quinta-feira, 30 de junho de 2016

Caçador de Almas

Aman (Wesley Snipes) é um pistoleiro que vaga pelo oeste em busca de um grupo de bandidos e estupradores que mataram o grande amor de sua vida, a doce Sueno (Alyssa Pridham). Acaba encontrando o grupo de facínoras cumprindo pena numa prisão caindo aos pedaços no meio do deserto. Sem pensar duas vezes executa um a um em suas celas, sem perdão e nem piedade. Depois de muitos anos ele descobre surpreso que todos estão de volta! Por um portal que liga o inferno ao deserto os mesmos bandidos voltam do mundo dos mortos para um acerto final com Aman. "Gallowwalkers" é um western diferente. A própria leitura da sinopse já mostra que não é um faroeste comum. Trata-se de uma curiosa mistura de filmes de terror com western, algo bem incomum. O filme foi realizado no meio do julgamento de Wesley Snipes quando ele respondia por sonegação fiscal nos EUA. A produção foi bem tensa pois a qualquer momento o ator poderia ser preso. Para complicar ainda mais as filmagens aconteceram na África, na Namibia, uma das regiões mais áridas do planeta, o que tornou tudo ainda mais trabalhoso.

Para alivio da produção houve tempo suficiente para completar o filme que só ano passado chegou ao público. É um western que usa muito estilo e referências à mitologia dos faroestes clássicos para contar sua estória sobrenatural, Suas boas intenções porém não conseguem superar certos problemas. O enredo surge na tela de forma muito dispersa, fragmentada, onde o espectador vai aos poucos montando a trama. Isso pode dificultar o entendimento do que de fato está acontecendo. O personagem de Snipes também se torna muito derivativo de alguns outros papéis que interpretou em sua vida. O enfrentamento contra os tais "Gallowwalkers" (mortos que retornam do inferno para um último acerto de contas) lembram demais as cenas mais violentas e exageradas de "Blade", por exemplo. No final a sensação que fica é a de que o espectador está assistindo a uma estória até simples, banal diria, mas que foi complicada por um roteiro que tenta parecer aquilo que não é. Para os fãs de filmes mais exóticos até que vale a recomendação. Já os fãs que gostam de um western mais realista, com narrativa linear, certamente ficarão decepcionados.

Gallowwalkers (Idem, EUA, 2012) Direção: Andrew Goth / Roteiro: Andrew Goth, Joanne Reay / Elenco: Wesley Snipes, Kevin Howarth, Riley Smith / Sinopse: Pistoleiro errante (Snipes) precisa enfrentar novamente um grupo de bandidos que ele executou mas que está de volta após retornar por um portal do inferno localizado no meio do deserto.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Keoma

Título no Brasil: Keoma
Título Original: Keoma
Ano de Produção: 1976
País: Itália
Estúdio: Uranos Cinematografica
Direção: Enzo G. Castellari
Roteiro: Luigi Montefiori, Mino Roli
Elenco: Franco Nero, William Berger, Olga Karlatos, Orso Maria Guerrini
  
Sinopse:
Após o fim da guerra civil o misterioso Keoma (Franco Nero) surge das ventanias do deserto de volta ao seu antigo lar. Para sua infelicidade descobre que o lugar está dominado por uma quadrilha de bandoleiros. Logo ele entende que precisará fazer algo e sozinho, pois não consegue confiar em absolutamente mais ninguém sob a face da Terra. Keoma veio para espalhar justiça e pavor entre os bandoleiros e malfeitores em geral, tudo isso feito ao seu próprio modo. Destaque para o clímax do filme, que se tornou um marco do cinema italiano da época.

Comentários:
Qualquer retorno de Franco Nero ao Western Spaghetti era comemorado pelos fãs do estilo. Isso porque ele foi um dos atores mais populares desse gênero cinematográfico tendo estrelado o filme de maior bilheteria do cinema italiano da época, "Django". Embora procurasse sempre desenvolver um trabalho paralelo ao faroeste o fato é que sempre retornava, até porque a oferta dos produtores era generosa. Ter Franco Nero estrelando filmes sobre o velho oeste era bilheteria certa. Em 1976 o Spaghetti já caminhava para seu fim, mas Nero deu o ar de sua graça novamente em "Keoma". Seu visual estava bem diferente, com longas barbas, como se fosse um caçador de ursos das montanhas. O diretor Enzo G. Castellari rejeitou a ideia de fazer um filme com bom humor e cenas pastelão como vinha ficando comum no Spaghetti. Ao invés disso determinou que o roteiro fosse mais realista, sem gracinhas estúpidas. Essa seriedade acabou atraindo Franco Nero para o projeto, já que ele próprio vinha se irritando com a mistura de cenas de comédia em filmes de western. Era algo que nunca lhe agradou. O curioso é que o roteiro também empresta uma dimensão surrealista ao personagem, como se ele fosse uma entidade de aspecto quase religioso e redentor. O uso de flashbacks também se mostra muito bem realizado. Em suma, um filme diferente, que poucos realmente entenderam completamente em seu lançamento original, mas que hoje em dia ganhou um status de cult movie, por causa de suas boas ideias e produção com temática diferenciada.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Elvis Presley - Elvis Studios Highlights 1970

Em junho de 1970 Elvis retornou a Nashville para mais uma maratona de gravações. Assim como havia acontecido no ano anterior no American Studios a intenção era gravar o maior número possível de músicas no menor número de sessões de gravação. Após gravar o conjunto de canções essas seriam selecionadas pela direção da RCA Victor para serem lançadas em singles e álbuns no decorrer dos meses seguintes. A estratégia se mostrara bem sucedida em 1969 e por isso era mais do que óbvio que Elvis repetiria a dose. Porém dessa vez as sessões seriam realizadas em Nashville nos estúdios da gravadora e não mais em Memphis como ocorrera antes. A razão era simples: a estrutura disponível em Nashville era bastante superiora a que Elvis encontrou no American. Essas sessões seriam conhecidas nos anos que viriam como The Nashville Marathon. Essa denominação inclusive seria dada a um dos CDs mais conhecidos do selo FTD.

Elvis ficou tão satisfeito com o resultado de suas apresentações em Las Vegas que resolveu escalar para o estúdio os mesmos músicos de palco que estavam se apresentando ao seu lado. Embora não fosse totalmente contrário a essa visão o produtor Felton Jarvis preferiu porém mesclar um pouco a equipe de apoio convocando músicos experientes de estúdio para também atuar ao lado de Elvis, como por exemplo o baixista Norbert Putnam e o baterista Jerry Carrigan. Ao lado de alguns integrantes da TCB Band como James Burton a equipe finalmente ficou completa. A intenção da RCA era realmente "encher a lata", ou seja, registrar o máximo possível de músicas para que assim Elvis ficasse finalmente livre para se concentrar em suas obrigações na estrada sem se preocupar com os lançamentos de estúdio.

Foi programada uma semana de gravações, a direção da gravadora deixou à disposição de Elvis e banda uma lista com mais de 60 músicas. Dentro do estúdio Elvis foi ouvindo uma a uma as demos para finalmente escolher o material que lhe agradava. Também trouxe sua própria lista de músicas que gostaria de gravar, caso fosse possível em relação aos direitos autorais das mesmas. Em quatro dias de trabalho Elvis conseguiu a proeza de gravar 35 músicas - o equivalente a praticamente 3 novos álbuns e tantos outros singles, que ficariam à inteira disposição dos diretores de estúdio. Um número e uma produção que até hoje espanta principalmente nos dias atuais onde cantores levam meses para gravar um disco com pouco mais de 10 canções.

O resultado tão satisfatório em termos de quantidade de músicas gravadas pode também ser creditado ao próprio produtor Felton Jarvis. Visando facilitar a vida de Elvis dentro dos estúdios ele convocou poucos músicos para atuar ao lado dele no Studio B. Assim Elvis gravou versões cruas das canções, que depois seriam enriquecidas pelo produtor pelo processo de adição de orquestra e vocais secundários. Assim ao lado de Elvis dentro do estúdio da RCA só atuaram mesmo James Burton, Chip Young, Charlie Hodge, Norbert Putnam, Jerry Carrigan, David Briggs e Charlie McCoy. Todo o restante foi gravado depois e acrescentado por Jarvis por overtube. Essa sonoridade mais crua e sem grandes enfeites sonoros é até mesmo preferida por alguns fãs de Elvis que acreditam que dessa forma sua participação fica ainda mais realçada ao invés de encoberta pelo excesso de orquestração das versões oficiais.

Elvis só retornaria aos estúdios novamente nesse ano em setembro. Curiosamente mesmo com grande material deixado por Elvis depois da Nashville Marathon a RCA pretendia realizar uma nova maratona de gravação. Infelizmente Elvis compareceu a apenas um dia dessa sessão arruinando completamente os planos da RCA. O motivo de sua ausência foi uma grave crise ocular que se abateu sobre ele após essa sessão inicial. De qualquer forma a grande quantidade de músicas deixadas por Elvis nas sessões de junho iriam suprir o mercado tranquilamente nos meses seguintes compondo as seleções dos discos That´s The Way It Is, Elvis Country e Love Letters From Elvis. O resultado foi tão bom que mesmo dois anos depois algumas faixas ainda seriam lançadas como Sylvia do disco Elvis Now. Nos anos que viriam Elvis ainda tentaria produzir sessões tão produtivas como essa mas problemas de saúde, pessoais e de agenda tornariam algo assim cada vez mais raro. De qualquer forma a maratona de Nashville provou a grande capacidade de trabalho que o astro tinha, quando presentes as condições ideais.

Pablo Aluísio.

Kurt Cobain - About a Son

Kurt Cobain About a Son
Outro fato marcante da década de 1990 foi o suicídio do vocalista do grupo de rock Nirvana, Kurt Cobain. Em abril de 1994 ele subiu as escadas de sua casa em Seattle levando um rifle a tiracolo. Sentou-se numa cadeira, colocou o cano da arma na boca e disparou! Foi outro momento trágico que até hoje soa sem sentido. Corroído por um forte vício em heroína, Cobain vinha há tempos tentando se livrar das drogas, chegou ao ponto de se internar em vários centros de reabilitação, mas nada disso o conseguia livrar da absurda dependência química.

Depois de mais uma recaída ele resolveu colocar um fim em tudo, o que de certa forma já era previsto uma vez que em seu último disco ele já havia escrito um refrão numa das canções com a seguinte frase: "Eu me odeio e quero me matar!". "Kurt Cobain About a Son" é um documentário que tenta explicar o que aconteceu usando fragmentos, pensamentos e ideias deixadas por Cobain em sua vida. Eu gostei do formato desse filme porque ele é bem mais poético do que se iria explorar depois em outros documentários sobre a vida e morte do líder do Nirvana. Tudo é levado quase como se fosse um poema de tragédia e morte. Juridicamente o filme enfrentou problemas principalmente pela disputa de direitos autorais envolvendo a viúva de Cobain (a maluca da Courtney Love) e os demais membros da banda. Ignore isso e aproveite os méritos cinematográficos que são muitos. Vale realmente a pena conhecer.

Kurt Cobain About a Son (EUA, 2006) Direção: AJ Schnack / Roteiro: AJ Schnack / Elenco: Kurt Cobain, Michael Azerrad, Courtney Love / Sinopse: Documentário que se propõe a contar o lado mais humano do guitarrista e líder do grupo de punk rock Nirvana. Entre vários depoimentos pessoas que conviveram ao seu lado tentam entender o que aconteceu para que ele tivesse um destino tão trágico. O artista se matou aos 27 anos de idade.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Independence Day - O Ressurgimento

Título no Brasil: Independence Day - O Ressurgimento
Título Original: Independence Day - Resurgence
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Nicolas Wright, James A. Woods
Elenco: Liam Hemsworth, Jeff Goldblum, Bill Pullman
  
Sinopse:
Duas décadas depois da invasão alien o planeta Terra começa a perceber sinais de que uma nova invasão extraterrestre está prestes a acontecer. Uma nave maior e mais potente está chegando, com direito à presença da rainha dos seres vindos do espaço. A intenção logo fica clara, os ETs querem a destruição da humanidade, enquanto tentam chegar ao núcleo do planeta para drenar toda a sua energia. Filme premiado pelo CinemaCon.

Comentários:
Ao lado de Michael Bay, Roland Emmerich é um dos maiores idiotas de Hollywood. Seus filmes só trazem efeitos especiais, toneladas deles, mas nem sinal de um bom roteiro! "Independence Day - O Ressurgimento" é uma sequência tardia de uma franquia que parecia estar enterrada para sempre. O primeiro filme já não era essas coisas, uma patriotada para o estúpido americano médio se sentir o salvador do mundo civilizado na data de independência de seu país, 4 de julho. Agora as coisas não são melhores, os mesmos ETs malvados retornam, dessa vez com a própria rainha comandando tudo. Os aliens de "Independence Day" agora estão cada vez mais parecidos com os insetos espaciais de "Tropas Estelares", embora usem de uma tecnologia extremamente avançada. Como se trata de um filme dirigido pelo vazio Roland Emmerich não adianta perder tempo falando de roteiro, atuações, etc. Tudo é extremamente destituído de maior conteúdo. A única coisa que vale a pena comentar são os efeitos visuais. Para os que querem apenas isso vai o aviso: eles não são tão especiais como se pensa. Na verdade se você for assistir ao filme em 3D (que foi o meu caso) descobrirá que se trata de um falso 3D, onde duas ou até três camadas de cenas 2D se sobrepõem umas às outras. Isso dá um aspecto feio ao filme, como se estivéssemos vendo aqueles teatrinhos de papelão que eram muito populares no passado. Ruim de doer. As criaturas são também bem decepcionantes, inclusive a rainha, que fica parecendo mais uma marionete desengonçada correndo no meio de deserto. E para apelar para todos os clichês possíveis ela vai em direção a um ônibus escolar para matar um bando de crianças e adolescentes chatinhos! (pena que não consegue, pois o filme ficaria pelo menos mais divertido!) Enfim, pura perda de tempo e dinheiro (no caso o seu dinheiro que irá pagar o ingresso desse abacaxi). A única boa notícia é que o filme vem se dando mal nas bilheterias, o que poderá nos livrar de uma medonha terceira parte dessa bomba espacial.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - Elvis Studios Highlights 1969

Logo em janeiro de 1969 Elvis iniciou as sessões que marcariam para sempre sua carreira. O local escolhido foi o American Studios, um pequeno estúdio de gravação localizado em Memphis. Seria a primeira vez que Elvis gravaria em sua cidade desde os tempos da Sun Records. Esse fato por si só já chamava a atenção dos que acompanhavam a carreira de Elvis desde o seu início, mas as novidades não paravam por aí. O grupo que acompanharia Elvis seria completamente renovado, composto por excelentes músicos contratados especialmente para atuar ao lado do cantor. Os antigos membros como Scotty Moore e DJ Fontana, além dos Jordanaires foram deixados de lado. A direção musical também mudaria de mãos, sendo comandada por Chips Moman e Felton Jarvis, que já tinha desenvolvido material interessante ao lado de Elvis anteriormente.

Qual afinal era a razão para tantas mudanças? Simples. A palavra de ordem era renovação - e urgente! Depois do sucesso alcançado por seu especial de TV no final de 1968 Elvis queria acima de tudo se renovar em estúdio, gravando material de qualidade para se tornar novamente um artista relevante. A própria escolha do American mostrava bem a intenção de Elvis. Tecnicamente o American passava longe de ser um local adequado, suas instalações não eram das melhores - alguns participantes relataram até mesmo ratos passeando pelo ambiente durante as gravações - mas no final nada disso importava. Elvis queria acima de tudo procurar a inspiração perdida há tantos anos e obviamente seria em Memphis que ele a reencontraria. Além disso o cantor não escondia que naquele momento queria certa distância dos estúdios de Nashville e da costa oeste. Nesses lugares Elvis foi obrigado a engolir algumas das músicas mais ridículas já compostas. O simples fato do American ser em Memphis já era um alívio para ele pois certamente a pressão vinda da direção da RCA seria bem menor.

A sessão no American também foi sua primeira "maratona" de gravação. Ao contrário do que ocorria antes Elvis agora entrava em estúdio para gravar uma grande quantidade de canções, sem nenhum tema específico as ligando entre si (como acontecia nas trilhas sonoras). O farto material depois seria selecionado e lançado pela direção da RCA em títulos diversos ao longo do ano. Esse sistema era muito interessante, pois dava uma grande liberdade de escolha de repertório ao artista, além de ser muito econômico pois as sessões realizadas de forma concentrada traziam menores custos. O sistema de "maratona" deu tão certo que seria fartamente utilizado por Elvis nos anos 70 e se tornaria padrão em sua carreira dai em diante.

Elvis por sua vez aproveitou muito bem esse sistema. Livre para escolher o que lhe agradava o cantor mostrou todo o seu ecletismo, passeando livremente por praticamente todos os gêneros musicais. Do Blues, passando pelo Country, indo de baladas sentimentais a temas mais incisivos, Elvis obteve sua retenção musical durante essas sessões. Sua empolgação era latente. Além disso logo se formou um clima ameno e amigável com o grupo que o acompanhava, tudo se traduzindo em excelentes canções gravadas. O resultado não tardou a aparecer. O primeiro single lançado trazendo músicas exclusivamente gravadas no American (com Suspicious Minds / You´ll Think Of Me) logo se tornou um enorme sucesso e deu a Elvis pela primeira vez em muitos anos a primeira posição entre os mais vendidos da parada Billboard! Isso sem esquecer os clássicos álbuns lançados nesse mesmo ano, todos também extremamente bem sucedidos nas paradas de sucesso.

De fato. Embora muitos creditem o renascimento da carreira de Elvis Presley ao sucesso do especial de TV realizado em 1968 a grande verdade é que esse só se tornou completo com as gravações realizadas em Memphis, no acanhado American. As sessões foram tão completas e satisfatórias que Elvis só entraria novamente em estúdio durante esse ano para gravar sua última trilha sonora, do filme Change of Habit. Depois disso Elvis nunca mais colocaria sua voz nesse tipo de projeto. Esse tipo de coisa era realmente algo para ser deixado para trás, era passado, algo que não cabia mais depois das ótimas músicas realizadas no American Studios. Depois de ouvir o resultado das sessões todos concordaram, tanto o público quanto a crítica, que finalmente Elvis havia reencontrado seu caminho. As portas para alguns dos anos mais inspirados da carreira do cantor estavam definitivamente abertas agora.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Os Implacáveis

Durante muitos anos rolaram rumores de que os famosos criminosos Butch Cassidy e Sundance Kid não teriam morrido da forma como foi descrito nas investigações realizadas sobre suas mortes. Como se sabe oficialmente os dois bandidos foram mortos na Bolívia após sofrerem uma emboscada promovida por autoridades locais e homens da lei dos EUA que foram até o longínquo país da América do Sul para prender os famosos bandoleiros. Isso é a versão oficial. Para muitos porém Butch e Sundance teriam sobrevivido ao cerco e se embrenhando nas cordilheiras dos Andes onde conseguiram viver por longos anos. O filme “Os Implacáveis” parte justamente dessa premissa. Nele acompanhamos um já envelhecido Butch Cassidy (Sam Shepard, em ótima caracterização) morando em um pequeno rancho no sopé da montanha. Levando uma vida pacata e distante ele resolve finalmente voltar aos EUA para reencontrar um sobrinho. Após retirar todo o seu dinheiro do banco Butch é surpreendido ao perder seu cavalo (com o dinheiro) no meio de uma região inóspita. Lá encontra Eduardo (Eduardo Noriega), um espanhol que afirma estar sendo caçado por um rico minerador que o acusa de tê-lo roubado.

Juntos atravessando as pradarias mais hostis Butch e Eduardo tentam sobreviver aos seus algozes, ao mesmo tempo que tentam recuperar o dinheiro perdido. Obviamente que mesmo partindo de um suposto fato real (a fuga de Butch e sua sobrevivência até a velhice na Bolívia) tudo o que vemos na tela é mera ficção. A produção tem excelente fotografia, fruto da linda região onde o filme foi realizado. Além das montanhas ainda acompanhamos a dupla tentando sobreviver em extensas salinas bolivianas. O elenco é liderado pelo veterano Sam Shepard vivendo o personagem Butch Cassidy. Ele está muito bem por sinal. Tendo sobrevivido a tudo e a todos ele encara a velhice com melancolia e tristeza. O ritmo é lento, contemplativo e cadenciado, por isso não recomendo para fãs de westerns mais viris, cheios de ação, tiroteios e mortes. Certamente há conflitos em Blackthorn mas eles são eventuais e pontuais, fazendo parte da trama em si. Curiosamente o filme foi dirigido por um cineasta espanhol, Mateo Gil, que mesmo não sendo americano demonstra boa desenvoltura no desenrolar dos acontecimentos. Em suma recomendamos o filme para os que gostaram do famoso “Butch Cassidy e Sundance Kid” com Paul Newman e Robert Redford. Esse aqui certamente passa longe do brilhantismo do clássico mas serve como curioso epílogo para o que vemos no original. Vale o preço da locação ou do ingresso.

Os Implacáveis (Blackthorn, EUA, 2011) Direção: Mateo Gil / Roteiro: Miguel Barros / Elenco: Sam Shepard, Eduardo Noriega, Stephen Rea / Sinopse: Envelhecido e escondido na Bolívia por muitos anos o famoso criminoso Butch Cassidy (Sam Shepard) resolve voltar para os Estados Unidos após trocar cartas com um sobrinho que mora lá. Na viagem de volta porém se vê envolvido em uma perseguição envolvendo um engenheiro espanhol que afirma estar sendo caçado por ter sido acusado injustamente de roubo na mina em que trabalhava.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Coisas Belas e Sujas

Título no Brasil: Coisas Belas e Sujas
Título Original: Dirty Pretty Things
Ano de Produção: 2002
País: Inglaterra
Estúdio: BBC Films
Direção: Stephen Frears
Roteiro: Steven Knight
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Audrey Tautou, Sophie Okonedo
  
Sinopse:
Okwe (Chiwetel Ejiofor) é um imigrante ilegal nigeriano que tenta sobreviver levando uma dura vida nos subterrâneos de Londres. Ele trabalha como recepcionista de hotel durante a noite e de dia tenta exercer medicina, uma área em que tem conhecimento. Para isso porém ele é proibido por lei, o que o faz estar sempre fugindo de agentes da imigração. Certo dia, por puro acaso, ele acaba descobrindo um esquema ilegal de realizações de cirurgias, liderados por um sujeito chamado Juan, seu chefe no hotel onde trabalha. Esse lhe faz uma proposta tentadora que pode lhe render muito dinheiro: fazer cirurgias ilegais! Se aceitar e isso for descoberto poderá ser até mesmo preso! E agora como recusará esse tipo de oferta tentadora?

Comentários:
Stephen Frears é definitivamente um dos meus diretores preferidos. Em 2002 ele realizou esse filme independente com um tema que hoje em dia está mais do que em voga: a vida de imigrantes em países europeus. Claro que quando o filme foi feito não havia ainda esse caos e essa crise de imigração que assola atualmente o continente europeu, com milhões de pessoas fugindo de guerras no Oriente Médio. Mesmo assim é um retrato muito interessante da vida de um imigrante nigeriano que vai morar em Londres. Apesar de ser uma pessoa com nível superior (ele era médico em seu país) precisa trabalhar nos empregos que lhe aparecem até que consiga a autorização para viver de forma legal na Inglaterra. Hoje em dia esse assunto está muito em debate, principalmente depois que a Inglaterra resolveu deixar a União Européia. Assim deixo a dica para que se conheça a dura vida de um imigrante africano em terras da Europa, para que todos possam perceber que definitivamente essa não é uma existência muito tranquila e calma.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Joana d'Arc

Título no Brasil: Joana d'Arc
Título Original: Joan of Arc
Ano de Produção: 1999
País: França
Estúdio: Gaumont Films
Direção: Luc Besson
Roteiro: Andrew Birkin, Luc Besson
Elenco: Milla Jovovich, John Malkovich, Rab Affleck
  
Sinopse:
Durante a Idade Média a jovem Joana d'Arc (Milla Jovovich) afirma ter visões de natureza espiritual que a dizem que ela deve marchar ao lado dos soldados franceses contra os inimigos no campo de batalha. A guerra parece não ter fim e o número de mortes é enorme. Com Joana em cena as coisas finalmente mudam, levando o exército francês a colecionar uma série de vitórias. Algo que logo chama a atenção dos nobres e membros do clero que começam a conspirar contra Joana e suas estranhas visões. Em pouco tempo ela se torna uma peça no perigoso jogo político europeu da época. Filme vencedor do César Awards na categoria de Melhor Som. 

Comentários:
Uma visão do diretor francês Luc Besson sobre um dos maiores ícones históricos de seu país, a lendária Joana d'Arc. Não há como negar que a produção é excelente, assim como a direção de arte e a reconstituição de época. Tudo está lá, os figurinos, as grandes cenas de batalhas, as armaduras medievais brilhantes, realmente uma obra impecável em todos esses aspectos. Besson só errou mesmo (e feio) ao escolher a atriz Milla Jovovich para interpretar a complexa Joana. Veja, em filmes baseados em efeitos especiais até que Jovovich conseque convencer um pouquinho. Agora em filmes como esse, com rico e estruturado background narrativo em que se exigia no mínimo uma boa atuação da protagonista a coisa desanda. O fato é que Milla Jovovich é inexpressiva em termos dramáticos e isso se acentua ainda mais quando a comparamos com John Malkovich que é um mestre da atuação. Assim, com uma escolha de casting tão ruim não é de se admirar que tudo vá por água abaixo. Esse filme é a prova definitiva de que um dos maiores cuidados que se teve ter em filmes históricos é a escolha correta do elenco principal, caso contrário tudo soará falso, nada convincente. Esse foi o grande deslize de Luc Besson nessa fita. Um erro que custou muito caro, vamos convir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Os Esquecidos

Título no Brasil: Os Esquecidos
Título Original: The Forgotten
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures
Direção: Joseph Ruben
Roteiro: Gerald Di Pego
Elenco: Julianne Moore, Anthony Edwards, Gary Sinise, Dominic West, Christopher Kovaleski
  
Sinopse:
Passado um ano da morte de seu filho, Telly Paretta (Julianne Moore) não consegue superar a dor de sua perda. Seu casamento está praticamente arruinado pela tragédia e ela não consegue superar a depressão avassaladora. Procurando por uma saída ela então resolve se tratar com o médico psiquiatra Dr. Jack Munce (Gary Sinise) que então lhe faz uma revelação assustadora: toda a tragédia, o filho morto e os eventos que vieram antes disso nunca realmente existiram. Foi tudo fruto da mente perturbada de Telly! E agora, estaria ela realmente enlouquecendo ou haveria algo mais por trás de tudo?

Comentários:
Bom filme, mesclando um terror psicológico com uma trama bem desenvolvida. Qualquer filme estrelado por Julianne Moore vale ao menos uma espiada, isso porque ela é aquele tipo de atriz que faz valer o ingresso, independente da proposta que o filme dará ao espectador. Para melhorar o que já era muito bom há ainda a presença do talentoso Gary Sinise como um médico psiquiatra que tanto pode estar tentando tratá-la de um surto psicótico, como também agindo nas sombras com o objetivo de encobrir algo ainda mais sério. Em termos de crítica o filme foi até recebido um pouco friamente, talvez por ser um thriller, um estilo de cinema que anda um tanto saturado nos últimos tempos. Penso que não é motivo para rejeitar de antemão a produção apenas por essa razão, ela inegavelmente tem méritos que fazem valer a pena assisti-la. Embora em alguns aspectos soe frio e lento, esse "The Forgotten" acaba agradando, principalmente para quem for fiscado por seu enredo. Afinal de contas essa é um daqueles roteiros cheios de reviravoltas e situações impensadas que fará o deleite dos espectadores que curtem esse tipo de produção.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 26 de junho de 2016

Elvis Presley - Elvis in Person at the International Hotel - Parte 12

Foi justamente nesse álbum "Elvis in Person" que pela primeira vez surgiu na discografia de Elvis uma versão ao vivo do grande sucesso "Suspicious Minds". Essa música, gravada maravilhosamente bem nas sessões do American Studios em Memphis, foi um verdadeiro alívio para Elvis Presley. Fazia sete anos que ele não conseguia atingir o primeiro lugar na parada de singles da Billboard. Essa era considerada a mais importante dos Estados Unidos, um verdadeiro termômetro do sucesso de cada artista dentro da indústria fonográfica. Desde "Good Luck Charm" em 1962 Elvis não conseguia chegar lá, bem no topo. Era um reflexo de como Hollywood e suas trilhas sonoras tinham arruinado o lado musical de Elvis. Dentro da indústria da música ele já não tinha mais muito prestigio, justamente pelos vários fracassos comerciais que foi colecionando ao longo dos anos 60. Para quem havia surgido no mercado como um dos maiores vendedores de discos da história era uma situação constrangedora e até mesmo vergonhosa. Assim "Suspicious Minds" serviu para melhorar sua posição dentro do mercado fonográfico, ao mesmo tempo em que passava a relevante mensagem para todos de que, apesar de tudo, Elvis ainda estava vivo musicalmente e ainda podia surpreender.

O tema de "Suspicious Minds" é o ciúme. Basicamente é uma mensagem sobre um casal que vê seu relacionamento ruir por causa da desconfiança, das suspeitas. Quando foi lançada e começou a fazer sucesso nas paradas alguns críticos implicaram com suas primeiras linhas escritas, que soavam esquisitas. Ela dizia: "Nós caímos em uma armadilha. E não posso sair dela". A tal armadilha era justamente as mentes desconfiadas, que se suspeitavam mutuamente. Um tipo de relacionamento que ia aos poucos se tornando doentio. Certamente muitos casais se identificaram, inclusive o próprio Elvis. Há tempos ele vinha ouvindo rumores de que sua esposa Priscilla estava tendo um caso extraconjugal. O problema é que o próprio Elvis era um marido infiel e resolveu não ir atrás das fofocas sobre sua mulher (e que iriam se revelar em um futuro próximo como bem verdadeiras). Assim acabou-se criando mais uma irônica coincidência entre uma letra de uma canção e a vida pessoal de Elvis, algo que ele iria propositalmente procurar nas gravações futuras de seus discos. Um reflexo de seus sentimentos em meras notas musicais.

Suspicious Minds (Mark James) / Álbum: Elvis in Person at the International Hotel, Las Vegas, Nevada / Data de Gravação: 26 de agosto de 1969 / Local de Gravação: Las Vegas, Nevada / Produtor: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White, Elvis Presley / Músicos: Elvis Presley (vocais, violão), James Burton (guitarra), Jerry Scheff (baixo), John Wilkinson (guitarra), Bob Lanning (bateria), Ronnie Tutt (bateria), Charlie Hodge (violão), Glen Hardin (piano), Larry Muhoberac (Piano, órgão), The Imperials (vocais), The Sweet Inspirations (vocais), Millie Kirkham (vocais), Bobby Morris e Orquestra.

Pablo Aluísio.

The Path

Ontem assisti ao primeiro episódio dessa nova série "The Path" (em bom português, "O Caminho"). O enredo gira em torno de uma seita americana que promove uma lavagem cerebral em seus membros. Embora os produtores não assumam isso de forma pública, o roteiro é claramente uma crítica à cientologia, uma seita muito bizarra que é seguida por celebridades na Califórnia.

Esse tipo de seita religiosa é muito comum de aparecer na sociedade americana. Aquela é tradicionalmente uma nação evangélica. E como bem sabemos o protestantismo tem a natural tendência de se dividir e se transformar numa imensa gama de igrejas diferentes, com suas próprias doutrinas religiosas - algumas pra lá de esquisitas. No caso da cientologia (que é seguida por gente como Tom Cruise) nada faz muito sentido. Eles idolatram um escritor de ficção científica que dizia saber a origem da humanidade. Ela teria surgido de uma colonização de extraterrestres de três metros de altura em um passado distante. Acredite, muita gente segue isso como uma verdadeira doutrina religiosa, por mais estranha que pareça ser. Tem louco pra tudo nesse mundo...

Pois bem, em "The Path" somos apresentados a um jovem casal que vive dentro de uma comunidade rigidamente controlada por uma dessas seitas. Depois do suicídio do irmão, Eddie Lane (Aaron Paul) fica devastado. Ao encontrar um livro dessa seita em uma livraria ele acaba se interessando muito pelo que lê e em pouco tempo se torna um de seus membros. O problema é que após uma experiência com um chá alucinógeno, ao estilo santo daime, ele começa a desconfiar das tais verdades absolutas propagados por seu grupo e resolve se encontrar com Allison Kemp (Sarah Jones) que parece ser uma ativista contra o grupo. Ex-integrante da seita ela conseguiu se livrar da lavagem cerebral pelo qual passou e começa uma campanha pela internet visando a recuperação de ex-membros daquela loucura pseudo-religiosa.

Tudo muito bom. O primeiro episódio é muito interessante e a série promete. Aaron Paul, para quem não lembra, foi o jovem noiado Jesse Pinkman de "Breaking Bad". Já a loirinha Sarah Jones é nossa velha conhecida, de tantas séries como "Vegas" e "Alcatraz". Além do elenco promissor a série também tem roteiros bem escritos e essa estória que é baseada nessas seitas religiosas malucas que proliferam por toda a (doentia) sociedade americana.

The Path (EUA, 2016)
Série criada por Jessica Goldberg
Roteiro: Jessica Goldberg, Julia Brownell, Annie Weisman
Elenco: Sarah Jones, Aaron Paul, Michelle Monaghan, Hugh Dance

Pablo Aluísio.

O Núcleo - Missão ao Centro da Terra

Título no Brasil: O Núcleo - Missão ao Centro da Terra
Título Original: The Core
Ano de Produção: 2003
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Jon Amiel
Roteiro: Cooper Layne, John Rogers
Elenco: Aaron Eckhart, Hilary Swank, Delroy Lindo
  
Sinopse:
Por causas desconhecidas da ciência o núcleo do planeta Terra deixa de girar. Isso causa um grande problema para todo o mundo, pássaros não sabem mais como se localizar no espaço, marcapassos e aparelhos eletrônicos param de funcionar e o pior de tudo: com o fim de seu eixo gravitacional e magnético a camada de ozônio passa a desaparecer de forma rápida. Para evitar o desastre completo uma equipe é enviada em uma nave especialmente adaptada para o centro da Terra, para assim tentar descobrir o que de fato estaria acontecendo.

Comentários:
Boa ficção que não teve o sucesso merecido. Acontece que o filme foi lançado logo após o desastre com a nave Columbia, onde vários astronautas morreram e isso causou um certo mal estar no público americano, que acabou deixando os cinemas vazios. Com isso a bilheteria foi ruim e não conseguiu recuperar o orçamento investido. Uma pena já que a produção tem seu charme, principalmente por optar por algo diferente. A nave usada pela equipe que vai para o centro da Terra se chama Virgin e é bem interessante, praticamente uma broca gigante que começa uma missão única e diferente. Os efeitos especiais são muito bons, porém o grande atrativo desse sci-fi é o elenco (formado por oscarizados como Hilary Swank) e os personagens principais, pessoas de certa forma comuns que precisam lidar com uma situação extremamente importante para o planeta. De certa maneira o roteiro busca inspiração nos livros de Júlio Verne, em especial a obra prima "Viagem ao centro da terra" de 1864, o que torna tudo ainda mais saboroso. Não deixe de conferir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Abrigo (2011)

Título no Brasil: O Abrigo
Título Original: Take Shelter
Ano de Produção: 2011
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures
Direção: Jeff Nichols
Roteiro: Jeff Nichols
Elenco: Michael Shannon, Jessica Chastain, Shea Whigham
  
Sinopse:
Curtis (Michael Shannon) é um pai de família comum do meio oeste americano. Sua filha tem necessidades especiais e seu casamento passa por uma crise. Apesar disso ele tenta levar sua vida em frente, até o momento em que começa a ter visões, pesadelos e alucinações. Com histórico familiar de esquizofrenia ele ignora isso e fica convencido de que o apocalipse está próximo. Para salvar sua família desse cataclisma ele começa a ficar obcecado em construir um abrigo enterrado em seu quintal.

Comentários:
Um filme bem fora do convencional. O roteiro não parece muito preocupado em destrinchar sua estória, mas sim em explorar todas as interpretações possíveis sobre o que realmente estaria acontecendo com o personagem principail. Estaria ele ficando louco ou sua preocupação com um grande desastre de proporções épicas teria algum fundo de verdade? Procurando ser enigmático o argumento então parte desse pressuposto para desfiar, sua no mínimo curiosa, trama. O grande destaque, além da excelente direção de Jeff Nichols, vai para a inspirada atuação do ator Michael Shannon. Ele domina o filme da primeira à última cena. O espectador acaba ora simpatizando com suas sinceras intenções, ora fica espantado por suas atitudes bizarras sob um ponto de vista puramente racional. No geral passa longe de ser um filme acessível a todos os públicos, mas por ser tão original vale certamente a pena conhecer (e de quebra tentar desvendar a estranha mente de Curtis, um sujeito fora do normal, porém não menos do que realmente interessante).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Dívida de Sangue

Título no Brasil: Dívida de Sangue
Título Original: Blood Work
Ano de Produção: 2002
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Michael Connelly, Brian Helgeland
Elenco: Clint Eastwood, Jeff Daniels, Anjelica Huston
  
Sinopse:
Ao perseguir um serial killer o agente do FBI Terry McCaleb (Clint Eastwood) acaba sofrendo um ataque do coração. Depois de recuperado volta à ativa e descobre uma ligação direta entre seu doador e os crimes que supostamente investigava. Agora ele parte, baseado em suas investigações, para finalmente capturar o assassino serial. Filme vencedor do Venice Film Festival na categoria de Melhor Direção (Clint Eastwood).

Comentários:
Clint Eastwood resolveu dirigir essa adaptação cinematográfica da novela policial escrita por Michael Connelly basicamente por ter se identificado com o personagem principal, um velho tira que começa a sentir o peso da idade e de problemas de saúde em sua profissão. E talvez por isso o roteiro tenha sido considerado um pouco lento demais. De fato, para aquele espectador acostumado a ver Eastwood na pele de Dirty Harry foi mesmo um pouco complicado lidar com uma interpretação onde o velho Eastwood parece estar sempre cansado, exausto, praticamente sem fôlego. Até mesmo para sacar sua arma o tira veterano de Clint sofre para se manter firme. Os dias de personagens durões indestrutíveis pareciam ter ficado realmente para trás. Mesmo assim recomendo o filme, isso pelo simples fato de ter sido dirigido por Eastwood. Ok, o ritmo já não é tão rápido e as cenas de ação não tão impactantes como antes, porém é de se reconhecer essa tentativa do ator em seu mostrar mais vulnerável em cena, mas humano. Olhando-se sob esse ponto de vista "Blood Work" é bem mais interessante do que se pensa. Afinal a idade chega para todos, mais cedo ou mais tarde. Enfim, fica a recomendação.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 25 de junho de 2016

Imperador Augusto, o Divino

Quando Jesus Cristo nasceu o imperador que reinava em Roma era Augusto, o Divino! Claro que na realidade ele não era divino coisa nenhuma, porém Augusto foi considerado um administrador tão capaz do Império que acabou sendo aclamado como uma divindade, com direito a um lugar no panteão romano dos deuses, algo que era aceito naturalmente dentro da religião politeísta do povo romano. O próprio título que lhe foi atribuido, Augusto, significava justamente isso, o de um ser humano que ao morrer se tornou um Deus glorioso!

O mais interessante é que Augusto foi de certa maneira um imperador improvável. Ele era um patrício de família nobre, mas nada em sua infância e juventude poderia antecipar que um dia ele se tornaria um imperador romano com tanto poder! Na realidade quando nasceu Caio Otávio (seu nome real) nem sequer existiam imperadores em Roma, já que seu nascimento se deu na fase da República romana. Sua única ligação com o poder era o fato de ser o sobrinho do grande general, orador e político Júlio César. Amado pelos seus soldados e pela plebe (a grande massa empobrecida do império), Júlio César acabou centralizando praticamente todo o poder de uma Roma em seu auge. Quando se deu conta ele praticamente havia se tornado um verdadeiro rei - algo que dava arrepios no senado romano. Assim para conter sua sede de poder ele acabou sendo morto brutalmente por senadores que o esfaquearam em pleno senado nos idos de março.

A morte de Júlio César mudou a vida de Otávio para sempre. Poucos sabiam, mas ele acabou sendo nomeado o herdeiro de César em seu testamento, o que significava que ele herdaria todos os seus bens e também seu legado político. Depois de um período realmente conturbado - onde um triunvirato subiu ao poder, sendo Otávio um de seus vértices - ele finalmente se acomodou no trono em Roma, se tornando não um rei, mas sim um imperador, um novo título que iria dominar a política romana nos séculos seguintes.

Sob um ponto de vista histórico Augusto foi um bom imperador. Ele reorganizou o Estado romano, criou instrumentos para equilibrar as finanças, organizar o exército e preservar as vastas fronteiras de um Império que dominava praticamente todo o mundo ocidental conhecido. Ao cessar as invasões a povos vizinhos de Roma ele conseguiu implantar um momento histórico de paz e prosperidade em Roma. A "pax romana" significava justamente isso: havia pela primeira vez em séculos um período de paz absoluta dentro das fronteiras romanas. Uma de suas maiores satisfações foi justamente fechar as portas do templo de Marte (o Deus da guerra) em Roma, um gesto que significava que todo o império se encontrava em paz, sem guerras e nem matanças de povos inimigos.

Augusto viveu muito para um homem da antiguidade, mais de 75 anos de idade. Ele era magro, tinha hábitos moderados, comia pouco, trabalhava muito e procurava administrar toda a máquina estatal romana com honestidade, responsabilidade e justiça, premiando os melhores homens do império por suas qualidade pessoais e competência. Embora Jesus tenha sido provavelmente o maior homem que já andou na face da Terra, o imperador Augusto morreu sem saber de sua existência. Afinal de contas Jesus nasceu numa distante província romana. Além disso quando Augusto morreu o jovem Jesus era apenas um garoto de 14 anos, ainda entrando na sua puberdade.

Aliás para muitos historiadores o único grande fracasso da vida do imperador Augusto foi justamente no campo religioso. Como imperador ele foi alçado ao cargo máximo da religião romana. E ele levou muito à sério essa função, promovendo uma série de leis de moralidade a serem seguidas pelo povo de Roma. Infelizmente suas leis foram desrespeitadas por sua própria filha, Júlia, que promoveu uma orgia em um templo sagrado na cidade eterna. Horrorizado e escandalizado por sua atitude ele a baniu para sempre para uma ilha distante e isolada. Augusto não admitia ser desmoralizado como chefe da religião pagã de Roma. Depois de sua morte todos os seus esforços foram reconhecidos pelo povo de Roma, a ponto de um mês do ano ser renomeado em sua homenagem: o mês de agosto, o mês de Augusto, o Divino.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - Elvis in Person at the International Hotel - Parte 11

Essa foi a segunda vez que a música "In the Ghetto" apareceu na discografia de Elvis. Antes ela havia feito um belo sucesso de crítica e público quando foi lançada como single em 1968. Essa música foi um raro exemplar de música política dentro da carreira de Elvis Presley. Era fato notório que o Coronel Parker não queria que Elvis desse declarações públicas sobre suas opiniões políticas. Assuntos como guerra do Vietnã, luta pelos direitos civis das minorias e suas preferências partidárias eram proibidos por Tom Parker. Em uma época muito intensa nesse campo, principalmente dentro dos Estados Unidos, toda a imprensa (e o público) queriam saber o que Elvis Presley pensava sobre tudo o que estava acontecendo, mas em entrevistas Elvis era instruído a sempre sair com respostas evasivas. Provavelmente se Elvis tivesse falado o que pensava iria surpreender muita gente. Ele era um conservador na verdade, votava no partido republicano e tinha ideias patrióticas bem definidas sobre a intervenção americana no Vietnã. Elvis, que tinha sido militar no final dos anos 1950, tinha uma postura bem clara sobre o que estava acontecendo dentro da sociedade americana. Ele achava um absurdo que outros artistas, como Jane Fonda ou John Lennon, fossem contra a guerra. Para Elvis o importante era apoiar as tropas americanas no exterior. Ser um patriota, acima de tudo.

Já no campo da luta dos direitos dos negros ele tinha uma postura bem mais liberal. Elvis cresceu em Memphis, um dos polos mais racistas do sul americano (que por si só já era uma região absurdamente separatista entre negros e brancos). Por exemplo, Elvis estudou em um colégio onde apenas brancos podiam estudar. Os banheiros, ônibus e até estabelecimentos comerciais de sua cidade eram separados. Havia bairros onde apenas brancos poderiam morar. Aos negros eram destinados os piores lugares da cidade, muitas vezes sem infra estrutura alguma. Até as igrejas evangélicas eram separadas. Mesmo assim, com toda essa segregação, desde muito jovem Elvis criou uma intensa curiosidade sobre a cultura dos negros. Ele ouvia preferencialmente estações de rádio voltados para o público negro e foi dessa convivência que ele tirou grande parte de sua musicalidade. Por isso não foi surpresa que tenha sido acusado no começo de sua carreira de ser "um cantor branco cantando músicas de negros". Assim "In The Guetto" de Mac Davis era um sopro de novidade em sua discografia. Uma letra que tinha muito o que dizer e que em última análise funcionava justamente como uma declaração pública mesmo que indireta do próprio Elvis sobre a situação precária em que vivia o negro norte-americano, sofrendo todos os tipos de preconceitos desde a mais tenra idade.

In the Ghetto (Mac Davis) / Álbum: Elvis in Person at the International Hotel, Las Vegas, Nevada / Data de Gravação: 24 de agosto de 1969 / Local de Gravação: Las Vegas, Nevada / Produtor: Felton Jarvis, Glen D. Hardin, Glenn Spreen, Bergen White, Elvis Presley / Músicos: Elvis Presley (vocais, violão), James Burton (guitarra), Jerry Scheff (baixo), John Wilkinson (guitarra), Bob Lanning (bateria), Ronnie Tutt (bateria), Charlie Hodge (violão), Glen Hardin (piano), Larry Muhoberac (Piano, órgão), The Imperials (vocais), The Sweet Inspirations (vocais), Millie Kirkham (vocais), Bobby Morris e Orquestra.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

O Orfanato

Título no Brasil: O Orfanato
Título Original: El Orfanato
Ano de Produção: 2007
País: Estados Unidos, Espanha
Estúdio: Warner Bros, Canal +
Direção:  J.A. Bayona
Roteiro: Sergio G. Sánchez
Elenco: Belén Rueda, Fernando Cayo, Roger Príncep
  
Sinopse:
No passado Laura (Rueda) viveu em um orfanato no litoral da costa espanhola. Após ser adotada por um casal ela acabou perdendo o contato com seus amiguinhos de infância. Agora, já adulta, casada e mãe de um garotinho, ela resolve voltar para o velho casarão onde funcionava esse mesmo orfanato em que ela passou seus primeiros anos. O lugar, apesar de eventuais reformas, segue basicamente o mesmo. O que Laura não sabia é que após sua saída de lá fatos aterrorizantes aconteceram envolvendo os órfãos que ficaram para trás. Após manifestações sobrenaturais ela entra em desespero ao descobrir que seu filho simplesmente desapareceu. Para entender o que está acontecendo Laura resolve investigar o passado do orfanato, algo que não será tão simples de desvendar.

Comentários:
O que me levou a conferir esse terror foi o nome do diretor Guillermo del Toro na produção do filme. Sua presença já garante no mínimo uma fita bem produzida, com roteiro interessante e direção de arte de encher os olhos. Nesses aspectos realmente não me decepcionei. A produção recria um velho orfanato espanhol, com seus ambientes escuros, lugares inóspitos e cheios de suspense. O uso das aparições de fantasmas jamais caem no gratuito, no sensacionalismo. Longe disso, tudo é muito bem desenvolvido. A trama aos poucos vai sendo desvendada, em um roteiro até mesmo sutil. O texto é inteligente e jamais apela para sustos fáceis e banais. Na realidade o tema central é não apenas a nostalgia que jamais deixa o passado ir embora para sempre como também a força do amor maternal que não recua diante de nada, nem mesmo dos inúmeros mistérios que envolvem o sobrenatural. O elenco, inclusive as crianças que atuam no filme, é realmente muito bom, com destaque para a atriz Belén Rueda que interpreta Laura. Intercalando momentos de desespero e coragem, ela resolve ir a fundo sobre tudo o que está acontecendo, enfrentando a tudo e a todos para reencontrar seu filho desaparecido. O final do filme provavelmente vá chocar aos mais sensíveis, pois apesar da suposta ternura que envolve a decisão final de Laura, o fato é que o espectador é colocado frente a frente com um ato de dar fim a própria existência, algo realmente definitivo e diria até mesmo avassalador. O diretor J.A. Bayona (que também trabalha na série Penny Dreadful) optou de forma acertada por envolver tudo em um clima que nos remete até mesmo a um certo sentimento de fábula. A cena final retrata muito bem toda essa sua intenção. Enfim, "O Orfanato" é realmente um ótimo exemplar do excelente momento em que passa o cinema espanhol nessa linha de filmes de terror. Cada vez mais as produções ibéricas surpreendem. Por isso fique sempre de olho no que está sendo produzido nesse país. Para o fã do gênero terror não poderia haver nada melhor do que fugir um pouco das já saturadas produções americanas. Aproveite e não deixe passar esse excelente terror espanhol em branco.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Visitantes na Noite

Título no Brasil: Visitantes na Noite
Título Original: Cold Sweat
Ano de Produção: 1970
País: Estados Unidos, França, Bélgica
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Terence Young
Roteiro: Dorothea Bennett, Jo Eisinger
Elenco: Charles Bronson, James Mason, Liv Ullmann
  
Sinopse:
Joe Martin (Charles Bronson) é um americano vivendo tranquilamente ao lado da sua esposa e filha no sul da França. Alugando barcos para turista ele consegue ter uma vida tranquila e feliz pela primeira vez em sua vida. Tudo muda quando criminosos levam como refém sua mulher. O problema é que Martin tem um passado obscuro. Dez anos antes ele fugiu de uma prisão nos Estados Unidos ao lado de comparsas. Durante a fuga nem tudo saiu como planejado e um dos fugitivos morreu. Agora a antiga organização criminosa de que fez parte quer acertar as contas com ele, que precisará se armar até os dentes para sobreviver. 

Comentários:
O diretor Terence Young que havia dirigido vários filmes de James Bond, o agente 007, entre eles "O Satânico Dr. No", "Moscou Contra 007" e "007 Contra a Chantagem Atômica", se uniu ao ator Charles Bronson no começo da década de 1970 para a realização desse violento filme de ação ambientado no sul da França. A temática obviamente tende para o lado mais violento, com Bronson interpretando um tipo de personagem que se repetiria ao longo de sua filmografia nos anos posteriores, a do homem sério e calado que partia para uma vingança insana após sofrer algum tipo de injustiça. Aqui ele se torna alvo de criminosos que levam sua esposa como refém, isso depois de desfrutar de longos anos de paz e felicidade ao lado dela. Terence Young assim se utiliza de sua experiência adquirida nos primeiros filmes da franquia 007 para incrementar várias cenas de pura ação, algumas até estilizadas, roubando um pouco da estética dos filmes de faroeste italianos, onde a violência não era apenas brutal como também quase caricatural. Por causa disso o filme acabou encontrando problemas de exibição em diversos países pelo mundo afora. Na Inglaterra, por exemplo, a British Board of Film Classification deu uma classificação etária muito alta, fazendo com que os produtores promovessem cortes, principalmente em cenas de nudez e de extrema violência, como a quebra do pescoço de um dos criminosos da fita. Mesmo assim o filme fez sucesso, fazendo com que Charles Bronson e Terence Young voltassem a trabalhar juntos nos filmes "Sol Vermelho" (1971) e "Os Segredos da Cosa Nostra" (1972), afinal de contas a parceira entre eles parecia funcionar muito bem.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Free Willy

Título no Brasil: Free Willy
Título Original: Free Willy
Ano de Produção: 1993
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Simon Wincer
Roteiro: Keith Walker
Elenco: Jason James Richter, Lori Petty, Michael Madsen
  
Sinopse:
O garoto Jesse (Jason James Richter) acaba criando uma bonita amizade com uma enorme baleia orca chamada Willy que vive em um parque aquático nos Estados Unidos. Quando ele descobre que o animal sofrerá por causa de planos terríveis visando prejudicá-lo decide que irá devolver Willy para a natureza, o libertando do cativeiro onde vive. Filme vencedor do MTV Movie Awards na categoria de Melhor canção ("Will You Be There" de Michael Jackson).

Comentários:
Na década de 1990 surgiu um sentimento ecológico muito forte dentro da sociedade. Pela primeira vez as pessoas começaram a prestar atenção na destruição que estava sendo feita na natureza. Era necessário preservar a riqueza ecológica do planeta para as futuras gerações. O cinema acabou entrando nessa luta também. Nesse segmento o filme "Free Willy" foi um dos mais bem sucedidos comercialmente. A estória era cativante e a trilha sonora, com músicas de Michael Jackson, formaram o pacote completo para seu sucesso. De fato o filme ainda pode ser considerado muito bom, bem acima das sequências ruins que viriam nos anos seguintes (produzidas pela Disney). A mensagem sobre a baleia Willy (na verdade uma orca chamada Keiko que também foi criada em cativeiro e que morreria logo após ser solta na natureza) acabou criando uma onda de filmes com temática semelhante. Pelas boas intenções, pela bonita mensagem e pela rica exploração da amizade entre um menino e um animal de grande porte como aquele (sem esquecer o fato de que as baleias são extremamente sociáveis e inteligentes), "Free Willy" ainda se mantém interessante e mais do que isso, atual, já que o tema envolvendo animais em cativeiro e zoológicos voltou à tona recentemente depois da morte daquele gorila nos Estados Unidos e da onça do exército brasileiro, mortos em última análise, por estarem fora de seu habitat natural. Para ver, refletir e se divertir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Robert De Niro - Taxi Driver

Ontem assisti, completamente por acaso, um pequeno resumo biográfico da carreira do ator Robert De Niro. Em canais a cabo existe uma variedade desses programas. Nenhum deles é grande coisa, na verdade eles se limitam a comentar os principais filmes do astro enfocado e nada muito além disso. A verdade é que nada mesmo é muito bem desenvolvido ou aprofundado, mas pelo menos servem para nos lembrar como alguns nomes do cinema eram interessantes no passado.

O caso mais notório é justamente o de Bobby Milk (seu apelido de juventude). Basta você passar os olhos na filmografia de De Niro na década de 1970 para ficar impressionado como sua carreira começou de forma fulminante. É uma obra prima atrás da outra. Depois de se formar no Actors Studio com o apoio de seus pais (que também eram artistas), ele ficou um pouco à deriva, em busca de trabalho em Nova Iorque. Algo normal de acontecer com alguém ainda sem experiência. Havia algumas oportunidades no meio teatral e em busca de papéis ele chegou até mesmo a atuar como o leão medroso de "O Mágico de Oz". Peças de teatro infantil porém não eram o seu caminho. Assim De Niro aceitou até mesmo trabalhar de graça em alguns filmes, só pela chance de se tornar mais conhecido. O sucesso porém não tardou muito para esse talentoso jovem aspirante a ator.

Algumas dessas produções de começo de carreira até que são bem interessantes como "Festa de Casamento" de 1969, mas apenas com "Taxi Driver" é que Robert De Niro se tornou realmente grande em termos de atuação e talento. Claro que ninguém pode ignorar suas boas atuações em "A Última Batalha de um Jogador", "Caminhos Perigosos" e "O Poderoso Chefão II", mas o fato é que apenas com essa obra prima de Martin Scorsese o jovem De Niro conseguiu provar que poderia levar um filme sozinho em frente, causar impacto apenas com seu trabalho, sem ser apenas parte de uma engrenagem bem maior.

O tema é a insanidade. A loucura de se viver em um mundo caótico. O personagem de De Niro no filme sabe muito bem o que é isso. Veterano no Vietnã ele volta para os Estados Unidos vivo, mas com muitos problemas psicológicos a superar. De volta a uma vidinha banal e maçante, vivendo como motorista de táxi pelas ruas da grande e infecta cidade, eles aos poucos vai perdendo a sanidade por causa do mundo ao seu redor. Todos os valores parecem que estão mortos e enterrados. Ninguém mais se importa com eles ou os respeita. A cidade de Nova Iorque assim surge como uma selva ou uma lata de lixo. Jodie Foster acaba sendo o alvo de suas mais intensas pretensões de tentar construir uma vida normal, mas há problemas. Ela é uma garota menor de idade e... prostituta. Ele não consegue lidar direito com seus sentimentos. E nem ela parece se importar com eles. Pior do que isso, ela não faz o tipo garotinha indefesa, pelo contrário, é cheio de personalidade, mesmo que construída nas ruas imundas da grande maçã (que aliás é uma boa alegoria para o roteiro do filme).

Hoje em dia muitos ainda lembram de De Niro completamente enlouquecido, com as mãos cheias de sangue, cabelo moicano ao estilo punk, com olhar de quem já deixou a sanidade para trás após promover atos de barbárie e violência. Ele no fundo é apenas fruto da loucura ao seu redor. O próprio Martin Scorsese (um gênio do cinema em minha opinião), explicou que quando realizou o filme também estava insano, não pela violência da guerra ou das ruas, mas sim pelo vício em cocaína que o acompanharia por anos a fio. Pois é, no fundo, dentro desse mundo surtado de "Taxi Driver" o único que parecia ter alguma ligação com o mundo normal era justamente, quem diria, o próprio Robert De Niro...

Pablo Aluísio.

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Rua dos Conflitos

Título no Brasil: Rua dos Conflitos
Título Original: Abilene Town
Ano de Produção: 1946
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Edwin L. Marin
Roteiro: Ernest Haycox, Harold Shumate
Elenco: Randolph Scott, Ann Dvorak, Edgar Buchanan, Rhonda Fleming, Lloyd Bridges
  
Sinopse:
1870. A guerra civil deixa rastros de morte e destruição por toda a nação norte-americana. Em Abilene (uma conhecida cidade do velho oeste, famosa por suas belas planícies) o xerife Dan Mitchell (Randolph Scott) tenta colocar ordem e justiça pelas vastas terras da região. O lugar passa por um conflito violento envolvendo colonos e criadores de gado que decidem contratar pistoleiros violentos para impor seu ponto de vista a todos os moradores da cidade.

Comentários:
Um filme estrelado pelo astro do western Randolph Scott atuando como um bravo e honesto xerife do velho oeste já é um bom motivo para se assistir. Some-se a isso o bom roteiro e o elenco de apoio acima da média (que conta inclusive com um jovem Lloyd Bridges como o líder dos colonos) e você terá no mínimo uma boa diversão. Não é uma grande produção, na verdade foi um faroeste de orçamento mediano bancado pela United Artists. O estilo procura ser o de diversão familiar, sem muita violência ou cenas de impacto. Um filme tipicamente produzido para as matinês de cinema que faziam grande sucesso na década de 1940. Há um pouco de romance, com o personagem de Scott disputando o coração de duas mulheres, a garota de um saloon (interpretada por Ann Dvorak) e a de uma jovem mocinha, Rhonda Fleming (bem carismática e diria até encantadora). Enquanto o xerife luta contra os bandidos ainda há espaço para um pouco de música, com um bom número musical a cargo da atriz Ann Dvorak. Tudo um tanto leve e ameno. Essa cidade de Abilene sempre surgia em filmes de faroeste porque historicamente ela foi um centro de carga e descarga de grandes carregamentos de gado. Depois que as manadas eram enviadas para todo o país (em vagões de trem), os cowboys, pistoleiros e todos os tipos violentos que povoavam o oeste americano ficavam na cidade, pelos saloons, causando todos os tipos de confusões. Ser xerife de um lugar assim definitivamente não era algo fácil. O diretor Edwin L. Marin trabalhou em vários filmes ao lado de Randolph Scott e morreu precocemente, com apenas 52 anos de idade. Uma perda lamentada muito pelo ator que perdeu um de seus mais leais colegas de trabalho.

Pablo Aluísio.

Taxi Driver

Título no Brasil: Taxi Driver
Título Original: Taxi Driver
Ano de Produção: 1976
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Paul Schrader
Elenco: Robert De Niro, Jodie Foster, Cybill Shepherd, Albert Brooks
  
Sinopse:
Travis Bickle (Robert De Niro) é um veterano da guerra do Vietnã que trabalha como motorista de táxi pelas ruas de uma Nova Iorque decadente, suja, imunda e amoral. Ao se deparar com a vida da adolescente Iris (Jodie Foster) que vive como prostituta pelos becos da grande cidade, acaba gradualmente perdendo o senso da realidade. Corroído pelo caos urbano e pela falta de humanidade no meio em que trabalha ele acaba caminhando a passos largos para a insanidade completa. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator (Robert De Niro), Melhor Atriz coadjuvante (Jodie Foster) e Melhor Música Original (Bernard Herrmann). Também indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Ator (Robert De Niro) e Melhor Roteiro Original (Paul Schrader). Vencedor do BAFTA Awards nas categorias de Melhor Atriz (Jodie Foster) e Melhor Música (Bernard Herrmann).

Comentários:
O filme que mudou para sempre a carreira do ator Robert De Niro. Filho de um pintor do Greenwich Village em New York City, o jovem De Niro só esperava por um grande papel para se destacar definitivamente no cinema. Formado no Actors Studio, a mesma escola de arte dramática onde estudaram Marlon Brando e James Dean, ele foi o grande representante da última e fenomenal geração de atores de Nova Iorque proveniente daquela instituição de ensino. Aqui um ainda jovem De Niro conseguiu desenvolver finalmente todo o seu talento nessa obra prima psicológica e insana do diretor Martin Scorsese, com quem ele faria uma longa e bem produtiva parceria nas telas de cinema. O interessante é que tanto Scorsese como De Niro sempre afirmaram amar a cidade de Nova Iorque, porém fizeram a ela uma estranha "homenagem". Um dos símbolos de NYC, os seus táxis amarelos, se tornam o cenário e o palco para um estranho personagem, o motorista vivido por De Niro. Um sujeito que foi a Vietnã e voltou de lá com sérios problemas psicológicos e traumas que aos poucos vão dominando sua mente, culminando para um clímax insano, violento e explosivo. O "gatilho" para seu enlouquecimento acaba sendo uma estranha relação que desenvolve com uma adolescente prostituta, interpretada com brilhantismo por Jodie Foster (que consegue inclusive ofuscar em determinados momentos o próprio De Niro, algo impensável). Em determinado momento do filme ela o provoca dizendo que ele deveria provar seu amor matando o presidente dos Estados Unidos. Um louco da vida real acabou levando muito à sério o diálogo e realmente fez um atentado ao presidente Ronald Reagan, um fato amplamente explorado pela imprensa na época e que acabou marcando de forma definitiva o filme "Taxi Driver". Esse aspecto macabro e bizarro da história porém deve ser descartado, pois é um fato externo à obra de Scorsese. O que se deve mesmo levar em conta é que essa é uma verdadeira obra prima da sétima arte, um dos melhores filmes da década de 1970 e um marco do estilo realista que estava predominando naqueles agitados e produtivos anos para a indústria de cinema americana. Imperdível para todo cinéfilo que se preze.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Wild Bill - Uma Lenda No Oeste

Título no Brasil: Wild Bill - Uma Lenda No Oeste
Título Original: Wild Bill
Ano de Produção: 1995
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Walter Hill
Roteiro: Thomas Babe, baseado no livro de Peter Dexter
Elenco: Jeff Bridges, Ellen Barkin, John Hurt
  
Sinopse:
Cinebiografia de Wild Bill Hickok, um dos mais conhecidos nomes da mitologia do velho oeste americano. Veterano da Guerra Civil americana, condutor de diligências, Xerife, jogador inveterado e pistoleiro de aluguel, Wild Bill foi um dos mais temidos homens de seu tempo. Extremamente hábil no gatilho ele desafiou grandes nomes de sua época.  A vida de Bill foi movimentada desde seus primeiros anos. Aos 18 anos se uniu às tropas do General Lee e foi lutar ao lado do exército da confederação. Lá conheceu e se tornou amigo de Buffalo Bill. Ao sair do exército foi perambular pelo oeste selvagem e se envolveu em vários duelos que ficaram famosos pois foram fartamente noticiados pela imprensa, garantindo sua fama em todo o país. Filme indicado ao prêmio da National Society of Film Critics Awards na categoria de Melhor Ator (Jeff Bridges). Também indicado na mesma categoria no New York Film Critics Circle Awards.

Comentários:
Lidar com um nome tão conhecido do velho oeste pode ser complicado. Felizmente o filme é muito bom, interessante e bem editado. Ao invés de contar cronologicamente a história de Wild Bill o diretor optou por narrar os últimos momentos de vida dele, onde aos poucos sua história é relembrada em diversos flashbacks (em preto e branco, na maioria das vezes). O filme é curto, pouco mais de 90 minutos, o que torna insuficiente para mostrar toda a vida do famoso personagem (que foi de tudo um pouco na vida, desde caçador de búfalos a xerife de cidades perigosas como Deadwood). Talvez apenas uma minissérie conseguiria contar todas as histórias envolvendo Wild Bill. Tecnicamente muito bem escrito, o roteiro romanceou alguns aspectos da vida do famoso pistoleiro para trazer mais interesse à trama. São pequenas licenças que o roteirista pede para a história real dos fatos, nada muito comprometedor. A mais significativa dessas mudanças foi a relação que os roteiristas criaram entre o assassino de Wild Bill e um amor do passado dele, algo inexistente na vida do famoso pistoleiro. Obviamente que ambos os personagens existiram realmente, mas Jack McCall, o assassino de Bill (que seria enforcado por esse crime) não era filho de Susannah Moore, a antiga namorada de seu passado. Essa foi apenas uma tentativa de trazer mais dramaticidade ao filme. Jeff Bridges está muito bem no papel e todo o elenco de apoio é acima da média, principalmente Ellen Barkin como Calamity Jane, outra personagem que foi imortalizada pelo cinema em diversos filmes ao longo desses anos. Fazendo às vezes de narrador o filme ainda traz o ótimo John Hurt no papel de um amigo inglês de Wild Bill. Jeff Bridges aliás sempre se sai muito bem em faroestes, não apenas por ter o tipo certo, como também por incorporar trejeitos da época de uma forma muito convincente. Cantor de música country nas horas vagas ele parece mesmo ter um afeto especial por todo esse universo. Enfim, "Wild Bill - Uma Lenda No Oeste" pode até não ser perfeito do ponto de vista histórico, porém é um faroeste acima da média que ajuda a resgatar essa importante figura do passado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Hell On Wheels

Nem só de filmes clássicos e eventuais lançamentos em DVD vive o fã de faroeste. A TV americana dá o exemplo e também produz escelentes séries sobre o tema. O mais interessante delas é justamente esse Hell On Wheels. Temos aqui mais um produto de excelente nível do canal a cabo AMC. Em se tratando do mesmo canal que produz Mad Men, The Killing e Breaking Dad estava esperando apenas o melhor. Realmente não me decepcionei. A série tem boa levada, bom ritmo e procura desenvolver os personagens centrais. No primeiro episódio já somos apresentados aos pontos mais importantes da estória. Na verdade há três tramas paralelas. A primeira mostra um ex soldado confederado que sai em vingança por alguns eventos que ocorreram durante a guerra civil (e que não vou contar para não estragar). Na segunda trama vemos um casal demarcando uma área dentro de um território hostil indígena e finalmente no terceiro segmento do roteiro acompanhamos um empresário inescrupuloso que tenta levar adiante sua estrada de ferro (que ligará o leste ao oeste dos EUA).

Penso que tem muito potencial. Conforme avança os episódios vamos nos familiarizando melhor com todos os personagens. Recentemente citei Hell on Wheels aqui em nosso espaço por causa de um filme de Randolph Scott que tem basicamente o mesmo argumento. É muito curioso acompanhar o cotidiano dos trabalhadores que ergueram as principais estradas de ferro pelos Estados Unidos. Descobrimos, por exemplo, que a própria obra em construção atraía todo tipo de gente, picaretas, pistoleiros, prostitutas e qualquer um que via ali uma oportunidade de ganhar algum dinheiro. Fora isso havia sempre o perigo das nações Apaches, Sioux e Comanches que viam a ferrovia como uma invasão em suas terras. Em suma, fica a dica para quem estiver em busca de algo novo feito no estilo que todos adoramos, o Western. Essa séria certamente não lhe decepcionará.

Hell on Wheels (Idem, EUA, 2011-2012) Criado por Joe Gayton, Tony Gayton / Roteiro: Joe Gayton, Tony Gayton / Elenco: Anson Mount, Colm Meaney, Common, Dominique McElligott,  Eddie Spears / Sinopse: Durante a construção de uma estrada de ferro ligando as costas dos EUA, um grupo de trabalhadores lida com um terreno hostil e ataques de nações indígenas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Vivien Leigh - Ship of Fools

A atriz Vivien Leigh entrou para a história do cinema por causa de sua atuação no papel de Scarlett O´Hara no clássico "...E O Vento Levou". Depois de realizar um filme como esse, considerado um dos maiores de todos os tempos, ela poderia até mesmo deixar a carreira de lado que ainda assim estaria imortalizada para sempre nas telas. Acontece que Vivien seguiu em frente e de fato ainda trabalhou em outras grandes obras da sétima arte como, por exemplo, sua sempre lembrada atuação como Blanche DuBois em "Uma Rua Chamada Pecado" ao lado de Marlon Brando. Embora de saúde frágil, Vivien nunca realmente parou de atuar simplesmente porque amava sua profissão.

É verdade que ela era extremamente criteriosa na escolha dos roteiros, mas isso só ajudou a consagrar sua filmografia, recheada de pequenas e grandes obras primas. Em 1965 Vivien fez seu último filme, que no Brasil recebeu o título de "A Nau dos Insensatos", Ao lado de um elenco realmente muito bom - embora não houvesse nenhum grande astro - ela deu vida a uma amarga viúva americana viajando em um navio entre o México e a Alemanha. Esnobe, fria e tentando manter uma postura de fina elegância, ela fazia força para esconder todos os seus problemas emocionais mais profundos.

Os anos do frescor da juventude já tinham ficado para trás, mas mesmo assim Vivien Leigh esbanjava beleza com seus olhos marcantes. O diretor Stanley Kramer me deixou a impressão de que teria ficado até mesmo intimidado por ter dirigido Leigh. Tanto isso me pareceu verdade que sua personagem, Mary Treadwell, parece estar sempre resguardada, só surgindo em cena nos momentos mais cruciais. Talvez por essa razão também Vivien Leigh acabou ficando de fora nas indicações do Oscar naquele ano. Embora "A Nau dos Insensatos" tenha sido indicado a oito estatuetas, ela não foi indicada ao prêmio de melhor atriz. Melhor se saiu Simone Signoret, cuja personagem tinha muito mais espaço dentro da estória do filme.

Ainda assim Vivien tem dois excelentes momentos no filme. No primeiro ela entra em sua cabine e fica particularmente desolada após ter sido até mesmo devastada por um tripulante com quem ela vinha mantendo um flerte casual. Após esnobá-lo ele lhe diz que em muito breve ela só conseguirá ter a companhia de homens se pagasse por isso. Foi uma forma rude de dizer que ela estava ficando velha e sem atrativos. Depois quando o personagem de Lee Marvin entra por engano em seus aposentos ela começa a desferir nele todo o seu ódio, como se quisesse se vingar da vida. Enfim, deixo aqui a recomendação desse belo filme clássico, o último de uma das atrizes mais marcantes do cinema.

Pablo Aluísio.

Para ler mais sobre A Nau dos Insensatos clique Aqui!

Anjos da Noite 3 - A Rebelião

Título no Brasil: Anjos da Noite 3 - A Rebelião
Título Original: Underworld - Rise of the Lycans
Ano de Produção: 2009
País: Estados Unidos
Estúdio: Lakeshore Entertainment
Direção: Patrick Tatopoulos
Roteiro: Danny McBride, Dirk Blackman
Elenco: Kate Beckinsale, Bill Nighy, Rhona Mitra, Michael Sheen
  
Sinopse:
Em um passado distante uma dinastia de vampiros aristocráticos mantém sob correntes os lycans (lobisomens) até que um deles começa uma verdadeira rebelião contra o que considera a escravidão de sua raça, dando origem a uma verdadeira guerra entre os dois monstros mitológicos do terror. Terceiro filme da franquia "Anjos da Noite" (Underworld).

Comentários:
Apesar de não ser muito fã dessa série "Underworld" eu tive a oportunidade de conferir esse terceiro filme nos cinemas. É um dos mais interessantes porque tem uma estória própria, quase como se fosse um prequel cinematográfico dos filmes anteriores. A atriz Kate Beckinsale, apesar de estar presente no material promocional e ter seu nome como chamariz de bilheteria, nem participa muito da trama. Na verdade os verdadeiros protagonistas são o aristocrático Viktor (Bill Nighy), a exótica Sonja (interpretada pela bonita e sensual atriz Rhona Mitra) e o selvagem Lucian (Michael Sheen, sempre interessante e esforçado em cena). Eles formam o núcleo central dos acontecimentos que levaram os lobisomens a se rebelarem contra a dominação dos vampiros. Criados como bestas e animais selvagens eles dão seu grito de liberdade, dando começo a uma insana guerra entre eles e os seres vampirescos. A direção ficou a cargo do francês Patrick Tatopoulos, aqui em seu primeiro trabalho importante como cineasta. Ele já havia trabalhado antes no primeiro filme como o responsável pela equipe técnica de efeitos especiais. Na direção acabou até mesmo surpreendendo. Em suma, um bom exemplar da franquia "Underworld" que pode até mesmo ser assistido sem os demais pois, como já afirmei, seu enredo é bem independente dos outros filmes da franquia.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Sobrevivente

Título no Brasil: O Sobrevivente
Título Original: Rescue Dawn
Ano de Produção: 2006
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Werner Herzog
Roteiro: Werner Herzog
Elenco: Christian Bale, Steve Zahn, Jeremy Davies
  
Sinopse:
Baseado em fatos reais o filme mostra a captura do piloto americano Dieter Dengler (Christian Bale) por forças inimigas durante a Guerra do Vietnã. Durante uma missão sobre o Laos, país vizinho ao Vietnã, seu avião foi abatido. Nas mãos dos vietcongues ele começa a sofrer todo tipo de torturas e violências enquanto tenta sobreviver em um campo de prisioneiros. Filme indicado ao Independent Spirit Awards.

Comentários:
Christian Bale se notabilizou em sua carreira pela entrega aos seus personagens. Para interpretar o piloto americano Dieter Dengler ele embarcou em uma dieta que quase custou sua vida. Para parecer magérrimo no filme, trazendo realismo ao seu trabalho de atuação, Bale perdeu muitos quilos, que depois lhe custaram bastante em termos de saúde. Além disso resolveu encarar cenas asquerosas, como aquela em que come (de verdade) uma largarta típica da região. Algo realmente de revirar o estômago de qualquer um que assista ao filme. Além de Bale outro bom motivo para se conferir esse filme é o trabalho do diretor alemão Werner Herzog. Durante décadas ele realizou filmes corajosos, quase ao estilo guerrilha cinematográfica como os sempre lembrados "Fitzcarraldo", "O Enigma de Kaspar Hauser" e "Aguirre, a Cólera dos Deuses" e de repente surge com essa produção Made in USA, em um grande estúdio de Hollywood, algo que nunca foi muito comum em sua fimografia. O resultado é muito bom, embora é bom salientar que a tônica do filme nem é tanto em relação a ação ou cenas de combates, mas sim no drama vivido pelo piloto Dieter Dengler, explorando bem a forma desumana como os prisioneiros de guerra eram tratados naquela distante guerra no sudeste asiático. Como denúncia certamente a fita funciona muito bem.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Família Savage (2007)

Título no Brasil: A Família Savage
Título Original: The Savages
Ano de Produção: 2007
País: Estados Unidos
Estúdio: Fox Searchlight Pictures
Direção: Tamara Jenkins
Roteiro: Tamara Jenkins
Elenco: Laura Linney, Philip Seymour Hoffman, Philip Bosco
  
Sinopse:
Wendy (Laura Linney) e Jon (Philip Seymour Hoffman) são dois irmãos que precisam lidar com uma situação mais do que complicada. Seu velho pai está senil, praticamente demente, e eles precisam tomar uma decisão sobre interná-lo ou não em um asilo. Como era de se esperar o problema desperta velhos traumas, antigas lembranças amargas, que só faz tornar tudo ainda mais sofrido e amargo. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Atriz (Laura Linney) e Melhor Roteiro Original (Tamara Jenkins).

Comentários:
É realmente algo a se lamentar bastante a morte precoce do ator Philip Seymour Hoffman. Eu sempre o considerei um dos mais talentosos de sua geração. Ele faleceu em 2014, vítima de uma overdose de drogas. Tudo muito trágico. Uma boa oportunidade agora de rever seu trabalho vem nesse excelente drama familiar "The Savages". O roteiro com toques autobiográficos da diretora e roteirista Tamara Jenkins mostra dois irmãos precisando solucionar o terrível problema de como lidar com um pai com problemas de demência, após a morte de sua segunda esposa. Eles tiveram uma educação distante e até mesmo negligente por parte dele e agora precisam tomar a melhor decisão sobre ele, como por exemplo, o internar em um asilo de velhos. O personagem de Hoffman é a de um sujeito torturado, com seus próprios problemas pessoais, pois não consegue nunca terminar o livro que seria o mais importante de sua vida. Sua irmã Wendy não é melhor resolvida, cheia de traumas da infância e adolescência. Ao ter que lidar com seu pai tudo parece voltar, inclusive os anos de um passado bem distante. É um excelente drama, também muito triste por mostrar uma realidade que atinge muitas famílias. Assim se você se identifica de alguma forma com essa estória não deixe de assistir. Provavelmente aprenderá uma bela lição de vida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

A Nau dos Insensatos

Título no Brasil: A Nau dos Insensatos
Título Original: Ship of Fools
Ano de Produção: 1965
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Stanley Kramer
Roteiro: Abby Mann, baseado na obra de  Katherine Anne Porter
Elenco: Vivien Leigh, Simone Signoret, Lee Marvin, José Ferrer, Oskar Werner, George Segal, Michael Dunn
  
Sinopse:
Durante uma viagem de navio entre o México e a Alemanha um grupo de tripulantes e passageiros vivem seus próprios dramas pessoais, de relacionamento e até mesmo políticos. Entre os viajantes há desde uma condessa arruinada, passando por uma esnobe viúva americana, até chegando em um frustrado jogador profissional de beisebol, relembrando todos os motivos que provocaram o seu fracasso esportivo nos campos. Ligando todos eles há todos aqueles velhos sentimentos em comum, como solidão, tristeza, amargura e melancolia. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Atriz (Simone Signoret), Melhor Ator (Oskar Werner), Melhor Ator Coadjuvante (Michael Dunn), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Figurino. Vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Fotografia (Ernest Laszlo) e Melhor Direção de Arte (Robert Clatworthy e Joseph Kish).

Comentários:
Esse foi o último filme da carreira de Vivien Leigh. Ela morreria apenas dois anos depois de interpretar a esnobe viúva Mary Treadwell. Foi uma bela despedida do cinema. O roteiro, uma adaptação do romance escrito por Katherine Anne Porter, procurava retratar nas pessoas que viajavam em um cruzeiro transatlântico, a própria sociedade como um todo, com todos os seus problemas, contradições, dramas e tristezas. Assim a força dramática desse enredo vinha justamente de seus personagens. A estória se passa antes da II Guerra Mundial. A Alemanha já está nas mãos dos nazistas, mas eles ainda não começaram suas perseguições aos judeus e nem suas invasões aos países vizinhos. Há muitos alemães viajando no navio e como é óbvio a delicada situação política de seu país acaba virando a tônica de vários diálogos. Entre os passageiros há inclusive um senhor judeu, Julius Lowenthal (Heinz Rühmann), que sofre todos os tipos de segregação social. Mesmo assim ele não acredita que haverá uma perseguição real na cidades alemãs. Em um momento ele solta uma pensamento que seria tristemente irônico. Ao falar sobre o nazismo ele pergunta: "Há mais de um milhão de judeus na Alemanha! O que Hitler fará com eles? Matará a todos?!". Mal sabia o tamanho da loucura do III Reich que estava por vir. Além dele outros personagens se destacam. Vivien Leigh interpreta uma solitária viúva americana muito esnobe e arrogante, mas igualmente amargurada. Após a morte de seu marido, um diplomata, ela passa a realizar essas viagens para despistar a solidão pessoal em que vive. Amarga e desiludida, ela sofre ao perceber que a juventude e a beleza se foram para sempre. Lee Marvin, por outro lado, é um ex-jogador de beisebol rude e bêbado que parece sempre disposto a criar alguma confusão. É curioso perceber como Marvin se saiu bem nesse papel bem dramático, algo que era bem raro em sua filmografia. Ele, que havia se especializado em interpretar vilões em filmes de western, surpreende e não fica abaixo do restante do elenco. Um dos personagens mais bem construídos e humanos é a de Simone Signoret. Ela dá vida para a Condessa, uma mulher em desgraça que acaba se apaixonando pelo médico do navio após pedir a ele alguma medicação para que conseguisse finalmente dormir. O Dr. Wilhelm Schumann (Oskar Werner), fruto de sua afeição, é um homem frustrado, desiludido com seu casamento sem amor, se resumindo a muitas obrigações que para ele já não possuem muito sentido. Sofrendo de problemas do coração, percebendo que está no fim de sua vida, ele tenta se agarrar a esse relacionamento improvável. Curiosamente um anão, Karl Glocken (Michael Dunn), acaba sendo o narrador da estória, chegando ao ponto até mesmo de dialogar com a própria plateia durante o filme. Um toque muito interessante dado pelo cineasta Stanley Kramer, que mostra muito talento para desenvolver todos os personagens do roteiro sem que em nenhum momento deixe tudo ficar chato ou arrastado (e olha que o filme tem quase duas horas e meia de duração). Então é isso, "A Nau dos Insensatos" é no fundo uma grande metáfora sobre a própria humanidade, com todos os seus problemas. Um filme acima de tudo muito humano, que vale a pena conhecer.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.