sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Título no Brasil: Walt nos Bastidores de Mary Poppins
Título Original: Saving Mr. Banks
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Walt Disney Pictures
Direção: John Lee Hancock
Roteiro: Kelly Marcel, Sue Smith
Elenco: Emma Thompson, Tom Hanks, Colin Farrell, Paul Giamatti, Annie Rose Buckley

Sinopse:
O filme narra as tentativas de Walt Disney (Tom Hanks) em levar para as telas o livro "Mary Poppins" da escritora P.L. Travers (Emma Thompson). Durante vinte anos Disney tentou em vão assinar um contrato com Travers para que ela cedesse os direitos autorais da obra. Até que finalmente convence a autora a ir até Los Angeles para conhecer seus estúdios, conversar com seus roteiristas e músicos, tudo com o objetivo de convencê-la a concordar com a adaptação. Assim que Disney conhece Travers pessoalmente descobre que isso definitivamente não será nada fácil!

Comentários:
Um primor de filme, assim de forma singela poderia definir esse "Saving Mr. Banks" (que ganhou o péssimo título no Brasil de "Walt nos Bastidores de Mary Poppins"). A película é especialmente indicada para cinéfilos que adoram a história do cinema e seus personagens marcantes. Walt Disney ganhou uma interpretação tão terna e carinhosa de Tom Hanks que certamente ele merecia mais uma indicação ao Oscar por esse filme. O Disney de Hanks é certamente um empresário astuto e com faro para os negócios mas também é um homem muito humano, que entende muito bem a complexidade dos sentimentos e da alma da escritora de Mary Poppins. Por falar nela foi um prazer reencontrar Emma Thompson mais uma vez em um papel realmente marcante. A atriz que havia despontado em grandes interpretações vinha com a carreira em banho-maria mas agora ressurge novamente nas telas em grande estilo. Seu trabalho é digno de aplausos, sem favor nenhum.

O roteiro explora duas linhas narrativas de forma brilhante. Na primeira acompanhamos a mal humorada, ranzinza e durona P.L. Travers (Emma Thompson) em sua viagem a Los Angeles. Assim que chega começa logo a se indispor com todos dos estúdios Disney. Nada parece lhe agradar. O fato de Mary Poppins se transformar em um musical lhe dá arrepios e qualquer tentativa de Disney em inserir cenas de animação no filme é plenamente rejeitada por ela. Mas Walt não está disposto a desistir da produção pois é uma promessa que fez há vinte anos para suas filhas. O duelo entre Disney e Travers rende ótimos momentos. A cena quando se encontram e relembram aspectos de seus passados sofridos é brilhante, digna de qualquer premiação da Academia. A lição de que devemos encerrar certos momentos tristes em nossas vidas bate fundo na alma.

A segunda linha narrativa também é excelente. Nela encontramos P.L. Travers em sua infância, ainda garotinha na Austrália. Seu pai é uma pessoa maravilhosa, muito imaginativa, que adora contar estorinhas de bruxas e dragões para as filhas. Apesar de sempre ser um sujeito sorridente e amigo ele também tem seus próprios fantasmas, como um sério problema com alcoolismo. Frustrado por ser um bancário (uma função burocrática e muito aborrecida para alguém com sua alma imaginativa) ele começa a decair cada vez mais e mais. O pai de Travers é interpretado por Colin Farrell que também está irrepreensível. Nessa segunda linha narrativa descobrimos as origens da personagem Mary Poppins e os traumas que ficaram para a vida toda na alma da escritora. Enfim, é de fato uma pequena obra prima, muito sutil e sentimental que certamente agradará aos cinéfilos que amam a sétima arte e seus deliciosos bastidores. Imperdível.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Última Festa de Solteiro

Título no Brasil: A Última Festa de Solteiro
Título Original: Bachelor Party
Ano de Produção: 1984
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Neal Israel
Roteiro: Bob Israel, Neal Israel
Elenco: Tom Hanks, Tawny Kitaen, Adrian Zmed

Sinopse:
Rick Gassko (Tom Hanks) está prestes a casar com Debbie Thompson (Tawny Kitaen). Seus pais odeiam a ideia. Os amigos de Rick porém estão pouco se importando com a opinião dos pais de Debbie. Eles querem dar uma despedida de solteiro para o amigo que entrará para a história de Los Angeles. Inicialmente resolvem fazer a festa no hotel mais caro da cidade com tudo do bom e do melhor, sem se importar com as despesas. Depois cada um dos amigos começa a ter novas ideias, algumas bem fora do normal, até que de repente aquilo que iria se transformar numa despedida de amigos acaba se transformando em um caos incontrolável!

Comentários:
Já que estamos falando do carismático Tom Hanks hoje, que tal recordar uma de suas comédias mais queridas pelo público? O filme foi rodado logo após a grande estréia de Tom Hanks no cinema, a comédia Disney "Splash, uma sereia em minha vida". Nos anos 80 estava muito em voga esse tipo de comédia mais picante, como por exemplo "Porky´s", "O Último Americano Virgem", "Negócio Arriscado" e coisas nesse estilo. "A Última Festa de Solteiro" foi o "Porky´s" da carreira de Tom Hanks, vamos colocar nesses termos. É importante entender que Hanks no comecinho de sua carreira não era esse ator oscarizado que a nova geração passou a conhecer. Pelo contrário, ele fazia mesmo a linha comediante gaiato, em fitas comerciais, muitas delas realizadas sem qualquer pretensão a não ser divertir o máximo possível o público jovem. E diversão certamente não faltará nesse "Bachelor Party". É o tipo de comédia maluca que fazia muito sucesso nas locadoras durante a era do VHS, afinal de contas reunir os amigos em casa para dar boas gargalhadas com esse tipo de roteiro era mais do que divertido. Há muitas cenas sem noção e momentos que fariam a geração atual do politicamente correto ficar de cabelos em pé - mas pensando bem, a graça vem justamente desse tipo de situação. Assista, relembre (se você for daquela época) e dê boas risadas pois a verve cômica da fita ainda continua de pé, mesmo após tantos anos. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Escola da Vida

Título no Brasil: Escola da Vida
Título Original: School of Life
Ano de Produção: 2005
País: Estados Unidos
Estúdio: ABC
Direção: William Dear
Roteiro: Jonathan Kahn
Elenco: Ryan Reynolds, David Paymer, Kate Vernon, Andrew Robb

Sinopse:
O Sr. D (Ryan Reynolds) é contratado para ensinar na Fallbrook Middle School. Ele é um professor diferente, jovem, simpático e que procura ser amigo de seus alunos, acima de tudo. Sua excelente acolhida porém acaba despertando a inveja de um colega, um professor de biologia da escola que almeja ser escolhido como o mestre do ano. Para isso o Sr. D pode certamente lhe trazer problemas.

Comentários:
Telefilme cheio de boas intenções produzido para ser exibido pelo canal a cabo americano ABC Family. Se tem méritos deve-se ao argumento que procura valorizar esses profissionais tão desvalorizados em nossa sociedade, verdadeiros heróis anônimos que ajudam a construir um mundo melhor. Tudo bem que Ryan Reynolds não é lá muito convincente como um mestre, um verdadeiro professor, mas de qualquer forma mantém uma certa dignidade no papel. No fundo é ajudado pela garotada que interpreta os alunos da escola. Por falar neles alguns são bem carismáticos e bons atores, para surpresa geral. Enfim, não espere nenhuma obra prima, até porque nunca foi essa a intenção dos realizadores. Como entretenimento familiar porém cumpre seus objetivos plenamente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Comboio do Terror

Título no Brasil: Comboio do Terror
Título Original: Maximum Overdrive
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Dino De Laurentiis Company
Direção: Stephen King
Roteiro: Stephen King
Elenco: Emilio Estevez, Pat Hingle, Laura Harrington

Sinopse:
Um cometa passa pela Terra em 1986 e começa a interferir em todas as máquinas ao redor do mundo. Muitas delas ganham vida própria e começam a aterrorizar os seres humanos. A situação fica ainda mais grave em relação aos grandes caminhões de comboios. Para deter essas máquinas assassinas um grupo de pessoas resolve enfrentar a situação de frente. Apenas os mais fortes sobreviverão.

Comentários:
Stephen King vivia reclamando das adaptações de seus textos para o cinema. Para resolver esse impasse o produtor Dino De Laurentiis resolveu lhe dar um voto de confiança. Colocou à disposição de King um orçamento de 10 milhões de dólares e o controle sobre a direção e o roteiro da adaptação de um de seus contos chamado "Trucks". Sem experiência em cinema Stephen King foi em frente e... tudo se tornou um desastre! "Maximum Overdrive" é ruim de doer, essa é a verdade. Considero King um dos melhores escritores de contos de terror que existem mas ele realmente deveria saber melhor onde enfiar o nariz. O filme não tem bom ritmo, nem muito menos boas decisões estéticas. Ao contrário disso é chato, sem foco e muito arrastado. Repete à exaustão uma mesma situação e torra a paciência dos espectadores. Tudo bem que o material original, a pequena estória no qual foi baseado, também nunca foi lá grande coisa mas não era necessário também derrapar tanto como vemos aqui. O filme é fraco demais mas como em Hollywood a ordem do dia é realmente reciclar tudo que aparece pela frente, não é que fizeram um remake dessa joça? E o mais curioso de tudo é que a refilmagem conseguiu ser ainda pior que essa produção de 1986! Pelo amor de Deus...

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Street Fighter - A Última Batalha

Título no Brasil: Street Fighter - A Última Batalha
Título Original: Street Fighter
Ano de Produção: 1994
País: Estados Unidos
Estúdio: Capcom Entertainment
Direção: Steven E. de Souza
Roteiro: Steven E. de Souza
Elenco: Jean-Claude Van Damme, Raul Julia, Ming-Na Wen

Sinopse:
O Coronel William Guile (Jean-Claude Van Damme) lidera um exército de soldados no país de Shadaloo para encontrar vestígios que possam levá-lo até o General M. Bison (Raul Julia), responsável por vários crimes de guerra, entre eles o desaparecimento de três soldados de seu grupo. E entre os desaparecidos se encontra Carlos "Charlie" Blanka, que Bison decide transformar em um mutante hediondo. Por outro lado, Chun Li é um repórter que busca vingança contra Bison pela morte de seu pai anos atrás. O conflito logo se torna inevitável entre todos.

Comentários:
Não é de hoje que adaptações de games viram verdadeiros desastres nas telas de cinema. Duvida? Que tal dar uma olhada nesse "Street Fighter - A Última Batalha"? Esse jogo sempre foi dos mais populares no mundo dos games e por isso seus direitos foram adquiridos por uma pequena fortuna. O roteirista Steven E. de Souza (de "Duro de Matar", "O Sobrevivente" e "Comando Para Matar") foi contratado para a direção e nomes famosos também entraram no elenco. Infelizmente mesmo com essa ficha técnica promissora nada parece dar certo. Tudo bem que ninguém esperava densidade dramática de personagens de vídeo game mas precisava mesmo ser tudo tão caricatural? Pior é que até mesmo os combates e lutas corporais são sem graça e isso em um filme com Jean-Claude Van Damme no elenco é imperdoável. Talvez o único interesse que a fita ainda vai despertar em cinéfilos em geral venha do fato de que esse foi o último trabalho no cinema do ator Raul Julia (1940–1994). Ator talentoso, de ótimos recursos, é uma pena que tenha se despedido da sétima arte com algo assim tão obtuso.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O Carnaval de Veneza... só que não!

Vai começar o Carnaval no Brasil, que beleza, dizem que o país só começa a funcionar depois do carnaval, pois é! Quando você comenta isso a um estrangeiro ele fica meio sem entender mas é isso mesmo. O Brasil só engata depois das festas de Momo mas esse ano é diferente, teremos a Copa do Mundo no meio em junho... acho que deveriam logo cancelar o ano no Brasil, decretar de uma vez por todas férias de seis meses e pronto, o Brasil só voltaria a funcionar no segundo semestre... mas peraí, tem eleições presidenciais esse ano e não é só, tem também escolha de governadores, deputados, senadores e todos aqueles inúteis que no sistema brasileiro não servem para nada! Tensa a situação? Eu também acho.

Então que se declare que o ano só vai começar depois das eleições mas... aí será tarde demais, logo chegará dezembro, natal e fim de ano. É, melhor desistir do ano de 2014 logo de uma vez. Ah e antes que me esqueça, e o carnaval em Veneza? Já tiveram a oportunidade de conhecer? Sim, é uma maravilha! Como o próprio nome diz as festividades se concentram apenas em Veneza e não na Itália toda. Mas nem pense em nada parecido com o que ocorre no Brasil. Não tem trio elétrico, escola de samba e gente suada, vomitando e caindo de bêbada pelas ruelas e esquinas! Na fina e elegante Veneza os moradores que vão a esse tradicional evento medieval se cobrem de suas mais requintadas fantasias e máscaras e saem em desfile pela cidade. Tudo calmo, sofisticado e cultural. A musicalidade predominante que toca é formada por lindas melodias e cantigas louvando os cavaleiros da Idade Média e seus amores impossíveis. Os homens e mulheres usam bonitas máscaras e trajes lembrando os nobres da realeza européia dos séculos passados. Há um toque de charme e romantismo latente no ar, pois a máscara pode facilmente esconder qualquer um, até o amor de sua vida! É uma festa por demais romântica e sensível.

Muito provavelmente um veneziano fantasiado romanticamente se sentiria em pânico pelas ruas do Brasil durante o carnaval verde e amarelo. Certamente seria pisoteado pela multidão, por alguma horda de bêbados ou então seria deixado só de tanga por algum arrastão. As mulheres de Veneza não ficam nuas rebolando o popozão. Usam lenços para que os homens a cortejem, além de bonitos leques e esperam por poesias de seus pretendentes mais inspirados. A única coisa que o carnaval de Veneza tem em comum com o carnaval brasileiro é o nome e o hábito de usar fantasias já que no geral não existe nada da bagunça, esculhambação e libertinagem que vemos por aqui em solo europeu. O curioso é que ainda dizem que brasileiro só é bom mesmo em futebol, carnaval e novelas. Só esqueceram de dizer que o futebol é inglês, o carnaval é veneziano e as novelas mexicanas. Ou seja, no quesito originalidade o povo brasileiro levou mesmo uma nota zero com louvor.

Erick Steve e Pablo Aluísio.

Lancelot, o Primeiro Cavaleiro

Título no Brasil: Lancelot, o Primeiro Cavaleiro
Título Original: First Knight
Ano de Produção: 1995
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures
Direção: Jerry Zucker
Roteiro: Lorne Cameron, David Hoselton
Elenco: Sean Connery, Richard Gere, Julia Ormond

Sinopse:
Na Inglaterra medieval, durante a subida ao trono do lendário Rei Arthur (Sean Connery), o cavaleiro Lancelot (Richard Gere), um dos membros da famosa Távola Redonda, acaba se apaixonando pela bela Guinevere (Julia Ormond). O problema é que ela é esposa do Rei.

Comentários:
Mais uma adaptação das antigas lendas arturianas. Na verdade até mesmo nos dias de hoje é ardente o debate sobre se esse monarca realmente existiu ou se é apenas fruto de lendas e cantigas medievais, uma espécie de símbolo do que seria um Rei perfeito e íntegro - coisa rara naqueles tempos. De qualquer forma as estórias da Távola Redonda chegaram até nós e sua mitologia só tem crescido com o tempo. Esse "Lancelot" de 1995, infelizmente, deixa muito a desejar. É complicado aceitar que um filme que traga Sean Connery como o Rei Arthur seja realmente ruim mas é um fato. Pouca coisa realmente funciona. A reconstituição histórica de um Arthur medieval, cheio de pompa e luxo não convence muito. Para piorar Richard Gere não parece se importar nem um pouco em estar interpretando um cavaleiro medieval, cheio de códigos de honra. Com cabelos esvoaçantes ao vento ele mais parece um playboy saindo de uma discoteca dos anos 70. Só falta mesmo mascar chicletes. Julia Ormond até que era bem bonita mas do ponto de vista dramático inexpressiva. Curiosamente o diretor Jerry Zucker, das comédias malucas ao estilo "Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu", está no comando. Será que ele não quis mesmo tirar uma onda da nossa cara? É possível...

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Código Para o Inferno

Título no Brasil: Código Para o Inferno
Título Original: Mercury Rising
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Harold Becker
Roteiro: Ryne Douglas Pearson, Lawrence Konner
Elenco: Bruce Willis, Miko Hughes, Alec Baldwin

Sinopse:
Bruce Willis interpreta um agente do FBI chamado Art Jeffries. Ele não é muito bem visto dentro da agência por causa de seus métodos pouco convencionais. Por essa razão passa a ser designado para serviços que nenhum outro agente quer. Agora terá que proteger um menino autista de 9 anos, que é o alvo de assassinos depois de quebrar um código ultra secreto do governo americano.

Comentários:
"Mercury Rising" mistura elementos de vários gêneros para agradar aos fãs de Bruce Willis. Há um misterioso complô nas altas esferas do governo americano para liquidar um garotinho que desvendou um código militar secreto com extrema facilidade, o que certamente vai deixar os admiradores de teorias das conspirações eufóricos; uma amizade que nasce entre o agente do FBI (Willis) e o pequeno autista, para deixar o filme mais palatável para o público feminino e por fim, como não poderia faltar, a produção traz sua sucessão de espetaculares cenas de ação, como carros voando pelos ares, explosões e toda a pirotecnia que tanto caracterizam esse tipo de fita. "Código Para o Inferno" custou pouco mais de 60 milhões de dólares, um custo de produção até robusto, mas não satisfez os produtores nas bilheterias. Isso provavelmente foi causado pelo excesso de filmes de ação de Bruce Willis que trabalhando feito um louco causou uma certa saturação no mercado, o que era previsível. Revisto hoje em dia ele pode soar bem formulaico embora tenha lá seus momentos. Não é marcante mas também ainda não ficou completamente datado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Stigmata

Título no Brasil: Stigmata
Título Original: Stigmata
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Rupert Wainwright
Roteiro: Tom Lazarus
Elenco: Patricia Arquette, Gabriel Byrne, Jonathan Pryce

Sinopse:
Um jovem mulher começa a apresentar estranhos sinais, conhecidos como Stigmatas. Para investigar o caso de perto o Vaticano envia um padre especialista em manifestações sobrenaturais. Ao examinar seu corpo ele começa a desconfiar que na realidade não se trata de um milagre de luz mas sim a chegada de uma força ancestral, dos tempos de Cristo, algo maligno e extremamente perigoso.

Comentários:
Stigmata é um filme interessante porque traz para o mundo do cinema esse  estranho e curioso fenômeno em que pessoas comuns começam a manifestar as marcas da crucificação de Jesus Cristo. Principalmente nas palmas das mãos vão surgindo feridas sangrentas, exatamente como se tivessem sido atravessadas por pregos romanos usados nessas execuções horripilantes. Agora, apesar da boa partida inicial do roteiro temos que lamentar que ao invés de tratar o tema sob um ponto de vista mais realista o filme, lá pela metade de sua metragem, acaba dando uma guinada e cai na vala comum de produções enfocando possessões demoníacas. A MGM até tentou levantar alguma polêmica com o Vaticano na época do lançamento do filme, algo que obviamente traria promoção extra para a fita, mas os membros da alta cúpula da Igreja Católica, já calejados por outras discussões em relação a filmes polêmicos, resolveu ignorar as provocações. Assim "Stigmata" não consegue cumprir tudo o que promete, se tornando uma boa ideia que foi parcialmente desperdiçada em nome de sustos fáceis e soluções sensacionalistas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Destemido Senhor da Guerra

Título no Brasil: O Destemido Senhor da Guerra
Título Original: Heartbreak Ridge
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Malpaso Company
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: James Carabatsos
Elenco: Clint Eastwood, Marsha Mason, Everett McGill

Sinopse:
Tom Highway (Clint Eastwood) é um sargento veterano, que esteve nas guerras da Coreia e do Vietnã e que em breve se aposentará. Apesar disto, ele mantém seu pavio curto e sua língua ferina. Por ter se metido em mais uma confusão, Tom é transferido para sua antiga base. Lá ele reencontra antigos amigos e faz novos inimigos e precisa treinar um grupo de recrutas que não tem a menor vocação para a vida militar, mas que se não estiverem bem preparados podem morrer no primeiro combate.

Comentários:
Um bom filme com o astro Clint Eastwood. Novamente o tema do militar linha dura que transforma um grupo de jovens em homens, preparados para a guerra. O personagem de Clint Eastwood é a de um homem de outro tempo, de outra era, com seus próprios princípios, forjados em um tempo que não existe mais. Obviamente que sua visão acaba se chocando com o mundo moderno. Conservador, linha dura, nada adequado para os tempos atuais, no liberalismo, no afrouxamento da sociedade. De forma em geral o filme se situa muito bem dentro da filmografia de Clint Eastwood. Claro que não pode ser comparado aos seus grandes momentos no cinema, pois é de certa forma rotineiro, mesmo assim vale bastante a pena, por trazer Eastwood em um tipo de personagem que seus admiradores adoram.  

Pablo Aluísio.

A Cripta dos Sonhos

Título no Brasil: A Cripta dos Sonhos
Título Original: Vault of Horror
Ano de Produção: 1973
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Amicus
Direção: Roy Ward Baker
Roteiro: Al Feldstein, William M. Gaines
Elenco: Daniel Massey, Edward Judd, Michael Craig, Dawn Addams

Sinopse:
Cinco desconhecidos entram em um elevador e vão parar no subsolo de um edifício sem que ninguém tenha apertado o botão correspondente àquele andar. Ao saírem, descobrem-se em uma espécie de clube e a porta do elevador se fecha atrás deles, deixando-os sozinhos. Sem nada para fazer, cada um resolve contar seu pesadelo recorrente.

Comentários:
Produção bem interessante do estúdio Amicus. A estrutura é simples: temos aqui uma adaptação de diversas histórias em quadrinhos, que viraram pequenos episódios que são exibidos ao longo do filme. Uma ideia que já havia sido usada em "Contos do Além" de 1972. O primeiro episódio se chama "Encontro À Meia-Noite" e mostra um criminoso que vai parar em uma pequena cidade que esconde um macabro segredo sombrio. Em "Trabalho Limpo" uma esposa não sabe mais o que fazer com seu marido, um maluco com obsessão por limpeza. Esse conto é o que mais investe em humor negro. "Um Truque Enrolado" mostra um mágico que resolve usar uma velha magia indiana para aumentar seu público. Algo proibido que lhe custará muito caro. "Barganha Mortal" mostra um sujeito desprezível que quer enganar a empresa de seu seguro de vida. O último episódio se chama "Desenhado e Esquartejado" e mostra um desenhista que transforma sua arte em realidade. Enfim, um bom filme de terror de contos lançado nos anos 70. Bem indicado para fãs do estilo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Corina, uma Babá Perfeita

Título no Brasil: Corina, uma Babá Perfeita
Título Original: Corrina, Corrina
Ano de Produção: 1994
País: Estados Unidos
Estúdio: New Line Cinema
Direção: Jessie Nelson
Roteiro: Jessie Nelson
Elenco: Ray Liotta, Whoopi Goldberg, Tina Majorino

Sinopse:
Após a morte da esposa de Manny Singer (Ray Liotta) sua pequena filha começa a apresentar sinais de problemas comportamentais. Se torna inibida, introvertida e triste. A vida segue em frente para Manny, afinal ele tem uma jovem família para sustentar e precisa de uma babá para a jovem menina enquanto ele está trabalhando. Após várias entrevistas desastrosas ele acaba contratando a simpática e alegre Corrina Washington (Whoopi Goldberg) que acaba trazendo finalmente a velha luz para aquela casa antes deprimida e melancólica.

Comentários:
" Corrina, Corrina" é aquele tipo de produção bem despretensiosa, mas cheia de boas intenções. Ao mostrar uma babá negra nos anos 60 cuidando de uma jovem garotinha branca que perdeu sua mãe, ele mostra muito bem que não existe diferença de raças quando existe amor e amizade sincera entre as pessoas. Mas não se preocupe, mesmo tocando na questão do racismo na sociedade americana de cinquenta anos atrás o filme não se torna panfletário e cheio de discursos. Ao invés disso investe mesmo em um enredo bem leve, com ótima trilha sonora, tudo para deixar o espectador com aquela sensação boa de quem acabou de ver algo para cima, com mensagem positiva e feliz. Whoopi Goldberg continua com todo aquele carisma e talento que sempre a caracterizou em toda a sua carreira. Sua personagem inclusive parece ter sido escrito especialmente para ela, tal o nível de simbiose que ela desenvolve na película. Agora curioso mesmo é ver o durão Ray Liotta, que sempre se notabilizou por personagens fortes, como mafiosos e criminosos em geral, bancando o paizão amoroso. E não é que ele está muito bem! Pois é, até os durões precisam de vez em quando mostrar toda sua sensibilidade.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Venezuela é Aqui!

Eu cresci ouvindo essa velha ideologia de esquerda. Não, nunca fomos socialistas, mas meu pai tinha um grande amigo que acreditava em todas aquelas utopias que jamais serão implantadas em lugar nenhum do mundo. O socialismo nunca dará certo, eu já falei isso mais de uma vez aqui. Isso porque o ser humano jamais acreditará nele de verdade. Você encontrará em sua vida milhares de pessoas que se dizem socialistas mas no fundo provavelmente nenhuma delas será de verdade. Na América Latina, por exemplo, a ideologia de esquerda só tem servido para colocar certos grupos no poder, tentando dominar todos os setores da sociedade de forma absoluta, muitas vezes procurando mesmo o puro enriquecimento pessoal. É a tal esquerda caviar que tanto se diz. Essas pessoas, acredite, só querem mesmo enriquecer com o dinheiro público e nada mais. Comunistas? Fala sério...

A Venezuela atualmente está passando por turbulências, os protestos ganharam as ruas. A incompetência do governo que se diz "Bolivarista" esgotou a paciência do povo. Sempre achei Hugo Chavez um mero fanfarrão e esse atual presidente, Nicolás Maduro, parece ser pior ainda. Não entende nada de economia e nem de mercado. Não tem escolaridade adequada e nem conhecimentos para gerir uma nação inteira. Era um motorista de ônibus quando caiu nas graças de Hugo Chavez que lhe passou o bastão do poder. Então não é nenhuma surpresa que o país esteja mergulhando no caos. É como eu disse, a esquerda da América Latina sempre me pareceu uma piada de mal gosto, pouco instruída, que mal conhece as obras dos escritores socialistas que lhe deram origem ou você acha que algum esquerdista latino americano chegou mesmo a ler Karl Marx em algum momento de sua vida? Claro que não! A imensa maioria dos esquerdistas da América do Sul só querem enriquecer, Marx os qualificaria de burgueses sem pensar duas vezes. A retórica é de esquerda, o enriquecimento pessoal é de direita mas eles escondem isso. Pura falácia, não caiam nesse tipo de lorota política.

Esses esquerdistas ao estilo Hugo Chavez sempre me pareceram grandes bufões. Sempre surgiram mais interessados em atacar os Estados Unidos do que em implantar um verdadeiro regime socialista em seus países. Parecem aqueles primos pobres que vivem de falar mal de seus primos ricos ao invés de trabalharem para um dia serem também bem sucedidos. A Venezuela só tem dois caminhos agora, ou param de vez com essa ilusão, deixando de entregar o país a esses líderes populistas e fanfarrões e entram no mercado mundial de uma vez por todas ou afundam numa ditadura vermelha como Cuba, onde os meios de produção vão acabar nas mãos de um grupelho que assumirá o poder absoluto, destruindo todas as chances de unir democracia com prosperidade econômica. Acredito que a segunda opção está mais plausível diante dos recentes acontecimentos. Coitados dos venezuelanos.

Pablo Aluísio.

Os Embalos de Sábado Continuam

Título no Brasil: Os Embalos de Sábado Continuam
Título Original: Staying Alive
Ano de Produção: 1983
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Sylvester Stallone
Roteiro: Nik Cohn, Sylvester Stallone
Elenco: John Travolta, Cynthia Rhodes, Finola Hughes

Sinopse:
Cinco anos depois da história mostrada no primeiro filme o suburbano Tony Manero (Travolta) corre atrás de seu grande sonho, se tornar dançarino profissional de uma grande companhia de dança da Broadway em Nova Iorque. Nada será fácil pois a competição é acirrada e a concorrência numerosa. Apenas os verdadeiros talentos vencerão essa disputa.

Comentários:
Conforme o próprio Sylvester Stallone explicaria, ele era um grande fã do primeiro filme. Em suas próprias palavras: "Aquele era o filme que eu gostaria de ter feito se soubesse dançar como o John Travolta". Certamente Stallone não era Travolta e por isso arranjou um jeito de convencer a Paramount a lhe dar carta branca para dirigir a sequência do grande sucesso musical dos anos 70. O roteiro seria do próprio Stallone. Ele porém queria impor sua própria visão naquele enredo. Transformou Tony Manero em um dançarino profissional, aspirante à entrar em um grande musical da Broadway. Não há como negar que o filme tenha ótimas cenas de dança, embalados com o que havia de melhor na época nesse estilo mas algo se perdeu. Stallone parece obcecado por corpos musculosos e suados de seus dançarinos em números musicais longos e muitas vezes cansativos. O que era para ser algo mais sutil se transformou em um desfile de atores e figurantes bombados - tal como o próprio Stallone. A crítica não gostou e o público, para surpresa de muitos, ignorou completamente o filme, deixando as salas de cinemas vazias. Com isso os embalos de sábado à noite ficaram definitivamente encerrados.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Sexta-feira 13 - Parte 3

Título no Brasil: Sexta-feira 13 - Parte 3
Título Original: Friday the 13th Part III
Ano de Produção: 1982
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Steve Miner
Roteiro: Martin Kitrosser, Carol Watson
Elenco: Dana Kimmell, Tracie Savage, Richard Brooker

Sinopse:
Os jovens não aprendem. Após uma série de mortes causadas por Jason Voorhees (Richard Brooker) eles retornam para o isolado ex-campo de férias de Crystal Lake. No meio dos namoricos e brincadeiras começam a desconfiar que alguém está andando pela mata fechada do local. Um sinistro sujeito usando uma máscara de hockey com um facão. Sim, garotos, Jason está de volta para degolar suas cabeças!

Comentários:
Se deu certo uma, duas vezes, por que não levar em frente as matanças do psicopata Jason? Pois bem, é justamente isso que temos nessa terceira aventura. Na verdade o roteiro segue sendo mais uma vez uma mera derivação dos filmes anteriores com pequenas novidades - geralmente na forma como Jason mata suas vítimas. Por essa época o público já começava a se perguntar porque os jovens continuavam a ir para Crystal Lake, mesmo após tantas mortes sangrentas! Seriam desavisados ou simplesmente estúpidos? Na dúvida Jason não pensava duas vezes e passava o facão na galera que se atrevia a voltar por lá. A fórmula novamente se mostrou certeira e a Paramount voltou a lucrar com a franquia. Para os produtores não havia nada melhor, orçamento modesto, elenco praticamente desconhecido (que só estava lá para morrer mesmo) e roteiro básico. Obviamente nada disso importou para os fãs que se deliciaram com uma nova rodada de matança com Jason, o psicopata mais produtivo da história do cinema.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Execução Sumária

Título no Brasil: Execução Sumária
Título Original: Instant Justice
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Craig T. Rumar Productions, Mulloway Limited
Direção: Craig T. Rumar
Roteiro: Craig T. Rumar
Elenco: Michael Paré, Tawny Kitaen, Peter Crook

Sinopse:
Scott Youngblood (Michael Paré) é um fuzileiro naval dos EUA que viaja até a  Espanha para ver sua irmã Kim, após muitos anos de separação. Mas ela está morta, e a polícia local não parece disposta a prender os criminosos que a mataram. Sozinho pelas ruas da de Madrid, Scott começa a seguir pistas, procurando pelos verdadeiros assassinos. Ele quer justiça e principalmente vingança.

Comentários:
Nos anos 80 o público estava sedento por filmes de muita ação. Não é para menos, aquela foi a década dos actions heroes como Stallone e cia. No meio de tantos candidatos a astros de action movies surgiu Michael Paré! Ele já tinha se destacado em "Ruas de Fogo" e por essa razão os produtores se convenceram que ele tinha jeito para a coisa. Um dos veículos usados para transformar Paré em astro de bilheteria foi esse "Execução Sumária". Ao contrário de todas as previsões, por se tratar de um filme de orçamento até modesto, a fita foi lançada com marketing e pompa nos cinemas, inclusive no Brasil. O roteiro era uma mera desculpa para muitas cenas de ação e pancadaria (algumas completamente sem noção). Claro que o público gostou do que viu mas a concorrência era muito forte. Assim o filme não conseguiu o retorno esperado e Michael Paré não conseguiu chegar nem perto do trono de brutamontes como Arnold Schwarzenegger. Revisto hoje em dia soa mais absurdo do que nunca mas nos anos 80, não se engane, esse era o tipo de filme de ação típico. Os saudosistas certamente gostarão de rever.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

10 Frases marcantes de John Lennon

10 Frases marcantes de John Lennon

"Os Beatles são mais populares do que Jesus Cristo"

"Deus é um conceito no qual medimos nossa dor"

"A vida é aquilo que acontece enquanto você está está fazendo outros planos"

"Eu tenho o maior medo desse negócio de ser normal"

"Antes de Elvis não existia Nada"

"A ignorância é uma espécie de bênção. Se você não sabe, não existe dor"

"Viver é fácil com os olhos fechados"

"Realize seu sonho. Você mesmo vai ter de fazer isso...eu não posso acordar você; Você é quem pode se acordar."

"Eu não acredito em Deus, eu não acredito em Elvis, eu não acredito nos Beatles. Eu só acredito em mim e em Yoko"

"O Sonho acabou!"

Sombras do Terror

Título no Brasil: Sombras do Terror
Título Original: The Terror
Ano de Produção: 1963
País: Estados Unidos
Estúdio: Alfa Cinematografica
Direção: Francis Ford Coppola, Roger Corman
Roteiro: Jack Hill, Leo Gordon, Roger Corman
Elenco: Boris Karloff, Jack Nicholson, Dick Miller, Dorothy Neumann

Sinopse:
O tenente Andre Duvalier (Jack Nicholson) é socorrido em uma praia por uma mulher, que some logo depois. Ele acaba descobrindo que seu paradeiro é um grande castelo, junto do sinistro Barão Victor Frederick Von Leppe (Boris Karloff). Porém, quando lá chega, ele a reconhece no quadro de uma garota falecida.

Comentários:
Antes de se tornar um dos cineastas mais celebrados da história com filmes como "O Poderoso Chefão", o diretor Francis Ford Coppola foi um pupilo de Roger Corman. Como se diz no ditado todos precisam começar de algum modo e foi isso que Coppola fez. Esse "Sombras do Terror" foi uma das primeiras experiências do cineasta atrás das câmeras. O interessante é que ele não faz feio, mesmo com a precariedade da produção. Isso se deveu ao fato de que Corman resolveu aproveitar os figurinos e cenários do filme "O Corvo" para rodar esse filme aqui em tempo recorde. A intenção era economizar ao máximo. O resultado passou longe de ser um desastre. Outro destaque óbvio vem da presença no elenco de Jack Nicholson. Na época ele era apenas um empregado do departamento de animação do estúdio que sonhava se tornar um astro. Infelizmente ele havia encontrado inúmeras portas fechadas. Alguns diretores chegavam a dizer que ele era careca e feio e jamais seria um astro! Assim Nicholson correu atrás de quem o aceitasse. Acabou encontrando apoio com Roger Corman e o resto é história. Esse filme assim demonstra bem que Corman, além de ser um dos mais produtivos diretores de Hollywood também foi extremamente importante ao dar uma primeira chance para profissionais que anos depois iriam se consagrar no cinema americano. Todos precisam de uma pequena ajuda no começo da carreira e Roger Corman, muito solícito e solidário, acabou exercendo essa função.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Guerra Sem Cortes

Título no Brasil: Guerra Sem Cortes
Título Original: Redacted
Ano de Produção: 2007
País: Estados Unidos
Estúdio: Film Farm, The, HDNet Films
Direção: Brian De Palma
Roteiro: Brian De Palma
Elenco: Patrick Carroll, Rob Devaney, Izzy Diaz

Sinopse:
Um esquadrão de soldados americanos está parado em um posto no Iraque, convivendo com a população local e a mídia instalada na região. Cada grupo destes é afetado pela guerra de forma distinta, e suas histórias são contadas pelas imagens criadas no momento: um soldado produz um vídeo-diário, uma equipe francesa filma um documentário, sites árabes colocam cenas de insurgentes plantando bombas, mulheres mandam mensagens para seus maridos via blogs e o You Tube revela a barbaridade existente na guerra.

Comentários:
Uma tentativa por parte do cineasta Brian de Palma em construir uma produção diferente, que procura captar o momento vivido tanto pelas tropas americanas como pelo povo dos países ocupados. O resultado é irregular, onde bons momentos são intercalados com cenas sem maior impacto, talvez por causa da edição que se mostra um pouco fora de foco, sem um caminho definido a seguir. Mesmo com esses problemas pontuais temos realmente uma obra no mínimo intrigante, mostrando o lado mais pessoal e individual da guerra, procurando fugir do exagero que a imprensa, principalmente americana, costuma construir nessas situações de conflito envolvendo o seu próprio exército.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Harold Ramis (1944–2014)

Faleceu hoje o ator Harold Ramis. Muitos não se lembrarão imediatamente mas certamente após algum tempo vão recordar de seu papel mais popular, a do Caça-Fantasma Dr. Egon Spengler, o mais cerebral membro do quarteto maluco que nos anos 80 começou a literalmente ir atrás de assombrações em Nova Iorque. Certamente "Os Caça-Fantasmas" foi um marco em sua carreira mas ele foi bem mais do que isso. Além de ator era roteirista, produtor e diretor.

Como cineasta emplacou vários sucessos como as comédias "Máfia no Divã", "Férias Frustradas" e "Eu, Minha Mulher e Minhas Cópias". Como roteirista exerceu seu grande talento como humorista escrevendo roteiros para filmes como "Feitiço do Tempo" (considerado um verdadeiro primor de texto) e "De Volta às Aulas", aquela comédia saborosa estrelada pelo comediante Rover Dangerfield. Seu último trabalho como ator foi em "Ano Um", com Jack Black, onde ele também exerceu a direção. Harold Ramis tinha apenas 69 anos. Uma pena que esse verdadeiro símbolo do humor oitentista tenha nos deixado.

Que descanse em paz...

Karate Kid II - A Hora da Verdade Continua

Título no Brasil: Karate Kid II - A Hora da Verdade Continua
Título Original: The Karate Kid, Part II
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: John G. Avildsen
Roteiro: Robert Mark Kamen
Elenco: Pat Morita, Ralph Macchio, Pat E. Johnson

Sinopse:
O jovem pupilo Daniel San (Ralph Macchio) resolve acompanhar seu mestre, o Sr. Miyagi (Pat Morita), ao seu país natal, o Japão. Ele precisa voltar ao antigo lar para resolver algumas questões pessoais que estão inacabadas. Lá reencontra um antigo rival e o amor do seu passado distante.

Comentários:
Já que hoje a Sessão da Tarde vai exibir o primeiro "Karate Kid" e já comentamos sobre ele aqui no blog em outra oportunidade resolvi tecer alguns comentários sobre essa sequência. Não tive a chance de ver o original em seu lançamento mas essa continuação assisti em um cinema tradicional na minha cidade, sala de exibição essa que nem existe mais, infelizmente. Talvez por ter assistido na tela grande e ter vivenciado seu lançamento - com direito a comprar sua trilha sonora, que é ótima, em vinil -  prefiro muito mais esse do que a primeira aventura. Acho que o sucesso do anterior fez com que a Columbia caprichasse muito mais na produção, que foi rodada quase que inteiramente no Japão, na terra do Sr. Miyagi. Até Daniel tem um casinho amoroso com uma linda nativa da região. Tudo bem, o roteiro é uma mera derivação do mesmo argumento do primeiro filme mas aqui sinceramente as coisas soam melhor, a fita é bem mais redondinha mesmo. Além disso o diretor foi um especialista do cinema pop da época, o bem sucedido John G. Avildsen, que havia dirigido o grande sucesso "Rocky, um Lutador" anos antes. Eis um clássico exemplar do cinema pipoca dos anos 80. Até hoje Hollywood não conseguiu fazer nada mais pop do que isso.

Pablo Aluísio.

Fúria de Titãs

Título no Brasil: Fúria de Titãs
Título Original: Clash of the Titans
Ano de Produção: 1981
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Desmond Davis
Roteiro: Beverley Cross
Elenco: Laurence Olivier, Harry Hamlin, Claire Bloom, Maggie Smith, Ursula Andress

Sinopse:
Livre adaptação das estórias de heroísmo da mitologia grega. O Herói Teseu precisa enfrentar várias criaturas monstruosas (entre elas a terrível Medusa e o monstro dos mares Kraken) para salvar a linda e inocente princesa Andrômeda.

Comentários:
Então você gosta mesmo da nova franquia "Fúria de Titãs", não é mesmo? Pois bem meu caro cinéfilo, você precisa mesmo é ver o original realizado no começo dos anos 1980. Por quê? Simples, nada superou o charme dessa produção. Para começo de conversa o filme trazia o mito Sir Laurence Olivier no papel de Zeus (nada mais conveniente). O elenco aliás falava por sí só: a maravilhosa Maggie Smith e a eterna diva Ursula Andress estão presentes como divindades do Olimpo (Ursula provavelmente foi escalada porque o produtor desse filme era o mesmo da franquia James Bond). O atores estão todos bem. Agora, temos que dar o braço a torcer e reconhecer que "Fúria de Titãs" de 1981 será lembrado mesmo para sempre por causa do mestre Ray Harryhausen. As criaturas que ele criou para esse filme são inesquecíveis. Em uma época em que não existia computação gráfica o artesão Harryhausen conseguia dar vida à vários seres da mitologia grega. Até mesmo a corujinha mecânica - que foi reutilizada na nova franquia como uma forma de homenagear os efeitos do filme original - é marcante demais. Podem dizer o que quiserem, que tudo está datado, que o figurino é nada convincente e coisas do tipo. Quem teve o prazer de ver esse filme no cinema certamente não vai esquecer do impacto que ele causou na época. Um marco do cinema de fantasia em Hollywood.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Procurando Nemo

Título no Brasil: Procurando Nemo
Título Original: Finding Nemo
Ano de Produção: 2003
País: Estados Unidos
Estúdio: Disney Pictures
Direção: Andrew Stanton, Lee Unkrich
Roteiro: Andrew Stanton
Elenco: Albert Brooks, Ellen DeGeneres, Alexander Gould

Sinopse:
Nemo vive nos oceanos. É um peixinho esperto mas curioso em relação ao mundo que desconhece. Após um tempo decide desafiar os conselhos de seu pai, saindo do lugar onde vive para conhecer os arredores, mas acaba caindo nas redes de mergulhadores. Depois de capturado acaba sendo levado para um aquário, onde vira um peixe de ornamentação. Desesperado o pai de Nemo, Martin, decide sair em uma grande aventura em busca de seu filho. Para isso contará com a ajuda muito especial de Dory, a confusa mas divertida amiga de viagem.

Comentários:
Um grande sucesso dos estúdios Disney, "Procurando Nemo" tem uma estorinha bem simples mas que cativou espectadores ao redor do mundo. Bem longe da acidez das produções solos da Pixar essa fita traz bem o espírito que sempre caracterizou as produções Disney. Personagens fofinhos, mensagem subliminar valorizando os valores familiares e um enredo que mostra os aspectos positivos de uma verdadeira amizade. O roteiro e direção são assinados por Andrew Stanton. Esse animador e cineasta é certamente um dos melhores do mundo da animação atualmente. O argumento do excelente "Wall-E" é dele, que criou todo aquele conceito fantástico, que acabou resultando numa das melhores animações dos últimos anos. Seu texto é conhecido pela sutileza. Stanton sempre usa estorinhas das mais simples para mostrar grandes valores pessoais e familiares. "Nemo" não é tão criativo quanto "Wall-E" mas mantém um nível de qualidade acima da crítica. Entre os atores dubladores vale destacar o trabalho da humorista e apresentadora Ellen DeGeneres no papel de Dory. Sua personagem acaba roubando o show, por causa de sua interpretação inspirada. No geral "Finding Nemo" é de fato um ótimo momento da Disney no cinema. Não vá perder.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

No Rastro da Bala

Título no Brasil: No Rastro da Bala
Título Original: Running Scared
Ano de Produção: 2006
País: Estados Unidos, Alemanha
Estúdio: New Line Cinema
Direção: Wayne Kramer
Roteiro: Wayne Kramer
Elenco: Paul Walker, Cameron Bright, Chazz Palminteri

Sinopse:
Joey Gazelle (Paul Walker) é um tira que se envolve em uma grande cilada. Após uma investigação mal sucedida contra policiais corruptos, ele se envolve na morte de outro policial. Encarregado de dar sumiço na arma que matou o colega ele a coloca em um local de difícil acesso. Sem perceber porém um garoto da vizinhança acaba vendo Joey escondendo a arma do crime. Vai lá, se apodera do revólver e mata seu padrasto, um sujeito desprezível. Agora Joey precisa encontrar o garoto fugitivo para evitar que a arma caia em mãos dos investigadores do departamento de polícia.

Comentários:
A morte recente do ator Paul Walker despertou novamente o interesse em seus filmes mais antigos. Esse "Running Scared" é um dos mais interessantes. É uma produção entre Estados Unidos e Alemanha (o ator sempre foi um astro nos países localizados no norte da Europa) e não decepciona os fãs de uma boa fita de ação, mesmo que ela seja de orçamento modesto. A produção foi realizada em parte na República Tcheca. Na direção um cineasta praticamente novato, em seu primeiro filme de maior repercussão. Depois da boa recepção dessa fita ele dirigiu "Território Restrito" com Harrison Ford, em momento burocrático, e o curioso e singular "Pawn Shop Chronicles" que inclusive já comentei aqui no blog. No geral podemos dizer que o filme, se não chega a ser algo marcante, cumpre bem suas pretensões. É um enredo rápido, bem conduzido e que conta com o carisma de Paul Walker, em seu tipo habitual.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

De Olhos Bem Fechados

Título no Brasil: De Olhos Bem Fechados
Título Original: Eyes Wide Shut
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Stanley Kubrick, Frederic Raphael
Elenco: Tom Cruise, Nicole Kidman, Todd Field

Sinopse:
Dr. William Harford (Tom Cruise), um médico de Nova York, que é casado com uma curadora de arte, Alice Harford (Nicole Kidman), resolve descobrir o limite de seu relacionamento com a esposa ao experimentar a liberdade sexual e moral de um perigoso jogo de sexo, poder e sedução, numa longa noite de excessos pela cidade.

Comentários:
O último filme do mito Stanley Kubrick. Ao que tudo indica Cruise não deixaria passar a oportunidade de estrelar um filme dirigido pelo famoso cineasta, mesmo que o roteiro e o argumento não fossem lá grande coisa. Ao lado da esposa (na terceira e última atuação juntos no cinema) Cruise se despiu de vaidades, aceitando protagonizar ousadas cenas de sexo e sensualidade (para um astro de seu status, é claro). Após uma conturbada filmagem o filme foi lançado com reações adversas. Muitos não gostaram do resultado final e consideram a pior obra da filmografia do gênio Kubrick. Uma coisa porém é certa, mesmo não sendo unanimidade o filme segue como um dos mais marcantes da filmografia de Tom Cruise. Se do ponto de vista profissional o filme virou uma referência para o ator, no aspecto profissional as coisas não foram tão bem. O relacionamento com sua esposa, Nicole Kidman, se deteriorou bastante, o que causaria o rompimento definitivo entre eles pouco tempo depois. Para alguns, a atriz culpava Cruise por ele ter deixado que ela se expusesse em demasia no filme, em uma concessão descabida, supostamente dada à genialidade de Kubrick. E por falar em genialidade, o mestre Kubrick mostra aqui claros sinais de desgate, falta de novas ideias e saturação. Ele parece querer se esconder atrás da imagem de seu próprio mito mas em vão. "Eyes Wide Shut" é uma obra opaca, sem vida, que tenta desesperadamente se apoiar em cenas chocantes e escandalosas para lhe dar algum sentido artístico. Os esforços porém soam sem resultado. Se não houvesse a assinatura de Stanley Kubrick nos créditos o filme certamente seria massacrado ainda mais pela crítica em seu lançamento. Hoje seria ignorado, certamente. Não foi um canto de cisne à altura de um mito do cinema como Stanley Kubrick, infelizmente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - Memphis Recording Service

Memphis Recording Service - Aos 18 anos Elvis parecia não ter nenhuma perspectiva. Este foi um dos seus períodos mais melancólicos. A maior parte do dia ele passava trabalhando numa fábrica junto com seu primo Gene Smith, montando projéteis de canhão para o exército americano, das 7 da manhã até às 3 da tarde. Seu ordenado, 66 dólares por semana, era muito mais do que seu pai recebia depois de cinco anos trabalhando como carregador. Mas, no inverno, antes de fazer 19 anos, Elvis trocou seu emprego e foi ser motorista de caminhão de uma companhia de eletricidade. O ordenado era menor, mas a curtição era maior, pois ele era louco por carros e caminhões. E foi de dentro da cabine deste caminhão que Elvis avistou pela primeira vez uma propaganda que logo lhe chamou a atenção. O anúncio do Memphis Recording Service dizia: "Gravamos qualquer coisa, em qualquer lugar, a qualquer hora".

Com 4 dólares, era possível gravar duas músicas num acetato de 78 rotações. Por mais duro que fosse, Elvis tinha essa quantia e em junho de 1953 ele pintou pela primeira vez na Sun Records. De acordo com o mito ele foi gravar um disco para dar de presente de aniversário de sua mãe. Mas acontece que o aniversário de Gladys havia sido no dia 25 de abril e, além do mais, os Presleys não tinham vitrola. Elvis só estava curioso em saber como a sua voz ficava num disco. Embora sua perfomance tenha sido qualquer coisa, sua voz e presença impressionaram Marion Keisker, a secretária de Sam Phillips. Ela recorda: "foi no começo da tarde de um sábado muito atarefado que ele chegou, e eu achei uma figura muito estranha, com aquele cabelo grande. Ele me disse que queria gravar umas canções para sua mãe e eu perguntei que tipo de música ele cantava. Ele então se virou até mim e disse: "Eu canto todo tipo de música". Fiquei intrigada e perguntei que tipo de interpretação tinha, se era hillbilly (caipira), porque ele tinha um jeito de caipira. Então eu perguntei: "Você vai imitar que cantor? Com quem você se parece?" Ele me olhou muito sério e disse: "Eu não me pareço com ninguém".

Quando Marion começou a rodar a fita, ela viu que Elvis estava certo. Ele não se parecia com ninguém. Cantou um sucesso de um grupo negro, The Ink Spots, "My Happiness" e uma balada melosa, favorita de sua mãe: "That's when your Heartaches begin". E seu estilo era um cruzamento perfeito entre o timbre áspero e monocórdio dos negros e o gingado, o scat dos cantores brancos rurais. Elvis saiu com o disco para Gladys e Marion foi correndo mostrar a fita para Sam Phillips. Ele não ficou muito impressionado. Só quando Elvis voltou, no começo de 1954, e pediu para fazer outro disco, Sam descobriu o que tinha nas mãos. Assistiu as gravações e anotou: "Elvis Presley. Bom baladista. Chamar na primeira oportunidade". Nove meses depois Sam Phillips lembrou-se do "garoto de costeletas" e resolveu ligar para ele.

Elvis veio no maior pinote até o estúdio e, depois de tentar inutilmente copiar o disco de demonstração, encarou o exasperado Sam Phillips: "Bem, o que você sabe cantar, garoto?". Elvis desfilou seu repertório, passando por diversos estilos, com ênfase em Dean Martin. Contudo, quando a audição terminou, Phillips não estava nada convencido, e disse a Elvis que seria preciso "trabalhar muito". Presley respondeu que gostaria que ele lhe "arranjasse uma banda". O guitarrista Scotty Moore e o baixista Bill Black foram chamados e começaram a trabalhar junto com Elvis. Quatro meses depois, na noite de 5 de julho de 1954, Elvis voltou ao estúdio com sua banda para sua primeira gravação profissional. A música era uma balada country muito piegas, com uma parte recitada onde Elvis sempre engasgava. O som estava muito ruim e Phillips pediu aos rapazes para darem um tempo.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

McMillan & Wife

Título no Brasil: McMillan & Wife
Título Original: McMillan & Wife
Ano de Produção: 1971 - 1977
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal TV
Direção: Vários
Roteiro: Série criada por Leonard Stern
Elenco: Rock Hudson, John Schuck, Susan Saint James

Sinopse:
"McMillan & Wife" mostra o cotidiano do casal Stewart 'Mac' McMillan (Rock Hudson) e Sally McMillan (Susan Saint James). Eles formariam o típico casal de San Francisco dos anos 1970 se não fosse por um detalhe mais do que importante: Ele é comissário de polícia e ela, apesar de ser apenas uma simples dona de casa, sempre acaba resolvendo os misteriosos crimes que o maridão está investigando.

Comentários:
Nunca foi exibida no Brasil em canais abertos mas nos EUA fez grande sucesso. O interesse dos cinéfilos nessa série vem do fato dela ter sido estrelada pelo ator Rock Hudson, um dos mitos do cinema clássico de Hollywood. Com a idade chegando Rock foi ficando sem trabalho, uma vez que ele era o galã típico dos anos 1950 e 1960. Galãs quando envelhecem acabam perdendo o emprego como bem se sabe. Sem grandes convites para o cinema ele acabou aceitando fazer essa série, inicialmente por pouco tempo, mas que por causa do sucesso de audiência duraria longas seis temporadas. Rock detestava TV. Não acompanhava e não gostava de estar em uma série televisiva pois a achava indigna de seu status de grande ator de cinema mas não houve outro jeito. Adotou um bigodão e procurou se divertir no novo meio. De bom havia o alto salário que recebia por episódio e a chance de trabalhar em San Francisco, uma cidade de que ele gostava muito (também conhecida como a capital gay da América). Hudson contracenou com a jovem Susan Saint James, que ele considerava uma típica hippie daqueles anos. Mesmo assim se deram bastante bem nos bastidores. Na última temporada ela deixou a série, alegando que queria construir uma carreira no cinema e o seriado passou a se chamar apenas "McMillan". Do ponto de vista de qualidade a série fica na média do que era feito na TV americana da época. Há bons episódios intercalados com bobagens. A primeira e a segunda temporada foram lançadas em DVD nos Estados Unidos e Inglaterra, o que proporcionará agora aos fãs de Rock Hudson uma ótima oportunidade de assistir à série e acompanhar o astro de "Assim Caminha a Humanidade" perseguindo bandidos pelas ladeiras de San Francisco. Um programa no mínimo bem interessante. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Juntos Pelo Acaso

Título no Brasil: Juntos Pelo Acaso
Título Original: Life as We Know It
Ano de Produção: 2010
País: Estados Unidos
Estúdio: Village Roadshow Pictures
Direção: Greg Berlanti
Roteiro: Ian Deitchman, Kristin Rusk Robinson
Elenco: Katherine Heigl, Josh Duhamel, Josh Lucas

Sinopse:
Holly Berenson (Katherine Heigl) e Eric Messer (Josh Duhamel) resolvem participar de um encontro às escuras arranjado por seus amigos, Peter e Allison que são casados​​. Nada dá certo e o encontro se transforma em um desastre. Depois que o casal sofre um acidente fatal, eles descobrem que foram nomeados como os guardiões para a filha pequena de Peter e Allison, Sophie. Afinal a garotinha é afilhada de ambos. A partir daí eles tentarão da melhor forma possível honrar os desejos de seus amigos falecidos. Mas criar uma criança definitivamente não será nada fácil. 

Comentários:
Nada mais do que uma comédia romântica que tenta transformar a atriz Katherine Heigl em estrela de primeira grandeza. Como se sabe ela foi revelada na série Grey's Anatomy e depois que largou a TV tenta se estabelecer no mundo do cinema, uma transição que nem sempre dá certo. Por enquanto tudo o que ela tem feito é uma sucessão de fitas como essa, que não estão emplacando muito bem. Também pudera, essa coisa de casal formado por duas pessoas que inicialmente não simpatizam e que depois, com a convivência, vão se afeiçoando, até se descobrirem apaixonadas, é bem saturada. Já se fazia filmes assim na década de 1930. Assim certamente você não vai encontrar absolutamente nada de novo nessa produção. De bom mesmo apenas alguns poucos momentos divertidos e engraçados que mostram que a rotina doméstica destrói mesmo qualquer sentimento mais romântico entre um casal. Enfim, para ver, consumir e jogar fora. É um autêntico cinema fast food com cerejas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Across the Universe

Título no Brasil: Across the Universe
Título Original: Across the Universe
Ano de Produção: 2007
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Revolution Studios, Gross Entertainment
Direção: Julie Taymor
Roteiro: Dick Clement, Ian La Frenais
Elenco: Evan Rachel Wood, Jim Sturgess, Joe Anderson

Sinopse:
Across The Universe é uma história de amor que se passa na década de 1960 em meio aos anos turbulentos de protestos contra a guerra do Vietnã, a luta pela liberdade de expressão e os movimentos pelos direitos civis, tudo embalado sob a magia da música dos Beatles. Ao mesmo tempo ousado, lunático e altamente teatral, a história se move a partir de jovens estudantes que vão descobrindo a vida e amores em uma época que marcou para sempre a cultura e a política em nosso mundo.

Comentários:
Não há como negar que era uma boa ideia. Fazer um musical com as músicas dos Beatles. As letras serviriam de base para a construção de um roteiro mostrando os anseios da juventude perdida em meio a enormes transformações sociais, políticas e culturais. O próprio Paul McCartney foi convidado para a Premiere em Londres e ao final da exibição bateu palmas para o resultado (não se sabe se foi o Paul, o homem de negócios ou Paul, o músico e artista que fez isso!). Não foi uma produção barata, custou mais de 70 milhões de dólares (um orçamento mais do que generoso para musicais) e fez relativo sucesso em seu lançamento. Por mais que eu adore as canções dos Beatles não consegui ficar satisfeito com esse filme. Achei o enredo disperso, para não dizer confuso. Na realidade não há exatamente uma história passando pela tela mas meras desculpas para que as canções do grupo inglês sejam usadas em cenas esporádicas, soltas. Muitos dos momentos inclusive são bem gratuitos. As adaptações musicais também se mostraram problemáticas, há boas ideias e outras nem tanto. No saldo geral o que salva tudo mesmo é a trilha sonora. Se fossem canções menos marcantes o musical certamente seria um abacaxi. Melhor ouvir o velho vinil empoeirado dos Beatles do que perder muito tempo com isso.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A Gaiola das Loucas

Título no Brasil: A Gaiola das Loucas
Título Original: The Birdcage
Ano de Produção: 1996
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Mike Nichols
Roteiro: Jean Poiret, Francis Veber
Elenco: Robin Williams, Nathan Lane, Gene Hackman, Dianne Wiest

Sinopse:
Armand (Robin Williams) e Albert (Nathan Lane) formam um casal gay na ensolarada e badalada Miami. Eles também são donos da boate GLS The Birdcage, onde Albert se apresenta com seu famoso número de diva transformista. A tranquilidade dos pombinhos acaba quando o filho de Armand resolve se casar com a filha de um político conservador, quadradão e religioso, o senador republicano Kevin Keeley (Gene Hackman). O auge da situação delicada acontece quando Armand é avisado que receberá o senador para um jantar em sua própria casa, quando as famílias deverão finalmente se conhecer. E agora? O que fazer com Albert e o clube "Gaiola das Loucas"?

Comentários:
Via de regra detesto remakes. Mas nesse aqui tenho que dar o braço a torcer. O filme original é de 1978, uma produção francesa chamada "La Cage Aux Folles" estrelada por Ugo Tognazzi. Pois bem o filme francês já está muito datado e sendo sincero não consegue ser tão divertido como essa refilmagem americana. O segredo dessa nova versão é seu elenco, simplesmente maravilhoso. Robin Williams como Armand é sem dúvida um grande achado mas quem rouba a cena mesmo é Nathan Lane e Gene Hackman. Lane está fenomenal. Sua cena imitando os passos de John Wayne para parecer um autêntico macho viril são de rolar de rir. Pior é quando tenta se passar por uma matrona de fina classe, também tão conservadora quanto o senador. E por falar nele é sempre algo muito gratificante ver um ator como Gene Hackman, que se notabilizou por personagens sérios em dramas pesados, se dando tão bem em uma comédia como essa. Até Dianne Wiest fazendo uma esposa reprimida agrada. Em suma, esse tive o prazer de ver no cinema, na época nem dava nada pelo filme mas foi uma grata surpresa. Divertido e muito engraçado. Alguém espera algo mais de uma comédia do que isso? Claro que não! Se ainda não viu corra para conferir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Bosch

Título no Brasil: Bosch
Título Original: Bosch
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Amazon Originals Drama
Direção: Jim McKay
Roteiro: Série criada por Michael Connelly
Elenco: Titus Welliver, Jamie Hector, Amy Aquino

Sinopse:
Harry Bosch (Titus Welliver) é um tira veterano trabalhando no departamento de homicídios da cidade de Los Angeles que após perseguir um latino no meio da noite, com muita chuva, acaba se confundindo com um movimento do sujeito e o mata à queima roupa. Denunciado, precisa responder um processo criminal que irá determinar seu futuro. Nesse ínterim recebe um novo caso para investigar, a descoberta de ossos humanos numa das colinas de Hollywood. Ao que tudo indica há sinais de que as vítimas são na verdade crianças de apenas 10 anos. Quem seria o verdadeiro assassino?

Comentários:
Nova série policial que está estreando nos Estados Unidos. Alguns seriados você consegue perceber logo de cara que serão bem promissores. Até o momento só assisti o episódio piloto de "Bosch" mas já gostei de praticamente tudo o que vi. Bom enredo, texto bem escrito e atuações bem desenvolvidas. O personagem Bosch é um achado. Durão, sempre com um cigarro acesso na boca (imaginem isso nos tempos politicamente corretos em que vivemos!) e tentando levar em frente sua carreira policial, mesmo com a constante ameaça de ser condenado por ter matado um homem numa noite escura, chuvosa, onde ele interpretou erroneamente um gesto da vítima que parecia estar sacando uma arma. Ao reagir atirou duas vezes, algo que pode custar seu distintivo e suas credenciais. A trama das ossadas de crianças encontradas em uma mata também é por demais interessante - muito provavelmente teremos algum serial killer surgindo nos próximos episódios. Enfim, apostarei em "Bosch" e vou continuar acompanhando. Espero que seja bem sucedida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

The Good Wife

Título no Brasil: The Good Wife
Título Original: The Good Wife
Ano de Produção: 2009 - 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: CBS
Direção: Vários
Roteiro: Série criada por Michelle King e Robert King
Elenco: Julianna Margulies, Chris Noth, Josh Charles, Archie Panjabi, Christine Baranski 

Sinopse:
Alicia Florrick (Julianna Margulies) é a esposa do poderoso procurador geral de Nova Iorque. Quando esse é denunciado por estar envolvido em uma rede de prostituição de luxo sua carreira vem abaixo e junto com ela o casamento e a dignidade de sua esposa. Depois do enorme escândalo público, Alicia resolve retomar sua vida. Vai atrás de um emprego como advogada e recomeça sua carreira trabalhando no escritório de Will Gardner (Josh Charles) e Diane Lockhart (Christine Baranski). Ao seu lado também começa a trabalhar como investigadora a misteriosa descendente de indianos, Kalinda Sharma (Archie Panjabi).

Comentários:
Continua fazendo bastante sucesso na TV americana. Já está na quinta temporada e a CBS não parece disposta a abrir mão desse sucesso de audiência. É a tal coisa, sempre existirão séries sobre médicos, policiais e advogados nos Estados Unidos. É uma tradição que segue por décadas afora. O segredo de "The Good Wife" vem do fato de colocar uma mulher traída publicamente pelo marido como protagonista. Mesmo após a queda ela consegue levantar a cabeça e ir em frente, reconstruindo sua vida emocional e profissional. Julianna Margulies como Alicia Florrick é a grande força dessa equação de sucesso. Atriz carismática e ótima em momentos fortes e dramáticos, consegue levar a série praticamente sozinha, já que nenhum outro partner em cena ameaça sua posição dentro dos episódios. Até mesmo Michael J. Fox já participou no elenco de apoio mas Margulies segue sendo o grande destaque. Assim que comecei a acompanhar "The Good Wife" me lembrei imediatamente de "Damages" com Glenn Close, já que as séries são bem parecidas entre si, enfocando a vida de mulheres advogadas. Pelo talento de Close ainda prefiro "Damages" mas não se pode deixar de reconhecer os méritos dessa série já que consegue aliar drama, questões jurídicas e conflitos familiares com raro talento. Muitos implicam com seu jeito de "novelão" mas isso no final das contas é uma bobagem. A série não fez tanto sucesso por acaso, essa é a verdade.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Preço de Um Resgate

Título no Brasil: O Preço de Um Resgate
Título Original: Ransom
Ano de Produção: 1996
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: Ron Howard
Roteiro: Cyril Hume, Richard Maibaum
Elenco: Mel Gibson, Gary Sinise, Rene Russo

Sinopse:
Tom Mullen (Mel Gibson) é um sujeito bem sucedido no mundo dos negócios. Milionário, dono de uma grande empresa de aviação, ele tem uma vida dos sonhos. Sua tranquilidade porém é abalada com a notícia do sequestro de seu filho. Os criminosos exigem dois milhões de dólares pela vida do garoto. Desesperado, Mullen tenta ajuda das autoridades mas depois resolve agir pela sua própria maneira.

Comentários:
Quando estrelou essa fita Mel Gibson estava no topo do mundo em Hollywood. "Coração Valente", seu filme anterior, foi um êxito sem precedentes, se tornando sucesso tanto de público como de crítica. Os cachês milionários estavam na ordem do dia e ele resolveu que queria mudar um pouco os rumos dos personagens que interpretava. Assinou um polpudo contrato com a Touchstone (braço adulto do império Disney) e estrelou esse filme que tenta mesclar drama com ação em doses exatas. Conforme o próprio Gibson explicou em entrevistas durante o lançamento dessa produção ele procurava por um roteiro que unisse aspectos de sua vida pessoal (o ator é pai de sete filhos) com sua imagem mais conhecida nas telas de cinema (o herói de ação ao estilo do detetive Martin Riggs de Máquina Mortífera). O resultado está aí, Gibson é um paizão que resolve partir para a porrada quando sequestram seu filhinho. Vale destacar ainda o elenco de apoio, com Gibson dividindo a tela com Rene Russo mais uma vez e Gary Sinise, um ótimo ator, infelizmente sempre subestimado. Para quem sente saudades do velho estilo de Mel Gibson essa fita dos anos 90 cai muito bem.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O Senhor das Armas

Título no Brasil: O Senhor das Armas
Título Original: Lord of War
Ano de Produção: 2005
País: Estados Unidos, França, Alemanha
Estúdio: Lions Gate Films
Direção: Andrew Niccol
Roteiro: Andrew Niccol 
Elenco: Nicolas Cage, Ethan Hawke, Jared Leto

Sinopse: Yuri Orlov (Nicolas Cage) é um vendedor... mas não um vendedor comum. O que ele comercializa com seus clientes é um produto muito valorizado, de grande valor, mas igualmente letal. Orlov é um vendedor de armas pesadas, armamento de ponta, de alta tecnologia, usado para grandes conflitos. Ele transita no submundo da venda ilegal de armas. Onde os países não podem vender por questões éticas ou legais lá está Orlov, negociando com ditadores sanguinários, criminosos internacionais e grandes cartéis de drogas. Para desempenhar tal atividade ele também precisa de proteção e segurança e as tem, provenientes de grandes corporações e políticos poderosos, afinal ele é o Senhor das Armas.

Comentários:
Excelente filme. "O Senhor das Armas" é muito bem realizado, tem roteiro que não deixa pontas soltas e um ótimo argumento que traz uma boa dose de realidade sobre o mundo em que vivemos. Tudo se resume no poder da indústria bélica americana. Afinal o complexo militar dos Estados Unidos simplesmente não pode parar. Além do mercado oficial de venda de armas há todo um submundo negro onde milhões são comercializados, pois a produção tem que ser escoada, não importa de qual maneira. O personagem de Nicolas Cage transita nesse ambiente. Ele vende armamento pesado em regiões do mundo onde esse tipo de transação seria completamente ilegal. Sua posição lhe garante todos os tipos de privilégios e garantias, inclusive de políticos poderosos em altos cargos, afinal não se trata de migalhas mas de milhões de dólares. O que importa é achar um meio de vender a produção bélica, pois os negócios não podem parar! Essa é apenas uma das reflexões que o filme levanta. Basta lembrar do atual conflito da Síria para entender como tudo acontece! Afinal o governo americano não pode vender armas dentro daquela guerra civil pois algo desse tipo seria proibido pela ONU. É justamente em ambientes assim que o personagem de Cage entra. Se alguém precisa de armamento pesado e não pode comprar pelos meios oficiais, então Orlov resolverá a questão. Aliás é bom que se diga, esse foi o último grande filme estrelado por Nicolas Cage! Um ator que havia se notabilizado no começo de sua carreira estrelando filmes realmentes muito bons mas que ultimamente tem surgido em produções sem a menor relevância para o mundo do cinema. Como realmente aprecio seu trabalho espero que ele reencontre, o mais breve possível, o caminho dos bons filmes.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Alexandre

Título no Brasil: Alexandre
Título Original: Alexander
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Oliver Stone
Roteiro: Oliver Stone, Christopher Kyle
Elenco: Colin Farrell, Anthony Hopkins, Angelina Jolie, Val Kilmer, Jared Leto, Jonathan Rhys Meyers, Rosario Dawson

Sinopse: Adaptação para as telas de cinema da história de Alexandre, o Grande (356 a.C - 323 a.C), líder da Macedônia que conquistou vastas terras ao longo de seu reinado. Conquistador nato, Alexandre III destruiu impérios rivais, matou reis e se tornou senhor de povos tão diferentes como os gregos, babilônicos e persas. Ao fundar cidades em lugares distantes de seu longo império acabou criando a fusão da cultura ocidental com a oriental, dando origem ao chamado período Helênico da civilização mundial.

Comentários:
Esse filme é um alienígena na filmografia de Oliver Stone. Ele sempre procurou dirigir filmes com maior teor político e social e esse Alexandre fugia justamente disso. O personagem da história é mítico, conseguiu conquistar quase todo o mundo conhecido em sua época, só cessando as conquistas perto da Índia, quando suas tropas exaustas praticamente se rebelaram para voltar para a Macedônia. Em vida Alexandre era um autêntico "grego" de sua época: adorador das artes, guerreiro, irascível em sua busca por terras e poder. Também como todo bom adepto daquela cultura tinha sua longa lista de relacionamentos, inclusive com homens, o que curiosamente chocou alguns quando o filme chegou nos cinemas. Isso porém é um erro de percepção. O homossexualismo naquela cultura de Alexandre era algo normal, típico da cultura clássica grego romana. A maioria dos imperadores romanos também eram homossexuais e tinham amantes masculinos. Os casos amorosos entre homens eram públicos e notórios. Apenas com a chegada do Cristianismo é que relacionamentos gays se tornaram escandalosos sob o ponto de vista moral e religioso.

Outra crítica que muito se fez a esse filme foi a escolha do elenco. Colin Farrel não convence como esse mito da história. De mito grego ele não tem nada. O ator não consegue perder seu jeito de "beberrão de pub" nem quando interpreta um personagem tão forte como esse. Assim a coisa toda ficou com um ar de falso, fake. Angelina Jolie também não consegue tornar verossímil seu papel. A mulher que interpreta era uma matriarca forte na vida real, mas no filme Angelina parece a amante de seu filho. Além disso a Angelina Jolie não tinha idade suficiente para interpretar a mãe de Alexandre. Mais um exemplo de que a pressão dos agentes de grandes atores pode sim arruinar qualquer projeto cinematográfico - basta apenas impor a escalação no elenco! O roteiro também se perde bastante já que a história de Alexandre é longa e detalhada, mal cabendo em um filme normal, mesmo que tenha uma extensa duração. Seria ideal se tivessem feito uma minissérie. Recentemente saiu Spartacus, um exemplo de uma boa história bem desenvolvida, quem sabe um dia não levem também a biografia de Alexandre para o mesmo formato televisivo. Assim Oliver Stone se deu mal no fim das contas, pois o filme não foi o sucesso esperado e ele teve que se retirar do cinema épico. Fica para a próxima então.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Casa de Cera

Título no Brasil: A Casa de Cera
Título Original: House of Wax
Ano de Produção: 2005
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros, Dark Castle
Direção: Jaume Collet-Serra
Roteiro: Charles Belden, Chad Hayes
Elenco: Chad Michael Murray, Paris Hilton, Elisha Cuthbert

Sinopse: Um grupo de adolescentes descobre um antigo e sinistro museu de cera onde as estátuas parecem ter uma incrível veracidade e semelhança com pessoas reais. O que não sabem é que estão prestes a cair em uma armadilha sombria e mortal.

Comentários:
Remake de um filme dos anos 1950 chamado "Museu de Cera", dirigido por André De Toth (conhecido diretor de vários filmes de faroeste com Randolph Scott) e estrelado por Vincent Price e Frank Lovejoy. Como se trata de uma refilmagem já ficamos desconfiados. A verdade é que dificilmente algum remake é realmente bom. Para complicar ainda mais se trata de uma produção com o selo da produtora Dark Castle. Já tive chance de falar da Dark Castle aqui em outro texto (acho que no do filme "Navio Fantasma"). Essa produtora nunca fez nada que me impressionasse. Seus filmes são fortemente apoiados em efeitos digitais mas se esquecem completamente de trabalhar melhor nos roteiros. O que era charmoso no antigo filme de Price aqui se torna apenas sensacionalista, exagerado. Na época do lançamento a fita contou com uma promoção extra pois trazia em seu elenco a Paris Hilton. Ela foi a primeira celebridade do mundo que virou celebridade sem nenhuma razão. É a celebridade pela celebridade. Antigamente para ser uma celebridade a pessoa tinha que ser ator, atriz, escritor, cantor, etc, ou seja, ter algum talento na vida. Paris se tornou celebridade por nada. Sim, ela é herdeira do império Hilton mas e daí? Puro marketing pessoal que vende vento. O pior é que as pessoas compram vento, ora vejam só... Mas deixemos isso de lado. Para não dizer que nada se salva temos aqui pelo menos a presença da linda Elisha Cuthbert. Assim se nada lhe agradar pelo menos terá a beleza dela para ver ao longo de uma fita que realmente não traz nada de novo para o subgênero "terror-com-adolescentes-gritando".

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Marley & Eu

Título no Brasil: Marley & Eu
Título Original: Marley & Me
Ano de Produção: 2008
País: Estados Unidos
Estúdio: Fox 2000 Pictures, Regency Enterprises
Direção: David Frankel
Roteiro: Scott Frank, Don Roos
Elenco: Owen Wilson, Jennifer Aniston, Eric Dane

Sinopse: 
O jovem casal formado por John (Owen Wilson) e Jenny (Jennifer Aniston) resolve adotar um cachorrinho da raça Labrador Retriever chamado Marley. Quando pequeno, Marley era uma gracinha, impossível de resistir, mas ao crescer se torna um cão bagunceiro, indisciplinado e desobediente, causando muitas confusões para seus donos. Sua lealdade e amor porém conquistam o casal, que vai passando pelas dificuldades da vida ao seu lado até o dia em que Marley precisa dizer adeus. 

Comentários:
Esse filme foi lançado sem alarde nos cinemas, sem qualquer tipo de pretensão e de repente se tornou um grande sucesso de bilheteria. Cachorrinhos faturando horrores para o cinema não é novidade, basta lembrar de Lassie, Rin-Tin-Tin e Benji. Hollywood porém não acreditava mais nesse tipo de produção. Era considerado algo ultrapassado, fora de moda. Os fãs de filmes sobre animais domésticos então tiveram que por longos anos se contentar com os telefilmes sobre a eterna amizade entre homem e cão. Isso até "Marley & Me" provar que havia toda uma legião de cinéfilos dispostos a consumir esse tipo de fita. Temos que reconhecer que o roteiro é bobinho, sem novidades, mas isso em momento nenhum se torna um defeito. O filme conquista mesmo por sua simplicidade e bonita história que foi baseada em fatos reais, que virou livro e também fez sucesso nas livrarias. Aliás será praticamente impossível não se emocionar com os momentos finais do filme já que tudo é muito bem encenado, mostrando os últimos momentos do querido Marley. Assista e não chore se puder! Filme premiado pelo BMI Film & TV Awards, Kids' Choice Awards e Teen Choice Awards.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.


Grey's Anatomy

Título no Brasil: Grey's Anatomy
Título Original: Grey's Anatomy
Ano de Produção: 2005 - 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: ABC
Direção: Vários
Roteiro: Série criada por Shonda Rhimes
Elenco: Ellen Pompeo, Patrick Dempsey, Katherine Heigl, Jessica Capshaw, Sandra Oh, Justin Chambers, Eric Dane

Sinopse: A série "Grey's Anatomy" acompanha a vida de um grupo de médicos, recém formados, residentes, que vão competir por uma vaga no Grey Sloan Memorial Hospital, um dos maiores centros hospitalares dos Estados Unidos. Narrando cada episódio surge a Dra. Meredith Grey (Ellen Pompeo), que deseja superar o legado de sua mãe, uma das mais respeitadas cirurgiãs de Seattle.           

Comentários:
Grey's Anatomy é um guilty pleasure. Você muitas vezes sabe que não é nenhuma obra de arte da TV mas continua assistindo! Por quê? É muito complicado explicar. Provavelmente seja força do hábito de assistir aos episódios ou então seja mesmo aquele tipo de masoquismo em acompanhar tudo ao limite, para ver aonde tudo aquilo vai parar. Afinal de contas são dez temporadas no ar e o programa caminha para seu décimo ano em exibição (em 2015). Muitas vezes começamos a acompanhar certas séries por motivos bobos ou até mesmo fúteis. No meu caso foi assim. Confesso que o que me levou a assistir os primeiros episódios foi a presença da atriz Katherine Heigl. Além de bonita sempre a achei muito carismática. Ela fazia o papel da Dr. Izzie Stevens e ficou na série por cinco temporadas (até 2010). Depois que ela saiu pensei em deixar de assistir mas passados cinco anos ainda acompanho (sim, para minha surpresa!). "Grey's Anatomy" deve dar pavor em quem odeia seriados americanos sobre médicos. É um drama televisivo com todos aqueles ingredientes que fazem um bom (ou ruim) enlatado Made in USA. Há tramas inconclusivas, personagens que entram e somem sem maiores explicações e muitas situações absurdas, principalmente nos episódios finais das temporadas. Numa delas um atirador entrou no Grey Sloan Memorial Hospital e saiu atirando em todos os personagens. Em outra ocasião um avião caiu com praticamente todo o elenco a bordo. Isso sempre me deixou pasmo, era tudo muito surreal. Os executivos da ABC sempre fizeram isso para tirar o poder de barganha dos atores, afinal se eles não renovassem para a temporada seguinte os roteiristas simplesmente matavam seus personagens nas tramas. Absurdo completo? Claro que sim, até porque se não fosse assim Grey's Anatomy não seria um verdadeiro guilty pleasure!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.