terça-feira, 31 de março de 2015

Interestelar

Piloto de testes no passado, Cooper (Matthew McConaughey) agora precisa cuidar de uma fazenda no meio oeste americano. O programa espacial foi praticamente desativado pois o planeta passa por um sério problema com sua agricultura. Várias culturas agrícolas essenciais para a humanidade estão simplesmente deixando de existir por questões ambientais. Indignada com os gastos do programa espacial a população acabou exigindo que todos os gastos com a exploração do cosmos fossem suspensas. Para Cooper, que é viúvo e vive ao lado de seus dois filhos adolescentes e seu pai na sede da fazenda, a ciência é agora apenas um ponto nostálgico de sua vida passada. Após uma terrível tempestade de areia em sua propriedade rural ele percebe que há um estranho fenômeno acontecendo no quarto de sua filha - uma alteração gravitacional sem explicação aparente. Tentando decifrar o enigma, ele acaba descobrindo que há uma linguagem binária envolvida naquela situação. Usando os números como guia acaba descobrindo tratar-se de uma posição geográfica. Indo até lá, no meio do deserto, acaba descobrindo uma imponente instalação governamental, um projeto espacial secreto, que tem como objetivo enviar astronautas na exploração de um "buraco de minhoca" perto de Saturno. O termo é usado designar fendas cósmicas que conseguem alinhar o tempo-espaço do universo. Esse lugar proporciona um salto interestelar, tornando possível uma viagem até uma estrela longínqua do universo e seu próprio sistema planetário. Imediatamente Cooper é convidado pelo cientista e professor Brand (Michael Caine) para participar de uma nova missão de reconhecimento rumo ao desconhecido. Acontece que três pioneiros foram enviados para exoplanetas há muitos anos e de lá nunca retornaram. Estarão vivos ou foram tragados pelo universo? A única maneira de responder a essa pergunta é enviando uma nova missão para esses planetas desconhecidos. Assim Cooper se une à filha de Brand (interpretada pela atriz Anne Hathaway) para juntos cruzarem o buraco de minhoca. Uma vez lá descobrem que nem tudo é tão dimensional e simples de explicar como tenta entender a vã ciência humana.

Que Christopher Nolan é um dos diretores mais talentosos do cinema americano atual já não restam dúvidas. Qualquer filme assinado por ele já é motivo por si só para ser conferido, até de forma obrigatória, pelos cinéfilos mais antenados. Nessa produção Nolan resolveu ir além. Desde os primeiros momentos sabemos que ele vai explorar um tema que já foi muito caro na história da sétima arte. Não precisa ir muito longe para entender que o grande modelo seguido por Nolan foi o clássico de Stanley Kubrick, "2001 - Uma Odisseia no Espaço". O argumento basicamente segue os passos do clássico filme original. De certa maneira tudo pode até mesmo ser encarado como uma revitalização do tema ou até mesmo uma forma de tornar sua proposta mais acessível ao grande público. Obviamente que essa produção não tem a consistência filosófica e existencial do filme original. isso porém não se torna um problema. Acredito que Nolan quis apenas realizar uma ficção científica inteligente, lidando com temas da Astrofísica que estão bastante em voga atualmente. Se você não entende ou não curte ciência não precisa também se preocupar. Nolan escreveu seu filme de forma que seja acessível ao homem médio. Claro que conceitos relativos como tempo, espaço e gravidade, formam a espinha dorsal do enredo, mas isso pode ser entendido sem maiores problemas desde que você tenha ao menos uma base de física (até mesmo o feijão com arroz ensinado no ensino médio lhe trará algum apoio nesse sentido). Assim o que temos aqui é uma estória até simples, muitas vezes bem fantasiosa, com um background científico mais aprofundado. Algumas situações do roteiro chegam um pouco a incomodar pelas soluções fáceis demais que vão surgindo. Por exemplo, mesmo aposentado há anos o personagem de Matthew McConaughey é logo incorporado na missão espacial, assim quase da noite para o dia, algo que seria inimaginável em uma situação real. Parece que Nolan e seu irmão Jonathan capricharam nas tintas científicas de sua trama e se descuidaram um pouco de certos acontecimentos mais banais do enredo.

Além disso alguns aspectos dos planetas visitados são bem pueris (diria até primários) do ponto de vista astronômico, mas nada disso chega a se tornar um problema de complicada superação. O que vale mesmo em tudo é o conceito de dimensões paralelas explorada por Nolan, principalmente nas sequências finais quando temos uma verdadeira flâmula dos conceitos de multi universos dimensionais. Sim, alguns aspectos do roteiro serão banais, como a enésima exploração do tema de um planeta exaurido em seus recursos naturais, mas se pensarmos bem tudo isso nada mais é do que uma bengala narrativa para que Nolan desenvolva seu tema principal. No geral a família - que mais parece ter saído de um filme de Spielberg por causa da pieguice excessiva - acaba também servindo de uma ferramenta puramente narrativa para que o diretor desenvolva suas ideias mais científicas, as principais no final de tudo. Certamente Interestelar é um belo filme, com uma proposta que vai até mesmo soar intrigante nos dias de hoje. Poderia ser uma obra prima se Nolan fosse mais além mesmo, com coragem, como fez Kubrick no passado em sua obra cinematográfica imortal. Ao dar espaço para pequenas concessões comerciais em seu roteiro, Nolan perdeu talvez a grande chance de realizar a maior obra prima de toda a sua carreira. Nem sempre tentar agradar ao grande público que lota os cinemas comerciais pode compensar, olhando-se tudo sob esse ponto de vista, esse tipo de situação. De bom mesmo o que ficará dessa produção será o desenvolvimento de conceitos científicos e a bela mensagem de Nolan sobre a importância do amor, encarado quase como uma variável puramente astrofísica. Quem diria que um cineasta conseguiria reunir dois temas assim tão dispares em um mesmo pacote? Sensacional.

Interestelar (Interstellar, EUA, 2014) Direção: Christopher Nolan / Roteiro: Jonathan Nolan, Christopher Nolan / Elenco: Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Michael Caine, John Lithgow, Ellen Burstyn, Jessica Chastain, Casey Affleck / Sinopse: Ex piloto do programa espacial é recrutado para uma nova missão da NASA. Ele deverá ir junto com sua tripulação em direção a um enorme "buraco de minhoca" cósmico em busca de respostas sobre três missões anteriores que não retornaram ao planeta Terra. O objetivo é procurar um novo lugar para colonização pela raça humana pois os recursos naturais da Terra estão virtualmente esgotados. O lema da missão passa a ser "A humanidade nasceu na Terra, mas não precisa morrer nela". Filme vencedor do Oscar na categoria de Melhores Efeitos Especiais. Também indicado nas categorias de Melhor mixagem de Som, Melhor Edição de Som, Melhor Design de Produção e Melhor Música Original.

Pablo Aluísio.

domingo, 29 de março de 2015

Promessas de Guerra

A cena inicial mostra os momentos finais da sangrenta batalha de Gallipoli. As tropas turcas estão decididas a enfrentar o inimigo em campo aberto. Assim deixam suas trincheiras em direção ao campo onde estão as tropas estacionadas do exército britânico. Uma vez lá descobrem surpresos que os ingleses simplesmente bateram em retirada. Quatro anos depois encontramos o fazendeiro Joshua Connor (Russell Crowe) tentando encontrar água em suas terras no deserto e hostil interior australiano. Não é uma coisa das mais simples. A região é uma das mais secas do planeta. Além da luta diária pela sobrevivência ele ainda precisa lidar a cada dia com uma tragédia familiar. Alguns anos antes ele acabou incentivando seus três filhos a se alistarem no exército de seu país para lutarem na sangrenta Primeira Guerra Mundial. O resultado foi trágico. Seus três filhos acabaram sendo dados como desaparecidos em combate, muito provavelmente mortos no front por participaram de uma das batalhas mais sangrentas do conflito. A esposa de Joshua não resiste à depressão e começa a enlouquecer lentamente, até o dia em que resolve acabar com tudo, com sua própria vida. Em seu leito de morte, Joshua promete ir atrás dos garotos, para ter uma certeza definitiva se realmente morreram ou se existe alguma possibilidade, mesmo que mínima, de ainda estarem vivos em algum lugar. Após enterrar sua amada, ele resolve cruzar os mares, indo parar na distante Turquia, ainda uma nação dividida por inúmeros conflitos, lutando por sua liberdade. Seguindo rastros dos jovens filhos ele acaba indo parar no próprio campo de batalha onde supostamente tombaram. De fato após vários dias procurando acaba encontrando os restos mortais de dois deles. Será que o terceiro filho ainda estaria vivo? Com a ajuda improvável de um major das linhas inimigas ele começa a juntar as pistas que podem lhe levar finalmente ao encontro de seu querido filho desaparecido. Esse é ponto de partida da trama desse novo filme da carreira do ator Russell Crowe, que aqui resolveu se arriscar pela primeira vez na direção de um longa-metragem convencional (antes havia apenas assinado a direção de dois curtas e um documentário).

O resultado de sua coragem e ousadia se mostra bem interessante. Claro que existem alguns probleminhas, como o uso de um corte final um pouco excessivo (sim, o filme poderia ter uma menor duração, sem prejudicar em nada o enredo), além de algumas falhas de ritmo, pois o filme ora parece avançar, ora estagnar. Mesmo assim, com esses equívocos pontuais, perdoáveis em quem não tem muita experiência como cineasta, o filme conseguiu me agradar. O roteiro é baseado em uma história real, a jornada definitiva da vida de um pai em busca do paradeiro de seus filhos perdidos em uma das guerras mais brutais da história. Ele é um homem resignado, destruído pelas tragédias familiares, primeiro a perda de seus amados garotos, depois a morte chocante de sua esposa, corroída pela loucura e pelo desespero. No final tudo o que ele busca é uma redenção pessoal, uma forma de fechar uma porta dolorida de sua existência passada - e assim enterrar seus filhos de uma forma digna, para não deixá-los em uma cova coletiva, típica daquela época. No caminho acaba conhecendo uma viúva de guerra e seu esperto filho, que vivem de forma sofrida ao administrarem uma pequena pousada. Dessa forma o filme acaba se desdobrando em dois: no drama de Joshua em achar os restos mortais de seus filhos e na inesperada constatação que ainda existe lugar para um improvável romance em sua vida. A produção arrisca algumas cenas de combate, mas esse não é certamente o foco principal desse argumento. Ele é bem mais direcionado para o drama interior do personagem interpretado por Russell Crowe. Novamente a fotografia se revela uma grata surpresa ao explorar as maravilhosas tomadas da milenar cidade de Istambul (a antiga Constantinopla cristã, fundada pelo imperador Constantino). Em uma das melhores cenas Crowe inclusive resolve admirar o rico interior da Basílica de Santa Sofia - que hoje em dia virou uma mesquita, fruto da vitoria do Império Otomano sobre o decadente Império bizantino (ou Império romano do Oriente). Então é isso, nada de muito espetacular ou épico, mas que se revela um bom filme no final das contas. É no fundo uma boa produção, com uma trama interessante, procurando contar uma história que de fato aconteceu em 1919, fazendo tudo isso com uma insuspeita honestidade. Vale de fato a pena conhecer e assistir.


Promessas de Guerra (The Water Diviner, EUA, Turquia, Austrália, 2014) Direção: Russell Crowe / Roteiro: Andrew Knight, Andrew Anastasios / Elenco: Russell Crowe, Olga Kurylenko, Yilmaz Erdogan, Jai Courtney, Jacqueline McKenzie / Sinopse: Joshua Connor (Russell Crowe) é um fazendeiro australiano que decide ir em busca do paradeiro de seus três filhos, dados como desaparecidos de guerra, durante a batalha de Gallipoli. Uma vez na Turquia acaba conhecendo uma jovem viúva da guerra e seu pequeno filho. Será que haveria ainda possibilidade de reconstruir sua vida sentimental e afetiva após tantas tragédias pessoais em sua vida? Filme vencedor do prêmio da Australian Film Institute nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Yilmaz Erdogan) e Melhor figurino (Tess Schofield). Também indicado aos prêmios de Melhor Ator (Russell Crowe), Atria Coadjuvante (Jacqueline McKenzie), Roteiro Original e Edição.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 27 de março de 2015

As Duas Faces de Janeiro

Um casal de americanos (interpretado pelos atores Viggo Mortensen e Kirsten Dunst) está na Grécia de férias curtindo a região. Como todo bom turista eles resolvem conhecer o Pathernon e as antigas ruínas da milenar Atenas. Casualmente acabam conhecendo também um guia de turismo, Rydal (Oscar Isaac), um jovem americano que vive há bastante tempo naquele país. Inicialmente se aproximam sem muito interesse até porque desde o começo o marido começa a nutrir uma certa desconfiança em relação ao rapaz. Rydal, por sua vez, nem disfarça muito em esconder que está visivelmente interessado na esposa do sujeito. O que parece começar como um flerte casual, sem maiores consequências, acaba ganhando cores dramáticas após Chester (Mortensen) matar por acidente um detetive particular que estava em seu encalço. Apesar da postura de normalidade Chester é na realidade um fraudador do mercado de ações da bolsa de Nova Iorque. Após dar um golpe na praça, ficando com o dinheiro de pessoas inocentes que confiaram nele, parte para a Europa, com o duplo objetivo de curtir belas férias ao mesmo tempo em que foge dos problemas que deixou na América. Sua tranquilidade porém acaba drasticamente quando o crime acontece. A partir desse ponto ele precisa desesperadamente arranjar um jeito de ir embora da Grécia para fugir de uma iminente acusação de homicídio. O trio então resolve ir até a histórica ilha de Creta onde pretendem encontrar um falsificador de documentos que irá providenciar passaportes falsos para que eles finalmente fujam da região.

Sinceramente achei esse filme bem cansativo. Ele não é longo, tendo pouco mais de 90 minutos de duração, mas mesmo assim consegue cansar o espectador. Seu problema não se resume ao tempo gasto para assisti-lo, mas sim o fato do roteiro se desenvolver de forma muito preguiçosa, sem uma adequada carga dramática que consiga manter nossos olhos abertos. Para piorar o elenco também pareceu se acomodar em cena. Sem exceção os atores que interpretam os personagens principais não parecem muito empolgados e nem se esforçam muito em atuar bem. Parecem cansados e exaustos (será por causa do calor grego?). O roteiro basicamente gira em torno de apenas três personagens (o casal e o guia turístico) e falha ao tentar desenvolver melhor esse pouco convincente triângulo amoroso. O resultado é bem morno e sem atrativos. Viggo Mortensen só serve para sentirmos saudades de filmes melhores de seu passado. Seu personagem aqui é o rei da antipatia e do marasmo. Para piorar também surge como um sujeito completamente desastrado que mata sem intenção (algo que na linguagem jurídica chamamos de crimes preterdolosos, quando o sujeito almeja cometer um ato de menor gravidade, mas que no final acaba cometendo outro bem mais grave - dolo no ato antecedente e culpa do procedente). De bom mesmo apenas as ótimas tomadas captadas em Atenas e na ruínas de Creta. Pena que são momentos fugazes e breves. No saldo geral é sim um filme sonolento que nunca empolga ou decola de verdade. Não aconselho assistir no período da noite pois o sono certamente será um desafio a mais em uma produção que peca por ser puro marasmo e pretensão tediosa.

As Duas Faces de Janeiro (The Two Faces of January, Estados Unidos, Inglaterra, França, 2014) Direção: Hossein Amini / Roteiro: Hossein Amini, Patricia Highsmith / Elenco: Viggo Mortensen, Kirsten Dunst, Oscar Isaac / Sinopse: Casal de americanos acaba se envolvendo em um crime enquanto passa férias na Grécia. Com receios de irem para a prisão resolvem contratar os serviços de um guia turístico para a compra de passaportes falsos. Na ilha de Creta acabam se envolvendo ainda mais em complicações legais. Filme indicado ao London Critics Circle Film Awards.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Código de Honra

Dois jovens advogados (Chris Evans e Mark Kassen) tentam mover uma ação contra uma poderosa empresa de produtos hospitalares. Em posse de documentos e fatos tentam provar que uma nova forma de agulha evitaria acidentes de trabalho envolvendo médicos e enfermeiros em hospitais dos EUA. O problema é que a poderosa e influente empresa não quer que tal produto seja comercializado pois isso vai contra seus interesses comercias. Está assim armado o conflito ou como se diz no mundo do direito, a lide. O filme "Código de Honra" me lembrou bastante de algumas outras produções que partem de uma situação bem parecida: pequenos advogados, sem maiores recursos, que tentam vencer nos tribunais grupos poderosos. Aqui temos um diferencial interessante. O advogado interpretado por Chris Evans é totalmente viciado em drogas pesadas. Imaginem toda a pressão do mundo sobre ele somada a esses problemas de dependência química! Eu pessoalmente sempre achei o Chris Evans um ator apenas correto mas aqui em "Código de Honra" seu trabalho dá um salto de qualidade. Ele realmente convence o espectador que é um sujeito com sérios problemas com cocaína e outras drogas (incluindo o famigerado Crack). Sua interpretação é acima da média, não há como negar.

O filme é dirigido por dois irmãos, Mark e Adam Kassen (sendo que o primeiro também está em cena ao lado de Evans). Gostei do trabalho deles. O roteiro não cai em nenhum momento na chatice (algo perigoso em filmes desse estilo). Além disso eles se contentam em contar de forma eficiente os fatos, em metragem adequada (o filme não é longo demais, pelo contrário, é na medida certa). No final não há como não se surpreender com a história que é, pasmem, baseada em fatos reais! O grande mérito de "Código de Honra" é, no apagar da luzes, mostrar que no mundo do direito (seja aqui ou seja nos EUA) nem sempre a justiça vence! Enfim, recomendo bastante, sem medo de errar.

Código de Honra (Puncture, EUA, 2011) / Direção de Adam Kassen e Mark Kassen / Elenco: Chris Evans, Vinessa Shaw Michael Biehn, Kate Burton / Sinopse: Dois jovens advogados (Chris Evans e Mark Kassen) tentam mover uma ação contra uma poderosa empresa de produtos hospitalares. Em posse de documentos e fatos tentam provar que uma nova forma de agulha evitaria acidentes de trabalho envolvendo médicos e enfermeiros em hospitais dos EUA. O problema é que a poderosa e influente empresa não quer que tal produto seja comercializado pois isso vai contra seus interesses comercias. Filme vencedor do Houston Film Critics Society Awards na categoria de Melhor Filme Independente. Também vencedor do New Hampshire Film Festival na categoria de Melhor Filme e Melhor Direção.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 24 de março de 2015

Drácula (1992)

No século XV um nobre romeno, Vlad Tepes, luta ao lado da Igreja Cristã Romena para expulsar os turcos da região dos Cárpatos. Sua noiva, Elisabetha (Winona Rider), acreditando que Vlad havia morrido nos campos de batalha, não suporta e comete suicídio atirando-se no rio. Porém seu grande amor não estava morto e, ao retornar da guerra, fica sabendo da morte da amada. E pior: ouve do padre Cesare que a alma de Elisabetha estava amaldiçoada por ter cometido suicídio. Neste momento, Vlad, corroído por um ódio gigantesco, renuncia, não só à igreja, mas também a Deus. Depois de romper com a igreja e com Deus, Vlad alia-se ao anti-cristo, atinge a imortalidade, e passa a ser chamado de Conde Drácula (o filho do diabo), passando assim a alimentar-se de sangue, numa prática conhecida como vampirismo. Depois de quatrocentos anos, Drácula descobre que o espírito de Elizabetha reencarnou em Londres com o nome de Wilhelmina Murray (Winona Rider), ou simplesmente, Mina Murray. Jonathan Harker (Keanu Reeves), noivo de Mina, é um jovem negociante que resolve em certa ocasião viajar à Transilvânia até a fúnebre mansão do Conde Drácula a fim de vender para o funesto proprietário dez terrenos na região de Londres. Chegando à mansão, Jonathan começa a desconfiar do estranho anfitrião, mas antes que consiga fugir, é feito prisioneiro do Conde demoníaco. Com Jonathas prisioneiro, o caminho de Drácula fica livre para que ele viaje até Londres em busca de sua amada eterna. Porém o que Drácula não sabe é que o Dr. Van Helsing (Anthony Hopkins) pode estragar todos os seus planos pois o caçará de forma implacável.

Na melhor, e mais fiel, adaptação do livro "Drácula", escrito em 1897 pelo irlandês Abraham Stoker, ou simplesmente Bram Stoker (1847-1912), Coppola realizou de forma magistral um mosaico aterrorizante e perfeito do famoso e demoníaco Conde da Transilvânia: Vlad Tepes (Drácula) - O Empalador. Ou seja, uma criatura sensual, aterrorizante, carismática e depravada. Com pinceladas na fotografia que vão desde um cianótico entristecido, até um vibrante e sensual vermelho, a obra instigante de Coppola encanta e atormenta as mentes mais centradas e ajustadas. O longa - "Drácula de Bram Stoker" (Bram Stoker's Dracula - 1992) marca de forma indelével as atuações da bela e translúcida Winona Ryder e do excelente e performático Gary Oldman. Os dois são o sustentáculo de um roteiro excelente e perturbador que a todo instante nos deixa em dúvida de tudo o que realmente é real ou onírico. A cada cena, os personagens parecem atravessar a estrada lúgubre que desemboca nas esquinas da sensualidade, da luxúria e do horror. Num exame mais profundo da obra, descobrimos que um despudorado e genial Francis Ford Coppola, consegue injetar, de forma lenta e profunda, doses letais de anfetamina nas veias de uma charmosa Inglaterra Vitoriana. Uma obra magnífica!


Drácula de Bram Stoker (Dracula, EUA, 1992) Direção: Francis Ford Coppola / Roteiro:  James V. Hart baseado na obra de Bram Stoker / Elenco: Gary Oldman, Winona Ryder, Anthony Hopkins, Keanu Reeves, Richard E. Grant, Billy Campbell, Sadie Frost, Tom Waits, Monica Bellucci / Sinopse: Jonathan Harker (Keanu Reeves) vai a um distante e isolado castelo com a missão de vender uma propriedade a um estranho e recluso Conde chamado Drácula (Gary Oldman). Ao ver o retrato de sua amada o monstro fica admirado com a semelhança com sua antiga paixão, uma jovem falecida há muitos séculos. Não tardará para que o Conde vá ao seu encontro.

Telmo Vilela Jr.

Anjos e Demônios

Depois do enorme sucesso de O Código Da Vinci era apenas questão de tempo para que um novo livro de Dan Brown fosse novamente adaptado para as telas. O escolhido foi Anjos e Demônios, uma opção mais do que natural. Todos os ingredientes que fizeram a fama e fortuna do filme / livro anterior estão aqui novamente. Teorias da conspiração, tentativas de encobrir supostas verdades históricas, o suposto poder maquiavélico da Igreja Católica e as onipresentes sociedades secretas que farão de tudo para que a verdade não venha à tona. Dan Brown, que não é bobo nem nada, não iria mexer em time que se está ganhando. Se deu certo uma vez, certamente dará certo novamente. Por essa razão todas as críticas que foram feitas em Código da Vinci podem ser repetidas mais uma vez aqui. Como eu já afirmei, Dan Brown nada mais é do que um escritor bem esperto que junta no mesmo caldeirão uma infinidade de coisas, teorias, pseudo-história, e tudo o mais que encontra pela frente para causar a sensação no leitor que de existe algo muito grande e muito terrível nos bastidores tentando manipular a humanidade. Instituições milenares sempre viram alvo na escrita de Brown e a Igreja Católica obviamente é seu saco de pancadas preferido. A mensagem subliminar que o autor sempre deixa é a de que algo que vem perdurando há tantos séculos deve ter algo muito terrível a esconder. Para tanto não medirá esforços para manter seu poder e domínio sobre os homens. Como se vê é tudo uma grande bobagem mesmo.

Aqui a trama se aproveita da eleição de um novo Papa. Junte-se a isso o mistério de um assassinato e a presença maquiavélica de mais uma sociedade secreta conhecida como Illuminati, Eu não acabei de escrever que a literatura de Dan Brown se aproveita até a exaustão de fórmulas? Pois aí está. A estrutura é a mesma do livro anterior, sem tirar nem colocar nada de novo. Tudo muito formulaico. O curioso é que o autor ao mesmo tempo em que elege a Igreja como sua vilã preferida, mostra mesmo que indiretamente uma atração pelos costumes, rituais e liturgias da instituição religiosa. O filme foi novamente dirigido pelo pouco ousado e burocrático Ron Howard. Tom Hanks retornou ao seu personagem e a produção procurou seguir os passos do primeiro filme. Tudo sem nenhuma novidade digna de nota a não ser a boa presença de Ewan McGregor  que a despeito de seu bom trabalho ao longo do filme tem que pagar um mico enorme na cena final que é simplesmente patética, vamos falar a verdade. Pára quedas na Praça de São Pedro? É um pouco demais da conta vamos convir. Enfim, só recomendo para os fãs mais radicais de Dan Brown. Para os cinéfilos em geral tudo vai soar bem convencional, nada marcante. E se você gosta do tema histórico sobre Papas recomendo que procure por livros de história escritos por historiadores renomados, que sejam realmente interessantes e historicamente corretos. Deixe Dan Brown de lado, ele é literatura pop chiclete em essência e já não consegue enganar mais ninguém.

Anjos e Demônios (Angel & Demons, EUA, 2009) Direção: Ron Howard / Roteiro: David Koepp, Akiva Goldsman, baseado no livro de Dan Brown / Elenco: Tom Hanks, Ayelet Zurer, Ewan McGregor, Stellan Skarsgård, David Pasquesi, Cosimo Fusco, Allen Dula./ Sinopse: Durante a eleição do novo Papa uma terrível sociedade secreta colocará em risco a vida de várias pessoas, entre elas a do professor e estudioso Robert Langdon (Tom Hanks).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

segunda-feira, 23 de março de 2015

Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas

Posso dizer que foi bem menos aborrecido do que os anteriores. Algumas coisas em Piratas do Caribe sempre me incomodaram: excesso de piadinhas sem graça, piruetas e pirotecnias à la filme dos Trapalhões, roteiros dispersos demais, duração desnecessária e excesso de personagens sem importância. Parece que os produtores do filme realmente ouviram as críticas e resolveram aqui cortar todos as coisas que atrapallhavam os filmes da franquia. Achei o roteiro bem enxuto, focado numa situação base (ao contrário dos anteriores que atiravam para todos os lados). Outro ponto positivo ao meu ver foi o enxugamento de personagens desnecessários. Aqueles chatos que povoavam os filmes anteriores simplesmente sumiram, o que foi ótimo. As piadinhas também ficaram sob controle, para minha satisfação.

De resto o que posso dizer é que não fiquei entediado e nem com raiva da burrice do roteiro. O Depp continua na mesma e não o critico uma vez que o personagem do Capitão é uma verdadeira mina de ouro para ele (o ator já ganhou tanto dinheiro com esse pirata que comprou até mesmo uma ilha particular para si). A produção não nega sua face blockbuster e por isso em muitos momentos pensamos que o filme foi escrito para alguém com déficit de atenção pois o corre corre é intenso. De qualquer maneira cenas pontuais (e bem feitas) fazem valer a pena, como o ataque das sereias. No saldo final apesar de não considerar um filme bom, penso que houve melhorias. O que é complicado mesmo é entender como um filme que usa e abusa de tantos clichês antigos (que já eram usados na década de 30 com Errol Flynn) conseguiu apurar mais de um bilhão de dólares de bilheteria! Velhas fórmulas parecem nunca envelhecer mesmo para o grande público.

Piratas do Caribe: Navegando em águas Misteriosas (Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides, EUA, 2011) Direção: Rob Marshall / Roteiro: :Ted Elliott, Terry Rossio / Elenco: Johnny Depp, Penélope Cruz, Ian McShane / Sinopse: Jack Sparrow (Johnny Depp) e Barbossa (Geoffrey Rush) saem em busca de novas aventuras na franquia de grande sucesso de bilheteria.

Júlio Abreu.

Livrai-nos do Mal

Título no Brasil: Livrai-nos do Mal
Título Original: Deliver Us from Evil
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures
Direção: Scott Derrickson
Roteiro: Scott Derrickson, Paul Harris Boardman
Elenco: Eric Bana, Édgar Ramírez, Olivia Munn, Sean Harris

Sinopse:
Livrai-nos do Mal foi baseado nas memórias do detetive e investigador Sarchie (Eric Bana) que começa a investigar uma série de crimes que parecem ter alguma ligação sobrenatural entre si. Eventos inexplicáveis ocorridos no Zoológico da cidade e pessoas que apresentam comportamento incomum, como se tivessem sido possuídas por entidades do mal, parecem confirmar uma ligação entre os crimes horrendos que estão acontecendo.

Comentários:
Os filmes de terror mais bem sucedidos dos últimos tempos têm sido aqueles que andam apostando em fórmulas que deram muito certo no passado, sendo o "O Exorcista" o grande modelo a se seguir. Assim sai de cena o sangue jorrando aos bordões dos filmes do gênero na década de 1980 e entra o suspense, com melhor desenvolvimento de todo um clima de sordidez e suspense no ar e mais cuidado com os personagens em si, criando para eles um background psicológico mais complexo. "Deliver Us from Evil" tenta pegar a onda do sucesso e seguir esse mesmo caminho. O padre jesuíta Mendoza (Édgar Ramírez) é um exemplo disso. Ex-viciado, ele decide abandonar uma vida de sofrimento e decadência para se dedicar à igreja católica. Uma vez lá, se torna um sacerdote exorcista. Seu inimigo obviamente sabe todas as suas fraquezas, mas isso também faz parte de sua redenção pessoal. A fusão de elementos de filmes de terror setentistas e fitas policiais bem mais realistas, acaba sendo o grande trunfo dessa produção, muito embora tenhamos que reconhecer que o filme também apresente pontuais falhas em seu desenvolvimento. O final deixa uma porta aberta para sequências, o que não será uma má ideia, uma vez que essa dupla formada por um policial e um padre pode gerar bons frutos em novos filmes. Se depender de boas cenas, como a do exorcismo que vemos aqui, vale a pena apostar em novas películas no futuro, onde todos os pequenos erros que vemos aqui possam ser contornados.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 22 de março de 2015

Os Mais Jovens

Título no Brasil: Os Mais Jovens
Título Original: Young Ones
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Bifrost Pictures
Direção: Jake Paltrow
Roteiro: Jake Paltrow
Elenco: Michael Shannon, Nicholas Hoult, Elle Fanning, Kodi Smit-McPhee
  
Sinopse:
Em um mundo futurista e desértico, onde a água é um item raro a se encontrar, o fazendeiro Ernest Holm (Michael Shannon) tenta de todas as formas transformar sua propriedade rural em um negócio rentável. Ao lado de seus dois filhos adolescentes, ele procura qualquer tipo de ajuda para manter a fazenda em pé, algo que vai se tornando cada vez mais complicado tendo em vista as hostis condições ambientais. Sua última esperança acaba sendo a compra de um robô que pretende facilitar seu empreendimento. Para seu azar ele acaba sendo roubado pouco tempo depois, dando origem a um busca desesperada pelos ladrões. Filme vencedor do Sitges - Catalonian International Film Festival na categoria de Melhor Roteiro.

Comentários:
Inicialmente você pensa que vai assistir a mais uma milésima versão do mundo pós-apocalipse ao estilo "Mad Max". Tudo está lá, o mundo seco e árido, a luta pela água, o clima opressivo, mas ao invés de apostar na pura ação e violência, o diretor Jake Paltrow resolveu investir em um enredo mais dramático, onde se sobressaem os filhos adolescentes do fazendeiro Holm (aqui interpretado pelo veterano Shannon). O garoto é muito jovem, mas mesmo assim tenta ajudar ao pai na sua luta em fazer aquela fazenda desértica produzir alguma coisa. A garota adolescente, interpretada pela bonita Elle Fanning, por sua vez está no limite. Isolada no meio do deserto, ela vive uma rotina de trabalhos domésticos pesados e falta de relacionamentos com rapazes de sua idade. A solidão vai se tornando cada vez mais um fardo insuportável de conviver. O roteiro divide a estória em três grandes partes, em capítulos intitulados com os nomes dos três personagens centrais. Esse enredo me fez inclusive lembrar muito de velhos faroestes dos anos 50, que exploravam a dura vida dos rancheiros que iam rumo ao velho oeste em busca de uma nova vida. Uma vez chegando lá acabam encontrando todos os tipos de dificuldades e desafios inimagináveis. A diferença básica é que ao invés de ser um western esse filme se propõe a ser uma ficção passada em um futuro sem muitas esperanças. No saldo final não chega a aborrecer, mas tampouco consegue se tornar marcante. É aquele típico filme mediano que você vai assistindo até o final com seu interesse oscilando entre a atenção e a dispersão completa.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 21 de março de 2015

A Culpa é das Estrelas

Título no Brasil: A Culpa é das Estrelas
Título Original: The Fault in Our Stars
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Josh Boone
Roteiro: Scott Neustadter, Michael H. Weber
Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort, Nat Wolff, Laura Dern, Willem Dafoe

Sinopse:
Hazel (Shailene Woodley) é uma adolescente que luta desde os 13 anos contra um câncer terminal. Sua vida porém ganha novos contornos quando ela conhece Gus (Ansel Elgort), um jovem que como ela também está passando por esse terrível momento em sua vida. Igualmente lutando contra um câncer que o fez perder parte de sua perna, eles imediatamente se identificam e se apaixonam. O tempo não está a favor do amor de ambos, mas eles decidem viver toda a intensidade de sua paixão até o fim. 

Comentários:
É uma coisa bem antiga, para ser mais exato nasceu no século XVIII. Estou falando do movimento romântico que obviamente surgiu inicialmente na literatura e só muitos anos depois invadiu o cinema. "A Culpa é das Estrelas" tem todos os elementos mais caros ao surgimento do romantismo, jovens apaixonados, na flor da idade, mas à beira da morte, tentando viver um grande amor que sabem ser finito mas que lutarão até o fim por ele. O amor que sentem um pelo outro é do mais puro e verdadeiro que você possa imaginar, sem interesses, sem falsas intenções, apenas o amor, aquele sentimento tão real e verdadeiro que muitas pessoas passarão sem sentir de fato em suas vidas, justamente por ser tão raro e praticamente impossível de encontrar. Existe algo mais romântico do que isso? Muitos críticos chamaram atenção também ao fato de que essa premissa já foi exaustivamente explorada pela sétima arte e não é nenhuma novidade. Tudo isso é verdade, mas querem saber de uma coisa? Ainda funciona muito bem! O enredo explorando o amor trágico desses dois adolescentes que estão morrendo de câncer é muito bem realizado, os atores são bem carismáticos e o filme consegue superar tudo - até o risco de se tornar excessivamente meloso - para cativar seu público. Claro que indicaria a produção para um público que esteja de preferência na faixa etária dos personagens, já que muitas vezes a idade traz a desilusão e o cinismo, principalmente para quem de alguma forma se decepcionou com seus relacionamentos amorosos no passado. Para um jovem de 16, 17 anos porém será uma experiência e tanto vivenciar as emoções que esse roteiro passa para sua platéia. Há momentos levemente engraçados, amizade, romance e morte! Muitas pessoas não entenderam ainda que a essência do romantismo é justamente a união desses elementos tão díspares na narrativa de suas estórias. Misture tudo e você terá uma obra romântica por excelência. Os poetas do "Mal do Século" certamente bateriam palmas. Você também gostará, a não ser que tenha um coração de pedra! Ah, e antes que me esqueça, não deixe de levar um lencinho para secar todas as lágrimas.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque. 

sexta-feira, 20 de março de 2015

Um Lobisomem Americano em Londres

O melhor filme sobre Lobisomens já feito. Engraçado que nossos queridos licantropos não tem mesmo muita sorte no cinema, pois poucos são os clássicos envolvendo suas aventuras. Pior é que ultimamente estão usando os lobinhos como meros coadjuvantes de luxo em filmes de vampiros (vide Crepúsculo e Anjos da Noite). Em Anjos da Noite eles não passam de cães ferozes de estimação e em Crepúsculo são anabolizados andróginos. Assim não dá. Até hoje ainda não fizeram um filme de lobisomens tão bom quanto esse e olha que já tentaram muito. O que mais me agrada nesse filme é que apesar de ser um terror classe A o humor não foi deixado de lado, mostrando que bom humor e terror podem conviver perfeitamente dentro de um mesmo roteiro, sem necessariamente resultar em um terrir (expressão usada pelo diretor brazuca David Cardoso). Na trama acompanhamos dois jovens estudantes americanos em férias que são atacados por terríveis criaturas em uma região sombria e distante do interior da Inglaterra. Um deles não sobrevive ao ataque mas o outro é hospitalizado. Após receber alta ele começa a ter estranhas alucinações com seu amigo morto. O falecido inclusive vai sofrendo o processo de decomposição natural dos cadáveres enquanto vai aconselhando ao seu amigo a agir de forma definitiva para cessar as mortes ao seu redor. 

A cena da transformação segue imbatível até os dias de hoje. Nem toda a computação gráfica do mundo conseguiu superar o impacto dessa sequência. Na realidade o cérebro humano não reage bem a cenas com muita computação gráfica porque uma mensagem do inconsciente nos é enviada imediatamente informando que aquilo não é real. Por isso tudo fica falso demais. Já essa cena da transformação utilizou muito mais de maquiagem (real), ângulos de câmera e truques de montagem. O resultado logo se nota. A aparição do Licantropo é perfeita. Já a continuação desse filme é uma decepção total, mais uma vitima de uma overdose de CG. Dispense. Assim temos uma produção única que marcou época. Sempre presente em qualquer lista dos melhores filmes de terror já feitos, "Um Lobisomem Americano em Londres" é simplesmente obrigatório para todos os fãs do gênero. Depois dele você nunca mais verá uma lua cheio do mesmo jeito que antes.

Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London, EUA, Inglaterra, 1981) Direção: John Landis / Roteiro: John Landis / Elenco: David Naughton, Griffin Dunne, Jenny Agutter, Frank Oz, John Woodvine / Sinopse: Dois jovens estudantes americanos são atacados por terríveis criaturas em uma região sombria e distante do interior da Inglaterra. Um deles não sobrevive ao ataque mas o outro é hospitalizado. Após receber alta ele começa a ter estranhas alucinações com seu amigo morto. Estaria enlouquecido ou teria adquirido alguma maldição milenar? Assista para descobrir. "Um Lobisomem Americano em Londres" foi o vencedor do Oscar de melhor maquiagem e do prêmio Saturn Award, como melhor filme de terror do ano.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

Os Bons Companheiros

“Os Bons Companheiros” é até hoje considerado uma das grandes obras primas do diretor Martin Scorsese. O filme que narra a ascensão e queda de um membro da família Luchese mantém seu charme mesmo após tantos anos de seu lançamento. A trama é baseada em fatos reais e foi inspirada nas memórias de Henry Hill (Ray Liotta). Ainda quando era apenas um garoto começou a fazer pequenos serviços para os mafiosos de seu bairro no Brooklyn em Nova Iorque. Depois caindo nas graças dos membros da “família” foi alcançando postos cada vez mais altos na hierarquia mas havia um problema para sua ascensão completa rumo ao topo: ele não tinha origem italiana, era filho de irlandeses e por isso jamais ocuparia um posto relevante dentro da máfia mesmo sendo leal e eficiente. Para piorar ele começou a se sentir frustrado dentro da organização o que acabou o levando ao abuso de drogas, transformando sua vida em uma roleta russa. Em pouco tempo ele finalmente tomou consciência do beco sem saída que sua vida havia se transformado. O espectador é premiado assim com um dos melhores filmes de máfia da história do cinema americano só superado talvez por “O Poderoso Chefão” e “Era Uma Vez na América”. Scorsese capricha ao capturar a época e os costumes de todas as fases da vida de Herny, seja pela excelente trilha sonora seja pelo elegante e fino figurino dos membros da Cosa Nostra.

“Os Bons Companheiros” retrata uma realidade que o próprio Scorsese vivenciou pois também nasceu nas redondezas em que Henry Hill viveu. Inclusive durante as entrevistas de promoção do filme ele declarou de forma bem sincera: “De onde eu venho só existiam dois caminhos a serem seguidos por um descendente de italianos como eu: ou você entrava para a Igreja ou então para a máfia! Não havia meio termo!” Assim Scorsese conta sua estória com um misto de familiaridade e até mesmo carinho por seus personagens. Mas não é só. Conforme o filme avança ele acelera o ritmo das cenas como uma forma de retratar o gradual enlouquecimento por abuso de drogas de seu protagonista. Um toque genial. A galeria de tipos no filme também é outro ponto alto do filme e para dar vida a essas pessoas violentas e irascíveis mas também bem humanas o diretor contou com um elenco de primeira linha onde se destacam Robert De Niro, como um mentor mais velho para Henry Hill e Joe Pesci, como um gangster criado nas ruas que não consegue mais conter seus impulsos psicóticos e violentos. Assim como Francis Ford Coppola fez em seu grande clássico, “O Poderoso Chefão”, Scorsese aqui também trata com uma perturbadora naturalidade as cenas mais violentas possíveis. Os mafiosos de “Os Bons Companheiros” matam não como uma maneira de se auto afirmarem ou infringirem sofrimento alheio de forma gratuita mas sim como mera parte de seus negócios habituais. As mortes raramente são pessoais mas sim apenas ossos do ofício. O resultado de tudo isso é um espetáculo aos olhos, um filme que faz jus à longa tradição de grandes clássicos sobre esse tema.  Simplesmente imperdível aos amantes da sétima arte.

Os Bons Companheiros (Goodfellas, EUA, 1990) Direção: Martin Scorsese / Roteiro: Martin Scorsese, Nicholas Pileggi baseados no livro “Wiseguy” de Nicholas Pileggi / Elenco: Robert De Niro, Ray Liotta, Joe Pesci, Lorraine Bracco, Paul Sorvino / Sinopse: Os Bons Companheiros mostra a vida de Henry Hill (1943 – 2012), garoto nascido em um bairro dominado por gangsters em Nova Iorque. Fazendo pequenos serviços ele acaba caindo nas graças da máfia e entra para seu quadro permanente de membros. Vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (Joe Pesci). Indicado aos Oscars de Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado, Edição e Atriz Coadjuvante (Lorraine Bracco).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 19 de março de 2015

As Vantagens de Ser Invisível

Superficialmente até parece um daqueles filmes americanos que falam sobre a dureza da vida dos estudantes no High School. Como se sabe há muita vulgaridade, ofensas, bullyng e toda aquela selva que todos conhecem da vida colegial. Como sempre também encontramos os tipos que sempre habitam esse tipo de produção: há os populares, os atletas, as patricinhas, os mauricinhos, os nerds e os freaks (esquisitos). Charlie (Logan Lerman) faz parte desse último grupo. Introvertido e com dificuldades de fazer amigos ele começa o filme indo para seu primeiro dia de aula na nova escola (o terror de muitos estudantes). Como sempre há toda aquela chatice que povoa o velho sistema educacional (que apesar da tecnologia ainda continua obsoleto com suas aulas de giz e quadro negro). No meio do tédio Charlie consegue finalmente fazer amizade com dois irmãos (ou meio irmãos), a gatinha Sam (Emma Watson) e o divertido Patrick (Ezra Miller), um jovem homossexual enrustido que namora às escondidas o atleta mais popular da escola. Juntos passam pelas experiências típicas da idade. O primeiro beijo, a primeira paixão, as descobertas sexuais, as decepções, as desilusões, etc. O repertório completo daquela fase tão complicada da vida de todos nós, a adolescência.

Para quem pensa encontrar apenas uma comédia leve passada no mundo jovem acaba se surpreendendo conforme o filme avança. Isso ocorre porque Charlie começa a apresentar transtornos que indicam  uma clara doença mental. Sem medicação adequada ele começa a delirar, ouvir vozes e perder o senso de realidade. Para piorar acaba conhecendo a LSD, uma droga alucinógena que funciona como catalisador de doenças mentais. A partir desse ponto o filme ameaça virar um drama pesado, daqueles com finais trágicos. O diretor porém puxa o freio de mão para não transformar tudo em uma daquelas tragédias que tanto conhecemos do cinema ianque. Em certo momento pensei que tudo iria desbancar para algo no gênero “Tiros em Columbine”. Mas nada disso acontece. O elenco traz como destaque Emma Watson, de "Harry Potter". Atriz simpática e carismática ela defende bem seu papel. Ao seu redor temos vários atores de séries americanas famosas. Logan Lerman, por exemplo, fez parte do elenco de "Jacky & Bobby". Fora ele o espectador ainda vai encontrar muitos rostos conhecidos da TV americana de séries como "The Vampire Diaries", "Americano Horror Story" e "Parenthood". Em conclusão podemos dizer que vale a pena assistir no final das contas. Não é uma película brilhante mas é humana. Procura fugir do dramalhão para contar uma estória de pessoas comuns em uma fase particularmente complicada para muitas pessoas, o que no final se torna bem-vindo. Em tempos de tantos filmes de efeitos especiais, pirotecnias e super-heróis pode ser uma boa opção para quem procura por algo mais profundo e sério.

As Vantagens de Ser Invísivel (The Perks of Being a Wallflower, EUA, 2012) Direção: Stephen Chbosky / Roteiro: Stephen Chbosky / Elenco: Emma Watson, Nina Dobrev, Logan Lerman, Paul Rudd, Ezra Miller, Mae Whitman, Melanie Lynskey, Kate Walsh, Dylan McDermott, Johnny Simmons, Nicholas Braun, Zane Holtz, Reece Thompson, Julia Garner / Sinopse: Charlie (Logan Lerman) é o novo aluno em um colégio de ensino médio (high School) nos EUA na década de 1980. Ele é introvertido o que lhe causa problemas para fazer novas amizades. Aos poucos porém acaba se aproximando de Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson), dois meio irmãos que se tornam grandes amigos dele. Juntos vão passar pelas dificuldades da juventude e da escola.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu

quarta-feira, 18 de março de 2015

Hitchcock

Quem gosta de cinema certamente vai gostar de “Hitchcock”. No filme acompanhamos as filmagens do maior clássico da carreira do diretor, “Psicose”. Após filmar “Intriga Internacional” Hitchcock (Anthony Hopkins) acaba lendo em uma crítica que ele precisava se renovar, trazer coisas realmente novas. Assim o cineasta acaba saindo em busca de algo que surpreendesse seu público para seu novo filme. Acaba se interessando pelo livro “Psicose”, uma obra de ficção baseada livremente nos terríveis crimes do psicopata Ed Gein. Famoso pelas barbaridades que cometeu e pela obsessão psicótica em relação à mãe, Ed era o protótipo perfeito de Norman Bates, o principal personagem do livro. Na literatura havia um desfecho completamente perturbador e surpreendente que logo fisgou o mestre do suspense. Além disso existia toda uma coleção de momentos que ficariam perfeitos nas telas, como a famosa cena do chuveiro. Hitchcock via ali um grande material mas a Paramount pensava diferente. Achava o livro violento e apelativo demais e recusou bancar o projeto. Acreditando cegamente no sucesso do filme o velho Hitch resolveu então bancar do próprio bolso a realização do filme, apostando nesse processo o sucesso absoluto ou a mais terrível bancarrota. O roteiro de “Hitchcock” passeia deliciosamente por esse período da vida do diretor. Além da natural tensão de investir tudo o que tinha em “Psicose” o cineasta ainda tinha que lidar com aspectos complicados de sua vida pessoal, como o envolvimento da esposa com um aspirante a escritor.

Impossível não gostar de uma produção como essa que mostra o grande mestre do cinema sob uma perspectiva íntima e pessoal. O Hitchcock que surge é uma pessoa absolutamente genial em seus filmes mas ao mesmo tempo complexo e contraditório em sua vida particular. Suas constantes paixões platônicas em relação às suas atrizes loiras também são mostradas com a devida elegância. Como se sabe Hitch sempre se apaixonava platonicamente por praticamente todas as suas atrizes que acabavam representando o seu tipo ideal de mulher, a loira perfeita de seus sonhos. Ao mesmo tempo em que as destacava nas telas exigia completa dedicação, se metendo inclusive nas vidas pessoais delas. O caso mais famoso ocorreu justamente com Grace Kelly, que era a musa perfeita dentro da mente do diretor. Quando ela se foi para se tornar princesa de Mônaco ele se sentiu profundamente traído e abandonado. Anthony Hopkins, sob pesada maquiagem, realiza um trabalho muito bom, embora em certos momentos abra espaço apenas para o aspecto mais caricatural da imagem do diretor. É um pecado menor. Mesmo assim seu trabalho merece aplausos. Já Helen Mirren está muito adequada como a esposa de Hitch, uma mulher que abre mão de sua própria vida para viver a do marido, o acompanhando nos êxitos e nos fracassos de sua carreira. Não é por menos que ela foi indicada a todos os principais prêmios (Oscar, Globo de Ouro, SAG e Bafta). Assim se você se interessa pela história do cinema “Hitchcock” se torna item obrigatório. Um filme saborosamente nostálgico e docemente irônico sobre um dos maiores diretores de todos os tempos.

Hitchcock (Hitchcock, EUA, 2013) Direção: Sacha Gervasi / Roteiro: John J. McLaughlin, Stephen Rebello / Elenco: Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson, Danny Huston, Toni Collette, Michael Stuhlbarg, Michael Wincott, Jessica Biel, James D'Arcy, Richard Portnow, Kurtwood Smith, Ralph Macchio / Sinopse: Após seu novo projeto, “Psicose”, ser recusado pela Paramount, o diretor Alfred Hitchcock (Anthony Hopkins) resolve fazer o filme com seu próprio dinheiro. Hipoteca sua casa e parte para o tudo ou nada. Tamanho esforço para contar a estranha estória de Norman Bates e sua obsessão psicótica pela mãe.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Justiça Para Todos

Advogado criminalista (Al Pacino) acaba tendo que aceitar defender um juiz que odeia e que está sendo acusado de estupro contra uma garota. O cinema americano tem longa tradição em filmes que mostram o meio jurídico. Não é para menos. Quem trabalha na área sabe que esse é repleto de dramas e situações aflitivas que acabam gerando ótimos roteiros e filmes. Um processo judicial não é apenas uma sucessão de atos jurídicos ou procedimentos mas também um capítulo de extrema importância da vida das pessoas que atuam nele. O filme mostra justamente esse aspecto. O ponto alto é novamente a atuação do elenco. Al Pacino está brilhante na minha opinião e nem adianta argumentar dizendo que ele está novamente "over", exagerado ou fora de controle em cena. Nada disso, achei sua atuação muito adequada principalmente pela situação que seu personagem se encontra. Se existe algum exagero em "Justiça Para Todos" talvez seja seu clímax que é realmente um pouco inverossímil. Mesmo assim não macula o resto da produção que é muito relevante, diria até didática, sobre o que acontece debaixo dos olhos vendados do poder judiciário.

Outro destaque de "Justiça Para Todos" é a mensagem subliminar que ele transmite. Em um deles Pacino diz a seu velho avô que está sofrendo os problemas da velhice: "Ser honesto e ao mesmo tempo ser advogado é algo bem complicado". Realmente, poucas profissões do mundo transitam tanto entre a moralidade e a imoralidade, a legalidade e a ilegalidade. O profissional do direito vive realmente em um fio da navalha e o filme toca muito bem nisso ao colocar o sócio de Pacino no filme em crise existencial (ele consegue liberar um cliente da cadeia que acaba matando duas crianças poucos dias depois de solto). Quais são os limites, a linha que separa a ética da necessidade de se defender o cliente? Como se sente um advogado ao defender um criminoso capaz de atos bárbaros contra o próximo? É isso, "Justiça Para Todos" é um filme para se pensar sobre o poder judiciário, seus anacronismos e contradições. Uma lição que não se aprende nas faculdades de direito.

Justiça Para Todos (...And Justive For All, EUA, 1979) Direção: Norman Jewison / Roteiro: Valerie Curtin, Barry Levinson / Elenco: Al Pacino, Jack Warden, John Forsythe / Sinopse: Arthur Kirkland (Al Pacino) é um advogado criminalista que tenta transitar entre sua ética pessoal e a necessidade de defender seus clientes, entre eles um juiz corrupto e acusado de estupro contra uma inocente garota.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu

domingo, 15 de março de 2015

O Turista

Título no Brasil: O Turista
Título Original: The Tourist
Ano de Produção: 2011
País: Estados Unidos
Estúdio: Spyglass Entertainment
Direção: Florian Henckel von Donnersmarck
Roteiro: Julian Fellowes, Christopher McQuarrie
Elenco: Johnny Depp, Angelina Jolie, Paul Bettany, Timothy Dalton
  
Sinopse:
Frank Tupelo (Johnny Depp) e Elise Clifton-Ward (Angelina Jolie) formam um casal de turistas americanos que decide descobrir os encantos do velho continente europeu. Viajando por belos cenários e descobrindo a rica e milenar cultura europeia eles acabam se envolvendo em uma conspiração internacional de proporções imprevisíveis. Filme indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Comédia ou Musical, Melhor Ator (Johnny Depp) e Melhor Atriz (Angelina Jolie), ambos também na categoria Comédia ou Musical.

Comentários:
Sinceramente pensei que fosse bem pior. "O Turista" tenta de todo modo imitar os antigos filmes de suspense do mestre Alfred Hitchcock, principalmente aqueles em que as tramas eram passadas em locações luxuosas na Europa, como por exemplo, "Ladrão de Casaca". Em termos gerais é um filme bonito de se assistir por causa da maravilhosa fotografia do especialista John Seale. Ele conseguiu extrair excelentes tomadas de cenas, algumas delas parecendo verdadeiros quadros de arte! Também não poderia ser diferente pois o filme foi rodado em lindas locações, de cidades históricas da Europa, ficando em destaque a beleza e o charme de Paris e Veneza. A trilha sonora também tem uma inegável sofisticação, tudo para combinar com esse visual de primeira linha. O figurino também é classe A, com profusão de vestidos de alta costura, roupas de grife e joias milionárias. Assim a atriz Angelina Jolie fica mais parecendo uma modelo em cena do que qualquer outra coisa. Em termos de luxo na produção, nada a reclamar. O problema é que um filme não vive só de produção luxuosa. Tem que haver boas atuações e roteiro coeso. Infelizmente apesar dos bons nomes no elenco (que incluem o ex James Bond, Timothy Dalton) o filme não deslancha nesse aspecto. Angelina Jolie confunde glamour com afetação! Ela passa o filme inteiro tentando dar uma de Grace Kelly, mas derrapa feio nisso. Primeiro porque não tem a sofisticação da clássica atriz. Segundo porque suas caras e bocas soam bem ridículas em vários momentos do filme. Sua atuação soa forçada, não natural e o espectador logo percebe isso. Já Johnny Depp surge em total controle remoto. Na realidade ele soa sonolento na maioria das cenas e não convence. Não vi nada de especial em seu personagem ou em sua atuação. Ele parece entediado com o filme. Então é isso, "O Turista" demonstra que nem sempre uma produção de primeira linha salva um filme cujo roteiro é oco e derivativo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Educação

A festa do Oscar premia blockbusters comerciais vazios como Avatar e ignora filmes menores mas com muito mais qualidade como esse lírico e instrutivo "Educação" O filme não teve maior repercussão quando foi exibido em poucas salas aqui no Brasil. Uma pena, pois privou o público de conhecer um belo retrato da sociedade inglesa no pós guerra. No filme somos apresentados a Jenny Mellor (Carey Mulligan) uma jovem estudante que anseia por uma vida melhor da que atualmente leva. Entediada com a vida banal e com a repressão moralista da rígida sociedade britânica da época ela resolve fazer o impensável naqueles tempos ao se envolver com um homem bem mais velho. Nem é preciso dizer o que tal decisão significaria em sua vida pessoal, em especial entre seus pais. Isso era algo como uma bomba sendo explodida dentro de seu núcleo familiar. A temática do roteiro foi inspirada em fatos reais e mostra como era o impacto de um relacionamento assim visto sob a ótica de uma típica família suburbana de Londres daquele período.

A personagem interpretada por Carey Mulligan é uma garota inteligente, que está prestes a ir para a universidade. Impaciente, ela procura alguma aventura emocional mais transgressora antes de ingressar definitivamente na chamada vida adulta. O argumento explora bem a ruptura que surge daí pois ao tomar uma decisão precipitada (típica de adolescentes) a personagem se vê jogada de forma abrupta nas responsabilidades de um relacionamento adulto. Além do roteiro bem escrito "Educação" também tem uma produção caprichada. A reconstituição de época do filme é do mais alto nível, tudo recriado com excelente bom gosto e finesse. Para quem gosta da chamada cultura vintage é um prato cheio. Já Carey Mulligan é um caso á parte. Mesclando ingenuidade com sensualidade ela traz à tela uma dose extra de carisma. Sua personagem, com toques de Lolita, certamente mexerá com o imaginário sexual dos quarentões. O roteiro também é muito bem escrito pois se contenta em apenas narrar os acontecimentos de forma espontânea e natural, sem cair nos perigos da simples e pura condenação moral. Enfim, recomendo "Educação" para o público que procura por um filme relevante do ponto de vista histórico. Uma produção que consegue mostrar velhos tabus e costumes que hoje em dia são totalmente ultrapassados mas que ainda teimam em persistir nas camadas mais conservadoras e atrasadas de nossa sociedade.

Educação (An Education, Inglaterra, 2009) / Direção de Lone Schefrig. / Elenco: Carey Mulligan, Peter Saasgard, Alfred Molina e Emma Thompson. / Sinopse: Durante o pós guerra, jovem inglesa (Carey Mulligan) decide se envolver com homem mais velho. Produção inglesa que concorreu ao Oscar de melhor filme.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu

sábado, 14 de março de 2015

Guerra Mundial Z

Título no Brasil: Guerra Mundial Z
Título Original: World War Z
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Marc Forster
Roteiro: Matthew Michael Carnahan, Drew Goddard
Elenco: Brad Pitt, Mireille Enos, Daniella Kertesz

Sinopse:
Gerry Lane (Brad Pitt) é um especialista do governo americano e da ONU que começa uma busca ao redor do mundo pelo chamado paciente zero após uma grande contaminação mundial por um vírus que transforma todos os infectados em verdadeiros zumbis. Da Coréia do Sul a Jerusalém ele luta para encontrar a cura para o terrível vírus. Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films nas categorias Melhor Thriller e Melhor Ator (Brad Pitt).

Comentários:
Super produção da Paramount que explora o mundo dos zumbis! Ao custo de 190 milhões de dólares o filme não poupa esforços em ser um festival de efeitos digitais de última geração. Baseado na obra de Max Brooks a produção tenta resgatar o cinema pipoca blockbuster dentro do gênero terror. Curiosamente foi um projeto bem pessoal do ator Brad Pitt que só não dirigiu o filme, mas que ao invés disso coordenou todos os pequenos detalhes nas filmagens. É de se admirar que um ator como ele, que vem lutando há anos para ser reconhecido como bom intérprete, venha abraçar algo assim tão voltado para o cinema de pura diversão. O resultado, apesar da riqueza de recursos, é apenas razoável. Não há maiores novidades no roteiro que se baseia basicamente em cenas e mais cenas de ataques de multidões de zumbis sedentas por cérebros humanos. Assim Pitt se resume a correr de um lado para o outro, parando de vez em quando para soltar algum diálogo pseudo-científico. Sua atuação não convence e o filme vai ficando cada vez mais repetitivo (velho problema que se vê em praticamente todos os filmes de zumbi) até se chegar finalmente a um final inconclusivo, obviamente abrindo uma brecha para mais uma continuação milionária! Sinceramente falando é melhor rever os filmes originais com a assinatura do mestre George Romero. Esse aqui é um pipocão zumbi apenas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Carga Explosiva 2

Título no Brasil: Carga Explosiva 2
Título Original: Transporter 2
Ano de Produção: 2005
País: Estados Unidos, França
Estúdio: EuropaCorp, TF1 Films Production
Direção: Louis Leterrier
Roteiro: Luc Besson, Robert Mark Kamen
Elenco: Jason Statham, Amber Valletta, Kate Nauta

Sinopse:
Frank Martin (Jason Statham) é um profissional do submundo do crime. Extremamente eficiente ele se especializou em levar encomendas para seu destino - sejam elas meras cargas ou pessoas reais! Agora ele está nos Estados Unidos onde trabalha para uma família poderosa. Trabalhando como motorista ele se afeiçoa ao garoto Jack (Hunter Clary) de apenas seis anos. Após esse ser sequestrado por bandidos que desejam um resgate, Frank decide resolver ele mesmo o problema. Uma péssima notícia para os criminosos.

Comentários:
Se o primeiro filme deu um lucro generoso é mais do que previsível que haveria uma continuação. Essa franquia "Transporter" inclusive é extremamente lucrativa. Os filmes não chegam a custar nem 25 milhões de dólares e conseguem um retorno certo, principalmente no mercado europeu (incluindo os países do leste, antigas repúblicas socialistas) e América Latina (Brasil incluído). E qual é a fórmula desse sucesso certeiro? Muito simples, ação ao estilo anos 80, personagens durões, roteiros e tramas mais singelas e simples e sequências extremamente bem realizadas do ponto de vista técnico. A intenção é não deixar a bola cair em nenhum momento, assim que termina uma cena com muita adrenalina, inicia-se outra. Jason Statham segue seu caminho de verdadeiro herdeiro dos action movies da década de 1980. Suas produções poderiam ser estreladas muito bem por Stallone ou Schwarzenegger caso eles fossem trinta anos mais jovens. Como sempre existirá público para esse tipo de fita (e não há nada de errado nisso), sempre teremos bons filmes de ação como os da série "Carga Explosiva". Então abra a latinha de cerveja, relaxe no sofá e divirta-se!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Seabiscuit - Alma de herói

Esse é um daqueles filmes que vão chegando como quem não quer nada e acabando ganhando uma notoriedade surpreendente, alcançando inclusive uma indicação ao Oscar de Melhor filme do ano. Usando de uma gíria do próprio esporte que retrata, é um típico azarão da história da Academia. O filme aliás conta a trajetória de um verdadeiro azarão das pistas de corrida, o cavalo Seabiscuit, um animal pequeno, indisciplinado mas forte que acabou deixando todos de boca aberta durante os anos 1930 por causa de suas vitórias improváveis. Não tardou para a imprensa o transformá-lo em um símbolo do próprio povo americano que naquele momento passava pela mais terrível depressão econômica de sua história. É a velha lenda da vitória do menos apto, do improvável, daquele que ninguém acredita mas que supera todos os obstáculos e se torna enfim um campeão. Uma boa metáfora para servir de inspiração ao trabalhador comum americano que tinha também em sua vida que superar muitos desafios a cada dia.

O elenco conta com dois bons interpretes. O primeiro é Tobey Maguire que interpreta o Jóquei Red Pollard. Tentando se livrar o estigma do personagem mais famoso de sua carreira (O Homem Aranha), Maguire tenta trazer veracidade ao seu papel, um sujeito ora romântico, ora perspicaz, com vontade de vencer. Jeff Bridges está na pelo do dono de Seabiscuit, o milionário Charles Howard. Bridges é aquele tipo de ator que traz brilho a qualquer papel que interprete, seja a de um hippie fora de moda, seja a de um vilão em blockbusters. Muito versátil consegue elevar o filme no quesito atuação. Ao final da sessão o espectador sai do cinema com duas conclusões. A primeira, mais óbvia, é a de que acabou de assistir a um filme tecnicamente bem realizado, com boa reconstituição de época e roteiro redondinho. A segunda é que a enorme quantidade de indicações ao Oscar (oito ao total) foram desproporcionais. O filme é certamente bom mas não excepcional ao ponto de ganhar tantas indicações. Assim como o cavalo da história real esse filme também parece ter sido um vencedor improvável. A arte imitando a vida.

Seabiscuit – Alma de Herói (Seabiscuit, EUA, 2003) Direção: Gary Ross / Roteiro: Gary Ross, inspirado no livro de Laura Hillenbrand / Elenco: Tobey Maguire, Jeff Bridges, Chris Cooper, William H. Macy / Sinopse: Filme baseado na história real do cavalo Seabiscuit que na década de 1930 surpreendeu os EUA por causa de suas vitórias improváveis. Indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme, melhor roteiro adaptado, melhor som, melhor edição, melhor figurino, melhor direção de arte e melhor fotografia. Indicado ao Globo de Ouro nas categorias de melhor filme drama e melhor ator coadjuvante (William H. Macy).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 13 de março de 2015

O Sobrevivente

Cada ator famoso do gênero ação na década de 80 procurou trilhar um caminho próprio que acabasse caracterizando sua filmografia. Os filmes de Stallone, por exemplo, sempre flertaram com situações mais dramáticas como Rocky e até mesmo em Rambo - Programado para Matar. Já Chuck Norris era o rei das produções mais simples, de orçamentos modestos e cenas impossíveis. Entre eles Arnold Schwarzenegger foi o que mais flertou com a Ficção Cientifica. Como se não bastasse ter estrelado o clássico do gênero "O Exterminador do Futuro", ele alcançaria grande sucesso ainda com "Predador" e "O Vingador do Futuro", dois clássicos Sci-Fi daqueles anos. Assim não foi surpresa para ninguém quando surgiu com esse estranho "O Sobrevivente" (que no Brasil foi lançado também com seu título original, The Running Man). O roteiro era baseado na obra de Stephen King que curiosamente usou de um de seus pseudônimos quando o texto foi lançado,

Quando assisti recentemente "Jogos Vorazes" me lembrei imediatamente desse "The Running Man". O argumento é praticamente o mesmo. Em um futuro distante  Ben Richards (Arnold Schwarzenegger) se vê em um terrível jogo mortal onde terá que sobreviver a inúmeros combates e lutas.O diferencial é que tudo é consumido pelo povo em geral como simples diversão, numa verdadeira releitura das antigas arenas romanas de gladiadores. Assim tudo não passaria de um grande Game Show, na mais pura tradição do pão e circo para as massas empobrecidas e alienadas. Agora que você leu a sinopse de "O Sobrevivente" me diga com sinceridade: Existe alguma diferença com "Jogos Vorazes"? Eu sinceramente acho que não. O filme é bem realizado, tem boa produção e direção segura de Paul Michael Glaser, que curiosamente vinha do mesmo mundo da TV que criticava no filme. Tendo dirigido os sucessos "Miami Vice" e "Starsky e Hutch" ele certamente sabia lidar com o tema. Embora tenha sido lançado no auge da carreira do ator Arnold Schwarzenegger o filme, para surpresa de todos, não conseguiu fazer o sucesso esperado. Talvez o tema tenha soado muito complexo para aquele universo de filmes de ação da década de 80 ou então o público não comprou a ideia. De qualquer modo a produção funciona tanto como filme de ação como de Sci-Fi e merece ser redescoberto pelos fãs de ambos os gêneros. No fundo é uma crítica corrosiva sobre a futilidade reinante em nossos canais de TV, tal como o sucesso "Jogos Vorazes".


O Sobrevivente (The Running Man, EUA, 1987) Direção: Paul Michael Glaser / Roteiro: Steven E. de Souza baseado na obra de Stephen King / Elenco: Arnold Schwarzenegger, Maria Conchita Alonso, Yaphet Kotto, Jim Brown, Jesse Ventura / Sinopse: Em um futuro distante Ben Richards (Arnold Schwarzenegger) se vê em um terrível jogo mortal onde terá que sobreviver a inúmeros combates e lutas. Tudo não passando de um Game Show realizado para entreter as massas ociosas e desocupadas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Wolverine - Imortal

Título no Brasil: Wolverine - Imortal
Título Original: The Wolverine
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Marvel Studios
Direção: James Mangold
Roteiro: Mark Bomback, Scott Frank
Elenco: Hugh Jackman, Will Yun Lee, Tao Okamoto, Hal Yamanouchi

Sinopse:
Logan (Hugh Jackman), mais conhecido como Wolverine, vai à terra do sol nascente, o Japão, para se envolver numa complicada conspiração corporativa, cujas consequências poderão lhe atingir diretamente. Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films na categoria de Melhor Adaptação de Quadrinhos.

Comentários:
Uma tentativa de recomeçar uma franquia própria para o personagem Wolverine da trupe X-Men. O primeiro filme acabou não agradando a ninguém, nem ao público e nem à crítica. Assim o diretor James Mangold tomou a sábia ideia de simplificar tudo, cortando personagens e investindo em um enredo mais enxuto, embora eficiente. Com ares de Graphic Novel esse novo filme do Wolverine finalmente caiu nas graças do público (foi a terceira maior bilheteria do ano) e da crítica, que definitivamente gostou do que viu. Some-se a isso o fato da história se passar no Japão e você terá realmente um bom filme, valorizado pelos cenários bonitos e direção de arte de bom gosto. Como se sabe o personagem Logan (mais uma vez interpretado por Hugh Jackman) sempre foi o mais popular mutante dessa saga em quadrinhos e como hoje vivemos a época de ouro das adaptações de heróis para o cinema, ele certamente não poderia ficar de fora. Em suma, uma boa diversão que agradará em cheio aos fãs dos X-Men.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

RoboCop

Título no Brasil: RoboCop
Título Original: RoboCop
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), Columbia Pictures
Direção: José Padilha
Roteiro: Joshua Zetumer, Edward Neumeier
Elenco: Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton

Sinopse:
Alex Murphy (Joel Kinnaman) é um policial que cumpre muito bem suas funções, tanto que acaba descobrindo um jogo sujo envolvendo tiras como ele. Antes que denuncie o esquema acaba sofrendo um atentado a bomba que deixa seu corpo destroçado. Isso acaba se tornando uma ótima oportunidade para que um projeto de unir homem e máquina em prol da lei seja revitalizado, surgindo daí RoboCop, o modelo ideal do policial do futuro.

Comentários:
Remakes via de regra são bem desnecessários, a não ser que o material original dê margem para uma nova releitura, mais atualizada e moderna. O primeiro filme com o policial do futuro soava muito interessante na década de 80. Era um filme de ficção policial que não se resumia a apresentar a mais pura ação descerebrada, pois tinha um interessante argumento por trás (a mudança da estrutura estatal da segurança pública para o mundo corporativo). "RoboCop" assim seria a materialização da transformação pelo qual a sociedade passava na época (inclusive sob o ponto de vista tecnológico). Até hoje é considerado um bom filme, muito coeso e bem realizado. Então chegamos a esse novo remake. Houve mesmo alguma necessidade em realizar essa obra? Sinceramente depois de assistir cheguei na conclusão que não! O cineasta José Padilha é sem dúvida talentoso, basta lembrar de "Tropa de Elite", mas aqui ele foi controlado completamente pela máquina industrial do cinema americano. No fundo não há nada de autoral nessa revisão. Ora, se o novo RoboCop não traz maiores novidades (o roteiro segue praticamente o mesmo, sem traços do diretor em seu conceito) para que refazer o que já tinha ficado tão bom? No papel principal de Alex Murphy temos o ator Joel Kinnaman, que interpreta o policial noiado da boa série "The Killing". Se não surpreende, pelo menos não atrapalha. Sua atuação é uma das poucas novidades dignas de nota. Assim chegamos na conclusão que o novo "RoboCop" não tinha mesmo razão para existir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Deixe-me Entrar

"Deixe-me Entrar" é o remake americano do excelente filme sueco "Deixa Ela Entrar" que causou frisson mundo afora em 2008. Muita gente torceu o nariz para essa produção pois o original já era tão bom e definitivo. Como todo mundo sabe odeio remakes, principalmente de filmes que gosto muito (e eu particularmente adoro o filme de Tomas Alfredson) mas aqui certamente abrirei uma exceção. Desnecessária uma refilmagem menos de dois anos depois do primeiro filme ter sido lançado? Certamente. Apesar de tudo isso vou dar o meu braço a torcer. Não acredito que a existência de "Deixe-me Entrar" tenha sido totalmente inútil. Eu acabei gostando dessa releitura. As pessoas podem até defender a tese de que sua própria existência não tem razão de ser e no fundo há uma certa verdade em pensar assim, porém já que o filme foi feito pelos americanos devo dizer que é muito bom saber que eles realmente fizeram um remake bem acima da média. É importante deixar claro que o filme não é a refilmagem take por take do original. Algumas coisas foram acrescentadas e no balanço final nada está em excesso ou em falta na versão americana. É um filme bem fechado em si mesmo.

Talvez o segredo da bem sucedida refilmagem esteja no elenco. Não tanto do garotinho (interpretado por Kodi Smit-McPhee) pois considero o do original melhor mas sim da jovem atriz Chloe Moretz. Sua interpretação é literalmente "sinistra" alternando momentos de ternura com fúria selvagem. Os efeitos especiais também estão no tom certo. Eu tinha receio de que na versão americana eles fizessem uma orgia de efeitos gratuitos, mas não, isso não acontece. Eles certamente estão em maior número do que no filme original mas são discretos e bem colocados. Acredito que quem assistiu ao original vai gostar também desse remake, pois não adianta mais chorar sobre o leite derramado. Curiosamente o filme acabou sendo uma decepção nas bilheterias. O público norte-americano mesmo estando em um momento particularmente muito interessado em vampiros (vide o sucesso da saga Crepúsculo) acabou rejeitando a produção. O que aconteceu afinal? Provavelmente a estória de "Deixe-me Entrar" seja européia demais para os gringos ou então sofisticada além do limite para o americano médio que consome pipoca nas salas de shopping center. De qualquer maneira isso é o de menos, "Deixe-me Entrar" e o original "Deixa Ela Entrar" são mais do que recomendados aos fãs de terror. Se um é pouco, dois já está bom demais.

Deixe-me Entrar (Let Me In, EUA, 2010) Direção: Matt Reeves / Roteiro: Matt Reeves, John Ajvide Lindqvist / Elenco: Kodi Smit-McPhee, Chloë Grace Moretz, Richard Jenkins / Sinopse: Owen (Kodi Smit-McPhee) é um garoto solitário que sofre bullying na escola onde estuda. Tudo começa a mudar quando ele se torna amigo de Abby (Chloë Grace Moretz) uma menina da sua idade que se torna sua vizinha.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 10 de março de 2015

Os Cinco Rapazes de Liverpool / Quatro Casamentos e Um Funeral

Os Cinco Rapazes de Liverpool
Mesmo depois de tantos anos de seu lançamento (e lá se vão 21 anos de sua estréia!) ainda considero o melhor filme já feito sobre os Beatles no cinema. O mais famoso grupo de rock da história aqui surge como um bando de jovens amigos, que ainda não sabiam direito o que fariam da vida, mas que nesse meio tempo resolveram apostar no velho sonho de fazer sucesso no mundo da música. O interessante é que nessa fase eles eram cinco e não quatro, como foram imortalizados. O roteiro assim foca na figura de Stuart Sutcliffe (Stephen Dorff), o quinto Beatle, que para muitos ainda segue sendo um completo desconhecido. Grande amigo pessoal de John Lennon, ele foi incorporado aos Beatles por causa de sua amizade, embora não soubesse tocar direito nenhum instrumento. Na verdade ele sonhava ser artista plástico e se casar com sua namorada, a bela Astrid Kirchherr (Sheryl Lee), embora o destino lhe reservasse outro caminho. A história dessa grande amizade é o foco principal dessa produção que contou ainda com uma maravilhosa trilha sonora, que procurou revitalizar o som que o grupo tinha na época, quando eles foram para a Alemanha lutar por alguns trocados, tocando em boates cavernosas e bares de strip-tease. Nunca os Beatles foram tão humanos e próximos de nós como nesse filme, um verdadeiro clássico moderno que mostra acima de tudo que é possível se fazer um grande filme sobre alguns dos maiores mitos do olimpo da música mundial. Um belo retrato de uma amizade que rompeu a barreira do tempo. Filme vencedor do BAFTA Awards na categoria de Melhor Filme Musical / Backbeat - Os 5 Rapazes de Liverpool (Backbeat, Inglaterra, Alemanha, 1994) Direção: Iain Softley / Roteiro: Iain Softley, Michael Thomas / Elenco: Stephen Dorff, Sheryl Lee, Ian Hart.

Quatro Casamentos e Um Funeral
Uma comédia romântica realmente saborosa, com excelente roteiro, explorando justamente a vida de um grupo de amigos, cujas vidas são mudadas exatamente em quatro casamentos e um funeral. O roteiro é muito bem elaborado porque praticamente funciona como flashes da vida desses personagens centrais. Entre eles se destaca obviamente a relação conturbada e indefinida entre Charles (Hugh Grant) e Carrie (Andie MacDowell). Como se trata de uma produção britânica você já sabe que terá pela frente o melhor do humor inglês, com todo aquele clima de sofisticação que é de repente afrontado pelas mais bizarras situações. Daí vem o humor, desse choque e contraste entra uma postura fina e tradicional e o modo de ser mais grotesco revelado dentro dos relacionamentos amorosos e de amizade. Essa comédia acabou transformando o ator Hugh Grant em um astro. Seu estilo tipicamente britânico acabou caindo no gosto do grande público, inclusive do americano, já que as mulheres acabaram suspirando por seu ar tímido e atrapalhado, que acabava se revelando um charme irresistível para o público feminino. Bom para ele, que depois desse sucesso cruzou o Atlântico e começou uma bem sucedida carreira na América, colecionando sucessos e mais sucessos de bilheteria (embora hoje em dia ele esteja em baixa, praticamente aposentado). Mesmo assim ainda vale muito a pena rever o filme, pois ele não envelheceu em nada, mantendo-se ainda muito divertido e engraçado, com ótima trilha sonora. Indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. Vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator - Comédia ou Musical (Hugh Grant). / Quatro Casamentos e Um Funeral (Four Weddings and a Funeral, Inglaterra, 1994) Direção: Mike Newell / Roteiro: Richard Curtis / Elenco: Hugh Grant, Andie MacDowell, James Fleet.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 9 de março de 2015

A Liga Extraordinária (2003)

Título no Brasil: A Liga Extraordinária
Título Original: The League of Extraordinary Gentlemen
Ano de Produção: 2003
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Stephen Norrington
Roteiro: James Robinson, baseado na obra de Alan Moore
Elenco: Sean Connery, Stuart Townsend, Peta Wilson, Tony Curran

Sinopse:
Um grupo de personalidades marcantes do mundo da literatura resolve se unir para enfrentar uma grande ameaça contra a humanidade. O aventureiro Allan Quatermain (Sean Connery), o lendário Capitão Nemo (Naseeruddin Shah), a sedutora Mina (Peta Wilson) do romance "Drácula", Dr. Henry Jekyll e Edward Hyde (Jason Flemyng) de "O Médico e o Monstro" e até mesmo Dorian Gray (Stuart Townsend), saído diretamente das páginas escritas por Oscar Wilde, entre outros, estão nessa perigosa aventura. Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films nas categorias de Melhor Filme de Fantasia, Melhor Atriz Coadjuvante (Peta Wilson) e Melhor Figurino.

Comentários:
"The League of Extraordinary Gentlemen" por ser uma adaptação da Graphic Novel de Alan Moore causou grande expectativa nos fãs de HQs. Infelizmente Hollywood ainda não conseguiu captar todas as nuances dos quadrinhos para as telas de cinema. Mudanças são realizadas em nome de um maior potencial comercial e partes do enredo são alterados em prol do ego dos atores. Isso acaba de uma maneira ou outra desfigurando a essência da obra original. Foi justamente isso que aconteceu mais uma vez aqui. Inicialmente o próprio Alan Moore rejeitou o filme. Tentou até mesmo tirar seus nomes dos créditos. Depois, para piorar ainda mais, o ator Sean Connery entrou em atritos com o diretor e o estúdio. Connery queria ainda mais espaço para seu personagem Allan Quatermain, mas o roteiro tentava em vão trazer o aspecto mais coletivo da Graphic Novel original. No meio de tantos problemas de produção o filme acabou saindo truncado, mal dividido, o que acabou desagradando tanto o público como a crítica. Em termos de produção, direção de arte, efeitos especiais e figurino, não há o que reclamar. Tudo é muito bem realizado, de acordo com uma película que custou mais de oitenta milhões de dólares. O problema realmente é de roteiro, esse se mostra muitas vezes sem salvação. Como fracassou comercialmente o filme hoje em dia serve apenas como curiosidade, uma amostra que a fusão entre quadrinhos e cinema nem sempre dá muito certo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 8 de março de 2015

Armadilha

Título no Brasil: Armadilha
Título Original: Entrapment
Ano de Produção: 1995
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox Film
Direção: Jon Amiel
Roteiro: Ronald Bass, Michael Hertzberg
Elenco: Sean Connery, Catherine Zeta-Jones, Ving Rhames
  
Sinopse:
Robert MacDougal (Sean Connery) é um sofisticado ladrão de obras de arte que aplica seus golpes em museus de alta segurança mundo afora. Virginia Baker (Catherine Zeta-Jones) é uma agente de seguros enviada para descobrir se ele está envolvido com o roubo de um importante quadro que vale milhões. Após conhecer Robert melhor acaba aceitando fazer uma improvável dupla ao seu lado! Juntos se unem para realizar um bilionário golpe financeiro no mercado econômico mundial. Filme vencedor do Blockbuster Entertainment Awards na categoria de Melhor Atriz - Filmes de ação (Catherine Zeta-Jones). Filme indicado ao Framboesa de Ouro nas categorias de Pior Atriz (Catherine Zeta-Jones) e Pior Elenco (Sean Connery e Catherine Zeta-Jones).

Comentários:
Eu sempre vi esse filme como um símbolo de que a carreira de Sean Connery tinha realmente chegado ao fim. O astro que havia experimentado uma maravilhosa ressurreição como ator nos anos 80 já não tinha mais muito o que fazer no cinema. Em busca de se tornar comercialmente viável para os estúdios, Connery de certa maneira acabou vendendo sua alma artística, se tornando mais um astro genérico de filmes de ação sem maior consistência. Tudo bem que o filme tem uma produção interessante com uso de excelentes efeitos visuais (como a cena em que eles tentam passar por um corredor cheio de lasers), mas eles por si só não valem por todo o filme. Provavelmente um dos poucos motivos para se gostar mesmo de "Armadilha" seja a bonita presença da bela Catherine Zeta-Jones! Ela, temos que confessar, está linda no filme! Tudo valorizado ainda mais por seu sensual figurino de couro negro - algo que deixará os fãs mais fetichista em êxtase! Sua personagem chamada Virginia Baker é vazia e sem conteúdo, como o próprio roteiro, mas esse pecado é deixado de lado por causa de sua beleza morena marcante. Uma visão fútil, é verdade, mas que na falta de méritos melhores acaba se sobressaindo. E por falar em falta de conteúdo... o nome do diretor inglês Jon Amiel nos créditos já antecipava de antemão o que poderíamos esperar do filme, ou seja, quase nada. Afinal de contas ele havia assinado coisas como "O Homem Que Sabia de Menos" e "O Núcleo - Missão ao Centro da Terra", o que deixava mais do que claro que ele nunca fora mesmo nenhum Orson Welles.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.