segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Marlon Brando - A História de um Mito - Parte 4

Logo no começo de sua carreira Brando conheceu a atriz Anna Kashfi. Ela era indiana e tinha ido até Hollywood em busca do sucesso no cinema americano. Kashfi tinha uma beleza exótica, bem diferente das loiras americanas. Brando sempre foi atraído por esse tipo de mulher e o fato dela ser muito independente, de forte personalidade, fez com que Marlon ficasse ainda mais caído por ela. Desde seus primeiros amores Marlon Brando sempre se interessou por mulheres de etnias diferentes da sua. Ele tinha intensa predileção por mulatas, negras e latinas. Também se interessava muito por taitianas. Assim em termos de visual Kashfi tinha tudo o que precisava para seduzir Brando. Apaixonado, o ator a pediu em namoro, mas ela, para sua completa surpresa, o recusou. Isso atiçou ainda mais o lado conquistador de Brando que estava decidido a conquistá-la de todas as formas. Depois de muitas recusas ela finalmente cedeu. Brando ficou completamente encantado a ponto de pensar pela primeira vez em sua vida no casamento. Sabendo que poderia ganhar o grande prêmio na capital mundial do cinema ela acabou manipulando o ator e em pouco tempo estavam casados.

Infelizmente a união passou longe de ser um casamento feliz. Marlon Brando não estava disposto a deixar suas inúmeras amantes. Nunca havia sido fiel em sua vida e não seria agora que as coisas mudariam. As traições viraram rotina. Brando estava sempre dando alguma desculpa para ficar longe de sua casa e se divertia a valer com as muitas mulheres (e dizem, homens) que frequentavam sua cama. Anna Kashfi ficou furiosa com seu comportamento. Mulher de gênio forte jamais iria aceitar esse tipo de humilhação pública (sim, Brando surgia com suas amantes em restaurantes e festas, na frente de todos, sem um pingo de arrependimento). Seu comportamento não iria dar em algo bom e realmente não deu.

Numa noite Brando chegou de madrugada em casa logo após uma noite de farras. Anna Kashfi o estava esperando na cozinha, fora de si, com uma faca na mão. Assim que Marlon entrou no recinto ela tentou lhe esfaquear. A agilidade salvou o ator da morte certa. Ele conseguiu se desviar no último segundo. Com a faca na mão Anna não desistiu e saiu correndo atrás de Brando que correu com toda a velocidade para a piscina. Agora imaginem a cena, o ator mais bem pago de Hollywood dando voltas em sua piscina com sua mulher enfurecida com uma faca na mão decidida a matá-lo! No outro dia empregados de Marlon e Anna abriram a boca e em pouco tempo o escândalo já tinha se tornado público e notório. O que ninguém sabia e nem Marlon é que Anna era bipolar, sofria de problemas mentais e em sua família várias mulheres tinham apresentado esse problema ao longo dos anos.

Depois disso Brando resolveu dar um basta, pediu divórcio e começou uma longa, custosa e penosa briga na justiça pela guarda do filho Christian Brando (anos depois seu filho seria condenado pela morte do marido da própria irmã e condenado, cumpriria uma longa pena de prisão por assassinato em primeiro grau). As custas judiciais pelo divórcio e pela guarda definitiva e exclusiva de seu único filho custaram muito a Brando. Ele gastou milhões com advogados e teve que conviver com o assédio implacável da imprensa. Para piorar a carreira começou a ir mal, a má publicidade nos jornais influenciou o público que deixou de ir conferir seus últimos filmes. De repente Brando via sua vida profissional e sentimental em frangalhos. Muito bem humorado o ator dizia que nada disso importava, o que mais lhe preocupava era o fato de estar ficando rapidamente careca! Pelo visto Brando jamais perdeu uma das coisas mais importantes de sua personalidade, o bom humor!

Pablo Aluísio.

Papa Francisco alerta sobre a crise dos imigrantes

O mundo vive uma crise de refugiados de guerra. Em países assolados por guerras civis como a Síria, por exemplo, não existe outra saída a não ser a imigração para países que tragam algum tipo de oportunidade. A Europa está sendo literalmente invadida por milhares de pessoas provenientes de regiões destruídas, famílias inteiras procurando por uma saída e um futuro.

O Papa Francisco alertou sobre a situação no Vaticano, principalmente após a trágica morte de um grupo de imigrantes cujos corpos foram encontrados em um caminhão que deveria transportar carne bovina. A tragédia escandalizou a Europa e Francisco resolveu tratar mais uma vez sobre o tema - ele tem insistindo sempre nesse ponto, mostrando a fragilidade da vida humana. O Papa deixou claro que mortes como essas "Ofendem toda a humanidade" e que os países ricos precisam adotar políticas eficazes para evitar que novos acontecimentos tristes como esse voltem a acontecer.

O Papa Francisco ressaltou: "Uno-me a toda a Igreja na Áustria em oração pelas 71 vítimas, incluindo quatro crianças. Confio cada um deles à misericórdia de Deus. É muito triste saber que nos últimos dias, muitos imigrantes perderam a vida em suas jornadas terríveis" Por trás de mortes como essas se esconde toda uma rede de tráfico humano que extorque, ameaça e muitas vezes matam as pessoas que precisam imigrar para outras partes do mundo.

Até alguns anos atrás a Europa havia sido poupada desse fenômeno - era mais comum isso acontecer na fronteira entre México e Estados Unidos - mas agora, com a guerra civil na Síria, a ameaça do Estado Islâmico e a desestabilização política de vários países do norte da África o velho continente tem sido literalmente invadido por fluxos cada vez maiores de imigrantes fugindo da pobreza, da fome e da guerra. A situação definitivamente não é fácil e nem parece haver uma solução a médio e curto prazo.

Pablo Aluísio.

John Wayne e John Ford

Sem dúvida dentro da mitologia do western americano não podemos deixar de lado uma das duplas mais significativas da história do cinema americano: John Wayne e John Ford. Quando Ford começou a trabalhar com Wayne esse já era de certa maneira um ator popular e conhecido do público das grandes matinês. John Wayne tinha estrelado inúmeros filmes de bang bang antes de encontrar John Ford. Essas produções eram populares, tinham ótimas bilheterias, porém não contavam com o respaldo da crítica que as consideravam apenas entretenimento comum, sem qualquer tipo de status de grande arte. Apenas ao lado de John Ford o mito John Wayne seria alçado rumo ao panteão dos grandes ídolos do cinema americano. O curioso é que Ford tinha uma relação de amor e ódio com o ator. Quase sempre demonstrava ter pouca paciência com Wayne, principalmente por ele não ser considerado naquela altura de sua vida um grande ator.

"Quantas expressões faciais você tem seu hipopótamo?" - Desafiava John Ford durante as filmagens. Wayne não deixava barato e respondia: "Mais do que você pensa seu caolho desgraçado!". Isso pode soar rude e grosseiro para muitas pessoas, porém quem já teve uma amizade masculina sincera fundada em pequenas rusgas como essas saberá e entenderá que tudo não passava de uma nada delicada brincadeira entre os dois. É natural entre homens esse tipo de tratamento que nunca pode ser encarado como uma ofensa legítima, mas sim como uma forma íntima de tratar alguém que você tem intimidade suficiente para provocar e instigar. Nos filmes John Ford e John Wayne funcionavam em perfeita harmonia.

Ford procurava pelo resgate do homem íntegro e honesto que desbravou o velho oeste não apenas no aspecto puramente territorial, mas também psicológico. O americano que ia rumo ao oeste o fazia com o espírito de lá fundar suas raízes, criar sua família, viver muitas vezes da terra. Para Ford esse era o verdadeiro herói nacional. Um homem duro como rocha que encarava todos os desafios, como a aridez da região, o ataque de selvagens e a hostilidade da natureza para se firmar ali e criar uma civilização, baseada principalmente em seus valores de trabalho, ética e honestidade.

Em John Wayne o diretor enxergava o tipo ideal para personificar esse pioneiro. John Wayne era muito querido dentro da indústria, principalmente por ser considerado um profissional correto e digno de confiança. Além disso tinha uma reputação impecável, como homem honesto e cumpridor de suas obrigações. Em tantos anos de carreira jamais havia se envolvido em qualquer escândalo seja de que natureza fosse. Ao contrário de outros ídolos seu nome era respeitado dentro da comunidade cinematográfica. Além disso seu visual, mais velho, com sobrepeso, mas expressão firme e decidida, caía como uma luva nos personagens dos filmes de Ford. Os pioneiros dos século XVIII e XIX eram mesmo a cara de John Wayne. Dessa feliz fusão de ator e diretor nasceram alguns dos maiores clássicos do faroeste norte-americano que iremos tratar em uma série de textos nas próximas semanas. Até lá...

Pablo Aluísio.

domingo, 30 de agosto de 2015

Uma Estrela no Oriente

No tempo em que Jesus viveu, as estrelas no céu noturno fascinavam mais as pessoas do que hoje. Acreditava-se que a aparição de uma estrela excepcionalmente brilhante anunciava a proximidade de acontecimentos importantes. Assim, Virgílio, o grande poeta romano, descreveu como uma estrela magnífica havia guiado o fundador de Roma até o local onde a cidade cresceu. O nascimento do fundador de uma religião também podia ter a própria estrela anunciadora. De acordo com o evangelho de Mateus, três homens sábios, ou magos, que viviam em uma terra distante viram no céu noturno uma luz muito brilhante que parecia chamá-los na direção da Palestina. Acreditando ser aquele o sinal de um nascimento importantíssimo, recolheram alguns presentes e seguiram a estrela, na esperança - certeza, na verdade - de encontrar aquele bebê extraordinário: "Vimos a estrela no Oriente e viemos adorá-lo." Essa história ou alegoria fascinante foi mais tarde registrada por escrito, e contada e recontada, século após século. Com a repetição, alterou-se um pouco: a criança nascida era importante demais, e achou-se que os personagens mereciam maior prestígio. Assim, os três sábios se transformaram em três reis. Somente cerca de quinhentos anos mais tarde, receberam nomes.

Não se conhece ao certo o local do nascimento de Jesus. Marcos, o autor do primeiro evangelho sobre a vida de Jesus, não especificou. Os outros autores se referiram a Belém, uma cidadezinha da qual, para chegar-se a Jerusalém, bastava uma manhã de caminhada. Sendo a terra natal de Davi, o herói da história dos judeus, Belém representava um local apropriado ao nascimento de alguém que seria aclamado como o salvador de seu povo. Lucas disse que os pais de Jesus viviam em Nazaré, mas foram obrigados, por causa de um censo marcado para acontecer em seguida, a estar em Belém na época em que comprovadamente Jesus nasceu. Na verdade, segundo os registros, não houve censo naquele período e, se tivesse havido, as autoridades não obrigariam os habitantes a empreender longas jornadas, simplesmente para serem contados no local de origem de suas famílias.

A cidade de Nazaré, na Galileia, onde Jesus passou a maior parte da vida, é considerada por alguns outro possível local de seu nascimento. Na verdade, os seguidores de Jesus eram chamados de nazarenos, e o próprio Jesus é descrito no Novo Testamento como "o Nazareno". Mesmo depois de muitas pesquisas, vários modernos estudiosos da Bíblia afirmam apenas que ele era galileu: "Conclui-se que não se sabe onde ele nasceu." Os pais de Jesus eram José e Maria, mas foi ela quem ficou mais famosa, com o decorrer dos séculos. De acordo com o evangelho de Marcos, Jesus tinha irmãos e irmãs mais jovens. Alguns estudiosos, porém, garantem que se tratava de primos ou outros parentes, criados juntos. José e Maria cuidavam da família, com certeza. Desde muito cedo Jesus frequentou a sinagoga e tomou conhecimento dos pontos principais dos livros atualmente conhecidos como Antigo Testamento. Aprendeu também a ler, e escrever, o que não era comum na cidade onde vivia.

Conta-se que, aos doze anos, Jesus foi com os pais a Jerusalém, em uma caminhada de vários dias, para as festividades anuais da Páscoa, a data mais importante do calendário judaico. Era maravilhoso visitar a pequena cidade naquela época, na companhia de peregrinos vindos de locais próximos ou afastados. No templo, Jesus teve a oportunidade de ouvir a fala de vários mestres e a leitura de textos sagrados. Sua vontade de aprender era tanta que seus pais acabaram por perdê-lo de vista. Afinal, encontraram-no "sentado entre os mestres, escutando os e fazendo perguntas." Com surpreendente autoridade, ele explicou assim seu desaparecimento: "Não sabem que devo estar na casa do meu Pai?"

Jesus se tornou carpinteiro, e aprendeu também um pouco do ofício de pedreiro. Presume-se que fizesse pequenas peças de madeira usadas nas casas, além de cangas para animais de carga, arados, portas, portões, cercados e celeiros espaçosos, para os agricultores da redondeza. O trabalho artesanal em pedra e madeira.

G. Blainey.

Texas Rising

Título no Brasil: Texas Rising
Título Original: Texas Rising
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: A+E Studios, ITV Studios America
Direção: Roland Joffé
Roteiro: Darrell Fetty, Leslie Greif
Elenco: Bill Paxton, Stephen Monroe Taylor, Trevor Donovan
  
Sinopse:
Série de western que se propõe a contar eventos históricos marcantes da colonização do velho oeste americano, entre eles a guerra que definiu os rumos do estado do Texas, quando um exército americano liderado por Sam Houston (Bill Paxton) se empenhou bravamente em expulsar as tropas mexicanas sob comando do general Antonio Lopez de Santa Anna (Olivier Martinez) de seu território, logo após o massacre do forte Álamo.

Comentários:
Embora tenha assistido ainda apenas alguns episódios dessa nova série "Texas Rising" já me sinto plenamente confortável em recomendá-la. A produção é excelente e o roteiro consegue mesclar o lado histórico do surgimento do Texas como estado livre e independente a cenas extremamente bem realizadas no campo de batalha. Um dos personagens centrais, como não poderia deixar de ser, é o comandante Sam Houston (Bill Paxton). No primeiro episódio ele se encontra com suas tropas estacionadas em uma colina e envia homens para descobrir os desdobramentos da chegada do exército do general mexicano Santa Anna no forte Álamo. As notícias porém são as piores possíveis. Mesmo lutando bravamente por vários dias o forte finalmente caiu, após todos os seus combatentes serem mortos sem piedade pelo exército inimigo. A série começa justamente aqui, no dia seguinte ao colapso do Álamo, que ao longo dos anos viraria um importante símbolo para o povo texano, uma verdadeira bandeira de sua luta contra as forças vindas de um México ditatorial, tirano e sanguinário. Naquele momento histórico o que o povo do Texas mais almejava era a liberdade proporcionada pela federação norte-americana que estava se formando. A República do Texas estava nascendo exatamente naquele conflito. Assim "Texas Rising" satisfaz até mesmo o mais exigente dos espectadores. Tem ótima reconstituição de época, bom roteiro, direção precisa e elenco afinado. Tudo isso somado ao fato de termos agora uma nova série de western para acompanhar na TV, o que convenhamos é uma ótima notícia.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Corrente do Mal

Título no Brasil: Corrente do Mal
Título Original: It Follows
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Northern Lights Films
Direção: David Robert Mitchell
Roteiro: David Robert Mitchell
Elenco: Maika Monroe, Keir Gilchrist, Olivia Luccardi
  
Sinopse:
Jay Height (Maika Monroe) é uma garota como qualquer outra de sua idade. Entre a escola e a sua casa ela começa a ter seus primeiros namorados, entre eles um jovem atraente que a leva para o cinema no fim de semana. O que Jay nem desconfia é que o tal bonitão na verdade deseja se livrar de uma maldição terrível que lhe foi passada após praticar sexo casual com uma desconhecida numa boate. Após dopar sua companheira o sinistro jovem, que muito provavelmente tenha até mesmo inventado um nome falso, lhe informa que agora ela está condenada a ver aparições de almas penadas vindo em sua direção! O que ela deve fazer quando isso acontecer? Correr o mais rapidamente que puder para salvar sua vida...

Comentários:
Bom, você certamente já ouviu falar em doenças sexualmente transmissíveis, certo? Claro que sim. O que você obviamente nunca ouviu falar foi em assombrações sexualmente transmissíveis, não é mesmo? Pois então fique sabendo que o roteiro desse filme usa justamente essa estranha ideia para compor seu bizarro enredo. Imagine um grupo de jovens, com os hormônios em ebulição... agora pense no que eles estariam fazendo em suas horas vagas... Ora, transando entre si, é claro! O problema é que junto com o prazer vai também uma maldição, um terrível fardo de ver pessoas mortas em todos os lugares e o pior, vindo em sua direção! O argumento esquisito, criado pelo próprio diretor que também assina o roteiro, não parece muito comum, tanto que já houve até quem quisesse comparar o estilo fora dos padrões desse cineasta praticamente novato com o diretor M. Night Shyamalan, o que convenhamos é um pouco demais da conta. Talvez o ritmo lento, quase contemplativo da narrativa tenha levado alguns a levantar essa esdrúxula comparação! De qualquer maneira, como pura experiência cinematográfica, esse terror até que tem algumas coisinhas interessantes. Se não chega a ser bom, pelo menos a tentativa de levar adiante uma história tão estranha já é por si só um ponto positivo a favor. Outro fato que me chamou atenção é que o diretor e roteirista Mitchell não parece muito preocupado em explicar nada, a questão é simplesmente colocada em cena, os mortos vão surgindo e acabou. Não se sabe de onde estão vindo, o que querem, como seria possível quebrar esse encanto macabro, nada... assim tudo parece como uma bizarra condenação para esses esses jovens que transaram com quem não deveriam. Um moralismo disfarçado tentando fazer uma estranha analogia com a AIDS? Quem vai saber... acho que nem o próprio diretor saberia responder a esse tipo de pergunta. De uma forma ou outra a moral da história é a de que sempre é bom usar camisinha, vai que numa bobeira você acabe pegando uma maldição dos diabos dessa pela frente...

Erick Steve e Pablo Aluísio.

sábado, 29 de agosto de 2015

Uma Voz Vinda do Rio Jordão

Simultaneamente à carpintaria, Jesus estudava, e acumulou um vasto conhecimento sobre a religião. Freqüentador assíduo da sinagoga, lugar de pregação e ensino, aprendeu sobre grandes reis, profetas e guerreiros judeus. Influenciado por discussões com os habitantes da vizinhança, desenvolveu opiniões sobre a ocupação de sua terra natal pelos romanos. Por volta dos anos 27 e 28 d.C., a intimidade de Jesus com questões religiosas e políticas - as duas estavam intimamente ligadas - era intensa. Pessoas que compartilhavam idéias semelhantes começaram a segui-lo. Ao fim de algum tempo, eram doze - o mesmo número das tribos originais de Israel. Os seguidores, em sua maioria, viviam perto do Mar da Galileia, e vários tinham sido discípulos de um evangelista chamado João, que usava habitualmente uma túnica grosseira, de pele de camelo, e pregava ao longo do rio Jordão.

Multidões acorriam para ouvir João Batista. O próprio Jesus se deixou influenciar. Na verdade, os dois eram primos, de acordo com Lucas. Vivendo em uma região muito afastada das grandes cidades, João consumia os alimentos mais simples, inclusive mel silvestre e gafanhotos. Ele acreditava em uma antiga profecia, segundo a qual Deus enviaria um novo rei Davi para libertar a Palestina do domínio estrangeiro. Uma busca cuidadosa no Antigo Testamento, no qual se encontram referências esparsas a grandes expectativas, pode revelar previsões de eventos similares. O Jordão era o único curso de água da Palestina que merecia ser chamado de rio. Ele atravessava um lago interior, o Mar da Galileia, e seguia, um pouco mais estreito, percorrendo um corredor de terras secas e rochosas, até alcançar o Mar Morto. Quando chovia ou quando a neve derretia nas montanhas, o Jordão corria mais depressa, chegando a transbordar do leito.

Admirado nos lugares por onde passava, João Batista seguia um ritual, para batizar seus seguidores. A terra arrastada das margens do rio davam à água uma cor meio marrom, mas aos olhos dos seguidores de João Batista tratava-se de um líquido sagrado, em especial nas cheias. O batismo lavava os pecados e aproximava o indivíduo de Deus, a quem ele passava a dedicar a vida. Assim o próprio Jesus foi batizado, provavelmente por imersão total no rio, enquanto João proferia bênçãos sagradas. Testemunhas garantiram que se tratou de um evento milagroso.

No momento do batismo, uma pomba pareceu descer do céu, de onde soou uma voz que dizia: "Este é meu filho amado, em quem me comprazo." Aquele foi um marco na vida de Jesus. Estava declarado que ele, e não seu primo João, era o filho amado de Deus. Não se conhece o local exato do batismo de Jesus, mas o episódio em si seria lembrado por muito tempo. Em poucos séculos, com o avanço do cristianismo, o Jordão se tornou o mais famoso dos rios, na mente dos europeus. Não se percebia, no largo e majestoso Reno, a atmosfera de misticismo que cercava aquele rio estreito, correndo paralelamente ao mar. O nome do rio Jordão se tornaria, para os povos das Américas, mais inspirador do que o Mississípi ou o Amazonas.

G. Blainey.

Rock Hudson e o Western

Rock Hudson foi mais um dos milhares de atores que saíram da fábrica de astros da Universal. A intenção era criar novos campeões de bilheteria. Com um pouco de instrução dramática, promoção e marketing, era fácil transformar qualquer jovem boa pinta em uma nova estrela do panteão de Hollywood. Bastava ter carisma e o visual certo. Rock não foi pensado como um cowboy nas telas. Os diretores e produtores da Universal tinham outros planos para ele, entre eles o de transformar Hudson em um super galã das telas em dramas românticos ao velho estilo. Antes disso porém era importante trazer um pouco mais de experiência e popularidade para sua jovem carreira. Entre os diferentes instrumentos que estavam à disposição o estúdio podia contar com a linha de produção dos faroestes. A maioria deles eram produções B, sem grandes custos e riscos, que no final das contas trazia um grande lucro para a Universal. Assim ficou decidido que seu novo aspirante ao estrelato iria aparecer em diversos westerns, para que o público em geral se acostumasse com sua presença em filmes de forte apelo popular.

E a estréia de Rock no gênero veio em grande estilo. O filme era "Winchester '73" de Anthony Mann. Estrelado pelo grande James Stewart, o elenco ainda trazia coadjuvantes de luxo entre eles a estrela Shelley Winters. O papel de Rock era pequeno e de certa maneira quase inexpressivo, mas isso no fundo não importava. O mais importante é que Rock iria desembarcar em uma viagem de promoção do filme no meio oeste americano. Isso significava desfilar em carro aberto em pequenas cidades ao lado dos outros astros da fita. Em uma delas Rock foi ovacionado pelo público que começou a gritar seu nome com raro entusiasmo. Rock ficou ao mesmo tempo assustado e lisonjeado pela homenagem. Era óbvio que sua estampa se revelava irresistível para o público feminino em geral. Os executivos da Universal estavam atentos às reações e perceberam que Rock tinha potencial, muito potencial em seu futuro.

Essa transição de ator desconhecido para astro não se deu porém do dia para a noite. Rock iria ainda transitar por outros gêneros antes de voltar a usar um chapéu em cena. Isso voltaria a acontecer em "Coração Selvagem". Esse foi um típico bangue-bangue, com nativos, cavalaria, soldados confederados e muito ouro roubado sendo disputado por todos os gananciosos personagens. Ao contrário do faroeste anterior, até hoje considerado um dos melhores de sua época, "Tomahawk" (era seu nome original) foi recebido friamente por público e crítica. Também pudera, a fita não era muito expressiva, não tinha um roteiro consistente e tudo parecia falso em cena (para se ter uma ideia, nem a linda Yvonne De Carlo conseguia convencer muito com sua personagem mestiça). Embora tenha sido dirigido por um bom diretor, o experiente George Sherman, o faroeste caiu no limbo e foi logo esquecido após uma medíocre carreira comercial nos cinemas.

Depois disso Rock Hudson ganhou seu primeiro papel de destaque no drama esportivo "O Demolidor". Com a estrela em ascensão ele logo foi escalado para "E o Sangue Semeou a Terra", outro clássico absoluto do western americano, novamente dirigido por Anthony Mann e estrelado por James Stewart. Ao contrário de "Winchester '73" onde Rock teve uma pequena participação, aqui em "Bend of the River" as coisas pareciam bem melhores. Rock interpretava Trey Wilson, um personagem bem mais consistente com ótimas cenas para que Rock chamasse mais atenção do público. As oportunidades de atuar melhor deixaram Rock bem entusiasmado. Por essa época (o filme foi rodado em 1952) o ator foi entendendo melhor como rodavam as engrenagens do chamado Star System. Ele criou uma rede de amizades e relações no meio cinematográfico que iriam trazer ótimos frutos para sua carreira. Embora não estivesse focado em se tornar um novo astro cowboy, Rock sabia que os faroestes eram vitrines maravilhosas para que ele se tornasse mais popular a cada dia. E sua relação com esse tipo de filme não iria terminar por aí, pelo contrário, muitos outros filmes marcantes viriam nos anos seguintes...

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Stung

Título Original: Stung
Título no Brasil: Ainda não definido
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos, Alemanha
Estúdio: Rat Pack Filmproduktion, XYZ Films
Direção: Benni Diez
Roteiro: Adam Aresty
Elenco: Clifton Collins Jr., Jessica Cook, Tony de Maeyer, Lance Henriksen
  
Sinopse:
Vespas acabam sofrendo mutação após entrarem em contato com um fertilizante geneticamente modificado. Em pouco tempo os insetos aumentam absurdamente de tamanho, se tornando predadores de outras espécies. Como as mutações não param de ocorrer em pouco tempo esses assassinos voadores começam a usar corpos humanos como hospedeiros de suas crias, dando origem a verdadeiros monstros alados. Filme premiado no Fantaspoa International Fantastic Film Festival.

Comentários:
Filmes com insetos gigantes não são necessariamente originais desde a década de 1950, quando esse tipo de roteiro deu origem a dezenas de filmes trash nesse estilo. Naquela época era bem comum encontrar fitas de baixo orçamento com aranhas monstruosas e escorpiões de dez metros de altura. Aqui a bola da vez são as vespas. Logo no começo você percebe que não vai encontrar nada parecido com um bom roteiro pela frente. O diretor Benni Diez não parece preocupado em tentar enganar o espectador. Ele não quer parecer inteligente ou nada parecido com isso. O filme jamais tenta passar a impressão de que é algo que deva ser levado a sério. Ao invés disso investe em cenas absurdas que beiram o puro nonsense, fora as situações completamente batidas e clichês. As tais vespas gigantes surgem através de várias técnicas, entre elas a antiga animatronics que deixou de ser usada desde os distantes anos 1980. Ao lado dela o filme também apresenta alguns efeitos digitais até que bem realizados, mas longe de parecerem surpreendentes. Pena que o enredo seja bobo e derivativo, sem qualquer novidade e fique batendo sempre na mesma tecla. Basicamente tudo acontece em uma noite, após os convidados de uma festa no jardim de uma antiga casa serem atacados pelos tais insetos. A partir daí eles fogem do lugar e tentam se refugiar dentro da casa, sendo perseguidos pelos monstros alados. Não se tentou criar uma melhor trama por trás e nem criar qualquer tipo de profundidade psicológica para os personagens principais. Até o veterano Lance Henriksen paga mico (provavelmente estava com algumas contas atrasadas a pagar!). A "trama" então pode ser resumida numa simples frase, já que "Stung" nada mais é do que um filme sobre pessoas sendo devoradas por vespas gigantes! E isso é tudo!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Sobrenatural - A Origem

Título no Brasil: Sobrenatural - A Origem
Título Original: Insidious - Chapter 3
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures
Direção: Leigh Whannell
Roteiro: Leigh Whannell
Elenco: Dermot Mulroney, Stefanie Scott, Angus Sampson
  
Sinopse:
Quinn Brenner (Stefanie Scott) é uma jovem adolescente americana que sonha em se tornar atriz. Desde a morte de sua mãe ela sente muita saudades de seu apoio e presença. Tentando superar isso ela resolve ir atrás de uma conhecida médium, Elise Rainier (Lin Shaye) que diz ter capacidade de se comunicar com os mortos. Inicialmente Elise recusa a oferta de Quinn. Ela já não é a mesma desde o suicídio de seu marido, um bom homem que resolveu acabar com sua própria vida. Elise também está com receios de voltar a se comunicar com o mundo espiritual desde que encontrou uma sinistra figura que começou a persegui-la em suas viagens espirituais. Com pena de Quinn porém ela aceita fazer uma última sessão de espiritismo em sua casa, algo que irá se arrepender profundamente por causa dos efeitos colaterais que ocasionará. Filme vencedor do Palm Springs International Film Festival na categoria de Melhor Direção (Leigh Whannell).

Comentários:
"Insidious", quem diria, virou franquia. Infelizmente também temos que constatar que, como muitas outras franquias de terror, corre também o sério risco de cair no vazio. A história desse terceiro filme da série retrocede no tempo, três anos antes dos acontecimentos do primeiro "Sobrenatural". A ideia é mostrar o momento em que a porta entre o mundo dos vivos e dos mortos foi aberta pela primeira vez. O estopim de tudo surge na figura de uma jovem garota, saudosa de sua mãe falecida recentemente de um agressivo câncer de mama. Ela então procura uma médium que acaba adentrando o mundo da escuridão trazendo involuntariamente de lá um demônio poderoso e maligno para a nossa dimensão. A sinistra figura pretende transformar a menina em uma de suas pets espirituais (a denominação estranha é usada pelo próprio roteiro). O enredo não se desenvolve muito além disso. Uma vez que a criatura do mal esteja em nosso mundo começam os sustos. Pena que não houve por parte dos roteiristas maior originalidade no desenvolvimento dos acontecimentos. Uma dupla de pesquisadores modernos, verdadeiros caça-fantasmas, é contratado pelo pai (nada de novo) e ao lado da velha médium (outra presença que não é nenhuma novidade em filmes assim) vão tentar expulsar o diabo da vida da jovem. Eu esperava um pouco mais do filme porque afinal de contas ele foi dirigido e roteirizado pelo criador da franquia, o australiano Leigh Whannell. Para desapontamento dos fãs dos filmes porém ele parece demonstrar que está sem ideias novas. Para um prequel as explicações também deixam a desejar. Não se procura esclarecer, por exemplo, quem seria o estranho ser espiritual do mal com problemas respiratórios que usa uma máscara o tempo todo. Ele não tem uma história que não possa se desenvolver? É apenas um monstro vazio de filmes de terror? Se o tal personagem é o começo de todas as aflições era de se esperar que suas origens (tal como sugere o nome do filme) fossem explicadas e expostas ao espectador. Como isso nunca é levado adiante só resta mesmo ao espectador ver um desfile repetitivo dos velhos clichês de rotina de filmes de terror, que vão se sucedendo sem maiores surpresas ao longo do enredo. A conclusão final não é das melhores, pois o terceiro capítulo de "Sobrenatural" também é o mais fraco deles. Uma pena.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

The Beatles - Words of Love

Durante essa época de sua carreira os Beatles estavam com agenda cheia, muitos shows, gravações de singles e viagens. Para cumprir contrato com a Emi Odeon eles tiveram que recorrer novamente a covers, algo que sempre fizeram ao longo da carreira, mas que foi deixado de lado, pelo menos provisoriamente, na trilha sonora de "A Hard Day´s Night". Quando entraram novamente em estúdio para a produção de mais um LP não houve saída. Eles tiveram mesmo que usar material alheio pois simplesmente não tinham músicas próprias suficientes para completar o disco. Entre as canções escolhidas estava justamente essa linda, terna e romântica "Words of Love", ótima composição de Buddy Holly. Provavelmente se você gosta de conhecer a história do rock se lembrará de Buddy. Ele foi um compositor excepcional que morreu muito jovem durante aquele trágico acidente de avião que também vitimou Ritchie Valens (De "La Bamba" entre outros clássicos da primeira geração roqueira). Como convinha a um artista de seu estilo e época, Buddy cantava as coisas simples de um namoro entre adolescentes. Em suas letras pequenos momentos a dois ganhavam um significado todo especial. Junte-se a isso a própria inocência da idade e você terá uma bela obra prima escrita por ele. A letra é tão simples, direta, como afetuosa.

A versão dos Beatles veio somente cinco anos depois da morte precoce de Buddy Holly. Esse fato demonstrou duas grandes qualidades do grupo inglês. O primeiro é que eles não estavam interessados apenas em apresentar músicas vocacionadas para o sucesso imediato. "Words of Love" já tinha esgotado sua capacidade de causar impacto nas rádios. Isso também demonstrava em segundo plano que os Beatles eram bem conscientes de suas influências e as respeitava muito, a tal ponto de gravar em um disco oficial uma faixa como essa. Isso jamais deixou a mentalidade do grupo. Ao longo dos anos John Lennon estava sempre se referindo aos velhos discos de rock de sua juventude, afirmando que os Beatles sempre tentaram captar aquele sentimento que havia de certa forma se perdido no tempo. Aliás basta pegar qualquer CD de Paul nos tempos atuais para perceber que isso ainda segue muito válido. Sempre que possível o ex-beatle traz de volta à vida velhas canções roqueiras dos anos 1950. Além de homenagear todos aqueles artistas também é uma maneira de apresentar esse material para as novas gerações que muitas vezes sequer sabem o nome desses pioneiros do rock ´n´ roll. Então fica aqui minha dica de uma ótima baladinha, escrita por um jovem para sua namorada de colégio, tudo tão despretensioso, mas que a despeito de tudo contra, conseguiu vencer a barreira do tempo e do espaço.

Words of Love
(Buddy Holly).
Hold me close and tell me how you feel
Tell me love is real
Words of love you whisper soft and true
Darling, I love you

Let me hear you say the words I long to hear
Darling, when you're near
Words of love you whisper soft and true
Darling, I love you

Pablo Aluísio. 

O Duelo

Sem favor algum, temos aqui um dos melhores faroestes que assisti nos últimos anos. A premissa é das melhores. O governador do Texas resolve enviar um de seus Texas Rangers para uma pequena cidade da fronteira para investigar a morte do sobrinho de um poderoso general mexicano. A morte do rapaz criou uma tensão entre os governos dos Estados Unidos e México e tudo deve ser resolvido para evitar maiores problemas em um futuro próximo (inclusive, quem sabe, até mesmo uma guerra entre os dois países se tudo sair do controle e ninguém for punido pelo crime).

Assim o agente David Kingston (Liam Hemsworth) parte para sua missão, acompanhando de sua jovem esposa, a mestiça Marisol (interpretada pela brasileira Alice Braga). Ao chegar na cidadezinha descobre que todos parecem obedecer cegamente as ordens de um estranho sujeito chamado Abraham (Woody Harrelson, ótimo como sempre!). Ele é uma espécie de pregador fanático e assassino cruel. Veterano da guerra civil, agora impõe sua vontade para todos os moradores, usando para isso duas armas bem poderosas: a religião e o medo!

Para tornar tudo ainda mais interessante Abraham matou o pai de David durante a guerra, em um tipo de luta mortal onde dois homens eram amarrados entre si, com facas nas mãos! Apenas o último de pé conseguiria sobreviver. E como se isso ainda não fosse explosivo o bastante o próprio Abraham parece disposto a conquistar a esposa do agente David, colocando tudo em um caldeirão de rivalidade que fica pronto a explodir a qualquer momento!

"O Duelo" se revela assim uma ótima opção para os fãs do western. Além de respeitar todos os dogmas sagrados do gênero ainda traz um background psicológico para todos os personagens que o torna realmente um western muito acima da média do que anda sendo produzido nesse estilo ultimamente. Há uma constante tensão no ar, com aquele tipo de sentimento que há algo muito violento e cruel prestes a surgir na próxima cena. Além disso a guerra psicológica que se instala entre os dois principais personagens acaba sendo um dos destaques desse roteiro que por si só já é realmente muito bom. Em suma, um ótimo filme que infelizmente anda sendo bem subestimado. Não deixe passar em branco.

O Duelo (The Duel, Estados Unidos, 2016) Direção: Kieran Darcy-Smith / Roteiro: Matt Cook / Elenco: Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Alice Braga, Emory Cohen, William Sadler / Sinopse: Um jovem Texas Ranger (Liam Hemsworth) é enviado em missão até uma cidadezinha da fronteira no velho oeste para descobrir sobre o desaparecimento e morte de mexicanos na região. O governador do Texas teme que as mortes criem uma tensão com o governo do México. Uma vez na região o Ranger descobre que um pregador fanático e pistoleiro (Harrelson) pode estar por trás de todas as mortes.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Pistoleiros em Duelo

Título no Brasil: Pistoleiros em Duelo
Título Original: Gunfight in Abilene
Ano de Produção: 1967
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: William Hale
Roteiro: Berne Giler, John D.F. Black
Elenco: Bobby Darin, Emily Banks, Leslie Nielsen, Donnelly Rhodes
  
Sinopse:
Durante a Guerra Civil Americana o Major Cal Wayne (Bobby Darin) mata acidentalmente um companheiro de armas. Quando a guerra chega ao fim ele decide retornar para sua cidade natal, Abilene, onde havia sido xerife antes de se alistar no exército confederado. Curiosamente todos pensavam que ele estava morto, inclusive seu grande amor, Amy Martin (Emily Banks), que agora está comprometida, prestes a se casar, com o rico homem de negócios Grant Evers (Leslie Nielsen), justamente o irmão do homem que Cal matou de forma acidental no front.

Comentários:
Faroeste B da Universal que tentou lançar o cantor Bobby Darin como astro em Hollywood. Não deu muito certo. Darin tinha uma bela voz e chegou a gravar excelentes discos, a maioria deles seguindo o estilo de seu grande ídolo Frank Sinatra. Como ator porém ele era muito limitado, mesmo para filmes que não exigissem muito no quesito atuação. Aqui ele interpreta um veterano confederado que ficou traumatizado após matar seu próprio amigo durante a confusão de uma batalha sangrenta. De volta para a vida civil ele tenciona se casar com a namoradinha que havia deixado em Abilene, mas boatos de que teria morrido em campo fizeram com que ela se comprometesse com outro homem, bem mais velho porém extremamente bem sucedido no ramo de pecuária. Esse curioso personagem que usa um braço de madeira por ter perdido em um acidente muitos anos antes é interpretado por Leslie Nielsen. Bom, se você gosta de cinema certamente se lembrará do senhor grisalho que estrelou diversas comédias escrachadas ao estilo "Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu!". Essa foi uma fase tardia de sua carreira e a que ele mais teve sucesso comercial. Na década de 1960 o ator ainda interpretava sujeitos durões em filmes como esse. No geral "Gunfight in Abilene" é um bom western. Tem um roteiro redondinho, bem escrito e por ser um filme curtinho jamais aborrece o espectador. O grande fraco em termos de elenco vem mesmo da atuação modesta de Darin que como ator não convencia. Pena que ele não cante em cena, embora desfile uma boa performance na canção "Amy" que abre e fecha o filme. Enfim, vale pelo menos pela diversão ligeira.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Pink Floyd - Wall in Progress (1978-1979)

Com o surgimento da internet o mercado de bootlegs explodiu! O número de títulos segue a cada ano cada vez maior. E os títulos são muitos. Para quem gosta de rock clássico e rock progressivo não poderia haver melhor notícia. Muito material assim segue sendo lançado. Aqui temos um bootleg criado a partir de demos e takes alternativos do clássico álbum "The Wall" do Pink Floyd. Como bem sabemos "The Wall" foi um disco concebido, criado e idealizado por Roger Waters. Antes de entrar no estúdio ele gravou diversas faixas demo para apresentar as canções ao resto do grupo (não havia dito que tudo veio de sua mente criativa?).

Pois então parte desse material foi resgatado nesse CD. É um material cru, sem muito trabalho de finalização, de arte final. Tudo soa quase como foi composto. Water é provavelmente o músico mais egocêntrico do universo, mas aqui vemos parte de sua incrível genialidade. Não digo que esse tipo de material vá interessar para quem não é fã do Pink Floyd, mas certamente será de extremo interesse para os fãs de carteirinha. O álbum "The Wall" segue sendo bem debatido até nos dias de hoje, já para quem deseja apenas ouvir uma semente do disco, poucos títulos podem ser tão interessantes como esse. Recomendado? Certamente sim.

Pink Floyd - Wall in Progress (1978-1979)
01. In The Flesh?  02. The Thin Ice 03. Another Brick In The Wall Part 1  04. The Happiest Days Of Our Lives 05. Another Brick In The Wall Part 2 06. Mother 07. Goodbye Blue Sky 08. Empty Spaces Part 1 09. Young Lust 10. One Of My Turns 11. Don't Leave Me Now 12. Empty Spaces Part 2 13. What Shall We Do Now? 14. Another Brick In The Wall Part 3 15. Goodbye Cruel World 16. Nobody Home 17. Vera 18. Bring The Boys Back Home 19. Is There Anybody Out There? Part 1 20. Is There Anybody Out There? Part 2 21. Comfortably Numb 22. Hey You 23. The Show Must Go On  24. In The Flesh 25. Run Like Hell 26. Wating For The Worms 27. Stop 28. The Trial  29. Outside The Wall.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Marlon Brando - A História de um Mito - Parte 3

Apesar de tudo o filme "Sindicato de Ladrões" se transformou em um dos maiores êxitos da carreira de Marlon Brando. Depois da realização desse filme começaram os problemas do ator com a Twentieth Century Fox. Ele havia assinado um contrato milionário com a Fox, com um salário surpreendente para a realização de apenas três filmes. O estúdio queria que Brando estrelasse "O Egípcio", épico dirigido pelo conceituado diretor Michael Curtiz. Seria o primeiro filme após o acordo. Brando leu o roteiro e detestou tudo, desde a falta de fidelidade histórica até o romance piegas em que seu personagem se envolvia durante a trama. Em uma época em que atores faziam os filmes que os chefões das grandes companhias determinavam o ator teve a ousadia de dizer em alto e bom som um grande "não" para a famosa produtora. Sua recusa em fazer "um filme ruim de doer" segundo suas próprias palavras, soou como alerta para a Fox que imediatamente resolveu processar o ator por quebra de contrato. Para piorar ainda mais Brando saiu dando entrevistas sobre a mega produção dizendo que era "um lixo" e que "Hollywood deveria se envergonhar de investir dinheiro em uma porcaria dessas!". O comportamento rebelde de Brando deixou o produtor Darryl F. Zanuck possesso de raiva. O ator não apenas se recusava a fazer filme como promovia uma intensa publicidade negativa para a imprensa, dizendo a todos que o roteiro era péssimo e os personagens uma piada.

Na guerra de egos Hollywoodiana o fato era que Brando detestava o todo poderoso chefão Zanuck. Considerava ele um sujeito medíocre que não entendia nada da arte de atuar. Também achava ridículo seu hábito de sempre estar cercado de mulheres loiras e burras que ele tentava promover em vão como grandes estrelas de cinema. Para uma jornalista fofoqueira de Los Angeles Brando soltou a seguinte piada que foi publicada em todos os jornais no dia seguinte: "Zanuck tem os dentes tão tortos que eles chegam dois minutos antes dele quando ele atravessa uma porta!". Depois disso o produtor da Fox entrou com uma pesada ação contra Brando pedindo vinte milhões de dólares de indenização por perdas e danos e quebra de contrato. Ora, na época Brando nem sonhava em ter tanto dinheiro assim. Dessa maneira assim que foi citado pegou o primeiro avião para Nova Iorque. Estava decidido a nunca mais fazer um filme na vida. Queria voltar para o teatro e esquecer as futilidades da costa oeste. Em sua cidade querida Brando retomou sua rotina, andando de moto por toda a cidade, algumas vezes dormindo nas praças públicas após mais um noite de farras. Ele não estava nem aí para Zanuck e a Fox.

A questão é que o processo seguiu em revelia e Brando foi condenado. Isso seria sua ruína financeira para todo o sempre. O advogado então propôs que Brando considerasse uma nova proposta da Fox. Ele estrelaria um outro filme, "Désirée, O Amor de Napoleão" e a Fox perdoaria a imensa quantia que havia ganho nos tribunais. Marlon achou simplesmente patética a possibilidade de vir a interpretar o imperador Napoleão Bonaparte no cinema, mas pressionado por uma dívida que jamais poderia pagar ele acabou engolindo seu orgulho e de repente se viu aceitando os termos da nova proposta. Três meses depois lá estava Brando desembarcando em Los Angeles, uma cidade que abertamente detestava para o começo das filmagens. Os problemas porém não pararam por aí. Com poucos dias de trabalho Brando chegou na conclusão que o diretor Henry Koster era um completo imbecil. Ao invés de se preocupar com as cenas e a atuação do elenco ele passava horas discutindo sobre o figurino de Napoleão e os membros da corte francesa. Ao invés de se importar com o roteiro Koster parece mais interessado no tipo de botão certo que as roupas deveriam ter. Brando deu um basta para aquela patetice.

Assim como aconteceu com "O Egípcio" Brando também achou o roteiro de "Désirée" um lixo. Para sabotar o filme ele começou a mudar seu sotaque de cena para cena. Em certas ocasiões falava com sotaque britânico, para depois puxar as falas como se fosse um prussiano. Como estava frustrado e entediado com o material também começou a fazer arruaças no set. Em certa ocasião pegou uma mangueira de incêndio e alagou todo o cenário. O comportamento de Brando assim começou a ser comentado em todos os jornais e ele foi considerado um profissional fora de controle, cheio de estrelismos. Não era verdade, Brando apenas queria se vingar ao seu modo do produtor Zanuck. De uma maneira ou outra e aos trancos e barrancos o filme finalmente ficou pronto e para surpresa de todos acabou se tornando um sucesso de público e crítica. Brando por sua vez foi aconselhado pelo estúdio a não dar entrevistas pois temia-se que ele começasse a falar mal do filme como havia feito com o projeto de "O Egípcio". Muitos anos depois Brando culparia a falta de sofisticação e cultura do povo americano pelo sucesso do filme. Em uma frase decretou: "Nunca ninguém perdeu dinheiro subestimando a imbecilidade dos americanos. São realmente uns ignorantes!".

Pablo Aluísio.

domingo, 23 de agosto de 2015

Os Filmes Perdidos da II Guerra Mundial

Título no Brasil: Os Filmes Perdidos da II Guerra Mundial
Título Original: WWII in HD
Ano de Produção: 2009
País: Estados Unidos
Estúdio: History Channel, Lou Reda Productions
Direção: Frederic Lumiere
Roteiro: Frederic Lumiere
Elenco: Gary Sinise, Rob Lowe, Justin Bartha
  
Sinopse:
Documentário em seis episódios que conta as principais batalhas da II Guerra Mundial, através de registros reais capturados por cinegrafistas militares americanos, ingleses a franceses. Momentos cruciais do maior conflito da história são enfocados, entre eles o Dia D, quando tropas aliadas invadiram o norte da França dando origem a uma ofensiva inédita na história rumo à vitória contra as forças armadas alemãs. Premiado pela International Documentary Association, MovieGuide Awards e News & Documentary Emmy Awards.

Comentários:
Para quem gosta de história esse é um documentário excelente e isso não apenas por trazer um material maravilhoso de cenas reais, mas sim por trazer um inegável lado humano para tudo o que aconteceu. Pense bem, uma coisa é você tomar conhecimento dos números, das estatísticas e das baixas ocorridas durante a guerra. Outra coisa completamente diferente é ouvir sobre os acontecimentos contados diretamente dos lábios daqueles que conseguiram sobreviver. Quando isso acontece a fria matemática da guerra ganha um contorno completamente diferente. Além disso o ufanismo, tão comum em filmes de propaganda de guerra, é deixado de lado. Tomamos conhecimento, por exemplo, que a invasão do Dia D não foi apenas um êxito completo, mas sim uma batalha aguerrida e sangrenta onde muitas coisas não deram certo ou não saíram como foi inicialmente planejado. Os soldados americanos foram jogados em praias como Omaha sem o devido planejamento. Os foguetes lançados de navios não chegaram até as forças nazistas e o pior de tudo, o bombardeio promovido pela força aérea foi totalmente ineficaz, errando seus alvos por causa do mal tempo que assolava a região. A grande lição que fica de documentários como esse é a de que guerras são vencidas pela bravura e coragem do soldados anônimos do front e não apenas pelos generais que geralmente ganham toda a fama, isso muitas vezes à custa de muito sangue alheio. Uma lição de história que não pode ser esquecida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Bandidas

Com roteiro e produção do cineasta Luc Besson, o filme “Bandidas” almeja ser um western diferente, a começar dos personagens principais. Saem os homens e entram duas garotas,  Maria Alvarez (Penélope Cruz) e Sara Sandoval (Salma Hayek), que resolvem se unir contra as injustiças que acontecem em sua cidade natal. A maior delas é a nova ferrovia que começa a ser construída ligando o México aos EUA. Como passa por várias faixas de terras pertencentes a pequenos fazendeiros, o conflito se torna inevitável. Assim quem não decide vender as terras para a grande companhia ferroviária acaba sendo eliminado pelo capanga e assassino Tyler Jackson (Dwight Yoakam). Para combater esses crimes as garotas decidem roubar bancos que também pertencem à mesma companhia que promove os crimes contra os pequenos proprietários rurais. Em pouco tempo suas façanhas começam a ficar conhecidas entre a pobre população mexicana e elas ganham o título de "Bandidas", sendo perseguidas, com suas cabeças colocadas à prêmio. O povo porém as adora pois elas ao melhor estilo Robin Hood dividem o dinheiro dos roubos entre a população mexicana mais pobre.

A intenção de Luc Besson foi realizar um western moderno, levemente bem humorado, brincando com os clichês do gênero. Assim temos em cena roubos a bancos ousados, perseguições, tiroteios, tudo embalado pela presença das carismáticas atrizes Penélope Cruz e Salma Hayek. Mesmo assim o resultado é fraco. As garotas são bonitas e simpáticas mas não conseguem convencer como temidas assaltantes a bancos do velho oeste. O clima de humor, acentuado pela presença do bom comediante  Steve Zahn, mais atrapalha do que ajuda. Ficamos com a incômoda sensação de estar assistindo algo que nunca se leva a sério. Agindo assim os produtores, o público também deixa de se importar com o filme em si. Enfim, "Bandidas" não é memorável e nem um marco no gênero, pois no fundo não passa de uma despretensiosa Sessão da Tarde.

Bandidas (Bandidas, EUA, 2005) Direção: Joachim Rønning, Espen Sandberg / Roteiro: Luc Besson, Robert Mark Kamen / Elenco: Penélope Cruz, Salma Hayek, Steve Zahn, Dwight Yoakam, Denis Arndt / Sinopse: Duas jovens mexicanas resolvem se unir para formar uma dupla especializada em roubos a bancos. Elas querem acima de tudo se vingar de uma companhia ferroviária americana, responsável pela morte de seus pais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

007 - Um Novo Dia Para Morrer / Atrás das Linhas Inimigas

007 - Um Novo Dia Para Morrer
Esse foi o último filme de Pierce Brosnan no papel de James Bond. Depois da era Roger Moore, Brosnan foi o mais bem sucedido ator a interpretar o famoso agente inglês, a tal ponto que a MGM não queria descartá-lo da franquia, havendo ainda a possibilidade dele realizar mais dois ou até mesmo três filmes com o personagem! Infelizmente as negociações não foram em frente e o ator deu adeus a Bond pelo menos no cinema (no mundo dos games ele ainda iria emprestar sua voz uma última vez no jogo "James Bond 007: Everything or Nothing", um ano depois). Pois bem, esse "Die Another Day" é um dos que mais se aproximam do velho espírito dos primeiros filmes com Bond, com direito até mesmo a uma fortaleza na neve que poderia ter saído diretamente de produções como "O Satânico Dr. No". Os vilões são os norte-coreanos (o que não ficou datado, haja visto as insanidades do ditador Kim Jong-Un nos dias atuais) e o elenco traz uma bela Bond Girl. Ao lado de James Bond surge uma agente americana chamada Jinx Johnson interpretada pela atriz Halle Berry (na época em grande fase na carreira). Como convém em todo filme com 007 há muita ação, perseguições mirabolantes, pirotecnia e invenções tecnológicas de última geração, com direito até mesmo a um Aston Martin com uma camuflagem inovadora que o deixa completamente invísivel! Numa das cenas mais bem elaboradas o agente inglês usa justamente esse veículo especial para liquidar um assassino norte-coreano em uma fortaleza de gelo no hemisfério norte - vamos convir que nada poderia ser mais James Bond do que isso, não é mesmo? Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Música Original ("Die Another Day" de Madonna). / 007 - Um Novo Dia Para Morrer (Die Another Day, Inglaterra, Estados Unidos, 2002) Direção: Lee Tamahori / Roteiro: Neal Purvis, baseado nos personagens criados por Ian Fleming / Elenco: Pierce Brosnan, Halle Berry, Judi Dench, John Cleese, Michael Madsen.

Atrás das Linhas Inimigas
Outro filme que também marcou a despedida de um grande ator. Durante as entrevistas de lançamento dessa produção, Gene Hackman anunciou que estava se aposentando. De fato ele só retornaria dois anos depois para um último adeus em "O Júri" para só então se dedicar apenas a desfrutar dos frutos de sua longa carreira no cinema. Pena que "Atrás das Linhas Inimigas" não seja tão bom quanto se esperava. Na verdade é um filme cheio de problemas, em especial em termos de roteiro, arrastado e confuso, e falta de ritmo. Além disso o elenco não parece bem escalado. O comediante Owen Wilson, por exemplo, foi pessimamente escalado para o papel do tenente Chris Burnett. Ele parece nada convincente. Hackman, um ator que era praticamente à prova de falhas, precisou então segurar o filme praticamente sozinho em suas costas, o que nem sempre é um bom sinal. Basicamente é um filme de guerra e ação que mostra as dificuldades de um oficial americano em sobreviver após ser praticamente abandonado em pleno território inimigo. A sinopse parece bem mais interessante do que se vê na tela. As cenas não são empolgantes e a dificuldade de se acertar no enredo coloca quase tudo praticamente a perder. Isso parece ser uma constante na carreira do diretor John Moore, algo que se repetiu em pequena escala em outros filmes seus como "O Vôo da Fênix" e "Max Payne". Só em "Duro de Matar: Um Bom Dia para Morrer" ele conseguiu em parte superar isso, talvez por se tratar de uma super produção. Enfim, temos aqui um filme que prometia bastante, mas que no final de tudo se revela apenas de mediano para fraco. O veterano e talentoso Gene Hackman merecia mais, muito mais do que apenas isso. / Atrás das Linhas Inimigas (Behind Enemy Lines, EUA, 2001) Direção: John Moore / Roteiro: Jim Thomas, John Thomas / Elenco: Gene Hackman, Owen Wilson, Gabriel Macht, Joaquim de Almeida.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Texas Rangers

Esse filme "Texas Rangers" lembra muito a fórmula de outro western moderninho, "Jovens Demais Para Morrer". A fórmula é basicamente a mesma, junte um grupo de jovens atores e faça um filme com as regras clássicas do gênero faroeste. Interessante é que assim como em Young Guns aqui a receita se mostra funcional, nada muito brilhante, mas que pode facilmente se transformar em um bom passatempo para quem gosta do estilo. Aqui nós temos o ator James Van Der Beek liderando o elenco. Para muita gente seu nome hoje em dia nada significa, mas para quem acompanhou a série Dawnson´s Creek lembra muito bem. Infelizmente sua carreira não deslanchou após o fim do seriado e nunca mais ouvi falar nele!

Mas o elenco de Texas Rangers não se resume apenas a ele. Tem vários atores bacanas por lá também, como por exemplo, Robert Patrick (Exterminador 2, Arquivo X), Tom Skerritt, veterano ator que infelizmente não tem muito o que fazer mas que marca presença dignamente, Alfred Molina como o vilão - anos antes de repetir a dose em "Homem Aranha 2" e finalmente Ashton Kutcher fazendo mais uma caracterização de bobão (papel que ele repete em todo e qualquer filme aliás, até mesmo em westerns como esse). Enfim, "Texas Rangers" pode ser uma boa opção para os que gostam do gênero western. Não é um filme brilhante, mas diverte acima de tudo.

Texas Rangers - Acima da Lei (Texas Rangers, 2001, EUA) Direção de Steve Miner / Roteiro: Scott Busby baseado no livro de George Durham / Elenco: James Van Der Beek, Robert Patrick, Tom Skerritt, Alfred Molina, Ashton Kutcher, Usher Raymond, Dylan Mcdermott / Sinopse: O filme narra a formação dos Texas Rangers, um grupo de justiceiros a serviço da lei.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros (2015)

O diretor Colin Trevorrow, que nunca tinha dirigido nada de importante antes na carreira, acabou realizando um filme bem genérico que não se importa em copiar descaradamente o formato e a fórmula do primeiro filme, dirigido por Steven Spielberg em 1993 (e lá se vão mais de vinte anos do lançamento original, estamos ficando mesmo velhos!). E qual seria essa fórmula antiga? Simples. Um parque de diversões temático, com dinossauros trazidos de volta à existência com a ajuda da tecnologia genética. Uma espécie de Disneyworld do mundo jurássico. Os bichanos expostos para o público formado basicamente por crianças e adolescentes. Entre eles estão dois irmãos, um pouquinho mais velho do que outro. Eles são sobrinhos de uma das executivas do Jurassic World. Aqui vemos a mão marota de Spielberg. Os dois garotos estão enfrentando o divórcio dos pais e a tiazona que mal tem tempo de dar atenção a eles mais parece uma mulher balzaquiana mal resolvida na vida que procura se afundar no trabalho para compensar a inexistência de um relacionamento sério e duradouro, com seus próprios filhos (Spielberg pelo visto ainda acredita na velha visão da mulher na cozinha, dona de casa, cuidando dos filhos, morando no subúrbio e sendo feliz! - Me poupe Sr. Midas do cinema).

Isso é o de menos, melhor esquecer os personagens "humanos". Jurassic World é um filme de efeitos digitais, efeitos especiais e tecnologia. A criançada não quer saber de garotos fedelhos e nem tiazonas com problemas de relacionamento e vida profissional, a meninada quer ver os dinossauros! Nesse aspecto o filme é até bem interessante, mas apenas no que se refere aos dinos que realmente existiram em uma época remota da existência do nosso planeta. Isso porque os roteiristas não se contentaram com a riqueza natural do mundo pré-histórico e resolveram criar um híbrido genético, uma criatura mais mortal e feroz que um T-Rex, mais esperto que um Velociraptor e mais sagaz que um animal comum, nascido e gerado pela mãe natureza. Assim seguindo a velha máxima em filmes de ficção em que seres humanos se dão muito mal ao mexerem com o mundo natural, as coisas logo viram pelo avesso. A super máquina de matar engana seus tratadores e foge de sua jaula. Em pouco tempo começa a comer todo humano que encontra pela frente e o mais incrível de tudo é que o faz apenas pelo sabor de matar (ou matar de forma esportiva como bem salienta um futuro bife do bichão). Quando começa a matança é melhor você esquecer qualquer tentativa de achar um fiapo de roteiro pela frente. Vira tudo a mesma coisa, a turma corre de um lado para o outro e os dinossauros correm atrás de comida rápida e fácil. O banquete de carne humana está servido! "Jurassic World" não consegue ser um grande filme, mas rendeu horrores nas bilheterias, provando mais uma vez que não adianta procurar muito por inteligência nas filas de cinemas comerciais. Ela está definitivamente extinta na cabeça desse povo todo!

Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros (Jurassic World, EUA, 2015) Direção: Colin Trevorrow / Roteiro: Rick Jaffa, Amanda Silver, baseados na obra de Michael Crichton / Elenco: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Ty Simpkins.

Erick Steve e Pablo Aluísio.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Yvonne Craig (1937 - 2015)

Morreu a atriz americana Yvonne Craig. Em todos os sites e blogs ela está sendo lembrada como a Batgirl do seriado de grande sucesso Batman que curiosamente só teve duas temporadas (entre os anos de 1967 e 1968). As inúmeras reprises durante anos (inclusive no Brasil) acabou criando a sensação que a série teria sido bem mais longa do que realmente foi. Na pele da heroína, Craig participou de 26 episódios, sempre como Barbara Gordon, a filha do comissário Gordon, o braço direito do Batman dentro da corporação policial de Gotham City. Como se pode perceber a série era ultra kitsch, hiper colorida, tudo para coincidir com a chegada dos aparelhos de TV a cores nos Estados Unidos. A intenção era reproduzir os quadrinhos, por isso ficaram famosas as onomatopeias do tipo "Pow", Poon" e "Baw" que desfilavam na telinha. Tudo muito divertido e nostálgico.

Esse trabalho porém foi apenas uma pequena parte da carreira da atriz. Na verdade ela foi uma workaholic incansável e participou de inúmeros filmes e séries em cinco décadas de trabalho. Ela costumava dizer que enquanto houvesse trabalho tudo estaria bem. Além de "Batman" ela participou de outras séries de sucesso, entre elas "Perry Mason", "Philip Marlowe", "Dr. Kildare", "Viagem ao Fundo do Mar", "Jornada nas Estrelas" e "O Agente da UNCLE" (cuja versão cinematográfica está chegando às telas ainda nesse ano).

No cinema Yvonne também se envolveu em inúmeras produções, dos mais diversos gêneros, entre eles dois musicais ao lado do Rei do Rock Elvis Presley. Em "Loiras, Morenas e Ruivas" de 1963 interpretou Dorothy, uma jovem que caia de amores pelo cantor galã. Um ano depois, por sugestão do próprio Elvis, voltou a trabalhar ao seu lado na MGM na comédia musical "Com Caipira Não se Brinca" onde dava vida a Azalea Tatum, irmã do Elvis versão loiro e caipira das montanhas do filme (onde Presley interpretava dois papéis, um oficial da força aérea e um matuto). Dizem até que tiveram um namorico nas filmagens.

O último filme em que Yvonne trabalhou foi "Cavando Bons Negócios", uma produção que misturava mistério e crime (apesar do título parecer o de uma comédia). Com a idade ela praticamente se aposentou, mas retornava ainda para trabalhos que não exigissem muito fisicamente, como a narração e dublagem para animações como "Olivia" onde fazia a voz da vovozinha. A atriz, que também foi modelo na juventude, faleceu no último dia 17 em Pacific Palisades, na California. Um verdadeiro ícone da cultura pop de nosso tempo. Descanse em paz.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Marlon Brando e o Western

Ator de muitos recursos, Marlon Brando foi um dos mais cultuados e famosos atores americanos. Curiosamente sua carreira, desenvolvida bem no auge dos filmes de faroeste, contou com relativamente poucos filmes do gênero. Brando, um sujeito tipicamente urbano, se sentia melhor em dramas do que em westerns. Sua primeira incursão no gênero se deu de forma quase indireta. Em 1952 ele foi contratado para atuar como o revolucionário Emiliano Zapata no clássico "Viva Zapata!", dirigido por Elia Kazan. Embora não fosse um western tradicional o filme tinha elementos que lembravam bastante o gênero. Com uma mensagem fortemente ideológica o filme não agradou inteiramente o ator. Além de não se considerar fisicamente parecido com o Zapata da vida real ele teve inúmeros problemas com o produtor Darryl F. Zanuck. Na verdade estava mais empenhado em levar para a cama a estrelinha Jean Peters do que qualquer outra coisa. Não deu muito certo. Peters já estava comprometida e não conseguia levar à sério as cantadas do astro. Ele então ficou literalmente comendo poeira no meio do deserto mexicano.

Depois desse filme Brando recusou inúmeros roteiros de Western. Ele não gostava de filmar no deserto e não confiava em cavalos, como disse de forma bem sincera em sua autobiografia. Mesmo assim, quase dez anos depois de Zapata, o ator voltou ao set de filmagens de um western, "A Face Oculta". Inicialmente Brando só iria atuar nessa produção, mas problemas com o diretor original, Stanley Kubrick, tumultuaram o projeto. Para que o filme não fosse cancelado e não surgisse um prejuízo de milhões de dólares no orçamento da  Pennebaker Productions (que pertencia ao próprio ator) ele resolveu assumir a direção. O problema é que Brando nunca havia dirigido um filme em sua vida e tampouco tinha qualificações técnicas para tanto. Afirmando que iria aprender enquanto filmava o ator topou o desafio. O resultado, para alguém tão sem experiência, pode ser até mesmo considerado excepcional, haja visto os inúmeros problemas que foram surgindo durante as filmagens. Para se ter uma ideia Marlon não conhecia sequer as lentes certas para as tomadas de cena. Foi realmente um aprendizado na prática do dia a dia.

De uma maneira ou outra Brando só voltaria ao velho oeste alguns anos depois em "Sangue em Sonora". Sua carreira estava em baixa, fruto de bilheterias ruins e problemas com vários estúdios de Hollywood. Brando não era um sujeito fácil de lidar e de vez em quando os convites rareavam e ele tinha que aceitar o que lhe surgia pela frente. O roteiro desse faroeste passava longe de ser excepcional, mas Brando confiava na capacidade do cineasta Sidney J. Furie de realizar um bom filme, que não desse prejuízo nas bilheterias (afinal de contas mais um fracasso iria piorar ainda mais a situação de Brando dentro da indústria cinematográfica). O resultado final se revelou bom, mas nada excepcional. O filme tem cenas fortes e um realismo cru que até hoje impressiona. Para Brando foi bom voltar a participar de um filme lucrativo, mesmo tendo que atuar em um dos lugares mais secos do mundo, no deserto de Utah.

As dificuldades de se trabalhar em uma região tão seca como aquela fez com que Brando se distanciasse novamente de faroestes. Só retornaria em meados da década seguinte no excêntrico "Duelo de Gigantes". Ao contrário da época em que rodou o filme anterior, quando estava em decadência, em "The Missouri Breaks" ele estava de novo no auge por causa do sucesso de "O Poderoso Chefão". Consagrado por público e crítica, todos queriam conferir o novo filme do ator. O que ninguém esperava era que Brando iria reverter completamente o mito do pistoleiro do velho oeste, dando vida a um personagem surreal, que usava roupas extravagantes, se vestindo de mulher em determinadas situações. Todas sugestões do próprio Brando que foram aceitas pelo diretor Arthur Penn, afinal de contas ele jamais iria perder a chance de dirigir dois monstros sagrados do cinema em um mesmo filme já que o elenco também contava com o grande Jack Nicholson (vizinho e amigo de longa data do próprio Marlon). Esse filme marcou a despedida de Brando dos faroestes. De certa maneira foi realmente um pena o ator não ter realizado mais filmes do gênero. De consolo fica a constatação de que se fez poucos, pelo menos realizou atuações marcantes dentro da mitologia do velho oeste.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Cold Mountain

"Cold Moutain" narra a estória de duas mulheres que, sozinhas, terão que enfrentar o desafio de sobreviver em um dos períodos mais conturbados da história norte-americana. A Guerra Civil levou todos os homens para o campo de batalha. Para trás ficaram apenas as mulheres, crianças e idosos, tentando levar em frente suas propriedades rurais da melhor forma possível. Ada (Nicole Kidman) é uma dessas mulheres. Ao lado de Ruby (Renée Zellweger) ela tenta tocar a fazenda deixada por seu pai. Não é algo fácil ou simples. Como se não bastassem os efeitos danosos da guerra elas ainda tem que lidar com o clima hostil e a falta de uma melhor infra-estrutura na região, o que torna tudo mais complicado. Ada tem esperanças que seu namorado Inman (Jude Law) volte vivo do front mas tudo se torna incerteza e apreensão. Enquanto o país se destroça a pequena vila de Cold Mountain tenta sobreviver ao caos em volta. "Cold Mountain" é um bom filme mas há alguns aspectos importantes a se considerar. Há um certo artificialismo na condução do roteiro. As situações em cena tentam imitar os grandes épicos clássicos do passado mas o resultado pode ser definido como irregular.

O projeto original tencionava ser estrelado por Tom Cruise e Nicole Kidman. Como eles tinham muitos problemas pessoais envolvidos, Cruise desistiu do filme, ficando apenas Nicole que sinceramente acreditava no bom roteiro. Seu objetivo era voltar ao topo, quem sabe até vencer um Oscar, pois seu papel era suficientemente forte e complexo para tal. Curiosamente ela acabou sendo esnobada pela Academia que resolveu premiar Renée Zellweger com o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Uma premiação controvertida pois em nenhum momento gostei plenamente de seu trabalho. O fato é que ela definitivamente confundiu um pouco o tipo de produção que participava. Sua personagem, a irascível Ruby, caiu na caricatura. Renée Zellweger surge exagerada em cena, com muitas caras e bocas e um sotaque completamente exagerado, beirando a fanfarronice. Quando ela foi premiada não fiquei menos do que surpreso. Em minha opinião Nicole Kidman está muito melhor. Ela certamente continua com aquela classe que lhe é inerente. Enquanto sua partner exagera para aparecer ela surge com fina delicadeza. Já Jude Law é o tipo de ator que nunca me agradou completamente. No saldo final "Cold Mountain" é sim um bom filme, que diverte mas que ficou no meio do caminho para se tornar uma obra importante. Enfim, entre mortos e feridos "Cold Mountain" apesar de não ser brilhante mantém um certo status. Vale a pena conhecer.

Cold Mountain (Cold Mountain, EUA, 2003) Direção: Anthony Minghella / Roteiro: Anthony Minghella / Elenco: Nicole Kidman, Renée Zellweger, Jude Law, Natalie Portman, Philip Seymour Hoffman, Giovanni Ribisi, Ray Winstone./ Sinopse: Durante a Guerra Civil duas mulheres tentam sobreviver ao caos reinante. Tentando levar a propriedade de seu pai em frente, a bela e jovem Ada (Nicole Kidman) e sua parceira Ruby (Renée Zellwegger) enfrentarão muitos desafios juntas. Vencedor do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Renée Zellwegger, contando ainda com indicações para Melhor Ator (Jude Law), Fotografia, Edição, Trilha Sonora e Melhor Canção Original ("Scarlet Tide" por Elvis Costello e "You Will Be My Ain True Love" por Sting);

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Mad Max - Estrada da Fúria (2015)

Título no Brasil: Mad Max - Estrada da Fúria
Título Original: Mad Max - Fury Road
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos, Austrália
Estúdio: Village Roadshow Pictures
Direção: George Miller
Roteiro: George Miller, Brendan McCarthy
Elenco: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keays-Byrne, Riley Keough
  
Sinopse:
Max Rockatansky (Tom Hardy) vaga por um mundo destruído e sem esperanças. Os bens mais valiosos do que restou da humanidade e da civilização são a gasolina para os motores e a água para a sobrevivência em um mundo deserto e hostil. Durante sua jornada ele acaba sendo feito prisioneiro por uma comunidade liderada por Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), um homem conhecido por sua violência e pulso de ferro para com os seus prisioneiros de guerra, que usa como meras bolsas de sangue para seus guerreiros feridos. Tentando escapar de suas garras a jovem combatente Furiosa (Charlize Theron) resolve fugir para o deserto usando uma de suas máquinas de guerra. Com ela segue um grupo de jovens que se transformaram com os anos em verdadeiras escravas sexuais de Joe. Para Max essa pode ser a chance de finalmente recuperar sua liberdade perdida, mesmo que antes disso ele precise sobreviver a uma caçada mortal pelas areias do deserto.

Comentários:
É incrível que mesmo após tantos anos o diretor George Miller tenha sido tão inovador em uma franquia que ele mesmo criou, lá nos distantes anos 1970. Miller poderia ter optado por realizar um reboot preguiçoso, sem maiores inovações, até mesmo porque ele com a trilogia "Mad Max" original já entrou definitivamente na história do cinema. Seu grande mérito foi não ter se acomodado nas glórias passadas, procurando reinventar a todo momento sua maior criação. Esse novo filme é um primor de inovação. O diretor optou por uma linguagem bem mais moderna, histérica, insana e sem controle. Não há momentos para pausas ou descansos na mente do espectador. "Mad Max - Fury Road" é pura pauleira, da primeira à última cena. É literalmente um veículo sem freios cruzando o deserto sem fim. O enredo é simples, como convém a esse tipo de filme de ação, mas isso em nenhum momento surge como um defeito, pelo contrário, em torno de sua história nitidamente simplória Miller acelera e explode a tela com sensacionais cenas de puro impacto narrativo. Optando por um fotografia saturada e excessiva, o diretor acabou criando um mundo pós-apocalíptico como poucas vezes se viu. A questão é que esse tipo de estilo cinematográfico foi praticamente todo criado por Mad Max e após tantos anos de imitações baratas o produto que deu origem a tudo poderia soar banal e repetitivo. Para evitar esse tipo de armadilha Miller procurou inovar e nesse processo acabou sendo realmente brilhante. Ouso até escrever que esse filme só não é superado pelo original de 1978 e isso por causa de sua importância histórica. Em termos de fluidez e ritmo nenhum outro filme da série se assemelha a nada do que se vê por aqui. Miller transformou acidentes espetaculares em pura obra de arte visual, totalmente alucinada, mas mesmo assim de uma beleza incrível! O elenco também se destaca, a começar por Charlize Theron. Para interpretar a guerreira Furiosa ele teve que ter parte de seu braço apagado digitalmente. Um trabalho visual simplesmente perfeito. Tom Hardy como o novo Max tampouco decepciona. Suas cenas iniciais mostram bem a luta pela sobrevivência nesse mundo em ruínas. O ator, que teve inúmeros problemas relacionados a abuso de drogas no passado, confessou depois em entrevistas que acabou se identificando com o estilo alucinante do filme. É bem por aí mesmo, o novo "Mad Max" chega a ser lisérgico! Caótico é pouco para definir. O resultado de tantas peças chaves bem colocadas no tabuleiro da produção se traduziu em um belo sucesso de público e crítica, a tal ponto que o estúdio já anunciou sua continuação, "Mad Max - The Wasteland" com a mesma equipe técnica e elenco. Se Mad Max continuar tão bom como nesse "Fury Road" novas sequências serão mais do que bem-vindas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Moço de Filadélfia

Título no Brasil: O Moço de Filadélfia
Título Original: The Young Philadelphians
Ano de Produção: 1959
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Vincent Sherman
Roteiro: James Gunn
Elenco: Paul Newman, Robert Vaughn, Barbara Rush, Alexis Smith
  
Sinopse:
Baseado no romance de Richard Powell, o filme "The Young Philadelphians" conta a história de Anthony Judson Lawrence (Paul Newman), um jovem estudante de direito que sonha em se tornar um dia um grande advogado. Seu pai falecido pertencia a uma das famílias mais ricas da Filadélfia, mas sua mãe o criou como um rapaz humilde, trabalhador, que precisa ganhar a vida também em empregos mais modestos, como na construção civil. Ao se apaixonar por Joan Dickinson (Barbara Rush), filha de um bem sucedido advogado da cidade, Tony começa a construir uma nova vida até que o destino novamente muda praticamente tudo da noite para o dia. Filme indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator Coadjuvante (Robert Vaughn). Também indicado ao prêmio máximo da Academia nas categorias de Melhor Fotografia em preto e branco e Melhor Figurino.

Comentários:
Um bom romance dramático que nem é tão lembrado nos dias atuais. Uma pena já que é de fato um filme bem acima da média. Embora haja muitos personagens interessantes desfilando na tela o foco se concentra mesmo na história do jovem Tony Lawrence (Newman). Ele foi fruto de um casamento problemático. Sua mãe era uma jovem comum, de classe mais humilde, que acabou se apaixonando por seu pai, o único herdeiro da grande fortuna de sua família, uma das mais ricas da Filadélfia. Quando ele se casa sofre um verdadeiro colapso emocional, o que o leva a abreviar sua vida de forma trágica (o roteiro não deixa essa aspecto completamente claro, mas fica subentendido que seu pai seria na realidade um homossexual enrustido que foi forçado a se casar para manter as aparências perante a sociedade). Após a morte prematura do pai o garoto Tony passa a ser criado apenas por sua mãe que arranja inúmeros empregos para lhe sustentar. Os anos passam, Tony se torna um rapaz bonito e inteligente e consegue entrar na faculdade de direito, um velho sonho. Uma vez lá ele finalmente começa a ver as portas se abrindo para seu futuro. Quando conhece a bela Joan (Bush) tudo se completa. Ele está começando sua vida profissional, está apaixonado e seguro que terá um lindo futuro pela frente. O problema é que Joan acaba sucumbindo às pressões de seu pai, um advogado rico e bem sucedido, e resolve largar o honesto, porém pobretão Tony, para se casar com um outro sujeito, cheio de posses e também proveniente de uma rica família como a dela. Ela não o ama, mas mesmo assim sobe ao altar para agradar seus familiares. Embora fique arrasado com esse casamento, Tony decide seguir em frente, subindo cada vez mais na profissão de advogado. Sua prova de fogo na profissão finalmente vem quando seu grande amigo Chester A. Gwynn (Robert Vaughn) é acusado de ter cometido um homicídio. O crime parece envolver figurões da cidade e por essa razão Tony começa a sofrer todos os tipos de pressão. Mesmo assim, dono de uma integridade fora do comum, ele resolve seguir em frente para provar a inocência do amigo, tentando o livrar de uma condenação certa de pena de morte. Embora possa parecer que seja um drama de tribunal apenas, "The Young Philadelphians" é bem mais do que isso pois procura desenvolver muito bem os sonhos, anseios e lutas de seu protagonista. Assim o destaque não vai apenas para o lado jurídico de sua trama, mas também para o aspecto emocional de seu conturbado relacionamento com a mulher que ama. Tudo embalado por ótimos atuações, em especial Robert Vaughn que interpreta um rapaz bem nascido que acaba vendo sua vida ser destruída após perder um braço na guerra da Coreia e ser acusado de ser um assassino frio e calculista. Sua atuação é realmente digna de todos os aplausos pois ele se entregou completamente ao seu personagem angustiado e sem rumo na vida. Um trabalho que só vem para coroar ainda mais esse belo filme assinado pelo diretor Vincent Sherman. Uma produção particularmente indicada para jovens aspirantes à bela profissão de advogado e também para todas as  pessoas românticas que acreditam que o verdadeiro amor consegue sobreviver a tudo. Vale realmente a pena conhecer mais esse momento da rica carreira do mito imortal Paul Newman.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 16 de agosto de 2015

Salmos

Feliz quem segue o bom caminho
Feliz quem não segue o conselho dos maus, não anda pelo caminho dos pecadores nem toma parte nas reuniões dos zombadores, mas na lei do Senhor encontra sua alegria e nela medita dia e noite. Ele será como uma árvore plantada à beira de um riacho, que dá fruto no devido tempo; suas folhas nunca murcham; e em tudo quanto faz sempre tem êxito.

Os maus, porém, não são assim; são como a palha carregada pelo vento. Por isso não poderão enfrentar o julgamento e os pecadores não têm vez na reunião dos justos. Pois o Senhor protege a caminhada dos justos, mas o caminho dos maus leva à desgraça. Servi ao Senhor com reverência

Por que as nações se revoltam, e os povos conspiram em vão? Os reis da terra se insurgem e os poderosos fazem aliança contra o Senhor e contra seu Ungido: “Vamos quebrar suas correntes e libertar-nos da sua opressão!” Aquele que está nos céus se ri deles, zomba deles o Senhor. Então, cheio de ira, vai dizer-lhes, apavorando-os com seu furor: “Já o estabeleci como meu rei sobre Sião, meu santo monte!”

Vou proclamar o decreto do Senhor: Ele me disse: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei! Pede-me e te darei como herança as nações, e como tua posse os confins da terra. Tu as governarás com cetro de ferro, tu as quebrarás como a potes de barro”. Agora, pois, tomai cuidado, ó reis, aceitai este aviso, governantes da terra: Servi ao Senhor com reverência e prestai-lhe homenagem com tremor, para que não se irrite e pereçais pelo caminho, pois sua ira se inflama de repente. Felizes os que nele se abrigam!

O Senhor me sustenta
Ó Senhor, como são numerosos meus adversários! São muitos os que se erguem contra mim; muitos dizem a meu respeito: “Deus não lhe dará a salvação!” Mas tu, ó Senhor, és minha defesa, és a minha glória, tu que ergues a minha cabeça. Quando com minha voz eu invoquei o Senhor, ele me respondeu do seu santo monte. Eis que me deito e durmo, e me acordo, pois o Senhor me sustenta. Não tenho medo da multidão de gente que se lança contra mim de todo lado. Levanta-te, Senhor, salva-me, ó Deus. Fere na face a todos os meus inimigos; quebra os dentes dos ímpios. Do Senhor é a salvação. Sobre o seu povo desça a sua bênção.

O Senhor me dá segurança
Quando te invoco, responde-me, ó meu Deus justiceiro; na angústia liberta-me; tem piedade de mim e ouve minha oração. Ó raça humana, até quando ofendereis minha glória, amareis a vaidade, buscareis a mentira? Sabei que o Senhor fez maravilhas em favor de seu amigo; o Senhor escuta quando lhe dirijo meu apelo. Tremei e não pequeis; refleti no silêncio do vosso leito. Oferecei sacrifícios legítimos e tende confiança no Senhor. Muitos dizem: “Quem nos fará provar o bem?” Levanta sobre nós, Senhor, a luz da tua face. Deste mais alegria ao meu coração do que àqueles que têm muito trigo e vinho. Em paz, logo que me deito, adormeço, pois só tu, Senhor, me fazes descansar com segurança.

O Senhor abençoa o justo
Escuta, Senhor, as minhas palavras, atende a meu clamor; fica atento à voz da minha prece, meu Rei e meu Deus. Pois a ti suplico, Senhor, já de manhã ouves a minha voz, bem cedo te invoco e fico esperando. Pois não és um Deus que gosta da maldade; o mau não encontra em ti acolhida; os insolentes não agüentam ficar na tua presença. Odeias todos os que fazem o mal, destróis os que falam mentira. O Senhor abomina quem derrama sangue ou comete fraude.

Eu, porém, confiado na tua grande piedade entro em tua casa, me prostro diante do teu santo templo no teu temor. Senhor, guia-me na tua justiça, por causa dos meus inimigos aplana à minha frente teu caminho. Pois não existe na boca deles sinceridade, seu coração é perverso, sua garganta é um sepulcro aberto, usam a língua para adular. Castiga-os, ó Deus! que fracassem seus planos, em razão de seus muitos crimes rejeita-os, já que se revoltam contra ti. Mas que se alegrem todos os que em ti se refugiam, exultem para sempre; Tu os proteges e em ti se rejubilem os que amam o teu nome. Pois abençoas o justo, ó Senhor; como um escudo o cobre tua bondade.

Senhor, livra-me do mal
Senhor, não me repreendas em tua ira, nem me castigues em tua indignação.Tem piedade de mim, Senhor, pois perdi as forças; cura-me, Senhor, pois meus ossos estão abalados e minha alma está aflita ao extremo. Mas tu, Senhor, até quando? Volta, Senhor, livra a minha alma, salva-me em tua piedade. Pois na morte ninguém se lembra de ti, quem te louvará na mansão dos mortos? Meu gemido me faz desfalecer, inundo de pranto meu catre toda noite e banho de lágrimas meu leito. A tristeza perturba meus olhos, já envelheço entre tantos inimigos. Afastai-vos de mim, todos vós malfeitores, pois o Senhor ouviu a voz do meu pranto. O Senhor ouviu a minha súplica, o Senhor acolheu minha oração. Fiquem confusos e conturbados todos os meus inimigos, voltem para trás, num instante se retirem

sábado, 15 de agosto de 2015

Elvis Presley - My Way

Estamos na Elvis Week mais uma vez. Então nada mais oportuno do que lembrar alguns momentos imortais de Elvis Presley. A primeira vez que ouvi "My Way" eu ainda era muito jovem, acredito que não tinha nem 15 anos de idade. Sinceramente falando, uma música como essa definitivamente não foi composta para alguém tão jovem. Na época eu ainda estava descobrindo aos poucos a grande riqueza que se poderia encontrar na história da música. É curioso, sempre gostei do som da minha geração, dos artistas e grupos que faziam sucesso na minha juventude, mas ao mesmo tempo comecei a me interessar bastante também pelos grandes ídolos do passado. Nesse retorno a um tempo não vivido acabei descobrindo artistas como Beatles e, é claro, Elvis Presley. "My Way" me veio pela primeira vez na voz de Elvis. Eu comprei o álbum duplo "Aloha From Hawaii" e a canção abria um dos lados do disco. Era uma faixa grandiosa, com rico arranjo (nessa fase de sua carreira Elvis se apresentava com uma orquestra completa como apoio) e me recordo bem que a intensidade de sua interpretação me deixou realmente admirado e impressionado.

É interessante que descobri Elvis de maneira cronológica, ou seja, primeiro curti seus discos de rock dos anos 50, depois fui comprando suas trilhas sonoras pop dos anos 60 e só depois, numa fase mais adiantada, foi que fui finalmente adentrando os anos 70 em sua carreira. Antes do Aloha eu já havia comprado "That´s The Way It Is", meu primeiro disco da fase madura de Elvis. Como eu era bem jovem ainda, confesso que curtia mais a fase roqueira do cantor. O Elvis que me fazia a cabeça era o de sua fase "James Dean de guitarras". Cabelos cheios de brilhantina, topete fantástico e todo aquele visual que marcou toda uma geração da história da música popular mundial. O Elvis trágico, machucado, muito profundo interiormente, que cantava sobre relacionamentos adultos, só vim a descobrir mais tarde. "My Way" também me impressionou pela força de sua letra. Ali estava um homem com muitos anos de vida, fazendo uma verdadeira revisão de seu passado. Era uma mensagem que certamente um adolescente não entenderia completamente, mas hoje, bem mais velho, entendo perfeitamente o que seu autor quis passar. Só com as experiências da vida podemos compreender completamente o que essa letra tenta transmitir.

Outro fato curioso sobre "My Way" em minha vida é que só muito tempo depois, quando comecei mesmo a estudar a história da música, lendo livros e revistas sobre o assunto, é que pude constatar que Elvis não era o primeiro a transformar a bela canção em um momento imortal. Frank Sinatra já havia feito isso antes (inclusive nos EUA ela era bem mais associada a Sinatra do que a Elvis) e indo mais além, a versão original havia se tornado um verdadeiro hino na Europa, na voz de Claude François. Paul Anka escreveu a primeira versão em língua inglesa e Sinatra ganhou um de seus maiores hits. Aliás para quem gosta realmente de música um dos maiores prazeres sobre esse assunto é realmente ler e conhecer sua rica história. Como ela foi composta, os músicos que participaram de sua sessão de gravação original, os produtores envolvidos, os primeiros selos onde foi lançada (algo que atualmente se perdeu já que a música em si não precisa mais de um meio físico para chegar até você).

Eu não sou da época de Elvis ou Sinatra, mas isso pouco importou. Na verdade o importante é ter bom gosto e ao longo da vida procurar desenvolver uma cultura musical, ouvindo de tudo, sem preconceito ou ideias pré concebidas sobre nada. O próprio Elvis era assim, uma das suas frases mais interessantes é aquela que diz que a música não tem cor e nem classificação. Ele estava certo. Se não tivesse pensado assim desde o começo da minha vida teria perdido alguns dos melhores discos que ouvi em minha existência. Gosto também muito de uma frase de John Lennon que dizia "Eu sou uma velha orquestra de Rock ´n´ Roll". Nem preciso dizer que me identifiquei totalmente com essa auto definição. Eu também sou uma velha capa de LP toda surrada. Tem coisa melhor do que isso? Absolutamente não!

Mas voltemos ao clássico. Existem canções que só crescem com o passar do tempo. Embora a tenha conhecida em minha adolescência, ainda muito jovem, "My Way" foi ganhando cada vez mais significado. Os anos passaram e "My Way" foi se tornando cada vez mais relevante. A mais pura verdade é que todos um dia irão se identificar com ela. O passar dos anos deixa sempre essa sensação de nostalgia e reflexão, além de todo um repertório de perguntas sobre as escolhas que fizemos, os caminhos que resolvemos percorrer e as vitórias, arrependimentos e conquistas que vivenciamos. No fundo é a história de nossas vidas, transformada de forma genial em uma das mais belas baladas que já tive o prazer de ouvir. E o Elvis, bem o velho Elvis sempre será imortal, não por causa do sensacionalismo e nem das excentricidades que rodeiam sua vida, mas sim pela emoção e sinceridade que conseguia colocar em cada nota musical. Nesse ponto ele foi realmente único. Ouvir "My Way" com Elvis sempre será um prazer renovado, tal como naquele distante passado quando o ouvi pela primeira vez em vinil. Certas coisas não mudam, não importando o tempo e nem o espaço.

Pablo Aluísio.