sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Annabelle

Título no Brasil: Annabelle
Título Original: Annabelle
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: New Line Cinema
Direção: John R. Leonetti
Roteiro: Gary Dauberman
Elenco: Ward Horton, Annabelle Wallis, Alfre Woodard

Sinopse:
Um jovem casal americano é surpreendido por gritos na casa vizinha. Após o marido sair para averiguar acaba descobrindo que há uma chacina se desenrolando na casa ao lado. Para piorar os insanos moradores invadem sua própria casa, causando quase uma tragédia completa. Em seus últimos momentos, uma mulher, completamente insana e envolvida com rituais satânicos, se agarra na boneca que a esposa acabara de receber de presente do marido. A partir daí o estranho objeto parece ganhar vida, desencadeando eventos sobrenaturais inexplicáveis. Confuso e com medo o casal resolve então partir em busca de ajuda com o padre da paróquia católica local.

Comentários:
Na verdade "Annabelle" nada mais é do que o Prequel do filme "Invocação do Mal". A boneca inclusive já havia aparecido naquela produção de forma mais discreta. Assim o que temos aqui são os acontecimentos anteriores ao filme original. Dito isso, outra explicação é necessária. Ao invés do que anda se escrevendo bastante por aí, os eventos mostrados nesse filme não foram inteiramente baseados em fatos reais. Certamente a boneca amaldiçoada existe e está inclusive em exposição no porão do casal Warren nos Estados Unidos, mas sua história verdadeira nada tem a ver com o filme. Na verdade a boneca de pano Annabelle (que diga-se de passagem é bem diferente da que vemos nas cenas do filme) foi envolvida em eventos sobrenaturais bem diferentes, com outros jovens, durante os anos 1970. Não havia o casal que vemos nesse roteiro, nem nada parecido, sendo tudo mesmo mera ficção. Aliás nem todas es escolhas do roteiro me soaram satisfatórias. A coisa toda de envolver Annabelle com uma seita satânica que acaba de uma forma ou outra se vinculando com a boneca me pareceu incomodamente semelhante aos filmes do Chucky (mas claro, sem a galhorfa do boneco assassino). Depois disso o roteiro consegue superar de certa forma sua falha inicial apostando em bem sucedidas sequências de suspense e terror. E é justamente aí que resulta seu grande mérito. Em termos de história em si "Invocação do Mal" é de fato um filme mais completo, mais esclarecedor, com mais informações, mas em questão de índice de medo "Annabelle" o supera. Há de fato ótimos momentos, alguns bem assustadores. A dupla de atores que interpreta o casal funciona apenas como background e escada para os sustos, pois de fato a boneca (na verdade várias delas que foram usadas ao longo do filme) é a grande estrela desse horror. O clímax, por outro lado, me pareceu muito bem bolado, com os personagens em um momento crucial de redenção e sacrifício. Um bom desfecho para um terror que realmente se revela bem acima da média do que vem sido produzido ultimamente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Histórias de Rock Hudson - Parte 2

Enquanto Rock Hudson ia se firmando dentro da Universal, ele começou a desenvolver duas paixões que jamais o abandonariam até o fim de sua vida: colecionar discos e viajar. Rock gastava um valor enorme de seu salário na compra de discos, de todos os gêneros, que colecionou com grande dedicação até sua morte. Era um aficcionado por música. Certa vez declarou: "Não consigo viver sem música. É como o ar que respiro. Mal chego do estúdio depois de um dia de trabalho duro e a primeira coisa que faço é ligar meu toca-discos". De fato Rock não curtia um novo invento que estava chegando em todos os lares durante os anos 1950, a TV, mas se esbaldava nos fins de semana, comprando todos os vinis que encontrava pela frente. Era de fato um colecionador voraz, desses que pagam pequenas fortunas por discos raros, com selos diferentes ou edições limitadas. Esse hobby encontrou alguns contratempos ao longo da vida. Quando estava no complicado processo de divórcio de sua primeira e única esposa, ela em um acesso de fúria começou a quebrar os raros exemplares que Rock havia movido montanhas para comprar.  Suas cópias raras de Ella Fitzgerald e Duke Ellington ficaram em pedacinhos em questões de minutos. Talvez por isso Rock tenha jurado aos amigos mais próximos que jamais se casaria novamente, promessa que aliás cumpriu com afinco.

Além de colecionar vinis, Rock adorava viajar pelo mundo. Assim que virou um astro em Hollywood ele começou a cruzar os céus e os mares para conhecer outras culturas, outros países. A primeira viagem que fez e o encantou foi na Itália. Rock voltaria para lá várias vezes, inclusive algumas a trabalho quando filmou filmes na região, mas nada superaria o prazer de conhecer velhos castelos e vilas medievais. Rock não era um turista tradicional, desses que compram pacotes fechados de viagem. Ele queria também sentir a emoção da aventura. Assim não raro alugava um carro em algum país europeu e saía viajando pelas estradas, sem rumo certo. Rock certa vez realizou uma longa viagem de automóvel que começou em Portugal, atravessou a Espanha, França e terminou quase nas fronteiras da cortina de ferro, a barreira erguida pela União Soviética separando os países socialistas do resto da Europa. Ele até tentou aprender algumas línguas, mas depois de várias tentativas de aprender francês reconheceu que não era sua praia. Rock se considerava velho demais para se tornar um bom aluno de língua estrangeira.

Obviamente que sua vida pessoal e privada continuava fechada a sete chaves. Nas entrevistas promocionais Rock se mostrava simpático, alegre, e diplomaticamente fechado. Como se soube muitos anos depois Rock escondeu por décadas suas verdadeiras preferências sexuais, afinal ele era gay. Aos poucos porém isso foi deixando de ser um problema para ele, do ponto de vista estritamente pessoal. A publicação do livro "Sexual Behavior in the Human Male" de Alfred C. Kinsey, foi o ponto chave na aceitação de sua homossexualidade. Por anos Rock viveu com culpa e vergonha, se sentindo inferior ou uma aberração. O livro do professor Kinsey colocava muitos mitos ao chão. Assim o fato de ser gay não poderia ser mais considerado uma doença ou um desvio de caráter. O cientista havia concluído com suas pesquisas que a homossexualidade era algo natural na natureza. Muitos animais seguiam essa tendência e não havia nada de errado nisso. Para completar, ele afirmava em seus estudos que praticamente todos os seres humanos tinham uma tendência natural para gostar de outros humanos do mesmo gênero. Poucos eram absolutamente heterossexuais. Havia uma escala que ia da homossexualidade absoluta até a heterossexualidade completa. Os seres humanos geralmente ficavam no meio dessa escala, indo para um lado ou para o outro. Rock e a comunidade gay da Califórnia receberam com alívio essas conclusões. Afinal naquela época ser gay era algo completamente condenável, tanto do ponto de vista legal, social e até científico. Kinsey deu uma nova visão sobre o tema. Claro que Rock não iria se assumir publicamente, afinal ele interpretava galãs nos filmes e se o fato de ser gay viesse a público ele seria ridicularizado. Dentro de sua alma porém ele se sentia aliviado.

Já profissionalmente as coisas caminhavam bem. Todo fim de ano a Universal publicava uma lista de atores demitidos, dos quais ela não tinha mais interesse em continuar sob contrato. Era um momento de tensão para os jovens aspirantes a astro do estúdio. Rock temia ser demitido, mas para sua felicidade continuou dentro do cast da empresa. Outro de sua mesma turma que ganhou novo contrato foi o futuro astro Tony Curtis. Agora Rock poderia respirar mais aliviado. Como era um tipo grande, alto e forte, lembrando os pioneiros que foram para o oeste em busca de uma nova vida, Rock foi imediatamente escalado para contracenar com James Stewart e Shelley Winters no faroeste "Winchester '73". A direção seria do grande diretor do gênero Anthony Mann. O papel de Rock não era muito significante, mas tinha o espaço suficiente para que ele se mostrasse bem na tela, além disso havia bons diálogos para declamar. Era o começo de uma nova virada profissional em sua vida no cinema.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - Os Anos Finais - Parte 25

Era muito melhor para Elvis assim. Ele se sentia totalmente aliviado quando estava sob efeitos de drogas. Ele certamente sabia que estava se auto destruindo com tantas drogas consumidas de uma só vez, mas não se importava com isso! O que era importante mesmo era aliviar a extrema agonia do ser. Era melhor "estar inconsciente do que desgraçado" como ele próprio já dissera antes. Essa auto destruição de Elvis até poderia ser tolerada se apenas ele estivesse em perigo nessa jornada insana em que havia entrado. Mas outras pessoas também ficavam em risco na sua presença. Red West afirmou que, após testemunhar um tiro quase fatal que Elvis deu na parede que separava a sala onde estava e o banheiro em que Linda se encontrava (a bala atravessou a parede e quase acertou a cabeça de Linda!), ele determinou a todos os membros da máfia de Memphis que sempre checassem a primeira câmara de balas das armas de Elvis. Sempre deveriam estar vazias pois caso contrário Elvis, sob efeitos de drogas, poderia atirar em alguém por acidente. Sem bala na agulha, os caras da Máfia de Memphis tinham um certo lapso de tempo necessário para reagir no sentido de desarmá-lo e evitar assim acidentes fatais.

Com a palavra Red West: "Se não tivéssemos tomado essa atitude, Elvis poderia ter matado algumas pessoas durante sua vida. Uma arma na mão de uma pessoa já é perigosa, imagine na mão de uma pessoa drogada! Quando Elvis começou a explodir suas TVs com tiros todos riram no começo, mas logo a brincadeira perdeu a graça quando tínhamos que nos abaixar quando ele saía atirando para todos os lados, contra abajures, interruptores de luz, lustres, era uma insanidade, uma completa falta de responsabilidade por parte dele, imagine a situação, um tiro desses a esmo poderia matar facilmente uma pessoa por acidente. Era uma insanidade, não havia graça nenhuma nessas situações!" David Stanley relembra: "Não sei porque Elvis agia assim de forma tão tola e infantil! Uma vez ele procurou por seu revólver e não o encontrando pegou um cinzeiro, daqueles enormes de metal pesado, muito pesado, e o jogou na tela da TV, espatifando tudo! Eu fiquei chocado e olhei em sua direção. Ele tinha aquele olhar típico de uma pessoa totalmente entorpecida, olhos semifechados, desfocados, quase apagando sozinho. De repente quando o olhei novamente levei um susto, ele simplesmente tinha apagado por causa das drogas! No dia seguinte eu lhe disse: "Elvis, ontem você jogou um cinzeiro na TV! O que aconteceu?!" Elvis olhou para mim com o olhar vidrado e respondeu: "Do que diabos você está falando David?!" Ele nem tinha mais consciência do que fazia ou deixava de fazer!".

O Coronel então resolveu enfrentar Elvis nessa situação toda. Depois de mais um show ruim o Coronel resolveu confrontar o cantor de uma vez, subiu e foi falar com ele em seu quarto. Tom Parker mandou esvaziar a suíte do artista e decidiu que era hora de ter uma conversa franca com Elvis. Deixou claro para o chapado astro que ele tinha que “endireitar sua vida ou então toda sua carreira iria por água abaixo”! A palavra “drogas” não foi mencionada, o Coronel apenas sugeriu e não afirmou ou partiu para um confronto totalmente direto, pois caso fizesse isso poderia sobrar para ele no final das contas. Apenas disse uma verdade sabida por todos, pelos caras da Máfia, pelos membros da banda, por seus familiares, por todo mundo. Não havia mais como continuar daquele jeito! Elvis não mostrou reação, ele estava letárgico demais para reagir. Não se sabe se por estar em um estado depressivo ou entorpecido, o fato é que Elvis mal ouviu o que o Coronel tinha a lhe dizer naquele momento. Ele já vinha muito deprimido por algumas coisas que lhe foram ditas da vida íntima de Priscilla e de seu amante Mike Stone e agora sua depressão o impedia até mesmo de raciocinar com equilíbrio.

Dias atrás uma empregada de Priscilla, que namorava um dos caras da Máfia de Memphis, contou a ele que Priscilla colocava Lisa para dormir aos pés de sua cama com Mike. Quando Elvis soube desse fato ele implodiu! Em um primeiro momento ele não quis matar ninguém nem nada, ele simplesmente afundou, implodiu... sabe quando sofremos um duro golpe, tão grande que nem conseguimos mais mostrar forças ou sair para a luta? Quando pensamos que até a esperança está morta e enterrada... foi isso. Elvis se encolheu e teria caído em prantos se não estivesse na frente de sua entourage. Ouviu tudo atentamente e quando seu interlocutor terminou, Elvis simplesmente se levantou e rumou em direção ao seu quarto, silenciosamente. Como tudo foi lhe contado na frente de seus capangas, Elvis sentiu-se completamente humilhado, rebaixado e em um misto de vergonha e sentimento de inferioridade retirou-se. Ele nem soube direito como reagir na verdade. Sentiu-se o mais miserável dos mortais. Sua filha dormindo aos pés da cama do leito de traição de sua ex-esposa e seu amante maldito fez Elvis mergulhar em uma depressão profunda. Era nisso que a vida pessoal do outrora glorioso Rei do Rock havia se transformado?

Erick Steve.

Trágica Emboscada

Título no Brasil: Trágica Emboscada
Título Original: The Savage
Ano de Produção: 1952
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: George Marshall
Roteiro: L.L. Foreman, Sydney Boehm
Elenco: Charlton Heston, Susan Morrow, Peter Hansen

Sinopse:
Quando apenas era uma criança, James 'Jim' Aherne Jr (Charlton Heston) presenciou toda a sua família ser morta durante um ataque de nativos à caravana na qual viajava. Resgatado por uma tribo rival Sioux acaba sendo adotado pelo cacique de seu novo clã. Os anos passam e ele recebe o nome de "War Bonnet" entre seus pares. Com a quebra de um tratado firmado entre as tropas da cavalaria e a tribo Sioux, os tambores de guerra voltam a soar nas montanhas. A questão é: será que Aherne estará mesmo disposto a enfrentar o homem branco em um campo de batalha ou sua lealdade aos índios falará mais alto?

Comentários:
Charlton Heston aqui interpreta um homem branco criado no meio dos índios Sioux, o que não deixa de ser muito curioso, pois o ator acabou desenvolvendo uma de suas atuações mais físicas, já que "The Savage" é em essência um bangue-bangue típico dos anos 50, com muitas cenas de combate e ação envolvendo índios e a cavalaria americana. O tom dramático é dado pela dualidade vivida pela personagem de Heston, afinal se ele é um branco de nascença como se comportará caso exploda uma guerra entre os soldados e os índios Sioux? Um dos destaques da produção vem da bonita fotografia. O filme foi todo rodado na Carolina do Sul, nas montanhas conhecidas como Black Hills, uma região muito agraciada por belezas naturais. O roteiro só deixa a desejar mesmo na indecisão quase sempre constante do personagem principal, pois Inicialmente ele se coloca ao lado da paz, porém depois que sua irmã adotiva é morta por engano por soldados, ele volta atrás para armar um emboscada fatal para os militares enviados por Washington. E isso é apenas o começo pois haverá ao longo do filme outras reviravoltas. Charlton Heston também surge meio esquisito com figurinos indígenas e cabelos com trancinhas. Para quem o associa a filmes como "Ben Hur" e "Os Dez Mandamentos" certamente haverá uma dose de surpresa com seu visual fora do comum. No mais é isso, uma boa fita, valorizada também por um certo romantismo em relação ao estilo de vida e cultura dos Sioux.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.


Jeff Bridges - Jeff Bridges (2011)

Não é novidade nenhuma ver astros de Hollywood lançando discos, tentando quem saber levantar uma carreira no mundo da música, muitos inclusive são cantores e instrumentistas frustados como por exemplo Johnny Depp. Em relação a Jeff Bridges a boa notícia é que ele tem realmente talento. Cercado por uma banda de feras o ator conseguiu realizar um disco muito agradável de ouvir, com uma farta seleção de excelentes canções na linha rock - country.

Várias faixas inclusive foram escritas pelo próprio Bridges como "Falling Short", "Tumbling Vine" e "Slow Boat". Algumas dessas canções possuem uma leve melancolia que é muito característica da nova geração do gênero nos Estados Unidos. Em certos aspectos o atual country americano trilha caminhos de maior introspecção que muitos estilos musicais mais fortemente ligados a esse tipo de sentimento como o Blues, por exemplo.

Tudo embalado por ótimos arranjos de fundo, com destaque até mesmo para orquestrações ricas e detalhistas em seus menores aspectos (palmas para o produtor T-Bone Burnett, que trouxe muita riqueza para as composições de Bridges dentro dos estúdios). Dando uma ajuda a Bridges nos vocais temos a presença dos ótimos Ryan Bingham, Rosanne Cash, Sam Phillips e Benji Hughes, numa contribuição essencial para dar a estrutura melódica ideal ao trabalho como um todo. Um disco que supera todas as expectativas, mostrando acima de tudo que qualquer tipo de preconceito pelo fato de ser um álbum gravado por um ator de cinema deve ser deixado de lado. Boa música, arranjos elegantes e qualidade musical garantem uma excelente audição. Realmente acima da média. Que venham outros discos do Bridges.

Jeff Bridges - Jeff Bridges (2011)
What a Little Bit of Love Can Do
Falling Short
Everything But Love
Tumbling Vine
Nothing Yet
Blue Car
Maybe I Missed the Point
Slow Boat
Either Way
The Quest

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O Álamo

Título no Brasil: O Álamo
Título Original: The Alamo
Ano de Produção: 1960
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: John Wayne
Roteiro: James Edward Grant
Elenco: John Wayne, Richard Widmark, Laurence Harvey, Frankie Avalon

Sinopse:
Durante o ano de 1836 cresce o sentimento de separação do Texas do México. A intenção dos revolucionários é transformar o isolado estado em uma República independente. Para destruir o foco rebelde o governo mexicano envia um formidável exército de repressão comandado pelo general Santa Anna. Para resistir a invasão se insurge um pequeno mas valente grupo de homens no Álamo. Formado por soldados de carreira, voluntários e americanos do Tennessee liderados pelo coronel Davy Crockett (John Wayne) eles resolvem ficar no local para enfrentar bravamente o inimigo. Filme indicado aos Oscars de Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Música e Melhor Ator Coadjuvante (Chill Wills). Filme vencedor do Oscar de Melhor Som. Filme vencedor do Globo de Ouro na categoria Melhor Trilha Sonora Original (Dimitri Tiomkin).

Comentários:
Ao longo da carreira John Wayne dirigiu oficialmente apenas dois filmes, esse "O Álamo" e "Os Boinas Verdes" em 1968. De maneira não creditada ainda participou como co-diretor de "Rota Sangrenta" de 1955, "Os Comancheros" de 1961 (quando o diretor Michael Curtiz ficou doente demais para finalizar o filme) e por fim "Jake Grandão" de 1971. Em todas essas produções Wayne não fez feio como cineasta, muito pelo contrário, sempre pareceu tomar todas as decisões corretas. De todos os que assinou a direção nenhum foi tão pessoal quanto esse ousado faroeste de 1960. A intenção era recriar em cores épicas o famoso combate pela luta do forte Álamo (na verdade uma missão abandonada) no Texas. O evento histórico até hoje é celebrado no estado da rosa amarela justamente por ter sido um exemplo da bravura e orgulho do homem texano, que se recusou a se render mesmo diante de um poderoso exército mexicano que estava ali para garantir que o Texas continuasse a ser parte do México. No total o Álamo contava com apenas 185 homens que lutaram de forma corajosa contra mais de sete mil soldados sob comando do generalíssimo Santa Anna. Vale a pena ressaltar a coragem de John Wayne em algumas decisões que tomou ao rodar essa produção. A primeira delas foi o comprometimento com a história, evitando se render a meras concessões comerciais. Isso fez com que Wayne rodasse um filme longo, com duas horas e quarenta minutos de duração. Como bem sabemos filmes longos demais vendem menos ingressos pois ganham menos sessões de cinema durante o dia. Isso porém não depõe contra o resultado final, pois o filme jamais se torna pesado ou cansativo de assistir. O importante é que Wayne quis contar sua história da forma correta, sem perder nenhum detalhe histórico importante. A boa notícia é que seu objetivo foi alcançado. No desenrolar da trama também podemos notar que o cineasta John Wayne trouxe para a película muita coisa que aprendeu ao trabalhar ao lado de grandes diretores em sua carreira. A influência mais notável vem de John Ford. Wayne tenta recriar na tela pequenas nuances e detalhes que eram muito presentes na obra de Ford. Obviamente não consegue o mesmo impacto, até por falta de maior experiência atrás das câmeras, mas se sai muito bem. Assim "The Alamo" é uma prova que se quisesse, John Wayne poderia ter tido também uma bela carreira como diretor. Infelizmente o ator achava que dirigir trazia muita pressão, responsabilidades e riscos e por isso preferiu seguir trabalhando apenas como ator, atuando em seus bons e velhos faroestes. Uma pena, se tivesse seguido certamente teríamos por aí algumas pequenas joias cinematográficas como esse "O Álamo".

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Kingdom Come

Título no Brasil: Ainda não Definido
Título Original: Kingdom Come
Ano de Produção: 2014
País: Canadá
Estúdio: Matchbox Pictures Inc
Direção: Greg A. Sager
Roteiro: Geoff Hart, Greg A. Sager
Elenco: Ry Barrett, Camille Hollett-French, Jason Martorino

Sinopse:
Um grupo acorda subitamente em um lugar escuro e em ruínas que mais parece um hospital abandonado. Aos poucos todos vão procurando saber o que de fato estaria acontecendo. O surgimento de estranhas criaturas e aparições sobrenaturais nas trevas torna tudo ainda mais assustador. Afinal de contas o que todas aquelas pessoas teriam em comum e o que de fato estaria acontecendo? A verdade é bem mais aterradora do que todos podem imaginar.

Comentários:
Filme alternativo de terror canadense com pequeno orçamento que acaba agradando caso você consiga comprar a ideia central do roteiro. Na verdade o argumento é bem mais interessante do que inicialmente se supõe. No começo do filme você pensa que vai assistir mais uma daquelas fitas sangrentas sem nada muito original por trás - uma série de mortes sem fim e sem criatividade. Isso porém é uma visão superficial sobre o texto que sim, por mais incrível que isso possa parecer, acaba surpreendendo por causa da algumas boas sacadas. O hospital parcialmente destruído funciona praticamente como uma ante-sala do inferno ou até mesmo um retrato mais metafórico do que seria o purgátorio católico. Todos que estão ali precisam acertar contas com algo errado que fez no passado. Assim o que inicialmente parece ser um grupo de pessoas inocentes em uma situação limite se revela mais como um conjunto de sujeitos que cometeram alguns crimes horrendos. Há o pedófilo contumaz, o assassino da própria filha e um estuprador serial. Agora eles parecem encurralados, prontos para pagarem por suas iniquidades em vida. Para quem gosta de teologia o texto ainda se utiliza do anjo negro, que está ali para revelar as fraquezas humanas e a falibilidade da alma humana. Pois é, analisando-se bem e de perto é de se ficar mesmo surpreso que tanta coisa interessante se possa ser extraído de um filme com uma estória aparentemente tão simples. Muitas vezes é necessário saber interpretar as entrelinhas para entender completamente as nuances que certas estórias possuem para contar.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Em Terreno Selvagem

Título no Brasil: Em Terreno Selvagem
Título Original: On Deadly Ground
Ano de Produção: 1994
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Steven Seagal
Roteiro: Ed Horowitz, Robin U. Russin
Elenco: Steven Seagal, Michael Caine, Joan Chen

Sinopse:
Forrest Taft (Steven Seagal) é um agente ambiental que trabalha para a Companhia de Petróleo Aegis no Alasca. O executivo e CEO da companhia porém não está muito preocupado com questões ambientais, só com lucros, cada vez mais potencializados. Hipócrita, lança comerciais onde vende a imagem de um executivo industrial ambientalista. Agora seu principal objetivo é a construção de uma grande plataforma que irá destruir não apenas o maio ambiente, mas também a tradicional cultura dos esquimós que vivem na região.

Comentários:
Steven Seagal surge aqui dirigindo um filme de ação com um roteiro ambientalista. Nos anos 1990 a onda verde estava em seu auge (basta lembrar da Eco 92) e o ator assim tentou capitalizar em cima disso. Obviamente que apesar das boas intenções o filme acabou virando alvo de chacotas por parte da crítica, afinal de contas não deixava de ser irônica a situação onde um brutamontes de repente parava a pancadaria para declamar discursos de preservação. Steven Seagal acabou pagando um preço alto, pois o filme virou um dos campeões de indicações ao Framboesa de Ouro, inclusive nas categorias de pior filme, direção, ator, atriz e roteiro. Apesar de não ser nenhum primor sempre achei essa enxurrada de carga negativa bastante exagerada. É uma diversão escapista, onde Seagel quis criar algum conteúdo, mesmo não se saindo muito bem. Além disso tem o valente Michael Caine defendendo seu cachê! Só isso já basta para conferir a produção.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Papa Lino

No decorrer dos séculos muito foi perdido em termos de precisão histórica da Igreja. O Papa Lino foi o segundo Papa da história da Igreja Católica. Foi o sucessor de Sâo Pedro, considerado o primeiro Papa por ter sido o fundador da Igreja de Jesus Cristo. Como grande parte dos escritos originais se perderam nesses séculos pouca coisa segura há para se desvendar sobre esse segundo Bispo de Roma, Lino. Sabe-se que nasceu na Toscana, filho de um homem chamado Herculano. Foi um dos primeiros a se converter ao cristianismo. Na época a nova crença era considerada uma religião perigosa e subversiva pelos imperadores romanos. Há controvérsias se Lino teria conhecido ou andado ao lado de Pedro, mas pode-se afirmar com certeza que ambos viveram no mesmo tempo e na mesma cidade, foram contemporâneos. Como a igreja ainda era uma instituição perseguida não se sabe com precisão quando começou seu pontificado. Não havia documentos escritos para evitar execuções dos líderes do movimento.

Para alguns historiadores porém Lino não seria o único a ostentar o título de Bispo de Roma em sua época. Ao que tudo indica o poder de se levar adiante a palavra de Cristo em um império que a oprimia pertencia a três homens diferentes, Lino,  Anacleto e Clemente. Segundo ainda tradições antigas Pedro teria passado a missão de levar em frente a igreja de Roma diretamente a Clemente, só que esse tinha pouca ambição de ostentar esse título (não se sabe se sua atitude partia de um certo temor de ser morto por autoridades imperiais ou por pura modéstia pessoal). Assim Clemente por ser muito modesto retirou-se logo dessa função. Anacleto por sua vez desapareceu subitamente dos poucos registros que sobreviveram, ficando claro que a partir de determinado momento coube a Lino a condução da Igreja logo após as mortes de Pedro e Paulo.

Não se sabe também com precisão por quanto tempo Lino foi Papa. Há um certo consenso de que ele teria ficado no trono de Pedro por onze anos e oito meses. Apesar da perseguição das autoridades seu pontificado foi considerado pacífico e administrativamente organizado. Ele escreveu um dos primeiros documentos da Igreja, um regulamento que proibia as mulheres cristãs de irem aos cultos sem o véu. Depois que Nero descobriu que Lino era o suposto líder da nova Igreja que nascia, resolveu que ele deveria ser martirizado. Segundo algumas fontes Lino foi morto no ano 78, sob as ordens do cônsul Saturnino. Existe uma lenda que Lino teria feito um exorcismo em sua filha, expulsando um demônio evocando o poder de Jesus.

De qualquer maneira, mesmo sem confirmação histórica precisa, o fato é que o Papa Lino teria deixado uma obra escrita em grego sobre os martírios de São Pedro e de São Paulo, contando também parte de suas histórias. Tal obra teria sido de imensa importância histórica hoje em dia, mas certos estudiosos acreditam que eles sofreram adulterações ao longo da história, sendo os escritos originais perdidos para sempre. A tradicional história do conflito entre São Pedro e Simão, o Mago, teria sido tirado do livro original de Lino. Outra suposição é que os textos teriam sido queimados por autoridades romanas que estavam decididas a destruir o movimento cristão em Roma. Em termos históricos o pontificado de Lino coincide com a invasão e destruição do templo de Jerusálem pelo imperador romano Tito, um fato que causou grande comoção entre os cristãos de Roma. A luta de Lino nos primórdios do cristianismo lhe valeu a canonização. Hoje o Papa é reconhecido pela Igreja Católica como São Lino.

Pablo Aluísio.

Um Sonho Possível

Título no Brasil: Um Sonho Possível
Título Original: The Blind Side
Ano de Produção: 2009
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: John Lee Hancock
Roteiro: John Lee Hancock, baseado no livro de Michael Lewis
Elenco: Sandra Bullock, Quinton Aaron, Tim McGraw

Sinopse:
Michael Oher (Quinton Aaron) é um jovem negro americano cujo lar é desfeito. Praticamente abandonado pelos pais, deixado ao relento, ele acaba encontrando apoio e segurança com uma família branca de sua cidade. Leigh Anne (Sandra Bullock) é uma dondoca sulista que acredita em seu potencial como jogador de futebol americano. Dando todo o apoio possível, com a ajuda do treinador de sua escola, Michael Oher começa finalmente a subir na vida, com a ajuda do esporte e de sua nova família. Filme vencedor do Oscar na categoria de Melhor Atriz (Sandra Bullock). Filme vencedor do Globo de Ouro também na mesma categoria.

Comentários:
Sandra Bullock já fez muita abobrinha na carreira, mas pelo menos essa fita tem uma certa relevância. Seguindo uma política de ações afirmativas também dentro do cinema americano, temos aqui mais uma daquelas produções que valorizam histórias reais de negros que superaram as muitas adversidades para se tornarem pessoas bem sucedidas e realizadas em suas vidas. O enfoque gira em torno de Michael Oher (Quinton Aaron), um americano negro, que acaba sendo acolhido por uma família branca do sul dos Estados Unidos. Como se sabe o sul sempre foi tradicionalmente uma região de muito preconceito racial e social. Assim o roteiro procura mostrar a bem sucedida interação entre esses dois lados, que para muitos sulistas jamais deveriam ser misturados. A personagem de Sandra Bullock é uma típica dondoca sulista, mas com um diferencial importante, já que ela tem um grande coração. Seu trabalho é bom, ela consegue equilibrar o lado humano com uma certa comicidade, mas daí a ser premiada com o Oscar vai uma certa dose de exagero. E como se isso não bastasse o filme ainda arrancou uma improvável indicação ao Oscar de Melhor Filme, algo sem muito propósito e que talvez só se justifique pelo fato da academia tentar ser o mais politicamente correta possível. Mesmo assim, reconhecendo que o filme foi muito superestimado, indico. Vale pelas boas intenções, por alguns momentos realmente inspirados de Bullock e principalmente pela história, edificante e acolhedora.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Batman & Robin

Título no Brasil: Batman & Robin
Título Original: Batman & Robin
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Joel Schumacher
Roteiro: Akiva Goldsman, baseado na obra de Bob Kane
Elenco: Arnold Schwarzenegger, George Clooney, Chris O'Donnell, Uma Thurman, Alicia Silverstone

Sinopse:
Batman (George Clooney) se une ao seu pupilo e parceiro no combate ao crime, Robin (Chris O'Donnell), e à Batgirl (Alicia Silverstone) para enfrentar os terríveis vilões Mr. Freeze (Arnold Schwarzenegger) e Poison Ivy (Uma Thurman). Filme indicado a três prêmios da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films nas categorias Melhor Maquiagem, Figurino e Melhor Filme de Fantasia. "Vencedor" do Framboesa de Ouro na categoria Pior Atriz Coadjuvante (Alicia Silverstone).

Comentários:
Nem só de obras primas viveu o personagem Batman nos cinemas. Para quem é jovem e só conheceu mesmo os filmes dirigidos por Christopher Nolan é bom saber que houve uma primeira franquia que surgiu com Tim Burton e morreu com Joel Schumacher. E foi justamente esse filme aqui que enterrou a primeira quadrilogia do homem morcego nos cinemas. O interessante é que as filmagens foram muito badaladas pois todos queriam conferir o personagem com o novo queridinho de Hollywood, George Clooney. De fato ele estava no pique do sucesso, após provar que tinha conseguido fazer a complicada transição da TV para o cinema. Assim a Warner desembolsou uma fortuna para tê-lo na pele de Batman. O estúdio inclusive queria realizar o melhor filme de todos os tempos sobre o herói, com orçamento milionário e caprichos impensáveis naquela época, como por exemplo, contratar o astro Arnold Schwarzenegger para interpretar o vilão Mr. Freeze! Tudo parecia caminhar para a consagração de mais um grande blockbuster, desses que realmente arrasam quarteirões mas... tudo resultou em um grande desapontamento! Joel Schumacher, provavelmente inspirado na série televisiva dos anos 1960, optou erroneamente por dar ao filme um tom exageradamente cartunesco, beirando a paródia completa. O público não aceitou e a crítica detestou. Depois que Tim Burton tinha renovado o personagem com tintas sombrias era de fato uma surpresa e tanto uma abordagem tão pop e camp como essa. Desnecessário dizer que o filme naufragou completamente, se tornando um vexame para todos os envolvidos. George Clooney ainda tentou amenizar soltando algumas piadinhas sobre o uniforme ridículo que estava usando (com direito a mamilos salientes), mas nada disso salvou "Batman & Robin" de se tornar um dos maiores desastres da história da Warner Bros. Uma mancha negra complicada de apagar na história de um dos mais populares heróis de quadrinhos de todos os tempos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Linha Mortal

Título no Brasil: Linha Mortal
Título Original: Flatliners
Ano de Produção: 1990
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Joel Schumacher
Roteiro: Peter Filardi
Elenco: Kiefer Sutherland, Kevin Bacon, Julia Roberts, William Baldwin

Sinopse:
Um grupo de arrogantes estudantes de medicina decide desvendar um dos últimos grandes mistérios da ciência moderna: a morte! Eles não desejam vencer ela, mas apenas a sondar de dentro. Assim decidem realizar uma rede de experiências levando o corpo a um estado de quase-morte. A intenção é sondar essa fronteira, para tentar descobrir o que realmente de fato existe no outro lado da vida. O que eles não sabiam é que com isso acabam abrindo portas que jamais deveriam ter sido abertas. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhores Efeitos Especiais. Filme indicado ao prêmio Saturn da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films nas categorias de Melhor Filme de Ficção e Melhor Atriz Coadjuvante (Julia Roberts). 

Comentários:
Alguns filmes melhoram bastante com o passar do tempo. Isso se deve principalmente aos roteiros, que sendo de boa qualidade, não envelhecem jamais. Um caso que se encaixa perfeitamente no exemplo acima é essa fita de suspense que fez bastante sucesso na época de seu lançamento, tanto nos cinemas como no mercado de vídeo VHS. Os personagens são extremamente interessantes, jovens estudantes de medicina, egocêntricos, arrogantes, cheios de si, afinal de contas eles estão no topo da cadeia alimentar no ultra concorrido universo dos cursos de ponta da carreira acadêmica americana. Para jovens assim não existem barreiras que os impeçam de irem até o limite. E o que seria mais tentador e ousado do que tentar explicar os mecanismos que rondam a própria morte? Assim no auge de sua petulância eles ousam tentar atravessar essa barreira, verificar o que existe no outro lado e voltar para contar o que viram. Não é uma das tarefas mais simples de realizar. O elenco de "Flatliners" conseguiu reunir um grupo de jovens atores - ainda desconhecidos do grande público na época - que nos anos que viriam iriam se tornar astros e estrelas do cinema americano. Dentre eles se destaca Julia Roberts, ainda colhendo os frutos do recente sucesso de "Uma Linda Mulher". A direção é do irregular Joel Schumacher, um cineasta conhecido por intercalar bons filmes com bombas atômicas. Aqui, para alívio geral, ele comparece com uma obra não apenas interessante, mas também bem desafiadora. Prova que, quando acerta a mão, ele consegue mesmo realizar bons filmes.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 26 de outubro de 2014

Clube da Luta

Título no Brasil: Clube da Luta
Título Original: Fight Club
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: David Fincher
Roteiro: Jim Uhls, baseado na obra de Chuck Palahniuk 
Elenco: Brad Pitt, Edward Norton, Helena Bonham Carter, Meat Loaf

Sinopse:
Tyler Durden (Brad Pitt) se junta a outros homens como ele, para violentos combates pelos subterrâneos das grandes cidades com o desesperado objetivo de escapar de alguma forma do marasmo e do tédio da vida moderna. Nesse mundo de extremos, um narrador (Edward Norton) conta suas experiências nesse submundo que muitos ignoram existir. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhores efeitos sonoros, melhores efeitos especiais e melhor edição. Indicado ainda a 19 outros prêmios, entre eles Brit Awards, MTV Movie Awards e Las Vegas Film Critics Society.

Comentários:
"Fight Club" foi muito badalado em seu lançamento. Não era para menos, pois de fato o filme unia uma proposta nova e inteligente com um roteiro cheio de boas sacadas. Os personagens retratam de certa maneira o vazio existencial que impera entre os mais jovens ou entre adultos que descobrem que o jogo finalmente acabou, que não há mais nenhuma esperança no fim do túnel. Para escapar do sufocante tédio do dia a dia e preencher esse vácuo em suas almas, eles partem em busca de emoções mais viscerais, animais mesmo, trazendo-os de volta a um estado mais natural e selvagem. A briga assim funciona não apenas como uma brilhante válvula de escape do massacrante cotidiano, mas também como um retorno às origens animalescas dos seres humanos. Para muitos especialistas estamos assim diante da maior obra prima assinada pelo criativo cineasta David Fincher. Não há como negar que Fincher é seguramente um dos cinco diretores mais brilhantes que surgiram em meados dos anos 1990. Seus filmes nunca se rendem ao lugar comum cinematográfico, especialmente aqueles que tinham tudo para se tornarem fitas descartáveis como "Seven" ou "O Curioso Caso de Benjamin Button", mas que numa verdadeira tacada de mestre se tornaram pequenos clássicos contemporâneos. O elenco também está em momento particularmente inspirado. Edward Norton, o narrador e também protagonista de tudo o que acontece, transparece em sua voz toda a melancolia e falta de ânimo de seguir em frente com sua vida enfadonha. Brad Pitt dá vida a um personagem completamente amoral, que não liga mais para qualquer tipo de valor humano que um dia tenha sido importante para a vida civilizada em sociedade. Infelizmente no Brasil o filme ficou também tristemente marcado por uma tragédia ocorrida em um cinema, quando um jovem estudante de medicina com problemas mentais abriu fogo contra o público em um cinema de São Paulo. Melhor esquecer esse tipo de coisa e louvar sempre o excelente nível desse "Clube da Luta", um dos melhores filmes do cinema americano surgidos dos últimos anos. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 25 de outubro de 2014

Onde o Diabo se Esconde

Título no Brasil: Onde o Diabo se Esconde
Título Original: Where the Devil Hides
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: LD Entertainment
Direção: Christian E. Christiansen
Roteiro: Karl Mueller
Elenco: Alycia Debnam Carey, Colm Meaney, Adelaide Kane, Jennifer Carpenter 

Sinopse:
Numa fechada e isolada comunidade religiosa nascem seis garotas no sexto dia do sexto mês. Para o líder e pastor Elder Beacon (Colm Meaney) isso é um claro sinal da presença do diabo pois o 666 está presente bem no meio daqueles acontecimentos. Após uma tragédia, os anos passam e as meninas se tornam finalmente mulheres. Prestes a celebrarem seus aniversários de 18 anos, uma série de mortes começam a acontecer dentro da comunidade. Estaria Beacon realmente com a razão ou tudo seria fruto apenas de uma visão fanática e fatalista de sua seita?

Comentários:
"Where the Devil Hides" começa muito bem. Somos apresentados àquela comunidade fechada em si mesmo, onde tudo gira em torno de uma visão religiosa fundamentalista da vida. As garotas são impedidas de conhecer rapazes fora da fazenda onde vivem, festas e bebidas também não são tolerados. Todos se vestem de forma igual, com vestimentas sóbrias e soturnas. As meninas vão tentando viver suas vidas da melhor forma possível naquele clima opressor, embora seja complicado para adolescentes viverem naquele ambiente de repressão e culpa. Para Mary (Alycia Debnam Carey) a situação é ainda mais delicada, já que ela tem constantes ataques de epilepsia que são interpretadas como manifestações diábolicas. Após sofrer quase um abuso sexual por parte do pastor, ela resolve ir embora, algo que não será muito fácil, pois fora criada longe do mundo moderno. Conseguirá se livrar da suposta maldição ao qual está supostamente condenada? O primeiro conselho que daria a quem for assistir a esse filme é não confiar inteiramente nas armadilhas do roteiro. Falar muito seria de certa forma estragar as surpresas, mas de antemão é válido informar que o espectador é levado a crer e acreditar em uma certa situação que parece ser a mais racional possível. De repente o roteiro dá uma reviravolta e tanto e o tom geral muda radicalmente (em minha opinião, não para melhor). Mesmo assim, com esse tipo de concessão não há como negar que é um horror curioso, diria até bem instigante, apesar do deslize final que comete. Só pecou mesmo por tentar ser pop e juvenil demais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Grito de Horror

Título no Brasil: Grito de Horror
Título Original: The Howling
Ano de Produção: 1981
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Joe Dante
Roteiro: John Sayles, baseado no livro de Gary Brandner 
Elenco: Dee Wallace, Patrick Macnee, Dennis Dugan

Sinopse:
Depois de um encontro bizarro e quase fatal com um serial killer, uma jornalista de televisão é enviada para um resort de verão nas montanhas remotas do meio oeste americano. O que ela nem desconfia é que os estranhos moradores locais guardam um segredo terrível, que poderá custar inclusive sua vida. Imagine seu pior medo se tornando realidade. Filme vencedor na categoria de Melhor Filme de Terror na Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films. Também vencedor na categoria de Melhor Direção (Joe Dante) do Avoriaz Fantastic Film Festival.

Comentários:
Joe Dante sempre foi um dos mais interessantes pupilos de Steven Spielberg. Como se sabe o sucesso e a fama de Spielberg durante os anos 1970 e 80 catapultaram seu nome a se tornar uma verdadeira marca dentro da indústria. Assim ele logo começou a também produzir filmes de cineastas amigos como Joe Dante e Robert Zemeckis, por exemplo. De todos os diretores que foram patrocinados por Spielberg nessa época, Dante foi um dos mais talentosos. Seu diferencial vinha do fato de ser um fã assumido da cultura pop americana em todos os seus níveis, quadrinhos, TV e música. Dentro desse caldeirão de influências surgiu um artista que nunca teve receios de ir além em seus filmes. Curiosamente um de seus primeiros sucessos foi justamente esse terror "Grito de Horror". O enfoque do enredo gira em torno de um dos monstros clássicos do cinema, o lobisomem. Esse período inclusive foi muito produtivo para os fãs dessa lenda, uma vez que ultimamente os lobisomens não andam tendo muita sorte, pois atualmente são enfocados apenas em fitas baratas e bastardas dentro do mercado, muitas delas abaixo da crítica. Aqui por outro lado temos um diretor talentoso, lidando com uma trama bem bolada, tudo embalado num ótimo clima nostálgico dos anos 1980. O clímax aliás se tornou famoso, influenciando bastante não apenas no mundo do filmes, mas dos quadrinhos também, isso apesar de ter sofrido críticas de que seria muito violento. Bobagem, isso faz parte do jogo nesse tipo de produção. Recentemente foi realizado um remake, mas de péssima qualidade. Prefira sempre o original, esse assinado por Joe Dante, pois você certamente não vai se arrepender.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Meus Vizinhos São um Terror

Título no Brasil: Meus Vizinhos São um Terror
Título Original: The 'Burbs
Ano de Produção: 1989
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Joe Dante
Roteiro: Dana Olsen
Elenco: Tom Hanks, Bruce Dern, Carrie Fisher, Corey Feldman

Sinopse:
Ray Peterson (Tom Hanks) é um típico paí de família americano que vê algo de estranho em seus novos vizinhos. Acostumado com uma amizade mais próxima de quem mora ao lado ele logo percebe que os novos moradores de sua rua não querem muita conversa com os seus vizinhos. Ray assim começa a colocar na cabeça que há algo de errado com aquela gente. Estaria certo ou tudo seria fruto apenas da falta do que fazer com sua vida?

Comentários:
Simpático e bem humorado filme estrelado por Tom Hanks, ainda em sua fase como comediante. Produzido por Steven Spielberg esse era o tipo de produção que não fazia muito alarde nas bilheterias de cinema, mas que depois encontrava seu lugar ideal no mercado de vídeo (em pleno auge do VHS), se tornando campeão de locações. O roteiro brinca com o chamado americano suburbano típico. É aquele cara que mora em uma boa casa nos subúrbios das grandes cidades e que leva uma vida levemente entediante. Para passar o tempo começa a xeretar a vida dos vizinhos. É curioso ver que em praticamente todos os filmes e séries que enfocam esse tipo de americano médio ele sempre é retratado como um idiota, completamente controlado pela esposa e filhos. Deve ser algum tipo de tradição na terra do Tio Sam, quem sabe. Deixando essas curiosidades sociológicas de lado o fato é que o filme é boa diversão, muito embora vá se perdendo aos poucos durante o desenrolar da trama. Os problemas do roteiro foram causados por uma grande greve de roteiristas em Hollywood na época, por isso o espectador vai claramente notar que embora comece muito bem o enredo vai perdendo qualidade até o seu final, que também não é grande coisa. Mesmo assim, com todos esses pequenos defeitos, o filme ainda diverte e funciona, principalmente se for encarado como um pipocão no fim de noite.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Ligações Perigosas

Título no Brasil: Ligações Perigosas
Título Original: Dangerous Liaisons
Ano de Produção: 1988
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Warner Bros
Direção: Stephen Frears
Roteiro: Christopher Hampton
Elenco: Glenn Close, John Malkovich, Michelle Pfeiffer, Keanu Reeves, Uma Thurman

Sinopse:
Baseado no famoso romance "Les Liaisons Dangereuses" do autor Choderlos de Laclos (1741 - 1803), o filme "Ligações Perigosas" narra as intrigas, fofocas e ciladas sociais que se desenvolvem na corte francesa do século XVIII. De um lado o fútil e perigoso Visconde Sébastien de Valmont (John Malkovich), do outro a maquiávelica Marquesa Isabelle de Merteuil (Glenn Close) e no meio de todas as armações sociais a bela e jovem Madame de Tourvel (Michelle Pfeiffer). Um jogo mortal de sedução e poder dentro das relações entre nobres da monarquia francesa da época. Filme vencedor dos Oscars de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte.

Comentários:
Choderlos de Laclos foi um dos principais generais de Napoleão Bonaparte. Quando não estava nos campos de batalha lutando por seu imperador, escrevia romances. O livro que deu origem a esse filme logo se tornou um dos mais populares de sua carreira como escritor. Ele desvenda o jogo de poder e cobiça que existia dentro da corte francesa. O curioso é que o próprio Napoleão era fruto da revolução francesa, que procurava colocar abaixo a ordem social da monarquia daquela nação, mas tão logo assumiu o poder absoluto deu origem a também uma corte suntuosa e luxuosa, provando que nem sempre as boas intenções resultam em algo positivo. Deixando um pouco de lado esse contexto histórico o fato é que "Ligações Perigosas" tem uma das tramas mais saborosamente perversas da história do cinema americano. Stephen Frears, em grande momento, soube como poucos explorar as vilanices de seus personagens. Aqui, como obviamente podemos notar, o que importa é realmente passear pelas artimanhas e manipulações dos dois personagens centrais, ambos sem quaisquer escrúpulos pessoais ou valores morais, mas mestres na arte da manipulação social. Claro que apenas dois grandes atores poderiam tirar todo o potencial do texto literário para as telas de cinema. Nesse ponto John Malkovich e Glenn Close estão soberbos. Glenn Close em especial tem uma das melhores atuações de sua vida e quem a conhece sabe que isso definitivamente não é pouca coisa. O contraste da podridão de seus interesses e almas com a delicada inocência, juventude e beleza de Michelle Pfeiffer (linda no filme) garantem o alto nível do filme no quesito atuação. Em termos de produção o filme também apresenta um requinte único, com belíssima reconstituição de época, extremamente luxuosa nos mínimos detalhes. Um filme para se ter na coleção, com a finalidade de se rever sempre que possível. Cinema do mais puro e fino bom gosto.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Marlon Brando - A História de um Mito - Parte 1

Em 1953 Marlon Brando entrou no set de seu novo filme, "The Wild One" que no Brasil seria intitulado "O Selvagem". Brando, já naquela altura considerado o maior rebelde de Hollywood, iria interpretar o papel de um jovem motoqueiro chamado Johnny Strabler. A direção seria do cineasta húngaro Laslo Benedek que havia dirigido a adaptação para o cinema do clássico da literatura "A Morte do Caixeiro Viajante" dois anos antes. Inicialmente Brando não viu grande coisa no roteiro. Para ele seria um filme apenas para cumprir contrato com o produtor Stanley Kramer. Como era um filme pequeno, de curta duração e com enredo simples, não haveria muito trabalho à vista. Nada que poderia se comparar com os filmes anteriores do ator, verdadeiras obras primas como "Espíritos Indômitos", "Uma Rua Chamada Pecado", "Viva Zapata!" e principalmente "Júlio César" que havia exigido muito dele em termos de atuação. Afinal de contas Brando havia suado a camisa para se sair bem em seus primeiros filmes, em especial o último, uma complicada adaptação para o cinema da famosa peça escrita por William Shakespeare, sob direção do austero Joseph L. Mankiewicz. Assim interpretar Johnny era quase como um passeio no parque. Além do mais Brando adorava motos e o universo que as cercava, então foi mesmo a união de algo que gostava de fazer em sua vida pessoal com a possibilidade de dar um tempo nos filmes mais sérios e desafiadores.

Para sua surpresa porém o filme virou um dos maiores cult movies da história. Inicialmente Brando não gostou da película. Como ele próprio recordou em suas memórias a primeira vez que assistiu a "O Selvagem", logo após sua estreia nos cinemas, não gostou mesmo do que viu. Achou o filme violento e sem conteúdo. Curiosamente a fita acabou virando o estopim de uma série de revoluções comportamentais ocorridas na juventude americana nos anos 1950, desembocando na revolução cultural que iria estourar nos anos 1960. Para Brando foi tudo uma grande surpresa. Ele não tinha consciência na época que havia todo um sentimento reprimido por parte dos jovens e que seu filme seria usado para aprofundar todos esses anseios. Johnny, na visão de Brando, era apenas mais um personagem a interpretar. A juventude da época porém viu de outro modo. Aquele motoqueiro, vestido de couro preto da cabeça aos pés, era a personificação da liberdade. O roteiro dava a ele uma conotação ruim, algo que não poderia ser usado como modelo, mas como um aviso contra a delinquência juvenil. Para reforçar isso o estúdio colocou um texto avisando sobre os males de se seguir o exemplo dos personagens. Brando percebeu que o tiro sairia pela culatra. A juventude em geral ignorou a mensagem moralista quadrada e obsoleta e abraçou o personagem como um ícone, um mito, um exemplo a seguir. Para Brando não poderia ser melhor e ele foi elevado à altura de símbolo máximo entre os jovens da época.

Realmente, do ponto de vista puramente cinematográfico "O Selvagem" não pode ser comparado aos demais clássicos que Brando rodou por essa época em sua carreira. Já do ponto de vista meramente cultural e sociológico é de fato um dos mais marcantes momentos de sua carreira no cinema. Isso porque o filme não pode ser visto apenas sob a ótica do que se vê na tela, e sim muito mais além disso, pois teve enorme influência dentro da sociedade, principalmente entre os jovens, que viram ali um modelo de liberdade incrível. Numa época em que havia grande repressão e os controles morais eram extremos, ver Johnny atravessando a América de moto, sem dar satisfações a ninguém, e vivendo com um grupo de rebeldes como ele, era de fato um impacto para o jovem americano típico dos anos 1950. Depois que Brando surgiu com aquela imagem ícone, nasceu toda uma cultura jovem no país, até porque a juventude de um modo em geral era completamente ignorada dentro da sociedade até então, sendo considerada apenas uma transição entre a infância e a vida adulta. Depois de Brando vieram James Dean - o maior símbolo de juventude que o cinema jamais produziu - o Rock ´n´ Roll, Elvis Presley e toda a iconografia da cultura jovem que conhecemos hoje em dia.

Para Brando o filme passou logo, mas os efeitos dele se tornaram duradouros. Assim que terminou as filmagens da fita ele foi procurado novamente por Elia Kazan. Ele o convidou para participar do filme "On the Waterfront" (no Brasil, "Sindicato de Ladrões"). Assim que leu o roteiro Brando entendeu do que se tratava. Era uma grande metáfora em forma de película, que justificava de certa forma o comportamento do próprio Kazan durante o Macartismo, onde ele havia dedurado vários colegas de profissão. Depois disso a biografia do cineasta havia sido manchada para sempre. Ele tencionava com o filme resgatar parte de seu prestígio dentro da comunidade cinematográfica, ao mesmo tempo em que justificava seu ato e pedia desculpas pelo que fez. No começo Brando relutou em fazer o filme. Desde sempre ele se considerava um liberal e o que Kazan havia feito era realmente algo desprezível. A vontade porém de realizar mais uma obra prima foi maior do que seus escrúpulos pessoais. Assim, ainda vestido de Johnny, ele se encontrou nos corredores da MGM e assinou o contrato com Kazan. Mal sabia que estaria prestes a realizar um dos maiores filmes de toda a sua carreira.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Educação Siberiana

Título no Brasil: Educação Siberiana
Título Original: Educazione Siberiana
Ano de Produção: 2013
País: Itália
Estúdio: Cattleya Studios
Direção: Gabriele Salvatores
Roteiro: Stefano Rulli, Sandro Petraglia
Elenco: John Malkovich, Arnas Fedaravicius, Vilius Tumalavicius, Eleanor Tomlinson

Sinopse:
Kolyma (Arnas Fedaravicius) nasce numa tradicional família de siberianos. Para viver os duros tempos da dominação soviética na região, seu avô lhe ensina as principais regras de sobrevivência. Para ele nenhum homem deve matar outro homem, a não ser que seja um russo comunista que encontrar pela frente. Esses podem ser degolados sem problemas. Assim Kolyma vai vivendo sua vida, ao lado dos amigos e membros numa distante e isolada região da fria Sibéria. Filme indicado ao Globo de Ouro - Itália, nas categorias Melhor Fotografia e Melhor Música.

Comentários:
O filme tem três linhas narrativas históricas, todas centradas no personagem Kolyma (Arnas Fedaravicius). Na primeira, durante sua infância, o espectador toma consciência de suas origens, personificadas em seu avô Kuzya (John Malkovich), que lhe passa os principais valores de um verdadeiro siberiano, entre eles o de odiar com todas as forças qualquer russo que tente se intrometer em sua vida. Depois, na segunda linha narrativa, acompanhamos sua juventude ao lado de seus amigos, vivendo de pequenos golpes aplicados nas redondezas. Pequenos furtos e roubos sem maiores consequências. Por fim vemos Kolyma servindo o exército, onde acaba tendo que enfrentar um velho amigo que está nas fileiras do inimigo, convertido agora ao islamismo. O elenco é multinacional, onde atores americanos, ingleses, russos e até lituanos dão vida aos personagens. Curiosamente não há nenhum siberiano presente, embora todo o enredo gire em torno das tradições e cultura daquele povo, que segue sendo oprimido pelas tropas russas em seu território até os dias de hoje. A paisagem é desoladora, um deserto branco de neve, mas a estória tem calor humano suficiente para manter o interesse. Além disso o texto tece um interessante painel tendo como pano de fundo períodos históricos importantes daquela distante região, passando pela dominação do regime Stalinista, seguindo com a queda da União Soviética e por fim caindo sob domínio de milícias criminosas e paramilitares. Um retrato no mínimo curioso de uma história que geralmente só conhecemos dos livros de história que ainda insistem em vender aquele período de regime comunista como uma época feliz e próspera para o povo que viveu sob sua sanguinária e opressora ditadura. Os eventos mostrados no filme mostram que definitivamente não foi bem assim.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - FTD Moody Blue

"Moody Blue" como todos os fãs de Elvis sabem, foi o último disco lançado em vida por Elvis Presley. Algumas cópias chegaram ao mercado em bonito vinil azul, para celebrar a longa carreira de sucesso de Elvis na RCA Victor - em caso raro de superstar que nunca deixou seu selo desde os primeiros anos de êxito comercial internacional. De modo em geral gosto bastante do disco original, mesmo sendo em parte no estilo mosaico. De uma forma ou outra o álbum conseguiu alcançar uma personalidade própria, unindo faixas da sessões realizadas nas salas das selvas em Graceland com pontuais gravações captadas ao vivo em shows de Elvis pelos Estados Unidos afora. Na época do vinil havia uma certa limitação no número de músicas que podiam ser inseridas em um álbum. O normal geralmente era ter entre 10 a 12 canções divididas em dois lados. Quando "Moody Blue" chegou ao mercado a RCA escolheu 10 canções, o que tinha se tornado praxe na discografia de Elvis nos anos 1970, pelo menos em seus discos de estúdio. O fato é que nos últimos anos de sua vida Elvis foi ficando cada vez mais arredio em gravar em longas sessões, como aconteceu em 1969 ou 1970. A idade e os anos cobraram seu preço. Dito isso vamos tecer alguns breves comentários sobre cada canção e sua presença nesse título.

Unchained Melody - Elvis não a gravou em estúdio. Era aquele tipo de música que ele ensaiou especialmente para os shows ao vivo, onde tinha oportunidade maior de soltar o vozeirão e tirar algumas notas ao piano. É sem dúvida uma das mais marcantes do álbum, mas curiosamente o CD não a aproveita como deveria. São apenas duas versões, a oficial, com a maquiagem sonora que o produtor Felton Jarvis lhe deu e uma versão crua, denominada undubbed que já havia sido lançada antes no CD "Spring Tours '77". Deveria ter sido mais bem aproveitada, sem dúvida.

If You Love Me - Bom country que chegou a tocar razoavelmente bem nas rádios americanas da época. Novamente o ouvinte só terá versão oficial e a crua (undubbed). Bem decepcionante para falar a verdade, afinal de contas outras versões ao vivo poderiam ter sido encaixadas.

Little Darlin' - Igualmente pouco aproveitada. O selo FTD apenas disponibiliza a versão oficial que foi enriquecida com metais e demais instrumentos providenciados por Felton Jarvis e a versão crua, tal como foi gravada e depois usada pela RCA no disco original. Uma pena pois "Little Darlin'" tem versões bem melhores na discografia não oficial de Elvis que circulam por aí há anos e anos. Pelo visto os produtores do selo FTD colocaram na cabeça que só iriam aproveitar as versões que fizeram parte do disco original.

He'll Have To Go - Baladona triste e depressiva que nunca conseguiu se destacar muito. Para muitos sua melancolia e tristeza a impediram de ser melhor apreciada. Além da versão original o CD traz a chamada rough mix que já tinha saído antes no Jungle Room Session. E isso, infelizmente, é tudo.

Let Me Be There - A versão do disco original foi pincelada do álbum ao vivo gravado por Elvis em Memphis em 1974. Na época os fãs reclamaram porque afinal de contas era uma reprise. Nesse CD do selo FTD é a única presente.

Way Down - Talvez o mais próximo que Elvis chegou de gravar novamente um rock ´n´ roll em sua vida, muito embora a música esteja mais para country rock. Finalmente uma canção bem explorada pelo CD. São seis versões. A oficial do álbum original, sua versão crua sem overdubbs, um ensaio inédito, a versão denominada 2A que já havia sido lançada no box Platinum, a versão 2B, inédita, e finalmente a rough mix, também inédita. Se você gosta de "Way Down" o CD não vai lhe decepcionar.

Pledging My Love - A canção da roleta russa. Gosto da versão original, tem muita fluência e ótimo arranjo - superior até de outras faixas da Jungle Sessions. A grande novidade do CD é um ensaio que desbanca para o take 3, ambos inéditos. Também temos a oportunidade de ouvir pela primeira vez os takes 1 e 2, mostrando que a música foi sendo contruída aos poucos, em doses homeopáticas. Obras primas nascem assim.

Moody Blue - A canção mais anos 70 do disco. Elvis odiava discoteca, mas essa canção tem claras influências do estilo musical. Ele tentou levar a canção para os shows, mas isso foi bem raro. Talvez naquela altura de sua vida Elvis achasse que sua letra poderia atrapalhar sua execução nos palcos, por essa razão nas raras vezes que a cantou ao vivo o fez lendo a letra em uma folha. Algumas versões já tinham sido lançadas antes nos CDs "Made In Memphis" e "Jungle Room Session", mas os takes 1, 8 e 9 estão pintando pela primeira vez aqui.

She Thinks I Still Care - Essa música tem uma curiosidade. Seu take alternativo 2B que pode ser ouvido no box "Walk a Mile in My Shoes" é bem melhor do que a versão original que saiu no vinil de 1977. Para quem quiser tirar a dúvida essa versão foi encaixada aqui novamente. Fora ela temos a versão 2A que já tinha sido lançada no CD "Jungle Room Session" e os takes 3 e 4 que já tinham sido lançados no box "Made In Memphis". Para quem procura alguma versão inédita da canção temos boas novidades: os takes 7, 9 e 15 são completamente inéditos!

Its Easy For You - Essa música fechava o disco original. Os takes 3 e 4 são também totalmente inéditos. Por fim chamo a atenção para o fato de que esse título do selo FTD ainda trazer versões das músicas "America The Beautiful", "Softly As I Leave You" e "My Way" que não fizeram parte do projeto original de "Moody Blue" embora tenham sido gravadas na mesma época. Pessoalmente achei a inclusão inoportuna e desnecessária, mas para o fã que vai desembolsar uma bela quantia para ter o CD, certamente não haverá do que reclamar.

Pablo Aluísio. 

Star Wars Rebels

Título no Brasil: Star Wars Rebels
Título Original: Star Wars Rebels
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Disney Pictures
Direção: Steward Lee
Roteiro: Dave Filoni, Simon Kinberg
Elenco: Vanessa Marshall, Steve Blum, Taylor Gray

Sinopse:
Ezra Bridger (Taylor Gray) é um jovem que mora em um distante planeta perdido nos confins do universo. Quando tropas do império vão ao local receber um importante carregamento de armas ele acaba percebendo que há no meio da multidão um grupo de rebeldes prontos a colocar as mãos nas armas. Sem pensar duas vezes Ezra resolve por conta própria também entrar na jogada, tentando com isso ficar com a valiosa carga que valerá uma verdadeira fortuna no mercado negro. Animação baseada na obra originalmente criada por George Lucas.

Comentários:
Esse é o primeiro produto a ser lançado depois que a Disney comprou todos os direitos sobre a marca "Star Wars". Se trata de uma série com 12 episódios programados para a primeira temporada. O que temos aqui é uma animação que novamente explora aquele universo que já conhecemos tão bem. A má notícia é que não achei grande coisa. As naves imperiais estão lá, o clima em geral procura recriar os famosos filmes e até a trilha sonora evoca as notas musicais que tanto conhecemos. Mesmo assim não consegue empolgar. O roteiro apenas recicla elementos dos três primeiros filmes sem muito sucesso. O garoto simples que acaba entrando na batalha entre rebeldes e império pode ser visto como um plágio de Luke Skywalker. Os rebeldes que ele encontra pelo caminho - jedis obviamente - também vão soar familiares, mas nada disso vai elevar o nível dessa animação que para piorar tudo traz dois aspectos que me deixaram bem decepcionado. O primeiro se refere ao tom bem mais infanto juvenil do que nos filmes originais. Não adianta nutrir grandes esperanças sobre isso, pelo andar da carruagem a Disney suavizou tudo realmente, direcionando "Star Wars" para um público bem jovem, na faixa dos dez, doze anos. Agora mais surpreendente vem no segundo aspecto: não consegui gostar da própria animação sob o ponto de vista meramente técnico! Os personagens parecem ter saído de algum game não muito bem realizado. Seus cabelos mais parecem tapetes espessos e os rostos não são expressivos. Esperava tudo, menos que não fosse tão bem feito. Enfim, se isso for mesmo um preview do que vem por aí nos cinemas é bom os fãs de "Star Wars" começarem a se preocupar.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Pompeia

Título no Brasil: Pompeia
Título Original: Pompeii
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: TriStar Pictures, Constantin Film International
Direção: Paul W.S. Anderson
Roteiro: Janet Scott Batchler, Lee Batchler
Elenco: Kit Harington, Carrie-Anne Moss, Emily Browning, Kiefer Sutherland

Sinopse:
Após ter seu povo vencido no campo de batalha por tropas romanas, o jovem Milo (Kit Harington) se torna escravo de um rico comerciante. Como desde cedo mostra ter muito talento com a espada logo é enviado para os campos de treinamento de gladiadores. Se destacando nas arenas é então escolhido para participar dos jogos principais em Pompeia. O que poucos percebem é que o enorme vulcão Vesúvio está prestes a entrar em erupção, após séculos de hibernação. As consequencias serão trágicas para todos os moradores.

Comentários:
O contexto histórico é dos mais interessantes, a destruição da cidade romana de Pompeia no ano de 79, durante o período de reinado do imperador Tito. O problema é que os roteiristas resolveram escrever uma trama das mais bobas e derivativas que já vi, aliada a um romance absurdo do ponto de vista histórico entre um escravo e uma rica jovem da classe patrícia de Roma. Ora, não precisa ir muito longe para entender que algo assim jamais aconteceria na vida real. Na verdade esse filme acabou me lembrando de outro que comete os mesmos erros, o blockbuster "Pearl Harbor" de 2001. Sob um pano de fundo histórico marcante se cria toda uma trama de ficção sem o menor interesse ou talento. Só sobra no final das contas o evento histórico em si, com uso farto de efeitos digitais de última geração. Quem for atrás disso nessa produção vai ter que esperar um bocado, já que a destruição de Pompeia só acontece mesmo nos 25 minutos finais do filme, sendo que até chegar lá o espectador será bombardeado por um roteiro nada promissor, que procura plagiar inúmeros filmes épicos sobre Roma do passado, passando por "Spartacus" e chegando até no óbvio "Gladiador". Infelizmente tudo embalado para consumo rápido de adolescentes que frequentam cinemas de shopping center, ou trocando em miúdos, cinema fast food por excelência. Também pudera, não era de se esperar muito do diretor inglês Paul W.S. Anderson, já que ao longo da carreira ele se especializou mesmo em fitinhas descartáveis como essa, ou coisas piores como "Mortal Kombat" ou "Alien vs. Predador". Com um currículo desses realmente não há como levar nada muito mais a sério. Em termos de elenco apenas Kiefer Sutherland desperta algum interesse na pele do senador Corvus. O casalzinho principal é sem sal, pouco interessante, liderado pelo inexpressivo Kit Harington. Assim se você estiver em busca de algum material sobre o cataclisma que se abateu sobre Pompeia aconselho ir atrás de algum documentário do Discovery ou History. Será muito mais instrutivo e cultural.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Elvis Presley - Os Anos Finais - Parte 24

Antes de tomar sua segunda rodada de remédios Elvis pedia aos seus assistentes que o ajudassem a ir ao banheiro. Mal conseguindo falar por causa de seu estado, Elvis puxava a camisa de Red West duas vezes para que ele o levantasse da cama junto a, geralmente, Rick Stanley. Os dois então seguravam Elvis em ambos os lados e o levavam até o banheiro luxuoso de sua suíte. Elvis mal podia andar em suas próprias pernas por estar tão turbinado por drogas pesadas. Poucos minutos depois eles o traziam de volta à cama. Rick Stanley relembra esses momentos difíceis: “Era muito triste presenciar Elvis nessas situações. Aqui estava essa pessoa, totalmente dependente de todos à sua volta, sendo tratado como uma criança pequena. Quando o colocava em sua cama perguntava a ele: ‘Está tudo bem Elvis? Tem certeza que não precisa de mais nada?’ Elvis mal conseguia mostrar reação nessas horas, ele simplesmente se virava para o lado e ia a nocaute novamente. O olhar estava vidrado, ele não conseguia manter a menor atenção ao que acontecia ao seu redor. Era muito deprimente testemunhar tudo isso”. Após se deitar Elvis novamente ia perdendo a consciência rapidamente, mergulhado totalmente em seu torpor químico, se afundando até o dia seguinte quando então tudo recomeçava novamente com as mesmas drogas, as mesmas situações aflitivas e... o mesmo fio da navalha...

Quando o relógio marcava dez da manhã era chegado o momento do terceiro ataque. Esse teria uma função complementar para as duas primeiras rodadas de drogas a que Elvis já tinha sido submetido nessa mesma noite. A intenção agora era completar o serviço iniciado com os ataques anteriores. De todos os procedimentos perigosos pelo qual Elvis passava esse era certamente o mais delicado. O menor erro poderia levá-lo facilmente à morte e por essa razão sempre era preciso a presença de um médico para evitar qualquer eventual problema, como por exemplo uma super dosagem de drogas que o levasse a uma overdose fatal. Tudo era feito com extremo cuidado e cautela. Nesse momento o cantor precisava de uma substância diferenciada. O médico mandava então seus assistentes virarem Elvis e com duas mechas de algodão introduzia drogas líquidas em suas narinas e finalizava o procedimento com uma dose de dexedrinas para dar partida em seu coração semi moribundo e evitar uma parada cardíaca causada por tantas substâncias circulando em seu corpo ao mesmo tempo. Elvis babava e revirava os olhos. Uma cena grotesca que deixaria o mais fanático fã de sua música em choque! Depois do terceiro ataque Elvis afundava e desabava, só conseguindo recobrar sua consciência no final da tarde. Como justificar tamanha agressão ao próprio organismo?! Com o tempo Elvis foi ficando totalmente à vontade na posição de usuário de drogas perigosas. Por mais incrível que isso possa parecer, Elvis estava sempre procurando os mais novos remédios do mercado. Mal recuperava sua consciência e ia folhear seu guia de drogas, que geralmente ficava à mão em seu quarto.

Assim que saía uma pílula nova, lá estava Elvis tentando dar um jeito de experimentar seus efeitos! Queria conferir as novidades, experimentá-las! Assim como um sujeito normal que deseja um bem de consumo novo qualquer todos os anos, Elvis desejava sempre experimentar a mais nova droga que a indústria farmacêutica colocava à venda! Segundo seu biógrafo Jerry Hopkins, Elvis era um "experimentador"! Do mesmo modo que ele queria o mais novo modelo extravagante de carro, ele queria adquirir a mais recente droga no mercado! Valium. Ethinamate. Dilaudid. Demerol. Percodan. Placidyl. Dexedrine. Biphetamine. Amytal. Quaalude. Carbrital. Ritalin. Não importa, assim que chegavam aos consumidores Elvis colocava sua tropa de médicos em ação para que as receitas chegassem logo nas suas mãos e ele mandasse seus capangas o mais rapidamente possível à farmácia local para comprar a nova química! Aos poucos Elvis foi ficando cada vez mais confortável com o uso desses remédios, afinal não eram drogas de rua, mas no final das contas também o deixavam chapado, dando um barato do qual Elvis não conseguia mais se livrar. Sob esse ponto de vista ele estava tão viciado em drogas como qualquer usuário de cocaína ou heroína na esquina. A única diferença era que as substâncias psicotrópicas eram vendidas em drogarias legais e não por traficantes perigosos. A comodidade era o grande diferencial para Elvis, embora ele no final de tudo pagasse caro por suas escolhas equivocadas.

Curiosamente Elvis odiava traficantes e usuários de drogas em geral. Em relação às drogas de rua Elvis acreditava que apenas a violência iria limpar a sociedade. Para ele deveria haver um choque de repressão violenta dentro da sociedade, com os traficantes e drogados sendo eliminados sem qualquer compaixão. Pena de morte para essa gente imunda. Chegou a dizer várias vezes: "Se os tiras quiserem minha ajuda, com meu arsenal pessoal, podem me chamar. Vou para as ruas e passo chumbo quente nessa escória". Ironicamente ele própria fazia a mesma coisa em sua vida privada. Era uma contradição impossível de contornar. Como vivia cercado de puxa sacos profissionais ninguém porém ousava contrariar seu pensamento fatalista. Elvis empunhava seus rifles de última geração, falava essas abobrinhas e todos concordavam em coro dizendo: "Sim Elvis, os drogados devem ser mortos!". Tão à vontade Elvis ficava nessa posição que nem mais se importava em comentar isso na presença de pessoas próximas a ele. Uma vez, durante uma conversa com a esposa de Red West, disse tranqüilamente: "Pat, eu já usei todas as drogas do mercado, e querida, acredite no que lhe digo, Dilaudid é a melhor!" Dilaudid era uma droga extremamente agressiva que causava forte dependência, sendo receitada geralmente para pacientes em estado terminal de câncer! Embora tivesse muitos problemas de saúde, a verdade era que Elvis usava muitas das drogas que tomava apenas para se sentir bem, no "alto", como se diz na gíria dos viciados em drogas. Nada mais do que isso! Se começava a sentir-se deprimido, Elvis logo tomava uma dose extra para desabar. Do mesmo modo, se algo o aborrecia ou o deixava triste, Elvis preferia simplesmente fugir da realidade à sua volta. Ele estava sempre se escondendo dos problemas, desabando sob efeitos de drogas pesadas. Elvis não queria enfrentar problemas, ele queria apenas se refugiar no torpor e prazer químico que estas drogas lhe proporcionavam. O preço a pagar seria muito alto, sua vida, no final desse caminho sem volta.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Fúria

Título no Brasil: Fúria
Título Original: Tokarev, Rage
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos, França
Estúdio: Image Entertainment
Direção: Paco Cabezas
Roteiro: Jim Agnew, Sean Keller
Elenco: Nicolas Cage, Danny Glover, Rachel Nichols, Max Ryan

Sinopse:
Paul Maguire (Nicolas Cage) é um rico e bem sucedido empreiteiro que vive um dos melhores momentos de sua vida. Casado pela segunda vez, pai de uma adorável adolescente, ele se sente feliz e realizado não apenas na profissão, como também em sua vida pessoal. Tudo muda numa noite quando resolve jantar fora ao lado de sua bela esposa. Ao retornar descobre um cenário completamente caótico em sua casa. Sua filha foi raptada e os dois jovens que a acompanhavam estão feridos após a suposta invasão de um grupo de homens fortemente armados. Pelo visto o passado criminoso de Maguire voltou para assombrar sua vida de conto de fadas.

Comentários:
Este é o novo filme de Nicolas Cage, atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros. É a tal coisa, pouca qualidade tem sido vista nos últimos filmes do ator, então quando algo novo estrelado por ele entra no circuito comercial as expectativas não conseguem ser muito altas, haja visto as bombas que surgiram em sua filmografia recentemente. Aqui o roteiro tenta desenvolver uma trama de justiça pelas próprias mãos e vingança no submundo do crime. O personagem de Cage tem um passado sombrio, assim quando sua filha é raptada tudo leva a crer que algum fantasma do passado retornou para acertar contas com ele. Desesperado, ele resolve se unir a dois velhos parceiros para encontrar os sequestradores. Inicialmente ele desconfia da máfia russa instalada nos Estados Unidos. Após agredir e torturar alguns mafiosos ele consegue algumas informações, mas nenhuma delas parece consistente! Não há nenhuma certeza sobre quem teria sido o responsável pelo crime e é justamente em torno disso que o filme dará sua grande reviravolta final - que antecipo não é lá grande coisa, mas que certamente pegará muita gente desprevenida. Há bastante ação, a ponto inclusive de em determinado momento me lembrar dos antigos filmes dos anos 80, mas fora isso não há maiores surpresas. O bom e velho Danny Glover, da franquia "Máquina Mortífera", está em cena para reforçar ainda mais a nostalgia daqueles anos. Como diversão rápida até pode funcionar, embora não consiga se tornar em nenhum momento um grande thriller policial em termos gerais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 19 de outubro de 2014

Hamlet

Título no Brasil: Hamlet
Título Original: Hamlet
Ano de Produção: 1990
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Canal+, Carolco Pictures, Icon Entertainment
Direção: Franco Zeffirelli
Roteiro: Christopher De Vore
Elenco: Mel Gibson, Glenn Close, Alan Bates, Paul Scofield, Ian Holm, Helena Bonham Carter

Sinopse:
Hamlet (Mel Gibson) é um príncipe dinamarquês medieval que descobre que seu pai foi morto de forma covarde por uma conspiração palaciana liderada por seu próprio tio, para obter com o crime o trono para si. Agora Hamlet, em profunda crise existencial, resolve partir para a vingança contra todos os traidores e assassinos da corte. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino. Também indicado ao BAFTA Awards na categoria Melhor Ator Coadjuvante (Alan Bates).

Comentários:
No começo dos anos 1990, contrariando todas as expectativas, o ator Mel Gibson resolveu ousar como nunca em sua carreira. Deixou os filmes de ação de lado e abraçou a ideia de interpretar o personagem Hamlet de William Shakespeare no cinema. Conforme esclareceu na época, Gibson queria mesmo era criar um vínculo de aproximação entre o texto clássico e a juventude, que naqueles tempos formava a grande massa de seus admiradores. A intenção como se pode ver, foi realmente muito boa, mas todos se perguntavam se alguma coisa boa poderia sair disso! A boa notícia é que sim, essa versão moderna de "Hamlet" em momento algum decepciona. O diretor Franco Zeffirelli foi bastante inteligente para não deixar tudo apenas nas costas de Gibson e resolveu colocar ao seu lado grandes atores e atrizes com formação teatral clássica. Isso acabou compensando qualquer deslize ou problema maior em recitar um texto tão rico nas telas. Outro ponto positivo, que sempre me chamou bastante a atenção, foi a delicada e discreta direção de arte. Cenários e figurinos medievais que jamais assumem uma posição de superioridade sobre o texto, que é afinal de contas a grande força desse enredo único e maravilhoso. Curiosamente Gibson acabou tendo atritos com Zeffirelli no set de filmagens, talvez por já ter naquela época um lado diretor que começava a despontar e aflorar. Anos depois chegou ao ponto de fazer pouco do trabalho de Franco Zeffirelli ao afirmar que havia se tornado diretor após trabalhar com ele.  "Se um cara como esse dirige filmes, por que não eu?" - brincou. Desavenças à parte, temos que reconhecer que um dos trunfos dessa adaptação vem justamente das decisões acertadas do diretor italiano. Uma pequena obra prima dos anos 90 que merece passar por uma nova avaliação que reconheça seus méritos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Alta Tensão

Título no Brasil: Alta Tensão
Título Original: Bird on a Wire
Ano de Produção: 1990
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: John Badham
Roteiro: Louis Venosta, Eric Lerner
Elenco: Mel Gibson, Goldie Hawn, David Carradine, Bill Duke

Sinopse:
Rick Jarmin (Mel Gibson) entra no Programa de proteção de testemunhas do FBI após testemunhar contra um poderoso chefão do narcotráfico, Eugene Sorenson (David Carradine). Quinze anos depois ele acaba encontrando por mero acaso com sua antiga noiva, Marianne Graves (Goldie Hawn), em um posto de gasolina. Ela pensara durante todos esses anos que ele tinha morrido em um acidente de avião. O reencontro acaba virando a vida de Rick de ponta cabeça, já que os criminosos só querem mesmo a chance de encontrá-lo novamente para um acerto de contas.

Comentários:
Uma divertida bobagem que uniu o astro dos filmes de ação Mel Gibson com a comediante gracinha Goldie Hawn! A fórmula parecia atrativa para a Universal e assim o filme foi realizado, meio a toque de caixa, com orçamento enxuto, logo após o grande sucesso de Gibson, "Máquina Mortífera II". O fato é que estúdio tinha faturado bem com a mesma Goldie Hawn em filmes que investiam em comédia e ação. Na maioria deles ela havia estrelado ao lado do maridão Kurt Russell. Ele era um ator até bem popular na década de 1980, mas não poderia ser comparado ao furacão Mel Gibson nas bilheterias. Assim o roteiro que foi inicialmente escrito para ser estrelado pelo casal acabou sendo oferecido a Gibson. A produção seria lançada após o verão americano, considerado o mais concorrido e comercial da temporada, só para manter o nome do ator em voga, enquanto ele não surgia em outro blockbuster. O resultado acabou sendo melhor do que o esperado. O filme que custou meros vinte milhões de dólares ultrapassou os 100 milhões em bilheteria em poucas semanas, comprovando que Mel Gibson vivia de fato a época de ouro de sua carreira cinematográfica. Como convém naquela época o roteiro mesclava explosões e cenas de ação com piadinhas engraçadinhas. Revisto hoje em dia a coisa toda ficou bem datada, mas não deixa de ainda divertir, principalmente para os saudosistas daqueles tempos passados.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 18 de outubro de 2014

Feitiço do Tempo

Título no Brasil: Feitiço do Tempo
Título Original: Groundhog Day
Ano de Produção: 1993
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Harold Ramis
Roteiro: Danny Rubin, Harold Ramis
Elenco: Bill Murray, Andie MacDowell, Chris Elliott

Sinopse:
Phil (Bill Murray) é um repórter que sua emissora de TV envia para cobrir o chamado "Dia da Marmota", uma daquelas tradições culturais que não fazem o menor sentido no meio oeste americano. A reportagem é das mais chatas e enfadonhas possíveis e Phil não tem o menor interesse em cobrir o evento. Para sua completa surpresa porém algo acaba saindo errado e ele começa a acordar todos os dias no mesmo exato momento de sua vida, repetindo tudo outra vez, sempre que abre os olhos pela manhã. Filme vencedor na categoria de Melhor Roteiro no BAFTA Awards.

Comentários:
"Groundhog Day" foi muito elogiado em seu lançamento. Ninguém esperava um roteiro tão bem construído em uma comédia dita de rotina na carreira de Bill Murray. De fato é um dos mais bem bolados textos que o ator já trabalhou (e olha que ele faria muitos filmes interessantes ao longo de sua trajetória artística nos anos seguintes). É importante também avisar ao espectador menos atento que terá que encarar um filme sui generis pela frente, bem fora dos padrões convencionais, onde o texto vai se construindo e se desenvolvendo em cima de um mesmo dia básico, no qual várias nuances das personalidades dos personagens vão aparecendo. O jornalista Phil, por exemplo, começa a aprender com seus erros, assim quando comete um erro em um dia, tenta se adaptar, se comportando de maneira diferente no dia seguinte - e para sua surpresa muitas vezes percebendo que as coisas também não dão certo mesmo quando ele se comporta de uma maneira diferente! O diretor e ator Harold Ramis, que assina a direção, morreu precocemente, em fevereiro último, e todas as notícias de sua morte procuraram lembrar desse seu excelente momento no cinema, como cineasta. Ele prova que foi muito mais do que apenas o Dr. Egon Spengler da franquia "Os Caça-Fantasmas", pois era, além de um ótimo ator de comédias, também um roteirista talentoso e um diretor mais do que promissor. Assim deixo a dica desse filme que mostra acima de tudo que, no final das contas, o que realmente conta em um filme é o seu bom roteiro.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.