sábado, 30 de junho de 2012

O Exorcista

"O Exorcista" é apontado por muitos como o melhor filme de terror já feito. A produção causou forte impacto em seu lançamento e até hoje é cultuada. De certa forma é até simples de entender essa repercussão toda que o filme atingiu. A trama da garotinha possuída por um demônio bateu fundo no inconsciente coletivo do público ocidental. Como se sabe em países onde o Cristianismo é considerado a religião predominante o diabo não é apenas um ser de ficção mas uma entidade real, de existência induvidosa. Assim o que se passa nas telas obviamente amedronta as pessoas com essa formação religiosa. Para reforçar ainda mais essa situação não podemos ignorar que embora o filme seja baseado em um livro de William Peter Blatty esse foi escrito em cima de um caso real ocorrido na Itália. A única diferença é que na história real os fatos aconteceram com um garoto e não uma garotinha como vemos nas telas. Até hoje a igreja Católica mantém um sistema de revezamento de orações no local onde ocorreram as manifestações. Não cabe aqui discutir o que causou esses eventos, se era realmente uma possessão ou um mero transtorno psicológico, o que importa é entender que "O Exorcista" levou os fatos para o universo da cultura pop, o marcando para sempre.

Outro fato digno de nota é que mesmo após tantos anos o filme, mesmo visto atualmente, não envelheceu tanto. Claro que em termos narrativos há alguns aspectos que soam datados, mas a força da trama não sofreu o pesar dos anos. Nem suas péssimas continuações atrapalharam nesse quesito. Filmes marcantes assim costumam ser tão imitados que acabam perdendo sua força original. Com "The Exorcist" não sentimos tanto essa perda. O filme continua muito bom, muito impactante e provocando medo aos que o assistem (o que no final das contas é o objetivo de todo filme de terror bom que se preze). Em conclusão "O Exorcista" realmente merece a fama e o status que tem. É um excelente momento do cinema de terror da década de 70 que se mantém firme até os dias de hoje.

O Exorcista (The Exorcist, EUA, 1973) Direção: William Friedkin / Roteiro: William Peter Blatty baseado em seu próprio livro / Elenco: Linda Blair, Max Von Sydow, Ellen Burstyn, Lee J Cobb, Jason Miller, Kitty Winn, Jack MacGowran / Sinopse: Jovem garota (Linda Blair) começa a manifestar sinais de possessão demoníaca. Para ajudá-la a Igreja envia dois padres exorcistas para combater o mal.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Menina de Ouro

Um ano após Charlize Theron ganhar seu Oscar de melhor atriz por "Monster" chegou a vez de Hilary Swank levantar a estatueta por esse drama "Menina de Ouro". Certamente estamos aqui na presença de um dos mais controvertidos filmes de Clint Eastwood. A trama em si e seu desenrolar não foge muito do que estamos acostumados a ver em filmes sobre boxe. A diferença central surge na conclusão do filme que deixou muitas pessoas aborrecidas pelo clímax nada feliz. Certamente "Menina de Ouro" não é uma produção de fácil digestão. Há muito que Clint Eastwood abandonou as soluções fáceis e os epílogos rotineiros. Aqui ele ousou contar uma estória nada edificante, daquelas que os espectadores saem do cinema com a alma lavada. Na verdade o público levou mesmo foi um choque de realidade cruel no desfecho do enredo. A trama para quem ainda não conhece é a seguinte: Frankie Dunn (Clint Eastwood) é um treinador veterano que aceita treinar a jovem Maggie Fitzgerald (Hilary Swank). Ela está disposta a tudo para se tornar uma lutadora de boxe profissional. Frankie, após muita insistência por parte da atleta, resolve acreditar em seu potencial. Ao lado do treinamento também acaba surgindo uma bela amizade entre ambos. Há muito que o velho treinador não vê sua filha. Extremamente fechado no modo de ser, é complicado para ele manter um bom relacionamento com sua própria filha. Assim sua aproximação com Maggie acaba criando um reflexo do tipo de envolvimento que gostaria de ter com sua distante família.

O elenco de apoio é excelente. Morgan Freeman está em cena, com toda aquela dignidade que lhe é peculiar. Hilary Swank também está muito bem mas sua atuação seria mesmo digna de um Oscar? Há uma velha máxima dentro da Academia que diz que todo ator que interprete qualquer personagem com problemas físicos ou mentais tem grande chance na disputa pelo Oscar. Não entrarei em maiores detalhes sobre o destino da personagem de Hilary Swank para não estragar o final de quem ainda não assistiu "Menina de Ouro", mas fica claro que seu papel caiu como uma luva nessa definição. Hilary Swank defende seu trabalho com unhas e dentes mas devo confessar que naquele ano minha favorita era mesmo Catalina Sandino Moreno por "Maria Cheia de Graça", um filme socialmente muito relevante, tocando em um assunto importante. Infelizmente a premiação do Oscar tem muita política envolvida e dessa forma uma atriz latina jamais tiraria o Oscar de Hilary, ainda mais porque "Menina de Ouro" acabou vencendo todos os prêmios importantes da Academia naquele ano. Em suma, temos aqui um filme corajoso realmente, com temática instigante e final surpreendente. Provavelmente muita gente vá torcer o nariz para a ética (ou falta dela) na conclusão do filme mas mesmo assim essa obra é um ótimo representante daquele tipo de produção que nos mostra que nem todos os finais são felizes.

Menina de Ouro  (Million Dollar Baby, EUA, 2004) Direção: Clint Eastwood / Roteiro: Paul Haggis / Elenco: Clint Eastwood, Hilary Swank, Morgan Freeman, Jay Baruchel, Mike Colter, Lucia Rijker / Sinopse: Jovem garota é aceita por veterano treinador de boxe. Seu sonho é se tornar uma lutadora profissional do esporte. Seu caminho até lá porém não será feito de flores. Filme vencedor dos Oscars de Melhor Filme, Direção, Melhor Atriz (Hilary Swank) e Ator Coadjuvante (Morgan Freeman).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Espelho, Espelho Meu

Depois do grande sucesso da versão cinematográfica de Alice dirigido por Tim Burton praticamente todo estúdio em Hollywood anunciou uma nova versão de algum conto de fadas. Esse "Espelho, Espelho Meu" foi apenas mais um deles. O mais curioso é que não é o único a ser feito tentando trazer de volta às telas o conto de fadas "Branca de Neve e os Sete Anões". Há um outro projeto bem mais ambicioso estrelado por Kristen Stewart. Se aquele tem cara de "Branca de Neve invade a Terra Média" por causa da semelhança absurda da produção com a franquia "O Senhor dos Anéis" esse aqui é bem mais modesto em suas pretensões. O projeto é mais um ataque de egolatria de Julia Roberts que há tempos procura reencontrar o caminho do sucesso. Não será com esse "Mirror, Mirror" que ela vai alcançar os seus objetivos. O filme foi lançado na semana em que "Jogos Vorazes" dominava as bilheterias o que fez o filme ser praticamente ignorado - embora não tenha sido o fracasso todo que algumas notícias divulgaram. A tônica aqui é realmente de filme infantil, uma produção feita para as crianças embora tome certas liberdades com o conto original (nem sempre de forma feliz). Os anões foram provavelmente os personagens mais prejudicados. Na versão de Disney - a melhor já feita até hoje - eles eram trabalhadores divertidos, pessoas do bem. Já aqui viram um bando de ladrões, salteadores, infames. Embora o roteiro tente trazer um certo humor e suavidade ao grupo eles surgem em cena mal encarados, antipáticos, nada parecidos com os anões que conhecemos em nossa infância. Também surgem com nomes diferentes, nada simpáticos, um inclusive é chamado de "Açougueiro", imagine você! As pernas de pau que usam é outra coisa totalmente fora de propósito, sem qualquer atrativo.

A atriz que faz Branca de Neve, Lily Collins, foi prejudicada por uma maquiagem muito pesada, nada sutil ou elegante. Com sobrancelhas enormes e pretas tudo soa muito deselegante. O pior é que a moça é bonita, não precisavam estragar seu bonito rosto com tudo aquilo. Será que a Julia Roberts a enfeiou propositalmente com medo dela roubar o filme? Não duvido nada. Se fez isso então ela agiu exatamente como a rainha má que interpreta o que não seria surpresa nenhuma. Ao natural Lily é bela, delicada e lembra em certos momentos Audrey Hepburn mas no filme surge praticamente "escondida" sob a maquiagem fora de tom. A produção do filme também não é melhor. A direção de arte é muito excessiva, não particularmente bonita ou de bom gosto. Tudo é muito kitsch, mesmo sendo um conto de fadas deveriam ter trilhado um caminho mais soft do que é apresentado em cena. O roteiro também não agrada. Tenta contar a velha estória de uma forma inovadora o que é um erro. Contos de fadas foram escritos e passados de gerações em gerações para ensinar valores morais e culturais para a criançada. São simples por natureza e devem permanecer assim. Qualquer tentativa de mudar sua essência é bem condenável sob qualquer ponto de vista. Provavelmente Jacob e Wilhelm Grimm estejam se revirando na tumba com o que fizeram com sua estorinha. Lamentável.

Espelho, Espelho Meu (Mirror, Mirror, EUA, 2012) Direção: Tarsem Singh / Roteiro: Jason Keller, Marc Klein, Melisa Wallack baseado no conto de fadas escrito por Jacob Grimm e Wilhelm Grimm / Elenco: Lily Collins, Julia Roberts, Armie Hammer, Nathan Lane, Sean Bean / Sinopse: Branca de Neve (Lily Collins) fica sob os cuidados da madrasta, a Rainha (Julia Roberts) após seu pai desaparecer na floresta negra.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Vício Frenético

Não é novidade para ninguém que a filmografia de Nicolas Cage nos últimos tempos já saiu da fase de ser apenas ruim para virar anedota entre cinéfilos de tão ruins que são as produções. De fato Cage já virou piada nas rodinhas de pessoas que gostam do dito bom cinema. No meio de tantos filmes obtusos e constrangedores eis que finalmente surgiu uma pérola no meio do lamaçal. Sim, "Vício Frenético" é essa jóia. O filme se comparado com outros recentes do Cage é bem superior. Não é um grande filme, tem problemas de ritmo, roteiro e interpretação mas mesmo com tudo isso é salvo no final pelo fino humor negro que permeia toda a estória. Aqui Cage interpreta um oficial da policia de uma New Orleans devastada. Longe de ser um exemplo o tira é corrupto, viciado em drogas, em jogos e prostituição e tudo o mais de pior que se pode pensar para um policial. Um sujeito totalmente fora de controle e completamente fora da linha. O irônico é que mesmo assim, com todos esses desvios de conduta, sempre acaba sendo promovido (uma crítica óbvia à força policial das grandes cidades americanas).

Não gostei muito da interpretação do Cage. De olhos esbugalhados, olhar vidrado, todo torto e muitas caretas o ator apresenta um esilo caricato de representar. No começo chega a ser até estranho ver Cage tão afetado mas depois que se acostuma com o tipo, fica até divertido. Ainda bem que ele foi salvo pelo bom argumento. O roteiro até consegue sobreviver no meio de um amontoado de eventos que vão se sucedendo no transcorrer da produção. Talvez isso se deva ao fato do filme ser na realidade um remake de um antigo policial dirigido por Abel Ferrara. Como se sabe esse diretor sempre foi bem pouco convencional. A estrutura de seus filmes sempre foi inovadora e nada parecida com o que vemos no cinemão comercial americano. No saldo final o que realmente salva mesmo "Vício Frenético" é a ironia, o cinismo e o humor negro que utiliza para satirizar o sistema. Nesse ponto o filme realmente acerta. Em suma, aqui temos um filme policial que a despeito dos exageros do Cage em cena pode realmente agradar no final das contas.

Vício Frenético (The Bad Lieutenant: Port of Call - New Orleans, EUA, 2009) Direção: Werner Herzog / Roteiro: William M. Finkelstein, Victor Argo, Paul Calderon, Abel Ferrara, Zoë Lund / Elenco: Nicolas Cage, Eva Mendes, Val Kilmer, Fairuza Balk / Sinopse: Aqui Nicolas Cage interpreta o Terence McDonagh, um oficial da policia de uma New Orleans devastada. Longe de ser um exemplo o tira é corrupto, viciado em drogas, em jogos e prostituição e tudo o mais de pior se pode pensar para um policial. Um sujeito totalmente fora de controle e completamente fora da linha.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Dupla Implacável

A carreira de John Travolta já morreu e renasceu tantas vezes que fica até complicado de acompanhar. Esse "Dupla Implacável" é mais um tentativa do ator em voltar ao topo. Com visual esquisito, careca e cavanhaque o ex astro de musicais agora quer convencer como um tipo durão, próprio para filmes de ação. Ao seu lado está Jonathan Rhys Meyers que apesar do sucesso na TV com a boa série The Tudors nunca conseguiu emplacar no cinema. E não foi dessa vez que conseguiu. A produção não é toda ruim, tem coisas interessantes mas não conseguiu colocar nem Travolta e nem Meyers no rumo do sucesso nas telas. Na verdade fui assistir esse filme com as expectativas mais baixas possíveis. Pensei que seria apenas um filmeco de ação passado em Paris. Bom, até que me surpreendi pois o filme é um thriller eficiente sobre atentados terroristas. Claro que o roteiro é simples (para não dizer simplório) mas mesmo assim diverte. John Travolta faz mais uma variação do tipo que vem apresentando nos últimos filmes. Aliás ele está totalmente fora de forma o que compromete a veracidade nas cenas que exigem mais vigor físico (como a que ele persegue uma terrorista em um telhado parisiense).

Por falar em Paris, a decisão de fazer o filme por lá foi bem acertada, pois a cidade ainda continua linda (embora tenha sido pouca aproveitada em cena). Jonathan Rhys Meyers está apenas correto e no fundo serve de escada para Travolta. Para quem procura um sucesso para fazer a transição para o mundo do cinema o filme foi uma bola fora, já que não fez sucesso e deu prejuízo financeiro. Muitos culparam o diretor Pierre Morel pelo fracasso comercial mas o que esperavam de um sujeito que foi o roteirista de "Carga Explosiva"? Enfim, o filme não cumpriu sua missão de transformar John Travolta em herói de filmes de ação. Fica para a próxima tentativa então.

Dupla Implacável (From Paris With Love, EUA, 2010) Direção: Pierre Morel / Roteiro: Adi Hassal baseado em estória original de Luc Besson / Elenco: John Travolta, Jonathan Rhys Meyers, Kassia Smutniak / Sinopse: Dois americanos em Paris se envolvem com um grupo de terroristas franceses.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

13 - O Jogador

Vamos aos fatos: quando esse filme foi anunciado eu pensei sinceramente que fosse uma tremenda porcaria. Bom, as aparências enganam. Como fui com expectativas baixas acabei me surpreendendo de forma positiva. Eu pensei de forma equivocada que a simples presença de Jason Statham no elenco já qualificaria o filme como mais uma de suas fitas de pura ação sem cérebro. Estava errado. O filme é um thriller rápido mas envolvente que mostra um tenebroso torneio de roleta russa no submundo de Chicago. Grande parte do filme realmente gira em torno da tal "competição" e por isso muitos bons atores que estão no filme realmente não tem grande coisa a fazer em cena.

Mickey Rourke, por exemplo, pouco acrescenta, não passando de um coadjuvante de luxo. Mais deformado do que o habitual o ator novamente desfila sua coleção de roupas e acessórios bizarros e apesar de seu personagem prometer muitos nas cenas iniciais não se desenvolve, desaparecendo sem alarde no terceiro ato do filme, o que não deixa de ser algo decepcionante do roteiro. Para quem gosta de seriados, duas surpresas: as presenças de David Zayas (de Dexter) e Alexander Skarsgård (o vampiro de True Blood). Ben Gazarra, muito envelhecido, também dá o ar da graça assim como o rapper 50 Cent (que é péssimo ator). Enfim, o filme é bom apesar disso e tem um final realista e cruel que acrescenta muitos pontos em seu saldo final. Vale a pena conferir.

13 - O Jogador (13, EUA, 2010) Direção: Géla Babluani / Roteiro: Géla Babluani, Greg Pruss / Elenco: Jason Statham, Mickey Rourke, Sam Riley, Alice Barrett, Gaby Hoffmann / Sinopse: No submundo de Chicago um grupo de pessoas disputam um torneio de roleta russa ilegal. O vencedor será o sobrevivente, o último a ficar de pé, vivo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Atraídos Pelo Crime

Eddie Dugan (Richard Gere), Tango (Don Cheadle) e Sal (Ethan Hawke) são três policiais que trabalham no violento bairro do Brooklyn em Nova Iorque. Após o cometimento de um crime os três terão que solucionar um complicado caso envolvendo uma rede de criminosos do local. Há tempos eu vinha procurando um bom policial para ver e finalmente encontrei. O filme é uma pedrada: violento, realista, otimamente bem escrito e dirigido e com excelentes atuações de todo o elenco. Mostra o lado mais cruel e sórdido da vida de três policiais no lado mais barra pesada de Nova Iorque, o bairro do Brooklin. Nesse lugar convivem traficantes, gigolos, estelionatários, prostitutas, viciados e toda a fauna que compõe a escória da sociedade americana ou como ironicamente está no título original do filme, o "fino do Brooklin".

Richard Gere está muito bem na pele do policial que só pensa em se aposentar e dar o fora do distrito onde trabalha. Sua vida pessoal é caótica, sem laços familiares, hostilizado por outros policias, tentando ensinar algo aos novatos e para piorar apaixonado por uma prostituta barata. Ethan Hawke interpreta o segundo policial, um sujeito cheio de filhos que precisa desesperadamente de dinheiro. O último elo do distrito é um policial infiltrado entre grupos de bandidos do bairro, que não sabe mais distinguir entre o certo e o errado. O mais interessante desse roteiro é que as três estórias que inicialmente parecem independentes irão se conectar em um final extremamente sangrento. Esse tipo de estrutura narrativa me lembrou bastante os filmes de Robert Altman. Vale a pena assistir. Recomendo bastante.

Atraídos Pelo Crime (Brooklyn's Finest, EUA, 2009) Direção: Antoine Fuqua / Roteiro: Michael C. Martin / Elenco: Richard Gere, Ethan Hawke, Don Cheadle, Wesley Snipes, Jesse Williams, Lili Taylor, Ellen Barkin. / Sinopse: Eddie Dugan (Richard Gere), Tango (Don Cheadle) e Sal (Ethan Hawke) são três policiais que trabalham no violento bairro do Brooklyn em Nova Iorque. Após o cometimento de um crime os três terão que solucionar um complicado caso.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Gandhi

Pode todo um império poderoso se curvar apenas ao peso de um ideal? A história de Gandhi prova que sim. De um lado temos o imenso, poderoso e dominador Império Britânico. Na época se dizia que o sol nunca se punha sob os domínios da Grã Bretanha, tamanha a sua extensão nos quatro cantos do mundo. Do outro lado havia esse indiano muito simples, de roupas despojadas, óculos desajeitados, uma pessoa que procurava viver como o mais humilde dos homens. Nesse choque de ideologias os fundamentos do pequeno homem acabaram vencendo os alicerces do majestoso Império de Vossa Majestade. Tudo baseado apenas em suas idéias de liberdade e autonomia. O mais grandioso na figura de Gandhi é que ele não liderou uma revolução armada mas sim um movimento de não violência, fundado apenas na ideologia da não violência, da convivência pacífica e no poder da argumentação lógica e sensata. Não é para menos que hoje em dia o mundo o conhece como Mahatma (grande alma). Ele conseguiu romper as amarras do colonialismo inglês para com seu país apenas pela força de sua mensagem. Uma revolução diferente, não feita de armas de fogo mas sim de pensamento e sensatez.

Em 1982 o corajoso produtor e diretor Richard Attenborough resolveu levar a história de Gandhi para os cinemas. Uma decisão ousada uma vez que a história do líder indiano é muito intimista, teórica. Não haveria cenas de batalhas para encher as telas como nos antigos épicos, nada disso, o roteiro teria que se concentrar apenas na mensagem e na ideologia de Mahatma. Não há momentos extremamente dramáticos e nem grandes guerras ou algo parecido. Diante disso muitos achavam que essa era realmente uma história que não poderia ser levada às telas com êxito. Ledo engano. Gandhi não deixou de ser um filme fenomenal por essas razões, pelo contrário. Em ótima caracterização o ator Ben Kingsley literalmente encarnou o personagem em um dos melhores castings da história do cinema. A transposição da biografia de Gandhi foi tão bem sucedida no final das contas que conseguiu vencer todos os grandes prêmios em seu ano, inclusive vencendo o Oscar nas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor ator (Ben Kingsley), melhor roteiro original, melhor direção de arte, melhor fotografia, melhor figurino e melhor edição. Um grande filme para um grande homem. God Save The Queen.

Gandhi (Gandhi, EUA / UK, 1982) Direção: Richard Attenborough / Roteiro: John Briley, Alyque Padamsee / Elenco: Ben Kingsley, Candice Bergen, Edward Fox, John Gielgud, Trevor Howard, John Mills, Martin Sheen / Sinopse: Cinebiografia do líder indiano Mahatma Gandhi.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

O Ano do Dragão

"O Ano do Dragão" foi um dos grandes sucessos de Mickey Rourke no mercado de vídeo que naquele momento estava invadindo todos os lares aqui no Brasil e lá fora. A fita, um policial movimentado e com ares de filmes de ação, caiu bem em cheio no gosto popular. A produção foi dirigida pelo cineasta Michael Cimino que já havia trabalhado com Mickey Rourke em um dos maiores fracassos de sua carreira: o caro e mal sucedido "O Portal do Paraíso". O roteiro é de Oliver Stone, naquele momento apenas um roteirista de sucesso que iria em breve estourar com o grande êxito de público e crítica "Platoon" que mostrava as vísceras da Guerra do Vietnã. Curiosamente o policial interpretado por Rourke aqui também é veterano do Vietnã e odeia asiáticos em geral. Numa das cenas mais famosas ele desdenha de um oriental que tenta lhe explicar a importância da cultura milenar do oriente. Em um diálogo tipicamente xenófobo ele responde: "Vocês podem ter milhares de anos mas os Estados Unidos só tem duzentos e aqui as coisas são feitas assim!"

Mickey Rourke surge em cena com os cabelos pintados de branco e seu personagem se chama Stanley White (branco) - seria mais uma reafirmação implícita do poder da raça branca sobre a amarela proposta discretamente por Oliver Stone em seu texto? Quem sabe o que se passava afinal na cabeça dele, só podemos mesmo deduzir sobre todas essa mensagens subliminares presentes no roteiro. "O Ano do Dragão" trouxe um sopro de fôlego renovado na carreira de Michael Cimino pois foi comercialmente bem sucedido. Logo após ele tentou novamente emplacar um sucesso com "O Siciliano" com Christopher Lambert mas as coisas não deram certo e o filme foi novamente um fracasso, contribuindo para encerrar a carreira do diretor.

O Ano do Dragão (Year of The Dragon, EUA, 1986) Direção: Michael Cimino / Roteiro: Oliver Stone baseado no livro de Robert Daley / Sinopse: Stanley White (Mickey Rourke) é um policial que investiga uma série de crimes dentro de uma comunidade chinesa em Nova Iorque.

Pablo Aluísio.

Aconteceu em Woodstock

Elliot Tiber (Demetri Martin) é filho do dono de um pequeno hotel localizado perto de uma fazenda chamada Woodstock. Ele tem a idéia de usar o local para organizar um festival de rock. Mal sabia que estava prestes a fazer parte de um dos maiores festivais de rock da história. O filme é muito bom. Tem um bom elenco e um roteiro bem desenvolvido. Os coadjuvantes são destaques e a reconstituição de época foi perfeita (as cenas com a multidão de hippies foi realmente muito bem executada, principalmente para quem já assistiu o documentário original do festival). Bem no clima dos anos 60 acompanhamos como o maior festival de música da história nasceu quase que por acaso, sem pretensão. O que seria um festival de fundo de quintal (literalmente) acabou virando um dos maiores eventos que se tem notícia!

Embora seja um filme bom existem alguns reparos. O roteiro é focado quase que completamente nos bastidores do festival - assim o festival em si, as apresentações e as músicas não aparecem (provavelmente por causa do alto custo dos direitos autorais). Existe um erro histórico ao tocar uma música dos Doors na trilha (o grupo de Jim Morrison não foi aceito no festival por causa dos problemas de Morrison com a lei na época). Assim ficou deslocado e de mal gosto tocar logo a música do grupo que foi esnobado pelos organizadores do festival. A cena de viagem de LSD dentro da Kombi foi bem feita, porém ficou a sensação ruim de que havia uma apologia ao uso de drogas ali. De qualquer maneira o filme vale a pena sim. Não é completo ou perfeito mas serve muito bem ao objetivo de mostrar os personagens que fizeram Woodstock.

Aconteceu em Woodstock (Taking Woodstock, EUA, 2009) Direção: Ang Lee / Roteiro: James Schamus / Elenco: Demetri Martin, Liev Schreiber, Emile Hirsch, Jeffrey Dean Morgan / Sinopse: Elliot Tiber (Demetri Martin) é filho do dono de um pequeno hotel localizado perto de uma fazenda chamada Woodstock. Ele tem a idéia de usar o local para organizar um festival de rock. Mal sabia que estava prestes a fazer parte de um dos maiores festivais de rock da história.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O Lutador

O filme que marcou o verdadeiro renascimento artísitco do ator Mickey Rourke. Com roteiro sensível e humano e direção do talentoso cineasta Darren Aronofsky, O Lutador se tornou um dos filmes mais badalados de 2008. Aqui Mickey Rourke interpreta o tocante papel de Randy 'The Ram' Robinson, um decadente lutador de luta livre cuja glória há muito passou em sua vida. Vivendo de empregos medíocres Randy tenta reencontrar a felicidade e o caminho do sucesso de outrora. O diretor tentou imprimir um tom semi-documental que dá uma carga extra de veracidade para a estória. As locações não são estilizadas, pelo contrário, tudo surge em tela de forma bem autêntica, tal como na vida real. A direção é segura e interfere o mínimo possível nos acontecimentos. Darren Aronofsky é um cineasta de filmes inteligentes e bem escritos (tais com Pi, Réquiem Para um Sonho e Cisne Negro) e respeita muito a inteligência do espectador, jamais tomando caminhos fáceis demais em seus filmes. De fato ele não manipula as emoções, apenas as apresenta de forma isenta na tela.

O argumento obviamente trazia muitas semelhanças com a própria vida de Mickey Rourke que conheceu ao longo de sua vida tanto a glória como o fracasso completo. Desprezado ousou manter sua dignidade intacta mesmo quando todos o abandonaram. A interpretação de Mickey Rourke como Randy 'The Ram' Robinson foi realmente fenomenal e valeu a ele indicações aos principais prêmios do cinema. Venceu o Globo de Ouro de Melhor Ator mas perdeu o Oscar para Sean Penn apesar de ter sido apontado como o favorito. Não faz mal, O Lutador é uma obra prima que trouxe de volta ao primeiro time esse ator tão especial.

O Lutador (The Wrestler, EUA, 2008) Direção: Darren Aronofsky / Roteiro: Robert D. Siegel / Elenco: Mickey Rourke, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood / Sinopse: Em "O Lutador" Mickey Rourke interpreta o tocante papel de Randy 'The Ram' Robinson, um decadente lutador de luta livre cuja glória há muito passou em sua vida. Vivendo de empregos medíocres Randy tenta reencontrar a felicidade e o caminho do sucesso de outrora.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Ironclad - Sangue e Honra

"Ironclad - Sangue e Honra" é uma violenta aventura medieval. O filme começa muito bem, todo se baseando no reinado de João Sem Terra, famoso monarca inglês que foi forçado a assinar a chamada Magna Carta (uma das primeiras declarações de direitos individuais da história). Até aí tudo bem. O problema é que o Rei resolve ignorar tudo o que assinou e assim um grupo de rebeldes tenta novamente organizar uma rebelião contra o Rei. Dito assim pode-se pensar que o filme é rico em argumento mas não. Em menos de 30 minutos os rebeldes se entricheiram no castelo de Rochester e o tema do filme, que poderia ser bem amplo, acaba se resumindo nessa situação de castelo sitiado pelas forças reais (que contam com a ajuda de mercenários dinamarqueses).

Como toda situação de cerco somos apresentados a todas as táticas da época para tomar o castelo. Nesse ponto o filme se concentra nessa situação e a violência corre solta. É um dos filmes medievais mais violentos que já vi, beirando o gore. Cavalheiros são decepados, cortados, torturados, queimados, etc, etc. O banho de sangue toma conta da tela. No elenco o ponto alto fica, como era de se esperar, com Paul Giamatti no papel de João Sem Terra. Ele está alucinado em cena (no aspecto positivo do termo). No saldo geral vale a pena assistir, apesar de que saí com a sensação de que poderia ser muito, muito melhor.

Ironclad - Sangue e Honra (Ironclad, EUA, 2011) Direção: Jonathan English / Roteiro: Jonathan English / Elenco: Paul Giamatti, Jason Flemyng, Brian Cox / Sinopse: Um grupo de rebeldes são sitiados durante o reinado de João Sem Terra na Idade Média.

Júlio Abreu.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Amor e Outras Drogas

Jamie (Jake Gyllenhaal) é um astuto representante de vendas de uma grande indústria de medicamentos. Em seu cotidiano ele se vê impelido a vender seu produto a todo custo, usando de todos os meios para que os médicos e os hospitais a que visita adotem as drogas que ele vende como padrão. Como recebe por comissão sua vida financeira depende diretamente disso. Numa dessas vendas acaba conhecendo Maggie (Anne Hathaway), uma charmosa jovem que no momento não está interessada em se relacionar com ninguém. Atitude que Jamie tentará mudar. "Amor e Outras Drogas" é uma comédia romântica que passeia por diversos estilos cinematográficos. Começa com um roteiro bem humorado, com doses generosas de cinismo e situações de duplo sentido. Depois vira um soft porn com muitas cenas de nudez, explorando de todas as formas o sex appeal do casal central. Por fim e pela terceira vez o filme tenta mudar novamente virando dessa vez um drama pesado onde os personagem vão ter que lidar com uma terrível situação. Em nenhum desses gêneros o filme chega a acertar direito, o roteiro está sempre fora de foco, procurando se encontrar mas nunca chega a um bom termo.

A produção joga o tempo todo com a indústria farmacêutica. O personagem principal Jamie é no começo do longa um vendedor que só pensa no lado financeiro do mundo das drogas prescritas. Nunca se importa com o outro lado, a dos doentes e das pessoas que necessitam desses remédios para sobreviver. Para ele as drogas são apenas um meio para ganhar muito dinheiro e só. Apenas quando se vê atirado no outro lado é que ele cria real consciência do que efetivamente está lidando. O roteiro parece querer reforçar a crítica contra a indústria e o lado desumano da comercialização de medicamentos mas não desenvolve o tema a contento, se concentrando muito mais no lado romântico do casal. Faltou um pouco mais de trato nesse aspecto. Além disso some-se a isso o fato do filme ser longo além do necessário (para falar a verdade longo demais para uma estória que no fundo é simples). No final provavelmente vai desagradar a quem procura apenas uma comédia romântica leve e também aos que procuravam por algo com mais conteúdo. Esse problema é típico de filmes que atiram para todos os lados como esse "Amor e Outras Drogas".

Amor e Outras Drogas (Love and Other Drugs, EUA, 2010) Direção: Edward Zwick / Roteiro: Edward Zwick, Charles Randolph, Marshall Herskovitz, Jamie Reidy / Elenco: Jake Gyllenhaal, Anne Hathaway, Oliver Platt, Hank Azaria, Josh Gad, Gabriel Macht / Sinopse: Jamie (Jake Gyllenhaal) é um astuto representante de vendas de uma grande indústria de medicamentos. Em seu cotidiano ele se vê impelido a vender seu produto a todo custo, usando de todos os meios para que os médicos e os hospitais a que visita adotem as drogas que ele vende como padrão. Como recebe por comissão sua vida financeira depende diretamente disso. Numa dessas vendas acaba conhecendo Maggie (Anne Hathaway), uma charmosa jovem que no momento não está interessada em se relacionar com ninguém. Atitude que Jamie tentará mudar.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Mistério na Rua 7

Numa Detroit abandonada, onde a população praticamente está desaparecida, um jovem luta para sobreviver com o pouco de luz que lhe resta pois a escuridão significa morte certa. Não adianta pegar apenas uma premissa simples para fazer um filme inteiro em cima dela sem nem ao menos desenvolvê-la. É isso que acontece nesse "Mistério na Rua 7". A tal premissa é a seguinte: todas as pessoas simplesmente começam a sumir após um pane que deixa toda uma cidade na escuridão completa. Essas pessoas que somem nas sombras deixam para trás apenas suas roupas pelo chão e simplesmente desaparecem sem deixar rastros. Só sobram cinco delas para tentar entender o que está acontecendo: um jornalista (o sempre inexpressivo Hayden Christensen), um projetista de cinema (John Leguizamo, péssimo), uma enfermeira, um garoto afro americano e uma garotinha misteriosa.

E é isso. Não existe mais nada no argumento do filme. Nada é explicado, nada é esclarecido, as tais sombras na escuridão fazem sons estranhos mas nunca aparecem, o Christensen corre pra lá e pra cá com lanternas penduradas no pescoço (sim, as sombras não conseguem devorar a luz e pelo que entendi atores canastrões também, o que talvez explique a sobrevivência desse sujeito). Com 40 minutos de filme a paciência acaba e você fica torcendo para que esses chatos morram logo de uma vez para você não ficar mais nessa encheção de salsicha. Enfim, filme fraco, suspense capenga e atuações medíocres. O filme só vale mesmo pela ironia: nele acompanhamos a carreira do Hayden Christensen sendo engolida literalmente pelo buraco negro! Tomara que agora ele suma de uma vez por todas! Amém!

Mistério na Rua 7 (Vanishing on 7th Street, EUA, 2010) Direção: Brad Anderson / Roteiro: Anthony Jaswinski / Elenco: Hayden Christensen, Thandie Newton, John Leguizamo / Sinopse: Numa Detroit abandonada, onde a população praticamente está desaparecida, um jovem luta para sobreviver com o pouco de luz que lhe resta pois a escuridão significa morte certa.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Napoleão - A Última Batalha do Imperador

Após ser derrotado no campo de batalha Napoleão Bonaparte (Philippe Torreton) é enviado ao seu exílio em uma ilha remota. Nesse local, mesmo aprisionado pelos britânicos, ele continua cultivando sua pompa real e seu séqüito de seguidores. Gostei bastante desse filme. A produção mostra os últimos momentos de vida do destronado imperador Napoleão Bonaparte. Exilado na ilha prisão de Santa Helena, Napoleão viveu seus últimos momentos cerceado de guardas ingleses, um governador britânico da ilha preocupado mais com sua morte do que com sua vida e um grupo de franceses que restou de sua antiga corte (no fundo um bando de abutres apenas interessados em sua herança). O filme é muito bem conduzido e conta com um elenco que mantém o interesse, apesar do ator que interpreta o imperador não ter muita semelhança física com ele.

A ruína de um homem que conquistou quase toda a Europa já é por si só um tema interessante. As questões humanas envolvidas já daria um bom filme mas o que mais me chamou a atenção aqui foi a sutil versão "alternativa" do que realmente teria acontecido com seu corpo após sua morte. Não vou estragar mas confesso que não conhecia essa tese histórica que é mostrada no filme. Claro que todo grande nome da história sempre gera inúmeras teorias da conspiração sobre seu destino após sua morte oficial (Isso também aconteceu com Hitler). Com Napoleão não seria diferente. Pode até ser que nada do que é mostrado no filme aconteceu, mas que é simplesmente muito curioso isso é sem dúvidas. Recomendo o filme para quem gosta de história e dos grandes nomes que passaram por ela.

Napoleão - A Ùltima Bataha do Imperador (Monsieur N, França, 2003) Direção: Antoine de Caunes / Roteiro: Pierre Kube / Elenco: Philippe Torreton, Richard E. Grant, Jay Rodan, Elsa Zylberstein, Stéphane Freiss / Sinopse: Após ser derrotado no campo de batalha Napoleão Bonaparte (Philippe Torreton) é enviado ao seu exílio em uma ilha remota. Nesse local, mesmo aprisionado pelos britânicos, ele continua cultivando sua pompa real e seu séqüito de seguidores.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Blade Runner - O Caçador de Andróides

Não poderia deixar passa em branco o aniversário de lançamento de Blade Runner. O filme estreou há exatos 30 anos. É assustador como o tempo passa rápido! E é justamente sobre o tempo que Blade Runner lida em seu roteiro. Na trama um grupo de Replicantes (seres artificiais que são criados para os trabalhos pesados que os humanos não querem mais fazer) se revoltam e tentam fugir. Seu tempo de vida (ou existência) é muito curto, eles possuem uma consciência e se ressentem pelo fato de que em breve simplesmente deixarão de existir. Harrison Ford (no auge de sua popularidade) interpreta um Blade Runner, uma espécie de caçador futurista desses seres que ousam se rebelar contra seus mestres (e criadores) humanos. O filme foi um fracasso de bilheteria em sua estréia e aos poucos foi ganhando o status que hoje possui. Na época não tive a oportunidade de assistir Blade Runner nos cinemas (era jovem demais para isso) mas ainda alcancei sua repercussão quando foi lançado com grande pompa no mercado de vídeo (ainda no sistema do antigo VHS). É engraçado porque aluguei o filme mesmo sendo aconselhado a não fazer por amigos que tinham achado o filme "chato" demais. Uma opinião bem normal para um grupo de garotos da década de 80. Mesmo assim assisti e tive uma boa impressão. Claro que por ser muito jovem não consegui na época compreender e captar todas as nuances do roteiro, seu aspecto existencial e sua carga filosófica mas não esqueci do impacto das belas imagens e da estória pouco convencional. Seu clímax também me impressionou bastante. Era algo realmente novo, diferente e aquilo tudo me marcou, ficando em meu inconsciente por anos e anos.

Só muito tempo depois quando revi a produção numa idade mais adulta pude entender o excelente subtexto do filme, sua mensagem intrínseca sobre a efemeridade da vida, do dilema de sabermos sobre a finitude de nossa existência e a passageira experiência que no fundo se resume a nossa vida material. Quando se é muito jovem a questão da brevidade de nossas vidas é algo completamente sem importância. Os jovens realmente possuem essa idéia vaga de que são eternos e indestrutíveis. Isso só vai ganhando maior foco depois com o passar dos anos, quando a morte e sua possibilidade vai ficando cada vez mais presente. O que antes era algo muito remoto começa a rondar, inclusive no cessar de vidas de nossos parentes mais próximos e queridos. E isso é algo que os Replicantes do filme entendem bem pois sua existência é muito curta e eles convivem com isso desde muito cedo. Retratados como vilões os Replicantes de Blade Runner lutam apenas por uma existência digna no pouco tempo que lhes restam. De certo modo eles são mais virtuosos e profundos que os humanos que os perseguem. A proximidade com a finitude de suas existências leva ao enriquecimento interior. E no meio de todas essas questões metafísicas e existenciais está o tempo, implacável. Philip K. Dick, morto antes da finalização do filme, sabia muito bem disso e tentou passar através de seus escritos essa mensagem. Essa é em essência a grande mensagem do filme. A vida é um presente, um singular momento dentro da existência do universo, mas ao mesmo tempo é muito efêmera, passageira, fugaz. Embora cruel o fato é que todos devem aproveitar cada minuto de suas vidas pois ele pode ser o último. Assista Blade Runner e reflita sobre isso.

Blade Runner (Blade Runner, EUA, 1982) Direção: Ridley Scott / Roteiro: Hampton Fancher, David Webb Peoples baseado na novela "Do Androids Dream of Electric Sheep?" de Philip K. Dick / Elenco: Harrison Ford, Rutger Hauer, Daryl Hannah, Sean Young / Sinopse: Rick Deckard (Harrison Ford) é um caçador de andróides que sai no encalco de Roy (Rutger Hauer), um Replicante fugitivo.

Pablo Aluísio.

Confiar

A pedofilia e o aliciamento de menores, inclusive sua exploração sexual está na ordem do dia atualmente. Os jornais diários sempre trazem notícias relacionadas ao tema. É complicado até mesmo entender como no atual estágio de nossa sociedade ainda se encontra espaço para esse tipo de crime tão terrível que atinge todas as camadas sociais. Diante dessa situação o cinema não tardaria a tratar do tema. "Confiar" é um desses filmes que tratam da delicada questão. Adianto que gostei bastante do resultado final. O filme mantém uma postura inteligente, não caindo nem no dramalhão e nem na violência gratuita como solução para toda aquela situação (algo que poderia transformar o argumento em um tipo de "Desejo de Matar contra pedófilos"). Um dos maiores destaques dessa produção ao meu ver foi a forma extremamente realista em que a personagem vítima do pedófilo foi retratada. Definitivamente um dos melhores retratos de adolescentes que já vi no cinema ultimamente pois ela não é mostrada nem como uma garota completamente ingênua e nem como uma pessoa que possa lidar com uma situação barra pesada daquela de forma adulta. Aliás é bom destacar o trabalho da atriz que interpreta Annie, chamada Liana Liberato, pois apesar da pouca idade já demonstra ser muito talentosa e segura de si em cena.

Já Clive Owen finalmente dá uma pausa nos abacaxis que andou fazendo e entrega aqui uma interpretação bem digna, nada canastrona e no tom certo. Parabenizo também o diretor David Schwimmer (ex-astro de Friends) pelas opções que tomou ao rodar o filme. Nenhum personagem em cena é estereotipado ou raso, pelo contrário, todos são mostrados como pessoas inseridas dentro de sua comunidade, pessoas produtivas que desempenham suas funções, mesmo que sejam no fundo e em segredo predadores ou maníacos sexuais (nesse ponto a cena final fecha com chave de ouro o filme). Enfim, recomendo bastante, pois “Confiar” trata um tema sério e delicado de forma adulta e livre de soluções fáceis. É uma produção para assistir e se debater depois.

Confiar (Trust, EUA, 2010) Direção: David Schwimmer / Roteiro: Andy Bellin, Robert Festinger / Elenco: Elenco: Clive Owen, Catherine Keener, Viola Davis, Liana Liberato, Noah Emmerich, Jason Clarke / Sinopse: Will (Clive Owen) e sue esposa Lynn (Catherine Keener) presenteiam sua filha Annie (Liana Liberato) com um novo computador. Navegando pela internet Annie conhece um homem que se diz ser um jovem de apenas 16 anos, tal como ela. Ele se identifica como Charlie e marca um encontro com a garota. O que ela não sabe é que na realidade se trata de uma outra pessoa, com intenções criminosas a seu respeito.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 24 de junho de 2012

(500) Dias Com Ela

Eu nunca descarto o gênero "comédia romântica" antecipadamente como alguns homens. Como se sabe muitos espectadores masculinos simplesmente odeiam comédias românticas pois as consideram chatas, maçantes, açucaradas, etc. É um estilo de filme que de certa forma foge do universo masculino. O fato é que geralmente quando vão ao cinema assistir a esse tipo de filme o estão lá porque são literalmente levados por suas namoradas, esposas, etc. É uma bobagem descartar um filme apenas por seu gênero. Um exemplo é esse "(500) Dias Com Ela". Sim, é uma comédia romântica mas com bom conteúdo, com bom desenvolvimento do relacionamento mostrado e além disso com um roteiro inteligente que pode dar origem a bons debates com sua companheira. Para começar os papéis estão invertidos aqui. A mulher surge na relação como alguém que quer apenas ter alguns momentos de prazer com seu namorado de ocasião ("ficante" seria um termo mais apropriado). Já o homem é que está apaixonado por ela, querendo algo sério. Isso já é um diferencial e tanto em relação a outras comédias românticas não é mesmo?

A estrutura do roteiro também é bem curiosa, com idas e vindas na linha do tempo. O bom é que esse vai e vem na linha narrativa não chega em momento algum a aborrecer o espectador. Curiosamente o filme traz à tona outra questão que poucos param para pensar sobre ela. O fato é que não importa em que época vivemos ou como os costumes mudaram, a psique do homem resiste a maiores mudanças e ainda idealiza aquela mulher romantizada do passado, que só quer casar e ter filhos em um relacionamento sério. O homem ainda pensa como há dois séculos e esquece que a mulher moderna também quer ter direito a passar por romances casuais sem nada sério pela frente. A figura da "Amélia" resiste e muitos homens ficam desconcertados na presença de mulheres livres, donas de si, de seu destino, sem necessidade alguma de dar satisfações a um homem em suas vidas. Mulheres modernas, admiráveis afinal de contas. É isso, assista "(500) Dias Com Ela" e aproveite para pensar sobre esses temas. Vai ser uma reflexão reconfortante, com certeza.

(500) Dias Com Ela (500 Days Of Summer, EUA, 2009) Direção: Marc Webb / Roteiro: Scott Neustadter, Michael H. Weber / Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel, Geoffrey Arend, Chloë Grace Moretz, Matthew Gray, Gubler, Clark Gregg, Patricia Belcher, Rachel Boston / Sinopse: Através de uma série de flashbacks conhecemos a estória de Tom (Joseph Gordon-Levitt) e Summer (Zoey Deschanel). Ele é completamente apaixonado por ela e tem um sonho de um dia encatar um romance sério com a garota. Já Summer pensa diferente, quer aproveitar os momentos prazeirosos de sua vida sem o peso de um compromisso sério.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 23 de junho de 2012

Larry Crowne - O Amor Está de Volta

Larry Crowne (Tom Hanks) é demitido de seu trabalho de longos anos por não ter curso superior. Sem renda, trabalho e com problemas familiares Larry resolve dar uma guinada em sua vida. Vai para a universidade e lá conhece uma professora (Julia Roberts) com a qual cria um vínculo muito especial. Apesar das boas intenções e da mensagem positiva temos que admitir que "Larry Crowne - O Amor está de Volta" é um filme completamente inofensivo. Ele lida com temas importantes mas tem medo de levar a discussão de forma mais adulta. No meio da crise da economia americana o filme insiste em ter uma abordagem muito boba - para não dizer infanto-juvenil. O roteiro é fofinho, o casalzinho é guti guti e a direção é bobinha, bobinha. Eu já sabia que o Tom Hanks (muito envelhecido e gordo, por sinal) sempre prezou pela sua persona boa praça no cinema mas também não precisava exagerar na sacarina. Senão vejamos: o sujeito se divorciou, se deu mal no divórcio ficando endividado, foi despedido, perdeu a casa para o banco, teve que vender o carro e praticamente tudo de valor da sua vida... e ainda consegue passear pelo filme inteiro despejando simpatia, gentilezas e sorrisos? Well, de que planeta esse Larry Crowne é afinal?

A Julia Roberts quase repete o personagem de Cameron Diaz em "Professora sem Classe". Ela parece odiar a profissão (ultimamente todo professor retratado no cinema parece odiar ser professor) e ainda por cima tem um marido voyeur, viciado em pornografia que não consegue sair da frente do computador (interpretado pelo bom ator Bryan Cranston de Breaking Bad). Aliás o elenco de apoio é bom (vide a boa participação de George Takei) mas não tem muito o que fazer diante de um material tão fraquinho como esse. Basicamente é isso, o filme não passa de um passatempo inofensivo, para não dizer simplório ao extremo. Se você não gosta de comédias românticas saiba que essa é uma das mais bobinhas que já foram lançadas.

Larry Crowne - O Amor Está de Volta (Larry Crowne, EUA, 2011) Direção: Tom Hanks / Roteiro: Tom Hanks, Nia Vardalos / Elenco: Tom Hanks, Julia Roberts, Nia Vardalos, Bryan Cranston, Wilmer Valderrama, Taraji P. Henson, Rami Malek, Pam Grier / Sinopse: Larry Crowne (Tom Hanks) é demitido de seu trabalho de longos anos por não ter curso superior. Sem renda, trabalho e com problemas familiares Larry resolve dar uma guinada em sua vida. Vai para a universidade e lá conhece uma professora (Julia Roberts) com a qual cria um vínculo muito especial.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Moonwalker

"Moonwalker" não é bem um filme. Na realidade é uma coleção de clips que tem como objetivo promover o astro Michael Jackson. É algo parecido com o que acontece com quase todos os filmes de popstars da música. Geralmente são feitos como meros veículos de divulgação para as músicas dos discos. E poucos artistas entenderam tão bem o poder disso do que Michael Jackson. Na verdade podemos dizer até que seu grande sucesso se deu muito por causa dos videoclips que produziu. "Thriller" o maior êxito de toda a carreira de Michael é um exemplo perfeito disso. Dirigido pelo cineasta John Landis, o clip acabou abrindo uma nova era na história da música pop mundial. A patir dele nenhum artista lançaria mais suas músicas sem que fossem acompanhadas de bem produzidos videoclips. O nicho de mercado acabou até mesmo incentivando o surgimento da MTV, um canal feito único e exclusivamente para passar videoclips 24 horas por dia. Pode-se dizer que Jackson foi o primeiro superstar da era MTV que passando seus clips durante todo o dia promoviam indiretamente sua música.

Não contente em dominar a TV, Michael nos anos 80 resolveu participar do mais longo videoclip da história - isso mesmo, o filme "Moonwalker". Era a tentativa do cantor em levar seus clips da TV para a tela grande do cinema. Como eu disse no começo do texto não é bem um filme mas sim um mosaico de momentos do cantor na era do videoclip. Assim todos os seus momentos famosos (Thriller, Billie Jean, Beat It) passeiam pela tela. A única novidade é um curto segmento em que Michael, vestido de gangster da década de 30, enfrenta bandidos caricaturais para salvar um grupo de crianças. Nessa sequência ele canta a famosa canção "Smooth Criminal" de seu álbum "Bad". Fora isso ele se transforma em um robô gigante ao estilo Transformers. Enfim, esqueça de tentar dar um sentido para a coisa toda. "Moonwalker" é um produto feito para fãs do cantor e nada mais. Um meio promocional do mundo do cinema em serviço ao mundo da música.

Moonwalker (Moonwalker, EUA, 1988) Direção: Jerry Kramer, Colin Chilvers / Roteiro: David Newman baseado na estória concebida por Michael Jackson (Smooth Criminal) / Elenco: Michael Jackson, Joe Pesci, Sean Lennon / Sinopse: Clips de Michael Jackson intercalados por um número musical inédito (Smooth Criminal) onde Michael Jackson enfrenta criminosos aliciadores de crianças.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Padre

Ok, terminei de assistir esse "Padre". Eu coloco esse filme na mesma escala ao qual estão listados "Jonah Hex" e "Salomon Kane". Isso porque todos esses filmes tem em comum o fato de serem baseados em personagens não muito conhecidos do grande público. Ao contrário de um Batman ou Spiderman, eles só são lidos mesmo por aqueles que são mais versados no universo dos quadrinhos. Em linguagem popular vamos dizer que são do segundo escalão desse mundo dos gibis. Outra coisa em que são muito parecidos é o fato de todos eles se basearem muito nos efeitos especiais, em roteiros simples e em um elenco não muito conhecido (onde geralmente atores e atrizes mais famosos fazem apenas pontas ou personagens coadjuvantes).

Em "Padre" quem dá o ar da graça é o grande ator Christopher Plummer (embora tenha ainda uma presença digna, seu papel nada oferece para que possamos aproveitar algo em cena); já Paul Bettany repete seu papel de "Legião", ou seja, um sujeito raso, unidimensional, sem nada a acrescentar, apenas bancando o durão que chuta os traseiros dos vilões (Em "Legião" eram anjos, aqui são vampiros lesmas nada carismáticos ou sofisticados). Não conheço a Graphic Novel e nem nunca li mas esse Padre aqui desse filme não tem carisma nenhum, o que torna tudo mais complicado para o espectador. Ao contrário de um "Hellboy" que era cheio de alma, bom humor e carisma, Padre não tem nada disso. É frio, distante, não tem nenhum tipo de empatia e provavelmente os vampiros que o combatem tenham mais alma que ele, pois assim como o personagem o filme também não parece ter qualquer tipo de profundidade em sua realização. Apenas um vácuo no final das contas.

Padre (Priest, EUA, 2010) Direção: Scott Charles Stewart / Roteiro: Cory Goodman / Elenco: Cam Gigandet, Christopher Plummer, Paul Bettany, Karl Urban / Sinopse: Vampiros e humanos lutam pelos séculos afora. Após ter sua sobrinha sequestrada por vampiros um Padre resolveu sair em sua busca enfrentando grandes combates pelo caminho.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Snow Patrol - A Hundred Million Suns

Algumas coisas me irritam profundamente. O Snow Patrol estava prestes a se tornar a minha banda preferida até alguns meses atrás. Seus dois trabalhos anteriores, Final Straw e Eyes Open, eram brilhantes. Ótima instrumentalização, arranjos de extremo bom gosto, melodias para grudar na cabeça. Todo o ABC que uma banda iniciante deve trilhar seguido à risca. Embora não fossem seus primeiros trabalhos - os dois primeiros CDs são extremamente experimentais - o Snow Patrol tinha tudo para se firmar com brilhantismo no cenário do rock britânico. Por essa razão esperei até com certa ansiedade por A Hundred Million Suns. Se estivesse em um jogo de azar diria até que estava com coragem de jogar altas somas no sucesso da nova obra do grupo. Bem, ainda bem que não estamos em Las Vegas, pois perderia uma pequena fortuna se tivesse realmente apostado neles. A Hundred Million Suns é decepcionante. A razão que levou um dos mais promissores grupos a não vingar em seu novo CD tem nome: Coldplay.

Os escoceses do Snow Patrol parecem que esqueceram tudo de interessante que tinham apresentado em seus CDs anteriores para se transformarem numa cópia bastarda da banda mais bunda mole do planeta, o Coldplay. Imitar o Coldplay é realmente o fim da picada. Convenhamos: O Coldplay faz muito mal para o Rock atual. Eles são extremamente chatinhos, deprimidinhos, tristinhos. Nada mais longe do verdadeiro espírito roqueiro que um dia existiu. Infelizmente seu enorme sucesso tem contaminado outros grupos, como o Snow Patrol, que aqui afunda artisticamente em busca do sucesso fácil. Na primeira audição já se mata a charada de A Hundred Million Suns. Pianinho ao estilo bunda mole de ser do Chris Martin, levada fácil para ser digerida pelas fanzocas do Coldplay, refrãos pegajosos para tocar na BBC, entre outras bobagens. Que decepção. Só resta torcer para que um dia o Snow Patrol reencontre o caminho da boa música, coisa complicada de acontecer já que seu A Hundred Million Suns já se converte em sucesso imediato, tocando inclusive na MTV. Por enquanto o Snow Patrol apenas segue seu caminho pelo ralo onde grandes músicos são engolidos pelo sucesso fácil. Maldito Coldplay.

Snow Patrol - A Hundred Million Suns (2008)
1. If There’s a Rocket Tié Me to It
2. Crack The Shutters
3. Take Back The City
4. Lifeboats
5. The Golden Floor
6. Please Just Take These Photos From My Hands
7. Set Down Your Glass
8. The Planets Bend Between Us
9. Engines
10. Disaster Button
11. The Lightning Strike

Pablo Aluísio.

Água Para Elefantes

A crítica especializada torceu o nariz para "Água Para Elefantes", por isso esperava algo bem ruim. Sinceramente fiquei surpreso. Eu pensava seriamente que o filme fosse medíocre. Ledo engano. O filme me agradou bastante, em praticamente tudo. Quem acompanha as minhas resenhas aqui sabe que adoro filmes antigos, clássicos. "Água Para Elefantes" tem isso, um charme e um clima nostálgico que me fisgaram de imediato. Muito bom saber que um blockbuster feito por Hollywood nos dias de hoje consegue manter esse tipo de estilo, da Old School. O roteiro é redondinho e toca em assuntos que pessoalmente gosto bastante, como a questão da denúncia de maltrato de animais em circos e o contexto da grande depressão americana no século passado. Achei tudo tão bem contextualizado. Claro que o filme tem alguns clichês mas é de se perguntar: algum filme de Hollywood hoje em dia não abusa deles? Esse pelo menos tem bom gosto no final das contas.

Do elenco só achei um pouco superficial o Robert Pattinson. Ele realmente tem muito a aprender. Não sabe atuar adequadamente, geralmente suas expressões são fora do lugar (em quase todas as situações ele dá risinhos nervosos, mesmo que a cena não peça algo assim). A Reese não aborrece e o destaque vai mesmo novamente para o Christoph Waltz, aqui interpretando mais um sujeito sádico, cruel e irascível. Na cena em que ele maltrata a elefante eu fiquei particularmente incomodado embora é claro tudo não passe de mera ficção (sinal que seu trabalho foi muito bom aqui). Enfim, um filme acima da média, que prendeu a minha atenção e me surpreendeu positivamente. No meio de tanto filme ruim que anda sendo lançado "Água Para Elefantes" é uma grata surpresa. Recomendo.

Água Para Elefantes (Water for Elephants, EUA, 2011) Direção: Francis Lawrence / Roteiro: Richard LaGravenese / Elenco: Robert Pattinson, Reese Witherspoon, Christoph Waltz, Mark Povinelli, Stephen Taylor, E.E. Bell / Sinopse: Jacob Jankowski (Robert Pattinson) é um jovem vai trabalhar em um circo. Lá acaba se apaixonando por Marlena (Reese Whiterspoon). O problema é que ela é casada com August (Christoph Waltz), o violento e irascível dono da companhia circense.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Quem é Essa Garota?

Na década de 80 surgiu uma cantora sui generis no mercado fonográfico. Madonna. Assim mesmo, um nome apenas. Logo ela estourou nas paradas com seus discos pop de canções agitadas, polêmicas e com refrões pegajosos. Era a típica artista que dominava as paradas, aparecia nos jornais por causa de seus escândalos pessoais e era idolatrada pelas adolescentes de então. Puro marketing? Pode ser mas o fato é que a cantora sobreviveu e ainda hoje está por aí, na mídia, vendendo CDs e até mesmo dirigindo filmes (seu recente W.E. já foi enfocado aqui em nosso blog). Esse "Quem é Essa Garota?" captou Madonna no auge de sua popularidade. O filme de certa forma é um grande evento promocional visando calibrar ainda mais o potencial da jovem cantora. Assim como aconteceu com "Procura-se Susan Desesperadamente", Madonna surgia nas telas para tentar abrir mais um leque para sua popularidade. Já havia acontecido antes com mega astros do passado como Elvis Presley e Beatles, por que não aconteceria de novo com Madonna?

O que é curioso é que ela de certa forma seguiu uma velha tradição que também acometeu os antigos ídolos da música: não deu muito certo no cinema. É complicado entender mas a história parece se repetir. Grandes nomes do mundo da música quase nunca conseguem dar certo no mundo do cinema. Aconteceu com vários nomes no passado e aconteceu de novo com Madonna. Apesar da boa trilha sonora (que conta com hjts como a música título e "Causing A Commotion"), apesar de seu visual que lembrava a querida Marilyn Monroe, apesar do enorme aparato comercial que rondou o filme em seu lançamento, apesar de tudo isso "Who´s That Girl" simplesmente não funcionou. Eu não credito toda a culpa em cima de Madonna. Ela era jovem, inexperiente e certamente não era atriz. O problema realmente é do roteiro, sem graça, sem direção, sem foco. A única coisa que faz esse filme ainda ser lembrado é justamente a presença da popstar e de sua trilha que hoje em dia soa nostálgica e dançante. Fora isso realmente nada sobrou de relevante. No final das contas vale a pena para quem é fã de Madonna e nada mais.

Quem é Essa Garota? (Who´s That Girl. EUA, 1987) Direção: James Foley / Roteiro: Ken Finkleman, Andrew Smith / Elenco: Madonna, Griffin Dunne, John Mills, Haviland Morris / Sinopse: Nikki Finn (Madonna) é uma presidiária que após quatro anos de prisão tenta provar sua inocência ao lado de um advogado chamado Loudon Trott (Griffin Dunne), um quadradão que só pensa em se casar com sua noiva e filha do patrão milionário Simon Worthington (John McMartin). Juntos se envolverão em várias confusões.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Um Amor de Tesouro

"Um Amor de Tesouro" é mais uma daquelas comédias românticas que Hollywood vem produzindo todos os anos com bom retorno de bilheteria. Aqui o elenco é liderado por dois intérpretes muito simpáticos: Matthew McConaughey (que sempre atua sem camisas, não importando o filme) e Kate Hudson (uma gracinha mesmo, filha de Goldie Hawn). A trama é bem singela: Ben "Finn" Finnegan (Matthew McConaughey) é um sujeito que ama a natureza e os esportes radicais no mar. Seu grande objetivo de vida é encontrar um antigo tesouro afundado em 1715. Sua obsessão em achar o ouro submerso é tão absorvente que ele acaba negligenciando até sua esposa, Tess Finnegan (Kate Hudson). Quando tudo parece levar ao nada Finn acaba em um lance de sorte encontrando pistas seguras da localização do tesouro. Com a ajuda de Tess eles partem para uma série de aventuras em alto mar atrás do cobiçado prêmio, agora invejado também por outros aventureiros como eles.

Como se pode perceber pela sinopse a trama não é nenhuma novidade. O que segura o pique do filme é realmente a química do casal central. McConaughey se especializou em um tipo de papel que lhe cai muito bem: a do sujeito boa praça, surfista, amante de tudo que é natural, enfim o velho estigma do "garoto dourado de sol" da Califórnia. Já Kate Hudson é de uma simpatia ímpar. A atriz que começou muito bem sua carreira em certo momento tentou estrelar produções, digamos, mais "sérias" mas percebeu que seu público gosta mesmo de vê-la em filmes como esse, leves, divertidos, com muito romance e aventura. Se você se enquadra nesse tipo de espectador então certamente não vai desgostar de "Um Amor de Tesouro". Assista e se divirta. Aliviar o stress sempre é uma boa pedida.

Um Amor de Tesouro (Fool´s Gold, EUA, 2008) Direção:
Andy Tennant / Roteiro: Andy Tennant, John Claflin, Daniel Zelman / Elenco: Kate Hudson, Matthew McConaughey, Donald Sutherland, Ewen Bremner / Sinopse: Casal se envolve em mil e uma aventuras para achar um grande tesouro perdido há séculos em alto mar.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Como Você Sabe

"Como você sabe" não é nenhuma obra prima do cinema mas também não é tão ruim como algumas críticas afirmaram O filme, como todo produto cultural, tem seus altos e baixos. Entre os méritos podemos destacar a elegante direção do veterano James L Brooks. O roteiro, longe de inovar, pelo menos consegue manter uma boa postura pois não há vulgaridade ou excessos. Tudo é feito com um certo toque de sofisticação. A trilha sonora também é de bom gosto e tudo é filmado com capricho. Embora seja uma comédia romântica não há maiores pieguices envolvidas o que é um alívio no final das contas. Claro que pelo simples fato de termos Jack Nicholson no elenco já há uma expectativa da produção ser ao menos boa. Jack é um ator que eleva o cacife de qualquer filme que venha a participar. Embora seus dias de auge estejam definitivamente no passado o mito em torno de seu nome continua presente no inconsciente coletivo de todos que adoram cinema. Sua presença em cena de certa forma já justifica o preço do ingresso que se paga.

Agora vamos aos pontos fracos: A dupla central não funciona. Reese e Rudd não passam química nenhuma, tudo soa falso, artificial. A verdade é que ambos estão mal em cena. Rudd não consegue ser engraçado e a Reese não consegue encontrar o tom certo, ora interpretando com excessos dramáticos, ora tentando ao menos soar simpática. Assim quem salva o quesito interpretação são os coadjuvantes. Jack Nicholson não tem muito material a desenvolver mas foi o único que me fez prestar atenção - e rir em suas cenas. Realmente é um ator à prova de falhas, mesmo quando seu personagem não ajuda. Já o Owen Wilson também está particularmente divertido, numa variação daquele tipo de personagem que ele sempre interpreta. De qualquer forma se você não for muito exigente pode até mesmo gostar do filme como um passatempo soft, claro se não estiver esperando por muita coisa.

Como Você Sabe (How Do You Know, EUA, 2010) Direção: James L. Brooks / Roteiro: James L. Brooks / Elenco: Reese Witherspoon, Paul Rudd, Jack Nicholson, Owen Wilson / Sinopse: Após perder a chance de se tornar uma grande atleta, Lisa (Reese Witherspoon) tenta reconstruir sua vida profissional e amorosa. O problema é que logo se vê envolvida em um complicado triângulo amoroso.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

London Boulevard

"London Boulevard" é baseado naquela velha premissa que já vimos em muitos filmes antes: a do sujeito que sai da cadeia com a firme convicção de sair do mundo do crime mas que sempre é puxado de volta ao seu passado. O roteiro nesse quesito não inova muito e para completar ainda mais as situações clichês ainda temos que engolir aquele velho romance que os roteiristas usam para agradar ao público feminino. O problema aqui é que esse romance entre Colin Farrell e Keira Knightley é tão sem sal e química que nunca convence. Além disso lembra demais abacaxis famosos como "O Guarda Costas" (no filme o personagem de Farrell vai trabalhar para a celebridade Keira e ambos acabam tendo um romance bem clichê).

Por falar em Colin Farrell ele continua o mesmo. Ator de talento limitado não consegue segurar as pontas nesse papel, mesmo que não seja muito desafiador. Apesar de todos esses problemas "London Boulevard" não é de todo ruim. Como é uma produção inglesa, rodada em Londres, consegue trazer todo o charme da capital da Inglaterra. Também é muito bem filmado, com uma trilha sonora diferente e bem enquadrada nas cenas. De qualquer forma o filme peca mesmo por seu roteiro derivativo, o que é uma surpresa pois o diretor é estreante e exercia justamente a função de roteirista antes de assumir a direção. Espero que ele melhore daqui pra frente.

London Boulevard (London Boulevard, EUA, Inglaterra, 2010) Direção: William Monahan / Roteiro: William Monahan, baseado na novela de Ken Bruen / Elenco: Colin Farrell, Keira Knightley, Ray Winstone / Sinopse: Charlotte (Keira Knightley) é uma jovem estrela de cinema que contrata os serviços de um guarda costas chamado Mitchel (Coin Farrell). Não tardará para que ambos acabem se apaixonando.

Júlio Abreu.

Batman Eternamente

Revi e fiquei surpreso em ver como o filme ficou datado em tão pouco tempo! Vamos ser sinceros, Joel Schumacher é um palhaço, só isso explica tanta palhaçada e clima de galhofa como vemos aqui. No meio do espetáculo circense que é o filme muita pouca coisa se salva. Tommy Lee Jones está completamente caricato e ridículo. Não existe nenhuma cena em que ele não esteja completamente histérico e enlouquecido. Parece um debiloide que fugiu do circo de horrores. Já Jim Carrey usa e abusa de suas caretas, maneirismos e maluquices, o que de certa forma era o que se esperava dele pois seu estilo de humor pastelão é bem isso aí. Já Jones não tem essa desculpa, no final das contas ele está simplesmente péssimo mesmo.

Val Kilmer não convence, no controle remoto não está muito aí para o filme (não o culpo nesse ponto). Há diálogos constrangedores como aquele em que vestido de Batman avisa ao mordomo Alfred que vai comprar um lanchinho no Drive Thru. Que bobagem! Tudo é ultra colorido, cheio de neon e os assistentes dos vilões mais parecem idiotas saídos de filmes mudos da década de 1910! Uma bizarrice sem tamanho. Por fim, para coroar a estupidez reinante ainda temos que encarar um erro de continuidade absurdo na cena final. Nela Robin e a psiquiatra (interpretada por Nicole Kidman) são colocados em dois tubos diferentes que vão significar suas mortes. Quando o Charada aperta o botão ambos caem nos dois tubos mas por pura mágica Batman entra em apenas um deles mas encontra os dois no mesmo tubo!!! Como é que pode um roteiro mal escrito desses?! Uma fanfarronice esse Batman Eternamente.

Batman Eternamente (Batman Forever, EUA, 1995) Direção: Joel Schumacher / Roteiro: Lee Bstcher baseado na obra de Bob Kane / Elenco: Val Kilmer, Tommy Lee Jones, Jim Carrey / Sinopse: Batman (Val Kilmer) tem que enfrentar dois de seus piores inimigos, o famigerado "Duas Caras" (Tommy Lee Jones) e o enlouquecido "Charada" (Jim Carrey).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Travis - The Man Who

Se você gosta de sentir um pouco de melancolia de vez em quando e acha que isso vai te trazer algum momento de reflexão sobre sua vida e seus sentimentos, então o Travis é o seu grupo. Esses escoceses da poluída Glasgow são os mais fiéis representantes do Britpop nessa área, fazendo um som extremamente honesto e bem produzido. O auge de sucesso do Travis aconteceu justamente com esse "The Man Who", o segundo CD da banda, que estourou nas paradas embalado pelo sucesso de "Why does it always rain on me?", uma letra tão pessimista, mas tão pessimista que chega involuntariamente a ser até engraçada. Além dessa o CD é cheio de momentos extremamente interessantes, entre eles As You Are, belamente produzida; The Last Laught of The Laughter, música com forte influência celta em seu arranjo; a única faixa "alegrinha" de todo o trabalho: Turn, com seu refrão para lá de pegajoso e finalmente Writing to Reach You, que foi estranhamente dedicada ao cineasta Stanley Kubrick!

A produção é de dois feras do movimento Britpop: Nigel Goodrich (que levaria até as últimas consequências suas virtudes e defeitos ao lado do Radiohead) e Mike Hedges (macaco velho no universo da música britânica). Não resta a menor dúvida que realmente fizeram um belo trabalho pois o grupo não era tão experiente assim dentro dos estúdios a ponto de escrever arranjos tão bonitos, muito embora tenham ao seu favor o talento como bons músicos (além do fato de serem excelentes compositores). De qualquer forma não poderia dar errado a parceria entre a banda e essa equipe de produção pois realmente era apenas uma questão de tempo até que saísse um bom resultado dessa feliz união. O Travis depois faria outros belos álbuns, com destaque para The Invisible Band e The Boy With No Name (em uma fase mais madura do grupo onde seu líder tinha acabado de se tornar pai, dando origem ao esquisito nome do CD), mas é com The Man Who que o Travis finalmente escreveu seu nome na história da contemporânea música britânica. Ainda não conhece e nem ouviu o Travis? Não perca seu tempo mais e descubra o som desses beberrões de Glasgow.

Travis - The Man Who (1999)
01. Writing to Reach You
02. The Fear
03. As You Are
04. Driftwood
05. The Last Laugh of the Laughter
06. Turn
07. Why Does It Always Rain on Me?
08. Luv
09. She's So Strange
10. Slide Show

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A Hora do Espanto (2011)

O filme original era divertido, bem humorado, charmoso e conseguia unir tudo isso com boas cenas de terror e suspense. Os três atores principais eram excelentes, a começar pelo vampiro interpretado com muito carisma por Chris Sarandon e Peter Vincent, um achado de personagem, um velho ator decadente que apresentava um programa trash na TV. Infelizmente esse remake não tem nenhuma das qualidades que fizeram o filme de 1985 tão memorável. Para começar é um filme sem humor, que se leva a sério demais, além disso não tem charme, se limitando a ser apenas grotesco. Eu sempre disse que a figura do vampiro tem que ser bem explorada no cinema pois caso contrário corre o sério risco de ficar ridículo e se transformar num mero sujeito de dentadura postiça dando dentadas nos outros. Era justamente isso um dos maiores méritos do filme original pois ele de certa forma ria de si mesmo – se auto parodiava em grande estilo!

Nesse remake estragaram com praticamente tudo. O personagem de Peter Vincent está irreconhecível. Ele se transformou em um mágico de Las Vegas sem um pingo de humor. O sujeito fica lá bebendo, dizendo grosserias... tudo muito chato. Mas o pior realmente aconteceu com o vizinho vampiro. Impossível comparar Chris Sarandon com Colin Farrell pois ele está péssimo em seu personagem. Andando pra lá e pra cá sem camisa mais parece um personagem de comercial de cuecas. Charme? Zero. Carisma? Esqueça. Humor? Inexistente. Sinceramente uma pena que um filme que marcou toda uma geração como A Hora do Espanto tenha sido “vítima” de um remake tão ruim como esse! Um dos piores que já tive o desprazer de conferir. Quer um bom conselho? É melhor rever o antigo em uma sessão nostalgia do que perder tempo com esse remake desastroso!

A Hora do Espanto (Fright Night, EUA, 2011) Direção: Craig Gillespie / Roteiro: Marti Noxon baseado na estória de Tom Holland / Elenco: Anton Yelchin, Colin Farrell, David Tennant / Sinopse: Vampiro (Colin Farrell) se muda para a casa viznha aonde mora um adolescente (Anton Yalchin) que desconfia que seu novo vizinho é na verdade um ser da noite.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Exterminador do Futuro 4: A Salvação

Quarto filme da franquia de grande sucesso. Não havia mais sentido em fazer um quarto filme utilizando do mesmo argumento dos anteriores (Exterminador volta ao passado para matar John Connor evitando que ele lidere a resistência contra a dominação da Skynet). Assim os produtores resolveram finalmente chegar no futuro da série. Aqui a estória se passa em 2018. Já houve o chamado "Dia do Julgamento" e a humanidade se resume a poucos grupos de resistência ao redor do mundo. Todos tentam retomar o controle do planeta. John Connor (Christian Bale) está em luta contra a Skynet, conforme foi profetizado, e tem a complicada tarefa de salvar aquele que seria seu pai, Kyle Reese (Anton Yalchin). No caminho encontra o misterioso Marcus (Sam Worthington) que terá um papel chave no desfecho da trama. Esse filme é curioso pois ao mesmo tempo que tenta seguir o fio da meada dos filmes originais inaugura uma nova linha nas produções. Tirando o argumento que segue em frente pouca coisa liga "A Salvação" com os filmes anteriores. A equipe técnica é completamente outra, temos novo elenco, sem nenhum ator da série original e claro um novo diretor que tentou recomeçar do zero, embora respeitando a mitologia do universo "Terminator".

O interessante é que o filme tenta criar um estilo próprio dentro da franquia mas acaba trazendo muitos ecos de outra franquia de sucesso do passado: Mad Max. Isso mesmo, impossível realizar um filme em um mundo pós apocalipse sem trazer elementos da famosa série estrelada por Mel Gibson. Aqui temos cenas inteiras que nos lembram de imediato do louco Max. As perseguições no deserto, a luta por combustível, etc. Os efeitos digitais são extremamente bem feitos e há obviamente farto uso deles. Um desses momentos inclusive é muito curioso pois recria a imagem do ator Arnold Schwarzenegger tal como visto no primeiro filme, lá no distante ano de 1984. O resultado é realmente perfeito. No mais o roteiro encaixa tudo de forma muito eficiente só que ao invés de encerrar a estória os produtores em um lance de oportunismo colocam Bale explicando que a guerra ainda seguirá em frente (obviamente deixando a porta aberta para futuras continuações). "Exterminador 4" ainda faz uma bela homenagem a Stan Winston no letreiros finais. O criador do design original do Terminator, falecido pouco antes, era um gênio da maquiagem e efeitos especiais e marcou toda uma época. Sem dúvida um belo fechar de cortinas para o filme.

O Exterminador do Futuro 4 - A Salvação (Terminator Salvation, EUA, 2009) Direção: McG / Roteiro: John D. Brancato, Michael Ferris / Elenco: Christian Bale, Sam Worthington, Anton Yelchin, Helena Bonham Carter, Michael Ironside / Sinopse: Aqui a estória se passa em 2018. Já houve o chamado "Dia do Julgamento" e a humanidade se resume a poucos grupos de resistência ao redor do mundo. Todos tentam retormar o controle do planeta. John Connor (Christian Bale) está em luta contra a Skyner, conforme foi profetizado, e tem a complicada tarefa de salvar aquele que seria seu pai, Kyle Reese (Anton Yalchin). No caminho encontra o misterioso Marcus (Sam Worthington) que terá um papel chave no desfecho da trama.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas

Após o enorme sucesso de "Exterminador do Futuro 2" uma continuação era considerada certa. O que não se contava era que a franquia iria novamente encontrar problemas nos anos que viriam que fariam que o Terminator só voltasse às telas somente 12 anos depois do segundo filme! É curioso mas o que parece é que as aventuras dos bastidores dessa franquia pareciam mais agitadas que os próprios filmes. Problemas de direitos autorais, brigas judiciais, acusações e atritos se tornaram constante e a franquia foi ficando cada vez mais distante de ganhar um novo filme. De fato o projeto só ganhou força após o próprio Schwarzenegger entrar na briga e lutar para que uma nova produção fosse realizada. E qual era a razão dele querer tanto voltar ao papel que o consagrou? Simples, Schwarzenegger estava desesperado por um novo sucesso, um novo estouro nas bilheterias que recuperassem seu status de grande astro. Seus últimos filmes derrapavam nas bilheterias mostrando que o ator já não tinha o mesmo poder e cacife para garantir grandes sucessos. Além da carreira ir mal sua própria saúde inspirava cuidados (ele havia se afastado por um período das telas para se submeter a uma delicada cirurgia cardíaca). Os tempos eram outros e o ator sabia que esse era um projeto que serviria como tábua de salvação.

O problema básico de "O Exterminador do Futuro 2" é a ausência muito sentida de James Cameron na direção. Ele já havia dito ao final do filme anterior que aquele universo não lhe atrairia de novo para novos filmes. Com os problemas de bastidores a coisa ficou ainda pior. Assim ele não quis se envolver na direção dessa continuação. O escolhido para substituí-lo foi Jonathan Mostow, um nome menor em Hollywood. Sem a personalidade forte de Cameron no controle dos trabalhos o filme foi moldado e modificado ao bel prazer dos executivos do estúdio e aí a coisa desandou de vez. O filme é muito fraco. Apesar da produção cara "Exterminador do Futuro 3" jamais consegue superar aquela sensação de estarmos vendo uma produção caça níquel, sem nada de novo a dizer. O roteiro é basicamente o mesmo do filme anterior, sem novidades. A Exterminadora feminina T-X (Kristanna Loken) não empolga, nem tem carisma e é derivativa demais. Schwarzenegger também surge no controle remoto cheio de frases feitas que não são nem divertidas e nem novas - tudo soando como um prato requentado indigesto. O filme quase soterra de vez a franquia mas ainda não seria dessa vez que o Terminator seria destruído de vez nas telas de cinema. Novos sopros iriam surgir na série.

O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas (Terminator 3: The Rise Of The Machines) Direção de Jonathan Mostow / Roteiro: Gale Anne Hurd / Elenco: Arnold Schwarzenegger, Claire Danes, Nick Stahl, Kristanna Loken / Sinopse: Já adulto John Connor (Nick Stahl) é novamente perseguido por exterminadores vindos do futuro. Agora ele é alvo de uma exterminadora de modelo T-X que tenta assassiná-lo antes que ele lidere uma força de rebeldes contra a rebelião das máquinas no futuro.

Pablo Aluísio.

O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final

James Cameron levaria longos sete anos para retornar ao universo de "Terminator". Embora o estúdio desejasse que ele fizesse uma continuação logo após o sucesso do primeiro filme, Cameron recusou de forma veemente fazer uma nova produção. E afinal o que aconteceu? Na realidade James Cameron queria voltar e desenvolver outras idéias dentro da estória do cyborg que voltava no tempo mas não queria fazer isso de qualquer maneira. A questão não era financeira mas sim técnica. Na visão de Cameron não havia ainda tecnologia de efeitos especiais existentes na época para ele realizar o filme que tanto queria. De fato nem mesmo o primeiro filme lhe deixou satisfeito. Cameron tinha muitas idéias novas para a franquia mas simplesmente não havia como levá-las para às telas naquela ocasião. A resposta só surgiu anos depois com o avanço do uso de efeitos digitais para o cinema. Cameron tinha aquela idéia básica de trazer novos tipos de exterminadores, inclusive um de um material inexistente no passado que lhe permitia assumir várias formas. Fazer esse tipo de personagem fora do universo digital era impensável.

Além dos efeitos revolucionários outro problema rondava a volta do Exterminador. Nos sete anos que separaram o primeiro do segundo filme o ator Arnold Schwarzenegger havia se tornado um astro de primeira grandeza! Com um sucesso de bilheteria atrás do outro seu cachê subiu a um patamar impensável para o estúdio - que também não aceitava abrir mão de sua presença em um segundo filme. Depois de tantos problemas superados finalmente "Terminator 2" começou a tomar forma. As filmagens foram complicadas e a pós produção foi ainda mais tensa. James Cameron, perfeccionista ao extremo, não aceitava nada menos do que a perfeição técnica para o filme. O resultado se viu depois quando o filme finalmente estreou. Com efeitos computadorizados revolucionários e incríveis "Termnator 2" se tornou um mega sucesso de bilheteria - um filme que rompeu vários recordes de arrecadação! De fato a produção se tornou o auge das carreiras de Schwarzenneger e Cameron. O único que parece não ter aproveitado do sucesso do filme foi o jovem Edward Furlong, que interpretava o jovem John Connor. Transformado em ídolo da noite para o dia não soube lidar com a fama afundando sua carreira em drogas e escândalos pessoais depois. Para Cameron "Terminator 2" era o filme definitivo que queria fazer sobre aquele universo. De fato o filme que marcou o auge da franquia também foi seu último pois ele não mais dirigiria nada mais nessa série. Para ele o filme era o ápice e também o final definitivo desse cativante conto de ficção.

O Exterminador do Futuro 2 - O Julgamento Final (Terminator 2: Judgment Day, EUA, 1991) Direção: James Cameron / Roteiro: James Cameron, William Wisher Jr / Elenco: Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton, Edward Furlong, Robert Patrick / Sinopse: Novos exterminadores são enviados novamente ao passado para tentar liquidar na adolescência o jovem John Connor (Edward Furlong) que no futuro se tornará o líder da resistência humana contra o domínio das máquinas.

Pablo Aluísio.

O Exterminador do Futuro

Os mais jovens certamente não sabem o impacto que "O Exterminador do Futuro" causou em seu lançamento na década de 80. Os filmes de pura ação começavam a dominar as bilheterias e uma nova geração de atores surgia. Entre eles despontava um ex-mister universo de nome impronunciável: Arnold Schwarzenegger! Na época o ator austríaco só havia se destacado mesmo nos dois filmes da série Conan. Seu tipo físico parecia relegá-lo àquele tipo de produção. Com os bons resultados de bilheteria o estúdio resolveu apostar em seu nome. Para isso resolveram dar uma chance a um diretor praticamente novato chamado James Cameron que tinha escrito um roteiro no mínimo intrigante: Um Cyborg assassino (Arnold Schwarzenegger) é enviado ao passado para localizar e exterminar Sarah Connor (Linda Hamilton) evitando assim que seu filho nasça e lidere a resistência humana contra a dominação das máquinas em um futuro próximo. Era uma ficção com premissa bem bolada mas voltada exclusivamente para um roteiro de ação incessante.

Como foi dito na época o papel de robô assassino caia como uma luva para o musculoso Schwarzenegger. Seu script tinha poucas linhas e muitas cenas de pancadaria, o que viria bem a calhar para ele que não era bom ator e tinha um sotaque meio esquisito aos ouvidos americanos. Embora promissora a nova aventura sci-fi contou com um orçamento modesto o que fez Cameron e equipe a encontrar saídas criativas para o pouco dinheiro que dispunham. O diretor James Cameron conseguiu driblar a falta de verba para os efeitos especiais usando de muita ação e pirotecnia barata durante todo o filme. Apenas na cena final se nota finalmente o uso dos efeitos que o estúdio lhe disponibilizou. De certa forma o filme ideal que Cameron desejava realizar só foi feito depois com "O Exterminador do Futuro 2" quando em mãos de um orçamento generoso conseguiu criar o universo futurista que desejava. Quando "Terminator" chegou nas telas de cinema o filme que havia custado meros seis milhões de dólares explodiu nas bilheterias rendendo mais de dez vezes seu custo inicial. Além disso a receita aumentou ainda mais quando lançado em vídeo logo depois. O mundo vivia a onda de popularização de um novo aparelho chamado videocassete e filmes como esse não paravam nas locadoras de tanto que eram alugados. Logo Schwarzenegger se tornaria um nome quente dentro da indústria. Sua fase de maior sucesso viria logo após e Cameron ao longo dos anos se tornaria diretor do filme de maior bilheteria da história do cinema. Mas essa é uma outra história...

O Exterminador do Futuro (Terminator, EUA, 1984) Direção: James Cameron / Roteiro: James Cameron, Gale Anne Hurd / Elenco: Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton, Michael Biehn / Sinopse: Um Cyborg assassino (Arnold Schwarzenegger) é enviado ao passado para localizar e exterminar Sarah Connor (Linda Hamilton) evitando assim que seu filho nasça e lidere a resistência humana contra a dominação das máquinas em um futuro próximo.

Pablo Aluísio.