstrado em outros títulos, a repetição de poucas músicas em um CD duplo acaba cansando de certa forma o ouvinte. Ouvindo as canções hoje, tantos anos depois, podemos perceber que não há muito o que debater em termos de qualidade. O disco em si continua ótimo.

O único senão é que no CD 2 não houve, pelo menos na minha visão, um trabalho mais consistente de restauração. Mesmo que as fitas masters estivessem um pouco estragadas pela passagem do tempo penso que um trabalho mais criterioso teria deixado os takes ali presentes com uma sonoridade mais qualificada. De qualquer forma o resgate histórico já tem em si mesmo seu valor. Uma das características mais lembradas de Something For Everybody é a extrema agilidade em que Elvis gravou a maioria das músicas. Em tempos atuais, quando cantores levam meses para finalizar um álbum, Elvis nesse disco demonstrou com rara felicidade que nem sempre a qualidade está desvinculada da agilidade.

Ouvindo os takes percebemos como Elvis estava entrosado com a banda, sutis diferenças existem entre os takes alternativos e a versão master provando que todos estavam afiados quando entraram em estúdio. Dessa forma foi apenas uma questão de tempo até que a versão definitiva fosse gravada. Por todas essas razões o FTD Something For Everybody é altamente recomendado aos fãs de Elvis Presley. Captura o cantor em plena atividade e como protagonista dos eventos, algo que não aconteceu em suas trilhas sonoras onde o cantor era mero coadjuvante do ator Elvis, infelizmente.

Pablo Aluísio - junho de 2009.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Elvis Presley - Elvis e a Surf Music!

Trilhas sonoras como Blue Hawaii e Girls, Girls, Girls, lançadas por Elvis Presley na primeira metade dos anos 1960, deixaram alguns dos fãs mais antigos e leais Rei do "Rock" de orelhas em pé. As composições, os arranjos, as ideias por trás de cada música das novas trilhas sonoras de Elvis bebiam diretamente de um movimento musical que vivia naquela altura uma de suas melhores fases de sucesso: a Surf Music. Esse estilo de música louvando o verão, o surf e a vida dos praticantes desse esporte tinha definitivamente caído no gosto da juventude americana e dominava o espaço que até bem pouco tempo atrás era exclusivo do Rock ´n´ Roll, que naquele momento estava adormecido e ofuscado pelas novas manias musicais.

O Surf Music surgiu ainda nos anos 50 mas sua repercussão não foi tanta a ponto de chamar a atenção. A primeira geração do Rock (formada por artistas como Chuck Berry, Bill Halley e o próprio Elvis) dominava inteiramente as paradas musicais no final dos anos 50, deixando pouco espaço para que os astros que iriam influenciar o surgimento do surf Music como Dick Dale ou Duanne Eddy se sobressaíssem mais. A nova onda musical só começou a crescer mesmo no momento do esfacelamento das carreiras dos roqueiros pioneiros. Enquanto Elvis estava no exército americano vários ídolos teen, que bebiam diretamente dessa nova onda, como Fabian e Frankie Avalon, alcançavam o estrelado tanto nos discos como no cinema.

Então quando retornou do exército em 1960 Elvis acabou aderindo, embora nunca de forma direta ou assumida, ao novo estilo. Em 1961 Elvis estrelou Blue Hawaii, um filme que hoje é considerado um dos maiores símbolos da dominação da Surf Music no cinema. A ligação de Elvis com esse estilo musical iria se aprofundar nos filmes que viriam, como Girls, Girls, Girls (que embora não mostrasse um personagem ligado ao Surf em si, trazia nos arranjos de suas canções todas as características desse som). A coisa continuaria até bem mais tarde na carreira de Elvis, em canções espalhadas por diversos filmes dele, como o fraquíssimo Paradise Hawaiian Style e Clambake (com todas aquelas canções falando de mariscos, praia e biquínis).

Elvis de certa forma ficou entre a cruz e a espada durante esses anos. De um lado a Surf Music alcançava ainda mais sucesso, notadamente a partir de 1961 quando os grupos musicais ligados ao estilo (como The Beach Boys, The Trashmen, The Rivieras, etc) começaram a frequentar os primeiros postos da Billboard e do outro lado os grupos britânicos começavam a dominar também as paradas com a invasão Britânica (com grupos como The Beatles e Rolling Stones, os maiores símbolos dessa era). No meio de tanta novidade e sem fazer parte totalmente de nenhum dos lados, Elvis começou a sumir das paradas musicais. Definitivamente não havia mais espaço para um pioneiro do Rock que só apresentava trilhas sonoras tentando em vão copiar o estilo das bandas da moda.

Elvis só iria reencontrar o caminho do sucesso mesmo em 1968 quando usando um blusão de couro negro (símbolo de ídolos da primeira leva de roqueiros como Gene Vincent) lembrou a todos da importância daquele inigualável grupo de artistas dos anos 50, que ao fundirem o som negro ao branco trariam ao cenário musical uma revolução cultural que sobrevive até os dias de hoje. Elvis certamente nunca convenceu como um membro da turminha da praia, até porque ele não era mesmo, tampouco foi produtiva sua passagem pela nova onda da Surf Music.

Mas tudo serviu como lição. Nos anos 70 Elvis deixaria de uma vez por todas de tentar seguir as modinhas que iam surgindo no mundo da música. Assumiu seu lado mais verdadeiro e recheou seus álbuns setentistas com canções que tocavam fundo em sua alma e em seu sentimento, sem ligar para os modismos e as tendências musicais que dominavam as paradas. Se tivesse seguido esse caminho certamente seus discos dos anos 70 estariam cheios de canções do estilo Discoteca, o que definitivamente seria um terror para seus antigos fãs. Mas isso era passado definitivamente, os filmes e discos da praia mudaram a visão de Elvis. Os dias de verão eterno finalmente foram deixados para trás para todo o sempre. Amém.

Pablo Aluísio - agosto de 2009.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Feitiço Havaiano

Chad Gates (Elvis Presley) dá baixa no exército e volta para o Havaí, onde mora com seus pais. Ao retornar o jovem deseja trilhar seu próprio caminho sem precisar ir trabalhar na empresa de frutas tropicais de seu pai. Ao lado da namorada (Joan Blackman) ele resolve abrir uma empresa de guia de turismo nas ilhas. "Feitiço Havaiano" foi um dos maiores sucessos de Elvis Presley nos cinemas. Seu empresário o Coronel Tom Parker chamava o filme de "o produto perfeito". A trilha sonora vendeu horrores e o compacto simples com "Can´t Help Falling in Love" foi um dos discos mais vendidos do ano. Com "Blue Hawaii" Elvis finalmente encontrou seu nicho em Hollywood. A partir daí ele basicamente iria fazer esse filme várias e várias vezes novamente. O roteiro era basicamente uma desculpa para que Elvis fosse apresentando uma música atrás da outra nas cenas, o que nesse caso era muito bem-vindo aos fãs pois há vários clássicos do astro na trilha como a música título, "No More" e "Hawaiian Wedding Song" (que ele levaria aos palcos nos anos 70 em Las Vegas). Já a trama desse musical é leve, simples e como pano de fundo traz a beleza natural do próprio Havaí.

Além do grande sucesso "Feitiço Havaiano" também ficou conhecido entre os fãs por outro fato curioso. Foi nas ilhas havaianas, enquanto filmava o filme, que Elvis realizou um dos poucos shows ao vivo que fez durante a década de 60. Ele se apresentou para arrecadar fundos para o monumento do navio Arizona que afundou durante o ataque japonês ao porto de Pearl Harbor. Elvis visitou o local e realizou a apresentação. Com o dinheiro o monumento finalmente foi finalizado. O diretor do filme era velho conhecido de Elvis, Norman Taurog, veterano que iria dirigir várias produções de Hal Wallis com o cantor. A parceira deu certo e juntos acabaram emplacando alguns dos grandes sucessos do Rei do Rock no cinema. O filme inicialmente seria estrelado por Juliet Prowse, que já havia dividido a cena com Elvis em "Saudades de um Pracinha". Cinco dias antes do começo das filmagens porém ela entrou em atrito com o produtor Wallis. Exigiu tratamento de estrela, com despesas pagas para profissionais próprios (maquiadoras, esteticistas, etc) que ela queria levar ao Havaí. O produtor não concordou e Prowse abandonou o filme. Depois do incidente, às pressas, foi convocada a linda atriz Joan Blackman, uma bela morena de olhos verdes que trouxe muita beleza ao já bonito filme. Enfim, "Feitiço Havaiano" é isso, música, praia e diversão. Um filme de verão típico dos anos 60.

Feitiço Havaiano (Blue Hawaii, EUA, 1961) / Direção de Norman Taurog / Roteiiro de Allan Weiss e Hal Kanter / Com Elvis Presley, Joan Blackman e Angela Lansbury / Sinopse: Chad Gates (Elvis Presley) dá baixa no exército e volta para o Havaí, onde mora com seus pais. Ao retornar o jovem deseja trilhar seu próprio caminho sem precisar ir trabalhar na empresa de frutas tropicais de seu pai. Ao lado da namorada (Joan Blackman) ele resolve abrir uma empresa de guia de turismo nas ilhas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu

domingo, 25 de janeiro de 2009

Elvis Presley - Blue Hawaii (1961)

Trilha sonora do oitavo filme de Elvis Presley, que no Brasil, recebeu o título de "Feitiço Havaiano". Este disco se tornou um enorme sucesso de vendas quando foi lançado em outubro de 1961, se tornando o disco mais vendido da carreira do cantor. Ele atingiu rapidamente o primeiro lugar ficando nesta posição durante 5 Meses!!! (recorde absoluto). O single extraído da trilha com "Can't Help Falling in Love / Rock A-Hula Baby" também acompanhou o grande sucesso deste filme. "Blue Hawaii" (feitiço havaiano, 1961) seria o grande responsável pelos rumos que a carreira de Elvis iria tomar a partir daí. Praticamente todos os seus filmes posteriores iriam seguir a fórmula desta película, com o roteiro versando sobre garotas bonitas, praias turísticas e o interesse romântico do personagem principal. A direção do filme ficou novamente a cargo de Norman Taurog e a estrela seria novamente a atriz Joan Blackman que já havia contracenado com Elvis em "Loving You" (a mulher que eu amo, 1957). O roteiro era baseado no romance "O rapaz Havaiano da praia" e a história versava sobre um jovem de família rica, recém saído do exército, que tentava vencer na vida sozinho. O disco, é claro, segue a mesma temática do filme e Elvis pelo menos no caso desta trilha nos brinda com algumas belas canções que ficaram imortalizadas na sua voz e que iriam se incorporar definitivamente em seu repertório de Shows durante os shows dos anos 70. "Blue Hawaii" (feitiço havaiano, 1961) é isso aí: um filme bonito de se ver, mostrando os pontos mais turísticos das ilhas havaianas, com Elvis pegando umas ondas com seu "jacaré", namoros, diversão e música. Talvez por ser sido tão "relax e na paz" tenha tido tanto sucesso. Estas são as canções de "Blue Hawaii" (LSP 2426) :

BLUE HAWAII (Robin/Rainger) - Música título do filme. A versão original desta canção foi lançada em 1937 por Bing Crosby para a trilha do filme "Waikiki Wedding". Em 1957 o cantor Billy Vaughn a relançou com grande sucesso. Finalmente Elvis gravou sua versão em 22 de março de 1961. Sem sombra de dúvida é uma bela canção que faz jus ao talento do Rei do Rock. A crítica Pauline Kael escreveu sobre "Blue Hawaii": "Elvis parece que deixou sua moto e seu casaco de couro negro à la Brando de lado e o trocou por uma prancha de surf! Só uma coisa parece não ter mudado: seu topete para fazer filmes bobinhos".

ALMOST ALWAYS TRUE (Wise/Weisman) - Música deliciosa e empolgante da trilha. O grande destaque fica com a maravilhosa participação do Saxofonista Boots Randolph. O elenco de "Blue Hawaii" (feitiço havaiano, 1961) contava ainda com Nancy Winters, Angela Lansbury, Roland Winteres e Joan Blackman. O filme foi produzido por Hall Wallis para a Paramount Pictures.

ALOHA-OA (Queen Liliuokalani) - Esta é uma canção folclórica das ilhas havaianas. Foi creditado seu arranjo musical ao próprio Elvis e alguns fãs mais exaltados afirmaram que a divindade citada na letra era o próprio cantor!!? O roteiro foi escrito por Allan Weiss, que escreveu a maioria dos filmes de Elvis, anos depois ele diria: "minhas ordens eram claras: faça uma história de base para Elvis cantar suas canções e é só".

NO MORE (Yradler/Robertson/Blair) - Adaptação do grande sucesso mundial "La Paloma" do compositor cubano Sebastian Yradler. A adaptação foi feita por Don Robertson, que novamente compareceu em estúdio para ajudar nas gravações. É um dos mais belos momentos de toda a carreira de Elvis Presley. Aqui fica claro que quando o Rei contava com material de ótima qualidade ele demonstrava toda a plenitude de seu talento. A inclusão desta canção italiana se justifica porque o personagem de Elvis serviu o exército na Itália. Assim ele a canta para seus amigos na praia para mostrar o som que rolava nas forças armadas.

CAN'T HELP FALLING IN LOVE (Peretti/Creatore/Weiss) - Canção baseada em "Plaisir d'Ámor" do compositor francês de origem alemã Jean Paul Martini. A versão de Presley foi muito feliz pois foi muito bem adaptada. O maior sucesso do filme. Quando foi lançada em Single em Novembro de 1961 alcançou um enorme sucesso de vendas. Nos anos setenta ela seria utilizada como desfecho de todos os seus shows. Nos anos 90 o grupo UB40 faria uma nova versão de grande sucesso.

ROCK A HULA BABY (Wise/Weisman/Fuller) - Lado B do Single "Can't Help Falling in Love". Vinha classificado no compacto como "twist special". A verdade é que esta não é uma canção do ritmo imortalizado por Chubby Checker e sim apenas mais uma canção pop da trilha. Curiosidade: as filmagens, ao contrário do que pode parecer, foram um tédio para Elvis. Ele afirmou depois que tinha que ficar trancado no Hotel e só descia para as tomadas de cena. Elvis não poderia sair à praia para se divertir como um pessoa comum, pois certamente iria acontecer um tumulto, assim ele só sairia do hotel para realmente trabalhar.

MOONLIGHT SWIM (Dee/Weisman) - Um dos melhores momentos do disco contando com a ótima vocalização feminina de Doroth McCarthy, Virginia Rees, L.Jean Norman e Jackline Allen. A canção foi sucesso em 1957 com Tony Perkins e Nick Noble. Elvis a canta no filme em um carro, junto de turistas que ele leva para conhecer as plantações de abacaxi da ilha havaiana.

KU-U-I-PO (Peretti/Creatore/Weiss) - Bela balada romântica. Nos anos setenta durante o show "Aloha from Hawaii" Elvis gravou algumas músicas deste filme, que não constaram no disco original com a trilha do especial de TV e que só saíram no mercado através do disco "Alternate Aloha" muitos anos depois.

ITO EATS (Tepper/Bennett) - Esta é uma música muito fraquinha da trilha. As trilhas sonoras de Elvis nos anos sessenta apresentavam canções de qualidade misturadas com musiquinhas como esta. O importante é sempre separar o que é realmente bom das ruins. O diretor Norman Taurog dirigiu ao todo nove filmes de Elvis. Era considerado um diretor de estúdio e não um cineasta. Sempre que Elvis foi dirigido por grandes diretores como George Sydney em "Viva Las Vegas" (amor a toda velocidade, 1964) ou Michael Curtiz em "King Creole" (balada sangrenta, 1958) ele apresentava um grande trabalho como ator.

SLICIN' SAND (Tepper/Bennett) - Realmente a dupla de compositores Tepper e Bennett não estavam em seus melhores dias quando compuseram algumas canções deste filme. Esta é outro exemplo de como se desperdiçar o talento de Elvis em bobagens. O filme foi lançado nos Estados Unidos no dia 14 de novembro de 1961 e foi o maior sucesso de Elvis Presley no cinema.

HAWAIIAN SUNSET (Tepper/Bennett) - Outra canção bem ao estilo das ilhas do pacífico. Aqui fica registrado a participação de Bernie Lewis na Steel Guitar, Fred Tavares e Alvino Rey no Uekele a orquestração complementar do filme pelo maestro Joseph Lilley. Tudo muito relax e na paz, bem no espírito do Havaí.

BEACH BOY BLUES (Tepper/Bennett) - Blues que é muito bem executado por Elvis e seus músicos, porém mais uma vez fica evidente a péssima qualidade da letra. Esta sem dúvida é uma das piores letras de todos os tempos só sendo superada talvez pela canção "Yoga is a Yoga Does" do filme "Easy Come, Easy go" (meu tesouro é você, 1967) e "A Dog's Life" do filme "Paradise, Hawaiian Style" (no paraíso do Havaí, 1966).

ISLAND OF LOVE (Tepper/Bennett) - Canção bem ao estilo Havaiana. Para caracterizar bem o clima do havaí foram chamados alguns músicos como "The Surfers" para acompanhar o Rei. O filme "Paradise, Hawaiian Style" (no paraíso do Havaí, 1966) foi uma tentativa mal sucedida do empresário de Elvis em repetir o sucesso desta película.

HAWAIIAN WEEDING SONG (King/Hoffman/Manning) - Canção que Elvis cantou para Priscilla na sua lua de mel segundo o próprio relato dela no livro "Elvis e Eu" (Elvis and Me, Editora Rocco, 1985). Pode-se encontrar duas versões ao vivo desta canção gravadas pelo cantor nos anos setenta. Uma está presente no já citado disco "Alternate Aloha" e a outra que faz parte do trabalho musical póstumo "Elvis in Concert". Termina assim a trilha, como no filme, com a "canção havaiana de casamento"

Elvis Presley - Blue Hawaii (1961): Elvis Presley (vocal) / Scotty Moore (guitarra) / Tiny Timbrell (guitarra) / Hank Garland (guitarra) / D.J. Fontana(bateria) / Hal Blaine (bateria) / Bernie Matinson (bateria) / Floyd Cramer (piano) / Dudley Brooks (piano) / Boots Randolph (sax) / George Fields (gaita) / Bob Moore (baixo) / Bernie Lewis (steel guitar) / Fred Tavares (ukelele) / Alvino Rey (ukelele) / The Surfers (vocais) / The Jordanaires (vocais) / Produzido por Joseph Liley e Hall Wallis / Arranjado por Joseph Liley / Gravado no Radio Recorders, Hollywood / Data de Gravação: 21, 22 e 23 de março de 1961 / Data de Lançamento: outubro de 1961 / Melhor posição nas charts: #1 (EUA) e #1 (UK).

PABLO ALUÍSIO - Outubro de 1999 / revisado e atualizado em novembro de 2001.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Elvis Presley - FTD Something For Everybody

Um dos melhores álbuns de Elvis Presley nos anos 60 foi também um dos mais subestimados. Lançado no meio de vários filmes, singles e trilhas sonoras, Something For Everybody foi sendo paulatinamente esquecido pelos fãs do cantor ao longo dos anos. Grande injustiça. O disco é excepcionalmente bom e retrata um ótimo momento vocal de Elvis. Talvez a pouca atenção que tenha recebido ao longo das décadas que se seguiram ao seu lançamento tenha advindo do fato desse ser mais um grande representante do momento em que Elvis trocou definitivamente o Rock´n´Roll dos anos 50 pelo suave e doce pop romântico do começo da década de 60. É fato. O disco é essencialmente um trabalho anos luz de distância dos momentos mais roqueiros do cantor. Elvis canta canções ternamente suaves como Gently e mesmo quando se arrisca a acelerar o ritmo, como em I´m Coming Home, não se arrisca a ultrapassar a linha que separa o pop do rock mais visceral. Muito se criticou essa nova postura que Elvis tomou em sua carreira mas os críticos se esqueceram também de analisar o contexto musical em que a volta de Elvis do exército estava inserida.

Não foi apenas Elvis que suavizou sua música, todos os cantores do início da década de 60 fizeram isso. Até mesmo artistas que foram endeusados pela mídia, como os Beatles, faziam um som bastante suave, com letras pueris e comportadas em sua primeira fase. Com o fim da década de 50 os antigos roqueiros caíram em ostracismo e o Rock teve que se adequar e se reinventar para sobreviver. Analisando friamente em contexto histórico o Rock, como gênero musical, só conseguiu encontrar sua antiga garra após 1967, quando surgiu o movimento Hippie e o Rock abraçou o psicodelismo que imperava entre a juventude da época. Exigir uma postura diferente dessa, antes dessa data, soa fora de foco. Para 1961 e para o som que se ouvia nessa época, Something For Everybody se enquadrava bem na média do que era produzido pela indústria do disco nos Estados Unidos. O álbum chegou ao primeiro lugar naquele país e consolidou uma ótima fase comercial em sua carreira, que iria se acentuar depois com a trilha sonora de Blue Hawaii, um mega sucesso de vendas. Para Elvis, naquele momento, tudo parecia ir bem e no caminho correto pois desde sua volta das forças armadas no ano anterior Elvis vinha colecionando um sucesso após o outro. Something For Everybody também se destaca por ser um dos poucos discos de estúdio de Elvis nos anos 60.

Como sabemos Elvis se dedicou de corpo e alma a Hollywood durante essa fase da carreira e o foco foi desviado para a gravação de trilhas sonoras, deixando em segundo plano os LPs convencionais de estúdio. Ao lado de Pot Luck e Elvis is Back, Something For Everybody foi o único disco convencional gravado por Elvis até 1969 quando foi lançado From Elvis in Memphis! Por tudo isso e muito mais o disco realmente necessitava de um revisão que lhe colocasse no lugar que sempre mereceu. Foi então que o selo FTD promoveu o lançamento de um CD duplo com grande parte das sessões que deram origem ao disco original. Ernst Jorgensen, produtor e diretor do selo FTD, também resolveu prestigiar as canções dos singles I Feel So Bad, Good Luck Charm, Little Sister, His Latest Flame e Anything That´s Part Of You. Foi uma decisão correta e evita que o CD fique cansativo, pois como demonstrado em outros títulos, a repetição de poucas músicas em um CD duplo acaba cansando de certa forma o ouvinte. Ouvindo as canções hoje, tantos anos depois, podemos perceber que não há muito o que debater em termos de qualidade. O disco em si continua ótimo. O único senão é que no CD 2 não houve, pelo menos na minha visão, um trabalho mais consistente de restauração. Mesmo que as fitas masters estivessem um pouco estragadas pela passagem do tempo penso que um trabalho mais criterioso teria deixado os takes ali presentes com uma sonoridade mais qualificada.

De qualquer forma o resgate histórico já tem em si mesmo seu valor. Uma das características mais lembradas de Something For Everybody é a extrema agilidade em que Elvis gravou a maioria das músicas. Em tempos atuais, quando cantores levam meses para finalizar um álbum, Elvis nesse disco demonstrou com rara felicidade que nem sempre a qualidade está desvinculada da agilidade. Ouvindo os takes percebemos como Elvis estava entrosado com a banda, sutis diferenças existem entre os takes alternativos e a versão master provando que todos estavam afiados quando entraram em estúdio. Dessa forma foi apenas uma questão de tempo até que a versão definitiva fosse gravada. Por todas essas razões o FTD Something For Everybody é altamente recomendado aos fãs de Elvis Presley. Captura o cantor em plena atividade e como protagonista dos eventos, algo que não aconteceu em suas trilhas sonoras onde o cantor era mero coadjuvante do ator Elvis, infelizmente.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Elvis Presley - Something For Everybody (1961)

Ótimo momento da discografia de Elvis Presley nos anos 60. Este disco quando foi lançado em maio de 1961 alcançou rapidamente o primeiro lugar da parada musical da Revista Billboard ocupando esta posição durante três semanas consecutivas. "Something For Everybody" foi gravado em apenas uma sessão de gravação em Nashville! Elvis entrou nos estúdios às 10 da noite do dia 12 de março e gravou até às cinco da manhã do dia seguinte. Em pouco mais de 7 horas o cantor já havia terminado sua parte deixando todas as músicas prontas para a RCA. Neste caso a pressa não foi inimiga da perfeição, pois este fato demonstra o alto poder de trabalho de Elvis e também o qualifica como o mais rápido "hit maker" da história. O que aconteceu realmente era que Elvis e banda já estavam devidamente ensaiados ao entrar em estúdio, então foi apenas uma questão de se chegar ao take adequado. No mesmo mês que este disco foi lançado o single "I Feel So Bad / Wild in the Country" chegava ao quinto lugar na parada americana e ao primeiro na parada britânica. O lado B deste single promovia o lançamento de mais um filme de Elvis "Wild in the Country" (coração rebelde, 1961). Este filme marca a tentativa de Elvis em estrelar filmes de maior qualidade com roteiros melhores e papéis dramáticos, porém seu objetivo não foi alcançado pois seus maiores sucessos cinematográficos iriam ser as comédias musicais românticas como "Blue Hawaii" (feitiço havaiano, 1961). De qualquer forma a música "I Sleeped, I Stumbled, I Feel" foi incluída no disco para promover o lançamento do filme. Estas são as canções do disco "Something For Everybody (LSP 2370) :

THERE'S ALWAYS ME (Don Robertson) - Maravilhosa canção romântica escrita pelo ótimo compositor Don Robertson. Robertson inclusive compareceu ao estúdio de gravação e trocou algumas ideias com Elvis. É sem sombra de dúvida uma das mais belas músicas interpretadas pelo Rei do Rock, que nos presenteia com um momento mágico. Além de contar com a voz de Elvis em um de seus melhores momentos, esta traz ainda a participação muito especial da vocalista Millie Kirkham. Simplesmente ouça e se emocione.

GIVE ME THE RIGHT (Wise / Blagman) - Este disco trazia uma curiosidade em relação a outros trabalhos de Elvis: um dos lados do antigo LP era composto exclusivamente com baladas românticas e o outro com músicas mais agitadas. Esta canção é um exemplo do primeiro tipo com ótimo acompanhamento dos músicos do cantor. Elvis e seu produtor resolveram acrescentar novos instrumentos na música para melhorá-la.

IT'S A SIN (Rose / Turner) - Outra ótima balada romântica do disco. Alguns dias antes de Elvis gravar estas músicas ele foi homenageado pela Assembleia Legislativa do Estado do Tennessee pelo seu sucesso e também por sua ajuda a diversas instituições de caridade de Memphis. Duas semanas depois Elvis iria para o Hawaii, para começar as filmagens de seu novo filme, "Blue Hawaii" (feitiço havaiano, 1961).

SENTIMENTAL ME (Cassin / Moreheread) - Sucesso em 1949. Elvis foi de certa forma fiel à original dando apenas uns toques para que ela se encaixasse em seu estilo musical. No final tudo saiu bem como podemos conferir. Nesta época começaram a surgir as primeiras críticas ao excesso de músicas românticas nos discos de Elvis. Ele porém não se importou com elas e continuou a gravar belas canções de amor como esta.

STARTING TODAY (Don Robertson) - O Compositor Don Robertson dá o tom do lado romântico deste disco. Aqui outra de suas pérolas musicais interpretada de forma impecável pelo Rei do Rock e seu grupo. Elvis e Don Robertson se tornaram amigos, inclusive o cantor o convidou a ir a Graceland para juntos discutirem e falarem sobre música.

GENTLY (Wizeth / Lisbona) - Canção Romântica bem ao estilo acústico que difere bastante das outras músicas do disco. Sem dúvida é um belo momento da carreira de Elvis. Fez parte também da última coletânea da discografia de Elvis o LP "Welcome to my World". Elvis a gravou três vezes e escolheu uma das versões como a definitiva. As outras duas seriam lançadas em discos piratas nos anos 80.

I'M COMIN HOME (Charlie Rich) - A Melhor canção de todo o disco. Conta com ótimos solos musicais de Scotty Moore na guitarra e Floyd Cramer no Piano. A canção se tornou um grande sucesso na época chegando ao primeiro lugar nas paradas. Ele representa a típica canção pop do início dos anos sessenta. Sem dúvida uma música para entrar na história do Rock mundial.

IN YOUR ARMS (Schroeder / Gold) - Aqui se nota a importância do conjunto vocal The Jordanaires no som de Elvis. Esta bela música conta com o acompanhamento impecável deste grupo. Há uma versão bem interessante desta canção em discos piratas, em que Elvis inverte a ordem da letra, percebe-se o quanto ele trabalhava em uma canção antes de achar o "take" perfeito.

PUT BLAME ON ME (Wise / Twoney / Blagman) - Canção que posteriormente em 1965 foi utilizada como parte da trilha sonora do filme "Tickle-me (o cavaleiro romântico, 1965). Este filme dirigido por Norman Taurog, sem sombra de dúvida é um dos piores filmes de Elvis nos anos sessenta, em que não se teve nem ao menos a preocupação de se gravar um trilha sonora. Lamentável. Todas as músicas de sua trilha já tinham sido lançadas antes.

JUDY (Teddy Redell) - Outro grande momento deste trabalho musical é representado por esta ótima balada de nome tão singelo: "Judy". Este era um truque dos primeiros compositores de Rock'n'Roll: utilizar nomes de pessoas ou cidades para sensibilizar os moradores destes mesmos lugares ou que tivessem o nome destas canções para que elas comprassem o disco! "Judy" foi ainda lado B de um single lançado em 1967, (seis anos depois!?) com "There's Always Me" no lado principal.

I WANT YOU WITH ME (Woody Harris) - Canção pop de ritmo rápido. Elvis nos anos sessenta glamourizou seus arranjos incorporando diversos instrumentos novos em sua música o que lhe deu maior consistência musical. Isto iria se acentuar mais tarde quando Elvis trocaria de produtor, saindo Steve Sholes e entrando Chet Atkins. Este último era considerado um dos grandes nomes de Nashville e era conhecido pelo melhoramento e embelezamento que dava às gravações. Chet Atkins morreu em 2001, causando uma grande comoção no mundo artístico dos Estados Unidos.

I SLEEPED, I STUMBLED, I FEEL (Wise / Weisman) - Única Canção que faz parte da trilha sonora do filme "Wild in The Country" (coração rebelde, 1961) presente no disco. Na edição brasileira isto não ficou bem claro levando muitos a pensar que todo o LP era a trilha sonora do filme. Na época muitos estranharam quando foram ao cinema assistir ao filme e não viram Elvis interpretar as músicas deste disco! A trilha de "Wild In The Country (coração rebelde, 1961) por sua vez era composta pelas seguintes canções: "Lonely Man", "Wild in The Country", "In My Way" e "Forget Me Never". As duas últimas foram lançadas no disco "Elvis for Everyone".

Elvis Presley - Something For Everybody (1961): Elvis Presley (vocais) / Scotty Moore (guitarra) / Hank Garland (guitarra) / Bob Moore (baixo) / D.J. Fontana (bateria) / Buddy Harman (bateria) / Floyd Cramer (piano) / Boots Randolph (sax) / The Jordanaires (vocais) / Millie Kirkham (vocais) / Produzido por Steve Sholes / Arranjado por Steve Sholes e Elvis Presley / Gravado no RCA'S Studio B, Nashville / Data de Gravação: 12 e 13 de março de 1961 / Data de lançamento: maio de 1961 / Melhor posição nas charts: #1 (EUA) e #2 (UK).

PABLO ALUÍSIO - Outubro de 1999 / revisado e atualizado em novembro de 2001.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Elvis Presley - Flaming Star (1960)

Quando Elvis voltou do serviço militar no começo de 1960 ele trazia na mala não apenas seus pertences pessoais mas também uma idéia fixa que havia desenvolvido enquanto estava na Alemanha. Ao longo dos meses em que passou em serviço militar Elvis acompanhou surpreso o desaparecimento e surgimento de vários cantores e músicos. Aqueles que tinham começado sua trajetória musical ao seu lado na década de 1950 estavam todos passando por enormes dificuldades com as carreiras, que naquela altura estavam praticamente arruinadas. Jerry Lee Lewis, Chuck Berry, Little Richard, todos estavam em baixa no alvorecer da nova década. Ao mesmo tempo novos ídolos juvenis surgiam com uma velocidade espantosa. Fabian, Frankie Avalon e Neil Sedaka, por exemplo, eram novos artistas que tinham surgido do nada e da noite para o dia estavam arrasando nas paradas e nos cinemas. Para Elvis toda essa situação era motivo de grande preocupação pois demonstrava como era efêmera a carreira de um cantor jovem naqueles anos.

Em vista de tudo isso Elvis chegou na conclusão inabalável de que sua única saída para sobreviver como artista quando voltasse aos EUA era se dedicar de corpo e alma ao cinema. Se tornar um ator, acima de tudo. Para Elvis, em suas próprias palavras, "cantores surgem e desaparecem rapidamente, porém se você for um bom ator pode ficar por aí por muitos anos!". Sim, Elvis estava receoso e convencido de que ao voltar para a América sua carreira musical teria apenas mais alguns anos de sobrevida e ele sumiria do mapa, como havia acontecido a todos os demais, a não ser que começasse desde já a virar um ator e dos bons. Infelizmente suas esperanças em desenvolver uma carreira séria como ator de cinema começaram a virar água logo após voltar a Hollywood. "G.I. Blues", seu primeiro filme após o retorno à vida civil, logo se tornou uma enorme frustração para o astro. Priscilla Presley em seu livro relembra o profundo desapontamento de Elvis em relação a esse filme: "Poucas semanas depois Elvis ligou de novo. Seu entusiasmo por G.I. Blues se transformara em amargo desapontamento. Elvis disse: 'Acabei de concluir a droga do filme. Estou detestando. Eles puseram uma dúzia de canções que não valem nada.' — Ele estava furioso — 'Tive uma reunião com o Coronel Parker a respeito. Quero cortar a metade das canções. Sinto-me como um idiota, desatando a cantar no meio de uma conversa com uma garota num trem. (...) O Coronel pediu melhores roteiros. O problema é que se trata do meu primeiro filme depois que voltei e não passa de uma droga." Como se pode perceber pelo relato Elvis simplesmente odiou G.I. Blues porém a despeito de suas ideias sobre o filme esse logo se transformou em um enorme sucesso, tanto em termos de bilheteria como em relação a sua trilha sonora que logo chegaria tranquilamente ao primeiro lugar entre os mais vendidos, mesmo sendo composta de "músicas que não valem nada" como disse Elvis...

De qualquer forma Elvis não se deixou abater e correu atrás de seu sonho de se tornar um ator respeitado em Hollywood. Em razão da promessa que havia feito ao seu cliente, o Coronel Parker logo se colocou à busca de algum roteiro mais consistente e de qualidade, bem ao contrário do enredo ao estilo comédia musical romântica de G.I. Blues. A procura finalmente acabou nos estúdios da 20th Century Fox, a mesma empresa que havia dado a primeira oportunidade a Elvis no cinema em 1956 com o western Love Me Tender. Embora ainda sem título definitivo o roteiro desse novo filme prometia, também era um western, porém com uma visão socialmente correta, envolvendo índios e brancos tentando levar uma convivência pacífica no período pós guerra civil. O projeto havia caído nas mãos de Marlon Brando e Frank Sinatra mas não foi em frente pois Brando detestava o poderoso executivo da Fox, Darryl F. Zanuck. Com Brando fora do projeto, mesmo tendo bastante interesse em um dia fazê-lo por causa de seu tema, a Fox se apressou em oferecer o papel principal a Elvis, pois afinal todos queriam faturar em cima da enorme publicidade que ele tinha logo após retornar a vida civil. Elvis leu o roteiro e gostou muito. Não havia músicas no filme, sem dúvida seria uma grande chance para ele se desenvolver como ator.

Com a aprovação de Elvis o Coronel Parker finalmente fechou o acordo com a Fox para a realização do filme. Os executivos do estúdio porém não estavam contentes justamente com a falta de músicas no roteiro e deixaram claro ao empresário de Elvis que ele deveria cantar no filme, mesmo que os números musicais fossem limitados. Parker também concordava com os chefões da Fox, não havia sentido em fazer um filme com o cantor mais famoso do mundo e não explorar seu talento em uma trilha sonora. Prometeu a eles que conversaria com Elvis e o convenceria a cantar em cena. Elvis ficou muito contrariado ao saber que deveria aparecer no filme cantando, porém como o contrato já estava assinado resolveu abrir mais essa concessão. Assim ficou acertado que a primeira obrigação de Elvis com a Fox seria a gravação da trilha sonora nos estúdios Radio Recorders em agosto daquele mesmo ano.

A trilha sonora - Sempre que Elvis trabalhava na Fox seu grupo musical era educamente colocado de lado pelos executivos do estúdio. Havia sido assim em Love Me Tender e a mesma situação se repetiria em Flaming Star. Scotty Moore, DJ Fontana e os demais sequer foram chamados, ao invés disso o produtor Urban Thielmann resolver escalar um grupo totalmente novo para acompanhar Elvis. Entre as novidades havia o guitarrista Howard Roberts e o baixista Michael "Meyer" Rubin. Da tradicional turma de Elvis em estúdio apenas o pianista Dudley Brooks e os Jordanaires no apoio vocal foram convocados. Elvis chegou ao estúdio com a expectativa de gravar apenas duas canções, que seriam justamente a música tema do filme e mais uma para que fosse apresentada em cena durante o filme. Porém para sua surpresa havia mais de sete canções na pauta! Ele começou os trabalhos com Black Star, depois uma a uma as demais foram sendo gravadas: Summer Kisses, Winter Tears (cortada da trilha e lançada cinco anos depois no disco Elvis For Everyone), Britches (que permaneceria inédita por muitos anos) e A Cane and a High Starched Collar (a escolhida para Elvis cantar durante o filme).

As outras canções da pauta foram ignoradas por Elvis e jamais gravadas. Mesmo assim os trabalhos na trilha não foram definitivos, Elvis ainda retornaria aos estúdios para tentar uma nova versão de Summer Kisses, Winter Tears e em outubro ainda voltaria para gravar Flaming Star, já que o filme havia mudado de nome durante sua produção. Livre da parte musical do filme Elvis então resolveu se dedicar de corpo e alma a sua atuação como ator. Para dirigir o filme a Fox contratou Don Siegel, um diretor ainda considerado de segundo escalão no cinema, proveniente da TV que tinha como maior sucesso no currículo um filme B de ficção científica dos anos 50, que viraria cult ao longo dos anos, Vampiros de Almas. Na realidade ele só se tornaria um grande diretor nos anos que viriam, principalmente após sua parceira vitoriosa ao lado de Clint Eastwood.

Para contracenar com Elvis no filme foram contratadas duas atrizes, uma veterana e uma novata. A novata era Barbara Eden, ex-Miss San Francisco, que tinha como currículo pequenas participações na TV, entre elas uma pequena ponta na popular I Love Lucy e que no cinema só havia estrelado filmes B sem grande importância. Apenas cinco anos depois ela encontraria finalmente o caminho do sucesso ao estrelar a série I Dream of Jeannie (Jeannie é um gênio, no Brasil). A veterana era a mexicana Dolores del Río, cuja carreira de sucesso vinha desde a chamada era de ouro de Hollywood. As filmagens transcorreram sem maiores incidentes com Elvis profundamente empenhado em dar o melhor de si como ator.

A própria Barbara Eden relembra sobre o comportamento profissional do cantor no set: "Elvis tinha uma facilidade muito grande em atuar. Era completamente natural para ele. Em pouco tempo ele se incorporava no papel. Também foi a pessoa com a melhor educação que já conheci, ele tinha boas maneiras, sempre ouvia atentamente o que o diretor Siegel lhe transmitia em termos de instruções na cena, sempre estava aberto a novas sugestões e ao contrário de muitos atores isso não era um problema para ele. Ele não era um astro com um ego monumental, como muitos que encontrei ao longo da minha carreira. Eu sabia que ele queria apenas atuar no filme e não cantar, porém uma música foi encaixada no script e Elvis resolveu não fazer confusão sobre o fato. Ele era muito solícito". O filme foi lançado no final do ano, durante as festas natalinas, e Elvis recebeu boas críticas nos principais órgãos de imprensa, incluindo a prestigiada Variety. Infelizmente o público não respondeu à altura em termos de bilheteria, sendo que no saldo final o filme iria render bem menos do que seu antecessor G.I. Blues.

Para quem esperava um grande sucesso os números finais mostravam apenas uma bilheteria morna, sem grandes atrativos. A RCA Victor também não se empolgou com as músicas gravadas na trilha sonora e resolveu não editar um álbum e nem ao menos um single promocional do filme pois os executivos preferiam apostar em material convencional de estúdio para que os singles de Elvis fossem realmente competitivos nas paradas. Assim em relação ao material gravado para a trilha a RCA resolveu aproveitar apenas a música título Flaming Star e Summer Kisses, Winter Tears que amarradas aos recentes sucessos It´s Now Or Never e Are You Lonesome Tonight? fariam parte do compacto duplo "Elvis by Request". Seguindo o mesmo resultado do filme o lançamento em disco também traria um retorno morno, apenas 14º lugar entre os mais vendidos. De qualquer forma Flaming Star não seria tão facilmente esquecido assim e seu passo rumo a eternidade não viria da indústria do disco e nem do cinema, viria do mundo das artes plásticas. O artista Andy Warhol acabou escolhendo parte do material promocional do filme para criar uma homenagem a Elvis e sua carreira. Suas obras em silk-screen "Double Elvis", "Triple Elvis", e "Elvis 11 Times" acabaram se tornando mais famosos que o próprio filme que lhes deu origem e garantiu a Elvis e sua imagem no filme Flaming Star nada mais, nada menos do que a imortalidade artística.

Elvis Presley - Flaming Star (1960)
Flaming Star
Summer Kisses, Winter Tears
Britches
A Cane and a High Starched Collar
Black Star

Ficha Técnica: Vocais: Elvis Presley / Guitarra: Howard Roberts / Guitarra: Hilmer J. "Tiny" Timbrell / Baixo : Michael "Meyer" Rubin / Bateria: Bernie Mattinson / Acordeon: James Haskell / Piano: Dudley Brooks / Backup Vocals: The Jordanaires: Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker / Produzido por Urban Thielmann / Engenheiro: Thorne Nogar / Gravado no Radio Recorders, Hollywood, California / Data de Gravação: 08 de agosto de 1960 / Data de Lançamento (Elvis by Request): fevereiro de 1961 / Melhor posição nas charts: # 14 (Billboard)

Escrito por Pablo Aluísio - Março de 2009.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Elvis Presley e a música Gospel

Gospel significa evangelho, boa nova, mensagem divina. Gospel também é a música religiosa, seja ela de que movimento ou tendência cristã for, mas a Gospel music é muito mais identificada com a música evangélica americana. Nasceu nas pequenas comunidades religiosas espalhadas pelas cidades do interior dos Estados Unidos. Os primeiro imigrantes ingleses que desembarcaram na América estavam fugindo da perseguição religiosa na Europa e foram para o novo mundo com a convicção de construir um novo lar, um novo país. Quando se instalavam em um novo local para construir ali as bases desta nova comunidade, a primeira coisa que construíam era um local para se realizar seus cultos religiosos. Uma capela, um pequeno templo, algo para que todos pudessem se reunir e agradecer a Deus as graças alcançadas. Estes religiosos, como os puritanos, calvinistas, luteranos ou quakers, tinham em sua igreja um local para fortalecer os laços entre os membros destes grupos para deste modo enfrentar as imensas dificuldades que tinham pela frente. Na "Chapel" os protestantes encontravam apoio e união, era o momento de confraternização e alegria e também de música. Assim nasceu a música Gospel, ritmo feito para todos cantarem juntos (por isso a presença constante do coral) , de diversas formas, mas com aceleração rítmica progressiva e alegre (pois era um momento de alegria para todos), com predominância de teclados (como órgãos e instrumentos semelhantes), com todos batendo palmas e louvando o nome de Deus através da música, pois afinal de contas não foi Ele mesmo que nos deu o dom musical e a alegria de viver?

Elvis Presley nasceu em uma cidadezinha perdida no meio do Mississippi, uma pequena comunidade como aquela dos pioneiros que construíram a América. Adorava as canções tocadas e cantadas nos cultos, os coros vocais e simplesmente conhecia praticamente todas as músicas Gospel escritas (como ele próprio gostava de dizer) . O seu sonho sempre foi ser um cantor de músicas religiosas, pretensão esta que nunca abandonou, mesmo quando era aclamado como Rei do Rock (esta música profana). Ao longo de sua carreira musical, Elvis sempre fez questão de gravar música religiosa em seus discos. Uma das primeiras providências que fez ao começar a fazer sucesso foi contratar o grupo gospel The Jordanaires para acompanha-lo. Scotty Moore, seu guitarrista oficial, perguntou a Elvis o que ele iria fazer com um quarteto gospel, Elvis respondeu que não havia nada mais maravilhoso que um quarteto gospel cantando em harmonia. E lá foi Elvis colocar o grupo para fazer os backing vocals de seus rocks como "Hound Dog". Para surpresa de todos a estranha mistura funcionou perfeitamente. Em 1957 Elvis se reuniu em estúdio com sua banda e gravou as 4 primeiras canções religiosas de sua carreira. A RCA Victor não entendeu na época, mas não quis entrar em confronto com seu artista mais lucrativo. Para quem vendia milhões de discos aquela era a independência que ele queria e que conquistara a duras penas.

Sempre que entrava em estúdio para gravar uma nova trilha sonora ou um novo trabalho qualquer, Elvis se aquecia cantando música gospel, antes da gravação principal, aquela era uma forma de se preparar para mais um rodada de gravações. No final dos anos 50, o produtor de Elvis, Steve Sholes, não pôde comparecer a uma das sessões de gravação pois estava com problemas de saúde. Então a RCA Victor mandou um de seus executivos de Nova Iorque para comandar as sessões. Elvis não o conhecia e assim que entrou em estúdio com sua banda, começaram a cantar gospel music. O executivo de Wall Street, que podia saber muito sobre negócios mas nada sobre música, interrompeu as canções religiosas para chamar a atenção de Elvis e da banda. Disse que a hora de estúdio era caríssima e não era para ficarem ali cantando gospel. Não era hora para brincadeiras e sim para trabalho duro. Ao ver aquilo Elvis implodiu, ele não fez escândalo nem coisa parecida, simplesmente se levantou e se retirou com todos de estúdio. O dia estava perdido. Quando a RCA soube do evento ficou em desespero e imediatamente despediu o executivo. Elvis só voltou dias depois quando Steve Sholes se recuperou de saúde. Estes fatos demonstram como a música religiosa estava presente em sua vida.

Ao retornar do Exército em 1960, Elvis resolveu realizar um de seus sonhos, gravar um álbum de canções religiosas. A realização deste trabalho foi fruto de muito empenho pessoal do próprio Elvis, o empresário dele, o coronel Parker, não via com bons olhos a gravação deste disco, pois temia prejuízos financeiros com sua realização. Elvis bateu o pé e exigiu que iria fazer o disco, com ou sem a aprovação dele. E assim o fez. O disco foi chamado de "His Hand in Mine" e é hoje considerado um de seus mais bonitos trabalhos. O disco fez um enorme sucesso, para espanto de Parker e da RCA, e provou que Elvis estava certo. A intenção de Elvis na realidade na gravação deste disco era homenagear a sua mãe, que havia morrido poucos anos antes. Segundo as próprias palavras de Elvis este disco era "um trabalho de amor". Ele participou efetivamente de todos os arranjos, de todo o trabalho de direção musical, praticamente monopolizou todas as fases da produção, realmente o verdadeiro produtor do disco foi o próprio Elvis. Escolheu as canções pessoalmente levando como critério de escolha a importância delas em sua vida, por isso o disco é recheado de canções da metade do século, algumas mais agitadas e algumas spirituals. No final de 1960, Elvis afirmou a um repórter que "His Hand in Mine"tinha se tornado o seu trabalho musical de que tinha mais orgulho.

Seis anos depois, Elvis resolveu repetir a dose gravando mais um disco gospel, intitulado "How Great Thou Art". O cantor estava em um de seus piores momentos, suas trilhas sonoras estavam sendo criticadas e as vendagens baixas demonstravam que algo ia muito mal em sua carreira musical. Ao contrário do que ocorria na época de "His Hand in Mine", em que ele estava no auge do sucesso após a sua volta do exercito, agora Elvis estava em uma encruzilhada, ou algo mudava ou poderia ser o fim melancólico de sua carreira artística. Mesmo debaixo de toda a pressão Elvis reuniu o que de melhor havia naquele momento e novamente se empenhou ao máximo para que o disco se tornasse o melhor possível. Chamou outros músicos, caprichou na formação de um belo grupo vocal, fez os arranjos e comandou cada ponto de gravação do seu segundo álbum Gospel. Assim foi lançado "How Great thou Art" que em pouco tempo chegou aos mais altos postos de vendagem e demonstrou a todos que o único grande problema na carreira do rei naquele momento era a má qualidade do material que lhe era imposto pelos estúdios de cinema. Mas, mais importante que as vendas este disco trouxe reconhecimento, pois Elvis ganhou o prêmio Grammy, o primeiro de sua carreira. Com este disco Elvis reuniu coragem suficiente e decidiu que iria se afastar de Hollywood e de suas trilhas de gosto duvidoso. Iria voltar a se apresentar ao vivo e o mais importante, iria exercer maior controle musical em sua carreira a partir daí.

Depois de tudo, Elvis fez o NBC TV Special, em que voltava a cantar na TV americana, voltou a se apresentar em shows ao vivo e sua carreira se levantou novamente, entrando no rumo certo. No começo dos anos 70 foi programada uma longa sessão de gravação com Elvis, conforme as canções iam sendo gravadas, os produtores foram percebendo que entre uma e outra música iam surgindo várias canções Gospel. Nada havia sido planejado, mas conforme elas iam aparecendo, Felton Jarvis resolveu juntar todas elas no disco "He Touched Me", o último disco Gospel da carreira de Elvis. Entre as músicas, uma das mais conhecidas e bonitas, "Amazing Grace". Quando foi lançado em 1972, Elvis novamente ganhou mais um prêmio Grammy. Estava de uma vez por todas consumada e consolidada a carreira Gospel de Elvis Presley. Em seus anos finais a Gospel music se tornou cada vez mais presente em sua vida. Durante os shows Elvis sempre apresentava um canção deste estilo musical e foi assim que ele acabou ganhando mais um Grammy, na apresentação que fez em Memphis, sua terra natal, em 1974, quando ele cantou 'How Great thou Art" de uma forma tão verdadeira que acabou vencendo na categoria "Melhor performance Inspirativa". Agora em 2001, Elvis ingressa no Hall da Fama Gospel numa homenagem mais que merecida. Passa assim a ser o único artista presente nos três mais importantes Halls da Fama dos Estados Unidos: Rock, Country e Gospel. Tenho absoluta certeza que se estivesse vivo estaria extremamente orgulhoso da homenagem.

A carreira Gospel de Elvis Presley:
Peace in the Valley (1957) – compacto duplo
HIS HAND IN MINE (1960) – Álbum
Crying In The Chapel / I Believe in The Man In the Sky (1965) – Single
Joshua Fit The Battle / Known Only To Him (1966) - Single
Milky White Way / Swing Down Sweet Chariot (1966) – Single
HOW GREAT THOU ART (1967) – Álbum
You'll Never Walk Alone / We Call On Him (1968) – Single
His Hand In Mine / How Great Thou Art (1969) - Single
HE TOUCHED ME (1972) – Álbum
He Touched Me / Boson of Abraham (1972) - Single
If you Talk in your Sleep / Help Me (1974) - Single
HE WALKS BESIDE ME (1978) – Álbum
KNOW ONLY TO HIM (1989) – Álbum
AMAZING GRACE – HIS GREATEST SACRED PERFOMANCES (1994) -Álbum
HE IS MY EVERYTHING (2001) – Álbum
IT IS NO SECRET (2001) – Álbum
LEAD ME GUIDE ME (2001) – Álbum
NEARER MY GOD TO THEE (2001) – Álbum
THE GOSPEL SONGS (2001) – Álbum
ELVIS EASTER SPECIAL (2001) – Álbum

Escrito por Pablo Aluísio - novembro de 2001.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Elvis Presley - FTD His Hand in Mine

O primeiro álbum inteiramente Gospel da carreira de Elvis acabou se tornando um dos melhores títulos do selo FTD. Ao longo de dois CDs vamos acompanhando a evolução de Elvis dentro dos estúdios para chegar nas versões definitivas que fossem ao encontro de seu ouvido exigente. Tecnicamente falando entendemos perfeitamente os objetivos de Presley. As canções que nos primeiros takes se apresentam sem um arranjo consistente vão aos poucos ganhando forma, ficando cada vez mais trabalhadas, até se chegar finalmente nas gravações que conhecemos do disco oficial. No ponto ideal. Vale destacar também o brilhante trabalho de restauração feito pelos engenheiros de som da gravadora. É sabido que a parte da sessão que não foi utilizada no disco original ficou longos anos arquivada em Nashville, em locais nem sempre adequados para conservação. Quando o produtor Ernest Jorgensen resolveu incluir o álbum na coleção de álbuns clássicos da FTD todo esse material foi desarquivado, passou por um intenso procedimento de restauração e o que ouvimos ao colocarmos o CD para tocar é que tudo parece ter sido gravado ontem, tamanho o nível de qualidade dos takes alternativos aqui presentes.

Já tive o prazer de analisar esse disco e agora ao ouvi-lo novamente (com o material bônus) só posso confirmar tudo o que já disse antes. A voz de Elvis nesses primeiros anos da década de 1960 estava em um momento especialmente cristalino. Se na década de 50 Elvis ainda não tinha tido a total oportunidade de explorar as nuances de seu talento vocal (principalmente por causa do material apresentado, mais voltado ao Rock ´n´ Roll), aqui ele brilha ao cantar bem suavemente, sem pressa ou necessidade de mostrar vigor. A tônica dominante é de suavidade, espiritualidade. Como o tema é religioso temos também o nítido fato de Elvis procurar dar o melhor de si, se mostrar realmente inspirado, principalmente porque esse tipo de estilo musical era sem dúvida o que mais o inspirava interiormente para a interpretação. O resultado final é fantástico. Não restam dúvidas que de todos os trabalhos religiosos a que Elvis se dedicou esse é um dos mais caprichados e talentosos. Uma pequena obra prima, certamente.

Embora o FTD His Hand In Mine tenha como foco principal dissecar o referido disco oficial, o produtor Ernst resolve por bem colocar takes de duas canções de certa forma alienígenas ao projeto. A primeira é Surrender. Um dos grandes sucessos da carreira de Presley foi gravada nas mesmas sessões de His Hand In Mine. O fato é que a RCA Victor não perdia a oportunidade de incentivar o cantor a produzir material para os seus singles (que eram os grandes meios de divulgação e sucesso da carreira de Elvis). Assim em meio ao farto material religioso Elvis dedicou-se a também gravar essa canção que nitidamente seguia os passos de seu grande sucesso pós Alemanha, o single It´s Now or Never. Esses takes de Surrender são bem interessantes. Entre um take e outro Elvis vai tentando acertar o tom correto. No CD2 temos uma ótima oportunidade de conferir o cantor tentando chegar no solo final da canção da maneira que desejava. São várias tentativas sucessivas que para um fã de Elvis não deixa de ser um deleite especial. A outra música que foi encaixada foi a terna e linda Crying In The Chappel, outro grande sucesso de Elvis em single. Em suma, aconselho o CD para os que ainda não conhecem, pouco sabem ou querem se inteirar completamente sobre o trabalho gospel desenvolvido por Elvis Presley ao longo de sua carreira. Certamente esses ouvintes não ficarão decepcionados com o resultado.

Elvis Presley - FTD His Hand In Mine - Original release and outtakes

CD 1:
1: His Hand In Mine
2: I'm Gonna Walk Them Golden Stairs
3: In my Father's House
4: Milky White Way
5: Known Only To Him
6: I Believe In The Man In The Sky
7: Joshua Fit The Battle
8: He Knows Just What I Need
9: Swing Down Sweet Chariot
10: Mansion Over The Hilltop
11: If We Never Meet Again
12: Working On The Building
13: Surrender
14: Crying In The Chapel
15: His Hand In Mine (1)
16: I'm Gonna Walk Them Golden Stairs (1) [M]
17: Milky White Way (1*, 2*, 3)
18: Known Only To Him (1, 2)
19: I Believe In The Man In The Sky (1)
20: Joshua Fit The Battle (1)
21: He Knows Just What I Need (1)
22: Mansion Over The Hilltop (2*, 1)
23: If We Never Meet Again (1) [M]
24: Working On The Building (1)
25: Surrender (1)

CD 2:
1: Milky White Way (4, 6*, 5)
2: His Hand In Mine (2*, 3*)
3: His Hand In Mine (4)
4: His Hand In Mine (5)
5: I Believe In The Man In The Sky (2*, 3*, 4 [M])
6: He Knows Just What I Need (2*, 3*, 4*)
7: He Knows Just What I Need (5*, 6, 7)
8: He Knows Just What I Need (8*)
9: Surrender (2)
10: Surrender (3*, 5, 6)
11: Surrender (7*)
12: Surrender (8*, 9)
13: Surrender (WP 2/1*, 3*, 4*, 5*, 6*, 7*)
14: In my Father's House (1*, 2*, 3*, 4*)
15: In My Father's House (5*, 6*)
16: In my Father's House (7)
17: Joshue Fit The Battle (2)
18: Joshua Fit THe Battle (3*)
19: Swing Down Sweet Chariot (1*)
20: Swing Down Sweet Chariot (2, 3)
21: I'm Gonna Walk Them Golden Stairs (2, 3)
22: I'm Gonna Walk Them Golden Stairs (4*)
23: I'm Gonna Walk Them Golden Stairs (5)
24: Known Only To Him (3*, 4*, 5)
25: Crying In The Chapel (1*)
26: Crying In The Chapel (2, 3 [M])
27: Working On The Building (2*)
28: Working On The Building (3*, 4))

* versões inéditas

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Elvis Presley - His Hand In Mine (1960)

Ao retornar do Exército em 1960, Elvis resolveu realizar um de seus sonhos, gravar um álbum de canções religiosas. A realização deste trabalho foi fruto de muito empenho pessoal do próprio Elvis, o empresário dele, o coronel Parker, não via com bons olhos a gravação deste disco, pois temia prejuízos financeiros com sua realização. Elvis bateu o pé e exigiu que iria fazer o disco, com ou sem a aprovação dele. E assim o fez. O disco foi chamado de "His Hand in Mine" e é hoje considerado um de seus mais bonitos trabalhos. O disco fez um enorme sucesso, para espanto de Parker e da RCA, e provou que Elvis estava certo. A intenção de Elvis na realidade na gravação deste disco era homenagear a sua mãe, que havia morrido poucos anos antes. Segundo as próprias palavras de Elvis este disco era "um trabalho de amor". Ele participou efetivamente de todos os arranjos, de todo o trabalho de direção musical, praticamente monopolizou todas as fases da produção, realmente o verdadeiro produtor do disco foi o próprio Elvis. Escolheu as canções pessoalmente levando como critério de escolha a importância delas em sua vida, por isso o disco é recheado de canções da metade do século, algumas mais agitadas e algumas spirituals. As gravações foram realizadas em Nashville em outubro de 1960. Elvis declarou: "Esse disco será uma forma de mostrar minha gratidão para com os quartetos gospel. Acho que praticamente conheço todos os hinos já feitos. Adoro ficar sozinho ao piano, em Graceland, tocando essa música". No final de 1960, Elvis afirmou a um repórter que "His Hand in Mine" havia se tornado o seu trabalho musical de que tinha mais orgulho. O disco ficou na lista dos mais vendidos durante todo o ano seguinte, se tornando mais um grande êxito em sua carreira.

His Hand In Mine (Mosie Lester) - Como tema principal do disco Elvis escolheu essa conhecida canção gospel de Mosie Lester. Como sempre fazia, Elvis resolveu modificar o arranjo da música original. Para isso ele realçou ainda mais a presença do quarteto gospel que o acompanhava. Depois modificou o acompanhamento instrumental dando destaque especial ao piano, ao contrário do órgão da versão de Mosie Lester. Por fim, resolveu trocar a seqüência original do refrão, aproveitando para modificar também o tempo da canção. Enfim, Elvis a reconstruiu ao seu gosto e como sempre suas escolhas se revelaram bem vindas, pois sem dúvida deram mais consistência a essa antiga canção gospel.

Milk White Way (Elvis Presley) - Mais um exemplo do poder de trabalho de Elvis dentro dos estúdios. Aqui ele transformou mais uma vez uma tradicional canção religiosa para lhe dar um sabor todo especial. As mudanças foram ótimas, a música, antes mais lenta e melancólica, se transformou nas mãos de Elvis em um momento alto astral do disco. Elvis a deu ritmo e embalo. Se não fosse pela letra gospel poderia até ter entrado em qualquer disco convencional de sua carreira. Completamente diferente da tradicional canção religiosa, tanto que a RCA resolveu até mesmo lhe dar os créditos de autoria da música. Nota 10 para Elvis, que provou mais uma vez que realmente tinha ritmo correndo em suas veias.

Swing Down Sweet Chariot (Elvis Presley) - Outra música que foi totalmente arranjada e adaptada por Elvis. O mais importante sobre essas gravações religiosas de Elvis é o fato dele ter trazido o gingado típico das músicas de R&B ao Gospel. Misturar gêneros e fundi-los sempre foi uma coisa natural para Elvis, que aliás detestava rotular qualquer tipo de ritmo ou música. Como disse Sam Phillips: "Elvis era daltônico", ou seja, ele não queria distinguir as canções de que gostava, para ele pouco importava o rótulo, seja a música fosse classificada como branca, negra, rock, pop, gospel; para Elvis isso não tinha importância, pois para ele tudo era música, tudo era mágica.

Elvis Presley - His Hand In Mine (1960)
His Hand In Mine
I'm Gonna Walk Dem Golden Stairs
In My Father's House
Milky White Way
Known Only To Him
I Believe In The Man In The Sky
Joshua Fit The Battle
He Knows Just What I Need
Swing Down, Sweet Chariot
Mansion Over The Hilltop
If We Never Meet Again
Working On The Building

Elvis Presley - His Hand In Mine (1960): Vocais e violão: Elvis Presley / Guitarra : Hank Garland / Guitarra : Scotty Moore / Baixo: Bob Moore / Bateria: D.J. Fontana / Bateria: Murrey "Buddy" Harman / Saxophone: Homer "Boots" Randolph / Piano: Floyd Cramer / Backup Vocals: Millie Kirkham / Backup Vocals:The Jordanaires: Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker / Backup Vocals: Charlie Hodge (nas músicas His Hand in Mine, I Believe in the Man in the Sky e He Knows Just What I Need) / Produzido por Steve Sholes e Elvis Presley / Engenheiro: Bill Porter / Gravado no RCA Studio B, Nashville, Tennessee / Data da Gravação: 30 e 31 de outubro de 1960 / Data de lançamento: Novembro de 1960 / Melhor posição nas paradas: # 13 (Billboard) / #3 (UK).

Pablo Aluísio - Novembro de 2004.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Elvis Presley - G.I. Blues (1960)

Trilha Sonora do quinto filme de Elvis Presley que no Brasil recebeu o título de "Saudades de um Pracinha". O filme foi dirigido por Norman Taurog e produzido por Hal Wallis e contava em seu elenco com Juliet Prowse (a atriz era na época um dos casos amorosos de Frank Sinatra). Este filme seria o percursor dos filmes de Elvis nos anos sessenta com seus roteiros fracos e trilhas de gosto duvidoso. Apesar de tudo, "G.I.Blues" apresenta alguns momentos interessantes sendo uma de suas melhores trilhas nos anos sessenta. Elvis porém não gostou nada dos resultados mas preferiu manter sua decepção só para si. Neste mesmo ano Elvis iria realizar dois projetos de alto nível artístico. O primeiro foi a gravação do disco gospel "His Hand in Mine", velho sonho do cantor. O outro foi a realização do filme "Flaming Star" (estrela de fogo, 1960), western dirigido pelo aclamado diretor Don Siegel e co estrelado pela atriz Barbara Eden. Este filme foi bastante elogiado pela crítica e se tornou um bem sucedido veículo para o sonho de Elvis em se tornar um ator respeitado. Ambos os filmes, "Flaming Star" (Estrela de fogo, 1960) e "G.I.Blues" (Saudades de um pracinha, 1960) foram grandes sucessos de bilheteria. Eis as canções da trilha sonora:

TONIGHT IS SO RIGHT FOR LOVE (S. Wayne / A. Silver) - TONIGHT'S ALL RIGHT FOR LOVE (S. Wayne / A. Silver) - Essas duas canções sempre causaram grande confusão entre os fãs. A primeira é a oficial da trilha sonora americana, que inclusive foi utilizada durante o filme, onde Elvis a canta para Juliet Prowse em uma cantina. Essa se chama "Tonight is so Right For Love" e foi baseada na obra de Johannsen Strauss. Como a RCA Victor não conseguiu a liberação de seus direitos autorais na Europa, o produtor Joseph Lilley promoveu a gravação de uma outra versão com a mesma letra, porém com sutil modificação em sua harmonia. Essa segunda canção, que foi lançada na época somente nos países de língua latina (Europa e Brasil inclusive) se chamou "Tonight's All Right For Love". É bom salientar que quando este disco foi relançado em CD as duas composições foram incluídas finalmente na trilha sonora, o que não havia ocorrido na edição brasileira do disco lançado na época e nem em sua reedição de 1982 pelo selo RCA Pure Gold (embora nesse último tenha sido creditada de forma errada a canção "Tonight's All Right For Love" na contracapa, causando maior confusão ainda entre os fãs brasileiros!). A primeira é tecnicamente muito superior, com ótimo arranjo, maravilhosa vocalização de Elvis e um acompanhamento fantástico em todos os aspectos. Sem sombra de dúvida uma das mais lindas canções românticas da carreira de Elvis em Hollywood. A segunda é bem mais simples, curta e resumida, mas também não deixa de ser muito simpática e relaxante. Os fãs brasileiros certamente possuem maior familiaridade com a segunda por esta ter sido a que foi lançada por aqui! Enfim, dois ótimos momentos da trilha sonora.

WHAT'S SHE REALLY LIKE (Sid Wayne / Silver Joe Lilly) - É apresentada de forma bastante discreta no filme numa cena em que Elvis canta num banheiro! Este era um problema dos filmes do cantor: como acrescentar tantas músicas num só filme? Em decorrência disso o rei cantou ao longo de sua carreira nas mais diversas ocasiões: em barcos (garotas e mais garotas, 1962), em cassinos (entre a loira e a morena, 1965), dentro d'água (Joe é muito vivo, 1968), em montanhas russas (o carrossel de emoções, 1964), dirigindo veículos (feitiço havaiano, 1961), pescando (garotas e mais garotas, 1962) e até em helicópteros (no paraíso do Havaí, 1966)!

FRANKFORT SPECIAL
(Sid Wayne / Sherman Edwards) - Elvis interpreta esta divertida canção em um trem! Pois é, como havia várias músicas na trilha então não se devia desperdiçar tempo para apresentá-las. O ritmo aliás lembra o som de um trem em movimento. De qualquer forma vale por ser um momento de alto astral do disco e do filme. A trilha do outro filme de Elvis em 1960, "Flaming Star" (estrela de fogo, 1960)", contava com as seguintes canções: "Summer Kisses, Winter Tears", "Flaming Star", "Britches" e "A Cane and A Starched Collar", esta última aliás, a única cantada por Elvis no filme.

WOODEN HEART (adapt: Kaempfert / Wise / Weisman) - A melhor música de todo o disco. É baseada na canção folclórica Alemã "Muss I Denn". A cena que Elvis a apresenta no filme (com as marionetes) é a melhor parte de toda a película. A canção foi lançada em compacto na Alemanha e no restante da Europa alcançando um tremendo sucesso. O Single norte-americano com "Wooden Heart" só foi lançado no final de 1964, ou seja, quatro anos depois!!! É digno de nota a ótima adaptação do maestro alemão Bert Kaempfert e o acordeonista Jimmie Haskiell. Ela foi gravada no dia 28 de Abril nos estúdios Radio Recorders em Hollywood.

G.I. BLUES (Sid Tepper / Roy C.Bennett) - A canção tema do filme. Apesar de ser agradável, ela perde, e muito, se comparada com as outras canções que deram título a filmes de Elvis antes, como por exemplo "Jailhouse Rock (O prisioneiro do rock, 1957)", "Love me Tender" (ama-me com ternura, 1956), "Loving You" (A mulher que eu amo, 1957) e "King Creole" (Balada sangrenta, 1958). Sem dúvida isto expressa a queda da qualidade musical das trilhas do cantor nos anos sessenta, que infelizmente só iriam decair daí em diante. Foram gravadas duas versões diferentes e Elvis acabou escolhendo esta.

POCKETFULL OF RAINBOWS (Wise / Weisman) - Elvis faz dueto com Juliet Prowse no filme, porém a versão lançada no disco só conta com a voz do cantor, o que é um alívio. É uma típica canção lenta e romântica dos filmes de Elvis nos anos sessenta. Os compositores desta música iriam compor diversos temas para Elvis durante sua carreira. A Letra traz uma mensagem bonita: "todos temos que ter um arco íris no nosso bolso nos momentos difíceis da vida".

SHOPPIN AROUND (Tepper / Bennet / Schroeder) - O ritmo é muito empolgante além de ser muito bem executada, porém mais uma vez fica evidente a fragilidade da letra. Esta aliás é uma característica de muitas canções de filmes de Elvis nos anos 60: um bom balanço com letras frágeis.

BIG BOOTS (Wayne / Edwards) - Foram gravadas duas versões diferentes desta canção: uma lenta que foi utilizada no filme e lançada junto com a trilha e outra rápida que, apesar de ser bem melhor que a primeira foi arquivada só sendo lançada muitos anos depois. A principal razão da inclusão da primeira versão é que esta se encaixou melhor na cena em que Elvis a interpreta com o objetivo de fazer uma criança dormir.

DIDJA EVER (Wayne / Edwards) - De todos os ritmos musicais do universo talvez Elvis se desse pior cantando "Marchas". Este disco apresenta várias pois o enredo diz respeito a um soldado em serviço militar na Alemanha (O que era uma paródia do que ocorreu com o próprio cantor em sua vida real e que Elvis desaprovava enfaticamente). Pois bem, de todas estas marchas talvez esta seja a pior sendo a que faz parte da parte musical final do filme.

BLUE SUEDE SHOES (Carl Perkins) - Uma nova versão para o clássico de Carl Perkins. Apesar de ser muito bem arranjada com um ótimo acompanhamento ela não consegue se tornar melhor do que a versão do cantor para o disco "Elvis Presley" (1956). Algo se perdeu, talvez falte um pouco de garra e pique nesta versão. Porém sem dúvida é um dos pontos altos de todo a trilha. Elvis não a canta no filme, ela só aparece quando um soldado liga um jukebox.

DON'T THE BEST I CAN (Pomus/Schuman) - Fechando o disco temos esta baladona romântica que pode ser considerada também um bom momento do disco (que é caracterizado por apresentar altos e baixos). A dupla de compositores iriam ser responsáveis por grandes sucessos do rei nos anos 60. De certa forma foi a solução encontrada pelo Coronel para substituir a dupla Leiber e Stoller, que eram infinitamente superiores. Apesar de tudo é uma bela canção.

Elvis Presley - G.I. Blues (1960): Elvis Presley (vocal) / Scotty Moore (guitarra) / Bob Moore (baixo) / D.J.Fontana (bateria) / Frank Bode (bateria) / Ray Siegel (contrabaixo) / Dudley Brooks (piano) / Jimmie Haskell (acordeon) / Tiny Timbrell (guitarra) / Hoyt Hawkess (guitarra) / Neil Mathews (tamborim) / The Jordanaires (vocal) / Produzido por Joseph Lilley e Hall WallisRCA Studios - Hollywood / Data de Gravação: 27, 28 de abril e 06 de maio de 1960 / Data de Lançamento: outubro de 1960 / Melhor posição nas charts: #1 (EUA) e #1 (UK).

Texto escrito por PABLO ALUÍSIO - Agosto de 1999 / revisado e atualizado em novembro de 2001.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Elvis Presley - Elvis Is Back! (1960)

Elvis Presley deu baixa no exército norte americano no dia 5 de março de 1960 em Fort Dixon, New Jersey. Havia uma enorme ansiedade por sua volta pois o ritmo musical do qual era Rei estava jogado no esgoto (mais ou menos o que ocorre com o Rock'n'Roll atualmente). Uma série incrível de fatos desagradáveis havia atingido os principais nomes do verdadeiro Rock: Um acidente automobilístico havia acabado com as carreiras de Eddie Crochran e Gene Vincent, Little Richard havia decidido abandonar a música para se dedicar à religião, Chuck Berry havia sido preso por tráfico de escravas brancas, Ritchie Valens e Buddy Holly sofreram um acidente fatal e finalmente o inventor da expressão Rock'n'Roll, o DJ Alan Freed, estava preso e falido, em suma o Rock estava no fundo do poço. Por isso a volta de Elvis significa muito para os jovens da época pois os ídolos que estavam na mídia nada mais eram que idiotas como Fabian e Frankie Avalon além de outros "mini Elvis". "Elvis is Back !" é a resposta do cantor a todos que estavam desesperados por sua volta. Elvis estava de volta! No dia 20 de março o cantor entrava nos estúdios B da RCA em Nashville para a sua primeira sessão de gravação após o serviço militar. Em 3 de Abril Elvis retornava para completar a gravação das canções deste disco. Além das músicas que estão presentes no disco foram gravadas ainda "It's Now or Never", "Stuck on You", "Fame and Fortune", "A Mess Of Blues", "I Gotta Know" e "Are You Lonesome Tonight?", todas essas lançadas em singles de enorme sucesso e que foram reunidas posteriormente no LP "Elvis Golden Records Vol.3". O Disco "Elvis is Back!" (LSP 2231) foi lançado em abril de 1960 e apresenta as seguintes canções:

MAKE ME KNOW IT (Otis Blackwell) - Elvis esbanja versatilidade nesta canção deliciosa de se ouvir. Fica registrada aqui a importância do grupo vocal gospel "The Jordanaires" no som do cantor. É a primeira gravação do Rei após sua volta ao cenário musical mundial depois de seu período como soldado na Alemanha, onde ele viria a conhecer sua futura esposa Priscilla. Esta canção foi gravada no dia 20 de março de 1960 em Nashville. Elvis e seu produtor Steve Sholes acrescentaram alguns instrumentos para melhorar a canção.

FEVER (J. Davenport / E. Cooley) - Esta música foi um grande sucesso com Peggy Lee e Little Willie John antes de Elvis resolver gravá-la. O autor Otis Blackwell aqui usa um pseudônimo, J.Davenport. A versão de Presley foi completada no dia 3 de abril de 1960 em Nashville logo após o especial que o cantor gravou com Frank Sinatra para a TV Americana, "Welcome Elvis". Na ocasião Elvis fez um dueto com "Ol' Blues Eyes" nas canções "Love me Tender" e "Withcraft", esta última o grande sucesso de Sinatra e não uma música de mesmo nome que Elvis gravaria três anos depois. O especial foi um grande êxito onde Elvis teve a oportunidade de apresentar seus novos sucessos que estavam liderando a parada de singles. Madonna também fez uma belíssima versão desta canção levando "Fever" de volta às paradas muitos anos depois.

THE GIRL OF MY BEST FRIEND
(B. Ross / S. Bobrick) - A melhor música do disco! A letra recorre a um velho clichê das canções da época (Lembra-se da "namoradinha de um amigo meu" do rei brasileiro Roberto Carlos?), pois é. Aqui Elvis conta com a preciosa colaboração de Floyd Cramer no piano. A música foi gravada no dia 4 de Abril de 1960. Anos depois esta canção foi também lançada em um single europeu de grande sucesso.

I WILL BE HOME AGAIN (Benjamin / Leveen / Singer) - Dueto com Charlie Hodge, um amigo que Elvis fez no exército e que a partir daí iria se tornar figura freqüente ao lado do rei. A letra expressa bem a situação que Elvis passava e celebra sua volta ao lar. É um dos pontos mais pessoais do disco. O cantor a gravou no dia 4 de Abril de 1960. O CD "Home Recordings", que traz várias músicas gravadas por Elvis, em sua casa na Alemanha, onde servia o exército americano, é um bom exemplo do tipo de música que fazia a cabeça de Elvis nesta época. São gravações domésticas, sem boa qualidade de som, mas seu conjunto é muito relevante do ponto de vista histórico cultural.

DIRTY, DIRTY FEELING (J. Leiber / M. Stoller) - Sempre que se cita Leiber e Stoller deve-se deixar claro que eles foram os mais importantes compositores da carreira de Elvis Presley. Aqui eles comparecem no disco com uma canção menor que anos depois foi aproveitada para fazer parte da trilha sonora do filme "Tickle-Me" (o cavaleiro romântico, 1965).

TRHILL OF YOUR LOVE (S. Kesler) - Balada romântica em que Elvis esbanja seu poderio vocal. Retrata bem o período em que os cantores tinham que ter voz e sensibilidade musical, fato que hoje é raro. Elvis sempre gravava suas canções durante a madrugada o que levava alguns de seus músicos às tontas pois não era fácil tocar bem às cinco horas da manhã depois de passar a noite em claro dentro de um estúdio de gravação. Bill Black foi taxativo: "O cara era uma coruja, isto é um fato".

SOLDIER BOY (David Jones / T. Willians jr.) - A letra mais uma vez celebra a passagem do cantor pelo exército americano. Possui uma melodia lindíssima e é um dos destaques deste trabalho musical. A música já havia sido lançada cinco anos antes, porém a versão com Elvis é bem superior ao original. "Soldier Boy" foi gravada no dia 20 de março de 1960 em Nashville. As tentativas foram muitas até se chegar a uma versão satisfatória.

SUCH A NIGHT (Lincoln Chase) - Grande sucesso dos Drifters quando foi lançada. A versão com Elvis foi gravada no dia 4 de Abril de 1960. Não foi extraído nenhum single do disco "Elvis Is Back!" na ocasião de seu lançamento, curiosamente porém em 1964 foi lançado um compacto com "Such A Night" no Lado A, junto com "Never Ending". O Single temporão alcançou um relativo sucesso alcançando o décimo terceiro lugar em agosto daquele ano. Anos depois iria dar nome a um CD de "takes alternativos".

IT FEELS SO RIGHT (Fred Wise / Ben Weisman) - Boa canção que acompanha o alto nível artístico deste disco. Esta também foi aproveitada e lançada depois num single em 1965 como Lado B do single "Easy Question", esta do estiloso disco "Pot Luck". A discografia de Elvis nos anos sessenta apresenta estas "curiosidades históricas" que ninguém sabe ao certo como explicar!

GIRL NEXT DOOR WENT A' WALKING (Bill Rice / Sid Wayne) - Elvis aqui comparece com vocalização perfeita conduzindo todo o conjunto para o ritmo singular desta canção. Ela foi gravada no dia 4 de Abril de 1960 no estúdio B da RCA em Nashville. Elvis novamente acelerou a contagem de tempo da música, para melhorá-la.

LIKE A BABY (Jesse Stone) - Ótimo Blues em que o saxofonista Boots Randolph dá o melhor de si. Blues sempre foi um dos casos não resolvidos da carreira do rei, pois enquanto alguns sempre o elogiaram, como a lenda Muddy Waters, outros achavam que o rei não deveria se meter em um ritmo essencialmente negro, opinião do grande Ray Charles. Este tipo de argumento é uma bobagem, pois o Rock também tem suas raízes na música negra, além do mais, música não tem cor, fato que Elvis sabia muito bem. A separação racial é condenável em qualquer setor da vida. De qualquer forma esta canção e a que se segue provam que Elvis era um grande intérprete de Blues, fato hoje que não é mais motivo de controvérsia. A lamentar apenas o reduzido número de canções que o Rei do Rock'n'Roll gravou deste importantíssimo gênero musical norte americano.

RECONSIDER BABY (Lowell Fulson) - Outro show de Elvis no ritmo Blues. Estas duas músicas estão de tal forma interligadas que se tem a impressão de que elas são a mesma. O Solo de Sax do grande Boots Randolph está entre os grandes momentos da música mundial. Em 1985 foi lançado um LP intitulado "Reconsider Baby" trazendo as melhores canções do cantor neste gênero como "Merry Christmas Baby", "Hi-Heel Sneekers" e "I Feel So Bad".

Elvis Presley - Elvis Is Back! (1960): (Make Me Know It / Soldier Boy / It Feels So Right) Elvis Presley (voz e violão) / Scotty Moore (guitarra) / Bob Moore (baixo) / Hank Garland (baixo elétrico) / D.J.Fontana (bateria) / Buddy Harman (bateria) / Floyd Cramer (piano) / The Jordanaires (vocais) / Gravado no RCA's Studio B, Nashville / Data de Gravação: 20 e 21 de março de 1960. Ficha Técnica: (Todas as demais canções) Elvis Presley (voz, violão e guitarra) / Scotty Moore (guitarra) / Bob Moore (baixo) / Hank Garland (baixo elétrico) / D.J.Fontana (bateria) / Buddy Harman (bateria) / Floyd Cramer (piano) / Boots Randolph (sax) / Charlie Hodge (vocais) / The Jordanaires (vocais) / Millie Kirkham (vocais) / Gravado no RCA's Studio B, Nashville / Data de Gravação: 03 e 04 de abril de 1960 / Elvis is Back!: Data de Lançamento: abril de 1960 / Melhor posição nas charts: #2 (EUA) e #1 (UK).

Pablo Aluísio.