quarta-feira, 26 de agosto de 2015

The Beatles - Words of Love

Durante essa época de sua carreira os Beatles estavam com agenda cheia, muitos shows, gravações de singles e viagens. Para cumprir contrato com a Emi Odeon eles tiveram que recorrer novamente a covers, algo que sempre fizeram ao longo da carreira, mas que foi deixado de lado, pelo menos provisoriamente, na trilha sonora de "A Hard Day´s Night". Quando entraram novamente em estúdio para a produção de mais um LP não houve saída. Eles tiveram mesmo que usar material alheio pois simplesmente não tinham músicas próprias suficientes para completar o disco. Entre as canções escolhidas estava justamente essa linda, terna e romântica "Words of Love", ótima composição de Buddy Holly. Provavelmente se você gosta de conhecer a história do rock se lembrará de Buddy. Ele foi um compositor excepcional que morreu muito jovem durante aquele trágico acidente de avião que também vitimou Ritchie Valens (De "La Bamba" entre outros clássicos da primeira geração roqueira). Como convinha a um artista de seu estilo e época, Buddy cantava as coisas simples de um namoro entre adolescentes. Em suas letras pequenos momentos a dois ganhavam um significado todo especial. Junte-se a isso a própria inocência da idade e você terá uma bela obra prima escrita por ele. A letra é tão simples, direta, como afetuosa.

A versão dos Beatles veio somente cinco anos depois da morte precoce de Buddy Holly. Esse fato demonstrou duas grandes qualidades do grupo inglês. O primeiro é que eles não estavam interessados apenas em apresentar músicas vocacionadas para o sucesso imediato. "Words of Love" já tinha esgotado sua capacidade de causar impacto nas rádios. Isso também demonstrava em segundo plano que os Beatles eram bem conscientes de suas influências e as respeitava muito, a tal ponto de gravar em um disco oficial uma faixa como essa. Isso jamais deixou a mentalidade do grupo. Ao longo dos anos John Lennon estava sempre se referindo aos velhos discos de rock de sua juventude, afirmando que os Beatles sempre tentaram captar aquele sentimento que havia de certa forma se perdido no tempo. Aliás basta pegar qualquer CD de Paul nos tempos atuais para perceber que isso ainda segue muito válido. Sempre que possível o ex-beatle traz de volta à vida velhas canções roqueiras dos anos 1950. Além de homenagear todos aqueles artistas também é uma maneira de apresentar esse material para as novas gerações que muitas vezes sequer sabem o nome desses pioneiros do rock ´n´ roll. Então fica aqui minha dica de uma ótima baladinha, escrita por um jovem para sua namorada de colégio, tudo tão despretensioso, mas que a despeito de tudo contra, conseguiu vencer a barreira do tempo e do espaço.

Words of Love
(Buddy Holly).
Hold me close and tell me how you feel
Tell me love is real
Words of love you whisper soft and true
Darling, I love you

Let me hear you say the words I long to hear
Darling, when you're near
Words of love you whisper soft and true
Darling, I love you

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Pink Floyd - Wall in Progress (1978-1979)

Com o surgimento da internet o mercado de bootlegs explodiu! O número de títulos segue a cada ano cada vez maior. E os títulos são muitos. Para quem gosta de rock clássico e rock progressivo não poderia haver melhor notícia. Muito material assim segue sendo lançado. Aqui temos um bootleg criado a partir de demos e takes alternativos do clássico álbum "The Wall" do Pink Floyd. Como bem sabemos "The Wall" foi um disco concebido, criado e idealizado por Roger Waters. Antes de entrar no estúdio ele gravou diversas faixas demo para apresentar as canções ao resto do grupo (não havia dito que tudo veio de sua mente criativa?).

Pois então parte desse material foi resgatado nesse CD. É um material cru, sem muito trabalho de finalização, de arte final. Tudo soa quase como foi composto. Water é provavelmente o músico mais egocêntrico do universo, mas aqui vemos parte de sua incrível genialidade. Não digo que esse tipo de material vá interessar para quem não é fã do Pink Floyd, mas certamente será de extremo interesse para os fãs de carteirinha. O álbum "The Wall" segue sendo bem debatido até nos dias de hoje, já para quem deseja apenas ouvir uma semente do disco, poucos títulos podem ser tão interessantes como esse. Recomendado? Certamente sim.

Pink Floyd - Wall in Progress (1978-1979)
01. In The Flesh?  02. The Thin Ice 03. Another Brick In The Wall Part 1  04. The Happiest Days Of Our Lives 05. Another Brick In The Wall Part 2 06. Mother 07. Goodbye Blue Sky 08. Empty Spaces Part 1 09. Young Lust 10. One Of My Turns 11. Don't Leave Me Now 12. Empty Spaces Part 2 13. What Shall We Do Now? 14. Another Brick In The Wall Part 3 15. Goodbye Cruel World 16. Nobody Home 17. Vera 18. Bring The Boys Back Home 19. Is There Anybody Out There? Part 1 20. Is There Anybody Out There? Part 2 21. Comfortably Numb 22. Hey You 23. The Show Must Go On  24. In The Flesh 25. Run Like Hell 26. Wating For The Worms 27. Stop 28. The Trial  29. Outside The Wall.

Pablo Aluísio.

domingo, 23 de agosto de 2015

Os Filmes Perdidos da II Guerra Mundial

Título no Brasil: Os Filmes Perdidos da II Guerra Mundial
Título Original: WWII in HD
Ano de Produção: 2009
País: Estados Unidos
Estúdio: History Channel, Lou Reda Productions
Direção: Frederic Lumiere
Roteiro: Frederic Lumiere
Elenco: Gary Sinise, Rob Lowe, Justin Bartha
  
Sinopse:
Documentário em seis episódios que conta as principais batalhas da II Guerra Mundial, através de registros reais capturados por cinegrafistas militares americanos, ingleses a franceses. Momentos cruciais do maior conflito da história são enfocados, entre eles o Dia D, quando tropas aliadas invadiram o norte da França dando origem a uma ofensiva inédita na história rumo à vitória contra as forças armadas alemãs. Premiado pela International Documentary Association, MovieGuide Awards e News & Documentary Emmy Awards.

Comentários:
Para quem gosta de história esse é um documentário excelente e isso não apenas por trazer um material maravilhoso de cenas reais, mas sim por trazer um inegável lado humano para tudo o que aconteceu. Pense bem, uma coisa é você tomar conhecimento dos números, das estatísticas e das baixas ocorridas durante a guerra. Outra coisa completamente diferente é ouvir sobre os acontecimentos contados diretamente dos lábios daqueles que conseguiram sobreviver. Quando isso acontece a fria matemática da guerra ganha um contorno completamente diferente. Além disso o ufanismo, tão comum em filmes de propaganda de guerra, é deixado de lado. Tomamos conhecimento, por exemplo, que a invasão do Dia D não foi apenas um êxito completo, mas sim uma batalha aguerrida e sangrenta onde muitas coisas não deram certo ou não saíram como foi inicialmente planejado. Os soldados americanos foram jogados em praias como Omaha sem o devido planejamento. Os foguetes lançados de navios não chegaram até as forças nazistas e o pior de tudo, o bombardeio promovido pela força aérea foi totalmente ineficaz, errando seus alvos por causa do mal tempo que assolava a região. A grande lição que fica de documentários como esse é a de que guerras são vencidas pela bravura e coragem do soldados anônimos do front e não apenas pelos generais que geralmente ganham toda a fama, isso muitas vezes à custa de muito sangue alheio. Uma lição de história que não pode ser esquecida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

007 - Um Novo Dia Para Morrer / Atrás das Linhas Inimigas

007 - Um Novo Dia Para Morrer
Esse foi o último filme de Pierce Brosnan no papel de James Bond. Depois da era Roger Moore, Brosnan foi o mais bem sucedido ator a interpretar o famoso agente inglês, a tal ponto que a MGM não queria descartá-lo da franquia, havendo ainda a possibilidade dele realizar mais dois ou até mesmo três filmes com o personagem! Infelizmente as negociações não foram em frente e o ator deu adeus a Bond pelo menos no cinema (no mundo dos games ele ainda iria emprestar sua voz uma última vez no jogo "James Bond 007: Everything or Nothing", um ano depois). Pois bem, esse "Die Another Day" é um dos que mais se aproximam do velho espírito dos primeiros filmes com Bond, com direito até mesmo a uma fortaleza na neve que poderia ter saído diretamente de produções como "O Satânico Dr. No". Os vilões são os norte-coreanos (o que não ficou datado, haja visto as insanidades do ditador Kim Jong-Un nos dias atuais) e o elenco traz uma bela Bond Girl. Ao lado de James Bond surge uma agente americana chamada Jinx Johnson interpretada pela atriz Halle Berry (na época em grande fase na carreira). Como convém em todo filme com 007 há muita ação, perseguições mirabolantes, pirotecnia e invenções tecnológicas de última geração, com direito até mesmo a um Aston Martin com uma camuflagem inovadora que o deixa completamente invísivel! Numa das cenas mais bem elaboradas o agente inglês usa justamente esse veículo especial para liquidar um assassino norte-coreano em uma fortaleza de gelo no hemisfério norte - vamos convir que nada poderia ser mais James Bond do que isso, não é mesmo? Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Música Original ("Die Another Day" de Madonna). / 007 - Um Novo Dia Para Morrer (Die Another Day, Inglaterra, Estados Unidos, 2002) Direção: Lee Tamahori / Roteiro: Neal Purvis, baseado nos personagens criados por Ian Fleming / Elenco: Pierce Brosnan, Halle Berry, Judi Dench, John Cleese, Michael Madsen.

Atrás das Linhas Inimigas
Outro filme que também marcou a despedida de um grande ator. Durante as entrevistas de lançamento dessa produção, Gene Hackman anunciou que estava se aposentando. De fato ele só retornaria dois anos depois para um último adeus em "O Júri" para só então se dedicar apenas a desfrutar dos frutos de sua longa carreira no cinema. Pena que "Atrás das Linhas Inimigas" não seja tão bom quanto se esperava. Na verdade é um filme cheio de problemas, em especial em termos de roteiro, arrastado e confuso, e falta de ritmo. Além disso o elenco não parece bem escalado. O comediante Owen Wilson, por exemplo, foi pessimamente escalado para o papel do tenente Chris Burnett. Ele parece nada convincente. Hackman, um ator que era praticamente à prova de falhas, precisou então segurar o filme praticamente sozinho em suas costas, o que nem sempre é um bom sinal. Basicamente é um filme de guerra e ação que mostra as dificuldades de um oficial americano em sobreviver após ser praticamente abandonado em pleno território inimigo. A sinopse parece bem mais interessante do que se vê na tela. As cenas não são empolgantes e a dificuldade de se acertar no enredo coloca quase tudo praticamente a perder. Isso parece ser uma constante na carreira do diretor John Moore, algo que se repetiu em pequena escala em outros filmes seus como "O Vôo da Fênix" e "Max Payne". Só em "Duro de Matar: Um Bom Dia para Morrer" ele conseguiu em parte superar isso, talvez por se tratar de uma super produção. Enfim, temos aqui um filme que prometia bastante, mas que no final de tudo se revela apenas de mediano para fraco. O veterano e talentoso Gene Hackman merecia mais, muito mais do que apenas isso. / Atrás das Linhas Inimigas (Behind Enemy Lines, EUA, 2001) Direção: John Moore / Roteiro: Jim Thomas, John Thomas / Elenco: Gene Hackman, Owen Wilson, Gabriel Macht, Joaquim de Almeida.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros

O diretor Colin Trevorrow, que nunca tinha dirigido nada de importante antes na carreira, acabou realizando um filme bem genérico que não se importa em copiar descaradamente o formato e a fórmula do primeiro filme, dirigido por Steven Spielberg em 1993 (e lá se vão mais de vinte anos do lançamento original, estamos ficando mesmo velhos!). E qual seria essa fórmula antiga? Simples. Um parque de diversões temático, com dinossauros trazidos de volta à existência com a ajuda da tecnologia genética. Uma espécie de Disneyworld do mundo jurássico. Os bichanos expostos para o público formado basicamente por crianças e adolescentes. Entre eles estão dois irmãos, um pouquinho mais velho do que outro. Eles são sobrinhos de uma das executivas do Jurassic World. Aqui vemos a mão marota de Spielberg. Os dois garotos estão enfrentando o divórcio dos pais e a tiazona que mal tem tempo de dar atenção a eles mais parece uma mulher balzaquiana mal resolvida na vida que procura se afundar no trabalho para compensar a inexistência de um relacionamento sério e duradouro, com seus próprios filhos (Spielberg pelo visto ainda acredita na velha visão da mulher na cozinha, dona de casa, cuidando dos filhos, morando no subúrbio e sendo feliz! - Me poupe Sr. Midas do cinema).

Isso é o de menos, melhor esquecer os personagens "humanos". Jurassic World é um filme de efeitos digitais, efeitos especiais e tecnologia. A criançada não quer saber de garotos fedelhos e nem tiazonas com problemas de relacionamento e vida profissional, a meninada quer ver os dinossauros! Nesse aspecto o filme é até bem interessante, mas apenas no que se refere aos dinos que realmente existiram em uma época remota da existência do nosso planeta. Isso porque os roteiristas não se contentaram com a riqueza natural do mundo pré-histórico e resolveram criar um híbrido genético, uma criatura mais mortal e feroz que um T-Rex, mais esperto que um Velociraptor e mais sagaz que um animal comum, nascido e gerado pela mãe natureza. Assim seguindo a velha máxima em filmes de ficção em que seres humanos se dão muito mal ao mexerem com o mundo natural, as coisas logo viram pelo avesso. A super máquina de matar engana seus tratadores e foge de sua jaula. Em pouco tempo começa a comer todo humano que encontra pela frente e o mais incrível de tudo é que o faz apenas pelo sabor de matar (ou matar de forma esportiva como bem salienta um futuro bife do bichão). Quando começa a matança é melhor você esquecer qualquer tentativa de achar um fiapo de roteiro pela frente. Vira tudo a mesma coisa, a turma corre de um lado para o outro e os dinossauros correm atrás de comida rápida e fácil. O banquete de carne humana está servido! "Jurassic World" não consegue ser um grande filme, mas rendeu horrores nas bilheterias, provando mais uma vez que não adianta procurar muito por inteligência nas filas de cinemas comerciais. Ela está definitivamente extinta na cabeça desse povo todo! / Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros (Jurassic World, EUA, 2015) Direção: Colin Trevorrow / Roteiro: Rick Jaffa, Amanda Silver, baseados na obra de Michael Crichton / Elenco: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Ty Simpkins.

Erick Steve.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Yvonne Craig (1937 - 2015)

Morreu a atriz americana Yvonne Craig. Em todos os sites e blogs ela está sendo lembrada como a Batgirl do seriado de grande sucesso Batman que curiosamente só teve duas temporadas (entre os anos de 1967 e 1968). As inúmeras reprises durante anos (inclusive no Brasil) acabou criando a sensação que a série teria sido bem mais longa do que realmente foi. Na pele da heroína, Craig participou de 26 episódios, sempre como Barbara Gordon, a filha do comissário Gordon, o braço direito do Batman dentro da corporação policial de Gotham City. Como se pode perceber a série era ultra kitsch, hiper colorida, tudo para coincidir com a chegada dos aparelhos de TV a cores nos Estados Unidos. A intenção era reproduzir os quadrinhos, por isso ficaram famosas as onomatopeias do tipo "Pow", Poon" e "Baw" que desfilavam na telinha. Tudo muito divertido e nostálgico.

Esse trabalho porém foi apenas uma pequena parte da carreira da atriz. Na verdade ela foi uma workaholic incansável e participou de inúmeros filmes e séries em cinco décadas de trabalho. Ela costumava dizer que enquanto houvesse trabalho tudo estaria bem. Além de "Batman" ela participou de outras séries de sucesso, entre elas "Perry Mason", "Philip Marlowe", "Dr. Kildare", "Viagem ao Fundo do Mar", "Jornada nas Estrelas" e "O Agente da UNCLE" (cuja versão cinematográfica está chegando às telas ainda nesse ano).

No cinema Yvonne também se envolveu em inúmeras produções, dos mais diversos gêneros, entre eles dois musicais ao lado do Rei do Rock Elvis Presley. Em "Loiras, Morenas e Ruivas" de 1963 interpretou Dorothy, uma jovem que caia de amores pelo cantor galã. Um ano depois, por sugestão do próprio Elvis, voltou a trabalhar ao seu lado na MGM na comédia musical "Com Caipira Não se Brinca" onde dava vida a Azalea Tatum, irmã do Elvis versão loiro e caipira das montanhas do filme (onde Presley interpretava dois papéis, um oficial da força aérea e um matuto). Dizem até que tiveram um namorico nas filmagens.

O último filme em que Yvonne trabalhou foi "Cavando Bons Negócios", uma produção que misturava mistério e crime (apesar do título parecer o de uma comédia). Com a idade ela praticamente se aposentou, mas retornava ainda para trabalhos que não exigissem muito fisicamente, como a narração e dublagem para animações como "Olivia" onde fazia a voz da vovozinha. A atriz, que também foi modelo na juventude, faleceu no último dia 17 em Pacific Palisades, na California. Um verdadeiro ícone da cultura pop de nosso tempo. Descanse em paz.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Mad Max - Estrada da Fúria

Título no Brasil: Mad Max - Estrada da Fúria
Título Original: Mad Max - Fury Road
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos, Austrália
Estúdio: Village Roadshow Pictures
Direção: George Miller
Roteiro: George Miller, Brendan McCarthy
Elenco: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keays-Byrne, Riley Keough
  
Sinopse:
Max Rockatansky (Tom Hardy) vaga por um mundo destruído e sem esperanças. Os bens mais valiosos do que restou da humanidade e da civilização são a gasolina para os motores e a água para a sobrevivência em um mundo deserto e hostil. Durante sua jornada ele acaba sendo feito prisioneiro por uma comunidade liderada por Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), um homem conhecido por sua violência e pulso de ferro para com os seus prisioneiros de guerra, que usa como meras bolsas de sangue para seus guerreiros feridos. Tentando escapar de suas garras a jovem combatente Furiosa (Charlize Theron) resolve fugir para o deserto usando uma de suas máquinas de guerra. Com ela segue um grupo de jovens que se transformaram com os anos em verdadeiras escravas sexuais de Joe. Para Max essa pode ser a chance de finalmente recuperar sua liberdade perdida, mesmo que antes disso ele precise sobreviver a uma caçada mortal pelas areias do deserto.

Comentários:
É incrível que mesmo após tantos anos o diretor George Miller tenha sido tão inovador em uma franquia que ele mesmo criou, lá nos distantes anos 1970. Miller poderia ter optado por realizar um reboot preguiçoso, sem maiores inovações, até mesmo porque ele com a trilogia "Mad Max" original já entrou definitivamente na história do cinema. Seu grande mérito foi não ter se acomodado nas glórias passadas, procurando reinventar a todo momento sua maior criação. Esse novo filme é um primor de inovação. O diretor optou por uma linguagem bem mais moderna, histérica, insana e sem controle. Não há momentos para pausas ou descansos na mente do espectador. "Mad Max - Fury Road" é pura pauleira, da primeira à última cena. É literalmente um veículo sem freios cruzando o deserto sem fim. O enredo é simples, como convém a esse tipo de filme de ação, mas isso em nenhum momento surge como um defeito, pelo contrário, em torno de sua história nitidamente simplória Miller acelera e explode a tela com sensacionais cenas de puro impacto narrativo. Optando por um fotografia saturada e excessiva, o diretor acabou criando um mundo pós-apocalíptico como poucas vezes se viu. A questão é que esse tipo de estilo cinematográfico foi praticamente todo criado por Mad Max e após tantos anos de imitações baratas o produto que deu origem a tudo poderia soar banal e repetitivo. Para evitar esse tipo de armadilha Miller procurou inovar e nesse processo acabou sendo realmente brilhante. Ouso até escrever que esse filme só não é superado pelo original de 1978 e isso por causa de sua importância histórica. Em termos de fluidez e ritmo nenhum outro filme da série se assemelha a nada do que se vê por aqui. Miller transformou acidentes espetaculares em pura obra de arte visual, totalmente alucinada, mas mesmo assim de uma beleza incrível! O elenco também se destaca, a começar por Charlize Theron. Para interpretar a guerreira Furiosa ele teve que ter parte de seu braço apagado digitalmente. Um trabalho visual simplesmente perfeito. Tom Hardy como o novo Max tampouco decepciona. Suas cenas iniciais mostram bem a luta pela sobrevivência nesse mundo em ruínas. O ator, que teve inúmeros problemas relacionados a abuso de drogas no passado, confessou depois em entrevistas que acabou se identificando com o estilo alucinante do filme. É bem por aí mesmo, o novo "Mad Max" chega a ser lisérgico! Caótico é pouco para definir. O resultado de tantas peças chaves bem colocadas no tabuleiro da produção se traduziu em um belo sucesso de público e crítica, a tal ponto que o estúdio já anunciou sua continuação, "Mad Max - The Wasteland" com a mesma equipe técnica e elenco. Se Mad Max continuar tão bom como nesse "Fury Road" novas sequências serão mais do que bem-vindas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 15 de agosto de 2015

Elvis Presley - My Way

Estamos na Elvis Week mais uma vez. Então nada mais oportuno do que lembrar alguns momentos imortais de Elvis Presley. A primeira vez que ouvi "My Way" eu ainda era muito jovem, acredito que não tinha nem 15 anos de idade. Sinceramente falando, uma música como essa definitivamente não foi composta para alguém tão jovem. Na época eu ainda estava descobrindo aos poucos a grande riqueza que se poderia encontrar na história da música. É curioso, sempre gostei do som da minha geração, dos artistas e grupos que faziam sucesso na minha juventude, mas ao mesmo tempo comecei a me interessar bastante também pelos grandes ídolos do passado. Nesse retorno a um tempo não vivido acabei descobrindo artistas como Beatles e, é claro, Elvis Presley. "My Way" me veio pela primeira vez na voz de Elvis. Eu comprei o álbum duplo "Aloha From Hawaii" e a canção abria um dos lados do disco. Era uma faixa grandiosa, com rico arranjo (nessa fase de sua carreira Elvis se apresentava com uma orquestra completa como apoio) e me recordo bem que a intensidade de sua interpretação me deixou realmente admirado e impressionado.

É interessante que descobri Elvis de maneira cronológica, ou seja, primeiro curti seus discos de rock dos anos 50, depois fui comprando suas trilhas sonoras pop dos anos 60 e só depois, numa fase mais adiantada, foi que fui finalmente adentrando os anos 70 em sua carreira. Antes do Aloha eu já havia comprado "That´s The Way It Is", meu primeiro disco da fase madura de Elvis. Como eu era bem jovem ainda, confesso que curtia mais a fase roqueira do cantor. O Elvis que me fazia a cabeça era o de sua fase "James Dean de guitarras". Cabelos cheios de brilhantina, topete fantástico e todo aquele visual que marcou toda uma geração da história da música popular mundial. O Elvis trágico, machucado, muito profundo interiormente, que cantava sobre relacionamentos adultos, só vim a descobrir mais tarde. "My Way" também me impressionou pela força de sua letra. Ali estava um homem com muitos anos de vida, fazendo uma verdadeira revisão de seu passado. Era uma mensagem que certamente um adolescente não entenderia completamente, mas hoje, bem mais velho, entendo perfeitamente o que seu autor quis passar. Só com as experiências da vida podemos compreender completamente o que essa letra tenta transmitir.

Outro fato curioso sobre "My Way" em minha vida é que só muito tempo depois, quando comecei mesmo a estudar a história da música, lendo livros e revistas sobre o assunto, é que pude constatar que Elvis não era o primeiro a transformar a bela canção em um momento imortal. Frank Sinatra já havia feito isso antes (inclusive nos EUA ela era bem mais associada a Sinatra do que a Elvis) e indo mais além, a versão original havia se tornado um verdadeiro hino na Europa, na voz de Claude François. Paul Anka escreveu a primeira versão em língua inglesa e Sinatra ganhou um de seus maiores hits. Aliás para quem gosta realmente de música um dos maiores prazeres sobre esse assunto é realmente ler e conhecer sua rica história. Como ela foi composta, os músicos que participaram de sua sessão de gravação original, os produtores envolvidos, os primeiros selos onde foi lançada (algo que atualmente se perdeu já que a música em si não precisa mais de um meio físico para chegar até você).

Eu não sou da época de Elvis ou Sinatra, mas isso pouco importou. Na verdade o importante é ter bom gosto e ao longo da vida procurar desenvolver uma cultura musical, ouvindo de tudo, sem preconceito ou ideias pré concebidas sobre nada. O próprio Elvis era assim, uma das suas frases mais interessantes é aquela que diz que a música não tem cor e nem classificação. Ele estava certo. Se não tivesse pensado assim desde o começo da minha vida teria perdido alguns dos melhores discos que ouvi em minha existência. Gosto também muito de uma frase de John Lennon que dizia "Eu sou uma velha orquestra de Rock ´n´ Roll". Nem preciso dizer que me identifiquei totalmente com essa auto definição. Eu também sou uma velha capa de LP toda surrada. Tem coisa melhor do que isso? Absolutamente não!

Mas voltemos ao clássico. Existem canções que só crescem com o passar do tempo. Embora a tenha conhecida em minha adolescência, ainda muito jovem, "My Way" foi ganhando cada vez mais significado. Os anos passaram e "My Way" foi se tornando cada vez mais relevante. A mais pura verdade é que todos um dia irão se identificar com ela. O passar dos anos deixa sempre essa sensação de nostalgia e reflexão, além de todo um repertório de perguntas sobre as escolhas que fizemos, os caminhos que resolvemos percorrer e as vitórias, arrependimentos e conquistas que vivenciamos. No fundo é a história de nossas vidas, transformada de forma genial em uma das mais belas baladas que já tive o prazer de ouvir. E o Elvis, bem o velho Elvis sempre será imortal, não por causa do sensacionalismo e nem das excentricidades que rodeiam sua vida, mas sim pela emoção e sinceridade que conseguia colocar em cada nota musical. Nesse ponto ele foi realmente único. Ouvir "My Way" com Elvis sempre será um prazer renovado, tal como naquele distante passado quando o ouvi pela primeira vez em vinil. Certas coisas não mudam, não importando o tempo e nem o espaço.

Pablo Aluísio.

Arlequina

Título Original: Arlequina 1
Nome da estória: Quente na Cidade
Ano de Lançamento: 2014
Coleção: Os Novos 52
Editora: DC Comics
Personagem: Arlequina
Universo: Batman
Autores: Amanda Conner, Jimmy Palmioti, Chad Hartin

Sinopse e Comentários:
A psiquiatra Harleen Quinzel se apaixonou pelo Coringa e se transformou na maluquinha Arlequina. Verdade seja dita, essa personagem sempre foi bem secundária dentro do universo Batman, mas agora a DC Comics decidiu investir nela, numa série de gibis próprios dentro da série "Os Novos 52". Eu já tinha percebido o interesse da editora em um grupo de animações que foram lançadas diretamente no mercado de vídeo nos Estados Unidos e agora confirmo que a DC quer mesmo transformar a palhacinha maluca em um dos seus potenciais personagens de sucesso daqui pra frente. A boa notícia é que se tirarmos essa primeira edição como ponto de referência vem mesmo muita coisa boa por aí.

A Arlequina surge como uma garota se mudando, numa moto com um saco enorme atrás. Ela deseja ir para seu novo endereço, um prédio velho, mas com chances de ser um dia lucrativo, bem nos arredores da cidade grande. Ela irá administrar o imóvel (imagine a loucura!), mas em troca precisará de grana, muita grana. Inicialmente Arlequina topa voltar ao trabalho como psiquiatra de dia e de noite entra numa competição violenta de patins - um esporte muito louco que anda cada vez mais popular nos states (e pasmem, existe mesmo no mundo real!). Gostei de tudo, da proposta, dos desenhos e do novo visual da Arlequina. Nessa série vou me amarrar pois tem grande potencial de ser uma das melhores coisas dos novos 52. Pode enfiar a cara também.

Título Original: Arlequina 2
Coleção: Os Novos 52
Nome da estória: Caos e Correria
Editora: DC Comics
Personagem: Arlequina
Autores: Armanda Conner e Jimmi Palmiotti
Artista: Stephane Roux

Sinopse e comentários:
Segunda edição da Arlequina. A personagem e a ousadia de certas estórias estão causando uma certa reação nos Estados Unidos. Aqui temos alguns exemplos disso. Em determinado momento a psicopata palhacinha Arlequina resolve alimentar seus cães com... carne humana! Pois é, mas voltemos ao fio da meada. A estória começa com Arlequina abraçando seu amado Coringa só que na página seguinte logo vemos que se trata de apenas um boneco de cera hiper realista. O museu de cera sinistro pertence à Madame Macabra, que tem seu estabelecimento situado exatamente no prédio que agora é administrado por Arlequina.

Depois disso ela resolve dar umas voltas nas redondezas e se depara com um protesto de protetores de animais, que querem a libertação dos cães e gatos presos por lá, pois caso ninguém os adote eles serão sacrificados. Claro que tal situação logo sensibiliza Arlequina que até tenta adotar alguns cãezinhos, mas como seu perfil não é o adequado ela logo é rejeitada. Quem conhece a personagem sabe que não ficará barato. Em pouco tempo ela se une a Hera Venenosa e juntas partem para o plano de libertar todos os animais. Após abrir as jaulas a confusão se torna completa, com os animais ganhando as ruas em disparata. Depois de muita luta Arlequina e Hera conseguem reunir toda a bicharada e a leva para o apê da palhacinha. Isso será apenas o começo de toda a confusão. O problema também é que ela precisa se livrar de todos os caçadores de recompensas que estão atrás dela. Não será uma tarefa muito fácil. Estou gostando muito das edições da Arlequina. Os enredos andam bem bolados e a qualidade dos desenhos é muito boa realmente. Palmas para  Stephane Roux. Pena que aqui ela não está loirinha, pois sempre associei sua figurinha a uma garota loira, maluca e confesso, bem sensual. Afinal há poucas coisas mais sexys no mundo do que uma jovem maluquinha como ela! 

Título Original: Arlequina 3
Nome da Estória: O Amor Fede
Coleção: Os Novos 52
Ano de Produção: 2013
Editora: DC Comics
Personagens: Arlequina
Autores: Amanda Conner, Jimmy Palmiotti
Arte: Chad Hardin

Sinopse e comentários:
Chegou o dia dos namorados. Para Arlequina é uma data para se lamentar. Desde que seu Pudinzinho (sim, o próprio Coringa) foi tirado de circulação ela tem tido dificuldades em arranjar um novo namorado! Também pudera, quem desejaria namorar uma garota como ela, com uma enorme ficha policial, mentalidade de psicopata e figurino de palhacinha? Mesmo assim ela ainda deseja namorar, nem que seja nesse dia. Ao ingerir um pouco de uma planta deixada em seu apartamento por Hera Venenosa, Arlequina acaba ficando irresistível para os homens em geral, por causa do aroma que passa a exalar! Até aí tudo bem, se não fosse seu azar, já que ao passar por uma rua acaba se deparando com um ônibus cheio de criminosos que acabou de virar após um acidente.

Os bandidos então ficam caidinhos por ela, que agora precisa se defender da melhor maneira possível! Essa estorinha, que pode ser lida sem acompanhar as demais edições, puxa mais para o lado do bom humor mesmo. Ela chegou nas bancas americanas exatamente no fim de semana do Valentine´s Day (o dia dos namorados dos gringos) e então a DC resolveu encomendar um enredo temático para a escritora Amanda Conner! Como ela tem um gosto pelo bizarro tão acentuado como a da própria Arlequina (Ok, talvez nem tanto) acabou escrevendo um conto romântico de puro humor negro, com direito até mesmo a zumbis comedores de cérebros! Essa HQ é muito subversiva mesmo, vou te contar.

Título Original: Arlequina 4
Nome da Estória: Very Old Spice
Coleção: Os Novos 52
Ano de Produção: 2014
Editora: DC Comics
Autores: Amanda Conner, Jimmy Palmiotti
Arte: Stephane Roux

Sinopse e comentários:
Finalmente a Arlequina está de volta ao trabalho. Depois de ficar por muito tempo presa em Arkham ela sente que está recomeçando a vida e nada melhor para isso do que um emprego, óbvio! Ela, conforme foi visto nas edições anteriores, conseguiu um lugar como terapeuta em um lar para idosos. Agora como doutora Quinzel, vestida de forma convencional, sem qualquer figurino ou maquiagem da Arlequina, ela ouve seus pacientes, entre elas uma senhora já bem idosa que se queixa de sua própria família! Eles a abandonaram de vez, sequer a visitam em datas especiais, nem um telefone, nada! Abandono completo mesmo. O triste depoimento acaba sensibilizando Arlequina, até um pouco além da conta. Após a consulta ela resolve procurar pelos familiares ingratos da velhinha. Uma vez na casa ela toca o terror. Já entra com uma escavadeira na sala de estar, detona o game do filho e depois destrói toda a coleção de trenzinhos de brinquedo do pai (sim, é um daqueles adultos bobocas que se recusam a crescer).

Feito isso joga toda a família no porta-malas para lhes dar uma lição! Sua intenção é jogar todos eles no cais, mas no meio do caminho lembra que tem que se apresentar ao seu time de patins violentos, algo que mesmo correndo não consegue chegar a tempo. O jogo já terminou e seu time perdeu! Sem saber o que fazer sua treinadora brinca e diz que a única coisa que ela poderia fazer era quebrar as pernas da equipe adversária! Poxa, se ela soubesse o quanto a Arlequina é maníaca não teria dito isso pois em segundos a palhacinha maluca está no volante de seu carro, que joga em cima das jogadoras do outro time. Como se a vida de Arlequina não fosse louca o suficiente ela ainda acaba se envolvendo em outra treta até o fim do dia. Ao receber um velho em seu consultório esse lhe convence a lutar contra um grupo de espiões russos da guerra fria que estão tentando destruir o "sonho americano". Tomada por um sentimento patriota, Arlequina se levanta bruscamente chamando todos para a ação - "Vamos lá pegar esses caras"... Maluquice pouca é bobagem! Divertida edição com muito humor negro a cargo de duas mulheres - Amanda no roteiro e, olhem que legal, Stephane Roux na arte - quem disse que mulheres também não são grandes desenhistas?


Título Original: Batgirl 1
Nome da Estória: Estilhaçada
Coleção: Os Novos 52
Ano de Produção: 2013
Editora: DC Comics
Personagens: Barbara Gordon (Batgirl),
Autores: Gail Simone
Arte: Ardian Syaf, Vicente Cifuentes

Sinopse e comentários:
Gosto muito da Batgirl. Ela é certamente uma das personagens mais humanas do universo Batman. Filha do comissário Gordon, vítima de um ataque covarde do Coringa que a deixou sem conseguir se mover por quase um ano após levar um tiro dele, Barbara Gordon realmente tem muitos traumas a superar. Mesmo com dificuldades ela segue em frente. Essa edição 1 da série "Os Novos 52" é muito, muito boa. Claro que em apenas uma edição não se poderia desenvolver tudo em detalhes, mas já temos aqui as informações básicas. Há um novo vilão em Gotham, um vigilante que sai distribuindo punições a pessoas, inclusive a um ex-capitão que deixou morrer mais de vinte membros de sua tripulação. O justiceiro que se identifica apenas como "O Espelho" o mata afogado com uma mangueira de jardim.

Do outro lado da cidade, já de noite, um casal de idosos é aterrorizado por um grupo de psicopatas - uma família de malucos que a imprensa de Gotham chama de "Os Assassinos de Brisby". Claro que para salvar o pobre casal a Batgirl consegue chegar a tempo, fazendo com que os marginais paguem por seus crimes. Um fato porém a deixa perturbada. Em determinado momento da ação ela acaba sofrendo uma lembrança traumática de quando o Coringa lhe atingiu em cheio com sua arma. Nesse momento Barbara sente o peso de carregar lembranças tão horríveis e praticamente congela, sem conseguir agir. Bela primeira edição da Batgirl nessa nova série da DC. Provavelmente seja um dos títulos mais promissores dessa nova era do universo Batman. O roteirista mandou muito bem e a arte é maravilhosa, caprichada. Fiquem de olho nesse título caros fãs do Batman.

Título Original: Arlequina 5
Coleção: Os Novos 52
Nome da estória: A Doutora Está Dentro!
Editora: DC Comics
Personagem: Arlequina
Autores: Amanda Conner e Jimmy Palmiotti
Artista: Chad Hartin

Comentários:
O velho Sy Borgman começa a explicar tudo o que ele deseja que Arlequina faça. Encontrar alguns velhos bastardos para lhes dar uma lição. É claro que a palhacinha topa, afinal de contas bater, mutilar e causar dor é com ela mesma! Arlequina porém está mais preocupada em se divertir. Assim ela resolve aceitar o convite de um mafioso italiano pé de chinela para assistir a um circo freak, uma apresentação com gente estranha e esquisita em um teatro poeira do Brooklin em Nova Iorque. O show é totalmente bizarro, mas Arlequina acaba se empolgando demais quando uma das atrizes chamada Queenie é atacada com uma faca cenicamente no palco. Sem pensar duas vezes ela vai até lá e arma a maior confusão que se possa imaginar.

Naquela mesma noite ela tem um terrível pesadelo com espiãs russas, ursos falantes e pessoas mortas! Mais freak e bizarro do que o próprio show que acabou de assistir. No dia seguinte ela se recupera e vai para o trabalho, já como Dra. Quinzel. Naquela mesma tarde ele se reune com Borgman para finalmente ir atrás do seu primeiro alvo, mas uma vez chegando lá tudo o que Arlequina encontra é um senhor já idoso numa cama de hospital. Definitivamente ele não parece com uma ameaça. Então depois dessa primeira tentativa eles vão para o segundo alvo, uma mulher conhecida como Ivana, que se diz especialista em explosivos. O desfecho desse encontro será no mínimo explosivo. No geral é mais uma boa edição com a palhacinha Arlequina.

Júlio Abreu.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Thomas Crown - A Arte do Crime / Psicose

Thomas Crown - A Arte do Crime
Em 1968 o ator Steve McQueen estrelou um dos maiores sucessos de sua carreira, "Crown, o Magnífico" (The Thomas Crown Affair). O estilo mais refinado, a preocupação em ter uma trama mais bem elaborada e pequenos detalhes da produção, como uma elegante trilha sonora, fizeram com que a produção se destacasse entre os demais filmes de ação daquela década. Trinta anos depois foi realizado esse remake, ou quase isso, já que várias inovações foram acrescentadas no roteiro. Pierce Brosnan interpreta Thomas Crown. Ele é um sujeito rico, refinado e charmoso que mantém um aspecto obscuro em sua vida que para muitos parece perfeita. Na sombras, Crown parece estar envolvido com roubo de obras de arte. Quando um famoso quadro de Monet, avaliado em mais de cem milhões de dólares, é roubado da galeria onde estava exposto, ele acaba caindo na mira da investigadora Catherine Banning (Rene Russo) que é contratada justamente para recuperar a valiosa pintura. Começa assim um jogo de sedução e traição entre os dois personagens, tudo valorizado por uma produção bem requintada, com ótima fotografia e direção de arte. A direção dessa refilmagem moderna foi entregue ao especialista em filmes de ação John McTiernan (de "Caçada ao Outubro Vermelho", "O Predador" e "Duro de Matar"). Talvez por não ser exatamente sua especialidade o filme apresente uma dualidade bem nítida, funcionando bem nas cenas de ação, o que era de se esperar, mas apresentando pequenas falhas na parte mais sofisticada de seu roteiro (já que isso nunca foi o forte do cineasta). No geral não é ruim, longe disso, mas tampouco pode ser comparado à versão de McQueen, hoje reconhecida como clássica. Definitivamente alguns filmes jamais deveriam sofrer uma revisão como essa. O original já estava de bom tamanho. / Thomas Crown - A Arte do Crime (The Thomas Crown Affair, EUA, 1999) Direção: John McTiernan / Roteiro: Alan Trustman, Leslie Dixon / Elenco: Pierce Brosnan, Rene Russo, Denis Leary, Ben Gazzara.

Psicose
Já que estamos falando de remakes desnecessários, o que dizer desse novo "Psicose"? Eu já tive várias oportunidades de reconhecer o talento de Gus Van Sant. Aliás vou mais além, em minha opinião ele sempre foi um dos mais brilhantes cineastas da geração surgida na década de 1980. São vários os filmes dele que considero verdadeiras obras primas (como "Garotos de Programa", "Drugstore Cowboy" e "Gênio Indomável", entre outros). O problema é que nem sempre de ideias brilhantes vivem os grandes diretores. Visando homenagear o mestre Alfred Hitchcock, um dos maiores diretores de todos os tempos, Van Sant resolveu refilmar o clássico Psicose de 1960 da maneira mais fiel possível. Praticamente recriando quadro a quadro, cena a cena, diálogo a diálogo, um dos grandes suspenses da história do cinema. Nesse ponto chegamos na pergunta essencial: Com que finalidade? Para que serve um remake como esse? A versão definitiva já foi realizada, assinada pelo mestre do suspense e é considerada uma obra prima absoluta da sétima arte. Para que tentar refazer a perfeição? Obviamente que aquele que se arrisca a algo assim já teve estar preparado para fracassar. E foi justamente isso que aconteceu com essa nova versão. A crítica odiou e o público não pagou para ver, deixando as salas de cinema vazias. Pior ainda foi a escalação do elenco. Quem conseguiria levar à sério o comediante Vince Vaughn como o sinistro e perturbado Norman Bates? Absolutamente ninguém! A única que escapa é a atriz Julianne Moore que consegue mesmo sobreviver a qualquer coisa! Enfim, se teve o desprazer de assistir, é bem melhor esquecer e se nunca viu, não se preocupe, você não perdeu absolutamente nada! / Psicose (Psicose, EUA, 1998) Direção: Gus Van Sant / Roteiro: Robert Bloch, Joseph Stefano / Elenco: Vince Vaughn, Anne Heche, Julianne Moore, Viggo Mortensen, William H. Macy.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Deixa Rolar

Título no Brasil: Deixa Rolar
Título Original: Playing It Cool
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Voltage Pictures
Direção: Justin Reardon
Roteiro: Chris Shafer, Paul Vicknair
Elenco: Chris Evans, Michelle Monaghan, Topher Grace, Luke Wilson
  
Sinopse:
Chris Evans interpreta um roteirista de Los Angeles que é contratado para escrever um novo roteiro de mais uma comédia romântica de verão. O problema é que ele pessoalmente jamais acreditou no amor. Cínico e calejado por anos e anos de decepções amorosas, ele acredita que tudo isso, o romantismo e todos os sentimentos de paixão que o envolvem, não passam de bobagens criadas pela arte e a literatura ao longo dos séculos. Sua visão de mundo acaba mudando radicalmente quando ele conhece uma nova garota em uma evento de caridade na sua cidade. Uma mulher que não apenas pensa como ele, mas também tem seu modo de agir. Em pouco tempo o roteirista amargo e desiludido acaba se descobrindo completamente apaixonado por ela, para sua imensa surpresa!

Comentários:
Eis aqui uma comédia romântica que pretende criticar justamente as... comédias românticas! Contraditório não é mesmo? Pois bem, a premissa desse argumento é justamente dar voz aos mais céticos, aos que já desistiram de acreditar no chamado amor verdadeiro. Para essa gente tudo não passaria de uma enorme bobagem piegas. A verdade nua e crua seria a de que relacionamentos em geral não passariam de meros arranjos de comodidade para os envolvidos. Chris Evans parece bem à vontade em seu papel. Seu personagem tem a imaginação fértil, como convém a todo escritor e por essa razão grande parte de seus sentimentos e pensamentos acabam virando metáforas visuais na tela (como por exemplo a imagem que ele tem de seu próprio coração, como a de um velho detetive cínico dos anos 1940 que acende um cigarro atrás do outro, sempre com uma expressão de desilusão na face). O roteiro assim brinca o tempo todo com a imaginação de seu protagonista, ora o colocando em situações e narrativas contadas por terceiros, ora como um herói de animação (como quando seu velho avô resolve lhe contar a história de como conheceu e se apaixonou por sua avó). De maneira em geral há boas soluções narrativas (como a mudança ininterrupta de planos de sequências), mas a sensação que fica é a de que o filme, sendo bem sincero, não consegue escapar de ser no final das contas apenas mais uma comédia romântica como tantas outras. Para uma produção feita justamente para ser apenas mais uma, até que nem seria tão ruim, mas o problema é que "Playing It Cool" quer ser justamente a antítese disso tudo. Assim naufraga em suas próprias ambições. Se formos analisar bem o roteiro, ele não foge muito daquele velho esquema que mostra um sujeito desiludido e cético em relação ao amor que acaba nesse processo se apaixonando perdidamente por uma garota, indo atrás dela como um náufrago em busca de uma tábua de salvação. Se o seu roteiro fosse mais esperto, inovador e ousado o resultado geral certamente teria sido bem melhor. Do jeito que está é apenas mais uma historinha de amor batida, com um visual moderninho e nada muito além disso.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Preto e Branco

Título no Brasil: Preto e Branco
Título Original: Black or White
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Relativity Media
Direção: Mike Binder
Roteiro: Mike Binder
Elenco: Kevin Costner, Octavia Spencer, Gillian Jacobs, Bill Burr, Mpho Koaho
  
Sinopse:
Elliot Anderson (Kevin Costner) é um advogado quase aposentado que precisa lidar com a maior tragédia de sua vida, a morte de sua esposa em um acidente de trânsito. A questão se torna ainda mais delicada porque Elliot agora terá que criar sozinho sua jovem neta, uma menina negra, fruto de um relacionamento complicado de sua filha, também já falecida, com um rapaz desajustado que simplesmente foi embora após seu nascimento. A morte de sua esposa faz com que a avó paterna da garota, Rowena Jeffers (Octavia Spencer), passe a exigir a presença de sua neta em sua casa, já que em sua opinião a menina precisa agora de uma nova figura materna como referência. A idéia não parece ser a ideal para Elliot, o que acaba desencadeando uma tensão racial entre as duas famílias da menina que são de etnias e origens bem diferentes. Filme vencedor do African-American Film Critics Association (AAFCA) na categoria de Melhor Atriz (Octavia Spencer). Também indicado ao Black Reel Awards.

Comentários:
Em pouco menos de seis meses dois filmes estrelados por Kevin Costner, ambos enfocando questões raciais, foram lançados nos cinemas americanos. Em "McFarland dos EUA" (já comentado aqui no blog) tínhamos um treinador americano branco que enfrentava o desafio de treinar uma equipe formada por jovens latinos pobres. Em "Black or White" mais uma vez o mesmo argumento vem à tona, só que ao invés de explorar o problema do latino imigrante das periferias das grandes cidades, temos a tensão racial entre um advogado branco, avô de uma netinha negra e a família dela por parte de pai, que deseja ter a guarda da garotinha, mas sem o seu apoio. Quando isso acontece começam os questionamentos: Seria ele um racista, a tal ponto de negar a convivência da menina com seus parentes negros que moram numa região mais pobre e humilde da cidade? Ou apenas um sujeito devastado pela morte da esposa que não quer mais problemas em sua vida? O roteiro deixa claro desde o começo que o personagem de Costner não é um racista, mas um homem que está decidido a vencer na disputa pela guarda da criança. E quando esse tipo de disputa surge em um tribunal todas as armas parecem válidas, principalmente quando os advogados de sua avó negra (em excelente atuação de Octavia Spencer) decidem jogar sujo. A questão mais importante desse filme, principalmente para o profissional da área jurídica, é demonstrar que a ética precisa se impor ao simples desejo de vencer uma ação judicial. Não é inventando mentiras ou impondo uma verdadeira chantagem social e emocional sobre o magistrado que se conseguirá realizar a verdadeira justiça. Há limites e esses devem ser respeitados. Qualificar alguém de racista apenas por ele ser um branco que deseja continuar com a guarda da neta negra é, além de uma calúnia infame, também um vitimismo fora de propósito, que ultrapassa qualquer tipo de ética profissional. No mais, gostei bastante da atuação de Kevin Costner. Seu personagem tem problemas com bebidas, é um bom homem, mas que se vê no meio de uma luta bem sórdida para falar a verdade. Octavia Spencer também se destaca mais uma vez. Uma atriz com muita expressividade. Sua personagem também não é a de uma má pessoa, mas apenas uma avó preocupada com o destino da criação de sua neta e que nesse processo acaba fazendo concessões demais aos seus advogados. Além deles há vários personagens secundários bem interessantes, como o jovem professor de matemática (interpretado pelo talentoso Mpho Koaho). Assim no final o que temos aqui é um roteiro articulado, bem honesto, que toca em um tema extremamente delicado. Um bom filme, ideal para uma reflexão posterior bem sincera sobre os rumos que a sociedade anda trilhando ultimamente sobre a questão racial. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Estranho

Título no Brasil: O Estranho
Título Original: The Stranger
Ano de Produção: 2014
País: Chile
Estúdio: Sobras International Pictures
Direção: Guillermo Amoedo
Roteiro: Guillermo Amoedo
Elenco: Lorenza Izzo, Cristobal Tapia Montt, Ariel Levy
  
Sinopse:
Um sujeito errante resolve retornar para sua antiga cidade em busca de informações sobre o que teria acontecido com sua ex-esposa. Ele se considera uma pessoa doente e condenada por sua estranha condição. Evitando sempre o dia, ele vaga pelas noites completamente solitário. Depois que é espancada pelo filho de um policial numa praça pública começam a surgir coisas estranhas pelo meio do caminho. Mesmo esfaqueado e alvejado por armas de fogo nada parece colocar um fim em sua vida. Agora o estranho está decidido a se vingar de todos aqueles que o agrediram e espancaram.

Comentários:
Cansado da mesmice dos filmes americanos? Está procurando por uma nova abordagem do velho tema envolvendo vampiros? Pois bem, aqui está uma opção diferente. Esse filme de terror chileno procura trazer uma visão diferente do universo vampiresco. O protagonista é uma criatura da noite, um tipo de vampiro diferente. Ele não é intrinsecamente mau e nem está em busca de novas presas. Ao contrário disso é um sujeito perturbado que não consegue viver nessa sua nova condição. Mesmo procurando evitar confusão ele acaba sendo envolvido numa delas ao ser espancada por jovens valentões de rua que o confundem com um sem-teto. Os jovens o espancam violentamente e pensando que ele está morto decidem dar um fim em seu corpo. O que eles nem desconfiam é que estão lidando na verdade não com uma pessoa normal, mas sim com um vampiro que voltará para acertar contas com todos eles. Sua maior preocupação é evitar que seu sangue entre em contato com outras pessoas, pois em suas próprias palavras ele estaria contaminado e infectado por uma terrível doença. Ao contrário de outros vampiros de outras produções o personagem central desse filme não vê sua condição como algo que lhe dê poderes, mas sim como uma verdadeira maldição que ele precisa suportar a cada dia. Por essa razão não espere ver vampiros tradicionais ou moderninhos demais nesse filme, eles não usam capas e nem muito menos brilham ao sol. Por fora parecem mesmo pessoas comuns, como qualquer uma que passe ao seu lado na rua. Tampouco estão empenhados em passar adiante sua condição, muito pelo contrário, tudo se torna um fardo, algo quase impossível de se lidar. Os efeitos especiais e a maquiagem são os mais discretos possíveis. O enredo é bem desenvolvido e o resultado final agrada. O filme inclusive caiu nas graças do produtor e diretor americano Eli Roth (de "O Albergue", "O Último Exorcismo" e tantos outros filmes) que resolveu patrocinar o lançamento da produção nos Estados Unidos, onde ganhou elogios de certas publicações especializadas em terror. Assim deixamos a dica para você que considera que filmes sobre vampiros já estão esgotados. Há sempre uma nova visão tentando renovar esse tipo de tema. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Com 007 Viva e Deixe Morrer / Autor em Família

Com 007 Viva e Deixe Morrer
Depois que Sean Connery resolveu abandonar de uma vez por todas o personagem do agente secreto James Bond a pergunta mais frequente passou a ser se outro ator conseguiria levar adiante a franquia. Após a saída de Connery houve uma tentativa com o modelo George Lazenby, mas definitivamente o público não gostou (embora o filme estrelado por ele fosse, em si, muito bom). Então eis que em 1973 a MGM apresentou finalmente o nome do novo James Bond, Roger Moore! Para quem conhecia os bastidores da série seu nome não foi exatamente uma novidade. A verdade é que Moore quase foi escolhido no lugar de Sean Connery no passado, mas o carisma do ator escocês falou mais alto. Agora com Connery fora do caminho começaria uma nova era nas aventuras do agente secreto mais famoso da história do cinema. Esse "Live and Let Die" porém não ficou conhecido apenas por ter sido a estréia de Roger Moore. Dois outros fatos contaram positivamente em seu favor. O primeiro foi a trilha sonora escrita e composta por Paul McCartney. Verdade seja dita, a canção tema é uma das melhores (isso se não for a melhor) de toda a filmografia Bond. Paul conseguiu como poucos capturar a essência do personagem, transformando sua canção em um hit e em um sucesso também de crítica (a ponto de ter sido indicada ao Oscar e ao Grammy). Inclusive até hoje Paul a usa em seu repertório fixo, se tornando um dos pontos altos de seus concertos mundo afora. Outro ponto que chama bastante a atenção do espectador é que nesse filme já surge o humor acentuado em primeiro plano, algo que seria a marca registrada dos filmes com Roger Moore. Claro que por ser uma estréia as coisas ainda andaram um pouco dentro da normalidade, algo que nos filmes seguintes se tornaria um pouco mais exagerado. De qualquer maneira gosto bastante desse filme e acredito que foi um dos mais felizes e bem sucedidos de todos os filmes da série. Com Roger Moore os filmes ganhariam uma nova etapa, retornando o personagem ao topo das bilheterias, para alegria dos fãs de James Bond em todo o mundo. / Com 007 Viva e Deixe Morrer (Live and Let Die, Inglaterra, 1973) Direção: Guy Hamilton / Roteiro: Tom Mankiewicz / Elenco: Roger Moore, Yaphet Kotto, Jane Seymour.

Autor em Família
Al Pacino já estava consagrado em razão das obras primas que havia estrelado na década de 1970 quando resolveu embarcar nesse pequeno projeto. O renomado cineasta Arthur Hiller convidou Pacino para participar dessa adaptação de uma peça teatral para o cinema. Praticamente uma narrativa autobiográfica escrita pelo autor Israel Horovitz, o roteiro explorava os anseios, as lutas e angústias de um escritor de peças de teatro que precisa conciliar uma vida familiar praticamente caótica com o seu trabalho. Um dos aspectos mais interessantes é que o filme desenvolvia muito bem a questão da nova estrutura familiar que estava surgindo no começo da década de 1980. Com o aumento de divórcios surgiam famílias mescladas, com filhos de casamentos anteriores, todos convivendo juntos em uma mesma estrutura familiar. Assim aquele que tentava uma nova vida tinha que aprender também a conviver com os filhos da nova esposa, que geralmente vinha de outro casamento acabado. Uma infinidade de padrastos e madrastas em uma realidade nova dentro da sociedade pois até pouco tempo atrás as pessoas não se divorciavam, preferindo viver em casamento infelizes e destruídos até o fim de suas vidas. Com a aprovação de leis de divórcio em várias partes do mundo (inclusive no Brasil) as pessoas foram atrás de uma nova vida, reconstruindo aquilo que não havia dado certo com outros cônjuges. A proposta seria de realizar um drama com pitadas de humor, no que acertaram em cheio pois o filme até hoje surpreende pelo bom argumento e claro por apresentar mais uma atuação inspirada do mestre Al Pacino, sempre surpreendente. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator (Al Pacino). / Autor em Família (Author! Author!, EUA, 1973) Direção: Arthur Hiller / Roteiro: Israel Horovitz / Elenco: Al Pacino, Dyan Cannon, Tuesday Weld, Bob Dishy, Bob Elliott.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Infini

Título Original: Infini
Título no Brasil: Ainda Sem Título Definido
Ano de Produção: 2015
País: Austrália
Estúdio: Storm Vision Entertainment, Eclectik Vision
Direção: Shane Abbess
Roteiro: Shane Abbess
Elenco: Daniel MacPherson, Grace Huang, Luke Hemsworth
  
Sinopse:
Após toda uma tripulação sumir sem deixar vestigios, uma equipe de resgate e salvamento é enviada para uma estação espacial orbital mineradora localizada nos confins do universo. Uma vez lá descobrem um ambiente de destruição e morte, corpos congelados e mutilados, sem que se saiba exatamente a causa de todo aquele cenário desolador. Aos poucos os membros da equipe vão descobrindo que um organismo desconhecido da ciência humana pode estar por trás das mortes. Um tipo de fungo ou vírus indefinido que causa uma forte reação de ira e cólera em todos os contaminados por ele.

Comentários:
A sinopse obviamente fará com que o cinéfilo mais veterano encontre semelhanças demais com a franquia "Aliens". De fato existe mesmo um ponto de identidade com a famosa série de filmes estrelados pela atriz Sigourney Weaver. Afinal seres humanos sendo contaminados e atingidos por uma estranha forma de vida tem tudo a ver com as aventuras da tenente Ripley. O diferencial é que "Infini" procura deixar um pouco de lado a ação para investir na destruição psicológica gradual que se abate sobre todos os membros de uma expedição de resgate no espaço profundo. Por essa razão não temos aqui um roteiro muito fácil de digerir. Apostando mais no lado subjetivo dos personagens o texto pode vir a confundir muita gente, principalmente na conclusão da história, que falando sinceramente não me agradou muito. Na verdade o filme deveria ter acabado com mais ou menos 90 minutos de duração quando se chega a um momento crucial na trama. Se o roteirista e diretor Shane Abbess tivesse encerrado ali o filme poderíamos considerar essa uma pequenina obra prima da ficção. Infelizmente ele foi em frente e acabou com isso criando um final em aberto, dado a inúmeras interpretações (e não espere que o roteiro vá lhe explicar muita coisa!). A produção não é de primeira linha, afinal de contas se trata de um filme B. Isso porém não faz grande diferença já que o roteiro está mais preocupado em mostrar a insanidade que vai abatendo sobre cada membro do grupo de resgate. Visualmente "Infini" lembra algumas ficções dos anos 1990, o que não chega a ser uma desvantagem. No geral se trata de um filme interessante, nada memorável, mas que levanta algumas questões intrigantes que nos fazem pensar um pouco sobre ele após seu fim. Pelo bem, pelo mal, vale a pena ao menos conhecer para se tirar suas próprias conclusões.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Apocalipse

Título Original: Extinction
Título no Brasil:Apocalipse
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos, Espanha, França
Estúdio: Sony Pictures
Direção: Miguel Ángel Vivas
Roteiro: Juan de Dios Garduño, Alberto Marini
Elenco: Matthew Fox, Jeffrey Donovan, Quinn McColgan, Valeria Vereau
  
Sinopse:
Em um futuro próximo a humanidade é desolada pela proliferação de um novo vírus mortal, desconhecido da ciência, que transforma todos os infectados em vampiros sedentos de sangue. No meio do caos um casal e seu amigo mais próximo conseguem sobreviver a um ataque que mata todos os passageiros de um ônibus. A mulher está grávida, o que torna tudo ainda mais desesperador. Após ter sua filha, a mãe não consegue escapar de um novo ataque. Só resta aos dois últimos sobreviventes levarem o pequeno bebê para um lugar isolado e seguro. Nove anos depois, eles que acreditavam terem sido os únicos que sobreviveram ao apocalipse, descobrem que definitivamente não estão mais sozinhos naquele mundo gelado e sem vida.

Comentários:
Quando se pensa que o universo dos vampiros no cinema já está completamente esgotado, sem novidades, eis que surge essa pequena produção que consegue surpreender. O enredo em sua forma simples é muito bem desenvolvido, principalmente por investir nos personagens. São três sobreviventes tentando levar em frente suas vidas em um mundo em ruínas, congelado e completamente desolado. São dois adultos e uma criança, uma garotinha de nove anos chamada Lu (interpretada pela excelente atriz mirim Quinn McColgan). Durante longos anos eles viveram isolados no que restou de uma cidadezinha americana perdida do meio oeste. Livre de ataques de vampiros eles começam a pensar, de forma equivocada, que não existem mais criaturas da noite. O frio intenso que se abateu sobre o planeta os leva a crer que eles foram extintos pelo clima hostil. Ledo engano. Depois que quase uma década isolados, Patrick (Matthew Fox) é atacado em um antigo supermercado abandonado. Esse é um novo tipo de vampiro, mais evoluído, embora trazendo traços que irão acabar ajudando os seres humanos que sobreviveram. São completamente cegos, com audição precária. Por outro lado deixaram completamente os vestígios humanos que um dia tiveram. Agora mais parecem bestas, predadores sanguinários, com garras e uma ferocidade fora do normal, que vagam sem rumo pelo mundo em busca do agora raro sangue humano. Definitivamente "Extinction" é uma grata surpresa nessa nova safra de filmes de terror. O curioso desse roteiro (que foi adaptado do livro escrito pelo espanhol Juan de Dios Garduño) é que ele busca elementos dos universos de outros monstros de terror (como a ideia do apocalipse zumbi) para mesclar com um mundo devastado por uma praga de vampiros insanos. Vamos convir que vampiros sempre foram bem mais interessantes que zumbis, não é mesmo? Há muito mais a explorar em relação a eles. A maquiagem é muito bem feita e o clima de suspense, principalmente na meia hora final, demonstra que a fita é acima da média. Afinal de contas existe algo mais amedrontador do que vampiros bestiais tentando entrar em sua casa pelas janelas e entre as paredes? Como há muitas perguntas sem respostas no meio do caminho e como o final deixa aberto uma porta para futuras sequências, é muito provável que desse filme venha a nascer uma nova franquia de terror, o que definitivamente não seria uma má ideia. Como é um bom filme, novas continuações seriam muito bem-vindas.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Homem-Formiga

Título no Brasil: Homem-Formiga
Título Original: Ant-Man
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Marvel Studios
Direção: Peyton Reed
Roteiro: Edgar Wright, Joe Cornish
Elenco: Paul Rudd, Michael Douglas, Corey Stoll, Evangeline Lilly, Michael Peña
  
Sinopse:
Depois de cumprir pena por furto, Scott Lang (Paul Rudd) finalmente ganha a liberdade. A vida fora da prisão porém não é fácil. Embora tenha um diploma de engenharia ele não consegue emprego justamente por causa de sua ficha suja. Sem alternativas e após ser demitido de uma lanchonete de fast food, Scott aceita a proposta de entrar na casa de um senhor rico que está de férias. Há um cofre no local e uma expectativa de que lá dentro exista muitas jóias e dinheiro. Após entrar na residência ele descobre para seu desapontamento que tudo o que existe dentro do tal cofre é uma velha roupa e um capacete bem estranho, algo que irá mudar sua vida para sempre, embora ele nem desconfie disso. Filme indicado ao Teen Choice Awards nas categorias de melhor ator (Paul Rudd) e melhor atriz (Evangeline Lilly).

Comentários:
Filmes adaptados dos personagens da Marvel Comics andam rendendo milhões todos os anos. Para aproveitar a onda de sucesso o estúdio está até mesmo trazendo à tona produções enfocando personagens mais secundários desse universo. Um deles é justamente esse Homem-Formiga que poucos conhecem, apesar de ter sido criado já há bastante tempo, mais especificadamente em 1962 por Stan Lee e Jack Kirby. Inicialmente o esquisito super-herói era apenas um membro pouco importante dos Vingadores, mas agora muito provavelmente com o lançamento desse filme venha a surgir um interesse renovado em suas aventuras. Devo confessar que praticamente não o conhecia, nem suas origens e nem muito menos suas principais características. Assim quando resolvi conferir no cinema foi como se estivesse sendo apresentado pela primeira vez ao personagem. No geral gostei do filme, ele tem um roteiro bem bolado, um protagonista simpático, um vilão com ótimo design e doses certas de bom humor espalhadas em praticamente todas as cenas e sequências. Esse é o tipo de filme que me lembrou bastante "Blade", não por se tratar de personagens semelhantes, mas sim porque sendo um herói de segundo escalão se abrem maiores oportunidades de o explorar de forma mais livre, sem as amarras que perseguem personagens de quadrinhos mais famosos como o Homem de Ferro ou Batman. Como poucos o conhecem as chances de trazer coisas novas, inovando, é bem maior. O grande nome do elenco é obviamente o veterano Michael Douglas. Ele interpreta o cientista Dr. Hank Pym que aliás foi o primeiro Homem-Formiga dos quadrinhos, o original criado por Stan Lee. Aqui ele está envelhecido e desiludido com os rumos das pesquisas que podem diminuir em milhares de vezes o tamanho de seres, entre eles o homem. Nas mãos erradas tal invenção poderia causar o caos dentro da sociedade. Por isso ele resolve escalar o ex-presidiário Scott Lang para voltar a usar seu antigo uniforme. Paul Rudd dá vida a Scott e pela primeira vez em sua carreira tem a chance de estrelar um blockbuster. Sua escalação revelou ser certeira pois com o seu passado de comediante, Rudd acabou se saindo muito bem nas cenas mais engraçadas, com feeling de comédia. A direção foi entregue a Peyton Reed, especializado em comédias românticas. Embora nunca tivesse dirigido um filme de super-herói antes ele acabou também se saindo muito bem, trazendo uma bem-vinda leveza ao filme que o tornou ainda mais agradável. Então é isso, "Ant-Man" é divertido, simpático e bem humorado. Para um domingão no cinema com muita pipoca não poderia haver nada mais adequado. Assista sem receios e boa diversão.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 2 de agosto de 2015

Os Queridinhos da América / O Inglês que Subiu a Colina e Desceu a Montanha

Os Queridinhos da América
Hollywood muitas vezes gosta de se auto parodiar, mostrando os aspectos mais bizarros de seus astros e estrelas. Faz parte do jogo, até porque a paródia pode muitas vezes ser usada como auto promoção também. Esse filme nasceu da parceria entre o comediante Billy Crystal (que assinou o roteiro) e a estrela e diva suprema Julia Roberts. A intenção fica óbvia desde a primeira cena, o roteiro nada mais é do que uma tentativa bem humorada de criticar a frivolidade e o superficialismo que atinge muitos astros e estrelas na indústria do cinema americano. Exigências descabidas, ataques de estrelismo e outros absurdos desfilam pela tela apenas como uma forma leve de divertir. Talvez o maior problema dessa comédia meio sem graça tenha sido justamente isso. Crystal fez uma sátira, mas tão polida e inofensiva que ficou superficial demais, diria até mesmo chatinha. Julia Roberts parece estar se divertindo como nunca, pena que nesse processo ela esqueceu de divertir o público também. Outro aspecto interessante é que ela tentou não manchar sua imagem, assumindo um papel bonitinho, simpático, deixando a antipatia do estrelato (que muitas vezes foi atribuído a ela, Julia Roberts, na vida real) para a atriz Catherine Zeta-Jones (que curiosamente dizem ser uma pessoa muito fácil de se trabalhar, uma profissional séria e equilibrada, bem ao contrário do que se fala muito de Julia Roberts nos bastidores de seus filmes!). Talvez nisso resida toda a ironia dessa produção. A diva antipática surgindo como boazinha em cena e a excelente profissional sendo mostrada como uma estrela boba, deslumbrada com o próprio sucesso! Nessa inversão completa de papéis o espectador fica esperando pela grande graça do filme, que nunca chega. Assim, no final, percebemos que "America's Sweethearts" não consegue atingir nenhum de seus objetivos, não é ácido suficiente com as superficialidades de Hollywood e nem tampouco faz rir de verdade. Um verdadeiro desperdício. Filme vencedor do ASCAP Film and Television Music Awards. / Os Queridinhos da América (America's Sweethearts, EUA, 2001) Direção: Joe Roth / Roteiro: Billy Crystal, Peter Tolan / Elenco: Julia Roberts, John Cusack, Billy Crystal, Catherine Zeta-Jones, Stanley Tucci, Christopher Walken, Alan Arkin.

O Inglês que Subiu a Colina e Desceu a Montanha
Pouca gente se lembra desse filme. Embora faça muito tempo que o assisti, a boa lembrança segue presente. É um daqueles pequenos filmes despretensiosos que ganham muito justamente por causa da leveza de seu argumento, da boas intenções e da exploração do lugar comum, da banalidade do dia a dia de pessoas simples, ordinárias, que vivem no interior, longe dos grandes centros urbanos. O enredo mostra o cartógrafo Reginald Anson (Grant) indo até uma pequenina cidade no interior da Inglaterra. Ele é enviado ao lugar pelo instituto real de geografia para decidir se uma pequena elevação perto da cidadela é na verdade uma colina ou uma montanha. A decisão, que poderia parecer irrelevante para muitos, toma a cidade de assalto, já que o relevo da região é motivo de grande orgulho de todos os seus moradores. Como se pode perceber é um argumento muito sutil, diria até mesmo excessivamente britânico, que fará pouco sentido para o público em geral, principalmente para o brasileiro que pouco estaria ligando se um morro fosse classificado de colina ou montanha. Mesmo assim o roteiro diverte bastante justamente por causa dessa singularidade narrativa. Anson começa a ser ora paparicado pelos moradores, ora hostilizado, dependendo do que ele vai decidindo de suas observações cartográficas. Com bonita direção de arte e reconstituição histórica de muito bom gosto visual, esse é um daqueles casos de filme que muitos esqueceram, menos aqueles que viram na época e gostaram da proposta diferente de seu roteiro. Além disso para os fãs do ator Hugh Grant não deixa de ser uma ótima oportunidade de conferir um de seus trabalhos mais subestimados. Filme vencedor do Moscow International Film Festival na categoria de Melhor Direção. / O Inglês que Subiu a Colina e Desceu a Montanha (The Englishman Who Went Up a Hill But Came Down a Mountain, Inglaterra, 1995) Direção: Christopher Monger / Roteiro: Ifor David Monger, Christopher Monger / Elenco: Hugh Grant, Tara Fitzgerald, Colm Meaney.

Pablo Aluísio.

sábado, 1 de agosto de 2015

Battle for Skyark

Título Original: Battle for Skyark
Título no Brasil: Ainda Sem Título Definido
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Empress Road Pictures
Direção: Simon Hung
Roteiro: Simon Hung, Guy Malim
Elenco: Caon Mortenson, Garrett Coffey, Taylor Coliee
  
Sinopse:
No futuro o planeta Terra se tornou inabitável. Os recursos naturais acabaram e o clima ficou instável. A população mais rica do planeta construiu uma grande estação orbital chamada Skyark (a arca do Céu). O resto dos seres humanos ficaram relegados ao que restou do mundo, tentando sobreviver dos ataques constantes de estranhas criaturas que agora assolam o que restou de nosso antigo lar.

Comentários:
Eu sempre gosto de afirmar que o gênero ficção não é o adequado quando você não tem os recursos e o orçamento necessários para criar um mundo futurista convincente. Sem dinheiro para uma grande produção tudo corre o risco de ficar completamente ridículo. Foi o que aconteceu aqui. O roteiro até que tem pequenas boas ideias, mas sem dinheiro suficiente para desenvolve-los tudo vai por água abaixo rapidamente. Ouso dizer que noventa por cento do público abandonará o filme antes dos 30 minutos de duração, só para que você possa ter uma pequena ideia de sua completa falta de qualidade. O elenco é praticamente todo mirim e apesar do esforço da garotada nada dá certo. O cenário muitas vezes se resume a um ferro velho pouco convincente. Além disso essa estética ao estilo Mad Max (mundo pós apocalipse, etc) já está mais do que saturado. Por falar em elenco de crianças "Battle for Skyark" me lembrou vagamente de "Bugsy Malone: Quando as Metralhadoras Cospem", filme de 1976 dirigido pelo grande Alan Parker. A premissa são até parecidas, só que no filme de Parker o enredo girava em torno dos filmes de gangsteres e aqui temos uma ficção que definitivamente não deu certo. Essa comparação porém é apenas superficial, já que "Battle for Skyark" é definitivamente um mico, um abacaxi sem tamanho e sem salvação, um filme ruim.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.