sábado, 30 de abril de 2016

Brooklyn

Título no Brasil: Brooklyn
Título Original: Brooklyn
Ano de Produção: 2015
País: Inglaterra, Canadá, Irlanda
Estúdio: BBC Films
Direção: John Crowley
Roteiro: Nick Hornby, baseado no romance de Colm Tóibín
Elenco: Saoirse Ronan, Emory Cohen, Domhnall Gleeson, Fiona Glascott
  
Sinopse:
Durante a década de 1950, uma jovem irlandesa chamada Eilis (Saoirse Ronan) decide emigrar para os Estados Unidos. Com documentos e ajuda de seu padre ela segue viagem rumo a Nova Iorque. Deixa sua mãe e sua irmã na Irlanda em busca de trabalho e um novo recomeço na vida. Na grande cidade americana vai morar no bairro do Brooklyn, onde finalmente as coisas começam a dar certo em sua vida. Ela arranja emprego numa loja de departamentos, começa a estudar no período da noite para se formar em contabilidade e de quebra conhece um rapaz italiano que poderá se tornar o homem de sua vida. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Atriz (Saoirse Ronan) e Melhor Roteiro Adaptado (Nick Hornby). Também indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz - Drama (Saoirse Ronan). Vencedor do BAFTA Awards na categoria de Melhor Filme Britânico.

Comentários:
Mais um excelente filme inglês contando a história de uma jovem mulher irlandesa que emigra para a América em busca do sonho americano. Na Irlanda seus horizontes são limitados. No máximo ela conseguiria um pequeno emprego em lojas comerciais locais. Por isso, sem maiores perspectivas de vida, ela resolve seguir o caminho de milhares de compatriotas que resolveram trocar a Irlanda natal pelas oportunidades de vida nos Estados Unidos. Ela vai sozinha, apenas com o apoio de um padre em Nova Iorque que lhe promete ajudar na nova cidade. Para sua sorte arranja um emprego e começa a caminhar no rumo certo. Ela se matricula em uma escola noturna e finalmente os horizontes começam a se abrir. O mais importante desse roteiro é que ele constrói um excelente filme em torno de um enredo aparentemente bem simples, tendo como protagonista uma pessoa normal. Com isso certamente criou uma identidade muito grande com aqueles que fizeram o mesmo que a personagem principal, saíram de seus países em busca de uma nova vida. A comunidade irlandesa de Nova Iorque é obviamente a mais celebrada no enredo nesse aspecto, mas bem poderia ser os italianos, latinos, etc. As etnias e nacionalidades são diferentes, mas os sonhos sempre são os mesmos. Com várias indicações merecidas em diversos premiações de cinema, a atriz Saoirse Ronan brilha em sua atuação, que é marcada pela singeleza, pela simplicidade. Sua personagem é uma jovem tímida que aos poucos vai tentando entrar no ritmo da vida da sociedade americana. Morando numa pensão, se tornando uma típica garota da classe trabalhadora, ela vai subindo devagarinho os degraus de sua realização pessoal. Isso incluiu se formar, arranjar um emprego melhor e se casar com um bom homem. Saoirse Ronan é também filha de uma família de imigrantes irlandeses. Embora nascida nos Estados Unidos ela teve muita facilidade em trazer para a tela a história e a cultura de seu povo, uma vez que isso é parte de sua vida. A primeira vez que ela me chamou a atenção foi em "Desejo e Reparação", só que naquele filme ela era apenas uma garotinha de 13 anos de idade. Agora, já adulta e transformada numa bela mulher, ela realiza aquela que talvez seja a grande atuação de sua carreira. Um ótimo desempenho que merecia até mesmo o Oscar. Assim deixamos a dica desse excelente drama que traz de tudo um pouco, romance, história e até mesmo sonhos, em grande quantidade e para todos os gostos.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

Madonna - Madonna (1983)

Madonna - Madonna (1983)
Esse foi o primeiro disco de Madonna. Ela era uma aposta da Warner para vencer no concorrido mercado pop que naquela época começava a ganhar destaque nas paradas de sucesso. O rock já demonstrava sinais de saturação e com o advento do Heavy Metal ganhava ares de nicho muito específico. As gravadoras por sua vez queriam algo mais genérico e a Pop Music se mostrava muito adequada para isso. Madonna assim foi ao mercado com o firme objetivo de fazer muito sucesso e vender muitos discos. Com uma pose de jovem rebelde sem freios logo conquistou uma legião de fãs, principalmente entre as adolescentes dos anos 80. Usando um figurino próprio e exótico a cantora praticamente criou a imagem da cantora pop que iria ser imitada à exaustão nos anos seguintes.

Ao ouvir novamente esse álbum logo descobrimos que dentre todos os gêneros musicais o Pop seja talvez o que tenha a data de validade mais fugaz. Praticamente todas as faixas soam hoje em dia completamente datadas, com arranjos ultrapassados, cheios de sintetizadores que não fazem mais o menor sentido. Mesmo assim para quem foi jovem naquela época o disco ainda funcionará com um belo retrato nostálgico dos 80´s, embora não consiga ser muito mais além disso.

Entre as faixas destacaria "Lucky Star" que tinha um clip bem básico, com Madonna e dois bailarinos com um fundo branco atrás. Nada mais do que isso, apenas dança e o vocal da cantora, sem "estorinhas" a serem contadas. Destaque para o figurino dela. Que cabelo era aquele?! Mas enfim... um típico produto de divulgação da Warner em uma fase pré surgimento da MTV. Como ela ainda não era uma estrela o orçamento desse primeiro clip foi bem econômico. Já o grande hit do disco, "Bordeline", ganhou um clip bem mais elaborado. Ela já havia conquistado a confiança da gravadora com algumas milhares de cópias vendidas.

Como era praxe naquela década o enredo é bem bobinho. Madonna no clip interpreta uma garota em duas fases de sua vida, como modelo (onde as cenas aparecem em um preto e branco estilizado, com glamour e cenários bem elaborados) e como uma garota normal, de Los Angeles, que acaba levando o fora de seu crush, um latino de periferia. A letra não é sobre pessoas que sofrem de síndrome de personalidade bordeline, como alguns chegaram a dizer, mas apenas sobre os sentimentos de uma garota cansada de tantos joguinhos com o namorado, vivendo no limite. Nada de desvios psicológicos, é bom salientar. Então é basicamente isso. Um bom LP para a época, com uma Madonna ainda em formação. A grande estrela só iria surgir mesmo pra valer no disco seguinte, esse sim um fenômeno de vendas em todo o mundo.

Título Original: Madonna
Artista: Madonna
Ano de Produção: 1983
País: Estados Unidos
Estúdio / Selo: Warner Bros
Produção: Reggie Lucas, John Benitez
Músicos: Madonna, Mark Kamins, Lucas Lucas
Faixas: Lucky Star / Borderline / Burning Up / I Know It / Holiday / Think of Me / Physical Attraction / Everybody.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Loucas por Amor, Viciadas em Dinheiro

Título no Brasil: Loucas por Amor, Viciadas em Dinheiro
Título Original: Mad Money
Ano de Produção: 2008
País: Estados Unidos
Estúdio: Big City Pictures, Granada Entertainment
Direção: Callie Khouri
Roteiro: Glenn Gers, John Mister
Elenco: Diane Keaton, Queen Latifah, Katie Holmes

Sinopse:
Bridget Cardigan (Diane Keaton) é surpreendida ao saber que está prestes a perder sua confortável vida e casa, quando seu marido é demitido. Ela sai, então, em busca de um emprego. Após ter ficado anos sem trabalhar, ela consegue uma vaga no banco da reserva federal americana. Aos poucos, descobre que tem muito em comum com suas novas companheiras de trabalho.

Comentários:
Definitivamente não deu muito certo esse "Mad Money". A ideia era fazer uma comédia sobre três mulheres que resolvem fazer uma loucura para finalmente mudarem suas vidas de uma vez por todas. Obviamente o marketing da produção se apoiava completamente na presença de Katie Holmes, que de estrelinha de TV passou a celebridade por causa de seu casamento com o galã Tom Cruise. Mas ela não tem vocação para ser uma estrela de primeira grandeza, essa é a simples verdade. Até mesmo a sempre fina e elegante Diane Keaton perde a compostura nesse roteiro vulgar que fica mais adequado para a verve cômica de Queen Latifah, essa sim bem mais á vontade com a proposta do filme em si. Assim o resultado final é bem decepcionante e não vale a pena. Melhor perder tempo lendo as fofocas do casal Holmes / Cruise do que ver esse filme muito fraquinho e sem relevância.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Harry & Sally - Feitos um Para o Outro

Título no Brasil: Harry & Sally - Feitos um Para o Outro
Título Original: When Harry Met Sally...
Ano de Produção: 1989
País: Estados Unidos
Estúdio: Castle Rock Entertainment
Direção: Rob Reiner
Roteiro: Nora Ephron
Elenco: Billy Crystal, Meg Ryan, Carrie Fisher, Bruno Kirby 

Sinopse:
Por mero acaso Harry (Billy Crystal) acaba encontrando Sally (Ryan) numa viagem. Eles se conhecem superficialmente do passado. Ela não vai muito com sua cara, pois Harry é expansivo e fala pelos cotovelos. Porém, conforme o tempo passa eles acabam se tornando grandes amigos, numa amizade que vai crescendo conforme as desilusões amorosas de ambos vão se acumulando. Sempre frustrados no amor, eles levam algum tempo para entender que são mesmo feitos um para o outro.

Comentários:
Fazia muitos anos que tinha assistido pela última vez. Então, numa dessas madrugadas da vida, acabei esbarrando no filme. Sem nada para fazer fui revendo sem muito compromisso e então de repente o revi praticamente todo. É uma comédia romântica que ainda mantém seu charme intacto. O roteiro é de fato muito primoroso em explorar a chamada friendzone, a zona limite que separa a amizade do amor. Os dois personagens principais possuem tudo em comum, inclusive gostos pessoais (a cena em que ambos assistem a uma antiga fita de romance na TV enquanto conversam ao telefone mostra bem isso), mas apesar de tudo a favor não conseguem enxergar que sua alma gêmea está bem diante de seu nariz. Billy Crystal se apoia em seu carisma habitual, ora como um sujeito meio inconveniente, ora como um ombro amigo. Meg Ryan está linda, jovem e muito carismática também. É uma pena que a atriz não tenha envelhecido com elegância, pois ao invés de assumir suas marcas do tempo, partiu para uma série de cirurgias plásticas desastrosas que destruiu seu belo rosto. De qualquer maneira "Harry & Sally - Feitos um Para o Outro" resistiu muito bem ao tempo. Sem dúvida deixará muitas saudades de quem o viu na época, em um tempo onde todos eram jovens, bonitos e felizes.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Marcas de Guerra

Título no Brasil: Marcas de Guerra
Título Original: War Pigs
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Schuetzle Company Productions
Direção: Ryan Little
Roteiro: Adam Emerson, Andrew Kightlinger
Elenco: Luke Goss, Dolph Lundgren, Mickey Rourke, Chuck Liddell
 
Sinopse:
Depois de falhar numa missão, o capitão Jack Wosick (Luke Goss) é enviado para liderar um novo grupo de soldados. Ao lado do capitão da Legião Francesa Hans Picault (Dolph Lundgren) ele precisa disciplinar seu novo pelotão que se auto denomina "porcos de guerra". São veteranos do front que já não se importam muito em seguir todas as regras. Seu novo oficial precisa agir rápido uma vez que o Major A.J. Redding (Mickey Rourke) quer enviar todos eles numa ousada missão atrás das linhas inimigas. O objetivo é destruir uma nova arma do exército alemão, um super canhão capaz de destruir grandes cidades como Londres e Paris, mesmo estando a quilômetros de distância de seus alvos.

Comentários:
Um filme B de guerra que curiosamente reúne um bom elenco. Além de Luke Goss e Dolph Lundgren o filme ainda traz um imprevisível Mickey Rourke. Ele surge usando seu velho chapéu de cowboy e roupas nada condizentes com as de um Major americano na II Guerra Mundial. Isso porém é o de menos. Como acontece em praticamente todos os seus últimos filmes o que mais choca é ver sua aparência cada vez mais fora do normal, fruto de inúmeras plásticas mal sucedidas a que se submeteu. Se Rourke tivesse envelhecido naturalmente isso jamais ofuscaria sua atuação (afinal é inegável que é um ator talentoso). Como se trata de uma produção B não vá esperando nada generoso em termos de produção. O filme é, poderia dizer, bem econômico em suas pretensões. Basicamente tudo se resume em um enredo bem simples desenvolvido de forma igualmente simplória. Claro que uma produção dessas estaria recheada de clichês por todos os lados, porém uma vez se adequando às suas limitadas propostas até que o espectador pode vir a se divertir. Como o filme tem curta duração não chega sequer a ter a chance de nos aborrecer. O diretor Ryan Little claramente tenta copiar o estilo dos velhos filmes de guerra dos anos 50 e 60, mas como era de se esperar não se sai muito bem nisso. Do ponto de vista histórico só há uma maior curiosidade envolvida: o super canhão nazista mostrado no filme realmente existiu de fato, porém não conseguiu cumprir todas as suas promessas. Sem tempo para melhorar o projeto pois a guerra estava chegando ao fim a monstruosa arma de Hitler acabou se tornando mais um caro e ineficiente fracasso militar do III Reich em seus momentos finais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Boneco do Mal

Título no Brasil: Boneco do Mal
Título Original: The Boy
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos, Canadá
Estúdio: Lakeshore Entertainment
Direção: William Brent Bell
Roteiro: Stacey Menear
Elenco: Lauren Cohan, Rupert Evans, James Russell, Diana Hardcastle
  
Sinopse:
Greta Evans (Cohan) é uma babysitter americana que é contratada por um casal de idosos ingleses para cuidar de seu filho. Ao chegar na casa deles descobre, para seu completo espanto, que a criança havia morrido há 20 anos. No lugar dela seus pais colocaram um boneco, como se ele ainda estivesse vivo. Uma situação completamente bizarra e surreal, para não dizer estranha e assustadora. Precisando urgentemente de dinheiro Greta aceita cuidar do boneco. O que ela jamais pensaria supor era que de alguma forma o espírito do garotinho morto pudesse se comunicar com o mundo dos vivos, através daquele objeto assustador.

Comentários:
Mais um filme de terror com bonecos? Nada animador, você pode pensar inicialmente... O mais surpreendente é que esse filme conseguiu superar esse estado de saturação esperada para criar um clima de horror e suspense que vai garantir no mínimo uns quatro bons sustos (daqueles de dar arrepios em você!). O que ajuda é a recriação do clima dos velhos filmes de terror ingleses, passados naquelas velhas mansões vitorianas, com todo aquele mistério encoberto por trás de cada porta de um quarto escuro. Assistindo a um filme como esse você entenderá perfeitamente que não é preciso uma tonelada de efeitos especiais para assustar ninguém. O boneco Brahms é apenas isso, um boneco inanimado. Ele não surge em efeitos de computação gráfica e nem sai correndo atrás das pessoas com uma faca como fez Chucky em "Brinquedo Assassino". Nada parecido com isso vai acontecer, pode ficar tranquilo. Mesmo assim Brahms consegue ser incrivelmente assustador na maioria das cenas. O espectador vai fazer uma conexão com a alma do garotinho falecido e o boneco, como se aquele se utilizasse do fantoche para interagir com o mundo dos vivos. O casal de velhinhos, pais do verdadeiro Brahms, são cordiais e extremamente educados, mas ao mesmo tempo parecem esconder algo realmente sinistro em seu passado. Eles dizem que vão viajar e deixam a Babysitter cuidando sozinha do boneco enquanto estão fora. Ela deverá seguir um roteiro de cuidados com o boneco, tal como se ele fosse um garotinho real. Claro que após o casal ir embora a jovem quebra todas essas regras, afinal se trata de apenas um boneco! Quem em sã consciência iria cuidar de uma coisa daquelas? Loucura tem limites! Essa quebra de regras (como colocar o boneco para dormir em determinada hora, ler para ele um livro ou tocar seu disco preferido) acaba despertando a fúria de uma força maior, longe da compreensão humana. Para finalizar deixo aqui minha única decepção com o roteiro. Spoiler: Gostaria muito que a estória seguisse nessa linha sobrenatural até o final, mas infelizmente não foi esse o caminho seguido pela roteirista Stacey Menear. Ela preferiu um desfecho mais racional (e bem menos assustador do que se poderia pensar). Ao trocar uma intrigada estória de fantasmas e espíritos malignos, por algo mais, digamos, mundano, o filme perdeu grande parte de seu charme inicial. Nem sempre as escolhas por um desfecho mais realista e pé no chão se mostram as mais certeiras. Mesmo assim, pelo que se vê no começo do filme, vale muito a pena assistir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Um Sonho, Dois Amores

Título no Brasil: Um Sonho, Dois Amores
Título Original: The Thing Called Love
Ano de Produção: 1993
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Peter Bogdanovich
Roteiro: Carol Heikkinen
Elenco: River Phoenix, Samantha Mathis, Dermot Mulroney

Sinopse:
Miranda Presley (Samantha Mathis) resolve se mudar de Nova Iorque para Nashville em busca de uma carreira musical. Como cantora não encontra nenhuma chance, nenhuma porta aberta. Então resolve tentar como compositora mas nada parece dar muito certo. Sem saída acaba se casando com um admirador, uma união que se revelará muito problemática e desgastante.

Comentários:
Esse foi um dos últimos filmes da carreira de River Phoenix. A produção anda tão esquecida quanto o próprio ator uma vez que vinte anos após sua morte pouca gente ainda se recorda dele. Eu penso que a morte inglória de Phoenix, de overdose, numa calçada suja de Los Angeles, acabou com sua imagem. Na época ele cultivava um jeito de jovem politicamente correto, amante das artes e da ecologia. Em toda entrevista lá estava o River Phoenix falando da importância de levar uma vida saudável, consumindo apenas produtos ecologicamente corretos e blá, blá, blá. Aí de repente o sujeito morre de uma mistura de cocaína com heroína após uma balada de arromba no clube de Johnny Depp. As pessoas, suas fãs inclusive, descobriram que o Phoenix falava e pregava uma coisa publicamente e na sua vida privada fazia algo completamente diferente. Assim ficou aquela impressão de que era um hipócrita e tudo mais. De qualquer maneira chamo a atenção para o talento do rapaz. Tudo bem, Phoenix poderia ser um mentiroso mas como ator, olhando puramente por esse lado, ele realmente tinha talento dramático. Uma prova está aqui, uma produção simples, singela, de orçamento modesto mas bem cativante. A imagem de ídolo pode ter caído durante todos esses anos mas o filme e a atuação de Phoenix ainda valem a pena. Assista.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Colonia

Título Original: Colonia
Título no Brasil: Ainda sem título definido
Ano de Produção: 2015
País: Alemanha, França
Estúdio: Majestic Filmproduktion
Direção: Florian Gallenberger
Roteiro: Torsten Wenzel, Florian Gallenberger
Elenco: Emma Watson, Daniel Brühl, Michael Nyqvist
  
Sinopse:
Chile. Década de 1970. Nas vésperas do golpe militar que depôs o presidente Salvador Allende, uma comissária da Lufthansa acaba sendo envolvida nos acontecimentos políticos daquele país. Seu namorado é preso pelos militares, acusado de ser comunista, sendo torturado e enviado para uma suposta comunidade religiosa, que na verdade era uma seita de fanáticos religiosos que davam suporte para os porões da ditadura chilena. Sabendo que ele se encontrava lá, a jovem Lena (Emma Watson) resolve então se passar por uma religiosa devota, se infiltrando no grupo. Ao entrar na colônia chamada "Dignidad" ela acaba descobrindo que o lugar era na verdade um campo de concentração disfarçado, com muita opressão, medo e abusos de todos os tipos, tanto físicos como psicológicos. Filme indicado ao German Film Awards nas categorias de Melhor Ator (Michael Nyqvist) e Melhor Edição (Hansjörg Weißbrich).

Comentários:
Filme alemão que conta uma história real pouco conhecida da maioria das pessoas. Ele disseca o lado mais cruel e violento de uma seita de fanáticos religiosos de origem alemã que serviu de fachada como câmara de torturas clandestina para o regime linha dura do ditador Augusto Pinochet. A primeira parte do filme não é das mais interessantes, já que cai nas banalidades que já conhecemos sobre a cafona esquerda latino americana durante os regimes militares dos anos 70. Tudo abarrotado de clichês por todos os lados. O filme só melhora mesmo quando a personagem de Emma Watson resolve ir atrás de seu namorado se fazendo passar por uma jovem religiosa para se infiltrar dentro de uma seita religiosa fanática liderada por Paul Schäfer (interpretado por Michael Nyqvist, em grande atuação). Sob uma fachada de lugar de meditação e religiosidade se escondia um regime brutal de intimidação, violência, abusos e exploração. A comunidade era toda cercada por cercas eletrificadas, as pessoas não podiam ir embora por livre e espontânea vontade e viviam sob um sistema de punição à menor indisciplina. A violência física e psicológica era frequentemente utilizada como desculpa para a "purificação das almas" de seus membros! O roteiro assim parte de uma história real (a tal comunidade realmente existiu), mas com um aspecto que não podemos ignorar: os personagens de Watson e seu namorado são meramente fictícios. Embora o filme como um todo seja bem interessante essa mistura entre fatos reais e ficção talvez seja o grande problema desse roteiro. Isso porque algumas situações soam pouco verossimeis. Por exemplo, o fato da protagonista Lena (Watson) resolver entrar naquela comunidade de lunáticos religiosos apenas para salvar seu namorado cujo romance ainda era muito breve e nada profundo, ficando lá dentro sofrendo todo tipo de abuso por mais de 130 dias, não parece algo que aconteceria no mundo real. A forma como eles tentam fugir daquele lugar também parece pouco provável. A cena lembra antigos filmes de fuga como "Alcatraz". Soa exagerado. O que vale realmente a pena é a interpretação de Michael Nyqvist que realmente salva o filme no quesito atuação e o próprio contexto histórico que é por demais interessante. Emma Watson, por outro lado, não parece nem intensa e nem convincente. Ela apenas passeia em cena, geralmente com a mesma expressão facial (o que mostra que ela não é tão talentosa como atriz como muitas pessoas pensam). Essa letargia porém é compensada pela curiosidade de se conhecer esses fatos históricos que ainda seguem pouco conhecidos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Jason Statham - Chaos

O filme se chama "Chaos" (no Brasil "Caos"). Foi produzido em 2005, mas eu nunca havia assistido. Como achei o elenco interessante e como se trata de uma produção britânica resolvi conferir. Aliás aqui vai uma dica que é (quase) certeira: qualquer filme policial inglês com Jason Statham é no mínimo bom. Todos sabem que Jason é bem irregular na carreira, alternando bons filmes com porcarias, porém quando ele acerta a coisa toda funciona muito bem. E sabe-se lá o porquê o fato é que sempre quando trabalha no cinema inglês a coisa dá certo.

Veja o caso desse filme policial. É fato que qualquer filme sobre roubo de bancos agrada. É muito difícil errar a mão nesse tipo de roteiro. Agora imagine colocar como vilão do enredo o ator Wesley Snipes. Ele passou um tempo na prisão por sonegação de impostos, mas conseguiu dar a volta por cima. Não cometeria o absurdo de dizer que Snipes é um grande ator, porém dentro do tipo de filme que ele se propôs a estrelar se sai muito bem. Pois bem, aqui está Snipes no comando de um grande roubo a banco. Sua quadrilha tem entre 10 a 12 homens. Todos fortemente armados. Como era hora de pico, de movimento, o banco estava lotado quando a quadrilha chega. Assim rapidamente são feitos de reféns mais de 40 pessoas. E agora como negociar com uma situação de tensão como essa?

Para surpresa da polícia o personagem de Snipes, que usa o codinome de Lorenz (o nome do criador da chamada teoria do caos, cujo roteiro irá explicar lá pelo final), só pede uma exigência: Que seja trazido para as negociações o detetive Quentin Conners (Jason Statham), O veterano policial vive seu inferno astral. Ele participou de uma outra ação com refém onde deu tudo errado. A vítima indefesa foi atingida em cheio pela própria polícia. Julgado, conseguiu escapar de ser expulso da corporação, mas acabou pegando uma suspensão pesada. Agora, no ostracismo, ele precisa voltar para negociar com Lorenz e sua quadrilha. Uma situação ruim que pode terminar muito mal (novamente).

Esse filme me agradou por vários aspectos. Não foi pela presença de Ryan Phillippe, que sempre considerei fraco e nem tampouco por causa de Snipes. Em minha forma de ver o que melhor funciona em "Chaos" é o seu roteiro. A trama dá uma guinada e tanto e de repente somos surpreendidos por algo que era realmente inesperado. Eu sou até muito bom em desvendar "pegadinhas cinematográficas", mas aqui confesso que não matei a charada. Sem querer estragar a diversão de ninguém o fato é que o espectador deve ficar de olho aberto em relação aos personagens de Snipes e Statham. Eles definitivamente não são o que aparentam ser... Mas enfim, vou ficando por aqui. Deixo assim a dica desse "Chaos". Filmes policiais andam tão banalizados, mas esse aqui certamente vale a pena (e a diversão).

Caos (Chaos, Inglaterra, 2005) Direção: Tony Giglio / Roteiro: Tony Giglio / Elenco: Jason Statham, Ryan Phillippe, Wesley Snipes / Sinopse: O veterano policial Quentin Conners (Jason Statham) é suspenso da corporação após a morte de uma refém durante uma situação de sequestro. Agora ele terá que voltar rapidamente à ativa pois o líder de uma quadrilha de assaltantes de bancos, conhecido como Lorenz (Snipes) exige sua presença numa cena de crime onde mais de 40 pessoas inocentes também estão feitas de reféns.

Pablo Aluísio.

Click aqui para ler mais sobre Caos. 

The Byrds - Turn! Turn! Turn!

The Byrds - Turn! Turn! Turn!
Em meados dos anos 1960 muitos críticos e especialistas em música decretaram que o Rock americano estava morto e enterrado. Elvis estava afundando em trilhas sonoras pavorosas em Hollywood e os demais pioneiros do gênero como ele tinham decaído na carreira. Ninguém mais na América conseguia fazer frente à invasão britânica promovida por Beatles, Rolling Stones e cia. Durante essa fase apenas os Beach Boys conseguiam colocar a cabeça para fora do buraco.

Com o The Byrds finalmente havia um segundo grupo de rock relevante para fazer frente aos britânicos. Esse álbum "Turn! Turn! Turn!" foi um enorme sucesso de público e crítica e até hoje é considerado a verdadeira obra prima dos Byrds. Tem uma sonoridade incrível e letras poderosas que fogem dos temas bobinhos que vinham infestando os discos dos roqueiros americanos. De certa forma é um disco que antecipava o que estava prestes a surgir no cenário como os Doors, que levariam à proposta de unir rock, filosofia e poesia às últimas consequências. De certa maneira o grupo só não foi maior por causa dos problemas internos e das próprias personalidades de seu integrantes pois nem sempre é uma boa ideia reunir tantos dândis poéticos em apenas uma formação. Mesmo assim deixamos aqui o registro dessa verdadeira obra de arte do rock americano dos anos 60. Esse é aquele tipo de disco que simplesmente não pode faltar em sua coleção.

Título Original: Turn! Turn! Turn!
Artista: The Byrds
Ano de Produção: 1965
País: Estados Unidos
Estúdio / Selo: Columbia Records
Produção: Terry Melcher
Formato Original: Vinil
Músicos:  David Crosby, Gene Clark, Michael Clarke, Chris Hillman, Jim McGuinn

Faixas: Turn! Turn! Turn! (To Everything There is a Season) / It Won't Be Wrong / Set You Free This Time / Lay Down Your Weary Tune / He Was a Friend of Mine / The World Turns All Around Her / Satisfied Mind / If You're Gone / The Times They Are a-Changin / Wait and See / Oh! Susannah.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 26 de abril de 2016

A Bruxa

Título no Brasil: A Bruxa
Título Original: The Witch - A New-England Folktale
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos, Inglaterra, Canadá
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Robert Eggers
Roteiro: Robert Eggers
Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Ineson, Kate Dickie, Harvey Scrimshaw
  
Sinopse:
1630. Nova Inglaterra. América colonial. Expulso da vila de colonizadores puritanos ingleses o patriarca William (Ralph Ineson) leva sua família para viver na floresta. Os perigos são muitos. Além das feras escondidas nos bosques, ainda existe a possibilidade de todos morrerem de fome ou frio durante o inverno. William porém acredita que tudo dará certo pois ele se considera um bom cristão, devoto e temente a Deus. As coisas porém logo começam a dar errado. O jovem caçula, um bebezinho, desaparece misteriosamente. O outro filho volta da floresta com um comportamento estranho, como se estivesse possuído. Aos poucos todos começam a apresentar um estranho e sinistro comportamento que resultará em uma provável tragédia no meio daquele local esquecido por Deus. Filme vencedor do London Film Festival e do Sundance Film Festival na categoria de Melhor Direção (Robert Eggers).

Comentários:
É cada vez mais raro encontrar um filme de terror tão bom como esse! Por isso os fãs do gênero podem celebrar. "A Bruxa" é um filme inteligente, que joga mais psicologicamente com o público do que apelando para cenas de efeitos visuais vazios ou sem justificativa. Sim, não se engane, temos aqui um dos melhores filmes de horror psicológico dos últimos anos. O diretor e roteirista Robert Eggers soube muito bem por onde procurar as fontes de seu roteiro. Ele estudou velhas peças judiciais da época da inquisição protestante na América colonial e vitoriana e a partir disso escreveu sua estória que é bem aterrorizante e bem escrita. A família que preza pela devoção a Deus e seu isolamento na floresta, longe da vila de colonizadores ingleses, forma certamente o cenário perfeito para tudo o que acontece. Há também uma bem colocada exploração em torno de símbolos macabros que estão no inconsciente coletivo de todos: o bode, a casa perdida no meio do nada, os objetos hereges, etc. Um dos aspectos mais curiosos vem da figura da própria bruxa, que diga-se de passagem nunca é muito explorada justamente para aumentar ainda mais o suspense em torno de todos os acontecimentos sobrenaturais que vão surgindo. Destaco o momento em que o jovem Caleb (Harvey Scrimshaw), em plena entrada na sua puberdade, é seduzido por uma sensual figura na porta de um casebre. Tudo de acordo com o que você mesmo pode descobrir ao estudar teologia medieval. O mal muitas vezes pode surgir pela beleza de uma imagem irresistível. Há também um ótimo jogo de pistas falsas, sendo que o espectador quase sempre nunca sabe ao certo quais pessoas daquela família estariam realmente sob o domínio do mal absoluto! Seria a filha mais velha, a mãe destruída emocionalmente pela perda de seu jovem bebê ou os gêmeos que agem e se comportam de forma completamente fora do convencional? Enquanto os males vão se multiplicando todos os personagens parecem caminhar para a insanidade completa. Seria algo realmente vindo das trevas ou apenas um surto psicótico de todos eles, que viviam imersos em uma espécie de fanatismo religioso fora do comum? Todos esses questionamentos são plenamente válidos e vão surgindo em nossas mentes enquanto assistimos ao filme.  Enfim, falar mais seria estragar as várias surpresas do argumento. É muito bom encontrar novamente um filme desse nível que explora o tema das bruxarias do século XVII sem jamais cair em clichês ou soluções baratas. O diretor Eggers foi muito sutil nesse aspecto e por isso realizou realmente uma obra bem acima da média. Excelente filme de terror. Assista sem receios. Está mais do que recomendado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Cherry Tree

Título Original: Cherry Tree
Título no Brasil: Ainda não definido
Ano de Produção: 2015
País: Irlanda
Estúdio: Irish Film Board
Direção: David Keating
Roteiro: Brendan McCarthy
Elenco: Naomi Battrick, Anna Walton, Patrick Gibson, Sam Hazeldine
  
Sinopse:
A vida da jovem adolescente Faith (Naomi Battrick) desaba quando ela descobre que seu pai está sofrendo de um raro tipo de câncer que só lhe dará mais três meses de vida. Desesperada ela procura por alguma saída. Essa vem pela sua professora de educação física Sissy (Anna Walton). Adepta de magia negra e rituais de bruxaria, Sissy oferece para sua aluna Faith a cura para seu paí. Isso porém terá que ter uma contrapartida, um pacto macabro com o próprio senhor das trevas.

Comentários:
Filme de terror irlandês sobre bruxas. Bruxas modernas, é bom frisar. A estória se passa em um velho vilarejo do interior da Irlanda. O lugar tem a fama de ter sido no passado um centro de adoração a Satã. Havia uma irmandade de bruxas que realizava sacrifícios à sombra de uma velha árvore cerejeira. Isso porém foi séculos atrás. Agora a região está mais desenvolvida e moderna. Isso não significa que adeptas desses antigos rituais pagãos tenham deixado de lado suas crenças. De tempos em tempos elas voltam à ativa. Agora encontram uma pessoa ideal, justamente a garota Faith. Ela só tem 16 anos, tem um pai condenado pela medicina e o mais importante de tudo: ainda é virgem. O diretor David Keating e o roteirista Brendan McCarthy parecem ter algum tipo de obsessão com lacraias. Esse inseto peçonhento (do gênero Scolopendra) é usado o tempo todo nos rituais de magia negra. O filme como um todo é apenas na média (na verdade um pouquinho abaixo dela). Há uma falta de desenvolvimento dos personagens, procurando-se ao invés disso investir mais nas cenas de rituais. Há uma ou outra locação mais interessante, como uma velha casa com um enorme porão medieval, mas nada muito além disso. Não chega a assustar e nem causar medo. Vale apenas como curiosidade por ser uma produção irlandesa, algo que não estamos muito acostumados a assistir no Brasil. Sim, tem algumas boas ideias, mas no geral não chega em nenhum momento a inovar.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Vivendo na Eternidade

Título no Brasil: Vivendo na Eternidade
Título Original: Tuck Everlasting
Ano de Produção: 2002
País: Estados Unidos
Estúdio: Walt Disney Pictures
Direção: Jay Russell
Roteiro: Natalie Babbitt, Jeffrey Lieber
Elenco: Alexis Bledel, Jonathan Jackson, Sissy Spacek, Ben Kingsley, Amy Irving, William Hurt

Sinopse:
Winnie Foster (Alexis Bledel) é uma jovem que em suas férias no campo acaba se apaixonando por um jovem de sua idade que pertence a uma família que parece jamais envelhecer. Será que a velha lenda da fonte da juventude tem realmente algum fundo de verdade? Em breve Winnie descobrirá tudo o que se esconde por trás do mito. Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films nas categorias Melhor Atriz (Alexis Bledel) e Melhor Atriz Coadjuvante (Sissy Spacek).

Comentários:
Filme da Disney que acabou com os anos virando um pequeno cult romântico entre os mais jovens. Duas coisas sempre me chamaram atenção nessa fita. A primeira se refere ao ótimo (ótimo mesmo!) elenco de apoio. Não é todo dia que vemos gente da categoria de Sissy Spacek, Ben Kingsley, Amy Irving e William Hurt trabalhando juntos! E o mais curioso é que não se trata de uma grande produção, feita para fazer bonito em grandes festivais de cinema mundo afora! Pelo contrário, é um filme menos pretensioso, com foco para um público jovem, fã dos produtos da Disney. Outro aspecto que merece todos os elogios vem da bonita direção de arte assinada pelo ótimo Ray Kluga. Tudo de muito bom gosto e refinamento, mostrando como se realiza um filme com doses de fantasia, romance e fábula. Tudo muito belo para sonhar com os olhos abertos. Indico especialmente para os namorados que estejam na mesma faixa etária dos personagens. Para eles haverá um sabor extra todo especial.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Uma Noite de Aventuras

Título no Brasil: Uma Noite de Aventuras
Título Original: Adventures in Babysitting
Ano de Produção: 1987
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: Chris Columbus
Roteiro: David Simkins
Elenco: Elisabeth Shue, Maia Brewton, Keith Coogan
  
Sinopse:
Chris (Elisabeth Shue) é uma babysister que se vê em uma situação completamente incomum. Ela precisará sobreviver às armadilhas de uma grande cidade enquanto tenta manter as crianças de que está cuidando em segurança. Filme indicado ao Kids' Choice Awards nas categorias de Melhor Atriz (Shue) e Melhor filme para o público adolescente. Premiado pelo Paris Film Festival na categoria de Melhor Atriz (Shue).

Comentários:
Essa safra de filmes de 1987 foi muito boa. Até mesmo comédias adolescentes que na maioria das vezes eram lançadas diretamente no mercado de vídeo VHS eram acima da média. Esse filme não tive a oportunidade de assistir na época. Só depois quando ele foi exibido na TV tive a oportunidade de conferir - e mesmo assim apenas uma única vez. Minha maior atração para ver o filme era a presença da atriz Elisabeth Shue. Linda, talentosa e inteligente ela deu um tempo na carreira para se formar na prestigiada universidade de Harvard. É a tal coisa, mulheres inteligentes estão em outro nível. Pois bem, como era de praxe a direção do cineasta Chris Columbus, temos aqui uma diversão bem familiar, feito para toda a família assistir. Por isso o roteiro é até mesmo meio bobo, mas isso faz parte do jogo. Era algo comum até na época. O enredo é igualmente adolescente. Mesmo assim tudo se salva pela presença carismática de Shue. Anos depois, já formada, ela voltou para o mundo do cinema se tornando dessa vez uma grande atriz, ao ponto de ter sido indicada ao Oscar pela sua ótima atuação em "Leaving Las Vegas". Nada como o passar dos anos para amadurecer ainda mais um talento natural.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Bruxa

Os fãs de cinema bem sabem que se existe algo em extinção atualmente na sétima arte são bons filmes de terror. Geralmente as produções mais recorrentes na atualidade são meras variações do estilo mockumentary que, em minha opinião, já andam bem saturados. Por isso gostei muito quando surgiu algo de novo nas telas. Esse filme se chama "A Bruxa". Ok, muito provavelmente você torcerá o nariz ao saber que o tema é a velha bruxaria. Desde "A Bruxa de Blair" essa temática anda meio desacreditada. Foram muitos filmes ruins para se manter algum tipo de boa expectativa.

O que salvou essa nova produção foi basicamente a ideia do diretor e roteirista Robert Eggers de voltar ao básico do gênero. Veja, um bom filme de terror é proporcionalmente mais assustador quanto mais sua premissa tende para a simplicidade. Não adianta encher a tela de monstros digitais e nem de banhos de sangue para causar medo no público. Nesse estilo cinematográfico o menos geralmente é mais. Pense no maior filme de terror de todos os tempos, "O Exorcista". O roteiro é básico, a estória contada é básica e a produção não passa do mediano. Não existe nada de muito espetacular em termos de produção nesse filme. E por que ele é tão cultuado até os dias de hoje? Fácil de responder, simplesmente porque ele apela para os sentimentos mais primitivos do ser humano. O medo do desconhecido, do sobrenatural. Além disso usou de forma extremamente inteligente de vários símbolos religiosos. O medo em sua expressão mais psicológica.

Claro que "A Bruxa" não pode ser comparado ao "Exorcista", mas os filmes tem bastante coisas em comum. A principal é que tudo caminha em um crescente de suspense que vai se transformando em desespero. Nada é muito explorado de forma explícita. Muita coisa é simplesmente sugerida. Ao invés de encher os olhos de coisas horrendas o roteiro apenas sugere caminhos para a nossa imaginação e o nosso medo. O roteiro também é de uma simplicidade ímpar: há uma família no meio da floresta. Eles foram banidos da comunidade. O lugar é frio, escuro e misterioso. Há boatos de que rituais de bruxaria são realizados nas redondezas. A família que está naquela situação é formada por aqueles primeiros pioneiros que foram para o novo mundo em busca de um recomeço. Só encontraram uma terra ainda muito primitiva e inexplorada. Não é de se admirar que a mente comece a pregar peças em cada um deles. Um mero animal irracional, um bode, pode assumir uma simbologia macabra. Uma sombra entre as árvores pode se transformar na mente em uma manifestação terrena do anjo caído. Algo que realmente pode ser apenas um surto da mente de cada um ou a manifestação real do sobrenatural.

O bom desse roteiro é que se o espectador prestar bem atenção saberá que ele nunca dará uma resposta definitiva às várias perguntas que vão surgindo. Há realmente algo estranho ali, a manifestação do mal, ou tudo o que acontece de ruim foi causado apenas pelos membros da família que simplesmente passam por um surto de fanatismo religioso coletivo? Por fim e não menos importante outra coisa muito interessante desse filme é seu contexto histórico. No século XVII (onde a estória do filme se passa) a mentalidade das pessoas era bem diferente da atual. As bruxas eram criaturas reais e não fruto da imaginação do homem. Elas estavam ao redor, esperando para passar maldições e heresias. Por essa razão tantas mulheres foram mortas nas fogueiras da inquisição. Não era algo abstrato, conceitual. Longe disso, era tudo encarado como realidade concreta! O mal absoluto jamais era encarado como uma abstração da mente, mas algo palpável. Um sinal dos tempos.

A Bruxa (The VVitch: A New-England Folktale, EUA, Canadá, Inglaterra, 2015) Direção: Robert Eggers / Roteiro: Robert Eggers / Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Ineson, Kate Dickie / Sinopse: Em 1660, na colônia da Nova Inglaterra, uma família de peregrinos é expulsa de uma comunidade puritana. Tendo que viver próximo a uma floresta misteriosa eles começam a perceber e sentir a presença de uma entidade maligna. Após o sumiço do bebê as coisas começam a ir de mal a pior, colocando todos no limite de sua própria sanidade.

Pablo Aluísio.

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Caos

Título no Brasil: Caos
Título Original: Chaos
Ano de Produção: 2005
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Sony Pictures
Direção: Tony Giglio
Roteiro: Tony Giglio
Elenco: Jason Statham, Ryan Phillippe, Wesley Snipes, Jessica Steen
  
Sinopse:
Após uma operação policial mal sucedida em que morre uma refém o detetive Quentin Conners (Jason Statham) é suspenso da corporação. Seu retorno só acontece quando uma quadrilha domina uma agência bancária no centro de Seattle. Liderados pelo misterioso Lorenz (Wesley Snipes) eles exigem a presença de Conners nas negociações. De volta à ativa as coisas novamente não saem muito bem. Para piorar o veterano policial precisa lidar com seu novo parceiro, Shane Dekker (Ryan Phillippe), um novato recém saído da academia de polícia. Ao seu lado ele tentará colocar o bando de Lorenz atrás das grades.

Comentários:
Nada é o que aparenta ser. Esse é aquele tipo de filme que qualquer comentário fora do lugar estragará as várias surpresas do roteiro. Esse por sua vez é muito bem bolado e mantém o espectador o tempo todo em suspense. Há dois eventos que definirão toda a estória. A primeira acaba sendo o estopim de tudo o que acontecerá em cena. Conners e seu parceiro acabam cometendo um erro numa ponte durante uma forte chuva. Há uma refém e um criminoso apontando a arma em sua direção. Como sair dessa armadilha? Um dos policiais perde o controle e atira. A refém é morta. Depois o sequestrador também é baleado. Os dois detetives são afastados. Um deles é expulso, mas o personagem de Statham consegue ficar no departamento de polícia, ainda que afastado e suspenso por tempo indeterminado. O segundo evento crucial do filme surge quando um banco é assaltado, todos os criminosos são liderados pelo frio e calculista Lorenz (Snipes). Ele parece conhecer muito bem a forma como Conners (Statham) trabalha e por isso o chama para servir como negociador. Mas afinal o que haveria por trás de todo esse suposto crime? O grande mérito desse roteiro inteligente é a reviravolta que acontece nos 10 minutos finais. Talvez você não pegue todas as pistas que vão sendo deixadas pelo caminho. Melhor assim. Uma das grandes graças de se assistir a filmes como esse é justamente se surpreender com o desenrolar dos fatos. Nesse aspecto o diretor Tony Giglio se saiu excepcionalmente bem.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Culpa é das Estrelas

Título no Brasil: A Culpa é das Estrelas
Título Original: The Fault in Our Stars
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Temple Hill Entertainment
Direção: Josh Boone
Roteiro: Scott Neustadter, Michael H. Weber
Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort, Nat Wolff

Sinopse:
Dois jovens com sérios problemas de saúde encontram a felicidade em suas vidas ao se apaixonarem e viverem uma bonita estória de amor. Enquanto vão descobrindo os segredos e alegrias do amor adolescente, vão entendendo também que o tempo de ambos está chegando ao fim. Filme vencedor de sete prêmios no Teen Choice Awards, entre eles nas categorias de melhor filme, atriz e ator.

Comentários:
Filme que caiu no gosto do público adolescente, já se tornando um cult da turminha mais jovem. Alguns mais críticos chegaram ao ponto de dizer que seria uma espécie de "Love Story" dos tempos atuais. Afinal essa coisa toda de romance com final trágico lembra bastante ao clássico romântico dos anos 1970. Vamos convir que tudo isso é um tremendo exagero. Na verdade é um bom filme, com roteiro bem redondinho, bom elenco e situações que acabam cativando, principalmente para quem ainda acredita no amor verdadeiro. O enredo começa sem maiores pretensões, um namorico entre dois adolescentes, mas vai crescendo em dramaticidade conforme a estória vai se desenrolando. Quem se destaca mesmo no meio das lágrimas é a gatinha Shailene Woodley, que diga-se de passagem, já virou ídolo teen nos Estados Unidos, aparecendo em capas de cadernos, revistas para o público jovem e toda aquela badalação que já estamos acostumados com esse tipo de sucesso juvenil. Ainda é cedo para dizer se a moça vai realmente virar uma grande estrela do cinema, mas o primeiro passo já foi dado. Fora isso é bom ir preparando os lencinhos para se emocionar com tudo o que acontece em cena. Ah, como é bom ter 16 anos estando apaixonado... Os românticos de plantão agradecem!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

No Coração do Mar

Título no Brasil: No Coração do Mar
Título Original: In the Heart of the Sea
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos, Austrália, Espanha
Estúdio: Village Roadshow Pictures, Warner Bros
Direção: Ron Howard
Roteiro: Charles Leavitt
Elenco: Chris Hemsworth, Cillian Murphy, Brendan Gleeson, Benjamin Walker, Ben Whishaw

Sinopse:
A premissa é das mais interessantes. No século XIX um escritor em busca de material para o seu novo livro começa a ouvir as recordações de um velho marinheiro. Esse lhe conta o que aconteceu com o navio Essex. Na versão oficial ele teria ficado encalhado durante uma longa viagem pelos mares do sul. A verdade porém escondia algo maior. Em busca do óleo de baleia (muito usado na época pela indústria) a embarcação e toda a sua tripulação teria sido na realidade atacada por uma enorme baleia cachalote branca. Um verdadeiro monstro marinho. E foi justamente baseando-se nessa história real que o escritor Herman Melville (Ben Whishaw) finalmente escreveria a obra prima de sua vida, o clássico "Moby Dick" publicado em 1851. Filme indicado ao Visual Effects Society Awards.

Comentários:
O texto a seguir contém spoiler. Assim se ainda não assistiu ao filme recomendo que não siga adiante. Então se chegou até aqui vamos em frente. Esse é um filme atual com o charme da velha escola de Hollywood. Assim eu poderia inicialmente definir essa produção. Como todos sabemos o romance "Moby Dick" é um dos grandes clássicos da literatura mundial. A saga de um velho capitão em busca de uma baleia assassina pelos sete mares, alimentado por uma alucinada obsessão pessoal, é um marco da cultura mundial. Um romance imortal. Até aí tudo bem. A questão que o roteiro desse filme tenta responder a questão sobre a origem do livro, de onde teria surgido aquela estória inesquecível. Assim somos transportados para o século XIX quando o baleeiro Essex parte da costa oeste dos Estados Unidos rumo ao mar. O objetivo seria capturar baleias para extrair o seu precioso óleo (usado, entre outras coisas, na iluminação noturna das grandes cidades). No comando da grande nau surge o capitão George Pollard (Benjamin Walker), um sujeito ainda sem experiência que só ganhou o posto por causa de sua linhagem familiar pois faz parte de uma tradicional família de marinheiros notórios. Como seu primeiro imediato segue Owen Chase (Chris Hemsworth) que, bem ao contrário de seu capitão, tinha experiência de sobra em grandes viagens pelos oceanos. A diferença de visão entre eles será uma das principais forças dramáticas desse roteiro. Pois bem, o filme é extremamente bem feito, com excelentes efeitos especiais. A imensa baleia cachalote é toda produzida virtualmente, mas isso em momento algum atrapalha tendo em vista a qualidade técnica superior. O roteiro é claramente dividido em dois atos. O primeiro é realmente muito bom. Temos o começo da viagem, os primeiros problemas decorrentes da falta de experiência do capitão e o enfrentamento com a terrível criatura marítima. Tudo o que se poderia esperar de um filme como esse. Aventura e emoção nas doses exatas. O problema é que bem na metade da duração do filme começa o segundo e último ato, justamente quando os tripulantes do Essex já não podem mais contar com seu navio que naufragou. Eles assim ficam à deriva por semanas, tentando sobreviver a qualquer custo, em pequenos barcos - apelando inclusive para o canibalismo. Essa segunda parte do filme decai muito por ser arrastada e por não contar mais com cenas grandiosas como no começo da estória. Assim como os personagens vão se arrastando para saírem vivos daquela situação o próprio filme fica igualmente arrastado. Pitadas de tédio e monotonia vão surgindo nas cenas repetitivas, o que para um filme como esse é quase fatal. O diretor Ron Howard assim não soube dividir direito seu enredo, tropeçando em inúmeros problemas de ritmo em seu desfecho. Mesmo com esse pequeno deslize eu ainda recomendo o filme pelo que ele tem de melhor: o velho charme nostálgico das antigas produções da Hollywood clássica. Sob esse ponto de vista as eventuais falhas acabam ficando em segundo plano.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 24 de abril de 2016

Dean Martin - Collected Cool

Está sendo lançado nos EUA e Europa um box maravilhoso com 3 CDs e 1 DVD enfocando os melhores anos da carreira de Dean Martin. Uma verdadeira preciosidade. Tudo de extremo bom gosto acompanhado de um maravilhoso livreto informativo com muitas fotos fantásticas e informações preciosas. Para quem é fã do Dino é realmente um dos melhores lançamentos atuais sobre o artista. Quem acompanha meus textos sabe que eu sempre prezo pela discografia oficial lançada ainda quando o cantor estava vivo. Nesse aspecto tudo me atrai, o vinil original, as capas com direções de arte que refletem as tendências artísticas que estavam na moda no ano em que o disco foi lançado e todo aquele sabor nostálgico que geralmente acompanha esse tipo de material. Infelizmente nem todos os grandes cantores do passado tem sua discografia original relançada em novos formatos, o que dificulta muito chegar nos produtos originais. É o caso de Dean Martin cujo legado ficou esquecido durante muito tempo.

Por isso vou aqui elogiar esse box. É obviamente uma coletânea de seus maiores sucessos mas também traz material inédito, o que por si só já é motivo para comemorar. Praticamente todas as faixas foram remasterizadas digitalmente, procurando trazer as gravações para um padrão de qualidade aceitável na atualidade. O trabalho ficou magnífico – basta comparar até mesmo com os últimos CDs lançados de Martin no mercado há cinco ou dois anos. A diferença é realmente marcante. A lamentar apenas a exclusão de muitas gravações excelentes de Martin na fase em que trabalhou na gravadora de seu amigo Frank Sinatra, a Reprise Records. Ao que parece (nada é confirmado oficialmente) há uma disputa judicial sobre os direitos dessas músicas. De qualquer maneira momentos como “Everybody Loves Somebody” acompanhada de um lindo arranjo de quarteto de cordas faz tudo valer a pena. A gravação é deslumbrante! O terceiro CD traz várias gravações ao vivo de Dean Martin em Lake Tahoe e o DVD traz a histórica apresentação de Dean Martin em Londres no mitológico The Apollo Victoria Theatre. Em suma, um trabalho de resgate com muito bom gosto e elegância. Coisa fina.

Dean Martin Collected Cool (2013)
CD 1 - Dean's Spoken Word Introductions / My Own, My Only, My All / Powder Your / Face With Sunshine (Smile! Smile! Smile!) / I Don't Care If The Sun Don't Shine / That's Amore / If I Could Sing Like Bing / Sway / Long, Long Ago / Memories Are Made Of This / Pardners / Volare / Rio Bravo / On An Evening In Roma / Sleep Warm / Ain't That A Kick In The Head / Just In Time / Arrivederci Roma / Return To Me / A Hundred Years From Today / CD 2 - Tik-A-Tee, Tik-A-Tay / Senza Fine / Who's Got The Action? / Guys And Dolls / Marina / Everybody Loves Somebody / The Door Is Still Open (To My Heart) / You're Nobody 'Til Somebody Loves You / In The Misty Moonlight / Sophia /  Send Me The Pillow You Dream On / In The Chapel In The Moonlight / Welcome To My World / Houston / I Will / Somewhere There's A Someone / My First Country Song / LA Is My Home / CD 3 - Drink To Me Only With Thine Eyes / Almost Like Being In Love / I Love Tahoe (Paris) / My Kind Of Girl / Break It To Me Gently / Rock-A-Bye Your Baby With A Dixie Melody / Primrose Lane / You Are Too Beautiful / Carolina In The Morning / Love Walked In/ I Love Being A Girl / Beautiful Dreamer / You Made Me Love You / It Had To Be You / Nevertheless / I'm Gonna Sit Right Down And Write Myself A Letter / Volare / On An Evening In Roma / I Love Paris.

Pablo Aluísio.

sábado, 23 de abril de 2016

Guerra nas Estrelas

Título no Brasil: Guerra nas Estrelas
Título Original: Star Wars
Ano de Produção: 1977
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas
Elenco: Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Alec Guinness, Peter Cushing

Sinopse:
Luke Skywalker (Mark Hamill) é um jovem que mora em um pequeno e desértico planeta do universo. Sua vida é banal e sem grandes emoções até que tudo muda ao se envolver na guerra que está sendo travada entre forças rebeldes e o poderoso império  intergalático que deseja dominar todo o universo. Ao lado do aventureiro e mercenário Han Solo (Harrison Ford) ele parte para libertar a Princesa Leia Organa (Carrie Fisher) das mãos do terrível e cruel Darth Vader (David Prowse) na estrela da morte.

Comentários:
É seguramente um dos filmes mais influentes da história do cinema em todos os tempos. Muitos não param para pensar sobre isso, mas tudo o que você assiste hoje em dia em termos de blockbusters e filmes de fantasia e pura diversão, tem ligação direta com "Star Wars". Lançado no distante verão de 1977, o filme causou tanto impacto na cultura pop que mudou até mesmo a face do cinema americano após seu lançamento. Esse tipo de produção havia sido deixada de lado desde os anos 1950, pois Hollywood após essa década resolveu investir mesmo em dramas socialmente mais conscientes. "Star Wars" trouxe assim de volta o gosto pelo cinema como pura diversão, aventura e universos fantásticos. George Lucas soube com raro brilhantismo reunir tudo o que tinha visto em sua infância e adolescência para criar um mundo completamente novo, uma realidade que deixou o mundo surpreendido na época por causa da criatividade, da originalidade e dos maravilhosos efeitos especiais, além da própria trama, que se revelava como uma saga muito bem orquestrada que sintetizava diversas mitologias da cultura universal. Um espetáculo realmente. Como se sabe o universo de "Star Wars" segue em frente. Adquirido pela Disney a saga está sendo renovada numa nova sequência de filmes, sem a presença de Lucas que sabiamente resolveu se aposentar. O primeiro a chegar foi "Star Wars - O Despertar da Força" que resgatou vários personagens desse primeiro filme como Luke, Leia e Han Solo. Sucesso absoluto, com mais de um bilhão de dólares em bilheteria, a produção provou a força desses personagens, mesmo após tantos anos passados. Agora surge uma ótima oportunidade parar rever a excelente trilogia original que começou tudo. Prefira as versões originais, sem as novas intervenções de Lucas em que ele procurou modernizar os efeitos visuais da época do lançamento original. Enfim, "Star Wars" de 1977 é seguramente um dos cinco filmes mais importantes da história da ficção do cinema americano. Filme vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino, Melhor Som, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora Original, Melhores Efeitos Especiais e Melhores Efeitos Sonoros. Indicado ao Oscar ainda nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Alec Guinness), Melhor Direção (George Lucas) e Melhor Roteiro Original. Vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor Trilha Sonora Original (John Williams).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Krampus - O Terror do Natal

Título no Brasil: Krampus - O Terror do Natal
Título Original: Krampus
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos, Nova Zelândia
Estúdio: Legendary Pictures, Universal Pictures
Direção: Michael Dougherty
Roteiro: Todd Casey, Michael Dougherty
Elenco: Adam Scott, Toni Collette, Emjay Anthony, David Koechner
  
Sinopse:
Max (Emjay Anthony) é um garoto que ainda acredita no espírito de natal. Quando vários familiares chegam em sua casa para a noite de natal ele começa a ser zoado pelos primos por justamente ainda acreditar em Papai Noel, renas e todo o universo mágico natalino. Frustrado por ser o alvo de brincadeiras ele resolve rasgar uma carta que havia escrito para o Santa Claus. Ao jogá-la pela janela algo inesperado acontece. Uma grande nevasca se abate sobre sua cidade, antevendo a chegada do assustador Krampus! Ele vem para punir todos aqueles que esqueceram o verdadeiro espírito de natal. Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films na categoria de Melhor Filme de Terror.

Comentários:
Essa criatura, o Krampus, é bem popular no folclore da Alemanha e demais países vizinhos. Ela seria uma espécie de antítese do Santa Claus (o Papai Noel). Enquanto o bom velhinho surge no natal para dar presentes às crianças que se comportaram bem no ano, o Krampus viria para punir as que criaram problemas. Em estados brasileiros, principalmente de forte influência da imigração alemã, ele ainda é bem conhecido das crianças. Para o resto dos brasileiros é um ilustre desconhecido. Idem para os americanos. Mesmo assim os produtores acharam uma boa ideia realizar um filme de terror tendo como principal personagem o tal Krampus. Para isso criaram um monstro que se parece com um tipo de demônio, vindo diretamente das trevas. Chifres e patas de carneiro, vários símbolos de natal pendurados por todo o corpo e uma aparência bem assustadora. O filme nesse aspecto é bem realizado. Temos aqui uma excelente produção, tanto em termos de efeitos digitais como maquiagem, figurino, etc. Como fez uma boa carreira nos cinemas da Europa é bem provável que venha a se tornar uma nova franquia da Universal. O curioso é que o elenco é liderado por um garotinho, o Emjay Anthony. Do resto do elenco apenas a Toni Collette é mais conhecida do público em geral, principalmente por causa da série "United States of Tara". O jovem diretor Michael Dougherty já havia lidado com um tema levemente semelhante em "Contos do Dia das Bruxas", porém aqui realizou um filme bem melhor. Não chega a ser um grande filme em nenhum aspecto, porém como diversão está valendo. Aliás a escolha por realizar algo mais assustador o fez ganhar muitos pontos em seu favor. O humor, quando surge, é bem minimizado. Por essa razão não vá passar o filme para seus filhos pequenos pois corrre-se o risco de deixá-los traumatizados com o que verão. Praticamente nenhum símbolo do natal passa incólume, nem inocentes cookies da vovó. Enfim, esse é aquele tipo de produção que gosto de chamar de "bom filme ruim". Se faz a sua cabeça, aproveite também.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Duas Irmãs, Uma Paixão

Título no Brasil: Duas Irmãs, Uma Paixão
Título Original: Die Geliebten Schwestern
Ano de Produção: 2014
País: Alemanha, Áustria, Suíça
Estúdio: Bavaria Filmverleih und Produktions
Direção: Dominik Graf
Roteiro: Dominik Graf
Elenco: Hannah Herzsprung, Florian Stetter, Henriette Confurius
  
Sinopse:
Ao chegar na idade de se casar, a jovem Charlotte von Lengefeld (Henriette Confurius) é enviada para a corte de Weimar. Sua mãe torce para que ela arranje logo um marido bem situado na aristocracia alemã, pois pertencente à pequena nobreza o que lhe resta mesmo é conseguir um bom casamento para que tenha estabilidade pelo resto de sua vida. Charlotte porém acaba conhecendo um poeta pobre, mas talentoso e acaba se apaixonando por ele! Para piorar o rapaz também acaba roubando o coração da própria irmã de Charlotte, Caroline von Lengefeld (Hannah Herzsprung), que embora já seja casada não se sente feliz em seu casamento sem amor que fora arranjado por sua mãe no passado. Filme vencedor do Bavarian Film Awards na categoria de Melhor Fotografia. Também indicado aos prêmios do Berlin International Film Festival, German Film Awards e German Film Critics Association Awards.

Comentários:
Romance alemão que conta uma história bem pouco comum. O enredo se passa no século XVIII. A Alemanha vive uma época próspera, mas a família Lengefeld passa por dificuldades financeiras após a morte do pai. Sem muitas alternativas a mãe então decide usar suas filhas para manter o mesmo padrão de vida de antes. A ideia é arranjar maridos ricos para elas o mais rapidamente possível. A mais velha Caroline (Herzsprung) logo se casa com um nobre esnobe do qual ela não sente nenhum amor. A mais jovem Charlotte (Confurius) pensa trilhar outro caminha e acaba se apaixonando por um poeta pobretão, um rapaz que sua mãe acha completamente indigno de se casar com ela por causa de seus poucos e inexistentes recursos econômicos. A partir daí já se sabe mais ou menos o que acontecerá. As duas irmãs ficam apaixonadas pelo poeta e acabam fazendo um pacto entre elas. Ao invés de brigarem pelo amor do rapaz resolvem partilhar o que sentem. Assim elas aceitam, de bom grado, entrar em um triângulo amoroso apaixonado com ele, sem remorsos ou culpas, apenas procurando evitar que seu caso amoroso incomum se torne público, o que certamente causaria um grande escândalo na sociedade. O filme tem boa reconstituição de época e reproduz com fidelidade os modos de ser, os protocolos sociais e a maneira como as pessoas daquela época se relacionavam entre si. Muitos cortejos, cerimônias e flertes inocentes. Em um momento de apogeu da literatura há uma pequena aparição do aclamado escritor Johann Wolfgang von Goethe em cena. O roteiro também mostra que não é de hoje que existe essa dualidade entre o verdadeiro amor romântico e os casamentos por conveniência, muitas vezes arranjados pelas próprias famílias visando apenas a segurança financeira de suas filhas que com o tempo se tornam infelizes, deprimidas e devastadas do ponto de vista emocional. De um lado a verdadeira paixão e do outro a pura hipocrisia social. Nesse duelo de sentimentos quem acaba ganhando mesmo é o espectador que acaba assistindo a um belo filme, muito bonito, com bela fotografia e um argumento pouco usual nas produções atuais.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

Até o Fim

Título no Brasil: Até o Fim
Título Original: All Is Lost
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: J.C. Chandor
Roteiro: J.C. Chandor
Elenco: Robert Redford

Sinopse:
Homem velejando em seu barco enfrenta inúmeras dificuldades quando sua embarcação apresenta vários problemas técnicos de complicada solução. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Edição de Som. Vencedor do Globo de Ouro na categoria Melhor Trilha Sonora Original. Indicado na categoria Melhor Ator - Drama (Robert Redford).

Comentários:
Imagine um filme onde só existe um ator, vivendo um personagem que ninguém sabe o nome e utilizando apenas um barco como cenário. E pior: Este personagem não fala - a não ser duas palavras durante todo o filme: God e fuck. Pois é, este filme se chama: "Até o Fim" (All is Lost) 2013. O personagem é ninguém menos que um dos maiores astros do cinema do século 20: Robert Redford. O longa - dirigido por J.C. Chandor e gerado no ventre da produtora independente, Sundance que tem o próprio R.R como proprietário, mostra o ator solitário a bordo de seu veleiro na imensidão do oceano Índico, quando de repente ele é acordado com o choque do seu pequeno barco contra um contêiner que boiava à deriva, e que provavelmente tinha caído de algum cargueiro. Com o choque, o casco é rasgado e a água começa a inundar o interior do barco. Do alto de seus 78 anos, um carismático e ainda excelente Robert Redford age rápido e mostra agilidade e força para consertar o rombo no casco do veleiro. Utilizando um grande pedaço de plástico e uma cola especial o mítico ator consegue consertar o rombo, mas o pior já havia acontecido e não tinha conserto: Seu rádio comunicador havia sido danificado, e, partir daquele momento, o nosso eterno Sundance Kid - longe do frescor de sua juventude luminosa do famoso pistoleiro - encontra-se perdido e desconectado do mundo, passando a lutar só e desesperadamente pela sua própria sobrevivência, em meio à imensas tempestades, tubarões e dias impiedosos de sol e calor escaldantes. 

Telmo Vilela Jr.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Mogambo

Aproveitei a noite de ontem para conferir mais um clássico. O filme em questão foi Mogambo, produção de 1953 dirigida pelo mestre John Ford. Conhecido e consagrado pelos filmes de western que realizou ao lado de John Wayne, Ford aqui mudou de ares, trocando o deserto do velho oeste pelas planícies sem fim da África selvagem. O grande atrativo para o cinéfilo nem vem tanto dessa diversidade, mas sim do maravilhoso elenco que Ford conseguiu reunir. Ele teve sob sua direção três grandes estrelas de Hollywood: Clark Gable, Grace Kelly e Ava Gardner! Poucos filmes da época conseguiram reunir uma constelação como essa.

O galã Gable interpreta um grande caçador branco chamado Victor Marswell; Ele tem um posto avançado no continente africano. Ao lado de sua equipe ele caça animais raros (como uma pantera negra) para vender para circos e zoológicos ao redor do mundo. O negócio prosperou tanto que Vic resolve em determinado momento também alugar sua experiência para safáris pela selva adentro. O pesquisador de grandes primatas Donald Nordley (Donald Sinden) resolve então contratar seus serviços. Donald quer que Victor comande uma expedição rumo às montanhas dos gorilas onde pretende recolher dados sobre o habitat onde vivem esses animais. O problema é que Donald também está acompanhado de sua bela esposa, a educada e delicada Linda (Grace Kelly). Talvez por estar com o casamento em crise ou por pura atração o fato é que Linda acaba se apaixonando por Victor, bem no meio do safári e bem debaixo do nariz do próprio marido!

Para completar o triângulo amoroso improvável ainda há a presença de Eloise Y. Kelly (Ava Gardner). Ela é uma dançarina americana de night clubs em Nova Iorque que foi até a África encontrar um sultão rico. O problema é que o tal milionário foi embora antes da hora e Kelly ficou a ver navios. Sem ter para onde ir ela acaba indo parar na propriedade de Victor que resolve lhe acolher enquanto o próximo barco em direção à civilização não chega. Pronto, fica assim armado todo o drama romântico do filme. Kelly ama Victor que por sua vez se sente atraído por Linda, mesmo sendo ela casada. John Ford teve habilidade suficiente para desenvolver todos esses romances ao mesmo tempo em que desenvolve uma boa aventura. Há muitas cenas reais das paisagens e animais africanos, mas a grande maioria delas foram realizadas por uma segunda unidade, sem a presença do elenco. Os atores geralmente surgem em estúdio, como se estivessem na África. Ford, sempre perfeccionista, coordenou todas as filmagens no Congo, na Tanzânia e no Quênia. Isso trouxe um visual extremamente rico para o filme.

Com tantas qualidades quem acaba roubando o filme em meu ponto de vista é a atriz Grande Kelly. Há um contraponto entre sua elegância, finesse e educação com os modos mais rudes da personagem de Ava Gardner (que de cabelos curtos também está muito sensual). Grace está maravilhosa em seu papel, que combinava perfeitamente com sua imagem pública. O curioso é que nos bastidores ela acabou tendo um caso passageiro com Gable, provando que por baixo de toda aquela imagem de mulher fria e nobre havia um vulcão adormecido. Enquanto Ava, que tinha uma postura mais sensual em cena, se comportava adequadamente no set de filmagem, sua parceira levava o astro principal do filme para debaixo de seus lençóis. O extremo oposto das personagens que interpretavam no filme. De uma forma ou outra tanto Grace como Ava foram agraciadas com indicações ao Oscar, muito embora elas não tenham levado o grande prêmio da sétima arte para casa.

Mogambo (Mogambo, EUA, 1953) Direção: John Ford / Roteiro: John Lee Mahin, Wilson Collison / Elenco: Clark Gable, Grace Kelly, Ava Gardner / Sinopse: Victor Marswell (Clark Gable) é um caçador americano na África que precisa decidir entre o amor de duas belas mulheres, a dançariana Eloise Y. Kelly (Ava Gardner) e a doce e tímida Linda Nordley (Grace Kelly), cujo o marido o contratou para levá-lo até as montanhas dos gorilas selvagens.

Pablo Aluísio.

Prince (1958 - 2016)

Eu certamente não sou a pessoa mais indicada para escrever sobre Prince. Eu nunca fui de acompanhar sua carreira e nem de comprar seus discos. Claro que como um jovem que viveu parte de sua adolescência na década de 80 eu sabia muito bem quem foi o Prince, seus sucessos mais óbvios e sua postura nos palcos. Por isso esse singelo texto vai ser mais sobre minhas impressões superficiais sobre esse artista do que uma análise mais cuidadosa de sua importância musical.

Como se sabe ele faleceu ontem, ainda relativamente jovem, de causas não devidamente  esclarecidas. De uma maneira em geral eu sempre associei o Prince a outro astro da mesma época em que ele viveu seu auge: Michael Jackson. Penso que não sou o único a fazer essa associação. Os caminhos deles cruzaram muitas vezes ao longo de suas carreiras. Ainda que fosse um grande e talentoso instrumentista, Prince entendeu que a performance de palco era algo essencial para fazer sucesso. Por isso criou sua própria mise-en-scène em seus concertos. Embora negasse isso o fato é que seu estilo de ser e interpretar se baseava bastante no que Jackson fazia, afinal ele não era apenas o Rei do Pop, mas também dos clips e do visual. Nos anos 80 a imagem era tudo! Assim Prince adotou figurinos vitorianos, bem kitsch, que se tornaram sua marca registrada. Outra coisa que me chamava a atenção eram suas guitarras. Todas com formatos bem diferenciados. Causava um grande impacto para quem o via se apresentando ao vivo. Eram instrumentos diferentes e bem bonitos.

Depois que Prince estourou também no Brasil com o grande sucesso de Purple Rain, todos pensavam que ele iria entrar numa disputa música a música nas paradas de sucesso com Michael Jackson. E de fato Prince conseguiu excelentes números comerciais em termos de vendas de discos. Porém ao contrário de Jackson ele teve uma espécie de surto em determinado momento de sua trajetória. Brigou com a gravadora, virou um recluso e resolveu que iria abolir seu próprio nome Prince. Ao invés disso adotou um símbolo para lhe identificar. Começou a gravar discos bem estranhos, com material que não mais fazia sucesso e assim foi desaparecendo da grande mídia. Para quem prestava pouca atenção nele a coisa só piorou. Ele desapareceu do radar. Nos anos seguintes ouvi falar muito pouco dele. Geralmente quando ouvia seu nome ele vinha acompanhando da pergunta: "Por onde anda o Prince?" A impressão é que havia caído em um ostracismo enorme. Ele não emplacava mais sucessos, sumiu das rádios e dos programas de TV o que me fez pensar seriamente que ele tinha se aposentado da música.

Parecia que iria se tornar uma daquelas estrelas típicas dos anos 80 que surgiam, faziam algum sucesso e depois sumiam para sempre. E de fato passei muitos anos sem ouvir falar nele. Só de vez em quando via alguma reportagem sobre Prince em revistas, pena que não eram revistas de música, mas de fofocas. Ele geralmente surgia namorando alguma sub celebridade (como Carmem Electra), ou então tendo um namorico com uma adolescente brasileira (quando esteve aqui na década de 90). Fora isso, nada. Só há algumas semanas o Prince pareceu voltar à mídia ao passar mal durante um de seus últimos shows. Seu avião inclusive teve que retornar porque ele estava em péssimo estado. É isso. Infelizmente Prince para mim foi apenas um cantor de sucesso dos anos 80 que depois desapareceu por um longo período. Dizem que nesse hiato gravou grandes discos experimentais. Infelizmente não os ouvi. Para mim ele sempre será o performático com guitarra vitoriana tocando "Purple Rain" e nada muito além disso. Pensando bem até que está de bom tamanho.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Hush - A Morte Ouve

Título no Brasil: Hush - A Morte Ouve
Título Original: Hush
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Blumhouse Productions
Direção: Mike Flanagan
Roteiro: Mike Flanagan, Kate Siegel
Elenco: John Gallagher Jr., Kate Siegel, Michael Trucco
  
Sinopse:
Maddie (Kate Siegel) é uma jovem escritora que mora sozinha em uma bela casa no campo. Ela está tentando escrever as últimas linhas de seu novo romance, mas faltam ideias. Para não ficar tão solitária ela recebe eventualmente a companhia de sua vizinha, Sarah (Samantha Sloyan). Após mais uma de suas visitas Maddie descobre que não está mais desacompanhada. Um homem ronda sua casa. Armado com uma besta (uma arma medieval usada para lançar flechas) ele começa a promover um terror psicológico com Maddie. Lá fora ele tenta torturá-la psicologicamente, enquanto a escritora faz de tudo para que o psicopata não consiga entrar em sua casa.

Comentários:
Filme de terror e suspense lançado pelo Netflix. O roteiro desenvolve apenas uma situação básica: um psicopata que tenta entrar numa casa, onde vive uma jovem, completamente sozinha. Ela tem deficiência, pois é surda e muda. Por isso inicialmente ela nem percebe que há um assassino do lado de fora de sua residência. Aos poucos porém o clima de horror se instala. O psicopata esfaqueia a amiga dela, Sarah (Sloyan) e depois começa um jogo de gato e rato. O criminoso parece ter um prazer sádico em amedronta-la aos poucos, sem nunca ir direto ao ponto (a casa da vítima tem portas de vidro, que poderiam ser facilmente quebradas). Com pouco mais de 80 minutos esse filme não traz surpresas, o que também não significa que seja ruim. O sangue jorra em várias cenas, porém o estilo não chega a ser uma espécie de slasher movie. Talvez esse seja seu grande problema. Os fãs de filmes de terror desse estilo ficarão claramente decepcionados, enquanto os que curtem algo mais intelectual, do tipo suspense sugestivo, também não gostarão. É um filme passável, que ficou de certa maneira pelo meio do caminho. De bom apenas o uso de um tipo diferente de arma, uma besta da idade média, que lança flechas, algo que não é muito comum em filmes como esse. No mais é tudo bem mediano apenas.

Pablo Aluísio.

Em Segredo

Título no Brasil: Em Segredo
Título Original: In Secret
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures
Direção: Charlie Stratton
Roteiro: Neal Bell, Charlie Stratton
Elenco: Elizabeth Olsen, Tom Felton, Jessica Lange, Oscar Isaac

Sinopse:
Com a morte de sua mãe, a pequena Thérèse Raquin (Elizabeth Olsen) é levada para morar com sua tia e seu primo, o frágil e doente Camille (Tom Felton). Os anos passam e Madame Raquin (Jessica Lange) decide que ela deve se casar com seu filho, algo que a desagrada pois não o ama. Mesmo assim o casamento é realizado. O problema é que o coração de Thérèse bate mesmo pelo jovem artista e aspirante a pintor Laurent (Oscar Isaac), um relacionamento que trará muitos problemas para todos.

Comentários:
Drama de época que me surpreendeu pelo bonita direção de arte, ótima reconstituição histórica e boas atuações de todos do elenco. Em termos gerais esse filme me lembrou muito do clássico "Jane Eyre", pois a personagem principal traz muito do romance de Charlotte Brontë (1816 - 1855). Esse aspecto de semelhança porém se torna logo um engano. Isso foi ficando claro no decorrer do enredo pois a estória dá uma guinada sombria. O que começa como um romance entre uma jovem casada e infeliz com sua vida e um artista aspirante, logo se transforma em uma trágica conspiração envolvendo assassinatos, traições e ganância. O roteiro aliás é um prato cheio para quem gosta de enredos sórdidos pois os personagens são capazes de atos terríveis, em especial o sinistro Laurent. A atriz que interpreta Thérèse Raquin, Elizabeth Olsen, até dá conta do recado, mas quem brilha mais uma vez é a veterana Jessica Lange, dando vida a uma personagem que começa como uma vilã, mas que acaba como uma vítima indefesa, paralisada por um terrível derrame. Assim se você gosta de dramas de época, com pitadas de crimes e traições, esse "In Secret" certamente será uma boa pedida. Filme indicado ao World Soundtrack Awards na categoria de Melhor Compositor do Ano (Gabriel Yared, pelas canções "Ningen no yakusoku", "The Prophet" e "Tom à la ferme").

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Lucy

Título no Brasil: Lucy
Título Original: Lucy
Ano de Produção: 2014
País: França
Estúdio: Canal+, EuropaCorp
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson
Elenco: Scarlett Johansson, Morgan Freeman, Min-sik Choi

Sinopse:
Lucy (Scarlett Johansson) é uma garota normal que acaba ficando no lugar errado, na hora errada. Enganada pelo namorado, ela vira alvo de um grupo de traficantes coreanos que lhe transformam numa mula para levar uma nova droga em seu corpo até Paris. Ao chegar em seu destino acaba sendo agredida por criminosos o que faz com que a droga acabe vazando para dentro de seu organismo, causando efeitos inesperados em sua vida. A partir desse momento Lucy começa a desenvolver estranhos poderes mentais.

Comentários:
O filme parte de uma premissa, uma teoria, que já não encontra mais sustentação no mundo da ciência, a de que todos os seres humanos só usam na verdade apenas 10% de sua capacidade cerebral. Ora, se o fundamento do roteiro é uma bobagem imagine o resto. O roteiro tenta misturar ficção new age com cenas de ação e o resultado não é dos melhores. Na verdade os poderes que a personagem Lucy ganha ao atingir praticamente 100% de sua capacidade mental não são empolgantes ou impressionantes. O curioso é ver que ao chegar no suposto ápice de sua mente, tudo que Lucy faz é matar seus inimigos, correr na contramão de uma grande cidade com um carro em alta velocidade e se empenhar em uma caçada em busca da droga que lhe traz esses estranhos poderes - trocando em miúdos, com toda a inteligência do mundo, tudo o que ela consegue ser no final das contas é uma viciada criminosa. Que belo sinal de inteligência não é mesmo? Santa bobagem Batman! Talvez o Besson esteja em alguma egotrip lisérgica para escrever algo assim. Os efeitos digitais são na média do que Hollywood vem produzindo e o roteiro é um amontoado de pseudociência de botequim, inclusive com direito a um final ao estilo "2001" mas obviamente sem um quinto da arte cinematográfica do gênio Kubrick. Em suma, você não precisa do uso de mais de 10% de sua capacidade mental para entender que esse filme é um abacaxi pretensioso e nada mais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

Desafiando o Assassino

Título no Brasil: Desafiando o Assassino
Título Original: Mr. Majestyk
Ano de Produção: 1974
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Richard Fleischer
Roteiro: Elmore Leonard
Elenco: Charles Bronson, Linda Cristal, Al Lettieri

Sinopse:
Vince Majestyk (Bronson) é um modesto plantador de frutas que acaba virando alvo de um grupo de criminosos por desafiar as regras do sindicato local de trabalhadores rurais ao dar emprego para um grupo de mestiços. O que seus inimigos não sabem é que ele é na verdade um veterano da guerra do Vietnã, perito em armas de grosso calibre, pronto para enfrentar todos os que lhe querem prejudicar.

Comentários:
Mais uma fita de ação com Charles Bronson que na época fez muito sucesso nos cinemas populares, de bairro, que existiam em todo o Brasil. O roteiro é dos mais simples (o que não quer dizer que não seja muito eficiente). Como sempre Bronson interpreta um sujeito que só deseja levar sua vida em paz, cuidando de suas plantações. O problema é que resolvem mexer com ele. Aí não tem jeito, sobra chuva de balas para todos os lados. Usando do velho chavão "Mexeram com o cara errado", o antes pacato e pacífico personagem de Bronson vira um Rambo dos campos. Armado até os dentes passa fogo nos mafiosos que querem lhe explorar. O diretor  Richard Fleischer parece ter um prazer sádico em explodir melancias com rajadas de poderosas metralhadoras. Em seu modo de ver, aquilo era "pura arte cinematográfica"! É curioso que Bronson, que até teve uma carreira bem diversificada nos primeiros anos de carreira, surgindo em praticamente todos os gêneros, tenha a partir dos anos 70 se especializado em filmes mais populares de pura ação. Isso ocorreu principalmente depois que os produtores descobriram que ele poderia se dar muito bem estrelando filmes desse tipo. A partir daí ele deixou de ser um coadjuvante eclético para se tornar um autêntico astro de ação dentro da indústria de cinema dos Estados Unidos. Levou até o fim de sua vida essa escolha. Assista e confira o que dá mexer com o fazendeiro errado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Ela

Título no Brasil: Ela
Título Original: Her
Ano de Produção:
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Spike Jonze
Roteiro: Spike Jonze
Elenco: Joaquin Phoenix, Amy Adams, Scarlett Johansson

Sinopse:
Theodore (Joaquin Phoenix) tem um emprego chato, uma vida amorosa praticamente inexistente e um cotidiano muito enfadonho. Sua existência aborrecida acaba ganhando um novo colorido quando ele adquire um programa de computador com inteligência artificial que se relaciona com ele, dividindo as experiências de vida e lhe dando conselhos pessoais. Não demora muito e Theo acaba se apaixonando por seu próprio sistema operacional! Filme vencedor do Oscar na categoria Melhor Roteiro Original (Spike Jonze).

Comentários:
Spike Jonze não é um cineasta comum. Ele nunca procura o convencional ou o lugar comum, pelo contrário, para Jonze o que importa mesmo é o estranho, o incomum e até mesmo o bizarro. Foi assim na maioria de suas obras como por exemplo "Quero Ser John Malkovich" (1999) ou o mais que estranho "Adaptação" (2002). Assim não é nenhuma novidade que Spike Jonze tenha escolhido como tema para esse seu novo filme um absurdo relacionamento amoroso envolvendo um homem solitário e seu... sistema operacional. Ok, em tempos onde a tecnologia invade todos os aspectos da vida pessoal de cada usuário era de se supor que algo assim seria explorado mais cedo ou mais tarde pelo cinema. O curioso é que Jonze consegue não apenas contar sua estória de forma muito inteligente, como também cria uma insuspeita identidade com o espectador, que de repente se vê bem próximo das situações mostradas na tela, para seu próprio espanto. Obviamente que para contar um enredo desses seria necessário ter um grande ator em cena, até porque ele praticamente contracenaria sozinho durante a maioria das cenas. Joaquin Phoenix se mostra em todos os momentos ser a escolha ideal. Ele, que já é conhecido por ser um cara bem estranho em sua vida pessoal, se entregou completamente ao personagem, trazendo uma carga de veracidade ímpar para o filme. Em tempos de tanta tecnologia ao nosso redor, o romance mostrado aqui nem aparenta ser tão surreal, para surpresa geral de quem o assistir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.