terça-feira, 29 de abril de 2014

Elvis Presley - It Happened At World's Fair, 1963

Elvis Presley - It Happened At World's Fair, 1963
No outono de 1962 Elvis começou as filmagens de It Happened At World's Fair (loiras, ruivas e morenas, 1963). Mas esta não seria uma produção isenta de problemas. Logo no começo dos trabalhos Elvis reclamou a seu empresário da qualidade do material da trilha sonora, achava as músicas muito fracas. Depois Elvis teve que se deslocar para Seatlle, para as tomadas externas e novos aborrecimentos surgiram. Como as gravações eram feitas ao ar livre e durante a feira mundial, as cenas sofreram várias interrupções em decorrência do assédio dos fãs, tornando tudo mais longo e demorado.

Além disso o cantor não gostou nada do roteiro e muito menos do script, ele queria papéis mais sérios e estava insatisfeito com os que Hollywood lhes dava. Elvis queria fazer personagens com mais profundidade e não apenas comédias musicais românticas. Elvis nunca entendeu que grandes astros não esperam e nem pedem bons papéis, eles exigem. Para piorar ainda mais, as filmagens ocorreram durante a crise dos mísseis de Cuba, um dos momentos mais tensos entre EUA e URSS, quando o mundo chegou bem perto de uma guerra nuclear entre as duas potências. Enfim, desde o começo estava previsto que esse não seria um projeto fácil para o cantor e a equipe técnica. Apesar de tudo o filme foi completado dentro do cronograma. A estória tratava do romance entre um piloto de avião e uma enfermeira do hospital, durante a feira mundial de Seattle. Como resultado final o filme fez sucesso e apesar de todas as críticas o público prestigiou.

Single nas lojas
One Boken Heart for Sale (Otis Blackwell / W. Scott) - Elvis tinha razão, as músicas deste filme deixavam muito a desejar. A trilha de "It Happened At World's Fair" é considerada a pior de toda a carreira de Elvis. Além de ser muito ruim é muito curta (menos de 30 minutos). A reclamação dos fãs foi geral e a crítica caiu em cima do disco. Como fato preocupante foi o primeiro single de Elvis a não atingir o top ten da Billboard, conseguindo apenas a décima primeira posição. O álbum saiu-se melhor e vendeu bem, conseguindo a quarta posição entre os mais vendidos. They Remind Too Much Of You (Don Robertson) - O sempre correto Robertson escorrega um pouco com essa canção. Não que ela seja ruim, mas que fica abaixo do esperado fica, principalmente por se tratar de um single de Elvis. É, no fim das contas, apenas uma canção romântica pop de rotina. O Single foi lançado em janeiro de 1963.

Pablo Aluísio.

Premonição 2

Título no Brasil: Premonição 2
Título Original: Final Destination 2
Ano de Produção: 2003
País: Estados Unidos
Estúdio: New Line Cinema
Direção: David R. Ellis
Roteiro: J. Mackye Gruber (screenplay), Eric Bress
Elenco: A.J. Cook, Ali Larter, Tony Todd

Sinopse:
Kimberly Corman (A.J. Cook) sobrevive a um acidente de carro onde muitas pessoas morrem tragicamente. Mesmo com inúmeras dificuldades ela acaba salvando pessoas que estavam prestes a morrer. Ao interferir no caminho natural dos acontecimentos ela acaba, sem saber, a se envolver em campos misteriosos que a mente humana não compreende perfeitamente. Agora todos os que ela salvou deverão de uma forma ou outra encontrar seu fim.

Comentários:
Segundo filme da franquia Premonição que mantém a mesma estrutura de roteiro e argumento do primeiro filme. Da safra mais recente de séries de terror no cinema essa "Final Destination" tem se revelado das mais lucrativas, enchendo os bolsos dos executivos da New Line. Algumas soluções do roteiro são até bem boladas, embora outras soem extremamente forçadas e algumas até mesmo sem nexo. Curiosamente o filme não tem um vilão psicopata ou assassino que saia com facão nas mãos matando a galerinha jovem. Talvez esse seja o grande diferencial do filme. O vilão, se é assim que podemos chamar, é a própria morte, entidade que ganha traços de personalidade ao se ver contrariada em seu serviço de ceifar vidas. Quando a jovem Kimberly salva alguém de morrer e cumprir seu destino a própria morte arranja uma nova maneira de acabar com a vida dos que foram salvos por ela. Seria uma espécie de acerto de contas do destino. De uma forma ou outra, embora pareça uma ideia simples, a franquia acabou caindo no gosto dos fãs de terror a ponto inclusive de ter sido indicado ao Saturn Award como melhor filme de terror no ano de seu lançamento. Agora na TV você terá mais uma boa oportunidade para conferir se o filme merece mesmo todo esse sucesso de crítica e público.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Jerry Lee Lewis - Great Balls of Fire

Foi o maior sucesso da carreira de Jerry Lee Lewis. Chegou ao primeiro lugar da Billboard e consagrou o jovem cantor e pianista. Para muitos Lewis seria naquele momento o sucessor natural de Elvis Presley nas paradas, já que Presley estava deixando sua carreira de lado para ir servir o exército americano na Alemanha. Embora tenham tido trajetórias parecidas - Lewis despontou na mesma Sun Records que descobriu Elvis - a verdade era que ambos eram bem diferentes entre si. O maior problema de Lewis era sua impulsividade, suas decisões tomadas sem medir as consequências. No palco Lewis gostava de colocar fogo em seu piano e isso fazia parte do jogo mas na vida pessoal ele também tocou fogo em sua imagem. Casou-se com uma prima adolescente muito jovem - que para piorar parecia uma garotinha - e quando foi para a Inglaterra fazer sua turnê entrou em atrito com a imprensa britânica. Depois disso e da revelação que estava casado com uma menininha sua carreira foi ladeira abaixo.

O pico de sucesso de Jerry Lee Lewis foi muito breve. Praticamente durou apenas três singles! O primeiro com "Crazy Arms / Whole Lotta Shakin' Goin' On", seu primeiro compacto, vendeu muito bem, se destacando nas paradas. Então logo após veio esse "Great Balls of Fire" com "You Win Again" no lado B. Foi seu auge. O terceiro e último sucesso de Jerry foi a ótima Breathless" (com "Down the Line" no lado B) que chegou na sétima posição. Quando "High School Confidential" chegou nas lojas ele já estava sentindo os efeitos da maré baixa. Ninguém tira os méritos de Jerry Lee Lewis como cantor e intérprete, ele de fato foi grande mas não soube administrar os aspectos mais importantes de sua carreira. De uma forma ou outra conseguiu à duras penas sobreviver no meio country nos duros anos que viriam pela frente. Foi um sobrevivente realmente. Já em termos de "Great Balls of Fire" não há muito o que dizer pois é realmente um dos melhores rocks de todos os tempos. Gravação perfeita em ótima melodia. Na verdade foi a música que definiu toda a sua história e aquela pela qual será lembrado no futuro.


Great Balls of Fire (Otis Blackwell - Jack Hammer) - You shake my nerves and you rattle my brain / Too much love drives a man insane / You broke my will, but what a thrill / Goodness, gracious, great balls of fire / I laughed at love 'cause I thought it was funny / You came along and moved me honey /  I've changed my mind, love is fine / Goodness, gracious, great balls of fire / Kiss me baby, woo feels good / Hold me baby / Girl you let me love you like a lover should / You're fine, so kind / I want to tell this world that your mine mine mine mine / I chew my nails and I twiddle my thumbs / I'm real nervous, but it sure is fun / Come on baby, drive me crazy / Goodness, gracious, great balls of fire!! / Kiss me baby, woo feels good / Hold me baby / I want to love you like a lover should / You're fine, so kind / I've got tell this world that your mine mine mine mine.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Depois da Terra (2013)

Título no Brasil: Depois da Terra
Título Original: After Earth
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: Gary Whitta, M. Night Shyamalan
Elenco: Will Smith, Jaden Smith, David Denman

Sinopse:
Mil anos no futuro o planeta Terra se tornou um lugar inabitável, destruído por anos e anos de abuso da humanidade. Os que sobreviveram agora habitam Nova Prime. Cypher Raige (Will Smith) é um general respeitado e condecorado que passa muito tempo longe de sua família. Após retornar de uma missão resolve fortalecer os laços com seu filho. Ao saírem juntos numa nave são surpreendidos por uma chuva de asteróides que os jogam em direção ao planeta Terra. Após caírem numa selva fechada terão que sobreviver para retornar ao seu lar novamente.

Comentários:
Foi bastante massacrado pela crítica americana em seu lançamento. Para se ter uma idéia foi indicado a pior filme do ano pelo Framboesa de Ouro, "vencendo" ainda nas categorias de pior ator (Jaden Smith) e pior ator coadjuvante (Will Smith). Na realidade não consegui achar tão ruim como dizem por aí. Certamente não traz maiores novidades no gênero Sci-fi e tampouco pode ser considerado original mas diverte, apenas isso. Os efeitos especiais são bem realizados e pontuais, discretos e não tomam o primeiro plano. O interessante é que o aspecto humano do roteiro, onde se desenvolve a relação entre pai e filho, não consegue marcar muito. Assim o que salva mesmo o filme "After Earth" do desastre completo é sua vocação para a aventura. Aliás o roteiro pode ser qualificado exatamente assim, não é uma ficção com ares ou pretensões de discutir questões existenciais (como "Blade Runner", por exemplo) e nem um drama familiar como quis passar o paizão Will Smith. É uma aventura, passada no futuro, em clima Sci-fi. Se você encarar dessa forma certamente irá ao menos se divertir por duas horas. Já está de bom tamanho não é mesmo?

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Con Air - A Rota da Fuga

Título no Brasil: Con Air - A Rota da Fuga
Título Original: Con Air
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: Simon West
Roteiro: Scott Rosenberg
Elenco: Nicolas Cage, John Cusack, John Malkovich, Ving Rhames, Steve Buscemi 

Sinopse:
Grupo de prisioneiros da mais alta periculosidade são transferidos para um novo presídio de segurança máxima em um vôo especial. Entre os criminosos está o serial killer Cyrus Grissom (John Malkovich). Dotado de um QI fora do normal ele pretende liderar uma rebelião em pleno vôo, para sequestrar o avião em direção a outro país, onde pretende finalmente recuperar sua liberdade. Cameron Poe (Nicolas Cage), outro prisioneiro condenado por um crime menor, deseja apenas cumprir sua sentença para ir embora dali sem maiores problemas e por isso se torna um empencilho para os planos de Cyrus, assim como o obstinado agente do FBI interpretado por John Cusack.

Comentários:
Em seu lançamento foi um grande sucesso de bilheteria esse "Con Air - A Rota da Fuga". É o típico filme da linha de produção de Jerry Bruckheimer. Trocando em miúdos, muita pirotecnia, cenas espetaculares de ação e ritmo alucinado. Eu me recordo bem que uma das sensações do filme foi o pouso espetacular da aeronave em plena rua principal de Las Vegas - onde o avião saia arrastando tudo por onde passava. Já era uma mudança nos efeitos especiais que agora eram feitos (com muita competência técnica) por computadores, nascendo os tais efeitos digitais que iriam dominar o cinema pipoca dali em diante. Outro ponto forte dessa produção é seu elenco, acima da média. Além de Nicolas Cage, com longos cabelos, ainda tínhamos John Cusack, como um agente federal que andava de sandálias havaianas e no grupo dos vilões dois ótimos atores, o psicótico John Malkovich e o estranho Steve Buscemi (sempre muito bom mas também sempre subestimado). Nos anos 90 "Con Air" foi um dos mais populares filmes de ação lançados. Hoje é uma boa oportunidade para rever a produção e matar as saudades.   

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 27 de abril de 2014

P.S. Eu Te Amo

Título no Brasil: P.S. Eu Te Amo
Título Original: P.S. I Love You
Ano de Produção: 2007
País: Estados Unidos
Estúdio: Alcon Entertainment, Grosvenor Park Productions
Direção: Richard LaGravenese
Roteiro: Richard LaGravenese, Steven Rogers
Elenco: Hilary Swank, Gerard Butler, Harry Connick Jr.

Sinopse:
Holly Kennedy (Hilary Swank) é uma mulher feliz, casada com um irlandês muito carismático chamado Gerry (Gerard Butler). Seus dias ao seu lado são de muito amor e afeto. Sua felicidade porém não dura muito. O marido acaba sendo vítima de uma doença fatal. Falecido precocemente a vida de Holly parece também finalmente ter chegado numa encruzilhada. Tudo parece perdido quando ela finalmente descobre que ele deixou uma série de cartas para guiá-la em sua vida. Isso irá lhe trazer um sentimento de presença do marido morto que lhe ajudará a passar pelas adversidades da vida.

Comentários:
Talvez as mulheres venham a gostar - eu achei um pouco piegas e chatinho além do normal. O casal não teve química em cena suficiente para sustentar um amor dessa magnitude. Tudo soa fake, até mesmo as tais cartas. Hilary Swank é uma atriz talentosa mas ela sempre desenvolve melhores trabalhos quando interpreta personagens femininas fortes, em dramas pesados. Sua personagem aqui é levemente destituída de maior interesse pois no fundo não passa de uma heroína romântica de livros açucarados de romance, daquelas bem exageradas, cuja paixão sobrevive por longos anos até mesmo à morte do marido. Gerard Butler também me pareceu mal escalado para seu papel. Não encaixou bem sua atuação. Se o personagem principal do livro que originou o filme era um irlândes cheio de vida, extrovertido e alegre, aqui temos um Butler apenas pagando mico, exagerado também, beirando à simples bobeira. Em conclusão é um romance que parece ter tido uma escolha de elenco equivocada. Mesmo assim se você é uma romântica inveterada, arrisque, possa ser que venha a gostar, quem sabe.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 26 de abril de 2014

Procura-se um Amor que Goste de Cachorros

Título no Brasil: Procura-se um Amor que Goste de Cachorros
Título Original: Must Love Dogs
Ano de Produção: 2005
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Gary David Goldberg
Roteiro: Claire Cook, Gary David Goldberg
Elenco: Diane Lane, John Cusack, Elizabeth Perkins

Sinopse:
Sarah Nolan (Diane Lane) é uma mulher de trinta e tantos anos de idade, recém-divorciada, que tem uma família que está seguindo seus próprios rumos sem se importar necessariamente com a sua vida afetiva e emocional. Como Sarah acaba se tornando uma solitária sua irmã coloca um anúncio em um site de encontros na internet para ela. Uma das poucas exigências é que o eventual parceiro goste da companhia de cães, como ela. O anúncio acaba chamando a atenção de um jovem professor que também está em busca de um novo romance. Será que dará certo?

Comentários:
"Must Love Dogs" é uma desses filmes românticos bem leves com clima indie que certamente agradará ao público feminino acima dos trinta anos. Esse tive inclusive a oportunidade de assistir no cinema com uma grande amiga que não vejo há anos. O interesse para cinéfilos em geral virá certamente do bom elenco e da direção mais caprichada. John Cusack está muito adequado em seu papel. Ele sempre fica muito bem nesse tipo de personagem, a do bom sujeito, levemente tímido mas cheio de boas intenções que geralmente acaba ficando sozinho por se envolver demais com as mulheres erradas para seu perfil. Diane Lane, sempre elegante, acrescenta um charme a mais nessa equação. Assim indico o filme para quem gosta de romances na maturidade, sem aquelas bobagens típicas de namoricos adolescentes, afinal de contas duas pessoas na faixa dos trinta e tanto já sabem muito bem o que querem na vida e o relacionamento entre elas é sempre muito mais rico e consistente do que as bobocas paixões entre jovenzinhos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Exorcista - O Início

Título no Brasil: Exorcista - O Início
Título Original: Exorcist - The Beginning
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: Morgan Creek Productions, Dominion Productions
Direção: Renny Harlin
Roteiro: William Wisher Jr, baseado na obra de William Peter Blatty
Elenco: Stellan Skarsgård, Izabella Scorupco, James D'Arcy

Sinopse:
Uma igreja católica é encontrada nas areias do deserto de uma região inóspita e desconhecida da África. A construção datada do século V intriga os pesquisadores. O Vaticano então envia o jovem Padre Francis para a região e lá ele acaba encontrando Merrin, um outro sacerdote católico que passa por uma profunda crise de fé e que agora se dedica a pesquisas arqueológicas. O que inicialmente parece ser um templo dedicado ao anjo Gabriel acaba se revelando algo mais, um lugar misterioso, de passado tenebroso, que parece esconder sua verdadeira origem diabólica.

Comentários:
Alguns filmes merecem uma segunda chance. Esse "Exorcista - O Início" foi tão malhado! Não merecia, pois acho um grande filme, sim, isso mesmo, filmaço! Além de contar os primórdios do diabo de "O Exorcista" o filme ainda conta uma bela história de perda e recuperação da fé em Deus. O padre Merrin perdeu sua fé em Deus por causa de um massacre promovido por nazistas no qual ele foi colocado na péssima posição de escolher quem iria morrer e quem iria viver entre aquelas pessoas inocentes. A crueldade, tão típica do regime nazista, deixa perplexo o religioso que clama pela presença de Deus ali. O oficial nazista então lhe diz uma frase marcante que irá abalar sua fé: "Padre, Deus não está aqui!". Depois disso Merrin vagou pelo mundo em busca de algum sentido para sua vida. Os anos passam. A arqueologia lhe trouxe algumas respostas pois era algo concreto. Então ele acaba aceitando a oferta de ir até um lugar distante na África onde uma Igreja católica de 1.500 anos foi encontrada. Dedicada ao Anjo Gabriel o lugar é completamente sinistro, sem altar, com apenas quatro estátuas enormes de anjos que parecem apontar suas lanças para um lugar central logo abaixo do tomo. É lá que Merrin irá encontrar respostas não apenas para o real significado da construção daquele local, mas também sobre a crise de fé pelo qual passa.

Achei ótimo o uso da lenda dos anjos decaídos (Lúcifer e seus comparsas) nesse roteiro. Foi um fio da meada perspicaz que acabou ligando tudo. A amostragem do passado, com cavaleiros cruzados em grandes massacres também foi muito bem inserida no roteiro. Os dois padres representam os dois lados opostos do sacerdócio, colocando em relevo a figura de um padre jovem e idealista, enviado pelo Vaticano, e a de um veterano, o próprio Merrin que está em uma crise de fé tão profunda que sequer quer mais ser chamado de padre! O filme perde um pouquinho o charme quando Sarah é finalmente possuída pelo demo mas temos que dar um desconto pois como esse foi uma produção comercial era necessário manter o interesse do público jovem. Mesmo assim as cenas do exorcismo propriamente ditas são boas e o final, com o Padre Merrin com a sua fé renovada, se dirigindo aos portões do Vaticano é muito simbólica. Fechou com chave de ouro um filme que merece ser assistido novamente. Já os críticos profissionais, aqueles mesmos que esculhambaram o filme, ora o que eles sabem? São uns bobocas com camisas pretas de bandas de rock capengas. São apenas uns bobocas pop petulantes. Ignore toda essa corja e vá assistir esse "Exorcist: The Beginning" com a mente aberta, sem preconceitos. Garanto que você vai gostar.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

O Pai da Noiva 2

Título no Brasil: O Pai da Noiva 2
Título Original: Father of the Bride Part II
Ano de Produção: 1995
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures
Direção: Charles Shyer
Roteiro: Albert Hackett, Frances Goodrich
Elenco: Steve Martin, Diane Keaton, Martin Short

Sinopse:
O Pai da noiva do primeiro filme, o Sr. Banks (Martin), descobre para sua grande surpresa que será pai novamente pois sua esposa está grávida! A paternidade tardia certamente virará sua vida de cabeça para baixo!

Comentários:
O primeiro filme com Steve Martin, "O Pai da Noiva", nada mais era do que um simpático remake de um filme clássico estrelado por Spencer Tracy. Mostrava as confusões e sentimentos conflitantes que se abatia sobre um pai nas vésperas de casamento de sua única filha. Além dos enormes gastos havia ainda a triste constatação por parte do pai de que sua amada garotinha havia crescido, se casaria com um homem e sairia de casa para sempre. O filme original sempre foi considerado uma das mais cativantes produções da era de ouro de Hollywood. Embora inferior o remake com Steve Martin também era muito bom, acima da média. Tinha uma mistura de ternura e comédia que funcionava muito bem. Como fez grande sucesso o estúdio, obviamente visando lucro fácil, resolveu investir em uma sequência. Péssima decisão...

Esse "O Pai da Noiva 2" é um prato requentado que tenta contar a mesma estória duas vezes. O pior é que não contente em ser oportunista ainda exagera no tom, quebrando uma das coisas que era um dos maiores méritos do filme anterior, a sutileza e a fina elegância. Nessa continuação tudo parece bem fora do convencional, os roteiristas sem rumo a tomar resolveram até mesmo criar uma absurda história em que o sr. George Banks (Martin) se descobriria pai naquela altura de sua vida! Que grande bobagem! Até o personagem Franck Eggelhoffer (Martin Short) que tanto sucesso fez no filme anterior retorna, de forma bem gratuita aliás. O equívoco é tão claro que até mesmo a fina e elegante Diane Keaton se perde no meio de muitas caras e bocas. Em suma, não adiante perder tempo com essa continuação. Se o enredo lhe atrair de alguma forma prefira ver o clássico original com Spencer Tracy ou então o próprio filme com Steve Martin, que ainda pode ser considerado bom, acima de tudo. Esse aqui é obviamente desnecessário e equivocado. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Colheita do Mal

Título no Brasil: A Colheita do Mal
Título Original: The Reaping
Ano de Produção: 2007
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros, Dark Castle Entertainment
Direção: Stephen Hopkins
Roteiro: Carey Hayes, Chad Hayes
Elenco: Hilary Swank, David Morrissey, AnnaSophia Robb
        
Sinopse:
Katherine Winter (Hilary Swank) foi, durante anos, uma engajada missionária da fé cristã. Sua postura em relação à religião mudou dramaticamente após uma tragédia familiar. Revoltada com o acontecimento deixou de acreditar em Deus. Agora ela ganha a vida desmascarando charlatões de todos os tipos, procurando explicar os fenômenos paranormais com a visão da ciência. Sua forma de analisar esses acontecimentos a leva até uma cidadezinha da Louisiana onde coisas completamente fora do normal estão acontecendo. Será que ela poderá também explicar o que se passa por lá?

Comentários:
Gostei bastante dessa produção. Em um primeiro momento fiquei com receio de assistir porque afinal de contas foi produzido pela Dark Castle que já colocou no mercado grandes bobagens no gênero terror mas como havia a talentosa Hilary Swank no elenco resolvi arriscar. Não me arrependi. O roteiro é muito bem escrito e mostra o duelo entre uma mente racional e científica perante fatos sobrenaturais inexplicáveis. A religião explica o que está acontecendo mas a pesquisadora se recusa a todo custo acreditar nesse ponto de vista. Assim que a personagem de Swank chega na região pantanosa onde fica a cidade ela começa a testemunhar o surgimento de eventos que remetem imediatamente às pragas bíblicas. Nuvens de insetos, sapos, mortes sem explicação e trevas. Os efeitos especiais são extremamente bem inseridos e estão à serviço da trama - bem ao contrário do que estamos acostumados a ver por aí. O elenco é todo mundo bom - bem acima da média para produções desse tipo - e a direção se mostra precisa. Um filme realmente muito bom, aliás surpreendemente bom.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Lenda do Tesouro Perdido

Título no Brasil: A Lenda do Tesouro Perdido
Título Original: National Treasure
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: Walt Disney Pictures
Direção: Jon Turteltaub
Roteiro: Jim Kouf, Cormac Wibberley
Elenco: Nicolas Cage, Diane Kruger, Justin Bartha

Sinopse:
Ben Gates (Nicolas Cage) é um persistente caçador de tesouros perdidos. Através de pesquisas históricas ele procura encontrar preciosidades que há muito foram enterradas pelas areias do tempo. Agora ele segue a pista de uma verdadeira fortuna em ouro e jóias que está escondido há séculos. Sua melhor pista pode estar na Declaração de Independência dos Estados Unidos, só que ter acesso ao documento original não será nada fácil.

Comentários:
Velhas fórmulas parecem ainda dar certo comercialmente quando se coloca toda uma nova roupagem para se passar por algo novo. Esse "National Treasure" tem elementos de vários outros filmes, especialmente os da série "Indiana Jones" e das tramas de livros ao estilo "Código da Vinci", mas jogados em um caldeirão até podem surgir como algo novo para os marinheiros de primeira viagem. Infelizmente como se pode notar logo nas primeiras cenas o fator originalidade não é o forte por aqui. Além disso essa coisa de teorias da conspiração envolvendo aspectos do passado já deu o que tinha que dar. Se já era forçado demais nos livros de Dan Brown imagine aqui, que é uma cópia da cópia. Cage, desesperado por algum sucesso de bilheteria, pelo menos no aspecto comercial acertou uma. Sim, apesar de não trazer nada de novo o filme fez sucesso comercial, impulsionado por uma agressiva campanha de marketing! Mas após o filme acabar não há propaganda que consiga convencer o espectador mais consciente de que ele não acabou de ver um pastel de vento, pois cinematograficamente é justamente isso que esse filme é. Os anos passam mas o produtor Jerry Bruckheimer não toma jeito mesmo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Amanhecer Violento

Título no Brasil: Amanhecer Violento
Título Original: Red Dawn
Ano de Produção: 2012
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Dan Bradley
Roteiro: Carl Ellsworth, Jeremy Passmore
Elenco: Chris Hemsworth, Isabel Lucas, Josh Hutcherson

Sinopse:
Um grupo de jovens decide enfrentar ele mesmo uma invasão estrangeira em sua cidade natal nos Estados Unidos. Com a galera armada até os dentes eles esperam pelas tropas inimigas para um confronto final e sanguinário. Remake do famoso filme da década de 1980. Vencedor do People's Choice Awards na categoria "Melhor Filme de Ação do Ano". Indicado ao Framboesa de Ouro na categoria "Pior Remake". Indicado ao Teen Choice Awards na categoria Melhor Ator (Chris Hemsworth).

Comentários:
Quem viveu os anos 80 certamente se lembra de "Amanhecer Violento", filme bem meia boca que procurava tirar partido de um elenco jovem e popular entre os adolescentes para faturar uma grana fácil. Pois bem, era aquele típico filme que passava anos pegando poeira nas locadoras da vida. Tudo bem, era fruto de uma época certamente, então quando você pensa que a crise de criatividade em Hollywood chegou ao fundo do poço eles te surpreendem retirando do esquecimento até mesmo as mais banais fitas do passado. A ideia de reunir atores jovens e bonitões enfrentando estrangeiros malvados parece que ainda atrai a atenção dos produtores. Eis então esse remake, feito em cima do mesmo argumento de antes. Tudo bem, na Guerra Fria isso ainda tinha algum sentido (não muita, mas vá lá) mas se deparar com algo assim nos dias de hoje?! Ficou sem noção nenhuma. Ok, tem algumas boas cenas de ação - até bem realizadas - mas no geral segue a sina do filme original, bem meia boca e completamente descartável. Só agradará mesmo as adolescentes na faixa de 13 a 15 anos que ainda acreditam em príncipes encantados.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Reino de Fogo

Título no Brasil: Reino de Fogo
Título Original: Reign of Fire
Ano de Produção: 2002               
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Spyglass Entertainment, Touchstone Pictures
Direção: Rob Bowman
Roteiro: Gregg Chabot, Kevin Peterka
Elenco: Matthew McConaughey, Christian Bale, Izabella Scorupco

Sinopse:
O mundo está devastado desde que um lendário dragão foi acordado de seu sonho milenar. Agora, de volta aos céus, o monstro destrói tudo por onde anda. Dois homens, Quinn Abercromby (Bale) e Denton Van Zan (McConaughey), resolvem se unir para destruir a terrível ameaça. Filme indicado na categoria "Melhor Filme de Fantasia" da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films e vencedor na categoria "Melhores Efeitos Especiais" no prêmio Sitges.

Comentários:
Dragões e lobisomens não estão tendo ultimamente muita sorte no universo Sci-fi. Fitinhas B de baixo orçamento, verdadeiras porcarias estão sendo lançadas todos os anos com esses dois monstros. O que nos leva a ir atrás no passado em busca de filmes realmente bons sobre o tema. Aqui temos aquele que talvez seja o melhor filme com dragões já realizado. "Reign of Fire" é um achado, uma grande mistura de referências de vários filmes que juntos acabaram dando muito certo. Ótimos efeitos especiais, muita ação e uma trilha sonora pesada garantem grande diversão ao espectador. Some-se a isso um elenco realmente classe A e você terá de fato um filme imperdível. Esse tive a oportunidade de assistir no cinema e digo que com a potência do Dolby Stereo a coisa fica ainda mais impactante. De qualquer maneira, mesmo na telinha, funciona excepcionalmente bem. Uma grande dica para conferir hoje na sua TV a cabo. Não vá perder!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Mulheres Perfeitas

Título no Brasil: Mulheres Perfeitas
Título Original: The Stepford Wives
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures, DreamWorks SKG
Direção: Frank Oz
Roteiro: Ira Levin, Paul Rudnick
Elenco: Nicole Kidman, Bette Midler, Matthew Broderick

Sinopse:
Imagine uma cidade onde todas as mulheres parecem perfeitas. Donas de casa impecáveis, resolvidas emocionalmente, felizes, bem cuidadas, com o cabelo arrumado e a maquiagem sempre maravilhosa. Nada de reclamações ou bobagens feministas. É nesse mundo completamente nos eixos que de repente uma nova garota chega. Todas as esposas são exemplares, todas se encaixam naquele modelo que todo homem sonha para si, que almeja um dia encontrar. Em Stepford todas as mulheres são exemplares. Lindas, bonitas, grandes donas de casa e nem um pouco feministas ou descontentes. Mas afinal, o que estaria acontecendo de errado por lá?

Comentários:
Esse filme "Mulheres Perfeitas" passou em branco quando foi lançado nos cinemas mas revisto hoje em dia soa bem curioso. Classificar o filme como uma ficção não seria muito correto, embora seu desfecho mostre claros sinais de tratar-se de uma produção com sabor Sci-fi. No fundo é uma crítica ao próprio machismo, que sempre espera um ser perfeito na companheira que escolheu como esposa. Como pessoas perfeitas não existem, o tom surreal da produção serve como denúncia e sátira ao mesmo tempo. O filme foi estrelado pela atriz Nicole Kidman que está mais bonita do que nunca. Usando uma maquiagem e um figurino que imita o estilo das pin-ups americanas dos anos 50 ela se destaca por sua beleza impressionante (ela fica muito bem nesse estilo retrô). "The Stepford Wives" foi dirigido por Frank Oz. Muitos certamente não se lembrarão assim de nome, mas os fãs de "Star Wars" não esquecem o fato dele ter sido a voz do mestre Jedi Yoda em cinco dos seis filmes da franquia. O que poucos sabem é que ele, além de ser um ator e animador bem produtivo (mais de 100 filmes no currículo), também sempre se revelou um diretor talentoso, bastando lembrar de "A Pequena Loja dos Horrores" (remake em tom de musical com a famosa planta carnívora) e "A Cartada Final" (o último filme da carreira de Marlon Brando). Infelizmente "Mulheres Perfeitas" não fez sucesso. O público americano não gostou da proposta do filme, isso porém não o impede de ser revisto com outros olhos hoje em dia. É uma produção curiosa, diria até ousada, que vale a pena ser redescoberta.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

The Temptations - My Girl

É uma das mais bonitas, belas e bem gravadas canções dos anos 60, mas curiosamente inicialmente ninguém a queria gravar. Ela foi escrita pelo talentoso compositor e músico Smokey Robinson. Sua intenção original era gravar a música com sua própria banda na Motown Records mas o chefão Berry Gordy achou a canção uma verdadeira porcaria, repleta de clichês por todos os lados. Assim Smokey desistiu de gravá-la com seu grupo vocal mas ainda tinha esperanças que alguém se interessasse por ela. Durante uma festa em Detroit ele encontrou casualmente o vocalista David Ruffin do grupo The Temptations. Smokey achava que Ruffin era um dos melhores cantores da Motown naquela época, embora fosse completamente subestimado pelos donos do selo, e pediu que ele a cantasse informalmente no quintal de sua casa. A interpretação de Ruffin encheu os olhos de Smokey de lágrimas pois ele era um daqueles artistas que cantavam com o coração. Ruffin por sua vez achou aquela melodia maravilhosa, embora a letra era, ainda em sua opinião, muito pueril e derivativa. De qualquer forma ele queria arriscar e gravar a canção com os Temptations.

Como eles eram do segundo escalão da Motown e não haveria maiores riscos ou pressão financeira sobre o grupo o produtor Berry Gordy finalmente deu carta branca para que fosse finalmente gravada. O resultado? O single lançado no natal de 1964 explodiu em vendas! Bastou apenas poucos dias para virar um dos maiores sucessos da gravadora em todos os tempos. O compacto que não tinha nenhum luxo, com capa em preto e branco feita de material barato, e que para falar a verdade nem tinha sido trabalhado direito pela gravadora, adentrou as paradas musicais com fúria, chegando ao primeiro lugar da Billboard Hot 100 em apenas uma semana do seu lançamento - um feito que surpreendeu a todos, inclusive Smokey Robinson que tinha escrito um hit que havia sido rejeitado por todos, inclusive por seus companheiros mais chegados. Quando o single chegou na marca de um milhão de cópias vendidas, Smokey pensou seriamente em  largar a Motown e se aventurar em Nova Iorque em busca de algum espaço, afinal de contas ele tomou consciência de que seu trabalho como compositor não estava sendo devidamente reconhecido em Detroit. Imagine, um dos maiores sucessos dos anos 60 havia sido qualificado como "porcaria" por Berry Gordy e seus asseclas. Como diria o ditado, nada melhor do que um dia após o outro.


My Girl (Smokey Robinson / Ronald White) - I've got sunshine on a cloudy day / When it's cold outside / I've got the month of May / I guess you'll say / What can make me feel this way / My girl (my girl, my girl) / Talking about my girl (my girl) / I've got so much honey / The bees envy me / I've got a sweeter song / Than the birds in the trees / Well I guess you'll say / What can make me feel this way / My girl (my girl, my girl) / Talking about my girl (my girl) / Ooooh, Hooooo / Hey, hey, hey / Hey, hey, hey / Ooooooooo yeah / I don't need no money fortune or fame / I've got all the riches baby / One man can claim / Well, I guess you'll say / What can make me feel this way / My girl (my girl, my girl) / Talking about my girl (my girl) / Talking about my girl / I've got sunshine on a cloudy day / With my girl / I've even got the month of may / With my girl.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O Morro dos Ventos Uivantes

Título no Brasil: O Morro dos Ventos Uivantes
Título Original: Wuthering Heighs
Ano de Produção: 1992
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Peter Kosminsky
Roteiro: Anne Devlin, baseado em livro de Emily Brontë
Elenco: Juliette Binoche, Ralph Fiennes, Janet McTeer, Sophie Ward, Simon Sheperd

Sinopse:
O enredo se passa no apagar das luzes do século XVIII em uma região rural e isolada da Inglaterra. É lá que vivem Catherine Earnshaw (Juliette Binoche) e Heathcliff (Ralph Fiennes). São irmãos adotivos. Embora tenham sido criados juntos um sentimento maior cresce entre eles. Os sentimentos porém não irão aflorar sem antes que eles passem por inúmeras experiências de vida.

Comentários:
Mais uma adaptação do famoso livro "O Morro dos Ventos Uivantes". São mais de vinte filmes explorando o universo dessa grande obra romântica. A primeira versão foi realizado em 1920 e a última há pouco, em 2011. Ao que tudo indica a estória de um amor que resiste a tudo e a todos bateu fundo no lado mais sentimental das pessoas. E curiosamente não importa a  geração pois o enredo de fato parece eterno. Essa versão dos anos 90 sempre é lembrada, embora não possa ser comparada ao clássico de 1939 que tinha no elenco atores maravilhosos como Laurence Olivier. Para se ter uma ideia até mesmo Charlton Heston interpretou o papel de Heathcliff na TV durante a década de 1950. Ainda prefiro a versão clássica de 1939. Via de regra eu sempre prefiro os clássicos. Não sei exatamente a razão mas me parece que o romantismo puro soava melhor há décadas atrás. Hoje em dia tem muito cinismo no ar, vira e mexe cai no piegas mas nos tempos dourados de Hollywood isso não acontecia. Aqui os destaques vão para a bela fotografia, pelo casal principal que realmente passa muita paixão na tela e principalmente pela inspirada trilha sonora. Não é a melhor versão do livro mas satisfaz plenamente quem ainda não viu nenhum dos filmes baseados no texto original. Fica então a dica desse romântico "O Morro dos Ventos Uivantes", cuja estória de amor é de fato atemporal.

Pablo Aluísio e Jùlio Abreu.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Medo da Verdade

Título no Brasil: Medo da Verdade
Título Original: Gone Baby Gone
Ano de Produção: 2007
País: Estados Unidos
Estúdio: Miramax Films
Direção: Ben Affleck
Roteiro: Aaron Stockard, Ben Affleck
Elenco: Casey Affleck, Morgan Freeman, Ed Harris, Amy Ryan, John Ashton

Sinopse:
A garota Amanda McCready (Madeline O'Brien) desaparece misteriosamente. Para investigar o caso a fundo dois detetives começam a procurar por pistas mas descobrem que há muito mais sob a mera aparência de um desaparecimento comum. A solução do mistério custará caro para todos os envolvidos. Filme indicado ao Oscar na categoria Melhor Atriz Coadjuvante (Amy Ryan). Também indicado na mesma categoria (Atriz Coadjuvante - Amy Ryan) no Globo de Ouro.

Comentários:
Baseado na obra de Dennis Lehane, esse filme foi a estréia do ator Ben Affleck na direção. Na época de lançamento do filme ninguém deu muita bola para esse fato até porque Affleck nunca foi considerado um grande ator, então a desconfiança sobre sua capacidade de dirigir era mais do que natural. Para surpresa de muitos porém Ben se superou e mostrou jeito para a coisa - a tal ponto que hoje em dia ele é reconhecidamente um bom cineasta, embora como ator continue bem canastrão. Além de ser bem dirigido o filme também tem um bom roteiro, com trama instigante (e pasmem mais uma vez, pois o script foi escrito pelo próprio Ben Affleck!). Talvez o único ponto realmente fraco dessa produção venha do elenco.  Casey Affleck não consegue empolgar em nenhum momento e parece até mesmo sonolento em cena! Se o filme tivesse alguém mais talentoso no quesito atuação certamente teríamos uma pequena obra prima, mas não tem jeito, essa coisa de atuar não parece ser o forte da família Affleck! Mesmo assim é aquele tipo de produção que vale a recomendação, nem que seja para apreciar as belas tomadas de cena captadas na bonita - mas também cinza - Boston em Massachusetts.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Adrenalina 2

Título no Brasil: Adrenalina 2
Título Original: Crank - High Voltage
Ano de Produção: 2009
País: Estados Unidos
Estúdio: Lionsgate, Lakeshore Entertainment
Direção: Mark Neveldine, Brian Taylor
Roteiro: Mark Neveldine, Brian Taylor
Elenco: Jason Statham, Amy Smart, Clifton Collins Jr.

Sinopse:
Chev Chelios (Jason Statham) é um assassino profissional que acaba mexendo com as pessoas erradas. Após entrar em confronto com os interesses da violenta máfia chinesa ele acaba caindo numa armadilha. Um chefe criminoso resolve roubar seu coração, colocando no lugar uma máquina movida a adrenalina. Isso coloca Chev numa busca alucinada por situações perigosas para não morrer do coração. Agora, no meio de uma fuga alucinada ele vai atrás de quem o colocou nessa delicada situação de vida ou morte.

Comentários:
Com esse filme "Crank: High Voltage" o cinema de ação atinge outro nível, mais intenso, mais exagerado e muito mais alucinado. Ao longo dos anos os filmes de ação entraram em uma competição para ver quem realizava a cena mais espetacular, as mais ousadas tomadas de violência e velocidade. Pois bem "Adrenalina" se propõe a romper todos esses limites. Em vista disso coisas como roteiro, atuação e direção ficam para trás. O que importa é imprimir um ritmo tão louco ao filme que o espectador por pouco não fica tonto. Vale a pena chamar a atenção também para o fato de que quando se exagera demais na dose a tendência é tudo acabar virando uma paródia. E é justamente isso que ocorre aqui. "Adrenalina 2" é tão over, tão exagerado, que acabou virando uma espécie de chanchada dos actions movies. As cenas parecem que foram escritas por alguém chapado de ácido, tamanho o absurdo das situações. O ator Jason Statham parece ter entendido bem isso e ultimamente tem optado por filmes de ação bem mais sóbrios. Bom para ele. De nossa parte fica a dica mas também o aviso: "Crank - High Voltage" é uma verdadeira loucura!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

10.000 A.C.

Título no Brasil: 10.000 A.C.
Título Original: 10,000 BC
Ano de Produção: 2008
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros, Legendary Pictures
Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Roland Emmerich, Harald Kloser
Elenco: Steven Strait, Camilla Belle, Marco Khan

Sinopse:
D'Leh (Steven Strait) vive no ano dez mil antes de Cristo. A civilização humana ainda é muito prmitiva mas alguns grupos já desenvolvem a consciência de que a união faz a força. Ao lado de um exército de guerreiros como ele, atravessa uma região selvagem repleta de feras e predadores tais como os enormes tigres dente-de-sabre. Apaixonado, luta para salvar a mulher que ama das mãos de um temido senhor da guerra.

Comentários:
O advento dos efeitos digitais de última geração abriram portas que antes seriam impossíveis de adentrar no cinema. De repente os diretores tiveram em suas mãos a oportunidade de recriarem todo um universo próprio, há muito perdido. O problema acontece quando os avanços tecnológicos não são acompanhados de criatividade e originalidade. Um exemplo temos aqui com esse "Dez Mil Anos Antes de Cristo". Sinceramente, o cineasta Roland Emmerich não consegue mudar seus cacoetes mais insuportáveis. Ele não consegue desenvolver nem minimamente qualquer personagem e se resume a ser um diretor de efeitos especiais pois seus filmes não passam disso. Ora, melhor entregar logo a direção a um programador de computador já que a função de diretor já ficou provado que ele nunca exerceu. O filme é tão vazio quanto seu argumento. O roteiro escrito pelo próprio Emmerich traz erros históricos brutais, largamente apontados em seu lançamento. Como se isso fosse importar a ele, já que realizar blockbusters sem conteúdo algum parece ter definitivamente se tornado seu estilo pessoal. Assim melhor esquecer de fato esse filme extremamente bem realizado do ponto de vista técnico mas pessimamente desenvolvido em suas ideias.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Apóstolo Pedro e a Última Ceia

Título no Brasil: Apóstolo Pedro e a Última Ceia
Título Original: Apostle Peter and the Last Supper
Ano de Produção:
País: Estados Unidos
Estúdio: Scott White Productions
Direção: Gabriel Sabloff
Roteiro: Timothy Ratajczak, Gabriel Sabloff
Elenco: Robert Loggia, Bruce Marchiano, Laurence Fuller

Sinopse:
Durante o império de César Nero (54 – 68) o apóstolo de Jesus Cristo e um dos seus principais seguidores, aquele conhecido como Pedro (1 a.C – 67 d.C), chega ao coração do império, Roma. Pregando a palavra de um judeu morto por autoridades romanas na Judéia, ele afirma estar espalhando a boa nova, o evangelho. Sua atitude logo desperta a reação das autoridades. Levado a uma masmorra ele chama a atenção de um dos soldados que fazem a vigília em sua cela. Condenado, sua execução é marcada para acontecer em apenas três dias.

Mesmo com a iminência de sua morte na cruz o apóstolo não se desespera e nem suplica por perdão, pelo contrário, mantém a serenidade, dizendo-se feliz por reencontrar seu mestre Jesus. Intrigado o legionário de Roma lhe pede explicações sobre Jesus, cuja doutrina religiosa está se espalhando cada vez mais na cidade eterna e berço do grande império. De forma humilde e ponderada então Pedro começa a lembrar de seu messias, de suas histórias, suas pregações e milagres, causando uma profunda comoção no soldado que começa a enxergar uma nova realidade, uma nova filosofia de vida baseada na paz e no amor – algo completamente diferente do que lhe foi ensinado nas fileiras do exército de Roma.

Comentários:
Assistir a esse filme foi uma bela surpresa. Não pela produção que é bem modesta mas sim pelo seu texto, muito rico e bem escrito. Usando de fatos históricos permeados com pura dramaturgia o filme consegue manter o interesse baseado apenas no impacto da conversa de Pedro na prisão com um romano legionário que começa sua conversão nos últimos momentos de vida do apóstolo. Entre os principais aspectos positivos que vi aqui estão a sua estrutura teatral (que só conta pontos a favor) e a forma como Jesus é retratado nas memórias de Pedro. O Cristo que surge em cena é um figura radiante, sorridente, feliz, em boa interpretação do ator Bruce Marchiano. Na cena da última ceia outro recurso dramático de que gostei muito foi a apresentação da personalidade de cada um dos apóstolos em pensamentos íntimos, após Jesus revelar que um deles o trairia ainda naquela noite. Robert Loggia que interpreta Pedro é outro achado. Seu olhar, ora melancólico, ora contemplativo e glorioso traz muito significado ao grande homem da história do cristianismo. Embora nem tudo que apareça no filme esteja de acordo com as escrituras vale a pena ao cristão conhecer mais a fundo essa figura tão importante, aquele onde Cristo fundou as bases de sua igreja. Não é nada parecido com aqueles antigos épicos milionários do passado em Hollywood, mas sim uma produção muito simples e modesta que é salva pela grandeza de seu texto e sua mensagem. Um pequeno e belo filme que merece ser conhecido. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Van Helsing - O Caçador de Monstros (2004)

Título no Brasil: Van Helsing - O Caçador de Monstros
Título Original: Van Helsing
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Stephen Sommers
Roteiro: Stephen Sommers
Elenco: Hugh Jackman, Kate Beckinsale, Richard Roxburgh

Sinopse:
Van Helsing (Hugh Jackman) é um especialista do Vaticano que trabalha com eventos e manifestações paranormais. Assim a Igreja Católica envia o caçador de monstros e seu aliado, Carl, para a Transilvânia. Seu objetivo é localizar e destruir o Conde Drácula que, ao que tudo indica, é uma criatura das trevas, um vampiro que se alimenta de sangue humano para continuar sua existência terrena. Chegando na região, Helsing acaba se aliando a uma princesa cigana chamada Anna Valerious (Beckinsale), que está determinada a acabar com uma antiga maldição em sua família, sendo que para isso deverá destruir o milenar vampiro.

Comentários:
Muitos detonam essa produção, chamam de porcaria cheia de efeitos digitais e oportunismo cinematográfico. Bom, talvez seja, porém não há como negar que há filmes que mesmo em sua ruindade conseguem divertir caso sejam encarados como meras diversões descompromissadas. "Van Helsing" vai bem por esse caminho. Ninguém em sã consciência vai assisti-lo pensando em encontrar alguma obra prima do cinema. Na época de seu lançamento foi criada uma expectativa tola sobre suas qualidades cinematográficas e isso gerou decepção no público. Já hoje em dia revendo em exibições nas TVs a Cabo e no PC a coisa já não aparenta mais ser tão desastrosa. Pra falar a verdade revi recentemente e olha que me diverti pra valer. Primeiro porque achei aquelas vampiras gostosonas aladas uma boa pedida, segundo porque em nenhum momento o filme em si se leva à sério. É aquele tipo de fita que você sabe que não foi realizada para ser dissecada, analisada em profundidade, nada disso, é um popcorn por excelência, para ver com os amigos da escola numa tarde sem nada pra fazer. Olhando sob esse ponto de vista (que é o certo, afinal de contas) posso dizer que "Van Helsing" diverte pacas! Pode assistir sem receio algum.

Erick Steve.

Perigo Mortal

Título no Brasil: Perigo Mortal
Título Original: Hellbound
Ano de Produção: 1994
País: Estados Unidos
Estúdio: Cannon Group, Warner Bros
Direção: Aaron Norris
Roteiro: Ian Rabin, Anthony Ridio
Elenco: Chuck Norris, Calvin Levels, Christopher Neame

Sinopse:
Dois policiais de Chicago estão investigando o assassinato brutal de um rabino e acabam descobrindo que sua morte não se trata de um crime comum mas sim movido por obscuras razões religiosas. Para surpresa de ambos as investigações também acabam mostrando que eles não estão atrás de um assassino como outro qualquer, mas sim uma entidade sobrenatural de complicada definição!

Comentários:
Em determinado momento da carreira de Chuck Norris seus personagens foram ficando tão indestrutíveis que meros vilões humanos se tornaram banais. A solução então foi apelar para o paranormal. Dessa maneira, baseado nesse tipo de premissa, foi produzido esse curioso "Hellbound" onde Norris enfrentava nada mais, nada menos, do que o próprio diabo! Talvez por isso o filme ainda seja tão interessante. Veja, não espere uma produção classe A em uma fita como essa - tudo é muito precário, até mesmo a pequena introdução baseada na Idade Média soa falsa e mal realizada - mas sim muita diversão escapista com Norris mais uma vez encarnando um personagem que não leva desaforos para casa, nem mesmo de um encarnado do inferno! Curiosamente o filme, que não fez sucesso nenhum nos cinemas, foi bancado em Home Vídeo pela poderosa Warner que passou a ver o invocado Norris como uma boa opção de lucros no mercado de VHS. Afinal, ver Chuck Norris dando uns sopapos no próprio demo se tornava algo quase irresistível dentro de uma videolocadora! (lembra delas?).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Uma Equipe Muito Especial

Título no Brasil: Uma Equipe Muito Especial
Título Original: A League of Their Own
Ano de Produção: 1992
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Penny Marshall
Roteiro: Kim Wilson, Kelly Candaele
Elenco: Tom Hanks, Geena Davis, Madonna, Rosie O'Donnell, Bill Pullman

Sinopse:
Durante a II Guerra Mundial a liga de beisebol cria um campeonato disputado apenas por mulheres, uma vez que os homens estavam  lutando na Europa, no esforço de Guerra. Filme indicado ao Globo de Ouro nas categorias Melhor Atriz (Geena Davis) e Melhor Canção Original ("This Used To Be My Playground" de Madonna e Shep Pettibone). Indicado ao Grammy na categoria Melhor Canção Original ("Now and Forever" de Carole King).

Comentários:
Durante a Segunda Guerra Mundial a liga americana de beisebol ficou suspensa por causa do esforço de guerra. Com os homens lutando na Europa e no Pacífico não sobraram jogadores suficientes para compor os quadros das equipes. Sem alternativas tentou-se criar uma liga feminina de beisebol para substituir a ala masculina do esporte. Eu nunca tinha assistido a esse filme na íntegra, só cenas avulsas, uma parte aqui, outra acolá. Finalmente agora resolvi assistir de forma completa. Dentro da proposta do cinema convencional e familiar de Penny Marshall até que não é um filme ruim ou chato, muito pelo contrário. Muita gente torce o nariz ao tema, principalmente no Brasil, por causa do esporte retratado, o beisebol. Como os brasileiros não entendem bulhufas dele o filme naufragou nas bilheterias em nosso país. Devo dizer que isso não é empecilho para gostar ou não de "Uma Equipe Muito Especial", pois o roteiro centra muito mais na história das duas irmãs, que são as personagens principais, do que no esporte em si.

O elenco de apoio é muito bom, contando com Madonna (ainda com um visual que me lembrou muito sua carreira nos anos 80) e Rosie O'Donnell (antes de assumir publicamente que era lésbica, o que de certa forma afundaria sua carreira anos depois). A grandalhona Geena Davis, que hoje anda sumida, era um nome badalado no comecinho dos anos 90. Por fim temos ainda uma atuação um pouco destemperada e exagerada de Tom Hanks. Super premiado na época, ele aqui relaxa um pouco, chegando inclusive a lembrar seus personagens mais escrachados da década de 80. Seu personagem é a de um treinador beberrão e rabugento que no fim da carreira se vê na complicada missão de treinar um time de garotas! Outro ponto positivo dessa produção é saber que tudo foi baseado em fatos reais, como se pode ver nas cenas finais do filme, onde as verdadeiras jogadoras são homenageadas. Enfim, é uma boa diversão, tem seus problemas mas no final diverte. mesmo que você não entenda nada do que está acontecendo nos jogos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - Elvis e Linda

Assim que as negociações para o divórcio de Elvis e Priscilla tiveram início, Elvis conheceu Linda Thompson, com quem iria viver nos próximos quatro anos e meio a mais íntima e satisfatória relação de toda a sua vida. A data foi julho de 1972 em um cinema de Memphis, onde Elvis estava curtindo uma sessão noturna privativa. Linda Thompson era a nova Miss Tennessee 1972. Precisa dizer mais? Então lá vai: Linda era virgem. Todavia, logo depois desse encontro, Linda saiu de férias com a família por três semanas e Elvis não conseguiu encontrá-la. Desiludido, ele foi para a costa oeste começar os ensaios para a temporada de agosto em Las Vegas. Elvis estava com Kit quando ficou sabendo que Linda estava de novo em Memphis. Na mesma hora telefonou para ela e, na manhã seguinte, Linda estava desembarcando no aeroporto de Los Angeles. Elvis, que nunca acordava antes do meio dia estava à sua espera, nervoso como um garoto no seu primeiro encontro com a namorada. Naquela mesma noite, os dois voaram juntos para Las Vegas e kit foi logo esquecida. Linda ganhou o afeto de Elvis por ser coquete, engraçada, atenciosa, afetuosa, inteligente e leal. No começo, Elvis achou seu novo amor tão absorvente e satisfatório, que pela primeira vez em sua vida adulta, ficou cerca de um ano sem ver outra mulher.

Quando porém achou que a fidelidade o confinava em demasia e começou a inventar desculpas para dar suas escapadas, Linda encarou o desafio. Linda queria que nada lhe fosse escondido e ambos chegaram a um entendimento que proporcionou considerável liberdade para Elvis. Eles tornaram-se tão íntimos nesse assunto, que Elvis algumas vezes apresentava a Linda sua mais recente descoberta feminina e os três saíam juntos. Quando o encontro terminava, Elvis discutia com Linda sua nova descoberta, querendo saber sua opinião, se a gatinha serviria para ele. Finalmente Elvis tinha toda a liberdade sexual que queria, sem ter nenhum sentimento de culpa. Mas Elvis não conseguia esquecer Priscilla. Duas semanas depois de seu show Aloha From Hawaii, Elvis iniciou nova temporada em Las Vegas. Mas infelizmente ele começou a sofrer complicações respiratórias e um especialista recomendou-lhe que se internasse. Priscilla achava que Linda era uma boa influência sobre Elvis, como ela mesmo escreveu em seu livro "Elvis e eu": "A medida que os meses passavam, Linda Thompson tornou-se uma companheira constante de Elvis e achei que isso era bom para ele. Elvis começou a fazer viagens a Aspen e Hawaii, saindo mais, por causa da personalidade extrovertida de Linda. Quando conversávamos parecia bastante animado".

Essa opinião era compartilhada por todas as pessoas em volta de Elvis, Linda logo se tornou também querida de toda a Máfia de Memphis. Um dos caras da turma declarou: "Linda era um tipo de sopro de ar fresco comparada com o resto de malas sujas que nós tínhamos encontrado e que andavam com Elvis naquela época. Todos gostavam dela". Apesar de um começo promissor, conforme o tempo foi passando, Linda começou a enxergar a realidade à sua volta de uma forma diferente. O prolongado caso de Elvis com Linda chegou ao fim em 1976. Linda foi tudo que uma mulher poderia ser para Elvis: amante, mãe, esposa, filha e concubina. Ela demonstrou uma extraordinária capacidade de se adaptar à vida de Elvis e seu exasperado temperamento. No início, Linda era uma jovem apaixonada por um superstar e gostava de aparecer. Acima de tudo, Linda gostava da proximidade com o trono. Por essa época, ela cunhou a frase: "O poder é o maior dos afrodisíacos". Mas passados os primeiros dezoito meses, Linda começou a ver Elvis por um ângulo diferente, enxergando nele uma pessoa realmente doente, com várias complicações de saúde, como insônia e obesidade, um mulherengo extremado, um narcisista supremo e um homem totalmente avesso ao casamento. Gradualmente, Linda foi conduzindo seu affair com Elvis de acordo com a fórmula "romance igual a dinheiro", e nos anos seguintes ela tratou de conseguir tudo o que pudesse. Elvis comprou-lhe uma casa com piscina, perto de Graceland e deu-lhe 75 mil dólares somente para a decoração.

Linda ainda acumulou mais de um quarto de milhão de dólares em jóias dadas por Elvis, fora um guarda roupa completo, caríssimo, comprado todo nos melhores estilistas de moda da Europa e dos EUA. Mas não foi só, no último ano com Elvis, Linda obteve um apartamento em Los Angeles e começou a trabalhar como comediante sexy em um programa de TV. Percebendo que seu romance tinha se transformado num grande tédio e marasmo, Elvis decidiu acabar com o caso, pois ele estava interessado em uma nova mulher: Ginger Alden. Como Elvis tinha dificuldades de lidar com essas situações, ele incumbiu Joe Esposito de encontrar Linda e contar a decisão dele de colocar um ponto final no romance. Esposito ainda disse a Linda que ela retirasse todos os seus pertences de Graceland. Linda ficou irritada por levar um fora de um assistente de Elvis. Nunca mais se viram de novo. Linda foi até Graceland recolher todas as suas coisas e se despedir da avó de Elvis, Minnie Mae, que ficou muito decepcionada com o fim do romance. Para não ver sua partida, Elvis viajou até Nashville, pois ele queria evitar um confronto final. Quem também sentiu muito a partida de Linda foi Lisa Marie Presley, na época com apenas 9 anos, que gostava muito dela. Essa amizade dura até os dias de hoje.

Ray Charles - Hit The Road Jack

Ray Charles era cego mas não era bobo! Ao longo de sua vida colecionou uma infinidade de namoradas, amantes, esposas e aventuras. Se a mulher bobeasse caía na conversa do Ray. Não era raro ele ter mais de um caso com suas próprias vocalistas, algumas vezes com mais de uma, e tudo debaixo do nariz da própria esposa. Para um sujeito tão galinha não era de se admirar que de vez em quando ele levasse um toco de algumas de suas garotas que ficavam fartas de suas lorotas sem fim! E foi justamente numa ocasião dessas, quando uma delas cansada da galinhagem de Ray lhe disse a gíria "Hit The Road Jack" (algo como "Caia fora Jack!") que Ray teve a brilhante ideia de gravar essa irresistível canção de autoria do bluesman Percy Mayfield. Ele acrescentou mais pimenta no caldeirão e criou uma obra prima. Embora tenha uma origem pouco nobre, o fato é que "Hit The Road Jack" é um dos maiores clássicos gravados por Charles - um sucesso estrondoso que até hoje toca nas rádios e todo mundo conhece de cor e salteado.

A letra é das mais simples, basicamente uma mulher literalmente mandando seu amante embora para nunca mais voltar e ele respondendo com cinismo e irreverência singulares - "Agora, amor, ouça, amor, não me trate assim". O mais divertido de tudo é que quando Ray Charles foi apresentar a música pela primeira vez na TV americana ele estava tendo um caso com duas de suas vocalistas e o clima de "cachorrada" na apresentação ficou mais do que claro para quem assistiu. Ray aliás se segura para não cair na gargalhada, tal o clima de nonsense que se instala. Nesse mesmo dia nos bastidores o clima esquentou e o barraco se instalou completamente nos camarins do cantor! Imagine a baixaria! Para a gravadora ABC por outro lado isso não tinha a menor importância. Eles não estavam interessados em histórias de alcova mas em lucros! Lançado em single em outubro de 1961 a canção estourou nas paradas chegando ao primeiro lugar da cobiçada lista Billboard Hot 100, a principal da indústria fonográfica americana. No lado B a também interessante "The Danger Zone". Em suma, o que temos aqui é um sucesso memorável de um dos maiores nomes da música americana. E agora, pode cair fora Jack...

Hit The Road Jack (Mayfield - Charles) - (Hit the road, Jack and don't you come back no more, no more, no more, no more) / (Hit the road, Jack and don't you come back no more) / What you say? / (Hit the road, Jack and don't you come back no more, no more, no more, no more) / (Hit the road, Jack and don't you come back no more) / Woah, Woman, oh woman, don't treat me so mean / You're the meanest old woman that I've ever seen / I guess if you said so / I'd have to pack my things and go (That's right) / (Hit the road, Jack and don't you come back no more, no more, no more, no more) / (Hit the road, Jack and don't you come back no more) / What you say? / (Hit the road, Jack and don't you come back no more, no more, no more, no more) / (Hit the road, Jack and don't you come back no more) / Now baby, listen, baby, don't ya treat me this-a way / Cause I'll be back on my feet some day / (Don't care if you do 'cause it's understood) / (You ain't got no money you just ain't no good) / Well, I guess if you say so / I'd have to pack my things and go (That's right) / (Hit the road, Jack and don't you come back no more, no more, no more, no more) / (Hit the road, Jack and don't you come back no more) / (Hit the road, Jack and don't you come back no more, no more, no more, no more) / (Hit the road, Jack and don't you come back no more) / What you say? / (Hit the road, Jack and don't you come back no more, no more, no more, no more) / (Hit the road, Jack and don't you come back no more) / (Don't you come back no more) / (Don't you come back no more) / (Don't you come back no more) / (Don't you come back no more) / Well / (Don't you come back no more) / Uh, what you say? / (Don't you come back no more) / I didn't understand you! / (Don't you come back no more) / You can't mean that! / (Don't you come back no more) / Oh, now baby, please! / (Don't you come back no more) / What you tryin' to do to me? / (Don't you come back no more) / Oh, don't treat me like that! / (Don't you come back no more).

Pablo Aluísio e Erick Steve.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Hurricane - O Furacão

Título no Brasil: Hurricane - O Furacão
Título Original: The Hurricane
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Norman Jewison
Roteiro: Sam Chaiton
Elenco: Denzel Washington, Rod Steiger, Vicellous Reon Shannon, Deborah Kara Unger

Sinopse:
Rubin Carter (Denzel Washington) é um jovem negro americano que sonha em se tornar um campeão do boxe em seu país. Quando as coisas começam a dar certo em sua carreira ele é injustamente acusado pela morte de homens brancos em sua cidade natal. Levado a julgamento é condenado a uma dura e cruel pena de prisão. Baseado em fatos reais, com roteiro escrito a partir das memórias de Carter. Indicado ao Oscar de Melhor Ator (Denzel Washington). Vencedor do Globo de Ouro na categoria Melhor Ator (Denzel Washington) e indicado a Melhor Direção (Norman Jewison).

Comentários:
Ontem comentei aqui sobre o filme "Em Nome do Pai", uma produção baseada em fatos reais que contava a história de um homem que ficou por longos anos encarcerado sem ter qualquer culpa nos crimes que lhe imputavam. Pois bem, por uma dessas coincidências do destino ontem faleceu Rubin "Hurricane" Carter, outro personagem que sofreu na pele a injustiça de ser acusado e condenado por um crime que não cometeu. No caso de Carter a situação foi ainda pior pois há como um ingrediente fundamental em sua condenação o racismo, tão forte e presente ainda nos dias de hoje nos Estados Unidos, apesar de todos os esforços para mudar a mentalidade de certos setores daquela sociedade. Esse é um daqueles roteiros viscerais que todo grande ator sonha um dia cair em seu colo. Para Denzel Washington foi uma graça receber o convite para interpretar Hurricane. Afinal sua vida, repleta de momentos dramáticos e terríveis, era de fato um prato cheio para abocanhar uma grande quantidade de prêmios. De fato Denzel incorpora de forma brilhante o personagem, mudando seu modo de ser e até mesmo seu visual - ele fez um tratamento especial para mudar a textura de seu próprio cabelo. Obviamente a crítica se derreteu em elogios e Denzel foi merecidamente premiado no Globo de Ouro, chegando no Oscar como franco favorito ao prêmio mas... por uma dessas ironias dos deuses do cinema ele não conseguiu vencer! Bom, se o argumento de "Hurricane - O Furacão" era sobre injustiça então o fato de não ter levado seu Oscar acabou sendo mais do que conveniente à história que contava. A vida imitando a arte! De uma forma ou outra não deixe de assistir esse drama maravilhoso que mostra como pode ser cruel os mecanismos e meandros do sistema judiciário quando se perde os mais preciosos valores em seus julgamentos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 20 de abril de 2014

Em Nome do Pai

Título no Brasil: Em Nome do Pai
Título Original: In the Name of the Father
Ano de Produção: 1993
País: Estados Unidos, Irlanda, Inglaterra
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Jim Sheridan
Roteiro: Gerry Conlon, Terry George
Elenco: Daniel Day-Lewis, Emma Thompson, Pete Postlethwaite, Alison Crosbie

Sinopse:
O jovem irlandês Gerry (Daniel Day-Lewis) é injustamente acusado de ser membro de uma facção terrorista de seu país e é condenado a uma pesada pena de prisão perpétua pela justiça inglesa, que naquele momento estava particularmente empenhada em deter e punir os membros de grupos de libertação da Irlanda, sob dominação inglesa por séculos. Na prisão Gerry começa uma intensa luta para provar sua inocência das acusações que lhe foram impostas de forma arbitrária e completamente injustas. 

Comentários:
Maravilhoso drama baseado em fatos reais vividos pelo autor Gerry Conlon que escreveu sobre sua terrível experiência no best seller "Proved Innocent". O que temos aqui é um manifesto contra a influência política sobre o judiciário, algo que infelizmente também tem se mostrado bem presente em nosso país nos dias atuais. O personagem Gerry era um jovem completamente inocente que foi preso simplesmente para se manter um status quo político na região onde morava. Foi a forma encontrada pelo governo inglês de punir e mostrar aos irlandeses que qualquer ato de subversão seria punido com rigor. O problema básico é que ele era inocente, um fato que foi propositalmente ignorado pelas autoridades britânicas. Um completo absurdo do ponto de vista jurídico. Daniel Day-Lewis como sempre brilha em sua interpretação. Seu inspirado trabalho em cena lhe valeu a indicação ao Oscar de Melhor Ator naquele ano mas infelizmente ele não levou (o que desagradou parte da crítica que apostava em seu prêmio). Emma Thompson também foi indicada de forma merecida mas também não levou. Na época muito se disse que houve influência do governo inglês para que o filme não fosse consagrado pela Academia (a produção no total foi indicada a sete estatuetas, incluindo direção, roteiro e filme mas acabou não sendo premiada em nenhum). Agora surge uma ótima oportunidade de conferir novamente esse belo filme que tanto do ponto de vista político como artístico é uma verdadeira obra prima.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Dia em que a Terra Parou (1951)

Título no Brasil: O Dia em que a Terra Parou
Título Original: The Day the Earth Stood Still
Ano de Produção: 1951
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Robert Wise
Roteiro: Edmund H. North, Harry Bates
Elenco: Michael Rennie, Patricia Neal, Hugh Marlowe

Sinopse:
O que parecia ser uma manhã como outra qualquer na capital dos Estados Unidos, Washington, logo se torna palco de um evento histórico para a humanidade. Uma nave espacial desce perto da Casa Branca e de dentro dela saem dois tripulantes. Klaatu (Michael Rennie) e o robô gigante Gort (Lock Martin). Eles trazem uma mensagem de paz e amizade do planeta de onde vieram mas sua presença aterroriza os humanos que logo tomam medidas desproporcionais e irracionais em relação aos visitantes interplanetários.

Comentários:
Não é todo dia que um clássico Sci-fi desse porte é exibido na TV. Uma ótima notícia para quem ainda não teve a oportunidade de assistir a um dos maiores clássicos de ficção da história do cinema americano. "O Dia em que a Terra Parou" é um primor, uma verdadeira obra prima do gênero e deve ser compreendido como um produto de sua época. Nos anos 1950 como bem se sabe, havia a paranoia da guerra fria no ar. Estados Unidos e União Soviética estavam à beira de um colapso nuclear. Esse constante clima de terror e medo acabou gerando um subproduto dos mais interessantes - a dos filmes de Sci-fi com seus monstros atômicos e raças de outros planetas que viam até a Terra para destruir a humanidade. O grande diferencial dessa produção em relação às outras é que ela tinha uma perspectiva diferenciada, os ETs não vinham com intenções de destruir a civilização humana mas sim se tornar sua parceira universal, de criar verdadeiros laços de amizade entre as civilizações, o que não impede os militares da Terra de agirem de forma completamente errada com os bem intencionados visitantes das estrelas. Era claramente uma mensagem pacifista, de paz entre as potências. Sua mensagem positiva acabou transformando o filme em um dos melhores do gênero, se tornando de fato uma das mais aclamadas produções dos anos 50. Simplesmente imperdível.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 19 de abril de 2014

Closer - Perto Demais

Título no Brasil: Closer - Perto Demais
Título Original: Closer
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Mike Nichols
Roteiro: Patrick Marber
Elenco: Natalie Portman, Jude Law, Clive Owen, Julia Roberts 

Sinopse:
O complicado relacionamento envolvendo dois casais em uma cidade moderna dos Estados Unidos nos dias atuais. O que parecia algo estável se torna explosivo quando o interesse entre eles ultrapassa as fronteiras das relações da cada casal.

Comentários:
Closer é muito bom porque mostra o natural desgaste que sofre relacionamentos amorosos com o tempo. A mulher já não é tão mais atraente como antes, os homens revelam pequenas manias que enfurecem elas e por aí vai. O destaque no elenco vai obviamente para a personagem de Natalie Portman, uma garota bonita que ganha a vida explorando seus dotes femininos. Sua imagem com a peruca rosa de stripper já entrou para a galeria de figurinos inesquecíveis da cultura pop. Junte-se a isso a excelente trilha sonora e o roteiro, muito bem escrito por sinal, e você entenderá porque Closer é considerado um dos melhores filmes sobre relacionamentos amorosos lançados nos últimos anos Além disso esse filme é basicamente sobre relacionamentos. Por isso ele é mais indicado para as mulheres porque as mulheres adoram discutir sobre seus relacionamentos (os seus e os dos outros também!). Homens gostam mesmo é de assistir TV tomando cerveja e ficar falando mal do técnico de seu time de futebol! Provavelmente 99% dos homens não gostarão de Closer porque esse filme, como eu disse, é sobre o envolvimento de duas pessoas, coisa que geralmente só interessa a uma delas, a mulher! Mesmo assim, com essa visão um pouco sarcástica demais, eu acho o filme acima da média. Claro que ajuda muito as generosas cenas de nudez parcial da Portman mas ignore isso e assista pelas qualidades cinematográficas de Closer, afinal isso é apenas a opinião de mais um homem

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - Welcome Home Elvis!

Elvis Presley - Welcome Home Elvis!
Quando Elvis voltou do serviço militar no começo de 1960 havia uma enorma ansiedade sobre os rumos que sua carreira iria tomar. Também pudera. Quando Elvis foi convocado pelo exército americano ele estava no auge de sua popularidade como roqueiro. Embora os fatos não tivessem ligação entre si o que aconteceu durante seu período militar aumentou ainda mais o sentimento de ausência por parte de seus jovens fãs. Os demais roqueiros da década de 1950 sofreram uma série de tragédias pessoais, problemas com a lei e decadência artística que literalmente jogou o nascente Rock´n´Roll no chão. Haveria saída? Para a juventude desamparada só havia uma salvação para o gênero, a volta triunfal de seu grande Rei, Elvis. Mas seria essa a questão mesmo? Estaria Presley realmente interessado na ressurreição do antes bravo Rock´n´Roll ou estaria ele pronto para partir para outros caminhos musicais? Essas eram perguntas que todos faziam durante aqueles primeiros meses da década de 1960. A realidade mostrou-se bem mais interessante do que muitos supunham. A priori Elvis não abandonou literalmente o barco do Rock e virou suas costas a ele como muitos já escreveram. Seu primeiro disco após a volta à carreira civil demonstra isso. Elvis Is Back! era uma aula de musicalidade, Blues, Pop e Rock em doses generosas.

Claro que seu som sofreu modificações, Elvis deixou o som mais cru e simples de seus primeiros discos e investiu em novos arranjos mais consistentes e harmônicos. Não era um ato de simplesmente virar as costas para o Rock mas sim procurar novos rumos musicais. As primeiras sessões que realizou em Nashville demonstram bem isso. Ecletismo talvez fosse a palavra mais adequada para esse novo caminho musical que Elvis iria percorrer. Outro acontecimento marcante era o fato de Elvis começar a se interessar em canções que lhe trouxessem mais respeito como cantor. Músicas como It´s Now Or Never foram incorporadas aos discos justamente por essa razão, sua aproximação com a sonoridade de grandes ícones do passado como Mario Lanza, que Elvis tanto admirava, era o sinal mais claro de suas reais intenções e pretensões. Outro aspecto a se considerar foi a gravação de um programa de TV ao lado do cantor Frank Sinatra. Elvis e o Coronel poderiam ter fechado um contrato para se apresentar em qualquer canal ou programa que quisessem porém quando Sinatra fez uma oferta irrecusável para que Elvis retornasse a TV justamente em seu programa televisivo o Coronel não pensou duas vezes. Mas afinal qual era o real interesse de Parker com colocar Elvis e Sinatra lado a lado cantando para a nação americana em horário nobre? Simples, o Coronel queria mostrar para a família norte-americana o novo Elvis!

Recém saído do serviço militar com ficha impecável, rigorosamente bem vestido e se portando da melhor forma possível e de quebra se apresentando ao lado de Frank Sinatra, o maior ídolo dos pais de seus jovens fãs dos anos 50. Tom Parker armou muito bem e conseguiu inverter completamente aquela imagem de "jovem selvagem, roqueiro alucinado" que os mais velhos tinham concebido de Elvis nos anos anteriores. A metamorfose estava completa. Até mesmo comentários desabonadores de Sinatra em relação ao rock e a seus artistas foram esquecidos pelo próprio quando contratou a preço de ouro o passe de Elvis por uma noite. Frank Sinatra era um homem de opinião certamente, mas também naquela altura já era um ambicioso homem de negócios dentro do show business ianque. Como seu programa vinha declinando de audiência a cada mês ele resolveu apostar alto e trazer Elvis, que era naquele momento o assunto mais comentado na mídia mundial. Infelizmente o futuro demonstraria que artisticamente o programa em si seria muito abaixo das espectativas de um encontro dos dois maiores cantores do século XX.

Infelizmente o lado publicitário do evento suplantou em muito o aspecto meramente artístico que um encontro desses poderia proporcionar. Elvis e Sinatra apenas apresentaram um dueto fraco, cheio de brincadeiras entre ambos, e que trouxe pouco para a carreira desses fantásticos artistas. Nada de muito relevante foi feito e por isso a crítica especializada tenha sido tão dura quanto à qualidade do especial. A Billboard, por exemplo, criticou a pobreza da produção e até os modos de Elvis durante o especial: "A dinamite tão esperada foi subestimada e colocada de maneira por demais polida. Tivemos a impressão que Presley tem muito a aprender para conseguir interpretar no estilo de um Sinatra, de um Joey Bishop e especialmente de um Sammy Davis Jr. Este simplesmente estraçalhou o show. Elvis tem o hábito que causa a impressão de nunca estar tranquilo. Não admite que alguém cante seus números. Na verdade ele necessita de um trato para aprender a falar e se comportar". Os jornais de um modo geral demonstraram desapontamento com o resultado final do programa. Elvis se limitou a apresentar seu novo single Stuck On You, seguido de seu lado B, Fame and Fortune, e como encerramento um dueto muito abaixo do esperado com a dobradinha Witchcraft / Love Me Tender ao lado de Sinatra. Muito pouco para o que poderia se esperar de um evento tão importante como esse. Mas será que o programa realmente foi tão ruim assim?

Pablo Aluísio.

Guerra dos Mundos (2005)

Título no Brasil: Guerra dos Mundos
Título Original: War of the Worlds
Ano de Produção: 2005
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures, DreamWorks SKG
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Josh Friedman, David Koepp
Elenco: Tom Cruise, Dakota Fanning, Tim Robbins

Sinopse:
Um pai e seus dois filhos tentam sobreviver a um evento de repercussão catastrófica: a invasão de uma raça alienígena contra a Terra! Dotados de tecnologia avançada e destrutiva os ETs chegam ao nosso planeta sedentos por recursos naturais. Para isso precisam antes eliminar toda a humanidade. Indicado ao Oscar nas categorias Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som e Melhores Efeitos Especiais.

Comentários:
Via de regra odeio remakes e quando são de clássicos do cinema odeio ainda mais, porém nesse caso tenho que dar o braço a torcer. Essa refilmagem não ficou ruim, pelo contrário, Spielberg, como grande fã do universo Sci-fi, procurou ser respeitoso ao filme original, apenas reforçando o relacionamento entre pai e filha e claro, colocando o que havia de melhor em termos de tecnologia digital para embelezar a produção. Quando esse remake foi anunciado a primeira coisa que me veio à mente foi que não iria funcionar, pois o enredo original seria considerado inocente e bobo demais para os dias de hoje. Nos anos 50, com a paranoia anticomunista e nuclear na ordem do dia a coisa toda era muito mais bem aceita pelo público, já nos dias cínicos que correm dificilmente aconteceria a mesma simbiose entre filme e público. Bom, Spielberg não é um dos maiores gênios do cinema à toa. Ele soube muito bem amenizar os aspectos mais ultrapassados do enredo para se concentrar na tensão e no suspense. Acertou em cheio. O resultado é um caso raro de remake de ficção que realmente vale a pena ser prestigiado e o melhor, com o selo de qualidade do genial Steven Spielberg.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Um Bom Partido

Um filme meramente mediano com um elenco muito bom. Assim de maneira simples poderíamos definir esse “Um Bom Partido”, nova comédia romântica que está chegando nas telas de cinema em todo o Brasil. Jessica Biel, Gerard Butler, Uma Thurman, Dennis Quaid e Catherine Zeta-Jones estão em cena mas o filme não consegue empolgar. Na estória Gerard Butler interpreta um jogador de futebol aposentado e arruinado financeiramente que tenta dar a volta por cima. Nos anos de glória ele se distanciou da família, embriagado pela fama e sucesso e agora tem que reconstruir todos os seus relacionamentos familiares que destruiu quando era rico e famoso. Em relação a sua ex-esposa (Jessica Biel) e seu filho a questão é ainda mais delicada pois ele tem que provar que é um bom sujeito apesar dos erros cometidos no passado. Como se vê é mais um filme Made in Hollywood que investe no velho argumento da redenção pessoal de seus personagens.

O filme tenta se segurar na base dos diálogos e interpretação dos bons atores mas a direção preguiçosa não avança. O cineasta Gabriele Muccino não parece estar muito empenhado em tirar proveito do enredo, preferindo apostar no elenco como chamariz de público. Gerard Butler investe novamente no gênero mas não consegue emplacar. É curioso saber que ele tenha tentado de novo mesmo com o relativo fracasso de “Caçador de Recompensas”. Já as atrizes Jessica Biel, Uma Thurman e Catherine Zeta-Jones parecem estar numa situação bem parecida com o personagem principal do filme. Depois de vários sucessos encontram-se em um impasse na carreira, se contentando em ser meras coadjuvantes de um filme como esse. A pior situação é a de Zeta-Jones que desde “Chicago” não conseguiu mais bons papéis. No saldo final “Um Bom Partido” se torna apenas uma boa premissa que poderia render muito mas que se contenta em ser apenas uma comédia romântica de rotina, sem grandes atrativos. 

Um Bom Partido (Playing for Keeps, EUA, 2012) Direção: Gabriele Muccino / Roteiro: Robbie Fox / Elenco: Jessica Biel, Gerard Butler, Uma Thurman, Judy Greer, Dennis Quaid, Catherine Zeta-Jones, James Tupper / Sinopse: Ex-jogador de futebol (Gerard Butler) tenta recomeçar a vida após a aposentadoria. Sem dinheiro tenta reconquistar o amor de seu filho e de sua ex-esposa treinando o time do garoto.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.