domingo, 31 de março de 2013

Unidos Pelo Próprio Sangue

Revelado através das lentes do grande diretor John Sturges, o longa "Unidos Pelo Próprio Sangue" (Backlash,1956) conta o drama de Jim Slater (Richard Widmark), um pistoleiro errante que chega ao Vale do Gila - um local no meio do deserto repleto de ouro e vigiado de forma implacável pelos apaches - com o intuito de descobrir onde estaria enterrado seu pai que tempos atrás chegou ao local, com mais cinco parceiros, para resgatar 60 mil dólares em ouro. O grupo no entanto foi surpreendido e massacrado por vários apaches. Em sua busca, Slater acredita que um sexto homem sobreviveu ao massacre e fugiu com todo o ouro. A busca desse sexto homem vira uma obsessão para Slater que na companhia de uma misteriosa mulher de nome Karyl Orton (Donna Reed) passa por cidades como: Tucson, El Paso, Silver City, até finalmente chegar em Sierra Blanca onde o casal se vê no meio de uma guerra entre dois poderosos fazendeiros: Major Carson (Roy Roberts) e Jim Bonniwell (John McIntire).

Em Sierra Blanca, todos os segredos que atormentavam o pistoleiro se revelam e Slater encontra todas as respostas para as suas eternas dúvidas. Além disso, fica frente a frente com o seu maior inimigo, em um dos finais mais surpreendentes da história dos filmes de faroeste. Além de uma bela fotografia, vale destacar o excelente roteiro diferenciado e muito interessante, assinado por Borden Chase o mesmo roteirista que oito anos antes, assinara o roteiro de outra pérola do western: Rio Vermelho (1948), com os lendários John Wayne e Montgomery Clift.

Unidos Pelo Próprio Sangue / Punidos Pelo Próprio Sangue (Backlash, EUA, 1956) Direção: John Sturges / Roteiro: Borden Chase baseado no romance de  Frank Gruber / Elenco: Richard Widmark, Donna Reed, William Campbell / Sinopse: Pistoleiro errante chega em um distante vale em busca de respostas com o objetivo de descobrir o paradeiro do ouro que seu pai teria enterrado na região.

Telmo Vilela Jr.

O Rei dos Reis

No brutal e desumano reinado de Augusto César (63 a.C. - 14 d.C) nasce uma criança na distante província romana da Judéia chamado Jesus. Sua mãe Maria e seu pai José partem então para o Egito para fugir das perseguições do tirano rei Herodes que temendo o nascimento de um Messias resolve matar todas as crianças nascidas em Belém. De volta à Nazaré o jovem Jesus cresce ao lado dos pais exercendo a profissão de carpinteiro. Já adulto resolve partir para cumprir sua missão, a de levar o evangelho (a boa nova) aos homens de bom coração. Sua mensagem repleta de paz, amor e fraternidade logo começa a incomodar as autoridades religiosas e políticas. Preso e torturado é enfim crucificado nos arredores da cidade santa de Jerusalém onde morre em agonia na cruz romana. Sepultado, volta do mundo dos mortos, ressuscitando. Glorioso, volta para mostrar aos seus apóstolos que realmente era o filho de Deus! A história de Jesus de Nazaré é certamente a mais conhecida do mundo ocidental. Em torno de seu nome foi criada a religião mais popular e abrangente do planeta com seguidores em todos os países e nações da terra. Trazer a trajetória de Jesus para as telas certamente nunca foi uma tarefa fácil em razão da complexidade de se lidar com uma figura venerada por bilhões de pessoas ao redor do mundo.

Assim no começo da década de 1960 o produtor Samuel Bronston resolveu reunir uma grande equipe para trazer de volta o Nazareno aos cinemas. Com locações na Espanha, roteiro do aclamado Ray Bradbury (não creditado) e Philip Yordan, trilha sonora marcante assinada por Miklos Rosza, direção do sempre talentoso Nicholas Ray (de “Juventude Transviada” com James Dean) e elenco formado por grandes nomes do cinema da época tentou-se criar o épico definitivo sobre a vida de Jesus e sua mensagem. O resultado é realmente de alto nível embora também tenha alguns problemas pontuais. O texto tenta em quase três horas de duração trazer a essência sobre Jesus Cristo mas comete algumas falhas, inclusive omissões descabidas. Há fatos importantes da biografia de Jesus que são completamente ignorados. Uma deles é a revolta que o Messias teria tido no templo ao ver a casa de Deus se transformando num mercado e balcão de negócios. O espaço dado a Herodes, Salomé e a corte do Rei também soam exagerados. Barrabás também surge com espaço excessivo dentro da trama. Teria sido melhor focar mais na palavra de Cristo, nas passagens importantes que deixou aos seus seguidores. Mesmo assim, com omissões e erros históricos, não há como negar que “O Rei dos Reis” é realmente um grande espetáculo, um épico daqueles que apenas Hollywood pôde proporcionar ao grande público. O bom gosto, a elegância e a produção luxuosa garantem o espetáculo. Não deixe de assistir. 
 

O Rei dos Reis (King of Kings, EUA, 1961) Direção: Nicholas Ray / Roteiro: Philip Yordan / Elenco: Jeffrey Hunter, Siobhan McKenna, Hurd Hatfield, Rita Gam, Robert Ryan, Frank Thring, Rip Torn, Brigid Bazlen, Ron Randell, Carmen Sevilla / Sinopse: O filme narra a história de Jesus de Nazaré, homem humilde nascido na província romana da Judéia que revolucionou o mundo com sua mensagem de paz, amor e fraternidade entre os homens, surgindo de sua palavra a religião denominada Cristianismo, a mais popular e abrangente do planeta com mais de um bilhão de seguidores. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria Melhor Trilha Sonora Original.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 30 de março de 2013

The Beatles - This Boy

Artista: The Beatles
Música: This Boy
Compositores: Lennon / McCartney
Álbum: Past Masters
Selo: Emi Odeon
Ano de Lançamento: 1963
Produção: George Martin

Comentários:
Linda balada romântica escrita por John Lennon, embora tenha sido creditada, como sempre, para a dupla Lennon e McCartney. Durante anos John Lennon sustentou que teria sido responsável pelos rocks dos Beatles, enquanto Paul escrevia as músicas românticas. Pois bem, faixas como essa provavam que John também era um grande letrista e compositor de belas baladas de puro romance e sentimento.

Curiosamente a faixa nunca chegou a ser lançada em um álbum oficial dos Beatles (só muitos anos depois foi colocada na coletânea Past Masters). A razão é que na época dos Beatles ela foi lançada juntamente com o hit "I Want to Hold Your Hand" em compacto simples. Como vendeu milhões de cópias a gravadora nunca mais chegou a utilizá-la novamente. Não importa, essa canção é certamente uma das melhores no estilo baladas românticas que os Beatles lançaram em sua discografia.

Letra:

This Boy
(Lennon / McCartney)

That boy took my love away.
He'll regret it someday,
But this boy wants you back again.

That boy isn't good for you.
Though he may want you too,
This boy wants you back again.

Oh, and this boy
Would be happy
Just to love you,
But oh, my, that boy
Won't be happy
'Til he's seen you cry.

This boy wouldn't mind the pain;
Would always feel the same
If this boy gets you back again.

This boy.
This boy.
This boy

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Jack O Caçador de Gigantes

Depois do sucesso de Alice de Tim Burton a coisa toda ficou sem controle. Cada conto infantil, por mais singelo que fosse, acabou sendo adaptado para os cinemas com orçamentos generosos. Algumas adaptações até renderam bilheterias interessantes mas a grande maioria naufragou. Por isso causa surpresa a chegada de mais essa adaptação de um conto infantil. “Jack, o Caçador de Gigantes” que tem realmente um orçamento fabuloso. O estúdio investiu 175 milhões de dólares em um filme com muita computação gráfica mas sem alma. O enredo é inspirado no conto infantil que no Brasil é conhecido como “João e o Pé de Feijão”. Na estorinha acompanhamos Jack (Nicholas Hoult), um simples camponês que acaba sem querer abrindo o caminho que separa a terra do mundo dos gigantes mitológicos. Esses seres já tinham descido ao mundo em tempos remotos através de um mágico pé de feijão. O problema é que sementes mágicas caem nas mãos de Jack e ele acaba dando origem a uma nova invasão para terror de todo o reino.

Na boa, Hollywood deveria esquecer essa coisa de adaptar contos infantis. Não deu certo com Branca de Neve (os últimos filmes feitos em cima da personagem foram horríveis) e certamente não deu certo aqui. O filme não passa de uma overdose de efeitos digitais. De fato, temos que reconhecer, os tais gigantes são extremamente bem realizados, idem os cenários e a direção de arte do filme, mas do que adianta isso se não há uma estória para contar? “João e o Pé de Feijão” rende no máximo uma boa animação (como bem demonstrou Disney no passado ao colocar o ratinho Mickey dentro dessa estória) mas não um filme com atores de carne e osso. Em determinado momento o tédio e o marasmo se tornam insuportáveis. O tom é obviamente bem infantil e por isso não adianta se animar muito pensando tratar-se de uma espécie de “O Senhor dos Anéis” em versão guri. Se você é fã de efeitos de CGI pode até ser que o filme sirva para alguma coisa, já se estiver em busca de um bom entretenimento a coisa pode complicar. Enfim, esqueça.

Jack, o Caçador de Gigantes (Jack the Giant Slayer, EUA, 2012) Direção: Bryan Singer / Roteiro: Christopher McQuarrie, Darren Lemke, Dan Studney / Elenco: Nicholas Hoult, Stanley Tucci, Bill Nighy, John Kassir, Ewan McGregor, Ian McShane / Sinopse: Jack, um pobre camponês acaba abrindo um portal mágico entre sua terra e o mundo dos gigantes. Baseado no conto infantil “João e o Pé de Feijão”.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

G.I. Joe 2: A Retaliação

Título no Brasil: G.I. Joe 2 - A Retaliação
Título Original: G.I. Joe 2 - Retaliation
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Jon M. Chu
Roteiro: Rhett Reese, Paul Wernick
Elenco: Bruce Willis, Channing Tatum, Dwayne Johnson, Adrianne Palicki
  
Sinopse:
Adaptação para o cinema do conjunto de brinquedos denominado "G.I. Joe", criado e lançado no mercado pela primeira vez em 1964, nos Estados Unidos. No Brasil os brinquedos de ação receberam inicialmente o nome de "Falcon". A partir dos anos 80 os brinquedos começaram a se chamar "Comandos em Ação" no mercado brasileiro. No enredo temos um grupo militar de elite denominado G.I. Joe que precisa enfrentar um novo vilão, Zartan, que quer levar caos completo ao mundo.

Comentários:
O primeiro “G.I. Joe” fez sucesso de bilheteria, mas não conseguiu convencer quase ninguém. Em vista disso o estúdio resolveu mudar praticamente tudo. Foi contratado um novo diretor, um outro elenco e escrito um roteiro que se leva mais à sério do que o filme anterior. Na verdade esse segundo “G.I. Joe” tenta trazer um pouco mais de consistência para a franquia, muito embora todos tenham consciência de que uma produção que é basicamente uma adaptação para o cinema dos brinquedos “Comandos em Ação” não pode ser lá grande coisa ou muito profunda. O enredo parte de onde o primeiro filme terminou. O comandante Cobra e Destro estão presos. Cabe agora ao vilão Zartan (Arnold Vosloo) se infiltrar como impostor do Presidente dos Estados Unidos com o objetivo de levar o caos ao resto do mundo. Sua primeira providência é desmoralizar e desmontar a tropa de elite G.I. Joe. Desconfiado de tudo o que está acontecendo o militar Roadblock (Dwayne Johnson) resolve então liderar um pequeno grupo de Joes para desmascarar o grande farsante. A grande novidade de “G.I. Joe – A Retaliação” no elenco é a presença de Bruce Willis no papel do General Joe Colton, um graduado oficial que também passa a desconfiar dos acontecimentos ao seu redor. É curioso ver o astro Willis pulando de paraquedas em uma franquia já iniciada, em andamento. Como se sabe Willis tem sua própria franquia milionária (Duro de Matar) e por isso tudo soa muito esquisito em sua entrada assim numa continuação. Dois pontos parecem ter pesado para Bruce entrar no projeto. O primeiro foi o grande sucesso do primeiro filme, Como se sabe Willis está tentando já há algum tempo levantar sua carreira que anda em baixa. Para conseguir um sucesso de bilheteria vale tudo. O segundo é o alto cachê que o estúdio aceitou pagar ao ator – valor esse que já não se encontra facilmente em qualquer produção como acontecia na década de 1980. Os tempos são outros por causa da crise econômica americana. No saldo final o que temos é um filme melhor do que o primeiro, não há como negar, mas que ainda não consegue ser muito bom. O que falta mesmo nessa franquia “G.I. Joe” é um bom roteiro, menos infantil e tolo. Dinheiro eles já tem, de sobra, falta mesmo é mais capricho nesse aspecto.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Oz - Mágico e Poderoso

“O Mágico de Oz” é um clássico absoluto da história do cinema. Ao longo dos anos após seu lançamento uma série de filmes e animações foram realizadas em torno da mesma estória. Agora chegou a vez de “Oz – Mágico e Poderoso” que se propõe a contar as origens de muitos daqueles personagens que vimos no encantador filme original. Assim somos apresentados a Oscar Diggs (James Franco), um mágico de circo de quinta categoria que acaba se envolvendo com a mulher errada. Após fugir para não apanhar, e cair no meio de um tornado avassalador, Oscar acaba indo parar no mundo de Oz, uma terra mágica, colorida (o começo do filme é todo em preto e branco), onde convivem três feiticeiras Theodora (Mila Kunis), Evanora (Rachel Weisz) e Glinda (Michelle Williams). Usando de seus truques baratos Oscar acaba convencendo a muitos de que ele é o grande mágico que trará paz e prosperidade para Oz, livrando a terra mágica de todo o mal conforme foi profetizado.

Não há muito o que falar desse filme. Tudo é muito bizarro a começar pelo elenco, completamente inadequado. James Franco como Oscar (o mágico de Oz) está totalmente ridículo em sua atuação. Cheio de caras e bocas o ator parece pensar que está em alguma peça teatral infantil para crianças com três anos de idade, tal seu exagero em cena. Incrível é saber também que um trio de atrizes tão talentosas se envolveu em algo assim. Mila Kunis é a mais esforçada e até que consegue sair sem arranhões. Agora indefensável mesmo é a completa apatia de Michelle Williams. Atriz talentosa, que se sai extremamente bem em dramas adultos, ficou completamente perdida nessa estória infantil. Chega a dar pena. O diretor Sam Raimi também deveria procurar outro tipo de projeto. Aqui ele tenta imitar (sem sucesso) aspectos que fizeram a fama de outro diretor, Tim Burton. Sua direção de arte porém é exagerada, excessiva, beirando o brega absoluto. Raimi também não mostra talento em lidar com temas infantis. No saldo final o que fica é a decepção de ver tanta gente talentosa no meio de um projeto que definitivamente não tem nada a ver com nenhum deles. Ao contrário do clássico “O Mágico de Oz” esse “Oz – Mágico e Poderoso” é muito fraco e deve ser esquecido.

OZ – Mágico e Poderoso (Oz, The Great and Powerful, EUA, 2013) Direção: Sam Raimi / Roteiro: Mitchell Kapner, David Lindsay-Abaire, baseado na obra de L. Frank Baum / Elenco: James Franco, Mila Kunis, Rachel Weisz, Michelle Williams, Zach Braff, Abigail Spencer / Sinopse: O filme narra as origens de muitos dos personagens do famoso clássico “O Mágico de Oz”.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Parker

Título no Brasil: Parker
Título Original: Parker
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures
Direção: Taylor Hackford
Roteiro: John J. McLaughlin
Elenco: Jason Statham, Jennifer Lopez, Nick Nolte
  
Sinopse:
Com roteiro baseado no romance policial escrito por Donald E. Westlake, o filme "Parker" conta a estória nada convencional de Johnny Parker (Jason Statham), um criminoso e ladrão profissional de bancos que acaba sendo traído por seu grupo e deixado para morrer em uma estrada. Recuperado da traição que visava lhe matar ele decide retornar para um acerto de contas final e sangrento com todos os que quiseram sua morte. Filme indicado ao World Stunt Awards.

Comentários:
“Parker” é mais um filme de ação estrelado por Jason Statham que foi exibido nos cinemas brasileiros. A bilheteria foi muito boa, diga-se de passagem. Ao contrário de outras fitas de ação de rotina do ator esse aqui traz algumas novidades. A primeira delas – e mais visível – é a presença da atriz e cantora Jennifer Lopez que parece ter deixado as comédias românticas de lado para investir em mais filmes de ação como esse. Por mais incrível que possa parecer até que ela não se sai mal. A trama de Parker é relativamente simples. Baseado nos livros de grande sucesso Flashfire, de autoria do escritor Donald E. Westlake, o filme narra as estórias de Parker (Jason Statham), um ladrão profissional que a despeito de viver à margem da lei segue padrões de comportamento e códigos de ética que determinam que seus serviços devem ser limpos, sem morte ou danos a pessoas inocentes. O problema é que Parker se une a um grupo de assaltantes que não pensam da mesma forma e após um roubo em que tudo vai mal ele é traído, ferido e deixado para morrer no meio da estrada. Recuperado é hora de partir para o acerto de contas. Para conseguir seu objetivo Parker (Statham) resolve colocar então um plano em execução, se disfarçando de texano milionário, com a qual pretende se vingar daqueles que quase o mataram. O diretor que dirige Jason Statham dessa vez é o cineasta Taylor Hackford, profissional talentoso que entre outros filmes dirigiu “Advogado do Diabo”. O problema central que podemos perceber em “Parker” é que Hackford definitivamente não tem muita intimidade com os filmes de ação. Embora “Parker” vá por vários caminhos (é um thriller com pitadas de romance e comédia também) o fato é que em essência essa é uma fita de ação e o diretor comete um pecado mortal nesse tipo de filme: ele perde o pique em vários momentos, deixando a produção cair em um incomodo marasmo. De qualquer forma, no saldo final, fica a boa novidade de ver Jason Statham saindo um pouco de seu habitual, encarando um roteiro diferente (apesar dos furos). Para os fãs do ator certamente será uma boa opção. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 27 de março de 2013

V de Vingança

No Império Britânico do futuro um governo totalitário comanda todos os aspectos da sociedade. Liberdade de expressão, artes, política, tudo é tolhido por um sistema opressivo e controlador. É nesse ambiente sufocante que surge V (Hugo Weaving) que pretende com atos e táticas terroristas minar o centralismo do poder em seu país. Durante uma de seus ataques ao sistema ele acaba resgatando a jovem Evey Hammond (Natalie Portman) de um grupo de policiais violentos e agressivos. A partir daí resolve transforma-la numa espécie de discípula a qual tentará lhe ensinar os fundamentos e princípios que movem seus atos de terror contra o governo central. “V de Vingança” é mais uma adaptação da obra do famoso autor Alan Moore. Sua associação com o cinema sempre foi problemática, pois algumas das adaptações de seus quadrinhos para a tela grande foram literalmente desastrosas. Aqui Moore ficou tão contrariado com o resultado do filme que pediu que retirassem seu nome dos créditos, o que foi injusto pois “V” é certamente muito bom.

O longa foi produzido pelos irmãos Wachowski que depois de Matrix parecem ter perdido a mão para bons filmes. Aqui eles colocaram o projeto sob comando de James McTiegue, que trabalhou ao lado dos irmãos em Matrix como assistente de direção. O curioso é que o pupilo acabou superando seus mentores uma vez que “V de Vingança” se revelou um produto acima da média, muito bem roteirizado, dirigido e atuado. A trama é obviamente uma crítica ao crescimento burocrático dos governos ao redor do mundo, geralmente invadindo a esfera privada de seus cidadãos. Embora a visão futurista de uma Inglaterra fascista seja muito improvável (o berço dos direitos individuais jamais sofreria um revés dessa magnitude), o filme consegue agradar e fazer pensar, algo bem raro nos dias de hoje. O problema central de V parece ter sido que sua mensagem acabou sendo mal compreendida, principalmente pelos mais jovens, que quase sempre confundem anarquia com liberdade. Mesmo assim é uma produção digna de elogios, que merece ser redescoberta sempre que possível. Assista e tire suas próprias conclusões sobre a real mensagem que seu argumento tenta passar.

V de Vingança (V for Vendetta, EUA, 2005) Direção: James McTeigue / Roteiro: Andy Wachowski, Larry Wachowski baseados na obra de Alan Moore / Elenco: Natalie Portman, Hugo Weaving, Sinéad Cusack, Nicolas de Pruyssenaere, Stephen Fry / Sinopse: Na Grã-Bretanha do futuro um terrorista denominado simplesmente V (Hugo Weaving) tenta doutrinar uma jovem que resgatou em sua ideologia contra o sistema dominante.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 26 de março de 2013

Drácula

O jovem Johnathan Harker (Unax Ugalde) é contratado para trabalhar como bibliotecário no castelo do misterioso e recluso Conde Drácula (Thomas Kretschmann). Pelo menos essa é a razão aparente. Na verdade o Conde está mesmo é interessado em sua esposa, a bela Mina (Marta Gastini), que tem uma grande semelhança com a antiga amada do Conde, falecida há mais de 400 anos. Essa é a nova versão do famoso livro de Bram Stoker que tantas adaptações já sofreu ao longo de todos esses anos. Particularmente penso que a obra Drácula já encontrou seu filme definitivo no cinema em 1992, sob direção de Francis Ford Coppola. Depois daquela produção não há realmente nada a se explorar sobre a estória clássica do vampiro mais famoso da literatura. Infelizmente assim não pensou o cineasta Dario Argento que no alto de seus 72 anos resolveu realizar mais uma releitura do Nosferatu.

O resultado que se vê nas telas é de uma versão sem surpresas que se não chega a aborrecer tampouco empolga ou inova. Argento, que aqui também trabalha como roteirista, fez algumas modificações na estória original, algumas nem sempre bem-vindas. Ele cortou trechos importantes do livro e criou algumas outras soluções para dar mais fluidez no ritmo do filme. Não foi em absoluto fiel ao texto original. Também não se mostrou tímido em usar de efeitos digitais em momentos chaves ou até mesmo como cenários ao fundo. Nem todos os efeitos funcionam e em algumas cenas se tornam bem gratuitos. A edição não me agradou, principalmente nos primeiros 60 minutos. O elenco até que não é ruim e ganha muito com a presença do veterano Rutger Hauer como o Dr. Abraham Van Helsing mas isso é pouco. O ator Thomas Kretschmann que interpreta Drácula não chega a brilhar mas também não compromete. O problema chave é realmente a comparação com o filme de Coppola. A diferença é simplesmente brutal o que deixa essa versão de Argento muito abaixo do filme de 92. No saldo final a conclusão que chegamos é que esse filme não é de todo ruim mas sim completamente desnecessário.

Drácula (Dracula, Itália, França, Espanha, 2012) Direção: Dario Argento / Roteiro: Dario Argento, Enrique Cerezo, baseados na obra Dracula de Bram Stoker / Elenco: Asia Argento, Thomas Kretschmann, Rutger Hauer / Sinopse: Conde Drácula contrata um jovem bibliotecário com a intenção de se apoderar de sua jovem esposa Mina, que lembra demais a aparência de sua amada morta há mais de 400 anos na Transilvânia.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Justiceiro Mascarado

Na fronteira entre um reserva indígena e o território do homem branco se instala um clima de tensão, com acusações de ambas as partes de violação do tratado que foi assinado entre os Apaches e o governo americano. Os índios acusam os brancos de invadirem suas terras sagradas e os brancos acusam os indígenas de roubo de gado e cavalos. No centro da briga se encontra uma montanha sagrada para a nação Apache. O que poucos sabem é que na realidade a região é um grande depósito de prata, o que obviamente desperta cobiça e inveja nos bandidos da região. Para evitar o iminente conflito entre as partes e manter a paz surge um desconhecido cavaleiro errante mascarado nas montanhas conhecido apenas como “Lone Ranger”. Ele tentará de todas as formas desmascarar os interesses daqueles que desejam a guerra entre brancos e índios, com o claro propósito de se apoderar da prata pertencente às terras da reserva indígena. Ótimo western que trouxe para as telas de cinema as aventuras desse personagem tão carismático do faroeste em sua era de ouro.

O cavalo Silver, o fiel companheiro Tonto, as balas de prata, o figurino azul e branco e o famoso grito “Hi-Yo Silver” – todas essas características fizeram parte de um dos mais populares personagens da história do western, o Lone Ranger, ou Cavaleiro Solitário, também conhecido no Brasil como “Zorro” ou “Zorro Americano”. Esse foi seu primeiro grande filme de sucesso, fruto da imensa popularidade da série de TV que ficou no ar praticamente uma década, com imenso sucesso de audiência. Para se ter uma idéia da popularidade desse personagem basta dizer que ao total foram realizados 23 filmes com ele ao longo de todos esses anos. E vem mais novidades por aí pois agora em 2013 está programada a estréia de mais um filme com o Lone Ranger, dessa vez sendo interpretado pelo ator Armie Hammer, com Johnny Depp fazendo o índio Tonto. É esperar para ver. Já sobre esse filme de 1956 é interessante destacar seu roteiro bem trabalhado (para uma produção infanto-juvenil como essa) e a excelente presença do ator Clayton Moore que além de galã se revelava bom ator (como bem prova quando interpreta “o mineiro”, um dos disfarces que o Lone Ranger usa para se infiltrar e obter informações com o inimigo). Enfim, não deixe de assistir pois é um dos filmes mais deliciosamente nostálgicos já feitos.

O Justiceiro Mascarado / Zorro e o Ouro do Cacique (The Lone Ranger, EUA, 1956) Direção: Stuart Heisler / Roteiro: Herb Meadow / Elenco: Clayton Moore, Jay Silverheels, Lyle Bettger / Sinopse: O Lone Ranger (Clayton Moore) ao lado do parceiro e amigo Tonto tentam evitar uma guerra entre brancos e índios na fronteira de uma reserva indígena da nação Apache.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.


The Lone Ranger


The Lone Ranger
O ator Clayton Moore (1914 - 1999) posa ao lado de Silver para foto promocional do clássico “Lone Ranger” de 1956. No Brasil o filme recebeu dois títulos, “O Justiceiro Mascarado” quando foi lançado nos cinemas e “Zorro e o Ouro do Cacique” quando foi exibido posteriormente na TV aberta.

Pablo Aluísio.

Na Trilha da Vingança

 Sam (Stephen Dorff) finalmente é libertado após longos anos na cadeia. Assim que sai entra em contato com Buddha (Willem Dafoe) que deixa para ele uma pequena maleta com dinheiro, uma arma e fotos de um figurão que ele deve assassinar em breve. Sam tem uma divida de gratidão com Buddha e por isso resolve aceitar o tal serviço. O problema é que ele não está psicologicamente bem após longos anos preso. Sam sofre alucinações com eventos e pessoas de seu passado e a partir de determinado momento começa a confundir realidade com delírios. Isso se reflete bastante no conturbado relacionamento que começa a ter com uma atriz pornô fracassada chamada Florence (Michelle Monaghan) a qual não consegue mais saber se é apenas fruto de sua mente perturbada ou uma pessoa real, que vem para completar sua redenção pessoal.

“Na Trilha da Vingança” é um thriller B que pretende, sob uma verniz psicológica, dissecar a mente de um criminoso marcado pelos anos de prisão. O elenco é bom e traz de volta Stephen Dorff que já fez muitos bons filmes em sua carreira mas que ultimamente tem preferido o cinema independente com produções baratas e ousadas do ponto de vista artístico. Willem Dafoe interpreta um dos personagens centrais da trama, o enigmático Buddha, mas aparece pouco, geralmente em alucinações de Sam. A atriz Michelle Monaghan é talentosa e praticamente segura as pontas em diversos momentos do filme. Ela age não apenas como a amante de Sam mas também como sua consciência interior. O enredo não é muito linear, há idas e vindas na estória, geralmente sem um fio condutor muito preciso. A cena final, por exemplo, é continuação de um evento que começa lá pela metade do filme. A duração é pequena – pouco mais de 70 minutos – e se concentra em um evento bem especifico da vida de Sam (Dorff). No saldo final pode ser bem interessante embora tenha pretensões modestas. Vale como uma boa amostra do cinema independente americano da atualidade.

Na Trilha da Vingança (Tomorrow You're Gone, EUA, 2012) Direção: David Jacobson / Roteiro: Matthew F. Jones / Elenco: Stephen Dorff, Michelle Monaghan, Willem Dafoe / Sinopse: Após sair da prisão Sam (Dorff) é contratado por Buddha (Dafoe) para eliminar um figurão da cidade. O problema é que psicologicamente ele não está nada bem, o que torna o “serviço” muito mais complicado do que deveria ser.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Colateral

Hollywood parece ter fascinação por assassinos profissionais. Um exemplo é esse filme chamado “Colateral”. Na trama o taxista Max (Jamie Foxx) acaba pegando como passageiro Vincent (Tom Cruise), um sujeito que parece ser uma boa pessoa, simpático e generoso. Com notas de dinheiro ele convence Max a leva-lo em diferentes endereços pois ele tem alguns “serviços” a cumprir antes de voltar para sua cidade de origem. Até ai tudo bem, o problema é que Vincent é um assassino profissional que temo como objetivo matar uma série de pessoas que irão testemunhar contra um perigoso cartel de traficantes. Assim seu objetivo é muito simples: ir ao encontro dessas pessoas, executar uma a uma, e depois do serviço concluído pegar o primeiro avião de volta. Max, o taxista, nada mais é do que um “efeito colateral”, um sujeito que estava no local errado, na hora errada. Desde que ele não atrapalhe os planos de Vincent será prontamente liberado. O problema é que por princípios éticos Max resolve intervir para tentar salvar uma das vitimas de Vincent. Má idéia.

“Colateral” é um bom filme de assassino profissional. Tom Cruise deixa de lado seu bom mocismo e enfrenta pela primeira vez um papel de vilão em uma grande superprodução. Seu famoso sorriso acaba funcionando para o papel pois ele logo se torna uma marca registrada de sua psicopatia. O enredo funciona em tempo real, praticamente contando apenas com a situação básica em que o assassino, com o motorista de táxi como refém, sai pelas ruas da cidade de Los Angeles para cumprir seu serviço contratado. A cada morte um novo desafio, novos problemas a superar. O diretor Mann consegue com muita habilidade evitar o marasmo que o filme poderia cair ao apenas mostrar uma sucessão de execuções sumárias. Ao invés disso joga com o suspense e o clima de tensão a todo momento, deixando o espectador realmente grudado na tela à espera dos próximos acontecimentos. Por essas e outras razões recomendamos esse “Colateral” um filme que no fundo apenas mostra um “profissional” tentando cumprir sua meta da melhor forma possível. Nada pessoal.
   
Colateral (Collateral, EUA, 2004) Direção: Michael Mann / Roteiro: Stuart Beattie / Elenco: Tom Cruise, Jamie Foxx, Jada Pinkett Smith, Mark Ruffalo, Peter Berg, Bruce McGill / Sinopse: Vincent (Tom Cruise) é um assassino profissional que chega a Los Angeles para cumprir um serviço: matar testemunhas que irão depor em um importante julgamento de traficantes de um poderoso cartel. Em seu caminho acaba fazendo de refém um taxista negro (Jamie Foxx) que tentará de alguma maneira salvar a vida das vítimas dele. Indicado aos Oscars de Melhor Edição e Melhor Ator Coadjuvante (Jamie Foxx).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Rei do Laço

Comédia de rotina da dupla Jerry Lewis e Dean Martin só que dessa vez passada no velho oeste. Como na década de 1950 o western estava na moda, com centenas de filmes sendo realizados todos os anos, era mesmo de se esperar que mais cedo ou mais tarde fosse criada uma sátira em torno dos clichês do gênero. Esse “O Rei do Laço” não é tão mordaz com o faroeste como era de se supor, ao invés disso prefere brincar com o estilo de forma muito mais pueril, diria até mesmo inocente. Na trama Jerry Lewis faz um filhinho de mamãe que sonha um dia ir para o velho oeste tal como seu pai, morto há muitos anos defendendo suas terras contra bandidos mascarados. O problema é que sua mãe não quer que ele tome contato com a região e por isso o proíbe de ir. Para piorar ainda quer que ele se case com uma moça escolhida por ela – sem direito a reclamação! Disposto a ir para o Oeste Selvagem Jerry se alia a Dean Martin e juntos vão para a antiga fazenda onde seu pai viveu. Atrapalhado e cheio de maneirismos ele acaba caindo nas graças do povo da cidade que acaba o elegendo, imaginem só, o xerife da região!

“O Rei do Laço” foi o penúltimo filme da dupla Martin / Lewis. Na época das filmagens já havia muita tensão entre eles. Dean Martin sentia-se muito subestimado dentro dos scripts dos filmes que fazia ao lado de Lewis. No fundo os personagens que interpretava não passavam de mera escada para Jerry desfilar seu repertorio de palhaçadas. O curioso é que Dean Martin era um sujeito tranqüilo e cool mas que infelizmente sucumbiu às opiniões (equivocadas ao meu ver) de sua esposa na época. Ela colocou na cabeça de Martin que ele não estava tendo o destaque merecido! Uma bobagem. De fato Dean Martin não tinha do que reclamar. Sempre havia espaço para sua música nos filmes e ele sem muito esforço se tornou um homem muito rico em sua parceria com Jerry Lewis (que o adorava e ficou muito deprimido após Martin romper com ele). Um exemplo do que digo pode ser conferido aqui mesmo em “O Rei do Laço”. Dean Martin tem a oportunidade de cantar não um, nem duas músicas mas cinco canções ao longo do filme!!! Acredito que mais espaço do que isso seria impossível. Infelizmente, apesar de ser um dos melhores cantores dos EUA, aqui Dean Martin não conta com bom material pois as músicas não são boas e nem marcantes – apelando mais para uma linha bem infantil e descartável. Na equipe técnica duas curiosidades interessantes: a presença na direção de Norman Taurog (que faria uma série de filmes ao lado de Elvis Presley) e a participação no roteiro do famoso escritor Sidney Sheldon (que só se consagraria mesmo anos depois). Enfim é isso. Uma pena que Jerry Lewis e Dean Martin tenham rompido tão cedo pois seus filmes, apesar de não serem obras primas do cinema, divertiam bastante (pra falar a verdade ainda divertem).

O Rei do Laço (Pardners, EUA, 1956) Direção: Norman Taurog / Roteiro: Sidney Sheldon, Jerry Davis / Elenco: Dean Martin, Jerry Lewis, Lori Nelson / Sinopse: Filhinho de mamãe (Lewis) resolve ir para o Oeste Selvagem em busca de emoções. Lá se torna xerife de uma cidadezinha aterrorizada por um grupo de bandidos mascarados.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 25 de março de 2013

O Sequestro do Metro 123

Esse foi o penúltimo filme da carreira do diretor inglês Tony Scott. Como se sabe em 2012 ele cometeu suicídio ao pular de uma ponte em San Pedro, Califórnia, aos 68 anos de idade. É também um claro exemplo do cinema de Scott, com muita ação incessante, histeria e correria. Ao contrário de seu irmão Ridley Scott, Tony não estava muito interessado em fazer obras com muito estilo visual mas sim bons entretenimentos para as platéias que lotavam as salas de cinema nos shoppings da vida. Aqui ele resolveu fazer um remake de um filme da década de 70. Ambos os filmes porém foram baseados no mesmo livro escrito pelo autor John Godey. A trama vai direto ao ponto: um seqüestrador identificado como Ryder (John Travolta) resolve liderar um grupo de criminosos no sequestro de um trem de metrô de Nova Iorque. Ele exige 10 milhões de dólares de resgate, caso contrário matará um a um os passageiros feitos reféns. A tarefa de conduzir as negociações acaba ficando a cargo do operador de linha Walter (Denzel Washington).

O filme tem vários problemas em seu argumento e em seu elenco. O clima de tensão se esvai rapidamente porque John Travolta exagera demais em sua caracterização, muito caricata e alucinada. É complicado acreditar que um grupo de criminosos seguiria alguém tão amador e dado a ataques de histerismo. Outro problema é que em tempos atuais um seqüestrador pensaria muito antes de entrar numa situação daquelas, até porque nos Estados Unidos vigora uma lei que impede o pagamento de resgate a seqüestradores. Na época em que o livro original foi escrito essa lei ainda não existia mas Tony Scott resolveu ambientar o filme na atualidade, o que acaba criando uma incompatibilidade com o quadro legal atual. No mais é aquela coisa toda do estilo de Scott, cenas alucinadas, câmeras dando voltas e voltas (o que acaba deixando o espectador tonto) e muita correria para todos os lados para esconder as falhas de roteiro. O único que se sai ileso do meio de tudo isso é o sempre bom Denzel Washington, que parece resistir a (quase) tudo mesmo.

O Seqüestro do Metrô 123 (The Taking of Pelham 1 2 3, EUA, 2009) Direção: Tony Scott / Roteiro: Brian Helgeland, baseado no livro de John Godey / Elenco: Denzel Washington, John Travolta, Luis Guzmán,  John Turturro / Sinopse: Seqüestrador exige dez milhões de dólares para libertar um grupo de passageiros mantidos reféns em uma linha de metrô de Nova Iorque.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - One Night / I Got Stung

O blues está na alma do povo Americano e também estava na alma do jovem Elvis Presley. Como teve infância humilde ele conviveu bastante ao longo de sua vida com a cultura negra. Não é de se admirar assim que o gênero tenha estado tão presente em sua carreira. Esse foi o segundo single de canções inéditas lançadas pela RCA enquanto o cantor estava na Alemanha servindo o exército de seu país. A faixa principal era um Rhythm & Blues de raiz que curiosamente sofreu auto-censura pela própria gravadora, a RCA, que queria algo menos incisivo.

Inicialmente a canção se chamava “One Night of Sin”, título pela qual ficou conhecida dentro da cultura negra na voz do cantor Smiley Lewis (1913 - 1966). Natural de New Orleans o músico havia destacado a canção nas paradas tanto que conseguiu chegar com ela no cobiçado primeiro lugar da parada R&B. O problema é que qualquer referencia a pecado e coisas afins soava como uma má ideia por parte dos executivos da RCA, principalmente em relação a Elvis que tanta controvérsia já havia causado. Presley chegou a gravar um take envenenado, sem qualquer tipo de suavização, mas a gravadora realmente queria algo mais soft, leve, menos provocador. E foi essa versão que chegou aos seus fãs na década de 1950.

No lado B surgia I Got Stung, outra faixa inédita composta pela dupla Schroeder / Hill que havia caído nas graças de Elvis pois compunham pensando justamente no estilo vocal característico dele na década de 50, algo como se estivesse mastigando as palavras ou como resumiu um irônico crítico musical do New York Times: “Elvis ao cantar parece estar também mascando chicletes”. O single chegou nas lojas americanas e tal como o anterior também não conseguiu alcançar o topo da parada Billboard, chegando no máximo ao quarto lugar entre os mais vendidos, o que não o impediu de ser premiado com um disco de ouro. Com Elvis distante, sem condições de apresentar a música em filmes e nem em programas de TV, a situação ficava mais complicada pois a máquina publicitária da RCA tinha que trabalhar apenas com as emissoras de rádio, o que nem sempre era muito fácil ou barato.

De fato as performances ao vivo de Elvis Presley eram vitais para os sucessos de suas gravações no mercado como bem foi provado por essa época. Já na Inglaterra o single se saiu melhor finalmente atingindo o topo da parada daquele país. Infelizmente a RCA optou pelo caminho mais fácil nos EUA e fez uma promoção preguiçosa do single, não se dando nem ao trabalho de confeccionar uma capa decente pois o material foi retirado das fotos promocionais do álbum “Elvis Christmas Album”. De qualquer modo o que transparece é que apesar do certo descaso de sua gravadora Elvis parece ter realmente acreditado na música tanto que a resgatou dez anos depois em seu especial de TV. Um reconhecimento tardio mas que trouxe o devido tratamento a uma de suas canções mais marcantes da década de 1950.

Pablo Aluísio.

domingo, 24 de março de 2013

Homem-Aranha

Foram muitos anos de disputas judiciais em torno dos direitos autorais do personagem Homem-Aranha. Como essa guerra aconteceu nos bastidores, bem longe do público, muitos que ignoravam esses fatos não conseguiam entender porque um dos personagens mais populares das histórias em quadrinhos não chegava nunca às telas de cinemas mesmo após os grandes sucessos de bilheteria de Batman e Superman. Pois bem, um dia tudo isso teria que ser resolvido e foi. Os direitos autorais do aracnídeo finalmente foram adquiridos pelo poderoso grupo Sony – dono dos estúdios Columbia. E assim, finalmente em 2002 (lá se vão onze anos!) o Homem-Aranha finalmente chegou aos cinemas do mundo todo. Essa foi uma produção digna da enorme popularidade do herói, pois o estúdio não economizou em recursos, nem de produção e nem muito menos de marketing. Os produtos licenciados chegaram em todas as lojas e de repente o Homem-Aranha podia ser visto em tudo que era lugar, desde lancheiras, cadernos até roupas e sapatos.

Mas a questão principal permanecia: Será que o filme realmente era bom? A resposta, ainda bem, era positiva! Sim, o filme estava à altura do personagem e conseguia mesclar um roteiro bem escrito contando a origem do super-herói com doses caprichadas de drama, humor e romance. Tobey Maguire surgia pela primeira vez como o ícone dos gibis e a direção de Sam Raimi provava que era possível transpor o universo dos quadrinhos com eficiência e bom gosto para o cinema. Os efeitos especiais deixavam um pouco a desejar, é verdade, principalmente nas cenas em que o Homem-Aranha saía pela cidade pendurado em suas teias, mas eram cenas esporádicas e ocasionais, sendo que na maioria do filme tudo soava a contento. Como era de se esperar o filme se tornou um enorme sucesso de bilheteria ao redor do globo e o personagem criado por Stan Lee como uma forma de identificação com seus leitores caiu em cheio no gosto do público cinéfilo. A fita deu origem a mais duas continuações e mostrou que havia certamente um espaço reservado para o Spider-Man nas telas de cinema. Demorou mas chegou o dia. Antes tarde do que nunca!

Homem-Aranha (Spider-Man, EUA, 2002) Direção: Sam Raimi / Roteiro: David Koepp baseado nos personagens criados por Stan Lee e Steve Ditko / Elenco: Tobey Maguire, Kirsten Dunst, Willem Dafoe, James Franco, Cliff Robertson / Sinopse: Peter Parker (Tobey Maguire) é um jovem estudante como qualquer outro que é picado por uma aranha de laboratório. Depois do incidente ele descobre ter poderes especiais como subir em paredes e usar teias para se locomover entre os arranha-céus da cidade. Agora terá que entender que “grandes poderes trazem também grandes responsabilidades”

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Ao Mestre Com Carinho

Mark Thackeray (Sidney Poitier) é um professor americano que chega para ensinar numa escola pública na região mais pobre de Londres. Os alunos são todos indisciplinados, rebeldes e desmotivados. Um deles chega a se referir a uma pilha de livros como porcaria! Inicialmente hostilizado, intimidado e ridicularizado o professor aos poucos vai conquistando a simpatia de sua classe, tudo a custa de muita dignidade, exemplo e postura. Depois de algum tempo o mestre consegue compreender que as atitudes de seus alunos são reflexos de suas vidas familiares desajustadas e disfuncionais. A violência verbal e física que sofrem de seus próprios pais se reflete depois em seu comportamento escolar. A escola também funciona como ponto de parada final para alunos que nenhuma outra escola de Londres mais aceita – e para onde só vão os desajustados, incorrigíveis e violentos. Com calma, paciência e disciplina o mestre espera conquistar a consideração e a atenção de seus jovens alunos, que parecem completamente perdidos em suas vidas.

“Ao Mestre Com Carinho” é seguramente um dos maiores clássicos do cinema em seu tema. O assunto já havia sido explorado muito bem antes em “Sementes da Violência” (curiosamente com Poitier interpretando um aluno rebelde) mas ganha uma roupagem mais de acordo com a década de 1960. Em seu argumento são mostrados aspectos sociais, culturais e raciais da sociedade. O professor é negro, vindo de origem pobre e sofre inicialmente por causa disso. Apenas sua firmeza de caráter lhe garante o respeito devido a que merece. Na época de seu lançamento o filme foi muito elogiado por sua coragem e sensibilidade pois temas considerados complicados foram retratados com bastante competência. A classe mostrada no filme nada mais é do que um microcosmo da parte mais pobre da capital inglesa e disseca uma série de jovens sem um grande futuro pela frente. Além do texto socialmente consciente “Ao Mestre Com Carinho” também mostrou-se relevante do ponto de vista musical. Sua trilha sonora foi premiada com o Grammy e a canção "To Sir, with Love", cantada por Lulu, se tornou um grande sucesso popular. Assim fica a dica desse belo momento do cinema da década de 1960 que consegue com maestria discutir os problemas educacionais de seu tempo de forma impecável.

Ao Mestre Com Carinho (To Sir, with Love, EUA, Inglaterra, 1967) Direção: James Clavell / Roteiro: James Clavell baseado no livro “To Sir, With Love” de E. R. Braithwaite / Elenco: Sidney Poitier, Christian Roberts, Judy Geeson, Suzy Kendall, Lulu / Sinopse: O filme mostra a chegada de um professor americano negro (Sidney Poitier) para ensinar em uma escola pública Londrina. Com uma classe formada por alunos rebeldes ele tentará lhes ensinar lições de cidadania, cortesia e boa educação. Filme indicado ao Grammy Awards. Vencedor do Laurel Awards.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Uma Cidade Contra o Xerife

Jason McCullough (James Garner) é um cowboy que de passagem por uma cidadezinha do velho oeste acaba sendo nomeado o novo xerife do local. O problema é que é a região é explorada por mineradores de ouro e dominada por uma família poderosa, rica e corrupta, os Darbys. Após uma noite de bebedeiras no Saloon o jovem Joe Darby (Bruce Dern) acaba assassinando um homem e o novo xerife trata logo de o prender na cadeia da cidade. Isso obviamente é entendido como uma afronta ao poder da família Darby que logo parte para a vingança. Simpático western com toques de humor (embora não se assuma como uma comédia) o filme “Uma Cidade Contra o Xerife” é bastante divertido, com ótimos diálogos e uma atuação bem inspirada de James Garner, o eterno Maverick da televisão (série televisiva de faroeste que fez tanto sucesso na época que anos depois acabou virando filme blockbuster estrelado pelos astros Mel Gibson e Jodie Foster).

Aqui ele repete com muito mais bom humor o papel de xerife que tenta impor lei e ordem numa cidade dominada pela anarquia. Para quem havia interpretado o mito Wyatt Earp dois anos antes no filme “A Hora da Pistola”, até que não havia muitos desafios em voltar ao tipo. O maior diferencial é que aqui pouca coisa é levada realmente a sério. Seu personagem vive dizendo a todos que está de passagem para a Austrália – o que rende um ótimo diálogo com seu assistente sobre o distante país – mas nunca se decide ir para lá realmente. Rápido no gatilho consegue impor sua autoridade mesmo com a precariedade de sua delegacia. Para se ter uma idéia as celas ainda não possuem grade, o que torna tudo muito divertido pois os presos não se atrevem a sair da prisão por puro medo do novo xerife. A família Darby também é divertida pois é formada por bandidos que não conseguem superar sua falta de inteligência. Em suma, se você estiver em busca de algo leve, divertido e que brinca com os dogmas do western americano (com o devido respeito, é claro), esse “Uma Cidade Contra o Xerife” é o filme indicado.
 
Uma Cidade Contra o Xerife (Support Your Local Sheriff!, EUA, 1969) Direção: Burt Kennedy / Roteiro: William Bowers / Elenco: James Garner, Joan Hackett, Walter Brennan,  Harry Morgan, Jack Elam, Henry Jones, Bruce Dern / Sinopse: Novo xerife tenta colocar lei e ordem numa cidadezinha do velho oeste dominada por mineradores de ouro e bandidos de todos os tipos.

 Pablo Aluísio e Júlio Abreu.


A Origem dos Guardiões

Essa é a nova animação dos estúdios Dreamworks. Em tempos de sucessos absolutos dos filmes de super-herói (em especial a maior bilheteria do ano, “Os Vingadores”), os executivos resolveram apostar na mesma fórmula. A idéia aqui não é reunir obviamente nenhum grupo formado por personagens de quadrinhos mas sim juntar várias figuras folclóricas da cultura infantil, como Papai Noel, a Fada do Dente, o Coelhinho da Páscoa, Sandman e Jack Frost, em um grupo unido contra o vilão que ameaça a própria existência deles, o famigerado Bicho Papão, que pretende desacreditar a existência de cada um dentro da imaginação das crianças ao redor do mundo. Se os pequenos não mais acreditarem na existência desses mitos infantis eles deixarão de existir para sempre. Para as crianças brasileiras apenas Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa são mais conhecidos, os demais (principalmente Sandman e Jack Frost) fazem parte mesmo da cultura americana e não tem muita imersão para o nosso universo infantil.

Tome por exemplo o próprio personagem principal do filme, o garoto Jack Frost. Ele sempre foi associado com bonecos de neve e ao inverno rigoroso que sempre atinge as cidades americanas em determinado período do ano. Como é que uma criança brasileira vai conhecer Jack Frost em nosso clima tropical? Esse personagem já havia sido utilizado antes no cinema americano em um filme com o ex-Batman Michael Keaton (pagando seus pecados ao dublar um boneco de neve em uma produção sem surpresas e fraca). Aqui Jack Frost vira um garoto morto em um terrível acidente que após isso passa a ser mais um mito infantil, levando neve e frio com seu cajado aos lugares mais remotos. A nova roupagem dada a Jack Frost até que é bem imaginativa, mas ele de fato não é muito conhecido fora das fronteiras dos Estados Unidos. Apesar do roteiro de “A Origem dos Guardiões” ser levemente baseado em um livro de William Joyce o fato é que sua estrutura aqui é realmente de filme de super-heróis. De qualquer modo a animação certamente vai agradar aos menores (indico o filme para crianças de até 12 anos). Não chega a ser marcante mas é um produto bom e bem realizado. Seu filho provavelmente vá gostar.

A Origem dos Guardiões (Rise of the Guardians, EUA, 2012) Direção: Peter Ramsey / Roteiro: David Lindsay-Abaire baseado no livro de William Joyce / Elenco: (vozes): Chris Pine, Alec Baldwin, Hugh Jackman, Isla Fisher, Jude Law, Dakota Goyo, Khamani Griffin, Dominique Grund / Sinopse: Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa, Sandman, a Fada do Dente e Jack Frost se unem contra a ameaça do mal comandada pelo Breu, ou como é mais conhecido, o Bicho Papão.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Gigantes em Luta

Terceira e última parceria entre os grandes astros John Wayne e Kirk Douglas. No filme Wayne interpreta Taw Jackson que resolve se unir ao pistoleiro e ladrão Lomax (Kirk Douglas) para colocar em prática um plano mais do que ousado: roubar um carregamento de ouro no valor de 500 mil dólares. O grande desafio deles é além de enfrentar a forte segurança que acompanha a fortuna, conseguir vencer a própria carroça que transporta o ouro pois essa é fortemente armada com um potente metralhadora, além de ser blindada, se tornando praticamente inexpugnável. “Gigantes em Luta” é um western de pura ação, com muitas cenas de conflitos e tiroteios. Durante as filmagens Kirk Douglas teve uma surpresa que o impactou. John Wayne havia perdido o pulmão em uma complicada operação três anos antes contra o câncer e estava bem debilitado fisicamente, precisando recorrer regularmente a uma bolsa de oxigênio para dar conta das complicadas filmagens (que lhe exigiam muito do ponto de vista físico). Douglas assim passou todo o tempo muito preocupado com o estado de Wayne, tendo que conciliar sua preocupação em atuar bem com a saúde do colega.

Uma das “estrelas” do filme era a própria carroça blindada que levava o carregamento de ouro, chamada “War Wagon”. Durante anos ela foi exposta no parque temático da Universal ao lado de vários outros artefatos famosos de filmes clássicos. O curioso é que a “War Wagon” era na realidade feita de madeira pintada para parecer aço e ferro. Com o uso de efeitos sonoros (para recriar o som característico dos metais) completou-se a ilusão de que se estava na presença de uma carroça realmente blindada. O diretor de “Gigantes em Luta” era Burt Kennedy, que se deu tão bem com o astro Wayne que esse o trouxe de volta para dirigir “Chacais do Oeste” cinco anos depois. O diferencial é que Kennedy sempre procurava respeitar os limites que a saúde de John Wayne exigia. Assim ele procurava filmar as cenas com o ator de forma concentrada, para evitar deixar Wayne por longas horas à espera de trabalhar em suas cenas. Também sempre deixava o ator à vontade, sem aquele clima de tensão no set, algo bem típico de Hollywood. O resultado de tudo é mais um belo western na filmografia de John Wayne, aqui ao lado de outro mito do cinema americano, Kirk Douglas. Simplesmente imperdível para os fãs do gênero.
 
Gigantes em Luta (The War Wagon, EUA, 1967) Direção: Burt Kennedy / Roteiro:  Clair Huffaker, baseado em sua novela, The War Wagon / Elenco: John Wayne, Kirk Douglas, Howard Keel, Robert Walker Jr, Keenan Wynn / Sinopse:  Dois ladrões se unem para roubar uma carroça blindada que transporta um grande carregamento de ouro no valor de 500 mil dólares.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.


sábado, 23 de março de 2013

Homem-Aranha 3

Esse filme marca o fim da trilogia original do Homem-Aranha nos cinemas. Foi uma produção complicada, conturbada, muitas vezes caracterizada pelas brigas entre o diretor Sam Raimi e a produtora Sony, dona dos direitos autorais do personagem. Foi dos executivos da Sony a idéia, por exemplo, de inserir o personagem Venon na trama. Como se sabe esse nunca foi uma unanimidade entre os fãs dos quadrinhos e nem muito menos do diretor Sam Raimi que chegou a ironizar o vilão em entrevistas. Por pressão da Sony porém essa simbiose extraterrestre foi encaixada na estória. Isso porém não fez com que o diretor Raimi desistisse de seu roteiro original, de suas idéias, que eram muito mais simples e eficientes do que o texto final que foi utilizado no filme. O resultado de tantas interferências no que deveria ou não entrar no filme acabou gerando um roteiro com muitas sub-tramas, geralmente prejudicando o ritmo do filme, isso quando não o tornava confuso e moroso. Há excessos de personagens e situações, alguns que poderiam ser cortados da edição sem prejuízo nenhum do resultado final.

Só para se ter uma idéia aqui não temos um, nem dois, mas três vilões! Todos competindo entre si para ter mais espaço no filme. Além de Venon temos o Homem-Areia (Thomas Haden Church), na verdade o bandido Flint Marko, que matou Ben Parker no primeiro filme e aqui ganha poderes especiais. Suas cenas são as melhores do filme em termos de efeitos especiais. Para completar o trio de inimigos do Aranha ainda surge Harry Osborn (James Franco), que quer vingança pela morte do pai no primeiro filme. Em termos de produção, como era de se esperar, não há o que reclamar pois “Homem-Aranha 3” é muito bem realizado, o que falha mesmo é o excesso de personagens e sub-tramas, sempre minando o filme em suas bases. O espaço que se abre para Mary Jane (Kirsten Dunst), por exemplo, é completamente desnecessário. A intromissão do estúdio em decisões que deveriam ser apenas do diretor do filme foi outro fator que desestabilizou a eficiência que “Spider-man 3” deveria ter. Esses e outros problemas acabaram levando Sam Raimi a romper com a Sony, fato que gerou também o final dos contratos de todos os envolvidos com a franquia original. Todos foram desvinculados, inclusive o ator Tobey Maguire. Assim “Homem-Aranha 3” ficou como o fim da trilogia. Havia planos de seguir em frente, inclusive com a produção de “Homem-Aranha 4” mas como houve essa ruptura antes com o diretor a Sony resolveu recriar o universo do personagem com uma outra visão, com outro diretor e atores, criando assim um novo recomeço, praticamente partindo tudo do zero novamente. Nasceu assim o projeto “The Amazing Spider-Man”...mas isso é uma outra história...

Homem-Aranha 3 (Spider-Man 3, EUA, 2007) Direção: Sam Raimi / Roteiro: Sam Raimi, Ivan Raimi, Alvin Sargent, baseados nos personagens criados por Stan Lee / Elenco: Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco, Thomas Haden Church, Topher Grace, Bryce Dallas Howard, Rosemary Harris / Sinopse: Peter Parker (Tobey Maguire), agora terá que enfrentar novos desafios em sua vida como o surgimento de um novo super-vilão, o Homem-Areia (Thomas Haden Church), e Venon, uma ameaça vinda de outra planeta.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Vidas Amargas

Roteiro e Argumento: “Vidas Amargas” se baseia no famoso livro do escritor John Steinbeck. Na realidade se trata de uma grande metáfora sobre os personagens bíblicos do gênesis no velho testamento. Na estória acompanhamos um pobre rancheiro que tem dois filhos, Cal e Aron. Aron (Richard Davalos) é o filho que todo pai gostaria de ter, estudioso, educado e polido. Sua vida emocional é estável e ele namora a delicada e bela Abra (Julie Harris). Aron é em suma um modelo de bom filho. Ele é o oposto de Cal (James Dean) um jovem perturbado, complicado, complexo que sempre toma as piores decisões em sua vida. Numa delas decide investigar o que teria acontecido à sua mãe que os abandonou ainda jovens. Acaba descobrindo um terrível segredo sobre ela na cidade vizinha de Monterrey o que trará trágicas conseqüências para toda a sua família. O livro original é uma obra robusta e por isso aqui optou-se por transpor para as telas apenas parte dele. A adaptação é excelente uma vez que a estória se fecha muito bem em si mesma, não dando pistas de que faltou algo em seu enredo.

Produção: Uma produção do mais alto nível. A reconstituição de época é perfeita (a estória se passa em 1917, pouco antes dos EUA entrar na Primeira Guerra Mundial). Figurinos, costumes, carros, tudo recriado com perfeição. O estúdio Warner resolveu realizar “Vidas Amargas” no formato widescreen, sendo muito eficiente seu resultado final. “Vidas Amargas” foi indicado aos Oscars de melhor diretor, roteiro adaptado, ator (James Dean) e atriz coadjuvantes (Jo Van Fleet). Um reconhecimento merecido de seus méritos cinematográficos.

Direção: Elia Kazan sempre dirigiu com maestria seus atores. Aqui em “Vidas Amargas” ele decidiu inovar, ensaiando o filme por duas semanas antes de começar a rodar as cenas. O método deu muito certo até porque todo o elenco vinha do meio teatral em Nova Iorque. Kazan também incentivou os atores a trazer elementos novos para seus personagens algo que caiu como uma luva para James Dean que gostava desse tipo de liberdade criativa. De fato o ator trouxe muito de si mesmo para a atuação de Cal. No aspecto puramente técnico Kazan também procurou inovar criando ângulos inusitados com a câmera, além de literalmente interagir com as cenas (a melhor acontece quando Dean aparece se balançando num brinquedo de criança e Kazan balança a câmera junto com ele). Enfim, mais uma magnífica direção de Kazan, aqui no auge de sua criatividade e talento.

Elenco: O grande atrativo de “Vidas Amargas” é a presença no elenco de James Dean. Embora ele tenha participado de 3 filmes anteriores (todos como ponta) aqui o ator tem a primeira grande chance de verdade em sua carreira. Elia Kazan havia assistido Dean numa montagem off Broadway e decidiu que ele seria a escolha perfeita para interpretar o perturbado e irascível Cal, um personagem intenso que exigiria muito do ator. James Dean em cena não decepcionou. Ele está perfeito em sua caracterização, colocando para fora tudo o que aprendeu no Actor´s Studio de Nova Iorque. Seu personagem transmite toda a complexidade de sua alma não apenas nos diálogos mas no próprio modo de ser, andar, agir. O trabalho corporal que James Dean trouxe para Cal até hoje impressiona. O ator se entrega como poucas vezes vi no cinema. De certa forma Dean era Cal e o incorporou com perfeição no filme, ofuscando completamente todo o resto do elenco que também é todo bom. A atuação inspirada lhe valeu a primeira indicação póstuma ao Oscar da história. Infelizmente quando a Academia anunciou seu nome para o prêmio James Dean já havia morrido em um trágico acidente de carro aos 24 anos. Melhor se saiu sua colega de cena, Jo Van Fleet, que venceu o Oscar de melhor atriz coadjuvante. Ela interpretou a mãe de Cal e Aron no filme. Prêmio merecido aliás.

Vidas Amargas (East Of Eden, EUA, 1955) Direção: Elia Kazan / Roteiro: Paul Osborn baseado na obra de John Steinbeck / Elenco: James Dean, Raymond Massey, Julie Harris, Burl Ives, Richard Davalos, Jo Van Fleet / Sinopse: Dois irmãos, Cal e Aron, disputam a afeição do pai. Esse deseja ganhar dinheiro com a venda de verduras congeladas mas não obtém sucesso. Cal (James Dean) então resolve ganhar seu próprio lucro com a venda de feijões para as tropas americanas que estão sendo enviadas para a I Guerra Mundial. Nesse ínterim Cal acaba descobrindo um terrível segredo sobre sua mãe que é localizada por ele na cidade vizinha de Monterrey. Seu pai havia mentido pois dizia que ela havia falecido quando os irmãos eram apenas crianças. A verdade finalmente irá abalar toda a família.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Homem-Aranha 2

Ao custo de US$ 200 milhões de dólares a Columbia trouxe de volta o herói aracnídeo após o estrondoso sucesso comercial do primeiro filme. A mesma equipe técnica também retornou para seguir em frente com essa franquia, a original. Aqui o eterno azarado Peter Parker (Tobey Maguire) segue sua rotina de dificuldades só que contrariando a máxima de que “não poderia ficar pior” as coisas começam a dar muito mais errado para ele. Ele novamente perde o emprego, não consegue definir sua relação com sua amada e querida Mary Jane (Kirsten Dunst), tem que lidar com a morte de seu tio apoiando sua tia May (Rosemary Harris) e como se isso tudo não bastasse ainda tem que enfrentar um novo vilão, o cientista louco Dr Octopus (Alfred Molina) que cria uma engenhoca que lhe dá grande força e poder. Além disso os tentáculos mecânicos de alta potência acabam lhe trazendo uma mobilidade e alcance sem limites. Como se pode perceber a vida não anda nada fácil para o jovem Peter Parker.

“Homem-Aranha 2” segue basicamente a fórmula que deu tão certo no primeiro filme com uma melhora sensível em seus efeitos especiais. Na produção original o herói quando saía pendurado em teias pelas ruas de Nova Iorque passava uma incomoda sensação de falta de veracidade, mais parecendo um videogame de última geração do que qualquer outra coisa. O personagem digital não tinha volume e nem massa, parecendo também não ter peso nenhum. Em “Homem-Aranha 2” esses problemas foram amenizados em parte. Como todo bom filme de super-herói tem que ter também um bom vilão essa seqüência traz o bom Dr. Octopus, mais uma imaginativa criação de Stan Lee que se empenhou bastante ao longo dos anos em criar uma boa galeria de vilões dentro do universo do Homem-Aranha (algo que falta em parte nas estórias do Homem de Ferro e Thor). E por falar no criador máximo da história da Marvel ele aqui também dá o ar de sua graça numa cena bastante divertida. Enfim, com certa reservas podemos qualificar “Homem-Aranha 2” como o melhor filme da franquia original do super-herói. Uma boa diversão que vai certamente agradar aos fãs de histórias em quadrinhos. 

Homem-Aranha 2 (Spider Man 2, EUA, 2004) Direção: Sam Raimi / Roteiro: Michael Chabon, Alfred Gough, Miles Millar, Alvin Sargent baseados nos personagens criados por Stan Lee / Elenco: Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco, Alfred Molina, Rosemary Harris, J.K. Simmons, Donna Murphy, Daniel Gillies / Sinopse: O Homem-Aranha (Tobery Maguire) agora tem que enfrentar o terrível Dr. Octopus (Alfred Molina) pelas ruas de Nova Iorque. Vencedor do Oscar de Efeitos Visuais e indicação aos Oscars de Melhor Edição de Som e Mixagem de Som.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Os Outros

“Os Outros” foi um dos últimos grandes filmes de terror e suspense a chegar em nossas telas. Seu roteiro é um primor e a escolha de se priorizar o clima sufocante de uma grande casa que vive sempre às escuras foi mais do que acertada. A trama é relativamente simples: numa isolada e grande casa na Ilha de Jersey vive Grace (Nicole Kidman) e seus dois filhos. As crianças sofrem de uma estranha doença que as torna muito sensíveis a luz e por isso a casa está sempre fechada, com as cortinas cerradas. A rotina soturna da família começa a mudar quando chegam três novos empregados no local. Eles vêm em busca de emprego após os serviçais anteriores simplesmente sumirem. O problema é que a velha casa começa a mostrar sinais inexplicáveis como sons, móveis se arrastando e portas batendo. Intrigada Grace (Kidman) começa a investigar o que poderia estar acontecendo e descobre alarmada que o motivo talvez seja a presença de entidades sobrenaturais no local. Com o marido distante na guerra só lhe resta enfrentar o perigo oculto que se esconde nos cômodos escuros e sinistros do imóvel.

“Os Outros” é inteligente, bem desenvolvido e tem uma das melhores reviravoltas finais do cinema contemporâneo. O projeto foi o último do casal Nicole Kidman e Tom Cruise. O famoso ator aqui surge como produtor. Em crise o casal ainda conseguiu finalizar o filme mas o casamento não sobreviveu por muito tempo. Quando foi lançado e chegou finalmente nos cinemas o casal já se encontrava em processo de divórcio. Para as más línguas o ator Tom Cruise se separou de Nicole Kidman poucos dias antes dela ganhar direito à metade de sua fortuna pessoal (algo que havia sido estipulado no contrato pré-nupcial). Em vista de tantos problemas pessoais é de se admirar a grande atuação de Nicole Kidman (tão boa que lhe valeu a indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz – categoria Drama). Assim fica a recomendação. Se ainda não viu esse excelente “Os Outros” não perca mais tempo pois o filme já é desde já um clássico do gênero.

Os Outros (The Others, EUA, 2001) Direção: Alejandro Amenábar / Roteiro: Alejandro Amenábar / Elenco: Nicole Kidman, Fionnula Flanagan, Christopher Eccleston, Alakina Mann, James Bentley / Sinopse: Grace (Nicole Kidman) e seus filhos vivem numa isolada e distante casa na Ilha de Jersey quando começa a notar eventos inexplicáveis no local. Não tarda para ela começar a sentir a presença de entidades sobrenaturais. Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Trinity e Seus Companheiros

Mais um Western Spaguetti que se apóia no carisma do ator Terence Hill. Aqui ele repete seu personagem “Nobody” (“Ninguém” nos EUA, Trinity no Brasil). Trinity é um cowboy sem eira, nem beira, que vaga pelas mais poeirentas cidades dos EUA em busca de aventuras. Jeito despreocupado, boa praça, consegue tirar seus cochilos nos lugares mais improváveis, seja no meio de uma rua de pura poeira de uma cidadezinha qualquer do velho oeste, seja em um pequeno vagão prestes a cair no despenhadeiro. Sempre com roupas surradas e uma sela a tiracolo, Trinity também se mostra extremamente rápido no gatilho, capaz de proezas que desafiam até mesmo as leis da física e da natureza. Aqui em “Trinity e Seus Companheiros” ele se une a uma trupe formada por um mestiço e uma garota cujo principal objetivo se torna colocar as mãos em um carregamento de ouro pertencente a um coronel corrupto do exército americano. Para isso Trinity tem a idéia de usar seu colega como um impostor, pois fazendo-se passar pelo oficial terá acesso ao ouro que tanto cobiçam.

Como em todos os filmes de Trinity o tom é nitidamente de humor e comédia (com algumas cenas que beiram o pastelão). Terence Hill era extremamente carismático o que faz o espectador manter o interesse. A produção é boa, com direito a várias cenas rodadas no cenário natural mais famoso do western americano, o Monumenty Valley em Utah, onde John Ford realizou alguns de seus maiores clássicos. E como todo western spaguetti há também cenas rodadas no deserto da Espanha. No elenco o destaque fica por conta da participação do ator Klaus Kinski na pele do personagem Doc Foster (uma óbvia paródia ao famoso Doc Holiday dos filmes de Wyatt Earp). Não deixa de ser curioso vê-lo em cenas de pura comédia como quando cai de um hotelzinho em cima de um pangaré que sai em disparada! O diretor do filme, Damiano Damiani, faleceu recentemente, no último dia 7 de março, aos 90 anos. Era um cineasta eclético que transitava por todos os gêneros. Para o grande público ele era mais conhecido pela seqüência “Amityville 2 - A Possessão”, considerado até hoje um dos melhores filmes dessa franquia de terror. Enfim, fica a dica se você quiser matar as saudades de Trinity e seus filmes Spaguetti com muito bom humor e diversão.

Trinity e Seus Companheiros (Un Genio, Due Compari, Un Pollo, Itália, 1975) Direção: Damiano Damiani / Roteiro: Damiano Damiani, Ernesto Gastaldi / Elenco: Terence Hill, Miou-Miou, Robert Charlebois / Sinopse: Trinity (Terence Hill) se une a uma trupe para tentar colocar as mãos em um carregamento de ouro pertencente a um coronel corrupto do exército americano.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

quarta-feira, 20 de março de 2013

Os Estranhos

Um casal de namorados, Kristen (Liv Tyler) e James (Scott Speedman), resolvem ir para um casa de campo, afastada da cidade. Bom, se você já assistiu a algum filme de terror na sua vida certamente saberá que essa é definitivamente uma péssima idéia! Pois bem, o casal de pombinhos está em crise e durante toda a primeira terça parte do filme discutem seu conturbado relacionamento – tudo parece caminhar para um desses filmes românticos quando de repente, surgindo do nada, no meio da escuridão aparecem estranhos mascarados que vão tentar entrar na casa a todo custo. Não se sabe o que querem, o que desejam, a única coisa certa é que estão ali para invadir a casa para cometer algum crime em seu interior.  As intenções realmente não são das melhores. Esse “Os Estranhos” tem um roteiro simples, baseado numa situação que não é nenhuma novidade mas que a despeito disso consegue assustar e ainda surpreender por causa dos eventos que vão se sucedendo no desenrolar da estória.

O filme vende a idéia de que foi inspirado em um fato real acontecido em fevereiro de 2005 com a família Hoyt, fazendeiros que foram aterrorizados por estranhos durante uma noite de terror em sua fazenda. Acontece que as semelhanças com os fatos reais acabam por aí. A partir de determinado momento da fita o filme alça vôos próprios, criando diversas situações que não tem qualquer relação com os eventos verídicos. O próprio diretor confessou depois que parte do enredo foi inspirado também em uma situação que viveu quando era apenas um garoto em sua cidade natal. Uma mulher, completamente estranha, surgiu no rancho de sua família durante a madrugada em busca de uma pessoa que eles nunca tinham ouvido falar. Tão rapidamente quando surgiu, sumiu, sem deixar rastros. Tirando daqui e dali, de fatos reais diversos e fazendo com isso uma bela colcha de retalhos de pânico, suspense e terror até que o cineasta Bryan Bertino não se sai mal no final das contas. Assista, tome uns sustos e se divirta, só não leve nada do que se passa na tela a sério.

Os Estranhos (The Strangers, EUA, 2008) Direção: Bryan Bertino / Roteiro: Bryan Bertino / Elenco: Liv Tyler, Scott Speedman, Sterling Beaumon, Peter Clayton-Luce, Glenn Howerton, Laura Margolis, Gemma Ward / Sinopse: Casal de namorados fica encurralado numa casa de campo enquanto homens mascarados tentam entrar no imóvel com intenções macabras. Inspirado em fatos reais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

E O Vento Levou

Depois de quatro horas de filme, a sensação é de puro êxtase. Não há um mortal sequer que consiga ficar indiferente a este que com toda certeza é o filme mais famoso e popular de Hollywood. Baseado no romance homônimo de Margareth Mitchel e vencedor do Prêmio Pulitzer de 1937, "... E o Vento Levou" (Gone With The Wind - 1939) é daqueles filmes onde tudo funciona, tudo se encaixa perfeitamente e o time de atores juntamente com os diretores - houve mais de um - produtor e roteirista, forma uma espécie de mosaico que beira à perfeição.O longa é ambientado no início da Guerra da Secessão (1861-1865) e aborda a vida de Gerald O'Hara um imigrante irlandês que fez fortuna e vive em sua mansão,Tara, na Georgia, região sul dos EUA, junto com sua filha adolescente a explosiva Scarlett O'Hara (Vivien Leigh). Scarlett nutre uma paixão crônica e doentia por Ashley Wilkes (Leslie Howard) filho mais velho do patriarca e fazendeiro do rancho Twelve Oaks, John Wilkes (Howard C. Hickman). Porém, fica sabendo através de seu pai que Ashley está comprometido. Mais tarde numa conversa com o próprio Ashley, dentro da biblioteca, Scarlett fica sabendo que o homem que ama, esta de casamento marcado com sua própria prima, Melanie Hamilton (Olivia de Havilland). Desesperada e com o orgulho ferido, Scarlett aceita o pedido de casamento de um insistente Charles Hamilton (Rand Brooks), mesmo sabendo que não sente absolutamente nada por ele. Em meio a um verdadeiro redemoinho de paixões, mágoas e ressentimentos, somados ao início da Guerra da Secessão, surge o indefectível Rhett Buttler (Clark Gable) um espertalhão que diante da guerra, não toma partido para nenhum lado. Na verdade, Rhett é um misto de aventureiro, mulherengo, cínico e mau-caráter que mantém sem muito esforço, correndo em suas veias, muito humor, além de doses generosas de testosterona.

O clássico tem cenas inesquecíveis como a do fantástico incêndio que torra inclemente a cidade de Atlanta, facilitando com isso à invasão dos Ianques do norte e levando os Confederados e escravocratas sulistas ao desespero. Destaque também para a trilha sonora de acordes celestiais assinada por Max Steiner. A música, derrete como fogo de maçarico os corações humanos mais duros. Mas a estrela do grande épico é a espevitada Scarlett O'Hara; papel que "caiu" no colo de uma inglesinha, nascida na Índia, de nome, Vivian Mary Hartley ou simplesmente Vivien Leigh. A excepcional atriz - que doze anos mais tarde brilharia junto com Marlon Brando no clássico "Uma Rua Chamada Pecado" (1951) - disputou de forma incançavel a concorrida vaga para o papel de Scarlett O'Hara com gente não menos ilustre como: Katharine Hepburn, Bette Davis e Lana Turner. A disputa foi tão acirrada que Vivien só conseguiu a vaga quando as filmagens já haviam começado. Vivien foi uma escolha pessoal do todo poderoso produtor David Selznick e brilhou intensamente na pele de uma Scarlett O' Hara exuberante, histriônica, mimada e convincente. Outro destaque fica por conta de Clark Gable, que aqui vive seu personagem mais famoso (Rhett Butler). Na verdade, a primeira escolha para viver Rhett recaiu sobre Errol Flynn, que era um desejo pessoal do produtor David O Selznick. Mas diante da negativa da Warner Brothers em liberar Flynn e de um pedido pessoal de Carole Lombard - que era esposa de Gable e amiga pessoal de Selznick - Gable, finalmente foi o escolhido. Reza a lenda que Clark relutou muito em aceitar o famoso papel, já que estava com 38 anos e não queria encarnar nas telas um sujeito malandro e conquistador de uma adolescente. Outra maravilha do filme fica por conta da fotografia em Technicolor da dupla Ernest Haller e Ray Rennahan, que, além de representar uma revolução para a época, hipnotizou as platéias de todo o mundo.


Algumas curiosidades completam o círculo em torno da lenda: Apesar da direção ter sido creditada exclusivamente a Victor Fleming, ele dirigiu apenas 45% do filme, com o restante cabendo a George Cukor, Sam Wood, William Cameron Menzies e Sidney Franklin, todos não-creditados. O épico, custou ao produtor David O.Selznick, a bagatela de 4 milhões de dólares, um investimento considerado absurdo para a época. No entanto o mega clássico deu a resposta e faturou estratosféricos 200 milhões de dólares; cravando assim um dos maiores lucros da história de Hollywood. Só que os números superlativos não param por aí: o filme que teve 13 indicações ao Oscar, arrebanhou 10 estatuetas. Entre as principais estão: (melhor filme, melhor diretor, melhor atriz, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia, melhor montagem, melhor atriz coadjuvante e direção de arte) Consumiu ainda três longos anos de filmagens. Sem dúvida -, ...E o Vento Levou, é um marco da sétima arte e um dos maiores tesouros da história do cinema americano.

... E O Vento Levou (Gone with the Wind, EUA, 1939) Direção: Victor Fleming / Roteiro: Sidney Howard baseado na novela de Margaret Mitchell / Elenco: Clark Gable, Vivien Leigh, Olivia de Havilland, Thomas Mitchell, George Reeves / Sinopse: As paixões, lutas e glórias de uma família americana durante os terríveis anos da Guerra Civil.

Telmo Vilela Jr.

Air America

O filme foi baseado em um livro escrito por Christopher Robbins em 1979. Era uma obra que denunciava os envolvimentos da CIA com contrabando e desvio de armas e equipamentos para o Laos durante a Guerra do Vietnã. Inicialmente o filme seria estrelado por Sean Connery e Bill Murray mas depois de várias tentativas fracassadas de contratar os atores o projeto acabou indo parar nas mãos de Mel Gibson. O ator gostou do enredo mas achou que o filme ficaria pesado demais com o roteiro originalmente escrito. Foi então que o estúdio resolveu amenizar tudo, transformando “Air America” em um filme de ação com toques de humor em todas as cenas. O que era para ser mais um filme sério sobre o envolvimento dos EUA no Vietnã acabou virando praticamente uma comédia, com Mel Gibson desfilando sua performance típica de sujeito meio maluco, sem medo de entrar nas maiores enrascadas. Ao seu lado foi escalado o jovem ator Robert Downey Jr que na época ainda sofria bastante com sua conhecida dependência química de drogas pesadas. Aliás o estúdio não queria contratar Downey Jr por causa dos riscos envolvidos mas Gibson convenceu os produtores de que ele seria uma boa opção para o filme.

Assim o que se vê em Air America é basicamente um filme com muita ação, várias cenas de aviação extremamente bem realizadas mas conteúdo muito fraco e sem consistência. A trama se passa em 1969 quando o piloto de aviação civil Billy Covington (Downey) que trabalha numa rádio de Los Angeles perde sua licença por não seguir os padrões de segurança. Desempregado ele ouve falar numa oportunidade de trabalho no distante Laos. A remuneração é muito boa mas o serviço é perigoso porque a região é vizinha ao Vietnã onde os EUA se afundam cada vez mais em um conflito sem muito sentido. Em plena zona de guerra ele acaba conhecendo Gene Ryack (Gibson), um piloto que usa seus vôos para contrabandear armas e munições na região. Mel Gibson levou sete milhões de dólares de cachê mas parece não levar nada à sério. O filme foi rodado na Tailândia, com  uso de aviões e pilotos tailandeses. No saldo final é uma aventura escapista, sem muita profundidade, que prefere investir na ação e no humor em doses fartas. Poderia certamente ser um filme melhor, tratando o tema com seriedade mas não foi esse o caminho escolhido pelos produtores. Assim “Air America” se tornou apenas mais um filme de verão indicado apenas aos fãs dos atores Mel Gibson e Robert Downey Jr. 

Air America (Air America, EUA, 1990) Direção: Roger Spottiswoode / Roteiro: John Eskow, Richard Rush baseados no livro de Christopher Robbins / Elenco:  Mel Gibson, Robert Downey Jr, Nancy Travis, David Marshall Grant, Michael Dudikoff / Sinopse: Dois pilotos se envolvem em vôos de contrabando de armas e munição no Laos durante a Guerra do Vietnã.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu

terça-feira, 19 de março de 2013

Atração Fatal

Dan Gallagher (Michael Douglas) é um homem bem sucedido na profissão e no casamento até que cansado da rotina insuportável da monogamia nupcial resolve ter um caso extraconjugal. A escolhida é uma mulher muito parecida com ele, também bem sucedida e dona de si, a executiva de empresas Alex Forrest (Glenn Close). O problema é que o que deveria ser um caso rápido, sem maiores conseqüências, sai do controle pois ela fica grávida e não aceita mais a rejeição do amante. A partir daí a infidelidade de Dan (Douglas) se torna um verdadeiro inferno pessoal pois sua amante perde o controle, o levando para um confronto definitivo, de proporções gravissimas. “Atração Fatal” foi um grande sucesso de bilheteria e em seu argumento colocava a questão da infidelidade conjugal sob uma perspectiva bem severa, pois a amante mudava completamente de personalidade, de uma mulher atraente e moderna acabava se transformando numa verdadeira insana, psicopata, capaz dos gestos mais absurdos para se vingar do amante que a abandonara.

Na época de seu lançamento muito se falou do moralismo embutido no roteiro que passava a mensagem de que homens infiéis deveriam ser punidos sem perdão. Além disso o filme chegou nos cinemas logo no momento em que a AIDS ganhava cada vez mais espaço nos jornais e noticiários. A nova doença vinha para colocar um ponto final na promiscuidade sem freios dentro da sociedade. Assim muitos ligaram esses eventos ao próprio filme e o classificaram como uma obra moralista e cafona. Não concordo completamente com esse tipo de análise. De fato “Atração Fatal” não passava de um thriller como tantos outros que o cinema americano lançava todos os anos. A falta de noção de Alex (Close) após ser abandonada reforçava ainda mais esse aspecto pois não existem thrillers sem algum psicopata por perto. Coube a ela esse papel. E a ligação com a AIDS era realmente meramente circunstancial. De qualquer modo o filme parece ter resistido bem ao tempo. Seu clima de marketing publicitário (fruto da escola em que o diretor Adrian Lyne se formou) torna a experiência de rever “Atração Fatal” ainda mais interessante. Não é o melhor papel da carreira de Glenn Close (ela é muito mais talentosa do que vemos em cena) mas certamente é um de seus personagens mais populares. Assim fica a recomendação de “Atração Fatal”, interessante filme que inclusive pode ser exibido por esposas levemente desconfiadas aos seus maridos. Quem sabe eles não mudem de idéia antes de “pular a cerca”...

Atração Fatal (Fatal Attraction, EUA, 1987) Direção: Adrian Lyne / Roteiro: James Dearden / Elenco: Michael Douglas, Glenn Close, Anne Archer, Ellen Hamilton Latzen / Sinopse: Homem bem sucedido (Michael Douglas) na carreira resolve se aventurar num caso extraconjugal o que lhe trará enormes problemas pela frente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.