quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Debbie Reynolds (1932 - 2016)


E com imensa tristeza que acabei de saber que a atriz Debbie Reynolds acaba de falecer em Los Angeles após sofrer um AVC. Ela estava muito abalada após a morte da filha Carrie Fisher. Um trágico momento para o cinema pois Debbie Reynolds foi uma das mais famosas estrelas da sétima arte em sua era de ouro. Pretendo escrever mais sobre sua carreira dentro de alguns dias, quando o choque de sua morte for mais bem assimilada. Por enquanto deixo aqui meus mais sinceros pêsames por essa notícia terrível. Que mãe e filha descansem em paz. Pablo Aluísio.

Carrie Fisher (1956 - 2016)

Como todos sabemos a atriz Carrie Fisher morreu ontem em Los Angeles após lutar alguns dias pela vida no hospital, onde ela estava em estado crítico em decorrência de uma parada cardíaca que sofreu quando estava voltando de avião de Londres. A imprensa mundial obviamente ressaltou sua presença na saga "Star Wars", até porque Carrie sempre será lembrada como a Princesa Leia. Ela porém foi bem mais versátil como atriz e escritora do que muitos pensam.

Na verdade Carrie já nasceu com os holofotes sobre si. Ela era uma genuína filha da aristocracia de Hollywood, pois era filha de outra atriz muito famosa, Debbie Reynolds e de um cantor também de sucesso, Eddie Fisher. Aliás desde a infância Carrie Fisher foi alvo da imprensa sensacionalista pois seu pai acabou o casamento para ir viver com Elizabeth Taylor, naquele que foi um dos casos mais falados na imprensa na época. Um escândalo que repercutiu por muito anos. Carrie jamais superou isso e em diversas ocasiões, de forma bem sarcástica (uma das qualidades mais marcantes de sua personalidade), comentou sobre a canalhice do próprio pai. "Quando você mistura duas pessoas famosas de Hollywood o resultado é uma pessoa como eu!" - costumava dizer com ironia.

Como não poderia deixar de ser sua estreia como atriz veio pelas mãos de sua mãe, no telefilme "Debbie Reynolds and the Sound of Children", um musical meio bobinho que serviu para que Carrie experimentasse pela primeira vez o gostinho de representar. Em 1975 ela então apareceu em seu primeiro filme no cinema, na comédia "Shampoo". Era uma crônica de época, estrelada pelo galã Warren Beatty. Um bom filme que abriu as portas para o convite para atuar em um novo filme de George Lucas chamado "Star Wars". É curioso porque todo o elenco achava o roteiro meio idiota e eles tinham sérias dúvidas se aquele filme sobre vilões e mocinhos espaciais iria dar certo. A própria Carrie achava que estava atuando em um legítimo filme trash durante as filmagens. Ela estava enganada. Desnecessário dizer que o filme foi um dos maiores sucessos de bilheteria de todos os tempos.

Carrie assim ficou muito marcada como a Princesa Leia já em seu segundo filme para o cinema, algo perigoso para qualquer ator ou atriz pois corre-se o risco de ficar marcado para sempre por apenas um papel. E ela bem sabia disso e até que se saiu muito bem ao procurar por personagens diferentes. Atuou em "Os Irmãos Cara de Pau" (outro clássico dos anos 80), no filme "Hannah e suas Irmãs" (sendo dirigida por Woody Allen) e em "Harry & Sally" (um dos grandes sucessos da comédia romântica da década de 80). Talvez Carrie só não tenha tido uma carreira melhor por causa de problemas pessoais bem sérios que enfrentou.

A atriz foi dependente química desde muito jovem. Na "realeza" de Hollywood conheceu as drogas e a vida sem freios. Como ela própria confessou em um de seus livros, o fato de você pertencer a esse seleto grupo abria todas as portas, inclusive a de festas regadas a muitas drogas. O vício foi decorrência desse estilo de vida. Assim Carrie lutou por muitos anos para superar esse problema. Para se entender melhor também começou a escrever e fazer análise. Descobriu que sofria de transtorno bipolar, o que explicava muitos aspectos obscuros de sua personalidade. O fim do casamento também demonstrou que ela precisava encontrar equilíbrio em sua vida, algo que alcançou em seus últimos anos. Uma das obras mais indicadas para entender a pessoa Carrie Fisher é "Lembranças de Hollywood", filme cujo roteiro foi inspirado em um dos livros autobiográficos escritos pela atriz. Lá você poderá entender em parte as pressões e as angústias pelas quais passou. Um retrato muito sincero de uma princesa de Hollywood que precisou enfrentar desde muito cedo grandes traumas e fantasmas em sua vida pessoal.

Morre Carrie Fisher (1956 - 2016)
Os familiares da atriz Carrie Fisher divulgaram nota informando a morte da atriz hoje (27/12) em Los Angeles. Carrie Fisher, que se tornou mundialmente famosa como a Princesa Leia da saga Star Wars, tinha 60 anos de idade e não suportou os efeitos de um ataque cardíaco que sofreu durante viagem entre Londres e a costa oeste dos Estados Unidos. Em nota a mãe de Carrie, a também atriz Debbie Reynolds, lamentou: "É com profundo pesar que informamos a morte de Carrie Fisher. Ela faleceu hoje pela manhã às 8:55hs. Ela que sempre amou a todos, deixará saudades eternas e tristeza profunda com quem compartilhou sua vida!".

A notícia do ataque cardíaco:
A atriz Carrie Fisher sofreu uma parada cardíaca no fim de semana durante um voo em direção a Los Angeles. A atriz teve a parada no coração durante a viagem que vinha de Londres, o que dificultou enormemente a ajuda médica. Aos 60 anos de idade a situação da atriz é bastante complicada segundo a equipe médica que a atendeu. Assim que o avião pousou no aeroporto da cidade americana a atriz foi levada às pressas até o hospital para pronto atendimento.

A empresa United Airlines, proprietária do avião em que Carrie viajava informou por meio de uma nota de imprensa que Carrie sofreu uma parada cardíaca no meio da viagem e que apesar de todos os esforços da tripulação não conseguiu reagir ou mostrar reação. Seu estado de saúde é considerado crítico. A atriz tem um longo histórico de problemas de saúde principalmente por causa de um sério vício de cocaína que quase causou sua morte há pouco mais de 10 anos. Agora resta aguardar por novas informações.

Confirmação da morte - Os familiares da atriz Carrie Fisher divulgaram nota informando a morte da atriz hoje em Los Angeles. Carrie Fisher, que se tornou mundialmente famosa como a Princesa Leia da saga Star Wars, tinha 60 anos de idade e não suportou os efeitos de um ataque cardíaco que sofreu durante viagem entre Londres e a costa oeste dos Estados Unidos. Em nota a mãe de Carrie, a também atriz Debbie Reynolds, lamentou: "É com profundo pesar que informamos a morte de Carrie Fisher. Ela faleceu hoje pela manhã às 8:55hs. Ela que sempre amou a todos, deixará saudades eternas e tristeza profunda com quem compartilhou sua vida!".

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

George Michael (1963 - 2016)

George Michael (1963 - 2016)
Definitivamente não queríamos nos despedir de 2016 com uma postagem como essa, lamentando a morte de mais um excelente artista. Infelizmente o mundo e o destino nos reservam também esse tipo de situação. Só podemos lamentar seu falecimento.

De qualquer forma George Michael, de quem já falamos aqui no site, certamente não será página virada para todos nós. Ainda falaremos bastante dele nos próximos meses que virão. Assim preferimos não deixar um adeus, mas apenas um até breve!

A Morte de George Michael   
George Michael ficou famoso muito jovem e no começo de sua carreira a gravadora investiu bastante em seu apelo sexual, só que direcionado para as adolescentes que compravam seus discos e compactos. Obviamente todo aquele assédio de fãs deixava George Michael bem constrangido pois ele não curtia meninas, mas sim meninos. A gravadora Sony porém queria deixar tudo escondido e isso foi um dos principais motivos que levou o cantor a brigar com a empresa - numa batalha judicial em prol de seus direitos autorais que durou anos! No começo dos anos 90 o cantor não aguentou mais a pressão e resolveu contar para a imprensa que era gay. Curiosamente ele preferiu ir aos poucos, primeiro dizendo que era bissexual, para só depois dizer que era gay desde a juventude.

A partir daí a imprensa sensacionalista nunca mais deixou George Michael em paz. E ele também não se fez de tímido. Começou a andar com seus namorados publicamente, dando entrevistas escandalosas que fizeram a festa da imprensa inglesa. Para destruir sua imagem de símbolo sexual masculino declarou para a BBC: "Eu sou muito gay - já transei com mais de 500 homens até hoje e a conta não vai parar por aí!". Pior aconteceu quando foi preso em um banheiro público de Londres ao seduzir um policial disfarçado no lugar. Michael ofereceu dinheiro em troca de sexo oral. Foi preso e condenado. Depois de solto fez um videoclip satirizando o ocorrido. Claro que ao se assumir gay o cantor perdeu grande parte do público original de sua carreira que era formado por garotinhas apaixonadas platonicamente por ele. De qualquer forma ele conseguiu com seu talento formar um novo público, não apenas de gays, como era de se esperar, mas também de admiradores de bons discos, extremamente bem gravados, com a ajuda inclusive de grandes orquestras. Nunca foi um ativista GLS chato, daqueles que gostam de dar lição de moral em todo mundo. Procurou apenas gravar boas músicas de bons compositores. Isso garantiu a perenidade de seu legado musical até os dias de hoje.

Hoje o mundo ficou estarrecido ao ser informado da morte do cantor George Michael. O astro da música pop tinha 53 anos de idade e segundo sua assessoria de imprensa ele "morreu em paz, em sua casa". O que não se sabe ainda com certeza é qual teria sido a causa mortis de Michael. Especulações dominaram a internet desde então. Para alguns o cantor teria morrido de um câncer. Sua decadência física dos últimos anos poderia corroborar essa teoria, porém para outros a causa de sua morte foi a AIDS. George Michael assumiu sua homossexualidade nos anos 90. Depois teve inúmeros casos amorosos ao longo da vida. Em 2011 ele ficou incomodado ao dizer em uma entrevista para a BBC que nunca havia feito teste para saber se tinha AIDS pois tinha medo de receber um resultado positivo. Já o amigo Michael Lipp declarou ao Hollywood Reporter que George Michael havia falecido de uma insuficiência cardíaca. Nada porém foi confirmado oficialmente pela família. Pelo visto o cantor quis esconder a verdadeira doença que vinha sofrendo de todos os curiosos até o fim.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 


terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O Abominável Dr. Phibes

Título no Brasil: O Abominável Dr. Phibes
Título Original: The Abominable Dr. Phibes
Ano de Produção: 1971
País: Estados Unidos
Estúdio: American International Pictures (AIP)
Direção: Robert Fuest
Roteiro: James Whiton, William Goldstein
Elenco: Vincent Price, Joseph Cotten, Hugh Griffith
  
Sinopse:
O Dr. Anton Phibes (Vincent Price) é um cientista renomado e prestigiado que vê sua vida sair dos trilhos após um grave acidente. O carro em que viajava sai da estrada e ele fica desfigurado com a batida. Pior do que isso, sua amada esposa morre. Inconformado com os rumos do destino e sofrendo de alucinações o antes equilibrado e racional homem da ciência começa um plano de vingança contra todos aqueles que ele culpa pela tragédia.

Comentários:
É curioso que na fase final de sua carreira o ídolo dos filmes de terror Vincent Price tenha estrelado o maior sucesso comercial de sua filmografia. Sim, "The Abominable Dr. Phibes" foi o maior sucesso de bilheteria de Vincent Price. Ele mal sabia que ao aceitar o convite para atuar como o insano Phibes iria se tornar mais popular do que nunca. Um veterano das telas que realmente merecia esse reconhecimento. Bem recebido por público e crítica em seu lançamento o status cult desse filme só cresceu com o passar dos anos. Para os especialistas essa fita tinha uma primorosa direção de arte (a ponto de alguns deles afirmarem que era o último suspiro da era dos filmes barrocos de terror), um roteiro muito bem escrito (baseado em uma velha peça teatral londrina) e, é claro, a sempre marcante atuação de Price, com sua voz maravilhosa, uma de suas maiores marcas registradas. O curioso é que o ator passa grande parte do filme escondido nas sombras ou sob pesada maquiagem, mas nem isso atrapalhou. Esse "O Abominável Dr. Phibes" é realmente um de seus momentos mais marcantes nas telas. Price inclusive foi homenageado na Espanha, durante o Sitges - Catalonian International Film Festival, recebendo o prêmio de melhor ator. Mais do que merecido, não apenas pelo conjunto da obra, mas também por seu carisma à prova de falhas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Um Anjo em Minha Vida

Título no Brasil: Um Anjo em Minha Vida
Título Original: The Preacher's Wife
Ano de Produção: 1996
País: Estados Unidos
Estúdio: The Samuel Goldwyn Company
Direção: Penny Marshall
Roteiro: Robert E. Sherwood
Elenco: Denzel Washington, Whitney Houston, Courtney B. Vance, Gregory Hines
  
Sinopse:
O bondoso Dudley (Denzel Washington) é um anjo enviado por Deus para ajudar no casamento em crise do reverendo Henry Biggs (Courtney B. Vance) e sua bela e simpática esposa Julia (Whitney Houston). Sua missão é unir novamente os dois, mas algo sai errado quando Julia começa a mostrar muito mais do que simples interesse no recém chegado ser angelical. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Música (Hans Zimmer).

Comentários:
Essa foi mais uma tentativa de transformar a cantora Whitney Houston em uma estrela de cinema. O roteiro é bem simples, onde aspectos religiosos, música e romance tentam se misturar em formato de comédia romântica inofensiva. Na verdade se trata de um remake do filme "The Bishops's wife" estrelado por Cary Grant em 1947. A mais notável diferença - além da inclusão de várias canções para Houston - vem da presença de um elenco predominantemente de artistas negros. Apesar disso não espere por uma obra de natureza ativista ou nada parecido. O tom é realmente muito leve, feito para a família. Apesar do carisma sempre presente de Denzel Washington e da simpática presença da estrela da música Whitney Houston (que nunca foi grande atriz, mas que sabia se impor apenas por ser bem carismática), o filme nunca decola. É, em poucas linhas, artificial demais. Nada convence, nem o roteiro com sua trama pseudo religiosa e nem a lição de moral que tenta passar ao espectador. Esse é daqueles filmes que você se esforça para chegar ao final após quase cochilar no sofá de tanto tédio a que é submetido. Quando o roteiro procura ser pueril demais a coisa desanda mesmo, sem força dramática tudo o que sobram são bocejos em série. É um filme indicado apenas para os fãs mais fiéis da cantora Whitney Houston e nada mais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

The Hollow Point

Esse filme se passa no moderno oeste americano, sendo mais específico na fronteira entre México e Estados Unidos. É um lugar perigoso, onde os cartéis mexicanos da droga começam a dominar. É no meio desse deserto que trabalha o veterano xerife Leland (Ian McShane). Homem da lei experiente, ele começa a desconfiar do vai e vem sem fim de caminhonetes dirigidas por jovens da região. A maioria desses rapazes são desempregados que topariam qualquer trabalho, mas Leland começa a ficar bem desconfiado pois eles parecem transportar velhas peças de ferro-velho, algo que não faria muito sentido.

Ao parar um desses jovens ele acaba perdendo o controle da situação e em um gesto impensado termina matando o garoto com um tiro certeiro na cabeça. John Wallace (Patrick Wilson), também um xerife da fronteira, é então designado para investigar a morte. Logo de cara ele vai até a casa de Leland para pegar sua estrela e sua arma, demonstrando que a partir daquele momento o velho policial estaria fora de suas funções oficialmente. O que Wallace nem desconfia é que ele está prestes a enfrentar uma situação de extrema violência, da qual nem ele mesmo poderia escapar sem danos irreparáveis.

Esse filme tem uma lição muito interessante ao passar para o espectador. Os dois xerifes possuem modos de agir e pensar bem diferentes. O veterano acredita que muitas vezes é vital fazer justiça pelas próprias mãos. Já o mais jovem pensa diferente. Ele quer seguir todas as regras do manual, sem se desviar do que ele acredita ser o certo. Com o tempo, exposto a uma violência descomunal, o próprio Wallace acaba agindo como o veterano da lei, mostrando que em certas situações realmente não há salvação. A cena final é bem representativa disso.

O filme é protagonizado por Patrick Wilson, um bom ator de que sempre gostei, embora ele nunca tenha alcançado o status de grande astro. Seu personagem passa por uma situação limite, de dar nos nervos, ao ter sua mão decepada em uma situação sangrenta e bem violenta. Ao se ver mutilado ele começa a rever seus velhos conceitos. Outra boa surpresa do elenco vem da presença do ator John Leguizamo. Não me lembro de ter visto ele interpretar um criminoso tão violento e insano como o desse filme. Por ter origem latina Leguizamo sempre foi estigmatizado no cinema americano, interpretando tipos marginais (ou insanamente lunáticos), mas aqui ele conseguiu imprimir uma sordidez digna de aplausos ao presidiário que interpreta. Em suma, mais um bom filme que nos remete aos bons filmes de faroeste do passado, com seu roteiro versando sobre vingança, violência e morte no meio de um deserto imprestável.

The Hollow Point (Estados Unidos, 2016) Direção: Gonzalo López-Gallego / Roteiro: Nils Lyew / Elenco: Patrick Wilson, Ian McShane, John Leguizamo, Jim Belushi, Lynn Collins / Sinopse: Xerifes da fronteira entre México e Estados Unidos precisam lidar com um matador profissional, presidiário, que executa pessoas que fazem parte de uma lista negra de assassinatos.

Pablo Aluísio.

Marlon Brando - A História de um Mito - Parte 10

Depois de muita discussão dentro do estúdio finalmente a Paramount Pictures resolveu contratar Marlon Brando para estrelar "O Poderoso Chefão". O cachê do ator foi estabelecido em 500 mil dólares, um valor irrisório para os padrões atuais, mas que seriam muito bem-vindos para Brando que na época estava em dificuldades financeiras. Seu nome estava envolvido em muitos processos, desde os que disputavam as guardas de seus filhos com ex-esposas, como os que lhe cobravam inúmeras dívidas de sua companhia cinematográfica que havia ido à falência. Levantar dinheiro rápido era algo extremamente necessário para o ator naquele momento.

Antes das filmagens começaram Brando resolveu fazer uma viagem até Omaha, sua antiga cidade, onde havia passado a infância. Fazia muitos anos que Brando tinha ido até aquele lugar e ele se encontrava nostálgico dos velhos tempos. Assim que chegou na cidade Brando foi até sua antiga casa, que ainda estava lá, em pé. Ficou alguns minutos em frente a ela, mas logo começou a lembrar que sua mãe havia sido uma alcoólatra e que seu pai fora um homem violento e abusivo com os próprios filhos. Isso deixou a visita com um sabor de triste melancolia. Brando deu meia volta, foi até uma lanchonete próxima onde tomou café e foi embora de Omaha para sempre. Ele havia percebido que não mais pertencia àquele lugar e que não tinha mais nada a fazer ali. Nunca mais voltaria a Omaha. Aquela visita de menos de duas horas havia sido o seu adeus definitivo às suas origens.

De volta a Nova Iorque, Brando foi para seu primeiro dia de filmagem. Ele foi apresentado formalmente pelo diretor Francis Ford Coppola para todo o elenco. Al Pacino, James Caan, todos eles estavam ali diante daquele que consideravam o maior ator vivo. Brando percebeu que havia uma certa reverência em torno de si e decidiu que aquele clima não seria muito bom para as filmagens, por isso tratou logo de se tornar amigo de todos, procurando não agir como alguém superior, mas sim como a um igual, um ator a mais no elenco. Para demonstrar sua humildade mandou o estúdio parar de enviar limusines luxuosas para lhe pegar em seu hotel. Um carro comum já era o bastante. A atitude de Brando pegou muito bem entre os demais atores e a equipe técnica. Na hora do almoço Brando procurava fazer suas refeições no refeitório do set, ao lado de técnicos, câmeras e quaisquer pessoas que estivesse trabalhando no filme. Ele não queria passar a imagem de um astro arrogante e vaidoso, cheio de si.

Ele logo percebeu que Coppola era um grande diretor. Ambos conseguiam trabalhar muito bem juntos. Eles tinham uma visão parecida sobre a máfia americana. Para eles a máfia era uma instituição tão americana como a Casa Branca ou o monumento à Lincoln. Em entrevistas após o lançamento do filme Brando explicou esse ponto de vista dizendo: "No fundo tudo são negócios. A máfia não quer criar algo pessoal com seus inimigos, não, nada disso, o que se precisa é apenas acertar algo que não está indo no caminho certo nesse mundo de negócios. A máfia é capitalista. Se alguém está colocando problemas em seus negócios deve ser tirado do meio do caminho. Nada pessoal, apenas negócios!".  O filme acabou se tornando a maior bilheteria do ano. Um grande sucesso tanto de público, como de crítica. Brando sabia que seu nome estava sendo cogitado para o Oscar e preparou uma surpresinha para a Academia, caso viesse a vencer. Essa porém é uma outra história...

Pablo Aluísio.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Segredos Imperiais da China

Título no Brasil: Segredos Imperiais da China
Título Original: China's Megatomb Revealed
Ano de Produção: 2016
País: Inglaterra, China
Estúdio: National Geographic
Direção: Hugh Ballantyne, Kaige Chen
Roteiro: Nic Young
Elenco: Dong Chunguang, Liming Geng, Ma Kun
  
Sinopse:
Documentário da National Geographic que enfoca as revelações arqueológicas e descobertas realizadas na tumba milenar do primeiro imperador da China. Qin Shihuang foi o primeiro governante na história do povo chinês que conseguiu conquistar os cinco grandes estados que dominavam as vastas extensões territoriais chinesas de sua época, unificando pela primeira vez o enorme território da China sob um único poder. Ele reinou dois séculos antes do nascimento de Jesus e foi um dos mais sangrentos e despóticos governantes que se tem notícia na história, tendo construído a maior tumba da história, além da sempre lembrada muralha da China. 

Comentários:

O ser humano tem uma certa atração por tiranos sanguinários e assassinos. Só esse aspecto da natureza humana poderia explicar a subida ao poder de um sujeito como o primeiro imperador da China. Ele era um verdadeiro psicopata que não tinha qualquer respeito pela vida humana. No auge de seu poder teve sob seu domínio pessoal mais de 700 mil escravos que utilizou para construir uma megatumba própria. Durante dez anos ele massacrou milhares de pessoas para dar vazão ao seu ego descomunal. Esse documentário realizado na China nos dias de hoje mostra parte dessas revelações arqueológicas. Além de esqueletos de trabalhadores o filme revela também a extensão do tamanho da tumba imperial que era maior do que Manhattan!!! O interessante é que apesar de se saber sua localização e as possibilidades de descobrir tesouros incríveis o governo chinês nunca autorizou a escavação do lugar onde o imperador foi enterrado, que segue sendo intocado. O que se pesquisou foram sítios arqueológicos periféricos como aquele onde foi encontrado o exército de terracota. Soldados que o imperador queria levar para o outro mundo para continuar suas guerras de conquistas sem fim. Um documentário bem revelador que mostra até que ponto pode chegar a megalomania do ser humano. Não deixe de assistir. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis e os discos de Natal - Parte 2

No Brasil os discos de natal de Elvis se tornaram verdadeiras raridades. O primeiro "Elvis Christmas Album" foi lançado timidamente no natal de 1958 (um ano após seu lançamento nos Estados Unidos) e mesmo assim em tiragem limitada, com apenas 10 mil cópias (chegando praticamente apenas nos mercados de São Paulo e Rio de Janeiro). Os encartes, fotos e a excelente capa bem produzida que foi usada no lançamento americano também foram deixados de lado no Brasil. A filial da RCA no Brasil decidiu elaborar uma nova edição, bem mais simples e modesta, sem nada do que se encontrava no original Made in USA. Até mesmo a capa foi mudada. Ao invés da bem trabalhada direção de arte com os presentes embaixo da árvore de natal optou-se por uma foto simples de Elvis tirada durante o filme "Jailhouse Rock" (O Prisioneiro do Rock, no Brasil). Nada de luxo.

Se isso já foi bem ruim o pior ainda estaria por vir. Em 1971 a RCA Brasil decidiu que não iria lançar o "Elvis Sings The Wonderfull World of Christmas" no mercado brasileiro. A distribuidora nacional entendeu que não havia mercado promissor para um disco de músicas natalinas cantadas por Elvis Presley em nosso país. Nem a segunda edição do "Elvis Christmas Album" com nova capa e renovado repertório que chegou ao mercado americano pelo selo RCA Camden, encontrou espaço no Brasil. Assim, sem outra alternativa, os fãs brasileiros de Elvis precisaram importar todos esses discos diretamente dos Estados Unidos, por preços nada amigáveis. Na era do vinil, onde não havia ainda internet e nem nada parecido, ou se tinha o LP original ou não se tinha nada. As coisas eram bem mais complicadas.

Depois da morte de Elvis a procura por discos do cantor explodiu, como era de se esperar, e assim a RCA Brasil decidiu inventar o disco "O Primeiro Natal Sem Elvis" que nada mais era do que o álbum de natal de 1971, com a mesma seleção musical, capa e encartes. Tudo para aproveitar o momento de comoção pela morte do cantor. O disco até que vendeu muito bem nas lojas, demonstrando que Elvis havia se tornado novamente um grande campeão de vendas no mercado, mesmo que postumamente. Nesse mesmo ano (estamos falando de 1977) três outros discos de Elvis também venderam muito bem no Brasil naquele natal. Um deles foi o "Elvis Disco de Ouro" (até hoje o LP mais vendido no Brasil). Os dois outros discos foram o "Moody Blue" (idêntico ao americano, com algumas cópias em vinil azul especial) e o "Elvis in Concert" (com a trilha sonora do último especial de TV de Elvis, em edição dupla).

Sem Elvis a RCA então fez o que foi possível nos anos seguintes para sempre lucrar com essas gravações natalinas. Novos álbuns foram criados, com novas capas, seleções musicais diferentes, algumas deles misturando as músicas dos dois discos natalinos originais, mas sinceramente falando nenhum desses discos tinham algum valor histórico. A regra era apenas ter a cada fim de ano apenas mais uma coletânea caça-níquel tentando faturar em cima do clima natalino e do nome de Elvis Presley. Por isso para o fã que queira conhecer esse aspecto diferente da carreira do cantor o ideal é apenas ter os dois álbuns oficiais que foram lançados durante sua carreira, quando Elvis ainda era vivo. Todo o resto é apenas subproduto desses dois discos originais.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Star Wars - Rogue One: Os Personagens


Jyn Erso (Felicity Jones)
Filha do engenheiro do Império Galen Erso. Ele tentou deixar o Império de lado, mas acabou sendo perseguido até o planeta onde se refugiou. Após a morte da esposa e a fuga da filha, foi levado de volta. Jya acabou sendo encontrada pelo rebelde radical Saw Gerrera (Forest Whitaker). Depois se desgarrou dele também. Acabou virando uma garota que não dava mais importância para a luta entre a Aliança Rebelde e o Império. Tudo muda quando acaba sendo levada pelos rebeldes que desejam que ela encontre valiosas informações deixadas por seu pai para a destruição da Estrela da Morte. Para quem nunca se importou muito com política Jyn acaba virando uma mártir da causa na última cena do filme.


Galen Erso (Mads Mikkelsen)
Engenheiro chefe, especializado em armas de destruição em massa do Império. Pai de Jyn. Ele tenta fugir das garras imperiais, mas é localizado em um planeta distante, tentando levar uma vida pacífica de fazendeiro. De volta ao seio imperial acaba atuando decisivamente na construção da Estrela da Morte, mas não sem antes deixar a incrível arma vulnerável para ataques. Para isso resolve vazar informações sobre como conseguir destruir a arma para os rebeldes. Acaba pagando um alto preço por essa traição. O Império descobre seus planos, ameaça matar seus engenheiros e para salvar a vida de todos ele se entrega, selando seu próprio destino para sempre.


Saw Gerrera (Forest Whitaker)
No passado foi considerado um grande líder rebelde porém sua forma de pensar se radicalizou com os anos, principalmente após perder suas pernas em um ataque imperial. Com pernas robóticas e dificuldades de respiração ele começa então sua própria guerra particular contra o Império, usando para isso de todos os métodos legais e ilegais. Usa de tortura contra prisioneiros e se torna um violento paranoico, dado a ataques de extrema violência. É um fundamentalista radical que acredita que apenas o uso da guerra suja irá salvar o universo das garras do imperador.


K-2SO
Droide do Império que foi reprogramado para atuar nas linhas rebeldes. As novas configurações de programação não foram tão bem feitas, causando um estranho efeito colateral no robô, a ponto dele ter desenvolvido uma personalidade sarcástica e extremamente sincera (mais do que seria salutar). Acaba virando uma peça importante para os rebeldes, principalmente quando tentam penetrar em instalações imperiais. Afinal o K-2SO é uma máquina construída pelas forças do Império.


Cassian Andor (Diego Luna)
Piloto mercenário, acaba se unido com as forças rebeldes para destruir o Império. Seria o equivalente ao piloto Han Solo da saga clássica nessa nova aventura. Cassian tem ao seu lado a bravura e a coragem de enfrentar os maiores desafios para colocar as mãos nas valiosas informações que podem levar à destruição da Estrela da Morte. Apesar de suas motivações nunca serem tão claras, acaba se tornando um dos mártires heróis da missão Rogue One.


Orson Krennic (Ben Mendelsohn)
Alto comandante do Império. Cabe a ele coordenar a construção da Estrela da Morte. Para isso ele não mede esforços, eliminando quem estiver em seu caminho. Com personalidade psicopata e fria (como convém a todo oficial imperial), ele caça o engenheiro Galen Erso, para que retorne ao programa de construção da super arma. Seu único problema é conseguir encarar frente a frente Darth Vader, que não parece disposto a fazer nenhum tipo de barganha com ele dentro da hierarquia imperial.


Darth Vader
Anakin Skywalker foi cavaleiro Jedi no passado, mas acabou cedendo ao lado negro da força. Agora usa seus poderes para destruir inimigos do Império. Em Rogue One ele surge como um dos maiores inimigos da Aliança Rebelde. Sua função é aniquilar toda a resistência, evitando assim que a Estrela da Morte fique vulnerável a ataques inimigos. Vader é capaz de enfrentar toda uma tropa rebelde, praticamente sozinho, usando de seus poderes incomuns para remover possíveis obstáculos às forças imperiais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Loucos de Amor

Título no Brasil: Loucos de Amor
Título Original: She's So Lovely
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: Miramax
Direção: Nick Cassavetes
Roteiro: John Cassavetes
Elenco: Sean Penn, Robin Wright, John Travolta, James Gandolfini
  
Sinopse:
Maureen (Robin Wright) é uma jovem grávida de seu primeiro filho. Para seu desespero seu marido Eddie (Sean Penn) está sumido. Teria ele ido embora, com medo das responsabilidades? Não se sabe. Nervosa e com ansiedade ela resolve aceitar o convite do vizinho Kiefer (James Gandolfini) para ir em sua casa, tomar alguns drinks e relaxar, mas as coisas fogem do controle e ele tenta estuprá-la. Algum tempo depois Eddie retorna e descobre que a vida de sua ex-esposa está um completo caos emocional.

Comentários:
Esse filme chegou a ser premiado em Cannes e no Screen Actors, mas poucos ainda se lembram dele. Um filme chamado "Loucos de Amor" pode dar a falsa impressão de que se trata de uma daquelas comédias românticas bobas. Nada mais longe da verdade. Embora o lado emocional (e com um pouco de força, romântico) esteja presente nessa estória o que temos aqui é realmente um drama. Esse é aquele tipo de filme que você ia até a locadora nos anos 90 e acabava levando para casa apenas por causa do elenco. Mesmo naquela época a fita passou longe de ser muito popular ou ter muita repercussão, porém o fato é que a presença de Sean Penn e John Travolta compensava o risco. Além deles dois outros nomes chamam bastante a atenção. O primeiro é a presença no elenco de James Gandolfini. Ele interpreta um sujeito asqueroso que se esconde por trás de uma imagem de bonachão e gente boa. Embora fosse um veterano nas telas o ator ainda não era conhecido do grande público na época pois ele só iria se tornar famoso de verdade dois anos depois com a estreia da excelente série "Família Soprano". Já Robin Wright era esposa de Sean Penn quando o filme foi rodado. Sempre a considerei uma das atrizes mais subestimadas da história de Hollywood. Talentosa e competente nunca conseguiu ter o espaço que merecia. Assim deixo a indicação desse "She's So Lovely", uma crônica melancólica sobre os destinos que cada um partilha ao longo da vida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Sangue de Bárbaros

O filme "Sangue de Bárbaros" ficou notório por vários motivos. Um deles e o mais visível é que John Wayne ficou realmente ridículo com maquiagem de Gengis Khan. Essa foi uma das escolhas mais infelizes em termos de elenco na história de Hollywood. Simplesmente puxaram os olhos do ator para trás, para que ele parecesse um oriental. Nada convincente. Imaginar aquele grande cowboy americano como um bárbaro mongol era exigir demais do público.

Outro erro - e esse foi fatal - foi a escolha do lugar das filmagens. Escolheram um lugar em Utah, no meio do deserto, para parecer com as longas planícies da Mongólia onde o verdadeiro Gengis Khan viveu. O problema número 1 é que o lugar não se parecia em nada com as vastas terras do império Mongol e o problema número 2 é que o governo americano havia feito testes nucleares na região. Estava tudo contaminado com radiação.

A maioria dos membros do elenco e da equipe técnica morreriam de câncer com o passar dos anos. Até hoje muitos autores e biógrafos defendem que todos eles morreram por causa da radiação a que foram expostos. Nas cenas em que os cavaleiros de Khan descem as montanhas podemos perceber bem toda aquela poeira vermelha (e radioativa) se espalhando pelo ar. Uma tragédia. E nem se o filme fosse bom isso seria justificável. O pior é que ao assistir a "Sangue de Bárbaros" percebemos logo que não se trata de um bom filme, muito pelo contrário.

O roteiro se propõe a ser uma reconstituição dos primeiros anos de Gengis Khan. Ainda um jovem líder mongol que começa a fazer alianças com tribos diversas para a formação de um grande exército. Para filmar um épico dessa magnitude o produtor Hall Wallis deveria ter disponibilizado um grande orçamento, mas não foi isso que aconteceu. As cenas de batalha, por exemplo, são pífias e em certo sentido até medíocres. Como se não bastasse a péssima caracterização envolvendo John Wayne ainda havia o problema do suposto romance de seu personagem com a de Susan Hayward. Ele a rapta, mata seu esposo e depois leva com brutalidade para suas terras. Que mulher em sã consciência iria se apaixonar por um criminoso desses? Pois os roteiristas inventaram um amor inverossímil que brota sem mais nem menos. Lamentável. Enfim, essa é uma produção que foi infeliz em vários aspectos, tanto do ponto de vista da contaminação radioativa como também pela má qualidade artística de seus resultados.

Sangue de Bárbaros (The Conqueror, Estados Unidos, 1956) Direção: Dick Powell / Roteiro: Oscar Millard / Elenco: John Wayne, Susan Hayward, Pedro Armendáriz, Lee Van Cleef, William Conrad / Sinopse: O filme narra a história de Gengis Khan (John Wayne) em seus primeiros anos de conquista. Ao se aliar a antigos rivais ele acaba criando o maior exército de todos os tempos.

Pablo Aluísio. 


Rogue One: Uma História Star Wars

Gostei bastante desse novo filme "Star Wars" e por vários motivos. Antes de qualquer coisa é importante parabenizar os roteiristas dos estúdios Disney por esse roteiro. Eles pegaram uma linha de citação do primeiro filme "Guerra Nas Estrelas" (1977) e criaram todo um enredo em cima disso. O roteiro é não apenas muito imaginativo (e original) como também coeso e bem estruturado. Basta lembrar o clímax do primeiro filme da saga, com a destruição da Estrela da Morte pelos rebeldes, para bem entender o que se conta em "Rogue One". Como a Aliança Rebelde descobriu a grande falha estrutural da incrível máquina de guerra do Império? Bom, você saberá tudo aqui.

O enredo gira em torno de dois personagens básicos, pai e filha. O pai é Galen Erso (interpretado pelo sempre ótimo Mads Mikkelsen). Ele trabalha para o Império como engenheiro. Sua função é colaborar para a criação de armas cada vez mais poderosas e mortíferas. Quando o conceito da Estrela da Morte surge, ele entra em crise de consciência. Afinal uma arma tão poderosa a ponto de destruir planetas poderia causar uma devastação no universo sem precedentes. Ele tenta fugir de seu destino, indo morar em um planeta isolado, vivendo em paz como fazendeiro, mas isso se torna impossível. O Império vai atrás dele.

Sua filha é Jyn Erso (interpretada pela atriz Felicity Jones, de "Inferno", "A Teoria de Tudo" e "O Espetacular Homem-Aranha 2"). Separada do pai na infância, ela acaba sendo criada por um rebelde radical, Saw Gerrera (Forest Whitaker, uma das melhores coisas do filme). Quando seu pai envia um piloto do Império para entregar valiosas informações para os rebeldes, Jyn se torna peça chave em um momento crucial na luta entre a Aliança Rebelde e as forças do Imperador. E assim se desenvolve "Rogue One", com uma boa trama, nada infantil (ainda bem que não existem palhaçadas pelo meio do caminho do tipo Jar Jar Binks). Tudo é levado em ritmo de ação e aventura, porém sustentada por uma boa estória.

Alguns personagens clássicos da saga original surgem no filme, o que é natural, já que o enredo de "Rogue One" se passa pouco antes do primeiro filme da série. Entre eles o mais celebrado pelos fãs é justamente Darth Vader. Sua participação é pequena, isso é verdade, mas ele tem boas cenas no roteiro. Além disso os roteiristas capricharam em sua primeira aparição em cena, criando todo um clima, que se revelou mais do que acertado. Um fato curioso aconteceu com outro personagem clássico, Grand Moff Tarkin. No filme de 1977 ele foi interpretado pelo ator Peter Cushing. Ele seria um dos personagens centrais de "Rogue One", mas como colocar esse comandante do império de volta às telas, no novo filme, se o Peter Cushing havia falecido em 1994? A solução foi criar o personagem de forma totalmente digital. A tecnologia trouxe a solução. O resultado impressiona. Então é isso, entre erros e acertos dentro dos filmes com a marca "Star Wars" esse aqui é certamente um dos acertos. Que a Disney traga mais filmes todos os anos, os fãs agradecem.

Rogue One: Uma História Star Wars (Rogue One, Estados Unidos, 2016) Direção: Gareth Edwards / Roteiro: Chris Weitz, Tony Gilroy / Elenco: Felicity Jones, Mads Mikkelsen, Forest Whitaker, Diego Luna, James Earl Jones, Peter Cushing, Carrie Fisher / Sinopse: O pai de Jyn Erso (Felicity Jones), um engenheiro do Império, resolve vazar informações para a Aliança Rebelde através de um piloto desertor. Assim Jyn se torna peça central para se chegar nessas valiosas informações sobre uma incrível máquina de destruição imperial chamada de Estrela da Morte.

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Elvis e os discos de Natal

Elvis e os discos de Natal
Hoje em dia isso já não é tão comum, mas na época de Elvis era tradicional o fato dos grandes cantores de sucesso gravarem álbuns de natal. Frank Sinatra, Bing Crosby e Dean Martin são exemplos de cantores famosos e populares que gravaram discos com repertório exclusivamente natalino. A razão era simples de entender, esses discos vendiam muito, principalmente porque pegavam o embalo das vendas que cresciam justamente nesse período do ano. Gravar um disco de natal era ter um álbum certo entre os mais vendidos. Uma receita infalível de sucesso comercial.

Elvis não escapou dessa realidade. E foi relativamente cedo que ele gravou um disco natalino. Em 1957, com apenas um ano de sucesso internacional na carreira, a RCA Victor colocou no mercado o "Elvis Christmas Album", o disco de natal de Elvis. É curioso porque o LP chegou nas lojas em uma época em que Elvis era considerado um roqueiro rebelde, doidão mesmo. Foi uma surpresa porque ninguém pensava que um roqueiro como ele iria cantar músicas de natal. Era como ver James Dean cantar Jingle Bells em um disco de natal. Os jovens rebeldes da época, com jaqueta de couro, cabelos cheios de brilhantina, andando em suas motocicletas possantes, poderiam esperar por tudo, menos por algo assim.

Para os críticos porém o disco surpreendeu. Não havia bregas de natal, mas canções de qualidade. O repertório ia do blues ao rock mais característico da época, embora com letras essencialmente natalinas. Para colocar sua marca registrada nas gravações Elvis até mesmo improvisou um verso dizendo para uma garota que Papai Noel viria em um Cadillac! Esse disco, um dos mais vendidos de toda a carreira de Elvis, poderia ser tudo, menos bobo ou careta. Era realmente um grande trabalho do cantor e não desmerecia em nada sua fase de roqueiro rebelde. Outro fato interessante sobre o "Elvis Christmas Album" de 57 é que esse foi o primeiro LP da carreira de Elvis a ter um tratamento de primeira linha em termos de direção de arte. Havia vários brindes dentro do álbum, muitas fotos e trabalho técnico impecável. "Santa Claus Is Back In Town", "Blue Christmas", "Here Come Santa Claus" e "Santa Bring My Baby Back" são consideradas as melhores do disco. Houve ainda um single tardio lançado em 1966 com a canção "If Every Day Was Like Christmas", mas sem muita repercussão. Os Estados Unidos estavam afundando na Guerra do Vietnã e o espírito natalino estava em baixa.

Elvis só voltaria a gravar para o natal muitos anos depois, já na década de 1970. De fato a cada ano o "Elvis Christmas Album" foi sendo reeditado ano após ano, até chegar em um ponto que a RCA decidiu que seria interessante gravar um novo disco nos mesmos moldes. Era 1971 e Elvis já era um artista diferente por essa época. De fato ele não queria mais gravar músicas de natal. Apenas após muita pressão acabou cedendo. O material faria parte de um disco chamado "Elvis Sings the Wonderful World of Christmas" (Elvis canta o Maravilhoso Mundo do Natal). Esse segundo e último disco natalino de Elvis tem seus defensores, mas também seus críticos. Para muitos é um álbum melancólico, com um Elvis desinteressado nos vocais. O disco foi gravado meio às pressas, com Elvis improvisando com um pequeno grupo de músicos no estúdio e talvez por isso não seja tão tecnicamente perfeito quanto o primeiro disco dos anos 50. Mesmo assim ainda tem belos momentos como "O Come, All Ye Faithful" (uma canção lindamente melancólica) e "Merry Christmas Baby" (um ótimo blues, com performance perfeita de Elvis e banda). No final esse segundo disco natalino de Elvis não vendeu bem e o cantor finalmente desistiu de insistir nesse nicho musical. Papai Noel não voltaria mais a aparecer em sua discografia.

Pablo Aluísio.

Jiu Ceng Yao Ta

Esse é um filme chinês de fantasia que foi recentemente lançado nos Estados Unidos com o título de "Chronicles Of The Ghostly Tribe". É a tal coisa, fica claro desde o começo que os chineses estão tentando seguir os passos dos grandes blockbusters americanos ao estilo "O Senhor dos Anéis" ou até mesmo "O Hobbit". Dito isso você já deve ter uma ideia do que encontrará. O enredo, devo dizer, não faz muito sentido. No começo do filme encontramos um grupo de arqueólogos que encontram ossos de dragão em uma caverna remota.

A partir desse ponto as coisas começam a acontecer rapidamente, principalmente quando surge a lenda de uma tribo ancestral de fantasmas do passado (eu disse que a coisa toda não faz muito sentido, não foi?). Pois é. Os chineses certamente possuem os recursos para realizar uma produção bem feita, com monstros digitais e tudo o mais. Isso fica bem claro no filme. Os efeitos especiais são realmente bem feitos, não deixando nada a dever aos americanos, só que o enredo é mal desenvolvido. Esqueceram de caprichar no roteiro, isso é um fato.

Os anos vão passando (como se isso fosse fazer alguma diferença) até que os heróis da resistência (vamos chamá-los assim) encontram em uma cidade deserta um grupo de monstros que mais se parecem com os lobisomens da franquia "Um Lobisomem Americano em Londres". Essa aliás é a melhor parte de todo o filme. O roteiro tem muito papo furado e lá pela metade você quase desiste de assistir até o fim, porque tudo é mal construído em termos de lógica, mas segure firme pois o filme melhora! Quem insistir vai ver logo que o filme ganha pique em sua terça parte final e os efeitos especiais (repito, todos bem realizados), compensam o esforço.

Como se trata de um filme chinês obviamente não compensa discutir sobre o diretor do filme e nem o elenco pois todos são desconhecidos do público ocidental. O que vale mesmo aqui são os monstros, como já falei. Há desde morcegos destrutivos, passando por dinossauros das profundezas e até mesmo lobisomens sanguinários. Se o seu negócio é ver monstros e mais monstros então provavelmente vai curtir. A estória? Esqueça, essa realmente não tem pé e nem cabeça. Desligue o cérebro e procure se divertir o máximo possível com os bichanos que vão surgindo cena após cena. E isso é tudo.

Jiu Ceng Yao Ta (China, 2015) Direção: Chuan Lu / Roteiro: Chuan Lu, Bobby Roth / Elenco: Mark Chao, Jin Chen, Li Feng  / Sinopse: Grupo de pesquisadores chineses encontram uma antiga caverna com ossos de monstros de um passado distante. O que eles nem desconfiam é que no lugar há uma passagem para outra dimensão. Ao cruzar o portal eles acabam libertando todos os tipos de bestas monstruosas para o nosso mundo.

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

A Invasão 2

Título no Brasil: A Invasão 2
Título Original: The Second Arrival
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Rootbeer Films
Direção: Kevin Tenney
Roteiro: Mark David Perry
Elenco: Patrick Muldoon, Jane Sibbett, Michael Sarrazin
  
Sinopse:
Jack Addison (Patrick Muldoon) é o irmão mais novo e nerd de Zane Zaminsky (interpretado por Charlie Sheen no primeiro filme, lançado em 1996). Usando de técnicas de informática ele atuando como hacker consegue ter acesso a um arquivo classificado Top Secret. Nele ele consegue os códigos para entrar em contato com uma civilização extraterrestre que planeja invadir o planeta Terra.

Comentários:
Continuação muito fraca (sendo bem sincero, bem ruim) do filme "A Invasão", aquele mesmo estrelado por Charlie Sheen. Praticamente nada se salva, na época em que o filme foi lançado se dizia que a única coisa que prestava era o poster do filme - que tinha realmente um design bem feito. Fora isso temos aqui um desastre completo. O roteiro é mal escrito e a estória (na base da pseudo ciência barata) não funciona. Furos de lógica estão em todas as partes, com destaque para os supostos objetivos e intenções dos alienas (se aquilo fosse verdade poderíamos chegar na conclusão que a civilização na Terra realmente seria a única forma de inteligência no universo!). O ator Patrick Muldoon é completamente sem talento. O absurdo é que ele é, no enredo obtuso, o "irmão" do personagem de Charlie Sheen! Vejam que mediocridade... como Sheen não quis participar dessa sequência por causa do péssimo roteiro o texto foi reescrito às pressas, onde havia o personagem de Charlie Sheen ele virou seu irmão... tudo pessimamente amarrado. E os efeitos especiais? Melhor nem comentar, ainda mais nos dias atuais onde qualquer adolescente com um bom PC em casa consegue fazer algo bem melhor. Enfim, um dos piores filmes Sci-fi dos anos 90. Bomba completa!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Newton Boys - Irmãos Fora-da-Lei

Título no Brasil: Newton Boys - Irmãos Fora-da-Lei
Título Original: The Newton Boys
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Richard Linklater
Roteiro: Richard Linklater
Elenco: Matthew McConaughey, Ethan Hawke, Vincent D'Onofrio, Julianna Margulies
  
Sinopse:
Quatro irmãos da família Newton, tradicional fazendeira do interior, resolvem procurar por outro caminho na vida. O campo já não traz mais o pão de cada dia e eles estão prestes a perder a propriedade rural para um banco. Assim eles decidem formar uma quadrilha de roubo a bancos. Em pouco tempo os Newton Boys, como passam a ser chamados pela imprensa, começam a causar pânico por onde passam, até decidirem promover o maior roubo de banco da história dos Estados Unidos. Algo que custará caro para todos eles.

Comentários:
Sempre vi esse filme como uma tentativa tardia de revitalizar os antigos filmes de gangsters, como aqueles clássicos produzidos na década de 1940. Filmes que foram extremamente populares em sua época. A receita do roteiro escrito pelo diretor Richard Linklater é bem simples de entender. Ele apenas adaptou o livro original de Claude Stanush para uma roupagem mais moderna, escalando atores jovens e galãs para os personagens principais. Ganhou em estética, mas ao mesmo tempo perdeu em veracidade histórica (já que os verdadeiros gangsters não se pareciam com modelos como esses que vemos nesse filme!). Assim o estúdio escalou Matthew McConaughey para ser o protagonista, uma vez que ele estava sendo bastante cotado para se tornar o astro do amanhã, já que sua popularidade aumentava a cada dia. Ethan Hawke, que tinha mais bagagem no quesito atuação, também foi contratado para contrabalancear de certa maneira a inexperiência de Matthew. Um dos aspectos curiosos ao se rever essa produção é constatar que a atriz Julianna Margulies está no elenco. Ela, que iria se tornar no futuro a estrela de uma série de grande sucesso nos Estados Unidos chamada "The Good Wife", aqui surge bem jovem, com maquiagem pesada e exagerada - típica das mulheres dos anos 40. No mais é aquilo de sempre: muitos crimes e tiroteios com as famosas metralhadoras conhecidas como "Tommy Gun", a preferida dos criminosos e gangsters daqueles tempos em que Al Capone reinava em Chicago.  

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Apóstolo

Título no Brasil: O Apóstolo
Título Original: The Apostle
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: United International Pictures (UIP)
Direção: Robert Duvall
Roteiro: Robert Duvall
Elenco: Robert Duvall, Farrah Fawcett, Billy Bob Thornton, Miranda Richardson
  
Sinopse:
Eulis 'Sonny' Dewey (Robert Duvall) é um pregador protestante que tem a firme convicção de que foi abençoado por Deus. Ele tem um bom ministério religioso, seguidores e uma boa esposa. Seu mundo porém desmorona quando ele descobre que sua mulher está tendo um caso com um membro de sua igreja. Enfurecido, pega um taco de beisebol e atinge a cabeça de sua esposa, que entra em coma. Após esse ato de extrema violência ele resolve fugir, indo parar numa pequena cidade do sul, onde pretende recomeçar sua vida do zero!

Comentários:
Esse é um projeto bem pessoal do ator Robert Duvall. Ele produziu, dirigiu, atuou e escreveu o roteiro. O que inspirou Duvall foi um caso real acontecido com um pregador que ele inclusive conhecia pessoalmente. O caso chocou sua comunidade. Como aquele homem que se dizia tão bondoso e seguidor da filosofia de Jesus Cristo era capaz de praticar um ato de tamanha violência doméstica contra sua própria esposa? Na vida real a esposa do pastor havia sido assassinada por ele! Mais chocante do que isso impossível! Para não sofrer processos, Duvall obviamente inseriu dentro dessa história real adaptada várias peças de pura ficção. Ainda assim é um filme com tintas fortes, que explora o lado mais sórdido dos seres humanos. Após lançar o filme o ator acabou sendo premiado não apenas com uma série de boas críticas, mas também por uma inesperada (e justa) indicação ao Oscar de Melhor Ator. Realmente é impossível ficar indiferente à ótima atuação de Duvall que se entregou de corpo e alma (literalmente) para interpretar o protagonista, um homem com uma belo talento para a oratória, mas que tem um coração realmente enegrecido pelo orgulho e ira. Um bom retrato para os que já conheceram pregadores desse tipo.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Filmes da TV aberta: Semana (19/12 a 25/12)

Teremos uma semana bem fraca em termos de filmes da TV aberta. Vai chegando o natal e as emissoras brasileiras parecem ter optado por escolher apenas filmes de medianos para fracos. Nenhuma grande obra prima será exibida. Na segunda, em Tela Quente, teremos um drama bem mais ou menos chamado Um Momento Pode Mudar Tudo. É a estória de uma universitária que se apaixona por seu professor, ao mesmo tempo em que começa a cuidar de uma mulher com uma séria doença. Em termos gerais tudo muito na média. No elenco temos Josh Duhamel, e Marcia Gay Harden, em roteiro cansativo. Na madrugada de segunda a Globo também exibirá Red: Aposentados e Perigosos. Esse é um filme de ação que tenta ser engraçadinho, mas falha nos dois gêneros. No final tudo o que você sentirá é pena de um elenco desses (Morgan Freeman, John Malkovich e Helen Mirren) se envolver em tamanha bobagem.

Como acontece todos os anos a programação estará cheia de filmes bregas de natal. Nenhum deles muito interessante ou que venha a valer sua atenção. Alguns, como Um Natal Brilhante, que será exibido na quarta, só vale mesmo pelo elenco. Danny Devito e Matthew Broderick tentam trazer alguma graça em um roteiro bem banal, focalizando na típica família suburbana americana. Do tédio tenta-se fazer humor, mas sendo bem sincero esse é um daqueles filmes que você só consegue assistir uma vez na vida (isso se conseguir chegar até o seu final, é claro!). E por falar em família chatinha suburbana a Globo exibirá no Corujão desse mesmo dia a comédia Querida, Encolhi as Crianças. O enredo mostra um paizão que inventa uma máquina que deixa tudo em tamanho miniatura. Em um acidente seus filhos são atingidos e ficam perdidos no jardim da casa, onde enfrentam todos os tipos de perigos. Esse filme foi produzido por Steven Spielberg e tem ótimos efeitos especiais, revolucionários na época de seu lançamento. Quem estrela a produção é o comediante Rick Moranis (de Os Caça-Fantasmas).

Na quinta a Globo exibe Gonzaga: De Pai pra Filho. Muita gente já viu essa biografia do cantor e compositor nordestino Luís Gonzaga. Se por acaso ainda não viu deixo a recomendação. Embora seja uma produção nacional considero um filme até muito bem realizado. O roteiro foca na conturbada relação entre pai e filho, em um Brasil com muitas mudanças sociais e políticas. Já para as crianças fica a recomendação da animação Como Treinar o Seu Dragão, que será exibida sexta, na Sessão da Tarde. Também produzido por Steven Spielberg, essa animação foi um dos maiores sucessos de bilheteria de seu estúdio. O enredo é conhecido: a do garoto viking que tenta treinar um filhote de dragão, causando todos os tipos de problemas.

Por fim para encerrar uma semana (fraca) em termos de filmes teremos a exibição na íntegra de Jesus de Nazaré de 1977. Há muitos anos a TV Record comprou os direitos dessa produção e a exibe com certa regularidade em sua programação. As reprises sucessivas desgastaram um pouco a obra no Brasil, mas mesmo assim ainda considero um dos bons filmes já realizados sobre Jesus. A direção ficou a cargo de Franco Zeffirelli e ao contrário do que muitos pensam esse não era um filme, mas sim uma minissérie que foi exibida na década de 1970 na Europa e nos Estados Unidos. No Brasil já chegou da forma como todos conhecemos, em formato de longa-metragem. No total são 380 minutos de duração, então o cinéfilo tem que ter fôlego redobrado. Além da boa direção, ainda temos um excelente elenco que conta com, entre outros, Laurence Olivier, Christopher Plummer, Ernest Borgnine, Anne Bancroft, Claudia Cardinale, Anthony Quinn, Rod Steiger, Michael York e James Mason! Isso sem esquecer do excelente Robert Powell como o protagonista. É sem dúvida um programão para o dia de sábado.

Pablo Aluísio. 

domingo, 18 de dezembro de 2016

A Garota Dinamarquesa

O filme se passa na década de 1920, na fria Dinamarca. Gerda (Alicia Vikander) e Einar Wegener (Eddie Redmayne) formam um casal de artistas que tentam viver de seus quadros. São até bem felizes diante das circunstâncias. Tudo caminha bem até Einar começar a apresentar um comportamento fora dos padrões da época. Eventualmente ele se veste de mulher para posar para a esposa, que está sempre explorando a imagem feminina em suas pinturas. Com o tempo porém Einar começa a tomar gosto pelos vestidos e roupas feitas para o universo feminino. Mais do que isso, ele começa a ter uma certa repulsa por sua personalidade masculina. Em pouco tempo surge uma versão feminina de si mesmo chamada Lili Elbe.

Nem precisa dizer que o casamento entra em crise. A esposa Gerda até leva numa boa as primeiras manifestações desse lado afeminado do marido, mas tudo desanda quando ele começa não apenas a se vestir como uma mulher, mas a também se envolver com outros homens. Diante de uma situação tão delicada acaba confessando para a esposa que em seu passado teve algumas experiências homossexuais. A esposa, que sempre viu o marido como um homem heterossexual, fica obviamente sem chão com a nova situação e assim ambos decidem procurar por ajuda médica. Naqueles tempos a homossexualidade era considerada uma doença, algo a ser tratado.

Einar é então submetido a todos os tipos de tratamento exóticos (alguns até absurdos) até que conhece um médico que lhe propõe uma solução radical para seus problemas, uma inédita operação de troca de sexo, onde seus órgãos sexuais masculinos seriam removidos, sendo construído depois uma vagina por procedimentos cirúrgicos. Einar acaba então sendo o primeiro ser humano da história a passar por uma cirurgia dessas, que visava trocar seu sexo. Seu caso criou toda uma nova literatura médica que desde então passou a tratar o tema como uma nova realidade chamada de transexualismo.

Bom, o que me levou a assistir esse filme foi o Oscar vencido pelo ator Eddie Redmayne por sua atuação como esse transexual pioneiro. Eddie foi uma escolha sensata para interpretar esse personagem. O ator já tem naturalmente um aspecto bem indefinido, diria até transgênero. Com estrutura física frágil e indefeso ele combinou muito bem com o papel. Sua Lili porém não é a personagem mais forte dessa história. De certa forma, se formos pensar bem, a verdadeira personagem principal desse enredo, aquela que precisa superar todas as diversidades e aguentar a barra da situação, demonstrando ter uma grande força interior é a sua esposa. A história desse filme é baseada em fatos reais e a grande conclusão que tirei de tudo é que Gerda Wegener deve ter sido realmente uma grande mulher, uma pessoa realmente admirável. Passar por tudo o que ela passou definitivamente não foi fácil.

A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl, Estados Unidos, Alemanha, Dinamarca, 2015) Direção: Tom Hooper / Roteiro: Lucinda Coxon, baseada no livro escrito por David Ebershoff / Elenco: Eddie Redmayne, Alicia Vikander, Amber Heard / Sinopse: Gerda (Alicia Vikander) e Einar Wegener (Eddie Redmayne) formam um casal que passa por uma grave crise de relacionamento após o marido assumir uma identidade feminina. Depois de anos casado, ele decide assumir seu lado mulher, se arriscando a se submeter a uma perigosa operação de mudança de sexo.

Pablo Aluísio.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Elvis Presley - Elvis Country - Parte 3

Elvis Presley - I Washed My Hands In Muddy Waters
I Washed My Hands In Muddy Waters (J. Babcock) - Durante as sessões em Nashville, em junho de 1970, durante uma improvisação, Elvis lembrou desse sucesso country chamado " I Washed My Hands In Muddy Waters". Apenas um artista como ele, sempre ligado no universo da música country do sul, poderia recordar de uma música como essa. Isso porque esse era aquele tipo de hit bem regional, que só tocava mesmo nas rádios do sul do país, ficando praticamente desconhecida nos grandes centros urbanos como Nova Iorque ou Los Angeles. Essa música fazia parte do repertório do cantor Stonewall Jackson, considerado um dos melhores intérpretes do estilo que ficou conhecido como Honky Tonk. Essa vertente do country tinha esse nome porque nasceu da improvisação de artistas em suas apresentações nos bares do sul. Para agradar ao público nesses lugares valia tudo, inclusive inventar músicas na hora, bem na base do improviso mesmo. As letras eram criadas no momento, sem muita sofisticação, praticamente uma criação coletiva entre o cantor e seus músicos. O público também ajudava, aplaudindo ou vaiando a nova canção que nascia ali, no calor do momento.

E foi durante uma apresentação desse tipo que um compositor conhecido apenas como "cowboy" Joe Babcock criou essa divertida "I Washed My Hands In Muddy Waters". Como ele não tinha muito nome dentro do universo country de Nashville, a vendeu para Jackson, que a gravou no pequeno selo Imperial. O single de Jackson não fez qualquer sucesso. A história porém não terminou aí. Johnny Rivers, um ano depois do lançamento do single de Jackson, finalmente conseguiu chamar a atenção para a canção. Ele gravou sua própria versão e essa conseguiu emplacar entre as 10 mais tocadas nas rádios do sul no verão de 1966. Depois surgiu outra versão, dessa vez com o grupo vocal The Spencer Davis Group, até Elvis finalmente também gravar a canção em 1970, encerrando o ciclo. Como foi ensaiada praticamente como uma jam session, a gravação de Elvis sempre foi considerada a mais extrovertida de todas elas. A levada é de diversão mesmo, com pouca coisa sendo levada à sério. O produtor Felton Jarvis até mesmo pensou em arquivá-la por isso, mas depois resolveu arriscar, a colocando dentro do repertório do álbum "Elvis Country" para representar o Honky Tonk, tão popular entre os que curtiam a country music do sul dos Estados Unidos.

I Washed My Hands In Muddy Waters - Essential Elvis vol.4 - Essa é uma das melhores surpresas desse CD. É uma versão bem rara que até bem pouco tempo era completamente desconhecida dos fãs do cantor. O destaque absoluto vai para a banda TCB, em especial James Burton com seus solos improvisados. Outro ponto positivo vem da própria interpretação de Elvis, que parece estar prestes a cair na risada, tamanha a informalidade reinante dentro do estúdio. Essa gravação foi classificada com o selo de "unddubed version", ou seja, a gravação crua, sem a "plástica sonora" que o produtor Felton Jarvis providenciou depois da performance de Elvis e banda dentro do estúdio. Como se tratava quase de uma brincadeira para descontrair por parte de Elvis tudo foi finalizado em apenas uma tentativa. A letra era bem diferente falando dos apuros de um sujeito que se meteu em uma enrascada e acabou preso. Divertida, acima de tudo. Foi ensaiada nos ensaios de julho, mas nunca teve uma versão ao vivo. Uma pena.

Pablo Aluísio.

Paul McCartney - Tug of War (1982)

Paul McCartney - Tug of War (1982)
Após a separação dos Beatles, Paul McCartney resolveu formar seu próprio grupo musical. Assim ele reuniu o músico Denny Laine e sua esposa Linda McCartney e fundou o Wings. Paul passaria praticamente toda a década de 70 promovendo o conjunto mas no começo dos anos 80 resolveu encerrar suas atividades. A partir daí ele próprio assinaria seus discos, assumindo definitivamente uma carreira solo. Tug Of War seria assim seu próximo projeto estritamente pessoal desde McCartney II em 1980. Porém ao contrário desse primeiro disco nos anos 80, que foi extremamente experimental, Paul iria desenvolver um disco bem mais produzido e feito para fazer bonito nas paradas. Para tanto chamou o produtor dos Beatles, George Martin, para conduzir as gravações. Paul tinha claras ambições de voltar a reconduzir sua carreira para o caminho do grande sucesso. Com Martin ao seu lado, Paul conseguiu produzir aquele que, muito provavelmente, foi seu melhor trabalho musical nos anos 80, Tug Of War. Além da presença marcante de George Martin, Paul resolveu escalar um grupo de excelentes músicos para lhe acompanhar no projeto. Assim ele convidou Steve Wonder para participar (e dividir a autoria) em dois belos momentos do disco: What's That You're Doing? e Ebony and Ivory, essa última lançada em single de grande sucesso. Para homenagear suas raízes musicais trouxe o lendário cantor da Sun Records, Carl Perkins e com ele gravou uma das faixas mais deliciosas de Tug Of War, Get It. Stanley Clarke, famoso músico de jazz também se uniu ao grupo que ficou completo com a participação muito especial do ex-Beatle Ringo Starr. Como o disco foi gravado meses após a trágica morte de John Lennon, Paul resolveu homenagear seu antigo amigo e parceiro musical na linda faixa Here Today. A faixa título traria uma temática que seria depois desenvolvida no próximo trabalho de McCartney, Pipes Of Peace, e Ballroom Dancing se tornaria uma das mais conhecidas (e dançantes) faixas de toda a carreira de McCartney. Completando o LP, Paul ainda emplacou aquela que está entre algumas de suas mais bonitas melodias, Wanderlust. Em suma o disco é ótimo em qualquer aspecto que se analise. Com ele Paul foi logo aclamado pela crítica e pelo público, fazendo com que o álbum logo se tornasse o mais vendido nas principais paradas musicais do mundo, como a Billboard e a NME (em ambas Tug Of War chegaria ao primeiro lugar). Esse grande sucesso comercial acabou colocando Paul em contato com Michael Jackson, que naquele mesmo ano desenvolvia seu fenomenal disco Thriller. Paul até mesmo participaria do disco do astro na faixa The Girl Is Mine e no ano seguinte lançaria um single ao lado de Michael, Say, Say, Say, mas essa é uma outra história...

Tug of War (Paul McCartney) - Linda canção tema desse que considero um dos grandes discos da carreira solo de Sir Paul McCartney. Aqui temos mais um exemplo do grande trabalho de arranjo e orquestra por parte do maestro George Martin. É interessante notar que Paul continuou a trabalhar com ele após o fim dos Beatles. Isso trouxe muita qualidade para os trabalhos solos do cantor, ao contrário de John Lennon, por exemplo, cujos discos gravados após o final dos Beatles sempre foram criticados por causa dos arranjos simples, sem muita sofisticação. A falta de George Martin era sempre realçada e lembrada quando qualquer novo álbum do ex-beatle chegava nas lojas. A melodia de "Tug of War" é até simples. Embora seja uma faixa onde a parte orquestral é sentida desde o primeiro segundo, o fato é que Martin e Paul chegaram na conclusão que sua simplicidade - como o inicial acompanhamento de violão, onde foi composta - deveria ser mantida. Em cima disso toda a orquestral seria construída, sem nunca porém se sobressair ao seu refrão singelo, diria até naturalista. A letra também é destaque porque é aberta a todo tipo de interpretação. Estaria Paul falando de um cabo de guerra dentro de um relacionamento, onde o casal acaba se vendo em uma disputa por poder e controle, ou ao contrário Paul estaria se referindo a um aspecto maior, envolvendo toda a sociedade humana como um todo? Ambas as formas de entender a canção são válidas. Em suma, mais uma bela composição do gênio Paul, sempre surpreendendo a cada novo álbum.

Take It Away (Paul McCartney) - Muito bem. Dando sequência aos textos sobre esse excelente disco de Paul McCartney (desde sempre um dos meus preferidos em sua discografia), vamos tecer alguns comentários sobre essa canção "Take It Away". Como era praxe nos álbuns de Paul durante os anos 80, ele sempre escolhia duas ou três músicas que se tornariam os "cavalos de batalha" do disco, ou melhor dizendo, as canções de trabalho, como se diz no Brasil. Eram as músicas que deveriam fazer sucessos nas rádios, puxando as vendas do álbum. Também como era comum desde o começo, Paul lançava essas faixas, que ele acreditava ter mais potencial para o sucesso nas rádios, em singles. Tudo acompanhado de um bom clipe musical para ser exibido na TV e isso, percebam bem, antes do surgimento do canal MTV, que era em seu começo especializado na exibição desse tipo de vídeo promocional, algo que foi muito difundido por Michael Jackson justamente a partir dessa época, no comecinho dos anos 80. Por falar em clip esse era quase uma paródia dos próprios Beatles. Paul aparecia ao lado de seu grupo musical (Ringo, Linda e George Martin!) como se fossem membros de um conjunto bem no começo da carreira. Depois surge um empresário (interpretado pelo ator John Hurt) que os eleva para o sucesso máximo. Claro que tudo de forma bem rápida e instantânea. Esse clip é curioso por algumas coisas, entre elas o fato de que visualmente tudo é muito colorido, plastificado, como era comum nos anos 80. Já o single (com "I'll Give You a Ring" no lado B), lançado em junho de 1982, conseguiu alcançar o Top 10 da parada de sucessos da revista Billboard, se tornando assim o primeiro grande hit do álbum, demonstrando o grande potencial comercial do disco que acabaria se transformando em um grande sucesso de vendas.

Somebody Who Cares (Paul McCartney) - "Somebody Who Cares"é uma balada ao estilo voz e violão que conquista o ouvinte por causa de sua simplicidade. Poderia ter sido gravada pelos Beatles em sua primeira fase. Não há maior sofisticação em seu arranjo e talvez essa seja sua principal qualidade. A vocalização é ao estilo Wings, inclusive com Linda McCartney no coro. Paul ainda inseriu um instrumento não muito comum em seus discos, a flauta doce, que aparece em determinado momento da canção. O destaque instrumental porém vai para o violão - tocado pelo próprio Paul que depois explicaria que havia composto a música na praia, quando estava passando férias nas Bahamas. Por isso a simplicidade de um luau. O resultado é dos melhores, sem dúvida.

What's That You're Doing? (Paul McCartney) - Já "What's That You're Doing?" tem a marca característica do som da Motown. Também pudera, essa é uma parceria - tanto na composição como no vocais, entre Paul McCartney e Stevie Wonder, o garoto maravilha da Motown. Para falar a verdade essa canção é, se pudesse dizer em termos percentuais, oitenta por cento Stevie Wonder e apenas vinte por cento Paul McCartney. A batida, o arranjo, a letra, tudo nos remete aos discos de Wonder. Curioso perceber como Paul abriu mão de sua sempre conhecida força dentro dos estúdios em prol do convidado Stevie Wonder. Em termos gerais ele virou coadjuvante em seu próprio disco, vejam só! No geral é uma ótima faixa, extremamente bem gravada (o velho perfeccionismo de Paul se fez presente de novo), porém com as portas abertas para que Wonder deitasse e rolasse em seus próprios termos. Poucas vezes em sua carreira Paul abriu tanto espaço para outro artista como aqui. Ele o faria de novo, com Michael Jackson, no disco que viria, mas essa é obviamente uma outra história.

Here Today (Paul McCartney) - A morte de John Lennon foi um choque em todo o mundo. Agora imagine para Paul McCartney que foi seu amigo mais próximo desde quando era apenas um mero adolescente em Liverpool. É verdade que o fim dos Beatles abalou muito a amizade entre ambos. Houve até processos judiciais entre eles, principalmente envolvendo a gravadora e empresa Apple, que foi um desastre comercial de proporções épicas. Eles não eram homens de negócios, mas músicos e quando tudo deu errado começou o jogo de culpas, um culpando o outro pelo fracasso. Coisas ásperas foram ditas e John e Paul ficaram anos sem se falar - nem por telefone! Segundo o próprio Paul meses antes de John morrer eles voltaram a se falar e as velhas mágoas pareciam superadas. Paul ligava constantemente para John em Nova Iorque e chegou a visitá-lo em seu apartamento na cidade. Enfim, não era mais a bela amizade da juventude, mas havia uma pequena luz de aproximação entre eles. E então quando as coisas começavam a melhorar veio o desastre. John Lennon foi assassinado brutalmente por um louco na frente do Dakota. A ficha para Paul demorou a cair e só dois anos depois, no maravilhoso álbum "Tug Of War" ele resolveu homenagear o velho amigo de banda. Assim foi escrita "Here Today", uma canção simples, de arranjo bem modesto, quase violão e voz, mas que trazia um grande sentimento em sua melodia e letra. Um dos mais belos momentos da carreira solo de Paul McCartney e uma canção à altura da genialidade musical de seu parceiro de longos anos.

Ballroom Dancing (Paul McCartney) - Algumas coisas são bem interessantes na obra solo de Paul. Ele sempre disse que tinha atração muito especial pela década de 1920 e sua sonoridade. Isso foi uma herança de seu pai que também era músico e chegou a ter um grupo vocal no passado. Assim Paul acabou desenvolvendo uma grande cultura musical, passada principalmente por James McCartney, o seu velho. É até divertido o depoimento do pai de Paul recordando da primeira vez que ouviu os Beatles em sua própria casa. Na época o grupo era na verdade apenas um bando de adolescentes que não acertavam muitas notas e não tinham qualquer tipo de experiência. Anos depois James diria: "Eles eram completamente horríveis, mas com o tempo fui percebendo que eles melhoraram muito. Um dia cheguei em casa e tive uma surpresa ao ver como estavam bons com seus instrumentos". Com a morte da mãe de Paul, ainda muito jovem, e com seu pai trabalhando o dia todo fora, a casa de Paul acabou virando o primeiro "estúdio" de ensaio dos jovens Beatles. Pois bem, em 1982 Paul resolveu gravar esse sua antiga composição, "Ballroom Dancing", que lembrava justamente os anos 20. Essa foi uma das faixas que mais exigiram a atenção de Paul dentro do álbum "Tug of War". Uma pequena orquestra foi contratada para dar a sonoridade de uma velha banda de bailes. Ao lado do produtor e amigo George Martin (sim, o gênio por trás dos melhores discos dos Beatles), Paul escreveu um dos melhores arranjos de sua carreira solo. A letra era completamente nostálgica, louvando o clima e a musicalidade dos grandes bailes de salão e dança da velha Inglaterra. Paul sempre teve um carinho muito especial por essa gravação, a tal ponto que a usaria novamente (com nova gravação em estúdio) para usar na trilha sonora de "Give My Regards to Broad Street", dois anos depois. Em termos técnicos não há o que criticar. É realmente um trabalho primoroso.

The Pound Is Sinking (Paul McCartney) - Bom, se você ainda tinha dúvida sobre o fato de Paul McCartney ser um excelente e astuto homem de negócios, que tal ouvir essa faixa fora do comum do disco "Tug of War"? Embora o ritmo e a melodia sejam bem no estilo de Paul, sua letra é completamente surreal e incomum. Na verdade até hoje não sei aonde McCartney estava com a cabeça quando escreveu esses versos. Vou além, se formos prestar bem a atenção notaremos que provavelmente a canção seja a fusão de duas músicas diferentes, com duas letras bem diversas. Na primeira estrofe Paul faz um joguete com as principais moedas do mundo (Libra esterlina britânica, Marco alemão e o Dólar americano, entre outras). Em tempos pré-União europeia, Paul parece se divertir em sair nomeando todas elas em uma canção, mostrando a oscilação do mercado mobiliário de valores (não disse que ele era um business man?... pois é...). Depois dessa introdução singular Paul começa a tecer pensamentos sobre um relacionamento em crise. Inicialmente ele começa a relembrar o passado com quem está falando. Os anos que se foram voltam à tona. Então, seguindo em frente, o bom e velho Paul conclui tudo o que tenta dizer usando uma máxima do Darwinismo social que diz: "Apenas os fortes sobrevivem"! Depois disso, sem maiores explicações, fecha a canção de maneira um pouco precipitada! Fez muito sentido para você? Estranho realmente. A conclusão que chegamos é que Sir Paul McCartney quis fazer uma analogia entre o mundo do capitalismo e o mundo dos relacionamentos e sentimentos humanos. O resultado ficou apenas surreal e diferente (bem diferente!). O melhor mesmo dessa canção é sua melodia. George Martin criou efeitos parecidos com a de moedas caindo ao chão em sua introdução. Depois entra a harmonia. O arranjo ora é simples (com violão despojado), ora lembra os melhores rocks da fase Wings. Uma montanha russa melódica que sempre gostei bastante. Paul que sempre foi um compositor realmente criativo demonstra nessa faixa que não há limites para quem procura sempre por algo mais inovador.

Wanderlust (Paul McCartney) - Em poucas palavras: adoro "Wanderlust", Aliás é uma das minhas preferidas nesse disco. Eu gosto de dizer que Paul McCartney foi um dos mais brilhantes compositores de baladas de todos os tempos. Quando ele se viu distante das críticas e amarras de John Lennon, que sempre estava falando mal de suas canções de amor, as coisas ficaram ainda melhores. Provavelmente se ainda tivesse nos Beatles Paul seria soterrado por ironias ácidas por parte de John se aparecesse no estúdio com uma música como "Wanderlust", mas como esse tempo já havia passado, John já estava morto e ele já se considerava seguro de si em sua carreira solo não houve maiores problemas em gravar essa faixa. Além da boa letra (nada demais, porém evocativa), a canção ainda se sobressaiu pelo ótimo arranjo. Paul sempre afirmou em entrevistas que suas canções soavam diferentes, se compostas no piano ou no violão. Para compor as músicas do álbum "Tug of War" Paul mandou instalar um belo piano de calda em sua casa de praia nas Bahamas. Uma foto desse lugar inclusive aparece na capa interna do vinil original lançado em 1982 (pois é, eu ainda tenho uma cópia até hoje!). Como as músicas foram criadas em sua grande maioria nesse piano podemos perceber claramente sua riqueza em termos de melodia e escala. "Wanderlust" assim se tornou mais uma bela balada da discografia de Paul, tão boa que ele resolveu gravar uma outra versão para aparecer na trilha sonora do filme "Give My Regards to Broad Street", quatro anos depois de sua gravação original. Em suma, temos aqui outro ponto alto desse LP que é realmente um dos melhores da discografia solo do genial ex-Beatle. Excelente mesmo.

Get It (Paul McCartney) - Uma das melhores faixas desse álbum "Tug of War" de Paul McCartney é essa canção chamada "Get It" que ele gravou em dueto com o cantor e compositor Carl Perkins. Paul, como todos sabemos, sempre foi um fã declarado da geração de inigualáveis roqueiros que surgiram na pequenina gravadora Sun Records de Sam Phillips em Memphis. Foi nesse estúdio acanhado e quase amador que gravaram pela primeira vez verdadeiros gênios e ícones da primeira geração do rock americano como Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Johnny Cash e, é claro, Carl Perkins. Esse ídolo da Sun foi inclusive o autor de um dos maiores hits da carreira de Elvis, "Blue Suede Shoes". Assim quando pintou a chance em 1982 para Paul trabalhar com Perkins ele não deixou a oportunidade passar em branco. Paul queria acima de tudo homenagear esse seu verdadeiro ídolo de sua juventude. Ao aceitar cantar com Paul, esse logo organizou a viagem de Perkins para a Inglaterra, pois Paul queria que ele gravasse no lendário estúdio Abbey Road ao lado de George Martin, o famoso produtor dos Beatles, que também estava trabalhando com Paul em "Tug of War" e que também tinha grande vontade de trabalhar ao lado de Perkins. O resultado foi inesquecível. O curioso de tudo é que Paul resolveu fazer uma gravação bem acústica, onde ouvimos praticamente apenas ele e Perkins tocando seus respectivos violões. Nada de sofisticado ou muito super produzido. Em entrevistas Paul explicou que queria recriar um pouquinho a sonoridade da Sun Records, onde todos aqueles seus ídolos do passado estiveram. Assim nada de orquestrações ou coisas do tipo. Apenas voz, violão e muita descontração. Inclusive o próprio Paul resolveu deixar na edição final do disco uma gostosa risada de Perkins que ele deu logo após o fim da gravação. Não poderia terminar melhor esse dueto realmente histórico. Foi a única vez que Paul McCartney e Carl Perkins trabalharam juntos pois o grande rockstar da Sun Records morreria poucos anos depois, com apenas 65 anos de idade. Uma grande perda para a história do rock certamente. Seu ótimo dueto com Paul porém sempre será eterno no repertório desse excelente disco.

Be What You See (Link) / Dress Me Up as a Robber (Paul McCartney) - Sempre associei muito "Dress Me Up As A Robber" à fase Wings de Paul. Apesar de tecnicamente "Tug Of War" ser um álbum solo de Paul, quando ele definitivamente já tinha abandonado a ideia do grupo Wings, o fato é que velhas composições daquela época que Paul ainda não havia gravado vieram à tona novamente. Essa faixa deveria ter entrado em "McCartney II", mas Paul sabiamente quis deixá-la fora daquele disco, caracterizado pela som mais fora do comum, experimental. No meio de tantas "maluquices" não convinha enfiar uma canção como essa, que tinha um sabor de balada antiga. Já que "Dress Me Up As A Robber" tinha uma linha melódica mais tradicional, Paul resolveu que iria trabalhar melhor na canção depois. Quando voltou aos estúdios para trabalhar ao lado de George Martin em "Tug of War" Paul chegou na conclusão que havia chegado a hora de trabalhar melhor a música. Ele trouxe a composição para Martin em Abbey Road e ambos começaram a discutir seu arranjo. O resultado mais uma vez se mostrou excelente. Curiosamente a gravação começa com uma guitarra forte, solada. Depois ela ganha um balanço bem agradável, puro swing, com Paul vocalizando como se estivesse em um disco de sua banda Wings. Esse tipo de melodia me lembra também dos discos de Marvin Gaye da época, por volta do começo dos anos 1980. George Martin criou um arranjo soul, intercalado com um belo solo de violão ao estilo ibérico. Nada mal. Depois Paul faz contra-voz de sua própria vocalização. E assim como começa, as guitarras vão pontuando toda a música, preparando o terreno para o grande sucesso comercial do disco, a ótima "Ebony and Ivory". A dupla McCartney & Martin pelo visto ainda funcionava extremamente bem.

Ebony and Ivory (Paul McCartney) - O grande sucesso nas rádios do álbum "Tug of War" de 1982 foi a canção "Ebony And Ivory". Seu single foi um dos grandes campeões de vendas naquele ano, sucesso que inclusive se repetiu no Brasil. Quando Paul resolveu deixar de lado o projeto do grupo Wings ele decidiu que iria se lançar apenas como artista solo, sem a necessidade de dividir a autoria e o nome de seus álbuns com um conjunto. Depois de mais de dez anos do fim dos Beatles, Paul finalmente parecia pronto para se assumir como um cantor e compositor solo. Isso porém não significaria que ele iria trabalhar sozinho pelo resto de sua carreira. Uma boa ideia seria convidar outros astros para cantar e tocar ao seu lado. Um dos primeiros convidados foi o cantor Stevie Wonder. Paul admirava seu trabalho desde os tempos em que Wonder era apenas um jovem contratado do selo Motown. Com o passar dos anos sua admiração só aumentou. Quando os Wings acabaram, Paul decidiu convidar Stevie para ir até Londres, trabalhar lado a lado em seu novo disco. Inicialmente eles tinham planejado a gravação de duas faixas, sendo "Ebony And Ivory" a primeira delas. O tema da letra é bem óbvio, uma analogia entre as teclas de um piano (onde vivem em harmonia teclas brancas e negras) e a própria sociedade, onde homens brancos e negros também poderiam viver em paz, sem conflitos raciais. A letra poderia até parecer um pouco pueril demais, mas obviamente foi salva por suas boas intenções. Também se sobressai a linda harmonia composta por Paul McCartney, um verdadeiro gênio nesse tipo de balada. Enfim, um ótimo momento da discografia do mais talentoso ex-beatle.

Tug Of War - Paul McCartney / Data de gravação: Outubro de 1980 a Setembro de 1981 / Local de Gravação: Abbey Road Studios, Londres / Produtor: George Martin / Músicos: Paul McCartney (vocais, violão, guitarra, piano), Steve Wonder (vocais, teclados), Denny Laine (guitarra), Eric Stewart (guitarra), Ringo Starr (bateria), George Martin (piano), Linda McCartney (órgão), Stanley Clark (baixo), Carl Perkins (violão), Adrian Shepard (bateria).

Pablo Aluísio.