sábado, 28 de julho de 2012

Máquina Mortífera 3

Título no Brasil: Máquina Mortífera 3
Título Original: Lethal Weapon 3
Ano de Produção: 1992
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Richard Donner
Roteiro: Jefrey Boam, Shane Black
Elenco: Mel Gibson, Danny Glover, Rene Russo, Joe Pesci
  
Sinopse:
Aqui a dupla de policiais Riggs (Mel Gibson) e Murtaugh (Danny Glover) enfrentam uma quadrilha de tráfico de armas comandada por ex-policiais corruptos. Para isso contam com a ajuda da oficial de assuntos internos, a tenente Lorna Cole (Rene Russo). Ao mesmo tempo precisam também proteger o ex-contador da máfia Leo Getz (Joe Pesci), um sujeito inconveniente e falastrão. Filme vencedor do MTV Movie Awards na categoria de Melhor Dupla (Mel Gibson e Danny Glover) e Melhor Sequência de Ação. Também vencedor do BMI Film & TV Awards na categoria Melhor Canção Original (Eric Clapton).

Comentários:
Terceiro exemplar da franquia Lethal Weapon. Como era de se esperar o filme "Máquina Mortífera 3" segue o velho ditado que diz "Em time que se está ganhando não se mexe". Assim o roteiro segue basicamente o que se viu nos filmes anteriores com um pano de fundo cômico, muitas cenas de ação, tiroteios, pirotecnias e um final explosivo. Mel Gibson parece se divertir não se levando à sério em nenhum momento, inclusive colocando frases improvisadas na cenas (como a piada sobre Cher na cena da bomba). Glover segue atrás, servindo de escada com seu habitual carisma. Duas sequências aqui se destacam: a explosão do prédio na primeira cena do filme (antecipando algo que veríamos na vida real em setembro de 2001) e uma perseguição pelas rodovias de Los Angeles. Essa aliás soa familiar demais para os fãs do cinema de ação pois é quase uma cópia literal da cena famosa de "Exterminador do Futuro 2" (Gibson inclusive está de moto, tal como Schwarzenegger no outro filme). Em tempos de cachês inflados e multimilionários Mel Gibson ganhou 25 milhões de dólares por esse filme, um valor simplesmente impensável nos dias de hoje e que nenhum estúdio de Hollywood se atreve a pagar novamente. O retorno nas bilheterias por outro lado foi muito bom. O filme rendeu 114 milhões de dólares no mercado americano e mais de 300 milhões ao redor do mundo, números que garantiram uma nova sequência para a franquia seis anos depois. Donner voltaria no último filme da série assim como a dupla central. Há rumores que Gibson estaria disposto a estrelar um quinto filme, mas os estúdios não estão mais propensos a pagar o que ele quer para voltar a encarnar o policial Riggs. Os tempos também são outros. O ator depois de tantos escândalos pessoais já não é mais garantia de bilheteria certa como acontecia naquela época. De qualquer forma como em Hollywood tudo é possível vamos esperar pelos acontecimentos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Kick-Ass - Quebrando Tudo

Dentro do lamaçal de filmes medíocres em que Nicolas Cage tem se envolvido ultimamente esse "Kick-Ass" é uma dos poucas produções que realmente se salvam. O mérito é de seu roteiro antenado com as novas gerações, fãs de games e computador, que conseguem transitar entre todos esses meios com extrema familiaridade. Foi para esse tipo de jovem high tech que o filme foi feito. Ele une várias linguagens de meios diferentes em uma experiência cinematográfica única. Sem querer ser preconceituoso mas os mais velhos, que não cresceram imersos em tantas tecnologias ao mesmo tempo, certamente vão estranhar um pouco seu ritmo alucinado e inúmeras citações que provavelmente apenas os mais jovens vão captar. "Kick Ass" também exige uma certa postura em relação a ele. É um produto totalmente pop e obviamente não se deve levar à sério demais. É puro entretenimento sem maiores consequências. O resultado ficou muito divertido. Também não há como negar que também é muito violento mas é um tipo de violência diferente, estilizada ao extremo, nada verossímil. Como eu disse, não se deve levar nada do que acontece em cena à sério. Mesmo assim o mercado exibidor americano resolveu aumentar sua faixa de classificação o que achei uma medida desproporcional uma vez que a violência do filme como já disse é caricatural, quase de desenho animado, e duvido que alguém vai levar algo como aquilo à sério. Não é à toa que sua principal fonte de inspiração é o universo do mundo dos quadrinhos.

O destaque da produção fica com a jovem Chloë Grace Moretz. Há tempos venho prestando nessa atriz mirim (hoje já adolescente) que vem se destacando nos filmes em que aparece, mesmo quando interpreta personagens secundários. Já tive a oportunidade de escrever sobre ela, principalmente em seu trabalho realizado no remake americano de "Deixa Ela Entrar". A garota promete. Aqui sua Hit Girl domina e ofusca todos os demais personagens e atores, até mesmo Nicolas Cage. Por falar nele o ator surge bem envelhecido em cena. Obviamente ele deve ter adorado fazer o filme. Não é segredo para ninguém que seu sonho era fazer um filme como Superman. Aliás ele é fã assumido do universo dos quadrinhos. Seu personagem é uma caricatura de Batman. "Kick Ass" foi dirigido pelo Matthew Vaughn, o que é bem adequado pois certamente soube se comunicar com essa nova geração que é o público alvo do filme. Sua proximidade com o universo dos quadrinhos parece ser a tônica de sua carreira, uma vez que já trouxe para as telas os famosos personagens de Stan Lee em "X-Men: Primeira Classe" e agora prepara a sequência "Kick-Ass 2: Balls to the Wall" atualmente em pós produção. Que venha a continuação então.

Kick-Ass - Quebrando Tudo (Kick-Ass, EUA, 2010) Direção: Matthew Vaughn / Roteiro: Jane Goldman, Matthew Vaughn baseado nos quadrinhos de Mark Millar e John Romita Jr. / Elenco: Aaron Johnson, Nicolas Cage, Chloë Grace Moretz / Sinopse: Um grupo improvável de pessoas resolvem incorporar em suas vidas reais o estilo de vida dos super-heróis de quadrinhos. Isso acaba lhes trazendo muitos problemas mas também muita ação e aventura.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Batman - O Cavaleiro das Trevas

"Batman - O Cavaleiro das Trevas" é considerado a obra prima dessa nova franquia dirigida por Christopher Nolan. Existe um certo consenso de que essa seria a melhor transposição já feita do personagem para o cinema. O clima soturno, pessimista e gótico está bem acentuado. Além disso temos aqui um roteiro muito mais sombrio do que o visto em "Batman Begins". O texto explora muito bem a falta de esperança em uma cidade infestada por criminosos de todos os tipos. Dentre eles finalmente surge o Coringa numa brilhante interpretação de Heath Ledger. Aliás o filme é sempre muito mais lembrado pela caracterização do vilão mais famoso do universo de Batman do que por qualquer outra coisa. Ledger está muito inspirado em cena, assustador e insano na dose exata. O ator parece ter incorporado o papel, o que não deixa de ser algo bem assustador. Sua morte trágica logo após a conclusão do filme mitificou ainda mais seu trabalho em "Dark Knight" confirmando uma velha regra não escrita que diz que no cinema Batman sempre tem seus filmes roubados por seus vilões em cena. De fato aqui não há muito o que ponderar, o filme é de Ledger deixando Bale e seu herói em uma incômoda posição secundária dentro da trama.

Se em "Batman Begins" se discutia a diferença entre justiça e vingança aqui em "Cavaleiro das Trevas" o foco é diferente. O argumento mostra a tentativa do Coringa em provar que até o mais honesto homem de Gotham City, o promotor Harvey Dent, pode ser corrompido. Considerado o último pilar de honradez da cidade ele logo se torna alvo do insano criminoso que quer acima de tudo demonstrar que nem os mais virtuosos cidadãos estão à salvo de passarem para o outro lado. Excelente também é a identidade que ambos os personagens Batman e Coringa parecem ter. São na verdade faces diversas de uma mesma moeda. O núcleo do elenco segue praticamente o mesmo do primeiro filme (Bale, Caine e Freeman). A única mudança mais significativa aqui acontece com a personagem de Rachel Dawes que acabou indo para as mãos de Maggie Gyllenhaal, o que não deixa de ser positivo pois ela é seguramente melhor atriz do que Katie Holmes. O diretor Christopher Nolan basicamente segue os passos do êxito do primeiro filme, ou seja, procura não deixar a trama se distanciar da realidade. O Coringa, por exemplo, está menos espalhafatoso, menos carnavalesco e mais assustador do que nas outras versões. Idem o próprio Batman, cada vez mais inseguro de sua própria posição diante dos acontecimentos. Nolan certamente encontrou o tom ideal nesse filme que é extremamente bem realizado. Agora resta esperar pela conclusão da trilogia. Espero que consiga fechar tudo com chave de ouro pois não restam dúvidas que os dois primeiros filmes são realmente primorosos.

Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, EUA, 2008) Direção: Christopher Nolan / Roteiro: Christopher Nolan, Jonathan Nolan / Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Morgan Freeman, Gary Oldman, Aaron Eckhart, Maggie Gyllenhaal, Michael Caine, Eric Roberts, Anthony Michael Hall / Sinopse: O Coringa (Heath Ledger) resolve se unir a máfia de Gotham City para tirar do caminho Batman (Christian Bale) que está arruinando todos os seus negócios escusos. Para tanto terão ainda que enfrentar o novo promotor da cidade, o honesto Harvey Dent (Aaron Eckhart) que logo vira alvo dos planos do Joker.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Filmografia Comentada: Burt Lancaster

Burt Lancaster nasceu em um dos bairros mais pobres de Nova Iorque. Ao longo dos anos foi construindo uma das carreiras mais significativas da história de Hollywood. Atlético e esportista o ator em busca de trabalho começou sua carreira artística no circo onde aprendeu várias técnicas que anos depois utilizaria em seus filmes. Sua carreira começou na década de 1940 e só terminou quase 50 anos depois quando seu último filme foi lançado. Participou de 88 filmes e chegou a dirigir duas de suas produções. Atuou em praticamente todos os gêneros cinematográficos, indo de dramas a westerns, passando por filmes de aventura e romance. Um marco de carisma, popularidade e simpatia. Segue abaixo resenhas de filmes com esse mito da história do cinema americano.

Vera Cruz

O filme já começa à toda mostrando o encontro da dupla central, Cooper e Lancaster, numa cena com diálogos totalmente cínicos e dúbios. De certa forma isso se repetirá em todo o restante da fita. Curioso porque até mesmo o personagem de Gary Cooper parece não ter muitos escrúpulos. Coronel do exército confederado ele agora vaga pelo deserto mexicano para vender sua mão de obra ao grupo que lhe pagar melhor, ou seja, é um mercenário. Já o personagem de Burt Lancaster é bem pior, ladrão de cavalos, mentiroso e trapaceiro, desde o começo do filme já sabemos que não há nada o que esperar dele em termos éticos. Algo que se confirma no final quando teremos o tradicional duelo no meio das ruínas de uma cidade mexicana! "Vera Cruz" foi um dos primeiros westerns em que a ação foi colocada em primeiro plano, superando até mesmo os cânones dos faroestes mais tradicionais. Muitos especialistas inclusive qualificam "Vera Cruz" como uma espécie de predecessor do que seria feito no chamado Western Spaguetti. Não chegaria a tanto mas não há como negar que os faroestes italianos iriam utilizar de vários elementos que estão presentes aqui.

Um dos elementos é justamente a simplificação dos roteiros em detrimento da ação incessante. A trama da produção na realidade se desenvolve praticamente toda em torno de uma diligência com carregamento de ouro que tenta chegar até o porto de Vera Cruz. No meio do caminho Cooper e Lancaster, que estão protegendo o carregamento ao lado de um pelotão do exército mexicano, vão enfrentando todo tipo de desafios, conflitos e traições (sim, todos querem no final ficar com a fortuna e para isso não medem esforços em trair qualquer um). A produção é muito boa - bem acima da média dos faroestes da época. O figurino dos mexicanos na fita pode até ser considerada exagerado, mas é fiel no final das contas uma vez que eles realmente se vestiam daquela maneira. Em conclusão Vera Cruz é um bom western, talvez um pouco prejudicado pelo excesso de personagens e pirotecnia. Vale pelo carisma de Lancaster e pela presença sempre muito digna do grande mito Gary Cooper.

Homem Até o Fim
Muito curioso esse western da década de 1950 com Burt Lancaster. O primeiro detalhe que chama a atenção é o fato de ter sido dirigido pelo próprio ator. De fato ele em toda sua longa carreira só dirigiu dois filmes, esse e "The Midnight Man", duas décadas depois. Lancaster não se sentia à vontade com as pressões inerentes a função de direção. Na realidade só aceitou dirigir "The Kentuckian" porque acreditava muito no projeto e pelo fato da United Artists ter encontrado na época grande dificuldade em escalar um diretor adequado ao filme. Antes que o projeto fosse arquivado Lancaster em um ato de coragem assumiu sua direção. O interessante é que não se saiu mal. O filme tem um clima muito agradável, uma estória cativante e uma produção bonita. Não se trata de um faroeste típico pois o bucolismo está em todas as partes do filme, nos cenários, na simplicidade cativante do personagem de Lancaster e na sua relação com o seu filho, o pequeno Elias.

Vestido com um figurino que lembra o lendário Daniel Boone, Lancaster parece ter dirigido o filme para um público bem mais jovem. Também não esqueceu do público feminino, sempre reticente com westerns, ao colocar um triângulo amoroso para ser vivido por seu personagem. A produção é leve e divertida e conta com um excelente elenco de apoio liderado por Walter Matthau em sua estréia no cinema. Ele faz um dono de mercearia bonachão e apreciador de uma boa prosa que também tem grande habilidade em usar chicotes. Sua cena usando dessa habilidade é muito boa. O filme foi baseado no livro de Felix Holt chamado "The Gabriel Horn". Para quem não se recorda Holt foi o roteirista da série de TV "Lone Ranger" que no Brasil ficou conhecido como Zorro "americano" (não o espanhol vestido de negro mas o azul do cavalo Silver e do índio Tonto). Sua habilidade para escrever estórias infanto-juvenis cativantes se sobressai aqui também. Enfim, "Homem Até o Fim" é muito agradável de se assistir. Um raro momento de Lancaster como diretor que merece ser redescoberto. Recomendo.

Quando os Bravos Se Encontram
Bob Valdez (Burt Lancaster) é um envelhecido xerife que é humilhado por um bando de malfeitores liderados por Frank Tanner (Jon Cypher). Após ser rendido pelos facínoras ele é crucificado e enviado ao deserto para morrer em agonia. Sua vingança não tardará a acontecer. "Quando os Bravos se Encontram" é um exemplo perfeito da influência do Western Spaguetti dentro do cinema americano. Não deixa de ser muito curioso assistir a um filme Made in USA tentando ser no fundo um filme de bang bang italiano! É algo como se o produto imitado começasse a querer imitar justamente os imitadores! Confuso não? Pois é justamente o que acontece aqui. Burt Lancaster faz o Valdez do título mas ele bem poderia se chamar Django. Um sujeito que a despeito de ter uma boa alma é forçado a partir para a brutalidade sem limites com suas armas em punho. O título original do filme ("Valdez está chegando!") é outro sinal claro de sua intenção de parecer um western spaguetti já que esses sempre tiveram títulos evocativos e exagerados do típo "Django não perdoa, Mata!" ou "Deus os cria e eu os Mato!". E tal como Django o Valdez mata bandidos em escala industrial, um atrás do outro, sem falhas e sem balas desperdiçadas! Um primor de pontaria e sagacidade!

Burt Lancaster, o velho ídolo de Hollywood, procura dar dignidade ao seu papel. É verdade que não há muito o que fazer diante de um personagem como Valdez que passa quase todo o filme apenas dizimando os inimigos no deserto. E por falar no deserto uma das melhores coisas de se ver aqui é a cena em que Lancaster vagueia pelas areias carregando uma cruz de madeira, agonizando. Essa cena pelo menos é bem marcante. Pena que o vilão Frank Tanner seja tão inexpressivo. Também pudera ele está sendo interpretado pelo canastrão Jon Cypher que não convence em momento algum. Barton Heyman se sai bem melhor como o bandoleiro El Segundo. Feio como o diabo o sujeito tem os colhões que faltam a Cypher. Em suma é isso, "Valdez is Coming" é uma cópia da cópia. Um western americano com cheiro de macarronada. O produto é esquizofrênico mas pode divertir se você não for um fã de faroeste mais radical e purista.

Aeroporto
Um passageiro com problemas familiares e mentais resolve fazer um ato de terrorismo em um avião comercial. Para tentar controlar a situação de caos que se instala um experiente administrador de aviação civil e um especialista em situações de crise tentam manter o aeroporto em pleno funcionamento, mesmo com uma forte nevasca chegando no local. Aeroporto de 1970 foi um dos primeiros filmes catástrofe da história do cinema. O interessante é que tecnicamente ele até pode ser considerado um filme pipoca dos anos 70 por isso mas existe uma diferença muito grande entre os filmes desse tipo daquela época e os filmes de hoje que seguem a mesma linha. O roteiro tem um cuidado todo especial em desenvolver os personagens. O diretor do aeroporto, interpretado por Burt Lancaster, por exemplo, é mostrado em suas relações familiares, os problemas com sua esposa e o reflexo de toda essa situação em sua vida profissional. Quantos filmes pipocas de hoje em dia tem esse tipo de preocupação? Nenhum, os personagens são todos vazios, ralos, sem profundidade. Vide os pipocões de James Cameron, Michael Bay e Roland Emmerich; todos eles filhos bastardos de filmes como Aeroporto.

Também gostei de rever o carismático Dean Martin. Além de ótimo cantor ele, apesar de não ser um grande ator, tinha uma persona em cena que sempre me agradou. A franquia Aeroporto ficaria conhecida depois por trazer de volta ao cinema vários veteranos das telas. Nesse temos além de Dean Martin, o sempre simpático e bom ator Burt Lancaster e George kennedy, em um bom papel. A linda Jacqueline Bisset também está no elenco. Na continuação, Aeroporto 75 os produtores trariam de volta Charlton Heston. No terceiro filme seria a vez de Jack Lemmon e por fim no último filme da série, chamado Aeroporto, o Concorde, os espectadores teriam de presente as atuações de Alain Delon e Robert Vagner. Em termos técnicos temos que concordar que os efeitos desse primeiro Aeroporto envelheceram mas de certo modo são tão discretos que não comprometem o resultado final. Enfim, pensei que o filme fosse bem mais fraco mas me enganei, tem seu charme, tem seus momentos. Vale a pena conferir.

O Trem
Baseado em fatos reais, O Trem ( The Train - 1964), um clássico em preto e branco, retratado em 1944, numa França ainda ocupada pelo exército de Hitler, conta a história do Coronel Von Waldhein (Paul Scofield), um especialista e amante das artes. Waldhein - já sabendo que os aliados estavam muito perto de libertar a França - planeja utilizar o trem, e fugir para a Alemanha com centenas de quadros, raros e famosos, roubados do museu Jeu de Paume. O problema é que essa operação tem que ser feita em segredo, pois seus superiores nazistas são contra todas as obras impressionistas por considerá-las "arte inferior".

Um outro problema que pode liquidar as pretensões do Coronel nazista, é a Resistência Francesa, que, alertada pela curadora do museu, Mademoiselle Villard, se articula de todas as formas para impedir que o "Trem das Artes" - como ficou conhecido à época - chegue à Alemanha. Porém, o maior e mais sério entrave para Waldhein responde pelo nome de Paul Labiche (Burt Lancaster) inspetor-chefe da Estação Ferroviária, e que também vai fazer de tudo salvar as obras de arte, juntamente com a eficiente ajuda da Resistência Francesa. Com uma atuação antológica de Burt Lancaster (1913-1994) e uma direção magistral do diretor americano, John Frankenheimer (1930-2002) o longa, além de sensacional e eletrizante, é recheado de efeitos especiais, sabotagens, uma fotografia linda e um roteiro de fazer cair o queixo. Palmas também para o excelente ator britânico Paul Scofield (1922- 2008) como o Coronel Von Waldhein. Imperdível. Nota 10

Os Assassinos
Há muito tempo eu percebi que os filmes da década de 40 são bem mais realistas do que os que foram realizados nos anos 50. Na década de 50 os personagens são muito mais definidos (os mocinhos são verdadeiros poços de virtude e os bandidos são malvadões sem coração). Nos anos 40 isso não era bem assim. Veja o caso desse "Os Assassinos". Os tipos que desfilam pela tela possuem dubiedade moral, não se sabendo ao certo se na realidade são vilões ou mocinhos. Na realidade eles passeiam em um campo cinzento, sem se posicionar completamente em um lado ou outro, igual à vida real.

Na trama alguns personagens são centrais. O "Sueco", vivido por Burt Lancaster, é um boxeador fracassado que após o fim de sua carreira vive de pequenos golpes até que se une ao bando de Big Jim. De todos os envolvidos a que mais destaca essa dubiedade moral dos anos 40 é a personagem Kitty, interpretada por Ava Gardner (no auge da juventude e beleza). Femme Fatale por excelência ela será o centro de toda a trama passada no filme. "Os Assassinos" é um ótimo exemplo do cinema maduro e cínico da década de 40. Não existem propriamente bandidos ou mocinhos e seu roteiro estruturado em vários flashbacks acentua ainda mais isso. Um belo exemplar noir que deve ser conhecido pela geração cinéfila mais jovem.

O Homem de Bronze
Cinebiografia do atleta americano Jim Thorpe (Burt Lancaster) que ganhou várias medalhas de ouro durante as olimpíadas de 1912. Algumas particularidades faziam de Thorpe um esportista diferenciado. A primeira delas é que era indígena, nativo americano, o que o diferenciava e muito dos outros atletas americanos da época. Os pais de Jim fizeram todo o esforço possível para que ele continuasse seus estudos até o fim e foi justamente no meio acadêmico que Thorpe encontrou sua verdadeira vocação: os esportes. Nos EUA há grande tradição em universidades que dão bolsa integral a bons esportistas e foi assim que Jim foi subindo em sua carreira. Outro fato bem marcante na trajetória dele é que ao contrário dos demais atletas, Jim Thorpe não se limitava a apenas uma modalidade esportiva, pelo contrário, praticava todos os esportes que apareciam pela frente: atletismo, beisebol, futebol americano, saldo, hipismo, arco e flecha e mais uma série de outras categorias, se saindo bem em todas elas para surpresa geral. Não é à toa que venceu suas medalhas olimpícas no pentatlo e no decatlo. que agregam vários esportes numa só competição. Era considerado um atleta completo em sua era.

Com uma biografia tão rica assim não era de se exigir muito mais do filme. Realmente o roteiro expõe de forma bem didática toda a biografia do atleta, mostrando desde sua entrada em uma instituição de ensino do governo americano dirigido especialmente para as populações indígenas, passando pelas olimpíadas, sua bem sucedida passagem pelo time New York Giants até finalmente mostrar sua decadência pessoal e esportiva. Para quem já assistiu filmes como "Touro Indomável" fica bem fácil acompanhar a ascensão e queda de ídolos esportistas como esse. Suas biografias no fundo mostram que o esporte tanto pode redimir tais pessoas como também acentuar a queda de suas vidas pessoais. Thorpe infelizmente decaiu vítima do ostracismo e do alcoolismo. Burt Lancaster não decepciona em sua interpretação de Jim, o fazendo com garra e convicção, porém fica a sensação desagradável de ver um ator branco interpretando um personagem índio. Em plena época do Star System realmente nenhum grande estúdio de Hollywood iria investir numa produção estrelada por um nativo americano. A mentalidade da época ainda era bem atrasada e nada politicamente correta. De qualquer forma esse trabalho de Michael Curtiz (diretor de Casablanca) merece ser redescoberto. É uma obra de certa forma ufanista e que apenas toca de leve nos problemas pessoais do atleta mas que mesmo assim cumpre bem seus objetivos, imortalizando o nome de Jim Thorpe também na história do cinema.

A Embriaguez do Sucesso
É incrível descobrir que um filme como esse foi feito em 1957. Isso porque não era tão comum ver um roteiro assim, tão ácido e mórbido naquela época. Os dois atores principais em cena, Tony Curtis e Burt Lancaster, dão show de interpretação. Curtis, visto apenas como um galã da Universal pelos críticos, aqui apresenta um de seus melhores trabalhos. Está literalmente fantástico como o crápula, mentiroso, cafetão, escroque e 171 Sidney Falco. Confesso que nunca vi uma atuação dele tão boa como essa. É uma pena que Curtis não tenha se desenvolvido mais como ator dramático. Ele de certa forma se acomodou em sua imagem de galã de comédias românticas, principalmente a partir do começo da década de 60 e com vários problemas que foram surgindo ao longo dos anos (como vício em drogas) simplesmente deixou a carreira em segundo plano. Se tivesse procurado se desenvolver melhor na arte da atuação teria sido um grande nome na história de Hollywood. Já Lancaster também está excelente fazendo um verdadeiro psicopata frio, cheio de si e com uma indisfarçável paixão incestuosa por sua irmã (na pela de uma atriz fraquinha mas bonita, Susan Harrison). Muitos criticam Lancaster afirmando que ele era um ator de uma nota só (sempre atlético e com um sorriso montado no rosto). Eu não concordo inteiramente com essa opinião. Realmente em algumas produções Lancaster se apoiou em sua imagem como muleta mas nem sempre isso aconteceu. Basta lembrar do famoso (e ótimo) "O Homem de Alcatraz". Nesse "A Embriaguez do Sucesso" o ator tem uma de suas melhores interpretações. A persona que tanto utilizou em outros filmes aqui está ausente, felizmente.

Outro destaque de "Sweet Smell Of Sucess" é a forma que o diretor encontrou para contar sua estória. São ótimas tomadas de cena feitas em locação na cidade de Nova Iorque. Nos anos 50 era comum que os filmes fossem feitos em Hollywood dentro dos estúdios, geralmente com o uso de back projection (os atores atuavam na frente de uma grande tela onde o cenário da locação da cena previamente filmado era exibido). Aqui não, é fácil ver que tudo foi realmente filmado nas ruas da cidade, sem uso e artifícios como esse. Tudo combina, a sordidez da trama, a direção segura, a ótima fotografia em preto e branco e os diálogos (alguns dos melhores que já vi). Para quem gosta de filmes clássicos, com tramas envolventes e clima noir, "Embriaguez do Sucesso" é uma ótima opção.

Trapézio
Em 1956 Tony Curtis era apenas mais um galã de segunda linha que não conseguia emplacar em bons papéis. Geralmente estrelava os chamados filmes B das mil e uma noites dos estúdios Universal - filmes de capa e espada que eram feitos especialmente para as matinês dos cinemas. Já estava com oito anos de carreira nas costas quando a primeira oportunidade real bateu à sua porta. O ator Burt Lancaster estava procurando um partner para filmar ao seu lado uma adaptação da novela Trapézio. O filme contaria a estória de dois trapezistas em Paris que tentam executar o maior de todos os números dessa arte: o saldo triplo mortal. Também procurava uma atriz europeia que funcionasse como pivô do triângulo amoroso que iria ser mostrado nas telas. O interesse de Lancaster sobre esse filme era fácil de entender. Ele começou sua carreira no circo (a sua primeira esposa era trapezista) e apesar de ter alcançado o sucesso como ator jamais esqueceu o período em que viveu no mundo circense. Após alguns testes Burt sugeriu ao diretor Carol Reed que contratasse Tony Curtis. Ele tinha os atributos certos para o papel. Além de ser jovem tinha também habilidades atléticas que iram ajudar muito nas filmagens. Como estrelava vários filmes de capa e espada Tony foi logo considerado ágil o suficiente para se sair bem nas cenas de picadeiro. Já a escolhida para o principal papel feminino foi a atriz italiana Gina Lollobrigida. Embora tivesse uma extensa filmografia em seu país estrelaria pela primeira vez uma produção norte-americana.

O filme Trapézio acabou se tornando um grande sucesso de bilheteria. Também pudera, tinha todos os ingredientes para se tornar um êxito nos anos 50: um cenário exótico, uma beldade estrangeira, um romance à flor da pele, um astro de primeira linha e um coadjuvante que despontava para o estrelado. Pela primeira vez em sua carreira Curtis finalmente era levado à sério. Seu papel nem era tão destacado mas ele fez o suficiente para não fazer feio. O argumento do filme também ajudava já que não se tratava de um dramalhão onde fosse exigido muito dos atores, no fundo era um passatempo leve, com boas cenas coreografadas de trapézio, filmadas com profissionais do ramo (muito embora os atores também tenham filmado cenas menos perigosas). A parceria com Burt Lancaster ainda renderia mais um bom filme a Tony Curtis no ano seguinte: A Embriaguez do Sucesso, onde seria extremamente bem elogiado pela crítica. Com tudo isso hoje Tony pode dizer que esse filme foi na realidade o verdadeiro trampolim para os seus melhores anos, que iriam atravessar o restante da década de 50 e 60, graças especialmente ao grande astro e estrela de primeira grandeza na constelação de Hollywood, Burt Lancaster.

O Oeste Selvagem
Buffalo Bill and the Indians (no brasil, O Oeste Selvagem) é um inteligentissimo filme do aclamado diretor Robert Altman que aqui prova mais uma vez seu grande talento como cineasta. O roteiro conta a histórica verídica do grande mito do western americano Buffalo Bill. O personagem por si só já era extremamente rico em detalhes e nuances e caiu como uma luva nessa película que brinca com o imaginário popular ianque. Para quem não sabe Buffalo Bill (nome artistico de William Cody) foi um verdadeiro Barão de Munchausen da história dos Estados Unidos. Pródigo em contar lorotas e inventar histórias sobre si mesmo que nunca aconteceram na vida real, Bill criou toda uma mitologia em torno de si. Um dia teve a brilhante idéia de criar todo um show em cima de suas fantasias e acabou criando um espetáculo com alto teor circense composto por cowboys falsos, índios de araque e bandidos de mentirinha. Era denominado Oeste Selvagem e foi uma mina de ouro para seu criador, o tornando extremamente rico e bem sucedido. Embora fosse um mentiroso contumaz Bill acabou criando, sem querer, todos os clichês que até hoje conhecemos da mitologia do western. Os filmes mudos, surgidos no nascimento do cinema, eram claramente inspirados nas encenações do espetáculo de Buffalo, que também teve sua mitológica figura explorada por vários filmes do gênero nos anos seguintes à sua morte.

Em Buffalo Bill and the Indians, somos levados a conhecer um período bem interessante da vida de Bill, quando ele contratou um mito de verdade do velho oeste para estrelar seu show, o cacique Touro Sentado, famoso por seus feitos contra o exército americano. As cenas em que ambos contracenam mostram verdadeiros duelos entre o personagem de ficção auto inventado e o homem que realmente vivenciou toda a luta pela conquista do oeste selvagem (Touro Sentado). O farsante e o real em lados opostos. Enquanto um vive de contar mentiras sobre si mesmo o outro tenta apenas sobreviver com o pouco de dignidade que ainda lhe resta e de quebra tenta ajudar seu povo, nessa altura da história completamente subjugado pelos brancos. O choque entre a dura realidade e a mais pura fantasia escapista é o grande mérito dessa brilhante e ácida crítica em cima da construção de mitos irreais, que é bem típica da sociedade consumista e vazia dos norte-americanos. Paul Newman na pele do deslumbrado ídolo está perfeito, numa daquelas atuações que dificilmente esquecemos. A própria surrealidade do cotidiano de Bill (que gostava de namorar cantoras de óperas fracassadas), reforça e torna ainda mais forte sua caracterização. Por fim temos uma participação extremamente inspiradora do grande mito Burt Lancaster. Fazendo o papel de uma pessoa do passado de Bill (que obviamente conhece todas as suas invencionices), Lancaster empresta uma dignidade ímpar a essa película. Sem dúvida Buffalo Bill and the Indians é um excelente filme que nos leva a pensar em vários temas relevantes, como a própria destruição da cultura indígena e a dignidade desse povo que foi massacrado impiedosamente pelos colonos americanos. Um libero que merece ser conhecido por todos.

Entre Deus e o Pecado
Baseado na obra homônima do escritor americano Sinclair Lewis - o primeiro americano a ganhar o Nobel de Literatura em 1930 - o clássico, "Entre Deus e o Pecado" (Elmer Gantry - 1960) é uma das maiores pérolas do cinema. No filme, produzido e dirigido por Richard Brooks (Os Profissionais), a apoteose fica por conta de Burt Lancaster com uma atuação vigorosa e arrasadora que lhe rendeu o Oscar de melhor ator. Lancaster vive Elmer Gantry, um sujeito boa pinta, oportunista, imoral, charmoso e falastrão. Desempregado e sem muitas perspectivas, sua vida começa a mudar quando por acaso, conhece, num culto evangélico, a pregadora transluzente e angelical, Sharon Falconer (Jean Simmons). A evangélica que comanda uma pequena empresa de evangelização, vive de viajar pelo meio-oeste americano levando a palavra de Deus. A partir daí, o velhaco Gantry entra em cena e põe em prática todo o seu charme na tentativa de aproximar-se da bela pregadora. Depois de muitas investidas e tentativas, finalmente o malandro consegue a aproximação com a evangélica, e, juntos, começam a pregar a palavra de Deus por cidadezinhas americanas. A ambição, a oratória fulminante e o incrível carisma de Gantry, não só, deixa multidões embevecidas e convencidas, como também transforma uma simples e recatada evangélica numa verdadeira (e milionária) celebridade conhecida em todo país. Os planos de rapinagem do pilantra vão de vento em popa, até que um dia, quando atacado pela Imprensa, o passado do malandro vem à tona: querendo desmentir os jornalistas que o chamaram de charlatão e aproveitador, Gantry reúne uma horda de fanáticos e começa a limpar a cidade, destruindo cassinos e bordéis. Num dos bordéis, Gantry da de cara com Lulu Bains (Shirley Jones) - prostituta e ex-caso do testosterônico pregador.

Sem saída e surpreso com o encontro, Gantry pede que todos saiam e poupem as prostitutas, salvando assim a pele da garota que ele havia seduzido quando ela tinha apenas 17 anos. Depois de descobrir as armações do ex-amante, Lulu faz-lhe ameaças e chantagens em troca de dinheiro. O roteiro, que chegou a ser proibido em várias cidades americanas, e até em alguns países, é sensacional e recheado de surpresas. A fotografia é magnífica e o technicolor, acentuado por cores vibrantes, encaixa-se de forma perfeita com a paisagem e a alegria voluptuosa e histriônica de Grant. Forçado por um destino que emerge soberano entre desejos e interesses, o triunvirato, Grant, Falconer e Lulu, caminha célere em direção a uma convergência, não só reveladora, mas também trágica. O tanino e o mel que movem o organismo do impávido Grant, traçam um perfil sinistro, transformando-o num bólido impiedoso que varre tudo a sua volta. A fé impenetrável e inabalável da irmã Falconer, juntamente com sua oratória emocionante, vai aos poucos dando lugar a uma paixão cega pelo pilantra. A vingança gélida, premeditada e envernizada de autocomiseração da prostituta Lulu são as trombetas que anunciam um final arrebatador e inacreditável. Um tripé de gala que elevou à condição de clássico o excelente roteiro e direção de Richard Brooks. O filme abocanhou três Oscars: de ator para Burt Lancaster, de atriz coadjuvante para Shirley Jones (a prostituta e ex-caso de Elmer Gantry) e de roteiro adaptado para Richard Brooks. Teve ainda indicações para o prêmio de melhor filme e melhor trilha sonora, para André Previn. Clássico imperdível. Nota 10

O Homem de Alcatraz
 
Robert Stroud (Burt Lancaster) é um prisioneiro condenado à morte pelo assassinato de um barman numa briga de bar no Alaska. Tentando livrar seu filho da morte por enforcamento sua mãe resolve apelar para a esposa do presidente americano Woodron Wilson que, comovida pela luta da pobre senhora por seu filho, resolve permutar a pena de morte de Stroud para prisão perpétua em segregação (ou seja ele não poderia interagir com outros presos, ficando a maior parte do tempo solitário e isolado). Livre da morte ele então parte para cumprir sua pena de prisão em uma penitenciária federal. Certa tarde no pátio prisional ele acaba resgatando um pequeno pardal machucado e o leva para sua cela. Lá tenta ajudar o pequeno animal. O que começa com um simples ato de solidariedade acaba virando um assunto de enorme interesse para Stroud que a partir daí começa a estudar e ler livros sobre o tema, se tornando, mesmo dentro da prisão, uma das maiores autoridades científicas sobre patologias de aves. Dez anos depois é finalmente transferido para a terrível prisão de Alcatraz onde acaba se tornando um de seus prisioneiros mais famosos. A história de Stroud parece ficção mas não é, foi inspirada na vida do chamado “Birdman of Alcatraz”, um prisioneiro que sozinho aprendeu sobre ciências dentro de sua cela, lendo livros, artigos e tratados sobre diversos assuntos, entre eles veterinária, química, anatomia, fisiologia, histologia e até mesmo medicina! De fato ainda em vida Stroud foi analisado por especialistas e se constatou que ele tinha um QI de gênio, algo absolutamente fora do normal.

O filme “O Homem de Alcatraz” foi realizado um ano antes de sua morte em 1963 (infelizmente ele nunca chegou a assistir sua própria história no cinema) Apesar de todo o reconhecimento que teve por seus livros, ensaios e artigos publicados, Stroud jamais conseguiu aquilo que mais desejava na vida: recuperar sua liberdade. Morreu doente e abandonado, na prisão, após escrever um livro sobre o sistema penitenciário americano. Esse livro causou sensação em seu lançamento pois Stroud na época chamou atenção da administração Kennedy para o problema nas prisões do país. O próprio presidente Kennedy via nele um exemplo claro de que o sistema penal em vigor era falho e não propenso a dar uma segunda chance a ninguém, nem mesmo a um gênio como Stroud. Após o filme ter sido lançado vários livros sobre o prisioneiro foram lançados trazendo mais luz sobre sua vida pessoal. Algumas dessas biografias mostraram que há uma certa distância entre o que vemos no filme e o que aconteceu realmente. Por exemplo, não restam dúvidas que Stroud tinha um QI de gênio mas no mesmo exame em Alcatraz se constatou também que ele tinha uma personalidade psicopata (algo omitido no roteiro). Era violento e perigoso e muitos que o conheceram pessoalmente e assistiram ao filme depois não concordaram com a caracterização de Burt Lancaster, mostrando um sujeito doce e suave. De qualquer forma, mesmo com essas diferenças, não há como negar que “O Homem de Alcatraz” é uma excelente obra, digna de todo o status que tem (considerado um dos cem melhores filmes da história do cinema americano pelo American Film Institute). Historicamente ele pode até não ser muito fiel aos fatos reais mas não há como negar que do ponto de vista meramente artístico é uma obra prima digna de aplausos. Além disso levanta muitos temas pertinentes para discussão, colocando em debate o real propósito das prisões. Será que o sistema prisional realmente reabilita algum criminoso? Ou tudo não passa de meras teorias acadêmicas vazias? Assista ao filme e tire suas próprias conclusões.

O Discípulo do Diabo
Durante o período colonial um arrogante comandante militar inglês, o general Burgoyne (Laurence Olivier) tenta manter uma província da colônia sob controle, combatendo e perseguindo os rebeldes nativos que desejam a independência do país. Durante um enforcamento de um líder rebelde, um religioso local, o reverendo Anthony Anderson (Burt Lancaster), solicita ao comando militar britânico para que o morto seja enterrado sob a tradição cristã mas o pedido é negado. Após o roubo do corpo por Richard Dudgeon (Kirk Douglas) a repressão aumenta, criando um clima de terror na região. “O Discípulo do Diabo” é um filme extremamente curioso. Realizado em 1959 o filme foca seu roteiro na antevéspera da revolução americana, quando os colonos, cansados da exploração da metrópole britânica, começam a despertar o sentimento de nacionalismo e independência.

O elenco reúne três grandes mitos do cinema da época, Kirk Douglas (fazendo a ovelha negra de sua rica família, encarnando um personagem anárquico e irreverente), Burt Lancaster (fazendo um religioso com punhos fortes) e finalmente Laurence Olivier (em boa caracterização de um militar inglês pomposo mas consciente da fragilidade de suas tropas em vista do crescente aumento do número de rebeldes dentro da colônia). O interessante é que o roteiro intercala um tom mais sério com cenas mais leves, até românticas, tudo em menos de 90 minutos de duração. Há boa reconstituição histórica e uma curiosa linha narrativa feita em animação para situar o espectador sobre o contexto histórico em que o enredo se desenvolve. Hoje em dia alguns aspectos do argumento podem soar inocentes (como a troca de identidade entre os personagens de Kirk Douglas e Burt Lancaster) mas no saldo final tudo é muito bem realizado e mantém o interesse. Fica a dica para quem gosta de filmes enfocando o período colonial da história norte-americana.

Sem Lei e Sem Alma
Entre tantas histórias que ficaram célebres no velho oeste poucas conseguiram alcançar a fama do tiroteio ocorrido no Ok Corral em Tombstone, Arizona. De um lado o lendário xerife Wyatt Earp (Burt Lancaster), seus irmãos e Doc Holliday (Kirk Douglas), do outro lado o bando dos irmãos Clanton. Ambos se enfrentaram face a face, cada um a poucos metros do outro, armas em punho, um duelo que entrou para a história e que foi fartamente explorado no cinema durante todos esses anos. Esse "Sem Lei e Sem Alma" é até hoje considerado uma das melhores versões já feitas sobre o evento. O roteiro é extremamente bem trabalhado, nitidamente dividido em dois atos que se fecham e se complementam de forma perfeita. No primeiro ato acompanhamos a chegada de Wyatt Earp numa pequena cidade do velho oeste. Ele vem no encalço de Johnny Ringo (John Ireland) e seu bando. Lá se aproxima do pistoleiro e jogador inveterado Doc Holliday e acaba salvando sua vida ao ajudá-lo a fugir de seu próprio linchamento. No segundo ato encontramos os personagens já em Tombstone, a lendária cidade, onde nos 15 minutos finais do filme ocorrerá o famoso confronto no O.K. Corral.

Burt Lancaster e Kirk Douglas estão perfeitos em seus papéis. Kirk Douglas em especial encontrou grande afinidade entre sua própria personalidade expansiva e extrovertida e a figura do lendário Doc Holliday. Esse como já tive a oportunidade de escrever é realmente um personagem à prova de falhas. Um dentista corroído pela tuberculose que ocupava todo seu tempo jogando cartas e se envolvendo em confusões pelas cidadezinhas por onde passava. O que fazia de Doc um ótimo pistoleiro é que seu instinto de preservação já não era tão acentuado pois sempre se via no limite, à beira da morte, por isso para ele tanto fazia morrer em um tiroteio ou escapar vivo para mais um duelo à frente. Sua frieza e pontaria certeira o transformaram em uma lenda do velho oeste. Já Wyatt Earp também encontrou um ator ideal em Burt Lancaster. Íntegro, honesto e temido, procurava manter a lei em uma região infestada de facínoras e bandoleiros. O duelo no O.K. Curral foi apenas uma das inúmeras histórias envolvendo esse famoso homem da lei. Para finalizar é bom salientar que a despeito de sua imensa qualidade cinematográfica, "Sem Lei e Sem Alma" não é completamente fiel aos fatos históricos. O próprio duelo final, razão de existência do filme, não ocorreu da forma mostrada no filme. De fato os eventos reais foram bem mais simples, pois os dois grupos rivais estavam frente a frente, a poucos metros uns dos outros. No filme há toda uma sequência de cenas que não existiram como a queima da carroça, por exemplo. Johnny Ringo, o famoso pistoleiro, também não estava no confronto do O.K. Ele foi morto tempos depois no meio do deserto. Suspeita-se que foi morto por Doc Holliday pois ambos tinham uma rivalidade antiga que só seria resolvida com armas em punho. De qualquer forma esses detalhes em nada diminuem a extrema qualidade de "Sem Lei e Sem Alma", que hoje é considerado merecidamente um dos melhores westerns já realizados. Uma obra prima certamente.


Obs: Em breve novos filmes de Burt Lancaster serão acrescentados à lista. Aguardem.

Textos de autoria de Pablo Aluísio e Júlio Abreu, exceto "O Trem" e "Entre Deus e o Pecado" de autoria de Telmo Vilela Jr.

domingo, 22 de julho de 2012

Meu Nome é Coogan

"Meu Nome é Coogan" é um dos filmes mais curiosos da filmografia de Clint Eastwood. Aqui ele interpreta um assistente de Xerife do Arizona que vai até Nova Iorque trazer um prisioneiro sob custódia. O roteiro se baseia justamente no choque cultural entre o sujeito durão, red neck do interior, e a grande cidade e seus costumes modernos, com resquícios ainda da geração Hippie (entenda-se muita amor livre, drogas e promiscuidade, como convém ao clima ideológico reinante dentro dos jovens rebeldes da década de 1960). O roteiro obviamente brinca com a imagem de Eastwood de seus famosos faroestes e tenta tirar humor em cima da diferença de personalidade entre o sujeito austero e conservador com o ambiente liberal da cidade grande. O enredo poderia render muito mais na minha opinião mas em seus 90 minutos vamos acompanhando muita perda de potencial do filme, justamente porque os roteiristas insistiram em criar um romance pouco convincente entre Clint e uma psicóloga (interpretada pela atriz Susan Clark). Isso quebrou a coluna dorsal do filme pois o aspecto policial foi bastante prejudicado pelo quebra de ritmo do romance bem no meio da trama.

Embora não seja um western Clint Eastwood repete seus personagens dos filmes de faroeste, só que aqui a ação obviamente se desloca para uma Nova Iorque sufocante, dos tempos atuais. A direção de Don Siegel se perde um pouco por causa dessa indecisão do roteiro pois o filme não se decide em ser um filme de ação ou um romance mostrando a diferença de costumes do casal. Uma hora o filme se torna ágil e rápido para depois cair em cenas absurdamente chatas e arrastadas. Enfim, "Meu Nome é Coogan" é um bom policial com jeitão de western mas seguramente poderia ser bem melhor se não tivessem apelado tanto para o namorico de fotonovela do personagem principal.

Meu Nome é Coogan (Coogan´s Bluff, EUA, 1968) Direção: Don Siegel / Roteiro: Herman Miller / Elenco: Clint Eastwood, Lee J. Cobb, Susan Clark, Don Stroud / Sinopse: Coogan (Clint Eastwood) é um xerife do Arizona que tenta recapturar um fugitivo nas ruas movimentadas de Nova Iorque.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Scott Pilgrim Contra o Mundo

O filme é baseado na história em quadrinhos “Scott Pilgrim Volume 1: Scott Pilgrim´s Precious Little Life” de Byran Lee O´Malley e conta a estória de Scott Pilgrim, um jovem de 23 anos que tem uma banda de rock descolada e é apaixonado pela garota mais bonita da escola. Mal sabe ele que sua vida se transformará numa grande aventura para conquistar o amor da jovem de seus sonhos. O filme pode ser visto de duas maneiras diferentes. A primeira é analisando a forma em que a estória é contada. Nesse aspecto Scott Pilgrim é muito bom, nenhuma cena é mostrada de forma convencional e a linguagem empregada na narrativa é muito criativa e bem bolada. Nem preciso dizer que referências pop pipocam a cada segundo. A outra maneira de ver o filme é focando seu conteúdo. Nesse aspecto realmente não há muita novidade. O argumento traz os velhos problemas da juventude que já vimos muitas vezes no cinema antes. Basicamente é aquele jogo de "ela ama ele que ama outra". Scott Pilgrim na verdade é somente isso, um clichê adolescente contado de forma cool.

No elenco se destacam apenas o Michael Cera (repetindo pela milionésima vez o mesmo personagem o que me faz perguntar o que será de sua carreira quando ele não for mais jovem?). A gatinha Mary Elizabeth Winstead (que faz Ramona) também é talentosa e tem potencial pois sua interpretação não foi prejudicada nem pelas perucas horrorosas que tem que usar durante o filme (alguém roubou o guarda roupa da Marimoon?). A direção do jovem Edgar Wright também não compromete e faz com que o filme não caia no aborrecimento (o que já uma vantagem e tanto). Enfim, Scott Pilgrim é um filme mais indicado se você tiver menos de 17 anos e gostar de games. Fora isso pode entreter por causa da narrativa criativa e é só.

Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. The World, EUA, 2010) Direção: Edgar Wright / Roteiro: Michael Bacall, Edgar Wright / Elenco: Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead, Kieran Culkin, Wallace Wells, Chris Evans, Lucas Lee, Anna Kendrick, Brandon Routh, Alison Pill, Jason Schwartzman / Sinopse: O filme é baseado na história em quadrinhos “Scott Pilgrim Volume 1: Scott Pilgrim´s Precious Little Life” de Byran Lee O´Malley e conta a estória de Scott Pilgrim, um jovem de 23 anos que tem uma banda de rock descolada e é apaixonado pela garota mais bonita da escola. Mal sabe ele que sua vida se transformará numa grande aventura para conquistar o amor da jovem de seus sonhos.

Júlio Abreu.

sábado, 21 de julho de 2012

Fronteira Proibida

Um grupo de soldados do exército sueco é enviado para um posto avançado na fronteira do país com a Noruega durante a II Guerra Mundial. A região é local de extrema tensão pois as forças alemãs ocupam o território norueguês e há indícios de uma eminente invasão nazista no território sueco."Fronteira Proibida" é uma interessante produção que enfoca um dos temas menos conhecidos da II Guerra - os conflitos e batalhas travadas nos países nórdicos. Hitler não deixou esses países de lado e mesmo tendo várias frentes poderosas para enfrentar (como a frente ocidental contra Inglaterra e França e a Oriental contra as forças de Stalin) tinha planos de ocupação de vários países da região. O exército sueco era fraco, contava com armamentos arcaicos e não tinha chances contra uma invasão em massa do Terceiro Reich em seu país.

O filme porém não se concentra na situação mais global do que estava acontecendo em termos de geopolítica mas sim na delicada situação de apenas seis soldados suecos que acabam entrando no território norueguês para recuperar um de seus membros. A incursão ao território inimigo os leva inexoravelmente ao conflito contra as tropas alemãs estacionadas na região. Ao individualizar o argumento o roteiro acabou criando pontos positivos mas também negativos. O ponto positivo é que com o foco mais centralizado houve maior oportunidade de desenvolver os personagens individualmente. Além disso as cenas de combate e ação ficaram mais enxutas (todas filmadas em uma região extremamente bela da fronteira entre os dois países, um local de neve eterna, diga-se de passagem). O ponto negativo é que se perdeu uma boa oportunidade de mostrar mais a tensão entre as tropas suecas e alemãs no campo de conflito. De qualquer forma não há como negar que "Fronteira Proibida" é um competente entretenimento demonstrando todo o excelente nível técnico em que se encontra o cinema sueco atualmente. Indicado para os que querem conhecer melhor o cinema dos países do extremo norte europeu.

Fronteira Proibida (Gränsen, Suécia, 2011) Direção: Richard Holm / Roteiro: André Sjöberg, Johnny Steen / Elenco: André Sjöberg, Antti Reini, Bjørn Sundquist / Sinopse: Um grupo de soldados do exército sueco é enviado para um posto avançado na fronteira do país com a Noruega durante a II Guerra Mundial. A região é local de extrema tensão pois as forças alemãs ocupam o território norueguês e há indícios de uma eminente invasão nazista no território sueco.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Predadores

Um grupo de pessoas é jogado numa selva desconhecida. Em pouco tempo descobrem que estão sendo caçados por criaturas desconhecidas em um local que também não conseguem identificar. Não tardará para descobrirem que estão em um outro planeta sendo na verdade caçados por alienígenas conhecidos como Predadores. Eu fui com a maior boa vontade assistir a esse filme. Sabia que era uma tentativa bem intencionada dos estúdios em reviver uma franquia que andava mal das pernas, à beira do cancelamento. Ao contrário dos desconhecidos dos filmes anteriores agora chegaram a inclusive contratar atores bons, como Adrien Brody e Laurence Fishburne. Até o diretor mudaram, trazendo o bom Nimród Antal (de "Temos Vagas" e "Assalto ao Carro Blindado"). Com tantas mudanças adiantou alguma coisa? Lamento informar mas foi tudo em vão. O filme é completamente derivativo, ou seja, não inova em nada e tudo o que acontece em cena você já viu antes se assistiu a pelo menos um filme da franquia.

O roteiro é o mesmo de todos os demais filmes. O argumento idem. A presença dos atores não faz a menor diferença (Fishburne por exemplo aparece por pouco mais de 10 minutos, lê uma página de diálogos e é logo despedaçado em cena). Roteiros e situações clichês, fotografia absurdamente escura (velho problema da franquia que se repete) e um final nada inspirado. Para completar nem os efeitos especiais empolgam (de novo apenas uma cena de ataque de animais alienígenas que se é bem feita também dura muito pouco). Nem a mudança de local (eles agora estão em um planeta distante) faz a menor diferença (pois a selva é igualzinha a do planeta terra). Enfim, dinheiro e boas intenções jogadas fora. Se você já viu algum Predador em sua vida nem se preocupe em ver esse, pois definitivamente esse filme você também já assistiu. Melhor rever o original com Arnold Schwarzenegger.

Predadores (Predators, EUA, 2010) Direção: Nimród Antal / Roteiro: Alex Litvak, Michael Finch / Elenco: Adrien Brody, Laurence Fishburne, Topher Grace / Sinopse: Um grupo de pessoas é jogado numa selva desconhecida. Em pouco tempo descobrem que estão sendo caçados por criaturas desconhecidas em um local que também não conseguem identificar. Não tardará para descobrirem que estão em um outro planeta sendo na verdade caçados por alienígenas conhecidos como Predadores.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Rambo II - A Missão

Após os acontecimentos do primeiro filme John Rambo (Sylvester Stallone) é enviado em uma missão secreta pelo governo norte-americano para o sudeste asiático. Seu objetivo é se infiltrar na selva para confirmar ou não a existência de campos de prisioneiros americanos da guerra do Vietnã. Tudo que deveria fazer era fotografar os campos caso existentes e retornar para os EUA. Porém Rambo tem outros planos para seus antigos companheiros de guerra, agora prisioneiros em condições deploráveis. "Rambo II - A Missão" é até hoje considerado um dos melhores filmes da franquia. Não há a carga dramática do primeiro filme, aqui o foco é realmente na ação pura e simples. Rambo surge finalmente com as características que iriam lhe definir nos filmes seguintes, ou seja, um super soldado, treinado nas melhores técnicas e que de posse de material de alta tecnologia era capaz de enfrentar sozinho todo um exército. Quando lançado o filme fez tanto sucesso de bilheteria que no Brasil ocorreu um fenômeno raro, a produtora a pedido dos exibidores, promoveu um relançamento do primeiro filme nos cinemas, um fato único ocorrido naquela época.

Além do relançamento do filme original o sucesso de Rambo II consolidou o personagem como herói multimídia no mercado. Rambo virou coleção de brinquedos, desenho animado e marca para licenciamento de produtos como lancheiras, cadernos e tudo o mais que se possa imaginar. Nascido como personagem de literatura Rambo virou ícone da cultura pop moderna. Muito disso se deve a visão dos produtores Mario Kassar e Andrew G Vajna que sabiam que poderiam transformar Rambo em um produto de sucesso no mercado. Outro aspecto curioso de Rambo II é que ele virou tema de uma boba patrulha ideológica em seu lançamento. O personagem Rambo logo foi associado ao setor mais reacionário da política externa americana, sendo ligado ideologicamente ao estilo linha dura do presidente americano Ronald Reagan (que chegou a declarar publicamente que Rambo era um de seus personagens preferidos). Pura bobagem. "Rambo II - A Missão" é apenas um competente filme de ação dirigido com maestria pelo especialista George P. Cosmatos (falecido em 2005). Qualquer leitura política ou social de Rambo é mera bobagem. O que vale em si é a aventura e o entretenimento aqui, coisa que o filme cumpre muito bem, diga-se de passagem.

Rambo II - A Missão (Rambo: First Blood Part II, EUA, 1985) Direção: George P. Cosmatos / Roteiro: Sylvester Stallone, Kevin Jane e James Cameron baseados no personagem criado por David Morrell / Elenco: Sylvester Stallone, Richard Grenna, Charles Napier, Steven Berkof / Sinopse: Após os acontecimentos do primeiro filme John Rambo (Sylvester Stallone) é enviado em uma missão secreta pelo governo norte-americano para o sudeste asiático. Seu objetivo é se infiltrar na selva para confirmar ou não a existência de campos de prisioneiros americanos da guerra do Vietnã. Tudo que deveria fazer era fotografar os campos caso existentes e retornar para os EUA. Porém Rambo tem outros planos para seus antigos companheiros de guerra, agora prisioneiros em condições deploráveis.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Alexandre I da Rússia

Alexandre I - Muito se fala sobre Napoleão Bonaparte e suas conquistas. A questão histórica importante porém é que Napoleão foi vencido e ao final das intermináveis guerras napoleônicas terminou como um derrotado, tanto no campo de batalha como na política. Os vencedores nem sempre são muito lembrados. É o caso do Czar Alexandre I da Rússia que ajudou a destruir os planos de Napoleão em conquistar todo o mundo ocidental. Alexandre nasceu no berço da luxuosa corte da grande imperatriz Catarina. Desde criança ele se tornou um preferido dela, a ponto de Catarina ter caprichado em sua educação, o enviando para estudar fora da Rússia. Ela queria um sucessor educado, preparado e capaz para após sua morte guiar o Império russo.

Ele, apesar de fazer parte de uma das nobrezas mais absolutistas da história, acabou tendo uma educação liberal, baseada em muitos dos preceitos e filósofos da França revolucionária. Talvez essa formação iluminista explique vários momentos de seu reinado. De qualquer forma Alexandre I subiu ao trono russo em 1801, após a morte de seu pai. Ele inicialmente revelou-se ser um grande administrador, abrindo escolas por toda a Rússia, ampliando o sistema educacional para formar uma geração de pensadores e intelectuais. Nesse aspecto Alexandre inspirou-se em sua própria história pessoal. O acesso que ele teve aos melhores professores e mestres do mundo o levou em frente para que toda criança russa tivesse também uma educação de qualidade.

Antes porém de levar seus planos administrativos internos adiante estourou as diversas guerras napoleônicas por toda a Europa. É interessante notar que no começo Alexandre I manteve uma certa simpatia por Napoleão Bonaparte e seus ideais. Afinal o imperador francês era fruto da revolução francesa e tendo uma formação iluminista, Alexandre logo simpatizou com a sua causa. Isso porém não durou muito. Sob a verniz de liberal e defensor dos valores revolucionários, Napoleão nutria um desejo de conquista sem fim. No fundo ele queria destruir todas as nobrezas da Europa sem exceção. E isso o colocava em rota de colisão contra o Czar russo. O destino foi selado quando Napoleão resolveu invadir a Rússia. Sua campanha porém foi um desastre. Além da corajosa defesa do exército russo, a própria natureza impiedosa tratou de destruir os planos do imperador francês. A neve, a lama e as terras que pareciam não ter fim foram matando as tropas de Napoleão, tanto de fome como de frio. Na verdade a invasão da Rússia significou o fim das guerras de expansão do violento tirano francês. Após a derrota na Rússia, Napoleão nunca mais seria o mesmo. O curioso é que a guerra também mudou a personalidade de Alexandre. Se no começo de seu reinado ele mostrou-se um homem antenado com os ideais iluministas, no fim de sua vida, tornou-se bem mais conservador e religioso, valorizando o passado e as tradições da sociedade russa.

Nos anos finais de sua vida ele enfrentou problemas internos e externos. Em vários momentos pensou em abdicar, principalmente após a morte de sua filha querida a quem era muito próximo. Durante uma estadia no mar de Azov, o Czar Alexandre caiu doente. Ele havia contraído Malária, uma doença muito séria, sem possibilidade de cura na época. Aos poucos foi declinando até morrer em 1825 com apenas 47 anos de idade. O grande legado de Alexandre I foi ter derrotado Napoleão Bonaparte. Suas iniciativas em melhorar a vida do povo russo também depõem em seu favor. De qualquer forma uma coisa parece certa: pelas conquistas e vitórias Alexandre I deveria ser bem mais lembrado nos dias de hoje.

La Herencia Valdemar II - La Sombra Prohibida

A saga da Mansão Valdemar continua nessa que pode ser considerada uma das piores continuações que se tem notícia. Aqui o mistério segue. A personagem Luisa do primeiro filme continua desaparecida e ninguém sabe ao certo o que se passou dentro da mansão Valdemar anos antes, até que dois amigos de Luisa decidem ir até o final para encontrar o destino de seu paradeiro. Mal sabem que estão se metendo com terríveis forças do mal. "Valdemar 2" é terrível, não no aspecto de ser terrível para amedrontar o espectador mas terrível no sentido de ser ruim mesmo. A produção aparenta ser das mais modestas e pobres e o roteiro não tem direção, saindo de lugar nenhum para chegar a coisa alguma. Sendo muito sincero até agpra não sei como mas consegui chegar ao final desse filme hoje. Meu veredito é muito simples: Valdemar 2 é realmente horrível!

Ok, o primeiro já não era lá essas coisas mas tinha seu charme, bonita direção de arte e tudo mais. Claro que o roteiro era no fundo apenas um terror adolescente mas tudo bem, vá lá... com um pouco de boa vontade dava para assistir. Esse 2 porém não tem nada que preste. Pra começar nem a mansão aparece, provavelmente por falta de grana. Além disso tudo gira em torno de uma seita boboca e chata que quer libertar Satã fazendo sacrifícios humanos com bebezinhos - Poxa vida, vamos ser sinceros, quantas vezes isso já foi mostrado no cinema? Zilhões de vezes ora! Tudo é falso, tudo é mal feito e nem a cena final com o diabão lá convence! Outro problema é o excesso de personagens medíocres que surgem e somem na mesma velocidade, alguns bizarros. Tem um cara que conversa com manequins de loja como aqueles que aparecem nas vitrines e não se sabe direito o porquê disso e qual é a importância desse personagem para o resto da trama... Enfim, fujam para as colinas, corram por suas vidas e não encarem essa patetada. Nota Zero.

La Herencia Valdemar II - La Sombra Prohibida (Espanha, 2011) / Direção: Jose Luis Aleman / Elenco: Silvia Abascal, Óscar Jaenada (Nicolás Trémel) / Sinopse: A saga da Mansão Valdemar continua nessa que pode ser considerada uma das piores continuações que se tem notícia. Aqui o mistério segue. A personagem Luisa do primeiro filme continua desaparecida e ninguém sabe ao certo o que se passou dentro da mansão Valdemar anos antes, até que dois amigos de Luisa decidem ir até o final para encontrar o destino de seu paradeiro. Mal sabem que estão se metendo com terríveis forças do mal.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Último Exorcismo

Alguns filmes nunca morrem. O maior exemplo é "O Exorcista" que mesmo após tantos anos de seu lançamento segue sendo imitado. Esse "O Último Exorcismo" é mais uma produção que tenta pegar carona no sucesso do filme original. O roteiro segue o estilo "Bruxa de Blair", ou seja, é um falso documentário ou como os americanos gostam de chamar, um "Mockumentary". Após o lançamento esse terror acabou ficando famoso entre os fãs do gênero por dois motivos básicos. O primeiro é o fato de que nada do que é visto em seu material promocional aparece nas telas. As cenas retratando uma garota subindo pelas paredes ou dobrando a coluna (como visto ao lado) só existem nos posters do filme pois em momento algum durante o filme algo assim chega a aparecer. Pior é que a atriz que interpreta a garota possuída quase não aparece e quando surge em cena sua "atuação" é simplesmente medonha (no mal sentido). Outro aspecto que ficou falado é o péssimo, péssimo mesmo, final da estória. Simplesmente constrangedor a forma como se dá o desfecho de tudo aquilo que pacientemente assistimos até aquele momento.

O novato diretor Daniel Stamm não tem a menor sutileza para lidar com o tema de possessões. Tudo é exagerado, banalizado, histérico. Não se cria um clima de suspense adequado e nem um desenvolvimento eficiente, tudo vai acontecendo ao acaso, sem brilho, sem empolgação. As cenas são escuras, tremidas, desfocadas - no estilo "alguém grita, todo mundo corre, você não vê nada, tudo tremido e por aí vai." O final, como eu já frisei, realmente é um lixo completo, aquela situação toda que foi criada foi um anticlímax total. Confesso que pelo menos enquanto havia a questão da garota e do exorcismo até fiquei prestando a atenção no que acontecia mas quando chega os minutos finais do filme cai a máscara do trash e da falta de idéias novas. Uma boa idéia que ficou pelo meio do caminho? Sim, deveriam ter feito pelo menos um filme de verdade com o argumento.

O Último Exorcismo (The Last Exorcism, EUA, 2010) Direção: Daniel Stamm / Roteiro: Huck Botko, Andrew Gurland / Elenco: Patrick Fabian, Ashley Bell, Iris Bahr / Sinopse: Em uma fazenda distante no interior um pai chama um reverendo famoso, Cotton Marcus (Patrick Fabian), para exorcizar sua filha que estaria supostamente possuída pelo demônio.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Rambo - Programado Para Matar

John Rambo (Sylvester Stallone) é um veterano da guerra do Vietnã que chega em uma pequena cidade do interior dos EUA e acaba sendo hostilizado pelo xerife local, o truculento policial Teasle (Brian Dennehy). Caçado como um criminoso Rambo acaba utilizando seu treinamento militar para se defender e dar o troco ao corrupto tira. "Rambo - First Blood" mudou o cinema de ação no começo da década de 80. O filme inovava em vários aspectos, entre eles a forma como o roteiro lidava com a situação do personagem principal, John Rambo, que naquele momento era a personificação da derrota americana no Vietnã. Culpado e tratado como um derrotado pelos caipirões de uma cidadezinha do interior só lhe restava se defender da melhor forma possível, mesmo que isso significasse praticamente varrer a cidade do mapa. Muita gente não parou para pensar sobre isso mas "Rambo" pode ser considerado facilmente como um dos filmes mais influentes do moderno cinema americano. Depois dele criou-se toda uma estética de filmes de ação, de pura violência e pirotecnia, que fez escola e que de tanto ser imitado acabou desgastando o produto original. Rambo marcou o cinema na década de 80 de forma definitiva, para o bem ou para o mal. Essa produção e sua continuação, "Rambo II a Missão", redefiniram os filmes de ação e criaram uma infinidade de imitações. Era o típico "filme pra macho", muita porrada, muita ação e pouco papo. Fez escola e de tão copiado ao longo dos anos virou clichê.

A ironia disso tudo é que essa nunca foi a intenção do criador do personagem Rambo, pois o livro foi escrito para ser um retrato da volta dos veteranos da guerra do Vietnã aos EUA. Claro que havia ação também no livro mas o aspecto humano do militar que volta derrotado para sua nação era o mais importante. O aspecto dramático do veterano Rambo era tão acentuado na literatura que ele inclusive morria no final da estória. Era um personagem em essência dramático que procurava denunciar uma situação pela qual vivia os ex-combatentes da guerra do Vietnã. No cinema porém a coisa foi bem diferente. Rambo virou uma máquina de guerra, quase um super herói para dizer a verdade. Vendo o potencial de bilheteria, Stallone e os produtores modificaram a natureza do personagem e no filme Rambo sobreviveria, literalmente destruindo a cidadezinha. O filme fez tanto sucesso que virou marca registrada de Stallone, que inclusive jamais conseguiu se desvincular da força do personagem nas bilheterias tanto que recentemente voltou ao papel no improvável Rambo IV. Há inclusive projeto para um Rambo V. É de se perguntar aonde isso tudo vai parar? É uma pena que Stallone não saiba nunca o limite da saturação, algo bem nítido nessa franquia Rambo. O fato é que mesmo influenciando tantos filmes Rambo já deu o que tinha que dar nas telas. O veterano merece agora descansar após tantas guerras em que foi inserido nos cinemas. A hora de pendurar a bazuca já passou há muito tempo.

Rambo - Programado Para Matar (First Blood, EUA, 1982) Direção: Ted Kotchef / Roteiro: Sylvester Stallone, Michael Kozoll, William Sackheim baseados no livro de David Morrell / Elenco: Sylvester Stallone, Richard Crenna, Brian Dennehy, David Caruso, Bill McKinney / Sinopse: John Rambo (Sylvester Stallone) é um veterano da guerra do Vietnã que chega em uma pequena cidade do interior dos EUA e acaba sendo hostilizado pelo xerife local, o truculento policial Teasle (Brian Dennehy). Caçado como um criminoso Rambo acaba utilizando seu treinamento militar para se defender e dar o troco ao corrupto tira.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Recém-Formada

Com a crise na economia americana sem solução o cinema vai aos poucos absorvendo aquela realidade até mesmo nos mais improváveis gêneros, como por exemplo a comédia romântica. É justamente isso o que acontece aqui nesse "Recém-Formada", que retrata uma realidade mais presente entre os jovens americanos: após se formarem na universidade não conseguem arranjar empregos dentro do mercado de trabalho. Assim acompanhamos as tentativas de Ryden Malby (Alexis Bledel) em alcançar um lugar ao sol. O filme tem no elenco várias estrelinhas dos seriados americanos, como a própria Alexis (de Gilmore Girls), Zach Gilford (de Friday Night Lights) e Jane Lynch (a treinadora de Glee).

Para completar o elenco a produção chamou o sumido Michael Keaton (repetindo todos os seus maneirismos como comediante que conhecemos) e Rodrigo Santoro (como um vizinho brasileiro que não consegue fugir dos estereótipos, como os de Latin Lover e praticante de "soccer"). O resultado final é apenas regular - pois apesar do tema "desempregada com canudo" ser promissor o roteiro não arrisca e nem alcança maiores horizontes, preferindo ficar ali no banho maria das comediazinhas românticas americanas. Se for sua praia arrisque.

Recém-Formada (Post Grad, EUA, 2009) Direção: Vicky Jenson / Roteiro: Kelly Fremon / Elenco: Alexis Bledel, Zach Gilford, Rodrigo Santoro, Jane Lynch, Fred Armisen, Michael Keaton, Craig Robinson, Bobby Coleman, Carol Burnett./ Sinopse: Garota recém-formada encontra uma série de dificuldades para conseguir seu primeiro emprego. A crise por que passa a economia norte-americana torna sua situação ainda mais complicada.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Mansão Valdemar

Esse é o primeiro filme sobre a mansão Valdemar. Sem dúvida é um filme estranho, com direção de arte típica de filmes sobre casas mal assombradas mas que no fundo não passa de um MOW (Monster of Week). Devo dizer que ele começa bem, quando os avaliadores da mansão começam a sumir misteriosamente. Nesse momento pensei realmente que veria pela frente um bom filme, com bela ambientação e clima mas logo minhas esperanças foram sumindo. O roteiro não abre espaço para a criação de tensão (essencial em filmes de casas assombradas) pois logo na primeira terça parte dele já nos deparamos logo com uma criatura que joga a sutileza pela janela. O que aparentava ser um interessante filme de terror vindo da Espanha logo se revela uma aventura infanto-juvenil sem muita elegância ou classe.

Depois disso o filme se foca em um longo flashback que conta os eventos que ocorreram no passado do imóvel. Até que é interessante essa parte embora os atores não sejam lá muito talentosos. O argumento ainda aproveita para inserir na trama as presenças de Bram Stoker (o criador do Drácula) e o excêntrico Aliester Crowley (que se considerava bruxo e o Anticristo, figura que se tornou popular até no Brasil em sua época!). Após algum clima de suspense a coisa toda finalmente desanda para o simples ataque do monstro já citado e aí o filme perde o resto de seu interesse. Enfim, não era o que eu pensava. É bem produzido, a direção de arte tem seus bons momentos mas a tentativa de se trazer algum conteúdo falha em seus objetivos. O filme fez sucesso na Europa e gerou uma continuação mas essa foi totalmente desastrosa, resultando em um péssimo filme. Se tiver interesse em conhecer a franquia Valdemar fique apenas nesse, caso contrário perderá seu tempo e dinheiro.

A Mansão Valdemar (La herencia Valdemar, Espanha, 2010) Direção: José Luis Alemán / Roteiro: José Luis Alemán / Elenco: Daniele Liotti, Óscar Jaenada, Laia Marull / Sinopse: Estranhos acontecimentos cercam uma antiga mansão localizada em um local remoto do interior espanhol.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Predador

Um grupo militar liderado pelo Major Dutch (Arnold Schwarzenegger) é enviado para uma selva na América Central com a missão de resgatar uma autoridade do governo americano que caiu nas mãos de uma guerrilha local. Os militares são acompanhados por Dillon (Carl Weathers), um agente da CIA. Chegando no local descobrem que nada é o que aparente ser. Para piorar ainda mais a situação começam a ser caçados por uma estranha criatura com armamentos de última geração, numa tecnologia desconhecida em nosso planeta. "Predador" é um filme bem interessante pois mistura elementos de filmes de ficção com produções de guerra ao estilo "Rambo II". Arnold Schwarzenegger, já um mega astro na época de lançamento do filme, encontrou um produto ideal para sua carreira pois misturou dois gêneros nos quais ele sempre se deu muito bem. "Predador" tinha o roteiro sci-fi ao estilo "Terminator" e cenas de ação e violência com toques de "Comando para Matar". A fórmula certeira não poderia dar errado e não deu. Assim que lançado nos cinemas o filme se tornou um enorme sucesso de bilheteria, batendo recordes mundo afora.

A direção ficou a cargo do especialista John McTiernan, diretor de outro grande sucesso dos filmes de ação da década de 80, "Duro de Matar". Aqui o roteiro, extremamente redondinho, explora uma verdadeira caçada do monstro espacial em relação ao grupo liderado por Arnold Schwarzenegger e McTiernan mostra muito timing na condução do filme, nunca deixando a bola cair durante os 100 minutos de duração do filme. Na realidade tudo se resume realmente no combate dos militares contra o Predador. Não há perda de tempo com firulas e diálogos desnecessários. Esse é um filme realmente 100% de ação. A criatura teve seu design criado por um dos mais talentosos mestres em maquiagem que já passaram por Hollywood, Stan Winston. Tão definitivo foi o visual que criou para o Predador que foi mantido sem quaisquer alterações nos demais filmes da franquia que viriam. Um aspecto curioso do filme é que o ator grandalhão que interpreta o Predador, Kevin Peter Hall, surge em cena também sem a pesada maquiagem do caçador espacial, algo que passou despercebido pelo público na época. Ele faz um dos pilotos de helicóptero. Em suma, "Predador" é uma ótima ficção com ares de filmes de combate. Vale a pena ver ou rever esse pequeno clássico dos filmes de ação dos anos 80.

Predador (Predator, EUA, 1987) Direção: John McTiernan / Roteiro: Jim Thomas, John Thomas / Elenco: Arnold Schwarzenegger, Carl Weathers, Kevin Peter Hall, Jesse Ventura, Bill Duke, Shane Black / Sinopse: Um grupo militar liderado pelo Major Dutch (Arnold Schwarzenegger) é enviado para uma selva na América Central com a missão de resgatar uma autoridade do governo americano que caiu nas mãos de uma guerrilha local. Os militares são acompanhados por Dillon (Carl Weathers), um agente da CIA. Chegando no local descobrem que nada é o que aparente ser. Para piorar ainda mais a situação começam a ser caçados por uma estranha criatura com armamentos de última geração, numa tecnologia desconhecida em nosso planeta.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Lembranças

O estudante Tyler Roth (Robert Pattinson) tem uma vida familiar disfuncional. Seu irmão cometeu suicídio e seu pai é um sujeito distante e ausente. O único vínculo genuíno que consegue criar é com a jovem Ally (Emile de Ravin). Levando uma vida típica de um jovem nova-iorquino de sua idade ele logo estará no centro de eventos marcantes e trágicos. Esqueça o fato de que você provavelmente não goste da saga Crepúsculo. Esqueça também que o ator principal desse filme é o astro daqueles filmes de vampiros teens. Se você conseguir deixar isso para trás provavelmente vai se surpreender com esse "Lembranças", um filme que cresce absurdamente nos dez minutos finais. A surpresa é tanta que você até esquece que muito provavelmente estava assistindo apenas a um filme sobre um romance adolescente.

Com cacoetes de James Dean o Pattinson até que cumpre bem seu papel. Pierce Brosnan também está muito bem como o pai ausente, homem de negócios que não consegue dar atenção aos seus filhos. Já a Emilie de Ravin é muito bonita e ajuda a passar o tempo nas horas mais melosas do filme. Eu até poderia escrever mais sobre Lembranças mas esse é um típico caso de quanto menos se souber sobre o filme, melhor. Por isso vou parando por aqui. Mas fica a dica, assistam, o filme é bem interessante principalmente pelo final.

Lembranças (Remember Me, EUA, 2010) Direção: Allen Coulter / Roteiro: Will Fetters / Elenco: Robert Pattinson, Emilie de Ravin, Chris Cooper, Lena Olin, Pierce Brosnan, Martha Plimpton, Peyton List, Ruby Jerins / Sinopse: O estudante Tyler Roth (Robert Pattinson) tem uma vida familiar disfuncional. Seu irmão cometeu suicídio, seu pai é um sujeito distante e ausente. O único vínculo genuíno que consegue criar é com a jovem Ally (Emile de Ravin). Levando uma vida típica de um jovem nova-iorquino de sua idade ele logo estará no centro de eventos marcantes e trágicos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Mad Max 2

Existe uma grande diferença entre esse filme e o anterior. Se Mad Max era bem precário em termos de produção, quase amador, esse segundo filme da franquia já é muito melhor produzido, com figurinos mais elaborados e melhor direção de arte. Um fato curioso sobre Mad Max 2 é que esse personagem foi tão copiado, tão imitado ao longo dos anos que o próprio produto original acabou ficando ultrapassado. É algo similar ao que aconteceu com Rambo. De tão imitado ficou datado. Mad Max é certamente um dos filmes mais influentes do cinema, chegando ao ponto de se criar um sub gênero próprio - o dos filmes pós apocalipse. Os carros adaptados, roupas, estilo, cenário, tudo já foi copiado à exaustão por anos e anos (aliás todo ano pelo menos um filme passado em um mundo pós apocalíptico é lançado)

O que há de semelhante entre esse segundo filme e o primeiro é a simplicidade do enredo. Aqui tudo gira em torno de uma refinaria no meio do deserto. Como todos sabem o bem mais precioso no mundo de Mad Max é o combustível. Então dois grupos se enfrentam pelo domínio do petróleo, e Max acaba se envolvendo no meio do conflito. Não há diálogos bem escritos, nem situações dramáticas aprofundadas. Max é apenas um solitário que ao lado de seu cão procura sobreviver nesse mundo árido e hostil. O visual dos personagens envelheceu, é verdade (o vilão nada mais é do que uma variação de Jason de Sexta Feira 13) mas no final o que importa é o legado que o filme deixou para futuras produções que o seguem como cartilha de ABC.

Mad Max 2 (Mad Max 2, Austrália / EUA, 1982) Direção: George Miller / Roteiro: George Miller, Terry Hayes / Elenco: Mel Gibson, Vernon Wells, Bruce Spence, Michael Preston, Max Phipps / Sinopse: Mad Max (Mel Gibson) se vê envolvido numa luta pela sobrevivência em um deserto hostil pós apocalipse.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Dirty Movie

Depois de rever "Clube dos Cafajestes" eu procurei pela turma do National Lampoon nos dias de hoje. Será que ainda estariam na ativa? Acabei achando o último filme feito e produzido pela revista, chamado "National Lampoon´s Dirty Movie". Não há necessariamente um roteiro aqui - tudo se resume em um produtor picareta que deseja realizar um filme sem estória, sem roteiro, nem nada, apenas uma sucessão de piadas sujas e politicamente incorretas. Conforme ele vai tentando realizar o filme as tais piadas vão surgindo na tela. Nada escapa dessas piadas, os principais alvos são obviamente negros, gays, judeus, padres, pedófilos e loiras. Para evitar processos a turma do National Lampoon colocou todas essa anedotas racistas, homofóbicas e religiosas na boca de seus personagens.

No fritar dos ovos o que importa saber é se o filme tem graça. Infelizmente apenas em termos. Algumas piadinhas são divertidas, não há como negar, mas outras são inevitavelmente sem graça nenhuma. Ao que parece os dias de "Clube dos Cafajestes" e "Férias Frustradas" ficaram definitivamente para trás. Não é para menos uma vez que não existe mais nenhum redator da trupe original. O auge dessa revista aconteceu justamente no final da década de 70 e começo dos anos 80. Depois com o sucesso dos filmes todos acabaram deixando a publicação. A revista sobreviveu mas o bom humor já não está mais tão criativo e inteligente. Aqui percebemos nitidamente o uso exagerado, escatológico mesmo, de textos que apelam muito para fazer rir. Não é por aí. "Dirty Movie" deixa muito a desejar. O que nos resta é torcer para que algum dia a "National Lampoon" volte a ser tão divertida como um dia foi.

National Lampoon´s Dirty Movie (Idem, EUA, 2011) Direção: Jerry Daigle, Christopher Meloni / Roteiro: Alan Donnes, Tanner Colby / Elenco: Christopher Meloni, Mario Cantone, Emily Donahoe, Diane Neal, Stylist B. / Sinopse: Produtor picareta deseja fazer um filme apenas com piadas sujas sobre negros, padres, judeus e gays. Para conseguir seu objetivo terá que convencer um diretor politicamente correto a fazer o filme.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Notas Sobre Um Escândalo


Uma professora veterana de ensino médio e uma jovem professora de artes acabam se envolvendo em um escândalo de grandes proporções após a descoberta de um impróprio relacionamento dessa última com um jovem aluno de apenas 15 anos de idade. Incrível como esse ótimo filme me escapou. Pois é, só agora - 5 anos depois - foi que finalmente assisti. Achei um primor de direção, roteiro e principalmente atuação. Na minha maneira de pensar não existem protagonistas "boazinhas" aqui. Muito embora a maioria das pessoas termine se colocando a favor da personagem Sheba (Cate Blanchet) e criem uma antipatia natural pela "vilã" Barbara (Judi Dench) o fato puro e simples é que a professora de artes não passa de uma profissional de educação que violou vários preceitos éticos e morais de sua profissão ao se envolver com um garoto de apenas 15 anos. Assim embora Barbara seja desequilibrada e tente tirar proveito de toda a situação ela não é mais vilã do que a colega de trabalho. Ambas estão equivocadas em seu comportamento.

Aliás verdade seja dita: a grande Judi Dench dá show de interpretação. Sua narração em off torna tudo ainda mais interessante. A atriz passa um misto de pessoa má, com uma sensibilidade à flor da pele ao mesmo tempo em que se expõe como uma solitária amarga e sem esperanças que vê uma última chance de ter um relacionamento em sua vida. É aquele tipo de interpretação que humaniza muito a personagem do filme. "Notas Sobre Um Escândalo" foi dirigido pelo talentoso cineasta Richard Eyre, um talento nato do teatro clássico inglês, já tendo sido premiado várias vezes em seu país por adaptações maravilhosas como "Rei Lear". Sua formação erudita acrescentou e muito na elegância dessa produção, apesar do tema polêmico e complicado. Enfim, é isso: "Notas Sobre um Escândalo" é um excelente filme, uma boa pedida para quem quiser ver duas grandes atrizes em cena duelando para ver quem realmente é a melhor. Se bem que no final o grande vencedor será o espectador mesmo que assistirã a um belo filme. Não deixe de assistir.

Notas Sobre um Escândalo (Notes On a Scandal, EUA, 2006) Direção: Richard Eyre / Roteiro: Patrick Marber baseado na novela de Zoe Heller / Elenco: Cate Blanchett, Judi Dench, Andrew Simpson / Sinopse: Uma professora veterana de ensino médio e uma jovem professora de artes acabam se envolvendo em um escândalo de grandes proporções após a descoberta de um impróprio relacionamento dessa última com um jovem aluno de apenas 15 anos de idade.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 15 de julho de 2012

Morte Sobre o Nilo

Assim como os livros de James Bond os livros escritos por Agatha Christie seguiam uma fórmula básica. No caso dessa autora ela geralmente reunia várias pessoas suspeitas em um ambiente fechado (como um barco ou trem) e colocava o leitor na situação de tentar descobrir quem seria o assassino. É exatamente isso que temos aqui nesse "Morte sobre o Nilo". Vários personagens se tornam suspeitos da morte de uma rica herdeira que misteriosamente é morta durante um cruzeiro turístico pelo Egito. O filme em si é muito interessante, tem ótimas cenas externas (filmadas no templo de Karnak e nas pirâmides de Gizé) e um elenco de encher os olhos de qualquer cinéfilo.

O destaque obviamente vai para o grande ator Peter Ustinov que aqui interpreta um dos personagens mais famosos da escritora, o inspetor Hercule Poirot (que todos pensam ser francês mas que é belga na verdade). Ustinov domina a cena, tentando descobrir quem teria cometido o crime. Nunca assisti uma atuação fraca de Ustinov e aqui não seria exceção. Ao lado dele, o auxiliando, temos outro grande ator, David Niven. Já envelhecido, prestes a se aposentar o ator ainda tinha uma bela presença de cena. Entre as atrizes o filme traz uma Mia Farrow fazendo mais uma personagem perturbada e a grande diva Bette Davis, discreta, elegante e atuando ao lado da também excelente Maggie Smith. Enfim, só pela oportunidade de ver tanta gente talentosa junta já vale a existência do filme. Assista, se divirta e tente descobrir o quebra cabeça da trama.

Morte Sobre o Nilo (Death on the Nile, Inglaterra / EUA, 1978) Direção de John Guillermin / Elenco: Peter Ustinov, Bette Davis, David Niven, Mia Farrow / Sinopse: Grupo de ricos em turismo pelo Egito acabam entrando em um cruzeiro pelo Rio Nilo aonde um assassinato é cometido. Todos no navio tem algum motivo para ter matado a vítima. Quem teria afinal feito o terrível crime? Baseado na famosa obra de Agatha Christie.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 14 de julho de 2012

Cartas de Iwo Jima

Clint Eastwood foi extremamente ousado ao iniciar um projeto que daria origem a dois filmes sobre a II Guerra Mundial em 2005. O primeiro filme se chamaria "A Conquista da Honra" e se focava bastante no lado americano do conflito. A segunda produção seria essa, "Cartas de Iwo Jima", mostrando o lado japonês de uma das batalhas mais sangrentas da guerra. Iwo Jima era uma pequena ilha vulcânica no meio do Pacífico considerada naquele momento histórico como a "porta de entrada" para a invasão americana ao Japão. Era a ante-sala de uma enorme invasão das tropas aliadas nas duas ilhas principais do império japonês, por essa razão a batalha foi das mais aguerridas e sangrentas de todo o conflito. Não havia a possibilidade do exército do imperador abrir mão de um território tão vital como aquele. O roteiro foi baseado em uma publicação que compilava cartas do general Tadamichi Kuribayashi. O curioso desses relatos que sobreviveram ao conflito é que mostram um militar de alta linhagem que a despeito de toda a hierarquia e rigidez de sua patente não conseguiu esconder o lado humano daquela tragédia que iria se abater sobre suas tropas. Seu relato é de ansiedade mas também de realismo pois sabia que seria quase impossível deter a invasão e a conquista do local. Como sabemos dentro daquele contexto a derrota militar era vista com uma carga de desonra pessoal tão profunda que muitos preferiam se matar do que voltarem derrotados para o Japão. O general sabia que se falhasse não iria sobreviver à luta.

"Cartas de Iwo Jima" foi recebido com certa má vontade por alguns veteranos americanos. Não era para menos. Eles se ressentiram pelo fato de um filme americano, dirigido por um americano ter que retratar justamente as tropas inimigas, sob seu ponto de vista. Esqueceram que esse foi um dos aspectos que Clint Eastwood mais prezou em seu projeto que era justamente mostrar os dois lados do mesmo conflito. O resultado provou-se melhor do que em "A Conquista da Honra". O material era melhor e o filme conta com um excelente elenco. Além disso aqui Clint não precisou se preocupar com o lado da patriotada americana que sempre está presente nesse tipo de filme. Mais solto o cineasta conseguiu um lado mais humano bem mais presente do que em seu outro filme. Todos os personagens são muito humanos, sem a necessidade de posarem de heróis ou símbolos da pátria. No saldo final temos um dos melhores trabalhos já realizados mostrando o dia a dia, o cotidiano e as angústias das tropas japonesas naquela pequena ilha perdida que quase ninguém realmente queria mas que não poderiam se dar ao luxo de perdê-la. Aula de história e humanismo que não se aprende na escola.

Cartas de Iwo Jima (Letters From Iwo Jima, EUA, 2006) Direção: Clint Eastwood / Roteiro: Iris Yamashita, Paul Haggis / Elenco: Ken Watanabe, Kazunari Ninomiya, Tsuyoshi Ihara, Ryo Kase, Shido Nakamura, Hiroshi Watanabe / Sinopse: Tropas japoneses estacionadas na ilha de Iwo Jima se preparam para enfrentar a iminente invasão das tropas norte-americanas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.