domingo, 17 de dezembro de 2017

Elvis Presley - Separate Ways - Parte 2

A grande canção desse álbum sem sombra de dúvidas é "Always on My Mind". Essa música é certamente muito conhecida nos dias de hoje, um grande sucesso de Elvis. Só que na época (estamos falando de 1972) não houve essa repercussão toda em seu lançamento. Mais do que isso, a gravação passou praticamente despercebida, como um mero Lado B qualquer de single. Aliás a canção só iria se tornar um hit após a morte de Elvis, nos anos 80. Escrita pelo trio Johnny Christopher, Mark James e Wayne Carson, a faixa era obviamente uma declaração de arrependimento por parte de Elvis para sua ex-esposa Priscilla.

Também era uma declaração de amor, afirmando que ele não a esquecera em nenhum momento e que reconhecia seus erros em seu casamento. Ele basicamente dizia que agora, com o fim do casamento, entendia que não a havia tratado bem, como deveria e que havia falhado como marido e homem. Além disso deixava claro que ela estava sempre em sua mente. Versos como esses deixam isso bem claro: "Talvez eu não tenha lhe tratado tão bem quanto deveria / Talvez eu não tenha te amado tanto quanto eu poderia / Pequenas coisas que eu deveria ter dito e feito / Eu simplesmente nunca encontrei tempo / Se eu te fiz sentir-se em segundo lugar / Garota, eu sinto muito, eu estava cego!". Priscilla obviamente entendeu tudo o que Elvis queria dizer, a tal ponto que elegeu a música para ser o tema principal da série baseada em seu livro autobiográfico "Elvis e Eu". O ciclo assim se fechava.

Igualmente sentimental e igualmente declarativa de seus pensamentos era a música "Separate Ways". A imagem que vinha das palavras que significavam "caminhos separados" também era bem clara e óbvia. O pedido de divórcio, o abandono de Elvis por parte de Priscilla e principalmente sua traição com o amante Mike Stone pegaram o rockstar de jeito, jogando sua auto estima e seu ego no chão. De repente Elvis, que era considerado o homem perfeito por praticamente todas as mulheres, descobria que havia sido trocado pelo amante de sua esposa. Pior do que isso, a traição partia da mulher que ele mais amava, Priscilla. Foi algo realmente complicado de superar (aliás Elvis nunca superou isso, verdade seja dita).

Em "Separate Ways" Elvis cantava versos como: "Não há mais nada a fazer do que seguir nossos caminhos separados / E juntar os pedaços que ficaram para trás / E talvez um dia, em algum lugar, durante a caminhada / Outro amor nos encontrará". A capa desse disco trazia Elvis com os dois pés em caminhos diferentes. Na época e até hoje em dia muitos dizem ser uma das capas mais cafonas da discografia de Elvis. Eu penso um pouco diferente. Reconheço que a capa não é uma maravilha, não é Da Vinci, porém tem lá seu charme setentista, algo até bem marcante, reconhecível de imediato por qualquer colecionador.

Pablo Aluísio

sábado, 16 de dezembro de 2017

John Lennon - Rock 'n' Roll - Parte 1

Três foram os motivos para John Lennon gravar esse álbum chamado "Rock 'n' Roll" que era composto basicamente por diversas versões covers dos clássicos do rock dos anos 50 e 60. O primeiro foi que Lennon tinha que cumprir seu contrato com a EMI / Capitol, a gravadora que lhe processaria em alguns milhões de dólares se ele pulasse fora do barco. Quando ainda era um Beatle ele assinou esse contrato de dez anos e agora tinha que cumprir o que havia se comprometido a fazer. Os Beatles se separaram e John ainda tinha cinco anos de contrato para cumprir! Esse disco foi exatamente o último LP a ser gravado por essa obrigação contratual. Uma forma de finalmente se ver livre da EMI e suas pressões. Pode-se dizer que John ficou muito aliviado de ter chegado ao fim das gravações desse disco. Foi sua liberdade reconquistada.

O segundo motivo foi também cumprir uma obrigação, mas dessa vez judicial. John havia perdido um processo por plágio movido por Chuck Berry. Na conciliação que se seguiu John se comprometeu a gravar algumas músicas de Berry, um artista que ele realmente adorava e respeitava. Bom, nem precisa pensar muito para entender que se iria gravar rocks de Chuck Berry, então era melhor gravar logo um disco inteiro de músicas do surgimento do Rock 'n' Roll nos Estados Unidos. Juntando o útil ao agradável e adotando uma sugestão de Mick Jagger, Lennon resolveu colocar a ideia do álbum em frente. O prazer de gravar tantas músicas imortais acabou sendo assim a terceira e última razão para gravar o disco. Era algo que ele queria fazer já há alguns anos, no final das contas seria um prazer para ele que sempre se considerou acima de tudo um roqueiro ao velho estilo, um verdadeiro cantor de rock.

As sessões só não foram melhores porque John enfrentava uma crise pessoal em sua vida. Poucas semanas antes de começar as gravações sua musa Yoko Ono resolveu dar um tempo no relacionamento que tinha com o ex-Beatle. Nem precisa dizer que isso o devastou emocionalmente. John ficou muito abatido e acabou chamando esse rompimento com Yoko de "o fim de semana perdido". Ele ficou literalmente perdido mesmo e começou a se envolver em confusões, principalmente nas boates de Nova Iorque. Sem Yoko de lado, John voltou a ser o valentão bêbado de seus dias de adolescência quando gostava de brigar nos bares de Liverpool. A diferença agora era que ele estava mais velho e já não tinha mais a energia de seus tempos de juventude. As brigas voltaram e John ficou mal, não apenas emocionalmente mal, mas fisicamente mal também. Passou a acordar todos os dias com uma ressaca infernal. Mal conseguia se levantar para trabalhar em estúdio.

Outro erro foi contratar o produtor Phil Spector para trabalhar ao seu lado. Spector estava vivendo uma fase de profundo vício em cocaína, que o impedia de prestar atenção nos takes, nas gravações. John ficou irritado e acabou demitindo o produtor, assumindo ele mesmo a produção do disco. John, que também estava usando drogas na época, era mais profissional. Ele nunca esqueceu suas origens em Liverpool. Tendo nascido na classe trabalhadora inglesa, onde todos levavam muito à sério o trabalho, John sabia separar o momento das farras do trabalho. Na hora de ir para as gravações para trabalhar John procurava sempre antes ficar sóbrio. No estúdio se mostrava um músico concentrado. Já Spector aparecia cheirado, completamente noiado e cheio de droga na cabeça. John obviamente ficou irritadíssimo com isso. Não demorou muito e Lennon o demitiu na frente de todos, bem no meio do Record Plant, o caro estúdio de Nova Iorque. Ele não precisava de Spector naquela situação deplorável em que ele se encontrava. Ele iria assumir tudo, se tornando o George Martin e também o Paul McCartney de seu novo disco. Iria produzir e fazer todos os arranjos sozinho. Não deixava de ser um desafio interessante para o bom e velho John Lennon. Ele queria se testar novamente.

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Assassinato no Expresso do Oriente

Sempre gostei das adaptações dos livros de Agatha Christie para o cinema. Grandes filmes do passado mantiveram bem essa tradição. Provavelmente o livro mais famosa dessa escritora seja exatamente esse, "Assassinato no Expresso do Oriente". Aqui você encontrará todos os ingredientes que fizeram dessa pacata velhinha inglesa uma das maiores vendedores de livros de todos os tempos. Sempre há um mistério a se resolver e vários suspeitos geralmente em ambientes fechados. É quase uma experiência empírica. Com o ambiente controlado fica mais fácil estudar os objetos de estudo, que são justamente as pessoas suspeitas do crime que move toda a trama. Esse sempre foi o grande atrativo da obra de Agatha Christie: resolver um caso misterioso e desvendar a identidade do verdadeiro autor do crime.

Pois bem, nem faz muito tempo que assisti a versão de 1974. Um filme muito bom por sinal. Agora o ator e diretor Kenneth Branagh resolveu apostar numa nova adaptação. Como é de praxe nesse tipo de filme ele contou também com um elenco numeroso, cheio de nomes famosos, do passado e do presente. O problema é que Kenneth Branagh decidiu que iria fazer um produto fast food, de rápida digestão, a ser exibido nos cinemas comerciais de shopping center mundo afora. Uma decisão lamentável. Tudo parece acontecer rápido demais, sem explorar o clima e nem os personagens que rondam esse assassinato que ocorre justamente nesse trem tão famoso, o Orient Express. Esse aliás é o grande problema desse novo filme: a pressa. Praticamente tudo vai se atropelando, sem muita sofisticação, sem muita preocupação em se criar todo um ambiente sofisticado para contrastar justamente com o lado grotesco de um homicídio.

Em um filme assim temos que ter também uma caracterização perfeita do detetive Hercule Poirot. Nesse quesito nenhum ator até hoje conseguiu superar Peter Ustinov que foi a mais perfeita encarnação de Poirot no cinema. Talvez envaidecido por sua própria fama, o diretor Kenneth Branagh cometeu o erro fatal de se auto escalar como Poirot. Ficou péssimo. Ele não tem nem a corporação física de ser Poirot que sempre foi um figura bonachona, com quilinhos a mais e QI acima do normal. Tentando ser Poirot  Kenneth Branagh só se tornou muito chato! E o que dizer daquele bigode simplesmente horrível que ele ostenta no filme? Com o personagem central mal escalado tudo fica mais difícil. Para piorar ainda mais a situação a pressa não dá chance nenhuma para nenhum dos atores desse rico elenco se sobressair. Eles possuem apenas pequenos momentos, pequenos trechos que não fazem muita diferença. Assim o meu veredito final não é bom. Não gostei dessa nova versão que peca por querer ser comercial demais. Ficou com cara mesmo de fast food descartável.

Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express, Estados Unidos, Inglaterra, 2017) Direção: Kenneth Branagh / Roteiro: Michael Green, baseado na obra escrita por Agatha Christie / Elenco: Kenneth Branagh, Penélope Cruz, Willem Dafoe, Michelle Pfeiffer, Judi Dench,  Johnny Depp / Sinopse: Durante uma viagem no Expresso do Oriente um homem é morto misteriosamente em sua cabine. Para descobrir o crime entra em cena o detetive Hercule Poirot que acaba descobrindo que praticamente cada um dos passageiros do trem teria um motivo para assassinar o tal sujeito.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Livro de Henry

Meu irmão mais velho se chama também Henry. Assim resolvi assistir a esse filme, por pura curiosidade mesmo. OK, não é o melhor motivo para se ver um filme, mas de vez em quando é interessante escolher dessa forma. O curioso é que o roteiro gira em torno da história de dois irmãos. Eles moram com a mãe solteira em uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos. O Henry do título é um dos meninos, só que ele definitivamente não é um garoto normal. Extremamente inteligente, curioso e culto, ele é o orgulho da sua mãe. Uma criança com o QI muito acima da média de seus coleguinhas da escola.

A vida vai seguindo até que Henry tem um ataque durante a noite. A partir daí começa o drama da família, já que no hospital ele é diagnosticado com um tumor cerebral. A partir desse ponto é conveniente não revelar muito mais sobre o enredo para não estragar as surpresas. Basta dizer apenas que a partir do momento em que Henry descobre que tem uma doença séria o filme muda de direção, infelizmente não para melhor, pois em determinado momento pensei que tudo iria se perder por causa dessa reviravolta. Ainda bem que os roteiristas recobraram a razão e o bom senso prevaleceu no final. Se tivesse seguido pelos rumos que tudo ia tomando certamente teria se tornado um dos filmes mais estranhos e bizarros que assisti nos últimos anos.

De qualquer forma não precisa se preocupar. O filme que parece familiar é mesmo "family friendly", para toda a família. No elenco o destaque vai para o garotinho Jaeden Lieberher como Henry. Parece ter sido natural para ele interpretar esse pequeno gênio. Tudo soa muito tranquilo em sua interpretação. Provavelmente o ator mirim seja também um desses prodígios. Naomi Watts interpreta sua mãe. Essa atriz tem se mostrado bem corajosa ultimamente, largando os papéis de mulheres bonitas para embarcar numa nova fase da carreira, ao estilo mais dramático. Outro ator que você vai reconhecer é o Dean Norris. Ele foi o cunhado de Walter White em "Breaking Bad", uma série fenomenal. Então é isso. "O Livro de Henry" não decepciona, apesar de em determinado momentos deixar uma sensação no espectador que tudo pode desmoronar de uma hora para outra. Isso não acontece, felizmente. Assista sem receios.

O Livro de Henry (The Book of Henry, Estados Unidos, 2017) Direção: Colin Trevorrow / Roteiro: Gregg Hurwitz / Elenco: Naomi Watts, Jaeden Lieberher, Dean Norris, Jacob Tremblay, Maddie Ziegler / Sinopse: Mãe solteira cria seus dois filhos numa pequena cidade do interior. Apesar da ausência do pai, eles são felizes. O filho mais velho Henry é um pequeno gênio de 12 anos de idade. A rotina deles muda quando Henry é diagnosticado com uma séria doença.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Jack Nicholson - A Few Good Men

Nos anos 90 Jack Nicholson já estava com pensamento de se aposentar. Afinal ele tinha feito de tudo na carreira, estava mais do que consagrado. Não havia mais barreiras a atravessar. Mesmo assim Jack deixava a porta aberta. De repente poderia surgir algum roteiro interessante, quem sabe... Em 1992 Jack finalmente encontrou um bom texto pela frente. Era uma adaptação de uma peça teatral de sucesso. O filme iria se chamar "Questão de Honra" e Jack aceitou interpretar um militar linha dura que era desafiado em um tribunal.

Quando o diretor Rob Reiner entrou em contato com Jack levou um susto pelo cachê que ele esperava receber. Nicholson pediu meio milhão de dólares por dia trabalhado. Ele tinha apenas quatro cenas no filme, mas isso significaria um risco para o estúdio já que Jack poderia levar muitos dias para terminar sua parte. Mesmo com relutância os produtores aceitaram o valor. Esperava-se que Jack terminasse sua parte em 10 dias, o que significaria 5 milhões de dólares para ter a honra de estampar seu nome no cartaz do filme. Com tudo certo, Jack começou seu trabalho, indo ao figurino, debatendo partes do roteiro com o diretor, etc.

A produção também contava com o astro Tom Cruise. Logo no começo dos trabalhos Jack criou uma antipatia natural com Tom. Eles vinham de escolas diferentes de atuação. Jack era um veterano, havia estrelado excelentes filmes, clássicos, enquanto Cruise era o típico astro de Hollywood. Além disso ele seguia uma religião estranha, a Cientologia, que Jack dizia publicamente ser um "monte de besteiras". O clima entre eles nunca foi bom. Para o diretor Rob Reiner isso não era necessariamente um problema, já que os personagens deles se antagonizavam no filme. Assim era até bom que eles não se gostassem também fora das telas.

Enquanto as filmagens avançavam Jack amargou um fracasso comercial. O filme "O Cão de Guarda" estreou nas telas de cinema e conseguiu faturar apenas 4 milhões de dólares. Um desastre.  Jack chegou a comentar com amigos: "Esse filme não é bom, o roteiro é fraco. Fiz pela minha amizade a Bob Rafelson. Eu devo favores a ele." Jack sabia que Rafelson já havia fracassado antes e por isso decidiu que queria dar uma força ao amigo fazendo esse filme, mas sabia também que muito provavelmente as coisas não iriam sair bem. Jack não se abalou. Ele sabia que "Questão de Honra" tinha potencial, que havia chances até mesmo dele concorrer a um Oscar. Tudo era possível.

Jack acabou acertando. Assim que o filme chegou nos cinemas a recepção da crítica americana foi a melhor possível. O ator recebeu muitos elogios pelo seu trabalho e o filme recebeu quatro indicações ao Oscar, inclusive uma de melhor ator coadjuvante para o próprio Jack. Na vida pessoal as coisas também iam muito bem. Ele havia se tornado pai de novo e apesar da felicidade da paternidade decidiu que iria continuar a morar sozinho. Perguntado sobre isso, o ator respondeu com sinceridade: "Ao longo da minha vida morei com muitas mulheres. Já fiz minha parte. Depois de tantas experiências descobri que prefiro morar sozinho. Ela fica na sua casa e eu na minha. Ninguém enche o saco de ninguém e todos são felizes".

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Regressão

Esse é um filme de suspense cujo tema explora a existência de seitas satânicas nos Estados Unidos. Baseado em fatos reais, a história se passa no começo dos anos 90. Bruce Kenner (Ethan Hawke) é um policial de interior que precisa desvendar um caso bem estranho, envolvendo uma jovem chamada Angela Gray (Emma Watson). Ela afirma que foi abusada sexualmente pelo próprio pai durante um ritual de satanismo envolvendo vários membros da comunidade. Kenner assim fica numa situação bem delicada, pois a investigação começa a desvendar a existência mesmo de um grupo satanista na sua cidade. Pior do que isso, até mesmo policiais de sua delegacia estariam envolvidos nisso.

O filme não pode ser qualificado como de terror, no estilo clássico que conhecemos. Claro, por se basear em uma história real nem tudo acontece do jeito que os fãs de terror esperariam. O roteiro explora as diversas nuances da história contada por Angela, que parece ser chocante demais para ser verdade. Assim o tira interpretado por Ethan Hawke entra até mesmo em crise, pois sendo ele um cético, que não acredita em nada, em mundo espiritual, deuses, anjos e demônios, tudo se torna ainda mais complicado de aceitar. O roteiro procura por essa razão manter os pés no chão, embora adicione cenas bem interessantes de cultos demoníacos.

A primeira coisa que me chamou atenção no elenco desse filme foi a presença de Emma Watson. Ela é uma ativista feminista, sempre pregando o empoderamento das mulheres. Assim quando o filme começou fiquei bem desconfiado. Sua personagem parece bem tímida, recatada, vulnerável! Não era bem o tipo que esperaríamos ver Emma interpretando. Por isso pensei comigo mesmo: tem coisa aí. E realmente o filme dá uma reviravolta, que obviamente não vou contar aqui. Quando as coisas finalmente se revelam você percebe e entende exatamente o que Emma estaria fazendo nesse filme. No geral é um bom thriller de suspense, porém não foge muito do lugar comum. O interesse se mantém até o final que infelizmente não entrega tudo o que poderia se esperar. Mesmo assim vale a pena assistir, nem que seja pelo menos uma vez.

Regressão (Regression, Estados Unidos, 2015) Direção: Alejandro Amenábar / Roteiro: Alejandro Amenábar / Elenco: Ethan Hawke, Emma Watson, David Thewlis / Sinopse: Angela Gray (Emma Watson), uma jovem garota tímida, decide denunciar o abuso sexual que sofreu nas mãos de seu próprio pai. Além disso resolve denunciar uma seita satânica que funcionava e realiza cultos em sua cidade, contando com membros influentes dentro da comunidade. O policial Bruce Kenner (Ethan Hawke) é designado pelo departamento para investigar o caso, mas acaba se surpreendendo com o que acaba encontrando.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Clint Eastwood e o Western - Parte 2

Clint Eastwood não planejou sua carreira de ator como astro de filmes de western. As coisas simplesmente foram acontecendo. Em 1958 ele conseguiu um papel em um faroeste B chamado "Emboscada em Cimarron Pass" (Ambush at Cimarron Pass). Essa é uma produção bem difícil de se achar nos dias de hoje. É um filme pouco conhecido, obscuro, que poucos colecionadores possuem. Quase ninguém assistiu. Vale sobretudo por trazer Clint Eastwood ainda bem jovem, já no papel de cowboy, o tipo que iria consagrar sua carreira. Fora isso nada de muito relevante em termos cinematográficos.

Dirigido por Jodie Copelan, com Scott Brady e Margia Dean no elenco, o roteiro baseado em um livro escrito por Robert A. Reeds, contava uma história que se passava em 1867 no velho oeste americano. Clint interpretava um sujeito chamado Keith Williams. Ele era um homem que tentava sobreviver em um território distante, uma reserva Apache em guerra, onde soldados do exército americano, da União, literalmente caçavam ex-soldados confederados que tinham se tornado bandoleiros e assassinos. Anos depois Clint Eastwood não iria ser refinado ao se lembrar desse filme, dizendo que ele era "provavelmente o pior western que já existiu!". Sua opinião não incomodaria os produtores. Depois que Clint se tornou um astro de Hollywood, o estúdio resolveu relançar o filme nos cinemas, já durante a década de 60. Era impossível perder a chance de faturar alto com seu nome, afinal de contas era um faroeste com Clint Eastwood, que mesmo sendo ruim ainda poderia gerar um bom faturamento nas bilheterias.

Depois de atuar em um filme sobre a I Guerra Mundial chamado "Lutando Só Pela Glória", Clint conseguiu uma excelente oportunidade, mas não no cinema e sim na TV.  Ele foi contratado para atuar na série de grande sucesso de audiência "Maverick". O programa estava entre os mais assistidos do país e contava com o astro James Garner como o famoso jogador de cartas que se envolvia em inúmeras aventuras durante a corrida rumo ao oeste. Atores famosos como Roger Moore (que iria se tornar o futuro James Bond no cinema) também atuavam nessa série. A chance de atuar nesse programa de TV tinha sua importância, pois serviria como vitrine de seu trabalho. Clint Eastwood acabou atuando no episódio "Duel at Sundown" onde ele interpretava um vilão. Aqui Clint repetia o mesmo tipo de personagem durão, de poucas palavras, de procedência desconhecida e futuro incerto que iria se tornar imortal. O típico pistoleiro sem nome, que ele iria eternizar em seus futuros filmes.

É curioso que Clint nem estava muito longe de seu primeiro grande filme, "Por um Punhado de Dólares", mas ao mesmo tempo parecia meio desanimado com sua carreira de ator que parecia não decolar como ele planejava. Depois de atuar em mais uma série de TV, dessa vez sob o selo do mestre do suspense Alfred Hitchcock, no programa "Alfred Hitchcock Presents", ele resolveu dar um tempo para repensar sua vida. Durante 3 anos Clint pensou seriamente em abandonar o sonho de viver como ator de cinema. Ele planejou tentar outras carreiras, outras profissões. Começou a se interessar pelo ofício de dirigir ou escrever roteiros. Mal sabia ele que em breve iria conhecer um cineasta italiano que iria mudar sua vida para sempre.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Barry Lyndon

Resolvi rever esse filme de Stanley Kubrick. Eu já tinha assistido há muitos anos, ainda nos tempos do VHS e como tenho a intenção de rever toda a filmografia do gênio Kubrick decidi começar essa maratona justamente por essa produção. É um filme de época, passado no século XVIII, na Europa marcada por guerras sem sentido e rivalidades entre as nações. O personagem central é um jovem irlandês chamado Redmond Barry (Ryan O'Neal). Ele é um rapaz romântico, levemente bobo, pobre, sem muita experiência de vida. Acaba se apaixonando pela prima, mas essa arrasta suas asas para um velho militar inglês. A garota é uma oportunista. Barry porém cego pela paixão se sente ultrajado e desafia o inglês para um duelo. Isso vai mudar sua vida para sempre.

Depois de atingir o rival ele precisa ir embora, pois naquela época matar um militar inglês era um crime de traição, punido com morte. Viajando ganha o mundo, ou melhor dizendo, a Europa. Sem possibilidade de ganhar a vida pois é muito jovem e não tem profissão, acaba indo parar em um regimento inglês que está prestes a atravessar o Canal da Mancha para enfrentar os franceses. No campo de batalha se revela um militar vacilante, que decide desertar de seu batalhão. Outro crime, outro motivo para fugir sem destino. Acaba roubando roupas de um militar prussiano e com essa nova farda vai até o campo inimigo onde termina até mesmo condecorado!!! E a trama assim vai avançando, com Barry sempre atrás de oportunidades, ora ganhando a vida como jogador de cartas (enganando seus adversários com truques na manga), ora cortejando uma jovem casada com um velho rico e decrépito, com um pé na cova! Obviamente Barry fica na espera de colocar as mãos na fortuna que o marido dela vai deixar.

Kubrick explora com esse roteiro a sordidez humana. Seu protagonista não é um herói, tampouco alguém digno de admiração. É apenas um sujeito de origem humilde, pobre, que tenta sobreviver em um mundo de castas sociais, de nobreza, onde sem um título você não era absolutamente ninguém, por mais que se esforçasse para vencer na vida. Sem muitas alternativas decide tentar de tudo, até mesmo jogando sujo. Ryan O'Neal era até um bom ator, mas penso que o filme ganharia muito com outro ator mais talentoso. Fiquei imaginando Jack Nicholson nesse tipo de papel. Iria ser algo memorável. Mesmo assim Kubrick fez um belo filme. É uma obra cinematográfica longa, que exige fôlego do espectador, pois são quase três horas de duração. O roteiro afinal conta praticamente toda a vida de Barry, da lama pobre da Irlanda até as mais luxuosas cortes da Europa, onde o vício e a perversão imperavam. Um personagem para quem os fins justificavam os meios.

Barry Lyndon (Estados Unidos, 1975) Direção: Stanley Kubrick / Roteiro: Stanley Kubrick, baseado no romance escrito por William Makepeace Thackeray / Elenco: Ryan O'Neal, Marisa Berenson, Patrick Magee / Sinopse: O filme conta a história de Redmond Barry (Ryan O'Neal), um jovem pobre nascido na Irlanda, que após atirar em um militar inglês durante um duelo parte para o continente europeu, onde vive muitas situações inusitadas, sempre procurando subir na vida, custe o que custar. Filme vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Fotografia (John Alcott), Melhor Direção de Arte (Ken Adam, Roy Walker), Melhor Figurino (Ulla-Britt Söderlund, Milena Canonero) e Melhor Música (Leonard Rosenman). Também indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção (Stanley Kubrick) e Melhor Roteiro Adaptado (Stanley Kubrick). Vencedor do BAFTA Awards nas categorias de Melhor Direção (Stanley Kubrick) e  Melhor Fotografia (John Alcott).

Pablo Aluísio. 

domingo, 10 de dezembro de 2017

Elvis Presley - Elvis (1973) - Parte 3

O tema desse álbum "Elvis" de 1973 é a melancolia que atravessa praticamente todas as faixas do disco. Uma das baladas onde isso se torna mais evidente é a canção chamada "Love Me, Love The Life I Lead". A letra é bem interessante, um desabafo emocional de um homem que vê sua amada indo embora por causa da vida que ele leva. O refrão é de uma sinceridade atroz, onde Elvis afirma que aquela que deseja ser feliz ao seu lado terá que não apenas amá-lo, mas também amar (ou pelo menos entender) seu estilo de vida! Impossível não perceber a dose de sinceridade de Elvis ao cantar essa letra. Claro, ele não a compôs, mas tudo soa como mais um recado em forma de pedido de desculpas a Priscilla. Fica claro que em algum momento de sua vida Elvis foi criticado pela ex-esposa, muito provavelmente por causa de seus excessos, pelas drogas que consumia, por tudo, por quem ele era e pela vida que levava.

Isso tudo fica claro em trechos como: "Não sou um sábio, tampouco um louco / Mas sou da forma que o bom Deus me fez / Embora eu precise muito de você / Mais do que você possa entender / Preciso também das coisas de que necessito / Não tente me mudar / Se vai me amar, me aceite do jeito que sou / Não posso ser outro homem e não posso deixar de ser livre / Se vai me amar, ame a vida que levo!". Fica óbvio o recado de Elvis para Priscilla nessa música. Infelizmente a canção, embora tenha uma beleza inegável, nunca foi trabalhada por Elvis. É outra que caiu rapidamente no esquecimento, não se destacando em nada dentro da sua discografia. Provavelmente a RCA Victor tenha achado que ela era pessoal demais, longe de ter potencial para fazer sucesso nas paradas.

"(That's What You Get) For Lovin' Me"  eram bem mais leve. Esse era um country simpático, agradável de se ouvir, sem dramas pessoais ou recados desesperados de desculpas. Claro, a letra novamente batia no mesmo tema: a separação de um amor que acabou, que se foi, porém em uma pegada bem mais substancialmente calcada na leveza. Nada de amarguras desnecessárias. Esse tipo de canção lembra um casal do interior dos Estados Unidos que se separa e que depois casualmente se encontra. Ele olha para ela e dispara: "Como pode ver, tudo o que tínhamos se foi. É o que você ganha por me amar!". Meio amargo, não é mesmo? Quase uma acusação! Porém também bem sincero. Essa canção poderia fazer bonito nos palcos, principalmente quando Elvis passava por todas aquelas cidadezinhas interioranas do sul dos Estados Unidos, porém ele também a deixou de lado, nunca chegando a trabalhar nela. Ao invés de revitalizar seu repertório com novas canções preferiu repetir as mesmas versões saturadas de "I Got a Woman" e "CC Rider"... vai entender o que se passava na mente do cantor.

Bom, esse disco como já escrevi antes, trazia algumas faixas com Elvis tocando sozinho ao piano, bem inspirado. Uma dessas faixas gravadas pela RCA Victor nesse momento de rara introspecção foi a bonita  "I Will Be True". É curioso porque quando você ouve o álbum inteiro, sem pular nenhuma faixa, fica com a impressão (puramente metal e inconsciente) de que essa música seria na verdade uma continuação da bela "I'll Take You Home Again, Kathleen", afinal de contas segue basicamente o mesmo esquema: Elvis ao piano, tocando para si mesmo, em momento de inspiração interior extrema. O tema da música? A mesma de sempre. Um homem abandonado, ferido, entristecido pela separação daquela que ele considera o amor de sua vida. Podemos até mesmo visualizar esse solitário ser com lágrimas nos olhos declamando versos como: "Eu serei verdadeiro / Não interessa o que eles possam lhe dizer / Embora você esteja tão distante / Todas as noites eu rezo / Para que um dia eu possa abrir minha porta e você esteja lá!" Pois é, Elvis realmente sonhava com o dia em que Priscilla voltaria para ele, um dia que nunca aconteceu.

Pablo Aluísio.

sábado, 9 de dezembro de 2017

The Beatles - Let It Be - Parte 1

Paul McCartney compôs a música "Let It Be" em homenagem à memória de sua mãe, falecida muitos anos antes, quando ele era ainda um adolescente. Assim como John Lennon havia feito em "Julia" do Álbum Branco, Paul pensou que havia chegado sua hora de lembrar de sua mãe Mary. A música abria com o seguinte estrofe: "When I find myself in times of trouble / Mother Mary comes to me /  Speaking words of wisdom, let it be". Esses versos chamaram a atenção dos fãs dos Beatles. Houve uma certa especulação quando a música chegou no mercado de que Paul estava fazendo uma referência a Mary (Maria), mãe de Jesus. Seria uma canção religiosa?

Anos depois, já com o fim dos Beatles, Paul finalmente explicou a letra dizendo: "Não é uma música sobre Maria, Nossa Senhora, mas sim sobre Mary, minha mãe. Ela era enfermeira em Liverpool, morreu muito jovem e minhas lembranças foram se apagando com o passar dos anos. Eu fiz a música pensando exclusivamente sobre ela. Quando ela voltava do hospital tarde da noite ou pela manhã, sempre me trazia algum presentinho, um carrinho de plástico ou qualquer outra coisa. Ela também sempre tinha palavras que me acalmava. Por isso a letra traz memórias que ainda tenho de sua presença calma e tranquilizadora".

O curioso é que o álbum nem iria se chamar "Let It Be" mas sim "Get Back", que era um rock forte, com muita pegada, uma música também composta por Paul. Só nos últimos momentos, bem antes do lançamento do filme e do disco, é que Paul mudou de ideia, fazendo com que a balada sentimental e nostálgica "Let It Be" finalmente viesse a dar o título do disco como também do filme que estava sendo lançado. John Lennon cismou com a letra de "Get Back". Havia uma parte em que Paul cantava, olhando para Yoko Ono, em que ele dizia para ela voltar para o lugar de onde veio. John encarou isso como uma provocação direta de Paul e resolveu tomar satisfações. O clima que já não era bom dentro dos Beatles piorou, mas Paul não comprou briga, afirmando diplomaticamente para John que tudo não passava de paranoia de sua cabeça, uma vez que a canção não era sobre Yoko.

O disco "Let It Be" chegou ao mercado montado pelo produtor Phil Spector. Ele resolveu aproveitar pequenos trechos de ensaios, em que os Beatles apenas brincavam no estúdio, em estilo jam session, sem qualquer compromisso, para encaixar entre as faixas principais do disco. Uma dessas canções em pedaços foi "Maggie Mae", uma musiquinha bem básica, com acordes engraçadinhos, que John e Paul tocaram nos estúdios, sem jamais pensar que ela iria parar em um disco oficial dos Beatles. A letra relembrava uma prostituta de Liverpool, dos tempos de adolescência de John e Paul. Inicialmente Paul McCartney ficou bem aborrecido em saber que a música iria fazer parte do repertório de "Let It Be", mas como as cópias já estavam sendo prensadas, não havia mais o que fazer. Para falar a verdade Paul nunca gostou de Phil Spector que só foi contratado por decisão de John Lennon, sem consultar os demais membros da banda.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Feito na América

O astro Tom Cruise vinha mesmo devendo um bom filme nesses últimos anos. Ele se limitou nesse tempo a estrelar produções milionárias de ação com roteiros bem cretinos. Aqui há uma pausa nesse estigma. Esse novo "American Made" conta uma história real bem interessante. É a história de um jovem piloto comercial da TWA que acaba se envolvendo com um agente da CIA. Em troca de um pagamento melhor ele aceita pilotar pequenos e velozes aviões em incursões pela América Central. São missões não oficiais que de certa forma fazem o jogo sujo do governo americano por debaixo dos panos.

Em uma dessas viagens ele acaba tomando contato com traficantes colombianos, eles mesmos, a quadrilha de Pablo Escobar e cia, que iria se denominar Cartel de Medellín! Nada poderia ser mais lucrativo do que aquilo. Voar em baixa altitude, levando cocaína da Colômbia para os Estados Unidos. Todos voos arriscados, onde o próprio piloto jogava a "carga" nos pântanos da Louisiana. Apesar do risco tudo começou a dar muito certo, a ponto do personagem de Cruise trazer outros pilotos para trabalharem para ele. Imaginem o tamanho do dinheiro que jorrou nessas operações. O mais bizarro de tudo é que ele não deixou de trabalhar para a CIA, traficando cocaína enquanto transportava armas para grupos armados patrocinados ilegalmente pelo governo dos Estados Unidos. Uma loucura completa, um caos!

O filme me agradou bastante. Claro, há alguns probleminhas. A escalação de Tom Cruise foi muito criticada. O verdadeiro piloto da histórica chamado Barry Seal era um sujeito gordinho, de cabeça grande, nada parecido com o galã Cruise. Isso porém não vejo com uma falha ou erro, mas apenas como uma opção na escalação do elenco. Claro que em certos momentos Cruise mais parece um remake de seu filme "Top Gun", mas não chega a atrapalhar. A única crítica que faria ao roteiro é que ele cai em certos clichês desse tipo de filme, como os exageros no tocante ao dinheiro ganho pelo piloto. De repente ele se vê em montanhas de maços de dinheiro, que ele precisa esconder em todos os lugares, até nos estábulos, no meio dos cavalos de sua propriedade. Exageros narrativos à parte, esse "Feito na América" é uma boa pedida para quem quer saber mais um pouco da história do crime, como também para quem estiver em busca de um bom filme no circuito mais comercial. Coisa bem rara hoje em dia.

Feito na América (American Made, Estados Unidos, 2017) Direção: Doug Liman / Roteiro: Gary Spinelli / Elenco: Tom Cruise, Domhnall Gleeson, Sarah Wright / Sinopse: Barry Seal (Tom Cruise) é um piloto de aviões comerciais que decide mudar de vida. Trabalhando na TWA, grande companhia de aviação dos Estados Unidos, ele decide largar o emprego para fazer missões secretas não oficiais para a CIA na América Central. Não satisfeito, descobre um jeito de ganhar muito dinheiro, traficando cocaína da Colômbia para seu país, sob as ordens do infame Cartel de Medellín, chefiado por Pablo Escobar.

Pablo Aluísio.

Três é Demais

Título no Brasil: Três é Demais
Título Original: Rushmore
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson, Owen Wilson
Elenco: Jason Schwartzman, Bill Murray, Luke Wilson, Olivia Williams, Brian Cox

Sinopse:
Jovem adolescente chamado Max Fischer (Jason Schwartzman) se apaixona perdidamente por sua nova professora. Tentando conquistá-la, ele comete o erro de pedir conselhos a Herman Blume (Bill Murray), pai de um de seus amigos. Herman então decide ele mesmo conquistar a professora, para a tristeza de Max. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator Coadjuvante (Bill Murray).

Comentários:
Para um filme que tinha a proposta de ser uma comédia achei tudo bem chato. O humor de Wes Anderson não é para todo mundo. Ele é bem queridinho da crítica, por causa das temáticas muitas vezes estranhas de seus filmes, dos roteiros diferentes, das direções de arte bizarras, mas no geral sempre achei muito discurso teórico para poucas risadas. Filmes como "Os Excêntricos Tenenbaums", "Viagem a Darjeeling" e "A Vida Marinha com Steve Zissou" sempre me deixaram mais com tédio e sono do que qualquer outra coisa. Esse filme só não é o pior de sua carreira porque ele é salvo mais uma vez pela presença de Bill Murray. Embora Bill tenha em determinado momento de sua filmografia adotado um tipo de filme mais cult, cabeça, do que suas habituais comédias, aqui ele volta de certa forma ao seu velho estilo de fazer rir, com aquele sorriso de cinismo divertido que o fez famoso. Claro que não pode ser considerado um de seus melhores trabalhos, mas ele no final das contas acaba se tornando uma das poucas razões para se assistir a esse filme bem esquecível, que não conseguiu fugir do esquecimento depois de alguns anos. Wes Anderson não superou sua característica principal de ser um cineasta bem chato, para dizer a verdade.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Frank Sinatra - The Voice - Parte 1

Em 1965 Frank Sinatra completou 50 anos de idade. Não foi um tempo muito feliz para ele. Seu último disco havia conseguido chegar no máximo na décima posição entre os mais vendidos. Para Sinatra essa era uma posição indigna de seu talento. A questão é que havia novos concorrentes de peso nas paradas. Eles eram ingleses, conhecidos como Beatles. Frank Sinatra já havia enfrentado um cantor de rock extremamente popular no passado, um tal de Elvis Presley, mas agora os Beatles vinham com fúria total nas paradas. Cinco de seus discos ocupavam as cinco primeiras posições na Billboard. Era algo inédito e incrível!

Frank não gostava dos Beatles. Quando um amigo lhe trouxe o novo álbum do grupo chamado "Help!", Sinatra detestou. Ele odiou a primeira música cantada por John Lennon que na sua opinião não sabia cantar, mas sim gritar. Sinatra não conseguia encontrar nada de agradável naqueles ingleses. Ele implicava com seus cabelos longos, dizendo que aquilo era uma afronta contra a tradição de artistas elegantes da música americana. Sinatra também acreditava que o conjunto não tinha harmonia, que era pura moda passageira. Temos que entender que era especialmente complicado para ele, afinal como iria concorrer com quatro jovens de vinte e poucos anos, enquanto ele já estava chegando nos 50? Frank Sinatra sentia-se velho e fora de moda. Não que ele precisasse ainda vender discos naquela altura de sua vida pois estava milionário, dono de diversas empresas que o deixaram muito rico. Era mais uma questão de orgulho pessoal.

Frank Sinatra porém não era apenas ranzinza com colegas de profissão, ele também poderia ser muito generoso com outros artistas quando era preciso. Quando ele soube que a grande diva do jazz Billie Holiday estava levando uma vida miserável em um quarto imundo de um hospício de Nova Iorque providenciou para que seus homens fossem até lá, a tirassem do lugar e a levassem para uma dos melhores centros de repouso para idosos, com tudo pago por ele. Segundo um amigo próximo "Sinatra era um homem muito italiano, muito emocional". E não foi apenas Holiday que contou com a generosidade do "The Voice" (a voz), ao longo dos anos. Ele ajudou muitos cantores e atores fracassados, que tinham caído na pobreza, após suas carreiras acabarem. Certa vez Sinatra soube que um velho ídolo da música italiana do passado trabalhava como porteiro em um bar de Nova Iorque. Mandou dar a ele algo em torno de dez mil dólares para ajudar. Esse tipo de ato ia ficando cada vez mais comum em seus últimos anos.

Sinatra também teve sorte como homem de negócios. Ele fundou seu próprio selo musical chamado Reprise e ficou muito rico com ele. O nome Reprise vinha do próprio Sinatra. Ele queria que os fãs sempre ouvissem seus discos, uma vez atrás da outra, como reprises eternas. A Warner se interessou pelo selo e ofereceu uma fortuna para Sinatra. Ele então propôs parceria e acabou mais rico do que nunca! Os mais próximos porém perceberam que Sinatra foi ficando cada vez mais sozinho. Estava milionário, mas também solitário. De vez em quando Sinatra saía de sua reclusão para defender boas causas, como quando fez uma série de shows para crianças doentes com câncer. Sobre isso ele diria nos bastidores: "Se sou tão afortunado nessa vida preciso ajudar as pessoas desafortunadas! É uma obrigação pessoal".

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Bingo: O Rei das Manhãs

O filme é uma adaptação da vida real de um dos atores que interpretaram o palhaço Bozo no SBT durante os anos 80. Arlindo Barreto era o seu nome. Ator de filmes de pornochanchada ele acabou indo até o canal de Silvio Santos para um teste. Afinal precisava trabalhar. Acabou sendo aceito, interpretando o palhaço americano em um programa infantil que acabou fazendo bastante sucesso. Enquanto fazia o divertido personagem na frente das câmeras, afundava no vício em cocaína fora delas, o que o levou a situações absurdas, todas aproveitadas pelo roteiro.

O que vemos na tela porém é apenas parcialmente verdade. O roteiro do filme é uma mescla de histórias reais com pura ficção. Obviamente para evitar processos, os produtores não usaram o nome Bozo que é marca registrada de uma empresa americana. Mudaram para Bingo e criaram também um canal de ficção (SBT e Globo são citados no filme, mas com nomes diferentes). O próprio Arlindo também esclareceu que algumas cenas nunca aconteceram, como a que vemos o ator sangrando pelo nariz em pleno palco por causa do excesso de cocaína cheirada no camarim. Ele era divorciado, sua mãe era uma antiga estrela de TV, mas não morreu desprezada e depressiva como vemos no filme. 

Embora seja um bom filme, com temática interessante, "Bingo" não é tudo aquilo que foi dito por alguns críticos de cinema. É um filme bem realizado, mas que tropeça em alguns momentos, principalmente na parte mais dramática envolvendo os dramas pessoais do protagonista. Em certos momentos ficou com jeitão de novela da Globo, o que nem sempre é uma boa notícia. O ator Vladimir Brichta é seguramente um profissional talentoso que traz muita alma ao filme, mas o roteiro nem sempre está à sua altura. Na vida real havia cinco atores fazendo o Bozo, mas no filme tudo recai sobre ele. No geral é um bom filme nacional, apesar de pequenos e eventuais problemas de desenvolvimento. Dá para ver numa boa, sem maiores aborrecimentos.

Bingo: O Rei das Manhãs (Brasil, 2017) Direção: Daniel Rezende / Roteiro: Luiz Bolognesi, Fabio Meira / Elenco: Vladimir Brichta, Leandra Leal, Emanuelle Araújo, Raul Barreto / Sinopse: Baseado parcialmente em fatos reais o filme conta a história de um ator desempregado que acaba indo parar em um programa infantil interpretando um palhaço americano chamado Bingo! Com o sucesso de audiência vem também os exageros, como o uso de drogas e a companhia de mulheres bonitas. Seu relacionamento com o filho porém começa a se deteriorar.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Carlos Magno

Carlos Magno foi um dos mais importantes monarcas medievais da história.  Embora a França como nação ainda não existisse nos moldes modernos, ele é considerado um dos mais marcantes reis franceses da história, dando nome a sua própria dinastia, conhecida como Carolíngia. Tamanho era seu poder em vida que ele acumulava diversos títulos, entre eles o de Rei dos Lombardos e Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, uma tentativa tardia de restaurar os dias de glória do império romano. Carlos era filho de Pepino, o Breve. Quando esse morreu começou a luta pelo trono entre seus filhos. Como era costume na era medieval o verdadeiro sucessor iria se impor pela força de sua espada. O último que ficasse em pé, vivo, se consagraria monarca e imperador.

Após vencer a disputa pela coroa com seu irmão Carlomano, Carlos Magno começou seu projeto de expansão territorial. Ele foi efetivamente um Rei guerreiro que passou grande parte de sua vida em cima de um cavalo, com espada em punho, comandando seus exércitos reais por diversas nações. Suas campanhas militares foram extremamente bem sucedidas a ponto de Carlos Magno dominar praticamente todo o mapa da Europa, com terras conquistadas na Alemanha, na Itália, Áustria, Suíça, Bélgica e Bulgária (obviamente os países aqui nomeados não existiam na época de Carlos Magno, sendo essa apenas uma forma de localizar o leitor sobre os domínios desse Rei franco). De certa forma ele ajudou a redesenhar o mapa europeu ao seu bel prazer, como aconteceria séculos depois com Napoleão Bonaparte.

Tantos anos em um campo de batalha cobraram seu preço. Carlos Magno mal sabia ler e escrever, já adulto, quando era praticamente o monarca de toda a Europa continental, não conseguia entender nem uma frase simples escrita em um documento de seu reino. Um monarca analfabeto, como quase toda a Europa naqueles tempos medievais. Por essa razão o Rei teve o cuidado de disseminar e reformar o sistema educacional. Com o apoio da Igreja Católica o Rei sonhava com o dia em que todo menino europeu pudesse estudar em escolas mantidas pelo Estado - algo que iria se concretizar nos séculos seguintes. Esse aspecto também moldou seu modo de ajudar estudiosos, artistas e intelectuais. Para Carlos Magno nem o maior dos impérios teria futuro sem uma geração de pessoas instruídas e educadas. Até para comandar seus exércitos o Rei entendeu que era necessário que cada soldado e general pudesse se comunicar através de cartas escritas.

Carlos Magno também foi um dos fundadores do sistema feudal que iria predominar em praticamente toda a Idade Média. Os escravos da antiga Roma não teriam mais espaço em seus domínios. Ao invés disso ele determinou que cada escravo se tornasse servo, ligado a um feudo, dominado por um senhor feudal. O mais poderoso e rico senhor feudal seria o próprio Rei, ligado a uma rede de nobres que lhe deviam favores em tempos de paz e guerra. Os papas também condenavam a escravidão, pois seria anticristã. De certa forma a influência de Carlos Magno na história da Europa e do mundo ocidental foi ampla e duradoura. Ele fundou muitos aspectos que iriam dominar o mundo europeu, com influências até mesmo em nossa história.

Carlos Magno morreu de complicações pulmonares no campo de batalha. Ao invés de tentar se curar com a medicina da época ele optou por jejuar, o que piorou seu quadro, o levando à morte alguns dias depois. Corria o ano de 814 e o imperador de quase toda a Europa morria em um vilarejo lamacento em terras que hoje em dia pertencem à Alemanha. Foi obviamente enterrado com toda a pompa que um Rei tinha direito na Basílica de Saint-Denis, onde praticamente todos os reis franceses seriam enterrados, mas um fato sórdido ocorreu séculos depois. Seu túmulo foi profanado pela revolução francesa. Seu caixão foi aberto, roubaram as joias e as insígnias reais de seu corpo e depois do vandalismo seus restos mortais foram jogados no pântano. Só depois, quando a monarquia foi restaurada, já após o advento da queda de Napoleão Bonaparte é que o Rei Luís XVIII mandou que os corpos reais fossem recuperados e levados de volta para a catedral onde foram enterrados. Não foi algo fácil pois os restos mortais de todos os reis e rainhas estavam misturados, sendo impossível identificá-los. Dessa forma todos os ossos, crânios e restos mortais foram colocados em conjunto em urnas que atualmente estão em exposição para turistas que visitam a famosa igreja medieval.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Os Desgraçados não Choram

Clássico noir estrelado pela atriz Joan Crawford. Ela interpreta uma dona de casa, mãe de um garoto de seis anos, que é atropelado enquanto andava de bicicleta. A morte do menino faz com que ela repense sua vida. Seu casamento vai mal, o marido é um tipo rude, grosseiro e miserável. Assim depois da morte do menino nada mais a segura nessa união falida. Ela dá um basta e vai para Nova Iorque. Na nova cidade ela começa a trabalhar como balconista. As coisas começam a dar certo e em pouco tempo ela faz novas amizades. Só que entre seus novos conhecidos se encontram membros da máfia.

Em pouco tempo ela se infiltra dentro da organização criminosa e é enviada para a costa oeste, com a finalidade de descobrir se um gângster que toma conta de um cassino na Califórnia está roubando os chefes da quadrilha. Essa parte do roteiro é obviamente baseado na história real do mafioso Bugsy Siegel, que teve inclusive uma versão de sua vida levada para o cinema, com direção e atuação de Warren Beatty. A situação que ela se coloca é perigosa, pois ao menor deslize pode ser eliminada. O filme, quando começa, mostra a polícia encontrando um corpo no deserto. Então começa um grande flashback, justamente para contar a história da personagem de Joan Crawford.

O filme tem todo aquele charme das produções ao estilo noir dos anos 50. Os cenários são escuros, com farto uso de luz e sombras em cada cena. Joan Crawford está bastante convincente como essa mulher que decide tomar as rédeas do destino em suas próprias mãos, embora com desdobramentos sequer imaginados por ela. Chegando ao ponto de assumir uma falsa identidade, com o sobrenome dos milionários Forbes, ela começa a afundar cada vez mais em sua ganância pessoal. Joan Crawford que ficou tristemente marcada por causa do livro biográfico de sua filha que a retratava como uma mulher cruel e louca, aqui mostra seu talento de atriz. Embora fosse perturbada em sua vida pessoal. na tela do cinema se mostrava uma atriz bem talentosa. Sua atuação é o grande atrativo para se assistir a esse filme nos dias de hoje.

Os Desgraçados não Choram (The Damned Don't Cry, Estados Unidos, 1950) Direção: Vincent Sherman / Roteiro: Harold Medford, Jerome Weidman / Elenco: Joan Crawford, David Brian, Steve Cochran / Sinopse: Após a morte de seu filho de seis anos, Ethel Whitehead (Joan Crawford) decide acabar seu casamento, que já vinha muito mal e parte para Nova Iorque. Assume outra identidade, passando-se a se chamar Lorna Hansen Forbes e se envolve com a máfia local.

Pablo Aluísio.


A Filha da Luz

Título no Brasil: A Filha da Luz
Título Original: Bless the Child
Ano de Produção: 2000
País: Estados Unidos
Estúdio:  Paramount Pictures
Direção: Chuck Russell
Roteiro: Thomas Rickman
Elenco: Kim Basinger, Jimmy Smits, Rufus Sewell, Christina Ricci, Ian Holm, Michael Gaston

Sinopse:
Baseado na novela escrita por Cathy Cash Spellman, o filme "A Filha da Luz" conta a história de     
Maggie O'Connor (Kim Basinger), uma mulher que precisa cuidar da sobrinha autista depois que sua irmã a abandona, por ser viciada em drogas. Com o passar dos anos o que parecia ser apenas um caso de autismo na menina se revela muito mais, com poderes espirituais que ninguém poderia prever.

Comentários:
Quando o brilho de determinadas estrelas começa a se apagar, não tem jeito. Ok, a Kim Basinger nunca foi uma grande estrela de cinema, mas teve lá seu período de popularidade e fama, principalmente nos anos 80. Quando chegou os anos 90 a carreira dela começou a afundar, até chegar nesse ponto, já na virada do milênio, com esse filme muito fraco e ruim que não conseguiu fazer sucesso, isso apesar de seu tema que supostamente poderia atrair a atenção do público mais jovem. O diretor Chuck Russell só teve mesmo um filme bacana em sua filmografia que foi justamente "O Máskara". O resto vai de mediano a ruim como "O Escorpião Rei" e "A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros dos Sonhos". Essa fitinha com a Kim não o ajudou muito nesse aspecto. Diante de tudo fica a pergunta inevitável: alguma coisa vale a pena nesse filme? Sim, para surpresa de muita gente o elenco de apoio é excepcionalmente bom, contando com o ótimo ator Rufus Sewell, com a estranha Christina Ricci e, como não poderia deixar de citar, a presença elegante de Ian Holm como um reverendo. Pena que nenhum deles teve muito espaço, afinal o estrelismo se apagando de Kim Basinger acabou ofuscando todo mundo. Uma pena.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Elvis Presley - Elvis as Recorded at Madison Square Garden - Parte 4

Eu gosto bastante da versão de "Proud Mary" para esse álbum. A música em si não era mais novidade para os fãs de Elvis, já que havia sido lançada no repertório do disco "On Stage - February 1970". A diferença básica entre as duas versões era que a do álbum gravado em Las Vegas apresentava uma performance mais técnica, bem tocada, por Elvis e banda. Aqui no show do Madison Square Garden a música é apresentada mais no calor do momento, na vibração do público. Não é tecnicamente tão perfeita, mas tem um ótimo pique, uma energia que poucas vezes foi repetida por Elvis.

Já a aclamada "American Trilogy" surgia pela primeira vez em um disco de Elvis Presley. Em minha opinião a melhor versão ainda seria lançada, seria a do "Aloha From Hawaii", um ano depois. Essa versão do Madison Square Garden tem seus méritos, porém também não a acho muito bem executada. Essa canção aliás quebrou um pouco o ritmo do show, que vinha em um ritmo rápido, de pura energia. Já Trilogy pedia por outra postura, algo reflexivo, diria até épico. O público em Nova Iorque, muito cosmopolita, não comprou bem a ideia de uma canção histórica que louvava os ideais do sul confederado na guerra civil. Era algo tão distante da realidade daquele público como a Lua!

O country "Funny How Time Slips Away" certamente teve uma melhor receptividade. É fácil de entender isso. Sem o background histórico e o peso de tentar ser épico de "American Trilogy", essa canção era bem mais leve, soft, evocando aquela imagem do lirismo do caipira apaixonado do interior dos Estados Unidos. Uma figura mais agradável do que a de um soldado confederado com seu uniforme cinza e rifle da música "American Trilogy", que aliás deveria ter sido tirada por Elvis da seleção musical desse concerto. Essa "Funny" já tinha sido lançada antes no "Elvis Country" por isso também não era novidade, pelo menos em sua versão "Studio".

De inédito mesmo o disco trazia "For The Good Times". Elvis não a tinha gravado em estúdio, estava apresentando pela primeira vez em Nova Iorque (e em um álbum de sua discografia oficial), por isso era um bom motivo para se comprar o LP na época. Imagine você sendo um fã de Elvis, entrando numa loja de discos, pegando esse vinil nas mãos e percebendo que havia ali uma música de Elvis que você nunca tinha ouvido antes. Certamente compraria o disco. Por isso também esse álbum foi um dos mais vendidos durante os anos 70. Além de ser o registro de um show marcante em sua carreira, ainda trazia como bônus músicas inéditas em sua discografia. Duas ótimas razões para comprar o disco.

Pablo Aluísio.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Kardec e a cultura pop que fugiu do controle

Costumo dizer que o espiritismo é uma cultura pop que fugiu do controle. Eu me explico. Desde o primeiro momento em que tomei conhecimento da doutrina espírita (vinda através de um amigo de meu pai), pude perceber que o espiritismo era um caldeirão, um mosaico onde Kardec misturou aspectos de religiões orientais antigas (como o budismo e o hinduísmo), com a cultura pop das histórias de fantasmas da Europa ocidental. Essa cultura popular de fantasmas em castelos mal assombrados faz parte da cultura europeia desde o período medieval. Aos poucos essas estórias de almas penadas e derivados foram absorvidas pelos grandes escritores de terror que iam surgindo como Edgar Allan Poe, Abraham "Bram" Stoker e tantos outros. Só que esses autores sabiamente nunca cruzaram a linha da cultura pop. Kardec sim. Ele foi além disso.

O que fez esse francês, membro da maçonaria que estava em guerra com a Igreja Católica, foi tentar trazer uma racionalidade, uma explicação doutrinária e religiosa (embora os espíritas neguem o conceito de religião) para o mundo espiritual, o mundo dos fantasmas. Usando aspectos de outras religiões milenares como a própria reencarnação (forte nos ensinamentos de Buda e de religiões indianas), trazendo tudo isso para o atraente mundo dos contos de fantasmas, ele juntou tudo e pronto - nasceu a doutrina do espiritismo tal como a conhecemos. Junte-se a isso o lado místico do povo brasileiro e você entenderá porque essa crença cresceu tanto em nosso país. Na França e em outros países europeus os livros de Kardec estão praticamente esquecidos e quando são lembrados o são apenas como uma curiosidade literária de um tempo em que tentou-se unir o pensamento do cientificismo, tão disseminado naquele período histórico, com a religião, conseguindo de quebra com isso desvalorizar a tradicional doutrina católica, que no fundo era o principal objetivo de muitos maçons franceses naqueles tempos.

Um dos problemas básicos do espiritismo na Europa e de seu quase desaparecimento nos anos seguintes foi que muitas das supostas histórias de fantasmas que lhe davam base teórica se revelaram como meras fraudes, como o caso da irmãs Fox que depois de toda a repercussão abriram o jogo, dizendo que tudo havia sido uma farsa. Outro que ajudou a destruir o espiritismo na Europa e Estados Unidos foi o famoso mágico Harry Houdini. Intrigado e desafiado ao ver as sessões de espiritismo se espalharem, com manifestações de pessoas mortas dando batidas em mesas, portas e fazendo pratos voarem, ele passou a se dedicar a revelar os truques que aconteciam nessas sessões espíritas, desmascarando assim milhares de charlatões. Com seu trabalho de desmascarar essa horda de médiuns e clarividentes fajutos, picaretas, as doutrinas nascidas com Kardec foram perdendo a credibilidade perante os povos europeus.

Hoje o espiritismo sobrevive basicamente no Brasil. Na Europa o próprio Kardec é uma figura bem desconhecida. Curioso o caso de duas irmãs brasileiras que foram até a França para visitar o túmulo do escritor e descobriram, abismadas, que nem os funcionários do cemitério onde ele estava enterrado sabiam quem ele havia sido em vida. Um desconhecido para os franceses em geral. Há uma pseudo ciência envolvida em seus escritos que pioraram ainda mais a situação sobre a credibilidade de seus livros, já que os avanços da ciência colocaram a nu todas as supostas verdades reveladas pelos tais espíritos, pelos que vivem no mundo além túmulo. Finalizando deixo claro que minha intenção com esse texto não é atingir qualquer pessoa que venha a acreditar no mundo espiritual supostamente revelado por Kardec, mas sim de deixar minha opinião, afinal vivemos em um país livre. Acredito pessoalmente que o espiritismo é mesmo uma parte da cultura pop literária que simplesmente fugiu do controle, tal como se uma religião fosse fundada baseada nos contos do grande Edgar Allan Poe, que aliás como escritor dava de dez a zero no esquecido Kardec.

Pablo Aluísio.

Liga da Justiça

Essas adaptações de quadrinhos para o cinema estão se tornando cada vez mais cansativas, principalmente quando são pretensiosas demais além da conta. Essa nova tentativa da DC em acertar nas telas de cinema é um exemplo disso. Aqui houve a reunião de um grupo de super-heróis, todos reunidos nessa liga da justiça. Estão lá o Batman, a Mulher-Maravilha, o Flash, o Aquaman e o Cyborg. O Superman também retorna depois de um breve período como morto! O roteiro não ajuda. Mesmo com tantos personagens famosos, pouca coisa funciona bem nesse filme. O vilão é genérico, mais um daqueles que querem trazer o apocalipse para o nosso mundo. Nada de novo no front. As cenas digitais mais incomodam do que qualquer outra coisa. Parece um game comum.

O diretor  Zack Snyder teve que abandonar o filme antes de encerradas as filmagens. Houve uma tragédia em sua família. Penso que nem se ele tivesse terminado seu trabalho a coisa ficaria melhor. O problema é que a trama é banal demais, nada muito original ou diferente do que você já viu em outros filmes desse estilo. Nem momentos que supostamente teriam potencial para ajudar se salvam da banalidade. A volta de Superman ao mundo dos vivos é um desses momentos. Nada muito inspirador, nada muito bem feito. Na verdade é uma decepção. Todos os personagens se tornam bem vazios, porque não há tempo de desenvolver nenhum deles. Quando fui assistir a essa nova produção da DC / Warner, fui com as expectativas baixas pois o filme foi severamente criticado. Nem as resenhas dos leitores habituais dos quadrinhos foram positivas. Devo concordar com todos eles. Esse "Liga da Justiça" é realmente bem fraco.

Liga da Justiça
(Justice League, Estados Unidos, 2017) Direção:  Zack Snyder / Roteiro: Chris Terrio, Joss Whedon / Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Gal Gadot, Jason Momoa, Amy Adams, Jeremy Irons, Diane Lane, J.K. Simmons, Ray Fisher, Ezra Miller, Ciarán Hinds / Sinopse: O Batman (Affleck) resolve formar uma liga de super-heróis, contando com a ajuda da Mulher-Maravilha (Gadot), Aquaman (Momoa), Flash (Miller) e Superman (Cavill). Todos precisam enfrentar um vilão vindo do espaço, o Lobo da Estepe (Hinds) que de posse de três artefatos poderosos, deseja trazer o apocalipse até o nosso mundo.

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Catarina II

Na escola você aprende que o reinado de Catarina II, a Grande, foi um dos maiores exemplos daquele tipo de monarca que foi chamado pelos historiadores de "déspota esclarecido", ou seja, membros de uma monarquia que já conhecia os ideais do iluminismo, das transformações da iriam desembocar na Revolução Francesa, mas que continuavam em essência absolutistas. Apenas para não vivenciassem a tomada de poder por essas forças liberais, faziam pequenas concessões para o povo em geral. Era uma maneira de se manterem no trono. Continuavam absolutistas, déspotas, mas já estavam esclarecidos sobre os novos valores que começavam a se espalhar por todo o continente europeu.

Catarina II não era uma Romanov de nascimento. Ela apenas se casou com um Romanov e depois ajudou os opositores a se livrarem dele, que era o legítimo sucessor por tradição. Era uma mulher culta, inteligente, muito vocacionada para a ciência política. Por isso conseguia sempre superar as inúmeras intrigas políticas da corte, vencendo e superando todos os adversários que atravessavam seu caminho. Acabou assim se tornando a grande imperatriz da história russa. Seu marido, Pedro III, era um tipo contrário a essas qualidades, um despreparado que foi logo colocado de lado. Dentro da corte russa valia mais sua astúcia e perspicaz política do que propriamente um direito de nascimento. Apenas os mais fortes sobreviviam. Esse Czar russo, Pedro III, tentou tirar parte dos direitos tradicionais da nobreza, além disso era um bobo apaixonado pela Prússia e Frederico, algo que soava praticamente como um traição ao nacionalismo russo, eterno inimigo dos prussianos. Não demorou muito e caiu em desgraça perante a nobreza e o povo.

Assim depois de um golpe de Estado apoiado pela nobreza, Pedro III foi afastado do poder, sendo assassinado logo depois. Catarina assumiu as rédeas do Estado e sendo uma mulher preparada intelectualmente se saiu muito bem na direção daquele império continental. Os primeiros anos de Catarina II no poder foram gloriosos. Ela implantou reformas administrativas no império, reformulou o exército, conquistou territórios que até mesmo Pedro, o Grande, não havia conseguido dominar e transformou a Rússia em um dos mais poderosos impérios do mundo. Além disso é interessante notar que conseguiu se manter no trono até sua morte, isso em uma época em que os ideais que iriam causar a Revolução Francesa colocavam dinastias seculares na berlinda. Catarina foi hábil o suficiente para sobreviver e fortalecer um sistema político que estava em franca decadência em sua época.

Embora o reinado de Catarina II seja sempre lembrado com louvor pelos historiadores russos, houve também problemas enquanto esteve no poder. Catarina muitas vezes misturou assuntos pessoais com assuntos do Estado. Uma mulher muito ativa sexualmente, geralmente colocava seus amantes em postos chaves do império. Sua conduta sexual fora dos padrões para a época também mancharam sua reputação. A Imperatriz Maria Teresa da Áustria, por exemplo, outra mulher de imenso poder na época de Catarina, a considerava uma degenerada e uma promíscua. Muito provavelmente Catarina tenha sido apenas uma mulher à frente de seu tempo nesse aspecto, pois se recusava a se enquadrar no antigo estereótipo da mulher e mãe que imperava no século XVII. Ela quis e foi mais do que isso, usando os homens de acordo com seus propósitos políticos e não sendo usada por eles como era tão comum. Após reinar por 34 anos ela teve um AVC fatal em sua palácio imperial. Catarina não queria que seu filho Paulo se tornasse imperador, mas seu neto Alexandre. Considerava Paulo um desequilibrado cruel. Ela estava pronta para mudar sua sucessão ao trono, mas antes disso faleceu, deixando para Paulo um império como os russos jamais tinham visto antes.

Paulo I assumiu o poder na Rússia imperial após a morte de sua mãe, Catarina II. Ela não queria que ele assumisse como czar e tinha até mesmo feito planos para tirá-lo da sucessão, mas antes disso sofreu um derrame e morreu aos 68 anos de idade. Paulo não gostava da mãe a quem acusava de ter se envolvido na morte de seu pai, Pedro III. Para se vingar dela mandou exumar os restos mortais dele, para que fosse enterrado no mesmo ritual fúnebre de sua mãe.

Catarina II tinha razões para não gostar do próprio filho. Ele era um sujeito bem cretino, que estava mais interessado em vestir roupas espalhafatosas, inspiradas no exército prussiano, do que em administrar o império russo. Também era cruel, aplicando punições físicas e torturas em seus subordinados pelos menores deslizes. Tinha uma personalidade pusilânime, mostrando-se duro e autoritário para o povo russo ao mesmo tempo em que era manipulado e mandado por sua amante, uma mulher sem origens nobres que ele havia conhecido em um bordel. Quando assumiu o poder absoluto os russos descobriram alarmados que uma das pessoas mais influentes da corte era o barbeiro de Paulo, um ex-escravo dado de presente por sua mãe e que se tornaria seu amigo ao longo dos anos. De uma forma ou outra Paulo jamais conseguiu superar sua mãe, pelo contrário, foi uma grande decepção para o povo russo.

Pablo Aluísio.

Paul McCartney - Press To Play - Parte 3

Que Paul McCartney é um dos grandes gênios da história da música, disso ninguém tem dúvidas. Agora, que até mesmo os gênios dão pequenos tropeços, poucos param para pensar um pouco sobre isso. O álbum "Press To Play" trazia excelentes canções em seu repertório, porém havia alguns deslizes também. Músicas sem muita inspiração que passavam a impressão de que Paul não tinha se esforçado muito ou então as incluiu no disco apenas para preencher espaço. "Talk More Talk" era bem isso. A introdução por si só já era horrível, mesmo contando com a participação muito especial da família de Paul, com destaque para o filho James.

Aquele arranjo com violinos até poderia esconder as fragilidades da canção, mas é impossível negar que é uma faixa muito vazia, sem consistência harmônica. Paul usa e abusa de um refrão supostamente pegajoso para transformar a música em sucesso FM, mas é de se perguntar: a que preço? Essas partes faladas também não funcionavam. Paul já havia usado isso em "London Town" de 1978. Se naquele disco isso não funcionava porque ele voltou à repetir o mesmo erro? Estaria tentando provar algo aos críticos? Quem sabe o que se passava em sua cabeça... o fato era que essa faixa sim era bem fraca, sem muita qualidade.

Uma das músicas mais trabalhadas por Paul nas rádios da Europa foi "Pretty Little Head" que inclusive chegou a ser lançada como single na Inglaterra. Essa música era nitidamente uma tentativa de Paul em soar moderninho, tentando capturar a sonoridade da música techno britânica dos anos 80. Nunca gostei da música em si. Paul McCartney foi um Beatle, fez parte de uma das bandas mais importantes da história do rock de todos os tempos. O que ele precisava ainda provar? Que era modernoso? Bobagem. McCartney simplesmente não precisava desse tipo de coisa. Simples assim. E no final das contas o que era moderno acabou ficando bem datado. Esses sintetizadores já aborreciam na época de lançamento do disco, imaginem hoje em dia! Esse tipo de gravação soa hoje em dia mais envelhecida do que qualquer outra coisa que Paul tenha feito na década anterior.

Para dar certo bastava voltar para o bom e velho rock ´n´ roll, onde Paul finalmente se recuperou com "Move Over Busker". Para gravar essa simpática música ao estilo anos 50, Paul chamou duas feras no estúdio onde estava gravando o álbum, trazendo Pete Townshend para a guitarra e Phil Collins na bateria. Havia se tornado uma tradição desde os tempos de "Tug of War" esse tipo de participação especial de grandes músicos nos discos de Paul. Era uma parceria que havia rendido ótimos frutos, então nada mais natural do que repetir a dose. Pete Townshend, por exemplo, estava bastante inspirado nesse dia, tirando ótimos solos de seu instrumento. Paul o incentivou a improvisar, tocar numa boa, sem amarras. O resultado ficou simplesmente perfeito. Puro rock, sem bobagens, frescuras e modernices desnecessárias.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

A Ghost Story

Se eu fosse resumir bem a sinopse desse filme diria que se trata de um roteiro que conta a história de um cara comum, casado e feliz, que morre em um acidente de carro. No mesmo dia em que morre ele retoma a sua consciência no hospital onde se encontra seu corpo. Um portal de luz lhe é aberto, para que ele siga seu destino, mas ele recusa deixar esse mundo. Assim vira uma alma penada, vagando pelo mundo. Acaba parando na sua antiga casa, onde reencontra sua viúva em luto. Preso naquele lugar, ele vê o tempo passando, enquanto sofre por não mais pertencer a esse plano terreno.

O ator Casey Affleck passa quase todo o filme coberto com um enorme lençol, numa caracterização de fantasma bem tradicional, diria até caricatural. O que mais surpreende é que depois de um tempo o espectador acaba se acostumando com aquela estranha presença. É uma produção modesta, o filme custou apenas 100 mil dólares, feito para um público específico. O roteiro explora o quadro triste e melancólico que se arrasta por anos e anos, diante daquela alma perdida e sem rumo. Há longas tomadas e muitas cenas sem nenhum diálogo. Não recomendaria o filme para todos os tipos de espectador.

Outra coisa que se deve ter em mente é que não se trata de um filme de terror, longe disso. Na verdade está mais para um drama melancólico, já que o espírito do personagem de Casey Affleck vive a tormenta de existir em um mundo que não é mais o dele. Quando ele vira um fantasma não mais fala, se comunicando com outros espíritos apenas pelo pensamento. Enfim, é um tipo de filme que precisa de bastante cumplicidade de quem assiste. No meu caso gostei do resultado, muito por causa de sua proposta diferente e bem única.

A Ghost Story (Estados Unidos, 2017) Direção: David Lowery / Roteiro: David Lowery / Elenco:  Casey Affleck, Rooney Mara, McColm Cephas Jr / Sinopse: O ator Casey Affleck interpreta um homem que morre em um acidente automobilístico. Retomando sua consciência ele descobre que não mais pertence a esse mundo, se tornando literalmente um fantasma que vaga pelo mundo. Filme indicado ao Sundance Film Festival e ao Film Independent Spirit Awards.

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Hangman

Um serial killer começa a agir numa pequena cidadezinha do interior dos Estados Unidos. Ele tem um ritual próprio, onde enforca suas vítimas, geralmente deixando letras escritas com punhais em seus corpos. No fundo o assassino se inspira no famoso "jogo da forca" para deixar pistas para a polícia, uma vez que ele sente prazer em fazer os policiais de bobos. Um detetive aposentado interpretado por Al Pacino entra no caso. Ao lado de outro tira (Karl Urban) ele tenta descobrir a identidade do criminoso. Para isso porém vão ter que tolerar também a presença de uma jornalista (Brittany Snow), que está escrevendo uma matéria especial sobre a vida dos policiais do departamento de homicídios.

Esse filme é bem recente, chegou nos cinemas americanos há apenas quatro dias, mas não tem recebido boa resposta por parte da crítica americana. É compreensível. O filme tem um roteiro um tanto preguiçoso, que não parece disposto a sair de uma certa fórmula que já foi usada antes em dezenas de filmes de assassinos em série. É algo que já está saturado. Diante disso o principal atrativo para os cinéfilos é a presença do ator Al Pacino. O que posso dizer de seu trabalho? Bom, antes de tudo o peso da idade realmente chegou. Pacino passa o filme todo com ar de cansado, de exausto, sem pique ou energia para atuar bem. Como faz um policial aposentado (olha outro clichê aí!) ele tem pelo menos a desculpa de seu próprio personagem já ser velho e cansado da vida.

Assim sobra para o elenco de apoio. O ator Karl Urban quase não tem carisma. Ele não tem igualmente vocação para estrelar filmes policiais. Na verdade só funciona bem como coadjuvante. A atriz Brittany Snow até que segura algumas vezes as pontas, mas é pouco. Apesar da pouca idade ela já pode ser considerada uma veterana, com muitos trabalhos em séries e filmes. Gostava dela como a adolescente vivendo nos anos dourados em "American Dreams" (boa série) e no musical "Hairspray: Em Busca da Fama". Ela é uma jovem atriz que conseguiu romper essa barreira de adolescente para a fase adulta. Então no geral é isso. "Hangman" não é um grande filme, passa longe disso. É meio preguiçoso no desenvolvimento, se torna em alguns momentos cansativo, derrapa em muitos clichês e conta com um Al Pacino sem fôlego. Mesmo assim ainda vale uma espiadinha, desde que você não espere por muita coisa.

Hangman (Estados Unidos, 2017) Direção: Johnny Martin / Roteiro: Michael Caissie, Charles Huttinger  / Elenco: Al Pacino, Karl Urban, Brittany Snow / Sinopse: Policial já velho e aposentado (Pacino) precisa voltar à ativa para prender um serial killer que enforca suas vítimas com requintes de crueldade extrema. Ao lado de um tira mais jovem e de uma jornalista, ele começa a reunir pistas para descobrir a identidade verdadeira do psicótico assassino.

Pablo Aluísio. 


terça-feira, 28 de novembro de 2017

Orgulho e Preconceito e Zumbis

Imagine ter um bom orçamento, recursos, figurinos, tudo do bom e do melhor dentro da indústria cinematográfica e investir tudo isso em um filme sobre um dos livros clássicos mais queridos da literatura inglesa misturado com... zumbis! Pois é justamente o que temos aqui! Com uma produção como essa em mãos seria bem melhor fazer uma nova versão para o romance imortal de Jane Austen ou então uma série para a TV. É claro que faria sucesso entre os admiradores da escritora. Mas não, resolveram jogar as boas ideias fora e ao invés disso abraçaram o desespero de tentar chamar a atenção do público jovem que para os produtores de cinema deve ser bem imbecil. Se a busca pelo sucesso fácil foi o principal motivo da existência desse filme bizarro se deram mal, pois o filme foi um fracasso comercial.

Foi um fracasso merecido. Esse tipo de coisa só se sustenta no submundo dos filmes de terror trash. Para produções classe A como essa, fica tudo fora de seu habitat natural. O roteiro é uma mistura indigesta da trama criada por Jane Austen com uma Inglaterra dominada pelo apocalipse Zumbi. A cada dia mais e mais pessoas estão infectadas. As jovens personagens querem arranjar um marido no meio desse caos, mas enquanto isso não acontece, elas se especializam em artes marciais japonesas e chinesas (que bobagem!!!). O último bastião de resistência da humanidade é Londres, que virou uma fortaleza contra as hordas zumbis, mas até a magnífica cidade está em perigo, prestes a cair. Enfim, não adianta levar adiante ainda mais essa sinopse bizarra. Não gostei do resultado, achei tudo muito forçado e sem razão de ser. O filme no final das contas é um grande desperdício de tempo, dinheiro e recursos em troca de absolutamente nada. 

Orgulho e Preconceito e Zumbis (Pride and Prejudice and Zombies, Estados Unidos, Inglaterra, 2016) Direção: Burr Steers / Roteiro: Burr Steers, baseado na obra original escrita por Jane Austen / Elenco: Lily James, Sam Riley, Jack Huston, Charles Dance / Sinopse: Após uma infestação de um estranho vírus, que transforma as pessoas em zumbis, uma jovem garota chamada Elizabeth Bennet (Lily James) e suas irmãs tentam arranjar maridos na sociedade vitoriana do século XIX. Elizabeth acaba sentindo-se atraída por Mr. Darcy (Sam Riley), um incansável exterminador de zumbis, mas essa não será uma paixão comum e simples de se resolver. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

As Vidas de Marilyn Monroe - Parte 20

Quando o diretor Billy Wilder fechou com Marilyn Monroe para trabalharem juntos mais uma vez em Hollywood, ele sabia que iria ter muitas dores de cabeça. Ele já a conhecia muito bem e sabia como seria um verdadeiro caos! Marilyn não o decepcionaria nessa previsão. Assim que as filmagens começaram, Marilyn começou a aprontar das suas. Ela chegava em média com três horas de atraso ao estúdio para filmar suas cenas. Pior do que isso, ela não conseguia decorar suas falas. Quase sempre ficava trancada dentro do camarim ao lado de sua professora particular de atuação Paula Strasberg. Paula era uma mulher antipática, estranha, que só se vestia de preto e não falava com mais ninguém da equipe de filmagem.

Assim que Marilyn encerrava suas cenas ela procurava imediatamente por Paula, colocando as mãos sobre os olhos para localizá-la dentro do estúdio. Isso irritava muito Billy Wilder, afinal ele era o diretor do filme e não Paula. Durante um fim de semana Billy perdeu a paciência e assim que a tomada acabou ele virou-se para Paula, de forma irônica, para perguntar: "Você gostou dessa cena querida? Quer que repetimos?" Paula não gostou da piada e levou aquilo como se tivesse sido ofendida pelo cineasta. Ela não tinha nenhum senso de humor. Além dos atrasos, da presença nada simpática da instrutora de Marilyn e de seus problemas com pílulas misturadas com champagne, Billy Wilder também percebeu que não poderia mais contar com Marilyn para a sessão de fotos que iria produzir o material promocional do filme. Era um fato bizarro, mas a atriz que era considerada o maior símbolo sexual do cinema na época não servia mais para fotografar pois estava muito acima do peso!

Billy assim resolveu levar as demais garotas que estavam no filme, interpretando coristas e músicas da banda que acompanhava Marilyn, para tirar as fotos. Pois é, os posters promocionais do filme eram montagens, com os corpos das jovens atrizes e o rosto de Marilyn Monroe. Tudo criado dentro do departamento de publicidade da Fox. O fato era que Marilyn Monroe estava grávida quando rodou o filme. A fofoca entre todos os envolvidos nas filmagens era a de que Marilyn não estava grávida de seu marido, Arthur Miller, mas sim de Tony Curtis, que trabalhava com ela no elenco. Claro que tudo foi logo abafado pelo estúdio, pois isso poderia arruinar o filme nas bilheterias caso o público e a imprensa soubessem da verdade.

Anos depois Tony Curtis confidenciou que também acreditava que Marilyn estava grávida dele. Eles tinham um passado juntos, chegaram a morar sob o mesmo teto quando eram apenas jovens atores em Hollywood atrás de uma chance. Quando se reencontraram no set de filmagem a velha paixão reacendeu. Curiosamente durante uma cena de beijo, Tony Curtis soltou uma frase que pegou muito mal. Ele disse: "Beijar Marilyn é como beijar Hitler". Ao saber disso a imprensa correu e estampou a bombástica declaração, mas Curtis se apressou em negar que era uma ofensa em relação a Marilyn. Ele apenas estava sendo irônico com todos que perguntavam como era beijar Marilyn Monroe. "O que eles pensam? Ora, beijar Marilyn era maravilhoso! Por isso fui irônico!" - Disse Curtis tentando se explicar. A ironia porém foi mal entendida, inclusive por Marilyn, que ficou magoada, causando ainda mais atrasos e problemas para a finalização do filme. O mal estar foi geral.

Pablo Aluísio.

domingo, 26 de novembro de 2017

Elvis Presley - Burning Love and Hits from His Movies Volume 2 - Parte 5

Eu não gosto de "Guadalajara". Não tem jeito. São coisas distintas. Uma coisa é ouvir uma música mexicana. Outra coisa completamente diferente é ouvir uma música feita por americanos de Hollywood que tenta se parecer com a verdadeira música do México. A segunda é apenas uma imitação da primeira. Infelizmente esse é o caso dessa canção gravada por Elvis para o filme "O Seresteiro de Acapulco" (Fun in Acapulco, 1963). Para não dizer que é um desperdício completo vale mencionar o bom arranjo, que acho muito interessante, embora não salve a música de ser fake, falsa. Fica apenas o prazer de ouvir todos aqueles metais ecoando pelas caixas de som.

Obviamente não deixa de ser divertido ouvir Elvis se contorcendo todo para cantar alguns trechos em espanhol sem parecer algo completamente esquisito. É curioso que um dos grandes cantores da história da música norte-americano, o maravilhoso Nat King Cole, sempre se saía muito bem cantando em espanhol. Aliás algumas das suas mais lindas gravações são no idioma ibérico. Lindas, lindas performances. Eu não me importaria em nada em ouvir um álbum totalmente em espanhol cantado por Elvis Presley. Só que para funcionar, obviamente, as músicas teriam que ser originais, mexicanas ou espanholas de verdade, não algo composto por um maestro em Hollywood, feito meio às pressas, para cumprir contratos com estúdios de cinema. Joseph Lilley, o produtor dessas sessões, compôs "Guadalajara". É como se um compositor nascido no Alabama fizesse um samba carioca para um filme de Hollywood! Tem coisas que simplesmente não poderiam dar certo desse jeito.

"Tonight Is So Right for Love" é da trilha sonora do filme "Saudades de um Pracinha" (G.I. Blues, 1960). Elvis não gostava desse álbum. Para ele um disco sobre um soldado cantor era ir um pouco longe demais. Claro que "G.I. Blues" tinha mesmo uma alta dose de oportunismo barato, pois era Hollywood tentando faturar em cima do fato de que Elvis foi para a Alemanha prestar seu serviço militar. Isso é um ponto de vista inegável. Porém no caso específico desse disco devo discordar de Elvis. Em minha opinião "G.I. Blues" é uma das melhores trilhas sonoras dos anos 60. Tudo muito caprichado, músicas bonitas e bem gravadas, além de trazer uma nova versão ótima para seu clássico "Blue Suede Shoes".

Se formos comparar "G.I. Blues" com outras trilhas sonoras, principalmente após 1965, perceberemos que Elvis estava reclamando de um material que no final das contas era muito bom. Claro que um roqueiro não poderia se sentir muito confortável em cantar marchas militares, mas isso é uma visão um pouco limitada, simplista. Dentro do que Hollywood fazia na época, com seus musicais, digo e reafirmo que esse álbum era realmente muito bom, tanto que foi elogiado em seu lançamento e ganhou indicações importantes em prêmios de música. Prova de sua inegável qualidade artística.

Pablo Aluísio.