quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Feriado Sangrento

Título no Brasil: Feriado Sangrento
Título Original: Thanksgiving
Ano de Lançamento: 2023
País: Estados Unidos
Estúdio: TriStar Pictures
Direção: Eli Roth
Roteiro: Eli Roth, Jeff Rendell
Elenco: Patrick Dempsey, Gina Gershon, Lynne Griffin, Karen Cliche, Rick Hoffman, Nell Verlaque

Sinopse:
No dia de Ação de Graças, uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos passa a ser palco de um assassino em série. Usando uma máscara e roupas de peregrino dos tempos da colonização dos Estados Unidos, ele passa a fazer vítimas, matando uma a uma delas com requintes de crueldade extrema. 

Comentários:
Outro filme de terror fraco. O roteiro é sem originalidade, sem criatividade. Apenas se propõe a requentar velhas fórmulas de franquias de sucesso do passado. As referências mais óbvias podem ser encontradas em "Halloween" e "Pânico". O curioso é que essas franquias lutam para sobreviver comercialmente, pois estão mais do que saturadas. Qual seria então o sentido de simplesmente copia-las? De "Halloween" vem a ideia de usar uma data de festas para mostrar um assassino à solta, matando a esmo. Não funciona porque esse feriado de dia de ação de graças é um dos mais bregas do calendário de feriados dos ianques. De "Pânico" vem a ideia de esconder a identidade do assassino, que usa máscara, e que provavelmente faz parte do grupo em que as vítimas estão sendo escolhidas. A máscara e o figurino do assassino são ridículas e não colocam medo em ninguém. Enfim, não gostei nada. A produção é boa, pois o filme foi produzido por uma companhia cinematográfica de ponta. Agora de nada disso adianta se o roteiro é fraco e sem originalidade. Eli Roth deveria tomar vergonha na cara! 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Elvis Presley - Let's Be Friends - Parte 3

Elvis Presley - Let's Be Friends - Parte 3
O velho vinil segue sendo tocado pela surrada agulha da vitrola... Esse é um disco incrivelmente curto, com apenas nove faixas. Mesmo para discos promocionais do selo RCA Camden era um número abaixo da média em termos de LPs de Elvis Presley. O comum era ter dez faixas, isso em uma época em que suas trilhas sonoras vinham com 12 faixas, chegando até mesmo a 14 em alguns casos. Só que aqui, para um álbum composto para sair baratinho nas lojas, a RCA cortou mesmo sem dó e nem piedade. A edição era mais do que enxuta! 

Pois bem, como falamos em trilhas sonoras, a próxima música vinha justamente de um filme. "Change of Habit" foi a canção tema do filme "Ele e as três noviças". Esse foi o último filme de Elvis ao velho estilo, com roteiro, elenco, direção e argumento mais tradicional. Apesar disso o filme tinha também novidades interessantes, fugindo daquelas estorinhas mais bobas que rechearam muitas das produções com Elvis em Hollywood. Com direção musical do maestro Billy Goldenberg, Elvis começou as sessões de sua última trilha sonora. "Change of Habit" tem um belo arranjo, com um guitarra bem presente. 

A melodia tem uma cadência própria, bem de acordo com o som da época. Não é tola e nem tem uma letra óbvia demais. De maneira em geral gosto bastante dessa gravação. Elvis já estava com aquele estilo vocal que iria se destacar em suas gravação no American Studios em Memphis. Uma voz mais encorpada, forte! Isso contribuiu bastante para o bom resultado. Outro ponto digno de citação foi o belo trabalho do baixista Lyle Ritz em raro solo dentro da discografia de Elvis. Um bom momento, sem dúvida.

"Have a Happy" é outro bom momento do disco e foi gravado também para a trilha sonora de "Change of Habit". No entanto essa faixa era bem mais convencional. Nesse dia, o último de gravação, algumas mudanças foram feitas na equipe musical que acompanhava Elvis. O guitarrista Robert Bain assumiu o baixo e Max Bennett chegou para ajudar nas sessões. Essa segunda canção de "Ele e as três noviças" que foi selecionada para esse álbum "Let's Be Friends" pode ser considerada uma das mais pueris desse disco. Ao contrário da anterior não tenta inovar muito e nem absorver as mudanças da sonoridade da época. É de certa maneira uma herderia tardia das antigas trilhas de Elvis. Um último adeus a aquele tradicional estilo de Hollywood dos velhos tempos.

Pablo Aluísio. 

The Beatles - With The Beatles - Parte 1

The Beatles - With The Beatles - Parte 1
A primeira composição de George Harrison a entrar em um álbum dos Beatles foi justamente essa gravação de "Don't Bother Me" que ouvimos nesse disco. Claro que com os anos George iria melhorar muito em termos de melodia e letra, mas aqui já demonstra bons sinais de seu talento. Não é uma grande canção, diria que é até mesmo uma criação básica, mas que serviu para quebrar o gelo. Além disso trazia em sua letra aspectos da própria personalidade do "Beatle quieto", afinal uma música que tinha uma mensagem de "Não me perturbe" não poderia ser mais característica do Beatle. Enquanto Paul sempre trazia o lado mais romântico e otimista e John surgia com o rock mais ácido e pessimista, George fazia contrabalanço aos dois, tentando aparecer e se esconder ao mesmo tempo no meio dos dois gênios.

"All My Loving" provavelmente seja uma das canções mais populares desse álbum. Embora muitos a associem a Paul exclusivamente, essa foi uma criação a quatro mãos, com Paul e John trocando ideias face a face. Claro que a letra foi criada quase que exclusivamente por McCartney, baseada em seu relacionamento com a atriz Jane Asher, porém John apareceu dando importantes dicas no desenvolvimento da melodia em si. Para John a canção tal como fora apresentada pela primeira vez por Paul nos estúdios Abbey Road ainda não tinha o pique necessário. 

Foi John então que a acelerou um pouco, trazendo mais vida para a música. Ficou excelente após a colaboração de Lennon. George Martin decretou após ouvir o primeiro ensaio: "É isso, está perfeita, vamos gravar!". Voltando para a letra seria interessante dar uma olhada em seus versos: "Feche os olhos e eu te beijarei / Amanhã sentirei sua falta / Lembre-se que sempre serei verdadeiro / E quando eu estiver longe / Vou te escrever todo dia / E mandar todo meu amor pra você / Vou fingir que estou beijando / Os lábios dos quais sinto falta / E torcer para meus sonhos virarem realidade".

Eu poderia classificar esse tipo de sentimento presente na letra como um amor adolescente, algo que poderia ter sido escrito por um colegial apaixonado pela garota da escola. Não estou escrevendo isso para desmerecer Paul como letrista, mas sim para salientar como é também arriscado escrever canções de amor para o público jovem. Paul, como bem demonstrou o sucesso da balada, acabou acertando em cheio. Até porque o público dos Beatles por essa época era formado basicamente por jovens histéricas que gritavam pelos membros do grupo nos shows. Foi justamente para essas fãs que Paul escreveu essas palavras. Nada mais complicado do que captar o sentimento dessas garotas em versos e melodia.

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Zorro e os 3 Mosqueteiros

Título no Brasil: Zorro e os 3 Mosqueteiros
Título Original: Zorro e i tre moschettieri
Ano de Produção: 1963
País: Itália
Estúdio: Alta Vista, Jonia Film
Direção: Luigi Capuano
Roteiro: Roberto Gianviti, Italo De Tuddo
Elenco: Gordon Scott, José Greci, Giacomo Rossi-Stuart

Sinopse:
Os três Mosqueteiros vão parar na Califórnia do século 19 após um naufrágio. Lá eles começam a conhecer a tirania de um governo provinciano e corrupto mas acabam aceitando a oferta de trabalho de um político influente. Agora terão que caçar e aprisionar o misterioso Zorro, um justiceiro negro que luta contra as injustiças.

Comentários:
A imaginação não tem limites, que o diga os produtores italianos que resolveram unir o Zorro e os Três Mosqueteiros em um só filme! Claro que tudo não passava de um oportunismo comercial fora dos limites. Para começo de conversa o personagem Zorro tinha suas estórias passadas em outro tempo histórico, em outro país, bem diferente do século e da França da monarquia da dinastia Louis em que se desenvolvem as aventuras dos três mosqueteiros. Isso porém não parece ter sido problema para os roteiristas que fizeram uma salada dos diabos para unir todo mundo em um só enredo. No fundo o que todos queriam ver mesmo era quem era melhor na esgrima, o Zorro ou os mosqueteiros? Pensou que esse tipo de coisa era moderna, ao estilo "Aliens vs Predador"? Pois é, não é não, é algo bem antigo. E para completar a mistureba adivinha quem interpreta o Zorro? Sim, Gordon Scott, que ficaria conhecido mais como outro personagem famoso, o Tarzan, numa série de filmes americanos dos anos 1950 e 60. Ele até poderia ser forte mas não levava o menor jeito com a espada. Enfim, uma deliciosa bobagem pop italiana que hoje se destaca mais pela curiosidade do que por seus (poucos) méritos meramente cinematográficos.

Pablo Aluísio.

Emboscada para Billy the Kid

Título no Brasil: Emboscada para Billy the Kid
Título Original: Billy the Kid Trapped
Ano de Produção: 1942
País: Estados Unidos
Estúdio: Producers Releasing Corporation (PRC)
Direção: Sam Newfield
Roteiro: Joseph O'Donnell
Elenco: Buster Crabbe, Al St. John, Malcolm 'Bud' McTaggart

Sinopse:
Billy the Kid (Buster Crabbe) consegue escapar do enforcamento e vai parar na pequena cidade de Mesa City nos confins do velho oeste. Lá acaba entrando, sem desejar, em um jogo de vida ou morte com um perigoso bandoleiro, Jim Stantom, que lidera um grupo de criminosos que age na região, assassinando e roubando diligências. Quem poderá parar a sede de crimes daqueles bandidos?

Comentários:
Mais um filme sobre Billy The Kid. Mais uma vez vale a observação de que não adianta procurar pelo verdadeiro Billy The Kid nesse tipo de produção. Na realidade se formos parar para analisar existem dois Kids, o da história e o das publicações e revistinhas baratas que foram publicadas na época onde essencialmente apenas seu nome foi preservado. E é justamente nesse tipo de publicação que o filme se baseia. De repente Billy já não era mais o pistoleiro cruel e sanguinário mas sim um mocinho que cortejava a garota mais bonita da cidade e tinha anseios de galanteio. Buster Crabbe estrela o filme interpretando Billy The Kid. Ele foi um dos vários galãs jovens que Hollywood tentou promover e transformar em astro. O agente especialista em encontrar esse tipo de ator era o famoso (ou seria infame?) Henry Wilson. Ele era um homossexual conhecido em Hollywood que todos os anos surgia com cinco ou dez novos aspirantes ao estrelato, geralmente garotões bonitos que ele recrutava pelos High Schools da cidade. Buster Crabbe nunca virou um astro mas pelo menos teve uma carreira longa e produtiva com mais de 100 filmes ao longo de mais de cinco décadas de trabalho. Enfim, "Billy the Kid Trapped" é outra opção de filme muito longe da realidade histórica mas muito perto de uma boa diversão descompromissada.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Tarzan - O Filho das Selvas

Título no Brasil: Tarzan - O Filho das Selvas
Título Original: Tarzan the Ape Man
Ano de Produção: 1932
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: W.S. Van Dyke
Roteiro: Cyril Hume,
Elenco: Johnny Weissmuller, Maureen O'Sullivan, C. Aubrey Smith, Neil Hamilton, Ivory Williams, John Smith

Sinopse:
James Parker e Harry Holt estão em uma expedição na África em busca dos cemitérios de elefantes que fornecerão marfim o suficiente para torná-los ricos. A bela filha jovem de Parker, Jane, chega inesperadamente para se juntar a eles. Harry é, obviamente, atraído por Jane e ele faz o seu melhor para ajudar a protegê-la de todos os perigos que eles enfrentam na selva. A floresta porém se revelará mais surpreendente do que eles pensavam. Do meio do ambiente selvagem surge Tarzan, um homem branco que se comporta como uma criatura das selvas. Jane logo fica intrigada com essa situação e começa a se aproximar do homem das selvas para juntos enfrentarem os perigos das matas onde Tarzan vive.

Comentários:
O roteiro desse clássico foi baseado na obra do escritor Edgar Rice Burroughs. E assim esse filme acabou definindo para sempre nas telas de cinema o famoso personagem Tarzan. Embora tenha nascido no mundo da literatura, desde o começo o homem das selvas parecia perfeito para o cinema. Sua estória tinha todos os elementos que fariam de sua adaptação uma grande aventura cinematográfica. A MGM também foi muito feliz na escolha de Johnny Weissmuller para o papel principal. Atleta olímpico, grandão e com jeito rústico, o nadador que não tinha muita experiência como ator, acabou se revelando perfeito para ser o mais popular Tarzan do cinema de todos os tempos. 

Some-se a isso as pequenas inovações que jamais seriam deixadas de lado em futuras aventuras do personagem no cinema, como o famoso grito - na verdade uma mistura muito bem realizada entre grito humano e sons de animais da floresta. Desnecessário dizer que o filme se tornou um grande campeão de bilheteria em seu lançamento. Outro ponto interessante é que diante dos rígidos padrões morais dos anos 1930 a pouca roupa dos protagonistas acabou se tornando um problema, principalmente em relação à atriz Maureen O'Sullivan como Jane. Bobagens que o tempo faria questão de varrer para debaixo do tapete. Mais de oitenta anos depois de seu lançamento o fato é que "Tarzan the Ape Man" ainda é, sem dúvida, uma das melhores aventuras de todos os tempos. E isso, senhoras e senhores, definitivamente não é pouca coisa!

Pablo Aluísio.

A Nova Viagem de Sinbad

Título no Brasil: A Nova Viagem de Sinbad
Título Original: The Golden Voyage of Sinbad
Ano de Produção: 1973
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Ameran Films
Direção: Gordon Hessler
Roteiro: Brian Clemens, Ray Harryhausen
Elenco: John Phillip Law, Caroline Munro, Tom Baker, Douglas Wilmer, Martin Shaw, Grégoire Aslan

Sinopse:
Sinbad e o vizir de Marabia, seguidos pelo mago maligno Koura, procuram as três tábuas de ouro que podem lhes dar acesso ao antigo templo do Oráculo que trará todo conhecimento aos que o encontrarem. Adaptação do clássico oriental "As Mil e Uma Noites" para o cinema.

Comentários:
Quem foi criança ou adolescente nos anos 70 e 80, certamente vai lembrar desse filme porque ele foi campeão em reprises na antiga Sessão da Tarde na Rede Globo. E como todos sabemos o que atraía a garotada nos filmes de Simbad era a galeria de criaturas criadas pelo genial mestre em efeitos visuais Ray Harryhausen. Aqui ele caprichou pois o filme traz diversos tipos de seres mitológicos, entre eles uma deusa indiana com seis braços e seis espadas, um centauro e até mesmo uma divindade de madeira, daquelas que eram colocadas nas frentes dos navios, que ganha vida e parte para a luta contra Simbad. Seres alados dos mais diversos tipos, misturas de leões e dragões, também estão no filme, mostrando bem o talento de seu criador. O roteiro tem muita magia e lutas de espadas. É tipicamente um filme da linha "espadas e feitiçaria", literatura de fantasia. O roteiro inclusive foi escrito também por Harryhausen. Como ele era o criador dos monstros mitológicos, obviamente ele determinava quando eles iriam surgir na tela. Enfim, um filme nostalgicamente saboroso que ficou ainda mais charmoso com o passar dos anos.

Pablo Aluísio.

domingo, 25 de fevereiro de 2024

Rita Moreno

Título no Brasil: Rita Moreno
Título Original: Rita Moreno
Ano de Lançamento: 2021
País: Estados Unidos
Estúdio: Act III Productions
Direção: Mariem Pérez Riera
Roteiro: Mariem Pérez Riera
Elenco: Rita Moreno, Marlon Brando, Marilyn Monroe, James Dean, Rock Hudson (astros do cinema clássico em imagens de arquivo). 

Sinopse:
O documentário "Rita Moreno: Apenas uma Garota que Decidiu ir em Frente" (Rita Moreno: Just a Girl Who Decided to Go for It) conta a história da atriz Rita Moreno. Ela foi uma das primeiras atrizes de origem latina a realmente ter um espaço de fama em uma Hollywood ainda preconceituosa e cheia de reservas contra estrangeiros em geral. O filme conta com as declarações da própria Rita Moreno sobre sua história. 

Comentários:
Para quem aprecia a Hollywood clássica esse filme é uma boa pedida. A Rita Moreno realmente teve um grande espaço dentro do cinema americano durante os anos 50 e 60. No começo ela amargou personagens secundários, étnicos, como ela mesmo explica. Depois, aos poucos, foi abrindo seu espaço. Uma das partes mais interessantes de seu sincero depoimento vem quando ela fala de seu conturbado romance com Marlon Brando. Não foi uma paixão qualquer. Ela realmente ficou obcecada pelo grande ator, tanto que tentou até mesmo se suicidar após ser dispensada por ele. No final vemos que seu ressentimento ainda existe, tanto que ela faz questão de sutilmente sugerir que Brando era um egocêntrico sem salvação. Enfim, gostei muito. Vale pela retrospectiva e pelo reconhecimento de seu trabalho no cinema na chamada era de ouro de Hollywood. 

Pablo Aluísio.

sábado, 24 de fevereiro de 2024

Amor Bandido

Título no Brasil: Amor Bandido
Título Original: Amor Bandido
Ano de Lançamento: 1978
País: Brasil 
Estúdio: Embrafilme
Direção: Bruno Barreto
Roteiro: José Louzeiro, Leopoldo Serran
Elenco: Paulo Gracindo, Cristina Aché, Paulo Guarnieri, José Dumont, Ligia Diniz, Flávio São Thiago

Sinopse:
Veterano policial do Rio de Janeiro, o inspetor Galvão (Paulo Gracindo), precisa resolver casos de assassinatos envolvendo taxistas nas noites da cidade. Ao mesmo tempo tenta de todas as maneiras reatar sua amizade com sua filha, cujo rompimento se deu muitos anos antes, deixando cicatrizes emocionais em todos eles. Trilha sonora composta de sucessos de Roberto Carlos. 

Comentários:
Bom filme brasileiro dos anos 1970. O ator Paulo Gracindo, grande nome do nosso cinema e da nossa televisão, interpreta esse velho policial que a despeito de tudo o que aconteceu no passado tenta uma reaproximação com sua filha, que havia expulsado de casa ainda na adolescência. A jovem agora trabalha como dançarina e prostituta em um cabaré de quinta categoria em Copacabana. As coisas só pioram quando ela se envolve com um marginalzinho, michê de homossexuais e travestis, além de assaltante de motoristas de táxi nas madrugadas. Eventualmente ele também mata alguns taxistas em seus crimes. Gostei da história e do roteiro. E o elenco também está muito bem. Paulo Gracindo é um desses nomes que fazem falta na cultura nacional nos dias de hoje. Eu sempre lembrarei dele como o corrupto prefeito Odorico de "O Bem Amado", mas ele foi muito além disso. Então deixo a dica desse bom filme para quem aprecia nosso cinema nacional. 

Pablo Aluísio.

As Sete Vampiras

Título no Brasil: As Sete Vampiras
Título Original: As Sete Vampiras
Ano de Lançamento: 1986
País: Brasil
Estúdio: Embrafilme
Direção: Ivan Cardoso
Roteiro: Ivan Cardoso, Rubens Francisco Luchetti
Elenco: Simone Carvalho, Lucélia Santos, Nuno Leal Maia, Léo Jaime, Ivon Cury, Neusinha Brizola, Wilson Grey

Sinopse:
Um botânico meio doido se revela incapaz de lidar com uma planta carnívora que transforma suas vítimas em vampiros. Então surgem um detetive desajeitado e sua secretária para solucionar as misteriosas mortes que acontecem em um show de uma boate, onde se toca rock de qualidade! 

Comentários:
O diretor Ivan Cardoso sempre foi muito criativo ao longo de sua carreira, mas infelizmente nem sempre contou com os meios adequados para colocar suas ideias nas telas de cinema. Esse foi um caso. Ele tentou fazer uma espécie de paródia com filmes de terror, criando um tal gênero que chamava de "terrir", terror para rir. Não deu certo. Visto hoje em dia o filme parece um trash movie muito do mal feito. De bom mesmo, temos apenas a trilha sonora com o melhor do rock nacional dos anos 80, em especial a música tema do filme composta por Léo Jaime e as belas curvas de atrizes brasileiras gostosas, em trajes sumários. A Simone Carvalho era um pitelzinho, como diriam os cafajestes da época. Beleza pura! Fora isso, realmente, você não vai encontrar nada de muito interessante nesse filme nacional que anda esquecido. 

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Boogeyman: Seu Medo é Real

Título no Brasil: Boogeyman: Seu Medo é Real
Título Original: The Boogeyman
Ano de Lançamento: 2023
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Studios
Direção: Rob Savage
Roteiro: Scott Beck, Bryan Woods
Elenco: Sophie Thatcher, Chris Messina, Vivien Lyra Blair, David Dastmalchian, Marin Ireland, Maddie Nichols

Sinopse:
Uma típica família norte-americana passa a ser atormentada por uma estranha criatura que se arrasta pelas sombras da noite. Conhecido pelo folclore local como Boogeyman, esse ser sobrenatural tem especial interesse em crianças indefesas e vulneráveis. E ele está pronto para assustar e levar todas que encontrar em seu caminho de morte e destruição. 

Comentários:
Outro filme do Boogeyman?! Pelo visto os roteiristas de filmes de terror no Estados Unidos andam com falta de novas ideias. Para quem não sabe essa figura do Boogeyman seria o equivalente em nossa cultura ao Bicho Papão! Pois é, você deve estar dando risadas agora, mas é isso aí mesmo. De qualquer forma eu não teria como apenas falar mal desse filme. Ele tem coisas até interessantes. A produção é boa, de um grande estúdio americano. A construção do suspense me soou até bem eficiente. A única coisa que achei absurda nesse roteiro foi o fato do Boogeyman ser atingido e ferido com tiros de espingarda! Isso realmente não faz o menor sentido pois esse ser sobrenatural não faz parte do nosso mundo, é um ser espiritual... como é que ele sentiria o impacto de balas em seu corpo se nem corpo físico ele tem? Pois é, faltou aos roteiristas lerem o manual explicando as características desse personagem. Erro básico, senhores...

Pablo Aluísio.

A Fúria do Drácula

Título no Brasil: A Fúria do Drácula
Título Original: Wrath of Dracula
Ano de Lançamento: 2023
País: Reino Unido
Estúdio: Creativ Studios
Direção: Steve Lawson
Roteiro: Steve Lawson
Elenco: Hannaj Bang Bendz, Mark Topping, Sean Cronin, Serene Fensom, Marta Svetek, Ayvianna Snow

Sinopse:
A jovem e bela Nina decide que vai atrás de seu namorado Jonathan Harker, que desapareceu após visitar o Conde Drácula na Transilvânia. Chegando lá, ela encontra o professor Van Helsing que lhe explica que o Conde recluso é na realidade um vampiro que está atrás de sangue humano de belas jovens como ela! 

Comentários:
Que filme ruim! Eu fico até pasmo que um filme tão mequetrefe tenha sido disponibilizado por uma plataforma de streaming até com prestígio. Isso me leva a crer que essas produções são feitas a toque de caixa apenas para constar como conteúdo na lista de filmes desses canais e serviços de streaming. Chamem o serviço de proteção ao consumidor! Aqui não se salva praticamente nada. Tudo é ruim! O roteiro só utiliza os nomes dos personagens do livro original. O resto é lixo! O ator que faz Drácula é uma figura de dar risadas involuntárias, de tão fraco e inadequado. Chamar de canastrão é pouco! O cenário, locações, é tudo feito com computação gráfica de fundo de quintal. Qualquer nerd com um PC faria facilmente aquilo tudo. A produção é classe Z, péssima! Enfim, fuja desse filme como o vampiro foge da cruz.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Priscilla

Título no Brasil: Priscilla
Título Original: Priscilla
Ano de Lançamento: 2023
País: Estados Unidos
Estúdio: American Zoetrope
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola
Elenco: Cailee Spaeny, Jacob Elordi, Tim Post, Dagmara Dominczyk, Ari Cohen, Dan Beirne

Sinopse:
Uma adolescente americana, vivendo na Alemanha, por ser filha de militar, acaba conhecendo o famoso cantor Elvis Presley. Após um primeiro contato ele pede que ela retorne em sua casa, dando origem a um caso amoroso que iria durar por muitos anos, mudando a vida deles de forma definitiva. Baseado no livro "Elvis e Eu" de Priscilla Presley. 

Comentários:
Eu não gostei desse filme. Penso que é um filme muito seco, frio, sem calor humano. Ora, essa é, queiram ou não, uma história de amor passada nos anos 50. Minha percepção é que as pessoas naqueles tempos eram bem mais românticas. Em especial Elvis, que era um cantor, cuja sensibilidade estava sempre à flor da pele. Mas não se vê isso no filme. O casal tem pouca química, não parecem verdadeiramente apaixonados. Para ser bem sincero, essa história, que já foi filmada antes, pareceu bem melhor naquela série de TV dos anos 80 que inclusive foi baseado no mesmo livro da Priscilla. Aqui a situação romântica simplesmente não flui, não passa para a tela. A frieza que a diretora Sofia Coppola passou para o filme, o estraga. Além disso é inegável também que as passagens históricas da carreira de Elvis vão se atropelando, se mostrando bem superficiais. No final de tudo, nem o fã de Elvis vai gostar, pela superficialidade, e nem os que gostam de filmes românticos vão apreciar, pela frieza. 

Pablo Aluísio.

Um Momento, Uma Vida

Título no Brasil: Um Momento, Uma Vida
Título Original: Bobby Deerfield
Ano de Lançamento: 1974
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Sydney Pollack
Roteiro: Erich Maria Remarque, Alvin Sargent
Elenco: Al Pacino, Marthe Keller, Anny Duperey

Sinopse:
Bobby Deerfield (Al Pacino), um famoso piloto americano de corridas, disputa prêmios no circuito europeu de velocidade e acaba se apaixona pela enigmática Lillian Morelli (Marthe Keller). Só que sua felicidade não vai durar muito pois infelizmente ela está com uma doença terminal.

Comentários: 
Um filme esquecido do Al Pacino, lançado logo após o grande sucesso de "Um Dia de Cão". No aspecto puramente esportivo não vá esperando por muita coisa. Embora o filme tenha captado o circo da Fórmula 1 da época, o que sempre é interessante para quem é fã desse esporte, esse aspecto não é o que importa no desenvolvimento da história. Esse é na verdade um drama romântico com pitadas de tragédia. Tudo é muito bonito, lindamente fotografado, com aquelas tomadas muito românticas de pôr do sol europeu, mas nada vai muito além disso. Al Pacino está bem e convence plenamente como um Romeu moderno, muito apaixonado pela mulher que ama, mas sabendo que esse, a longo prazo, será um romance simplesmente impossível de se consolidar. Então ele tenta viver o momento, da melhor forma que seja possível. Enfim, bom filme, merece ser recuperado do esquecimento onde se encontra atualmente. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Frank Sinatra - In the Wee Small Hours

Frank Sinatra - In the Wee Small Hours
Desde que havia assinado com a Capitol Records, Sinatra vinha com a intenção de investir cada vez mais em discos conceituais. Eram álbuns com uma temática em comum ligando todas as canções. Havia sido em parte assim com os dois primeiros discos do cantor nessa nova gravadora e seguiu ainda mais firme nesse sentido com esse terceiro disco no selo. O tema central aqui é a desilusão amorosa. Todas as letras de todas as faixas possuem esse elo em comum, falando de relacionamentos fracassados, amores dolorosos, solidão, depressão e amargura. Por essa razão é um disco bem melancólico, onde Sinatra no fundo estava falando de si mesmo. Ele havia se separado da esposa Nancy, tinha embargado em um relacionamento conturbado com Ava Gardner, que o traía constantemente, e tudo parecia desmoronar em sua vida amorosa. 

Eu sempre entendi perfeitamente a importância desse álbum na discografia de Sinatra. Sempre foi um dos mais conceituados e elogiados de sua discografia, mas ao mesmo tempo nunca consegui gostar. Acho que é necessário estar em uma certa vibe para curtir esse LP. E esse é o sentimento da dor de cotovelo, não tem como escapar desse aspecto. O ouvinte tem que estar sintonizado com o próprio estado de espírito do cantor na época para criar uma conexão com o sentimento geral que esse trabalho musical passa. Bom, esse tipo de coisa para baixo, caindo no choro por causa do fim de um relacionamento, nunca foi a minha praia. É o disco da fossa do Sinatra. Por isso nunca gostei mesmo. Prefiro outros discos do cantor, mas de qualquer forma fica a dica. É um disco importante na carreira de Sinatra. 

Frank Sinatra - In the Wee Small Hours (1955)
In the Wee Small Hours of the Morning
Mood Indigo
Glad to Be Unhappy
I Get Along Without You Very Well
Deep in a Dream
I See Your Face Before Me
Can't We Be Friends?
When Your Lover Has Gone
What Is This Thing Called Love?
Last Night When We Were Young
I'll Be Around
Ill Wind
1It Never Entered My Mind
Dancing on the Ceiling
I'll Never Be the Same
This Love of Mine

Pablo Aluísio. 

Dean Martin - Dream with Dean: The Intimate Dean Martin

Dean Martin - Dream with Dean: The Intimate Dean Martin
Dean Martin tinha uma voz maravilhosa. Aqui o cantor resolveu apostar em algo bem intimista. Ele gravou o álbum com apenas quatro  músicos ao seu lado, Ken Lane ao piano, Irv Cottler na bateria, Red Mitchell no baixo e Barney Kessel na guitarra (Kessel chegou a trabalhar com outros grandes nomes como Elvis Presley na década de 1960). Nada de orquestras e nada de arranjos mais sofisticados como era praxe em seus discos anteriores, já que Martin sempre seguiu os passos de Sinatra nesse aspecto. A ideia era mesmo mudar um pouco, produzindo algo bem intimista (o que fica bem claro na própria capa do álbum, com Martin ao lado da lareira com um cigarro em mãos, fazendo todo o charme possível, bem de acordo com sua imagem de Mr. Cool). Para produzir o disco na Capitol, Martin trouxe o produtor Jimmy Bowen, praticamente uma lenda do meio musical americano, tendo trabalhado com dezenas de cantores ao longo da carreira, entre eles o próprio Frank Sinatra, além de produzir grandes sucessos para Sammy Davis, Jr., Kenny Rogers, Hank Williams, Jr., The Oak Ridge Boys, Reba McEntire e George Strait. Era tão competente que Frank Sinatra o escalou para produzir os primeiros discos de sua filha, Nancy.

Esse álbum traz aquele que talvez seja o maior sucesso de toda a carreira de Dean Martin, a faixa "Everybody Loves Somebody". A história dessa canção é bem interessante pois quebrou a supremacia que os Beatles tinham nas paradas de sucesso da época. Foi uma das poucas canções americanas a tirarem do número 1 da Billboard gravações do grupo inglês que naquela época vivia a febre da Beatlemania. Reza a lenda que o próprio Dean Martin teria ligado para Elvis e dito em tom de piada que aquele era o jeito certo de enfrentar a invasão britânica nas rádios e paradas de sucesso. Tirando esses aspectos comerciais de lado, o que podemos dizer é que esse é certamente um disco maravilhoso, sob qualquer ângulo que se analise. A sonoridade em geral é de uma beleza ímpar, muito suave e delicada. O que sempre se sobressai é a excelente vocalização de Martin, com intervenções sutis da guitarra de Kessel, acompanhada da melodia do piano de Ken Lane, tudo intercalado por um baixo quase inaudível do talentoso Mitchell (que vinha do jazz). Nos Estados Unidos o álbum ganhou uma recente edição de luxo, simplesmente excepcional.

Dean Martin - Dream with Dean: The Intimate Dean Martin
1. I'm Confessin' (That I Love You) 
2. Fools Rush In 
3. I'll Buy That Dream 
4. If You Were The Only Girl 
5. Blue Moon 
6. Everybody Love Somebody 
7. I Don't Know Why (I Just Do) 
8. "Gimmie" A Little Kiss 
9. Hands Across The Table 
10. Smile 
11. My Melancholy Baby 
12. Baby Won't You Please Come Home.

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

A Verdadeira Glória

Título no Brasil: A Verdadeira Glória
Título Original: The Real Glory
Ano de Lançamento: 1939
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Henry Hathaway
Roteiro: Jo Swerling, Robert Presnell Sr
Elenco: Gary Cooper, David Niven, Andrea Leeds

Sinopse:
Uma aventura nas selvas das Filipinas após a Guerra Hispano-Americana. Cooper lidera um pequeno grupo de soldados americanos e pessoal médico que é enviado para uma região distante. Sua principal missão é treinar os moradores locais para lutarem contra os cruéis piratas que aterrorizam e atacam aquela região distante. 

Comentários:
Esse clássico filme é na realidade uma espécie de continuação de "Lanceiros da Índia", um dos grandes filmes da carreira de Gary Cooper. Muitos nem o consideram um faroeste de verdade pois a história se passa em grande parte nas Filipinas. Eu não penso dessa maneira. Os personagens são do velho oeste, muitos deles são membros da cavalaria dos Estados Unidos. A mudança de cenário não altera a essência dessa produção. Assim considero um legítimo western da era de ouro de Hollywood. Um pouco diferente, devo admitir, mas ainda assim um faroeste. No mais o espectador não vai se decepcionar com as cenas de ação e o bom roteiro. Sem dúvida um dos melhores filmes da filmografia de Cooper. 

Pablo Aluísio.

Resgate de Honra

Título no Brasil: Resgate de Honra
Título Original: Return of the Frontiersman
Ano de Produção: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Richard L. Bare
Roteiro: Edna Anhalt
Elenco: Gordon MacRae, Julie London, Rory Calhoun

Sinopse:
O xerife Sam Barrett (Jack Holt) é considerado um homem íntegro e honesto, a tal ponto que leva para a prisão seu próprio filho, Logan Barrett (Gordon MacRae), acusado de um assassinato na região. Sam está determinado a encarcerar o jovem até o dia de seu julgamento mas antes disso ele consegue escapar com a ajuda de seu amigo, Larrabee (Rory Calhoun), que é na verdade o verdadeiro assassino do crime pelo qual Logan está sendo injustamente acusado.

Comentários:
Western dos bons, produzido pelo sempre competente estúdio Warner Bros. Aqui o mais interessante é o roteiro que lida muito bem com a situação central, onde um dos personagens, o filho do xerife, é acusado de matar um cowboy nas redondezas, só que na verdade o real assassino é aquele que ele considera ser o seu melhor amigo. Um dos grandes trunfos também vem do papel interpretado por Rory Calhoun. Ela dá vida a Larrabee, o amigo. Durante praticamente todo o tempo o espectador fica numa grande dúvida se ele é de fato uma amizade sincera ou apenas um escroque sem escrúpulos. Embora não caiba aqui revelar o final devo antecipar que o achei muito bem bolado e até mesmo inesperado. Também contribui muito o fato de gostar bastante dos faroestes dirigidos por Richard Leland Bare que era muito eficaz nesse tipo de fita, basta lembrar dos também ótimos "Cheyenne" (1955) e um dos meus preferidos de sua safra, "No Rastro dos Bandoleiros" (1957). Ainda falaremos muito de sua obra por aqui, por enquanto fica a recomendação desse "Return of the Frontiersman" que merece fazer parte de sua coleção.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Brutalidade Mortal

Título no Brasil: Brutalidade Mortal
Título Original: Brute Force
Ano de Lançamento: 1947
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Jules Dassin
Roteiro: Richard Brooks, Robert Patterson
Elenco: Burt Lancaster, Hume Cronyn, Yvonne De Carlo, Charles Bickford, Ella Raines, Sam Levene

Sinopse:
Na superlotada Penitenciária de Westgate, onde a violência e o medo são normas e o diretor tem menos poder do que os guardas e os principais prisioneiros, a violência explode a todo momento. O condenado violento, durão e obstinado Joe Collins (Lancaster) quer revanche contra o chefe da guarda, Capitão Munsey, um pequeno ditador que se orgulha do poder absoluto. Depois de muitas infrações, Joe e seus companheiros de cela são colocados no temido cano de esgoto; provocando um esquema de fuga que tem todas as chances de se transformar em um banho de sangue.

Comentários:
Esse segundo filme da carreira do ator Burt Lancaster foi considerado muito visceral e brutal, fazendo jus ao seu título. A história se passa dentro de uma prisão onde os condenados vivem praticamente como bestas, como animais enjaulados. Para Lancaster o filme foi muito adequado. Jovem, atlético e musculoso, mas ainda não muito experiente como ator, ele conseguiu se sobressair nas cenas de lutas e pancadaria. Só com o tempo é que esse ex-trapezista de circo iria finalmente se desenvolver como bom intérprete de papéis dramáticos, afinal tudo tem seu tempo e momento de acontecer. De uma forma ou outra uma coisa não se pode negar, até hoje impressiona pela força de suas imagens. E pensar que um filme com uma história tão atroz assim foi lançado nos anos 1940. Pois é, o cinema americano já estava em seu auge por essa época. Obs: Esse filme também é conhecido no Brasil apenas como "Brutalidade", pois foi exibido com esse nome em algumas reprises na madrugadas televisivas dos canais abertos nacionais. 

Pablo Aluísio.

Contrabando no Cairo

Título no Brasil: Contrabando no Cairo
Título Original: Tip on a Dead Jockey
Ano de Lançamento: 1957
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Richard Thorpe
Roteiro: Charles Lederer, Irwin Shaw
Elenco: Robert Taylor, Dorothy Malone, Gia Scala

Sinopse:
Durante a década de 1950, em Madrid, um piloto veterano americano com problemas de vício e dívidas de apostas em corridas de cavalos é forçado por criminosos europeus a aceitar um perigoso trabalho de contrabando bem remunerado. Ele precisa levar uma carga para o Cairo, no Egito e não ser pego pelos policiais de fronteira. 

Comentários:
Dando um tempo em seus filmes de dramas românticos, o Robert Taylor fez esse filme que tinha um pouco mais de dose de adrenalina, quase um filme de ação, com a história girando em torno de contrabando através de antigos aviões bimotores de cargas. Só que como ele era um dos galãs mais famosos e populares daquela época não houve como ignorar isso. Então o roteiro também abriu espaço para mais uma daquelas novelizações exageradas, o que de certa maneira destoava do restante do filme. Se tivessem se concentrado apenas na tensão das cenas de contrabando pela aviação clandestina o filme teria sido melhor, tenho certeza disso. De qualquer forma o filme é bom. E a beleza da Dorothy Malone faz tudo parecer melhor do que realmente era. Essa atriz foi uma beldade e tanto dos anos 50. 

Pablo Aluísio.

domingo, 18 de fevereiro de 2024

Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente

Título no Brasil: Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente 
Título Original: Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente 
Ano de Lançamento: 2021
País: Brasil
Estúdio: Canal Brasil 
Direção: Cesar Cabral
Roteiro: Cesar Cabral, Leandro Maciel
Elenco: Angeli, Paulo Miklos, André Abujamra

Sinopse:
O desenhista Angeli sofre com a meia idade. Pior do que isso, ele agora vai ter que enfrentar seus próprios personagens, entre eles o punk veterano Bob Cuspe que foge de seu mundo pós-apocalíptico, para acertar as contas com seu criador, que no fundo não passa de seu próprio alter ego. 

Comentários:
O talentoso cartunista Angeli encerrou recentemente sua carreira nos quadrinhos. Ele foi diagnosticado com uma doença que o impossibilita de trabalhar desenhando. Isso entretanto não significou o fim de sua carreira como criador. Agora ele tem se concentrado no audiovisual. Primeiro naquele ótimo programa "Angeli, The Killer" e no momento dando voos mais altos no mundo do cinema como vemos nesse filme. O formato é basicamente o mesmo do programa de TV, só que temos aqui uma história do personagem Bob Cuspe bem mais desenvolvida, com ele velhão, vivendo em um deserto, no melhor estilo Mad Max. Ficou legal. Essa técnica de stop motion (dos bonecos de massinha) nunca perde seu charme. E juntando tudo isso com os personagem bem bolados do Angeli não havia como dar errado mesmo. Tudo muito divertido! 

Pablo Aluísio.

Tudo na Cama

Título no Brasil: Tudo na Cama
Título Original: Tudo na Cama
Ano de Lançamento: 1983
País: Brasil
Estúdio: CAM Filmes
Direção: Antonio Meliande
Roteiro: Ody Fraga
Elenco: Ênio Gonçalves, Matilde Mastrangi, Monique Lafond, Walter Forster, Zilda Mayo

Sinopse:
Um notório mulherengo, conquistador barato das ruas de São Paulo, decide finalmente que chegou a hora de se casar, o que acaba gerando uma grande confusão com suas antigas amantes e namoradas de ocasião! E agora, o tal galã de periferia vai ou não subir o altar?

Comentários:
Mais uma pornochanchada, só que em seu momento de fechar as cortinas, porque esse estilo de cinema brasileiro que havia feito tanto sucesso nos anos 70 já não conseguia mais atrair público aos cinemas como no passado. O antigo chamariz de bilheteria, com as mulheres nuas, estava agora em outra, nos filmes de sexo explícito que dominavam as locadoras de vídeo e os cinemas de baixa reputação. Pois é, o pornô acabou deixando a velha pornochanchada brasileira obsoleta e fora de moda. E isso foi uma queda e tanto em termos de bilheteria para o cinema nacional. Sobrou para a pornochanchada explorar a imagem de atrizes como Matilde Mastrangi, sem dúvida uma das maiores gostosas do cinema nacional naqueles anos. Fora isso, nada de muito relevante, a não ser um certo humor vulgar e as baixarias engraçadas de sempre. 

Pablo Aluísio.

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Paixão Proibida

Título no Brasil: Paixão Proibida
Título Original: Jude
Ano de Lançamento: 1996
País: Reino Unido
Estúdio: BBC Films
Direção: Michael Winterbottom
Roteiro: Hossein Amini, Thomas Hardy
Elenco: Christopher Eccleston, Kate Winslet, Liam Cunningham

Sinopse:
O filme narra a história de um jovem casal inglês vivendo no século XIX. Eles possuem seus sonhos, seus projetos de vida, como ir para uma universidade, mas a vida e a luta pela sobrevivência acabam falando mais alto, fazendo com que eles acabem indo por outros caminhos. 

Comentários:
O cinema britânico já é elegante por natureza. A sofisticação e o requinte já fazem parte do estilo dessa cinematografia. Agora quando são filmes adaptados de romances de época, com ótima produção, figurinos perfeitos e um elenco em estado de graça, tudo fica ainda melhor. Esse é um romance clássico, ideal para quem aprecia esse tipo de produção inglesa. E temos ainda uma jovem Kate Winslet já se destacando muito, com ótima presença de cena, dicção perfeita e aquele sotaque que traz todo o charme para esse tipo de romance nas telas. Um filme muito bom, muito recomendado para quem estiver em busca de uma bela história de amor com muito requinte e sofisticação. 

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Minha Mãe é uma Peça

Título no Brasil: Minha Mãe é uma Peça
Título Original: Minha Mãe é uma Peça
Ano de Lançamento: 2012
País: Brasil
Estúdio: Globo Filmes
Direção: André Pellenz
Roteiro: Paulo Gustavo, Fil Braz
Elenco:  Paulo Gustavo, Herson Capri, Ingrid Guimarães, Suely Franco, Rodrigo Pandolfo, Mariana Xavier

Sinopse:
Dona Hermínia (Paulo Gustavo) é uma típica mãe carioca, que mora em Niterói. Separada do marido, ela se empenha em criar os filhos, mas nunca é reconhecida em seus esforços por eles. Então um dia resolve ir embora, indo passar alguns dias na casa de sua tia. E isso vai dar origem a muitas confusões. 

Comentários:
Esse é aquele tipo de filme que se justifica e se sustenta basicamente pelo trabalho de um ator. No caso aqui do Paulo Gustavo. Ele leva o filme todo nas costas, isso sem desmerecer o trabalho do resto do elenco que no fundo está ali trabalhando como escada para sua atuação. É realmente uma pena que tenha falecido tão precocemente, vítima da pandemia de Covid-19. Era realmente um profissional muito talentoso dentro de seu nicho, no caso a comédia. E o mais interessante de tudo é que ele teve como inspiração para seu trabalho a própria mãe. No fundo a personagem de Dona Hermínia é a mãe do Paulo Gustavo, como bem fica claro na última cena do filme quando ela surge em um vídeo amador feito pelo próprio Paulo Gustavo em sua casa, em Niterói. Realmente merece todos os nossos aplausos pelo talento e pela inspiração. É um profissional que fará falta ao cinema brasileiro. Já o filme em si, bem esse pode assistir sem receios. É muito divertido e captou bem a alma do brasileiro de classe média, com suas contradições e visões do mundo, sempre priorizando o lado familiar e cômico de suas vidas cotidianas. Tem lá seus exageros, mas isso faz parte do jogo nesse tipo de produção. 

Pablo Aluísio.

O Homem Cordial

Título no Brasil: O Homem Cordial 
Título Original: O Homem Cordial 
Ano de Lançamento: 2019
País: Brasil
Estúdio: Momento Filmes
Direção: Iberê Carvalho
Roteiro: Iberê Carvalho, Pablo Stoll
Elenco: Paulo Miklos, Theo Werneck, Bruno Fatumbi Torres, Geraldo Rodrigues, Pedro Lima

Sinopse:
Um veterano roqueiro paulista decide voltar aos palcos depois de muitos anos, mas acaba sendo hostilizado por causa de um vídeo que viraliza na internet. Ele é acusado de ter envolvimento na morte de um PM, em uma grande confusão que ocorreu no passado. 

Comentários:
De maneira em geral considerei um bom filme nacional. Tem uma boa edição e um roteiro que se segura bem em sua primeiras cenas. O problema maior que vejo aqui é que a partir de um determinado momento a história fica um pouco sem rumo, perdida, com o protagonista mergulhando na noite paulistana sem ter muito o que fazer. As coisas só voltam a melhorar quando um longo flashback surge mostrando o começo de toda a confusão envolvendo um jovem menor de idade e um PM, o que explicaria a morte do policial. No fundo o mais interessante no filme é a crítica que faz do uso da internet como ferramenta de julgamentos injustos e parciais. E sobra também críticas justas e corretas para esses justiceiros de rua, que movidos por uma mentalidade fascista, pensam estar sempre com a razão, dando soluções simplistas e violentas para questões que no fundo são bem complexas. A ignorância jamais poderá prevalecer dentro da nossa sociedade. 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Destemida

Título no Brasil: Destemida
Título Original: True Spirit
Ano de Lançamento: 2023
País: Austrália
Estúdio: Resonate Entertainment
Direção: Sarah Spillane
Roteiro: Sarah Spillane, Rebecca Banner
Elenco: Teagan Croft, Anna Paquin, Cliff Curtis, Alyla Browne,  Vivien Turner, Freya Callaghan

Sinopse:
O filme conta a história real de uma adolescente de 16 anos de idade que decidiu que iria dar a volta ao mundo, pelo oceano, no seu pequeno veleiro. A aventura chamou muito atenção da mídia e ela acabou se tornando uma espécie de heroína do povo australiano. Jessica Watson queria se tornar a pessoa mais jovem a dar a volta ao mundo sozinha, desafiando os perigos dos sete mares. 

Comentários:
Um filme muito bom, produzido na Austrália, que conta a história dessa jovem que alcançou um feito realmente extraordinário. Sobre essa história, eu fiquei com um sentimento dúbio. De um lado aplaudo as conquistas dessa adolescente. Realmente dar a volta ao mundo em um veleiro nos dias atuais é algo realmente impressionante. Uma viagem que durou mais de 1 ano. Por outro lado fico me perguntando se essa menina (sim, ela era uma menina) não foi alvo da ganância dos próprios pais. Afinal que tipo de gente aceitaria colocar a própria filha em algo tão perigoso assim, ainda mais se tratando de uma menor de idade? Tudo tem limite. Pais que realmente amam seus filhos jamais aceitariam ou deixariam seus filhos participarem de algo desse tipo. Os perigos eram muitos, como bem mostrados no filme. Ela quase morreu nessa jornada. Então eu realmente fiquei com um pé atrás em relação aos pais dela. No Brasil não iria acontecer. Temos leis como o Estatuto da Criança e do Adolescente que protegem pessoas dessa idade. De qualquer maneira ela foi lá e fez. Não recomendaria e nem aprovaria algo assim, mas ao mesmo tempo deixo aqui meus aplausos por sua conquista. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Elvis Presley - Let's Be Friends - Parte 2

Elvis Presley - Let's Be Friends - Parte 2
A faixa "Let's Forget About The Stars" foi gravada em outubro de 1968 para fazer parte da trilha sonora do western "Charro". Como não houve intenção nenhuma da RCA Victor em lançar essa música ela foi deixada de lado. É curioso porque apesar de ter sido uma das gravações mais negligenciadas da carreira de Elvis ela foi ganhando, ao longo do tempo, um status cult entre os fãs, com muitos elogiando sua bonita melodia. É uma música bem fora de rota do que Elvis produziu nos anos 60, criada por um compositor chamado A.L. Owens. No saldo geral tem seus méritos, é sim uma bela balada que merecia ter tido melhor sorte dentro da discografia do cantor.

Uma boa razão para se comprar esse disco na época de seu lançamento foi a inclusão de "Mama" em seu repertório. Essa era uma antiga faixa que embora tenha sido gravada para a trilha sonora do filme "Girls, Girls, Girls" foi deixada de lado pelos produtores da RCA. A razão segue sendo desconhecida, uma vez que Mama tinha sua importância dentro do filme, sendo ouvida e executada entre as cenas. Alguns autores dizem que a RCA Victor ficou incomodada com o excesso de músicas gravadas para essa trilha sonora e por isso cortou Mama e outras faixas, como por exemplo, "Plantation Rock". Essa última nem fez muita falta, mas Mama certamente deveria ter sido incluída. Foi mais um dos vários erros cometidos pelos responsáveis pela discografia de Elvis.

A música "I'll Be There" foi composta pelo cantor e compositor Bobby Darin. Ela foi lançada originalmente em 1960 com relativo sucesso comercial. Anos depois, em 1965, foi relançada pelo grupo inglês Gerry and the Pacemakers. Essa banda era rival dos Beatles ainda nos tempos do Cavern Club. Eles também faziam parte do círculo de conjuntos de rock que surgiram no eixo Liverpool - Manchester, ainda no final dos anos 1950. Foi justamente dentro desse movimento musical que surgiram os próprios Beatles. Lançada em single pelos ingleses não teve muito sucesso. A versão de Elvis veio em 1969. É uma boa gravação de uma música apenas mediana, não muito vocacionada para o sucesso.

Esse álbum tem algumas músicas bem obscuras dentro da discografia de Elvis. São gravações que ou ficaram arquivadas por bastante tempo ou então não chamaram atenção nenhuma dos fãs quando foram lançadas originalmente. "Almost" é um exemplo disso. Ela foi composta por Ben Weisman e Buddy Kaye. O compositor Weisman foi um campeão em emplacar canções para as trilhas sonoras de Elvis durante os anos 60. Pena que a imensa maioria de suas composições eram bem descartáveis, sem importância artística. Essa fez parte da trilha sonora do filme "The Trouble With Girls" (Lindas Encrencas: As Garotas), mas foi considerada tão fraca que foi arquivada, ressurgindo aqui nesse disco, sem maior repercussão.

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Inferno nos Trópicos

Título no Brasil: Inferno nos Trópicos
Título Original: Tycoon
Ano de Lançamento: 1947
País: Estados Unidos
Estúdio: RKO Radio Pictures
Direção: Richard Wallace
Roteiro: Borden Chase, John Twist
Elenco: John Wayne, Anthony Quinn, Laraine Day, Cedric Hardwicke, Judith Anderson, James Gleason

Sinopse:
O engenheiro Johnny Munroe (John Wayne) é contratado para construir um túnel ferroviário através de uma montanha localizada na América do Sul. O desafio é criar uma estrada para chegar às minas da região. Sua tarefa fica complicada e sua ética fica comprometida quando ele acaba se apaixonando pela filha de seu chefe nesse projeto ousado e desafiador. 

Comentários:
A RKO estava em dificuldades financeiras, por isso voltou a contratar John Wayne para estrelar essa aventura passada na América do Sul. O próprio ator aceitou o convite de bom grado pois tinha uma dívida de gratidão com a RKO desde o começo de sua carreira. O filme é interessante, bem produzido e com roteiro um pouco irregular pois apresenta elementos que no meu ponto de vista seriam desnecessários nesse tipo de história. Eu considerei a parte romântica do filme um pouco valorizada acima do que era esperado. Alguém que ia atrás de um filme de aventuras com John Wayne não estava necessariamente esperando uma atuação de galã romântico por parte dele. Aliás ele nunca funcionou direito nesse tipo de papel. Talvez por essa razão o filme não tenha sido bem sucedido nas bilheterias de cinema na época de seu lançamento. Como foi uma produção muito cara, acabou trazendo prejuízo para a já problemática vida financeira da RKO que algum tempo depois iria acabar indo á falência, fechando suas portas definitivamente. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Morituri

Título no Brasil: Morituri
Título Original: Morituri
Ano de Lançamento: 1965
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Bernhard Wicki
Roteiro: Werner Jörg Lüddecke, Daniel Taradash
Elenco: Marlon Brando, Yul Brynner, Janet Margolin, Trevor Howard, Wally Cox, Hans Christian Blech

Sinopse:
Durante a II Guerra Mundial um estranho sujeito, Robert Crain (Marlon Brando), se faz passar por um oficial nazista SS em um cargueiro em alto-mar que transportava uma preciosa carga para o esforço de guerra alemão. Na realidade ele seria um agente britânico infiltrado na embarcação. Seu objetivo seria facilitar a captura do cargueiro pela marinha inglesa antes que ele chegasse em seu porto de descarga. E se para isso fosse preciso atuar como sabotador, ele estaria pronto para alcançar esse desafio. 

Comentários:
Marlon Brando não queria fazer esse filme, mas precisando de dinheiro, acabou aceitando. As filmagens foram complicadas, realizadas em um velho cargueiro ancorado no porto de Los Angeles. A velha embarcação estava cheia de ferrugem e Brando confessou que tinha até mesmo medo de trabalhar naquele lugar. De qualquer forma ele usou sua influência de grande astro para mudar o roteiro, que originalmente era muito bom, escrito pelo mesmo roteirista do clássico "A Um Passo da Eternidade". Não foi uma boa ideia pois Brando não era roteirista de cinema. Suas mudanças prejudicaram o desenvolvimento da história do filme. Também forçou a contratação de seu amigo de longa data, Wally Cox. O resultado ficou apenas regular. O filme teve duas honrosas indicações ao Oscar nas categorias de melhor fotografia em preto e branco (indicação mais do que merecida) e melhor figurino. Comercialmente o filme foi um fracasso de bilheteria o que para Brando na época foi uma péssima notícia pois seus últimos filmes também não tinham feito qualquer sucesso. De uma forma ou outra, mesmo com tantos problemas, ainda considero um dos filmes mais interessantes da filmografia de Marlon Brando. Claro, poderia ser muito melhor, mas do jeito que ficou, até que não se tornou tão ruim como muitos dizem. 

Pablo Aluísio.

domingo, 11 de fevereiro de 2024

A Noite das Bruxas

Título no Brasil: A Noite das Bruxas
Título Original: A Haunting in Venice
Ano de Lançamento: 2023
País: Estados Unidos, Reino Unido, Itália
Estúdio: Scott Free Productions
Direção: Kenneth Branagh
Roteiro: Michael Green
Elenco: Kenneth Branagh, Tina Fey, Kelly Reilly, Michelle Yeoh, Jamie Dornan, Rowan Robinson, Riccardo Scamarcio

Sinopse:
O inspetor Hercule Poirot (Kenneth Branagh) é desafiado a solucionar mais um mistério. A morte de uma jovem adolescente, em uma velha mansão de Veneza, se torna estopim para novos assassinatos na noite de Halloween, só que o verdadeiro assassino (ou assassina) parece ter coberto bem seus rastros nos crimes. Apenas Poirot com sua lógica dedutiva vai conseguir solucionar esse grande mistério. 

Comentários:
Pelo visto o ator Kenneth Branagh tomou mesmo gosto pelas adaptações para o cinema dos livros escritos por Agatha Christe, em especial os que envolvem o personagem Hercule Poirot. E isso é interessante porque no passado, principalmente entre os anos 80 e 90, Branagh se especializou em levar para o cinema grandes e fidedignas adaptações de textos de Shakespeare, mas tudo bem, muda-se o tempo, mudam-se as fases na carreira. Nada é para sempre. Pois bem, aqui nada temos a reclamar em termos essencialmente cinematográficos. O filme é muito bem realizado, com ótima produção e aquele clima de filme antigo que faz falta nos cinemas nos dias atuais. Claro que, com a evolução do cinema, não se vai ter mais o mesmo impacto em relação a esse tipo de história. O mundo mudou desde que a autora publicou esse livro originalmente. Agatha Christie era excelente, mas temos que admitir que sua fórmula soa agora bem antiquada. De qualquer maneira sempre é uma diversão descobrir quem seria o assassino, ainda mais em clima de noite das bruxas, com supostos eventos sobrenaturais ocorrendo em cada quarto escuro daquela velha mansão. 

Pablo Aluísio.

sábado, 10 de fevereiro de 2024

Em Ruínas

Título no Brasil: Em Ruínas
Título Original: Hwang-ya
Ano de Lançamento: 2024
País: Coreia do Sul
Estúdio: Big Punch Pictures
Direção: Heo Myeong Haeng
Roteiro: Kim Bo-Tong, Kwak Jae-Min
Elenco: Ma Dong-seok, No Jeong-ee, Ahn Ji-hye

Sinopse:
Seul está em ruínas. Os sobreviventes lutam por comida, água e um lugar seguro para viver pois as ruas estão dominadas por gangues de jovens criminosos violentos. Então surge a oportunidade de ir até uma comunidade, onde se espera encontrar alguma paz e tranquilidade, mas é tudo uma grande farsa que encobre a realização de experimentos com seres humanos, transformados em cobaias vivas. 

Comentários:
Esse filme coreano chegou ao primeiro lugar entre os mais vistos na plataforma Netflix, ou seja, despertou mesmo interesse. Pena que o espectador não recebeu boa qualidade cinematográfica em troca. É uma daquelas produções que tentam imitar em tudo os filmes americanos do mesmo estilo. E aí reside o maior problema. Ao invés de usar a rica filmografia oriental para colocar elementos novos, os produtores desse misto indigesto apenas copiaram o que existe de mais formulário no cinema dos Estados Unidos. Então é uma sucessão de clichês, um atrás do outro, cena após cena. Chegou a me irritar. Além disso os personagens tem um lado "engraçadinho" que não combina muito bem com esse cenário pós-apocalíptico. O que sobra é um roteiro raso e vazio. Até mesmo os efeitos digitais, que poderiam se tornar uma saída para um filme sem conteúdo como esse, são fracos demais. Tem um crocodilo meio esquisito por lá feito por computação gráfica e nada mais. Enfim, o pior do cinema oriental, aqui tentando apenas imitar os ianques, mas sem sucesso. 

Pablo Aluísio.

O Sargento Trapalhão

Título no Brasil: O Sargento Trapalhão
Título Original: Sgt. Bilko
Ano de Lançamento: 1996
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Jonathan Lynn
Roteiro: Nat Hiken, Andy Breckman
Elenco: Steve Martin, Dan Aykroyd, Phil Hartman

Sinopse:
Não, não é um filme sobre os aloprados militares brasileiros tentando dar mais um golpe Tabajara em sua nação e em seu povo. Esse filme americano conta a história de um sargento do Exército dos Estados Unidos que está sempre enrolado com pequenos golpes e vigarices, inclusive se envolvendo no desenvolvimento de um tanque flutuante que nunca sai do papel. 

Comentários:
Não me entenda mal. Eu gosto muito do Steve Martin. Sempre curti suas comédias dos anos 80, sempre o considerei um dos melhores comediantes do cinema em sua geração. Só que esse filme aqui não dá. É muito, mas muito fraco mesmo! O Steve Martin estava em uma fase meio esquisita de sua carreira. Ele não sabia para que lado ir. Podia tentar fazer filmes com sabor cult, como bem fez o Bill Murray, ou então apelar para comédias cada vez mais bobocas, tentando se tornar comercialmente interessante, como fez o Eddie Murphy. No caso dessa produção ele tentou o segundo caminho e se deu mal demais. Vamos ser sinceros, essa coisa de fazer humor com exército, forças armadas e similares, já deu o que tinha que dar. Ficou datado e assim esse filme já nasceu velho e obsoleto. Um dos piores da filmografia do, repito, bom Steve Martin. Bola fora que nem bateu na trave a ainda levou vaia da torcida. 

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

A Maldição do Queen Mary

A Maldição do Queen Mary 
Quando tomei conhecimento da existência desse filme pensei que seria mais um daqueles filmes banais de terror, ao estilo "O Navio Fantasma" e produções semelhantes. Afinal velhos navios assombrados não constituem o que poderíamos chamar de novidade no mundo do cinema, muito pelo contrário, há filmes bem antigos que exploram justamente esse tipo de situação. Pois bem, esse filme aqui tem coisas bem interessantes em seu roteiro, isso apesar de lidar com algo que já é bem conhecido dos fãs do cinema de terror. Não chegaria ao ponto de dizer que é um filme excelente, mas dentro de suas pretensões se sai muito bem mesmo. O enredo mostra o velho navio Queen Mary ancorado para visitação pública. Um casal pensa fazer uma varredura virtual da embarcação para lançar um site na internet como se fosse uma visita online ao navio, que hoje em dia é apenas um museu. Uma boa ideia, que conta inclusive com a simpatia dos administradores do Queen Mary.

Só que o lugar guarda seus segredos do passado e assim o roteiro abre linhas narrativas paralelas, mostrando os eventos sobrenaturais do presente, intercalando com as pessoas que passaram pelo navio no passado distante e ali viveram grandes tragédias, inclusive com mortes em massa. E nesse ponto temos a grande qualidade desse roteiro, muito bem escrito, que vai tecendo a narração entre passado e presente, no final explicando tudo, ligando as pontas soltas da história. Também merece elogios a boa produção, que considerei bem elegante, requintada até. O Fred Astaire dançando em um jantar no navio é uma boa ligação com o passado de glamour do Queen Mary. Enfim, um filme de terror que surpreende pelo bom roteiro. Um filme que procura assustar sem ofender a inteligência do espectador. Nos dias de hoje isso é uma verdadeira raridade. 

A Maldição do Queen Mary (Haunting of the Queen Mary, Reino Unido, Estados Unidos, 2023) Direção: Gary Shore / Roteiro: Stephen Oliver, Tom Vaughan / Elenco: Alice Eve, Joel Fry, Tim Downie, Wesley Alfvin / Sinopse: Antigos fantasmas do velho navio de luxo Queen Mary voltam à atividade após um casal entrar em seus recintos mais obscuros. 

Pablo Aluísio.

The Long Shadow

The Long Shadow
Gostei bastante dessa minissérie inglesa. Conta a história real do Estripador, não o Jack dos tempos vitorianos, mas outro assassino em série que começou a matar jovens mulheres na Inglaterra durante a década de 1970. A polícia inglesa, tão orgulhosa de sua eficiência, acabou sendo colocada em dúvida pela população pois apesar de todas as tentativas eles não conseguiam chegar no verdadeiro assassino. E isso depois de montarem uma verdadeira operação de guerra para identificar o criminoso. Conforme os meses foram passando e esses viraram anos, a coisa ficou ainda mais caótica. E o tal serial killer não parava de matar, principalmente mulheres que viviam da prostituição. Chegou ao ponto do assassino começar a debochar dos policiais, escrevendo cartas irônicas, dizendo que esperava mais dos investigadores!

O clima da série é um dos destaques. É um um clima frio, quase jornalístico e burocrata, mostrando o lado policial, o grande trabalho que tiveram para chegar no Estripador. Um fato curioso é que em certos crimes ele procurou seguir o estilo de matar daquele que é considerado o maior serial killer da história, ou pelo menos, o mais famoso. Claro que estou me referindo a Jack, o Estripador, cuja identidade real até hoje desperta controvérsias. Enfim, um bom retrato desse caso. Inclusive, para finalizar, também indico um documentário da Netflix sobre esse mesmo assassino. Como se pode perceber material não falta para conhecer esse curioso caso criminal. 

The Long Shadow (Reino Unido, 2023) Direção: Lewis Arnold / Roteiro: George Kay, baseado no livro escrito por Michael Bilton / Elenco: Jack Deam, Kris Hitchen, Lee Ingleby / Sinopse: Minissérie inglesa que recria o trabalho policial desenvolvida pelos investigadores para identificar e prender o assassino em série conhecido como "O Estripador", durante a década de 1970. 

Pablo Aluísio.