domingo, 30 de setembro de 2007

Marilyn Monroe

 

Marilyn Monroe
Essa foto é simplesmente maravilhosa, captando toda a essência da eterna estrela de Hollywood. A jovem que havia criada em diversos lares por causa da internação de sua mãe em uma instituição psiquiátrica. Ela deu a volta por cima e se tornou uma verdadeira deusa da sétima arte em sua era de ouro.

Marilyn Monroe


Marilyn Monroe NYC
Famosa foto de Marilyn olhando para a imensidão de Nova Iorque lá embaixo. A atriz tinha um sentimento de amor e ódio com a grande maçã. Ora dizia amá-la, por causa da chance de estudar no Actor´s Studio, onde pretendia se tornar uma grande atriz dramática, ora dizia que o mar de cimento e prédios a sufocava. Como boa californiana, Marilyn nunca se adaptou direito em NYC. Embora tenha morado por uns tempos na cidade, em seu famoso apartamento branco (onde todos os móveis, cortinas e equipamentos eram brancos), assim que pôde Marilyn foi embora para Los Angeles, a cidade que realmente amava. Marilyn dizia sentir saudades das palmeiras, dos campos abertos e do cheiro do oceano. Nova Iorque poderia ser muito bom para visitar ou estudar, mas o coração da deusa loira pertencia mesmo à ensolarada California.


Marilyn Monroe
Essa foi uma das fotos mais populares e conhecidas de Marilyn Monroe. Quando a tirou ela já era um dos maiores símbolos sexuais do planeta. Ela estava no pique da glória - aproveitando todos os louros de sua carreira vitoriosa. Seus filmes rendiam excelentes bilheterias e ela começava a ser notada pela crítica - e não vista apenas como uma mulher bonita e sensual que só sabia interpretar loiras burras nas telas. Isso é curioso porque Marilyn passaria praticamente toda a sua vida tentando ser levada à sério como atriz dramática. Além disso foi uma das profissionais mais corajosas da época ao brigar abertamente com os estúdios por melhores papéis, que não ficassem apenas explorando a sua sensualidade à flor da pele para atrair público. Nesse aspecto Marilyn conseguiu se impor, ganhando respeito e dignidade profissional. Pena que o mesmo controle que teve para sua carreira não foi repetida na vida pessoal. Marilyn teve realmente uma vida pessoal conturbada - algo que iremos aos poucos tratar aqui em nosso blog. De qualquer maneira uma coisa é certa: ela entrou para a história da sétima arte como poucas atrizes. Sob esse ponto de vista ela sempre será eterna.


Marilyn Monroe, a modelo
Ótimo GIF animado com a eterna estrela Marilyn Monroe. Aqui uma sucessão de fotos de Marilyn tiradas durante uma sessão fotográfica realizada em Los Angeles no ano de 1962. Como se pode perceber Marilyn jamais esqueceu seus dias de modelo.

Marilyn Monroe e Frank Sinatra
Segundo um recente livro publicado nos Estados Unidos chamado "The Chairman" (escrito por James Kaplan), o cantor Frank Sinatra teria pedido Marilyn Monroe em casamento em 1962, no mesmo ano da morte da atriz. É sabido que Marilyn e Frank tiveram um relacionamento conturbado, com muitos excessos de ambos os lados. O envolvimento da atriz com os irmãos Kennedy porém teria jogado um balde de água fria nesse breve romance. Depois disso Marilyn teria guardado muita mágoa em relação a Frank, que teria abusado de sua confiança.

A informação me deixou um pouco surpreso por vários motivos, entre eles o fato de que em todas as biografias anteriores - que foram escritas embasadas em farto material de pesquisa - Frank nunca surge levando Marilyn muito à sério. Na verdade ele via ela quase como um affair passageiro, algo para não se dar importância. Fora isso existe aquela velha lenda muito difundida de que Sinatra teria abusado sexualmente de Monroe em uma noite quando ela estava embriagada e desnorteada por bebidas e pílulas. Segundo os relatos mais escabrosos dessa história um Sinatra fora de controle teria feito até mesmo uma orgia com a atriz que semi inconsciente não teria como se defender da situação. Vários homens teriam estuprado Marilyn em um triste momento de exploração sexual por parte do famigerado Frank Sinatra.

Ora, se algo assim tem algum fundo de verdade como Sinatra poderia pedir Marilyn em casamento depois de tudo o que aconteceu? A verdade obviamente foi para o túmulo com Marilyn e Sinatra, porém essa nova revelação me soa um pouco forçada, até sensacionalista. O caso entre Sinatra e Marilyn sempre pareceu ser uma aventura fugaz, sem qualquer tipo de profundidade. Em certos aspectos Marilyn via Sinatra como um colega de farras e vice versa e não como alguém que ela quisesse subir ao altar em algum momento de sua vida.

Marilyn Monroe e Billy Wilder
Marilyn nos estúdios da Fox é clicada e surpresa não consegue sequer fazer uma pose - mesmo assim se mostra linda para a lente da máquina. O diretor Billy Wilder dizia que Marilyn Monroe tinha um caso de amor com a câmera e sempre se surpreendia quando assistia suas cenas na tela. Wilder dizia que acompanhar Marilyn atuando - ou tentando atuar bem - no set de filmagens não era algo impressionante de se ver. Porém quando o filme era revelado a mágica acontecia, Marilyn ficava completamente deslumbrante no cinema.

Billy Wilder aliás foi um dos diretores que melhor entendeu o estilo de trabalhar de Marilyn. Para Wilder a atriz não deveria fazer todas aquelas sessões de psicanálise que ela era submetida. Para Wilder o grande segredo da musa eram "os seus dois pés esquerdos", ou seja, um jeito meio estabanado de ser, confuso, caótico, fora de sincronia. Para Wilder Marilyn tinha um grande talento para comédias em geral e a psicanálise que tentava "endireitar" sua personalidade só iria mesmo atrapalhar sua carreira no cinema.

"Veja, essas pessoas que fazem análise saem dos consultórios como pessoas duras, enquadradas, certinhas demais" - observava Wilder. "O grande diferencial de Marilyn são seus dois pés esquerdos. Marilyn não deve ser modificada, consertada! Ela é Marilyn por ser quem é - não tentem mudar essa realidade". Muitos autores parecem concordar com a visão de Wilder, sob um outro ângulo. Para eles as inúmeras sessões de psicanálise apenas serviam para confundir ainda mais sua cabeça. Marilyn passou a se absorver sobre si mesmo, numa viagem autodestrutiva com muitas pílulas, insegurança e ataques de auto piedade. Ela procurava pela felicidade com esses médicos, mas no final não encontrou paz e nem conseguiu ser feliz.

Pablo Aluísio. 

Greta Garbo

Greta Garbo
Greta Garbo foi uma das maiores estrelas da história de Hollywood. Depois de uma sucessão de grandes sucessos de bilheteria, ela decidiu, ainda no auge de sua carreira, abandonar tudo e se refugiar em uma vida reclusa e isolada, bem longe da imprensa. Na época sua decisão causou perplexidade. Ninguém entendeu nada. Enquanto os estúdios ofereciam fortunas por seu trabalho, ela simplesmente decidiu que iria deixar tudo para trás. Nunca mais deixou se fotografar e procurou manter uma vida das mais discretas. No fundo ela queria que a imprensa, principalmente os jornais da época, a deixassem em paz.

Isso só aumentou ainda mais seu mito, pois os mistérios que rondavam sua vida pessoal despertavam a curiosidade e a imaginação de todos os seus admiradores. Espirituosa explicou suas escolhas ao dizer: "Eu nunca disse 'Quero ficar sozinha'. Eu disse 'Quero que me deixem sozinha'. Aí está toda a diferença. Há muitas coisas em seu coração que você nunca deve contar a ninguém. Seria baratear o seu íntimo sair espalhando-as por aí."

Anos apos sua morte algumas biografias levantaram a tese de que Greta Garbo era na verdade homossexual. Ela teria amado uma jovem que conheceu nos estúdios de cinema. Em uma época em que o preconceito era muito forte e sem barreiras legais, ela teria sido destruída publicamente por jornais sensacionalistas, caso fosse descoberto que ela seria lésbica. Assim ela na realidade se viu em um dilema. Acabou optando por viver esse "amor proibido" em sua vida pessoal. A escolha de deixar Hollywood ainda no auge da popularidade parece confirmar que ela optou por ter uma vida pessoal longe da atenção do público, o que foi uma decisão sábia. Afinal ela queria acima de tudo ser apenas uma pessoa feliz.

Pablo Aluísio.

A Morte de Peter O'Toole

Disponibilizo a seguir texto que escrevi na ocasião da morte do ator Peter O'Toole em 14 de dezembro de 2013. O astro da antiga Hollywood tinha 81 anos ao falecer. Eis o texto original: Foi com grande pesar que recebi a notícia da morte do mito Peter O'Toole, até hoje considerado um dos grandes atores da história do cinema. Ator teatral se rendeu à TV ainda na década de 50 onde participou de três telefilmes que hoje em dia são considerados verdadeiras raridades. Só em 1960 estreou no mundo do cinema. Aos 28 anos surgiu como Robin MacGregor em "A Espada de um Bravo" uma aventura capa e espada muito colorida da Disney. Embora não tenha sido uma grande participação em um filme menor o estilo pareceu combinar muito bem com o jeito elegante de Peter O'Toole. Em "Sangue Sobre a Neve" (que já comentamos aqui em nosso blog) o ator novamente chamaria a atenção embora seu personagem fosse um mero coadjuvante para o esquimó interpretado por Anthony Quinn. Nos dois anos seguintes a carreira passou por um impasse. Embora reconhecido como um bom ator as coisas pareciam meio paradas para ele, tanto que retornou para a TV onde apareceu na série "Rendezvous".

A sorte só mudaria definitivamente quando o diretor David Lean o escolheu para ser T.E. Lawrence no grande clássico "Lawrence da Arábia". O papel seria de Marlon Brando mas ele desistiu ao descobrir que as filmagens no deserto seriam longas e exaustivas. Peter O'Toole até aquele momento não era um astro mas o diretor Lean confiou que ele faria um grande trabalho. Acertou em cheio. Essa foi a interpretação da vida do ator que, com o sucesso espetacular do filme, virou um astro de primeira grandeza praticamente da noite para o dia. Sua formação de ator clássico caiu como uma luva para seu personagem nesse que foi um dos mais marcantes épicos da história de Hollywood.

Após "Lawrence da Arábia" as portas do cinema americano e mundial se abriram para Peter O'Toole e ele acertou novamente no filme seguinte ao atuar de forma majestosa em "Becket, O Favorito do Rei". No lançamento do filme explicou que estava se sentindo um pouco pressionado pois depois do grande sucesso do épico de David Lean todos estavam ansiosos pela sua próxima atuação. Assim Peter decidiu ficar por longos dois anos fora das telas. O sucesso de crítica de "Becket" acalmou seus ânimos mas não sua vida privada. O ator tinha um sério problema com a bebida. Não raro passava semanas completamente embriagado. Isso, como ele próprio admitiu em sua autobiografia mais tarde, o prejudicaria muito em sua carreira.

Em 1965 voltaria a brilhar numa boa adaptação para o cinema de uma novela de Joseph Conrad chamada "Lord Jim". O roteiro explorava mais um roteiro histórico onde Peter O'Toole interpretava um nobre inglês na marinha britânica no começo do século XX. A boa fase seguiria pelos anos 60 adentro com mais pelo menos dois ótimos filmes, "A Noite dos Generais" (onde interpretava um oficial nazista psicopata) e "O Leão no Inverno" (onde teve a oportunidade de contracenar com outro grande mito da história do cinema, Katharine Hepburn). Sua interpretação do rei Henrique II nesse último filme é até hoje considerada uma das melhores encarnações do famoso monarca no cinema.

Nos anos 70 como ele próprio admitiu seus problemas etílicos lhe prejudicaram. As bebedeiras sem fim afastaram os grandes estúdios que tinham receios de o escalar para grandes e milionárias produções. Peter O'Toole começou a sentir que estava sendo deixado de lado. Mesmo assim ainda realizou bons filmes e alguns até marcantes. "O Homem de la Mancha", "Setembro Negro" e o polêmico "Calígula" onde interpretava o pedófilo imperador Tiberius marcaram época. Na década de 80 tentou enveredar por outros estilos como na comédia "Um Cara Muito Baratinado" ou na fracassada ficção "Supergirl". Nada que abalasse seu prestígio porém era fato que sua estrela começava a se apagar lentamente. Embora respeitado como um dos grandes atores do cinema ele sentia dificuldades em encontrar bons personagens em filmes relevantes. Apesar disso nunca ficou realmente preso ao ostracismo, procurando sempre trabalhar, mesmo em filmes muito abaixo de sua dignidade.

Seu último grande filme foi "O Último Imperador", o grande vencedor do Oscar em seu ano de lançamento. Seu papel de Sir Reginald 'R. J.' Johnston demonstrava que apesar de todos os grandes problemas enfrentados ao longo da vida seu talento ainda continuava lá, intacto. Depois de oito indicações ao Oscar, sem ganhar nenhum, a Academia resolveu lhe homenagear lhe dando um Oscar pelo conjunto da obra. Um reconhecimento tardio mais do que merecido. No total foram 94 películas, sendo a última, "Katherine of Alexandria", ainda inédita nos cinemas. Só nos resta em última homenagem conferir sua última atuação. Que o grande ator agora finalmente descanse em paz!

Pablo Aluísio.

sábado, 29 de setembro de 2007

A Morte de Marilyn Monroe

O Adeus de Marilyn Monroe - A atriz Marilyn Monroe morreu no dia 4 de agosto de 1962, em sua casa, no elegante bairro de Brentwood, localizado na cidade de Los Angeles, Califórnia. Ela foi encontrada por sua empregada que, durante a madrugada, estranhou o fato de que a luz de seu quarto ainda estava acessa, com um disco de vinil de Frank Sinatra rodando na vitrola que ficava ao lado de sua cama. Aquilo era bem incomum. Essa empregada primeiro bateu na porta do quarto, chamando por seu nome. Não obteve nenhuma resposta por parte da atriz. Depois ela foi até o corredor, do lado de fora da casa, que dava acesso à janela do quarto de Marilyn, onde viu a atriz deitada imóvel. de bruços em sua cama, segurando o gancho de um telefone. Aquilo era muito estranho e ela então decidiu pedir socorro. Quando a equipe de paramédicos chegou já encontrou a atriz em rigor mortis, um sinal claro que ela já estava morta há algumas horas.  

Ela então foi levado até o hospital, mesmo sabendo os paramédicos que já estava morta, sem sinais vitais. Dentro do hospital Marilyn Monroe ou Norma Jean (seu nome real) foi declarada morta por dois médicos de plantão, o que era uma exigência legal. Seu corpo então foi levado para o setor de autópsias do hospital onde se procurou pela causa, a razão de sua morte. Um fato triste aconteceu quando um funcionário do hospital foi subornado por dois jornalistas que tiraram duas fotos de Marilyn falecida. Uma foto foi tirada dela de frente, outra de lado. Uma clara falta de ética por parte da imprensa que já estava alucinada em busca de informações sobre a morte da atriz. Enquanto tudo isso acontecia os principais jornais do mundo noticiavam que Marilyn havia morrido de uma overdose acidental de pílulas para dormir, algo que depois seria confirmado pelos exames colhidos na autópsia. Ela morreu de uma combinação fatal de Nembutal (pentobarbital sódico) com Hidrato de cloral.

Após sua morte o corpo de Marilyn Monroe ficou por algumas horas à espera de algum familiar que cuidasse de seus documentos e funeral. Ninguém apareceu. Não era de se admirar. Marilyn praticamente não tinha mais parentes vivos e sua mãe estava internada em uma instituição para doentes mentais. Quando soube que ninguém havia reivindicado o corpo para o funeral, seu ex-marido Joe DiMaggio pegou o primeiro avião para Los Angeles. Ele assumiria os preparativos e o funeral de sua querida ex-esposa.

A primeira providência foi levar a equipe de maquiagem de Marilyn para a casa funerária. A autópsia pela qual havia passado tinha desfigurado a beleza de uma das mulheres mais belas da história do cinema. Seu cabelo estava queimado nas raízes e seu busto desaparecera após os procedimentos de necropsia. Marilyn havia pedido ao seu maquiador e amigo pessoal que quando morresse ele cuidaria de sua aparência. Whitey Snyder e sua esposa então começaram os trabalhos para trazer de volta à Marilyn Monroe que todos lembravam. Um peruca loira foi providenciada, a mesma que ela usara no filme "Os Desajustados", pois não havia mais como fazer nada em relação ao seu cabelo. Duas pequenas almofadas foram utilizadas para recriar o busto de que Marilyn tinha tanto orgulho. Marilyn então foi vestida com um modelo Pucci muito simples, que ela adorava em vida. Como toque final o maquiador enrolou em seu pescoço uma bonita echarpe de Chiffon.

Lá fora a confusão era enorme. A imprensa tentava tirar declarações de Joe DiMaggio mas esse se recusou a falar. Ao contrário disso providenciou uma cripta no cemitério Westwood Memorial Park, que tinha um sistema de urnas funerárias, ao contrário de covas. Marilyn tinha pavor de ser enterrada debaixo do chão e havia comentado com DiMaggio que gostaria de repousar após sua morte em uma urna como a de Westwood. Era um cemitério moderno para os anos 60, ao lado de uma avenida movimentada e uma loja de carros usados. Não se parecia em nada com um cemitério comum, pois tudo lembrava um lugar muito calmo, com amplas galerias, jardins e bancos brancos para os visitantes ficarem à vontade. Era uma cripta de parede de mármore, tudo com muito bom gosto. Ao lado havia um pequeno nicho para colocar flores. Enquanto esteve vivo Joe DiMaggio pagou a uma jovem senhora para levar flores todos os dias na urna da ex-esposa. Joe DiMaggio também soltou uma pequena nota para a imprensa que dizia: "O funeral de Marilyn Monroe será muito simples, de forma que ela possa ir para seu descanso final na paz que sempre procurou". Depois mandou avisar que qualquer doação deveria ser revertida para instituições de caridade de amparo a crianças carentes e órfãs, como a própria Marilyn Monroe havia sido em vida.

Todos os grandes figurões de Hollywood queriam comparecer ao funeral de Marilyn, mas Joe DiMaggio fez uma lista de apenas 24 convidados. Qualquer outra pessoa seria barrada. Frank Sinatra ficou de fora e sentiu-se ofendido. Rumou ao cemitério e forçou sua entrada, mas foi barrado aos safanões por grandalhões italianos contratados por DiMaggio. Ele considerava Sinatra um cretino, um calhorda, que havia explorado Marilyn Monroe. Além disso o fato de Sinatra ter sido amigo dos Kennedy o deixava imediatamente na lista negra de DiMaggio. Sobre a família Kennedy o ex-marido de Marilyn foi firme e incisivo: "Certifiquem-se de que nenhum maldito membro da família Kennedy esteja por aqui no funeral!". Sammy Davis Jr e a cantora Ella Fitzgerald também foram barrados nos portões do cemitério. Dean Martin, que conhecia muito mais o temperamento de DiMaggio se limitou a enviar uma pequena coroa de flores, gesto que foi imitado por Marlon Brando.

A cerimônia foi breve. Ao som de "Over The Rainbow" o corpo de Marilyn foi encomendado. Ela era fã de Judy Garland e por isso DiMaggio pediu que a canção fosse tocada. Depois disso seu caixão foi aberto por alguns minutos. O último a se despedir foi o próprio DiMaggio que em prantos beijou a ex-esposa pela última vez declarando: "Eu te amo!". Marilyn tinha um pequeno buquê de flores nas mãos. Depois disso um pequeno cortejo levou Marilyn até seu local de descanso eterno. Na lápide ao invés de "Norma Jean", DiMaggio preferiu colocar o nome pelo qual ela sempre será lembrada com a singela inscrição "Marilyn Monroe - 1926 - 1962". Tudo muito simples, mas elegante.

O local de descanso eterno de Marilyn rapidamente virou ponto turístico em Los Angeles. Todos os dias havia muita gente indo até lá para fazer uma oração ou prestar as últimas homenagens à memória da atriz. Com os anos outros astros famosos também foram sepultados perto de Marilyn, como por exemplo Natalie Wood que jaz a poucos metros da cripta da colega e Dean Martin que comprou sua urna após visitar pela primeira vez o lugar onde sua amiga havia sido sepultada.

Em 2009 foi realizado um leilão para venda da cripta acima da Marilyn Monroe. O maior lance de 4,6 milhões de dólares foi o vencedor. O local estava ocupado por um homem morto em 1981, chamado Richard Poncher. A viúva do sujeito então resolveu exumar o marido para ganhar essa pequena fortuna com a venda de sua urna funerária. Isso demonstrou bem bem que apesar de todos os anos passados, o mito de Marilyn Monroe ainda sobrevive, tão forte como na época de sua morte, afinal o sol nunca se põe sobre os grandes mitos do cinema.

Pablo Aluísio.

Sean Connery (1930 - 2020)

Sean Connery (1930 - 2020)
O mundo do cinema teve uma grande perda. Morreu no último dia 31 de outubro, aos 90 anos de idade, o grande ator Sean Connery. Ao longo de sua carreira o ator foi admirado por gerações de cinéfilos. Foram 94 filmes no total, contando essa longa e produtiva lista com filmes que já são considerados clássicos modernos da sétima arte. 

Segundo informações repassadas pela própria esposa, Sean Connery lutava contra problemas sérios de saúde em seus últimos anos. Ele estaria sofrendo de demência e falta de consciência de si mesmo, o que fez com que a esposa fizesse o seguinte comentário: "Essa não era mais uma vida para ele viver. Para um ator que passou a vida decorando textos e interagindo com as pessoas, ele tinha perdido as coisas mais preciosas de sua existência". 

Isso explicaria o fato de que Sean Connery ficou longos anos afastado das telas. Seu último filme foi "A Liga Extraordinária", um filme aliás que ele não gostou de fazer, tendo diversos atritos com os produtores por causa dos rumos que o filme tomou durante as filmagens. Ao longo dos anos temos escrito bastante sobre os filmes de Sean Connery em todos os blogs. Ele está e sempre estará presente em nossos textos. Muito obrigado por tudo Sir Sean Connery.

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Paul Newman

Nascido em 26 de janeiro de 1925 na pequena cidade de Shaker Heights, no Ohio, Paul Newman foi um dos mais populares atores da história do cinema americano, estrelando ao longo de uma longa carreira alguns dos grandes clássicos da sétima arte. Ao contrário de outros ícones de sua época conseguiu sobreviver e desfrutar de uma longa e produtiva vida. Bem humorado resumia tudo no seguinte pensamento: "Não se pode ser tão velho como eu, sem acordar todas as manhãs com um belo sorriso no rosto. Afinal de contas consegui sobreviver a tudo, ao cigarro, a todos os carros e a todos os filmes da minha carreira“.

Outro fato curioso é que o ator, ao contrário de outros famosos de Hollywood, conseguiu manter por longos anos um casamento estável e aparentemente feliz. Ele foi casado com a atriz Joanne Woodward. Apesar dos problemas e até mesmo de uma grande tragédia pessoal, quando um de seus filhos sucumbiu ao mundo das drogas, morrendo de uma overdose, o casamento seguiu firme e forte ao longo das décadas.

Recentemente porém um autor desvendou um dos segredos mais bem guardados de Hollywood. Ao contrário do que muitos pensavam Paul Newman não era um homem fiel com sua esposa. Na biografia intitulada "Paul Newman: Uma Vida" de Shawn Levy, os seus fãs e admiradores descobriram que o ator era infiel, tinha amantes e até mesmo um relacionamento fixo fora do casamento que durou anos. Até sua morte se pensou que ele era um homem casado exemplar, que nunca tivera romances extraconjugais em sua vida. Era considerado um exemplo dentro da comunidade de Hollywood.

De qualquer forma, se estivesse vivo, o ator certamente estaria contente com as eleições americanas realizadas nesse ano. Ele foi um ativista do Partido Democrata nos Estados Unidos, sempre levantando bandeiras contra o preconceito racial, em favor dos direitos das minorias, dos homossexuais, imigrantes, etc. Certamente, se ainda fosse vivo, ele teria atuado de forma positiva em todos esses movimentos políticos até os dias de hoje. O ator, infelizmente, nos deixou em 2008, vítima de um câncer de pulmão.

Pablo Aluísio.

Tyrone Power - Mergulho no Inferno

Em 1943 o ator Tyrone Power estrelou o clássico de guerra "Mergulho no Inferno" (Crash Dive, em seu título original em inglês). O mundo ainda vivia os horrores da Segunda Guerra Mundial e os aliados (Estados Unidos, Inglaterra e demais países ocidentais) ainda combatiam as forças do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) no campos de batalha ao redor do mundo. 

Assim essa produção pode ser vista como parte do esforço de guerra que Hollywood promovia na época, numa clara tentativa de manter a moral e o empenho dos militares em alta. Power interpretava um personagem que servia na marinha dos Estados Unidos. Aliás a produção do filme só foi possível com a plena colaboração das forças armadas daquele país. 

Um aspecto interessante é que todos os navios e embarcações que aparecem no filme são históricos, realmente lutavam na guerra naquele momento. Dessa forma o filme ganha um interesse extra para quem aprecia história militar, pois tem a chance de ver esses navios de guerra em seu auge, ainda funcionais e prontos para batalhas navais. Certamente esse atrativo vai despertar ainda mais a curiosidade de quem ainda não viu esse bom filme de guerra, estrelado por um dos mais populares galãs de cinema de Hollywood naquela época. 

Abaixo segue parte do material promocional desse filme clássico de guerra "Mergulho no Inferno" com Tyrone Power. Esse tipo de poster era enviado para os cinemas, para ajudar na publicidade e divulgação dos filmes que chegavam nas telas. Um souvenir hoje em dia para quem aprecia material vintage dos tempos da II Guerra Mundial. 

Pablo Aluísio,

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Quem matou Marilyn Monroe?

Todos os anos no aniversário da morte da atriz e mito Marilyn Monroe os jornais ao redor do mundo todo fazem sempre essa indagação. Afinal Marilyn simplesmente se matou ou foi vítima de um grande complô envolvendo altos figurões do governo americano? Pois bem, aqui vamos mostrar para vocês de forma resumida as quatro mais interessantes teorias sobre o que teria acontecido na noite da morte de Marilyn Monroe. Antes de mais nada é interessante saber que na semana em que ela morreu houve um rompimento definitivo no seu caso amoroso com Robert Kennedy. Marilyn, segundo vários autores, já tinha sido despachada pelo presidente JFK antes, mas continuava a se encontrar com Bob às escondidas, uma vez que ele era casado. Após ser demitida da Fox a atriz entrou em um estado de quase loucura, telefonando para Bob, ameaçando contar tudo para a imprensa. Caso Monroe tivesse cumprido suas ameaças seria o fim da carreira política de Bob e seu irmão John Kennedy. Era uma situação não apenas delicada mas perigosa também. E afinal o que dizem as quatro principais teorias da conspiração? Lembrando que são apenas suposições e não fatos confirmados.

Teoria 1: No dia em que Marilyn morreu ela ligou e conseguiu falar com Bob por telefone. Kennedy deixou claro que tudo estava acabado e que ela não deveria mais lhe procurar pois era um homem casado! Marilyn foi à loucura com isso e deixou claro para Bob que iria contar tudo sobre seus romances com ele e o irmão JFK para a imprensa americana. Segundo essa teoria Bob, temeroso pelo que poderia acontecer, ligou para o FBI. O todo poderoso chefe da agência, J. Edgar Hoover, então resolveu agir. Mandou alguns de seus melhores agentes que foram até a casa de Marilyn. Chegando lá eles a teriam matado com uma overdose de drogas. Para não deixar rastros usaram um enema. A morte teria ocorrido entre 00:00hs e 3:30hs. Depois do trabalho feito eles teriam ido embora, sendo que Marilyn oficialmente só seria encontrada às 3:30hs por sua empregada que ouviu o som ligado e a luz acessa. Quando olhou pela janela viu Marilyn sem vida com a mão no telefone. Tudo não passaria de uma farsa para enganar a polícia de Los Angeles.

Teoria 2: No dia em que Marilyn morreu ela ligou e conseguiu falar com Bob por telefone. Kennedy deixou claro que tudo estava acabado e que ela não deveria mais lhe procurar pois era um homem casado! Marilyn foi à loucura com isso e deixou claro para Bob que iria contar tudo sobre seus romances com ele e o irmão JFK para os jornais que iriam acabar com eles no dia seguinte. Preocupado Bob então teria rumado para a casa da atriz, mas chegando lá já a teria encontrado em estado de overdose. Desesperado, ligou para o FBI que enviou agentes. Marilyn teria sido levada às pressas para um hospital mas morreu no caminho. Então os agentes retornaram, limparam seu quarto e montaram uma cena de suicídio. Bob tomou um avião para San Francisco para não despertar suspeitas. Nesse quadro Marilyn teria deixado uma carta contando porque se matara. O FBI sumiu rapidamente com o escrito pois comprometia Bob e seu irmão JFK.

Teoria 3: No dia em que Marilyn morreu ela ligou e conseguiu falar com Bob por telefone. Kennedy deixou claro que tudo estava acabado e que ela não deveria mais lhe procurar pois era um homem casado! Marilyn foi à loucura com isso e deixou claro para Bob que iria contar tudo sobre seus romances com ele e o irmão JFK para a imprensa no dia seguinte. Nesse quadro Bob manda o ator Peter Lawford para a casa de Marilyn. Ao chegar lá encontra a atriz em coma. Desesperado chama o FBI. Eles limpam o cenário de sua morte, sumindo com qualquer evidência que comprometa os Kennedys. Isso acontece entre às 00:00hs e 3:30hs quando finalmente a polícia de Los Angeles é chamada ao local. Fatos parecem comprovar que alguém esteve na casa de Marilyn. Seu diário pessoal desapareceu e um cofre onde ela guardava documentos foi violado. O sumiço dos números discados por ela na noite de sua morte também desapareceram misteriosamente. Anos depois Peter Lawford teria confirmado tudo para uma de suas ex-esposas.

Teoria 4: No dia em que Marilyn morreu ela ligou e conseguiu falar com Bob por telefone. Kennedy deixou claro que tudo estava acabado e que ela não deveria mais lhe procurar pois era um homem casado! Marilyn foi à loucura com isso e deixou claro para Bob que iria contar tudo sobre seus romances com ele e o irmão JFK. Bob vai até sua casa e acalma a atriz. Promete que vai repensar sua vida sentimental e suplica para que Marilyn se controle. Por voltas das 22:00hs, após jantar com ela, vai embora mais aliviado. Nessa teoria a máfia resolve agir. Ela monitora a casa de Marilyn e registra com fotos o encontro de Marilyn e Bob. Quando Sam Giancana sabe do ocorrido manda seus homens para matarem Marilyn naquela mesma noite. A intenção é incriminar Bob e seu irmão JFK pela morte. Eles conseguem seus objetivos mas depois que vão embora o FBI entra na casa de Marilyn para destruir todas as provas deixadas pelos mafiosos, provas essas que ligariam Bob e seu irmão presidente John aos crimes. Esse jogo de plantação de provas e sumiço com elas acontece nas horas que vão da morte da atriz, às 00:00hs até às 3:30hs quando finalmente a polícia de Los Angeles é chamada ao local pela empregada de Marilyn.

Como se pode ver teorias não faltam. Até hoje pairam dúvidas sobre o que aconteceu naquela noite. O que se sabe com alguma certeza é que Marilyn entrou em um jogo perigoso, que envolvia ameaças aos irmãos Kennedys de que ela revelaria tudo para a imprensa. O romance entre Marilyn e os irmãos Kennedys, homens casados que posavam de bons maridos para a imprensa, era incendiário por si só. Agora, a verdade absoluta, acredito que essa nunca saberemos ao certo.

Pablo Aluísio.

Entrevista: Robert Mitchum

Ele chega vestido com um elegante terno azul escuro risca de giz, mas ele certamente nunca será confundido com um banqueiro. Há um toque de cinismo sobre Robert Mitchum, um sentimento de que as regras foram feitas para diverti-lo.

Ele está aqui no Festival de cinema de Virgínia, diz o programa, porque ele encarna "a alma do filme noir". Sim. Isso é certamente correto. Em suas inflexões irônicas, em seus olhos sonolentos cínicos, na forma lacônica como ele lida com uma arma ou uma dama, ele encarna a essência de um dos mais obscuros gêneros cinematográficos norte-americanos.

Tudo isso é verdade e Mitchum se diverte com o título que lhe deram. "Nós chamávamos aquilo de cinema B, filmes B", disse ele . "Simplesmente porque a pura verdade era que nós não tínhamos dinheiro para uma grande produção, não tínhamos os equipamentos, não tínhamos as luzes, nós não tínhamos nem tempo. A única coisa que nós realmente tínhamos eram algumas boas histórias para contar."

É o meu trabalho estar no palco com Mitchum, e entrevistá-lo depois da exibição do filme "Out of the Past" (1947), um dos maiores filmes noir já feitos, aquele em que Jane Greer diz para Mitchum: "Você não é bom, e eu não sou boa. Nós fomos feitos um para o outro". E o filme onde, brinca Mitchum, todos morrem, mais cedo ou mais tarde. "Mas bem que eu queria viver mais naquele filme" - sorri o ator.

Assim que chega e se senta para a entrevista no palco, Robert Mitchum agradece todos os aplausos. Sorrindo ele diz: "Que maravilhosa recepção! Muito obrigado. A última vez que vi algo assim foi quando Rin Tin Tin, o cachorro, você sabe, foi apresentado para a imprensa no salão de convenções da MGM. O totó foi uma das maiores estrelas do cinema! E pensar que Rin Tin Tin não passava de um truque de câmera!..." Os jovens estudantes de cinema morreram de rir com a ironia cínica de Mitchum.

Eu conheci Mitchum muitos anos antes. Em 1967, em Dingle, Irlanda, durante as filmagens de "A Filha de Ryan". Passei a noite em sua casa de campo à beira-mar, bebendo, e ele observou: "David Lean filmou por um dia inteiro hoje e olha que ele está oito dias atrasado nos cronogramas de filmagens. Daqui uns sete anos ele termina o filme!". Mitchum implicava com a data de seu aniversário onde, segundo ele, tudo dava errado. "Uma vez peguei uma carona no meu aniversário para ir até Pittsburgh e fui parar em Steubenville, Ohio!" Depois de beber mais uns goles completa: "Marilyn Monroe morreu no dia do meu aniversário. Gostava dela, assim toda vez que completo anos, lembro da loira". Depois observa: "Nasci no dia errado. No meu aniversário jogaram a bomba atômica sobre Hiroshima! Não falta mais nada para acontecer nesse dia!" - Depois disso o velho Mitchum soltou uma gargalhada sonora.

O que eu aprendi durante esses tempos em que convivi com Robert Mitchum foi que ele era um cara de ótimo papo, muito descontraído e certamente daria uma ótima entrevista, desde que você não fizesse nenhuma pergunta que lhe aborrecesse. Afinal Mitchum tem seu próprio ritmo, sua própria melodia. No palco, na Virgínia, ele acendeu um cigarro da marca Pall Mall sob aplausos, soprou a fumaça, e suspirou. Mitchum nunca fez média.

- "Você tem sido um ator de cinema por 50 anos" - eu disse.

Silêncio. Um encolher de ombros.

- "Bem, fazer caretas e falar linhas de textos escritos por outra pessoa não é realmente uma cura para o câncer, você sabe, mas eu sei fazer isso. Se você pode fazer com alguma graça, então melhor. Eu tive sorte. Fiz bons filmes por aí nesses anos todos. No final do dia você fica satisfeito com tudo"

- "Em "Out of the Past" você co-estrelou ao lado de Kirk Douglas. Você sempre foi muito descontraído e relaxado. Ele parecia ser mais focado, intenso"

- "Bem, Kirk era muito sério sobre tudo. Pouco antes de "Out of the Past", Betty Jane Greer e eu vi um roteiro que veio da Paramount chamado "O Estranho Amor de Martha Ivers". Kirk ficou muito interessante nele. Assim nós dissemos: "vamos deixar ele fazer esse filme, o estúdio tinha oferecido aquilo para nós mas eu disse, deixe pra lá, aparecerá outro texto bom". Ele passava o tempo todo com um lápis sobre o ouvido fazendo anotações em suas falas no script. Eu não estava nem aí para isso!" - afirma rindo bastante o ator.

- Você acha que houve alguma competição entre vocês?

- "Sim. Mas ele era um tipo diferente de ator. Eu era apenas um cara. É a tal coisa, por parte dele talvez. Eu era apenas o cara contratado"

O público em Virginia estava planejando assistir filmes noir durante todo o fim de semana: "The Big Sleep" (1946), "Detour", "Sunset Boulevard", "Ace in the Hole", "Os Imorais", "Gilda", "Chinatown" e outro filme com Robert Mitchum chamado "Farewell, My Lovely". Muitos dos filmes foram feitos há 40 ou 50 anos mas o interesse era enorme, o que comprovava que o filme noir não tem idade.

O público adorou as convenções sociais da época - como o hábito de fumar o tempo todo dos personagens. Sobre isso Mitchum não perdeu a piada: "Out of the Past (Fuga ao Passado, no Brasil) é talvez o maior filme já feito sobre o cigarro, eu fumo o tempo todo, Kirk também. Eu nem o via direto atrás de tanta fumaça" - o público cai na gargalhada.

- "Eu ainda fumo demais. A minha geração fumou muito. Pedir um cigarro era uma boa forma de puxar uma conversa." - resume sobre aqueles tempos o velho Mitchum.

- "Será que vocês tem alguma idéia de como fazer uma piada envolvendo o consumo de cigarros hoje em dia?" Eu perguntei.

- "Não, não... " - foi logo cortando Mitchum.

- "Porque há mais tabagismo neste filme do que em qualquer outro filme eu já vi" - completei.

- "Nunca pensei sobre isso. Era charmoso fumar naqueles tempos. Algumas atrizes tinham hálito de fumo! Para falar a verdade nem me lembro mais desse filme...mas me lembro dos cigarros, eram muito bons" - pisca o ator!

- "Você nunca reviu o filme?

- "Eu vi no cinema na época no dia de estreia, depois acho que o revi alguma vez, mas já faz tanto tempo que eu não sei... "

Depois de mais algumas perguntas, ele finalmente saiu para jantar com sua esposa, Dorothy, durante a exibição de mais alguns filmes noir. Depois, no restaurante, perguntei-lhe sobre "The Night of the Hunter" (O Mensageiro do Diabo, 1955), o grande filme dirigido por Charles Laughton, no qual interpretou o pregador sinistro que tinha em suas mãos tatuadas as palavras "Amor" tatuado de um lado, e "ódio" na outra.

- "Charles (Laughton) me ligou" - lembra Mitchum - "... e disse: Robert? Aqui quem fala é Charles. Ontem recebi um script horrível. Uma porcaria. Mas podemos fazer algo completamente diferente com ele. Com o dinheiro do estúdio faremos um grande filme. Deixem eles pensarem que estamos fazendo o filme que eles querem. Faremos algo nosso!. Então marcamos um encontro para discutir o projeto. Ele queria filmar em West Virginia ou Ohio mas o orçamento não permitia. Depois disse que chamaria Shelley Winters pois seu cachê era baixo, pouco mais de 25 mil dólares. Foi um filme feito com pouco dinheiro. Charles não era só diretor, às vezes era figurinista e até sonoplasta. Em compensação era um cineasta fantástico. Ele era como John Huston ou pessoas assim. Ele não lhe dizia o que fazer ou o que seu personagem estaria pensando. Alguém como Cukor diria: 'Agora, ele está pensando isso, e isso ...' E eu respondia: 'É Sério isso?!' Mas Charles era um cineasta sutil. Ele ajudava a montar a cena, junto com o ator, e depois agradecia pelo resultado. Era muito gratificante.  As pessoas sempre querem saber por que ele nunca dirigiu outro filme. O que posso dizer? Ele morreu cedo demais, foi por isso"

Na volta da entrevista diante do público no festival Mitchum percebeu que já tinha o público na palma da sua mão. Ele contou sobre sua afeição por Charles Laughton, mas todos queriam saber sobre outros grandes diretores com que ele trabalhou.

David Lean, por exemplo. Então Mitchum relembrou o estilo do cineasta no set: "David iria sentar lá na cadeira, pensando, pensando e pensando um pouco mais. Ficava sentado, olhando o horizonte,  pensando por horas e horas no set. Soube que quando estava filmando Lawrence da Arabia ele ficou tanto tempo na cadeira que pegou uma insolação! Depois tiveram que levar ele de lá às pressas porque uma guerra havia estourado perto do local das filmagens" - diz, divertindo-se Mitchum sobre o famoso diretor - "E ele estava na cadeira quando a guerra começou..." - mais uma vez o público caiu na gargalhada.

Perguntado sobre o que havia achado da refilmagem de seu filme de 1962 com Robert De Niro em seu antigo papel, Mitchum desconversou afirmando que não havia ainda assistido o filme de Martin Scorsese.

Alguém na plateia perguntou-lhe sobre de Marilyn Monroe e seu rosto se suavizou.

"Eu a amava" - disse ele - "Eu a conhecia desde quando ela tinha uns 15 ou 16 anos de idade. Era colega de trabalho de seu primeiro marido na linha na fábrica da Lockheed em Long Beach. Foi quando eu a conheci. E eu a conhecia muito bem. E ela foi uma linda menina.... muito, muito tímida. Ela teve o que hoje é reconhecido como agorafobia, tinha pavor de sair no meio das pessoas. Naquela época eles formavam um casal comum, como qualquer outro. Ela era muito doce e feliz. Mas daí o marido foi servir na Marinha longe de casa e o casamento acabou. A revi no estúdio, por acaso, anos depois. Fizemos filmes juntos e gostávamos de rir muito. Sei que muitos a exploraram em seus anos em Hollywood. Isso é triste".

E o que dizer de Humphrey Bogart? - alguém perguntou. Como ele era?

- "Sim, eu o conhecia. Bogey e eu éramos bons amigos. Uma vez ele me disse: 'Você sabe, a diferença entre você e eu e os outros caras, não sabe?... - o jeito dele falar isso foi muito engraçado. Bebia do café da manhã ao jantar e não ficava embriagado, impressionante. Lá pelas três da tarde eu já estava caído no chão, bêbado, quando ia na casa do Bogey e ele, que havia bebido tanto quanto eu, estava lá, sóbrio, com copo na mão e o terno impecável. Nunca vou entender aquilo!" - brinca Mitchum.

Havia um monte de alunos da Universidade de Virgínia na plateia, e um deles perguntou: " Ah, o Sr. Mitchum, dada a sua atitude despreocupada em direção de cinema, o que você acha de um festival como este, que estuda cinema de forma crítica e analiticamente? "

- "Minha o quê?"

- " Sua atitude ocasional ... "

- "Sim, sim, eu consegui o papel casual. Qual foi a outra parte?"

Todos riram.

- "O que você acha dos festivais de cinema?"

- "Eles são freak shows. É como um show de aberrações de um parque de diversões de quinta categoria. Assim que uma estrela de Hollywood confirma a presença as estações locais de TV são avisadas. É como se uma girafa fosse solta no seu quintal. As pessoas nunca vêem uma girafa tomando banho na piscina da sua casa, então todo mundo vai lá ver. Com os atores de cinema é a mesma coisa!"

Depois disso a plateia veio abaixo com palmas e risos. Robert Mitchum é muito simpático e brincalhão. Um dos grandes atores do cinema clássico que nunca se levou muito à sério. Foi um prazer entrevistar ele. Melhor do que ver uma girafa no quintal.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Marilyn Monroe - Contradições de uma Estrela

Marilyn Monroe tinha uma personalidade muito volátil. Para muitos especialistas que leram suas biografias e relatos da época, de pessoas que viveram ao lado da atriz, ela no mínimo seria bipolar, com tendência a ser limítrofe, o que talvez explique muitos de seus atos ao longo da vida. Definitivamente não era fácil viver ou trabalhar ao seu lado. Era exigência primária ter muita paciência ou então muita compreensão pelos atos e decisões que ela tomava.Marilyn poderia ser doce e amável, ser terna e carinhosa ao máximo e poucos segundo depois virar o avesso disso. Ela tinha uma personalidade que poderia ser considerada medrosa ao extremo em determinados momentos e depois ser ousada, corajosa e desafiadora. Isso se reflete com seu complicado comportamento nos sets de filmagens onde ela poderia morrer de medo de entrar no trabalho, para filmar sua próxima cena e ao mesmo tempo poderia também demonstrar muita coragem de enfrentar os executivos mais poderosos da Fox face a face, impondo exigências absurdas em seus contratos.

Medo de ser aceita e exigências descabidas para essa mesma aceitação. Essa era a Marilyn. Um produtor que conviveu muito com a triz em seus anos na Fox chegou a declarar: "Marilyn Monroe era o médico e o monstro. Isso mesmo. Ela poderia ser a melhor profissional do mundo em um dia e a pior de todos os tempos no dia seguinte! Muitos diretores se recusaram a trabalhar ao seu lado por causa disso. Não havia segurança nenhuma que ela terminaria um filme! Era roleta russa!"

Em seus casamentos a mesma coisa. Seus maridos sentiram na pele o que era tentar manter um relacionamento estável com uma estrela de cinema loira, linda e... neurótica! Marilyn se casava muitas vezes por impulso, para logo depois, em poucas semanas, perder o interesse pelo marido. Quando ignorada, ela tentava de todas as maneiras conquistar um homem, mas logo que ele se revelava apaixonado, ela perdia o interesse por ele. Caso se tornasse submisso, como aconteceu com seu último marido, o escritor e dramaturgo Arthur Miller, a coisa toda desandava para a pura humilhação. No final desse casamento Marilyn passou a ter desprezo pelo marido.  Ela odiava homens fracos, sem personalidades fortes. Ao mesmo tempo não conseguia se ver como submissa dentro de nenhum casamento. Uma equação que levou todos os seus casamentos para o fracasso completo.

Pablo Aluísio.

A Morte de Judy Garland

A eterna Doroth de "O Mágico de Oz" teve uma morte bem triste. Judy foi uma das estrelas mais populares da MGM. Ela começou a carreira artística muito cedo, pressionado pela mãe, uma pessoa má que a forçava trabalhar sem descanso, segundo suas próprias palavras. A verdade é que ela nunca chegou a ter infância e juventude, como outras pessoas de sua idade. Sempre havia a pressão do trabalho, dia após dia. Em determinados momentos das filmagens ela chegava a trabalhar por até 17 horas diárias! Um absurdo.

Com tanta cobrança ela acabou se viciando em pílulas dadas pelos próprios executivos da MGM. As tais bolinhas eram consumidas em grandes quantidades. Até porque Judy tinha que cantar, dançar e atuar de forma impecável. O tempo passou, inúmeros casamentos fracassaram e suas finanças quebraram. Quando passou dos trinta anos de idade ninguém mais queria contratá-la em Hollywood.  A outrora estrela da MGM começou a cantar em pequenos bares por cachês irrisórios, coisa de 150 dólares por noite.

No final de sua vida ela estava falida, endividada, tentando fazer seu quinto casamento dar certo. Foi a Londres em busca de uma proposta. Uma rede de cinemas queria usar seu nome, mas depois desistiu. Foi um baque para a pobre Judy pois ela estava contando com esse dinheiro para pagar suas dívidas. Pior do que isso, ela estava magra demais, frágil, sem estrutura física ou psicológica para enfrentar tanto stress. O relacionamento com os filhos era complicado. Nenhum deles compareceu ao seu último casamento. Nenhum dos filhos mais fazia parte de sua vida pois havia muitas brigas no passado a se superar.

Judy acabou sendo encontrada morta no banheiro de um apartamento, após o que se supõe ter sido uma overdose acidental de drogas prescritas. Ela não conseguia mais dormir direito e após anos e anos de abusos com drogas precisava sempre aumentar ainda mais as dosagens. Judy foi ao banheiro pela madrugada, mas perdeu a consciência e caiu para a frente. Seu marido não notou sua ausência e só no dia seguinte foi até lá, a encontrando morta. Segundo os peritos Judy já estava morta há horas, já apresentando sinais de rigidez cadavérica.

A autópsia revelou que ela tomou uma dose fatal de barbitúricos. Esse tipo de droga sempre foi extremamente prejudicial, viciante e perigosa pois até mesmo um pequeno erro na dosagem poderia ser fatal. Nos anos 60 ainda era receitada com certa regularidade, sendo que hoje em dia só é indicada em casos extremos. Também apresentou uma magreza extrema, pois provavelmente estava desnutrida. Amigos próximos disseram após sua morte que ela desenvolveu um trauma alimentar desde a adolescência, pois os produtores geralmente a acusavam de estar gorda. Com isso Judy passou a ter medo de comer, o que acabou arruinando seu organismo com o passar dos anos. Ela passava dias sem comer nada! Provavelmente sofria de uma bulimia não diagnosticada. Judy teve uma morte trágica, mas jamais será esquecida pelos amantes da sétima arte, pois ela estrelou alguns dos maiores clássicos da história do cinema.

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Cinema Clássico - Marilyn Monroe



10 Curiosidades Sobre o Vampiro da Noite

1. O Script de Christopher Lee no filme não era exatamente longo! Na verdade ele só tinha treze linhas de diálogo para dizer durante todo o enredo. Sobre isso Lee diria que o seu Drácula era na essência um monstro e monstros não são muito de bate papo. O Conde do filme só troca diálogos com um único personagem durante todo o filme, Jonathan Harker.

2. Depois de 30 anos desaparecida a capa que Christopher Lee usou no filme apareceu numa loja de fantasias de Londres. Uma relíquia para a história do cinema inglês ela seria vendida em um leilão por 50 mil dólares. Antes da ser colocada à venda porém a casa de leilões contratou Lee para reconhecer a peça e marcar sua autenticidade.

3. Houve um acidente durante as filmagens. Numa cena que deveria ser ao mesmo tempo aterrorizante e sensual o ator caiu em um buraco no set de filmagens, atingindo a dublê da personagem Mina. Apesar do constrangimento e da dor não houve ferimentos mais graves.

4. Em sua autobiografia o ator confessou que recebeu apenas 750 libras por sua atuação como Drácula no filme. A Hammer alegou não ter maiores recursos para pagar um cachê melhor. Lee, por outro lado, estava precisando de trabalho e aceitou o pouco que lhe ofereceram. Nos filmes seguintes ele iria endurecer o jogo, pedindo cachês cada vez mais altos a cada sequência, além de privilégios que não havia tido, como um camarim próprio, por exemplo.

5. O filme foi dirigido por Terence Fisher, veterano cineasta inglês que morreu em 1980. Ele iria dirigir ainda "As Noivas do Vampiro" (1960) e "Drácula, o Príncipe das Trevas" (1966). Também assinaria outros clássicos do terror com monstros famosos como Frankenstein em produções como "A Vingança de Frankenstein" (1958) e "Frankenstein Tem que Ser Destruído" (1969).

6. O Vampiro da Noite recebeu três prêmios do Hugo Awards nas categorias de Melhor Direção (Terence Fisher), Melhor Roteiro Adaptado (Jimmy Sangster) e Melhor História (dado como homenagem a Bram Stoker, autor do livro original).

7. Quando o filme foi lançado no mercado americano a distribuidora daquele país resolveu mudar o título do filme para "Horror of Dracula" por questões envolvendo direitos autorais. Também pesou em favor da decisão o fato de que os americanos responsáveis pela distribuição tinham receios que o filme fosse confundido com o clássico estrelado por Bela Lugosi, que inclusive estava para ser exibido pela primeira vez na TV americana pelo canal CBS.

8. Uma sequência do filme ficou perdida por anos até que finalmente foi reencontrada do outro lado do mundo, no Japão. Uma cópia original preservada pela National Film center de Tóquio conseguiu salvar essa cena da destruição pois ela não era mais encontrada em cópias na Inglaterra.

9. As filmagens duraram praticamente três meses, começando em 11 de novembro de 1957 e terminando em 3 de janeiro de 1958. Curiosamente o filme estreou antes nos Estados Unidos numa exibição em Milwaukee, Wisconsin. Só uma semana depois é que o filme iria finalmente surgir nas salas de cinema britânicas (apesar do filme ser inglês)!

10. O filme foi incluído na lista "Os 1000 Filmes Que Você Precisa Assistir Antes de Morrer" escrita por Steven Schneider.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Mortos que Matam - Curiosidades

Vincent Price insistiu que deveria levantar pessoas reais para colocar na parte traseira do carro de seu personagem no filme. A razão? Mostrar verdadeiro cansaço, para melhorar sua atuação no filme. 

O estúdio decidiu mudar o nome do personagem principal. Assim Robert Neville se tornou Robert Morgan. O curioso é que esse filme é considerado o mais fiel ao livro original. Já as duas outras adaptações, A Última Esperança da Terra (1971) e Eu Sou a Lenda (2007), mantiveram o nome do protagonista do livro, mas mudaram diversas partes do enredo.

O filme foi rodado em grande parte na Itália. Isso foi um problema, principalmente em relação aos carros. Modelos americanos foram comprados pelo estúdio e suas placas mudadas, para dar a impressão ao espectador de que toda a estória se passava em San Francisco, na Califórnia.

O estranho prédio, em forma de OVNI ou em forma de cogumelos, em segundo plano por trás do Dr. Robert Morgan é o "Ristorante IL Fungo" localizado em Roma, construído em 1957.

Richard Matheson originalmente escreveu o roteiro em 1957. Naquela ocasião o estúdio havia planejado que o filme teria como diretor Fritz Lang. E que tudo seria produzido em parceria com a Hammer de Londres. Planos iniciais que ficaram pelo meio do caminho.

No roteiro a estória do filme se passa em 1968, ou seja, quatro anos no futuro, já que o filme chegou aos cinemas em 1964. No texto original o mundo chegaria ao fim antes dos anos 1970.

Charlton Heston assistiu a essa primeira versão antes de atuar em "A Última Esperança da Terra". Ele não gostou desse primeiro filme. Em sua opinião esse primeiro filme era mal produzido, sem grande orçamento. Antes do começo das filmagens de sua versão ele declarou ao diretor  Boris Sagal que "podemos fazer algo muito melhor do que a versão de Vincent Price".

Pablo Aluísio.

Doris Day: 90 anos

Segue texto que escrevi por ocasião dos 90 anos de aniversário da atriz Doris Day: Ontem a querida Doris Mary Ann Kappelhoff completou 90 anos de idade! O aniversário foi amplamente divulgado pela imprensa americana e (pasmem!) pela brasileira também (provavelmente a reboque do que era escrito lá fora). Um bom reflexo que mostra que a estrela da atriz ainda brilha, mesmo após tantos anos de sua aposentadoria. Não cabe aqui fazer mais um levantamento burocrático sobre seus filmes como a imprensa oficial fez. 

O que vale a pena mesmo é homenagear essa sobrevivente. Sim, a vida de Doris passou muito longe de seus personagens açucarados no cinema. Grande cantora, uma atriz de presença, ela perdeu tudo o que havia ganho por se envolver com homens errados. Um deles, seu marido, limpou sua conta corrente e desapareceu. Mulheres bonitas e de boa índole geralmente se envolvem com cafajestes - não me perguntem o porquê! 

O fato é que depois de uma carreira muito bem sucedida em Hollywood ela teve que recomeçar sua vida. Foi para a TV, tentou emplacar sucessos na telinha (em um de seus programas nos anos 80 recebeu um Rock Hudson corroído pela AIDS) e também enveredou por outros caminhos. Fundou uma instituição de apoio a animais abandonados e seguiu em frente. Talvez magoada pela falta de consideração que o show business tem por seus antigos ídolos abandonou completamente sua carreira de atriz no cinema. Não parece ter olhado para trás. Seu último filme a ser lançado comercialmente nos cinemas foi no distante ano de 1968 com "Tem um Homem na Cama da Mamãe". De lá para cá sempre manteve uma postura de distância dos grandes estúdios.

Também procurou pela privacidade perdida em seus anos de estrela. Se tornou reclusa com seus animais e não faz aparições públicas. Há uns dois anos resolveu ir a um mercadinho perto de sua casa e foi fotografada por paparazzis, sempre em busca de uma invasão da privacidade alheia. Doris estava com roupas informais, cabelos longos e despenteados e obviamente mostrando as marcas do tempo. Infelizmente a foto foi parar nas revistas de fofocas americanas em um típica demonstração de frivolidade dessas publicações. Isso porém não importa em nada. Doris Day sempre será lembrada pelos 39 filmes que realizou. Muito bom que ela tenha abraçado a causa da defesa dos animais, até porque todos precisamos de um objetivos para levantarmos cedo pela manhã. Hoje, aos 90 anos (quem diria) ela parece ser uma mulher serena e realizada. Um belo final feliz para um dos maiores símbolos da era de ouro em Hollywood. Parabéns Doris!

Pablo Aluísio.

domingo, 23 de setembro de 2007

Meu Reino por um Amor - Curiosidades

Errol Flynn e Bette Davis nãos e deram bem nas filmagens. Ela era uma atriz orgulhosa de sua profissão e não via com bons olhos o estilo galã de Flynn. Em sua biografia o ator relembrou que ela desferiu um tapa de verdade nele durante uma das cenas. Flynn aceitou numa boa, mas percebeu que ela agiu assim com uma certa maldade. Anos depois ela lhe diria que havia sido proposital, para ver se ele finalmente atuava bem! 

Bette Davis brigou com o estúdio porque queria Laurence Olivier no papel do Conde Essex. Segundo Davis o roteiro tinha diálogos extremamente bem escritos que exigia um grande ator em cena. Só que os produtores não aceitaram suas sugestões e contrataram Errol Flynn. Anos depois Davis encontraria Olivia de Havilland e diria a ela que Flynn tinha realizado um bom trabalho no filme e que ela, na época, tinha sido injusta com o ator.

Bette Davis teve as sobrancelhas removidas pela equipe de maquiagem do filme. Isso porque a rainha Elizabeth I também não as tinham, por um costume de época. O problema é que segundo a própria Bette Davis elas nunca mais cresceram adequadamente, o que a levou a ter que desenhá-las com lápis para os filmes que faria depois. Era algo que Davis iria se arrepender pelo resto de sua vida. 

Quando o filme foi realizado Bette Davis tinha uma grande diferença de idade com a rainha Elizabeth I. Quando a monarca se apaixonou pelo Conde Essex ela tinha 63 anos de idade. Quando o filme foi feito a atriz Bette Davis tinha aproximadamente a metade dessa idade. A equipe de maquiagem do filme então a envelheceu para que parecesse uma senhora já em idade mais avançada. 

Para dar a ilusão de calvície, Bette Davis raspou a cabeça dois centímetros na frente para mostrar uma testa alta sob as perucas vermelhas de Elizabeth. A rinha tinha sérios problemas de calvície. Alguns historiadores afirmam inclusive que ela morreu praticamente careca, o que escondia sob pesadas e volumosas perucas ruivas. 

A rainha Elizabeth I e o Conde de Essex tinham laços familiares, o que levava alguns membros da corte a qualificar o romance como incestuoso. O primeiro roteiro do filme explorava esse aspecto, mas o diretor Michael Curtiz decidiu cortar essa parte pois em sua opinião o público não teria qualquer interesse em saber disso. 

Pablo Aluísio.

Mayerling - Curiosidades Cinematográficas

No filme Ava Gardner interpretava a imperatriz Sissi, mãe do personagem de Omar Shariff. O problema é que a diferença de idade entre a atriz e o ator era de apenas nove anos. Mesmo assim acabaram sendo convincentes no filme.

No projeto original o filme teria outra dupla de protagonistas, estrelando o casal Mel Ferrer e Audrey Hepburn. Ela inclusive já tinha contato com a história pois tinha participado da versão para a TV de Mayerling em 1957. Só que por questão de falta de tempo em sua agenda a atriz acabou recusando gentilmente o convite feito pelo estúdio.

Quando o filme começou a ser rodado em estúdio um dos produtores executivos era o próprio ator Mel Ferrer. Foi ele inclusive quem contratou Terence Young para a direção. Algum tempo depois Ferrer resolveu abandonar o filme, porém Young continuou confirmado como diretor da fita.

Outros atores foram cogitados pelo estúdio para interpretar o papel principal, do herdeiro imperial. Marcello Mastroianni que havia sido a primeira escolha foi descartado, por causa da idade. Alec Guinness foi inicialmente escolhido para interpretar o imperador Francisco I, mas também acabou não ficando.

Historiadores afirmam que o arquiduque Rudolf era na verdade apaixonado por uma atriz e prostituta (que está sutilmente representada no filme) e não por Maria Vetsera. O roteiro porém investiu numa grande paixão entre o casal que acabaria cometendo suícidio junto.

Catherine Deneuve não tinha a idade certa para interpretar Maria Vetsera. Na história real ela tinha apenas 16 anos de idade quando se matou ao lado do arquiduque. Também tinha cabelos negros e não loiros como mostrados no filme. Tampouco chegava aos pés da beleza de Deneuve, considerada por muitos uma das atrizes mais bonitas da história do cinema.

Omar Sharif também não se parecia em nada como o verdadeiro Rudolf, herdeiro do trono. Ele era calvo e magro, nada belo. Já Omar era considerado um dos grandes galãs do cinema americano e europeu. Nascido em Alexandria, no Egito, o ator era bem diferente do austríaco nobre que interpretou nesse filme.

Pablo Aluísio.

sábado, 22 de setembro de 2007

Johnny Weissmuller

Johnny Weissmuller foi o primeiro ator a fazer realmente carreira apenas com um personagem, Tarzan, que o marcaria para sempre. O interessante é que ele jamais pensou em atuar na sua juventude. Queria ser atleta olímpico. O esporte escolhido foi a natação. Acabou se tornando um grande campeão da modalidade, vencendo cinco medalhas de ouro nos jogos olímpicos de 1924 e 1928, O sucesso nas piscinas chamou a atenção de publicitários e depois de produtores de cinema. Ele tinha o físico perfeito para certos papéis.

Em 1932 interpretou o Rei das Selvas em "Tarzan, o Filho da Selva", um grande sucesso de bilheteria. Como ator era bem limitado, mas isso no final das contas não tinha muita importância, já que o seu Tarzan era um homem rude, criado entre macacos e que sabia falar poucas palavras em inglês. O que importava para o diretor W.S. Van Dyke era que ele conseguisse fazer bem as cenas de ação no meio da selva. E nisso Johnny correspondia muito bem às expectativas.

O lucro enorme que o filme fez o transformou em uma série cinematográfica. Nos anos seguintes Weissmuller voltaria a atuar como Tarzan nos filmes "A Companheira de Tarzan", "A Fuga de Tarzan", "O Filho de Tarzan", "O Tesouro de Tarzan", "Tarzan Contra o Mundo", "Tarzan, O Vingador", "Tarzan em Terror no Deserto", "Tarzan e as Amazonas", "Tarzan e a Mulher Leopardo" e "Tarzan e a Caçadora". Finalmente em 1948 fez o último filme com o personagem chamado "Tarzan e as Sereias". Foram 14 anos atuando exclusivamente como o famoso herói criado pelo escritor Edgar Rice Burroughs. A idade foi chegando e ele foi perdendo a forma física, não dava mais. Sobre isso chegou a declarar para uma revista de cinema da época: "Eu não posso interpretar Tarzan para sempre!".

No mesmo ano em que abandonou Tarzan ele começou a filmar "Jim das Selvas". Era uma maneira de tentar manter seu sucesso junto ao público, mas com o passar dos anos sua fama foi se apagando. Como um homem rico, com o dinheiro ganho nos cinemas e em em peças publicitárias, ele conseguiu ter uma velhice moderadamente tranquila. Enfrentou alguns problemas mentais, mas conseguiu se recuperar. Faleceu aos 84 anos de idade, em Acapulco, no México, após sofrer uma trombose seguida de um derrame cerebral. Imortalizado para sempre nas telas como o primeiro grande Tarzan da história do cinema, ainda hoje é lembrado pelos fãs dos filmes e quadrinhos, sempre sendo citado como um dos melhores intérpretes do personagem no cinema.

Pablo Aluísio.

O fim da dupla Martin e Lewis

Quando Dean Martin atuou no drama romântico "Deus Sabe Quanto Amei" ao lado do amigo e colega Frank Sinatra ele já tinha provado seu ponto de vista para Jerry Lewis. Como se sabe eles começaram juntos, muitos anos antes, quando se conheceram em New Jersey. Ambos estavam se apresentando em um night club. Martin era o cantor da noite e Lewis o contador de piadas. Uma noite os dois tiveram uma ideia. Que tal unir o palhaço com o galã italiano no palco. Poderia dar certo? Claro que sim. A dupla a partir daí não parou mais de se apresentar juntos.

Tudo caminhava bem e ficou ainda melhor quando o produtor Hal Wallis decidiu levar a dupla Martin e Lewis para a Paramount Pictures. A partir daí já sabemos bem o que aconteceu. Eles fizeram dezenas de sucessos no cinema e em determinado momento se tornaram os mais populares astros do cinema americano. Foi de fato um sucesso de bilheteria espetacular.

Só que nada dura para sempre. Alguns biógrafos dizem que a dupla começou a ruir por causa da esposa de Dean Martin. Ela colocou na cabeça do cantor e ator que ele estava sendo ofuscado por Jerry Lewis nos filmes. Uma bobagem porque cada um tinha um papel bem definido nas produções. Ninguém estava passando a perna em ninguém. Mesmo assim Martin não pensou direito e resolveu romper com o comediante. Depois disso todos em Hollywood ficaram em dúvida: será que Dean Martin iria sobreviver no cinema sem Jerry Lewis?

Filmes como esse provaram que sim. Aliás é bom que se diga que Dean Martin teve mesmo uma carreira brilhante em Hollywood após o fim de sua parceria com Jerry Lewis. Ele atuou com grandes diretores e atores e fez bonito em alguns dos grandes clássicos da sétima arte. O fim da dupla Martin e Lewis iria deixar mágoas, mas nos anos 1970 eles finalmente se encontraram em um programa de TV que Jerry Lewis estava apresentando. Foi um encontro breve, mas que valeu para demonstrar que a velha amizade ainda poderia sobreviver. Nunca mais fariam filmes juntos, mas pelo menos a antiga amargura do rompimento tinha ido embora para sempre.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Errol Flynn - Hollywood Boulevard - Parte 2

Errol Flynn - Capitão Blood
Não foi Errol Flynn o primeiro astro dos filmes de capa e espada, com piratas cruzando os mares. Essa honra coube a Douglas Fairbanks, ainda na era do cinema mudo. Porém foi seguramente Flynn em seus filmes na Warner Bros que transformaram esse gênero de aventura em algo maior, em um verdadeiro evento cinematográfico de massa.

O ator foi o grande astro da era de ouro da Warner. O estúdio não media esforços e gastos para recriar na tela os tempos dos piratas, que cruzavam os oceanos em busca de riquezas. O diretor Michael Curtiz também foi um mestre nesse gênero. Ao lado de Flynn rodou os maiores sucessos de bilheteria da época, a ponto de transformar Flynn no ator mais bem pago de Hollywood.

Nesse filme temos um pirata por acidente. Isso mesmo. O médico Peter Blood (Errol Flynn) é um homem honesto, injustamente condenado por um crime que não cometeu durante o reinado tirânico do Rei Jaime II. Enviado para cumprir sua pena em um navio (na chamada pena de galês) ele acabou liderando um motim, tomando a embarcação e se transformando a partir daí no Capitão Blood, um pirata ao velho estilo, mas com um bom coração e um senso de ética fora do comum.

Tecnicamente o filme é perfeito. Se engana quem pensa que ele está datado. É tão bem realizado, com bonito figurino e cenários realistas, que funciona perfeitamente bem até nos dias de hoje. A Warner chegou a construir dentro do estúdio duas enormes caravelas da época dos piratas, contratando historiadores para que tudo fosse reconstruído nos mínimos detalhes. Para Flynn esse filme também significou o começo de uma nova era, onde ele brilharia como poucos astros no céu de Hollywood.

Capitão Blood (Captain Blood, EUA, 1935) Direção: Michael Curtiz / Roteiro: Rafael Sabatini, Casey Robinson / Elenco: Errol Flynn, Olivia de Havilland, Lionel Atwill, Basil Rathbone / Sinopse: Capitão Blood (Errol Flynn) é um pirata do Caribe que saqueia e rouba navios ingleses e franceses que ousem cruzar seu caminho em alto mar. Para capturá-lo o Rei da Inglaterra envia um navio de guerra fortemente armado para atingir esse objetivo.

Pablo Aluísio

Charlton Heston - El Cid

Em uma era em que o cinema procurava produzir grandes espetáculos épicos, esse "El Cid" se destacou por causa de sua grandiosidade. O filme resgata a figura lendária desse guerreiro medieval que foi peça importante na vitória dos povos cristãos europeus contra o invasor mouro, vindo do Oriente Médio. O campo de batalha se deu na Península Ibérica, mais objetivamente nas terras dos reinos de Portugal e Espanha. Foi lá que El Cid criou sua lenda.

O roteiro do filme não é historicamente preciso. Os roteiristas Fredric M. Frank e Philip Yordan preferiram usar os poemas medievais como base para a história do filme. Isso é fácil de explicar. O estúdio queria um herói medieval íntegro e sem falhas. O El Cid dos poemas vai de encontro a essa imagem. Já o El Cid da história era bem diferente. Em essência era um mercenário que colocava sua espada à disposição do rei que lhe pagasse mais. Não ficaria bom em um filme épico como esse.

Assim Charlton Heston se mostrou ser o nome ideal para o filme. Para quem havia interpretado Moisés em "Os Dez Mandamentos" e Judah Ben-Hur no imortal clássico dirigido por William Wyler, seu nome no elenco surgia como algo natural. Nenhum astro da era de ouro de Hollywood personificou melhor o herói de filmes épicos do que ele. Apenas sua presença na tela já deixava o espectador da época com a certeza de estar na presença de um herói, um mito da Idade medieval. Como sempre Heston segurou o filme de ponta a ponta. Mesmo quando o ritmo decaiu na metade do enredo ele ainda conseguiu manter o interesse do público.

Já o mesmo não se pode dizer de Sophia Loren. Atriz de dotes de beleza bem óbvios - quase exuberantes - ela tentou seduzir a plateia com uma atuação fora de tom, diria exagerada. Enquanto Heston mesmo interpretando o herói surgia mais sutil, Loren exagerava na dose. Além disso seu romance com El Cid soa pouco convincente, demasiadamente forçado e pouco convincente. Já o diretor Anthony Mann errou um pouco a mão ao dar espaço demais para esse romance pouco interessante. Se tivesse se concentrado ainda mais nas cenas de campos de batalhas o filme inegavelmente teria ficado muito melhor.

El Cid (Idem, EUA, Itália, 1962) Direção: Anthony Mann / Roteiro: Fredric M. Frank, Philip Yordan / Elenco: Charlton Heston, Sophia Loren, Raf Vallone / Sinopse: Épico que narra a história do guerreiro medieval El Cid que lutou contra as invasões mouras na Península Ibérica durante a alta idade média. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Direção de Arte, Melhor Música Original e Melhor Trilha Sonora (Miklós Rózsa).

Pablo Aluísio

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Memórias de Marilyn Monroe - Parte 1

Memórias de Marilyn Monroe
Certa vez me perguntaram se cinquenta por cento dos críticos em Hollywood me dissessem que eu não tinha talento, o que eu faria? Eu respondi que mesmo que cem por cento falassem isso eu não desistiria dos meus sonhos e saberia do fundo do meu coração que todos eles estavam errados. Eu sempre investi em mim mesma. Quando era modelo eu via todos aqueles vestidos deslumbrantes, aquelas roupas maravilhosas e pensava que eu precisava urgentemente de todas elas em meu quarta roupas. O problema é que eu era pobre e não tinha dinheiro para comprar todas aquelas roupas e elas eram importantes para a minha carreira. Isso porque os agentes e as agências sempre pagavam mais a quem se vestia melhor, quem aparecia com as melhores roupas, os melhores figurinos. Além disso se percebessem que alguma modelo estava em dificuldades financeiras logo corriam para se aproveitarem dela.

Eu amadureci muito cedo em minha vida. Estar casada tão jovem como eu fui me ajudou a ficar madura mais cedo do que outras garotas da minha idade. Estar casada com meu primeiro marido era a mesma coisa que estar presa em um zoológico. Uma vez fomos a um restaurante e era uma noite de baile com conga (uma dança exótica popular na época). Eu acho que naquela noite me animei e fui lá dançar com as pessoas, até me misturei com os bailarinos profissionais. Quando voltei para a mesa meu marido havia fechado a cara para mim! Com raiva ele me disse que eu estava ridícula e havia me comportado como um macaco no Zoo. Meu casamento era tão infeliz que acho que ele tinha razão. Minha felicidade era apenas da porta para fora, dentro de mim eu não me sentia feliz.

Eu nunca fui uma boa aluna. Na verdade estava sempre na classe C que era o mais baixo nível na escola. As únicas matérias em que me saía bem eram inglês e matemática, embora eu não tivesse o menor sentido de dinheiro ou tempo. Eu também gostava muito de escrever e fazer poemas. Gostava de refletir usando um pedaço de papel e uma caneta. Certa vez acabei sendo premiada por uma redação que fiz e isso me encheu de orgulho. Era uma dissertação e eu me saí muito bem, saiba disso.

Na época eu estava morando com tia Ana. Ela foi a pessoa mais gentil que conheci. Ela foi a primeira pessoa do mundo de que gostei verdadeiramente. E isso era bom porque ela também gostava muito de mim. Uma vez escrevi um poema para ela que chamei de "Eu a Adoro". Quando mostrei a alguém essa pessoa chorou porque havia muito sentimento no que eu havia escrito. Eu havia escrito o poema quando tia Ana morreu. Mostrava tudo o que eu sentia quando ela partiu. Era muito emocional e triste. Até aquele momento de minha vida ela era a única pessoa que me amava e me compreendia completamente. Ela me mostrou e ajudou a compreender as coisas importantes da vida e me fez ter confiança em mim mesma. Nunca, jamais me magoou e não podia pois era toda amor e delicadeza. Foi muito boa para mim em um tempo em que passei por grandes dificuldades em minha vida.

Marilyn Monroe.

Robert Mitchum - Raposa do Espaço

Depois da II Grande Guerra Mundial e seu ciclo de filmes, Hollywood procurou por outro tema para seus filmes de guerra. Na década de 1950 várias produções foram rodadas tendo como tema central a Guerra da Coreia. Esse é o caso desse "Raposa do Espaço".  O lendário Robert Mitchum interpreta um oficial da força aérea que é enviado para o Japão com o objetivo de comandar um grupo de pilotos de caça que iriam lutar no conflito da Coreia.

Assim se você gosta de filmes de aviação, em especial os da linha mais clássica, não pode deixar de passar esse bom filme em branco. As cenas de combate, com Mitchum e sua equipe nas cabines dos aviões de guerra, até hoje chamam a atenção por serem extremamente bem feitas. O diretor Dick Powell optou pela perfeição técnica e nesse aspecto se saiu muito bem. O filme quando os aviões estão em ação, é tecnicamente perfeito.

Não podemos esquecer também do contexto histórico em que o filme foi rodado. Era a primeira fase da Guerra Fria, quando os "vermelhos" (em especial soviéticos, chineses e coreanos do norte) já apareciam como os novos vilões preferidos dos filmes americanos de guerra. E no meio das bombas caindo e dos duelos em pleno ar ainda sobrou espaço para um romance do personagem de Robert Mitchum com uma bela mulher. Afinal seu rosto cínico, sempre com um cigarro no canto da boca, sempre se adequava bem nesse tipo de enredo.

Raposa do Espaço (The Hunters, EUA, 1958) Direção de Dick Powell / Roteiro de Wendell Mayes e James Salter / Elenco: Robert Mitchum, Robert Wagner, Richard Egan / Sinopse: O enredo se passa durante a guerra da Coreia. Mitchum faz o papel de um Major que chega no Japão para liderar uma esquadrilha de caças durante esse conflito.

Pablo Aluísio