quinta-feira, 31 de março de 2016

Dias de Trovão

Título no Brasil: Dias de Trovão
Título Original: Days of Thunder
Ano de Produção: 1990
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Tony Scott
Roteiro: Robert Towne, Tom Cruise
Elenco: Tom Cruise, Nicole Kidman, Robert Duvall
  
Sinopse:
Cole Trickle (Tom Cruise) é um piloto que só aceita o lugar mais alto no pódio. Seu lema se resume a vencer e vencer, a qualquer custo. Ousado nas pistas ele sente seu coração balançar ao conhecer uma linda loira, Claire Lewicki (Nicole Kidman) que também parece estar caidinha de amores por ele. Afinal de contas não há como correr mais do que o som do trovão. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Som (Charles M. Wilborn e Donald O. Mitchell). 

Comentários:
Basicamente é um "Top Gun" sobre duas rodas, o que não deixa de ser decepcionante pois aquele filme, apesar de ser em essência um produto pop, tinha seu valor cinematográfico. Esse aqui porém mais parece um longo comercial de pasta de dentes. Cruise, todo sorrisos, interpreta esse arrojado piloto que acaba mesmo derrapando nas curvas dos cabelos encaracolados de uma jovem Nicole Kidman. Recém chegada da Austrália ela acabaria roubando o coração do astro Cruise que ficaria casado com ela por longos anos. O casamento, que parecia feliz e duradouro, porém acabou de forma áspera após as filmagens do último filme do gênio Stanley Kubrick. Mas deixemos esses contos de alcova de lado. "Dias de Trovão" é uma produção que tem ótimas sequências de corridas, tomadas bem realizadas e trilha sonora para tocar na rádio (e tocou mesmo na época). Pena que o roteiro seja fraquinho, fraquinho. Basicamente envolvendo apenas essa Love Story em alta velocidade. Vale a pena rever, nem que seja para conferir como um filme pop pode ficar datado mais rapidamente do que os demais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Os Garotos Perdidos

Título no Brasil: Os Garotos Perdidos
Título Original: The Lost Boys
Ano de Produção: 1987
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Joel Schumacher
Roteiro: Jan Fischer, James Jeremias
Elenco: Jason Patric, Corey Haim, Kiefer Sutherland, Dianne Wiest
  
Sinopse:
Depois de se mudarem de sua cidade dois irmãos começam a suspeitar que a região para onde foram morar está na verdade infestada de vampiros pelas redondezas. Filme vencedor do prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films na categoria de Melhor Filme de Terror. Também indicado nas categorias de Melhor Maquiagem, Figurino, Ator (Corey Haim) e Melhor Ator Coadjuvante (Barnard Hughes).

Comentários:
Muitos dizem que Joel Schumacher é um cineasta que só realiza porcarias. Bobagem, ele certamente é um diretor de altos e baixos, mas também acerta o alvo quando lhe convém. Esse "The Lost Boys" é um exemplo. Pense bem, esse filme já adentrou a esfera dos cult movies, sendo considerado hoje em dia um dos melhores filmes de terror dos anos 80 - o que não deixa de ser um título pra lá de honroso. O roteiro não esconde suas pretensões. Foi uma forma de revitalizar a figura do vampiro para as novas gerações. Não no sentido do que hoje isso significa (transformando vampiros em adolescentes bobos e apaixonados), mas sim em resgatar o monstro do passado para lhe dar uma nova roupagem, mas de acordo com os jovens daquela época. O resultado se mostra desde o começo muito acertado. Há ótimas decisões de linguagem, como a câmera sobrevoando a cidade como se fosse o ponto de vista de um vampiro e uma trilha sonora muito bem escolhida, com alguns clássicos do rock. Além disso o uso bem bolado do visual Heavy Metal dos jovens dos anos 80 acabou, vejam só, se encaixando muito bem na proposta. Enfim, "The Lost Boys" é realmente um achado para quem curte vampiros adolescentes assassinos em geral. Uma ótima diversão que resistiu até mesmo ao tempo, mostrando que tal como seus personagens também se mostra forte candidato a se tornar também imortal. Quem diria...

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Need for Speed - O Filme

Título no Brasil: Need for Speed - O Filme
Título Original: Need for Speed
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: DreamWorks SKG
Direção: Scott Waugh
Roteiro: George Gatins
Elenco: Aaron Paul, Dominic Cooper, Imogen Poots

Sinopse:
As coisas não andam muito bem para Tobey Marshall (Aaron Paul). Tudo o que sempre sonhou foi ser um grande piloto de corridas, mas a realidade é bem diferente disso. Após a morte de seu pai, ele herdou uma oficina praticamente falida que toca ao lado de seus amigos de longa data. Para escapar do tédio resolve participar de perigosos rachas com carros possantes nas ruas da cidade onde mora. Esse seu hobby ilegal porém o colocará em muito problemas, inclusive com a lei.

Comentários:
Adaptação para o cinema do game "Need for Speed", um dos mais populares de seu nicho de mercado. Bom, só o fato de ser baseado em um game já jogaria as expectativas lá para baixo, uma vez que até hoje essa transição nunca deu muito certo - aliás legou à sétima arte grandes bombas cinematográficas. Curiosamente esse aqui não é tão ruim, na verdade até diverte bastante, se o espectador se concentrar basicamente nas cenas de velocidade e corridas. O filme tecnicamente é muito bem realizado, com ótima edição e impressionantes efeitos sonoros, o que era de se esperar pois os carrões exigem esse tipo de tecnologia. Outro ponto forte do filme vem com a presença do carismático Aaron Paul, sim, ele mesmo, o Jesse Pinkman de "Breaking Bad". Livre das amarras contratuais da série ele agora tenta fazer a (sempre complicada) transição para o mundo do cinema, deixando o mundo da TV para trás. Seu filme anterior, "Uma Longa Queda", que inclusive já comentei aqui pelo blog, não era grande coisa, mas esse pode ser um novo recomeço para o ator nas salas de cinema, uma vez que o filme acabou sendo bem sucedido em termos de bilheteria. Os fãs dos games provavelmente vão preferir seus jogos, já que são linguagens diferentes, mas os fãs de filmes de ação e carros possantes certamente gostarão do resultado, pois de uma certa forma o filme chega até mesmo a ser melhor do que a franquia "Velozes e Furiosos", o que não deixa de ser uma boa notícia para os aficionados nesse tipo de produção.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Bel Ami - O Sedutor

Título no Brasil: Bel Ami - O Sedutor
Título Original: Bel Ami
Ano de Produção: 2012
País: Estados Unidos
Estúdio: Redwave Films, 19 Entertainment
Direção: Declan Donnellan, Nick Ormerod
Roteiro: Rachel Bennette
Elenco: Robert Pattinson, Uma Thurman, Kristin Scott Thomas, Christina Ricci
  
Sinopse:
Georges Duroy (Robert Pattinson) é um jovem sedutor em Paris que usa de sua beleza para subir na escala social, usando para isso mulheres ricas e influentes dentro da sociedade. Roteiro baseado na novela escrita pelo autor Guy de Maupassant, cuja trama é parcialmente baseada em fatos reais. 

Comentários:
A produção é muito boa, figurinos luxuosos, boa reconstituição de época, clima adequado... Inicialmente você pensa sinceramente que vai assistir no mínimo um bom filme mas aí... entra em cena Robert Pattinson! Nada tenho de pessoal contra ele, até já cheguei a elogiá-lo em filmes mais recentes onde ele acertou, mas aqui... não há salvação - ele está completamente fora do tom, deslocado no tempo e no espaço, sem charme (essencial para o personagem) e desfilando suas expressões de paisagem. Nada se salva em seu trabalho o que é uma grande pena já que o elenco feminino de apoio é dos melhores. Elas (entenda-se Uma Thurman, Kristin Scott Thomas e Christina Ricci) realmente salvam o filme de afundar feito o Titanic. Thurman nunca foi particularmente bonita, porém conseguiu uma boa atuação com sua personagem Madeleine Forestier. Kristin Scott Thomas como Virginie Rousset é outro ponto positivo em termos de elenco. Delas eu destacaria mesmo como acima da média Christina Ricci interpretando o papel de Clotilde de Marelle! Muitos a consideram apenas uma atriz esquisita especializada em personagens bizarros, mas penso diferente. Permitam-me discordar. Sua beleza (sim, a considero bonita) provém de um tipo de estética diferente, mas não esquisita. Nesse filme então ela está ótima nesse aspecto. Por elas não jogaria o filme no lixo, essa é a conclusão final a que chego.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Tubarão 4 - A Vingança

Título no Brasil: Tubarão 4 - A Vingança
Título Original: Jaws - The Revenge
Ano de Produção: 1987
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Joseph Sargent
Roteiro: Michael De Guzman
Elenco: Michael Caine, Lorraine Gary, Lance Guest, Mario Van Peebles
  
Sinopse:
Uma série de mortes começam a ocorrer em um resort nas Bahamas. Inicialmente a guarda costeira atribui os desaparecimentos de diversos turistas e moradores a meros acidentes ou afogamentos, mas para Ellen Brody (Lorraine Gary) todas as mortes devem ser atribuídas a uma espécie de tubarão branco imenso, maior do que o normal, que tem um insaciável desejo de devorar seres humanos. Filme vencedor do prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films na categoria de Melhor Atriz (Lorraine Gary). "Vencedor" do Framboesa de Ouro na categoria de Piores Efeitos Especiais.

Comentários:
Sim, existe um quarto filme da franquia original de "Tubarão", isso apesar da terceira continuação ter sido massacrada pela crítica. Massacre aliás bastante justificado já que o filme era realmente ruim de doer. Pois bem, mesmo com tudo de ruim que ocorreu no filme anterior e mesmo com os apelos do próprio Steven Spielberg para que a franquia fosse encerrada, resolveu-se seguir em frente. Na verdade a Universal não conseguia largar o osso. Os filmes eram assumidamente ruins, mas davam bilheteria afinal de contas. Aqui eles resolveram chamar o ator veterano Michael Caine para dar uma forcinha. Eu me lembro perfeitamente bem como Caine foi criticado por participar de algo assim. Na época se disse que ele era um daquela atores que topavam qualquer coisa por um bom cachê. Ele foi acusado de não zelar pelo prestígio de sua carreira. O próprio Caine levou tanta paulada da crítica que precisou até mesmo sair se justificando de ter feito parte de um elenco desses. Na época seu bom humor tipicamente inglês o salvou de sofrer um linchamento cultural maior. E o filme em si? É uma porcaria, lamento dizer. Resolveram simplificar tudo (entenda-se escreveram um roteiro pobre e sem conteúdo) e levaram o tubarão para as Bahamas. Isso pelo menos trouxe uma bonita fotografia para o filme como um todo. Pena que o resto do filme não seja nada bonito, com uma trama capenga e atores preguiçosos e sem talento. Os efeitos especiais são péssimos o que levou o filme a ser lembrado no Framboesa de Ouro por isso. Tirando o mico de Caine de participar de um filme tão caça-niqueis como esse ninguém mais hoje em dia dá a menor bola para essa produção - merecidamente alias.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Imensidão Azul

Título no Brasil: Imensidão Azul
Título Original: Le grand bleu
Ano de Produção: 1988
País: França, Estados Unidos, Itália
Estúdio: Gaumont, Les Films du Loup
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson, Robert Garland
Elenco: Jean-Marc Barr, Jean Reno, Rosanna Arquette

Sinopse:
Dois amigos de longa data, um francês e um italiano, entram numa disputa sem limites. Grandes mergulhadores, eles resolvem competir entre si para saber quem seria o maior mergulhador em águas profundas. A rivalidade entre ambos porém não fica apenas nas competições esportivas mas na disputa pelo coração de uma bela americana também. Filme baseado em fatos reais.

Comentários:
Esse foi o primeiro filme assinado por Luc Besson que tive o privilégio de assistir. A ocasião não poderia ser melhor, um festival de cinema cult, onde se fazia um panorama do novo cinema francês. A primeira impressão que "Le grand bleu" causa no espectador é de extrema beleza. Não há outra forma de definir. O cineasta fez questão de que cada tomada tentasse de alguma forma fazer jus à beleza do mar, seu infinito azul e seus mistérios. O roteiro certamente explora a obstinação do ser humano, na figura do mergulhador que deseja bater o recorde mundial a todo custo, sempre tentando superar os outros e a si mesmo. Apesar dessa linha narrativa o grande protagonista não é o homem mas a natureza, o mar. Esse é o tipo de filme que fica para sempre em sua mente por causa da beleza das imagens. O elenco não era marcante (para falar a verdade apenas Rosanna Arquette tinha algum nome pois Jean Reno não era tão famoso como agora) e o diretor pouco conhecido fora da França. Assim o que fez o filme se destacar, ganhando vários prêmios mundo afora foi mesmo sua maravilhosa fotografia. Um dos mais bonitos retratos das profundezas do oceano e dos limites do homem jamais feito.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 29 de março de 2016

Back to the Future - Soundtrack

Título Original: Back to the Future - Soundtrack
Artista: Vários
Ano de Produção: 1985
País: Estados Unidos
Estúdio / Selo: Warner Bros
Produção: Alan Silvestri
Formato Original: Vinil
Músicos: Huey Lewis and the News, Lindsey Buckingham, The Outatime Orchestra, Eric Clapton, Etta James, Marvin Berry and the Starlighters.

Faixas: The Power of Love / Time Bomb Town / Back to the Future / Heaven Is One Step Away / Back in Time / Back to the Future Overture / The Wallflower  / Night Train / Earth Angel / Johnny B. Goode.

Comentários:
Fechando esse revival de álbuns de sucesso dos anos 80 deixaremos aqui a dica dessa trilha sonora do filme "De Volta Para o Futuro". Sem dúvida uma das mais saborosas e divertidas ficções da história do cinema. O enredo que levava o protagonista de volta aos anos 50 (o berço do rock) certamente abriria espaço para uma seleção musical de primeira. E é justamente o que temos aqui, ótimas canções e faixas realmente inspiradas. Claro que muitos vão classificar o disco como mero lixo musical, mas não é bem por aí. Trilhas Sonoras sempre sofreram de um certo tipo de preconceito no mundo musical, principalmente se soarem como meras coletâneas ao estilo FM (o que de certa forma acontece em parte nesse álbum).

Obviamente o disco tem sua cota de bobagens, mas também tem momentos excepcionais com Eric Clapton (Heaven Is One Step Away) e Chuck Berry (Johnny B. Goode, aqui em ótima versão da banda do personagem principal, Marty McFly e os Starlighters). Pena que três clássicos que aparecem no filme ("Mr. Sandman" do Four Aces, "The Ballad of Davy Crockett" de Fess Parker e "Pledging My Love" de Johnny Ace) tenham ficado de fora. De qualquer maneira para compensar um pouquinho tem o Huey Lewis and the News cantando a inesquecível "The Power of Love" - quem viveu os anos 80 vai entender!

Pablo Aluísio.

Pânico no Lago

Título no Brasil: Pânico no Lago
Título Original: Lake Placid
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Fox 2000 Pictures
Direção: Steve Miner
Roteiro: David E. Kelley
Elenco: Bridget Fonda, Bill Pullman, Oliver Platt
  
Sinopse:
Black Lake, no estado americano do Maine, é um dos lugares mais procurados por turistas durante o verão. Uma região linda que promete com sua beleza natural muitos momentos de descanso e lazer para os que a visitam. E é justamente nesse bucólico lugar que começam a ocorrer mortes violentas, provavelmente causadas por um gigantesco crocodilo assassino.

Comentários:
Virou uma franquia cinematográfica e eu sinceramente nunca consegui entender exatamente a razão. Não é um bom filme de terror e sequer pode ser considerado original sob qualquer ponto de vista que se olhe. Na verdade o enredo é uma coisa bem antiga, ultrapassada. Essa coisa toda de crocodilos assassinos gigantes já era utilizada em plenos anos 1950, no auge do cinema Sci-fi de monstros e derivados. Provavelmente seja uma velha adaptação (ou diria plágio) de um antigo filme B da Universal onde o crocodilo se tornava gigantesco por causa da radiação de uma usina nuclear próxima ao pântano! Como na Hollywood atual nada se perde, tudo se recicla, por causa do deserto de originalidade que se abate sobre os roteiristas, resolveu-se então requentar esse velho prato frio. O resultado é bem decepcionante, a não ser que você ainda se aterrorize com algo assim, o que acho difícil de acontecer, a não ser que você seja apenas um adolescente facilmente impressionável. No final das contas a única coisa boa que se salva é a beleza da atriz Bridget Fonda, que era muito bonita e charmosa na época. Fora ela é melhor esquecer todo o resto.

Pablo Aluísio.

O Dragão Chinês

Título no Brasil: O Dragão Chinês
Título Original: Tang Shan Da Xiong
Ano de Produção: 1971
País: Hong Kong
Estúdio: Golden Harvest Company
Direção: Wei Lo, Chia-Hsiang Wu
Roteiro: Wei Lo
Elenco: Bruce Lee, Maria Yi, James Tien
  
Sinopse:
Cheng Chao-an (Bruce Lee) é um jovem rapaz que, em busca de trabalho, resolve mudar de cidade. No novo endereço acaba encontrando emprego numa fábrica de gelo ao lado de seus primos. Ele está buscando um novo rumo para sua vida pois agora pretende cumprir a promessa que fez aos seus pais de não mais se envolver em brigas e lutas, algo que o prejudicou bastante no passado. No entanto quando membros de sua família começam a desaparecer, Cheng entende que precisa agira contra os crimes de um poderoso chefão da máfia local.

Comentários:
O ator e lutador de artes marciais Bruce Lee se enquadra naquele tipo de astro de cinema cuja lenda é maior do que o seu próprio legado nas telas, sua filmografia. Por ter morrido muito cedo, vítima de uma morte pouco explicada, ele acabou virando um ícone cultural. Realizou poucos filmes. Astro em Hong Kong sempre encontrou dificuldades em entrar no concorrido mercado americano, tanto que teve que procurar um espaço na TV onde veio a participar de séries como "Batman" e "The Green Hornet" onde interpretava o ainda muito lembrado personagem Kato. Claro que após sua morte a indústria de cinema de Hong Kong usou seu nome para vender uma centena de produções ruins, meras imitações baratas, com atores usando nomes parecidos, tudo para enganar o público. Foi uma infinidade de Bruce Les, Bryce Lees, Brucce Lis e coisas do tipo. Acabou no final das contas dando nome a todo um subgênero cinematográfico de filmes de artes marciais com orçamentos insignificantes e produções fundo de quintal. Nesse "Tang Shan Da Xiong" temos o verdadeiro Bruce Lee. O filme hoje em dia não vai parecer grande coisa, mas na época de seu lançamento se tornou uma unanimidade entre os especialistas em lutas e artes marciais em geral. Ele realmente tinha muita técnica e era um ótimo mestre em sua especialidade. Bruce era também bastante ciente do que daria ou não certo em um filme e por essa razão criou coreografias que ficassem perfeitas nas cenas e nas telas. De certo modo o roteiro e a trama eram meras desculpas para que Lee desfilasse seu farto repertório de golpes e poses. Um filme para um determinado nicho de público que mesmo assim não deixa de ser muito interessante para fãs da história do cinema de uma maneira em geral. O símbolo de uma era que já não existe mais.

Pablo Aluísio.

Tennessee

Esse é um pequeno filme independente (custou meros quatro milhões de dólares apenas) que conta em seu elenco com uma estrela pop da música americana, a cantora Mariah Carey. Ela interpreta Krystal, uma garçonete infeliz que cruza o caminho de dois irmãos em busca de redenção. Eles estão voltando para a sua cidade natal no Tennessee em busca de seu pai, um sujeito violento e abusivo, que foi largado pela esposa por causa da violência. Os dois irmãos também sofreram muito na infância, mas agora retornam com um motivo forte: o pai pode ser o doador de medula óssea que irá salvar a vida de um dos irmãos que está morrendo de leucemia. Como a vida de Krystal também não é o que se pode qualificar de  feliz, ela resolve pegar a estrada junto com eles. Seu objetivo é chegar em Nashville pois ela tem um sonho de se tornar cantora. O problema é que seu marido vai atrás, pois não admite o fim de seu casamento.

O sonho de Mariah Carey sempre foi emplacar uma carreira de atriz. Infelizmente ela começou mal com o fracasso de "Glitter: O Brilho de uma Estrela". Agora ela caminha por ares mais independentes, diria até mesmo indie. O filme é modesto, de baixo orçamento, mas tem qualidade. A fotografia é muito bonita e se o roteiro não chega a ser brilhante pelo menos não decepciona. A trama é convencional, nada do que ainda não se viu em centenas de filmes ao estilo "road movie", porém agrada no final das contas. Também proporciona ao espectador uma visão da América menos glamorosa, com seus motéis baratos de beira de estrada e uma galeria imensa de personagens que apenas vagam pela vida, sem muitas esperanças ou sonhos de grandeza. Assim o público acaba atravessando estados americanos do Texas, Arkansas, Alabama, chegando até o distante Tennessee onde finalmente acontece o clímax da história. Uma boa visão de uma América mais realista e menos idealizada.

Tennessee (Tennessee, Estados Unidos, 2008) Direção: Aaron Woodley / Roteiro: Russell Schaumburg / Elenco: Adam Rothenberg, Ethan Peck, Mariah Carey, Lance Reddick / Sinopse: Krystal (Carey) é uma garçonete que ao lado de dois irmãos cruza o sul dos Estados Unidos em direção ao estado do Tennessee. Ela quer se tornar cantora em Nashville e eles procuram pelo pai para que ele se torne doador de medula para o filho que está morrendo de leucemia. Algo que o marido de Krystal, um policial violento e abusivo, tentará impedir de todas as maneiras.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Retratos de Uma Mulher / Michael Collins

Retratos de Uma Mulher
No século XIX a jovem americana Isabel Archer (Nicole Kidman) resolve ir para a Europa em busca de seus sonhos. Lá encontra o amor, mas acaba caindo em uma armadilha ao se casar com um homem desonesto, antiético e manipulador. A partir daí toda a sua vida praticamente desmorona. Excelente drama de época estrelada por uma ainda bastante jovem Nicole Kidman, na época procurando se firmar em filmes com mais conteúdo e densidade. Foi uma excelente escolha. O roteiro era baseado no texto do consagrado autor Henry James. Quem conhece sua obra sabe que James sempre explorou os porões da alma humana, muitas vezes dissecando o lado mais cruel e mesquinho de todos os seres humanos. A direção do filme ficou com a excelente cineasta Jane Campion, que naquele momento vivia uma ótima fase pois ainda desfrutava do sucesso de público e crítica de "O Piano". O filme é bem estiloso, tem muito estilo, é sofisticado e com uma finesse à toda prova. A produção é classe A, com ótima reconstituição de época e figurinos luxuosos. Realmente tudo muito bom. Arriscaria até mesmo a dizer que ele traz uma das cinco melhores interpretações da carreira de Kidman. Indicado para quem tem um gosto cinematográfico mais refinado do que o habitual. Tanto bom gosto lhe valeu indicações merecidas ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz Coadjuvante (Barbara Hershey) e Melhor Figurino (Janet Patterson). Vencedor do Venice Film Festival na categoria de Melhor Filme. / Retratos de Uma Mulher (The Portrait of a Lady, Estados Unidos, Inglaterra, 1997) Direção: Jane Campion / Roteiro: Laura Jones, baseada no romance de Henry James / Elenco: Nicole Kidman, John Malkovich, Barbara Hershey, Mary-Louise Parker, Shelley Winters, Christian Bale, Viggo Mortensen, John Gielgud, Richard E. Grant.

Michael Collins - O Preço da Liberdade
Drama histórico que resgata a figura do líder revolucionário irlandês Michael Collins (aqui interpretado pelo ator Liam Neeson). Esse foi um homem importante na luta pela independência da Irlanda. Sob dominação inglesa por séculos, os irlandeses começaram a colocar em prática seus ideais de independência nacional justamente na época em que Collins começou a despontar no turbulento cenário político de sua nação. O diretor Neil Jordan obviamente criou um filme patriótico, muitas vezes até ufanista, da causa irlandesa. O filme por essa razão se torna muitas vezes panfletário em demasia, o que certamente incomodará algumas pessoas. Quando um diretor adota esse tipo de postura a primeira reação do público é desconfiar da veracidade do que se vê na tela. Há todo aquele clima de euforia nacional que atrapalha uma visão mais imparcial dos fatos históricos. Mesmo com esse pequeno deslize temos que admitir que como pura obra cinematográfica temos aqui um bom filme. Manipuladora, até maniqueísta, mas também bem honesta já que procura trazer a visão bem pessoal de Neil Jordan da questão, mesmo que essa venha a surgir de uma forma um pouco nublada, maquiada, para varrer os aspectos negativos de Collins para debaixo do tapete histórico. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Fotografia (Chris Menges) e Melhor Música Original (Elliot Goldenthal). Também indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Ator (Liam Neeson) e Melhor Trilha Sonora (Elliot Goldenthal). / Michael Collins: O Preço da Liberdade (Estados Unidos, Inglaterra, Irlanda, 1996) Direção: Neil Jordan / Roteiro: Neil Jordan / Elenco: Liam Neeson, Aidan Quinn, Julia Roberts, Alan Rickman, Stephen Rea, Ian Hart, Charles Dance.

Pablo Aluísio.

Fuga de Absolom

Título no Brasil: Fuga de Absolom
Título Original: No Escape
Ano de Produção: 1994
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Martin Campbell
Roteiro: Michael Gaylin
Elenco: Ray Liotta, Lance Henriksen, Stuart Wilson
  
Sinopse:
O filme conta a estória do capitão J.T. Robbins (Ray Liotta). Acusado e condenado pela morte de um general ele é levado para uma prisão de segurança máxima localizada numa ilha distante e isolada. O Estado envia para lá os piores elementos da sociedade, para que morram esquecidos. Nesse lugar esquecido por Deus acaba sendo criada uma sociedade entre os prisioneiros onde impera o barbarismo e a violência. Não existem normas, apenas imposições implantadas por força bruta e violência insana. Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films na categoria de Melhor Filme de Ficção.

Comentários:
Eu nunca fui particularmente muito fã desse tipo de ficção. Você certamente conhece esse tipo de argumento, passado em um futuro não muito distante, onde a tecnologia high-tech convive com uma sociedade doentia, prestes a entrar em colapso social. Nesse roteiro em especial temos uma prisão do futuro, um lugar simplesmente hostil e violento onde presos de grande periculosidade vivem isolados, numa ilha que foi transformada em presídio, onde o que impera mesmo é a lei do mais forte. Por essa razão não adianta se iludir pois não existem regras ou perdão dentro daqueles muros. Quando vi pela primeira vez até curti o estilo, mas hoje em dia vejo que não há mais espaço para produções como essa em minha vida de cinéfilo. Curioso porque o diretor Martin Campbell iria ser escalado logo depois para dirigir "007 Contra GoldenEye", demonstrando que o estúdio havia gostado do resultado final, principalmente por causa das boas cenas de ação que dirigiu (já que o roteiro definitivamente não era grande coisa). Dois filmes de Zorro depois (A Máscara do Zorro e A Lenda do Zorro) e mais um bom filme da franquia James Bond (007 - Cassino Royale) e a carreira do diretor seria praticamente destruída pelo desastre comercial do péssimo "Lanterna Verde". Pelo visto por essa nem seu mais persistente pessimismo futurista esperava.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Resgate Suicida

Título no Brasil: Resgate Suicida
Título Original: North Sea Hijack
Ano de Produção: 1979
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Cinema Seven Productions Ltd., Universal Pictures
Direção: Andrew V. McLaglen
Roteiro: Jack Davies
Elenco: Roger Moore, James Mason, Anthony Perkins
  
Sinopse:
Kramer (Anthony Perkins) é um terrorista que tem como alvo uma plataforma de perfuração de petróleo no Mar do Norte. Ffolkes (Roger Moore) é um milionário excêntrico que decide formar uma tropa de voluntários em busca de ação para enfrentar os terroristas no local. Chantageado, o governo inglês resolve ceder, dando uma chance para que Ffolkes e seus homens completem sua missão, que para alguns, seria também suicida.

Comentários:
Um trio de respeito protagoniza essa fita de ação do final dos anos 1970. Roger Moore, James Mason e Anthony Perkins formam o trio básico de personagens que se enfrentam em uma região fria e distante, já perto do polo norte. A intenção é retomar o controle de uma base de perfuração da indústria petrolífera nos mares do Norte que foi tomada de assalto por um grupo de terroristas internacionais. Obviamente se trata de mais uma tentativa de faturar uma bela bilheteria usando como atrativo de público a presença do ator Roger Moore. O astro estava colhendo os frutos da popularidade trazida pela franquia de James Bond e vinha de dois grandes sucessos comerciais: "007 - O Espião Que Me Amava" (onde interpretava pela terceira vez James Bond) e "Selvagens Cães de Guerra" (filme também dirigido pelo cineasta Andrew V. McLaglen). Assim os objetivos ficam claros desde a primeira cena. A intenção é realmente agradar ao público que havia lotado os cinemas nas duas produções anteriores. O resultado porém ficou abaixo das expectativas, talvez por causa do roteiro que foi criticado na época de lançamento do filme. Isso porém em nada atrapalha a diversão, ainda mais valorizada por uma atuação muito boa de Anthony Perkins! Nenhum ator foi tão perfeito para interpretar vilões insanos como ele! Sua atuação acaba valendo pelo filme inteiro.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Fim de Caso

Título no Brasil: Fim de Caso
Título Original: The End of the Affair
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Neil Jordan
Roteiro: Graham Greene, Neil Jordan
Elenco: Ralph Fiennes, Julianne Moore, Stephen Rea
  
Sinopse:
Londres, 1946. O escritor Maurice Bendrix (Ralph Fiennes) não consegue superar uma velha paixão, mesmo com o passar dos anos. Sarah Miles (Julianne Moore) é o foco de sua afeição. O problema é que ela é a esposa de Henry Miles (Stephen Rea), um conhecido seu. Dois anos depois descobre que finalmente o casamento entre eles acabou. Agora ele percebe que sua velha obsessão por Sarah reacendeu e parece disposto a consumar de uma vez por todas essa complicada relação amorosa. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Julianne Moore) e Melhor Fotografia.

Comentários:
Neil Jordan faz parte daquele seleto grupo de cineastas que você pode encarar todo e qualquer filme que faça parte da sua filmografia sem receios. Ele é um artesão da sétima arte. Muito sofisticado, lidando com planos e ideias mais bem elaboradas, é sem dúvida um dos diretores mais talentosos de sua geração. Aqui nesse "The End of the Affair" ele optou por focar suas lentes em uma paixão que resiste, que por várias razões nunca consegue se consumar de forma definitiva. Um verdadeiro karma maldito que se abate sobre esses dois amantes apaixonados. A fotografia é linda, valorizando ainda mais a relação existente entre o estado psicológico e emocional de todos os personagens e o clima ora sombrio, ora ofuscante na cidade, que aliás parece ter vida própria. A chuva, que nunca parece parar de cair, simboliza a melancolia de sentimentos que se abate sobre o casal. Ralph Fiennes e Julianne Moore formam uma maravilhosa dupla de protagonistas. Ela sempre me pareceu muito charmosa e sofisticada e aqui acabou encontrando uma película à sua altura. Recebeu uma indicação ao Oscar e sendo bem sincero merecia ter sido a vencedora. Ele, mais uma vez, demonstra porque é considerado um dos mais talentosos atores ingleses. Bastante badalado em sua lançamento esse filme certamente mereceu todas as indicações e prêmios que recebeu. Um drama romântico Classe A.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Paul McCartney - Another Day / Oh Woman, Oh Why

Primeiro single de Paul McCartney lançado em 1971. Os Beatles já não existiam mais e a carreira solo agora era uma realidade para valer. A faixa de trabalho havia sido gravada nas sessões do álbum "Ram", por essa razão se nota claramente a mesma musicalidade das demais canções do disco. Para muitos "Another Day" teria muito de outro clássico de Paul McCartney lançado na época dos Beatles, a canção "Eleanor Rigby". A letra de ambas tratava da vida complicada de uma mulher anônima no duro mundo em que vivemos.

Assim que a música começou a fazer sucesso muitos perguntaram quem seria a mulher da letra mas Paul, como já tinha explicado várias vezes em relação a outras de suas músicas, declarou que não se tratava de uma mulher real, mas sim "em tese", hipoteticamente falando. Linda também havia aconselhado a Paul a ir em direção a um caminho próprio, criando uma nova sonoridade que em nada deveria lembrar o som dos Beatles. Era algo importante criar algo singular, novo, sem olhar para trás. McCartney achou genial a sugestão da esposa e a levou para o estúdio para dar dicas e opiniões sobre as gravações. Em retribuição também creditou Linda como co-autora da música. Uma forma de agradecer por seu apoio.

"Another Day" foi gravada nos estúdios da Columbia em Nova Iorque. Paul ainda não havia reconstruído sua parceria com George Martin e procurou os estúdios americanos atrás de sua primazia técnica. E foi dentro do estúdio mesmo que Paul, ao lado do engenheiro de som Dixon Van Winkle, decidiu que essa seria sua primeira música a fazer parte de seu pioneiro single solo. A faixa foi gravada de forma muito singela, com apenas três músicos - quase a mesma formação dos Beatles. Além de Paul a gravação contou ainda com as participações de Dave Spinozza na guitarra elétrica e Denny Seiwell na bateria. Paul se encarregou do violão.

Tudo foi gravado dentro de uma singeleza fora do comum, praticamente em take único. Assim que chegaram na versão oficial Paul orgulhosamente declarou que aquela canção "tinha cheiro de hit". E tinha mesmo. Lançada em fevereiro logo caiu no gosto das rádios que a tocaram muito naquele mesmo mês. Na principal parada americana, a famosa Billboard Hot 100, o single alcançou uma ótima segunda posição. Na parada inglesa o mesmo sucesso, também chegando na vice liderança. Já na Irlanda, Suécia e Espanha foi ao topo, mostrando e provando que Paul McCartney certamente tinha cacife para fazer sucesso mesmo fora dos Beatles. Era o começo de uma nova era para o cantor.

Another Day (Paul McCartney - Linda McCartney) - Every day she takes a morning bath, she wets her hair / Wraps a towel around her as she's heading for the bedroom chair / It's just another day / Slipping into stockings, stepping into shoes / Dipping in the pocket of her raincoat / It's just another day / At the office where the papers grow she takes a break / Drinks another coffee and she finds it hard to stay awake / It's just another day / Du du du du du du, it's just another day / Du du du du du du, it's just another day / So sad, so sad, sometimes she feels so sad / Alone in her apartment she'd dwell / Till the man of her dreams comes to break the spell / Ah, stay, don't stand her up / And he comes and he stays, but he leaves the next day / So sad, sometimes she feels so sad / As she posts another letter to the sound of five / People gather 'round her and she finds it hard to stay alive / It's just another day / Du du du du du du, it's just another day / Du du du du du du, it's just another day / So sad, so sad, sometimes she feels so sad / Alone in her apartment she'd dwell / Till the man of her dreams comes to break the spell / Ah, stay, don't stand her up / And he comes and he stays, but he leaves the next day / So sad, sometimes she feels so sad / Every day she takes a morning bath, she wets her hair / Wraps a towel around her as she's heading for the bedroom chair / It's just another day / Slipping into stockings, stepping into shoes / Dipping in the pocket of her raincoat / Ah, it's just another day / Du du du du du du, it's just another day / Du du du du du du, it's just another day.

Oh Woman, Oh Why (Paul McCartney) - Oh woman, oh why, why, why, why / What have I done ? / Oh woman, oh where, where, where, where, where / Did you get that gun ? / Oh what have I done ? / What have I done ? / Well I met her at the bottom of a well (of a well) / Well I told here I was tryin' to break a spell (break a spell) / But I can't get by, my hands are tied / I don't know why I want her to try myself / cause I can't get by, my hands are tied / Woman, oh why, why, why, why / What have I done ? / Oh woman, oh where, where, where, where, where / Did you get that gun ? / Oh what have you done ? / Woman what have you done ? / Well I am fed up with you lying cheating ways (cheating ways) / But I get up every morning and every day (every day) / But I can't get by , my hands are tied / I don't know why I want her to try myself / Cause I can't get by, my hands are tied / Oh woman, oh why, why, why, why / What have I done ? / Oh woman, oh where, where, where, where, where / Did you get that gun? / Woman, what have I done ? / What have you done?

Pablo Aluísio.

domingo, 27 de março de 2016

Drácula, O Príncipe das Trevas

Mais uma produção da Hammer, famoso estúdio inglês de filmes de terror. Esse aqui é a sequência do sucesso "Drácula" de 1958 dirigido pelo mesmo diretor nessa mesma produtora com o mesmo Christopher Lee no papel título, aqui fazendo o Conde pela segunda vez em sua carreira. Curiosamente logo no começo de "Drácula - O Príncipe das Trevas" há uma colagem de cenas do filme anterior. Tecnicamente foi uma forma encontrada pelo diretor para situar os espectadores sobre a estória do primeiro filme (que havia sido lançado oito anos antes). A questão é que o Conde havia sido destruído por Van Helsing na cena final daquele, virando pó. Então como trazer de volta o famoso vampiro de volta para essa continuação? Certamente não vou falar aqui para não estragar mas podemos entender bem de onde veio a ideia que fez o psicopata Jason ressuscitar em tantos "Sexta Feira 13" na década de 80. Se deu sucesso e lucro porque não encontrar um jeito de trazer o monstro de volta?

Por falar em monstro o público atual certamente vai estranhar a caracterização de Drácula nesse tipo de filme. Aqui ele não passa de um monstro, que apenas busca sua presa e nada mais. O Drácula interpretado por Christopher Lee entra mudo e sai calado de cena. Não existe nenhum tipo de herói romântico envolvido nas cenas em que aparece e nem muito menos os sinais de galanteio que vimos em tantos filmes sobre o famoso personagem. Para falar a verdade longe da sedução o Conde aqui é simplesmente brutal com as mulheres - quando chega perto delas é apenas para morder ou então dar uns sopapos! O diretor Terence Fischer foi um grande especialista do gênero terror e aqui consegue bons resultados em uma produção até modesta, sem grande orçamento. Na época as produções de terror não eram levados muito à sério e os filmes eram feitos sem grande preocupação com orçamentos de primeira linha. Mesmo assim o resultado se mostra satisfatório. Enfim, "Drácula, O Príncipe das Trevas" é bem interessante pois traz um vampiro que no final das contas é apenas um monstro - bem diferente dos dândis românticos que enchem as telas dos cinemas atualmente.

Drácula, O Príncipe das Trevas (Dracula Prince of Darkness, Inglaterra, 1966) / Direção de Terence Fisher / Com Christopher Lee, Barbara Shelley, Andrew Keir, Francis Matthews, Suzan Farmer, Charles 'Bud' / Sinopse: Depois de sua destruição pelo Dr. Van Helsing no filme Vampiro da Noite (1958), a lenda do Conde Drácula ainda aterroriza a população local. Um grupo de turistas ingleses, apesar dos alertas, inclui em seu roteiro pelos Cárpatos a cidade de Carlsbad, nas cercanias do castelo de Drácula.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Terror em Silent Hill

Título no Brasil: Terror em Silent Hill
Título Original: Silent Hill
Ano de Produção: 2006
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures
Direção: Christophe Gans
Roteiro: Roger Avary
Elenco: Radha Mitchell, Laurie Holden, Sean Bean
  
Sinopse:
Uma mãe sai em uma busca desesperada do paradeiro de sua filha desaparecida, dentro dos limites de uma cidade estranha e desolada, chamada Silent Hill. Filme baseado e adaptado do famoso jogo de vídeogame. Indicado ao prêmio do Fangoria Chainsaw Awards em cinco categorias, entre elas Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem e Melhores Efeitos Especiais.

Comentários:
"Terror em Silent Hill" é aquele tipo de filme em que você não deve se preocupar muito em termos de roteiro, atuação ou direção. O que vale aqui realmente é agradar aos fãs do game e isso, em razão das péssimas adaptações feitas nos últimos anos, era um problema e tanto a superar. Falando sinceramente filmes baseados em games geralmente aborrecem aos que curtem os jogos na mesma intensidade que deixam decepcionados os cinéfilos em geral. A boa notícia é que o diretor Christophe Gans conseguiu superar essa barreira. Ele obviamente passou longe de criar uma obra prima do terror, mas em compensação realizou um filme correto, equilibrado, que conta (bem) seu enredo de forma simples e sem exageros desnecessários. Agora, o que se sobressai mesmo em "Silent Hill" é a sua maravilhosa direção de arte, figurinos e maquiagem. A sucessão de monstros que desfilam na tela realmente impressiona. Some-se a isso um filme curto, eficiente e bem feito e você certamente terá um bom divertimento pela frente. "Terror em Silent Hill" é angustiante, para ser sincero. Vale a recomendação. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

47 Ronins (2013)

Título no Brasil: 47 Ronins
Título Original: 47 Ronin
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: H2F Entertainment, Mid Atlantic Films
Direção: Carl Rinsch
Roteiro: Chris Morgan, Hossein Amini
Elenco: Keanu Reeves, Hiroyuki Sanada, Ko Shibasaki
  
Sinopse:
Kai (Keanu Reeves) é um mestiço, filho de um inglês e uma japonesa que por essa razão é abandonado ainda criança em uma floresta. Resgatado por um senhor feudal acaba trabalhando e vivendo para seu mestre praticamente por toda a sua vida. Quando esse sofre um ataque de um rival que tenciona rebaixar todos à meros Ronins (Samurais sem mestres), Kai entende ter chegado a hora de provar sua lealdade a quem lhe ajudou no passado.

Comentários:
Um bom filme de ação e aventura, com bastante fantasia e magia, tudo sob o ponto de vista da cultura oriental. "47 Ronins" tenta mesclar essa dualidade de culturas para criar um filme que no final das contas servirá como bom passatempo. Não é de hoje que os ocidentais possuem essa atração pelos antigos samurais. Obviamente que muita coisa não passa de lenda e por essa razão não há muito rigor do ponto de vista histórico nessa produção (nem era a intenção de seus realizadores fazer algo nesse sentido, para falar a verdade). Assim o que temos é realmente diversão à toda prova, inclusive com um roteiro que se não chega a ser excepcional cumpre seus objetivos. Keanu Reeves continua o mesmo. Ele nunca foi visto como um bom ator, pois na maioria das vezes sua expressividade é quase nula. Como seu papel ajuda nesse modo de "entrar mudo e sair calado" não há muitos problemas decorrentes dessa sua forma de atuar. O filme foi bem criticado, muitos não gostaram, mas se você souber abaixar um pouco as expectativas certamente se divertirá. O segredo é saber o que vai se encontrar pela frente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Orgulho & Preconceito

Título no Brasil: Orgulho & Preconceito
Título Original: Pride & Prejudice
Ano de Produção: 2005
País: Inglaterra, França, Estados Unidos
Estúdio: Focus Features, Universal Pictures, StudioCanal
Direção: Joe Wright
Roteiro: Deborah Moggach
Elenco: Keira Knightley, Matthew Macfadyen, Brenda Blethyn, Carey Mulligan, Donald Sutherland 
  
Sinopse:
Baseado na obra imortal escrita por Jane Austen, "Pride & Prejudice" conta uma história de amor em um momento particularmente complicado na vida de personagens que se vêem tragados por eventos de proporções mundiais. O enredo mostra a vida de cinco irmãs inglesas - Jane, Elizabeth, Mary, Kitty e Lydia Bennet - que sonham em se casar com o homem perfeito. O problema será superar todas as dificuldades que irão surgir pela frente. Filme vencedor do BAFTA Awards na categoria de Melhor Direção. Indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Direção de Arte, Figurino, Música e Atriz (Keira Knightley).

Comentários:
Ainda demorará alguns anos para que outras cinematografias alcancem o nível de sofisticação e classe do cinema inglês. Há toda uma preocupação em adaptar obras literárias importantes (como as de autoria da genial Jane Austen) e um cuidado todo especial em realizar pesquisas históricas para se chegar com máxima fidelidade possível nos modos de ser e se vestir das pessoas que viveram na época em que se passam os enredos narrados por essa escritora. O resultado é simplesmente impecável, valorizado por personagens extremamente humanos e bem desenvolvidos do ponto de vista psicológico e emocional. O filme foi mal qualificado e classificado no Globo de Ouro concorrendo na categoria de Melhor Filme - Comédia ou Musical. Essa gafe acabou virando uma chacota entre a imprensa britânica. Obviamente que a graça está presente em muitas das obras de Austen, mas considerar um filme como esse como uma mera "comédia" só deixa exposto uma certa falta de sofisticação intelectual por parte dos americanos. Ignore isso e se delicie com as maravilhosas observações, ora cínicas, ora críticas, de Jane Austen sobre as convenções sociais de seu tempo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 26 de março de 2016

007 - Permissão para Matar / Adoradores do Diabo

007 - Permissão para Matar
Nessa aventura o agente secreto James Bond (Timothy Dalton) resolve trabalhar por conta própria, indo em busca de vingança contra um perigoso e sanguinário traficante de drogas internacional, responsável pela morte de um agente da CIA, velho amigo e companheiro de Bond em missões conjuntas realizadas no passado. Um jornada em busca de justiça de fundo bem pessoal por parte do famoso personagem criado por Ian Fleming. Apesar da proposta mais inovadora do roteiro o fato é que não deu muito certo essa segunda atuação do ator Timothy Dalton como James Bond. A famosa franquia tentava se adaptar aos novos tempos e procurou trilhar um caminho mais realista para as aventuras do agente inglês nas telas. O público porém não comprou a ideia. Com uma bilheteria considerada fraca demais pelo estúdio o resultado morno do ponto de vista comercial selou o destino de Dalton na série. Ele foi demitido e os produtores foram atrás de um novo ator (que acabaria sendo Pierce Brosnan, que finalmente daria certo, conciliando público e crítica em torno de seu nome). Assim o reinado de Timothy Dalton como James Bond só duraria dois filmes, fato que o colocaria à frente apenas de George Lazenby que realizou apenas um filme como Bond nos anos 1960 (o mal sucedido "007 – À Serviço Secreto De Sua Majestade"). Considero Dalton um bom ator, que segurou bem as pontas nesse momento de transição da franquia durante os anos 1980. Roger Moore estava velho demais para o papel e não havia ninguém ainda disposto a aceitar a responsabilidade de encarnar Bond nas telas (um fato curioso é que Mel Gibson havia sido convidado para suceder Moore, mas recusou alegando que o personagem era "inglês demais" para seu gosto!). Esse filme, como o anterior é bom, bem produzido e com roteiro bem escrito. Infelizmente os fãs queriam mesmo ver as antigas e fantasiosas estórias envolvendo Bond e não o aceitaram muito bem como alguém de carne e osso. Filme indicado ao prêmio da Edgar Allan Poe Awards. / 007 - Permissão para Matar (Licence to Kill, EUA, 1989) Direção: John Glen / Roteiro: Michael G. Wilson, Richard Maibaum / Elenco: Timothy Dalton, Robert Davi, Carey Lowell.

Adoradores do Diabo
Após a morte supostamente acidental de uma mulher numa cozinha, um médico de Nova Iorque descobre que ela estaria envolvida em uma rede de membros que se reúnem numa seita satânica nos porões da cidade. São fanáticos que promovem sacrifícios humanos com crianças. Para seu desespero também acaba descobrindo que seu filho é um dos alvos. Agora terá que lutar para salvar a criança das mãos dos membros dessa sanguinária seita do diabo. Um bom filme de terror que causou certa sensação em seu lançamento por tratar de um problema que só tem crescido nos últimos anos: a proliferação de seitas que se envolvem em magia negra, matando crianças em sacrifícios terríveis dirigidos para seus supostos deuses do inferno. O roteiro investe numa situação mais intelectual e procura evitar apelar o tempo todo para absurdos sensacionalistas. Quem acaba se saindo muito bem em cena é o veterano ator Martin Sheen, que empresta todo o seu talento dramático para tornar ainda mais verdadeira a agonia pela qual seu personagem passa. Sempre fui um admirador da obra do cineasta inglês John Schlesinger que no passado dirigiu várias obras primas como por exemplo "Perdidos na Noite" e "Maratona da Morte". Sua sensibilidade cinematográfica apurada acaba trazendo grande força a esse filme que lida com um assunto tão complicado. Vale a indicação para os fãs de filmes de horror que estejam em busca de algo mais diferente do que geralmente se vê no gênero. / Adoradores do Diabo (The Believers, EUA, 1987) Direção: John Schlesinger / Roteiro: Mark Frost, Nicholas Conde / Elenco: Martin Sheen, Helen Shaver, Harley Cross.

Pablo Aluísio.

Velozes & Furiosos 7 (2015)

Título no Brasil: Velozes & Furiosos 7
Título Original: Furious 7
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: James Wan
Roteiro: Chris Morgan, Gary Scott Thompson
Elenco: Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne Johnson, Jason Statham, Michelle Rodriguez, Kurt Russell
  
Sinopse:
Dominic Torretto (Vin Diesel) e sua gangue decidem deixar o mundo do crime. Na realidade após sua última incursão criminosa percebem que chegou mesmo a hora de parar com suas atividades mercenárias. Cada um membro de sua antiga equipe precisa seguir em frente, trilhando caminhos próprios. O problema é que o passado muitas vezes deixa rastros e deles surgem pessoas e organizações do mundo do crime empenhadas em acertar contas com algo que ficou para trás. Um lição que Torretto entenderá muito bem em breve.

Comentários:
Eu acredito que nem o mais otimista produtor de cinema poderia imaginar que essa franquia ainda poderia render tanto. " Velozes & Furiosos 7" chegou nos cinemas americanos nesse fim de semana de forma arrasadora, faturando quase 150 milhões de dólares, se tornando a nona melhor estreia de um filme na indústria. Qual é o grande segredo nessa equação de sucesso comercial? Em minha opinião tudo isso foi gerado pelo morte trágica do ator Paul Walker em 2013. Ele morreu em um terrível acidente bem no meio das filmagens. Muitas de suas cenas ficaram assim no meio do caminho, inacabadas ou não realizadas. Muitos pensaram que o projeto seria arquivado definitivamente, deixado de lado, até como uma homenagem a Walker. Ledo engano. O estúdio não iria perder milhões de dólares em investimentos assim, da noite para o dia. Dessa maneira e usando da tecnologia atual, Walker foi parcialmente recriado digitalmente, inserido em sequências e reaproveitado usando-se da magia do cinema. Claro que algo nesse estilo chamaria a atenção do público. Dito isso, devo confessar que essas serão algumas das poucas qualidades de "Velozes   & Furiosos 7" que você conseguirá encontrar ao assistir o filme. O roteiro é básico, muito básico mesmo, e o filme só se sustenta pelas excelentes tomadas de ação desenfreadas. Com o sucesso espetacular não tenho a menor dúvida que a fórmula será levada em frente nos anos que virão, até seu completo esgotamento. É cinema fast food, descartável, sem profundidade e derivativo, mas se o público adora, o que se pode fazer? Nada, os executivos dos estúdios agradecem.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Victor Frankenstein (2015)

O texto a seguir contém alguns spoilers. Por isso se ainda não viu o filme pare por aqui a leitura. Pois bem, assisti recentemente a essa nova versão do livro de Mary Shelley. Pouca gente sabe, mas ela escreveu o livro para tentar ganhar uma aposta com outros escritores, amigos dela, que toparam vencer a disputa de quem iria escrever o livro com a trama mais aterrorizante. Shelley apenas pegou o que havia em sua volta - um incrível sentimento de otimismo e medo sobre os avanços da ciência de seu tempo - e acabou criando uma obra realmente imortal (e lá se vão quase duzentos anos da publicação original de Frankenstein!). Na essência é um conto de monstro, mas tudo tão genialmente criado que não é de se admirar que o enredo tenha sobrevivido a todas essas gerações. Dois séculos depois de ser escrito a estória ainda mostra força. É algo para poucos.

Aqui, para fugir um pouco do que já se viu nos vários filmes anteriores, os roteiristas resolveram se debruçar mais na vida de Igor, o corcunda assistente do Dr. Frankenstein. Nas adaptações anteriores ele era apenas um ser grotesco com uma séria deformidade física. Aqui criaram uma personalidade, emoções e sentimentos para ele. Isso se explica porque o ator que o interpreta é o astro juvenil Daniel Radcliffe da franquia "Harry Potter". Não cairia bem escalar um ator tão popular para interpretar um personagem tão raso e repugnante. Para não deixá-lo com aspecto asqueroso durante todo o filme os roteiristas inventaram moda, fazendo com que ele não fosse corcunda de verdade, tendo apenas um abscesso de líquidos, algo que o Dr. Frankenstein logo resolve com uma seringa e um método de drenagem nada ortodoxo.

O encontro entre Igor e o seu mestre (o ponto central da narrativa) se dá em um circo. O médico está lá em busca de partes de animais para suas experiências. Ao ver que Igor (nome esse que só se dará a ele depois) tem muito conhecimento de anatomia e medicina (algo que adquiriu de forma autodidata) resolve lhe libertar da companhia circense (onde é praticamente um escravo do dono do circo). A partir daí começam as experiências que Frankenstein sonha realizar - trazer restos de corpos humanos de volta à vida com o uso de energia elétrica. Isso era uma crença na época em que o livro foi escrito, simplesmente porque ao se aplicarem choques elétricos em órgãos humanos mortos eles mostravam reação - obviamente causado pela passagem da carga elétrica que se deslocava pelos tecidos. Como a eletricidade ainda era algo novo na ciência criou-se esse mito que foi explorado pela escritora.

James McAvoy está bem como Victor Frankenstein. O sujeito tem traumas por causa da morte de seu irmão Henry. Ele se torna um ateu e resolve provar que a ciência teria todas as respostas, o que obviamente se tornaria uma heresia sob o ponto de vista religioso. Para ele religião não passaria de meras superstições de mentes primitivas. Essas discussões teológicas porém são superficiais (mas convenhamos, não deixam de ser interessantes). Para quem vai ao cinema ver um filme de Frankenstein o que importa mesmo é ver como a criatura vai surgir dessa vez em cena. Fizeram um design bem interessante para o monstro, algo que lembra até mesmo o visual clássico do antigo filme da Universal (mas claro tirando todas as devidas proporções). Para falar a verdade o macaco que Victor consegue ressuscitar é mais aterrorizante do que o grandalhão movido a fúria que vemos na cena final.

O diretor escocês Paul McGuigan criou um cenário muito evocativo das clássicas adaptações, mas não foi muito além disso. Faltou maior ousadia, talvez pelo fato desse ter sido o primeiro filme de grande orçamento de sua carreira - ele antes se limitou a trabalhar em séries de TV como a popular "Sherlock" e nada muito além disso. Assim essa nova versão não escapa muito da pecha de blockbuster de cinema comercial, mas mesmo assim há coisas boas para se curtir no filme como um todo. Até porque vamos ser sinceros, qualquer filme que traga o livro de Sheller de volta à tona sempre será no mínimo interessante para os fãs de filmes de terror.

Pablo Aluísio.

The Benefactor

O ator Richard Gere interpreta um milionário, dono de hospitais, que sofre um sério acidente de carro. Um casal amigo morre na tragédia e ele começa a se sentir culpado por tudo. Com o tratamento para se recuperar dos ferimentos acaba se viciando em morfina. As coisas começam a ir de mal a pior até que cinco anos após o acontecimento ele é convidado por Olivia (Fanning), a única filha do casal morto, para ser seu padrinho de casamento. A partir daí ele tenta de todas as formas aliviar sua culpa, começando a ajudar o jovem casal de todas as maneiras possíveis, comprando uma bela casa para ambos, providenciando um emprego para o marido em seu próprio hospital e se tornando alguém próximo com quem eles podem sempre contar. A aproximação porém se torna excessiva e ele se torna assim uma pessoa invasiva demais para a intimidade de Olivia e seu marido.

Esse é o novo filme de Richard Gere. Galã no passado, ele vai finalmente, aos poucos, assumindo a idade que tem. Aos 60 anos, Gere parece não estar mais disposto a fazer o tipo sedutor. Aqui ele interpreta um homem rico que ao longo da vida sempre priorizou sua liberdade, por isso nunca se casou e nem constituiu família. Na verdade ele só era próximo mesmo de um casal de amigos que morre em um acidente onde ele indiretamente teve sua parcela de culpa. Arrasado psicologicamente por tudo o que aconteceu e com problemas de vício em drogas e bebidas, ele tenta se redimir, ajudando exageradamente a filha de seus velhos amigos. O papel ajuda Gere a ter boas cenas onde ele atua muito bem. Ele parece estar sempre no limite, desenvolvendo uma personalidade bipolar, com picos de euforia e depressão. É um bom drama, embora não seja excepcional em nenhum momento. É um filme curto que se contenta em contar uma boa história. O final talvez seja um pouco otimista além da conta, não resolvendo seus momentos mais dramáticos de forma satisfatória. Mesmo assim se trata de um bom filme, valorizado ainda mais pela boa atuação de Gere.

The Benefactor (Idem, Estados Unidos, 2015) Direção: Andrew Renzi / Roteiro: Andrew Renzi / Elenco: Richard Gere, Dakota Fanning, Theo James / Sinopse: Franny Hines (Gere) é um milionário filantropo com problemas de bebidas e drogas que reencontra um sentido na vida ao ter a oportunidade de ajudar a filha de um casal de amigos, mortos em um acidente no passado, do qual ele teve indiretamente uma parcela de culpa. Assim ele começa a ajudar o jovem casal de todas as maneiras possíveis, algumas delas de forma exagerada e invasiva na vida conjugal deles. Filme indicado ao Tribeca Film Festival e ao Champs-Élysées Film Festival. Premiado no Catalina Film Festival na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Pablo Aluísio.

Rock Hudson

Título no Brasil: Rock Hudson
Título Original: Rock Hudson
Ano de Produção: 1990
País: Estados Unidos
Estúdio: Konigsberg International, Sanitsky Company
Direção: John Nicolella
Roteiro: Dennis Turner
Elenco: Dennis Turner, Lindsey Robinson, Carl Banks
  
Sinopse:
Após servir na Marinha durante a Segunda Guerra Mundial o jovem Roy Harold Scherer Jr resolve ir para Hollywood tentar a carreira de ator. Após ser contratado por um ganancioso agente ele se transforma em Rock Hudson, um ator especializado em interpretar personagens galãs em filmes românticas da época. Com o sucesso ele rapidamente se torna o solteiro mais cobiçado da América porém Roy esconde um grande segredo do grande público: ele é na verdade gay! Para consolidar sua fama e espantar os boatos de que seria homossexual seu agente Henry Wilson resolve armar um casamento falso entre Rock e sua secretária, Phyllis Gates.

Comentários:
Telefilme muito bem produzido que conta a história do astro Rock Hudson (1925 - 1985), um dos mais populares astros da era de ouro do cinema americano. O filme foi realizado cinco anos após sua morte de AIDS, quando acabou se tornando a primeira vítima famosa da nova doença. Parte do roteiro foi baseado na própria autobiografia de Rock, que inclusive foi lançada no Brasil. O enfoque realmente vai para o lado pessoal da vida íntima do ator, deixando de lado, de certo modo, sua vida profissional, os grandes filmes que realizou ao longo de sua bem sucedida carreira. Isso vai frustrar um pouco aos cinéfilos que adoram esmiuçar a filmografia dessas grandes estrelas do passado. Mesmo assim nada chega a comprometer o resultado final, uma vez que entender os bastidores da grande indústria do cinema americano também se torna um imenso prazer aos fãs da sétima arte. Phyllis Gates, a secretária do agente de Rock, que acabou se casando com ele, reclamou publicamente do filme depois, pois conforme explicou na época ela pessoalmente não acreditava que seu casamento havia sido completamente forjado como mostrado pelo roteiro. Ela ficou tão indignada com isso que posteriormente escreveu um livro, contando o seu lado da história. Picuinhas à parte o filme, que hoje em dia é bem raro de encontrar, é uma excelente pedida para quem curte a história de Hollywood e seus ídolos de um passado distante.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Gladiador e os épicos romanos

Onde estão os grandes épicos históricos passados na Roma Antiga? Infelizmente hoje temos uma dominação de filmes de super heróis em Hollywood. Com isso falta espaço para os épicos clássicos históricos antigos, um gênero que já legou tantos grandes filmes no passado. Nem vou citar os imortais "Ben-Hur", "Cleópatra" ou "A Decadência do Império Romano", Pensemos em algo até mais recente como "Gladiador" de Ridley Scott, talvez a última grande superprodução passada em Roma. Outro dia esbarrei no filme sendo exibido em um canal a cabo. Claro que senti saudades desse tipo de produção nos cinemas. Ultimamente nada tem sido feito sobre o tema e os filmes mais recentes explorando a Roma imperial são produções pequenas, de orçamento reduzido. Alguns nem chegam aos cinemas, sendo lançados diretamente em DVD.

É uma pena porque o tema é amplo demais para ser ignorado. Além das histórias envolvendo os imperadores loucos há ainda a possibilidade de explorar o surgimento do cristianismo. Basta lembrar de "O Manto Sagrado" para entender como há um vasto campo religioso para se explorar em roteiros bem escritos. Até mesmo licenças poéticas do ponto de vista histórico são bem vindos. Em "Gladiador" mesmo vemos isso. O imperador Comodus era certamente alucinado por lutas nas arenas romanas, mas certamente jamais se colocaria em risco pessoal como vemos no filme - lembrando da sequência em que ele sai no mano a mano com o personagem interpretado por Russell Crowe. Aliás o Maximus feito por Crowe nos deixam com saudades dos heróis clássicos das telas. Homens forjados na guerra, que não sentem culpa em matar e impor seu ponto de vista nos campos de batalha. Eles passam longe do modelo mais recente de herói torturado o culpado por suas escolhas pessoais. É um guerreiro e ponto final.

O curioso é que o boom de filmes como esse não aconteceu mesmo com o grande sucesso de público e crítica de "Gladiador". A produção de Scott foi extremamente elogiada, venceu vários prêmios internacionais, inclusive cinco Oscars da academia e nada disso ajudou para levantar a moda dos filmes épicos. Eu não sei você leitor, mas pessoalmente prefiro muito mais assistir a um filme com um personagem histórico crível - do tipo um soldado romano no campo de batalha - do que super heróis vestidos em roupas coloridas e colantes. Como sempre adorei história fico realmente plenamente satisfeito quando saio de uma sala de cinema onde todo um passado há muito esquecido foi literalmente reconstruído em cena. As arenas romanas, as táticas de guerra, os uniformes, os códigos de combate, tudo é muito rico para se deixar de lado. Espero que os produtores voltem a enxergar isso em um futuro próximo. Os fãs dos filmes da Roma Antiga certamente agradecem.

Pablo Aluísio. 

Victor Frankenstein

Mais uma versão cinematográfica do famoso livro escrito por Mary Shelley em 1818 (a obra, como se pode perceber, está prestes a celebrar 200 anos de sua edição original). Pois bem, depois de tantos filmes é de se perguntar se ainda há algo de novo a explorar dentro desse universo literário. Para fugir do lugar comum os roteiristas inovaram em dois aspectos básicos. No primeiro procuraram valorizar a figura do personagem Igor. Para quem não se lembra ele era o assistente corcunda do Dr. Frankenstein, sempre se arrastando pelas sombras de seu laboratório sinistro. Na grande maioria das versões sua importância era bem secundária. Aqui ele ganha quase o foco principal, até porque é interpretado pelo ator Daniel Radcliffe (o eterno Harry Potter). O outro ponto que merece destaque é a batalha intelectual e de fé que se trava entre o Dr. Victor Frankenstein (James McAvoy) e o inspetor da Scotland Yard, Turpin (Andrew Scott). O primeiro não acredita em Deus e está plenamente convencido de que irá criar vida a partir de restos de corpos de pessoas mortas. Seu ateísmo vibra com essa possibilidade, pois seria o triunfo da ciência sobre a religião. O segundo é um policial com bastante religiosidade, que acredita sinceramente que o Dr. Frankenstein está infringindo as leis de Deus, criando por suas próprias mãos a vida humana.

A produção é excelente, com maravilhosa direção de arte. É importante chamar a atenção para o fato de que tentou-se recriar todos os cenários e reconstituições históricas dos filmes clássicos da Universal (inclusive no que diz respeito ao design da criatura). Assim Londres surge mais vitoriana (e sombria) do que nunca. De forma em geral gostei do filme. Reconheço que há exageros, principalmente nas cenas de maior movimentação e ação, claramente para satisfazer o gosto do público mais jovem que frequenta os cinemas atualmente, mas nem esse pequeno deslize desmerece o filme como um todo. O fato de Igor ter tanta visibilidade também não me aborreceu em absolutamente nada. Acredito que velhas estórias de terror como essa (e até mesmo Drácula) merecem passar por remodelações de vez em quando, desde que a essência principal do enredo original seja preservada. Foi o que aconteceu nessa produção. Manteve-se todo o background histórico com algumas pontuais modificações (como por exemplo o passado dramático e traumático do Dr. Frankenstein e a morte precoce de seu irmão, Henry). Releve tudo isso. O importante é que se trata de uma boa versão, com eventuais pequenas falhas que não atrapalham em nada. Vale o ingresso.

Victor Frankenstein (Victor Frankenstein, Estados Unidos, 2015) Direção: Paul McGuigan / Roteiro: Max Landis, baseado na obra de Mary Shelley / Elenco: Daniel Radcliffe, James McAvoy, Jessica Brown Findlay, Andrew Scott / Sinopse: Victor Frankenstein (McAvoy) é o filho de um renomado médico britânico. Estudante de medicina, ele resolve fazer experiências com pedaços de corpos de animais, tentando trazê-los de volta à vida com o uso de eletricidade. Depois de uma experiência bem sucedida envolvendo um macaco ele parte para a maior criação de sua carreira: a criação de vida humana através de corpos de pessoas mortas.

Pablo Aluísio. 

Tubarão 3

Título no Brasil: Tubarão 3
Título Original: Jaws 3-D
Ano de Produção: 1983
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Joe Alves
Roteiro: Peter Benchley, Richard Matheson
Elenco: Dennis Quaid, Louis Gossett Jr, Bess Armstrong, Simon MacCorkindale
  
Sinopse:
Em um luxuoso parque aquático, o Sea World, um desaparecimento começa a preocupar os administradores, até que eles descobrem existir um terrível perigo ali mesmo em seus enormes aquários. Ao que tudo indica um enorme tubarão branco está de volta para reiniciar seu ciclo de matanças e mortes, um verdadeiro assassino dos oceanos. Filme indicado ao Framboesa de Ouro nas categorias de Pior Filme, Pior Roteiro, Pior Direção e Pior Ator Coadjuvante (Louis Gossett Jr).

Comentários:
Steven Spielberg havia recusado a tentação de dirigir "Tubarão 2" porque em sua visão aquela era uma história bem fechada em si mesmo. O arco se completava no primeiro filme, não era necessário novas sequências. A questão porém é que a Universal tinha outros planos. Entre eles ressuscitar a franquia, obviamente esperando lucrar muito com isso. Para tornar tudo ainda mais comercial resolveu-se apostar novamente na tecnologia 3D que havia sido deixada de lado desde os anos 50. Esse novo 3D dos anos 80 porém em pouco se assemelha ao que vemos hoje em dia nos cinemas. Era algo bem mais primitivo, onde se distribuíam pequenos óculos de plástico, uma lente vermelha de um lado e outra azul do outro lado. Uma coisa bem tosca que só servia para infernizar a vida do espectador porque no final das contas tudo ficava tão escuro que você não conseguia enxergar absolutamente nada! Imagine o desconforto! Some-se a isso um filme bem ruim e você terá o quadro de terror completo - tanto do ponto de vista da qualidade do filme em si, como da péssima experiência que o 3D dos anos 80 proporcionava a você! O horror, o horror...

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Começar de Novo

Título no Brasil: Começar de Novo
Título Original: Backwards
Ano de Produção: 2012
País: Estados Unidos
Estúdio: 13th Night Productions
Direção: Ben Hickernell
Roteiro: Sarah Megan Thomas
Elenco: Sarah Megan Thomas, James Van Der Beek, Glenn Morshower
  
Sinopse:
O sonho de Abi Brooks (Sarah Megan Thomas) sempre foi se tornar campeã olímpica de remo. Quando é selecionada para a equipe de Remo dos Estados Unidos ela fica extremamente empolgada e feliz, mas logo após se decepciona ao saber que apenas ficará no banco durante a competição. Decepcionada com as escolhas do treinador, decide abandonar tudo, resolvendo voltar para a casa da mãe. Com trinta anos e desempregada, ela pede ajuda ao treinador da escola local, Geoff (James Van Der Beek), que foi seu namorado nos tempos de adolescente. Ele lhe arranja um emprego e assim Abi começa a treinar um grupo de garotas colegiais que aos poucos vão se tornando bastante promissoras no esporte.

Comentários:
Um bom draminha que foca seu enredo nessa protagonista Abi (Thomas), que direcionou toda a sua vida para se tornar uma campeã olímpica. Os anos passaram e agora, aos 30 anos, ela vê seu sonho ruir ao ser deixada de lado pelo treinador da equipe americana de remo. Depois da decepção precisa recomeçar sua vida, até porque sua mãe agora está em seu pé para que arranje logo um emprego e tome um rumo definitivo na vida. A questão é que Abi ama o que faz, sempre quis ser atleta e não consegue se ver fazendo outra coisa na vida. Tentando se manter enquanto pensa em alguma outra coisa para fazer na vida ela reencontra casualmente um velho amor do passado, Geoff (Van Der Beek), que pode ser a resposta para todos os seus problemas, tanto profissionais como emocionais. Ele foi seu namoradinho na época da escola e agora reencontrá-lo mexe com ela que afinal de contas está meio perdida na vida, morando com a mãe e sem nenhum relacionamento amoroso mais sério pela frente. Não há nenhum nome mais conhecido no elenco a não ser o do ator James Van Der Beek que você vai imediatamente reconhecer da série popular nos anos 90 "Dawson's Creek" onde ele interpretava justamente o personagem principal Dawson Leery. A atriz Sarah Megan Thomas que interpreta Abi Brooks é também a autora do roteiro, já que a ideia do filme foi um projeto bem pessoal dela. O roteiro assim se concentra no remo, um esporte até que bem conhecido e praticado no Brasil, mas não muito popular entre o povão em geral. Não existe nenhuma cena mais marcante, o filme é na média e se contenta em contar uma boa história de superação e perseverança pois Abi acaba conquistando seus sonhos mesmo que por caminhos tortuosos e indiretos. Aliás uma das frases do filme resume muito bem todo o caminho percorrido por ela, ao aconselhar sempre seguir o seu coração nas escolhas da vida. Essa boa mensagem acaba sendo o grande triunfo do filme como um todo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 23 de março de 2016

A Hora do Pesadelo 3 - Os Guerreiros dos Sonhos

Título no Brasil: A Hora do Pesadelo 3 - Os Guerreiros dos Sonhos
Título Original: A Nightmare on Elm Street 3 - Dream Warriors
Ano de Produção: 1987
País: Estados Unidos
Estúdio: New Line Cinema
Direção: Chuck Russell
Roteiro: Wes Craven, Bruce Wagner 
Elenco: Heather Langenkamp, Robert Englund, Craig Wasson
  
Sinopse:
Sobreviventes do psicopata Freddy Krueger (Robert Englund), que ataca suas vítimas em seus próprios sonhos, aprendem a lidar e lutar contra o monstro em seu próprio campo de batalha, a mente de jovens indefesos. Filme vencedor do Festival Fantasporto na categoria de Melhor Direção. Também indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films nas categorias de Melhor Filme de Terror, Melhor Ator Coadjuvante (Robert Englund) e Melhor Maquiagem (equipe formada por Kevin Yagher, Mark Shostrom e R. Christopher Biggs). 

Comentários:
Bom, o show não pode parar. Assim a New Line colocou no mercado o terceiro filme do famoso psicopata Freddy Krueger (que mais uma vez seria interpretado com maestria pelo bom ator Robert Englund - um sujeito que nem precisava de maquiagem para parecer ameaçador). No elenco também uma curiosidade e tanto, a presença de uma jovem Patricia Arquette no papel de Kristen Parker. O roteiro foi novamente escrito por Wes Craven que, anos depois, confessaria que não havia gostado do que ele próprio havia escrito e que por isso havia indicado ao estúdio o nome do jovem diretor Chuck Russell. Esse acabou sendo seu primeiro filme em uma carreira que depois despontaria com filmes de sucesso como "O Máskara", "Queima de Arquivo" e "O Escorpião Rei". Inteligente e inventivo o diretor ousaria até mesmo a rodar um remake inspirado nos antigos filmes Sci-fi dos anos 1950 intitulado "A Bolha Assassina". Com um orçamento de 4 milhões e meio de dólares ele aqui dirigiu um bom filme da franquia Krueger, embora tenha também sofrido algumas críticas por causa do ritmo oscilante do filme, ora excessivamente rápido, ora se arrastando em lerdeza. De uma maneira ou outra para quem curtia Freddy Krueger não havia mesmo maiores problemas para reclamar. É um bom terror com a cara dos anos 1980.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Missão: Impossível / Hackers

Missão: Impossível
Tom Cruise era apenas um jovem garoto quando curtia a série de TV "Missão: Impossível" na década de 60. Os anos passaram e ele virou um astro do cinema. Vendo que poderia ser um bom investimento acabou comprando os direitos autorais da série original por uma pechincha. Claro que Cruise estava visando ter sua própria franquia de sucesso, algo que ele realmente conseguiu transformar em um grande sucesso de bilheteria. Todos os filmes foram grandes êxitos comerciais e o mais interessante de tudo: não houve uma queda acentuada de qualidade entre um filme e outro. Ao longo da franquia Cruise manteve-se no posto de astro principal dos filmes e atuou também como produtor, trocando os diretores e roteiristas que lhe pareciam mais adequados. O resultado, se não chega a ser excepcional, mantém uma eficiência absoluta. É cinema pipoca por excelência. Nesse primeiro filme ainda há a preocupação de se apresentar os agentes e sua organização aos espectadores (que obviamente eram jovens demais para conhecer a série original). Uma vez explicado tudo, começa a ação - que não cessa mais até os letreiros finais. O maior interesse para os cinéfilos em geral vem da presença do diretor Brian De Palma. Eu o considero um dos grandes cineastas de sua geração, até mesmo quando aceitou participar de filmes mais comerciais como esse, onde seu lado autoral foi meio que deixado de lado para a criação de um genérico de puro entretenimento de massas. Brian De Palma realizou um filme esteticamente bonito de se ver, com excelentes cenas de ação e um roteiro redondinho que nunca perde o ritmo. Exatamente o que queria Tom Cruise. O resultado assim se mostra bastante satisfatório. / Missão: Impossível (Mission: Impossible, EUA, 1996) Direção: Brian De Palma / Roteiro: Bruce Geller, David Koepp / Elenco: Tom Cruise, Jon Voight, Emmanuelle Béart.

Hackers - Piratas de Computador
Ficção B que contava em seu elenco com uma jovem Angelina Jolie. Na época ninguém sabia quem ela era, a não ser o referencial mais óbvio, o de ser filha do ator Jon Voight. O curioso é que o relacionamento entre pai e filha nunca foi bom e só piorou com o tempo. Hoje em dia mal se falam, fruto talvez do fato de que ambos sempre tiveram personalidades fortes e explosivas. Mas enfim, deixemos esse quadro familiar de lado. "Hackers" foi até bastante badalado pela crítica e público quando chegou nas locadoras de vídeo nos anos 90. Sim, o filme nunca foi lançado nos cinemas brasileiros. Era uma daquelas típicas produções que chegavam por aqui diretamente em Home Vídeo. Geralmente esse tipo de filme pequeno tinha que contar com uma certa propaganda boca a boca para dar certo ou chamar a atenção. Nesse caso até que houve uma certa reação nesse sentido, mas a pura verdade dos fatos é que o filme nunca chegou a decolar muito. No enredo adolescente um jovem conseguia criar um código de computador que colocava em risco todo o sistema de segurança dos Estados Unidos. Preso pelo governo e julgado pela justiça ele é banido do mundo da informática até que completasse 18 anos de idade. Durante esse tempo jamais poderia chegar perto de um computador. Alguns meses depois ele descobre que há um novo vírus na rede. Ao lado de um grupo de amigos tão hackers e viciados como ele resolve encarar uma verdadeira guerra cibernética. É isso, nada de muito especial. Esse tipo de filme fica logo datado já que a tecnologia costuma passar por cima de tudo o que se vê na tela depois de alguns poucos anos. Os computadores que se vê no filme, por exemplo, são verdadeiros dinossauros se comparados com a tecnologia atual. / Hackers - Piratas de Computador (Hackers, EUA, 1996) Direção: Iain Softley / Roteiro: Rafael Moreu / Elenco: Jonny Lee Miller, Angelina Jolie, Jesse Bradford.

Pablo Aluísio.

Olhos Famintos

Título no Brasil: Olhos Famintos
Título Original: Jeepers Creepers
Ano de Produção: 2001
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists, American Zoetrope
Direção: Victor Salva
Roteiro: Victor Salva
Elenco: Gina Philips, Justin Long, Jonathan Breck
  
Sinopse:
Retornando para casa durante as férias de primavera, os irmãos Darry e Patricia Jenner testemunham a aparição de uma criatura bem sinistra que parece ir até um túnel sombrio. O fato os deixam curiosos e eles decidem ir até aquele local para investigar do que se trata. É um esconderijo perturbador, com seres estranhos e bizarros. Agora eles também entendem que são as próximas vítimas, pois o estranho ser começa a ir atrás deles por terem sido tão bisbilhoteiros. Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films na categoria de Melhor Terror.

Comentários:
A fórmula pode até ser considerada batida e saturada, mas depois que você termina de assistir a "Jeepers Creepers" acaba descobrindo que ela ainda pode funcionar. Filmes de monstros nasceram com o próprio surgimento do cinema e nunca mais deixaram de fazer sucesso. Aqui temos um filme típico desse sub-gênero. Não há nada de espetacular no roteiro desse terror, a não ser o fato de que os escritores conseguiram revitalizar velhas situações, dando a impressão (nada mais do que mera impressão, é bom frisar) de que se tratava de algo novo. Brincando com o subconsciente do americano médio, que muitas vezes veio do meio-oeste, onde existem extensas fazendas e plantações, os diretores de arte criaram uma criatura monstruosa que remete aos velhos espantalhos dessas regiões. O efeito é obviamente eficiente, embora como gosto de salientar, nada muito original. Mesmo assim é um filme bacaninha para assistir numa noite entediada, sem nada mais interessante para fazer. A direção foi entregue a Victor Salva, que já havia chamado a atenção dos fãs de filmes Sci-fi antes com o estranho, mas interessante, "Energia Pura" de 1995. Depois do sucesso de "Olhos Famintos" ele ainda rodaria sua sequência, "Olhos Famintos 2" em 2003. E quem acha que a franquia não vai mais em frente é bom saber que o estúdio já anunciou agora para 2015 sua nova continuação, com o título de "Jeepers Creepers 3: Cathedral". Pelo visto essa estranha criatura ainda terá vida longa no cinema.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu

Nova York - Terra de Ninguém

Título no Brasil: Nova York - Terra de Ninguém
Título Original: The Park Is Mine
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: CBS / Fox / Home Box Office (HBO)
Direção: Steven Hilliard Stern
Roteiro: Lyle Gorch, Stephen Peters
Elenco: Tommy Lee Jones, Helen Shaver, Yaphet Kotto

Sinopse:
Um veterano da Guerra do Vietnã resolve tomar literalmente de assalto o Central Park em Nova Iorque, como um ato de revolta e protesto contra a forma como os veteranos são tratados pela sociedade após seu retorno do campo de batalha para casa. Arma-se então uma verdadeira operação de guerra para tirar o ex-combatente do local. Apenas os fortes conseguirão sobreviver.

Comentários:
Sempre achei curioso esse filme, principalmente agora depois que Tommy Lee Jones teve uma carreira tão produtiva e bem sucedida, trabalhando bem em diversos gêneros cinematográficos. Na época em que esse filme foi produzido havia uma tentativa de enquadrá-lo em filmes de ação, tal como se fosse uma versão com menos músculos e mais capacidade de atuar do que o ídolo máximo do estilo Arnold Schwarzenegger. O tempo provaria que não era bem por aí. "The Park Is Mine" (literalmente "O Parque é Meu") é um telefilme produzido por Fox e CBS que trazia mais uma vez um enredo versando sobre um veterano do Vietnã que literalmente perde o controle sobre seus atos e ações, assumindo uma posição ameaçadora para a sociedade americana - de certa forma o alto número de ex-soldados que voltavam do front de guerra com problemas psicológicos e mentais acabava corroborando esse tipo de reação de medo do povo americano em geral. Um dos maiores atrativos do filme vem da presença do sempre competente Tommy Lee Jones, encarnando toda a paranoia e patriotismo ufanista dos anos Reagan. Considero uma produção muito bem feita, apesar de ter sido realizada originalmente para a TV. Talvez por isso tenha sido lançada no mercado de vídeo no Brasil pelo selo Abril Vídeo. Uma produção tão bem realizada que ninguém nota que se trata de um telefilme no final das contas. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.