domingo, 30 de novembro de 2014

Dívida de Sangue

Título no Brasil: Dívida de Sangue
Título Original: Cat Ballou
Ano de Produção: 1965
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Elliot Silverstein
Roteiro: Walter Newman, Frank Pierson
Elenco: Jane Fonda, Lee Marvin, Michael Callan, Nat 'King' Cole
  
Sinopse:
A jovem e educada Catherine Ballou (Jane Fonda) retorna para sua cidade natal, Wolf City, após longos anos estudando fora. Seu pai, um pequeno fazendeiro da região, anda ameaçado por bandidos e pistoleiros. Após sua morte ela decide reunir um grupo para se vingar de seu assassinato. Contrata o famoso pistoleiro Kid Shelleen (Lee Marvin), mas logo descobre que ele não faz jus ao seu nome e nem à sua fama, pois passa os seus dias completamente embriagado, mal se sustentando na sela de seu cavalo. Desesperada, Catherine resolve então  assumir a identidade de Cat Ballou, a musa e rainha dos Foras-da-Lei. Filme vencedor do Oscar e do Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator (Lee Marvin). Também indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição, Melhor Música e Melhor Canção Original ("The Ballad of Cat Ballou" de autoria de Jerry Livingston e Mack David). 

Comentários:
Passa longe de ser um western convencional. Se trata na realidade de uma comédia musical muito divertida que procura brincar com todo o bom humor com os clichês dos filmes de faroeste. O enredo pode ser descrito até mesmo como cartunesco ou uma peça de teatro bufa. Há inclusive elementos bem teatrais em seu desenvolvimento, como os dois cantores (ou seriam menestréis?) que vão contando a divertida história da pistoleira e fora da lei Cat Ballou. É claro que o espectador não deve levar nada, mas absolutamente nada mesmo, à sério, pois tudo se desenvolve nesse divertido tom de farsa meio maluca. Em termos de elenco temos dois destaques absolutos. O primeiro, como não poderia deixar de ser, vem da preciosa presença da maravilhosa e linda Jane Fonda. Ainda bem jovem, ela demonstra ter um timing incrível para o humor. Sua personagem começa como uma jovem inocente, recém saída de uma escola para moças de fino trato. De volta à fazenda do pai, um sujeito tosco e rude, ela precisa mudar sua forma de ser, principalmente depois que entende que ele anda ameaçado por pessoas inescrupulosas que desejam tomar suas terras. Depois da morte de seu querido pai, não há outra maneira a não ser cair no mundo do crime, assaltando um trem com um belo carregamento de ouro para o pagamento de trabalhadores da estrada de ferro. Jane, na flor da idade, era belíssima. Seu pai, o grande Henry Fonda, provavelmente teve orgulho dessa sua atuação. O outro grande ponto de destaque desse elenco vem com o fantástico Lee Marvin. O ator, que se notabilizou pelos personagens maus e vilões em filmes de western, deixou a vaidade pessoal de lado a abraçou a comédia escrachada com um brilhantismo digno de aplausos. Ele interpreta dois pistoleiros. Um é o vilão, um sujeito mal encarado e sempre disposto a matar, desde que lhe paguem bem. Todo vestido com um figurino negro, lembra os antigos personagens de Marvin nos filmes de Randolph Scott. O outro é uma lenda das publicações baratas, Shelleen Kid. Se nos pequenos panfletos (que eram bem populares na época) ele surgia como um herói sem máculas, na vida real não passava de um  alcoólatra, caindo pelos cantos, implorando por mais uma dose de whisky barato. Lee Marvin transformou seu papel em um pateta e está muito divertido em sua caracterização, a ponto inclusive de ter sido premiado com o Oscar por sua atuação, em um reconhecimento mais do que merecido. Por fim e não menos importante é bom ressaltar a presença da lenda da música americana Nat 'King' Cole, intercalando o divertido enredo com seu talento maravilhoso, cantando as músicas do filme. Em suma, uma comédia divertida, bem humorada, para se assistir com extrema leveza. Se você gosta de faroestes e não se importa que transformem alguns clichês do gênero em uma piada engraçada, certamente vai gostar do resultado. O importante é relaxar e se divertir o máximo possível.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Hudson Hawk - O Falcão Está à Solta

Título no Brasil: Hudson Hawk - O Falcão Está à Solta
Título Original: Hudson Hawk
Ano de Produção: 1991
País: Estados Unidos
Estúdio: TriStar Pictures, Silver Pictures
Direção: Michael Lehmann
Roteiro: Bruce Willis, Robert Kraft
Elenco: Bruce Willis, Danny Aiello, Andie MacDowell, James Coburn

Sinopse:
Após passar dez anos na prisão, Hudson Hawk (Bruce Willis) está disposto a endireitar sua vida. Quer arranjar um trabalho honesto para viver em paz. Sua fama porém o persegue e ele começa a ser chantageado por um casal de milionários, que deseja que ele roube algumas das obras de arte do gênio da renascença italiana Leonardo da Vinci. Filme "vencedor" de três "prêmios" do Framboesa de Ouro: Pior Roteiro, Pior Direção e Pior Filme.

Comentários:
Astros de cinema muitas vezes se tornam vítimas de seu próprio ego. Que o diga Bruce Willis que no começo de sua carreira teve a péssima ideia de filmar uma história que ele mesmo havia bolado. Claro que na época ele tinha muita moral nos estúdios e por isso não houve problemas para levantar dinheiro para a realização do filme, o problema é que o enredo era confuso, sem foco e muito fraco. Isso passou claramente para a tela e se tornou bem fácil de perceber para o espectador. A produção não é ruim, longe disso, há até efeitos especiais bem bacanas, além disso a direção de arte é realmente de encher os olhos. O problema é que não se tem uma boa estória para contar - culpa do estrelismo de Bruce Willis. Em vista disso o filme logo se tornou um tremendo fracasso de bilheteria, merecidamente aliás. De bom mesmo, além da produção classe A, temos a presença do veterano James Coburn, ator de tantos westerns do passado. Ele sozinho não consegue salvar a fita do desastre, mas funciona como um paliativo interessante.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Profissão: Ladrão


Título no Brasil: Profissão: Ladrão
Título Original: Thief
Ano de Produção: 1981
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Michael Mann
Roteiro: Frank Hohimer, Michael Mann
Elenco: James Caan, Tuesday Weld, Willie Nelson, James Belushi 

Sinopse:
Frank (James Caan) é um talentoso arrombador de cofres que deseja parar com a vida criminosa. A máfia de Nova Iorque porém precisa que ele faça um último trabalho, algo que dará origem a uma complexa rede de traições, violência e acerto de contas. Filme indicado à Palma de Ouro em Cannes.

Comentários:
Essa fita foi produzida pelo próprio ator James Caan. O roteiro foi oferecido pelo veterano cineasta Michael Mann e como nenhum grande estúdio de Hollywood queria bancar o projeto, Caan resolveu que ele próprio iria financiar o filme. Foi uma decisão mais do que acertada pois ao lado de Mann ele acabaria realizando uma verdadeira obra prima. Embora tenha sido produzido na década de 1980, "Thief" herdou toda a estética realista e barra pesada da década anterior e isso é um mérito e tanto para o filme, isso porque nos anos 1970 nós tivemos alguns dos melhores filmes policiais já realizados. Além disso o ator que se notabilizou interpretando um membro de uma família mafiosa Corleone em "O Poderoso Chefão" ficou perfeitamente à vontade em seu papel. O roteiro (baseado na novela escrita por Frank Hohimer) consegue mesclar ação e violência com uma excelente trama de fundo psicológico. Obra prima que infelizmente anda bem esquecida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Elvis Presley - Os Anos Finais - Parte 32

"Apesar de tudo temos a autópsia dele afirmando que certamente ele não morreu de uma overdose de drogas. Na verdade foi uma série de fatores, que juntos, causaram sua morte." - e prossegue Esposito - "Não estou dizendo que as drogas não tenham tido uma influência sobre sua morte ou que elas não contribuíram com o colapso de seu coração naquele dia. Tampouco estou dizendo que os remédios o mantinham saudável ou algo assim. Nada disso. Mas você tem que lembrar que ele morreu de uma doença no coração. Sim, ele estava tomando muitas pílulas em seus anos finais mas é errado afirmar que Elvis morreu de uma overdose de drogas. Não houve overdose, o seu coração apenas disse: 'É o bastante'".

Para Joe Esposito muitos fatos que aconteceram acabaram levando o cantor a um estado de depressão cada vez mais presente e forte, o que agravou ainda mais sua saúde, de uma forma geral, e cita exemplos de acontecimentos que de uma forma ou outra atingiam indiretamente Elvis: "Veja, acima de tudo eu quero que as pessoas entendam que Elvis era apenas outro ser humano com talentos dotados de Deus, que ninguém mais no mundo teve. Ele se machucava como você e eu. Ele tinha problemas como todos têm. As pessoas o colocaram em um pedestal. Certa vez Elvis fez uma declaração afirmando que a imagem de um artista e o verdadeiro ser humano atrás dessa fachada eram coisas distintas. É verdade, Elvis não era a imagem que mostrava nos palcos ou nos filmes. Ele se magoava quando o atingiam. Ele possuía sentimentos como todos nós. Ele ficava deprimido quando as pessoas comentavam seu estado físico. Você acha que alguém gostaria de ler uma crítica o humilhando por ter ganho um grande aumento de peso? De repente você vê as manchetes: 'Elvis, gordo e aos 40'. Isso vai machucar alguém, não importa quem seja. Todos nós temos um pouco de orgulho e ego para nós mesmos. Mas esse cara tem que tê-lo no ar, em volta do mundo. Tem que estar nas capas de revistas e isso machuca." Esse aliás é um dos consensos em torno da biografia de Elvis Presley. Tanto para Esposito como para todos os que viveram ao seu lado, tudo o que ocorreu de negativo em relação a Elvis no tocante a sua vida pessoal e profissional, acabou agravando ainda mais a sua já tão presente e crônica depressão.

Um dos mais graves problemas enfrentados por Elvis Presley em seus anos finais foi sua depressão crescente, tão bem retratada por Joe Esposito em seu depoimento. Nos últimos momentos de sua vida as pessoas que viviam ao lado do cantor testemunharam o longo declínio do artista nesse aspecto. Elvis, que nos anos 60 foi uma pessoa extremamente festiva e alegre entre os amigos, a ponto de promover praticamente uma festa por noite quando estava filmando em Hollywood, foi aos poucos se deixando dominar pela melancolia e angústia. Não era raro o cantor simplesmente se isolar do mundo quando estava em Graceland durante seus momentos de ócio. E se isolar não significava apenas não sair mais de sua mansão, mas sim nem ao menos sair mais de seu quarto para fazer suas refeições ao lado de seus amigos e familiares. Elvis, quando mergulhava profundamente em estado depressivo, não queria ver ou se socializar com mais ninguém.

Ele entrava em um estado tão enclausurado que chegava inclusive a espantar seus próprios empregados. Muitas vezes o prato de comida era simplesmente deixado na porta de seu quarto. Definitivamente Elvis não queria ver absolutamente ninguém! Vários são os fatores apontados pelos biógrafos que tentam justificar esse lamentável estado de espírito de Elvis nos derradeiros anos de vida. Para alguns o principal motivo de tanta depressão, angústia e tristeza, era o final decepcionante de seu casamento. Nada surpreendeu mais Elvis do que saber que sua amada esposa Priscilla Presley o havia simplesmente traído com seu próprio instrutor de Karatê, Mike Stone. Este fato deixou Elvis extremamente chocado e sem saber o que fazer! Em um primeiro momento e sem raciocinar de forma equilibrada, Elvis tentou resolver tudo ao velho estilo sulista, chegando inclusive a ameaçar de morte sua esposa e seu amante! Mas passado algum tempo desistiu da idéia após ser aconselhado por seu vocalista de apoio e amigo, J.D. Sumner. Esse fato por si só serviu apenas para deixá-lo ainda mais deprimido. Mas não era só em aspectos pessoais que podemos encontrar os vários motivos de Elvis a desenvolver uma depressão cada vez mais acentuada e crescente. Sua carreira também não ajudava. Vários de seus planos foram por água abaixo com o passar do tempo.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Elvis Presley - Os Anos Finais - Parte 31

Joe Esposito, em recente entrevista, procurou desfazer essa imagem de um Elvis Presley completamente submisso ao tirânico Tom Parker. Perguntado sobre a recusa de Parker para Elvis fazer a refilmagem de "Nasce uma estrela" (com Barba Streisand), um dos símbolos máximos da teoria "Elvis, marionete de Tom", ele explicou: "As pessoas esquecem que Elvis e o Coronel formavam um time. Elvis não era uma pessoa fácil de manipular. Ele era uma pessoa muito obstinada com as coisas. Todos não percebem que quando ele colocava sua mente contra alguma coisa, você não conseguia mais conversar com ele sobre isso. Ele fazia o que queria. Definitivamente não foi o Coronel que recusou o convite para filmar "Nasce uma estrela". Elvis é que não queria mais fazê-lo após uma conversa. Eu estava lá com Elvis, Barbra Streisand, Jon Peters e o Coronel. A idéia era fabulosa, era a chance de Elvis retomar com estilo sua carreira de ator, que muitos considerava morta e enterrada. Mas depois Elvis pensou e percebeu que o diretor iria ser Jon Peters, namorado de Barbra. Ele percebeu com isso que não teria nenhum controle sobre o resultado final. Ele definitivamente não queria Peters na direção do filme, mas alguém com talento e que não fosse tão íntimo assim da atriz principal. Para Elvis isso iria prejudicar o resultado final, porém ele não tinha como falar isso pessoalmente e abertamente para Barbra. Além disso Elvis estava certo que Barbra, de personalidade extremamente forte e dominadora, iria tomar o controle absoluto sobre isso. O ego de Elvis era muito grande, assim como o de Barbra. Elvis achou que iria perder o controle durante as filmagens. Elvis sentiu que iria entrar em algo que não teria controle. Então ele disse a Parker que ele fizesse uma proposta inaceitável, como pedir uma fabulosa soma de dinheiro que não poderia ser bancada pelo estúdio. E assim Parker o fez. Depois Elvis comentou comigo: 'Deixei o Coronel levar a culpa, ele não se importa com isso'. O Coronel errou muitas vezes durante a carreira de Elvis, ele não era perfeito.

Joe Esposito então desmistifica uma das grandes histórias mal contadas da carreira de Elvis. Com isso ele quer deixar claro que não apenas o Coronel dava suas notas desafinadas na carreira do cantor, mas que ele, Elvis Presley, também era o autor de muitas e muitas notas dissonantes produzidas ao longo dos anos... Joe Esposito foi, durante grande parte da carreira de Elvis Presley, uma das pessoas mais próximas a ele. Além de confidente, amigo e ajudante, Esposito também conseguiu um feito que poucos caras da Máfia de Memphis conseguiram: ser também reconhecido como uma pessoa de valor por ninguém menos do que Tom Parker e a esposa de Elvis, Priscilla Presley. Com essa vantagem em especial Esposito transitou livremente pelos dois pólos da carreira do cantor, tanto compartilhando de sua vida pessoal como profissional, aonde chegou a trabalhar por longo tempo com o Coronel, participando inclusive de muitas decisões que foram tomadas ao longo dos anos envolvendo os rumos que Elvis tomaria dali pra frente. Nada mais natural do que considerá-lo como uma das grandes testemunhas oculares do que efetivamente aconteceu com Elvis em seus anos finais. Ele não apenas ouviu dizer ou leu sobra a história de Elvis, ele a vivenciou. Em vista disso qualquer de seus comentários ou observações é extremamente relevante. Para Joe Esposito o grande problema envolvendo Elvis Presley em seus derradeiros anos não se resumia aos aspectos puramente profissionais ou aos caminhos, muitas vezes equivocados, que ele trilhou.

O grande problema sobre Elvis era estritamente pessoal. Para Esposito chegou um ponto em que ninguém mais poderia ajudá-lo, apenas Elvis poderia se salvar das armadilhas em que havia se enroscado. Questionado hoje, muitos anos após a morte do cantor, se a família ou os amigos poderiam ter salvo a vida de Elvis, o internando em uma clínica de reabilitação para viciados em drogas, por exemplo, numa verdadeira intervenção pessoal sobre ele, Esposito dá sua conclusão sobre o assunto: "Bem, naqueles tempos não pensávamos sequer nessa possibilidade. Fazer uma intervenção em Elvis?! Naquele tempo você não poderia fazer isso. Estamos falando de muitos anos atrás. Estamos falando de um tempo em que apenas seu pai teria os meios legais de fazer algo desse tipo. Certamente Vernon tentou de algum modo, penso inclusive que ele deveria ter sido um pouco mais firme e incisivo sobre essa questão, mas na realidade ninguém tinha controle sobre Elvis e não podíamos fazer nada nesse sentido. Teríamos sido presos e jogados na cadeia por rapto, para falar a verdade. Hoje, esse tipo de coisa é bem mais comum, de qualquer forma nunca ouvi falar em fazer algo desse tipo em alguém tão famoso quanto Elvis".

Para Esposito a grande questão envolvendo Elvis em seus anos finais passa necessariamente por seu uso e abuso de remédios, algo que o limitava, que o inibia a tentar novos caminhos e promover mudanças artísticas no que vinha apresentando em seus momentos finais. Como alguém iria promover algum tipo de mudança significativa se toda sua atenção era desviada para tantos problemas pessoais?! Não havia brecha para que Elvis pensasse seriamente sobre nada, no que diz respeito aos erros e acertos que Tom Parker ia promovendo ao longo do tempo. Com a palavra Esposito: "Certamente havia um sério problema. Ele certamente não engolia tantas pílulas quanto o que vemos em livros e revistas. Mas havia um sério problema envolvido certamente. Elvis tinha uma forte constituição física e era o tipo de pessoa que tomaria algumas pílulas para dormir, só que elas não fariam o mesmo efeito após um certo tempo. Então certamente, duas horas mais tarde, ele tomaria mais algumas. E ele fazia isso com todos os remédios que ingeria. Tomando um monte deles ele acabou imune aos seus efeitos. Para promover os mesmos efeitos ele teria que necessariamente aumentar as doses gradativamente e isso virava um círculo vicioso. Daqui a pouco a mesma quantidade já não faria mais efeito e então ele aumentaria mais ainda as doses uma segunda vez e assim sucessivamente...

Pablo Aluísio e Erick Steve.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Meu Pecado Foi Nascer

Título no Brasil: Meu Pecado Foi Nascer
Título Original: Band of Angels
Ano de Produção: 1957
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Raoul Walsh
Roteiro: Robert Penn Warren, John Twist
Elenco: Clark Gable, Yvonne De Carlo, Sidney Poitier, Efrem Zimbalist Jr.

Sinopse:
Amantha Starr (Yvonne De Carlo) é uma jovem rica e mimada, filha de um grande fazendeiro do Kentucky. Quando se torna adolescente seu pai a matricula em uma das melhores escolas para moças dos Estados Unidos. Recebendo uma educação primorosa ela fica por lá por longos anos até que recebe uma carta avisando que seu pai está gravemente doente. De volta ao lar descobre que a fazenda de sua família está arruinada financeiramente e que seu pai está morto! Para piorar seu pai fez enormes empréstimos que agora custam toda a sua propriedade e como se isso não fosse ruim o bastante, Amantha também descobre que é filha de uma escrava, o que a torna necessariamente destituída de sua liberdade praticamente da noite para o dia!

Comentários:
Um dos últimos trabalhos da carreira de Clark Gable também é um de seus melhores. Ele interpreta Hamish Bond, um rico comerciante de algodão que fez sua fortuna com o tráfico de escravos para a América durante o século XIX. Poderoso e influente, acaba comprando em um leilão de escravos a bela Amantha Starr (De Carlo), que fora criada como uma branca livre até descobrirem que sua mãe era uma escrava negra da fazenda de seu pai. Obviamente que ela está arrasada completamente pela situação terrível pela qual está passando! De repente seu mundo muda completamente, pois passa da situação de ser uma filha de um fazendeiro de algodão com muitos escravos negros para a bestial condição de ser também mera propriedade, uma escrava de seu amo. Hamish porém não deseja fazer valer seus direitos de vida e morte sobre ela. Ao contrário disso tenta conquistá-la. O enlace romântico porém é interrompido pela delicada situação política pela qual o país atravessa. Nas vésperas da guerra civil americana os estados do sul lutam para manter a escravidão, enquanto os ianques do norte tentam trazer novamente os estados rebeldes de volta à União, ao mesmo tempo em que estão dispostos a irem para a guerra para fazer valer a abolição da escravatura assinada pelo presidente Lincoln. Diante de toda a riqueza do contexto histórico em que a trama se desenvolve, dos belos figurinos, cenários e da produção caprichada, "Band of Angels" é de fato um grande filme, desses de encher os olhos realmente. Por fim e não menos importante, é relevante louvar o trabalho do excelente ator Sidney Poitier no papel de Rau-Ru, um escravo do senhor Hamish que recebeu educação e preparo para ser seu braço direito. Mesmo com tantos benefícios ele jamais se rende ao estado de sua situação pessoal. Ele odeia o fato de ser um escravo e mesmo seu dono o tratando da melhor maneira possível se recusa a se acomodar nessa posição. Quando a guerra finalmente explode ele não pensa duas vezes antes de se alistar ao lado dos exércitos da União. Um belo retrato da fibra e da capacidade de luta do homem negro escravizado em uma América que começava a mudar sua sociedade de forma drástica. Assim "Meu Pecado Foi Nascer" está mais do que recomendado, pois sem dúvida é um maravilhoso filme do cinema americano dos anos 1950.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Tempo de Massacre

Título no Brasil: Tempo de Massacre
Título Original: Le Colt Cantarono La Morte e Fu... Tempo di Massacro
Ano de Produção: 1966
País: Itália
Estúdio: I.F. Produzioni Cinematografiche, Mega Film
Direção: Lucio Fulci
Roteiro: Fernando Di Leo
Elenco: Franco Nero, George Hilton, Linda Sini, Giuseppe Addobbati

Sinopse:
O enredo se passa no ano de 1866 no Novo México. Tom Corbett (Franco Nero) após longos anos cavalgando pelo velho oeste, resolve retornar para sua cidade natal, Laramie Town. Sua principal intenção é rever seus familiares e matar as saudades. As coisas porém não andam bem por lá. A região está dominada por Jason Scott (Giuseppe Addobbati), um bandoleiro que ficou rico usando de táticas criminosas. O irmão de Tom, Jeffrey (George Hilton) um homem honesto e íntegro, está dominado pelo alcoolismo. Ele pretende recuperar a saúde de seu irmão para que juntos expulsem Scott e sua quadrilha da cidade.  

Comentários:
O ator Franco Nero foi sem dúvida uma das maiores estrelas do western Spaghetti. Após ficar consagrado como o personagem Django ele voltou a estrelar novos filmes de faroeste. Esse aqui aliás foi produzido no mesmo ano de "Django", com poucos meses de diferença entre os lançamentos, o que garantiu para a fita uma ótima bilheteria (inclusive no Brasil). O roteiro segue também os passos do famoso clássico, onde redenção e vingança estão na ordem do dia. Embora dessa vez o personagem de Nero não seja um pistoleiro tão sinistro e durão como em seu filme anterior. Logo após ele voltaria à tona, estrelando mais um spaghetti bem conhecido, "Adeus, Texas", confirmando seu nome como um dos mais populares do gênero na década de 1960. Nesse "Tempo de Massacre" Franco Nero contracena com o ator uruguaio George Hilton, que também se tornou bem conhecido na época, estrelando inúmeros filmes nesse estilo, entre eles "Eu Mato... e Recomendo a Deus" (seguindo a tradição de títulos chamativos do cinema italiano) e "Bandoleiros Violentos em Fúria". Filmes com muita ação e cenas violentas, como bem rezava a cartilha dos faroestes produzidos na velha bota. Os fãs do gênero não terão do que reclamar.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A Experiência

Título no Brasil: A Experiência
Título Original: Species
Ano de Produção: 1995
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Roger Donaldson
Roteiro: Dennis Feldman
Elenco: Natasha Henstridge, Michael Madsen, Ben Kingsley

Sinopse:
Cientistas manipulam a carga genética de seres extraterrestres e dão origem a um ser híbrido, meio ser humano e meio alien. O experimento dá origem a uma garota que aparentemente seria normal, porém sua presença logo se torna perigosa. Após conseguir fugir ela ganha a liberdade e começa a tentar perpetuar sua espécie em nosso planeta.

Comentários:
Ficou extremamente datado com os anos essa ficção "Species". Também pudera, filmes assim se apoiam bastante em efeitos digitais e quando eles se tornam ultrapassados a tendência é o próprio filme também ficar obsoleto, já que em termos de roteiro não há muito o que apreciar. De certa forma o argumento procurou tirar proveito de um tema que andava muito em voga nos anos 1990, envolvendo as maravilhosas descobertas da tecnologia biológica e sua manipulação. Obviamente que esse tipo de coisa também levava a outra discussão envolvendo bioética e temas semelhantes. Isso porém não é muito explorado pelo roteiro, pelo menos não diretamente. O que sobra é apenas um bom ponto de partida que não consegue alcançar todas as suas promessas e potencialidades. Também é de se chamar atenção para o fato do filme ter sido dirigido pelo cineasta Roger Donaldson. A verdade é que o universo Sci-fi nunca foi sua praia e apesar de ser um diretor de mão cheia, ele não conseguiu transitar nesse gênero de forma muito convincente. Mesmo assim, com o sucesso da fita, tivemos várias sequências, a maioria delas belas porcarias. É a tal coisa, nem sempre sucesso comercial rima com qualidade cinematográfica.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

No Vale das Sombras

Título no Brasil: No Vale das Sombras
Título Original: In the Valley of Elah
Ano de Produção: 2007
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Paul Haggis
Roteiro: Paul Haggis, Mark Boal
Elenco: Tommy Lee Jones, Charlize Theron, Susan Sarandon, Jason Patric, Josh Brolin, Jonathan Tucker

Sinopse:
Hank Deerfield (Tommy Lee Jones) tem um sério problema a resolver. Seu filho, um veterano do exército na intervenção americana no Iraque, resolve desertar das forças armadas e muito provavelmente para não ser preso e enfrentar uma severa corte marcial resolve fugir, desaparecer, sem deixar rastros. Seu pai Hank então junta todos os esforços ao lado da detetive Emily Sanders (Charlize Theron) e da mulher de Hank, Joan (Susan Sarandon), para descobrir sobre seu verdadeiro paradeiro.

Comentários:
Filme com um tremendo elenco que conseguiu unir mistério, suspense e até mesmo aventura. A trama é por demais interessante e mostra um lado da guerra que nem sempre é muito explorado por Hollywood, a aflição dos pais de jovens que são enviados ao exterior e uma vez lá sofrem danos psicológicos irreversíveis. O grande mérito do filme vem do trabalho do ator Tommy Lee Jones. É incrível como ele consegue mesmo não usando muitas expressões faciais transmitir inúmeras emoções internas aos espectadores. Aqui seu estilo se sobressai como nunca. Enquanto os demais membros do elenco se esforçam ao máximo para impactar em cena, Jones é de uma calma que incomoda. Mesmo assim o cinéfilo mais atento verá que por trás do mar de tranquilidade há um maremoto terrível de sentimentos que poderá explodir a qualquer momento. No geral o filme consegue agradar bastante, tanto que também se consagrou nos principais festivais de cinema, entre eles o Oscar que deu uma justa indicação a Tommy Lee Jones por sua excelente atuação.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A Recompensa

Título no Brasil: A Recompensa
Título Original: Dom Hemingway
Ano de Produção: 2013
País: Inglaterra
Estúdio: BBC Films
Direção: Richard Shepard
Roteiro: Richard Shepard
Elenco: Jude Law, Richard E. Grant, Demian Bichir, Madalina Diana Ghenea

Sinopse:
Após ficar por doze longos anos preso, o ladrão de cofres Dom Hemingway (Jude Law) finalmente cumpre sua pena e ganha a liberdade. Apesar dos anos passados ele continua o mesmo, falastrão, furioso e incontrolável. Assim que coloca os pés fora da prisão parte em busca de vingança contra o homem que se aproveitou de sua falecida esposa enquanto ele estava atrás das grades. Depois viaja até o sul da França para acertar contas com o antigo líder de sua quadrilha, o agora milionário e bon vivant Ivan Fontaine (Demian Bichir). Ele quer a recompensa por ter ficado tantos anos calado, sem entregar o nome de ninguém para a polícia.

Comentários:
Uma boa amostra do novo cinema britânico podemos encontrar aqui em "Dom Hemingway". Esse filme tem aquele tipo de roteiro bastante focado em um personagem central, no caso o criminoso interpretado por Jude Law. Ele é um sujeito durão, que fala pelos cotovelos e tem uma personalidade bem irascível e fora de controle. Nem bem ganha a liberdade e  já começa a arranjar confusão. Falando um vocabulário completamente vulgar, cheio de palavrões, ele vai tentando se adaptar aos novos tempos, uma vez que ficou encarcerado por doze anos. Nesse tempo sua esposa morreu de câncer e sua filha se casou com um imigrante africano (e para sua enorme surpresa seu neto é um mestiço de nome esquisito, Jawara!). Um reflexo das mudanças ocorridas dentro da própria sociedade inglesa desde então! Para Dom porém não há saída pois ou ele se adapta ou morre. Após procurar por seu antigo chefe, o russo Ivan Fontaine (interpretado pelo ator Demian Bichir da série "The Bridge") ele tenta reorganizar seus passos, algo que não será fácil. Uma das melhores coisas desse filme é a interpretação de Jude Law. Longe de seus tempos de galã sedutor, ele aqui surge de forma bem diferente, com longas e bregas costeletas, calvície avançada e roupas sem nenhuma sofisticação, tudo para dar vida ao seu personagem. Esse é do tipo "ame ou odeie", assim se o espectador não gostar do Dom Hemingway logo no começo vai ser complicado aguentar o filme até o fim, pois ele está o tempo todo em cena, falando sem parar, em pequenas narrativas com títulos próprios, como por exemplo "O Pai do Ano", quando ele vai finalmente se reencontrar com sua filha. No fim das contas é um bom programa valorizado pelo esforço de Jude Law em desenvolver um convincente trabalho de atuação. Vale a pena conhecer.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Ray Charles - I Got a Woman

Ray Charles tinha tudo contra si no começo de sua vida. Ele nasceu negro em uma família muito humilde em uma das regiões mais segregadas e racistas dos Estados Unidos. Além disso ficou com problemas na visão muito cedo, se tornando deficiente visual. A questão é que ele também tinha um grande talento musical e isso o salvou completamente da vida cheia de privações e miséria de onde veio. No começo da carreira Ray se virou como podia para arranjar trabalho. Assim ele começou a copiar o estilo de Nat King Cole, afinal cantando daquela forma ele sempre arranjava contratos com as boates da região. Obviamente Ray Charles tinha seu próprio estilo, único e maravilhoso, mas por questões puramente comerciais deixava isso um pouco de lado.

O importante era sobreviver. Depois de uma temporada numa pequena gravadora ele foi finalmente contratado pela conhecida e poderosa Atlantic Records. Foi a grande chance de sua vida. As coisas porém não começaram muito bem pois Charles continuava a seguir os passos de Nat King Cole. Após lançar quatro singles e perceber que nenhum havia feito sucesso ele finalmente tomou coragem para assumir seu próprio estilo em seus discos. Assim levou "I Got a Woman" para gravar. Se fizesse sucesso seria ótimo, caso contrário ele voltaria para o estilo anterior.

"I Got a Woman" estourou nas paradas e levou o nome de Ray Charles pela primeira vez ao topo das paradas. A fórmula era mais do que interessante. A melodia era claramente inspirada na Gospel Music Negra, nos hinos religiosos que Ray conhecia tão bem desde criança. A letra porém não tinha nada a ver com religião, era aliás bem ousada, quase escandalosa naqueles tempos moralistas e conservadores. A fusão entre Gospel e uma letra tão profana deu origem a um novo gênero musical, a Soul Music, a música que vem de dentro, do fundo da alma.

Finalmente após tantos anos de luta em busca do sucesso o maravilhoso Ray Charles havia finalmente encontrado seu caminho. Claro que "I Got a Woman" abriu todas as portas para Ray Charles a partir daí. Desse ponto em diante ele não mais deixaria os picos da fama e do sucesso. A canção em si se tornou um marco e para muitos especialistas foi um dos primeiros registros de rock da história! Afinal de contas o que é o Rock em sua essência? Uma mistura talentosa de gêneros musicais diversos. "I Got a Woman" se enquadra perfeitamente nesse conceito. Consagrada por crítica e público a música ainda seria gravada por outros mitos, entre eles Elvis Presley e os Beatles. Maior prova de sua imortalidade não há!


I Got a Woman (Ray Charles) - well / I got a woman way over town that's good to me oh yeah / Say I got a woman way over town good to me oh yeah / She give me money when Im in need / Yeah she's a kind of friend indeed / I got a woman way over town that's good to me oh yeah / She saves her lovin early in the morning just for me oh yeah / She saves her lovin early in the morning just for me oh yeah / She saves her lovin just for me oh she love me so tenderly / I got a woman way over town that's good to me oh yeah / She's there to love me both day and night / Never grumbles or fusses always treats me right / Never runnin in the streets and leavin me alone / She knows a womans place is right there now in her home / I got a woman way over town that's good to me oh yeah / Say I got a woman way over town that's good to me oh yeah / Oh she's my baby now don't you understand / Yeah and I'm her lover man / I got a woman way over town that's good to me oh yeah / A Don't ya know she's alright / A Don't ya know she's alright / she's alright she's alright / Whoa yeah oh yeah oh.

Come Back Baby (Ray Charles) - Oh come back, baby / Oh mama please dont go, yeah / Cause the way I love you / Child you'll never know / Oh come back baby, yeah yeah / Let's talk it over one more time / Oh now now / Well I admit, baby / That I was wrong / Don't you know, baby / Child you been gone too long / Oh come back baby, yeah yeah / Let's talk it over one more time / Oh now now / Say If I could holler / Like a mountain jack / Yeah yeah oh people / I'd call my baby back / Oh come back baby, Woo yeah / Let's talk it over one more time / Oh now now / Now one of these days, baby / And It won't be long, yeah / You gonna look for me child you know / And I'll be gone / So come back baby, yeah yeah / Let's talk it over one more time / Oh now now. 

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - Os Anos Finais - Parte 30

No novo país, sem emprego e sem perspectivas, Andreas finalmente conseguiu arranjar uma instituição que o aceitasse. Foi assim, tirando novos documentos, alegando que os originais havia sido furtados, que Andreas forjou uma nova documentação e começou a sua nova vida na América, logo no lugar ideal onde ganharia finalmente a legitimação que seu novo personagem tanto necessitava: o exército. É justamente nesse ponto que os primeiros registros oficiais trazem um pouco da história do novo Tom Parker, recém chegado na América. O importante a se frisar sobre toda essa teoria é de que ela vem para reforçar ainda mais as verdadeiras razões que levaram Parker a tomar várias e várias decisões prejudiciais à carreira de Elvis Presley. Se tudo o que foi levantado por Alanna Nash realmente for verdadeiro então finalmente podemos compreender porque Elvis nunca fez shows fora dos EUA, porque ele foi tão desperdiçado como artista e porque nunca trilhou novos e gloriosos caminhos quando já era um verdadeiro mito. A pergunta seguinte agora se refere ao próprio Elvis: Qual foi afinal o tamanho de sua própria culpa? De que forma sua personalidade vulnerável e inconstante contribuiu decisivamente para que as coisas chegassem no ponto em que chegou?

Em sua autobiografia Priscilla Presley chama a atenção dos leitores para uma peculiaridade do modo de agir de Elvis ao longo dos anos. Ela traz à tona o fato de Elvis sempre abaixar a cabeça para Tom Parker, não importando quais fossem suas decisões. Priscilla lembra que Elvis sempre se portou como o líder absoluto dentro de seu grupo de amigos, mandando e demandando em todos, porém na presença de Parker Elvis ficava visivelmente diminuído e sem forças para enfrentá-lo. Com o longo dos anos e sua crescente dependência de drogas a situação só fez piorar, até que chegou o ponto em que Elvis simplesmente desistiu de se importar com sua carreira e sua própria vida. Elvis tinha uma personalidade sujeita a desenvolver vícios. Ele sempre procurava evitar os problemas de sua vida, pensando seriamente que se não os enfrentasse, eles desapareceriam!

Para alguém que sempre fugiu assim nada mais incentivador do que procurar a fuga no uso de drogas. Perceba que conforme sua vida ia entrando num beco sem saída (traição de Priscilla, queda na sua popularidade etc) ele gradativamente ia também aumentando seu consumo de drogas perigosas. Como ele próprio disse ao seu meio irmão: "Prefiro estar inconsciente do que desgraçado". Isso demonstra bem que ele próprio tinha plena consciência do que acontecia em sua vida! Fugir para não enfrentar os problemas... O fato de ter se tornado uma celebridade cedo demais também contribuiu para que ele vivesse dentro de uma bolha de alienação, muitas vezes se considerando um ser completamente iluminado e acima dos demais mortais (tanto que chegou ao ponto de querer curar as pessoas com as mãos!!!).

Sua alienação e sua necessidade crescente de viver em um hedonismo sem fim trouxe sérias conseqüências: a primeira sentida em sua vida profissional e a segunda no aspecto pessoal. Como artista ele deixou sua carreira afundar em vários buracos negros ao longo da vida (filmes, Las Vegas, etc) e na vida pessoal a história se repete: traído pela esposa, roubado por seus próprios empregados, manipulado a exaustão por seu empresário... enfim, com tantas coisas em desordem só sobrou mesmo a fuga nas pílulas que o mantinham inconsciente e alheio ao mundo ao seu redor. Elvis, de certa forma, fugiu da vida e quando isso acontece, geralmente a vida é que deixa quem não a quer mais. Ora, esse era justamente o cenário perfeito para o Coronel Tom Parker tomar o completo controle e se alguém deve ser culpado será justamente seu empresário dominador, manipulador e coercitivo. Mas será mesmo?

Pablo Aluísio e Erick Steve.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Fronteiras da Crueldade

Título no Brasil: Fronteiras da Crueldade
Título Original: Slaughter Trail
Ano de Produção: 1951
País: Estados Unidos
Estúdio: RKO Radio Pictures
Direção: Irving Allen
Roteiro: Sid Kuller
Elenco: Brian Donlevy, Gig Young, Virginia Grey

Sinopse:
Três assaltantes de bancos conseguem realizar um roubo bem sucedido numa pequenina cidadezinha do velho oeste. Na fuga percorrem centenas de milhas de distância, o que acaba levando seus cavalos à morte por exaustão. Precisando de novas montarias eles então roubam animais de uma tribo nas montanhas, o que desperta a fúria dos nativos. Novamente em fuga, os bandoleiros acabam buscando refúgio em um forte avançado da cavalaria americana, o que dá início a uma nervosa guerra psicológica entre as tropas federais e os índios da região!

Comentários:
Achei o roteiro desse faroeste muito perspicaz e bem escrito pois explora o choque cultural e jurídico existente entre a civilização do homem branco e os nativos americanos. Em determinado momento do filme três assaltantes se refugiam em um acampamento militar do exército dos Estados Unidos. O problema é que eles também roubaram cavalos dos índios, um crime muito sério em sua cultura ancestral, punível com a morte. É justamente isso que os Siouxs querem, que os soldados americanos entreguem os bandoleiros para que sejam enforcados na árvore mais próxima. O capitão Dempster (Brian Donlevy) porém pensa diferente. Para ele todo cidadão americano merece ter um julgamento justo, com o exercício do pleno direito de defesa, o que é completamente Incompatível com a tradição e forma de agir dos índios que o querem morto a qualquer custo! Isso acaba criando uma tensão incrível entre o forte americano e a tribo Sioux da região. É baseado justamente nessa premissa que o filme se desenvolve. Para estudantes de direito em geral a produção se tornar uma ótima pedida por mostrar em plena prática o princípio do contraditório e da ampla defesa. Western "jurídico" que surpreende pelas boas ideias e pelo final mais do que bem pensado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Lábios de Fogo

Título no Brasil: Lábios de Fogo
Título Original: Fire Down Below
Ano de Produção: 1957
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Robert Parrish
Roteiro: Irwin Shaw
Elenco: Rita Hayworth, Robert Mitchum, Jack Lemmon, Herbert Lom

Sinopse:
Baseado no romance escrito por Max Catto, o filme narra a parceria e a amizade entre Felix (Robert Mitchum) e Tony (Jack Lemmon), que após uma noite de bebedeiras decidem comprar um velho barco de carga. Assim se tornam sócios no ramo de transportes na costa da Louisiana. As coisas porém nem sempre andam muito bem e eles então decidem entrar também no mercado negro, transportando produtos contrabandeados, pois apesar do perigo o pagamento é muito bom. Agora recebem uma nova proposta. Ele levarão em troca de mil dólares uma passageira diferente, uma imigrante ilegal do leste europeu de passado obscuro e misterioso chamada Irena (Rita Hayworth). Uma viagem que mudará o destino de todos eles.

Comentários:
O roteiro não traz maiores surpresas. Dois marinheiros aceitam realizar um serviço bem fora do comum. Como o negócio não anda muito bem, eles topam levar uma enigmática passageira vindo do leste europeu, a bela Irena (Rita Hayworth), até uma pequena ilha na costa chamada Santa Nada. Inicialmente eles resolvem não pedir muitas explicações, mas o fato é que o passado dela logo começa a chamar atenção. Durante a viagem que dura vários dias logo começa um clima de flerte amoroso entre Felix (Robert Mitchum) e sua nova "carga", embora quem esteja realmente apaixonado por ela seja o simpático Tony (Jack Lemmon). Enquanto Felix é cinicamente cortante em seus comentários, Tony é aquele típico sujeito de bom coração, cheio de boas intenções. "Fire Down Below" é um bom filme que se propõe a trazer pitadas de vários gêneros diferentes. Um pouquinho de romance, principalmente envolvendo os personagens interpretados por Rita Hayworth e Robert Mitchum, mesclado com uma boa pitada de aventura (afinal o filme foi produzido por Irving Allen e Albert R. Broccoli, o produtor que trouxe James Bond para o cinema, dando origem à conhecida franquia oficial). Por fim o filme ainda presenteia o espectador com lindas tomadas da costa sul dos Estados Unidos, com belas praias e paisagens de cartão postal. O clima, apesar de ter um certo mistério no ar envolvendo o passado nebuloso de Irena (Hayworth), é leve, descontraído e ameno (pelo menos na primeira parte, depois nos 50 minutos finais há uma situação chave que não revelaremos aqui por motivos óbvios). No roteiro existe também uma longa sequência de dança nativa com Rita bem no meio de um Mardi Gras, o carnaval latino de New Orleans. A trilha sonora também chama a atenção por causa da boa sonoridade, aliás uma das canções temas foi composta pelo próprio ator Jack Lemmon, que para quem não sabe era um pianista de mão cheia. Em relação a Rita Hayworth temos que reconhecer que ela já não estava mais no auge de sua beleza, pois estava entrando em uma idade mais madura. Mesmo assim ainda mantinha seu charme intacto. Na maioria das cenas ela declama quase em sussurros seu texto, o que traz um belo contraste com a atuação mais física de Jack Lemmon, sempre interpretando personagens de bom coração, embora meio atrapalhados. Enfim o que temos aqui é um romance com amantes improváveis, tudo embalado por uma bela fotografia e romance de folhetim. As mais românticas certamente gostarão do resultado final. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 23 de novembro de 2014

Eu, Vampiro

Título Original: Eu, Vampiro
Coleção: Os Novos 52
Nome da estória: Quebre Meu Corpo
Ano de Produção: 2014
Editora: DC Comics
Personagem: Andrew Bennett
Autores: Joshua Fialkov
Artista: Clayton Clair

Sinopse e comentários:
Um nobre inglês viaja em sua diligência durante uma noite com forte tempestade. O trajeto está alagado e após sua carruagem bater em uma pedra todos são jogados para fora, no meio da lama. Das sombras surge então um vulto, de alguém imponente, vestido com velhas roupas, dando a impressão de ser uma criatura muito antiga, secular. Após uma breve troca de palavras o homem finalmente descobre estar na presença de um ser sobrenatural, com poderes inclusive de se transformar em outros seres, como um lobo selvagem. A estranha criatura da noite lhe desafia a contar sua história. Talvez se ela for interessante e ele demonstrar que é um ser humano digno de continuar vivendo ele lhe poupe de uma morte lenta e dolorida.


Assim começa a trajetória de um novo personagem dos quadrinhos da DC Comics. Como se sabe a editora deu um reboot completo em seus personagens criando a série "Os Novos 52". Além dos tradicionais heróis (como Batman, Superman, Lanterna Verde e outros), os novos lançamentos da DC também estão trazendo novidades, entre eles o vampiro Andrew Bennett, uma criatura amaldiçoada que luta contra sua nova natureza maligna. Os textos são os mais bem elaborados possíveis e a arte é de alto nível. De fato o leitor é transportado mesmo para um mundo onde os seres noturnos sedentos de sangue dominam. Essa edição é a de número 00, uma tradição americana que procura mostrar as origens dos personagens. Para quem gosta do mundo dos quadrinhos é coisa fina, de muito bom gosto, diria até imperdível.

Júlio Abreu.

Hércules

Título no Brasil: Hércules
Título Original: Hercules
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures, Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Brett Ratner
Roteiro: Ryan Condal, Evan Spiliotopoulos
Elenco: Dwayne Johnson, John Hurt, Ian McShane

Sinopse:
Depois de ser acusado de ter matado a própria família e ser banido de seu lar, Hércules (Dwayne Johnson) forma uma equipe de guerreiros e se torna um mercenário. Contratado por um velho monarca (John Hurt) que se diz cercado por forças poderosas do mal, ele começa a destruir os inimigos do rei. O problema é que ao que tudo indica ele está na verdade lutando pelo lado errado nessa guerra sangrenta. Filme indicado ao Teen Choice Awards nas categorias de Melhor Filme de Verão e Melhor Ator de Filmes de Verão (Dwayne Johnson).

Comentários:
Tentativa de tornar o personagem épico e mitológico Hércules novamente viável no cinema. Por anos e anos ele foi explorado em filmes de baixo orçamento na Itália, sendo que a má qualidade daquelas produções acabaram queimando o prestígio do herói da Grécia Antiga. A verdade é que a marca "Hércules" acabou virando sinônimo de filmes vagabundos e mal feitos. Aqui há uma clara tentativa de tentar unir um tom mais realista (seguindo os passos de certa forma da franquia do Batman no cinema) sem deixar completamente de lado a fantasia e o clima de fábula. The Rock se sai bem em um papel que definitivamente não exige muito de seu intérprete, a não ser ter muitos músculos e um pouco de carisma - que cai bem em qualquer situação. Outro ponto importante é que as cenas de efeitos digitais são bem colocadas e bem realizadas, demonstrando também uma certa influência da franquia do "Senhor dos Anéis", afinal cenas de batalhas entre dois exércitos geralmente estão seguindo os passos dos filmes assinados por Peter Jackson, não tem jeito. No saldo geral é uma aventura divertida e que não aborrece e nem enche a paciência. Basta embarcar na ideia central de seus realizadores. É cinema pipoca, porém eficiente. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Despertar de uma Paixão (2006)

Título no Brasil: O Despertar de uma Paixão
Título Original: The Painted Veil
Ano de Produção: 2006
País: Estados Unidos, China, Canadá
Estúdio: Warner Bros
Direção: John Curran 
Roteiro: Ron Nyswaner
Elenco: Edward Norton, Naomi Watts, Liev Schreiber e Toby Jones

Sinopse:
Walter Fane (Edward Norton) é um jovem médico que decide ir junto com a esposa para a distante, isolada e bastante atrasada China. Uma vez no novo país ele começa seus esforços para combater uma epidemia de cólera na região, tentando curar as pessoas enfermas, enquanto explica para aos chineses as melhores formas de prevenir a terrível doença. Filme vencedor do Globo de Ouro na categoria Melhor Trilha Original (Alexandre Desplat). 

Comentários:
Filme romântico ao velho estilo, baseado na novela de W. Somerset Maugham. Entre os destaques que podemos chamar a atenção estão a ótima fotografia, capturando belas paisagens da China, que em certos aspectos ainda continua tão selvagem e intocada como nos tempos remotos em que a história se passa, o bom enredo e a excelente atuação dos atores principais. Grande parte do filme foi rodado na província de Guangxi, uma região bem conhecida por causa das belezas naturais. Essa simbiose entre montanhas e rios tranquilos trouxe muita beleza ao filme. O romance também chama a atenção por causa da complexidade de todos os personagens. O médico interpretado por Edward Norton prefere se refugiar na ciência do que ter que encarar os problemas de um relacionamento conturbado com sua mulher. Essa também é outra surpresa, interpretada com convicção pela bela e talentosa Naomi Watts, ela vive um casamento infeliz e sem amor, pois foi pressionada pelos pais para se casar com o médico - afinal que família não gostaria de ver sua filha casada com alguém com esse status? Com o tempo porém a frustração aumenta, levando-a até mesmo a procurar por casos fora do casamento. Enfim, belo filme com sabor à moda antiga. Agradará quem estiver em busca de um bom romance com teor mais complexo e personagens mais bem desenvolvidos do ponto de vista psicológico.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 22 de novembro de 2014

Limite Vertical

Título no Brasil: Limite Vertical
Título Original: Vertical Limit
Ano de Produção: 2000
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Martin Campbell
Roteiro: Robert King
Elenco: Chris O'Donnell, Bill Paxton, Scott Glenn, Robin Tunney

Sinopse:
Peter Garrett (Chris O´Donnell) faz parte de uma longa linhagem de famosos alpinistas em sua família. Após a morte de seu pai em uma montanha mortal ele resolve se afastar desse meio. Para piorar seu relacionamento com a irmã se desgasta com o tempo. Três anos depois ele precisará rever seus conceitos ao saber que sua irmã está em apuros na K2. Para salvá-la da morte ele decide então organizar uma expedição de resgate de último momento. A sorte está lançada novamente. Filme indicado ao BAFTA Awards na categoria de Melhores Efeitos Especiais.

Comentários:
Hollywood geralmente passa por fases de tempos em tempos. Fase de realizar filmes sobre vulcões, fase de realizar filmes sobre terremotos e por aí vai. No ano de 2000 tivemos uma modinha de filmes sobre desastres acontecendo com alpinistas em algumas das montanhas mais mortais do planeta. A maioria desses filmes se enquadravam na categoria junk food, mas alguns até que se salvaram da lata de lixo da lanchonete local do shopping center. Esse "Vertical Limit" não é nenhuma maravilha em termos de roteiro, mas possui uma qualidade técnica digna de elogios, principalmente pela coragem do diretor Martin Campbell e sua equipe em encarar locações perigosas, algumas praticamente mortais, principalmente na infame K-2, a conhecida montanha da morte, onde apenas alpinistas altamente profissionais se arriscam a colocarem os seus pés. Se foi uma ótima experiência para o diretor não se pode dizer o mesmo de seu ator principal. Chris O´Donnell, por essa época, era o queridinho da Columbia, que tinha grandes esperanças em transformar o rapaz em um astro. A carreira dele porém já estava manchada pelo fracasso comercial da bomba "Batman & Robin". Vestir o uniforme do garoto prodígio foi fatal para sua sobrevivência no cinema, o que demonstra que nem sempre interpretar super-heróis pode ser uma boa para a vida profissional de um ator. Se a coisa dançou na telona o jeito foi ir para a telinha. Desde 2009 ele vem estrelando a mediana série "NCIS: Los Angeles". Pelo menos não está desempregado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Pink Floyd - The Division Bell

Quem acompanha o mundo da música por longos anos acaba descobrindo que certas coisas simplesmente não fazem muito sentido. Recentemente chegou no mercado com grande sucesso de crítica e público o CD "The Endless River" do Pink Floyd. Até aí tudo bem. O problema é que esse álbum é basicamente um resgate do material que foi gravado e deixado de lado na elaboração do disco "The Division Bell" de 1994. Então se as "sobras" andam tão elogiadas era de se esperar que a melhor parte dessas sessões, que foram incorporadas ao disco original há vinte anos, também fossem tratadas como obras primas do Floyd.

Nada mais longe da realidade. Quando "The Division Bell" chegou nas lojas há duas décadas levou pauladas de todos os lados, principalmente da imprensa especializada da Inglaterra. Para muitos o álbum não passava de um trabalho solo de David Gilmour usando o nome mágico da banda por motivos puramente comerciais. As viúvas de Roger Waters nunca vociferaram tão forte como no lançamento de "The Division Bell". Hoje, ironicamente, declamam rios de elogios para o "novo" Pink Floyd que está fazendo bonito nas paradas de sucesso inglesas.

Particularmente confesso, sigo a linha daqueles que nunca tiveram esse CD como referência em termos de sonoridade Floydiana. Algo não me parece bem nessas faixas. Sempre considerei "A Momentary Lapse Of Reason" um trabalho mais enxuto, com mais qualidade e melhor bem conceituado. Foi o melhor disco da banda em sua fase Gilmour. "The Division Bell" sofre por ser excessivo! Talvez por receios ou insegurança o produtor Bob Ezrin acabou criando um monstro musical, exagerado, barroco e cansativo. São onze faixas (muito em termos de Floyd), dezenas de músicos de estúdio contratados, centenas de horas de gravação e muito excesso nos arranjos finais.

O que era simples e altamente eficiente em "A Momentary Lapse Of Reason" aqui se tornou pesado, exaustivo, paquidérmico! As letras também não evocam em nada os grandes momentos do Pink Floyd em seu passado glorioso. E para piorar tudo, quando se pensa que se ouvirá maravilhosos solos de guitarra do mestre David Gilmour, nada surge nos ouvidos que nos faça lembrar o grande instrumentista que ele sempre foi. "The Division Bell" foi um disco que ouvi em meus tempos de universidade, mas que pouco cativou, não deixando marcas na alma. Assim com o tempo foi sendo deixado de lado. É de surpreender agora que todos estejam fazendo louvações aos seus resquícios sonoros deixados pelo chão da sala de edição de Bob Ezrin! Vai entender a cabeça dessa gente...

Pink Floyd - The Division Bell (1994)
Cluster One
What Do You Want from Me
Poles Apart
Marooned
A Great Day for Freedom
Wearing the Inside Out
Take It Back
Coming Back to Life
Keep Talking
Lost for Words
High Hopes

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Elvis Presley - Os Anos Finais - Parte 29

Para entender completamente as razões de Tom Parker, o empresário de Elvis, é preciso voltar na história. Primeira metade do século XX. Costa de Nova Iorque. A estátua da Liberdade saúda mais um navio de imigrantes que chegava na América. A terra da oportunidade dava as boas-vindas para mais um grande grupo de europeus que, espremidos na classe econômica, em navios extremamente lotados, chegavam com o coração cheio de sonhos e ambições à afamada "Terra dos sonhos". Embora fosse inverno e ele sentisse muito frio no convés do navio que viajava, o jovem holandês Andreas (nome real do homem que assumiria a falsa identidade de Tom Parker nos Estados Unidos anos depois), apenas mais um entre tantos imigrantes do velho mundo, estava feliz e mais do que tudo, aliviado. Feliz porque finalmente chegava ao seu destino, a tão sonhada América. Aliviado, porque deixava atrás de si, na Holanda, um fato que iria atormentá-lo até o final de seus dias. Porém para Andreas, naquele exato momento, o que importava era contemplar todos os arranha céus da nova cidade, linda, exuberante, esplêndida que agora seus olhos viam, Nova Iorque era um sonho, era o novo horizonte que se abria em sua vida.

O passado ficava para trás e o que realmente importava era pôr seus pés no novo país em que chegara, os Estados Unidos da América, e recomeçar sua vida do zero absoluto. Nascer de novo, se reinventar de uma forma radical. E foi assim, com todos esses sentimentos contraditórios, mas convergentes, que ele finalmente começou o seu próprio sonho americano, ou como dizia o lema sempre repetido pelos outros imigrantes durante a travessia do Atlântico Norte: "Vamos fazer juntos a América"! Ele estava decidido. A partir do momento em que finalmente pisasse nesse novo país ele iria deixar tudo para trás, inclusive sua própria identidade pessoal real. Daquele ponto em diante Andreas Cornelis van Kuijk, nascido na Holanda, deixava de existir. Assim que chegou no novo continente ele resolveu criar um outro nome para si, um novo local de nascimento, uma nova vida enfim. Desse ponto em diante Andreas deixava oficialmente de existir e nascia Thomas Andrew Parker, nascido em West Virginia, americano da gema, sulista, ciente de todas as tradições, enfim, o personagem criado por ele seria o supra-sumo do que ele próprio pensava ser o verdadeiro cidadão norte-americano. Tudo mentira, mas que iria lhe servir muito bem por décadas e décadas.

A pergunta vital nessa história é: por que razão Andreas tinha tanta necessidade e pressa de enterrar seu passado e viver a partir daí uma mentira que iria durar até o fim de seus dias? Por que, ao contrário dos demais imigrantes, sempre zelosos por sua própria cultura, Andreas nunca mais quis saber de voltar à sua terra natal e reencontrar seus próprios familiares? Que fato tão obscuro escondia sua história passada para que ele chegasse ao ponto de simplesmente riscar sua própria vida passada na Europa antes de chegar nos EUA? O que afinal aconteceu com Andreas antes dele embarcar naquele navio que o levou a América? Por que afinal ele nunca mais sequer cogitou colocar os pés novamente no velho continente?! Segundo Alanna Nash em seu livro "The Colonel: The Extraordinary Story of Colonel Tom Parker and Elvis Presley" Andreas (ou como todos o conhecemos, Tom Parker) na realidade não estava apenas imigrando para a América naquela data, mas sim fugindo da polícia holandesa, pois ele estava seriamente encrencado no espancamento, seguido de morte, de uma mulher e todos os indícios da investigação apontavam que ele, Tom Parker, havia assassinado a vítima.

Então, desesperado e com medo de ser preso pelo resto de seus dias, Parker simplesmente pegou o primeiro navio que encontrou e fugiu às pressas para o novo mundo, sem praticamente saber nada sobre o novo país em que chegava. É isso, Andreas Cornelis van Kuijk (que depois inventaria o personagem Tom Parker) na realidade nada mais era do que um homicida em fuga quando chegou ao novo destino! O que mais choca nessa tese é o fato de saber que foi justamente essa pessoa a responsável pelos rumos da carreira de um garoto sulista que iria ser conhecido nos quatro cantos do mundo muitos anos depois: Elvis Presley. Quando chegou na América, segundo Nash, a primeira providência de Andreas tomou foi simplesmente apagar todas as pistas que pudessem levar alguém a identificá-lo. Quem, senão um criminoso procurado, faria uma coisa dessas? E por uma dessas ironias do destino ele acabou encontrando por mero acaso com esse garoto pobre do Tennessee que parecia ter muito talento para explorar.

Para Elvis a raposa Andreas se apresentou como Tom Parker e como todos o conheciam assim, a farsa colou completamente. Parker assim assumiu o controle sobre a carreira de Elvis. Ele afinal de contas poderia fazer quase tudo nesse ramo de gerenciar sua carreira menos... viajar para o exterior, pois corria o sério risco de ser descoberto pelas autoridades americanas quando tentasse tirar seu passaporte. Afinal toda a sua documentação era forjada e falsificada. Não iria passar de jeito nenhum pelo departamento responsável do governo americano. Seria facilmente desmascarado, com risco de ser deportado e preso quando chegasse em algum aeroporto holandês. Assim Parker tomou sua decisão de jamais viajar para o exterior e isso significava que Elvis também não viajaria nunca para fora, afinal de contas se havia um medo maior do que ser preso para Parker era perder o controle absoluto sobre Elvis. No exterior o cantor poderia ser seduzido por grandes agências internacionais. Assim era melhor não ir para fora, nem ele e nem Elvis também. Dessa forma se tornou bem claro porque Elvis, artista mundialmente conhecido, jamais fez concertos fora dos Estados Unidos, a não ser poucas apresentações no Canadá nos distantes anos 1950. Como era pertinho, praticamente na fronteira, Parker não se sentiu ameaçado por essa rápida e rara excursão fora dos Estados Unidos. Fora isso, nada de colocar os sapatos de camurça azul em terras estrangeiras. Tom Parker, ou melhor dizendo, Andreas, não queria correr riscos maiores em ir para a cadeia e perder o controle sobre Elvis. Seria o fim de sua vida, literalmente.

Erick Steve e Pablo Aluísio.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Garotas Lindas aos Montes

Título no Brasil: Garotas Lindas aos Montes
Título Original: Pretty Maids All in a Row
Ano de Produção: 1971
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Roger Vadim
Roteiro: Gene Roddenberry, Francis Pollini
Elenco: Rock Hudson, Angie Dickinson, Telly Savalas, Roddy McDowall

Sinopse:
Um grupo cada vez maior de garotas começa a ser atacado por um criminoso desconhecido. As jovens e bonitas estudantes de um colégio na região logo ficam assustadas, com medo de saírem na rua. Michael 'Tiger' McDrew (Hudson), por outro lado, não parece se importar muito. Para ele o que realmente importa é aumentar cada vez mais o número de conquistas amorosas. Roteiro escrito por Gene Roddenberry, o criador da famosa série televisiva "Jornada nas Estrelas" (Star Trek).

Comentários:
Quando esse filme chegou aos cinemas o New York Times ironizou ao dizer: "Poxa, os filmes com Rock Hudson mudaram muito desde os tempos de suas doces e inocentes comédias românticas ao lado de Doris Day!". Era uma ironia que no fundo retratava uma verdade. "Garotas Lindas aos Montes" mostrava bem que não havia mais espaço para a inocência dentro do cinema americano. O personagem de Rock Hudson hoje em dia seria visto como um cafajeste ou em uma visão mais crítica, um misógino. Trabalhando em um High School da Califórnia (o equivalente a uma escola de ensino médio no Brasil), ele não se importa em agir fora dos padrões e seduzir quem quer que cruze seu caminho. O personagem de Rock exala sexualidade à flor da pele e com isso leva para a cama as colegas professoras, as alunas e até mesmo as secretárias. Curiosamente o próprio Rock afirmou na época que estava em busca de um papel assim, para mudar sua imagem de bom mocismo construído após tantos anos de carreira. O problema é que o público não o queria ver em personagens desse tipo e o filme afundou feio nas bilheterias, se tornando logo um grande fracasso comercial. A fita chegou até mesmo a ser rotulada de "vulgar e apelativa", dois adjetivos que jamais seriam usados nos antigos filmes de Rock. Revisto hoje em dia podemos perceber que há uma clara tentativa de ser mais ousado e moderno, pegando carona com o clima cultural da época. O problema é que não convence muito, nem mesmo na suposta trama de crime e mistério. Teria sido melhor para Rock rodar um quarto filme ao lado de Doris Day, usando daquela antiga fórmula de sucesso. Esse aqui, pelo visto, não agradou mesmo ao público da época.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Livrai-nos do Mal (2014)

Título no Brasil: Livrai-nos do Mal
Título Original: Deliver Us from Evil
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures
Direção: Scott Derrickson
Roteiro: Scott Derrickson, Paul Harris Boardman
Elenco: Eric Bana, Édgar Ramírez, Olivia Munn, Sean Harris

Sinopse:
Livrai-nos do Mal foi baseado nas memórias do detetive e investigador Sarchie (Eric Bana) que começa a investigar uma série de crimes que parecem ter alguma ligação sobrenatural entre si. Eventos inexplicáveis ocorridos no Zoológico da cidade e pessoas que apresentam comportamento incomum, como se tivessem sido possuídas por entidades do mal, parecem confirmar uma ligação entre os crimes horrendos que estão acontecendo.

Comentários:
Os filmes de terror mais bem sucedidos dos últimos tempos têm sido aqueles que andam apostando em fórmulas que deram muito certo no passado, sendo o "O Exorcista" o grande modelo a se seguir. Assim sai de cena o sangue jorrando aos bordões dos filmes do gênero na década de 1980 e entra o suspense, com melhor desenvolvimento de todo um clima de sordidez e suspense no ar e mais cuidado com os personagens em si, criando para eles um background psicológico mais complexo. "Deliver Us from Evil" tenta pegar a onda do sucesso e seguir esse mesmo caminho. O padre jesuíta Mendoza (Édgar Ramírez) é um exemplo disso. Ex-viciado, ele decide abandonar uma vida de sofrimento e decadência para se dedicar à igreja católica. Uma vez lá, se torna um sacerdote exorcista. Seu inimigo obviamente sabe todas as suas fraquezas, mas isso também faz parte de sua redenção pessoal. A fusão de elementos de filmes de terror setentistas e fitas policiais bem mais realistas, acaba sendo o grande trunfo dessa produção, muito embora tenhamos que reconhecer que o filme também apresente pontuais falhas em seu desenvolvimento. O final deixa uma porta aberta para sequências, o que não será uma má ideia, uma vez que essa dupla formada por um policial e um padre pode gerar bons frutos em novos filmes. Se depender de boas cenas, como a do exorcismo que vemos aqui, vale a pena apostar em novas películas no futuro, onde todos os pequenos erros que vemos aqui possam ser contornados.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Gran Torino (2008)

Título no Brasil: Gran Torino
Título Original: Gran Torino
Ano de Produção: 2008
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Nick Schenk, Dave Johannson
Elenco: Clint Eastwood, Bee Vang, Christopher Carley

Sinopse:
Walt Kowalski (Clint Eastwood) é um americano típico. Veterano da guerra da Coréia, ele é um sujeito durão que mesmo com a idade já avançada não aceita levar desaforos para casa. Para seu desapontamento porém ele logo percebe que a América de seus anos de juventude está ficando cada vez mais para trás. A onda de imigrantes que aumenta a cada ano acabou desfigurando seu bairro, onde ninguém mais parece sequer falar inglês! Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria Melhor Trilha Sonora Original.

Comentários:
Da safra mais recente de Clint Eastwood esse é certamente um de seus melhores filmes, apesar de não ter tido o reconhecimento devido. No filme o personagem de Eastwood é um americano da velha escola, um sujeito com valores e princípios pessoais que parecem estar desaparecendo a cada dia. A juventude ao seu redor agora parece formada principalmente por filhos de famílias imigrantes, e eles pouco se importam com coisas como respeito aos mais velhos ou honestidade e ética. A maioria vive de pequenos roubos pelas ruas próximas e há muitas gangues em cada esquina. Como Kowalski já está um pouco envelhecido ele logo se torna alvo desses bandidos das redondezas. O que eles não sabem é que embora esteja com idade avançada ele ainda é durão o suficiente para colocar todos para correrem. Outro ponto muito importante desse roteiro é que ele mostra como a sociedade americana em geral está mudando nesses últimos anos. O personagem de Clint não reconhece mais sua própria vizinhança e nem consegue se comunicar com ela, afinal de contas todos os americanos parecem terem ido embora, sobrando uma vasta comunidade de orientais, latinos e demais grupos étnicos que imigraram em massa para os Estados Unidos nas últimas décadas. No começo isso é obviamente um problema para Kowalski, mas depois ele compreende que deve não lutar contra todas as mudanças, mas sim se adaptar o melhor possível a elas. Um boa mensagem de tolerância e respeito dentro de uma nação que muda em ritmo avançado, mesmo que isso também acabe custando a perda de sua própria identidade cultural e nacional.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Quando Um Homem Ama Uma Mulher

Título no Brasil: Quando Um Homem Ama Uma Mulher
Título Original: When a Man Loves a Woman
Ano de Produção: 1994
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: Luis Mandoki
Roteiro: Ronald Bass, Al Franken
Elenco: Andy Garcia, Meg Ryan, Ellen Burstyn, Tina Majorino

Sinopse:
Tudo corria bem com a família Green, até que Alice (Meg Ryan), a esposa, comece a apresentar problemas relacionados ao abuso de bebidas alcoólicas. O que parecia algo comum no começo, com pilequinhos aqui e acolá, começa a tomar dimensões bem maiores após Alice demonstrar que não conseguiria mais viver sem se embriagar todos os dias. Filme indicado ao Screen Actors Guild Awards na categoria de Melhor Atriz (Meg Ryan).

Comentários:
A premissa do roteiro é até muito boa, um enfoque mais centrado no problema do alcoolismo como fator de destruição do núcleo familiar, algo até bem comum de acontecer, principalmente em países como o Brasil. O curioso é que ao invés de mostrar esse problema sendo enfrentado pelo marido - como era de se esperar - no filme o alcoolismo atinge a esposa, no caso a personagem Alice Green interpretada por uma jovem e ainda bonitinha Meg Ryan! O filme aliás foi feito para que ela conquistasse o Oscar, mas não deu, nem uma indicação conseguiu arrancar da academia. Assim Andy Garcia cumpre o papel de escada para que sua parceira de cena brilhe no quesito atuação. Talvez por Ryan ser jovem demais ainda ou pelo fato do filme ter sido produzido pela Disney através de seu estúdio Touchstone Pictures, o fato é que "When a Man Loves a Woman" apesar de ser bom, não consegue ir até as últimas consequências envolvendo o tema. Como todos sabemos o alcoolismo é tudo, menos glamouroso. Não seria a Disney que iria a fundo nessa doença, mostrando o seu pior lado. Assim tudo fica no meio termo mesmo, em uma visão um tanto quanto plastificada sobre esse mal que atinge milhões ao redor do mundo. Quem conhece sabe a barra pesada que é, mas a Disney não quis mostrar as entranhas feias desse tipo de coisa, afinal é um estúdio familiar que até topa explorar o alcoolismo, mas claro sem ir fundo demais na ferida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - Os Anos Finais - Parte 28

Certamente Tom Parker nunca pensou em Elvis como um artista inovador, que iria ser estudado nos anos que viriam após sua morte. Visão histórica era um conceito até mesmo muito complicado para que ele entendesse seu significado. Por essa razão Parker não fez nenhuma questão de vender o show de Elvis para os locais mais despreparados, toscos e obsoletos da América. Pagando, Elvis estaria lá, cantando para a caipirada! Conceitos como prestígio, classe e publicidade negativa pouco, ou nada, serviam na cabeça de Parker. Ele certamente não estava nem aí para o fato de que apresentações nesses locais remotos iriam abalar o prestigio de Elvis como artista, fatalmente o levando a ganhar uma boa dose de publicidade negativa, principalmente de todos os jornalistas que acusavam o cantor de estar perdendo a classe ao se apresentar nos cafundós dos Judas! Esse fato, de se apresentar em localidades sem importância, aliado ao seu aumento de peso, sempre eram os primeiros argumentos levantados por todos aqueles que sempre o tachavam de decadente nos anos 70! Afinal, qual é a designação certa para um cantor gordo e velho que vai se apresentar nas menores cidades, dos menores Estados? Ora, decadente é claro!

O que mais impressiona diante desse quadro lamentável é perceber que ao invés de reagir a toda essa situação ruim Tom Parker tomava atitudes que afundavam ainda mais a imagem de Elvis! Como afirmei antes, em um primeiro momento realmente Tom Parker errou por suas próprias limitações pessoais, por puro e simples despreparo, ou para simplificar ainda mais, por pura ignorância. É bem conhecida toda a coleção de piadas que os executivos da RCA tinham sobre Tom Parker. No meio ele era visto como uma figura folclórica, totalmente ultrapassado, uma espécie de Vicente Matheus do mundo musical norte-americano, com todas aquelas gafes e histórias engraçadas que sempre o cercaram. Embora várias de suas decisões acabassem virando piada entre os membros da indústria fonográfica, aos poucos seus atos começaram a chamar a atenção pela esquisitice e irracionalidade. Já em 1957 todos se perguntavam quando Elvis iria fazer sua turnê na Inglaterra e na Europa. Depois disso sempre os jornais europeus de grande circulação traziam periodicamente notícias envolvendo promotores do velho mundo oferecendo vultuosas somas a Parker para que Elvis fizesse finalmente a tão esperada turnê mundial. Mas isso nunca se concretizava pois Parker sempre se saía com uma desculpa esfarrapada qualquer.

Essa situação acabou fazendo com que muitos desconfiassem dos verdadeiros motivos por trás dessa sempre presente recusa por parte de Parker em levar Elvis para os palcos do mundo! Ninguém conseguia entender por que Elvis não saía dos EUA de jeito nenhum! Astros de magnitudes muito inferiores a incrível fama de Elvis se davam muito bem em turnês mundiais. Bill Halley, por exemplo, foi recebido como uma espécie de Deus musical em sua chegada à Londres, ainda no surgimento dos primeiros passos do Rock'n'Roll! Mas quem era ele perto da incrível fama do Rei do Rock? A despeito disso nada parecia convencer o velho Coronel de promover uma excursão épica de um dos maiores astros musicais que o mundo já conheceu! Afinal, quais eram as razões e os motivos que levavam Parker a tomar tantas decisões equivocadas? É fato que Parker deixou muito a desejar como empresário de Elvis, principalmente por não estar devidamente preparado para exercer tal função, mas isso certamente não justificava totalmente os diversos erros que eram sistematicamente cometidos durante a carreira de Elvis. Havia muito mais por trás dos notórios erros de estratégia no comando dos rumos da carreira do afamado Rei do Rock. Essas razões, bem mais sinistras e obscuras, foram sendo descobertas ao longo dos anos que viriam e fariam todos entenderem exatamente as verdadeiras causas que moveram Tom Parker e o fizeram tomar decisões, que em um primeiro momento, eram totalmente irracionais e sem nenhuma lógica comercial!

Com o passar do tempo as respostas foram surgindo para os pesquisadores. O fato dele ser um imigrante ilegal nos Estados Unidos já era bem conhecido de todos os fãs, desde que o fato foi descoberto por Albert Goldman no começo da década de 80 [Leia o artigo "Elvis e o Coronel" em nosso site]. Até aí nenhuma novidade havia surgido. Certamente Elvis nunca fez shows fora dos EUA por causa desse detalhe ilegal na vida do Coronel Tom Parker (que diga-se, não era coronel e nem muito menos se chamava Tom Parker na verdade!). De qualquer forma, para quem acompanha a literatura envolvendo Elvis, acabaram surgindo, nos últimos anos, fatos novos e recém descobertos! Em vista disso muita gente vem sendo surpreendida por novas revelações e descobertas promovidas por uma nova geração de autores que cavaram fundo nessa história envolvendo Parker, Elvis e sua vida artística enclausurada dentro das fronteiras de Tio Sam. Muita coisa que foi descoberta demonstra ainda mais o que existia por trás de toda essa suposta "incompetência" envolvendo os rumos da carreira do cantor.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Pink Floyd - The Endless River

Já que o Rock está mesmo morto e enterrado de uma vez por todas, nada melhor do que esse "lançamento" do Pink Floyd, que promete ser o último CD de uma das maiores bandas de rock progressivo da história. O título "The Endless River" é mais do que adequado já que se refere a um infinito fluir sonoro, algo bem de acordo com o grupo, já que o Pink Floyd, assim como os Beatles, não tem idade e nem ponto fixo na história, pois a cada geração conquista novos fãs, muitos deles nem nascidos quando o grupo inglês desfrutava de seu auge nos anos 1970. Claro que apesar de ser atemporal, o Pink Floyd hoje leva consigo as marcas do tempo. Com um membro falecido, outro aposentado e dois ex-líderes que se odeiam, o Floyd está mais para uma marca comercial do que para um efetivo grupo de amigos tocando juntos novamente.

Por falar nisso a alcunha de "novo álbum do Pink Floyd" não é muito correta, já que a maioria do material presente aqui data dos anos 1990. Não chegaria a chamar o disco de "restos do The Division Bell" como muitos andam escrevendo por aí, mas também não vou qualificar nada de "The Endless River" como novo ou novidade. Em minha forma de entender o Pink Floyd acabou definitivamente em 2008 com a morte do tecladista Rick Wright. Depois disso não há retorno, algo parecido que ocorre com os Beatles, depois da morte de Lennon e Harrison, simplesmente não há mais retorno possível. A história impôs sua força, acabando com velhos sonhos. O tempo é o senhor de tudo é ninguém pode lutar contra esse fato.

David Gilmour sabe muito bem disso e não tem sido desonesto com o público. O disco que é basicamente instrumental (como nos bons velhos tempos do grupo) foi definido por ele como uma "mera conversa musical" entre seus antigos membros em um tempo passado, perdido na memória. A faixa de abertura, "Things Left Unsaid", dá o tom desse ponto de vista. Os teclados de Wright passeiam pelo ar, enquanto a guitarra melodiosa de Gilmour preenche os espaços vazios. Pura "conversação" realmente, só que ao invés de palavras são usadas notas musicais (maravilhosas, diga-se de passagem). Nick Mason também contribui com seu talento. Hoje ele está completamente aposentado, mais preocupado com sua coleção de carros de luxo do que com música. Os registros porém mostram como ele foi um dos melhores bateras da história do rock. "O rio sem fim" do Pink Floyd é isso, um afago nos ouvidos dos ouvintes de fino trato. Em tempos de lixo pipocando nas rádios o tempo todo, o Pink Floyd prova mais uma vez que talento não se encontra em todo lugar, nem em qualquer época.

Pink Floyd - The Endless River (2014)
Things Left Unsaid     
It's What We Do
Ebb and Flow
Sum
Skins    
Unsung     
Anisina    
The Lost Art of Conversation
On Noodle Street
Night Light
Allons-y (1)     
Autumn '68   
Allons-y   
Talkin Hawkin    
Calling
Eyes to Pearls
Surfacing
Louder Than Words
TBS9
TBS14
Nervana

Pablo Aluísio e Erick Steve.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A Última Bala

Título no Brasil: A Última Bala
Título Original: One In The Chamber 
Ano de Produção: 2012
País: Estados Unidos
Estúdio: Anchor Bay Films
Direção: William Kaufman
Roteiro: Derek Kolstad, Benjamin Shahrabani
Elenco: Cuba Gooding Jr, Dolph Lundgren, Billy Murray, Louis Mandylor

Sinopse:
Depois de ser perseguido ferozmente pelas autoridades dos Estados Unidos, um grupo de criminosos e mercenários resolve ir para a Europa Oriental, onde o mercado negro oferece excelentes oportunidades de trabalho para esse tipo de gente. Uma vez lá começa um perigoso jogo de gato e rato, onde os caçadores se tornam as presas da noite para o dia. Apenas os fortes continuarão de pé ao fim da caçada.

Comentários:
Se tem um ator que foi atingido em cheio pela chamada "Maldição do Oscar" esse foi certamente Cuba Gooding Jr. Ele era apenas um novato no cinema quando levantou a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante pelo filme "Jerry Maguire" em 1996. Depois disso desceu ladeira abaixo e nunca mais conseguiu chegar nem ao menos perto das glórias conquistadas nesse comecinho de carreira. Para piorar começou a aparecer em um monte de filmes B sem importância, tentando emplacar em praticamente todos os gêneros - da comédia pastelão ao policial - mas jamais conseguiu se firmar em nenhum deles. Agora parte para os filmes de ação. O problema é que simplesmente não convence no papel de um atirador de elite e assassino profissional. Se Dolph Lundgren também não estivesse no elenco seria muito complicado convencer um fã de filmes de ação a encarar essa fita, que inclusive não chegou sequer a ser lançada nos cinemas americanos, indo parar diretamente no mercado de DVD e Blu-Ray. Todo rodado na República Tcheca, onde os custos são bem menores, podemos destacar um ou outro momento mais interessante, porém no geral é realmente um filme bem descartável, desses que não irão fazer muita falta em sua coleção. Melhor mesmo rever a franquia "The Expendables".

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Desaparecidas

Título no Brasil: Desaparecidas
Título Original: The Missing
Ano de Produção: 2003
País: Estados Unidos
Estúdio: Revolution Studios, Imagine Entertainment
Direção: Ron Howard
Roteiro: Thomas Eidson, Ken Kaufman
Elenco: Tommy Lee Jones, Cate Blanchett, Evan Rachel Wood

Sinopse:
Samuel Jones (Tommy Lee Jones) decide retornar para sua antiga casa depois de muitos anos cavalgando e se aventurando pelo oeste. Já velho e cansado da vida, ele pretende reconstruir sua relação familiar com a filha Maggie. O problema é que sua família é surpreendida por um criminoso perigoso que acaba sequestrando sua própria neta. Para Sam Jones esse crime não ficará impune. Ao lado da filha ele parte em busca da garota, ao mesmo tempo em que tenciona mandar o facínora sequestrador para o inferno, sem escalas.

Comentários:
Embora não produza mais filmes de faroeste em ritmo industrial como no passado, Hollywood jamais deixou de realizar filmes desse estilo, afinal de contas é o mais americano de todos os gêneros cinematográficos. Esse "The Missing" volta ao velho oeste para contar uma estória edificante, sobre o desespero de uma mãe após ver sua pequena e indefesa filha ser raptada. Nem é preciso lembrar que Cate Blanchett é de fato uma das mais talentosas atrizes de sua geração. Aqui ela está particularmente inspirada pois seu personagem consegue ir do desespero à fúria em questão de segundos. O mesmo se pode dizer do grande Tommy Lee Jones, que encontra um meio ideal para sua personalidade nas telas. É de se lamentar apenas o fato de que o ator poderia estrelar mais westerns em sua carreira, pois possui todas as características dos grandes ídolos do passado que brilharam nesse tipo de filme. Também merece destaque a boa direção de Ron Howard. Muitos não o consideram um diretor mais ousado, preferindo seguir o caminho mais seguro imposto pelos grandes estúdios. Essa afirmação é apenas parte da verdade. Em "The Missing" ele consegue mesclar tensão e suspense em doses exatas. Um belo filme, sem sombra de dúvidas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 16 de novembro de 2014

Um Novo Amor

Título no Brasil: Um Novo Amor
Título Original: At Middleton
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Anchor Bay Films
Direção: Adam Rodgers
Roteiro: Glenn German, Adam Rodgers
Elenco: Andy Garcia, Vera Farmiga, Taissa Farmiga, Tom Skerritt, Spencer Lofranco

Sinopse:
O Dr. George Hartman (Andy Garcia) é um médico cirurgião cardíaco que decide tirar um dia de folga para levar seu filho, Conrad (Spencer Lofranco), para conhecer o campus da universidade católica de Middleton. Durante a excursão acaba conhecendo a mãe de outra jovem, uma mulher mais do que interessante chamada Edith (Vera Farmiga). Embora ambos sejam casados, logo surge um flerte casual entre eles. Filme vencedor do Boston Film Festival nas categorias de Melhor Ator (Andy Garcia) e Melhor Atriz (Vera Farmiga).

Comentários:
Mais um filme romântico bem interessante e curtível (principalmente se você estiver acompanhado de sua namorada). O enredo de certa forma é bem simples, todo passado em apenas um dia em que os personagens de Garcia e Farmiga vão conhecer o campus onde seus filhos vão estudar. Embora sejam comprometidos logo surge uma química entre eles. O curioso é que possuem personalidades bem distintas. Ela é expansiva, extrovertida, fala pelos cotovelos e parece ter uma incrível alegria de viver, chegando ao ponto até de se tornar inconveniente em público. Ele, por outro lado, é um sujeito bem mais sério, médico respeitado, que se veste e se comporta de maneira bem conservadora. Obviamente seguindo o velho ditado logo compreendemos que os opostos vão inevitavelmente se atrair. Ela resolve até roubar bicicletas para que eles façam um passeio bem divertido pela universidade (que não existe na vida real, sendo que o filme foi praticamente todo rodado na Washington State University, em Pullman). Não podemos deixar de elogiar os roteiristas que criaram situações para uma trama como essa, passada em poucas horas. O problema é que a partir da terça parte final ocorre uma ligeira queda de qualidade simplesmente por faltar mesmo assunto. Mesmo assim, por ser curtinho, o filme não chega a aborrecer. O ator Andy Garcia está produzindo seus próprios filmes, então para ele o que importa realmente é trabalhar em roteiros que realmente acredite. Além disso não é nada mal passar noventa minutos ao lado da atriz Vera Farmiga que aqui se dá ao luxo de contracenar com a própria filha, Taissa Farmiga (a mocinha é simpática, pena que seu personagem não ajude muito). Então é isso, outro filme de romance que apesar dos pesares não incomoda e nem aborrece, apenas diverte de forma bem descompromissada.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.