domingo, 28 de fevereiro de 2016

The Beatles - Help!

Domingão preguiçoso à tarde, nada melhor do que ouvir um bom disco de rock. Assim aproveito para tecer alguns comentários sobre o álbum "Help!" dos Beatles (que inclusive está tocando nesse momento, enquanto vou escrevendo o texto). Antes de mais nada é importante deixar um conselho: fique longe do filme que é definitivamente uma grande porcaria. A única coisa que se salva são os momentos em que os Beatles tocam - todo o resto (roteiro, direção, elenco) é um completo lixo! Se você vive reclamando dos filmes de Elvis Presley espere para ver essa bomba cinematográfica. Enfim, esqueça! Ouça a trilha sonora e fuja do cinema!

O álbum é uma maravilha. É a tal coisa, certa vez John Lennon resumiu tudo muito bem isso ao dizer:"Os Beatles são músicos, não atores!". Um exemplo que deveria ter sido passado para o colega Elvis que ficou dez anos perdendo tempo em Hollywood. Mas enfim... voltemos ao disco. Esse álbum é, em minha visão, o último grande disco dos Beatles em sua fase Ié, ié, ié (que muitos preferem chamar apenas de primeira fase). É uma coleção magnífica de grandes composições, aliados a um trabalho primoroso de produção por parte de George Martin, um trabalho digno de todos os aplausos. Ele introduziu novos instrumentos, novas sonoridades, sem nunca descaracterizar o som único dos Beatles. Isso fica óbvio logo na primeira faixa, "Help!", uma composição de Lennon com um refrão forte e marcante. Como John sempre gostou de analisar sua própria vida ele anos depois diria que a música era realmente um pedido de socorro pois ele se sentia sufocado com o sucesso absurdo que os Beatles tinham alcançado. Os gritos, as turnês e a pressão quase o levaram a ter um colapso nervoso.

"The Night Before" de Paul já era um pouco mais amena. Gosto bastante do ritmo dessa música - perceba que ela já começa numa tonalidade única que vai até o fim da canção, sem variações. O vocal de Paul está dobrado, o que traz uma ótima sensação ao ouvinte. McCartney na letra está obviamente falando da vida noturna de Londres, de suas boates e amores fugazes. Imagine conhecer uma bela garota numa sexta à noite e no dia seguinte descobrir que nada daquilo significou alguma coisa. Aliás Paul e John eram grandes frequentadores de clubes noturnos desde os tempos de Hamburgo. Quando ficaram famosos a coisa toda ficou maior e mais agitada. Na letra Paul então escreveu uma pequena crônica sobre isso, sobre as noites nas baladas e as manhãs seguintes. E para manter a dobradinha entre Lennon e McCartney logo após entra Lennon em tom de leve melancolia na ótima "You've Got to Hide Your Love Away", A letra é de um pessimismo e uma sinceridade que chegaram a assustar as adolescentes fãs dos Beatles da época. Lennon soava até mesmo depressivo. Esse tipo de atitude  certamente não combinava com os gritinhos das jovens (algo que Lennon particularmente detestava!).

Depois de um momento tão surpreendente como esse, eis que o ouvinte é convidado a dar uma chance a George Harrison em "I Need You". Essa é uma composição menor de uma fase em que George ainda tentava respirar no meio de dois gênios que eram Paul e John. A música é sincera, com boa letra e uma guitarra sempre solando uma nota só (o que se torna a grande característica da faixa). Para suavizar ainda mais o disco, a música "Another Girl" de Paul vem logo a seguir e propõe acertar contas com um velho amor do passado, deixando claro que superou tudo e está de novo amor, numa boa. Decepções amorosas são dolorosas, mas precisam ser superadas. Chega o momento de seguir em frente, ter novas paixões, viver novas emoções. Paul assim propõe deixar a tristeza de lado de uma vez por todas e partir para outra. Belo conselho.

"You're Going to Lose That Girl" tem ótimos solos de guitarra e um arranjo diferenciado onde Ringo deixou a bateria de lado para investir em velhos bongôs cubanos. Essa foi uma sugestão de George Martin. Casualmente ele foi informado que o filme teria cenas filmadas nas Bahamas. Nada melhor do que dar um pequeno toque caribenho ao álbum. A composição é de John e ele novamente se mostra um grande letrista. Depois de "Help!" o grande sucesso desse disco foi "Ticket to Ride". Poucos sabem, mas essa canção foi composta por Paul e John na Alemanha, em Hamburgo, quando eles ainda formavam uma banda desconhecida de jovens ingleses. A expressão "Ticket to Ride" era usada em prostíbulos da cidade, era o nome que era dado aos ingressos para entrar nesses cabarés localizados no porto de Hamburgo. Traduza a expressão e entenda o sentido malicioso das palavras! Essa piada interna por parte dos Beatles só seria revelada muitos anos depois por John em uma entrevista. Até aquele momento todos pensavam que os Beatles estavam sendo apenas "poéticos"! Não, eles estavam sendo vulgares mesmo! Coisas de jovens da idade deles.

Já "Act Naturally" foi colocada para abrir o Lado B do antigo vinil. Era a sempre reservada faixa para Ringo Starr exercitar seus limitados dotes vocais. Em faixas como essa, animadinhas e nada complexas, ele até que se saía muito bem - vamos reconhecer. Nada importante, nada mais do que um momento divertido do disco. Pura diversão mesmo. Encerrada ela vem os primeiros acordes de "It's Only Love", outro momento cortante de John Lennon. A canção foi escrita para sua esposa da época. Ele tentava de alguma forma reacender seu amor por ela - algo que não daria muito certo pois o casamento estava praticamente arruinado. Em um dos versos ele pergunta: "Brigamos todas as noites?". Estava mesmo complicada a vida do casal Lennon.

"You Like Me Too Much" é a segunda faixa composta e cantada por George Harrison. Essa é bem melhor do que a anterior. John está nos teclados, o que dá um sabor diferente para os arranjos da canção. George Harrison também pediu a George Martin que dobrasse seu vocal, assim ele faz dueto consigo mesmo. Ficou bonita, principalmente os solos do meio. Não é nenhuma obra prima, mas é bonita e tem bela harmonia. "Tell Me What You See" que vem logo a seguir talvez seja a única composição realmente de Lennon e McCartney do disco, já que na época eles já procuravam escrever seus próprios trabalhos, sem necessariamente contar com a ajuda do outro. A letra é basicamente de Paul, com pequenos toques de Lennon. É engraçado porque fica até fácil descobrir quem escreveu cada linha. Geralmente Paul surgia com alguma frase mais otimista, enquanto John respondia com sua acidez habitual.

"I've Just Seen a Face", por outro lado, foi escrita apenas por Paul. Ele inclusive se esmerou em escrever um belo arranjo, com um belo dedilhado em seu começo. Essa melodia inclusive me passa um sabor country - não sei se apenas eu penso assim. Aquele violão solando, aquele ritmo, parece até que foi gravada em Nashville. Ecos dos pioneiros do sul dos Estados Unidos que inspiraram os Beatles. Depois dela vem o grande clássico do disco, a imortal "Yesterday", a música que mais ganhou versões na história. Esqueça os Beatles. Essa é uma criação de Paul McCartney, única e exclusivamente. O próprio Lennon dizia que as pessoas sempre o estavam parabenizando por essa canção, mas que ela era na verdade "filha de Paul". Em entrevista John Lennon reconheceu isso ao dizer: "Nunca pensei em escrever nada parecido com aquilo". Os Beatles não participam da sessão de gravação da faixa oficial. Apenas Paul toca violão, acompanhado de um quarteto de cordas providenciado por George Martin. O resultado ficou inesquecível. Clássico absoluto!

Talvez para contornar a extrema doçura e ternura de "Yesterday", John Lennon resolveu encerrar o disco com a paulada de "Dizzy Miss Lizzy", um cover estridente de Larry Williams. A guitarra, no último volume, vai estourar seus tímpanos - por isso tenha cuidado! A razão da gravação dessa canção seria explicada por John na entrevista que deu na Playboy no começo dos anos 80, pouco antes de sua morte. Na ocasião ele desabafou: "As pessoas sempre me viram como o roqueiro dos Beatles. Enquanto Paul escrevia belas baladas de amor eu sempre aparecia com as faixas ao estilo pauleira. Talvez elas tenham razão. Eu sou assim. Uma velha orquestra de Rock ´n´Roll".

Pablo Aluísio.

The Rover - A Caçada

Título no Brasil: The Rover - A Caçada
Título Original: The Rover
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos, Austrália
Estúdio: Universal Pictures
Direção: David Michôd
Roteiro: Joel Edgerton, David Michôd
Elenco: Guy Pearce, Robert Pattinson, Scoot McNairy
 
Sinopse:
Dez anos após o colapso da humanidade, o viajante Eric (Guy Pearce) resolve parar para tomar algo em bar de beira de estrada. Enquanto está lá dentro uma quadrilha de assaltantes resolve roubar seu carro para seguir em frente em sua fuga pelos desertos australianos. Para Eric isso não ficará barato. Após colocar as mãos em Rey (Robert Pattinson), irmão mais jovem do líder do bando, ele empreende uma caçada sem tréguas pelos criminosos. Sua sede de justiça acaba beirando a obsessão completa. Filme indicado a cinco categorias do prêmio do Australian Film Institute.

Comentários:
Se eu escrever sobre um filme retratando um mundo pós-apocalíptico onde o enredo se desenrola no deserto implacável da distante e desolada Austrália o que virá em sua mente? Claro que "Mad Max"! Essa nova produção é quase uma releitura de "Mad Max" porém sob um novo ponto de vista e uma nova proposta. Ao invés de mostrar um mundo de ficção onde todos se vestem com figurinos esquisitos, o diretor optou por mostrar os personagens como pessoas normais, com roupas comuns onde nada parece ser muito especial. O que move o principal personagem (interpretado por Guy Pearce) é uma obsessão insana de colocar as mãos nos criminosos que roubaram seu carro durante uma fuga após um assalto mal sucedido. Para isso ele não medirá esforços e encontrará pelo caminho os tipos mais bizarros possíveis, como um anão de circo que trafica armas e uma avó que ganha a vida oferecendo seu jovem neto para se prostituir a pedófilos! Em termos de atuação devo registrar algo interessante. De maneira em geral sempre critiquei o trabalho do ator Robert Pattinson, isso porque ele nunca havia me convencido plenamente, quase sempre realizando um tipo de atuação sem muita convicção, com tiques nervosos a la James Dean. Aqui finalmente encontrei pela frente a primeira boa atuação do rapaz. Ele interpreta um tipo meio retardado, que demonstra desde o começo não ter uma mente muito normal. Pois bem, o fato inegável é que Robert Pattinson está muito bem em sua atuação, chegando ao ponto de surpreender! As fãs adolescentes que adoram seu papel de vampiro Edward Cullen provavelmente não irão gostar de seu trabalho sem nenhum glamour ou apelo sexual, mas isso no final de contas não importa pois a maior luta de Robert hoje em dia é realmente ser levado à sério como ator. Esse foi um primeiro e decisivo passo nessa direção.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Balada do Pistoleiro

Título no Brasil: A Balada do Pistoleiro
Título Original: Desperado
Ano de Produção: 1995
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Robert Rodriguez
Roteiro: Robert Rodriguez
Elenco: Antonio Banderas, Salma Hayek, Joaquim de Almeida
 
Sinopse:
El Mariachi (Antonio Banderas) cruza as estradas empoeiradas do México com seu violão a tiracolo. A todos avisa que é apenas um artista em viagem, procurando por alguém que lhe pague alguns pesos por apresentação. Na verdade ele é algo mais além disso, um pistoleiro bom de gatilho que acaba se envolvendo numa guerra de traficantes. Filme indicado ao prêmio do Chicago Film Critics Association na categoria de Melhor Revelação Feminina (Salma Hayek). Também indicado ao MTV Movie Awards na categoria de Melhor Beijo!

Comentários:
E por falar em Antonio Banderas eis aqui o remake de "O Mariachi", filme de baixo orçamento realizado em 1992. Imagine que no filme original o diretor Robert Rodriguez contou com apenas 5 mil dólares para rodar sua produção. Isso em termos de cinema é praticamente nada, uma quantia tão irrisória que não se consegue nem ao menos cobrir o custo dos equipamentos em um filme de orçamento médio. De qualquer maneira Rodriguez conseguiu realizar seu precário filme. Três anos depois o ator Antonio Banderas decidiu que queria estrelar um remake americano do mesmo roteiro. Afinal de contas em sua opinião havia muito potencial nesse enredo de um cantor errante das estradas que trazia algo a mais em sua caixa de violão. Banderas lutou e conseguiu levantar sete milhões de dólares no mercado americano e assim o filme foi finalmente feito. Em termos de Hollywood esse valor também não significa um orçamento satisfatório, mas como todos tencionavam repetir o espírito do primeiro filme seguiram em frente. O resultado é apenas mediano. Você como espectador precisa comprar a ideia, gostar dos personagens, do cenário e da proposta mais tosca desse enredo primário. Não é um filme sofisticado e nem muito desenvolvido. Está mais para um bangue-bangue moderno, sem cowboys e nem bandoleiros. No geral vale como uma mera curiosidade realmente. Para assistir apenas uma vez, conhecer e seguir adiante.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Justiça Cega

Título no Brasil: Justiça Cega
Título Original: Internal Affairs
Ano de Produção: 1990
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Mike Figgis
Roteiro: Henry Bean
Elenco: Richard Gere, Andy Garcia, Nancy Travis
 
Sinopse:
Raymond Avilla (Andy Garcia) é um membro da corregedoria do departamento de polícia de Los Angeles que começa uma investigação envolvendo o policial Dennis Peck (Richard Gere). Ele aparenta ser um tira acima de qualquer suspeita, bem visto pelos colegas de profissão. Raymond porém desconfia de sua honestidade nas ruas, já que há muitas evidências apontando contra ele e seu modo de agir. Suas movimentações financeiras levam a crer que há algo de muito obscuro naquele policial tão conceituado em sua profissão.

Comentários:
Um muito bem realizado thriller policial colocando em lados opostos dois atores carismáticos, Richard Gere e Andy Garcia. Gere interpreta um policial manipulador, mulherengo e desonesto que descobre que as ruas podem lhe trazer muito dinheiro. Usando de todos os tipos de extorsões e chantagens ele começa a reunir um belo patrimônio pessoal. Incompativel com o que ganha, suas contas bancárias logo chamam a atenção da corregedoria. Andy Garcia interpreta Raymond Avilla, o agente encarregado de desmascarar sua vida de crimes. Ele é um mauricinho, que se veste de forma impecável, com cabelo engomadinho e que não goza de popularidade entre os demais policiais. Bem diferente do estilo de Peck (Gere), que é popular, falastrão e querido entre seus colegas. O problema é que o primeiro está na linha e o segundo é um contumaz violador da lei. Roteiro bem trabalhado, apoiado basicamente nas diferenças de estilos dos dois personagens principais, sempre prontos a destruírem um ao outro. O cenário é as ruas violentas de Los Angeles. Por falar nisso uma crítica comum que se fez ao filme em seu lançamento foi a de que o diretor inglês Mike Figgis não tinha familiaridade suficiente com o dia a dia da costa oeste americana, em especial de suas grandes cidades, para rodar um filme de caos urbano como esse. Bobagem, tudo já estava devidamente criado em seu roteiro, então era apenas uma questão de não atrapalhar um enredo que já era bom o suficiente por si próprio. Então é isso, "Internal Affairs" é um bom filme policial, onde se inverte a ordem natural das coisas nesse tipo de filme, sendo que os membros da corregedoria dessa vez é que são os mocinhos da estória. Está bem recomendado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Deadpool

Título no Brasil: Deadpool
Título Original: Deadpool
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos, Canadá
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Tim Miller 
Roteiro: Tim Miller, Rhett Reese, Paul Wernick
Elenco: Ryan Reynolds, Morena Baccarin, T.J. Miller
  
Sinopse:
Wade Wilson (Ryan Reynolds) é um veterano das forças armadas que agora ganha a vida como mercenário. Quando descobre que está sofrendo de um câncer agressivo resolve arriscar tudo, entrando numa pesquisa científica de efeitos imprevisíveis. Após ser submetido ao "tratamento" ele se recupera, mas com efeitos inesperados, apresentando poderes que jamais tinha experimentado antes. Agora, adotando o nome de Deadpool, ele parte para a vingança contra aqueles que ele entende destruiram sua vida. Adaptação do personagem criado por Rob Liefeld e Fabian Niciesa para a Marvel Comics em 1991.

Comentários:
A demanda por personagens em quadrinhos anda tão grande que até mesmo heróis secundários andam sendo adaptados. A bola da vez agora é o mercenário Deadpool. Ele não é muito popular fora do universo de leitores desse tipo de publicação (algo que provavelmente mudará daqui pra frente), por isso o estúdio precisou planejar uma campanha de marketing mais agressiva para divulgar o filme. Conseguiu seus objetivos. A produção já é um dos grandes sucessos de bilheteria do ano. Eu fico com um pé atrás em relação a filmes como esse porque (aqui vai minha opinião pessoal) essas adaptações andam bem saturadas. Talvez o fato do Deadpool ser um falastrão, cheio de piadas e brincadeiras, disfarce um pouco esse aspecto. No geral porém, se você for analisar estrutura de roteiro, efeitos visuais e desenvolvimento da trama, não existem muitas diferenças com muitos outros filmes de heróis, sejam da Marvel, sejam da DC Comics. Em termos de elenco é interessante ver como Ryan Reynolds acabou se achando nesse filme, algo que não aconteceu com Lanterna Verde (um personagem muito mais conhecido do que o quase desconhecido Deadpool). É até complicado de entender porque ele deu tão errado naquele filme e aqui se deu tão bem! Mistérios que apenas os deuses da sétima arte poderiam decifrar. Assim deixo as minhas impressões. Não é a maravilha que andam dizendo por aí, porém é bem feito e eficiente - o que talvez já seja muita coisa em termos de adaptações recentes de quadrinhos. Vale uma sessão de cinema com muita pipoca para descontrair.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Aracnofobia

Título no Brasil: Aracnofobia
Título Original: Arachnophobia
Ano de Produção: 1990
País: Estados Unidos
Estúdio: Hollywood Pictures, Amblin Entertainment
Direção: Frank Marshall
Roteiro:  Don Jakoby, Al Williams
Elenco: Jeff Daniels, Julian Sands, John Goodman
 
Sinopse:
O Dr. Ross Jennings (Jeff Daniels) decide se mudar ao lado de sua família para uma casa no interior. Durante a mudança seu pequeno filho descobre uma aranha no meio das caixas. Depois que sua mãe decide levar o pequeno inseto para o celeiro as coisas começam a fugir do controle pois a estranha aranha se reproduz numa velocidade incrível, dando origem a um novo tipo de assassino da natureza. Filme premiado pela Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films nas categorias de Melhor Filme de Terror e Melhor Ator (Jeff Daniels).

Comentários:
Produzido por Steven Spielberg e dirigido pelo seu amigo de longa data Frank Marshall (juntos produziram inúmeros filmes ao longo dos anos) esse "Arachnophobia" uso do medo natural que as pessoas em geral possuem desses insetos de oito patas para criar tensão, suspense e terror. A fórmula é antiga, desde os anos 1950 o cinema sempre explorou esse tema - inclusive em produções onde os tais aracnídeos eram bombardeados por radiações e se tornavam monstros colossais de 15 metros de altura! Aqui obviamente não se chega a tanto, mas de maneira em geral o roteiro se aproveita de velhos clichês para capitalizar o medo do espectador. O resultado se mostra apenas mediano. As cenas iniciais que exploram um local remoto de uma floresta brasileira onde pesquisadores entram em contato pela primeira vez com os bichos se mostra mais interessante do que a segunda parte que se rende a velhos cacoetes de Spielberg (a família tradicional americana, etc, etc). Vale pela curiosidade, mas não é nenhuma obra prima do gênero.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Segredo de Mary Reilly

Título no Brasil: O Segredo de Mary Reilly
Título Original: Mary Reilly
Ano de Produção: 1996
País: Estados Unidos
Estúdio: TriStar Pictures
Direção: Stephen Frears
Roteiro: Christopher Hampton
Elenco: Julia Roberts, John Malkovich, George Cole
  
Sinopse:
Mary Reilly (Julia Roberts), uma dona de casa vitoriana, acaba se apaixonando pelo respeitado médico Dr. Jekyll (John Malkovich) sem conhecer seu lado mais sinistro, amoral e violento, o Mr. Edward Hyde. Roteiro baseado no romance escrito por Valerie Martin. Filme indicado ao Golden Berlin Bear do Berlin International Film Festival. 

Comentários:
Transformar a história de Dr. Henry Jekyll e Mr. Edward Hyde (o médico e o monstro) em um drama vitoriano com pretensões de filme sério? Será que foi realmente uma boa ideia? Para a atriz Julia Roberts realmente parecia uma boa oportunidade de realizar um filme com qualidade literária ao mesmo tempo em que não perdia de vista os interesses financeiros de sua carreira. Um pé na arte e o outro na bilheteria. Apesar das intenções nada pareceu dar muito certo. O filme não consegue se decidir em ser uma obra de arte ou uma diversão pop de verão. No meio do caminho não conseguiu ser nem uma coisa, nem outra. Apesar da bipolaridade ainda há coisas boas para se elogiar. Uma delas vem justamente do elenco e nem estou me referindo ao trabalho de Julia Roberts (envelhecida precocemente com forte maquiagem), mas sim de John Malkovich. Se existe uma razão para assistir esse filme pelo menos uma vez na vida vem justamente de sua presença em cena. Claro que todos sabem que Malkovich sempre foi um grande ator. Seja como o racional Dr. Henry Jekyll ou como o alucinado Edward Hyde o ator se saiu excepcionalmente bem. Uma prova de seu grande talento. Pena que o filme nunca consiga ser tão bom como ele. É o típico caso em que temos uma atuação grande demais para um filme apenas mediano.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Assassino Virtual

Título no Brasil: Assassino Virtual
Título Original: Virtuosity
Ano de Produção: 1995
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Brett Leonard
Roteiro: Eric Bernt
Elenco: Denzel Washington, Russell Crowe, Kelly Lynch
  
Sinopse:
Um serial killer do mundo virtual consegue romper a barreira do tempo e espaço e vem parar no mundo real, na nossa realidade. Uma vez nesse ambiente ele resolve levar em frente sua trajetória de crimes violentos. Apenas um policial poderá detê-lo em sua jornada de cadáveres. Filme indicado ao Prêmio Sitges - Catalonian International Film Festival na categoria de Melhor Ficção do ano.

Comentários:
Com a popularização de computadores pessoais (os chamados PCs) houve uma explosão de interesse no assunto. Essa ficção, produzida há mais de vinte anos, apostava justamente nesse crescente interesse pelo mundo virtual pelos jovens. O roteiro, até muito bem bolado, procurava trazer o que poderia acontecer se as duas realidades (a real e a virtual) colidissem em um mesmo ambiente, um mesmo mundo. No caso temos o serial killer do mundo virtual transportado para o nosso mundo e um policial fazendo de tudo para impedi-lo. Soa meio bobo para você? Provavelmente sim, já que o tempo não costuma ser muito gentil ou favorável a filmes de ficção. Com o tempo eles tendem a ficar ridículos pois os avanços da tecnologia torna todas as previsões obsoletas e até cômicas. Nesse filme, por exemplo, apesar de sua proposta futurista, nem há o uso de telefones celulares, por exemplo. De qualquer maneira sempre é de interesse do cinéfilo em ver dois grandes atores em cena, atuando juntos. Denzel Washington e Russell Crowe se saem muito bem embora esse último pareça meio deslocado nesse tipo de filme que definitivamente nunca foi sua especialidade. Já Denzel parece empenhado em fazer a fita dar certo. Até que em alguns momentos ele consegue mesmo dar um bom ritmo ao filme como um todo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Romeu + Julieta

Título no Brasil: Romeu + Julieta
Título Original: Romeo + Juliet
Ano de Produção: 1996
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Baz Luhrmann
Roteiro: Craig Pearce, baseado na obra de William Shakespeare
Elenco: Leonardo DiCaprio, Claire Danes, John Leguizamo
  
Sinopse:
Romeu (Leonardo DiCaprio) ama Julieta (Claire Danes), mas não conseguem ficar felizes e em paz pois pertencem a duas famílias que simplesmente se detestam e se odeiam. Como superar todas as adversidades em nome de um grande amor como aquele? Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Direção de Arte (Catherine Martin e Brigitte Broch). Vencedor do BAFTA Awards nas categorias de Melhor Direção, Design de Produção e Roteiro Adaptado.

Comentários:
Desde essa época o Leonardo DiCaprio sonhava com o Oscar de melhor ator (e lá se vão vinte anos de puro desespero por um prêmio que parece não chegar nunca!). Enfim... voltemos ao filme. A premissa é básica: trazer a obra do grande e imortal William Shakespeare para o público jovem. E como fazer isso? Transformando tudo em um videoclip, ou melhor explicando, usar a linguagem dos videoclips para atrair a atenção da juventude dos anos 90 (que não parava de assistir a MTV). Como se trata também de uma das obras mais populares do dramaturgo inglês era de se esperar que fluísse às mil maravilhas. Não foi bem isso que aconteceu. A verdade é que o diretor Baz Luhrmann é um pretensioso arrogante que pensa estar sempre revolucionando o cinema com seus filmes. Menos. Ele fez um filme muito colorido, bonitinho e simpático, mas a despeito disso também esvaziou muito a obra que lhe deu origem. Na ânsia de soar moderninho demais tudo o que Baz Luhrmann conseguiu no final das contas foi ser muito, mas muito chato! O filme nunca me convenceu e nem agradou. Há excessos de modernices que aborrecem. Além disso Leonardo DiCaprio parece estar mais preocupado em aparecer bonitinho em cena, como se estivesse posando para uma revista de adolescentes entediadas, do que em atuar realmente bem. Assim não há como salvar o filme. O bardo merecia coisa muito melhor (além do devido respeito, é claro). E o Leo ficou novamente a ver navios. Oscar que é bom... nada!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Força Tática

Título no Brasil: Força Tática
Título Original: Tactical Force
Ano de Produção: 2011
País: Canadá
Estúdio: Nasser Group, North, Caliber Media Company
Direção: Adamo P. Cultraro
Roteiro: Adamo P. Cultraro
Elenco: Steve Austin, Michael Shanks, Michael Jai White
  
Sinopse:
Um treinamento da SWAT da polícia de Los Angeles acaba dando muito errado quando um grupo de homens da polícia se depara com uma perigosa gangue de criminosos de rua. Apenas a força bruta de Tate (Steve Austin) poderá colocar um fim naquela situação perigosa e altamente violenta.

Comentários:
Filmes de ação estrelados por Steve Austin você já sabe: muita porrada, ação insana e baixos orçamentos. Esse tipo de fita B tinha grande retorno na época do mercado de vídeo - já que acabavam encontrando seu público de uma maneira ou outra nas prateleiras de locadoras. Hoje em dia as coisas já ficam mais complicadas. De qualquer forma vale a pena conhecer principalmente se você: a) curte filmes de ação sem delongas (como os filmes dos anos 80 com brutamontes violentos) e b) admiram de alguma forma o Austin, seja pelo trabalho que ele realiza como ator ou lutador. Aqui não há maiores surpresas, vamos convir que o filme é bem derivativo. Se tem algum mérito é não querer parecer pretensioso. O diretor canadense Adamo P. Cultraro só peca pela falta de experiência (esse é praticamente seu primeiro filme já que os anteriores não passaram de telefilmes sem importância ou documentários da TV a cabo, sem grande repercussão). Ele optou pela ação pura, sem frescuras ou perda de tempo. Se errou em vários aspectos do filme pelo menos acertou em ser bem direto e objetivo. O fã do filme de ação mais casca grossa não terá do que reclamar.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Efeito da Fúria

Em uma lanchonete de Los Angeles um homem armado entra no estabelecimento e abre fogo contra clientes e funcionários. Ele parece ser uma pessoa normal, sem nenhum traço mais visível de psicopatia ou algo do gênero. Mirando em seus alvos o atirador tenta matar cada pessoa que está presente naquele recinto. A pequena Anna (Dakota Fanning) se esconde embaixo da mesa e de lá vê seu pai ser atingido por um tiro na cabeça. Seu sangue escorre por entre suas pernas, indo parar bem onde ela se encontra. A garçonete Carla (Kate Beckinsale) está atrás do balcão servindo os clientes quando começa o massacre. Ela se abaixa e tenta se esconder dos tiros. Com o celular também  tenta de todas as formas pedir socorro, ligando para o 911. Para Charlie (Forest Whitaker) nada mais parece fazer algum sentido. Ele entrou na lanchonete e se sentou no balcão em busca de um café. Intimamente se sente arrasado pois acabou de ser diagnosticado com um câncer maligno. Quando os tiros começam ele mal consegue esboçar uma reação. Está simplesmente em choque.

Tudo o que você leu no parágrafo anterior se desenvolve apenas na primeira cena de "Winged Creatures". O filme se concentra nessa triste realidade de violência sem sentido que surge dentro da sociedade americana, algo que se tornou tão habitual naquele país que nem mais chega a chamar tanta atenção. De repente um sujeito armado resolve abrir fogo contra pessoas inocentes, matando a esmo, sem qualquer explicação ou aviso. Para se ter uma ideia de como as coisas andam por lá, ontem quando assistia a esse filme ocorreu um novo massacre em uma pequena cidade americana do Arizona, quando um homem atirou dentro de uma fábrica, matando quatro pessoas e ferindo quase uma dezena de outras. O roteiro do filme não se preocupa em desvendar os motivos que levaram o atirador a matar as pessoas na lanchonete. Ao invés disso investe no trauma decorrente da chacina, mostrando a vida dos sobreviventes após o trágico evento. Assim o espectador passa a acompanhar o pós trauma na vida de cada personagem. A garçonete Carla (Beckinsale) é uma mãe solteira que não tem a menor vocação para cuidar de seu filho, um bebê que parece sempre estar chorando. A garotinha Anna (Fanning) acaba criando uma espécie de fanatismo religioso precoce para lidar com a morte brutal de seu pai e Charlie (Whitaker), que fora diagnosticado com câncer poucos momentos antes da tragédia na lanchonete, resolve gastar seu último centavo numa maratona de bebidas e jogos em um cassino da cidade. Por fim há a figura do médico Dr. Bruce Laraby (Guy Pearce) que escapou de morrer ao sair momentos antes do tiroteio começar na lanchonete. Ele trabalha salvando vidas, mas parece disposto a acabar com a vida da própria esposa, a envenenando. Em suma, um bom filme que valoriza as características de cada personagem em cena. Um retrato mais realista possível da violência que impera na sociedade americana atualmente.

O Efeito da Fúria (Winged Creatures, EUA, 2008) Direção: Rowan Woods / Roteiro: Roy Freirich / Elenco: Kate Beckinsale, Forest Whitaker, Guy Pearce, Dakota Fanning, Josh Hutcherson / Sinopse: Após o massacre em uma lanchonete de Los Angeles, um grupo de sobreviventes tenta levar as suas vidas em frente da melhor maneira possível, algo que definitivamente não será fácil já que a violência absurda a que foram submetidos deixou traumas psicológicos irreparáveis em cada um deles.

Pablo Aluísio. 

O Protetor

Robert McCall (Denzel Washington) é um sujeito metódico que tem uma vida bem comum. Todos os dias após o trabalho ele vai até um pequeno restaurante para realizar suas refeições. Lá acaba conhecendo casualmente Teri (Chloë Grace Moretz), uma jovem prostituta que sonha um dia se tornar cantora. Quando ela começa a sofrer todos os tipos de agressão de um membro da máfia russa local, McCall decide agir para lhe ajudar. Isso desencadeia uma série de eventos que acabam em um verdadeiro banho de sangue.  Eu fiquei bem surpreso com esse "The Equalizer". O ator Denzel Washington vinha em uma levada mais intelectual em sua carreira e então ele, para minha surpresa, resolveu participar desse filme de ação cujo roteiro me lembrou muito os filmes de ação da década de 1980. Não é para menos. O roteiro não se destaca por ser original demais ou trazer surpresas, bem ao contrário, o enredo é até manjado e não ficaria muito surpreendido em ver outro ator ao estilo Chuck Norris ou Steven Seagal no lugar de Denzel.

Claro que pelo fato dele estar no elenco procurou-se fazer algo melhor, porém isso não muda a essência da produção que investe novamente na figura do "exército de um homem só", um super agente treinado que usa seu aprendizado para trazer um pouco de justiça na sociedade. Aliás, deixando tudo bem claro, o personagem de Denzel é em última análise um justiceiro ou como os americanos gostam de chamar um vigilante, um homem (quase) comum que resolve lutar contra o crime e a opressão usando de violência sem limites. Por falar nisso a longa cena final, toda passada dentro de um estabelecimento Walmart surpreende pela maneira em que Denzel resolve liquidar seus opositores, usando ferramentas comuns de construção civil como furadeiras e lançadores de pregos! Divertido, mas também pouco convincente. No saldo final não vejo nada muito especial no filme a não ser essa corajosa tentativa de reviver velhos clichês oitentistas para as novas plateias de hoje em dia.

O Protetor (The Equalizer, EUA, 2014) Direção: Antoine Fuqua / Roteiro: Richard Wenk, Michael Sloan / Elenco: Denzel Washington, Marton Csokas, Chloë Grace Moretz / Sinopse: Um homem de passado misterioso, resolve ajudar uma jovem prostituta que está sendo vítima de uma quadrilha ligada à máfia russa. Com uma perícia fora do comum em armas e táticas de luta ele resolve encarar os criminosos que a estão explorando. Filme indicado ao People's Choice Awards na categoria Melhor Thriller do ano.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Foxcatcher

John du Pont (Steve Carell) é um milionário excêntrico, herdeiro de um dos maiores grupos industriais dos EUA, que decide formar sua própria equipe de luta olímpica. Assim ele resolve contratar o medalhista de ouro Mark Schultz (Channing Tatum) para fazer parte de seu time. Após construir um moderno ginásio em sua própria propriedade Point decide também contratar o irmão de Mark, David Schultz (Mark Ruffalo), que só aceita o convite após receber uma proposta milionária. O seu objetivo é ganhar a medalha de ouro nas próximas olimpíadas. Isso porém não será muito fácil de conquistar por causa da própria personalidade estranha e errática do ricaço. Baseado em fatos reais e indicado a cinco Oscars (Melhor filme, direção, roteiro, maquiagem, ator - Steve Carell - e ator coadjuvante - Mark Ruffalo) esse "Foxcatcher" realmente impressiona por alguns aspectos que o tornam um filme diferente. Ao longo de todo o enredo o espectador começa a perceber que há algo de muito errado com a figura do milionário John du Pont (em ótima interpretação de Steve Carell, aqui deixando as comédias de lado). Ele definitivamente não parece ser uma pessoa muito normal. Nascido em uma das famílias mais ricas da América, criado fora do mundo real, cercado de luxo e riqueza, John demonstra desde sempre estar pouco à vontade com seus lutadores ou com qualquer outra pessoa que venha a ter algum tipo de aproximação maior. Seu sonho é ganhar uma medalha de ouro nas Olimpíadas e para isso não mede esforços financeiros para comprar a tudo e a todos.

Com um discurso apelando para os grandes valores americanos (que soa sempre falso), sua personalidade esconde algo bem sombrio (que por motivos óbvios não iremos revelar nessa breve resenha). Para piorar, apesar de ser já um coroa, ele aparenta ter um medo irracional de sua própria mãe (Vanessa Redgrave), agindo muitas vezes como um adolescente que deseja provar algo aos seus pais. Ela, uma viúva grã-fina e esnobe, que ama cavalos de raça, considera o gosto do filho por esportes de luta algo muito vulgar e grotesco. A trilha sonora incidental mantém o tempo todo o espectador de sobreaviso, pois os temas são tensos e preconizam a chegada de uma grande tragédia no meio daqueles personagens. Steve Carell usa uma pesada maquiagem e consegue desaparecer dentro de seu personagem, uma prova que seu trabalho é digno de todas as indicações e premiações que vem recebendo em vários festivais de cinema mundo afora. Ele personifica de forma brilhante essa pessoa estranha e de comportamento fora dos padrões. Mark Ruffalo também usa de maquiagem para dar veracidade ao seu papel, a do irmão do personagem Mark, um homem que só quer mesmo criar suas filhas com estabilidade e equilíbrio. Mal sabia ele no que estava se metendo. Esse é aquele tipo de filme que tem uma história tão intrigante (e em certos pontos até inacreditável) que faz com que você depois vá pesquisar na internet sobre o caso real. Foi justamente o que fiz e para minha surpresa acabei descobrindo que o John du Pont da vida real conseguia ser ainda mais louco do que esse que vemos nas telas. Assim deixo a firme recomendação para esse filme. É uma daquela obras cinematográficas realmente imperdíveis.

Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher, EUA, 2014) Direção: Bennett Miller / Roteiro: E. Max Frye, Dan Futterman / Elenco: Steve Carell, Channing Tatum, Mark Ruffalo, Vanessa Redgrave / Sinopse: Milionário resolve montar sua própria equipe de luta olímpica. Seu estranho modo de ser e sua personalidade excêntrica porém poderá colocar tudo a perder. Filme indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Drama, Melhor Ator - Drama (Steve Carell) e Melhor Ator Coadjuvante (Mark Ruffalo).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

O Fundamentalista Relutante

Changez (Riz Ahmed) é um jovem natural do Paquistão que ganha uma bolsa de estudos numa conceituada universidade americana. Lá conhece a riqueza e a liberdade da sociedade dos Estados Unidos e chega até mesmo a se envolver com uma linda garota de Nova Iorque, Erica (Kate Hudson). Após se formar, arranja emprego numa empresa especializada no mercado financeiro. Tudo corria conforme seu planos até o dia 11 de setembro de 2001 quando Nova Iorque sofre o maior atentado terrorista de sua história. O mundo nunca mais seria o mesmo e nem a vida de Changez, que acaba entrando em um grande dilema moral consigo mesmo. Pelo visto os americanos não vão superar 11 de setembro tão cedo. Esse é mais um filme que se propõe a discutir os efeitos e as causas daquele terrível evento. O ponto de vista acaba sendo o de um paquistanês que vai para a América estudar, se formar e começar a progredir em sua vida pessoal e profissional até que tudo vira de cabeça para baixo com os atentados terroristas.

O filme se utiliza bastante bem do recurso de flashbacks. Logo no começo somos apresentados a um suposto jornalista americano (Liev Schreiber) que vai até uma casa de chá na capital paquistanesa para entrevistar um professor universitário local que tentará lhe dizer que nada tem a ver com o sequestro de um outro americano, um acadêmico acusado de espionagem que caiu nas garras de grupos extremistas. A partir desse encontro o homem, a quem a CIA acredita estar envolvido na captura do refém americano, vai lhe contar sua história. E a partir daí o espectador vai conhecendo todos os eventos. Essa opção do roteiro se mostra bastante eficiente pois o espectador começa a compreender o que acaba levando alguém a entrar numa guerra religiosa tão sangrenta como a do Oriente Médio, mesmo essa pessoa tendo tido contato com a cultura e o modo de pensar dos ocidentais. O filme tem ótimo elenco, direção segura e firme e uma trama mais do que interessante. Não vai interessar a todos os públicos mas apenas aos que procuram por respostas sobre a eterna crise que existe nos países islâmicos.

O Fundamentalista Relutante (The Reluctant Fundamentalist, Estados Unidos, Inglaterra, Catar, 2012) Direção: Mira Nair / Roteiro: Javed Akhtar, Ami Boghani / Elenco: Riz Ahmed, Liev Schreiber, Kate Hudson, Kiefer Sutherland / Sinopse: O filme narra a história de um jovem do Oriente Médio que vai estudar nos Estados Unidos. Lá se forma e acaba arranjando um emprego. Até começa um belo romance com uma americana, mas tudo isso, que parecia ir tão bem, acaba se desfazendo com os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Filme vencedor do Munich Film Festival na categoria de Melhor Filme do Ano.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Amantes

Esse é um filme sobre sentimentos. Logo na primeira cena Leonard Kraditor (Joaquin Phoenix) caminha por um píer de Nova Iorque. Tempo gelado. Sem pensar duas vezes ele se joga na água congelantes do oceano. Seria trágico se não fosse patético. Essa é mais uma de muitas tentativas de suicídio em sua vida. Tudo por causa de mais uma desilusão amorosa. Depois de dois anos de noivado a mulher que ele achava ser a ideal para sua vida simplesmente resolveu ir embora, o deixando completamente devastado. Leonard vive com os pais, trabalha na pequena loja de seu pai e não vê muitos motivos para seguir em frente com sua vida. Isso dura até conhecer a vizinha de prédio, a bela e atraente Michelle Rausch (Gwyneth Paltrow), uma garota dos sonhos. Mesmo machucado, Leonard resolve investir no seu novo interesse romântico, mas ela já tem um complicado relacionamento com um homem casado, com filhos, numa situação nada resolvida. Para piorar ainda mais sua vida sentimental seus pais querem que ele se acerte com Sandra (Vinessa Shaw) que parece ser uma boa pretendente para acabar com sua solteirice persistente e duradoura.

Bom filme. O diretor James Gray tenta contar um enredo envolvendo um triângulo amoroso dos mais improváveis. Todos os personagens apresentam algum tipo de problema emocional. Leonard foi diagnosticado como bipolar alguns anos atrás. Por essa razão ele não consegue lidar muito bem com perdas. Michelle vem de uma família com problemas mentais e não consegue se acertar na vida. Sandra mais parece uma solteirona desesperada para se casar com alguém, seja ele quem for. Ela tem vários problemas de auto estima o que trava sua vida amorosa. Como se vê os protagonistas passam longe da imagem de figuras românticas idealizadas, princesas e príncipes montados em cavalos brancos. Ao invés disso são pessoas comuns, tentando levar a vida, mesmo com vários obstáculos pelo meio do caminho. Gosto muito do estilo de interpretação de Joaquin Phoenix. Ele sempre parece perfeito para personagens limítrofes, esquisitões. Até hoje não sei se ele é assim mesmo na vida real ou se é algum tipo de fórmula que ele sempre usa para dar veracidade em seus trabalhos. Provavelmente seja o primeiro caso, quem sabe... De qualquer maneira funciona muito bem. Já Gwyneth Paltrow sempre surge muito elegante e sofisticada, mesmo quando seus papéis são de garotas à beira de um surto psicótico. Em suma, temos aqui um bom filme, ideal para assistir a dois.

Amantes (Two Lovers, EUA, 2008) Direção: James Gray / Roteiro: James Gray, Ric Menello / Elenco: Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow, Isabella Rossellini, Vinessa Shaw, Samantha Ivers / Sinopse: Leonard (Phoenix) vê uma oportunidade de se recuperar do enorme fora que levou de sua noiva ao conhecer sua vizinha, a bela e sensual Michelle (Paltrow). Seus pais porém querem que ele se case com outra jovem, Sandra (Shaw), a filha de um amigo de seu pai. Filme indicado à Palma de Ouro do Cannes Film Festival. Também indicado ao Independent Spirit Awards nas categorias de Melhor Atriz (Gwyneth Paltrow) e Melhor Direção (James Gray).

Pablo Aluísio.

Os Fugitivos

Baseado em fatos históricos reais, o filme "Lonely Hearts" conta a trajetória de Ray Fernandez (Jared Leto), um patife que ganhava a vida explorando mulheres solitárias e infelizes durante a década de 1930. Usando como isca o classificado dos jornais ele procurava conquistar o coração delas com o objetivo de lhes tirar todo o dinheiro possível. Sua vida criminosa ganha uma reviravolta quando passa a ser acompanhado por sua amante, Martha Beck (Salma Hayek), que finge ser sua irmã para as vítimas. Com ela ao seu lado, Ray ganha uma insuspeita imagem de confiança e respeitabilidade que ele prontamente usa para aumentar o número de potenciais alvos. Quando alguma delas começam a lhe trazer problemas a solução passa a ser o assassinato para encobrir seus rastros. E é justamente no suicídio forjado de uma dessas mulheres que a dupla de detetives formado por Elmer Robinson (Travolta) e Charles Hilderbrandt (James Gandolfini) começa a entender a rede de crimes praticada pelo casal de psicopatas. Para Robinson a solução dos crimes passa a ser algo bem pessoal, uma vez que ele próprio está destruído emocionalmente após o suicídio de sua jovem esposa. Colocar as mãos em Ray e Martha passa a ser uma verdadeira obsessão para ele.

Gostei muito desse filme. Além da trama envolvente, explorando um fato real, a produção procura ser o mais fiel possível aos acontecimentos históricos. Durante os anos de 1937 a 1939 esse casal de assassinos praticou uma série de assassinatos terríveis em diversos estados americanos. Calcula-se que juntos tenham matado mais de vinte mulheres, a grande maioria delas viúvas da guerra ou senhoras mais velhas, solitárias e em busca de um relacionamento sério para preencher o vazio de suas vidas. O roteiro toma certas liberdades em relação a alguns detalhes dos fatos históricos, como por exemplo, transformar a psicopata Martha em uma jovem sensual e bonita (na verdade ela já era uma senhora com problemas de obesidade quando os crimes foram cometidos). Em termos de elenco eu destacaria o trabalho de Jared Leto. Ele está excepcionalmente bem na pele do psicótico Ray. O interessante é que tal como aconteceu na vida real ele também era completamente manipulado por Martha, que conforme escrevi, ganha contornos de exuberância sensual na interpretação de Salma Hayek que além de estar extremamente bela no filme, desfila uma série de elegantes figurinos de época. Entre os tiras o sempre excelente James Gandolfini defende muito bem seu personagem, porém temos que reconhecer que seu parceiro John Travolta já não se sai muito bem, o que é complicado, já que seu policial atormentado é um dos pilares dramáticos do filme como um todo. Travolta não conseguiu expressar a tempestade de emoções que seu papel exigiu. Ao invés de passar um sentimento de depressão, desespero interior e melancolia ao espectador tudo o que ele consegue transmitir é uma eterna expressão de raiva e fúria. Travolta sempre foi um ator limitado, temos que reconhecer. Mesmo assim essa é uma falha menor. O filme como um todo é realmente muito bom, altamente recomendado e resgata a história desses criminosos insanos e violentos que felizmente encontraram finalmente a justiça em uma cadeira elétrica pouco depois de terem cometido seus crimes e atrocidades contra mulheres indefesas e inocentes.

Os Fugitivos (Lonely Hearts, EUA, 2006) Direção: Todd Robinson / Roteiro: Todd Robinson / Elenco: John Travolta, James Gandolfini, Salma Hayek, Jared Leto, Scott Caan, Laura Dern / Sinopse: Um casal de psicopatas começa a procurar suas próximas vítimas usando o serviço de classificados dos jornais. Seu alvo preferido passa a ser mulheres solitárias que tenham algum dinheiro. Quando algumas delas começam a aparecer assassinadas, uma dupla de detetives do departamento de polícia de Nova Iorque entra no caso para prender os criminosos.Filme indicado ao San Sebastián International Film Festival na categoria de Melhor Direção (Todd Robinson).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Corações de Ferro

Em abril de 1945 as forças aliadas começam a grande invasão da Alemanha, já nos últimos meses da II Guerra Mundial. Ao entrarem dentro do país inimigo os soldados americanos liderados pelo sargento Don 'Wardaddy' Collier (Brad Pitt) descobrem que estão prestes a enfrentar o maior desafio de suas vidas naquela guerra que parece não ter fim. Um filmaço! Simples assim... Fazia bastante tempo que Hollywood não explorava tão bem a Segunda Guerra Mundial. O gênero dos filmes de guerra foi muito popular no passado, mas ultimamente estava em segundo plano. Para falar a verdade poucos e pontuais filmes foram realizados nos últimos tempos. Pois bem, aqui está uma produção classe A, com roteiro excelente e personagens marcantes. O roteiro foca bastante na conturbada relação entre o comandante durão interpretado por Pitt, um sujeito que precisa ser forte o suficiente para comandar seus homens e um novato, o jovem soldado Norman Ellison (Logan Lerman), que por ser jovem demais não tem o preparo psicológico e físico para enfrentar tamanho desafio. O clima em geral é de desolação, destruição completa. Os prédios estão em chamas e a população civil vaga em busca de alimentos. Os traidores estão penduradas em postes, com placas no pescoço relatando seus crimes contra o Estado nazista.

Brad Pitt lidera esse pequeno grupo de homens que luta dentro de um tanque americano "carinhosamente" chamado de "Fury". E é justamente usando de muita fúria e bravura que eles tentarão sobreviver a um dos conflitos mais brutais e sangrentos da história. Em seus últimos dias a Alemanha de Hitler definhava e agonizava. Sem homens para lutar o führer, completamente desesperado, começou a alistar crianças e jovens sem qualquer experiência de combate. Quando os aliados adentraram as fronteiras alemãs eles acabaram encontrando não apenas cidades destruídas, mas também o coração de um povo em chamas. Há várias sequências fantásticas porém destaco duas em especial. Na primeira o pequeno grupo de tanques sob comando de Brad Pitt enfrenta um poderoso tanque alemão Tiger, um verdadeiro monstro da guerra! A verdade é que os armamentos alemães eram de certa forma bem mais resistentes e poderosos do que os americanos. O que fez a Alemanha perder a guerra foi em última análise a falta de poderio industrial para repor as perdas do campo de combate. Esse confronto mostrado no filme entre as forças de infantaria é desde já uma das melhores do cinema. Em outro momento marcante o tanque Fury fica avariado numa encruzilhada enquanto um pelotão inteiro de fanáticos soldados SS se aproxima! Ótima sequência que vem para fechar em grande estilo esse ótimo war movie. Assim não resta mais o que dizer. "Fury" é de fato um dos melhores filmes do ano, sem favor algum.

Corações de Ferro (Fury, EUA, 2014) Direção: David Ayer / Roteiro: David Ayer / Elenco: Brad Pitt, Shia LaBeouf, Logan Lerman, Michael Peña, Jim Parrack, Scott Eastwood / Sinopse: Um grupo de soldados americanos, pertencentes ao regime de tanques, adentra as fronteiras da Alemanha durante a fase final da Segunda Grande Guerra Mundial. Comandados pelo sargento Don 'Wardaddy' Collier (Brad Pitt) eles precisam enfrentar os inimigos em campo aberto, ao mesmo tempo em que tentam conquistar a confiança da população civil em cidades destruídas pela guerra. Filme indicado aos prêmios da Screen Actors Guild Awards e Broadcast Film Critics Association Awards.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Nunca Fale com Estranhos

Dra. Sarah Taylor (Rebecca De Mornay) é uma psicóloga forense que acaba se apaixonando pelo homem errado, Tony Ramirez (Antonio Banderas), um sujeito que ela na verdade não conhece muito bem. Mal sabe que na verdade está se relacionando com um perigoso serial killer. Lida assim a sinopse de "Never Talk to Strangers" pode até parecer muito banal e sem novidades, mas para surpresa geral é sim um filme que tem lá seus bons momentos. Na década de 1990 muitos filmes de suspense como esse foram lançados visando muito mais o mercado de vídeo (sim, com aquelas fitas VHS, lembra?) do que propriamente as salas de cinema. As produções eram mais modestas e os roteiros primavam por situações clichês, muitas vezes reciclando tramas de antigas fitas do cinema noir da década de 1940. Aliás a própria concepção de se realizar filmes baratos, com enredos enxutos, mas bem boladas, primando o suspense, era uma característica daquela velha estética cinematográfica.

O grande atrativo desse filme em si vem do elenco. O estúdio apostou em  Rebecca De Mornay e Antonio Banderas. Ela vinha em uma boa fase na carreira, principalmente depois das boas bilheterias de filmes como "A Mão Que Balança o Berço" e "Culpado Como o Pecado". A TriStar Pictures apostou que ela poderia ser uma das futuras estrelas de Hollywood, mas isso de fato nunca aconteceu. Depois desse filme ela foi perdendo papéis importantes e meio que caiu no esquecimento. Algo mais corriqueiro de se acontecer do que se pensa. Já Banderas teve um destino mais bem sucedido, um futuro melhor. Ele conseguiu emplacar uma carreira consistente nos Estados Unidos e se também não virou um astro pelo menos conseguiu uma certa regularidade. Assim deixo a dica desse suspense dos anos 90 que anda bem esquecido.

Nunca Fale com Estranhos (Never Talk to Strangers, EUA, Canadá, Alemanha, 1995) Direção: Peter Hall / Roteiro: Lewis A. Green, Jordan Rush / Elenco: Rebecca De Mornay, Antonio Banderas, Dennis Miller / Sinopse: Sarah Taylor (Rebecca De Mornay) é uma psicóloga da polícia que acaba se apaixonando pelo homem errado,  Tony Ramirez (Antonio Banderas), um sujeito perturbado que não admite ser deixado para trás.

Pablo Aluísio.

Godzilla

Título no Brasil: Godzilla
Título Original: Godzilla
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos, Japão
Estúdio: Warner Bros., Legendary Pictures
Direção: Gareth Edwards
Roteiro: Max Borenstein, Dave Callaham
Elenco: Aaron Taylor-Johnson, Elizabeth Olsen, Bryan Cranston, Ken Watanabe

Sinopse:
Após o colapso em uma usina nuclear no Japão um estranho monstro voador, de proporções gigantescas, se utiliza da radiação para se alimentar e se proliferar. Para destruir a ameaça a própria mãe natureza envia outro monstro vindo diretamente das profundezas do oceano, Godzilla, que tentará aniquilar com o estranho ser que mais parece um inseto colossal. Adaptação moderna do famoso personagem japonês, Godzilla.

Comentários:
O monstro Godzilla nasceu dentro da paranoia que havia sido criada durante a Guerra Fria. As pessoas em geral tinham receio de tudo acabar da noite para o dia em uma terrível guerra nuclear. Assim o termo nuclear foi ganhando aspectos monstruosos dentro do inconsciente coletivo do homem comum. Não é de se admirar que o cinema tenha se aproveitado desse medo irracional. Assim surgiu esse personagem, uma besta fruto da energia nuclear, com aparência de dinossauro mas centenas de vezes maior do que os verdadeiros répteis que andaram sobre a Terra no período pré-histórico. O roteiro desse novo filme procura de certa forma resgatar todos os elementos que deram origem ao personagem. Assim está lá a usina nuclear e todo o perigo proveniente de sua existência, a situação fora de controle que gera entidades monstruosas e o surgimento do próprio Godzilla como uma resposta da mãe natureza contra os erros da humanidade. O espírito do enredo também procura criar um laço direto com os filmes japoneses, onde um homem vestido com macacão de borracha destruía cidades feitas de papelão. De certa forma, por esses e outros motivos, achei essa nova produção bem mais interessante do que aquele filme com Mathew Broderick lançado alguns anos atrás. Não é um filme isento de críticas, tampouco é uma maravilha, porém por ter tantos elementos referenciais ao surgimento do monstro temos que ao menos reconhecer que se trata de uma produção interessante e curiosa. Como o final deixou a possibilidade em aberto vamos torcer para que haja continuações e que elas sejam bem melhores, corrigindo os defeitos eventuais que esse filme trouxe.

Pablo Aluísio.

Anjos da Noite - A Evolução

Título no Brasil: Anjos da Noite - A Evolução
Título Original: Underworld - Evolution
Ano de Produção: 2006
País: Estados Unidos
Estúdio: Screen Gems, Lakeshore Entertainment
Direção: Len Wiseman
Roteiro: Danny McBride, Len Wiseman
Elenco: Kate Beckinsale, Scott Speedman, Bill Nighy
 
Sinopse:
"Underworld: Evolution" continua a saga da guerra entre os vampiros e os lobisomens. O enredo volta no tempo para mostrar os primórdios da antiga rivalidade entre as duas tribos que deram origem às criaturas que tentam se destruir na atualidade. Assim a vampira Selene (Kate Beckinsale) e o híbrido Michael (Scott Speedman) tentam desvendar os segredos de suas linhagens. Filme indicado a cinco categorias no Fangoria Chainsaw Awards. Também indicado nos prêmios MTV Movie Awards e Scream Awards.

Comentários:
Eu assisti ao primeiro filme com reservas. Apesar de gostar bastante de filmes sobre vampiros em geral essa franquia Underworld nunca esteve entre as minhas preferidas. Em minha forma de entender são filmes bastante influenciados pela cultura game e pelo universo Matrix, embora poucos realmente parem para pensar sobre isso. O ritmo é sempre frenético, com muitas cenas de ação (bem elaboradas, é verdade, mas também vazias e destituídas de emoção). Os pontos realmente interessantes se resumem na bonita direção de arte (bebendo de fontes ao estilo vintage futurista) e o elenco. Kate Beckinsale é uma atriz versátil, que pula de filmes pop como esse diretamente para dramas mais bem elaborados. É uma mulher bonita, ao estilo clássica, que consegue manter os olhos do espectador interessados no que se passa na tela. O enredo em si não muda muito em relação ao filme original, seguindo a linha mais pop e comic. Mesmo assim, para não perder a franquia de vista, compensa ao menos uma visita.

Pablo Aluísio.

O Massacre da Serra Elétrica 2

Título no Brasil: O Massacre da Serra Elétrica 2
Título Original: The Texas Chainsaw Massacre 2
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Cannon Films
Direção: Tobe Hooper
Roteiro: L.M. Kit Carson, Tobe Hooper
Elenco: Dennis Hopper, Caroline Williams, Jim Siedow
 
Sinopse:
Durante uma transmissão de rádio da programação local um DJ fica chocado ao receber o telefonema de dois marginais que lhe passam uma gravação do que parece ser a morte de duas crianças pelo psicopata Leatherface, o infame serial killer que matava suas vítimas com uma serra elétrica. O xerife local então decide começar sua investigação para colocar as mãos nos autores da gravação, algo que lhe revelará um mundo doentio e perturbador nos cafundós do Texas. Filme indicado ao prêmio Fantasporto na categoria de Melhor Filme de terror.

Comentários:
No auge do sucesso da Cannon, produtora bem conhecida nos anos 80 por causa de seus filmes de ação com Chuck Norris. a empresa resolveu apostar também no terror, ressuscitando antigas franquias. Foi o que aconteceu com "The Texas Chainsaw Massacre". O primeiro filme havia virado um cult movie nas locadoras, então os produtores entenderam que era uma boa oportunidade de reviver o antigo clima de sangue e tripas nas telas. Pessoalmente não gosto muito dessa continuação porque ela foi afetada por uma modinha da época em se misturar terror com comédia. "A Hora do Espanto" se tornou um grande sucesso de bilheteria e sua fórmula acabou sendo copiada à exaustão, nem sempre com resultado positivos. A piada já começa no poster, onde os personagens sanguinários do filme posam tal como os adolescentes do sucesso de John Hughes, "O Clube dos Cinco". O resto vai pela mesma linha engraçadinha, o que nem sempre dá certo. Dennis Hopper também acaba virando uma caricatura de si mesmo nessa produção. Ator símbolo da contra cultura dos anos 60 ele acabou embarcando no filme sem muita razão de ser, talvez apenas para emprestar seu nome conhecido (o único do elenco) para ajudar na promoção do filme. Há certamente boas cenas de terror, mas no geral não consigo mesmo gostar muito, nem mesmo em revisões mais atuais. O humor aqui estragou parte do potencial da fita. Uma bola fora na filmografia do (quase) sempre correto Tobe Hooper.

Pablo Aluísio.

A Casa do Espanto

Título no Brasil: A Casa do Espanto
Título Original: House
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: New World Pictures
Direção: Steve Miner
Roteiro: Fred Dekker, Ethan Wiley
Elenco: William Katt, Kay Lenz, George Wendt
 
Sinopse:
Roger Cobb (William Katt) é um veterano da Guerra do Vietnã que sonha um dia se tornar um autor de livros de terror de sucesso. Para seu azar ele precisa interromper os seus sonhos para descobrir o paradeiro de seu filho Jimmy, que simplesmente desapareceu misteriosamente enquanto visitava a sombria casa de sua tia. Quando essa morrer Roger decide desvendar esse mistério, o que abrirá literalmente uma porta para o inferno. Filme indicado aos prêmios da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (Richard Moll) e Melhor Atriz Codjuvante (Kay Lenz). Filme vencedor do Avoriaz Fantastic Film Festival.

Comentários:
Quem viveu os anos 80 e o auge das locadoras de vídeo certamente se lembrará desse "House". Como na época o filme de terror de maior sucesso era o clássico "A Hora do Espanto" a distribuidora nacional tentando tirar uma casquinha logo denominou a fita de "A Casa do Espanto". O filme não fez muito barulho nas bilheterias de cinema, mas quando chegou nas locadoras de vídeo VHS se tornou um hit e tanto, impulsionado pelas propagandas do SBT Vídeo que lançou a fita em nosso país. De certo modo até seguia os passos do famoso "Fright Night", misturando cenas de horror com muita comédia e bom humor. O diferencial era que não havia todo o orçamento do outro filme. Por outro lado investia em muitas cenas bem realizadas, com maquiagem de primeira linha. O diretor Steve Miner vinha de duas sequências da franquia "Sexta-Feira 13" e sabia muito bem das regras para atrair o público adolescente. Além disso contava com o bem sacado roteiro escrito por Fred Dekker, outro ícone dos filmes de terror dos anos 80. Ele havia dirigido o divertido "A Noite dos Arrepios" e no futuro escreveria os roteiros de "Contos da Cripta", "RoboCop 3" e da própria continuação dessa produção, "House 2" em 1987. Assim deixo essa dica preciosa para os saudosistas daqueles tempos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.


Scanners - Sua Mente Pode Destruir

Scanners são seres humanos mutantes que possuem um poder fora do comum: eles consegue controlar a mente das demais pessoas, mostrando grande poder psíquico, conseguindo inclusive infligir dores e danos enormes em suas vítimas. Diante de tão grave ameaça para a humanidade um cientista decide estudar o caso, levando um scanner a mudar de lado, dando início a uma verdadeira guerra entre esses estranhos seres mutantes. Para quem foi jovem nos anos 80 o barato desse filme era ver as cabeças explodindo em câmera lenta! Parece bobo, mas a verdade é que esse clássico do terror assinado por David Cronenberg (em comecinho de carreira) se vendia assim mesmo nas locadoras: aquele filme onde as cabeças explodem! De certa maneira já tínhamos aqui uma amostra da mente sinistra de Cronenberg, um sujeito que mais parecia um nerd, um rato de bibliotecas, com óculos fundo de garrafa e jeito inofensivo.

Mal sabiam os estúdios que ele se tornaria um dos mais importantes nomes do gênero Sci-fi / Terror naquela década. O roteiro mais parecia uma adaptação de quadrinhos, fruto do fato de Cronenberg ter sido um viciado nesse tipo de publicação, que era tão popular em sua país natal. Com pouco dinheiro, mas muita imaginação, ele conseguiu rodar esse filme no Canadá e a fita acabou sendo considerada tão insana e fora dos padrões que chegou logo ao mercado americano onde virou uma espécie de cult nas locadoras de vídeo VHS - naquele momento se tornando bastante populares em todo o mundo. Revisto hoje em dia tudo, claro, vai soar muito datado. Os efeitos e a maquiagem já não convencem ninguém (fica claro que é uma cabeça de boneco que voa pelos ares) mas mesmo assim ainda consegue se manter interessante por causa do roteiro, esse realmente fora do normal, algo realmente original!

Scanners - Sua Mente Pode Destruir (Scanners, Canadá, 1981) Direção: David Cronenberg / Roteiro: David Cronenberg / Elenco: Jennifer O'Neill, Stephen Lack, Patrick McGoohan / Sinopse: Uma nova raça de mutantes chamada Scanner desenvolve um grande poder de controle da mente humana. São 4 bilhões de seres humanos, 237 deles são scanners! Eles possuem o mais terrível poder jamais criado e estão vencendo essa batalha evolutiva! Um cientista resolve estudar esse novo tipo de ser e acaba criando uma verdadeira guerra entre esse novo tipo de ser humano fora do normal. Filme produzido pelo Canadian Film Development Corporation (CFDC). Vencedor do Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films nas categorias de Melhor Maquiagem e Melhores Efeitos Especiais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

007 Contra o Foguete da Morte

Depois do enorme sucesso de "Star Wars" lançado em 1977 todos os produtores correram atrás para explorar a nova moda de filmes de ficção, até mesmo os da franquia James Bond. O resultado é esse fraquíssimo "007 Contra o Foguete da Morte", considerado até hoje um dos piores filmes da série. Imagine colocar Bond em ambientes espaciais, em efeitos especiais completamente datados (que, apesar de serem bem ruins, chegaram a concorrer ao Oscar em Melhores Efeitos Especiais) e você entenderá do que se trata. Curiosamente parte do filme se passa em um Rio de Janeiro bem falso, com direito a uma feroz luta entre Bond e o vilão Jaws nos bondinhos do Corcovado. Mais nonsense impossível...

O filme foi dirigido pelo cineasta Lewis Gilbert que já havia trabalhado antes em "Com 007 Só Se Vive Duas Vezes" (ainda com Sean Connery) e "007 - O Espião Que Me Amava" (já com Moore). Esses foram dois bons filmes da franquia, o que me deixa ainda mais surpreso por ele ter cometido tantos erros nesse terceiro filme. O resultado foi considerado tão ruim que Gilbert foi afastado da série pela MGM. Quase Roger Moore também foi desligado da série, mas acabou sobrevivendo ao desastre, muito por causa da simples falta de opção de outros nomes adequados para estrelar a série. Assim não há outra conclusão a se chegar, nessa mistura de ficção B com James Bond realmente não deu nada certo - e acabou se tornando um dos mais constrangedores de toda a franquia. Bola fora espacial.

007 Contra o Foguete da Morte (Moonraker, Estados Unidos, Inglaterra, 1979) Direção: Lewis Gilbert / Roteiro: Christopher Wood / Elenco: Roger Moore, Lois Chiles, Michael Lonsdale / Sinopse: Com o mundo em perigo o agente James Bond (Roger Moore) é designado para descobrir uma extensa rede de uso de armas espaciais. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhores Efeitos Especiais.

Pablo Aluísio.

Carol

Ao ir até uma loja de departamentos para comprar uma boneca para sua filha, a bela e elegante Carol (Cate Blanchett) acaba se encantando com a vendedora de brinquedos Therese Belivet (Rooney Mara). Quando vai embora deixa suas luvas sob o balcão. No dia seguinte Therese as envia para Carol que lhe retorna agradecendo por telefone. Aos poucos o que parecia ser apenas um flerte casual ganha contornos mais sérios quando Carol convida Therese para almoçar fora. Elas estão inegavelmente atraídas uma pela outra, mas há vários problemas nesse relacionamento, entre eles o fato de Carol ser casada e estar enfrentando uma série crise em seu casamento, o que ocasionará um divórcio complicado e doloroso com seu marido. Em disputa, a guarda de pequenina filha de Carol. Oscar Wilde costumava dizer que o amor homossexual era o amor que não ousava dizer seu nome. Pensei exatamente nessa frase durante o transcorrer de todo o filme. As duas protagonistas parecem saber desde o começo que há algo maior e mais profundo entre elas, mas nenhuma parece disposta a cruzar a linha que as mantém separadas. Em determinado momento, ao telefone, Carol (Blanchett) implora para que Belivet (Mara) diga o que está pensando ou sentindo, mas ela recua. Realmente é um tipo de amor que não pode muitas vezes se revelar, dizer o seu nome. 

"Carol" é um filme de momentos. Se você prestar bem a atenção perceberá que o roteiro nem está muito preocupado em contar uma história linear, mas sim em captar o sentimento envolvido no encontro dessas duas pessoas apaixonadas que, por acaso, são duas mulheres. Esse aspecto aliás é certamente um dos grandes méritos desse texto. Ele não se torna chato ou cansativo justamente por não levantar bandeiras, por não se transformar em algo planfletário da causa gay ou qualquer outra  coisa parecida. Na realidade o mais importante é mostrar como elas se conhecem, como surge desde o começo um lapso de atração, logo no primeiro olhar, e como aos poucos vão se aproximando. Tudo é muito sutil, elegante e com classe. Por isso não existe espaço para o vulgar e nem para o grotesco. Há detalhes que fazem toda a diferença. Só para citar um, aquele momento em que as mãos finalmente se encontram sobre a mesa de um restaurante. Não é necessário palavras, apenas olhares. Toda a sutileza do roteiro se revela ali. Por essa razão também nem é tão significativo que estejamos na presença de um casal de lésbicas, afinal de contas as mesmas cenas que vamos acompanhando poderiam também se referir a um casal hétero, sem problemas. Sentimentos são sentimentos. Como eu disse, o grande valor de "Carol" vem de sua profundidade emocional, de seu jogo de pequenos momentos que vão formando algo maior. Nesse aspecto realmente não há como negar que se trata de um belo filme, feito de, como frisei, pequenos detalhes que vão revelando o despertar da paixão entre as protagonistas. Deixe-se levar e entenda que o amor não tem barreiras, limites ou fronteiras.

Carol (Carol, EUA, 2015) Direção: Todd Haynes / Roteiro: Phyllis Nagy, baseado no livro escrito por Patricia Highsmith / Elenco: Cate Blanchett, Rooney Mara, Kyle Chandler, Sarah Paulson / Sinopse: O filme mostra o relacionamento homossexual entre uma mulher casada que enfrenta problemas em seu casamento e divórcio e uma tímida e bela vendedora de uma loja de departamentos. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Cate Blanchett), Melhor Atriz Coadjuvante (Rooney Mara), Melhor Roteiro Adaptado, Fotografia, Figurino e Música original (Carter Burwell). Também indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Drama, Melhor Atriz (Cate Blanchett), Melhor Atriz (Rooney Mara), Melhor Direção e Melhor Trilha sonora original.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque. 

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Nem por Cima do Meu Cadáver

As comédias românticas americanas já não são mais as mesmas. Com o esgotamento da velha fórmula os produtores andam procurando por caminhos diferentes. Algumas vezes até dá certo, em outras o desastre é certo. Veja o caso desse filme. Quando começa o espectador (principalmente se for masculino) vai franzir a testa e dizer consigo mesmo: "Meu Deus, lá vem outra comédia romântica sobre casamentos!". Isso tudo porque a primeira cena do filme é passada justamente no dia de casamento de Kate (Eva Longoria) e Henry (Paul Rudd). E então vem a grande surpresa, já que os roteiristas, como eu escrevi, estão tentando mudar um pouco o que sempre se vê nesse tipo de comédia. A personagem Kate morre, logo no dia em que iria se casar, quando um anjo de gelo (daqueles usados em decoração) cai por cima dela. E então vem a "ideia brilhante" do diretor e roteirista Jeff Lowell: transformar Kate em uma fantasma que vai a partir daí atazanar a vida sentimental daquele que seria seu futuro marido.

E é isso. O filme todo se desenvolve em cima dessa bobeirinha. Henry (Rudd) vai ver uma vidente chamada Ashley (Lake Bell) e se apaixona por ela. Enquanto isso Kate começa a aparecer para Ashley, tentando com isso assustá-la para que ela deixe seu amado em paz. No fundo a fantasminha é tão possessiva que deseja ardentemente que ele nunca mais se relacione com mais ninguém na vida. Já deu para perceber que a personagem interpretada por Eva Longoria é bem antipática. O pior é que Ashley também não se mostra nada carismática. Assim acaba sobrando para Paul Rudd tentar levar o filme em frente, mas no final tudo isso é em vão. Não há outra maneira de qualificar essa insossa comédia romântica a não ser como insossa e sem graça. As tentativas de fazer rir passam por situações grotescas como cenas de flatulência. Enfim, descarte, esqueça e deixe pra lá, a não ser que você seja um espírita masoquista.

Nem por Cima do Meu Cadáver (Over Her Dead Body, EUA, 2008) Direção: Jeff Lowell / Roteiro: Jeff Lowell / Elenco: Eva Longoria, Paul Rudd, Lake Bell / Sinopse: Jovem noiva morre bem no dia do seu casamento. Quando seu futuro marido (que continua vivo) se apaixona por uma vidente ela começa a fazer de tudo para melar o novo relacionamento. Isso continua até o dia em que ela percebe que o melhor para si e seu amado é deixar o destino seguir em frente.

Pablo Aluísio.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Paul McCartney - Venus and Mars

O álbum "Band on the Run" foi um dos maiores sucessos da carreira de Paul McCartney. Suceder a um disco tão bom, tanto do ponto de vista artístico como comercial, certamente não seria algo fácil. Assim chegou nas lojas o tão novo aguardado dos Wings, "Venus and Mars". Inicialmente parte da crítica torceu um pouco o nariz para o resultado final e eles tinham sua dose de razão. Embora com excelentes canções o disco soava apenas razoável. A mais simples verdade é que Paul não tinha nada muito além de um punhado de faixas soltas, algumas que tinham sido descartadas para o álbum anterior. Pois é, mesmo os gênios passam por esgotamentos de criatividade de tempos em tempos. Assim o ex-beatle resolveu entrar em estúdio para trabalhar melhor cada canção, escrevendo arranjos mais bem elaborados, unindo canções diversas em longos pout pourris. Depois voltou atrás, gravou faixas independentes e no meio de todo esse vai e vem o disco foi finalmente nascendo. As novidades não paravam por aí. Paul também trouxe mais dois novos integrantes ao Wings, o guitarrista Jimmy McCulloch e o baterista Geoff Britton. Também resolveu tomar uma decisão que surpreendeu a todos, escolhendo estúdios em New Orleans, nos Estados Unidos, para as gravações. Paul sempre havia gravado todos os seus discos anteriores em Londres. Essa mudança de rota era encarada por Paul como uma forma de aproveitar a excepcional musicalidade da cidade americana. O lugar escolhido foi o Wally Heider Studios, muito popular entre artistas de jazz.

Uma coisa é certa, essa proximidade com a música negra americana acabou gerando pelo menos um grande clássico absoluto no repertório de Paul, a maravilhosa "Listen to What the Man Said" que acabou se tornando o carro chefe do disco e o principal single de divulgação, que aliás estourou em todas as rádios americanas e europeias. Pena que fora ela nenhum outro som consegue se sobressair dentro da seleção. Como estava numa fase muito generosa, Paul abriu espaço no disco para duas composições de membros de sua banda. "Medicine Jar" de Jimmy McCulloch é um dos exemplos. Apesar de tantas novidades devo confessar que "Venus and Mars" nunca esteve entre os meus preferidos. Certamente é um disco excepcionalmente muito bem gravado, com ótimos arranjos (principalmente de guitarras, que estão em destaque e com presença forte e marcante em praticamente todas as faixas), mas a despeito de tudo isso não consegue marcar como outros trabalhos de Paul McCartney. As letras, de maneira em geral, também não são exuberantes. Ao que tudo indica Paul preferiu mesmo investir mais na instrumentalização, em belos arranjos, do que em mensagens edificantes. Assim "Venus and Mars" fica mesmo nesse meio-termo entre uma sonoridade bonita, mas nada fenomenal, e músicas bem escritas, mas fora de figurarem entre os grandes momentos do cantor e compositor.

Paul McCartney - Venus and Mars (1975)
Venus and Mars
Rock Show
Love In Song
You Gave Me The Answer
Magneto and Titanium Man
Letting Go
Venus and Mars Reprise
Spirits of Ancient Egypt
Medicine Jar
Call Me Back Again
Listen to What the Man Said
Treat Her Gently/Lonely Old People
Crossroads Theme

Pablo Aluísio.

The Beatles - Abbey Road Sessions

Há muitos anos que tenho o CD The Beatles Anthology 3, mas nunca tinha parado para ouvir com maior atenção. É praticamente um bootleg oficial do grupo. Como você bem sabe material desse tipo é muito comum em se tratando de Elvis Presley, por causa do selo FTD, mas no caso dos Beatles é bem mais raro e inacessível. Basicamente temos aqui versões cruas das sessões dos álbuns "White Album", "Let It Be" e "Abbey Road". Eu queria me concentrar de mais forma mais específica nas gravações desse último disco. "Abbey Road" é considerado uma verdadeira obra prima, o álbum final do grupo. Parece que todos eles já estavam conscientes que os Beatles iriam se separar e por essa razão capricharam bastante tanto em termos de composições como de gravação. Até mesmo as demos ou takes alternativos são extremamente ricos em termos musicais - poderiam inclusive entrar nos discos oficiais sem problemas.

Como sabemos Paul fez um grande trabalho ao colocar várias canções compondo um grande medley, um verdadeiro carrossel sonoro, no lado B do disco. Todas aquelas canções surgem no disco oficial como momentos breves, quase links entre uma música e outra. O grande legado desse Anthology 3 é justamente resgatar a individualidade dessas canções. O maior exemplo é "She Came in Through the Bathroom Window" que aqui surge na íntegra. No Abbey Road ele é uma das mais completas, mas nada que se compare com esse ensaio (praticamente perfeito) com Paul nos vocais e os demais Beatles mandando muito bem nos arranjos. É uma gravação saborosa que infelizmente nunca foi aproveitada totalmente na discografia dita oficial. No final ainda temos uma pequena canja com Paul e John trocando ideias sobre a harmonia da música. Para um fã dos Beatles é um presente e tanto.

"Mean Mr. Mustard" é outra que foi despedaçada no medley do disco. Aqui temos a oportunidade de ouvir John cantando a canção com uma levada mais blues, menos apressada do que conhecemos da versão oficial. Praticamente temos John fazendo contra voz a si mesmo, apenas ele e sua guitarra com efeitos sonoros mínimos de estúdio (até porque é uma demo caseira de Lennon). Teria muito potencial se tivesse sido mais individualizada. O interessante é que " Polythene Pam", por outro lado, parece já ter nascida e criada como uma musiquinha ligeira, rápido no gatilho, para fazer parte mesmo de um medley maior e mais complexo. Essa certamente ficou muito bem colocada no medley original pois com poucas notas e letra sucinta provavelmente não chamaria a atenção se não estivesse envolta numa nuvem sonora diversificada. Composta por John foi certamente uma das que inspiraram Paul ao tecer aquela colcha de retalhos sonora que é o B Side do Abbey Road.

Já os takes 2 e 8 de ”Octopus's Garden” deixa claro para o ouvinte que a música já estava pronta desde as primeiras tomadas. Uma das melhores interpretações de Ringo - que precisava de canções assim para dar certo como vocalista - a faixa é até hoje uma deliciosa brincadeira de trocadilhos vocais e sonoros. George Harrison também se destaca em seus econômicos, mas eficientes solos (aqui ele sola em praticamente toda a faixa). O mesmo não acontece com o take 5 de ”Maxwell's Silver Hammer”. Fica claro desde os primeiros acordes que Paul ainda não havia encontrado o ritmo certo para a canção. Ela está sem vida, quase parando, excessivamente melancólica (o que definitivamente não combinava com a proposta da música em si). A alegria tão característica da versão oficial também se mostra ausente. Era preciso melhor e muito - e Paul, gênio como sempre foi, a trabalhou no fim de semana, tudo resultando na ótima faixa do disco que até hoje impressiona pela criatividade e imaginação.

"Come Together" de John é um marco. Até hoje soa atual, como se tivesse sido gravada ontem. Nesse CD temos o primeiro take. John surge com um vocal visceral, completamente diferente da versão oficial. Seu estilo, quase desesperado, de mastigar as palavras chegou até mesmo a me lembrar da versão de "Twist and Shout" do "Please Please Me". Pena que depois na gravação definitiva John tenha deixado esse estilo de interpretação de lado. Acredito que a garganta dele não aguentou a puxada mais forte. Já em termos de arranjo achei maravilhosa a guitarra mais pesada de George nesse take. Cheia de personalidade, se destaca completamente dos demais instrumentos. Era algo que deveria ter sido levado para a versão oficial. E por fim chegamos em uma versão muito louca e alucinada de "The End" (que no disco original surge daquela forma tão singela). Aqui nada de timidez, as guitarras estão explodindo, extremamente fortes. Na versão original tudo foi amenizado. Com apenas um verso, "The End" é uma daquelas criações singelas que serviam para deixar claro como os Beatles realmente foram geniais em estúdio durante sua carreira.

Pablo Aluísio.

Mad Max (1979)

Título no Brasil: Mad Max
Título Original: Mad Max
Ano de Produção: 1979
País: Austrália
Estúdio: Roadshow Entertainment
Direção: George Miller
Roteiro: James McCausland, George Miller
Elenco: Mel Gibson, Joanne Samuel, Hugh Keays-Byrne

Sinopse:
A visão de um futuro apocalíptico passado nos desertos da Austrália. O mundo está dominado por perigosas gangues de bandidos e foras-da-lei de todos os tipos. Para colocar um pouco de lei e ordem na região surge nas estradas desoladas o ex-policial Max Rockatansky (Mel Gibson). Vestido de couro da cabeça aos pés ele está determinado a impor novamente segurança pelas rodovias agindo como um verdadeiro policial, juiz e carrasco ao mesmo tempo. Filme premiado no Avoriaz Fantastic Film Festival na categoria de Melhor Direção (George Miller).

Comentários:
Junte um diretor australiano ousado, poucos recursos, um ator desconhecido e a vastidão do deserto localizado bem no centro da Austrália e o que você terá? Sim, um dos mais cultuados filmes de ação e ficção da história do cinema. A ideia era usar a desolação daquela região inóspita para mostrar um mundo pós-apocalíptico, após a humanidade ser praticamente quase toda destruída por guerras sem fim (que nunca são devidamente explicadas no roteiro). Nas estradas que sobraram vagam o ex-policial Mad Max e uma verdadeira fauna de psicopatas malucos e bizarros que lutam pelos bens mais preciosos naquele planeta devastado: água e combustível. Claro que a falta de recursos da produção se mostra muito nítido logo nas primeiras cenas, mas isso fica em segundo plano em razão da criatividade de George Miller. Certamente o filme trouxe seu nome para o primeiro plano e ele logo estaria dirigindo filmes em Hollywood. O mesmo aconteceu com Mel Gibson que até aquele momento só tinha aparecido em filmes australianos desconhecidos e medíocres. Depois de Max ele também foi para os Estados Unidos e lá emplacou uma carreira de grande sucesso comercial. Sendo o primeiro da franquia, esse "Mad Max" dos anos 1970 pode também ser considerado o primeiro de uma linhagem, pois filmes passados em um mundo destruído e sem esperanças se tornariam cada vez mais comuns, virando um verdadeiro subgênero de ficção. Quem diria que o louco Max iria fazer escola...

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Um Senhor Estagiário

Aos 70 anos de idade, Ben (Robert De Niro) decide retornar ao mercado de trabalho. Viúvo e aposentado, ele não aguenta mais passar seus dias sem fazer nada, procurando algo para ocupar seu tempo. Assim acaba encontrando um anúncio de uma empresa de internet que está atrás de pessoas mais velhas para estagiar. Os tempos são outros e Ben, um trabalhador à moda antiga, com terno, gravata e pasta, descobre que as regras que valiam no seu tempo não existem mais. Os funcionários da empresa são jovens que se vestem de modo casual e sua nova chefe, Jules (Anne Hathaway), é uma mulher que tenta levar uma vida profissional e pessoal no meio de muitos problemas, tanto em casa como no trabalho. Quando tomei conhecimento desse novo filme de Robert De Niro pensei comigo mesmo: "Lá vem mais uma comédia sem graça com De Niro! O pior é que agora, pelo visto, vão fazer piadas grotescas com gente mais velha". Ou seja, tinha tudo para ser um desastre!

Eu me enganei. O filme é realmente bom e em nenhum momento transforma as pessoas mais velhas em piada ou algo do tipo. Na verdade é até uma boa crônica sobre as mudanças que o mercado de trabalho sofreu com o advento das empresas que se especializaram em vender produtos na internet. A tônica "homem mais velho trabalhando com jovens" nem é tão importante no final das contas. Provavelmente por ter sido dirigido e roteirizado por uma mulher o filme se mostra bem sensível sobre questões familiares e de relacionamento. A boa sensibilidade feminina acabou salvando o filme como um todo. Além disso Robert De Niro está bem mais contido. Em comédias ele tende a exagerar um pouco, ficando em controle remoto, fazendo uma paródia de si mesmo, repetindo os mesmos cacoetes e maneirismos. Aqui ele está até muito sóbrio, sem qualquer tipo de exagero cênico. A se lamentar apenas a falta de uma maior experiência por parte de Anne Hathaway ao contracenar com De Niro. Realmente falta muito chão para ela um dia chegar perto do talento de seu parceiro em cena. Mesmo assim, com esse desnível, o filme não deixa de agradar. É simpático e de certa forma até mesmo cativante. Em termos de comédia De Niro não fez nada tão bom nos últimos anos. Por isso vale a pena assistir.

Um Senhor Estagiário (The Intern, EUA, 2015) Direção: Nancy Meyers / Roteiro: Nancy Meyers / Elenco: Robert De Niro, Anne Hathaway, Rene Russo, Christina Scherer / Sinopse: Aos setenta anos de idade, aposentado e viúvo, Ben (De Niro) decide voltar para o mercado de trabalho. Acaba achando uma vaga como estagiário numa empresa que vende roupas pela internet. Seu novo trabalho mudará não apenas sua vida, mas também a dos seus colegas de empresa. Filme indicado aos prêmios Broadcast Film Critics Association Awards, Casting Society of America e Jupiter Award na categoria de Melhor Ator (Robert De Niro).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.