sábado, 31 de maio de 2014

Elvis Presley - Tickle Me

Do ponto de vista do produto é algo bem medíocre transformar uma coletânea de músicas aleatórias em uma trilha sonora, ainda mais em se tratando de Elvis Presley nos anos 1960 quando a única coisa relevante em sua carreira parecia se resumir nas canções inéditas de seus filmes, por piores que fossem. A pilantragem que parecia comandar as carreira do astro por essa época porém parecia não ter limites. Assim ao invés de gastar na gravação de uma nova trilha para o filme B (ou seria Z?) "Tickle Me" resolveu-se simplesmente aproveitar velhas gravações que já tinham sido lançadas muitos anos antes. Para Parker isso era uma maravilha pois nenhum tostão seria gasto e sua filosofia de "vender duas vezes a mesma coisa" voltava com tudo na carreira do cambaleado Elvis Presley.

Foram atitudes como essa que foram minando Elvis ao longo dos anos 60. Ele deixou de ser um artista relevante, um cantor respeitado, um produtor de sucessos, para virar um boneco na mão de pessoas que queriam lucrar muito com sua fama. O fãs? Um mero detalhe para gente como Tom Parker. O Coronel costumava dizer que "qualquer coisa que tenha o nome Elvis vende", ou seja, indiretamente chamou todos os fãs do cantor de bobocas pois afinal de contas eles comprariam qualquer coisa, mesmo que fossem figurinhas repetidas. Para Parker o fã de Elvis era um presente, uma pessoa que se poderia tapear por anos a fio.

Assim chegou ao mercado esse EP. Supostamente trazia a "nova" trilha sonora do novo filme de Elvis Presley. A trilha porém de nova não tinha nada, era uma colcha de retalhos barata e o filme... bom, todo já sabe, "Tickle Me" era aquele tipo de produção que não iria trazer nada para a carreira dele, nem do ponto de vista da indústria fonográfica e nem muito menos em relação ao cinema em si. Por falar em Hollywood o pior para Elvis aconteceu justamente por esses tempos. Os produtores dos estúdios entenderam que o nicho "filmes trash" era uma boa opção para comercializar os filmes do cantor. Afinal de contas se até o empresário dele dizia que qualquer coisa com Elvis vendia, para que iriam se esforçar em produzir algo bom? A ideia era colocar Presley para cantar uma meia dúzia de canções, em roteiros bobocas, atrizes de segunda categoria e orçamentos mínimos. Coisas como figurinos, cenários, etc, poderiam ser aproveitados de outros filmes. Quem iria ligar?

O filme inclusive foi programado para fazer sessão dupla com outros filmes trashs da época, produções obtusas com monstros de borracha e cidades de papelão sendo destruídas. Que pena, imaginar que Elvis havia sido comparado nos anos 50 com James Dean e agora amargar um destino desses...

Não adianta muito comentar sobre cada canção em si pois eram pratos requentados. Algumas são excelentes músicas, pinceladas de álbuns clássicos como "Something For Everybody" e "Elvis is Back!" e até bonus songs de outras trilhas sonoras cujos direitos autorais eram baratinhos e que Parker resolveu enfiar aqui. Um descalabro com os admiradores de Presley. As cenas em que Elvis as apresentou no filme também passavam longe de serem relevantes. Novamente o astro aparecia com cara de entediado, sem muita empolgação, de vez em quando dando seu sorrisinho torto para disfarçar o clima de constrangimento geral. Ele nem mais se importava em fingir melhor que estava tocando seu violão e quando o fazia a coisa era desastrosa - muitas vezes o violão surgia em cena com som de guitarra elétrica!!! E lá ia o ex- Rei do Rock fugindo de sujeitos mal encarados usando máscaras de lobisomens, dessas que você encontra em qualquer parque de diversões por alguns trocados.

Agora interessante chamar a atenção para o fato de que esse compacto duplo foi um tremendo fracasso de vendas. Não vendeu nada. Na Inglaterra nem chegou a ser classificado, tamanho o fracasso comercial. Nos Estados Unidos só conseguiu chegar no máximo ao lugar de número 70 na classificação geral dos mais vendidos. Até discos com piadas sujas vendiam mais do que isso. Bandas de garagem com canções escrachadas conseguiam vender mais do que Elvis por essa época, provando que Parker estava bem equivocado ao dizer que os fãs de Elvis eram idiotas e compravam qualquer coisa - não compravam, isso é o que esses números provam! Ser fã de Elvis por essa época deve ter sido horrível... ter que engolir tanta mediocridade em nome de uma paixão, não é coisa para os fracos, definitivamente.

Tickle Me (1965)
I Feel That I've Know You Forever
Slowly But Surely
Night Rider
Put Blame On Me
Dirty, Dirty Feeling

Elvis Presley - Tickle Me (1965) - Elvis Presley (vocais) / The Jordanaires, Millie Kirkham (backing vocals) / Boots Randolph (sax) / Scotty Moore, Hank Garland, Harold Bradley, Grady Martin, Jerry Kennedy (guitarras) / Floyd Cramer (piano) / Bob Moore (baixo) / D. J. Fontana, Buddy Harman (bateria) / Data de Lançamento: junho de 1965.

Pablo Aluísio.

O Escafandro e a Borboleta

Título no Brasil: O Escafandro e a Borboleta
Título Original: Le Scaphandre et le Papillon
Ano de Produção: 2007
País: Estados Unidos, França
Estúdio: Pathé Renn Productions, France 3 Cinéma
Direção: Julian Schnabel
Roteiro: Ronald Harwood, Jean-Dominique Bauby
Elenco: Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Marie-Josée Croze

Sinopse:
Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric) está no auge da sua carreira profissional. Bem sucedido, rico, no topo de sua profissão (ele é editor da revista Elle, uma das mais importantes do mundo da moda) tudo acaba mudando tragicamente quando sofre um derrame cerebral enquanto dirige seu carro. A partir daí ele perderá todos os movimentos de seu corpo, sendo que a única parte de seu organismo que ainda responde aos seus comandos é seu olho esquerdo. Ele então usa isso para se comunicar com as pessoas ao redor e acaba dando asas à sua imaginação e mente. Filme baseado em fatos reais. Filme indicado a quatro Oscars. Vencedor do Globo de Ouro na categoria Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Direção (Julian Schnabel). Premiado no BAFTA Awards na categoria Melhor Roteiro Adaptado. Vencedor na categoria Melhor Direção no Cannes Film Festival.

Comentários:
Um drama que deixa marcas no espectador. Mesmo após passar um certo tempo você ainda vai se lembrar dessa história que foi baseada em fatos reais. Mostra, entre outras coisas, que todos temos que agradecer por nossa saúde e nossa vida. Depois de assistir a esse filme certamente você não será mais o mesmo e vai parar de reclamar tanto de sua vida. O ditado popular "Saúde e Paz, o resto a gente corre atrás" nunca fará tanto sentido para você depois de conferir essa película. Antes de tudo o que temos aqui é uma bela lição de vida, uma amostra de como nossa vida pode ser frágil e mudar em questão de segundos. Agora o mais louvável na forma como essa história é contada é a extrema sensibilidade que tudo é mostrado ao espectador. O personagem principal é um sujeito bem sucedido (financeiramente), que tem um carrão esporte último tipo, tão auto suficiente que não se importa muito com sua própria humanidade. Após sofrer o derrame tudo muda e ele se torna um ser humano bem melhor, mais consciente do que é realmente importante. Em suma, um filme que fará você se emocionar, chorar e refletir sobre sua própria vida - e isso é o mais importante que a sétima arte pode fazer por qualquer pessoa. Sem dúvida um belo filme para assistir e nunca mais esquecer.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Cavaleiro Romântico

Título no Brasil: Cavaleiro Romântico
Título Original: Tickle Me
Ano de Produção: 1965
País: Estados Unidos
Estúdio: Allied Artists Pictures
Direção: Norman Taurog
Roteiro: Elwood Ullman, Edward Bernds
Elenco: Elvis Presley, Julie Adams, Jocelyn Lane

Sinopse:
Lonnie Beale (Elvis Presley) é um cowboy errante que chega numa cidadezinha do Arizona. Ele pretende se encontrar com um amigo que irá lhe arranjar um emprego mas esse some do mapa, o deixando a ver navios. Em busca de um trabalho que lhe garanta o sustento até o começo da temporada de rodeios, ele aceita ir trabalhar em um rancho só para moças - o círculo Z - onde garotas bonitas vão para perder peso e ficarem mais charmosas. Entre uma música e outra ele acaba se apaixonando pela professora de ginástica, Pam Meritt (Jocelyn Lane), que esconde um segredo valioso - pois seu avô deixara uma fortuna para ela escondida numa velha cidade fantasma do oeste americano.

Comentários:
Bom, se tem alguma coisa boa a se dizer desse filme é que ele em momento algum chega a se levar a sério. De fato é uma comédia realmente escrachada onde Elvis até mesmo mostra jeito para o gênero. Ao seu lado está Jack Mullaney, um ator que faz o tipo Jerry Lewis - por falar nisso a terça parte final de "Tickle Me" mais parece um episódio do desenho animado Scooby-Doo, com suas tramas de fantasmas que no fundo se revelam apenas ladrões comuns em busca do tesouro! A mocinha Pam, interpretada pela atriz Jocelyn Lane, é só mais uma caricatura, uma professorinha de ginástica que sonha encontrar o tesouro deixado por seu avô numa velha cidade abandonada do velho oeste. Na verdade como se pode perceber "Tickle Me" não é a oitava maravilha do mundo, longe disso, no fundo é uma jogada de Tom Parker para ganhar muito dinheiro de forma fácil e rápida. Perceba que os gastos foram contidos ao máximo, chegando-se ao ponto até mesmo de se dispensar a gravação de uma trilha sonora própria. Também pudera, o filme foi produzido pelo pequeno estúdio Allied Artists Pictures que vivia à beira da falência e estava também mais interessado em lucrar com a presença de Elvis do que em produzir um filme bom. O resultado disso se vê na tela - um filme barato, com poucos cenários mas que soube faturar bem nas bilheterias porque foi lançado em cinemas do interior, drive-ins e cinemas poeira, onde ficou por muito tempo em cartaz. Para surpresa de muitos "Tickle Me" foi uma das maiores bilheterias de Elvis justamente por essas razões. Se comercialmente foi bem sucedido o mesmo não se pode dizer de suas qualidades meramente cinematográficas já que de fato é um filme B, levemente gaiato, que tenta fazer graça com um roteiro bem caricato e derivativo. Cheios de mocinhas em trajes sumários - que caem de amores por Elvis sem que ele precise fazer o menor esforço - e com roteiro mínimo e apelativo até dizer chega! "Cavaleiro Romântico" é aquele tipo de filme complicado de se defender porque afinal de contas é de fato uma porcaria. E pensar que Norman Taurog teve ótimos momentos ao lado de Elvis no cinema alguns anos antes. Vale por Elvis, pelas boas músicas retiradas de bons álbuns de sua carreira e por uma ou outra risada das cenas de comédia pastelão sem noção e nada mais além disso. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Os Infiltrados

Título no Brasil: Os Infiltrados
Título Original: The Departed
Ano de Produção: 2006
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: William Monahan, Alan Mak
Elenco: Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Mark Wahlberg, Martin Sheen, Vera Farmiga, Alec Baldwin

Sinopse:
Na violenta Boston há uma guerra surda entre o departamento de polícia local e os membros de uma gangue de traficantes de drogas de origem irlandesa! Para descobrir o que se passa no mundo do crime os policiais infiltram um de seus homens entre os criminosos. Curiosamente ao mesmo tempo a gangue também resolve implantar um de seus homens dentre os tiras. Está formada a guerra de informações. Filme vencedor do Oscar de Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Edição e Direção. Filme vencedor do Globo de Ouro na categoria Melhor Direção.

Comentários:
É um dos filmes que menos gosto de Martin Scorsese. Olhando para produções como esse noto um certo desvirtuamento no estilo do cineasta. Ao longo dos anos ele foi ficando cada vez mais intenso, para não dizer exagerado. Nesse processo perdeu grande parte de sua classe. O elenco é fenomenal, com destaque para a presença de Jack Nicholson, mas no geral o filme não conseguiu funcionar plenamente, pelo menos em minha forma de ver. Há um uso excessivo de cenas violentas e algumas de extremo mau gosto que me fazem questionar o que estaria se passando na cabeça do velho Scorsese. Claro que nada disso fará grande diferença pois "The Departed" foi sucesso de crítica e público. É mais um fruto da parceria do diretor com o ator Leonardo DiCaprio que, coitado, segue sua sina de ir atrás do Oscar de todas as formas sem conseguir nada. Nesse aqui as coisas foram ainda piores, o agente de Leo fez grande promoção para o ator na Academia - o que de fato era merecido pois ele está bem no filme - mas ele sequer conseguiu ser indicado! Até o velho Jack foi esquecido - provavelmente por causa da pouca participação de seu personagem na trama em geral. Ao invés disso os membros da Academia resolveram premiar o medíocre Mark Wahlberg com uma indicação de Melhor Ator Coadjuvante. Sinceramente? Sua indicação me pareceu ser uma piadinha de humor negro dos membros votantes do Oscar...

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Allan Quatermain e a Cidade do Ouro Perdido

Título no Brasil: Allan Quatermain e a Cidade do Ouro Perdido
Título Original: Allan Quatermain and the Lost City of Gold
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Cannon Group
Direção: Gary Nelson
Roteiro: H. Rider Haggard, Gene Quintano
Elenco: Richard Chamberlain, Sharon Stone, James Earl Jones

Sinopse:
Robeson Quatermain (Martin Rabbett) desaparece misteriosamente durante uma expedição na África, onde se encontrava para encontrar uma tribo selvagem e desconhecida do homem branco e da civilização moderna. Para encontrar seu irmão desaparecido o aventureiro Allan Quatermain (Richard Chamberlain) e sua amiga Jesse Huston (Sharon Stone) partem em busca de pistas de seu paradeiro, uma atitude que deixará o tirano sanguinário Agon (Henry Silva) furioso!

Comentários:
Esse é para matar as saudades dos nostálgicos dos anos 80. Se trata da continuação de "As Minas do Rei Salomão" com o mesmo Richard Chamberlain interpretando o aventureiro Allan Quatermain. O filme é, em essência, uma imitação mais barata dos filmes de Indiana Jones, o que não deixa de ser muito curioso pois o personagem Allan Quatermain nasceu na literatura muitos anos antes de Jones! Assim vejam a ironia do destino, os produtores colocaram o famoso Quatermain imitando o herói do cinema Indiana Jones que, em última análise, já imitava muitos conceitos do aventureiro original em seus livros! Bem confuso não é mesmo? O grande destaque no elenco vai para a bela Sharon Stone! Nessa época, é bom salientar, ela ainda não era a estrela que todos viriam a conhecer mas sim "uma loira bonita que precisava pagar seu aluguel" como a própria se auto definiu quando relembrou esse filme numa entrevista recente. Tadinha, acabou recebendo uma indicação ao Framboesa de Ouro na categoria de Pior Atriz por seu trabalho aqui! Piadas à parte deixe isso de lado. Se você já conhece o estilo da produtora Cannon sabe bem o que irá encontrar. Diversão pipoca bem ao estilo anos 80.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Thor - O Mundo Sombrio

Título no Brasil: Thor - O Mundo Sombrio
Título Original: Thor - The Dark World
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Marvel Studios
Direção: Alan Taylor
Roteiro: Christopher Yost, Christopher Markus
Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Anthony Hopkins, Tom Hiddleston, Stellan Skarsgård, Christopher Eccleston 

Sinopse:
Após os eventos do primeiro filme, Thor (Chris Hemsworth) precisa trazer novamente paz para os nove reinos. Seu irmão Loki (Tom Hiddleston) vai para a prisão e Odin (Anthony Hopkins) decide que fará de Thor o seu próximo Rei. O que todos não percebem é que a agora pacificada Askart está prestes a ser invadida por poderosas forças do mal, entidades milenares que desejam levar todo o universo de volta para a era das sombras.

Comentários:
E a Marvel segue sua trilha de grandes sucessos de bilheteria. Agora é a vez da sequência do personagem Thor, uma adaptação da velha mitologia viking para os dias de hoje pelas mãos do talentoso Stan Lee. Certamente é um tipo de filme que exige uma produção mais requintada do que a dos demais personagens Marvel, isso em razão do fato de Thor viver a maior parte do tempo em seu próprio universo, Askart, e isso significar obviamente ter uma direção de arte própria, com figurinos luxuosos e tudo mais. Assim como aconteceu com a sequência do Capitão América, essa segunda aventura de Thor se mostrou mais bem realizada e com roteiro muito mais redondinho do que o primeiro filme da franquia. Os atores do  filme original retornaram e a trama flui com mais naturalidade. Além disso, como convém a todo bom filme de super-herói, esse aqui conta com vilões bem interessantes, bacanas mesmo, entre eles o tal de Malekith (Christopher Eccleston), que deseja levar o universo de volta às sombras eternas. Chris Hemsworth continua o mesmo bombadão de sempre, um ator não muito expressivo, mas que pelo menos não compromete. Já Natalie Portman não me convenceu muito. Surge abatida, envelhecida (e o problema não é do seu personagem). Parece que a Portman é daquelas mulheres que não se dão muito bem com a maternidade, perdendo um pouco de sua beleza estética após terem filhos. Isso até seria normal, pena que ela própria não parece lá muito empolgada pelo material. Provavelmente retornou ao seu papel apenas por causa do cachê milionário, até porque convenhamos esse tipo de personagem não deve significar muito para ela, principalmente depois de se consagrar em cena no filme "Cisne Negro". Mas isso é de menor importância pois no final "Thor - The Dark World" cumpre aquilo que prometeu, diversão escapista para fãs de personagens em quadrinhos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Recém-Chegada

Título no Brasil: Recém-Chegada
Título Original: New in Town
Ano de Produção: 2009
País: Estados Unidos
Estúdio: Lionsgate
Direção: Jonas Elmer
Roteiro: Ken Rance, C. Jay Cox
Elenco: Renée Zellweger, Harry Connick Jr., Siobhan Fallon

Sinopse:
Lucy Hill (Renée Zellweger) é uma executiva de Miami que é enviada para uma distante fábrica de alimentos na fria Minnesota para demitir funcionários e melhorar a eficiência e o lucro da empresa por lá. Uma vez na cidade ela acaba se envolvendo emocionalmente com os empregados, inclusive começando a ter um caso amoroso com um viúvo da região e isso acaba tornando seu trabalho muito mais complicado. 

Comentários:
O marketing desse filme foi bastante equivocado. Ele foi vendido como uma espécie de comédia romântica estrelada pela texana Renée Zellweger, mas na verdade está mais para drama romântico. Certamente há pequenos momentos de humor - como na caçada aos patos onde a personagem de Renée Zellweger passa por alguns apuros - mas essas cenas não são o centro e o foco do filme. De certa maneira o roteiro lida com uma situação que iria se tornar muito comum dentro da economia americana, o fechamento de empresas e o desemprego em massa que isso causaria, arruinando as economias de pequenas cidades do interior. Com a crise muitas dessas localidades se viram sem a principal fonte de renda e empregos, transformando tudo em um desastre social. A executiva interpretada por Zellweger acaba tentando salvar o trabalho daquela gente mas isso obviamente lhe traz muitos problemas com seus superiores. Um filme relativamente bom, valorizado pelo tema interessante e até pela boas atuações (até o cantor Harry Connick Jr se sai bem). Se não chega a se tornar memorável, pelo menos mostra que tem alma e coração.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Contatos Imediatos do Terceiro Grau

Título no Brasil: Contatos Imediatos do Terceiro Grau
Título Original: Close Encounters of the Third Kind
Ano de Produção: 1977
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures      
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Steven Spielberg
Elenco: Richard Dreyfuss, François Truffaut, Teri Garr

Sinopse:
Roy Neary (Richard Dreyfuss) é um pacato homem comum que se vê imerso numa situação extraordinária. Ele acaba criando uma obsessão por seres de outro planeta, algo que vai minando sua vida pessoal e familiar. Mas Roy pensa estar indo pelo caminho certo. Sua busca o levará a uma situação jamais imaginada. Filme indicado a nove prêmios da Academia, inclusive Melhor Direção, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Direção de Arte. Vencedor do Oscar de Melhor Fotografia (Vilmos Zsigmond). Vencedor do prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films na categoria Melhor Direção (Steven Spielberg) e Melhor Trilha Sonora (John Williams).

Comentários:
Um dos mais marcantes filmes da carreira de Steven Spielberg. O interessante é que tudo nasceu de um roteiro que ele havia escrito há muitos anos mas que não conseguia financiamento pois era um enredo de ficção que exigia um orçamento bastante generoso. O sucesso de seu filme anterior, o blockbuster "Tubarão", acabou lhe abrindo as portas para tocar em frente essa produção. Em certo sentido o enredo é uma homenagem ao filme "O Dia em que a Terra Parou" pois Spielberg sempre havia achado genial a forma como os extraterrestres tinham sido enfocados nesse clássico Sci-fi. Ao invés de monstros invasores, sedentos para dominar o planeta, eles eram retratados como fazendo parte de uma civilização superior que procurava entrar em contato com a humanidade para criar uma aliança de cooperação e fraternidade. O roteiro de "Close Encounters of the Third Kind" segue pelo mesmo caminho. Outro ponto muito positivo é que Spielberg não banaliza o encontro com os seres de outros planetas. Ele, ao contrário disso, cria todo um clima de suspense e ansiedade até o clímax que até hoje é lembrado. Na época Spielberg queria o que havia de melhor para a cena final e conseguiu, pois mesmo tendo se passado tantos anos a sequência ainda hoje impressiona pela qualidade técnica de seus ótimos efeitos especiais. Some-se a isso a brilhante trilha incidenal de John Williams. Um clássico moderno, sem a menor sombra de dúvida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Jurada

Título no Brasil: A Jurada
Título Original: The Juror
Ano de Produção: 1996
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Brian Gibson
Roteiro: George Dawes Green, Ted Tally
Elenco: Demi Moore, Alec Baldwin, Joseph Gordon-Levitt

Sinopse:
O infame chefão mafioso Louie Boffano (Tony Lo Bianco) é levado a julgamento por causa de um duplo homicidio envolvendo guerra de grupos criminosos rivais. A jovem Annie Laird (Demi Moore), uma artista plástica acaba sendo sorteada para ser uma das juradas no tribunal do júri. Uma situação perigosa e delicada, algo que ela logo entenderá pois o chefão manda um de seus comparsas, conhecido como "O Professor" (Alec Baldwin) para fazê-la "mudar de ideia" durante o veredito.

Comentários:
Um bom filme de tribunal, contando com bom elenco e roteiro acima de média. Foi uma tentativa da estrelinha Demi Moore em estrelar filmes com mais conteúdo e importância. Infelizmente nem todos viram com bons olhos essa mudança. A imprensa ficou particularmente azeda em presenciar Demi tentando mudar os rumos de sua carreira ao participar de um drama de tribunal. Isso acabou lhe valendo o Framboesa de Ouro de pior atriz naquele ano, o que achei excessivo e fora de propósito. No geral o filme é bom e mostra a fragilidade do tribunal de júri pois infelizmente os jurados sempre se tornam alvos de criminosos ricos e poderosos. Outro destaque do filme é a atuação de Alec Baldwin, ainda em sua fase almofadinha, bem longe da linha de astro de comédias televisivas que ele segue hoje em dia. Emfim, temos aqui um filme que foi injustamente criticado em seu lançamento, uma produção que vale certamente passar por uma revisão. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Elvis Presley - Os Anos Finais - Parte 5

Tirando o aspecto econômico e financeiro (que já estava garantido) o show tinha tudo para se transformar em um desastre! Quando os primeiros acordes de Also Sprach Zarathustra soaram no enorme estádio, Elvis rapidamente tomou a direção do centro do palco. Quando chegou lá e olhou em volta balbuciou antes de começar a cantar: “Onde estão a porra dos meus músicos?” Ele parecia totalmente confuso. Cadê os cantores de apoio? Onde está a banda? Quando Elvis olhou para baixo finalmente os viu, eles estavam em um nível abaixo dele!!! Elvis estava totalmente desnorteado e surpreso! Ninguém havia tido a ele que seu show seria realizado assim. Elvis iria ficar completamente sozinho durante todo o concerto, uma situação completamente nova e surreal em toda a sua carreira. Por que não o avisaram que ele teria que cantar praticamente só?

Com 80.000 pessoas pela frente Elvis teve que levar o show à frente, mas estava visivelmente irritado e completamente irado com todos. Mas o pior ainda estava por vir. No meio do espetáculo, ao se abaixar para fazer uma típica pose de “Elvis”, sua calça rasgou na altura da virilha! Imagine a situação. Como estava muito gordo e a roupa muito apertada, quando ele resolveu se mexer além do normal a coisa desandou e Elvis ficou com as calças rasgadas na frente de uma multidão. Como tinha muita experiência de palco, procurou se posicionar de uma forma que o rasgão não aparecesse tanto. Conseguiu. No final da música ele simplesmente se mandou do palco para os bastidores. Quando James Burton olhou para o palco, tomou um susto daqueles! Cadê o cara!? Aonde Elvis se meteu!? Sem saber direito o que fazer a TCB Band começou a tocar qualquer coisa para disfarçar (se bem que disfarçar o sumiço da atração principal do palco não era a coisa mais fácil do mundo, ainda mais em um estádio lotado).

Nos bastidores a confusão era maior ainda! Elvis entrou esbravejando nos bastidores, gritando com todos, tremendamente nervoso e irritado. Enquanto as assistentes de palco corriam de um lado para outro atrás de novas roupas, Elvis ficava literalmente com as calças na mão, esperando que lhe trouxesse logo uma nova jumpsuit para ele então retornar ao concerto! Os caras da máfia logo ficaram ao redor do irritado superstar que não parava de gritar; “Entrei no palco e fiquei completamente perdido sem saber aonde estavam a porra dos meus músicos! Seus merdas!” - tão nervoso estava que ficou com o rosto completamente congestionado de sangue, com as veias saltando de seu pescoço. Charlie Hodge que entrou atrás dele quando ele deixou o palco, se lembra do estado emocional alterado de Elvis: “Rapaz, o homem estava quente, ele teria matado um se tivesse tido a oportunidade!” Logo suas assistentes entraram no camarim - Elvis vestiu a primeira roupa que não lhe serviu, trouxeram uma segunda, novamente Elvis não conseguiu entrar nela, nesse ínterim o Coronel começou a perceber que estava literalmente enfartando com tanta confusão!!! Na quarta tentativa finalmente Elvis achou uma roupa que lhe coubesse! Estava ainda um tanto desconfortável - mas em vista da hora tinha que ser aquela mesmo!

A roupa que Elvis vestira naquele momento não era adequada para o frio que estava fazendo no palco, que era ao ar livre. Elvis sentiu isso logo ao subir nele, mas era tarde, ele se desculpou e resolveu dar prosseguimento ao show de qualquer jeito. O importante agora era chegar vivo à meia noite, cantar a valsa da despedida e dar no pé. Jerry Wilkinson lembra da meia hora final do concerto: “Elvis estava encolhido, gelando no palco! Os músicos que tocavam trompete logo racharam seus lábios por causa da temperatura, nossas guitarras não mantinham a afinação por causa do frio polar que fazia, ninguém estava alegre de estar lá. Na verdade estávamos rezando para chegar logo meia noite e irmos embora!” Quando o show finalmente chegou ao fim, Elvis entrou nos bastidores mais nervoso do que estava quando teve que trocar as calças. Culpou e amaldiçoou todos que estavam ali. Seus gritos podiam ser ouvidos a distância! Linda Thompson logo tentou contornar a situação, falando que isso era normal, que todo artista um dia já passou por isso e tal.

Finalmente o Dr Nick foi chamado e receitou alguns calmantes para Elvis, que aos poucos foi se acalmando. Depois Linda trouxe seu lanche preferido e Elvis fez uma pequena refeição antes de deixar o estádio pelo portão dos fundos. “Este foi o pior show da minha vida, juro por Deus, nunca vi coisa igual, tudo o que tinha que dar errado, deu! Não sei como cheguei ao final vivo” Confessou Elvis para sua namorada. Alguns dias depois o resultado financeiro do espetáculo foi divulgado pela famosa revista de entretenimento Variety: Elvis havia quebrado naquela noite o recorde de público pagante que pertencia aos Beatles no Shea Stadium em 1964. No total mais de 82.000 pessoas haviam assistido o conturbado show de reveillon de Elvis Presley. Sozinho ele conseguiu embolsar quase um milhão de dólares por pouco mais de uma hora de apresentação (incluindo a saída para vestir novas calças!) Agora Elvis poderia pagar todas as suas dívidas e partir para mais um ano. Não seria dessa vez que seus credores iriam pegá-lo de calças curtas!

Erick Steve

Sabrina

Título no Brasil: Sabrina
Título Original: Sabrina
Ano de Produção: 1995
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Sydney Pollack
Roteiro: Samuel A. Taylor
Elenco: Harrison Ford, Julia Ormond, Greg Kinnear

Sinopse:
Sabrina Fairchild (Julia Ormond) é uma jovem que há anos mora na rica propriedade da família Larrabee. Ela nunca chamou muita atenção em sua adolescência. Depois que retorna de uma longa viagem acaba surpreendendo a todos, por ter se transformado numa mulher elegante, bonita e sofisticada. Sua presença logo chama a atenção dos irmãos Larrabee, de David (Greg Kinnear), um playboy inconsequente e de Linus (Ford), o responsável irmão mais velho que toca os negócios da família em frente. Quem conquistará o coração da bela Sabrina?

Comentários:
Remake do clássico de Billy Wilder que contava com um elenco excepcional formado por Humphrey Bogart, Audrey Hepburn e William Holden. E aqui, o que temos? Uma pálida sombra do filme original. Para começar não haveria mais como repetir o charme da produção de 1954, nem reviver a época de ouro em que se passa o enredo do primeiro filme. Essa tentativa de modernizar aquela estória de amor soa completamente desnecessária, forçada, pouco convincente. Além disso temos que chamar a atenção para o óbvio, pois Julia Ormond nunca chegará aos pés de Audrey Hepburn e nem Harrison Ford tem o estilo cool de Humphrey Bogart. De Greg Kinnear então nem se fala. Alguém ousaria comparar ele com William Holden? Sydney Pollack é um excelente cineasta, nisso não restam dúvidas, porém esse tipo de roteiro exige uma certa ironia e classe que ele não tem e que sobrava em Billy Wilder. Assim o que fica de bom mesmo é apenas a produção, realmente classe A, a trilha sonora (o filme foi indicado ao Oscar por melhor canção original) e a nostalgia do filme original. Todo o resto só prova que remakes, de uma forma em geral, são mesmo pura perda de tempo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Psicose II (1983)

Título no Brasil: Psicose II
Título Original: Psycho II
Ano de Produção: 1983
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Richard Franklin
Roteiro: Tom Holland, Robert Bloch
Elenco: Anthony Perkins, Vera Miles, Meg Tilly

Sinopse:
Depois de ficar duas décadas numa instituição para doentes mentais violentos, Norman Bates (Anthony Perkins) finalmente ganha a liberdade. De volta às ruas ele retorna imediatamente para o Bates Motel, agora um lugar praticamente abandonado. Sua casa está praticamente em ruínas e os quartos do motel viraram ponto de venda de drogas e prostituição. Procurando por algum dinheiro para levantar novamente seu estabelecimento, Norman decide arranjar emprego em uma lanchonete. Após conhecer a garçonete Mary Loomis (Meg Tilly) ele começa a sentir que talvez seus fantasmas do passado não tenham ido embora como todos pensavam.

Comentários:
A continuação do famoso clássico de Alfred Hitchcock até que não decepciona. Claro que na época muitos reclamaram, afinal levar adiante uma história que parecia fechada soava como oportunismo barato. A questão é que nos anos 80 as sequências estavam na moda e os estúdios não deixariam passar a chance de faturar com um nome comercial tão forte como o de "Psicose". Anthony Perkins retornou para o papel que tanto o consagrou e isso foi o que de melhor poderia ter acontecido com essa produção. O roteiro não é tão violento como muitos esperavam e toma certas liberdades com o enredo original, dando explicações diferentes ou alternativas para o que acompanhamos no clássico de Hitchcock. Em uma década de filmes excessivamente violentos o novo Psicose também procurou ser mais sutil, sem utilizar dos banhos de sangue como o público da época estava acostumado. Longe de ser um "Sexta-Feira 13" da vida, "Psicose II" apostava mais na inteligência do espectador. O resultado é muito interessante, que se não chega aos pés do filme original pelo menos passa longe de decepcionar a quem estava curioso em ver como tudo se desenrolaria. Vale a pena ser conhecido certamente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Identidade Bourne (2002)

Título no Brasil: A Identidade Bourne
Título Original: The Bourne Identity
Ano de Produção: 2002
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Doug Liman
Roteiro: Tony Gilroy, W. Blake Herron
Elenco: Matt Damon, Franka Potente, Chris Cooper

Sinopse:
Jason Bourne (Matt Damon) acorda de repente no meio do nada, sem memória e sem saber direito quem é. Em posse de um código, que parece ser um número relativo a uma conta bancária na Suíça, ele cruza a Europa e os Estados Unidos em busca de respostas. Como todos já sabemos Bourne é um agente especial de um programa ultra-secreto do governo americano que treina apenas a elite da elite, que tentará agora recuperar sua memória para entender melhor o jogo mortal no qual está inserido.

Comentários:
Primeiro filme da franquia Bourne. Foi obviamente uma tentativa de Hollywood em revitalizar os saturados filmes de espionagem do passado. Baseado em uma série de livros de sucesso o resultado se mostra muito bom, acima da média. Inicialmente havia certas dúvidas se Matt Damon tinha cacife suficiente para levar algo dessa magnitude em frente, afinal de contas com aquela cara de garoto seria meio complicado convencer o público de que ele era na realidade um super agente da CIA com treinamento especial e de elite. Para surpresa de muita gente porém o filme acabou dando muito certo, fazendo bonito nas bilheterias e abrindo espaço para mais dois filmes com o mesmo Damon e outro mais recente, que se tornou uma nova tentativa do estúdio em recomeçar tudo praticamente do zero, dando origem a uma segunda franquia com o universo do agente Bourne. Muito movimentado, com ótimas cenas de ação, o filme de fato cumpre aquilo que promete. Uma diversão que não decepcionará os fãs de action movies.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Milagre em Sta. Anna

Título no Brasil: Milagre em Sta. Anna
Título Original: Miracle at St. Anna
Ano de Produção: 2008
País: Estados Unidos
Estúdio: Walt Disney Studios
Direção: Spike Lee
Roteiro: James McBride
Elenco: Derek Luke, Michael Ealy, Laz Alonso

Sinopse:
Durante a Segunda Guerra Mundial um grupo de soldados americanos negros precisam sobreviver a um mortal cerco de tropas nazistas na ocupação da Itália. Lá descobrem a fragilidade dos civis no meio do fogo cruzado e procuram ajudar eles a sobreviverem ao terrível front. Filme baseado em fatos reais. Filme indicado a seis prêmios no Black Reel Awards.

Comentários:
Um dos mais diferenciados filmes assinados por Spike Lee. Aqui ele deixa sua Nova Iorque para ir até a Europa em plena Segunda Guerra Mundial. O cineasta quis mostrar o trabalho desenvolvido por um pelotão de soldados americanos negros no conflito e o marcante evento que ocorreu com eles durante aquela luta do outro lado do mundo. O interessante é salientar que embora estivessem lutando contra a ideologia racista da Alemanha Nazista, muitos militares americanos tinham uma mentalidade também racista, principalmente em relação aos negros. Alguns oficiais de alta patente acreditavam que os negros não eram bons combatentes e por isso eram designados para funções subalternas, como carregamento de equipamentos e mantimentos ou como auxiliares de cozinha e coisas do tipo. Outro fato histórico curioso também digno de se citar é que essa mentalidade não sobreviveria a guerras que aconteceriam depois, como a Guerra do Vietnã, onde a maioria dos soldados americanos eram negros! Assim Spike Lee usa o filme como instrumento de combate contra essa mentalidade obtusa. Felizmente não parece tão obcecado com a questão racial como em outros filmes seus. Aqui ele se contém e mantém um bom nível, se limitando muitas vezes a contar uma boa história. Certamente vale a pena conhecer esse retrato pouco conhecido da II Guerra Mundial.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - FTD Harum Scarum

Então chegamos em mais um título desse selo FTD (Follow That Dream). Como já disse várias vezes a trilha sonora dessa projeto é imensamente superior às qualidades cinematográficas do filme, que verdadeiramente é um horror (no sentido ruim da palavra mesmo). Pois bem, levando em frente o objetivo de trazer um FTD para cada álbum lançado por Elvis em sua carreira, os produtores resgataram um grande número de gravações que permaneciam inéditas nos arquivos da RCA. No total são doze registros que chegaram pela primeira vez ao mercado - um bom número se comparado com outros CDs dessa série. Como acontece com todos os FTDs de álbuns clássicos podemos separar as canções em dois lotes principais. No primeiro temos as faixas oficiais que fizeram parte do álbum original lançado na época. Em relação a essas gravações repito: não ficaram muito bem tratadas. Se o fã quiser ter acesso ao melhor tratamento sonoro desse tipo de trilha deve procurar por outra série da RCA lançada nos anos 90 chamada "Double Features". Em termos de CD não há nada melhor do que aquela sonoridade que é um primor. Não sei a razão mas as faixas das trilhas dos anos 60 que foram lançadas pelo selo FTD de uma maneira em geral (existem exceções obviamente) soam metalizadas e sem vida. Isso não acontece na linha "Double Features" onde as músicas tem mais profundidade e melhor balanceamento.

Dito isso vamos agora para a segunda parte do CD (e a mais importante). Aqui se encontram os takes alternativos, os takes da sessão que foram descartadas por um motivo ou outro, mas que felizmente sobreviveram. Duas faixas já tinham sido lançadas antes no mercado. A faixa 12, o take 7 da canção "My Desert Serenade", já fora lançada anteriormente no box "Today, Tomorrow And Forever". Essa caixa é simplesmente genial e muito diversificada, se ainda não conhece corra para adquirir. Já os dois takes (de números 1 e 2) de "Hey Little Girl" também já tinham feito parte da seleção de outro FTD, denominado "Out In Hollywood". Esse é um FTD mais genérico, com faixas de vários filmes, que merece uma audição por sua bela qualidade sonora - além de uma bonita capa, fruto de caprichada direção de arte. Pronto, a partir daí o ouvinte é presenteado aqui no FTD "Harum Scarum" apenas com gravações inéditas, algumas em excelente estado do ponto de vista sonoro e outras mais ou menos. No geral muitos desses takes foram descartados por falhas mínimas de Elvis (uma nota fora do tom aqui, outro verso cantado no momento errado acolá, etc). Elvis até se mostra mais sóbrio do que em outras gravações de trilhas sonoras o que confirma o fato dele ter levado bem à sério esse projeto (antes de cair na real durante as filmagens onde finalmente descobriu o abacaxi que o filme iria virar). A qualidade dessa segunda parte do CD é muito boa e para completar a coleção o CD se torna item essencial. Aproveite!

FTD Harum Scarum
1. Harem Holiday
2. My Desert Serenade
3. Go East Young Man
4. Mirage
5. Kismet
6. Shake That Tambourine
7. Hey Little Girl
8. Golden Coins
9. So Close, Yet So Far (From Paradise)
10. Animal Instinct
11. Wisdom Of The Ages
12. My Desert Serenade (Take 7)
13. Hey Little Girl (Takes 1, 2)
14. Shake That Tambourine (Takes 7, 8)
15. Golden Coins (Takes 3, 4)
16. Kismet (Takes 1, 2)
17. Animal Instinct (Takes 1, 3, 4)
18. So Close, Yet So Far (From Paradise) (Take 1)
19. Shake That Tambourine (Takes 10, 16)
20. Hey Little Girl (Take 3)
21. My Desert Serenade (Takes 2, 3)
22. Golden Coins (Takes 7, 8)
23. Harem Holiday (Takes 1, 2)
24. Wisdom Of The Ages (Take 3)
25. Shake That Tambourine (Takes 18, 19, 20, 21)

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Fenômeno

Título no Brasil: Fenômeno
Título Original: Phenomenon
Ano de Produção: 1996
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: Jon Turteltaub
Roteiro: Gerald Di Pego
Elenco: John Travolta, Kyra Sedgwick, Forest Whitaker

Sinopse:
George Malley (John Travolta) é um sujeito simples, comum, que ganha a vida como mecânico. Sua vida pacata acaba quando visualiza uma estranha luz na mesma noite em que celebra sua aniversário. A partir daí começa a desenvolver enormes mudanças em si mesmo. Da noite para o dia ele adquire uma capacidade intelectual fora do comum, muito superior ao das demais pessoas. Isso chama a atenção das autoridades que logo decidem se apossar dele para realizar testes.

Comentários:
Filme meio estranho que aposta em uma visão esotérica e new age da vida espiritual. Travolta deve ter gostado de fazer algo tão diferente em sua carreira. Na época de seu lançamento a produção levou pauladas de todos os lados, pois os críticos americanos de uma maneira em geral não gostaram nada do resultado. A película foi acusada de ser sensacionalista, boboca e com roteiro cheio de clichês do começo ao fim. É a tal coisa, em tempos de tanta (falsa) espiritualidade o argumento certamente agradará aos mais alternativos. Mas o problema de "Phenomenon" nem é bem esse, na verdade o maior defeito é do roteiro mesmo. Perceba que a situação é colocada no começo da trama, vem a surpresa sobre os tais poderes do personagem de Travolta e pronto, o enredo poderia acabar por aí, pois nada de mais interessante acontece até o fim do filme. Não gostei da conclusão e nem da proposta final dos roteiristas. A tal mensagem mais espiritualizada que o clímax tenta passar é uma bobagem sem tamanho, vamos convir. Enfim, nada de muito relevante em um momento que agradou ao Travolta em sua carreira (o problema é que parece ter agradado apenas a ele mesmo!).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 25 de maio de 2014

O Poderoso Chefão II

Título no Brasil: O Poderoso Chefão II
Título Original: The Godfather Part II
Ano de Produção: 1974
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Francis Ford Coppola
Roteiro: Francis Ford Coppola, Mario Puzo
Elenco: Al Pacino, Robert De Niro, Robert Duvall, Diane Keaton, John Cazale, Lee Strasberg 

Sinopse:
Nova Iorque. Década de 1920. Vito Corleone (Robert De Niro) é um imigrante italiano que tenta subir na vida na grande metrópole americana. Vindo de baixo, acaba sendo alvo de criminosos que querem extorquir e se aproveitar de seu pequeno negócio. Sem outra alternativa resolve reagir contra as injustiças, nascendo daí uma das mais poderosas famílias mafiosas dos Estados Unidos. Na outra linha narrativa, Michael Corleone (Al Pacino) começa a se envolver cada vez mais nas atividades ilícitas de seu clã, ao tentar ampliar os negócios dos Corleones através de Nevada e de Cuba, prestes a passar por uma grande revolução comunista. Filme indicado a onze prêmios da academia, sendo vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção (Francis Ford Coppola), Melhor Roteiro (Francis Ford Coppola, Mario Puzo), Melhor Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Melhor Direção de Arte e Melhor Música. Filme vencedor do BAFTA Awards na categoria Melhor Ator (Al Pacino).

Comentários:
Considerado por grande parte da crítica americana como o melhor filme da saga "The Godfather", o que não deixa de ser curioso pois quando o projeto da produção foi anunciado nos anos 70 muitos criticaram a proposta, afinal de contas o primeiro filme foi considerado um clássico absoluto, uma obra de arte completa. Fazer uma continuação era visto como algo indigno. Para surpresa de toda essa gente o fato é que "The Godfather Part II" se mostrou um filme não apenas à altura do primeiro, mas também em certos aspectos bem superior. O roteiro, brilhantemente escrito por Francis Ford Coppola e Mario Puzo, não apenas se limitou a levar em frente o enredo do filme original, mas também desenvolveu de forma genial o passado de Vito Corleone, aqui interpretado de forma irrepreensível por Robert De Niro. Assim não são poucos os que acham que na realidade se trata de dois (grandes) filmes em apenas um só! O espectador acaba conhecendo as origens da família Corleone, mostrando que na realidade Don Vito era apenas um imigrante italiano tentando vencer na América honestamente e que precisou trilhar o caminho da violência para proteger seus entes queridos. Na outra linha narrativa o espectador também começa a ver a transformação de Michael Corleone (Pacino). Criado para se tornar o orgulho da família, afastado do lado criminoso de suas atividades, ele acaba ficando no meio do fogo cruzado por diversas circunstâncias que lhe fogem das mãos. Seu destino então se torna traçado a partir desses acontecimentos. Não restam dúvidas, o filme é de fato uma obra prima da sétima arte, um dos melhores da história do cinema americano. Simplesmente maravilhoso.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Os Irmãos Cara de Pau 2000

Título no Brasil: Os Irmãos Cara de Pau 2000
Título Original: Blues Brothers 2000
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: John Landis
Roteiro: Dan Aykroyd, John Landis
Elenco: Dan Aykroyd, John Goodman, Walter Levine

Sinopse:
Após os acontecimentos do primeiro filme, Elwood Blues (Dan Aykroyd) fica por quase duas décadas atrás das grades. Seu irmão Jake (Belushi) está morto, mas Elwood entende que a velha chama não pode se apagar. Resolve se unir a um amigo, Mack (John Goodman), para ressuscitar sua velha banda de blues. Será que dará certo? Indicado na categoria Melhor Edição de Som no prêmio da Motion Picture Sound Editors.

Comentários:
Tentativa muito mal sucedida de trazer de volta os ótimos Blues Brothers de volta às telas de cinema. Um projeto como esse jamais daria certo por um motivo muito simples: não havia mais como retomar algo assim sem a presença de John Belushi que havia morrido tragicamente alguns anos antes. Sem Belushi os Blue Brothers simplesmente não existiam mais. Tirando as devidas proporções era algo como recriar os Beatles sem John Lennon! Não dá, é impossível. Infelizmente o cabeça dura do Dan Aykroyd não entendeu isso e quis levar o filme de todo jeito, passando por cima de tudo. Contratou o amigo John Goodman para contrabalançar a ausência de Belushi e tentou, tinha planos de ser um sucesso mas... era de fato a crônica de uma morte anunciada! O filme foi um tremendo fracasso de bilheteria, um desastre comercial que inclusive afundou a carreira do ótimo cineasta John Landis! O próprio Dan Aykroyd também saiu chamuscado! Bom, teimosia muitas vezes resulta nisso! Fica a lição então.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Dois Amores

Título no Brasil: Dois Amores
Título Original: Two Loves
Ano de Produção: 1961
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Charles Walters
Roteiro: Ben Maddow, Sylvia Ashton-Warner
Elenco: Shirley MacLaine, Laurence Harvey, Jack Hawkins

Sinopse:
Anna Vorontosov (Shirley MacLaine) é uma professora americana que é indicada para ensinar numa distante escola rural de uma ilha da Nova Zelândia. Seus alunos, em sua grande maioria, são nativos Maoris. Logo Anna entende que métodos tradicionais de ensino não vão funcionar muito bem com aqueles jovens. Ela então decide inovar, ensinando de uma forma mais livre e clara, o que acaba desapontando as autoridades de ensino, entre eles o inspetor Brit William Abercrombie (Jack Hawkins) que considera seu sistema de ensinar simplesmente desorganizado e caótico! Filme indicado ao Urso de Ouro no Berlim International Film Festival.

Comentários:
Filme por demais interessante mostrando aspectos da vida de uma professorinha que acaba tendo como desafio ensinar um grupo de jovens nativos usando métodos tradicionais de ensino ou não. Ela logo entende que o que funciona para alunos americanos certamente não irá funcionar com aqueles garotos Maoris. O roteiro explora muito bem a dificuldade de tentar unir duas culturas completamente diferentes. Há um contexto histórico que a professora entende ser inadequada para aquele alunado, mas seus superiores não pensam bem assim. Disso nasce o conflito de visões. A crescente amizade entre Anna e Whareparita, de apenas 15 anos, acaba abrindo os olhos dela sobre a real natureza daquela situação. Shirley MacLaine assume seu primeiro papel adulto, deixando a vaidade de lado, assumindo um figurino mais sóbrio e sem glamour. Antes, a atriz havia optado por uma imagem de garota espevitada, muitas vezes até inocentemente apaixonada. Aqui ela realmente muda os rumos de sua carreira em um belo filme, que consegue misturar drama, romance e assuntos relevantes. Muito interessante e mais atual do que nunca!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Bat Masterson

Título no Brasil: Bat Masterson
Título Original: Bat Masterson
Ano de Produção: 1958 - 1961
País: Estados Unidos
Estúdio: National Broadcasting Company (NBC)
Direção: Alan Crosland Jr, Eddie Davis, Walter Doniger
Roteiro: S.H. Barnett, John Tucker Battle, D.D. Beauchamp
Elenco: Gene Barry, Allison Hayes, Allen Jaffe

Sinopse:
Baseado em fatos reais a série conta as aventuras de Bat Masterson (Gene Barry), um elegante xerife do velho oeste que combate os criminosos com elegância e inteligência, ao invés de sempre apelar para a violência e o confronto de armas em punho. Muito bem vestido, cheio de bons modos, Masterson também se torna um conquistador de lindas mulheres às quais conquista com seu charme inigualável. Série indicado ao Emmy em 1961.

Comentários:
Maravilhosa série da NBC que marcou a vida de toda uma geração na virada dos anos 50 para os 60. Exibida pela NBC a série se tornou rapidamente um sucesso de audiência, chegando a ter três longas temporadas e que só não foi renovada porque o ator Gene Barry não conseguiu chegar a um acordo financeiro com a direção da NBC para levar em frente a história do famoso xerife Bat Masterson. Em termos de Brasil tivemos a exibição da primeira temporada na TV brasileira e seu sucesso foi tão grande que chegou a virar gravação de sucesso na voz do cantor Carlos Gonzaga. Nos Estados Unidos foi lançado um box maravilhoso com as três temporadas completas, com todos os episódios, um item que fez a alegria dos colecionadores de western. De muito bom gosto e ótima direção de arte, além de restauração digital dos primeiros episódios, o box é um daqueles que fazem o orgulho dos fãs de faroeste, até porque a TV também foi por demais importante na popularização do gênero, a tal ponto de rivalizar com o cinema. Além disso temos que reconhecer que em uma série há muito mais possibilidade de se desenvolver melhor todos os personagens. Em suma, "Bat Masterson" é de fato uma preciosidade rara e de ótima qualidade.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 24 de maio de 2014

A Intérprete

Título no Brasil: A Intérprete
Título Original: The Interpreter
Ano de Produção: 2005
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Sydney Pollack
Roteiro: Martin Stellman, Brian Ward
Elenco: Nicole Kidman, Sean Penn, Catherine Keener

Sinopse:
Silvia Broome (Nicole Kidman) é uma intérprete a serviço da ONU que, sem querer, acaba ouvindo uma conversa secreta sobre um atentado à vida de um ditador africano. Descoberta, ela agora precisa sobreviver pois um grupo deseja tirá-la de circulação, em uma verdadeira operação de queima de arquivo. Para garantir sua vida, ela contará com o apoio do agente do FBI Tobin Keler (Sean Penn), um sujeito íntegro e honesto, que fará de tudo para deixá-la a salvo.

Comentários:
Foi extremamente criticado em seu lançamento. Um exagero, vamos convir. Na verdade se trata de um bom filme, com enredo bem escrito e que tenta de alguma forma inovar dentro do saturado gênero de thrillers de suspense. De certa forma há duas maneiras de encarar "The Interpreter". Primeiro se formos comparar com outros grandes filmes desse excelente cineasta Sydney Pollack. Sob esse ponto de vista de fato não se pode considerar um de seus mais brilhantes trabalhos. A outra maneira é fazer uma comparação com o que se produz no cinema americano atual. Nesse ponto o filme é um achado, já que a mediocridade impera atualmente no mercado cinematográfico, infelizmente. Credito grande parte do aspecto positivo da produção ao belo trabalho de atuação de Sean Penn, um ator muito politizado, que não aceita mais participar de bobagens nessa altura de sua carreira. E o filme, apesar das críticas que lhe fizeram, de fato não é uma bobagem, muito longe disso. Recomendo certamente, embora reconheça que nem todos vão gostar do resultado final.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Drácula 2000

Título no Brasil: Drácula 2000
Título Original: Dracula 2000
Ano de Produção: 2000
País: Estados Unidos
Estúdio: Dimension Films
Direção: Patrick Lussier
Roteiro: Joel Soisson, Patrick Lussier
Elenco: Gerard Butler, Justine Waddell, Jonny Lee Miller

Sinopse:
Um grupo de ladrões e saqueadores invade uma câmara há muito soterrada com a expectativa de encontrar pinturas valiosas, mas em vez disso eles liberam um vampiro secular, sedento por sangue humano depois de ficar séculos aprisionado. Livre, ele agora resolve partir para a cidade de Nova Orleans para encontrar a filha seu inimigo do passado, Mary Van Helsing. E agora, quem poderá parar a sede de vingança dessa milenar e sanguinária criatura da noite?

Comentários:
Havia uma comunidade no Orkut chamada "Drácula 2000 é um desrespeito!" que sempre achei muito criativa e divertida - e olha que contava com mais de dois mil membros! Criada no lançamento do filme mostrava bem do que esse filme se tratava. De fato é um desrespeito, tanto em relação aos fãs do famoso personagem como em relação ao próprio público espectador que pagava para assistir algo assim, tão sem qualidade. Infelizmente eu fui um dos que paguei para ver esse filme muito fraquinho que pegava carona no livro de Bram Stoker mas que ficava à léguas de distância de ter a mesma qualidade. Gerard Butler, quem diria, dá vida a um Drácula sem qualquer charme ou relevância. Idem para o grande ator Christopher Plummer encarnando um inexpressivo Abraham Van Helsing! Lamento por esses bons atores, afinal ter que depois justificar o fato de ter participado de algo tão obtuso não deve ser fácil. E pensar que Wes Craven emprestou seu nome e prestígio para divulgar isso! Em suma, esqueça! Você é fã do Drácula? Então procure por dezenas de outros filmes bem melhores do que esse! Não vá perder seu precioso tempo com esse equívoco!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Tratamento de Choque

Título no Brasil: Tratamento de Choque
Título Original: Anger Management
Ano de Produção: 2003
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures
Direção: Peter Segal
Roteiro: David Dorfman
Elenco: Jack Nicholson, Adam Sandler, Marisa Tomei

Sinopse:
Dave Buznik (Adam Sandler) é um sujeito calmo e pacato que se envolve em um grande mal entendido durante uma viagem de avião. Para piorar ele precisa agora fazer um tratamento contra sua suposta raiva, só que o terapeuta indicado para isso, o Dr. Buddy Rydell (Jack Nicholson), parece ser bem mais doido do que ele próprio, completamente destemperado e dado a excessos de fúria incontrolada! E agora, como Dave escapará de uma situação delicada como essa?

Comentários:
Sou um fã assumido de Jack Nicholson. Considero um dos grandes atores vivos mas esse "Anger Management" não me agradou em nada. A impressão que tive foi que o roteiro explorou uma caricatura de Jack e ele por sua vez embarcou nessa canoa furada, muito provavelmente buscando por um sucesso comercial no mercado. Uma enorme bobagem. Nicholson certamente não precisava mais, naquela altura de sua carreira, pegar carona com a popularidade de gente tão medíocre como Adam Sandler! Afinal para que arranhar o próprio prestígio pessoal em prol de comediantes estúpidos e sem talento? O tal do Sandler não presta, essa é a verdade, sujeitinho que só consegue interpretar o mesmo papel - o dele mesmo - filme após filme, sem nenhuma novidade! Suas comédias idiotas  fazem sucesso? E daí? Porcarias comerciais fazem sucesso todos os anos, só não queremos que artistas da verdadeira arte se sujem ao se misturarem com esses imbecis. O problema é que Jack parece ter ficado incomodado pela pouca repercussão de bilheteria de seus últimos filmes e numa última cartada, por puro desespero, resolveu apelar para se tornar novamente comercialmente viável para os estúdios. Não deveria ter feito nada disso. No final o que ficou mesmo foi um constrangedor arranhão numa das mais brilhantes filmografias da história de Hollywood. Ignore de todas as formas!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Doce Lar

Título no Brasil: Doce Lar
Título Original: Sweet Home Alabama
Ano de Produção: 2002
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: Andy Tennant
Roteiro: Douglas J. Eboch, C. Jay Cox
Elenco: Reese Witherspoon, Patrick Dempsey, Josh Lucas

Sinopse:
Um dia Melanie Smooter (Reese Witherspoon) resolveu mudar sua vida. Largou sua vidinha no interior do sul dos Estados Unidos e rumou para Nova Iorque. Lá fez sucesso profissional e se apaixonou por um nova-iorquino bonitão e bem sucedido como ela, o tal de Andrew Hennings (Patrick Dempsey). O problema é que Melanie deixou para trás não apenas as saudades de sua cidadezinha natal mas também um marido! Agora que ela está com planos de se casar com Andrew precisa consertar esse "pequeno detalhe" de seu passado!

Comentários:
Ontem me deparei casualmente com esse filme passando na TV a cabo. Foi interessante para me lembrar novamente dele pois o tinha assistido em 2002 e tinha poucas lembranças se tinha gostado ou não! Aos poucos fui me recordando. Certamente é aquele tipo de produção indicada especialmente para o público feminino. Não é uma comédia romântica mas sim um filme de romance em essência. Até simpatizo com a Reese Witherspoon, mas acredito que em determinado momento de sua carreira ela optou por fazer filmes tão açucarados e inofensivos que acabou com suas possibilidades de um dia ser levada à sério como atriz. Esse filme não é ruim, apenas tem muito água com açúcar. Até mesmo os conflitos dramáticos são amenizados ao máximo, talvez para não traumatizar as jovenzinhas mais sensíveis que foram vê-lo no cinema. Usando de uma expressão bem machista, "Sweet Home Alabama" é um filme para meninas (e saliento que não há nada de errado nisso!). O roteiro, embora não tenha grande preocupação em ser dramaticamente expressivo, até que se sai bem explorando as diferenças entre os rurais sulistas e os cosmopolitas nova-iorquinos. Embora sejam todos americanos há grandes diferenças culturais entre todos eles. Em suma, um romance para o público feminino em especial. Nada de muito importante mas até que funciona bem como diversão ligeira e despretensiosa.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Alien³ (1992)

Título no Brasil: Alien³
Título Original: Alien³
Ano de Produção: 1992
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: David Fincher
Roteiro: Dan O'Bannon, Ronald Shusett
Elenco: Sigourney Weaver, Charles S. Dutton, Charles Dance

Sinopse:
Durante uma missão espacial a nave Fury 161 cai em um distante e esquecido planeta nos confins do espaço sideral. O lugar é usado como prisão para alguns dos mais psicóticos e violentos criminosos do universo. Assim a tenente Ripley (Weaver) terá que sobreviver não apenas aos ataques desses perigosos prisioneiros mas também da criatura alienígena que, ao que tudo indica, também estava na nave destruída. Para piorar tudo o Alien agora está solto no meio ambiente, pronto para fazer novas vítimas.

Comentários:
David Fincher resolveu fazer algo completamente diferente dos filmes anteriores da franquia. Aliás esse filme foi extremamente complicado de se produzir, pois havia uma pressão enorme envolvida e muitos problemas por trás dos bastidores, alguns inclusive inesperados, como a falta de ética por parte de James Cameron (que havia dirigido "Aliens o Resgate"). Ao invés de respeitar a visão do colega cineasta Cameron partiu para o ataque dizendo que esse novo filme era uma agressão contra os fãs da série (uma bobagem, vamos convir). Se "Alien, o Oitavo Passageiro" era uma feliz fusão entre filmes de ficção e terror e "Aliens, o Resgate" era uma tentativa de mesclar o universo sci-fi com os filmes de ação dos anos 80, esse aqui foi certamente o mais ácido e realista de todos os filmes. Há todo um clima opressivo no ar, a estética procura ser cinza, sem esperanças, tal como um presídio do mundo real. Há muita sujeira ao redor e tipos nada encantadores. Um inferno espacial. Essa nova identidade não chegou a agradar todo mundo, certamente muitos fãs reclamaram, mas a verdade pura e simples é que justamente por ser diferente é que "Alien³" marcou tanto e ainda é tão lembrado, afinal o espaço nunca se mostrou tão ameaçador como aqui!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Sem Dor, Sem Ganho (2013)

Título no Brasil: Sem Dor, Sem Ganho
Título Original: Pain & Gain
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Michael Bay
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely
Elenco: Mark Wahlberg, Dwayne Johnson, Anthony Mackie, Ed Harris

Sinopse:
Daniel Lugo (Mark Wahlberg) resolve se unir a dois comparsas para sequestrar e extorquir um rico empresário de Miami. Lugo ganha a vida como personal trainer e trabalha numa academia de ginástica e musculação na cidade, onde acaba tendo contato com vários ricaços da cidade. E é justamente isso que ele deseja, poder, dinheiro e status. Assim parte em busca desses objetivos, apelando para a criminalidade, pois em sua ótica ele é um vencedor e merece muito mais da vida!

Comentários:
Filme baseado em um caso real. O curioso é que se trata de um grupo de fisiculturistas de Miami que decide apelar para o tudo ou nada, com o objetivo de ficarem ricos. O problema é que eles não possuem qualquer experiência no mundo do crime e acabam fazendo tudo errado. Esse filme consolida a boa fase que a carreira do ator Dwayne Johnson vem atravessando. Ao invés de outros brutamontes das telas que preferem estrelar produções B de ação, ele tem optado por ser coadjuvante em bons filmes, uma decisão que tem rendido ótimos momentos para o "The Rock" no cinema ultimamente. Some-se a isso o fato de ser um filme singular dentro da carreira do explosivo Michael Bay, que decidiu deixar os Transformers de lado para investir em um roteiro muito bem escrito, com doses finas de ironia e humor negro que se espalham por toda a trama. É aquele tipo de filme que lhe surpreende pois pela equipe técnica você não fica esperando por grande coisa mas acaba se divertindo bastante. Embora seja sobre um crime real o que temos aqui é algo bem humorado, por mais estranho que isso possa parecer à primeira vista. Certamente vale a recomendação.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Leis da Atração

Título no Brasil: Leis da Atração
Título Original: Laws of Attraction
Ano de Produção: 2004
País: Inglaterra, Irlanda, Alemanha
Estúdio: New Line Cinema
Direção: Peter Howitt
Roteiro: Aline Brosh McKenna, Aline Brosh McKenna
Elenco: Pierce Brosnan, Julianne Moore, Parker Posey

Sinopse:
Daniel Rafferty (Pierce Brosnan) e Audrey (Julianne Moore) são advogados ambiciosos especialiszados em divórcios milionários que acabam se apaixonando. Frios e calculistas acabam caindo de amores um pelo outro. Depois de um tempo se casam e os problemas não demoram a acontecer. E agora, como vão lidar com um provável divórcio, já que eles próprios ganham a vida realizando os divórcios de seus clientes?

Comentários:
Esse é aquele tipo de filme que só interessa por causa do carisma dos atores principais. Pierce Brosnan tenta trilhar seu próprio caminho, tentando fazer seu público esquecer que ele sempre será marcado pelo papel de James Bond. Julianne Moore, talentosa atriz, por sua vez, está segurando mais uma vez um roteiro fraco, sem surpresas. No geral o argumento brinca com o fato de que dois profissionais que vivem do fracasso do amor alheio, acabam eles próprios se apaixonando, tendo que enfrentar os mesmos desafios que seus clientes enfrentam. Uma comédia romântica passada no sisudo mundo dos advogados. Parece estranho? Sim, em termos, mas até que com um pouco de boa vontade, o espectador até se divertirá. A direção ficou com o cineasta Peter Howitt que sinceramente nunca fez algo que soe nada melhor do que isso, basta lembrar de outros filmes de sua autoria como "Johnny English" e "Ameaça Virtual". Agora em 2014 ele está tentando decolar novamente, com filme novo na praça, "Um Álibi Perfeito", que ainda não assisti. Vamos ver se ele conseguiu finalmente sair do lugar comum.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Bill Haley & His Comets - Rockin' the Oldies

Mais um álbum do assim chamado "Glenn Miller do Rock". Gosto bastante desse disco, principalmente pela proposta de Haley de fazer releituras de antigas canções, em um processo que lembrava inclusive seus hits mais recentes como "Shake, Rattle and Roll" e "See You Later Alligator". Seria o primeiro de três lançamentos de Bill Haley que procuravam seguir temas ou conceitos na seleção musical. Seria uma espécie de predecessor dos famosos álbuns conceituais da década de 1960? Olhando sob um ponto de vista bem imparcial essa seria uma afirmação positiva, sim, Bill Haley foi o primeiro roqueiro da história a "amarrar" várias músicas sob um plano, um conceito de trabalho, podemos dizer assim. Curiosamente, apesar da temática inteligente e da ousadia do artista e do produtor (o ótimo Milt Gabler) o lançamento não foi muito bem acolhido pelo público. Também pudera, os garotos roqueiros da época, um monte de teddy boys, provavelmente não estavam interessados em canções antigas, mesmo que viessem sob um rótulo completamente novo e inovador.

Bobagem dos jovens, o disco é tão dançante como qualquer outro de Haley. A faixa que abre o disco, uma versão de um antigo clássico do  bandleader Larry Clinton chamada "The Dipsy Doodle", tem um balanço irresistível, com ótimo arranjo. As paradinhas e os ótimos solos de guitarra e sax são até hoje muito atuais e empolgantes. Rock ´n` Roll de primeira qualidade. "You Can't Stop Me From Dreaming" vai pelo mesmo caminho. Outra que usa e abusa das paradinhas típicas da primeira geração do rock americano. O piano se mostra mais presente, forte até! Grande arranjo em uma versão saborosa. Em "Apple Blossom Time" o destaque vai para o contrabaixo ao velho estilo (aqueles mesmo que você está pensando, enormes, pesadões, que tomavam quase todo o palco). A melodia é tão simpática que o ouvinte não pode deixar de se encantar. A fórmula "letra - solos de sax e guitarra - refrão pegajoso - e clímax para cima" se repete, o que não deixa de ser algo saborosamente nostálgico. O disco segue nesse esquema musical até se encerrar com a ótima "I'm Gonna Sit Right Down and Write Myself a Letter", muito embora aqui já sintamos um certo cansaço na interpretação do cantor. Se a intenção do velho Bill era demonstrar que o novo gênero chamado Rock ´n´ Roll poderia ser adaptado para qualquer tipo de standart da música americana, ele certamente comprovou seu ponto de vista.


Bill Haley & His Comets - Rockin' the Oldies (1957)
The Dipsy Doodle
You Can't Stop Me from Dreaming
Apple Blossom Time
Moon Over Miami
Is it True What They Say About Dixie?
Carolina in the Morning
Miss You
Please Don't Talk About Me When I'm Gone
Ain't Misbehavin'
One Sweet Letter from You
I'm Gonna Sit Right Down and Write Myself a Letter
Somebody Else is Taking My Place

Pablo Aluísio e Erick Steve.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Touro Indomável

Título no Brasil: Touro Indomável
Título Original: Raging Bull
Ano de Produção: 1980
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Martin Scorsese, Joseph Carter
Elenco: Robert De Niro, Cathy Moriarty, Joe Pesci

Sinopse:
Tudo o que deseja Jake La Motta (De Niro) para sua vida é vencer no concorrido mundo do boxe. Sujeito explosivo, de temperamento mercurial, ele quer chegar no auge, com todo o poder, dinheiro e mulheres que conseguir. Após um começo de carreira promissor o boxeador começa a entender que nem tudo parece caminhar como ele havia planejado. Pior para seu irmão, Joey (Joe Pesci) e a garota de seus sonhos, a adolescente Vickie (Cathy Moriarty), que terão que suportar ao seu lado a inevitável queda do vaidoso esportista. Filme indicado a seis prêmios da academia, se tornando vencedor nas categorias de Melhor Ator (Robert De Niro) e Melhor Edição. Vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor ator (Robert De Niro).

Comentários:
Alguns filmes definem toda a carreira de um grande ator. Olhando sob esse ponto de vista "Raging Bull" define o intérprete Robert De Niro. No auge de sua criatividade e talento dramático ele se uniu a outro gênio, Martin Scorsese, para contar a história de declínio e glória do boxeador Jake LaMotta, desde seus primórdios, quando se deliciou do status, dinheiro e sucesso das vitórias até sua queda final, quando sentiu o amargo gosto da sarjeta. Se não fosse baseado em fatos reais poderíamos até dizer que esse filme havia sido inspirado em alguma tragédia da pena de William Shakespeare, tamanha a sua carga dramática! Com maravilhosa fotografia em preto e branco e com Scorsese em momento inspirado o filme não poderia ser menos do que uma verdadeira obra prima do cinema, sempre reverenciado e incluído naquelas listas do tipo "Os 100 Melhores Filmes de Todos os Tempos". Curiosamente o próprio De Niro pagaria um pouco caro pelo seu amor à arte. Ao emagrecer e engordar tanto para incorporar seu personagem ele chegou até mesmo a ter sérios problemas de saúde na época. Foi um preço justo a se pagar, já que acabou sendo premiado nos dois maiores prêmios do cinema americano, o Oscar e o Globo de Ouro. Em ambos os casos sua premiação foi mais do que merecida, uma unanimidade tanto de público como de crítica! Esse é sem dúvida um momento essencial e obrigatório na vida de todo e qualquer cinéfilo que se preze! Uma aula de direção e interpretação em um filme realmente inesquecível.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Limite de Segurança

Título no Brasil: Limite de Segurança
Título Original: Fail-Safe
Ano de Produção: 1964
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Sidney Lumet
Roteiro: Walter Bernstein, Eugene Burdick
Elenco: Henry Fonda, Walter Matthau, Larry Hagman, Fritz Weaver

Sinopse:
Durante uma operação padrão o sistema de segurança nacional dos Estados Unidos sofre um pane técnico e um grupo de bombardeiros é enviado, por engano, para a União Soviética com a missão de jogar bombas atômicas sobre a capital da Rússia. No meio do pânico que se instala entre os comandantes das forças armadas, o presidente dos EUA (interpretado brilhantemente por Henry Fonda) é chamado para administrar a crise e tomar todas as decisões vitais!

Comentários:
"Fail-Safe" é obviamente um produto da guerra fria. Naquela época o mundo vivia sob tensão, duas super potências (Estados Unidos e União Soviética) estavam empenhadas numa corrida armamentista sem limites e o conflito nuclear parecia cada vez mais próximo. O roteiro parte de uma premissa muito interessante: E se a guerra fosse iniciada por um erro do próprio sistema que comandava toda aquela máquina de destruição global? O argumento é de denúncia e de aviso, pois o texto é claramente uma crítica contra o perigo de se manter todo o arsenal atômico sob controle de meras máquinas. Conforme a tecnologia ia avançando os grandes poderios nucleares desses países acabavam sendo controlados por máquinas de alta precisão, mas como máquinas, elas poderiam um dia também falhar e quando isso acontecesse o que poderia ser feito? É em cima desse tipo de crise que todo o enredo do filme se desenvolve. Muitos vão achar que o desfecho de tudo é radical demais, alguns poderiam qualificar até mesmo como absurdo - principalmente a decisão final tomada pelo presidente Fonda - mas temos que levar em conta que o roteiro foi escrito diante daquele momento histórico, que era por si só já era muito paranoico. Mesmo assim considero um grande filme, com suspense e ótimos diálogos em todos os momentos do desenvolvimento da trama. Um filme bem intencionado que procura mostrar a insanidade da guerra fria que imperava naqueles anos de medo e tensão.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Pistoleiro Marcado

Título no Brasil: O Pistoleiro Marcado
Título Original: Young Billy Young
Ano de Produção: 1969
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Burt Kennedy
Roteiro: Burt Kennedy, Heck Allen
Elenco: Robert Mitchum, Angie Dickinson, Robert Walker Jr, David Carradine

Sinopse:
O pistoleiro Ben Kane (Robert Mitchum) aceita o cargo de Xerife na distante e violenta Lordsburg, um lugarejo perdido no meio da poeira do deserto. No meio da viagem para lá acaba esbarrando em Billy Young (Walker), um jovem pistoleiro que está fugindo de um grupo mexicano armado, após matar um líder revolucionário da região. Kane resolve então recrutar Young para ser seu assistente. Não será uma tarefa fácil impor lei e ordem naquela cidade, infestada de malfeitores. Kane está inclusive particularmente interessado em encontrar com um rico e corrupto fazendeiro do local, com quem tem contas a acertar por causa de um assassinato covarde ocorrido no passado.

Comentários:
Se trata de um filme menor dentro da rica filmografia do ator Robert Mitchum. Eu gosto de dizer que a época de ouro do cinema americano de western aconteceu durante os anos 1950. Da metade da década seguinte em diante os filmes de faroeste foram paulatinamente perdendo qualidade e importância. A geração hippie foi perdendo interesse naqueles cowboys cheios de integridade e honra, uma vez que seus valores eram bem outros na década riponga da cultura das drogas. Assim westerns como esse foram ficando com cara de "velhos" e "ultrapassados". Hollywood investia em outros ramos e já não havia mais orçamentos milionários à disposição para fazer grandes filmes sobre o velho oeste. A solução foi se adaptar, realizando produções mais modestas e com enredos mais simples. "Young Billy Young" já é um reflexo dessa nova mentalidade. Apesar de contar com o ótimo Robert Mitchum no elenco - com o fraco Robert Walker Jr no papel de Billy Young - o filme nunca chega a empolgar ou decolar. Com um roteiro mergulhado em clichês mais parece uma releitura tardia de outros grandes filmes estrelados por Mitchum em seu auge (aqueles sim, grandes clássicos). O ator até arrisca dar uma de cantor, cantarolando a música tema do filme, mas no geral segue em controle remoto. Fora isso nada de muito relevante. No final fica um gostinho óbvio de Déjà vu no espectador. Os bons tempos do gênero definitivamente já tinham ficado para trás.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - Os Anos Finais - Parte 4

Elvis de Calças Curtas - O local? Pontiac. A data? Ano novo de 1975. Essa seria a primeira vez que Elvis trabalharia durante os feriados de inverno. Durante os anos 60 seus contratos sempre vinham com uma cláusula expressa imposta pelo próprio Elvis que determinava que ele não trabalharia no período compreendido entre as festas de fim de ano e seu aniversário, celebrado no dia 8 de janeiro. Mas agora lá estava Elvis, em pleno réveillon pronto para mais um concerto. Por que ele quebrou a tradição? Por que se sujeitou a executar um show de ano novo em Pontiac no último dia de 1975? A razão era simples de se explicar: Elvis estava quebrado financeiramente (mais um vez!) Suas finanças estavam novamente no vermelho. Mesmo ganhando enormes somas de dinheiro em suas infinitas e intermináveis excursões, Elvis não conseguia colocar sua vida financeira nos eixos!

Sua capacidade de ganhar enormes somas só era superada por sua também inesgotável capacidade de jogar dinheiro fora como se fosse um bilionário ou um dono de poços de petróleo do Oriente Médio. Mas ele não era. Seus gastos tinham um limite, que nem Elvis admitia existir. Por pensar dessa forma, Elvis muitas vezes se via obrigado a aceitar shows realizados em cidades insignificantes no meio do deserto ou então em locais nada apropriados para um superstar como ele colocar os pés. Agora suas contas bancárias estavam praticamente zeradas e Elvis tinha que se virar para conseguir ganhar mais dinheiro. Em vista disso, antigas condições visando seu bem estar, como não trabalhar nas festas de fim de ano, tinham que ser deixadas de lado.

Logo no começo de novembro o Coronel Parker espalhou a notícia de que Elvis iria pela primeira vez fazer um show de despedida de ano e que por essa razão estava aberto a ofertas das cidades que tinham interesse em levá-lo para animar uma festa de réveillon com o Rei do Rock. Prontamente um grupo de empresários do Michigan se interessou pelo evento e foi feita uma proposta muito interessante para Elvis: se apresentar em Pontiac, no grande estádio da cidade, com capacidade para mais de 80.000 pagantes. Seria uma salvação para o cantor. Ele já tinha esgotado seu crédito junto aos grandes bancos e chegou ao ponto de dar como garantia e fiança futuros cachês que receberia em shows que só realizaria no ano que viria.

O Coronel Parker já tinha também acertado com Elvis a venda dos direitos autorais de mais de 350 canções gravadas por ele até 1972 para a RCA. Parker não acreditava mais na possibilidade desse material antigo trazer ainda algum retorno e acertou a venda de mais de 50 álbuns do cantor para a gravadora, além de passar para a multinacional americana o controle das duas grandes editoras musicais que gerenciavam o catálogo do cantor, a Elvis Presley Music e a Gladys Music. O valor da venda foi acertada em seis milhões de dólares (hoje o catálogo de Elvis vale seguramente mais de 200 milhões, o que demonstra como o negócio feito pelo Coronel foi realmente uma péssima idéia!) . Apesar do volume de dólares chegando, isso ainda era pouco.

A verdade era que Elvis estava tão endividado que nem com essa enorme venda, de praticamente tudo o que produziu em sua carreira, iria trazer sossego para sua debilitada vida econômica. Por isso o show em Pontiac poderia ser finalmente sua salvação. Elvis mostrou total desinteresse pela apresentação. Ele foi aconselhado a conhecer o palco e a acústica do local antes do show, mas não quis saber de ensaiar. Ficou trancado em seus aposentos até a hora do concerto. A venda de ingressos demonstrou logo que a apresentação seria um sucesso. Rapidamente 80.000 entradas foram vendidas em poucas horas. Elvis agora podia relaxar. Ele iria embora de Pontiac com os bolsos cheios, sem dúvida.

O Coronel ignorou a cobrança de um cachê e foi ousado, fazendo com que Elvis recebesse parte da renda do espetáculo. Como as vendas foram mais do que satisfatórias, todos estavam tranqüilos e calmos - ou pelo menos quase todos! Os caras da TCB Band tinham visitado o palco do estádio e logo constataram que a acústica era muito ruim, que a temperatura estava muito baixa e que a posição dos músicos não seria do agrado de Elvis, que gostava de ver todo o grupo junto a ele. O pior de tudo era que Elvis não estava sabendo de nada disso, pois ele não quis ensaiar e nem checar tudo antes da apresentação. Caso tivesse feito uma pequena vistoria tudo poderia ter sido sanado rapidamente. Mas ele preferiu passar o dia dormindo mesmo. Erro fatal!

Erick Steve e Pablo Aluísio.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Uma Secretária de Futuro

Título no Brasil: Uma Secretária de Futuro
Título Original: Working Girl
Ano de Produção: 1988
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Mike Nichols
Roteiro: Kevin Wade
Elenco: Melanie Griffith, Harrison Ford, Sigourney Weaver, Joan Cusack

Sinopse:
Tess McGill (Melanie Griffith) é uma secretária ambiciosa que trabalha em um escritório que lida com o mercado de ações. Seus superiores dentro da empresa são os executivos Jack Trainer (Harrison Ford) e sua noiva, a arrogante e poderosa Katharine Parker (Sigourney Weaver). Quando essa precisa se afastar do trabalho por causa de um acidente, Tess vê sua grande oportunidade de mostrar seu valor para Jack. Mas será que conseguirá sobreviver ao jogo de ambições e poder de Wall Street? Filme indicado ao Oscar nas categorias Melhor Filme, Melhor Atriz (Melanie Griffith), Melhor Atriz Coadjuvante (Joan Cusack e Sigourney Weaver), Melhor Direção e Melhor Canção. Filme vencedor do Globo de Ouro nas categorias Melhor Filme (Comédia ou Musical), Melhor Atriz (Melanie Griffith), Melhor Atriz Coadjuvante (Sigourney Weaver) e Melhor Canção.

Comentários:
Recentemente assistindo a um programa sobre os anos 80 na TV a cabo vi uma generosa referência a esse "Working Girl", mostrado no especial como um dos filmes símbolos daquela década. Muito curioso, já que no Brasil achei sua repercussão bem mediana. Pelo visto os próprios americanos parecem ter uma visão bem mais marcante dessa produção do que o resto do mundo. De certa forma isso reflete uma identificação maior entre o enredo do filme e a população daquele país - especialmente a feminina - que vivenciou todas aquelas mudanças no mercado de trabalho que o texto do filme procura explorar. De certa forma é uma alegoria, uma revisão das antigas produções que tinham como eixo central os costumes e os relacionamentos amorosos, principalmente dentro do ambiente de trabalho. Isso acabou se refletindo no Oscar quando foi indicado a seis prêmios, levando apenas um, como Melhor Canção (Carly Simon - "Let the River Run"). No Globo de Ouro foi um dos grandes vencedores da categoria Comédia - Musical. Revisto hoje em dia vários pontos parecem bem datados mas até que o filme de um modo em geral envelheceu bem. O elenco está em ótima sintonia e isso ajudou a sobreviver bem ao tempo. A direção de Mike Nichols também é primorosa ao explorar a ambição e a competividade sem qualquer ética dentro daquele tipo de empresa. Afinal aquela geração yuppie foi considerada uma das mais agressivas da história, a tal ponto que conseguiu quebrar inclusive o próprio mercado de ações no final da década. Assista e procure entender os mecanismos que giravam ao redor daqueles executivos gananciosos ao extremo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.