terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Floresta Negra

Título no Brasil: Floresta Negra
Título Original: Snow White - A Tale of Terror
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: Polygram Entertainment
Direção: Michael Cohn
Roteiro: Tom Szolossi, Deborah Serra
Elenco: Sigourney Weaver, Sam Neill, Gil Bellows, Brian Glover
  
Sinopse:
Nessa adaptação sombria de um famoso conto de fadas acompanhamos a história de uma linda jovem que acaba caindo em uma armadilha mortal quando seu pai resolve se casar novamente. Sua nova madrasta é versada em artes ocultas e maléficas, o que colocará sua própria vida em risco. Filme indicado ao Primetime Emmy Awards nas categorias de Melhor Atriz (Sigourney Weaver), Melhor Figurino e Melhor Maquiagem.

Comentários:
Pensou que tudo havia começado com "Alice" de Tim Burton? Ledo engano. Esse filme é interessante porque demonstra que essa ideia de usar contos de fadas em adaptações mais adultas já vem de longe. Há vinte anos, por exemplo, era lançado na TV americana esse "Snow White - A Tale of Terror". Sim, porque ao contrário do que muitos pensam esse não foi um filme produzido para o cinema, mas sim para a TV. A confusão vem do fato dele ter sido lançado no mercado de vídeo no Brasil. Aqui pegaram o conto infantil "Branca de Neve e os Sete Anões" como fonte e adaptaram como se fosse uma história sombria, nebulosa, cheia de monstros, com visual dark. Os figurinos e a produção são muito bons, idem para a maquiagem, porém o roteiro (ah, esse velho problema) voltava para assombrar o espectador desavisado. A palavra que melhor define "Floresta Negra" é forçado! Tudo é forçado aqui, as situações, a fotografia (escura demais para ser considerada), até mesmo o bom elenco está fora do que seria adequado! No geral é um filme que vale pela curiosidade apenas. Não diverte, não cativa e nem surpreende. Só não caia no erro de passar a fita para seus filhos. Provavelmente eles não vão gostar já que essa versão da Branca de Neve não é recomendada para crianças, em nenhuma hipótese.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Segredos de um Crime

Título no Brasil: Segredos de um Crime
Título Original: Shadow of Doubt
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Largo Entertainment
Direção: Randal Kleiser
Roteiro: Myra Byanka, Raymond De Felitta
Elenco: Melanie Griffith, Tom Berenger, Craig Sheffer, James Morrison
  
Sinopse:
Após a morte brutal da filha de um bem sucedido homem de negócios, o rapper Bobby Medina é preso, acusado do crime. Com um histórico de envolvimento com drogas e violência ele se torna o principal suspeito do assassinato. A advogada Kitt Devereux (Melanie Griffith) é então enviada para atuar na sua defesa perante o tribunal. Ela desconfia que tudo não passa de uma grande conspiração para a prisão do acusado. O que se busca é efetivamente livrar o verdadeiro assassino da prisão.

Comentários:
Um bom filme de tribunal que hoje em dia segue pouco lembrado. Ok, muitos jamais vão conseguir engolir a estrela Melanie Griffith como uma advogada astuta e inteligente. A atriz nunca foi por essa linha em sua carreira. Suas personagens sempre foram bem diferentes disso. O curioso porém é que ela acaba convencendo, principalmente por causa do roteiro que é bem estruturado e não deixa falhas e nem pontas soltas em seu enredo. Tom Berenger também é outro bom motivo para se rever essa produção. Sempre admirei seu trabalho como ator, desde os tempos de "Platoon". Ele nunca chegou a se tornar um astro de primeira grandeza em Hollywood, isso é verdade, mas tampouco deixou de atuar em bons filmes como esse. Outro fato que contas pontos em favor de "Shadow of Doubt" é a própria trama de mistérios que envolve o crime. Em uma só linha de investigação você encontrará todos os tipos de conspirações, envolvendo até mesmo uma candidatura à presidente dos Estados Unidos. Para quem gosta desse tipo de filme, com muitas reviravoltas na história, é um prato cheio. Assista e tente seguir o fio da meada, descobrindo antes a identidade do verdadeiro assassino.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Shakespeare Apaixonado

Título no Brasil: Shakespeare Apaixonado
Título Original: Shakespeare in Love
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: John Madden
Roteiro: Marc Norman, Tom Stoppard
Elenco: Gwyneth Paltrow, Joseph Fiennes, Geoffrey Rush, Tom Wilkinson, Judi Dench
  
Sinopse:
William Shakespeare (Joseph Fiennes) é um jovem escritor, ainda em busca de seu próprio espaço, que se apaixona pela linda e perfeita Viola De Lesseps (Gwyneth Paltrow) que passa a ser sua musa, fonte de inspiração para sua obra e arte. Completamente apaixonado ele vai finalmente entender que sua paixão simplesmente não basta para transformar seus sentimentos em uma bela história de amor.

Comentários:
Sempre achei muito superestimado esse filme. Em seu ano ele levou todos os grandes prêmios da Academia, inclusive melhor filme, melhor atriz (Gwyneth Paltrow), atriz coadjuvante (Judi Dench), roteiro, direção de arte, figurinos, etc... Um exagero! Quando o filme recebeu essa tonelada de prêmios cheguei a me animar e fui ao cinema conferir - imaginem a decepção! O que encontrei foi um filme pop, falsamente histórico, com um enredo piegas e meloso demais para se levar à sério. Pior do que isso, o filme falha miseravelmente onde não poderia falhar, pois a química entre Gwyneth Paltrow e Joseph Fiennes não existe, é zero! Como um romance pode se sustentar se o espectador não consegue se convencer que os personagens estão efetivamente apaixonados e enamorados, vivendo o amor de suas vidas? Absurdo! Aliás devo dizer que a atriz Gwyneth Paltrow sempre fracassou nesse tipo de papel. Ela tem uma personalidade fria, sem muito calor humano. Sua personagem, que deveria ser pura paixão, acaba sendo apenas pura frieza, com isso tudo desmorona. Claro que há uma bela produção desfilando em cena, com figurinos, reconstituição de época e tudo mais. Em termos de luxo nada falta - porém só isso não faz um grande filme. Tem que ter alma, paixão, romance... coisas que "Shakespeare in Love" definitivamente não tem para passar ao público.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Cinema: Estreias da Semana (02/02 a 09/02)

Cinema: Estreias da Semana (02/02 a 09/02)
Uma boa semana de estreias nos cinemas. Comercialmente falando o grande destaque vai para O Chamado 3. A garota Samara está de volta, novamente saindo do poço para infernizar a vida de suas vítimas. Embora seja considerado um cult entre os fãs de terror eu nunca gostei muito da franquia O Chamado. É visualmente bem feita, com ótimos efeitos especiais e edição, mas em termos de roteiro fica sempre girando em torno de um mesmo ponto. De qualquer maneira prevejo boa bilheteria pela força da marca. Já para quem estiver em busca de um bom filme realmente, com roteiro acima da média e elenco de primeira linha fica a dica de A Qualquer Custo. Eu já escrevi sobre esse filme aqui no blog. Com um trio de excelentes atores (Chris Pine, Ben Foster e Jeff Bridges) esse é uma espécie de western moderno que vale mais do que a pena. Não deixe de assistir.

Jackie revive o mito da primeira dama dos Estados Unidos Jackie Kennedy. Eu costumo dizer que os americanos sempre tiveram uma posição muito boba em relação aos seus presidentes. É muito ufanismo junto para ser levado à sério. O roteiro desse filme também vai pelo mesmo caminho, glamorizando demais a primeira-dama, colocando panos quentes em determinados aspectos históricos negativos, tudo para manter o mito em pé. O grande mérito para levar o cinéfilo aos cinemas é realmente a atuação da atriz Natalie Portman que realmente vale todo o esforço. Ela foi muito elogiada lá fora por seu trabalho. E para não sair do clima dos anos 60 temos ainda o documentário musical The Beatles: Eight Days a Week. Quem me acompanha na internet sabe como eu gosto dos Beatles, seus discos, músicas e história. Ainda não tive a oportunidade de conferir mais essa produção, porém é um dos que irei assistir em breve. Ao que tudo indica é mais um filme imperdível, a ser assistido nos cinemas.

Além desses há mais dois filmes que merecem indicação e que estão estreando hoje nos cinemas brasileiros. Um deles é Estrelas Além do Tempo de Theodore Melfi.  O enredo se passa nos anos 60 (de novo?) e mostra um grupo de funcionárias negras da NASA que viviam naquele momento bastante segregadas em plena ebulição da luta pelos direitos civis. O contraste nasce do fato da NASA ser supostamente um órgão onde trabalhavam pessoas de alto QI, o que porém não significava mudança no comportamento delas em relação às pessoas negras. Outro filme de teor ideológico é Armas na Mesa sobre uma lobista da indústria de armas (interpretada pela atriz Jessica Chastain) que decide mudar de lado, apoiando a causa contrária, que revogaria o direito de todo americano portar suas próprias armas de fogo! Os republicanos certamente não gostaram...

Por fim aqui vão mais alguns filmes que estão chegando nas telas de cinemas. Para quem gosta de cinema nacional estreia a comédia TOC - Transtornada Obsessiva Compulsiva com a atriz Tatá Werneck que interpreta uma estrela de sucesso que tem TOC! Será que fazer piada de algo assim é aceitável? Esse é o tipo de filme que eu pessoalmente não teria vontade de assistir, por pura falta de qualidade mesmo. Melhor procurar por algo mais intelectualmente relevante como os filmes cult que também estão chegando nos cinemas, em salas mais voltadas para a arte, como por exemplo os dramas A Espera (com Juliette Binoche), Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois (sobre o conturbado relacionamento entre pai e filha) e Quase 18 (sobre os problemas da adolescência).

Pablo Aluísio.

Sozinho em Berlim

Título no Brasil: Sozinho em Berlim
Título Original: Alone in Berlin
Ano de Produção: 2016
País: Inglaterra, França, Alemanha
Estúdio: IFC Films
Direção: Vincent Perez
Roteiro: Achim von Borries, Vincent Perez
Elenco: Emma Thompson, Daniel Brühl, Brendan Gleeson, Mikael Persbrandt
  
Sinopse:
Baseado numa história real o filme conta o que aconteceu com o casal alemão Quangel em Berlim durante a II Guerra Mundial. No campo de batalha morre o único filho de     
Otto (Brendan Gleeson) e Anna Quangel (Emma Thompson). Eles ficam devastados quando recebem a notícia. E o mais doloroso de tudo é saber que o jovem morreu por causa de uma ideologia mentirosa e falsa, que estava enganando todo o povo da Alemanha. Como eles poderiam resistir ao Nazismo naquele momento tão conturbado? Eles resolvem então espalhar por toda a cidade cartões com mensagens contra o regime. Uma oposição feita nas sombras e com coragem.

Comentários:
Esse filme foi indicado ao Urso de Ouro no último Berlin International Film Festival. É uma história muito interessante, mas pouco conhecida, de um casal que procurou resistir ao Nazismo dentro da própria Alemanha, diante de um dos regimes mais duros e opressivos que já se conheceu. Após o filho morrer servindo ao III Reich, marido e esposa resolvem distribuir cartões de oposição ao Nazismo pelas ruas, prédios e casas. Tudo feito de maneira sutil e nas sombras. Não havia imprensa livre e era impossível criticar os absurdos do regime de Hitler. Qualquer manifestação contrária ao seu regime era considerado um crime de alta traição punido com a morte. Assim Otto e sua mulher Anna fazem o que era possível diante daquele sistema. Eles escrevem pequenos cartões com mensagens contra Hitler e o Nazismo. Depois os distribuíam em lugares públicos, sem que ninguém os vissem. Os cartões obviamente logo chegaram nas mãos das autoridades e assim começa imediatamente uma verdadeira caça aos subversivos ao pensamento nazista. O filme se desenrola durante esse período. Otto, um trabalhador comum, um homem do povo, lutando com as armas que tinha em mãos contra a dominação brutal de Hitler e seus seguidores. Essa história tem nuances bem importantes, que mostra nitidamente a importância de certos valores democráticos como a livre imprensa, o direito de opinião e a necessária existência de uma oposição política. Nada disso existia durante o regime nazista alemão, demonstrando o quanto pode ser desastroso um sistema onde não existem barreiras democráticas para barrar os abusos e ilegalidades dos que estão no poder. Outro aspecto interessante é desvendar como mesmo dentro das entranhas do poder nazista havia arbitrariedades, como no caso mostrado no filme de um investigador policial inteligente e profissional que era completamente subjugado pelos violentos membros da famigerada SS. A estupidez se impondo pela força contra a inteligência e a racionalidade dedutiva do trabalho de investigação. Outro ponto importante desse filme é demonstrar que havia sim um pensamento de oposição dentro da própria sociedade alemã, mesmo que ele fosse violentamente suprimido pela truculência nazista. Em suma, um bom filme que resgata mais uma história de coragem durante a Guerra. Uma história aliás que deveria ser bem mais conhecida nos dias de hoje.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Nicolau I da Rússia

Nicolau I - Com a morte do Czar Alexandre I quem subiu ao trono do império da grande mãe Rússia foi seu irmão, Nicolau I. Ao contrário de Alexandre, que havia sido seduzido pelas teorias iluministas e liberais, Nicolau sempre foi um conservador. Ele havia visto o que tinha acontecido com os ideias revolucionários da França após a queda da dinastia Bourbon. A revolução havia se transformado em um grande banho de sangue, com centenas de milhares de mortos, culminando tudo com a subida ao trono de um ditador maníaco e sanguinário, Napoleão. Assim Nicolau não tinha nenhuma visão utópico sobre os ideais liberais.

Para ele a Rússia deveria continuar como sempre fora, com grande centralização política, visão conservadora e cristã, abafando qualquer tipo de rebelião popular. Foi também um dos monarcas russos mais longevos, ficando trinta anos no poder. Ele subiu ao trono em meio a controvérsias. Pelas regras da sucessão seu irmão mais velho, Constantino, deveria se tornar o novo Czar. Porém para surpresa de muitos ele anunciou que não tinha pretensões ao trono. Assim Nicolau foi coroado Czar de todas as Rússias. O exército não ficou muito contente e começou uma rebelião que logo foi contida pelas forças leais ao novo Czar. Após matar seus líderes, Nicolau deixou claro quais seriam os princípios que iriam dominar durante seu reinado. O Czar teria autoridade máxima e absoluta. Ao seu lado como força de natureza espiritual deveria ser valorizada a união entre o Estado e a Igreja Ortodoxa.

Politicamente o Estado seguiria uma linha conservadora e tradicional, com pequenas e pontuais mudanças de ordem econômica para aumentar a produtividade das terras. O Czar queria modernizar ou até abolir o antigo sistema de servidão que era antiquado demais, pouco produtivo e fruto de enormes desperdícios. Para isso o Czar acabou enfrentando resistência da nobreza russa, cuja riqueza vinha justamente desse sistema econômico. Criou-se assim uma queda de braço entre o Czar e sua própria nobreza, formada por grandes proprietários de terras que não queriam mudar nada. Do ponto de vista externo o Czar também enfrentou problemas, entre eles a sangrenta Guerra da Criméia, onde o exército russo acabou sendo derrotado por uma forte aliança reunindo França, Inglaterra e Turquia.

Outro problema ocorreu na Polônia. Desde os tempos de seu irmão, o Czar russo também ocupava o trono da Polônia, mas Nicolau foi deposto pelo próprio congresso polonês que se recusou a continuar tendo o Czar como soberano de sua própria nação. Assim o imperador russo enviou uma grande guarnição do exército imperial para destruir os focos de rebelião. Vitorioso conseguiu recuperar as vastas terras da nação polonesa, mas essa vitória jamais seria consolidada pois o espírito nacionalista daquele país jamais se enfraqueceu. Nicolau I morreu de uma pneumonia quando estava em seu palácio de inverno em São Petesburgo. Ele planejava novos ataques na Criméia quando foi vencido pela doença. Subiu então ao trono seu filho, Alexandre II.

Pablo Aluísio. 

sábado, 28 de janeiro de 2017

George Harrison: A Vida Depois dos Beatles

Após o fim dos Beatles o guitarrista George Harrison desenvolveu uma clara aversão ao tema relacionado ao seu antigo conjunto. Ele procurava evitar falar dos Beatles em entrevistas e pouco teve contato com os ex-companheiros de grupo. Assim que os Beatles se dissolveram Harrison gozou de uma excelente fase comercial em sua carreira solo. De fato nos primeiros anos da década de 1970 ele conseguiu, para surpresa de muitos, superar seus ex-parceiros John e Paul no quesito número de cópias vendidas no mercado.

Porém contrariando todas as expectativas sua carreira solo também teve pouco fôlego. Talvez por estar envolvido demais com os problemas legais da Apple ou por causa da linha religiosa hindu que havia decidido seguir, o fato é que os discos solos de George começaram a rarear no mercado, ele pouco compôs em relação aos outros ex-Beatles e não parecia mais ter tanto interesse no trabalho de fazer novos discos todos os anos.

Na verdade George aos poucos foi se tornando um recluso. Ele parou de fazer concertos ao vivo e de aparecer em público. Para muitos George foi ficando paranoico com sua segurança. A morte de John Lennon, covardemente assassinado na frente de seu prédio em Nova Iorque, piorou ainda mais a situação. George passou a ter pavor de encontrar fãs dos Beatles ao acaso, afinal poderia ser mais um lunático como aquele que assassinou Lennon. Tragicamente para ele isso não o deixou a salvo. Muitos anos depois um maluco conseguiu invadir sua mansão. George se viu face a face com um psicótico armado com uma faca. Segundo os laudos George levou várias facadas e sobreviveu milagrosamente. Sua esposa Olivia o salvou, jogando um abajur pesado na cabeça do agressor.

Em relação aos demais Beatles George praticamente não os viu mais. Ele passou a ter uma crescente ojeriza em relação a Paul e ficava incomodado até mesmo de estar na mesma sala do que ele. Para George seria um alívio nunca mais trabalhar ao lado de Paul, mas acabou tendo que engolir seu ponto de vista ao trabalhar ao lado dele no projeto Anthology. Foi um reencontro tenso, marcado por diferenças que jamais seriam superadas. George só voltou porque estava falido. Seu empresário anterior havia se apropriado de parte de sua fortuna e sua companhia cinematográfica estava destruída financeiramente após o lançamento de vários filmes que se tornaram fracassos de bilheteria. Precisando de dinheiro ele participou do Anthology, se comprometendo a participar de três novas faixas com os demais Beatles. Acabou só fazendo duas, por não aguentar mais ter que tocar ao lado de Paul em estúdio. Foi o último suspiro dos Beatles.

Pablo Aluísio.

Madonna - True Blue

Não faz muito tempo vi uma entrevista da Madonna falando mal de seus primeiros discos, definindo eles como algo "pré-histórico", primitivo e que atualmente ela se sentia muito mais confiante em seu trabalho. Não seja tão pretensiosa querida Madonna. Em relação ao seu trabalho eu gosto de compará-lo com os primeiros discos dos Beach Boys. Quando eram despretensiosos (e tinha um ar de adolescentes assumidos) eram muito mais divertidos. Depois que passou a se considerar uma espécie de "Mozart de saias" ficou chata até dizer chega...

O pop só sobrevive se for bem descartável mesmo, tipo um chiclete que você compra na esquina. Nos tempos de "True Blue" Madonna era bem isso - provavelmente por isso fez tanto sucesso na época! "Papa Don't Preach" que abre o disco tinha justamente esse sabor de "desabafo adolescente". A letra é uma afirmação de independência de uma adolescente ao seu pai. Nada mais adequado já que a público da Madonna nos anos 80 era formado por garotas de 16 anos. Nada de muito anormal. O problema é que nem todas as garotinhas que resolveram fugir com seus namorados para terem suas próprias famílias se deram tão bem na vida. De qualquer forma essa é uma canção pop teen. O ritmo é muito bom e nostálgico. Bons tempos - você pensará!

Desse disco a minha canção preferida é a que dá título ao álbum. "True Blue" parece uma melodia saída de algum compacto de Buddy Holly. Uma delícia. O clipe serviu para que Madonna adotasse um visual a la Marilyn Monroe, algo que sempre achei muito adequado. Ambas inclusive tinham mais em comum do que muitos pensavam. Também sempre considerei a imagem de Madonna dançando como uma pin-up dos anos 50 um verdadeiro ícone da música e do nascimento dos videoclips. A letra é bobinha, para não fundir a cabecinha das fãs, mas tudo bem. Esse é um daqueles pops que ficaram para sempre na cabeça de quem viveu os anos 80.

O disco também é cheio de bobagens que não sobreviveram ao tempo. "White Head" é um desses momentos absurdamente datados. Cheio de sintetizadores, com uma parte falada - como se um filme estivesse sendo exibido ao fundo - a canção é um exemplo de como o tempo arrasa certas canções quando elas adotam instrumentos e efeitos sonoros que com o tempo ficam completamente ultrapassados e fora de moda. "Love Makes the World Go Round" também ficou velha, mas seu ritmo latino a salvou da mediocridade total. Vale pelo refrão bem alto astral. Madonna, que nunca foi boba, sabia como levantar uma pista de dança.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Logan (posters)



Posters e material promocional do filme "Logan" com estreia prevista nos Estados Unidos para o dia 3 de março de 2017.

Temporada de Caça

Título no Brasil: Temporada de Caça
Título Original: Affliction
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: Largo Entertainment
Direção: Paul Schrader
Roteiro: Paul Schrader
Elenco: Nick Nolte, Sissy Spacek, James Coburn, Willem Dafoe
  
Sinopse:
O xerife Wade Whitehouse (Nick Nolte) tem muitos problemas pessoais. Criado por um pai autoritário e brutal, ele tem problemas para se relacionar bem com amigos e mulheres. Agora ele até passa por uma fase mais calma e tranquila em sua vida ao namorar uma boa garota que entende e aceita seus defeitos. Tudo muda porém quando um homem é morto durante a temporada de caça na região. Ele teria levado um tiro acidental, mas as investigações acabam demonstrando que pode haver algo por trás de tudo.

Comentários:

Bom filme, uma bem sucedida fusão de filme policial com drama, que explora um crime que embora pareça meramente acidental, esconde algo misterioso nas sombras. O elenco é liderado por Nick Nolte, um ator que nem sempre conseguiu encontrar bons projetos ao longo da carreira. Há um background dramático em seu personagem pois ele sofreu abusos físicos e emocionais quando era mais jovem. Seu pai, interpretado pelo ótimo astro do passado James Coburn, era um homem irascível, irracional e violento. Isso lhe traz um trauma psicológico e uma herança emocional negativa complicada de superar. O bom roteiro foi baseado no romance policial escrito por Russell Banks. O veterano James Coburn foi premiado (justamente) com o Oscar de Melhor Ator coadjuvante por esse papel. Foi uma surpresa pois já estava na fase final da carreira e nunca tinha sido indicado antes ao prêmio. Um dos mais conhecidos profissionais do cinema, que havia se destacado tanto no passado interpretando vilões e pistoleiros em dezenas de filmes, finalmente havia sido reconhecido. Como diz o ditado "antes tarde do que nunca" Nick Nolte também foi lembrado pela Academia, sendo indicado ao Oscar de Melhor Ator. Não venceu, mas já ficou honrado pela lembrança. Isso tudo prova que apesar de "Temporada de Caça" ter uma ótima trama, seu grande mérito vem mesmo do elenco, em momento inspirado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.


Irresistível Paixão

Título no Brasil: Irresistível Paixão
Título Original: Out of Sight
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Steven Soderbergh
Roteiro: Scott Frank
Elenco: George Clooney, Jennifer Lopez, Ving Rhames, Steve Zahn
  
Sinopse:
Baseado no romance policial escrito por Elmore Leonard, "Irresistível Paixão" conta a estória de Jack Foley (George Clooney). Ladrão profissional, ele é preso e condenado a cumprir pena em uma penitenciária de segurança máxima. Com inteligência acima da média consegue fugir do lugar, usando um veículo pertencente a uma agente do próprio FBI, a agente federal Karen Sisco (Jennifer Lopez). Em pouco tempo se apaixonam!

Comentários:
Esse filme foi muito superestimado pela crítica na época em que foi lançado a tal ponto que conseguiu arrancar duas indicações ao Oscar nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado (Scott Frank) e Melhor Edição (Anne V. Coates). Na verdade o que temos é um filme bem mediano, beirando o ruim, que se apoio totalmente no carisma da dupla central de protagonistas. George Clooney, ainda procurando espaço no cinema após ser astro de TV, repete um tipo de personagem que seria recorrente em sua carreira. Cheio de charme canastrão ele tenta convencer no papel de um criminoso bonzinho! Já Jennifer Lopez continua na mesma, uma cantora que sempre tentou se tornar atriz, com altos e baixos no cinema. Aqui ela não convence em nada como agente federal. Ao invés disso desfila sua beleza pelas cenas (algo que sempre foi o grande chamariz dela em termos de bilheteria). No geral considero um filme fraco, apesar de ter sido dirigido pelo talentoso Steven Soderbergh. É um de seus primeiros filmes e bem inferior aos anteriores "Sexo, Mentiras e Videotape", "Kafka", "O Inventor de Ilusões" e "Obsessão". Ao tentar ser comercial e pop demais acabou perdendo parte de sua essência. Enfim, um produto descartável de um grande diretor de cinema.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Cinema: Estreias da Semana

Cinema: Estreias da Semana
Vamos dar uma conferida na lista dos filmes que estão estreando hoje nos cinemas brasileiros. O maior lançamento comercial da semana em termos de salas ocupadas é "Resident Evil 6 - O Capítulo Final". De maneira em geral é mais do mesmo. Os roteiros seguem bem parecidos mesmo, com as mesmas aventuras de Alice (Milla Jovovich) tentando sobreviver ao apocalipse zumbi controlado por uma grande e inescrupulosa empresa. Confesso que nunca gostei de Resident Evil. No máximo meu interesse se limita aos bons efeitos visuais que vão se sofisticando a cada novo filme. Fora isso acho tudo bem enfadonho e repetitivo. "Max Steel" também vai pela mesma linha, um filme pipoca pop sem muito conteúdo. Indicado apenas para o público adolescente.

Para um público mais adulto recomendo o drama de guerra "Até o Último Homem", filme dirigido por Mel Gibson, que parece ter feito as pazes com a indústria cinematográfica em Hollywod. Aqui temos a curiosa história real de um médico que vai para a guerra, mas se recusa a usar armas para matar o inimigo. Ao invés disso ele usa sua profissão apenas para salvar vidas. Posso antecipar que é um bom filme, nada excepcional, mas que serve para trazer a II Guerra Mundial de volta aos cinemas. Com boas críticas nos Estados Unidos é desde já um dos filmes mais interessantes da temporada. Ainda na linha histórica ainda recomendo o francês "A Morte de Luís XIV" que como o título indica, mostra os últimos momentos do famoso monarca que passou para a história conhecido como o "Rei Sol" por causa da sua corte luxuosa e cheia de excessos de todos os tipos.

Outra boa opção é "Paraíso", produção russa dirigida pela mestre Andreï Konchalovsky. Esse é um drama existencial, também passado na II Guerra Mundial, mas com todos os aspectos mostrados sob o ponto de vista do povo russo que via sua nação sendo invadida por tropas nazistas do Eixo. Mostra a história de três personagens, de nacionalidades diferentes, que descobrem que seu mundo caiu com a chegada dos invasores. Outras duas opções completam o menu para um público mais sofisticado: "Nojoom, 10 anos, Divorciada" mostra a triste realidade de uma menina de dez anos que é dada em casamento por seu pai a um homem velho em um país de tradição muçulmana e "O Ídolo" que mostra as dificuldades de um jovem que tenta se tornar comediante em um Egito conturbado por problemas políticos.

Para quem gosta de Will Smith ele ressurge nas telas no drama "Beleza Oculta". Ele interpreta um homem depressivo marcado por uma grande tragédia que decide escrever cartas para a morte! Um bom roteiro marcado pela melancolia. Por fim, especialmente indicado para as crianças, está chegando nas telas duas fitas feitas para a garotada. "A Bailarina" é uma animação francesa sobre uma garotinha que não tem limites para seus sonhos e "Quatro Vidas de um Cachorro" sobre a amizade entre um cão e seu dono. Esse filme causou polêmica porque parte das filmagens vazaram na internet e muitos viram ali um claro caso de maus-tratos e crueldades em relação aos animais por parte dos realizadores do filme. Pegou tão mal que a bilheteria foi bem abaixo do esperado no mercado internacional. Um fracasso comercial.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O Estranho Casamento de John e Yoko

Recentemente tive acessos a alguns livros biográficos que revelam os detalhes do estranho casamento entre John e Yoko. Existia um casamento de fachada, para ser exibido ao público e outro bem estranho, privado, segundo esses autores. Tomando como depoimento os relatos de pessoas próximas ao casal como empregados, amigos e até mesmo a astróloga e numeróloga preferida de Yoko podemos tecer um retrato desse casamento fora do comum.

Havia um problema com drogas por parte de John Lennon. Ele havia se viciado em heroína, uma droga realmente devastadora. Seu abuso levou Lennon a um estado lastimável, onde ele não conseguia mais produzir, nem compor nada. A relação entre o casal era tensa dentro de sua esfera privada. Segundo Peter Doggett, autor do livro "A Batalha pela Alma dos Beatles", Yoko Ono não gostava de sexo, pois em sua visão feminista achava que essa era uma invasão ao seu corpo, uma atitude praticamente desrespeitosa. Isso levava John à loucura, procurando por prostitutas de luxo ou então tentando seduzir outras mulheres na presença de Yoko, para provocar ciúmes nela, para quem sabe assim conseguir levá-la para a cama. Quase nunca dava certo!

Outro fato perturbador é que Lennon tinha uma dependência absurda de Yoko. Dependência em nível psicológico até. Quando sua esposa assumia todo o controle o ex-Beatle ficava completamente isolado, sem ver ninguém de fora. Para Doggett isso era reflexo do fato de que Lennon sempre vivera com mulheres de personalidades fortes, como sua tia Mimi, assim ele se sentia melhor com uma mulher que o dominasse em todos os aspectos de sua vida. Era algo muito próximo a uma submissão total. Por essa razão também John passou anos sem ver seu filho Julian. Só o fez quando Yoko deu a devida autorização.

Não seria por outra explicação que quando se separou de Yoko Ono na primeira metade dos anos 70 (período que John se referia como "O fim de semana perdido") ele voltou a se relacionar novamente com os velhos amigos, se tornou sociável, chegou inclusive a cogitar seriamente uma volta com os demais parceiros, ressuscitando os Beatles. Porém quando Yoko o chamou de volta ele voltou a se desligar de tudo - não quis mais saber de discos, shows ou aproximações com seus ex companheiros de banda. A vida voltava para o isolamento completo, para a reclusão total, sob ordens estritas de Yoko Ono.

Pablo Aluísio.

Formiguinhaz

Título no Brasil: Formiguinhaz
Título Original: Antz
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: DreamWorks
Direção: Eric Darnell, Tim Johnson
Roteiro: Todd Alcott, Chris Weitz
Elenco: Woody Allen, Sharon Stone, Gene Hackman, Sylvester Stallone
  
Sinopse:
A formiguinha Z (Woody Allen) é diferente. Ela faz parte um formigueiro onde todos precisam desempenhar suas funções sem reclamar. Z porém sonha com uma vida melhor, ele não consegue se adequar ao totalitarismo que impera dentro de sua comunidade. Pior do que isso, ele tem uma paixão por uma das princesas, algo impossível de acontecer por causa de sua posição na escala social do formigueiro. Filme indicado ao Annie Awards e ao BAFTA Awards na categoria de Melhores Efeitos Especiais (Ken Bielenberg e Philippe Gluckman).

Comentários:
Nessa animação podemos nitidamente perceber o poder e o prestígio de Steven Spielberg. Ele produziu essa animação e conseguiu reunir uma constelação de astros e estrelas de Hollywood para dublarem o filme. O enredo é simpático, mas nada demais. Todas as personagens formiguinhas do filme são caricaturas ou estereótipos dos próprios atores. Assim, por exemplo, temos uma formiga intelectual, cheia de crises existenciais, interpretada por Woody Allen. Já o brutamontes Sylvester Stallone interpreta uma formiga que tem como função proteger o formigueiro. Os animadores copiaram a própria imagem do ator para criar seu personagem em animação. Sharon Stone é uma formiguinha gatinha e sensual e por aí vai... Cheio de referências ao mundo do cinema a pergunta que fica após o filme chegar ao final é simples: Será que a criançada vai mesmo se importar (ou entender) todas as referências à cultura pop, ao mundo de Hollywood? Claro que não! A garotada só deseja mesmo se divertir, assim complica um personagem como a formiga Allen, que passa o tempo todo refletindo, como se estivesse em um filme do próprio diretor. Claro que há muitas cenas de ação e tudo mais, porém esse tipo de animação é mais indicada mesmo para cinéfilos em geral, gente que gosta e conhece cinema. Para os pequenos será apenas levemente divertida, com um ou outro momento realmente legal para eles.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Resident Evil 6 - O Capítulo Final (posters)


 Posters oficiais do novo filme da franquia "Resident Evil". Com direção e roteiro de Paul W.S. Anderson, o filme receberá o título no Brasil de "Resident Evil 6: O Capítulo Final" (Resident Evil: The Final Chapter, 2016). No elenco teremos o retorno da atriz e modelo Milla Jovovich no papel de Alice. O estúdio promete aos fãs muitos efeitos especiais e ação. A data de estreia prevista está marcada para o dia 26 de janeiro de 2017.


Vidas em Jogo

Título no Brasil: Vidas em Jogo
Título Original: The Game
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: Propaganda Films
Direção: David Fincher
Roteiro: John Brancato, Michael Ferris
Elenco: Michael Douglas, Sean Penn, Deborah Kara Unger, Carroll Baker
  
Sinopse:
Nicholas Van Orton (Michael Douglas) é um rico e solitário banqueiro que procura por algum sentido a mais em sua vida. Tendo conquistado sucesso profissional e riqueza, o que poderia lhe faltar? Para amenizar seu tédio existencial seu irmão lhe dá o convite para participar de um clube exclusivo de membros da alta sociedade. O que Nicholas nem desconfia é que está prestes a entrar em um jogo mortal.

Comentários:
Bom filme de ação e suspense que foi bem recebido (em termos) pela crítica na época de seu lançamento. Muitos críticos americanos chamaram a atenção para o fato do cineasta David Fincher ter realizado um filme bem irregular. Ele se mostra muito inteligente e bem roteirizado nas duas primeiras partes do enredo, porém quando chega ao seu terço final desaba para o puro clichê! Anos depois o diretor se defendeu dessas acusações dizendo que não tinha controle total sobre a produção, o que levou a ter que se submeter a escolhas pessoais do astro Michael Douglas, o que acabou prejudicando o filme como um todo. Visando sucesso comercial acima de tudo (afinal Douglas também assinou a produção desse filme) ele acabou cortando certos aspectos que poderiam transformar esse "The Game" em uma pequena obra prima. Optando pelo lado mais banal, que não fugisse muito do lugar comum, obviamente procurando por uma bilheteria maior, Douglas acabou prejudicando o filme. É a tal coisa, nem sempre atores bem sucedidos sabem escolher o que é melhor para um filme. Quando a função de astro de Hollywood se mescla a de produtor, as coisas geralmente desandam, como podemos ver nesse filme que poderia certamente ser bem melhor do que realmente é. 

Pablo Aluísio.

Os Miseráveis

Título no Brasil: Os Miseráveis
Título Original: Les Misérables
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha
Estúdio: Mandalay Entertainment, TriStar Pictures
Direção: Bille August
Roteiro: Rafael Yglesias
Elenco: Liam Neeson, Geoffrey Rush, Uma Thurman
  
Sinopse:

Filme adaptado da obra do escritor Victor-Marie Hugo, Les Misérables. Na história vemos a conturbada vida de Jean Valjean, um homem condenado que é colocado em liberdade durante um dos períodos mais agitados da história francesa. O enredo se passa no século XIX, mostrando a queda do regime do imperador Napoleão Bonaparte e a intensa miséria a que foi submetida grande parte da população da França naquele momento histórico. Filme indicado ao Cairo International Film Festival.

Comentários:
Tantas adaptações já foram feitas para o cinema da famosa obra de Victor Hugo que fica realmente complicado ao cinéfilo escolher a melhor de todas. Na realidade não existe "a melhor", mas sim aquelas que são mais fiéis ao texto original ou mais bem realizadas do ponto de vista da produção, reconstituição histórica, elenco, figurinos, etc. Essa versão de 1998 de "Les Misérables" se enquadra nessa segunda categoria. É uma produção realmente de requinte, com excelentes aspectos técnicos. O roteiro pode até não ser tão fiel ao livro de Victor Hugo, mas isso se torna secundário diante de um filme tão bem realizado. O elenco é composto por astros do cinema americano que unem suas forças a atores realmente brilhantes do ponto de vista da arte dramática. Na época de seu lançamento o filme foi acusado, entre outras coisas, de ser um produto pop demais, feito para consumo das massas. Além de bem preconceituosa essa visão não é inteiramente verdadeira. Mesmo sob uma análise literária e histórica o filme convence. Na trama vemos os perigos de se confiar cegamente em um líder populista e ditatorial como Bonaparte e as consequências nefastas que se abatem sobre o povo francês naquele momento histórico de muita agitação política e social. Por essa razão deixo a recomendação dessa versão que certamente foi uma porta de entrada muito eficaz para os interessados na literatura de Victor Hugo.

Pablo Aluísio.

Negação

Título no Brasil: Negação
Título Original: Denial
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: BBC Films
Direção: Mick Jackson
Roteiro: David Hare
Elenco: Rachel Weisz, Tom Wilkinson, Timothy Spall, Andrew Scott
  
Sinopse:
David Irving (Timothy Spall) é um revisionista histórico que afirma em seus livros que o ditador alemão Adolf Hitler jamais teria autorizado o extermínio de judeus em campos de concentração durante a II Guerra Mundial. Ao ser chamado de nazista e racista por uma historiadora americana, a Dra Deborah Lipstadt (Rachel Weisz), ele acaba levando a questão para os tribunais ingleses, onde começa uma disputa sobre a questão histórica do holocausto judeu. Filme indicado ao BAFTA Awards na categoria de Melhor Filme Britânico.

Comentários:
Assim que tomei conhecimento do tema desse filme já soube de antemão que seria bom ou pelo menos muito interessante. A história é baseada em fatos reais e mostra a batalha jurídica que se trava entre uma professora e historiadora americana e um revisionista inglês. Como se sabe existem aqueles que negam o holocausto, assim como outros que afirmam que Hitler não autorizou a chamada solução final, o assassinato em massa do povo judeu. No tribunal ambas as partes discutem uma lide subjetiva, que envolve calúnia e difamação, porém logo a imprensa britânica lança a ideia de que o que realmente estaria em julgamento era a existência real ou não do próprio holocausto (o que do ponto de vista jurídico não era verdade). É um drama de tribunal com um excelente pano de fundo histórico. Baseado no próprio livro da Dra Deborah Lipstadt o filme vai desvendando a desonestidade intelectual de David Irving, um sujeito que começou estudando a biografia de Hitler até se apaixonar pelo biografado, se tornando assim um insuspeito admirador do Nacional Socialismo Alemão (mais conhecida como a ideologia nazista). Chamado de nazista e racista pela professora americana ele a leva aos tribunais, a processando por difamação e calúnia, cabendo agora a ela demonstrar perante o juiz que ele é sim aquilo que ela afirmou. É a chamada exceção da verdade. O filme também é interessante para estudantes e profissionais do Direito, uma vez que mostra detalhes do funcionamento do ordenamento jurídico inglês, suas nuances processuais e jurisprudenciais. Tudo muito instrutivo. A produção é igualmente e especialmente indicada para aqueles que apenas procuram por um bom filme que explore essa luta intelectual entre historiadores tradicionais e revisionistas sobre a questão do holocausto. Há provas históricas realmente consistentes? O que aconteceu de fato nos campos de concentração? Havia mesmo câmeras de gás em Auschwitz? Questões como essas são tratadas nesse excelente roteiro. Está muito bem recomendado. Não deixe de assistir.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O Outro Lado de Gandhi

O Outro Lado de Gandhi - Ele é celebrado pela história como um grande homem que conseguiu libertar seu país, a Índia, do colonialismo britânico e tudo isso sem o uso de guerras ou conflitos. Gandhi pregou a filosofia da não violência para que o mundo ocidental reconhecesse que os indianos tinham direito a uma nação independente, livre das amarras de estrangeiros que determinavam o rumo que sua terra deveria tomar. Pois bem, certamente nada irá nublar essa sua atitude corajosa e muito valorosa na luta pela independência da Índia. Nesse ponto ele foi realmente grandioso.

Gandhi porém era um ser humano e também tinha defeitos. Como foi uma figura histórica que chamou muito a atenção de biógrafos e autores ocidentais. Interessados em sua história eles foram a fundo em pesquisas sobre a vida do líder indiano. E lá, no fundo do baú de arquivos, cartas e textos escritos pelo próprio Gandhi se descobriu um lado pouco nobre de sua personalidade. Não há dúvidas sobre isso, o celebrado homem da paz e da diplomacia era racista! Sua ira foi dirigida contra negros, mais especificamente contra os negros da África do Sul. Gandhi viveu naquele país durante uma parte de sua vida e lá escreveu diversos artigos, cartas e matérias.

Numa delas Gandhi afirma que negros eram encrenqueiros, imundos e viviam praticamente como animais. Em outro momento afiou sua escrita para desacreditar qualquer tipo de liderança política partindo de grupos formados por membros da comunidade negra. Sua aversão a eles continuou depois. Foi completamente contra qualquer política de cotas raciais nas universidades (um sistema parecido com o que é utilizado hoje em nosso país). Chegou inclusive ao ponto de fazer greve de fome contra o projeto de lei que criaria as tais cotas para negros. No final venceu a luta e o parlamento deixou as cotas de lado. Assim fica claro que Gandhi não era perfeito e nem divino, mas apenas um ser humano como qualquer outro - inclusive com opiniões equivocadas e politicamente incorretas sob o ponto de vista do mundo atual.

Pablo Aluísio. 

domingo, 22 de janeiro de 2017

Filmes da TV Aberta: Semana (22/01 a 27/01)

Temos uma semana interessante em relação ao filmes na TV aberta. Praticamente todo dia terá pelo menos um bom filme sendo exibido. Então vamos lá. No domingo será exibido Anjos da Vida - Mais Bravos que o Mar (2006). Esse é um filme que assisti no cinema e de que gostei, apesar de ser de uma fase mais decadente do ator Kevin Costner. Ao lado de Ashton Kutcher ele interpreta um veterano de equipes de resgate que precisa passar sua experiência para os mais jovens. Tem boas cenas de ação. Na madrugada desse mesmo dia outras duas fitas que vale a pena conferir: A Caça (2012) com o excelente Mads Mikkelsen e Vício Frenético (2010), um dos últimos filmes do Nicolas Cage de que realmente gostei. Com um bom elenco de apoio (Eva Mendes e Val Kilmer) o filme mostra um policial tendo que superar inúmeros problemas pessoais.

Na segunda, em plena Sessão da Tarde, será exibido Entrando Numa Fria Maior Ainda (2004), uma comédia horrível mostrando um grupo de atores veteranos decadentes (Robert de Niro, Dustin Hoffman e Barbra Streisand) tentando ganhar alguns trocados com o que restou de suas carreiras. Como são artistas talentosos o sentimento é de pura melancolia por eles terem que pagar esse mico! Pior é servir de coadjuvante para o obtuso e idiota (no mau sentido mesmo) Ben Stiller! Uma lástima. As coisas melhoram um pouco à noite pois Tela Quente exibirá Thor: O Mundo Sombrio (2013). Esse é indicado para quem gosta de adaptações de quadrinhos para o cinema. Os cinéfilos também não terão do que reclamar já que o elenco é bom, contando com Anthony Hopkins e Natalie Portman. Bom, é um trabalho para se viver.

Durante a semana, a terça será o menos interessante dos dias. Apenas a aventura juvenil As Crônicas de Spiderwick (2008) chama um pouco a atenção. É um filme fraco, mas tem o Nick Nolte no elenco pelo menos. Na quarta teremos a exibição de dois filmes que valem a espiada. O primeiro é Contagem Regressiva (2013) com Paul Walker. Sem favor algum, esse é um dos melhores trabalhos dele, que infelizmente segue pouco conhecido. No filme ele interpreta um pai que precisa proteger seu filho recém-nascido, prematuro, durante a chegada do terrível furacão Katrina. Ele fica praticamente sozinho no hospital, lutando pela vida do bebê. Muito bom! Recomendo. Nessa mesma madrugada será exibido Glória (1999). O filme é estrelado pela estrela Sharon Stone. Ela interpreta uma mulher condenada por um crime que não cometeu. Um filme dos anos 90 que andava há um bom tempo sumido. Boa oportunidade para conferir.

Na quinta outro filme dos anos 90: Risco Duplo (1999). O tema também é parecido com o anterior, lidando com prisões, traições e conspirações. No elenco um nome de peso: Tommy Lee Jones. E é justamente ele que surge no dia seguinte, de novo, com um filme na Sessão da Tarde: MIB - Homens de Preto 3 (2012). Muita gente considera essa franquia uma grande bobagem e de fato estão com a razão. Esse aliás é o grande atrativo dessa adaptação de uma revista em quadrinhos bem obscura e desconhecida. Por fim teremos o grande filme da semana sendo exibido na madrugada de sexta para sábado. Se trata de Cães de Aluguel do diretor Quentin Tarantino. Esse foi seu primeiro grande filme de repercussão, o que de fato deu origem a sua carreira cultuada. No enredo quatro criminosos são encurralados pela polícia e agora precisam descobrir qual deles teria sido o traidor. Um grande filme, valorizado pela violência estilizada que é a marca registrada do cineasta. No elenco só feras: Harvey Keitel, Tim Roth, Michael Madsen, Chris Penn e Steve Buscemi! Simplesmente imperdível.

Pablo Aluísio.

Os Melhores Aviões da II Guerra Mundial

Melhores Aviões da II Guerra Mundial 
1. Spitfire
Mais do que um caça eficiente, o Spitfire foi um verdadeiro símbolo de resistência da Inglaterra contra os avanços e ataques da Força Aérea do Reich alemão. A Royal Air Force produziu mais de 20 mil unidades durante a guerra, com várias modificações nos sucessivos modelos que foram fabricados. O famoso caça só deixou de ser produzido durante os anos 50, quando se tornou obsoleto em termos tecnológicos.

2. Mustang
Esse foi o principal caça americano durante a II Guerra Mundial. Tinha o apelido de "Cadillac do céu" pois na época o carro mais vendido e desejado pelos americanos era justamente o Cadillac, símbolo de poder e status. Curiosamente muitos especialistas dizem que o Mustang não era assim um avião tão avançado. Em certos aspectos ele era bem inferior do que o Spitfire, porém foi produzido em larga escala (mais de 15 mil unidades) fazendo com que a quantidade falasse mais alto do que a qualidade propriamente dita.

3. Thunderbolt 
Outro símbolo americano na guerra o caça P-47 Thunderbolt se notabilizava pelo poder de fogo pois era armado com uma metralhadora de alto poder de destruição. Por essa razão era o caça preferido para ser usado em missões de combate contra aviões inimigos nos céus da Europa. Sua metralhadora Ponto 50 era fatal contra os aviões da Alemanha Nazista. Também se destacava pela grande autonomia de voo. Um avião realmente acima da média.

4. Messerschmitt Bf 109
Esse foi o avião alemão mais produzido durante a guerra. O próprio Hitler gostava bastante do fato dele ser bem eclético, funcionando para diversos usos diferentes. No total foram produzidos mais de 30 mil unidades desde quando surgiu nos céus pela primeira vez, ainda durante a guerra civil espanhola. Com a supremacia dos americanos e ingleses nos ares a Deutsche Luftwaffe (a força aérea da Alemanha) acabou sendo destruída e praticamente nenhum exemplar desse famoso avião sobreviveu à guerra. Hoje em dia encontrar um exemplar original é uma verdadeira raridade.
5. Zero
Também foi um dos caças mais famosos da II Guerra Mundial. O Mitsubishi A6M Zero-Sen foi o caça mais usado pelo Japão imperial durante o conflito, tendo participado intensamente da chamada Guerra do Pacífico. Foi com esse caça que os japoneses fizeram o ataque ao porto americano de Pearl Harbor, fato que fez com que os americanos entrassem definitivamente na Guerra, selando definitivamente o destino do Japão, derrotado alguns anos depois com um ataque nuclear devastador sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O Monstro da Morgue Sinistra

Título no Brasil: O Monstro da Morgue Sinistra
Título Original: The Flesh and the Fiends
Ano de Produção: 1960
País: Inglaterra
Estúdio: Triad Productions
Direção: John Gilling
Roteiro: John Gilling
Elenco: Peter Cushing, June Laverick, Donald Pleasence, Renee Houston
  
Sinopse:
Escócia, 1828. Na sombria e sinistra cidade de Edimburgo, um cirurgião renomado, o Dr. Robert Knox (Peter Cushing), começa a comprar corpos humanos para suas pesquisas médicas. Quando dois criminosos são executados, a infame dupla de assassinos em série Burke e Hare, o médico se apressa para comprar seus cadáveres, dando começo a uma série de eventos aterrorizantes.

Comentários:
Clássico do terror e suspense estrelado pelo sempre competente Peter Cushing. O curioso é que tudo o que se vê na tela foi baseado em fatos reais, acontecidos na Escócia, durante o século XIX. O caso ficou famoso porque envolveu a compra de corpos de dois assassinos famosos na época, os sanguinários William Burke e William Hare. O objetivo do anatomista Robert Knox (Cushing) era descobrir se alguma característica física desses homicidas explicava de alguma forma o comportamento criminoso, antissocial e violento deles. Interessante é que não faz muito tempo, assistindo a um documentário sobre a cidade de Edimburgo em um canal a cabo me deparei com a exposição dos corpos desses matadores pois eles ainda hoje são conservados na universidade de medicina do lugar. Claro que o filme não é totalmente fiel aos fatos originais pois é um filme de terror ao velho estilo, mas isso não impede de tornar tudo ainda mais instigante ao espectador. Além disso a simples presença do mestre Peter Cushing já justifica o interesse.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Santo Homem

Título no Brasil: Santo Homem
Título Original: Holy Man
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Caravan Pictures
Direção: Stephen Herek
Roteiro: Tom Schulman
Elenco: Eddie Murphy, Jeff Goldblum, Kelly Preston, Robert Loggia
  
Sinopse:
Dois executivos de TV, Ricky (Jeff Goldblum) e Kate (Kelly Preston), prestes a serem demitidos do canal onde trabalham, acabam tirando a sorte grande ao encontrar G (Eddie Murphy), um sujeito religioso e místico que consegue convencer qualquer pessoa a cerca de suas ideias. Assim Ricky e Kate resolvem dar um emprego para G, para ele anunciar produtos à venda na TV. E não é que G acaba se tornando uma grande sensação televisiva!

Comentários:
Mais um filme da fase em que Eddie Murphy procurava desesperadamente por um sucesso no cinema. Esse "Holy Man" (literalmente Santo Homem) é uma fita bem inofensiva, cheia de boas intenções, mas que a despeito disso não conseguiu ter sucesso de bilheteria. No Brasil só foi lançado discretamente no mercado de vídeo, sem qualquer repercussão maior. E vamos ser bem sinceros,  realmente o filme não ajuda, apesar de ter um bom elenco que conta com, além de Murphy, os simpáticos  Jeff Goldblum e Kelly Preston. Goldblum, de "A Mosca" e "Parque dos Dinossauros", com seus olhos esbugalhados, acabou se saindo muito bem nesse tipo de comédia leve e despretensiosa. Já Preston sempre foi uma das atrizes mais bonitas de Hollywood, mesmo após se casar com John Travolta. Então é isso, se você estiver em busca de uma comediazinha muito soft, que brinca um pouco com o mundo da TV e das seitas esotéricas que se multiplicam na Califórnia, eis aqui uma opção. Não mudará sua vida em nada, mas pelo menos, quem sabe, servirá para passar o tempo...

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Moby Dick

Título no Brasil: Moby Dick 
Título Original: Moby Dick 
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: American Zoetrope
Direção: Franc Roddam
Roteiro: Anton Diether
Elenco: Patrick Stewart, Henry Thomas, Bruce Spence, Hugh Keays-Byrne
  
Sinopse:
Moby Dick não é apenas uma baleia alpina do gênero cachalote. Na verdade é o próprio símbolo das forças da natureza, dos mares. Anos após o ataque quase mortal a um velho capitão ele descobre que terá a chance de reencontrar o feroz predador que arrancou uma de suas pernas em um ataque sangrento. Agora, obcecado em novamente reencontrar Moby Dick, ele percebe que o dia da sua vingança está chegando! Filme indicado pelo Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator - Minissérie de TV (Patrick Stewart).

Comentários:
Trata-se na realidade de uma minissérie que foi exibida nos Estados Unidos e Europa em dois grandes episódios. No Brasil tudo foi reunido em apenas um filme e lançado no mercado de vídeo. Sempre gostei dessa versão do clássico livro escrito por Herman Melville por uma simples razão: a presença do ator Patrick Stewart interpretando a vigorosa figura do capitão Ahab. Eu me recordo bem que quando foi lançado o filme foi criticado por alguns por não ter bom ritmo, de tudo se desenvolver de forma muito lenta e coisas do tipo. Bobagem, qualquer adaptação de "Moby Dick" precisa contar com o devido respeito ao texto original e isso significa dar um espaço para que os atores declamem os ótimos diálogos escritos originalmente pelo autor do livro. Não adianta simplesmente realizar um filme de ação, com matança de baleias assassinas. Isso, nos dias de hoje, soaria até meio ofensivo. O que vale mesmo é explorar a luta de um homem contra seus traumas e demônios interiores, mesmo que eles acabem sendo personificados por um animal irracional que apenas luta pela sua sobrevivência. Com boa reconstituição história e elenco acima da média esse "Moby Dick" dos anos 90 feito para a TV se mostra, de forma surpreendente, como uma das melhores adaptações já produzidas. Ah e antes que me esqueça aqui vai outra informação preciosa: a série foi produzida por Francis Ford Coppola. Vale conferir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Oposto do Sexo

Título no Brasil: O Oposto do Sexo
Título Original: The Opposite of Sex
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Rysher Entertainment
Direção: Don Roos
Roteiro: Don Roos
Elenco: Christina Ricci, Martin Donovan, Lisa Kudrow, Lyle Lovett
  
Sinopse:
Cansada de sua tediosa vida a adolescente Dede Truitt (Ricci) decide fugir de casa para ir morar com seu irmão Bill (Martin Donovan). Ele é gay e tem um namorado que vive ao seu lado. Dede então decide seduzir o companheiro de seu irmão, o levando para uma fuga insana de crimes e traições. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz (Christina Ricci).

Comentários:
Foi muito badalado quando lançado, mas sinceramente falando nunca vi nada demais nessa fita que em vários momentos apela aos sentimentos e desejos mais primitivos do ser humano. Explico. No roteiro temos uma Christina Ricci ainda muito jovem, tentando fazer a complicada transição entre sua carreira mirim e o mundo adulto. Sua personagem procura esbanjar sensualidade de todas as maneiras. Geralmente a atriz está de biquíni em cena, fazendo caras e bocas. Quando o filme foi rodado ela ainda tinha apenas 17 anos! Assim ainda era uma garota menor de idade. Achei um pouco abusivo as escolhas do diretor em explorar demais o lado sensual de Ricci, justamente por causa desse fato. O roteiro também não é tão maravilhoso como muitos chegaram a dizer na época. Há um clima de "Lolita" criminosa no ar que não se sustenta por muito tempo. Talvez o único grande crédito cinematográfico válido desse filme seja a direção de fotografia a cargo do talentoso Hubert Taczanowski. Abusando de cores fortes e invasivas ela acabou criando um visual bem interessante e marcante ao filme como um todo. De resto nada demais. Só seria indicado mesmo para quem tem interesse especial em Ricci nessa fase de transição em sua carreira e, é claro, para quem tem atração doentia por garotinhas na puberdade.   

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A Chegada

O filme recebeu algumas das melhores críticas quando foi lançado no final do ano passado. Depois de assisti-lo pude compreender que toda a boa receptividade não foi em vão. Realmente essa nova ficção "Arrival" faz jus a tudo o que de bom foi escrita sobre ela. Há bastante tempo Hollywood não vinha lançando boas fitas sci-fi como esse "A Chegada". A lembrança mais óbvia vem de "2001" do mestre Kubrick. A comparação não é gratuita. Desde que chegou aos cinemas o diretor Denis Villeneuve tem repetido que aquele clássico serviu como inspiração e modelo para seu filme. E o que isso significaria exatamente? Bom, significa que o roteiro foge dos clichês, procurando desenvolver um argumento mais intelectual, diria até psicológico, entre todos os personagens. Nada de apelar para saídas facéis.

O enredo começa mostrando uma sala de aula numa universidade onde leciona a Dra. Louise Banks (Amy Adams). Ela é especialista em linguagem e línguas. Curiosamente sua aula mostrada no filme é sobre a nossa língua, a língua portuguesa, que ela explica aos seus alunos ser bem diferente de todas as outras! Em breve momento até elogia o português, explicando sobre sua riqueza linguística, um idioma nascido em uma época em que havia uma simbiose entre as línguas faladas e a poesia! Ponto para nós! Pois bem, sua aula é interrompida por um evento extraordinário: a chegada no planeta Terra de doze naves alienígenas, em diversos pontos do mundo. Elas chegam e ficam paradas, estáticas, sem qualquer sinal de ação. Isso intriga os governos que começam a recrutar seus melhores especialistas em comunicação e linguagem. Afinal é necessário abrir um canal de contato com essa suposta civilização alien.

Assim a Dra. Banks é levada por um coronel, interpretado pelo sempre ótimo Forest Whitaker, para o lugar onde uma dessas naves está pousada. Os seres alienígenas em nada lembram os seres humanos, mais se parecendo com algum tipo de criatura marinha, de sete pés (daí o nome que os cientistas colocam neles, Heptaporos). E assim segue o filme com a professora tentando entrar em comunicação com os seres vindos do espaço. O curioso é que ao mesmo tempo começa uma espécie de ligação sensorial entre a Dra. Banks e os seres espaciais, uma ligação que guarda algo maior, desvendando um sentido muito mais profundo, revelando a verdadeira intenção dos visitantes.

Obviamente esqueça filmes como "Guerra dos Mundos" ou até mesmo as bobagens da franquia "Independence Day". Não é por aí. O filme apresenta um roteiro sofisticado e muito mais inteligente. Não se trata de um choque, uma uma guerra de civilizações, nada disso, pois seria banal demais. O roteiro ao invés disso se apoia em algo mais profundo, mais sensitivo. É um filme, como já escrevi, com as matizes de um "2001", algo mais intelectualizado. Sem dúvida uma das melhores obras cinematográficas de 2016. Não deixe passar em branco.

A Chegada (Arrival, Estados Unidos, 2016) Direção: Denis Villeneuve / Roteiro: Eric Heisserer, Ted Chiang / Elenco: Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker, Michael Stuhlbarg / Sinopse: Especialista em línguas e linguagens é levada pelo governo americano para uma região remota onde aterrisou uma nave espacial de origem desconhecida. Ela terá que tentar abrir um canal de comunicação com os estranhos seres alienígenas que vieram do espaço.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Tudo Por Dinheiro

Título no Brasil: Tudo Por Dinheiro
Título Original: Money Talks
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: New Line Cinema
Direção: Brett Ratner
Roteiro: Joel Cohen, Alec Sokolow
Elenco: Charlie Sheen, Chris Tucker, Heather Locklear
  
Sinopse:    
James Russell (Charlie Sheen) é um jornalista sem brilho e sucesso que acaba encontrando uma estória bem sensacionalista para explorar. Um veículo transportando prisioneiros é cercado por uma quadrilha e libertado. Todos fogem, dando origem assim a uma verdadeira caçada humana. Todos pensam que o responsável pela fuga espetacular é Franklin Hatchett (Chris Tucker), mas ele na realidade é um bandidinho pé de chinelo. O verdadeiro mentor de tudo é um contrabandista perigoso, illard (Gérard Ismaël). Filme indicado ao Framboesa de Ouro na categoria de Pior Ator do Ano (Chris Tucker).

Comentários:
O que fazer quando a carreira no cinema vai por água abaixo? No caso do Charlie Sheen a saída foi estrelar uma comédia de quinta categoria ao lado do ator e comediante Chris Tucker. Nem precisa dizer que o filme é uma grande porcaria, totalmente sem graça. Essa coisa toda de duplas (geralmente envolvendo um branco e um negro e as diferenças culturais entre eles) já deu o que tinha que dar. Desde o primeiro "Máquina Mortífera" já sabíamos que era uma roubada. O curioso é que Sheen acabou arranjando um jeito de ainda trabalhar no cinema, atuando em filmes como esse, que beiravam o pastelão. Mais estranho ainda é saber que ele nunca se assumiu como comediante, na verdade a graça em Sheen era justamente esse: ele não atuava como se estivesse em uma comédia, mas sim em um filme normal, como qualquer outro. As palhaçadas assim ficaram todas a cargo de Chris Tucker e sua vozinha da gazela! Como a bobagem que é, a única coisa boa (e visualmente válida) vem da presença da linda Heather Locklear, seguramente uma das atrizes mais bonitas que já passaram por Hollywood. Fora ela todo o resto é uma grande, enorme, perda de tempo! Fuja!

Júlio Abreu e Pablo Aluísio.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Papa Vs Hitler

Título no Brasil: Papa Vs Hitler
Título Original: Pope Vs. Hitler
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: National Geographic
Direção: Christopher Cassel
Roteiro: Christopher Cassel
Elenco: Michael Deffert, Dan Nachtrab, Andrius Brazas
  
Sinopse:
Documentário que resgata a posição do Papa Pio XII (1876 - 1958) durante a II Guerra Mundial. Com a ascensão de Hitler e os nazistas ao poder começa uma verdadeira era de destruição e morte por toda a Europa. O Holocausto é implantado como uma verdadeira máquina de assassinatos em larga escala. Teria o Papa em Roma se omitido diante de tamanho genocídio? Qual era a sua posição perante o horror nazista?

Comentários:
O Papa Pio XII foi certamente um dos líderes religiosos mais difamados e caluniados da história. Em certos livros ele chegou a ser chamado de "O Papa de Hitler". Para muitos o Papa não cumpriu sua função, denunciando os crimes de genocídio do povo judeu implantado nos campos de concentração. Apesar dessas ideias serem bem difundidas esse novo documentário da National Geographic procura olhar com maior imparcialidade sobre aquele período histórico tão importante para a humanidade. O Papa realmente se omitiu? Foi um omisso em relação a tudo o que estava acontecendo? Baseado em livros mais recentes, alguns frutos de intensa pesquisa, esse documentário exibido recentemente na Europa e Estados Unidos demonstra que nem tudo aconteceu como muitos pensavam. Na verdade o Papa Pio XII foi um inimigo de Hitler desde o começo de seu regime. Com uma complexa rede de espiões e informantes por todo o continente o Papa soube em primeira mão sobre os absurdos que estavam ocorrendo. Diante disso ele tinha dois caminhos a seguir: denunciar publicamente o regime nazista por suas atrocidades (o que poderia dar início a uma nova onda de perseguições e mortes contra católicos) ou agir nos bastidores, com espiões do Vaticano, apoiando grupos de resistência contra Hitler e seus vassalos. Assim o documentário esmiúça o papel desempenhado por Pio XII durante a guerra, mostrando que ele ativamente participou de inúmeras tentativas de derrubada do tirano alemão. Também agiu diplomaticamente, servindo de ponte ou elo de comunicação entre os países ocidentais (em especial Inglaterra e Estados Unidos) e os grupos que dentro do III Reich tentavam liquidar Hitler, para derrubar seu regime, abrindo assim uma nova era de paz, terminando com aquela guerra que custou a vida de milhões de seres humanos. A decisão de Pio XII até hoje causa controvérsias entre historiadores e especialistas em política internacional. Agiu bem Pio XII? Com o documentário todos os prós e contras são colocados numa balança, para que o próprio espectador tire suas conclusões. No saldo geral temos um excelente documentário, onde em 90 minutos de duração, tudo é discutido com a máxima isenção. Um programa obrigatório para quem procura conhecer melhor a história da Igreja Católica em nosso tempo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Terra de Gigantes


Terra de Gigantes
Uma das séries mais populares dos anos 60 foi Terra de Gigantes. Criada pelo mestre Irwin Allen (de outras séries igualmente populares como "Perdidos no Espaço" e "Viagem ao Fundo do Mar") os episódios exploravam as aventuras de um grupo de tripulantes de uma nave espacial que iam parar em um planeta onde todos eram gigantes. Eles assim tinham que sobreviver naquela estranha e bizarra realidade. A série durou apenas duas temporadas (entre os anos de 1968 a 1970), mas logo se tornou campeã de reprises nas emissoras de TV, ganhando com isso grande popularidade, inclusive no Brasil onde foi exibida por anos e anos.


Fugindo do Passado

Título no Brasil: Fugindo do Passado 
Título Original: Twilight
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Robert Benton
Roteiro: Robert Benton, Richard Russo
Elenco: Paul Newman, Susan Sarandon, Gene Hackman, Reese Witherspoon, James Garner
  
Sinopse:
Ex-policial, agora aposentado, o detetive particular Harry Ross (Paul Newman) ganha a vida fazendo pequenos serviços, muitos deles sem grande importãncia. Tudo muda quando ele é contratado para entregar uma mala cheia de dinheiro a um chantagista. Seu cliente decide pagar uma alta soma em razão de uma chantagem que vem sofrendo, cujos detalhes Harry não tem pleno conhecimento. O problema é que há algo muito maior por trás, inclusive uma conspiração envolvendo um assassinato.

Comentários:
Bom filme policial cujo maior atrativo é a presença do veterano Paul Newman. Apesa da idade, o astro da era do cinema clássico americano esbanja carisma e versatilidade nesse bom roteiro, cheio de reviravoltas, que prende a atenção do espectador da primeira à última cena. Como se não bastasse toda a riqueza de nuances da trama principal, ainda temos um elenco de apoio excelente, de primeira linha, cheio de grandes nomes de Hollywood como Susan Sarandon, Gene Hackman, James Garner e Reese Witherspoon! O grande Gene Hackman (hoje aposentado das telas definitivamente) interpreta um velho ator que ficou milionário com sua carreira de sucesso. Os tempos de fama e glória porém ficaram no passado pois ele está morrendo de um agressivo tipo de câncer. Susan Sarandon interpreta sua esposa, uma atriz que não teve o mesmo êxito profissional. Ela parece esconder algo em seu passado, principalmente em relação ao desaparecimento de seu primeiro marido, um homem que simplesmente nunca mais foi visto, não deixando quaisquer pistas sobre o seu paradeiro. Teria ela algo a ver com o sumiço dele? Para Harry tudo pode ser investigado e encaixado em algo mais misterioso e nebuloso do que muitos pensam. Com essa boa trama, personagens bem desenvolvidos e um roteiro acima da média esse filme é sem dúvida muito bom. Enfim, eis aqui mais um grande momento na carreira de Paul Newman, cuja filmografia sempre foi uma das mais ricas da história de Hollywood. Ele foi um ator cuja simples presença já tornava obrigatório qualquer filme.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Basil - Amor e Ódio

Título no Brasil: Basil - Amor e Ódio
Título Original: Basil
Ano de Produção: 1998
País: Inglaterra
Estúdio: Showcareer Limited Production
Direção: Radha Bharadwaj
Roteiro: Radha Bharadwaj
Elenco: Christian Slater, Jared Leto, Claire Forlani, Crispin Bonham-Carter
  
Sinopse:
Romântico e gentil, o jovem Basil (Jared Leto) finalmente consegue se casar com a garota de seus sonhos, a bela Julia Sherwin (Claire Forlani). Idealizando sua amada, mal sabe ele que sua noiva teve um longo relacionamento com John Mannion (Christian Slater). Pior do que isso, ela parece ainda gostar dele. John é um sujeito de má índole, sem valores morais, que pensa se vingar do irmão de Basil, Ralph (Crispin Bonham-Carter), por causa de uma antiga rixa. Logo a combinação entre amores, rivalidades e ódios se torna explosiva.

Comentários:
O roteiro desse filme foi baseado na novela romântica escrita por Wilkie Collin (1824 - 1889). Seus textos tiveram muitas adaptações para o cinema e TV, principalmente durante a década de 1940, mas o público brasileiro pouca familiaridade tem com esse romancista, dramaturgo e contista inglês. Ele foi muito popular em sua época por explorar em seus textos os conflitos românticos de pessoas comuns, da sociedade em que viveu. Obviamente seus romances se tornaram campeões de vendas pois eram consumidos por jovens britânicas românticas sonhando com seus primeiros amores. Embora dentro da academia Wilkie Collin seja considerado um autor menor (talvez por ter sido bem comercial em seu tempo), poucos ainda dão o devido valor ao escritor nos dias de hoje. Na década de 90 tivemos essa adaptação de um de seus livros, um filme até interessante cujo maior mérito foi ter apresentado a obra de Collin a um público mais jovem, dos dias atuais. Não é uma grande produção, de encher os olhos, mas é correta e eficiente. Além disso traz um ainda bem novo Jared Leto, aqui no papel pouco inspirado de um galã romântico idealista, um tipo de personagem sempre presente nesses romances do século 19. Então é isso. Um resgate cinematográfico bem-vindo de um dos mais populares romancistas ingleses da era Vitoriana.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O Amanhecer do Quarto Reich

Título no Brasil: O Amanhecer do Quarto Reich
Título Original: Beyond Valkyrie - Dawn of the 4th Reich
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Stage 6 Films
Direção: Claudio Fäh
Roteiro: Robert Henny, Don Michael Paul
Elenco: Sean Patrick Flanery, Tom Sizemore, Stephen Lang, Rutger Hauer
  
Sinopse:
Um grupo de soldados e espiões aliados são enviados além das linhas inimigas para encontrar um importante oficial do exército alemão que faz parte da Operação Valquíria. Esse era um plano para matar o líder nazista Adolf Hitler, assumir o controle do Estado e entrar em negociações de paz com as forças aliadas durante a II Guerra Mundial. O grupo porém enfrentará vários desafios, entre eles sobreviver dentro do território inimigo.

Comentários:

A conclusão a que se chega após assistir a filmes como esse é simples: Já não se fazem mais bons filmes de guerra como antigamente. Tudo bem que se trata de uma produção B, feita para ser lançada diretamente no mercado de venda direta ao consumidor, mas por que não capricharam um pouco mais? O elenco tem até bons atores, em especial Stephen Lang, que sempre considerei um excelente ator que nunca teve uma chance de verdade em sua carreira. O mesmo vale para Rutger Hauer, que infelizmente é mais uma vez desperdiçado. A premissa do roteiro até que é muito boa, mostrando uma missão de agentes do OSS (a agência de espionagem que seria substituída pela CIA) em território alemão. O problema é que o roteiro parece querer imitar alguns filmes de guerra dos anos 70 que primavam mais pela ação do que propriamente por desenvolver uma boa trama. Dessa maneira muito potencial é perdido. A produção, apesar de fraca, ainda consegue tirar leite de pedra, sendo aceitável, mas tudo desanda mesmo nessa falta de maior cuidado ao se contar essa estória. No final os roteiristas ainda encaixaram algumas informações históricas da guerra em seus momentos finais, porém sem grande ligação com o enredo que se viu no filme (que é em parte meramente ficcional). Em suma, precisam melhorar mais nessas produções atuais sobre a II Guerra Mundial. Muitos clássicos sobre o tema foram realizados no passado e por isso a responsabilidade aumenta. Fazer filmes fracos explorando esse nicho cinematográfico não me parece ser, por essa razão, uma boa ideia.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Cidade das Sombras

Título no Brasil: Cidade das Sombras
Título Original: Dark City
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: New Line Cinema
Direção: Alex Proyas
Roteiro: Alex Proyas
Elenco: Kiefer Sutherland, Jennifer Connelly, Rufus Sewel, William Hurt
  
Sinopse:
Vivendo em uma cidade eternamente coberta pelas sombras da noite, John Murdoch (Rufus Sewell) acorda repentinamente sem lembrar de absolutamente nada do que aconteceu. Pior do que isso, ele vira suspeito de ter cometido vários assassinatos violentos, com requintes de crueldade! Seria verdade? Ele simplesmente não sabe responder. Para o inspetor de polícia Frank Bumstead (William Hurt) ele é o culpado.

Comentários:
Esse é aquele tipo de filme com muito estilo em seu visual, cenários e direção de arte, mas sem um grande roteiro por trás de tudo. Na época de seu lançamento foi bem elogiado nos aspectos técnicos, mas também criticado por tentar ser um filme noir moderno, onde se mistura uma trama de assassinato com uma tendência neo-punk futurista. Realmente, da estória você provavelmente esquecerá em pouco tempo, porém esse estilo visual ficará em sua mente por um bom tempo. Chego até mesmo a ficar surpreso que esse filme nunca tenha inspirado as histórias em quadrinhos (se virou graphic novel, desconheço). Até porque, pense bem, o diretor e roteirista Alex Proyas usou muito da linguagem de HQs. É no fundo uma mistura de Blade Runner com velhos filmes de detetives estrelados por Robert Mitchum. Uma mistura bem estranha, ainda mais acentuada pela extrema escuridão da fotografia do filme (não é brincadeira, em muitos momentos você não vai conseguir enxergar absolutamente nada na tela!). Do elenco o ator que mais se saiu bem nos anos seguintes foi Kiefer Sutherland. Seu personagem aqui porém é apenas secundário, um médico que decide ajudar o protagonista a encontrar a verdade dos fatos. Já Jennifer Connelly está muito atraente com esse figurino escuro, sombrio, o que por si só já é bastante sensual.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Um Crime Perfeito

Título no Brasil: Um Crime Perfeito
Título Original: A Perfect Murder
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Andrew Davis
Roteiro: Patrick Smith Kelly
Elenco: Michael Douglas, Gwyneth Paltrow, Viggo Mortensen, David Suchet
  
Sinopse:
Baseado na peça escrita por Frederick Knott, o filme mostra os detalhes de um crime planejado pelo frio e calculista Steven Taylor (Michael Douglas). Ele é um homem de negócios arruinado que precisa levantar uma grande soma rapidamente. Para isso ele resolve então assassinar sua própria esposa Emily Bradford Taylor (Gwyneth Paltrow), herdeira de 100 milhões de dólares. Sua plano é que outra pessoa cometa o crime, para que ele consiga se livrar através de um bem elaborado álibi. Para isso acaba usando o próprio amante da mulher! Filme vencedor do Blockbuster Entertainment Awards na categoria de Melhor Atriz - Suspense (Gwyneth Paltrow).

Comentários:
Esse filme é na verdade o remake de um dos maiores clássicos do cinema, "Disque M para Matar" (1954) de Alfred Hitchcock. A primeira questão que vem em nossa mente é se havia realmente necessidade de se refazer uma obra prima como aquela? Apesar de ser uma boa produção, bem realizada, elegante, contando com bom elenco, meu veredito é que esse filme dos anos 90 sequer precisava existir. A estória de crime e acobertamento de um marido assassino em busca da fortuna de sua esposa já havia encontrado sua versão final e definitiva pelas mãos do mestre do suspense. Tudo soa desnecessário. Se formos comparar então cada nome do elenco as coisas só pioram. Quem, em sã consciência, poderia preferir a gelada Gwyneth Paltrow ao invés da princesa Grace Kelly da versão original? É forçar demais a barra, não é mesmo? O filme só existe por causa dos caprichos do astro Michael Douglas. Ele queria dar seu toque pessoal nessa nova versão. Ao produzir essa nova versão Douglas quis soar como um renovador de antigos clássicos, como ele próprio declarou em entrevistas durante o lançamento do filme. O que ele não soube explicar é se havia mesmo alguma necessidade disso! Após assistir ao filme respondo com tranquilidade que não. Embora tenha uma bonita fotografia e alguns bons momentos, esse remake é como todo e qualquer remake de grandes clássicos: uma obra que sequer precisava existir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.