sexta-feira, 31 de julho de 2015

Um Pouco de Caos

Título no Brasil: Um Pouco de Caos
Título Original: A Little Chaos
Ano de Produção: 2014
País: Inglaterra
Estúdio: BBC Films
Direção: Alan Rickman
Roteiro: Jeremy Brock, Alison Deegan
Elenco: Kate Winslet, Alan Rickman, Stanley Tucci, Matthias Schoenaerts
  
Sinopse:
O Rei Louis XIV (Alan Rickman) da França decide construir um novo palácio, mais luxuoso e digno de sua exuberância. Em sua opinião o Palácio de Versailles deverá ser o mais opulento de toda a Europa, com o melhor em termos de construção, luxo e elegância. Para isso ele determina ao seu mestre de obras públicas, André Le Notre (Matthias Schoenaerts), a contratação dos melhores arquitetos, engenheiros e paisagistas do mundo. Entre os contratados está a Madame Sabine De Barra (Kate Winslet) que deverá criar um lindo salão de baile ao ar livre, nos jardins da formosa nova construção imperial. O projeto logo se revelará mais ousado e complicado de se realizar do que ela inicialmente poderia supor. Roteiro baseado em uma história real.

Comentários:
O monarca Luís XIV (1638 - 1715) representou o ápice do absolutismo europeu, a tal ponto que ficou imortalizado na história como o "Rei Sol". Tudo era absolutamente excessivo durante seu reinado. As roupas de sua corte eram as mais luxuosas, os protocolos de etiqueta eram os mais rigorosos e o Rei acabou passando para a imortalidade como um símbolo desse período histórico onde a vontade do soberano representava a própria essência do Estado. Tanto isso é verdade que uma das mais famosas frases de seu reinado foi a que ele mesmo proferiu, resumindo toda a questão, ao dizer: "O Estado sou eu!". Pois bem, o roteiro desse filme explora um aspecto secundário de seus projetos megalomaníacos. A história gira realmente em torno de Madame De Barra (Winslet), uma viúva de muita personalidade, que queria vencer no concorrido mercado de profissionais especializados em construções belas e luxuosas. Ela acaba sendo designada para projetar e construir uma das partes mais bonitas do novo palácio do Rei, uma espécie de salão de baile ao ar livre, com cascatas ao redor e um grande arranjo floral com as mais belas plantas e flores de toda a França. Por ser uma mulher do século XVII ela obviamente teve que enfrentar uma série de preconceitos e má vontade dos seus concorrentes, todos obviamente homens que duvidavam de sua capacidade de colocar o belo projeto em pé. Para piorar acabaria se envolvendo emocionalmente com seu próprio superior, o mestre  André Le Notre (Schoenaerts), que já era casado com uma dama da corte excessivamente cruel e ciumenta! Sua sorte porém vem quando cai nas graças do próprio Rei, que fica admirado com sua coragem e força de vontade em vencer todos os desafios. Esse filme de época, muito bem produzido e com uma trama mais do que interessante, é um projeto bem pessoal do ator Alan Rickman, tanto que assumiu até mesmo a direção do filme. Acabou realizando uma obra fina e elegante, tal como o próprio período retratado. Um bom drama romântico que levará o espectador a essa era histórica há muito tempo passada, tudo com muito bom gosto e talento. 

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Battle for Skyark

Título Original: Battle for Skyark
Título no Brasil: Ainda Sem Título Definido
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Empress Road Pictures
Direção: Simon Hung
Roteiro: Simon Hung, Guy Malim
Elenco: Caon Mortenson, Garrett Coffey, Taylor Coliee
  
Sinopse:
No futuro o planeta Terra se tornou inabitável. Os recursos naturais acabaram e o clima ficou instável. A população mais rica do planeta construiu uma grande estação orbital chamada Skyark (a arca do Céu). O resto dos seres humanos ficaram relegados ao que restou do mundo, tentando sobreviver dos ataques constantes de estranhas criaturas que agora assolam o que restou de nosso antigo lar.

Comentários:
Eu sempre gosto de afirmar que o gênero ficção não é o adequado quando você não tem os recursos e o orçamento necessários para criar um mundo futurista convincente. Sem dinheiro para uma grande produção tudo corre o risco de ficar completamente ridículo. Foi o que aconteceu aqui. O roteiro até que tem pequenas boas ideias, mas sem dinheiro suficiente para desenvolve-los tudo vai por água abaixo rapidamente. Ouso dizer que noventa por cento do público abandonará o filme antes dos 30 minutos de duração, só para que você possa ter uma pequena ideia de sua completa falta de qualidade. O elenco é praticamente todo mirim e apesar do esforço da garotada nada dá certo. O cenário muitas vezes se resume a um ferro velho pouco convincente. Além disso essa estética ao estilo Mad Max (mundo pós apocalipse, etc) já está mais do que saturado. Por falar em elenco de crianças "Battle for Skyark" me lembrou vagamente de "Bugsy Malone: Quando as Metralhadoras Cospem", filme de 1976 dirigido pelo grande Alan Parker. A premissa são até parecidas, só que no filme de Parker o enredo girava em torno dos filmes de gangsteres e aqui temos uma ficção que definitivamente não deu certo. Essa comparação porém é apenas superficial, já que "Battle for Skyark" é definitivamente um mico, um abacaxi sem tamanho e sem salvação, um filme ruim.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Lugares Escuros

Título no Brasil: Lugares Escuros
Título Original: Dark Places
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos, França, Inglaterra
Estúdio: Exclusive Media Group
Direção: Gilles Paquet-Brenner
Roteiro: Gilles Paquet-Brenner, baseado na obra de Gillian Flynn
Elenco: Charlize Theron, Christina Hendricks, Chloë Grace Moretz, Tye Sheridan, Corey Stoll, Andrea Roth
  
Sinopse:
Libby Day (Charlize Theron) carrega consigo um passado terrível. Quando era apenas uma garotinha, seu irmão mais velho teria supostamente assassinado toda a sua família em um acesso de insanidade turbinada por um fanatismo criado em sua mente por uma seita satânica frequentada por jovens da região. Agora, mais de 30 anos depois da chacina, ela é procurada por um empresário que decide contratá-la para participar de uma convenção de fãs de crimes hediondos e infames (sim, eles existem em grande número nos EUA!). Precisando de dinheiro ela acaba aceitando o estranho convite. A reaproximação com seu passado mais uma vez lança uma carga emocional muito forte sobre Libby, ao mesmo tempo em que a leva rever todos os detalhes daquele crime. O que realmente teria acontecido na noite em que sua família foi brutalmente assassinada?

Comentários:
A mente tem lugares escuros e sombrios que não devem ser sondados. Em "Dark Places" temos uma pequena amostra sobre isso. Charlize Theron decidiu deixar todo o glamour de lado para investir nessa personagem, uma mulher que teve sua família (e sua vida) destruída quando seu irmão resolveu matar todos os seus familiares em uma noite de loucura quando ela era apenas uma criança. Preso e condenado a mais de 30 anos de prisão, o assassino agora precisa rever seu próprio passado com a ajuda de sua irmã, algo que vai desvendar aspectos do passado que deveriam ficar nas sombras. É interessante perceber que de alguma maneira Charlize Theron criou uma identificação com sua personagem Libby. Recentemente ela confessou em uma sincera entrevista que sofre há muitos anos de um transtorno obsessivo-compulsivo causado por uma tragédia em sua juventude quando presenciou sua mãe matando seu próprio pai. O sujeito era um alcoólatra que maltratava sua esposa e filhas. Uma noite chegou em casa violento e quis matar as crianças, sem outra alternativa a mãe de Charlize assassinou seu pai na frente delas. Um triste retrato de violência doméstica. Claro que um acontecimento tão violento acaba criando um trauma para o resto da vida, algo muito complicado de se superar. Assim é óbvio que o roteiro desse filme criou um vínculo imediato com a própria vida da atriz, que acabou encontrando em sua história uma forma de redenção pessoal, uma maneira de enterrar para sempre esses fantasmas do passado. Dito isso, o que há de mais interessante nessa produção é a tentativa de Libby (Theron) em reconstruir todos os detalhes do crime, para assim chegar a um conclusão mais definitiva sobre quem realmente teria apertado o gatilho contra sua mãe e suas irmãs. Devo dizer que o caminho até a descoberta de todos os eventos é muito interessante, porém o desfecho e o clímax não me convenceu muito. A sensação que ficou foi a de que a autora Gillian Flynn, que escreveu o livro que deu origem ao filme, se perdeu um pouco, criando uma situação forçada que definitivamente não me pareceu muito verossímil. Mesmo com esse deslize no final o filme vale a pena, seja pelo suspense, seja pela corajosa atitude de Charlize Theron em encarar uma história que tem muito a ver com seu próprio passado. A coragem dela acaba sendo assim o grande motivo para assistir a esse "Lugares Escuros".

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A Teoria de Tudo

Título no Brasil: A Teoria de Tudo
Título Original: The Theory of Everything
Ano de Produção: 2014
País: Inglaterra
Estúdio: Working Title Films
Direção: James Marsh
Roteiro: Anthony McCarten, baseado no livro de Jane Hawking
Elenco: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Tom Prior
  
Sinopse:
Stephen Hawking (Eddie Redmayne) é um jovem estudante universitário, um talento promissor no mundo da física, que conhece a bela e simpática Jane (Felicity Jones) em uma festa. Tímido e até sem jeito com as mulheres, ele resolve se aproximar para conhecer melhor a garota. Em pouco tempo eles acabam formando um lindo casal. No começo de suas vidas estão prontos para um dia se casarem para constituir um lar e uma família. Seus planos mudam completamente quando Hawking começa a ter pequenos problemas de locomoção. Ele não consegue mais se equilibrar ou caminhar normalmente. Preocupado, acaba indo procurar por ajuda médica e descobre estar com uma síndrome devastadora. Filme vencedor do Oscar, do Globo de Ouro e do Bafta Awards na categoria de Melhor Ator (Eddie Redmayne). Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Felicity Jones), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Música.

Comentários:
Nem faz muito tempo assisti a um filme sobre essa mesma história chamado "Hawking". Particularmente gostei muito e talvez por isso tenha levado tanto tempo para ver esse "The Theory of Everything", produção que a crítica adorou. O roteiro de "A Teoria de Tudo" foi baseado no livro autobiográfico escrito por Jane Hawking, uma mulher corajosa e de grande personalidade que foi casada com Stephen Hawking de 1965 a 1995. Como se pode perceber a história do filme, seguindo os passos do livro, começa justamente quando Jane conhece Stephen numa pista de dança durante uma festa na universidade. Ela se interessa imediatamente por ele, em um caso típico de amor à primeira vista e em pouco tempo começam um relacionamento. O que parecia ser um promissor caso amoroso entre dois jovens começando suas vidas acaba sofrendo um revés terrível quando Stephen é diagnosticado com uma devastadora doença neurológica que segundo seu médico o deixará completamente incapacitado em um curto período de tempo. O pior é que portadores dessa síndrome possuem uma pequena expectativa de vida de no máximo dois anos. Imagine o efeito devastador de algo assim sendo comunicado a um brilhante rapaz que teria um futuro promissor pela frente, principalmente por ser um gênio em sua área de estudos do cosmos e da física que rege os grandes astros do universo. E é justamente nesse lado mais humano, bem mais centrado em seu drama pessoal, que o filme se desenvolve, o que convenhamos já era de esperar já que o roteiro foi inteiramente baseado nas experiências de vida narrados pela própria esposa do cientista. Por essa razão o admirador da obra científica escrita por Stephen Hawking não vai encontrar muita coisa interessante para se ver.

O filme é indicado apenas para quem deseja conhecer o aspecto mais pessoal da vida do cientista e não suas teorias que inovaram a ciência de uma forma espetacular. Pessoalmente senti a falta de uma maior profundidade nesse campo, mas tudo bem, a proposta do filme certamente nunca foi essa. Diante disso resta elogiar o perfeito trabalho de atuação do ator Eddie Redmayne como Hawking. Certamente não deve ser nada fácil encarnar uma pessoa com tantos problemas físicos como Stephen. Redmayne se doa ao papel e é justamente isso que separa e destaca as grandes atuações dentro da arte de representar. Ele é a principal razão para se conferir o filme como um todo. Sua atuação inclusive me lembrou muito de Daniel Day-Lewis como Christy Brown em "Meu Pé Esquerdo", película dirigida por Jim Sheridan em 1989, outra fita oscarizada que marcou muito em termos de intensidade dramática, explorando com maestria a vida de um outro brilhante portador de necessidades especiais. A grande lição de todos esses filmes é ensinar ao público o valor da superação do ser humano, acima de tudo. Assim se você estiver em busca da vida mais íntima e pessoal de Hawking essa produção virá bem de acordo com o que você espera encontrar, caso contrário, se você estiver procurando saber quais foram as principais razões do mundo da ciência que transformaram o físico em um dos nomes mais aclamados da física sugiro procurar por outra fonte, a começar por uma biblioteca mais próxima de você.

Pablo Aluísio.

Disque M Para Matar

Título no Brasil: Disque M Para Matar
Título Original: Dial M for Murder
Ano de Produção: 1954
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Frederick Knott
Elenco: Ray Milland, Grace Kelly, Robert Cummings, John Williams, Anthony Dawson
  
Sinopse:
Margot Mary Wendice (Grace Kelly) é uma jovem esposa que começa a se decepcionar com seu casamento. A rotina e o tédio acabam destruindo suas esperanças de viver um matrimônio feliz. Após longos anos de união, ela começa a ter um caso amoroso extraconjugal com um grande amor de seu passado, o escritor de romances policiais Mark Halliday (Robert Cummings). Ambos estão muito apaixonados e começam a trocar cartas de amor. Eventualmente uma delas vai parar nas mãos do marido traído, Tony (Ray Milland). Fingindo não saber de absolutamente nada ele planeja uma forma de matar a esposa infiel para de quebra se tornar o único herdeiro de sua fortuna. Para colocar em prática sua artimanha criminosa ele resolve chantagear um antigo colega de universidade, Swan (Anthony Dawson), que agora vive de explorar mulheres idosas, ricas e solitárias. Enquanto se garante com um álibi, em um evento social, seu comparsa deve entrar em sua casa para asfixiar sua esposa, tentando passar a ideia de que tudo foi apenas um roubo mal sucedido. No começo tudo ocorre bem até que algo acaba não saindo como havia sido inicialmente planejado. Filme indicado ao BAFTA Awards na categoria de Melhor Atriz (Grace Kelly).

Comentários:
Que Alfred Hitchcock foi um dos grandes gênios do cinema ninguém mais duvida. O diretor tinha um talento incomum para contar enredos sórdidos de uma maneira toda especial. Na superfície, seus personagens viviam em uma espécie de conto de fadas moderno, onde todos eram ricos, felizes e bonitos. Por debaixo dessa aparente normalidade se escondia os mais terríveis sentimentos mesquinhos. Veja o caso do casal formado por Mary (Kelly) e Tony (Milland). Ela é uma bem sucedida mulher, loira e linda, que não desperta suspeitas. Todos pensam ser a esposa ideal. Ele é um ex-tenista, agora aposentado, que se diz muito feliz em se dedicar completamente à esposa e seus caprichos. Um casal realmente perfeito a admirável. Isso é o que a sociedade pensa ser a verdade. Por debaixo de tudo se esconde uma mulher infeliz com seu casamento de fachada, a ponto de nutrir um amor secreto e inconfessável. Na verdade ela não sente nenhum carinho ou afeição pelo marido e morre mesmo de amores por um antigo amor, um escritor de tramas policiais. Como não pode assumir esse seu sentimento proibido publicamente, começa a ter encontros escondidos com o amante. O marido, que sempre aparentou ser um homem muito educado e fino, um verdadeiro gentleman, acaba descobrindo a traição de sua jovem esposa, mas ao invés de se divorciar em um escandaloso rompimento perante a sociedade ele resolve ir por um caminho mais sutil e... fatal. Ele entra em contato com um antigo conhecido da universidade, um sujeito que não conseguiu se dar bem na vida, vivendo de pequenos e grandes golpes, explorando mulheres velhas e ricas. Um verdadeiro escroque. A intenção é clara, o sujeito deve matar sua esposa infiel, em sua própria casa, enquanto ele, o marido, surge numa festa, na frente de todos, o que o livraria de uma eventual acusação de tê-la matado. Para atrair ela até um quarto escuro de sua casa, onde o assassino cometerá o crime, Tony usa o telefone. Assim que Margot o atender deverá ser assassinada. Aqui Hitchcock expõe todos os detalhes do plano e depois dos acontecimentos que vão surgindo em decorrência de vários imprevistos. O personagem Tony (Ray Milland) é extremamente inteligente e consegue armar contra todos, inclusive enganando os experientes inspetores da polícia. Tudo acaba caminhando muito bem, mesmo que por linhas tortas, até um pequeno, quase invisível detalhe, colocar tudo a perder. Esse roteiro pode ser descrito como um intrigado caso criminal, baseado muitas vezes em um tipo de suspense mais intelectual, apelando quase sempre para a perspicácia do espectador, que deve ficar bem atento para não perder nenhum detalhe. Nesse aspecto é certamente um dos grandes filmes da carreira do mestre do suspense. Imperdível.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 25 de julho de 2015

Marcados Pela Guerra

Título no Brasil: Marcados Pela Guerra
Título Original: Camp X-Ray
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: IFC Films
Direção: Peter Sattler
Roteiro: Peter Sattler
Elenco: Kristen Stewart, Peyman Moaadi, Lane Garrison
  
Sinopse:
Amy Cole (Kristen Stewart) é uma jovem recruta do exército americano que é enviada para trabalhar como guarda de segurança na prisão militar de segurança máxima de Guantánamo. Entre suas funções está a de fazer vistorias e plantões no corredor das celas onde estão presos alguns dos mais perigosos terroristas internacionais. Na rotina de seu serviço ela acaba se aproximando aos poucos do prisioneiro Ali (Peyman Moaadi), um sujeito culto e instruído, que amarga uma longa reclusão. Ela não é informada das acusações que são feitas ao detento e ele não simpatiza com a nova guarda simplesmente por ela ser americana. Nada disso porém evita que ambos acabem criando com o tempo uma aproximação, mesmo que precária e fora das regras da prisão. Filme indicado ao Sundance Film Festival na categoria de Melhor Drama.

Comentários:
Inicialmente você pensa que vai assistir a mais uma fita daquelas bem ufanistas, ao estilo patriotada americana. Aos poucos porém você vai entendendo que está assistindo a um bom filme, que se concentra mesmo na amizade e no calor humano que pode surgir nos momentos e nas ocasiões mais improváveis. A recruta Amy é uma peça chave nessa trama. Ela sai de uma cidadezinha na Flórida, sem muito preparo intelectual ou cultural e acaba conhecendo um prisioneiro acusado de terrorismo na super fechada prisão de Guantánamo. O sujeito tem uma grande bagagem cultural, tendo estudado na Alemanha onde se tornou professor universitário. Supostas ligações com grupos terroristas porém destruíram sua carreira e sua vida. Levado para a prisão de Guantanamo ele se torna mais um prisioneiro sem julgamento, um condenado sem sentença! O roteiro deixa de lado os aspectos jurídicos mais absurdos dos que estão confinados naquela prisão militar (como, por exemplo, o fato de nunca terem sido julgados adequadamente como determina todas as convenções e leis do mundo ocidental) e parte para uma outra abordagem. Ao invés de ficar discutindo o ponto de vista legal das prisões, o roteiro se concentra mesmo na inusitada aproximação entre a recruta americana e o detento árabe. Sem forçar a barra e nem criar situações melosas, o argumento funciona muito bem. A militar Amy também demonstra ter pouca aproximação ou familiaridade com seus próprios colegas de farda, muitos deles sujeitos rudes e pouco éticos. Assim ela acaba encontrando amizade e humanidade não entre os seus pares, mas no prisioneiro Ali. Com esse tipo de narrativa inteligente o jogo acaba sendo praticamente vencido. Com bom roteiro (bem humano aliás), boas atuações e uma história simples que funciona muito bem, "Camp X-Ray" acaba se revelando bem melhor do que inicialmente se pensava. Um ótimo programa que além de entreter também levanta questões bem importantes. Para assistir e se pensar depois sobre tudo o que foi visto na tela. Está devidamente recomendado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Renascida do Inferno

Título no Brasil: Renascida do Inferno
Título Original: The Lazarus Effect
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Lionsgate, Relativity Studios
Direção: David Gelb
Roteiro: Luke Dawson, Jeremy Slater
Elenco: Olivia Wilde, Mark Duplass, Evan Peters
  
Sinopse:
Um grupo de pesquisadores estudando os efeitos do coma no ser humano acaba descobrindo, por puro acaso, um novo soro que parece ter propriedades desconhecidas da ciência. Uma delas é trazer animais de volta à vida, mesmo após terem sido dados como mortos. Algo assim teria um impacto profundo na medicina. Depois de literalmente ressuscitar um cão durante uma experiência, uma das jovens cientistas, Zoe (Olivia Wilde), acaba morrendo eletrocutada. Seu noivo, Frank (Mark Duplass), em profundo desespero, resolve trazer ela de volta do mundo dos mortos, o que vai se revelar uma péssima ideia.

Comentários:
Ok, você já assistiu muitas vezes esse argumento em filmes anteriores. Basicamente é uma releitura de "Frankenstein" de Mary Shelley. Essa coisa de cientista usando correntes elétricas e soros químicos para ressuscitar corpos dados como mortos não é novidade desde 1818 quando o livro original do monstro mais famoso da literatura foi lançado. É a velha história da ciência como vilã na mãos de pesquisadores sem ética alguma ou preocupação com questões religiosas. Eles ousam ir além, passando por todos os limites e acabam pagando caro por isso, por sua ousadia sem barreiras. A principal personagem desse filme é uma jovem pesquisadora chamada Zoe. A primeira coisa que você deve saber sobre ela é que a garota parece ter um trauma em seu passado. Quando ela era apenas uma criança presenciou um grande incêndio no hotel onde estava hospedada. Enquanto tentava escapar pelas chamas, atravessando um longo corredor, ela acabou  ouvindo os gritos de desespero dos hóspedes presos em seus quartos, morrendo queimados. Mesmo tendo sido uma garotinha muito religiosa ela com os anos foi deixando sua fé de lado, concentrando seus esforços apenas para se tornar uma boa cientista, uma pesquisadora renomada. Ignorando suas raízes católicas ela acaba entrando de corpo e alma nesse projeto chamado Lazarus, uma tentativa de ressuscitar pessoas mortas. Quando ela própria passa pelo processo descobre que mexeu com forças poderosas, que não consegue compreender totalmente. Assim o terror de "Renascida do Inferno" acaba sendo mais psicológico, o que poderá decepcionar alguns fãs do gênero. No geral o resultado é sem novidades e pode até ser considerado um pouco fraco demais. Não existem cenas verdadeiramente assustadoras. No máximo existem pequenos sustos apenas. Mesmo assim vale ao menos conhecer nem que seja para sentir saudades da obra de Mary Shelley, essa sim imortal.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Manglehorn

Título Original: Manglehorn
Título no Brasil: Ainda Não Definido
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Dreambridge Films
Direção: David Gordon Green
Roteiro: Paul Logan
Elenco: Al Pacino, Holly Hunter, Harmony Korine
  
Sinopse:
A.J. Manglehorn (Al Pacino) é um sujeito comum que ganha a vida trabalhando com chaves. Ele tem um pequeno estabelecimento comercial e leva uma vida simples e pacata. Seu casamento chegou ao fim há muitos anos e seu único filho não é uma presença constante em seu dia a dia. Para espantar a solidão ele tem um animal de estimação que adora, mas que infelizmente agora está passando por problemas de saúde. Também tem um flerte casual com a caixa de banco Dawn (Holly Hunter), mas não tem coragem de ir em frente sobre essa situação. O que poucos sabem é que nas horas vagas o velho Manglehorn cultiva um antigo amor do passado, uma mulher que marcou definitivamente sua vida e que ele jamais conseguiu esquecer. Filme indicado ao Leão de Ouro no Venice Film Festival.

Comentários:
Al Pacino não parece disposto a se aposentar. Bom para ele e para o público que sempre admirou seu trabalho. Ultimamente Pacino tem optado por participar de filmes pequenos, mas com alguma mensagem mais relevante a transmitir. Infelizmente em Hollywood ainda se cultua a beleza, o sucesso e a juventude, não havendo muito espaço para filmes que mostrem a vida de pessoas mais velhas. Por essa razão Pacino escolheu participar dessa pequena produção que foca em outra direção, na velhice e na solidão de pessoas comuns. O seu personagem é um homem envelhecido que olha para o passado com uma certa nostalgia romântica. Ele tem alguns arrependimentos e remorsos a superar, entre eles o fato de não ter se casado com a mulher que ele sempre considerou o amor verdadeiro de sua vida. Embora tenha se casado anos depois com outra, ele jamais esqueceu um amor de sua juventude, uma garota chamada Clara, a quem ele dedica longas e apaixonadas cartas de amor. De vez em quando ele as envia, mas sem sucesso. Isso foi há tantos anos que ele nem sabe mais onde ela mora ou se ainda está viva. Mesmo assim o amor permanece. Ele sobreviveu a um casamento com uma mulher que ele não amava, ao nascimento de seu filho e ao passar dos anos. Sua vida é solitária, mas acaba percebendo que ainda existe esperanças ao conhecer Dawn (Holly Hunter), que trabalha no banco onde ele é cliente e que tem coisas em comum com sua personalidade, como o amor aos animais de estimação e uma existência também solitária. Na terceira idade essa pode ser sua última chance de ser feliz, mas será que vai conseguir esquecer mesmo o grande amor de sua vida? Como se pode perceber o forte aqui é o roteiro, muito humano e bem escrito. Pacino também está, como sempre, magnífico, apostando em um estilo de interpretação mais contido, de acordo com o papel que vive, a de um homem que começa a sentir o peso do passar dos anos. É um bom drama romântico que revive as esperanças na busca por um amor verdadeiro no meio de um mundo cheio de adversidades e desencontros, nessa longa jornada chamada vida.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Harry Potter e a Pedra Filosofal

Título no Brasil: Harry Potter e a Pedra Filosofal
Título Original: Harry Potter and the Sorcerer's Stone
Ano de Produção: 2001
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Chris Columbus
Roteiro: Steve Kloves, baseado na obra de J.K. Rowling
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Richard Harris, Maggie Smith, Ian Hart, John Hurt
  
Sinopse:

O garoto Harry Potter (Daniel Radcliffe) acaba descobrindo que seus pais foram famosos bruxos no passado e recebe uma carta para ir estudar na escola de magia de Hogwarts. Uma vez lá vê sua vida mudar completamente ao conhecer novos amigos e colegas de classe. O que ele não esperava é que um velho inimigo de seus pais também está de volta e ao que parece, mais forte do que nunca. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Direção de Arte, Figurinos e Melhor Música (John Williams). Filme também indicado ao BAFTA Awards e vencedor do prêmio de Melhor Figurino da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Film.

Comentários:
Esse foi o primeiro filme da longa e bem sucedida franquia do personagem Harry Potter no cinema. Durante anos tentou-se convencer a escritora J.K. Rowling a vender os direitos para o cinema, mas foi apenas em 2000 que ela finalmente assinou com a Warner Bros. Em troca exigiu poder de veto, ou seja, ela poderia vetar a escolha do diretor e demais membros da equipe técnica. O escolhido acabou sendo o especialista Chris Columbus, um diretor que conhecia bem o nicho infanto-juvenil. Além de ser um entendido no mercado ele também era considerado pouco autoral e até mesmo inofensivo (ou seja, não iria mudar muito a essência dos livros). Muito provavelmente por causa de todas essas características reunidas acabou caindo nas graças da autora. Assim Columbus acabou criando um filme que é a sua cara. Bonito visualmente, com excelente direção de arte, cenários deslumbrantes, efeitos especiais de bom gosto, mas também quase que completamente asséptico. Como se trata de um filme de apresentação, ou seja, onde todo o universo de Potter foi apresentado ao grande público pela primeira vez, até que funcionou muito bem. Como obra puramente cinematográfica porém deixa obviamente a desejar. É um filme realizado para o grande circuito comercial, para as massas, então não espere por nada que seja surpreendente ou inovador. Muito longe disso. Columbus parecia estar apenas preocupado em contar seu enredo sem pisar nos calos de absolutamente ninguém. Como um filme assim, baseado em um livro tão popular, não poderia fracassar, o gostinho que ele deixou no final é de ser um grande e longo pastel de vento. Bonito e charmoso, temos que admitir, mas mesmo assim um pastel de vento sem muito conteúdo. Outro aspecto que vale menção é que se você viu o filme há muito tempo vai acabar se surpreendendo com o elenco. Na época eles não passavam de crianças, sem muito o que fazer em cena. Da trupe a que mais se destaca ainda é a  Emma Watson, que apesar da pouca idade, já deixava claro que tinha muita personalidade. Os demais ficam restritos na categoria de "crianças fofinhas". Então é isso, "Harry Potter and the Sorcerer's Stone" é puro mainstream, embalado por uma popularidade poucas vezes vista no mercado literário. Uma fórmula que não costuma mesmo dar errado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 21 de julho de 2015

O Apostador

Jim Bennett (Mark Wahlberg) é um daqueles sujeitos que nasceu com tudo pronto para dar certo na vida. Filho de uma família tradicional e aristocrática, neto de um dos homens mais ricos da América, professor universitário culto e inteligente, tudo parece caminhar muito bem em sua existência. O que poucos sabem é que Jim também tem um lado oculto, uma vida que quase nunca vem à tona. Ele é um jogador compulsivo, um viciado em jogatinas e apostas. Quando não está dando aulas de literatura romântica em uma ótima universidade, Jim está mergulhado em mesas de cartas e roletas, geralmente no submundo de Las Vegas, onde as apostas não possuem limites e as dívidas são pagas com a própria vida. Agora, depois de se endividar absurdamente, Jim precisa pagar a um chefão da máfia coreana uma pequena fortuna proveniente de seu vício. Ele tem sete dias para quitar 260 mil dólares em dívidas provenientes das mesas de jogos ou então será executado sumariamente. Para resolver o problema ele acaba se atolando ainda mais ao procurar um perigoso agiota, um criminoso, que não está disposto a perder seu dinheiro para um apostador inveterado como ele. O cerco vai se fechando cada vez mais ao seu redor. "The Gambler" é o novo filme estrelado por Mark Wahlberg. Esse ator conseguiu ao longo dos anos escolher muito bem os filmes dos quais participa. Embora não seja um grande talento na arte de atuar ele demonstra ter um bom faro para se envolver nos projetos certos. Afinal de contas um bom roteiro faz toda a diferença do mundo.

Assim ele acerta novamente ao atuar nessa nova produção. O enredo é muito bom, envolvente até, mostrando uma pessoa que não consegue controlar seu vício em apostas. Embora seja um jogador talentoso, daqueles que conseguem ganhar altas somas em apenas algumas horas, ele tem um sério problema pois simplesmente não consegue parar na hora certa. Viciado em adrenalina também comete grandes loucuras ao apostar fortunas em apenas uma jogada decisiva. Com atitudes assim não é de se admirar que acabe invariavelmente arruinado no fim da noite. Sua salvação parece vir de onde menos se espera. Ele se surpreende pelo talento literário de uma nova aluna, Amy Phillips (interpretada pelo bonita e carismática Brie Larson), que pode ser o caminho para um recomeço em sua vida. O elenco de apoio é de primeira, a começar pela oscarizada Jessica Lange. Ela interpreta sua mãe, uma mulher que precisa salvar de tempos em tempos o seu pescoço, justamente por ele quase sempre ser ameaçado de morte por dívidas com gangsters. Lange poderia ter sido melhor aproveitada pelo roteiro, mas sua pequena presença já vale o ingresso. Outro boa participação vem com o ator John Goodman. Sempre visto como bom comediante, Goodman surpreende ao interpretar um agiota que acaba tendo os melhores diálogos de todo o filme. Sua explicação sobre o momento em que todos ganham o direito de usar a palavra "dane-se" é muito bem bolada. Então é isso, o que temos aqui é um bom filme, apoiado em um roteiro bem escrito, excelente trilha sonora com várias canções dos anos 70 e atuações inspiradas. Indicado ao Black Reel Awards na categoria de Melhor Ator Coadjuvante (Michael Kenneth Williams). / O Apostador (The Gambler, EUA, 2014) Direção: Rupert Wyatt / Roteiro: William Monahan, James Toback / Elenco: Mark Wahlberg, Jessica Lange, John Goodman, Michael Kenneth Williams, George Kennedy.

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

James Dean - Os Primeiros Dias em Hollywood - Parte 9

As filmagens de Giant (Assim Caminha a Humanidade, no Brasil) foram longas e cansativas. Para piorar elas foram realizadas em pleno verão, no escaldante sol do Texas. O diretor George Stevens tinha um jeito próprio de filmar. Ele colocava várias câmeras filmando ao mesmo tempo para depois escolher apenas os melhores ângulos que entrariam no corte final. Isso se tornava um inferno nas mãos dos editores já que a edição ficava triplamente complicada. Por essa razão James Dean jamais teria a oportunidade de assistir ao seu último filme. Após o fim das filmagens o material ficou por mais de um ano e meio na sala de edição da Warner Bros e nesse meio tempo Dean sofreria o acidente fatal que o vitimou com apenas 24 anos de idade. Curiosamente a última cena rodada pelo ator era uma em que ele aparecia usando forte maquiagem, aparentando ser um homem bem mais velho, angustiado e corroído pelo fato de nunca ter conquistado a mulher de seus sonhos (que era interpretada por Elizabeth Taylor).

Uma grande ironia do destino já que Dean jamais teria a oportunidade de envelhecer como seu personagem. Outro aspecto interessante aconteceu porque pela primeira vez em sua carreira no cinema ele teria que interpretar um homem embriagado. Diante do diretor assistente o ator disse que a única forma de interpretar alguém bêbado de forma convincente era tomar um porre. Após tomar meio litro de whisky, Dean surgiu no set, totalmente alto! A cena se revelaria grandiosa na tela, mas na realidade foi um tormento e um desastre para ficar pronta. Dean, completamente de fogo, esqueceu a maioria das falas e quase não conseguiu terminar a sequência. Stevens não se importou, mandou as câmeras filmarem sem interrupção e no final, na sala de edição, conseguiu dar um jeito para que todas as partes apresentassem uma lógica narrativa.

Livre do filme, mas ainda precisando retornar ao estúdio para dublar determinadas falas que não ficaram bem, por motivos técnicos (algo que só seria realizado pelo amigo Nick Adams após a morte de Dean), o ator resolveu se dedicar ao que mais gostava: correr e participar de corridas amadoras pela região. O último encontro com o diretor George Stevens foi cordial, apesar de tudo. James Dean passou o tempo todo brigando com ele por causa da diferença de visão que ambos tinham sobre a melhor atuação possível. Stevens determinava o que queria, mas Dean, muito intuitivo, acaba fazendo o que ele bem entendia. Desse choque de visão acabou surgindo uma das melhores atuações da década, o que valeria a Dean a indicação póstuma ao Oscar. Ao veterano cineasta Dean se despediu dizendo: "Agora podemos dar as mãos, eu não preciso mais de você e nem você de mim. Espero que as pessoas gostem do filme" ao que Stevens respondeu secamente: "Sim, eles gostarão". Depois disso o ator subiu em seu Porsche e pegou estrada. No caminho conversando com seu mecânico particular confessou: "Não sei o que esperar desse meu último filme".

Por essa época todos em Hollywood já sabiam que James Dean era o grande nome do momento. Em pouco tempo ele certamente se tornaria um astro. Havia um certo protocolo, como fazer capas de revistas e dar entrevistas para os jornalistas especializados em cinema, mas Dean ignorou tudo isso. Em um sinal de boa vontade resolveu participar brevemente de um programa de TV, dando uma pequena, mas importante entrevista. Antes de ir embora o entrevistador perguntou a Dean se as pessoas precisavam tomar mais cuidado ao dirigir em alta velocidade. Com seu jeito peculiar de ser Dean disse: "É isso aí, tenham cuidado ao volante, assim vocês poderão salvar vidas... inclusive, quem sabe, talvez até a minha!".

Pablo Aluísio.

Papa Francisco: "Nada Justifica o Terrorismo! Matar em nome de Deus é uma Blasfêmia"

Vaticano - O Papa Francisco se pronunciou sobre os terríveis ataques terroristas que foram feitos em Paris na última sexta-feira 13. Para Francisco usar o nome de Deus para justificar a violência e o assassinato de pessoas inocentes é blasfêmia! O Papa Francisco declarou: "Essa barbaridade que foi cometida em Paris nos deixam chocados e espantados. É momento de perguntarmos a nós mesmos como o coração humano pode planejar e realizar atos tão terríveis?" Os ataques em Paris foram realizados por três equipes diferentes de terroristas ligados ao Estado Islâmico. No total 129 pessoas perderam suas vidas e mais de 350 ficaram gravemente feridas. Os alvos dos jihadistas foram cafés e restaurantes da capital francesa, além de um show de rock no conhecido Bataclan e o estádio de futebol onde naquele momento era disputada uma partida entre as seleções da França e da Alemanha.

O Papa Francisco classificou os atos terroristas como uma "afronta inominável à dignidade da pessoa humana". Ainda pensativo afirmou: "O caminho da violência e do ódio não resolvem os problemas da humanidade. Esse certamente não é o caminho". O Papa Francisco aproveitou a oportunidade na Praça de São Pedro no Vaticano para pedir um minuto de silêncio pelas pessoas que foram mortas. Depois convidou a todos os milhares de presentes no local a recitar uma Ave-Maria em nome dos falecidos. O Papa Francisco ainda salientou dizendo: "Que a Virgem Maria, Mãe da Misericórdia, coloque nos corações de todos nós, pensamentos de sabedoria e propostas em busca da paz. Vamos pedir para Maria que ela proteja e guarde sem segurança a querida nação francesa, a primeira nação a ser filha da igreja, da Europa e do mundo inteiro. Confiamos à misericórdia de Deus as almas das vítimas inocentes dessa tragédia".

Depois do discurso o Papa Francisco resolveu abrir o seu coração. Para a imprensa italiana declarou: "Estou muito abalado e triste! Eu não consigo entender algo assim. Esse tipo de tragédia é realmente algo muito difícil de entender. Como seres humanos podem fazer algo tão terrível?" - Deixou a pergunta no ar. Depois Francisco explicou, abrindo seus sentimentos: "É por isso que estou muito abalado e aflito. Estou orando sempre que posso para que algo assim não volte a se repetir. "Não há justificativas para essas coisas" - Disse o Papa. Depois de pensar em silêncio por alguns segundos Francisco concluiu: "Isso não é humano!".

Depois dos atentados terroristas o Estado Islâmico ameaçou novos ataques e não poupou Roma das ameaças. A política italiana intensificou a segurança em torno do Vaticano uma vez que o coração da Igreja Católica se tornou um dos principais alvos do jihadistas que consideram o cristianismo uma falsa religião que deve ser varrida da face da Terra para ser colocada em seu lugar o Islã do profeta Maomé. Para o Estado Islâmico só existe dois caminhos para o infiel cristão: ou ele aceita o Islamismo ou então será condenado à morte! O Cardeal André Vingt-Trois de Paris divulgou nota em que agradeceu as orações de todos os católicos ao redor do mundo e depois afirmou que nenhum cristão pode se permitir ser derrotado pelo ódio ou pelo pânico. Também fez questão de lembrar das vítimas de atentados realizados no mesmo dia na África e no Líbano. "Nunca devemos perder a graça de sermos pacificadores. Nunca devemos perder as nossas esperanças de paz. Devemos sempre trabalhar e lutar por justiça" - concluiu Vingt-Trois.

Pablo Aluísio.

Poltergeist - O Fenômeno

Título no Brasil: Poltergeist - O Fenômeno
Título Original: Poltergeist
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Gil Kenan
Roteiro: David Lindsay-Abaire, Steven Spielberg
Elenco: Sam Rockwell, Rosemarie DeWitt, Jared Harris, Kennedi Clements
  
Sinopse:
Após o marido perder seu emprego, uma típica família americana resolve se mudar, indo morar em uma casa mais modesta nos subúrbios da cidade. Embora velha e nem sempre apresentando um bom estado, eles resolvem alugar o imóvel, ignorando completamente que a residência foi construída sobre um velho cemitério. Assim que se instalam no novo lar começam a notar que há algo de estranho acontecendo. A pequena filha começa a ter conversas com seres imaginários na TV e o filho percebe ruídos e barulhos estranhos vindos do sótão. Não demora muito e o pavor se instala quando todos percebem que o lugar na realidade parece ser assombrado por uma multidão de fantasmas violentos.

Comentários:
O primeiro filme "Poltergeist" de 1982 é hoje considerado um clássico do terror. Produzido por Steven Spielberg, com direção de Tobe Hooper, a produção marcou toda uma geração e foi um enorme sucesso de bilheteria. Esse remake que tenta trazer aquela história para as novas gerações sofre de um problema recorrente em remakes modernos: a falta de uma maior sofisticação em sua realização. Não se trata de esnobismo, mas sim de saber que filmes de terror funcionam melhor quando o enredo é mais bem trabalhado, desenvolvido sem pressa, com momentos de tensão e suspense sendo colocados na tela aos poucos, tudo preparando o espectador para o grande clímax final. Nenhum filme de horror que se propõe a ser direto demais consegue colher bons frutos. Nesse filme encontramos isso de forma bem clara. A duração é pequena, pouco mais 80 minutos de duração, o que faz com que a história seja apresentada de forma apressada, corrida mesmo. Não há tempo para se insinuar nada, nem criar mistérios. Tudo é literalmente jogado na cara dos espectadores em questão de minutos. Sem o clima adequado o horror não consegue criar medo suficiente, frustrando completamente o público. Afinal de contas as pessoas pagam uma entrada de cinema para assistir a um filme de terror para sentir medo e ter sustos. Aqui, na maioria das cenas, o que vai se sentir mesmo é muito tédio e desapontamento. O que no roteiro original era bem trabalhado, sendo desvendado aos poucos, aqui soa direto demais. Isso me surpreendeu já que "Poltergeist" é uma franquia de sucesso, o que nos levaria a esperar por algo mais bem realizado, mais bem escrito. Tudo em vão. O filme em momento algum me deixou satisfeito. O pior é que sendo um fã dos filmes originais logo a decepção tomou conta. Há várias modificações na trama original, com a inserção inclusive de novos personagens e novas soluções, mas nada disso consegue soar melhor do que vimos na década de 80. O personagem de Jared Harris, por exemplo, que inexistia no filme de Hooper, não diz a que veio e lembra demais do Peter Vincent de "A Hora dos Espanto" original. Ao invés da médium carismática da trama original inseriram um bando de acadêmicos de paranormalidade que não ajudam em nada no filme. São chatos e inúteis em tudo o que acontece. Não há religiosidade nenhuma no argumento, só um ateísmo disfarçado e tolo que incomoda bastante. Os personagens não parecem acreditar em absolutamente nada, para nossa decepção. Isso tira grande parte da graça que uma história como essa poderia ter. É tudo muito asséptico e chato mesmo. O resultado de todos esses erros é que a fita acabou não indo bem nas bilheterias, sendo que o mercado internacional amenizou um pouco o tremendo fracasso comercial que o filme foi nos Estados Unidos. Esse mal resultado é apenas um aspecto ruim de um remake que deixa muito a desejar em vários pontos (roteiro, efeitos visuais, elenco, etc). É a tal coisa, se não vai fazer algo melhor do que foi feito no passado é melhor não se mexer em nada, deixar tudo como está. A busca pelo lucro fácil muitas vezes acaba prejudicando ou destruindo o prestígio de filmes que são cultuados até hoje.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 19 de julho de 2015

Henrique VIII e o rompimento com o Catolicismo

A mensagem de Lutero chegaria às igrejas inglesas? Dependia muito das crenças e opiniões de Henrique VIII, o monarca reinante na época. Católico conservador, determinado e ambicioso, ele exigia lealdade do povo. Um historiador ironicamente o chamou de "mastro gigante" em torno do qual a Inglaterra dançava, em uma comparação com os mastros enfeitados para as festas, com flores e fitas. Inicialmente, porém, os reformadores religiosos não encontraram espaço para dançar.

Quando começou a ficar conhecido, Lutero recebeu objeções de Henrique VIII. Em 1521, o rei escreveu um livro sobre os sacramentos, no qual expunha as ideias do papa e criticava a doutrina de Lutero. Por seu valioso trabalho de comunicador, o rei recebeu do papa Leão X o título a que até hoje têm direito seus sucessores: Defensor da Fé. A partir de 1529, porém, ele foi deixando de defender a fé católica.

Necessidades ligadas ao país - a busca de melhores aliados militares e diplomáticos - e ambições pessoais levaram-no a adotar objetivos diferentes daqueles defendidos pelo papa. O rei queria, em especial, um herdeiro para o trono. Em 1533, sem filhos, ele rejeitou a mulher, Catarina de Aragão. Em seguida, casou-se com Ana Bolena, dama de companhia da ex-mulher. Na busca de um filho saudável, ele se casaria várias vezes.

O papa não aprovaria a separação e um novo casamento. Então, era preciso desafiar a autoridade papal. Foi o que fez Henrique VIII, com a ajuda de bispos e teólogos ingleses que simpatizavam com suas idéias. A disputa resultou na excomunhão de Henrique VIII. Assim, com a aprovação do Parlamento inglês, convocado depois de longo recesso, ele se nomeou "chefe supremo da Igreja" na Inglaterra e, aos poucos, confiscou as propriedades e os direitos do papa. O rei passou a ter autoridade para apontar os bispos.

Em 1535, tal como Zurique, a Inglaterra começou a abolir os mosteiros. Mais de 8 mil monges, monjas e frades se dispersaram. Os religiosos menores de 24 anos de idade não tinham adquirido estabilidade nos votos, e foram simplesmente mandados embora. Entre os mais velhos, alguns passaram a receber uma pensão, outros assumiram paróquias e outros ainda foram consagrados bispos, enquanto uns poucos abades corajosos que tentaram defender seus mosteiros dos soldados ingleses acabaram enforcados.

Os pobres que recebiam ajuda regular tiveram de procurar novos protetores. Os mosteiros ingleses, cerca de 400, passaram a pertencer ao rei Henrique VIII, que os vendeu, conservou ou distribuiu pelos súditos favoritos. Apesar de todas essas atitudes, Henrique VIII garantia continuar um católico leal.

Durante anos ele defendeu pessoalmente a maior parte das doutrinas católicas contra as críticas dos luteranos recém-convertidos. Segundo o rei, o inimigo era o papa. Ele continuava amigo da grande e venerável Igreja fundada em Roma. No entanto, as medidas tomadas por Henrique VIII não ficaram só no confisco.

Em 1536, os padres receberam ordens de desestimular a antiga e freqüentemente alegre prática da peregrinação, sendo mais comuns as que iam a Canterbury ou Compostela, a noroeste da Espanha. Eles foram instruídos também a deixar de venerar relíquias de santos. O rei se mostrava cada vez mais simpático ao protestantismo, desde que não muito radical.

Quando Henrique VIII subiu ao trono, o idioma empregado maciçamente na vida religiosa e acadêmica era o latim. Nas manhãs de domingo, ouviam-se palavras e cantos em latim por toda a cidade de Londres. Nas duas universidades inglesas, os pronunciamentos mais sérios eram feitos em latim, e dizem que o próprio Erasmo, ao discursar lá, não falou em inglês. O latim era também a língua de praticamente todos os livros impresso na Inglaterra, e o mesmo acontecia com os volumes da biblioteca da Oxford University.

William Tyndale, um industrial do setor de vestuário em Gloucestershire, contribuiu bastante para reverter essa tendência. Depois de passar a infância em um local com vista para as montanhas da fronteira com o País de Gales, ele foi para o Magdalen College, em Oxford, e de lá para Cambridge, revelando-se ótimo aluno.

Decidido a traduzir o Antigo Testamento para o inglês, estudou a Bíblia católica chamada Vulgata e a nova tradução de Erasmo, ambas em latim. Estudou também a tradução alemã do Novo Testamento, feita por Lutero, cujas idéias cada vez lhe pareciam mais atraentes. Tyndale estava provavelmente envolvido com os estudos quando, aos 30 anos, viajou para a Alemanha. Ele nunca voltaria à Inglaterra.

No verão de 1525 - um ano depois de chegar à Alemanha - a versão inglesa do Novo Testamento feita por Tyndale estava pronta para ser impressa. Em sua tradução, ele usou a linguagem do povo, e não da aristocracia. Os leitores provavelmente viram impressas pela primeira vez expressões como "o sal da terra", uma ligeira alteração de outra ouvida por Tyndale na juventude, na área rural de Gloucestershire.

Muitos ditados ainda hoje usados no idioma inglês foram criados por ele. Tyndale acrescentou o próprio estilo aos comandos de Cristo: "Procura e acharás"; "Faça-se a luz"; e "Não se pode servir a dois patrões". A Bíblia de Tyndale tornou-se uma das glórias da língua inglesa.

Fonte: Uma Breve História do Cristianismo - Geoffrey Blainey. 

No Rastro da Bala

Nick Tortano (Ben Barnes) descende de uma antiga linhagem de mafiosos italianos de Boston. Seu pai é um homem honesto e correto que prefere viver com dificuldades, mas de acordo com a lei. Nick porém quer subir mais rápido na vida. Para isso ele acaba se aproximando do velho chefe mafioso Salvatore Vitaglia (Harvey Keitel). O veterano gosta de seu estilo, mas antes de entrar para a sua organização Nick terá que provar sua lealdade assassinando um advogado criminal. Enquanto o dia de sua prova de fogo não chega, Nick acaba se interessando por Ali Matazano (Leighton Meester), a filha de um gangster que deseja manter a maior distância possível do mundo do crime. Alguns filmes são tão subestimados, mesmo sendo tão bons. Veja o caso desse "By the Gun". Passou praticamente despercebido do público brasileiro, o que é uma pena. O roteiro é bom mesmo, com personagens interessantes que vivem no submundo de Boston dentro do que restou da máfia italiana na cidade. Como se sabe a Cosa Nostra sofreu um duro golpe nos anos 80. Os grandes chefões das famílias poderosas foram todos para a prisão ou então acabaram sendo mortos por seus próprios inimigos. O que sobrou foi a existência de pequenos grupos, liderados por chefes mafiosos de menor expressão. É nesse meio que tenta ganhar a vida Nick Tortano (Ben Barnes). Tentando subir na hierarquia do crime, ele acaba percebendo que em pouco tempo pode se complicar, indo bem fundo nesse meio de violência e criminalidade. Na realidade ele é até um sujeito de boa índole que acaba sendo tragado pelo meio social onde vive.

O ator Ben Barnes que interpreta o personagem principal se sai muito bem em sua atuação, até porque não é fácil para um inglês interpretar um americano de origem italiana que convive com todos os tipos de mafiosos locais. É uma mudança e tanto nos rumos de sua carreira já que até agora ele vinha interpretando tipos mais sofisticados como o próprio Dorian Gray na adaptação cinematográfica de 2009. Outro nome que chamará a atenção dos espectadores, em especial dos que curtem séries, é a da atriz Leighton Meester (a Blair Waldorf de "Gossip Girl"). Deixando de lado o estilo fashion de sua personagem mais famosa ela aqui interpreta a filha de um gangster que tem um péssimo relacionamento com o pai. Vivendo de forma modesta, em um bar local servindo bebidas aos clientes, ela parece mesmo ser um doce de garota. Tentando ficar longe de criminosos ela acaba caindo numa armadilha ao se apaixonar por Nick (Barnes), justamente mais um sujeito que em breve estará bem enrascado com as famílias poderosas da cidade. Por fim, completando o bom elenco, temos o veterano Harvey Keitel na pele do chefão Salvatore Vitaglia. Mafioso da velha escola, ele faz questão de manter vivo velhos rituais da organização, como uma cerimônia de iniciação de seu pupilo Nick. Em suma, um bom filme sobre mafiosos sicilianos da bela Boston que seguramente deveria ter sido mais comentado e badalado. Recomendo sem receios. / No Rastro da Bala (By the Gun, EUA, 2015) Direção: James Mottern / Roteiro: Emilio Mauro / Elenco: Ben Barnes, Leighton Meester, Harvey Keitel, Slaine.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Terra Estranha

Depois de um escândalo sexual envolvendo a própria filha adolescente e o seu professor do ensino médio, uma família decide se mudar para uma cidadezinha isolada, bem no meio do deserto australiano. O lugar é atrasado e possui um clima insuportavelmente quente. A instabilidade emocional acaba sendo agravada pela própria hostilidade natural da região. A vida familiar não é das melhores, mesmo na nova casa. Há uma tensão sempre presente envolvendo todos os membros. A filha Lily Parker (Maddison Brown) não suporta mais o que ela considera pura opressão de seus pais e por isso desenvolve uma personalidade muito complicada de se lidar. Não demora muito e ela começa a se insinuar para todos os rapazes de sua idade, o que acaba lhe trazendo uma má fama entre os jovens da cidade. Em pouco tempo ela ganha o infame rótulo de vadia do bairro. Para piorar frequenta uma pista de skate onde rola muitas drogas e sexo casual. O pai Matthew (Joseph Fiennes) é um pacato funcionário de uma farmácia e não tem muita força para impor uma disciplina mais rígida em relação a ela e o filho caçula é um garoto com problemas emocionais, sem amigos, absorvido em si mesmo. Como se a rotina já não fosse ruim e pesada o bastante a família enfrenta um novo problema, esse bem maior do que qualquer outra complicação de relacionamento pessoal entre seus membros. Pela manhã, ao acordar, a mãe Catherine (Nicole Kidman) descobre que seus filhos simplesmente desapareceram, sem deixar rastros. Desesperada, ela busca ajuda com o xerife local e intensas buscas são organizadas para localizar os jovens pela região deserta ao redor da cidade, mas tudo parece ser em vão. Os moradores da cidade tampouco parecem também dispostos a ajudar na solução do mistério, o que aumenta ainda mais o desespero de Catherine. O que afinal de contas poderia ter acontecido com seus filhos?

Esse é o mais novo filme estrelado pela atriz Nicole Kidman. É uma produção australiana, país onde ela cresceu e considera seu lar, apesar de ser havaiana de nascimento. O roteiro explora o tema do desaparecimento de crianças, algo que é muito mais comum e rotineiro do que muitas pessoas pensam. Obviamente que a perda de um filho, sem saber de seu paradeiro ou destino, é devastador para qualquer mãe. O pior acontece quando a jovem garota adolescente (sempre uma fase complicada na vida de toda garota) tem sérios problemas emocionais causadas por um envolvimento impróprio com seu professor na escola, algo que destruiu sua reputação entre seus amigos, criando uma situação tão ruim que a família precisou até mesmo mudar de cidade. A família mostrada é desfuncional e cheia de problemas. O próprio passado da mãe, Catherine (Kidman), parece piorar ainda tudo, pois o pai associa o comportamento promíscuo da filha com a dela em seu passado. Kidman está muito bem no papel, uma mulher que começa a entrar em colapso quando percebe que sua família está desmoronando. Ela inclusive tem cenas bem corajosas, como aquela em que entra bem no meio da rua principal da cidade completamente nua e com os nervos em frangalhos após passar a noite no deserto numa busca desesperada e sem rumo pela filha. Com cabelos escuros, pintados de preto, ela consegue ainda ficar mais bela na tela, embora sua personagem não seja naturalmente sensual ou atraente, isso por causa do próprio roteiro que explora dramaticamente a perda de seus filhos. O final do filme pode vir a decepcionar alguns, principalmente aos que esperavam uma solução muito mais bem elaborada do mistério do desaparecimento dos jovens. Esse aspecto porém não me pareceu negativo, muito pelo contrário. Gostei do desfecho mais realista, pé no chão e que no final das contas faz todo o sentido. A proximidade com a realidade contou pontos a favor do roteiro e não o contrário. Muitas vezes a vida em família se torna insuportável, o que faz certas pessoas tomarem atitudes impensadas e irresponsáveis. Assim temos aqui um bom drama, bem escrito e atuado, que merecerá sua atenção.

Strangerland (Idem, Austrália, Irlanda, 2015) Direção: Kim Farrant / Roteiro: Michael Kinirons, Fiona Seres / Elenco: Nicole Kidman, Hugo Weaving, Joseph Fiennes, Maddison Brown / Sinopse: Após ir para uma nova cidade em busca de uma nova vida, uma família fugindo do escândalo sexual da filha adolescente que se envolveu com seu professor no passado, precisa lidar com o desaparecimento dela e do irmão. Para investigar o caso o xerife local David Rae (Hugo Weaving) começa intensas buscas pelo deserto, ao mesmo tempo em que procura sondar o que teria acontecido dentro da própria família antes dos filhos desaparecerem.

Pablo Aluísio. 


segunda-feira, 13 de julho de 2015

James Dean - Os Primeiros Dias em Hollywood - Parte 8

Assim que começaram as filmagens de Giant (Assim Caminha a Humanidade, no Brasil), James Dean logo viu que teria problemas. O diretor George Stevens pertencia a uma outra escola, muito tradicional, onde não eram aceitas improvisações sobre o que estava no roteiro e no script. Ao contrário dos diretores anteriores, com os quais Dean se deu muito bem por causa do processo criativo, nesse novo filme ele deveria andar na linha, com disciplina sobre o que estava escrito. Na primeira semana de gravação Dean reclamou que ficara o tempo todo em sua cadeira, vendo "Rock Hudson se apaixonar por Elizabeth Taylor". Isso aconteceu porque Stevens procurava filmar as cenas em ordem cronológica e em razão disso James Dean não tinha nenhuma tomada programada.

Ele achou tudo um enorme tédio. Enquanto Rock e Liz trabalhavam, Dean ficava em seu acento, fazendo nós em sua corda de vaqueiro. Depois de três dias nisso o jovem ator rebelde chutou o balde e resolveu desaparecer do set. Ao invés de acompanhar a cena de outros atores ele preferiu ficar ao lado dos extras cowboys que faziam parte do elenco de apoio. Nem precisa dizer que isso acabou enfurecendo George Stevens. O veterano cineasta queria que Dean acompanhasse tudo, para assim entrar no clima da história. Dean pensava diferente. Para ele ficar acompanhando as filmagens de outros atores poderia atrapalhar sua performance. Ele queria ser espontâneo e não disciplinado. Além disso não estava disposto a abrir mão da linha de trabalho em que acreditava.

A diferença de visão sobre atuação e o aparente desinteresse de Dean pelo filme acabou criando uma tensão no set. Depois de inúmeras brigas e discussões, onde Dean teria xingado Stevens de "idiota" a relação entre eles azedou de vez. Mal se dirigiam a palavra uma ao outro. No máximo Stevens dava um bom dia a Dean que mal respondia, vociferando algo que ninguém entendia. Para uma amiga de Nova Iorque James Dean confidenciou em uma carta cheia de sinceridade: "Sinceramente todos me odeiam no set. O diretor não suporta ouvir nem meu nome. Rock é um grandalhão sem expressão. Estou na merda! Gostaria muito de voltar para Nova Iorque, para meus amigos, para o teatro... mas não posso! Esses caras da Warner me processariam e eu ficaria duro!". A única pessoa da equipe que parecia se dar bem com James Dean era a estrela Elizabeth Taylor. Liz tinha muita experiência em lidar com jovens atores de formação na costa leste como Dean. Ela já havia se dado muito bem com o problemático Montgomery Clift no passado e sabia que Dean não era muito diferente dele. Em pouco tempo ambos eram grandes amigos. Para Liz, Dean confidenciou: "Você é uma pessoa linda! O meu problema é que também gosto de pessoas más". Quando a situação ficava intolerável o diretor Stevens pedia a Liz que desse alguns conselhos a Dean, que curiosamente parecia seguir as dicas e opiniões da colega.

Já com Rock Hudson as coisas não fluíram bem. Eles se deram mal desde o começo. Na verdade James Dean tinha pouco respeito com galãs ao estilo de Rock, que no fundo era apenas um tipo bonitão que não tinha muita formação dramática. Rock havia sido criado pela fábrica de astros da Universal e nunca tinha pisado em um palco de teatro na vida. Esse histórico fazia com que Dean não o levasse muito à sério. Além disso a diferença de altura entre eles começou a incomodar Dean que se referia a ele como um "poste", uma piada que tinha dois sentidos, uma em relação ao 1.90m que Rock ostentava e outra em direção a pouca expressividade de Hudson. Dean que era considerado um baixinho ficou bem desconfortável ao ter que contracenar com alguém tão alto como Rock. Para piorar o próprio Rock começou a também ironizar James Dean e seu método de trabalho. Ele chegou a afirmar: "James Dean era do tipo miúdo! Antes de entrar em cena ele dava pulos, corria e fazia todo tipo de exercício que tinham lhe ensinado em Nova Iorque! Eu achava aquilo tudo bem estranho e para falar a verdade tudo me parecia um circo, uma palhaçada".

Pablo Aluísio.

Marilyn Monroe - Galeria de Fotos


Esse foi um dos ensaios mais famosos realizados por Marilyn Monroe. Esbanjando sensualidade as fotos foram feitas para uma importante revista americana. Ao diretor do ensaio Marilyn confidenciou o que desejava com as fotos: "Quero tirar Elizabeth Taylor da capa de todas as revistas semanais". Dito e feito. Na semana de sua publicação não se falava em outra coisa. Marilyn estava mais linda e maravilhosa do que nunca!







domingo, 12 de julho de 2015

Papa Francisco no Paraguai


Papa Francisco no Paraguai - Nessa galeria de fotos vemos a maravilhosa visita do Papa Francisco no querido país vizinho do Paraguai. Francisco foi recebido pelo povo paraguaio de braços abertos, visitou uma favela, exaltou a firmeza e a força da mulher daquela nação que precisou se reerguer após uma guerra terrível e ainda pediu perdão pelos erros do passado em relação aos nativos da região. Essa visita marcou o fim de seu giro pela América do Sul, que começou pelo Equador, Bolívia e Paraguai. Muitos brasileiros e argentinos participaram de longas caravanas para encontrar o carismático Papa argentino. Ao fim dos trabalhos Francisco reconheceu que havia sido uma viagem que lhe exigiu muito fisicamente. A um padre amigo confidenciou que estava esgotado. Agora o nosso querido Papa retorna para o Vaticano, na paz de Deus! (fotos: CNS).










Casanova / Terra Fria

Casanova
Sinceramente falando não consegui gostar da proposta desse filme "Casanova". Como o próprio título já deixa claro, o roteiro mostra aspectos da vida do famoso conquistador Giacomo Casanova (1725 - 1798), lendário amante italiano que se tornou imortal por causa da extensa bibliografia que foi escrita sobre sua vida ao longo de anos e anos. O problema básico dessa nova versão foi a sempre lamentável tentativa de se mudar um homem que viveu no século XVIII para os valores atuais. Essa modernização acabou descaracterizando todo o personagem. Não que o ator Heath Ledger não fosse talentoso, muito longe disso, apenas não era o papel adequado a ele naquele momento de sua carreira. Ledger não se adaptou bem, não demonstrando ter qualquer tipo de ligação com os modos e a forma de ser de uma pessoa que viveu naquela época. Ao invés disso passa a sensação constrangedora de que é apenas um australiano do século XX vestindo roupas de época, como se fossem meras fantasias, enquanto tenta criar algum processo de identificação com sua pífia atuação. Pior é o uso inadequado de uma direção de arte bonita, mas imprópria para os objetivos do filme. Assim acabaram matando o próprio legado de Casanova, um sujeito amoral e dado a conquistas vazias, tudo para satisfazer seu ego faminto. Nesse roteiro o lado mau caráter de Giacomo foi varrido para debaixo do tapete, surgindo no lugar um dândi romântico bonzinho, tipicamente de romances do século XIX, algo que o verdadeiro Casanova jamais foi. Erraram tudo por um século de diferença! Em suma, misturaram escolas literárias e épocas diversas, confundindo a essência de personagens de obras da literatura bem diferentes entre si. Diante de tantos erros o filme realmente não teve salvação. / Casanova (Casanova, EUA, 2005) Direção: Lasse Hallström / Roteiro: Jeffrey Hatcher, Kimberly Simi / Elenco: Heath Ledger, Sienna Miller, Jeremy Irons, Lena Olin.

Terra Fria
Não adianta. Algumas atrizes são tão bonitas que nem em histórias trágicas e sofridas se consegue retirar sua beleza para fora das telas. Charlize Theron sempre foi uma das mais belas do cinema atual. Tentando fugir desse rótulo ela andou procurando por roteiros mais desafiadores, que a tirassem desse modelo de beleza vazia que andava sondando sua filmografia. Afinal esse é de certa forma um estigma que acompanha muitas atrizes e atores. Eles temem que sem o devido reconhecimento por seu trabalho dramático sejam esquecidos após os anos lhes retirarem sua estética. Afinal de contas um rosto bonito só dura mesmo alguns poucos anos. Nesse "North Country" Charlize Theron interpreta Josey Aimes. Ela é uma mãe solteira que precisa trabalhar para criar seus dois filhos. De volta à terra natal, em Minnesota, tudo o que consegue arranjar é um emprego duro nas minas da região. O trabalho é pesado, mas o salário minguado pelo menos coloca a comida sobre a mesa e para ela isso é tudo o que importa no momento. O problema é que ela, por ser uma bela mulher ainda, acaba sendo vítima de assédio sexual de seus próprios superiores no emprego. A partir daí a coisa foge do controle e sua história acaba sendo o retrato das dificuldades que as mulheres enfrentam dentro do mercado de trabalho. Um filme muito bom em que Charlize tenta de todas as formas surgir na tela não como uma deusa do cinema, mas sim como uma mulher normal, operária, que tenta ganhar a vida de forma honesta e íntegra. Ela conseguiu. Belo roteiro social que merece passar por uma nova revisão, sempre que possível. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Charlize Theron) e Melhor Atriz Coadjuvante (Frances McDormand). Também indicado ao Globo de Ouro e ao Bafta nas mesmas categorias. / Terra Fria (North Country, EUA, 2005) Direção: Niki Caro / Roteiro: Michael Seitzman, Clara Bingham / Elenco: Charlize Theron, Jeremy Renner, Frances McDormand.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 11 de julho de 2015

Kill Bill: Volume 2 / A Queda!

Kill Bill: Volume 2
Muitos que foram ao cinema assistir a esse filme pensaram equivocadamente que se tratava de uma continuação, uma sequência do primeiro filme. Não é bem assim. Na verdade como o próprio diretor Quentin Tarantino explicaria se tratava na realidade de apenas um filme, dividido em duas partes. A questão é que seu roteiro ficou tão extenso, tão longo e cheio de referências que ficou impossível desenvolver e apresentar tudo em apenas uma parte (ou um volume como pensou o cineasta). Assim temos aqui o final da trama envolvendo a "noiva" (Uma Thurman) e as razões que a fizeram se tornar praticamente uma assassina serial (ou algo que o valha). A trama é secundária, como aconteceu também na primeira parte. Nessa segunda fita há maiores explicações sobre tudo, inclusive com o uso bem realizado de flashbacks. Tudo isso porém não é o mais importante. O que "Kill Bill" tem de melhor é a sua estética cinematográfica, sua apologia em forma de homenagem a filmes do passado e centenas de referências à cultura pop. Tudo fruto do caldeirão de cultura popular que povoa a mente do diretor. O resultado de tudo isso é muito divertido e também muito bem feito. Tarantino sabe como ninguém fazer da paródia descompromissada uma verdadeira obra de arte. Curiosamente a Academia, mais uma vez, resolveu ignorar. Pelo menos o Globo de Ouro ainda lembrou do filme em sua premiação, indicando Uma Thurman ao prêmio de Melhor Atriz - Drama (Drama?!) e David Carradine na categoria de Melhor Ator Coadjuvante (o último grande reconhecimento em sua carreira). / Kill Bill: Volume 2 (Kill Bill: Vol. 2, EUA, 2004) Direção: Quentin Tarantino / Roteiro: Quentin Tarantino / Elenco: Uma Thurman, David Carradine, Michael Madsen, Vivica A. Fox.

A Queda! As Últimas Horas de Hitler
Outro ótimo filme da safra de 2004 foi essa produção alemã chamada "Der Untergang" (A Queda, no Brasil). Durante muitos anos o nazismo foi uma verdadeira ferida aberta na alma do povo alemão. Só depois de décadas é que finalmente foi produzido um grande filme naquele país retratando os momentos finais da vida do ditador Adolf Hitler (interpretado de forma brilhante pelo talentoso ator Bruno Ganz). Em seu bunker, cercado por tropas inimigas soviéticas por todos os lados, prestes a entrar em Berlim, Hitler vê seu outrora magnífico Reich, que deveria durar mil anos, se desfarelar diante de seus olhos. O interessante nesse roteiro, que foi escrito baseado em relatos reais de pessoas que estiveram dentro do covil do lobo ao lado de seu Führer, foi mostrar as reações do infame ditador diante do fim de seus planos megalomaníacos de dominação mundial. O curioso é que Hitler realmente foi até o fim, ao limite, só resolvendo se matar, colocando um fim em sua própria vida, quando as tropas russas estavam praticamente na esquina de seu bunker, o refúgio que era considerado impenetrável pelos líderes nazistas na época. Dando ordens à batalhões de um exército que já não existia mais, por ter sido aniquilado no front de guerra, o ditador não perdia sua insana maneira de enxergar a realidade ao seu redor. Sofrendo de delírios visuais, culpando o povo alemão por sua queda, a quem sentenciou que deveria ser devorado nas chamas do inimigo, "A Queda" explora como poucos filmes a mente de um sujeito que levou milhões de pessoas à morte, em um dos conflitos mais sangrentos da história. Assista e tente entender a loucura que dominou Hitler e seus asseclas durante a II Guerra Mundial. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Filme vencedor do European Film Awards na categoria de Melhor Ator (Bruno Ganz). / A Queda! As Últimas Horas de Hitler (Der Untergang, Alemanha, Austria, Itália, 2004) Direção: Oliver Hirschbiegel / Roteiro: Bernd Eichinger, Joachim Fest/ Elenco: Bruno Ganz, Alexandra Maria Lara, Ulrich Matthes.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Velozes & Furiosos 7

Começo o texto esclarecendo que nunca fui um "especialista" dessa série de filmes. Para falar a verdade acredito que assisti no máximo a um ou dois. Puxando pela memória eu me recordo de ter visto o primeiro, mais por causa dos carrões envenenados do que pelo elenco (que sabia, era formado por brucutus canastrões) ou pelo roteiro (fala sério, quem vai atrás de roteiro em filmes como esse?). Achei o primeiro filme bem mais ou menos. Não consegui curtir. Havia um excesso de testosterona burra no ar, com aqueles caras fortões e monossilábicos. Até as atrizes eram machonas, com por exemplo a caminhoneira Michelle Rodriguez (que depois, ora vejam só, assumiu ser lésbica, o que não causou surpresa em absolutamente ninguém que acompanha cinema). Então o tempo passou e de vez em quando eu me deparava com algum poster sequência dessa série em cartaz no cinema e o ignorava completamente. Sabia que era tudo caça-níquel. Nem quando esbarrava de bobeira, zapeando na TV a cabo, com algum continuação me animava a conferir. Bastava o troglodita Vin Diesel surgir na tela com aquela marra toda para que eu imediatamente mudasse de canal. Tenho uma antipatia natural pelo seu jeito brutamontes debilóide de ser. Aquela marra, aquelas bombas... sem condições de simpatizar com o dito cujo. 

Então o mundo seguiu em frente. Quando foi ontem resolvi encarar esse sétimo filme. Engoli minhas aversões de lado e fui, incentivado quase que exclusivamente pela curiosidade mórbida de saber que o Paul Walker morreu incinerado em tochas dentro de seu carrão, após um acidente terrível, o que por si só já é uma tremenda ironia de humor negro do destino. Ele assim acabou trilhando o mesmo destino de James Dean, que também adorava carros possantes, dentro e fora das telas. Claro que Walker nunca foi Dean. Ao contrário do eterno rebelde que estrelou filmes maravilhosos, o Walker deixou como legado um monte de fitinhas B de ação que serão esquecidas em tempo recorde. Mesmo assim fui, impulsionado por esse sentimento banal e em muitos aspectos também bem hipócrita.

O filme, como era de se esperar, é do tipo ação sem cérebro. Explosões para todos os lados, cenas muito mentirosas e aquela qualidade técnica que apenas os ianques são capazes de reproduzir em uma tela de cinema. Há duas sequências absurdas que valem a pena. A primeira quando os membros da equipe de Diesel pulam de paraquedas dentro seus próprios carros. Um primor de absurdo! Na outra Paul Walker tenta escapar após um ônibus inteiro ficar pendurado em um abismo! São cenas vazias, claro, porém divertidas.

Por fim o carequinha invocado Jason Statham interpreta o vilão, um sujeito indigesto, hiper, mega, ultra, super treinado soldado de elite que ninguém consegue matar! Coisas de filmes de ação desse tipo. Ao se deparar com vinte homens armados até os dentes, prontos para atirar em sua fuça, tudo o que ele consegue fazer é dizer, com olhar de desprezo: "É só isso o que vocês trouxeram para me enfrentar?". Tudo para que o garoto cheio de espinhas que assistir ao filme pensar consigo mesmo "Uau! Esse cara é macho mesmo!". Depois de 2 horas e 17 minutos de duração (uma eternidade), o filme chegou ao fim com uma singela homenagem do Vin Diesel ao finado Paul Walker. Esses poucos minutos provavelmente foram a melhor coisa de uma fita que parece chiclete, você masca, masca, não sai nada de substancial e depois, sem muita cerimônia, simplesmente o cospe fora. Assista, mas claro, apenas se você gostar de chiclete! / Velozes & Furiosos 7 (Furious Seven, EUA, 2015) Direção: James Wan / Roteiro: Chris Morgan, Gary Scott Thompson / Elenco: Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne Johnson, Michelle Rodriguez, Jason Statham.

Erick Steve. 

A Casa dos Mortos

Título no Brasil: A Casa dos Mortos
Título Original: Demonic
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Dimension Films
Direção: Will Canon
Roteiro: Max La Bella, Will Canon
Elenco: Maria Bello, Frank Grillo, Cody Horn
  
Sinopse:
Uma antiga casa localizada em Baton Rouge, no estado americano da Louisiana, foi palco de um massacre no passado. Na época a polícia suspeitou de que no local funcionava uma seita satânica. No total cinco pessoas foram mortas lá, sem que o crime nunca tenha sido plenamente solucionado. Como era de se esperar a velha casa acabou sendo considerada amaldiçoada e maldita, sendo aos poucos esquecida. Décadas depois da tragédia um grupo de jovens, estudiosos de fenômenos paranormais, decide ir para a casa com equipamento de última geração para tentar gravar ou localizar sinais da presença de espíritos, pois durante anos a comunidade da região criou uma lenda de que o lugar teria ficado mal assombrado após as mortes. O que eles não esperavam era que tudo sairia do controle de uma forma tão rápida e brutal.

Comentários:
Filmes sobre velhas mansões mal assombradas costumam ser bons. Esse aqui não chega a ser um grande filme de terror, mas tampouco pode ser descrito como uma decepção completa, pois de certa forma mantém uma boa pegada, com história interessante e duração na medida, tudo apoiado em um bom roteiro. Esse foi escrito com duas linhas temporais básicas. A primeira se passa no presente quando o xerife da cidade é chamado para uma realizar uma batida na velha casa abandonada. Desde que houve a tragédia no passado ninguém mais se arriscou a morar na residência. A porta da frente havia sido arrombada e gritos vindos de dentro da velha casa despertaram a atenção dos vizinhos que logo chamaram a polícia. Ao chegar lá o veterano homem da lei acaba se deparando novamente com um grupo de corpos de jovens que teriam sido brutalmente assassinados. A partir desse ponto e seguindo os registros deixados pelas próprias vítimas - que estavam com farto equipamento tecnológico para registrar fenômenos paranormais - eles reconstituem, em flashbacks, o que de fato teria acontecido no local. As investigações acabam revelando que um dos rapazes sobreviventes teria um elo de ligação com as mortes no passado. Assim aos poucos o fio da meada começa a ser puxado, revelando tudo o que teria acontecido. A direção é boa, mas também não surpreende. Pelo menos não atrapalha em nenhum momento. O elenco é formado por atores desconhecidos que conseguem dar conta do recado. Como eu já escrevi passa longe de ser um terror brilhante, mas como diversão no fim de noite em uma semana sem mais nada o que assistir, até que funciona muito bem. Vale a pena conhecer.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.