quinta-feira, 30 de abril de 2015

Kurt Cobain: Montage of Heck

Título no Brasil: Ainda Sem Título Definido
Título Original: Kurt Cobain - Montage of Heck
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: HBO Documentary Films
Direção: Brett Morgen
Roteiro: Brett Morgen
Elenco: Kurt Cobain, Courtney Love, Krist Novoselic, Don Cobain, Jenny Cobain, Kim Cobain
  
Sinopse:
Documentário do canal HBO que conta a história de vida do cantor, compositor e líder do grupo Nirvana, Kurt Cobain (1967 - 1994). Através de entrevistas, filmagens caseiras e momentos captados durante shows da banda de rock, o espectador é levado de volta aos anos 1990, quando o Nirvana acabou se tornando um dos mais populares grupos de rock da história. A esposa de Kurt, Courtney Love, e o colega de banda Krist Novoselic são apenas algumas das pessoas que relembram em suas memórias a trajetória de Kurt rumo ao sucesso.

Comentários:
Não é o primeiro e nem tampouco será o último documentário explorando a vida do líder do grupo de rock Nirvana, mas certamente é um dos melhores já realizados. O diferencial fica no fato de que tudo foi produzido com o apoio da família Cobain, de sua esposa Courtney Love e dos demais donos dos direitos autorais da obra do grupo, o que significa que não existiram limites no uso da música do Nirvana e nem das cenas amadoras em Super-8 que pertenceram à família do músico em sua produção. Esse tipo de situação, a de um documentário sobre o Nirvana sem a utilização das músicas da banda, já tinha me aborrecido antes em outros documentários. Aqui pelo menos esse problema não existe. O filme se propõe a contar a vida de Kurt, desde a infância do roqueiro em Aberdeen, com muitas imagens tiradas do acervo particular da família Cobain, passando por sua juventude traumática marcada pelo divórcio dos pais até o sucesso como rockstar. O diretor teve uma ótima ideia ao utilizar diversas animações para contar parte da juventude de Kurt. Sem imagens ou fotos, ele acertou em cheio ao utilizar essa técnica. Essa fase foi uma das mais marcantes de sua vida pois ele sentiu muito o fato de não ter um lar estruturado. Com a separação dos pais ele ficou indo de casa em casa, tentando se adaptar, ora com o pai, ora com a mãe ou os avós, mas sempre sem sucesso. Praticamente largado na rua, acabou trilhando o caminho para a formação de sua banda de rock, algo que mudaria sua vida para sempre. Também há uma bem bolada animação de desenhos feitos pelo próprio Kurt. Seu diário pessoal acabou servindo de rica fonte de informações para o roteiro. A história de vida de Kurt Cobain assim vai sendo narrada, principalmente fundamentada em diversas entrevistas de pessoas que foram importantes em sua vida. O documentário é longo, com mais de duas horas e meia de duração, mas jamais cansa o espectador. Essa história é tão interessante que jamais poderia se tornar tediosa. No final temos mais um belo trabalho de resgate da história do rock, tudo realizado com extremo bom gosto e riqueza de detalhes. Um filme tão bom que certamente interessará todos os que gostam de um bom documentário musical e não apenas aos fãs do Nirvana. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

O Diário de Carson Phillips / Corina, uma Babá Perfeita

O Diário de Carson Phillips
O filme conta a história de Carson Phillips (Chris Colfer), um jovem de 17 anos que ainda está na escola secundária. Ele sonha em se tornar um dia um grande escritor e jornalista, deixando para trás sua vidinha tediosa na cidadezinha de Clover. Para isso porém ele precisa ser aceito em uma boa universidade e para chegar lá precisa ter um bom currículo escolar, o que significa participar de atividades extra-curriculares na escola. Uma saída seria escrever uma revista literária, mas o problema é que nenhum aluno parece disposto a colaborar. Assim ele encontra uma forma de forçar eles a participarem, descobrindo seus podres para depois os chantagear, para que assim finalmente escrevam textos para o seu projeto, caso contrário ele revelaria todos os segredos mais obscuros da turma. Esse filme é um draminha escolar que conta em seu elenco com vários atores de séries. O próprio personagem principal é interpretado por Chris Colfer de "Glee". Ele inclusive escreveu o roteiro, mostrando que tem talento também nessa area. Christina Hendricks de "Mad Men" também está no elenco e interpreta uma jovem que fica grávida do pai de Carson, um sujeito ausente em sua vida. Fica até divertido encontrar todos esses atores em um filme como esse. No geral é apenas bacaninha. A primeira cena mostra logo a morte de Carson - atingido por um raio no estacionamento da escola - e a partir daí ele próprio, em uma narração em off, vai contando sua história de vida, seus sonhos e seus planos de futuro ao espectador. Talvez se eu tivesse 17 anos o filme funcionaria melhor, mesmo assim em momento algum me deixou aborrecido ou chateado. A trama é redondinha e se fecha bem, mostrando que ter um sonho pode ser o grande segredo para a felicidade. Filme vencedor do Key West Film Festival. / O Diário de Carson Phillips (Struck by Lightning, EUA, 2012) Direção: Brian Dannelly / Roteiro: Chris Colfer / Elenco: Chris Colfer, Rebel Wilson, Christina Hendricks.

Corina, uma Babá Perfeita
Comediazinha bem bobinha, mas que tem duas coisas que valem ao menos a pena conferir. A primeira é a trilha sonora, cheia de hits e sucessos dos anos 1960. Uma época particularmente deliciosa em termos musicais. A segunda é o elenco, com o providencial carisma da atriz Whoopi Goldberg, novamente em um papel leve e divertido e é claro Ray Liotta, em raro momento cômico na carreira, logo ele que se notabilizou e ficou conhecido justamente por interpretar mafiosos e criminosos na tela (basta lembrar do Henry Hill de "Os Bons Companheiros"). Para quem estava acostumado a estourar os miolos de seus inimigos com tacos de beisebol foi realmente uma mudança e tanto. Curiosamente por causa dessa imagem cinematográfica demorou um pouco para que eu o levasse à sério no papel de paizão suburbano. Ele fica por ali, com sorriso no rosto e não pude deixar de pensar que ele poderia estar tramando algum crime... Enfim, bobagens à parte "Corina" é bem isso, um filme inofensivo que não procura em nenhum momento polemizar, nem mesmo levantando seriamente a questão dos direitos civis da população negra naquele período histórico particularmente complicado nos Estados Unidos. É tudo mesmo muito leve, colorido e divertido, como se fosse um chiclete. Nada mais do que isso. Filme indicado ao Chicago Film Critics Association Awards. / Corina, uma Babá Perfeita (Corrina, Corrina, EUA, 1994) Direção: Jessie Nelson / Roteiro: Jessie Nelson / Elenco: Ray Liotta, Whoopi Goldberg, Tina Majorino.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Attica: A Solução Final / Stalingrado - A Batalha Final

Attica: A Solução Final
John Frankenheimer poucas vezes trabalhou na TV. Uma de suas poucas incursões na telinha aconteceu justamente nesse muito bom "Attica: A Solução Final". A história, baseada em fatos reais, se passa no ano de 1971 no presídio de segurança máxima Attica. Michael Smith (Kyle MacLachlan) é um jovem guarda, praticamente um novato, ainda nos seus primeiros dias dentro da prisão, que é surpreendido por uma das maiores rebeliões de presos da história daquela instituição prisional. Tudo fruto de anos e anos de má administração, abusos, torturas e violações de direitos humanos dos prisioneiros. Como se sabe quando algo assim é implantado dentro de um presídio o esperado é realmente que algo muito sério venha a ocorrer, principalmente quando a pressão se torna insustentável de se administrar. Kyle MacLachlan convence plenamente como o sujeito que até tem boas intenções, mas que é tragado pelo sistema completamente viciado... e corrupto! O roteiro procura seguir os passos dos acontecimentos reais, então é de se esperar que haja mesmo muita violência e cenas de impacto, algo que não é muito recomendado para quem estiver procurando por algo mais leve. A intenção de Frankenheimer foi realmente denunciar uma situação extrema, que merecia ganhar a atenção urgente das autoridades públicas. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria Melhor Ator - Minissérie ou Telefilme (Samuel L. Jackson). / Attica: A Solução Final (Against the Wall, EUA, 1994) Direção: John Frankenheimer / Roteiro: Ron Hutchinson / Elenco: Kyle MacLachlan, Samuel L. Jackson, Clarence Williams III.


Stalingrado - A Batalha Final
Produção alemã que procura recriar uma das batalhas mais sangrentas da Segunda Guerra Mundial. Naquele momento histórico o ditador nazista Adolf Hitler estava determinado a conquistar a União Soviética. Para isso a tomada da cidade de Stalingrado era essencial para os seus planos. Milhões de soldados alemães foram enviados, mas a missão militar logo se revelou um desastre completo. As tropas do Reich não tinham equipamentos e nem apoio logístico adequado para enfrentar uma batalha de longo prazo como aquela. Os russos se armaram até os dentes e toda a população civil foi convocada para lutar rua a rua, casa a casa. Isso deu origem a uma das defesas mais aguerridas de todo o conflito. Os alemães, sem comida e apoio de retaguarda foram morrendo aos poucos. Além da fome, o frio também foi implacável. Apelidado de "general inverno" as baixas temperaturas literalmente congelaram as tropas nazistas inimigas. Já o povo soviético também teve que se virar diante da adversidade, comendo ratos e até mesmo os cadáveres de pessoas mortas para sobreviver ao cerco alemão. Uma tragédia de proporções humanas imensuráveis. Para quem gosta da história da Segunda Guerra Mundial o filme é obviamente uma boa opção. Filme indicado aos prêmios do Bavarian Film Awards e do Moscow International Film Festival. / Stalingrado - A Batalha Final (Stalingrad, Alemanha, 1993) Direção: Joseph Vilsmaier / Roteiro: Jürgen Büscher, Johannes Heide / Elenco: Dominique Horwitz, Thomas Kretschmann, Sebastian Rudolph.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Morte e a Donzela / Almas Gêmeas

A Morte e a Donzela
Um Polanski pouco lembrado. Baseado na peça teatral escrita por Ariel Dorfman o filme não consegue negar em nenhum momento suas origens teatrais. E o que isso significa? Bom, basicamente que você terá pela frente uma história passada praticamente toda entre quatro paredes, com ênfase sobretudo nos diálogos. No enredo Sigourney Weaver interpreta uma ativista política, esposa de um advogado proeminente em um país latino-americano (que nunca é revelado completamente pelo roteiro), que acaba caindo numa armadilha psicológica e física. O roteiro, como não poderia deixar de ser, explora bastante a mente de pessoas que são submetidas a torturas.  Roman Polanski acabou realizando um filme duro, onde os personagens não parecem dispostos a perdoar e nem a serem perdoados. Da vasta e importante filmografia do diretor esse é, como já escrevi, um momento mais esquecido de sua carreira. Talvez seu viés mais comercial (sim, o filme foi acusado de ser comercial demais, por mais estranho que isso possa parecer!) acabou ofuscando suas próprias qualidades como obra cinematográfica. De minha parte o filme agradou bastante, principalmente pela atuação visceral de Sigourney Weaver, que deixando de lado sua franquia "Aliens" se entregou completamente ao papel. Muito provavelmente seja seu momento mais forte nas telas. A produção foi inteiramente rodada na Europa, em especial com locações na França e na Espanha, haja visto que o diretor não pode colocar seus pés nos Estados Unidos pois pesa contra ele uma condenação por um suposto crime que teria cometido por lá na década de 1970. Filme indicado ao Independent Spirit Awards, na categoria de Melhor Filme do Ano. / A Morte e a Donzela (Death and the Maiden, Estados Unidos, Inglaterra, França, 1994) Direção: Roman Polanski / Roteiro: Rafael Yglesias / Elenco: Sigourney Weaver, Ben Kingsley, Stuart Wilson.

Almas Gêmeas
Outro bom filme que pouca gente se lembra. O curioso é que o filme foi dirigido por Peter Jackson, bem no comecinho de sua carreira. Foi de fato a primeira produção cara, com elenco classe A, dirigida por Jackson em Hollywood. Antes disso ele não tinha feito praticamente nada e só havia chamado discretamente a atenção por causa dos estranhos filmes "Trash - Náusea Total" e "Fome Animal" (apreciados apenas pelos fãs do estilo mais podreira). É até surpreendente que um grande estúdio americano tenha apostado suas fichas em um filme como esse, que seria dirigido por um diretor underground e pouco conhecido fora de seu nicho. Apesar de ter praticamente tudo contra Jackson acabou realizando uma bonita obra de arte, muito surrealista e sensorial. "Heavenly Creatures" tem um estilo bem próprio, que mais parece um longo sonho estilizado. A direção de arte é muito bonita e criativa e o elenco está muito bem, em especial a atriz Kate Winslet, ainda distante do estouro de "Titanic", que seria realizado alguns anos depois. Interessante também citar que o diretor James Cameron optou por ela justamente por causa desse filme, quem diria. Sua personagem tinha um estilo vitoriano de ser, o que acabou convencendo Cameron na escalação de Winslet no papel de Rose DeWitt Bukater. Já Peter Jackson também iria se consagrar nos anos que viriam, principalmente por causa de uma das franquias mais bem sucedidas da história, "The Lord of the Rings", mas claro que isso é uma outra história... Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Roteiro Original. / Almas Gêmeas (Heavenly Creatures, EUA, 1994) Direção: Peter Jackson / Roteiro: Peter Jackson, Fran Walsh / Elenco: Melanie Lynskey, Kate Winslet, Sarah Peirse.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Rob Roy / As Loucuras do Rei George

Rob Roy: A Saga de uma Paixão
No século XVIII um líder escocês, Rob Roy (Liam Neeson), se revolta contra os desmandos de nobres despóticos e resolve liderar uma enorme revolução popular que dá origem a um sério problema político para a coroa. Bom, é a tal coisa, se deu certo com "Coração Valente" era de se supor que daria certo também com esse "Rob Roy". A produção é muito boa, com excelente direção de arte e reconstituição histórica perfeita. Nada a reclamar nesses aspectos. O problema é que o filme acaba sendo vítima de suas próprias pretensões. Assim o exagero patriótico e as falas cuidadosamente declamadas, como se os atores estivem em uma peça de William Shakespeare, acabam cansando o espectador. Acredito que para um filme épico realmente funcionar é necessário um certo tipo de feeling que nem sempre se repete com frequência. É um tipo de produto cinematográfico muito específico que exige que os deuses da sétima arte estejam realmente inspirados, caso contrário apenas vira um monte de atores vestidos com trajes de época tentando passar alguma veracidade histórica. Quem acabou roubando o show de Liam Neeson foi o ator Tim Roth como o vilão Cunningham. Seu trabalho foi tão bom que não apenas ofuscou o astro principal como também lhe valeu várias indicações importantes em premiações internacionais. O pobre Liam Neeson ficou mesmo em sua sombra! Assim chegamos na conclusão que "Rob Roy: A Saga de uma Paixão" não é um filme comum ruim, é apenas um épico histórico meio decepcionante. Mesmo assim se você curte esse tipo de produção vale a pena ao menos tentar conhecer, afinal quem sabe você possa vir a gostar. Filme indicado ao Oscar, ao Globo de Ouro e ao BAFTA na mesma categoria, Melhor Ator Coadjuvante (Tim Roth). / Rob Roy: A Saga de uma Paixão (Rob Roy, EUA, Inglaterra, 1995) Direção: Michael Caton-Jones / Roteiro: Alan Sharp / Elenco: Liam Neeson, Jessica Lange, John Hurt, Eric Stoltz.

As Loucuras do Rei George
Imagine o maior império colonial do mundo sob comando de um Rei completamente louco! É justamente essa história absurda (que não se espantem, foi mesmo inspirado em fatos reais) que temos aqui nesse bom filme chamado "The Madness of King George". Em tom de tragicomédia somos apresentados ao Rei George III da Inglaterra. No auge do colonialismo inglês ele começou a apresentar um estranho comportamento, muito bizarro mesmo, para desespero de sua corte. Aos poucos as pequenas atitudes estranhas começaram a tomar proporções gigantescas, deixando claro a todos os membros do governo que o Rei estava ficando completamente enlouquecido, por causa de uma rara doença em seu sangue, que depois acabou atacando todos os órgãos de seu corpo, inclusive sua mente. A tragédia para George III e a Inglaterra é que o sistema político e jurídico daquele país jamais havia enfrentado uma situação dessas, o que se revelava um problema para um sistema constitucional como o inglês, baseado em costumes e tradições históricas. Assim o Império teve que se contentar em ser comandado por um louco durante um determinado período, até que nobres, autoridades judiciárias e o Parlamento decidissem por alguma saída legal. Bom para as colônicas britânicas que assim começaram a se libertar da dominação da metrópole. Um filme que me agradou muito, não apenas porque gosto de dramas históricos, mas também por causa do argumento jurídico que existe por trás de toda a história. Assim como "Rob Roy" temos aqui uma direção de arte maravilhosa, aliada a uma reconstituição histórica impecável. Um bom filme que retrata uma situação limite dentro do maior império que o mundo já conheceu. Filme vencedor do Oscar na categoria Melhor Direção de Arte. Indicado ainda nas categorias de Melhor Ator (Nigel Hawthorne), Melhor Atriz Coadjuvante (Helen Mirren) e Melhor Roteiro Adaptado. Filme vencedor do BAFTA Awards nas categorias de Melhor Filme Britânico, Melhor Ator (Nigel Hawthorne) e Melhor Figurino. / As Loucuras do Rei George (The Madness of King George, Inglaterra, 1994) Direção: Nicholas Hytner / Roteiro: Alan Bennett / Elenco: Nigel Hawthorne, Helen Mirren, Rupert Graves.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Adoráveis Mulheres / Céu Azul

Adoráveis Mulheres
Não importa a época histórica, as mulheres sempre amadurecem emocionalmente muito mais cedo do que os homens. Faz parte da natureza humana. Enquanto os garotos ainda estão envolvidos em brincadeiras infantis, as meninas já começam a se interessar romanticamente por outros rapazes, estimulando muito cedo em suas vidas uma personalidade romântica e sensitiva, mesmo que muitas vezes isso surja apenas dentro da mente delas, de forma bem reservada e íntima. Uma prova disso temos aqui nesse "Little Women". O roteiro foi baseado em um clássico da literatura americana escrito pela autora Louisa May Alcott. O que trouxe longevidade para esse texto foi sua sensibilidade em captar parte do universo feminino para suas páginas. Embora muitos não percebam isso, o fato é que o mundo das mulheres, mesmo das adolescentes, é muito mais rico em nuances sentimentais do que se imagina. As jovens, mesmo em tenra idade, já estão prontas para o amor e as emoções que envolvem esse precioso sentimento humano. Além disso o coração da mulher sempre guarda pequenos e grandes mistérios em seu interior. Para explorar esse aspecto da vida delas a história mostra a vida de um grupo de irmãs em um tempo particularmente complicado da história americana, quando a nação ficou dividida pela guerra civil. É um filme feito para elas, especialmente realizado para o público feminino. Também é bastante indicado para você assistir ao lado da namorada pois o roteiro levanta questões interessantes que certamente darão origem a um bom bate papo depois da exibição. Afinal de contas nada é mais estimulante e prazeroso do que a companhia de mulheres inteligentes e cultas que saibam manter uma excelente conversação sobre artes em geral. Assim o filme servirá como estimulante para bons momentos ao lado da pessoa amada. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Winona Ryder), Melhor Figurino e Melhor Música (Thomas Newman) / Adoráveis Mulheres (Little Women, EUA, 1994) Direção: Gillian Armstrong / Roteiro: Robin Swicord, baseado na novela escrita por Louisa May Alcott / Elenco: Susan Sarandon, Winona Ryder, Kirsten Dunst, Claire Danes, Christian Bale, Eric Stoltz, Gabriel Byrne.

Céu Azul
Outro bom filme que levanta questões interessantes sobre o papel da mulher dentro da sociedade é esse drama "Céu Azul". O enredo se passa durante o começo dos anos 60. Carly Marshall (Jessica Lange) é a esposa de um militar que não consegue expressar seus sentimentos, Hank (Tommy Lee Jones). Seu casamento é bem frustrante e as constantes mudanças de cidade causadas pelas transferências do marido só pioram a situação. Como se isso não fosse ruim o bastante, ela se sente infeliz em seu íntimo pois é uma mulher criativa, com um forte senso de liberdade, que é sempre oprimida por causa da personalidade pouco cativante de seu esposo. Em um ambiente assim ela não consegue se sentir plenamente realizada, muito pelo contrário. Vivendo para manter as aparências ela intimamente cultiva uma melancolia sempre presente, algo que poucos conseguem enxergar debaixo daquela fachada de esposa "feliz". Assim o roteiro explora esse lado pouco conhecido da vida de muitas mulheres mundo afora que acabam encontrando em seus casamentos não a felicidade ou a realização emocional, mas sim muitas obrigações, deveres e até mesmo opressão. Nesse quadro o verdadeiro amor acaba sendo soterrado pela servidão do cotidiano, do dia a dia massacrante. O fato curioso é que a opressão social não parte apenas do marido, mas da sociedade em geral também, com seus valores morais travestidos de pura hipocrisia. Nesse processo as mulheres acabam se tornando profundamente infelizes com suas vidas. Como não poderia deixar de ser o destaque desse filme vai todo para a atriz Jessica Lange. Ela encontrou um presente nesse texto e não deixou por menos, realizando uma das melhores atuações de toda a sua carreira. Um momento realmente magistral que lhe valeu uma série de premiações e homenagens em diversos festivais de cinema. Filme vencedor do Oscar e do Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz (Jessica Lange). Também indicado ao Screen Actors Guild Awards na mesma categoria. / Céu Azul (Blue Sky, EUA, 1994) Direção: Tony Richardson / Roteiro: Rama Laurie Stagner / Elenco: Jessica Lange, Tommy Lee Jones, Powers Boothe.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

Má Companhia / O Casamento de Muriel

Má Companhia
A história gira em torno de uma extensa e complexa rede de corrupção envolvendo agentes da CIA, membros da Suprema Corte e empresários inescrupulosos. O curioso é que cada um deles parece estar prestes a trair o outro a qualquer momento. Nesse jogo de agentes corruptos e corruptores a coisa funciona realmente assim no mundo real pois quando um dos pilares cede (ou seja, vai para a prisão), todo o esquema desmonta rapidamente - basta lembrar o que anda acontecendo atualmente no Brasil com a operação Lava Jato. Se em países como o nosso várias empresas se unem a agentes de estatais para saquear grandes remessas de dinheiro público roubado, aqui a situação envolve também geopolítica internacional. Apesar do tema atraente, temos que reconhecer, infelizmente, que "Bad Company" não consegue se sobressair muito da média do que era produzido naquela época. O elenco é muito bom, principalmente pela presença da sensual Ellen Barkin, uma das loiras mais marcantes do cinema americano na década de 1990. Outro destaque vem com o veterano Frank Langella em cena. Depois de um período em que ele ficou afastado das telas, se dedicando principalmente ao teatro em Nova Iorque, onde estrelou grandes adaptações para os palcos consagrados da cidade, ele foi retornando aos poucos para o mercado cinematográfico. Em relação a Langella sempre gosto de dizer que ele foi um dos mais significativos exemplos daquele tipo de ator talentoso que acaba não conseguindo emplacar direito no cinema. Geralmente seu valor suplanta em muito os personagens que costuma interpretar, talvez até por pura falta de oportunidade. Aqui então, nem precisa falar da disparidade entre seu grande valor como ator e seu personagem, um vilão comum de thrillers policiais dos anos 90. Enfim, "Má Companhia" realmente não traz nada de muito relevante e original. / Má Companhia (Bad Company, EUA, 1995) Direção: Damian Harris / Roteiro: Ross Thomas / Elenco: Ellen Barkin, Laurence Fishburne, Frank Langella.

O Casamento de Muriel
Foi muito badalado em seu lançamento original, mas nunca consegui gostar muito do filme. Pessoalmente acho seu roteiro bem cruel com as mulheres que não se enquadram nos modelos de beleza tradicional que são impostos pela sociedade. A personagem principal muitas vezes parece uma pessoa louca, sem noção, simplesmente porque ainda não se casou como a maioria de suas amigas de sua idade. Que tremenda bobagem! O preconceito já começa daí, depois vai piorando conforme a trama vai avançando. A mensagem, apesar de todas as camuflagens do roteiro, não é a melhor. Renova e fortifica uma visão ultrapassada do papel da mulher na sociedade, mostrando um argumento cheio de estereótipos ruins, que não levam a nada e nem somam na vida de ninguém. De bom mesmo apenas a forte presença de Toni Collette que aqui provavelmente teve o papel de sua vida. A direção do australiano P.J. Hogan até apresenta algumas soluções interessantes, principalmente no uso bem bolado de uma trilha sonora cheia de canções nostálgicas, mas também fica por aí. Isso obviamente é muito pouco. Assim não consegui gostar e nem achei nada particularmente engraçado. É só uma comédia boba, cheio de falsas boas intenções. Pode-se dispensar sem maiores problemas. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz - Comédia ou Musical (Toni Collette). Vencedor de quatro prêmios (inclusive melhor filme e atriz) no Australian Film Institute. / O Casamento de Muriel (Muriel's Wedding, França, Austália, 1995) Direção: P.J. Hogan / Roteiro: P.J. Hogan / Elenco: Toni Collette, Rachel Griffiths, Bill Hunter.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 26 de abril de 2015

O Fantástico Mundo do Dr. Kellogg / Velocidade Terminal

O Fantástico Mundo do Dr. Kellogg
Você certamente achou o nome Kellogg familiar. Pois é, ele é provavelmente o nome de cereal que você consome todas as manhãs durante seu breakfast. O filme é sobre a história do criador de toda essa indústria, o Dr. John Harvey Kellogg (Anthony Hopkins). Ele era um sujeito estranho, para não dizer bizarro. Com jeitão de cientista maluco ele não tinha medo de criar as mais estranhas invenções. Casualmente acertou em cheio ao criar o famoso e popular cereal para crianças comerem no café da manhã, mas isso era apenas uma faceta de sua personalidade mais do que criativa (e sim, meio louca também). Para celebrar a biografia desse homem foi realizado esse curioso (e divertido) filme estrelado pelo mestre Anthony Hopkins. Aqui ele usou e abusou de uma maquiagem pesada para ficar parecido com o Kellogg da vida real. O roteiro não se propõe a ser uma comédia, como foi erroneamento vendido no Brasil, mas sim um filme normal que acima de tudo conta a história de um homem que poderia ser qualificado como tudo, menos como... normal! Com bonita direção de arte e produção classe A temos certamente um bom filme, valorizado ainda mais pelo personagem central, que muitos ainda hoje desconhecem completamente. Some-se a isso o fato de ter sido dirigido por Alan Parker, um dos meus cineastas preferidos, e você entenderá porque recomendo a produção sem reservas. Filme indicado aos prêmios da Chicago Film Critics Association, British Society of Cinematographers e CFCA. / O Fantástico Mundo do Dr. Kellogg (The Road to Wellville, EUA, 1994) Direção: Alan Parker / Roteiro: Alan Parker, baseado no livro escrito por T. Coraghessan Boyle / Elenco: Anthony Hopkins, Bridget Fonda, Matthew Broderick.

Velocidade Terminal
Enquanto entrava e saía da cadeia por envolvimento com drogas e prostituição de luxo em Hollywood, o ator Charlie Sheen tentava manter sua carreira viva no cinema. Para quem foi saudado como o "novo Tom Cruise" em seu surgimento as coisas pareciam ter dado bem errado! Depois de "Platoon" todos pensavam que ele finalmente iria escalar os degraus do Olimpo cinematográfico, mas isso definitivamente não aconteceu. Sheen preferia curtir sua vida em baladas estravagantes regadas a pilhas de drogas. Isso queimou literalmente seu filme com os grandes estúdios, que procuravam atores que não lhes criassem problemas em grandes produções. Fora dos grandes filmes ele então teve que se contentar com fitinhas B do mercado. "Velocidade Terminal" é um filme policial de rotina, onde Sheen tentava emplacar algum sucesso para pagar os caros advogados de seus inúmeros processos judiciais. Sem maiores surpresas em termos de roteiro o interesse vinha mesmo no elenco de apoio que contava com a linda Nastassja Kinski (que apesar da idade ainda mantinha a beleza) e James Gandolfini (muitos anos antes de se tornar famoso, rico e popular com a série "A Família Soprano"). A história, banal e mal escrita, gira em torno de um instrutor de para-quedas, uma agente da KGB e teorias da conspiração. Isso porém não tem a menor importância no final das contas pois tudo é bem esquecível e descartável. A vida de Sheen nos tablóides sensacionalistas da época era bem mais interessante. / Velocidade Terminal (Terminal Velocity, EUA, 1994) Direção: Deran Sarafian / Roteiro: David Twohy / Elenco: Charlie Sheen, Nastassja Kinski, James Gandolfini.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 25 de abril de 2015

Quiz Show / O Rio Selvagem

Quiz Show - A Verdade dos Bastidores
Sempre achei muito superestimado. O filme passa longe de ser ruim, mas também não é tudo aquilo que a crítica elogiou na época de seu lançamento. O roteiro é interessante porque mostra o momento em que os executivos da televisão americana começaram a entender que o público poderia ser facilmente manipulado (algo que aliás acontece até hoje!). Valia tudo para aumentar a audiência e se fosse necessário criar uma grande farsa para que esse objetivo fosse atingido então que fosse assim. O enredo mostra os bastidores de um popular programa de TV onde os participantes tinham que responder perguntas dos mais diversos assuntos. Um deles acaba virando ídolo nacional, por causa da grande inteligência em dar respostas para as mais complicadas questões. Depois descobre-se que tudo não passava de uma enorme enganação. Dirigido por Robert Redford, que tem grande influência dentro da indústria cinematográfica, o filme acabou tendo chances reais de vencer o Oscar de melhor filme naquele ano. Ainda bem que o bom senso prevaleceu. Temos um bom roteiro e uma direção eficiente e muito profissional de Redford, isso porém não transformou "Quiz Show" em uma obra prima. Seu estilo quase documental acabou me desagradando em certos aspectos. Redford foi de certa maneira bem frio em sua forma de contar a história (que é baseada em fatos reais). Provavelmente se tivesse colocado um pouco mais de cor e coração na realização de sua obra as coisas teriam se tornado melhores do que realmente foram. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado e Ator (Paul Scofield). Também indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Drama, Direção, Roteiro e Ator Coadjuvante (John Turturro). / Quiz Show - A Verdade dos Bastidores (Quiz Show, EUA, 1994) Direção: Robert Redford / Roteiro: Paul Attanasio, baseado no livro escrito por Richard N. Goodwin / Elenco: Ralph Fiennes, John Turturro, Rob Morrow.

O Rio Selvagem
Um dos mais diferenciados filmes da carreira da grande Meryl Streep. Já percebi que ela, de tempos em tempos, procura realizar filmes menos pretensiosos, com menos cara de Oscar. Provavelmente faça esse tipo de coisa para não virar uma atriz que só possa trabalhar em filmes importantes, com tramas edificantes e roteiros épicos! Até Meryl Streep precisa relaxar de vez em quando. Quando esse filme foi lançado ela afirmou que havia aceitado topar participar porque estava querendo tirar longas férias - então como o filme foi rodado numa das regiões mais bonitas de Montana (nas reservas de Kootenai River e Glacier National Park) ela percebeu que poderia unir o útil ao agradável. O roteiro não apresenta nada demais, de certa forma temos aqui um thriller sem maiores surpresas. Vale a pena porém porque, como eu já escrevi, temos Meryl Streep em um papel diferente, mais físico do que dramático. Ao lado de Kevin Bacon ela acabou tomando belos caldos nos bonitos rios daquela região. Por ser divertido e nada Oscarizável, já está de bom tamanho. Indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz (Meryl Streep) e Melhor Ator Coadjuvante (Kevin Bacon). Também indicado ao Screen Actors Guild Awards na categoria de Melhor Atriz (Meryl Streep). PS: como se pode perceber a Meryl pode atuar em qualquer coisa que ela sempre, mas sempre mesmo, será indicada para algum prêmio do cinema americano! / O Rio Selvagem (The River Wild, EUA, 1994) Direção: Curtis Hanson / Roteiro: Denis O'Neill / Elenco: Meryl Streep, Kevin Bacon, David Strathairn.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Para Eles, com Muito Amor / Nell

Para Eles, com Muito Amor
Durante a II Guerra Mundial muitos artistas americanos entraram para o esforço de guerra se apresentando para as tropas que estavam lutando na Europa e na frente do Pacífico. Inclusive muitos astros de Hollywood como James Stewart e Clark Gable atenderam o chamado da pátria e foram para a Europa lutar contra o nazismo. Esse filme conta a história da cantora Dixie Leonhard (Bette Midler). Durante a guerra ela viajou para muitas nações em conflito justamente para levantar a moral dos homens que lutavam no exterior. Nesse processo ela também procurava de algum modo levar sua vida em frente, com paixões, decepções e relacionamentos. Não era algo fácil já que os próprios artistas também corriam riscos. Agora imagine fazer arte em um ambiente assim. O filme em si tem uma proposta muito boa e é bem realizado. Grande parte se sustenta por causa do talento da cantora e atriz Bette Midler, que se sai bem tanto nas cenas de números musicais como nos momentos mais dramáticos do roteiro. Esse esforço acabou lhe valendo uma preciosa indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Pelo esforço e pelo trabalho que ela desenvolveu, vemos que foi mais do que merecido. Enfim, um bom resgate do trabalho de centenas de artistas que foram para o front de guerra lutar não com armas, mas com sua própria arte! Filme vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz - Comédia ou Musical (Bette Midler). Também indicado ao Chicago Film Critics Association Awards na mesma categoria. / Para Eles com Muito Amor (For the Boys, EUA, 1991) Direção: Mark Rydell / Roteiro: Neal Jimenez, Lindy Laub / Elenco: Bette Midler, James Caan, George Segal.

Nell
Esse filme trouxe muitas indicações em premiações importantes para a atriz Jodie Foster. Ela concorreu ao Oscar, ao Globo de Ouro e sagrou-se vencedora no Screen Actors Guild Awards, um prêmio muito valorizado dentro da classe dos atores em Hollywood. Aqui ela interpreta essa estranha garota, Nell, que descoberta por pesquisadores desenvolve um comportamento fora dos padrões sociais a que estamos acostumados. Ela viveu muitos anos isolada da civilização e isso fez com que ela criasse seu próprio mundo pessoal, com comportamento e modo de agir bem singulares. Caberá a Jerome Lovell (Liam Neeson) tentar decifrar esse enigma. Eu gostei dessa produção, tem uma originalidade inesperada e obviamente uma bela atuação de Jodie Foster. Muito se comentou na época que sua personagem seria uma espécie de selvagem, uma garota criada em uma cabana isolada da floresta, que não conseguia mais ter uma interação com outros seres humanos. Mesmo assim demonstrava possuir uma sensibilidade emocional fora do comum. Além da sempre elogiada atuação de Foster o filme ainda apresenta uma linda fotografia, onde se conseguiu com sucesso unir o bucolismo ao redor com a personalidade mais sensível de Nell. Uma boa ideia que acrescentou muito ao resultado final do filme. / Nell (Nell, EUA, 1994) Direção: Michael Apted / Roteiro: Mark Handley, William Nicholson / Elenco: Jodie Foster, Liam Neeson, Natasha Richardson.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Cobb, A Lenda / O Guarda-Costas e a Primeira Dama

Cobb, A Lenda
Todas as vezes que você tenta indicar algum filme sobre beisebol para os brasileiros acontece a mesma coisa. As pessoas não se interessam por esse tipo de filme. Ninguém entende direito as regras desse esporte que apenas americanos idolatram e de forma em geral esse tipo de produção acaba fracassando comercialmente no Brasil. Não foi diferente com "Cobb, A Lenda", que acredito pouca gente viu até hoje. Na realidade foi lançado diretamente no mercado de vídeo, não chegando nem aos cinemas. A história gira em torno de Ty Cobb, que como o próprio título nacional sugere, foi uma lenda do beisebol americano. Quem interpreta o esportista é o ator Tommy Lee Jones. Ele se esforça bastante para trazer credibilidade ao papel, embora fãs do esporte nos Estados Unidos o tenham criticado por causa da falta de semelhança física entre Cobb e Jones. Como para nós, brasileiros, isso não tem a menor importância, o filme acaba valendo a pena. Não pelas inúmeras cenas captadas durante as partidas (cá para nós, o beisebol é bem chato mesmo!), mas sim pelo lado mais humano do personagem. No final a única certeza que você encontrará pela frente é que não importa o país, o esporte ou a cultura, geralmente pessoas que ganham fama e fortuna com o esporte da noite para o dia acabam fazendo besteira em algum momento de suas vidas, como bem prova o roteiro desse "Cobb, A Lenda". Filme indicado ao prêmio da Chicago Film Critics Association Awards na categoria de Melhor Ator (Tommy Lee Jones). / Cobb, A Lenda (Cobb, EUA, 1994) Direção: Ron Shelton / Roteiro: Al Stump / Elenco: Tommy Lee Jones, Robert Wuhl, Lolita Davidovich.

O Guarda-Costas e a Primeira Dama
Dois anos antes da produção dessa pérola (no mal sentido) o ator Kevin Costner conseguiu emplacar o maior sucesso de sua carreira, o filme "O Guarda-Costas". Por certo os produtores pensaram que o público havia criado algum fetiche em relação a esse tipo de profissional o que acabou dando origem a esse abacaxi monstruoso. Sinceramente... que filme ruim! Hoje em dia Nicolas Cage perdeu o pudor de aparecer em bombas, mas naquela época ele tinha um prestígio e tanto dentro do meio cinematográfico. Qual não foi a surpresa ao vê-lo passando mico em um filmeco como esse! Pior foi o caso da atriz Shirley MacLaine! Atriz veterana, com clássicos imortais em sua filmografia, precisou passar pelo vexame de estrelar essa fitinha descartável e esquecível. Nada se salva, o roteiro é péssimo, não tem graça e nem razão de ser. O elenco não sabe o que fazer com um material tão ruim. O fracasso comercial praticamente destruiu a carreira do novato diretor Hugh Wilson, que a partir daí foi de mal a pior, tentando emplacar numa carreira morta em seu nascimento, assinando outras porcarias do tipo "Polícia Desmontada" e "De Volta para o Presente" (péssimo filme com o ainda mais péssimo Brendan Fraser). Enfim, desista. Se nunca viu, passe longe. Se perdeu seu precioso tempo vendo isso, os meus sinceros pêsames! / O Guarda-Costas e a Primeira Dama (Guarding Tess, EUA, 1994) Direção: Hugh Wilson / Roteiro: Hugh Wilson, Pj Torokvei / Elenco: Shirley MacLaine, Nicolas Cage, Austin Pendleton.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Debi & Lóide / Três Formas de Amar

Debi & Lóide
É óbvio que eu jamais indicaria esse filme para pessoas mais sofisticadas que gostem de um tipo de humor mais refinado, como o britânico, por exemplo. "Debi & Lóide" é produto de massa, nada sutil, totalmente escrachado e debochado, uma produção que não tem vergonha de apelar para literalmente tudo - sim, vale tudo nesse roteiro para fazer o espectador rir, sem constrangimentos. Dito isso, é bom frisar que essa comédia é mais indicada mesmo para o público adolescente. É um tipo de humor que apesar de em muitos momentos ser bem vulgar beira a infantilidade completa. Talvez por essa razão tenha feito tanto sucesso. Curiosamente ao longo dos anos o ator Jim Carrey tentaria se afastar desse tipo de comédia mais visceral para abraçar projetos mais artísticos e pretensiosos, afinal seu sonho sempre foi ser levado à sério como ator em Hollywood. Após sucessivos fracassos comerciais ele parece ter voltado ao mesmo ponto de antes em sua carreira, já que recentemente estrelou uma sequência tardia desse filme (que inclusive ainda não conferi). Vinte anos depois ele retorna ao mesmo lugar! Do outro lado sempre achei muito interessante o timing para o humor de Jeff Daniels! Ele nunca foi um comediante de ofício, apesar de sua cara de bobão. Aqui ele conseguiu se sair excepcionalmente bem, mas mesmo assim jamais abraçou a comédia como o ponto focal de sua carreira. Para falar a verdade sempre deu prioridade para filmes mais dramáticos até! Então é isso, eis aqui um filme que não tem nenhum receio de ser completamente idiota. Se você procura por algo assim, boa sorte! Filme vencedor do MTV Movie Awards na categoria de Melhor Comédia / Debi & Lóide: Dois Idiotas em Apuros (Dumb & Dumber, EUA, 1994) Direção: Peter Farrelly, Bobby Farrelly / Roteiro: Peter Farrelly, Bobby Farrelly / Elenco: Jim Carrey, Jeff Daniels, Lauren Holly.

Três Formas de Amar
Outro filme que foi acusado de ser bem vulgar, não no mesmo estilo da comédia de Jim Carrey, mas sim ideologicamente vulgar. Explico. A temática passeia sobre um triângulo amoroso entre dois homens e uma mulher. O cenário é o meio universitário americano. Por um erro burocrático do campus a jovem Alex (Lara Flynn Boyle) acaba indo parar no dormitório de dois colegas de faculdade, Stuart (Stephen Baldwin) e Eddy (Josh Charles). Bom, a partir daí já sabemos muito bem que um clima de tensão sexual se instalará entre eles. Mulheres e homens vivendo sob um mesmo teto acaba despertando os instintos mais básicos do ser humano. É algo perfeitamente natural. Alex logo se apaixona por Eddy, mas Stuart também tem uma queda por ela. O problema é que Eddy é gay e na verdade esconde uma atração por seu colega de quarto, o próprio Stuart. Como resolver uma situação como essa, onde todos parecem interessados, mas que no fundo ninguém consegue dar o braço a torcer? Eventualmente Alex propõe aos rapazes um tipo de relacionamento aberto, onde ninguém seria realmente de ninguém e todos poderiam compartilhar da mesma cama sem maiores culpas. Bem, se não houvesse sentimento envolvido até poderia dar certo, porém como há paixões no meio dessa equação todos acabam se machucando emocionalmente, de uma forma ou outra. Entre as acusações que o filme sofreu estava a de que ele seria na verdade um longo comercial ou lobby da causa gay ou bissexual. Não vejo motivos para isso. No fundo é apenas uma história de amor triangular que definitivamente não deu muito certo! / Três Formas de Amar (Threesome, EUA, 1994) Direção: Andrew Fleming / Roteiro: Andrew Fleming / Elenco: Lara Flynn Boyle, Josh Charles, Stephen Baldwin.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Coragem Sob Fogo

Título no Brasil: Coragem Sob Fogo
Título Original: Courage Under Fire
Ano de Produção: 1996
País: Estados Unidos
Estúdio: Fox 2000 Pictures
Direção: Edward Zwick
Roteiro: Patrick Sheane Duncan 
Elenco: Denzel Washington, Meg Ryan, Lou Diamond Phillips
  
Sinopse:
O tenente-coronel Nathaniel Serling (Denzel Washington) é designado para investigar o passado da tenente Karen Emma Walden (Meg Ryan), morta durante a operação Tempestade do Deserto, quando os Estados Unidos invadiram o Iraque nos anos 1990. A Casa Branca quer honrar sua memória lhe dando postumamente a Medalha de Honra, a mais alta condecoração militar do país. O momento se mostra ótimo para isso pois ela seria a primeira mulher a ser honrada com a medalha, o problema é que Serling acaba descobrindo que ela não era exatamente a heroína que todos procuravam. Filme indicado ao Chicago Film Critics Association Awards na categoria de Melhor Ator (Denzel Washington).

Comentários:
Achei bem morno para falar a verdade. De fato o filme prometia, havia uma boa trama envolvida (que aproveitava o momento histórico da intervenção americana no Oriente Médio), um diretor competente (Edward Zwick, quase sempre impecável) e uma dupla de protagonistas muito boa formada por Denzel Washington e Meg Ryan. Ele vinha de dois filmes que não tinham feito muito sucesso de bilheteria, "Assassino Virtual" e "O Diabo Veste Azul", ambos colocando em dúvida sua capacidade de se transformar em um astro do primeiro time de Hollywood. Ela também queria mudar um pouco o rumo de sua carreira após virar a nova "namoradinha da América" ao estrelar uma sequência de filmes do gênero comédia romântica. Assim tínhamos uma equipe muito boa de profissionais competentes do ramo, o problema é que infelizmente, mesmo com todos os ingredientes presentes algo acabou saindo errado, fazendo com que a fórmula não fosse muito bem sucedida. Foi o que aconteceu aqui. O filme não decola e fica girando em círculos. Mesmo com os atores empenhados em fazer tudo dar certo. Há farto uso de flashbacks e eles acabam cansando um pouco. É aquele tipo de filme que você assiste uma vez na vida e depois ou perde o interesse em revê-lo ou simplesmente o esquece completamente. Definitivamente não cumpriu tudo aquilo que havia prometido.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Segredos do Coração / Só Você

Segredos do Coração
Esse é um remake do clássico romântico "Tarde Demais Para Esquecer". O enredo mostrando um casal se apaixonando em uma viagem de navio (embora ambos sejam comprometidos), para depois se encontrarem no alto do Empire State Building em Nova Iorque atravessou gerações e continua encantando os corações adolescentes. Eu gosto muito do filme dos anos 1950 e até mesmo da versão original (já escrevi inclusive resenhas sobre ambos os filmes em meu blog de cinema clássico). Das versões que tive oportunidade de conhecer essa é certamente a mais fraca. Em meu ponto de vista o filme peca por ser frio demais, distante em demasia. Parece até um longo comercial de sabonete. Ora, vamos convir que um filme romântico tem que no mínimo ter um romantismo latente, à flor da pele. A paixão tem que estar presente em cada fotograma. O curioso é que Warren Beatty e Annette Bening são casados na vida real e acabam falhando justamente sobre isso, pois ficamos com a impressão de que não parece haver afeto verdadeiro entre eles. Seria uma confirmação da velha máxima que afirma que o casamento é o meio mais eficaz para destruir o verdadeiro amor? Pode ser. De uma forma ou outra, mesmo a produção sendo em muitos aspectos falsa e pouco convincente, sempre teremos a presença luminosa da estrela Katharine Hepburn no elenco para salvar a película da insignificância completa. Essa foi uma grande dama da arte de representar. Ela era magistral e compensa qualquer tipo de esforço em acreditar que Beatty e Bening realmente se amem de verdade! / Segredos do Coração (Love Affair, EUA, 1994) Direção: Glenn Gordon Caron / Roteiro: Mildred Cram, Leo McCarey / Elenco: Warren Beatty, Annette Bening, Katharine Hepburn.

Só Você
Robert Downey Jr passou por momentos muito complicados em sua vida, decorrentes principalmente de seu sério problema com drogas. Em determinado momento nenhum estúdio mais queria investir em um filme estrelado por ele. Era arriscado, Robert Downey Jr vivia entrando e saindo da cadeia e quando não estava atrás das grades estava em processo de recuperação em alguma clínica de tratamento de viciados de Los Angeles. Vira e mexe virava notícia de capa em jornais sensacionalistas mostrando seus vexames públicos (como quando foi preso ao entrar numa casa que não era a dele, por ficar sem qualquer sentido de direção ou localização, por estar completamente drogado). O agente do ator assim sofreu um bocado para arranjar emprego para ele em Hollywood. Em meados dos anos 90 ele se auto declarou curado de seu problema de dependência química. Assim, aos poucos, ele foi retomando a vida profissional. Essa comédia romântica foi um primeiro passo de volta à sobriedade na carreira. É um filme bonitinho, com bonita direção de arte, mas também descartável como uma caixa de bombons! Não alimenta e só engorda, mas até que é gostoso de ver. Afinal de contas pode-se esperar por tudo menos que o competente cineasta Norman Jewison faça uma bobagem completa com sua assinatura. / Só Você (Only You, EUA, 1994) Direção: Norman Jewison / Roteiro: Diane Drake / Elenco: Marisa Tomei, Robert Downey Jr., Bonnie Hunt.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Perigo Real e Imediato / Uma Virada do Destino

Perigo Real e Imediato
Harrison Ford volta ao papel do agente da CIA Jack Ryan nesse terceiro filme da franquia. Só para recordar os outros foram "Caçada ao Outubro Vermelho", "Jogos Patrióticos", "A Soma de Todos os Medos" e o mais recente "Operação Sombra - Jack Ryan". Os roteiros seguem de perto os livros escritos por Tom Clancy. O personagem é basicamente uma versão americana de James Bond, com mais cuidado nas tramas e no realismo das situações, muito embora isso não pareça muito claro. Nessa versão Jack Ryan precisa lidar com um perigoso cartel de drogas colombiano, que parece ter se inflitrado até mesmo dentro das altas esferas do governo americano. Sempre gosto de escrever que não há maiores problemas nos dois filmes estrelados por Harrison Ford. Para falar a verdade ele se deu muito bem nesse papel. O ator só rompeu com a série por questões puramente financeiras quando estava prester a ir para o terceiro filme. Uma pena. Acabou sendo substituído por Ben Affleck alguns anos depois. No geral vale a pena conferir, principalmente se você gosta de roteiros com muita espionagem internacional e ação desenfreada. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Som e Melhores Efeitos Especiais. Também indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films na categoria de Melhor Filme de Ação. / Perigo Real e Imediato (Clear and Present Danger, EUA, 1994) Direção: Phillip Noyce / Roteiro: Donald Stewart, baseado na obra de Tom Clancy / Elenco: Harrison Ford, Willem Dafoe, Anne Archer.

Uma Virada do Destino
Michael McCann (Steve Martin) tem boas razões para odiar o mundo. Depois de muitos anos de casado acaba descobrindo que o filho que criava não era seu. Sua esposa o havia traído anos atrás. Isso faz com que seu mundo venha abaixo. Humilhado, ele decide se mudar para uma pequena cidade, para morar sozinho, longe de tudo e todos, remoendo suas mágoas. O que parece ser um destino solitário e amargo acaba mudando da noite para o dia quando uma garotinha entra em sua vida. Ele adota a menina e vê uma nova chance para recomeçar, até que o passado da criança volta para estragar tudo novamente. Ah Steve Martin, entre comédias de sucesso e filmes apenas medianos, para não dizer medíocres, ele procurou sobreviver em Hollywood da melhor forma possível. Esse aqui até que não é tão mal. O roteiro é redondinho e bem familiar, o que acabou agradando ao público. Filmes com crianças também dificilmente desagradam. Assim Martin acabou conseguindo uma bilheteria até que muito boa em seu lançamento. Apesar de hoje em dia estar meio datado vale a pena uma espiada, por causa das boas intenções de seu roteiro. Além disso Steve Martin sempre compensa com seu carisma natural. / Uma Virada do Destino (A Simple Twist of Fate, EUA, 1994) Direção: Gillies MacKinnon / Roteiro: Steve Martin / Elenco: Steve Martin, Gabriel Byrne, Laura Linney.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 19 de abril de 2015

O Colecionador de Ossos / O Anjo da Guarda

O Colecionador de Ossos
Filmes sobre psicopatas geralmente costumam serem, no mínimo, bons. Claro que existem exceções, principalmente no submundo dos filmes B, de baixo orçamento, mas dificilmente veremos uma produção classe A com enredo girando em torno de um serial killer que seja realmente fraco ou ruim. Assim não poderia ser diferente com esse "O Colecionador de Ossos". O elenco formado por Denzel Washington e Angelina Jolie funciona muito bem. Denzel interpreta um especialista veterano que está com problemas de locomoção, o que o impede de ir "in loco" participar das investigações. Assim ele acaba funcionando como o lado intelectual dessa dupla formada ainda com a presença da inexperiente policial Amelia Donaghy (Jolie, estranhamente sensual em um papel que não deveria abrir margem para esse tipo de coisa). Como o próprio título sugere o assassino tem uma estranha obsessão por ossos humanos, o que torna tudo ainda mais macabro. Eu particularmente gostei do resultado final, mas a crítica da época se dividiu, sendo que o roteiro foi acusado, entre outras coisas, de ser pouco original e sem surpresas. Discordo, considero o filme até acima da média do que era produzido na década de 1990. Além disso o diretor Phillip Noyce (de "Perigo Real e Imediato" e "Jogos Patrióticos") sempre foi um competente realizador de blockbusters. / O Colecionador de Ossos (The Bone Collector, EUA, 1999) Direção: Phillip Noyce / Roteiro: Jeremy Iacone, baseado no livro escrito por Jeffery Deaver / Elenco: Denzel Washington, Angelina Jolie, Queen Latifah.

O Anjo da Guarda
North (Elijah Wood) é um garoto insatisfeito e frustrado com sua família que resolve partir em busca de uma nova, vivendo inúmeras aventuras enquanto não acha os pais que ele venha a considerar ideais. Esse filme, que não fez sucesso quando foi lançado, resolveu apostar em um tom de fábula. Elijah Wood era apenas um garotinho, mas mostrou muito talento em segurar o filme praticamente sozinho, com eventuais participações de atores famosos, como por exemplo, o astro Bruce Willis, que surge como narrador do enredo. Esse clima de fantasia que o diretor Rob Reiner quis a todo custo manter não conseguiu agradar a todo mundo, alguns inclusive detestaram, a ponto até do filme ser indicado a várias categorias no Framboesa de Ouro (pior filme, direção, ator, roteiro, etc). Não era para tanto, acredito que o Framboesa tenha vindo em retaliação a Bruce Willis, que vinha em uma época turbulenta com a imprensa, com muitas trocas de acusações e ofensas. De qualquer maneira, se você não conhece a fita e queira arriscar um programa bem diferente deixo aqui a dica. Não posso afirmar que você vai gostar do resultado, mas posso garantir que será algo bem diferente. / O Anjo da Guarda (North, EUA, 1994) Direção: Rob Reiner / Roteiro: Alan Zweibel / Elenco: Elijah Wood, Bruce Willis, Jason Alexander.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 18 de abril de 2015

Last Knights

Na Europa medieval um rico senhor feudal, Lord Bartok (Morgan Freeman), é convocado para comparecer na corte, no gabinete do ministro Gezza Mott (Aksel Hennie). Ele é um membro corrupto do governo imperial e está atrás de puro suborno. O nobre Bartok porém se recusa a lhe dar uma grande fortuna em dinheiro, pois entende que isso corrompe os valores mais importantes da nação. Agindo assim acaba ganhando um inimigo poderoso, que estará disposto a tudo para colocar o seu clã Bartok em desgraça. O íntegro e honesto Lord só conta porém com a ajuda do comandante Raiden (Clive Owen), seu braço direito. A luta pela busca do poder será brutal. "Last Knights" é uma nova aventura que está chegando nas telas. A proposta é realizar um filme à moda antiga, passada na era medieval, embora o roteiro nunca deixe claro em que país se passe a estória. Isso é bem curioso e a direção de arte do filme, que usa elementos de culturas diferentes, parece confirmar a intenção de seus realizadores em não determinar em que nação se desenvolve todo o enredo. Em termos de elenco se destaca novamente Morgan Freeman. Sua participação porém dentro do roteiro é breve. Embora seja um dos personagens centrais do argumento ele logo deixa a cena, abrindo margem para a sede de vingança do personagem interpretado por Clive Owen.

A produção é bem feita, embora não seja excepcional. Nos tempos atuais não há mais a construção de grandes cenários, sendo tudo criado em computador, em pura realidade virtual. Assim os grandes castelos e muralhas são apenas técnicas da mais pura computação gráfica. Algumas vezes funciona, mas devo confessar que em certos momentos tudo me pareceu pouco convincente. Não me passou veracidade. O roteiro também não traz maiores novidades, se concentrando na velha fórmula da vingança pessoal. Há uma quebra de ritmo na segunda metade do roteiro que poderá desagradar a algumas pessoas. De bom mesmo eu apontaria as boas cenas de lutas de espadas e uma ou outra bem realizada sequência de ação. "Last Knights" não chega a ser um grande filme, mas diverte, sem maiores pretensões.

Last Knighs (Idem, EUA, 2015) Direção: Kazuaki Kiriya / Roteiro: Michael Konyves, Dove Sussman / Elenco: Clive Owen, Morgan Freeman, Aksel Hennie / Sinopse: Comandante feudal (Owen) parte em busca de vingança após seu senhor (Freeman) ser morto por se recusar a pagar suborno a um importante e poderoso ministro da corte do Imperador. Dado como irrelevante e decadente ele está disposto a tudo para honrar o nome de seu clã de cavaleiros guerreiros.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Mr. Jones

Título no Brasil: Mr. Jones
Título Original: Mr. Jones
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Anchor Bay Films
Direção: Karl Mueller
Roteiro: Karl Mueller
Elenco: Jon Foster, Sarah Jones, Mark Steger
  
Sinopse:
Um jovem casal decide ir para uma cabana no meio da floresta. Lá eles pretendem revitalizar o relacionamento ao mesmo tempo em que Scott (Jon Foster), o marido, pretende rodar um documentário sobre a natureza. Eventualmente acabam esbarrando em uma figura estranha, um homem que vive isolado no meio da mata, sem contato com ninguém há anos. Penny (Sarah Jones) acaba descobrindo ser Mr. Jones, um nome bem conhecido no mundo das artes em Nova Iorque. Há anos ele havia enviado suas peças (na verdade espantalhos criados com objetivos desconhecidos) para várias pessoas ao redor do mundo e essas esculturas acabaram sendo reconhecidas como grandes obras de arte. Mas a dúvida sempre permaneceu na mente de todos: afinal quem seria mesmo esse misterioso Mr. Jones?

Comentários:
Filme de terror que procura seguir a estética do sucesso "A Bruxa de Blair". Claro que esse estilo de filme já aborreceu muita gente, mas podem ficar mais tranquilos pois "Mr. Jones" não é tão intencionalmente mal filmado como esse "clássico" que acabou dando origem ao subgênero Mockumentary. O roteiro não me surpreendeu muito, a não ser nos vinte minutos finais quando ele dá uma guinada e joga todos os personagens em um verdadeiro mundo de delírios e pesadelos, isso literalmente falando. Se você é daquele tipo de espectador que gosta de ter tudo explicadinho, certamente vai ficar desapontado com esse roteiro, pois na realidade ele não parece estar preocupado em decifrar muita coisa. Depois que o filme termina o público terá que catar pequenas pistas que são dadas ao longo da duração para montar seu próprio painel explicativo sobre tudo o que assistiu. O estreante diretor Karl Mueller merece, pelo menos pela coragem, algum tipo de elogio por ter escolhido ir por esse caminho. Em termos de elenco o destaque vai para a atriz Sarah Jones no papel de Penny. Eu sempre gostei muito do trabalho dela, principalmente em séries como "Vegas", "Alcatraz" e "Justified". Aqui ela surge mais bonitinha do que nunca, o que ajudou bastante a passar o tempo enquanto as coisas não ficavam muito claras. No final das contas ela acaba sendo mesmo o grande atrativo para conferir mais essa fita de terror.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Assassinos por Natureza / Sem Medo de Viver

Assassinos por Natureza
Um casal de assassinos psicopatas sai pelas estradas dos Estados Unidos cometendo crimes e aterrorizando a população. Para muitos críticos esse filme nada mais foi do que uma banalidade pretensiosa recheada de violência gratuita embalada por uma indisfarçavel apologia ao mundo do crime. Será mesmo? Para o diretor Oliver Stone a produção serviu mesmo para que ele desse vazão ao experimentalismo sem limites, pois ao assistir "Natural Born Killers" você perceberá que ele utilizou de quase todas as técnicas cinematográficas disponíveis. O roteiro também tenta justificar a natureza psicopata dos personagens principais ao colocá-los como vítimas de abuso infantil que cresceram e tentaram se vingar da sociedade hipócrita em que viviam. Para quem se sentir chocado com o roteiro é bom saber que ele foi escrito pela mente doentia de Quentin Tarantino! Isso mesmo, um dos cineastas mais aclamados da nossa geração foi a mente pensante por trás de tudo o que se vê. Assim Oliver Stone pode se sentir mais tranquilo, absolvido de todas as acusações que lhe foram feitas. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Direção (Oliver Stone). Vencedor do Venice Film Festival nas categorias de Melhor Direção (Stone) e Melhor Atriz (Juliette Lewis). / Assassinos por Natureza (Natural Born Killers, EUA, 1994) Direção: Oliver Stone / Roteiro: Quentin Tarantino, David Veloz  / Elenco: Woody Harrelson, Juliette Lewis, Tom Sizemore.

Sem Medo de Viver
Max Klein (Jeff Bridges) é um arquiteto que muda completamente sua visão de vida após salvar várias pessoas de um trágico acidente de avião. A partir dessa experiência ele muda sua forma de entender sua própria existência e seus objetivos pessoais, tratando e olhando de outro modo seus relacionamentos, inclusive familiares. Temos aqui um bom drama existencial, sobre um homem que passa a ter um outro olhar sobre sua própria existência. O ritmo é bem lento e o roteiro procura trazer uma profundidade maior em seu conteúdo, tentando levar o espectador a uma reflexão interior. O resultado é apenas parcialmente bem sucedido em suas pretensões. Aliás talvez o maior problema do filme seja sua própria pretensão, maior do que a própria qualidade da fita em si. Mesmo assim acabou agradando, levantando boas indicações em importantes festivais de cinema pelo mundo afora. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante (Rosie Perez). Também indicado ao Globo de Ouro na mesma categoria. / Sem Medo de Viver (Fearless, EUA, 1993) Direção: Peter Weir / Roteiro: Rafael Yglesias / Elenco: Jeff Bridges, Isabella Rossellini, Rosie Perez.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Cliente Morto Não Paga / Oscar

Cliente Morto Não Paga
A ideia central até que é bem bolada: pegar dezenas de cenas avulsas de filmes clássicos e depois tentar inserir imagens do ator e comediante Steve Martin interagindo com elas. Uma paródia ao estilo do cinema noir dos anos 40. No começo o espectador se diverte com a imaginação e a originalidade, mas conforme a trama vai avançando você começa a perceber que nada mais faz muito sentido, até cair no vazio completo. Nesse ponto o filme perde o pique e se torna logo enfadonho e cansativo. O diretor Carl Reiner pode até ser parabenizado pelo que criou, mas a verdade é que o clima de anarquia que ele depois imprimiu ao filme deu a sensação de desleixo e bagunça. Steve Martin teve que contracenar com o nada, dentro de um estúdio, até porque essa é uma fita onde a edição é tudo - da primeira à última cena. Talvez nos dias de hoje, com o avanço da tecnologia, as coisas funcionassem melhor. Já no começo da década de 80 tudo ficou apenas restrito nas boas intenções de seus realizadores e nada mais. / Cliente Morto Não Paga (Dead Men Don't Wear Plaid, EUA, 1982) Direção: Carl Reiner / Roteiro: Carl Reiner, George Gipe / Elenco: Steve Martin, Rachel Ward, Alan Ladd, entre outros grandes nomes da era de ouro do cinema americano.

Oscar - Minha Filha Quer Casar
Não se sabe até hoje a razão, mas o fato é que no começo dos anos 90 Stallone colocou na cabeça que era um sujeito engraçado. Tentando mudar radicalmente de imagem ele resolveu estrelar duas comédias que ajudaram a sedimentar uma época bem ruim para o ator em termos de bilheteria e sucesso comercial. Ambos os filmes fracassaram (de forma justa, aliás) e mostraram de forma definitiva que não, Stallone realmente não tinha talento para filmes de humor. Nesse "Oscar" ainda temos uma boa produção, luxuosa até, fruto da confiança que os produtores ainda colocavam em seu nome por causa da sucessão de sucessos que emplacou nos anos 80. Depois do fracasso comercial a estrela de Stallone começou a perder seu brilho. Para piorar, como se não bastassem as péssimas críticas e a bilheteria decepcionante, Stallone ainda teve que arcar com as vexatórias indicações ao Framboesa de Ouro nas categorias de Pior Ator (Stallone, pagando por seu ego cego), Pior Atriz Coadjuvente (sim, ela mesma, Marisa Tomei, saindo direto do prêmio máximo da academia para o vexame completo) e Pior Diretor (que pena, John Landis, pelo conjunto da obra nem merecia algo assim). Dessa maneira fica a recomendação: não assista ao filme, você não vai achar graça nenhuma e certamente ficará com a sensação de perder seu tempo. / Oscar - Minha Filha Quer Casar (Oscar, EUA, 1991) Direção: John Landis / Roteiro: Claude Magnier, Michael Barrie / Elenco: Sylvester Stallone, Ornella Muti, Don Ameche, Maria Tomei.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Terra das Sombras / Diên Biên Phú

Terra das Sombras
C. S. Lewis (1898 - 1963) entrou para a história como autor dos consagrados livros da série "The Chronicles of Narnia". Professor universitário, escritor, romancista, poeta, crítico literário, ensaísta, Lewis é um dos nomes mais celebrados da literatura britânica. Esse filme se propõe a contar parte de sua biografia, de seu conturbado romance com a poetisa americana Joy Gresham (interpretada pelo boa atriz Debra Winger). Eram pessoas refinadas, cultas e intelectuais que se completavam, mas que tinham que superar diversas barreiras para serem felizes. O roteiro enfoca um momento particularmente complicado de suas vidas quando Joy recebeu o diagnóstico que estava com câncer. Para piorar Lewis enfrentava problemas para conseguir a cidadania americana, o que lhe garantiria dar apoio completo à sua amada nesse momento crucial de sua vida. Quem interpreta o famoso escritor é o ator Anthony Hopkins, que como sempre está muito lúcido e muito bem em seu papel. Ele traz um humanismo grandioso ao personagem que dá vida. Richard Attenborough, um mestre em filmes como esse, trata tudo com fina melancolia e muita sensibilidade, o que transforma o filme em um drama triste, mas ao mesmo tempo realmente tocante. Uma excelente obra cinematográfica, sem retoques. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Debra Winger) e Melhor Roteiro Adaptado (William Nicholson). Filme vencedor do BAFTA Awards nas categorias de Melhor Filme Britânico e Melhor Ator (Anthony Hopkins). / Terra das Sombras (Shadowlands, Inglaterra, 1993) Direção: Richard Attenborough / Roteiro: William Nicholson / Elenco: Anthony Hopkins, Debra Winger, Julian Fellowes.

Diên Biên Phú
Um drama passado no Vietnã, antes da intervenção americana naquele país. Na estória acompanhamos um jornalista americano que é enviado para aquela região como correspondente de guerra para informar aos leitores de seu país o que se passava lá. Havia uma guerra aberta entre os colonialistas franceses e o povo do Vietnã que lutava por sua independência. O foco história é justamente realizado em cima da terrível batalha de Diên Biên Phú, quando os franceses foram finalmente derrotados, abrindo campo assim para a desastrosa entrada dos Estados Unidos na região, que daria origem no futuro ao sangrento conflito da Guerra do Vietnã, onde milhares de pessoas perderiam suas vidas. O roteiro desse filme é muito bom porque procura mostrar os eventos que deram origem a um dos mais desastrosos conflitos militares da história americana. O momento em que o ovo da serpente foi plantado naquele solo. Curiosamente a sensação é a de que os americanos não tinham a menor ideia do que se passava e pelo visto continuaram a não ter depois, quando a guerra finalmente eclodiu. Pior para os milhares de jovens americanos que foram enviados para aquelas selvas tropicais, sem nem ao menos saberem porque realmente estavam lá, morrendo e lutando por suas vidas. Filme indicado ao César Awards na categoria de Melhor Música (Georges Delerue). / Diên Biên Phú (Idem, França, 1992) Direção: Pierre Schoendoerffer / Roteiro: Pierre Schoendoerffer / Elenco: Donald Pleasence, Patrick Catalifo, Jean-François Balmer.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Os Puxa-Sacos / O Enigma das Cartas

Os Puxa-Sacos
Como sempre o título nacional é de amargar. Tudo bem, é uma comédia até bobinha, talvez nem merecesse qualquer resenha, mas de uma forma ou outra vale pelo menos a menção pelo elenco. O filme é estrelado pelo ator Michael J. Fox. Bom, se você foi cinéfilo na década de 80 sabe muito bem quem ele é, o adolescente que viajava no tempo na franquia inesquecível "De Volta Para o Futuro". Além disso ele por muitos anos participou de uma sitcom muito divertida e popular (até mesmo no Brasil) chamada "Caras e Caretas" que era exibida no final das tardes na Rede Globo naquela saudosa década. Fox é sempre uma atração a mais, porém o que vale mesmo a pena aqui é rever o veterano e ídolo da era de ouro do cinema americano Kirk Douglas em uma de suas últimas participações na tela grande. Douglas (que ainda está vivo, quase chegando aos 100 anos de idade que completará no ano que vem) é um daqueles mitos da história do cinema que vale qualquer sacrifício, até mesmo o de gastar algum dinheiro com uma comédia descartável como essa. Por causa da sua idade avançada ele não aparece muito no filme, mas quando surge mostra que ainda é um dos mais carismáticos astros que já passaram por Hollywood. Então, diante disso, esqueça o péssimo título nacional e arrisque conhecer. O Kirk vale o esforço. / Os Puxa-Sacos (Greedy, EUA, 1994) Direção: Jonathan Lynn / Roteiro: Lowell Ganz, Babaloo Mandel / Elenco: Michael J. Fox, Kirk Douglas, Nancy Travis.

O Enigma das Cartas
Esse é aquele tipo de filme que você provavelmente assistiu em sua vida, mas passados tantos anos já esqueceu! Novamente uma fita que vale pelo seu elenco. Acredite, Kathleen Turner foi uma das mulheres mais sensuais de Hollywood. Ok, o tempo não foi tão gentil com essa diva, mas naquela época ela realmente era de arrasar. Muito de sua carreira se deveu justamente ao seu Sex appeal. que era um pouco diferenciado das outras atrizes loiras dos anos 80. Na verdade ela sempre foi um pouco mais velha que suas concorrentes, mas conseguia fazer frente até mesmo a beldades bem mais jovens como Sharon Stone. A sensualidade não parece ter mesmo idade! Ao seu lado temos novamente o operário padrão de Hollywood, Tommy Lee Jones, que na época era considerado apenas um coadjuvante competente, pronto para encarar qualquer tipo de produção. O enredo gira em torno de uma mãe, Ruth Matthews (Kathleen Turner), que precisa lidar sozinha com os problemas de autismo da filha, após a morte de seu marido. Ela tenta se comunicar com a jovem garota se utilizando do próprio universo muito particular de ser da menina, que costuma construir grandes castelos de cartas em seu quarto. Como se sabe as pessoas que sofrem de autismo acabam tendo grande dificuldade de interagir socialmente com as pessoas ao seu redor, sendo que muitos autistas acabam vivendo em um mundo muito particular, onde nem mesmo os próprios membros da família conseguem entrar. Em suma, um bom drama, especialmente indicado para quem tem algum membro da família passando por esse problema. Filme vencedor do WorldFest Houston na categoria de Melhor Atriz (Kathleen Turner). / O Enigma das Cartas (House of Cards, EUA, 1993) Direção: Michael Lessac / Roteiro: Michael Lessac, Robert Jay Litz / Elenco: Kathleen Turner, Tommy Lee Jones, Asha Menina.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

O Cliente / Mudança de Hábito 2

O Cliente
Um garoto acaba testemunhando um assassinato cometido por membros da máfia italiana. Isso coloca em perigo sua própria vida. Para ajudar em sua delicada situação, seu pai resolve pedir ajuda a uma inexperiente advogada, interpretada por Susan Sarandon. O diretor Joel Schumacher é conhecido pelos altos e baixos na carreira. De fato ele pode dirigir excelentes filmes e depois afundar tudo, assinando verdadeiras bombas cinematográficas. Aqui temos, por sorte, um proveniente de sua boa safra. "The Client" é baseado no livro do famoso autor de best sellers John Grisham, o que já garante no mínimo um bom drama de tribunal como background narrativo. Some-se a isso a presença de atores talentosos como a engajada Susan Sarandon e o sempre competente Tommy Lee Jones e você certamente terá em mãos aquele tipo de película onde nem mesmo um diretor ruim conseguiria estragar. Não que Joel Schumacher mereça esse tipo de título, mas sim pelo fato que mesmo que ele estivesse em um momento ruim dificilmente estragaria o resultado final. Assim "O Cliente" é um bom drama jurídico, que explora o lado mais visceral desse mundo fascinante do direito. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Atriz (Susan Sarandon). Também indicado ao BAFTA Awards e ao Screen Actors Guild Awards na mesma categoria. / O Cliente (The Client, EUA, 1994) Direção: Joel Schumacher / Roteiro: Akiva Goldsman / Elenco: Susan Sarandon, Tommy Lee Jones, Brad Renfro, William H. Macy.

Mudança de Hábito 2: Mais Confusões no Convento
Sequência bem mais fraquinha do sucesso "Sister Act", novamente produzido pela Touchstone Pictures (do grupo Disney) e contando novamente com a carismática presença da atriz e comediante Whoopi Goldberg. O roteiro, temos que reconhecer, é bem mais fraco do que o original, também pudera, não havia muita margem de manobra para se ir além. Dessa forma a estória é basicamente a mesma do primeiro filme, com algumas pequenas mudanças pontuais. O que acaba salvando essa continuação é, como não poderia deixar de ser, a música! Sim, muitos filmes ao longo da história foram salvos da mediocridade completa apenas por causa de sua trilha sonora. Além disso os números musicais são animados e bem coreografados. O diretor William Henry Duke Jr conseguiu captar muito bem o clima gospel e religioso de pequenas comunidades religiosas de Nova Iorque, levando essa bagagem para o filme como um todo. Além disso o que podemos dizer da maravilhosa Maggie Smith? Uma atriz que realmente dispensa maiores comentários. Assim temos mais um belo trabalho que salvou o conjunto do rótulo de mero caça-níquel comercial. O que excelentes canções e atrizes de talento não conseguem fazer, não é mesmo? Filme indicado ao MTV Movie Awards na categoria de Melhor Atriz (Whoopi Goldberg). / Mudança de Hábito 2: Mais Confusões no Convento (Sister Act 2: Back in the Habit, EUA, 1993) Direção: Bill Duke / Roteiro: Joseph Howard, James Orr/ Elenco: Whoopi Goldberg, Kathy Najimy, Maggie Smith.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A Cor da Noite / Minha Vida

A Cor da Noite
Um dos grandes fracassos comerciais da carreira de Bruce Willis. Um roteiro confuso, que procura ser sensual sem conseguir, resultando tudo em muita estética cinematográfica, mas pouca qualidade de fato. Ao assistir o filme você ficará com a sensação de estar vendo a uma longa peça publicitária da década de 90, com tudo de ruim que isso possa significar. A fotografia surge saturada e no meio da tentativa de tudo soar chic a coisa desanda, virando uma breguice realmente insuportável. Na época a ruindade do filme foi comentada, mas o que mais chamou a atenção da crítica e do público foram as cenas gratuitas de nudez de Bruce Willis! Como se não bastasse ser bem ruim a fita, o espectador ainda tinha que aguentar os ataques de ego do peladão Willis! Acredito que ele hoje em dia tenha muita vergonha dessas sequências. E a estória? Do que se trata? Willis interpreta um psiquiatra que fica abalado com o suicídio de uma de suas pacientes. Depois tenta recuperar o equilíbrio com um colega de profissão, porém descobre alarmado que ele foi morto, provavelmente por uma de suas clientes. Enfim, bobagem pura, sendo que esse filme você pode dispensar sem maiores problemas. Mesmo assim conseguiu ser indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Canção Original ("The Color of the Night"). Porém depois foi "vencedor" do Framboesa de Ouro na categoria de Pior Filme do Ano! Realmente não houve salvação... / A Cor da Noite (Color of Night, EUA, 1994) Direção: Richard Rush / Roteiro: Billy Ray, Matthew Chapman / Elenco: Bruce Willis, Jane March, Rubén Blades.

Minha Vida
Michael Keaton interpreta Bob Jones, um sujeito que descobre estar sofrendo de uma doença terminal que não o deixará acompanhar o crescimento e a vida de seus filhos em um futuro próximo. Inicialmente decepcionado com a trágica notícia, ele decide então gravar uma série de fitas para os garotos, com conselhos que todos os pais deveriam dar para os filhos. Numa delas ensina os meninos a tirarem a barba da forma correta, na outra deixa dicas preciosas de beisebol e por aí vai. Um filme que tentou ser leve, mas que tem um tema pesado, que simplesmente não dá para aliviar. O filme não é grande coisa, mas também não chega a ser ruim completamente. Para ajudar na duração temos a linda Nicole Kidman interpretando Gail, a esposa de Bob (Keaton). Ela talvez seja o único motivo para rever o filme nos dias de hoje. Ainda jovem e muito bonita (se bem que ela nunca deixou de ser uma linda mulher), a atriz empresta graça e carisma a um roteiro meio capenga que perde o pique depois da segunda metade de duração. No final das contas o filme não fez muito sucesso (na realidade seu resultado comercial foi bem fraco) o que fez com que a carreira de Keaton fosse cada vez mais para o buraco. Foram tempos difíceis para o ex-Batman. / Minha Vida (My Life, EUA, 1993) Direção: Bruce Joel Rubin / Roteiro: Bruce Joel Rubin / Elenco:  Michael Keaton, Nicole Kidman, Bradley Whitford.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Atraídos Pelo Destino / Mr. Saturday Night

Atraídos Pelo Destino
"It Could Happen to You" é uma comédia romântica que fez relativo sucesso na década de 90. O enredo gira em torno de Charlie Lang (Nicolas Cage), um policial de Nova Iorque. Após uma refeição numa lanchonete da cidade ele descobre que está sem dinheiro para dar uma gorjeta para a simpática garçonete Yvonne (Bridget Fonda). Então brincando tira um bilhete de loteria de seu bolso e diz para ela que se ganhar o grande prêmio voltará para dividir todo o dinheiro com ela! Pois bem, naquela mesma noite acontece o inesperado! Ele ganha a bolada de quatro milhões de dólares na loteria da cidade! E agora? Cumprirá a promessa? Nicolas Cage já havia trabalhado antes com o diretor Andrew Bergman no bem sucedido "Lua de Mel a Três" e voltou à parceria. O roteiro, por incrível que pareça, foi baseado em um fato real! O resultado é bem agradável, lembrando em certos aspectos da ingenuidade bem intencionada dos antigos filmes de Frank Capra. Tudo acontece nesse clima de fábula romântica e tudo mais. Não chega a ser marcante em nenhum momento, porém felizmente não irrita também. Vale a pena pelas boas intenções e pela sempre bela presença de Bridget Fonda, a mais bonita integrante do clã Fonda. Pena que ela hoje esteja aposentada do cinema. Para os fãs de Cage (e ele tem um grande fã-clube no Brasil) é uma boa oportunidade de vê-lo em um papel mais diferenciado em sua carreira. / Atraídos Pelo Destino (It Could Happen to You, EUA, 1994) Direção: Andrew Bergman / Roteiro: Jane Anderson / Elenco: Nicolas Cage, Bridget Fonda, Rosie Perez.

Mr. Saturday Night - A Arte de Fazer Rir
Para muitos o comediante Billy Crystal é apenas aquele cara meio chatinho e metido a engraçadinho que de vez em quando apresenta o Oscar. Pois bem, na verdade ele sempre foi considerado um dos melhores atores cômicos dos Estados Unidos. Esse aqui foi um projeto bem pessoal dele, onde Crystal dirigiu, escreveu o roteiro, produziu e atuou ao mesmo tempo. Com óbvios toques autobiográficos o filme narra a estória de Buddy Young Jr (Crystal), um sujeito que se considera engraçado e que aposta em uma carreira de humorista, inicialmente em clubes de Stand Up, para depois conquistar os grandes palcos e até mesmo o cinema. Embora seja considerado basicamente uma comédia o filme também aposta no lado mais dramático, onde Crystal procura mostrar também o lado duro da profissão de fazer rir. Além disso perpetua a velha imagem do palhaço triste, ou seja, daquele artista que vive de divertir os outros enquanto que na intimidade cultiva uma alma melancólica dentro de si. No saldo final temos um bom filme, que não fará você se arrepender de conferir. Indicado ao Oscar na categoria de Melhor Ator Coadjuvante (David Paymer). Também indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Ator - Comédia ou Musical (Billy Crystal) e Melhor Ator Coadjuvane (David Paymer). / Mr. Saturday Night - A Arte de Fazer Rir (Mr. Saturday Night, EUA, 1992) Direção: Billy Crystal / Roteiro: Billy Crystal, Lowell Ganz / Elenco: Billy Crystal, David Paymer, Julie Warner.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.