sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Título no Brasil: Walt nos Bastidores de Mary Poppins
Título Original: Saving Mr. Banks
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Walt Disney Pictures
Direção: John Lee Hancock
Roteiro: Kelly Marcel, Sue Smith
Elenco: Emma Thompson, Tom Hanks, Colin Farrell, Paul Giamatti, Annie Rose Buckley

Sinopse:
O filme narra as tentativas de Walt Disney (Tom Hanks) em levar para as telas o livro "Mary Poppins" da escritora P.L. Travers (Emma Thompson). Durante vinte anos Disney tentou em vão assinar um contrato com Travers para que ela cedesse os direitos autorais da obra. Até que finalmente convence a autora a ir até Los Angeles para conhecer seus estúdios, conversar com seus roteiristas e músicos, tudo com o objetivo de convencê-la a concordar com a adaptação. Assim que Disney conhece Travers pessoalmente descobre que isso definitivamente não será nada fácil!

Comentários:
Um primor de filme, assim de forma singela poderia definir esse "Saving Mr. Banks" (que ganhou o péssimo título no Brasil de "Walt nos Bastidores de Mary Poppins"). A película é especialmente indicada para cinéfilos que adoram a história do cinema e seus personagens marcantes. Walt Disney ganhou uma interpretação tão terna e carinhosa de Tom Hanks que certamente ele merecia mais uma indicação ao Oscar por esse filme. O Disney de Hanks é certamente um empresário astuto e com faro para os negócios mas também é um homem muito humano, que entende muito bem a complexidade dos sentimentos e da alma da escritora de Mary Poppins. Por falar nela foi um prazer reencontrar Emma Thompson mais uma vez em um papel realmente marcante. A atriz que havia despontado em grandes interpretações vinha com a carreira em banho-maria mas agora ressurge novamente nas telas em grande estilo. Seu trabalho é digno de aplausos, sem favor nenhum.

O roteiro explora duas linhas narrativas de forma brilhante. Na primeira acompanhamos a mal humorada, ranzinza e durona P.L. Travers (Emma Thompson) em sua viagem a Los Angeles. Assim que chega começa logo a se indispor com todos dos estúdios Disney. Nada parece lhe agradar. O fato de Mary Poppins se transformar em um musical lhe dá arrepios e qualquer tentativa de Disney em inserir cenas de animação no filme é plenamente rejeitada por ela. Mas Walt não está disposto a desistir da produção pois é uma promessa que fez há vinte anos para suas filhas. O duelo entre Disney e Travers rende ótimos momentos. A cena quando se encontram e relembram aspectos de seus passados sofridos é brilhante, digna de qualquer premiação da Academia. A lição de que devemos encerrar certos momentos tristes em nossas vidas bate fundo na alma.

A segunda linha narrativa também é excelente. Nela encontramos P.L. Travers em sua infância, ainda garotinha na Austrália. Seu pai é uma pessoa maravilhosa, muito imaginativa, que adora contar estorinhas de bruxas e dragões para as filhas. Apesar de sempre ser um sujeito sorridente e amigo ele também tem seus próprios fantasmas, como um sério problema com alcoolismo. Frustrado por ser um bancário (uma função burocrática e muito aborrecida para alguém com sua alma imaginativa) ele começa a decair cada vez mais e mais. O pai de Travers é interpretado por Colin Farrell que também está irrepreensível. Nessa segunda linha narrativa descobrimos as origens da personagem Mary Poppins e os traumas que ficaram para a vida toda na alma da escritora. Enfim, é de fato uma pequena obra prima, muito sutil e sentimental que certamente agradará aos cinéfilos que amam a sétima arte e seus deliciosos bastidores. Imperdível.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Última Festa de Solteiro

Título no Brasil: A Última Festa de Solteiro
Título Original: Bachelor Party
Ano de Produção: 1984
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Neal Israel
Roteiro: Bob Israel, Neal Israel
Elenco: Tom Hanks, Tawny Kitaen, Adrian Zmed

Sinopse:
Rick Gassko (Tom Hanks) está prestes a casar com Debbie Thompson (Tawny Kitaen). Seus pais odeiam a ideia. Os amigos de Rick porém estão pouco se importando com a opinião dos pais de Debbie. Eles querem dar uma despedida de solteiro para o amigo que entrará para a história de Los Angeles. Inicialmente resolvem fazer a festa no hotel mais caro da cidade com tudo do bom e do melhor, sem se importar com as despesas. Depois cada um dos amigos começa a ter novas ideias, algumas bem fora do normal, até que de repente aquilo que iria se transformar numa despedida de amigos acaba se transformando em um caos incontrolável!

Comentários:
Já que estamos falando do carismático Tom Hanks hoje, que tal recordar uma de suas comédias mais queridas pelo público? O filme foi rodado logo após a grande estréia de Tom Hanks no cinema, a comédia Disney "Splash, uma sereia em minha vida". Nos anos 80 estava muito em voga esse tipo de comédia mais picante, como por exemplo "Porky´s", "O Último Americano Virgem", "Negócio Arriscado" e coisas nesse estilo. "A Última Festa de Solteiro" foi o "Porky´s" da carreira de Tom Hanks, vamos colocar nesses termos. É importante entender que Hanks no comecinho de sua carreira não era esse ator oscarizado que a nova geração passou a conhecer. Pelo contrário, ele fazia mesmo a linha comediante gaiato, em fitas comerciais, muitas delas realizadas sem qualquer pretensão a não ser divertir o máximo possível o público jovem. E diversão certamente não faltará nesse "Bachelor Party". É o tipo de comédia maluca que fazia muito sucesso nas locadoras durante a era do VHS, afinal de contas reunir os amigos em casa para dar boas gargalhadas com esse tipo de roteiro era mais do que divertido. Há muitas cenas sem noção e momentos que fariam a geração atual do politicamente correto ficar de cabelos em pé - mas pensando bem, a graça vem justamente desse tipo de situação. Assista, relembre (se você for daquela época) e dê boas risadas pois a verve cômica da fita ainda continua de pé, mesmo após tantos anos. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

No Mau Caminho

Título no Brasil: No Mau Caminho
Título Original: 5 Against the House
Ano de Produção: 1955
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Phil Karlson
Roteiro: Stirling Silliphant, William Bowers
Elenco: Guy Madison, Kim Novak, Brian Keith

Sinopse:
Amigos da faculdade resolvem convencer uma dançarina de cassino a colaborar com eles em um assalto ao local. Inicialmente o grupo deseja apenar provar que é possível realizar o crime perfeito. A ideia inicial é pegar o dinheiro para logo depois devolver até que um dos membros decide ficar com sua parte do roubo, o que trará vários problemas para todos os envolvidos.

Comentários:
Filme curioso que desenvolve muito bem os personagens principais. Al (Madison) pretende ser um advogado de sucesso para se casar com sua namorada bonitona (Kim Novak, maravilhosa em cena). Seus amigos são estudantes universitários que só querem diversão. Juntos resolvem fazer algo diferente para quebrar o tédio, um assalto a um cassino. O problema é que envolvem o veterano Brick (Keith) na jogada. Se todos não levam à sério o que vão fazer, Brick quer sua parte no bolo. Ele já é um homem sem muitas esperanças na vida. Lutou na Guerra da Coreia e voltou lesionado, tanto fisicamente como psicologicamente. Para ele aquele dinheiro pode representar a última chance de ser bem sucedido na vida. Um filme muito bom realmente, assinado pelo subestimado cineasta Phil Karlson, que merece uma segunda chance de avaliação. Na época de seu lançamento a beleza da atriz Kim Novak acabou ofuscando as qualidades do filme em geral, o que foi um equívoco. Revisto agora mostra que tem suspense, tensão e uma trama bem amarrada, sem pontas soltas. Vale ser redescoberto por cinéfilos conceituados.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Kim Novak


Kim Novak
Em começo de carreira, fazendo pose para foto a ser publicada em uma famosa revista de moda americana. Comparada ao mito Marilyn Monroe, Novak rejeitou a semelhança entre ambas ao dizer: "Quando colocam expectativas em você dessa forma, a comparando com um símbolo sexual como Marilyn, nada de bom poderá surgir disso. Eu sei o quanto Marilyn sofreu nessa posição e definitivamente não quero algo assim para a minha vida".

O Homem do Rifle

Título no Brasil: O Homem do Rifle
Título Original: The Rifleman
Ano de Produção: 1958 - 1963
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Vários
Roteiro: Vários
Elenco: Chuck Connors, Johnny Crawford, Paul Fix

Sinopse:
Lucas McCain (Chuck Connors) é um viúvo que toca seu rancho ao lado de seu jovem filho. Dono de uma ética e um senso de responsabilidade fora do comum, ele tenta passar para o garoto os mais altos valores de uma vida de trabalho e honestidade no campo. Conhecido na região como homem bom e íntegro, ele resolve modificar um velho rifle Winchester, adicionando maior velocidade de disparo. Algo necessário naqueles tempos perigosos e conflitantes.

Comentários:
O universo das séries televisivas de faroeste nos Estados Unidos foi muito vasto e rico. Infelizmente poucas dessas séries foram exibidas no Brasil em decorrência do nosso atraso tecnológico. Veja o caso desse "The Rifleman". No total foram quase 170 episódios em cinco longas temporadas. O seriado, mostrando a vida de um rancheiro e seu filho, logo caiu no gosto do público americano mas no Brasil passou em brancas nuvens. Apenas com o lançamento das três primeiras temporadas em DVD é que o fã de western de nosso país poderá curtir um pouco do que foi essa série. É tudo muito cativante e nostálgico, explorando bem a vida rural americana no século XIX. Lutando contra as forças da natureza e perigos de toda ordem (como ataques de tribos indígenas selvagens) esses pioneiros conseguiram construir aquela grande nação praticamente apenas com o esforço de seu trabalho pessoal. O sucesso de audiência acabou transformando Chuck Connors em um rosto conhecido e ele tentaria passar para o mundo do cinema mas sem o mesmo êxito. Assim deixamos a dica para conhecer mais esse interessante seriado sobre a vida no velho oeste. Certamente você irá gostar.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Escola da Vida

Título no Brasil: Escola da Vida
Título Original: School of Life
Ano de Produção: 2005
País: Estados Unidos
Estúdio: ABC
Direção: William Dear
Roteiro: Jonathan Kahn
Elenco: Ryan Reynolds, David Paymer, Kate Vernon, Andrew Robb

Sinopse:
O Sr. D (Ryan Reynolds) é contratado para ensinar na Fallbrook Middle School. Ele é um professor diferente, jovem, simpático e que procura ser amigo de seus alunos, acima de tudo. Sua excelente acolhida porém acaba despertando a inveja de um colega, um professor de biologia da escola que almeja ser escolhido como o mestre do ano. Para isso o Sr. D pode certamente lhe trazer problemas.

Comentários:
Telefilme cheio de boas intenções produzido para ser exibido pelo canal a cabo americano ABC Family. Se tem méritos deve-se ao argumento que procura valorizar esses profissionais tão desvalorizados em nossa sociedade, verdadeiros heróis anônimos que ajudam a construir um mundo melhor. Tudo bem que Ryan Reynolds não é lá muito convincente como um mestre, um verdadeiro professor, mas de qualquer forma mantém uma certa dignidade no papel. No fundo é ajudado pela garotada que interpreta os alunos da escola. Por falar neles alguns são bem carismáticos e bons atores, para surpresa geral. Enfim, não espere nenhuma obra prima, até porque nunca foi essa a intenção dos realizadores. Como entretenimento familiar porém cumpre seus objetivos plenamente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Demolidor

Título no Brasil: O Demolidor
Título Original: Iron Man
Ano de Produção: 1951
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Joseph Pevney
Roteiro: George Zuckerman, baseado na novela de W.R. Burnett
Elenco: Jeff Chandler, Rock Hudson, Evelyn Keyes, Stephen McNally

Sinopse:
Em Coaltown, Pensilvânia, o mineiro Coke Mason (Jeff Chandler) espera melhorar de vida, abrir um pequeno comércio, e se casar com Rose Warren (Evelyn Keyes). Seu irmão George (Stephen McNally) pensa um pouco diferente. Apostador inveterado mas também desportista ele acredita que o caminho da fortuna está nas lutas de boxe. Após um tempo consegue convencer Coke a seguir seus planos. Juntos os irmãos então decidem investir em lutas onde grandes apostas são realizadas, até porque eles definitivamente não têm mais nada a perder!

Comentários:
Primeira grande oportunidade na carreira para o jovem Rock Hudson. O papel foi conseguido graças à astúcia de seu agente, o poderoso Henry Wilson, que usou de todas as suas influências para que Rock fosse escalado no elenco, mesmo que como mero coadjuvante do astro Jeff Chandler. Em sua autobiografia Rock recorda que assim que viu o filme pronto nas telas pressentiu que iria virar uma estrela de Hollywood. Seu amigo, Mark Miller, foi claro que dizer para Rock: "Prepare-se para se tornar um astro!". De fato é um filme onde tudo parece se encaixar muito bem. O público de hoje em dia vai de certa forma associar o enredo ao grande sucesso de Stallone, "Rock, um Lutador" mas há também diferenças significativas sobre a mesa. Como não poderia deixar de ser em um filme dos anos 1950 há toda uma preocupação em desenvolver mais dramaticamente todos os personagens. Não há tanta ênfase nas lutas de boxe mas isso e os combates viram reflexos dos próprios dramas vividos por todos os protagonistas desse enredo de dramaticidade acentuada. Vale destacar que Rock Hudson rouba a cena na pele de seu Tommy 'Speed' O'Keefe. Não há como discordar de Mark Miller nesse ponto, ele realmente já estava pronto para virar o superstar que iria se tornar logo depois.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Levante dos Apaches

Título no Brasil: O Levante dos Apaches 
Título Original: The Battle at Apache Pass
Ano de Produção: 1952
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: George Sherman
Roteiro: Gerald Drayson Adams
Elenco: John Lund, Jeff Chandler, Susan Cabot

Sinopse:
Os líderes guerreiros nativos Cochise (Jeff Chandler) e Gerônimo (Jay Silverheels) resolvem unir forças pela última e decisiva vez contra a ocupação branca de suas terras. Atacam um destacamento da cavalaria que está sob o comando do Major Jim Colton (John Lund) que segue viagem por territórios Apaches. O combate, sangrento e feroz, decidirá os rumos que as guerras indígenas tomarão dali em diante.

Comentários:
Eu sempre achei muito curioso ver atores brancos como Jeff Chandler pintados de vermelho, se fazendo passar por Apaches em filmes americanos da década de 1950 (até galãs como Rock Hudson tiveram que passar por isso!). Muitos hoje em dia consideram isso um verdadeiro absurdo histórico mas não consigo culpar Hollywood por esse tipo de caracterização. O fato é que na época não existiam atores índios para interpretar esses personagens em produções de grandes estúdios. Os verdadeiros nativos geralmente eram usados como meros figurantes, uma vez que a velha perícia de andar a cavalo e coisas semelhantes realmente seguia como uma tradição ainda viva, que passava de pai para filho. O enredo de "The Battle at Apache Pass" pode até ser considerado trivial pois é de fato um típico filme de cavalaria versus índios. Novamente traz o corriqueiro chefe guerreiro Gerônimo, um líder tribal que só se entregou mesmo em seus últimos dias. Por ter sido um dos últimos guerreiros a baixar as armas acabou ganhando fama e mídia, tornando seu nome realmente inesquecível ao longo de todos esses anos. No geral é sim um bom western, mesmo com o Jeff Chandler pintado da cabeça aos pés...

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Street Fighter - A Última Batalha

Título no Brasil: Street Fighter - A Última Batalha
Título Original: Street Fighter
Ano de Produção: 1994
País: Estados Unidos
Estúdio: Capcom Entertainment
Direção: Steven E. de Souza
Roteiro: Steven E. de Souza
Elenco: Jean-Claude Van Damme, Raul Julia, Ming-Na Wen

Sinopse:
O Coronel William Guile (Jean-Claude Van Damme) lidera um exército de soldados no país de Shadaloo para encontrar vestígios que possam levá-lo até o General M. Bison (Raul Julia), responsável por vários crimes de guerra, entre eles o desaparecimento de três soldados de seu grupo. E entre os desaparecidos se encontra Carlos "Charlie" Blanka, que Bison decide transformar em um mutante hediondo. Por outro lado, Chun Li é um repórter que busca vingança contra Bison pela morte de seu pai anos atrás. O conflito logo se torna inevitável entre todos.

Comentários:
Não é de hoje que adaptações de games viram verdadeiros desastres nas telas de cinema. Duvida? Que tal dar uma olhada nesse "Street Fighter - A Última Batalha"? Esse jogo sempre foi dos mais populares no mundo dos games e por isso seus direitos foram adquiridos por uma pequena fortuna. O roteirista Steven E. de Souza (de "Duro de Matar", "O Sobrevivente" e "Comando Para Matar") foi contratado para a direção e nomes famosos também entraram no elenco. Infelizmente mesmo com essa ficha técnica promissora nada parece dar certo. Tudo bem que ninguém esperava densidade dramática de personagens de vídeo game mas precisava mesmo ser tudo tão caricatural? Pior é que até mesmo os combates e lutas corporais são sem graça e isso em um filme com Jean-Claude Van Damme no elenco é imperdoável. Talvez o único interesse que a fita ainda vai despertar em cinéfilos em geral venha do fato de que esse foi o último trabalho no cinema do ator Raul Julia (1940–1994). Ator talentoso, de ótimos recursos, é uma pena que tenha se despedido da sétima arte com algo assim tão obtuso.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Lancelot, o Primeiro Cavaleiro

Título no Brasil: Lancelot, o Primeiro Cavaleiro
Título Original: First Knight
Ano de Produção: 1995
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures
Direção: Jerry Zucker
Roteiro: Lorne Cameron, David Hoselton
Elenco: Sean Connery, Richard Gere, Julia Ormond

Sinopse:
Na Inglaterra medieval, durante a subida ao trono do lendário Rei Arthur (Sean Connery), o cavaleiro Lancelot (Richard Gere), um dos membros da famosa Távola Redonda, acaba se apaixonando pela bela Guinevere (Julia Ormond). O problema é que ela é esposa do Rei.

Comentários:
Mais uma adaptação das antigas lendas arturianas. Na verdade até mesmo nos dias de hoje é ardente o debate sobre se esse monarca realmente existiu ou se é apenas fruto de lendas e cantigas medievais, uma espécie de símbolo do que seria um Rei perfeito e íntegro - coisa rara naqueles tempos. De qualquer forma as estórias da Távola Redonda chegaram até nós e sua mitologia só tem crescido com o tempo. Esse "Lancelot" de 1995, infelizmente, deixa muito a desejar. É complicado aceitar que um filme que traga Sean Connery como o Rei Arthur seja realmente ruim mas é um fato. Pouca coisa realmente funciona. A reconstituição histórica de um Arthur medieval, cheio de pompa e luxo não convence muito. Para piorar Richard Gere não parece se importar nem um pouco em estar interpretando um cavaleiro medieval, cheio de códigos de honra. Com cabelos esvoaçantes ao vento ele mais parece um playboy saindo de uma discoteca dos anos 70. Só falta mesmo mascar chicletes. Julia Ormond até que era bem bonita mas do ponto de vista dramático inexpressiva. Curiosamente o diretor Jerry Zucker, das comédias malucas ao estilo "Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu", está no comando. Será que ele não quis mesmo tirar uma onda da nossa cara? É possível...

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Código Para o Inferno

Título no Brasil: Código Para o Inferno
Título Original: Mercury Rising
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Harold Becker
Roteiro: Ryne Douglas Pearson, Lawrence Konner
Elenco: Bruce Willis, Miko Hughes, Alec Baldwin

Sinopse:
Bruce Willis interpreta um agente do FBI chamado Art Jeffries. Ele não é muito bem visto dentro da agência por causa de seus métodos pouco convencionais. Por essa razão passa a ser designado para serviços que nenhum outro agente quer. Agora terá que proteger um menino autista de 9 anos, que é o alvo de assassinos depois de quebrar um código ultra secreto do governo americano.

Comentários:
"Mercury Rising" mistura elementos de vários gêneros para agradar aos fãs de Bruce Willis. Há um misterioso complô nas altas esferas do governo americano para liquidar um garotinho que desvendou um código militar secreto com extrema facilidade, o que certamente vai deixar os admiradores de teorias das conspirações eufóricos; uma amizade que nasce entre o agente do FBI (Willis) e o pequeno autista, para deixar o filme mais palatável para o público feminino e por fim, como não poderia faltar, a produção traz sua sucessão de espetaculares cenas de ação, como carros voando pelos ares, explosões e toda a pirotecnia que tanto caracterizam esse tipo de fita. "Código Para o Inferno" custou pouco mais de 60 milhões de dólares, um custo de produção até robusto, mas não satisfez os produtores nas bilheterias. Isso provavelmente foi causado pelo excesso de filmes de ação de Bruce Willis que trabalhando feito um louco causou uma certa saturação no mercado, o que era previsível. Revisto hoje em dia ele pode soar bem formulaico embora tenha lá seus momentos. Não é marcante mas também ainda não ficou completamente datado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Stigmata

Título no Brasil: Stigmata
Título Original: Stigmata
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Rupert Wainwright
Roteiro: Tom Lazarus
Elenco: Patricia Arquette, Gabriel Byrne, Jonathan Pryce

Sinopse:
Um jovem mulher começa a apresentar estranhos sinais, conhecidos como Stigmatas. Para investigar o caso de perto o Vaticano envia um padre especialista em manifestações sobrenaturais. Ao examinar seu corpo ele começa a desconfiar que na realidade não se trata de um milagre de luz mas sim a chegada de uma força ancestral, dos tempos de Cristo, algo maligno e extremamente perigoso.

Comentários:
Stigmata é um filme interessante porque traz para o mundo do cinema esse  estranho e curioso fenômeno em que pessoas comuns começam a manifestar as marcas da crucificação de Jesus Cristo. Principalmente nas palmas das mãos vão surgindo feridas sangrentas, exatamente como se tivessem sido atravessadas por pregos romanos usados nessas execuções horripilantes. Agora, apesar da boa partida inicial do roteiro temos que lamentar que ao invés de tratar o tema sob um ponto de vista mais realista o filme, lá pela metade de sua metragem, acaba dando uma guinada e cai na vala comum de produções enfocando possessões demoníacas. A MGM até tentou levantar alguma polêmica com o Vaticano na época do lançamento do filme, algo que obviamente traria promoção extra para a fita, mas os membros da alta cúpula da Igreja Católica, já calejados por outras discussões em relação a filmes polêmicos, resolveu ignorar as provocações. Assim "Stigmata" não consegue cumprir tudo o que promete, se tornando uma boa ideia que foi parcialmente desperdiçada em nome de sustos fáceis e soluções sensacionalistas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Poder da Vingança

Título no Brasil: O Poder da Vingança
Título Original: Apache Territory
Ano de Produção: 1958
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Ray Nazarro
Roteiro: Charles R. Marion, George W. George
Elenco: Rory Calhoun, Barbara Bates, John Dehner

Sinopse:
Logan Cates (Rory Calhoun) é um cowboy errante que viaja pelo país; Ao chegar no Arizona acaba entrando em pleno território Apache. Ele está acompanhado por alguns pioneiros e um pequeno grupo de soldados. O clima deserto e hostil maltrata os viajantes mas eles seguem em frente. A meta de todos é chegar em um forte da cavalaria situado alguns quilômetros pelo deserto adentro mas antes que isso aconteça são violentamente atacados por um grupo de guerreiros Apaches. Agora é questão de vida ou morte no meio daquela imensidão inóspita.

Comentários:
Mais um western da Columbia que surpreende. Para os fãs de filmes de faroeste a resposta vem em um só nome: Ray Nazarro! Cineasta bem subestimado ele rodou algumas das mais criativas fitas de western dos anos 50. Seu estilo procura ser o mais realista possível, mostrando a dificuldade de se cruzar um deserto como aquele, onde em estado de necessidade extrema os verdadeiros aspectos das personalidades dos personagens vão se revelando. O filme é estrelado pelo ator Rory Calhoun, um eficiente intérprete para esse tipo de produção. Outro aspecto digno de nota é que o roteiro do especialista Charles R. Marion mostra algo que era bem comum e recorrente naqueles anos duros: o rapto e sequestro de mulheres brancas por indígenas, algo que nos tempos politicamente corretos dos dias de hoje é devidamente varrido para debaixo do tapete, de forma bem equivocada aliás. Mas enfim, assista "Apache Territory" pelo que ele é, um excelente western dos anos 50, a época de ourto do gênero.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Lady Hamilton, a Divina Dama

Título no Brasil: Lady Hamilton, a Divina Dama
Título Original: That Hamilton Woman
Ano de Produção: 1941
País: Inglaterra
Estúdio: Alexander Korda Films, London Film Productions
Direção: Alexander Korda
Roteiro: Walter Reisch, R.C. Sherriff
Elenco: Vivien Leigh, Laurence Olivier, Alan Mowbray

Sinopse:
Sir William Hamilton (Alan Mowbray), um viúvo de meia idade, se torna o embaixador britânico na corte de Nápoles. Emma (Vivien Leigh) é uma jovem inglesa que em visita a sua mãe acaba conhecendo Lord Hamilton. Não demora muito e se casam. Apesar da diferença de idade o casamento vai bem até Emma, agora Lady Hamilton, conhecer o jovem e destemido Lord Nelson (Laurence Olivier), um militar condecorado, considerado um verdadeiro herói para os britânicos. Apesar da rígida moralidade da sociedade inglesa Emma não consegue se controlar e acaba tendo um ardente romance com Nelson, gerando um escândalo na sociedade Londrina. Primeira adaptação para o cinema do romance histórico "Fire Over England" de 1937.

Comentários:
Depois de trabalhar com enorme sucesso dentro da indústria americana de cinema, Vivien Leigh resolveu retornar para sua terra natal, a Inglaterra, para rodar ao lado do marido Laurence Olivier essa produção que prometia muita classe e sofisticação. Fica claro desde os primeiros momentos que os britânicos queriam mostrar aos americanos toda a superioridade de seu nível cultural, sempre mais refinado e elevado. O filme apresenta uma produção pomposa, com figurinos luxuosos e cenários ricamente decorados. Laurence Olivier surge com um tapa olho na maioria das cenas e Vivien Leigh desfila uma infinidade de vestidos elegantes a cada momento. Tudo bem que os personagens vivem em ambientes e salões da classe mais enriquecida da Europa mas o excesso muitas vezes também atrapalha um pouco o desenvolvimento de todo o enredo, que fica em certos momentos em segundo plano. Vivien Leigh, sempre tão talentosa, parece tentar ganhar o público apenas com seus modelitos. Mesmo com esses pequenos deslizes o filme ainda é muito bem conduzido. A história tem drama, romance e até mesmo uma pitada de tragédia para emocionar os mais sentimentais. Um bom momento da carreira da eterna Vivien Leigh, embora pessoalmente prefira seus filmes feitos nos Estados Unidos.

Pablo Aluísio e Erick Steve.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Ícones do velho oeste

Três ícones do velho oeste juntos em rara foto tirada nos bastidores do programa de TV "The Chevy Show" em 1959. O cantor Eddie Arnold (de chapéu preto) acompanhado de Roy Rogers e Audie Murphy (com as mãos no joelho) se divertem e cantam enquanto o show não começa.

O Destemido Senhor da Guerra

Título no Brasil: O Destemido Senhor da Guerra
Título Original: Heartbreak Ridge
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Malpaso Company
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: James Carabatsos
Elenco: Clint Eastwood, Marsha Mason, Everett McGill

Sinopse:
Tom Highway (Clint Eastwood) é um sargento veterano, que esteve nas guerras da Coreia e do Vietnã e que em breve se aposentará. Apesar disto, ele mantém seu pavio curto e sua língua ferina. Por ter se metido em mais uma confusão, Tom é transferido para sua antiga base. Lá ele reencontra antigos amigos e faz novos inimigos e precisa treinar um grupo de recrutas que não tem a menor vocação para a vida militar, mas que se não estiverem bem preparados podem morrer no primeiro combate.

Comentários:
Um bom filme com o astro Clint Eastwood. Novamente o tema do militar linha dura que transforma um grupo de jovens em homens, preparados para a guerra. O personagem de Clint Eastwood é a de um homem de outro tempo, de outra era, com seus próprios princípios, forjados em um tempo que não existe mais. Obviamente que sua visão acaba se chocando com o mundo moderno. Conservador, linha dura, nada adequado para os tempos atuais, no liberalismo, no afrouxamento da sociedade. De forma em geral o filme se situa muito bem dentro da filmografia de Clint Eastwood. Claro que não pode ser comparado aos seus grandes momentos no cinema, pois é de certa forma rotineiro, mesmo assim vale bastante a pena, por trazer Eastwood em um tipo de personagem que seus admiradores adoram.  

Pablo Aluísio.

Corina, uma Babá Perfeita

Título no Brasil: Corina, uma Babá Perfeita
Título Original: Corrina, Corrina
Ano de Produção: 1994
País: Estados Unidos
Estúdio: New Line Cinema
Direção: Jessie Nelson
Roteiro: Jessie Nelson
Elenco: Ray Liotta, Whoopi Goldberg, Tina Majorino

Sinopse:
Após a morte da esposa de Manny Singer (Ray Liotta) sua pequena filha começa a apresentar sinais de problemas comportamentais. Se torna inibida, introvertida e triste. A vida segue em frente para Manny, afinal ele tem uma jovem família para sustentar e precisa de uma babá para a jovem menina enquanto ele está trabalhando. Após várias entrevistas desastrosas ele acaba contratando a simpática e alegre Corrina Washington (Whoopi Goldberg) que acaba trazendo finalmente a velha luz para aquela casa antes deprimida e melancólica.

Comentários:
" Corrina, Corrina" é aquele tipo de produção bem despretensiosa, mas cheia de boas intenções. Ao mostrar uma babá negra nos anos 60 cuidando de uma jovem garotinha branca que perdeu sua mãe, ele mostra muito bem que não existe diferença de raças quando existe amor e amizade sincera entre as pessoas. Mas não se preocupe, mesmo tocando na questão do racismo na sociedade americana de cinquenta anos atrás o filme não se torna panfletário e cheio de discursos. Ao invés disso investe mesmo em um enredo bem leve, com ótima trilha sonora, tudo para deixar o espectador com aquela sensação boa de quem acabou de ver algo para cima, com mensagem positiva e feliz. Whoopi Goldberg continua com todo aquele carisma e talento que sempre a caracterizou em toda a sua carreira. Sua personagem inclusive parece ter sido escrito especialmente para ela, tal o nível de simbiose que ela desenvolve na película. Agora curioso mesmo é ver o durão Ray Liotta, que sempre se notabilizou por personagens fortes, como mafiosos e criminosos em geral, bancando o paizão amoroso. E não é que ele está muito bem! Pois é, até os durões precisam de vez em quando mostrar toda sua sensibilidade.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Os Embalos de Sábado Continuam

Título no Brasil: Os Embalos de Sábado Continuam
Título Original: Staying Alive
Ano de Produção: 1983
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Sylvester Stallone
Roteiro: Nik Cohn, Sylvester Stallone
Elenco: John Travolta, Cynthia Rhodes, Finola Hughes

Sinopse:
Cinco anos depois da história mostrada no primeiro filme o suburbano Tony Manero (Travolta) corre atrás de seu grande sonho, se tornar dançarino profissional de uma grande companhia de dança da Broadway em Nova Iorque. Nada será fácil pois a competição é acirrada e a concorrência numerosa. Apenas os verdadeiros talentos vencerão essa disputa.

Comentários:
Conforme o próprio Sylvester Stallone explicaria, ele era um grande fã do primeiro filme. Em suas próprias palavras: "Aquele era o filme que eu gostaria de ter feito se soubesse dançar como o John Travolta". Certamente Stallone não era Travolta e por isso arranjou um jeito de convencer a Paramount a lhe dar carta branca para dirigir a sequência do grande sucesso musical dos anos 70. O roteiro seria do próprio Stallone. Ele porém queria impor sua própria visão naquele enredo. Transformou Tony Manero em um dançarino profissional, aspirante à entrar em um grande musical da Broadway. Não há como negar que o filme tenha ótimas cenas de dança, embalados com o que havia de melhor na época nesse estilo mas algo se perdeu. Stallone parece obcecado por corpos musculosos e suados de seus dançarinos em números musicais longos e muitas vezes cansativos. O que era para ser algo mais sutil se transformou em um desfile de atores e figurantes bombados - tal como o próprio Stallone. A crítica não gostou e o público, para surpresa de muitos, ignorou completamente o filme, deixando as salas de cinemas vazias. Com isso os embalos de sábado à noite ficaram definitivamente encerrados.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Longa Viagem de Volta

Título no Brasil: A Longa Viagem de Volta
Título Original: The Long Voyage Home
Ano de Produção: 1940
País: Estados Unidos
Estúdio: Argosy Pictures, Walter Wanger Productions
Direção: John Ford
Roteiro: Eugene O'Neill, Dudley Nichols
Elenco: John Wayne, Thomas Mitchell, Ian Hunter

Sinopse:
"The Long Voyage Home" traz o cotidiano do cargueiro Glencairn. Nele convive uma tripulação que entende que todos precisam de todos, onde a camaradagem e a amizade não são apenas uma questão de escolha mas de necessidade vital se quiserem continuar vivos pelas longas viagens que fazem. E lá que trabalha o velho lobo do mar Olsen (John Wayne), um sujeito durão, mas também justo e íntegro, dono de um enorme coração.

Comentários:
Só o fato de ter nomes como John Wayne e John Ford na ficha técnica já desperta o interesse redobrado dos cinéfilos. O curioso é que não se trata de um western tradicional da velha escola mas sim um drama, com ares de aventura e jeito de cinema noir. "The Long Voyage Home" tem cenas belíssimas e o cineasta e mestre John Ford mostra como capturar momentos perfeitos para a tela do cinema usando apenas recursos naturais - como uma tensa neblina, por exemplo. Wayne está em sua caracterização habitual mas teve que se esforçar um pouco mais por causa do roteiro que trazia uma carga dramática mais forte do que seus costumeiros filmes de faroeste. O bom humor também está presente como era habitual nos filmes de Ford. Mas não se resume a isso. Há também toda uma atmosfera de melancolia e solidão que permeia a vida dos marinheiros que até hoje impressiona a quem assiste ao filme. Para falar a verdade o espectador se sente bem no meio das longas travessias escuras mar adentro que o filme mostra. Uma aula de cinema do mestre John Ford. Espetacularmente subestimado, o filme é extremamente recomendado aos fãs da sétima arte em geral.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Sangue de Pistoleiro

Título no Brasil: Sangue de Pistoleiro
Título Original: Gunman's Walk
Ano de Produção: 1958
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Phil Karlson
Roteiro: Frank S. Nugent, Ric Hardman
Elenco: Van Heflin, Tab Hunter, Kathryn Grant

Sinopse:
Um fazendeiro poderoso sempre procura proteger seu filho, um sujeito incontrolável, irresponsável e cruel, de atitudes selvagens e condenáveis. Para livrar ele da cadeia não mede esforços, pagando subornos, coagindo testemunhas e acobertando seu erros até o dia que seus crimes se tornam fora de controle, sérios demais para corrigir. 

Comentários:
Viúvo Lee Hackett (Van Heflin), um criador de gado, típico homem forjado no velho oeste, tenta fazer de seus dois filhos, Ed (Tab Hunter) e Davy (James Darren), uma imagem de si mesmo, afinal eles herdarão sua propriedade rural e a criação de gado, a mais bonita da região. O problema é que seu filho Ed é selvagem e desregrado, além de possuir uma péssima índole pessoal. Assim Ed decide ir por outro caminho, e resolve se tornar um pistoleiro, numa atitude tomada justamente para afrontar seu velho pai e o irmão, que se revela um modelo para cuidar dos negócios da família. Bom faroeste da Columbia que mostra os problemas familiares enfrentados por um velho e justo criador de gado que acaba tendo muitos aborrecimentos pessoais com seu filho rebelde e fora de controle. Curiosamente o roteiro aposta bastante no conturbado relacionamento entre pai e filho, fruto da época pois fitas como "Juventude Transviada" com James Dean estavam na ordem do dia. Obviamente Tab Hunter passava longe de ser um novo James Dean mas até que não se sai mal interpretando seu personagem selvagem e hostil. Anos depois veria sua carreira desmoronar após uma revista de fofocas revelar sua homossexualidade. De qualquer maneira esqueça isso e se divirta pois é um western que sem dúvida vale muito a pena.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Sexta-feira 13 - Parte 3

Título no Brasil: Sexta-feira 13 - Parte 3
Título Original: Friday the 13th Part III
Ano de Produção: 1982
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Steve Miner
Roteiro: Martin Kitrosser, Carol Watson
Elenco: Dana Kimmell, Tracie Savage, Richard Brooker

Sinopse:
Os jovens não aprendem. Após uma série de mortes causadas por Jason Voorhees (Richard Brooker) eles retornam para o isolado ex-campo de férias de Crystal Lake. No meio dos namoricos e brincadeiras começam a desconfiar que alguém está andando pela mata fechada do local. Um sinistro sujeito usando uma máscara de hockey com um facão. Sim, garotos, Jason está de volta para degolar suas cabeças!

Comentários:
Se deu certo uma, duas vezes, por que não levar em frente as matanças do psicopata Jason? Pois bem, é justamente isso que temos nessa terceira aventura. Na verdade o roteiro segue sendo mais uma vez uma mera derivação dos filmes anteriores com pequenas novidades - geralmente na forma como Jason mata suas vítimas. Por essa época o público já começava a se perguntar porque os jovens continuavam a ir para Crystal Lake, mesmo após tantas mortes sangrentas! Seriam desavisados ou simplesmente estúpidos? Na dúvida Jason não pensava duas vezes e passava o facão na galera que se atrevia a voltar por lá. A fórmula novamente se mostrou certeira e a Paramount voltou a lucrar com a franquia. Para os produtores não havia nada melhor, orçamento modesto, elenco praticamente desconhecido (que só estava lá para morrer mesmo) e roteiro básico. Obviamente nada disso importou para os fãs que se deliciaram com uma nova rodada de matança com Jason, o psicopata mais produtivo da história do cinema.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Execução Sumária

Título no Brasil: Execução Sumária
Título Original: Instant Justice
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Craig T. Rumar Productions, Mulloway Limited
Direção: Craig T. Rumar
Roteiro: Craig T. Rumar
Elenco: Michael Paré, Tawny Kitaen, Peter Crook

Sinopse:
Scott Youngblood (Michael Paré) é um fuzileiro naval dos EUA que viaja até a  Espanha para ver sua irmã Kim, após muitos anos de separação. Mas ela está morta, e a polícia local não parece disposta a prender os criminosos que a mataram. Sozinho pelas ruas da de Madrid, Scott começa a seguir pistas, procurando pelos verdadeiros assassinos. Ele quer justiça e principalmente vingança.

Comentários:
Nos anos 80 o público estava sedento por filmes de muita ação. Não é para menos, aquela foi a década dos actions heroes como Stallone e cia. No meio de tantos candidatos a astros de action movies surgiu Michael Paré! Ele já tinha se destacado em "Ruas de Fogo" e por essa razão os produtores se convenceram que ele tinha jeito para a coisa. Um dos veículos usados para transformar Paré em astro de bilheteria foi esse "Execução Sumária". Ao contrário de todas as previsões, por se tratar de um filme de orçamento até modesto, a fita foi lançada com marketing e pompa nos cinemas, inclusive no Brasil. O roteiro era uma mera desculpa para muitas cenas de ação e pancadaria (algumas completamente sem noção). Claro que o público gostou do que viu mas a concorrência era muito forte. Assim o filme não conseguiu o retorno esperado e Michael Paré não conseguiu chegar nem perto do trono de brutamontes como Arnold Schwarzenegger. Revisto hoje em dia soa mais absurdo do que nunca mas nos anos 80, não se engane, esse era o tipo de filme de ação típico. Os saudosistas certamente gostarão de rever.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Sombras do Terror

Título no Brasil: Sombras do Terror
Título Original: The Terror
Ano de Produção: 1963
País: Estados Unidos
Estúdio: Alfa Cinematografica
Direção: Francis Ford Coppola, Roger Corman
Roteiro: Jack Hill, Leo Gordon, Roger Corman
Elenco: Boris Karloff, Jack Nicholson, Dick Miller, Dorothy Neumann

Sinopse:
O tenente Andre Duvalier (Jack Nicholson) é socorrido em uma praia por uma mulher, que some logo depois. Ele acaba descobrindo que seu paradeiro é um grande castelo, junto do sinistro Barão Victor Frederick Von Leppe (Boris Karloff). Porém, quando lá chega, ele a reconhece no quadro de uma garota falecida.

Comentários:
Antes de se tornar um dos cineastas mais celebrados da história com filmes como "O Poderoso Chefão", o diretor Francis Ford Coppola foi um pupilo de Roger Corman. Como se diz no ditado todos precisam começar de algum modo e foi isso que Coppola fez. Esse "Sombras do Terror" foi uma das primeiras experiências do cineasta atrás das câmeras. O interessante é que ele não faz feio, mesmo com a precariedade da produção. Isso se deveu ao fato de que Corman resolveu aproveitar os figurinos e cenários do filme "O Corvo" para rodar esse filme aqui em tempo recorde. A intenção era economizar ao máximo. O resultado passou longe de ser um desastre. Outro destaque óbvio vem da presença no elenco de Jack Nicholson. Na época ele era apenas um empregado do departamento de animação do estúdio que sonhava se tornar um astro. Infelizmente ele havia encontrado inúmeras portas fechadas. Alguns diretores chegavam a dizer que ele era careca e feio e jamais seria um astro! Assim Nicholson correu atrás de quem o aceitasse. Acabou encontrando apoio com Roger Corman e o resto é história. Esse filme assim demonstra bem que Corman, além de ser um dos mais produtivos diretores de Hollywood também foi extremamente importante ao dar uma primeira chance para profissionais que anos depois iriam se consagrar no cinema americano. Todos precisam de uma pequena ajuda no começo da carreira e Roger Corman, muito solícito e solidário, acabou exercendo essa função.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Guerra Sem Cortes

Título no Brasil: Guerra Sem Cortes
Título Original: Redacted
Ano de Produção: 2007
País: Estados Unidos
Estúdio: Film Farm, The, HDNet Films
Direção: Brian De Palma
Roteiro: Brian De Palma
Elenco: Patrick Carroll, Rob Devaney, Izzy Diaz

Sinopse:
Um esquadrão de soldados americanos está parado em um posto no Iraque, convivendo com a população local e a mídia instalada na região. Cada grupo destes é afetado pela guerra de forma distinta, e suas histórias são contadas pelas imagens criadas no momento: um soldado produz um vídeo-diário, uma equipe francesa filma um documentário, sites árabes colocam cenas de insurgentes plantando bombas, mulheres mandam mensagens para seus maridos via blogs e o You Tube revela a barbaridade existente na guerra.

Comentários:
Uma tentativa por parte do cineasta Brian de Palma em construir uma produção diferente, que procura captar o momento vivido tanto pelas tropas americanas como pelo povo dos países ocupados. O resultado é irregular, onde bons momentos são intercalados com cenas sem maior impacto, talvez por causa da edição que se mostra um pouco fora de foco, sem um caminho definido a seguir. Mesmo com esses problemas pontuais temos realmente uma obra no mínimo intrigante, mostrando o lado mais pessoal e individual da guerra, procurando fugir do exagero que a imprensa, principalmente americana, costuma construir nessas situações de conflito envolvendo o seu próprio exército.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Karate Kid II - A Hora da Verdade Continua

Título no Brasil: Karate Kid II - A Hora da Verdade Continua
Título Original: The Karate Kid, Part II
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: John G. Avildsen
Roteiro: Robert Mark Kamen
Elenco: Pat Morita, Ralph Macchio, Pat E. Johnson

Sinopse:
O jovem pupilo Daniel San (Ralph Macchio) resolve acompanhar seu mestre, o Sr. Miyagi (Pat Morita), ao seu país natal, o Japão. Ele precisa voltar ao antigo lar para resolver algumas questões pessoais que estão inacabadas. Lá reencontra um antigo rival e o amor do seu passado distante.

Comentários:
Já que hoje a Sessão da Tarde vai exibir o primeiro "Karate Kid" e já comentamos sobre ele aqui no blog em outra oportunidade resolvi tecer alguns comentários sobre essa sequência. Não tive a chance de ver o original em seu lançamento mas essa continuação assisti em um cinema tradicional na minha cidade, sala de exibição essa que nem existe mais, infelizmente. Talvez por ter assistido na tela grande e ter vivenciado seu lançamento - com direito a comprar sua trilha sonora, que é ótima, em vinil -  prefiro muito mais esse do que a primeira aventura. Acho que o sucesso do anterior fez com que a Columbia caprichasse muito mais na produção, que foi rodada quase que inteiramente no Japão, na terra do Sr. Miyagi. Até Daniel tem um casinho amoroso com uma linda nativa da região. Tudo bem, o roteiro é uma mera derivação do mesmo argumento do primeiro filme mas aqui sinceramente as coisas soam melhor, a fita é bem mais redondinha mesmo. Além disso o diretor foi um especialista do cinema pop da época, o bem sucedido John G. Avildsen, que havia dirigido o grande sucesso "Rocky, um Lutador" anos antes. Eis um clássico exemplar do cinema pipoca dos anos 80. Até hoje Hollywood não conseguiu fazer nada mais pop do que isso.

Pablo Aluísio.

Fúria de Titãs

Título no Brasil: Fúria de Titãs
Título Original: Clash of the Titans
Ano de Produção: 1981
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Desmond Davis
Roteiro: Beverley Cross
Elenco: Laurence Olivier, Harry Hamlin, Claire Bloom, Maggie Smith, Ursula Andress

Sinopse:
Livre adaptação das estórias de heroísmo da mitologia grega. O Herói Teseu precisa enfrentar várias criaturas monstruosas (entre elas a terrível Medusa e o monstro dos mares Kraken) para salvar a linda e inocente princesa Andrômeda.

Comentários:
Então você gosta mesmo da nova franquia "Fúria de Titãs", não é mesmo? Pois bem meu caro cinéfilo, você precisa mesmo é ver o original realizado no começo dos anos 1980. Por quê? Simples, nada superou o charme dessa produção. Para começo de conversa o filme trazia o mito Sir Laurence Olivier no papel de Zeus (nada mais conveniente). O elenco aliás falava por sí só: a maravilhosa Maggie Smith e a eterna diva Ursula Andress estão presentes como divindades do Olimpo (Ursula provavelmente foi escalada porque o produtor desse filme era o mesmo da franquia James Bond). O atores estão todos bem. Agora, temos que dar o braço a torcer e reconhecer que "Fúria de Titãs" de 1981 será lembrado mesmo para sempre por causa do mestre Ray Harryhausen. As criaturas que ele criou para esse filme são inesquecíveis. Em uma época em que não existia computação gráfica o artesão Harryhausen conseguia dar vida à vários seres da mitologia grega. Até mesmo a corujinha mecânica - que foi reutilizada na nova franquia como uma forma de homenagear os efeitos do filme original - é marcante demais. Podem dizer o que quiserem, que tudo está datado, que o figurino é nada convincente e coisas do tipo. Quem teve o prazer de ver esse filme no cinema certamente não vai esquecer do impacto que ele causou na época. Um marco do cinema de fantasia em Hollywood.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Segredo das Estrelas

Rock Hudson e sua esposa no dia de seu casamento
Em 21 de janeiro de 1958, a esposa de Rock Hudson confrontou o ator, exigindo saber se ele era gay realmente. O casamento ia de mal a pior e a mulher de Rock o havia enviado para um teste com sua psicóloga. O teste de Rorschach revelou que Rock tinha sonhos com borboletas e cobras.

Phyllis explicou o que aquilo significava dentro dos estudos de psicanálise: "Você me disse que viu milhares de borboletas e cobras também" - disse ela - "A terapeuta me disse que as borboletas significa feminilidade e as cobras representavam um pênis masculino. Eu não estou condenando você, mas parece que há tempos você tem escondido esse problema! Esse tipo de sonho significa que você tem tendências homossexuais! Você quer falar sobre isso? É por essa razão que você não se sente à vontade comigo? Por isso nosso sexo é tão rápido? Você é tão rápido assim em suas transas com gays?"

Pressionado Rock confessou: "Bem, há diferenças, é uma questão física. Com homens é diferente, por isso demora mais tempo...".

Irritada, Phyllis Gates quis saber mais: "Todo mundo sabe que você está pegando todos esses jovens na rua. Logo depois que nos casamos isso continuou. Você acha que o fato de você ser casado comigo vai esconder isso do público?"

"Eu nunca peguei nenhum jovem na rua" - insistiu Rock - "Eu nunca fui em bares gays catar ninguém! Apenas dou carona a eles, é diferente!"

Esse diálogo de arrepiar, onde um dos maiores ídolos do cinema confessava para sua própria esposa que era gay não é fruto da imaginação de um escritor. Ele foi gravado por uma figura sinistra, um detetive particular que se tornou muito conhecido das estrelas, Fred Otash. A conversa foi gravada por Otash sob ordens de sua cliente, Phyllis Gates, a esposa de Rock Hudson, que procurava juntar provas contra Rock para usar em um divórcio tumultuado que aconteceria dali alguns meses.

As fitas com as gravações foram recentemente descobertas em uma unidade de armazenamento no Vale de San Fernando. No total foram encontradas 11 caixas que pertenceram ao detetive Otash, muitas delas recheadas de gravações reveladoras envolvendo algumas das maiores estrelas do cinema americano.

Além de Rock Hudson o detetive investigou os segredos da atriz Lana Turner e o escandaloso caso amoroso envolvendo Marilyn Monroe e o Presidente JFK. Otash era um ex-policial afastado do Departamento de Polícia de Los Angeles. Depois que saiu da polícia resolveu abrir seu próprio escritório de detetive particular em Hollywood e se deu muito bem, com vasta clientela de ricos e famosos.

Mike Wallace o chamou de homem "mais amoral" de Los Angeles. Otash não tinha freios morais ou éticos, caso o cliente pagasse ele estava pronto para qualquer coisa. Era uma figura muito conhecida no meio da indústria de cinema. Robert Towne o usou como inspiração quando escreveu seu roteiro premiado com o Oscar de 1974, Chinatown, sobre um detetive particular amoral interpretado por Jack Nicholson. "Ele foi minha principal fonte de inspiração, embora tenha também usado outros investigadores como modelo".

Outro cliente famoso de Otash foi o ator Marlon Brando. O mito de Hollywood tinha mania de se envolver com mulheres desqualificadas que depois o chantageavam em troca de dinheiro. Brando então mandava Otash no encalço delas, para se proteger. Sua ex-esposa Anna Kashfi foi uma das mais problemáticas. Em certa ocasião puxou uma faca contra Brando e seu filho, Christian. Otash veio em socorro.

Como era muito bom no que fazia o detetive também passou a trabalhar para a escandalosa revista "L.A. Confidential". Entre os furos de reportagem que deu para a revista estão uma famosa festa de pijamas gay com o galã Tab Hunter e os nomes de vários jovens rapazes que frequentavam a cama do pianista Liberace. Otash costumava dizer justificando seu trabalho: "Eu trabalho para qualquer um que me pagar, mas não prestarei jamais serviços a comunistas em geral. São asquerosos. Também não aceito encomendas de morte já que sou um detetive e não um assassino profissional".

Para se proteger Otash usava uma pistola alemã no coldre e um caminhão especialmente adaptado com equipamentos de espionagem. Vários donos de estúdio em Hollywood também o contrataram para que ele fosse atrás de astros problemáticos. A MGM o contratou para sondar se o ator Paul Newman era gay. O estúdio tinha interesse em financiar a carreira do jovem ator mas tinha receio de tudo ir por água abaixo caso um caso gay destruísse sua carreira. Otash o seguiu por duas semanas e tranquilizou os chefões do estúdio ao dizer que "Newman estava interessado em garotas, somente, Ela não era gay!".

"Ele era confiável mas indisciplinado", diz John Buntin, autor do livro de 2010 "L.A. Noir" sobre detetives famosos da história de Los Angeles. Já o antigo jornalista e romancista James Ellroy que trabalhou com Otash tem outra visão sobre o investigador: "Ele era um vigarista, um mentiroso. Ele fez um monte de coisas ruins, incluindo revelar detalhes secretos, principalmente de natureza sexual, sobre a vida de pessoas célebres, levando-os a suportar a vergonha pessoal, sofrimento emocional e privação financeira. Destruiu várias carreiras. Ele me disse que JFK era um péssimo amante e suas transas duravam no máximo dois minutos. Sobre Kennedy descobriu ainda várias outras coisas mas resolveu não falar com medo de sofrer algum tipo de retaliação dessa gente".

As fitas certamente trarão várias revelações curiosas sobre o passado dos mitos de Hollywood, que inclusive está preparando um roteiro sobre a vida do detetive particular. Quem diria que um dia Otash sairia do mundo cão de Hollywood diretamente para as marquises de cinema...

Fonte: THR / Tradução: Erick Steve.

Honra a um Homem Mau

Título no Brasil: Honra a um Homem Mau
Título Original: Tribute to a Bad Man
Ano de Produção: 1956
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Robert Wise
Roteiro: Michael Blankfort, Jack Schaefer
Elenco: James Cagney, Don Dubbins, Irene Papas, Vic Morrow, Lee Van Cleef

Sinopse:
O jovem cowboy Steve Miller (Don Dubbins) chega nas vastas terras pertencentes ao criador de cavalos e rancheiro Jeremy Rodock (James Cagney). Rodock é um sujeito durão, já envelhecido mas polido nas durezas do velho oeste. Ele chegou no território do Wyoming há muitas décadas e onde não havia nada conseguiu construir um rancho próspero e bem sucedido. Jeremy resolve dar uma chance ao jovem Miller e ele passa a fazer parte do grupo de empregados do rancho. A situação anda tensa na região pois há uma série de roubo de cavalos, atos criminosos provavelmente cometidos por um velho sócio de Rodock. Onde não há a presença da lei os rancheiros resolvem punir os ladrões de uma forma nada sutil: os pendurando em árvores, numa morte lenta e penosa por enforcamento.

Comentários:
James Cagney se notabilizou em sua carreira ao interpretar gangsters durões durante a lei seca. Como esquecer, por exemplo, seu marcante personagem em "Anjos de Cara Suja"? Ele foi tão popular quanto Clark Gable, Gary Cooper ou Spencer Tracy, mas ao contrário desses atores raramente interpretava mocinhos em filmes românticos. James Cagney era baixinho, atarracado e tinha cara de mau e assim fez sua carreira. Essa produção foi realizada quando ele já era um veterano venerado em Hollywood, prestes a se aposentar (o que aconteceria cinco anos depois). Seu personagem, o velho Jeremy Rodock, é seguramente a melhor coisa do filme que é muito bom, acima da média, mostrando como era a dura de criadores de cavalos naqueles tempos. No meio das perseguições contra os ladrões de cavalos o roteiro ainda encontra espaço para inserir uma muito bem desenvolvida relação amorosa entre Rodock e Jocasta Constantine (Irene Papas) que não consegue se decidir entre assumir um relacionamento com o velho ou se enamorar por algum jovem cowboy. Isso acaba criando uma tensão entre todos os personagens do rancho, o que enriquece bastante a trama. O cineasta Robert Wise assim realiza mais um belo trabalho em sua filmografia. Um filme até bem humano, que consegue desenvolver uma boa carga dramática em um western dos mais bem realizados.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Texas Ranger

Título no Brasil: O Texas Ranger
Título Original: The Range Rider
Ano de Produção: 1951 - 1953
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal TV
Direção: George Archainbaud   
Roteiro: Oliver Drake
Elenco: Jock Mahoney, Dickie Jones, Bob Woodward

Sinopse:
No velho oeste um Texas Ranger (Jock Mahoney) se faz passar por comerciante rico em busca de oportunidades pelas cidadezinhas da fronteira para capturar foras-da-lei e procurados pela justiça. Usando de sua identidade disfarçada ele acaba desbaratando várias quadrilhas de pistoleiros e bandoleiros.

Comentários:
Nem só de cinema vivia os fãs de western nos anos 1950. Várias séries de TV passadas no velho oeste enchiam a garotada de diversão por aqueles anos. Uma delas foi essa "The Range Rider" que ficou no ar por três temporadas. Era exibida logo após o almoço para que toda a patota que chegasse da escola pela manhã pudesse acompanhar os episódios sem problemas. Jock Mahoney (1919 - 1989) que estrelava o seriado era um antigo dublê de filmes com Errol Flynn, John Wayne, Gregory Peck e Gene Autry que ganhou uma chance de tentar o estrelato. Ex-jogador de futebol americano, boa pinta e carismático, era o que a TV estava mesmo procurando. Sua estampa inclusive foi usada em brinquedos e cereais matinais. Depois que a série foi cancelada tentou uma carreira no cinema e até realizou bons filmes em papéis secundários como "Cavalgada para o Inferno" mas nunca conseguiu virar um astro de primeira grandeza. Ele ainda voltaria para a TV em outras séries como "Caravana" e "Rawhide" mas nunca mais com a mesma popularidade. O que vale a pena ao ver episódios dessa "The Range Rider" é justamente ver como eram inocentes aqueles tempos. Uma nostalgia de uma época não vivida que serve como uma verdadeira aula sobre a história da TV americana. Os cowboys, mocinhos e bandidos nunca foram tão charmosos como naquela época perdida no tempo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Procurando Nemo

Título no Brasil: Procurando Nemo
Título Original: Finding Nemo
Ano de Produção: 2003
País: Estados Unidos
Estúdio: Disney Pictures
Direção: Andrew Stanton, Lee Unkrich
Roteiro: Andrew Stanton
Elenco: Albert Brooks, Ellen DeGeneres, Alexander Gould

Sinopse:
Nemo vive nos oceanos. É um peixinho esperto mas curioso em relação ao mundo que desconhece. Após um tempo decide desafiar os conselhos de seu pai, saindo do lugar onde vive para conhecer os arredores, mas acaba caindo nas redes de mergulhadores. Depois de capturado acaba sendo levado para um aquário, onde vira um peixe de ornamentação. Desesperado o pai de Nemo, Martin, decide sair em uma grande aventura em busca de seu filho. Para isso contará com a ajuda muito especial de Dory, a confusa mas divertida amiga de viagem.

Comentários:
Um grande sucesso dos estúdios Disney, "Procurando Nemo" tem uma estorinha bem simples mas que cativou espectadores ao redor do mundo. Bem longe da acidez das produções solos da Pixar essa fita traz bem o espírito que sempre caracterizou as produções Disney. Personagens fofinhos, mensagem subliminar valorizando os valores familiares e um enredo que mostra os aspectos positivos de uma verdadeira amizade. O roteiro e direção são assinados por Andrew Stanton. Esse animador e cineasta é certamente um dos melhores do mundo da animação atualmente. O argumento do excelente "Wall-E" é dele, que criou todo aquele conceito fantástico, que acabou resultando numa das melhores animações dos últimos anos. Seu texto é conhecido pela sutileza. Stanton sempre usa estorinhas das mais simples para mostrar grandes valores pessoais e familiares. "Nemo" não é tão criativo quanto "Wall-E" mas mantém um nível de qualidade acima da crítica. Entre os atores dubladores vale destacar o trabalho da humorista e apresentadora Ellen DeGeneres no papel de Dory. Sua personagem acaba roubando o show, por causa de sua interpretação inspirada. No geral "Finding Nemo" é de fato um ótimo momento da Disney no cinema. Não vá perder.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

No Rastro da Bala

Título no Brasil: No Rastro da Bala
Título Original: Running Scared
Ano de Produção: 2006
País: Estados Unidos, Alemanha
Estúdio: New Line Cinema
Direção: Wayne Kramer
Roteiro: Wayne Kramer
Elenco: Paul Walker, Cameron Bright, Chazz Palminteri

Sinopse:
Joey Gazelle (Paul Walker) é um tira que se envolve em uma grande cilada. Após uma investigação mal sucedida contra policiais corruptos, ele se envolve na morte de outro policial. Encarregado de dar sumiço na arma que matou o colega ele a coloca em um local de difícil acesso. Sem perceber porém um garoto da vizinhança acaba vendo Joey escondendo a arma do crime. Vai lá, se apodera do revólver e mata seu padrasto, um sujeito desprezível. Agora Joey precisa encontrar o garoto fugitivo para evitar que a arma caia em mãos dos investigadores do departamento de polícia.

Comentários:
A morte recente do ator Paul Walker despertou novamente o interesse em seus filmes mais antigos. Esse "Running Scared" é um dos mais interessantes. É uma produção entre Estados Unidos e Alemanha (o ator sempre foi um astro nos países localizados no norte da Europa) e não decepciona os fãs de uma boa fita de ação, mesmo que ela seja de orçamento modesto. A produção foi realizada em parte na República Tcheca. Na direção um cineasta praticamente novato, em seu primeiro filme de maior repercussão. Depois da boa recepção dessa fita ele dirigiu "Território Restrito" com Harrison Ford, em momento burocrático, e o curioso e singular "Pawn Shop Chronicles" que inclusive já comentei aqui no blog. No geral podemos dizer que o filme, se não chega a ser algo marcante, cumpre bem suas pretensões. É um enredo rápido, bem conduzido e que conta com o carisma de Paul Walker, em seu tipo habitual.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

De Olhos Bem Fechados

Título no Brasil: De Olhos Bem Fechados
Título Original: Eyes Wide Shut
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Stanley Kubrick, Frederic Raphael
Elenco: Tom Cruise, Nicole Kidman, Todd Field

Sinopse:
Dr. William Harford (Tom Cruise), um médico de Nova York, que é casado com uma curadora de arte, Alice Harford (Nicole Kidman), resolve descobrir o limite de seu relacionamento com a esposa ao experimentar a liberdade sexual e moral de um perigoso jogo de sexo, poder e sedução, numa longa noite de excessos pela cidade.

Comentários:
O último filme do mito Stanley Kubrick. Ao que tudo indica Cruise não deixaria passar a oportunidade de estrelar um filme dirigido pelo famoso cineasta, mesmo que o roteiro e o argumento não fossem lá grande coisa. Ao lado da esposa (na terceira e última atuação juntos no cinema) Cruise se despiu de vaidades, aceitando protagonizar ousadas cenas de sexo e sensualidade (para um astro de seu status, é claro). Após uma conturbada filmagem o filme foi lançado com reações adversas. Muitos não gostaram do resultado final e consideram a pior obra da filmografia do gênio Kubrick. Uma coisa porém é certa, mesmo não sendo unanimidade o filme segue como um dos mais marcantes da filmografia de Tom Cruise. Se do ponto de vista profissional o filme virou uma referência para o ator, no aspecto profissional as coisas não foram tão bem. O relacionamento com sua esposa, Nicole Kidman, se deteriorou bastante, o que causaria o rompimento definitivo entre eles pouco tempo depois. Para alguns, a atriz culpava Cruise por ele ter deixado que ela se expusesse em demasia no filme, em uma concessão descabida, supostamente dada à genialidade de Kubrick. E por falar em genialidade, o mestre Kubrick mostra aqui claros sinais de desgate, falta de novas ideias e saturação. Ele parece querer se esconder atrás da imagem de seu próprio mito mas em vão. "Eyes Wide Shut" é uma obra opaca, sem vida, que tenta desesperadamente se apoiar em cenas chocantes e escandalosas para lhe dar algum sentido artístico. Os esforços porém soam sem resultado. Se não houvesse a assinatura de Stanley Kubrick nos créditos o filme certamente seria massacrado ainda mais pela crítica em seu lançamento. Hoje seria ignorado, certamente. Não foi um canto de cisne à altura de um mito do cinema como Stanley Kubrick, infelizmente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

McMillan & Wife

Título no Brasil: McMillan & Wife
Título Original: McMillan & Wife
Ano de Produção: 1971 - 1977
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal TV
Direção: Vários
Roteiro: Série criada por Leonard Stern
Elenco: Rock Hudson, John Schuck, Susan Saint James

Sinopse:
"McMillan & Wife" mostra o cotidiano do casal Stewart 'Mac' McMillan (Rock Hudson) e Sally McMillan (Susan Saint James). Eles formariam o típico casal de San Francisco dos anos 1970 se não fosse por um detalhe mais do que importante: Ele é comissário de polícia e ela, apesar de ser apenas uma simples dona de casa, sempre acaba resolvendo os misteriosos crimes que o maridão está investigando.

Comentários:
Nunca foi exibida no Brasil em canais abertos mas nos EUA fez grande sucesso. O interesse dos cinéfilos nessa série vem do fato dela ter sido estrelada pelo ator Rock Hudson, um dos mitos do cinema clássico de Hollywood. Com a idade chegando Rock foi ficando sem trabalho, uma vez que ele era o galã típico dos anos 1950 e 1960. Galãs quando envelhecem acabam perdendo o emprego como bem se sabe. Sem grandes convites para o cinema ele acabou aceitando fazer essa série, inicialmente por pouco tempo, mas que por causa do sucesso de audiência duraria longas seis temporadas. Rock detestava TV. Não acompanhava e não gostava de estar em uma série televisiva pois a achava indigna de seu status de grande ator de cinema mas não houve outro jeito. Adotou um bigodão e procurou se divertir no novo meio. De bom havia o alto salário que recebia por episódio e a chance de trabalhar em San Francisco, uma cidade de que ele gostava muito (também conhecida como a capital gay da América). Hudson contracenou com a jovem Susan Saint James, que ele considerava uma típica hippie daqueles anos. Mesmo assim se deram bastante bem nos bastidores. Na última temporada ela deixou a série, alegando que queria construir uma carreira no cinema e o seriado passou a se chamar apenas "McMillan". Do ponto de vista de qualidade a série fica na média do que era feito na TV americana da época. Há bons episódios intercalados com bobagens. A primeira e a segunda temporada foram lançadas em DVD nos Estados Unidos e Inglaterra, o que proporcionará agora aos fãs de Rock Hudson uma ótima oportunidade de assistir à série e acompanhar o astro de "Assim Caminha a Humanidade" perseguindo bandidos pelas ladeiras de San Francisco. Um programa no mínimo bem interessante. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

John Ford


John Ford
O grande mestre John Ford posa de cachimbo e chapéu western. Sobre as críticas que sofria quando mudava aspectos históricos dos personagens reais que retratava em seus filmes ele respondia: "Quando a lenda é mais interessante do que a realidade, imprima-se a lenda!". 

Juntos Pelo Acaso

Título no Brasil: Juntos Pelo Acaso
Título Original: Life as We Know It
Ano de Produção: 2010
País: Estados Unidos
Estúdio: Village Roadshow Pictures
Direção: Greg Berlanti
Roteiro: Ian Deitchman, Kristin Rusk Robinson
Elenco: Katherine Heigl, Josh Duhamel, Josh Lucas

Sinopse:
Holly Berenson (Katherine Heigl) e Eric Messer (Josh Duhamel) resolvem participar de um encontro às escuras arranjado por seus amigos, Peter e Allison que são casados​​. Nada dá certo e o encontro se transforma em um desastre. Depois que o casal sofre um acidente fatal, eles descobrem que foram nomeados como os guardiões para a filha pequena de Peter e Allison, Sophie. Afinal a garotinha é afilhada de ambos. A partir daí eles tentarão da melhor forma possível honrar os desejos de seus amigos falecidos. Mas criar uma criança definitivamente não será nada fácil. 

Comentários:
Nada mais do que uma comédia romântica que tenta transformar a atriz Katherine Heigl em estrela de primeira grandeza. Como se sabe ela foi revelada na série Grey's Anatomy e depois que largou a TV tenta se estabelecer no mundo do cinema, uma transição que nem sempre dá certo. Por enquanto tudo o que ela tem feito é uma sucessão de fitas como essa, que não estão emplacando muito bem. Também pudera, essa coisa de casal formado por duas pessoas que inicialmente não simpatizam e que depois, com a convivência, vão se afeiçoando, até se descobrirem apaixonadas, é bem saturada. Já se fazia filmes assim na década de 1930. Assim certamente você não vai encontrar absolutamente nada de novo nessa produção. De bom mesmo apenas alguns poucos momentos divertidos e engraçados que mostram que a rotina doméstica destrói mesmo qualquer sentimento mais romântico entre um casal. Enfim, para ver, consumir e jogar fora. É um autêntico cinema fast food com cerejas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Across the Universe

Título no Brasil: Across the Universe
Título Original: Across the Universe
Ano de Produção: 2007
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Revolution Studios, Gross Entertainment
Direção: Julie Taymor
Roteiro: Dick Clement, Ian La Frenais
Elenco: Evan Rachel Wood, Jim Sturgess, Joe Anderson

Sinopse:
Across The Universe é uma história de amor que se passa na década de 1960 em meio aos anos turbulentos de protestos contra a guerra do Vietnã, a luta pela liberdade de expressão e os movimentos pelos direitos civis, tudo embalado sob a magia da música dos Beatles. Ao mesmo tempo ousado, lunático e altamente teatral, a história se move a partir de jovens estudantes que vão descobrindo a vida e amores em uma época que marcou para sempre a cultura e a política em nosso mundo.

Comentários:
Não há como negar que era uma boa ideia. Fazer um musical com as músicas dos Beatles. As letras serviriam de base para a construção de um roteiro mostrando os anseios da juventude perdida em meio a enormes transformações sociais, políticas e culturais. O próprio Paul McCartney foi convidado para a Premiere em Londres e ao final da exibição bateu palmas para o resultado (não se sabe se foi o Paul, o homem de negócios ou Paul, o músico e artista que fez isso!). Não foi uma produção barata, custou mais de 70 milhões de dólares (um orçamento mais do que generoso para musicais) e fez relativo sucesso em seu lançamento. Por mais que eu adore as canções dos Beatles não consegui ficar satisfeito com esse filme. Achei o enredo disperso, para não dizer confuso. Na realidade não há exatamente uma história passando pela tela mas meras desculpas para que as canções do grupo inglês sejam usadas em cenas esporádicas, soltas. Muitos dos momentos inclusive são bem gratuitos. As adaptações musicais também se mostraram problemáticas, há boas ideias e outras nem tanto. No saldo geral o que salva tudo mesmo é a trilha sonora. Se fossem canções menos marcantes o musical certamente seria um abacaxi. Melhor ouvir o velho vinil empoeirado dos Beatles do que perder muito tempo com isso.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A Gaiola das Loucas

Título no Brasil: A Gaiola das Loucas
Título Original: The Birdcage
Ano de Produção: 1996
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Mike Nichols
Roteiro: Jean Poiret, Francis Veber
Elenco: Robin Williams, Nathan Lane, Gene Hackman, Dianne Wiest

Sinopse:
Armand (Robin Williams) e Albert (Nathan Lane) formam um casal gay na ensolarada e badalada Miami. Eles também são donos da boate GLS The Birdcage, onde Albert se apresenta com seu famoso número de diva transformista. A tranquilidade dos pombinhos acaba quando o filho de Armand resolve se casar com a filha de um político conservador, quadradão e religioso, o senador republicano Kevin Keeley (Gene Hackman). O auge da situação delicada acontece quando Armand é avisado que receberá o senador para um jantar em sua própria casa, quando as famílias deverão finalmente se conhecer. E agora? O que fazer com Albert e o clube "Gaiola das Loucas"?

Comentários:
Via de regra detesto remakes. Mas nesse aqui tenho que dar o braço a torcer. O filme original é de 1978, uma produção francesa chamada "La Cage Aux Folles" estrelada por Ugo Tognazzi. Pois bem o filme francês já está muito datado e sendo sincero não consegue ser tão divertido como essa refilmagem americana. O segredo dessa nova versão é seu elenco, simplesmente maravilhoso. Robin Williams como Armand é sem dúvida um grande achado mas quem rouba a cena mesmo é Nathan Lane e Gene Hackman. Lane está fenomenal. Sua cena imitando os passos de John Wayne para parecer um autêntico macho viril são de rolar de rir. Pior é quando tenta se passar por uma matrona de fina classe, também tão conservadora quanto o senador. E por falar nele é sempre algo muito gratificante ver um ator como Gene Hackman, que se notabilizou por personagens sérios em dramas pesados, se dando tão bem em uma comédia como essa. Até Dianne Wiest fazendo uma esposa reprimida agrada. Em suma, esse tive o prazer de ver no cinema, na época nem dava nada pelo filme mas foi uma grata surpresa. Divertido e muito engraçado. Alguém espera algo mais de uma comédia do que isso? Claro que não! Se ainda não viu corra para conferir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Entrevista: Robert Mitchum


Charlottesville - Ele chega vestido com um elegante terno azul escuro risca de giz, mas ele certamente nunca será confundido com um banqueiro. Há um toque de cinismo sobre Robert Mitchum, um sentimento de que as regras foram feitas para diverti-lo.

Ele está aqui no Festival de cinema de Virgínia, diz o programa, porque ele encarna "a alma do filme noir". Sim. Isso é certamente correto. Em suas inflexões irônicas, em seus olhos sonolentos cínicos, na forma lacônica como ele lida com uma arma ou uma dama, ele encarna a essência de um dos mais obscuros gêneros cinematográficos norte-americanos.

Tudo isso é verdade e Mitchum se diverte com o título que lhe deram. "Nós chamávamos aquilo de cinema B, filmes B", disse ele . "Simplesmente porque a pura verdade era que nós não tínhamos dinheiro para uma grande produção, não tínhamos os equipamentos, não tínhamos as luzes, nós não tínhamos nem tempo. A única coisa que nós realmente tínhamos eram algumas boas histórias para contar."

É o meu trabalho estar no palco com Mitchum, e entrevistá-lo depois da exibição do filme "Out of the Past" (1947), um dos maiores filmes noir já feitos, aquele em que Jane Greer diz para Mitchum: "Você não é bom, e eu não sou boa. Nós fomos feitos um para o outro". E o filme onde, brinca Mitchum, todos morrem, mais cedo ou mais tarde. "Mas bem que eu queria viver mais naquele filme" - sorri o ator.

Assim que chega e se senta para a entrevista no palco, Robert Mitchum agradece todos os aplausos. Sorrindo ele diz: "Que maravilhosa recepção! Muito obrigado. A última vez que vi algo assim foi quando Rin Tin Tin, o cachorro, você sabe, foi apresentado para a imprensa no salão de convenções da MGM. O totó foi uma das maiores estrelas do cinema! E pensar que Rin Tin Tin não passava de um truque de câmera!..." Os jovens estudantes de cinema morreram de rir com a ironia cínica de Mitchum.

Eu conheci Mitchum muitos anos antes. Em 1967, em Dingle, Irlanda, durante as filmagens de "A Filha de Ryan". Passei a noite em sua casa de campo à beira-mar, bebendo, e ele observou: "David Lean filmou por um dia inteiro hoje e olha que ele está oito dias atrasado nos cronogramas de filmagens. Daqui uns sete anos ele termina o filme!". Mitchum implicava com a data de seu aniversário onde, segundo ele, tudo dava errado. "Uma vez peguei uma carona no meu aniversário para ir até Pittsburgh e fui parar em Steubenville, Ohio!" Depois de beber mais uns goles completa: "Marilyn Monroe morreu no dia do meu aniversário. Gostava dela, assim toda vez que completo anos, lembro da loira". Depois observa: "Nasci no dia errado. No meu aniversário jogaram a bomba atômica sobre Hiroshima! Não falta mais nada para acontecer nesse dia!" - Depois disso o velho Mitchum soltou uma gargalhada sonora.

O que eu aprendi durante esses tempos em que convivi com Robert Mitchum foi que ele era um cara de ótimo papo, muito descontraído e certamente daria uma ótima entrevista, desde que você não fizesse nenhuma pergunta que lhe aborrecesse. Afinal Mitchum tem seu próprio ritmo, sua própria melodia. No palco, na Virgínia, ele acendeu um cigarro da marca Pall Mall sob aplausos, soprou a fumaça, e suspirou. Mitchum nunca fez média.

- "Você tem sido um ator de cinema por 50 anos" - eu disse.

Silêncio. Um encolher de ombros.

- "Bem, fazer caretas e falar linhas de textos escritos por outra pessoa não é realmente uma cura para o câncer, você sabe, mas eu sei fazer isso. Se você pode fazer com alguma graça, então melhor. Eu tive sorte. Fiz bons filmes por aí nesses anos todos. No final do dia você fica satisfeito com tudo"

- "Em "Out of the Past" você co-estrelou ao lado de Kirk Douglas. Você sempre foi muito descontraído e relaxado. Ele parecia ser mais focado, intenso"

- "Bem, Kirk era muito sério sobre tudo. Pouco antes de "Out of the Past", Betty Jane Greer e eu vi um roteiro que veio da Paramount chamado "O Estranho Amor de Martha Ivers". Kirk ficou muito interessante nele. Assim nós dissemos: "vamos deixar ele fazer esse filme, o estúdio tinha oferecido aquilo para nós mas eu disse, deixe pra lá, aparecerá outro texto bom". Ele passava o tempo todo com um lápis sobre o ouvido fazendo anotações em suas falas no script. Eu não estava nem aí para isso!" - afirma rindo bastante o ator.

- Você acha que houve alguma competição entre vocês?

- "Sim. Mas ele era um tipo diferente de ator. Eu era apenas um cara. É a tal coisa, por parte dele talvez. Eu era apenas o cara contratado"

O público em Virginia estava planejando assistir filmes noir durante todo o fim de semana: "The Big Sleep" (1946), "Detour", "Sunset Boulevard", "Ace in the Hole", "Os Imorais", "Gilda", "Chinatown" e outro filme com Robert Mitchum chamado "Farewell, My Lovely". Muitos dos filmes foram feitos há 40 ou 50 anos mas o interesse era enorme, o que comprovava que o filme noir não tem idade.

O público adorou as convenções sociais da época - como o hábito de fumar o tempo todo dos personagens. Sobre isso Mitchum não perdeu a piada: "Out of the Past (Fuga ao Passado, no Brasil) é talvez o maior filme já feito sobre o cigarro, eu fumo o tempo todo, Kirk também. Eu nem o via direto atrás de tanta fumaça" - o público cai na gargalhada.

- "Eu ainda fumo demais. A minha geração fumou muito. Pedir um cigarro era uma boa forma de puxar uma conversa." - resume sobre aqueles tempos o velho Mitchum.

- "Será que vocês tem alguma idéia de como fazer uma piada envolvendo o consumo de cigarros hoje em dia?" Eu perguntei.

- "Não, não... " - foi logo cortando Mitchum.

- "Porque há mais tabagismo neste filme do que em qualquer outro filme eu já vi" - completei.

- "Nunca pensei sobre isso. Era charmoso fumar naqueles tempos. Algumas atrizes tinham hálito de fumo! Para falar a verdade nem me lembro mais desse filme...mas me lembro dos cigarros, eram muito bons" - pisca o ator!

- "Você nunca reviu o filme?

- "Eu vi no cinema na época no dia de estreia, depois acho que o revi alguma vez, mas já faz tanto tempo que eu não sei... "


Depois de mais algumas perguntas, ele finalmente saiu para jantar com sua esposa, Dorothy, durante a exibição de mais alguns filmes noir. Depois, no restaurante, perguntei-lhe sobre "The Night of the Hunter" (O Mensageiro do Diabo, 1955), o grande filme dirigido por Charles Laughton, no qual interpretou o pregador sinistro que tinha em suas mãos tatuadas as palavras "Amor" tatuado de um lado, e "ódio" na outra.

- "Charles (Laughton) me ligou" - lembra Mitchum - "... e disse: Robert? Aqui quem fala é Charles. Ontem recebi um script horrível. Uma porcaria. Mas podemos fazer algo completamente diferente com ele. Com o dinheiro do estúdio faremos um grande filme. Deixem eles pensarem que estamos fazendo o filme que eles querem. Faremos algo nosso!. Então marcamos um encontro para discutir o projeto. Ele queria filmar em West Virginia ou Ohio mas o orçamento não permitia. Depois disse que chamaria Shelley Winters pois seu cachê era baixo, pouco mais de 25 mil dólares. Foi um filme feito com pouco dinheiro. Charles não era só diretor, às vezes era figurinista e até sonoplasta. Em compensação era um cineasta fantástico. Ele era como John Huston ou pessoas assim. Ele não lhe dizia o que fazer ou o que seu personagem estaria pensando. Alguém como Cukor diria: 'Agora, ele está pensando isso, e isso ...' E eu respondia: 'É Sério isso?!' Mas Charles era um cineasta sutil. Ele ajudava a montar a cena, junto com o ator, e depois agradecia pelo resultado. Era muito gratificante.  As pessoas sempre querem saber por que ele nunca dirigiu outro filme. O que posso dizer? Ele morreu cedo demais, foi por isso"

Na volta da entrevista diante do público no festival Mitchum percebeu que já tinha o público na palma da sua mão. Ele contou sobre sua afeição por Charles Laughton, mas todos queriam saber sobre outros grandes diretores com que ele trabalhou.

David Lean, por exemplo. Então Mitchum relembrou o estilo do cineasta no set: "David iria sentar lá na cadeira, pensando, pensando e pensando um pouco mais. Ficava sentado, olhando o horizonte,  pensando por horas e horas no set. Soube que quando estava filmando Lawrence da Arabia ele ficou tanto tempo na cadeira que pegou uma insolação! Depois tiveram que levar ele de lá às pressas porque uma guerra havia estourado perto do local das filmagens" - diz, divertindo-se Mitchum sobre o famoso diretor - "E ele estava na cadeira quando a guerra começou..." - mais uma vez o público caiu na gargalhada.

Perguntado sobre o que havia achado da refilmagem de seu filme de 1962 com Robert De Niro em seu antigo papel, Mitchum desconversou afirmando que não havia ainda assistido o filme de Martin Scorsese.

Alguém na plateia perguntou-lhe sobre de Marilyn Monroe e seu rosto se suavizou.

"Eu a amava" - disse ele - "Eu a conhecia desde quando ela tinha uns 15 ou 16 anos de idade. Era colega de trabalho de seu primeiro marido na linha na fábrica da Lockheed em Long Beach. Foi quando eu a conheci. E eu a conhecia muito bem. E ela foi uma linda menina.... muito, muito tímida. Ela teve o que hoje é reconhecido como agorafobia, tinha pavor de sair no meio das pessoas. Naquela época eles formavam um casal comum, como qualquer outro. Ela era muito doce e feliz. Mas daí o marido foi servir na Marinha longe de casa e o casamento acabou. A revi no estúdio, por acaso, anos depois. Fizemos filmes juntos e gostávamos de rir muito. Sei que muitos a exploraram em seus anos em Hollywood. Isso é triste".

E o que dizer de Humphrey Bogart? - alguém perguntou. Como ele era?

- "Sim, eu o conhecia. Bogey e eu éramos bons amigos. Uma vez ele me disse: 'Você sabe, a diferença entre você e eu e os outros caras, não sabe?... - o jeito dele falar isso foi muito engraçado. Bebia do café da manhã ao jantar e não ficava embriagado, impressionante. Lá pelas três da tarde eu já estava caído no chão, bêbado, quando ia na casa do Bogey e ele, que havia bebido tanto quanto eu, estava lá, sóbrio, com copo na mão e o terno impecável. Nunca vou entender aquilo!" - brinca Mitchum.

Havia um monte de alunos da Universidade de Virgínia na plateia, e um deles perguntou: " Ah, o Sr. Mitchum, dada a sua atitude despreocupada em direção de cinema, o que você acha de um festival como este, que estuda cinema de forma crítica e analiticamente? "

- "Minha o quê?"

- " Sua atitude ocasional ... "

- "Sim, sim, eu consegui o papel casual. Qual foi a outra parte?"

Todos riram.

- "O que você acha dos festivais de cinema?"

- "Eles são freak shows. É como um show de aberrações de um parque de diversões de quinta categoria. Assim que uma estrela de Hollywood confirma a presença as estações locais de TV são avisadas. É como se uma girafa fosse solta no seu quintal. As pessoas nunca vêem uma girafa tomando banho na piscina da sua casa, então todo mundo vai lá ver. Com os atores de cinema é a mesma coisa!"

Depois disso a plateia veio abaixo com palmas e risos. Robert Mitchum é muito simpático e brincalhão. Um dos grandes atores do cinema clássico que nunca se levou muito à sério. Foi um prazer entrevistar ele. Melhor do que ver uma girafa no quintal.



 Texto originalmente publicado em outubro de 1993 no jornal The Daily Progress.