domingo, 31 de agosto de 2014

Beatles: Quem foi o verdadeiro Sargento Pepper?

Beatles: Quem foi o verdadeiro Sargento Pepper? A imagem retratada no disco "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" que mais parecia ser uma figura sem identificação de um livro de história era a de uma pessoa real. Seu nome era James Melvin Babington. Isso foi revelado pelo autor Bruce Spizer em seu livro "The Beatles and Sgt. Pepper: A Fans 'Perspective ". Pela primeira vez se sabe alguma coisa da história do verdadeiro Sargento Pepper.

Spizer, que falou sobre a descoberta e o seu novo livro nessa semana no podcast semanal sobre os Beatles chamado "Things We Said Today", creditou a descoberta a Frank Daniels, que escreveu um ensaio para o livro sobre Babington sob o pseudo nome de Max Gretinski. "Nós dois tentamos superar um ao outro com a descoberta de coisas obscuras sobre o disco. Era uma brincadeira que provavelmente só interessaria a nós dois e a outras 15 pessoas no mundo!", disse o escritor no programa de rádio. A identidade de Babington foi confirmada por um dos homens envolvidos na criação da capa, disse Spizer.

O Sgt Pepper ou melhor dizendo James Melvin Babington. foi um militar do exército britânico no século XVIII. Ele fez parte do décimo sexto batalhão dos lanceiros ingleses que lutaram na África do Sul. Sua imagem foi retirada de um velho livro chamado "Grandes Heróis do Exército". Provavelmente o criador da capa do disco dos Beatles encontrou sua imagem em uma coleção de cartões que eram vendidos naquela época. É praticamente certo que esse foi o seu modelo. A revelação vem para celebrar os 50 anos de lançamentos do famoso disco dos Beatles.

Pablo Aluísio.

O Revólver de um Desconhecido

Título no Brasil: O Revólver de um Desconhecido
Título Original: Chuka
Ano de Produção: 1967
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Gordon Douglas
Roteiro: Richard Jessup
Elenco: Rod Taylor, Ernest Borgnine, John Mills, Luciana Paluzzi, Louis Hayward
   
Sinopse:
Um destacamento da cavalaria americana chega em um forte destruído por nativos rebeldes. Todos os militares estão mortos e as mulheres desaparecidas. No local é encontrado o revólver de uma marca que nunca fez parte do arsenal usado pelo exército americano. Ditando seu relatório o Coronel do pelotão começa a contar em flashback tudo o que aconteceu naquela tragédia terrível para as forças armadas de sua nação.

Comentários:
Ótimo western que traz um roteiro muito bem escrito que procura, acima de tudo, desenvolver com capricho todos os personagens da trama. Entre eles o mais interessante é justamente o pistoleiro Chuka (Rod Taylor). Após viajar pelo deserto ele chega casualmente em um distante e isolado forte da quarta cavalaria americana. Lá conhece todos os tipos de militares, dos bons aos maus, a começar pelo próprio comandante, o Coronel Stuart Valois (John Mills) que foi designado para aquele posto distante justamente por causa de seu temperamento inadequado, agravado pelo alcoolismo. Seu imediato, o Major Benson (Louis Hayward), não é melhor, pois acaba se tornando um oficial desmoralizado por cometer atos bárbaros contra o inimigo, inclusive abusos sexuais frequentes contra índias capturadas. O único membro daquela tropa que parece ter algum respeito por sua farda é justamente o Sargento Otto Hahnsbach (Ernest Borgnine). Ele mantém uma fidelidade canina em relação ao seu Coronel, mesmo estando a tropa à beira de um motim. Se dentro do forte as coisas não andam bem, fora dos portões a situação é ainda mais grave pois uma aldeia inteira se prepara para invadir o posto militar avançado. Famintos e desesperados só restam aos índios destruir as forças de ocupação do homem branco para roubar armas e alimentos. Excelente enredo aliado a uma ótima direção do cineasta Gordon Douglas tornam esse faroeste americano um maravilhoso exemplo do que de melhor era produzido na época no gênero. Um pequeno clássico que merece ser redescoberto.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Onze Homens e um Segredo

Título no Brasil: Onze Homens e um Segredo
Título Original: Ocean's Eleven
Ano de Produção: 1960
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Lewis Milestone
Roteiro: Harry Brown, Charles Lederer
Elenco: Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr, Peter Lawford, Angie Dickinson, Joey Bishop, Henry Silva, Cesar Romero

Sinopse:
Danny Ocean (Frank Sinatra) resolve reunir seus antigos companheiros da Segunda Guerra Mundial para executar um plano mais do que ousado: roubar os quatro maiores cassinos de Las Vegas durante o ano novo! A missão contará com vários especialistas, onde cada um terá um objetivo específico a realizar. Assim que as luzes da cidade forem cortadas, os membros do grupo de Danny Ocean começarão a roubar as fortunas que os estarão esperando em seus cofres milionários na assim chamada "cidade do pecado". Indicado ao prêmio da Writers Guild of America na categoria Melhor Roteiro Original.

Comentários:
"Ocean's Eleven" é considerada a obra prima do Rat Pack, o grupo de amigos que rodeavam Frank Sinatra em seus anos de auge em Las Vegas. O cantor há muito vinha em busca de um roteiro em que pudesse encaixar todos os membros do Rat Pack e acabou encontrando o espaço que tanto queria justamente aqui. O curioso é que Sinatra filmou sua participação enquanto se apresentava em Vegas - de tarde filmava suas cenas e de noite se apresentava nos cassinos ao lado de seus companheiros. Por essa razão praticamente todas as tomadas foram realizadas de primeira, já que Sinatra não queria perder tempo. Isso em nada desqualifica o filme que é muito bem realizado, com ótima trama e elenco muito à vontade. Também pudera, no fundo era tudo uma desculpa para que todos os amigos trabalhassem juntos. Dean Martin, por exemplo, está mais cool do que nunca. Fumando um cigarro atrás do outro, vai de vez em quando ao piano para soltar seu vozeirão. O roteiro é muito bem escrito e tem um cuidado todo especial na apresentação das características de cada personagem. Só para se ter uma ideia, pelo menos metade da duração do filme é usada com esse objetivo. A direção musical foi entregue ao genial maestro Nelson Riddle, que tantos álbuns maravilhosos gravou ao lado de Sinatra. Além do bom gosto o clima de diversão traz um sabor especial para a produção. Tudo muito divertido e bem conduzido, "Ocean's Eleven" é de fato o grande clássico de Sinatra nas telas, talvez só sendo superado mesmo em sua carreira pelo genial "A Um Passo da Eternidade" de 1953.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 30 de agosto de 2014

Elvis Presley - As últimas horas de um gênio

Memphis, tarde de 15 de agosto de 1977. O verão está sufocante na badalada cidade ao sul dos Estados Unidos e nesse momento em Graceland, Elvis Presley está acordando. Com a ajuda de seu primo Billy Smith, o rei supremo do rock, veste um casaco esportivo, uma camisa de seda branca e botas de couro pretas, com o zíper aberto, por causa dos tornozelos inchados.

Por volta das 22h30min, depois de um passeio de motocicleta com a namorada, Ginger Alden, o cantor enfia duas pistolas automáticas calibre 45 na cintura da calça de moletom. Em seguida, coloca os óculos escuros cromados, feitos especialmente para ele, e senta-se ao volante de seu Stutz. Acompanhado de Ginger Alden, Billy Smith e um membro de seu séquito, Charlie Hodge, o Rei dirige até o consultório de seu dentista em East Memphis. Na verdade, ele quer colocar em dia o seu tratamento dentário antes de viajar na noite seguinte para Portland, no Maine, iniciando assim uma turnê de 12 dias.

Por volta de meia-noite, o grupo retorna a Graceland, Elvis e Ginger sobem, e Smith vai para o trailer em que mora dentro da propriedade. Aproximadamente às 2 da madrugada, Elvis fala com Larry Geller, talvez seu melhor amigo. Segundo Geller (tempos depois respondendo a uma entrevista) disse: "Elvis naquele dia, estava de muito bom humor, ansioso para sair em turnê, e fazendo planos para o futuro".

Por volta das 4 horas da manhã, Elvis está ótimo, muito bem disposto e fica com uma vontade enorme de jogar raquetebol. Ele manda chamar Smith e a mulher, Jo, para que se juntem a ele e a Ginger. No momento em que se dirigem para a quadra privativa de Elvis, uma chuva fina começa a cair. "Não tem problema. Vou dar um jeito nisso", disse o rei, e nesse momento, ele estende as mãos para que a chuva possa parar. "Milagrosamente",lembrou Smith, "a chuva parou mesmo". - "Não falei ?", exclama Elvis - "Com um pouquinho de fé, a gente pode fazer parar de chover."

Apesar dessa incrível explosão de energia, o Rei está exausto em conseqüência de diversos dias de uma dieta à base de gelatina - a mais recente de uma série de desesperadas tentativas de emagrecer o bastante para vestir as suas famosas jumpsuits. Ele logo se cansa do jogo e os dois casais resolvem apenas brincar, acertando a bola uns nos outros. Mas a brincadeira também acaba, quando Elvis saca uma bola de mau jeito e acerta a raquete na própria canela.

 Já no interior da casa, Smith lava e depois seca os cabelos do primo famoso. Enquanto conversam, Elvis mostra-se obcecado com um novo livro que descortina e detalha a sua vida e a sua decadência física, intitulado - "Elvis: what happened ??" ( "Elvis: o que aconteceu ?"). O livro revela o quanto o Rei havia se tornado dependente de drogas (chamadas legais) como anfetaminas e sedativos. Furioso, Elvis diz ao primo que vai arranjar uma maneira de atrair para Graceland os autores do livro - seus ex-guarda-costas: Red West, Sonny West e Dave Hebler - e matá-los, todos eles. O Rei anda de um lado para o outro possesso, perturbado, esbraveja e grita que não consegue entender como eles haviam tido a coragem para traí-lo. Bem depois, mais calmo, Elvis ensaia as palavras que planeja dizer no show, caso os fãs - chocados por saberem que seu ídolo gasta mais de 1 milhão de dólares por ano com o vício em remédios - o recebessem com vaias.

- "Eles nunca conseguiram me derrotar", disse, - "e não vão conseguir agora. Mesmo que eu tenha que subir no palco só para admitir que tudo isso é verdadeiro". Smith entendia muito bem o primo famoso e sabia do que ele seria capaz caso fosse muito pressionado.

Entorpecido e extenuado, Elvis senta-se na beirada de uma cadeira, abaixa a cabeça, enfia os dedos por entre os cabelos e começa a chorar. - "Está tudo bem" - diz o primo na tentativa de tranqüilizá-lo. - "Vai dar tudo certo".

Quando Smith já está de saída, Elvis levanta-se da cadeira vira para o primo e grita: - "Billy...essa vai ser a melhor de todas as minhas turnês"!.

Às 7h45min, Elvis engole quatro ou cinco comprimidos para dormir - pela segunda vez em duas horas. Há muito o Rei é atormentado pela insônia que começou ainda na infância e piorou com as drogas e horários desregrados, comuns aos astros de rock. Uma terceira dose viria em seguida. Desde a véspera ele não comia nada sólido.

Por volta das 8 horas, Elvis deita-se ao lado de Ginger. A rainha da beleza de Memphis, então com 20 e poucos. Ginger lembra que acordou e encontrou o namorado agitado, preocupado com a turnê.

- "Querida" - diz Elvis - "Vou ler um pouco no banheiro."

Ginger se mexe na cama e diz: - "tudo bem, mas não vá pegar no sono".

O Rei, já de pé, olha para Ginger e responde: "Querida, não se preocupe, eu não vou dormir".

No interior de seu belo banheiro, Elvis apanha um livro sobre o santo sudário: "The scientific search for the face of Jesus" - ( A busca científica pelo rosto de Jesus), e espera até que os remédios façam efeito.

A vários de quilômetros de Memphis, precisamente na cidade de Portland, cidade do estado do Maine, o "Coronel" Tom Parker já se encontra enfurnado dentro de um quarto de hotel, ele supervisiona e organiza aquele que seria (segundo o próprio Elvis), o maior show da carreira do Rei do Rock. Um dos homens de confiança de Tom Parker, Lamar Fike, que tinha acabado de chegar de Los Angeles num vôo noturno, imediatamente, começa a trabalhar, organiza a segurança e providencia acomodações no hotel para a banda e para o resto da equipe.

Pouco antes do meio-dia de 16 de agosto de 1977, Billy Smith chega a Graceland e fala com um dos assistentes de Elvis, Al Strada, que naquele momento embalava o guarda-roupa do cantor. Smith pergunta se alguém já tinha visto o chefe. Al diz que não, e que Elvis não quer ser acordado antes das 16 horas. Smith se pergunta, meio resmungando, se um dos Stanleys, meio-irmãos de Elvis, teria procurado saber se ele estava bem. Começa a subir as escadas, e, para. "Não, ( pensa Smith ). É melhor deixá-lo descansar. Ele está precisando".

Às 14h20min, Ginger vira-se na imensa cama e a encontra vazia. "Será que Elvis não se deitou ainda ?? O abajur na cabeceira da cama ainda está aceso. Ginger bate freneticamente na porta do banheiro. "Elvis?" Não há resposta. Ela gira a maçaneta e entra. Elvis está caído no chão de joelhos, as mãos no rosto, quase numa postura de oração. Inexplicavelmente, ele havia caído naquela posição grotesca.

-"Mas por que ele não responde e nem se mexe? Ginger chama de novo: -"Elvis?". Ele está estranhamente imóvel. Ginger se curva para tocá-lo. O corpo de Elvis está gelado, o rosto inchado enterrado no grosso tapete vermelho, as narinas respingadas de sangue. A pele apresenta manchas de um roxo quase negro. Sem querer crer no pior, Ginger aperta o botão do interfone, que toca na cozinha. Logo fala com Al Strada: "Al, preciso de você!". Elvis desmaiou!". Al Strada corre escada acima, olha a cena e chama Joe Esposito, outro escudeiro do Rei. Esposito sobe correndo e vira o corpo de Elvis de lado. Ele já sabe a verdade, mas mesmo assim chama a ambulância. Depois de ligar para a ambulância, Joe então telefona para o Dr. George Nichopoulos (o principal médico do cantor), com a notícia de que Elvis havia sofrido um ataque cardíaco. Enquanto a ambulância cruza os portões da mansão com a sirene ligada, o andar superior se enche de gente: Charlie Hodge, chora e implora a Elvis para que ele não morra; o pai de Elvis, Vernon, que chega à cena, não resiste e desmaia; a filha de Elvis, Lisa Marie, então com 9 anos, que acabara de chegar da Califórnia para visitar o pai e espia tudo de olhos arregalados.

-"O que houve com ele?" - pergunta um dos paramédicos - Ulysses Jones. Al Strada responde a verdade: - "parece que foi overdose".

No Baptist Memorial Hospital, a equipe da emergência faz tudo que pode. Mas não existe providência, frenética ou heróica, capaz de salvar a majestade de Graceland. Por fim, o Dr. Nichopoulos, com o rosto muito pálido, surge na sala de espera onde Esposito conversa com Hodge, Strada, Smith e David Stanley. - "Ele se foi", diz o médico a quem posteriormente o Conselho de Medicina do Tennessee condenaria por receitar cerca de 12 mil medicamentos a Elvis num período, de apenas, 20 meses. - "Ele não está mais entre nós." Diante dessa notícia, os homens começam a chorar sem constrangimento, abraçando-se uns aos outros em busca de conforto. Aos 42 anos, Elvis Presley está morto.

Do Hospital, Joe Esposito liga para Portland para falar com o Coronel. -"Tenho uma notícia terrível para lhe dar" - começa Joe, com a voz trêmula. -"Elvis acaba de morrer".

Trinta segundos (ou mais) se passam até que Parker pronuncie alguma sílaba. - "Ok, Joe" - diz finalmente o empresário, coma a voz inalterada, desprovida de qualquer emoção. - "Estaremos aí o mais depressa possível".

Esposito sente que por baixo daquela frieza, o Coronel está muito abalado. Parker age rápido - por telefone, cancela a turnê e avisa a todos que está tudo acabado. Mais tarde marca uma reunião com todos os seus homens em seu quarto de hotel. Quando o último de seus homens (Lamar Fike) entra no quarto, Parker lhe ordena para que feche a porta. Nesse momento Parker está sentado na beira da cama, desligando o telefone. Com exceção de Fike, que chegara naquele instante, todos os homens olham atônitos para o chão.

Fike, sem entender nada, lança a pergunta: - "Afinal de contas, o que está acontecendo aqui?". O Coronel se levanta, vai em sua direção e diz: - "Lamar, você tem de ir a Memphis se encontrar com Vernon. Elvis morreu."

Fike fica arrasado, mas não surpreso. Havia meses que o artista mais famoso do mundo mal conseguia encontrar o caminho até o microfone. Durante um show em Baltimore, Elvis abandonara o palco por 30 minutos, sem nenhuma explicação. "No fim", publicou a revista Variety, "não houve aplausos, e os patrocinadores saíram balançando a cabeça e especulando sobre o que haveria de errado com ele."

O próprio Elvis tinha uma idéia. Não muito tempo antes, havia convidado o compositor Ben Weisman para ir à sua suíte em Las Vegas. Com o rosto inchado, o Rei sentou-se ao piano. -"Ben", disse ele - "há uma canção que eu adoro - "Softly as I leave you". Ela não fala de um homem que sofre por uma mulher. Fala de um homem que vai morrer."

Enquanto os fãs mais devotados iniciam uma peregrinação a Memphis, partindo de todos os cantos do mundo, o Coronel faz uma reserva de avião, não para o Tennessee, mas para Nova York. Lá, ele faz uma reunião na RCA, gravadora para a qual seu famoso cliente havia vendido mais cassetes e discos do que qualquer outro artista na história. Prevê, corretamente a velha raposa, que em 24 horas todos os produtos relacionados a Elvis estejam esgotados nas lojas dos Estados Unidos e, em pouco tempo, em quase todo o planeta. Parker pressiona a gravadora para contratar as principais fábricas a preços mais altos - passando à frente de outras encomendas - a fim de manter a rica torrente de discos de Elvis. Em seguida, reuni-se com um licenciador para fechar negócio envolvendo outros produtos associados ao Rei do Rock. Só então viaja para Memphis, para o funeral de Elvis, em 18 de agosto, com os helicópteros da imprensa circulando no céu e o canto estridente e monocórdio das cigarras enchendo o ar quente e úmido de emoção, no último adeus ao rei supremo do Rock.

Telmo Vilela Jr.

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

Título no Brasil: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
Título Original: Harry Potter and the Prisoner of Azkaban
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Alfonso Cuarón
Roteiro: Steve Kloves, baseado na obra de J.K. Rowling
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Gary Oldman, Alan Rickman, Emma Thompson, Maggie Smith, Julie Christie

Sinopse:
Harry Potter (Daniel Radcliffe) retorna para Hogwarts, em seu terceiro ano na famosa escola de bruxos e magos. Agora terá que lidar com uma nova ameaça, após a fuga do assassino Sirius Black (Gary Oldman) da prisão de Azkaban. O objetivo do criminoso foragido e encontrar Potter para um desafio de vida ou morte. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Trilha Sonora (John Williams) e Melhores Efeitos Especiais. Também indicado a nove prêmios da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, entre eles Melhor Filme de Fantasia, Direção e Ator Coadjuvante (Gary Oldman).

Comentários:
Considero um dos melhores filmes da franquia Harry Potter. Isso se deve muito ao elenco e à direção que foi entregue ao talentoso Alfonso Cuarón (cineasta mexicano que havia se destacado por dirigir, entre outros, "Grandes Esperanças", sendo que recentemente foi destaque por ter realizado o que para muitos é sua maior obra prima, "Gravidade"). Além da direção diferenciada e caprichada, essa produção contou ainda com um time de atores coadjuvantes de primeira linha, a começar por Gary Oldman (deitando e rolando como Sirius Black), Emma Thompson (que aceitou interpretar a professora Sybil Trelawney para impressionar sua filhinha de apenas quatro anos, fã assumida de Harry Potter) e Julie Christie (para quem não sabe, um mito da era de ouro do cinema americano, a eterna Lara de "Dr. Jivago", aqui dando vida a uma personagem meramente secundária, Madame Rosmerta). Outro destaque do elenco vem da estréia do ator Michael Gambon na pele do mago Albus Dumbledore. Ele assumiu o papel após a morte de Richard Harris, falecido em 2002 após concluir sua participação em "Harry Potter e a Câmara Secreta". Além desses ótimos atores e atrizes em cena, o filme ainda se destaca pela excelente direção de arte e pela trama, uma das melhores escritas por J.K. Rowling. Enfim, realmente se tivesse que escolher o melhor filme da franquia pensaria seriamente em apontar para esse, onde todas as peças parecem estar no lugar certo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Memphis Celebrates 50 Years of Rock 'n' Roll

50 anos depois da gravação do que para muitos foi o primeiro Rock'n Roll da história, na legendária Sun Records, no dia 05 de julho de 1954, milhares de pessoas celebraram esta data histórica com uma série de eventos em Memphis - lugar onde este ritmo também nasceu e onde o maior ídolo do Rock de todos os tempos, Elvis Presley, iniciou sua carreira. E nada melhor do que comemorar com música. Assim foi lançado esse CD especial, que teve em sua seleção várias gravações originais de artistas que fizeram parte do nascimento do mais popular ritmo do século XX. Todos passaram por Memphis em algum momento de sua carreira. A seleção é de peso e conta com Elvis Presley, Johnny Cash, Aretha Franklin, B.B. King, Otis Redding, Jerry Lee Lewis, Roy Orbinson e Dusty Springfield, dentre outros. Não gosto muito de coletâneas mas elas tem seus méritos, entre eles iniciar os jovens na história do rock mundial dando a eles a oportunidade de ouvir o som dos pioneiros do ritmo em gravações originais. Depois de uma apresentação como essa se pode partir para vôos mais altos certamente.

Na verdade embora alguns fãs procurem pelo marco zero do nascimento do Rock os historiadores concordam que esse momento simplesmente não existiu. Na verdade o ritmo que ficou conhecido como Rock ´n´ Roll nada mais foi do que uma criação realmente coletiva, que contou com centenas de artistas, famosos ou não, negros e brancos, que foram ao longo dos anos incorporando novidades, fundindo outros gêneros, até dar uma alma ao novo estilo musical. A própria seleção musical desse CD reflete bem isso. Lá estão "Rocket 88" de Jackie Brenston bem ao lado de "That's All Right" de Elvis Presley, sendo as duas canções geralmente associadas ao nascimento do rock. Para muitos a primeira música, "Rocket 88", seria a primeira gravação de rock da história, já para os fãs de Elvis a segunda, "That's All Right", teria essa primazia. No fundo isso não tem a relevância que muitos desejam, o que importa mesmo é desfrutar da excelente seleção musical desse título que mostra como é maravilhosa a sonoridade dos primeiros rocks gravados. Um sopro de ar fresco musical que jamais se repetiria novamente.

Memphis Celebrates 50 Years of Rock 'n' Roll (2004)
1. Rocket 88 - Jackie Brenston
2. That's All Right - Elvis Presley
3. Blue Suede Shoes - Carl Perkins
4. I Walk The Line - Johnny Cash
5. Ooby Dooby - Roy Orbison
6. Great Balls Of Fire - Jerry Lee Lewis
7. Last Night - The Mar-Keys
8. Green Onions - Booker T & the MG's
9. Rock Me Baby - B.B. King
10. Wooly Bully - Sam The Sham and the Pharaohs
11. The Dark End Of the Street - James Carr
12. Respect - Aretha Franklin
13. The Letter - The Box Tops
14. Soul Man - Sam & Dave
15. (Sittin' On) The Dock Of The Bay - Otis Redding
16. Memphis Train - Rufus Thomas
17. Son Of A Preacher Man - Dusty Springfield
18. Suspicious Minds - Elvis Presley
19. Theme From Shaft - Isaac Hayes
20. Let's Stay Together - Al Green
21. I'll Take You There - Staple Singers

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Elvis Presley - Milky White Way / Swing Down Sweet Chariot

Outro single lançado em 1966 foi esse compacto gospel com duas músicas extraídas do disco "His Hand in Mine". Certamente são boas canções, diria até mesmo ótimas, gravadas em um momento na carreira de Elvis, em 1960, onde tudo parecia correr muito bem, ou seja, o extremo oposto do que Presley vinha passando seis anos depois. O curioso é que por essa época o cantor começava a afundar de cabeça em suas leituras espirituais, deixando sua carreira completamente de lado.

A postura de Elvis nesses tempos era pragmática: a gravadora marcava a sessão de gravação, ele ia até lá e gravava o que lhe era pedido. Simples assim, nem mais, nem menos do que isso. Se as músicas eram boas ou ruins não cabia a Elvis opinar (pelo menos em sua estreita visão do que estava acontecendo ao seu redor). Assim Elvis fazia o que a RCA lhe ordenava, recebia seu pagamento e voltava para suas leituras esotéricas. Afinal de contas ele tinha um padrão de vida excelente, não se preocuparia tanto em escolher as músicas, suas pílulas estavam sempre à mão e Priscilla o apoiava, não importando o que fizesse.

Embora procurasse sempre por um avanço espiritual o fato era que aos poucos Elvis foi novamente caindo na real. Ele havia adotado uma postura de passividade em relação ao material de seus discos desde que voltara para Hollywood, mas devagar foi percebendo que os álbuns não conseguiam mais fazer sucesso e nem se destacar nas paradas. Os Beatles estavam dominando, havia uma nova revolução no rock e ele estava por fora de tudo isso. Leitor das publicações de música Elvis havia se acostumado a ver suas trilhas sonoras sempre entre as dez mais vendidas e quando isso não mais aconteceu começou a se aborrecer de verdade. Ele sabia que as canções não prestavam, tinha plena consciência disso e começou a implodir quando viu seu nome associado a tanta coisa medíocre. Quando também tomou consciência do relançamento da RCA Victor de antigas músicas religiosas como essas, teve a (finalmente) excelente ideia de gravar um álbum novo apenas com música gospel. Afinal de contas se havia dado tão certo com "His Hand in Mine" por que não repetir a dose? Uma coisa era certa, seria um material bem mais relevante do que seu últimos discos, com todas aquelas canções Made in Hollywood sem valor artístico algum.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - Quando Elvis Mordeu a Grande Maçã - Parte 3

É chegada a hora da sessão nostalgia do show com uma versão de Love Me típica da época. Sempre achei que o arranjo mais calmo dos anos 50 é melhor. O desse disco é típico da época, mais acelerado, meio blues, mais ainda agradável de se ouvir, diferente das versões dos últimos anos. Seguindo, Elvis enrola a língua antes de começar uma curtíssima, porém frenética versão do clássico All Shook Up. E de novo a galera explode. Pena que aqui como em outras oportunidades a música não foi tratada com o devido respeito. Com um hit atrás do outro é a vez de Heartbreak Hotel, uma das poucas músicas da década de 50 que não sofreram com o descaso de Elvis. Boa versão. Quase sem parar Elvis inicia Teddy Bear / Don´t Be Cruel, sendo essas duas a 3ª e 4ª músicas seguidas cantadas no show a terem alcançado o primeiro lugar. Ao contrário dos anos finais, essa medley ainda é bem legal e executada corretamente. E pra não perder o costume a 5ª música ao ter chegado ao primeiro lugar é Love Me Tender. Elvis nunca conseguiu um arranjo apropriado para essa música nos anos 70 e falhou ao enchê-la de metais. Essa versão do show é só regular. Outra estragada é a seguinte, Blues Suede Shoes, com pouco mais de 1 minuto e um arranjo ultrapassado, se tornando a segunda decepção seguida da noite.

As coisas melhoram 100% com uma rara e inspirada Reconsider Baby, a obra prima de Elvis de 1960, com novamente James exercitando seus famosos licks de Blues. Um dos momentos mais aguardados da noite vem a seguir quando Elvis anuncia: “Eu estava no Ed Sullivan quando eu cantei essa música. Essa é minha música mensagem hoje à noite.” Seguida dessa afirmação pra lá de irônica, visto sua ridícula letra, e após atiçar a platéia, Elvis começa uma boa versão de seu grande clássico Hound Dog, com um começo em ritmo mais lento Elvis depois acelera, para novo delírio da galera que grita de forma ensurdecedora. As versões de 72 são as últimas que considero boas desse clássico, visto que em anos seguintes virariam a parte mais trash do show de Elvis. Seguindo Hound Dog, surge a belíssima I´ll Remember You de 1966. O master dessa música é simplesmente fantástico, com um suave e emocionante solo de gaita e a voz de Elvis perfeita. Essa versão ao vivo tira a suavidade e aposta numa voz de Elvis mais grossa e um arranjo mais de corda. Suspicious Minds segue e com ela mais gritaria, dança, caratê e o gordinho Ronnie Tutt judiando sua bateria. Por volta dessa época Elvis estava ficando cansado dessa absoluta obra prima gravada em 69 e que pôs o rei no mapa da música de novo. Isso é justificado, pois ela foi cantada em quase todos os shows de 69 até aquele momento, tendo suas melhores versões em agosto de 1970. Mais um hit na listagem do show. Clássico absoluto, e essa versão é ótima.

Hora de apresentar a banda e ao contrário do que aconteceria em shows futuros as honras são feitas não em 1/3 do show, mas em menos de 3 minutos. Seguindo a apresentação Elvis deveria ter tocado Burning Love, que chegaria ao primeiro lugar em NY alguns meses depois. Porém, ele toca a melancólica, porém bonita For The Good Times, até então inédita na sua discografia. Uma pena, pois desacelerou totalmente o show, principalmente quando a seguinte é American Trilogy, uma das melhores músicas de toda sua carreia e que o público simplesmente amava. Porém Trilogy é muito “hino à República” para o meu gosto e destoa completamente do show. Mas a platéia adora. Lançada em single pouco antes, me surpreende que essa música alcançou uma das piores posições de Elvis na década, a 66ª, apesar de tocada em quase todos os shows daquele ano. O patriotismo de Elvis aqui é evidente e chega a incomodar os não americanos.

Depois Elvis fala pela primeira vez diretamente com o público dizendo que é bom estar em NY com uma ótima platéia e pede para serem acessas as luzes do Garden. Aí meu amigo se você esquecer de abaixar o volume do som, vai ficar surdo, porque a gritaria que se segue é ensurdecedora. Luzes acessas é hora de Funny How Times slips Away, do álbum Elvis Country. Gravada originalmente por Willie Nelson, essa música é a parte country do show, apesar do arranjo nela posto no show passar longe de ser country. Outro exemplo de música com poucas versões ruins. Muito boa essa aqui também, com Elvis dando uma hilária roncada no fim! I Can´t Stop Loving You é a próxima e James Burton capricha na distorção. Gravada por Ray Charles em 62 e escrita por Don Gibson, esse country virou um rock alucinante na versão de Elvis, principalmente as de 1970. Essa aqui fica num meio termo, sendo um pouco mais lenta, mas acelerando um pouquinho o ritmo do show, caído desde For The Good Times. Hora de ir embora, a costumeira Can´t Help Falling Love encerra esse fantástico show, que com algumas poucas exceções é de primeiríssima.

O repertório sofreu poucas alterações nos 3 dias de Nova York, porém foi sempre consistente. Tirando a porção final um pouco lenta, a ausência de Burning Love e as versões de Love me Tender e Blue Suede Shoes esse é um fantástico show de Elvis, superior ao Aloha que mostra o rei em uma de suas melhores formas. Os shows em NY foram um arrebatador sucesso, junto com seu álbum lançado. Meses depois Burning Love chegava a 2ª posição nas paradas, confirmando a super fase de Elvis, que deu impulso para o primeiro show a ser transmitido via satélite para o mundo. Mas isso é uma outra história. A mordida que Elvis deu na grande maçã lhe valeu alguns dos melhores momentos de sua carreira e abriu portas para o maior. Como Glen Hardin disse: “Nunca tocamos melhor do que em Nova York!”.

Victor Alves

A Última Música

Título no Brasil: A Última Música
Título Original: The Last Song
Ano de Produção: 2010
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: Julie Anne Robinson
Roteiro: Nicholas Sparks, Jeff Van Wie
Elenco: Miley Cyrus, Liam Hemsworth, Greg Kinnear

Sinopse:
Ronnie Miller (Miley Cyrus) é uma jovem, filha de pais divorciados, que não conseguiu ainda superar a separação de sua família. Durante o verão sua mãe decide enviar a garota para passar suas férias ao lado de seu pai, que mora numa região muito bonita, com belas praias, o cenário perfeito para passar dias de descanso e lazer. Lá Ronnie acaba conhecendo muito mais seu pai e acaba descobrindo uma pessoa maravilhosa por trás de toda aquela imagem negativa que ela tinha criado em sua mente.

Comentários:
Miley Cyrus hoje em dia virou uma artista pop apelativa e vulgar, quase uma caricatura completa. Esse filme foi rodado em uma fase mais, digamos assim, "normal" de sua carreira. Nada de vestidos escandalosos e nem língua para fora, o que vemos aqui é um drama familiar que investe em bons sentimentos e numa boa lição de vida, ideal para garotas como a personagem principal, que de certa forma também se culpa pelo fracasso do casamento de seus pais. Outro destaque do elenco vem com o subestimado Greg Kinnear, um ator que sempre gostei, discreto e sofisticado, sempre acrescentando muito aos personagens que interpretou durante todos esses anos de carreira no cinema e na TV. Em suma, um bom filme para conhecer Miley Cyrus antes de virar esse monstro de marketing agressivo dos dias de hoje.

Júlio Abreu.

Curtindo a Liberdade

Título no Brasil: Curtindo a Liberdade
Título Original: Chasing Liberty
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Andy Cadiff 
Roteiro: Derek Guiley, David Schneiderman
Elenco: Mandy Moore, Matthew Goode, Mark Harmon

Sinopse:
Tudo o que sonha Anna Foster (Mandy Moore) é ter uma vida normal. Como filha do presidente dos Estados Unidos porém isso é muito complicado. Cercada de segurança 24 horas por dia ela decide fugir ao lado de Ben Calder. O que ela não imagina é que ele é na verdade um agente secreto disfarçado para manter sua integridade física. Na viagem ela se apaixona por ele, sem saber seu grande segredo.

Comentários:
Bobeirinha romântica para o público teen (adolescente). No geral nada de muito significativo a não ser o carisma da estrelinha Mandy Moore de "Um Amor Para Recordar", "Era Tudo Que Eu Queria" e "Meu Novo Amor", todas fitinhas que seguem o mesmo caminho dessa aqui. Em termos de elenco o único nome que destacaria, fora ela, seria o ator Mark Harmon, que também começou a carreira em comédias bobinhas dos anos 80 como a inesquecível bobagem repetida mil vezes na Sessão da Tarde "Curso de Férias" (ou "Curso de Verão"), onde interpretava aquele professor de educação física chamado Freddy Shoop que tinha que lidar com um grupo de alunos completamente ineptos durante as férias. Então é isso, "Chasing Liberty" é um filminho para ver numa tarde entediada de sábado e depois esquecer completamente de sua existência - como aliás convém a esse tipo de filme.

Júlio Abreu.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Malcolm X

Título no Brasil: Malcolm X
Título Original: Malcolm X
Ano de Produção: 1992
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Spike Lee
Roteiro: Alex Haley
Elenco: Denzel Washington, Angela Bassett, Delroy Lindo

Sinopse:
Cinebiografia do líder e ativista negro Malcolm X, mostrando aspectos de sua biografia que vão desde os primeiros anos quando acabou indo parar numa prisão onde sofreu todos os tipos de preconceito, até seu envolvimento com o Islamismo, suas viagens à Árabia Saudita e sua forma de tentar equilibrar o eterno conflito entre negros e brancos dentro dos Estados Unidos. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Ator (Denzel Washington) e Melhor Figurino. Indicado ao Globo de Ouro e vencedor do Berlin International Film Festival também na categoria de Melhor Ator (Denzel Washington).

Comentários:
Os recentes acontecimentos ocorridos numa cidade americana após a morte de um jovem negro por policiais deu origem a uma série de protestos violentos por parte da comunidade negra da região. Isso me fez lembrar imediatamente desse filme, "Malcolm X", biografia de um líder negro que pregava a luta contra o preconceito racial utilizando-se de todos os meios possíveis (inclusive da violência). Malcolm X era assim o extremo oposto do grande Martin Luther King Jr, que pregava a resistência pacífica contra os movimentos racistas do sul. Se ideologicamente Malcolm X era bastante equivocado - como a própria história provaria anos depois - cinematograficamente não há como negar que esse seja de fato um grande filme. Se você ainda nutre alguma dúvida sobre o talento do ator Denzel Washington sugiro que procure assistir a esse seu trabalho de atuação que é extremamente bem realizado, digno de todas as indicações e prêmios que recebeu. Denzel traz para sua caracterização todo o ódio e raiva incontidas que eram as marcas psicológicas do líder negro. Some-se a isso um roteiro extremamente bem escrito que tenta desvendar as origens do pensamento de Malcolm X. Ao final, quando tudo é consumado, de forma inclusive bastante violenta, fica a mensagem de que violência apenas gera ainda mais violência. Nunca será o caminho para tentar reconciliar pessoas e superar desavenças históricas, culturais ou raciais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Primeiro Casamento de Marilyn Monroe

Marilyn tinha apenas 16 anos quando sua mãe adotiva resolveu que era hora de se livrar dela. A questão é que tinha se apaixonado por um novo homem e queria se mudar, ir viver em outra cidade. Não havia assim mais espaço para a jovem Norma Jean em seu novo lar. Sem consultar Marilyn ela entrou em acordo com a vizinha amiga que tinha um filho que já estava com 21 anos e até aquele momento não mostrava interesse em se casar. Seu nome era James Dougherty. As duas mães então chegaram na conclusão que um casamento arranjado entre os seus jovens iria resolver os problemas das duas. Marilyn era muito jovem, uma adolescente ainda, e não tinha a menor ideia do que aquilo significava. Ela conheceu Jim em um fim de semana e o casamento foi marcado, meio que às pressas mesmo. Não havia tempo para romance e nem bobagens desse tipo.

Assim numa tarde de sábado de um dia quente de 1942 Norma Jean se casou com Jim Dougherty. Com o casamento Marilyn se tornava emancipada e não haveria mais necessidade de ficar indo de lar adotivo em lar adotivo, morando com pessoas desconhecidas em lugares que ela nem sabia que existia. Como tinha apenas 16 anos ela não tinha consciência do que era ser casada e nem das obrigações que isso implicava. Em relação a ter uma vida sexual com o marido as coisas eram ainda mais complicadas pois Marilyn, por ser uma adolescente dos anos 1940, nunca havia falado sobre sexo antes com quem quer que seja. Anos depois lembrando de seu primeiro casamento ela dizia ironicamente que era "como viver em um zoológico".

Sua sorte foi que seu marido Jim logo se alistou na marinha mercante e começou a fazer longas viagens. Na pior das hipóteses Norma ficava livre da obrigação de conviver diariamente com um quase estranho que agora tinha que chamar de marido. Para matar o tédio de uma vida sem objetivos (ela também tinha largado a escola após se casar), começou a ir ao cinema todos os dias. Os filmes eram naquela época a escolha natural de diversão para os mais pobres pois os ingressos custavam barato, principalmente nas matinês, uma quantia realmente irrisória que nem chegava a 1 dólar.

Marilyn ficou deslumbrada com todas aquelas atrizes bonitas, vivendo vidas nas telas que para ela mais pareciam um sonho distante. Como era jovem e inocente ainda, Norma foi aos poucos alimentando o sonho de ir para Hollywood para ser atriz. Quando contou para uma amiga que queria virar atriz de cinema ela riu e disse que isso era algo impossível de se conseguir. Norma porém não aceitou essa realidade. Assim quando seu jovem marido voltou de viagem tudo o que encontrou foi sua casa vazia e um bilhete de Marilyn dizendo que ela tinha indo embora para sempre e que mandaria os papéis de divórcio pelo correio. Emancipada, livre e dona do próprio destino, Norma nem pensou duas vezes e foi embora atrás de seus sonhos. No total o casamento sequer durou dois anos. O marido ficou para trás, literalmente a ver navios.

Pablo Aluísio.

O Amanhã Que Não Virá

Título no Brasil: O Amanhã Que Não Virá
Título Original: Kiss Tomorrow Goodbye
Ano de Produção: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Gordon Douglas
Roteiro: Harry Brown, Horace McCoy
Elenco: James Cagney, Barbara Payton, Helena Carter

Sinopse:
Ralph Cotter (James Cagney) é um prisioneiro condenado que decide fugir após uma distração dos guardas. Na fuga seu colega de cela acaba sendo morto. Isso porém não é problema para Cotter que está desesperado em ser novamente um homem livre, para dar continuidade em sua vida no crime. De volta às ruas, ele acaba se envolvendo em um roubo, mas após ser pego pelo inspetor de polícia descobre que ele pode ser corrompido por dinheiro. Isso coloca o policial nas mão de Cotter, que agora não vê mais limites para seus planos no mundo do crime.

Comentários:
James Cagney foi o mais adorado vilão do cinema americano. Baixinho, atarracado e com cara de mau, ele construiu toda a sua carreira interpretando bandidos, assassinos e gangsters, todos com raro brilhantismo. Na era de ouro do cinema clássico ele foi o mais famoso "homem mau" das telas de cinema. Aqui Cagney volta a interpretar um criminoso, um sujeito que em nenhum momento tenta se fingir de bonzinho ou ser dado a crises de consciência. Pelo contrário, seu personagem Ralph Cotter é um escroque assumido. Após gravar o inspetor de polícia negociando com ele uma propina ele começa a ter o tira nas mãos. Ao lado de um advogado também sujo (Luther Adler, em excelente atuação como Keith 'Cherokee' Mandon) ele acaba percebendo que não haverá mais limites para seus golpes no mundo da criminalidade. Como porém nada é perfeito, acaba cometendo dois erros, justamente ao se envolver com as mulheres erradas, a irmã de seu companheiro morto na fuga e a filha de um milionário e político influente. Quem conhece a carreira de James Cagney sabe que em todo filme seu personagem deveria protagonizar uma cena de extrema violência. Algumas vezes ele amassava uma fruta na cara de alguma mulher que ousasse lhe enfrentar. Aqui ele perde a cabeça após ser agredido por uma garota e lhe dá uma surra com toalhas de banho - imagine algo assim em plenos anos 1950, onde o moralismo era muito presente, inclusive em filmes. O público adorava até porque todos tinham pago para ver o lado mais perverso e cruel de Cagney e certamente saíam plenamente satisfeitos do cinema após verem cenas como essa.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Tesouro do Bandoleiro

Título no Brasil: O Tesouro do Bandoleiro
Título Original: The Nevadan
Ano de Produção: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Gordon Douglas
Roteiro: George W. George, George F. Slavin
Elenco: Randolph Scott, Dorothy Malone, Forrest Tucker

Sinopse:
Nas longas planícies do deserto de Nevada surge um cowboy misterioso que começa a seguir os passos de um criminoso foragido, um assaltante de bancos que está lutando por sua vida e liberdade. Em seu encalço também está um fazendeiro ganancioso e seu grupo de capangas, todos atrás do dinheiro roubado, uma pequena fortuna.

Comentários:
Mais um filme para os admiradores do trabalho do eterno cowboy Randolph Scott. Foi o último que o astro fez na Columbia depois de cumprir um longo contrato que ele havia assinado sete anos antes. Assim dali em diante o próprio Scott iria produzir suas fitas, trabalhando sem as amarras de um contrato que lhe deixasse preso a nenhum estúdio de Hollywood. Nesse filme aconteceu um fato curioso, durante uma tomada de cena em Alabama Hills, onde a produção estava sendo rodada, o ator caiu de um pequeno desfiladeiro com seu cavalo (que não era o famoso Stardust). Randolph Scott era um excelente cavaleiro mas seu próprio cavalo tropeçou nas pedras e a queda foi inevitável. Socorrido a tempo, Randolph foi levado a Los Angeles onde se constatou que ele havia quebrado sua perna esquerda. Isso levou o filme a ficar parado por algumas semanas, o que de certa forma é perceptível ao assisti-lo pois o ator perdeu peso no hospital e como o filme não era gravado na sequência cronológica das cenas podemos perceber que ora ele surge magro, ora mais cheio ao longo do filme. Deixando essa pequena curiosidade de lado o que temos aqui é mais um belo western com Scott, que mantinha sempre um excelente padrão de qualidade em todos os filmes em que participou. Não é de se admirar que tenha sido um dos mais populares atores do gênero western na história do cinema americano.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Elvis Presley - Quando Elvis Mordeu a Grande Maçã - Parte 2

A apresentação que vou analisar agora é o afternoon show do dia 10, lançado pela primeira vez em 97 no cd An Afternoon in the Garden, que considero melhor que o lançado oficialmente com o show do mesmo dia, só que à noite. Elvis está mais animado e o repertório é mais variado. Talvez a RCA tenha lançado o da noite, devido à inclusão de The Impossible Dream, na época ainda inédita. Os preços dos ingressos eram de 5 ou 10 dólares e calcula-se que 80 mil pessoas viram Elvis nos quatro dias. Rachy Tewell, a primeira a comprar ingressos passou 46 horas na fila. Os ingressos foram vendidos em 2 dias, sendo que em determinado momento a fila chegou a ter 30 mil pessoas. Esses dados são interessantes para você mencionar para algum desinformado sobre Elvis nos anos 70 e mostrar a proporção absurda que esses shows tiveram na cidade, algo como o U2 no Brasil, recentemente. A ABC gravou uma filmagem do show do dia 09 até a música Polk Sallad Annie.

Existem filmagens amadoras de todos os shows. Entre os ilustres na platéia estava John Lennon, Bob Dylan e Art Garfunkel que adorou a versão de Elvis de sua música Bridge Over Troubled Water. A vendagem de discos de Elvis nesse fim de semana bateu vários recordes e o disco ao vivo lançado estrategicamente 1 semana após o show alcançou a 11ª posição em terras ianques e a 3ª na Inglaterra e até hoje recebeu o prêmio 3x disco de platina. A MGM incluiu apenas um trecho da coletiva de Elvis no documentário Elvis On Tour, cometendo o crime de não filmar nenhum dos 4 shows.

Por essa época as Jumpsuits, inicialmente simples, já haviam se desenvolvido para roupas com pedras preciosas e brilhantes de variadas cores, pois a partir de 1971 passaram a ser acompanhadas de uma capa. Mas vamos ao show. Era um sábado à tarde e não só Nova York, como os EUA voltava-se para o Garden para curtir O Rei do Rock Elvis Presley em suas primeiras apresentações na cidade que nunca dorme. Also Sprach Zaratrusta começou a tocar e essa era a música na época recentemente incluída no show para anunciar seu início. Reparem que os shows de Elvis agora haviam adquirido todo um ritual messiânico com uma música de orquestra preparando a platéia para a chegada do cantor. Esta foi seguida das frenéticas marteladas de Ronnie Tutt na bateria e de um grito ensurdecedor com a entrada de Elvis. O público de Nova York foi, definitivamente, um dos mais calorosos e agitados para quem Elvis tocou em sua carreira. Pegando seu violão Elvis se posiciona na frente do microfone faz uma pose dos anos 50, mexe a perna e, usando o jumpsuit Light Blue Grass, inicia uma fantástica versão de That´s All Right (Mama), aqui cantada com seu tempo dobrado. Não haveria mesmo maneira melhor de começar do que usando a música que deu o pontapé inicial em sua carreira e um dos primeiros rocks gravados! Essa foi uma música que mudou muito ao longo da carreira de Elvis, mas essas agitadas versões de 72 são, na minha opinião, as melhores, rock de primeira.

Sem deixar o público respirar e depois de rapidamente dar boas vindas à multidão (os diálogos nesses shows são mínimos) Elvis emenda com Proud Mary. Esse clássico dos excelentes Credence Clearwater Revival tinha ganhado uma versão incompleta que apareceu em 1970 no On stage. Nessas versões de 72 Elvis não só aumenta o tempo da música com um final que com os metais ficou excelente, mas canta todos os versos direitinho. Um dos melhores covers que Elvis fez. Depois de Proud Mary Elvis começa a ótima Never Been to Spain. Esse blues-funk-rock-pop do Three Dog´s Night (cuja mãe de um dos integrantes, Mae Axton havia escrito Heartbreak Hotel!) ficou perfeito na voz de Elvis e mostra como ele ainda se preocupava em modernizar seu repertório. Destaque para James Burton e seus solos de guitarra, como sempre excelentes. Engraçado é escutar Elvis cantar os versos: “ Eu nunca fui para a Inglaterra, mas até que gosto dos Beatles.” Com certeza esse verso expressava um posicionamento de Elvis, que admirava os Beatles, mas sempre mantendo uma certa distância com eles. Depois é a vez do hit de 1970 You Don´t Have to Say You Love Me, aqui bem mais rápida do que a versão oficial. Essa excelente música havia chegado dois anos antes à 11ª posição nas paradas e faz parte do álbum That´s The Way It Is. Seria tocada até 73, voltando rapidamente ao repertório em 1975. Seguindo a dinâmica do show essa versão mais rápida ficou boa.

As coisas se acalmam um pouco com a música seguinte: Until Is Time For You To Go, um dos singles mais recentes de Elvis. Gravada em maio de 71 essa bonita balada foi o carro chefe do álbum de janeiro de 72 Elvis Now, mas fracassou nas paradas ao conseguir a 40ª posição nos EUA. Já os ingleses gostaram muito mais dessa canção que foi 5º lugar na paradas. Ao contrário de muitas versões de 71, essa é um pouco menor, sem Elvis repetir o verso e refrão, o que de maneira nenhuma prejudica o resultado final. Também do álbum TTWII é a seguinte, You´ve Lost That Lovin´Feeling, cover do sucesso homônimo dos Righteous Brothes de 64. Elvis, como em muitos casos ao fazer um cover, se apoderou da música de um jeito que muitas pessoas só conhecem a versão dele, que é em muito superior ao do grupo citado, com arranjos de metais muito bem feitos e Jerry Scheff dando seu início com seu baixo envenenado. Elvis incluiu um pequeno verso que não constava na original. Em uma certa parte da música onde ele se agacha e canta ”Baby I´d Get Down On My Knees For You” e depois brincando grita “If My Suit Weren´t Too Tide!!”. Acabou sendo cantando assim em toda versão ao vivo, fazendo parte da música! Pelo menos na versão de Elvis. As versões de 72 são mais rápidas do que as dos anos anteriores e essa é a típica música de Elvis que não possui versões ruins. Essa não é exceção. Excelente!

Depois é a hora da casa ir abaixo com a amalucada Polk Salad Annie. Absoluto ponto alto nos shows de Elvis na década de 70, esse Funk Rock foi escrita pelo ótimo Tony White Joe e introduzida no repertório em fevereiro de 1970. A sua versão inicial era de quase 5 minutos, com Elvis abusando de sua nova dança baseada em movimentos de caratê (o baterista Tutt até estudou a arte para conseguir acompanhar seus movimentos!). Mostrada ao mundo no filme TTWII com Elvis eletrizando a platéia, dançando e rebolando feito um doido, Polk salad Annie, com exceção de 1973, nunca foi abandonada nos shows e teve seu arranjo muito modificado com o passar dos anos. Inicialmente continha 2 minutos de uma parte falada, que no fim de 71 foi cortada. A nova versão presente nesse show é mais rápida, porém mais curta, incluindo um fantástico solo de baixo do igualmente fantástico Jerry Scheff. No vídeo amador desse show, percebe-se que no fim da música, como de costume Elvis bota pra quebrar, bem parecido com a versão do On Tour. E a galera não parava de gritar. Depois da música ele fala ironicamente: “Bom, de qualquer forma, agora eu acordei!”

Victor Alves.

Divergente

Título no Brasil: Divergente
Título Original: Divergent
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Summit Entertainment
Direção: Neil Burger
Roteiro: Evan Daugherty, baseado na obra de Veronica Roth
Elenco: Shailene Woodley, Theo James, Kate Winslet

Sinopse:
Cem anos após uma guerra que praticamente devastou o mundo civilizado, uma pequena população sobrevive nas ruínas da velha Chicago. Os grandes lagos ao redor secaram e a cidade é protegida por fortes muralhas. Para evitar novos conflitos as pessoas agora são separadas por facções, verdadeiras castas, que determinam o papel que cada um deve exercer dentro da sociedade.

Comentários:
Bastam poucos minutos de exibição para você se conscientizar que está na presença de mais um daqueles filmes feitos especialmente para o público adolescente. Com ecos de "Harry Potter" e "Jogos Vorazes" esse "Divergente" não consegue se mostrar nem um pouco original. O pior de tudo é que você precisa aceitar coisas que no mundo real não fariam o menor sentido. Por exemplo, como a sociedade está dividida em castas sociais, a mocinha do filme vai parar naquela que ela considera a mais legal existente, a dos "audaciosos". O problema é que se formos analisar bem aquelas pessoas não demorará muito para acharmos todos eles uns idiotas, do tipo que saltam de trens em alta velocidade, pulam em buracos de laje e coisas do tipo. Sinceramente, é na mão de sujeitos como esses que a segurança do mundo no futuro está? Se for, estamos mesmo todos perdidos, sem exceção. Esse aliás é o ponto focal que determina a posição do filme em um certo nicho que só agradará mesmo aos mais jovens. Afinal só mesmo os adolescentes acharão aquele tipo de coisa como algo legal ou maneiro. Se o argumento vai logo para o buraco pelo menos podemos torcer pela jovem atriz Shailene Woodley, a mesma do sucesso "A Culpa é das Estrelas". Não a considerei muito adequada para esse papel pois me deixou a impressão que ela quis seguir os passos da colega Jennifer Lawrence (de "Jogos Vorazes") pois está até mesmo fisicamente parecida com ela. Em minha opinião Woodley deveria procurar outros caminhos mais interessantes em sua carreira, justamente agora que vem se tornando mais popular.  Mesmo assim ela acaba sendo a única razão para seguir em frente com essa bobagem futurista teen. Se não fosse seu carisma tenho certeza que teria largado o filme com menos de 30 minutos de duração, tamanha a sua falta de novas ideias. E por falar em duração temos aqui mais um daqueles filmes que parecem não acabar nunca... longo demais... E o que a talentosa Kate Winslet está fazendo no meio dessa garotada? Ficou parecendo uma tiazona chata e aborrecida que aparece de vez em quando para pagar mico. E pensar que a Kate já fez filmes maravilhosos na carreira, será que está com falta de ofertas para fazer filmes relevantes? Pois é, a idade chega para todos um dia...

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Romance de Elvis e Ann-Margret

O Romance de Elvis e Ann-Margret
Data: julho de 1963 / Fonte: "Elvis and Me" de Priscilla Presley e Sandra Harmon / Texto: Priscilla Presley e Sandra Harmon / Photo: MGM / Elvis e Ann-Margret - Foi quando visitava a família na costa oeste no verão americano de 1963 que Priscilla pela primeira vez se tornou alvo da imprensa nacional, devido ao caso que Elvis estava tendo com Ann Margret. Tudo começou no final de julho, em Las Vegas, onde Elvis e Ann Margret filmaram "Viva Las Vegas". Quando o filme terminou, ambos estavam enamorados. Uma prova disso é que pela primeira vez em sua vida Elvis começou a sumir de casa por dois, três dias e até uma semana para passá-los na residência de Ann Margret, em Hollywood Hills. Essa violação da regra de que as mulheres tinham de vir até ele, era apenas um dos sinais que os caras da Máfia de Memphis interpretaram como verdadeira paixão. Enquanto o romance de Elvis e Ann pegava fogo, Priscilla ficava em Graceland, aguardando a volta de seu namorado, como ela mesmo recorda em seu livro "Elvis e Eu": "Eu estava transtornada desde que soubera que a estrela do novo filme de Elvis seria Ann Margret, a starlet em ascensão mais rápida em Hollywood. Ann Margret fizera apenas uns poucos filmes, inclusive bye bye birdie, mas já fora apelidada pela imprensa como "Elvis Presley de saias". Elvis estava curioso em relação a ela, tenho comentado que "a imitação é a forma mais sincera de lisonja".

Compreendi que se lhe revelasse meus temores, ele podia não dizer nada para me tranqüilizar. Afinal porque eu tinha tanta certeza de que no instante em que Elvis estivesse longe de mim - e perto de Ann Margret - surgiria um romance entre os dois? Cada vez que eu me aprontava para ir ao encontro de Elvis em Los Angeles, ele apresentava uma alegação qualquer para adiar a visita: - "Este não é o momento mais conveniente, baby. Estamos com problemas nas filmagens" - "Que problema?" - eu questionava - Elvis cinicamente me respondia: - "O caos é total aqui. Tenho um diretor maluco que está perdidamente apaixonado por Ann. Pela maneira como ele está dirigindo, dá até para pensar que o filme é todo dela. Ele está favorecendo Ann em todos os closes" - Elvis fez uma pausa - "E não é só isso: querem também que ela cante algumas canções comigo. O coronel ficou furioso. Disse que eles terão de me pagar um extra para cantar com ela". Enquanto escutava a arenga de Elvis, tentei me compadecer com a situação. Mas, emocionalmente, estava mais preocupada com a estrela do filme do que com o diretor. - "Como está Ann Margret?" - Perguntei - "Acho que ela é uma boa garota" - respondeu Elvis. Então ele logo descartou o assunto com a expressão "uma típica starlet de Hollywood".

Minha preocupação foi temporariamente atenuada. Eu sabia que ele sempre encarava as atrizes de maneira desfavorável, chegando mesmo a comentar: "Elas estão mais interessadas em suas carreiras e o homem fica em segundo plano. Não quero ser o segundo para qualquer coisa ou qualquer pessoa. É por isso que você não precisa se preocupar com a possibilidade de eu me apaixonar pelas atrizes que trabalham comigo" Eu queria acreditar, mas não podia ignorar as notícias na imprensa sobre o romance ardente que estava acontecendo nas filmagens de "Viva Las Vegas". Só que o romance no set de Las Vegas, segundo os boatos, não era entre Ann Margret e o diretor e sim entre Ann Margret e Elvis. Uma noite em que estávamos conversando pelo telefone perguntei abruptamente: "Tem algum fundo de verdade?" - "Claro que não" - respondeu Elvis, caindo na defensiva no mesmo instante - "Você sabe como são esses repórteres. Adoram ampliar qualquer coisa. Ela apenas aparece por aqui nos fins de semana, em sua motocicleta. Brinca um pouco com a turma e depois vai embora. Isso é tudo" - Mas isso não era o suficiente para mim. Ann Margret estava lá e eu não. Enfurecida, declarei: "Quero ir para aí agora!" - Elvis ficou visivelmente surpreso com a minha reação e se saiu com essa: - "Agora não é possível. Estamos terminando o filme e voltarei para casa dentro de uma ou duas semanas. Mantenha-se aí e trate de conservar acesso o fogo da paixão" - De forma melancólica eu lhe respondi: "A chama está ardendo muito baixa. É melhor alguém voltar logo para casa e atiçar o fogo".

Quando estava preparada para entrar em uma verdadeira guerra com Ann por Elvis, aconteceu uma coisa que deixou todos surpresos: de repente Elvis e Ann Margret desmancharam o namoro. Alguns rapazes da Máfia de Memphis encontraram Ann nos estúdios dias depois e conversaram sobre o assunto: - "Pensamos que vocês estavam apaixonados" - disse um deles - "Eu também" - falou a atriz - "E daí, o que aconteceu?" - quis saber um dos caras. Ann respondeu: "Não sei. Perguntem ao seu chefe. Eu não tenho a mínima ideia". Quando Elvis voltou de Hollywood resolvi mexer nas suas coisas atrás de provas, foi então que achei um bilhete na sua carteira que dizia: "Não posso entender - Scoobie". Era de Ann Margret. Tive certeza. Scoobie era o apelido que ela dera a si mesmo, como Elvis me confessou depois. A frase era também o título do primeiro disco de sucesso que ela gravou no começo dos anos sessenta. Era evidente que Elvis se dissociara completamente de Ann Margret, cortando os vínculos entre os dois. Rasguei o telegrama em pedacinhos, joguei no vaso e puxei a descarga, com a maior satisfação. - "Não deixa passar muita coisa não é mesmo baby? Para uma garotinha você é uma mulher típica" - Ele estava rindo - "Acho que é melhor eu tomar cuidado". Retribui o sorriso, mas pensei: "Nada disso. Sou eu quem precisa tomar cuidado. A amizade mútua e o respeito profissional entre Ann Margret e Elvis persistiram até o dia de sua morte. Ao longo dos anos ele nunca esqueceu de enviar um buquê de flores em forma de guitarra, desejando sucesso para a atriz sueca, sempre que ela estreava em um novo show ou em um novo filme!"

Mad Max - Além da Cúpula do Trovão

Título no Brasil: Mad Max - Além da Cúpula do Trovão
Título Original: Mad Max Beyond Thunderdome
Ano de Produção: 1985
País: Estados Unidos, Austrália
Estúdio: Warner Bros
Direção: George Miller, George Ogilvie
Roteiro: Terry Hayes, George Miller
Elenco: Mel Gibson, Tina Turner, Bruce Spence

Sinopse:
Terceiro e último filme da franquia original Mad Max. Agora o ex-patrulheiro Mad Max Rockatansky (Mel Gibson) precisa enfrentar novos desafios em um mundo  pós-apocalíptico, em especial crianças que vivem numa tribo selvagem no meio do deserto e uma monarca sanguinária e cruel com os seus inimigos. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria Melhor Canção Original ("We Don't Need Another Hero" por Tina Turner). Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films nas categorias Melhor Filme de Ficção, Direção, Roteiro e Figurino.

Comentários:
Esse foi o mais caro e dispendioso "Mad Max". Ok, a franquia é mundialmente aclamada desde os anos 80, mas vamos ser bem sinceros, os dois primeiros filmes são bem precários em termos de produção e orçamento. O primeiro Mad Max é quase um filme amador rodado pelas estradas mais desertas da Austrália. Realizado com um orçamento mínimo só virou um cult por causa da força do mercado de vídeo que nascia naquele momento nos Estados Unidos. O segundo sem dúvida era muito melhor, mais bem produzido, porém em nada comparável com essa super produção. Agora o curioso é que "Mad Max Beyond Thunderdome" foi criticado justamente por causa dos exageros de sua produção. Se antes faltava dinheiro, agora a sensação foi que exageraram na dose. Tudo é over, os figurinos, os cenários, a direção de arte. A cantora Tina Turner, um dos destaques do elenco, usa e abusa de uma peruca que parece ter sido roubada do armário de alguma drag queen. Mel Gibson também está mais maluco do que o habitual. Mesmo com o clima assumidamente kitsch, o filme ainda diverte bastante, principalmente se você for um fã nostálgico dos anos 80. Poucos filmes são tão a cara daquela década como esse aqui (só faltou o Michael Jackson e o Bruce Springsteen na trilha para o quadro ficar completo). Ligue a vitrola e se divirta o máximo que puder.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Hot Spot - Um Local Muito Quente

Título no Brasil: Hot Spot - Um Local Muito Quente
Título Original: The Hot Spot
Ano de Produção: 1990
País: Estados Unidos
Estúdio: Orion Pictures
Direção: Dennis Hopper
Roteiro: Charles Williams, Nona Tyson
Elenco: Don Johnson, Virginia Madsen, Jennifer Connelly

Sinopse:
Harry Madox (Don Johnson) é um viajante sem rumo que vai parar em uma cidadezinha perdida do Texas. Para sobreviver acaba arranjando um emprego medíocre por lá. Após um incidente envolvendo um incêndio ele percebe como é falha a segurança do banco local. Isso faz com que planeje um roubo na instituição, mas para isso precisará traçar bem todos os mínimos detalhes do crime que pretende executar.

Comentários:
Embora tenha sido lançado no começo da década de 1990 esse "The Hot Spot" tem todas as características dos filmes americanos dos anos 1980. Dirigido pelo ator e doidão de plantão Dennis Hopper a fita tinha a proposta de unir um roteiro com muita ação e sensualidade. De certa forma foi mais uma tentativa do ator Don Johnson em emplacar no mundo do cinema, se desligando completamente do universo da TV (ele fez grande sucesso na série policial "Miami Vice" durante seis anos, entre 1984 a 1990). No elenco todas as atenções porém são desviadas para a atriz Jennifer Connelly então no auge de sua beleza juvenil. A fotografia até é bonita, o diretor Dennis Hopper realmente conseguiu belas tomadas do pôr do sol mas o filme não consegue ser muito mais do que isso, um belo exercício estético que acaba se perdendo em suas próprias pretensões. Depois que o plano de assalto do personagem de Johnson é colocado em execução as coisas ficam ainda piores pois não há mais muita sutileza nas cenas - algo que vinha sendo a marca registrado do desenvolvimento do enredo. No saldo geral fica como mera curiosidade dos cacoetes cinematográficos da época.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Perigosamente Juntos

Título no Brasil: Perigosamente Juntos
Título Original: Legal Eagles
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Ivan Reitman
Roteiro: Ivan Reitman, Jim Cash
Elenco: Robert Redford, Debra Winger, Daryl Hannah, Brian Dennehy, Terence Stamp

Sinopse:
Tom Logan (Robert Redford) é um bem sucedido advogado que não consegue se decidir entre duas mulheres igualmente interessantes, uma advogada em ascensão, bonita e inteligente, e uma jovem e rica herdeira que parece estar envolvida no submundo do mercado de obras de arte roubadas. Filme vencedor do prêmio da ASCAP Awards na categoria Melhor Canção ("Love Touch").

Comentários:
Sofisticado filme de romance que contou com ótimo elenco, inclusive de apoio, e um roteiro deliciosamente dúbio, mostrando as várias facetas dos personagens envolvidos nesse triângulo amoroso passado no mundo jurídico dos Estados Unidos. Redford novamente comparece com seu grande carisma e talento. Por essa época o ator estava muito seletivo em seus filmes, realizando poucas películas, pois desenvolvia um projeto para a criação de um festival apenas com filmes do circuito independente americano (que iria se chamar Sundance Festival, hoje um dos mais importantes do cinema ianque). As duas outras atrizes são símbolos dos anos 80, a loira e alta Daryl Hannah (que na época namorava o filho de JFK) e a elegante Debra Winger (que infelizmente anda bem sumida). No elenco coadjuvante vale destacar também a talentosa atuação do ator Terence Stamp, que interpreta um deliciosamente cínico dono de galeria de arte em Nova Iorque. Em suma, "Legal Eagles" é um filme que anda bem esquecido, mas que ainda satisfaz plenamente o bom gosto de qualquer cinéfilo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Rock Hudson: Como Ser um Astro em Hollywood

Enquanto Paul Newman ia abrindo os caminhos para sua própria carreira, um ator se destacava no Olimpo de Hollywood na mesma época: Rock Hudson! Ele foi seguramente um dos mais bem sucedidos galãs do cinema americano de todos os tempos. Com ótimo visual, bem de acordo com a época, Hudson encarnava nas telas o melhor do homem americano viril, o sonho de todas as mulheres, praticamente um príncipe encantado da sétima arte. Por debaixo dos panos porém Rock era gay e isso ainda era mantido em segredo, a sete chaves, durante os anos 1950. Até porque se o público soubesse de algo assim simplesmente deixaria de ver seus filmes e os prejuízos alcançariam alguns milhões de dólares.

Poucos meses antes de morrer de AIDS, em 1985, Rock escreveu sua autobiografia onde contava amenidades e lembrava de casos ocorridos com ele na capital do cinema durante sua vida. Entre as curiosidades está um pequeno esboço de comportamento que todo grande astro de Hollywood deveria manter naqueles anos. Como se sabe Rock Hudson foi uma cria do departamento de publicidade e treinamento de atores do estúdio Universal. Era a época de ouro do chamado Star System, onde astros eram produzidos e lapidados dentro dos próprios estúdios para se tornaram heróis nas telas de cinema de todo o mundo. Alto, bonitão e dono de uma voz maravilhosa, Rock, um ex-marinheiro nascido no meio oeste, que sonhava se tornar um ator de sucesso, caiu como uma luva nas pretensões da Universal em fabricar mais um campeão de bilheteria.

Dentro do Star System havia um modo de operar. Os atores assinavam contratos leoninos (bem vantajosos apenas para os estúdios) e em contrapartida entregavam-se de corpo e alma aos departamentos de publicidade dessas empresas. Obviamente que grande parte do lucro dos filmes acabavam indo mesmo para os cofres da Universal, mas tudo isso era compensado pela vida de luxo e glamour para o qual os atores eram literalmente jogados. Hotéis de primeira classe, roupas dos mais prestigiados estilistas europeus, viagens por todo o mundo, tudo era bancado pelo estúdio, o que fazia com que os astros vivessem literalmente uma vida de eterna diversão e prazer. As mansões, os carros, nada era por acaso. A construção da imagem de um ator rico e famoso passava pelos planos de cada grande estúdio de Hollywood.

Aos poucos Rock foi aprendendo como deveria agir um autêntico astro de Hollywood. Pequenos detalhes do cotidiano eram essenciais e o estúdio ficava de olho em qualquer deslize. Por exemplo, um autêntico astro de Hollywood jamais poderia atender seu próprio telefone. Isso era considerado uma falha grave. Ele teria que ter um mordomo (de preferência inglês), devidamente fardado e treinado para esse tipo de situação. Da mesma maneira não podia se dar ao luxo de atender a sua própria porta da casa. Outros conselhos eram importantes: um astro de cinema não poderia perguntar o preço das coisas, não deveria assumir um namoro com quem quer que seja e nem tampouco expressar suas opiniões políticas. Também era expressamente proibido pelo estúdio o uso de uma mesma roupa duas vezes em público. O curioso é que se hoje em dia isso parece sem noção na época era levado muito à sério. Aliás nem todas essas regras banais caíram em desuso. Muitos astros de cinema da atualidade ainda seguem a velha cartilha à risca, afinal de contas ser um astro em Hollywood exige um padrão de comportamento bem diferente das demais pessoas comuns.

Pablo Aluísio.

A Árvore da Vida

Título no Brasil: A Árvore da Vida
Título Original: The Tree of Life
Ano de Produção: 2011
País: Estados Unidos
Estúdio: Fox Searchlight Pictures
Direção: Terrence Malick
Roteiro: Terrence Malick
Elenco: Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain

Sinopse:
Jack (Sean Penn) é um arquiteto bem sucedido que começa a relembrar fatos dispersos de sua infância, nos nos 1950, ao lado de seus três irmãos, sua mãe submissa e seu pai Mr. O'Brien (Brad Pitt), um homem disciplinador, rígido, austero mas também bem hipócrita. Filme indicado ao Oscar nas categorias Melhor Direção, Melhor Fotografia e Melhor Filme. Vencedor do prêmio da AFI Awards na categoria Melhor Filme. Vencedor da Palma de Ouro no Cannes Film Festival.

Comentários:
Considero um dos filmes mais pretensiosos do cineasta Terrence Malick. Isso porém não é uma crítica negativa, apenas uma observação. O que ele deseja com sua linha narrativa (ou a falta dela, dependendo do ponto de vista) é fazer uma parábola entre a insignificância da vida de um ser humano com a imensidão do cosmos. A chave que abre essa dualidade ocorre justamente quando a mãe, desesperada pela morte do filho, pergunta onde estaria Deus diante de sua tragédia familiar? A partir desse ponto Malick dá vazão ao seu pretensioso ciclo estético e filosófico, mostrando a evolução da vida e o surgimento do universo desde os seus primórdios, passando pela era dos primeiros seres vivos, até chegar de volta ao seio daquela tipica família americana. A partir daí mergulhamos nas lembranças do personagem Jack. O curioso é que todo o filme é desenvolvido assim, em ritmo de memórias, e por isso não há espaço para uma narração convencional, mas apenas momentos marcantes, quase sem diálogos, que vão se desenrolando na tela. Materialmente o substrato desse filme é muito rico em linguagem cinematográfica pura, mas em termos de comunicação com o público em geral não é uma obra fácil de absorver. Os dialogos são poucos, dispersos, e Terrence Malick procura muito mais pela sensibilidade emocional do que pela razão de uma narrativa linear. As imagens são lindíssimas e isso acaba deixando todo o resto em segundo plano. Certamente Malick não conseguiu com esse filme responder as grandes questões existenciais do ser humano, mas seguramente chegou bem perto disso. É uma obra prima da sétima arte.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Elvis Presley - If Every Day Like Christmas / How Would You Like To Be

Embora tenha lançado algumas poucas músicas realmente relevantes em 1966 o fato é que Elvis estava no fundo do poço por essa época. Seus filmes eram severamente criticados (com muita razão pois a maioria era de fato muito ruim) e as trilhas sonoras vendiam cada vez menos a cada ano. Até a crítica musical que antes ainda se importava em criticar as músicas dos filmes começou a ignorar os discos de Elvis. Afinal para que chutar cachorro morto? Como Elvis afinal era visto em 1966? Basicamente como um cantor que havia sido essencial no surgimento do rock ´n´ roll na década anterior, mas que estava totalmente perdido na carreira, sem rumo, fazendo filmes adolescentes para um público que nem sequer existia mais, afinal de contas os produtores não entenderam que os fãs de Elvis não eram mais os adolescentes dos anos 50, pois o tempo havia passado, eles tinham se casado, eram pais de famílias com mais de 30 anos e não iriam gastar seu suado dinheiro com as bobagens que Elvis vinha gravando. E os jovens dos anos 60, os verdadeiros adolescentes, seguiam outros ídolos de sua idade e não Elvis que já era considerado um tiozão para essa turma mais jovem. Assim Elvis foi morrendo artisticamente. Ele perdeu o compasso com seus antigos admiradores. Seus antigos fãs não lhe davam mais bola e a juventude simplesmente o achava um tiozinho esquisito, cantando músicas com roupas sociais na praia! Uma situação constrangedora. O caminho era virar adulto também na carreira musical mas infelizmente isso iria demorar ainda um pouco a acontecer.

No meio do lamaçal que tinha se transformado sua outrora gloriosa carreira musical, chegou nas lojas, muito timidamente, sem publicidade alguma, esse single natalino. Para os que ainda insistiam em seguir Elvis (verdadeiros heróis da resistência pois a maioria dos fãs tinham ido embora), o compacto trazia uma novidade e tanto, uma canção inédita de Elvis. Sim, era de natal, o que afastava uma parte do público que achava esse tipo de música brega, mas era algo novo - e não uma centésima reedição das canções natalinas de 1957. A RCA, desesperada pelas baixas vendas dos produtos com Elvis, resolveu que seria uma boa ideia ele gravar algo para o natal. Quem sabe não faria algum sucesso... A música era uma composição muito bonita do amigo e guarda-costas de Elvis, Red West. A faixa havia sido gravada em junho, em Nashville, e contava com a maravilhosa participação do grupo vocal The Imperials Quartet, que iria ser extremamente importante na carreira de Elvis nos anos 70. O single não chegou a ser um fenômeno de vendas, passou muito longe de se destacar nas paradas, mas satisfez as expectativas da gravadora. Pelo menos não foi um fracasso comercial completo, como vinha acontecendo com regularidade nos lançamentos de Elvis ultimamente. No ano seguinte ainda seria reeditado, mostrando que havia ali uma centelha de força comercial ainda brilhando na cambaleante carreira musical do agora considerado ex-Rei do Rock Elvis Presley.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

We Are the World

Título no Brasil: We Are the World
Título Original: We Are the World
Ano de Produção: 1985
País: Estados Unidos
Estúdio: CBS Pictures
Direção: Tom Trbovich
Roteiro: Mikal Gilmore
Elenco: Michael Jackson, Ray Charles, Bob Dylan, Jackson Five, Cyndi Lauper, Huey Lewis, Bette Midler, Willie Nelson, Lionel Richie, Smokey Robinson, Kenny Rogers, Diana Ross, Bruce Springsteen, Tina Turner, Dionne Warwick, Stevie Wonder, Dan Aykroyd, Harry Belafonte, Lindsey Buckingham Billy Joel Al Jarreau Jane Fonda, Kim Carnes

Sinopse:
Documentário que resgata a gravação e lançamento do famoso álbum "We Are The World" que em meados dos anos 1980 se propôs a arrecadar fundos para combater a fome e a miséria no continente africano. Indicado ao Emmy Awards na categoria Melhor Documentário Musical. Vencedor do Grammy Awards na categoria Melhor Filme Musical.

Comentários:
Um interessante documentário que marcou época em seu lançamento. O projeto "We Are The World" ficou muito famoso por causa da constelação de estrelas do mundo da música que foram reunidas para cantar a música tema do projeto beneficente que naquela altura tinha o objetivo de levantar dinheiro dentro da sociedade americana para ajudar no combate à fome nos países da África, continente sempre assolado por guerras, miséria e doenças. Embora não tenha sido um projeto criado por Michael Jackson temos que reconhecer que ele só se tornou um fenômeno por causa de sua presença. Após abraçar a causa o artista telefonou pessoalmente para dezenas de outros grandes nomes da música para que viessem participar da faixa principal do álbum que seria lançado. Todo o dinheiro arrecadado nas vendas seria levado para a África, dando corpo assim ao projeto que ficou conhecido como "Usa For Africa". O resultado tanto em termos artísticos como humanitários foi realmente muito bom, reacendendo o que havia de melhor em todos esses astros. Um importante registro dessa união da classe artística em prol dos necessitados irmãos africanos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A Ilha da Garganta Cortada

Título no Brasil: A Ilha da Garganta Cortada
Título Original: Cutthroat Island
Ano de Produção: 1995
País: Estados Unidos
Estúdio: Carolco Pictures
Direção: Renny Harlin
Roteiro: Michael Frost Beckner, James Gorman
Elenco: Geena Davis, Matthew Modine, Frank Langella

Sinopse:
Morgan (Geena Davis) é uma aventureira, uma pirata dos mares, que está decidida a encontrar um enorme tesouro enterrado numa ilha do caribe. Para sua missão ser bem sucedida porém ela terá que enfrentar uma fila de rivais mal encarados e dispostos a tudo para colocar suas mãos na fortuna perdida! Filme indicado ao Framboesa de Ouro na categoria pior direção.

Comentários:
Muitos anos antes de Johnny Depp e a Disney ressuscitarem com grande êxito comercial os filmes de capa e espada com "Piratas do Caribe" houve essa tentativa muito mal sucedida de trazer os velhos bucaneiros dos sete mares de volta para as telas de cinema. O filme era dirigido pelo marido da atriz Geena Davis, o diretor especialista em explosões Renny Harlin, e contava com um bom elenco de apoio. A direção de arte também era bonita e bem feita mas... o roteiro, bobo e derivativo, não conseguiu enganar ninguém. Lançado em pleno verão americano - uma das épocas mais concorridas do circuito comercial - "Cutthroat Island" afundou ruidosamente nas bilheterias, tal como uma nau cheia de piratas fugindo dos navios reais de vossa majestade. O público não comprou a ideia de ir ver um filme novo com sabor das antigas fitas estreladas por Errol Flynn. O péssimo resultado comercial foi um duro golpe para a companhia Carolco que praticamente fechou as portas por causa dos custos não recuperados. No final das contas a única garganta cortada foi mesmo a do estúdio.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

As 10 Heresias da Teologia da Prosperidade

Nossos irmãos protestantes infelizmente estão se afundando nessa famigerada falsa teologia que está se disseminando em certas denominações evangélicas. Graças ao bom Deus esse tipo de "barganha" com Deus jamais adentrou os portões da Igreja Católica, que segue firme no caminho do verdadeiro evangelho. O fiel católico pode até mesmo ficar em dúvida sobre do que tudo isso se trata. Afinal o que é a tal falada teologia da prosperidade? Em uma maneira muito simples de explicar podemos dar exemplos do que vem acontecendo. Basta você ligar qualquer canal de TV em horários comprados por certas seitas neopentecostais e você facilmente entenderá. Lá estará um pastor prometendo prosperidade e riqueza material em troca de doações para sua Igreja. É grotesco, mas funciona dessa forma mesmo: o fiel paga o dízimo e Deus em troca abençoa a vida dessa pessoa de maneira material, com dinheiro e riquezas. Depois o espectador é bombardeado com depoimentos de pessoas dizendo que eram pobres e ficaram ricas da noite para o dia depois de pagarem fielmente o tal dízimo. Ora, qualquer pessoa minimamente versada na Bíblia sabe que se trata de um golpe! Não existe nenhuma passagem no novo testamento que corrobore tal "teologia" (entre aspas, pois não se trata de uma verdadeira teologia). Duvida disso? Vamos dar dez razões bíblicas para demonstrar a falsidade desse tipo de pensamento nada cristão.

1. Jesus nunca prometeu riqueza material
A palavra de Jesus prega a riqueza espiritual, não material. Ele nunca prometeu riqueza na Terra para seus seguidores, pelo contrário, em várias passagens afirmou que não se deve gananciosamente buscar riquezas na Terra pois a verdadeira riqueza está ao lado do Senhor. Sua frase "É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus" (Mateus 19:24) é mais do que clara! Seu próprio exemplo de vida já diz tudo. Jesus veio ao mundo como um homem rico e cheio de dinheiro? Não, claro que não, ele veio como o mais pobre e humilde dos homens. Nasceu de forma humilde e viveu de forma humilde, dando exemplo pela palavra e não pelo dinheiro.

2. Jesus nunca pregou uma "barganha com Deus"!
A teologia da prosperidade é baseada numa verdadeira "barganha com Deus". O fiel dá dinheiro pensando estar dando a Deus e em troca esse seria obrigado a lhe dar riqueza material! Um absurdo completo! Deus não quer seu dinheiro, coloque isso na sua cabeça e nem tampouco você comprará a vontade divina. O dinheiro que você dá em sua igreja vai para pastores que ficam ricos prometendo algo que eles não podem prometer em troca. São vendilhões do templo, os mesmos que Jesus Cristo combateu em vida. Certas seitas deixaram de ser casas de orações para se tornarem covis de ladrões - e isso ficou bem claro no que disse Jesus. Só não entende sua palavra quem realmente não quer! ("Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a fazeis covil de salteadores." Mateus 21:12-13)

3. Jesus recusou riquezas na Terra
Em uma das passagens mais importantes do novo testamento o próprio Satã vem tentar Jesus no deserto. O que esse lhe oferece? Todas as riquezas do mundo, reinos e palácios sem fim. Ele promete a Jesus prosperidade e riqueza no mundo (o mesmo que oferece a tal teologia da prosperidade). O que Jesus faz após receber essa proposta? Recusa e deixa claro que a verdadeira riqueza vem de Deus apenas, ou seja, ele recusa completamente a tentação de aceitar riquezas no mundo, pois o que ele busca mesmo é a riqueza da alma. Por que então tantos evangélicos se empenham tanto em obter algo que o próprio Jesus, com seu exemplo, recusou de forma veemente? A verdadeira riqueza é a espiritual, da plena comunhão com Jesus e sua palavra e nada mais. (Depois, o Diabo o levou a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e o seu esplendor. E disse-lhe: "Tudo isto te darei se te prostrares e me adorares". Jesus lhe disse: "Retire-se, Satanás! Pois está escrito: 'Adore o Senhor, o seu Deus, e só a ele preste culto'". Mateus 4)

4. A teologia da Prosperidade é uma corrupção religiosa
 O fiel que se coloca na posição de barganhar com Deus riquezas materiais está ofendendo a divindade frontalmente. Ele está tentando corromper com dinheiro a própria vontade de Deus! É uma forma de corrupção religiosa vil e perigosa que certamente custará a alma de muitos. Deus não é um banco ou um gerente de financiamentos para lhe dar sucesso financeiro na vida. Ele não serão corrompido por seu dinheiro! O próprio Jesus deixou claro que não se pode servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo! Então faça sua escolha de uma vez, seu deus será o dinheiro ou o verdadeiro Deus, cujas riquezas não se encontram nesse mundo e definitivamente não podem ser comprados ou corrompidos? Você quer mesmo continuar a tentar subornar a Deus? Pense muito bem sobre isso! ("Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro." Mateus 6:24)

5. Templos de ostentação não são obras de Deus
Templos de rica ostentação não fazem parte do verdadeiro cristianismo. É um boa peça de marketing para a teologia da prosperidade mas apenas isso! Em sua época o próprio Cristo condenou tal ostentação e deixou claro que Deus não habita em templos feitos pelos homens, mas em seus próprios corações. A riqueza na Terra, a ostentação e o luxo não fazem parte da obra de Deus, mas de homens gananciosos que usam o nome de Jesus para ganhar cada vez mais dinheiro em cima da fé dos cristãos. Depois da vinda de Jesus os antigos templos, seus rituais e simbolismos perderam a razão de ser. Jesus com a cruz revogou todos esses símbolos e isso ele deixou claro. A cortina do templo foi rasgada de alto a baixo! Quem cultua templos ao invés da verdadeira palavra do Cristo está na realidade cuspindo na cruz, na obra de Jesus. O salvador deixou claro mais de uma vez que o verdadeiro templo de Deus é o corpo de cada cristão verdadeiro. Quem cultua templos está cheio de idolatrias e heresias. E depois procure saber onde Jesus pregou... Foi em templos? Não, foi no meio das pessoas, nas montanhas, nas praias da Galiléia, ao ar livre! Jesus jamais precisou de qualquer tipo de ostentação para passar sua palavra divina em frente! O verdadeiro templo é o Deus que habita em seu coração! (Atos dos Apóstolos 17:24: "O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens") ( Coríntios 3:16 "Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?")

6. Jesus não conhecerá dos verdadeiros mercadores da fé
Esses mercadores da fé que ludibriam milhares terão que prestar contas a Deus por suas heresias e iniquidades. Deus não os conhecerá quando os encontrar e eles pagarão por suas mentiras e golpes. Você quer mesmo ficar ao lado dessa gente? Sobre os que usam a fé para enriquecer Jesus disse: “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!” (Lucas 18:24).

7. A teologia da Prosperidade é uma terrível união de ganâncias
Onde está na Bíblia que o homem tem que buscar a ganância acima de tudo? Em lugar nenhum. Pelo contrário. Mesmo assim a teologia da Prosperidade é um grande encontro de ganâncias humanas. A primeira do próprio pastor e seu líder, que quer acima de tudo o dinheiro dado pelos dizimistas. Campanhas são feitas e membros da igreja são incentivados a dar dízimos de todas as maneiras possíveis. Por outro lado a ganância também está nas atitudes dos membros dessas igrejas que doam esperando receber de volta o mesmo valor duplicado ou triplicado! Maior prova de ganância vinda de todas as partes não existe! Os dois lados - pastores e fiéis - estão afundados completamente na lama da ganância humana! E onde está Deus no meio de todo esse lamaçal? Em lugar nenhum, ambos os lados só estão se enganando mutuamente! ("Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis” (Mt 7. 15,16 a).

8. Deus é amor, não dinheiro
Parem de tentar encontrar Deus em notas de dinheiro. Isso é uma forma grotesca de encarar um ser tão grandioso como Deus. Jesus e sua palavra não estão em notas de valor econômico. Deus está no amor, na palavra redentora de Cristo. Quem oferece prosperidade material e riquezas na Bíblia não é Deus, mas o próprio Satã. Pare de procurar por isso pois no final de contas tudo o que encontrará pela frente são os portões do inferno à sua espera!  ("Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” Cl 2.8).

9. A teologia da Prosperidade simplesmente não funciona
Mesmo que você não queira acreditar na essência da palavra de Jesus Cristo e nem queira saber de ter uma verdadeira prosperidade espiritual em sua vida, saiba que a teologia da prosperidade simplesmente não funciona. De cada 100 pessoas envolvidas nessa barganha com Deus, nenhuma consegue realmente prosperidade por causa dessa falsa teologia. As pessoas progridem por seus próprios méritos, trabalho e esforço pessoal em crescer na vida. A imensa maioria dos que acreditam nessa "barganha" com Deus acabam mesmo ficando cada vez mais pobres, ao doarem seus bens para pastores espertos. Deus não quer que você doe sua casa para esses espertalhões, Deus quer que você conserve sua casinha, por mais humilde que seja. Entenda de uma vez por todas: Deus não quer seu dinheiro! Ele é o centro do universo, Senhor de tudo, e não precisa de seus bens e nem dinheiro. Quem deseja isso são os falsos profetas que querem enriquecer a custa dos outros, usando do nome de Jesus para ficarem ricos, imensamente ricos! Com a teologia da prosperidade você ficará mesmo é cada vez mais pobre materialmente, além de espiritualmente comprometido a cada dia. (Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mateus 6:19).

10. Faça caridade em prol dos mais humildes, não para pastores milionários
A caridade que Jesus pregou em sua passagem terrena foi para com os mais pobres e humildes, não para vendilhões milionários do templo. Ajude aos carentes, aos que não possuem nada. Faça a caridade e não transforme esse ato em qualquer tipo de atitude de auto promoção. Ajude ao próximo que realmente necessite de ajuda e não a pastores milionários, donos de jatinhos, helicópteros e mansões! Esse dinheiro não se reverterá a quem realmente precisa. Sua relação com Deus não precisa passar por esse intermediários danosos, verdadeiros mercadores da fé alheia. Você só precisa de Jesus ao seu lado e de mais ninguém. A verdadeira riqueza de Deus vem do coração, é espiritual, nada de riquezas materiais que serão corroídas pelo tempo. ("Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro nos céus. Depois, venha e siga-me". Mateus 19:21)

Pablo Aluísio.