domingo, 31 de agosto de 2014

Beatles: Quem foi o verdadeiro Sargento Pepper?

Beatles: Quem foi o verdadeiro Sargento Pepper? A imagem retratada no disco "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" que mais parecia ser uma figura sem identificação de um livro de história era a de uma pessoa real. Seu nome era James Melvin Babington. Isso foi revelado pelo autor Bruce Spizer em seu livro "The Beatles and Sgt. Pepper: A Fans 'Perspective ". Pela primeira vez se sabe alguma coisa da história do verdadeiro Sargento Pepper.

Spizer, que falou sobre a descoberta e o seu novo livro nessa semana no podcast semanal sobre os Beatles chamado "Things We Said Today", creditou a descoberta a Frank Daniels, que escreveu um ensaio para o livro sobre Babington sob o pseudo nome de Max Gretinski. "Nós dois tentamos superar um ao outro com a descoberta de coisas obscuras sobre o disco. Era uma brincadeira que provavelmente só interessaria a nós dois e a outras 15 pessoas no mundo!", disse o escritor no programa de rádio. A identidade de Babington foi confirmada por um dos homens envolvidos na criação da capa, disse Spizer.

O Sgt Pepper ou melhor dizendo James Melvin Babington. foi um militar do exército britânico no século XVIII. Ele fez parte do décimo sexto batalhão dos lanceiros ingleses que lutaram na África do Sul. Sua imagem foi retirada de um velho livro chamado "Grandes Heróis do Exército". Provavelmente o criador da capa do disco dos Beatles encontrou sua imagem em uma coleção de cartões que eram vendidos naquela época. É praticamente certo que esse foi o seu modelo. A revelação vem para celebrar os 50 anos de lançamentos do famoso disco dos Beatles.

Pablo Aluísio.

sábado, 30 de agosto de 2014

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

Título no Brasil: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
Título Original: Harry Potter and the Prisoner of Azkaban
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Alfonso Cuarón
Roteiro: Steve Kloves, baseado na obra de J.K. Rowling
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Gary Oldman, Alan Rickman, Emma Thompson, Maggie Smith, Julie Christie

Sinopse:
Harry Potter (Daniel Radcliffe) retorna para Hogwarts, em seu terceiro ano na famosa escola de bruxos e magos. Agora terá que lidar com uma nova ameaça, após a fuga do assassino Sirius Black (Gary Oldman) da prisão de Azkaban. O objetivo do criminoso foragido e encontrar Potter para um desafio de vida ou morte. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Trilha Sonora (John Williams) e Melhores Efeitos Especiais. Também indicado a nove prêmios da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, entre eles Melhor Filme de Fantasia, Direção e Ator Coadjuvante (Gary Oldman).

Comentários:
Considero um dos melhores filmes da franquia Harry Potter. Isso se deve muito ao elenco e à direção que foi entregue ao talentoso Alfonso Cuarón (cineasta mexicano que havia se destacado por dirigir, entre outros, "Grandes Esperanças", sendo que recentemente foi destaque por ter realizado o que para muitos é sua maior obra prima, "Gravidade"). Além da direção diferenciada e caprichada, essa produção contou ainda com um time de atores coadjuvantes de primeira linha, a começar por Gary Oldman (deitando e rolando como Sirius Black), Emma Thompson (que aceitou interpretar a professora Sybil Trelawney para impressionar sua filhinha de apenas quatro anos, fã assumida de Harry Potter) e Julie Christie (para quem não sabe, um mito da era de ouro do cinema americano, a eterna Lara de "Dr. Jivago", aqui dando vida a uma personagem meramente secundária, Madame Rosmerta). Outro destaque do elenco vem da estréia do ator Michael Gambon na pele do mago Albus Dumbledore. Ele assumiu o papel após a morte de Richard Harris, falecido em 2002 após concluir sua participação em "Harry Potter e a Câmara Secreta". Além desses ótimos atores e atrizes em cena, o filme ainda se destaca pela excelente direção de arte e pela trama, uma das melhores escritas por J.K. Rowling. Enfim, realmente se tivesse que escolher o melhor filme da franquia pensaria seriamente em apontar para esse, onde todas as peças parecem estar no lugar certo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Memphis Celebrates 50 Years of Rock 'n' Roll

50 anos depois da gravação do que para muitos foi o primeiro Rock'n Roll da história, na legendária Sun Records, no dia 05 de julho de 1954, milhares de pessoas celebraram esta data histórica com uma série de eventos em Memphis - lugar onde este ritmo também nasceu e onde o maior ídolo do Rock de todos os tempos, Elvis Presley, iniciou sua carreira. E nada melhor do que comemorar com música. Assim foi lançado esse CD especial, que teve em sua seleção várias gravações originais de artistas que fizeram parte do nascimento do mais popular ritmo do século XX. Todos passaram por Memphis em algum momento de sua carreira. A seleção é de peso e conta com Elvis Presley, Johnny Cash, Aretha Franklin, B.B. King, Otis Redding, Jerry Lee Lewis, Roy Orbinson e Dusty Springfield, dentre outros. Não gosto muito de coletâneas mas elas tem seus méritos, entre eles iniciar os jovens na história do rock mundial dando a eles a oportunidade de ouvir o som dos pioneiros do ritmo em gravações originais. Depois de uma apresentação como essa se pode partir para vôos mais altos certamente.

Na verdade embora alguns fãs procurem pelo marco zero do nascimento do Rock os historiadores concordam que esse momento simplesmente não existiu. Na verdade o ritmo que ficou conhecido como Rock ´n´ Roll nada mais foi do que uma criação realmente coletiva, que contou com centenas de artistas, famosos ou não, negros e brancos, que foram ao longo dos anos incorporando novidades, fundindo outros gêneros, até dar uma alma ao novo estilo musical. A própria seleção musical desse CD reflete bem isso. Lá estão "Rocket 88" de Jackie Brenston bem ao lado de "That's All Right" de Elvis Presley, sendo as duas canções geralmente associadas ao nascimento do rock. Para muitos a primeira música, "Rocket 88", seria a primeira gravação de rock da história, já para os fãs de Elvis a segunda, "That's All Right", teria essa primazia. No fundo isso não tem a relevância que muitos desejam, o que importa mesmo é desfrutar da excelente seleção musical desse título que mostra como é maravilhosa a sonoridade dos primeiros rocks gravados. Um sopro de ar fresco musical que jamais se repetiria novamente.

Memphis Celebrates 50 Years of Rock 'n' Roll (2004)
1. Rocket 88 - Jackie Brenston
2. That's All Right - Elvis Presley
3. Blue Suede Shoes - Carl Perkins
4. I Walk The Line - Johnny Cash
5. Ooby Dooby - Roy Orbison
6. Great Balls Of Fire - Jerry Lee Lewis
7. Last Night - The Mar-Keys
8. Green Onions - Booker T & the MG's
9. Rock Me Baby - B.B. King
10. Wooly Bully - Sam The Sham and the Pharaohs
11. The Dark End Of the Street - James Carr
12. Respect - Aretha Franklin
13. The Letter - The Box Tops
14. Soul Man - Sam & Dave
15. (Sittin' On) The Dock Of The Bay - Otis Redding
16. Memphis Train - Rufus Thomas
17. Son Of A Preacher Man - Dusty Springfield
18. Suspicious Minds - Elvis Presley
19. Theme From Shaft - Isaac Hayes
20. Let's Stay Together - Al Green
21. I'll Take You There - Staple Singers

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A Última Música

Título no Brasil: A Última Música
Título Original: The Last Song
Ano de Produção: 2010
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: Julie Anne Robinson
Roteiro: Nicholas Sparks, Jeff Van Wie
Elenco: Miley Cyrus, Liam Hemsworth, Greg Kinnear

Sinopse:
Ronnie Miller (Miley Cyrus) é uma jovem, filha de pais divorciados, que não conseguiu ainda superar a separação de sua família. Durante o verão sua mãe decide enviar a garota para passar suas férias ao lado de seu pai, que mora numa região muito bonita, com belas praias, o cenário perfeito para passar dias de descanso e lazer. Lá Ronnie acaba conhecendo muito mais seu pai e acaba descobrindo uma pessoa maravilhosa por trás de toda aquela imagem negativa que ela tinha criado em sua mente.

Comentários:
Miley Cyrus hoje em dia virou uma artista pop apelativa e vulgar, quase uma caricatura completa. Esse filme foi rodado em uma fase mais, digamos assim, "normal" de sua carreira. Nada de vestidos escandalosos e nem língua para fora, o que vemos aqui é um drama familiar que investe em bons sentimentos e numa boa lição de vida, ideal para garotas como a personagem principal, que de certa forma também se culpa pelo fracasso do casamento de seus pais. Outro destaque do elenco vem com o subestimado Greg Kinnear, um ator que sempre gostei, discreto e sofisticado, sempre acrescentando muito aos personagens que interpretou durante todos esses anos de carreira no cinema e na TV. Em suma, um bom filme para conhecer Miley Cyrus antes de virar esse monstro de marketing agressivo dos dias de hoje.

Júlio Abreu.

Curtindo a Liberdade

Título no Brasil: Curtindo a Liberdade
Título Original: Chasing Liberty
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Andy Cadiff 
Roteiro: Derek Guiley, David Schneiderman
Elenco: Mandy Moore, Matthew Goode, Mark Harmon

Sinopse:
Tudo o que sonha Anna Foster (Mandy Moore) é ter uma vida normal. Como filha do presidente dos Estados Unidos porém isso é muito complicado. Cercada de segurança 24 horas por dia ela decide fugir ao lado de Ben Calder. O que ela não imagina é que ele é na verdade um agente secreto disfarçado para manter sua integridade física. Na viagem ela se apaixona por ele, sem saber seu grande segredo.

Comentários:
Bobeirinha romântica para o público teen (adolescente). No geral nada de muito significativo a não ser o carisma da estrelinha Mandy Moore de "Um Amor Para Recordar", "Era Tudo Que Eu Queria" e "Meu Novo Amor", todas fitinhas que seguem o mesmo caminho dessa aqui. Em termos de elenco o único nome que destacaria, fora ela, seria o ator Mark Harmon, que também começou a carreira em comédias bobinhas dos anos 80 como a inesquecível bobagem repetida mil vezes na Sessão da Tarde "Curso de Férias" (ou "Curso de Verão"), onde interpretava aquele professor de educação física chamado Freddy Shoop que tinha que lidar com um grupo de alunos completamente ineptos durante as férias. Então é isso, "Chasing Liberty" é um filminho para ver numa tarde entediada de sábado e depois esquecer completamente de sua existência - como aliás convém a esse tipo de filme.

Júlio Abreu.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Malcolm X

Título no Brasil: Malcolm X
Título Original: Malcolm X
Ano de Produção: 1992
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Spike Lee
Roteiro: Alex Haley
Elenco: Denzel Washington, Angela Bassett, Delroy Lindo

Sinopse:
Cinebiografia do líder e ativista negro Malcolm X, mostrando aspectos de sua biografia que vão desde os primeiros anos quando acabou indo parar numa prisão onde sofreu todos os tipos de preconceito, até seu envolvimento com o Islamismo, suas viagens à Árabia Saudita e sua forma de tentar equilibrar o eterno conflito entre negros e brancos dentro dos Estados Unidos. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Ator (Denzel Washington) e Melhor Figurino. Indicado ao Globo de Ouro e vencedor do Berlin International Film Festival também na categoria de Melhor Ator (Denzel Washington).

Comentários:
Os recentes acontecimentos ocorridos numa cidade americana após a morte de um jovem negro por policiais deu origem a uma série de protestos violentos por parte da comunidade negra da região. Isso me fez lembrar imediatamente desse filme, "Malcolm X", biografia de um líder negro que pregava a luta contra o preconceito racial utilizando-se de todos os meios possíveis (inclusive da violência). Malcolm X era assim o extremo oposto do grande Martin Luther King Jr, que pregava a resistência pacífica contra os movimentos racistas do sul. Se ideologicamente Malcolm X era bastante equivocado - como a própria história provaria anos depois - cinematograficamente não há como negar que esse seja de fato um grande filme. Se você ainda nutre alguma dúvida sobre o talento do ator Denzel Washington sugiro que procure assistir a esse seu trabalho de atuação que é extremamente bem realizado, digno de todas as indicações e prêmios que recebeu. Denzel traz para sua caracterização todo o ódio e raiva incontidas que eram as marcas psicológicas do líder negro. Some-se a isso um roteiro extremamente bem escrito que tenta desvendar as origens do pensamento de Malcolm X. Ao final, quando tudo é consumado, de forma inclusive bastante violenta, fica a mensagem de que violência apenas gera ainda mais violência. Nunca será o caminho para tentar reconciliar pessoas e superar desavenças históricas, culturais ou raciais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Primeiro Casamento de Marilyn Monroe

Marilyn tinha apenas 16 anos quando sua mãe adotiva resolveu que era hora de se livrar dela. A questão é que tinha se apaixonado por um novo homem e queria se mudar, ir viver em outra cidade. Não havia assim mais espaço para a jovem Norma Jean em seu novo lar. Sem consultar Marilyn ela entrou em acordo com a vizinha amiga que tinha um filho que já estava com 21 anos e até aquele momento não mostrava interesse em se casar. Seu nome era James Dougherty. As duas mães então chegaram na conclusão que um casamento arranjado entre os seus jovens iria resolver os problemas das duas. Marilyn era muito jovem, uma adolescente ainda, e não tinha a menor ideia do que aquilo significava. Ela conheceu Jim em um fim de semana e o casamento foi marcado, meio que às pressas mesmo. Não havia tempo para romance e nem bobagens desse tipo.

Assim numa tarde de sábado de um dia quente de 1942 Norma Jean se casou com Jim Dougherty. Com o casamento Marilyn se tornava emancipada e não haveria mais necessidade de ficar indo de lar adotivo em lar adotivo, morando com pessoas desconhecidas em lugares que ela nem sabia que existia. Como tinha apenas 16 anos ela não tinha consciência do que era ser casada e nem das obrigações que isso implicava. Em relação a ter uma vida sexual com o marido as coisas eram ainda mais complicadas pois Marilyn, por ser uma adolescente dos anos 1940, nunca havia falado sobre sexo antes com quem quer que seja. Anos depois lembrando de seu primeiro casamento ela dizia ironicamente que era "como viver em um zoológico".

Sua sorte foi que seu marido Jim logo se alistou na marinha mercante e começou a fazer longas viagens. Na pior das hipóteses Norma ficava livre da obrigação de conviver diariamente com um quase estranho que agora tinha que chamar de marido. Para matar o tédio de uma vida sem objetivos (ela também tinha largado a escola após se casar), começou a ir ao cinema todos os dias. Os filmes eram naquela época a escolha natural de diversão para os mais pobres pois os ingressos custavam barato, principalmente nas matinês, uma quantia realmente irrisória que nem chegava a 1 dólar.

Marilyn ficou deslumbrada com todas aquelas atrizes bonitas, vivendo vidas nas telas que para ela mais pareciam um sonho distante. Como era jovem e inocente ainda, Norma foi aos poucos alimentando o sonho de ir para Hollywood para ser atriz. Quando contou para uma amiga que queria virar atriz de cinema ela riu e disse que isso era algo impossível de se conseguir. Norma porém não aceitou essa realidade. Assim quando seu jovem marido voltou de viagem tudo o que encontrou foi sua casa vazia e um bilhete de Marilyn dizendo que ela tinha indo embora para sempre e que mandaria os papéis de divórcio pelo correio. Emancipada, livre e dona do próprio destino, Norma nem pensou duas vezes e foi embora atrás de seus sonhos. No total o casamento sequer durou dois anos. O marido ficou para trás, literalmente a ver navios.

Pablo Aluísio.

O Amanhã Que Não Virá

Título no Brasil: O Amanhã Que Não Virá
Título Original: Kiss Tomorrow Goodbye
Ano de Produção: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Gordon Douglas
Roteiro: Harry Brown, Horace McCoy
Elenco: James Cagney, Barbara Payton, Helena Carter

Sinopse:
Ralph Cotter (James Cagney) é um prisioneiro condenado que decide fugir após uma distração dos guardas. Na fuga seu colega de cela acaba sendo morto. Isso porém não é problema para Cotter que está desesperado em ser novamente um homem livre, para dar continuidade em sua vida no crime. De volta às ruas, ele acaba se envolvendo em um roubo, mas após ser pego pelo inspetor de polícia descobre que ele pode ser corrompido por dinheiro. Isso coloca o policial nas mão de Cotter, que agora não vê mais limites para seus planos no mundo do crime.

Comentários:
James Cagney foi o mais adorado vilão do cinema americano. Baixinho, atarracado e com cara de mau, ele construiu toda a sua carreira interpretando bandidos, assassinos e gangsters, todos com raro brilhantismo. Na era de ouro do cinema clássico ele foi o mais famoso "homem mau" das telas de cinema. Aqui Cagney volta a interpretar um criminoso, um sujeito que em nenhum momento tenta se fingir de bonzinho ou ser dado a crises de consciência. Pelo contrário, seu personagem Ralph Cotter é um escroque assumido. Após gravar o inspetor de polícia negociando com ele uma propina ele começa a ter o tira nas mãos. Ao lado de um advogado também sujo (Luther Adler, em excelente atuação como Keith 'Cherokee' Mandon) ele acaba percebendo que não haverá mais limites para seus golpes no mundo da criminalidade. Como porém nada é perfeito, acaba cometendo dois erros, justamente ao se envolver com as mulheres erradas, a irmã de seu companheiro morto na fuga e a filha de um milionário e político influente. Quem conhece a carreira de James Cagney sabe que em todo filme seu personagem deveria protagonizar uma cena de extrema violência. Algumas vezes ele amassava uma fruta na cara de alguma mulher que ousasse lhe enfrentar. Aqui ele perde a cabeça após ser agredido por uma garota e lhe dá uma surra com toalhas de banho - imagine algo assim em plenos anos 1950, onde o moralismo era muito presente, inclusive em filmes. O público adorava até porque todos tinham pago para ver o lado mais perverso e cruel de Cagney e certamente saíam plenamente satisfeitos do cinema após verem cenas como essa.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Tesouro do Bandoleiro

Título no Brasil: O Tesouro do Bandoleiro
Título Original: The Nevadan
Ano de Produção: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Gordon Douglas
Roteiro: George W. George, George F. Slavin
Elenco: Randolph Scott, Dorothy Malone, Forrest Tucker

Sinopse:
Nas longas planícies do deserto de Nevada surge um cowboy misterioso que começa a seguir os passos de um criminoso foragido, um assaltante de bancos que está lutando por sua vida e liberdade. Em seu encalço também está um fazendeiro ganancioso e seu grupo de capangas, todos atrás do dinheiro roubado, uma pequena fortuna.

Comentários:
Mais um filme para os admiradores do trabalho do eterno cowboy Randolph Scott. Foi o último que o astro fez na Columbia depois de cumprir um longo contrato que ele havia assinado sete anos antes. Assim dali em diante o próprio Scott iria produzir suas fitas, trabalhando sem as amarras de um contrato que lhe deixasse preso a nenhum estúdio de Hollywood. Nesse filme aconteceu um fato curioso, durante uma tomada de cena em Alabama Hills, onde a produção estava sendo rodada, o ator caiu de um pequeno desfiladeiro com seu cavalo (que não era o famoso Stardust). Randolph Scott era um excelente cavaleiro mas seu próprio cavalo tropeçou nas pedras e a queda foi inevitável. Socorrido a tempo, Randolph foi levado a Los Angeles onde se constatou que ele havia quebrado sua perna esquerda. Isso levou o filme a ficar parado por algumas semanas, o que de certa forma é perceptível ao assisti-lo pois o ator perdeu peso no hospital e como o filme não era gravado na sequência cronológica das cenas podemos perceber que ora ele surge magro, ora mais cheio ao longo do filme. Deixando essa pequena curiosidade de lado o que temos aqui é mais um belo western com Scott, que mantinha sempre um excelente padrão de qualidade em todos os filmes em que participou. Não é de se admirar que tenha sido um dos mais populares atores do gênero western na história do cinema americano.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Divergente

Título no Brasil: Divergente
Título Original: Divergent
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Summit Entertainment
Direção: Neil Burger
Roteiro: Evan Daugherty, baseado na obra de Veronica Roth
Elenco: Shailene Woodley, Theo James, Kate Winslet

Sinopse:
Cem anos após uma guerra que praticamente devastou o mundo civilizado, uma pequena população sobrevive nas ruínas da velha Chicago. Os grandes lagos ao redor secaram e a cidade é protegida por fortes muralhas. Para evitar novos conflitos as pessoas agora são separadas por facções, verdadeiras castas, que determinam o papel que cada um deve exercer dentro da sociedade.

Comentários:
Bastam poucos minutos de exibição para você se conscientizar que está na presença de mais um daqueles filmes feitos especialmente para o público adolescente. Com ecos de "Harry Potter" e "Jogos Vorazes" esse "Divergente" não consegue se mostrar nem um pouco original. O pior de tudo é que você precisa aceitar coisas que no mundo real não fariam o menor sentido. Por exemplo, como a sociedade está dividida em castas sociais, a mocinha do filme vai parar naquela que ela considera a mais legal existente, a dos "audaciosos". O problema é que se formos analisar bem aquelas pessoas não demorará muito para acharmos todos eles uns idiotas, do tipo que saltam de trens em alta velocidade, pulam em buracos de laje e coisas do tipo. Sinceramente, é na mão de sujeitos como esses que a segurança do mundo no futuro está? Se for, estamos mesmo todos perdidos, sem exceção. Esse aliás é o ponto focal que determina a posição do filme em um certo nicho que só agradará mesmo aos mais jovens. Afinal só mesmo os adolescentes acharão aquele tipo de coisa como algo legal ou maneiro. Se o argumento vai logo para o buraco pelo menos podemos torcer pela jovem atriz Shailene Woodley, a mesma do sucesso "A Culpa é das Estrelas". Não a considerei muito adequada para esse papel pois me deixou a impressão que ela quis seguir os passos da colega Jennifer Lawrence (de "Jogos Vorazes") pois está até mesmo fisicamente parecida com ela. Em minha opinião Woodley deveria procurar outros caminhos mais interessantes em sua carreira, justamente agora que vem se tornando mais popular.  Mesmo assim ela acaba sendo a única razão para seguir em frente com essa bobagem futurista teen. Se não fosse seu carisma tenho certeza que teria largado o filme com menos de 30 minutos de duração, tamanha a sua falta de novas ideias. E por falar em duração temos aqui mais um daqueles filmes que parecem não acabar nunca... longo demais... E o que a talentosa Kate Winslet está fazendo no meio dessa garotada? Ficou parecendo uma tiazona chata e aborrecida que aparece de vez em quando para pagar mico. E pensar que a Kate já fez filmes maravilhosos na carreira, será que está com falta de ofertas para fazer filmes relevantes? Pois é, a idade chega para todos um dia...

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Romance de Elvis e Ann-Margret

O Romance de Elvis e Ann-Margret
Data: julho de 1963 / Fonte: "Elvis and Me" de Priscilla Presley e Sandra Harmon / Texto: Priscilla Presley e Sandra Harmon / Photo: MGM / Elvis e Ann-Margret - Foi quando visitava a família na costa oeste no verão americano de 1963 que Priscilla pela primeira vez se tornou alvo da imprensa nacional, devido ao caso que Elvis estava tendo com Ann Margret. Tudo começou no final de julho, em Las Vegas, onde Elvis e Ann Margret filmaram "Viva Las Vegas". Quando o filme terminou, ambos estavam enamorados. Uma prova disso é que pela primeira vez em sua vida Elvis começou a sumir de casa por dois, três dias e até uma semana para passá-los na residência de Ann Margret, em Hollywood Hills. Essa violação da regra de que as mulheres tinham de vir até ele, era apenas um dos sinais que os caras da Máfia de Memphis interpretaram como verdadeira paixão. Enquanto o romance de Elvis e Ann pegava fogo, Priscilla ficava em Graceland, aguardando a volta de seu namorado, como ela mesmo recorda em seu livro "Elvis e Eu": "Eu estava transtornada desde que soubera que a estrela do novo filme de Elvis seria Ann Margret, a starlet em ascensão mais rápida em Hollywood. Ann Margret fizera apenas uns poucos filmes, inclusive bye bye birdie, mas já fora apelidada pela imprensa como "Elvis Presley de saias". Elvis estava curioso em relação a ela, tenho comentado que "a imitação é a forma mais sincera de lisonja".

Compreendi que se lhe revelasse meus temores, ele podia não dizer nada para me tranqüilizar. Afinal porque eu tinha tanta certeza de que no instante em que Elvis estivesse longe de mim - e perto de Ann Margret - surgiria um romance entre os dois? Cada vez que eu me aprontava para ir ao encontro de Elvis em Los Angeles, ele apresentava uma alegação qualquer para adiar a visita: - "Este não é o momento mais conveniente, baby. Estamos com problemas nas filmagens" - "Que problema?" - eu questionava - Elvis cinicamente me respondia: - "O caos é total aqui. Tenho um diretor maluco que está perdidamente apaixonado por Ann. Pela maneira como ele está dirigindo, dá até para pensar que o filme é todo dela. Ele está favorecendo Ann em todos os closes" - Elvis fez uma pausa - "E não é só isso: querem também que ela cante algumas canções comigo. O coronel ficou furioso. Disse que eles terão de me pagar um extra para cantar com ela". Enquanto escutava a arenga de Elvis, tentei me compadecer com a situação. Mas, emocionalmente, estava mais preocupada com a estrela do filme do que com o diretor. - "Como está Ann Margret?" - Perguntei - "Acho que ela é uma boa garota" - respondeu Elvis. Então ele logo descartou o assunto com a expressão "uma típica starlet de Hollywood".

Minha preocupação foi temporariamente atenuada. Eu sabia que ele sempre encarava as atrizes de maneira desfavorável, chegando mesmo a comentar: "Elas estão mais interessadas em suas carreiras e o homem fica em segundo plano. Não quero ser o segundo para qualquer coisa ou qualquer pessoa. É por isso que você não precisa se preocupar com a possibilidade de eu me apaixonar pelas atrizes que trabalham comigo" Eu queria acreditar, mas não podia ignorar as notícias na imprensa sobre o romance ardente que estava acontecendo nas filmagens de "Viva Las Vegas". Só que o romance no set de Las Vegas, segundo os boatos, não era entre Ann Margret e o diretor e sim entre Ann Margret e Elvis. Uma noite em que estávamos conversando pelo telefone perguntei abruptamente: "Tem algum fundo de verdade?" - "Claro que não" - respondeu Elvis, caindo na defensiva no mesmo instante - "Você sabe como são esses repórteres. Adoram ampliar qualquer coisa. Ela apenas aparece por aqui nos fins de semana, em sua motocicleta. Brinca um pouco com a turma e depois vai embora. Isso é tudo" - Mas isso não era o suficiente para mim. Ann Margret estava lá e eu não. Enfurecida, declarei: "Quero ir para aí agora!" - Elvis ficou visivelmente surpreso com a minha reação e se saiu com essa: - "Agora não é possível. Estamos terminando o filme e voltarei para casa dentro de uma ou duas semanas. Mantenha-se aí e trate de conservar acesso o fogo da paixão" - De forma melancólica eu lhe respondi: "A chama está ardendo muito baixa. É melhor alguém voltar logo para casa e atiçar o fogo".

Quando estava preparada para entrar em uma verdadeira guerra com Ann por Elvis, aconteceu uma coisa que deixou todos surpresos: de repente Elvis e Ann Margret desmancharam o namoro. Alguns rapazes da Máfia de Memphis encontraram Ann nos estúdios dias depois e conversaram sobre o assunto: - "Pensamos que vocês estavam apaixonados" - disse um deles - "Eu também" - falou a atriz - "E daí, o que aconteceu?" - quis saber um dos caras. Ann respondeu: "Não sei. Perguntem ao seu chefe. Eu não tenho a mínima ideia". Quando Elvis voltou de Hollywood resolvi mexer nas suas coisas atrás de provas, foi então que achei um bilhete na sua carteira que dizia: "Não posso entender - Scoobie". Era de Ann Margret. Tive certeza. Scoobie era o apelido que ela dera a si mesmo, como Elvis me confessou depois. A frase era também o título do primeiro disco de sucesso que ela gravou no começo dos anos sessenta. Era evidente que Elvis se dissociara completamente de Ann Margret, cortando os vínculos entre os dois. Rasguei o telegrama em pedacinhos, joguei no vaso e puxei a descarga, com a maior satisfação. - "Não deixa passar muita coisa não é mesmo baby? Para uma garotinha você é uma mulher típica" - Ele estava rindo - "Acho que é melhor eu tomar cuidado". Retribui o sorriso, mas pensei: "Nada disso. Sou eu quem precisa tomar cuidado. A amizade mútua e o respeito profissional entre Ann Margret e Elvis persistiram até o dia de sua morte. Ao longo dos anos ele nunca esqueceu de enviar um buquê de flores em forma de guitarra, desejando sucesso para a atriz sueca, sempre que ela estreava em um novo show ou em um novo filme!"

Mad Max - Além da Cúpula do Trovão

Título no Brasil: Mad Max - Além da Cúpula do Trovão
Título Original: Mad Max Beyond Thunderdome
Ano de Produção: 1985
País: Estados Unidos, Austrália
Estúdio: Warner Bros
Direção: George Miller, George Ogilvie
Roteiro: Terry Hayes, George Miller
Elenco: Mel Gibson, Tina Turner, Bruce Spence

Sinopse:
Terceiro e último filme da franquia original Mad Max. Agora o ex-patrulheiro Mad Max Rockatansky (Mel Gibson) precisa enfrentar novos desafios em um mundo  pós-apocalíptico, em especial crianças que vivem numa tribo selvagem no meio do deserto e uma monarca sanguinária e cruel com os seus inimigos. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria Melhor Canção Original ("We Don't Need Another Hero" por Tina Turner). Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films nas categorias Melhor Filme de Ficção, Direção, Roteiro e Figurino.

Comentários:
Esse foi o mais caro e dispendioso "Mad Max". Ok, a franquia é mundialmente aclamada desde os anos 80, mas vamos ser bem sinceros, os dois primeiros filmes são bem precários em termos de produção e orçamento. O primeiro Mad Max é quase um filme amador rodado pelas estradas mais desertas da Austrália. Realizado com um orçamento mínimo só virou um cult por causa da força do mercado de vídeo que nascia naquele momento nos Estados Unidos. O segundo sem dúvida era muito melhor, mais bem produzido, porém em nada comparável com essa super produção. Agora o curioso é que "Mad Max Beyond Thunderdome" foi criticado justamente por causa dos exageros de sua produção. Se antes faltava dinheiro, agora a sensação foi que exageraram na dose. Tudo é over, os figurinos, os cenários, a direção de arte. A cantora Tina Turner, um dos destaques do elenco, usa e abusa de uma peruca que parece ter sido roubada do armário de alguma drag queen. Mel Gibson também está mais maluco do que o habitual. Mesmo com o clima assumidamente kitsch, o filme ainda diverte bastante, principalmente se você for um fã nostálgico dos anos 80. Poucos filmes são tão a cara daquela década como esse aqui (só faltou o Michael Jackson e o Bruce Springsteen na trilha para o quadro ficar completo). Ligue a vitrola e se divirta o máximo que puder.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Hot Spot - Um Local Muito Quente

Título no Brasil: Hot Spot - Um Local Muito Quente
Título Original: The Hot Spot
Ano de Produção: 1990
País: Estados Unidos
Estúdio: Orion Pictures
Direção: Dennis Hopper
Roteiro: Charles Williams, Nona Tyson
Elenco: Don Johnson, Virginia Madsen, Jennifer Connelly

Sinopse:
Harry Madox (Don Johnson) é um viajante sem rumo que vai parar em uma cidadezinha perdida do Texas. Para sobreviver acaba arranjando um emprego medíocre por lá. Após um incidente envolvendo um incêndio ele percebe como é falha a segurança do banco local. Isso faz com que planeje um roubo na instituição, mas para isso precisará traçar bem todos os mínimos detalhes do crime que pretende executar.

Comentários:
Embora tenha sido lançado no começo da década de 1990 esse "The Hot Spot" tem todas as características dos filmes americanos dos anos 1980. Dirigido pelo ator e doidão de plantão Dennis Hopper a fita tinha a proposta de unir um roteiro com muita ação e sensualidade. De certa forma foi mais uma tentativa do ator Don Johnson em emplacar no mundo do cinema, se desligando completamente do universo da TV (ele fez grande sucesso na série policial "Miami Vice" durante seis anos, entre 1984 a 1990). No elenco todas as atenções porém são desviadas para a atriz Jennifer Connelly então no auge de sua beleza juvenil. A fotografia até é bonita, o diretor Dennis Hopper realmente conseguiu belas tomadas do pôr do sol mas o filme não consegue ser muito mais do que isso, um belo exercício estético que acaba se perdendo em suas próprias pretensões. Depois que o plano de assalto do personagem de Johnson é colocado em execução as coisas ficam ainda piores pois não há mais muita sutileza nas cenas - algo que vinha sendo a marca registrado do desenvolvimento do enredo. No saldo geral fica como mera curiosidade dos cacoetes cinematográficos da época.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Perigosamente Juntos

Título no Brasil: Perigosamente Juntos
Título Original: Legal Eagles
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Ivan Reitman
Roteiro: Ivan Reitman, Jim Cash
Elenco: Robert Redford, Debra Winger, Daryl Hannah, Brian Dennehy, Terence Stamp

Sinopse:
Tom Logan (Robert Redford) é um bem sucedido advogado que não consegue se decidir entre duas mulheres igualmente interessantes, uma advogada em ascensão, bonita e inteligente, e uma jovem e rica herdeira que parece estar envolvida no submundo do mercado de obras de arte roubadas. Filme vencedor do prêmio da ASCAP Awards na categoria Melhor Canção ("Love Touch").

Comentários:
Sofisticado filme de romance que contou com ótimo elenco, inclusive de apoio, e um roteiro deliciosamente dúbio, mostrando as várias facetas dos personagens envolvidos nesse triângulo amoroso passado no mundo jurídico dos Estados Unidos. Redford novamente comparece com seu grande carisma e talento. Por essa época o ator estava muito seletivo em seus filmes, realizando poucas películas, pois desenvolvia um projeto para a criação de um festival apenas com filmes do circuito independente americano (que iria se chamar Sundance Festival, hoje um dos mais importantes do cinema ianque). As duas outras atrizes são símbolos dos anos 80, a loira e alta Daryl Hannah (que na época namorava o filho de JFK) e a elegante Debra Winger (que infelizmente anda bem sumida). No elenco coadjuvante vale destacar também a talentosa atuação do ator Terence Stamp, que interpreta um deliciosamente cínico dono de galeria de arte em Nova Iorque. Em suma, "Legal Eagles" é um filme que anda bem esquecido, mas que ainda satisfaz plenamente o bom gosto de qualquer cinéfilo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Rock Hudson: Como Ser um Astro em Hollywood

Enquanto Paul Newman ia abrindo os caminhos para sua própria carreira, um ator se destacava no Olimpo de Hollywood na mesma época: Rock Hudson! Ele foi seguramente um dos mais bem sucedidos galãs do cinema americano de todos os tempos. Com ótimo visual, bem de acordo com a época, Hudson encarnava nas telas o melhor do homem americano viril, o sonho de todas as mulheres, praticamente um príncipe encantado da sétima arte. Por debaixo dos panos porém Rock era gay e isso ainda era mantido em segredo, a sete chaves, durante os anos 1950. Até porque se o público soubesse de algo assim simplesmente deixaria de ver seus filmes e os prejuízos alcançariam alguns milhões de dólares.

Poucos meses antes de morrer de AIDS, em 1985, Rock escreveu sua autobiografia onde contava amenidades e lembrava de casos ocorridos com ele na capital do cinema durante sua vida. Entre as curiosidades está um pequeno esboço de comportamento que todo grande astro de Hollywood deveria manter naqueles anos. Como se sabe Rock Hudson foi uma cria do departamento de publicidade e treinamento de atores do estúdio Universal. Era a época de ouro do chamado Star System, onde astros eram produzidos e lapidados dentro dos próprios estúdios para se tornaram heróis nas telas de cinema de todo o mundo. Alto, bonitão e dono de uma voz maravilhosa, Rock, um ex-marinheiro nascido no meio oeste, que sonhava se tornar um ator de sucesso, caiu como uma luva nas pretensões da Universal em fabricar mais um campeão de bilheteria.

Dentro do Star System havia um modo de operar. Os atores assinavam contratos leoninos (bem vantajosos apenas para os estúdios) e em contrapartida entregavam-se de corpo e alma aos departamentos de publicidade dessas empresas. Obviamente que grande parte do lucro dos filmes acabavam indo mesmo para os cofres da Universal, mas tudo isso era compensado pela vida de luxo e glamour para o qual os atores eram literalmente jogados. Hotéis de primeira classe, roupas dos mais prestigiados estilistas europeus, viagens por todo o mundo, tudo era bancado pelo estúdio, o que fazia com que os astros vivessem literalmente uma vida de eterna diversão e prazer. As mansões, os carros, nada era por acaso. A construção da imagem de um ator rico e famoso passava pelos planos de cada grande estúdio de Hollywood.

Aos poucos Rock foi aprendendo como deveria agir um autêntico astro de Hollywood. Pequenos detalhes do cotidiano eram essenciais e o estúdio ficava de olho em qualquer deslize. Por exemplo, um autêntico astro de Hollywood jamais poderia atender seu próprio telefone. Isso era considerado uma falha grave. Ele teria que ter um mordomo (de preferência inglês), devidamente fardado e treinado para esse tipo de situação. Da mesma maneira não podia se dar ao luxo de atender a sua própria porta da casa. Outros conselhos eram importantes: um astro de cinema não poderia perguntar o preço das coisas, não deveria assumir um namoro com quem quer que seja e nem tampouco expressar suas opiniões políticas. Também era expressamente proibido pelo estúdio o uso de uma mesma roupa duas vezes em público. O curioso é que se hoje em dia isso parece sem noção na época era levado muito à sério. Aliás nem todas essas regras banais caíram em desuso. Muitos astros de cinema da atualidade ainda seguem a velha cartilha à risca, afinal de contas ser um astro em Hollywood exige um padrão de comportamento bem diferente das demais pessoas comuns.

Pablo Aluísio.

A Árvore da Vida

Título no Brasil: A Árvore da Vida
Título Original: The Tree of Life
Ano de Produção: 2011
País: Estados Unidos
Estúdio: Fox Searchlight Pictures
Direção: Terrence Malick
Roteiro: Terrence Malick
Elenco: Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain

Sinopse:
Jack (Sean Penn) é um arquiteto bem sucedido que começa a relembrar fatos dispersos de sua infância, nos nos 1950, ao lado de seus três irmãos, sua mãe submissa e seu pai Mr. O'Brien (Brad Pitt), um homem disciplinador, rígido, austero mas também bem hipócrita. Filme indicado ao Oscar nas categorias Melhor Direção, Melhor Fotografia e Melhor Filme. Vencedor do prêmio da AFI Awards na categoria Melhor Filme. Vencedor da Palma de Ouro no Cannes Film Festival.

Comentários:
Considero um dos filmes mais pretensiosos do cineasta Terrence Malick. Isso porém não é uma crítica negativa, apenas uma observação. O que ele deseja com sua linha narrativa (ou a falta dela, dependendo do ponto de vista) é fazer uma parábola entre a insignificância da vida de um ser humano com a imensidão do cosmos. A chave que abre essa dualidade ocorre justamente quando a mãe, desesperada pela morte do filho, pergunta onde estaria Deus diante de sua tragédia familiar? A partir desse ponto Malick dá vazão ao seu pretensioso ciclo estético e filosófico, mostrando a evolução da vida e o surgimento do universo desde os seus primórdios, passando pela era dos primeiros seres vivos, até chegar de volta ao seio daquela tipica família americana. A partir daí mergulhamos nas lembranças do personagem Jack. O curioso é que todo o filme é desenvolvido assim, em ritmo de memórias, e por isso não há espaço para uma narração convencional, mas apenas momentos marcantes, quase sem diálogos, que vão se desenrolando na tela. Materialmente o substrato desse filme é muito rico em linguagem cinematográfica pura, mas em termos de comunicação com o público em geral não é uma obra fácil de absorver. Os dialogos são poucos, dispersos, e Terrence Malick procura muito mais pela sensibilidade emocional do que pela razão de uma narrativa linear. As imagens são lindíssimas e isso acaba deixando todo o resto em segundo plano. Certamente Malick não conseguiu com esse filme responder as grandes questões existenciais do ser humano, mas seguramente chegou bem perto disso. É uma obra prima da sétima arte.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

We Are the World

Título no Brasil: We Are the World
Título Original: We Are the World
Ano de Produção: 1985
País: Estados Unidos
Estúdio: CBS Pictures
Direção: Tom Trbovich
Roteiro: Mikal Gilmore
Elenco: Michael Jackson, Ray Charles, Bob Dylan, Jackson Five, Cyndi Lauper, Huey Lewis, Bette Midler, Willie Nelson, Lionel Richie, Smokey Robinson, Kenny Rogers, Diana Ross, Bruce Springsteen, Tina Turner, Dionne Warwick, Stevie Wonder, Dan Aykroyd, Harry Belafonte, Lindsey Buckingham Billy Joel Al Jarreau Jane Fonda, Kim Carnes

Sinopse:
Documentário que resgata a gravação e lançamento do famoso álbum "We Are The World" que em meados dos anos 1980 se propôs a arrecadar fundos para combater a fome e a miséria no continente africano. Indicado ao Emmy Awards na categoria Melhor Documentário Musical. Vencedor do Grammy Awards na categoria Melhor Filme Musical.

Comentários:
Um interessante documentário que marcou época em seu lançamento. O projeto "We Are The World" ficou muito famoso por causa da constelação de estrelas do mundo da música que foram reunidas para cantar a música tema do projeto beneficente que naquela altura tinha o objetivo de levantar dinheiro dentro da sociedade americana para ajudar no combate à fome nos países da África, continente sempre assolado por guerras, miséria e doenças. Embora não tenha sido um projeto criado por Michael Jackson temos que reconhecer que ele só se tornou um fenômeno por causa de sua presença. Após abraçar a causa o artista telefonou pessoalmente para dezenas de outros grandes nomes da música para que viessem participar da faixa principal do álbum que seria lançado. Todo o dinheiro arrecadado nas vendas seria levado para a África, dando corpo assim ao projeto que ficou conhecido como "Usa For Africa". O resultado tanto em termos artísticos como humanitários foi realmente muito bom, reacendendo o que havia de melhor em todos esses astros. Um importante registro dessa união da classe artística em prol dos necessitados irmãos africanos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A Ilha da Garganta Cortada

Título no Brasil: A Ilha da Garganta Cortada
Título Original: Cutthroat Island
Ano de Produção: 1995
País: Estados Unidos
Estúdio: Carolco Pictures
Direção: Renny Harlin
Roteiro: Michael Frost Beckner, James Gorman
Elenco: Geena Davis, Matthew Modine, Frank Langella

Sinopse:
Morgan (Geena Davis) é uma aventureira, uma pirata dos mares, que está decidida a encontrar um enorme tesouro enterrado numa ilha do caribe. Para sua missão ser bem sucedida porém ela terá que enfrentar uma fila de rivais mal encarados e dispostos a tudo para colocar suas mãos na fortuna perdida! Filme indicado ao Framboesa de Ouro na categoria pior direção.

Comentários:
Muitos anos antes de Johnny Depp e a Disney ressuscitarem com grande êxito comercial os filmes de capa e espada com "Piratas do Caribe" houve essa tentativa muito mal sucedida de trazer os velhos bucaneiros dos sete mares de volta para as telas de cinema. O filme era dirigido pelo marido da atriz Geena Davis, o diretor especialista em explosões Renny Harlin, e contava com um bom elenco de apoio. A direção de arte também era bonita e bem feita mas... o roteiro, bobo e derivativo, não conseguiu enganar ninguém. Lançado em pleno verão americano - uma das épocas mais concorridas do circuito comercial - "Cutthroat Island" afundou ruidosamente nas bilheterias, tal como uma nau cheia de piratas fugindo dos navios reais de vossa majestade. O público não comprou a ideia de ir ver um filme novo com sabor das antigas fitas estreladas por Errol Flynn. O péssimo resultado comercial foi um duro golpe para a companhia Carolco que praticamente fechou as portas por causa dos custos não recuperados. No final das contas a única garganta cortada foi mesmo a do estúdio.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

As 10 Heresias da Teologia da Prosperidade

Nossos irmãos protestantes infelizmente estão se afundando nessa famigerada falsa teologia que está se disseminando em certas denominações evangélicas. Graças ao bom Deus esse tipo de "barganha" com Deus jamais adentrou os portões da Igreja Católica, que segue firme no caminho do verdadeiro evangelho. O fiel católico pode até mesmo ficar em dúvida sobre do que tudo isso se trata. Afinal o que é a tal falada teologia da prosperidade? Em uma maneira muito simples de explicar podemos dar exemplos do que vem acontecendo. Basta você ligar qualquer canal de TV em horários comprados por certas seitas neopentecostais e você facilmente entenderá. Lá estará um pastor prometendo prosperidade e riqueza material em troca de doações para sua Igreja. É grotesco, mas funciona dessa forma mesmo: o fiel paga o dízimo e Deus em troca abençoa a vida dessa pessoa de maneira material, com dinheiro e riquezas. Depois o espectador é bombardeado com depoimentos de pessoas dizendo que eram pobres e ficaram ricas da noite para o dia depois de pagarem fielmente o tal dízimo. Ora, qualquer pessoa minimamente versada na Bíblia sabe que se trata de um golpe! Não existe nenhuma passagem no novo testamento que corrobore tal "teologia" (entre aspas, pois não se trata de uma verdadeira teologia). Duvida disso? Vamos dar dez razões bíblicas para demonstrar a falsidade desse tipo de pensamento nada cristão.

1. Jesus nunca prometeu riqueza material
A palavra de Jesus prega a riqueza espiritual, não material. Ele nunca prometeu riqueza na Terra para seus seguidores, pelo contrário, em várias passagens afirmou que não se deve gananciosamente buscar riquezas na Terra pois a verdadeira riqueza está ao lado do Senhor. Sua frase "É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus" (Mateus 19:24) é mais do que clara! Seu próprio exemplo de vida já diz tudo. Jesus veio ao mundo como um homem rico e cheio de dinheiro? Não, claro que não, ele veio como o mais pobre e humilde dos homens. Nasceu de forma humilde e viveu de forma humilde, dando exemplo pela palavra e não pelo dinheiro.

2. Jesus nunca pregou uma "barganha com Deus"!
A teologia da prosperidade é baseada numa verdadeira "barganha com Deus". O fiel dá dinheiro pensando estar dando a Deus e em troca esse seria obrigado a lhe dar riqueza material! Um absurdo completo! Deus não quer seu dinheiro, coloque isso na sua cabeça e nem tampouco você comprará a vontade divina. O dinheiro que você dá em sua igreja vai para pastores que ficam ricos prometendo algo que eles não podem prometer em troca. São vendilhões do templo, os mesmos que Jesus Cristo combateu em vida. Certas seitas deixaram de ser casas de orações para se tornarem covis de ladrões - e isso ficou bem claro no que disse Jesus. Só não entende sua palavra quem realmente não quer! ("Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a fazeis covil de salteadores." Mateus 21:12-13)

3. Jesus recusou riquezas na Terra
Em uma das passagens mais importantes do novo testamento o próprio Satã vem tentar Jesus no deserto. O que esse lhe oferece? Todas as riquezas do mundo, reinos e palácios sem fim. Ele promete a Jesus prosperidade e riqueza no mundo (o mesmo que oferece a tal teologia da prosperidade). O que Jesus faz após receber essa proposta? Recusa e deixa claro que a verdadeira riqueza vem de Deus apenas, ou seja, ele recusa completamente a tentação de aceitar riquezas no mundo, pois o que ele busca mesmo é a riqueza da alma. Por que então tantos evangélicos se empenham tanto em obter algo que o próprio Jesus, com seu exemplo, recusou de forma veemente? A verdadeira riqueza é a espiritual, da plena comunhão com Jesus e sua palavra e nada mais. (Depois, o Diabo o levou a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e o seu esplendor. E disse-lhe: "Tudo isto te darei se te prostrares e me adorares". Jesus lhe disse: "Retire-se, Satanás! Pois está escrito: 'Adore o Senhor, o seu Deus, e só a ele preste culto'". Mateus 4)

4. A teologia da Prosperidade é uma corrupção religiosa
 O fiel que se coloca na posição de barganhar com Deus riquezas materiais está ofendendo a divindade frontalmente. Ele está tentando corromper com dinheiro a própria vontade de Deus! É uma forma de corrupção religiosa vil e perigosa que certamente custará a alma de muitos. Deus não é um banco ou um gerente de financiamentos para lhe dar sucesso financeiro na vida. Ele não serão corrompido por seu dinheiro! O próprio Jesus deixou claro que não se pode servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo! Então faça sua escolha de uma vez, seu deus será o dinheiro ou o verdadeiro Deus, cujas riquezas não se encontram nesse mundo e definitivamente não podem ser comprados ou corrompidos? Você quer mesmo continuar a tentar subornar a Deus? Pense muito bem sobre isso! ("Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro." Mateus 6:24)

5. Templos de ostentação não são obras de Deus
Templos de rica ostentação não fazem parte do verdadeiro cristianismo. É um boa peça de marketing para a teologia da prosperidade mas apenas isso! Em sua época o próprio Cristo condenou tal ostentação e deixou claro que Deus não habita em templos feitos pelos homens, mas em seus próprios corações. A riqueza na Terra, a ostentação e o luxo não fazem parte da obra de Deus, mas de homens gananciosos que usam o nome de Jesus para ganhar cada vez mais dinheiro em cima da fé dos cristãos. Depois da vinda de Jesus os antigos templos, seus rituais e simbolismos perderam a razão de ser. Jesus com a cruz revogou todos esses símbolos e isso ele deixou claro. A cortina do templo foi rasgada de alto a baixo! Quem cultua templos ao invés da verdadeira palavra do Cristo está na realidade cuspindo na cruz, na obra de Jesus. O salvador deixou claro mais de uma vez que o verdadeiro templo de Deus é o corpo de cada cristão verdadeiro. Quem cultua templos está cheio de idolatrias e heresias. E depois procure saber onde Jesus pregou... Foi em templos? Não, foi no meio das pessoas, nas montanhas, nas praias da Galiléia, ao ar livre! Jesus jamais precisou de qualquer tipo de ostentação para passar sua palavra divina em frente! O verdadeiro templo é o Deus que habita em seu coração! (Atos dos Apóstolos 17:24: "O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens") ( Coríntios 3:16 "Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?")

6. Jesus não conhecerá dos verdadeiros mercadores da fé
Esses mercadores da fé que ludibriam milhares terão que prestar contas a Deus por suas heresias e iniquidades. Deus não os conhecerá quando os encontrar e eles pagarão por suas mentiras e golpes. Você quer mesmo ficar ao lado dessa gente? Sobre os que usam a fé para enriquecer Jesus disse: “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!” (Lucas 18:24).

7. A teologia da Prosperidade é uma terrível união de ganâncias
Onde está na Bíblia que o homem tem que buscar a ganância acima de tudo? Em lugar nenhum. Pelo contrário. Mesmo assim a teologia da Prosperidade é um grande encontro de ganâncias humanas. A primeira do próprio pastor e seu líder, que quer acima de tudo o dinheiro dado pelos dizimistas. Campanhas são feitas e membros da igreja são incentivados a dar dízimos de todas as maneiras possíveis. Por outro lado a ganância também está nas atitudes dos membros dessas igrejas que doam esperando receber de volta o mesmo valor duplicado ou triplicado! Maior prova de ganância vinda de todas as partes não existe! Os dois lados - pastores e fiéis - estão afundados completamente na lama da ganância humana! E onde está Deus no meio de todo esse lamaçal? Em lugar nenhum, ambos os lados só estão se enganando mutuamente! ("Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis” (Mt 7. 15,16 a).

8. Deus é amor, não dinheiro
Parem de tentar encontrar Deus em notas de dinheiro. Isso é uma forma grotesca de encarar um ser tão grandioso como Deus. Jesus e sua palavra não estão em notas de valor econômico. Deus está no amor, na palavra redentora de Cristo. Quem oferece prosperidade material e riquezas na Bíblia não é Deus, mas o próprio Satã. Pare de procurar por isso pois no final de contas tudo o que encontrará pela frente são os portões do inferno à sua espera!  ("Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” Cl 2.8).

9. A teologia da Prosperidade simplesmente não funciona
Mesmo que você não queira acreditar na essência da palavra de Jesus Cristo e nem queira saber de ter uma verdadeira prosperidade espiritual em sua vida, saiba que a teologia da prosperidade simplesmente não funciona. De cada 100 pessoas envolvidas nessa barganha com Deus, nenhuma consegue realmente prosperidade por causa dessa falsa teologia. As pessoas progridem por seus próprios méritos, trabalho e esforço pessoal em crescer na vida. A imensa maioria dos que acreditam nessa "barganha" com Deus acabam mesmo ficando cada vez mais pobres, ao doarem seus bens para pastores espertos. Deus não quer que você doe sua casa para esses espertalhões, Deus quer que você conserve sua casinha, por mais humilde que seja. Entenda de uma vez por todas: Deus não quer seu dinheiro! Ele é o centro do universo, Senhor de tudo, e não precisa de seus bens e nem dinheiro. Quem deseja isso são os falsos profetas que querem enriquecer a custa dos outros, usando do nome de Jesus para ficarem ricos, imensamente ricos! Com a teologia da prosperidade você ficará mesmo é cada vez mais pobre materialmente, além de espiritualmente comprometido a cada dia. (Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mateus 6:19).

10. Faça caridade em prol dos mais humildes, não para pastores milionários
A caridade que Jesus pregou em sua passagem terrena foi para com os mais pobres e humildes, não para vendilhões milionários do templo. Ajude aos carentes, aos que não possuem nada. Faça a caridade e não transforme esse ato em qualquer tipo de atitude de auto promoção. Ajude ao próximo que realmente necessite de ajuda e não a pastores milionários, donos de jatinhos, helicópteros e mansões! Esse dinheiro não se reverterá a quem realmente precisa. Sua relação com Deus não precisa passar por esse intermediários danosos, verdadeiros mercadores da fé alheia. Você só precisa de Jesus ao seu lado e de mais ninguém. A verdadeira riqueza de Deus vem do coração, é espiritual, nada de riquezas materiais que serão corroídas pelo tempo. ("Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro nos céus. Depois, venha e siga-me". Mateus 19:21)

Pablo Aluísio.

Marlon Brando e Elia Kazan

Em sua autobiografia o ator Marlon Brando foi enfático ao dizer que de todos os diretores com quem trabalhou Elia Kazan foi o melhor. Para Brando, Kazan tinha uma qualidade única ao dirigir atores pois ele próprio havia sido ator nos anos 30. Assim tinha plena confiança em seus intérpretes e fazia de tudo para que eles também fizessem parte do processo criativo de um filme. Por isso Kazan dava total liberdade ao seu elenco, algo que Brando admirava muito. Todos os detalhes de uma cena eram debatidos por Kazan e seus atores e juntos procuravam o melhor caminho para fazer o mais adequado para o filme. Essa forma de trabalhar deixava Brando completamente à vontade, muito concentrado em suas cenas, dando o melhor de si. O interessante é que Kazan ficava atrás das câmeras, recitando as falas, atuando como se estivesse em cena. Fazia gestos, poses e os atores se sentiam bastante desafiados a atuar da melhor forma possível para esse tipo de diretor tão engajado e emocionalmente comprometido com sua obra.

Apesar de profissionalmente se darem muito bem, na vida pessoal Marlon Brando acabou criando sérias divergências com Elia Kazan. Acontece que o diretor foi membro do Partido Comunista durante os anos 30 e anos depois caiu na malha fina do Macartismo, que naquela altura estava em uma verdadeira caça às bruxas contra comunistas dentro do cinema americano e do mundo das artes em geral. Convocado para depor Elia Kazan não pensou duas vezes e entregou todos os seus antigos companheiros de partido. Isso obviamente arruinou a vida desses profissionais que ficaram sem ter onde trabalhar ou arranjar emprego pois nenhum estúdio de Hollywood os contrataria após seus nomes estarem na lista negra. Alguns inclusive não aguentaram a pressão e se mataram. Foi uma atitude feia, vergonhosa e lamentável por parte de Kazan. O ato de ser um dedo duro covarde acompanharia e mancharia a biografia de Elia Kazan até o fim de sua vida.

Para completa surpresa de Marlon Brando ele também entrou na lista negra, só que por um ato menor, que no final das contas não o prejudicou em sua carreira. Anos antes Brando havia assinado um abaixo-assinado contra o enforcamento de um negro numa prisão do sul. Isso bastou para colocar seu nome entre os possíveis "vermelhos" de Hollywood! Pior aconteceu com sua irmã, Jocelyn Brando, que também foi incluída a lista negra por um erro absurdo: ela tinha o mesmo sobrenome de um infame roteirista comunista, só que na verdade ela nem conhecia o sujeito! Isso a prejudicou e ela ficou um tempo sem conseguir arranjar emprego em Hollywood e teve que ir para Nova Iorque para trabalhar em peças de teatro na cidade. Brando ficou indignado com as acusações. Ele nunca havia sido comunista e se tivesse sido teria assumido tudo de peito aberto. Era uma mentira e uma calúnia contra ele e sua irmã.

Esses fatos por si só já tinham convencido Brando de que nunca mais trabalharia ao lado de Elia Kazan. Assim foi com muita resistência que aceitou fazer um último filme ao lado do diretor, "Viva Zapata!", uma cinebiografia do famoso revolucionário mexicano Emiliano Zapata. O roteiro lhe interessava particularmente e o fato de Kazan filmar algo com aquela proposta lhe soava como uma doce ironia do destino. O presidente da Fox achava que o projeto tinha poucas possibilidades de ser bem sucedido comercialmente e por isso disponibilizou um orçamento bem limitado. A fotografia também seria em preto e branco para economizar custos. Obviamente o filme hoje é considerado um clássico absoluto, para surpresa de muitos da época que diziam que seria uma bomba nas carreiras de Brando e Kazan. Sua qualidade cinematográfica porém acabou provando que se em sua vida pessoal e política Elia Kazan tinha do que se envergonhar, como cineasta ele continuava tão brilhante como antes.

Pablo Aluísio.

O Homem Duplicado

Título no Brasil: O Homem Duplicado
Título Original: Enemy
Ano de Produção: 2013
País: Canadá, Espanha
Estúdio: Lionsgate
Direção: Denis Villeneuve
Roteiro: Javier Gullón, baseado na obra de José Saramago 
Elenco: Jake Gyllenhaal, Mélanie Laurent, Sarah Gadon

Sinopse:
A vida para o professor universitário Adam (Jake Gyllenhaal) é de uma rotina massacrante. Seus dias são praticamente iguais, onde ele dá a mesma aula para os mesmos alunos desmotivados. Sua vida pessoal também é repetitiva e sem brilho. Em mais um dia comum resolve acatar a sugestão de um colega da universidade e vai até uma locadora alugar um filme qualquer, para quebrar a monotonia de seus dias. Para sua surpresa porém acaba percebendo que um dos atores do elenco é idêntico fisicamente a ele! Não demora muito para Adam ficar completamente obcecado em encontrar aquele sujeito pessoalmente.

Comentários:
Filme bem incomum que explora um roteiro muito inteligente e enigmático. O clima é opressivo, com o personagem de Jake Gyllenhaal tentando encontrar respostas para aquela situação que lhe pega completamente de surpresa. Afinal como explicar o fato de um desconhecido ser totalmente idêntico a ele? Seria um irmão gêmeo perdido ou algo mais sinistro está envolvido naquela perturbadora semelhança entre os dois? Como não poderia deixar de ser, todos os elogios vão para o trabalho do ator Jake Gyllenhaal. Ele consegue surpreender atuando em personagens tão diferentes. O professor universitário Adam não tem vida social, é tímido, oprimido e não consegue se relacionar bem com as pessoas. Seu mundo é caótico e cinzento, seu apartamento é escuro e quase não tem móveis, além de muito chato. Já o ator Anthony parece ser o seu extremo oposto. Como todo artista tem uma personalidade expansiva, ativa e extrovertida. O choque entre personalidades tão antagônicas encontra pleno respaldo em uma atuação digna de aplausos por parte de Gyllenhaal. Dito isso é bom salientar também que não é um filme para todos os públicos. O clima enigmático, mas também opressor e cheio de nuances psicológicas, certamente não agradará a todo mundo. De qualquer maneira quem se aventurar pela película certamente será bem recompensado pois é de fato uma obra instigante e inteligente, algo cada vez mais raro nos dias atuais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Uma Batalha no Inferno

Título no Brasil: Uma Batalha no Inferno
Título Original: Battle of the Bulge
Ano de Produção: 1965
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Ken Annakin
Roteiro: Philip Yordan, Milton Sperling
Elenco: Henry Fonda, Charles Bronson, Telly Savalas, Robert Shaw, Robert Ryan, George Montgomery, Pier Angeli

Sinopse:
Com a Alemanha praticamente derrotada e os exércitos aliados invadindo suas fronteiras, o ditador alemão Adolf Hitler decide promover uma última reação de desespero. Ele nomeia o Coronel Hessler (Robert Shaw) como comandante de uma coluna de tanques de última geração. Sua missão é enfrentar as tropas americanas, rompendo o cerco que está sendo feito em torno da grande nação alemã. Para enfrentá-lo os soldados ianques resolvem apostar não apenas na força dos canhões, mas também na inteligência de sua estratégia no campo de batalha. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria Melhor Ator Coadjuvante (Telly Savalas).

Comentários:
Esse é considerado um dos grandes filmes de guerra do cinema americano. E quando uso o adjetivo grande não estou me referindo apenas às suas inegáveis qualidades cinematográficas, mas também à sua duração, pois com mais de duas horas e quarenta e cinco minutos não poderia ser de outra maneira. É certamente um filme longo, mas não fique preocupado pois no final das contas não se torna cansativo em nenhum momento, muito pelo contrário. O elenco é cheio de estrelas, basta dar uma olhada em sua ficha técnica para perceber isso. Nessa época tinha se tornado comum filmes com um elenco numeroso. Como essa produção foi feita para ser exibida no sistema Cinerama (em telas gigantescas), o estúdio entendeu por bem convocar muitos de seus astros para garantir boa bilheteria, pois o investimento para sua produção foi alto. A boa notícia é que os atores estão bem aproveitados, pois cada um, à sua maneira, tem chance de desenvolver seu respectivo personagem. Assim Fonda interpreta um Coronel que é desacreditado no comando, pois entende que haverá uma ofensiva do exército alemão a qualquer momento (já que seus superiores acreditavam bem ao contrário, que não haveria mais surpresas pois a Alemanha estava praticamente derrotada). Telly Savalas interpreta um sargento rabugento, comandante de um tanque, que está mais preocupado em fazer algum dinheiro na guerra do que propriamente em derrotar os alemães. Até Charles Bronson dá as caras como um major do front de batalha que, feito prisioneiro, resolve enfrentar face a face o oficial alemão responsável por sua prisão. O cineasta Ken Annakin mostra muita habilidade no confronto de tanques aliados e alemães. Como não havia computação gráfica na época eles de fato estão lá, em cena, trocando fogo cruzado no campo de batalha. Um belo filme, muito bem realizado, mostrando um evento crucial da Segunda Guerra Mundial. Um dos grandes clássicos do gênero, não resta a menor dúvida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Rio dos Homens Maus

Título no Brasil: O Rio dos Homens Maus
Título Original: Canyon River
Ano de Produção: 1956
País: Estados Unidos
Estúdio: Allied Artists Pictures
Direção: Harmon Jones
Roteiro: Daniel B. Ullman
Elenco: George Montgomery, Marcia Henderson, Peter Graves

Sinopse:
Steve Patrick (George Montgomery) é um rancheiro honesto e trabalhador do Wyoming que decide ir até o estado vizinho do Oregon para comprar bons reprodutores para seu rebanho. Os invernos severos de Wyoming exigem um gado muito resistente e ele pretende melhorar o nível de seu plantel. O que ele não sabe é que na viagem enfrentará muitos desafios, inclusive um complô de ladrões de gado que querem lhe assassinar para roubar todas as cabeças bovinas de sua propriedade.

Comentários:
Depois de assistir a centenas de filmes de faroeste dos anos 1950 me sinto seguro em dizer que você nunca vai se arrepender de assistir um western americano dessa época. O padrão de qualidade era realmente algo impressionante. E isso vale não apenas para grandes produções dos mais ricos estúdios de Hollywood como Universal, Warner ou MGM; vale também para as pequeninas companhias que se aventuravam em também produzir filmes de bangue-bangue. Esse "Canyon River" é um caso desses. O filme foi produzido pela pequena Allied Artists para ser exibido em cinemas interioranos dos Estados Unidos. Obviamente que o roteiro tem muito clichês, mas isso acaba fazendo parte de seu charme nostálgico. Estrelado pelo ator George Montgomery, esse western tem ótimas sequências de tiroteios, o que certamente vai deixar o fã de faroeste muito satisfeito. Não é nenhuma obra prima, mas apenas uma pequena fita B que fez a alegria de muitos garotos nos anos 50. Recentemente a Warner, que comprou os direitos de todos os filmes da Allied Artists quando ela faliu, tem relançado em pacotes produções como essa. Não é de se admirar que os fãs de faroestes americanos estejam tão contentes ultimamente, pois lá nos Estados Unidos a oferta de filmes raros e bons anda grande, bem ao contrário do Brasil, onde praticamente nada de novo surge no mercado. Uma pena!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 24 de agosto de 2014

Aranhas 3D

Título no Brasil: Aranhas 3D
Título Original: Spiders
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Nu Image Films
Direção: Tibor Takács
Roteiro: Joseph Farrugia, Tibor Takács
Elenco: William Hope, Shelly Varod, Brian Hankey

Sinopse:
Pedaços de um satélite russo caem em Nova Iorque. Dentro dos detritos surge uma estranha espécie de aranha que parece usar o corpo de pessoas e ratos como incubadoras de seus ovos. Em pouco tempo os insetos começam a tomar proporções inimagináveis, tomando de pânico as ruas da cidade, enquanto as forças armadas tentam parar o terrível ataque dos aracnídeos gigantes.

Comentários:
Imagine um filme atual com um roteiro trash dos anos 1950. Bom, é justamente isso que você encontrará aqui nesse "Aranhas 3D". A proposta é tentar recriar os filmes de aranhas gigantes do passado e para isso se usa da moderna tecnologia digital para dar vida aos monstros. Por falar neles são até bem realizados, embora levemente caricatos. Como é de se esperar nesse tipo de enredo elas vão ficando cada vez maiores até ganharem as ruas de uma Nova Iorque de mentirinha (na verdade o filme apesar de ser americano foi todo rodado em estúdio na cidade de Sofia, na Bulgária). Infelizmente a produção não consegue empolgar, tudo culpa do casal protagonista formado por dois atores canastrões e chatos até dizer chega! Afinal de contas uma pessoa que aluga um filme sobre aranhas gigantes espaciais não está interessado em ver um casal enfadonho discutindo sobre seu divórcio enquanto foge dos aracnídeos de dez metros! Assim você vai passar o filme todo torcendo para que eles sejam logo devorados, de tão irritantes que são. Assista se você gosta de monstros gigantes mas fique sabendo de antemão que o filme passa longe de ser algo bom ou marcante.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Alien - A Ressurreição

Título no Brasil: Alien - A Ressurreição
Título Original: Alien Resurrection
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Jean-Pierre Jeunet
Roteiro: Dan O'Bannon, Ronald Shusett
Elenco: Sigourney Weaver, Winona Ryder, Dominique Pinon

Sinopse:
Quarto e último filme da franquia original "Aliens". O enredo se passa 200 anos após o primeiro contato da tenente Ripley contra os Aliens (enredo visto em "Alien, O Oitavo Passageiro"). Obviamente ela está morta, mas seu DNA é mesclado com o DNA alienígena, dando origem ao clone denominado Ellen Ripley (Sigourney Weaver), criada para ser justamente uma super combatente contra a ameaça Alien que aterroriza a humanidade em um futuro sombrio.

Comentários:
Como ressuscitar uma franquia de sucesso que parecia encerrada de forma definitiva no filme anterior? Ora, com a criatividade de roteiristas bem pagos por produtores loucos para lucrarem novamente com a famosa marca "Aliens". Afinal de contas a Fox passava por problemas financeiros e era vital trazer de volta filmes de grande bilheteria do passado. O problema é que esse tipo de coisa pouco justifica a volta de uma trilogia que já havia se fechado muito bem em três boas produções que foram sucessos de crítica e público. Por essas e outras razões temos que reconhecer que "Alien: Resurrection" é um filme que só existe mesmo por puros motivos comerciais. O roteiro, truncado e oportunista até o último grau, não empolga mais e até a talentosa Sigourney Weaver (interpretando Ellen Ripley) não convence. A atriz parece quase pedir desculpas por estar presente nesse produto caça-níqueis. A direção foi entregue ao francês Jean-Pierre Jeunet que não tinha nenhuma experiência em filmes de ficção e isso acabou prejudicando ainda mais o resultado final. A conclusão é que a fórmula estava saturada e com um roteiro fraco desses a coisa só piorou. Melhor esquecer, principalmente se você é fã dos excelentes filmes anteriores.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Dez Minutos Para Morrer

Título no Brasil: Dez Minutos Para Morrer
Título Original: 10 to Midnight
Ano de Produção: 1983
País: Estados Unidos
Estúdio: Cannon Group
Direção: J. Lee Thompson
Roteiro: William Roberts
Elenco: Charles Bronson, Lisa Eilbacher, Andrew Stevens

Sinopse:
Charles Bronson interpreta Leo Kessler, um detetive do departamento de polícia de Los Angeles que se depara com um caso incomum: a morte de dezenas de jovens mulheres em sua jurisdição. Ao que tudo indica se trata mesmo de uma sucessão de crimes cometidos por um novo serial killer atuando em sua região. A caçada policial será das mais complicadas de sua carreira.

Comentários:
Eu considero esse um dos filmes mais subestimados dos anos 1980. Lançado no Brasil pela Globo Vídeo em VHS, a fita era surpreendemente bem realizada. Esqueça os filmes de pura ação de Charles Bronson na Cannon, pois aqui temos um roteiro bem trabalhado, com uma trama de mistério que prende a atenção do começo ao fim, envolvendo um serial killer sedutor, especializado em matar mulheres desavisadas que caíam em sua lábia e charme. De fato o irregular cineasta J. Lee Thompson acabou realizando um de seus melhores trabalhos. Bronson está em seu tipo habitual, a do sujeito durão que precisa caçar um psicopata perigoso mas que consegue ao mesmo tempo trazer alguma complexidade psicológica maior ao seu personagem, o que reforça o que foi dito antes, a de que o grande mérito do filme vem mesmo de seu roteiro, muito bem escrito, que merece ser redescoberto não apenas pelos fãs em geral de filmes de ação e psicopatas mas também e principalmente pelos admiradores do trabalho do ator Charles Bronson, aqui em um dos melhores momentos de sua carreira no cinema.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 23 de agosto de 2014

A Espada Era a Lei

Título no Brasil: A Espada Era a Lei
Título Original: The Sword in the Stone
Ano de Produção: 1963
País: Estados Unidos
Estúdio: Walt Disney Pictures
Direção: Wolfgang Reitherman
Roteiro: Bill Peet, T.H. White
Elenco: Rickie Sorensen, Sebastian Cabot, Karl Swenson

Sinopse:
Com a morte do Rei da Inglaterra o país fica sem um monarca pois ele não deixou herdeiros e nem sucessores. Um jovem rapaz órfão chamado Arthur é escolhido pelo mago Merlim para um dia ser o futuro soberano da nação, mas antes precisará passar por um treinamento muito especial dado pelo seu sábio mentor. Filme indicado ao Oscar de Melhor Música (George Bruns).

Comentários:
Por muitos anos Walt Disney teve o sonho de adaptar a lendária estória do Rei Arthur e seus cavaleiros da távola redonda. Três anos antes de sua morte realizou esse sonho ao lançar esse longa-metragem. Como era um homem de grande visão entendeu que contar o enredo tradicional seria muito óbvio, por isso optou por esse script onde era narrado os acontecimentos da juventude de Arthur, antes dele retirar a famosa espada Excalibur da pedra! A animação é muito simpática e já traz características que iriam se tornar a marca registrada do estúdio na década seguinte, como por exemplo os traços fortes embalados por roteiros bem enxutos. Aqui temos uma estorinha bem simples, onde Merlim vai ensinando ao seu pupilo Arthur algumas lições de vida ao lhe transformar em um peixinho, um passarinho e um esquilo. Tudo bem pueril, bem de acordo com a filosofia Disney de ensinar encantando. Não é dos desenhos mais lembrados do estúdio mas certamente é um dos mais carismáticos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Síndrome da China

Título no Brasil: A Síndrome da China
Título Original: The China Syndrome
Ano de Produção: 1979
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: James Bridges
Roteiro: Mike Gray, T.S. Cook
Elenco: Jane Fonda, Jack Lemmon, Michael Douglas

Sinopse:
Durante uma reportagem investigativa a jornalista Kimberly Wells (Jane Fonda) e seu cinegrafista Richard Adams (Michael Douglas) descobrem uma série de falhas de segurança numa usina nuclear. Jack Godell (Jack Lemmon), um engenheiro da usina, decide colaborar com eles para mostrar os riscos que todos correm por causa dos inúmeros problemas na usina. Filme indicado ao Oscar nas categorias Melhor Ator Coadjuvante (Jack Lemmon), Melhor Atriz Coadjuvante (Jane Fonda), Melhor Roteiro e Melhor Direção de Arte. Vencedor do BAFTA Awards nas categorias de Melhor Ator (Jack Lemmon) e Melhor Atriz (Jane Fonda).

Comentários:
Hoje em dia a carreira de Michael Douglas está resumida em comediazinhas bobas que tentam fazer graça de sua idade. Pois bem, o tempo cobra seu preço. Em nada lembra o jovem ator engajado politicamente do começo de sua carreira, não apenas como intérprete mas também como produtor. Nos anos 1970 ele ainda estava tentando sair da sombra de seu pai, o grande Kirk Douglas, e procurava por um caminho próprio. Para sua sorte caiu em suas mãos o script de "The China Syndrome", um texto que denunciava os perigos da energia nuclear e a falta de cuidado que existia dentro das inúmeras usinas nucleares espalhadas pelo território americano. Ele achou ótimo aquele texto e resolveu ele próprio produzir o filme. Por uma ironia do destino poucas semanas antes da produção ser lançada nos cinemas ocorreu um desastre real numa usina americana, o que trouxe uma publicidade extra para a película que logo se transformaria em um sucesso de público e crítica. Além de Douglas ainda temos a presença de dois nomes de expressão na história do cinema no elenco, Jane Fonda (a liberal que sempre procurava por temas intrigantes no campo político) e Jack Lemmon (que surge em um papel atípico, bem longe de suas comédias sofisticadas). Assim deixamos a dica dessa produção que causou grande impacto em seu lançamento mas que hoje em dia anda pouco lembrada, infelizmente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Michael Jackson - Off the Wall

Título Original: Off the Wall
Artista: Michael Jackson
Ano de Produção: 1979
País: Estados Unidos
Estúdio / Selo: Epic
Produção: Quincy Jones, Michael Jackson
Formato Original: Vinil
Músicos: Michael Jackson, Randy Jackson, Larry Carlton, David Foster, Louis Johnson, John "JR" Robinson, Phil Upchurch, David Williams, entre outros.

Faixas:
Don't Stop 'Til You Get Enough / Rock with You / Working Day and Night /  Get on the Floor / Off the Wall / Girlfriend / She's Out of My Life / I Can't Help It / It's the Falling in Love / Burn This Disco Out. 

Comentários:
Não é o primeiro disco solo da carreira de Michael Jackson como muitos escrevem por aí. Na verdade Michael já tinha gravado discos solos  antes, quando era apenas um garoto como por exemplo "Got to Be There" e "Ben", ambos de 1972 ainda no selo Motown. Aqui o que temos é o primeiro álbum solo da fase mais magnífica da carreira do cantor quando ele começou a se tornar um artista ícone do mundo pop. Não resta dúvidas que a musicalidade desse disco marcou toda uma época. Praticamente todas as faixas viraram hits e Michael começou sua escalada rumo ao Olimpo dos deuses do mundo da música. Seu álbum seguinte, "Thriller" de 1982, se tornaria o disco mais vendido de todos os tempos. Importante chamar a atenção para o fato de que todos os maneirismos vocais e de performance que Michael iria polir à perfeição no disco seguinte já podem ser encontrados aqui nessas faixas. Em termos de composição Michael ainda se utiliza de outros compositores como o aclamado Stevie Wonder (que escreveu a ótima "I Can't Help It") e Paul McCartney (que tem sua simpática "Girlfriend" do disco "London Town" regravada em excelente versão de Jackson). É um disco coeso, ainda com nuances do movimento Disco que imperava nas paradas daquela época. Um álbum feito para tocar nas rádios e fazer sucesso, algo que Michael Jackson sabia fazer muito bem.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Última Viagem a Vegas

Título no Brasil: Última Viagem a Vegas
Título Original: Last Vegas
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Jon Turteltaub
Roteiro: Dan Fogelman
Elenco: Robert De Niro, Michael Douglas, Morgan Freeman, Kevin Kline, Mary Steenburgen

Sinopse:
Prestes a completar 70 anos de idade, o bem sucedido empresário Billy (Michael Douglas) decide se casar com uma garota 40 anos mais jovem do que ele em Las Vegas. Para a festa ficar completa ele resolve convidar seus três mais antigos amigos (De Niro, Kline e Freeman). O reencontro será uma boa oportunidade para repensar suas decisões e lembrar aspectos de sua vida há bastante tempo adormecidos.

Comentários:
Tinha tudo para ser no mínimo interessante, afinal de contas com um elenco desses... mas infelizmente não há muito o que celebrar. "Last Vegas" perde todas as oportunidades de ser um filme relevante. Dois terços do enredo é desperdiçado ao mostrar os atores veteranos fazendo piadas com a própria idade, tentando se divertir no meio de um bando de jovens selvagens na chamada cidade do pecado. No terço final o roteiro ainda tenta trabalhar um pouco os personagens de Robert De Niro e Michael Douglas mas sinceramente falando é tudo em vão. Não há como desenvolver melhor papéis tão sem importância ou profundidade. Pior se saem Morgan Freeman e Kevin Kline que viram meras escadas engraçadinhas para o restante do elenco. A impressão que fica foi que o estúdio tentou vender o filme como se fosse um "Se Beber, Não Case!" da terceira idade mas ficou a ver navios. No final fica aquele gosto de melancolia de ver tantos atores importantes desperdiçados em um filme tão vazio.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Evocação

Título no Brasil: Evocação
Título Original: The White Cliffs of Dover
Ano de Produção: 1944
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Clarence Brown
Roteiro: Claudine West
Elenco: Irene Dunne, Alan Marshal, Roddy McDowall, Elizabeth Taylor

Sinopse:
O filme narra a estória dramática da vida de Susan Ashwood (Irene Dunne), uma enfermeira americana em Londres que ajuda na recuperação e tratamento de centenas de feridos em combate. Seu trabalho se torna ainda mais importante quando seu próprio filho volta do campo de batalha, completamente destruído tanto do ponto de vista físico como psicológico. 

Comentários:
Outro filme da infância de Liz Taylor (ela tinha apenas 10 anos de idade quando a produção foi filmada). O roteiro foi baseado no poema de  Alice Duer Miller, o que já nos dá uma ideia de como o cinema era lírico naqueles tempos. Outro fato digno de nota em relação à pequena Elizabeth Taylor é que esse foi o primeiro filme com ela no elenco a concorrer ao Oscar, na categoria Melhor Fotografia em preto e branco (méritos do excelente diretor de fotografia, o respeitado e conhecido George J. Folsey, que merecia ter levado o prêmio para casa). Embora possa ser classificado como um drama de guerra com pitadas de  tragédia, esse filme tem como grande virtude resgatar um pouco do heroísmo das mulheres que serviram como enfermeiras durante a sangrenta segunda guerra mundial. Importante salientar que quando o filme foi lançado a guerra ainda persistia, o que no final das contas acabou se revelando uma bonita homenagem para todas essas heroínas anônimas que prestaram seus serviços no conflito mais devastador da história da humanidade.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.