segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A Mexicana

Título no Brasil: A Mexicana
Titulo Original: The Mexican
Ano de Produção: 2001
País: Estados Unidos
Estúdio: Dreamworks Pictures
Direção: Gore Verbinski
Roteiro: J.H. Wyman
Elenco: Brad Pitt, Julia Roberts, James Gandolfini, J.K. Simmons, Bob Balaban.

Sinopse: 
Um criminoso tem que ir ao México em busca de uma pistola rara e de grande valor para entregar ao seu chefe ao mesmo tempo em que tem que lidar com sua esposa que quer de todas as formas que ele abandone o mundo do crime de uma vez por todas.

Comentários:
Não curti nem um pouco. Vi no cinema e saí insatisfeito. Pitt e Roberts não convencem e não mostram paixão nenhuma na dela. Sobra para o James Gandolfini tentar salvar o filme, mas em vão. Ele não é santo milagreiro. A mistura de filme de ação com romance não combinou muito bem. Há claras falhas de ritmo, além de uma duração que soa muito excessiva, talvez pelo fato do enredo ser bem enfadonho. É a tal coisa, até gosto de forma em geral do cinema assinado pelo diretor Gore Verbinski. Aqui porém ele errou na mão. Não sei se foi a pressão dos astros (da dupla central formada por Pitt e Roberts) ou então por causa do estúdio (DreamWorks, de Steven Spielberg), mas o fato é que tudo é muito artificial. Nada convincente, nada marcante. É aquele tipo de filme que, apesar dos nomes envolvidos, muitos deles bem talentosos, não existe aquela fibra que encontramos em grandes filmes. No fundo tudo é um grande exercício de vazio.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Jane Russell


Poster original do clássico “O Proscrito”. O milionário excêntrico Howard Hughes queria fazer algo diferente, um western fora dos padrões e conseguiu. Se apoiando bastante na sensualidade da atriz Jane Russell ele realizou um faroeste diferente que chamou bastante a atenção na época. Chegou inclusive a desenhar um design todo especial para o sutiã da atriz! Desnecessário dizer que o filme foi um sucesso de bilheteria.

Pablo Aluísio.

O Rebelde Orgulhoso

Após o fim da guerra civil americana John Chandler (Alan Ladd) se encontra completamente arruinado. Sua fazenda foi queimada pelos ianques, sua esposa foi morta na frente de seu pequeno filho que traumatizado nunca mais conseguiu falar. Ex-combatente do sul ele decide ir até o norte em busca de uma cura para o garoto. O caminho porém não será fácil pois ele passa a ser hostilizado por onde passa uma vez que é tratado como “rebelde” apenas por ser sulista. Na busca por um tratamento para seu filho David (David Ladd) ele acaba chegando numa cidadezinha na fronteira entre norte e sul. Lá, como sempre, é alvo de provocações, indo parar na cadeia após trocar socos com uns valentões locais. Tentando lhe ajudar a fazendeira Linnett Moore (Olivia de Havilland) resolve pagar a fiança em troca do trabalho de Chandler em sua propriedade. O problema é que a fazenda é alvo dos irmãos Burleighs que cobiçam a região para pasto de seu rebanho. Após alguns ataques covardes (o bando incendeia parte do rancho), Chandler resolve desafiar os criminosos, levando todos para uma disputa final de vida ou morte.

Esse é sem dúvida um dos melhores faroestes da carreira de Alan Ladd. Com um roteiro que faz lembrar em certos momentos de “Os Brutos Também Amam” o filme consegue conciliar drama, romance e ação nas doses certas. O ator Alan Ladd novamente incorpora um personagem integro, honrado e honesto que deseja apenas que seu filho volte a falar novamente. Por falar nele o ator mirim David Ladd era de fato o próprio filho do ator, repetindo nas telas aquilo que era na vida real. O garotinho mostra muita desenvoltura em seu papel, criando um vinculo emocional bastante forte com o espectador. O roteiro é muito bem escrito, e tira proveito de toda a situação com maestria. Para os que gostam de animais o filme ainda traz um pequeno cão pastor que acaba roubando várias cenas com seu adestramento. A disputa por ele acaba sendo um ponto crucial para todos os personagens na estória. É interessante notar ainda como Alan Ladd foi provavelmente o cowboy mais romântico do western americano. Todos os seus personagens possuíam algo em comum, pois eram heróis trágicos, errantes, à procura de um lugar para recomeçar a vida novamente (muitas vezes partindo praticamente do zero). O cineasta Michael Curtiz (um dos maiores nomes do cinema clássico americano) soube muito bem aproveitar dessa característica de Ladd aqui, mostrando mais uma vez toda sua elegância e seu talento em um faroeste realmente de encher os olhos. Grande filme, grande momento da carreira de Alan Ladd, que aqui surge mais uma vez em sua quintessência.


O Rebelde Orgulhoso (The Proud Rebel, EUA, 1958) Direção: Michael Curtiz / Roteiro: Joseph Petracca, Lillie Hayward / Elenco: Alan Ladd, Olivia de Havilland, Dean Jagger, David Ladd,  Harry Dean Stanton, John Carradine / Sinopse: Ex- confederado se arrisca a ir até o norte em busca de tratamento para seu filho que ficou mudo após passar por um grande trauma. No caminho acaba se envolvendo numa luta por terras numa pequena cidade na fronteira entre norte e sul.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 29 de setembro de 2013

Marilyn Monroe


Marilyn Monroe em foto promocional da 20th Century Fox na década de 1950. A atriz personificava uma imagem irresistível aos homens, a da loira linda mas inocente e muitas vezes burra. Um tipo que passava longe da verdadeira Marilyn, sempre muito intuitiva e esperta.

Johnny Guitar

François Truffaut definiu "Johnny Guitar" como "um filme onde os cowboys desmaiam e morrem como uma bailarina". Recebido friamente em seu lançamento o filme foi ao longo das décadas ganhando cada vez mais status, principalmente pela visão revisionista de críticos e grande teóricos da sétima arte como Truffaut. O enredo é de certa forma banal, mostrando a luta de duas mulheres pelo mesmo homem ao mesmo tempo em que chega na cidadezinha uma figura interessante, Johnny Guitar (Sterling Hayden). Mas o que transformou Johnny Guitar em um cult movie? Para muitos seria a presença de um elenco maravilhoso, a começar pela diva e estrela Joan Crawford. Atriz de presença forte e marcante ela certamente rouba muito da atenção do filme para si, mostrando porque se tornou uma das grandes stars da era de ouro em Hollywood.

Para outros "Johnny Guitar" se tornou marcante por causa da direção brilhante e diferenciada do "maestro da sétima arte" Nicholas Ray. Nesse sentido ele imprime uma situação curiosa no filme pois abraça certamente todos os clichês do gênero mas ao mesmo tempo os eleva a um patamar de pura arte, como bem definiu  François Truffaut, mostrando que de uma forma ou outra o filme é na verdade um louvor ao western como linguagem cinematográfica. De fato o filme apresenta vários inovações tecnológicas, entre elas o uso do chamado Trucolor, um sistema de cores do estúdio Republic, que hoje em dia já não existe mais. Assim se você estiver em busca de um western realmente histórico fica a dica de "Johnny Guitar", uma produção que se propõe a ser diferente, embora no fundo consagre todos os grandes dogmas do estilo.


Johnny Guitar (Johnny Guitar, EUA,1954) Direção: Nicholas Ray / Roteiro: Philip Yordan, Roy Chanslor / Elenco: Joan Crawford, Sterling Hayden, Mercedes McCambridge / Sinopse: Uma dona de saloon no velho oeste é acusada injustamente de roubo e assassinato ao mesmo tempo em que tenta lidar com seus sentimentos e vida amorosa.

Pablo Aluísio.

Tudo Por Justiça

 Russell e seu irmão Rodney vivem numa cidade afetada pela crise econômica americana. Sem muitas oportunidades eles sonham ir embora em busca de uma vida melhor. O problema é que Russell acaba sendo atraído pelo cruel mundo do crime. Depois de cumprir sua pena, volta para as ruas mas tem que escolher entre manter sua liberdade ou arriscar tudo em busca de justiça para o que aconteceu ao seu irmão enquanto ele esteve atrás das grades.

Depois de encerrar com brilhantismo sua participação na trilogia "Batman", o ator Christian Bale está de volta às telas em novo projeto. Trata-se de "Out of the Furnace", produção que promete unir ação e drama em um thriller acima da média. Ao seu lado no elenco Zoe Saldana, Woody Harrelson, Willem Dafoe, Forest Whitaker e Casey Affleck. O filme mostra os esforços de um homem em encontrar o paradeiro de seu irmão, desaparecido misteriosamente. Data de estreia programada para dezembro de 2013 nos Estados Unidos.

Tudo Por Justiça (Out of the Furnace,  Estados Unidos, Inglaterra, 2013) Direção: Scott Cooper / Roteiro: Brad Ingelsby, Scott Cooper / Elenco: Christian Bale, Casey Affleck, Zoe Saldana / Estúdio: Red Granite Pictures / Sinopse: Irmãos se unem para superar seus problemas, trilhando o caminho do mundo do crime para atingir seus objetivos.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Jefferson em Paris

Thomas Jefferson (Nick Nolte) é enviado como embaixador dos Estados Unidos para a corte luxuosa do rei Luís XVI em Paris. Enquanto na França se disseminam cada vez mais as ideias revolucionárias em busca de liberdade, Jefferson tenta superar a contradição entre manter boas relações com o sistema da monarquia francesa e o próprio simbolismo que representava pois sua nação naquele momento havia se tornado um exemplo bem sucedido de rompimento com o antigo regime das realezas européias. "Jefferson em Paris" é um bom drama histórico que tenta desvendar aspectos da complexa personalidade de Jefferson. O período enfocado no filme acontece anos antes dele se tornar presidente. Considerado uma pessoa sem sofisticação dentro da corte de Luís XVI a principal missão do diplomata naquele momento era realmente trazer maior reconhecimento para os Estados Unidos, que nada mais era naquela época do que uma jovem nação que procurava se organizar após se livrar do imperialismo colonial inglês.

A figura de Thomas Jefferson é das mais interessantes do ponto de vista histórico. Considerado um dos pais da América, Jefferson era um símbolo de liberdade mas ao mesmo tempo mantinha escravos em sua enorme fazenda. Seu caso com a escrava Sally Hemings, de apenas 15 anos, ainda hoje desperta constrangimento a historiadores americanos, sempre tão ciosos em preservar a memória dos grandes nomes de sua história. O fato porém é que certas verdades não podem ser escondidas. Jefferson teve filhos com suas escravas e a despeito de sua genialidade (foi um dos principais autores da carta de independência americana, era criativo e muito interessado em ciência), essa mancha em sua biografia não pode ser varrida para debaixo do tapete. O filme por sua vez é muito bem realizado, com ótima reconstituição de época e em nenhum momento ofende a inteligência do espectador. Felizmente o ufanismo e a patriotada, tão comuns em filmes que mostram grandes personagens da história americana como esse, também está sob controle. Dito isso fica a recomendação desse belo filme que seguramente vai lhe trazer um pouco mais de cultura histórica.

Jefferson em Paris (Jefferson in Paris, EUA, 1995) Direção: James Ivory / Roteiro: Ruth Prawer Jhabvala / Elenco: Nick Nolte, Greta Scacchi, Gwyneth Paltrow / Sinopse: Thomas Jefferson (Nick Nolte) é enviado como embaixador dos Estados Unidos para a corte luxuosa do rei Luís XVI em Paris. Lá buscará por reconhecimento para seu país, a jovem nação americana.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Red 2: Aposentados e Ainda Mais Perigosos

Frank (Bruce Willis) está tentando levar uma vida normal. Depois de anos trabalhando na agência americana de inteligência o que ele mais quer agora é curtir uma vida sossegada ao lado de Sarah (Mary-Louise Parker), uma mulher bem mais jovem de que está apaixonado. Sua tranquilidade é perturbada quando é procurado por Marvin (John Malkovich). Um documento secreto vazou na internet indicando a presença de ambos em um serviço sujo realizado na URSS durante a guerra fria. A operação chamada "Sombra da Noite" tinha como objetivo plantar uma arma nuclear dentro do território russo para fragilizar e minar o regime comunista. Agora, tantos anos depois do fim da missão, tudo parece voltar para cima deles já que um grupo de assassinos está sendo muito bem pago para eliminar os dois, uma vez que eles se tornaram arquivos vivos de uma operação que pode causar sérios danos para o governo americano. Até mesmo a amiga Victoria (Helen Mirren) é contratada para tirar Frank do mapa. A primeira providência passa a ser continuar vivo, para só depois desvendar tudo o que está relacionado com a missão "Sombra da Noite".

Recentemente Bruce Willis se envolveu em algumas polêmicas. A primeira foi quando pediu um cachê milionário para participar da franquia "Mercenários" e a segunda quando afirmou que filmes de ação, com todas aquelas explosões, eram chatos mas rendiam ótimas bilheterias. Devo concordar com Willis. Essa franquia "Red" é um excelente exemplo disso. Embora o primeiro filme tenha feito bastante sucesso (a ponto de gerar essa continuação) nunca gostei dessas produções. São muitos clichês para um filme só. Claro que o próprio roteiro brinca com alguns deles e acentua um lado mais cômico em tudo o que se vê na tela mas isso é pouco. Não vejo nenhuma novidade maior nesse tipo de película. Para piorar temos que encarar um elenco com ótimos atores envolvidos em algo desse tipo. Lamento mesmo em ver o grande Anthony Hopkins envolvido em algo assim. Até Catherine Zeta-Jones está péssima como uma agente da contra-espionagem russa. No final não há muito o que criticar pois "Red 2" não sai da fórmula vazia de filmes com muitas explosões e poucas novidades. Completamente dispensável para cinéfilos de bom gosto.

Red 2: Aposentados e Ainda Mais Perigosos (Red 2, EUA, 2013) Direção: Dean Parisot / Roteiro: Jon Hoeber, Erich Hoeber / Elenco: Bruce Willis, Helen Mirren, John Malkovich, Mary-Louise Parker, Anthony Hopkins, Byung-hun Lee, Catherine Zeta-Jones / Sinopse: Dois antigos membros da inteligência americana ficam em apuros após documentos secretos vazarem na internet revelando que ambos participaram de uma missão secreta na URSS durante a guerra fria.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Bernie

Bernie Tiede (Jack Black) tem um emprego incomum. Ele trabalha numa funerária numa pequena cidadezinha do Texas. Mesmo trabalhando em algo que para muitos seria sinistro, Bernie começa a ganhar as graças de todos por ser uma pessoa gentil, acolhedora, de boa índole e muito humano. Sua busca para se tornar um verdadeiro cristão acaba lhe angariando a simpatia geral da comunidade. Simpático e amigo de todos ele acaba se aproximando até mesmo da mulher mais odiada do lugar, a megera milionária Marjorie Nugent (Shirley MacLaine). Ela é o extremo oposto de Bernie. Não gosta de ninguém, trata todos muito mal, é racista e intragável, mas mesmo assim acaba se afeiçoando ao doce e carismático Bernie. A amizade logo se torna muito próxima e eles começam a viajar, conhecendo outras cidades, frequentando grandes espetáculos da Broadway. As coisas começam a ficar esquisitas quando de repente  Marjorie some do mapa. Ninguém mais a vê em lugar nenhum. Bernie dá desculpas sobre sua ausência mas meses depois de sua última aparição a família dela resolve investigar. Isso irá revelar um dos crimes mais infames da história criminal dos Estados Unidos.
 
"Bernie" foi baseado numa história real. A estrutura do filme aliás é muito interessante. Os eventos que chocaram o país são reconstituídos através dos depoimentos dos próprios moradores da cidadezinha do Texas onde tudo aconteceu. Tudo intercalado com cenas recriadas por atores. O resultado é muito bom realmente. Não se trata exatamente de uma comédia mas sim de uma narração bem inteligente que tira proveito do fato de todos os moradores adorarem Bernie, não importando o fato dele ter cometido um crime bárbaro e sem muita explicação. Quem cai em cima dele para o jogá-lo na cadeia é o promotor Danny Buck (Matthew McConaughey) que aproveita a notoriedade que o caso ganha na imprensa para obviamente se auto promover o máximo possível. O filme é muito bem conduzido e tem um elenco muito bom. Jack Black deixa os exageros de lado para dar vida ao Bernie, tão amado e querido por todos, apesar de tudo. Shirley MacLaine também está fabulosa como a megera sem coração Marjorie. É sempre bom rever esse grande nome do cinema americano ainda na ativa e disponibilizando belas atuações como vemos aqui. Enfim é isso, "Bernie" merece uma segunda chance já que passou por aqui sem maior repercussão. É um filme realmente interessante, que prende a atenção do espectador do começo ao fim. Vale bastante a pena conhecer. 
 
Bernie (Idem, EUA, 2011) Direção: Richard Linklater / Roteiro:  Skip Hollandsworth, Richard Linklater / Elenco: Jack Black, Shirley MacLaine, Matthew McConaughey / Sinopse: O filme narra o infame caso criminal envolvendo o simpático Bernie (Black) e a megera da cidade Marjorie (MacLaine). Do encontro de pessoas tão diferentes nasce um dos crimes mais chocantes da história policial dos EUA.
 
Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Os Escolhidos

Uma típica família americana começa a presenciar estranhos eventos em sua casa. Tudo começa com acontecimentos estranhos mas aparentemente sem muita importância. A comida da geladeira aparece pelo chão da cozinha durante a madrugada. Na noite seguinte vários enlatados ficam empilhados em uma coluna impossível e coisas do tipo. O casal só começa a ficar preocupado de verdade quando o filho caçula os avisa que há um novo morador na casa, chamado simplesmente de "O homem de areia" pelo garoto. Alucinação? Assombração? Ou tudo não passaria de mais um "amigo imaginário" tão comum na cabeça das crianças? Bom, os eventos sem explicação vão ganhando cada vez mais vulto no cotidiano da família até o ponto em que eles decidem procurar por ajuda urgente! Acabam encontrando o que procuram em um sujeito esquisito que se diz especialista no assunto (em boa interpretação do ator J.K. Simmons). A família então descobre da pior maneira possível a veracidade da curiosa citação de  Arthur C. Clarke que dizia: "Existem duas possibilidades no universo: ou estamos sozinhos, ou não estamos sozinhos. Ambas são igualmente terríveis."

Avançar mais na sinopse de "Os Escolhidos" seria uma má ideia para o leitor do blog, isso porque um dos grandes atrativos do filme se concentra na série de surpresas que o roteiro vai desvendando aos poucos, com o desenrolar do enredo. Inicialmente o espectador vai pensar que está assistindo a uma fita de terror, de casas mal assombrados e presenças demoníacas, até porque a linguagem, os caminhos da trama e os eventos supostamente paranormais vão se sucedendo ao longo do filme. Mas será que é isso realmente? É justamente nisso que reside o grande segredo de "Os Escolhidos". De antemão quero avisar que nem todo mundo vai gostar do desfecho ou das explicações sobre os acontecimentos mas isso é normal e vai variar de pessoa para pessoa. Alguns acharão bem bolado, outros pensarão certamente que é tudo uma grande bobagem. De nossa parte podemos dizer que se não é um clássico do gênero pelo menos é um dos que mais tentaram ser original. Também foi bem interessante rever a atriz Keri Russell (a eterna Felicity da TV) em um papel diferente, que muito provavelmente lhe dará novo fôlego no cinema. Arrisque, assista, mesmo que não seja exatamente o que você está esperando. O filme será certamente um bom entretenimento em um fim de noite.

Os Escolhidos (Dark Skies, EUA, 2013) Direção: Scott Stewart / Roteiro: Scott Stewart / Elenco: Keri Russell, Jake Brennan, Josh Hamilton / Sinopse: Família começa a passar por eventos inexplicáveis em sua casa. Para tentar entender o que se passa eles procuram a ajuda de um "especialista" no assunto que logo lhes avisam que há algo muito sinistro rondado todos os familiares.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Marilyn Monroe - My Story

Para qualquer lugar que fosse Marilyn Monroe levava sempre a tiracolo um pequeno caderno de anotações. Era lá que ela deixava pequenos lembretes, frases interessantes que ouvira e, é claro, pensamentos diversos. Na vida diária Marilyn era bem bagunçada e muitas vezes as coisas que escrevia iam ficando pelo meio do caminho, papéis espalhados por seu camarim, sua casa e nos sets de filmagem. De posse de grande parte desse material avulso surgiu esse livro "My Story" praticamente uma autobiografia da atriz que espalhou ao longo do livro várias impressões do mundo ao seu redor, além de aproveitar para contar um pouco de sua biografia. Em primeira pessoa Marilyn vai relembrando da sua complicada infância, toda passada em lares adotivos (sua mãe enlouquecera quando ela era apenas uma garotinha) e os problemas que enfrentou ao longo de sua vida. Descobrimos, por exemplo, que a paixão de Marilyn pelo cinema nasceu de um fato curioso. Sua mãe adotiva na época queria se encontrar com algum namorado e por isso dava a ela o dinheiro para ir ao cinema, uma vez que era uma diversão barata e segura. O importante era deixar a garota fora de casa enquanto sua mãe adotiva recebia seu amante. Assim Marilyn acabou tomando gosto pela sétima arte ao ponto inclusive de pensar que, quem sabe um dia, se tornar uma grande estrela das telas.

Em outros relatos Marilyn fala abertamente sobre o começo de sua vida sexual, inclusive contando abusos que sofrera enquanto ia passando pela adolescência. Alguns desses relatos são vistos hoje com certa reserva por biógrafos da atriz. Isso porque Marilyn muitas vezes fantasiava sobre seu próprio passado com clara intenção de angariar simpatias em sua escalada ao estrelado em Hollywood. Para Monroe o que importava era ganhar mais um aliado e por isso as estorinhas de órfã abandonada e abusada eram tão importantes, afinal elas também abriam portas na capital do cinema. Anos depois da morte da atriz um grupo de historiadores procurou por evidências e pessoas citadas por Marilyn e descobriram, por exemplo, que algumas delas citadas em seu livro não existiam na vida real. A atriz tinha verdadeira obsessão por seu pai e chegou a escrever que o procurou e o encontrou em um rancho na Califórnia mas ele disse a ela que fosse embora. Para muitos biógrafos essa, por exemplo, é uma história completamente inventada por Marilyn, sem base nenhuma na realidade. Por isso recomenda-se ao leitor que for passar pelas páginas de "My Story" um certo discernimento. Quando a coisa parece mais um conto de fadas trágico é quase certo que a atriz simplesmente inventou tudo. Mesmo assim, com essa ressalva, o livro é fantástico pois queiram ou não os críticos as páginas escritas por Marilyn trazem o único registro documentado do que pensava, sentia (e até mesmo inventava) um dos maiores mitos da história do cinema.

Marilyn Monroe - My Story
Autora: Marilyn Monroe e Ben Hechet
Editora: Taylor Trade Publishing
Número de páginas: 208
Língua: Inglês
Data de publicação: Setembro de 2009.

Pablo Aluísio e Erick Steve.   

A Face Oculta

Esse western foi o único filme dirigido por Marlon Brando. Foi um projeto complicado desde o começo. Inicialmente a Paramount escolheu o genial Stanley Kubrick para dirigir o filme mas atritos com Brando fizeram com que o cineasta resolvesse abandonar a produção. Como Marlon confiava na qualidade do material e parte do dinheiro do orçamento vinha de sua própria produtora (a Pennebaker Productions) resolveu que ele mesmo assumiria a direção do filme. Foi uma decisão precipitada e muito ousada que transformou "A Face Oculta" em um verdadeiro elefante branco cinematográfico. Sem experiência nenhuma na arte de dirigir Brando começou a filmar a esmo, sem foco, sem rumo certo a tomar. Durante as filmagens ficou óbvio para todos que sua inexperiência iria tornar tudo mais caro, demorado e complicado. Ele não tinha a menor capacidade técnica para realizar o filme. Coisas óbvias como a escolha da lente da câmera ou das técnicas de se filmar em locações eram desconhecidas para o ator. Brando resolveu contratar o ator e amigo Karl Malden para o papel de xerife, uma escolha que a Paramount achava equivocada já que o personagem era bem mais velho do que ele. E assim os erros foram se acumulando cada vez mais.

Outro problema foi o estouro rápido do orçamento. Marlon chegou a ficar um dia inteiro filmando ondas no mar em busca da "onda perfeita" para aparecer no filme. Seu primeiro rolo editado chegou nas mãos do estúdio com cinco horas de duração! Era uma metragem absurda, completamente fora dos padrões e nada comercial. A Paramount então resolveu assumir o controle da edição tentando montar no meio de horas e horas de filmagens inúteis um enredo que fizesse sentido para o público. Brando, por sua vez, logo declarou aos jornais que o filme era um desastre e que dirigir tinha sido uma das piores experiências de sua vida. O resultado que chegou até o público mostra bem os problemas da película. Mesmo completamente cortado e editado o filme se mostra longo e sem direção, caindo muitas vezes no marasmo completo. Logo fica óbvio para o espectador que "A Face Oculta" não tem coerência. A crítica obviamente malhou impiedosamente em seu lançamento mas curiosamente o tempo parece ter feito bem ao western, uma vez que hoje em dia ele assumiu um status cult que ninguém previra em sua chegada aos cinemas na década de 60.


A Face Oculta (One-Eyed Jacks, EUA, 1961) Direção: Marlon Brando / Roteiro: Guy Trosper, Calder Willingham / Elenco: Marlon Brando, Karl Malden, Pina Pellicer, Katy Jurado, Ben Johnson / Sinopse: Traição e morte rondam os envolvidos em um roubo no México anos atrás. Único filme dirigido por Marlon Brando.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Evil Dead - A Morte do Demônio

Cinco jovens acabam chegando numa cabana abandonada no meio da floresta. O lugar parece estar vazio há muitos anos mas algo chama a atenção de alguns deles. Um velho gravador e um livro chamado "Livro dos Mortos" acabam virando o foco da conversa. Ao ligar o velho gravador eles começam a ouvir uma narração em uma língua estranha que desconhecem. Em pouco tempo entenderão que acabaram de libertar poderosas forças do mal. Pouco a pouco cada um dos jovens começa a ser possuído, exceto Nash, que terá que lutar com as armas que possui contra todas essas manifestações sobrenaturais. Começa assim "Evil Dead" um dos maiores clássicos do terror americano. Filme rodado com produção mais do que modesta que acabou agradando em cheio ao público por causa de sua crueza temática e fortes imagens de possessão e delírio. Claro que por ter sido tão imitado por tantos anos o primeiro filme "A Morte do Demônio" pode ser considerado ultrapassado e datado nos dias de hoje mas isso depende do ponto de vista de cada um.

O curioso é que não apenas os atores eram jovens mas o diretor também. Sam Raimi tinha apenas 22 anos quando começou a filmar "Evil Dead" com apenas 600 mil dólares, uma quantia irrisória para os padrões de Hollywood. Com custo mínimo e contando com a ajuda dos atores - que eram todos seus amigos - ele acabou revolucionando o gênero que andava sem criatividade e ideias inovadoras desde "O Exorcista". Raimi usou ousadas tomadas de cena e levou até as últimas consequências a chamada visão subjetiva, que colocava o espectador praticamente dentro do enredo. O filme causou polêmica em seu lançamento chegando a ser proibido em alguns países europeus, entre eles a Inglaterra, mas ganhou status de cult quando finalmente chegou no mercado de vídeo. Revisto hoje em dia mantém o impacto, tanto que chegou a dar origem a duas sequências e a um remake, mas todos eles empalidecem diante desse "Evil Dead" original que sem dúvida é um grande filme de terror.

A Morte do Demônio (Evil Dead, EUA, 1981) Direção: Sam Raimi / Roteiro: Sam Raimi / Elenco: Bruce Campbell, Ellen Sandweiss, Richard DeManincor / Sinopse: Cinco jovens acabam libertando terríveis forças do mal em uma cabana isolada no meio da floresta.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elysium

O ano é 2154. A humanidade está dividida em duas castas principais. Os ricos moram na estação espacial Elysium, um lugar magnífico, lindo, cheio de belas mansões e maravilhosos jardins. Os pobres moram na Terra, nessa altura da história um planeta poluído, devastado, superpovoado e repleto de pobreza e miséria. Max (Matt Damon) nasceu em uma Los Angeles decadente, onde quase todos só falam espanhol e são latinos. Seu sonho é um dia ir para Elysium mas como ex-presidiário isso parece ser um objetivo muito longe de se concretizar. Para sobreviver ele se torna operário de uma indústria da região. Em um mundo onde ter emprego é um grande privilégio, ele não se importa muito em ser explorado da maneira mais vil pelos grandes capitalistas que dominam o mundo. Durante uma operação padrão dentro da empresa ele acaba sendo contaminado por altos graus de radiação. Sua única saída seria a tecnologia médica de Elysium mas para chegar lá ele terá que contar com um verdadeiro "coiote espacial", Spider (Wagner Moura), um bandido pé de chinelo que ganha a vida transportando ilegais para dentro de Elysium.

Como se pode perceber pela sinopse essa ficção "Elysium" tem boas ideias. Afinal analisando-se bem vemos que tudo é uma grande metáfora sobre a sociedade americana atual. A estação Elysium assim nada mais seria que o próprio Estados Unidos, um oásis de riqueza e prosperidade que estaria sendo invadido por massas de ilegais todos os dias! Não é preciso ser muito perspicaz para entender as intenções do roteiro ao colocar toda aquela multidão de pobres e miseráveis latinos invadindo a Elysium (EUA) em busca de uma melhor condição de vida. É uma visão preconceituosa? Claro que sim! Infelizmente o que poderia ser um argumento muito interessante do ponto de vista sociológico logo se rende aos mais batidos clichês do gênero, caindo na vala comum dos filmes de ação e ficção pipoca que invadem as telas dos cinemas comerciais mundo afora. O primeiro ato, mostrando a nova realidade social do mundo do futuro, acaba dessa forma desabando sobre uma enorme quantidade de soluções fáceis e óbvias demais para ser levado à sério. O que era de fato um conceito muito promissor logo deixa de ter importância pois o roteiro, de forma muito preguiçosa aliás, prefere se apoiar nas cenas de ação gratuitas ao invés de desenvolver melhor o que se passa naquele universo. Assim o que sobra é um filme genérico e batido que logo se torna um dos mais decepcionantes da temporada.

Elysium (Elysium, EUA, 2013) Direção: Neill Blomkamp / Roteiro: Neill Blomkamp / Elenco: Matt Damon, Jodie Foster, Wagner Moura, Diego Luna, Alice Braga, Sharlto Copley / Sinopse: No futuro da Terra a separação entre pobres e ricos é ameaçada por um ex-presidiário, Max (Damon), que precisa de todas as formas entrar na estação Elysium em busca de uma cura para a radiação a que foi exposto. Do mesmo diretor de "Distrito 9".

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Apenas uma Noite

Joanna (Keira Knightley) e Michael (Sam Worthington) parecem formar, aos olhos dos outros, um belo casal, mas no fundo tudo não passa de uma mera fachada social. Internamente o cotidiano é de brigas, desconfianças e ciúmes. Michael está sempre em viagens de negócios e nutre uma indisfarçável atração por Laura (Eva Mendes), uma latina muito sensual e charmosa. Se o marido sonha com uma escapada de seu casamento falido a esposa também não fica muito atrás. Desde que morou na França alguns anos atrás Joanna se interessou muito pelo escritor americano radicado em Paris, Alex (Guillaume Canet), afinal ele é muito espirituoso, inteligente e atraente. Além disso eles possuem interesse em comum pois ela sonha um dia também se tornar uma escritora. Como se pode perceber, embora casados, os dois estão a um passo de trair um ao outro. E tudo parece seguir por esse caminho quando em uma noite em particular Joanna resolve jantar fora com Alex enquanto o marido está em uma viagem de negócios. E esse também não perde tempo ao se encontrar em um hotel com Laura. Traições para todos os lados.

Esse "Apenas uma Noite" tem uma moralidade bem duvidosa. Ao mesmo tempo em que mostra a derrocada de um casamento joga com a expectativa do espectador sobre os acontecimentos que se desenrolam na tela. Será que ele trairá a esposa? Será que ela trairá o marido? A trama se desenrola apenas em uma noite (como deixa claro o título), onde marido e mulher terão a oportunidade (ou não) de trair seus laços matrimoniais. Keira Knightley está muito bem na caracterização da esposa, que está em grande conflito emocional. Sabe que o marido talvez a esteja traindo mas não tem certeza. Ao mesmo tempo não sabe se o trair será uma boa ideia. Infelizmente o ator Sam Worthington, que interpreta o marido, não se sai bem em cena, ficando muitas vezes inexpressivo na tentativa de passar algum conflito para o público que assiste ao filme. Já Eva Mendes interpreta uma caricatura, a da mulher latina, muito sexy, que pouco está se importando com o fato do homem objeto de seu desejo ser casado ou não! Apesar desses pequenos pecados a película ainda é bem interessante pois procura mostrar a questão da infidelidade conjugal de uma forma bem adulta e coerente. 

Apenas uma Noite (Last Night, EUA, 2010) Direção: Massy Tadjedin / Roteiro: Massy Tadjedin / Elenco: Keira Knightley, Sam Worthington, Eva Mendes, Guillaume Canet / Sinopse: Durante uma noite um casal em crise tem todas as oportunidades para concretizar uma infidelidade mútua. Será que vão realmente pular a cerca?

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Vestida para Casar

Katherine Heigl despontou para a fama no seriado "Grey´s Anatomy" que inclusive acompanho até hoje. Na série ela fazia uma das jovens médicas que tinham que enfrentar o duro período de especialização em um grande hospital de Seattle. Sempre chamou a atenção com seu papel, principalmente depois que sua personagem passou por vários eventos dramáticos dentro da trama até se desligar completamente da série para tentar a carreira no cinema. Afinal era uma boa aposta pois carisma não faltava para a moça. Esse "Vestida para Casar" vem justamente nessa esteira. É mais uma tentativa de torná-la uma estrela de cinema, mais especificadamente no milionário ramo das comédias românticas de Hollywood. A direção foi entregue a uma mulher, a cineasta loira Anne Fletcher de alguns filmes dirigidos especialmente ao público feminino como por exemplo "Ela Dança, Eu Danço" e "A Proposta" com Sandra Bullock. "Vestida para Casar" vai mais ou menos pela mesma linha, ou seja, é uma comédia romântica inofensiva.

Katherine Heigl aqui interpreta Jane. Apesar de ser bonita, interessante e inteligente ele nunca encontrou o grande amor de sua vida. Em segredo acaba nutrindo uma paixão por seu superior na empresa onde trabalha mas antes que tente algo sua irmã dá o bote e acaba conquistando o coração dele. Passada para trás pela própria irmã caçula Jane tenta aos poucos recolocar sua vida emocional no lugar. "Vestida Para Casar" custou meros 30 milhões de dólares, uma pechincha em termos de Hollywood, e acabou se saindo muito bem nas bilheterias. Sua fórmula batida (diria até fácil) novamente provou que as comédias românticas tem mesmo muito fôlego e potencial nas filas de cinema. Katherine Heigl ainda não virou uma estrela de primeira grandeza no cinema americano mas já tem um bom currículo de filmes nesse estilo. Depois desse filme, fitas semelhantes vieram em seguida como por exemplo "A Verdade Nua e Crua", "Par Perfeito", "Juntos Pelo Acaso", "Como Agarrar Meu Ex-Namorado" e "O Casamento do Ano". A simpática atriz de sorriso fácil pelo visto vai longe ainda.

Vestida para Casar (27 Dresses, EUA, 2007) Direção: Anne Fletcher / Roteiro: Aline Brosh McKenna / Elenco: Katherine Heigl, Edward Burns, Malin Akerman, James Marsden, Jane Pfitsch, Krysten Ritter / Sinopse: Irmã caçula acaba roubando o grande amor de sua irmã mais velha e agora se prepara para casar.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

The Beatles - The Ballad of John and Yoko / Old Brown Shoe

Os Beatles estavam caminhando rapidamente para o rompimento completo quando esse novo single chegou nas lojas em maio de 1969. Nem era precisa ser expert em Beatles para entender que o grupo havia virado apenas uma fachada. Cada Beatle compunha e gravava seu próprio material sem que isso necessariamente envolvesse todo o grupo. Um dos grandes exemplos aconteceu justamente na gravação de "The Ballad of John and Yoko". A canção tinha sido escrita apenas por John Lennon já que era extremamente autoral e pessoal.

Embora McCartney aparecesse como co-autor ele jamais pensaria em participar na composição de algo assim, afinal escrever sobre casos amorosos envolvendo nomes de namoradas reais (como Yoko) era algo bem ousado, uma vez que traria muita notoriedade para ela. George Harrison nunca gostou de Yoko e acabou dando uma desculpa qualquer para não participar das sessões na EMI. Ringo também caiu fora alegando estar ocupado nas filmagens de um filme (ele tencionava na época se tornar um ator em um trabalho fora dos Beatles). Assim sobrou para Paul gravar aquela estranha faixa, com letra enorme, ora muito pessoal e romântica, ora ácida e corrosiva, como convinha à personalidade de Lennon. Era na realidade uma narrativa de seu casamento com Yoko e tudo o que girou ao redor como seu protesto pela paz na cama e as repercussões na imprensa durante toda aquela loucura. De quebra John provocava mais uma vez a religião ao usar o refrão "Eles vão acabar me crucificando"!

Na falta dos outros Beatles, John e Paul se viraram para gravar a canção. Lennon ficou nos vocais e tocou violão, guitarra e pandeiro. Já Paul se virou para tocar baixo, piano, bateria e maracas. Não há como negar que apesar de não ser uma gravação dos Beatles propriamente dita a música ficou muito bem gravada, com ótimo pique e arranjo. Afinal a dupla Lennon e McCartney sempre foi a verdadeira espinha dorsal da banda. Para o lado B Harrison surgiu com a canção "Old Brown Shoe" que acabou virando alvo das piadas de Lennon que a considerava uma "verdadeira porcaria". No fundo era apenas um ato de revanche pela ausência de Harrison na gravação do lado A do single. Para mostrar indiretamente seu descontentamento com George, Lennon só colaborou na faixa participando do coral de apoio, sem se esforçar em nada, chegando ao ponto de dizer que não iria tocar guitarra na gravação "porque estava com preguiça". Assim quem acabou tocando guitarra foi Paul que além disso fez um belo arranjo ao piano para a música. Basta saber dessas histórias internas dos Beatles para entender como o ambiente estava tenso dentro do grupo. Também é importante notar como foi um single que não contou com nenhuma música de Paul, que apesar disso colaborou e muito com as composições de John e George, mostrando que McCartney não era apenas o egocêntrico que Lennon insistia em dizer, muito pelo contrário. Afinal ele também poderia ser um ótimo carregador de piano dos Beatles quando isso era realmente necessário.

Pablo Aluísio e Erick Steve.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

É o Fim

Esse filme é muito louco! Vamos ao enredo? O ator Seth Rogen (que assim como todos os demais atores do filme interpreta a si mesmo) recebe em sua casa em Los Angeles o amigo Jay Baruchel. Juntos eles fazem o que mais gostam de fazer: fumar maconha e jogar videogame o dia inteiro. Depois de várias horas na vadiagem eles decidem ir até a casa de James Franco, que está dando uma festa de arromba com várias celebridades. Para se ter uma idéia estão lá a inglesinha Emma Watson, o comediante (e cheirador de cocaína compulsivo) Michael Cera e o gordinho Jonah Hill. No meio da festa, com muitas garotas e drogas, algo inesperado acontece! A terra treme, abre buracos no chão e de repente pessoas começam a ser levadas para o céu em grandes raios de luz! Já os demais ficam na terra testemunhando um verdadeiro... apocalipse! É isso mesmo que você leu. "É o fim" mostra o apocalipse surgindo na Los Angeles de hoje, pegando todos os atores de Hollywood de surpresa!

O roteiro é muito bizarro! Provavelmente foi escrito por Seth Rogen com a cabeça cheia de erva, só pode! Como é muito bem relacionado em Hollywood conseguiu levar vários nomes famosos para participar em pontas maiores ou menores, com a nova geração do cinema americano bem representada em cena. Enquanto o mundo vai se acabando eles tentam sobreviver ao fim do mundo dentro da casa de James Franco. É claro que piadas de baixo nível estão por toda parte e a vulgaridade é uma constante em diálogos e situações. Mesmo assim consegue divertir, por mais improvável que isso possa parecer. Provavelmente as pessoas mais religiosas se sintam um pouco ofendidas pela proposta de Seth, até porque tudo parece uma grande piada do ator com as crenças cristãs - em particular com as figuras de demônios e anjos da morte (que surgem no filme em bons efeitos digitais). Afinal tudo se resume em fazer uma comédia muito louca em cima das profecias do livro das revelações da Bíblia (obviamente sendo o Apocalipse o principal alvo). O filme deixa algumas conclusões mas a principal é a de que Seth Rogen deve parar de fumar maconha em grandes quantidades pois caso contrário mais filmes noiados como esse poderão ser feitos nos anos seguintes!

É o Fim (This Is the End, EUA, 2013) Direção: Evan Goldberg, Seth Rogen / Roteiro:  Seth Rogen, Evan Goldberg / Elenco: James Franco, Jonah Hill, Seth Rogen, Jay Baruchel, Danny McBride, Craig Robinson, Michael Cera, Emma Watson / Sinopse: Grupo de atores em uma festa de arromba na casa de James Franco descobrem, surpresos, que o mundo passa pelo apocalipse! Os bons são levados imediatamente ao céu mas eles, maconheiros e drogados, ficam na Terra para enfrentar uma verdadeira invasão de demônios e seres malignos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Wolverine: Imortal

O soldado Logan (Hugh Jackman) é feito prisioneiro pelas tropas japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Enviado a um campo de prisioneiros em Nagasaki ele acaba testemunhando um evento histórico: o ataque nuclear na cidade na fase final da guerra. No último momento resolve salvar a vida de um dos guardas pois seu esqueleto de  adamantium consegue salvar a ambos da explosão nuclear. Muitos anos depois, Logan agora leva uma vida isolada e longe da civilização. Vivendo como um ermitão ele prefere a companhia dos animais selvagens ao do homem. Numa noite encontra um urso bastante ferido e vai tomar satisfações com caçadores locais. Para sua surpresa uma jovem japonesa vem ao seu encontro dizendo ser a enviada de um amigo do passado, justamente o guarda que ele salvou a vida na guerra, Yashida (Hal Yamanouchi). Ele está morrendo e quer da o último adeus ao amigo americano. O que Wolverine nem desconfia é que está na verdade entrando no meio de uma grande conspiração envolvendo interesses corporativos e a luta pelo segredo de sua própria imortalidade.

Começa assim "Wolverine: Imortal" mais uma tentativa de tornar viável a franquia do personagem em produções solos. Como se sabe o primeiro Wolverine foi mal recebido por público e crítica. Recebendo vários comentários ruins o estúdio soube muito bem absorver todos eles, aprendendo com seus próprios erros. Esse segundo filme da franquia já se saiu bem melhor, inclusive em termos comerciais uma vez que se tornou uma das três maiores bilheterias do ano. O diretor James Mangold acertou em apostar em algo mais simples, com menos personagens, tudo centrado numa trama de fácil compreensão. Além disso o fato do filme ter sido ambientado todo no Japão trouxe novos ares ao personagem, melhorando ainda mais seu conceito entre os fãs. Wolverine surge aqui como um verdadeiro Ronin, ou seja, um samurai sem mestre. Enfrentando guerreiros, ninjas e até mesmo um samurai robótico feito de adamantium como ele, "Wolverine: Imortal" se mostra um filme de quadrinhos muito eficiente e bem realizado, embora com alguns probleminhas ainda, mas nenhum deles graves a ponto de desmerecer a fita. Em poucas palavras, finalmente acharam o caminho certo para Logan nas telas. Que venham agora os próximos filmes da franquia.

Wolverine: Imortal (The Wolverine, EUA, 2013) Direção: James Mangold / Roteiro: Mark Bomback, Scott Frank / Elenco: Hugh Jackman, Will Yun Lee, Tao Okamoto, Hal Yamanouchi / Sinopse: Wolverine (Hugh Jackman) vai ao Japão para se despedir de um antigo amigo que está morrendo mas acaba se vendo envolvido no meio de uma complicada rede de interesses envolvendo a luta pelo controle de uma grande corporação e a busca pelo segredo de sua própria imortalidade.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Blefando a Morte

Dave Robles (Anthony Quinn) chega numa cidadezinha do velho oeste para ter um acerto de contas final com um famoso pistoleiro. Ao encontrá-lo na porta de um Saloon nem pensa duas vezes e passa fogo no famoso bandoleiro. O assassinato acaba lhe trazendo bastante fama no pequeno povoado que sempre sofreu nas mãos do impiedoso bandido. Depois de uma reunião da assembleia de moradores eles decidem em conjunto oferecer o posto de xerife para Robles. Após pensar por alguns momentos ele finalmente decide aceitar o cargo, mesmo sabendo das dificuldades que terá ao tentar impor lei e ordem no local. Na verdade Robles não leva muito jeito para a função uma vez que é um sujeito bastante rústico, sem estudo algum (nem sabe ler) e pouco atento aos costumes sociais do local. No fundo só aceitou a estrela de bronze para tentar conquistar o coração de Estella (Katy Jurado), a bonita assistente do médico local. Ele a conheceu quando foi se tratar dos ferimentos de seu confronto a bala com o famigerado pistoleiro e assim que a viu pela primeira vez se apaixonou perdidamente por ela.

"Blefando a Morte" tem uma das melhores interpretações da carreira de Anthony Quinn. O ator se sai maravilhosamente bem ao dar vida a um sujeito sem qualquer sofisticação que vira xerife meio que por acaso num lugar esquecido por Deus. O curioso aqui vem da complicada relação do novo xerife com a população local. As pessoas da cidade sabem que precisam dele por causa de sua habilidade com armas mas ao mesmo tempo não o aceitam completamente por causa de sua rudeza. Isso surge nitidamente quando os moradores resolvem fazer um grande baile. Obviamente para ocasião tão festiva precisam convidar o xerife para participar mas sua presença ali no meio da elite da comunidade acaba causando grande mal estar mostrando claramente que ele de fato não é aceito socialmente na cidade que jurou proteger. A cena final, com um duelo no meio da rua principal, vai mostrar para todos o verdadeiro valor do novo xerife. "Blefando a Morte" se torna assim mais um bom western dos anos 50 que merece agora ser redescoberto. Roteiro com raro aprofundamento dos personagens para aquela época. Vale a recomendação.


Blefando a Morte (Man from Del Rio, EUA, 1956) Direção: Harry Horner / Roteiro: Richard Carr / Elenco: Anthony Quinn, Katy Jurado, Peter Whitney / Sinopse: Após matar um famoso pistoleiro um simples cowboy (Quinn) acaba sendo escolhido como o novo xerife da cidade. Agora ele terá que provar seu valor para os moradores que ainda não o aceitam socialmente por causa de seus modos rudes.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

500 Milhas

Esse filme estrelado por Paul Newman é bem curioso. Passa longe de ser um de seus mais conhecidos trabalhos no cinema mas também tem curiosidades que o fazem único. A primeira delas é o fato do tema do filme ser uma das grandes paixões do ator em sua vida pessoal: o automobilismo. Apaixonado por carros de corrida, Newman nunca mais abandonou as pistas depois das filmagens desse longa, tanto que anos depois acabou fundando sua própria equipe, a Newman / Racing, que acabou se tornando uma das principais escuderias da Formula Indy. De fato, ao se assistir 500 milhas percebemos bem que estamos na presença de um astro que bancou uma produção complicada apenas para homenagear sua grande paixão. O filme até tenta colocar uma certa profundidade em seu roteiro. O personagem de Newman, por exemplo, se envolve com uma mulher divorciada (interpretada por sua esposa na vida real, Joanne Woodward) mas esse lado do filme logo naufraga. Mesmo tentando o ator não consegue convencer nas cenas dramáticas. Newman aparece apático e sem empolgação nesses momentos, algo completamente diverso do que ocorre nas cenas em que corre nas pistas.

No volante de um carro possante Newman se transforma completamente e aí entendemos a razão de ser da produção, pois no fundo tudo se resume ao fato do ator se divertir no circo da Indy. As próprias locações refletem isso. Não satisfeito em filmar no templo de Indianapolis, Paul Newman faz um verdadeiro tour pelas principais pistas e categorias da época. Obviamente para quem gosta do esporte certamente é um prato cheio. O grande destaque fica mesmo nas cenas de corrida. Nesse ponto o diretor demonstra que as tomadas e os ângulos de câmera que foram produzidas justificaram plenamente a existência do filme. Realmente as cenas de competição estão entre as melhores já mostradas nas telas de cinema. São empolgantes e bem documentadas. O interessante é que além de extremamente bem fotografadas dentro dos circuitos, o filme mostra ainda um panorama bem abrangente de toda a movimentação que cercava todos esses grandes prêmios. Enfim, Winning jamais será mais lembrado que os grandes clássicos da carreira de Newman, mas certamente mostra um dos aspectos mais curiosos e interessantes da personalidade do ator. Não vai mudar sua vida mas também não será nada penoso se divertir por duas horas no volante ao lado de Paul Newman.


500 Milhas (Winning, EUA, 1969) Direção: James Goldstone / Roteiro: Howard Rodman / Elenco: Paul Newman, Joanne Woodward, Robert Wagner e Richard Thomas Jr. / Sinopse: Audacioso piloto (Newman) participa de uma das mais tradicionais corridas do automobilismo americano, as 500 milhas de Indianapolis.

Pablo Aluísio

domingo, 22 de setembro de 2013

O Lugar Onde Tudo Termina

Luke (Ryan Gosling) trabalha em um parque de diversões. Ele é piloto da moto do Globo da Morte, uma atração perigosa mas que paga um péssimo salário. Viajando de cidade em cidade ele vai parar em Schenectady, New York. Lá reencontra Romina (Eva Mendes), uma garçonete com o qual teve um caso meses antes. Luke que não é de muitas palavras logo desconfia que algo está acontecendo na vida de sua garota e para sua surpresa descobre que ela tem um filho seu, um bebezinho que ela tenta em vão esconder de seu ex-namorado. O problema é que ela já mora com um outro homem que resolveu assumir a figura de pai adotivo da criança. Luke quer ser um pai presente na vida do filho mas não tem dinheiro suficiente para ajudar em sua criação. Assim resolve tomar uma decisão radical. Ao lado de um comparsa começa a realizar assaltos a banco pela região. Ótimo piloto, passa a usar de sua habilidade para fugir da polícia após seus crimes. Por um tempo as coisas até que funcionam muito bem para ele até o dia em que cruza caminho com o policial Avery Cross (Bradley Cooper). O encontro durante uma fuga mudará para sempre o destino de sua vida.

Belo filme esse "O Lugar Onde Tudo Termina". O ator Ryan Gosling novamente surpreende estrelando mais uma ótimo produção em sua filmografia. Em certos momentos lembrei de "Drive" mas esse aqui é bem mais complexo e completo. O roteiro pode ser dividido em três atos bem nítidos. No primeiro acompanhamos a dura vida do personagem de Ryan Gosling. É um sujeito que caminha numa escolha sem volta. Ao abraçar o mundo do crime ele também dá adeus a uma vida equilibrada e segura, algo aliás que nunca teve. Gosling está ótimo em seu trabalho pois ele tem esse raro talento de imprimir carisma em papéis nem sempre agradáveis. A segunda linha narrativa já mostra a conturbada vida do policial Cross (Cooper), um sujeito ambicioso e pouco ético que começa aos poucos a subir no mundo da política. Por fim acompanhamos no ato final os desdobramentos do terrível encontro entre o criminoso e o tira, algo que repercutirá inclusive no futuro de seus próprios filhos. É sem dúvida um filme extremamente bem escrito, com ótimo elenco e enredo mais do que interessante que inclusive atravessa os anos. É um filme mais longo que o habitual (quase duas horas e meia de duração) mas que em momento nenhum cansará o espectador. Esse podemos recomendar sem qualquer receio. Grande filme certamente.

O Lugar Onde Tudo Termina (The Place Beyond the Pines, EUA, 2012) Direção: Derek Cianfrance / Roteiro: Derek Cianfrance, Ben Coccio / Elenco: Ryan Gosling, Bradley Cooper, Eva Mendes, Rose Byrne, Ray Liotta, Bruce Greenwood / Sinopse: Duas gerações sofrem as consequências de um terrível acontecimento ocorrido numa pequena cidade do interior dos EUA, Schenectady, New York.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 21 de setembro de 2013

Seis Balas

O novo filme do ator Jean-Claude Van Damme é surpreendentemente bom e toca em uma questão que ultimamente tem ganho cada vez mais espaço em jornais e noticiários: o tráfico de pessoas. Na trama um casal de americanos e sua filha adolescente vão para a distante Moldávia, ex-república soviética. O pai é lutador de MMA e vai até lá para disputar uma luta com um conhecido esportista local. Seus problemas começam quando a filha desaparece dentro do hotel onde estão hospedados. Na verdade ela cai nas mãos de um grupo de traficantes de pessoas que vêem na jovem, loira e americana, uma “mercadoria” das mais preciosas no submundo do sexo do leste europeu. Desesperados eles tentam de todas as formas encontrar sua filha mas seus esforços são em vão. Como última tentativa eles contratam os serviços de um veterano da legião estrangeira, Samson Gaul (Van Damme), especializado nesse tipo de resgate. Suas investigações acabam mostrando o envolvimento de altos funcionários do governo local, pois o mercado do sexo é uma das principais fontes de renda daquele país.

O título do filme, “Seis Balas”, reflete como é banal o tráfico envolvendo adolescentes (e até mesmo crianças) nesse mundo sórdido das ex-Repúblicas soviéticas. Seis balas é o preço que se paga por uma jovem garota, vendida praticamente como escrava para atuar em prostíbulos por toda a Europa. Como se vê o argumento é dos mais interessantes. Van Damme está envelhecido mas conseguiu manter sua boa forma física. Seu personagem vive como açougueiro na capital da Moldávia e nas horas livres trabalha como mercenário contratado. Infelizmente nem sempre seus serviços são bem sucedidos como é mostrado na cena inicial quando um grupo de jovens explorados sexualmente por uma rede de pedofilia acabam mortos por uma falha de estratégia por parte dele. Mesmo com o peso em sua consciência tenta seguir em frente. O filme tem ação, boas cenas e um cenário que não é muito comum em filmes (“Seis Balas” foi rodado na Hungria e na Romênia, ambos os países servindo de “Moldávia” no enredo). Enfim está recomendado essa nova fita de ação de Van Damme que consegue manter o interesse da primeira à última cena.

Seis Balas (6 Bullets, EUA, 2012) Direção: Ernie Barbarash / Roteiro: Chad Law, Evan Law / Elenco: Jean-Claude Van Damme, Joe Flanigan, Anna-Louise / Sinopse: Jovem adolescente americana é raptada no leste europeu por um grupo de traficantes de pessoas. Para tentar localizar seu paradeiro seus pais contratam os serviços de um veterano da legião estrangeira especializado nesse tipo de crime.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Soldados da Fortuna

Durante uma missão no Afeganistão o oficial Craig McCenzie (Christian Slater) acaba descumprindo ordens expressas de seus superiores para salvar a vida de um de seus homens. Julgado pela justiça militar do exército acaba ganhando seu desligamento da força de forma desonrosa. De volta aos EUA resolve abrir seu próprio negócio, uma agência de segurança, mas as coisas andam mal. Pior se encontra seu velho amigo, que veterano e rebaixado de forma também desonrosa, não consegue arranjar emprego em sua volta ao lar. A solução para ambos acaba vindo de um programa muito peculiar: Os Soldados da Fortuna. É um tipo de turismo radical para milionários endinheirados. Em troca de um ingresso caríssimo esses ricos entediados são levados por soldados treinados e veteranos para zonas de conflito reais, onde podem desfrutar de toda a adrenalina e emoção de uma guerra de verdade! Com seu treinamento militar de elite McCenzie acaba sendo a opção ideal para o programa que o contrata para evitar a todo custo que algum desses ricaços sofra algum tipo de perigo no campo de batalha. A missão então passa a ser uma entrega de armas na chamada Ilha das Cobras, um lugar isolado e controlado por um ditador sanguinário. O problema é que nada acaba saindo como planejado.

Assim que surgiram as primeiras cenas de "Soldados da Fortuna" na tela eu me lembrei imediatamente das antigas produções de ação da produtora Cannon Group. Quem é cinéfilo de longa data saberá exatamente do que estou falando. Curiosamente nos créditos pude conferir também que o filme foi produzido pela produtora Globus-film. Ora, o produtor Yoram Globus era um dos donos da Cannon. Assim tudo se explica. É uma produção nova com todas as características que fizeram a festa dos fãs da Cannon na década de 80. Nessa fórmula temos filmes com roteiros simples, muitas explosões e cenas de ação. É o que eu gosto de chamar de filme de ação em sentido estrito. Nada de enrolação e nem de tentar ser o que não é. Tudo se resume a um ritmo de puro pancadaria sem freios. "Soldados da Fortuna" é exatamente isso. A única curiosidade mais digna de nota é a presença de um elenco de apoio acima da média. Todos os atores que interpretam os milionários que pagam para sentir a emoção de um verdadeiro campo de guerra são nomes reconhecíveis dos cinéfilos. De uma maneira ou outra é o tipo de filme que indico para quem gosta de ação e nada mais do que ação. Se é o seu caso, bom apetite.

Soldados da Fortuna (Soldiers of Fortune, EUA, 2013) Direção: Maxim Korostyshevsky / Roteiro: Alexandre Coscas, Robert Crombie / Elenco: Christian Slater, Sean Bean, Ving Rhames, Colm Meaney, Dominic Monaghan / Sinopse: Veterano da guerra do Afeganistão (Slater) é contratado para levar um grupo de ricaços até um front de batalha real para que eles experimentem a adrenalina de uma verdadeiro campo de guerra. As coisas porém acabam saindo que era inicialmente planejado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu

Elvis Presley - FTD Summer Festival '72

Mais um lançamento da FTD (Follow That Dream) enfocando a temporada de verão de Elvis em Las Vegas no ano de 1972. O CD denominado "Summer Festival 72" conta com as apresentações de Elvis realizadas no Dinner e no Midnight Show dos dia 11 e 12 de agosto daquele ano. Essa temporada em Vegas foi um pouco problemática para Elvis, logo na estréia ele se sentiu mal no palco e teve que cancelar a apresentação. Depois voltou a ter novamente problemas de saúde, como aumento de peso e sintomas de depressão, e mais uma vez procurou a solução mais rápida e perigosa, com o crescente consumo de medicamentos. Mesmo assim não conseguiu evitar de se apresentar bastante pálido e gordo, embora cantando corretamente em vários shows. Nessa apresentação do dia 11 de agosto novamente Elvis não se afasta muito de sua tradicional set list de músicas, embora procure também apresentar coisas novas. Infelizmente Elvis em pouco tempo abandonaria esse costume de apresentar canções novas em seu repertório talvez por seguir um conselho de Frank Sinatra que dizia que grandes cantores sempre deveriam fazer o mesmo show para não decepcionar seus fãs. De uma forma ou outro esse CD se torna essencial para quem quer conhecer mais sobre essa temporada e fase de Elvis.

O fato é que Presley tinha muitos problemas pessoais e profissionais por essa época. O casamento com Priscilla estava no fim, as temporadas em Las Vegas já não mais despertavam grande interesse no cantor que naquele período começou a se interessar muito mais pelos shows nas outras cidades americanas (como os realizados em Nova Iorque) como uma melhor oportunidade de conhecer novos públicos, novos desafios, enquanto que em Vegas as coisas iam ficando mais ou menos na mesma. A correria aliada a muitos shows e turnês levou Elvis a aumentar o consumo de drogas, o que acabou refletindo em problemas de saúde, cada vez mais graves. Seu aumento de peso também começou a ser notado pela imprensa, que muitas vezes ficava mais interessada nisso do que em sua música. Mesmo assim não podemos deixar de destacar alguns bons momentos nesse show como por exemplo a apresentação de "Until It's Time For You To Go" de seu novo LP na época, "Elvis Now". "For The Good Times" era outra novidade em meio a uma certa saturação de seu repertório. O bom é que o CD também traz gravações do chamado Midnight show (ou show da meia-noite) do dia 11 onde Elvis apresentou boas canções de rock como no medley "Little Sister / Get Back" (uma curiosa fusão entre um hit próprio dos anos 60 com a famosa canção dos Beatles). Já "It's Over" foi uma forma encontrada por Elvis para mostrar sua vitalidade e maturidade vocal. "Never Been To Spain", um belo blues, era outro sopro novo nos shows. Elvis a levaria inclusive para os shows no Madison Square Garden onde se tornaria um dos destaques do álbum ao vivo. Muito charme e balanço acompanham a faixa. Assim recomendo especialmente o título para os fãs de Elvis que gostem desse ano em particular. Afinal esse foi o ano do "Elvis on Tour", do "Madison Square Garden" e do "Elvis Now". Para muitos um dos períodos mais interessantes de toda a sua carreira.

Elvis Presley - FTD "Summer Festival '72" (FTD #34) 
Dinner show, August 11, 1972
Also Sprach Zarathustra
See See Rider
I Got A Woman
Until It's Time For You To Go
You Don't Have To Say You Love Me
You've Lost That Loving Feeling Polk Salad Annie
What Now My Love
Fever
Love Me
Blue Suede Shoes
One Night
All Shook Up
Teddy Bear / Don't Be Cruel
Heartbreak Hotel
Hound Dog
Love Me Tender
Suspicious Minds
Introductions
My Way
An American Trilogy
Can't Help Falling In Love 

Midnight show, August 11, 1972
Little Sister / Get Back
It's Over

Midnight show, August 12, 1972
Proud Mary
Never Been To Spain
For The Good Times
A Big Hunk O' Love
Tiger Man (opening only)

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

The Frozen Ground

Os chamados Serial Killers, ou assassinos em série, são terríveis criminosos na vida real mas que no cinema acabam rendendo bons filmes. Um exemplo é esse novo "The Frozen Ground", filme que tem tido boa receptividade pela crítica na Europa e nos EUA. Um dos atrativos de seu roteiro é o fato de ter sido baseado em fatos reais o que deixa tudo ainda mais impressionante para o espectador. A história se passa em Anchorage, uma cidade isolada e fria no distante Alasca. É lá que começam a surgir vários corpos no meio da floresta. Inicialmente o departamento de polícia não vê ligação entre todas as mortes uma vez que há uma certa distância temporal entre elas. Um policial porém, o detetive Jack Halcombe (Nicolas Cage), começa a perceber que existe um padrão nos crimes. Todas as vítimas são jovens, bem parecidas entre si, com cabelos escuros curtos, sendo algumas delas prostitutas desaparecidas. Além disso os corpos revelam sinal de execução, com tiros de um potente rifle, calibre .223, dados pelas costas. O aparecimento de uma nova vítima ainda viva, uma garota que sofreu uma tentativa de estupro acaba levando o foco das investigações para o pacato cidadão e pai de família Robert Hansen (John Cusack). Mas como provar que esse sujeito acima de todas as suspeitas é na verdade um psicopata serial?

Como é um filme baseado em fatos reais o roteiro inverte de certa forma a sequência dos acontecimentos em relação aos filmes tradicionais sobre serial killers. Assim o espectador sabe logo de antemão quem é o assassino. Mesmo com essa inversão, onde não existe o impacto de se descobrir quem é o criminoso responsável pelas mortes, o filme mantém o interesse. Ponto para o ator Nicolas Cage que vem em uma maré baixa já há algum tempo. Não resta dúvida que é uma ótima notícia para os fãs de Cage que ultimamente tem se especializado em atuar em produções ruins, daquelas que viram chacotas nas mãos dos críticos. Aqui temos uma situação bem diferente, ainda bem, pois é um filme realmente bem realizado, roteirizado e com ótima reconstituição dos fatos. Outro que também está muito bem em cena é John Cusack. Sua caracterização é perfeita pois ele conseguiu trazer para as telas aquelas nuances psicológicas bem conhecidas de assassinos desse tipo. Eles geralmente mantém uma fachada social perfeita, com família e trabalho. Parecem cidadãos exemplares. Alguns são até muito pacatos e admirados pelos vizinhos. Por baixo da máscara de bom mocismo porém se esconde um predador feroz. Um retrato perfeito de um triste caso real que abalou o Alasca e que certamente abalará também o espectador. Assista sem receios, afinal Cage vinha virando sinônimo de filme ruim mas aqui felizmente isso passa longe de acontecer. 

The Frozen Ground (The Frozen Ground, EUA, 2013) Direção: Scott Walker / Roteiro: Scott Walker / Elenco: Nicolas Cage, John Cusack, Vanessa Hudgens, Dean Norris / Sinopse: Policial prestes a se aposentar (Cage) acaba sendo designado para o caso que iria definir toda a sua carreira: a caça e captura do maior serial killer da história do Alasca.

Pablo Aluísio.

Jobs

Steve Jobs (Ashton Kutcher) é um jovem universitário que decide abandonar a faculdade para viajar pelo mundo, indo parar na Índia, onde conhece a realidade daquele povo. De volta aos EUA, sem saber direito que rumo tomar na vida, resolve se unir ao talentoso e inspirado Steve Wozniak (Josh Gad) para criar e desenvolver uma ideia nova e original, a criação de um novo conceito em informática, surgindo daí as origens do chamado PC, o computador pessoal. Inicialmente criam uma placa inovadora e depois com a ajuda de um investidor criam a Appel Computers, uma empresa que nas décadas seguintes se tornaria a mais valiosa de todo o mundo. Como se pode perceber "Jobs", o filme, tenta desvendar a figura desse famoso executivo, homem de negócios e inovador da indústria de informática. Infelizmente uma figura tão complexa e interessante para o nosso mundo moderno ganhou apenas uma pálida representação nessa produção muito burocrática, quadrada e sem inspiração, que se contenta apenas em narrar da forma mais enfadonha possível os principais eventos de sua vida.

A verdade pura e simples é que o personagem Steve Jobs retratado nesse filme não tem profundidade nenhuma. Ele é visto como um capitalista voraz, que após subir na carreira começa a se livrar de forma nada sutil de todas pessoas que o ajudaram a criar sua empresa vitoriosa. Ao mesmo tempo também mostra a terrível competição dentro das grandes empresas corporativas dos EUA, onde a puxada de tapete, a traição e o jogo de poder são fatos comuns, livres de qualquer ética pessoal. O roteiro se concentra mesmo na vida profissional de Jobs sem se importar em nenhum momento com a vida pessoal do retratado. Para se ter uma ideia o espectador é meio que informado que Jobs se recusou a assumir a paternidade de sua filha, mas tudo é jogado na tela sem qualquer complexidade, suas razões para agir assim são pessimamente explicadas em uma ou duas linhas de diálogo e nada mais. O ator Ashton Kutcher que interpreta Jobs, como era de se esperar, não consegue em nenhum momento captar a personalidade única desse executivo. Geralmente ele é retratado em cena apenas como uma pessoa extremamente rígida no trato com seus empregados. Sempre com cara de tensão e de poucos amigos o trabalho de Ashton Kutcher ficaria mais adequado se ele estivesse interpretando um psicopata e não uma pessoa tão imaginativa e criadora como Jobs. Assim o que temos aqui é um filme muito fraco, com estilo de telefilme, sem qualquer inovação ou surpresa. Bem decepcionante e vazio no final das contas.

Jobs (Jobs, EUA, 2013) Direção: Joshua Michael Stern / Roteiro: Matt Whiteley / Elenco: Ashton Kutcher, Dermot Mulroney, Josh Gad / Sinopse: O filme narra a vida de Steve Jobs. Após largar a universidade ele decide criar uma empresa na garagem de seus pais. Isso daria origem a Apple, uma das maiores empresas de informática do mundo moderno.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

A Dama e o Vagabundo

Walt Disney (1901 - 1966) era um perfeccionista. Todos os anos, geralmente na época do natal, ele fazia questão de lançar nos cinemas um longa de animação de seu estúdio. Durante o ano inteiro ele supervisionava os menores detalhes de sua equipe para que tudo saísse com um nível de qualidade que não era superado por nenhum outro estúdio na época. Visionário, sonhador e sempre zelando por uma postura de extremo respeito ao seu público, Disney acabou criando  um império. Esse "A Dama e o Vagabundo" mostra bem a filosofia do grande criador. Se trata de mais uma de suas amadas animações onde ele conseguiu reunir com rara beleza todo o romantismo da história com um nível técnico espetacular. Aqui ele de forma muito lírica faz uma espécie de homenagem ao melhor amigo do homem, o cão. Na singela estorinha da paixão de uma cadela fina e elegante por um vira-latas de rua, Disney mostrou mais uma vez porque foi um dos grandes gênios criadores do século XX.

Apesar de não assinar a direção, o dedo de Disney  (aqui creditado apenas como produtor) aparece em cada cena, em cada sequência. Os humanos são vistos sob o ponto de vista dos caninos, onde seus rostos praticamente não aparecem. A diferença de classes entre Lady e o Vagabundo é um dos aspectos mais curiosos do filme. Baseado no conto de Ward Greene, Disney até criou um certo receio em fazer o filme pois a paranóia da caça às bruxas poderia pensar que se tratava de um argumento comunista. Felizmente o bom senso prevaleceu e o lado mais lírico e doce da produção se sobressaiu de forma maravilhosa. A crítica especializada até esperava por algo mais arrebatador pois a animação anterior de Disney, "Peter Pan", tinha sido recebido como uma obra prima. "A Dama e o Vagabundo" foi bem mais modesto em suas intenções. Apesar disso hoje é considerado um dos clássicos da carreira de Walt Disney e realmente não há como discordar dessa visão. O clima romântico desse enredo parece ter inspirado ainda mais Disney já que no ano seguinte ele lançaria aquele que seguramente foi seu trabalho mais romântico: "A Bela Adormecida". Mas isso é uma outra história que vamos contar aqui em uma próxima ocasião. Por enquanto fica a recomendação de "A Dama e o Vagabundo" uma bela animação com muito romance no ar.


A Dama e o Vagabundo (Lady and the Tramp, EUA, 1955) Direção: Clyde Geronimi, Wilfred Jackson, Hamilton Luske / Roteiro: Joe Grant, Erdman Penner, Joe Rinaldi, Ralph Wright, Don DaGradi / Elenco (Vozes): Peggy Lee, Barbara Luddy, Larry Roberts, Bill Thompson, Bill Baucom / Sinopse: Lady é uma fina cadela da raça Cocker Spaniel que acaba se apaixonando pelo esperto vira-latas Vagabundo. Juntos vivem grandes aventuras.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Invocação do Mal

Um casal e suas filhas se mudam para um velho casarão no meio do bosque. Há muitos anos o local se encontra abandonado mas pelo tamanho da propriedade e pelas possibilidades do lugar o preço se torna irresistível. Assim que se mudam começam a perceber estranhos acontecimentos. Primeiro o cão da família é encontrado morto, depois as jovens filhas começam a sentir a presença de entidades no local, tudo aliado a fatos inexplicáveis como o constante cheiro de carne podre que permeia toda a casa. Após uma noite em que fica clara a presença de espíritos no local a mãe das meninas procura pela ajuda de um casal especialista em demonologia. Após uma breve visita chegam na conclusão que realmente o local está infestado de entidades do mal. Enquanto esperam pela aprovação do Vaticano para a realização de um exorcismo tentam entender e pesquisar a natureza do mal que se manifesta no velho casarão. Essa nova produção de terror "Invocação do Mal" tem chamado bastante a atenção dos fãs de filmes de terror e suspense, tanto que está em cartaz nos cinemas brasileiros. O público em geral também tem gostado bastante da proposta da película.

A explicação não é tão complicada de entender. O filme escolheu, de maneira bastante acertada, seguir a linha dos antigos filmes de terror, principalmente dos da década de 70. Assim o que temos aqui é uma volta ao velho estilo, das casas mal assombradas e das fitas de exorcismo que tanto sucesso fizeram naquela década. O roteiro se baseia em fatos reais o que aumenta ainda mais o interesse. Obviamente que não foge a certos clichês - facilmente reconhecidos por quem costuma assistir a esse tipo de filme - mas mesmo assim temos que reconhecer que o resultado é muito eficiente. Além disso a ausência de efeitos digitais (que sempre estragam essa linha de produções de terror) é outro ponto muito positivo. Ao invés disso o diretor joga com a surpresa, com o susto e com a própria ambientação das locações (a casa velha, escura, a árvore assustadora usada para enforcamentos no passado, o lago imundo e assustador, etc). Como resultado de todos esses fatores o que temos é realmente um dos melhores filmes de terror do ano! Se você gosta de temas assim, então "Invocação do Mal" é mais do que recomendado pois os sustos estão assegurados.

Invocação do Mal (The Conjuring, EUA, 2013) Direção: James Wan / Roteiro: Chad Hayes, Carey Hayes / Elenco: Patrick Wilson, Vera Farmiga, Ron Livingston / Sinopse: Casal e suas filhas se mudam para um velho casarão que começa a dar sinais da presença de entidades sobrenaturais do mal.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Outono em Nova York

Richard Gere depois do sucesso de "Uma Linda Mulher" resolveu assumir a idade de vez, adotando seus famosos cabelos grisalhos em seus filmes, tudo sem culpa ou vergonha. Agora em "Outono em Nova York" podemos entender bem o caminho que o ator escolheu para mostrar sua persona nas telas. Velho sim, cabelos brancos certamente, até mesmo com problemas de coração, mas sem perder o charme, a elegância e o romantismo. Sua mensagem fica bem subentendida, pois velhice certamente não é sinônimo de perda da capacidade de sedução do homem moderno. No filme Richard Gere interpreta Will Keane, um coroa cinquentão que não abre mão de sua vida de playboy, sempre se encontrando com mulheres interessantes mas nunca assumindo nada mais sério em sua vida sentimental. Afinal o que ele quer mesmo é aproveitar o máximo que a vida pode lhe proporcionar. Garotas jovens, como não poderiam deixar de ser, são muito bem-vindas, embora ele nunca as leve muito à sério, até o dia em que conhece Charlotte Fielding (Winona Ryder).

Algo lhe diz que essa jovem é diferente e que pode ser até mesmo, quem sabe, sua alma gêmea! O romance, mesmo com a diferença de idade entre ambos, se fortalece a cada dia e o personagem de Gere pela primeira vez sente realmente algo profundo por alguém. Mas como o mundo não é perfeito um diagnóstico de problemas cardíacos acaba se tornando um empecilho para a felicidade do casal. Muitas mulheres, principalmente àquelas que foram trocadas por garotas mais jovens, vão sentir um certo sentimento de vingança em relação ao coroa interpretado por Richard Gere, afinal ele ter problemas de coração ao tentar levar em frente um romance com uma jovem com menos da metade da idade dele certamente seria uma ironia para colocar os velhotes em seu devido lugar. Talvez por isso os roteiristas inverteram a situação colocando a garota como a doente e não o cinquentão. De qualquer forma, tirando esse forma venenosa de ver o que se passa na tela, o que temos aqui é uma boa fita romântica indicada principalmente para o público feminino. O roteiro poderia cair em um dramalhão daqueles mas consegue evitar o sentimentalismo barato, além disso tudo é salvo pela linda fotografia da película que captou com raro talento a beleza natural de uma Nova Iorque em pleno outono. Gere e Ryder também estão muito carismáticos contribuindo ainda mais para o bom resultado do que se vê nas telas. Vale a recomendação.

Outono em Nova York (Autumn In New York, EUA, 2000) Direção: Joan Chen / Roteiro: Allison Burnett / Elenco: Richard Gere, Winona Ryder, Anthony Lapaglia, Elaine Stritch, Vera Farmiga / Sinopse: Homem bem mais velho (Gere) se apaixona por jovem (Ryder) perdidamente. Seus planos românticos porém sofre um revés ao saber que a jovem está com sérios problemas cardíacos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Viagem Insólita

Infelizmente a série "Vegas" com Dennis Quaid foi cancelada ainda na primeira temporada. Isso me fez lembrar dos bons anos do ator no cinema, principalmente nas décadas de 80 e 90 quando estrelou filmes pra lá de interessantes. Quer um exemplo? Ora, basta lembrar desse sci-fi 80´s chamado "Viagem Insólita". Como não poderia deixar de ser a idéia partiu do mago Steven Spielberg (no auge de sua criatividade artística). Relembrando os clássicos de sua infância o diretor pensou em aproveitar o argumento de "Viagem Fantástica" para captar aquela inocência das ficções do cinema durante as décadas de 50 e 60. O espírito era justamente esse. Atuando como produtor executivo Spielberg acabou designando para a direção o seu pupilo Joe Dante de "Gremlins". Usando do melhor em termos de efeitos especiais da época o filme mostrava um grande projeto de minituarização. O conceito era tão radical que até mesmo uma nave e seu tripulante eram minituarizados para estudo e exploração do corpo de seres vivos. É justamente nesse programa mais do que ousado que entra o tenente Tuck Pendleton (Dennis Quaid).

Os problemas acabam acontecendo quando ocorre um ataque ao laboratório onde as pesquisas estão sendo realizadas. No meio do caos a nave miniatuarizada com Tuck é inserida no corpo de um homem hipocondríaco, inseguro e muito atrapalhado. Assim Tuck fica literalmente dentro do organismo de Jack Putter (interpretado pelo comediante Martin Short). O filme mescla duas linhas narrativas básicas. Numa delas acompanhamos o tenente Tuck em sua expedição de conhecimento do corpo humano. As cenas são extremamente bem realizadas e isso numa época em que efeitos digitais ainda eram experimentais. Na outra linha vamos acompanhando o complicado Jack tentando entender o que se passa com ele! Divertido, bem realizado e hoje em dia com claro sabor nostálgico do cinema dos anos 80, "Innerspace" se torna um ótimo programa em um fim de noite sem nada para assistir na TV. Se ainda não assistiu não perca!

Viagem Insólita (Innerspace, EUA,1987) Direção: Joe Dante / Roteiro:  Chip Proser, Jeffrey Boam / Elenco: Dennis Quaid, Martin Short, Meg Ryan / Sinopse: Um projeto de minituarização se torna alvo de um ataque terrorista, fazendo com que no meio da confusão uma nave e seu tripulante sejam inseridos dentro do organismo de um sujeito muito atrapalhado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Surpresa de Shangai

Essa foi mais uma tentativa de transformar Madonna em uma atriz de cinema. Com produção do ex-beatle George Harrison "Shangai Surprise" acabou não agradando muito nem aos fãs de Madonna e nem muito menos à crítica que se limitou a elogiar sua boa direção de arte. Na estória Madonna interpreta a missionária Gloria Tatlock . Ela vai até Shangai em busca de um carregamento de ópio perdido desde que um traficante foi morto pela polícia. Para isso ela usa os serviços do aventureiro Glendon Wasey (interpretado pelo marido da cantora na época, Sean Penn). No meio da busca pela droga que a personagem de Madonna tenciona usar como medicamento para soldados feridos na guerra, ambos acabam se apaixonando perdidamente. O filme deixa claro desde suas primeiras imagens de que pretendia ser uma aventura ao velho estilo, da Hollywood clássica, como aquelas grandes produções estreladas pelo mito Humphrey Bogart mas a verdade pura e simples é que faltou classe para os protagonistas. O roteiro também não é bom, não indo para lugar nenhum, girando em círculos, sem objetivos.

O curioso é que apesar de ter sido lançado no auge da carreira de Madonna o filme simplesmente não fez nenhum sucesso, se limitando a render nas bilheterias apenas 1 milhão de dólares, o que deixava muito a desejar uma vez que o orçamento havia custado quase vinte vezes mais. A produtora de George Harrison, a HandMade Films, quase foi à falência por causa do péssimo resultado comercial. Na época se comentou bastante que houve muitas falhas na divulgação do filme. Ao invés de o lançar em Los Angeles ou Nova Iorque em uma grande premiere para chamar a atenção da imprensa, o que seria o esperado uma vez que se tratava de Madonna, resolveu-se distribuir o filme inicialmente em pequenas cidades do interior dos EUA, o que se revelou uma péssima estratégia de lançamento. Quando chegou nos grandes centros o filme já tinha sido malhado pela crítica e assim ninguém mesmo se interessou a ver o resultado no cinema. No Brasil as coisas foram ainda piores pois o filme só foi lançado em poucas salas dois anos depois, indo parar diretamente no mercado de vídeo onde também não conseguiu se destacar como um sucesso. Pois é, até as grandes estrelas também tropeçam em suas carreiras.

Surpresa de Shangai (Shanghai Surprise, Inglaterra, 1986) Direção: Jim Goddard / Roteiro: John Kohn, Robert Bentley / Elenco: Sean Penn, Madonna, Paul Freeman / Sinopse: Uma missionária (Madonna) vai até Shangai em busca de um carregamento de ópio que pretende usar em soldados americanos feridos na guerra. Lá resolve contratar os serviços de um aventureiro (Penn), o que acabará despertando a paixão entre ambos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.