segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Supergirl

Já que os quadrinhos são a bola da vez o canal CBS resolveu produzir essa série sobre a prima do Superman, a Supergirl. Ok, pode parecer apelação e de certa forma é mesmo, porém não deixa de ser no mínimo curioso ver no que tudo isso vai dar. O episódio piloto apresenta então para o público a história de Kara Danvers. Ela é enviada logo atrás da nave do futuro Superman, justamente para lhe proteger nos confins do universo. Durante a viagem interplanetária sua espaçonave é desviada. Só após mais de 20 anos ela finalmente chega em nosso planeta. Depois de um começo tímido, Kara começa a finalmente entender sua importância para a humanidade. Ela é jornalista (como Clark Kent), tem uma identidade secreta (como o primo), nutre uma paixão platônica por um colega de trabalho e tenta de todas as maneiras encontrar seu lugar no mundo. Nesse primeiro episódio ela ainda descobre que existe uma agência do governo especializada em controlar a ameaça alien e que há um grupo de criminosos de Kripton soltos na Terra.

Tudo bem, o roteiro é bem comic e tudo mais, porém devo dizer que achei tudo um tanto mediano, mas também ao mesmo tempo simpático. Os efeitos especiais não são de encher os olhos, mas estão na média do que é exibido em séries de TV, onde o orçamento é sempre mais apertado do que a de filmes de cinema. O elenco tem um grande trunfo para cativar o espectador, a própria atriz Melissa Benoist. Ela é simpática, carismática e bonita. Não demonstra nenhum constrangimento em interpretar uma heroína que sai por aí voando de minissaia. Vestiu literalmente a camisa do espírito da série e se saiu muito bem, sempre com um sorriso doce e extremamente simpático em cada cena. Provavelmente ela venha a salvar a série, já que a personagem que interpreta nada mais é do que uma versão feminina nada sutil do próprio Superman. É praticamente uma cópia, sem tirar e nem colocar muita coisa de diferente. Na última semana o canal CBS anunciou que mais dez episódios serão produzidos, demonstrando que pelo menos comercialmente a série agradou ao grande público.


Supergirl (Supergirl, EUA, 2015) Direção: Glen Winter / Roteiro: Ali Adler, Greg Berlanti, Andrew Kreisberg / Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh / Sinopse: Kara Zor-El (Melissa Benoist) é enviada para a Terra para proteger seu primo, o Superman. Uma vez na Terra ela descobre que ele vai muito bem e que de fato não precisa dela. Assim Kara resolve usar seus super poderes para proteger a humanidade contra a ameaça de um grupo de criminosos espaciais que fugiram de seu planeta natal, Krypton.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - From Elvis in Memphis - Parte 3

I'm Movin On (Hank Snow) - Nessa gravação Elvis Presley fez uma volta ao seu passado, mais precisamente a 1950 quando "I'm Movin On" na voz de Hank Snow estourou em todas as paradas country. Em Memphis ela virou figurinha fácil nas emissoras de rádio. Na época Elvis era apenas um garoto de quinze anos de idade que sequer sonhava em alcançar a fama de Hank, considerado um dos maiores ídolos da música country dos Estados Unidos. Durante as sessões Elvis começou a trocar ideias com o produtor Felton Jarvis (que iria se tornar seu produtor musical definitivo depois dessa gravação) e disse a ele que seria muito bom trazer grandes clássicos da country music para o American Studio. Ali mesmo, com Elvis sentado em um banco no centro do estúdio, eles começaram a lembrar de grandes músicas de um passado distante. Elvis se virou para Jarvis, apontou o dedo e disse: "Eu me lembrei agora de I'm Movin On do Hank! Vamos gravá-la!". Felton Jarvis então providenciou partituras para os músicos e após alguns breve ensaios eles conseguiram, até com relativa facilidade, chegar no take ideal que se tornaria o oficial. Depois da última tentativa, ainda com microfone aberto, Elvis empolgado disparou no microfone: "Ei, essa é uma grande canção!". Risos foram ouvidos atrás dele.

Power Of My Love (Bill Giant / Bernie Baum / Florence Kaye) - O trio Giant, Baum e Kaye escreveu algumas das mais medonhas músicas gravadas por Elvis em sua carreira. Muitas delas tinham sido compostas a toque de caixa para fazer parte das trilhas sonoras de seus filmes. Com o tempo Elvis foi desenvolvendo uma certa aversão ao trio, justamente por causa das porcarias que tinham escrito ao longo dos anos. Curiosamente ele, que chegou certa vez a dizer que nunca mais gravaria nada composto pelo trio novamente, resolveu abrir uma última exceção. A razão era simples de entender, pois "Power Of My Love" era realmente uma grande música, muito boa realmente, com letra e melodia bem acima da média. Muitos anos depois o compositor Florence Kaye confessou: "Realmente muitas músicas que fizemos para Elvis não eram grande coisa. Os filmes também não nos empolgavam a escrever nada melhor. Se o filme era ruim, as trilhas não poderiam ser melhores. Em 1969 o produtor de Elvis me ligou dizendo que providenciasse algo novo. O Coronel queria que uma de nossas músicas fosse para o novo disco de Elvis. Era um álbum de estúdio e por isso resolvemos dar o melhor de nós! Acho a gravação muito forte e bonita. Nossa melhor colaboração ao lado do cantor". Kaye tinha toda a razão, "Power Of My Love" era mesmo uma grande faixa e seguramente um dos melhores momentos do disco inteiro. Grande canção.

Gentle On My Mind (John Hartford) - John Hartford foi um mestre do folk americano. Com uma carreira longa e muito produtiva ele se destacou como um grande tocador de banjo e violão folclórico. Durante toda a sua carreira Hartford lutou para a preservação da cultura dos grandes rios do sul, onde muita música de qualidade era criada, principalmente em pequenos portos fluviais, em estabelecimentos pequenos que se instalavam próximo aos locais de desembarque dos grandes barcos movidos a vapor. Folclorista e historiador, dedicou sua carreira a preservar esse aspecto histórico da música sulista americana. Também foi produtor musical, muito próximo a Chet Atkins que havia trabalhado como produtor do próprio Elvis nos anos 60. Durante uma sessão de gravação em Nashville Elvis se encontrou casualmente com Hartford nos bastidores, já que na época John trabalhava também na RCA Victor. Presley aproveitou para elogiar sua recente gravação, a própria "Gentle On My Mind" que havia sido lançada originalmente pelo autor em 1967. John nem hesitou e sugeriu a Elvis que ele um dia a gravasse. "Adoraria ouvir você cantando ela, Elvis!" - disparou o compositor. Elvis parece não ter esquecido da sugestão. Assim dois anos depois desse encontro lá estava ele no estúdio cantando a música de seu colega da RCA. O que temos aqui é uma bela faixa, um excelente momento do cantor no American. A lamentar apenas o fato de Elvis não ter gravado mais canções de Hartford ao longo de sua discografia. Ele era inegavelmente um grande talento musical.

After Loving You (Miller / Lantz) - Essa canção já tinha uma longa tradição quando Elvis a gravou no American. Ela foi escrita por Eddie Miller na década de 1930. Naquela época a indústria fonográfica americana ainda era muito primitiva e os compositores ganhavam dinheiro com a venda das partituras musicais em folhas de papel. Essas então eram levadas para as grandes casas tradicionais do sul onde eram tocadas ao piano em saraus animados e elegantes. Era uma outra era, com costumes próprios. Depois de anos nessa linha tradicional a música foi finalmente colocada em um disco, numa gravação. Coube a Joe Henderson essa honra, já na primeira metade dos anos 1960 (trinta anos depois que Miller compôs sua canção). Depois veio a versão de maior sucesso, gravada por Eddy Arnold. Foi essa a versão na qual Elvis se baseou para sua gravação no American já que ele não apreciava muito a terceira versão, lançada em 1963, com Jim Reeves nos vocais. Segundo o próprio produtor Chips Moman, Elvis até pediu para ouvir novamente a gravação de Arnold no estúdio para se preparar para a sua própria interpretação. Em suma, uma canção histórica que rendeu um ótimo momento ao disco como um todo.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - From Elvis in Memphis - Parte 2

Wearin' That Loved On Look (Dallas Frazier / Al Owens) - A canção que abre o álbum "From Elvis in Memphis" já trazia todos os elementos que demonstrariam aos fãs que Elvis finalmente trilhava um novo caminho na carreira. As mudanças já começavam pelos arranjos. Há nitidamente por parte do produtor Chips Moman um esforço em enriquecer as gravações com uma instrumentação mais bem elaborada e moderna. Também chama a atenção o fato de que os antigos arranjos vocais da discografia de Elvis, baseados em grupos masculinos de formação gospel, como os Jordanaires, foram substituídos por algo mais contemporâneo, baseado numa vocalização feminina negra. A canção deu trabalho. Elvis e seus músicos ficaram das duas da manhã até as sete do dia 14 de janeiro, já com o sol raiando, trabalhando nela. No total foram produzidas 14 takes, sendo que nenhum deles deixou Elvis suficientemente satisfeito. Chips prometeu a Elvis que iria trabalhar depois na mesa de som com as gravações para se chegar em uma versão perfeita. Depois de tanto esforço é de se reconhecer que a gravação final ficou realmente irretocável. Uma bela obra prima dessa fase mais criativa do cantor.

Only The Strong Survive (Gamble / Huff / Butler) - Uma das coisas que mais chamam atenção nessa nova leva de gravações de Elvis em 1969 é a mudança significativa das letras. Durante praticamente toda a década de 1960, principalmente com suas trilhas sonoras, Elvis ficou preso a um tipo básico de letra sobre amores adolescentes que se desgastou completamente. Assim já havia passado mesmo da hora de mudar, evoluir, crescer. Certamente o tema sobre amores não seria deixado de lado, porém sob um enfoque diferente, tratando dos problemas de um relacionamento mais adulto. Essa música havia sido gravada originalmente pelo cantor e compositor Jerry Butler um ano antes. Ela fazia parte do repertório do disco "The Ice Man Cometh". Quando lançada em single se tornou um grande sucesso, vendendo mais de um milhão de cópias, conquistando o disco de platina. Elvis a adorava e foi ele que a trouxe para as sessões no American. Posteriormente a música seria regravada por Billy Paul, consolidando ainda mais seu sucesso nas paradas.

I´ll Hold Your In My Heart (Arnold / Horton / Dilbeck) - Eddie Arnold foi um pioneiro da música country que cruzou várias vezes o caminho de Elvis ao longo de sua carreira. Um de seus maiores sucessos foi justamente essa canção "I´ll Hold Your In My Heart". Curiosamente, apesar de Arnold ter sido um dos maiores nomes do som de Nashville, ela gravou sua versão original nos estúdios da RCA Victor em Chicago. Outro fato que o liga a Elvis é que essa sessão de gravação foi produzida por Steve Sholes, o mesmo produtor que trabalhou ao lado de Elvis em seus primeiros anos na gravadora RCA. Elvis inclusive considerava esse um dos melhores trabalhos de Sholes e durante anos dizia que também iria gravar a sua versão da canção, que era uma de suas preferidas. Assim "I´ll Hold Your In My Heart" acabou sendo outra música escolhida pessoalmente por Elvis para a sessão. Como sempre a tocava no grande piano dourado de Graceland, em momentos de descontração, o próprio Elvis decidiu que ele iria tocar o instrumento na faixa. É justamente isso que ouvimos na versão oficial. Elvis inspirado fazendo sua pequena homenagem ao legado de Eddie Arnold.

Long Black Limousine (George / Stavall) - É certamente uma das melhores letras do disco. Evocativa, quase como uma narrativa cinematográfica, a canção chama a atenção pela originalidade e ousadia, afinal de contas não era todo dia que se ouvia algo assim. Com elementos de country e rhythm and blues, a canção foi sugerida pelo produtor Chips Moman. Ele chamou Elvis para lhe mostrar o tipo de sonoridade e criatividade que estava esperando produzir naquelas sessões. "Long Black Limousine" inclusive foi a música que abriu os trabalhos no American Studios. Moman queria começar em grande estilo, procurando ir diretamente a uma fonte com mais qualidade, com melhores arranjos e letras fortes, marcantes. Elvis adorou tanto a canção como a proposta do produtor, já que há anos vinha reclamando da falta de material de qualidade para trabalhar. A música havia sido escrita em 1958, no mesmo ano em que Elvis estrelava "King Creole". Durante anos porém ela não foi gravada. Foi considerada estranha demais pelas gravadoras da época. Apenas em 1961 ganhou sua primeira versão, em um single lançado pelo cantor Wynn Stewart. Ao longos dos anos foi ganhando novas regravações discretas. Nem a versão de Glen Campbell conseguiu se destacar nas paradas, provando que era realmente uma faixa sui generis que fugia dos padrões mais comerciais. Antes de Elvis a tornar mais conhecida, apenas sua inclusão no disco "The Nashville Sound of Jody Miller" conseguiu trazer alguma notoriedade. Depois que Elvis a gravou no American Studios finalmente a música conseguiu se tornar apreciada pelo grande público em geral. Um reconhecimento tardio, mas muito bem-vindo.

It Keeps Right A Hurtin (Johnny Tillotson) - Johnny Tillotson foi um cantor e compositor sulista que surgiu na esteira de sucesso do próprio Elvis, ainda na década de 1950. Inicialmente ele apareceu no mercado como um astro pop adolescente, porém com o passar dos anos foi crescendo musicalmente, abraçando finalmente o estilo country. Apesar de Johnny muitas vezes ser encarado apenas como um "mini Elvis" como tantos outros que surgiram naquela época, Elvis via em seus singles um claro talento musical. Na verdade o próprio Elvis costumava ouvir seus compactos quando estava na Alemanha, prestando serviço militar. Daqueles astros juvenis ele era um dos que mais chamavam sua atenção. "Pledging My Love", por exemplo, um hit na voz de Tillotson durante a década de 60, seria gravada por Elvis em seu último álbum, "Moody Blue". Já "It Keeps Right On A-Hurtin'" foi lançada originalmente como single em 1962. Desde o seu lançamento Elvis a considerou uma grande canção. A música realmente tinha excelente melodia e letra, o que a faz se destacar na Billboard, alcançando a terceira posição entre os mais vendidos. Essa foi outra especialmente selecionado por Presley para fazer parte do álbum. Uma questão realmente de gosto pessoal.

Pablo Aluísio.

domingo, 29 de novembro de 2015

Gary Cooper / Kirk Douglas


Foto promocional do faroeste Only The Brave, de 1930, com Gary Cooper. Dirigido por Frank Tuttle o filme foi um dos primeiros grandes sucessos da carreira de Cooper. Em cena ele interpretava o galante Capitão James Braydon, oficial da cavalaria americana em expedição por um território selvagem do velho oeste. Em seu caminho surgem guerreiros sioux ávidos por vingança após o exército americano atacar as forças de um orgulhoso cacique da tribo. Para piorar a situação a nação está em guerra civil e Cooper interpreta esse bravo militar que decide ficar do lado da União. Depois de enfrentar os índios revoltosos ele é enviado para uma missão praticamente suicida, além das linhas inimigas do general Robert E. Lee, o grande comandante das tropas confederadas do sul.


Kirk Douglas em cena do clássico de western "Embrutecido Pela Violência" (1951). Dirigido pelo cineasta consagrado Raoul Walsh. Em busca de um maior realismo das cenas Walsh negou a pretensão da Warner, produtora do filme, em filmar tudo dentro dos grandes estúdios da companhia em Hollywood. Com várias cenas de montanhas e ao ar livre Raoul decidiu que iria levar toda a sua equipe para locações naturais no Alabama e Califórnia. As filmagens foram complicadas, principalmente pelo risco de acidentes dos atores e equipe técnica, porém o resultado final se revelou espetacular, com ótimas sequências nas colinas. Um dos grandes faroestes dos anos 50 e um dos melhores momentos de Kirk Douglas no gênero.

Pablo Aluísio.

sábado, 28 de novembro de 2015

Mia Wasikowska

Dessa nova geração de atrizes é bom ficar de olho em Mia Wasikowska. Embora seja nascida na Austrália, ela tem origem familiar na Polônia. Aos 26 anos ela já tem uma boa filmografia, com várias adaptações de livros famosos. Muitos a conhecem principalmente por causa do filme de Tim Burton, "Alice no País das Maravilhas", onde interpretava justamente a protagonista Alice. Esse em minha opinião é paradoxalmente o seu pior filme, apesar de ter sido o grande sucesso de bilheteria de sua carreira. Espalhafatoso, ultra kitsch e exagerado, já é um típico exemplar da pior fase do diretor, embora como seja sabido tenha realmente caído no gosto popular faturando mais de 1 bilhão de dólares mundo afora. Em minha maneira de entender nem isso salva o filme, que é realmente muito fraco. A única coisa boa é justamente a presença dela.

Tirando Alice de lado eu destacaria outros filmes dela de que gostei bastante. Entre eles o recente "A Colina Escarlate", um filme que relembra os antigos clássicos ingleses de terror. Nesse roteiro ela está particularmente bonita e atraente com um figurino belíssimo de época. Longos vestidos brancos que inclusive nos remetem ao visual fantasmagórico mais utilizado em filmes de casas mal assombradas do passado. Sua personagem Edith é uma jovem que não deseja apenas viver de sua beleza e da fortuna de seu pai, um rico industrial, mas sim vencer como escritora e jornalista. Embora o filme não explore todo o potencial dela, o fato é que o resultado se revela muito bom, seja você um romântico ou apenas um admirador de fitas de terror ao velho estilo.

É bom também que se diga que Mia Wasikowska fica excepcionalmente bem em adaptações de romances históricos como "Madame Bovary" (cuja resenha pretendo escrever em breve) e "Jane Eyre", os dois filmes que melhor exploraram sua beleza e talento até agora. "Jane Eyre" é um livro romântico muito cultuado do século XIX, escrito por Charlotte Brontë. É um clássico absoluto da literatura inglesa e já ganhou inúmeras versões cinematográficas ao longo dos anos. A estrelada por Mia foi lançada em 2011 e contou com uma produção refinada e muito luxuosa, marca registrada da BBC Films. Embora a direção seja um pouco burocrática, sem grandes ousadias narrativas, o filme acabou sendo salvo exatamente por causa de sua elegância e charme irretocáveis. É outro filme que Mia também se destaca muito por causa dos figurinos de época.

Antes deles também seria interessante destacar sua atuação em "Minhas Mães e Meu Pai" onde ela interpretou uma adolescente criada por duas lésbicas que em determinado momento de sua vida decide ir atrás do seu pai biológico. O roteiro explorou muito bem essas novas formações familiares que nasceram dentro da sociedade atual, onde o velho modelo de pai e mãe acaba sendo substituído por uma nova forma de entidade familiar, geralmente proveniente de uniões homoafetivas. Nesse filme Mia teve a oportunidade de contracenar com duas grandes atrizes, Julianne Moore e Annette Bening, que estavam perfeitas em cena. Um belo aprendizado, ainda mais para ela que ainda era bem jovem. Por falar em contracenar com veteranas talentosas, Mia tem tido muita sorte nesse quesito. Basta lembrar de seu trabalho ao lado de Glenn Close no subestimado "Albert Nobbs". O roteiro explora a curiosa história de uma mulher inglesa do século XIX que para se proteger passa a assumir o comportamento e a identidade de um homem. Outro bom filme de época que vale a pena conhecer.

Indicada a vários prêmios ao redor do mundo Mia ainda tem muito a mostrar. Esperamos que sua carreira siga nesse ritmo de bons filmes, sempre bem produzidos, com enredos edificantes. Seus próximos filmes prometem. Ela estará em "HHH", um filme ambientado na Segunda Guerra Mundial baseado no romance de Laurent Binet. Também retornará ao papel que a tornou conhecida no mundo inteiro, a da garota Alice. Em "Alice Através do Espelho" a atriz voltará para o País das Maravilhas mais uma vez. O filme é uma super produção dos estúdios Disney para 2016 dirigida por James Bobin (o mesmo cineasta do sucesso recente "Os Muppets"). A produção está sendo vista como uma das grandes apostas da companhia para o ano que vem. Então é isso, fiquem de olho em Mia. Certamente é uma das mais promissoras jovens atrizes de Hollywood.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A Colina Escarlate

Bom, se você gosta de filmes de terror deve saber muito bem que alguns dos melhores já feitos na história são ingleses, basicamente realizados entre as décadas de 1940 e 1960. Foi justamente pensando nesses filmes que o diretor Guillermo del Toro realizou esse "Crimson Peak". A trama é das mais interessantes. A protagonista atende pelo nome de Edith Cushing (interpretada pela bela atriz Mia Wasikowska, de "Alice no País das Maravilhas" e "Madame Bovary"). Ela é a filha única e herdeira de um rico industrial americano. Mesmo assim passa longe de ser uma dondoca. Inteligente, deseja um dia se tornar escritora. Dona de opiniões próprias acaba surpreendendo pela personalidade que rejeita até mesmo as futilidades do meio social em que vive. Um dia ela conhece um membro da baixa realeza britânica, o galante Thomas Sharpe (Tom Hiddleston) que está na América em busca de investidores para sua máquina a vapor que ele pretende usar para retirar argila vermelha de uma mina situada em sua propriedade. O pai de Edith logo antipatiza com o sujeito e fica muito preocupado em perceber que sua filha está se apaixonando por ele. Ao contratar um investigador acaba descobrindo o passado negro de Sharpe, mas antes que possa fazer alguma coisa é brutalmente assassinado. Depois de sua morte o nobre britânico vê finalmente seu caminho livre para desposar Edith e levar de bônus toda a sua fortuna. Era justamente o que pretendia. Ao lado da esposa se muda para a Inglaterra, para viver na velha mansão de sua família conhecida como Allerdale Hall. No novo "Lar" Edith finalmente irá entender que entrou em uma armadilha mortal.

O grande destaque desse terror ao velho estilo dirigido por Guillermo del Toro vem da direção de arte (ou como alguns preferem chamar atualmente, do design de produção). A velha e decadente mansão da família Sharpe acaba se tornando ela própria uma personagem da história. Construída em cima de uma antiga mina de argila, vai afundando a cada ano, parcialmente destruída pela ação do tempo. A antiga casa é aterrorizante, escura e sombria. Lembra muito as velhas casas mal assombradas dos antigos filmes ingleses. E dentro do espírito decadente dessa pequena nobreza em ruínas se esconde todos os tipos de relações incestuosas e taras inconfessáveis. O mistério vai se revelando aos poucos em um clima que me agradou bastante. O roteiro, embora seja de certa maneira previsível, tem sua dose de charme e elegância. Os fantasmas que vão surgindo se encaixam perfeitamente no enredo, revelando aos poucos a sangrenta história do lugar. Os efeitos especiais são adequados, de bom gosto e estão inseridos na proposta de se contar bem os fatos do passado da dinastia Sharpe. O enorme cenário que foi construído para a realização do filme é real, não virtual, o que acrescentou muito no resultado final. O elenco também me agradou muito, principalmente a atuação do ator Charlie Hunnam (o 'Jax' Teller de "Sons of Anarchy"). Para quem interpreta um motoqueiro na série, não ficou nada mal como um médico vitoriano com vocação a gestos heroicos. Aliás todos os personagens do filme nos remetem àquele universo vitoriano dos antigos romances ingleses. Todos de uma maneira ou outra surgem finos, educados e sofisticados na superfície, embora na realidade sejam grotescos, gananciosos, rudes e mesquinhos no interior de suas almas. Assim não deixe de conhecer. É de fato um terror muito bom, com um irresistível sabor nostálgico, tudo embalado em um visual realmente impressionante, de encher os olhos. 

A Colina Escarlate (Crimson Peak, Estados Unidos, Canadá, 2015) Direção: Guillermo del Toro / Roteiro: Guillermo del Toro, Matthew Robbins / Elenco: Mia Wasikowska, Jessica Chastain, Tom Hiddleston, Charlie Hunnam, Jim Beaver / Sinopse: Edith Cushing (Mia Wasikowska) é uma jovem herdeira americana que é seduzida pelo galante nobre inglês Thomas Sharpe (Tom Hiddleston). Membro de uma realeza arruinada financeiramente ele precisa do dinheiro de Edith para a construção de uma máquina a vapor inovadora que irá agilizar a extração de argila vermelha de uma velha e abandonada mina que pertence à sua família há gerações. Depois de se casar com Edith ele a leva para morar na vitoriana mansão de Allerdale Hall. A velha casa, decadente e destruída, esconde segredos terríveis que logo Edith irá descobrir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

Quarteto Fantástico (2015)

De todas as adaptações cinematográficas baseadas em quadrinhos essa nova versão do Quarteto Fantástico foi a que mais decepcionou público e crítica. O filme foi mal nas bilheterias, os fãs que entendem de comics odiaram e a produção não agradou a praticamente ninguém. O resultado foi tão ruim que há poucas semanas o estúdio anunciou que uma continuação está definitivamente fora de cogitação. O futuro desses personagens assim segue incerta. Apesar do mal humor generalizado ainda volto a afirmar que não é tão ruim como dizem. Como um filme de origens, que tenta explicar de onde teriam vindo todos os heróis, o roteiro realmente se perde um pouco, fica truncado, mas passa longe de ser um desastre completo. Depois do lançamento do filme o diretor Josh Trank acusou a Twentieth Century Fox de ter mudado o filme e que não teria culpa sobre o que se vê na tela.

Essa acabou sendo mais uma polêmica envolvendo o filme. Logo na apresentação do material promocional muitos leitores de quadrinhos ficaram revoltados com a escalação do ator negro Michael B. Jordan como o Tocha Humana já que o personagem original era loiro. Acusações de oportunismo barato foram dirigidas contra os produtores. Após isso parece que o inferno astral se instalou e se agravou ainda mais quando o filme surgiu nos cinemas. Deixando as brigas e ofensas de lado o filme só se perde mesmo na divisão errada da trama. Se perde tempo demais tentando desenvolver psicologicamente cada personagem e quando finalmente eles partem para enfrentar o vilão em uma realidade de outra dimensão não há mais tempo para nada. Tudo se resolve rápido demais, sem capricho e sem cuidado. Todos torcem que agora os personagem de Stan Lee sejam adaptados pela Marvel Studios. Problemas legais envolvendo direitos autorais parecem ser o grande empecilho para que isso venha a acontecer. Porém com o fracasso desse reboot é bem provável que a Fox largue mão e entregue tudo para a Marvel realmente, ficando apenas com parte do lucro nas bilheterias. Vamos esperar para ver o que acontecerá.

Quarteto Fantástico (Fantastic Four, EUA, 2015) Direção: Josh Trank / Roteiro: Jeremy Slater, Simon Kinberg / Elenco: Miles Teller, Kate Mara, Michael B. Jordan, Jamie Bell, Toby Kebbell /  Sinopse: Dois amigos de infância acabam criando um mecanismo que permite a transposição de matéria entre universos paralelos. O tempo passa e eles acabam envolvidos em acontecimentos extraordinários que acabarão dando origem a uma equipe de super-heróis, o Quarteto Fantástico. Adaptação para o cinema dos quadrinhos criados por Stan Lee.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Grace de Mônaco

Fui ver com a maior boa vontade do mundo. Ok, eu estava com um pé atrás pois li uma quantidade considerável de críticas negativas. Como sou uma criança pura e santa, cheia de bons sentimentos de açúcar no coração ainda acreditei que veria um filme ao menos bom. Até porque o elenco contava com a maravilhosa Nicole Kidman, uma das minhas paixões subliminares. Não colou. Perdi meu olhar inocente. O filme é muito, muito fraco e ruim. Chega a ser constrangedor. O pior é que me decepcionou justamente naquilo que considerava jogo ganho, ou seja, na produção fina e elegante. Não é nada disso. Havia um canal na Inglaterra de nome Hallmark que era especialista nisso. Ele tentava fazer filmes sobre a realeza britânica porém quase nunca tinha grana para isso. Então as coisas saiam bem mal feitas, parecendo telefilme barato. Acabava virando comédia involuntária com todas aquelas encenações de jantares finos da realeza com talheres ordinários e cenários da plebe. Um horror!

Grace de Mônaco parece telefilme barato, sinto muito dizer. A Grace Kelly era um símbolo de glamour em Hollywood e depois foi ser princesa em Mônaco. Quer coisa mais fina do que isso santa? Se não tinham recursos para contar uma história dessas então era melhor nem fazer o filme. Fizesse da Dilma, mostrando ela como guerrilheira fuinha nos anos 60. Seria mais adequado. Pior foi colocar Kidman como isca para os desavisados (inclusive esse que aqui está lamentando em breves e decepcionadas linhas). Tenham consideração senhores produtores. Esse filme tal como ficou merecia no máximo ser exibido numa quarta-feira à noite no Hallmark e olhe lá! Tudo para rirmos somente. No Brasil resolveram jogar Grace nos cinemas e pegaram muita gente pelo pé. E antes que termine fica o recado: se você for cinéfilo e fã da Grace atriz, esqueça. O roteiro, insosso até o osso, se concentra mesmo no romancezinho fake de Grace com o Príncipe Rainer II, que de Príncipe tinha pouca coisa pois era feio e tinha rosto de furão de árvore (com aquele bigodinho fora de moda e patético que o deixava ainda mais freak). Melhor para a Marilyn Monroe que convidada pelo sapo se recusou a se casar com ele. De burra a loira não tinha nada. Pelo menos a eterna deusa do cinema se safou de depois pagar mico na tela grande com um filme tão fraquinho como esse. Grace, a verdadeira, merecia destino melhor e a Kidman, com quem ainda vou me casar, não merecia participar de um filme tão sem importância e esquecível.  Desce o pano!


Grace de Mônaco (Grace of Monaco, Estados Unidos, França, Bélgica, Itália, Suíça, 2014) Direção: Olivier Dahan / Roteiro: Arash Amel / Elenco: Nicole Kidman, Frank Langella,Tim Roth, André Penvern / Sinopse: Adaptação para o cinema de parte da vida da atriz Grace Kelly que largou uma carreira de estrela em Hollywood em seu auge para se tornar princesa do pequeno reino de Mônaco na Europa. Filme baseado em fatos reais.

Erick Steve.

Caminhos da Floresta

Não parece, mas "Into the Woods" é um musical da Disney adaptado do texto original escrito por James Lapine (que chegou até mesmo a dirigir uma comédia com Michael J. Fox na década de 90 chamada "Um Talento Muito Especial"). A premissa básica é reunir em uma só história quatro contos infantis bem conhecidos: Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, João e o Pé de Feijão e Cinderela. Imagine colocar juntos todos os personagens desses famosos contos de fadas, reunindo todos eles em um só enredo. Depois adicionar uma grande atriz como Meryl Streep como uma bruxa da floresta que jogou uma maldição em um casal e pronto, está feito o roteiro. Como se trata de um musical obviamente há muitos números de canto. Por isso praticamente todo o elenco canta em algum momento do filme, até mesmo atores e atrizes que nunca fizeram isso em cena em outros filmes. De todos eles a que se sai melhor é realmente Meryl Streep. Ela já havia soltado a voz em "Mamma Mia!" e conforme deixou claro em várias entrevistas adora cantar sempre que a oportunidade surge em sua carreira. Claro que o que ouvimos durante as cenas não é o resultado de um tom natural, muitas vezes os atores vão para o estúdio e cantam praticamente o dia inteiro tentando acertar alguma nota musical. Depois com a tecnologia que os estúdios de gravação dispõem atualmente tudo é montado para parecer que a performance de todos eles é impecável. Mesmo sendo fruto de muitos programas de áudio não podemos deixar de elogiar pelo menos a coragem desses profissionais em se expor assim, em algo que nunca foi necessariamente seu ponto forte. Até Johnny Depp dá seu pequeno show como o Lobo Mau na floresta esperando pela Chapeuzinho Vermelho, o que origina um dos momentos mais divertidos do filme.

Já voltando ao roteiro eu devo dizer que nem sempre o resultado de reunir tantas histórias diferentes em uma só me deixou muito satisfeito. A verdade é que o roteiro tem uma característica que me incomodou um pouco. Ele nunca mostra o principal de cada conto de fadas. Assim, por exemplo, você não verá João entrando na casa do gigante após escalar o pé de feijão. Ela já surge depois, fugindo com as moedas e o ovo de ouro que roubou. Uma criança que ainda não conheça os contos de fadas ficará um pouco perdida. Eu considerei isso um erro e tanto por parte do roteirista pois ele presume que cada criança que vá ao cinema ver esse filme já saiba de antemão tudo o que acontece nos contos de fadas que deram origem ao filme. O mesmo vale para todos os demais personagens. Cinderela só aparece fugindo do príncipe depois do baile, sem explicar o que ela estaria fazendo lá, como chegou até a festa, etc. Rapunzel também é pouco explorada e Chapeuzinho Vermelho é só uma garotinha gulosa e mão leve para doces. Para a mente de uma criança de sete anos ou com menos idade tudo vai soar confuso e disperso. Mesmo assim ainda vale a pena conhecer o filme. É uma boa diversão, tem músicas bem escritas e um clima de fantasia que ajuda a digerir a produção. Não é impecável, mas diverte.

Caminhos da Floresta (Into the Woods, EUA, 2014) Direção: Rob Marshall / Roteiro: James Lapine / Elenco: Meryl Streep, Johnny Depp, Emily Blunt, Anna Kendrick, James Corden, Billy Magnussen, Chris Pine / Sinopse: Uma feiticeira da floresta (Streep) coloca uma maldição em um casal para que eles não tenham filhos. Para quebrar o feitiço ela exige que eles consigam quatro objetos preciosos: a capa da Chapeuzinho Vermelho, a vaca de João dos pés de feijão, o sapatinho de Cinderela e os cabelos de Rapunzel. Só com isso em mãos a bruxa deixará que o jovem casal seja feliz e tenha seu tão sonhado filho. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz Coadjuvante (Meryl Streep), Melhor Figurino (Colleen Atwood) e Melhor Design de Produção. Também indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Comédia ou Musical, Melhor Atriz (Emily Blunt) e Melhor Atriz Coadjuvante (Meryl Streep).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

domingo, 22 de novembro de 2015

A Arte de Ser Elegante e Discreto

Eu era um jovem estudante Marista quando ouvi pela primeira vez uma frase escrita por Dom Bosco que dizia: "Fale pouco de você e menos ainda dos outros". Nunca mais me esqueci desse conselho. Ao longo da vida procurei seguir de perto esse tipo de conselho em minha existência. Antes disso já agia assim, apesar da pouca idade. Fazia parte da minha personalidade. Quando conheci a frase me identifiquei completamente. Geralmente quando você faz parte de uma família grande, com muitas pessoas, você acaba percebendo o quanto é danoso ser invasivo. É normal que no meio de tanta gente sempre haja aquele tipo de fofoca maldosa, aquele diz que me disse e tudo mais. Eu sempre associei esse tipo de comportamento a um tipo de pessoa pouco refinada, nada educada. E poucas coisas são tão desanimadoras como ter esse tipo de pessoa ao redor. Não soma e nem acrescenta em absolutamente nada na sua vida.

A discrição vem justamente na frase de Dom Bosco que aconselha que cada um fale pouco de si. Nunca seja um elogiador de si mesmo. Um egocêntrico. Lembre-se que Narciso morreu afogado deslumbrado com sua própria aparência. Apenas com as pessoas muito próximas você deve se abrir ou contar algo mais privativo. Ser discreto acaba tornando você também uma pessoa elegante, pois certamente não vai ficar querendo saber da vida de ninguém. Falo com sinceridade, espero que as pessoas sejam felizes nessa longa jornada chamada vida. O fofoqueiro de alguma forma torce justamente pelo contrário, pelo insucesso dos outros, muitas vezes para se deliciar com o fracasso alheio. É triste! A queda de outrem ou a fase ruim pela qual passa acaba virando o glacê da fofoca. Sempre me espanto quando vejo alguém tentando passar uma fofoca sobre algo ruim que aconteceu com os outros. Que tipo de mecanismo horroroso movimenta a mente de alguém assim? Citando Chaplin eu não quero o mal para ninguém, muito pelo contrário, nossa humanidade deseja a felicidade do próximo. Isso é ser humano no significado mais intrínseco da palavra. Isso nos define.

Há tantas coisas interessantes para se conversar. O mundo é cheio de possibilidades e muitos fatos deveriam nos prender a atenção. Nesse momento, por exemplo, há descobertas maravilhosas da ciência acontecendo. Alguém realmente puxa um assunto sobre isso? Dificilmente. Preferem falar de algo ruim que está acontecendo com fulana ou sicrano. Lamentável esse tipo de atitude. Ocupe sua mente com coisas interessantes. O que vale para as amizades também vale para o amor. Uma das coisas mais importantes em um relacionamento a dois é a preservação de sua própria intimidade. O que acontece entre um casal só diz respeito a ambos. Abrir a vida pessoal é um dos maiores erros que alguém pode cometer em sua vida. Não transforme jamais os aspectos íntimos de sua relação sentimental em algo público, à disposição de quem queira saber. Agindo assim você não apenas estará abrindo sem autorização a intimidade de quem está com você, como também sendo uma pessoa pouco refinada, nada elegante, correndo inclusive o risco de transformar sua vida emocional em uma piada de salão para os outros.

É uma moeda de dupla face. Ao mesmo tempo em que você se torna discreto, não invasivo, respeitando o espaço de terceiros, espera o retorno deles nesse mesmo sentido. Mais cedo ou mais tarde todos vão compreender e também vão respeitar a sua vida privada. O fato é que você só ganhará na vida sendo elegante e discreto. Outro fato muito importante que aprendi em minha existência é que agindo dessa forma você acaba atraindo pessoas com o mesmo sentimento positivo para perto de sua vida. Outro dia relembrei sobre a minha primeira namoradinha aqui mesmo no blog. Ela foi uma das pessoas mais educadas, finas e elegantes que conheci em toda a minha vida! Fazendo uma analogia com o cinema eu a poderia comparar com Audrey Hepburn. Aquele mesmo tipo de elegância e charme pessoal. Ter um relacionamento com ela me marcou para sempre e me deixou uma bela lição de vida de como me comportar com o sexo oposto. Olhando para o passado posso dizer que tive muita sorte em conhecê-la naquele momento da adolescência pois a partir dali eu sempre soube como tratar uma mulher da forma adequada - algo que muitos homens jamais aprendem, mesmo depois de velhos. Assim encerro esse pequeno texto reflexivo sobre a importância de se saber comportar adequadamente, não só em ambientes mais refinados, mas como também em todos os lugares onde você estiver. Seja discreto, não vire um pavão de arrogância e vaidade. Mantenha uma boa postura, respeite o próximo. Dessa forma será um bom ser humano, discreto e elegante na medida certa. Guarde a frase de Dom Bosco em sua mente e seja feliz, o que no final é o que realmente importa para todos nós.

Pablo Aluísio. 

sábado, 21 de novembro de 2015

Avengers 2

Eu assisti há pouco tempo o segundo filme dos Vingadores chamado "A Era de Ultron". O filme é interessante, porém vou me concentrar na participação do Homem de Ferro nele. Toda produção da Marvel com os Vingadores apresenta problemas. São muitos personagens importantes em um só filme. Arranjar um espaço certo para todos eles é que se torna o problema. Um ou outro será deixado de lado.

Nesse aqui eu considerei o Iron Man colocado para escanteio. Sua participação não é muito importante. Outro problema é o ego e a vaidade do ator Robert Downey Jr. Ele sempre tem que aparecer, seu rosto, e por isso as cenas em que vemos o Homem de Ferro mesmo, com o uniforme inteiro, com viseira abaixada, são cada vez mais raros. Nem no poster do filme usam a imagem clássica do personagem. É sempre Robert sem seu capacete. Cansa!

No filme o Tony Stark é mal aproveitado. Ele basicamente se interessa pela inteligência artificial de Ultron e começa a ficar fascinado com todas as possibilidade de levar aquela tecnologia em frente. Claro que acaba sendo o responsável por uma grande lambança quando tudo sai do controle e Ultron decide que o ser humano é um erro, uma falha, e precisa ser eliminado. A partir daí o bicho pega. A outra excelente cena - talvez a única - ocorre também quando Stark enfrenta Hulk em sua roupa especial, a Hulkbuster. Realmente o quebra pau entre eles vale pelo filme inteiro. Tudo muito fiel ao que estamos acostumados a ver nos quadrinhos. Fantástico.


Depois disso a alegria dos fãs do Homem de Ferro vai acabando porque ele vai virando um coadjuvante de luxo. Ele tenta evitar que a cidade venha abaixo e para isso usa toda a força de sua armadura, mas nada de muito marcante. Eu vou dizer uma verdade: O Robert Downey Jr muitas vezes enche o saco, já que ele sempre quer aparecer mais do que o próprio personagem que interpreta. É quase sempre ele fazendo piadinhas e não Tony Stark. É justo isso? Fica aí uma pergunta para os produtores dos próximos filmes.

J. Abreu.

Miller e Monroe

Quando a imprensa descobriu que Marilyn Monroe e Arthur Miller tinham um caso amoroso um jornalista escreveu que era a combinação perfeita entre um cérebro privilegiado e o corpo mais desejado da América. Miller realmente era um grande intelectual, mas sua fama na literatura jamais conseguiu ofuscar o mito de Marilyn. Miller se tornou conhecido com a publicação de "A Morte do Caixeiro Viajante", um texto celebrado até os dias de hoje. Marilyn tinha esperanças de ser feliz ao seu lado, mas o casamento não deu certo. Ela morreria de uma overdose acidental de pílulas aos 36 anos. Ele teve uma vida longa, morrendo apenas aos 89 anos. Sua carreira estava destruída e segundo os principais críticos de sua obra jamais conseguiu escrever nada de importante após a morte de Marilyn. Assim completava-se a triste sina na vida de Norma Jean Baker. Ela jamais conseguiria ser feliz em sua vida amorosa. Filha de um relacionamento obscuro, onde nunca conseguiu saber direito quem havia sido seu pai, com uma mãe esquizofrênica, Marilyn não teve uma vida fácil. Na verdade ela foi muito dura. A atriz cresceu em uma série de lares adotivos. Entre uma família ou outra sempre retornava para o orfanato californiano onde viveu grande parte de sua infância.

Quando tinha apenas 16 anos a "mãe" adotiva de ocasião lhe arranjou um casamento sem amor com um rapaz que morava no bairro. Marilyn não o amava, porém não havia outro jeito ou outro caminho a se seguir. A única boa coisa era que o marido era marinheiro e passava longos períodos distantes de casa. Isso trouxe uma certa independência para Marilyn que aproveitou sua ausência para quem sabe ir atrás de seu velho sonho de ser atriz. Ela foi descoberta por um fotógrafo quando trabalhava numa fábrica. Virou a garota do calendário e depois resolve ir embora de vez, para Hollywood, para tentar arranjar emprego na indústria de filmes de Los Angeles. Era mais uma mocinha em busca do sonho de ser uma estrela. Marilyn conseguiu. Ficou famosa, namorou homens desejados e ganhou bastante dinheiro. A felicidade porém não veio. Durante muito tempo ela não foi levado à sério como atriz, mas sim como uma loira burra gostosona com talento para comédias. Marilyn porém queria mais. Ela queria se reconhecida como boa atriz. Assim foi embora para Nova Iorque estudar no famoso Actors Studio que era dirigido por Lee Strasberg, o gênio da arte de atuar.

Foi em Nova Iorque, respirando e convivendo com a classe intelectual artística da cidade que conheceu o escritor Arthur Miller. Marilyn que procurava por cultura e sabedoria viu tudo isso em Miller. Ele era um homem respeitado, vencedor do prêmio Pulitzer. Embora fosse casado Marilyn investiu em sua nova paixão. Depois de um namoro um tanto desajeitado, finalmente se casaram em 1956. Marilyn achava que seu novo marido parecia muito com Lincoln, que ela idolatrava. Obviamente que o casamento enlouqueceu a imprensa. Todos queriam entender essa estranha atração entre o homem das letras e a garota bonita das telas. O dramaturgo ficou no centro da atenção e começou a ser cortejado também pelos grandes estúdios de Hollywood. Ele certamente não seria o primeiro escritor a virar um roteirista de sucesso.

O casamento parecia perfeito nos jornais e revistas, mas a realidade era bem outra. Miller queria que Marilyn se dedicasse a ser uma esposa em tempo integral, que deixasse um pouco a badalação da capital do cinema em prol de uma vida caseira e dedicada ao lar. Nessa época Miller disse a Marilyn que ela deveria ser acima de tudo sua esposa, deixando a fama de lado. Claro que não deu certo. Marilyn jamais deixaria seu sonho de lado por nenhum homem. Ela foi para a Inglaterra filmar ao lado do grande Laurence Olivier. Com sérios problemas envolvendo pílulas e drogas as filmagens foram caóticas. Marilyn começou a tratar mal seu marido Arthur Miller, o destratando na frente de todos. Aos poucos também foi perdendo o interesse por ele. Marilyn estava sempre o chamado de ser "um chato" e que nunca saía para se divertir. Mesmo tendo ficado ao seu lado durante a "Ameaça Vermelha", Marilyn já não encontrava nada de interesse em seu esposo.

Não demorou muito e ela começou a humilhar Miller durante as filmagens. O diretor John Huston disse que durante as filmagens de "Os Desajustados" Miller não parecia nada muito além do que seu carregador de malas. O casal até tentou consertar as coisas, comprando uma bela casa de campo em Connecticut, mas ela não conseguia mais passar muito tempo ao seu lado. Marilyn também não colaborava pois estava bebendo como nunca e tomando pílulas na mesma proporção. Ela também começou a ter relacionamentos fora do casamento. Se envolveu com o ator Yves Montand e depois se apaixonou perdidamente pelo presidente JFK. Miller não tinha chances de competir com esses homens. Logo foi deixado de lado, como a uma mala velha. Em pouco tempo ela resolveu o colocar para fora de casa e depois pediu o divórcio. Achava insuportável viver mais alguns anos com Miller de novo. Ele era naquela altura de sua vida apenas um chato enfadonho.

Pablo Aluísio.

História do Brasil - Zumbi, o Escravista

Zumbi virou um símbolo para o movimento negro dos dias atuais. Eu entendo isso. Porém o Zumbi da história realmente não tem nada a ver com o mito que criaram em torno dele. Acredito que os historiadores da esquerda que fazem parte do movimento da consciência negra deveriam se alertar sobre isso, explicar o equívoco de transformar Zumbi em herói. Ele tinha escravos negros e mantinha todos sob terror! Em muitas ocasiões mandava matar os dissidentes ou qualquer um que colocasse sua posição de autoridade em dúvida. Era cruel e não tinha muito respeito pela vida humana.

O fato mais importante de tudo é que elegeram um escravista como símbolo de liberdade do povo negro! Pode existir maior erro do que esse? É um fato histórico inegável: Zumbi tinha escravos, era um escravista. Não tem sentido colocar uma figura dessas como símbolo pela liberdade dos negros pois ele tinha escravos negros, pessoas que viviam acorrentadas e aterrorizadas por ele. É tão absurdo como colocar um nazista como símbolo da luta da causa dos judeus. Tenho plena certeza que ao longo da história existiram outras figuras históricas negras que foram bem mais relevantes do que Zumbi dos Palmares. Essas pessoas, escritores, intelectuais, abolicionistas, poetas (como Castro Alves) é que deveriam ser o símbolo para o povo negro. Machado de Assis, por exemplo. Um herói das letras. Um dos escritores mais importantes da nossa literatura era negro! Por que não exaltar sua figura? Já Zumbi não tem como salvar. Era um escravista de escravos negros. Zumbi não tinha nada a ver com liberdade. A figura do bom escravista é um absurdo. Escravo é escravo. Aliás o escravo negro naquela época não era considerado uma pessoa, mas uma coisa, um bem. Assim Zumbi aumentando o Quilombo só estaria mesmo aumentando seu próprio patrimônio pessoal, sua riqueza formada por bens - que eram os escravos. Pense, reflita. O Zumbi queria mesmo era ficar rico com aquele monte de seres humanos que eram seus escravos, não levantar bandeira de liberdade.

O Zumbi herói da liberdade, homem puro e íntegro, honesto e bom, é uma mera invenção da ideologia de esquerda. O problema é que muitos estão submersos nessa ideologia de esquerda e não se conscientizam disso. Se um dia um brasileiro com a mente doutrinada pela esquerda latina for estudar lá para fora, no exterior, as pessoas de lá certamente vão achar que ele é um pobre alienado, afogado em um discurso velho e fora de moda, ultrapassado. Um fóssil intelectual sem qualquer relevância. Não faça isso. Eu não sei se você é da área acadêmica ou não, mas se for, olha, ficará complicado defender tais ideias. Esse discurso velho da esquerda, dos anos 60, que ainda se cultiva no Brasil, já não faz mais o menor sentido nos centros de excelência mundo afora. Procure ampliar seus horizontes intelectuais. Essa ideologia de esquerda plantou a semente da serpente na sociedade brasileira. Dividir para conquistar. Dividiram a sociedade, criaram intrigas sem fim e... estão no poder só na base da corrupção. Felizmente a consciência coletiva de nosso povo tem mudado. O Brasil está mudando. Mude você também antes que vire um obsoleto, um experimento do MEC que não servirá para nada no futuro. Não enfie a cabeça nessa ideologia de esquerda que isso é passado. O discurso vermelho que parece ter saído diretamente dos anos 60, está 50 anos ultrapassado. Está velho e cheira a mofo. É hora de arejar a mente e as ideias. Falo isso para o seu bem.

A esquerda brasileira é tão antiga e velha que ainda usa da velha fórmula de colocar certas publicações em listas negras que o verdadeiro esquerdista não pode ler! Uma coisa horrível. Essa coisa de descartar revistas, jornais etc, não é novidade para ninguém. A história está cheia de exemplos. Isso é coisa de ideologias nocivas mesmo. Quem fazia isso muito bem era o nazismo e Hitler. Pessoas mais avançadas e que conhecem os mecanismos que essas ideologias usam para doutrinar e dominar mentes não caem mais nessa. Esse tipo de pensamento é algo simplório demais. Eu não descarto nada em minha vida. Leio todos os livros, revistas e jornais. Quem descarta algo sumariamente em pouco tempo está também colocando fogo em livros, jornais, etc. Isso foi usado pelo Nazismo. Não sou criança de cair nesse tipo de armadilha. O que muitos ainda não entenderam é que foram absorvidos por uma ideologia - estão dentro dela, não conseguem mais pensar com clareza. Viraram massa de manobra. Isso porém muitos só irão perceber mais tarde ou talvez nunca se apagarem seu senso crítico. É isso. Tudo se resume a isso. Só existem dois tipos de esquerdista no Brasil hoje em dia. O boboca e o picareta. O boboca é aquele que acredita nas mentiras do picareta. O primeiro é o eleitor e o segundo é o candidato que ficará milionário curtindo as delicias do capitalismo com o dinheiro público que roubará com o voto do boboca. Essa é a realidade da "esquerda" no Brasil.

Diante de tudo isso não caia mais em falácias dessa ideologia. Zumbi tinha escravos, colocava negros em algemas, os castigava com o chicote opressor e não raras vezes os matavam sumariamente. Ele não foi um sujeito bom, maravilhoso, defensor da liberdade dos negros. Foi um explorador, um homem que descendia de uma raça de guerreiros na África. Seu povo foi escravizado e enviado ao Brasil por outros povos africanos, negros. Era comum tribos e etnias entrarem em guerra visando o tráfico negreiro. Os derrotados eram vendidos pelos vencedores aos navios negreiros que iam para a América. Na África muitos negros fizeram fortunas com a venda de outros negros para o novo mundo. Guerras de escravidão entre tribos negras rivais foram travadas justamente para isso. Zumbi faz parte desse contexto histórico. Ele muito provavelmente nem tivesse conhecimento dos conceitos de democracia e liberdade já que viveu em um mundo brutal. Assim o movimento negro faria melhor se escolhesse um outro negro da história como símbolo, um membro do movimento abolicionista do século XIX, por exemplo. Seria mais honesto e mais fiel do ponto de vista histórico. Todo o resto é bobagem ideológica.

Erick Steve e Júlio Abreu.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Roxanne

Simpática comédia romântica inspirada em "Cyrano de Bergerac", peça teatral clássica escrita em 1897 por Edmond Rostand. O tema central permaneceu o mesmo, porém adaptado para ser um filme estrelado pelo comediante Steve Martin. Ele interpreta C. D. Bales, um bombeiro romântico e de bom coração que a despeito de seu romantismo não consegue se relacionar com as mulheres por causa de um nariz enorme e nada estético. Ele nutre uma paixão platônica pela bela e jovem Roxanne (Daryl Hannah), mas não consegue se declarar a ela por vergonha de sua própria aparência. Bales acredita que se um dia vier a se declarar para sua amada será rejeitado. Para seu azar um jovem rapaz que trabalha ao seu lado no corpo de bombeiros da cidade também se apaixona por Roxanne. O sujeito é um tanto quanto vazio porém bonitão, então Bales resolve lhe ajudar, escrevendo lindos poemas de amor para ela. Assim Roxanne acaba se apaixonando pelo rapaz sem saber que todo aquele sentimentalismo e emoção na verdade não partem dele.

O roteiro de "Roxanne" foi escrito pelo próprio Steve Martin. Ele se saiu muito bem e acabou escrevendo um texto leve, sentimental e até mesmo, em certo aspecto, muito elegante. É importante ressaltar que "Roxanne" foi lançado em uma das fases mais inspiradas do ator. Ele conseguiu estrelar uma pequena obra prima atrás da outra. O diferencial desse filme para os demais era justamente o romantismo do personagem principal. O argumento é muito inteligente ao explorar um homem bom, de excelente caráter, que nunca consegue se tornar atraente para as mulheres simplesmente porque não tem os atributos físicos adequados. A sua beleza interior, que é imensa, é subjugada por seu nariz descomunal. Olhando sob esse ponto de vista temos uma bela lição de vida pela frente. Um filme bem acima da média, especialmente indicado para corações românticos que se identifiquem de alguma forma com o personagem principal.

Roxanne (Roxanne, EUA, 1987) Direção: Fred Schepisi / Roteiro: Steve Martin, baseado na obra de Edmond Rostand / Elenco: Steve Martin, Daryl Hannah, Rick Rossovich / Sinopse: C. D. Bales (Martin) é um bombeiro de uma cidade do interior dos Estados Unidos que se apaixona pela bela e radiante Roxanne (Hannah). Envergonhado por seu enorme nariz ele não consegue criar coragem para se declarar a ela. Quando um jovem membro da corporação se apaixona também por Roxanne, Bales se oferece para ajudar, escrevendo lindos poemas de amor para sua amada, algo que acabará criando muitos problemas. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator - Comédia ou Musical (Steve Martin).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Dirty Harry na Lista Negra

Em busca de financiamento para realizar seu antigo projeto, "Bird", um filme sobre o músico Charlie 'Bird' Parker, o ator e diretor Clint Eastwood resolveu aceitar o convite da Warner Bros para interpretar pela última vez o tira durão "Dirty" Harry Callahan. Naquela altura Clint já não tinha mais desejo de voltar ao papel, porém como o cachê oferecido foi de fato excelente ele retornou para se despedir de um de seus personagens mais conhecidos em toda a carreira. Na história o velho tira com seus métodos violentos acabara de se tornar um problema para o Departamento de Polícia. Tentando capitalizar em torno de sua popularidade seu chefe decide transformar o detetive em uma espécie de garoto propaganda ao mesmo tempo que o tira das ruas, evitando assim novos processos por brutalidade policial. A tática porém não dá certo. Há novos crimes pela cidade e pelo que tudo indica um perigoso psicopata também anda à solta e quer Harry como seu troféu. Uma estranha ligação com um diretor de filmes de terror também parece ser o fio da meada que faltava para o policial descobrir toda a verdade.

Como era de se esperar o filme tem muita ação e violência e pelo menos uma excelente sequência quando Dirty protagoniza uma inusitada cena de perseguição pelas ruas com um carrinho controlado por controle remoto cheio de bombas e explosivos. O filme foi apenas razoavelmente bem nas bilheterias e a crítica não gostou muito. Parecia que Dirty Harry havia se tornado uma coisa do passado, dos anos 70. Clint, já um pouco envelhecido, não queria também apenas se repetir em sua carreira. Assim que o filme foi lançado ele anunciou que seria o último da série, uma promessa que aliás acabou cumprindo. Embora seja de fato o mais fraco de sua linhagem não se pode negar que "Dirty Harry na Lista Negra" cumpriu bem seus propósitos. Revisto hoje em dia acaba nos deixando com saudades desse tipo de filme policial. Na época poderia ser até quase banal, já hoje em dia ter filmes com essa qualidade chega a ser uma raridade. Sinal dos tempos.

Dirty Harry na Lista Negra (The Dead Pool, EUA, 1988) Direção: Buddy Van Horn / Roteiro: Harry Julian Fink, Rita M. Fink / Elenco: Clint Eastwood, Liam Neeson, Patricia Clarkson / Sinopse: Depois de vários problemas com a justiça o tira "Dirty" Harry (Eastwood) é designado por seus superiores para fazer o tipo garoto propaganda do Departamento. A intenção é tirar o velho tira das ruas ao mesmo tempo em que se ganha alguns pontos com a população por causa de sua popularidade. As coisas acabam não dando certo, principalmente depois do aparecimento de um psicopata que deseja matar Harry justamente por causa de sua fama.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Idade Média - A Importância das Cruzadas

Esse é um assunto dos mais controversos. As Cruzadas Católicas varreram a Europa e o Oriente Médio durante a alta e a baixa Idade Média. Até hoje historiadores debatem sobre o tema. Qual era a sua real motivação, o que fez com que Reis, nobres e cavaleiros deixassem a Europa em direção à Jerusalém para uma verdadeira guerra santa contra os muçulmanos? Sobre isso há várias posições, porém de maneira em geral há dois grupos bem definidos sobre a causa histórica do advento das Cruzadas.

A primeira corrente é a mais incisiva. Esse grupo de historiadores afirmam que o motivo de realização das cruzadas foi puramente econômico. A Igreja Católica e o Papa perceberam que havia uma grave crise social entre os povos europeus. Muitas pessoas sem trabalho, ocupação, praticamente na miséria completa. Para dar um objetivo de vida para todos esses europeus miseráveis e sem futuro organizaram-se as enormes cruzadas com centenas de milhares de europeus marginalizados. Durante as guerras de conquistas da Terra Santa eles teriam sido autorizados a pilhar, saquear e se apropriar de quaisquer bens em mãos de muçulmanos que encontrassem pela frente. A justificativa meramente econômica das cruzadas é de complicada defesa. Isso porque os Cruzados não eram apenas miseráveis, pobres e destituídos, mas também Reis, nobres e membros de classes altas. Certamente eles não teriam nada a ganhar arriscando suas vidas em território desconhecido, perigoso e repleto de islâmicos que também estavam empenhados em matar o maior número possível de cristãos.

Por essa razão as teorias puramente econômicas - extremamente firmadas no pensamento de esquerda, tentando adaptar as teorias de Karl Marx a esses eventos - se mostram bastante falhas. Na verdade ela desconsidera completamente a mente do homem medieval europeu. Esse estava plenamente convencido que era precisa marchar rumo à terra santa para livrar o local onde Jesus havia sofrido sua paixão das mãos dos muçulmanos, que aliás perseguiam cristãos de forma tão violenta quanto os cruzados os tratavam. Era uma guerra com motivações religiosas, principalmente. Os cristãos que viviam na Terra Santa estavam sendo perseguidos e mortos por ordem de altas autoridades religiosas do Islã. Como não aceitavam renegar a Cristo milhares foram mortos de forma violenta. Era precisa fazer alguma coisa para salvá-los. Os Cruzados assim, motivados pelos mais nobres sentimentos se ergueram contra essa carnificina de cristãos inocentes no Oriente Médio. Foram para a guerra por motivos justificados.

As Cruzadas, apesar de serem bastante atacadas por teóricos nos dias atuais, também teve sua importância histórica bem precisa. Elas de certa maneira mantiveram a Europa Cristã, longe da submissão que iria ser imposta pela Islã caso esse conquistasse os principais reinos cristãos da Europa. Imagine o grau de violência que se instalaria dentro da Europa caso dos exércitos islâmicos tomassem todas aquelas nações. Segundo uma mentalidade fundamentalista milhões de europeus seriam massacrados apenas por não aceitarem se converter ao islamismo. Para defender sua religião e o mais importante de tudo, sua liberdade, os reinados cristãos da Europa medieval se armaram e rumaram em direção ao centro do problema que se avizinhava. Obviamente que nem todos os Cruzados estavam cheios desse espírito de religiosidade intensa, mas de modo em geral essa foi a grande motivação para lutar em favor da cruz com uma espada na mão.

Pablo Aluísio.

Interestelar (2014)

Não é pequeno o número de pessoas que não gostaram desse filme. Eu sei explicar bem a razão. Não temos aqui um roteiro de fácil digestão. Na realidade o argumento é um dos mais inteligentes que já vi nos últimos anos. Ele lida com universos paralelos, dimensões espaciais e física, muita física, ou melhor dizendo, astrofísica. As distâncias e o espaço / tempo são tão grandiosos em termos universais que até mesmo nossos conceitos mais básicos se tornam elásticos e sem muito sentido diante da realidade explorada pelo filme em si. Os roteiristas de "Interestelar" não o escreveram para um público mediano, que mal consegue lidar com conceitos mais simples da ciência. Na verdade eles partiram do pressuposto que o espectador já teria algum colchão de conhecimento para absorver tudo o que verá pela frente. Só assim haveria a mínima possibilidade de compreender como o astronauta Cooper (Matthew McConaughey) consegue entrar em um buraco de minhoca, vindo parar em uma realidade paralela, em outra dimensão dentro de nosso próprio mundo. Uma vez lá ele tenta se comunicar com o seu Eu desse outro espaço tempo e o ciclo volta a se renovar, mostrando nesse sentido a universalidade da própria eternidade.

Já deu para perceber que não é uma ficção para quem andou cabulando as aulas de física no ensino médio não é mesmo? Pois bem. Se o espectador conseguir pelo menos pegar parte dessas nuances já terá feito alguma coisa. Na verdade o filme tem além de um roteiro excepcional uma direção de arte brilhante (que recria como seria alguns exoplanetas no universo) e efeitos especiais bem feitos e que trabalham em sintonia com a história que está contando. Provavelmente o filme vai agradar muito mais aos que já se interessam por esse tipo de tema. Os espectadores eventuais que não estejam dispostos a pensar muito vão acabar sofrendo para pegar tudo o que vê na sua frente. Não é um filme para amadores. "Interestelar" exige concentração e foco, algo que infelizmente falta em abundância no público que frequenta cinemas hoje em dia.

Interestelar (Interstellar, EUA, 2014) Direção: Christopher Nolan / Roteiro: Jonathan Nolan, Christopher Nolan / Elenco: Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Michael Caine, John Lithgow, Ellen Burstyn, Jessica Chastain, Casey Affleck / Sinopse: Ex piloto do programa espacial é recrutado para uma nova missão da NASA. Ele deverá ir junto com sua tripulação em direção a um enorme "buraco de minhoca" cósmico em busca de respostas sobre três missões anteriores que não retornaram ao planeta Terra. O objetivo é procurar um novo lugar para colonização pela raça humana pois os recursos naturais da Terra estão virtualmente esgotados. O lema da missão passa a ser "A humanidade nasceu na Terra, mas não precisa morrer nela". Filme vencedor do Oscar na categoria de Melhores Efeitos Especiais. Também indicado nas categorias de Melhor mixagem de Som, Melhor Edição de Som, Melhor Design de Produção e Melhor Música Original.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Aliança do Crime

Boston, 1975. James 'Whitey' Bulger (Johnny Depp) é um criminoso sem maior expressão do submundo de uma cidade cada vez mais dominada pela máfia italiana. Para o FBI o principal objetivo passa a ser combater o crime organizado desse grupo mafioso. Em busca de informantes nas ruas o agente do FBI John Connolly (Joel Edgerton) acaba convencendo seus superiores a colocarem Bulger na sua lista de colaboradores. Isso acaba criando uma espécie de "imunidade" informal para Bulger que começa assim a ampliar seu domínio pela cidade, principalmente após a prisão do chefe da família Angiulo. Envolvido em apostas ilegais, assassinato, tráfico de armas e de drogas, extorsão e prostituição, o gângster começa a se tornar um dos maiores chefões de todo o estado, tudo com amparo indireto do próprio FBI. Afinal o agente Connolly que o conhece desde a infância está sempre encobrindo seus atos criminosos. Para completar o seu próprio irmão, Billy Bulger (Benedict Cumberbatch), acaba se tornando um político bem sucedido, principalmente com o apoio da comunidade irlandesa de Boston. O império de Bulger porém começa a ruir quando novos agentes do Bureau passam a desconfiar de que há algo muito errado no combate ao crime naquela divisão. Inexplicavelmente, apesar de seus vários e notórios crimes, Bulger continua à solta, agindo livremente, demonstrando que nem o FBI está livre de ter em seus quadros membros envolvidos com corrupção. A história de "Aliança do Crime" foi baseada em fatos reais. O bandido interpretado por Johnny Depp foi por muitos anos um dos mais procurados criminosos dos Estados Unidos. Na verdade ele acabou se tornando o resultado de uma política equivocada por parte do FBI nas décadas de 1970 e 1980. Na tentativa de prender os principais chefões da máfia italiana a agência acabou firmando pactos não oficiais com criminosos, alguns deles de baixo escalão. Com a prisão das principais famílias mafiosas acabou se abrindo um vácuo de poder dentro do mundo do crime, sendo que foi justamente dentro desse espaço que cresceram novos chefões como James 'Whitey' Bulger.

Três coisas chamam a atenção na produção. A principal delas é a maquiagem do ator Johnny Depp. Usar forte maquiagem não é nenhuma novidade em sua carreira, aliás isso é o comum em suas atuações. No caso desse filme Depp acabou ficando quase irreconhecível. Parecendo ser bem mais velho, calvo, cabelos brancos e com dentição ruim, nem seus olhos escaparam da transformação. Surgem opacos e sem vida, retratando o estado psicológico psicopata de seu personagem. Realmente parece uma outra pessoa. Depp tentou um encontro com o verdadeiro James 'Whitey' Bulger que atualmente está cumprindo pena de prisão perpétua, mas não conseguiu. O infame criminoso não quis saber da adaptação de sua vida para as telas. Ele já está com quase 90 anos e nessa altura de sua vida não quer mais reviver velhas histórias de seu passado criminoso. O segundo aspecto a se destacar em "Aliança do Crime" é a tentativa por parte do diretor Scott Cooper (de "Coração Louco" e "Tudo por Justiça") em recriar o antigo estilo das produções sobre máfia da década de 1970. A fotografia saturada, com jeitão de filme antigo, tenta assim ressuscitar aquele clima antigo. Como ele não é Martin Scorsese ou Francis Ford Coppola, o resultado se torna apenas parcialmente bem sucedido. Faltou a Cooper melhor humanizar (ou desumanizar, dependendo do ponto de vista) seus principais personagens. A vida familiar e pessoal de Bulger, por exemplo, só é em parte bem desenvolvida. Descobrimos que ele perdeu um filho ainda muito jovem por causa de uma doença rara, porém isso não é melhor explorado. Sua esposa simplesmente desaparece a partir de determinado ponto do roteiro, sem maiores explicações. As reais motivações do agente Connolly também nunca ficam muito claras. Ele seria apenas um sujeito meio bobo e sem noção ou teria de fato interesses maiores na atuação de seu conhecido de infância, Bulger? Por fim e não menos importante, o roteiro apesar de apresentar essas falhas, até que se sai razoavelmente bem ao contar uma história que se prolonga por várias décadas. A principal referência que o espectador se lembrará será de filmes como "Os Bons Companheiros" ou "O Pagamento Final". Como Cooper porém jamais será Scorsese ou De Palma, temos assim apenas um bom filme e não uma obra prima como certamente teria acontecido caso fosse dirigido por esses mestres.

Aliança do Crime (Black Mass, EUA, Inglaterra, 2015) Direção: Scott Cooper / Roteiro: Mark Mallouk, Jez Butterworth / Elenco: Johnny Depp, Kevin Bacon, Joel Edgerton, Benedict Cumberbatch, Dakota Johnson / Sinopse: Durante a década de 1970 o criminoso James 'Whitey' Bulger (Johnny Depp) se torna informante do FBI em Boston. Ele repassa aos federais informações sobre as atividades criminosas da família mafiosa Angiulo. Com a prisão de seus membros a cidade acaba se tornando um território livre para que Bulger expanda sua rede de atividades ilegais. Jogos, apostas, prostituição, tráfico de armas, extorsão e comércio de drogas o tornam um sujeito rico e poderoso do submundo. E tudo isso contando com a preciosa ajuda do agente do próprio FBI John Connolly (Joel Edgerton). Filme vencedor do Hollywood Film Awards na categoria de Melhor Edição.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Dalton Trumbo: Um gênio nas mãos do Macartismo

Há exatos 39 anos (1976), o mundo do cinema perdia um dos seus maiores roteiristas: Dalton Trumbo. Realizador de verdadeiras obras-primas, como: “Spartacus” (1960) - “Johnny Vai à Guerra” (1971) - “Papillon” (1973) – “Adeus às Ilusões” (1965) e “A Felicidade Não Se Compra” (1946). O famoso roteirista que nasceu em Montrose, Colorado (EUA) - em 9 de dezembro de 1905, já fazia sucesso escrevendo roteiros para pequenas peças na Universidade do Colorado onde ficou por apenas dois anos. Em 1939 escreveu seu primeiro romance: “Johnny Vai à Guerra” que se transformou rapidamente num estrondoso sucesso.

Em 1940, porém, sua sorte mudou e passou a ser o roteirista mais bem pago de Hollywood. Ainda naquele ano viu seu Drama-Romance, “Kitty Foyle”, estrelado por Ginger Roger, Dennis Morgan e com direção de Sam Wood, ser indicado ao Oscar de melhor roteiro adaptado. Em 1941, quando a Alemanha nazista invadiu a União Soviética, Trumbo e seus editores resolveram suspender novas edições do livro “Johnny Vai à Guerra” até que a guerra acabasse. Em 1947 Trumbo é chamado para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos - em outras palavras - o tribunal anticomunista de Joseph McCarthy.

Nos depoimentos, Trumbo negou-se a entregar os colegas comunistas para o aterrorizante senador. Como punição foi condenado a 11 mêses de reclusão na prisão federal de Ashland, Kentucky. Após cumprir a pena, Trumbo mudou-se com a família e mais três casais de amigos, também perseguidos pelo macartismo, para o México. Em solo mexicano e ainda abalado pelo tempo em que passou na prisão, o famoso roteirista recebeu apoio de vários amigos produtores, diretores e atores.

Mesmo de longe, Trumbo ainda era requisitado pelos grandes produtores de Hollywood que lhe encomendavam roteiros que eram assinados por “testas de ferro”. Sob pseudônimo, escreveu mais de trinta roteiros. Dois filmes que ele escreveu sob pseudônimo ganharam o Oscar de melhor roteiro: “A Princesa e o Plebeu” (1953) e “Arenas Sangrentas” (1956). Somente dois anos depois, o astro e seu amigo pessoal, Kirk Douglas, assumiu o risco de contratá-lo e creditá-lo como roteirista do épico-clássico, “Spartacus” (1960), marcando assim o fim da lista negra. A vida de Trumbo e seu exílio já ganharam um documentário em 2006, que foi escrito por seu próprio filho, Christopher Trumbo.

Telmo Vilela Jr.

domingo, 15 de novembro de 2015

007 Contra Spectre

Depois dos acontecimentos do filme anterior o agente James Bond (Daniel Craig) resolve ir atrás do criminoso Marco Sciarra (Alessandro Cremona) na Cidade do México. Ele foi indicado por M (Judi Dench) em um vídeo, determinando que Bond o eliminasse assim que o encontrasse. Tudo de forma não oficial. Ao colocar as mãos no mafioso, Bond descobre que há uma organização muito maior e mais organizada por trás de tudo o que anda acontecendo, inclusive dentro do próprio governo inglês. Há uma movimentação para que o o projeto de agentes 00 (com licença para matar) seja encerrado de forma definitiva. Além disso um burocrata chamado C (Andrew Scott) está lutando para que todos os serviços de inteligência sejam unificados, numa clara tentativa de controlar todo esse poder. Mal sabe Bond que tudo está sendo determinado pelo misterioso Blofeld (Christoph Waltz), líder de um grupo criminoso internacional chamado Spectre. O objetivo final é o controle completo do aparato de espionagem dos principais países ocidentais. "Spectre" é o quarto e ultimo filme de James Bond com o ator Daniel Craig já que o próprio ator anunciou recentemente que não mais voltará ao personagem. Depois de nove anos interpretando o agente 007, Craig se justificou dizendo que não havia mais nada a explorar dentro desse universo. Ele deseja agora trilhar outros caminhos na carreira. Uma pena já que esse também é seguramente o pior filme da era Craig. Isso até me surpreendeu de forma negativa porque havia gostado bastante do anterior, "Operação Skyfall" de 2012.

Nesse novo filme se nota claramente que os roteiristas tentaram em vão voltar aos velhos tempos, partindo de uma trama mais tradicional. Não deu muito certo. Apesar de trazer de volta um dos vilões mais clássicos da franquia, o cruel Blofeld, que apareceu pela primeira vez em "Moscou Contra 007" de 1963, o resultado se mostrou apenas morno demais. A trama é bem básica e se desenvolve de maneira quase preguiçosa. Não há tantas sequências memoráveis de ação como nos filmes anteriores mais recentes e a sensação de Déjà vu logo se impõe. Rodado na Cidade do México, Roma e Londres, além de inúmeras tomadas de cenas nas geleiras da Áustria e nos desertos do Marrocos, o filme decepciona até mesmo na beleza dessas paisagens naturais, bem pouco aproveitadas. E por falar em desperdício de talento o grande equívoco do filme vem principalmente da pouca exploração da presença do ótimo ator Christoph Waltz. Ele tem poucas cenas realmente importantes e em nenhuma delas tem uma oportunidade real de mostrar seu talento dramático. Ao invés de desenvolver melhor o lado psicológico de seu duelo com James Bond, os roteiristas escolheram o caminho mais fácil, apelando para clichês (como na explosão das instalações no meio do deserto, algo que já saturou em se tratando de filmes da série). Outro velho problema que se repete vem das inúmeras situações de conclusão ao longo do filme. Toda uma teia é tecida com extremo cuidado para depois ser dissolvida das formas mais banais. O vilão está incomodando? Explode-se tudo! C é um burocrata odioso? Jogue ele do alto do prédio... e por aí vai. Provavelmente o surgimento tardio da Spectre nessa era Craig que se encerra aqui seja aproveitada no próximo filme, já sem o ator. Vai funcionar? Só o tempo dirá. O que podemos dizer é que nessa nova produção definitivamente não pareceu dar muito certo.

007 Contra Spectre (Spectre, Estados Unidos, Inglaterra, 2015) Direção: Sam Mendes / Roteiro: John Logan, Neal Purvis, baseados no personagem criado por Ian Fleming / Elenco: Daniel Craig, Christoph Waltz, Léa Seydoux, Ralph Fiennes, Monica Bellucci, Andrew Scott, Judi Dench / Sinopse: James Bond (Craig) descobre a existência de uma ampla organização internacional dedicada ao crime denominada Spectre. Liderado pelo vilão Blofeld (Christoph Waltz) esse grupo almeja ter o controle completo sobre todos os serviços de inteligência do mundo.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque. 

Elvis Presley - His Hand In Mine / How Great Thou Art

Em 1969 a RCA Victor soltou no mercado americano esse novo single de Elvis composto apenas por duas reprises. Na realidade os executivos da gravadora apenas escolheram as duas canções títulos dos dois únicos álbuns gospel de Elvis lançados até aquele momento e inventaram esse compacto sem muita razão de ser. Para faturar em cima do momento bom na carreira do cantor ainda aproveitaram duas boas fotos de Elvis no NBC TV Special na capa e contracapa (essa com Elvis cantando "If I Can Dream" no mesmo programa de TV). Parecia até  ser uma boa ideia para fazer sucesso na

s paradas de fim de ano. Não colou! Os fãs de Elvis estavam bem ávidos em comprar material de qualidade de Mr. Presley depois de tantas canções ruins de filmes por anos, mas claro que isso não significava que iriam jogar seu dinheiro fora com material velho, já fartamente comercializado em um passado nem tão remoto assim. O próprio Elvis ficou surpreso com o single. Embora ele fosse apaixonado por música religiosa, ele não queria que, em particular essas duas canções de que tanto amava, fossem utilizadas como meros caça-niqueis. Além disso Elvis tinha um profundo respeito por seus fãs, a ponto de confessar certa vez que ficava muito mal, fisicamente mal, quando algum lançamento com seu nome chegava ao mercado sem a devida qualidade artística. Infelizmente em seus contratos com a RCA não havia nenhuma cláusula dando a ele o controle sobre os lançamentos de sua gravadora.

Tudo chegava ao mercado sem o consentimento do cantor. Não raras vezes Elvis ficava realmente aborrecido com certos compactos que eram jogados no mercado americano sem qualquer tipo de critério. Nos momentos de maior raiva chegava ao ponto até mesmo de ameaçar abandonar a gravadora, embora nunca tivesse levado essa ameaça em frente. De uma maneira ou outra, sendo até bem complacente, tenho que admitir que pelo menos em termos de direção de arte esse single era bem bonito. O contraste de sua foto em preto e branco com esse azul intenso é inegavelmente de uma beleza ímpar. Tão boa é a capa desse compacto que ficaria muito bem até mesmo em um álbum da época. Para falar a verdade a capa é bem mais bela do que a disco "Elvis NBC TV Special" que trazia uma foto esquisita e bem pouco estética do programa de TV na capa. Coisas de um tempo em que isso nem era tão relevante como pensamos ser hoje em dia.

Pablo Aluísio.

sábado, 14 de novembro de 2015

Livre (2014)

Filme muito bonito e tocante. A personagem principal se chama Cheryl Strayed (interpretada pela talentosa atriz Reese Witherspoon que inclusive foi indicada ao Oscar por sua atuação). Após o fim de seu casamento e a desesperada tentativa de superação de uma antiga dependência química, além de vários outros problemas em sua vida, ela resolve fazer uma jornada de auto conhecimento, pegando a estrada em direção à rota Pacific Crest. Com uma mochila nas costas ela encara as dificuldades de seguir em frente rumo ao seu objetivo. Nesse processo acaba fazendo uma profunda reflexão sobre si mesma enquanto vai conhecendo pessoas interessantes pelo caminho. A história é baseada em fatos reais e foi contada pela própria autora no livro "Wild: From Lost to Found on the Pacific Crest Trail". Assim com um material rico em mãos foi apenas questão de encontrar os atores certos e um bom roteirista.

Curiosamente foi a própria atriz Reese Witherspoon que acreditou no projeto e praticamente tocou o filme em frente com seus próprios recursos. Ela certamente estava cansada do material que Hollywood lhe vinha oferecendo ano após ano, na maioria das vezes chatinhas comédias românticas que batiam na mesma tecla. Esse filme foi uma tábua de salvação, consagrando aquela máxima de que se você quer algo terá que lutar por isso. O resultado é mais do que agradável. Além dos lindos cenários naturais onde a história se passa o filme conseguiu ainda passar ao espectador todas as angústias, dificuldades e tramas que a personagem principal vive. Nada como a natureza para repensarmos os caminhos que resolvemos seguir em nossa existência. Uma verdadeira lição de vida que vai agradar e emocionar em cheio aquele tipo de público que procura por algo mais profundo em termos de cinema. Ótimo filme.

Livre (Wild, EUA, 2014) Direção: Jean-Marc Vallée / Roteiro: Nick Hornby, baseado no livro escrito por Cheryl Strayed / Elenco: Reese Witherspoon, Laura Dern, Gaby Hoffmann / Sinopse: Cheryl Strayed (Reese Witherspoon) é uma jovem com muitos problemas pessoais e emocionais que precisa respirar novos ares para repensar sua vida. Seu casamento acabou e ela ainda luta para superar seu vício em heroína. Em busca de uma saída ela coloca uma mochila nas costas e sai pela trilha de Pacific Crest onde conhece novas pessoas e vive experiências inéditas em sua jornada.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

RoboCop (2014)

O primeiro RoboCop é uma pequena obra prima dos anos 80. Claro que as várias sequências, algumas bem ruins, saturaram de certa maneira o personagem. Isso porém nunca tirou o mérito original do primeiro filme. Agora com a escassez de ideias que assola Hollywood resolveu-se realizar um remake, zerando a franquia, recomeçando tudo de novo. O resultado é essa nova versão dirigida pelo brasileiro José Padilha. Como ele foi o diretor dos excelentes filmes nacionais da franquia "Tropa de Elite" eu pensei que haveria mais conteúdo e substância nessa repaginada. Afinal de contas até mesmo o filme original colocava em pauta assuntos interessantes como a força das corporações controlando o aparelho policial que deveria ficar nas mãos do Estado. Certamente haveria bom material para levar adiante.

Padilha porém não se aprofundou muito nesse aspecto. De certa maneira ele se rendeu ao sistema mais formulaico que os grandes estúdios impõe em filmes como esse. Não houve o menor espaço para Padilha ser minimamente autoral. Ele parece o tempo todo mais preocupado em ser aceito dentro da indústria americana de cinema do que desenvolver algo que venha a ser marcante. O discurso político foi devidamente varrido para debaixo do tapete, ou melhor dizendo, amenizado ao máximo. O que sobrou foi um filme de ação e violência até competente, mas que poderia ser muito mais do que realmente é. Afinal de contas qual seria a necessidade de refilmar algo que já foi tão bom sem acrescentar nada em troca? Deixando tudo isso de lado vale a pena ao menos elogiar a competência técnica que o filme apresenta e a boa atuação de Joel Kinnaman no papel principal. Um ator já bem conhecido dos fãs da série "The Killing" ele certamente surpreendeu positivamente no papel do policial Alex Murphy.

RoboCop (EUA, 2014) Direção: José Padilha / Roteiro: Joshua Zetumer, Edward Neumeier / Elenco: Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton / Sinopse: Remake do clássico RoboCop de 1987. A história segue basicamente a mesma. Policial é ferido e acaba se tornando o protótipo de um novo programa que busca criar um novo tipo de homem da lei, unindo a racionalidade e a precisão de uma máquina com a consciência de um ser humano. Nasce assim RoboCop, meio homem, meio máquina, um tira total.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Vingadores: Era de Ultron

O filme já começa com uma grande batalha envolvendo os Vingadores. Eles estão tentando tomar posse de uma pedra, uma jóia do universo, que estava sob domínio de Loki, irmão de Thor. Após conseguirem finalmente colocar as mãos nela Tony Stark (Robert Downey Jr) resolve usar JARVIS para analisar do que se trataria realmente o misterioso artefato. Chega-se a conclusão que seria uma espécie avançada de inteligência artificial. O problema é que essa criatura que se denomina Ultron começa a ganhar poder e força. Após subjugar JARVIS ele finalmente se espalha pelo mundo virtual, usando para isso a Internet. Virtualmente impossível de ser capturado Ultron começa a desenvolver seu objetivo maior: trazer paz para a Terra. Em sua forma de pensar porém isso só será alcançado com o fim da humanidade e a criação de uma nova raça de seres superiores sem os defeitos, erros e incoerências do ser humano. Para evitar que a espécie humana seja extinta os Vingadores se unem para destruir essa perigosa ameaça ao planeta. Segundo filme da Marvel a explorar os Vingadores no cinema. Como era de esperar nessa era de grande sucesso de personagens de quadrinhos no cinema, esse segundo filme dos Vingadores se tornou um grande campeão de bilheteria. Em pouco tempo a produção alcançou o posto de sexta maior bilheteria da história do cinema com 1.32 bilhão de dólares arrecadados. É muito dinheiro realmente. Não existe atualmente nenhum outro gênero cinematográfico que tenha tanto potencial de renda. Deixando um pouco de lado esse aspecto puramente comercial temos que reconhecer que o filme como diversão e produto da cultura pop é bem eficiente. Não é uma obra de arte nem tampouco uma obra prima, mas diverte bastante. O roteirista e diretor Joss Whedon resolveu de forma inteligente não complicar algo que no fundo é até bem simples. Usando os próprios quadrinhos como referência absoluta ele escreveu um enredo que se assemelha e muito a um arco narrativo do próprio universo das revistas dos heróis Marvel. Ponto positivo, sem dúvida. De quebra explorou ainda vários detalhes do mundo dos quadrinhos na tela, como por exemplo, a Hulkbuster, uma roupa especial usada pelo Homem de Ferro para enfrentar o Hulk no mano a mano. Essa cena de luta aliás é uma das melhores sequências do filme.

Sem a necessidade, muitas vezes enfadonha, de ter que sair apresentando personagem por personagem, o roteiro teve liberdade para contar um enredo com um melhor ritmo, sem se preocupar com bobagens desnecessárias. Além disso há um ótimo vilão em cena, o Ultron. Logo que ele começou a declamar suas falas em cena eu reconheci imediatamente aquela forma singular de falar. Não poderia ser outro ator a dublar que não fosse o ótimo James Spader. A sensação inconsciente que tive foi que aquele robô havia incorporado o personagem Raymond 'Red' Reddington da série "The Blacklist". O mesmo sentimento, a mesma maneira de se expressar. Até mesmo os técnicos de efeitos especiais se empenharam em trazer os trejeitos de Spader para aquela máquina. Sinceramente essa foi para mim a melhor coisa de todo o filme. Simplesmente impagável. Em relação aos demais Vingadores temos que reconhecer que aquele velho problema de filmes com muitos protagonistas se repete aqui. Há muitos heróis para explorar ao mesmo tempo, com isso todos eles acabam sendo mal aproveitados de uma forma ou outra. No fundo a ideia de uma equipe de super heróis só funciona mesmo nas cenas de ação quando eles se unem para combater o mal, aqui corporificado em um exército de robôs controlados remotamente por Ultron. Confesso que em relação a essas mesmas máquinas não senti muita credibilidade nos efeitos digitais. Eles não reagem à gravidade, não parecem ter massa ou peso algum e deixam a sensação que estamos vendo um videogame. Em um aspecto que não poderia haver falhas o filme realmente apresenta esse defeito. Os efeitos não são tão perfeitos como era de se esperar. Para os apaixonados por quadrinhos porém isso tem pouca importância. Eles querem mesmo é ver seus personagem preferidos em carne e osso, aqui com o bônus de encontrarem pela primeira vez uma nova galeria de heróis formado por personagens como Visão, Feiticeira Escarlate e Mercúrio. Provavelmente a Marvel vá aproveitar cada um deles em futuros filmes ou séries, afinal de contas se há algo lucrativo hoje em dia no mundo do cinema essa é a adaptação de quadrinhos em série para a sétima arte. Assim deixo a recomendação, mesmo que você não seja um leitor dessas histórias a diversão certamente estará garantida.

Vingadores: Era de Ultron (Avengers: Age of Ultron, EUA, 2015) Direção: Joss Whedon / Roteiro: Joss Whedon, baseado nos personagens criados por Stan Lee e Jack Kirby / Elenco: Robert Downey Jr., James Spader, Chris Evans, Mark Ruffalo, Scarlett Johansson, Chris Hemsworth, Samuel L. Jackson, Don Cheadle, Elizabeth Olsen, Paul Bettany / Sinopse: Um novo vilão chamado Ultron (James Spader) decide destruir a humanidade para em seu lugar recomeçar a história da Terra com uma nova raça de seres evoluídos, inteligentes e racionais. Para evitar que seus planos sejam levados em frente um grupo de super-heróis que se denomina de Vingadores resolve combater essa nova ameaça. Filme indicado a vários prêmios do Australian Film Institute, Golden Trailer Awards e Teen Choice Awards.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.