quarta-feira, 29 de junho de 2016

The Doors - Mr. Mojo Risin' - The Story of L.A. Woman

Jim Morrison costumava citar um trecho poético que dizia basicamente que os excessos, de todos os tipos, levavam aos palácios da sabedoria. Quando ele começou a gravação do último álbum dos Doors já havia cometido todos os excessos. Em pouco mais de três anos Morrison havia transformado sua imagem de  símbolo sexual do rock em uma insana caricatura de decadência pura - gordo, barbado, bêbado, chapado e com aspecto ruim, tal como um Rei Lear à beira de seu destino trágico. O interessante é que ao encontrar uma fã da banda em um aeroporto ela lhe disse que Jim estava acabado pois Rock era sexo, ao que Morrison rebateu imediatamente afirmando que Rock era morte. Coisas do King Lizard.

Eu já escrevi alguns textos sobre L.A. Woman, por isso não me repetirei aqui com todas aquelas informações. Vou apenas deixar a preciosa dica desse documentário televisivo chamado "Doors: Mr. Mojo Risin' - The Story of L.A. Woman". Como o próprio título já deixa mais do que claro o foco é destrinchar e revelar todos os segredos de gravação do último álbum dos Doors, o blueseiro e mitológico "L.A. Woman". Entre vários depoimentos (de gente extremamente importante na história do grupo como os produtores Paul A. Rothchild e Bruce Botnick) somos ainda presenteados com revelações surpreendentes como quando o tecladista Ray Manzarek confessa que a grande influência para "Riders on the Storm" foi uma velha canção country and western chamada "Ghost Riders in the Sky" de 1948. Quem diria? O mais tradicional dando origem aos delírios psicodélicos de Morrison e cia!

Ao lado da análise das músicas em si ainda há um precioso resgate histórico de tudo o que estava acontecendo com Morrison e o grupo naquela época. Os problemas de Jim com a lei, as turnês canceladas, o tédio dos estúdios de gravação e os problemas de todos eles entre si. O que salvou os Doors naquele momento final quando tudo parecia desmoronar foi novamente a música. Um dos aspectos mais interessantes do documentário é mostrar a forma como as canções eram criadas e gravadas dentro dos estúdios. Realmente um trabalho coletivo, onde cada um trazia o melhor de si para o resultado final. E por falar em final a única crítica que teria a fazer diz respeito justamente ao fim de Morrison, à sua morte. O documentário se mostra bem genérico sobre isso, com até receio maior de entrar em detalhes (provavelmente como precaução legal contra a família Morrison que certamente não queria que os problemas com drogas de Jim fossem explorados em demasia). Mesmo com esse certo puritanismo fora de lugar não deixarei de recomendar o filme que é realmente excelente e muito perspicaz em revelar os bastidores de um dos melhores grupos de rock da história.

Doors: Mr. Mojo Risin' - The Story of L.A. Woman (EUA, 2012) Direção: Martin R. Smith / Roteiro: Martin R. Smith / Elenco: Jim Morrison, Ray Manzarek, Robby Krieger, John Densmore, Paul A. Rothchild, Bruce Botnick, Jim Ladd / Sinopse: Documentário sobre as gravações do álbum dos Doors chamado "L.A. Woman", lançado originalmente em 1971.

Pablo Aluísio.

Kurt Cobain - About a Son

Kurt Cobain About a Son
Outro fato marcante da década de 1990 foi o suicídio do vocalista do grupo de rock Nirvana, Kurt Cobain. Em abril de 1994 ele subiu as escadas de sua casa em Seattle levando um rifle a tiracolo. Sentou-se numa cadeira, colocou o cano da arma na boca e disparou! Foi outro momento trágico que até hoje soa sem sentido.

Corroído por um forte vício em heroína, Cobain vinha há tempos tentando se livrar das drogas, chegou ao ponto de se internar em vários centros de reabilitação, mas nada disso o conseguia livrar da absurda dependência química. Depois de mais uma recaída ele resolveu colocar um fim em tudo, o que de certa forma já era previsto uma vez que em seu último disco ele já havia escrito um refrão numa das canções com a seguinte frase: "Eu me odeio e quero me matar!".

"Kurt Cobain About a Son" é um documentário que tenta explicar o que aconteceu usando fragmentos, pensamentos e ideias deixadas por Cobain em sua vida. Eu gostei do formato desse filme porque ele é bem mais poético do que se iria explorar depois em outros documentários sobre a vida e morte do líder do Nirvana.

Tudo é levado quase como se fosse um poema de tragédia e morte. Juridicamente o filme enfrentou problemas principalmente pela disputa de direitos autorais envolvendo a viúva de Cobain (a maluca da Courtney Love) e os demais membros da banda. Ignore isso e aproveite os méritos cinematográficos que são muitos. Vale realmente a pena conhecer.

Kurt Cobain About a Son
(EUA, 2006)
Direção: AJ Schnack
Roteiro: AJ Schnack
Elenco: Kurt Cobain, Michael Azerrad, Courtney Love.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Independence Day - O Ressurgimento

Título no Brasil: Independence Day - O Ressurgimento
Título Original: Independence Day - Resurgence
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Nicolas Wright, James A. Woods
Elenco: Liam Hemsworth, Jeff Goldblum, Bill Pullman
  
Sinopse:
Duas décadas depois da invasão alien o planeta Terra começa a perceber sinais de que uma nova invasão extraterrestre está prestes a acontecer. Uma nave maior e mais potente está chegando, com direito à presença da rainha dos seres vindos do espaço. A intenção logo fica clara, os ETs querem a destruição da humanidade, enquanto tentam chegar ao núcleo do planeta para drenar toda a sua energia. Filme premiado pelo CinemaCon.

Comentários:
Ao lado de Michael Bay, Roland Emmerich é um dos maiores idiotas de Hollywood. Seus filmes só trazem efeitos especiais, toneladas deles, mas nem sinal de um bom roteiro! "Independence Day - O Ressurgimento" é uma sequência tardia de uma franquia que parecia estar enterrada para sempre. O primeiro filme já não era essas coisas, uma patriotada para o estúpido americano médio se sentir o salvador do mundo civilizado na data de independência de seu país, 4 de julho. Agora as coisas não são melhores, os mesmos ETs malvados retornam, dessa vez com a própria rainha comandando tudo. Os aliens de "Independence Day" agora estão cada vez mais parecidos com os insetos espaciais de "Tropas Estelares", embora usem de uma tecnologia extremamente avançada. Como se trata de um filme dirigido pelo vazio Roland Emmerich não adianta perder tempo falando de roteiro, atuações, etc. Tudo é extremamente destituído de maior conteúdo. A única coisa que vale a pena comentar são os efeitos visuais. Para os que querem apenas isso vai o aviso: eles não são tão especiais como se pensa. Na verdade se você for assistir ao filme em 3D (que foi o meu caso) descobrirá que se trata de um falso 3D, onde duas ou até três camadas de cenas 2D se sobrepõem umas às outras. Isso dá um aspecto feio ao filme, como se estivéssemos vendo aqueles teatrinhos de papelão que eram muito populares no passado. Ruim de doer. As criaturas são também bem decepcionantes, inclusive a rainha, que fica parecendo mais uma marionete desengonçada correndo no meio de deserto. E para apelar para todos os clichês possíveis ela vai em direção a um ônibus escolar para matar um bando de crianças e adolescentes chatinhos! (pena que não consegue, pois o filme ficaria pelo menos mais divertido!) Enfim, pura perda de tempo e dinheiro (no caso o seu dinheiro que irá pagar o ingresso desse abacaxi). A única boa notícia é que o filme vem se dando mal nas bilheterias, o que poderá nos livrar de uma medonha terceira parte dessa bomba espacial.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Coisas Belas e Sujas

Título no Brasil: Coisas Belas e Sujas
Título Original: Dirty Pretty Things
Ano de Produção: 2002
País: Inglaterra
Estúdio: BBC Films
Direção: Stephen Frears
Roteiro: Steven Knight
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Audrey Tautou, Sophie Okonedo
  
Sinopse:
Okwe (Chiwetel Ejiofor) é um imigrante ilegal nigeriano que tenta sobreviver levando uma dura vida nos subterrâneos de Londres. Ele trabalha como recepcionista de hotel durante a noite e de dia tenta exercer medicina, uma área em que tem conhecimento. Para isso porém ele é proibido por lei, o que o faz estar sempre fugindo de agentes da imigração. Certo dia, por puro acaso, ele acaba descobrindo um esquema ilegal de realizações de cirurgias, liderados por um sujeito chamado Juan, seu chefe no hotel onde trabalha. Esse lhe faz uma proposta tentadora que pode lhe render muito dinheiro: fazer cirurgias ilegais! Se aceitar e isso for descoberto poderá ser até mesmo preso! E agora como recusará esse tipo de oferta tentadora?

Comentários:
Stephen Frears é definitivamente um dos meus diretores preferidos. Em 2002 ele realizou esse filme independente com um tema que hoje em dia está mais do que em voga: a vida de imigrantes em países europeus. Claro que quando o filme foi feito não havia ainda esse caos e essa crise de imigração que assola atualmente o continente europeu, com milhões de pessoas fugindo de guerras no Oriente Médio. Mesmo assim é um retrato muito interessante da vida de um imigrante nigeriano que vai morar em Londres. Apesar de ser uma pessoa com nível superior (ele era médico em seu país) precisa trabalhar nos empregos que lhe aparecem até que consiga a autorização para viver de forma legal na Inglaterra. Hoje em dia esse assunto está muito em debate, principalmente depois que a Inglaterra resolveu deixar a União Européia. Assim deixo a dica para que se conheça a dura vida de um imigrante africano em terras da Europa, para que todos possam perceber que definitivamente essa não é uma existência muito tranquila e calma.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Joana d'Arc

Título no Brasil: Joana d'Arc
Título Original: Joan of Arc
Ano de Produção: 1999
País: França
Estúdio: Gaumont Films
Direção: Luc Besson
Roteiro: Andrew Birkin, Luc Besson
Elenco: Milla Jovovich, John Malkovich, Rab Affleck
  
Sinopse:
Durante a Idade Média a jovem Joana d'Arc (Milla Jovovich) afirma ter visões de natureza espiritual que a dizem que ela deve marchar ao lado dos soldados franceses contra os inimigos no campo de batalha. A guerra parece não ter fim e o número de mortes é enorme. Com Joana em cena as coisas finalmente mudam, levando o exército francês a colecionar uma série de vitórias. Algo que logo chama a atenção dos nobres e membros do clero que começam a conspirar contra Joana e suas estranhas visões. Em pouco tempo ela se torna uma peça no perigoso jogo político europeu da época. Filme vencedor do César Awards na categoria de Melhor Som. 

Comentários:
Uma visão do diretor francês Luc Besson sobre um dos maiores ícones históricos de seu país, a lendária Joana d'Arc. Não há como negar que a produção é excelente, assim como a direção de arte e a reconstituição de época. Tudo está lá, os figurinos, as grandes cenas de batalhas, as armaduras medievais brilhantes, realmente uma obra impecável em todos esses aspectos. Besson só errou mesmo (e feio) ao escolher a atriz Milla Jovovich para interpretar a complexa Joana. Veja, em filmes baseados em efeitos especiais até que Jovovich conseque convencer um pouquinho. Agora em filmes como esse, com rico e estruturado background narrativo em que se exigia no mínimo uma boa atuação da protagonista a coisa desanda. O fato é que Milla Jovovich é inexpressiva em termos dramáticos e isso se acentua ainda mais quando a comparamos com John Malkovich que é um mestre da atuação. Assim, com uma escolha de casting tão ruim não é de se admirar que tudo vá por água abaixo. Esse filme é a prova definitiva de que um dos maiores cuidados que se teve ter em filmes históricos é a escolha correta do elenco principal, caso contrário tudo soará falso, nada convincente. Esse foi o grande deslize de Luc Besson nessa fita. Um erro que custou muito caro, vamos convir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Os Esquecidos

Título no Brasil: Os Esquecidos
Título Original: The Forgotten
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures
Direção: Joseph Ruben
Roteiro: Gerald Di Pego
Elenco: Julianne Moore, Anthony Edwards, Gary Sinise, Dominic West, Christopher Kovaleski
  
Sinopse:
Passado um ano da morte de seu filho, Telly Paretta (Julianne Moore) não consegue superar a dor de sua perda. Seu casamento está praticamente arruinado pela tragédia e ela não consegue superar a depressão avassaladora. Procurando por uma saída ela então resolve se tratar com o médico psiquiatra Dr. Jack Munce (Gary Sinise) que então lhe faz uma revelação assustadora: toda a tragédia, o filho morto e os eventos que vieram antes disso nunca realmente existiram. Foi tudo fruto da mente perturbada de Telly! E agora, estaria ela realmente enlouquecendo ou haveria algo mais por trás de tudo?

Comentários:
Bom filme, mesclando um terror psicológico com uma trama bem desenvolvida. Qualquer filme estrelado por Julianne Moore vale ao menos uma espiada, isso porque ela é aquele tipo de atriz que faz valer o ingresso, independente da proposta que o filme dará ao espectador. Para melhorar o que já era muito bom há ainda a presença do talentoso Gary Sinise como um médico psiquiatra que tanto pode estar tentando tratá-la de um surto psicótico, como também agindo nas sombras com o objetivo de encobrir algo ainda mais sério. Em termos de crítica o filme foi até recebido um pouco friamente, talvez por ser um thriller, um estilo de cinema que anda um tanto saturado nos últimos tempos. Penso que não é motivo para rejeitar de antemão a produção apenas por essa razão, ela inegavelmente tem méritos que fazem valer a pena assisti-la. Embora em alguns aspectos soe frio e lento, esse "The Forgotten" acaba agradando, principalmente para quem for fiscado por seu enredo. Afinal de contas essa é um daqueles roteiros cheios de reviravoltas e situações impensadas que fará o deleite dos espectadores que curtem esse tipo de produção.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 26 de junho de 2016

The Path

Ontem assisti ao primeiro episódio dessa nova série "The Path" (em bom português, "O Caminho"). O enredo gira em torno de uma seita americana que promove uma lavagem cerebral em seus membros. Embora os produtores não assumam isso de forma pública, o roteiro é claramente uma crítica à cientologia, uma seita muito bizarra que é seguida por celebridades na Califórnia.

Esse tipo de seita religiosa é muito comum de aparecer na sociedade americana. Aquela é tradicionalmente uma nação evangélica. E como bem sabemos o protestantismo tem a natural tendência de se dividir e se transformar numa imensa gama de igrejas diferentes, com suas próprias doutrinas religiosas - algumas pra lá de esquisitas. No caso da cientologia (que é seguida por gente como Tom Cruise) nada faz muito sentido. Eles idolatram um escritor de ficção científica que dizia saber a origem da humanidade. Ela teria surgido de uma colonização de extraterrestres de três metros de altura em um passado distante. Acredite, muita gente segue isso como uma verdadeira doutrina religiosa, por mais estranha que pareça ser. Tem louco pra tudo nesse mundo...

Pois bem, em "The Path" somos apresentados a um jovem casal que vive dentro de uma comunidade rigidamente controlada por uma dessas seitas. Depois do suicídio do irmão, Eddie Lane (Aaron Paul) fica devastado. Ao encontrar um livro dessa seita em uma livraria ele acaba se interessando muito pelo que lê e em pouco tempo se torna um de seus membros. O problema é que após uma experiência com um chá alucinógeno, ao estilo santo daime, ele começa a desconfiar das tais verdades absolutas propagados por seu grupo e resolve se encontrar com Allison Kemp (Sarah Jones) que parece ser uma ativista contra o grupo. Ex-integrante da seita ela conseguiu se livrar da lavagem cerebral pelo qual passou e começa uma campanha pela internet visando a recuperação de ex-membros daquela loucura pseudo-religiosa.

Tudo muito bom. O primeiro episódio é muito interessante e a série promete. Aaron Paul, para quem não lembra, foi o jovem noiado Jesse Pinkman de "Breaking Bad". Já a loirinha Sarah Jones é nossa velha conhecida, de tantas séries como "Vegas" e "Alcatraz". Além do elenco promissor a série também tem roteiros bem escritos e essa estória que é baseada nessas seitas religiosas malucas que proliferam por toda a (doentia) sociedade americana.

The Path (EUA, 2016)
Série criada por Jessica Goldberg
Roteiro: Jessica Goldberg, Julia Brownell, Annie Weisman
Elenco: Sarah Jones, Aaron Paul, Michelle Monaghan, Hugh Dance

Pablo Aluísio.

O Núcleo - Missão ao Centro da Terra

Título no Brasil: O Núcleo - Missão ao Centro da Terra
Título Original: The Core
Ano de Produção: 2003
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Jon Amiel
Roteiro: Cooper Layne, John Rogers
Elenco: Aaron Eckhart, Hilary Swank, Delroy Lindo
  
Sinopse:
Por causas desconhecidas da ciência o núcleo do planeta Terra deixa de girar. Isso causa um grande problema para todo o mundo, pássaros não sabem mais como se localizar no espaço, marcapassos e aparelhos eletrônicos param de funcionar e o pior de tudo: com o fim de seu eixo gravitacional e magnético a camada de ozônio passa a desaparecer de forma rápida. Para evitar o desastre completo uma equipe é enviada em uma nave especialmente adaptada para o centro da Terra, para assim tentar descobrir o que de fato estaria acontecendo.

Comentários:
Boa ficção que não teve o sucesso merecido. Acontece que o filme foi lançado logo após o desastre com a nave Columbia, onde vários astronautas morreram e isso causou um certo mal estar no público americano, que acabou deixando os cinemas vazios. Com isso a bilheteria foi ruim e não conseguiu recuperar o orçamento investido. Uma pena já que a produção tem seu charme, principalmente por optar por algo diferente. A nave usada pela equipe que vai para o centro da Terra se chama Virgin e é bem interessante, praticamente uma broca gigante que começa uma missão única e diferente. Os efeitos especiais são muito bons, porém o grande atrativo desse sci-fi é o elenco (formado por oscarizados como Hilary Swank) e os personagens principais, pessoas de certa forma comuns que precisam lidar com uma situação extremamente importante para o planeta. De certa maneira o roteiro busca inspiração nos livros de Júlio Verne, em especial a obra prima "Viagem ao centro da terra" de 1864, o que torna tudo ainda mais saboroso. Não deixe de conferir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Abrigo

Título no Brasil: O Abrigo
Título Original: Take Shelter
Ano de Produção: 2011
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures
Direção: Jeff Nichols
Roteiro: Jeff Nichols
Elenco: Michael Shannon, Jessica Chastain, Shea Whigham
  
Sinopse:
Curtis (Michael Shannon) é um pai de família comum do meio oeste americano. Sua filha tem necessidades especiais e seu casamento passa por uma crise. Apesar disso ele tenta levar sua vida em frente, até o momento em que começa a ter visões, pesadelos e alucinações. Com histórico familiar de esquizofrenia ele ignora isso e fica convencido de que o apocalipse está próximo. Para salvar sua família desse cataclisma ele começa a ficar obcecado em construir um abrigo enterrado em seu quintal.

Comentários:
Um filme bem fora do convencional. O roteiro não parece muito preocupado em destrinchar sua estória, mas sim em explorar todas as interpretações possíveis sobre o que realmente estaria acontecendo com o personagem principail. Estaria ele ficando louco ou sua preocupação com um grande desastre de proporções épicas teria algum fundo de verdade? Procurando ser enigmático o argumento então parte desse pressuposto para desfiar, sua no mínimo curiosa, trama. O grande destaque, além da excelente direção de Jeff Nichols, vai para a inspirada atuação do ator Michael Shannon. Ele domina o filme da primeira à última cena. O espectador acaba ora simpatizando com suas sinceras intenções, ora fica espantado por suas atitudes bizarras sob um ponto de vista puramente racional. No geral passa longe de ser um filme acessível a todos os públicos, mas por ser tão original vale certamente a pena conhecer (e de quebra tentar desvendar a estranha mente de Curtis, um sujeito fora do normal, porém não menos do que realmente interessante).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Dívida de Sangue

Título no Brasil: Dívida de Sangue
Título Original: Blood Work
Ano de Produção: 2002
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Michael Connelly, Brian Helgeland
Elenco: Clint Eastwood, Jeff Daniels, Anjelica Huston
  
Sinopse:
Ao perseguir um serial killer o agente do FBI Terry McCaleb (Clint Eastwood) acaba sofrendo um ataque do coração. Depois de recuperado volta à ativa e descobre uma ligação direta entre seu doador e os crimes que supostamente investigava. Agora ele parte, baseado em suas investigações, para finalmente capturar o assassino serial. Filme vencedor do Venice Film Festival na categoria de Melhor Direção (Clint Eastwood).

Comentários:
Clint Eastwood resolveu dirigir essa adaptação cinematográfica da novela policial escrita por Michael Connelly basicamente por ter se identificado com o personagem principal, um velho tira que começa a sentir o peso da idade e de problemas de saúde em sua profissão. E talvez por isso o roteiro tenha sido considerado um pouco lento demais. De fato, para aquele espectador acostumado a ver Eastwood na pele de Dirty Harry foi mesmo um pouco complicado lidar com uma interpretação onde o velho Eastwood parece estar sempre cansado, exausto, praticamente sem fôlego. Até mesmo para sacar sua arma o tira veterano de Clint sofre para se manter firme. Os dias de personagens durões indestrutíveis pareciam ter ficado realmente para trás. Mesmo assim recomendo o filme, isso pelo simples fato de ter sido dirigido por Eastwood. Ok, o ritmo já não é tão rápido e as cenas de ação não tão impactantes como antes, porém é de se reconhecer essa tentativa do ator em seu mostrar mais vulnerável em cena, mas humano. Olhando-se sob esse ponto de vista "Blood Work" é bem mais interessante do que se pensa. Afinal a idade chega para todos, mais cedo ou mais tarde. Enfim, fica a recomendação.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

O Orfanato

Título no Brasil: O Orfanato
Título Original: El Orfanato
Ano de Produção: 2007
País: Estados Unidos, Espanha
Estúdio: Warner Bros, Canal +
Direção:  J.A. Bayona
Roteiro: Sergio G. Sánchez
Elenco: Belén Rueda, Fernando Cayo, Roger Príncep
  
Sinopse:
No passado Laura (Rueda) viveu em um orfanato no litoral da costa espanhola. Após ser adotada por um casal ela acabou perdendo o contato com seus amiguinhos de infância. Agora, já adulta, casada e mãe de um garotinho, ela resolve voltar para o velho casarão onde funcionava esse mesmo orfanato em que ela passou seus primeiros anos. O lugar, apesar de eventuais reformas, segue basicamente o mesmo. O que Laura não sabia é que após sua saída de lá fatos aterrorizantes aconteceram envolvendo os órfãos que ficaram para trás. Após manifestações sobrenaturais ela entra em desespero ao descobrir que seu filho simplesmente desapareceu. Para entender o que está acontecendo Laura resolve investigar o passado do orfanato, algo que não será tão simples de desvendar.

Comentários:
O que me levou a conferir esse terror foi o nome do diretor Guillermo del Toro na produção do filme. Sua presença já garante no mínimo uma fita bem produzida, com roteiro interessante e direção de arte de encher os olhos. Nesses aspectos realmente não me decepcionei. A produção recria um velho orfanato espanhol, com seus ambientes escuros, lugares inóspitos e cheios de suspense. O uso das aparições de fantasmas jamais caem no gratuito, no sensacionalismo. Longe disso, tudo é muito bem desenvolvido. A trama aos poucos vai sendo desvendada, em um roteiro até mesmo sutil. O texto é inteligente e jamais apela para sustos fáceis e banais. Na realidade o tema central é não apenas a nostalgia que jamais deixa o passado ir embora para sempre como também a força do amor maternal que não recua diante de nada, nem mesmo dos inúmeros mistérios que envolvem o sobrenatural. O elenco, inclusive as crianças que atuam no filme, é realmente muito bom, com destaque para a atriz Belén Rueda que interpreta Laura. Intercalando momentos de desespero e coragem, ela resolve ir a fundo sobre tudo o que está acontecendo, enfrentando a tudo e a todos para reencontrar seu filho desaparecido. O final do filme provavelmente vá chocar aos mais sensíveis, pois apesar da suposta ternura que envolve a decisão final de Laura, o fato é que o espectador é colocado frente a frente com um ato de dar fim a própria existência, algo realmente definitivo e diria até mesmo avassalador. O diretor J.A. Bayona (que também trabalha na série Penny Dreadful) optou de forma acertada por envolver tudo em um clima que nos remete até mesmo a um certo sentimento de fábula. A cena final retrata muito bem toda essa sua intenção. Enfim, "O Orfanato" é realmente um ótimo exemplar do excelente momento em que passa o cinema espanhol nessa linha de filmes de terror. Cada vez mais as produções ibéricas surpreendem. Por isso fique sempre de olho no que está sendo produzido nesse país. Para o fã do gênero terror não poderia haver nada melhor do que fugir um pouco das já saturadas produções americanas. Aproveite e não deixe passar esse excelente terror espanhol em branco.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Visitantes na Noite

Título no Brasil: Visitantes na Noite
Título Original: Cold Sweat
Ano de Produção: 1970
País: Estados Unidos, França, Bélgica
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Terence Young
Roteiro: Dorothea Bennett, Jo Eisinger
Elenco: Charles Bronson, James Mason, Liv Ullmann
  
Sinopse:
Joe Martin (Charles Bronson) é um americano vivendo tranquilamente ao lado da sua esposa e filha no sul da França. Alugando barcos para turista ele consegue ter uma vida tranquila e feliz pela primeira vez em sua vida. Tudo muda quando criminosos levam como refém sua mulher. O problema é que Martin tem um passado obscuro. Dez anos antes ele fugiu de uma prisão nos Estados Unidos ao lado de comparsas. Durante a fuga nem tudo saiu como planejado e um dos fugitivos morreu. Agora a antiga organização criminosa de que fez parte quer acertar as contas com ele, que precisará se armar até os dentes para sobreviver. 

Comentários:
O diretor Terence Young que havia dirigido vários filmes de James Bond, o agente 007, entre eles "O Satânico Dr. No", "Moscou Contra 007" e "007 Contra a Chantagem Atômica", se uniu ao ator Charles Bronson no começo da década de 1970 para a realização desse violento filme de ação ambientado no sul da França. A temática obviamente tende para o lado mais violento, com Bronson interpretando um tipo de personagem que se repetiria ao longo de sua filmografia nos anos posteriores, a do homem sério e calado que partia para uma vingança insana após sofrer algum tipo de injustiça. Aqui ele se torna alvo de criminosos que levam sua esposa como refém, isso depois de desfrutar de longos anos de paz e felicidade ao lado dela. Terence Young assim se utiliza de sua experiência adquirida nos primeiros filmes da franquia 007 para incrementar várias cenas de pura ação, algumas até estilizadas, roubando um pouco da estética dos filmes de faroeste italianos, onde a violência não era apenas brutal como também quase caricatural. Por causa disso o filme acabou encontrando problemas de exibição em diversos países pelo mundo afora. Na Inglaterra, por exemplo, a British Board of Film Classification deu uma classificação etária muito alta, fazendo com que os produtores promovessem cortes, principalmente em cenas de nudez e de extrema violência, como a quebra do pescoço de um dos criminosos da fita. Mesmo assim o filme fez sucesso, fazendo com que Charles Bronson e Terence Young voltassem a trabalhar juntos nos filmes "Sol Vermelho" (1971) e "Os Segredos da Cosa Nostra" (1972), afinal de contas a parceira entre eles parecia funcionar muito bem.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Free Willy

Título no Brasil: Free Willy
Título Original: Free Willy
Ano de Produção: 1993
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Simon Wincer
Roteiro: Keith Walker
Elenco: Jason James Richter, Lori Petty, Michael Madsen
  
Sinopse:
O garoto Jesse (Jason James Richter) acaba criando uma bonita amizade com uma enorme baleia orca chamada Willy que vive em um parque aquático nos Estados Unidos. Quando ele descobre que o animal sofrerá por causa de planos terríveis visando prejudicá-lo decide que irá devolver Willy para a natureza, o libertando do cativeiro onde vive. Filme vencedor do MTV Movie Awards na categoria de Melhor canção ("Will You Be There" de Michael Jackson).

Comentários:
Na década de 1990 surgiu um sentimento ecológico muito forte dentro da sociedade. Pela primeira vez as pessoas começaram a prestar atenção na destruição que estava sendo feita na natureza. Era necessário preservar a riqueza ecológica do planeta para as futuras gerações. O cinema acabou entrando nessa luta também. Nesse segmento o filme "Free Willy" foi um dos mais bem sucedidos comercialmente. A estória era cativante e a trilha sonora, com músicas de Michael Jackson, formaram o pacote completo para seu sucesso. De fato o filme ainda pode ser considerado muito bom, bem acima das sequências ruins que viriam nos anos seguintes (produzidas pela Disney). A mensagem sobre a baleia Willy (na verdade uma orca chamada Keiko que também foi criada em cativeiro e que morreria logo após ser solta na natureza) acabou criando uma onda de filmes com temática semelhante. Pelas boas intenções, pela bonita mensagem e pela rica exploração da amizade entre um menino e um animal de grande porte como aquele (sem esquecer o fato de que as baleias são extremamente sociáveis e inteligentes), "Free Willy" ainda se mantém interessante e mais do que isso, atual, já que o tema envolvendo animais em cativeiro e zoológicos voltou à tona recentemente depois da morte daquele gorila nos Estados Unidos e da onça do exército brasileiro, mortos em última análise, por estarem fora de seu habitat natural. Para ver, refletir e se divertir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Robert De Niro - Taxi Driver

Ontem assisti, completamente por acaso, um pequeno resumo biográfico da carreira do ator Robert De Niro. Em canais a cabo existe uma variedade desses programas. Nenhum deles é grande coisa, na verdade eles se limitam a comentar os principais filmes do astro enfocado e nada muito além disso. A verdade é que nada mesmo é muito bem desenvolvido ou aprofundado, mas pelo menos servem para nos lembrar como alguns nomes do cinema eram interessantes no passado.

O caso mais notório é justamente o de Bobby Milk (seu apelido de juventude). Basta você passar os olhos na filmografia de De Niro na década de 1970 para ficar impressionado como sua carreira começou de forma fulminante. É uma obra prima atrás da outra. Depois de se formar no Actors Studio com o apoio de seus pais (que também eram artistas), ele ficou um pouco à deriva, em busca de trabalho em Nova Iorque. Algo normal de acontecer com alguém ainda sem experiência. Havia algumas oportunidades no meio teatral e em busca de papéis ele chegou até mesmo a atuar como o leão medroso de "O Mágico de Oz". Peças de teatro infantil porém não eram o seu caminho. Assim De Niro aceitou até mesmo trabalhar de graça em alguns filmes, só pela chance de se tornar mais conhecido. O sucesso porém não tardou muito para esse talentoso jovem aspirante a ator.

Algumas dessas produções de começo de carreira até que são bem interessantes como "Festa de Casamento" de 1969, mas apenas com "Taxi Driver" é que Robert De Niro se tornou realmente grande em termos de atuação e talento. Claro que ninguém pode ignorar suas boas atuações em "A Última Batalha de um Jogador", "Caminhos Perigosos" e "O Poderoso Chefão II", mas o fato é que apenas com essa obra prima de Martin Scorsese o jovem De Niro conseguiu provar que poderia levar um filme sozinho em frente, causar impacto apenas com seu trabalho, sem ser apenas parte de uma engrenagem bem maior.

O tema é a insanidade. A loucura de se viver em um mundo caótico. O personagem de De Niro no filme sabe muito bem o que é isso. Veterano no Vietnã ele volta para os Estados Unidos vivo, mas com muitos problemas psicológicos a superar. De volta a uma vidinha banal e maçante, vivendo como motorista de táxi pelas ruas da grande e infecta cidade, eles aos poucos vai perdendo a sanidade por causa do mundo ao seu redor. Todos os valores parecem que estão mortos e enterrados. Ninguém mais se importa com eles ou os respeita. A cidade de Nova Iorque assim surge como uma selva ou uma lata de lixo. Jodie Foster acaba sendo o alvo de suas mais intensas pretensões de tentar construir uma vida normal, mas há problemas. Ela é uma garota menor de idade e... prostituta. Ele não consegue lidar direito com seus sentimentos. E nem ela parece se importar com eles. Pior do que isso, ela não faz o tipo garotinha indefesa, pelo contrário, é cheio de personalidade, mesmo que construída nas ruas imundas da grande maçã (que aliás é uma boa alegoria para o roteiro do filme).

Hoje em dia muitos ainda lembram de De Niro completamente enlouquecido, com as mãos cheias de sangue, cabelo moicano ao estilo punk, com olhar de quem já deixou a sanidade para trás após promover atos de barbárie e violência. Ele no fundo é apenas fruto da loucura ao seu redor. O próprio Martin Scorsese (um gênio do cinema em minha opinião), explicou que quando realizou o filme também estava insano, não pela violência da guerra ou das ruas, mas sim pelo vício em cocaína que o acompanharia por anos a fio. Pois é, no fundo, dentro desse mundo surtado de "Taxi Driver" o único que parecia ter alguma ligação com o mundo normal era justamente, quem diria, o próprio Robert De Niro...

Pablo Aluísio.

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sexta-feira, 17 de junho de 2016

Vivien Leigh - Ship of Fools

A atriz Vivien Leigh entrou para a história do cinema por causa de sua atuação no papel de Scarlett O´Hara no clássico "...E O Vento Levou". Depois de realizar um filme como esse, considerado um dos maiores de todos os tempos, ela poderia até mesmo deixar a carreira de lado que ainda assim estaria imortalizada para sempre nas telas. Acontece que Vivien seguiu em frente e de fato ainda trabalhou em outras grandes obras da sétima arte como, por exemplo, sua sempre lembrada atuação como Blanche DuBois em "Uma Rua Chamada Pecado" ao lado de Marlon Brando. Embora de saúde frágil, Vivien nunca realmente parou de atuar simplesmente porque amava sua profissão.

É verdade que ela era extremamente criteriosa na escolha dos roteiros, mas isso só ajudou a consagrar sua filmografia, recheada de pequenas e grandes obras primas. Em 1965 Vivien fez seu último filme, que no Brasil recebeu o título de "A Nau dos Insensatos", Ao lado de um elenco realmente muito bom - embora não houvesse nenhum grande astro - ela deu vida a uma amarga viúva americana viajando em um navio entre o México e a Alemanha. Esnobe, fria e tentando manter uma postura de fina elegância, ela fazia força para esconder todos os seus problemas emocionais mais profundos.

Os anos do frescor da juventude já tinham ficado para trás, mas mesmo assim Vivien Leigh esbanjava beleza com seus olhos marcantes. O diretor Stanley Kramer me deixou a impressão de que teria ficado até mesmo intimidado por ter dirigido Leigh. Tanto isso me pareceu verdade que sua personagem, Mary Treadwell, parece estar sempre resguardada, só surgindo em cena nos momentos mais cruciais. Talvez por essa razão também Vivien Leigh acabou ficando de fora nas indicações do Oscar naquele ano. Embora "A Nau dos Insensatos" tenha sido indicado a oito estatuetas, ela não foi indicada ao prêmio de melhor atriz. Melhor se saiu Simone Signoret, cuja personagem tinha muito mais espaço dentro da estória do filme.

Ainda assim Vivien tem dois excelentes momentos no filme. No primeiro ela entra em sua cabine e fica particularmente desolada após ter sido até mesmo devastada por um tripulante com quem ela vinha mantendo um flerte casual. Após esnobá-lo ele lhe diz que em muito breve ela só conseguirá ter a companhia de homens se pagasse por isso. Foi uma forma rude de dizer que ela estava ficando velha e sem atrativos. Depois quando o personagem de Lee Marvin entra por engano em seus aposentos ela começa a desferir nele todo o seu ódio, como se quisesse se vingar da vida. Enfim, deixo aqui a recomendação desse belo filme clássico, o último de uma das atrizes mais marcantes do cinema.

Pablo Aluísio.

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Anjos da Noite 3 - A Rebelião

Título no Brasil: Anjos da Noite 3 - A Rebelião
Título Original: Underworld - Rise of the Lycans
Ano de Produção: 2009
País: Estados Unidos
Estúdio: Lakeshore Entertainment
Direção: Patrick Tatopoulos
Roteiro: Danny McBride, Dirk Blackman
Elenco: Kate Beckinsale, Bill Nighy, Rhona Mitra, Michael Sheen
  
Sinopse:
Em um passado distante uma dinastia de vampiros aristocráticos mantém sob correntes os lycans (lobisomens) até que um deles começa uma verdadeira rebelião contra o que considera a escravidão de sua raça, dando origem a uma verdadeira guerra entre os dois monstros mitológicos do terror. Terceiro filme da franquia "Anjos da Noite" (Underworld).

Comentários:
Apesar de não ser muito fã dessa série "Underworld" eu tive a oportunidade de conferir esse terceiro filme nos cinemas. É um dos mais interessantes porque tem uma estória própria, quase como se fosse um prequel cinematográfico dos filmes anteriores. A atriz Kate Beckinsale, apesar de estar presente no material promocional e ter seu nome como chamariz de bilheteria, nem participa muito da trama. Na verdade os verdadeiros protagonistas são o aristocrático Viktor (Bill Nighy), a exótica Sonja (interpretada pela bonita e sensual atriz Rhona Mitra) e o selvagem Lucian (Michael Sheen, sempre interessante e esforçado em cena). Eles formam o núcleo central dos acontecimentos que levaram os lobisomens a se rebelarem contra a dominação dos vampiros. Criados como bestas e animais selvagens eles dão seu grito de liberdade, dando começo a uma insana guerra entre eles e os seres vampirescos. A direção ficou a cargo do francês Patrick Tatopoulos, aqui em seu primeiro trabalho importante como cineasta. Ele já havia trabalhado antes no primeiro filme como o responsável pela equipe técnica de efeitos especiais. Na direção acabou até mesmo surpreendendo. Em suma, um bom exemplar da franquia "Underworld" que pode até mesmo ser assistido sem os demais pois, como já afirmei, seu enredo é bem independente dos outros filmes da franquia.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Sobrevivente

Título no Brasil: O Sobrevivente
Título Original: Rescue Dawn
Ano de Produção: 2006
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Werner Herzog
Roteiro: Werner Herzog
Elenco: Christian Bale, Steve Zahn, Jeremy Davies
  
Sinopse:
Baseado em fatos reais o filme mostra a captura do piloto americano Dieter Dengler (Christian Bale) por forças inimigas durante a Guerra do Vietnã. Durante uma missão sobre o Laos, país vizinho ao Vietnã, seu avião foi abatido. Nas mãos dos vietcongues ele começa a sofrer todo tipo de torturas e violências enquanto tenta sobreviver em um campo de prisioneiros. Filme indicado ao Independent Spirit Awards.

Comentários:
Christian Bale se notabilizou em sua carreira pela entrega aos seus personagens. Para interpretar o piloto americano Dieter Dengler ele embarcou em uma dieta que quase custou sua vida. Para parecer magérrimo no filme, trazendo realismo ao seu trabalho de atuação, Bale perdeu muitos quilos, que depois lhe custaram bastante em termos de saúde. Além disso resolveu encarar cenas asquerosas, como aquela em que come (de verdade) uma largarta típica da região. Algo realmente de revirar o estômago de qualquer um que assista ao filme. Além de Bale outro bom motivo para se conferir esse filme é o trabalho do diretor alemão Werner Herzog. Durante décadas ele realizou filmes corajosos, quase ao estilo guerrilha cinematográfica como os sempre lembrados "Fitzcarraldo", "O Enigma de Kaspar Hauser" e "Aguirre, a Cólera dos Deuses" e de repente surge com essa produção Made in USA, em um grande estúdio de Hollywood, algo que nunca foi muito comum em sua fimografia. O resultado é muito bom, embora é bom salientar que a tônica do filme nem é tanto em relação a ação ou cenas de combates, mas sim no drama vivido pelo piloto Dieter Dengler, explorando bem a forma desumana como os prisioneiros de guerra eram tratados naquela distante guerra no sudeste asiático. Como denúncia certamente a fita funciona muito bem.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Família Savage

Título no Brasil: A Família Savage
Título Original: The Savages
Ano de Produção: 2007
País: Estados Unidos
Estúdio: Fox Searchlight Pictures
Direção: Tamara Jenkins
Roteiro: Tamara Jenkins
Elenco: Laura Linney, Philip Seymour Hoffman, Philip Bosco
  
Sinopse:
Wendy (Laura Linney) e Jon (Philip Seymour Hoffman) são dois irmãos que precisam lidar com uma situação mais do que complicada. Seu velho pai está senil, praticamente demente, e eles precisam tomar uma decisão sobre interná-lo ou não em um asilo. Como era de se esperar o problema desperta velhos traumas, antigas lembranças amargas, que só faz tornar tudo ainda mais sofrido e amargo. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Atriz (Laura Linney) e Melhor Roteiro Original (Tamara Jenkins).

Comentários:
É realmente algo a se lamentar bastante a morte precoce do ator Philip Seymour Hoffman. Eu sempre o considerei um dos mais talentosos de sua geração. Ele faleceu em 2014, vítima de uma overdose de drogas. Tudo muito trágico. Uma boa oportunidade agora de rever seu trabalho vem nesse excelente drama familiar "The Savages". O roteiro com toques autobiográficos da diretora e roteirista Tamara Jenkins mostra dois irmãos precisando solucionar o terrível problema de como lidar com um pai com problemas de demência, após a morte de sua segunda esposa. Eles tiveram uma educação distante e até mesmo negligente por parte dele e agora precisam tomar a melhor decisão sobre ele, como por exemplo, o internar em um asilo de velhos. O personagem de Hoffman é a de um sujeito torturado, com seus próprios problemas pessoais, pois não consegue nunca terminar o livro que seria o mais importante de sua vida. Sua irmã Wendy não é melhor resolvida, cheia de traumas da infância e adolescência. Ao ter que lidar com seu pai tudo parece voltar, inclusive os anos de um passado bem distante. É um excelente drama, também muito triste por mostrar uma realidade que atinge muitas famílias. Assim se você se identifica de alguma forma com essa estória não deixe de assistir. Provavelmente aprenderá uma bela lição de vida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Forsaken

Aqui vai uma boa dica para quem gosta de western. O filme se chama "Forsaken" (ainda sem título em português). Foi lançado nesse ano e conta com pai e filho nos papéis principais. Donald Sutherland é o pai, um reverendo de uma pequena cidade do velho oeste. Sua esposa está morta e isso faz com que seu filho, interpretado por Kiefer Sutherland, retorne depois de décadas sem pisar no rancho de seu pai. Ele foi embora para lutar na guerra civil, mas depois do fim do conflito resolveu cruzar o oeste como pistoleiro. Os anos passam e agora ele está de volta. Decidido a abandonar as armas para sempre com a intenção de recomeçar sua vida, tudo acaba saindo do planejado após ele perceber que há uma quadrilha agindo na cidade. Intimidando os fazendeiros locais eles os ameaçam de morte caso não vendam suas terras por preços irrisórios. Quando seu pai se torna também uma vítima a figura do pistoleiro retorna e um acerto de contas sangrento começa a tomar forma.

O roteiro de "Forsaken" nem é tão original assim, na verdade ele se utiliza de velhas fórmulas que já eram comuns nos tempos de John Wayne e Randolph Scott. Isso porém não é um problema, pois ao final do filme você se sentirá plenamente satisfeito pelo que viu. Com uma duração enxuta (89 minutos) o filme tem ótima fluidez e o resultado final se mostra muito bom. Kiefer Sutherland convidou a amiga Demi Moore para interpretar seu velho amor da juventude. Ambos estavam apaixonados antes da guerra civil começar, porém o conflito os separou. Ela ainda ficou aguardando seu retorno por anos, mas como ele não parecia nunca mais voltar para casa resolveu se casar com um outro homem da região, uma pessoa que ela na verdade nem gostava muito, mas que poderia ser um bom marido. Assim deixo essa dica para você que é fã de faroestes. Um bom filme, bem produzido, com excelente elenco e um roteiro nostálgico. Tudo pareceu no lugar em uma boa fita que vai satisfazer todos aqueles que gostam desse tipo de filme.

Forsaken (EUA, 2016) Direção: Jon Cassar / Roteiro: Brad Mirman / Elenco: Kiefer Sutherland, Donald Sutherland, Demi Moore, Brian Cox, Michael Wincott, Jonny Rees/ Sinopse: Após passar anos sem dar notícias, John Henry Clayton (Kiefer Sutherland) retorna para casa. Sua mãe está morta e ele deseja recomeçar sua vida ao lado de seu velho pai, o pastor William Clayton (Donald Sutherland). Durante sua ausência Henry fez fama como pistoleiro, mas agora deseja abandonar as armas, até que descobre que há uma quadrilha de facínoras aterrorizando os fazendeiros honestos da região, uma injustiça que ele não poderá deixar como está.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Guia de Episódios - The Following

Guia de Episódios - The Following
Após longos anos preso, um serial killer perigoso chamado Joe Carroll (James Purefoy) consegue fugir da prisão onde está encarcerado matando vários guardas. De volta às ruas ele pretende completar aquilo que deixou inacabado, indo atrás de sua última vitima, uma sobrevivente de seu ataque que depôs contra ele no tribunal. Preocupado o FBI entra em contato com Ryan Hardy (Kevin Bacon), o policial que conseguiu prender o psicopata alguns anos antes. Tendo escrito um livro sobre a experiência da captura do criminoso ele é certamente a pessoa mais indicada para prever os próximos passos do foragido. Assim começa a nova série “The Following” que traz o astro de cinema Kevin Bacon estreando no mundo das séries de TV. O criador é o conhecido Kevin Williamson da franquia “Pânico”, do popular filme “Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado” e das séries de sucesso “Dawson's Creek” e “Diários de um Vampiro”. Aqui ele deixa o terror adolescente de lado para enveredar em uma temática mais adulta, revisitando o mundo dos assassinos em série. Antes de mais nada é interessante perceber que apesar dos anos passados o filme “O Silencio dos Inocentes” continua a gerar frutos. Essa série bebe diretamente de sua fonte, inclusive na figura do psicopata, um sujeito brilhante, intelectual, astuto, que resolve matar em nome da arte – ele é obcecado pelo famoso escritor Edgar Allan Poe que reverenciava a morte como um ato de rara beleza. Até aí tudo bem, o problema é que já no episódio piloto da série temos que aceitar várias situações que soam inverossímeis demais. Só para citar um exemplo, o psicopata consegue sozinho matar três guardas em uma penitenciaria de segurança máxima para onde são enviados os piores criminosos. Depois de cometer os homicídios ele, disfarçado de guarda, sai tranquilamente da prisão pilotando o carro do agente que matou momentos antes. Complicado aceitar algo assim não é mesmo? Kevin Bacon, que interpreta um policial praticamente aposentado que volta à ativa para prender o serial killer está visivelmente abatido, cansado, talvez por seu personagem usar um marca passo. James Purefoy que interpreta o assassino em série tem uma “seita” de seguidores que o veneram e cometem atos de loucura em seu nome, como cometer suicídio dentro da própria sede do FBI (outra coisa impossível de acontecer). Em suma, “The Following” promete e até foi renovada para uma segunda temporada mas tem que colocar certos aspectos nos eixos, com melhor capricho em seus roteiros pois caso contrário vai cair na vala comum de séries americanas sem grande expressão. / The Following (Idem, EUA, 2013) Criado por: Kevin Williamson / Roteiro: Kevin Williamson / Elenco: Kevin Bacon, James Purefoy, Natalie Zea, Shawn Ashmore / Sinopse: Psicopata perigoso,  Joe Carroll (James Purefoy), foge de uma prisão de segurança máxima para ir atrás de sua última vítima que com seu depoimento o colocou atrás das grades por longos anos. Para tentar seguir os passos do psicopata o FBI chama  Ryan Hardy (Kevin Bacon), o policial responsável por sua prisão anos antes.

Episódios Comentados:

The Following 1.08 - Welcome Home
Em minha opinião a série "The Following" vai, conforme vão se passando os episódios, ficando cada vez mais forçada e inverossímil. Após Joe Carroll (James Purefoy) fugir da prisão em uma operação espetacular (onde usaram até um helicóptero!), o psicopata fã de Edgar Allan Poe reencontra o filho pequeno (que aliás morre de medo dele). Também tem a oportunidade de reunir todos os seus admiradores numa bela casa de campo. Tudo parece uma maravilha mas ele ainda está insatisfeito, principalmente porque o FBI escondeu sua amada esposa. Sem pensar duas vezes manda um grupo torturar um agente do FBI para saber de seu paradeiro. Há também um novo encarregado das investigações mas ele não parece saber ainda seguir o fio da meada. Kevin Bacon não tem muito o que fazer nesse episódio mas acaba salvando a pele de seu colega no último momento. Em minha opinião Joe Carroll tem seguidores demais, nem Charles Manson conseguiria reunir tanta gente ao seu redor como ele! / The Following 1.08 - Welcome Home (EUA, 2014)  Direção: Joshua Butler / Roteiro: Kevin Williamson, Vincent Angell / Elenco: Kevin Bacon, Shawn Ashmore, Valorie Curry, James Purefoy.

The Following 2.02 - For Joe
Pois bem, ao contrário do que se pensava o líder Joe Carroll (James Purefoy) não morreu no último episódio da temporada anterior, isso mesmo depois de estar dentro de uma cabana em chamas. Nesses primeiros episódios da segunda temporada descobrimos que ele sobreviveu (não se dá muitos detalhes sobre isso) e fugiu para o sul dos Estados Unidos para viver anônimo ao lado de uma de suas admiradoras (uma mulher mais velha que se apaixonou por ela após trocar por longos anos cartas enquanto ele esteve preso, algo mais comum do que se pensa nos Estados Unidos). Levando uma vida pacata (e também medíocre), Carroll deixa a barba crescer e tenta se tornar um perfeito caipira sulista, tomando cerveja e assistindo TV o dia todo. Seu disfarce começa a ruir justamente quando um padre surge em sua casa na hora errada, no local errado. Enquanto senta na sala o rosto de Carroll surge na tela, em um daqueles programas que exploram a vida de psicopatas. O padre logo reconhece e Joe percebe. Fim de jogo para o sacerdote. Ao matar novamente, Joe acaba sentindo todo o prazer que desfrutava em sua vida passada, o que se torna logo a porta de entrada de volta para seu movimento de seguidores, formado por jovens psicopatas. E eles estão muito bem, obrigado. Mais dispersos do que na primeira temporada, mas ainda vivos e empolgados em matar recriando os livros e poemas de Edgar Allan Poe. Nesse novo grupo se destacam dois irmãos gêmeos, ambos psicopatas, que no primeiro episódio da primeira temporada já tinham cometido um massacre do metrô. Enquanto tudo acontece Ryan Hardy (Kevin Bacon) tenta despistar, dizendo que não quer mais se envolver com esses malucos, mas é tudo jogo de cena. Nos bastidores ele faz de tudo para colocar as mãos nos novos seguidores de Joe Carroll. Bom episódio, valorizado por interessantes  momentos como o "jantar familiar com cadáveres" que certamente vai cair no gosto dos fãs da série. "The Following" começou meio vacilante sobre qual rumo iria seguir, mas agora podemos dizer com certeza que o caminho já foi encontrado. Apesar de algumas forçadas de barra é uma das séries mais promissoras hoje da TV americana. / The Following - For Joe (EUA, 2014) Direção: Joshua Butler / Roteiro: Kevin Williamson, Vincent Angell / Elenco: Kevin Bacon, Shawn Ashmore, Valorie Curry, James Purefoy.

The Following 2.04 - Family Affair
E segue a saga do psicopata intelectual Joe Carroll (James Purefoy). Como se viu nos primeiros episódios da segunda temporada ele está vivo e agora reorganizando seu grupo de admiradores insanos. Depois de ver a filha da mulher que o acolheu, matar a própria mãe, ele parte do sul em busca de um novo esconderijo. Acaba encontrando apoio numa antiga seguidora que escapa da morte por um triz. Depois segue rumo a uma nova direção, para encontrar pessoas novas que querem seguir seus passos. Esse novo grupo é na verdade uma família, um jovem senhora herdeira de uma grande fortuna, seus dois filhos adotivos gêmeos e psicopatas e mais um pequeno grupo de seguidores fanáticos. Da velha turma apenas Emma (Valorie Curry, com visual horroroso) está de volta! Enquanto Joe vai reunindo os cacos de seu grupo, Ryan Hardy (Kevin Bacon) tenta seguir passos próprios, longe das autoridades. A coisa que já era bem pessoal se torna pior ainda e ele deixou o conceito de mera justiça para trás, pois o que ele quer mesmo a partir de agora é a mais pura e simples vingança pessoal contra Joe. O sucesso de audiência da série "The Following" tem feito com que seus roteiristas procurem renovar tudo, mas deixando a fórmula da primeira temporada intacta. O resultado tem se mostrado muito bom, até agora, sem sinais de desgaste. Acredito que ainda haja bastante fôlego para The Following, cuja terceira temporada está programada para estrear nos Estados Unidos em janeiro de 2015. / The Following - Family Affair (EUA, 2014) Direção: Marcos Siega / Roteiro: Kevin Williamson, Brett Mahoney / Elenco: Kevin Bacon, James Purefoy, Shawn Ashmore, Valorie Curry.

The Following 2.05 - Reflection
O episódio anterior terminou com Joe Carroll (James Purefoy) chegando em uma bela mansão para conhecer seu novo grupo de admiradores formado por Lily Gray (Connie Nielsen), seus dois filhos gêmeos adotivos e mais dois ou três admiradores de Carroll. Agora é hora de todos se conhecerem melhor. Inicialmente Joe precisa lidar com o temperamento explosivo de Emma Hill (Valorie Curry) que o condena por nunca ter lhe revelado que ainda estava vivo, escondido no Arkansas. Pedidos de desculpas aceitos, é hora de verificar o que ele pode esperar de Lily. Realmente ela é bem perturbada do ponto de vista psiquiátrico, porém com muito dinheiro logo oferece uma verdadeira câmara de torturas para que Joe possa continuar matando com toda comodidade possível! Inicialmente Carroll se mostra ofendido por aquele "presente" porém logo seu lado psicopata se revela mais uma vez, onde matar se torna um prazer renovado! Na outra linha narrativa Ryan Hardy (Kevin Bacon) tenta descobrir por conta própria o paradeiro de Joe Carroll. Sua melhor aposta é seguir os passos de uma de suas seguidoras. Obviamente que o confronto será inevitável e bem violento para ambas as partes. Nesse episódio inclusive temos uma amostra de como Ryan está perdendo o controle pessoal em  sua busca por Carroll, chegando mesmo às raias da obsessão completa. Ele se fere em um tiroteio e acaba indo parar numa casa distante e isolada no campo. Ferido e sem condições de ter qualquer tipo de apoio acaba fazendo de refém a moradora, agindo mesmo como um fora da lei, algo impensado nos primeiros episódios da série. Kevin Williamson tem realizado um bom trabalho em "The Following" não deixando a série saturar ou estagnar, mesmo após a verdadeira "ressurreição" de Joe Carroll no começo da temporada. Assim o programa tem cada vez mais se tornado divertido e até mesmo viciante. O espectador sempre fica com vontade de saber onde isso tudo vai parar. / The Following 2.05 - Reflection (EUA, 2014) Direção: Nicole Kassell / Roteiro: Kevin Williamson, Lizzie Mickery / Elenco: Kevin Bacon, James Purefoy, Shawn Ashmore, Valorie Curry.

The Following 2.06 - Fly Away
Cada vez mais perto de chegar até Joe Carroll (James Purefoy), Ryan Hardy (Kevin Bacon) finalmente vê chances concretas de colocar as mãos em seu inimigo visceral. Como se viu nos episódios anteriores Carroll está agora sob os cuidados de Lily Gray (Connie Nielsen) que não se contenta em apenas admirar o autor psicopata, mas também colocar todos os seus recursos à sua disposição. Para Lily o ideal seria ir embora do país, para viver em uma rica fazenda na Venezuela. A ideia inicialmente atrai Joe que promete pensar na proposta. Enquanto isso Hardy finalmente localiza o esconderijo de Carroll. Ao ter sob custódia o filho adotivo de Lily, Luke (Sam Underwood), um dos gêmeos, ele lança a proposta: entregue Carroll que ele soltará Luke! Lily entra imediatamente em desespero e resolve drogar Joe, algo que será decisivo para que ele finalmente abandone a ideia de seguir naquele ninho familiar de insanos. Nesse episódio há uma ótima sequência em cima da represa Dover. É justamente lá que ambos os lados marcam para a troca - mas será mesmo que ela acontecerá como manda o figurino? O destaque aqui vai para Luke e sua tremenda capacidade de sobrevivência. O sujeito é esfaqueado, baleado várias vezes e ainda consegue continuar de pé! Seria o filho perdido de Jason da franquia "Sexta-Feira 13"? Só o tempo dirá... / The Following 2.06 - Fly Away (EUA, 2014) Direção: Rob Seidenglanz / Roteiro: Kevin Williamson, Dewayne Darian / Elenco: Kevin Bacon, Shawn Ashmore, Valorie Curry.

The Following 2.07 - Sacrifice
Joe Carroll (James Purefoy) acaba saindo de uma seita de fanáticos para outra, ou quase isso. Nesse episódio Joe dá adeus à família de psicopatas de Lily Gray (Connie Nielsen) e parte junto de Emma (Valorie Curry) para outra. Ele acaba escolhendo mal seu novo destino, um grupo de fanáticos religiosos que seguem uma estranha seita isolada em uma reserva florestal dos Estados Unidos. Como toda seita o ambiente é carregado de loucuras, falsos profetas e rituais satânicos. Joe pensa que irá se dar bem no meio desses malucos, mas acaba descobrindo da pior forma possível que sim, existem pessoas mais perturbadas do que ele no mundo (por mais incrível que isso possa parecer!). Enquanto tentam sair daquela encruzilhada mortal Ryan Hardy (Kevin Bacon) dá prosseguimento para sua obsessão de colocar as mãos definitivamente em Carroll (entenda-se, enfiar um tiro em seu crânio!). Um episódio muito bom, valorizado pelo esquisito ritual em que Emma acaba sendo alvo - me lembrou até mesmo do filme "Indiana Jones e o Templo da Perdição" / The Following 2.07 - Sacrifice (EUA, 2014) Direção: Adam Davidson / Roteiro:  Kevin Williamson, Scott Reynolds / Elenco: Kevin Bacon, Shawn Ashmore, Valorie Curry.

The Following 2.08 - The Messenger
Joe Carroll (James Purefoy) decide ficar no meio daquela seita fanática mesmo após Emma (Valorie Curry) quase ter sido morta em um ritual maluco daquelas pessoas. O líder dos fanáticos, Micah (Jake Weber), quer que Joe lhe ajuda na eliminação de certas pessoas que ficam bem no meio do seu caminho de expansão da nova religião. Ele está preocupado pois os Estados Unidos com mais de cinco mil seitas espalhadas pelo país, se torna um território muito competitivo para se vencer. Reunindo rituais pagãos com lendas malucas sobre ufologia (Micah acredita que todos os membros de sua seita irão para um planeta próximo de Netuno após suas mortes), ele precisa de alguém que faça o serviço sujo. Para ele esse homem é justamente Carroll. Enquanto isso Ryan Hardy (Kevin Bacon) recebe um novo convite para se unir novamente ao FBI. Ele que vinha atuando como um lobo solitário, indo atrás de Carroll sozinho, resolve retornar ao seio do Bureau de investigação, já que assim também terá acesso a informações privilegiadas sobre o real paradeiro de Joe e seus seguidores loucos. / The Following 2.08 - The Messenger (EUA, 2014) Direção: Marcos Siega / Roteiro: Kevin Williamson, Alexi Hawley / Elenco: Kevin Bacon, Shawn Ashmore, Valorie Curry.

The Following 2.09 - Unmasked
Desde que Joe foi para essa seita de fanáticos a série vinha de certa forma mostrando sinais de cansaço. Eu atribuo isso a um fato simples: a tal seita foi apresentada de forma muito caricatural, sem muita profundidade e conteúdo. Muito provavelmente por essa razão os roteiristas resolveram se livrar do líder do grupo, o chatinho Micah. O que sobrou dessa decisão só saberemos nos próximos episódios, mas de antemão já é um alívio saber que a série irá deixar esse núcleo narrativo de lado. Fora isso a gracinha psicopata Emmy (Valorie Curry) e mais dois cúmplices resolvem participar de mais um banho de sangue, dessa vez numa livraria, o que rende uma boa cena, embora nada demais. No geral "The Following" tem que sair dessa fórmula de gato e rato entre Ryan e Joe para procurar por novas soluções, novos ciclos dramáticos, caso contrário vai cair de vez numa velha armadilha que ronda vários seriados, principalmente quando eles dão giros e mais giros em torno do próprio rabo, sem sair do lugar, chegando em lugar nenhum. O curioso é que foi justamente isso que aconteceu com outra série desse mesmo autor, "The Vampire Diaries". Será mesmo uma sina que acompanha todos os seriados criados por Kevin Williamson? Só nos resta aguardar para ver no que isso tudo vai dar. / The Following 2.09 - Unmasked (EUA, 2014) Direção: Nicole Kassell / Roteiro: Kevin Williamson, Vincent Angell/ Elenco:  Kevin Bacon, Shawn Ashmore, Valorie Curry.

The Following 2.11 - Freedom
Essa semana a equipe e o elenco de "The Following" foram surpreendidos pela notícia que a série havia sido cancelada pela Fox. A audiência, que começou muito boa desde a estreia do programa, foi caindo, caindo, até o momento em que não havia mais como continuar. Eu já vinha percebendo que os roteiros não conseguiam mais inovar, virando pura enrolação. Segundo pesquisas internas realizadas pelo estúdio duas coisas também andavam incomodando o público: a violência extrema (com cenas gratuitas como o esfaqueamento de várias pessoas inocentes em um restaurante, por exemplo) e a incômoda sensação de que os roteiristas andavam glamorizando o personagem psicopata Joe Carroll (James Purefoy). Na segunda temporada, como todos sabemos, Joe virou uma espécie de líder religioso carismático, liderando uma seita de jovens fanáticos, que aceitam fazer tudo para engrandecer sua estranha religião. Nesse episódio em particular ele começa a exigir sacrifícios de sangue dos membros, fazendo com que uma garota mate outra no altar, com seu punhal, durante um ritual macabro. Depois os membros de sua seita vão até uma lanchonete e promovem um banho de sangue, cortando as gargantas dos pobres frequentadores do lugar. Se você estiver em busca de respostas para o fim da série certamente encontrará aqui. A violência, que antes era mais estilizada e intelectualmente justificável, parece que perdeu o rumo em "The Following", se tornando puro chamariz de audiência. Quando isso aconteceu realmente a série morreu. / The Following 2.11 - Freedom (EUA, 2014) Direção: Liz Friedlander / Roteiro: Kevin Williamson, Dewayne Darian Jones / Elenco: Kevin Bacon, James Purefoy, Shawn Ashmore, Valorie Curry.

The Following 2.12 - Betrayal
Joe Carroll (James Purefoy) começa a ser questionado dentro da seita que dominou após ter assassinado seu antigo líder. A questão é que Joe pessoalmente abomina religiões em geral e as usa apenas para controlar aquelas pessoas, determinando que elas façam o que ele lhes pede, por mais absurdas que sejam as ordens. Como bem se sabe seitas em geral são baseadas em lavagem cerebral e Joe sabe muito bem disso. Pedindo por sacrifícios de sangue ele envia seus seguidores para diversas partes da cidade, onde matam pessoas inocentes. Esse tipo de ato de barbárie acaba chamando a atenção de um pastor que resolve transformar Joe em seu novo alvo de ódio e fúria. Atacando seus métodos na TV, Joe resolve lhe aplicar um castigo, mandando os membros de sua seita irem atrás do filho do líder religioso numa fraternidade universitária, na faculdade onde estuda. A partir daí a insanidade sanguinária se instala. O roteiro desse episódio se inspirou livremente nos crimes cometidos pelo infame psicopata Ted Bundy que também matou um grupo de jovens dentro de uma fraternidade universitária durante a década de 1970. Outro ponto digno de nota surge quando Joe diz de forma sincera tudo o que acredita em relação aos pastores televisivos americanos e suas picaretagens para arrancar dinheiro de seus fiéis. A semelhança com o que anda ocorrendo no Brasil não é mera coincidência! / The Following 2.12 - Betrayal (EUA, 2013) Direção: Marcos Siega / Roteiro: Kevin Williamson, Lizzie Mickery / Elenco: Kevin Bacon, Shawn Ashmore, Valorie Curry .

The Following 2.13 - The Reaping
No episódio anterior Joe Carroll (James Purefoy) conseguiu finalmente colocar as mãos no filho de um pastor televisivo que estava lhe criticando em seu programa matinal. Ele acusava Carroll de liderar uma seita satânica. Em represália Carroll, que na verdade não acredita nem em Deus e nem muito menos no diabo, resolve levar o pobre rapaz para o altar com o claro objetivo de oferecer seu sangue em sacrifício, até porque desde que assumiu o controle de sua seita ele segue o lema sempre repetido de que "Sem Sangue não há Redenção". Para sorte do jovem, o agente Ryan Hardy (Kevin Bacon) consegue se infiltrar no bando de Joe, parando o sangrento ritual, dando tiros para o alto. Localizado e preso, é então enviado para Joe, o que acaba proporcionando o melhor momento do episódio pois sempre que eles se encontram os roteiristas capricham nos diálogos. Afinal de contas dessa dualidade nasceu praticamente toda a série. Joe então começa seu longo monólogo, explicando para Ryan que ambos precisam um do outro para existir. Sem Ryan a vida de Joe ficaria totalmente sem sentido e vice versa. Ambos se alimentam de suas rivalidades. Para quem acompanha a série outro momento marcante acontece aqui, já no final, praticamente na última cena, quando a personagem psicopata Lily Gray (Connie Nielsen) finalmente parece encontrar seu destino de frente, embora pessoalmente não acredite muito numa conclusão definitiva, afinal de contas "The Following" não costuma fechar portas narrativas dessa forma, de maneira muito conclusiva. / The Following 2.13 - The Reaping (EUA, 2014) Direção: Joshua Butler / Roteiro: Kevin Williamson, Megan Martin / Elenco:  Kevin Bacon, James Purefoy, Connie Nielsen, Shawn Ashmore, Valorie Curry.

The Following 2.15 - Forgive
The Following está chegando ao clímax de sua trama, embora a série tenha mais uma temporada confirmada pela frente. Esse é o episódio final da segunda temporada. O anterior acabou com Joe Carroll (James Purefoy) fazendo um grupo de pessoas reféns em uma igreja católica. Em pouco tempo Ryan (Bacon) chega para encurralar Joe, mas tudo acaba saindo dos planos originais. Quando a tropa de elite invade o lugar ambos fogem, Ryan e Joe, em um estranho momento de colaboração entre eles. Qual é a razão? Bom, os gêmeos psicopatas estão com Claire (Natalie Zea) e a ameaçam de morte caso Ryan e Joe não se dirijam até eles. A partir daí, do momento em que eles chegam na velha mansão isolada no meio do bosque, tudo se torna um caos. Um verdadeiro banho de sangue. O mais interessante nesse episódio é que a relação entre Joe e Ryan dá uma reviravolta, de repente ambos chegam na conclusão de que precisam mesmo um do outro. Joe acaba salvando a vida de Ryan e esse por sua vez desiste de meter uma bala em Joe quando tem a chance! Quem diria que eles chegariam em momentos como esse? Bom episódio, que tenta fechar a temporada, mas que obviamente deixa pontas soltas para a terceira temporada. A dúvida que fica é se haverá ainda história para contar depois de tantas mortes. / The Following 2.15 - Forgive (EUA, 2014) Direção: Marcos Siega / Roteiro: Kevin Williamson / Elenco: Kevin Bacon, James Purefoy, Natalie Zea, Shawn Ashmore, Sam Underwood

The Following 3.01 - New Blood
Tudo parece caminhar muito bem para Ryan Hardy (Kevin Bacon). O serial killer Joe Carroll (James Purefoy) está no corredor da morte. Ele está de volta definitivamente ao FBI e para completar a felicidade está novamente apaixonado. Sim, há uma sensação de que tudo está correndo bem e que o futuro promete. Porém nem tudo são flores. Durante o casamento de uma amiga, Ryan é violentamente confrontado por um estranho que se diz pai de uma jovem seguidora de Carroll, que foi morta em um tiroteio com o FBI. Para mostrar sua ira ele joga vinho tinto (simbolizando o sangue derramado de sua filha) no roste de Hardy, bem na frente de todos os demais  convidados. O agente obviamente fica abalado e no dia seguinte vai nos arquivos do Bureau para saber mais sobre a jovem morta (ele se sente culpado internamente por sequer saber o nome das vítimas da caçada insana que promoveu contra Joe Carroll e seus seguidores fanáticos em um passado recente). Para surpresa de Ryan ele descobre que o homem não disse a verdade. Durante uma visita à casa da garota para se solidarizar com os parentes e pedir desculpas, ele descobre que o sujeito que lhe jogou vinho no rosto não era quem afirmava, que ele não era o pai da garota morta. Assim ficam abertas várias possibilidades. Seria um novo grupo de loucos psicopatas tentando vingar a morte de seu amado líder agora condenado à morte ou pelo contrário seria o surgimento de um novo serial killer? Quando um casal é morto em um hotel as coisas começam a ficar mais claras para Ryan. Os cadáveres são colocados em posições que simulam seus antigos casos no FBI. Para piorar ainda mais o quadro, um velho desafeto de Ryan parece estar por trás de tudo, sim o gêmeo sobrevivente Mark (Sam Underwood) que agora começa a ter alucinações e surtos psicóticos, conversando com seu irmão morto (como vimos na temporada anterior). Ele não apenas tem longas conversações com o finado, como também acaba adquirindo sua personalidade. Um prato cheio para psicanalistas de plantão. Bom episódio, porém pouco original. Não sei para onde essa temporada seguirá, porém fica claro já aqui uma certa saturação. De qualquer maneira vou seguir em frente até o fim da série para saber onde tudo isso vai parar. / The Following 3.01 - New Blood (EUA, 2015) Direção: Marcos Siega / Roteiro: Kevin Williamson, Alexi Hawley / Elenco:  Kevin Bacon, Shawn Ashmore, Sam Underwood.

The Following 3.02 - Boxed In
"The Following" foi finalmente cancelada nos EUA depois de vários meses de boatos. A audiência já não era tão boa e os roteiros se tornaram medíocres com o passar do tempo. O que havia para contar já foi contado nas duas primeiras temporadas. É o que eu gosto de dizer, algumas histórias só possuem potencial para uma ou no máximo duas temporadas. Ir além disso é simplesmente esperar pelo cancelamento certo. Nesse episódio percebemos bem isso. Os roteiristas apelaram para um crime que mais parece ter saído de algum filme de terror gore ao estilo torture porn. Um agente do FBI é sequestrado e após sofrer inúmeras torturas tem seu corpo trucidado ao ser colocado em uma pequena caixa de metal. Algo realmente terrível. Achei um tanto desnecessário e gratuito. Kevin Williamson parece mesmo ter perdido a inspiração ou então está esgotado ao ter que dar conta de tantas séries ao mesmo tempo. "The Following" já vinha sendo criticada por alguns excessos em termos de violência e aqui mais uma vez exageraram na dose. O elenco também parece desgastado. Kevin Bacon, por exemplo, surge cada vez mais envelhecido, apático, sem ânimo. Nem na cena em que ele desaba ao saber que seu colega de FBI foi morto de forma tão bárbara empolga. Ele se limita a dar alguns chorinhos falsos e nada convincentes debaixo do chuveiro. Assim não teria mesmo como ter salvação. / The Following 3.02 - Boxed In (EUA, 2015) Direção: Rob Seidenglanz / Roteiro: Kevin Williamson, Barry O'Brien / Elenco: Kevin Bacon, Shawn Ashmore, Sam Underwood.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Kirk Douglas - In Harm's Way (1965)

Finalizando minhas impressões sobre esse clássico de guerra chamado "In Harm's Way" (A Primeira Vitória, no Brasil) eu gostaria de tecer alguns comentários sobre o personagem interpretado por Kirk Douglas. O oficial Paul Eddington é um ótimo militar da Marinha americana, profissional confiável, porém em sua vida pessoal parece só fazer escolhas erradas. A primeira cena do filme mostra sua jovem esposa dançando em um cocktail oferecido a marinheiros. Desinibida, na beira da piscina, ela protagoniza um pequeno escândalo. Detalhe: enquanto ela dança e se diverte com aqueles homens seu marido está em alto-mar, enfrentando os inimigos do país, algo que causa grande desconforto nos demais militares presentes naquela noite.

Quando começa o ataque a Pearl Harbor ela acaba morrendo numa estrada. Isso faz com que Eddington fique devastado. Ele não era feliz no casamento, sua jovem esposa, muitos anos mais jovem, não lhe dava o devido respeito e nem parecia gostar muito dele, mas a sua morte prematura torna sua lembrança praticamente imaculada. Depois disso o Capitão começa a ter um comportamento bem fora dos padrões o que o levará à cena crucial quando resolve estuprar uma jovem enfermeira que também está no Havaí durante a II Guerra Mundial. A garota vindo do interior acaba sendo agarrada na praia e violentada. Essa cena, forte sob muitos aspectos, também é bem incômoda quando descobrimos que o próprio Kirk Douglas foi acusado de ter estuprado a atriz Natalie Wood nos anos 50. Isso foi bem antes da realização dessa cena o que me faz pensar que Kirk quis dar sua resposta na tela, atuando em algo que certamente seria bem comentado nos bastidores de Hollywood.

Depois disso, como numa espécie de redenção moral, o roteiro o coloca numa missão suicida, onde ele deixa bem claro que não está muito disposto a voltar para a base para enfrentar uma corte marcial. O diretor Otto Preminger acabou ficando numa encruzilhada pois não poderia dar um final feliz a um estuprador no enredo, nem mesmo se ele fosse interpretado pelo astro Kirk Douglas. John Wayne, interpretando seu oficial superior, certamente o puniria e isso fica bem claro depois que ele descobre que seu subordinado está morto. Perguntado se ele daria seu nome para a recomendação de uma medalha de honra, a sua resposta é um taxativo "não"!

Por fim, vale também destacar a grande cena final do filme. O clímax é a reconstituição de uma batalha real ocorrida no Pacífico Sul entre a Marinha americana e a japonesa. Os japoneses contavam com o colossal Yamato, de 72 mil toneladas. Esse navio era considerado uma das joias do poderio naval militar japonês. O comandante interpretado por John Wayne é o responsável em destruir essa armada dos mares. No saldo final, apesar de todas as baixas, ele acaba vencendo, o que foi considerado na época a primeira vitória americana sobre o Japão no Pacífico.

Pablo Aluísio.

The Exorcist

Considerado por muitos como o melhor filme de terror de todos os tempos o clássico "The Exorcist" de 1973 foi baseado em fatos reais. O roteiro foi escrito em cima do romance de William Peter Blatty, porém esse autor usou como fonte um caso real acontecido em 1949 na cidade de Cottagy City, no estado americano de Maryland. O diferencial básico era que o caso real aconteceu com um menino de 13 anos e não uma jovem garota como vemos no filme.

Naquela ocasião o garoto teria tentado entrar em contato com uma tia que havia falecido. Usando uma tábua Ouija ele acabou abrindo o portal para algo mais sinistro. Em pouco tempo começou a ter um comportamento enlouquecido, falando línguas mortas, causando vários ferimentos em si mesmo. Após médicos não conseguirem chegar a uma solução para seus problemas seus pais resolveram entrar em contato com a Igreja Católica, que acabou tendo que lidar com um dos casos mais complicados de possessão demoníaca de sua história recente (os documentos originais sobre esse exorcismo seguem guardados em segredo dentro dos arquivos do Vaticano). A coisa foi tão séria do ponto de vista religioso que a Igreja comprou a casa onde teria sido realizado o exorcismo, a demoliu e construiu uma praça pública onde padres e seminaristas se revezam até hoje para rezar.

Provavelmente por ter esse pé na realidade o filme "O Exorcista" segue sendo imbatível no aspecto aterrorizante. O enredo é dos mais simples possíveis. Uma garotinha é possuída por uma antiga entidade do mal, dois padres são enviados para exorcizá-la e o drama realmente começa.

Existem filmes que se tornam tão marcantes que acabam sendo considerados verdadeiros ícones inspirativos para todo um subgênero cinematográfico que surge. Por exemplo, todos os filmes pós apocalipse se inspiraram de uma forma ou outra em "Mad Max". No caso de "O Exorcista" não existe um só filme sobre possessões que não se utilize de elementos desse clássico absoluto do terror. O diretor William Friedkin assim não realizou apenas a grande obra prima de toda a sua carreira, mas na verdade aquele que é considerado a obra prima insuperável do terror em todos os tempos. Um filme que marcou (e ainda marca) dentro da história do cinema.

Pablo Aluísio.

Conan the Barbarian

Mesmo após tantos anos de seu lançamento original (o filme chegou nas telas de cinema em 1982) esse segue sendo considerado o melhor filme sobre o personagem bárbaro Conan. É curioso porque Conan é uma criação antiga. Criado por Robert E. Howard na década de 1930 ele levou anos para se tornar popular entre o grande público.

Com ares de Tarzan e outros ícones da literatura de aventura, Howard resolveu criar um mundo mais brutal, violento, sem espaço para bom mocismos. O que valia no universo de Conan era a força bruta. Nada muito além disso. Durante décadas os estúdios flertaram com a ideia de levar o guerreiro para as telas de cinema, mas isso nunca parecia dar certo por causa de problemas jurídicos envolvendo os direitos autorais do personagem. Apenas no final da década de 1970 foi que o produtor Dino de Laurentiis conseguiu ter o controle pleno para transformar em realidade uma adaptação cinematográfica.

O halterofilista, fisiculturista, brutamontes e troglodita Arnold Schwarzenegger foi contratado e essa foi o primeiro grande acerto do estúdio. Ele não convencia ninguém como ator, mas como Conan era basicamente um personagem físico e brutal, isso acabava combinando muito bem com suas precárias capacidades dramáticas. Ninguém iria mesmo contratar um ator shakesperiano para encarnar Conan, mas sim um monte de músculos que soubesse usar uma espada. Se pudesse declamar algumas frases básicas também seria bem-vindo.

O ator nunca havia ouvido falar de Conan até aquele momento até que o produtor lhe deu uma pilha de revistas em quadrinhos. Pesquisando Arnold também descobriu que Conan era popular entre os jovens que curtiam aquele tipo de literatura e comics ao estilo Pulp Fiction. O que pesou porém para ele foi o fato de assinar um contrato de longa duração com a empresa de Dina de Laurentiis no incrível valor de 10 milhões de dólares! Em compensação ele teria que se comprometer a fazer quatro filmes com o bárbaro (no final ele faria dois e um derivado chamado "Os Guerreiros de Fogo").

O resultado foi o melhor do que esperado. Em certo sentido o filme chegava até mesmo a superar o material original. Arnold Schwarzenegger que era praticamente um desconhecido colocou seu nome entre os mais promissores em termos de bilheteria. Logo após ele faria um clássico sci-fi chamado "O Exterminador do Futuro" e a partir daí não haveria mais obstáculos para sua subido ao topo de Hollywood.

Pablo Aluísio.

Eyes Wide Shut

Stanley Kubrick foi inegavelmente um gênio da história do cinema. Infelizmente sua despedida da sétima arte deixou bastante a desejar. Em 1999 o cineasta realizou seu último filme "Eyes Wide Shut" (que no Brasil recebeu o título de "De Olhos Bem Fechados"). Era um drama com toques eróticos estrelado pelo casal Tom Cruise e Nicole Kidman.

Como Kubrick faleceu antes da estreia do filme criou-se uma sensação de que estava por vir mais uma obra prima do diretor, a sua obra prima final. Os críticos criaram muitas expectativas e o público (pelo menos aquele formado por cinéfilos mais interessados na história do cinema) prestigiaram a chegada da película nas telas. Posso dizer, com conhecimento de causa, que a expectativa alta logo se transformou em decepção amarga. Nem os mais fervorosos fãs da obra de Kubrick conseguiram esconder o desapontamento. O filme se revelava na tela inconclusivo, arrastado e até mesmo chato. Pior do que isso, sua carga de erotismo, que deveria seu forte, se revelava pífia, sem sedução alguma.

Kubrick parecia interessado em explorar o mundo de uma sexualidade mais doentia, misteriosa, fora dos padrões. Em alguns momentos até conseguiu captar algumas belas cenas, tudo valorizado por uma bonita direção de arte, mas foi pouco para quem estava esperando um grande filme.

A reação negativa do filme também não se limitou ao círculo restrito ao público que pagou e se decepcionou com o resultado. O próprio casal que estrelou o filme viu sua relação ser abalada, tudo desencadeando para o divórcio. Alguns afirmam que Kidman teria reclamado da exposição a que foi submetida (ela tinha cenas de nudez), mas outros acreditam que Tom Cruise se separou dela apenas por motivos financeiros. A poucas semanas dela ter direito à metade de sua fortuna (algo que teria sido estabelecido em uma cláusula contratual de seu casamento), Cruise teria encerrado o relacionamento. Enfim, ao que parece a experiência de "Eyes Wide Shut" acabou não sendo boa para absolutamente ninguém.

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 13 de junho de 2016

John Wayne - In Harm's Way (1965)

John Wayne se notabilizou pelos clássicos de western que estrelou ao longo da carreira. Isso não significou que ele não tenha também brilhado em outros gêneros cinematográficos. Wayne também fez grandes filmes de guerra. Um exemplo é esse "In Harm's Way" de 1965 que no Brasil recebeu o título nacional de "A Primeira Vitória". Dirigido pelo excelente e premiado cineasta Otto Preminger e com um elenco de apoio de encher os olhos (contando com Kirk Douglas, Burgess Meredith e Henry Fonda, entre outros) o filme foi lançado para comemorar os vinte anos do fim da II Guerra Mundial.

E é justamente um dos eventos mais marcantes dessa guerra que marca a cena inicial do filme: o ataque japonês ao porto militar americano de Pearl Harbor. Até aquele momento os americanos mantinham uma postura de neutralidade em uma guerra que parecia se alastrar pelo mundo. Havia um sentimento de não se envolver na Guerra pois os americanos ainda amargavam as perdas provenientes da I Guerra Mundial. A neutralidade assim parecia ser um bom caminho a seguir. Essa posição diplomática porém não duraria muito. Sem aviso prévio e contando com um ataque surpresa arrasador a força aérea imperial japonesa arrasou a esquadra americana estacionada no Havaí. A partir daí não houve outra saída e os Estados Unidos entraram definitivamente na guerra, lutando uma feroz luta ilha a ilha no Pacífico Sul contra os japoneses.

O personagem de John Wayne é um comandante de cruzador da marinha americana chamado Rockwell 'Rock' Torrey. Durante o ataque em Pearl Harbor ele, por pura sorte, não estava ancorado no porto atacado, mas sim em alto-mar. Tentando dar uma resposta ao ataque acabou sendo encurralado por um submarino japonês. Sua manobra é considerada temerária pelo comando da marinha e ele é afastado do comando, indo parar em um serviço burocrático atrás de uma escrivaninha. Para um velho marinheiro não poderia ser pior. Seu homem de confiança, o tenente Paul Eddington (Kirk Douglas) também é colocado para escanteio.

Aproveitando sua estadia forçada em terra firme, Rock acaba resolvendo colocar alguns assuntos pessoais em dia. Procura finalmente por seu filho que não vê há anos (e que também está servindo na Marinha) e acaba tendo um caso amoroso tardio com uma enfermeira pelo qual acaba sentindo atração. Seus problemas privados porém são colocados de lado quando é chamado novamente para o comando. A guerra precisa de homens experientes e Rock acaba sendo designado para uma importante missão. O filme é longo, com quase três horas de duração, e isso se deve ao fato de que Otto Preminger priorizou o desenvolvimento de cada personagem da estória (que inspirada em fatos reais teve seu roteiro baseado no livro escrito por James Bassett). È um ótimo filme histórico de guerra, mostrando não apenas o lado combativo dos militares americanos na chamada guerra do Pacífico, como também valorizando o lado mais humano desses homens. Um clássico do cinema mais do que recomendado.

Pablo Aluísio. 

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