domingo, 29 de dezembro de 2013

Smile - Charles Chaplin

Smile
Charles Chaplin

Smile, though your heart is aching
Smile, even though it's breaking
When there are clouds in the sky
You'll get by...
If you smile
With your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You'll see the sun come shining through, for you
Light up your face with gladness
Hide every trace of sadness
Although a tear may be ever so near
That's the time you must keep on trying
Smile, what's the use of crying?
You'll find that life is still worthwhile
If you'll just smile
That's the time you must keep on trying
Smile, what's the use of crying?
You'll find that life is still worthwhile
If you'll just smile.

E assim, com essas maravilhosas palavras do gênio Charles Chaplin, encerramos as atividades em nossos blogs nesse ano de 2013. Esperamos que tenham gostado dos textos que foram publicados ao longo do ano. Desejo a todos um ótimo ano novo, com muita paz, felicidade e realizações.

Até 2014...
Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - American Crown Jewels Parte 6

11. THE POWER OF MY LOVE (take 1): A próxima música do cd, por ordem de gravação deveria ser And The Grass Won´t Pay No Mind, porém, a Bilko decidiu pular para o dia seguinte de gravação, quando a sessão iniciou com uma das melhores músicas da carreira de Elvis: o blues-rock The Power of My Love. Giant, Baum e Kaye ficaram conhecidos por algumas das piores músicas de Elvis da década de 60, porém, mostrando que eram melhores escritores do que todos imaginavam, eles fizeram essa belezura que combina todo o jeitão macho de Elvis ao cantar, uma pegada de blues pesada, uma certa agressividade e virilidade poucas vezes vistas e a American Band detonando mais uma vez. Felton Jarvis, nos overdubbs botou back vocals muito bons e uma gaita espetacular que só incrementaram o que já era perfeito. Considerada por muitos críticos uma das melhores do álbum From Elvis in Memphis, The Power of My Love deveria ter sido lançada como um single, fato que nunca ocorreu. E como uma crítica americana disse, o título da música deveria ser alterado para The Power Of My VOICE, pois a voz de Elvis aqui está uma perfeição, forte, agressiva e maliciosa. Uma mistura perfeita! O take aqui apresentado é o primeiro, e a guitarra recebe mais destaque no fim da música que, no master, que recebeu fade e, abafado pela orquestra, quase não foi escutado. Mais uma das preciosidades de Elvis em 69!

12. AFTER LOVING YOU (take 3): Além das canções trazidas pelo pessoal da Hill and Range e das músicas de Chip Momam, as sessões foram compostas de material trazido pelo próprio Elvis, músicas que ele conhecia há muito tempo e que ele tocava informalmente para amigos em momentos de lazer. Podemos inclusive ouvir uma versão dessa aqui com Elvis ao piano em Graceland em 66 que foi lançada no cd The Home Recordings. After Loving You foi uma dessas músicas. Apesar de ter sido um hit para Eddie Arnold em 1962, é a versão de Della Reese de 1965 que Elvis tem em mente, quando da hora de gravar. Nos dois primeiros takes Elvis toca piano e, não satisfeito com o resultado, passa a introdução para Reggie Young que faz um riff pesado de guitarra, que junto com a bateria de Gene Chrisman transformam a música em um blues carregado, com o tempo dobrado. Com uma letra exaltando uma mulher, After Loving You é outro “momento Elvis” da sessão. O Take apresentado aqui é o take 3, muito parecido com o master. Foi uma das músicas menos mexidas por Felton, que pouco teve que acrescentar overdubbs. Outro grande momento do disco.

13. AND THE GRASS WON´T PAY NO MIND (take 6): Já passamos da metade do cd e até aqui, com exceção de From a Jack to a King, o cd é simplesmente perfeito, com uma mistura de clássicos e surpresas agradáveis. Essas surpresas se dividem naquelas músicas que você sabia que tinham potencial, mas ainda não a havia ouvido da forma como elas deveriam ter sido ouvidas. A falta de overdubbs e um novo take revigoraram muitas dessas canções. E tem aquelas músicas que você ouviu até dizer chega, mas nunca lhe chamou a atenção. Bom, American Crown Jewels está aqui para isso, lhe mostrar que até na música mais corriqueira Elvis deu 100%, nessas sessões. E And The Grass Won´t Pay No Mind é o maior exemplo disso. Essa belíssima balada passa completamente desapercebida até para os fãs mais árduos de Elvis. Sua versão original é muito boa, porém talvez tenha ficado um pouco melosinha demais, devido aos equivocados overdubbs de Felton. Mas lhes garanto uma coisa, And The Grass Won´t Pay No Mind vai se transformar em uma das suas favoritas. O take aqui presente é o master. Bom, pelo menos é assim que está no encarte. Porém, sempre notei diferenças grandes dos vocais do lançamento oficial e esse aqui lançado. Descobri que, como algumas dessas canções, um vocal gravado em uma data distinta foi posto sobre o master. Nesse caso os vocais novos e ouvidos no lançamento oficial foram postos em setembro de 69, junto com os de A Little Bit of Green. Mas esse overdubb vocal foi desnecessário, pois o do master está perfeito. A música é uma balada e é de Neal Diamond, típico cantor romântico do fim dos anos 60 e anos 70. Elvis ainda viria a gravar Sweet Caroline do mesmo autor, no ano seguinte. And The Grass Won´t Pay No Mind é uma delicada canção bucólica com um estilo narrativo pouco comum na obra de Elvis. Inicialmente descrevendo a paisagem onde o casal da música está: “Escute com atenção, você poderá escutar Deus chamando, andando descalço pelo lago. Venha para mim, seu cabelo gentilmente caindo no meu rosto como se fosse um sonho.” E continua no interlúdio da música: “ Criança, toque a minha alma com o seu choro e a música saberá o que nós encontramos. Eu escuto mil adeus, mas hoje eu só escuto um som, o momento em que nós estamos vivendo é o agora.” Bem não convencional não acham?? Mas muito bonita! Sendo uma canção tão serena, mas ao mesmo tempo intensa And The Grass Won´t Pay No Mind exige uma sensibilidade vocal muito difícil e que Elvis tire de letra, combinando uma sutileza em sua voz, com uma calma na maneira de cantar quase inebriante. Foi gravada no primeiro dia das sessões que produziu também Stranger In My Own Home Town (!). E essa foi uma das melhores características dessa sessão. Como disse a Rolling Stone da época, Elvis conseguiu ir de um extremo a outro, indo da fúria à calmaria, da indignação à serenidade e da sutileza à intensidade, isso em um segundo.

14. DO YOU KNOW WHO I AM (take 1): Se teve uma canção que foi descoberta pela crítica especializada, após a morte de Elvis, essa aqui é uma delas. Do You Know Who I Am é uma belíssima balada em cuja maturidade de Elvis se faz presente de forma bem evidente. Tanto nos vocais, suaves e intimistas, como na própria letra que fala do reencontro casual de um antigo casal que trás à tona os sentimentos do relacionamento passado. Apesar de ser uma balada, o elemento soul, predominante em muitas músicas dessa sessão é inegável. Até quando estava gravando uma música simples como essa Elvis sentia que algo extraordinário estava acontecendo e dava os seus 100%. Esse primeiro take vira a música de cabeça para baixo, por dar a ela não só um tempo um pouco mais acelerado, mas também substitui a introdução do piano por uma simples guitarra ao ponto de, nos segundos iniciais, você nem reconhecer qual música é! O órgão, que geralmente estragava muitas músicas de Elvis, aqui é uma alegre surpresa. Esse primeiro take apesar de ser ainda não ser lapidado é muito bom. Lá pelo take 7 o tempo da música seria diminuído e o piano tomaria o lugar da guitarra. Do You Know Who I Am definitivamente não teve o destino que merecia, ficando esquecida entre as músicas do álbum Back In Memphis. Mas não se preocupem. Nosso trabalho é exatamente esse: lhes mostrar que a música de Elvis é tão vasta e ilimitada que ainda vai lhes proporcionar surpresas muito agradáveis.

15. KENTUCKY RAIN (take 7): No dia seguinte ao que Do You Know Who I Am foi gravada, Elvis iria gravar apenas duas canções. Mas cuidado com esse “apenas”, pois as músicas nada mais eram do que talvez as duas únicas que são capazes de concorrer de igual com In The Ghetto e Suspicious Minds: Kentucky Rain e Only The Strong Survive. Kentucky Rain era uma música de Eddie Rabbit que havia sido trazida por Lamar Fike que acreditava que ela era um hit em potencial. É definitivamente uma das mais intensas performances da carreira de Elvis e diferente de tudo que você já ouviu. Rabbit conseguiu contar em três minutos uma pequena história que narra a busca de um homem por sua mulher que o abandonou repentinamente, sem dizer para onde ia. Durante a música o homem encontra várias pessoas que viram sua mulher, mas parece que ele sempre está um passo atrás dela: “Sete longos dias e umas 12 cidades depois. Eu percebi que você tinha ido embora. Eu não sei porque você fugiu para onde ou de quem. Tudo que sei é que quero você de volta.” E o refrão diz: A chuva do Kentucky continua caindo. E lá na frente mais uma outra cidade que eu vou. Sempre andando com a chuva em meus sapatos. Procurando por você na fria chuva do Kentucky.” Como todos sabem, Kentucky é um estado americano e não restam dúvidas que essa música atualmente daria um clipe excelente. Aqui Chip, novamente percebendo um hit, dá cautelosamente as instruções a Elvis: “ Foi ótimo Elvis, mas você tem que levar a sua voz até um pouco mais perto do limite.”E Elvis assim o faz. O take aqui presente ainda apresenta os vocais de Elvis um pouco contidos, diferentes do master, mas não menos emotivos ou inspirados. Primeiro single da década de 70, Kentucky Rain foi top 20 (16#) nos EUA e encostou no Top 20 das paradas britânicas em 21#. Muito pouco para uma música boa como essa. Apesar de ter alcançado posição inferior, Kentucky Rain vendeu tanto quanto Don´t Cry Daddy, e se tornou a quarta música de Elvis gravada no American a ganhar o disco de ouro. Foi incluída exaustivamente por Elvis nos shows de Janeiro de 70, porém logo depois abandonada. Uma pena, realmente. Outra obra prima talhada por Elvis, Chip e companhia.

Victor Alves

Continua...

sábado, 28 de dezembro de 2013

Obsessão

Título no Brasil: Obsessão
Título Original: The Paperboy
Ano de Produção: 2012
País: Estados Unidos
Estúdio: Millennium Films, Nu Image Films
Direção: Lee Daniels
Roteiro: Lee Daniels, Peter Dexter
Elenco: Matthew McConaughey, Nicole Kidman, John Cusack, Zac Efron, David Oyelowo 

Sinopse: Hillary Van Wetter (John Cusack) é condenado à morte por supostamente ter assassinado o xerife de uma cidadezinha da Flórida. Convencidos de sua inocência, dois jornalistas investigativos, Ward (Matthew McConaughey) e Yardley (David Oyelowo) ao lado do jovem Jack Jansen (Zac Efron) e da namorada do condenado, Charlotte Bless (Nicole Kidman), resolvem ir a fundo nas investigações para colher provas que inocentem Hillary. A verdade porém não será tão simples assim de encontrar.

Comentários:
Bom filme que apesar do interessante e até mesmo realista roteiro não irá certamente agradar a todos, principalmente o público que deseja ver um belo e convencional final feliz. A trama se passa nos anos 60, em uma região isolada, pantanosa, do calorento estado da Flórida. O espectador é levado todo o tempo a acreditar numa tese sobre a verdadeira morte do xerife local mas isso é apenas uma parte do que será revelado. É um enredo bem escrito e com reviravoltas que para alguns serão radicais demais. Mesmo assim não há como negar que a estória envolve e agrada. O elenco é excepcionalmente muito bom. Nicole Kidman interpreta uma personagem bem distante de seus últimos trabalhos onde a classe e a elegância eram os pontos fortes. Sua Charlotte Bless é uma mulher obsessiva por se apaixonar por homens condenados, prisioneiros no corredor da morte. Ela é a imagem da mulher beirando a vulgaridade da década de 60, sempre se envolvendo com os homens errados. Zac Efron surge como o jovem que se apaixona platonicamente por ela - uma paixão que lhe dará muitos desgostos e tragédias em sua vida pessoal. Apesar de certos exageros no desenrolar de tudo gostei bastante do filme. Certamente não agradará a todos, como já frisei, mas quem embarcar na proposta do diretor certamente vai gostar do resultado final.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O Mordomo da Casa Branca

Título no Brasil: O Mordomo da Casa Branca
Título Original: The Butler
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Follow Through Productions
Direção: Lee Daniels
Roteiro: Danny Strong, Wil Haygood
Elenco: Forest Whitaker, Oprah Winfrey, John Cusack, Mariah Carey, Vanessa Redgrave, Cuba Gooding Jr, James Marsden, Alan Rickman, Jane Fonda

Sinopse: Baseado em fatos reais o filme conta a história de Cecil Gaines (Forest Whitaker), pobre e negro, nascido em um dos estados sulistas mais racistas dos Estados Unidos. Após testemunhar seu pai ser morto por um branco que não sofreu qualquer condenação por esse assassinato, ele começa a aprender uma nova profissão, a de serviçal na fazenda rural onde mora. Conforme os anos passam ele começa a melhorar de vida, inclusive trabalhando em grandes hotéis, até ser admitido para ser mordomo na Casa Branca, exercendo essa função por mais de 30 anos.

Comentários:
Filme que tem causado grande repercussão nos Estados Unidos. Não é para menos já que conta a história do homem que vê sua vida passando, servindo como mordomo da Casa Branca, ao mesmo tempo em que vai testemunhando as mudanças sociais pelas quais passa a sociedade americana. Ele chega na Casa Branca durante a presidência de Dwight D. Eisenhower, ainda nos anos 1950, e só se aposenta durante os anos presidenciais do republicano Ronald Reagan. O roteiro é extremamente bem escrito e mostra nos dois filhos de Cecil o destino de muitos jovens negros daquela época. Um deles se torna ativista, entra para os Panteras Negras e começa a lutar pelos direitos civis dos negros. O outro resolve ir por um caminho diferente e se torna soldado do exército americano durante a Guerra do Vietnã. Com isso a família de Cecil acaba sendo um alegoria do que foi toda a história dos negros americanos durante aqueles anos turbulentos.

Conforme a imprensa dos EUA revelou recentemente alguns eventos mostrados no filme são meramente ficcionais mas isso em nada diminui a ótima qualidade cinematográfica desse "O Mordomo da Casa Branca". Em termos de elenco o espectador encontrará uma galeria de estrelas mas como não poderia ser diferente quem rouba todas as atenções é mesmo o ator Forest Whitaker no papel principal. Ele tem uma atuação magistral mostrando o mordomo Cecil desde sua juventude até seus dias de velhice e aposentadoria. A apresentadora de TV Oprah Winfrey interpreta sua esposa e se saí muito bem. Embora não sejam parecidos fisicamente com os personagens que interpretam os atores John Cusack (Nixon), James Marsden (Kennedy) e Alan Rickman (Reagan) conseguem trazer para o filme a essência dos presidentes que interpretam. A direção também é muito bem realizada, procurando nunca cair na pieguice mas sem perder a emoção em nenhum momento. Enfim, grande filme, bela mensagem e uma forma muito didática e agradável de contar parte da história americana do século XX. Seja você ativista ou não, assista, pois é uma excelente obra cinematográfica.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Renascido das Trevas

Título no Brasil: Renascido das Trevas
Título Original: The Resurrected
Ano de Produção: 1991
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Dan O'Bannon
Roteiro: Brent V. Friedman, baseado na obra de H.P. Lovecraft
Elenco: John Terry, Jane Sibbett, Chris Sarandon

Sinopse: 
A esposa de Charles Dexter Ward (Chris Sarandon) resolve em desespero contratar os serviços de um investigador particular para descobrir o que teria acontecido com seu marido. Ele vive isolado numa cabana remota realizando estranhas experiências que começam a afetar de uma forma ou outra toda a região. Produção também conhecida como "O Filho das Trevas".

Comentários:
Bom momento do cinema de terror dos anos 90. O destaque em minha opinião vai para a excelente atuação de Chris Sarandon. Ele, como todos sabem, foi imortalizado nos filmes de terror por causa de sua atuação como o vampiro sedutor de A Hora do Espanto. Aqui ele injeta novamente seu talento para um enredo que prende a atenção do espectador, principalmente porque a trama que mais parece um enorme mosaico vai sendo tecida aos pouquinhos. Clima escuro e sórdido que funciona muito bem, até nos dias de hoje em revisão.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A Família

Título no Brasil: A Família
Título Original: The Family
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos, França
Estúdio: EuropaCorp, Relativity Media
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson, Michael Caleo
Elenco: Robert De Niro, Michelle Pfeiffer, Tommy Lee Jones, Dianna Agron

Sinopse: Giovanni Manzoni (Robert De Niro) e sua família chegam no norte da França, na Normandia, para tentar recomeçar mais uma vez suas vidas. Eles entraram no programa de proteção às testemunhas do FBI após Manzoni entregar toda a sua família mafiosa de Nova Iorque. Na nova cidade os garotos tentam se acostumar com a nova escola enquanto Manzoni resolve assumir a nova identidade de Fred Blake que seria supostamente um escritor americano escrevendo sobre o famoso Dia D quando a França finalmente foi libertada por tropas aliadas.

Comentários:
Sempre gostei muito do cinema de Luc Besson. Desde o primeiro filme que vi dele (Imensidão Azul, ainda nos anos 80) pude perceber que ele é um dos poucos cineastas em atividade que ainda conseguiam realizar obras que aliavam o clima mais cult com a boa e velha cultura pop. Aqui isso se repete. Besson na verdade faz quase uma homenagem à persona de Robert De Niro no cinema. Seu mafioso é uma sátira-homenagem aos grandes papéis que interpretou ao longo de sua grande carreira. Isso se torna muito claro quando De Niro vai ao lado de Tommy Lee Jones para um debate sobre grandes clássicos do cinema americano e o filme exibido é nada mais, nada menos, do que o grande clássico "Os Bons Companheiros" de Martin Scorsese que tinha no elenco justamente... sim, ele mesmo... Robert De Niro! Usando sempre dessa excelente ideia o filme consegue divertir e dar uma boa sensação aos fãs de cinema em geral pois seu clima de fino humor negro combina muito bem com sua proposta de divertir e homenagear ao mesmo tempo. Gostei bastante do resultado final pois em alguns aspectos temos uma gama incrível de referências bem humoradas sobre filmes da máfia em geral que vão desde "Donnie Brasco", passando por filmes sobre mafiosos de Scorsese chegando até o sucesso da HBO "The Sopranos". Um ótimo programa certamente. Há tempos que De Niro não soava tão satisfatório como nessa película. Está recomendado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - American Crown Jewels Parte 5

06. RUBBERNECKIN´ (take 2): Após In The guetto e depois de substituir os vocais de Gentle On My Mind feitos no dia 15, quando a voz de Elvis já estava pedindo arrego, chegou a hora da música final do dia. Rubberneckin´ é um simpático rock que foi gravado em 2 takes, sendo o aqui apresentado o master undubbed, ou seja, limpo e seco. Após o árduo trabalho, Rubberneckin´descontrai a sessão. Com um solo introdutório típico de um hit e uma batida feita para as rádios, a canção nunca recebeu a atenção que deveria, sendo inclusive cedida para o último filme de Elvis, Change Of Habit. Rubberneckin significa fofocar, ou se meter na vida dos outros. Apesar da letra meio tosca, não podemos negar sua intensa alegria. Afinal, faz bem não se levar a sério, às vezes. Foi lançada como lado B de Don´t Cry Daddy, sem alcançar repercussão. Isso iria mudar em 2003, quando a BMG, após o sucesso do remix de A Little Less Conversation, decidiu lançar um outro, dessa vez, feito por Paul Oakenfold. O single alcançou grande sucesso nas paradas mundiais, apesar de não fazer nem metade do sucesso de seu antecessor. Foi incluído no sucessor de Elvis 30# 1 hits: Second To None. A escolha da música foi boa e o remix bem feito, porém faltou um pouco mais de promoção e de marketing. De qualquer forma, as novas gerações conheceram esse, até então desconhecido trabalho de Elvis feito lá nos estúdios de Momam.

07. FROM A JACK TO A KING (take 2): O dia seguinte de gravação foi dedicado a por o vocal nas músicas gravadas na ausência de Elvis e a substituir os vocais de You´ll Think Of Me, I´m Moving On e This is The Story, além de fazer substituir algumas partes de Long Black Limousine e Wearin´ That Loved On Look. Uma curiosidade é que durante esses dias Roy Hamilton, um dos grandes ídolos de Elvis estava gravando um disco no American pela manhã, enquanto Elvis gravava à noite. Elvis fez questão de conhecer Hamilton e não mediu palavras ao dizer o quanto admirava seu trabalho. Mas a atitude que impressionou a todos foi quando Elvis cedeu uma de suas músicas, chamada Angélica, para Roy, que a gravou posteriormente. Angélica era uma das músicas mais promissoras da sessão e infelizmente, não alcançou grande repercussão na voz de Hamilton. O dia de gravação começou com uma versão de Hey Jude de Elvis que saiu muito aquém do esperado, entre outros motivos, por Elvis simplesmente esquecer de mais da metade da letra. No meio das substituições de vocal Elvis resolveu cometer um de seus poucos erros nas gravações: cantar From a Jack to a King. Sério mesmo, 90 % das músicas da sessão eram de muito boas pra cima. Só que o nível com essa cai, e muito. Com uma melodia tosca e os próprios músicos da banda não muito inspirados (afinal parecia que ninguém fora Elvis gostava desse lixo!), além de uma letra mais brega que as de Zezé de Camargo, From a Jack to a King é, não só a pior música da sessão como uma verdadeira alien em um cd do nível desse. É como se você estivesse ouvindo um cd do U2, e de repente, começasse uma música do Eminem!! E para piorar o que já era muito ruim, Felton avacalhou e botou os piores back vocals de todos os tempos. Só escutando para ouvir a porcalhada. Sem dúvida a única música ruim do cd. Curiosidade: era uma das músicas preferidas de Priscila Presley, o que demonstra que seu gosto musical era no mínimo muito ruim!

08. WITHOUT LOVE (take 5): O último dia programado para Elvis, começou com a gravação dessa belíssima balada, que possui um dos mais difíceis vocais da carreira dele, que se entrega novamente 100%, fazendo da música um dos pontos altos da sessão. Gravada, entre outras pessoas por Clyde McPhatter dos Drifters, Elvis a havia tentado gravar no início de sua carreira, porém, devido aos seus difíceis vocais, incompatíveis com a voz de Elvis na época, a tentativa sempre foi frustrada. Essa música ficou, então, na cabeça de Elvis por mais de uma década, até que ele, dispondo de uma voz muito mais poderosa na época, pudesse se atrever a tentar gravá-la. O resultado não poderia ser diferente, Elvis se superando mais uma vez. A versão aqui apresentada é a do master undubbed.

09. SUSPICIOUS MINDS (take 7): Após improvisar em apenas um take I´ll Hold You In My Arms, uma antiga música de Eddie Arnold que Elvis vira de ponta a cabeça transformando-a em um country blues com uma pegada de piano pesada, tocado pelo próprio Elvis e que viria a ser um dos pontos altos do disco From Elvis in Memphis, e após uma rápida incursão na apenas mediana I´ll be There de Bobby Darin, era chegado o momento que Chip estava esperando. Após deixar Elvis brincar com algumas de suas músicas favoritas e não se meter no processo, Chip traz a sessão uma música que ele apostava que seria um número um nas paradas. A música era Suspicious Minds e o seu autor era Mark James, que viria a escrever algumas das melhores músicas dos anos 70 de Elvis, incluindo a ultra clássica Always On my Mind. Ela já havia sido gravada um ano antes no mesmo estúdio pelo autor. O arranjo que seria usado, inclusive, era o mesmo. Levou apenas 8 takes para criar a maior obra prima da carreira de Elvis. Suspicious Minds é, não só a mais perfeita música de Elvis, tecnicamente falando, como também a mais prestigiada e adorada entre os fãs e, sem dúvida, a mais aclamada pela crítica. Seria no inverno de 69 o primeiro lugar nas paradas de Elvis desde 62. Musicalmente falando, ela representa uma síntese de toda a nova direção mais madura que Elvis iria seguir dali para frente. Com uma letra simples, porém bastante singela, Suspicious Minds fala de um relacionamento em vias de ser destruído por causa de ciúmes e mostra o locutor desesperadamente tentando convencer sua companheira da situação insustentável que a relação chegou. Como não se emocionar com a agora lendária frase: "Oh let our love survive, dry the tears from your eyes. Let´s not let a good thing die. Honey, you know I´ve never lied to you". A interpretação de Elvis é a mais apaixonada possível e, como todos no estúdio, ele sabia que aquele era o hit. Com uma introdução marcante de guitarra e o seu desenvolvimento crescente, Suspicious Minds cativa o ouvinte na mesma hora. Uma curiosidade é que a guitarra usada por Reggie Young é a mesma que foi usada por Scotty Moore em muitos clássicos de Elvis. O que ocorreu é que Scotty fez uma troca com Chip Momam. Ele tinha um pequeno estúdio na época e precisava de alguns keyboards, que acabou conseguindo, trocando sua guitarra por eles, que passaram a ficar no American. Reggie sabendo as vindas de Elvis achou que seria interessante tocar na velha Gibson de Scotty. É essa a guitarra que você ouve na introdução. A versão apresentada aqui é a sem os overdubbs, acrescentados depois, que são um charme à parte, principalmente o falso fade, quando pensamos que a música irá acabar, mas depois retorna. Foi a música mais longa de Elvis a alcançar o primeiro lugar. Essa balada dramática ganharia contornos diferentes nos palcos onde se transformaria em um dos pontos altos do show de Elvis que a transfigurou para um agitado rock, de 69 até 75, quando foi cantada pela última vez. Após a gravação houve novas discussões sobre o fato de Suspicious Minds ser uma música de fora e a Hill querer seus direitos sobre ela. Mas logo depois, tudo foi resolvido. Indispensável em um cd com a qualidade desse. A top de linha da discografia de Elvis, sem dúvida.

10. TRUE LOVE TRAVELS ON A GRAVEL ROAD (take 1): Após acalmados os ânimos entre Chip e o pessoal da Hill & Range, outra bateria de sessões foi marcada para o mês seguinte, e no dia 17 de fevereiro lá estava Elvis no American. A diferença agora é que aquele típico ambiente de gravação de Elvis havia se instalado, muita brincadeira, espaço para improviso e era claro que Elvis estava se sentindo mais à vontade com os músicos. Era como se Elvis fosse mais um da banda. Tal ambiente favoreceu o início espetacular da sessão com uma jam de Blues, onde Elvis e a banda massacram no absoluto clássico Stranger in My Own Home Town, que recebeu número de matriz e foi lançado posteriormente no álbum Back In Memphis e é, até hoje uma das queridinhas dos críticos quando se fala nessas sessões. Uma verdadeira obra prima gravada em apenas um take. Elvis era um mestre em gravar blues de uma forma rápida e impressionantemente perfeita. Sem dúvida uma das melhores músicas da sessão. Após gravar esse blues arrebatador, Elvis começou a trabalhar em uma música dos mesmos autores de Wearin´That loved On Look, a belíssima True Love Travels On A Gravel Road, uma extraordinária balada, geralmente confundida com country. Combina a maestria da voz de Elvis, com a leveza que a American Band atribui a ela e uma letra falando de amor de uma forma mais madura e realista, ainda que poética, mas sem nunca perder a sensibilidade. True Love Travels On A Gravel Road é um outro verdadeiro musicão em uma sessão que parecia produzir um hit atrás do outro. Possui uma versão ao vivo em 1970 e era sem dúvida uma das músicas mais fortes novas de Elvis a entrar para os shows em Vegas em agosto, o que nunca ocorreu, Deus sabe porque. O take aqui apresentado, de acordo com algumas fontes é o primeiro, mas em outras é o terceiro. O que importa é informar que essa versão é bem diferente da anterior, mais acelerada e simplificada. Mesmo nesse take inicial notamos a clara aproximação de Elvis com a música em si, o que arranca uma grande interpretação dele, mais relaxada, é verdade, mas nunca deixando cair o nível. Também, com materiais dessa alta qualidade fica difícil para qualquer cantor perder a empolgação. Merecia ter sido lançada como single, fato que nunca ocorreu. Uma curiosidade: após o terceiro take Elvis se senta no piano e improvisa I Can´t Stop Lovin You, para só depois terminar a gravação de True Love Travels On A Gravel Road. Ouça-a direitinho, você vai se surpreender com esse tesouro perdido.

Victor Alves

Continua...

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Sleepy Hollow

Título no Brasil: Sleepy Hollow 
Título Original: Sleepy Hollow 
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox Television
Direção: Paul A. Edwards, Ken Olin
Roteiro: Phillip Iscove, Alex Kurtzman, Roberto Orci
Elenco: Tom Mison, Nicole Beharie, Orlando Jones

Sinopse: Durante a guerra de independência dos Estados Unidos o soldado Ichabod Crane (Tom Mison) acaba decapitando um estranho mercenário inimigo mas na luta termina sendo morto também. Dois séculos e meio depois ressurge do mundo dos mortos para destruir o cavaleiro sem cabeça, o mesmo que havia matado no passado. A estranha criatura deve ser destruída pois caso encontre seu antigo crânio poderá abrir as portas para a chegada dos quatro cavaleiros do apocalipse nos dias atuais.

Comentários:
"Sleepy Hollow" traz para a TV a conhecida estória do cavaleiro sem cabeça. Como o universo de séries na TV americana é extremamente concorrido os roteiristas jogaram praticamente toda a trama já no episódio piloto. A intenção é certamente prender o espectador, criando um interesse para acompanhar os episódios seguintes. Por isso tudo soa meio apressado, jogado às pressas, sem tempo para tomar fôlego. Esse tipo de desenvolvimento honestamente não me agrada muito pois sempre preferi que tudo acontecesse aos poucos, em seu devido tempo. Mesmo assim, com esses problemas que entendo perfeitamente, pois é a eterna luta pela audiência, ainda consegui gostar do que vi. Se você gosta da versão do cinema, que tem uma direção de arte primorosa e muitos efeitos digitais, provavelmente vai achar tudo muito acanhando nesse campo. Mas releve esse tipo de comparação e tente gostar da nova série. Ainda é cedo para dizer se ela vai conseguir se firmar mas que tem potencial, certamente tem.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Os Fantasmas de Scrooge

Título no Brasil: Os Fantasmas de Scrooge 
Título Original: A Christmas Carol
Ano de Produção: 2009
País: Estados Unidos
Estúdio: Walt Disney Pictures
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Robert Zemeckis, baseado na obra de Charles Dickens
Elenco: Jim Carrey, Gary Oldman, Colin Firth

Sinopse: Scrooge (Jim Carrey) é um ser humano desprezível. Muito rico mas completamente mesquinho não quer saber de absolutamente ninguém em sua vida. Extremamente materialista só pensa em dinheiro e nada mais. Quando seu sócio morre ele acaba recebendo a visita de três fantasmas do natal. Um dos natais passados, outro do natal do presente e finalmente um terceiro, representando os natais do futuro. Juntos eles levarão o velho Scrooge numa jornada de auto conhecimento e renovação do verdadeiro espírito do natal.

Comentários:
Produção milionária que teve um orçamento estimado em absurdos 200 milhões de dólares. Não é para menos. Aqui o cineasta Robert Zemeckis reuniu um elenco de primeira e tecnologia de ponta para contar mais uma versão do famoso livro (imortal, diga-se de passagem) do grande Charles Dickens. Jim Carrey aproveita o uso dessa técnica para deitar e rolar em suas caracterizações. Apesar de seu talento reconhecido temos que admitir que sua atuação nem sempre funciona a contento. A questão é que essa estória, muito evocativa e belamente escrita, já foi adaptada tantas vezes (a primeira em 1910, totalizando quase 100 versões até hoje) que já não existe a menor possibilidade de surpreender. Nem mesmo sob uma nova roupagem, com tecnologia de ponta, muda essa situação. Agora se você é jovem demais para se lembrar ou nunca viu nada sobre esse enredo até pode ser uma boa opção. De fato a direção de arte desse filme é acima da média e o enredo do velho avarento encontrando sua verdadeira felicidade ainda pode emocionar aos novatos. De qualquer modo não é uma má ideia para uma madrugada de natal. Assim se estiver no espírito certo não deixe de conferir pois o filme será exibido nessa madrugada pela Rede Globo. Aproveite e tenha um Feliz natal de muita paz e alegria!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Um Natal Brilhante

Título no Brasil: Um Natal Brilhante
Título Original: Deck the Halls
Ano de Produção: 2006
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: John Whitesell
Roteiro: Matt Corman, Chris Ord
Elenco: Matthew Broderick, Danny DeVito, Kristin Chenoweth

Sinopse: Steve Finch (Matthew Broderick) é louco pelo natal. Na verdade essa é a época do ano mais feliz em sua vida e ele não faz a menor questão de esconder isso, tanto que cultiva uma infinidade de tradições natalinas, alguma bem absurdas. Seu fanatismo do natal é tamanho que ele chega até mesmo a incomodar sua família. Seu otimismo porém começa a ser abalada quando um novo vizinho se muda para a casa ao lado. Buddy Hall (Danny DeVito) é o extremo oposto de Steve. Não demora muito para que ambos entrem numa rivalidade sem limites, uma rixa completamente maluca.

Comentários:
Já que é natal vamos falar sobre alguns filmes natalinos, em especial os que serão exibidos amanhã pela Rede Globo em uma maratona que vai pela madrugada adentro com três filmes cujo tema não poderia ser outro, a festa de natal. "Um Natal Brilhante" é o primeiro deles. Se trata de uma comédia de costumes, um subgênero divertido que sempre rende bons momentos no cinema. A intenção é de sempre satirizar o chamado American Way of Life, com seus maridos suburbanos meio idiotizados, seus filhos disfuncionais e suas esposas no fundo bem frustradas sobre tudo. É um tipo de humor que nasce das pequenas banalidades da vida. Esse aqui porém é dos mais leves, coisa bem família mesmo, sem qualquer tipo de ousadia maior com o americano médio que sempre é o alvo preferido desse tipo de fita. O destaque vai para o bom elenco onde se merecem citar as boas atuações de Matthew Broderick e Danny DeVito, ambos muito bem em seus respectivos papéis, o de um pai meio abobalhado e o de um sujeito baixinho e invocado. Vale a espiada depois da ceia e da Missa do Galo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Arthur Newman

Título no Brasil: Arthur Newman
Título Original: Arthur Newman
Ano de Produção: 2012
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Dante Ariola
Roteiro: Becky Johnston
Elenco: Colin Firth, Emily Blunt, Anne Heche

Sinopse: Wallace (Colin Firth) é um gerente de uma grande empresa americana. Divorciado, pai de um filho de 13 anos que mal fala com ele, decide jogar tudo para o alto e partir pela estrada. Após assumir a identidade de Arthur Newman em sua viagem conhece uma jovem cheia de problemas, Mike (Emily Blunt). Ela também não parece contar a verdade sobre sua identidade real mas isso pouco importa. Juntos acabam atravessando os Estados Unidos, vivendo várias experiências amorosas e de vida pelos lugares por onde passam.

Comentários:
Arthur Newman é um road movie existencialista. O personagem principal interpretado muito bem por Colin Firth é um sujeito que acima de tudo deseja fugir de si mesmo, da sua vida chata e de seus relacionamentos fracassados. Sonhando entrar em um torneio de golfe para ricaços entediados ele resolve cair na estrada. Fugir da rotina, da monotonia que sua vida se tornou. Mike, que tem nome de homem mas é uma garota bonita, tem certamente mais problemas do que ele. Sua mãe enlouqueceu e sua irmã também. Com receio que a loucura genética a atinja mais cedo ou mais tarde ela procura viver tudo intensamente, o que para Wallace será um achado pois é justamente isso que ele procura. Mesmo com o encontro entre ambos, de seu turbulento relacionamento, não vá esperar um filme romântico tradicional. Uma fina melancolia atravessa o filme de ponta a ponta como se aquele casal não tivesse mesmo qualquer futuro promissor pela frente. Emily Blunt, apesar da maquiagem pesada, está perturbadoramente atraente e sensual. No final das contas o que temos aqui é de fato um romance sui generis, nada banal que certamente agradará aos românticos mais existencialistas. Se é o seu caso, arrisque!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - American Crown Jewels Parte 4

02. WEARIN´ THAT LOVED ON LOOK (take 10): A música que começa o festejado álbum From Elvis in Memphis, para onde algumas das melhores músicas dessas sessões foram selecionados. Essa canção é um rock blues com um arranjo diferente de tudo o que você já ouviu em uma música de Elvis. O cantor sofreu para gravar essa canção devido a sua rouquidão que só a fez tornar mais única, dando a ela um tom mais sujo. Nunca falar de traição soou tão proibido, divertido e sacana como nessa música de Elvis. Sua letra fala de um homem que tem que deixar a sua casa e quando volta encontra sua namorada dando altas festas e fazendo a farra, se aproveitando de sua ausência. A traição é totalmente implícita, o que torna a música melhor ainda. Foi a última gravação desse dia da sessão. Apenas três faixas havia sido gravadas (This is the Story, uma das mais fracas da sessão, gravada provavelmente para agradar a Hill & Range foi a outra, detonada em 2 takes). Claramente, duas jóias do Nilo havia sido gravadas e o primeiro dia, apesar da obviamente desconfortável quebra do gelo e de Elvis lutar muito contra sua infecção, o resultado foi mais que positivo. Vale deixar claro: Elvis rapidamente se incorporou na banda. Notamos uma sintonia especial entre ele, os músicos e o produtor Chip Momam, que denota claramente que, pela primeira vez desde a Sun records, Elvis estava sendo desafiado e testado em estúdio, além de não estar 100% no controle, o que ele estava adorando. Na verdade pouca gente enfrentou Elvis (de uma forma produtiva e acertada, claro) e Chip Momam o fez de uma maneira que não só fez Elvis se sentir respeitado como também inspirou um grande senso de unidade e comando coletivo em estúdio. O take aqui usado é muito parecido com o master e os vocais de Elvis estão um pouco menos polidos.

03. YOU´LL THINK OF ME (take 7): Como dito anteriormente, uma das raivas do produtor Chip Momam foi a tentativa dos caras da Hill & Range de empurrar material para a sessão, em sua grande maioria de péssima qualidade. Apesar de vir desse catálogo, You´ll Think Of Me não tem nada de ruim. Pelo contrário, tecnicamente é tão perfeita quanto clássicos como Kentucky Rain e In The Guetto, além de ser uma das músicas mais difíceis da sessão, tanto para Elvis, como para os músicos que aqui dão um show!! Com um trabalho instrumental meticuloso, destacando os ótimos solos do igualmente ótimo Reggie Young, You´ll Think Of Me é uma música delicada e intensa que exibe vocais de Elvis de uma perfeição assustadora, take após take. Ela foi toda escrita por Mort Shumam que, sem o seu parceiro habitual Doc Pomus, e em sua contribuição final para Elvis acerta uma pequena obra prima, que teve a grande responsabilidade de ser o lado B de Suspicious Minds, elevando ainda mais a já alta qualidade do single. A música fala de uma separação onde o próprio homem no fim admite que apesar da garota com certeza passar muito tempo sofrendo por ele, no fim ela o vai esquecer. Uma análise bem diferente de um fim de relacionamento, se comparada a outras músicas de Elvis, com certeza. A dedicação de Elvis aliada à qualidade impecável da banda com a da música em si, novamente promovem um resultado espetacular. Uma música para ser descoberta, sem dúvida.

04. A LITTLE BIT OF GREEN (take 1): Após o exaustivo trabalho que a música de Mort Shumam deu, e após gravar em apenas dois takes a excelente I´m Moving On (esta canção seria novamente gravada com vocais diferentes), Elvis decide pegar leve com um country delicioso de ser ouvido, cuja autoria era dos mesmos três compositores de This is The Story, a relaxante e bela A Little Bit of Green. Gravada em apenas 3 takes, essa agradável canção não fazia muito o gosto de Chip Momam que, entre outras músicas, deixava espaço para o “momento Elvis” da sessão. Aqui os vocais de Elvis estão, apesar de relaxados, porém, no limite, devido à sua infecção, o que o fez faltar os dias seguintes de gravação deixando os músicos botando as partes instrumentais em várias canções. Esse primeiro take é, como a própria melodia da música propõe, bem relaxado, com Elvis dando uma risadinha no fim da música Uma curiosidade: no master os back vocals de Charlie Hodge são bem evidentes. Outra coisa importante de se notar é que todas essas músicas gravadas enquanto Elvis estava doente não tiveram seus masters aproveitados ou apenas parte deles, devido à rouquidão de Elvis, que poria novos vocais nelas posteriormente. O dessa canção foi reposto em 26 de setembro de 69.

05. IN THE GHETTO (take 3): Após cinco dias destinados a recuperar sua voz, Elvis voltou ao estúdio no dia 20 de janeiro. A banda havia posto a parte instrumental em quatro músicas: Don´t Cry Daddy, Inherit The Wind, Mama Liked The Roses e My Little Friend. A sessão foi retomada com uma música que o compositor Mac Davis havia trazido para a sessão. Davis já trabalhava em músicas para Elvis desde 68, quando contribuiu com as excelentes A Little Less conversation e Memories. A música era In The Ghetto, uma canção que falava sobre um pequeno garoto nos guetos de Chicago, onde a miséria imperava. Mac Davis havia apresentado a Chip Momam uma fita com dezenove músicas, das quais In The Guetto havia sido escolhida. O próprio Davis tocou-a para Elvis ouvir em estúdio. Reggie Young copiou o arranjo e Elvis decidiu gravar a música. Porém, um dos caras responsáveis pela Hill & Range estava no estúdio e, vendo várias músicas de fora entrando nas sessões advertiu Chip que a Hill queria ter o direito autoral sobre todas as músicas, Chip, enfurecido, quase deu a sessão por encerrada. Elvis notando a polêmica, e em uma das poucas vezes em sua vida que resolveu intervir, tomou uma atitude e esvaziou a sala, deixando somente produtores e músicos. Mas essa não era toda a razão da polêmica em torno da canção. O grande problema era que In the Ghetto possuía uma letra explicitamente de conteúdo e denúncia social. Elvis sempre havia sido aconselhado pelo coronel a nunca fazer músicas com conteúdo assim. Porém, como o próprio Elvis disse em entrevista, era uma música muito boa para ser ignorada. Além disso, a letra lembrava muito o próprio Elvis de sua infância pobre, lembranças estas que nunca o abandonaram. Era como se ele dissesse: “Eu nunca esqueci minha origem humilde.” Outra razão era que If I Can Dream, música do especial de 68, também com mensagem política explícita, precisava de uma sucessora. Esse período de 68-69 foi o único em que Elvis gravou músicas com esse teor. Mac Davis disse que tirou a inspiração de sua própria infância, em Lubbock, Texas. Davis afirma que tinha um amigo que morava em uma parte da cidade muito similar a um gueto e ele nunca entendia porque ele tinha que morar em um bairro bom da cidade e seu amigo em um local tão sujo e degradante. Afirmou que sempre quis fazer uma música sobre o tema. O título inicial era “The Vicious Circle” ou Ciclo Vicioso. Explicando o nome Davis afirma que as crianças pobres do gueto nasciam cresciam e morriam nesse ambiente, sendo substituídas por outras novas que nasceriam e enfrentariam as mesmas dificuldades. In The Guetto é um musicão em todos os sentidos. Tem uma das letras mais belas de Elvis, uma melodia emocionante e ainda contou com a competência dos excepcionais músicos do American. Mas o segredo da música está no próprio Elvis que se entrega de corpo e alma durante 23 meticulosos takes, sempre sob a orientação de Momam. Elvis apreciava Chip, entre outras coisas, por ser um dos poucos produtores que efetivamente o tratou em pé de igualdade. Chip era capaz, inclusive, de interromper Elvis para lhe dar sugestões que eram todas acatadas. In The Ghetto é uma denúncia explícita com uma letra simples, porém forte. Todos que se encontravam no estúdio ficaram impressionados com a dedicação de Elvis ao gravar a canção que se tornou um dos pontos mais alto de sua carreira, uma canção aclamada pela crítica e pelo público. Elvis Presley que havia passado uma década inteira cantando para crianças e cachorros agora mostrava o verdadeiro artista que era, capaz de competir de igual para igual com Beatles e derivados. Esse terceiro take é muito parecido com o master, como todos os outros, refletindo a concentração de Elvis. A voz quase sussurrada, reflete uma inquietação e revolta que pensamos estar prestes a explodir, porém nunca o faz, se transformando em um relato triste e emocionante de uma das mais cruéis realidades do cotidiano americano.

Victor Alves

Continua...

domingo, 22 de dezembro de 2013

Homem de Ferro e Hulk - Super-Heróis Unidos

Título no Brasil: Homem de Ferro e Hulk - Super-Heróis Unidos
Título Original: Iron Man & Hulk: Heroes United
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Marvel Studios
Direção: Eric Radomski, Leo Riley
Roteiro: Brandon Auman, Henry Gilroy
Elenco: Adrian Pasdar, Fred Tatasciore, Dee Bradley Baker

Sinopse: Hulk é capturado pela Hydra com o objetivo de drenar sua energia para a construção de uma super arma de energia letal. A experiência porém acaba dando errado fazendo com que o reator entre em implosão, criando no processo uma estranha criatura de pura energia chamada Zzzax que ameaça todo o mundo pois é alimentada por energia de todas as formas. Para ajudar a destruir a nova ameaça Hulk e Homem de Ferro se unem para neutralizar o novo monstro energético.

Comentários:
Nova animação dos estúdios Marvel. Aqui temos o uso da técnica de computação gráfica. O resultado é bem interessante mas o roteiro se concentra mesmo no quebra pau generalizado entre os personagens. Inicialmente Hulk e um monstro também criado por raios gama chamado Abomination saem na pancadaria, depois Hulk e Homem de Ferro tentam vencer a nova e estranha criatura feita de energia. Como a animação se concentra mesmo nas brigas o desenho é mais recomendado para a garotada que adora esse tipo de enredo e produção. Hulk e Homem de Ferro trocam muitas figurinhas na animação, dando origem a boas piadinhas mas o que vale mesmo aqui são as lutas. Outro ponto que poderia ser mais bem desenvolvido é a luta dos heróis Marvel contra criaturas mitológicas que encontram em um sombrio cemitério. Não faz mal. Enfim, recomendo pois o resultado final é bem divertido e movimentado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Giovanni Battista Salvi

Vamos falar um pouco de arte? Em especial arte sacra. Adoro arte sacra em geral. Fico até comovido ao entender o clima histórico, cultural e religioso em que muitas dessas peças, grandes obras de arte, foram produzidas. Uma das minhas preferidas de todos os tempos é essa ao lado, a virgem Maria orando de autoria do grande pintor barroco italiano Giovanni Battista Salvi que era chamado também de "Il Sassoferrato", uma referência sobre seu local de nascimento. Infelizmente apesar de ter pintado obras realmente magníficas seu nome ainda não é tão famoso como os de Caravaggio ou Da Vinci. Mesmo assim sou um fã assumido do estilo do pintor. Suas cores são vivas, presentes, e seus detalhes, como podemos ver ao lado, fazem toda a diferença do mundo para apreciadores de artes plásticas.

Mas afinal quem foi Giovanni Battista Salvi? Lamentavelmente sua biografia foi pouco documentada. O que se sabe é que nasceu na pequena cidade de Sassoferrato, localizada no centro da Itália, no caminho entre Roma e Florença. Uma vila praticamente medieval que pouco mudou com os séculos. Aprendeu a pintar com seu pai, que também era artista, Tarquinio Salvi. Na época os pintores eram contratados por Mecenas, burgueses ricos que pagavam por seus serviços para que pintassem seus retratos ou então eram pagos pela Igreja Católica que sempre estava atrás de pintores talentosos para enfeitarem seus templos religiosos.

E foi assim que Battista fez suas principais obras. Pintou o interior do convento de San Pietro em Perugia e das igrejas, em especial a de Santa Sabina em Roma. Foi uma vida das mais produtivas. Sassoferrato morreu em 1685 de causas que foram apagadas pelo tempo. Sua obra porém se tornou imortal. Hoje ela é bastante comparada ao estilo de Rafael. O interesse crescente em seus quadros renasceu quando seu talento foi redescoberto pelas cortes da Inglaterra e França. Sua mais completa coleção inclusive se encontra no Castelo de Windsor e pertence a família real inglesa. Reconhecimento um pouco tardio mas não menos do que merecido. Não há como negar que Il Sassoferrato é sem dúvida um dos maiores gênios da pintura na história.

Pablo Aluísio.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Ripper Street

Título no Brasil: Ripper Street
Título Original: Ripper Street
Ano de Produção: 2012 - 2013
País: Inglaterra
Estúdio: British Broadcasting Corporation (BBC)
Direção: Andy Wilson, Tom Shankland
Roteiro: Richard Warlow, Toby Finlay
Elenco: Matthew Macfadyen, Jerome Flynn, Adam Rothenberg

Sinopse: 
O detetive e inspetor Edmund Reid (Matthew Macfadyen) é designado para resolver vários crimes brutais ocorridos na Londres do século XIX, entre eles o assassinato de uma jovem em Whitechapel, bairro onde ocorreram as mortes das vítimas do conhecido serial killer Jack, o Estripador. As circunstâncias porém o levam a dúvida já que a garota encontrada sem vida não parece ter sido morta da mesma forma que as demais mulheres que caíram nas mãos de Jack. Coincidência ou acobertamento de um crime promovido por um outro psicopata serial?

Comentários:
Pelo visto não é apenas a TV americana que vive seu momento áureo, a TV inglesa segue no mesmo caminho. Um excelente exemplo vem dessa maravilhosa série "Ripper Street". Produzido pela BBC somos levados ao cotidiano de investigações e casos do inspetor Edmund Reid (Matthew Macfadyen), que ao lado de seus assistentes, tenta resolver crimes escabrosos ocorridos na Londres de 1888. Essa data é significativa pois foram nos meses de agosto a novembro desse mesmo ano que ocorreram os brutais assassinatos atribuídos a um dos mais famosos psicopatas da história, Jack o Estripador. Logo no episódio piloto o detetive se vê as voltas com a morte de mais uma suposta prostituta nos becos sinistros e escuros de Whitechapel. Teria sido Jack o autor da nova morte? É justamente esse o tema da primeira trama da série. Excelente produção (como convém à requintada BBC), atores realmente acima da média e tramas bem boladas, aliadas a bons roteiros. Se você gosta de séries policiais com muitos mistérios, suspense e até mesmo doses exatas de terror, "Ripper Street" é uma ótima pedida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Lara Croft: Tomb Raider - A Origem da Vida

Título no Brasil: Lara Croft: Tomb Raider - A Origem da Vida 
Título Original: Lara Croft Tomb Raider: The Cradle of Life 
Ano de Produção: 2003
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Jan de Bont
Roteiro: Dean Georgaris, Steven E. de Souza
Elenco: Angelina Jolie, Gerard Butler, Chris Barrie, Ciarán Hinds, Djimon Hounsou

Sinopse: 
A heroína dos games está de volta às telas. Agora a arqueóloga e aventureira Lara Croft (Angelina Jolie) parte em busca de um objeto mitológico, a famosa Caixa de Pandora que contém supostamente em seu interior todas as forças malignas do universo. Croft sai em busca na expedição de sua vida ao tomar conhecimento do lugar onde estaria o tal artefato, uma região localizada no continente africano chamada "Origem da Vida".

Comentários:
O problema de filmes fracos fazerem sucesso é que eles geralmente dão origem a continuações igualmente fracas - ou ainda piores! Esse é o caso desse "Lara Croft: Tomb Raider - A Origem da Vida". O primeiro filme da franquia sempre foi reconhecidamente muito fraquinho mas a força do nome comercial dos games o tornaram um sucesso também nos cinemas. Assim o estúdio resolveu colocar a velha máxima em uso novamente, ou seja, não se deve mexer em time que está ganhando! Todos os erros cometidos em Lara Croft Tomb Raider continuam nesse filme que tem ainda um grave defeito pois se leva à sério demais e se mostra totalmente pretensioso! O resultado porém é igualmente decepcionante!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O Sistema

Título no Brasil: O Sistema
Título Original: The East
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Scott Free Productions
Direção: Zal Batmanglij
Roteiro: Zal Batmanglij, Brit Marling
Elenco: Brit Marling, Alexander Skarsgård, Ellen Page, Toby Kebbell

Sinopse: Um grupo de ativistas radicais anarquistas liderados por Benji (Alexander Skarsgård) adota uma linha de retaliação contra grandes grupos corporativos capitalistas na base do "olho por olho, dente por dente". Assim eles promovem ataques, a que chamam de "peças", para protestar e ao mesmo tempo dar aos grandes executivos um pouco de seus próprios venenos. Para descobrir a verdadeira identidade do grupo uma corporação de investigação resolve infiltrar a agente Sarah (Brit Marling) entre eles. A aproximação com as ideologias e bandeiras que o grupo defende porém irá mudar para sempre a forma de pensar dela.

Comentários:
Um filme muito oportuno para o momento em que vivemos, inclusive no Brasil onde grupos anarquistas estão ficando cada vez mais numerosos. O roteiro procura mostrar todos os lados dessa nova e complicada realidade social. O grupo de ativistas mostrada no filme é formada por jovens da alta classe, filhos de industriais, milionários, etc, que certo dia descobrem o vazio em que vivem. Para trazer algum sentido em suas vidas eles resolvem se unir para lutar contra as grandes corporações que não se inibem em destruir o meio ambiente ou contaminar pessoas (até crianças!) visando única e exclusivamente lucros e mais lucros. Uma das coisas pelas quais bato palmas em relação a esse filme é que ele evita o moralismo fácil e de certa forma procura se manter numa postura bem neutra. A agente infiltrada no grupo de anarquistas, por exemplo, acaba sendo seduzida por sua ideologia. Eu credito esse roteiro inteligente não só aos roteiristas mas também a Ridley Scott e seu irmão, Tony Scott, que produziram o filme. Certamente temos aqui uma produção para levantar questionamentos, levar à reflexão. Todo o elenco está muito bem com destaque para a sempre ótima Ellen Page e Alexander Skarsgård, o vampiro de "True Blood" em seu primeiro grande papel no cinema. É um filme realmente muito bom que não pode passar batido em sua lista. Desde já o consideramos um dos melhores do ano, por isso não vá perder!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Sobrevivendo ao Natal

Título no Brasil: Sobrevivendo ao Natal
Título Original: Surviving Christmas
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: DreamWorks
Direção: Mike Whitcher
Roteiro: Deborah Kaplan, Harry Elfont
Elenco: Ben Affleck, Christina Applegate, James Gandolfini, Catherine O'Hara, Josh Zuckerman, Bill Macy

Sinopse: Executivo bem sucedido, saudoso dos natais passados ao lado de sua família, decide voltar para a cidade onde nasceu. Na antiga casa encontra uma outra família morando o que o faz recordar ainda mais de suas anos de infância. Para superar a nostalgia ele então decide tomar uma decisão no mínimo fora do comum ao "alugar" uma família para passar esse novo natal ao seu lado!

Comentários:
Para desespero de muitos vai começar a temporada de filmes natalinos na TV aberta. Produções que focam no natal nem sempre dão certo. Claro que existem os clássicos como os filmes estrelados por James Stewart na era de ouro do cinema americano mas aquelas produções são certamente exceções. Na maioria das vezes esse sub-gênero de filmes de natal não apresentam películas muito relevantes. Esse "Surviving Christmas" tenta trazer alguma inovação embora seu roteiro seja bem derivativo. Basicamente repete a situação dos livros de Charles Dickens, onde ricaços sem almas são tocados pelo espírito natalino de uma forma ou outra e assim se tornam pessoas melhores. Como se pode perceber a mensagem é bem velha e batida mas ainda encontra eco no público que vai aos cinemas nesse período de festas para conferir filmes como esse. Aqui o destaque vai para o novo Batman, sim ele mesmo, Mr. Ben Affleck que tenta disfarçar sua canastrice crônica se escorando no roteiro cheio de boas intenções. Funciona? Bom, aí vai depender de seu estado de espírito ao assistir ao filme.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Família Addams

Título no Brasil: A Família Addams 
Título Original: The Addams Family
Ano de Produção: 1991
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Barry Sonnenfeld
Roteiro: Caroline Thompson, baseada na obra de Charles Addams
Elenco: Anjelica Huston, Raul Julia, Christopher Lloyd, Christina Ricci

Sinopse: A Família Addams pode ser tudo, menos normal. Com gosto exagerado para o sombrio, eles na verdade são uma versão radical da típica família americana suburbana. Agora terão que lidar com um misterioso acontecimento envolvendo seu querido tio Fester (Christopher Lloyd). Adaptação da famosa obra do cartunista Charles Addams para o cinema.

Comentários:
Poucas vezes vi uma escolha de elenco tão acertada como essa no cinema americano. Os famosos personagens criados por Charles Addams encontraram atores simplesmente perfeitos para a tela. Some-se a isso uma brilhante direção de arte e uma produção requintada e de bom gosto e você terá um grande filme em mãos, sem exagero algum. O humor negro nunca foi tão divertido e engraçado como aqui. Obviamente todos estão ótimos em seus respectivos papéis mas destaco Christina Ricci e Anjelica Huston. Ricci parece ter incorporado a sua personagem Wednesday Addams não apenas nesse filme mas em sua própria personalidade como atriz. Basta ver qualquer outro filme dela para entender isso. Já Huston está tão adequada à Morticia Addams que para ser sincero nem seria necessária aquela maquiagem toda! Barry Sonnenfeld conseguiu assim realizar aquilo que chamo de "adaptação perfeita", definitiva. Tanto isso é verdade que nenhuma tentativa posterior de trazer essa estranha família de volta às telas deu certo. É algo parecido com o que aconteceu com Drácula de Bram Stoker. Depois daquela adaptação não há mais espaço para mais nada. Assista, se divirta muita e dê boas risadas!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - American Crown Jewels Parte 3

O American studio era localizado em uma área barra pesada de Memphis e produzia um som bem funky contando com os talentosos músicos Reggie Young (que havia tocado na banda de Bill Black, ex-baxista de Elvis, The Bill Black Combo) na guitarra, Tommy Cogbill no baixo (Tommy também era produtor e quando estava produzindo era substituído pelo igualmente talentoso Mike Leech), Gene Chrisman na bateria, Bobby Wood no piano e Bobby Emmons no órgão. O produtor do estúdio era Chip Momam, nascido na Geórgia em 1936. Chip se mudou para Memphis aos 21 anos e se envolveu na formação do Stax Studio (o mesmo onde Elvis viria a gravar em 1973). O American havia tomado ares de estúdio em 1965 e desde dessa época se transformou em uma fábrica de fazer hits ( na época em que Elvis foi gravar no American ele era responsável por 64 hits em apenas 18 meses), contando com uma gama de grandes artistas que lá foram gravar, incluindo: Dionne Warwick, Roy Hamilton, Neil Diamond, Dusty Springfield, The Box Tops e Wilson Picket. Gravar no American era uma espécie de talismã para os artistas. Elvis recebeu influência para gravar lá de várias pessoas. Marty Lacker, um dos caras da Máfia de Memphis, havia começado a trabalhar recentemente no American. George Klein, amigo de Elvis e DJ, conhecia Chip Momam e tinha produzido em seu estúdio algumas músicas para uma pequena gravadora que tinha começado com um sócio. E Red West trabalhava com Chip tanto como escritor como quanto cantor. Além de todas esses contatos, Elvis ainda seria agraciado com o fato de não ter que deixar Memphis. Chip ainda tinha vários bons escritores trabalhando para ele que, claramente, eram melhores que os arrumados por Freddie Bienstock que era o responsável pela companhia musical de Elvis. Dessa forma as sessões foram marcadas para janeiro de 69. Chip receberia 25 mil dólares por dia e desmarcou uma sessão com Neil Diamond pra encaixar Elvis. E o Coronel, vocês devem estar se perguntando, que nunca queria que seu pupilo sofresse influências de fora? Dessa vez, as coisas aconteceram de uma forma tão natural que o Coronel pouco pode fazer algo a respeito, além de não ter conseguido o apoio de Felton que era a favor das sessões serem no estúdio de Chip.

Não acompanhado de sua banda, em um estúdio psicodélico e desconhecido, com o desafio de gravar boas músicas e sabendo que nenhum dos músicos presentes estava muito impressionados com ele, talvez curiosos (tem-se que lembrar que os músicos do American eram alguns dos top de linha do país na época) Elvis se sentiu intimidado, apesar de sentir o respeito de todos ali no ambiente. Pronto. O cenário estava feito para Elvis detonar. Ele era o tipo de pessoa que, não só gostava de ser desafiado, como respeitava quem o desafiava, nunca perdendo a vontade de mostrar o quão bom ele era. Até o momento, apenas um homem havia feito isso, e esse homem foi Sam Phillips que levou um inexperiente jovem de dezenove anos a experimentar cruzar barreiras musicais antes nunca exploradas e dar o melhor de si. Chip Momam estava para fazer o mesmo. As sessões de Elvis no American são sem dúvida as melhores de sua carreira e só comparadas com as da Sun Records, tanto em termos de originalidade quanto em termos de intensidade. Havia um ar de inovação no American com Elvis em 69, uma sensação de história sendo escrita, de que aquelas sessões seriam mais que uma simples gravação. Havia inovação no ar. Mas, as sessões na Sun foram feitas em um período de um ano e meio, enquanto as do American em apenas dois meses, portanto elas levam o título de melhores da carreira de Elvis. Aclamadas pelos mais exigentes críticos musicais e sendo uma unanimidade entre os fãs de Elvis de todos os tipos, as sessões de 69 produziram algumas das melhores músicas de Elvis e elevaram sua carreira a um novo patamar, explorando novas fronteiras. A Bilko lançou o monumental cd American Crown Jewels, objeto de nossa análise. E que cd!!!! Além da qualidade impecável do material, contamos ainda com uma qualidade sonora estupidamente perfeita e o fato das músicas não serem com os overdubbs. Aqui você vai encontrar os clássicos como Suspicious Minds e In The Ghetto (e vai se apaixonar ainda mais por eles), vai prestar mais atenção em verdadeiras obras primas como Any Day Now, que você já sabia que eram boas, mas não sabia o quão boas elas eram e, de quebra, ainda vai encontrar músicas que você tinha escutado um milhão de vezes mas nunca tinha gostado, como a emocionante Long Black Limousine. Aqui estão as músicas desse monumental cd analisadas uma por uma:

01- LONG BLACK LIMOUSINE (take 6): Com a voz rouca, fato causado por uma infecção na garganta, tocando com uma banda que, na época, não se intimidava com o próprio Elvis, e com a obrigação de tentar apagar uma década de músicas ruins, Elvis iniciou a sessão com essa música. Senhoras e senhores eu lhes apresento uma das melhores e mais emocionantes músicas gravadas por ele. Long Black Limousine tem uma melodia puramente soul, belíssima, mas sua letra é simplesmente fantástica, entrando fácil na minha lista das melhores letras da carreira de Elvis. Para ser sincero, o nível das músicas dessas sessões é, em sua maioria, absurdo. E começar o cd com essa aqui é uma ótima pedida. Os músicos da American Band sempre enfatizaram como ficaram impressionados com o compromisso de Elvis com essas músicas. Bom, eles devem ter ficado boquiabertos com essa aqui. Elvis simplesmente destrói nos vocais e nem uma grosseira desafinada no fim da música tira a sua beleza. Elvis se entrega à música de uma forma só vista no especial de 68. Long Black Limousine é uma canção que fala de uma garota de uma pequena cidade que sonha em ser rica e vai para a cidade grande tentar a sorte. O narrador da música é o namoradinho da garota que vê seu grande amor trocando a vida simples do interior por uma tentativa que, muitas vezes, se torna frustrada de se tornar rica e importante. A garota vai embora e promete voltar à cidadezinha, só que dessa vez em uma grande limosine preta. A música começa com Elvis descrevendo que na ruazinha onde eles costumavam namorar, agora pode ser encontrada uma longa fila de pessoas de luto. Depois explica que eles são todos os amigos ricos que a garotinha arrumou na cidade grande e que agora ela realizava seu sonho de retornar a sua cidade natal em uma limosine preta. Só que a limosine preta carrega o corpo sem vida da garota, que como Elvis diz, conseguiu se dar bem na grande cidade, vivendo uma vida de luxo, regadas a festas e muito álcool. Uma noite, a garota morreu em um acidente causado por embriaguez. No último verso o vocal de Elvis cresce e ele diz que a observa, com os olhos cheios de lágrimas, indo embora na limosine dirigida por um chique motorista. E grita depois, desesperado, como se o próprio Elvis tivesse presenciado a cena que ele jamais amaria outra e finaliza com a emblemática e forte frase que todos os sonhos e o coração dele estavam indo embora junto com ela na grande limosine preta. Simplesmente linda! Enfim, essa canção é um soul com S maiúsculo que conta uma pequena e triste história de uma forma apaixonante com uma bela lição de moral. E para completar Elvis a canta de uma forma tão sincera que é impossível não se emocionar. Esse take é bem mais cru que a versão conhecida e não conta com os back vocals. Mas também é mais bruto, intenso e desesperado que o master. Com certeza uma das melhores músicas de toda a carreira de Elvis. Aposto que você não sabia! Mas não tem problema, qualquer tentativa de descrição minha dessa canção, por mais detalhada possível vai parecer ridícula e infrutífera. Long Black Limousine tem que ser escutada e antes de tudo sentida.

Victor Alves

Continua...

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Masters of Sex

Título no Brasil: Masters of Sex
Título Original: Masters of Sex
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Showtime
Direção: Michael Apted, Michael Dinner
Roteiro: Michelle Ashford, Tyler Bensinger
Elenco: Michael Sheen, Lizzy Caplan, Caitlin FitzGerald

Sinopse: O Dr. William Masters (Michael Sheen) é um respeitado médico de um dos melhores centros de tratamento contra a infertilidade. Ele pretende levar adiante uma série de estudos sobre a sexualidade humana mas acaba esbarrando nos inúmeros preconceitos que rondam seu objeto de estudo. A instituição na qual trabalha não vê com bons olhos a criação de uma ala especial para desvendar os segredos da vida sexual de homens e mulheres. Masters porém está determinado em começar suas pesquisas sobre o tema.

Comentários:
Nova série do canal Showtime. Em primeiro lugar temos que admitir que o assunto certamente vai chamar a atenção de muitas pessoas, afinal a sexualidade sempre está em voga. A série porém tenta abraçar o ponto de vista da ciência, mostrando as pesquisas do Dr. Masters da forma mais contida possível. Por isso não vá esperar por cenas quentes de sexo ou algo parecido, não é essa a proposta do seriado. Aliás achei tudo um tanto quanto frio, principalmente pelo tema que o programa desvenda. O próprio personagem do Dr. Masters é completamente frio e praticamente sem emoções. Embora estude a sexualidade dos outros ele próprio tem problemas sexuais. Seu relacionamento embaixo dos lençóis com sua esposa é complicado, nada amoroso e eles passam por vários dificuldades para que ela finalmente venha a engravidar. A trama da série se passa em 1956, o que traz um charme especial aos episódios, mas de uma forma em geral ainda está muito distante dos grandes programas do Showtime como "Dexter" e "Homeland", por exemplo. Tem potencial para crescer, basta apenas alguns ajustes na construção de determinados personagens. Vamos acompanhar para torcer por melhorias.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Lenda

Título no Brasil: A Lenda
Título Original: Legend
Ano de Produção: 1985
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Ridley Scott
Roteiro: William Hjortsberg
Elenco: Tom Cruise, Mia Sara, Tim Curry

Sinopse: Jack (Tom Cruise) é um jovem que precisa vencer o senhor da escuridão para que assim possa trazer paz e harmonia para seu mundo, desposando a jovem princesa de seus sonhos. Fantasia com ares medievais dirigido pelo grande cineasta Ridley Scott.

Comentários:
Tom Cruise resolve finalmente assumir seu lado galã de vez. E nada melhor para isso do que interpretar um príncipe dos sonhos em uma fantasia juvenil. Dirigido pelo grande Ridley Scott (de Alien, o Oitavo Passageiro) o filme tentava transportar para as telas uma estória cheia de fadas, duendes, unicórnios e seres mágicos. A produção foi concebida para ser um grande sucesso ao estilo Star Wars. Não deu muito certo. O filme foi criticado por ser excessivo, com direção de arte duvidosa e kitsch. Cruise também não está bem em cena, seu personagem é vazio e destituído de profundidade, raso demais até para um conto de fadas. Com custo milionário "A Lenda" afundou nas bilheterias se tornando um grande fracasso. Não seria dessa vez que Cruise iria despontar para o estrelado, para o time das grandes estrelas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Lara Croft: Tomb Raider

Título no Brasil: Lara Croft: Tomb Raider
Título Original: Lara Croft: Tomb Raider
Ano de Produção: 2001
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Simon West
Roteiro: Sara B. Cooper, Mike Werb
Elenco: Angelina Jolie, Jon Voight, Iain Glen, Daniel Craig.

Sinopse: Adaptação da popular personagem do mundo dos games  Lara Croft, aqui interpretada pela bela estrela Angelina Jolie. Na trama ela terá que enfrentar um grupo perigoso de vilões que estão em busca de artefatos antigos dotados de grande poder.

Comentários:
Abrindo o jogo devo dizer que nunca gostei dessa franquia. É artificial demais. O que era muito elegante em Indiana Jones aqui vira puro pixel. Também nunca vi um roteiro de Tomb Raider que valesse alguma coisa. Dizem que 99% das adaptações de games para o cinema são bombas. Bom, assistindo a Lara Croft não tenho como discordar. O único interesse maior para o cinéfilo é a presença da atriz Angelina Jolie e do futuro James Bond Daniel Craig. Jolie se apaixonou pelas locações no Camboja a ponto de adotar um garotinho que encontrou por lá. Já Craig chamou a atenção a ponto de virar a estrela de uma das mais populares séries do cinema mundial, a do 007. Em suma todos ganharam de uma forma ou outra menos o espectador que não terá muito o que fazer a não ser bocejar nas inúmeras sequências de ação forçadas ao longo do filme.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Rollerball

Título no Brasil: Rollerball
Título Original: Rollerball
Ano de Produção: 2002
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: John McTiernan
Roteiro: William Harrison
Elenco: Chris Klein, LL Cool J, Rebecca Romjin-Stamos, Jean Reno

Sinopse: No futuro nenhum esporte consegue ser mais popular do que o Rollerball. Esse jogo extremamente violento e muitas vezes mortal se torna uma febre com inúmeras arenas de competição distribuídas em todo o mundo. Nesse mundo altamente competitivo alguns jogadores resolvem denunciar a corrupção nos altos escalões envolvendo dirigentes importantes do esporte. Não tardará para que virem alvos desses criminosos de colarinho branco.

Comentários:
Esperava bem mais de John McTiernan. Afinal estamos falando do mesmo cineasta que deu ao mundo do cinema filmes como "Predador", o primeiro "Duro de Matar" e "Caçada ao Outubro Vermelho". De repente ele inventa de fazer esse remake de uma conhecida fita de sci-fi dos anos 70 e se dá muito mal. Eu sempre digo que nada é mais perigoso para um diretor do que topar fazer um remake. As probabilidades do novo filme ser um desastre são grandes. Esse novo Rollerball não empolga, não convence e deixa saudades do filme original que na minha opinião também nunca foi grande coisa. Certas estórias já encontraram suas adaptações definitivas para o cinema, não precisa mais tentar fazer algo que já foi feito melhor no passado. John McTiernan deveria saber disso

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Reign

Título no Brasil: Reign
Título Original: Reign
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: CBS Television Studios
Direção: Jeremiah S. Chechik, Holly Dale
Roteiro: Laurie McCarthy, Stephanie Sengupta
Elenco: Adelaide Kane, Megan Follows, Torrance Coombs

Sinopse: Criada em um convento na Escócia a jovem princesa católica Mary Stuart (Adelaide Kane), filha de Henrique VIII e Catarina de Aragão, é enviada para a França para conhecer seu futuro noivo e herdeiro do trono francês, o jovem Francis II (Toby Regbo). O romance porém terá que superar muitas intrigas palacianas para se concretizar.

Comentários:
A premissa dessa nova série era muito boa: explorar a juventude da famosa rainha Mary Stuart da Escócia. O problema é que ao invés de fazer algo mais de acordo com a história real optou-se por se produzir um programa no estilo "The Tudors" encontra "The Vampire Diaries". E o que exatamente isso significa? Significa que o que temos aqui é uma série teen, endereçada para jovens adolescentes, ou seja, o mesmo público que ama a saga "Crepúsculo" e seu equivalente televisivo, o já citado "The Vampire Diaries". A jovem Mary, por exemplo, que era uma católica fervorosa, sisuda, que sempre se vestia de negro, e que era de poucos amigos na história real, virou uma jovem cheia de sonhos, calorosa e amiga, que não pensa duas vezes em sair dançando com suas damas de honra pelos salões, enquanto músicas modernas tocam a todo volume (por essas e outras esqueça qualquer tipo de fidelidade histórica). Até me lembrou em certos aspectos de "The White Queen" mas é bem mais juvenil. Agora para finalizar devo confessar que apesar de todos os problemas esse novo "Reign" não chegou a me aborrecer. Claro que passa longe de empolgar mas não causa desconforto ao assistir, desde que, é óbvio, você saiba de antemão o que irá encontrar pela frente. Já para o público alvo da série (adolescentes) fica a recomendação. Afinal de contas sonhar com príncipes, princesas e castelos faz mesmo parte dessa idade!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Exorcista - O Início

Título no Brasil: Exorcista - O Início
Título Original: Exorcist: The Beginning
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Renny Harlin
Roteiro: William Wisher Jr.
Elenco: Stellan Skarsgård, Izabella Scorupco, James D'Arcy

Sinopse: No Oeste da África, em um lugar remoto e abandonado por séculos, o padre e arqueólogo Lankester Merrin (Stellan Skarsgård) acaba descobrindo evidências de rituais macabros e satânicos em solo sagrado. Suas descobertas revelarão a presença de um demônio milenar que tentará tomar o controle de seu corpo e espírito.

Comentários:
Como se sabe "O Exorcista" é até hoje considerado um dos maiores filmes de terror já feitos. Um daqueles filmes que marcaram tanto que se tornaram ícones do gênero. Infelizmente nem suas continuações (todas bem fracas) e nem as tentativas de criar algo novo com aquela estória deram certo. Assim a Warner tentou revitalizar a franquia em 2004 com esse "Exorcista - O Início". O que temos aqui é um Prequel, ou seja, o roteiro explora as origens do padre Merrin e seus primeiros contatos com as forças demoníacas que anos depois iriam atingir a jovem garota no filme "O Exorcista". A ideia como se pode perceber era muito boa, além de ser mais do que interessante para os fãs do filme original.

O problema é que a produção desse filme foi muito tumultuada. Diferenças artísticas entre o diretor e o estúdio tornaram tudo muito tenso e desgastante para todos os envolvidos. A primeira versão foi considerada ruim e praticamente tentou-se realizar outro filme mais adequado ao mercado dos dias de hoje. O resultado de tudo isso é uma bela produção, com muito efeitos digitais mas pouco aterrorizante. As cenas em que uma pessoa possuída passeia pelas paredes escuras de uma caverna podem até ser bem realizadas do ponto de vista técnico mas nada assustadoras já que o verdadeiro clima de terror foi substituído por pirotecnias digitais, esfriando o suspense que a fita poderia ter. De bom mesmo apenas a elogiada atuação do ator Stellan Skarsgård que se esforça muito para criar uma complexidade psicológica para seu personagem. Fora isso nada de muito digno de nota. Em termos de "O Exorcista" isso é pouco, muito pouco, temos que convir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Homeland

Título no Brasil: Homeland
Título Original: Homeland
Ano de Produção: 2011 - 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Showtime
Direção: Michael Cuesta, Lesli Linka Glatter
Roteiro: Henry Bromell, William Bromell
Elenco: Claire Danes, Damian Lewis, Morena Baccarin

Sinopse: Após ficar longos anos prisioneiro de grupos radicais islâmicos o fuzileiro naval Nicholas Brody (Damian Lewis) retorna aos Estados Unidos mudado. Resgatado por tropas americanas e recebido em seu país como um herói na guerra contra o terrorismo ele esconde um segredo. Convertido ao islamismo se torna peça chave de retaliação contra os altos escalões do governo americano. Para investigar a ligação de Brody com grupos terroristas a CIA envia a agente Carrie Mathison (Claire Danes) para o caso. Ela porém acaba descobrindo muito mais embaixo de toda a imagem ufanista construída em torno de Brody.

Comentários:
"Homeland" é outra ótima série atualmente em cartaz na TV americana. Produzida pelo canal Showtime (o mesmo de "Dexter"), o seriado se tornou uma febre conquistando até mesmo a audiência do presidente Obama. Eu sou fã assumido. No momento estou começando a conferir a terceira temporada. Todos os personagens já estão bem delimitados e as peças do grande xadrez que formam a trama de "Homeland" já estão sobre a mesa. A interpretação da agente bipolar vivida por Claire Danes é um achado. Ela realmente incorpora os maneirismos, os olhares perdidos e os desafios pelos quais uma pessoa em sua condição passa. Nessa nova temporada temos mais um grande ator adicionado no elenco, o sempre ótimo F. Murray Abraham. Ele havia aparecido timidamente nos últimos episódios da temporada anterior mas agora assume um papel melhor já que depois do grande atentado que fechou a segunda temporada vários personagens foram simplesmente eliminados! Para quem pensa que a guerra contra o terrorismo é algo simples de entender, com vilões e mocinhos bem definidos, "Homeland" é uma ótima pedida.

Pablo Aluísio.

Linha de Frente

Título no Brasil: Linha de Frente
Título Original: Homefront
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Millennium Films, Nu Image Films
Direção: Gary Fleder
Roteiro: Sylvester Stallone, Chuck Logan
Elenco: Jason Statham, James Franco, Winona Ryder, Kate Bosworth 

Sinopse: Após trabalhar como infiltrado numa missão que não acaba bem, o agente da Interpool Phil Broker (Jason Statham) decide se mudar para uma cidadezinha do interior para criar sua pequena filha em uma região mais pacata e tranquila. Sua paz porém chega ao fim quando uma confusão banal, envolvendo sua filha e um colega de classe, acaba desencadeando uma série de acontecimentos sem controle, principalmente após o traficante Morgan 'Gator' Bodine (James Franco) descobrir a verdadeira identidade de Broker.

Comentários:
"Linha de Frente" é um projeto bem pessoal do ator Sylvester Stallone. Ele roteirizou e produziu o filme mas ao invés de estrelar essa boa fita de ação resolveu escalar seu amigo Jason Statham no papel principal. O resultado dessa dobradinha se revelou muito boa. Não é um filme de pancadaria pela pancadaria, Stallone desenvolveu toda uma situação em que os eventos vão acontecendo aos poucos. O tira interpretado por Statham só quer mesmo sossego e paz para seguir com sua vida em frente mas seu passado, envolvendo mortes de uma gangue de motociclistas que ele desbaratou, volta para lhe assombrar. James Franco por sua vez interpreta um traficante cruel mas pé de chinelo que quer ganhar muito dinheiro cozinhando metanfetamina, em um reflexo do recente sucesso da série de TV Breaking Bad. Como não poderia deixar de ser nesse tipo de produção alguns clichês se fazem presentes mas nada que vá depor contra a qualidade do filme em si. No geral temos aqui realmente um bom filme de ação valorizado ainda mais pela presença de Winona Ryder (que andava meio desaparecida) como uma prostituta. Enfim, assista sem medo pois vale de fato a pena.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - American Crown Jewels Parte 2

Vamos voltar ao começo da década quando Elvis acabara de voltar do exército. O ano de 1960 foi, sem dúvida, excelente para a carreira do cantor. Após três músicas em primeiros lugares, uma evolução vocal absurda, bem sucedidas incursões no cinema e sessões de gravação de alta qualidade, parecia que Elvis estava pronto para dominar a década de ponta a ponta. Mas não foi o que aconteceu. Preso a contratos de cinema Elvis passou a década sendo obrigado a fazer um filme ruim atrás do outro. Os detalhes dessas guinada negativa da carreira de Elvis são por demais complexos, e merecem um artigo a parte. Mas saibam só que suas razões são, de forma simplificada, as seguintes:

01. Elvis foi vítima de um fenômeno terrível que assola qualquer profissional: a substituição do interesse artístico pelo financeiro. Não que Elvis tenha feito isso. Os responsáveis foram os gananciosos estúdios de Hollywood que de arte não entendiam nada e o principal responsável por afundar a carreira de Elvis, Coronel Tom Parker. O Coronel sacrificou Elvis o cantor, por Elvis o ator medíocre que atuava em 3 filmes ridículos por ano, que eram entupidos de garotas bonitas, cenários paradisíacos, histórias pífias e irreais e muitas, mas muitas músicas ruins.

02. A vinda dos Beatles e de outras bandas que compunham material próprio. Até então, era raro um cantor que escrevesse suas músicas. Elvis, por exemplo, possuía uma companhia musical responsável por contratar escritores para compor para ele. Ocorre que na década de 60, os grandes compositores, ou montavam suas próprias bandas, ou se aventuravam no cenário independente. Resultado: Elvis ficava a mercê de escritores ruins, cujas músicas eram compradas a preço de banana pela Hill Range (companhia musical responsável por grande parte do catálogo de Elvis). Os poucos escritores que ainda escreviam material mais contemporâneo viam portas sendo batidas em suas caras quando ofereciam músicas de qualidade para Elvis que, infelizmente, não era compositor.

03. O próprio Elvis que assumiu uma atitude exacerbadamente passiva em relação a tudo isso. Nenhum roteiro de filme era contestado e nenhuma música das trilhas era excluída, por pior que fosse. E nas poucas vezes em que se insurgiu contra tudo isso, Elvis foi rapidamente manobrado pelo Coronel. Logo ele, que tinha uma dificuldade enorme em confrontar pessoas e situações adversas. Além disso, não esqueçamos o fato que Elvis decidiu se afastar o mais que pôde da década de 50 em sua cabeça. Afinal, foi a época mais feliz de sua vida e o principal, sua mãe estava com ele. Lembrar dos anos 50 era lembrar de Gladys. E essa lembrança, misturada com comparações inevitáveis com a atualidade da época, onde ele estava preso a contratos sem futuro e em um esquema fonográfico que estava assassinando toda sua criatividade musical, fizeram com que Elvis negasse a década de 50 em sua cabeça, sempre a taxando “coisa de criança”. Essa atitude seria levada até os dias finais de sua morte, fato que explica o porquê do seu desrespeito com muitos dos clássicos dessa década, nos shows dos anos 70.

A situação foi piorando, até que em meados de 68 Elvis era literalmente irrelevante no panorama musical e motivo principal de chacota nos cinemas. O Coronel e a gravadora estavam preocupados, e até eles sabiam que mudanças deveriam ser feitas. A trilha de Speedway foi o maior fracasso de vendas de Elvis até então e a gravadora se recusou a lançar outra trilha. Apesar de, desde 66 Elvis ter lançado um single bom atrás do outro e de estar claramente se voltando mais e mais para suas raízes, a coisa não estava boa. Singles como Guitar Man e Big Boss Man foram ignorados pelo público. Elvis agora estava casado e era pai. Foi nesse contexto que uma das maiores viradas de mesa da história da música começou a acontecer. Durante os anos de 68 e 69 Elvis iria voltar com tudo às paradas musicais e novamente iria cair nas graças do público e crítica. Uma fase tão boa quanto os próprios anos 50, mas com um diferencial, Elvis estava mais maduro e determinado a conseguir material de melhor qualidade e relevância.

A volta de Elvis foi sedimentada em três pilares. O primeiro foi o especial de tv na NBC conhecido como o 68 Comeback Special, cujo principal mérito foi mostrar ao mundo que Elvis não só estava vivo musicalmente, mas também que estava, tardiamente, porém, não tarde demais, pronto para retomar sua coroa de Rei do Rock de volta. O segundo pilar foram as sessões de gravação no American Studio de Chip Momam no início de 69, tema do nosso texto, que iriam trazer o nome de Elvis de volta as paradas e mostrar um Elvis cantando músicas mais profundas e de qualidade. O terceiro pilar foram os arrebatadores shows de Elvis em Vegas em agosto de 69 que de acordo com o baixista Jerry Scheff: “aquilo era punk rock!”. Esse terceiro pilar consolidou Elvis como o rei dos palcos e atração número um no país, após uma ausência de sete anos dos palcos.

Após o especial de 68 era imprescindível o lançamento de um álbum novo que desse seguimento ao “Comeback”. O primeiro local de gravação cogitado foi Nashville, onde Elvis havia passado a década gravando. Só que o desgaste provocado durante os anos e a própria falta de inovação artística que ele representava desestimulou Elvis. Além disso, a última sessão em Nashville no início de 68 que tinha a intenção de gravar um álbum foi um fracasso, pelo fato da companhia Hill & Range simplesmente não conseguir mais fornecer boas músicas a Elvis, que dirá hits. Então, como Elvis acabou gravando no American? Antes de responder essa pergunta é necessário explicar a situação do estúdio na época e o porquê de toda a empolgação de gravar no American.

Continua...

Victor Alves.