sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Bates Motel

O famoso personagem Norman Bates agora chega na TV. Imortalizado por Alfred Hitchcock no filme "Psicose" o perturbado psicopata agora ganha sua própria série. O interessante aqui é a chance que temos de acompanhar os primeiros anos da complicada relação entre Norman e sua mãe. Viúva, ela decide comprar um motel de beira de estrada numa execução judicial pois o antigo dono perdeu o lugar por não pagar a hipoteca para o banco. O empreendimento não parece muito promissor mas como ela e o filho não tem mesmo para onde ir resolvem arriscar. O cenário mantém a mesma caracterização que Hitchcock usou em seu famoso filme com os quartos decadentes embaixo e a velha casa no alto da pequena colina. Norman Bates é apenas um adolescente de 17 anos, tímido e com vontade de conhecer novos amigos na cidade. Sua mãe não é uma megera como muitas vezes pensamos ao ver os filmes no cinema, mas sim uma mulher relativamente normal que tenta levar de alguma forma em frente sua família após a morte do pai de Norman. Existe até mesmo um filho mais velho chamado Dylan.

O ator que interpreta Norman Bates é o jovem Freddie Highmore (o garotinho de "Em Busca da Terra do Nunca" e "A Fantástica Fábrica de Chocolate", entre outros). Gostei de sua caracterização, pois ele nos traz um Norman Bates já com sinais que o fariam famoso no cinema. Levemente incomodado, tímido, sem jeito de lidar com as demais pessoas. Já sua mãe, Norma Louise Bates, é interpretada pela sempre competente  Vera Farmiga, atriz de extenso currículo incluindo "Amor Sem Escalas" e "Os Infiltrados". Ela como tantas outras estrelas de cinema também está tentando emplacar em séries de TV uma vez que esse mercado está cada vez mais atrativo para os atores que antes só brilhavam nas marquises das salas de exibição. O primeiro episódio de "Bates Motel" já antevê aos espectadores o que vem por aí. O pai de Norman está no porão, esfaqueado e morto (o roteiro não dá maiores detalhes sobre o que de fato aconteceu). Depois já vemos mãe e filho chegando em um velho motel para recomeçarem suas vidas. Embora comecem a se dar bem com os moradores da região um fato desagradável ocorre. O antigo proprietário vem tomar satisfações da família Bates pois não aceita que o lugar, que pertencia ao seu avô, fosse cair nas mãos de Norman e sua mãe. O que acontece a seguir já dá amostras do que virá pela frente. Enfim, fica a dica desse "Bates Motel", mais uma série interessante para se acompanhar na telinha.

Bates Motel (Idem, EUA, 2013) Criado por Anthony Cipriano / Direção: Tucker Gates / Roteiro: Robert Bloch, Anthony Cipriano, Carlton Cuse / Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot / Sinopse: Prequel da famosa franquia "Psicose" do cinema. Aqui Norman Bates (Highmore) e sua mãe (Farmiga) chegam numa isolada região para assumir seu próprio negócio familiar, o Bates Motel.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O Sexto Dia

Adam Gibson (Arnold Schwarzenegger) parece ter uma vida perfeita. É bem casado, tem uma linda filha e trabalha no que gosta: viagens de turismo em alpes congelados para turistas endinheirados. Vivendo em um futuro próximo ele vê sua vida dar uma guinada após perceber que foi clonado! Ao chegar em casa depois de mais  um dia de trabalho ele percebe que há um clone perfeito seu em sua festa de aniversário! Desnorteado, sem saber o que aconteceu ele começa a juntar as peças do quebra cabeças para compreender a nova e terrível situação pela qual passa! "O Sexto Dia" é mais uma ficção na filmografia de Arnold Schwarzenegger. Aqui o roteiro vai fundo investindo na questão da clonagem humana. Seu personagem vive em um mundo onde a clonagem já se tornou corriqueira - animais de estimação são clonados em menos de duas horas em lojas especializadas para evitar que as crianças fiquem traumatizadas com suas mortes! Existe uma lei em vigor chamada "Lei do Sexto Dia" que proíbe a clonagem em seres humanos mas como sempre acontece um cientista, o Dr. Griffin Weir (Robert Duvall), avança nesse campo sem se importar com questões legais, afinal de contas ele é patrocinado por um rico executivo que usa a clonagem como forma de imortalidade. 

"O Sexto Dia" foi lançado no auge da polêmica da clonagem da ovelha Dolly. Como Hollywood não perde tempo logo aproveitou-se um pouco do debate que estava sendo feito na época para faturar mais nas bilheterias. O resultado porém é bem sem sal. Arnold Schwarzenegger acaba tendo que contracenar com Arnold Schwarzenegger - imaginem só! - pois seu clone acaba surgindo no meio da trama. Obviamente que uma situação dessas daria pano para explorar inúmeras possibilidades dentro da estória mas o roteiro é fraquinho e não vai muito adiante nesse aspecto. Ao invés de discutir questões éticas sobre clonagem humana "O Sexto Dia" prefere investir em uma sucessão de cenas de ação sem grande impacto. Aliás se um filme como esse não consegue nem mesmo atrair o espectador pela qualidade das cenas de ação então não sobra muita coisa para salvar a produção. O diretor Roger Spottiswoode parece estar no controle remoto não conseguindo alcançar o impacto desejado. Some a isso efeitos digitais que hoje parecem bem datados e ultrapassados e você terá um dos mais fracos momentos do ator Arnold Schwarzenegger no cinema.

O Sexto Dia (The 6th Day, EUA, 2000) Direção: Roger Spottiswoode / Roteiro: Cormac Wibberley, Marianne Wibberley / Elenco: Arnold Schwarzenegger, Michael Rapaport, Tony Goldwyn / Sinopse: No sexto dia da criação Deus criou o homem. Agora, com o avanço tecnológico o próprio homem, com o uso da clonagem, também pode criar cópias de si mesmo. É justamente isso que o piloto Adam Gibson (Arnold Schwarzenegger) acaba descobrindo da pior maneira possível.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Grande Gatsby

Anos 1920. Nick Carraway (Tobey Maguire) se forma na universidade de Yale e vai até Nova Iorque com o sonho de um dia tornar-se um grande escritor. Enquanto não escreve o livro que mudará sua vida resolve arranjar um emprego na bolsa de valores da cidade. Morando no outro lado da baía ele acaba ficando curioso sobre o seu vizinho, um milionário recluso e misterioso chamado Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio). Todas as semanas Gatsby dá grandes festas em sua enorme mansão, em eventos que acabam atraindo todos os tipos de pessoas de Nova Iorque, desde figurões, políticos, estrelas de cinema até gangsters ou qualquer um que queira diversão barata e em larga escala. Apenas Gatsby permanece envolto em uma sombra de mistério nesse clima de grande euforia. Isso faz com que vários boatos sejam espalhados sobre ele como a de que seria um espião alemão, um assassino famoso ou um representante do Kaiser. Nada disso porém se confirma. Intrigado pela curiosidade Nick então resolve conhecer a misteriosa figura. Convidado a uma das festas de Gatsby ele acaba entrando no mundo muito particular do milionário esbanjador e descobre, para sua surpresa, que ele tem especial interesse por sua prima, a doce e mimada Daisy Buchanan (Carey Mulligan), que mora do outro lado da baía. Casada com um herdeiro rico e rude, mal desconfia Nick que ela e Gatsby tem um passado em comum.

Aqui temos a mais nova adaptação para o cinema do famoso livro "O Grande Gatsby" escrito pelo genial F. Scott Fitzgerald. O texto é considerado uma das maiores obras primas da literatura mundial, tendo sido adaptado pelo cinema algumas vezes, sendo a mais conhecida a adaptação feita nos anos 70 com Robert Redford no papel principal. Essa nova incursão no universo de F. Scott Fitzgerald porém se mostra bem decepcionante. O diretor Baz Luhrmann (de "Moulin Rouge", "Austrália" e "Romeu + Julieta") imprime um ritmo um tanto histérico ao enredo, algo que não condiz com as intenções do autor original que sempre se mostrou muito fino, elegante e charmoso ao contar sua estória. E esse é um dos principais problemas dessa nova versão. Falta justamente essa elegância, esse mistério que é tão conhecido dos leitores de F. Scott Fitzgerald. Tentando modernizar o texto para agradar ao público jovem de hoje o cineasta perdeu a própria essência do livro original. Luhrmann tem à sua disposição uma produção luxuosa mas comete pecados em série. Em um deles imprime um ritmo frenético, tolo muitas vezes, para as situações. Também usa e abusa de computação gráfica, o que torna o filme artificial e sem veracidade. Por falar em ambientação histórica o cineasta querendo adotar uma postura moderninha inseriu várias canções atuais no meio do enredo, ignorando a rica música da época em detrimento de canções pop sem qualquer relevância. Para piorar o elenco também não está bem. Leonardo DiCaprio imprime ao seu Gatsby uma postura equivocada, onde sai o charme misterioso do personagem original para dar espaço a um inconsequente falastrão. Deu saudades de Robert Redford certamente. Carey Mulligan que sempre considerei uma boa atriz também não conseguiu passar para a tela as nuances psicológicas que movem Daisy. Outra coisa que dá nos nervos é a forma como Baz Luhrmann trata o espectador. Ele se propõe a contar todos os mínimos detalhes da trama em flashbacks desnecessários e bobinhos que nos levam a pensar que ele está convencido que o público que está vendo o filme é na verdade bem idiota para entender a trama. Enfim, temos aqui uma nova versão de Gatsby que ficou pelo meio do caminho, perdido em suas pretensões. Sempre fui da opinião de que se vai adaptar um grande livro para o cinema que o faça direito! Infelizmente não é o caso desse filme.

O Grande Gatsby (The Great Gatsby, EUA, 2013) Direção: Baz Luhrmann / Roteiro: Baz Luhrmann, Craig Pearce, baseados na obra de F. Scott Fitzgerald / Elenco: Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire, Carey Mulligan, Joel Edgerton, Steve Bisley / Sinopse: Jovem aspirante a escritor, Nick (Maguire) acaba ficando fascinado pelo figura de seu vizinho, um milionário de passado misterioso chamado Gatsby (DiCaprio). Após uma aproximação ele acaba descobrindo que o ricaço tem um passado em comum com sua prima, Daisy (Mulligan).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Marilyn Monroe - Gold Collection

Todos conhecem a atriz Marilyn Monroe mas nem todos conhecem a cantora Marilyn Monroe. Claro que para muitos Marilyn era apenas uma garota esforçada que não fazia feio nos números musicais de seus filmes. Agora seu talento vocal está sendo redescoberto, principalmente nos Estados Unidos, onde vários álbuns foram lançados nos últimos anos reunindo as faixas gravadas por ela. Entre os títulos eu destaco esse "Marilyn Monroe - Gold Collection" que traz mais de vinte canções gravadas por Marilyn Monroe nos estúdios da Fox e Columbia. Além dos CDs o fã de Marilyn ainda é presenteado com inúmeras fotos e encadernação de luxo. A aproximação de Monroe com o mundo da música começou quando os diretores de estúdio perceberam que ela não tinha uma formação artística completa. No mercado americano para ser considerado um ator completo o profissional tem que dominar não apenas a arte da interpretação mas da dança e da música também, mesmo que em relação a esses últimos sejam necessários muitas vezes apenas os conhecimentos básicos. Assim Marilyn foi designada para estudar canto com o jovem maestro Fred Karger. Embora fosse um talento em sua área Karger tinha apenas 32 anos quando começou a dar aulas a Marilyn o que facilitou bastante a aproximação. Sua primeira providência foi dar uma pilha de discos de vinil da cantora Ella Fitzgerald para ela ouvir atentamente em casa. Parece que deu certo.

Pelo que ouvimos aqui nesses registros Marilyn sem dúvida aprendeu bem a lição. Com uma voz terna, suave, mas bem colocada, a atriz consegue ótimos resultados, com destaque para a sensual (e ao mesmo tempo melancólica) "Fine Romance". Outro excelente momento é "Kiss", uma das faixas mais sexys que já ouvi em minha vida. Brincando com sua própria imagem de loira fatal e mito sexual, Marilyn também esbanja charme e ousadia em "Do It Again". O curioso em ouvir Marilyn cantando é perceber que mesmo ela não tendo um excepcional talento vocal conseguia passar por cima de tudo isso levando o ouvinte a ter uma boa sensação em ouvir suas gravações. Isso me lembrou bastante da definição do diretor Billy Wilder que descrevendo Marilyn disse que ela era uma "Amadora profissional". E por mais incrível que isso possa parecer é nisso justamente que se concentra uma das maiores virtudes da Marilyn Monroe cantora, pois a sensação que temos ao ouvi-la é a mesma que teríamos se a estivéssemos ouvindo cantando despreocupadamente em sua casa, enquanto fazia os afazeres diários. Ela nunca soa forçada ou tensa, pelo contrário, ela sempre surge muito natural cantando as músicas. Também é uma pena que Marilyn nunca tenha pensado em levar esse seu lado musical mais à sério. O fato é que ela cantava apenas se isso fosse necessário aos seus filmes. A atriz nunca viu a música como um instrumento valioso em si mesmo. De qualquer forma se tiver a oportunidade não deixe de procurar conhecer esse seu lado tão interessante. Afinal ouvir um dos maiores mitos da história do cinema soltando a voz é além de algo bem raro também muito gratificante.

Marilyn Monroe - Gold Collection (1998)
Ladies Of The Chorus / Anyone Can See I Love You / Every Baby Needs A Da-Da- Daddy / Do It Again / Kiss / She Acts Like A Woman Should / Fine Romance / Two Little Girls From Little Rock / When Love Goes Wrong / Bye Bye Baby / Diamonds Are A Girl's Best Friend / You'd Be Surprised / One Silver Dollar / I'm Gonna File My Claim / River Of No Return / Down In The Meadow / After You Get What You Want / Heatwave / Man Chases A Girl / Lazy / There's No Business Like Show Business / Rachmaninov & Chopsticks / That Old Black Magic / I Found A Dream / When I Fall In Love / Love Happy / Royal Triton Tv Commercial / Marilyn Best Actress / Edgar Bergen / Bye Bye Baby / Diamond's Are A Girl Best Friend (reprise) / Something's Got To Give / Happy Birthday Mr President.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Dublê de Corpo

Fazia bastante tempo que tinha assistido pela última vez a esse "Dublê de Corpo". Pensei até que não iria me lembrar de nada mas conforme fui vendo o filme a memória foi voltando. Essa película faz parte da fase mais inspirada da carreira de Brian De Palma. Suas intenções são facilmente entendidas, principalmente para os amantes da sétima arte. O roteiro se torna muito interessante para os cinéfilos por essa razão. O argumento sem dúvida é muito bom e brinca bastante com inúmeras referencias cinematográficas - em especial com os filmes de Alfred Hitchcock. O voyeurismo é claramente inspirado no clássico "Janela Indiscreta" e a trama é bem parecida com a de "Disque M para Matar". Eu sempre vi essa produção como uma grande e bela homenagem do diretor De Palma ao imortal mestre do suspense. O enredo mostra as dificuldades de um ator de filmes B em levar adiante sua carreira, cada vez mais apagada. Frustrado na vida profissional ele acaba desenvolvendo um fetiche em espionar uma mulher do apartamento vizinho ao seu. Ela também parece notar o interesse do vizinho bisbilhoteiro pois não se faz de tímida em ficar nua todas as noites na janela de seu quarto.

O que parecia ser um ato voyeur sem maiores consequências acaba desencadeando uma série de problemas pois o ator começa a desconfiar que a mulher alvo de suas espiadas noturnas na realidade corre sério risco de vida. Ele então decide seguir todos os passos dela, se vendo cada vez mais inserido dentro de uma complicada rede de mistérios e assassinatos no mundo da indústria adulta americana. Revelar mais seria equivocado de nossa parte pois esse é aquele tipo de filme que quanto menos se souber de antemão, melhor. Claro que aquele que vai assistir pela primeira vez irá se divertir muito mais uma vez que o roteiro aposta na surpresa para capturar o espectador de jeito. Para quem já viu, como eu, também não deixa de ser curioso rever um filme do mestre De Palma, no auge de sua criatividade artística. Pena que depois de uma década de bons filmes o diretor tenha entrado em franca decadência. Certa vez li um artigo em que o autor defendia a tese de que qualquer cineasta só tem no máximo uma década de auge criativo, decaindo logo após. Infelizmente o grande Brian De Palma parece confirmar essa teoria. De qualquer maneira se ainda não conhece não deixe de ver. É um dos melhores suspenses da década de 80, sem a menor sombra de dúvida.

Dublê de Corpo (Body Double, EUA, 1984) Direção: Brian De Palma / Roteiro: Robert J. Avrech, Brian De Palma / Elenco: Craig Wasson, Melanie Griffith, Gregg Henry, Deborah Shelton, Guy Boyd / Sinopse: Em clima de suspense o diretor Brian De Palma conta a estoria de um ator fracassado que ao espiar sua vizinha do apartamento ao lado acaba entrando numa intrigada rede de assassinatos e crimes.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - Elvis Gold Records Vol.4

O ano de 1968 começou para Elvis com o lançamento do disco Elvis Gold Records vol. 4. Essa era uma coletânea dos principais sucessos de Elvis que chegaram ao mercado através de singles no período compreendido entre 1960 a 1967 (com ênfase maior entre 63 a 66). Basicamente segue o mesmo espírito dos volumes anteriores. Ouvindo esse CD percebemos bem como Elvis estava em crise nesse período de sua carreira. Não há entre as faixas nenhum grande hit, nenhuma música campeã de popularidade. Ao contrário do volume 1, que era recheado de mega sucessos, do volume 2, que captou um ótimo momento da carreira rocker do cantor e do volume 3 que trazia os seus maiores sucessos logo após seu retorno à vida civil em 1960, o volume 4 consegue apenas reunir boas músicas, sem nenhum grande destaque, e o pior: sem ter sequer um número 1 para puxar o disco.

O CD abre com Love Letters, single de relativo sucesso lançado em 1966 (chegou ao sexto lugar nas paradas inglesas!). Essa versão não é a mesma que deu origem a um disco de Elvis do mesmo nome nos anos 70. É a mesma canção mas arranjada e executada de maneira completamente diversa. A versão original é bem melhor e sempre achei a versão de Elvis dos anos 70 desnecessária. Witchcraft vem logo a seguir. Até hoje não consegui entender o que essa música está fazendo aqui. Ela foi apenas o lado B do single Bossa Nova Baby e não fez sucesso nenhum quando foi lançada. Hit definitivamente ela nunca foi. O mesmo acontece com It Hurts Me. A canção é linda, mas nunca foi uma música digna do título de Gold Records. Ela foi lançada originalmente na discografia de Elvis como mero lado B do single Kissin Cousins e alcançou uma decepcionante 29ª posição! Não há como entender sua inclusão nesse disco.

Como esse período na carreira de Elvis foi marcado pelas trilhas sonoras, músicas de filmes não poderiam faltar. Assim temos What´D I Say de Viva Las Vegas e Lonely Man de Wild In The Country. São dois belos momentos da discografia de Elvis nos anos 60. O clássico absoluto de Ray Charles ganhou uma versão animada e com sabor pop na voz de Elvis, combinando perfeitamente com a proposta do filme e Lonely Man é seguramente uma das mais belas músicas de Elvis em sua fase Hollywoodiana, tanto pelo arranjo, como pela bela interpretação do cantor. Apesar de ter grandes méritos artisticos, nenhuma delas também foi grande sucesso na época de seus lançamentos. Lonely Man foi o lado B de Surrender (esse sim grande hit) e What`D I Say amargou uma 21ª posição nas paradas americanas.

O grande sucesso de todo o disco, se é que podemos qualificar assim, é realmente You´re The Devil In Disguise. O single, lançado em meados de 1963 chegou ao terceiro lugar nas paradas americanas, uma ótima posição para Elvis naquele momento. Como achar grandes hits estava complicado para os produtores que estavam selecionando as músicas desse disco resolveu-se acrescentar também o lado B do single, Please Don´t Drag That String Around. Percebam que no auge de Elvis, quando seus discos da série Golden Records eram lançados apenas com sucessos absolutos, seria impossível que uma canção como essa fosse incluída na seleção do repertório. Porém como Elvis estava em tempo de vacas magras ela foi sorrateiramente selecionada, mesmo sem ter feito sucesso nenhum.

O disco ainda conta com vários outros lados B: A Mess Of Blues (lado B do hit It´s Now Or Never) e Just Tell Her Jim Said Hello (lado B de She´s Not You). Duas músicas que só foram encaixadas porque, para ser sincero, não havia mais nenhum outro sucesso de Elvis para ser selecionado. O último single presente na coletânea é Ask Me / Ain´t That Loving Baby (essa um reaproveitamento dos anos 50). Apesar de ter chegado apenas a 12ª entre os mais vendidos ganhou seu espaço na série. Enfim, Elvis Gold Records vol. 4 é seguramente o mais fraco LP dessa série. É mal selecionado, equivocado e disperso, não fazendo jus ao espírito da série da qual faz parte. Também foi o último lançado na carreira do cantor (um quinto volume foi até inventado pela RCA, mas após a morte de Elvis).

Elvis Presley - Elvis Gold Records Vol. 4 (1968)
Love Letters
Whitcraft
It Hurts Me
What'd I Say
Please Don't Drag That String Around
Indescribably Blue
Devil in Disguise
Lonely Man
A Mess Of Blues
Ask Me
Ain't That Loving You Baby
Just Tell Her Jim Said Hello

Pablo Aluísio

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Gente Grande

Se você acha divertido ver um bando de maridos gordos e entediados com a vida de casado e um monte de esposas insuportáveis tirando onda deles e fofocando o tempo todo então o seu filme é esse "Gente Grande". Simplesmente não dá. Eu sei que o Adam Sandler tem seus fãs mas é complicado engolir mais uma comédia sem graça dele. Agora ele deixou de sempre interpretar o jovem meio idiota para fazer personagens de adultos meio idiotas. Não mudou muita coisa. O título desse filme poderia muito bem ser mudado de "Gente Grande" para "Gente Grande (e chata)" pois é bem por aí mesmo. Tudo é muito fraco, meio ao acaso, com uma sucessão de piadas que não funcionam. A impressão que se tem é que apenas o elenco é que está se divertindo, pouco ligando para o público, que fica ali vendo o filme indo para lugar nenhum. Provavelmente as pessoas simpatizam com a pessoa do Sandler, porque artisticamente ele sinceramente não tem nada a oferecer para ninguém. Só isso explica o fato de uma comédia sem graça como essa fazer sucesso de bilheteria e - pasmem! - ganhar uma continuação!!!

A estorinha do filme? Bom, não há muito o que contar. O roteiro mais parece uma sucessão de improvisações dos atores (todos amigos entre si na vida real) do que qualquer outra coisa. Tudo soa do tipo "vamos juntar um monte de gente chata e ver no que isso vai dar". Bom, obviamente boa coisa não saí de uma premissa dessas não é mesmo? Mas vamos lá... Após a morte de um querido treinador de basquete dos tempos de colégio cinco bons amigos daqueles anos resolvem se reunir no feriadão de quatro de julho (dia da independência dos EUA) para relembrar os bons e velhos tempos. Pronto, é praticamente apenas isso e nada mais. Após assistir fica a pergunta: alguma coisa se salva no final? Não, infelizmente praticamente nada! Para rir de casais chatos e sem graça não precisa pagar entrada de cinema, basta olhar ao lado - certamente você em sua vida conhece alguém assim, não é mesmo? Após ver filmes como esse o único conselho que posso deixar é não perca seu tempo. Desligue a televisão e vá ler um livro, ou procure outro filme para assistir, vai ser melhor para sua vida.

Gente Grande (Grown Ups, EUA, 2010) Direção: Dennis Dugan / Roteiro: Adam Sandler, Fred Wolf / Elenco: Adam Sandler, Salma Hayek, Kevin James, Chris Rock, David Spade, Rob Schneider, Steve Buscemi / Sinopse: Após a morte de um querido treinador de basquete dos tempos de colégio cinco bons amigos daqueles anos resolvem se reunir no feriadão de quatro de julho (dia da independência dos EUA) para relembrar os bons e velhos tempos.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Truque de Mestre

Quatro mágicos ilusionistas se encontram ao responderem a uma misteriosa convocação. Eles não sabem quem exatamente deseja entrar em contato com eles ou o que seu misterioso anfitrião pretende. Um ano depois o quarteto já se autodenomina Os Quatro Cavaleiros e estrelam um show de grande sucesso em Las Vegas. Numa noite em especial decidem realizar algo ousado e fora do comum. Eles prometem ao seu público que irão literalmente roubar um banco em Paris, mesmo sem saírem em nenhum momento do palco em Vegas. Impossível? Não para esses talentosos mestres da arte da magia (ou seria do truque?). Começa assim esse "Truque de Mestre", mais uma produção recente que explora o universo dos grandes mágicos nos EUA. No filme eles são representados por J. Daniel Atlas (Jesse Eisenberg), um especialista em cartas e ilusões, não necessariamente nessa ordem; Henley Reeves (Isla Fisher), ex-assistente de palco de Atlas; Merritt McKinney (Woody Harrelson) um "mentalista" que afirma ler o pensamento das pessoas e finalmente Jack Wilder (Dave Franco), um misto de mágico de rua e trombadinha.

Para desmascarar o grupo surge o ex-mágico Thaddeus Bradley (Morgan Freeman) que agora ganha a vida revelando ao público os grandes truques dos mágicos mais famosos dos EUA. No começo ele fica realmente intrigado com os Quatro Cavaleiros mas aos poucos vai descobrindo todos os seus mais secretos truques. Como as "mágicas" da trupe sempre envolvem dinheiro, bancos e roubos, eles logo caem na mira da polícia, onde o investigador Dylan Rhodes (Mark Ruffalo) tenta de todas as formas colocar as mãos nesses verdadeiros "artistas" da arte em desviar verdadeiras fortunas da noite para o dia. "Truque de Mestre" começa muito interessante. O roteiro aposta o tempo todo em uma trama inteligente, cheia de reviravoltas e surpresas para o espectador. O problema é que assim que os golpes vão sendo revelados a qualidade também decai. Acontece que as explicações são muito bobas, inverossímeis e sem nenhuma veracidade. O que parecia ser algo realmente inspirado vai aos poucos se revelando nada crível, forçado ao extremo. Certamente a produção tem bons momentos mas isso se dilui muito rapidamente. No elenco o destaque vai mais uma vez para Morgan Freeman. Basta sua presença para o espectador se esforçar mais em compreender tudo o que acontece. Pena que tanto estilo não esconda os inúmeros fios soltos que se sobressaem no desfecho do filme. Poderia ser muito melhor.

Truque de Mestre (Now You See Me, EUA, 2013) Direção: Louis Leterrier / Roteiro: Ed Solomon, Boaz Yakin / Elenco: Jesse Eisenberg, Mark Ruffalo,  Morgan Freeman, Michael Caine, Woody Harrelson, Isla Fisher, Dave Franco, Common / Sinopse: Quatro mágicos se unem e começam a aplicar grandes golpes em espetaculares shows em Las Vegas e Nova Iorque. A ousadia do grupo logo chama a atenção da polícia, do FBI e da Interpol.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Os Últimos Foras-da-Lei

Quem acompanha meus textos sobre cinema já deve ter percebido que gosto bastante do trabalho do ator Mickey Rourke. É curioso que Rourke tenha se dedicado durante uma certa época de sua carreira a realizar filmes de faroeste, como esse "Os últimos Foras-da-Lei". Rourke nunca foi um sujeito muito fácil de conviver, quando algo saía algo errado em seus filmes ele tomava satisfações sem medir as consequências. Até produtores poderosos viraram alvo de Rourke em seus anos mais complicados. Isso obviamente vai fechando as portas para o profissional por mais bem intencionado que seja. Assim na década de 1990 o ator sofreu uma época de maré baixa, onde pouca coisa lhe era oferecida no mundo do cinema. Como não havia muitas propostas vindas de Hollywood Rourke se voltou para a TV. E foi no canal HBO que ele começou a dar a volta por cima. A HBO como todos sabem não é um canal comum, pelo contrário, é um ótimo espaço para produção de séries e telefilmes realmente excepcionais. Basta lembrar do número de prêmios Globo de Ouro e Emmy que o canal já ganhou.

Assim Mickey Rourke foi para o velho oeste. Quem diria, um ator como ele que se destacou ao interpretar personagens tipicamente urbanos como o desiludido rebelde de "O Selvagem da Motocicleta" ou o executivo yuppie de Nova Iorque em "Nove Semanas e Meia de Amor" agora tendo que lidar com cavalos e a dureza na vida do campo. Rourke, um nova-iorquino nato, acabou tendo que se acostumar com a aridez e os vastos campos desérticos do Novo México (onde o filme foi rodado). Curiosamente anos depois ele diria em entrevistas que no final das contas adorou a experiência, afinal dar um tempo nos problemas, no ritmo frenético das grandes cidades e encarar um clima de interior, de simplicidade, acabou lhe fazendo muito bem. E o resultado do filme? Bom, "Os últimos Foras-da-Lei" certamente não é nenhum clássico do western mas também não é desprezível. Na verdade é um faroeste que tenta ser o mais realista e duro possível ao contar a trama envolvendo um grupo de criminosos sanguinários. Mickey Rourke, herdando de certa forma uma tradição do Actors Studio, adotou um figurino e uma aparência estranha, com bigodinho Fu-Manchu! Isso acaba trazendo ainda mais interesse ao filme. Infelizmente a HBO não tem mais reprisado o filme tanto quanto antes mas o fã de Rourke pode tentar achar uma cópia por aí já que ele foi lançado no mercado de vídeo e depois em DVD em nosso país. Assim fica a dica, Mickey Rourke no velho oeste! Vai encarar?

Os últimos Foras-da-Lei (The Last Outlaw, EUA, 1993) Direção: Geoff Murphy / Roteiro: Eric Red / Elenco: Mickey Rourke, Dermot Mulroney, Ted Levine / Sinopse: Um grupo de criminosos no velho oeste semeia violência e mortes por onde passa!

Pablo Aluísio e Jùlio Abreu.

Sexta-Feira 13

No começo da década de 80 surgiu nos cinemas um filme que marcaria época nos anos seguintes, dando origem a uma das mais longas e produtivas franquias da história do cinema americano. Era "Sexta-Feira 13", o primeiro do que seria uma fila sem fim de produções usando como personagem principal o psicopata imortal Jason (uma miscelânea de vários serial killers da vida real com seus problemas emocionais, afetivos tudo desembocando para uma explosão de violência insana e sem sentido). Como não poderia deixar de ser tudo começa numa sexta-feira 13 de 1958. Em um acampamento de verão localizado na bonita região de Crystal Lake um casal de namorados é morto de forma misteriosa. Assim que a notícia se espalha o local ganha fama de amaldiçoado pelos moradores da região. Vinte anos depois um sujeito sem noção tem a péssima ideia de reabrir o local, dando reinicio a muitas mortes em série. É curioso perceber que um filme como "Sexta-Feira 13" não teria espaço em um grande estúdio de Hollywood se fosse lançado algumas décadas antes. Sua proposta era a de mostrar violência explícita, algo que seria inaceitável nos anos 60, por exemplo.

A partir do começo dos anos 70 as coisas começaram a mudar. Várias fitas apelavam para a violência mais crua e selvagem. "O Massacre das Serra Elétrica", por exemplo, não poupava mais o espectador. Era violento além dos limites. Isso acabou dando origem a um novo filão de filmes de terror denominados pela crítica da época de "slasher". Embora violentos as produções dessa época ainda estavam longe do banho de sangue que vemos atualmente em filmes como "Jogos Mortais" mas já eram considerados extremamente fortes na época de seus lançamentos. O diferencial sobre "Sexta-Feira 13" sobre tantos outros filmes semelhantes da época era que havia um grande estúdio por trás, a Paramount, que apostava no filme como um novo "Psicose", afinal o tema sobre psicopatas sangrentos não saía da mídia e sempre despertava o interesse do grande público. Tentando capitalizar essa audiência o estúdio investiu pesado em propaganda e divulgação e o resultado comercial não decepcionou. O lucro foi espetacular pois o filme custou meros 500 mil dólares (principalmente por ter um elenco de desconhecidos e produção barata) e faturou apenas em seu ano de estreia a bagatela de quase 40 milhões de dólares - um êxito espetacular para uma película de terror nesse estilo. O diretor e roteirista Sean S. Cunningham que vinha de uma sucessão de filmes inexpressivos tirou a sorte grande. Ao criar junto de seu roteiristas o personagem Jason Voorhees mal sabia ele que estava dando vida a um dos psicopatas mais famosos da cultura pop! Imortal é pouco em se tratando de Jason.

Sexta-Feira 13 (Friday the 13th, EUA, 1980) Direção: Sean S. Cunningham / Roteiro: Sean S. Cunningham, Victor Miller / Elenco: Betsy Palmer, Adrienne King, Jeannine Taylor, Kevin Bacon / Sinopse: Em um isolado e distante acampamento de verão uma série de mortes começam a confirmar a maldição que ronda o lugar.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 25 de agosto de 2013

O Detonador

Sonni Griffith (Wesley Snipes) é um agente da CIA com uma nova missão: assegurar em segurança a ida para os EUA da testemunha Nadia Kaminski (Silvia Colloca) que está na mira de uma perigosa rede de traficantes internacionais. Sua localização porém logo chega aos ouvidos dos criminosos que fazem de tudo para eliminar Sonni e sua protegida. O vazamento logo demonstra que a informação muito provavelmente partiu da própria agência de inteligência dos Estados Unidos. Lutando contra tudo e todos o jogo da sobrevivência se torna muito mais perigoso para ele. "O Detonador" é mais um fita de ação estrelado pelo ator Wesley Snipes. A produção, bem modesta e simplória, não conseguiu abrir espaço dentro do mercado americano, não chegando a ser exibida nos cinemas, indo parar diretamente no mercado de venda direta ao consumidor.

Não é de se admirar que isso tenha acontecido. Embora tenha protagonizado muitos filmes populares principalmente na década anterior o fato é que a carreira de Wesley Snipes foi decaindo cada vez mais nos últimos anos, até o ponto em que ele estrelou filmes desse tipo, sem qualquer repercussão maior, nem entre os admiradores do gênero. Os problemas legais que enfrentou também não ajudaram em nada numa pretensa retomada rumo ao sucesso perdido. Devendo uma verdadeira fortuna ao fisco americano o ator acabou tendo que dividir seu tempo entre os sets de filmagens e os tribunais. Na ânsia de ganhar dinheiro rápido, em pouco tempo ele acabou se sujeitando a entrar em projetos como esse, que no fundo não tem qualquer interesse. Mesmo assim se você curte o trabalho de Snipes então dê uma chance. Certamente não encontrará nada de muito relevante mas pelo menos não deixará passar mais essa fitinha em sua carreira. Afinal fã que é fã encara não apenas os bons momentos mas os maus também...

O Detonador (The Detonator, EUA, 2006) / Direção: Po-Chih Leong / Roteiro:  Martin Wheeler / Elenco: Wesley Snipes, Silvia Colloca, Tim Dutton, William Hope, Matthew Leitch, Bogdan Uritescu  / Sinopse: Agente da CIA (Snipes) tenta manter viva uma importante informante e testemunha que será peça chave na prisão de um poderoso grupo internacional de tráfico de drogas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Sem Dor, Sem Ganho

Daniel Lugo (Mark Wahlberg) é um personal Trainer em Miami. Apesar de trabalhar em uma das melhores academias da cidade ele se sente frustrado pois percebe que jamais conseguirá ter fama e dinheiro naquele emprego. Em sua visão distorcida ele é um vencedor e merece muito mais do que aquilo que possui. Para tornar o sonho americano uma realidade ele começa a criar uma ideia mirabolante na cabeça. Um de seus clientes costuma lhe contar a vida de luxos e riquezas em que vive e isso desperta a cobiça de Lugo. Assim Danny resolve se unir a um ex-presidiário convertido ao cristianismo, Paul Doyle (Dwayne Johnson), e a um outro amigo fisiculturista, Adrian Doorbal (Anthony Mackie), para dar início a um plano criminoso. Eles planejam sequestrar o empresário para forçar ele a passar todo o seu dinheiro e patrimônio para o grupo. O problema é que o trio além de não ter noção sobre nada ainda consegue cometer todos os erros possíveis e imagináveis na execução do sequestro. Depois, sedentos por mais dinheiro, cometem um erro grosseiro contra o chamado Rei do Pornô da cidade e sua esposa. Algo que sai completamente errado. A partir daí acabam virando alvo do departamento de polícia de Miami que junto a um experiente detetive (interpretado por Ed Harris) pretende colocar o grupo criminoso atrás das grades. 

Duas coisas chamam a atenção nesse filme "Sem Dor, Sem Ganho". A primeira é a de que a história é baseada em fatos reais. Esse grupo de fisiculturistas de Miami cometeu todos os tipos de chantagens, extorsões e homicídios possíveis, mesmo sem ter qualquer noção de como isso seria feito. A cada erro cometido eles tinham que dar um jeito na base do improviso, levando a outros crimes e mais a outros, numa montanha russa sem fim. O curioso de tudo isso é perceber que a Polícia de Miami levou muito tempo para se interessar pelo caso. Enquanto isso eles começaram a levar uma vida de luxos e excessos na parte rica da cidade. Olhando sob um ponto de vista crítico o trio nada mais queria do que levar uma vida de ricaços, mesmo que isso significasse cometer todos os tipos de crimes. A segunda coisa que chama muito a atenção é o fato do filme ter sido dirigido por Michael Bay. Nada de Transformers ou monstros destruindo cidades. Aqui Bay ousou sair de sua linha tradicional, se contentando em lidar com uma história real, sem nenhum traço de efeitos digitais em excesso. Infelizmente também comete seus exageros ao mostrar tudo de forma histérica, alucinada, em certos momentos. O que salva o filme no final das contas é a diversão pois Bay resolve injetar uma dose extra de humor negro no desenvolvimento do que mostra na tela. O resultado é sem dúvida seu melhor trabalho no cinema até o momento, quem diria...

Sem Dor, Sem Ganho (Pain & Gain, EUA, 2013) Direção: Michael Bay / Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely / Elenco: Mark Wahlberg, Dwayne Johnson, Anthony Mackie, Ed Harris / Sinopse: Um grupo de fisiculturistas de Miami resolve subir na vida a todo custo. Após sequestrar um empresário bem sucedido eles começam a cometer uma série de crimes sem fim. Apenas um detetive obstinado poderá deter a gangue de criminosos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 24 de agosto de 2013

O Fugitivo

O Dr. Richard Kimble (Harrison Ford) é um respeitado cirurgião que se vê envolvido numa trama diabólica. Ele é acusado injustamente de ter assassinado a própria esposa. Para piorar várias evidências apontam para sua participação no crime. Como ninguém acredita em sua versão não resta outra alternativa para o médico senão escapar da prisão, se tornando assim um fugitivo que ao mesmo tempo em que tenta fugir das garras da lei procura pelo verdadeiro autor da morte de sua mulher. Temos aqui uma adaptação de uma famosa série americana que bateu todos os recordes de audiência em sua exibição original na TV CBS naquele país. Nos episódios televisivos o personagem do Dr. Kimble era interpretado pelo ator David Janssen que fez fama e fortuna com o papel. Exibida em quatro temporadas, que durou de 1963 a 1967, "O Fugitivo" parou os Estados Unidos em seu episódio final quando finalmente os telespectadores ficaram finalmente conhecendo a identidade do verdadeiro criminoso.

Já essa adaptação para o cinema da antiga série cumpre seus objetivos. Embora fosse extremamente complicado adaptar uma estória que durou tantos episódios na TV o resultado final se mostrou bem satisfatório. O diretor do filme, Andrew Davis, optou por valorizar mais a ação do que propriamente os dramas pessoais dos personagens (que era o forte da série). O resultado é um filme ágil, movimentado e bem articulado. Outro ponto alto é o trabalho de Tommy Lee Jones, fazendo o tipo durão e obstinado, estilo de interpretação que iria sedimentar seu caminho para o sucesso anos depois. Já Harrison Ford segue em frente em uma das melhores fases de sua carreira quando conseguiu emplacar vários sucessos de bilheteria em sequência. Enfim, não resta dúvida que "O Fugitivo" é um ótimo entretenimento, com o melhor do cinema de ação do cinema americano da década de 90.

O Fugitivo (The Fugitive, EUA, 1993) Direção: Andrew Davis / Roteiro: Jeb Stuart, David Twohy / Elenco: Harrison Ford, Tommy Lee Jones, Sela Ward, Julianne Moore / Sinopse: Adaptação para o cinema da famosa série de TV da década de 60, "O Fugitivo". Aqui Harrison Ford interpreta o personagem Dr. Richard Kimble (Harrison Ford), um respeitado cirurgião que é acusado injustamente de matar sua própria esposa.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Quem precisa do Batman?

Bom, a grande novidade dos últimos dias foi o anúncio de Ben Affleck como o próximo Batman do cinema. Em fóruns de cinema e cultura pop não se fala de outra coisa! Alguns gostaram, outros odiaram. Uma parte acha o Affleck talentoso, outros o consideram um canastrão de carteirinha. Até mesmo lista de assinaturas (abaixo assinado) está sendo organizada. Afinal o Affleck ao que parece já passou da idade e além do mais já se deu mal com outro personagem de quadrinhos, o Demolidor. O sujeito já é casado com a Elektra mas será que isso vai ajudar de alguma forma? Penso que a discussão não é bem por aí. Veja bem, eu gosto dos filmes do Batman, tanto os originais assinados por Tim Burton quanto os mais recentes do Nolan. Inclusive da nova trilogia já comentei todos aqui no blog. Batman é um bom personagem pois já é naturalmente doentio, dark, sombrio. Bem a cara da juventude de hoje. Um sujeito em eterna crise existencial, com um trauma que simplesmente não consegue superar.

Mas não é esse o ponto. A questão que faço agora é muito simples: há mesmo necessidade de mais filmes de Batman nas telas? Não já tivemos filmes suficientes? Muitas vezes esses personagens de quadrinhos já ganharam suas películas definitivas na sétima arte como aconteceu com o primeiro Superman de 1978. Precisa mesmo fazer tudo de novo?! Lá vamos nós de novo ver a origem, a morte dos pais de Batman, seu treinamento e... senhores, é muito Déjà vu. A primeira coisa que me vem à cabeça quando penso em novos filmes do Batman é essa recente (e bem decepcionante) aventura do Superman. Não seria melhor fazer novas animações como a Warner já tem feito ultimamente? Olha, vou ser bem sincero, em minha opinião seria muito melhor pegar esses milhões de dólares que serão investidos em mais uma aventura desse personagem e realizar dez ou quinze bons dramas, com temas interessantes, criativos, sociais, mais de acordo com o mundo em que vivemos. Até porque viver eternamente em uma bolha de plástico pop (ou em uma batcaverna) também não é nada bom...

Pablo Aluísio.

Brigada 49

Depois de 11 de setembro de 2001 os bombeiros americanos, que já tinham status de salvadores e guardiões da sociedade, ganharam ainda mais credibilidade junto ao público em geral se tornando verdadeiros heróis. De fato os atos de bravura e heroísmo que todo o mundo presenciou naquela manhã no WTC consolidaram ainda mais na mente das pessoas essa imagem. Não tardaria para o cinema explorar esse filão. Um dos mais interessantes filmes feitos sobre os bombeiros americanos foi esse "Brigada 49". O foco do roteiro não se concentrava apenas nas cenas de ação, salvamentos e incêndios mas também na vida pessoal desses profissionais. Assim o argumento acaba girando em torno de dois personagens principais, o veterano capitão Mike Kennedy (John Travolta) e o bombeiro Jack Morrison (Joaquin Phoenix, como sempre atuando bem).

Como não poderia deixar de ser vários bombeiros reais se uniram aos atores para dar maior veracidade nas cenas de fogo. Uma delas causou até mesmo transtorno na cidade de Baltimore. Acontece que um dos incêndios do filme foi tão bem recriado e encenado que moradores locais chegaram ao ponto de chamar os bombeiros de verdade da cidade, que foram prontamente acionados, chegando no set de filmagens pensando tratar-se de um evento real. Travolta está como sempre em seu modo habitual. Meio sem levar muita coisa à sério, mas sem prejudicar o filme. Ele chegou a improvisar diversas cenas, criando e  usando muitos cacos, como na sequência em que bebe em um bar da cidade. Em termos de elenco o destaque vai mesmo para Joaquin Phoenix que se preparou para seu papel, passando mais de um mês fazendo treinamento de fogo com os bombeiros da décima brigada de Baltimore. Enfim, temos aqui um bom entretenimento. Para finalizar quero deixar a dica da série "Chicago Fire" que atualmente está em exibição nos EUA e no Brasil pelos canais a cabo. O mesmo universo dos bombeiros é explorado tal como vemos nesse filme. Dessa forma se o assunto lhe chama a atenção então não deixe de conferir também o seriado do canal ABC.

Brigada 49 (Ladder 49, EUA, 2004) Direção: Jay Russell / Roteiro: Lewis Colick / Elenco: John Travolta, Joaquin Phoenix, Morris Chestnut, Robert Patrick, Balthazar Getty, Jay Hernandez / Sinopse: A vida e o cotidiano de dois bombeiros da Brigada 49. Suas lutas profissionais e pessoais são mostradas nesse filme realizado em homenagem a esses profissionais que arriscam todos os dias suas vidas em benefício da sociedade.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Pink Floyd


Foto rara do grupo Pink Floyd onde todos os membros da banda estão presentes: Nick Mason, Syd Barrett, David Gilmour, Roger Waters e Richard Wright. A formação não iria durar muito tempo pois Syd Barrett deixaria o conjunto em poucas semanas.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Tempo de Matar

O racismo persiste. Essa ainda é uma ferida aberta dentro da sociedade americana e ao que parece não será curada tão cedo. Um dos melhores filmes mostrando as raízes do racismo dentro até da sociedade e do sistema judicial americano é esse "Tempo de Matar", filme que foi muito falado e gerou grande repercussão em seu lançamento. A trama mostrando um homem negro em busca de justiça para sua filha que foi estuprada aos dez anos por brancos racistas do sul diz muito sobre a própria sociedade americana. Em termos históricos não fazia muito tempo que os brancos americanos tinham praticamente direito de matar qualquer negro que entrasse em seu caminho. Os brancos se consideravam superiores aos negros e esses muitas vezes não contavam com nenhuma corte em seu favor. São conhecidas as histórias de negros enforcados em árvores por organizações racistas brancas, demonstrando que não havia perdão para um afro-americano que infringisse qualquer regra de comportamento estabelecida pelos membros da casta WASP. O ambiente era de fato brutal.

Agora imaginem dentro de um contexto tão adverso como esse o trabalho de um advogado jovem, branco, tendo como cliente um negro, bem no meio de uma das regiões mais violentas e racistas da América protestante! "Tempo de Matar" mostra que dentro do sistema judiciário dos Estados Unidos nem sempre as leis funcionavam do mesmo jeito para brancos e negros. Esse é sem dúvida um filme corajoso, que inclusive sofreu boicotes em seu lançamento. O advogado Jake Tyler Brigance interpretado pelo bom ator Matthew McConaughey simboliza a luta por justiça dentro de um sistema corrompido por dentro. O filme também surge como uma grata surpresa dentro da carreira do irregular diretor Joel Schumacher. Conhecido por seus altos e baixos (alternando sempre filmes interessantes com abacaxis tremendos), aqui Joel Schumacher pelo menos não atrapalha. Ele está muito correto na condução do roteiro, que no fundo fala por si mesmo. Enfim, "Tempo de Matar", um filme importante que mostra que nem tudo é uma maravilha na terra do Tio Sam.

Tempo de Matar (A Time to Kill, EUA, 1996) Direção: Joel Schumacher / Roteiro: Akiva Goldsman, baseado na obra A Time to Kill de John Grisham / Elenco: Matthew McConaughey, Sandra Bullock, Samuel L. Jackson, Kevin Spacey, Oliver Platt / Sinopse: Jovem advogado branco defende um negro numa corte americana. Filme indicado ao Oscar na categoria melhor ator coadjuvante (Samuel L. Jackson).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O Último Grande Herói

Arnold Schwarzenegger foi um dos mais populares atores de filmes de ação da década de 80. Rivalizando com Stallone ele colecionou uma série de grandes sucessos de bilheteria. Tudo caminhava muito bem até que Arnold resolveu que queria suavizar um pouco sua imagem de herói de ação durão e violento. Primeiro ele realizou a divertida comédia "Irmãos Gêmeos" e outras pequenas fitas centradas em muito bom humor. O que Schwarzenegger não dizia publicamente era que tinha pretensões políticas e por isso procurava cada vez mais trocar as atuações truculentas por personagens divertidos, bem humorados, com charutão acesso e largo sorriso no rosto. Sua aposta mais ousada nessa direção foi esse "O Último Grande Herói". Um filme diferente, com uma idéia peculiar, que procurava satirizar os próprios filmes de ação que fizeram a fama do ator austríaco.

O problema é que "O Último Grande Herói" exigia uma cumplicidade muito grande do público. E os espectadores que sempre foram fãs das fitas de Arnold Schwarzenegger não compraram a idéia de ver um filme em tom de sátira descarada onde o antigo herói de ação tentava tirar onda em cima do mesmo filão que o tornou um astro. Assim o estúdio ficou com uma dinamite nas mãos. Uma produção de quase 100 milhões de dólares, com campanha de marketing agressiva (até ônibus espaciais da Nasa foram alugados para divulgar o filme) que simplesmente foi rejeitado pelo público de forma veemente. O fracasso foi enorme e "Last Action Hero" afundou de forma estrondosa. O prejuízo obviamente respingou feio na credibilidade de Arnold Schwarzenegger, que deixou de ser infalível (e imbatível) nas bilheterias. Já o diretor John McTiernan pagou caro pelo péssimo retorno comercial. Aclamado como um dos melhores cineastas de ação viu sua carreira afundar junto com o filme. Ficou a lição: nunca cuspa no prato que um dia comeu!

O Último Grande Herói (Last Action Hero, EUA, 1993) Direção: John McTiernan / Roteiro:  Zak Penn, Adam Leff / Elenco: Arnold Schwarzenegger, F. Murray Abraham,  Anthony Quinn / Sinopse: Um jovem fã de filmes de ação acaba entrando em um mundo paralelo onde passa a viver grandes aventuras ao lado de seu grande ídolo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Noite dos Arrepios

Na década de 80 surgiram alguns filmes deliciosamente trashs que tentavam, pelo menos em intenção, recriar o clima de antigos filmes de terror sci-fi dos anos 50. Um dos maiores exemplos desse tipo de produção foi esse "A Noite dos Arrepios", um terror com claro sabor da década de 50 que conseguiu ganhar certa notoriedade entre os fãs de terror - chegando inclusive a ser lançado nos cinemas brasileiros na época! A cena de abertura já mostrava bem a intenção do filme. Um casal de namorados numa noite qualquer de 1959 acaba ficando surpresa com uma forte luz vinda do espaço. Procurando investigar do que se trata o jovem acaba desencadeando uma série de eventos que colocará toda a humanidade em perigo! Vinte sete anos depois dois estudantes acabam encontrando em um laboratório o corpo do jovem namorado da década de 50. Ele havia sido exposto a um processo de congelamento após uma série de estudos para entender o que teria acontecido. Não precisa ser vidente para descobrir que algo muito sinistro se encontra naquele corpo há muito armazenado.

Os monstros espaciais aqui não se parecem nada com os Aliens da famosa série de Sigourney Weaver. Para falar a verdade mais parecem pequenos vermes, sanguessugas, do que qualquer outra coisa. O diretor de "A Noite dos Arrepios" foi Fred Dekker, nome bem conhecido de quem acompanhou os filmes de terror da época. Ele dirigiria entre outros alguns episódios do ótimo "Contos da Cripta" e em 1993 assumiria a franquia Robocop ao dirigir o terceiro filme da série. Assim fica a dica desse divertido e saudosista "A Noite dos Arrepios", um filme dos anos 80 com as nuances dos antigos filmes de monstros vindos do espaço da década de 50. Mais nostalgia impossível.

A Noite dos Arrepios
(Night of the Creeps, EUA, 1986) Direção: Fred Dekker / Roteiro: Fred Dekker / Elenco: Jason Lively, Tom Atkins, Steve Marshall / Sinopse: Estranhas criaturas vindo do espaço começam a dominar uma pequena cidade americana.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Bem-vindo aos 40

Pete (Paul Rudd) está vivendo a semana que antecede seu aniversário de 40 anos. Casado, com duas filhas, uma menor e uma adolescente, ele passa por várias crises. A primeira é emocional. A paixão pela esposa parece ter desaparecido. As brigas são cada vez mais comuns e pouco sobrou do antigo relacionamento. Agora tudo é rotina (e das mais chatas). Para manter a chama sexual acessa apela para o uso frequente de Viagra, o que piora ainda mais para o seu lado já que ela se sente ofendida com isso. A outra crise é financeira. Desempregado, ele resolveu abrir uma gravadora especializada em veteranos do rock, um selo retrô. O problema é que com a Internet praticamente mais ninguém paga por música e assim ele vai percebendo que sua empresa em breve irá abrir falência. Para piorar ele e sua esposa não conseguem abrir uma boa linha de diálogo com sua filha adolescente revoltada que passa os dias no computador assistindo a série "Lost". Como se tudo isso não fosse complicado o suficiente sua mulher (que também tem mais de 40 anos mas nega a idade) acaba descobrindo que está grávida! Confusão pouca é bobagem.

Apesar da sinopse cheia de drama e problemas esse "Bem-vindo aos 40" investe mesmo é no humor. Muitas vezes aquele tipo de hilariedade que nasce da desgraça alheia, é verdade, mas mesmo assim humor, bem divertido aliás. Como convém aos filmes assinados por Judd Apatow, esse aqui também apela em certos momentos (Piadas sobre flatulência? Confere! Escatologia? Confere!) mas no geral todos esses pecados são cometidos em nome da diversão. O personagem Pete, interpretado pelo ator Paul Rudd, já deu as caras no cinema antes, no filme "Ligeiramente Grávidos". Só que lá o casal era mero coadjuvante do enredo principal e aqui eles ganham muito mais destaque, afinal de contas o filme é todo centralizado neles, nas pequenas tragédias cotidianas e na chatice de um casamento que já deu o que tinha que dar. Por falar em coadjuvantes dois nomes do elenco de apoio no filme ajudam a manter o interesse. O primeiro é John Lithgow como um pai ausente por anos que mal conhece sua filha. Cirurgião rico e famoso ele não leva o menor jeito para relacionamentos familiares. Outro destaque vai para Megan Fox. Ela interpreta uma funcionária de uma lojinha de roupas gostosona (pra variar) que acaba confessando para a patroa que também é garota de programa (mas segundo suas próprias palavras isso não seria prostituição pois ela só faz "no máximo" uns 30 ou 40 programas por ano!). Bem engraçado. Depois de assistir um filme assim você vai entender porque o número de divórcios não pára de crescer lá nos EUA e aqui no Brasil. Como diria o ditado ser casado é como matar um leão todos os dias. Haja paciência!

Bem-vindo aos 40 (This Is 40, EUA, 2012) Direção: Judd Apatow / Roteiro: Judd Apatow / Elenco: Paul Rudd, Leslie Mann, Megan Fox, John Lithgow, Maude Apatow / Sinopse: Homem chega aos 40 anos cheio de problemas financeiros, familiares e emocionais. Tentando sobreviver a maré ruim ele resolve dar uma festa para si mesmo em seu aniversário.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Uma Noite Alucinante

"Evil Dead - A Morte do Demônio" foi um filme quase amador escrito e dirigido pelo jovem Sam Raimi que acabou virando cult ao longo dos anos. O filme foi rodado com um orçamento minúsculo - estimado em pouco mais de 300 mil dólares - e contou com o apoio de amigos e parceiros de Raimi. Com o advento do mercado de vídeo a fita acabou sendo redescoberta por uma nova geração de fãs de terror que começaram a idolatrar o violento e tenso filme. Assim em 1986 Raimi foi procurado por um grande estúdio para rodar a mesma estória, só que com melhores condições técnicas e orçamento bem generoso. O melhor em termos de maquiagem e efeitos especiais foi colocado à disposição do cineasta. Fazer um remake totalmente fiel porém não estava nos planos de Sam Raimi, então ele optou por injetar algo dentro do novo filme que quase não existia no original: humor!

Sim, o diretor entendeu que um pouco de humor negro não faria mal a essa nova produção e assim ele reescreveu e inseriu diversas cenas de puro absurdo gótico para criar uma linha de diálogo mais aberta com o público jovem que iria conferir o novo filme nas telas de cinema. Cenas como um olho voando em direção a boca de um dos personagens ou uma mão decepada com vontade própria ganharam um inédito tom de comédia no filme. Para estrelar o novo Evil Dead Raimi convocou novamente seu parceiro e amigo do primeiro filme, o ator Bruce Campbell. Canastrão assumido, Campbell ajudou muito na nova concepção de Raimi para "Uma Noite Alucinante". A trama era praticamente a mesma do primeiro filme, com algumas modificações. Novamente incautos colocavam as mãos no chamado livro dos mortos liberando demônios das profundezas do inferno. A diferença porém vinha nas cenas absurdamente insanas e na melhor produção, com melhores e mais bem elaborados efeitos especiais. O filme acabou fazendo grande sucesso de bilheteria, se tornando também um campeão de locações no mercado de vídeo depois. Isso acabou abrindo as portas de uma terceira sequência, ainda mais maluca do que essa mas isso é um outra história...

Uma Noite Alucinante (Evil Dead II, EUA, 1987) Direção: Sam Raimi / Roteiro: Sam Raimi, Scott Spiegel / Elenco: Bruce Campbell, Sarah Berry, Dan Hicks / Sinopse: Sequência remake do filme "Evil Dead" de 1981. Aqui um jovem desavisado acaba liberando terríveis forças do mal ao colocar as mãos em um livro amaldiçoado perdido em uma cabana isolada no meio da floresta.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Velocidade Máxima

Certamente um dos mais populares e bem sucedidos filmes de ação da década de 90. "Velocidade Máxima" (ou simplesmente "Speed", seu título original) mostrava que para se realizar um belo filme de adrenalina não se precisava de efeitos especiais de última geração ou produção milionária, bastando apenas ter uma boa ideia por trás. E é justamente isso que o roteiro explora. Na trama um sociopata decide promover um ato de terrorismo diferente. Ao invés de simplesmente detonar alguma bomba em um lugar a esmo como um terrorista qualquer ele decide colocar um artefato explosivo que ligado a um ônibus se torna acionado se o veículo diminuir sua velocidade abaixo dos 80 km/h. Isso seria complicado em qualquer lugar do mundo mas em Los Angeles a situação se torna ainda mais extrema e caótica. Com avenidas e ruas com tráfego intenso se torna quase impossível manter essa velocidade constante, o que torna tudo ainda mais desesperador.

Após a morte do motorista o volante é colocado nas mãos de uma passageira comum, Annie Porter (Sandra Bullock), que ao lado do oficial de polícia Jack Traven (Keanu Reeves) tentará manter todos a salvo. Sandra Bullock e Keanu Reeves contracenam praticamente sozinhos o tempo inteiro, dentro do ônibus, passando por diversas situações estressantes, no limite. O veterano Dennis Hopper também acrescenta bastante com sua presença, ora histérica, ora irascível mas que no final se revela bem divertida. "Speed" logo caiu nas graças do público e assim que estreou nos Estados Unidos se tornou imediatamente um campeão de bilheteria. O diretor holandês Jan de Bont foi aclamado como um gênio dos filmes de ação! Tudo de fato corria muito bem para ele, a ponto de dirigir outra fita bem interessante logo após o sucesso desse filme chamado "Twister" sobre um grupo de caçadores de furacões. Infelizmente o cineasta cometeu um grave erro pois aceitou rodar a continuação de "Velocidade Máxima" que se tornaria um dos maiores fracassos comerciais da década! Mas isso falaremos em um outra oportunidade em breve, até lá!

Velocidade Máxima (Speed, EUA, 1994) Direção: Jan de Bont / Roteiro: Graham Yost / Elenco: Keanu Reeves, Dennis Hopper, Sandra Bullock, Jeff Daniels / Sinopse: Um terrorista resolve instalar uma bomba em um ônibus na cidade de Los Angeles que explodirá assim que o veículo diminuir sua velocidade. Agora, um policial e uma simples passageira farão de tudo para evitar que a situação se transforme em uma grande tragédia.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Tenha Fé

Título no Brasil: Tenha Fé
Título Original: Keeping the Faith
Ano de Produção: 2000
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: Edward Norton
Roteiro: Stuart Blumberg
Elenco: Ben Stiller, Edward Norton, Jenna Elfman, Eli Wallach, Anne Bancroft, Milos Forman

Sinopse:
Dois amigos, o padre Brian Finn (Ben Stiller) e o rabino Jake Schram (Ben Stiller), foram apaixonados na juventude pela mesma garota, a doce e gentil Anna Riley (Jenna Elfman). A escolha por uma vida religiosa porém mudaram seus planos e cada um seguiu em frente na vida, até o dia em que reencontram Anna e todos os velhos fantasmas do passado voltam para atormentá-los. Filme premiado no Tokyo International Film Festival.

Comentários:
Esse filme foi o único a ser dirigido pelo ator Edward Norton. Um dos mais talentosos atores de sua geração, ele aqui quis fazer uma pequena e singela homenagem para sua mãe que havia falecido. Ela era católica. Norton então quis contar a história de dois homens religiosos, um padre e um rabino, que apesar das diferenças teológicas entre suas doutrinas, conseguiam continuar a ser grandes amigos. Uma boa lição de tolerância religiosa. O filme em si é muito bom, nada excessivamente bobinho ou chato, como poderia parecer. Nem mesmo a presença de Ben Stiller, que considero ser um dos comediantes mais chatos do cinema americano, consegue estragar o resultado final. Um aspecto interessante é que ele aqui deixou suas caretas e maneirismos insuportáveis de lado para tentar acompanhar o alto nível do trabalho de atuação de Edward Norton, que diga-se de passagem nunca brincou em serviço. Acabou sobrevivendo, uma vez que se não chegou aos pés de Norton, pelo menos não passou vergonha como nos outros filmes que fez. Outro ponto positivo a se destacar vem do elenco de apoio, todo formado por veteranos importantes da história do cinema americano como Eli Wallach (em um de seus últimos trabalhos), Anne Bancroft (sempre marcante em todos os filmes que apareceu) e Milos Forman (grande diretor, aqui dando uma palhinha como ator). Então é isso, vale muito conhecer esse "Tenha Fé". Não deixe passar em branco.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador

Lasse Hallström, talentoso cineasta sueco que realizou o brilhante "Minha Vida de Cachorro ", teve o melhor momento em sua carreira no cinema americano nesse muito terno e comovente "What's Eating Gilbert Grape" em 1993. O filme que agora completa 20 anos merece passar por uma revisão por parte dos cinéfilos. A trama gira em torno da família de Gilbert Grape (Johnny Depp). Ele é um jovem normal que pretende seguir em frente com sua vida mas que não consegue criar um caminho próprio por causa de problemas familiares. Seu irmão, Arnie Grape (Leonardo DiCaprio), é deficiente mental e precisa de cuidados especiais. Sua mãe tem problemas emocionais e sofre de uma obesidade sem controle. Suas irmãs não são menos problemáticas. Uma é solitária e triste e a outra rebelde e bem agressiva. No meio de tantos conflitos Gilbert tenta levar uma vida normal.

"Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador" tem vários méritos cinematográficos. Em termos de elenco temos uma interpretação brilhante de Leonardo DiCaprio que lhe valeu inclusive indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro. Foi o primeiro filme que chamou a atenção do grande público para seu trabalho. Muitos consideram até hoje seu melhor trabalho de atuação física no cinema. Johnny Depp também está muito bem, curiosamente fazendo um papel bem atípico de sua carreira, a de um jovem comum. Sem maquiagem pesada e sem interpretar um personagem bizarro (tão comum em seus filmes posteriores) Depp mostra seu talento natural. O roteiro também se revela muito delicado, colocando as várias questões humanas envolvidas na trama com rara sensibilidade. O filme fez bastante sucesso no mercado de vídeo na época e hoje, como já foi escrito, merece uma revisão. Um excelente drama mostrando a vida de uma família americana tipicamente interiorana que certamente vai agradar aos mais sensíveis. Se ainda não viu não deixe passar em branco, principalmente se você for um fã dos atores Leonardo DiCaprio e Johnny Depp. Esse é um filme que vale a pena conhecer.

Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador (What's Eating Gilbert Grape, EUA, 1993) Direção: Lasse Hallström / Roteiro: Peter Hedges / Elenco: Johnny Depp, Leonardo DiCaprio, Juliette Lewis, Mary Steenburgen, John C. Reilly, Darlene Cates, Laura Harrington, Mary Kate Schellhardt / Sinopse: O filme narra a conturbada vida familiar de Gilbert Grape (Depp) que tenta levar uma vida normal em meio a inúmeros problemas familiares.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

The Beatles - Hey Jude / Revolution

Esse foi provavelmente o maior single da carreira dos Beatles. Eles tinham acabado de criar seu próprio selo, a Apple, e estavam empolgados de ter uma empresa que seguisse a filosofia do grupo. A música título do single havia sido composta por Paul. A letra era obviamente inspirada em Julian Lennon que ficara para trás após John abandonar sua primeira esposa para viver ao lado da japonesa Yoko Ono. A parte final da canção também lembrava os mantras indianos que os Beatles tinham tido contato quando estavam na ìndia estudando meditação (por isso a repetição tipicamente budista na parte em que se repete na, na, na...). Melodia maravilhosa, aliado a um arranjo inspirado tornaram "Hey Jude" um clássico eterno dos Beatles. Curiosamente durante a promoção do single Paul mandou que o nome da canção fosse pintado nas janelas da Apple.

O problema é que o nome "Hey Jude" pintado em janelas de vidro logo despertou a atenção da comunidade de judeus de Londres que achou aquilo tudo muito parecido com o que os nazistas faziam nas lojas comercias de judeus deportados para campos de concentração. Os nazistas pintavam a palavra Judeu nos vidros dessas lojas fechadas. Além disso a palavra "Jude" parecida propositalmente ofensiva. Paul McCartney ficou chocado com o mal entendido, mandou apagar as frases promocionais e pediu desculpas publicamente aos judeus londrinos. Obviamente aquilo nunca havia sido sua intenção mas de uma forma ou outra os judeus ficaram ofendidos.

Já o lado B com "Revolution" era puro John Lennon. Durante anos o empresário dos Beatles, Brian Epstein, havia proibido o grupo de se manifestar politicamente sobre qualquer coisa. Para Brian isso poderia desgastar a imagem dos Beatles. Com sua morte o quarteto ficou livre para dizer o que bem entendesse. Harrison foi o primeiro a falar mal do sistema tributário inglês em "Taxman". Lennon em particular estava ansioso em lançar alguma canção com teor político e foi justamente com "Revolution" que ele finalmente desabafou. A música acabaria se tornando um preview do que viria a acontecer com John nos anos seguintes pois ele adotaria  uma atitude ativista, panfletária e desafiadora que futuramente lhe causaria muitos problemas políticos (principalmente em relação ao presidente Nixon).

Anos depois em entrevistas Lennon confidenciaria que "Revolution" tinha sido de fato muito mal gravada. Para John os Beatles trabalhavam por dias em cima das criações de Paul mas quando chegava a hora de gravar as suas músicas um clima de preguiça e má vontade imperava dentro da banda. Para John isso era fruto das próprias atitudes de McCartney que queria tomar o controle do conjunto, tanto do ponto de vista administrativo como artistico. Verdade ou paranoia de John? Nunca saberemos ao certo. O que sabemos com certeza é que tanto "Hey Jude" como "Revolution" são obras primas imortais da história do rock mundial.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada

Quando as Crônicas de Nárnia pintou pela primeira vez nas telas havia uma grande esperança da Disney em transformar os livros em mais uma franquia milionária do cinema americano ao estilo de "O Senhor dos Anéis". O resultado comercial porém ficou bem abaixo do esperado. Mesmo assim o estúdio não desistiu de novas adaptações, sendo esse "As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada" uma espécie de despedida dos livros do cinema. Agora com co-produção da Fox, as aventuras dos garotos Edmund, Lucy e Caspian (além do primo Eustace) se passam no navio Peregrino da Alvorada, que cruzando os mares de Nárnia tenta reunir sete espadas mágicas que vão vencer o terrível mal que ameaça se alastrar por toda a terra mágica. Não faltaram elementos de fantasia que fazem a festa do público alvo infanto-juvenil. Assim lá estão dragões, serpentes monstruosas do mar, minotauros e tudo o mais que a imaginação pensar.

Embora passe longe de ser fiel aos livros que lhe deram origem, esse último filme da franquia "As Crônicas de Nárnia" é bem realizado, tem um ritmo muito bom e não deixa o clima de aventura mágica cair no marasmo. Como sou da velha geração achei a trama bem parecida com os antigos filmes do marujo Simbad das mil e uma noites. Outra referência, principalmente para o público mais jovem, é a franquia bilionária "Piratas do Caribe", muito embora, em essência esses filmes tenham um simbolismo bem mais forte e presente, fruto da pena talentosa de seu autor, C.S. Lewis. Aliás é bom prestar atenção na cena final do filme pois lá fica bastante clara as reais intenções do autor dos livros, pois Nárnia nada mais é do que uma grande adaptação simbólica dos valores mais caros ao cristianismo. Muitos não conseguem captar esse detalhe mas os estudiosos da obra de Lewis há muito já decifraram toda a simbologia que o escritor quis passar aos mais jovens. Assim assista, se divirta e o mais importante de tudo: saiba ler nas entrelinhas do que verá na tela.

As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada (The Chronicles of Narnia: The Voyage of the Dawn Treader, EUA, 2010) Direção: Michael Apted / Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely, baseados na obra de C.S. Lewis / Elenco: Georgie Henley, Skandar Keynes, Ben Barnes / Sinopse: Após entrar em  um quadro de aquarelas representando um navio em alto mar os garotos voltam para a terra mágica de Nárnia, onde viverão grandes aventuras.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Quando o Amor Acontece

Depois do enorme fracasso comercial de "Velocidade Máxima 2" a atriz Sandra Bullock tentou juntar os pedacinhos de sua carreira nesse filme romântico despretensioso. Aqui ela interpreta Birdee Pruitt, uma mulher que descobre estar sendo traído pelo marido com sua melhor amiga. De repente ela vê seu mundo desmoronar após a revelação. Sem pensar duas vezes resolve acabar o casamento, indo morar novamente com sua mãe, em sua casa em Smithville, Texas, para tentar um recomeço em sua vida. Após os problemas inerentes ao divórcio ela finalmente redescobre o amor ao conhecer um novo homem em sua vida. O cowboy bonitão que surge em sua vida é interpretado pelo cantor (e dublê de ator) Harry Connick Jr.

O interessante nesse "Quando o Amor Acontece" não vem tanto do fato de Bullock estar nesse tipo de produção, afinal é nesse estilo mesmo que ela consegue seus melhores resultados comerciais. O fato que chama a atenção é a direção do ator Forest Whitaker. Ele mostra muito talento em conduzir uma estorinha até banal mas com bastante eficiência. Ao custo de 30 milhões de dólares (orçamento de um filme médio em Hollywood) ele conseguiu entregar um produto honesto, sem nenhuma pretensão, que conseguiu reerguer o prestígio de Sandra Bullock perante os estúdios. Foi também um novo caminho para a atriz que aqui assumiu parte da função de produtora, através de sua própria companhia, a Fortis Films. O resultado é agradável, nada excepcional, mas que no final das contas entrega aquilo que o público (feminino em sua maioria) deseja e espera. Está de bom tamanho.

Quando o Amor Acontece (Hope Floats, EUA,1998) Direção: Forest Whitaker / Roteiro: Steven Rogers / Elenco: Sandra Bullock, Harry Connick Jr., Gena Rowlands / Sinopse: Após descobrir que seu marido a está traindo com sua melhor amiga, Birdee Pruitt (Bullock) decide voltar para a casa de sua mãe em uma pequena cidadezinha do Texas. Lá tentará reencontrar o amor e um novo caminho para sua vida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 18 de agosto de 2013

O Dia Depois de Amanhã

Mais um exemplar do cinema pipoca fast food de Roland Emmerich. Aqui tudo o que importa são os efeitos digitais de última geração, aliado a um fiapo de roteiro que com bastante verniz pseudocientífica tenta trazer alguma credibilidade ao argumento que só serve como desculpa para um desfile de recriações digitais de um mundo assolado por um inverno global sem limites. O enredo gira em torno dos esforços de um grupo de cientistas que tenta alertar as autoridades de uma nova idade do gelo que se aproxima no planeta Terra. A nova mudança climática obviamente destruirá as principais cidades do mundo, principalmente aquelas localizadas no hemisfério norte. Assim temos cenas e mais cenas de catástrofes mundiais, com as cidades literalmente sendo engolidas por um frio arrasador.

Roland Emmerich não tem jeito mesmo. Ele faz parte de um grupo de novos diretores (nem tão novos é bom frisar) que planejam, executam e montam seus filmes dentro de computadores de última geração. As cenas com atores reais duram poucas semanas, uma vez que o filme acaba sendo produzido mesmo dentro de avançados softwares de última geração. Se é muito eficaz para os estúdios o mesmo não se pode dizer dos resultados artísticos. Tudo soa muito artificial, sem alma, com muito sensacionalismo em cada momento, em cada tragédia. Roland Emmerich não é tão histérico quanto Michael Bay, por exemplo, mas mantém a característica básica dessa linha de diretores que seguem uma cartilha já bem conhecida: toneladas de efeitos especiais e roteiros mínimos. Boas atuações? Diálogos inspirados? Esqueça. Isso aqui meu caro é cinema fast food para ser consumido em salas de shopping center pos adolescentes barulhentos. Não dá para levar à sério um cinema desse estilo.

O Dia Depois de Amanhã (The Day After Tomorrow, EUA, 2004) Direção: Roland Emmerich /  Roteiro: Roland Emmerich / Elenco: Dennis Quaid, Jake Gyllenhaal, Emmy Rossum / Sinopse: O Planeta Terra passa por uma nova era de gelo levando ao colapso o mundo tal como conhecemos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 17 de agosto de 2013

Crônicas de uma Loja de Penhores

Uma loja de penhores localizada no Sul dos Estados Unidos se torna um elo de ligação de três contos (ou crônicas) de tipos bem característicos da região. No primeiro segmento três viciados em metanfetamina resolvem fazer um assalto. Um deles porém acaba penhorando a espingarda que seria usada pelo trio. Sem alternativas eles resolvem cometer o crime usando um arco e flecha antigo, o que dará origem a inúmeras confusões. Na segunda estoria um casal em lua de mel entra na loja de penhores e descobre, para surpresa do marido, o seu anel do primeiro casamento à venda. Sua esposa, que usava o anel, estava há muitos anos desaparecida. Procurando por pistas ele acaba indo parar numa fazenda distante, onde vive um psicopata que tem a terrível mania de deixar suas vítimas presas como se fossem animais. Por fim, na última crônica, um cover balofo e fracassado de Elvis Presley resolve penhorar seu medalhão em troca de alguns trocados para chegar em seu próximo compromisso: uma feirinha de gado travestido em parque de diversões de quinta categoria numa cidadezinha perdida. Cansado de tantos fracassos ele resolve então fazer um pacto com o diabo numa encruzilhada (uma velha lenda sulista) onde troca sua alma pelo talento e o carisma do próprio Elvis Presley!

Esse "Crônicas de uma Loja de Penhores" me surpreendeu de forma bem positiva. O roteiro, usando e abusando do chamado humor negro, mostra um grupo de personagens em momentos chaves de suas vidas. A melhor das três estorias é a do cover de Elvis, interpretado por Brendan Fraser. Ele se sai muito bem interpretando uma verdadeira caricatura do cantor real. Sem tirar sua roupa de palco em nenhum momento ele percebe que as coisas andam muito mal quando não consegue nem trocar um ingresso de sua apresentação por um cafezinho numa pequena lanchonete de beira de estrada. Sua garota também o deixa no meio da estrada, cansada de tantos shows em lugares vagabundos. O fato de todos o confundirem com um mágico ou uma imitação do Liberace torna tudo ainda mais divertido e engraçado. O conto sobre o anel roubado conta com dois bons atores, Matt Dillon (interpretando Richard, o marido em busca de sua esposa desaparecida) e Elijah Wood (como um pervertido que trata as mulheres como objetos em seu grande rancho). Até Paul Walker, conhecido ator de filmes de ação, se sai bem ao fazer um dos viciados chapados que tentam cometer um roubo pra lá de desastrado. Enfim, recomendo sem receios esse filme. É divertido, irônico e mantém a atenção do começo ao fim. Vale realmente a pena. 

Crônicas de uma Loja de Penhores (Pawn Shop Chronicles, EUA, 2013) Direção: Wayne Kramer / Roteiro: Adam Minarovich / Elenco: Paul Walker, Brendan Fraser, Elijah Wood, Matt Dilon, Vincent D'Onofrio / Sinopse: Uma pequena loja de penhores no sul dos EUA se torna o elo de ligação de três contos passados na região.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Letra Escarlate

Um bom drama histórico que marcou bastante a carreira da atriz Demi Moore mas que hoje em dia anda bem esquecido. O enredo se passa no distante ano de 1666 em Massachusetts, na época uma pequena e isolada colônia inglesa no novo mundo. É lá que vive Hester Prynne (Demi Moore), uma mulher respeitável, casada com um médico da localidade, o Dr. Roger Chillingworth (Robert Duvall). Após esse desaparecer no meio da floresta, supostamente morto por índios, Hester resolve consumar sua paixão pelo reverendo Arthur Dimmesdale (Gary Oldman). Ambos há muito nutriam uma paixão mútua que não conseguia se tornar realidade pelo fato dela ser casada. Agora, com o marido desaparecido, ela resolve seguir em frente, indo de acordo com seus sentimentos. Desse tórrido romance acaba surgindo uma gravidez inesperada que choca a sociedade local, levando Hester a ser marginalizada por seus pares. Ela se recusa a revelar o nome do pai o que a estigmatiza como adúltera. Condenada pelas absurdas leis e costumes locais ela agora terá que usar em suas roupas uma chamativa letra "A" bordada, a indicando como adúltera perante toda a sociedade.

Um dos méritos de "A Letra Escarlate" é que ele desmistifica uma série de bobagens históricas que foram repetidas durante séculos, se tornando quase verdades absolutas. Sempre se disse, por exemplo, que as primeiras colônias inglesas no novo mundo eram símbolos de harmonia e liberdade. Afinal esses colonos tinham ido ao novo mundo para fugir do absolutismo de seu país, além da sempre severa perseguição religiosa. A verdade porém é que mesmo nesses novos povoados não havia de fato tanta liberdade como se suponha. Pelo contrário. A rigidez moral dos puritanos muitas vezes desembocava em repressão e violência, física ou moral, para quem ousasse ultrapassar certas fronteiras ou limites. Olhando sob um ponto de vista atual existia de fato muito preconceito e discriminação nessa suposta moral puritana que imperava entre os membros mais proeminentes das elites locais. O filme resgata isso de forma muito elucidativa. O diretor foi o talentoso Roland Joffé (de "A Missão" e "Os Gritos do Silêncio"). A produção também é acima da média com uma ótima reconstituição histórica aliada a uma história que diz muito sobre a posição da mulher naqueles anos.

A Letra Escarlate (The Scarlet Letter, EUA, 1995) Direção: Roland Joffé / Roteiro: Douglas Day Stewart, baseado na novela de Nathaniel Hawthorne / Elenco: Demi Moore, Gary Oldman, Robert Duvall / Sinopse; Jovem mulher fica estigmatizada durante o período colonial americano ao engravidar de um pastor puritano numa colônia isolada no novo mundo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Madonna - Like a Prayer

Que Madonna é uma sobrevivente poucos duvidam. Um dos segredos de sua longa carreira é a forma como ela manipula a mídia em seu favor. Madonna nunca deixou de ser, ao longo de todos esses anos, uma notícia quente! Sua vida pessoal e profissional no fundo se resumem a uma só coisa pois tudo no final das contas vai virar produto da mídia. Ela é de certa forma herdeira de Marilyn Monroe nesse sentido, pois a loira ícone do cinema clássico também transformava aspectos de sua vida privada em forma de autopromoção na grande mídia. Nunca saindo das manchetes, mantendo sempre seu nome em evidência (não importando se de forma positiva ou negativa) Madonna foi sobrevivendo como artista. Assim queiramos ou não lá está Madonna de volta ao noticiário, seja causando polêmica contra a Igreja Católica, ou passeando com seu novo namorado garotão fingindo não ver os paparazzis, ora se envolvendo em alguma troca de farpas com outros artistas. Foi sempre assim, eternamente aparecendo na imprensa de alguma forma que Madonna se sustentou por tantos e tantos anos. Um exemplo que ela aprendeu bem cedo na carreira como bem demonstra esse álbum "Like a Prayer".

O alvo da vez, um dos preferidos da diva, foi a Igreja Católica. Como toda descendente de italianos a cantora sempre teve essa relação de amor e ódio com o catolicismo (afinal seu próprio nome vem da tradição católica romana). Na época Madonna criou polêmica com o clip da música, colocando um Jesus negro em uma igreja de um bairro pobre de Nova Iorque, sofrendo mais uma vez a violência das ruas. Para ser mais ousada ainda surgiu beijando na boca o Messias. Um escândalo! Era o tipo de polêmica que ela queria na época pois se mostrar como uma artista ousada, desafiadora, sempre rendeu bons dividendos de popularidade. E a Igreja Católica com toda sua tradição milenar se mostrou um alvo certeiro mais uma vez. No fundo essas exibições polêmicas de Madonna não possuem qualquer valor mais à sério para se debruçar, pois é queiram ou não seus admiradores, apenas mais uma jogada de marketing. A diva sabe se promover, isso é um fato incontestável. Deixando isso tudo de lado temos aqui uma boa seleção musical com faixas que viraram grandes hits nas rádios. Por essa época de extrema popularidade praticamente todas as canções dos álbuns de Madonna viravam mais cedo ou mais tarde hits radiofônicos. Musicalmente os arranjos, como não poderiam deixar de ser, seguem o receituário da época, ou seja, muitos sintetizadores, melodias dançantes e letras derivativas. Mesmo assim são gravações deliciosamente descartáveis que hoje funcionam como pura nostalgia para quem viveu na época. Uma receita de sucesso que se mostrou imbatível por anos e anos a fio.

Madonna - Like a Prayer (1989)
Like a Prayer
Express Yourself
Love Song
Till Death Do Us Part
Promise to Try
Cherish
Dear Jessie
Oh Father
Keep It Together
Spanish Eyes
Act of Contrition 

Pablo Aluísio e Erick Steve.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith

Terceiro e último filme da segunda trilogia de Star Wars. Aqui George Lucas teve um desafio e tanto: mostrar em pouco mais de duas horas a transformação do Jedi Anakin Skywalker (Hayden Christensen) em Darth Vader, o terrível vilão da franquia original de Guerra nas Estrelas. Além disso a trama explora a gravidez de Padmé (Natalie Portman). A produção, como sempre, é de primeira linha. O roteiro também não decepciona pois consegue mesclar várias boas cenas de ação (com destaque para o resgate do chanceler Palpatine, logo na abertura do filme) com uma intrigada trama política, que ao final das contas irá transformar a República e o Senado em um Império controlado por um dos mais destacados Lordes Sith (uma ordem rival aos Jedis). Esse aspecto é bem interessante pois fica óbvio que George Lucas usou a história do Império Romano como base para a transformação política pelo qual passa a República. Além disso temos em cena todas as origens de personagens que se tornaram ícones como Luke Skywalker e a Princesa Leia. Junte a isso toda a parafernália técnica que só a Lucasfilm seria capaz de disponibilizar em um filme e você terá de fato o melhor episódio dessa nova trilogia.

"Star Wars - A Vingança dos Sith" também marca a despedida de George Lucas de sua maior criação. Recentemente ele vendeu todos os direitos autorais da saga para os estúdios Disney, dando adeus ao universo de Star Wars. Ao que parece Lucas guardou grande ressentimento das inúmeras críticas que sofreu no lançamento desses novos filmes. Assim resolveu pendurar o sabre de luz. No começo dessa nova franquia ele ainda havia deixado uma certa dúvida se iria filmar algum dia os noves episódios prometidos que havia escrito ainda na década de 1970. Depois que levou bordoadas de todos os lados (inclusive dos mais fanáticos fãs da série) ele anunciou juntamente com o lançamento dessa produção que não iria mais seguir em frente. O próprio Lucas disse que não tinha mais idade e nem saúde para enfrentar  mais uma maratona de trabalho como a que esse tipo de filme exigia. No fundo foi uma sábia decisão passar a bola adiante. Agora Star Wars segue em novo projeto, planejado para chegar nas telas em dois anos. Novos roteiristas, novo diretor, novos produtores e até mesmo um novo estúdio. Particularmente estou bem ansioso para saber o que virá daqui em diante, torcendo para que os Jedis voltem a ocupar a posição que sempre tiveram na história do cinema. Que a força esteja com todos os envolvidos na nova trilogia que vem por aí.

Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith (Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith, EUA, 2005) Direção: George Lucas / Roteiro: George Lucas / Elenco: Ewan McGregor, Natalie Portman, Hayden Christensen,  Ian McDiarmid, Samuel L. Jackson, Jimmy Smits, Frank Oz, Anthony Daniels, Christopher Lee / Sinopse: Uma luta de poder se instala dentro da República. De um lado um chanceler com poderes ilimitados, do outro a ordem Jedi e no meio um jogo político entre democracia e ditadura, república ou império.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.