domingo, 30 de julho de 2017

Henrique II e Thomas Becket

O Rei Henrique II da Inglaterra reinou de 1154 a 1189. Sua história é interessante porque esse foi um dos primeiros monarcas ingleses a entrarem em confronto direto com a Igreja Católica. Henrique II acreditava que o poder do clero católico era um empecilho ao seu próprio poder real. Assim resolveu cobrar impostos das igrejas e mosteiros. Sua atitude obviamente criou vários descontentamentos no reino. Em represália o Rei nomeou um de seus chanceleres, Thomas Becket, como Arcebispo da Cantuária, o mais alto cargo clerical da Inglaterra.

O curioso é que Becket começou a levar muito à sério seu trabalho como arcebispo e em pouco tempo começou a defender os interesses da igreja e não do Rei Henrique II. Isso obviamente enfureceu o monarca. O ponto de rompimento aconteceu quando um nobre mandou matar um padre. Becket exigiu sua punição como homicida, mas o Rei fraquejou com medo de causar uma revolta entre seus próprios nobres. Assim Becket como arcebispo decidiu excomungar o nobre. O choque entre a nobreza e o clero foi ficando cada vez mais deteriorado.

O Rei Henrique II considerava Thomas Becket seu grande amigo pessoal, por isso sentiu-se muito traído quando o Arcebispo começou a contrariar seus interesses. Dizem que em determinado dia o Rei teria dito aos seus cavalheiros: "Esse Arcebispo Becket me virou as costas. Me traiu. Será que não existe nenhum homem na Inglaterra que me livre desse padre?". O comentário casual foi mal interpretado por seus homens que depois foram até a catedral e mataram o arcebispo Thomas Becket em pleno altar, causando grande comoção na Inglaterra da época.

Historiadores afirmam que Henrique II não mandou matar Thomas Becket diretamente. De qualquer forma o religioso foi assassinado e considerado mártir. Três anos após sua morte o Papa Alexandre III reconheceu a santidade de Thomas Becket e o canonizou. Curiosamente esse santo inglês segue sendo venerado não apenas entre os católicos, mas também entre os anglicanos que o consideram até hoje um homem santo que lutou e morreu por sua fé inabalável.

Pablo Aluísio.

sábado, 29 de julho de 2017

60 Segundos

Título no Brasil: 60 Segundos
Título Original: Gone in Sixty Seconds
Ano de Produção: 2000
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: Dominic Sena
Roteiro: H.B. Halicki, Scott Rosenberg
Elenco: Nicolas Cage, Angelina Jolie, Robert Duvall, Giovanni Ribisi, Scott Caan, Timothy Olyphant

Sinopse:
Ex-piloto de corridas, Randall "Memphis" Raines (Nicolas Cage) se torna ladrão de carros. Ele é bem sucedido em seus roubos por implantar um método impecável, onde consegue roubar um veículo em apenas 60 segundos. Quando seu irmão resolve entrar também no "ramo", Memphis decide fazer de tudo para salvá-lo do mundo do crime.

Comentários:
Mais um filme com a marca, a assinatura do produtor Jerry Bruckheimer. Quem conhece seus filmes já sabe mais ou menos o que vai encontrar pela frente: ação frenética, cenas absolutamente inverossímeis, roteiro e atuação dispensadas e muitas explosões. Em determinado momento Bruckheimer chegou na conclusão de que sabia exatamente o que o público jovem queria encontrar nos cinemas. Subestimando completamente a inteligência de seu público ele mandou ver, produzindo dezenas de filmes praticamente iguaizinhos. Esse "Gone in Sixty Seconds" pelo menos ainda tem alguns atrativos como, por exemplo, o elenco que conta com Robert Duvall (o que ele está fazendo aqui?), Angelina Jolie (ainda bem jovem, no começo da carreira e fama) e  Nicolas Cage (em mais uma tentativa de levantar sua carreira do ponto de vista comercial). Já o diretor Dominic Sena não passava de um garoto de recados de Jerry Bruckheimer. Seu único bom filme foi justamente o primeiro que dirigiu, "Kalifornia - Uma Viagem ao Inferno", depois disso nada de muito relevante. Para quem havia despontado dirigindo clips de Janet Jackson na MTV já estava de bom tamanho. Filme indicado no MTV Movie Awards na categoria Melhor Sequência de Ação.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

The Beatles - Revolver - Parte 2

O álbum "Revolver" foi de fato o primeiro a romper completamente com aquela sonoridade dos primeiros discos dos Beatles. Não havia mais necessidade de seguir uma determinada fórmula comercial à risca. Ao contrário disso eles queriam mesmo arriscar, sondar novos territórios musicais. Em "Got to Get You into My Life" Paul quis recriar o som da gravadora negra Motown, Por isso pediu a George Martin que ele providenciasse um arranjo com muitos metais. Praticamente foi dispensada a formação clássica de instrumentos dos Beatles. Guitarras e baixo foram colocados em segundo plano. O destaque ficou concentrado mesmo apenas naquele tipo de som que ficaria muito adequado em um lançamento da gravadora de Detroit.

"And Your Bird Can Sing" também fugia do lugar comum. Aqui John Lennon quis dar uma espécie de resposta para a faixa anterior de Paul, também com um arranjo diferente. Porém ao contrário de Paul, John não quis deixar as guitarras debaixo da cama. Ao contrário disso as deixou em primeiro plano, em excelentes solos que iam se revezando ao longo de toda a faixa. Curiosamente o principal parceiro de John na elaboração dessa música dentro do estúdio não foi Paul McCartney, mas sim George Harrison. Afinal ambos eram os guitarristas da banda, então era natural que eles se sentassem para escrever juntos as linhas de melodia que iriam usar. Apesar disso, da intensa colaboração de Harrison, a música acabou sendo creditada, mais uma vez, como uma criação de Lennon e McCartney, apesar da participação de Paul ter sido mínima.

Essa parceria Lennon e Harrison se repetiria também em "Taxman". Anos depois, após o fim dos Beatles, John Lennon iria reclamar publicamente de George Harrison que segundo ele nunca teria dado os créditos merecidos na gravação dessa música. John afirmava que George havia chegado nos estúdios Abbey Road apenas com um esboço muito primário do que seria Taxman. Assim ele e George passariam horas lapidando a música, com John Lennon fazendo grande parte dos arranjos. Curiosamente a dobradinha "Harrison / Lennon" também não apareceu na contracapa do álbum, sendo a canção creditada apenas a George Harrison. Na época John Lennon pareceu não ligar muito para isso, mas depois, já nos anos 70, reclamou da falta de consideração de seu colega de banda.

Bom, o que não poderia faltar em um bom disco dos Beatles nos anos 60 era uma bela e romântica balada. Invariavelmente essas lindas canções de amor eram compostas por Paul McCartney. Aqui não houve exceção. "Here, There and Everywhere" fazia jus a esse legado. Uma das melodias mais bonitas compostas por Paul. Ele a criou em homenagem à sua namorada na época, a ruivinha Jane Asher. Todos os Beatles acreditavam que Paul um dia iria se casar com Jane. Eles estavam juntos há muito tempo e ela foi a fonte de inspiração de algumas das melhores músicas de amor de Paul. John vivia provocando Paul, querendo saber quando seria o dia do casamento pois ele estava cansado de ser o único Beatle casado! Curiosamente Jane e Paul romperiam alguns anos depois. "Uma surpresa e tanto, pensei que eles iriam se casar!" - resumiria depois John em uma entrevista. Pelo menos as ótimas canções românticas que embalaram esse romance sobreviveram ao tempo.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Dunkirk e outros lançamentos da semana

Quinta-feira é dia de dar uma olhada nos lançamentos da semana nos cinemas brasileiros. Hoje temos um excelente novo filme de guerra chegando nas telas. Estamos falando de "Dunkirk" de Christopher Nolan. Depois de realizar a mais aclamada trilogia do Batman nos cinemas, Nolan volta suas atenções para a II Guerra Mundial. O cenário é Dunquerque, quando as forças aliadas sofreram uma de suas mais pesadas derrotas, precisando se retirar às pressas antes de todos serem mortos pela máquina de guerra da Alemanha nazista. O roteiro explora a história de três diferentes personagens. Um piloto de caças interpretado por Tom Hardy, um jovem soldado no meio do campo de batalha e um jovem inglês civil que se vê no meio do fogo cruzado, sem esperar por isso. "Dunkirk" está sendo muito elogiado pela crítica internacional. É um bem-vindo retorno aos filmes de guerra, que andavam sumidos dos cinemas nos últimos anos. Que seja o primeiro de muitos que virão.

Os demais filmes que estão sendo lançados são produções menores, sem a massificação de marketing que está sendo usado na produção de Nolan. Kevin Spacey é nome mais famoso do elenco de "Em Ritmo de Fuga". Essa é uma fita policial onde se explora um grupo de assaltantes profissionais. Doc (Spacey) é o chefão. Ele contrata um motorista para dirigir os carros durante as fugas, mas o sujeito não é dos mais comuns. Ele quer ir embora da quadrilha, algo que não será tão fácil como pensa ser.

Já "O Reencontro" é indicado para quem gosta de filmes europeus. Essa produção francesa, com toques de humor e romance, mostra a vida de Claire (Catherine Frot). Ela é uma mulher solitária que vive de realizar partos na cidade onde mora. Sua vida muda quando conhece Béatrice (Catherine Deneuve), que no passado foi amante de seu pai. O grande atrativo desse filme francês é a presença de Catherine Deneuve, considerada um mito do cinema europeu. Fazia tempo que a atriz havia atuado em um filme e seu retorno às telas é sempre um grande atrativo para ir ao cinema nesse fim de semana. Outro filme realizado na França que está sendo lançado nos cinemas brasileiros é o documentário "Foucault Contra Si Mesmo". Aqui vários acadêmicos discutem a importância da obra de Michel Foucault. Uma boa pedida para universitários da área de humanas.

Finalizando as dicas, aqui vão mais duas opções para fugir um pouco do cinema comercial americano. "Esteros" é uma produção argentina que conta a história de dois amigos que se reencontram muitos anos depois. Nesse reencontro eles relembram as velhas histórias do passado ao mesmo tempo que descobrem existir um sentimento maior os envolvendo. E para quem gosta de cinema nacional fica a dica final de "Love Film Festival". O elenco traz Leandra Leal interpretando uma roteirista que se apaixona por um ator durante um festival de cinema. Ao longo dos anos eles voltariam a se reencontrar (em outros festivais) sempre reacendendo a chama da paixão. Uma boa opção para quem deseja ver romance em uma produção brasileira nesse fim de semana.

Pablo Aluísio.

James Dean O Mito Rebelde - Parte 6

Conforme o tempo foi passando James Dean foi ficando cada vez mais decepcionado com Hollywood. Ele arranjou uma agente e começou a ir em testes para filmes, mas a resposta era sempre negativa. Dean não conseguia papéis e nem trabalho. Chegou a implorar para trabalhar como extra, mas nem nisso foi bem sucedido. Os responsáveis pelas escolhas do elenco davam as mais variadas justificativas para recusá-lo. Alguns diziam que ele não tinha experiência e nem currículo! Outros disseram que ele não tinha altura suficiente! Era uma desculpa esfarrapada atrás da outra.

Sem emprego, sem trabalho no cinema, Dean ouviu atentamente um veterano durante um desses dias em que passou horas para fazer sua audição para um filme qualquer. O velho ator lhe disse: "Você é jovem! O que está fazendo aqui? Vá para Nova Iorque se tornar um ator de verdade! Estude, vá fazer teatro! Você quer começar sua carreira profissional logo como ator de cinema? Primeiro você deve se tornar um ator para só depois, quem sabe, fazer filmes! O verdadeiro ator é o ator de teatro e Nova Iorque é o lugar certo para isso!". Esse sábio conselho tocou James Dean profundamente. O velho tinha razão. Dean então decidiu mudar sua estratégia de vida. Comprou uma passagem de avião para Nova Iorque (paga por sua agente) e na segunda-feira seguinte foi embora de Hollywood, de Los Angeles, e de seus testes medíocres.

Conforme lembraria depois Dean chegou em Nova Iorque com 5 dólares no bolso. Era um tempo frio, com muita chuva, mas nem isso desanimou o jovem ator. Ele adorou o clima da cidade, os bairros de artistas como o Greenwich Village, onde havia oportunidades para todos, pintores, escultores, poetas e... atores! A cidade respirava arte em todos os lugares. Escrevendo para um amigo Dean relatou: "Os primeiros dias em Nova Iorque foram impactantes! Essa grande cidade quase me esmagou! Agora estou mais confortável nela. Adoro caminhar pela Broadway, ver as peças que estão em cartaz! Nova Iorque, essa sim é uma cidade acolhedora!".

O ator gostou tanto da nova cidade que mesmo anos depois quando já era um astro em Hollywood, sempre ia para NY para passar os fins de semana. De fato ele considerava a "Big Apple" como seu verdadeiro lar. Nada de Hollywood com sua sociedade fútil e petulante. Os verdadeiros artistas estavam andando pelas ruas de Nova Iorque, isso Dean afirmou mais de uma vez. O ator tinha razão em amar o novo lar. Em Nova Iorque as coisas finalmente começaram a dar certo. Ele foi aprovado para participar de peças e o mais importante de tudo: foi aceito na prestigiada escola de atores do Actors Studio. Sua vida estava para mudar para sempre!

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Colossal

Filme maluco, estranho mesmo, mas que ainda assim não deixa de ser curioso e interessante. Começa como draminha romântico quando Gloria (Anne Hathaway) chega mais uma vez de ressaca no apartamento do namorado. Ela tem problemas com alcoolismo, está desempregada e pelo visto não se importa muito em arranjar um emprego. Ao invés disso vai para a farra todas as noites. O namorado, claro, perde a paciência e coloca um fim no romance. Pior do que isso, a coloca para fora do apartamento.

Sem grana, sem emprego e sem ter onde morar, ela acaba voltando para a antiga casa dos pais, no interior. Arranja um emprego de garçonete no bar de um velho conhecido de infância e aí... começa a acontecer algo pra lá de esquisito! Um monstro surge em Seul, destruindo toda a cidade e Gloria percebe que ele repete tudo o que ela faz, inclusive os mais simples gestos! Que maluquice é essa? Que tipo de ligação ela teria com aquela criatura? Bom, já para sentir que temos aqui um roteiro totalmente fora dos padrões, diria até mesmo bizarro ao extremo.

O curioso de tudo é que essa mistura de filme trash oriental com drama romântico americano acaba funcionado! Ok, a maioria das pessoas em determinado momento vão se levantar da sala de cinema e ir embora, isso é meio óbvio. Porém quem comprar a estranha ideia desse roteiro vai acabar no mínimo se divertindo, apesar das esquisitices que encontrará pela frente. Esse diretor espanhol, o Nacho Vigalondo, não tem muitos trabalhos na direção, sendo mais conhecido em seu país como roteirista (dos bons!). Acredito que apesar da presença da estrelinha americana Anne Hathaway pouca gente vai acabar embarcando nesse filme surreal. De qualquer forma vale a dica se você estiver em busca de algo diferente, bem diferente...

Colossal (idem, Estados Unidos, Espanha, Coreia do Sul, 2016) Direção: Nacho Vigalondo / Roteiro: Nacho Vigalondo / Elenco: Anne Hathaway, Jason Sudeikis, Austin Stowell / Sinopse: Gloria (Anne Hathaway) é uma garçonete americana que descobre ter uma bizarra e estranha ligação com um monstro que está destruindo a cidade de Seul, na Coreia do Sul! Filme premiado no Austin Fantastic Fest na categoria de Melhor Direção (Nacho Vigalondo).

Pablo Aluísio.

Perdidos em Nova York

Título no Brasil: Perdidos em Nova York
Título Original: The Out-of-Towners
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Sam Weisman
Roteiro: Neil Simon, Marc Lawrence
Elenco: Steve Martin, Goldie Hawn, John Cleese, Mark McKinney, Oliver Hudson, Valerie Perri

Sinopse:
O casal Henry (Steve Martin) e Nancy (Goldie Hawn) decide ir para Nova iorque, para passear e se divertir um pouco. O filho deles foi para a universidade e agora, com tempo livre, eles acreditam que precisam de férias e descanso, só que a viagem que deveria ser de lazer logo se torna uma grande confusão!

Comentários:
Esse filme é um remake de uma antiga comédia com Jack Lemmon. Eu adoro os roteiros escritos por Neil Simon. Ele já havia escrito um roteiro antes para o ator e comediante Steve Martin que resultou no muito bom "O Rapaz Solitário", um filme com um excelente humor melancólico, que fazia graça das situações mais tristes que se possa imaginar. Aqui Simon voltou a trabalhar ao lado de Martin, mas o resultado se mostrou bem pior, diria menos inspirado. Talvez a presença de Goldie Hawn, com seus grandes olhos azuis e estilo mais espalhafatoso tenha levado Simon a amenizar essa nova adaptação. O resultado acabou saindo pior do que o esperado. Assim grande parte de sua sutileza se perdeu. É um filme fraquinho, que rende algumas poucas boas piadas durante o filme inteiro. Cai no velho problema do roteiro de uma piada só! A viagem para Nova Iorque e os inúmeros problemas que vão surgindo. Nada mais. O filme não foi bem de bilheteria, sendo considerado um dos grandes fracassos comerciais daquela temporada, o que colocou o próprio Steve Martin na geladeira por algum tempo, uma vez que em Hollywood fracassos sucessivos de bilheteria não são perdoados!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 25 de julho de 2017

O Último Concerto

Título no Brasil: O Último Concerto
Título Original: A Late Quartet
Ano de Produção: 2012
País: Estados Unidos
Estúdio: RKO Pictures
Direção: Yaron Zilberman
Roteiro: Seth Grossman (screenplay), Yaron Zilberman
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Christopher Walken, Catherine Keener, Imogen Poots, Mark Ivanir, Liraz Charhi

Sinopse:
Um quarteto de música clássica entra em crise quando um dos membros, Peter Mitchell (Christopher Walken), é diagnosticado com Mal de Parkinson. Ele quer deixar o grupo, o que acaba levando todos a uma série de brigas, mágoas e desentendimentos que tinham ficado escondidos por anos.

Comentários:
Bom filme. O cenário é o mundo erudito da música clássica. Um quarteto de câmara vai se esfacelando após anos tocando juntos. São bem sucedidos no meio, mas os conflitos vão se mostrando cada vez mais insuperáveis. Robert (Hoffman) e Juliette (Keener) são casados. O que um dia foi paixão, se acabou. Ela não quer mais continuar com ele, que procura se consolar nos braços de uma dançarina espanhola de música flamenca. Assim que Juliette descobre a traição tudo desmorona. O pior é que eles precisam superar isso, pois trabalham juntos, no quarteto de cordas. Para piorar o clima de tensão, o veterano Daniel (Mark Ivanir), que toca o primeiro violino, se envolve com a filha deles, uma jovem estudante de violino. Claro que isso acaba criando muitas brigas, algumas inclusive violentas. E para estragar o que já anda mais do que ruim, Peter (Walken), o grande elo de ligação entre todos os músicos, acaba sendo diagnosticado com Mal de Parkinson, o que o impedirá de continuar tocando dentro de um meio tão concorrido e elitista, que não aceita falhas no palco. Esse roteiro revela que mesmo nos meios musicais mais eruditos ainda há muitos problemas de relacionamento para se manter um grupo unido, tal como se fosse uma bandinha de rock qualquer. Além da excelente trilha sonora (com destaque para as peças de Ludwig van Beethoven que ouvimos durante todo o filme) o grande destaque vai para o elenco. Todos estão maravilhosamente inspirados, com Philip Seymour Hoffman e Christopher Walken "duelando" muito bem em cena. Walken inclusive, sempre tão lembrado pelos exageros e maneirismos, finalmente se contém. É uma pena que Hoffman tenha falecido tão jovem ainda, vítima de uma overdose de drogas. Ao se assistir filmes como esse percebemos claramente como sua ausência faz muita falta no cinema de hoje em dia.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Snow Patrol - Eyes Open

Revirando velhos CDs me deparei novamente com esse álbum do Snow Patrol. Sempre gostei muito do som desses escoceses, mas parei de acompanhar a carreira deles há algum tempo (por onde será que andam nesse momento?). Esse "Eyes Open" foi meu primeiro CD da banda. Comprei assim que saiu, por volta de 2006. O som melódico das canções continua tão bom quanto antes. O Snow Patrol tem uma sonoridade que poderia definir como um Stereophonics mais romãntico, com menos guitarras estridentes, o que é ideal para quem gosta do lado mais suave do Britpop.

Aqui temos onze faixas que podem ser definidas como, de forma bem singela, agradáveis. As baladas predominam, até porque são ideais para a voz de Gary Lightbody. A faixa inicial "You're All I Have" sempre foi a minha preferida. Começa quase como um trenó no meio da neve. É curioso que depois desse começo calmo a canção dá uma levada alto astral, com vocais pra cima, empolgantes, quase como se estivessem vibrando com alguma notícia animadora, alegre. Esse som feliz demais pode ser meio complicado para os fãs do Travis, outros escoceses excelentes, mas vale a pena pela intensa alegria que tentam passar. Para ouvir numa fase mais relaxante, curtindo a vida. Por falar em Travis a balada "Chasing Cars" poderia se encaixar perfeitamente em qualquer CD deles que ninguém iria notar a diferença. Snow Patrol querendo dar uma de depressivos. Não é bem a praia dos caras, vamos ser sinceros.

Em termos de arranjos vale também a menção de "Shut Your Eyes". O dedilhado atravessa toda a faixa. O refrão pegajoso não é unanimidade entre os críticos do rock britânico, mas está valendo, até porque o Snow Patrol sempre teve mesmo vocação para tocar nas rádios (pelo menos nas rádios inglesas, claro!). Isso ficou bem claro em "It's Beginning to Get to Me". Se bem que eles não deveriam exagerar tanto. Ficou óbvio demais. E essa caixinha de ninar que ouvimos em "You Could Be Happy"? Provavelmente seja feita para tocar para os seus filhos pequenos dormirem de noite. Para uma banda escocesa que não quer ser tão depressiva como o Travis vai soar tudo um pouco fora do lugar! A última grande faixa do álbum vem com "Headlights on Dark Roads". Suas linhas ansiosas e nervosinhas bateram muito bem com a proposta do grupo nesse CD.

Snow Patrol - Eyes Open (2006)
1. You're All I Have
2. Hands Open
3. Chasing Cars
4. Shut Your Eyes
5. It's Beginning to Get to Me
6. You Could Be Happy
7. Make This Go On Forever
8. Set the Fire to the Third Bar
9. Headlights on Dark Roads
10. Open Your Eyes
11. The Finish Line

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Shrek Terceiro

Título no Brasil: Shrek Terceiro
Título Original: Shrek the Third
Ano de Produção: 2007
País: Estados Unidos
Estúdio: DreamWorks Animation
Direção: Chris Miller, Raman Hui
Roteiro: William Steig, Andrew Adamson
Elenco: Mike Myers, Cameron Diaz, Eddie Murphy, Antonio Banderas, Julie Andrews, Justin Timberlake, John Cleese                                                    
Sinopse:
Com a morte do Rei, pai de Fiona, Shrek deve assumir o trono e se tornar o novo Rei, só que ele não quer ser coroado, pois jamais pensou em sentar no trono real. Assim ele parte ao lado do burro e do Gato de Botas em busca de alguém para ser o novo Rei daquelas terras...

Comentários:
Essa franquia de animação do ogro verde Shrek rendeu um filme até bacaninha (o original) e uma sequência bem fraca. Essa terceira parte só existe mesmo por motivos comerciais pois os filmes anteriores renderam muita bilheteria. A DreamWorks não iria perder mais uma chance de faturar bem nos cinemas pela terceira vez. O problema é que não havia mais estorinha para contar, pois o livro original já tinha sido explorado ao máximo. Assim o estúdio criou essa estorinha praticamente do nada, apelando mesmo por razões financeiras. O filme é claro bem feito, bem realizado do ponto de vista técnico. Só não tem mesmo um roteiro muito convincente. Obviamente as crianças que adoram o Shrek não queriam nem saber disso, só se divertir nos cinemas. Com custo de 160 milhões de dólares essa terceira parte rendeu incríveis 440 milhões de dólares no mercado americano e internacional! Uma cifra incrível para uma animação tão fraquinha. É no final das contas a força do personagem entre a criançada, nada mais do que isso. Já os adultos vão mesmo torcer o nariz, uma vez que não há muito o que curtir aqui. Para os negócios em Hollywood porém o filme foi maravilhoso, enchendo os cofres mais uma vez dos estúdios de Spielberg. Business is business! Filme indicado ao BAFTA Awards na categoria de Melhor Animação. Também indicado ao Annie Awards na categoria de Melhor Direção.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

McLaren

Título no Brasil: McLaren
Título Original: McLaren
Ano de Produção: 2017
País: Inglaterra, Nova Zelândia
Estúdio: FB Pictures, General Film Corporation
Direção: Roger Donaldson
Roteiro: James Brown, Matthew Metcalfe
Elenco: Bruce McLaren, Jack Brabham, Mario Andretti, Alastair Caldwell, Dwayne Cameron, Emerson Fittipaldi

Sinopse:
Documentário sobre a vida e carreira do piloto de Fórmula 1 Bruce McLaren. Nascido na distante Nova Zelândia ele teve uma carreira magistral nas pistas ao se mudar para a Inglaterra. Campeão em diversas categorias do automobilismo, acabou fundando sua própria equipe, igualmente vencedora nas pistas.

Comentários:
Bom, se você gosta de Fórmula 1 certamente precisa assistir a esse filme. O nome McLaren é um dos mais conhecidos do automobilismo. A equipe é especialmente conhecida dos brasileiros porque foi nessa equipe de automobilismo que o piloto Ayrton Senna venceu seus principais títulos. Assim esse documentário conta a história do fundador da equipe, Bruce McLaren. Sua história é das mais interessantes. Na infância ele teve uma doença que o deixou paralisado por dois anos, preso na cama. Ao se recuperar ele começou a correr na pequena equipe fundada por seu pai. Campeão nas pistas de seu país acabou chamando atenção de uma equipe de Fórmula 1 inglesa, a Cooper, que o contratou. A partir daí Bruce McLaren não parou mais, se tornando um vencedor não apenas nessa categoria, mas em diversas outras. Foi uma vida dedicada às competições esportivas, ficando firme no volante mesmo após sofrer um acidente que quase o matou. Naqueles tempos a Fórmula 1 era bem menos profissional, mais romântica e também mais perigosa. Os carros tinham um design de tubo, o que aumentava ainda mais os riscos. Um aspecto histórico interessante é saber que o piloto Jack Brabham (que também seria o fundador de outra escuderia famosa da F1) foi uma espécie de mentor de McLaren. O brasileiro Emerson Fittipaldi também dá o seu depoimento. O documentário está cheio de imagens reais, corridas da época, tiradas do acervo pessoal de McLaren. Para quem é fã dessa modalidade esportiva o filme se torna assim simplesmente obrigatório. Muito bom em termos cinematográficos, recomendo bastante.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Retorno da Múmia

Título no Brasil: O Retorno da Múmia
Título Original: The Mummy Returns
Ano de Produção: 2001
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Stephen Sommers
Roteiro: Stephen Sommers
Elenco: Brendan Fraser, Rachel Weisz, Dwayne Johnson, John Hannah, Aharon Ipalé, Alun Armstrong

Sinopse:
A múmia do antigo faraó Imhotep é levada do Egito para Londres. Exposto no museu, o velho corpo do monarca novamente se levanta de seu leito de morte milenar, começando uma nova onda de violência e terror. Caberá ao explorador e aventureiro Rick O'Connell (Fraser) eliminar essa nova ameaça.

Comentários:
Sequência de "A Múmia". Antes de qualquer coisa é importante explicar que esse não é obviamente o novo filme de Tom Cruise e nem tampouco o filme original, clássico do terror. Essa era uma outra franquia dos anos 90, uma tentativa da Universal em revitalizar os seus antigos monstros do passado (algo que a Universal quer fazer de novo agora, provando que o estúdio está há anos sofrendo de falta de novas ideias!). Pois bem, eu sempre vi esses filmes do Brendan Fraser como paródias ou galhofas que juntava tudo em um só pacote, com os antigos filmes servindo de inspiração para esse novo modelo, que tinha também uma nova roupagem tirada da série Indiana Jones. Claro que se no filme de Spielberg tudo era levado mais à sério, aqui logo se opta pelo humor. O personagem de Fraser é basicamente um bobão, embora com momentos de herói. Essa mistura sempre me incomodou. É tudo muito chatinho. Os efeitos especiais são ótimos, excelentes, mas também gratuitos. Vale como uma Sessão da Tarde muito, muito descompromissada. É um filme pipoca Made in Hollywood, com tudo de ruim e bom que isso venha a significar. Só lamento mesmo a presença da talentosa Rachel Weisz. Ela sempre foi uma ótima atriz... e aqui fica perdida em um filme com péssimo roteiro. Uma pena. Então é isso. No geral é um filme para se assistir e jogar fora, como um fast food qualquer, um copo de refrigerante ou o saco de pipoca que no final da sessão você deixa na lata de lixo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Histórias de Rock Hudson - Parte 10

Em meados dos anos 1950 Rock Hudson finalmente assinou seu primeiro contrato com a Universal Pictures. Segundo ele próprio disse a amigos, essa havia sido a sorte grande de sua vida. O contrato tinha duração de sete anos. O estúdio se prontificava a cuidar de tudo no que se referia à carreira de Rock em Hollywood. Ele não precisaria ir mais atrás de filmes ou testes. Os roteiros já seriam enviados para ele com sua escalação no elenco. Com salário fixo e bons rendimentos, Rock ficou eufórico.

Claro que como todo contrato também havia prós e contras. Rock jamais poderia recusar um roteiro ou uma escalação da Universal. Enviado o roteiro era necessário estudá-lo, decorar as falas e começar a trabalhar. Nada de dizer "não" aos executivos. Rock também não poderia recusar entrevistas com a imprensa, viagens promocionais e tudo o mais que a Universal mandasse ele fazer. Para Hudson, que fora marinheiro por longos anos na Marinha americana não havia nenhum problema em seguir ordens. Ele tinha uma disciplina que era mesmo militar. Jamais causou problemas ou criou casos. Pelo contrário, parecia feliz em poder atuar com a Universal, que ele iria considerar dali para frente sua segunda casa.

Uma das primeiras providências de Rock após assinar seu contrato foi comprar uma casa nas colinas de Hollywood. Era uma casa pequena, até simples, mas plenamente satisfatória para ele que era solteiro, sem compromisso ou exigente demais. Rock adorava o lugar, tanto que não perdia tempo em ficar relaxando em sua residência nas horas vagas. Na verdade ele era um sujeito bem caseiro. Só ia a festas, baladas ou premiações quando a Universal exigia sua presença. Quando isso não acontecia Rock gostava mesmo de ficar em casa ouvindo sua coleção de discos (no final da vida Rock iria ter milhares de discos de vinil, dos mais variados artistas em sua discoteca particular).

Outro luxo a que se deu foi a compra de um pequeno veleiro para navegar na costa da Califórnia. Ele havia sido marinheiro a maior parte de sua vida adulta e não queria abrir mão do amor ao mar que havia criado durante os anos na Marinha. Além disso Rock era um expert no que dizia a navios em geral, tanto que sempre dispensou tripulações nas embarcações que comprava. O ideal para ele era mesmo fazer tudo sozinho, para matar as saudades dos tempos em que cruzou os sete mares em um destróier da poderosa marinha de guerra dos Estados Unidos.

Pablo Aluísio.

domingo, 23 de julho de 2017

John Wick - Um Novo Dia para Matar

Título no Brasil: John Wick - Um Novo Dia para Matar
Título Original: John Wick - Chapter 2
Ano de Produção: 2017
País: Estados Unidos
Estúdio: Summit Entertainment
Direção: Chad Stahelski
Roteiro: Derek Kolstad
Elenco: Keanu Reeves, Common, Laurence Fishburne, John Leguizamo, Riccardo Scamarcio, Ian McShane

Sinopse:
John Wick (Keanu Reeves) é um assassino profissional que é contratado pelo mafioso italiano Santino D'Antonio (Riccardo Scamarci). Sua missão é matar a própria irmã de Santino, que subiu na hierarquia da organização Camorra. Wick não queria fazer o "serviço", mas precisa cumprir o que lhe foi determinado para não quebrar as regras do crime organizado.

Comentários:
Esse filme é a continuação de "De Volta ao Jogo" de 2014. O ator Keanu Reeves volta assim a interpretar o assassino profissional John Wick. Como o filme anterior deu certo nas bilheterias era mesmo previsível que Hollywood voltaria a explorar essa estória. Aliás o final em aberto desse segundo filme deixa claro que haverá um terceiro filme. Pois é, Reeves emplaca assim mais uma franquia de sucesso em sua carreira. Como em time que se está ganhando não se mexe, manteve-se basicamente a estrutura do filme original. Há uma trama bem simples que dá sustentação a uma série de cenas de ação, grande parte delas bem exageradas. Em defesa do filme é bom deixar claro que ele é feito para quem gosta de filmes de ação ao estilo anos 80. Logo na cena inicial vemos como se dará o restante, com uma cena ultra violenta (onde Wick mata duas dezenas de inimigos). O protagonista invade um bunker da máfia russa para buscar seu carro roubado. Depois ele é contratado (a contragosto) por um membro da Camorra. a máfia italiana, para matar sua própria irmã, que está no topo da hierarquia criminosa. Isso porém é o que menos importa. O que vale mesmo são as inúmeras cenas de lutas, tiroteios, perseguições de carros, etc. Nesse aspecto não há o que reclamar pois tudo é bem realizado. As cenas de pancadaria são bem coreografadas e conforme vimos em várias cenas de making off que vazaram na internet, foram feitas pelo próprio Reeves, que dispensou dublês. Em suma, tudo o que você precisa para gostar desse filme é responder a seguinte pergunta: você gosta desse tipo de filme de ação? Se a resposta for positiva, pode ter certeza que vai se divertir com esse John Wick 2.

Pablo Aluísio.

Quero Ser John Malkovich

Título no Brasil: Quero Ser John Malkovich
Título Original: Being John Malkovich
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Spike Jonze
Roteiro: Charlie Kaufman
Elenco: John Cusack, John Malkovich, Cameron Diaz, Catherine Keener, Octavia Spencer, Charlie Sheen

Sinopse:
Certo dia Craig Schwartz (John Cusack) descobre que abrindo uma determinada porta ele tem acesso à mente do ator John Malkovich! Tudo o que ele vê, pensa e sente, Craig também sente. A coisa começa a sair do controle conforme ele vai ficando cada vez mais obcecado em sondar a mente do famoso ator! Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Roteiro, Melhor Direção e Melhor Atriz Coadjuvante (Catherine Keener).

Comentários:

O diretor Spike Jonze é um dos queridinhos da crítica americana. Ponto. Isso significa que não importa o que ele faça, não importa as ideias bizarras que ele transforme em filme. Sempre haverá uma multidão de críticos o elogiando, chamando de gênio, mestre, etc... Exagero puro! Não tenho dúvida que Spike Jonze tem seus méritos, ele sempre procurou fazer filmes diferentes, com tendência a se tornarem cults. Porém dizer que ele seria algum tipo de genialidade do cinema já é demais! Jornalistas em geral possuem esse tipo de cacoete irritante. Eles elegem seus preferidos e não conseguem mais dar um passo à frente. Esse "Being John Malkovich" é seguramente um dos filmes mais esquisitos dele (e olha que de obras estranhas sua filmografia está cheia!). A ideia de fazer alguém entrar na mente do ator John Malkovich funciona por mais ou menos 20 minutos. Depois disso se torna cansativo. Você se esforça para gostar, para achar tudo aquilo muito artístico, mas depois de um tempo a situação se torna bem chata. Além de cansativo o roteiro sofre daquele velho problema que conhecemos bem, a de ficar batendo na mesma tecla, cena após cena. Nada muda, as coisas vão ficando cada vez mais esquisitas e isso é basicamente tudo o que acontece. Como é também uma obra "freak" por definição e escolha, não espere maiores explicações sobre o que está acontecendo. É apenas a opção de Jonze em atrair críticas positivas sondando o surreal, a esquisitice extrema. Como puro cinema porém tudo é bem vazio e deserto de atrativos. Melhor não procurar ser John Malkovich e nem perder seu tempo com esse filme estranho e sem graça.

Pablo Aluísio.

sábado, 22 de julho de 2017

Tigerland - A Caminho da Guerra

Título no Brasil: Tigerland - A Caminho da Guerra
Título Original: Tigerland
Ano de Produção: 2000
País: Estados Unidos
Estúdio: Regency Entertainment
Direção: Joel Schumacher
Roteiro: Ross Klavan, Michael McGruther
Elenco: Colin Farrell, Matthew Davis, Clifton Collins Jr, Tom Guiry, Russell Richardson, James Macdonald

Sinopse:
A história do filme se passa em setembro de 1971. Os Estados Unidos estão na Guerra do Vietnã. Um novo pelotão de recrutas então chega no Fort Polk para treinamento intensivo antes de ser enviado para o front asiático. Para que o treinamento seja bem sucedido os soldados são enviados para um pântano, conhecido pelos recrutas como Tigerland!

Comentários:
A safra de filmes sobre a Guerra do Vietnã já havia passado quando surgiu esse "Tigerland" nos cinemas americanos. Um herdeiro tardio de um ciclo que já havia chegado ao fim. É a tal coisa, a fase que havia gerado tantas obras primas como "Apocalipse Now", "Platoon" e "Nascido Para Matar" já havia se esgotado, por isso não houve muita repercussão desse lançamento fora de época. De maneira em geral essa é até uma boa fita de guerra. No Brasil foi lançada diretamente no mercado de vídeo VHS, não chegando aos cinemas. Isso demonstrava que o filme não havia feito muito sucesso comercial no mercado internacional. Em termos de elenco temos um ainda muito jovem Colin Farrell. Na época ninguém o conhecia e ele passava longe de ser um astro de Hollywood. O resto do elenco também era todo formado por jovens desconhecidos, o que até ajudou o filme em certo aspecto, pois o espectador acabava acreditando com mais facilidade que aqueles eram mesmo jovens prestes a serem jogados na lama do Vietnã. A velha regra da imersão dentro de um filme. Há personagens interessantes, inclusive um recruta que deseja um dia se tornar escritor. Ele faz amizade com outro soldado, Roland Bozz, um texano mais casca grossa. Muito do enredo se desenvolve justamente nas amizades e inimizades entre todos aqueles militares. No mais o diretor Joel Schumacher realizou um filme que mesmo não sendo uma obra marcante, consegue ser eficiente, inegavelmente bom. Schumacher, conhecido por algumas bombas cinematográficas indefensáveis, aqui pelo menos segurou bem a onda. Filme premiado no Boston Society of Film Critics Awards e no London Critics Circle Film Awards na categoria de Melhor Ator (Colin Farrell).

Pablo Aluísio.

The Doors - L.A. Woman - Parte 1

Jim Morrison já estava completamente destruído por todos os excessos quando os Doors se reuniram para a gravação de mais um álbum - que iria se tornar o último com o Rei Lagarto nos vocais. Esse disco, todos os fãs sabem, bem poderia se chamar "The Doors Blues Album" porque realmente a levada é de homenagem ao bom e velho blues. Jim estava particularmente interessado no ritmo e não era apenas porque frequentava todos os dias bares de blues em Los Angeles para encher a cara ao lado de seus parças  caminhoneiros e motoqueiros. O sucesso do disco anterior, "Morrison Hotel", se tornou um inegável êxito de público e crítica, abrindo o caminho para esse tipo de som, se mostrando bem viável para Jim e seus colegas de banda.

De todas as faixas uma das mais representativas é justamente essa "Crawling King Snake". Esse é um blues antigo, clássico, um verdadeiro standart. Presume-se (ninguém tem certeza) que a canção foi composta por cantores de blues de cabarés na década de 1920. Só depois vieram as primeiras gravações. Naquela época os compositores e cantores de blues eram considerados vagabundos, artistas que vendiam suas criações em troca de uma garrafa de whisky, as gravando em pequenos estúdios do tipo fundo de quintal. Assim as origens de músicas como essa acabavam se perdendo nas areias do tempo. A versão de Morrison bebe diretamente (sem trocadilhos infames, por favor!) da gravação de John Lee Hooker dos anos 1940. Em minha opinião essa versão dos Doors é inclusive superior às gravadas por Howlin' Wolf e Muddy Waters, Um registro excelente, com muita alma e espírito (provavelmente vindo diretamente das entidades que norteavam a mente do embriagado Morrison). Melhor do que isso, impossível.

Outro blues, "The Changeling", foi escolhida para abrir o álbum. Aqui Jim Morrison fez um pedido inusitado. Ele queria um arranjo diferenciado, algo que remetesse aos velhos bares de beira de estrada da Louisiana. Assim o produtor da Elektra Records criou um som bem diferente mesmo. Um crítico do New York Times chegou a dizer que a música tinha um som que fazia lembrar uma serpente ou uma cobra à beira da estrada. Jim que adorava répteis provavelmente adorou esse sentido, essa interpretação. Na letra Jim incorpora um andarilho, um homeless (sem-teto)! Um sujeito livre, que vive em todos os lugares em troca de alguns trocados dados pelos transeuntes. Nada das velhas amarras da sociedade. Jim Morrison sempre teve um interesse a mais nos que viviam à margem, os ditos marginalizados pelo status quo.

"The WASP (Texas Radio and the Big Beat)" soava por sua vez como se você estivesse dirigindo por alguma estrada do Texas e sintonizasse uma rádio de blues no dial. A sigla WASP era uma referência aos brancos, aos protestantes, aos anglo-saxões, considerados "a nata" da sociedade americana. Essa sigla inclusive foi usada por organizações racistas para classificar o que era um "verdadeiro americano", pessoas bem acima do restante da escória, ou seja, dos negros, dos latinos, dos imigrantes e de todos aqueles que não se enquadrassem na visão racista e canalha da Klan. Jim obviamente usou o WASP como ironia, como crítica, como uma forma de debochar da mentalidade dessa gente. Jim incorpora um DJ na música e declama versos como esse: "Os negros brilhantemente enfeitados na selva / Estão dizendo "Esqueçam as noites" / Vivam conosco na floresta azulada / Aqui fora no perímetro não há estrelas / Aqui estamos petrificados - imaculados.". Morrison estava particularmente inspirado para escrever letras nesse disco.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O Julgamento de Nuremberg

Título no Brasil: O Julgamento de Nuremberg
Título Original: Nuremberg
Ano de Produção: 2000
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: British American Entertainment, TNT
Direção: Yves Simoneau
Roteiro: Joseph E. Persico, David W. Rintels
Elenco: Alec Baldwin, Max von Sydow, Brian Cox, Christopher Plummer, Michael Ironside, Charlotte Gainsbourg

Sinopse:
Após o fim da II Guerra Mundial o promotor Robert H. Jackson (Alec Baldwin) é designado para acusar os principaís líderes do nazismo que ainda estavam vivos, entre eles o Reichsmarschall Hermann Göring, um dos braços direitos do Führer Adolf Hitler. Indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Telefilme, Melhor Ator (Alec Baldwin) e Melhor Ator Coadjuvante (Brian Cox).

Comentários:
O julgamento de Nuremberg já foi usado como tema para vários filmes (alguns deles clássicos, inclusive), documentários e séries. Foi um julgamento marcante porque os principais nazistas foram levados ao tribunal justamente nesse momento histórico. Os principais líderes que sobreviveram foram julgados nesse julgamento. Claro que todos esperavam ver Hitler perante um tribunal, respondendo por seus crimes contra a humanidade, mas ele se suicidou antes disso. Ele não queria ser exposto como troféu pelos aliados, vencedores da guerra, numa jaula, como ele mesmo disse antes de estourar seus miolos. Assim resolveu dar um tiro na cabeça, deixando ordens expressas de incinerarem seu corpo com gasolina, no lado de fora de seu Bunker em Berlim. Hoje em dia, do ponto de vista jurídico, o julgamento de Nuremberg é considerado um erro. Existe um fundamento em direito chamado de princípio do juiz natural, que impede que órgãos judiciários sejam formados para julgar um caso específico. Foi justamente o que aconteceu em Nuremberg. O poder judiciário deve pré existir aos crimes e aos casos levados a julgamento e não serem constituídos para julgar determinados criminosos. Em Nuremberg um tribunal foi formado às pressas justamente para julgar os nazistas do III Reich. Os vencedores da guerra julgando os perdedores. Nesse processo se perde a imparcialidade, tão importante como princípio jurídico fundamental. De qualquer maneira, pelo fato de termos uma situação extrema, até se pode justificar um pouco a formação desse tribunal ad hoc!. Deixando esses problemas jurídicos de lado, temos aqui um bom filme (ou melhor dizendo, telefilme). No Brasil foi lançado em VHS, mas nos EUA ele foi exibido em dois episódios pelo canal TNT. Vale por resgatar essa história. Em termos de produção também não há nada o que reclamar. Tudo ok, com boa precisão histórica, bem fiel aos fatos reais.

Pablo Aluísio.

O Poderoso Chefinho

Título no Brasil: O Poderoso Chefinho
Título Original: The Boss Baby
Ano de Produção: 2017
País: Estados Unidos
Estúdio: DreamWorks Animation
Direção: Tom McGrath
Roteiro: Michael McCullers, Marla Frazee
Elenco: Alec Baldwin, Steve Buscemi, Jimmy Kimmel, Lisa Kudrow, Tobey Maguire

Sinopse:
O jovem Tim (Tobey Maguire) começa a relembrar seu passado, sua infância, quando tudo era perfeito. Filho único, a atenção de seus pais era toda voltada para ele, até o dia em que ele descobre que terá um irmãozinho. E conforme ele mesmo vai descobrir Boss Baby (Alec Baldwin) definitivamente não é um bebezinho comum! Filme premiado no Animator (International Animated Film Festival).

Comentários:
Nova animação do estúdio DreamWorks. A companhia aliás investiu pesado pois esse filme custou a bagatela de 125 milhões de dólares (um orçamento digno de grandes produções). O resultado tem sido muito bom nas bilheterias, já sendo considerado um dos sucessos da temporada. Uma boa notícia para a DremWorks que estava mesmo precisando de um sucesso nesse concorrido mercado de animações. Deixando de lado esses aspectos comerciais, a boa notícia é saber que o resultado realmente ficou muito bom. O roteiro explora a chamada "Síndrome do irmão mais velho", quando a chegada de um bebezinho tira o irmão mais velho do centro das atenções de seus pais. Obviamente o roteiro trata disso da forma mais bem animada que existe, entrando na mente muito imaginativa do garotinho. Outro ponto positivo vem da trilha sonora. Escolheram a bela balada "Blackbird" dos Beatles como tema central. Nada mais adequado. Outro ícone do rock, Elvis Presley, também não foi deixado de lado. Há uma cena muito divertida e engraçada quando os dois irmãos precisam pegar um avião para Las Vegas no aeroporto e encontram uma multidão de covers de Elvis, agindo da maneira mais afetada possível, com direito a bocas tortas e todos aqueles maneirismos que já conhecemos bem. O filme assim vai divertir tanto as crianças (o enredo trata de um tema universal que elas vão se identificar) como aos pais (que terão pelo menos uma trilha sonora legal para ouvir). Claro que pelo sucesso alcançado e pelo excelente argumento usando a amizade de dois irmãos essa animação provavelmente terá continuação. Porém como a estorinha se fecha muito bem em si, seria melhor não fazer nenhuma sequência. Essa animação já é muito criativa e bem feita. Não precisa de continuação.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

O Planeta dos Macacos

Título no Brasil: O Planeta dos Macacos
Título Original: Planet of the Apes
Ano de Produção: 2001
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Tim Burton
Roteiro: Pierre Boulle, William Broyles Jr
Elenco: Mark Wahlberg, Helena Bonham Carter, Tim Roth, Michael Clarke Duncan, Paul Giamatti, Kris Kristofferson

Sinopse:
Depois de um incidente com sua missão espacial o capitão Leo Davidson (Mark Wahlberg) chega em um estranho planeta, onde os macacos falam e são mais desenvolvidos do que os seres humanos, tratados como verdadeiros animais irracionais e primitivos. Filme indicado ao BAFTA Awards nas categorias de Melhor Figurino (Colleen Atwood) e Melhor Maquiagem (Rick Baker, Toni G e Kazuhiro Tsuji).

Comentários:
Muita gente não gostou desse remake de Tim Burton. Eu vou contra a corrente. Desde a primeira vez que assisti gostei desse novo "Planet of the Apes". Claro, não vou comparar com o clássico de 1968, pois esse continua imbatível (sendo melhor até do que os filmes mais recentes). Dito isso devo dizer que Tim Burton realmente fez um bom trabalho nessa produção de 2001. O filme, como era de se esperar em qualquer obra assinada por Burton, tem um design de produção excelente, uma fantástica direção de arte. Claro que muitos reclamaram de partes do roteiro, como na tão falada cena final com a estátua de Lincoln como macaco, mas o que isso no final realmente importa? É um clímax aberto a todos os tipos de interpretações e isso é algo positivo e não negativo. Filmes com finais fechadinhos demais são cansativos. Deixar a porta aberta pode trazer debates interessantes, visões diferentes, etc. A arte serve justamente para esse tipo de coisa. No mais é um filme que vale a pena ter na coleção. Há cenas realmente excelentes, como a que inspirou o próprio poster original. Até mesmo Mark Wahlberg está bem e olha que na época ele era bem mais limitado do que hoje em dia. Além disso o elenco de apoio é mais do que bacana, contando com o ótimo Paul Giamatti, o gigante simpático Michael Clarke Duncan e até o cantor country travestido de ator Kris Kristofferson. Em suma, gostei na época que chegou aos cinemas e continuo gostando hoje em dia. Esse pode ser considerado sem favor nenhum um dos bons filmes do controverso Tim Burton. Sua visão dark combinou muito bem com o universo criado por Pierre Boulle.

Pablo Aluísio.

Taboo

Taboo 1.01 - Episode #1.1 Nova série, uma parceria entre o canal inglês BBC e a Scott Free Productions, a produtora do diretor Ridley Scott. A estória se passa nos tempos da guerra de independência dos Estados Unidos. Depois de ser dado como morto durante uma expedição na África, o explorador e aventureiro James Keziah Delaney (Tom Hardy) ressurge em Londres para o funeral de seu pai. O velho trabalhou por anos para a Companhia das Índias orientais e numa dessas viagens ele acabou comprando um vasto território nas colônias americanas, um pedaço de terra que agora ganha especial importância por causa da guerra entre os revolucionários do novo mundo e o império britânico. Acontece que com a morte de seu pai, James Delaney acaba herdando tudo. Isso o coloca na mira da companhia que precisa ter em mãos o controle sobre aquela propriedade de qualquer jeito. Essa nova série "Taboo" já me causou boa impressão desde esse primeiro episódio. A reconstituição de época é muito boa e o clima é de puro realismo. O personagem de Tom Hardy é um sujeito que carrega um certo mistério sobre si mesmo. Ninguém sabe ao certo como ele sobreviveu ao naufrágio de seu barco anos atrás, uma tragédia que custou a vida de todos os marinheiros. O que se sabe porém com certeza é que ele é um sujeito durão, casca grossa, que não está nada disposto a abrir mão de sua herança em prol da companhia pelo qual seu pai trabalhou. A Londres que surge nesse episódio também foi muito bem recriada, escura, suja, lotada da pior escória da sociedade. Apenas sujeitos como Delaney conseguiriam sobreviver em tamanha podridão. É sórdido, é cruel, é Taboo, uma nova série para acompanhar com olhos de lince./ Taboo 1.01 - Episode #1.1 (Estados Unidos, Inglaterra, 2017) Estúdio: British Broadcasting Corporation (BBC) / Direção: Kristoffer Nyholm / Roteiro: Steven Knight, Tom Hardy / Elenco: Tom Hardy, Leo Bill, Oona Chaplin, Richard Dixon, Edward Fox, Jonathan Pryce, Nicholas Woodeson.

Taboo 1.02 - Episode #1.2
Por fim assisti também a mais um episódio de "Taboo". Essa série se passa na época da guerra de independência dos Estados Unidos. Ingleses e colonos brigam pelas terras da América. James Keziah Delaney (Tom Hardy) herda terras importantes de seu pai. Uma propriedade na fronteira que a Companhia das Índias Ocidentais cobiça. Já que ele não quer vender aquele lugar a solução encontrada é a velha execução na calada da noite. Na última cena Delaney é atacado por um desconhecido e leva uma facada, mas antes consegue também cortar a garganta de seu opositor. O sangue acaba jorrando. Eram tempos bem brutais...  / Taboo 1.02 - Episode #1.2 (Estados Unidos, 2017) Direção: Kristoffer Nyholm / Roteiro: Steven Knight, Tom Hardy / Elenco: Tom Hardy, Leo Bill, Jessie Buckley.

Taboo 1.06 - Episode #1.6
A série "Taboo" vai ficando cada vez mais violenta a cada novo episódio. Como se viu nos episódios anteriores o quase insano James Keziah Delaney (Tom Hardy) resolveu fabricar pólvora numa velha propriedade nos arredores de Londres. Isso era algo proibido pela coroa na época. Delaney porém não quer saber disso. Ele quer levantar dinheiro, vendendo a pólvora para os republicanos, ao mesmo tempo em que lucra para investir na sua nova expedição com seu barco recentemente comprado em um leilão. A Londres vitoriana que surge em "Taboo" passa longe dos cartões postais. Tudo é muito sórdido, sujo, escuro pela poluição das primeiras fábricas ao redor da cidade. Além disso há muita violência e morte pelos becos e ruelas miseráveis da cidade grande. Tom Hardy, que produz e atua na série parece adorar seu personagem, principalmente pelo seu lado místico e sombrio. Nesse episódio inclusive há uma curiosa cena quando ele tem visões de sua própria mãe morta - uma espécie de alma enviada do inferno que tenta afogá-lo nas águas sujas do pântano. Não é definitivamente algo para os mais fracos! / Taboo 1.06 - Episode #1.6 (Inglaterra, 2016)  Direção: Anders Engström / Roteiro: Steven Knight, Tom Hardy / Elenco:  Tom Hardy, Leo Bill, Jessie Buckley.

Pablo Aluísio.

Que Papai não Saiba

Título no Brasil: Que Papai não Saiba
Título Original: Vivacious Lady
Ano de Produção: 1938
País: Estados Unidos
Estúdio: RKO Radio Pictures
Direção: George Stevens
Roteiro: P.J. Wolfson, Ernest Pagano
Elenco: Ginger Rogers, James Stewart, James Ellison, Beulah Bondi, Charles Coburn, Frances Mercer

Sinopse:
Peter Morgan, Jr (James Stewart) é um sujeito todo certinho, professor universitário, que se prepara para seguir os passos de seu avô e seu pai, para um dia se tornar reitor da universidade. Durante uma visita a Nova Iorque ele conhece, se apaixona e se casa com Francey Morgan (Ginger Rogers), uma cantora de night clubs. De volta ao lar ele agora terá que encontrar um jeito de contar isso ao seu pai, um sujeito conservador, linha dura e de mente atrasada, que provavelmente terá um choque e uma explosão de raiva quando souber das novidades.

Comentários:
Esse filme foi lançado um ano antes do começo da II Guerra Mundial. Isso significa que a inocência desse tipo de enredo em breve iria desaparecer diante das atrocidades dos campos de batalha (o próprio James Stewart iria para a guerra). É um roteiro romântico, diria até bem bobinho. Toda a estória gira em torno do medo de um jovem nerd em contar para seu pai (um sujeito dominador e prepotente) que havia se casado com uma dançarina de boates! Tudo o que o velho mais abominaria. Diante do pavor da situação ele retorna para sua velha cidade com sua esposa, mas esconde dos pais que ela é casada com ele. Ao invés disso fica o tempo todo mantendo uma mentira, a de que a garota seria na verdade a namorada de seu primo! Como se pode perceber é uma comédia de costumes ao velho estilo. Tudo baseado numa peça teatral. James Stewart era muito jovem quando atuou nessa produção. Ele ainda estava um pouco distante dos clássicos do cinema que iria estrelar. Imaturo, até com um pouco de falta de jeito, seu estilo mais matuto acabou combinando muito bem com seu personagem. Já Ginger Rogers, que se tornaria imortal na história de Hollywood por causa de seus musicais inesquecíveis ao lado de Fred Astaire, estava mais bonita do que nunca! Ela tinha um excelente timing para a comédia e aqui demonstra bem isso. O filme chegou a ser indicado a dois prêmios técnicos no Oscar, o de Melhor Fotografia (Robert De Grasse) e o de Melhor Som (James Wilkinson). O diretor George Stevens, um dos grandes cineastas de Hollywood durante a fase de ouro do cinema clássico americano, aqui dirigiu um de seus trabalhos mais leves e descompromissados, e mesmo assim acabou sendo premiado no Venice Film Festival como melhor diretor estrangeiro. Não tem jeito, mesmo com produções românticas, leves e ingênuas, esses gênios da sétima arte conseguiam realmente se sobressair.

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

The Young Pope - Episode 1.10

Série: The Young Pope
Episódio: Episode #1.10 
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Home Box Office (HBO), Canal+
Direção: Paolo Sorrentino
Roteiro: Paolo Sorrentino, Umberto Contarello
Elenco: Jude Law, Diane Keaton, Silvio Orlando, James Cromwell, Javier Cámara, Scott Shepherd,
  
Sinopse e comentários:
Essa série caminhou muito bem... até esse episódio final (final mesmo, a série acaba aqui!). Os roteiros foram bem escritos de uma maneira em geral, com uma ou outra bobeirinha no meio dos episódios. O mais bizarro de tudo foi investir na figura de um Papa chamado Pio XIII (nome que aliás poderá ser adotado em algum momento da história) que foge completamente dos padrões da igreja católica. Ele não quer aparecer em público, evita exibições e aparições públicas (por achar puro exibicionismo) e abomina os holofotes. Ao invés disso acaba adotando uma retórica dura (dura demais para a maioria dos fiéis!). A série também insinua que ele teria o dom dos milagres, curando pessoas à beira da morte ou então fazendo com que casais com problemas de fertilidade tenham filhos!

Esse episódio final tem algumas cenas extremamente interessantes, como aquela em que Pio XIII se vê diante de todos os papas do passado, ali, materializados ao seu lado! São facilmente identificáveis os papas João XXIII (o Papa Bondoso) e Júlio II (um dos mais famosos Papas imperadores da história). Pena que diante de uma ideia tão boa os roteiristas não tenham explorado mais esse estranho encontro sobrenatural de uma forma mais criativa, explorando mais a situação surreal! Dito isso devo também dizer que achei a cena final um tanto decepcionante (principalmente com aquele globo terrestre, bem fraquinho, beirando a breguice!). Mesmo assim com esse tropeção final não vou deixar de elogiar "The Young Pope". Particularmente gostei mesmo da série e olha que me considero um bom católico. Não ofendeu a fé das pessoas e nem virou galhorfa. Valeu a pena ter acompanhado os dez episódios. Na pior das hipóteses foi uma série inteligente e divertida.

Pablo Aluísio.

Corpo Fechado

Título no Brasil: Corpo Fechado
Título Original: Unbreakable
Ano de Produção: 2000
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan
Elenco: Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Robin Wright, Spencer Treat Clark, Charlayne Woodard, Eamonn Walker

Sinopse:
David Dunne (Bruce Willis) consegue sair vivo de um grande desastre de trem. Qual seria o segredo de sua sobrevivência? Por que ele não morreu como todos os demais passageiros? O fato chama a atenção de Elijah Price (Samuel L. Jackson), que começa a ir atrás dos segredos de Dunne. O que ele acaba descobrindo o deixa completamente surpreso.

Comentários:
Afinal o diretor M. Night Shyamalan é um gênio do cinema ou um grande farsante? Quando ele começou a chamar a atenção com seus filmes muitos críticos perderam o bom senso e começaram a rotular o cineasta indiano de "O novo Alfred Hitchcock" e outras comparações bobocas, sem noção! A verdade é que M. Night Shyamalan tem obviamente bastante talento, faz bons filmes, mas também é muito irregular. Ele pode fazer um filme marcante, como também uma bomba enorme! Esse "Unbreakable" fica no meio termo. Eu particularmente nunca cheguei a gostar muito do filme. Provavelmente a surpresa do final foi estragada quando vi o filme pela primeira vez porque um amigo acabou me dando um daqueles spoilers mortais, que acabam entregando tudo. Mesmo assim ainda acredito que não ficaria muito impressionado pela tal reviravolta final. Ao contrário disso achei o filme até bem chatinho, maçante, com Bruce Willis em um papel que beira a antipatia. Usando um capuz cinza praticamente o filme inteiro, seu personagem me pareceu bem sorumbático, apesar de ter características heroicas, ou qualquer coisa nesse sentido. Já Samuel L. Jackson, interpretando um sujeito cujos os ossos se quebram com extrema facilidade, acabou se dando melhor, apesar de ser tecnicamente o vilão do filme. Enfim, um roteiro que tenta se inspirar nas histórias em quadrinhos, mas que na minha opinião só acabou sendo mesmo um filme meramente irregular.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Meu Vizinho Mafioso

Título no Brasil: Meu Vizinho Mafioso
Título Original: The Whole Nine Yards
Ano de Produção: 2000
País: Estados Unidos
Estúdio: Franchise Pictures
Direção: Jonathan Lynn
Roteiro: Mitchell Kapner
Elenco: Bruce Willis, Matthew Perry, Rosanna Arquette, Michael Clarke Duncan, Natasha Henstridge, Amanda Peet

Sinopse:
Jimmy Tudeski (Bruce Willis) é um assassino profissional, membro de uma infame família mafiosa. Para sair um pouco da mira de inimigos ele acaba alugando uma casa no subúrbio, onde vira vizinho do dentista Nicholas "Oz" Oseransky (Matthew Perry). Para surpresa de ambos os dois parecem estar no alvo de matadores!

Comentários:
Ok, Bruce Willis é sim um comediante talentoso, ou melhor escrevendo, ele pelo menos foi um comediante talentoso. Digo isso com experiência de causa, pois conheci Bruce Willis não como um brutamontes armado até os dentes, mas sim como um charmoso (e engraçado) detetive na série "A Gata e o Rato" (que era exibido na Globo durante os anos 80). Assim não ficaria desconfortável com Willis fazendo humor, pelo contrário, ficaria com nostalgia. O problema surge quando o roteiro não tem graça. Aí fica complicado. Embora Willis seja um ator com ótimo feeling de humor, pouca coisa se salva nesse "The Whole Nine Yards". Embora tenha sido lançado nos cinemas na época, no circuito comercial brasileiro, preferi esperar seu lançamento no mercado de vídeo. Estava com um pé atrás. E realmente é um filme bem mais ou menos, onde é necessária uma cumplicidade fora do comum para gostar. Nem a presença de Bruce Willis, de volta às comédias, nem o bom elenco de apoio, salvam o filme do fiasco. É bem chatinho, forçado, insistindo numa piada só! Ruim, enfim. O curioso é que comercialmente a fita foi bem, ganhando inclusive uma sequência, essa porém bem pior do que o primeiro filme. O que já era ruim aqui, piorou ainda mais no péssimo "Meu Vizinho Mafioso 2". Simplesmente fuja dos dois!

Pablo Aluísio.

Paul McCartney - Press to Play - Parte 1

Em 1986 Paul lançou mais um álbum, intitulado "Press To Play". As reações não foram tão boas como em outros discos de sua carreira solo. Isso era até previsível pois Paul vinha de uma sucessão de grandes discos nos anos 80. Basta lembrar de "Tug of War" (provavelmente seu melhor trabalho após os Beatles) e até mesmo "Pipes of Peace" (que trazia nada mais, nada menos, do que Michael Jackson como artista convidado). Assim as expectativas estavam altas demais para qualquer novo lançamento de músicas inéditas assinadas por Paul.

A música de trabalho desse novo disco foi "Press". A canção ganhou um cilp (como era de praxe na época) e foi bastante divulgada nas rádios. Acabou virando um hit, porém curiosamente não ficou tão marcada na carreira de McCartney como tantos outros clássicos. Ele nunca a tocou ao vivo e nem a trouxe de volta aos seus shows. De certa maneira é aquele tipo de faixa que ficou parada mesmo lá nos anos 80. Isso porém não significa que seja uma música ruim ou fraca. Longe disso. "Press" tem um ótimo arranjo, com destaque para a participação do músico brasileiro Carlos Alomar, em um brilhante solo de guitarra. A gravação é de alto nível, beirando o perfeccionismo, como é comum nos trabalhos de Paul McCartney.

Outra canção que merece destaque é "Angry". Ao contrário de "Press" ela não foi trabalhada por Paul para ser tocada nas rádios e nem virou sucesso na época. Acabou circulando apenas entre os fãs dos Beatles e de Paul que compraram o LP. De certa maneira ela tem uma sonoridade que lembra o punk inglês dos anos 70, mas com uma pitada dos velhos sucessos do rock´n´n roll em seus primórdios, lá nos anos 50, quando os primeiros singles desse novo gênero musical chegavam nas lojas. Em um disco com pouco mais de dez faixas afirmo que há pelo menos quatro grandes momentos (o que convenhamos não deixa de ser uma boa média). Uma das faixas que foram injustamente subestimadas e caíram no esquecimento foi justamente esse rock com espírito anos 50 chamado "Angry".

A gravação inclusive me lembra uma jam session por parte de Paul e seu grupo de apoio (contando, olhem só, com Pete Townshend na guitarra e Phil Collins na bateria!). É bom salientar que isso não é um defeito, mas um mérito, simplesmente porque nem sempre uma grande produção garante uma grande música. Muitas vezes a simplicidade é tudo em uma faixa como essa! Tirando os vocais típicos do Wings (que nos remete aos anos 70) tudo o mais me faz lembrar das velhas gravações dos tempos da Sun Records ou até mesmo antes disso! O ritmo é bem envolvente e a letra, sucintamente simplória, completa ainda mais o quadro nostálgico. Só resta saber como um quarentão como Paul na época ainda encontrou toda essa energia adolescente revoltosa e rebelde em plenos anos 80! Ponto para o bom e velho Sir Macca e sua eterna juventude roqueira. É assim que se faz meu caro...

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Victoria

A TV britânica traz todos os anos novas séries, todas caracterizadas por desfilar uma elegância e sofisticação que não se encontra nas séries americanas. Esse canal ITV é um dos melhores, realçando ainda mais esse tipo de característica. Depois do grande sucesso de "Downton Abbey" temos mais uma série produzida na mesma linha, só que ao invés de mostrar uma família aristocrática aqui o destaque vai para a história de uma das grandes rainhas da Inglaterra, Victoria. Ela deu nome a todo um período da história britânica (que passou a ser conhecida como Era Vitoriana), mas na série o que vemos é uma jovem de 18 anos, muito inexperiente, que se vê de repente na linha de sucessão do trono inglês.

Após a morte de seu tio ("O Rei está morto, viva o Rei!") a jovem Alexandrina assume a coroa. Ela assume o nome dinástico Victoria e começa seu reinado. No começa sua inexperiência e pouca idade começam a atrapalhar, como era previsível. Pequenas intrigas palacianas, principalmente uma fofoca envolvendo seu padrasto, acabam minando de certa maneira a sua popularidade entre os súditos. Os próprios nobres não estão muito convencidos que aquela jovenzinha pode um dia se tornar uma grande rainha. A monarquia entra assim em um momento delicado de sua história.

A rainha é interpretada pela atriz Jenna Coleman, nascida em Blackpool. No começo das filmagens os produtores até mesmo cogitaram escalar uma americana para o papel, mas seria demais para a cabeça dos ingleses ver uma ianque interpretando uma das mais queridas monarcas de sua história. Sabiamente voltaram atrás e escolheram uma atriz carismática, de nacionalidade certa, para dar vida à Victoria. Bonita, até parecida fisicamente com a rainha em seus anos de juventude, gostei muito de seu trabalho de atuação. Quem rouba as atenções porém no quesito atuação é o ator Rufus Sewell. Ele interpreta o primeiro ministro, Lord Melbourne, um político experiente, mais velho, que acaba se tornando o braço direito da jovem rainha (ela inclusive chega a nutrir uma paixão disfarçada por ele!). Enfim, desde o primeiro episódio já percebemos que essa série é realmente acima da média, para acompanhar com a devida atenção.

Victoria (Inglaterra, 2016) Direção: Oliver Blackburn, Sandra Goldbacher, Lisa James Larsson / Roteiro: Daisy Goodwin, A.N. Wilson, Guy Andrews / Elenco: Jenna Coleman, Rufus Sewell, Daniela Holtz, Adrian Schiller / Sinopse: O filme mostra os primeiros anos de reinado da Rainha Victoria (Coleman). Após a morte de seu tio, o Rei, ela se torna a nova Rainha da Inglaterra, com apenas 18 anos de idade. No começo nem seus próprios súditos, nobres em geral, conseguem confiar em seu sucesso como a nova monarca, mas aos poucos Victoria vai demonstrando seu valor no trono do império britânico.

Episódios Comentados:

Victoria 1.02 - Ladies in Waiting
Segundo episódio dessa ótima série que conta a história da Rainha Victoria da Inglaterra. Aqui temos uma aula de como funcionava o sistema de monarquia constitucional do Reino Unido. O primeiro ministro Lord Melbourne (Rufus Sewell) perde o apoio do parlamento. Com isso deve ser substituído por um novo gabinete, um novo governo. O problema é que a jovem rainha tem em Lord M um verdadeiro amigo. Ela ainda é muito inexperiente (com apenas 18 anos de idade) para compreender bem como o jogo político funciona. Isso acaba criando um impasse, onde a rainha não parece muito disposta a ceder às decisões do parlamento. Um fato curioso é que assim como acontece na série "Downton Abbey", os roteiros procuram explorar a vida dos personagens da alta nobreza e também dos empregados do palácio. Curiosamente descobrimos aqui que o Palácio real tinha um sério problema com ratos, o que colocava a própria monarca numa situação de perigo. Seus gritos quando vê um rato acaba sendo usado por conspiradores para tentar derrubá-la, uma vez que tentam ligar o comportamento exagerado de Victoria com seu avô, que morreu louco! Puro jogo sujo de bastidores. Enfim, mais um ótimo episódio. A série foi confirmada recentemente para uma segunda temporada na Inglaterra e esse é uma excelente notícia, uma vez que o programa é realmente dos melhores. Além disso o longo reinado dessa rainha renderia facilmente várias temporadas. / Victoria 1.02 - Ladies in Waiting (Inglaterra, 2016) Direção: Tom Vaughan / Roteiro: Daisy Goodwin / Elenco: Jenna Coleman, Rufus Sewell, Peter Firth, Peter Bowles.

Victoria 1.03 - Brocket Hall
Domingo é um bom momento para colocar as séries em dia (ou pelo menos tentar isso!). Assisti ao terceiro episódio da primeira temporada de Victoria chamado "Brocket Hall". A jovem rainha (que subiu ao trono com apenas 18 anos de idade) segue sendo apaixonada por seu primeiro ministro, um homem bem mais velho e divorciado. Um escândalo na corte. O coração porém tem suas próprias razões e ela se declara ao Lord M, só para ser elegantemente rejeitada! Poucas vezes vi um "fora" tão elegante como aquele, com muita sutileza e metáforas ao mundo natural. Ter classe é para poucos mesmo! Outro bom momento desse episódio ocorre quando a Rainha Victoria precisa enfrentar sua primeira rebelião. Um grupo autodenominado cartista exige direitos, inclusive o direito ao voto. Nos tempos de Elizabeth I todos seriam presos, decapitados e esquartejados, mas a nova monarca acredita que isso é brutal demais e nada civilizado. Assim os deportam para a distante Austrália onde possam cumprir suas penas. Essa série segue sendo uma das melhores coisas da TV britânica, Impossível não se encantar também com o carisma da atriz Jenna Coleman. / Victoria 1.03 - Brocket Hall (Inglaterra, 2016) Direção: Tom Vaughan / Roteiro: Daisy Goodwin / Elenco: Jenna Coleman, Rufus Sewell, Peter Firth, Peter Bowles.

Victoria 1.04 - The Clockwork Prince
Nesse fim de semana assisti a mais dois episódios da série "Victoria" do canal ITV. Os dois episódios mostram a aproximação da Rainha com seu primo, o Príncipe Albert, e a consumação desse relacionamento. Em "The Clockwork Prince" Victoria ainda está muito fixada na ideia de ter um caso com seu primeiro ministro, que ela ama em segredo. Ele porém era bem mais velho do que ela, divorciado, quarentão. Um consorte nada apropriado. Assim, como era de praxe, ela acabou sendo levada a um casamento de conveniência, mais de acordo com as regras da nobreza.  No começo ela não gosta muito de Albert. Ele é um pouco rude, meio afetado, nada simpático. Victoria chega mesmo a dizer que eles jamais dariam certo. Incompatíveis... O mais estranho é que aos pouquinhos ela vai se chegando, criando uma certa simpatia por ele. Além disso o seu amado Lord M a rejeita, por várias razões. Então só sobra mesmo partir para outra. Já que Albert estava por perto não seria má ideia tentar algo. Quem sabe daria certo... / Victoria 1.04 - The Clockwork Prince (Inglaterra, 2017) Direção: Sandra Goldbacher / Roteiro: Daisy Goodwin / Elenco: Jenna Coleman, Tom Hughes, David Oakes / Estúdio: Mammoth Screen, Independent Television (ITV)

Victoria 1.05 - An Ordinary Woman
O quinto episódio chamado "An Ordinary Woman" já mostra o casamento real. Os preparativos, a recepção, a cerimônia... É interessante que ficamos sabendo que o príncipe Albert acabou criando caso, já que ele queria que ficasse acertado sobre uma "mesada" que receberia da coroa. Além disso exigia um título de nobreza adequado para ele. Só que surgem outros problemas também no parlamento. Alguns membros desse poder passam a questionar a nacionalidade alemã do príncipe! Afinal a rainha da Inglaterra ter um marido alemão poderia trazer problemas futuros, inclusive diplomáticos. Pior é que não se sabe se Albert seria anglicano, como exigia a lei. Alguns parlamentares chegam inclusive a considerar a hipótese dele ser um católico! Pois é, um casamento real naqueles tempos não era apenas uma questão de amor e paixão. Havia muita política, religião e tradição envolvidos. É de se admirar que no meio de tanta coisa ainda houvesse espaço para a paixão, pura e simples. / Victoria 1.05 - An Ordinary Woman (Inglaterra, 2017) Direção: Sandra Goldbacher / Roteiro: Daisy Goodwin / Elenco: Jenna Coleman, Tom Hughes, David Oakes / Estúdio: Mammoth Screen, Independent Television (ITV).

Victoria 2.02 - The Green-Eyed Monster
Mais um excelente episódio da série inglesa "Victoria" que conta a história da rainha que marcou toda uma era dentro do império britânico. Aqui encontramos a monarca com problemas bem comuns a qualquer casamento, mesmo entre os plebeus do reino. Procurando por um lugar na corte, o príncipe consorte Albert (Tom Hughes) acaba se envolvendo ainda mais com determinadas organizações reais, entre elas o instituto de estatística de Londres que acaba desenvolvendo uma espécie de máquina de fazer cálculos complexos (um antepassado do moderno computador que conhecemos hoje em dia). Sentindo-se deixada de lado a rainha começa a ter ciúmes disso (o tal monstro de olhos verdes que dá nome ao episódio). Numa cena muito curiosa a rainha Victoria (Jenna Coleman) acaba confundindo o número pi com a palavra pie (torta, em inglês). A cena ficou muito divertida, porém obviamente será apreciada mais por quem domina os nuances da língua inglesa. Outro fato marcante desse episódio é a volta do Lord Melbourne à corte. A série desde o começo investiu nesse amor platônica da monarca em relação ao seu primeiro ministro, mas esse é um fato histórico em aberto. Ainda não há como comprovar que ela realmente o tenha amado. A filha de Victoria editou seus diários após seu falecimento, fazendo com que seus sentimentos escritos fossem apagados da história. Uma enorme pena, sem dúvida! / Victoria 2.02 - The Green-Eyed Monster (Inglaterra, 2017) Direção: Lisa James Larsson / Roteiro: Daisy Goodwin, A.N. Wilson / Elenco: Jenna Coleman, Tom Hughes, Andrew Bicknell.

Pablo Aluísio.

O Povo Contra Larry Flint

Título no Brasil: O Povo Contra Larry Flint
Título Original: The People vs. Larry Flynt
Ano de Produção: 1996
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Milos Forman
Roteiro: Scott Alexander, Larry Karaszewski
Elenco: Woody Harrelson, Courtney Love, Edward Norton, Crispin Glover, Brett Harrelson, Donna Hanover

Sinopse:
Para superar seus problemas financeiros um pequeno comerciante chamado Larry Flynt (Woody Harrelson) resolve investir no ramo da pornografia, considerada até aquele momento um crime pelo Estado. Ao longo dos anos ele conseguirá erguer uma verdadeira indústria em cima disso, porém ao mesmo tempo terá também que travar longas batalhas judiciais, em penosos processos contra seus empreendimentos.

Comentários:
A duras penas o empresário Larry Flynt construiu o império Hustler, uma empresa focada em revistas de mulheres nuas e pornografia. Ele foi um pioneiro, o que significou também que precisou se defender nos tribunais dos ataques dos setores mais puritanos e conservadores da sociedade americana. Esse filme procurou contar parte de sua história, em especial seu envolvimento e conturbado relacionamento com Althea Leasure (Courtney Love), uma stripper, prostituta e viciada em drogas. Essa personagem foi "interpretada" (entre aspas mesmo, pois foi quase uma incorporação de si mesma em cena) de Courtney Love, a eterna viúva de Kurt Cobain do Nirvana. Seu estilo naturalmente decadente, imoral e escandaloso caiu muito bem no papel que interpretou. Mesmo elogiando ainda achei um pouquinho exagerada a indicação de Love ao Globo de Ouro de Melhor Atriz. Aí acho que forçaram um pouco a barra. Já seu parceiro Woody Harrelson dá verdadeiro show de atuação. Falando como um caipira como Flynt ele rouba a cena, chegando inclusive a ser indicado ao Oscar por sua atuação. O filme aliás foi indicado a dois prêmios, o outro foi para o diretor Milos Forman que em minha opinião sempre foi um dos mais talentosos cineastas que passaram por Hollywood. E o fato dele dirigir outra cinebiografia aqui só engrandeceu o resultado como um todo. Enfim, excelente produção que disseca os podres de um país prestes a abraçar a liberdade de expressão em todos os seus segmentos, até mesmo naqueles considerados os piores imagináveis.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Drácula

O livro de Bram Stoker é provavelmente o romance mais adaptado para o cinema, em todos os tempos. São inúmeras as versões. Essa aqui procurou seguir, em linhas gerais, a estória criada por Stoker. Como todos sabemos tudo começa quando o jovem advogado Jonathan Harker (Murray Brown) chega numa região isolada da Hungria (o correto seria a Romênia, mas o roteiro do filme preferiu as terras húngaras). Ele está lá para negociar com um antigo nobre, o Conde Drácula (Jack Palance). Sua intenção é vender propriedades ao redor de Londres. O Conde é um sujeito estranho, de poucas palavras e nada amigável. Seu castelo parece abandonado há décadas e tudo cheira a morte.

Casualmente Drácula vê a foto de uma jovem e ele fica impressionado com a semelhança dela com seu grande amor do passado. Depois dessa introdução (que leva praticamente dois terços do filme) as coisas começam a acontecer rapidamente (sim, a edição não é das melhores). Quando reencontramos Drácula ele já está na Inglaterra, colecionando vítimas. Quem primeiro se interessa pelas mortes é um pesquisador e médico, o Dr Van Helsing (Nigel Davenport). Ele tem teorias próprias sobre o acontecido, entre eles o fato de haver vampiros na cidade, algo que ninguém acredita. Mesmo assim o médico começa a criar um plano para capturar Drácula.

Como se vê o enredo é praticamente o mesmo do livro original escritor por Bram Stoker. Há modificações pontuais, que não mudam sua essência. Para os cinéfilos a grande atração vem do fato do Conde Drácula ser interpretado por Jack Palance. Atuar em filmes de terror era algo completamente novo em sua carreira. Palance fez carreira interpretando cowboys, pistoleiros, em filmes de western e depois grandes e fortes guerreiros em épicos. Nada com contos e histórias de horror. Sua caracterização do famoso vampiro se resume a alguns grunhidos e algumas frases breves que ele declama em tom firme, pautado e quase inaudível (como se fosse um psicopata!). A maquiagem se resume aos dentes postiços. Efeitos especiais são praticamente inexistentes. Com poucos recursos o diretor usa mais de luz e sombra para criar o clima adequado. No geral não chega a ser uma grande adaptação, sendo mais louvável pelo fato de optar por tentar seguir os escritos de Stoker mais ao pé da letra. Fora isso é uma produção bem mediana com resultados igualmente modestos.

Drácula (Dracula, Estados Unidos, 1974) Direção: Dan Curtis / Roteiro: Richard Matheson / Elenco: Jack Palance, Simon Ward, Nigel Davenport / Sinopse: Depois de comprar uma propriedade nos arredores de Londres, o misterioso Conde Drácula (Palance) começa a fazer suas vítimas na região. A série de mortes desperta a atenção do Dr. Van Helsing (Nigel Davenport) que acredita existir um vampiro como o autor das mortes. Logo ele começa uma verdadeira caçada contra a estranha criatura da noite. Filme também conhecido no Brasil como "Drácula - O Demônio das Trevas".

Pablo Aluísio.

domingo, 16 de julho de 2017

A Violenta Religião Azteca

Bom, pelos livros oficiais de história você vai aprender a seguinte teoria: os povos chamados pré-colombianos (Maias, Aztecas e Incas) viviam felizes e prósperos na América Central e parte da América do Norte quando os malvados colonizadores espanhóis e europeus chegaram impondo sua religião cristã, tanto da vertente católica como protestante, e assim cometeram um grave crime cultural ao sobrepor a crença no deus cristão em relação àqueles povos que tinham sua própria religião.

O que muitos livros de história do ensino médio escondem dos estudantes é que as religiões pré-colombianas eram extremamente violentas e sangrentas. Os cultos eram baseados em sacrifícios de sangue, onde pessoas eram assassinadas nos altares a deuses igualmente violentos e sedentos de sangue humano. Mulheres, crianças, adolescentes, idosos, não importava, eles eram massacrados nesses altares "religiosos".

Suas vísceras eram abertas, o coração arrancado de seus peitos e levantados ao ar pelos sacerdotes. Depois a cabeça das vítimas eram golpeadas com um pesado bastão. Por fim, para fechar a sangrenta e violenta cena, os sacerdotes vinham a arrancavam a cabeça das pessoas dadas como sacrifícios aos deuses pagãos. A cabeça era jogada do alto das pirâmides e ia rolando escada abaixo, até parar na base do templo, onde estacionava em um mar de sangue.

O cristianismo jamais iria compatibilizar com uma religião tão insana e sangrenta como essa. Um Deus cristão não exige sacrifícios de sangue, morte de pessoas inocentes, cujo sangue era bebido em cálices ditos "sagrados". Pensar que tudo se resume em uma invasão cultural de natureza religiosa é simplesmente ignorar o que era feito nas Américas antes da chegada do colonizador europeu. É uma visão parcial que esconde as verdadeiras históricas dessa mudança. Os povos americanos foram cristianizados e nisso não há qualquer erro. Caso contrário as velhas práticas de sacrifícios humanos continuariam, algo impensável nos dias atuais.

Pablo Aluísio.