quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Tim Maia

Título no Brasil: Tim Maia
Título Original: Tim Maia
Ano de Produção: 2014
País: Brasil
Estúdio: Globo Filmes
Direção: Mauro Lima
Roteiro: Mauro Lima, Antônia Pellegrino
Elenco: Robson Nunes, Babu Santana, Alinne Moraes

Sinopse:
Cinebiografia do cantor brasileiro Tim Maia. Nascido numa humilde família da zona norte do Rio de Janeiro ele sonhava desde muito jovem em se tornar um cantor de rock. No final dos anos 1950 decide ir embora para os Estados Unidos, onde passa por inúmeras dificuldades financeiras. O lado bom e positivo vem do fato de ter tido contato direto com a soul music negra daquele país. De volta ao Brasil vai atrás de seu antigo parceiro de banda, o cantor Roberto Carlos, que estava se tornando o ídolo musical mais popular das paradas de sucesso. Com a ajuda de Roberto, Tim finalmente encontra o caminho da fama, do sucesso e da fortuna.

Comentários:
Como li o livro "Vale Tudo" escrito por Nelson Motta fico bem à vontade para analisar esse filme. Obviamente que toda cinebiografia se torna superficial pois é impossível retratar em um filme toda uma vida, principalmente de artistas. Geralmente um aspecto ou outro se torna o principal foco desse tipo de filme. Aqui o diretor e seu roteirista optaram por mostrar o lado doidão de Tim Maia. Assim o espectador encontrará um sujeito completamente obsessivo pela frente, uma pessoa que parecia cheirar, fumar e consumir todos os tipos de drogas, com muito excesso! Tudo bem que o Tim Maia de fato era usuário de drogas, o problema é que o filme não parece sair disso. Ele certamente tinha esse lado em sua vida, mas não era o único. O verdadeiro Tim Maia também era uma pessoa generosa, que levava crianças órfãs para passarem o domingo em sua mansão, brincando na piscina. Também ajudava outros artistas com problemas financeiros. Nada disso surge na tela. Essa coisa meio infantilóide de se focar apenas em um lado louco da vida do cantor algumas vezes se torna cansativa. O livro do Nelson Motta é muito bem escrito, fazendo com que o leitor não queira largar suas páginas e mostra esse lado das drogas também, mas igualmente mostra outras facetas de Tim, como seu jeito bem humorado de ser e outros aspectos de sua personalidade. O filme porém se mostra muito obcecado em mostrar apenas um lado mais sensacionalista e o menos lisonjeiro, diga-se de passagem. Além disso por questões dramáticas o roteiro cortou várias mulheres da vida de Tim, procurando concentrar aspectos de várias delas em apenas uma figura, a da Janaína (Alinne Moraes). No saldo geral porém "Tim Maia" ainda se mostra um bom filme, meio unilateral, é verdade, mas mesmo assim um bom programa. Deveria haver um cuidado melhor, principalmente na apresentação de suas melhores canções, mas ainda que se deixe levar por esses pequenos defeitos, vale a pena assistir e conhecer.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

John Lennon - Contradições de um Mito

John Lennon - Contradições de um Mito
John Lennon nunca foi um cara muito amável. Ele mesmo não queria e nem tinha interesse de passar a imagem errada. Fruto de um relacionamento complicado de seus pais, John só veio a desfrutar de uma vida estável quando foi morar com sua tia. A mãe morreu jovem, vítima de um motorista embriagado. O pai sumiu, marinheiro não queria problemas e nem responsabilidades. Assim John foi meio que criado solto, sem muitos exemplos familiares positivos a seguir. Essa sua personalidade complicada acabou também sendo passada para seus filhos. Não faz muito tempo vazou na internet um longo e revelador depoimento de seu filho, Julian. Nele o filho de John resolveu falar de alguns aspectos nada lisonjeiros de seu pai. Lennon é retratado como um pai distante, insensível e nas poucas vezes que conviveu com o filho, muito áspero e até mesmo raivoso. Nada parecido com a imagem de paz e amor que tantos se acostumaram a associar a ele. Na verdade John Lennon nunca foi uma pessoa muito fácil de conviver. Segundo as próprias palavras de Paul McCartney: "John Lennon era um gênio, mas não um santo!"

Dentro dos Beatles John também não foi de convivência muito fácil. O fato é que inegavelmente a fama lhe subiu à cabeça, o que fez com que John começasse a uma competição de falar bobagem. Mal lhe colocavam um microfone em sua frente John começava a opinar sobre tudo e todos, muito embora não tivesse preparo intelectual e técnico para emitir esse tipo de opinião sobre os mais variados assuntos. Por isso também acabou ficando em maus lençóis, principalmente quando desandava a falar de religião. Sua frase mais infame nesse aspecto foi "Os Beatles são mais populares do que Jesus Cristo". Isso irritou meio mundo e causou tamanho problema que o próprio John depois teve que vir a público pedir desculpas, afirmando que havia sido mal interpretado.

Sim, John era um ser humano e como tal tinha defeitos e muitos. A despeito de tudo isso também se tornou um artista genial. Muitas vezes a personalidade contraditória e cheia de complexidades acaba dando origem a manifestações culturais e artísticas maravilhosas. Seres humanos torturados acabam se tornando artistas geniais. John tinha traumas pela morte precoce da mãe, rancor pelo abandono de seu pai e indiferença com seu filho. Isso tudo porém gerou o caldeirão de sinceridade na qual Lennon iria escrever algumas de suas melhores canções, algumas realmente imortais. Certamente John Lennon não era bem um exemplo de pessoa, gostava de brigar em bares e boates, fumava, bebia e usava drogas. Mesmo assim, com tanta coisa contra, jamais deixou de ser um artista genial. Afinal de contas como ele mesmo dizia a "genialidade é uma espécie de loucura". É mesmo John, concordo plenamente.

Pablo Aluísio. 

Ele Disse, Ela Disse

Título no Brasil: Ele Disse, Ela Disse
Título Original: He Said, She Said
Ano de Produção: 1991
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Ken Kwapis, Marisa Silver
Roteiro: Brian Hohlfeld
Elenco: Kevin Bacon, Elizabeth Perkins, Nathan Lane

Sinopse:
Um conhecido casal de jornalistas decide romper seu relacionamento de longos anos publicamente. O rompimento acaba chamando bastante atenção da mídia e cada um deles então procura seu expor seus motivos, procurando demonstrar a culpa do outro no fracasso de seu próprio casamento. Filme baseado no romance escrito por Brian Hohlfeld (que também assina o roteiro da produção).

Comentários:
Gosto bastante do roteiro desse filme. Ele tem realmente ótimos diálogos e a proposta do argumento mostrando o ponto de vista de cada um dentro de um relacionamento conturbado, deu margem para comprovar aquele famoso ditado que diz: "Para cada fato existem três versões, a de cada um e a verdade". Assim o espectador é levado para dois lados opostos, procurando descobrir quem estaria mesmo contando a verdade. O divertido é que isso abre espaço também para expor as diferenças existentes entre as visões do homem e da mulher dentro de um caso amoroso. Provavelmente você se identificará com o que acontece na tela, principalmente quando descobre que a forma de enxergar seu relacionamento é completamente diverso da de sua companheira, aliás algo bem comum de acontecer no mundo real. No mais, temos que admitir que o público alvo desse filme é realmente o feminino. É fato notório que elas adoram dissecar seus casos, procurando sentido nos menores detalhes, no mais singelos gestos e atitudes, enquanto que para os homens isso se torna um aspecto meramente secundário (para não dizer muitas vezes chato). Mesmo assim indico a produção para ambos os sexos e de preferência que seja assistido em casal, afinal de contas o enredo poderá abrir espaço para se debater o seu próprio envolvimento com a mulher amada. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Homens de Honra

Título no Brasil: Homens de Honra
Título Original: Men of Honor
Ano de Produção: 2000
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: George Tillman Jr.
Roteiro: Scott Marshall Smith
Elenco: Cuba Gooding Jr., Robert De Niro, Charlize Theron, Powers Boothe
 
Sinopse:
O enredo gira em torno da história de Carl Brashear (Cuba Gooding Jr), um marinheiro que está determinado a se tornar o primeiro negro a entrar no esquadrão de elite da Marinha americana, algo que será muito complicado de alcançar por causa do inegável racismo reinante entre os oficiais e demais companheiros de farda. Billy Sunday (Robert De Niro), seu instrutor, irá modificar até mesmo sua mentalidade  retrógrada diante da força de vontade de seu subordinado. Filme indicado ao Grammy Awards na categoria de Melhor Trilha Sonora incidental.

Comentários:
Considero um filme apenas razoável, com roteiro sem grandes novidades trazendo um claro e óbvio tom de ufanismo no que diz respeito aos valores sacrossantos do militarismo americano. Provavelmente o maior problema do filme provenha de seu elenco. Como se sabe o ator Cuba Gooding Jr venceu um Oscar muito cedo em sua carreira. Por essa razão todos esperavam muito por parte dele, mas sinceramente falando ele até hoje só deu mancada na escolha dos filmes que realizou. Nesse "Men of Honor" seus maiores defeitos ficam extremamente evidentes. O rapaz é esforçado, mas lhe falta talento mesmo. Em filmes mais leves, comédias ou fitas de ação, ele até segura bem a onda, porém quando é exigido em tramas mais densamente tramáticas a coisa toda desanda, ganhando ares de tragicomédia. Aqui isso fica muito claro. Quando seu personagem precisa enfrentar momentos dramáticos tudo o que Cuba consegue é fitar o horizonte tentando passar alguma profundidade ao espectador! Lamentável, até porque tudo se torna em vão pois a sensação de vazio é direta e óbvia demais para ignorar. Ele passa a impressão de que simplesmente não sabe o que fazer em cena. Para falar a verdade em determinadas momentos temos mesmo que segurar o riso por causa de seus limitadíssimos dotes dramáticos, uma vergonha! Robert De Niro poderia até mesmo salvar o filme no quesito atuação, mas seu personagem é muito coadjuvante para fazer alguma diferença. Nem a beleza da maravilhosa Charlize Theron escapa da mediocridade reinante. Assim o que sobra no final é uma mera patriotada com carência enorme de boas atuações.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Homem Sem Face

Título no Brasil: O Homem Sem Face
Título Original: The Man Without a Face
Ano de Produção: 1993
País: Estados Unidos
Estúdio: Icon Entertainment International
Direção: Mel Gibson
Roteiro: Isabelle Holland, Malcolm MacRury
Elenco: Mel Gibson, Nick Stahl, Margaret Whitton, Fay Masterson
 
Sinopse:
Desde que teve seu rosto desfigurado em um grave acidente automobilístico o ex-professor Justin McLeod (Mel Gibson) tem se tornado recluso e distante da pessoas da comunidade onde vive. Sua vida se torna muito sofrida pois além do estigma estético ele ainda tem que enfrentar o estigma social pois todos o culpam pelo acidente. Sua vida muda quando ele se aproxima de Charles E. 'Chuck' Norstadt (Nick Stahl) que poderá lhe trazer uma nova perspectiva existencial.

Comentários:
Depois de estrelar o blockbuster "Máquina Mortífera 3" Mel Gibson entendeu que havia chegado o momento de dar um tempo nos tiros e explosões para se dedicar a roteiros melhores e bem mais trabalhados. Afinal de contas ele sempre almejou algo a mais em sua profissão e não se contentava em apenas ser um astro de filmes de ação. Inicialmente rodou "Eternamente Jovem", um pequeno e lírico filme sobre um homem deslocado no tempo e espaço. A crítica simpatizou com o resultado. Depois surpreendeu mais uma vez com essa produção muito pessoal, dirigido por ele mesmo, realizado por sua própria produtora de cinema, a Icon. Foi o primeiro filme pra valer nessa sua nova carreira como cineasta (antes disso ele havia rodado um pequeno documentário para a TV denominado "Mel Gibson Goes Back to School"). Agora ele surgia na direção para o circuito comercial, brigando entre os grandes por fartas bilheterias, entrando de vez nessa nova fase de sua vida. Inicialmente muitos viram com ceticismo esse seu impulso de dirigir filmes. Mal sabiam que ele se consagraria em pouco tempo com "Coração Valente" que levaria vários Oscars. Aqui em "The Man Without a Face" Gibson já demonstra muito talento para dirigir, explorando as nuances do roteiro com raro brilhantismo. Também evita com sucesso que a trama se torne cansativa e enfadonha, dando o devido destaque a cada personagem. Considero um belo drama dos anos 90, com Gibson extraindo muito bem a riqueza de detalhes do romance escrito por Isabelle Holland. Revisto hoje em dia fiquei com a sensação que o ator deveria voltar para pequenos e sentimentais projetos como esse, pois ele mostrou ter mão para esse tipo de filme.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Outcast

Título no Brasil: Ainda Sem Título Definido
Título Original: Outcast
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos, China, França
Estúdio: Notorious Films, Golden Village Pictures
Direção: Nick Powell
Roteiro: James Dormer
Elenco: Hayden Christensen, Nicolas Cage, Yifei Liu, Andy On
 
Sinopse:
Oriente Médio. Século XII. Jacob (Hayden Christensen) é um cavaleiro cristão lutando nas cruzadas que acaba se decepcionando com a causa. Desiludido e em crise de fé, ele decide ir embora para terras longínquas, indo parar no extremo oriente, na China. Lá acaba se viciando em ópio e entra numa disputa sucessória entre dois jovens príncipes após a morte do chefe do clã da região. Tentando manter todos salvos, Jacob acaba se envolvendo em inúmeras aventuras onde poderá contar apenas com sua habilidade com a espada.

Comentários:
Tentei muito gostar desse filme. O tema me chamou logo a atenção, numa aventura explorando cruzadas, disputas pelo trono no período medieval chinês e tudo mais. Não adiantou minha boa vontade porque realmente é uma fitinha muito fraca, derivativa e sem novidades. Os clichês obviamente estão por todos os lados e as cenas de ação dão sono, cheguei até mesmo a bocejar (um péssimo sinal). O resultado ruim só veio confirmar a maré baixa que atinge as carreiras de Hayden Christensen e Nicolas Cage. Em relação ao Christensen devo dizer que ele nunca me convenceu. Já o considerava medíocre na segunda trilogia de "Star Wars" e até hoje ele não conseguiu mudar minha opinião com suas atuações ridículas em filmes igualmente ruins. Para piorar seu personagem é chato até dizer chega. Na metade do tempo surge gemendo de dor e na outra se apresenta chapado de ópio! Como torcer por alguém assim? Já Cage segue seu purgatório cinematográfico. Se você (ainda) consegue gostar de seu trabalho depois de tantos abacaxis vai um aviso: sua participação no filme é mínima e insignificante. Ele surge apenas em momentos pontuais, declama meia dúzia de palavras e some de uma vez. Péssimo. No final "Outcast" não funciona como filme histórico e nem muito menos como película de ação. Lamento dizer, mas é de fato uma tremenda perda de tempo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

John Adams

John Adams foi uma figura importante na luta pela independência americana e segundo presidente dos Estados Unidos. Durante a sua presidência, Washington se tornou a capital americana. John Adams nasceu em 19 de outubro de 1735 em Braintree (agora Quincy), Massachusetts, filho de um fazendeiro. Adams se formou pela Universidade de Harvard em 1755 e tornou-se advogado. Em 1764 casou-se com Abigail Smith, uma mulher inteligente e independente que forneceu o marido um apoio considerável ao longo de sua carreira. A partir de meados da década de 1760, Adams começou cada vez mais a opor-se a legislação britânica em sua colônia americana, começando com a Lei do Selo. Apesar de sua hostilidade para com o governo britânico, em 1770, ele defendeu os soldados britânicos envolvidos no massacre de Boston. Isto tornou-o impopular, mas marcou-o como um homem de princípios elevados.

No primeiro e segundo Congresso continental, onde representou Massachusetts, Adams usou sua elegante escrita e habilidades de oratória para persuadir outros colonos sobre a necessidade de oposição a Grã-Bretanha, e a luta da causa pela independência da América. Ele trabalhou no comitê que posteriormente iria redigir a Declaração de Independência dos Estados Unidos. Durante a Guerra Revolucionária, ele acabou tomando parte no Conselho de Guerra, ajudando a levantar fundos com o objetivo de equipar o exército americano. Também colaborou ativamente na criação da marinha dos Estados Unidos. Em 1778 Adams foi enviado para Paris em uma missão diplomática. Ele voltou para lá em 1780 e, em 1783, foi um dos três norte-americanos a assinarem o Tratado de Paris, colocando fim da Guerra da Independência Americana. Entre 1785 e 1788, Adams atuou como o primeiro embaixador americano na Grã-Bretanha.

Em seu retorno à América, ele foi eleito o primeiro vice-presidente na chapa de George Washington e serviu por dois mandatos. Na campanha presidencial de 1796 acabou enfrentando forte oposição à sua candidatura dentro de seu próprio partido. Assim Adams acabou se filiando ao Partido Federalista onde foi eleito presidente. A deterioração das relações com a França levou a uma guerra naval não declarada entre os antigos aliados. Em 1798, Adams assinou o controverso ato que limitavam os direitos à liberdade de expressão. Isso praticamente destruiu sua popularidade, criando atos de repúdio e oposição em todo o país. Ao mesmo tempo, Adams enfrentou a oposição entre seus próprios aliados políticos. Ele resistiu às exigências de uma guerra declarada contra a França e esse foi um dos principais fatores que o fizeram perder a eleição de 1800 para Thomas Jefferson. Depois da derrota John Adams decidiu se aposentar da política, se estabelecendo definitivamente em sua cidade natal de Quincy. Ele faleceu em 04 de julho de 1826, depois de ter sobrevivido para ver a eleição de seu filho mais velho, John Quincy Adams, como sexto presidente dos Estados Unidos.

Erick Steve.

Um Segredo entre Nós

Título no Brasil: Um Segredo entre Nós
Título Original: Fireflies in the Garden
Ano de Produção: 2008
País: Estados Unidos
Estúdio: Senator Entertainment Co
Direção: Dennis Lee
Roteiro: Robert Frost, Dennis Lee
Elenco: Ryan Reynolds, Willem Dafoe, Julia Roberts, Emily Watson, Carrie-Anne Moss, Hayden Panettiere

Sinopse:
Michael Taylor (Ryan Reynolds) é um escritor de romances que retorna para casa após um longo tempo para participar das festividades de graduação de sua irmã. Sua volta porém não será fácil, pois além das memórias de traumas passados (como o pai abusivo e uma mãe com problemas de relacionamento) ele ainda terá que lidar com uma morte dolorosa dentro de sua família, uma tragédia que precisa ser superada por todos. Filme indicado ao Young Artist Awards na categoria Melhor Atriz Coadjuvante (Chase Ellison).

Comentários:
Nem sempre há como realizar dramas sobre temas pesados de forma pueril ou superficial demais. Sou da opinião de que certos temas, principalmente relacionados à morte ou perda de pessoas queridas precisam ser enfrentados de frente, sem paliativos. O problema dessa produção foi que a atriz Julia Roberts impôs mudanças impertinentes e inoportunas no roteiro para que o filme não ficasse tão barra pesada. Nesse processo de estrelismo ela acabou mesmo foi destruindo as possibilidades de termos uma pequena obra prima em mãos. Esse aliás é o lado mais danoso de certas estrelas de Hollywood. Ao invés de se limitarem a atuar, se metem em aspectos cinematográficos que não entendem ou que simplesmente não possuem qualificações para se envolverem. A insuportabilidade do modo de ser de Julia Roberts já é bem conhecida pelos estúdios, mas aqui ela rompeu todos os limites do bom senso, estragando um roteiro que poderia render muito, muito mais. O resto do elenco também não melhora muito a situação. Ryan Reynolds não tem talento e a profundidade necessária para encarar um papel desses. Emily Watson parece perdida sem encontrar um bom termo com os demais membros do elenco. O único que escapa mesmo é o sempre correto Willem Dafoe que acaba sendo a única peça desse xadrez bagunçado que parece fazer algum sentido. Não é um filme ruim, mas sim equivocado por suas escolhas. De certa maneira o que temos aqui é realmente uma trama excelente que foi simplesmente desperdiçada. Mesmo assim, com um pouco de boa vontade, pode vir a funcionar em uma noite sem mais nada de interessante para fazer. Só não espere encontrar pela frente um filme maravilhoso, algo que ele definitivamente não é.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Henrique V - O Rei Guerreiro

Henry V foi um dos grandes reis guerreiros de Inglaterra medieval, famoso por sua vitória contra os franceses na batalha de Agincourt.

Henry nasceu em 1386 ou 1387, filho do futuro Henry IV. Ele recebeu o título de príncipe de Gales na coroação de seu pai, em 1399. Desde muito cedo mostrou suas habilidades militares como um capitão de infantaria, tomando parte na batalha de Shrewsbury em 1403. Ele então passou os próximos cinco anos lutando contra a rebelião de Owen Glendower no País de Gales. Ele também fez questão de ter um papel no governo do país, ao contrário do que fazia os nobres da época, levando a desentendimentos com seu pai pela quebra da tradição.

Henry tornou-se rei em 1413. Em 1415, ele esmagou com sucesso uma conspiração que tencionava colocar o rebelde Edmund Mortimer no trono. Pouco tempo depois ele partiu para a França, que iria se tornar o foco principal de suas atenções até o fim de seu reinado. Henry estava determinado a recuperar as terras localizadas no norte da França que tradicionalmente pertenciam aos seus antepassados, mas que agora se encontravam sob posse e domínio do trono francês. Ele capturou o porto de Harfleur e em 25 outubro de 1415 conseguiu finalmente derrotar os franceses na batalha de Agincourt, uma das mais sangrentas da história.

Entre 1417 e 1419 Henry seguiu com sucesso sua campanha de conquista da Normandia. Rouen rendeu-se em janeiro de 1419 e suas sucessivas vitórias no campo de batalha obrigaram o rei francês a assinar o Tratado de Troyes em maio de 1420. Henry foi além, sendo reconhecido como herdeiro e sucessor do trono francês, casando-se pouco depois com Catherine, a filha do monarca francês. Em fevereiro de 1421, Henry voltou para a Inglaterra pela primeira vez em três anos e meio, por causa da guerra que parecia sem fim com o trono da França. Ao lado de sua nova rainha Catherine tentou restabelecer as bases de seu reinado em seu país natal. Henry previa um longo período de paz e prosperidade com a coroa de sua nação, mas seus planos foram interrompidos bruscamente. Em junho, ele retornou para a França e morreu subitamente dois meses depois, provavelmente de disenteria, em 31 de agosto 1422. Até hoje a causa verdadeira de sua morte é um mistério, sendo que alguns autores defendem a tese que teria sido envenenado por alguém de sua própria corte (talvez por sua própria esposa francesa). Seu filho de nove meses de idade, o sucedeu.

Erick Steve.

Guardiões da Galáxia

Título no Brasil: Guardiões da Galáxia
Título Original: Guardians of the Galaxy
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Marvel Studios, Columbia Pictures
Direção: James Gunn
Roteiro: James Gunn, Nicole Perlman
Elenco: Chris Pratt, Vin Diesel, Bradley Cooper, Josh Brolin, Glenn Close, John C. Reilly

Sinopse:
Um grupo formado por seres de diversos planetas da galáxia se une contra o terrível Ronan (Lee Pace) que está em busca de uma poderosa partícula que fez parte da origem do universo. Adaptação para o cinema dos personagem criados em quadrinhos por Stan Lee. Filme indicado aos prêmios Annie Awards e Black Reel Awards.

Comentários:
Não achei tão excepcional como muitos diziam. Na verdade temos aqui uma adaptação correta dos quadrinhos e nada muito além disso. É fato que de uma forma ou outra está ocorrendo uma certa saturação em filmes adaptados de HQs, então quando o espectador se depara com um filme que seja pelo menos bem realizado, tentando ser o mais fiel possível ao material original, se cria um certo exagero em relação aos méritos cinematográficos do mesmo. O roteiro é bem centrado, porém não foge muito da velha fórmula de heróis tentando salvar o mundo (no caso aqui a galáxia). Para a Marvel sem dúvida é um excelente investimento já que esses personagens não são tão populares do público em geral como um Homem-Aranha ou um Thor. Na verdade esse grupo de estranhos seres só é mais conhecido mesmo dentro do universo dos fãs de quadrinhos. A sorte para os roteiristas do filme é que Stan Lee (sempre ele, o maior criador de heróis da Marvel), deu personalidades marcantes para todos os membros do grupo. Peter Quill (Chris Pratt) é o único terráqueo da trupe. Sequestrado quando ainda garoto em plenos anos 80, logo após a morte de sua mãe, ele passa seus dias enfrentando vilões enquanto ouve música oitentista em seu velho walkman (quem se lembra dessa velharia?). Rocket Raccoon (Bradley Cooper) é um mercenário durão que tem um inegável talento com máquinas, porém como é apenas um guaxinim precisa de alguém com força bruta ao seu lado, função desempenhada por Groot, que mais parece uma árvore ambulante. Os vilões também são bacanas, com destaque para Ronan e Thanos (tão conhecido vilão do universo Marvel). O filme tem um excelente elenco, mas infelizmente a imensa maioria dos atores está desperdiçada. Josh Brolin, Glenn Close e John C. Reilly praticamente não servem para nada. Para ser bem sincero nem deveriam estar aqui. Fora isso muitos efeitos especiais e uma direção de arte que se não chega a ser brilhante pelo menos se mostra certeira. Pelas expectativas criadas fiquei com um leve sabor de decepção após o fim da exibição. De fato "Guardiões da Galáxia" é uma boa aventura, divertida, porém passa muito longe de ser uma obra prima.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Star Wars Episódio II - Ataque dos Clones

Título no Brasil: Star Wars Episódio II - Ataque dos Clones
Título Original: Star Wars Episode II - Attack of the Clones
Ano de Produção: 2002
País: Estados Unidos
Estúdio: Lucasfilm, Twentieth Century Fox
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas
Elenco: Hayden Christensen, Natalie Portman, Ewan McGregor, Christopher Lee, Samuel L. Jackson, Frank Oz, Rose Byrne

Sinopse:
Dez anos depois dos eventos do primeiro episódio, Anakin Skywalker (Hayden Christensen) compartilha um romance proibido com Padmé (Natalie Portman), enquanto Obi-Wan (Ewan McGregor) investiga uma tentativa de assassinato contra um importante senador, descobrindo a existência de um exército de clones. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhores Efeitos Especiais. Filme vencedor do Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films nas categorias de Melhor Figurino e Melhores Efeitos Especiais.

Comentários:
Não chega a ser tão ruim como o episódio I, mas também não é nenhuma maravilha. Na verdade colocando as cartas na mesa temos que admitir que essa segunda trilogia "Star Wars" no cinema deixou bastante a desejar. Talvez as expectativas tenham chegado nas alturas ou talvez George Lucas tenha mesmo esquecido de escrever boas estórias se confiando apenas nas maravilhas da tecnologia digital. O que podemos afirmar com certeza é que esses novos filmes muitas vezes caíram na mais pura e simples bobagem. Até mesmo personagens cativantes e marcantes como o mestre Yoda perderam a graça. Se na trilogia original ele era um velhinho sábio e cheio de boas lições, aqui ele dá saltos e rodopios no ar enquanto enfrenta seus inimigos (em cenas que muitas vezes se tornam cômicas, tamanho o absurdo das situações sem noção). De bom mesmo apenas momentos proporcionados pelo elenco que de fato é muito bom. Curiosamente muitos atores se queixaram depois da falta de uma boa direção nesse quesito por parte de Lucas. Realmente ele nunca foi um bom diretor de atuação, preferindo se dedicar apenas na sala de montagem e efeitos especiais. Mesmo sendo um omisso no set o elenco conseguiu ainda arrancar alguns dos momentos realmente bons desse filme, com destaque para a bela Natalie Portman e do esforçado Ewan McGregor que conseguiu transformar seu Obi-Wan Kenobi em um personagem mais marcante do que da trilogia original. Péssimo mesmo apenas o medíocre Hayden Christensen como Anakin Skywalker. É de se admirar que com um ator tão fraco se conseguiu levar em frente essa série. De qualquer forma a saga "Star Wars" seguirá em frente breve, esperamos que com melhores resultados.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Godzilla

Título no Brasil: Godzilla
Título Original: Godzilla
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos, Japão
Estúdio: Warner Bros., Legendary Pictures
Direção: Gareth Edwards
Roteiro: Max Borenstein, Dave Callaham
Elenco: Aaron Taylor-Johnson, Elizabeth Olsen, Bryan Cranston, Ken Watanabe
 
Sinopse:
Um acidente nuclear numa usina japonesa desencadeia uma série de eventos literalmente monstruosos quando uma estranha criatura desperta de seu sono milenar, alimentado pela radiação emitida pela explosão dos reatores. Agora a humanidade precisa lutar para sobreviver a um verdadeiro desastre de proporções épicas! Filme indicado aos prêmios da Teen Choice Awards, Golden Trailer Awards e World Soundtrack Awards.

Comentários:
Se há algo a elogiar nessa segunda tentativa de levar Godzilla para Hollywood foi a opção dos roteiristas em seguir os passos dos filmes originais do monstro no Japão. Assim temos não apenas uma criatura gigantesca destruindo as cidades, mas três deles, sendo dois formando um casal que deseja infestar o planeta com suas crias. Outro fato curioso é a forma como o próprio Godzilla é encarado, não como um destruidor de mundos, mas sim como uma resposta da natureza para manter seu equilíbrio. Isso porém não salva o filme de apresentar muitos problemas, sendo o pior deles justamente aquilo que todos esperavam ser o maior mérito da produção: seus efeitos especiais. As cenas em que Godzilla enfrenta os dois MUTOS são de certa forma bem decepcionantes. No meio de uma fotografia excessivamente escura pouco se vê da luta, atrapalhada ainda mais por um jogo exagerado de sombras e fumaças. De que adianta gastar 160 milhões de dólares em um filme de monstros se o espectador tem que fazer uma força incrível para ver os bichanos? Além disso o design dos inimigos de Godzilla é bem desengonçado e mal feito. O roteiro é dos mais simples e curiosamente o protagonista (interpretado pelo ator Aaron Taylor-Johnson) não faz a menor diferença dentro da trama. O único nome digno de nota no elenco é Bryan Cranston, mas o ator que realizou um maravilhoso trabalho no papel de Walter White na série "Breaking Bad" tem pouco a fazer a não ser se tornar um mero coadjuvante de luxo. Pior se sai Ken Watanabe que passa o filme inteiro com a mesma expressão facial (de boca aberta, espantado com o tamanho do Godzilla). Dessa maneira, com tantos problemas, não há outra conclusão a se chegar pois definitivamente não foi dessa vez que o mais famoso monstro Made in Japan conseguiu um filme à altura em Hollywood.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Godzilla

Título no Brasil: Godzilla
Título Original: Godzilla
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures, Columbia Pictures
Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Dean Devlln, Roland Emmerich
Elenco: Matthew Broderick, Jean Reno, Maria Pitillo, Kevin Dunn

Sinopse:
O cientista Dr. Niko Tatopoulos (Matthew Broderick) precisa lidar com uma nova criatura radioativa completamente desconhecida da ciência até então. Uma espécie de dinossauro monstruoso (muitas vezes maior e mais poderoso do que os dinossauros originais da pré-história) que ameaça a civilização humana. Filme vencedor da categoria de Melhores Efeitos Especiais da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films. Também indicado nas categorias de Melhor Filme - Fantasia e Melhor Direção.

Comentários:
Definitivamente não dá mais para encarar os filmes assinados por Roland Emmerich. Ele faz parte de uma escola (formada ainda por Michael Bay e James Cameron) onde tudo o que parece importar são efeitos especiais de última geração. Não há preocupação em desenvolver nenhum personagem e nem elaborar um roteiro mais decente. Tudo bem que no caso de Godzilla o que se esperava mesmo é ver o gigante monstruoso colocando abaixo uma cidade inteira de papelão, mas convenhamos que por se tratar de um filme americano com orçamento generoso era de se esperar um pouco mais. Outro aspecto complicado de entender é esse elenco. Tanto Matthew Broderick como Jean Reno são atores que precisam de bom material para apresentar um melhor trabalho. Não que eles sejam ruins para um filme como esse, na verdade é justamente o contrário, são bons demais para um script tão raso como o que vemos aqui. Assim o que sobra são apenas os efeitos digitais e nesse aspecto temos que dar o braço a torcer e elogiar. Aliás não apenas as cenas recriadas em computador, mas também os efeitos sonoros, são de fato realmente excelentes. Quando Godzilla adentra a cidade, destruindo prédios inteiros com apenas o rastro de sua cauda ficamos com aquela sensação de que, bem, o dinheiro que pagamos pela entrada de cinema não foi totalmente jogado fora. Mesmo assim por ser uma releitura americana do famoso monstro era de se esperar mais, muito mais. Do jeito que está temos apenas uma primeira e mal sucedida tentativa de trazer a criatura japonesa para os cinemas ocidentais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Ele Não Está Tão a Fim de Você

Título no Brasil: Ele Não Está Tão a Fim de Você
Título Original: He's Just Not That Into You
Ano de Produção: 2009
País: Estados Unidos
Estúdio: New Line Cinema
Direção: Ken Kwapis
Roteiro: Abby Kohn, Marc Silverstein
Elenco: Jennifer Aniston, Jennifer Connelly, Morgan Lily

Sinopse:
Gigi Haim está começando a ficar desesperada pois os anos passaram e ela ainda não encontrou seu príncipe encantado. Seu último relacionamento foi com o agente imobiliário Conor Barry. O problema é que ela ficou esperando por seu telefonema seguinte e nada aconteceu! Ele simplesmente não ligou mais. Sem pensar direito Gigi decide então partir para o tudo ou nada em sua vida amorosa, mas será que isso realmente valerá a pena? Filme indicado aos prêmios People's Choice Awards e Teen Choice Awards.

Comentários:
Comédia romântica bem mediana (estou sendo gentil e generoso, entenda bem) que foi produzida pela atriz Drew Barrymore. Eu certamente não tinha planos de ir conferir esse filme no cinema, mas me recordo que a programação estava tão ruim na ocasião que acabei conferindo na telona (para depois pintar aquele leve sentimento de arrependimento e dinheiro perdido). O problema das comédias românticas americanas é que elas deixaram de surpreender. Como tem um público certo e cativo os roteiristas nem se importam em arriscar muito, apostando cada vez mais em fórmulas já testadas antes (e que hoje em dia soam completamente saturadas). Assim as personagens que vão surgindo na tela são estereótipos e clichês de mulheres: a desesperada que morre de medo de não casar, a gostosona que faz de gato e sapato os homens, a insegura, a romântica e por aí vai. Tudo bem chato e repetitivo.Talvez traga algum interesse para a mulherada, já para os homens será mesmo uma má ideia, afinal comédias românticas já são complicadas de suportar, imagine as sem originalidade ou imaginação.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Zumbi tinha escravos?

Essa é uma pergunta que incomoda, incomoda muito! Na realidade longe da história oficial existe o mundo real, onde os personagens históricos nem sempre foram tão politicamente corretos. Se formos pensar em termos reais o fato é que um homem como Zumbi deixou inúmeras lacunas sobre sua verdadeira identidade. As informações são esparsas, dispersas, pois infelizmente havia poucos negros letrados naqueles tempos e isso causou um problema histórico gigantesco pois eles não escreveram sua própria história. O que temos são registros de pessoas da época que não conviveram dentro de Palmares, tendo que se contentar muitas vezes com a palavra de pessoas que supostamente teriam feito parte do quilombo. O que se pode dizer com uma certeza é que havia escravidão dentro da própria sociedade negra africana. Veja, muitos escravos que eram vendidos no litoral para os traficantes brancos tinham sido capturados por outros negros. Dentro do continente africano valia a lei da força bruta. Uma tribo em busca de riquezas invadia as terras de outra tribo e caso se tornassem vencedores na guerra transformavam todos os membros da aldeia conquistada em escravos. Mulheres, idosos e crianças eram vendidos pelo melhor preço. Em determinado momento o branco europeu não mais adentrava o continente em busca da tão valiosa mão de obra escrava pois grupos negros levavam escravos para os portos e os vendiam aos donos de navios negreiros.

Sim, a verdade histórica é politicamente incorreta. Não há hoje como negar que havia muitos negros no longo elo do tráfico de escravos negros para as Américas. Pois bem, dentro dos quilombos também havia uma sociedade estratificada, onde os poderosos tinham poder de vida e morte sobre os subordinados. Zumbi estava no topo da escala social de seu povo, era um monarca, um rei. E como todo rei negro africano também tinha seus escravos. Olhando sob esse prisma chegamos numa conclusão curiosa: Zumbi ao fundar seu quilombo não tinha em mente destruir o sistema de escravidão reinante na colônia, mas sim deixar de ser um escravo, subir na hierarquia social da sociedade e não acabar com a escravidão, até porque se até ele mesmo tinha escravos porque iria se auto prejudicar em sua propriedade? A visão de abolir a escravidão é um ponto de vista universal, amplo, objetivo. A visão que Zumbi tinha era puramente subjetiva pois o que queria mesmo era deixar de ser escravo de alguém, acima de tudo.

O escravo negro não era considerado uma pessoa do ponto de vista jurídico, mas um bem, uma coisa. E como coisa ele fazia parte do direito de propriedade de seu dono. Se Zumbi tinha escravos obviamente que eles também faziam parte de sua riqueza pessoal. Para ostentar seu domínio dentro do quilombo ele também tinha que ter poder político e poder econômico, e para isso não iria se desfazer de parte de sua propriedade, defendendo uma ideologia que lhe era desconhecida até então. Parece espantoso, mas a verdade pura e simples é que os pensamentos iluministas e abolicionistas não tinham chegado a Zumbi e ao seu povo. Era necessário haver um sistema cultural erudito para isso, entender de filosofia e até mesmo de teologia, algo que escapava para a realidade daquelas pessoas. Assim Zumbi é um símbolo controverso para o movimento negro. Certamente ele representa hoje em dia algo, mas em seu tempo isso era ainda uma abstração que não fazia parte da mentalidade da sociedade quilombola da qual fazia parte.

Pablo Aluísio.

Uma Cilada Para Roger Rabbit

Título no Brasil: Uma Cilada Para Roger Rabbit
Título Original: Who Framed Roger Rabbit
Ano de Produção: 1988
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures, Amblin Entertainment
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Gary K. Wolf, Jeffrey Price
Elenco: Bob Hoskins, Christopher Lloyd, Kathleen Turner, Charles Fleischer, Joanna Cassidy

Sinopse:
Anos 1940. Embora Roger Rabbit (Charles Fleischer) seja um dos grandes astros de seu estúdio de animação, ele não se sente feliz. Ultimamente anda depressivo e triste por causa de seu conturbado relacionamento com Jessica Rabbit (Kathleen Turner). Para contornar toda essa situação o estúdio resolve contratar os serviços de um detetive particular, Eddie Valiant (Bob Hoskins), o que dará origem a inúmeras confusões. Filme vencedor do Oscar nas categorias de Melhores Efeitos Especiais, Melhores Efeitos Sonoros e Melhor Edição.

Comentários:
Hoje em dia pode até ser visto apenas como uma divertida mistura de animação com atores reais, mas o fato é que esse filme foi um marco e tanto em termos de avanços tecnológicos na época. Nunca, em nenhum período histórico do cinema, havia se conseguido chegar em tamanha perfeição técnica, fruto da entrada da tecnologia digital na produção de filmes. Outro fato que chama bastante a atenção foi a união - pela primeira e única vez na história - de praticamente todos os grandes estúdios de animação de Hollywood para a realização de apenas um filme. Todos eles cederam os direitos de seus personagens e assim o espectador é presenteado com uma vasta galeria de personagens da Disney, da Warner, da MGM clássica e tantos outros que desfilam pela tela. A supervisão foi dada ao genial cartunista Richard Williams, o criador da Pantera cor de rosa. A Academia inclusive lhe concedeu um prêmio especial por esse trabalho e pelo conjunto de sua obra que é realmente maravilhosa. Curiosamente o enredo procura explorar uma estória de detetives numa Hollywood dos anos 1940, onde havia charme e glamour em abundância diante das telas e muita decadência e crime por trás delas. Um exemplo perfeito disso pode ser encontrado na personagem de Jessica Rabbit, tão sensual e perigosa como uma mulher fatal dos filmes noir daquela década. A personagem dublada com sensualidade á flor da pele pela atriz Kathleen Turner acabou fazendo mais sucesso que o próprio coelho protagonista. Inicialmente a animação seria dirigida pelo próprio Steven Spielberg, mas no último momento ele resolveu deixar a direção a cargo de seu pupilo Robert Zemeckis. Com ótimo elenco, primazia técnica e um roteiro saborosamente nostálgico, "Who Framed Roger Rabbit" é realmente uma das melhores animações de todos os tempos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O Abutre

Título no Brasil: O Abutre
Título Original: Nightcrawler
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Dan Gilroy
Roteiro: Dan Gilroy
Elenco: Jake Gyllenhaal, Rene Russo, Bill Paxton

Sinopse:
Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) é um ladrãozinho pé de chinelo que vive de roubar cobre pelas ruas de Los Angeles. Casualmente descobre que existe uma forma relativamente mais fácil de ganhar a vida: filmando tragédias, chegando aos locais assim que os sinistros acontecem. Depois de filmar tudo, o material passa a ser negociado com redes de TV que estão dispostas a pagar bem pelas imagens exclusivas dos acontecimentos mais chocantes. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator (Jake Gyllenhaal).

Comentários:
O roteiro de "O Abutre" enfoca a vida de um tipo de sujeito que anda cada vez mais comum nos Estados Unidos: a do cinegrafista freelancer que está sempre em busca das imagens do próximo furo de reportagem dos noticiários televisivos. O título de abutre é bem adequado uma vez que ele literalmente vive da desgraça alheia, aparecendo em momentos trágicos, apenas para captar imagens desses eventos. O personagem interpretado por Jake Gyllenhaal é um ser moralmente repulsivo que não está atrás de posturas éticas ou nada do tipo, pois para ele o importante é filmar tudo in loco, o mais rapidamente possível. Assim seu serviço consiste em capturar o momento exato da morte de alguém, a cena do crime em seus mais sórdidos detalhes. Curiosamente ele é apenas reflexo da avidez por audiência das emissoras de TV, pois para essas o que mais importa é a divulgação da cena mais sangrenta, da mais chocante, tudo para elevar o número de telespectadores. A ética jornalística é jogada para debaixo do tapete em prol de uma concorrência feroz com outros canais de TV. Outro aspecto curioso no personagem principal é que ele passa de um ladrão ordinário a uma fonte importante para uma emissora local, afinal de contas as cenas que filma acabam sendo o grande atrativo para o público. Em determinado momento porém ele chega na conclusão que precisa ir além, não apenas captando a tragédia no momento em que ela ocorre, mas também influindo diretamente sobre ela. Um excelente argumento que levanta muitas questões pertinentes sobre o circo da mídia atual, mostrando que a decadência moral da TV não é fruto ou culpa apenas de um setor envolvido, mas vários, onde Bloom representa apenas o elo mais sórdido e grotesco.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 20 de dezembro de 2014

A Pata do Macaco

Título no Brasil: A Pata do Macaco
Título Original: The Monkey's Paw
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Chiller Films
Direção: Brett Simmons
Roteiro: Macon Blair, W.W. Jacobs
Elenco: C.J. Thomason, Stephen Lang, Michelle Pierce

Sinopse:
Um artefato misterioso e de origem desconhecida, uma pata de macaco empalhada, vai parar nas mãos de Jake Tilton (C.J. Thomason). Afirma a lenda que o estranho objeto dá direito a realização de três desejos de seu dono. Assim Jake, ainda não acreditando, pede um carro novinho em folha, o que acaba dando certo! Depois deseja que seu amigo, que sofreu um sério acidente de carro, não morra. Pedido feito e aceito. O que Jake não desconfia é que todos os desejos possuem um alto preço a se pagar! E agora, fará o terceiro e último desejo?

Comentários:
Há uma crise no cinema de terror. A falta de originalidade se mescla com a ausência de qualidade cinematográfica e tudo o que resta são filme intragáveis. Esse "A Pata do Macaco" é um exemplo dessa mistura indigesta. O enredo é tão batido que nem vale a pena comentar (aliás curiosamente essa coisa de pata de macaco já tinha visto há muitos anos em um programa de suspense - isso mesmo, suspense - produzido pela Rede Globo!). Pois bem, em um argumento desprezível que copia a velha ladainha dos três desejos, um grupo de atores desconhecidos e fracos tentam trazer alguma qualidade a essa fitinha B. Não deu muito certo. É aquele tipo de produção que você faz uma baita força para chegar ao seu final de tão ruim que é! Melhor esquecer a pata, o macaco e todo o resto. Faça algo melhor com o seu tempo. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Um Rosto Sem Passado

Título no Brasil: Um Rosto Sem Passado
Título Original: Johnny Handsome
Ano de Produção: 1989
País: Estados Unidos
Estúdio: Carolco Pictures
Direção: Walter Hill
Roteiro: John Godey, Ken Friedman
Elenco: Mickey Rourke, Ellen Barkin, Elizabeth McGovern, Morgan Freeman, Forest Whitaker, Lance Henriksen

Sinopse:
Johnny Handsome (Mickey Rourke) é um gangster deformado que planeja um assalto com sua quadrilha nos arredores de Los Angeles. Durante a execução do crime porém ele descobre que foi traído por dois de seus comparsas. Preso, é condenado a uma pesada pena. Atrás das grades é escolhido para fazer parte de um inovador programa de reabilitação, onde o Dr. Steven Fischer (Forest Whitaker) resolve reconstruir sua face. Depois finalmente ganha a liberdade das ruas. Com nova aparência e uma nova oportunidade de trabalho tudo caminha para que Johnny finalmente trilhe o caminho de uma nova vida, mas a pura verdade é que a mente de Johnny ainda está consumida pelo desejo de vingança. Filme indicado aos prêmios da Chicago Film Critics Association Awards e Los Angeles Film Critics Association Awards.

Comentários:
Nunca entendi porque "Johnny Handsome" não conseguiu ser um sucesso de bilheteria. Talvez o fato da Carolco estar indo à falência justamente naquele ano explique parte de seu fracasso comercial, mas nem isso resolve inteiramente a equação. Com um elenco simplesmente fantástico (leia a ficha técnica acima para conferir), direção correta e precisa de Walter Hill, outro ícone dos anos 80, o filme tinha tudo para dar certo. Na verdade foi extremamente mal lançado (no Brasil então nem se fala, indo diretamente para o mercado de vídeo VHS), caindo inexoravelmente no esquecimento (quase) completo. Uma injustiça pois ainda o considero um pequeno cult movie daquela década. Estrelado pelo mito Mickey Rourke, o filme explorava um personagem que passava por uma radical mudança em seu rosto - algo que me lembrou imediatamente de "O Segundo Rosto", aquele clássico injustiçado com Rock Hudson. Some-se a isso o fato do roteiro ter um paralelo com eventos pessoais da própria vida de Mickey Rourke na época, o que supostamente aumentaria o interesse pela fita. Foi justamente por aqui que todos começaram a perceber estranhas mudanças em sua fisionomia causadas por cirurgias plásticas desastrosas. De galã underground ele passou a ter um semblante esquisito, com bochechas de silicone! Uma mudança que veio para pior. Tudo isso porém não ajudou o filme em praticamente nada. Entre as atrizes destaco o furacão sensual Ellen Barkin, cuja química em cena curiosamente não funcionou muito bem com Rourke. Elizabeth McGovern, uma das estrelas jovens mais bonitas daqueles anos também está no filme. Ela inclusive vem em um momento muito bom na carreira, fazendo sucesso na série "Downton Abbey" onde interpreta a Condessa de Grantham, Cora Crawley. Assim no final de tudo temos que dar o braço a torcer. "Johnny Handsome", infelizmente, é aquele tipo de filme de que você sempre gostou, mas que jamais aconteceu, caindo nas sombras do esquecimento após todos esses anos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Um Verão Para Toda Vida

Título no Brasil: Um Verão Para Toda Vida
Título Original: December Boys
Ano de Produção: 2007
País: Austrália
Estúdio: Australian Film Finance Corporation (AFFC)
Direção: Rod Hardy
Roteiro: Ronald Kinnoch
Elenco: Daniel Radcliffe, Teresa Palmer, Lee Cormie

Sinopse:
O filme é baseado no romance de Michael Noonan e mostra a vida de quatro órfãos que deixam o seu orfanato para desfrutar férias à beira-mar. Um boato sobre dois dos residentes da região, que possivelmente gostariam de adotar um dos órfãos provoca tensão e ansiedade entre eles. Filme vencedor do prêmio Australian Writers' Guild na categoria de Melhor Roteiro Adaptado. Também vencedor do Giffoni Film Festival na categoria de Melhor Filme.

Comentários:
Uma das situações mais complicadas na vida de um ator marcado por um personagem muito famoso é um dia se livrar dele. Que o diga Christopher Reeve que, apesar de ser extremamente talentoso, jamais se livrou do estigma de ter interpretado o Superman em quatro filmes no cinema. Desafio semelhante passa Daniel Radcliffe que vai sofrer ainda por muitos anos para se desvencilhar do personagem Harry Potter. Uma tentativa aconteceu com essa pequena produção australiana. Entre os filmes "Harry Potter e a Ordem da Fênix" e "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" o ator aceitou o convite de dar vida a um rapaz comum, vivendo e passando por experiências de amizade e amor em sua adolescência. É um filme despretensioso mesmo, sem qualquer objetivo além de contar uma boa estória que se tornará familiar para muita gente, pois é baseado em eventos simples, cotidianos, que podem acontecer (ou aconteceram) na vida de qualquer jovem daquela idade. A produção foi rodada nas belas praias e paisagens de Adelaide, então não é nenhum esforço assistir ao filme. Provavelmente você esquecerá dele poucas semanas após ter assistido, mas mesmo assim vale a diversão de ver Radcliffe tentando se desgarrar um pouquinho de seu mais marcante personagem, o bruxinho Harry Potter.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Harry Potter e a Ordem da Fênix

Título no Brasil: Harry Potter e a Ordem da Fênix
Título Original: Harry Potter and the Order of the Phoenix
Ano de Produção: 2007
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Warner Bros
Direção: David Yates
Roteiro: Michael Goldenberg, baseado na obra de J.K. Rowling
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Gary Oldman, Maggie Smith, Emma Thompson, Alan Rickman, Imelda Staunton, Helena Bonham Carter, Robert Pattinson
  
Sinopse:
A Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts tem uma nova professora, a senhorita Dolores Umbridge (Imelda Staunton). Por fora ela aparenta ser um doce de pessoa, muito amável e agradável, porém sua chegada em Hogwarts tem um objetivo obscuro e sinistro que fica devidamente escondido nas sombras. Assim que começa a ter cada vez mais poderes dados pelo ministério da Magia, ela começa a apertar o cerco contra os alunos e professores, promovendo uma série de medidas impopulares e sem muito sentido. Teria ela alguma ligação com o temido Lord Voldemort (Ralph Fiennes)? Filme indicado ao BAFTA Awards na categorias de Melhor Direção de Arte e Melhores Efeitos Especiais.

Comentários:
Eu considero um dos melhores filmes da franquia de Harry Potter no cinema. Isso em razão do bom roteiro, que procura apostar no suspense ao invés de focar apenas na mera aventura. Há um clima de tensão na escola, afinal as coisas andam bem esquisitas por lá. Obviamente que Harry, Hermione e Ron logo descobrem que se trata de um plano maquiávelico para deixar os alunos indefesos no caso de um ataque contra Hogwarts. Eles então decidem aprender as técnicas de magia e bruxaria por si mesmos. Arranjam um salão na escola e vão para lá todos os dias treinar feitiços e magias de combate pois ao que tudo indica há um perigo concreto de que haverá em breve um ataque de Lord Voldemort (Ralph Fiennes) contra Hogwarts. E para surpresa de todos não parece haver ninguém capaz de parar os desmandos de  Dolores Umbridge (Staunton) que começa a perseguir professores e alunos que não concordam com seu modo de agir. Até mesmo Dumbledore parece se omitir na série de absurdos que vão sendo cometidos sob a direção de Umbridge. Harry Potter (Radcliffe) acaba descobrindo na própria pele que há mesmo algo muito soturno no ar. Esse foi o primeiro filme de "Harry Potter" dirigido pelo cineasta inglês David Yates que agradaria tanto aos executivos da Warner que voltaria dois anos depois para dirigir "Harry Potter e o Enigma do Príncipe", encerrando com chave de ouro a passagem de Potter nas telas com os dois filmes da saga "Harry Potter e as Relíquias da Morte". Com estilo sóbrio, sem procurar impor sua própria marca autoral em cima de uma obra amada por muitos, o diretor acabou agradando tanto a crítica como ao público, se revelando o profissional ideal para encerrar uma das franquias de maior sucesso comercial da história do cinema. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Antes de Dormir

Título no Brasil: Antes de Dormir
Título Original: Before I Go to Sleep
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Scott Free Productions, Millennium Films
Direção: Rowan Joffe
Roteiro: Rowan Joffe, baseado na novela de S.J. Watson
Elenco: Nicole Kidman, Colin Firth, Mark Strong, Anne-Marie Duff

Sinopse:
Após sofrer um sério acidente, Christine (Nicole Kidman) perde a capacidade de reter memórias recentes. Isso faz com que ela toda manhã acorde sem saber nada sobre o que aconteceu em sua vida nos últimos vinte anos. Seu marido Ben (Colin Firth) precisa todas as manhãs lhe dizer que está casado com ela há 14 anos e que ele tem esse problema sério causado pelas sequelas do acidente. O Dr. Nasch (Mark Strong), um neurologista que cuida de seu caso, aconselha que Christine use uma câmera todos os dias para gravar suas impressões e memórias, para serem assistidas dia após dia. Em pouco tempo ela descobre que há algo muito errado em sua vida.

Comentários:
Temos aqui um thriller de suspense muito enxuto (com apenas 70 minutos de duração) que tenta contar uma estória muito interessante e curiosa sobre uma mulher que perdeu a capacidade de lembrar do que aconteceu recentemente em sua vida. Tudo o que ela consegue relembrar são flashes de momentos marcantes de sua vida passada. Esse é aquele tipo de roteiro que você deve falar o mínimo possível com receios de estragar as surpresas para quem ainda não conferiu o filme. A grande força do enredo vem justamente de uma grande reviravolta que acontece na terça parte final do filme. Alguns matarão a charada logo, outros porém vão ser surpreendidos. O fato porém é que mesmo com a boa trama e talvez pela curta duração do filme, o espectador acaba ficando com uma sensação de que faltou algo. Nicole Kidman continua linda, mas esperava-se mais de seu encontro com o talentoso e oscarizado Colin Firth. O filme basicamente só tem cinco personagens, por isso cada cena com os dois acaba trazendo uma expectativa que nunca se cumpre completamente. Esse é apenas o quarto filme assinado pelo roteirista Rowan Joffe (de "Um Homem Misterioso") e essa falta de experiência em dirigir atores explica o fato dele, apesar de ter um excelente elenco em mãos, não conseguir arrancar grandes interpretações nem de Kidman e nem de Firth. A sensação fria que fica deixa uma incômoda percepção que tudo poderia ser melhor trabalhado e desenvolvido, resultando talvez em um grande filme. Do jeito que está, temos apenas uma película ok, mediana, que se tornará bastante esquecível após sua exibição. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 14 de dezembro de 2014

O Amante da Rainha

Título no Brasil: O Amante da Rainha
Título Original: En Kongelig Affære
Ano de Produção: 2012
País: Dinamarca, Suécia, República Tcheca
Estúdio: Zentropa Entertainments, Danmarks Radio
Direção: Nikolaj Arcel
Roteiro: Bodil Steensen-Leth, Rasmus Heisterberg
Elenco: Alicia Vikander, Mads Mikkelsen, Mikkel Boe Følsgaard, Trine Dyrholm

Sinopse:
Caroline Mathilde (Alicia Vikander) é uma jovem nobre inglesa que é prometida em casamento ao Rei da Dinamarca. Inicialmente ela teme por seu futuro, pois não acredita em casamentos arranjados. Por pressão da família e da sociedade porém acaba aceitando seu destino. Uma vez na nova nação ela é finalmente apresentada ao monarca, um rapaz imaturo e inconsequente, que demonstra um comportamento estranho e fora do comum. Não demora muito e ela toma conhecimento dos boatos que envolvem Christian VIII (Mikkel Boe Følsgaard), pois correm rumores na corte e entre o povo que ele está na verdade ficando louco. Infeliz em seu relacionamento fracassado, ela então decide arranjar um amante, o próprio médico particular do monarca, o Dr. Johann Friedrich Struensee (Mads Mikkelsen).

Comentários:
"O Amante da Rainha" é uma produção dinamarquesa que concorreu ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Uma película requintada e muito bem realizada que conta a história real de um monarca jovem e despreparado, apresentando sinais de loucura, que assumiu o trono daquele país após a morte de seu pai. A sua rainha, uma garota inglesa que o desprezava por causa de suas atitudes infantis e constrangedoras, não demora muito ao se apaixonar pelo médico Johann Struensee (Mikkelsen), um homem culto com ideias iluministas que inicialmente cai nas graças do Rei, para depois dividir o leito da Rainha em seu próprio palácio. O contexto histórico é dos mais interessantes pois naquele momento a Europa via suas monarquias absolutistas perderem o controle, surgindo então as monarquias constitucionais e os regimes liberais, frutos de uma visão iluminista da política, onde se destacavam os pensamentos racionais em torno do poder de cada Estado, em que autores e filósofos importantes como Rousseau e Voltaire mostravam as contradições dos sistemas políticos reinantes. O Dr. Struensee era um ávido leitor dessas obras e a Rainha, bem mais culta e instruída que seu tolo marido, logo criou um vínculo emocional e intelectual com ele. Com um Rei fraco e dominado, mais interessado em frequentar bórdeis e se embriagar, não foi complicado para que, aos poucos, o verdadeiro poder fosse passado para as mãos de Struensee, que passou a reinar de fato, ao mesmo tempo em que desfrutava dos favores sexuais da Rainha. Claro que uma situação tão escandalosa como essa logo caiu na boca do povo, da nobreza e do clero, surgindo desse sentimento de indignação um grupo de oposição decidido a acabar com essa situação vergonhosa do ponto de vista moral. Em termos de produção em si não há o que criticar. O filme foi rodado nos mesmos palácios onde tudo aconteceu, o figurino é rico e elegante e os atores estão perfeitos em seus personagens. Entre eles destaco Mads Mikkelsen como o Dr. Struensee. Um homem com boas intenções, porém ambicioso e maquiavélico ao extremo. Para o grande público será logo reconhecido por seu trabalho na série "Hannibal" onde interpreta com classe o famoso serial killer Dr. Hannibal Lecter. Ambos os personagens possuem aspectos em comum e Mikkelsen mantém o mesmo modo de ser, com muita elegância e charme em cada cena. Assim esse filme servirá como incentivo para o cinéfilo conhecer melhor o cinema que está sendo feito nos chamados países nórdicos europeus. Não é de hoje que temos uma qualidade cinematográfica excepcional vindo dessas distantes e frias nações. É certamente muito enriquecedor do ponto de vista cultural conhecer obras como essa.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Sete Dias Sem Fim

Título no Brasil: Sete Dias Sem Fim
Título Original: This Is Where I Leave You
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Shawn Levy
Roteiro: Jonathan Tropper
Elenco: Jason Bateman, Tina Fey, Jane Fonda, Rose Byrne, Timothy Olyphant, Connie Britton

Sinopse:
Judd Altman (Jason Bateman) acredita estar vivendo um dos momentos mais felizes de sua vida. Ele trabalha no que gosta, numa estação de rádio de sucesso, e tem um casamento feliz e duradouro. E é justamente no dia de aniversário de seu matrimônio que ele decide chegar mais cedo em seu apartamento para fazer uma surpresa para sua querida esposa. O que ele encontra porém é sua própria mulher transando com seu chefe do trabalho! De repente tudo o que ele considerava perfeito em sua vida desmorona em questão de segundos. Como se isso não fosse horrível o suficiente, seu pai morre e ele tem que lidar novamente com sua família formada por pessoas bem complicadas de se conviver. 

Comentários:
O roteiro de "Sete Dias Sem Fim" se baseia em grande parte numa antiga tradição da religião judaica em que a família de um ente querido recentemente falecido precisa guardar sete dias de luto, onde todos os seus familiares devem conviver sob um mesmo teto durante esse período de tempo. Na teoria seria uma forma de relembrar os bons momentos do passado e entrar em reflexão sobre a própria existência e sua aproximação com Deus em uma hora triste, de perda. Nem precisa dizer que a família Altman do filme é bem disfuncional e que essa convivência por uma semana irá despertar não um sentimento religioso e reflexivo, mas velhas histórias e traumas entre todos os familiares, como aliás acontece com todas as famílias do mundo, diga-se de passagem. O roteiro é muito bom, desenvolvendo todos os personagens da melhor maneira possível. Assim temos a matriarca interpretada por Jane Fonda. Ela é uma mulher bem resolvida que inclusive se revela mais liberal do que seus próprios filhos. Depois da morte do marido resolve assumir um aspecto escondido de sua vida pessoal que vai causar imensa surpresa em todos. Tina Fey também se destaca como a irmã que não consegue ser muito feliz em seu casamento pois o tempo deixou marcas de indiferença em seu relacionamento com o marido. De uma forma ou outra o roteiro se concentra mesmo na vida conturbada de Judd Altman (Jason Bateman). Ele é aquele típico cara que nunca teve coragem de assumir algum risco maior em sua vida, andando sempre na linha, pensando que agindo assim teria controle absoluto sobre ela. Quando seu casamento desmorona e ele fica desempregado da noite para o dia, acaba reencontrado por acaso com Penny Moore (Rose Byrne) que ele conhece desde a juventude. Ela sempre foi apaixonada perdidamente por ele, dando razão ao velho ditado que afirma ser inesquecível o primeiro amor de nossas vidas. Agora que Judd está à beira do divórcio ela pensa ter chegado finalmente sua grande chance de realizar aquele romance que ela idealizou por tantos anos. A trilha sonora da aproximação de ambos acaba sendo, imagine você, um velho sucesso da cantora Cyndi Lauper! (os saudosistas dos anos 80 vão sentir um aperto no peito!). Enfim, um bom drama, com pequenas nuances de humor negro que vai levar muita gente a pensar sobre a vida. Até porque o Maine não é tão distante como muitos pensam! (Quem assistir entenderá do que estamos escrevendo).

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

10 Erros Sobre a Guerra Civil Americana

1. A Guerra foi causada pelo fim da escravidão
Muitas pessoas pensam que a Guerra Civil foi causada pelo fim da escravidão. Os estados do Sul não aceitaram a abolição e por isso entraram em guerra. Na verdade a abolição se deu no transcorrer da guerra. Lincoln até mesmo sugeriu que os estados sulistas mantivessem seus escravos e caso fossem libertos a União pagaria aos fazendeiros por seu prejuízo.

2. Lincoln acreditava na igualdade entre brancos e negros
Em um discurso o presidente Lincoln falou com todas as palavras que negros eram inferiores a brancos e que por isso não podiam votar, nem exercer cargos públicos ocupados por homens brancos. Só quando a guerra civil chegou ao seu auge, com radicalismo de posições foi que o presidente americano finalmente cedeu e mudou de opinião.

3. A União tinha melhores generais que a Confederação
Basta consultar os números. Em geral morriam mais soldados da União do que confederados nas batalhas. No geral a União venceu realmente a guerra por ter mais poderio econômico e mais homens, armamentos e indústrias de armas.

4. Robert Lee acreditava piamente na causa confederada
Na verdade o General Lee sabia que os confederados perderiam a guerra desde o começo. Ele só foi para as fileiras do exército rebelde em nome de seu amor por seu estado natal. Chegando no sul encontrou um exército com muitos problemas em termos de equipamentos e material humano. Ele jamais chamou os ianques de inimigos, pois os considerava irmãos e compatriotas. Lee costumava se referir ao exército da União como "aquela gente".

5. O General Grant era um gênio militar
De todos os generais da União, Ulysses Grant foi o mais celebrado após o fim da guerra civil. Considerado um medíocre em West Point, a academia militar onde se formou, ele acabou se destacando durante o conflito por ser ousado e procurar pelo confronto direto. Lincoln se irritava geralmente com seus outros generais pois eles eram vacilantes e lentos. Grant ia para o campo aberto. Certa vez o presidente se referiu a ele da seguinte maneira: "Não posso me desfazer desse homem! Ele luta!". Depois da guerra Grant seria eleito presidente dos Estados Unidos.

6. Todos os sulistas queriam a guerra
Um erro geralmente repetido afirma que todo o povo do Sul queria a separação da União. Uma mentira. Muitos setores importantes dentro dos estados sulistas queriam continuar dentro da União. A decisão de se separar do norte foi tomada pelas casas legislativas de cada estado, sem maior participação popular.

7. Os ianques se comportaram como heróis
Na verdade as tropas da União muitas vezes agiram com extrema brutalidade contra a população civil. O general Sherman era particularmente conhecido por seus atos abusivos. Em determinado momento determinou aos seus homens que agissem em relação às mulheres do sul como se estivessem na presença de prostitutas. Nem é preciso dizer que isso causou um número alarmante de estupros nas cidades conquistadas pelos ianques do norte.

8. A Inglaterra queria a vitória da Confederação
Outro fato não verdadeiro que ganhou a chancela de muitos historiadores. Na verdade a Inglaterra procurou se manter neutra na maior parte do tempo. A confederação tentou o reconhecimento da Inglaterra em prol de sua causa, reconhecendo internacionalmente as novas nações rebeldes, mas isso jamais ocorreu de fato.

9. Os sulistas lutaram por ideologia na guerra
Um fato pouco comentado é que o governo confederado impôs por decreto o alistamento militar obrigatório para todos os homens do sul dos 17 aos 60 anos. Assim muitos soldados confederados lutaram não por acreditarem na causa, mas simplesmente porque eram obrigados pela lei.

10. Lincoln foi assassinado por um complô do governo confederado
Nada foi provado até hoje. Na realidade, assim como aconteceu com JFK, a morte desse presidente parece ter sido causada por um ato isolado de poucos indivíduos, fanáticos sulistas que quiseram se vingar da derrota na guerra, matando o presidente enquanto ele assistia a uma peça de teatro.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Ender's Game - O Jogo do Exterminador

Título no Brasil: Ender's Game - O Jogo do Exterminador
Título Original: Ender's Game
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Summit Entertainment
Direção: Gavin Hood
Roteiro: Gavin Hood, Orson Scott Card
Elenco: Harrison Ford, Asa Butterfield, Ben Kingsley, Viola Davis, Hailee Steinfeld

Sinopse:
Cinquenta anos após uma devastadora invasão alienígena o planeta Terra se prepara para uma nova guerra. Ender Wiggin (Asa Butterfield) é um jovem enviado para uma das centenas de escolas de combate existentes ao redor do mundo. O Coronel Graff (Harrison Ford) acredita que ele se tornará um dos novos heróis do conflito que está prestes a explodir. Inteligente e dotado de um senso de estratégia fora do comum, o rapaz parece realmente possuir todos os dons que fazem um grande guerreiro espacial. Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films nas categorias de Melhor Filme de Ficção, Melhor Ator Coadjuvante (Harrison Ford) e Melhor Revelação (Asa Butterfield).

Comentários:
Já não se fazem mais bons filmes de ficção como antigamente. Essa é a primeira coisa que vem a mente após uma sessão assistindo a essa fita. "Ender's Game" tem um público alvo bem específico: os adolescentes entre 13 a 15 anos. O próprio protagonista é um efebo mal saído da puberdade. Claro que para contrabalancear sua falta de experiência o estúdio resolveu escalar dois veteranos, Harrison Ford e Ben Kingsley, mas nem eles conseguem manter o interesse nesse enredo por muito tempo. Por falar na estória temos aqui uma mistura não muito original de vários filmes que você já viu antes. De "Tropas Estelares" temos a mesma situação básica: o planeta Terra sendo invadido por aliens que mais se parecem com insetos gigantes. Sim, eles também estão atrás de nossos recursos naturais. De "Jogos Vorazes" você verá um grupo de jovens lutando entre si jogos mortais de guerra, para enfrentar o maior desafio de suas vidas. Por fim o roteiro tem também um pouco de "Harry Potter" pois o protagonista vai para uma escola de combatentes e lá acaba se afeiçoando por uma outra aluna. E claro, há os bonzinhos e malvados entre os estudantes. Não consegui ver nada de muito original nessa produção. O único ponto a realmente elogiar são os bem realizados efeitos especiais, em especial as sequências em um grande centro de treinamento no espaço. Agora, complicado mesmo é engolir o fato de que um mero adolescente, recém saído da academia de guerra, será o verdadeiro salvador de nossa civilização. O roteiro não consegue explicar direito isso, dando explicações bem vazias e sem sentido. O que fica óbvio desde o começo é que os roteiristas forçaram completamente a barra para existir uma identificação direta entre o público adolescente que vai ao cinema e o protagonista do filme. O desfecho da estória também é de um pieguismo sem igual, uma coisa completamente politicamente correta que vai deixar muita gente de estômago virado, tamanha a tolice de sua supostamente importante mensagem! No final das contas é apenas uma diversão ligeira, cheia de efeitos especiais e aborrescentes desconhecidos do grande público. Nada original e com muita pieguice ecológica! Passa longe de ser um grande filme de ficção e muito provavelmente será esquecido em pouco tempo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Até o Fim

Título no Brasil: Até o Fim
Título Original: All Is Lost
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: J.C. Chandor
Roteiro: J.C. Chandor
Elenco:  Robert Redford

Sinopse:
Robert Redford interpreta um viajante solitário em seu veleiro que subitamente descobre que sua pequena e frágil embarcação colidiu com um container perdido no oceano. O impacto abre uma fenda no casco do navio, dando início a uma sequência de eventos imprevistos e fora de controle. Seus equipamentos eletrônicos também sofrem perda total por causa da água do mar que danifica todos as máquinas. Tentando administrar cada problema que vai surgindo o navegador tenta contar com a sorte e o destino para sobreviver na imensidão selvagem do mar. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Edição de Som. Vencedor do Globo de Ouro na categoria Melhor Trilha Sonora. Também indicado ao mesmo prêmio na categoria de Melhor Ator (Robert Redford).

Comentários:
Finalmente um filme que podemos exclamar ao fim de sua exibição: "Que filmaço!". Muitas vezes em se tratando de cinema as mais simples ideias acabam gerando os melhores filmes. É justamente o caso dessa produção. Praticamente sem diálogo algum - apenas algumas frases em off no começo da narração - o roteiro se sustenta todo em situações aflitivas pelas quais passa o personagem interpretado por Robert Redford, que por sua vez também não é identificado para o espectador. Creditado apenas como "The Man" (o Homem), ele tentará sobreviver a uma série de imprevistos que lhe acontecem em alto mar após seu pequeno veleiro bater em um container abandonado bem no meio do oceano sem fim. A partir daí é uma sucessão de azares, imprevistos e situações que vão enervando cada vez mais o público, embora o navegador tente a todo custo manter o equilibrio emocional (essencial nessas horas de tormentas). Redford, mais uma vez, mostra porque sempre foi considerado um dos maiores atores da história de Hollywood. Na maioria das cenas ele conta apenas consigo mesmo, tentando passar suas emoções apenas com gestos, olhares e ações. Nunca em toda sua filmografia ele teve um papel tão físico como esse. Assista e entenda como o ser humano consegue sobreviver mesmo nos mais complicados momentos de superação. O título original em inglês que significa "Tudo está perdido" faz mais sentido do que a vã tradução da distribuidora nacional. Isso porque a sensação de que efetivamente tudo estaria perdido vai aumentando a cada nova situação imprevisível. O fim em si não é a grande carta na manga desse roteiro - embora também seja maravilhosamente lírico, com lindas imagens - mas sim seu desenrolar, mostrando que defintivamente a esperança é a última que morre.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Um Dia de Cão

Título no Brasil: Um Dia de Cão
Título Original: Dog Day Afternoon
Ano de Produção: 1975
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Sidney Lumet
Roteiro: Frank Pierson, P.F. Kluge
Elenco: Al Pacino, John Cazale, Penelope Allen, Charles Durning, Chris Sarandon
 
Sinopse:
Baseado em fatos reais, o filme mostra um momento decisivo na vida do criminoso Sonny (Al Pacino). Desesperado em arranjar dinheiro para que seu amante seja submetido a uma cara operação de mudança de sexo, ele resolve entrar em um banco no Brooklyn para um assalto. Para seu completo azar ele descobre duas coisas estarrecedoras: primeiro que a agência não tem mais todo o dinheiro que ele pensava, pois grande parte dos valores havia sido transportado momentos antes dele entrar no banco e segundo, que o prédio está completamente cercado pela polícia de Manhattan. Sem alternativas ele decide fazer parte dos funcionários e clientes do banco de reféns, criando uma situação de extrema tensão no local. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator (Al Pacino), Melhor Ator Coadjuvante (Chris Sarandon), Melhor Edição e Melhor Direção. Vencedor do Oscar na categoria de Melhor Roteiro Original. Filme vencedor do BAFTA Awards na categoria de Melhor Ator (Al Pacino).

Comentários:
Esse é um dos filmes mais representativos do realismo que imperou no cinema americano durante a década de 1970. As produções não se contentavam mais apenas em contar uma história divertida e sem maiores preocupações com a realidade em que todos viviam. Pelo contrário, naqueles anos tivemos uma verdadeira explosão de talento e novas propostas encabeçadas por um grupo maravilhoso de cineastas que tinham dois objetivos principais a alcançar com suas obras: mostrar a realidade nua e crua das ruas e com isso provar teses sociais que mostravam que muitas vezes o homem era fruto do meio em que vivia. Sidney Lumet aqui realizou o filme que se encaixa perfeitamente nessas características. Para muitos "Dog Day Afternoon" foi sua mais completa obra prima. O diretor teve a sorte não apenas de contar com um grande roteiro, mas também com um excelente ator, em pleno auge criativo, dando vazão a todo o seu talento, o  inigualável Al Pacino. Todos sabem que Pacino sempre foi um profissional que se entregou de corpo e alma aos seus personagens, porém em poucos momentos de sua carreira vimos ele mergulhar tão visceralmente em um pepel como aqui. Como o roteiro é repleto de tensão e suspense, mostrou-se um veículo perfeito para que Pacino desfilasse na tela toda a complexidade de seu trabalho, explorando um vasto leque de emoções à flor da pele. Sua atuação marcou tanto que inclusive recentemente Pacino lembrou dessa produção ao enumerar aquelas atuações que ele considerava suas verdadeiras obras primas no cinema. Realmente um momento para se rever sempre que possível. "Um Dia de Cão" é visceral, realista e perturbador. Uma aula de sétima arte que não se vê mais hoje em dia.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Filadélfia 1993

Título no Brasil: Filadélfia
Título Original: Philadelphia
Ano de Produção: 1993
País: Estados Unidos
Estúdio: TriStar Pictures
Direção: Jonathan Demme
Roteiro: Ron Nyswaner
Elenco: Tom Hanks, Denzel Washington, Roberta Maxwell

Sinopse:
Andrew Beckett (Tom Hanks) é um advogado demitido de sua firma de advocacia após se tornar portador do vírus da AIDS. Consciente que foi vítima de preconceito, ele resolve entrar na justiça para ter todos os seus direitos preservados e respeitados. Para isso contrata os serviços de um advogado negro, Joe Miller (Denzel Washington). A luta nos tribunais americanos se tornará o último grande desafio de sua vida. Filme vencedor dos Oscars de Melhor Ator (Tom Hanks) e Melhor Canção Original ("Streets of Philadelphia" de Bruce Springsteen).

Comentários:
A primeira geração de infectados com o vírus da AIDS sofreu um drama terrível. Ao receberem o diagnóstico da doença também recebiam indiretamente uma sentença de morte, isso porque não havia ainda qualquer tipo de droga capaz de deter o vírus no organismo. Esse filme acabou se tornando assim o mais representativo desse momento histórico, mostrando a tragédia que se abatia sobre a vida dessas pessoas, tudo ocorrendo praticamente da noite para o dia. O roteiro também é muito bem escrito por mostrar o outro lado da doença, talvez o mais grave, caracterizado no preconceito e no estigma que os doentes tinham que enfrentar, como no caso do personagem interpretado por Tom Hanks. Por falar nele o ator merece de fato todos os aplausos por sua atuação. A começar pelo fato de ter sido uma mudança e tanto nos rumos de sua carreira. Imagine um astro de comédias descompromissadas de repente ter que enfrentar uma carga dramática nesse nível! Ele não só superou essa barreira como demonstrou que tinha grande talento para dramas e filmes sérios. Enfim, "Philadelphia" é realmente um marco do cinema, valorizado ainda mais pela bela trilha sonora assinada pelo mito do rock Bruce Springsteen. Se você é cinéfilo e curte cinema essa é uma obra imperdível.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

101 Dálmatas

Título no Brasil: 101 Dálmatas
Título Original: 101 Dalmatians
Ano de Produção: 1996
País: Estados Unidos
Estúdio: Walt Disney Pictures
Direção: Stephen Herek
Roteiro: Dodie Smith, John Hughes
Elenco: Glenn Close, Jeff Daniels, Joely Richardson

Sinopse:
Cruella De Vil (Glenn Close) é uma grã-fina completamente desalmada e cruel. Ela quer sempre os melhores vestidos, de acordo com a moda. Apaixonada por casacos de pele ela agora deseja fazer uma nova peça, completamente única e fashion, só que feita exclusivamente com peles dos cãezinhos dálmatas. Caberá a um simpático casal salvar os bichinhos do cruel destino que Cruella deseja. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria Melhor Atriz em comédias - musicais (Glenn Close).

Comentários:
Adaptação para atores em carne e osso do grande sucesso de animação da Disney "101 Dalmatians". Eu gosto de dizer que essa estorinha é completamente à prova de falhas. O livro infantil original foi escrito pela inglesa  Dorothy Gladys Smith (1896 - 1990) que tinha verdadeira paixão por sua criação de cães da raça Dálmata! A obra original foi escrita ainda nos anos 1950 e assim que foi publicada virou um sucesso imediato. Por ser tão britânico considero tudo muito charmoso, tanto o desenho da Disney que foi lançado em 1961, quanto essa nova versão no estilo live action. Obviamente que o grande diferencial vem novamente na presença maravilhosa de Glenn Close como a vilã Cruella De Vil. Close poderia cair na armadilha de fazer um trabalho caricatural, bem de desenho animado, o que não seria completamente inadequado, mas com inteligência foi por outro caminho. Desnecessário dizer que adorei seu tom, nem muito exagerado e nem muito menos minimalista. Ficou no tom certo, tudo bem equilibrado. Como filme em si não há o que reclamar. Já fora das telas o filme teve um efeito inesperado. Com o sucesso, muitos pais tiveram que comprar animais da raça dálmatas para seus filhos. O problema é que esse é um animal que exige cuidados especiais, por causa de seu temperamento e características próprias da raça. Sem saber lidar direito com os cães muitos foram abandonados, virando animais de rua. Uma pena realmente. De qualquer maneira não é culpa do filme em si, que é de fato uma diversão garantida para todas as idades.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.