quinta-feira, 30 de abril de 2015

Elvis Presley - Elvis NBC TV Special

Elvis NBC TV Special (1968)
No final dos anos 60 a TV NBC passava por uma séria crise financeira e de audiência. Suas concorrentes ABC e CBS ganhavam cada vez mais espaço, enquanto a NBC perdia cada vez mais. Para mudar esse quadro, a direção da emissora resolveu apostar alto em uma nova grade de programação, dando destaque especial para a sua área de shows. A NBC resolveu investir pesado e entrou em contato com o coronel Tom Parker para a realização de um especial de final de ano com Elvis Presley. Seria a principal atração do fim da temporada, com ampla publicidade e ótimos contratos de marketing. Elvis precisava tanto da NBC quanto ela precisava de Elvis. O Rei do Rock vinha em um mal momento da carreira. Seus filmes já estavam desgastados, Elvis sentia-se cada vez mais frustrado com a política dos grandes estúdios de cinema de Hollywood, que lhe mandavam fazer o mesmo filme ano após ano, com as mesmas trilhas sonoras e os mesmos roteiros estúpidos. Elvis estava mais do que farto deste esquema em 1968. Quando soube da idéia do especial, se empolgou e disse ao seu empresário que fechasse o contrato, pois ele queria voltar o quando antes a se apresentar ao vivo. Ainda tinha contratos a cumprir na costa oeste, mas queria que estes fossem os últimos. Sem dúvida, para quem apostava em uma carreira de ator, aquilo tudo representava um grande retrocesso. Era uma derrota para Elvis deixar Hollywood assim.

A verdade era que ele descobriu, ao longo dos anos, que nenhum estúdio iria lhe dar uma chance para desenvolver uma carreira dramática em Hollywood. Para os chefões Elvis tinha que sempre desempenhar o mesmo papel: o de Elvis Presley. Se continuasse no esquema dos estúdios cinematográficos, Elvis iria continuar a fazer uma comédia musical atrás da outra até sua carreira se apagar de vez. Ele estava decidido a pular fora e salvar o que ainda tinha restado de seu legado musical. E assim foi feito. Depois de acertar seu cachê (meio milhão de dólares por quatro dias de trabalho) Elvis finalmente se preparou para sua volta. O show seria transmitido no final do ano, em dezembro. O coronel Parker sugeriu um roteiro simplesmente desastroso para o especial: "Elvis entraria de papai noel, cantaria meia dúzia de músicas natalinas e iria embora pela chaminé". Elvis e o produtor Steve Binder simplesmente odiaram essa idéia. Juntos, trocaram pensamentos e conceitos e chegaram a um modelo básico. Elvis seria acompanhado de sua primeira banda, Scotty Moore e D.J. Fontana (Bill Black havia morrido em 1965).

Seria um show acústico (o primeiro da história), com Elvis vestindo uma roupa de couro negro, tocando uma guitarra Gibson, tudo de forma natural e autêntica. Ele interpretaria seus velhos sucessos e duas canções escritas especialmente para o programa: "If I Can Dream" e "Memories". Estava em ótima forma física e empolgado pela chance de voltar a apresentar um material de qualidade. Tudo que precisava era uma chance de mostrar novamente seu incontestável talento. Os ensaios foram exaustivos, Elvis tomou a frente, elaborando arranjos e produção, esse foi um momento crucial de sua vida, se falhasse, provavelmente seria o fim de sua carreira. E ele sabia disso. Em 1968, aos 33 anos de idade, Elvis Presley finalmente voltou à TV, num especial histórico para NBC em comemoração ao natal. O cantor estava no auge de sua beleza física e o show foi um marco em sua vida. Com cenas em estúdio e ao vivo, Elvis estava natural, espontâneo, Elvis como ele só. Priscilla Presley em seu livro "Elvis e eu" relembra o impacto do show: - "O especial de Elvis foi um sucesso espetacular e alcançou o maior índice de audiência do ano.

A música final, "If I Can Dream", foi sua primeira gravação que ultrapassou a barreira de um milhão de cópias vendidas em muitos anos. Sentamos em torno da TV assistindo ao programa, esperando nervosamente pela reação. Elvis se manteve silencioso e tenso durante toda a exibição do programa, mas assim que os telefones começaram a tocar, compreendemos que ele conquistara um novo triunfo. Não perdera a classe, ainda era o rei do rock'n'roll". Com esse programa Elvis se convenceu que era hora de deixar Hollywood para trás e retomar os rumos de sua carreira musical. Não haveria mais trilhas sonoras insípidas, o momento era de entrar em estúdio novamente para gravar canções de qualidade, para mudar novamente os rumos musicais de seu tempo.

Medley: Trouble (Jerry Leiber / Mike Stoller) / Guitar Man (Hubbard) - Para abrir o programa Elvis apresentou esse Medley bem sacado. Em um disco pirata dos anos 80, pode-se ouvir Elvis trocando idéias sobre esses arranjos com W. Earl Brown. Elvis diz: - "Vamos balancear a orquestra com a banda, cara!", no que o produtor responde: -"Também pensei nisso, ok!". O acompanhamento ficou bem mais forte e presente, sem dúvida. A orquestra presente foi a da NBC. Isso se nota bem, pois seu som é bem peculiar dentro da discografia de Elvis, essa você só vai ouvir nesse disco. Mas, vamos às músicas: "Trouble" é a melhor música da trilha do filme "King Creole" e também a mais conhecida. Trouble é uma preciosidade composta por Leiber e Stoller em que o ritmo e o conteúdo de sua letra caiu como uma luva para a estória do personagem Danny Fisher, um garoto correto que tenta sobreviver numa New Orleans infestada de Gangsters. Esta versão que foi utilizada no memorável "Comeback Special" de 1968 é muito boa. Porém sem sombra de dúvida "Trouble" vai ficar imortalizada mesmo na versão original gravada por Elvis no dia 15 de Janeiro de 1958 para o filme "King Creole". "Se você procura por encrenca, veio ao lugar certo!" Já "Guitar Man" é a típica música de Elvis pós 67: muito mais arranjada do que o normal trazendo a excelência instrumental do compositor Hubbard. Ela foi lançada em um single em janeiro de 1968 com "Hi-Heel Sneakers" no lado B.

Lawdy, Miss Clawdy (Price) - Depois da apresentação, Elvis começa a parte acústica do show: Só ele e os caras da banda, tocando ao vivo, sem frescuras, numa volta sobrenatural aos tempos da Sun Records. Só faltou mesmo Bill Black, e tenha certeza, faz uma tremenda falta. Sem dúvida, disparado esse é o ponto alto tanto do disco como do especial. Rock'n'Roll é isso aí. "Lawdy, Miss Clawdy" é um grande momento da carreira de Elvis cuja versão original foi gravada no dia 3 de fevereiro de 1956 nos estúdios da RCA em Nova Iorque. Foi lançada como lado B de um single com "Shake, Rattle and Roll" em Agosto de 56. Era uma das preferidas do Rei do Rock. Pintou pela primeira vez na discografia de Elvis no famoso disco "For LP Fans Only" que foi lançado nos Estados Unidos quando ele estava servindo o exército na Alemanha.

Baby, What You Want Me to Do - Clássico de Little Richard e Jimmy Reed. Elvis pára a música no meio para brincar um pouco, falando com os músicos e com a platéia: ao simular um problema no lábio Elvis vira a boca e diz: "Espere caras, estou com um problema nos lábios", dá seu sorriso ímpar e diz: "Pois fique sabendo que fiz 29 filmes desse jeito". Todos riem. Depois relembra seus shows na Flórida onde não podia mexer nada, apenas seu dedo mindinho. Lembra que os shows eram filmados pela polícia para impedir que ele fizesse "imoralidades" nos palcos. Elvis se diverte com o fato. Mostra o lado divertido do Rei do Rock.

Medley: Outro medley, esse fazendo uma revisão geral na carreira de Elvis. O problema é que muito material foi cortado da exibição, pois o programa só teve uma hora de duração. Então o jeito foi fazer um medley que resumisse grande parte da vida de Elvis de uma vez só. Claro que isso é impossível, mas até que ficou bom, no balanço geral. Essas foram as utilizadas:

Heartbreak Hotel (Axton / Durden / Presley) — O primeiro grande sucesso de Elvis em nível nacional foi lançado em Janeiro de 1956 com "I was the one" no lado B alcançando o primeiro lugar na parada americana e européia. A música foi escrita especialmente para ele e se tornou uma de suas marcas registradas. Foi gravada em 10 de janeiro de 1956 no estúdios da RCA em Nashville. Foi gravada na primeira sessão de Elvis na RCA. Para tentar reproduzir o som das gravações da Sun Records, o engenheiro Bob Ferris construiu uma câmara no prédio do novo estúdio, buscando eco de telhas e vidro. Inacreditáveis as guitarras acústica e elétrica de Chet Atkins e Scotty Moore na gravação. A companhia de discos a considerou "um desastre", imprópria para tocar no rádio. Cinco semanas depois, tornava-se seu primeiro hit número 1.

All Shook Up (Elvis Presley / Blackwell) — Esta canção alcançou tamanho sucesso quando lançada que se tornou parte do vocabulário da juventude norte americana da época. Elvis alcança uma das mais brilhantes interpretações de sua vida resultando num dos singles mais vendidos de sua carreira. A canção chegou a Elvis através de Steve Sholes, seu produtor na RCA Victor. O single alcançou o primeiro lugar da parada da revista Billboard em março de 1957 tendo sido gravada em 12 de janeiro do mesmo ano nos estúdios Radio Recorders em Hollywood. Esta canção foi gravada primeiramente como I´m All Shook Up por David Hill, na Aladdin Records. Elvis gravou fazendo percussão na parte de trás do violão. O single ficou durante nove semanas no topo das paradas dos EUA, seu maior tempo consecutivo como número 1. Também foi seu primeiro número 1 na Inglaterra.

Can't Help Falling In Love (Peretti/Creatore/Weiss) -- Canção baseada em "Plaisir d'Ámor" do compositor francês de origem alemã Jean Paul Martini. A versão de Presley foi muito feliz pois foi muito bem adaptada. O maior sucesso do filme. Quando foi lançada em Single em Novembro de 1961 alcançou um enorme sucesso de vendas. Nos anos setenta ela seria utilizada como desfecho de todos os seus shows. Nos anos 90 o grupo UB40 faria uma nova versão de grande sucesso. Parte da trilha sonora do filme Blue Hawaii. O álbum ficou durante incríveis 20 semanas no nº 1 e vendeu mais de 2 milhões de exemplares.

Jailhouse Rock (Jerry Leiber / Mike Stoller) - Música título do terceiro filme estrelado por Elvis que no Brasil recebeu o nome de "O Prisioneiro do Rock", sendo que sua trilha foi lançada em um Compacto Duplo em outubro de 1957. Foi ainda lançada como single em setembro de 1957 com "Treat Me Nice" no lado B. O Sucesso foi imediato e o single chegou ao primeiro lugar na parada americana. A cena do filme em que Elvis apresenta esta canção é considerado o melhor momento do cantor no cinema. Leiber e Stoller afirmaram posteriormente que sua intenção era "...imitar o som de pedras quebrando" o que de certa forma foi conseguido. Foi gravado em 30 de abril de 1957 nos estúdios Radio Recorders em Hollywood. Assim Elvis ignorou a intenção satírica dos autores (Jerry Leiber e Mike Stoller) e interpretou a canção com fúria. Jailhouse Rock foi o primeiro single da história a ir direto para o topo das paradas no Reino Unido.

Love Me Tender (Presley / Matson) - Música título de seu primeiro longa Metragem que no Brasil recebeu o nome de "Ama-me Com Ternura". O titulo original do filme era "The Reno Brothers" mas com a ascensão do Rei resolveu-se mudar o titulo para aproveitar o sucesso do cantor. A estória se passa durante o final da guerra civil norte americana e trata da delicada disputa de uma mulher por dois irmãos. A trilha foi lançada em um compacto duplo com "We're Gonna Move", "Let Me" e "Poor Boy" todas de autoria de Elvis Presley e Vera Matson. Era o inicio de uma carreira cinematográfica que iria contar com mais de trinta filmes. "Love Me Tender" foi gravada em Agosto de 1956 nos estúdios I da 20th Century Fox em Hollywood. Ele não contou com sua banda tradicional e sim músicos determinados pelo estúdio cinematográfico da Fox. Elvis produziu Love me Tender durante sua primeira sessão de gravações na Costa Oeste, em agosto de 1956. Ele apresentou a canção no The Ed Sullivan Show, em 9 de setembro. Provavelmente, este foi o primeiro disco da história a ter 1 milhão de cópias pré-vendidas, graças à expectativa gerada em torno de seu lançamento.

Fim do Medley: Elvis encerra sua volta aos anos iniciais com "Love Me Tender". Esse segmento, ao contrário do anterior, foi apresentado com Elvis de pé e acompanhado da orquestra da NBC, ao invés de sua banda. Funciona melhor com as canções mais, digamos, virtuosas como "Can't Help Falling In Love". Com os rocks, perde-se um pouco, seria melhor que fosse executada com o apoio de Scotty Moore e cia.

Medley Gospel: Where Could I Go But The Lord (James B. Coats) - Canção do disco "How Great Thou Art", por demais conhecida no mundo Gospel norte americano. Foi escrita inicialmente pela dupla de compositores K.E.Harris e J.M.Black em 1890. Em 1940 J.B.Coats escreveu uma versão bastante modificada. Foi gravada ainda por Red Foley em 1951 e por Faron Young em 1954. Elvis a utilizou ainda no NBC TV Special num medley com outras canções evangélicas.

Up Above My Head (Brown) - Esse medley continua com essa música inédita. São ao todo sete minutos e meio de gospel. Faz sentido. Até porque era época de natal e também porque Elvis não ia dispensar essa chance de colocar esse ritmo, o seu preferido, no seu especial de retorno. Esse é um gospel tocado principalmente em igrejas de negros no sul dos Estados Unidos. Elvis sempre teve uma posição altamente positiva em relação à questão racial. Colocava artistas negros para lhe acompanhar em seus shows (como as Sweet Inspirations) e sempre que podia incentivava e elogiava a cultura negra de seu país. Para um sulista isso significava uma atitude altamente louvável, pois estes Estados sulistas dos EUA sempre foram os mais racistas.

Saved (Leiber / Stoller) - Até hoje me pergunto: como uma dupla de judeus iria escrever uma música gospel como essa? Só mesmo Leiber e Stoller para aprontar uma dessas. Devem ter deixado seu rabino com os cabelos em pé, sem dúvida. Viva o ecumenismo!

Blue Christmas (Billy Hayes / Jay Jonhson) — Essa foi incluída para satisfazer o coronel Parker. E pensar que ele queria transformar o especial numa breguice de natal. Outro sucesso dos anos 40 cantada por Elvis neste disco. O Rei apresentaria uma versão no Histórico "NBC TV Special" (Comeback Special) em 1968. A versão em questão está no LP da Trilha do especial de TV que trouxe o Rei de volta as apresentações ao vivo depois de uma longa ausência proporcionada pela série de filmes protagonizados por ele nos anos sessenta. Foi gravada no dia 5 de setembro de 1957 em Hollywood.

One Night (Bartholomew/King) - A Versão original desta canção foi lançada por Smiley Lewis em 1956 pelo selo Imperial. A Versão de Elvis se tornou um grande sucesso. Ele a utilizou também dez anos depois no memorável NBC Special em 1968 (Comeback Special). A letra mais uma vez foi considerada ofensiva o que fez a produção mudá-la de forma a torná-la mais aceitável. A versão com a letra completa foi lançada muitos anos depois como "One Night a Sin". "One Night" chegou ao quarto lugar nas paradas em Outubro de 1957 nos EUA e ao topo na terra dos Beatles. Para aplacar a sanha dos censores, essa música teve um verso mudado. Em vez de "One night of sin is what I´m not paying for" (Uma noite de pecado é para o que não estou pagando), ele cantou "One night with you is what I´m now praying for" (Uma noite com você é pelo que estou rezando agora). Ainda assim, foi considerada escandalosa.

Memories (Strange / Davis) - Acho "Memories" realmente uma música muito especial. Muito bem escrita, bem arranjada e contando com Elvis em um dos seus melhores momentos. No especial Elvis a canta no finalzinho do show, ainda com sua roupa de couro negro. Foi lançada em single no começo de 1969 com "Charro" (do filme de mesmo nome) no lado B. Foi um belo sucesso, reconciliando definitivamente Elvis com as paradas de sucesso.

Medley: Nothingville (Strange / Davis) / Big Boss Man (Smith / Dixon) /  Guitar Man (Hubbard) / Little Egipt (Leiber e Stoller) / Trouble (Leiber e Stoller) / Guitar Man (Hubbard) - O último medley do especial, juntando músicas novas e inéditas como Nothingville (nunca mais foi usada por Elvis) com trilhas sonoras (Little Egipt de "Carrossel de Emoções"), além das já citadas "Guitar Man" e "Trouble". Funciona? Em termos, acho que "Big Boss Man" merecia uma faixa solo e não cortada como saiu. Tremenda geléia geral que às vezes dá indigestão! Esse medley foi utilizado no especial como pano de fundo de várias cenas de estúdio, com Elvis, dançarinos e um fiapinho de roteiro. Totalmente dispensável. Não deveriam ter cortado vários trechos de Elvis ao vivo para colocar isso. Felizmente anos depois, as cenas inéditas apareceram e tudo foi corrigido.

If I Can Dream (Brown) - Em uma palavra: épica! Com um simples single Elvis colocou os Beatles e os Rolling Stones no bolso e detonou eles das paradas! Depois de anos sendo superado, por causa de suas trilhas ruins, Elvis mostrou quem é que mandava. Os fãs do Rei ficaram de peito lavado e eu também (se tivesse tido a oportunidade e a idade de vivenciar isso, claro!). Mas deixando essas questões puramente comerciais de lado, se "If I Can Dream" fosse apenas um compacto obscuro na carreira de Elvis eu ainda iria amar essa música, sem dúvida nenhuma. Ela foi lançada com "Edge of Reality" no natal de 1968 e foi ouro na mesma semana. Foi uma das mais políticas músicas de Elvis, que tratava e falava de forma poética de vários problemas que a sociedade americana e mundial vinham enfrentando naquela época. Para gravá-la Elvis pediu que ficasse sozinho no estúdio, que fossem apagadas todas as luzes. Ele se sentou no chão do estúdio e comovido presenteou e deixou para a eternidade um momento simplesmente insuperável! Um momento raro. Os produtores e engenheiros de som do Burbank Studios ficaram simplesmente de queixo caído! Anos depois, Bones Howe, um dos presentes, confidenciou que após gravar a música Elvis conversou baixinho com alguém no estúdio! Ainda sentado no chão ele agradeceu, emocionado, a essa "entidade" pela inspiração. Não se sabe o que ocorreu, mas dizem que naquela noite conversou com sua querida mãe, falecida dez anos antes... ela estava ao seu lado, segurando sua mão...

Ficha Técnica: Elvis Presley (vocal, guitarra e violão) / Scotty Moore (guitarra) / D.J. Fontana (bateria) / Charlie Hodge (guitarra) / Alan Fortas (percussão) / Lance Le Gault (tamborim) / The NBC Orquestra / Bob Finkel (produção executiva) / Steve Binder (direção) / Bones Howe (supervisão musical) / Allan Blye e Chris Beard (roteiro) / W. Earl Brown (arranjos) / Gene McAvoy (direção de arte) / Jaime Rodgers e Claude Thompson (coreografias) / Gravado nos estúdios Burbank, Califórnia / Data de gravação: 27, 28, 29 e 30 de junho de 1968 / Data de exibição: 3 de dezembro de 1968 / Data de lançamento da trilha sonora: dezembro de 1968.

Pablo Aluísio.

Kurt Cobain: Montage of Heck

Título no Brasil: Ainda Sem Título Definido
Título Original: Kurt Cobain - Montage of Heck
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: HBO Documentary Films
Direção: Brett Morgen
Roteiro: Brett Morgen
Elenco: Kurt Cobain, Courtney Love, Krist Novoselic, Don Cobain, Jenny Cobain, Kim Cobain
  
Sinopse:
Documentário do canal HBO que conta a história de vida do cantor, compositor e líder do grupo Nirvana, Kurt Cobain (1967 - 1994). Através de entrevistas, filmagens caseiras e momentos captados durante shows da banda de rock, o espectador é levado de volta aos anos 1990, quando o Nirvana acabou se tornando um dos mais populares grupos de rock da história. A esposa de Kurt, Courtney Love, e o colega de banda Krist Novoselic são apenas algumas das pessoas que relembram em suas memórias a trajetória de Kurt rumo ao sucesso.

Comentários:
Não é o primeiro e nem tampouco será o último documentário explorando a vida do líder do grupo de rock Nirvana, mas certamente é um dos melhores já realizados. O diferencial fica no fato de que tudo foi produzido com o apoio da família Cobain, de sua esposa Courtney Love e dos demais donos dos direitos autorais da obra do grupo, o que significa que não existiram limites no uso da música do Nirvana e nem das cenas amadoras em Super-8 que pertenceram à família do músico em sua produção. Esse tipo de situação, a de um documentário sobre o Nirvana sem a utilização das músicas da banda, já tinha me aborrecido antes em outros documentários. Aqui pelo menos esse problema não existe. O filme se propõe a contar a vida de Kurt, desde a infância do roqueiro em Aberdeen, com muitas imagens tiradas do acervo particular da família Cobain, passando por sua juventude traumática marcada pelo divórcio dos pais até o sucesso como rockstar. O diretor teve uma ótima ideia ao utilizar diversas animações para contar parte da juventude de Kurt. Sem imagens ou fotos, ele acertou em cheio ao utilizar essa técnica. Essa fase foi uma das mais marcantes de sua vida pois ele sentiu muito o fato de não ter um lar estruturado. Com a separação dos pais ele ficou indo de casa em casa, tentando se adaptar, ora com o pai, ora com a mãe ou os avós, mas sempre sem sucesso. Praticamente largado na rua, acabou trilhando o caminho para a formação de sua banda de rock, algo que mudaria sua vida para sempre. Também há uma bem bolada animação de desenhos feitos pelo próprio Kurt. Seu diário pessoal acabou servindo de rica fonte de informações para o roteiro. A história de vida de Kurt Cobain assim vai sendo narrada, principalmente fundamentada em diversas entrevistas de pessoas que foram importantes em sua vida. O documentário é longo, com mais de duas horas e meia de duração, mas jamais cansa o espectador. Essa história é tão interessante que jamais poderia se tornar tediosa. No final temos mais um belo trabalho de resgate da história do rock, tudo realizado com extremo bom gosto e riqueza de detalhes. Um filme tão bom que certamente interessará todos os que gostam de um bom documentário musical e não apenas aos fãs do Nirvana. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

O Diário de Carson Phillips / Corina, uma Babá Perfeita

O Diário de Carson Phillips
O filme conta a história de Carson Phillips (Chris Colfer), um jovem de 17 anos que ainda está na escola secundária. Ele sonha em se tornar um dia um grande escritor e jornalista, deixando para trás sua vidinha tediosa na cidadezinha de Clover. Para isso porém ele precisa ser aceito em uma boa universidade e para chegar lá precisa ter um bom currículo escolar, o que significa participar de atividades extra-curriculares na escola. Uma saída seria escrever uma revista literária, mas o problema é que nenhum aluno parece disposto a colaborar. Assim ele encontra uma forma de forçar eles a participarem, descobrindo seus podres para depois os chantagear, para que assim finalmente escrevam textos para o seu projeto, caso contrário ele revelaria todos os segredos mais obscuros da turma. Esse filme é um draminha escolar que conta em seu elenco com vários atores de séries. O próprio personagem principal é interpretado por Chris Colfer de "Glee". Ele inclusive escreveu o roteiro, mostrando que tem talento também nessa area. Christina Hendricks de "Mad Men" também está no elenco e interpreta uma jovem que fica grávida do pai de Carson, um sujeito ausente em sua vida. Fica até divertido encontrar todos esses atores em um filme como esse. No geral é apenas bacaninha. A primeira cena mostra logo a morte de Carson - atingido por um raio no estacionamento da escola - e a partir daí ele próprio, em uma narração em off, vai contando sua história de vida, seus sonhos e seus planos de futuro ao espectador. Talvez se eu tivesse 17 anos o filme funcionaria melhor, mesmo assim em momento algum me deixou aborrecido ou chateado. A trama é redondinha e se fecha bem, mostrando que ter um sonho pode ser o grande segredo para a felicidade. Filme vencedor do Key West Film Festival. / O Diário de Carson Phillips (Struck by Lightning, EUA, 2012) Direção: Brian Dannelly / Roteiro: Chris Colfer / Elenco: Chris Colfer, Rebel Wilson, Christina Hendricks.

Corina, uma Babá Perfeita
Comediazinha bem bobinha, mas que tem duas coisas que valem ao menos a pena conferir. A primeira é a trilha sonora, cheia de hits e sucessos dos anos 1960. Uma época particularmente deliciosa em termos musicais. A segunda é o elenco, com o providencial carisma da atriz Whoopi Goldberg, novamente em um papel leve e divertido e é claro Ray Liotta, em raro momento cômico na carreira, logo ele que se notabilizou e ficou conhecido justamente por interpretar mafiosos e criminosos na tela (basta lembrar do Henry Hill de "Os Bons Companheiros"). Para quem estava acostumado a estourar os miolos de seus inimigos com tacos de beisebol foi realmente uma mudança e tanto. Curiosamente por causa dessa imagem cinematográfica demorou um pouco para que eu o levasse à sério no papel de paizão suburbano. Ele fica por ali, com sorriso no rosto e não pude deixar de pensar que ele poderia estar tramando algum crime... Enfim, bobagens à parte "Corina" é bem isso, um filme inofensivo que não procura em nenhum momento polemizar, nem mesmo levantando seriamente a questão dos direitos civis da população negra naquele período histórico particularmente complicado nos Estados Unidos. É tudo mesmo muito leve, colorido e divertido, como se fosse um chiclete. Nada mais do que isso. Filme indicado ao Chicago Film Critics Association Awards. / Corina, uma Babá Perfeita (Corrina, Corrina, EUA, 1994) Direção: Jessie Nelson / Roteiro: Jessie Nelson / Elenco: Ray Liotta, Whoopi Goldberg, Tina Majorino.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Attica: A Solução Final / Stalingrado - A Batalha Final

Attica: A Solução Final
John Frankenheimer poucas vezes trabalhou na TV. Uma de suas poucas incursões na telinha aconteceu justamente nesse muito bom "Attica: A Solução Final". A história, baseada em fatos reais, se passa no ano de 1971 no presídio de segurança máxima Attica. Michael Smith (Kyle MacLachlan) é um jovem guarda, praticamente um novato, ainda nos seus primeiros dias dentro da prisão, que é surpreendido por uma das maiores rebeliões de presos da história daquela instituição prisional. Tudo fruto de anos e anos de má administração, abusos, torturas e violações de direitos humanos dos prisioneiros. Como se sabe quando algo assim é implantado dentro de um presídio o esperado é realmente que algo muito sério venha a ocorrer, principalmente quando a pressão se torna insustentável de se administrar. Kyle MacLachlan convence plenamente como o sujeito que até tem boas intenções, mas que é tragado pelo sistema completamente viciado... e corrupto! O roteiro procura seguir os passos dos acontecimentos reais, então é de se esperar que haja mesmo muita violência e cenas de impacto, algo que não é muito recomendado para quem estiver procurando por algo mais leve. A intenção de Frankenheimer foi realmente denunciar uma situação extrema, que merecia ganhar a atenção urgente das autoridades públicas. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria Melhor Ator - Minissérie ou Telefilme (Samuel L. Jackson). / Attica: A Solução Final (Against the Wall, EUA, 1994) Direção: John Frankenheimer / Roteiro: Ron Hutchinson / Elenco: Kyle MacLachlan, Samuel L. Jackson, Clarence Williams III.


Stalingrado - A Batalha Final
Produção alemã que procura recriar uma das batalhas mais sangrentas da Segunda Guerra Mundial. Naquele momento histórico o ditador nazista Adolf Hitler estava determinado a conquistar a União Soviética. Para isso a tomada da cidade de Stalingrado era essencial para os seus planos. Milhões de soldados alemães foram enviados, mas a missão militar logo se revelou um desastre completo. As tropas do Reich não tinham equipamentos e nem apoio logístico adequado para enfrentar uma batalha de longo prazo como aquela. Os russos se armaram até os dentes e toda a população civil foi convocada para lutar rua a rua, casa a casa. Isso deu origem a uma das defesas mais aguerridas de todo o conflito. Os alemães, sem comida e apoio de retaguarda foram morrendo aos poucos. Além da fome, o frio também foi implacável. Apelidado de "general inverno" as baixas temperaturas literalmente congelaram as tropas nazistas inimigas. Já o povo soviético também teve que se virar diante da adversidade, comendo ratos e até mesmo os cadáveres de pessoas mortas para sobreviver ao cerco alemão. Uma tragédia de proporções humanas imensuráveis. Para quem gosta da história da Segunda Guerra Mundial o filme é obviamente uma boa opção. Filme indicado aos prêmios do Bavarian Film Awards e do Moscow International Film Festival. / Stalingrado - A Batalha Final (Stalingrad, Alemanha, 1993) Direção: Joseph Vilsmaier / Roteiro: Jürgen Büscher, Johannes Heide / Elenco: Dominique Horwitz, Thomas Kretschmann, Sebastian Rudolph.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Morte e a Donzela / Almas Gêmeas

A Morte e a Donzela
Um Polanski pouco lembrado. Baseado na peça teatral escrita por Ariel Dorfman o filme não consegue negar em nenhum momento suas origens teatrais. E o que isso significa? Bom, basicamente que você terá pela frente uma história passada praticamente toda entre quatro paredes, com ênfase sobretudo nos diálogos. No enredo Sigourney Weaver interpreta uma ativista política, esposa de um advogado proeminente em um país latino-americano (que nunca é revelado completamente pelo roteiro), que acaba caindo numa armadilha psicológica e física. O roteiro, como não poderia deixar de ser, explora bastante a mente de pessoas que são submetidas a torturas.  Roman Polanski acabou realizando um filme duro, onde os personagens não parecem dispostos a perdoar e nem a serem perdoados. Da vasta e importante filmografia do diretor esse é, como já escrevi, um momento mais esquecido de sua carreira. Talvez seu viés mais comercial (sim, o filme foi acusado de ser comercial demais, por mais estranho que isso possa parecer!) acabou ofuscando suas próprias qualidades como obra cinematográfica. De minha parte o filme agradou bastante, principalmente pela atuação visceral de Sigourney Weaver, que deixando de lado sua franquia "Aliens" se entregou completamente ao papel. Muito provavelmente seja seu momento mais forte nas telas. A produção foi inteiramente rodada na Europa, em especial com locações na França e na Espanha, haja visto que o diretor não pode colocar seus pés nos Estados Unidos pois pesa contra ele uma condenação por um suposto crime que teria cometido por lá na década de 1970. Filme indicado ao Independent Spirit Awards, na categoria de Melhor Filme do Ano. / A Morte e a Donzela (Death and the Maiden, Estados Unidos, Inglaterra, França, 1994) Direção: Roman Polanski / Roteiro: Rafael Yglesias / Elenco: Sigourney Weaver, Ben Kingsley, Stuart Wilson.

Almas Gêmeas
Outro bom filme que pouca gente se lembra. O curioso é que o filme foi dirigido por Peter Jackson, bem no comecinho de sua carreira. Foi de fato a primeira produção cara, com elenco classe A, dirigida por Jackson em Hollywood. Antes disso ele não tinha feito praticamente nada e só havia chamado discretamente a atenção por causa dos estranhos filmes "Trash - Náusea Total" e "Fome Animal" (apreciados apenas pelos fãs do estilo mais podreira). É até surpreendente que um grande estúdio americano tenha apostado suas fichas em um filme como esse, que seria dirigido por um diretor underground e pouco conhecido fora de seu nicho. Apesar de ter praticamente tudo contra Jackson acabou realizando uma bonita obra de arte, muito surrealista e sensorial. "Heavenly Creatures" tem um estilo bem próprio, que mais parece um longo sonho estilizado. A direção de arte é muito bonita e criativa e o elenco está muito bem, em especial a atriz Kate Winslet, ainda distante do estouro de "Titanic", que seria realizado alguns anos depois. Interessante também citar que o diretor James Cameron optou por ela justamente por causa desse filme, quem diria. Sua personagem tinha um estilo vitoriano de ser, o que acabou convencendo Cameron na escalação de Winslet no papel de Rose DeWitt Bukater. Já Peter Jackson também iria se consagrar nos anos que viriam, principalmente por causa de uma das franquias mais bem sucedidas da história, "The Lord of the Rings", mas claro que isso é uma outra história... Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Roteiro Original. / Almas Gêmeas (Heavenly Creatures, EUA, 1994) Direção: Peter Jackson / Roteiro: Peter Jackson, Fran Walsh / Elenco: Melanie Lynskey, Kate Winslet, Sarah Peirse.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Rob Roy / As Loucuras do Rei George

Rob Roy: A Saga de uma Paixão
No século XVIII um líder escocês, Rob Roy (Liam Neeson), se revolta contra os desmandos de nobres despóticos e resolve liderar uma enorme revolução popular que dá origem a um sério problema político para a coroa. Bom, é a tal coisa, se deu certo com "Coração Valente" era de se supor que daria certo também com esse "Rob Roy". A produção é muito boa, com excelente direção de arte e reconstituição histórica perfeita. Nada a reclamar nesses aspectos. O problema é que o filme acaba sendo vítima de suas próprias pretensões. Assim o exagero patriótico e as falas cuidadosamente declamadas, como se os atores estivem em uma peça de William Shakespeare, acabam cansando o espectador. Acredito que para um filme épico realmente funcionar é necessário um certo tipo de feeling que nem sempre se repete com frequência. É um tipo de produto cinematográfico muito específico que exige que os deuses da sétima arte estejam realmente inspirados, caso contrário apenas vira um monte de atores vestidos com trajes de época tentando passar alguma veracidade histórica. Quem acabou roubando o show de Liam Neeson foi o ator Tim Roth como o vilão Cunningham. Seu trabalho foi tão bom que não apenas ofuscou o astro principal como também lhe valeu várias indicações importantes em premiações internacionais. O pobre Liam Neeson ficou mesmo em sua sombra! Assim chegamos na conclusão que "Rob Roy: A Saga de uma Paixão" não é um filme comum ruim, é apenas um épico histórico meio decepcionante. Mesmo assim se você curte esse tipo de produção vale a pena ao menos tentar conhecer, afinal quem sabe você possa vir a gostar. Filme indicado ao Oscar, ao Globo de Ouro e ao BAFTA na mesma categoria, Melhor Ator Coadjuvante (Tim Roth). / Rob Roy: A Saga de uma Paixão (Rob Roy, EUA, Inglaterra, 1995) Direção: Michael Caton-Jones / Roteiro: Alan Sharp / Elenco: Liam Neeson, Jessica Lange, John Hurt, Eric Stoltz.

As Loucuras do Rei George
Imagine o maior império colonial do mundo sob comando de um Rei completamente louco! É justamente essa história absurda (que não se espantem, foi mesmo inspirado em fatos reais) que temos aqui nesse bom filme chamado "The Madness of King George". Em tom de tragicomédia somos apresentados ao Rei George III da Inglaterra. No auge do colonialismo inglês ele começou a apresentar um estranho comportamento, muito bizarro mesmo, para desespero de sua corte. Aos poucos as pequenas atitudes estranhas começaram a tomar proporções gigantescas, deixando claro a todos os membros do governo que o Rei estava ficando completamente enlouquecido, por causa de uma rara doença em seu sangue, que depois acabou atacando todos os órgãos de seu corpo, inclusive sua mente. A tragédia para George III e a Inglaterra é que o sistema político e jurídico daquele país jamais havia enfrentado uma situação dessas, o que se revelava um problema para um sistema constitucional como o inglês, baseado em costumes e tradições históricas. Assim o Império teve que se contentar em ser comandado por um louco durante um determinado período, até que nobres, autoridades judiciárias e o Parlamento decidissem por alguma saída legal. Bom para as colônicas britânicas que assim começaram a se libertar da dominação da metrópole. Um filme que me agradou muito, não apenas porque gosto de dramas históricos, mas também por causa do argumento jurídico que existe por trás de toda a história. Assim como "Rob Roy" temos aqui uma direção de arte maravilhosa, aliada a uma reconstituição histórica impecável. Um bom filme que retrata uma situação limite dentro do maior império que o mundo já conheceu. Filme vencedor do Oscar na categoria Melhor Direção de Arte. Indicado ainda nas categorias de Melhor Ator (Nigel Hawthorne), Melhor Atriz Coadjuvante (Helen Mirren) e Melhor Roteiro Adaptado. Filme vencedor do BAFTA Awards nas categorias de Melhor Filme Britânico, Melhor Ator (Nigel Hawthorne) e Melhor Figurino. / As Loucuras do Rei George (The Madness of King George, Inglaterra, 1994) Direção: Nicholas Hytner / Roteiro: Alan Bennett / Elenco: Nigel Hawthorne, Helen Mirren, Rupert Graves.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Adoráveis Mulheres / Céu Azul

Adoráveis Mulheres
Não importa a época histórica, as mulheres sempre amadurecem emocionalmente muito mais cedo do que os homens. Faz parte da natureza humana. Enquanto os garotos ainda estão envolvidos em brincadeiras infantis, as meninas já começam a se interessar romanticamente por outros rapazes, estimulando muito cedo em suas vidas uma personalidade romântica e sensitiva, mesmo que muitas vezes isso surja apenas dentro da mente delas, de forma bem reservada e íntima. Uma prova disso temos aqui nesse "Little Women". O roteiro foi baseado em um clássico da literatura americana escrito pela autora Louisa May Alcott. O que trouxe longevidade para esse texto foi sua sensibilidade em captar parte do universo feminino para suas páginas. Embora muitos não percebam isso, o fato é que o mundo das mulheres, mesmo das adolescentes, é muito mais rico em nuances sentimentais do que se imagina. As jovens, mesmo em tenra idade, já estão prontas para o amor e as emoções que envolvem esse precioso sentimento humano. Além disso o coração da mulher sempre guarda pequenos e grandes mistérios em seu interior. Para explorar esse aspecto da vida delas a história mostra a vida de um grupo de irmãs em um tempo particularmente complicado da história americana, quando a nação ficou dividida pela guerra civil. É um filme feito para elas, especialmente realizado para o público feminino. Também é bastante indicado para você assistir ao lado da namorada pois o roteiro levanta questões interessantes que certamente darão origem a um bom bate papo depois da exibição. Afinal de contas nada é mais estimulante e prazeroso do que a companhia de mulheres inteligentes e cultas que saibam manter uma excelente conversação sobre artes em geral. Assim o filme servirá como estimulante para bons momentos ao lado da pessoa amada. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Winona Ryder), Melhor Figurino e Melhor Música (Thomas Newman) / Adoráveis Mulheres (Little Women, EUA, 1994) Direção: Gillian Armstrong / Roteiro: Robin Swicord, baseado na novela escrita por Louisa May Alcott / Elenco: Susan Sarandon, Winona Ryder, Kirsten Dunst, Claire Danes, Christian Bale, Eric Stoltz, Gabriel Byrne.

Céu Azul
Outro bom filme que levanta questões interessantes sobre o papel da mulher dentro da sociedade é esse drama "Céu Azul". O enredo se passa durante o começo dos anos 60. Carly Marshall (Jessica Lange) é a esposa de um militar que não consegue expressar seus sentimentos, Hank (Tommy Lee Jones). Seu casamento é bem frustrante e as constantes mudanças de cidade causadas pelas transferências do marido só pioram a situação. Como se isso não fosse ruim o bastante, ela se sente infeliz em seu íntimo pois é uma mulher criativa, com um forte senso de liberdade, que é sempre oprimida por causa da personalidade pouco cativante de seu esposo. Em um ambiente assim ela não consegue se sentir plenamente realizada, muito pelo contrário. Vivendo para manter as aparências ela intimamente cultiva uma melancolia sempre presente, algo que poucos conseguem enxergar debaixo daquela fachada de esposa "feliz". Assim o roteiro explora esse lado pouco conhecido da vida de muitas mulheres mundo afora que acabam encontrando em seus casamentos não a felicidade ou a realização emocional, mas sim muitas obrigações, deveres e até mesmo opressão. Nesse quadro o verdadeiro amor acaba sendo soterrado pela servidão do cotidiano, do dia a dia massacrante. O fato curioso é que a opressão social não parte apenas do marido, mas da sociedade em geral também, com seus valores morais travestidos de pura hipocrisia. Nesse processo as mulheres acabam se tornando profundamente infelizes com suas vidas. Como não poderia deixar de ser o destaque desse filme vai todo para a atriz Jessica Lange. Ela encontrou um presente nesse texto e não deixou por menos, realizando uma das melhores atuações de toda a sua carreira. Um momento realmente magistral que lhe valeu uma série de premiações e homenagens em diversos festivais de cinema. Filme vencedor do Oscar e do Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz (Jessica Lange). Também indicado ao Screen Actors Guild Awards na mesma categoria. / Céu Azul (Blue Sky, EUA, 1994) Direção: Tony Richardson / Roteiro: Rama Laurie Stagner / Elenco: Jessica Lange, Tommy Lee Jones, Powers Boothe.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

Má Companhia / O Casamento de Muriel

Má Companhia
A história gira em torno de uma extensa e complexa rede de corrupção envolvendo agentes da CIA, membros da Suprema Corte e empresários inescrupulosos. O curioso é que cada um deles parece estar prestes a trair o outro a qualquer momento. Nesse jogo de agentes corruptos e corruptores a coisa funciona realmente assim no mundo real pois quando um dos pilares cede (ou seja, vai para a prisão), todo o esquema desmonta rapidamente - basta lembrar o que anda acontecendo atualmente no Brasil com a operação Lava Jato. Se em países como o nosso várias empresas se unem a agentes de estatais para saquear grandes remessas de dinheiro público roubado, aqui a situação envolve também geopolítica internacional. Apesar do tema atraente, temos que reconhecer, infelizmente, que "Bad Company" não consegue se sobressair muito da média do que era produzido naquela época. O elenco é muito bom, principalmente pela presença da sensual Ellen Barkin, uma das loiras mais marcantes do cinema americano na década de 1990. Outro destaque vem com o veterano Frank Langella em cena. Depois de um período em que ele ficou afastado das telas, se dedicando principalmente ao teatro em Nova Iorque, onde estrelou grandes adaptações para os palcos consagrados da cidade, ele foi retornando aos poucos para o mercado cinematográfico. Em relação a Langella sempre gosto de dizer que ele foi um dos mais significativos exemplos daquele tipo de ator talentoso que acaba não conseguindo emplacar direito no cinema. Geralmente seu valor suplanta em muito os personagens que costuma interpretar, talvez até por pura falta de oportunidade. Aqui então, nem precisa falar da disparidade entre seu grande valor como ator e seu personagem, um vilão comum de thrillers policiais dos anos 90. Enfim, "Má Companhia" realmente não traz nada de muito relevante e original. / Má Companhia (Bad Company, EUA, 1995) Direção: Damian Harris / Roteiro: Ross Thomas / Elenco: Ellen Barkin, Laurence Fishburne, Frank Langella.

O Casamento de Muriel
Foi muito badalado em seu lançamento original, mas nunca consegui gostar muito do filme. Pessoalmente acho seu roteiro bem cruel com as mulheres que não se enquadram nos modelos de beleza tradicional que são impostos pela sociedade. A personagem principal muitas vezes parece uma pessoa louca, sem noção, simplesmente porque ainda não se casou como a maioria de suas amigas de sua idade. Que tremenda bobagem! O preconceito já começa daí, depois vai piorando conforme a trama vai avançando. A mensagem, apesar de todas as camuflagens do roteiro, não é a melhor. Renova e fortifica uma visão ultrapassada do papel da mulher na sociedade, mostrando um argumento cheio de estereótipos ruins, que não levam a nada e nem somam na vida de ninguém. De bom mesmo apenas a forte presença de Toni Collette que aqui provavelmente teve o papel de sua vida. A direção do australiano P.J. Hogan até apresenta algumas soluções interessantes, principalmente no uso bem bolado de uma trilha sonora cheia de canções nostálgicas, mas também fica por aí. Isso obviamente é muito pouco. Assim não consegui gostar e nem achei nada particularmente engraçado. É só uma comédia boba, cheio de falsas boas intenções. Pode-se dispensar sem maiores problemas. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz - Comédia ou Musical (Toni Collette). Vencedor de quatro prêmios (inclusive melhor filme e atriz) no Australian Film Institute. / O Casamento de Muriel (Muriel's Wedding, França, Austália, 1995) Direção: P.J. Hogan / Roteiro: P.J. Hogan / Elenco: Toni Collette, Rachel Griffiths, Bill Hunter.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - Graceland's Table

Graceland's Table: Recipes and Meal Memories Fit for the King of Rock and Roll - Eu já comprei muito material estranho sobre Elvis Presley, sendo que alguns poderiam ser encarados mesmo como meras bobagens por quem não é fã de Elvis (e provavelmente sejam bobeirinhas drops realmente). Veja o caso desse "Graceland's Table: Recipes and Meal Memories Fit for the King of Rock and Roll" que foi escrito em colaboração com a EPE. Do que diabos se trata? De um livro que inclui muitas fotos inéditas mostrando Elvis à vontade, em Graceland, completamente relaxado e entre amigos. Muitas das fotografias são totalmente inéditas e grande parte delas são coloridas, em uma edição de luxo. Vale a pena ter em sua mesinha de sala para as visitas folhearem enquanto você prepara o chá das cinco! Achou descartável? Calma, que tem mais... Ao adquirir o book você ainda leva de presente o livro de receitas completo de mama Presley, copiado diretamente do caderno de anotações da cozinha de Graceland.

São 175 receitas saborosas (e que farão um mal danado para sua saúde) que revelam um painel do cardápio do dia a dia de Elvis. Muito bacon, gordura, frituras e refrigerantes para você arrasar na sua taxa de colesterol! Como profissional de saúde posso dizer que todas as comidas, sem exceção, são bombas calóricas para levar você direto a um hospital. Você certamente vai adorar os sabores dos pratos, mas provavelmente não curtirá muito quando suas artérias ficarem entupidas! Na década de 50, 60 e 70 as pessoas não estavam preocupadas com taxas de colesterol, gordura, etc. Se comia basicamente para se fartar e quanto mais gostosa fosse a comida, melhor! Nada de verduras à vista ou Menu vegano. Elvis gostava mesmo de um cardápio feito para carnívoros esfomeados! Há muitas carnes, bifes enormes como os sulistas gostam, de preferência ainda escorrendo sangue ao serem servidas. Frutas? Quase nenhuma, apenas banana frita para ser servida dentro de um sanduíche enorme, cheio de creme de amendoim e gordura, que acabam escorrendo por todos os lados! Seus dedos ficarão completamente melados ao tentar abocanhar esse monstro calórico! Uma orgia de gula! Para se ter uma ideia Elvis no café da manhã se fartava com uma quantidade realmente insana de calorias - bem acima do que é necessário para um homem adulto passar o resto do dia sem precisar fazer novas refeições. Como sabemos porém isso era apenas o breakfast pois Elvis beliscava o dia inteiro e geralmente suas comidas favoritas fazem parte do que hoje em dia se chama "Junk Food", um degrau acima do já danoso "Fast Food".

Mas o livro não se resume nas comilanças desenfreadas do Rei do Rock. Há espaço também para outro tipo de informação. Assim o leitor é presentado com muitas fofoquinhas banais relembradas por aqueles que faziam parte do círculo íntimo de Elvis. Entre eles, Joe Esposito e a única mulher a fazer parte da Máfia de Memphis, Patty Perry. Outro depoimento inédito é o da enfermeira de Elvis, Marian Cocke, que mostra pela primeira vez qual era a refeição preferida de Elvis quando ele estava doente (Meu Deus - como você viveu até hoje sem essa informação?!). Em suma, um lançamento que mostra os dois lados de Elvis: o do Gourmet e o do Glutão. Por fim, se você estiver disposto a um programa de leitura duplamente bizarro eu ainda indico outro título, mais um a engrossar a longa lista de livros que tentam provar que Elvis ainda está vivo. Ele se chama "Elvis' DNA Proves He's Alive". É um livro alemão escrito pelo autor Bill Beeny, que tenta em 112 páginas provar de uma vez por todas que através de exames de DNA se pode provar com certeza que a pessoa que está enterrada em Graceland não é Elvis Aaron Presley. O díficil mesmo vai ser convencer a família Presley a promover uma investigação com o cadáver do suposto de cujus que jaz no Jardim da Meditação. Beeny só não explica como Elvis estaria vivo com todo aquele bacon gorduroso consumido diariamente! Então é isso, leia e se divirta, mas pelo amor de Deus não tente fazer da dieta de Elvis o seu Menu diário, as consequências para sua saúde podem ser bem trágicas! Palavra de escoteiro...

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

domingo, 26 de abril de 2015

Os Papas Assassinados

Os Papas Assassinados
Durante séculos o posto de Papa foi extremamente poderoso no mundo ocidental e em razão disso também muito perigoso para seus ocupantes. A questão é que o Papado tinha poder e influência sobre os povos de reinos de todo o mundo conhecido. Muitos monarcas tinham que contar com o apoio dos Papas para sobreviverem no poder em suas próprias nações. Nem sempre isso era possível. Por essa razão muitos nobres na Idade Média promoveram complôs para matarem os Papas de sua época. Alguns deles realmente foram mortos enquanto estavam no trono de São Pedro, outros foram destituídos de seu poder e mortos logo depois. Vários Papas foram assassinados por ordens diretas de Reis e Rainhas. Outro ponto que fomentava esse tipo de crime infame era a própria luta pelo poder no Vaticano. Famílias nobres da Europa sonhavam em ter algum Papa proveniente de seu clã no posto mais alto da Igreja Católica. Assim era comum a disputa de membros de famílias influentes para subirem ao trono papal. Algumas dessas histórias nos lembram até mesmo em certos aspectos da própria história de Cristo e Judas. Muitos Papas foram traídos e mortos por complôs liderados por pessoas próximas, que eram considerados amigos e irmãos, mostrando que a vida de Jesus acabou se refletindo pelos corredores do Vaticano durante a era medieval. Esse período negro da história vitimou muitos Papas, vamos conhecer alguns deles:

Papa Estevão I (254 - 257)
Foi o primeiro Papa a ser assassinado no trono. Em uma época ainda primitiva da Igreja Católica, Estevão lutou pela união da doutrina religiosa dentro do catolicismo. Enfrentou opositores poderosos, principalmente de setores da Igreja na África e Ásia. Também precisou combater as ideias de Cipriano de Cartago, que defendia uma relativização dos dogmas católicos. Além de enfrentar oposição interna também teve que enfrentar a perseguição romana, tendo sido decapitado por ser cristão em 257 por ordens do Imperador Valeriano. Era o auge da perseguição do Império Romano contra aquela nova fé que crescia cada vez mais dentro da sociedade, o cristianismo.

Papa João VIII (872 - 882)
Passou dez anos no poder. No trono de Pedro evitou uma grande guerra entre os herdeiros do reino Franco. Assim colocou no trono do Reino Franco ocidental, Carlos, o Calvo e no trono do Reino Franco Oriental, Carlos III, o Gordo. Depois foi abandonado pelo dois monarcas quando Roma foi sitiada e pilhada por forças árabes muçulmanas. Para evitar um genocídio de cristãos o Papa João VIII abriu os cofres da Igreja Católica e pagou um tributo que quebrou as finanças da Igreja. Depois caiu vítima de um complô que contou inclusive com seus próprios familiares, sendo morto envenenado provavelmente por seu próprio sobrinho. Uma lenda antiga afirma que ele sobreviveu ao veneno, mas acabou sendo martirizada de forma cruel, com marteladas na cabeça!

Adriano III (884 - 885)
Adriano teve um papado breve e tumultuado. Logo que assumiu o poder aceitou o convite de Carlos III para visitar seu reino. Era uma armadilha. Carlos III queria colocar seu próprio candidato no trono de Pedro e por essa razão era preciso eliminar Adriano III. Oficialmente foi dado como morto durante a viagem por problemas de saúde, mas cronistas da época afirmam que sua carruagem foi cercada por mercenários contratados por Carlos. Colocado para fora do veículo foi morto sumariamente com golpes de espada. Foi enterrado no mosteiro de Nonantola, onde até hoje sua memória é cultuada e reverenciada por moradores da região.

Estevão VI (896 - 897)
Essa foi realmente uma época muito perigosa para se tornar um Papa. Pouco tempo depois dos assassinatos de João VIII e Adriano III, outro Papa foi morto por envenenamento, o terceiro em menos de vinte anos. A vítima foi Estevão VI, que também ocupou o trono por apenas um ano! Estevão foi o escolhido após a morte de Bonifácio VI, sendo indicado a dedo pela poderosa família Espoleto para subir ao poder com o objetivo de confirmar Lamberto de Espoleto como o novo Imperador. Pressionado por Ageltrudes Espoleto, a mãe do imperador, acabou tendo seu papado marcado pelo lamentável "Sínodo do Cadáver". Acontece que a família Espoleto queria que o falecido Papa Formoso fosse julgado e declarado culpado por inúmeros crimes supostamente cometidos durante seu reinado. Assim seu corpo foi retirado de sua cova, levado para um tribunal e lá considerado culpado de todos os crimes que lhe acusavam. Depois desse absurdo uma dose letal de veneno foi colocada na comida de Estevão, provavelmente sob ordens diretas da própria Ageltrudes Espoleto.

Leão V (903)
Outro Papa que morreu supostamente estrangulado. Veio de família humilde. Seu pai era um pobre homem que vivia do campo. Sua mãe valorizava imensamente a educação e deu a Leão a melhor base educacional que era possível naquela época. Logo se tornou um jovem muito culto e muito versado na história de Jesus. Sua sabedoria chamou a atenção do clero e em pouco tempo entrou para os quadros da Igreja Católica. Considerado um homem de valor e muito virtuoso em sua vida pessoal foi rapidamente subindo na hierarquia do catolicismo. Foi eleito Papa em 903, em uma eleição tumultuada, onde um candidato apoiado por nobres foi derrotado por ele, que tinha origem bem pobre e simples. O resultado enfureceu nobres de Roma que começaram a planejar um complô para seu fim. Assim acabou sendo preso após um tumulto, acusado de crimes que jamais cometeu, menos de dois meses após subir ao trono de Pedro. Segundo algumas fontes foi traído por um capelão chamado Cristóvão, que pensou de forma equivocada que seria o próximo Papa. Depois que Leão foi preso simplesmente desapareceu. Seu corpo nunca foi encontrado. Alguns historiadores afirmam que foi morto sob ordens diretas de Sérgio III, o Papa que o sucedeu.

Pablo Aluísio.

O Fantástico Mundo do Dr. Kellogg / Velocidade Terminal

O Fantástico Mundo do Dr. Kellogg
Você certamente achou o nome Kellogg familiar. Pois é, ele é provavelmente o nome de cereal que você consome todas as manhãs durante seu breakfast. O filme é sobre a história do criador de toda essa indústria, o Dr. John Harvey Kellogg (Anthony Hopkins). Ele era um sujeito estranho, para não dizer bizarro. Com jeitão de cientista maluco ele não tinha medo de criar as mais estranhas invenções. Casualmente acertou em cheio ao criar o famoso e popular cereal para crianças comerem no café da manhã, mas isso era apenas uma faceta de sua personalidade mais do que criativa (e sim, meio louca também). Para celebrar a biografia desse homem foi realizado esse curioso (e divertido) filme estrelado pelo mestre Anthony Hopkins. Aqui ele usou e abusou de uma maquiagem pesada para ficar parecido com o Kellogg da vida real. O roteiro não se propõe a ser uma comédia, como foi erroneamento vendido no Brasil, mas sim um filme normal que acima de tudo conta a história de um homem que poderia ser qualificado como tudo, menos como... normal! Com bonita direção de arte e produção classe A temos certamente um bom filme, valorizado ainda mais pelo personagem central, que muitos ainda hoje desconhecem completamente. Some-se a isso o fato de ter sido dirigido por Alan Parker, um dos meus cineastas preferidos, e você entenderá porque recomendo a produção sem reservas. Filme indicado aos prêmios da Chicago Film Critics Association, British Society of Cinematographers e CFCA. / O Fantástico Mundo do Dr. Kellogg (The Road to Wellville, EUA, 1994) Direção: Alan Parker / Roteiro: Alan Parker, baseado no livro escrito por T. Coraghessan Boyle / Elenco: Anthony Hopkins, Bridget Fonda, Matthew Broderick.

Velocidade Terminal
Enquanto entrava e saía da cadeia por envolvimento com drogas e prostituição de luxo em Hollywood, o ator Charlie Sheen tentava manter sua carreira viva no cinema. Para quem foi saudado como o "novo Tom Cruise" em seu surgimento as coisas pareciam ter dado bem errado! Depois de "Platoon" todos pensavam que ele finalmente iria escalar os degraus do Olimpo cinematográfico, mas isso definitivamente não aconteceu. Sheen preferia curtir sua vida em baladas estravagantes regadas a pilhas de drogas. Isso queimou literalmente seu filme com os grandes estúdios, que procuravam atores que não lhes criassem problemas em grandes produções. Fora dos grandes filmes ele então teve que se contentar com fitinhas B do mercado. "Velocidade Terminal" é um filme policial de rotina, onde Sheen tentava emplacar algum sucesso para pagar os caros advogados de seus inúmeros processos judiciais. Sem maiores surpresas em termos de roteiro o interesse vinha mesmo no elenco de apoio que contava com a linda Nastassja Kinski (que apesar da idade ainda mantinha a beleza) e James Gandolfini (muitos anos antes de se tornar famoso, rico e popular com a série "A Família Soprano"). A história, banal e mal escrita, gira em torno de um instrutor de para-quedas, uma agente da KGB e teorias da conspiração. Isso porém não tem a menor importância no final das contas pois tudo é bem esquecível e descartável. A vida de Sheen nos tablóides sensacionalistas da época era bem mais interessante. / Velocidade Terminal (Terminal Velocity, EUA, 1994) Direção: Deran Sarafian / Roteiro: David Twohy / Elenco: Charlie Sheen, Nastassja Kinski, James Gandolfini.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 25 de abril de 2015

Quiz Show / O Rio Selvagem

Quiz Show - A Verdade dos Bastidores
Sempre achei muito superestimado. O filme passa longe de ser ruim, mas também não é tudo aquilo que a crítica elogiou na época de seu lançamento. O roteiro é interessante porque mostra o momento em que os executivos da televisão americana começaram a entender que o público poderia ser facilmente manipulado (algo que aliás acontece até hoje!). Valia tudo para aumentar a audiência e se fosse necessário criar uma grande farsa para que esse objetivo fosse atingido então que fosse assim. O enredo mostra os bastidores de um popular programa de TV onde os participantes tinham que responder perguntas dos mais diversos assuntos. Um deles acaba virando ídolo nacional, por causa da grande inteligência em dar respostas para as mais complicadas questões. Depois descobre-se que tudo não passava de uma enorme enganação. Dirigido por Robert Redford, que tem grande influência dentro da indústria cinematográfica, o filme acabou tendo chances reais de vencer o Oscar de melhor filme naquele ano. Ainda bem que o bom senso prevaleceu. Temos um bom roteiro e uma direção eficiente e muito profissional de Redford, isso porém não transformou "Quiz Show" em uma obra prima. Seu estilo quase documental acabou me desagradando em certos aspectos. Redford foi de certa maneira bem frio em sua forma de contar a história (que é baseada em fatos reais). Provavelmente se tivesse colocado um pouco mais de cor e coração na realização de sua obra as coisas teriam se tornado melhores do que realmente foram. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado e Ator (Paul Scofield). Também indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Drama, Direção, Roteiro e Ator Coadjuvante (John Turturro). / Quiz Show - A Verdade dos Bastidores (Quiz Show, EUA, 1994) Direção: Robert Redford / Roteiro: Paul Attanasio, baseado no livro escrito por Richard N. Goodwin / Elenco: Ralph Fiennes, John Turturro, Rob Morrow.

O Rio Selvagem
Um dos mais diferenciados filmes da carreira da grande Meryl Streep. Já percebi que ela, de tempos em tempos, procura realizar filmes menos pretensiosos, com menos cara de Oscar. Provavelmente faça esse tipo de coisa para não virar uma atriz que só possa trabalhar em filmes importantes, com tramas edificantes e roteiros épicos! Até Meryl Streep precisa relaxar de vez em quando. Quando esse filme foi lançado ela afirmou que havia aceitado topar participar porque estava querendo tirar longas férias - então como o filme foi rodado numa das regiões mais bonitas de Montana (nas reservas de Kootenai River e Glacier National Park) ela percebeu que poderia unir o útil ao agradável. O roteiro não apresenta nada demais, de certa forma temos aqui um thriller sem maiores surpresas. Vale a pena porém porque, como eu já escrevi, temos Meryl Streep em um papel diferente, mais físico do que dramático. Ao lado de Kevin Bacon ela acabou tomando belos caldos nos bonitos rios daquela região. Por ser divertido e nada Oscarizável, já está de bom tamanho. Indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz (Meryl Streep) e Melhor Ator Coadjuvante (Kevin Bacon). Também indicado ao Screen Actors Guild Awards na categoria de Melhor Atriz (Meryl Streep). PS: como se pode perceber a Meryl pode atuar em qualquer coisa que ela sempre, mas sempre mesmo, será indicada para algum prêmio do cinema americano! / O Rio Selvagem (The River Wild, EUA, 1994) Direção: Curtis Hanson / Roteiro: Denis O'Neill / Elenco: Meryl Streep, Kevin Bacon, David Strathairn.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Para Eles, com Muito Amor / Nell

Para Eles, com Muito Amor
Durante a II Guerra Mundial muitos artistas americanos entraram para o esforço de guerra se apresentando para as tropas que estavam lutando na Europa e na frente do Pacífico. Inclusive muitos astros de Hollywood como James Stewart e Clark Gable atenderam o chamado da pátria e foram para a Europa lutar contra o nazismo. Esse filme conta a história da cantora Dixie Leonhard (Bette Midler). Durante a guerra ela viajou para muitas nações em conflito justamente para levantar a moral dos homens que lutavam no exterior. Nesse processo ela também procurava de algum modo levar sua vida em frente, com paixões, decepções e relacionamentos. Não era algo fácil já que os próprios artistas também corriam riscos. Agora imagine fazer arte em um ambiente assim. O filme em si tem uma proposta muito boa e é bem realizado. Grande parte se sustenta por causa do talento da cantora e atriz Bette Midler, que se sai bem tanto nas cenas de números musicais como nos momentos mais dramáticos do roteiro. Esse esforço acabou lhe valendo uma preciosa indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Pelo esforço e pelo trabalho que ela desenvolveu, vemos que foi mais do que merecido. Enfim, um bom resgate do trabalho de centenas de artistas que foram para o front de guerra lutar não com armas, mas com sua própria arte! Filme vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz - Comédia ou Musical (Bette Midler). Também indicado ao Chicago Film Critics Association Awards na mesma categoria. / Para Eles com Muito Amor (For the Boys, EUA, 1991) Direção: Mark Rydell / Roteiro: Neal Jimenez, Lindy Laub / Elenco: Bette Midler, James Caan, George Segal.

Nell
Esse filme trouxe muitas indicações em premiações importantes para a atriz Jodie Foster. Ela concorreu ao Oscar, ao Globo de Ouro e sagrou-se vencedora no Screen Actors Guild Awards, um prêmio muito valorizado dentro da classe dos atores em Hollywood. Aqui ela interpreta essa estranha garota, Nell, que descoberta por pesquisadores desenvolve um comportamento fora dos padrões sociais a que estamos acostumados. Ela viveu muitos anos isolada da civilização e isso fez com que ela criasse seu próprio mundo pessoal, com comportamento e modo de agir bem singulares. Caberá a Jerome Lovell (Liam Neeson) tentar decifrar esse enigma. Eu gostei dessa produção, tem uma originalidade inesperada e obviamente uma bela atuação de Jodie Foster. Muito se comentou na época que sua personagem seria uma espécie de selvagem, uma garota criada em uma cabana isolada da floresta, que não conseguia mais ter uma interação com outros seres humanos. Mesmo assim demonstrava possuir uma sensibilidade emocional fora do comum. Além da sempre elogiada atuação de Foster o filme ainda apresenta uma linda fotografia, onde se conseguiu com sucesso unir o bucolismo ao redor com a personalidade mais sensível de Nell. Uma boa ideia que acrescentou muito ao resultado final do filme. / Nell (Nell, EUA, 1994) Direção: Michael Apted / Roteiro: Mark Handley, William Nicholson / Elenco: Jodie Foster, Liam Neeson, Natasha Richardson.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Cobb, A Lenda / O Guarda-Costas e a Primeira Dama

Cobb, A Lenda
Todas as vezes que você tenta indicar algum filme sobre beisebol para os brasileiros acontece a mesma coisa. As pessoas não se interessam por esse tipo de filme. Ninguém entende direito as regras desse esporte que apenas americanos idolatram e de forma em geral esse tipo de produção acaba fracassando comercialmente no Brasil. Não foi diferente com "Cobb, A Lenda", que acredito pouca gente viu até hoje. Na realidade foi lançado diretamente no mercado de vídeo, não chegando nem aos cinemas. A história gira em torno de Ty Cobb, que como o próprio título nacional sugere, foi uma lenda do beisebol americano. Quem interpreta o esportista é o ator Tommy Lee Jones. Ele se esforça bastante para trazer credibilidade ao papel, embora fãs do esporte nos Estados Unidos o tenham criticado por causa da falta de semelhança física entre Cobb e Jones. Como para nós, brasileiros, isso não tem a menor importância, o filme acaba valendo a pena. Não pelas inúmeras cenas captadas durante as partidas (cá para nós, o beisebol é bem chato mesmo!), mas sim pelo lado mais humano do personagem. No final a única certeza que você encontrará pela frente é que não importa o país, o esporte ou a cultura, geralmente pessoas que ganham fama e fortuna com o esporte da noite para o dia acabam fazendo besteira em algum momento de suas vidas, como bem prova o roteiro desse "Cobb, A Lenda". Filme indicado ao prêmio da Chicago Film Critics Association Awards na categoria de Melhor Ator (Tommy Lee Jones). / Cobb, A Lenda (Cobb, EUA, 1994) Direção: Ron Shelton / Roteiro: Al Stump / Elenco: Tommy Lee Jones, Robert Wuhl, Lolita Davidovich.

O Guarda-Costas e a Primeira Dama
Dois anos antes da produção dessa pérola (no mal sentido) o ator Kevin Costner conseguiu emplacar o maior sucesso de sua carreira, o filme "O Guarda-Costas". Por certo os produtores pensaram que o público havia criado algum fetiche em relação a esse tipo de profissional o que acabou dando origem a esse abacaxi monstruoso. Sinceramente... que filme ruim! Hoje em dia Nicolas Cage perdeu o pudor de aparecer em bombas, mas naquela época ele tinha um prestígio e tanto dentro do meio cinematográfico. Qual não foi a surpresa ao vê-lo passando mico em um filmeco como esse! Pior foi o caso da atriz Shirley MacLaine! Atriz veterana, com clássicos imortais em sua filmografia, precisou passar pelo vexame de estrelar essa fitinha descartável e esquecível. Nada se salva, o roteiro é péssimo, não tem graça e nem razão de ser. O elenco não sabe o que fazer com um material tão ruim. O fracasso comercial praticamente destruiu a carreira do novato diretor Hugh Wilson, que a partir daí foi de mal a pior, tentando emplacar numa carreira morta em seu nascimento, assinando outras porcarias do tipo "Polícia Desmontada" e "De Volta para o Presente" (péssimo filme com o ainda mais péssimo Brendan Fraser). Enfim, desista. Se nunca viu, passe longe. Se perdeu seu precioso tempo vendo isso, os meus sinceros pêsames! / O Guarda-Costas e a Primeira Dama (Guarding Tess, EUA, 1994) Direção: Hugh Wilson / Roteiro: Hugh Wilson, Pj Torokvei / Elenco: Shirley MacLaine, Nicolas Cage, Austin Pendleton.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Debi & Lóide / Três Formas de Amar

Debi & Lóide
É óbvio que eu jamais indicaria esse filme para pessoas mais sofisticadas que gostem de um tipo de humor mais refinado, como o britânico, por exemplo. "Debi & Lóide" é produto de massa, nada sutil, totalmente escrachado e debochado, uma produção que não tem vergonha de apelar para literalmente tudo - sim, vale tudo nesse roteiro para fazer o espectador rir, sem constrangimentos. Dito isso, é bom frisar que essa comédia é mais indicada mesmo para o público adolescente. É um tipo de humor que apesar de em muitos momentos ser bem vulgar beira a infantilidade completa. Talvez por essa razão tenha feito tanto sucesso. Curiosamente ao longo dos anos o ator Jim Carrey tentaria se afastar desse tipo de comédia mais visceral para abraçar projetos mais artísticos e pretensiosos, afinal seu sonho sempre foi ser levado à sério como ator em Hollywood. Após sucessivos fracassos comerciais ele parece ter voltado ao mesmo ponto de antes em sua carreira, já que recentemente estrelou uma sequência tardia desse filme (que inclusive ainda não conferi). Vinte anos depois ele retorna ao mesmo lugar! Do outro lado sempre achei muito interessante o timing para o humor de Jeff Daniels! Ele nunca foi um comediante de ofício, apesar de sua cara de bobão. Aqui ele conseguiu se sair excepcionalmente bem, mas mesmo assim jamais abraçou a comédia como o ponto focal de sua carreira. Para falar a verdade sempre deu prioridade para filmes mais dramáticos até! Então é isso, eis aqui um filme que não tem nenhum receio de ser completamente idiota. Se você procura por algo assim, boa sorte! Filme vencedor do MTV Movie Awards na categoria de Melhor Comédia / Debi & Lóide: Dois Idiotas em Apuros (Dumb & Dumber, EUA, 1994) Direção: Peter Farrelly, Bobby Farrelly / Roteiro: Peter Farrelly, Bobby Farrelly / Elenco: Jim Carrey, Jeff Daniels, Lauren Holly.

Três Formas de Amar
Outro filme que foi acusado de ser bem vulgar, não no mesmo estilo da comédia de Jim Carrey, mas sim ideologicamente vulgar. Explico. A temática passeia sobre um triângulo amoroso entre dois homens e uma mulher. O cenário é o meio universitário americano. Por um erro burocrático do campus a jovem Alex (Lara Flynn Boyle) acaba indo parar no dormitório de dois colegas de faculdade, Stuart (Stephen Baldwin) e Eddy (Josh Charles). Bom, a partir daí já sabemos muito bem que um clima de tensão sexual se instalará entre eles. Mulheres e homens vivendo sob um mesmo teto acaba despertando os instintos mais básicos do ser humano. É algo perfeitamente natural. Alex logo se apaixona por Eddy, mas Stuart também tem uma queda por ela. O problema é que Eddy é gay e na verdade esconde uma atração por seu colega de quarto, o próprio Stuart. Como resolver uma situação como essa, onde todos parecem interessados, mas que no fundo ninguém consegue dar o braço a torcer? Eventualmente Alex propõe aos rapazes um tipo de relacionamento aberto, onde ninguém seria realmente de ninguém e todos poderiam compartilhar da mesma cama sem maiores culpas. Bem, se não houvesse sentimento envolvido até poderia dar certo, porém como há paixões no meio dessa equação todos acabam se machucando emocionalmente, de uma forma ou outra. Entre as acusações que o filme sofreu estava a de que ele seria na verdade um longo comercial ou lobby da causa gay ou bissexual. Não vejo motivos para isso. No fundo é apenas uma história de amor triangular que definitivamente não deu muito certo! / Três Formas de Amar (Threesome, EUA, 1994) Direção: Andrew Fleming / Roteiro: Andrew Fleming / Elenco: Lara Flynn Boyle, Josh Charles, Stephen Baldwin.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Coragem Sob Fogo

Título no Brasil: Coragem Sob Fogo
Título Original: Courage Under Fire
Ano de Produção: 1996
País: Estados Unidos
Estúdio: Fox 2000 Pictures
Direção: Edward Zwick
Roteiro: Patrick Sheane Duncan 
Elenco: Denzel Washington, Meg Ryan, Lou Diamond Phillips
  
Sinopse:
O tenente-coronel Nathaniel Serling (Denzel Washington) é designado para investigar o passado da tenente Karen Emma Walden (Meg Ryan), morta durante a operação Tempestade do Deserto, quando os Estados Unidos invadiram o Iraque nos anos 1990. A Casa Branca quer honrar sua memória lhe dando postumamente a Medalha de Honra, a mais alta condecoração militar do país. O momento se mostra ótimo para isso pois ela seria a primeira mulher a ser honrada com a medalha, o problema é que Serling acaba descobrindo que ela não era exatamente a heroína que todos procuravam. Filme indicado ao Chicago Film Critics Association Awards na categoria de Melhor Ator (Denzel Washington).

Comentários:
Achei bem morno para falar a verdade. De fato o filme prometia, havia uma boa trama envolvida (que aproveitava o momento histórico da intervenção americana no Oriente Médio), um diretor competente (Edward Zwick, quase sempre impecável) e uma dupla de protagonistas muito boa formada por Denzel Washington e Meg Ryan. Ele vinha de dois filmes que não tinham feito muito sucesso de bilheteria, "Assassino Virtual" e "O Diabo Veste Azul", ambos colocando em dúvida sua capacidade de se transformar em um astro do primeiro time de Hollywood. Ela também queria mudar um pouco o rumo de sua carreira após virar a nova "namoradinha da América" ao estrelar uma sequência de filmes do gênero comédia romântica. Assim tínhamos uma equipe muito boa de profissionais competentes do ramo, o problema é que infelizmente, mesmo com todos os ingredientes presentes algo acabou saindo errado, fazendo com que a fórmula não fosse muito bem sucedida. Foi o que aconteceu aqui. O filme não decola e fica girando em círculos. Mesmo com os atores empenhados em fazer tudo dar certo. Há farto uso de flashbacks e eles acabam cansando um pouco. É aquele tipo de filme que você assiste uma vez na vida e depois ou perde o interesse em revê-lo ou simplesmente o esquece completamente. Definitivamente não cumpriu tudo aquilo que havia prometido.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Segredos do Coração / Só Você

Segredos do Coração
Esse é um remake do clássico romântico "Tarde Demais Para Esquecer". O enredo mostrando um casal se apaixonando em uma viagem de navio (embora ambos sejam comprometidos), para depois se encontrarem no alto do Empire State Building em Nova Iorque atravessou gerações e continua encantando os corações adolescentes. Eu gosto muito do filme dos anos 1950 e até mesmo da versão original (já escrevi inclusive resenhas sobre ambos os filmes em meu blog de cinema clássico). Das versões que tive oportunidade de conhecer essa é certamente a mais fraca. Em meu ponto de vista o filme peca por ser frio demais, distante em demasia. Parece até um longo comercial de sabonete. Ora, vamos convir que um filme romântico tem que no mínimo ter um romantismo latente, à flor da pele. A paixão tem que estar presente em cada fotograma. O curioso é que Warren Beatty e Annette Bening são casados na vida real e acabam falhando justamente sobre isso, pois ficamos com a impressão de que não parece haver afeto verdadeiro entre eles. Seria uma confirmação da velha máxima que afirma que o casamento é o meio mais eficaz para destruir o verdadeiro amor? Pode ser. De uma forma ou outra, mesmo a produção sendo em muitos aspectos falsa e pouco convincente, sempre teremos a presença luminosa da estrela Katharine Hepburn no elenco para salvar a película da insignificância completa. Essa foi uma grande dama da arte de representar. Ela era magistral e compensa qualquer tipo de esforço em acreditar que Beatty e Bening realmente se amem de verdade! / Segredos do Coração (Love Affair, EUA, 1994) Direção: Glenn Gordon Caron / Roteiro: Mildred Cram, Leo McCarey / Elenco: Warren Beatty, Annette Bening, Katharine Hepburn.

Só Você
Robert Downey Jr passou por momentos muito complicados em sua vida, decorrentes principalmente de seu sério problema com drogas. Em determinado momento nenhum estúdio mais queria investir em um filme estrelado por ele. Era arriscado, Robert Downey Jr vivia entrando e saindo da cadeia e quando não estava atrás das grades estava em processo de recuperação em alguma clínica de tratamento de viciados de Los Angeles. Vira e mexe virava notícia de capa em jornais sensacionalistas mostrando seus vexames públicos (como quando foi preso ao entrar numa casa que não era a dele, por ficar sem qualquer sentido de direção ou localização, por estar completamente drogado). O agente do ator assim sofreu um bocado para arranjar emprego para ele em Hollywood. Em meados dos anos 90 ele se auto declarou curado de seu problema de dependência química. Assim, aos poucos, ele foi retomando a vida profissional. Essa comédia romântica foi um primeiro passo de volta à sobriedade na carreira. É um filme bonitinho, com bonita direção de arte, mas também descartável como uma caixa de bombons! Não alimenta e só engorda, mas até que é gostoso de ver. Afinal de contas pode-se esperar por tudo menos que o competente cineasta Norman Jewison faça uma bobagem completa com sua assinatura. / Só Você (Only You, EUA, 1994) Direção: Norman Jewison / Roteiro: Diane Drake / Elenco: Marisa Tomei, Robert Downey Jr., Bonnie Hunt.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

Elvis Presley - FTD One Night in Vegas / FTD Too Much Monkey Business

FTD One Night in Vegas
Já tive a oportunidade de escrever um longo e detalhado review desse CD e portanto não irei me alongar em demasia. O que mais posso escrever em relação ao "FTD One Night in Vegas"? Se trata realmente de um título maravilhoso do selo FTD, muito bem organizado e completamente focado em sua proposta histórica. O CD foi gravado ao vivo durante um concerto realizado por Elvis Presley em Las Vegas durante a temporada de agosto de 1970. Essa terceira rodada de shows de Elvis é até hoje considerada uma das melhores de toda a sua carreira. Não havia mais o nervosismo da temporada inicial e nem tampouco a tensão da temporada do começo do ano, quando todos disseram que era precipitado voltar a Vegas em uma época de baixa no fluxo de turistas. Temia-se até um fracasso comercial, que de fato não aconteceu. Assim Presley se mostra totalmente à vontade no palco, com repertório maduro e bem selecionado. O show do dia 10 de agosto surge na íntegra, o que é fantástico, pois dá uma ideia geral para o fã de Presley saber como era um concerto dele naquela época. Para completar cronologicamente o álbum o produtor Ernst Jorgensen resolveu colocar mais cinco canções gravadas no dia 4. Dessa segunda seleção o destaque vai para a versão ao vivo de "Twenty Days And Twenty Nights", uma linda balada do álbum "That´s The Way It Is" que Elvis raramente cantou em suas apresentações. Do concerto do dia 10 vale ressaltar as ótimas versões de "Words" (de seu primeiro disco ao vivo), "I Just Can't Help Believing" (a bela canção romântica que abriu o lado A da edição original de "That´s The Way It Is") e "Something" dos Beatles, ainda sem encontrar seu arranjo ideal dentro da banda de Elvis. Embora ele tivesse sérias restrições sobre as posições políticas do grupo inglês resolveu não deixar de fora de sua carreira clássicos imortais como esse, "Yesterday" e "Hey Jude", uma das poucas canções do quarteto a serem gravadas por ele em estúdio. Então é isso, esse é um título que definitivamente não pode faltar em sua coleção.

FTD One Night in Vegas - 1: Opening Theme 2: That's All Right 3: Mystery Train/Tiger Man 4: Elvis talks 5: I Can't Stop Loving You 6: Love Me Tender 7: The Next Step Is Love 8: Words 9: I Just Can't Help Believing 10: Something 11: Sweet Caroline 12: You've Lost That Loving Feeling 13: You Don't Have To Say You / Love Me 14: Polk Salad Annie / Intro: band 15: I've Lost You 16: Bridge Over Troubled Water17: Patch It Up 18: Can't Help Falling In Love 19: Words 20: Cattle Call / (Yodel) 21: Twenty Days And Twenty Nights 22: You Don't Have To Say You Love Me 23: Brigde Over Troubled Water (incomplete).

FTD Too Much Monkey Business
Esse é o patinho feio da coleção FTD. Mereceu o título. Muito ruim a ideia de se mexer nas gravações originais de Elvis. Há limites que não se devem ultrapassar sobre isso. De qualquer maneira o repertório pelo menos é de bom nível. O que liga a grande maioria das músicas desse CD é o sabor nitidamente country de praticamente todas as faixas. A country music sempre foi muito subestimada pela crítica em relação à obra do cantor. Elvis, e poucos param para pensar seriamente sobre isso, foi um grande artista country. Presley realmente vestiu mesmo a camisa desse estilo musical durante toda a sua carreira. Ele de certa maneira nasceu dentro dessa sonoridade e jamais a abandonou. Provavelmente se ainda estivesse vivo estaria lançando álbuns desse gênero até hoje! "Too Much Monkey Business", por exemplo, foi subestimada em sua época de lançamento, mas a ouvindo hoje em dia podemos notar a força de seu sabor caipira. "Clean Up Your Own Backyard" é outra que não ganhou o destaque merecido. Além da boa letra tem uma performance incrível por parte de Elvis, que conseguiu impor uma fina ironia (diria até mesmo sarcasmo) em sua execução. Coisa de gênio realmente. "Just Call Me Lonesome" por outro lado é aquele tipo de som regional para não deixar dúvidas sobre o tipo de ritmo que Elvis estava abraçando na época. São boas músicas, boas faixas. Isso porém não é novidade pois elas já eram conhecidas desde o seu lançamento original. O CD, que se propõe a ser uma releitura do álbum póstumo "Guitar Man", assim me soa levemente descartável, apesar das boas canções presentes no repertório. Há coisas infinitamente melhores dentro do selo FTD.

FTD Too Much Monkey Business - 1: Burning Love 2: I'll Be There 3: Guitar Man 4: After Loving You 5: Too Much Monkey Business 6: Just Call Me Lonesome 7: Loving Arms 8: You Asked Me To 9: Clean Up Your Own Backyard 10: She Thinks I Still Care11: Faded Love 12: I'm Movin' On 13: I'll Hold You In My Heart14: In The Ghetto15: Long Black Limousine16: Only The Strong Survive17: Hey Jude18: Kentucky Rain19: If You Talk In Your Sleep 20: Blue Suede Shoes (Las Vegas, Aug '69).

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

10 questões sobre os Anjos

1. Anjos realmente existem?
Se você professa a fé cristã certamente deve acreditar na existência de anjos. Eles estão presentes no velho e no novo testamento. Coube a um anjo a tarefa dada por Deus de informar para a jovem Maria que ela seria a mãe imaculada de Jesus Cristo. Anjos estão intrinsecamente ligados ao nascimento do cristianismo. É simplesmente impossível do ponto de vista teológico crer em Jesus e não crer em anjos. Um bom católico deve necessariamente acreditar plenamente na existência dos anjos.

2. Qual é a função do anjos dentro da religião judaico-cristã?
Os anjos trazem mensagens de Deus, tanto no velho como no novo testamento. O próprio nome anjo significa "mensageiro" no grego original. Eles também desempenham outros papéis importantes, estando presentes em importantes passagens da Bíblia, ora servindo de proteção e auxílio, ora orientando profetas e santos.

3. Anjos são seres celestiais?
Os anjos celestiais formam o "exército de Deus". Eles foram criados antes dos seres humanos e compartilhavam da imensa glória de Deus. Quando o Senhor resolveu criar o homem e colocar os anjos para servi-los houve uma reação de um terço dos seres angelicais. Eles se recusaram a servir seres que consideravam inferiores a eles. Essas criaturas angelicais então foram expulsas do céu, caindo nas trevas do inferno. Assim Anjos são seres celestiais pois tiveram origem divina, mas nem todos eles possuem e compartilham a glória de Deus nos tempos atuais.

4. O que são Anjos caídos?
São os anjos que se recusaram a servir o homem após Deus o ter criado. São anjos rebeldes que não aceitaram se submeter as ordens de Deus. Dessa forma caíram em desgraça, sendo jogados no inferno diretamente, enquanto outros foram atirados ao mundo, onde vivem da poeira dos homens. Os anjos caídos eram liderados por Lúcifer, o anjo de luz, que começou a se considerar mais divino do que o próprio Deus. Ao se tornar arrogante e soberbo, perdeu a graça de Deus, caindo nas esferas mais baixas do mundo espiritual.

5. Demônios são Anjos?
Um fato interessante que muitos não param para pensar. Os demônios na verdade nada mais são do que Anjos caídos. O pecado foi introduzido no mundo por essas criaturas. No livro da gênesis acompanhamos como Adão e Eva foram tentados pela serpente e depois que comeram da árvore da vida foram expulsos do paraíso. Assim temos um enredo que deixa claro que desde o começo dos tempos os anjos caídos ou demônios conspiram contra a humanidade.

6. O que são Anjos da Guarda?
São Anjos enviados por Deus para ajudar a cada pessoa durante sua vida. Segundo a doutrina católica cada ser humano tem um anjo da guarda que o acompanha, tentando influenciar em aspectos positivos de sua vida. Os anjos da guarda agem em nossa consciência, se alegrando em nossos acertos e sucessos e se entristecendo quando erramos e cometemos erros graves durante nossa existência terrena. Não há porém um consenso na teologia sobre quando os anjos da guarda entram em nossas vidas. Para alguns eles são enviados em nosso nascimento, já para outros mestres em teologia eles nos são dados por Deus em nosso batismo, quando então recebemos a graça do espírito santo em toda a sua plenitude.

7. O que são Serafins?
Na escala de importância dos seres angelicais existe uma hierarquia. Os anjos mais puros, antigos e cheios da graça de Deus, formam o topo dessa hierarquia e ficam mais próximos de Deus. Os Serafins formam a espécie mais importante da classe angelical. Eles servem diretamente a Deus e por essa razão não entram em contato com os seres humanos. Os Serafins são os anjos que estão ao lado do trono de Deus, o servindo diretamente. Abaixo deles há outras classes de Anjos. Dentre elas apenas Arcanjos e Anjos propriamente ditos servem ao homem comum diretamente justamente por estarem em classes mais baixas da hierarquia dos anjos.

8. Qual é a natureza de um Anjo?
Um anjo é um ser puramente espiritual que nunca teve uma existência material. Ao contrário do que muitos pensam, seres humanos comuns jamais podem se tornar anjos quando entram na vida espiritual, pois são duas criaturas diversas da criação de Deus. Os anjos foram criados antes do surgimento da humanidade e não compartilham da mesma origem. Assim como um Anjo não pode nascer como um ser humano, esse também não pode subir aos céus na forma angelical.

9. Lúcifer ou Satanás era um Anjo de Luz?
Sim, de acordo com a longa tradição que remonta ao surgimento do judaísmo, Lúcifer ou Satanás, era um dos mais luminosos e gloriosos Serafins de Deus. Seu nome significa a Luz da Manhã. Em determinado momento de sua existência ele começou a se considerar tão supremo e maravilhoso que passou a se considerar até mesmo melhor do que o próprio Deus. Prepotente e tomado de arrogância, começou a se considerar o ser mais maravilhoso da criação. Isso acabou traçando o destino de sua trágica existência. Renegado por Deus, caiu nas trevas de seu próprio inferno.

10. Quantos são e quais os nomes dos principais Anjos?
A bíblia cita poucos nomes de Anjos. Os mais conhecidos são Gabriel, Miguel e Rafael. Isso porém não esgota o tema pois tradições antigas listam centenas de nomes de anjos, alguns acabaram se tornando bem populares. A Cabala judaica, por exemplo, procura não apenas estudar os anjos, como também listar todos os nomes conhecidos até hoje pela humanidade. Esses nomes porém não são chancelados pela Igreja Católica. Tampouco há como saber quantos anjos existem no universo. Isso faz parte dos mistérios de Deus. Para a doutrina da Igreja não importa seus nomes, mas sim a missão que desempenham, ajudando os homens em sua longa caminhada pela vida.

Pablo Aluísio.