quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Bing Crosby


A crítica americana fez uma votação na virada do milênio para escolher os três maiores cantores dos Estados Unidos do século XX. Os eleitos foram Frank Sinatra, Elvis Presley e... Bing Crosby! Nada mal para o modesto Crosby que mandou colocar em sua lápide a modesta inscrição: "Um cara comum que sabia levar uma canção!".

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Elvis Presley - E assim nasceu o Rock'n'Roll

Elvis Presley - E assim nasceu o Rock'n'Roll
Antes dessa sessão de gravação, todavia, Sam havia sugerido a Elvis que ele cantasse algumas músicas de Arthur "big boy" Grudup, um dos pioneiros do Blues elétrico de Chicago. Presley conhecia muitas músicas de Grudup como "Cool Disposition", "Rock me Mama", "Hey Mama", "Everything's All Right" e "That's All Right Mama", que era a sua favorita. Agora, durante o intervalo, Elvis pegou uma garrafa de Coca-Cola e com ela nas mãos começou a cantar essa música, de maneira envenenada, só por brincadeira. "Elvis começou a brincar" - lembra Scotty, "e eu comecei a tocar junto assim que descobri em qual tom ele estava tocando. Então a porta da sala de controle se abriu. Sam entrou e disse: 'O que vocês estão fazendo?' Elvis respondeu que não sabia, que era só brincadeira. 'Bem', disse Sam, 'isso está muito bom. Vamos gravar' No terceiro ou no quarto take nós acertamos - e pronto" A criação dessa música, tão modestamente descrita por Scotty Moore, foi uma obra de arte, a fusão perfeita de duas culturas distintas, a negra e a branca. Comparando-se o original de Grudup com a versão de Presley, dificilmente se pode dizer que ambos estejam cantando a mesma canção. A diferença é muito grande, algo assim como comparar Mick Jagger e Frank Sinatra cantando "satisfaction".

Em sua versão, Elvis acrescentou um ingrediente fundamental - o sexo. Ele erotizou a canção, criando um som espontâneo e ritmado. Nascia o Rock'n'Roll como o conhecemos. O estilo country ao fundir-se com o rhyntim and blues, estabeleceu um novo gênero musical na América, até então dominada pelo jazz e pelos musicais da Broadway. Assim que Elvis firmou as bases dessa nova música, novos talentos surgiram como Carl Perkins, Johnny Cash, Jerry Lee Lewis, Buddy Holly, os Beatles e os Rolling Stones. John Lennon reconheceu publicamente a importância de Elvis ao declarar: "Antes de Elvis não existia nada". O jovem Elvis era um gênio. Durante seus anos na Sun, Presley criou uma música debochada, alegre e erótica e lançou as bases estéticas do Rock'n'Roll. O rock não é, como alguns críticos acreditam, apenas um mistura maluca de vários ritmos americanos. Tudo isso é a fonte do Rock, mas não a sua alma. A essência do Rock'n'Roll está no comportamento, na postura frente a vida.

E quem primeiro expressou essa atitude foi Elvis, depois os Beatles e depois todos as grandes bandas de rock da história. Todos esses caras foram gozadores e muito chegados ao deboche e à paródia, a energia e o entusiasmo diante da vida, por mais cruel que ela tenha sido com eles (a maioria dos pioneiros do Rock tinham origem humilde e sofrida, inclusive o próprio Elvis e os Beatles). Para o lado B do primeiro single de Elvis foi escolhida uma tradicional canção de bluegrass de Bill Monroe, "Blue Moon Of Kentucky". Com tudo pronto Sam começou os trabalhos de divulgação do disco. No próximo sábado à noite, ele levou o pequeno acetato para Dewey Phillips, na rádio WHBQ. Dewey era um disc Jockey muito louco que só tocava música negra, isso em Memphis, uma das cidades mais racistas do país. Ele ficou receoso em tocar Elvis, no começo.

Depois de ouvir opiniões de outras pessoas, ele finalmente decidiu tocar, e assim por volta das nove horas, foi ao ar pela primeira vez na história um disco de Elvis Presley. O resultado foi incrível. Dewey sempre recebia muitos pedidos e conversava por telefone com seus ouvintes enquanto estava no ar. Isso foi antes da televisão e todo garoto de Memphis escutava seu programa. Nesse sábado à noite, o telefone da estação não parou um só minuto. Dewey tocava "That's All Right" virava o disco e tocava "Blue Moon of Kentucky". E foram só estas duas músicas a noite toda. Elvis ficou tão nervoso que sintonizou o rádio para seus pais e foi ao cinema. Mal sabia ele que naquela noite de sábado em Memphis começava a ser escrita uma das páginas mais importantes na história da música do mundo, o nascimento de uma revolução cultural que resiste até os dias de hoje. Uma revolução chamada Rock'n'Roll!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

American Horror Story - Asylum

Título no Brasil: American Horror Story - Asylum
Título Original: American Horror Story - Asylum
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox Television
Direção: Vários
Roteiro: Brad Falchuk, Ryan Murphy (criadores da série)
Elenco: Jessica Lange, Joseph Fiennes, Zachary Quinto, James Cromwell, Sarah Paulson

Sinopse: 
"American Horror Story - Asylum" se passa em 1964. Numa instituição para doentes mentais que cometeram crimes violentos, a irmã Jude (Jessica Lange) tenta manter a ordem e a organização. Para lá é enviado o terrível psicopata conhecido como "face sangrenta" que supostamente teria matado várias mulheres. Ele porém alega que foi abduzido por extraterrestres e que na verdade seria inocente de todas as acusações. Qual seria a verdade por trás dos crimes?

Comentários:
"American Horror Story" veio resgatar algo que andava esquecido dentro da TV americana, os seriados de terror. Esse "Asylum" é a segunda temporada da série. Como se sabe a primeira temporada foi muito bem sucedida, ao mostrar os terríveis acontecimentos que rondavam uma velha casa mal assombrada. O roteiro era muito bem escrito e a série ganhou imediatamente uma grande legião de fãs, além de reconhecimento da crítica, o que lhe valeu vários prêmios importantes. "Asylum" conta com vários atores da primeira temporada (com destaque para a sempre ótima e talentosa Jessica Lange) mas parte de uma nova premissa. O enredo agora se passa em uma instituição para doentes mentais perigosos mantida pela Igreja Católica. Na direção temos a austera Irmã Jude (Jessica Lange) que precisa manter o local sob perfeitas condições. Ela ganhou o cargo por causa da confiança que o Monsenhor Timothy Howard (Joseph Fiennes) depositou sobre ela. Na verdade se trata mesmo de um  manicômio judiciário. Quem já visitou um lugar desses na vida real sabe o quão terrível eles são. Agora imagine uma instituição como essa, para onde são enviados psicopatas e criminosos violentos de todos os tipos, sendo administrado por freirinhas. É de dar arrepios mesmo. Some-se a isso ainda doutores envolvidos em misteriosas experiências e você terá um cenário ideal para mais uma temporada bem sucedida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Homem Mais Procurado do Mundo

Título no Brasil: O Homem Mais Procurado do Mundo
Título Original: Seal Team Six: The Raid on Osama Bin Laden
Ano de Produção: 2012
País: Estados Unidos
Estúdio: Voltage Pictures, Weinstein Company
Direção: John Stockwell
Roteiro: Kendall Lampkin
Elenco: Cam Gigandet, Jenny Gabrielle, Anson Mount

Sinopse: 
Após dez anos de investigações a agência de inteligência dos Estados Unidos (CIA) consegue localizar um suposto local onde o infame terrorista internacional Osama Bin Laden estaria escondido. Uma casa grande na fronteira entre Afeganistão e Paquistão. A CIA pretende invadir o local com um grupo de militares especializados do Navy Seal mas o presidente fica um pouco relutante em dar a ordem. Depois da colheita de mais provas de que Bin Laden está realmente na casa, finalmente a ordem de invasão é dada, dando origem a uma complexa missão de localização e eliminação do criminoso líder da Al-Qaeda.

Comentários:
"O Homem Mais Procurado do Mundo" foi produzido no calor dos acontecimentos quando os Estados Unidos ainda celebravam a morte do terrorista Osama Bin Laden. Talvez a pressa em aproveitar o momento tenha prejudicado o resultado final. Há várias falhas no roteiro, principalmente no que diz respeito aos fatos reais. Pequenos e grandes detalhes estão errados e aspectos da missão não foram bem retratados. Até mesmo no equipamento da equipe Navy Seal podemos notar problemas de  verossimilhança. O que de fato aconteceu é que o roteiro foi escrito sem se saber direito o que de fato aconteceu na captura de Bin Laden. Assim o roteirista não teve outra alternativa a não ser inserir pura ficção nas lacunas dos fatos, que afinal de contas eram desconhecidos. Os personagens centrais dentro da CIA também são pouco desenvolvidos. O curioso é que em certos momentos notamos uma certa preocupação dos realizadores desse filme de imprimir um tom quase documental, dando um estilo um pouco truncado a esse telefilme. Também não podemos deixar de fazer uma pequena comparação com "A Hora Mais Escura" que praticamente conta o mesmo enredo, só que com melhores resultados. Se você já viu essa produção poderá dispensar perfeitamente esse "O Homem Mais Procurado do Mundo" que não tem a mesma qualidade técnica daquele.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 26 de janeiro de 2014

McQuade, o Lobo Solitário

Título no Brasil: McQuade, o Lobo Solitário
Título Original: Lone Wolf McQuade
Ano de Produção: 1983
País: Estados Unidos
Estúdio: Orion Pictures
Direção: Steve Carver
Roteiro: B.J. Nelson, H. Kaye Dyal
Elenco: Chuck Norris, David Carradine, Barbara Carrera

Sinopse: 
J.J. McQuade (Chuck Norris) é um Texas Ranger diferente, que não procura seguir exatamente as regras! É um sujeito que prefere agir sozinho o que acaba lhe dando a alcunha de "Lobo Solitário". Em busca de armas automáticas militares roubadas ele acaba descobrindo uma perigosa rede de traficantes de drogas. Abrindo mão de seu modo de trabalhar e investigar sozinho acaba se unindo a um agente do FBI para colocar as mãos nos criminosos.

Comentários:
Filmado em El Paso, Texas, "McQuade" foi escrito para ser inicialmente estrelado pelo ator e cantor country Kris Kristofferson que desistiu do papel poucas semanas antes do começo das filmagens, preferindo sair em mais uma turnê com sua banda. Assim a Orion acabou escalando Chuck Norris em cima da hora, o que não deixa de ser uma grande ironia do destino pois o personagem acabou sendo uma das marcas registradas do ator (tanto que em "Os Mercenários 2" Norris é chamado de "O Lobo Solitário"). De uma forma ou outra acabou se tornando um dos mais populares filmes de Norris. Uma tentativa de unir resquícios do western spaghetti com os filmes de lutas marciais populares na década de 1970. David Carradine também está no elenco. Anos depois ele afirmaria numa entrevista, de forma bem divertida, que teria feito a cena final de luta com Chuck Norris sem dublês - o que foi confirmado pelos produtores na época - e tinha sobrevivido para contar a história! Uma clara piada com a fama de imbatível de Norris. Curiosamente quando Norris resolveu trocar o cinema pela TV na década de 1990 ele acabou estrelando o seriado  "Walker, Texas Ranger", que para muitos seria quase uma cópia literal do enredo desse filme. De fato ao se comparar o filme à série ficamos com a impressão que "Walker" nada mais é do que um produto reciclado do original. Afinal, em ambos os casos Norris é um Texas Ranger especializado em chutar traseiros na fronteira entre México e Estados Unidos. Para os fãs isso não importa pois para eles não poderia haver nada melhor e mais divertido do que isso.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Volcano - A Fúria

Título no Brasil: Volcano - A Fúria
Título Original: Volcano
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Mick Jackson
Roteiro: Jerome Armstrong, Billy Ray
Elenco: Tommy Lee Jones, Anne Heche, Gaby Hoffmann, Don Cheadle

Sinopse: Para surpresa de todos os cientistas americanos um vulcão completamente desconhecido da ciência surge bem no meio da cidade de Los Angeles. Não tarda para que entre em erupção causando grande caos e desespero em todos os habitantes da grande metrópole californiana. 

Comentários:
Hollywood tem dessas coisas, algumas vezes dois filmes em dois estúdios diferentes são produzidos e lançados ao mesmo tempo. Foi o que aconteceu com esse "Volcano" e "Inferno de Dante". Dois filmes sobre desastres naturais causados por vulcões. No fundo não passam de remakes inspirados nos filmes catástrofes dos anos 70. Dos dois o que prefiro mais certamente é "Inferno de Dante" (embora nenhum deles seja lá grande coisa). "Volcano" é bem menos preocupado em dar ao espectador o mínimo de verossimilhança pois o que se quer mesmo é usar a tecnologia de efeitos digitais (nos anos 90 uma grande novidade) ao limite. Assim o filme não passa de uma sucessão de cenas absurdas com carros, ruas, pessoas e avenidas sendo devoradas pela lava do vulcão em Los Angeles. Em um roteiro tão pífio tudo o que sobra para Tommy Lee Jones fazer em cena e sair correndo de lá e pra cá para salvar algumas pessoas enquanto a cidade é literalmente engolida pelas chamas incandescentes. Em suma, "Volcano" nada mais é hoje em dia do que uma bobagem que envelheceu muito mal.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu

Moça com Brinco de Pérola

Título no Brasil: Moça com Brinco de Pérola
Título Original: Girl with a Pearl Earring
Ano de Produção: 2003
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Peter Webber
Roteiro: Olivia Hetreed, baseado no romance de Tracy Chevalier
Elenco: Colin Firth, Scarlett Johansson, Tom Wilkinson, Cillian Murphy, Judy Parfitt

Sinopse: O romance mescla história real com mera ficção. Um dos quadros mais famosos do pintor Johannes Vermeer (aqui interpretado por Colin Firth) foi justamente "Moça com Brinco de Pérola". Aqui temos a narração dos fatos que deram origem ao quadro. A jovem Griet (Scarlett Johansson) acaba servindo de modelo para a pintura após ir trabalhar como empregada doméstica na casa do artista, se tornando assim imortalizada através da arte de seu patrão.

Comentários:
Com enredo criativo e excelente direção de arte esse filme "Moça com Brinco de Pérola" surpreende pelo bom gosto. Eu sempre gostei de filmes históricos como esse e por essa razão a produção me agradou bastante. Tudo muito refinado e fino (tanto o roteiro quanto a direção do filme). Uma das primeiras coisas que chamam a atenção é a clara semelhança entre a atriz Scarlett Johansson e a garota que foi pintada por Johannes Vermeer. Ótima escolha de elenco. No mais, embora tome várias liberdades históricas com os acontecimentos reais o filme agrada e conquista o espectador pelo próprio romance envolvente que vai tomando conta dos personagens. Colin Firth segue com sua típica caracterização de conquistador relutante, o que para muitas mulheres é puro charme. Ótimo elenco de apoio - como por exemplo a sempre marcante presença de Tom Wilkinson - completam o quadro de uma produção que realmente vale muito a pena, principalmente para quem estiver em busca de um bom drama com bastante romance histórico.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Brooklyn Nine-Nine

Título no Brasil: Brooklyn Nine-Nine
Título Original: Brooklyn Nine-Nine
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: NBC
Direção: Vários
Roteiro: Daniel J. Goor, Michael Schur
Elenco: Andy Samberg, Stephanie Beatriz, Terry Crews

Sinopse: Brooklyn Nine-Nine é o apelido que os tiras dão ao departamento de polícia do bairro do Brooklyn em Nova Iorque. No meio de crimes sem noção - como a de um sujeito especializado em roubar pizzas - os policiais vão desfilando seu repertório de piadas e bom humor.

Comentários:
Essa nova sitcom virou a queridinha da crítica americana. O estilo é completamente besteirol, com tiras do departamento de polícia do Brooklyn fazendo todo tipo de palhaçadas. A comédia se apóia no ator e comediante Andy Samberg que é muito popular nos Estados Unidos por causa de suas atuações no programa Saturday Night Live. Sinceramente a série é pra lá de bobinha. No episódio piloto, por exemplo, temos um festival de gags rápidas e ligeiras, beirando o absurdo completo, o que me lembrou imediatamente do divertido "Scrubs" só que sem o mesmo efeito. O problema é que não simpatizo muito com a cara de palerma de Andy Samberg que faz um esforço enorme para ser muito engraçado. Na minha opinião ele não é nada hilário. Seu tipo de humor muitas vezes é por demais específico e só faz maior sentido para os judeus nova-iorquinos. Para os brasileiros muitas das piadas não encontram um trocadilho engraçado em nosso idioma. Até quando tenta ser politicamente incorreto (como no caso do chefe do departamento que é negro e gay) a coisa não funciona muito bem. No geral não vi absolutamente nada demais e não consegui entender mesmo porque uma série tão tolinha levou o Globo de Ouro de melhor série na categoria comédia. Será mais algum tipo de piada interna que não conseguimos entender completamente?

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Grande Dragão Branco

Título no Brasil: O Grande Dragão Branco
Título Original: Bloodsport
Ano de Produção: 1988
País: Estados Unidos
Estúdio: Cannon International
Direção: Newt Arnold
Roteiro: Mel Friedman, Christopher Cosby
Elenco: Jean-Claude Van Damme, Donald Gibb, Leah Ayres, Norman Burton

Sinopse: "Kumite" é um torneio de artes marciais clandestino e ilegal que segue as regras de vida e morte dos antigos gladiadores romanos. O vencedor será aquele que liquidar seu adversário. Frank Dux (Van Damme) é um soldado americano que decide entrar na competição por um motivo pessoal. Sua vida porém não será nada fácil pois uma jornalista investigativa também está à procura do tão falado torneio secreto. Ela pretende entrar nos bastidores de tudo para depois denunciar a realização das lutas para a polícia.

Comentários:
Um dos filmes que transformaram o ator Jean-Claude Van Damme em ídolo dos fãs de filmes de ação. "O Grande Dragão Branco" foi lançado pela produtora Cannon e logo se tornou um campeão de popularidade, inclusive no Brasil onde foi exibido por meses a fio nos cinemas. Depois o sucesso se repetiu quando finalmente chegou nas locadoras pela Paris Filmes. Curiosamente a estória que vemos no filme foi baseada em fatos reais, em aspectos da vida do lutador Frank W. Dux que se tornou um dos grandes campeões das décadas de 1970 e 80. Obviamente que o verdadeiro Dux em nada se parecia com Van Damme no tatame. Aqui o ator belga procurou desenvolver suas próprias técnicas, algumas bem diferentes, que fizeram a festa dos admiradores de seu estilo único. Depois do sucesso dessa produção Jean-Claude Van Damme virou o maior astro da produtora Cannon, superando até mesmo Chuck Norris em salários e prestigio. Não era para menos, ele tinha agilidade, era jovem e carismático. Enfim, queiram ou não, temos aqui um verdadeiro marco no cinema de ação dos anos 80.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - FTD Dixieland Delight!

Elvis Presley - FTD Dixieland Delight!
Em 1975 Elvis realizou uma série de concertos no Von Braun Civic Center em Huntsville, Alabama. Nesse local Elvis se apresentou em dois shows diários, uma matinê às 2:30hs da tarde e outro concerto noturno às 20:30hs. Essa série de concertos está ultimamente muito em voga pois sua passagem por essa cidade foi bem documentada em áudio, levando os selos de bootlegs a realmente aproveitar o material em diversos lançamentos. Praticamente cada show de Elvis realizado nessa cidade possui título próprio, senão vejamos, dos concertos realizados no dia 31 de maio temos o bootleg A Wild Weekend in Huntsville vol.01 e o CD Across The Country vol.02; do dia 1º de junho A Wild Weekend in Huntsville vol.02 e Adios Huntsville, fora o fato de que o próprio selo FTD já lançou grande parte dos shows no Southern Nights (um tipo de coletanea dessa passagem de Elvis nessa cidade do Alabama).

Dessa maneira poucos previam que o selo iria voltar novamente a esses shows, o tema parecia esgotado, principalmente após a farra promovida pelos bootlegs. Para surpresa geral porém eis que Ernst Jorgensen resolve colocar no mercado um CD duplo com a suposta apresentação na íntegra das apresentações feitas no dia 31 de maio e 2 de junho de 1975. A palavra "suposta" realmente não foi usada em vão, pois os concertos não estão completos, faltando a parte inicial, da abertura e geralmente da primeira e segunda canções apresentadas por Elvis. Isso se deve ao fato de que muitas vezes as aberturas dos shows de Elvis não eram gravadas.

FTD Dixieland Delight - 1. Love Me 2. If You Love Me (Let Me Know) 3. Love Me Tender 4. All Shook Up 5. Teddy Bear - Don't Be Cruel 6. The Wonder Of You 7. Burning Love 8. Introductions 9. Trouble (incomplete) 10. T-R-O-U-B-L-E 11. Hawaiian Wedding Song 12. Let Me Be There 13. An American Trilogy 14. Funny How Time Slips Away 15. Blue Suede Shoes 16. For The Good Times 17. Little Darlin' 18. Can't Help Falling In Love The Bonus Songs: (May 31, 1975, Evening Show) 19. Johnny B. Goode 20. Hound Dog 21. I'm Leavin' Disc 2: (June 1, 1975, Evening Show) 1. Love Me 2. If You Love Me (Let Me Know) 3. Love Me Tender 4. All Shook Up 5. Teddy Bear - Don't Be Cruel 6. The Wonder Of You 7. Burning Love (incomplete) 8. Polk Salad Annie 9. Introductions 10. I Can't Stop Loving You 11. T-R-O-U-B-L-E 12. I'll Remember You 13. Let Me Be There 14. Why Me Lord 15. An American Trilogy 16. Funny How Time Slips Away 17. Little Darlin' 18. Can't Help Falling In Love The Bonus Songs: (June 1, 1975, Matinee Show) 19. I Got A Woman - Amen 20. Release Me 21. Heartbreak Hotel 22. How Great Thou Art.

Pablo Aluísio.

Norah Jones - Foreverly by Billie Joe + Norah

Título Original: Foreverly by Billie Joe + Norah
Cantores: Billie Joe Armstrong, Norah Jones
Ano de Produção: 2013
Data de Lançamento: Novembro de 2013
Gênero: Folk, Country
Produção: Billie Joe Armstrong, Norah Jones
Gravadora: Reprise Records

Faixas: Roving Gambler / Long Time Gone / Lightning Express / Silver Haired Daddy of Mine / Down in the Willow Garden / Who's Gonna Shoe Your Pretty Little Feet? / Oh So Many Years / Barbara Allen / Rockin' Alone (In an Old Rockin' Chair) / I'm Here to Get My Baby Out of Jail / Kentucky / Put My Little Shoes Away

Comentários:
Todos sabem que sou fã número 1 da cantora Norah Jones. Aqui no blog mesmo fiz pequenas resenhas de praticamente toda a sua discografia. Quando esse projeto foi anunciado achei simplesmente genial, afinal de contas seria uma releitura dos maiores sucessos da ótima dupla Everly Brothers, de quem também sou admirador. As expectativas, como pode se ver eram as melhores possíveis. Norah Jones faria dupla no CD com o vocalista (e enfezadinho) cantor Billie Joe Armstrong do Green Day. Até gosto dessa banda, cheguei a ouvir bastante seu álbum "American Idiot" feito em "homenagem" ao presidente americano George W. Bush. Sim, o álbum prometia muito mesmo mas...

Logo nas primeiras audições ficou aquele gostinho de decepção. Não me entendam mal, o álbum é muito bem produzido, lindamente interpretado por Norah e Billie mas seu grande mal é que todas as gravações são absurdamente fiéis aos registros originais dos Everly Brothers. Não há qualquer inovação. Se fosse um filme seria um remake cena a cena, sem um pingo de ousadia e originalidade. Nem uma linha a mais ou a menos. Os arranjos são completamente iguais às gravações dos Everlys Brothers, sem tirar nem colocar nenhum instrumento. Não era bem isso que eu esperava encontrar.

Para quem tem vários CDs da dupla dos anos 50 o som das faixas desse álbum vai soar completamente sem novidades. Esperava algo mais pulsante, mais marcante, inovador acima de tudo. Respeito demais à obra original às vezes atrapalha quando se fala em música. Até a vocalização soa completamente idêntica. Norah faz a segunda voz para Billie Joe Armstrong se transformar em um verdadeiro cover dos Everlys. Na minha opinião o que faltou mesmo foi a presença de um produtor autoral nos estúdios, uma pessoa que dissesse para esses grandes músicos algo do tipo: "Ok, são belas músicas, mas vamos dar a nossa interpretação delas"! Como o CD foi produzida pela própria dupla Norah e Billie, isso não aconteceu. Eles foram lá e fizeram seus covers. É pouco, muito pouco.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Álbum de Família

Título no Brasil: Álbum de Família
Título Original: August Osage County
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Weinstein Company
Direção: John Wells
Roteiro: Tracy Letts
Elenco: Meryl Streep, Dermot Mulroney, Julia Roberts, Ewan McGregor, Chris Cooper, Juliette Lewis, Julianne Nicholson, Abigail Breslin

Sinopse: Baseado na peça de Tracy Letts (que também assina o roteiro) o filme "Álbum de Família" conta em seu enredo os fatos que acontecem quando a família Weston se reúne na casa de sua mãe, Violet Weston (Meryl Streep), após a morte de seu marido. As três filhas estão lá para consolar sua mãe mas as coisas logo saem do controle. Farpas e grandes doses de veneno logo são jogados em plena mesa do jantar. O texto original foi premiado com o Pullitzer e o Tony no ano de seu lançamento.

Comentários:
É incrível como Meryl Streep consegue se superar a cada novo filme. Quando você pensa que ela já chegou ao topo da arte de interpretar ela surge com algo a mais em sua nova produção nas telas. Nesse filme aqui a atriz tem a oportunidade de dar vida a uma de suas melhores personagens, a matriarca Violet Weston. Ela tem problemas com drogas prescritas (toma diariamente um verdadeiro coquetel de pílulas) que aliada ao seu terrível temperamento dá origem a uma pessoa que se comporta como uma verdadeira víbora, desfilando veneno para todos os lados. Como não poderia deixar de ser seu alvo se materializa principalmente em seus parentes. Karen (Juliette Lewis) é fútil e sem juízo, sempre trocando de maridos. Agora ela surge com um novo noivo, um sujeito mais velho, que parece ter ligações com atividades ilícitas. Ivy (Julianne Nicholson) é tímida e oprimida. Solteirona ela se torna vítima das piadas maldosas da mãe. Na surdina porém mantém um relacionamento com seu primo, algo que nunca poderá se concretizar por causa de um complicado segredo de família. A única filha que tem força suficiente para enfrentar a mãe Violet é Barbara (Julia Roberts, em bela atuação). Seus problemas no casamento porém logo minam sua vontade de enfrentar Violet de forma frontal.

"Álbum de Família" foi inspirado nas próprias experiências pessoais da autora da peça. A personagem Violet foi criada a partir de sua tia, uma matrona muito maldosa e ferina, que sempre atacava a todos quando a família finalmente se reunia em datas festivas. Como toda família temos um palco ideal para muitas brigas e conflitos internos. O clima é sufocante e inóspito e tudo parece prestes a explodir quando todos os parentes resolvem novamente se reunir. O cenário é o estado americano do Oklahoma, um lugar distante e muito quente, localizado no meio oeste do país. A região acabou forjando pessoas muito duras no trato social. A Violet de Meryl Streep (que é o grande personagem do filme) é fruto desse meio. Uma pessoa má em essência, com muita maldade para jogar em todos os membros de sua família. Certamente para quem já passou uma saia justa numa reunião familiar a identificação será imediata, até porque ao que tudo indica todas as famílias são muito parecidas em si e esse texto foi brilhante ao capturar o pior aspecto de todas elas. É um filme apoiado em grandes diálogos e grandes atuações. A peça original tem mais de três horas de duração mas o diretor John Wells conseguiu colocar tudo muito bem em pouco mais de duas horas de filme, sem perdas significativas. O resultado sem dúvida é uma grande e bela obra cinematográfica. Não deixe de assistir pois é seguramente desde já um dos melhores filmes do ano.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Elvis e o Cover


Bom, há algum tempo atrás me pediram que mostrasse uma foto de Elvis Presley com um de seus covers tirada nos portões da casa de Elvis na Califórnia. Sabia que tinha a foto em meus arquivos mas não encontrava até que finalmente hoje as localizei. Inicialmente as divulguei no meu perfil no Facebook e como houve grande interesse dos internautas e fãs de Elvis por elas as trago agora  também aqui para nosso blog. O nome do cover ao lado de Elvis no portão é Larry Blong. As fotos datam de 1972. Espero que gostem. Um grande abraço, Pablo Aluísio.


Phantom - O Submarino Fantasma

Título no Brasil: Phantom - O Submarino Fantasma
Título Original: Phantom
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: RCR Media Group, Trilogy Entertainment Group
Direção: Todd Robinson
Roteiro: Todd Robinson
Elenco: Ed Harris, David Duchovny, Lance Henriksen, Julian Adams

Sinopse: 
Após chegar de uma missão de 72 dias em alto-mar o capitão de submarinos nucleares da União Soviética, Dmitri Zubov (Ed Harris), recebe uma nova missão. Ele deverá comandar um antigo submarino russo em direção ao mar aberto para testes com um novo dispositivo que torna os navios e embarcações da marinha soviética invisíveis aos radares e sonares da esquadra americana. Para isso ele deverá levar o submarino para o mais próximo possível de navios da armada americana e sair de lá sem ser notado pelos militares inimigos. Para assegurar que a missão seja cumprida sem desvios dois agentes da KGB (um deles interpretado por David Duchovny de "Arquivo X") sobem à borda. A missão porém não sairá como foi previamente planejada.

Comentários:
Mais uma interessante trama passada na época da guerra fria mostrando os conflitos e jogos de poder envolvendo a tripulação de um submarino da esquadra vermelha da União Soviética. A primeira referência que vem em nossas mentes é "Caçada ao Outubro Vermelho" pois tal como lá temos também uma embarcação de guerra que perde o controle, levando tudo a uma situação limite envolvendo Estados Unidos e União Soviética que ficam à beira de uma guerra nuclear. O personagem de Ed Harris (sempre bem em cena) tem vários problemas pessoais. Ele sofre de epilepsia e para controlar isso exagera na bebida, causando transtornos dentro do submarino. Filho de um herói de guerra não consegue ficar à altura de seu pai, criando assim uma grande crise existencial dentro de si. Para piorar tem que lidar com um agente da KGB (David Duchovny) cuja presença entre os tripulantes nunca fica muito bem clara. Ele está lá supostamente para comandar os testes em uma arma secreta de inteligência mas parece haver algo mais. Apesar da boa trama temos que admitir que "Phantom" não é tão bem produzido quanto os outros filmes de submarinos que estamos acostumados a ver no cinema. Com um orçamento mais restrito ele aposta alto nas reviravoltas do enredo e no elenco (que é acima da média). Há tensão, ação e suspense em boas doses. Um filme relativamente curto (pouco mais de 90 minutos) que no final das contas acaba agradando, principalmente por causa do carisma de Ed Harris e da boa estória que conta.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Aposta Máxima

Título no Brasil: Aposta Máxima
Título Original: Runner Runner
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Brad Furman
Roteiro: Brian Koppelman, David Levien
Elenco: Ben Affleck, Justin Timberlake, Gemma Arterton, Anthony Mackie

Sinopse: Richie Furst (Justin Timberlake) é um aluno da prestigiada universidade de Princeton que, precisando de dinheiro para pagar as mensalidades de seu curso, começa a agenciar apostas entre alunos e professores. Suas atividades chegam ao conhecimento da reitoria da instituição que lhe dá uma escolha: ou encerra as apostas ou então será expulso. Em um ato de desespero resolve então fazer uma última grande aposta em um site de jogos online mas acaba perdendo tudo que tem. Intrigado, desconfia que foi roubado e parte para a Costa Rica onde o site é gerenciado pelo americano Ivan Block (Ben Affleck) que está sob a mira do FBI. Sem perceber Richie acaba entrando numa rede envolvendo fraudes online, desvio e lavagem de dinheiro e crimes financeiros de toda ordem.

Comentários:
Esse "Aposta Máxima" se propõe a revelar um pouco dos bastidores das grandes jogatinas feitas por sites da internet. O personagem de Ben Affleck é um ex-corredor de Wall Street que decide abrir um site de jogos, onde cifras milionárias chegam de todos os lugares do mundo. Para evitar ter problemas com o FBI ele instala o QG de suas operações na ilha de Costa Rica e para continuar levando seus negócios em frente monta um grande esquema de corrupção envolvendo as autoridades locais. Já o Richie de Justin Timberlake (em boa atuação) é um aluno de Princeton que atrás de recuperar a grana que lhe foi roubada pelo site acaba se deslumbrando com a vida de poder, mulheres e riquezas que Ivan Block (Affleck) desfruta. Ao invés de denunciar as falcatruas de Block acaba se aliando a ele, indo trabalhar no site de jogos. O problema é que tudo não passa de uma grande operação fraudulenta que se apropria do dinheiro dos apostadores ao redor do mundo. O roteiro assim vai explorando os pequenos e grandes golpes envolvendo jogos online. Affleck traz um toque de psicopatia para seu personagem, um sujeito que sempre parece ser bacana e boa praça, mas que no fundo é extremamente calculista ao usar todas as pessoas ao seu redor. Não é um filme excepcional mas consegue manter o interesse o tempo todo por causa da boa trama que se dispõe a contar. Justin Timberlake, quem diria, segura bem as pontas. Outro ponto positivo é a direção de Brad Furman (o mesmo de "O Poder e a Lei") que nunca deixa o filme cair no marasmo ou no lugar comum. Vale certamente ser conhecido.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Kojak

Título no Brasil: Kojak
Título Original: Kojak
Ano de Produção: 1973 - 1978
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal TV
Direção: Vários
Roteiro: Abby Mann (criador da série)
Elenco: Telly Savalas, Dan Frazer, Kevin Dobson

Sinopse: O tenente Theo Kojak (Telly Savalas) trabalha no departamento de polícia de uma das maiores cidades dos Estados Unidos. Seu cotidiano é duro, pois tem que enfrentar toda a escória da sociedade. Para isso não se importa de usar métodos pouco convencionais. Grande sucesso popular da TV americana durante os anos 1970.

Comentários:
Se estivesse vivo o ator Telly Savalas (1922 - 1994) estaria fazendo aniversário hoje! Embora tenha tido uma carreira longa e produtiva em Hollywood (com mais de 120 filmes no currículo), Savalas se notabilizou mesmo com essa série policial dos anos 70 chamada "Kojak". O seriado ficou tão popular e famoso (inclusive no Brasil) que Savalas nunca mais se livrou do personagem, chegando ao ponto inclusive de muitos nem mais usarem seu nome real mas sim Kojak para se referir ao ator. O policial careca e durão, sempre com um pirulito na boca, entrou definitivamente na galeria dos tiras imortais da cultura pop. E qual foi o segredo de tamanho êxito comercial? Simples, na década de 70 a TV americana procurou seguir os passos do que estava acontecendo no cinema. Em Hollywood os filmes procuravam por mais realismo, mostrando o mundo como ele realmente era, sem qualquer tipo de amenização ou romantização da realidade. "Kojak" seguia por essa linha. O policial vivia nas ruas infestadas de criminosos, prostitutas, cafetões, escroques e pilantras de toda ordem. As grandes cidades americanas surgiam nas telas sem qualquer tipo de cortina, mostrando a crueldade que imperava nos guetos e ruas mal iluminadas. Esse realismo cru acabou transformando "Kojak" numa febre, o que inspiraria centenas de séries depois dela - inclusive até nos dias atuais conseguimos sentir essa influência viva na TV americana. Assim deixamos a sugestão para você, que gosta de seriados americanos, conhecer uma das séries mais importantes da televisão dos anos 70. Certamente você não se arrependerá.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Meu Triste Long-Play

"Ligue a sua eletrola..." - cantava Nelson Gonçalves no bolerão "Meu Triste Long-Play". Para os mais jovens essas duas palavras não fazem o menor sentido, pois não sabem o que é uma eletrola e nem muito menos o que seria um Long-Play. Normal. A tecnologia avança para frente e esses duas ferramentas tecnológicas são tão obsoletas e ultrapassadas hoje em dia como a máquina de escrever e a caneta tinteiro. São tecnologias mortas, que foram deixadas de lado após o advento da tecnologia digital. Claro, existem os colecionadores saudosistas e os que defendem o som mecânico (entenda-se vinil) mas do ponto de vista do avanço da ciência não há mais volta. Sim, sou do tempo do LP (Long-Play) e ainda tenho vários em minha casa. Não os ouço mais, pois não tenho mais o toca-discos para isso, a tal eletrola citada na voz de Nelson Gonçalves.

Em termos de qualidade e preço tenho poucas saudades do disco de vinil. Eram caros, se velhos vinham com vários defeitos, furos, e o som era completamente comprometido. Comprar um disco no sebo então era uma verdadeira loteria. O problema é que quem gostava de clássicos (como eu) tinha que se sujeitar a isso para conseguir ouvir aquele cantor de rock antigo, como o próprio Elvis. Esperar pelas gravadoras era o fim da picada, principalmente no Brasil. Aliás não tenho a menor saudade das gravadoras, pois lançavam apenas o que queriam e quando queriam. Quando a maioria delas começou a descer a ladeira não tive a menor pena. Pelo contrário, me senti vingado para falar a verdade!

Hoje em dia a cultura musical navega online, com muita facilidade. Se você quiser adquirir todo o catálogo de qualquer artista basta dar um click. Na minha época era tudo muito complicado. A maioria dos álbuns eram fora de catálogo e você tinha que ir em algum sebo de discos usados para quem sabe, num lance de sorte, encontrar aquele disco raro pela frente. As antigas lojas de discos usados mais pareciam antigas criptas de reis do Egito. Muita poeira, ratos por todos os lados e aquele atendente que não sabia de coisa nenhuma. Você tinha assim que se lançar sobre pilhas e pilhas de discos velhos, sujos, empoeirados e alguns até mesmo com resquícios de crimes - certa vez peguei um disco que gostava muito que estava com sangue coagulado humano na capa!!! Provavelmente estava na cena de algum assassinato! Imagine o meu nojo ao me deparar com aquilo! Horrível, horrível...

As capas dos vinis eram maravilhosas, temos que convir. Eram grandes, bonitas e algumas verdadeiras obras de arte (como a do "Sgt Peppers" dos Beatles). O problema é que como eram de papel podia-se escrever nelas e brasileiro sempre teve o péssimo, horroroso hábito de fazer dedicatórias para suas namoradas. Assim quando você encontrava aquele super raro disco do Carl Perkins tinha um choque quando via na capa em letras garrafais a dedicatória de "Xampinho, com amor para Maria Simplória". Imagine a decepção! Outra coisa comum era encontrar a capa mas não o disco em si! Certa vez achei uma capa maravilhosa do Eric Clapton mas dentro colocaram o disco do Genival Lacerda! Outra decepção dos tempos do vinil.

Como escrevi guardo ainda uma boa coleção de discos de vinil por pura questão sentimental. A maioria deles já tenho em CD e outras mídias sonoras. Para falar a verdade quase tudo que tenho em vinil caberia em no máximo dez DVDs se gravasse os discos no formato data arquivo. Ele ocupam um espaço que hoje em dia soa desconfortável para a maioria das pessoas, principalmente atualmente quando os apartamentos e casas diminuem na medida em que aumenta o valor médio do metro quadrado nas grandes cidades. Se tornou um objeto sem propósito, desproporcional. Mas como disse tem seus defensores. Algumas vezes penso sobre essa curiosa atração que o vinil ainda exerce (inclusive sobre mim). Talvez seja o carisma da própria tecnologia em si ou apenas um símbolo de uma era que não existe mais. Provavelmente o apaixonado por discos de vinil seja apenas um simpático saudosista vintage. Afinal, o passado também tem seu charme.

Erick Steve.

Carl Perkins


Carl Perkins (1932 - 1998) foi um dos verdadeiros pais do Rock ´n´ Roll. Nascido em Tiptonville, Tennessee, de origem bastante humilde, Perkins começou sua carreira na mesma Sun Records que também havia descoberto Elvis Presley, entre outros pioneiros do rock. Autor de "Blue Suede Shoes", um dos maiores sucessos de Elvis, Perkins teve sua carreira prejudicada por um acidente de carro que o tirou de circulação por vários anos. Isso porém não impediu que grandes nomes da música gravassem canções escritas por Perkins em seus discos, inclusive Beatles, Johnny Cash, Jerry Lee Lewis e Roy Orbison. Em 1982 Paul McCartney fez uma homenagem ao músico em seu álbum "Tug of War". Em 1987 ele foi homenageado entrando para o Hall da Fama do Rock and Roll. Já a revista Rolling Stone reconheceu seu talento como guitarrista o inserindo na lista dos cem maiors guitarristas de todos os tempos (The 100 Greatest Guitarists of All Time).

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Percy Jackson e o Ladrão de Raios

Título no Brasil: Percy Jackson e o Ladrão de Raios
Título Original: Percy Jackson & the Olympians: The Lightning Thief
Ano de Produção: 2010
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Chris Columbus
Roteiro: Craig Titley, baseado no livro de Rick Riordan
Elenco: Logan Lerman, Sean Bean, Pierce Brosnan, Uma Thurman

Sinopse: O jovem Percy Jackson (Logan Lerman) aparenta ser um adolescente comum, igual a todos os outros. Sua verdadeira natureza porém é bem diversa. Ele na realidade é um semideus, filho de uma mortal com o deus Poseidon. Tentando lidar com essa nova realidade ele precisa agora se defender daqueles que o acusam de ter roubado uma das armas mais poderosas da mitologia, o raio de Zeus! Para provar que é inocente ele então parte para uma grande aventura, jamais imaginada por um garoto como ele!

Comentários:
Com o sucesso de franquias como "Harry Potter" e "O Senhor dos Anéis" era de se esperar que outras adaptações de livros populares para o público infanto-juvenil viessem à tona. A aposta dos estúdios Fox então recaiu sobre esse personagem Percy Jackson. Com um orçamento de quase 100 milhões de dólares na produção as expectativas comerciais eram as melhores possíveis mas os resultados foram bem mornos. Em termos de qualidade também não há comparação com as séries de filmes que levaram a Fox a investir tanto aqui. Na verdade as tramas envolvendo Percy Jackson são bem derivativas, sem maiores novidades. Nem o talento do cineasta Chris Columbus para esse tipo de filme fez diferença. Na minha opinião o que atrapalhou mesmo foi o material original que deu origem ao filme. Nem sempre livros de fantasia são adequados para o cinema pois o que funciona na literatura nem sempre funciona na tela. Esse personagem é um exemplo. Ele não tem o carisma de um Harry Potter e nem muito menos a profundidade da saga de J. R. R. Tolkien! É apenas uma aventura fantasiosa com um excelente elenco de apoio mas com um ator bem sem graça no papel principal. O que sobra no final das contas é puro tédio. Talvez agrade a certa parcela do público na faixa dos 14 anos. Já para os adultos o bocejo no final da exibição será inevitável.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Uma Noite no Museu 2

Título no Brasil: Uma Noite no Museu 2
Título Original: Night at the Museum: Battle of the Smithsonian
Ano de Produção: 2009
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Shawn Levy
Roteiro: Robert Ben Garant, Thomas Lennon
Elenco: Ben Stiller, Owen Wilson, Amy Adams, Robin Williams

Sinopse: No Instituto Smithsonian, em Washington, um faraó milenar chamado Kahmunrah, desperta de seu sono eterno para conquistar o mundo. Os demais membros que fazem parte da coleção do museu decidem então pedir a ajuda do velho amigo Larry Daley (Ben Stiller) para combater a terrível ameaça.

Comentários:
Praticamente o mesmo filme anterior, só que com pequenas mudanças para disfarçar a falta de novidades. Falando francamente essa franquia é muito chata. Tudo se baseia em usar ao máximo a tecnologia de efeitos digitais para criar cenas bacaninhas para o público infanto-juvenil. Fora isso nada que venha a ter algum valor cinematográfico. É o chamado filme pipoca de verão por excelência. No elenco, além do chatinho Ben Stiller, ainda temos a presença da carismática Amy Adams em um papel que deve dar vergonha alheia a ela hoje em dia. Owen Wilson também tenta tirar algo de seu raso personagem mas em vão. Pior se sai Robin Williams, que de um passado de sucessos passou a ser coadjuvante de luxo nessa comédia pirotécnica sem a maior importância. A direção é burocrática e as cenas são meras imitações do primeiro filme, mostrando que tudo não passa de um prato ruim requentado. Assim se você viu o primeiro filme só podemos lamentar. Não vá perder seu tempo novamente vendo esse verdadeiro pastel de vento do cinema.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

James e o Pêssego Gigante

Título no Brasil: James e o Pêssego Gigante
Título Original: James and the Giant Peach
Ano de Produção: 1996
País: Estados Unidos
Estúdio: Walt Disney Pictures
Direção: Henry Selick
Roteiro: Roald Dahl, Karey Kirkpatrick
Elenco: Paul Terry, Joanna Lumley, Pete Postlethwaite

Sinopse: James é um garotinho feliz até o dia em que seus pais desaparecem, o que para ele foi o resultado do ataque de um rinoceronte voador. Depois da morte de sua mãe e seu pai ele vai morar com suas tias solteironas que o tratam muito mal. Fazem James trabalhar, arrumando a casa e limpando o quintal. Ele se torna um menino solitário, sem amigos, que procura superar sua carência emocional tentando se tornar amigo dos pequenos bichinhos que encontra pela frente na fazenda, como uma aranha em sua janela. Um dia James vê sua vida mudar. Ele encontra um misterioso sujeito que lhe dá um saco cheio de objetos mágicos dentro. Sem querer James deixa tudo cair no chão, transformando totalmente a triste realidade ao seu redor em um mundo mágico e encantado.

Comentários:
Produzido por Tim Burton para a Disney esse pequeno conto "James and the Giant Peach" não é muito familiar às crianças brasileiras. O enredo é bem surreal e se torna mais ainda quando após deixar cair um saco mágico no chão James e suas tias percebem o surgimento de um pêssego gigante em seu quintal. Elas querem explorar comercialmente a enorme fruta enquanto que James acaba entrando dentro dela, dando origem a muitas aventuras mágicas. O filme é muito terno e começa convencional, com atores de carne e osso. Depois que James entra dentro do Pêssego tudo vira uma animação com técnica de stop motion, ou seja, animação de bonecos quadro a quadro. Impossível negar que esse tipo de estilo de animação é muito charmosa. Também não há como não sentir a mão de Tim Burton em toda a produção. O design dos personagens são a sua cara, e o estilo se torna obviamente Burtoniano. Há várias canções na trilha (o diretor Burton certa vez disse que essa animação era um musical em essência) e muitos números musicais ao estilo Broadway. O enredo é bem infantil, mais indicado para crianças bem pequenas, na faixa etária dos 7 anos pois o mundo muito imaginativo que se vê na tela certamente vai deixar todas elas encantadas. É algo que se comunica melhor com a mente delas nessa idade. Já para os mais adultos tudo vai soar como uma grande viagem lisérgica comandada pelo sempre singular Tim Burton.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Por que os EUA não invadiram a Síria?

Muita gente se fez essa pergunta. Afinal o presidente Barack Obama tinha afirmado que o dia em que o ditador sírio Bashar al-Assad usasse armas químicas seria o dia em que os Estados Unidos entrariam no conflito de uma vez por todas. Pois bem, como foi comprovado Bashar al-Assad usou gás mortal contra parcela de sua população e... nada aconteceu! Muitos se perguntam o porquê! Ora, Obama se precipitou em demasia. Primeiro ao colocar um ultimato no ar - coisa que não se deve fazer pois delimitar linhas em política internacional sempre é um equívoco. Também errou por ter dito que iria apoiar os rebeldes sírios contra o ditador mão de ferro. Sim, Bashar al-Assad é um ditador dos mais sanguinários, mas Obama deveria ter parado um pouco para conhecer também os tais rebeldes ao governo.

E quem são eles? Provavelmente a mais violenta e fanática facção do Oriente Médio. Entre eles se encontra o infame Estado Islâmico. São fanáticos religiosos, intolerantes, que estão matando cristãos na Síria e não satisfeitos com isso prometem ainda mais matanças para breve. Muitos outros grupos rebeldes são fortemente ligados à Al-Qaeda, a persistente rede terrorista que teima em levar em frente sua organização. Como é que um líder ocidental do porte de Obama vai mandar soldados americanos para morrerem na Síria em nome desse tipo de gente? No mínimo o presidente americano deveria ter procurado conhecer melhor os grupos rebeldes antes de sair dando ultimatos pela imprensa internacional. Quando tomou consciência no que estava se envolvendo já era tarde demais. Nesse quadro quem acabou ganhando foi Wladimir Wladimirowitsch Putin, o eterno líder russo, que desde o começo da guerra civil na Síria foi bem mais ponderado, não tirando o freio de mão do conselho de segurança da ONU, evitando assim mais uma intervenção desastrada dos Estados Unidos no Oriente Médio. Na verdade Bashar al-Assad é um líder mais ocidentalizado. Embora seja um ditador o ocidente sabe o que esperar dele. Como político ele vem implantando a plena liberdade religiosa em seu país, onde todos podem seguir a fé que desejarem. Além disso tem sempre procurado manter religião e Estado devidamente separados. Com os rebeldes isso certamente não será possível. O Estado Islâmico, por exemplo, não admite tal coisa. São intolerantes e querem implantar um regime de ditadura islâmica, acima de tudo. Há poucas semanas eles trucidaram uma jovem cristã em um vilarejo sírio. Também mataram centenas de cristãos e chegam ao ponto de manter mulheres escravas nas cidades que dominam. E não podemos esquecer que Bashar al-Assad tem sim apoio de grande parte de sua população, essa formada justamente pelas alas mais moderadas da sociedade.

Além das patetices de Obama na questão Síria, outro fato pesou contra a não intervenção americana naquele país. A verdade pura e simples é que a população dos Estados Unidos está farta de guerras em países distantes. As recentes intervenções no Iraque e Afeganistão se mostraram desastrosas em termos políticos e econômicos. O governo americano torrou bilhões de dólares nessas guerras e nesse processo acabou quebrando a própria economia do país. Os Estados Unidos de hoje não se parecem em nada com a grande e forte nação de trinta anos atrás. O desemprego está acelerado, o déficit público é um dos maiores da história e o país não consegue sair de uma eterna crise financeira. Para piorar a onda de imigração sem controle desfigura a população norte-americana, aumentando a cada dia diversos problemas sociais em determinadas cidades. O maior exemplo da decadência dos Estados Unidos é a outrora gloriosa Detroit, capital mundial na fabricação de carros que recentemente abriu falência (nas leis americanas uma cidade pode literalmente ir a bancarrota).

A verdade é que em certos países não existe solução mágica a médio prazo. No Afeganistão o talibã tem reconquistado territórios, impondo novamente sua fanática lei baseada no Islã a todos os habitantes das regiões controladas por eles. No Iraque houve a queda do ditador Saddam Hussein mas o povo iraquiano não sabe direito o que fazer com sua recém conquistada democracia (parecem com o povo brasileiro que não sabe em quem votar direito!). O número de ataques de carros-bomba só tem aumentado nos últimos meses. Os americanos por sua vez estão com o pé fora desses lugares pois o dinheiro acabou. Parece que os líderes dos EUA finalmente estão entendendo que intervenção em países do Oriente Médio só significa mesmo a importação de problemas, problemas dos outros, é bom deixar claro. Enquanto os americanos tentavam consertar o erros de outras nações esqueceram de olhar para seu próprio quintal, que diga-se de passagem não anda nada bem.

Assim há dois lados nessa guerra civil na Síria. De um temos uma ditadura. Essa não pode ser apoiada pelos americanos pois os Estados Unidos é um país democrático que supostamente procura promover a democracia ao redor do mundo. Do outro lado existem os rebeldes, entre eles o Estado Islâmico, fanáticos violentos e perigosos. Que lado escolher? Não há lado que se possa apoiar e os americanos preferem simplesmente se omitir. 

Pablo Aluísio.

O Informante

Título no Brasil: O Informante
Título Original: The Insider
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: Michael Mann
Roteiro: Marie Brenner, Eric Roth
Elenco: Russell Crowe, Al Pacino, Christopher Plummer

Sinopse: O filme narra a estória de um ex-executivo da indústria de cigarros dos Estados Unidos que após anos trabalhando em uma grande empresa decide revelar todo o jogo antiético das corporações que sempre em busca de grandes lucros promovem modificações na composição de seus produtos visando aumentar a dependência dos seus usuários. Baseado em fatos reais. Indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme, melhor direção (Michael Mann), melhor ator (Russell Crowe), melhor roteiro adaptado, melhor fotografia, melhor montagem e melhor som. Indicado ao Globo de Ouro nas categorias de melhor filme - drama, melhor direção (Michael Mann), melhor ator em drama (Russel Crowe), melhor roteiro e melhor trilha sonora original.

Comentários:
Durante décadas a indústria do tabaco nos Estados Unidos (e por extensão do mundo todo) promoveu estudos internos tentando encontrar algum resultado positivo em seu produto. Tudo o que concluiu porém foi que o tabaco era certamente responsável por terríveis doenças como o câncer de pulmão, entre outros. Obviamente que por mero interesse comercial (havia milhões em jogo) tudo foi varrido para debaixo do tapete. Como se isso não bastasse, de forma sorrateira, algumas empresas também começaram a apostar numa mudança na composição química de seus cigarros para aumentar o nível de dependência de seus usuários, os fumantes, tanto passivos como ativos. Tal comportamento, completamente antiético e ilegal, só veio à tona quando um ex-executivo da própria indústria americana resolveu abrir o jogo em um artigo publicado em um dos grandes jornais de Nova Iorque, mostrando todo o jogo sujo que havia por trás das grandes indústrias do fumo nos Estados Unidos.

Foi a partir desse material que nasceu "O Informante". Se trata de um filme que se propõe a denunciar o que está por baixo das pesquisas feitas pelas milionárias empresas que comercializam cigarros na América. O personagem interpretado por Russell Crowe pode até soar esquisito para alguns, mas o valor de seu trabalho não pode ser contestado. Crowe se entregou de corpo e alma ao papel e acabou recebendo importantes indicações para todos os principais prêmios da indústria do cinema (Oscar, Globo de Ouro, BAFTA e até Satellite Awards). Some-se a isso o excelente elenco de apoio que conta com monstros como Al Pacino (pouco tempo em cena, mas marcante como sempre) e Christopher Plummer e você entenderá a força da mensagem dessa produção. É um filme para reflexão, bem investigativo e que levanta questões importantes. Por essa razão talvez não desperte mais nem sequer a curiosidade dos mais jovens hoje em dia, mais interessados em banalidades. De qualquer forma para quem está em busca de respostas sobre o tema ainda não há nada melhor no cinema.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Hora do Espanto 2 (2013)

Título no Brasil: A Hora do Espanto 2
Título Original: Fright Night 2
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Gaeta / Rosenzweig Films
Direção: Eduardo Rodriguez
Roteiro: Matt Venne
Elenco: Will Payne, Jaime Murray, Sean Power

Sinopse: 
Charley Brewster (Will Payne) é um estudante americano que vai para a Romênia participar de um curso sobre história da arte européia. A professora é a bonita e sexy Gerri Dandridge (Jaime Murray) que durante as aulas começa a exercer um estranho fascínio em Charley. Ele fica intrigado com ela e para sua surpresa acaba presenciando nos corredores da universidade, numa noite escura, a morte de um aluno pelas mãos de Gerri, que na verdade nada mais é do que uma vampira secular, sempre em busca de sangue de seus jovens alunos. Agora, desesperado, ele parte a procura de ajuda e ao lado do amigo Evil (Chris Waller) tentará convencer o apresentador de reality shows sobre temas misteriosos, Peter Vincent (Sean Power), a participar da caçada contra a vampira sanguinária. 

Comentários:
Isso tem se tornado comum ultimamente nos Estados Unidos. Continuações de grandes sucessos do passado sendo lançadas diretamente no mercado de DVD. Com orçamentos bem mais modestos e elenco desconhecido do grande público esse tipo de lançamento visa faturar alguns trocados a mais em cima do nome comercial forte de franquias que não despertam mais o interesse dos grandes estúdios. Esse "Fright Night 2" traz um roteiro genérico, que tenta mais uma vez parecer diferente dos demais filmes, mesmo sendo em última análise igual aos anteriores. Os personagens que conhecemos (Charley, Evil e Peter Vincent) estão todos lá, com novos atores, mas obviamente sem o mesmo charme de antigamente. O curioso é que se "A Hora do Espanto" (o original de 1985) investia brilhantemente em um um terror com pitadas divertidas de um humor mais cômico, esse aqui não tem nada de engraçado. O roteiro pega carona na lenda de Elizabeth Báthory, a condessa que matava jovens virgens para se banhar em seu sangue, em busca de uma suposta juventude e beleza eternas. Essa mulher que realmente existiu acabou inspirando Bram Stoker na composição de seu mais famoso e imortal livro, "Drácula" em 1897. Assim espere pelo pacote completo, mortes, banheiras (e piscinas!) cheias de sangue humano e uma ou outra cena mais violenta. A atriz Jaime Murray que interpreta a vampira de fato é uma mulher muito bonita mas como atriz deixa a desejar. O personagem Peter Vincent, que tanto carisma emprestou ao filme original, está novamente desfigurado, sem graça, sem charme. Só recomendaria mesmo essa produção aos fãs da franquia "Fright Night" mas mesmo assim apenas para servir como mera curiosidade. Se você for esperar por algo especial vai se decepcionar. O filme até tem alguns bons momentos (como a cena inicial do ataque no posto de gasolina) mas no geral é um filme de terror apenas bem mediano. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Rota de Fuga

Título no Brasil: Rota de Fuga
Título Original: Ticket Out
Ano de Produção: 2011
País: Estados Unidos
Estúdio: Disparate Films, Minds Eye Entertainment
Direção: Doug Lodato
Roteiro: Suzanne Collins, Doug Lodato
Elenco: Ray Liotta, Alexandra Breckenridge, Colin Ford, Billy Burke

Sinopse: 
Após um fim de casamento muito complicado, a divorciada Jocelyn (Alexandra Breckenridge) precisa proteger seus dois filhos de seu ex-marido, um homem violento e abusivo. Para isso ela só conta a ajuda de Jim (Ray Liotta), um homem de fibra e coragem que assume a responsabilidade de proteger a família. Ele mostra para Jocelyn uma extensa rota de fuga que foi criada justamente para amparar famílias vítimas de violência doméstica como ela. Procurada pelo marido irascível Jocelyn agora precisa fugir por sua vida e a de seus filhos.

Comentários:
Na falta de argumentos melhores Hollywood resolveu transformar as eternas brigas pelas custódias dos filhos em um thriller de ação. A estrutura do filme porém é das mais convencionais, chegando muitas vezes a ter aquele jeitão de telefilmes baseados em fatos reais que tanto conhecemos. O roteiro é obviamente muito manipulador pois coloca o marido como um sujeito tão desprezível que logo cai na caricatura. Ray Liotta, mesmo interpretando um personagem supostamente do bem, não consegue perder seus maneirismos típicos de vilões. Não são poucas as cenas em que ele se comporta como se estivesse em "Os Bons Companheiros". Sua interpretação inclusive quase leva o espectador a acreditar que haverá algum tipo de reviravolta na trama, sendo ele o autor de algum plano maquiávelico no meio do caminho. Já Alexandra Breckenridge é uma beldade e tanto, uma loira muito bonita, com cara de modelo e que por isso se torna pouco convincente no papel de uma mãe desesperada querendo salvar seus dois filhos das garras do marido malvado. A trilha sonora incidental é péssima mas isso é compensando pela fotografia, pois há belas paisagens em cena. No saldo geral é um filme que não consegue ser muito convincente em muitos aspectos. Para uma noite de sábado sem balada porém até que pode servir para alguma coisa. Se for o seu caso tente, pois será exibido hoje à noite em Supercine, na Globo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Retrospectiva - Oscar 1987

Eu acompanho o Oscar com regularidade desde 1987. Por essa razão vou começar hoje uma pequena retrospectiva sobre o prêmio justamente por esse ano. Todas as sextas estarei falando sobre uma premiação do Oscar aqui no blog. É claro que entendo que o Oscar é antes de mais nada um espetáculo para as massas, mais um show dentro do muito apropriadamente chamado show business. Dito isso não significa que o filme que vence o Oscar de Melhor Filme em seu ano é de fato o mais perfeito lançado naquele período. Nada disso.

Oscar além de um grande negócio para a Academia é também política! Como a votação é feita pelos próprios membros da Academia o indicado deve saber manejar bem seu jogo de relações públicas entre seus colegas, caso contrário nada feito. Pode ser o ator mais talentoso, o mais criativo diretor de todos os tempos ou o roteirista mais maravilhoso que nada levará. Oscar é isso, acima de tudo. Mesmo assim é impossível negar seu glamour e seu charme mesmo após tantas décadas. Pessoas que não ligam para o cinema acabam se interessando um pouco todos os anos, justamente por causa do Oscar. Negar isso é simplesmente negar a realidade dos fatos. O Oscar é justo? Quase nunca não! É importante para o cinema? Tenha plena certeza disso.

Pois bem, em 1987 o grande vencedor da noite foi "Platoon" de Oliver Stone. Era um filme escrito e dirigido por alguém que esteve na Guerra do Vietnã e viu de perto o absurdo daquele conflito. Na época Stone explicou que havia escrito o roteiro de "Platoon" (que significa em português, "Pelotão") pela simples razão de tentar entender por tudo o que passou. Era um tipo de auto análise, exorcismo pessoal, para finalmente superar tudo aquilo. O enredo era metade ficção e metade baseado em fatos reais. De fato é um ótimo texto, um excelente roteiro, que mostrava o outro lado do soldado americano. Não mais o herói dos antigos filmes de guerra mas sim um sujeito meio perdido, vivenciando uma guerra que mal compreendia e presenciando atos horrendos de violência gratuita - inclusive contra civis. "Platoon" daria mais força ainda ao chamado ciclo do Vietnã, uma série de filmes dos anos 80 sobre o conflito que até aquela década os americanos queriam mais era esquecer.

Concorreram ao Oscar de Melhor filme com "Platoon" naquele ano os filmes "Filhos do Silêncio", "Hannah e Suas Irmãs", "A Missão" e "Uma Janela para o Amor". Todos bons filmes, acima da média. Eu sou um defensor do número de apenas cinco concorrentes ao Oscar de melhor filme do ano. Hoje em dia como sabemos temos 10 indicados - um exagero completo! Cinco está de bom tamanho. Quando se indicam 10 filmes a tendência é que entrem bobagens entre os concorrentes (como inclusive já entrou nas últimas premiações). Desses quatro indicados eu destaco "Uma Janela para o Amor" do excelente diretor James Ivory (que também foi indicado ao Oscar de Melhor Direção). Ivory, gosto de repetir, é sinônimo de elegância, classe e sofisticação. Woody Allen e David Lynch (por "Veludo Azul") também concorreram naquele ano mas o vencedor foi mesmo Oliver Stone por "Platoon". Aliás é tradição o melhor filme levar o prêmio também de melhor direção. Poucos foram os anos em que isso não ocorreu. Acho essa mentalidade plenamente justa já que é lógico supor que o melhor filme do ano também seja o mais bem dirigido.


Na categoria Melhor ator do ano houve um fato marcante. Após uma das carreiras mais brilhantes da história de Hollywood finalmente o grande Paul Newman foi premiado por "A Cor do Dinheiro". Ele corria o risco de seguir os passos de outros monstros da história do cinema como Charles Chaplin e Alfred Hitchcock que nunca venceram o Oscar por seus trabalhos maravilhosos. Tentando corrigir esse erro que seria histórico então resolveram premiar o velho Newman numa justa (mas tardia) premiação em sua carreira. O filme aliás era realmente muito bom. Ao seu lado o maior galã da época, Tom Cruise, que iria perseguir o Oscar por longos anos, sempre se frustrando a cada premiação. Para melhor ator coadjuvante o vencedor do ano foi outro veterano muito querido, Michael Caine, por seu trabalho em "Hannah e Suas Irmãs". Durante anos Caine foi satirizado por topar fazer qualquer filme, inclusive algumas horrendas continuações de "Tubarão" mas aqui teve seu reconhecimento, também tardio, mas também justo.

Na categoria atriz Marlee Matlin foi premiada por "Filhos do Silêncio". O prêmio teve um significado profundo pois foi o primeiro dado a uma deficiente. O mais importante porém é reconhecer que ela de fato mereceu a premiação. Seu trabalho no filme é realmente emocionante. Na categoria atriz coadjuvante Dianne Wiest levou o prêmio por "Hannah e Suas Irmãs", outra premiação também merecida, muito embora eu pessoalmente preferisse a querida Maggie Smith por "Uma Janela para o Amor", Já o prêmio de roteiro foi para Woody Allen por "Hannah e Suas Irmãs" mas ele não apareceu na festa para receber seu Oscar, preferindo ficar tocando clarinete em um clube de jazz de Nova Iorque - seu hobbie de longos anos.

Já nos chamados Oscars técnicos o grande vencedor da noite foi a excelente ficção "Aliens, o Resgate". Levando os prêmios de Efeitos Especiais, Efeitos Sonoros (Som). "A Mosca", como era de se esperar levou o Oscar de Melhor Maquiagem em uma das maiores barbadas da história da Academia. Ninguém pensaria que seria diferente. A melhor música original do ano foi a do grande sucesso "Top Gun: Ases Indomáveis" que superou inclusive outros "clássicos" dos anos 80 como por exemplo "Karate Kid II - A Hora da Verdade Continua" e "A Pequena Loja dos Horrores" (na minha opinião a mais bem escrita).


Finalizando essa pequena retrospectiva do Oscar de 1987 não poderia deixar de citar o prêmio Irving G. Thalberg dado a Steven Spielberg. Como se sabe Spielberg nos anos 80 foi o monarca absoluto de Hollywood mas nunca conseguia levar o prêmio máximo da sétima arte para casa. Oscar para ele era uma miragem. A indústria então resolveu reconhecer sua importância para a indústria o premiado com esse honroso troféu. Spielberg sabia que sua fama de "Peter Pan" o estava atrapalhando em busca de seu Oscar e por isso ainda nos anos 80 providenciou uma série de projetos mais sérios para um dia, quem sabe, chegar lá! E isso como todos sabemos realmente aconteceria. O eterno Peter Pan cresceria e seria finalmente reconhecido pela Academia alguns anos mais tarde.

Pablo Aluísio.

Um Tira Muito Suspeito

Título no Brasil: Um Tira Muito Suspeito
Título Original: Blue Streak
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Les Mayfield
Roteiro: Michael Berry, John Blumenthal
Elenco: Martin Lawrence, Luke Wilson, Peter Greene, David Chappelle

Sinopse: Após passar anos cumprindo pena numa prisão barra pesada um ladrão de diamantes, Miles Logan (Lawrence), volta para a liberdade. Ele está tranquilo pois havia enterrado uma pequena fortuna em jóias em um terreno abandonado. Livre, basta ir até lá para pegar tudo. Quando chega lá ele tem uma surpresa e tanto! Imaginem, construíram um departamento de polícia no antigo local! Agora ele terá que se passar por tira para colocar as mãos nas jóias escondidas no local.

Comentários:
Sempre vi o ator Martin Lawrence como uma nova versão, uma alternativa, para o tipo que sempre foi interpretado por Eddie Murphy. Ao contrário de Murphy porém Lawrence sempre foi mais politicamente incorreto. E isso não se resumiu em suas interpretações mas na sua vida real também. Ele teve ao longo de sua trajetória inúmeros problemas com a polícia, então não é de se espantar que esteja muito à vontade nesse papel. O filme é na média do que se vê na comédia típica americana atualmente, ou seja, não vá esperar nada minimamente brilhante. Particularmente não aprecio o tipo de humor de Lawrence. Acho agressivo, vulgar e sem bom gosto. Basta lembrar de coisas como "Vovó... Zona" e similares. Os únicos filmes dele que consegui chegar até o final sem maiores problemas foram os da franquia "Bad Boys" mas mesmo aqueles não são grande coisa. Mas é como diz o velho ditado, "Tem quem goste!". Se é o seu caso, se você gosta do estilo mais exagerado do Martin Lawrence, não deixe de conferir essa comédia policial que será exibida hoje na Sessão da Tarde. Boa diversão.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

David Gilmour, o Som Absoluto

Hoje David Gilmour é considerado com toda razão um dos maiores guitarristas do mundo. Curiosamente ele só entrou na lendária banda Pink Floyd porque seu fundador e criador, o genial Syd Barrett, entrou em um processo sem volta rumo à loucura e insanidade. "Cheguei a participar de poucas sessões com Barrett. Ele não estava bem. Era questão de tempo sua saída" - recorda Gilmour. Depois que Syd foi afastado de uma vez por todas o grupo passou a contar com dois elos fortes, ele, Gilmour, e o talentoso mas genioso Roger Waters. "No começo fiz o que pude para melhorar o som da banda. Waters tinha planos de transformar o grupo em uma banda especializada em trilhas sonoras para cinema mas isso aos poucos foi sendo deixado de lado embora o Pink Floyd tenha feito bons trabalhos nessa direção".

A busca por uma nova direção, baseada em música instrumental, fez com que Gilmour aprofundasse os estudos para ser um guitarrista acima da média, pronto para executar qualquer solo que fosse pedido, afinal era questão de sobrevivência para ele. Sua marca preferida em termos de instrumento sempre foi a leve e prática Fender Stratocaster. Sobre essa escolha Gilmour explicou: "Quando você passa muitas horas dentro de um estúdio, tentando criar algo ao lado de seus colegas é necessário ter uma guitarra leve, compacta e que execute todas as sonoridades que você necessite. A guitarra tem que se tornar uma extensão do seu corpo, sem atrapalhar. Leveza por isso é fundamental. A Fender cumpre todas essas funções. Gravei os grandes álbuns do Pink Floyd com ela. Adoro o design, a leveza e a simplicidade. Não gosto de guitarras grandes, pesadas e pouco práticas. Podem ser bonitas mas para mim não funcionam, não me ajudam a criar, afinal não uso guitarras para tirar fotos mas sim para tocar!".

Para Gilmour o ponto de mudança ocorreu durante as gravações do mitológico disco "The Dark Side of the Moon". "Foi um grande processo de gravação. Queríamos criar algo marcante. As sessões eram feitas na base da improvisação onde cada um dava um palpite para melhorar as canções. Os solos surgiram na minha mente nessa longa jam session! Eu raramente escrevo meus solos numa partitura. Eles saem na base do sentimento durante as sessões de gravação. Assim que eu gosto de trabalhar e produzir". O resultado foi maravilhoso e desde o começo foi elogiado pela crítica que logo o qualificou como obra prima. O guitarrista recebeu um título muito honroso da imprensa britânica que começou a lhe chamar de "David Gilmour, o Som Absoluto". Todos estavam impressionados com as experiências do Pink Floyd, com aquela brilhante fusão entre música instrumental, clássica e rock. Esse tipo de sonoridade logo ganhou a alcunha de "Rock Progressivo" - um rock evoluído, em progresso, que ia além do feijão com arroz das bandas dos anos 60 como Beatles e Rolling Stones.

Para espanto de muitos porém esse não é considerado o álbum favorito de David Gilmour, o Som Absoluto. Para ele o melhor trabalho do grupo só viria muitos anos depois com "A Momentary Lapse of Reason". Para ele o grande diferencial foi a experiência conquistada após tantos anos. "A experiência como músico só vem com anos e anos de muita prática e estudo. A prática diária ajuda você a descobrir sons que passam despercebidos em seus ouvidos. Só nas sessões de A Momentary Lapse of Reason que eu me senti completamente seguro de tudo o que fazia em estúdio. Tenho muito orgulho desse álbum". Quem poderia discordar? Afinal David Gilmour levou o rock, antes considerado um ritmo pobre, com poucos acordes e muitos clichês, a um novo patamar musical. Uma revolução no estilo que ecoa até os nossos dias.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Não alimente pensamentos negativos!

Recentemente descobri algumas coisas interessantes lendo sobre o Mal de Parkinson. Procurando saber mais sobre essa doença descobri que apesar da ciência não ter uma certeza sobre sua causa estudos provam que pessoas negativas, que alimentam pessimismo na alma, que se cobram muito de si mesmos e que vivem estressados possuem mais chances de desenvolver esse tipo de enfermidade. Isso me abriu os olhos. Não que eu fosse uma pessoa negativa em minha vida - longe disso - mas que a forma como você leva sua vida pode determinar mais cedo ou mais tarde o tipo de problema de saúde que você enfrentará no futuro.

Seja positivo! Não alimente sentimentos ruins, isso estraga sua alma, seu bom humor, tira o brilho da vida. Não faça coro com aqueles que estão sempre dizendo que nada vai dar certo, que é inútil lutar, que todo o mundo é hipócrita e que não existem pessoas boas ao redor. Certamente você não deve se comportar feito um tolo, dando sorrisos amarelos forçados mas cultivar pensamentos de esperança fazem um grande bem à saúde. Outra coisa que comprovadamente faz bem é manter uma crença em algo mais, ter uma religião. Pessoas que não cultivam nenhum tipo de espiritualidade acabam secando como as folhas do quintal que deixam de ser regadas.

Também evite falar mal dos outros. Quando você fala mal de alguém, seja por qual motivo for, energias negativas acabam chegando em seu meio. Além de ser eticamente errado, soltar farpas contra pessoas próximas só servem para que você próprio vire um alvo pois quem atinge alguém também será atingido, cedo ou tarde. E se alguém falar mal de você, simplesmente ignore. Mantenha a boa postura, a outra pessoa certamente entenderá seu equívoco. Gosto muito de um pensamento católico que aprendi na juventude que diz: "Fale pouco de você e menos ainda dos outros". É um conselho de ouro. Ser discreto, positivo e humilde ajuda muita em sua humanidade, espiritualidade e traz qualidade de vida, boa saúde. Não duvide disso.

E para quem acha que isso é apenas a opinião de um leigo em medicina indico alguns textos reveladores do Dr. Drauzio Varella onde ele afirma justamente isso que estou escrevendo agora. Outro aspecto a considerar é que o sujeito rabugento, que só fala coisas negativas tende a espantar as demais pessoas ao seu redor. Afinal quem deseja ficar horas ouvindo as reclamações sem fim de um ranzinza? Acredito que ninguém. Também evite ao máximo criar uma rotina de puro stress, de tarefas chatas que você no fundo não gosta. Pare, respire, vá ouvir um pouco de música, assista a um bom filme, acompanhe uma série, ouça uma piada, tenha um hobbie, sorria, afinal de contas ninguém nega que ser feliz faz muito bem à vida!

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

True Detective

Título no Brasil: True Detective
Título Original: True Detective
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: HBO
Direção: Cary Fukunaga
Roteiro: Nic Pizzolatto
Elenco: Matthew McConaughey, Woody Harrelson, Michelle Monaghan

Sinopse: Rust Cohle (Matthew McConaughey) é um tira texano que vai trabalhar numa cidadezinha do interior da Louisiana. Lá ele é designado como parceiro de Martin Hart (Woody Harrelson) no departamento de homicídios. O primeiro caso que surge no horizonte envolve a morte de uma prostituta em um ritual de magia negra. Ela é encontrada no meio de uma fazenda distante em uma posição cerimonial. O crime soa intrigante para Rust já que ele próprio não tem qualquer tipo de fé ou crença. Aos poucos ele vai desvendando a teia de complexas situações que levaram a jovem à morte.

Comentários:
Como sempre a HBO surge com mais uma excelente série. Aqui teremos apenas oito episódios o que é uma pena já que logo no episódio piloto percebemos que se trata de um produto muito bom, acima da média. O elenco é formado por dois atores de cinema que obviamente quiseram também desfrutar um pouco do ótimo momento em que vive a TV americana atualmente. Matthew McConaughey aliás está em um dos melhores momentos de sua carreira, tendo inclusive sido premiado no último Globo de Ouro. Já Woody Harrelson, de longa e produtiva carreira no cinema, está ótimo na sua caracterização de tira do interior, um sujeito meio bronco que logo entra em choque com as ideias pouco convencionais de seu parceiro. Casado, cristão, com duas filhas e família estruturada ele logo vê a enorme diferença de vida que o separa de seu novo colega policial. O personagem do detetive Rusty interpretado por Matthew McConaughey é o oposto disso. Divorciado, vivendo sozinho, ateu, com problemas com bebidas, drogas e com pensamentos bem estranhos, os dois não se bicam mas resolvem se unir para descobrir o autor do terrível crime do ritual satânico. A estrutura do roteiro segue o caminho de vários flashbacks, que vão se inserindo enquanto os personagens principais vão relembrando os fatos e os acontecimentos durante uma longa entrevista no departamento de polícia. Some-se a isso ainda uma bela trilha sonora com ótimo repertório. Para quem gosta de série policiais e tramas complexas é um prato cheio. Está mais do que recomendado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Quem foi Joseph Smith?

Você já ouviu falar em Joseph Smith? Pois é, fiquei curioso sobre ele após receber em minha casa a visita de dois missionários Mórmons. Conheço superficialmente essa religião mas fiquei curioso. Obviamente jamais abrirei mão de minha formação católica apostólica romana para me unir ao Movimento dos Santos dos Últimos Dias - conhecido como Mormonismo - mas não custa nada pesquisar um pouco na Internet, até porque gosto de conhecer religiões diferentes. Em uma rápida pesquisa online pude descobrir que existe todo um grupo de ex-integrantes dessa vertente religiosa no Brasil que não estão nada contentes por terem feito parte dos Mormonismo. Em um blog feito por um ex-bispo (ou algum título equivalente a isso) da Igreja pude perceber que, segundo seu relato, se trata mesmo de uma organização poderosa e rica, que visa com muito afinco o famoso dízimo para financiar sua estrutura interna mas que também luta a duras penas no campo das ideias para trazer mais credibilidade aos escritos de seu fundador, o tal Joseph Smith. E quem foi ele?

Segundo pude deduzir Joseph Smith foi um americano que viveu no século XIX. Ele viveu por apenas 39 anos mas causou um grande rebuliço por onde passou. Antes de entrar na sua criação - a religião Mórmon - ele ganhou a vida prometendo aos proprietários rurais de sua região que encontraria tesouros enterrados em suas terras com a ajuda de uma suposta capacidade espiritual de os achar, usando de técnicas, diria até mesmo esótericas. Nem sempre deu certo. Nem preciso dizer que isso aos poucos foi lhe trazendo inúmeros problemas. Algumas pessoas da época o teriam acusado de charlatão e vigarista, o que teria lhe teria causado problemas judiciais. Depois de um tempo, quando a poeira abaixou, ele alegou que teria tido uma revelação divina. Um anjo lhe teria mostrado algumas placas de ouro onde uma revelação lhe era contada em primeira mão: Jesus Cristo teria visitado a América do Norte e Central antes da chegada do colonizador branco europeu. Nessa visita Jesus teria feito várias revelações aos povos nativos americanos, e elas deram origem ao "Livro dos Mórmons" que é a base da doutrina dessa religião até os dias de hoje.

Claro que esse tipo de afirmação criou ainda mais problemas para Joseph Smith. Segundo alguns autores ele teria saído no braço mesmo com alguns desafetos que o chamavam de mentiroso. Os protestantes tradicionais americanos acharam tudo um absurdo mas Smith conseguiu formar um pequeno grupo ao seu redor, pessoas essas que depois dariam origem ao longo do tempo à religião que hoje conhecemos como religião Mórmon. Segundo dados essa vertente já tem mais de um milhão de adeptos no Brasil e quatro milhões nos Estados Unidos, a maioria concentrada no estado de Utah. Pois bem, Joseph Smith teve várias esposas, segundo algumas fontes algo em torno de trinta e três mulheres!!! Algumas bem jovens, na faixa de 14 anos de idade. Esse aspecto de sua personalidade passou de certa forma para sua doutrina religiosa pois a poligamia é aceita até hoje dentro da Igreja dos Santos dos Últimos Dias. Ele também teria profetizado o fim dos tempos para uma data localizada mais ou menos 60 anos depois de sua morte. A data passou e nada aconteceu.

Por falar em doutrina a visão religiosa dos Mórmons é bem diferenciada das demais religiões. Eles acreditam que Deus teria sido Adão, que Maria não era virgem pois teria tido relações sexuais com o próprio Deus e que negros seriam amaldiçoados (essa parte foi mudada há alguns anos após o racismo ser considerado crime em várias partes do mundo). Os Mórmons também batizam mortos e cultivam cerimônias que para alguns lembram os rituais da maçonaria e para outros seria repleta de símbolos satânicos (como a estrela de cinco pontas virada para baixo, sempre presente em templos mórmons). A doutrina Mórmon também não se parece em quase nada com outras doutrinas cristãs. Para eles cada pessoa pode um dia se tornar ela própria um Deus. Bom, são bases complicadas de entender mas crença é crença e como vivemos em um país onde a religião é livre cada um tem todo o direito de seguir a sua, sem remorsos.

E os escritos de Joseph Smith, como são encarados por outros líderes religiosos? O Pastor Silas Malafaia, por exemplo, afirma que o Livro dos Mórmons, que foi escrito por Joseph Smith, é extremamente mal redigido, deixando à mostra a pouca (ou nenhuma) cultura bíblica de seu autor. Além disso ele esclarece ainda que trechos inteiros da Bíblia - principalmente do velho testamento - foram copiados literalmente. Como nunca li o livro estou aqui apenas repassando a opinião desse pastor. Para a Igreja Católica, por sua vez, os textos não possuem qualquer base comprovada. Não há nada referente a uma suposta visita de Jesus aos nativos norte-americanas ou qualquer coisa parecida. E para piorar, apesar de ter gasto muito dinheiro em busca de provas arqueológicas e científicas que provassem as afirmações de Joseph Smith sobre as supostas civilizações que teriam vivido aqui antes da chegada do branco europeu nada efetivamente foi achado. Até testes de DNA com descendentes de índios americanos foram realizados em busca de algum rastro genético de povos do Oriente Médio (que segundo Smith teria vindo para a América antes dos europeus) mas nada foi cientificamente comprovado.

E o tal de Joseph Smith, o que aconteceu com ele? Foi assassinado em uma troca de tiros nos EUA. Ele havia sido preso e uma multidão se reuniu para linchá-lo. Após muita confusão e tiroteio ele finalmente foi morto. Alguns dizem que chegou a ferir várias pessoas e matar duas durante o conflito, antes de ser abatido fatalmente. Muitos podem se surpreender com esses fatos mas temos que levar em conta que Joseph Smith viveu no mesmo período histórico em que se desenvolveu o famoso western americano. Cada cidadão levava sua própria arma e coldre em seu cinto (basta lembrar dos filmes de faroeste) e todo tipo de briga era resolvida na base da arma em punho. Com Smith não foi diferente. Como se pode ver a religião Mórmon foi diferenciada desde os seus primórdios.

Encerro esse texto dizendo que tudo o que aqui está escrito foi colhido em pesquisas pela internet. Blogs, sites e informações diversas que estão no mundo online. O texto é de fato uma coleção de impressões que tive após ler os textos que me mostraram um pouco sobre a religião Mórmon. Não estou dizendo que a religião A ou B é a correta. Cabe a cada um, caso o tema lhe interessar, procurar por outras fontes. As que encontrei coloquei aqui nesse texto, de forma resumida. O foco é o Joseph Smith do ponto de vista histórico, não dogmático, baseado em dados coletados na Internet. Curiosidades, acima de tudo. Apenas não queria deixar passar em branco o que li nesses dias de pesquisas motivadas por pura e simples curiosidade. O tema lhe interessou? Fica então o convite para você próprio fazer a sua pesquisa, afinal a internet pode realmente ser uma excelente fonte de informações.

Pablo Aluísio.