sexta-feira, 30 de março de 2012

12 Horas

Jill (Amanda Seyfried) é uma jovem que alega ter sido raptada e quase morta anos atrás por um serial killer de mulheres. O problema básico é que ela tem histórico de doença mental e toma remédios controlados que evitam que tenha alucinações recorrentes. Após sua irmã desaparecer Jill, desesperada, recorre à polícia mas essa não lhe dá crédito pois pensa que ela está na realidade passando por mais uma crise de alucinação e paranóia. "Gone" que ganhou o nada atrativo título de "12 Horas" no Brasil é um thriller de suspense que joga o tempo todo em cima do dilema "realidade vs alucinação" da personagem Jill. Estaria ela realmente apenas alucinando ou lutando contra um serial killer real que não a perdoa por ter fugido de suas garras anos antes? É nesse questionamento que o roteiro se apoia. Funciona? Em termos. Talvez os roteiristas tivessem maior êxito se deixassem para revelar o que realmente estaria acontecendo com Jill apenas nos momentos finais mas infelizmente muito antes disso tudo já é definido de forma a não mais deixar dúvidas no espectador. O efeito surpresa é desmontado cedo demais. O que poderia ser um grande clímax se mostra atenuado em seus efeitos. Um pouquinho de suspense a mais não faria mal ao filme em si. Abriram a caixa de Pandora antes da hora!

O argumento também, por ser batido demais, não cria muitas surpresas aos fãs de thrillers. De certo modo um dos problemas de "Gone" é esse, ele não ousa, não surpreende, é muito formulaico em suas propostas. Provavelmente um diretor mais ousado faria maravilhas com a estória mas não é o que acontece aqui. A impressão que fica é a de que o cineasta Heitor Dhalia que dirigiu o filme apenas quis entregar um produto convencional ao estúdio e nada mais. Se a direção e o roteiro não inovam o elenco também segue no banho maria. Amanda Seyfried até que não compromete com seu papel. Com olhos de mangá (grandes demais para seu rosto na minha opinião) a atriz se não disponibiliza uma grande interpretação pelo menos não leva tudo a perder. Esse "Gone" não vai acrescentar muito em sua filmografia mas pelo menos fica como uma experiência nova já que não me lembro de vê-la em nada parecido com esse filme. Se ela vai se tornar uma estrela nos próximos anos ou se vai desaparecer realmente não sei, de qualquer forma não será "Gone" que a levará ao primeiro time em Hollywood.

12 horas (Gone, EUA, 2012) Direção: Heitor Dhalia / Roteiro: Allison Burnett / Elenco: Amanda Seyfried, Jennifer Carpenter, Wes Bentley / Sinopse: Jill (Amanda Seyfried) é uma jovem que alega ter sido raptada e quase morta anos atrás por um seriel killer de mulheres. O problema básico é que ela tem histórico de doença mental e toma remédios controlados que evitam que tenha alucinações recorrentes. Após sua irmã desaparecer ela desesperada recorre à polícia mas essa não lhe dá crédito pois pensa que ela está na realidade passando por mais uma crise de alucinação e paranóia.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Um Novo Despertar

Walter Black (Mel Gibson) é um bem sucedido executivo que sofre uma profunda crise existencial e depressiva. Incapaz de lidar com os aspectos de sua vida por si próprio acaba adotando um fantoche de castor para falar e agir por ele, para espanto de todos à sua volta. É a forma nada comum que encontra para conseguir superar essa terrível fase de sua vida emocional e pessoal. "The Beaver" é um filme muito extremo. A ideia central é extrema por si só. Fica complicado aceitar o fato de um homem adulto só falar através de um fantoche de Castor mesmo com o argumento de que essa seria uma forma de tratamento de uma depressão severa. O enredo só não naufraga completamente por causa de Mel Gibson e das subtramas (em especial a que envolve o filho de Gibson no filme). O desempenho do ex Mad Max é o primeiro grande trunfo de "The Beaver" O ator está especialmente inspirado pois ficamos realmente comovidos com sua situação mental. Há cenas excelentes como a que ele tenta se separar do puppet, embora devo confessar que naquele momento pensei um pouco em Chuck de "Brinquedo Assassino"! Gibson é um ator talentoso, obviamente ele só fez o filme por causa da grande amizade que nutre com a diretora Jodie Foster com quem se tornou muito próximo no set de filmagem de "Maverick" mas mesmo assim se sai excepcionalmente bem em cena. A amizade de ambos passa também para a tela.

A outra coisa que segura as pontas aqui é o relacionamento do filho do personagem principal e sua paixão adolescente (a linda e maravilhosa - e cada vez mais bonita - Jennifer Lawrence). Bela e carismática essa atriz está despontando para o estrelado após o sucesso de "Jogos Vorazes". Já Jodie Foster, a diretora, deveria ter explorado mais sua personagem na trama. Do jeito que ficou achei a atriz um tanto quanto desperdiçada em cena, isso decorreu muito provavelmente pelo fato de que combinar direção e atuação em um mesmo projeto exigem demais do profissional. Assim Jodie se empenhou muito mais atrás da câmeras do que diante delas. É compreensível. Enfim se fosse resumir "The Beaver" diria que é não só um filme sobre depressão mas também um filme deprimido. Provavelmente vá tocar mais de perto as pessoas que já passaram por essa doença. Para o resto dos espectadores o filme pode soar melancólico e triste demais. De qualquer forma recomendo, sendo você depressivo ou não!

Um Novo Despertar (The Beaver, EUA, 2010) Diretora: Jodie Foster / Roteiro: Kyle Killen / Elenco: Mel Gibson, Jennifer Lawrence, Anton Yelchin, Jodie Foster, Paul Hodge / Sinopse: Walter Black (Mel Gibson) é um bem sucedido executivo que sofre uma profunda crise existencial e depressiva. Incapaz de lidar com os aspectos de sua vida por si próprio acaba adotando um fantoche de castor para falar e agir por ele, para espanto de todos à sua volta. É a forma nada comum que encontra para conseguir superar essa terrível fase de sua vida emocional e pessoal.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Plano de Fuga

Americano (Mel Gibson) é um assaltante de bancos que é preso na fronteira com o México após ser perseguido pela polícia norte-americana. Enviado a uma prisão mexicana ele tenta sobreviver a um ambiente hostil, perigoso e violento. Esse "Plano de Fuga" é a volta de Gibson aos filmes de ação. Como todos sabem o ator vive um verdadeiro inferno astral em sua vida privada se envolvendo em escândalos, polêmicas e confusões. Após falar mal dos judeus ele foi colocado de molho pelos grandes estúdios. Embora seja um nome forte na indústria e seja considerado um bom cineasta, Gibson ao tomar atitudes anti-semitas acabou mexendo com pessoas muito influentes em Hollywood, uma vez que a grande maioria dos estúdios de cinema pertence a grupos judeus. Inviabilizado de seguir em frente nessas companhias Gibson resolveu bancar seus próprios filmes, se tornando produtor deles. Como é dono da Icon Productions o ator resolveu seguir em frente. Esse "Plano de Fuga" foi feito assim, com dinheiro do próprio bolso de Mel Gibson.

A boa notícia é que o filme é realmente bom. O roteiro (escrito pelo próprio Gibson) é redondinho, ágil e eficiente. O filme se passa praticamente todo dentro de um presídio mexicano. Assim como acontece em nosso sistema penitenciário os presídios mexicanos são caóticos. Crianças passeiam tranquilamente entre as celas, prostitutas praticamente moram dentro do local e drogas e armas passam de mão em mão com a conivência dos guardas (que fazem de tudo para não atrapalhar a vida dos presos!). Nesse ambiente o personagem de Gibson (que não tem nome pois o omite desde o momento que é encarcerado) joga com as peças que tem. Manipula um chefão local e tenta recuperar o dinheiro roubado que foi parar nas mãos de policias corruptos. Além disso tenta ajudar uma detenta e seu filho que está nas garras de uma quadrilha de tráfico de órgãos humanos. Para quem sentia saudades dos filmes de ação de Mel Gibson esse "Plano de Fuga" é uma boa pedida. Em nenhum momento aborrece e no final acaba divertindo. Um bom thriller que como passatempo funciona muito bem.

Plano de Fuga (Get The Gringo, EUA, 2012) Diretor: Adrian Grunberg / Roteiro: Mel Gibson, Adrian Grunberg, Stacy Perskie / Elenco: Mel Gibson, Peter Stormare, Dean Norris / Sinopse: Americano é preso na fronteira com o México após ser perseguido pela polícia americana. Enviado a uma prisão mexicana ele tenta sobreviver a um ambiente hostil perigoso e violento.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 27 de março de 2012

Blitz

Brant (Jason Statham) é um policial inglês que sai no encalço de um serial killer que caça e mata policiais em serviço. Esqueça as bobagens que o Jason Statham rodou nos Estados Unidos. Esse policial britânico filmado nas ruas menos encantadoras (para não dizer sinistras) de Londres é bem mais interessante. Como eu já disse os filmes ingleses desse ator são bem melhores (como esquecer, por exemplo, sua boa fase ao lado do diretor Guy Ritchie?). Pois é. Em Blitz o Jason interpreta um tira cabeça quente de uma delegacia Londrina. O diferencial é que sendo casca grossa ao extremo ele está sendo investigado pelo próprio departamento por violência em serviço. Isso não o impede de ter que trabalhar ao lado de um recém transferido policial para seu distrito para investigar e prender "Blitz", um serial killer especializado em matar policiais.

Até aí nada de muito diferente a não ser o fato de seu novo parceiro ser um gay assumido! Imaginem a situação. Agora, o grande mérito do filme é que mesmo o personagem sendo homossexual (em boa atuação de Paddy Considine) ele em momento algum se mostra afetado e nem afeminado mas sim como um profissional competente que se tornará vital no desfecho do filme. Por isso o fato dele ser gay não vira em nenhum momento um problema ou um estigma dentro do roteiro, o que mostra bom senso por parte dos realizadores. Enfim, "Blitz" é eficiente, bom divertimento e não é agressivo com a inteligência dos espectadores. Uma boa opção do moderno cinema policial inglês.

Blitz (Blitz, Inglaterra, 2011) Direção: Elliott Lester / Roteiro: Nathan Parker baseado na obra de Ken Bruen / Elenco: Jason Statham, Paddy Considine, Aidan Gillen / Sinopse: Brant (Jason Statham) é um policial inglês que sai no encalço de um serial killer especializado em matar policiais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 26 de março de 2012

John Carter

John Carter (Taylor Kitsch) é um ex-capitão do exército confederado que passa os dias em busca de uma caverna que segunda a lenda de certas tribos nativas era completamente revestida de ouro. Após vários anos de busca ele acaba descobrindo o local mas para sua surpresa também encontra um portal dimensional que o transporta até o planeta vizinho, Marte. Lá encontra uma guerra entre povos e civilizações diversas. Sem querer acaba se envolvendo diretamente no conflito dos marcianos e se apaixona por uma linda princesa. John Carter foi uma ousada aposta dos estúdios Disney que investiu na produção do filme a bagatela de 250 milhões de dólares! Tanto dinheiro investido demandava uma bilheteria robusta para que o estúdio começasse a auferir lucros. Assim a Disney investiu pesado em marketing e não poupou esforços na divulgação do longa. Tudo foi em vão. John Carter naufragou nas bilheterias causando um prejuízo tão grande que até o presidente executivo do estúdio foi mandado para o olho da rua. Tentando pegar carona em filmes semelhantes como Avatar a produção não conseguiu atrair o público e foi praticamente ignorado. Mas afinal o que deu errado?

John Carter é baseado em um personagem do escritor Edgar Rice Burroughs, o mesmo criador do mitológico herói Tarzan. Os problemas começam aí. John Carter é um personagem de segundo escalão dentro da obra de Burroughs, pouco conhecido, escrito há muito tempo. Ao contrário de Tarzan que já tem seu nome consolidado nos cinemas há décadas, Carter é praticamente um desconhecido. Fora isso suas aventuras poderiam ser bem interessantes quando foram escritas naquela época mas hoje em dia dificilmente um jovem que frequenta cinemas vai se interessar por um sujeito que vai brigar com marcianos lá no planeta vermelho! Tudo soa muito bobo atualmente temos que admitir. Como se já não bastasse o fato do material que deu origem ao filme não ser muito bom ainda temos que nos deparar com um filme que em essência não tem nada a dizer. Muito longo, muito espalhafatoso mas sem roteiro, sem carisma e o pior de tudo, bem chato. Em certos momentos me lembrou Duna. John Carter cai na monotonia várias vezes fruto de sua duração excessiva e desnecessária. É muita duração para pouca estória. Os efeitos especiais como não poderiam deixar de ser são de primeira linha mas isso pouco importa diante de um filme vazio, sem nada a dizer. Muito provavelmente John Carter vá interessar apenas aos garotos mais jovens de no máximo 12 anos de idade. Acima disso vai ser complicado agradar. De certa forma seu fracasso comercial foi merecido, o filme realmente não vale a pena.

John Carter (John Carter, EUA, 2012) Direção: Andrew Stanton / Roteiro: Andrew Stanton, Mark Andrews, Michael Chabon baseado no livro A Princess of Mars de Edgar Rice Burroughs / Elenco: Taylor Kitsch, Lynn Collins, Willem Dafoe / Sinopse: John Carter (Taylor Kitsch) é um ex capitão do exército confederado que passa os dias em busca de uma caverna que segunda a lenda de certas tribos nativas era completamente revestida de ouro. Após vários anos de busca ele acaba descobrindo o local mas para sua surpresa também encontra um portal dimensional que o transporta até o planeta vizinho, Marte.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 25 de março de 2012

O Garoto de Liverpool

John Winston Lennon(Aaron Johnson) é um adolescente vivendo na cidade portuária de Liverpool. Seu pai abandonou a casa e sua mãe é uma pessoa com problemas emocionais e financeiros. Sem estrutura familiar sólida o jovem vai morar na casa de sua tia Mimi que sozinha enfrenta os problemas típicos da juventude de seu sobrinho problemático. Ao lado de alguns amigos de escola resolve criar um grupo de Skiffle para tocar nas festinhas locais. A idéia de "Nowhere Boy" é mostrar John Lennon ainda na adolescência, com todos os seus problemas familiares que os fãs dos Beatles já conhecem bem (criado pela tia, tendo que enfrentar um segundo casamento da mãe e o abandono por parte de seu pai, um marinheiro que simplesmente o abandonou da noite para o dia) . No meio dessa vida caótica o jovem John alimenta um sonho distante de viver de sua música. A vida pessoal de John Lennon certamente daria material não apenas para um filme mas para vários. Sua vida pessoal foi muito interessante e em termos dramáticos não há o que reclamar pois em certos aspectos sua vida privada e familiar foi realmente um drama de Douglas Sirk.

Apesar disso e de "O Garoto de Liverpool" ser bem feito e digno o roteiro tem lá seus problemas. O garoto que faz Paul McCartney, por exemplo, é sem expressão e fraco. Muito distante da personalidade cativante e forte do grande companheiro de John nos Beatles. Outro personagem muito mal focalizado é o grande amigo de John, Stu Stutclif, uma pessoa extremamente presente em sua vida pessoal que aqui perdeu totalmente a importância. John era mais próximo de Stu do que de qualquer outra pessoa nessa fase de sua vida. O roteiro negligenciar isso é certamente uma grande falha. Apesar desses deslizes o filme pode vir a agradar aos fãs dos Beatles, muito embora nem tudo o que apareça no filme também seja verídico. Há uma certa dose de liberdades históricas que o diretor tomou que soam incômodas. Por exemplo, John nunca agrediu Paul no enterro de sua mãe, também nunca existiu a cena em que John é barrado na porta do Cavern durante uma noite de bebedeiras. Enfim, tem seus erros e acertos mas em momento algum consegue ser melhor do que "Os Cinco Rapazes de Liverpool" que tem tema semelhante mas é muito mais bem interpretado e produzido. Aquele sim é um grande filme sobre a vida de Jonn e dos Beatles em sua fase inicial. De qualquer forma fica a dica para os fãs.

O Garoto de Liverpool (Nowhere Boy, EUA, 2009) Direção: Sam Taylor-Wood / Roteiro: Matt Greenhalgh / Elenco: Aaron Johnson, Kristin Scott Thomas, Anne-Marie Duff / Sinopse: John Winston Lennon(Aaron Johnson) é um adolescente vivendo na sua cidade natal de Liverpool. Seu pai abandonou a casa e sua mãe é uma pessoa com problemas emocionais. Sem estrutura familiar sólida o jovem vai viver na casa de sua tia Mimi que sozinha enfrenta os problemas típicos da juventude de seu sobrinho problemático. Ao lado de alguns amigos de escola resolve criar então um grupo de Skiffle para tocar nas festinhas locais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 24 de março de 2012

Comer, Rezar, Amar

Liz Gilbert (Julia Roberts) é uma mulher com vários problemas emocionais e afetivos. Para superar os problemas decorrentes de seu divórcio ela resolve viajar ao redor do mundo para conhecer outras pessoas, outras culturas. Nesse processo de conhecimento dos costumes e culturas de outros países acaba se descobrindo a si mesma. De uma forma em geral o filme "Comer, Rezar, Amar" poderia trocar de nome e se denominar "Guia de turismo para balzaquianas divorciadas", isso porque o argumento mais parece um guia de turismo passando por diversos países como Itália, Bali e Índia. Nesses lugares a personagem principal (interpretada por Julia Roberts) tenta superar seu divórcio problemático e para isso medita, viaja, come as especiarias locais e tem casos amorosos com os homens interessantes que encontra pelo caminho. Tudo muito soft, com cara de cartão postal o que ajuda no resultado final pois a fotografia do filme ficou muito bonita. O problema é que os americanos não conseguem fazer filmes sobre outras culturas que não caiam numa visão estereotipada. Todos os personagens não americanos do filme são clichês. Os italianos, por exemplo, só falam alto, gesticulam em excesso e comem massa o dia inteiro. Os indianos são todos pobres miseráveis, vivendo pelas ruas, mas obviamente espiritualizados. O filme inclusive tem uma frase horrível sobre a Índia quando Julia Roberts é aconselhada a não "tocar em nada", nem em uma garrafa de refrigerante local, para não pegar uma doença ou uma difteria. Mais preconceituoso impossível!

Nem os brasileiros escapam dos clichês. A primeira personagem brasileira que aparece no filme está numa loja procurando por um "chapéu de bananas" (Valha-me Deus, como se todas as brasileiras fossem covers da Carmen Miranda!) O ator Javier Bardem também interpreta um brasileiro que não sabe pronunciar uma única frase em português sem parecer um portunhol horripilante. Também passa o dia ouvindo bossa nova e beija o filho na boca (costume que seu filho diz ser comum no Brasil!). Para completar a clichezada seu filho também aparece com uma bola de soccer na mão! Enfim, com todos esses defeitos "Comer, Rezar, Amar" não foge daqueles clichês românticos banais que estamos acostumados a ver em novelas da pior qualidade. O filme até que não é ruim de todo e nem aborrece muito mas também não tem profundidade nenhuma. Pra falar a verdade poderia facilmente ser adaptado pela Globo para virar uma novela das oito que ninguém iria notar a diferença.

Comer, Rezar, Amar (Eat Pray Love, EUA, 2010) Direção: Ryan Murphy / Roteiro: Ryan Murphy, Jennifer Salt / Elenco: Julia Roberts, Javier Bardem, Richard Jenkins / Sinopse: Liz Gilbert (Julia Roberts) é uma mulher com vários problemas emocionais e afetivos. Para superar os problemas decorrentes de seu divórcio ela resolve viajar ao redor do mundo para conhecer outras pessoas, outras culturas. Nesse processo de conhecimento dos costumes e culturas de outros países acaba se descobrindo a si mesma.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 23 de março de 2012

O Preço do Amanhã

Ideias interessantes podem também gerar filmes ruins. O exemplo é esse "O Preço do Amanhã". A premissa é até boa - em um futuro indeterminado as pessoas lutam para ganhar mais tempo em suas vidas. O sistema financeiro desapareceu. Ninguém mais usa dinheiro para comprar coisas ou pagar o aluguel, usam o tempo. Assim se você quiser comprar um carro de luxo não vai dar dinheiro em troca mas 50 anos de sua vida. Pois bem, isso seria interessante em um filme de ficção, o problema é que o desenvolvimento dessa idéia não poderia ser mais banal e clichê. Tudo cheira a Deja Vu em "O Preço do Amanhã". Ao invés de explorar sua própria idéia o diretor e roteirista Andrew Niccol prefere se concentrar numa estória boba, de correria pra lá e pra cá, tiroteios insossos e cenas de ação batidas. Arranjou tempo até para colocar uma estorinha de amor clichezada que não consegue convencer ninguém!

Tirando as devidas proporções isso já havia acontecido com "A Origem". Tanto lá como aqui tínhamos uma premissa bem edificante que acabou sendo desperdiçada em sonolentas cenas bobonas. Eu penso que Hollywood acredita realmente que o público que vai ao cinema hoje em dia é totalmente sem imaginação ou incapaz de encarar roteiros mais intelectualizados. Isso porque eles de certa forma "idiotizam" seus filmes. Ao invés de seguir um caminho inteligente eles priorizam a ação vazia e desproporcional. Após apresentar uma situação que poderia ser considerada até original eles partem para os clichês mais saturados. Há diálogos também muito ruins no roteiro. Numa cena um personagem solta a pérola: "O que é roubado de quem roubou não é roubado" - como é?! Há também uso abusivo de situações bobas e juvenis (como na cena em que Justin mata três capangas e o líder da "máfia do tempo" sem nenhum esforço). Enfim, "O Preço do Amanhã" é mais uma decepção e uma grande bobagem e o pior é que você perderá uma hora e quarenta minutos de sua vida vendo isso! Faça um favor ao seu tempo e não caia nessa armadilha

O Preço do Amanhã (In Time, EUA, 2011) Direção: Andrew Niccol / Roteiro: Andrew Niccol / Elenco: Justin Timberlake, Amanda Seyfried, Cillian Murphy / Sinopse: Em um futuro indeterminado as pessoas lutam para ganhar mais tempo em suas vidas. O sistema financeiro desapareceu. Ninguém mais usa dinheiro para comprar coisas ou pagar o aluguel, usam o tempo como moeda de troca.

Júlio Abreu e Pablo Aluísio.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Sete Almas

Um garotinho armado com uma faca mata todas as seis pessoas de sua família. Um século depois desse trágico acontecimento um grupo de pessoas em uma van sofre um acidente próximo a uma misteriosa casa durante uma tempestade. Sem condições de voltar de onde vieram (pois as estradas ficam fechadas) eles são levados por Jack (Ving Rhames) para passar a noite numa misteriosa mansão situada numa floresta sombria. "Sete Almas" é uma produção B sem maiores atrativos. Tudo soa falso e ruim no filme. O roteiro é obviamente uma cópia descarada de filmes de terror do passado como por exemplo "Terror em Amytville". A única mudança foi que diminuíram a idade do assassino da família, sendo aqui apenas um garotinho. No elenco ninguém se salva, nem mesmo o antigo astro Val Kilmer aqui em um péssimo personagem, um advogado corporativo arrogante, antipático e enfadonho. Kilmer está em franca decadência na carreira. Astro de grandes sucessos no passado hoje ele está restrito a esse tipo de filme sem expressão. Ele envelheceu muito mal, está gordo demais, pesadão, sem energia, se arrastando em cena. Além disso sua "atuação" é preguiçosa, sem vontade, muito ruim.

O resto do elenco sequer é digno de menção. Ving Rhames tem um mínimo de dignidade em um personagem que até poderia render alguma coisa mas que não se desenvolve, não surpreende, pois tudo é tão previsível que já sabemos de antemão tudo o que acontecerá com ele e qual é a sua verdadeira identidade. O roteiro é péssimo, no terço final há uma tentativa (frustrada) de explicar os acontecimentos apelando para a velha e boa reencarnação. Mas esqueça, é tudo uma bobagem mesmo! O filme é uma perda de tempo, uma porcaria. Fuja e fique o mais longe possível desse abacaxi indigesto.

Sete Almas (Seven Below, EUA, 2012) Direção: Kevin Carraway / Roteiro: Kevin Carraway, Lawrence Sara / Elenco: Val Kilmer, Ving Rhames, Luke Goss / Sinopse: Um grupo de pessoas ficam presas em uma antiga casa onde cem anos antes houve uma série de mortes em família cometidas pelo irmão mais jovem.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Reencontrando a Felicidade

Becca (Nicole Kidman) é uma jovem mãe que entra em profunda depressão após a morte de seu filho em um acidente. Tentando reconstruir sua vida ela procura reencontrar a felicidade em pequenos detalhes de sua existência. "Reencontrando a Felicidade" é um filme depressivo, pesado, melancólico, baixo astral, fúnebre, triste e sem esperança. Isso pode até assustar o espectador mas é a pura verdade. As cenas de tristeza profunda se sucedem, a personagem de Nicole Kidman vive um verdadeiro inferno astral pela morte de seu único filho de 4 anos e assim somos convidados a assistir essa peça triste. Apesar disso não qualificaria o filme como ruim, longe disso, pois a humanidade do roteiro salva o longa de virar um mero dramalhão feito para arrancar lágrimas de pessoas sensíveis. Eu não recomendaria o filme para pessoas depressivas ou que tenham perdido algum ente familiar querido recentemente. Para essas pessoas Rabbit Hole pode se tornar um filme indigesto e penoso, agravando sua situação.

Colocando isso de lado o fato é que Nicole Kidman está linda no filme, mesmo tendo que mostrar serviço em uma sucessão sem fim de cenas depressivas e chorosas. Ela praticamente segura o filme nas costas e merece o reconhecimento por sua interpretação. A veterana atriz Dianne Wiest também está marcante no papel da mãe de Nicole no filme. Suas cenas são bem comoventes e ela injeta uma dose de sensibilidade extra no roteiro. De certa forma acredito que "Rabbit Hole" seja mais indicado para os fãs de Nicole que não tenham se envolvido em situação parecida em sua vida real. Por fim o mais irônico de tudo isso é que o filme acabou se intitulando no Brasil como "Reencontrando a Felicidade" um dos nomes mais equivocados que já vi, ainda mais se tratando desse filme, pois de felicidade "Rabbit Hole" não tem nada.

Reencontrando a Felicidade (Rabbit Hole, EUA, 2010) Direção: John Cameron Mitchell / Roteiro: David Lindsay-Abaire / Elenco: Nicole Kidman, Aaron Eckhart, Dianne Wiest / Sinopse: Becca (Nicole Kidman) é uma jovem mãe que entra em profunda depressão após a morte de seu filho em um acidente. Tentando reconstruir sua vida ela procura reencontrar a felicidade em pequenos detalhes de sua existência

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 20 de março de 2012

A Hora do Pesadelo (2010)

Freddy Krueger (Jackie Earle Haley) é um assassino de crianças que retorna para atormentar um grupo de adolescentes em seus sonhos. Baseado no famoso filme da década de 80 dirigido por Wes Craven. Quem foi jovem na década de 80 certamente assistiu algum filme da série original no cinema. Freddy Krueger ao lado de Jason de "Sexta Feira 13" foi um dos personagens mais recorrentes do terror oitentista. Claro que após um certo tempo o personagem perdeu todo o aspecto macabro que um dia possuiu, virando apenas um ícone pop como qualquer outro, o que significa que virou mercadoria e produto comercial como bonequinhos, figurinhas, revistas, camisetas etc. Depois de ser saturado por isso o velho Freddy finalmente virou coisa do passado e sumiu definitivamente... até agora! Eu odeio remakes. E remakes de franquias mortas são especialmente um horror (não no bom sentido da palavra, mas no ruim mesmo). Esse A Hora do Pesadelo é um pesadelo realmente. Péssimos atores, roteiro requentando e sem atrativos e efeitos especiais banais e de rotina. Não gostei de quase nada do filme, que não tem personalidade, brilho ou carisma. Não passa de uma tentativa caça níquel de usar o nome de Freddy Krueger para levantar uma grana fácil nas bilheterias. É tão grotesco quanto a razão de sua existência.

Certas franquias já deram o que tinha que dar. Se não estou enganado foram seis ou sete filmes da saga original, mas uma série de TV que explorava os pesadelos criados por Wes Craven. O último filme trazia um encontro com Jason de Sexta Feira 13, em suma, o personagem e o tema já estavam esgotados. Deveriam ter encerrado por aí. Esse Remake é totalmente desnecessário e gratuito. Nem o ator que interpreta Freddy, Jackie Earle Haley, se salva do abacaxi. Sua maquiagem é mal feita e pouco convincente. O elenco jovem também é feio e esquisito e não sabe atuar. Enfim esse Remake não deveria nunca ter sequer existido, nem nos piores pesadelos dos produtores de Hollywood. Tomare que agora em diante deixem o velho Krueger em paz definitivamente.

A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, EUA, 2010) Direção: Samuel Bayer / Roteiro: Wesley Strick, Eric Heisserer / Elenco: Jackie Earle Haley, Rooney Mara, Kyle Gallner / Sinopse: Freddy Krueger (Jackie Earle Haley) é um assassino de crianças que retorna para atormentar um grupo de adolescentes em seus sonhos. Baseado no famoso filme da décade de 80 dirigido por Wes Craven.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Onde o Amor Está

"Country Strong" é um filme que me soou muito artificial apesar das boas intenções e da exploração da música country americana que particularmente gosto muito. Eu penso que para retratar esse universo country tem que haver muita paixão e coração envolvidos e é justamente isso que falta aqui. A atriz Gwyneth Paltrow sempre me pareceu ser uma atriz muito fria e distante, que não consegue passar muito calor humano em suas interpretações. Aqui ela interpreta uma cantora com problemas de alcoolismo chamada Kelly Canter. Ela tem dificuldades com o casamento, se sente ameaçada por uma cantora mais jovem (interpretada pela gracinha Leighton Meester) e para dificultar ainda mais sua vida pessoal e profissional se sente atraída por um cantor mais jovem chamado Beau (interpretado por Garrett Hedlund). O problema é que mesmo com uma personagem com tantas possibilidades nas mãos a Paltrow falha novamente. Nem nas cenas em que ela supostamente estaria embriagada consegue passar veracidade. Suas cenas dramáticas soam falsas e artificiais como o próprio filme em si.

A diretora Shana Feste só tem dois títulos em seu curriculum, nenhum deles excepcionalmente bom. Seu filme de maior repercussão até o momento foi "Em Busca de Uma Nova Chance" que carregou e muito nas tintas do dramalhão. Pelo menos aqui em "Country Strong" temos a música para salvar a produção. De fato a única coisa que funciona bem nesse filme é o lado musical. As canções são boas e as interpretações idem. Para falar a verdade Paltrow se sai bem melhor cantando do que interpretando. Talvez por isso consegui assistir todo o filme, por causa de sua trilha sonora que inclusive conta com vários nomes em ascensão da country music. Algo parecido aconteceu com "Coração Louco" um filme apenas mediano do ponto de vista dramático que foi salvo por uma ótima trilha sonora. "Onde o Amor Está" segue na mesma linha. Fora isso nada muito digno de nota pois o argumento é um tanto quanto clichê e batido. De qualquer forma "Country Strong" foi salvo pela sua música, o que livra o espectador daquela sensação de tempo perdido.

Onde o Amor Está (Country Strong, EUA, 2010) Direção: Shana Feste / Roteiro: Shana Feste / Elenco: Garrett Hedlund, Gwyneth Paltrow, Leighton Meester / Sinopse: Kelly Canter (Gwyneth Paltrow) é uma cantora de música country que tenta reerguer sua carreira após ela ser destruída por seu alcoolismo. Para ajudá-la em sua recuperação ela conta com o apoio de James (Tim McGraw), seu marido e produtor.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Tropa de Elite 2

Com certo atraso finalmente assisti "Tropa de Elite 2". Realmente se trata de um filme ambicioso. Não no sentido de ser pedante mas sim no objetivo de tentar resumir a situação do país atual em pouco menos de duas horas de duração. Vamos convir que isso não é nada fácil. O roteiro (muito bem construído) sai de uma situação individual (no caso os acontecimentos que cercam o personagem Capitão Nascimento) para uma complexa rede de intrigas e corrupções que deixaria qualquer articulador de teorias da conspiração satisfeito. Para isso o diretor usou de um argumento didático que a despeito de entreter acaba também conscientizando muito bem.

Fiquei particularmente satisfeito em saber que uma mensagem assim encontrou tanto campo, já que o filme é o mais assistido da história do cinema brasileiro. Se ele servir para conscientizar as pessoas do jogo sujo que existe entre políticos, bandidos e milicianos no Brasil então já valeu sua existência. Deixando esse aspecto sociológico de lado e vendo o filme apenas como um produto cinematográfico em si, devo dizer que, apesar de ter lá seus clichês, o saldo final é muito positivo. Tropa 2 é inteligente, sabe envolver o espectador e não deixa os fãs do primeiro filme decepcionados. Há ótimas cenas de ação (não tantas como no primeiro mas competentes) e um clima de tensão que deixa o público realmente ligado nos acontecimentos. Para resumir "Tropa de Elite 2" é um excelente filme (e um soco no estômago pois leva o espectador a refletir sobre a situação da segurança no Brasil). Se ainda não assistiu não perca mais tempo.

Tropa de Elite 2 (Brasil, 2010) Direção: José Padilha / Roteiro: José Padilha / Elenco: Wagner Moura, André Ramiro, Irandhir Santos / Sinopse: Segundo filme com o famoso personagem Capitão Nascimento (Wagner Moura) . Oficial do BOP do Rio de Janeiro agora ele tem que lidar com o mundo da política e corrupção.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Vejo Você No Próximo Verão

Jack (Philip Seymour Hoffman) é um motorista de limusines de luxo, pacato, tímido e que não tem o menor jeito com as mulheres. Em vista disso seu amigo Clyde (John Ortiz) e a esposa (Daphne Rubin-Vega) resolvem lhe apresentar Connie (Amy Ryan), uma garota tão tímida quanto Jack. Juntos eles tentam manter um relacionamento amoroso apesar das dificuldades em comum. "Vejo Você no Próximo Verão" é um filme sobre pequenos momentos na vida de algumas pessoas comuns que sentem grande dificuldade em se relacionar entre si. Gostei muito da tônica do roteiro, que tem um ritmo próprio, calmo, sem grandes pretensões. A direção de Phillip Seymour Hoffman, muito boa por sinal, segue pelo mesmo caminho. O filme exige uma certa cumplicidade com o espectador por causa dessas características mas se engana quem pensa que esse desenrolar cadenciado o torna cansativo. Longe disso. Após embarcar na proposta do filme tudo se torna bem prazeroso e fácil de digerir. Além disso Hoffman teve a sensibilidade de não esticar demais a estória, que por si é bem simples mesmo.

O quarteto central do filme é muito bom. Hoffman está excelente em sua caracterização, assim como Amy Ryan (alguns degraus abaixo de seu colega de cena). O nível de constrangimento que eles alcançam em suas cenas de relacionamento é abissal, chegando a dar agonia no espectador! Outro ponto forte é a trilha sonora adequada. Aqui vemos como uma boa seleção musical consegue ajudar a contar uma boa estória. De resto nada que macule a produção. Philip Seymour Hoffman mostra muito talento na direção, obviamente fruto de sua longa carreira como ator teatral de sucesso aonde aprendeu os segredos da direção com alguns dos maiores talentos americanos na área. Sem cair no dramalhão ou na pieguice o ator conseguiu extrair o melhor da peça teatral no qual o filme foi baseado. De uma forma em geral gostei de praticamente tudo mas principalmente de sua simplicidade cativante. Em resumo posso dizer que "Vejo Você no Próximo Verão" é um filme delicado para pessoas sensíveis.

Vejo Você no Próximo Verão (Jack Goes Boating, EUA, 2010) Direção: Philip Seymour Hoffman / Roteiro: Robert Glaudini baseado na peça de Robert Glaudini / Elenco: Philip Seymour Hoffman, Amy Ryan, John Ortiz, Daphne Rubin-Vega / Sinopse: Jack (Philip Seymour Hoffma) é um motorista de limusines de luxo, pacato, tímido e que não tem o menor jeito com as mulheres. Em vista disso seu amigo Clyde (John Ortiz) e a esposa (Daphne Rubin-Vega) resolvem lhe apresentar Connie (Amy Ryan), uma garota tão tímida quanto Jack. Juntos eles tentam manter um relacionamento amoroso apesar das dificuldades em comum.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 18 de março de 2012

Nascido em 4 de Julho

O EUA é uma nação que foi forjada na violência e no capitalismo selvagem. Em essência esses são os verdadeiros pilares da América. Nessa engrenagem o complexo industrial militar norte-americano sempre deve ser suprido por guerras e conflitos, façam sentido ou não. A Guerra do Vietnã é um exemplo claro disso. Um aparato militar jamais visto foi deslocado para um pobre país asiático sem importância em uma matança sem sentido. Jovens na flor da idade foram para aquela nação que nunca tinham nem ouvido falar para morrerem em suas selvas. Quem ganhou com o envolvimento dos EUA no Vietnã? Obviamente que não foram esses soldados. Quem lucrou realmente com essa barbaridade foi justamente o complexo militar da nação Ianque. Guerras são caras e alguém sempre lucra com elas, não se engane. Fortunas foram feitas com o sangue alheio. Violência e capitalismo, eis o segredo da existência desse conflito. Violência e capitalismo, eis o DNA da alma norte-americana. Nada mais, nada menos. Nesse ínterim o ser humano se torna peça descartável, sem a menor importância. Uma estatística, um número qualquer na mesa de algum burocrata. O indivíduo perde toda a sua importância. "Nascido em 4 de Julho" dá voz a uma dessas peças sem importância no tabuleiro da guerra capitalista. Em um roteiro excepcional acompanhamos a transformação de um jovem que ousou tentar de alguma forma lutar contra essa situação. O filme é sobre ele, Ron Kovic (Tom Cruise), que se tornou paralítico aos vinte e um anos de idade após levar um tiro durante uma batalha numa praia do Vietnã. Sua vida, seus pensamentos, seus conflitos internos, tudo ecoa na tela com raro brilhantismo.

Oliver Stone, ele próprio um veterano da Guerra do Vietnã, já havia revisitado esse conflito no premiado "Platoon". O diferencial de "Nascido em 4 de Julho" para o filme anterior é que nesse acompanhamos os efeitos da guerra, as consequências. O tema já havia sido retratado no cinema antes em "Espíritos Indômitos" com Marlon Brando. O enfoque é sobre os soldados que voltam da guerra mutilados, feridos, estraçalhados emocionalmente. As bandeiras, as medalhas e os uniformes militares diante dessa situação perdem totalmente a relevância. O que fica é um dos efeitos mais cruéis desse tipo de luta armada. Homens jovens, incapazes de viverem em sua plenitude, condenados a uma cadeira de rodas pelo resto de suas vidas e o pior por um evento histórico sem qualquer sentido ou justificativa. Stone foi muito feliz nessa direção que na minha opinião foi a melhor de sua carreira. O enredo socialmente relevante faz pensar, desperta consciências. Filmes devem existir não apenas para entreter mas também para conscientizar. Nesse aspecto "Nascido em 4 de Julho" é uma obra prima do cinema americano.

Nascido em 4 de Julho (Born on the Fourth of July, EUA, 1989) Direção: Oliver Stone / Roteiro: Oliver Stone baseado no livro de Ron Kovic / Elenco: Tom Cruise, Willem Dafoe, Tom Berenger, Kyra Sedgwick / Sinopse: Ron Kovic (Tom Cruise) é um jovem americano que se alista voluntariamente no corpo de fuzileiros navais durante a Guerra do Vietnã. Ele tem convicção que deve lutar pelo seu país contra o chamado avanço comunista. Durante a guerra sua tropa é emboscada e Kovic leva um tiro que o torna paralítico pelo resto de sua vida. O filme é sobre sua luta pelo fim da guerra do Vietnã após retornar do sudoeste asiático.

Pablo Aluísio.

sábado, 17 de março de 2012

Mande Lembranças Para Broad Street

Como o Paul McCartney está fazendo uma série de shows pelo Brasil é válido lembrar essa sua incursão no cinema durante os anos 80. O filme é mero pretexto para Paul desfilar novos e antigos sucessos durante a metragem de Broad Street. O roteiro em si é uma mera desculpa para a sequência de cenas (com linguagem de videoclip) em que McCartney mostra novos arranjos para velhos sucessos dos Beatles. "Yesterday", "The Long and Winding Road", "Eleanor Rigby", estão todas lá. Essas sequências são todas de muito bom gosto e certamente agradarão ao fã do quarteto britânico, já o cinéfilo comum que não gosta do conjunto ficará um pouco decepcionado pois o filme se resume a apenas isso. É um "clipão" musical do Paul. O curioso é que ao contrário de seu colega de banda, John Lennon, Paul McCartney nunca se furtou em usar farto material dos Beatles, seja em shows, seja em filmes como esse. Isso bem demonstra a diferença de personalidade entre eles. Lennon gostava de soltar farpas contra os Beatles, já Paul os louva sempre que possível. Ele tem orgulho das músicas do grupo e não esconde isso.

Por falar em Beatles aqui temos em cena bancando o ator, o baterista Ringo Starr. Depois do fim do grupo ele tentou emplacar uma carreira de ator em filmes como Caveman. Depois de algumas produções horríveis ele finalmente se conscientizou que não havia espaço para ele nessa carreira, o que não o impediu de voltar aqui em "Broad Street" para dar uma força ao amigo. Eu simpatizo com o Ringo mas certas coisas devem ser ditas. Não há uma única cena do filme em que Ringo consiga mostrar o menor talento dramático, é engraçado e divertido ver como ele é mal ator. Um refinado canastrão em essência. Já sua mulher, a lindona Barbara Bach, está lá também para dar uma força ao marido e desfilar seu repertório de caras e bocas. Era bonita mas talentosa, não. De qualquer forma tudo isso é de menor importância pois o que vale mesmo é assistir Paul mandando bem em seus clássicos e na muito bonita "No More Lonely Nights" que fez muito sucesso na época! O curioso é que mesmo tendo a trilha sonora uma boa repercussão "Broad Street" não conseguiu se destacar nas bilheterias, se tornando um grande fracasso (um dos poucos na carreira vitoriosa de Paul McCartney). Ninguém é perfeito. De qualquer forma vale a revisão, assista e se divirta.

Mande Lembranças Para Broad Street (Give My Regards To Broad Street, EUA, 1984) Direção: Peter Webb / Roteiro: Paul McCartney, Peter Webb / Elenco: Paul McCartney, Ringo Starr, Barbara Bach, Linda McCartney / Sinopse: Músico (Paul McCartney) tem as matrizes de seu último disco roubadas. Ao lado de amigos tenta recuperar os valiosos registros fonográficos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Magnum 44

Título no Brasil: Magnum 44
Título Original: Magnum Force
Ano de Produção: 1973
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Ted Post
Roteiro: Harry Julian Fink, Rita M. Fink
Elenco: Clint Eastwood, Hal Holbrook, Mitch Ryan
 
Sinopse:
Considerado pela imprensa um justiceiro fora-da-lei o policial Harry Callahan (Eastwood), mais conhecido como "Dirty Harry" (Harry, o sujo), precisa se conter em sua sede de vingança contra os criminosos em geral. Para sua surpresa tudo indica que um novo justiceiro está nas ruas, fazendo justiça com as próprias mãos. Caberá agora a Harry descobrir o que está acontecendo, inclusive com pistas que levam a outros policiais.

Comentários:
Estou fazendo uma retrospectiva dos filmes de Clint Eastwood. Nesse fim de semana revi Magnum 44, segundo filme da série com o personagem Dirty Harry, o policial durão que não leva desaforos para casa A trama do filme é até simples: um grupo de policiais novatos na força se une para limpar as ruas de San Francisco com suas próprias mãos. Dirty Harry então tenta combater a corrupção policial. Algumas coisas me chamaram a atenção. Se no primeiro filme Harry, o Sujo, era o justiceiro, aqui na sequência ele luta contra o esquadrão da morte formado dentro de sua corporação. Não deixa de ser muito irônica a premissa do roteiro que coloca Harry combatendo colegas de farda que no fundo estão agindo de acordo com o seu próprio modo de pensar. Talvez os produtores tenham sentido as críticas contra o primeiro filme e colocaram o personagem de Clint Eastwood no outro lado da balança nessa continuação. Aqui ele combate justamente o que ele próprio defendia indiretamente em "Perseguidor Implacável". Outro fato curioso: os vilões do filme são patrulheiros, usam capacete e roupas praticamente idênticas às usadas pelo vilão ciborgue de "Exterminador do Futuro 2", inclusive várias cenas de perseguição nas ruas de San Francisco me lembraram imediatamente do filme de James Cameron. Teria sido Plágio de Cameron? Pode ser, mais um na longa lista de situações mal contadas da filmografia de James Cameron, que já havia sido acusado de se apropriar de ideias alheias em seu filme de maior sucesso, "Avatar". Mas não é só ele que andou roubando cenas do roteiro desse filme. Uma cena, de Dirty Harry em um pequeno mercadinho, me lembrou também muito de uma das sequências mais famosas de "Stallone Cobra". O filme de Stallone também foi acusado de ser um plágio de Dirty Harry! Pois é, no mundo do cinema parece que nada se cria, tudo se recicla. Todos esses exemplos mostram como Dirty Harry virou paradigma dos filmes policiais até os dias atuais. Eu atribuo isso ao fato do personagem ser na realidade um justiceiro, como àqueles que vemos nos filmes de western, o que acaba saciando, mesmo que no mundo da ficção, a sede de justiça da sociedade moderna.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Homens em Fúria

Justiça seja feita: achei "Stone - Homens em Fúria" um bom filme, realmente bom. Depois de tantas críticas negativas pensei que o filme fosse ruim mas não, pelo menos na minha ótica o roteiro é muito bem escrito, as atuações, tanto de De Niro quanto de Norton, não caem no marasmo e a trama em si é bem construída com desenvolvimento satisfatório. Talvez nas mãos de um diretor mais competente e experiente a atuação dos dois atores teria rendido mais, porém isso é apenas uma suposição pois de maneira geral o diretor John Curran (o mesmo de "Despertar de Uma Paixão) entregou um trabalho coeso, bem feito. Não sei até que ponto o fato de gostar de De Niro influenciou essa minha opinião. Acontece que tenho assistido tantos filmes medíocres de sua carreira nos últimos anos que qualquer coisa que seja ao menos mediano com esse ator me enche os olhos. Algo parecido já havia acontecido com "Estão Todos Bem". Não são filmes excepcionais, maravilhosos, tais como aqueles que ele fez no passado, mas pelo menos conseguem passar pequenos momentos de boas atuações dele.

O único ponto fraco indiscutível de Stone é a atuação pouco inspirada de Milla Jovovich. Ela definitivamente não convence em nenhum momento. Jovovich mostra bem os danos que podem ser causados a certos filmes pela equivocada escalação de profissionais que na realidade nem formação dramática possuem. Milla nunca foi atriz, é em essência uma modelo com conexões na indústria cinematográfica. Seu agente é muito influente no meio e por isso ela consegue ser escalada em produções como essa o que é um erro grasso. A filmografia de Milla é composta por obras que nem são filmes para falar a verdade, coisas como "Resident Evil" definitivamente não são cinema e sim videogame. Até aí tudo bem mas escalar uma modelo dessas para contracenar com Robert De Niro e Edward Norton só pode ser uma piada de humor negro. Ela pode ser aceitável matando zumbis digitais mas aqui em um roteiro que exige boas atuações soa desproporcional. Apesar de sua presença insignificante em cena os danos são minorados. No saldo final "Homens em Fúria" consegue superar tudo isso para se tornar um bom filme, sem a menor sombra de dúvidas.

Homens em Fúria (Stone, EUA, 2010) Direção: John Curran / Roteiro: Angus MacLachlan / Elenco: Edward Norton, Milla Jovovich, Robert De Niro / Sinopse: Jack (Robert De Niro) é um agente da condicional que nas portas de sua aposentadoria tem que lidar com o problemático presidiário Gerald (Edward Norton) e sua esposa Lucetta (Milla Jovovich).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Possuída

Eu já assisti muito filme esquisito na minha vida mas como esse aqui tá difícil. O roteiro é uma das maiores misturebas que já vi, atira para todos os lados, passeia por todos os gêneros e no final não consegue acertar o alvo em nada. Começa com ecos de "Amytiville" (a casa com passado obscuro, o ranger das portas, pegadas misteriosas pela casa, a família com medo), depois vira "Cemitério Maldito" (montes de sepultamento dos nativos americanos, objetos indígenas estranhos, florestas assustadoras) e termina como uma produçãozinha B ao estilo dos anos 50 (nem vou revelar do que se trata de tão absurdo que é o clímax).

Saber que Kevin Costner foi um dos maiores astros do cinema e vê-lo em um filme como esse me deu uma certa melancolia. A produção é nitidamente modesta (tanto que praticamente não existem efeitos visuais, mas apenas sonoros), com economia em locações, elenco e tudo mais. Na maioria das cenas não se vê absolutamente nada, ficando tudo escuro, mas em compensação ouve-se de tudo, desde gemidos, gritos de macacos a elefante com dor de barriga. Pelo visto não é apenas o roteiro que é mistureba, mas os efeitos sonoros também. O diretor trocou os altos custos de efeitos especiais por jogos de luz e sonoplastia. Não deu muito certo. Também esqueçam o péssimo título "Possuída" já que não é do sobrenatural do que se trata o filme, mas algo bem mais tosco. Enfim, filme fraco, confuso, que promete muito ao longo de sua duração mas que no final só consegue entregar muito pouco.

Possuída (The New Daughter, EUA, 2009) Direção: Luiso Berdejo / Roteiro: John Travis, John Connolly / Elenco: Kevin Costner, Ivana Baquero, Samantha Mathis / Sinopse: Ao se mudar para uma nova casa o pai de família John James (Kevin Costner) percebe que há algo de muito errado com sua nova morada.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 13 de março de 2012

Condenação Brutal

Pois é, "Lock Up" foi o adeus de Stallone aos melhores anos de sua carreira. Na década de 1980 o ator colecionou um sucesso atrás do outro, liderou a lista das maiores bilheterias e ganhou o título de maior cachê de Hollywood. Revisto hoje esse "Condenação Brutal" (que em Portugal recebeu o estranho título de "Stallone Prisioneiro") envelheceu um pouco. O roteiro é simples, tudo é armado seguindo a fórmula que deu certo em outros filmes do ator, principalmente Rocky e Rambo (ou seja seus personagens são provocados até o limite para depois reagirem com fúria). Quem é fã desse estilo de cinema certamente não terá do que reclamar.

A diferença aqui é que Stallone é prisioneiro de uma cadeia cujo diretor sádico (Donald Sutherland) quer se vingar dele por um evento que os ligou no passado. Esse tipo de filme de prisão acabou virando um subgênero cinematográfico e todos os ingredientes que já conhecemos estão aqui (os prisioneiros durões, os guardas corruptos e masoquistas, a lei da selva que impera entre os detentos, o diretor torturador, etc, etc). O grande problema de "Condenação Brutal" na minha opinião nem é tanto essa falta de maiores surpresas mas sim seu final. Muito anticlimático, tenta resolver vários problemas de forma muito simplista (e irreal). Talvez se o roteirista tivesse sido mais ousado o filme teria marcado mais. Como ficou o filme serviu apenas como mais um veículo promocional do ator.

Condenação Brutal (Lock Up, EUA, 1989) Direção: John Flynn / Roteiro: Richard Smith, Jeb Stuart / Elenco: Sylvester Stallone, Donald Sutherland, John Amos / Sinopse: Frank Leone (Sylvester Stallone) é um prisioneiro que tem que lidar com um diretor sádico (Donald Sutherland) que quer vingança contra ele por causa de um evento ocorrido no passado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Red Tails

Esquadrilha da força aérea americana formada apenas por pilotos negros durante a II Guerra Mundial tenta provar seu valor em missões perigosas e vitais para o esforço de guerra aliada. "Red Tails" (em português "caudas vermelhas" pois os aviões desse esquadrão pintavam suas caudas dessa cor) é a nova produção de George Lucas. Esse é um filme que tenta a todo custo reviver os clássicos filmes de aviação realizados nas décadas de 40 e 50. Embora seja assinado pelo diretor Anthony Hemingway ninguém duvida que é um projeto pessoal de Lucas que se envolveu em todos os aspectos da produção mas optou por não assinar a direção (talvez por receio após sofrer tantas críticas na nova trilogia de "Star Wars"). O pior de tudo é saber que mesmo não colocando a cara para bater Lucas erra e muito aqui - e de certa forma repete todos os seus erros recentes em termos de direção e roteiro. "Red Tails" é do ponto de vista técnico simplesmente irretocável. A produção é de primeira, todas as cenas recriadas digitalmente dos combates aéreos são extremamente bem feitas, nada há o que criticar nesse aspecto. A Industrial Light and Magic, braço da Lucasfilm para efeitos especiais, continua em um nível absurdo de qualidade.

O problema de "Red Tails" é outro, o que incomoda aqui é a falta de um roteiro melhor que fuja de clichês, de uma direção mais bem elaborada de atores e o mais importante, de uma alma ao filme. "Red Tails" em certos momentos mais parece um daqueles videogames de última geração. Em essência tudo é muito vazio, sem coração, sem alma. O espectador não consegue criar vínculo com os personagens que sempre são muito rasos e nada desenvolvidos. Lembrou dos novos filmes de "Star Wars"? Pois tudo se repete novamente aqui. O argumento é bem intencionado, vai de encontro com o politicamente correto tão em moda hoje em dia e aposta numa ação afirmativa que tenta dar o devido reconhecimento e valor de pilotos negros que lutaram nos céus da Itália. Tudo isso é muito louvável mas o bom cinema não vive apenas de boas intenções. Tem que haver mais, tem que priorizar não apenas o aspecto técnico do filme mas seu lado humano também. Os pilotos de "Red Tails" são meros soldadinhos de chumbo. O espectador perde o interesse por eles logo. Uma pena. Enfim, espero que George Lucas volte a fazer cinema de carne e osso um dia. Apenas belos efeitos digitais já não bastam para qualificar um filme como bom atualmente.

Red Tails (EUA, 2012) Direção: Anthony Hemingway / Roteiro: John Ridley, Aaron McGruder / Elenco: Cuba Gooding Jr., Gerald McRaney, David Oyelowo / Sinopse: Esquadrilha da força aérea americana formada apenas por pilotos negros durante a II Guerra Mundial tenta provar seu valor em missões perigosas e vitais para o esforço de guerra aliada.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 11 de março de 2012

Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme

Eu não levava muita fé nesse "Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme". Isso porque já faz tanto tempo desde o lançamento do Wall Street original em 1987 que o público atual dificilmente se lembraria do fio da meada daquela estória. É o que eu denomino de continuação tardia, tardia demais é bom frisar. Além disso o projeto desde que foi anunciado sempre me pareceu apenas uma tentativa de ressuscitar a decadente carreira de Michael Douglas no cinema, ainda mais agora já que ele já está com idade avançada e sofrendo de uma doença grave. Eu pensei sinceramente que tudo seria uma nulidade, um ato de desespero de Douglas e Stone atrás do sucesso há muito perdido. Confesso que me enganei em termos. Esse novo Wall Street até que é digno, bem escrito, um bom filme afinal. Para falar a verdade tem mais conteúdo do que o primeiro, que se focava demais apenas nos aspectos técnicos do mundo financeiro. Esse aqui também tem disso mas o roteiro é muito mais humano e a família de Gordon Gekko ganha mais destaque. Ele não é apenas um tubarão unidimensional de Wall Street. Dessa vez Oliver Stone trouxe mais profundidade ao personagem Gekko. Ele é mostrado em cena com problemas familiares, problemas de relacionamento e isso no final trouxe muito ao resultado final.

No Wall Street de 1987 o roteiro centrava fogo no relacionamento entre Gekko e um pupilo (interpretado por Charlie Sheen que aqui no 2 faz uma pontinha bem humorada). Naquele ano Charlie Sheen estava sendo apontado como um novo Tom Cruise, ele vinha do sucesso "Platoon" do mesmo diretor Oliver Stone e era um ator mais do que promissor. Depois como todos sabemos ele afundou sua carreira com drogas e prostitutas. Já o elenco aqui está muito bem, com destaque para Michael Douglas e a gracinha Carey Mulligan (que despontou para o sucesso com o filme "Educação") O ponto fraco no quesito atuação porém é novamente de Shia LaBeouf, que não adianta tentar pois é um ator muito fraco, chegando a comprometer o filme em certos momentos. Em papel central tudo o que ele consegue em cena é confirmar sua fama de profissional medíocre. De qualquer forma Oliver Stone (em aparições à la Hitchcock) segura as pontas nessas horas. A fina ironia de tudo nessa continuação fora de hora porém é saber que apesar do filme falar sobre dinheiro o tempo todo, ele mesmo não conseguiu fazer grana nas bilheterias pois seu resultado comercial foi considerado pífio. Com esse resultado Hollywood deve finalmente enterrar a franquia. Por essa nem Gordon Gekko esperava...

Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (Wall Street: Money Never Sleeps, EUA, 2010) Direção: Oliver Stone / Roteiro: Allan Loeb, Stephen Schiff / Elenco: Shia LaBeouf, Michael Douglas, Carey Mulligan / Sinopse: Após cumprir pena de prisão por crimes contra o sistema financeiro, Gordon Gekko (Michael Douglas) tenta se reerguer no mundo de Wall Street reconstruindo seu império na bolsa de valores.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 10 de março de 2012

Mississippi em Chamas

Dois Agentes do FBI, Rupert Anderson (Gene Hackman) e Alan Ward (Willem Dafoe), chegam a uma pequena cidade do Mississippi para investigar a morte de três militantes dos direitos civis durante a década de 60. Lá encontram pela frente todo tipo de dificuldade para levar em frente as investigações, tendo que lidar com a hostilidade das autoridades e da população local. "Mississippi em Chamas" é um dos melhores trabalhos do excelente cineasta Alan Parker. O filme mostra como poucos a engrenagem do ódio racial que insiste em perdurar em certas localidades mais distantes dos grandes centros urbanos dos EUA. Essa região é formada por vários Estados de forte tradição em segregação racial. Localidades onde a igualdade racial ainda não fez morada. Não é demais lembrar que foram esses mesmos Estados que tentaram sair da federação americana por causa da questão da escravidão, gerando a Guerra Civil entre norte e sul. Pelo visto a velha mentalidade confederada ainda persiste mesmo após décadas do fim do conflito. O governo americano sob a presidência de John Kennedy sancionou várias leis de igualdade entre brancos e negros mas como mostrado no filme nem sempre leis são suficientes para mudar décadas de mentalidade segregacionista.

O grande nome do elenco aqui é Gene Hackman. Ele interpreta um agente do FBI que, tendo nascido no sul racista, acaba ficando entre a cruz e a espada, entre os valores no qual foi criado e as regras da sua agência de investigação. Já Willem Dafoe interpreta o parceiro que segue as regras do Bureau mais de perto, procurando seguir os procedimentos à risca. Entre o elenco de apoio os destaques são dois: R. Lee Ermey (o sargento durão de Nascido Para Matar) na pele do prefeito da cidade e Frances McDormand como a sofrida esposa de um policial e membro da Klu Klux Klan. O roteiro é muito bem elaborado, fugindo sempre dos clichês que poderiam surgir nesse tipo de filme que mostra dois agentes da lei durante uma investigação complicada. O roteirista Chris Gerolmo foi muito feliz na condução da estória fugindo sempre de situações convencionais ou burocráticas. Já sobre Alan Parker não há muito o que falar. Sempre foi um dos meus cineastas preferidos, um diretor com uma filmografia cheia de filmes intrigantes ou viscerais tais como "Coração Satânico" (sua obra prima na minha opinião) e "O Expresso da Meia Noite". Infelizmente recentemente esteve no Brasil e explicou que anda no ostracismo pois os estúdios atualmente preferem não mais bancar filmes com temáticas sociais como a que vemos nessa produção. Pelo jeito a mentalidade tacanha não é privilégio apenas dos sulistas norte-americanos. Só podemos mesmo lamentar. De qualquer forma fica a dica - se ainda não assistiu não deixe de conferir esse grande filme dos anos 80.

Mississippi em Chamas (Mississippi Burning, EUA, 1988) Direção: Alan Parker / Roteiro: Chris Gerolmo / Elenco: Gene Hackman, Willem Dafoe, Frances McDormand, R. Lee Ermey, Brad Dourif / Sinopse: Dois Agentes do FBI, Rupert Anderson (Gene Hackman) e Alan Ward (Willem Dafoe), chegam a uma pequena cidade do Mississippi para investigar a morte de três militantes dos direitos civis durante a década de 60. No local encontram pela frente todo tipo de dificuldade para levar em frente as investigações, tendo que lidar com a hostilidade das autoridades e da população local.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Laços de Ternura

Aurora Greenway (Shirley MacLaine) é uma viúva que não concorda com o casamento prematuro e impensado de sua única filha, Emma (Debra Winger). Aurora considera o genro, o professor Flap Horton (Jeff Daniels), um sujeito sem ambições e sem um grande futuro pela frente. Além de lidar com um casamento que desaprova Aurora ainda tem que aturar um vizinho espalhafatoso e fanfarrão, o astronauta aposentado Garret Breedlove (Jack Nicholson) que apesar da idade não deixa de aproveitar cada momento de sua vida, sempre se envolvendo com mulheres mais jovens em festas e bebedeiras. "Laços de Ternura" é um filme sobre relações humanas. Não apenas entre mães e filhas mas também sobre o complicado cotidiano de envolvimentos amorosos que nem sempre parecem o ideal. O roteiro muito bem escrito se foca em Aurora, uma mãe super protetora que acaba sufocando a própria filha, se metendo em demasia em sua própria vida conjugal, ligando a toda hora. Um tipo de mãe que muitas pessoas conhecem bem. A personagem Emma, a filha, também é muito curiosa. Remando contra a maré das conquistas femininas ela se torna uma esposa ao velho estilo, sem trabalho, sem profissão, apenas uma dona de casa com um monte de filhos ao redor (uma vida que para a maioria das mulheres hoje em dia seria um verdadeiro horror!). Além do mais descobre tarde demais que o pacato professor com quem se casou é um marido infiel e sonso que não perde a chance de dar em cima de suas alunas mais bonitas.

Todos os personagens.de "Laços de Ternura" são bem construídos mas nenhum consegue superar o astronauta interpretado por Jack Nicholson. É curioso que muita da personalidade do próprio Jack foi passado para seu papel em cena. Até no figurino (óculos escuros, roupas nada convencionais), o estilo de vida, o envolvimento com jovens garotas, enfim tudo remete ao próprio Jack Nicholson em sua vida pessoal. Por essa razão ele está particularmente bem à vontade em sua brilhante caracterização que aliás lhe valeu o Oscar de melhor ator coadjuvante, um prêmio mais do que merecido. Por falar em prêmios o papel de Aurora foi o mais premiado da carreira de Shirley MacLaine. Ela não apenas venceu o Oscar de melhor atriz por sua interpretação como também levou outros importantes prêmios na mesma categoria para casa como o Globo de Ouro e o BAFTA. O filme em si também abocanhou todos os demais Oscar importantes da noite (Melhor Filme, Diretor e Roteiro Adaptado), coroando de vez sua consagração. Em conclusão podemos afirmar que "Laços de Ternura" é um sensível e delicado drama sobre relacionamentos humanos, suas contradições e seus desgastes. Um bom estudo sobre os dramas cotidianos que são consequências de nossas escolhas ao longo da vida. Uma obra cinematográfica que merece ser vista (e revista) sempre que possível.

Laços de Ternura (Terms of Endearment, EUA, 1982) Direção: James L. Brooks / Roteiro: Larry McMurtry, James L. Brooks / Elenco: Shirley MacLaine, Debra Winger, Jack Nicholson, Jeff Daniels, John Lithgow, Danny De Vito / Sinopse: Aurora Greenway (Shirley MacLaine) é uma viúva que não concorda com o casamento prematuro e impensado de sua única filha, Emma (Debra Winger). Aurora considera o genro, o professor Flap Horton (Jeff Daniels) um sujeito sem ambições e sem um grande futuro pela frente. Além de lidar com um casamento que desaprova Aurora ainda tem que aturar um vizinho espalhafatoso e fanfarrão, o astronauta aposentado Garret Breedlove (Jack Nicholson) que apesar da idade não deixa de aproveitar cada momento de sua vida, sempre se envolvendo com mulheres mais jovens em festas e bebedeiras.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Os Especialistas

A primeira impressão ao assistir "Os Especialistas" é de tristeza ao ver o grande ator de outrora, Robert De Niro, se prestando ao papel de alugar seu nome a quem pagar melhor. Sim, não existe função ou importância no personagem que ele interpreta aqui - tanto faz ele existir ou não, nada mudaria nesse filme. O Jason Statham está na dele, esse é o tipo de produção que ele sempre estrelou mas De Niro exercendo um papel tão sem relevância como esse é realmente desanimador. O roteiro é banal, a velha fórmula do assassino profissional que tem que cumprir uma série de mortes. A única diferença aqui é que ele realiza os assassinatos por causa do sequestro de seu amigo por um xeique do Oriente Médio. O roteiro só não explica como é que um profissional desse tipo consegue ter sentimentos de amizade tão fortes a ponto de se colocar em risco por qualquer pessoa que seja. Ficou forçado e bobo. Jason Statham repete seu personagem habitual, o sujeito durão que distribui farpas e tiros para todos os lados. Ele atualmente é o legítimo sucessor herdeiro dos brutamontes dos anos 80 como Chuck Norris e Arnold Scharzennegger. Seguindo nessa linha vai construindo uma vasta filmografia com muitos títulos, tantos filmes que fica até complicado de acompanhar. Algumas dessas produções são boas enquanto outras são completamente medíocres. De qualquer forma ele já tem seu público formado e por isso nada vai mudar com mais esse filme de ação de rotina.

Um dos problemas de "Killer Elite" é sua duração excessiva. É muita metragem para pouca estória. Eu sou da opinião que filmes de ação devem primar pela agilidade, pela rapidez. Filmes que não tem o que contar e que duram tanto como esse aqui geram no espectador a sensação de impaciência e nada mais. Público de filme de ação gosta de uma coisa só, não tem paciência para enrolação. Talvez a inexperiência do diretor Gary McKendry justifique isso. Com apenas 3 filmes em seu currículo a impressão que tive é que ele não soube chegar ao corte ideal, trazendo dinamismo para o argumento em si. Enfim, "Os Especialistas" deveria ser menos longo, com menos enrolação e Robert De Niro deveria ter vergonha na cara e manter a dignidade de uma filmografia tão importante como a dele. Fazendo filmes desse naipe só conseguimos ficar com vergonha alheia de sua presença insignificante em cena.

Os Especialistas (Killer Elite, EUA, 2011) Direção: Gary McKendry / Roteiro: Matt Sherring baseado no livro de Ranulph Fiennes / Elenco: Jason Statham, Clive Owen, Robert De Niro / Sinopse: Assassino profissional (Jason Statham) tem como missão cumprir uma série de mortes. Ele realiza os assassinatos por estar sendo chantageado por um xeique do Oriente Médio que sequestrou seu melhor amigo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Melancolia

Melancolia é certamente um dos filmes mais acessíveis da filmografia de Lars Von Trier. Digo isso porque se formos comparar com outros filmes do diretor chegaremos na conclusão de que Melancolia é muito mais simples, muito mais singelo do que as grandes obras que já levaram a assinatura do cineasta. Isso fica bem mais evidente quando comparamos Melancolia a Anticristo, por exemplo. Em Anticristo Lars criou um filme pleno de simbolismos, metáforas, envolvendo diversos aspectos psicológicos, teológicos, filosóficos e sociais. Já em Melancolia a impressão que tive foi que acima de tudo Lars apenas quis contar uma boa estória, fundada em um argumento muito instigante mas de certa forma limitado do ponto de vista da erudição existencial que sempre acompanhou sua obra cinematográfica..

Obviamente a crise existencial e o estado de depressão que se abatem sobre alguns personagens se sobressaem durante o filme mas em nenhum momento Lars impõe qualquer tese ou dogma em razão dessas situações. Não defende nenhuma verdade absoluta ou algo parecido. Ele apenas disserta, de forma até didática, sobre a finitude da vida humana (levada é claro a grandes proporções, a proporções universais). O filme tem imagens belíssimas, como a chuva de granitos que se abate sobre mãe e filho, que expressa como poucas vezes vi, a insuportável dor de saber de que simplesmente não há para onde fugir, para onde se esconder. Lars realizou um filme tão belo que em muitos momentos temos a sensação de estarmos assistindo a pinturas em movimento! Mas é bom frisar, tudo mostrado sem complicação, sem simbolismos inacessíveis (como ocorreu com Anticristo). Assim recomendo Melancolia a todos que gostam de cinema e até mesmo para aqueles que não gostam muito do estilo de Lars Von Trier. Melancolia pode ser assistido sem nenhum problema por qualquer pessoa, basta apenas apreciar uma boa estória. Melancolia é acima de tudo uma obra prima da simplicidade.

Melancolia (Melancholia, EUA, 2011) Direção: Lars von Trier / Roteiro: Lars von Trier / Elenco: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland / Sinopse: A vida de um grupo de pessoas é afetada de forma absoluta por um evento de proporções cósmicas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 6 de março de 2012

Sexo Sem Compromisso

Emma Kurtzman (Natalie Portman) é uma jovem médica que certa noite aceita fazer sexo casual com Adam Franklin (Ashton Kutcher) . Embora não queira nada mais além disso o casal acaba se aproximando para algo mais, conforme os encontros vão se sucedendo. Esse foi o primeiro filme com Natalie Portman a ser lançado nos cinemas depois do grande sucesso de "Cisne Negro". Embora tenha sido filmado antes daquele, os produtores resolveram promover seu lançamento apenas após Portman vencer o seu Oscar. Seria afinal de contas uma promoção gratuita pois o nome da atriz não sairia da mídia tão cedo. Pois bem, "Sexo Sem Compromisso" foi muito esperado por tudo isso mas no final das contas foi apenas uma grande decepção para todos - inclusive para os fãs de Portman. Apesar da boa ideia, das possibilidades de se discutir a liberdade sexual da mulher nos dias de hoje, escolhendo livremente com quem sair sem necessariamente precisar sentir culpa sobre isso, "Sexo Sem Compromisso" não consegue passar de uma mera comédia romântica bem açucarada mesmo. O que poderia ser muito instrutivo acaba caindo naquele lugar comum de roteiros melosos e sem inspiração. Bem que Ivan Reitman poderia dirigir algo melhor, com mais relevância, nesse seu retorno às telas. Ao invés disso disponibilizou ao público um produto descartável e esquecível. Uma pena.

Natalie Portman continua linda e carismática. Sua personagem não tem qualquer profundidade ou possibilidade de dar a ela alguma chance de atuar melhor. Sem material bom em mãos não a culpo por no final dar ao seu público apenas uma interpretação de rotina, no controle remoto. De fato esse papel não fará nenhum diferença em sua filmografia. Já Ashton continua o mesmo ator medíocre de sempre, repetindo até a exaustão seu tipo que vem interpretando desde o seriado "That´s 70 Show". Aliás ele só consegue interpretar esse personagem mesmo, do tipo sujeito "meninão abobado" que mesmo envelhecido na idade mais parece um adolescente boboca. Não quero afirmar nada mas me parece que o Ashton no fundo só sabe fazer ele mesmo nas telas. A sensação que tenho é que ele é mais uma celebridade vazia do que um profissional de verdade. Ator não é, pelo visto. Em suma,"Sexo Sem Compromisso" não entrega o que promete. Não é em essência uma boa comédia romântica e nem muito menos desenvolve os bons temas que estão em seu roteiro. No fundo é apenas talento desperdiçado da grande atriz Natalie Portman. Do jeito que ficou o filme é que é sem compromisso, vazio, destituído de qualquer importância. Dispense sem sentimento de culpa.

Sexo Sem Compromisso (No Strings Attached, EUA, 2011) Direção Ivan Reitman / Roteiro: Elizabeth Meriwether, Michael Samonek / Elenco: Natalie Portman, Ashton Kutcher, Kevin Kline / Sinopse: Emma Kurtzman (Natalie Portman) é uma jovem médica que certa noite aceita fazer sexo casual com Adam Franklin (Ashton Kutcher) . Embora não queira nada mais além disso o casal acaba se aproximando para algo mais, conforme os encontros vão se sucedendo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Para Sempre

A jovem Paige (Rachel McAdams) sofre um sério acidente de carro e perde sua memória mais recente. Ela esquece dos últimos anos de sua vida, embora não tenha perdido a lembrança sobre sua família, seus pais e seu antigo namorado. O problema central é que ela não se lembra de seu marido, nem do casamento, absolutamente nada que envolva esse relacionamento. A premissa vai fazer você se lembrar imediatamente de um antigo filme com Drew Barrymore e Adam Sandler chamado "Como se Fosse a Primeira Vez". Realmente são argumentos semelhantes pois assim como naquele, aqui o marido (interpretado por Channing Tatum) vai tentar reconquistar o amor de sua vida. A diferença básica é que o filme de Adam Sandler era uma comédia enquanto "Para Sempre" se leva bem mais à sério. O enredo inclusive é baseado em fatos reais de um casal de Chicago (que também serve de bom cenário para esse drama romântico moderno). O tom da produção, como não poderia deixar de ser, é bem romântico, o que provavelmente irá agradar muito mais ao público feminino que tem muito mais sensibilidade do que os homens, que só assistirão ao filme mesmo por insistência das namoradas.

O filme é estrelado por Rachel McAdams que parece ter alcançado melhores papéis depois do sucesso de "Meia Noite em Paris". Ela é bonita e carismática e se sai bem. O que faltou mesmo a ela em cena foi um partner melhor, pois o tal de Channing Tatum não ajuda. Ele definitivamente não está bem em seu personagem pois aparece travado, sem expressividade, apático. Para quem vive um momento tão delicado em sua vida era de se esperar do papel grandes momentos de dramaticidade mas Tatum não consegue disponibilizar nada para o público, uma decepção! Ele não tem presença e surge sempre de forma tosca em suas intervenções. Melhor se sai Scott Speedman como o antigo namorado de Paige. O antigo galã de Felicity acaba roubando a cena do bobão Tatum. O filme foi dirigido por Michael Sucsy que é praticamente um novato no mundo do cinema. Já o conhecia da ótima produção da HBO, "Grey Gardens". Ainda não foi nesse "Para Sempre" que ele conseguiu despontar mas quem sabe nos anos que virão não possa desenvolver um trabalho melhor. Em conclusão "Para Sempre" não é um excelente romance mas é mediano, passável e indicado para os mais românticos. Se é o seu caso arrisque, possa ser que você venha a gostar.

Para Sempre (The Vow, EUA, 2012) Dureção: Michael Sucsy / Roteiro: Jason Katims, Abby Kohn / Elenco: Rachel McAdams, Channing Tatum, Sam Neill, Scott Speedman / Sinopse: A jovem Paige (Rachel McAdams) sofre um série acidente de carro e perde sua memória mais recente. Ela esquece dos últimos anos de sua vida, embora não tenha perdido a lembrança sobre sua família, seus pais e seu antigo namorado. O problema central é que ela não se lembra de seu marido, nem do casamento, absolutamente nada que envolva esse relacionamento.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

II Guerra Mundial - A Guerra nas Ardenas

II Guerra Mundial - A Guerra nas Ardenas - A Segunda Guerra Mundial já caminhava para seu fim quando Hitler resolveu jogar sua última e desesperada cartada final. Ele ordenou que o exército alemão começasse uma grande ofensiva em direção ao inimigo que desde a invasão à Normandia no Dia D só avançava cada vez mais em direção à Alemanha.

Para Hitler era necessário sair da posição defensiva para partir para o ataque, assumindo assim a posição de iniciativa que tantos frutos deram ao exército alemão no começo da guerra. O campo onde essa ofensiva iria começar seria localizado nas florestas frias e montanhosas das Ardenas. O interessante é que o alto comando aliado, nas pessoas dos generais Dwight D. Eisenhower e Thomas W. Bradley, não acreditavam nessa invasão. Era o inverno, as tropas alemãs estavam com problemas decorrentes das várias derrotas sofridas nas frentes ocidental e oriental e não havia recursos suficientes para uma grande ofensiva.

Apenas Patton desconfiou que Hitler iria agir contra todas as previsões, mandando que suas forças nazistas avançassem para surpreender ingleses e americanos. Ele tinha razão. Hitler não era um comandante que agia sempre com a razão. Muitas vezes a emoção falava mais alto e isso significava que ele iria levar em frente algo que militarmente não tinha muitas chances de sucesso. Afinal em última análise Hitler era praticamente um louco. Assim começaram os ataques, mas como era de se prever tudo se revelou desastroso no campo de batalha. A Alemanha já havia perdido seus melhores homens, seja na Rússia, seja na tentativa de conter o avanço aliado. As tropas que estavam lutando nas Ardenas eram mal equipadas, mal treinadas e sem experiência. Havia também problemas de logística. A força aérea da Alemanha, a Luftwaffe, não tinha mais caças suficientes para fazer frente aos aviões americanos e ingleses.

Em solo as coisas iam de mal a pior. Geralmente os tanques alemães ficavam sem combustível, consequência das precárias condições econômicas da indústria do próprio país que estava em frangalhos. O frio e a fome também eram companheiras constantes dos soldados da Wehrmacht. As comunicações eram ruins também. Para se ter uma ideia vários aviões de combate da Alemanha foram abatidos pela própria artilharia nazista. Havia um hiato de quatro horas entre o pedido de apoio aéreo e a chegada dos caças, o que invariavelmente deixava os soldados do Reich desorientados, sem saber se eram aviões inimigos ou nazistas. O resultado foi desastroso. Apesar de algumas vitórias iniciais e ocasionais o exército de Hitler não teve outra saída a não ser se render após algumas semanas. Afinal, como todos já sabiam, a guerra já estava praticamente perdida para os nazistas.

Pablo Aluísio. 

Colega de Quarto

Jovem estudante (Laighton Messter) se torna obcecada por sua colega de quarto (Minka Kelly) e começa a interferir de forma violenta em sua vida pessoal. O filme não é tão ruim como eu esperava. Tem coisas boas em um roteiro simples, tipicamente escrito para produções B de suspense. As duas atrizes, Minka Kelly e Leighton Meester, são estrelinhas da tv e não fizeram muito feio. A Leighton já desfila sua cara de "gatinha malvada" no seriado teen "Gossip Girl" e por isso ela de certa forma apenas repetiu os biquinhos e caras de malvadinha do seriado. Já a Minka Kelly faz a garota normal da dupla. Sobrou ponta até para outra estrelinha, Nina Dobrev de The Vampire Diaries.

Completando o elenco um presente para os fãs de Titanic, a presença de Billy Zane, fazendo o papel de um professor de moda que ora aparenta ser gay, ora parece ser "pegador". Um personagem divertido. Enfim, o filme não é nenhuma maravilha do gênero suspense, tem clichês a torta e a direita (até cena de ataque de psicopata no chuveiro como em Psicose tem) e cara de produção que vai parar direto em DVD mesmo, mas consegue manter o interesse por causa do elenco de gatinhas com olhos de mangá! É um "Greek encontra Pânico" no final das contas. Para os que gostam de seriados americanos não deixa de ser no mínimo curioso.

Colega de Quarto (The Roommate, EUA, 2011) Direção: Christian E. Christiansen / Roteiro: Sonny Mallhi, Nick Bylsma / Elenco: Minka Kelly, Leighton Meester, Cam Gigandet / Jovem estudante (Laighton Messter) se torna obcecada por sua colega de quarto (Minka Kelly) e começa a interferir de forma violenta em sua vida pessoal.

Júlio Abreu.

domingo, 4 de março de 2012

A Promessa

Curiosamente um filme que apesar de seus méritos segue pouco conhecido e comentado. Em "A Promessa" o diretor Sean Penn mostra que tem bastante talento em contar enredos edificantes. Jack Nicholson está excelente na pele do policial Jerry Black, um sujeito que em plena aposentadoria resolve solucionar o último caso de sua carreira, custe o que custar. O filme lida com um serial killer pedófilo especializado em assassinar garotinhas de nove anos. Seu modus operandi é sempre o mesmo e com base nisso o personagem de Nicholson não medirá esforços para pegar o verdadeiro assassino. Sua caça beira às raias da obsessão pessoal e o diretor joga muito bem com essa dualidade, deixando o espectador sem saber se o tira está realmente chegando perto do verdadeiro psicopata ou se está simplesmente enlouquecendo! Em essência "A Promessa" vem para confirmar o talento de Sean Penn para a direção. Esse aliás foi apenas seu terceiro filme e o primeiro a contar com uma produção de primeira linha. Seu auge como cineasta porém só aconteceria em 2007 com o precioso "Na Natureza Selvagem" que em breve irei comentar aqui.

O elenco é excepcionalmente bom. Jack Nicholson deixa seus personagens de sorriso maluco para trás e aqui interpreta um sujeito sério, um tanto angustiado e pouco amistoso. Seu trabalho é contido e na minha opinião de excelente nível. Já o elenco coadjuvante conta com nomes especiais. O principal deles é Mickey Rourke. Contracenando pela única vez ao lado de Jack em uma cena muito tocante (embora de curta duração). Vanessa Redgrave, Helen Mirren, Harry Dean Stantom e Benicio Del Toro também marcam presença, com participações pequenas mas importantes dentro da trama. É isso, "A Promessa", dez anos após seu lançamento, merece ser revisto mais uma vez pois funciona tanto como policial como drama existencial. Assista!

A Promessa (The Pledge, EUA, 2001) Diretor: Sean Penn / Roteiro: Jerzy Kromolowski, Mary Olson, baseado em livro de Friedrich Dürrenmatt / Elenco: Jack Nicholson, Benicio Del Toro, Aaron Eckhart, Harry Dean Stanton, Mickey Rourke,Vanessa Redgrave, Helen Mirren / Sinopse: Jerry Black (Jack Nicholson) é um policial aposentado que resolve solucionar por conta própria o último caso de sua carreira envolvendo um serial killer pedófilo especializado em assassinar garotinhas de nove anos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 3 de março de 2012

Fúria Sobre Rodas

Agora é oficial: Nick Cage resolveu chutar o balde da sua carreira. Esse "Fúria sobre Rodas" é a pá de cal na argumentação dos fãs do ator que ainda tentavam defender seus últimos filmes. Depois de filmar várias bombas Nicolas Cage aqui estrela "a bomba" de sua filmografia. Pouca coisa se salva nesse "Drive Angry". O elenco inteiro é ruim, um desfile de loiras incapazes, bombados despreparados e vilões cartunescos. Nem o sujeito de terno de grife que supostamente interpreta um tipo de "anjo da morte" escapa. Tudo muito fraco, exagerado, vulgar, grotesco. Agora o mais curioso de tudo é que os últimos filmes do Cage fracassaram em todo o mundo menos no... Brasil! Isso mesmo, o ator continua lotando os cinemas por aqui, não importando a bomba que ele faça. Seus últimos cinco filmes fracassaram completamente lá fora mas foram recebidos de braços abertos em nossos cinemas. Vai entender! O público brasileiro parece ter uma fidelidade e lealdade caninas para com Cage (que diante disso já está devendo uma visita ao nosso país para agradecer).

Além dos tiros e explosões em excesso o filme tem um dos scripts mais ofensivos que já ouvi. Todo diálogo contém uma profusão de palavrões de baixo nível de deixar qualquer white trash de cabelos em pé. Há cenas absurdamente toscas, como aquela em que Nick se envolve em um tiroteio enquanto transa com uma loirinha qualquer. Mulher objeto é apelido! Em outra bebe tranquilamente champagne em um crânio de um de seus antagonistas. Os efeitos são ridiculamente mal feitos e de mal gosto - mais parece um filme amador feito em pc de quarto de nerd! E para completar a presepada o ator resolveu usar uma ridícula peruca loira que deixa tudo ainda mais ruim. No final fica a dúvida: Qual é a razão que levou Cage a se envolver numa bomba dessa magnitude? Se você gosta de filmes ruins, faça bom proveito e se esbalde!

Fúria Sobre Rodas ((Drive Angry, EUA, 2011) Direção: Patrick Lussier / Roteiro: Todd Farmer, Patrick Lussier / Elenco: Nicolas Cage, Amber Heard, William Fichtner / Sinopse: Milton (Nicolas Cage) retorna do inferno para resolver alguns assuntos inacabados!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.