sábado, 30 de agosto de 2014

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

Título no Brasil: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
Título Original: Harry Potter and the Prisoner of Azkaban
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Alfonso Cuarón
Roteiro: Steve Kloves, baseado na obra de J.K. Rowling
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Gary Oldman, Alan Rickman, Emma Thompson, Maggie Smith, Julie Christie

Sinopse:
Harry Potter (Daniel Radcliffe) retorna para Hogwarts, em seu terceiro ano na famosa escola de bruxos e magos. Agora terá que lidar com uma nova ameaça, após a fuga do assassino Sirius Black (Gary Oldman) da prisão de Azkaban. O objetivo do criminoso foragido e encontrar Potter para um desafio de vida ou morte. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Trilha Sonora (John Williams) e Melhores Efeitos Especiais. Também indicado a nove prêmios da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, entre eles Melhor Filme de Fantasia, Direção e Ator Coadjuvante (Gary Oldman).

Comentários:
Considero um dos melhores filmes da franquia Harry Potter. Isso se deve muito ao elenco e à direção que foi entregue ao talentoso Alfonso Cuarón (cineasta mexicano que havia se destacado por dirigir, entre outros, "Grandes Esperanças", sendo que recentemente foi destaque por ter realizado o que para muitos é sua maior obra prima, "Gravidade"). Além da direção diferenciada e caprichada, essa produção contou ainda com um time de atores coadjuvantes de primeira linha, a começar por Gary Oldman (deitando e rolando como Sirius Black), Emma Thompson (que aceitou interpretar a professora Sybil Trelawney para impressionar sua filhinha de apenas quatro anos, fã assumida de Harry Potter) e Julie Christie (para quem não sabe, um mito da era de ouro do cinema americano, a eterna Lara de "Dr. Jivago", aqui dando vida a uma personagem meramente secundária, Madame Rosmerta). Outro destaque do elenco vem da estréia do ator Michael Gambon na pele do mago Albus Dumbledore. Ele assumiu o papel após a morte de Richard Harris, falecido em 2002 após concluir sua participação em "Harry Potter e a Câmara Secreta". Além desses ótimos atores e atrizes em cena, o filme ainda se destaca pela excelente direção de arte e pela trama, uma das melhores escritas por J.K. Rowling. Enfim, realmente se tivesse que escolher o melhor filme da franquia pensaria seriamente em apontar para esse, onde todas as peças parecem estar no lugar certo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A Última Música

Título no Brasil: A Última Música
Título Original: The Last Song
Ano de Produção: 2010
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: Julie Anne Robinson
Roteiro: Nicholas Sparks, Jeff Van Wie
Elenco: Miley Cyrus, Liam Hemsworth, Greg Kinnear

Sinopse:
Ronnie Miller (Miley Cyrus) é uma jovem, filha de pais divorciados, que não conseguiu ainda superar a separação de sua família. Durante o verão sua mãe decide enviar a garota para passar suas férias ao lado de seu pai, que mora numa região muito bonita, com belas praias, o cenário perfeito para passar dias de descanso e lazer. Lá Ronnie acaba conhecendo muito mais seu pai e acaba descobrindo uma pessoa maravilhosa por trás de toda aquela imagem negativa que ela tinha criado em sua mente.

Comentários:
Miley Cyrus hoje em dia virou uma artista pop apelativa e vulgar, quase uma caricatura completa. Esse filme foi rodado em uma fase mais, digamos assim, "normal" de sua carreira. Nada de vestidos escandalosos e nem língua para fora, o que vemos aqui é um drama familiar que investe em bons sentimentos e numa boa lição de vida, ideal para garotas como a personagem principal, que de certa forma também se culpa pelo fracasso do casamento de seus pais. Outro destaque do elenco vem com o subestimado Greg Kinnear, um ator que sempre gostei, discreto e sofisticado, sempre acrescentando muito aos personagens que interpretou durante todos esses anos de carreira no cinema e na TV. Em suma, um bom filme para conhecer Miley Cyrus antes de virar esse monstro de marketing agressivo dos dias de hoje.

Júlio Abreu.

Curtindo a Liberdade

Título no Brasil: Curtindo a Liberdade
Título Original: Chasing Liberty
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Andy Cadiff 
Roteiro: Derek Guiley, David Schneiderman
Elenco: Mandy Moore, Matthew Goode, Mark Harmon

Sinopse:
Tudo o que sonha Anna Foster (Mandy Moore) é ter uma vida normal. Como filha do presidente dos Estados Unidos porém isso é muito complicado. Cercada de segurança 24 horas por dia ela decide fugir ao lado de Ben Calder. O que ela não imagina é que ele é na verdade um agente secreto disfarçado para manter sua integridade física. Na viagem ela se apaixona por ele, sem saber seu grande segredo.

Comentários:
Bobeirinha romântica para o público teen (adolescente). No geral nada de muito significativo a não ser o carisma da estrelinha Mandy Moore de "Um Amor Para Recordar", "Era Tudo Que Eu Queria" e "Meu Novo Amor", todas fitinhas que seguem o mesmo caminho dessa aqui. Em termos de elenco o único nome que destacaria, fora ela, seria o ator Mark Harmon, que também começou a carreira em comédias bobinhas dos anos 80 como a inesquecível bobagem repetida mil vezes na Sessão da Tarde "Curso de Férias" (ou "Curso de Verão"), onde interpretava aquele professor de educação física chamado Freddy Shoop que tinha que lidar com um grupo de alunos completamente ineptos durante as férias. Então é isso, "Chasing Liberty" é um filminho para ver numa tarde entediada de sábado e depois esquecer completamente de sua existência - como aliás convém a esse tipo de filme.

Júlio Abreu.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Malcolm X

Título no Brasil: Malcolm X
Título Original: Malcolm X
Ano de Produção: 1992
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Spike Lee
Roteiro: Alex Haley
Elenco: Denzel Washington, Angela Bassett, Delroy Lindo

Sinopse:
Cinebiografia do líder e ativista negro Malcolm X, mostrando aspectos de sua biografia que vão desde os primeiros anos quando acabou indo parar numa prisão onde sofreu todos os tipos de preconceito, até seu envolvimento com o Islamismo, suas viagens à Árabia Saudita e sua forma de tentar equilibrar o eterno conflito entre negros e brancos dentro dos Estados Unidos. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Ator (Denzel Washington) e Melhor Figurino. Indicado ao Globo de Ouro e vencedor do Berlin International Film Festival também na categoria de Melhor Ator (Denzel Washington).

Comentários:
Os recentes acontecimentos ocorridos numa cidade americana após a morte de um jovem negro por policiais deu origem a uma série de protestos violentos por parte da comunidade negra da região. Isso me fez lembrar imediatamente desse filme, "Malcolm X", biografia de um líder negro que pregava a luta contra o preconceito racial utilizando-se de todos os meios possíveis (inclusive da violência). Malcolm X era assim o extremo oposto do grande Martin Luther King Jr, que pregava a resistência pacífica contra os movimentos racistas do sul. Se ideologicamente Malcolm X era bastante equivocado - como a própria história provaria anos depois - cinematograficamente não há como negar que esse seja de fato um grande filme. Se você ainda nutre alguma dúvida sobre o talento do ator Denzel Washington sugiro que procure assistir a esse seu trabalho de atuação que é extremamente bem realizado, digno de todas as indicações e prêmios que recebeu. Denzel traz para sua caracterização todo o ódio e raiva incontidas que eram as marcas psicológicas do líder negro. Some-se a isso um roteiro extremamente bem escrito que tenta desvendar as origens do pensamento de Malcolm X. Ao final, quando tudo é consumado, de forma inclusive bastante violenta, fica a mensagem de que violência apenas gera ainda mais violência. Nunca será o caminho para tentar reconciliar pessoas e superar desavenças históricas, culturais ou raciais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Divergente

Título no Brasil: Divergente
Título Original: Divergent
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Summit Entertainment
Direção: Neil Burger
Roteiro: Evan Daugherty, baseado na obra de Veronica Roth
Elenco: Shailene Woodley, Theo James, Kate Winslet

Sinopse:
Cem anos após uma guerra que praticamente devastou o mundo civilizado, uma pequena população sobrevive nas ruínas da velha Chicago. Os grandes lagos ao redor secaram e a cidade é protegida por fortes muralhas. Para evitar novos conflitos as pessoas agora são separadas por facções, verdadeiras castas, que determinam o papel que cada um deve exercer dentro da sociedade.

Comentários:
Bastam poucos minutos de exibição para você se conscientizar que está na presença de mais um daqueles filmes feitos especialmente para o público adolescente. Com ecos de "Harry Potter" e "Jogos Vorazes" esse "Divergente" não consegue se mostrar nem um pouco original. O pior de tudo é que você precisa aceitar coisas que no mundo real não fariam o menor sentido. Por exemplo, como a sociedade está dividida em castas sociais, a mocinha do filme vai parar naquela que ela considera a mais legal existente, a dos "audaciosos". O problema é que se formos analisar bem aquelas pessoas não demorará muito para acharmos todos eles uns idiotas, do tipo que saltam de trens em alta velocidade, pulam em buracos de laje e coisas do tipo. Sinceramente, é na mão de sujeitos como esses que a segurança do mundo no futuro está? Se for, estamos mesmo todos perdidos, sem exceção. Esse aliás é o ponto focal que determina a posição do filme em um certo nicho que só agradará mesmo aos mais jovens. Afinal só mesmo os adolescentes acharão aquele tipo de coisa como algo legal ou maneiro. Se o argumento vai logo para o buraco pelo menos podemos torcer pela jovem atriz Shailene Woodley, a mesma do sucesso "A Culpa é das Estrelas". Não a considerei muito adequada para esse papel pois me deixou a impressão que ela quis seguir os passos da colega Jennifer Lawrence (de "Jogos Vorazes") pois está até mesmo fisicamente parecida com ela. Em minha opinião Woodley deveria procurar outros caminhos mais interessantes em sua carreira, justamente agora que vem se tornando mais popular.  Mesmo assim ela acaba sendo a única razão para seguir em frente com essa bobagem futurista teen. Se não fosse seu carisma tenho certeza que teria largado o filme com menos de 30 minutos de duração, tamanha a sua falta de novas ideias. E por falar em duração temos aqui mais um daqueles filmes que parecem não acabar nunca... longo demais... E o que a talentosa Kate Winslet está fazendo no meio dessa garotada? Ficou parecendo uma tiazona chata e aborrecida que aparece de vez em quando para pagar mico. E pensar que a Kate já fez filmes maravilhosos na carreira, será que está com falta de ofertas para fazer filmes relevantes? Pois é, a idade chega para todos um dia...

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Romance de Elvis e Ann-Margret

O Romance de Elvis e Ann-Margret
Data: julho de 1963 / Fonte: "Elvis and Me" de Priscilla Presley e Sandra Harmon / Texto: Priscilla Presley e Sandra Harmon / Photo: MGM / Elvis e Ann-Margret - Foi quando visitava a família na costa oeste no verão americano de 1963 que Priscilla pela primeira vez se tornou alvo da imprensa nacional, devido ao caso que Elvis estava tendo com Ann Margret. Tudo começou no final de julho, em Las Vegas, onde Elvis e Ann Margret filmaram "Viva Las Vegas". Quando o filme terminou, ambos estavam enamorados. Uma prova disso é que pela primeira vez em sua vida Elvis começou a sumir de casa por dois, três dias e até uma semana para passá-los na residência de Ann Margret, em Hollywood Hills. Essa violação da regra de que as mulheres tinham de vir até ele, era apenas um dos sinais que os caras da Máfia de Memphis interpretaram como verdadeira paixão. Enquanto o romance de Elvis e Ann pegava fogo, Priscilla ficava em Graceland, aguardando a volta de seu namorado, como ela mesmo recorda em seu livro "Elvis e Eu": "Eu estava transtornada desde que soubera que a estrela do novo filme de Elvis seria Ann Margret, a starlet em ascensão mais rápida em Hollywood. Ann Margret fizera apenas uns poucos filmes, inclusive bye bye birdie, mas já fora apelidada pela imprensa como "Elvis Presley de saias". Elvis estava curioso em relação a ela, tenho comentado que "a imitação é a forma mais sincera de lisonja".

Compreendi que se lhe revelasse meus temores, ele podia não dizer nada para me tranqüilizar. Afinal porque eu tinha tanta certeza de que no instante em que Elvis estivesse longe de mim - e perto de Ann Margret - surgiria um romance entre os dois? Cada vez que eu me aprontava para ir ao encontro de Elvis em Los Angeles, ele apresentava uma alegação qualquer para adiar a visita: - "Este não é o momento mais conveniente, baby. Estamos com problemas nas filmagens" - "Que problema?" - eu questionava - Elvis cinicamente me respondia: - "O caos é total aqui. Tenho um diretor maluco que está perdidamente apaixonado por Ann. Pela maneira como ele está dirigindo, dá até para pensar que o filme é todo dela. Ele está favorecendo Ann em todos os closes" - Elvis fez uma pausa - "E não é só isso: querem também que ela cante algumas canções comigo. O coronel ficou furioso. Disse que eles terão de me pagar um extra para cantar com ela". Enquanto escutava a arenga de Elvis, tentei me compadecer com a situação. Mas, emocionalmente, estava mais preocupada com a estrela do filme do que com o diretor. - "Como está Ann Margret?" - Perguntei - "Acho que ela é uma boa garota" - respondeu Elvis. Então ele logo descartou o assunto com a expressão "uma típica starlet de Hollywood".

Minha preocupação foi temporariamente atenuada. Eu sabia que ele sempre encarava as atrizes de maneira desfavorável, chegando mesmo a comentar: "Elas estão mais interessadas em suas carreiras e o homem fica em segundo plano. Não quero ser o segundo para qualquer coisa ou qualquer pessoa. É por isso que você não precisa se preocupar com a possibilidade de eu me apaixonar pelas atrizes que trabalham comigo" Eu queria acreditar, mas não podia ignorar as notícias na imprensa sobre o romance ardente que estava acontecendo nas filmagens de "Viva Las Vegas". Só que o romance no set de Las Vegas, segundo os boatos, não era entre Ann Margret e o diretor e sim entre Ann Margret e Elvis. Uma noite em que estávamos conversando pelo telefone perguntei abruptamente: "Tem algum fundo de verdade?" - "Claro que não" - respondeu Elvis, caindo na defensiva no mesmo instante - "Você sabe como são esses repórteres. Adoram ampliar qualquer coisa. Ela apenas aparece por aqui nos fins de semana, em sua motocicleta. Brinca um pouco com a turma e depois vai embora. Isso é tudo" - Mas isso não era o suficiente para mim. Ann Margret estava lá e eu não. Enfurecida, declarei: "Quero ir para aí agora!" - Elvis ficou visivelmente surpreso com a minha reação e se saiu com essa: - "Agora não é possível. Estamos terminando o filme e voltarei para casa dentro de uma ou duas semanas. Mantenha-se aí e trate de conservar acesso o fogo da paixão" - De forma melancólica eu lhe respondi: "A chama está ardendo muito baixa. É melhor alguém voltar logo para casa e atiçar o fogo".

Quando estava preparada para entrar em uma verdadeira guerra com Ann por Elvis, aconteceu uma coisa que deixou todos surpresos: de repente Elvis e Ann Margret desmancharam o namoro. Alguns rapazes da Máfia de Memphis encontraram Ann nos estúdios dias depois e conversaram sobre o assunto: - "Pensamos que vocês estavam apaixonados" - disse um deles - "Eu também" - falou a atriz - "E daí, o que aconteceu?" - quis saber um dos caras. Ann respondeu: "Não sei. Perguntem ao seu chefe. Eu não tenho a mínima ideia". Quando Elvis voltou de Hollywood resolvi mexer nas suas coisas atrás de provas, foi então que achei um bilhete na sua carteira que dizia: "Não posso entender - Scoobie". Era de Ann Margret. Tive certeza. Scoobie era o apelido que ela dera a si mesmo, como Elvis me confessou depois. A frase era também o título do primeiro disco de sucesso que ela gravou no começo dos anos sessenta. Era evidente que Elvis se dissociara completamente de Ann Margret, cortando os vínculos entre os dois. Rasguei o telegrama em pedacinhos, joguei no vaso e puxei a descarga, com a maior satisfação. - "Não deixa passar muita coisa não é mesmo baby? Para uma garotinha você é uma mulher típica" - Ele estava rindo - "Acho que é melhor eu tomar cuidado". Retribui o sorriso, mas pensei: "Nada disso. Sou eu quem precisa tomar cuidado. A amizade mútua e o respeito profissional entre Ann Margret e Elvis persistiram até o dia de sua morte. Ao longo dos anos ele nunca esqueceu de enviar um buquê de flores em forma de guitarra, desejando sucesso para a atriz sueca, sempre que ela estreava em um novo show ou em um novo filme!"

Mad Max - Além da Cúpula do Trovão

Título no Brasil: Mad Max - Além da Cúpula do Trovão
Título Original: Mad Max Beyond Thunderdome
Ano de Produção: 1985
País: Estados Unidos, Austrália
Estúdio: Warner Bros
Direção: George Miller, George Ogilvie
Roteiro: Terry Hayes, George Miller
Elenco: Mel Gibson, Tina Turner, Bruce Spence

Sinopse:
Terceiro e último filme da franquia original Mad Max. Agora o ex-patrulheiro Mad Max Rockatansky (Mel Gibson) precisa enfrentar novos desafios em um mundo  pós-apocalíptico, em especial crianças que vivem numa tribo selvagem no meio do deserto e uma monarca sanguinária e cruel com os seus inimigos. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria Melhor Canção Original ("We Don't Need Another Hero" por Tina Turner). Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films nas categorias Melhor Filme de Ficção, Direção, Roteiro e Figurino.

Comentários:
Esse foi o mais caro e dispendioso "Mad Max". Ok, a franquia é mundialmente aclamada desde os anos 80, mas vamos ser bem sinceros, os dois primeiros filmes são bem precários em termos de produção e orçamento. O primeiro Mad Max é quase um filme amador rodado pelas estradas mais desertas da Austrália. Realizado com um orçamento mínimo só virou um cult por causa da força do mercado de vídeo que nascia naquele momento nos Estados Unidos. O segundo sem dúvida era muito melhor, mais bem produzido, porém em nada comparável com essa super produção. Agora o curioso é que "Mad Max Beyond Thunderdome" foi criticado justamente por causa dos exageros de sua produção. Se antes faltava dinheiro, agora a sensação foi que exageraram na dose. Tudo é over, os figurinos, os cenários, a direção de arte. A cantora Tina Turner, um dos destaques do elenco, usa e abusa de uma peruca que parece ter sido roubada do armário de alguma drag queen. Mel Gibson também está mais maluco do que o habitual. Mesmo com o clima assumidamente kitsch, o filme ainda diverte bastante, principalmente se você for um fã nostálgico dos anos 80. Poucos filmes são tão a cara daquela década como esse aqui (só faltou o Michael Jackson e o Bruce Springsteen na trilha para o quadro ficar completo). Ligue a vitrola e se divirta o máximo que puder.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis e Ginger Alden

Elvis e Ginger Alden
Quando um repórter perguntou a Ginger Alden (foto), a mulher com quem Elvis pretendia se casar pouco antes de morrer, o que ela sentiu ao se encontrar com o grande astro pela primeira vez, ela respondeu: - "Sei lá, a gente espera que as trombetas toquem ou qualquer coisa parecida". E isso era a pura verdade. Apesar de tudo o que aconteceu na vida e na carreira de Elvis, no final de sua vida ocorreu algo que poucos esperavam: ele se tornou mais famoso ainda! Para um jornal local Elvis declarou: - "Pretendo continuar fazendo shows enquanto eu puder e enquanto os fãs me quiserem. Eu realmente adoro cantar para meus fãs. É a minha vida. Quero que eles se divirtam e saiam dizendo "pôxa! uau!". Gosto de pensar que eles se lembram de nós com prazer e ficam esperando que voltemos. É irônico, mas parece que a história está se repetindo. Minha carreira voltou a ser tão agitada como nos anos 50. As pessoas lotam todas as arenas. É apavorante. De algum modo não parece normal. Sou grato por sua lealdade, mas é assustador. O que virá depois?"

Elvis estava admirado com Ginger, uma garota de 20 anos nascida e criada em Memphis. Assim que aprendeu a andar, sua mãe a levou até Graceland, onde ambas ficaram em frente ao portão musical, esperando Elvis aparecer para assinar autógrafos. Quando Ginger tinha cinco anos sua mãe a levou até o parque de diversões que Elvis havia alugado uma noite. O Rei acariciou a cabeça de Ginger e a levou para um passeio na montanha russa. A primeira vez que Ginger entrou no palácio real, estava acompanhada de uma de suas duas irmãs, sendo que uma delas, Terry, era a nova miss Tennessee e por isso mesmo candidata natural à sucessão de Linda Thompson como preferida de Elvis. Mas quando o rei exerceu o seu direito de escolha, surpreendeu a todos ao ficar com Ginger, tão tímida, pura e inocente. No primeiro encontro, ele a levou até o aeroporto de Memphis, em seu carro preferido, um Stutz Blackhawk. Ao chegarem, Elvis perguntou-lhe casualmente se ela queria dar uma volta em seu jet star. Ginger disse que sim, e quando entraram no grande avião, encontraram-se com a prima favorita de Elvis, Patsy Gambill, filha do tio Vester, e seu marido Gee Gee (ex valete do rei), assim como outros convidados. Quando o avião estava levantando vôo, Elvis anunciou que o destino era Las Vegas.

Durante a viagem o rei presenteou Ginger com um bracelete de ouro maciço incrustado com pequenos diamantes que formavam a palavra "Elvis". - "Isso vai mostrar para todo mundo que você me pertence" - disse para Ginger. Em Las Vegas, todos foram para o hotel, onde passaram a noite e voltaram a Memphis no dia seguinte. Uma semana depois, Ginger recebeu um telefonema de Elvis. Dessa vez ele estava em San Francisco, morrendo de vontade de vê-la. Ela podia vir assistir o show. Elvis mandaria seu avião ir buscá-la. Poucos dias depois, Elvis lhe deu um carro, um Cadillac Seville, seu modelo feminino predileto. O que Ginger dirigia antes? Uma bicicleta de três marchas. Nove semanas depois de conhecer Ginger Alden, Elvis decidiu que queria se casar com ela. Consultando seu livro de numerologia (Cheiro's Book of Numbers) ele descobriu que a data ideal seria 26 de janeiro de 1977. No dia seguinte ele comprou o anel de diamantes, no valor de 70 mil dólares e pediu Ginger em casamento. Todavia nenhuma data foi marcada para as núpcias. De sua parte, Ginger sentia-se agradecida de ser a rainha de Elvis. - "Começo a sentir que talvez tenha sido para isso que eu vim ao mundo. Se eu puder fazer Elvis feliz, terei cumprido meu objetivo. Ele quer um filho. Ele me quer ao seu lado dia e noite". Priscilla Presley, por sua vez, tinha uma outra visão do romance: - "A vida pessoal de Elvis não ajudava em nada. Ele estava namorando Ginger Alden, que era vinte anos mais moça. A diferença de idade se tornava um problema cada vez maior. Elvis dizia: - 'Estou cansado de criar crianças. Não tenho paciência para passar por tudo outra vez".

Em julho de 1977 saiu o livro de West Hebler, "Elvis, What Happened?". Pela primeira vez na sua longa e muito bem guardada carreira, Elvis tinha sua vida particular exposta ao grande público. Foi um período sinistro. Elvis ficou na pior, sem saber o que fazer. Uma noite ele recebeu um telefonema de Frank Sinatra, se oferecendo para usar sua "influência" para dar um "jeito" no livro. Elvis detestou Sinatra a vida inteira. Mesmo nesse momento de grande necessidade, ele não podia aceitar a ajuda do rival e recusou a oferta. Enquanto isso ele leu o livro de cabo a rabo, ficando angustiado com a parte que tratava das drogas. Chegou a perguntar a Rick Stanley: - "O que os fãs irão pensar? O que Lisa Marie vai achar de uma coisa dessas?". Na imprensa começaram a surgir rumores que a polícia iria investigar seus médicos. Em Denver, por exemplo, alguns oficiais da polícia, conhecidos de Elvis, pegaram no seu hotel uma receita de Dilaudid e reconheceram que seu capitão honorário tinha problemas e se ofereceram para interná-lo em um sanatório. Elvis deixou a cidade como um bandido. Agora com toda essa sujeira pintando, como é que ele iria encarar seus fãs e lidar com toda a avalanche de notas negativas por parte da imprensa? Vive drogado? É por isso que está tão gordo e ofegante? Super sensível em relação aos ataques vindos de todas as partes, ele se sentiu encurralado. Elvis só ficou pensando nisso, até que achou a resposta para seus problemas: o Casamento. Aqueles caras ficavam falando que ele era um drogado e que dava tiros na TV. Mas iam ver só quando ele se casasse diante das principais personalidades dos Estados Unidos. Depois disso quem poderia dizer que ele era um Junky? Uau! isso calaria a boca de todo mundo. Elvis não passou um quarto de século com o Coronel Parker sem aprender alguma coisa sobre como manipular a opinião pública. Ginger ficou mais emocionada ainda quando Elvis lhe confidenciou radiante: - "Sabe o que meu pai me disse? Ele disse que nunca me viu tão feliz como homem"

Hot Spot - Um Local Muito Quente

Título no Brasil: Hot Spot - Um Local Muito Quente
Título Original: The Hot Spot
Ano de Produção: 1990
País: Estados Unidos
Estúdio: Orion Pictures
Direção: Dennis Hopper
Roteiro: Charles Williams, Nona Tyson
Elenco: Don Johnson, Virginia Madsen, Jennifer Connelly

Sinopse:
Harry Madox (Don Johnson) é um viajante sem rumo que vai parar em uma cidadezinha perdida do Texas. Para sobreviver acaba arranjando um emprego medíocre por lá. Após um incidente envolvendo um incêndio ele percebe como é falha a segurança do banco local. Isso faz com que planeje um roubo na instituição, mas para isso precisará traçar bem todos os mínimos detalhes do crime que pretende executar.

Comentários:
Embora tenha sido lançado no começo da década de 1990 esse "The Hot Spot" tem todas as características dos filmes americanos dos anos 1980. Dirigido pelo ator e doidão de plantão Dennis Hopper a fita tinha a proposta de unir um roteiro com muita ação e sensualidade. De certa forma foi mais uma tentativa do ator Don Johnson em emplacar no mundo do cinema, se desligando completamente do universo da TV (ele fez grande sucesso na série policial "Miami Vice" durante seis anos, entre 1984 a 1990). No elenco todas as atenções porém são desviadas para a atriz Jennifer Connelly então no auge de sua beleza juvenil. A fotografia até é bonita, o diretor Dennis Hopper realmente conseguiu belas tomadas do pôr do sol mas o filme não consegue ser muito mais do que isso, um belo exercício estético que acaba se perdendo em suas próprias pretensões. Depois que o plano de assalto do personagem de Johnson é colocado em execução as coisas ficam ainda piores pois não há mais muita sutileza nas cenas - algo que vinha sendo a marca registrado do desenvolvimento do enredo. No saldo geral fica como mera curiosidade dos cacoetes cinematográficos da época.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Perigosamente Juntos

Título no Brasil: Perigosamente Juntos
Título Original: Legal Eagles
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Ivan Reitman
Roteiro: Ivan Reitman, Jim Cash
Elenco: Robert Redford, Debra Winger, Daryl Hannah, Brian Dennehy, Terence Stamp

Sinopse:
Tom Logan (Robert Redford) é um bem sucedido advogado que não consegue se decidir entre duas mulheres igualmente interessantes, uma advogada em ascensão, bonita e inteligente, e uma jovem e rica herdeira que parece estar envolvida no submundo do mercado de obras de arte roubadas. Filme vencedor do prêmio da ASCAP Awards na categoria Melhor Canção ("Love Touch").

Comentários:
Sofisticado filme de romance que contou com ótimo elenco, inclusive de apoio, e um roteiro deliciosamente dúbio, mostrando as várias facetas dos personagens envolvidos nesse triângulo amoroso passado no mundo jurídico dos Estados Unidos. Redford novamente comparece com seu grande carisma e talento. Por essa época o ator estava muito seletivo em seus filmes, realizando poucas películas, pois desenvolvia um projeto para a criação de um festival apenas com filmes do circuito independente americano (que iria se chamar Sundance Festival, hoje um dos mais importantes do cinema ianque). As duas outras atrizes são símbolos dos anos 80, a loira e alta Daryl Hannah (que na época namorava o filho de JFK) e a elegante Debra Winger (que infelizmente anda bem sumida). No elenco coadjuvante vale destacar também a talentosa atuação do ator Terence Stamp, que interpreta um deliciosamente cínico dono de galeria de arte em Nova Iorque. Em suma, "Legal Eagles" é um filme que anda bem esquecido, mas que ainda satisfaz plenamente o bom gosto de qualquer cinéfilo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Árvore da Vida

Título no Brasil: A Árvore da Vida
Título Original: The Tree of Life
Ano de Produção: 2011
País: Estados Unidos
Estúdio: Fox Searchlight Pictures
Direção: Terrence Malick
Roteiro: Terrence Malick
Elenco: Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain

Sinopse:
Jack (Sean Penn) é um arquiteto bem sucedido que começa a relembrar fatos dispersos de sua infância, nos nos 1950, ao lado de seus três irmãos, sua mãe submissa e seu pai Mr. O'Brien (Brad Pitt), um homem disciplinador, rígido, austero mas também bem hipócrita. Filme indicado ao Oscar nas categorias Melhor Direção, Melhor Fotografia e Melhor Filme. Vencedor do prêmio da AFI Awards na categoria Melhor Filme. Vencedor da Palma de Ouro no Cannes Film Festival.

Comentários:
Considero um dos filmes mais pretensiosos do cineasta Terrence Malick. Isso porém não é uma crítica negativa, apenas uma observação. O que ele deseja com sua linha narrativa (ou a falta dela, dependendo do ponto de vista) é fazer uma parábola entre a insignificância da vida de um ser humano com a imensidão do cosmos. A chave que abre essa dualidade ocorre justamente quando a mãe, desesperada pela morte do filho, pergunta onde estaria Deus diante de sua tragédia familiar? A partir desse ponto Malick dá vazão ao seu pretensioso ciclo estético e filosófico, mostrando a evolução da vida e o surgimento do universo desde os seus primórdios, passando pela era dos primeiros seres vivos, até chegar de volta ao seio daquela tipica família americana. A partir daí mergulhamos nas lembranças do personagem Jack. O curioso é que todo o filme é desenvolvido assim, em ritmo de memórias, e por isso não há espaço para uma narração convencional, mas apenas momentos marcantes, quase sem diálogos, que vão se desenrolando na tela. Materialmente o substrato desse filme é muito rico em linguagem cinematográfica pura, mas em termos de comunicação com o público em geral não é uma obra fácil de absorver. Os dialogos são poucos, dispersos, e Terrence Malick procura muito mais pela sensibilidade emocional do que pela razão de uma narrativa linear. As imagens são lindíssimas e isso acaba deixando todo o resto em segundo plano. Certamente Malick não conseguiu com esse filme responder as grandes questões existenciais do ser humano, mas seguramente chegou bem perto disso. É uma obra prima da sétima arte.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

We Are the World

Título no Brasil: We Are the World
Título Original: We Are the World
Ano de Produção: 1985
País: Estados Unidos
Estúdio: CBS Pictures
Direção: Tom Trbovich
Roteiro: Mikal Gilmore
Elenco: Michael Jackson, Ray Charles, Bob Dylan, Jackson Five, Cyndi Lauper, Huey Lewis, Bette Midler, Willie Nelson, Lionel Richie, Smokey Robinson, Kenny Rogers, Diana Ross, Bruce Springsteen, Tina Turner, Dionne Warwick, Stevie Wonder, Dan Aykroyd, Harry Belafonte, Lindsey Buckingham Billy Joel Al Jarreau Jane Fonda, Kim Carnes

Sinopse:
Documentário que resgata a gravação e lançamento do famoso álbum "We Are The World" que em meados dos anos 1980 se propôs a arrecadar fundos para combater a fome e a miséria no continente africano. Indicado ao Emmy Awards na categoria Melhor Documentário Musical. Vencedor do Grammy Awards na categoria Melhor Filme Musical.

Comentários:
Um interessante documentário que marcou época em seu lançamento. O projeto "We Are The World" ficou muito famoso por causa da constelação de estrelas do mundo da música que foram reunidas para cantar a música tema do projeto beneficente que naquela altura tinha o objetivo de levantar dinheiro dentro da sociedade americana para ajudar no combate à fome nos países da África, continente sempre assolado por guerras, miséria e doenças. Embora não tenha sido um projeto criado por Michael Jackson temos que reconhecer que ele só se tornou um fenômeno por causa de sua presença. Após abraçar a causa o artista telefonou pessoalmente para dezenas de outros grandes nomes da música para que viessem participar da faixa principal do álbum que seria lançado. Todo o dinheiro arrecadado nas vendas seria levado para a África, dando corpo assim ao projeto que ficou conhecido como "Usa For Africa". O resultado tanto em termos artísticos como humanitários foi realmente muito bom, reacendendo o que havia de melhor em todos esses astros. Um importante registro dessa união da classe artística em prol dos necessitados irmãos africanos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A Ilha da Garganta Cortada

Título no Brasil: A Ilha da Garganta Cortada
Título Original: Cutthroat Island
Ano de Produção: 1995
País: Estados Unidos
Estúdio: Carolco Pictures
Direção: Renny Harlin
Roteiro: Michael Frost Beckner, James Gorman
Elenco: Geena Davis, Matthew Modine, Frank Langella

Sinopse:
Morgan (Geena Davis) é uma aventureira, uma pirata dos mares, que está decidida a encontrar um enorme tesouro enterrado numa ilha do caribe. Para sua missão ser bem sucedida porém ela terá que enfrentar uma fila de rivais mal encarados e dispostos a tudo para colocar suas mãos na fortuna perdida! Filme indicado ao Framboesa de Ouro na categoria pior direção.

Comentários:
Muitos anos antes de Johnny Depp e a Disney ressuscitarem com grande êxito comercial os filmes de capa e espada com "Piratas do Caribe" houve essa tentativa muito mal sucedida de trazer os velhos bucaneiros dos sete mares de volta para as telas de cinema. O filme era dirigido pelo marido da atriz Geena Davis, o diretor especialista em explosões Renny Harlin, e contava com um bom elenco de apoio. A direção de arte também era bonita e bem feita mas... o roteiro, bobo e derivativo, não conseguiu enganar ninguém. Lançado em pleno verão americano - uma das épocas mais concorridas do circuito comercial - "Cutthroat Island" afundou ruidosamente nas bilheterias, tal como uma nau cheia de piratas fugindo dos navios reais de vossa majestade. O público não comprou a ideia de ir ver um filme novo com sabor das antigas fitas estreladas por Errol Flynn. O péssimo resultado comercial foi um duro golpe para a companhia Carolco que praticamente fechou as portas por causa dos custos não recuperados. No final das contas a única garganta cortada foi mesmo a do estúdio.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Homem Duplicado

Título no Brasil: O Homem Duplicado
Título Original: Enemy
Ano de Produção: 2013
País: Canadá, Espanha
Estúdio: Lionsgate
Direção: Denis Villeneuve
Roteiro: Javier Gullón, baseado na obra de José Saramago 
Elenco: Jake Gyllenhaal, Mélanie Laurent, Sarah Gadon

Sinopse:
A vida para o professor universitário Adam (Jake Gyllenhaal) é de uma rotina massacrante. Seus dias são praticamente iguais, onde ele dá a mesma aula para os mesmos alunos desmotivados. Sua vida pessoal também é repetitiva e sem brilho. Em mais um dia comum resolve acatar a sugestão de um colega da universidade e vai até uma locadora alugar um filme qualquer, para quebrar a monotonia de seus dias. Para sua surpresa porém acaba percebendo que um dos atores do elenco é idêntico fisicamente a ele! Não demora muito para Adam ficar completamente obcecado em encontrar aquele sujeito pessoalmente.

Comentários:
Filme bem incomum que explora um roteiro muito inteligente e enigmático. O clima é opressivo, com o personagem de Jake Gyllenhaal tentando encontrar respostas para aquela situação que lhe pega completamente de surpresa. Afinal como explicar o fato de um desconhecido ser totalmente idêntico a ele? Seria um irmão gêmeo perdido ou algo mais sinistro está envolvido naquela perturbadora semelhança entre os dois? Como não poderia deixar de ser, todos os elogios vão para o trabalho do ator Jake Gyllenhaal. Ele consegue surpreender atuando em personagens tão diferentes. O professor universitário Adam não tem vida social, é tímido, oprimido e não consegue se relacionar bem com as pessoas. Seu mundo é caótico e cinzento, seu apartamento é escuro e quase não tem móveis, além de muito chato. Já o ator Anthony parece ser o seu extremo oposto. Como todo artista tem uma personalidade expansiva, ativa e extrovertida. O choque entre personalidades tão antagônicas encontra pleno respaldo em uma atuação digna de aplausos por parte de Gyllenhaal. Dito isso é bom salientar também que não é um filme para todos os públicos. O clima enigmático, mas também opressor e cheio de nuances psicológicas, certamente não agradará a todo mundo. De qualquer maneira quem se aventurar pela película certamente será bem recompensado pois é de fato uma obra instigante e inteligente, algo cada vez mais raro nos dias atuais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 24 de agosto de 2014

Aranhas 3D

Título no Brasil: Aranhas 3D
Título Original: Spiders
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Nu Image Films
Direção: Tibor Takács
Roteiro: Joseph Farrugia, Tibor Takács
Elenco: William Hope, Shelly Varod, Brian Hankey

Sinopse:
Pedaços de um satélite russo caem em Nova Iorque. Dentro dos detritos surge uma estranha espécie de aranha que parece usar o corpo de pessoas e ratos como incubadoras de seus ovos. Em pouco tempo os insetos começam a tomar proporções inimagináveis, tomando de pânico as ruas da cidade, enquanto as forças armadas tentam parar o terrível ataque dos aracnídeos gigantes.

Comentários:
Imagine um filme atual com um roteiro trash dos anos 1950. Bom, é justamente isso que você encontrará aqui nesse "Aranhas 3D". A proposta é tentar recriar os filmes de aranhas gigantes do passado e para isso se usa da moderna tecnologia digital para dar vida aos monstros. Por falar neles são até bem realizados, embora levemente caricatos. Como é de se esperar nesse tipo de enredo elas vão ficando cada vez maiores até ganharem as ruas de uma Nova Iorque de mentirinha (na verdade o filme apesar de ser americano foi todo rodado em estúdio na cidade de Sofia, na Bulgária). Infelizmente a produção não consegue empolgar, tudo culpa do casal protagonista formado por dois atores canastrões e chatos até dizer chega! Afinal de contas uma pessoa que aluga um filme sobre aranhas gigantes espaciais não está interessado em ver um casal enfadonho discutindo sobre seu divórcio enquanto foge dos aracnídeos de dez metros! Assim você vai passar o filme todo torcendo para que eles sejam logo devorados, de tão irritantes que são. Assista se você gosta de monstros gigantes mas fique sabendo de antemão que o filme passa longe de ser algo bom ou marcante.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Última Foto de Elvis Presley

A Última Foto de Elvis Presley
"Só mais uma noite de curtição" - No dia 15 de agosto de 1977, às vésperas de uma excursão, Elvis acordou por volta das 4 horas da tarde e pediu seu breakfast. Como sempre, seu acordar era um processo difícil e vagaroso, uma trabalhosa inversão de seu estado físico e mental virtualmente paralisado por opiáceos e barbitúricos. Ao entardecer ele saiu para ver Lisa Marie, nos fundos de Graceland, brincar com um carrinho elétrico especialmente construído e que era o brinquedo preferido da menina. Sua mãe Priscilla a tinha mandado passar as férias com o pai, para distrair sua atenção do livro de West-Hebler. Para aquela noite Elvis havia planejado alugar um cinema para assistir alguns filmes, mas essa idéia teve que ser abandonada, pois o operador não poderia trabalhar a noite inteira e não tinha ninguém para substituí-lo. Assim Elvis decidiu ir ao dentista. Elvis deixou Graceland, na companhia de Ginger, Charlie Hodge e Billy Smith, quando eram 10 horas da noite. Quando Elvis voltou para casa, era quase meia noite e meia. Uma pequena multidão de fãs concentrava-se diante do portão musical. Um deles era Robert Call, de Princeton, Indiana, que tinha ido a Memphis com a esposa e a filha de quatro anos só para tirarem uma foto diante da famosa mansão, no portão musical. Assim que o carro de Elvis parou em frente ao portão, a Sra Call, com a filha no colo, aproximou-se da janela do carro, Elvis institivamente sorriu e abanou a mão. Nesse instante Robert Call fotografou-o com uma instamatic. Era a última das milhões de fotografias de Elvis Presley (ao lado).

Lá pelas duas e meia da madrugada, Elvis chamou Ginger ao seu escritório, onde ficaram construindo castelos no ar. Elvis disse que se casariam numa igreja de forma piramidal. Mas o principal era que Elvis planejava anunciar seu casamento durante o último show da excursão, no dia 27 de agosto, em Memphis. Haveria muitos convidados importantes: prefeitos, governadores, congressistas, juízes, altas patentes policiais. Ginger estava sem fôlego. Seria uma resposta ao livro de West-Hebler. Embora fosse 4 horas da manhã, a noite ainda era uma criança para Elvis. Depois dessa longa e esfuziante conversa com a amada, ele apanhou o telefone e chamou Billy Smith em sua casa, nos fundos de Graceland, e disse que acordasse sua esposa Jo, e se reunissem na quadra coberta, para um joquinho de raquetebol. Vestidos com abrigos esportivos, Ginger e o rei encontraram-se com Jo e o marido no ginásio. Elvis estava de muito bom humor e se pôs a jogar com Billy, enquanto as mulheres assistiam. Depois de um certo tempo o jogo foi interrompido. Depois de recuperado, Elvis sentou-se ao piano que havia no pequeno ginásio de esportes e cantou algumas canções. Quando os quatro deixaram o local já eram seis horas e o sol estava nascendo. De volta ao quarto Ginger se enfiou na cama de roupa e tudo, enquanto Elvis foi até o banheiro vestir um pijama azul. Depois ele ligou a enorme TV aos pés da cama, apanhou o livro "O Poder de Jesus" e deitou na cama.

Mas ele ainda não se sentia inclinado a dormir. Às 6:30hs da manhã ele chamou Ricky Stanley e pediu mais remédios para dormir. Ricky subiu com um par de comprimidos de Dilaudid. Às oito horas, Ginger ainda estava acordada e ouviu Elvis pedir mais comprimidos para dormir. Ela pensava que ele estava por demais nervoso com a excursão, como sempre ficava. Rickey então lhe trouxe a dose padrão de remédios, que incluía Quaaludes, Seconal, Tuinal, Amytal, Velium e dois tabletes de Demerol - oito comprimidos no total, uma dose fatal para qualquer ser humano, mas exatamente o que Elvis tomava toda manhã para conseguir dormir. Esta manhã, aparentemente, ele temia não conseguir dormir, porque logo que Rick saiu, Elvis telefonou ao Dr Nichopoulos para encomendar outras drogas (Marty Lacker testemunhou que, entre janeiro de 1971 a outubro de 1976, ele recebeu do Dr Nick mais de 6.464 doses de Placidyl, além de outras numerosas drogas; esse julgamento custou ao Dr Nick sua licença para exercer a medicina, medida que perdura até os dias de hoje). Grogue e quase dormindo, Ginger Alden, viu Elvis apanhar seu livro e se dirigir ao banheiro. - "Querida, vou ler um pouco", ele explicou. - "Está bem", ela respondeu, "mas não vá dormir". Elvis sorriu e disse: - "Não dormirei".

Seis horas depois, Ginger acordou e, como Elvis não estava ao seu lado, ela foi procurá-lo no banheiro. Como ele não respondia, ela abriu a porta e o encontrou caído no chão, em posição fetal. Era tarde demais. Tudo foi tentado, mas nada conseguiu revivê-lo. Às 3 horas da tarde do dia 16 de agosto de 1977, Elvis Presley foi declarado morto. Mas o Rei do Rock viverá eternamente, pois onde quer que ele esteja, saberá que nós ainda gostamos dele. E muito. Viva Elvis!

Alien - A Ressurreição

Título no Brasil: Alien - A Ressurreição
Título Original: Alien Resurrection
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Jean-Pierre Jeunet
Roteiro: Dan O'Bannon, Ronald Shusett
Elenco: Sigourney Weaver, Winona Ryder, Dominique Pinon

Sinopse:
Quarto e último filme da franquia original "Aliens". O enredo se passa 200 anos após o primeiro contato da tenente Ripley contra os Aliens (enredo visto em "Alien, O Oitavo Passageiro"). Obviamente ela está morta, mas seu DNA é mesclado com o DNA alienígena, dando origem ao clone denominado Ellen Ripley (Sigourney Weaver), criada para ser justamente uma super combatente contra a ameaça Alien que aterroriza a humanidade em um futuro sombrio.

Comentários:
Como ressuscitar uma franquia de sucesso que parecia encerrada de forma definitiva no filme anterior? Ora, com a criatividade de roteiristas bem pagos por produtores loucos para lucrarem novamente com a famosa marca "Aliens". Afinal de contas a Fox passava por problemas financeiros e era vital trazer de volta filmes de grande bilheteria do passado. O problema é que esse tipo de coisa pouco justifica a volta de uma trilogia que já havia se fechado muito bem em três boas produções que foram sucessos de crítica e público. Por essas e outras razões temos que reconhecer que "Alien: Resurrection" é um filme que só existe mesmo por puros motivos comerciais. O roteiro, truncado e oportunista até o último grau, não empolga mais e até a talentosa Sigourney Weaver (interpretando Ellen Ripley) não convence. A atriz parece quase pedir desculpas por estar presente nesse produto caça-níqueis. A direção foi entregue ao francês Jean-Pierre Jeunet que não tinha nenhuma experiência em filmes de ficção e isso acabou prejudicando ainda mais o resultado final. A conclusão é que a fórmula estava saturada e com um roteiro fraco desses a coisa só piorou. Melhor esquecer, principalmente se você é fã dos excelentes filmes anteriores.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Dez Minutos Para Morrer

Título no Brasil: Dez Minutos Para Morrer
Título Original: 10 to Midnight
Ano de Produção: 1983
País: Estados Unidos
Estúdio: Cannon Group
Direção: J. Lee Thompson
Roteiro: William Roberts
Elenco: Charles Bronson, Lisa Eilbacher, Andrew Stevens

Sinopse:
Charles Bronson interpreta Leo Kessler, um detetive do departamento de polícia de Los Angeles que se depara com um caso incomum: a morte de dezenas de jovens mulheres em sua jurisdição. Ao que tudo indica se trata mesmo de uma sucessão de crimes cometidos por um novo serial killer atuando em sua região. A caçada policial será das mais complicadas de sua carreira.

Comentários:
Eu considero esse um dos filmes mais subestimados dos anos 1980. Lançado no Brasil pela Globo Vídeo em VHS, a fita era surpreendemente bem realizada. Esqueça os filmes de pura ação de Charles Bronson na Cannon, pois aqui temos um roteiro bem trabalhado, com uma trama de mistério que prende a atenção do começo ao fim, envolvendo um serial killer sedutor, especializado em matar mulheres desavisadas que caíam em sua lábia e charme. De fato o irregular cineasta J. Lee Thompson acabou realizando um de seus melhores trabalhos. Bronson está em seu tipo habitual, a do sujeito durão que precisa caçar um psicopata perigoso mas que consegue ao mesmo tempo trazer alguma complexidade psicológica maior ao seu personagem, o que reforça o que foi dito antes, a de que o grande mérito do filme vem mesmo de seu roteiro, muito bem escrito, que merece ser redescoberto não apenas pelos fãs em geral de filmes de ação e psicopatas mas também e principalmente pelos admiradores do trabalho do ator Charles Bronson, aqui em um dos melhores momentos de sua carreira no cinema.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 23 de agosto de 2014

A Espada Era a Lei

Título no Brasil: A Espada Era a Lei
Título Original: The Sword in the Stone
Ano de Produção: 1963
País: Estados Unidos
Estúdio: Walt Disney Pictures
Direção: Wolfgang Reitherman
Roteiro: Bill Peet, T.H. White
Elenco: Rickie Sorensen, Sebastian Cabot, Karl Swenson

Sinopse:
Com a morte do Rei da Inglaterra o país fica sem um monarca pois ele não deixou herdeiros e nem sucessores. Um jovem rapaz órfão chamado Arthur é escolhido pelo mago Merlim para um dia ser o futuro soberano da nação, mas antes precisará passar por um treinamento muito especial dado pelo seu sábio mentor. Filme indicado ao Oscar de Melhor Música (George Bruns).

Comentários:
Por muitos anos Walt Disney teve o sonho de adaptar a lendária estória do Rei Arthur e seus cavaleiros da távola redonda. Três anos antes de sua morte realizou esse sonho ao lançar esse longa-metragem. Como era um homem de grande visão entendeu que contar o enredo tradicional seria muito óbvio, por isso optou por esse script onde era narrado os acontecimentos da juventude de Arthur, antes dele retirar a famosa espada Excalibur da pedra! A animação é muito simpática e já traz características que iriam se tornar a marca registrada do estúdio na década seguinte, como por exemplo os traços fortes embalados por roteiros bem enxutos. Aqui temos uma estorinha bem simples, onde Merlim vai ensinando ao seu pupilo Arthur algumas lições de vida ao lhe transformar em um peixinho, um passarinho e um esquilo. Tudo bem pueril, bem de acordo com a filosofia Disney de ensinar encantando. Não é dos desenhos mais lembrados do estúdio mas certamente é um dos mais carismáticos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Síndrome da China

Título no Brasil: A Síndrome da China
Título Original: The China Syndrome
Ano de Produção: 1979
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: James Bridges
Roteiro: Mike Gray, T.S. Cook
Elenco: Jane Fonda, Jack Lemmon, Michael Douglas

Sinopse:
Durante uma reportagem investigativa a jornalista Kimberly Wells (Jane Fonda) e seu cinegrafista Richard Adams (Michael Douglas) descobrem uma série de falhas de segurança numa usina nuclear. Jack Godell (Jack Lemmon), um engenheiro da usina, decide colaborar com eles para mostrar os riscos que todos correm por causa dos inúmeros problemas na usina. Filme indicado ao Oscar nas categorias Melhor Ator Coadjuvante (Jack Lemmon), Melhor Atriz Coadjuvante (Jane Fonda), Melhor Roteiro e Melhor Direção de Arte. Vencedor do BAFTA Awards nas categorias de Melhor Ator (Jack Lemmon) e Melhor Atriz (Jane Fonda).

Comentários:
Hoje em dia a carreira de Michael Douglas está resumida em comediazinhas bobas que tentam fazer graça de sua idade. Pois bem, o tempo cobra seu preço. Em nada lembra o jovem ator engajado politicamente do começo de sua carreira, não apenas como intérprete mas também como produtor. Nos anos 1970 ele ainda estava tentando sair da sombra de seu pai, o grande Kirk Douglas, e procurava por um caminho próprio. Para sua sorte caiu em suas mãos o script de "The China Syndrome", um texto que denunciava os perigos da energia nuclear e a falta de cuidado que existia dentro das inúmeras usinas nucleares espalhadas pelo território americano. Ele achou ótimo aquele texto e resolveu ele próprio produzir o filme. Por uma ironia do destino poucas semanas antes da produção ser lançada nos cinemas ocorreu um desastre real numa usina americana, o que trouxe uma publicidade extra para a película que logo se transformaria em um sucesso de público e crítica. Além de Douglas ainda temos a presença de dois nomes de expressão na história do cinema no elenco, Jane Fonda (a liberal que sempre procurava por temas intrigantes no campo político) e Jack Lemmon (que surge em um papel atípico, bem longe de suas comédias sofisticadas). Assim deixamos a dica dessa produção que causou grande impacto em seu lançamento mas que hoje em dia anda pouco lembrada, infelizmente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Michael Jackson - Off the Wall

Título Original: Off the Wall
Artista: Michael Jackson
Ano de Produção: 1979
País: Estados Unidos
Estúdio / Selo: Epic
Produção: Quincy Jones, Michael Jackson
Formato Original: Vinil
Músicos: Michael Jackson, Randy Jackson, Larry Carlton, David Foster, Louis Johnson, John "JR" Robinson, Phil Upchurch, David Williams, entre outros.

Faixas:
Don't Stop 'Til You Get Enough / Rock with You / Working Day and Night /  Get on the Floor / Off the Wall / Girlfriend / She's Out of My Life / I Can't Help It / It's the Falling in Love / Burn This Disco Out. 

Comentários:
Não é o primeiro disco solo da carreira de Michael Jackson como muitos escrevem por aí. Na verdade Michael já tinha gravado discos solos  antes, quando era apenas um garoto como por exemplo "Got to Be There" e "Ben", ambos de 1972 ainda no selo Motown. Aqui o que temos é o primeiro álbum solo da fase mais magnífica da carreira do cantor quando ele começou a se tornar um artista ícone do mundo pop. Não resta dúvidas que a musicalidade desse disco marcou toda uma época. Praticamente todas as faixas viraram hits e Michael começou sua escalada rumo ao Olimpo dos deuses do mundo da música. Seu álbum seguinte, "Thriller" de 1982, se tornaria o disco mais vendido de todos os tempos. Importante chamar a atenção para o fato de que todos os maneirismos vocais e de performance que Michael iria polir à perfeição no disco seguinte já podem ser encontrados aqui nessas faixas. Em termos de composição Michael ainda se utiliza de outros compositores como o aclamado Stevie Wonder (que escreveu a ótima "I Can't Help It") e Paul McCartney (que tem sua simpática "Girlfriend" do disco "London Town" regravada em excelente versão de Jackson). É um disco coeso, ainda com nuances do movimento Disco que imperava nas paradas daquela época. Um álbum feito para tocar nas rádios e fazer sucesso, algo que Michael Jackson sabia fazer muito bem.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Última Viagem a Vegas

Título no Brasil: Última Viagem a Vegas
Título Original: Last Vegas
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Jon Turteltaub
Roteiro: Dan Fogelman
Elenco: Robert De Niro, Michael Douglas, Morgan Freeman, Kevin Kline, Mary Steenburgen

Sinopse:
Prestes a completar 70 anos de idade, o bem sucedido empresário Billy (Michael Douglas) decide se casar com uma garota 40 anos mais jovem do que ele em Las Vegas. Para a festa ficar completa ele resolve convidar seus três mais antigos amigos (De Niro, Kline e Freeman). O reencontro será uma boa oportunidade para repensar suas decisões e lembrar aspectos de sua vida há bastante tempo adormecidos.

Comentários:
Tinha tudo para ser no mínimo interessante, afinal de contas com um elenco desses... mas infelizmente não há muito o que celebrar. "Last Vegas" perde todas as oportunidades de ser um filme relevante. Dois terços do enredo é desperdiçado ao mostrar os atores veteranos fazendo piadas com a própria idade, tentando se divertir no meio de um bando de jovens selvagens na chamada cidade do pecado. No terço final o roteiro ainda tenta trabalhar um pouco os personagens de Robert De Niro e Michael Douglas mas sinceramente falando é tudo em vão. Não há como desenvolver melhor papéis tão sem importância ou profundidade. Pior se saem Morgan Freeman e Kevin Kline que viram meras escadas engraçadinhas para o restante do elenco. A impressão que fica foi que o estúdio tentou vender o filme como se fosse um "Se Beber, Não Case!" da terceira idade mas ficou a ver navios. No final fica aquele gosto de melancolia de ver tantos atores importantes desperdiçados em um filme tão vazio.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Buffalo '66

Título no Brasil: Buffalo '66
Título Original: Buffalo '66
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Lions Gate Films
Direção: Vincent Gallo
Roteiro: Vincent Gallo
Elenco: Vincent Gallo, Christina Ricci, Ben Gazzara, Mickey Rourke

Sinopse:
Billy Brown (Vincent Gallo) deixa a prisão após cumprir sua pena e decide voltar para sua cidade natal, Buffalo! A família mal sabe o que ele tem feito no últimos anos e por isso Billy decide que não quer retornar como um fracassado, um derrotado na vida. Por isso acaba fazendo a jovem Layla (Christina Ricci) de refém. Ela deve ir com ele até a casa de seus pais e fingir que é sua amada esposa, caso contrário ele a matará!

Comentários:
Um filme bem sui generis, produto do conceito do ator, diretor e roteirista Vincent Gallo que quis retratar a mediocridade da típica família americana. A mãe é uma fanática por esportes, em especial o time de futebol americano de sua cidade natal Buffalo. O pai é um sujeito rude, dado a acessos de fúria, irascível e ainda prisioneiro do passado, quando almejava ter uma carreira de cantor ao velho estilo, seguindo os passos de Frank Sinatra. De um ambiente familiar tão disfuncional não poderia sair grande coisa. O filho Billy Brown (Vincent Gallo) acaba sendo o produto desse ambiente doentio e fora dos eixos. O roteiro explora momentos de puro desconforto, quando por exemplo a família se reúne na mesa para o jantar e todos se mostram ou dispersos ou desequilibrados. Vincent Gallo está excelente em seu personagem, assim como Christina Ricci que consegue até mesmo ser sensual no meio daquela casa de insanos. Por fim um pequeno brinde, a participação de Mickey Rourke, naquela época vivendo o inferno astral de sua carreira. Ele interpreta um bookmaker que não está disposto a perdoar uma dívida de 10 mil dólares de Billy. A mistura de tantos elementos não poderia resultar em outra coisa a não ser um pequeno filme independente perturbador, mas também muito talentoso em seu resultado final.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Expresso Para o Inferno

Título no Brasil: Expresso Para o Inferno
Título Original: Runaway Train
Ano de Produção: 1985
País: Estados Unidos
Estúdio: Cannon Group
Direção: Andrey Konchalovskiy
Roteiro: Djordje Milicevic, Paul Zindel
Elenco: Jon Voight, Eric Roberts, Rebecca De Mornay

Sinopse:
Dois prisioneiros, Manny (Jon Voight) e Buck (Eric Roberts), decidem fugir de uma prisão de segurança máxima no Alasca. Após conseguirem passar pelos muros do local precisam enfrentar e sobreviver na inóspita região gelada e hostil, eternamente coberta de neve. Sua esperança é entrar em um trem que está partindo de lá, mas a viagem certamente será das mais perigosas. Filme indicado ao Oscar nas categorias Melhor Ator (Jon Voight), Melhor Ator Coadjuvante (Eric Roberts) e Melhor Edição. Vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator (Jon Voight).

Comentários:
Mais um pequeno clássico da era do VHS. Muitas pessoas acusam a produtora Cannon de só ter produzido fitinhas de ação sem muita relevância em termos de arte cinematográfica. Ora, essa é uma visão muito simplista. Basta lembrar desse "Runaway Train". O filme conta com um excelente elenco - além do inspirado Jon Voight em uma de suas melhores atuações o espectador ainda tem a bela e exótica Rebecca De Mornay, ela que iria nos anos seguintes ter uma ótima fase na carreira estrelando suspenses de boa qualidade como por exemplo "A Mão Que Balança o Berço" e "Louca Obsessão". Outra presença que não pode ser ignorada é a do diretor russo Andrey Konchalovskiy. Ele imprime um ritmo sufocante ao espectador, o que acentua o tom de suspense e tensão da fita que ainda se aproveita maravilhosamente bem da natureza gelada e hostil do Alaska, onde o filme foi rodado. Por fim uma curiosidade: o filme era um dos preferidos do ator Marlon Brando, que não cansou de elogiar a produção em sua autobiografia chamada "Canções Que Minha Mãe Me Ensinou".

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Jogos Mortais 2

Título no Brasil: Jogos Mortais 2
Título Original: Saw II
Ano de Produção: 2005
País: Estados Unidos
Estúdio: Lions Gate Films
Direção: Darren Lynn Bousman
Roteiro: Leigh Whannell, Darren Lynn Bousman
Elenco: Donnie Wahlberg, Beverley Mitchell, Franky G

Sinopse:
O Detetive Eric Matthews (Donnie Wahlberg) investiga um assassinato quando acaba descobrindo o envolvimento do psicopata Jigsaw (Tobin Bell) no crime mas não isso não é tudo: ele também mantém sete pessoas presas, envolvidas em um novo jogo mortal onde precisam localizar um antídoto contra um gás mortal que será lançado neles, caso não consigam vencer o desafio. Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films na categoria Melhor Filme de Terror.

Comentários:
Segundo filme da franquia "Saw". Até hoje fico surpreso com a enorme quantidade de filmes que foram lançados em cima do personagem Jigsaw em tão pouco tempo. Esse aqui ainda mantém a qualidade que fez a fama da série. As armações de Jigsaw são bem armadas, verdadeiras armadilhas assassinas. O filme tem um bom roteiro e na direção o toque do jovem e talentoso cineasta Darren Lynn Bousman que acabou agradando tanto ao estúdio que voltaria à franquia com "Jogos Mortais 3" em 2006 e "Jogos Mortais 4" em 2007. No geral é mais um gore violento e sanguinário, o que convenhamos é justamente o que espera o público alvo desse tipo de fita. No final das contas a criatividade na idealização das mortes e o jogo sádico de Jigsaw são os principais fatores que conseguem manter o interesse do espectador do começo ao fim.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Fim dos Dias

Título no Brasil: O Fim dos Dias
Título Original: End of Days
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Peter Hyams
Roteiro: Andrew W. Marlowe
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Gabriel Byrne, Robin Tunney

Sinopse:
Jericho Cane (Arnold Schwarzenegger) é um sujeito que vive um verdadeiro inferno astral. Após perder sua família em um atentado terrorista ele precisa encontrar um novo motivo para seguir em frente com sua vida. Acaba encontrando no desafio de enfrentar o próprio diabo em pessoa que planeja mais uma vez destruir a humanidade.

Comentários:
Depois do fracasso comercial e de crítica de "Batman & Robin" o ator Arnold Schwarzenegger resolveu dar um tempo. Além do aborrecimento natural de participar de um filme que não deu certo ainda houve problemas de saúde que ele teria que resolver. O ator participou de uma operação cardíaca e por isso ficou dois anos fora das telas de cinema. O filme que marcou sua volta foi justamente esse "End of Days". Muitos críticos não gostaram da proposta de se misturar dois gêneros tão diferentes, a das fitas de ação com terror e suspense, mas penso diferente. Particularmente gostei do resultado final. Obviamente que passado tanto tempo os efeitos especiais já não vão causar maior impacto (qualquer videogame hoje em dia é mais bem feito) mas o interesse na trama e no clima de realismo fantástico se mantém. Curiosamente o resultado comercial conseguiu amenizar os danos do filme anterior e de certa forma levantaram novamente a carreira de Arnold Schwarzenegger, que também começava a se interessar cada vez mais na política, algo que novamente iria deixar o ator fora das telas por um longo tempo. De qualquer maneira fica a dica caso você ainda não tenha assistido. Vale a pena ver o velho e bom Schwarzenegger novamente em ação.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Boys of Abu Ghraib

Título no Brasil: Ainda Sem Título Definido
Título Original: Boys of Abu Ghraib
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Rebel One Pictures
Direção: Luke Moran
Roteiro: Luke Moran
Elenco: Luke Moran, Sean Astin, Sara Paxton

Sinopse:
Jack Farmer (Luke Moran) é um jovem americano que decide se alistar nas forças armadas após os atentados de 11 de Setembro. Ele deixa na América sua namorada e uma família maravilhosa. Ao chegar no Iraque ele acaba sendo designado para a prisão de Abu Ghraib, onde estão alguns dos mais perigosos terroristas do mundo.

Comentários:
Pequeno filme do cinema independente americano que se revela uma grata surpresa logo nas primeiras cenas. Isso porque você pensa que se trata de mais uma daquelas fitinhas B de ação que estão sendo realizadas em massa depois da intervenção americana no Iraque e acaba descobrindo que não é nada disso. E então eis que de repente surge um enredo mais do que interessante, mostrando a estressante rotina de um jovem soldado na prisão de segurança máxima de Abu Ghraib, aquela mesma onde aconteceram aquelas terríveis torturas promovidas contra os presos, considerados terroristas internacionais. A produção informa que se trata de um filme baseado em fatos reais. O curioso na trajetória do protagonista é que ele começa sua função ficando completamente enojado com o que está acontecendo por trás daqueles muros mas depois, quando cai na real e se decepciona com um dos prisioneiros - ele pensava que era um inocente mas descobre que ele é de fato um terrorista - começa a agir da forma mais agressiva possível contra os que estão lá, atrás das grades. Um filme pequeno, mas no final das contas muito bom, acima de média mesmo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

300 - A Ascensão do Império

Título no Brasil: 300 - A Ascensão do Império
Título Original: 300 - Rise of an Empire
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros, Legendary Pictures
Direção: Noam Murro
Roteiro: Zack Snyder, Kurt Johnstad
Elenco: Sullivan Stapleton, Eva Green, Lena Headey

Sinopse:
O mundo grego está em chamas. O monarca persa Xerxes (Rodrigo Santoro) está determinado a destruir todas as cidades-estado gregas em vingança contra a morte de seu pai, o grande Dario, na batalha de Maratona. Do lado grego se destaca a genialidade estratégica do general ateniense Themistocles (Sullivan Stapleton) que está disposto a morrer pela democracia ao invés de se render ao tirano sanguinário da Pérsia.

Comentários:
Essa produção foi recebida com certa reserva por parte da crítica e público, mas acabei gostando do resultado final. O que mais me chamou a atenção foi a habilidade dos roteiristas em contar o mesmo evento histórico retratado no primeiro filme mas agora sob o ponto de vista dos atenienses e demais gregos que naquele momento enfrentavam a invasão do Império Persa. No primeiro filme o roteiro se concentrou completamente na luta de Esparta, do Rei Leônidas e seus 300 bravos guerreiros. Agora a trama é vista sob uma ótica bem mais ampla e geral. Há também o enfoque sobre uma nova personagem, a líder das tropas persas que na realidade é uma grega, Artemisia (Eva Green). A estética segue os passos do primeiro filme tentando recriar nas telas o clima da Graphic Novel de Frank Miller que lhe deu origem. Por isso pode esperar por uma violência estética bem ao estilo do que foi visto no primeiro filme. O clima de realismo fantástico onde eventos históricos reais convivem com pura fantasia também está muito bem explorado ao longo da trama. Não vejo porque alguns setores da crítica malharam tanto esse "300 - Rise of an Empire" pois entendo que está bem na média da franquia ao qual pertence.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Lloyd Price

Um cantor e compositor extremamente talentoso que infelizmente é pouco lembrado nos dias de hoje. Nos anos 1950 Lloyd Price era um astro e não apenas restrito à comunidade negra como era de se esperar, pois conseguiu se destacar nas principais paradas de sucesso como a Top 100 da Billboard.

Com apenas 19 anos ele ousou e lançou seu próprio selo denominado KRC Records, pois como o próprio Lloyd explicaria anos depois: "Se ninguém acreditava em meu sucesso, eu tinha que me lançar sozinho mesmo!". O resultado de sua confiança foi o hit "Just Because" que logo tornou um campeão de vendas.

Depois disso ele conseguiu uma sucessão de hits, começando com o single "Lawdy Miss Clawdy" que trazia a canção "Mailman Blues" no lado B. Juntas alcançaram o feito de vender mais de um milhão de cópias em seu lançamento.  "Where You At", "Walkin' The Track" e principalmente "Ain't It A Shame" mantiveram o nome de Price no topo. No selo ABC-Paramount conseguiu seus maiores sucessos. Infelizmente os tempos logo iriam mudar, o rock ganharia uma nova roupagem com astros feitos especialmente para o mercado branco e nesse processo Price ficaria cada vez mais ofuscado.

De qualquer maneira as inúmeras regravações de seus sucessos, vindas de gente como Elvis Presley e John Lennon, manteria sua chama acessa pelos anos seguintes. O devido reconhecimento porém só viria muitos anos depois quando Lloyd foi finalmente introduzido no Hall da Fama do Rock and Roll em 1998. Uma homenagem mais do que justa, embora tardia.

Pablo Aluísio.

O Que Será de Nozes?

Título no Brasil: O Que Será de Nozes?
Título Original: The Nut Job
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos, Canadá, Coréia do Sul
Estúdio: Gulfstream Pictures
Direção: Peter Lepeniotis
Roteiro: Lorne Cameron, Peter Lepeniotis,
Elenco: Will Arnett, Brendan Fraser, Liam Neeson, Katherine Heigl 

Sinopse:
Surly (Will Arnett) é um esquilo esperto, mas individualista, que após uma confusão com um carrinho em seu parque acaba ocasionando a destruição de todo o depósito de comida dos bichinhos da região onde mora. Banido do parque ele precisa agora se virar na cidade grande, algo que não será nada fácil. Filme indicado ao prêmio da Canadian Cinema Editors Awards na categoria melhor edição em animação.

Comentários:
Essa pequena animação, uma produção conjunta entre três países - Estados Unidos, Canadá e Coréia do Sul - surpreende não por sua qualidade técnica ou pelo roteiro, mas sim pelo quarteto de astros do cinema americano que reuniu! Imagine ouvir dublando os esquilos esse grupo de atores e atrizes populares de Hollywood, a começar pelos comediantes Will Arnett (bastante conhecido nos Estados Unidos pelo programa Saturday Night Live), Brendan Fraser (nosso velho conhecido da franquia "A Múmia" e tantos outros filmes). Completando temos o herói de ação Liam Neeson (complicado entender o que estaria fazendo aqui) e Katherine Heigl (estrela de Grey´s Anatomy, tentando se agarrar ao cinema após alguns fracassos em seu gênero preferido, a das comédias românticas). Alguns observadores mais cínicos poderia até dizer que todos eles estão de alguma forma em declínio na carreira, mas isso seria apenas parte da verdade uma vez que participar de animações no mercado americano não é sinônimo de decadência artística. De uma forma ou outra, se concentrando apenas no filme em si, temos que chamar a atenção para o fato de que não é das animações mais inspiradas ou talentosas. O traço lembra animações tradicionais mais antigas, embora tenha sido realizado por computação gráfica. No geral o resultado final se mostra apenas mediano.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Os Produtores

Título no Brasil: Os Produtores
Título Original: The Producers
Ano de Produção: 2005
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures, Columbia Pictures
Direção: Susan Stroman
Roteiro: Mel Brooks, Thomas Meehan
Elenco: Nathan Lane, Matthew Broderick, Uma Thurman, Will Ferrell

Sinopse:
Depois de mais um fracasso nos palcos, um produtor de teatro, Max Bialystock (Nathan Lane), resolve armar um golpe ao lado de seu contador (interpretado por Broderick) para ganhar muito dinheiro com a grana dos investidores da peça. O golpe porém só dará certo se a peça fracassar completamente, mas para surpresa de todos o musical chamado "Primavera para Hitler" acaba se tornando um enorme sucesso de público! Filme Indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Musical ou comédia, Melhor ator (Nathan Lane), Melhor Ator Coadjuvante (Will Ferrell) e Melhor Trilha Sonora Original.

Comentários:
Nem tudo o que dá certo na Broadway funciona no cinema. Tiro essa conclusão após assistir a esse "The Producers" que é considerado um dos maiores sucessos de público e crítica nos palcos de Nova Iorque. A adaptação para o cinema foi realizada por praticamente os mesmos responsáveis pela peça que estava em cartaz na mesma época em que o filme foi produzido mas o charme se foi... O que pode ter acontecido? Acredito que são linguagens que nem sempre se completam perfeitamente. Na Broadway provavelmente seja mesmo um arraso, as músicas, o roteiro com aquela doce farsa que funciona muito bem ao vivo mas nas telas a coisa toda ficou plastificada demais, sem vida, sem encanto. Certamente essa minha opinião vai ser considerada ácida por muitas pessoas que gostam de musicais e provavelmente tenham gostado do resultado dessa adaptação. Eu particularmente não curti. Da próxima vez tentarei ver nos palcos para ver se lá também ainda funciona.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

A Supremacia Bourne

Título no Brasil: A Supremacia Bourne
Título Original: The Bourne Supremacy
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Paul Greengrass
Roteiro: Robert Ludlum, Tony Gilroy
Elenco: Matt Damon, Franka Potente, Joan Allen

Sinopse:
O ex-agente Jason Bourne (Matt Damon) continua tentando recriar e juntar pedaços de seu passado para compreender o que se passa no presente. Enquanto tenta descobrir todas as nuances de um passado que foi apagado de sua memória vai tentando sobreviver aos vários atentados contra sua vida. Sua única certeza é que pessoas poderosas o querem ver morto o mais rápidamente possível. Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films nas categorias Melhor Filme de Ação e Melhor Ator (Matt Damon).

Comentários:
Segundo filme da franquia "Bourne" cuja trilogia com Matt Damon seria encerrada em 2007 com "O Ultimato Bourne". Esse foi um filme que passou por muitos problemas nos bastidores, principalmente a saída do diretor Doug Liman, que tinha feito um excelente trabalho no primeiro filme. Em seu lugar a Universal Pictures trouxe o cineasta inglês Paul Greengrass que nunca havia dirigido uma fita de ação como essa. Apesar dos receios o resultado se mostrou bem satisfatório. Greengrass trouxe para a franquia um certo charme e elegância, tipicamente europeus, o que deixou o filme com um inevitável sabor de obra sofisticada. Matt Damon também se esforçou fisicamente para mostrar mais serviço nas cenas de ação e se deu muito bem, se tornando mais convincente, já que no filme original ele ainda deixava passar um pouco de inexperiência para a tela nesse aspecto. O saldo final de toda essa salada? Um filme redondinho, bem realizado e que apesar de apresentar alguns furos de lógica no roteiro, consegue divertir e até mesmo surpreender em muitos momentos. Para um filme de ação dos tempos atuais já está de bom tamanho. Pode cair de cabeça na película sem receios e boa diversão.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Noé

Título no Brasil: Noé
Título Original: Noah
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Darren Aronofsky, Ari Handel
Elenco: Russell Crowe, Jennifer Connelly, Anthony Hopkins, Emma Watson

Sinopse:
O sangue de Caim se espalha na humanidade. A criação de Deus desaponta completamente os anseios de seu criador. Descontente resolve varrer os descendentes do assassino Caim do mundo e para isso manda seu fiel servo, Noé, construir uma grande arca para colocar todas as espécies animais do mundo, as salvando da destruição que se avizinha. Os anos mostrarão a Noé e sua família que essa certamente não será uma tarefa fácil ou destituída de muitos problemas e aflições pessoais.

Comentários:
Há duas formas de encarar "Noé". A primeira seria como um filme religioso, baseado no clássico texto bíblico. A segunda seria como um mero entretenimento do cinema mais comercial de Hollywood. Pois bem, se formos entender "Noé" como algo com alguma profundidade teológica certamente o resultado será bem decepcionante. Do ponto de vista meramente religioso a produção é de fato bem desastrosa. Não é fiel às escrituras e nem traz qualquer mensagem mais profunda nesse sentido. Na realidade já desconfiava disso bem antes de ver o filme, já que os produtores tentaram trazer para a película a benção do Papa Francisco e não conseguiram. Foram inclusive ao Vaticano mas não conseguiram uma audiência com o Papa. Não era para conseguir mesmo com esse tipo de roteiro. Assim se você é uma pessoa religiosa e está em busca de um bom filme sobre o personagem bíblico é melhor esquecer. A outra forma de encarar "Noé" é como pura diversão, mero entretenimento. Sob esse ponto de vista não há como negar que o filme de fato até diverte. Chego a dizer que seria algo como um "Senhor dos Anéis encontra Noé". Há gigantes de pedra que se transformam em anjos, batalhas épicas e é claro muitos efeitos digitais, por todos os lados - e nem preciso dizer que são extremamente bem realizados. O elenco é muito bom e todos os atores estão bem, mesmo com os diversos furos de lógica do script (inventaram um monte de coisas que simplesmente não estão presentes na Bíblia e nem fazem muito sentido). Russel Crowe não é muito convincente do ponto de vista físico como o ancião Noé, mas mesmo assim consegue dar certa dignidade ao papel. Pena que tenham se distanciado tanto do texto original do gênesis. Se tivessem seguido mais fielmente o que está escrito na Bíblia sem dúvida poderíamos ter uma pequena obra prima em mãos. Do jeito que ficou serve apenas para uma tarde com diversão desprentesiosa, com muita pipoca e refrigerante em mãos. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Vampiros De John Carpenter

Título no Brasil: Vampiros De John Carpenter
Título Original: Vampires
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: John Carpenter
Roteiro: John Steakley, Don Jakoby
Elenco: James Woods, Daniel Baldwin, Sheryl Lee

Sinopse:
Preocupado em eliminar de uma vez por todas com a infame raça dos vampiros que ainda rastejam sobre a Terra, o Vaticano decide enviar um de seus melhores caçadores de monstros da noite, o conhecido Jack Crow (James Woods), até o deserto do Novo México onde ao que tudo indica existe um ninho de vampiros liderado pelo infame Valek (Thomas Ian Griffith). Filme vencedor do Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films nas categorias Melhor Ator (James Woods), Melhor Trilha Sonora (John Carpenter) e Melhor Maquiagem. Também indicado aos prêmios de Melhor Atriz Coadjuvante (Sheryl Lee) e Melhor Filme de Terror.

Comentários:
O fato de terem dado o título ao filme com uma clara referência ao nome do diretor já mostra bem o tamanho do prestígio de John Carpenter no meio Sci-fi. De fato é um grande mestre, um diretor de obras primas do gênero como "Halloween - A Noite do Terror" e "O Enigma de Outro Mundo", ambos filmes que até hoje em dia são cultuados. Aqui Carpenter resolveu trilhar um caminho diferente, apostando nos sanguinários seres noturnos de dentes pontiagudos. Tentando fugir o máximo possível do clichê situou seu enredo em um dos lugares menos prováveis para se encontrar um sugador de pescoços, o próprio deserto, com seu sol devastador e onipresente. O resultado dessa estranha mistura até se revela interessante, mas nunca consegue chegar a um ponto de se tornar um grande filme. Tudo é bem violento e os ataques mostrados em detalhes cirúrgicos, algo que foge um pouco do estilo do diretor que sempre optou em sua carreira pelo suspense e sugestão, ao invés de expor as vísceras de seus personagens como acontece aqui. Há claras falhas no roteiro e quem acaba segurando a barra no final das contas é o elenco, quem diria. Principalmente o trio principal formado por James Woods, Daniel Baldwin e Sheryl Lee (uma linda atriz cuja carreira infelizmente não decolou). Nesse ponto pode-se acusar eles de qualquer coisa, menos de que não quiseram vestir a camisa do filme. Vestiram sim, mas foi pouco para levantar o filme como um todo. É aquele tipo de produção que nunca cumpre tudo aquilo que prometeu e por isso se torna cada vez menos interessante com o desenvolvimento do enredo. No final o gostinho não é de sangue, mas de leve decepção mesmo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.