quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Sr. Holmes

Título no Brasil: Sr. Holmes
Título Original: Mr. Holmes
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: BBC Films, Miramax
Direção: Bill Condon
Roteiro: Jeffrey Hatcher, baseado no livro de Mitch Cullin
Elenco: Ian McKellen, Laura Linney, Hiroyuki Sanada
  
Sinopse:
Aos 93 anos o detetive Sherlock Holmes (Ian McKellen) está aposentado, vivendo em uma casa de campo onde passa o tempo todo com seu hobbie preferido, a apicultura, criação de abelhas. Ao seu lado na casa vive a governanta, a senhora Munro (Laura Linney), e seu jovem filho, o garoto Roger (Milo Parker), que acaba se afeiçoando a Holmes. Para o veterano detetive a velhice porém é um tempo difícil. Sua outrora brilhante mente, tão afiada, que lhe ajudou a desvendar inúmeros casos e mistérios no passado, está falhando, apresentando lapsos por causa da idade. Além disso Holmes apresenta dificuldades para lembrar o que teria acontecido em seu último caso, algo que o fez largar a profissão, se aposentando definitivamente. Para ajudar em suas lembranças ele então começa a escrever suas memórias o que lhe abrirá novamente os caminhos obscuros de um passado há muito esquecido. Filme indicado aos prêmios Seattle International Film Festival e Sydney Film Festival.

Comentários:
Achei a premissa desse filme simplesmente genial. Imagine se Sherlock Holmes fosse uma pessoa real e não apenas um personagem de literatura. Agora pense nele como alguém que teria que enfrentar todos os desafios de um sujeito comum, como os problemas decorrentes da velhice. Para piorar ele teria ainda que conviver com a fama indesejada nascida de uma série de livros de mistério escritos por seu fiel escudeiro, o Dr. Watson. A maioria do que se leu nesses livros não passou de pura ficção, sendo apenas romances de investigação policial. Grande parte do público leitor porém jamais foi informado sobre isso e por essa razão acredita que tudo o que foi escrito aconteceu de fato. Para um velho Sherlock Holmes isso acaba virando um fardo a mais em sua vida. Para desmistificar grande parte desses escritos ele então resolve já na velhice escrever suas próprias memórias, a verdade sobre os fatos. O problema é que sua mente já não é mais a mesma. Ele tem problemas de memória causadas pela idade avançada e outros desafios impostos pela senilidade. Assim o espectador acaba sendo presenteado com um filme muito humano. Não espere encontrar pela frente mais um daqueles casos mirabolantes como o que nos acostumamos a ver em filmes com o famoso detetive. O enfoque aqui é completamente outro, bem mais sutil. Sim, existe um pequeno mistério a desvendar, mas esse serve muito mais para explorar o lado mais humano e sensível do personagem do que sua incrível capacidade de dedução. Ian McKellen está perfeito como o velho Holmes. Usando uma maquiagem discreta para aparentar mais idade (o Sherlock do filme está com mais de 90 anos) ele imprime sofisticação e elegância em sua atuação. O roteiro, que foi baseado no livro escrito por Mitch Cullin (que também recomendo bastante), se desdobra em basicamente três linhas narrativas. A primeira se passa no presente, com Holmes envelhecido e aposentado, tentando lembrar do passado, muitas vezes sem sucesso. A segunda é embasada nas memórias dele, de seu último caso. A terceira linha, também em flashback, explora uma viagem que Sherlock teria feito ao distante Japão. No final todas as três histórias se entrecruzam, tornando a narrativa fragmentada um dos pontos altos de todo a película. Ao final de sua longa jornada o velho detetive descobre que nem sempre a razão é suficiente para explicar o modo de ser e agir dos seres humanos. Há sempre algo que lhe escapa completamente das mãos, como essas três linhas de narração demonstram muito bem. Sherlock, um homem racional e equilibrado, muitas vezes não consegue entender completamente as motivações das pessoas justamente por causa desse pequeno porém importante detalhe. "Mr. Holmes" assim acaba se revelando um dos melhores filmes do ano, uma produção elegante, inteligente e muito perspicaz sob o ponto de vista da humanidade do famoso personagem. Uma pequena obra prima.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A Dama Dourada

Título no Brasil: A Dama Dourada
Título Original: Woman in Gold
Ano de Produção: 2015
País: Inglaterra
Estúdio: BBC Films
Direção: Simon Curtis
Roteiro: Alexi Kaye Campbell, E. Randol Schoenberg
Elenco: Helen Mirren, Ryan Reynolds, Katie Holmes, Elizabeth McGovern
  
Sinopse:
O roteiro trata de uma das chagas abertas da Segunda Guerra Mundial, o roubo de obras de artes por tropas da Alemanha Nazista. Como se sabe Hitler era um apaixonado admirador de arte - a ponto inclusive de ter sido um artista frustrado na juventude. Quando a guerra chegou aos países vizinhos da Alemanha ele imediatamente ordenou que as mais maravilhosas obras de arte fossem levadas até o coração do Reich, principalmente as que pertenciam a famílias de judeus ricos. Foi exatamente isso que aconteceu no passado de Maria Altmann (Helen Mirren). Praticamente todos os seus familiares foram mortos no holocausto, sendo a riqueza familiar roubada abertamente pelos nazistas. Agora, muitos anos depois desses acontecimentos, ela tenta recuperar a propriedade de vários quadros que eram de seus pais. Infelizmente acaba esbarrando na inflexibilidade do governo austríaco que começa a lutar nos tribunais pela propriedade definitiva das pinturas, dando início a um longo e penoso processo judicial que acaba se arrastando por anos a fio.

Comentários:
Uma produção demasiadamente interessante que discute através de um caso concreto judicial verídico o direito de propriedade dos bens que foram usurpados (na realidade roubados) pela Alemanha Nazista de Hitler. A protagonista é uma dona de casa humilde que vive de sua pequenina lojinha de roupas em Los Angeles. Ela é uma imigrante austríaca chamada Maria Altmann (Helen Mirren). Durante a ocupação da Áustria por tropas do III Reich ela viu sua vida desmoronar ainda na juventude. Os parentes foram presos e enviados para campos de concentração. O dinheiro, obras de arte e bens em geral de sua família foram todos roubados pelos chacais do nazismo. Agora, já na velhice, ela decide lutar judicialmente por aquilo que entende ser seu de direito, inclusive um famoso quadro cujo valor atual seria estimado em mais de cem milhões de dólares! Para isso ela resolve contratar não um grande escritório de advocacia de Nova Iorque, mas sim os serviços do jovem e inexperiente advogado chamado Randy Schoenberg (Ryan Reynolds). Ele certamente não pode ser considerado um advogado de renome, porém é inteligente, tem fibra e abraça a causa com uma paixão e dedicação fora do normal. A luta de Maria e Randy se torna assim o tema principal do filme. Dito isso é bom avisar que de certa maneira "A Dama Dourada" vai agradar mais aos profissionais da área jurídica do que ao público em geral. Isso decorre do fato de que o filme explora um caso judicial cheio de detalhes que acabou dando origem a vários precedentes jurisprudenciais no direito internacional - muitos deles ainda em vigor, principalmente no que se refere ao chamado direito de restituição de obras de artes roubadas pelos nazistas. Certamente por ter esse viés técnico o tema se tornará mais interessante para advogados e profissionais do mundo do direito. Esse aspecto abre outra questão importante. Em filmes de tribunal o elenco precisa estar sempre afiado. Felizmente é o que acontece aqui. O grande destaque, como era de se esperar, vai mesmo para a maravilhosa dama dos palcos e das telas Helen Mirren. Ela consegue imprimir suavidade e garra à sua personagem de uma maneira muito equilibrada e feliz. Contando com seu talento ao lado até mesmo o apenas mediano Ryan Reynolds consegue superar suas já conhecidas deficiências dramáticas. Seu advogado é um misto de doce ingenuidade e sincera capacidade de luta, mesmo diante de tribunais superiores francamente hostis como a Suprema Corte dos Estados Unidos. Apenas Katie Holmes surge muito apagada, mas isso é decorrente de sua própria personagem (a esposa do advogado) do que por qualquer outra coisa. No final ela acaba não fazendo a menor diferença dentro da trama. Então é isso, temos aqui um filme inegavelmente bom, nada extraordinário, mas realmente bom e eficiente, que conta da maneira mais honesta possível a sua relevante história.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Exorcistas do Vaticano

Título no Brasil: Exorcistas do Vaticano
Título Original: The Vatican Tapes
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Lionsgate, Lakeshore Entertainment
Direção: Mark Neveldine
Roteiro: Chris Morgan, Christopher Borrelli
Elenco: Olivia Taylor Dudley, Michael Peña, Dougray Scott
  
Sinopse:
Angela (Olivia Taylor Dudley) é como todas as outras garotas normais de sua idade a não ser um estranho comportamento que começa a desenvolver após uma festa de aniversário. Ela começa a falar em línguas estranhas, ficando completamente fora de si, além de cometer atos impensados como atacar um motorista de um carro em movimento, causando um sério acidente de trânsito. Sem saber o que fazer seu pai pede ajuda a psiquiatras, mas nem eles sabem ao certo o que poderia estar acontecendo. Sem saída ele então resolve ir atrás do padre do hospital onde sua filha está internada. Em pouco tempo ele descobre que a jovem está mesmo possuída por um demônio vindo diretamente das trevas.

Comentários:
No começo tudo parece até promissor. O roteiro explora as mudanças que vão acontecendo nessa garota interpretada pela atriz Olivia Taylor Dudley, que me lembrou inclusive muito de Reese Witherspoon quando era mais jovem. Pois bem, o filme começa e dá algumas pequenas pistas. Como muitos jovens por aí ela também flerta com alguns símbolos e imagens satânicas, nada que não fuja muito do que vemos em capas de álbuns de bandas de Heavy Metal. Aos poucos porém algo vai se modificando em seu jeito de ser. Ela fere o seu dedo ao tentar cortar um pedaço de bolo e a coisa toda desanda. No hospital surgem estranhos sinais como a presença constante de corvos na janela de seu quarto (uma antigo mitologia associa esses pássaros a verdadeiros enviados do diabo). Não precisa ser expert em filmes de horror para entender que ela vai sendo possuída aos poucos por entidade maligna desconhecida. A medicina não tem uma explicação definitiva sobre o que estaria acontecendo com ela e o pai, que é um católico irlandês, pede ajuda a um jovem padre chamado Lozano (Michael Peña), que no passado foi veterano de guerra na intervenção americana no Iraque. Nesse ponto do filme você começa a criar algumas esperanças que vem algo de bom venha por aí, afinal de contas até que o roteiro é minimamente organizado para criar toda uma situação de expectativa em torno da possessão demoníaca em cima de jovem. Quando ela finalmente fica sob domínio das forças das trevas e um cardeal chega do Vaticano especialmente para exorcizá-la, o filme perde completamente o rumo. O que era sutileza teológica e simbolismo vira apelação, o que poderia render um ótimo duelo entre o bem o mal se torna tão caricato que mais parece desenho animado. Que pena! Pior de tudo é quando as coisas vão se revelando gradativamente e você vai entendendo de quem se trata e qual seria o ente espiritual que estaria possuindo em definitivo o corpo da jovem, a decepção toma conta. Os quinze minutos finais são os piores que já assisti em filmes de terror nos últimos anos. Usando citações mal colocadas das escrituras o filme vai mostrando o novo caminho a ser percorrido pela garota que antes estava possuída e... melhor nem ir adiante. É tudo tão óbvio, sem graça e previsível que aguentar até os letreiros finais se torna um verdadeiro martírio. O mais interessante de tudo é que vários filmes menores, com pequenos orçamentos, inclusive alguns do estilo mockumentary vindos de outros países, estão se saindo infinitamente melhores e mais inteligentes do que esse aqui, que conta  com uma produção com mais dinheiro e melhores recursos. Assim só podemos lamentar mesmo, afinal de contas nem sempre orçamento generoso significa necessariamente um bom filme - aliás ultimamente a regra tem sido justamente o oposto disso. Enfim, não foi dessa vez que fizeram um novo e bom filme sobre exorcismos. Melhor rever o clássico de 1973.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A Travessia

Título no Brasil: A Travessia
Título Original: The Walk
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures Entertainment
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Robert Zemeckis, Christopher Browne
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Ben Kingsley, Charlotte Le Bon
  
Sinopse:
Em 1974 com a construção das torres do World Trade Center um equilibrista francês chamado Philippe Petit (Joseph Gordon-Levitt) acaba tendo um ideia ousada. Ele planeja ir até os Estados Unidos para atravessar os dois arranha-céus em seu cabo de aço, sem qualquer tipo de equipamento de segurança e proteção. Com a ajuda de um grupo de amigos, da namorada Annie (Charlotte Le Bon) e dos conselhos preciosos do veterano de circo Papa Rudy (Ben Kingsley), Petit parte para a realização de seus sonhos. Filme baseado em uma história real.

Comentários:
Esse novo filme do cineasta Robert Zemeckis me deixou surpreso por causa do tema. Nunca foi a praia de Zemeckis realizar filmes desse estilo. Na realidade não consigo visualizar nada em sua filmografia no passado que se pareça com isso. Ponto para ele que resolveu mudar, ir por outros caminhos, afinal de contas nunca é tarde demais para se reinventar. A história real, que inclusive já tinha sido tema de um excelente documentário sobre o próprio Philippe Petit no passado chamado "O Equilibrista", surge também com uma pitada de nostalgia patriótica para os americanos por causa do que aconteceu com o próprio World Trade Center naqueles ataques terroristas que ocorreram em 2001. Assim Zemeckis e sua equipe tiveram que recriar as famosas torres em um trabalho visual magnífico, completamente verossímil, que nos deixam surpreendidos com o avanço da computação gráfica. Em nenhum momento você irá duvidar que os imensos prédios estão lá, na sua frente novamente. Um trabalho digno de Oscar. Em termos de roteiro temos dois atos básicos. O primeiro apresenta ao público o próprio Philippe Petit. Desde criança apaixonado pelas artes circenses ele decide dedicar sua vida ao equilibrismo, para desespero de seus pais. Depois de brigar com os velhos e deixar a velha casa paterna ele parte rumo a Paris em busca de seus sonhos. Acaba virando artista de rua e aos poucos vai melhorando cada vez mais na sua arte. Nesse meio tempo acaba conhecendo também outra artista de rua talentosa, Annie, que terá grande importância em sua aventura. O segundo ato começa quando Petit resolve realizar a maior façanha de sua vida - ao tentar atravessar se equilibrando em um cabo de aço as duas torres do World Trade Center. Tudo realizado de forma ilegal, contra as leis, na surdina para não serem presos. A história em si é tão incrível que custa para acreditarmos que ela foi real - e de fato aconteceu mesmo nos anos 1970. Não precisa ser cinéfilo para perceber que é justamente no segundo ato que Zemeckis aposta todas as suas fichas - e acerta em cheio em seus objetivos! As cenas de Petit na corda bamba são fantásticas, valorizadas enormemente por um 3D de extrema qualidade técnica. Não se admire pois em certo sentido você vai acabar se sentindo ao lado do próprio Petit naquele imenso vão vazio entre os dois arranha-céus. Um belo filme em suma, daqueles que valem o preço do ingresso no cinema.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

sábado, 24 de outubro de 2015

Willow Creek

Título no Brasil: Willow Creek
Título Original: Willow Creek
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Jerkschool Productions
Direção: Bobcat Goldthwait
Roteiro: Bobcat Goldthwait
Elenco: Alexie Gilmore, Bryce Johnson, Laura Montagna
  
Sinopse:
Um casal de namorados resolve acampar na mesma floresta onde 40 anos antes foram realizadas impressionantes imagens de um suposto Pé Grande por Roger Patterson e Bob Gimlin. Sua intenção é fazer um pequeno filme amador. Logo quando chegam na região descobrem que tudo por lá - comércio, lojas, pequenos motéis de beira de estrada - faz lembrar o mito do lendário monstro. Eles também percebem que alguns moradores não querem que eles adentrem a floresta para filmar no mesmo lugar do famoso filme. Ignorando conselhos e ameaças partem para o meio da trilha e descobrem que há algo muito sinistro no meio daquele lugar assustador. Filme premiado no Sitges - Catalonian International Film Festival.

Comentários:
Um mockumentary (falso documentário) sobre o Pé Grande. Não faz muito tempo que assisti a "Eles Existem" que tem temática bem parecida. Esse primata monstruoso ficou famoso justamente por causa de algumas filmagens amadoras que teriam sido feitas em Willow Creek na década de 1960. Esse material acabou entrando no imaginário popular, mesmo após tantos anos de debates - para os defensores seria um registro maravilhoso, para os detratores não passaria de uma farsa, com um homem usando uma roupa de gorila. De qualquer maneira o diretor e roteirista desse filme até que fez uma película bacaninha. Não espere por efeitos especiais e nem criaturas monstruosas surgindo o tempo todo na tela. Muito sabiamente o diretor optou pela sugestão, pelo suspense. Assim a grande cena do filme acontece quando o casal fica dentro de uma barraca, bem no meio da escuridão da floresta, ouvindo todos os tipos de sons estranhos. Sons animais estranhos, choros que parecem o lamento de uma mulher machucada, gritos apavorantes. Para criar o terror Bobcat Goldthwait não utiliza maquiagens em atores parecendo monstros e nada do tipo. Tudo é sugerido, nada é mostrado diretamente. Essa forma de conduzir sua pequena e simples história é o grande ponto positivo do filme como um todo. Uma diversão bem feita, de curta duração que não chega a decepcionar. Não é melhor do que "Eles Existem", mas tem tanto suspense como o outro filme.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Perdido em Marte

Título no Brasil: Perdido em Marte
Título Original: The Martian
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Drew Goddard, Andy Weir
Elenco: Matt Damon, Jessica Chastain, Jeff Daniels, Sean Bean, Michael Peña, Chiwetel Ejiofor, Kristen Wiig
  
Sinopse:
Durante uma expedição ao planeta vermelho Marte, um astronauta americano chamado Mark Watney (Matt Damon) é deixado para trás por sua tripulação após a nave exploradora ser atingida por uma imensa tempestade de areia. Dado como morto, ele precisa sobreviver no inóspito planeta contando apenas com recursos limitados de água, comida e oxigênio. Seu objetivo é ficar vivo até a chegada de uma improvável missão de resgate. Roteiro baseado no livro de ficção de Andy Weir.

Comentários:
Pessoalmente eu não gosto da tecnologia 3D. Em minha opinião ela atrapalha mais do que ajuda ao espectador na imersão do que se vê na tela. Há filmes porém que valem a pena o esforço. "The Martian" é um deles. A riqueza de detalhes do mundo marciano fica bem melhor em 3D, o que já era de se imaginar. Além disso esse é um filme que conta com ótimos efeitos visuais que podem ser bem apreciados nesse formato. O roteiro também me agradou bastante principalmente pela escolha de seguir por um caminho mais centrado na ciência. Certamente há boas cenas de ação e aventura, mas esse não é ponto focal da história. A premissa básica se concentra em um astronauta esquecido em Marte e a maneira que ele deverá encontrar para sobreviver em um mundo tão estéril e hostil como aquele. Sua salvação acaba vindo do fato dele ser um especialista em botânica, assim seu conhecimento é usado nas inúmeras tentativas de se criar uma pequena horta de alimentos dentro da base espacial a que fica recluso. Como Marte anda na moda por causa das várias missões robóticas que a NASA tem enviado para lá, o diretor Ridley Scott contou com a opinião de vários especialistas, cientistas que estão procurando há anos soluções para problemas que serão enfrentados numa futura viagem a Marte. Talvez o público mais jovem possa até vir a se aborrecer com o ritmo do filme por causa disso, mas quem estiver em busca de um filme inteligente e mais coerente sobre o que possivelmente venha a acontecer com uma viagem tripulada naquele planeta certamente vai gostar do resultado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Filmes de Ação - 2015

Eu até gostaria de ser mais otimista sobre o futuro dos filmes de ação, mas sinceramente falando acho que vivemos um momento complicado de transição. A geração que ainda está conseguindo chamar a atenção nas bilheterias em termos de filmes de ação puros é a mesma que brilhava há quase 40 anos atrás. Duvida? Veja os action movies mais vistos de 2015 e você verá que estou com a razão. Tom Cruise com "Missão: Impossível - Nação Secreta", Arnold Schwarzenegger com "O Exterminador do Futuro: Gênesis", Stallone ano passado com "Os Mercenários 3". São os velhos veteranos que ainda mantém a chama acessa. Nenhum novato se destaca mais, não ouvimos falar de novos heróis de ação surgindo no horizonte. Até os futuros projetos desses atores refletem o passado. Tom Cruise, por exemplo, anunciou que deseja fazer uma continuação de seu sucesso "Top Gun" dos anos 80. Stallone já confirmou a produção de "Os Mercenários 4". O agente de Arnold já anunciou a produção de "The Legend of Conan", ou seja, até mesmo os astros consagrados parecem sofrer de uma grande falta de novas ideias para suas carreiras. Estão se agarrando em antigos projetos, remakes e reboots de seus antigos sucessos e nada mais.

Nem Jason Statham, que pode ser considerado o novato da trupe, escapa. Ele pretende fazer mais um filme da série "Velozes e Furiosos" (a oitava produção da franquia) ao mesmo tempo em que volta para o personagem que interpretou em "Assassino a Preço Fixo" de 2011, sim o Mecânico estará de volta em "Mechanic: Ressurection" que chega às telas em 2016. E o chamado segundo escalão, o que nos reserva? Embora não tenha anunciado nada publicamente o fato é que Chuck Norris parece mesmo ter se aposentado. Longe das telas desde 2012 com "Os Mercenários 2", pessoas próximas a ele confirma que Norris não deseja voltar mais a atuar. Em seu rancho no Texas ele prefere curtir a velhice ao lado da esposa e família. Recentemente ele saiu de seu exílio para criticar duramente o governo americano por enviar tropas para o Texas. Para Chuck isso acabou soando como uma provocação contra o povo de seu amado estado. Vai entender....

Já Dolph Lundgren não quer nem ouvir falar em aposentadoria. Ele recentemente confirmou a participação em seis (isso mesmo que você leu: SEIS) filmes para 2016. Alguns já ficaram prontos e outros estão em fase de pré-produção. Um dos filmes será a continuação tardia de "Um Tira no Jardim de Infância", cujo filme original foi estrelado por Arnold Schwarzenegger. E por falar em anos 80 quais são os planos de Bruce Willis para um futuro próximo? O antigo astro de filmes de ação confirmou a produção de mais um filme da série "Duro de Matar" chamado "Die Hard Year One". Rumores em Hollywood dizem que Bruce aceitou fazer mais um filme da franquia desde que seja o último, encerrando uma longa linha de filmes. Seu personagem poderia até mesmo morrer heroicamente em cena para fechar tudo de uma vez por todas. Bruno (como os amigos mais chegados o chamam) parece estar realmente cansado de pular de prédios em chamas. Pois é, pelo que vemos não há nada de muito novo no ar. Para falar a verdade se a saga "De Volta Para o Futuro" fosse real e os personagens daquele filme viessem parar em 2015, na atualidade, certamente nem estranhariam muito os filmes novos em cartaz!

Pablo Aluísio.

Exorcistas do Vaticano (2015)

Atenção: O texto a seguir contém spoilers realmente infernais! Aproveitando vou tecer algumas considerações sobre esse filme que assisti alguns dias atrás. Confesso, eu esperava bem mais. O tema sobre exorcismos está em alta, até mesmo nos noticiários locais.

Recentemente houve o anúncio de que o Vaticano teria enviado um grupo de exorcistas ao México para realizar um dos maiores exorcismos da história já que aquele país estaria passando por uma infestação demoníaca em todos os setores da sociedade, com violência urbana fora de controle, assassinatos, pedofilia e tudo de ruim que você possa imaginar.

Para piorar os mexicanos andam adorando uma santa satanista chamada "Santa Morte", trazendo ainda mais devastação espiritual para seu país. Esse seria um excelente tema para um roteiro de um filme, porém o que os produtores e escritores de Hollywood fizeram? Realizaram mais um filme fraco, boboca e cheio de clichês por todos os cantos. Essa coisa de Anticristo já deu o que tinha que dar no cinema. Aliás como se pode pensar em algo melhor do que a série de filmes "A Profecia"? Lá a coisa toda era muito mais bem desenvolvida, com um argumento mais bem escrito, bem inteligente.

Aqui é de uma bobagem que vou te contar. Para ser o Anticristo pegaram uma jovem americana comum, uma adolescente loirinha bem bonitinha. Então depois de alguns ataques de loucura um padre latino chega na conclusão que ela está possuída mesmo, talvez por uma entidade toda poderosa, ainda desconhecida pela Igreja Católica. Chama então um especialista, um cardeal muito bom nesse tipo de ritual. E lá vamos nós para mais doses de vomitadas, corpos retorcidos e gritos em línguas de anjos que ninguém conhece!


Quando o filme chega nesse ponto você pensa que vai sair algo que preste - ledo engano! O ritual de exorcismo é péssimo, a cama anda, a garota praticamente levita e os padres não falam uma linha sequer do ritual de exorcismo real que é bem fácil de conhecer pois se encontra até mesmo na net para quem quiser conhecer por curiosidade. Infelizmente o roteirista não pensou dessa maneira, não pesquisou e criou um texto péssimo para os padres declamarem enquanto tentam expulsar o diabo. Ao invés de belas orações religiosas eles ficam lá gritando coisas como "Sai Diabo, sai Diabo!".

A tosquice é de rolar no chão de rir! E tome cabeçada, cacetada, porrada, soco na cara e até mesmo uma tentativa de esfaquear a jovem!!! Cruz credo! Tudo em vão, pois em determinado momento o capeta se manifesta e a garota vira um tipo de Pokémon dos infernos, mandando tudo pelos ares com um simples abanar de mãos. Depois ela sai andando pelo mundo, fazendo milagres, cumprindo as profecias de que o Anticristo iria ser adorado, amado, antes de destruir (ou tentar destruir) toda a humanidade. E nisso o filme acaba, assim, sem mais nem menos.

Sem clímax, sem conclusão, sem solução. Por certo os produtores pensaram que tinham um grande sucesso de bilheteria em mãos e resolveram escrever um "final gancho" para uma continuação. Ei meu chapa, não deu muito certo. O filme foi massacrado nos States e com toda razão pois é ruim de doer. Pior do que encontrar o capeta numa rua escura à Meia-Noite. Desce o Pano. / Exorcistas do Vaticano (The Vatican Tapes,2015) Direção: Mark Neveldine / Roteiro: Chris Morgan, Christopher Borrelli / Elenco: Olivia Taylor Dudley, Michael Peña, Dougray Scott.

Erick Steve.

Carga Explosiva 3

Título no Brasil: Carga Explosiva 3
Título Original: Transporter 3
Ano de Produção: 2008
País: Estados Unidos, França, Inglaterra
Estúdio: EuropaCorp, TF1 Films Production
Direção: Olivier Megaton
Roteiro: Luc Besson, Robert Mark Kamen
Elenco: Jason Statham, Robert Knepper, Natalya Rudakova
  
Sinopse:
Frank Martin (Jason Statham) aceita mais um desafio, ou como ele gosta de dizer, um "serviço". Ele deve transportar a jovem Valentia (Natalya Rudakova) de Marselha até Odessa, no mar Negro. Ela é a filha sequestrada de um importante funcionário do governo ucraniano, o que significa que Martin terá que lidar com todos os tipos de bandidos que querem colocar as mãos na garota. No caminho também deverá frear todo tipo de envolvimento ou sentimento pessoal que venha a nutrir por ela, algo que definitivamente não será fácil. Filme indicado ao European Film Awards. Também indicado ao MTV Movie Awards, Russia, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Comentários:
Esqueça o nome dos diretores, a verdadeira mente pensante por trás da franquia "Carga Explosiva" pertence ao cineasta e produtor Luc Besson. E afinal de contas qual seria a razão para ele nunca dirigir esses filmes de ação que cria? Provavelmente Besson pense que irá de alguma forma arranhar seu prestígio dentro do mundo do cinema se começar a dirigir filmes como esse. Uma pena que tenha esse tipo de pensamento preconceituoso. Deveria se assumir logo, deixar claro que adora uma fita de pura porrada e correria. Essa coisa de lustrar uma imagem cult enquanto que nos bastidores fica escrevendo roteiros e mais roteiros de filmes de ação é meio covarde e boboca. De qualquer maneira o tal de Olivier Megaton, cujo nome não nega suas pretensões, acabou realizando um filme bem de acordo com o gosto do público alvo. Muitos tiros, socos e cenas espetaculares. Jason Statham, o mais autêntico herdeiro dos brucutus dos anos 80, não nega fogo em nenhum momento. Com sua voz de Pato Donald passa o rodo naqueles que querem lhe matar. O tom é praticamente absurdo, mas ao mesmo tempo deliciosamente divertido. Assim desligue seu senso crítico e se divirta o máximo que puder.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Nocaute

Título no Brasil: Nocaute
Título Original: Southpaw
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: The Weinstein Company
Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: Kurt Sutter
Elenco: Jake Gyllenhaal, Rachel McAdams, Forest Whitaker, 50 Cent, Miguel Gomez
  
Sinopse:
Billy Hope (Jake Gyllenhaal) é um lutador de boxe, campeão em sua categoria. Após muitos anos de competições esportivas ele finalmente começa a sentir o peso de sua idade. A cada final de luta ele sofre cada vez mais com os golpes sofridos. Sua visão está prejudicada e ele agoniza com fortes e duradouras dores provocadas por seus adversários no ringue. Afinal de contas ele já não é mais um jovem para aguentar as terríveis lutas pelas quais vem passando. Sua esposa Maureen (Rachel McAdams) sabe que seus dias na carreira estão chegando ao fim. Agora, desafiado pelo novo pugilista sensação da temporada, o jovem ganancioso Miguel 'Magic' Escobar (Miguel Gomez), Hope precisará superar até a si mesmo para novamente se tornar um campeão não apenas do boxe, mas também da vida!

Comentários:
Está sendo bem badalado pela crítica americana desde que chegou aos cinemas nesse último mês. Eu confesso que me decepcionei um pouco com o que vi. Não quero com isso afirmar que o filme é ruim - absolutamente não! Apenas é bom deixar claro que é um filme sem surpresas. Roteiros que contam histórias de superação de vida envolvendo pugilistas não são exatamente uma novidade. Desde a década de 1930 Hollywood vem explorando exatamente esse mesmo tipo de enredo. Depois há sempre a presença de filmes que se notabilizaram envolvendo esse tipo de drama esportivo, como a própria franquia "Rocky" ou até mesmo "Menina de Ouro" (que inclusive é infinitamente superior a essa filme). Assim quando assisti a esse novo "Nocaute" fiquei esperando por algo novo, alguma coisa que fosse um pouco original pelo menos. Foi uma espera em vão. Infelizmente o filme acabou e não consegui ver nada que justificasse tantos elogios. O que estraga esse "O Nocaute" é justamente isso, a sua terrível previsibilidade. Você começa a acompanhar a história do protagonista e já fica sabendo bem de antemão tudo o que acontecerá na tela. No começo o vemos como um grande campeão que tem uma família linda e uma esposa maravilhosa. Bom, nem precisa ser um cinéfilo veterano para saber que ele logo sofrerá um grande abalo e que será jogado literalmente na lona da vida. Depois virá o de praxe, ou seja, ele lutará para subir novamente na carreira e enfrentará muitos desafios até chegar em seu objetivo final. Seja sincero... conseguiu ver alguma novidade nesse tipo de roteiro? Obviamente que não! No fundo é tudo mais do mesmo. Mesmo assim eu ainda recomendaria o filme, não pelo seu enredo saturado, mas sim pelas boas atuações. Jake Gyllenhaal consegue sempre manter o interesse. Ele tem uma regularidade espantosa - sempre atuando bem. Aqui ele faz a mágica acontecer novamente. Mesmo com um roteiro tão sem surpresas consegue impressionar ao interpretar o trágico boxeador Billy Hope. Jake trouxe maneirismos físicos para seu papel que me fazem acreditar com convicção que ele realmente seja o melhor ator de sua geração. Um trabalho bem acima da média, diria até brilhante, valorizado pelo modo de ser (e até falar) bem peculiares do lutador. Outro que se destaca é Forest Whitaker. Que grande ator! Ele dá vida a esse velho e cansado dono de uma modesta e pobre academia de boxe da periferia. Seus alunos são em sua maioria garotos pobres que sonham um dia saírem da vida de miséria dos guetos negros de suas cidades. Por tudo o que passou em sua vida esse velho treinador já não tem mais grandes esperanças ou sonhos. É apenas um sobrevivente da luta pela vida. Sorte para Hope pois é justamente o que ele precisa em sua vida nesse momento. Em suma, "Nocaute" é bem isso, um filme com boa produção, um certo cuidado de direção por parte de Antoine Fuqua (um cineasta que admiro, é bom frisar), valorizado por um bom elenco, mas que não consegue trazer nenhuma novidade ao mundo dos dramas esportivos. Se ao menos tivessem trilhado por algo mais ousado ou diferente a sorte poderia ter sido bem melhor. Do que jeito que ficou não há como escapar da sensação sempre presente de Déjà vu.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Napoleão Bonaparte

Napoleão Bonaparte
Ontem assisti novamente ao grande clássico "Waterloo - A Batalha de Napoleão", cuja resenha completa você pode acessar clicando aqui. Fazia seguramente uns vinte anos que o tinha visto pela última vez. Por essa razão já não me lembrava mais de todos os detalhes. O que havia ficado bem marcante em minha lembrança mesmo durante todos esses anos era realmente a grande atuação do ator Rod Steiger como Napoleão. Ele era bem parecido fisicamente com o imperador francês e aliado a essa semelhança ainda conseguiu realizar um trabalho brilhante de atuação. Seu Napoleão é um sujeito já decadente, tentando se agarrar a um passado distante, dos tempos áureos em que teve em suas mãos praticamente toda a Europa. Sempre suando, com expressão de dor, ele vai ficando consciente que seu tempo passou, que ele não é mais aquele jovem destemido dos campos de batalha do passado, ainda mais agora que segue sofrendo terríveis dores de estômago, algo que até hoje é discutido por historiadores, sobre qual seria o mal exato que tanto atormentava o general e que curiosamente ficou incorporado em sua imagem, a do general com as mãos dentro de seu uniforme militar. No meio desse caos em que sua vida havia se transformado ele ainda tentava de todas as maneiras juntar os pedaços de seu império destroçado.

O Napoleão da história é seguramente uma das figuras mais emblemáticas da humanidade. Ele foi em essência um grande ceifador de vidas, estando no mesmo nível que um Júlio César ou Hitler. Era um ditador sanguinário que queria passar o poder para seus parentes, tal como as monarquias que dizia combater. Não admitia oposição e aniquilava a todos que ousassem contestar seus loucos sonhos de dominação continental. Isso porém não inibiu os franceses de o terem alçado ao posto de herói nacional, algo que sinceramente nunca consegui compreender completamente. Ora, vejo muitas contradições em Napoleão e sua trajetória. Ele foi fruto da revolução francesa, que pregava a soberania da vontade popular em oposição ao regime da nobreza hereditária, mas ao mesmo tempo acabou trazendo os velhos valores absolutistas da monarquia deposta para seu governo e isso da pior maneira possível. Megalomaníaco e ambicioso, tentou conquistar todos os países europeus, destronando dinastias e colocando em seus tronos parentes e amigos completamente incapacitados para exercer o poder nessas nações. Tampouco se importava com a vontade dos povos desses países conquistados a ferro e fogo. Dizia ser um representante do poder do povo, mas ao mesmo tempo ignorava a vontade popular e qualquer sinal de democracia nas terras onde impunha sua dominação através de guerras de conquista. Falava que amava suas origens humildes e a sabedoria popular do povo mais pobre, mas ao mesmo tempo adorava mesmo era o luxo e a pompa das mais tradicionais monarquias europeias, se vestindo tal como os reis do passado, o que o fazia ser basicamente um grande hipócrita.

Também tal como Hitler era um tanto quanto louco. Ao tentar invadir o imenso e congelado território russo se viu massacrado pelo famoso "General Inverno" que aniquilou suas tropas que morreram congeladas e famintas nas estepes russas sem fim. Não satisfeito tentou destruir a Inglaterra e seus ideais de liberdade e direitos fundamentais (algo que ignorava completamente na prática, embora se mostrasse publicamente como um liberal constitucional). E assim como Hitler se deu muito mal ao tentar destruir "a Ilha", como os ingleses carinhosamente chamavam seu país. Pior do que tudo foi a devastação que causou em termos de vidas humanas e bens materiais. As chamadas Guerras Napoleônicas custaram as vidas de mais de oito milhões de pessoas - algo absurdo para o tamanho da população naqueles tempos. Cidades inteiras, algumas delas milenares, foram queimadas por seus soldados. No final, quando praticamente toda a população francesa masculina havia morrido nos campos de batalha, Napoleão começou a recrutar adolescentes e até crianças para as fileiras de seu exército. Uma das coisas que mais chocou o general Arthur Wellesley, o 1.º Duque de Wellington, que o venceu na batalha decisiva de Waterloo, foi contemplar os corpos de crianças mortas no campo de batalha com o uniforme do exército de Napoleão. Enterradas na lama da guerra elas perderam suas vidas com 12 e até 11 anos de idade! E depois de tantas mortes, massacres e guerras sem sentido esse megalomaníaco chamado Napoleão ainda é considerado nos dias de hoje um herói nacional pelos franceses?! Quem pode realmente entender os caminhos sombrios da mente humana...

Leia também: Waterloo - A Batalha de Napoleão

Pablo Aluísio.

John Wayne - Os Cowboys

John Wayne - Os Cowboys
Ontem aproveitei o fim de noite para rever o faroeste "Os Cowboys". O western foi estrelado pelo maior mito americano do gênero, o imortal John Wayne. Em uma carreira longa e produtiva o veterano ator incorporou como poucos o símbolo do pioneiro americano rumo a um velho oeste selvagem, perigoso e violento. Nesse filme em particular temos uma variação bem interessante de seu tipo habitual. Ao invés de ser um membro da cavalaria enfrentando tribos de nativos hostis, o ator interpretou um velho rancheiro que precisa levar seu gado até a Califórnia. Sem homens para contratar (pois estão todos nas montanhas na chamada busca ao ouro) ele não vê outra alternativa a não ser contratar um bando de guris, garotos de escola mesmo, para lhe ajudar a tocar a boiada durante a viagem, atravessando as longas planícies áridas do oeste americano. O roteiro, baseado na novela escrita por William Dale Jennings, parte justamente dessa premissa para construir todo o enredo do filme. De um lado temos um velho cowboy, veterano da guerra civil, já calejado pelos anos, com muita experiência de vida. Do outro um bando de meninos que acabam se espelhando nele para crescer, se tornando enfim homens de verdade.

Curioso é que se fosse lançado hoje em dia "Os Cowboys" poderia muito bem criar problemas com o politicamente correto que impera nos dias atuais. Afinal de contas o personagem de John Wayne recruta todos aqueles garotos para um trabalho duro, arriscado. Hoje algo assim seria visto com reservas certamente. No caminho os meninos tomam conhecimento de aspectos da vida adulta como bebidas (imagine a confusão que isso iria dar) e até mulheres de vida fácil!!! Numa das cenas mais interessantes dois dos adolescentes encontram uma carruagem cheia de mulheres, coristas que vão se apresentar nos saloons do velho oeste. Elas se apresentam praticamente despidas, pois estão tomando banho em um rio da região. Claro que pela pouca idade eles até se assustam com a desenvoltura das moças que acabam achando eles tão bonitinhos, montados em seus cavalos, até parecendo cowboys de verdade! Tal cena certamente iria chocar para os padrões conservadores dos dias atuais. Conheço pessoas que ficariam escandalizadas com algo desse tipo!

O roteiro porém não se limita a isso. Há a questão racial também. O cozinheiro do grupo é Jebediah Nightlinger (Roscoe Lee Browne), um senhor negro, que chegou a também lutar na guerra civil e que agora ganha a vida cozinhando em caravanas. Os meninos que agora trabalham para o personagem de Wayne jamais tinham visto um negro antes! Numa das melhores cenas eles perguntam ao velho Jebediah se ele é igual aos outros homens (no caso, os brancos). O velho que já presenciou tantos momentos movidos pelo racismo acaba virando o jogo, contando uma velha lenda envolvendo seu pai, ao qual seria um velho guerreiro mouro em um mundo das mil e uma noites - o que obviamente acaba encantando todos aqueles jovens. Roscoe era um grande ator e nesse monólogo em particular prova bem isso. No final ele acaba liderando o bando de meninos em um momento crucial da trama, mostrando que a amizade e o respeito sempre vencem qualquer tipo de barreira racial que venha a existir entre brancos e negros.

Por fim, além da garotada, outro fato marcou muito esse "Os Cowboys". Encurralados e cercados por bandidos o personagem de John Wayne acaba sendo morto de forma covarde (pelas costas) pelo vilão Long Hair (Bruce Dern). Eu me recordo que quando assisti a esse filme pela primeira vez, ainda adolescente e nos anos 80, ao lado de meu pai, ele ficou visivelmente chocado e perturbado por ver o seu herói Wayne tombar em cena! Afinal John Wayne não poderia jamais morrer em seus próprios filmes, era um absurdo! O fato porém foi que esse tipo de situação veio muito bem a calhar pois trouxe a dose de realismo que faltava em sua carreira. Afinal o típico personagem de John Wayne poderia ser um bravo, um homem íntegro e honesto, representando tudo o que de valioso havia do homem do velho oeste americano, mas certamente não poderia ser imortal também! Por essas e outras é que esse "Os Cowboys" é da fato um filme tão marcante e inesquecível. Um ótimo western que todos os cinéfilos precisam ter em sua coleção.

Os Cowboys (The Cowboys, EUA, 1972) Direção: Mark Rydell / Roteiro: William Dale Jennings, Irving Ravetch / Elenco: John Wayne, Roscoe Lee Browne, Bruce Dern / Sinopse: Em plena corrida do ouro nas montanhas, o rancheiro Wil Andersen (John Wayne) acaba ficando sem cowboys para tocar seu gado do Colorado até a Califórnia onde os animais serão vendidos. Para resolver seu problema de mão de obra Andersen acaba tomando uma decisão radical: contratar um grupo de garotos para realizar a longa jornada oeste adentro.

Pablo Aluísio.

Creep

Título Original: Creep
Título no Brasil: Ainda Não Definido
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Blumhouse Productions
Direção: Patrick Brice
Roteiro: Patrick Brice
Elenco: Patrick Brice, Mark Duplass
 
Sinopse:
Aaron (Patrick Brice) é um cinegrafista amador que ganha a vida fazendo vídeos de casamentos, batizados, etc. Um dia ele é contratado por Josef (Mark Duplass) para fazer um trabalho diferente. Seu novo cliente alega que está em fase terminal de câncer e precisa deixar alguns registros gravados para seu filho que está prestes a nascer. Uma forma de criar um vínculo com ele já que não terá tempo para isso pois está morrendo. Aaron então vai até uma cabana isolada onde Josef pretende gravar os vídeos só que algo muito sinistro se esconde por trás de tudo aquilo.

Comentários:
Depois de assistir a esse filme cheguei na conclusão que hoje em dia está extremamente barato e simples rodar um filme de terror e suspense. Usando da famigerada técnica do mockumentary (aquele estilo que tenta passar ao espectador a impressão de que ele está assistindo a imagens captadas em uma história real, um falso documentário), com um boa câmera na mão (algumas vezes nem isso) e elenco desconhecido, todos acabam virando cineastas. Veja esse caso. O elenco só tem dois atores. Não há qualquer tipo de efeito especial ou maquiagem, apenas dois personagens que se encontram numa cabana no meio da floresta e nada mais do que isso. Um deles é supostamente contratado pelo outro para rodar algumas imagens que ele quer deixar para que o filho assista no futuro, uma espécie de testamento visual. Tudo vai correndo bem até que, aos poucos, o cinegrafista vai entendendo que o seu cliente na verdade tem sérios problemas mentais. Ele na verdade é um sujeito solitário que gradativamente vai perdendo o contato com a realidade. Dito isso, da falta de maiores recursos em termos de produção, é bom salientar que também existem boas coisas nessa modesta fita. O ator Mark Duplass, que interpreta o desequilibrado Josef, é um cara talentoso. No começo, assim que surge, ele parece ser um sujeito muito boa praça, gente boa demais, simpático e muito fácil de se lidar. Tenta o tempo todo se mostrar carismático e bom anfitrião. O cinegrafista Aaron (Patrick Brice, que também dirigiu e escreveu o roteiro do filme), por sua vez, sempre fica com um pé atrás, mesmo com toda a simpatia de Josef. Algo não parece bem, alguma coisa não se encaixa direito naquela cabana isolada (e o tempo lhe dará razão sobre isso). O roteiro também explora bem a mente insana de Josef, mostrando que ele no fundo é apenas uma pessoa com sérios problemas psicológicos. De curta duração, "Creep" demonstra que mesmo com uma produção simplória ainda se pode tirar coisas boas de um mockumentary, basta apenas investir mais na inteligência do que em banhos de sangue gratuitos. Filme indicado ao Chicago International Film Festival e ao SXSW Film Festival.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Expresso do Amanhã

Título no Brasil: Expresso do Amanhã
Título Original: Snowpiercer
Ano de Produção:
País: Estados Unidos, França
Estúdio: Weinstein Company, Anchor Bay
Direção: Joon-ho Bong
Roteiro: Joon-ho Bong, Kelly Masterson
Elenco: Chris Evans, John Hurt, Ed Harris, Tilda Swinton, Octavia Spencer, Kang-ho Song
  
Sinopse:
O ano é 2031. Tudo o que restou da humanidade está viajando em um trem de alta tecnologia. O mundo lá fora está completamente congelado e inabitável. Dentro dos vagões as classes sociais foram devidamente separadas. Os pobres ocupam os últimos vagões. Há fome e desespero entre eles. O ricos e abastados vivem de forma luxuosa nos vagões dianteiros. Comandando tudo está o criador do trem, o cultuado e admirado Sr. Wilford (Ed Harris). Para acabar com todas as injustiças o jovem Curtis (Chris Evans) resolve liderar uma rebelião contra tudo o que está acontecendo. Filme vencedor do Georgia Film Critics Association na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante (Tilda Swinton).

Comentários:
O enredo é obviamente uma grande metáfora sobre a sociedade humana. O trem representa justamente isso. Após o planeta se tornar inabitável todas as pessoas que sobraram são confinadas nesse trem de última geração. As classes pobres ficam na parte de trás, sem comida adequada e condições mínimas de sobrevivência. Os ricos ficam na parte dianteira com todo o luxo e glamour que se possa imaginar. Nem precisa pensar muito para entender que a divisão de classes vira um dos fundamentos de tudo o que se vê na tela. Isso porém não deve animar muito os que valorizam o Marxismo ou teorias socialistas derivadas de seus princípios. O roteiro não vai até o fundo dessa questão e não está preocupado em levantar um debate mais sério sobre o tema. Na verdade é uma história até básica, contada sob um viés que pode ser classificado até mesmo como surreal. Há vagões que espelham a vida em nossa sociedade e que soam absurdos se olharmos com um pouquinho de bom senso. Assim ao atravessar o trem em direção ao lugar onde supostamente vive seu criador, os revolucionários liderados por Curtis (Evans) vão se deparando com vagões de fina classe, alguns adaptados para serem bonitos aquários, restaurantes e outros para serem animadas pistas de dança. Tudo representando a futilidade e o vazio que impera nas classes ricas. Inicialmente ao tomar contato com a sinopse não me entusiasmei muito. Não gosto de filmes que passam o tempo todo tentando provar uma tese ou uma teoria social. Eles logo se tornam chatos, enfadonhos e panfletários, além de extremamente simplistas. É basicamente o que acontece aqui. O roteiro está tão empenhado em provar um ponto de vista que tudo o mais fica em segundo plano, até mesmo o bom cinema. A produção é até interessante por causa de uma direção de arte que valoriza um mundo ao mesmo tempo absurdo e surrealista, mas os efeitos digitais são fracos e nada convincentes. O elenco é encabeçado por Chris Evans, mas ele é logo ofuscado por dois veteranos que roubam o filme: John Hurt e Ed Harris. Quando contracena com esses mestres, o apagado Evans simplesmente desaparece em sua insignificância. Seu personagem também é pouco desenvolvido e nada complexo. Um herói pseudo revolucionário nada inspirador. Certamente apenas o trabalho de Hurt e Harris salvam "Expresso do Amanhã" nesse quesito. Isso porém é pouco para justificar um bom filme. O saldo final é infelizmente sensivelmente negativo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Espírito de Lobo

Título no Brasil: Espírito de Lobo
Título Original: Wolf Totem
Ano de Produção: 2015
País: China, França
Estúdio: China Film Co, Reperage Film
Direção: Jean-Jacques Annaud
Roteiro: Jiang Rong, Jean-Jacques Annaud
Elenco: Shaofeng Feng, Shawn Dou, Ankhnyam Ragchaa
 
Sinopse:
Em 1967, durante a revolução cultural na China, dois estudantes de Beijing são enviados para as estepes da Mongólia para ensinar as crianças da região a nova ideologia comunista que chegou ao poder no país. Uma vez lá eles se encantam pela riqueza natural da região, em especial pela presença de um grupo de lobos selvagens das montanhas. Enquanto tentam doutrinar o povo do lugar acabam também se maravilhando com os costumes e a cultura daquela sociedade.

Comentários:
Produção franco chinesa muito interessante que mostra a história de vida de dois jovens idealistas que acabam indo parar na distante Mongólia. A fotografia, como não poderia deixar de ser, é um dos pontos fortes da película. O diretor francês Jean-Jacques Annaud que assinou excelentes filmes no passado como "O Nome da Rosa", "A Guerra do Fogo", "Sete Anos no Tibet" e "Círculo de Fogo" conseguiu realizar uma obra que celebra a natureza selvagem das famosas estepes mongóis, no mesmo lugar de onde surgiu no século XIII o grande conquistador Gengis Khan. Os grandes protagonistas do filme porém não são os seres humanos, mas sim os lobos selvagens. Organizados em alcatéias, eles vivem em perfeita harmonia com as populações nativas locais. Isso vai até o dia em que o Partido Comunista resolve enviar um burocrata para lá. Com escassez de alimentos o sujeito, que não entende nada da fauna local, manda invadir os territórios dos lobos, destruindo suas caças e seus filhotes, quebrando a fina e delicada harmonia que reina naquele ecossistema. Esse aspecto do roteiro até que me deixou bem surpreso pois colocou um membro do partido agindo de forma errada e equivocada, algo que espanta em um regime de governo tão fechado como o de Pequim. De qualquer maneira isso acaba não indo muito fundo, procurando a produção se contentar em mostrar as belezas naturais daquele cenário lindo e maravilhoso. Um filme ecologicamente correto e com uma bela mensagem para passar a frente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Thelma & Louise

Existem filmes que nascem pequenos e despretensiosos e depois ganham a simpatia do público, se tornando grandes sucessos de bilheteria. Com o passar dos anos acabam também sendo considerados pequenas obras cultuadas, elevando seu status, se transformando em cult movies. Um exemplo perfeito disso temos aqui com "Thelma & Louise". A Warner bancou a realização do filme, porém jamais apostou muito nele. Foi lançado discretamente nos Estados Unidos e ganhou poucas resenhas significativas nas revistas de cinema da época. O público (especialmente o feminino) porém adorou o filme e assim começou uma propaganda boca a boca que acabou se refletindo nas bilheterias, tornando "Thelma & Louise" o grande campeão de venda de ingressos daquela temporada. O que explicaria esse tipo de fenômeno? Em minha forma de ver a situação o filme caiu nas graças do espectador porque explorava algo que diz respeito a muitas mulheres pelo mundo afora. As duas personagens principais são esposas frustradas, atoladas em casamentos ruins e relacionamentos destrutivos, que procuram encontrar uma saída para essa encruzilhada que se tornou suas vidas. Para elas o que deveria ser a felicidade de um casamento perfeito acabou se transformando em algo insuportável de tolerar. Então elas simplesmente pegam um carro e caem na estrada, procurando pela liberdade que sempre desejaram.

Não é complicado de entender que a fórmula e o segredo do filme se concentram justamente nisso, nessa situação de dar um basta a uma vida de fachada, infeliz e reprimida, para finalmente buscar o que se deseja, sair pelo mundo em busca de aventuras e ser feliz de uma vez por todas. Some-se a isso a bela atuação da dupla Susan Sarandon e Geena Davis e você entenderá porque afinal o filme fez tanto sucesso. De quebra ainda trouxe um jovem Brad Pitt, ainda desconhecida na época, como um cowboy sensual que seduz uma delas. Que mulher não ficaria extasiada com algo assim? A sociedade muitas vezes massacra a posição da mulher, geralmente a colocando numa situação de submissão e repressão. O enredo de "Thelma & Louise" funcionava justamente como uma válvula de escape para tudo isso. Olhando sob esse ponto de vista realmente o resultado foi acima das expectativas.

Thelma & Louise (Thelma & Louise, EUA, 1991) Direção: Ridley Scott / Roteiro: Callie Khouri / Elenco: Susan Sarandon, Geena Davis, Harvey Keitel, Brad Pitt, Michael Madsen / Sinopse: Thelma (Geena Davis) e Louise (Susan Sarandon) são duas amigas que resolvem dar uma guinada na vida. Cansadas de seus relacionamentos ruins e doentios elas resolvem pegar a estrada, buscando por aventuras na rota 66. Filme vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original (Callie Khouri). Também indicado na categorias de Melhor Atriz (Susan Sarandon e Geena Davis, ambas indicadas), Direção, Fotografia e Edição. Filme vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor Roteiro.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

Francisco, O Jesuíta

Ainda é muito cedo para que o Papa Francisco ganhe um grande filme sobre sua vida, até mesmo porque seu pontificado ainda está acontecendo. Há muito ainda por vir. De qualquer maneira ele já se firmou como um dos Papas mais populares e carismáticos dos últimos tempos. Um líder religioso grandioso no mais estrito sentido da palavra. No canal The History Channel começou a ser exibida uma nova série intitulada "Francisco, O Jesuíta". É uma produção do canal Telemundo que tenta contar a rica biografia de Jorge Mario Bergoglio desde os tempos de sua infância em Buenos Aires, na Argentina, até os dias de hoje. Nos dois primeiros episódios já temos uma ideia de como o roteiro da série se estrutura. Há sempre duas linhas narrativas sendo contadas, uma no passado e outra no presente, já com Bergoglio surgindo como o Papa Francisco. Além disso a vida de Francisco encenada por atores é sempre interrompida por excelentes depoimentos de autores, vaticanistas e até mesmo pessoas que viveram ao lado do Papa. O roteiro foi baseado no excelente Best Seller “El Jesuita” escrito pelos jornalistas Sergio Rubin e Francesca Ambrogetti.

No primeiro episódio Jorge Mario Bergoglio é eleito Papa. As cenas mostradas da euforia na Praça de São Pedro são reais. Até me recordei desse dia quando todas as emissoras do mundo entraram no ar de forma simultânea para saber quem iria assumir o trono de Pedro, o pescador. Uma coisa que chama a atenção é que a imagem real de Francisco sempre é preservada na série. Ele nunca surge nas imagens reais e sempre é substituído pelo ator que o interpreta (que devo dizer se parece mais com Pio XII do que com o próprio Francisco). Depois que ele é ovacionado por uma multidão a série volta no tempo e encontramos Mario como apenas um garotinho que gostava de voltar da escola para jogar futebol ao lado dos amiguinhos numa praça pública perto de sua casa. Desde aqueles anos remotos ele já era um torcedor apaixonado do San Lorenzo.

Ele é um jovem normal, como tantos outros de sua idade, mas se destaca por ter uma personalidade bondosa e religiosa, algo que teria herdado de sua avó, uma mulher muito católica. Bergoglio também se apaixona por uma garota de sua idade e lhe escreve um bilhete confessando seu amor por ela dizendo: "Se eu não me casar com você, vou me tomar padre" - uma promessa que ele cumpriria anos depois. Enquanto o espectador vai sendo apresentado para o passado de Francisco ele também vai acompanhando os primeiros desafios do novo Papa como os problemas envolvendo o Banco do Vaticano, a resistência da ala conservadora da Cúria Romana e o desgaste natural de um grande humanista que tenta suavizar certos dogmas da doutrina católica, como o tratamento dado a divorciados e homossexuais.

Outro ponto da biografia de Jorge Mario Bergoglio que é tratada com extrema elegância, sensatez e bom gosto se refere aos problemas que ele enfrentou durante o regime militar argentino. Como chefe dos Jesuítas em Buenos Aires ele tentou de todas as formas ajudar as mães que tiveram seus filhos desaparecidos e torturados pelo regime militar. Também é mostrado o drama que viveu ao saber que dois de seus jesuítas tinham sido levados pela repressão durante a madrugada. Embora a produção de "Francisco, O Jesuíta" não seja tão rica e impressionante, seu roteiro compensa bastante, mostrando a vida do nosso querido Papa de uma forma honesta, equilibrada e com muita honestidade. Recomendo aos católicos e aos cristãos em geral a série. É uma maneira muito interessante e até mesmo didática de conhecer aspectos biográficos de um dos homens mais importantes e fascinantes de nosso tempo.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O Cidadão do Ano

Título no Brasil: O Cidadão do Ano
Título Original: Kraftidioten
Ano de Produção: 2014
País: Suécia, Noruega
Estúdio: Sweden Paradox Film 2, Det Danske Filminstitut
Direção: Hans Petter Moland
Roteiro: Kim Fupz Aakeson
Elenco: Stellan Skarsgård, Peter Andersson, Bruno Ganz
 
Sinopse:
Nils Dickman (Stellan Skarsgård) trabalha como motorista de um veículo que limpa as pistas de neve em uma pequena cidade da Noruega. Ele é um bom cidadão, trabalhador, pai de família, que nunca se envolveu em coisas erradas. Sua vida exemplar lhe vale até mesmo o título de cidadão do ano na cidade onde vive. Tudo muda da noite para o dia quando seu filho Ingvar Dickman (Aron Eskeland) é encontrado morto em uma estação de trem. A polícia acredita que ele morreu de uma overdose, mas essa é uma tese que Nils não admite aceitar já que seu filho nunca foi um viciado em drogas. Sem apoio do departamento de polícia ele resolve ir por conta própria atrás da solução do que realmente teria acontecido.

Comentários:
No começo, ao tomar conhecimento do enredo de "Kraftidioten", pensei que iria assistir a um drama, uma vez que tínhamos um pai em busca da solução da morte de seu filho. Como se trata de uma obra do cinema escandinavo esperava por um personagem central amargurado e deprimido pelos acontecimentos. Eu estava enganado. O filme que de fato começa quase como um drama muda rapidamente quando Nils Dickman (Stellan Skarsgård) resolve agir para encontrar os verdadeiros responsáveis pela morte de seu único filho. Inicialmente ele pensa em se matar por causa da tragédia que se abate sobre sua família, mas depois vai descobrindo que o seu garoto na verdade teria sido morto por uma quadrilha de traficantes de drogas. Para piorar ele teria sido assassinado sem razão, uma vez que o verdadeiro culpado teria sido um amigo que teria cometido a imprudência de roubar cocaína de um depósito de narcotraficantes. Aos poucos Nils vai descobrindo a identidade dessas pessoas e começa a eliminar um a um os membros desse grupo criminoso. De fato o filme gradativamente vai se transformando em uma espécie de "Desejo de Matar" norueguês! Armado de um rifle com cano cerrado e no volante de sua robusta retroescavadeira Nils sai em busca de vingança, resolvendo fazer ele mesmo justiça com as próprias mãos. Claro que algo assim acaba causando efeitos colaterais, sobrando até mesmo para seu irmão que, com passado no mundo do crime, acaba se tornando o principal suspeito pelas mortes. Embora seja até um bom filme temos que admitir que em termos de argumento não temos realmente nada de muito original. De bom mesmo ficam apenas as belas paisagens da Noruega, um país que parece estar sempre coberto por uma neve eterna!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Os Bad Boys / O Professor Aloprado

Os Bad Boys
A fórmula é baseada no sucesso de Eddie Murphy, "Um Tira da Pesada". Basicamente um filme policial com muito humor, mas também com bem elaboradas cenas de ação. Entre uma gracinha e outra novas explosões, carros voando para todos os lados e um vilão unidimensional, algumas vezes bem caricatural, que deseja apenas fazer todo o mal possível para toda a sociedade (e como convém a esse tipo de personagem sem uma boa razão plausível para isso). O que garante a diversão é realmente a dupla central. Will Smith, ainda colhendo os frutos de seu sucesso na TV americana com a série "Um Maluco no Pedaço" (que acredite, ainda é reprisada pelo SBT), tenta levantar uma nova carreira no cinema. Como se sabe a transição TV - Cinema nunca é muito fácil e apenas poucos atores conseguiram fazer essa travessia com êxito (entre eles o próprio Will Smith e Bruce Willis, que também virou uma espécie de superstar dos filmes de verão tal como Smith). No geral é um filme divertido, do tipo blockbuster descartável, que você deve assistir com muita pipoca e refrigerante, ou seja, cinema fast food por excelência. Depois de algum tempo você esquecerá tudo o que viu, afinal esse não é aquele tipo de filme que veio para marcar em nada. Dirigido pelo cabeça de vento Michael Bay o filme obviamente caiu no gosto do público, gerando uma nova sequência em 2003. E como se isso não fosse o bastante recentemente foram anunciadas duas novas sequências para a franquia, a primeira em 2017 e a outra em 2019. Durma-se com um barulho desses. Filme indicado ao Grammy Awards (pela canção original "Someone to Love") e ao MTV Movie Awards nas categorias de "Melhor Dupla" e "Melhor Sequência de Ação". / Os Bad Boys (Bad Boys, EUA, 1995) Direção: Michael Bay / Roteiro: George Gallo, Michael Barrie / Elenco: Will Smith, Martin Lawrence, Lisa Boyle.

O Professor Aloprado
Na realidade se trata de um remake do famoso filme de Jerry Lewis. Naquele original o comediante Lewis interpretava dois personagens bem distintos, um professor nerd (em brilhante atuação) e um galã metido a conquistador (Buddy Love, claramente inspirado no parceiro de Lewis, o cantor Dean Martin). Considerado um dos grandes filmes da carreira de Jerry Lewis ele ganhou após muitos anos esse remake, agora com o comediante Eddie Murphy. Com muitos mais recursos em mãos - como a tecnologia digital e o avanço da maquiagem no cinema, Eddie sem dúvida realizou um bom trabalho, principalmente no tocante a dar vida a inúmeros personagens, algo que ele já havia feito em filmes anteriores como "Um Príncipe em Nova York" ainda nos anos 80. A transformação de Eddie Murphy ficou tão bem realizada que garantiu mais um Oscar para o expert Rick Baker (especializado em monstros de filmes de terror). Além da mudança física do protagonista o roteiro também trouxe outras surpresas. Algumas modificações pontuais foram feitas e o resultado se mostrou muito bom. O antigo visual baseado em um professor de química desastrado de Lewis foi trocado por um tipo de professor bonachão, bem de acordo com a nova proposta de Eddie. Sucesso de público e crítica esse novo "O Professor Aloprado" daria origem a uma sequência quatro anos depois chamada "O Professor Aloprado 2 - A Família Klump", algo que não havia acontecido com o primeiro filme de Lewis. Esse segundo filme era nitidamente inferior e sem novidades, se tornando apenas um caça-níquel sem muita razão de ser. De qualquer forma fica a dica de um remake que apesar de não ser tão bom como o filme que lhe deu origem pelo menos não se tornou um desastre completo. / O Professor Aloprado (The Nutty Professor, EUA, 1996) Direção: Tom Shadyac / Roteiro: Jerry Lewis, Bill Richmond / Elenco: Eddie Murphy, Jada Pinkett Smith, James Coburn.  

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Megan Boone

Eu considero a Megan Boone uma mulher lindíssima. Para ser sincero ela é certamente uma das mais bonitas atrizes das séries atuais, provavelmente só perdendo nesse quesito para a loirinha Sarah Jones. Ela começou bem cedo na carreira. Em 2008 atuou em séries como "The Cleaner" e "Cold Case". Depois tentou o cinema estando no elenco da nova versão de "Dia dos Namorados Macabro". Pena que nesse tipo de produção não havia maior oportunidade de atuar bem uma vez que seu papel era apenas a de desfilar sua beleza em cena e nada mais - além é claro de pagar mico no meio do sangue falso feito de catchup. O mesmo aconteceria em "Sex and the City 2" (onde havia mulheres lindas e deslumbrantes em excesso no elenco para chamar a atenção) e "Doce Tentação". Finalmente em "Law & Order: Los Angeles" onde interpretou a personagem Lauren Stanton ele finalmente teve alguma chance real de se destacar. Foram sete episódios no total. Infelizmente a grande chance na carreira ainda iria demorar e Megan ia pegando o que aparecia pela frente, filmes como "Ela Dança, Eu Danço 4" e "Bem Vindo À Selva" que certamente não iriam mudar sua sorte na carreira.

As coisas começaram a mudar com o especial "The Blacklist: Are You on the Blacklist?", première da série que iria mudar sua carreira para sempre. "The Blacklist", a série, então surgiu nas telas e conseguiu se firmar no competitivo mercado de séries nos Estados Unidos. No ar desde 2013 como a personagem da agente Elizabeth Keen, Megan tem desfrutado dos melhores momentos de sua profissão de atriz. Uma mulher realmente deslumbrante que tem encantado o público americano em geral. Claro que em um ritmo tão intenso de gravações houve quem a criticasse por ter apresentado algumas atuações abaixo do esperado em certos episódios. Isso porém é até normal nesse tipo de produção. A agenda de gravações é intensa e o ritmo frenético, não sobrando muito bem para atuar com maestria. É claro que em algum momento o profissional fique sobrecarregado.

Na vida pessoal aconteceu um evento desagradável para Megan. Fotos privadas vazaram na net. Nessas imagens de nudez não há nada que a desmereça, pelo contrário, são fotos até bem bonitas onde ela tirou selfies de si mesma diante de um espelho na intimidade de seu quarto. Apesar das fotos serem amadoras há até um toque clássico, vintage, nelas. Já o suposto vídeo dela transando com um namorado não é verídico. Na verdade aquele é um filme pornô da série Raw estrelado e dirigido por Manuel Ferrara, um famoso astro do mercado adulto. A única coincidência é que a cama vista na cena do filme é idêntica ao modelo da cama onde Megan aparece nua em suas fotos. Nada além disso. Enfim, são coisas da vida de uma celebridade televisiva. Resta saber agora o que virá depois do fim da série que estrela.

Júlio Abreu e Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A Pepsi nos anos 1950

A Pepsi nos anos 1950 - Assim como a Coca-Cola a Pepsi-Cola também virou uma febre entre os jovens americanos dos anos 1950. Mais adocicada que sua rival o refrigerante logo entendeu que deveria avançar em termos de publicidade para ganhar novos consumidores. E nada melhor que ter o próprio Rei do Rock Elvis Presley como garoto propaganda de uma forma completamente espontânea e gratuita. Durante uma entrevista para uma revista popular da época Elvis respondeu a um animado bate-bola onde dizia suas preferências como consumidor.

Quando perguntado sobre qual seria o seu refrigerante preferido nem pensou duas vezes e respondeu: "Pepsi!". A cultura jovem estava nascendo e as empresas começavam a investir nos jovens como mercado consumidor promissor. Afinal todo fim de semana a turma se encontrava nas centenas de lanchonetes e sorveterias que começavam a abrir em todas as cidades do país, não importavam se eram grandes ou pequenas. Assim se havia uma lanchonetes era vital também haver Pepsi, como a mais presente concorrente da poderosa Coca-Cola. Outra estratégia era enviar garrafas do refrigerante para grandes astros e estrelas de Hollywood. Uma foto com eles segurando uma Pepsi já era uma publicidade e tanto em todos os aspectos!

Em vista disso uma agência publicidade de Nova Iorque foi contratada pela Pepsi para promover sua nova campanha publicitária. O resultado está aí ao lado, uma série de posters mostrando jovens belos, bonitos e sorridentes desfrutando do sabor da marca em seu cotidiano - na escola, no intervalo dos ensaios das animadoras de torcidas, na lanchonete depois do cineminha do fim de semana.

O importante era colar a Pepsi numa imagem jovem e divertida. Seria o sabor da juventude! Curiosidades: você sabe porque esse refrigerante foi chamado de Pepsi-Cola? A "cola" vem do tipo de refrigerante, de cor escura. Já o Pepsi vem do elemento pepsin, uma enzima que faz parte de sua fórmula química. Aliás por estar presente em sua composição a Pepsi por muitos anos informou aos seus clientes que ela ajudava na digestão! Como diria o slogan "Quem toma Pepsi não esquece!"

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O Mundo de Andy / A Enfermeira Betty

O Mundo de Andy
O ator Jim Carrey voltou às manchetes de todos os jornais nesse fim de semana por causa da morte trágica de sua namorada, Cathriona White. Segundo as investigações ela teria se suicidado com uma overdose de pílulas após Carrey acabar seu romance com ela. É triste, mas o fato é que muitas pessoas não conseguem lidar direito com a rejeição amorosa. Muitas mulheres ficam devastadas - algumas por anos e anos a fio - enquanto outras tomam atitudes desesperadas como essa. Segurando o caixão da ex-namorada, Carrey me pareceu muito abatido e envelhecido (com uma longa barba messiânica). Uma pena. Isso também me fez dar uma olhada mais uma vez em sua filmografia. Confesso que nunca fui seu fã de carteirinha, talvez por ter sido um admirador de Jerry Lewis no passado, o que me fez ter sempre uma sensação de que Carrey seria apenas uma versão moderna e menos talentosa do outrora brilhante Lewis. De qualquer forma um de seus filmes que realmente valem a pena é esse "O Mundo de Andy" dirigido pelo grande Milos Forman (quem poderia prever que um cineasta clássico como esse iria um dia fazer um filme com o careteiro Carrey?). Claro que não seria uma comédia escrachada, mas sim um drama. O filme se propõe a contar a história do comediante Andy Kaufman (muito popular nos Estados Unidos porém praticamente desconhecido no Brasil). Andy era um sujeito estranho, diria até mesmo bizarro, que usava essa imagem fora do comum para ganhar a vida fazendo humor (muitas vezes bem corrosivo e fora dos padrões convencionais). Esse filme foi mais uma tentativa (dessa vez bem sucedida) de Jim Carrey provar que era mais do que apenas um humorista pirado em filmes comerciais de verão. Temos de reconhecer que ele está muito bem, provavelmente naquela que seja sua melhor atuação na carreira. Premiado de forma merecida com o Globo de Ouro de Melhor Ator, Carrey conseguiu convencer a crítica, mesmo que por um breve período, que também sabia atuar e muito bem em outros gêneros cinematográficos. Depois de "O Mundo de Andy" isso foi mais do que comprovado. / O Mundo de Andy (Man on the Moon, EUA, 1999) Direção: Milos Forman / Roteiro: Scott Alexander, Larry Karaszewski / Elenco: Jim Carrey, Danny DeVito, Gerry Becker.

A Enfermeira Betty
Pequena produção tão simpática e carismática que até hoje desperta interesse. Hoje provavelmente vai soar um pouco estranho para o público mais jovem, porém em seu ano de lançamento acabou se tornando um pequeno cult da época. Na verdade foi o primeiro filme de destaque na carreira de Renée Zellweger. Ela interpreta essa personagem muito simpática, a enfermeira Betty do título. No fundo não passa de uma garota bem romântica, ingênua mesmo, que cai de amores por um galã de novelas, o canastrão David Ravell (Greg Kinnear). O que começa com uma simples admiração vai logo ganhando novos contornos, se transformando numa paixão platônica devastadora até finalmente virar uma obsessão sem limites em sua mente. Ela simplesmente não consegue parar de pensar naquele que ela pensa sinceramente ser o grande amor de sua vida. Claro que tudo sob um viés bem humorado, investindo em um tipo de linguagem mais nonsense, tudo valorizado ainda mais pelo bom elenco de apoio que contou inclusive com gente talentosa como Morgan Freeman e Chris Rock (que aqui está em seu tipo habitual, bem exagerado e fora de controle, diria até histriônico). Ainda linda no começo de sua carreira, com olhar e jeito joviais e bem longe das plásticas que destruíram sua feição original, Renée Zellweger brilhou com seu trabalho a ponto inclusive de também levar o Globo de Ouro para casa. Um feito e tanto para uma jovem atriz texana que naquela altura do campeonato ninguém ainda conhecia direito. Depois desse momento as portas da indústria do cinema iriam se abrir definitivamente para a atriz - pena que o excesso de luzes e fama tenha de certa maneira tirado o seu bom senso com o passar dos anos. De uma forma ou outra a magia do cinema está aí para preservar Zellwegger em um tempo em que ela não passava de uma jovem starlet buscando seu lugar ao sol. / A Enfermeira Betty (Nurse Betty, EUA, 2000) Direção: Neil LaBute / Roteiro: John C. Richards / Elenco: Renée Zellweger, Morgan Freeman, Chris Rock, Greg Kinnear.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.


domingo, 4 de outubro de 2015

Frank Sinatra - Sinatra '57 in Concert

Ao contrário de Elvis que lançou muitos discos gravados ao vivo, principalmente na década de 1970, poucos foram os álbuns lançados nesse estilo por Frank Sinatra. O cantor era muito perfeccionista e não se sentia confortável ou confiante para lançar discos gravados ao vivo, uma vez que a qualidade sonora nem sempre ficava muito boa, além das eventuais falhas que sempre ocorriam nesse tipo de apresentação, onde o imprevisto e o erro eram a regra. Assim apenas muito mais tarde na carreira foi que Sinatra sentiu-se seguro o suficiente para autorizar o lançamento de discos gravados em concertos na sua discografia oficial. Por tudo isso esse CD tem um valor e tanto para os fãs do The Voice. Afinal de contas ele traz um concerto de Sinatra gravado em Seatlle no ano de 1957. Ao ouvir a íntegra do show não posso ficar surpreso com a boa qualidade sonora. Certamente passa longe da perfeição pois de certa maneira a maravilhosa orquestra que acompanhava Sinatra ficou um pouco abafada ao fundo, mesmo assim considerei realmente excelente o tratamento que foi realizado nas fitas originais. Não é preciso lembrar que nos anos 1950 a técnica de gravação de shows era muito precária, quase primitiva. Apenas faixas gravadas em estúdios profissionais apresentavam boa qualidade sonora.

Outro aspecto que merece destaque é a própria postura de Sinatra no palco. Não há espaço para maiores improvisos ou brincadeiras. Nesse ponto Sinatra era realmente um profissional admirável. Ele tinha um repertório para interpretar e o fazia com extrema maestria e cuidado técnico. Como eu escrevi, para alguém tão perfeccionista não havia espaço para falhas. No máximo ele se dava o prazer e privilégio de cantar alguma música com uma entonação mais divertida. Em pequenos momentos ele se divertia mais como em "I Get a Kick Out of You", onde acabava perdendo por um momento o fio da meada do acompanhamento de seus músicos. É interessante que esse tipo de show era bem diferente do que ele estava mais acostumado a realizar em Las Vegas. Ao lado do Rat Pack a proposta era bem outra. Quando estava acompanhado de Dean Martin, Sammy Davis Jr., Peter Lawford ou Joey Bishop, o cantor com copo de whisky na mão adotava outra postura, outro comportamento, quase como um comediante. A intenção não era apenas cantar bem, mas acima de tudo divertir o público, contando piadinhas e histórias engraçadas. Nem sempre esse tipo de material foi bem apreciado pelos críticos, já que todos queriam mesmo ouvir o talento de Sinatra com a devida perfeição e profissionalismo. Se esse for o seu caso então recomendo esse CD sem receios.

Frank Sinatra - Sinatra '57 in Concert
1. Introduction / You Make Me Feel So Young
2. It Happened in Monterey
3. At Long Last Love
4. I Get a Kick Out of You
5. Just One of Those Things
6. A Foggy Day
7. The Lady Is a Tramp
8. They Can't Take That Away From Me
9. I Won't Dance
10. Sinatra Dialogue
11. When Your Lover Has Gone
12. Violets For Your Furs
13. My Funny Valentine
14. Glad to Be Unhappy
15. One For My Baby
16. The Tender Trap
17. Hey Jealous Lover
18. I've Got You Under My Skin
19. Oh! Look at Me Now

Pablo Aluísio. 

sábado, 3 de outubro de 2015

Elvis Presley Recording Sessions - 1968

Hoje publiquei no blog Elvis Presley o texto compilado do álbum Elvis Sings Flaming Star (clique aqui para ler), um disco que poucos dão importância mesmo entre os colecionadores estrangeiros. Há uma certa má vontade em relação a esse álbum por duas razões básicas: foi lançado pelo selo promocional RCA Camden e era, em resumo, uma colcha de retalhos produzida pela RCA com músicas que estavam sobrando em seus arquivos há anos. De novidade apenas uma versão ao vivo com muita energia de "Tiger Man". Nos Estados Unidos o disco na época em que chegou pela primeira vez aos consumidores não despertou muito interesse, mas na Inglaterra ele conseguiu se destacar nas paradas chegando em um fantástico terceiro lugar entre os mais vendidos! Os ingleses sempre amaram o som de Elvis e estavam sempre especulando sobre uma possível turnê do cantor na ilha - algo que infelizmente nunca aconteceria por causa do empresário Tom Parker que, como se sabe, não poderia deixar o país por ser um imigrante ilegal que não podia tirar passaporte! Achou absurdo? Pois é, bem vindo ao mundo de Elvis!

Esse ano de 1968 é emblemático dentro da carreira de Elvis porque hoje em dia é considerado o ano em que ele voltou aos bons e velhos tempos, cantando novamente ao vivo, relembrando seus sucessos no especial de TV que o consagraria novamente. Essa visão é um pouco simbólica demais. Se formos parar para analisar as sessões de gravação de Elvis nesse ano veremos que as coisas não foram bem assim. Durante praticamente todo o ano Elvis fez basicamente o mesmo que estava fazendo nos anteriores: gravando muitas músicas para trilhas sonoras de Hollywood, tentando a todo custo levantar e ressuscitar sua carreira no cinema. Duvida? Então vejamos. A primeira sessão de gravação desse ano aconteceu em janeiro quando Elvis foi a Nashville terminar as músicas do péssimo filme "Stay Away Joe" (um faroeste pastelão, por mais estranho que isso possa parecer!). Claro que nessa sessão em particular ele conseguiu registrar algumas excelentes músicas como "Too Much Monkey Business" e "U.S. Male", mas esse não era o ponto focal principal da sessão.

Depois em março Elvis retornou aos estúdios para a gravação de mais uma trilha sonora medíocre, dessa vez do filme "Live a Little, Love a Little". Essa sessão só não foi um desperdício completo porque afinal de contas nela Presley gravou "A Little Less Conversation" que iria se tornar um hit mundial muitos anos depois com um remix que venderia milhões de cópias ao redor do mundo. Houve também a gravação de "Almost in Love", uma bossa nova, a única composição de um brasileiro (Luiz Bonfá) a ser gravada por Elvis Presley em toda a sua carreira. Pois bem, em junho Elvis foi até a Califórnia para a gravação do NBC TV Special, esse sim um ponto de reviravolta em sua trajetória artística, mas depois disso o que ele fez no resto do ano? Em outubro lá estava Elvis em Hollywood novamente gravando mais trilhas sonoras, dessa vez do faroeste spaguetti "Charro" e da confusa comédia romântica musical "The Trouble with Girls". Trocando em miúdos, mesmo após o NBC, que para muitos significava a volta triunfal do Rei do Rock, ele ainda voltou para a velha fórmula desgastada de sua cambaleante carreira em Hollywood.

A verdade é que em termos de qualidade musical a discografia de Elvis Presley só sofreria mesmo um impacto de verdade no ano seguinte, nas maravilhosas sessões realizadas em Memphis, no American Sound Studios. Ali realmente foi um pico de qualidade sem precedentes. Elvis deixou os temas bobinhos de trilhas de filmes para se concentrar em algo muito mais substancial, canções realmente significativas, relevantes e extremamente bem compostas. Ao invés de ficar posando de eterno adolescente namorador nas telas Elvis finalmente assumia sua idade cronológica, cantando letras sobre relacionamentos e problemas adultos, deixando as musiquinhas de namoricos adolescentes de lado. Afinal ninguém aguentava mais aquilo. Já tinha passado do prazo de validade. Mudar para melhor só aconteceria mesmo dentro do American. Aquele sem dúvida foi um momento crucial em sua carreira. Isso porém aconteceu em 1969 e não em 1968 onde Elvis ainda insistiu em seguir por caminhos equivocados. Todo o resto é apenas uma simplificação simplória da história do cantor.

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Douglas e Mayo - Embrutecido Pela Violência

Ontem assisti a mais um clássico western americano. Esse ainda era inédito para mim. É uma produção de 1951 estrelada por Kirk Douglas e dirigida pelo mestre Raoul Walsh chamada "Embrutecido Pela Violência". Acabei inclusive de publicar uma resenha no blog Cine Western que pode ser facilmente acessada clicando aqui. Além do já tradicional roteiro, típico de faroestes da época, esse filme me intrigou porque tocou em um ponto que acho crucial: as falhas do sistema judiciário (seja ele de que país for). Douglas interpreta um agente federal obcecado em seguir a lei ao pé da letra, em seus menores detalhes. Nada de pensar em fazer justiça pelas próprias mãos. Assim quando encontra um grupo de homens prontos para pendurarem numa árvore um velho acusado de ter roubado gado e matado o querido filho de um rancheiro da região, ele nem pensa duas vezes e saca suas armas para deter o ato de pura vingança (e não justiça, em sua particular forma de entender a situação). Ele consegue salvar a vida do sujeito, mas ao mesmo tempo se coloca em perigo já que o grupo não se contenta com o que aconteceu e passa a caçá-lo pelo deserto californiano. Acontece que o seu prisioneiro também tem uma filha, interpretada pela beldade Virginia Mayo, que também está disposta a fazer de tudo para que seu pai não seja condenado. Na jornada pelo deserto o Marshal conta apenas com a ajuda de dois assistentes; Já do outro lado e em seu encalço vai um verdadeiro bando de foras-da-lei, prontos para acabarem com sua vida e a de seu prisioneiro.

O veterano Kirk Douglas ainda vive e é um verdadeiro sobrevivente. Provavelmente seja o último grande astro da era de ouro do cinema americano ainda vivo. Aos 99 anos de idade, Kirk é mais durão do que todos os cowboys juntos que interpretou ao longo de sua vida. Com 92 filmes no currículo, em mais de 60 anos de carreira, ele foi um verdadeiro workaholic em seus tempos de glória. O curioso na carreira dele é que jamais se limitou a apenas um gênero cinematográfico, abraçando todo tipo de projeto que lhe parecesse interessante. Também foi um artista corajoso e independente que enfrentou de frente grupos poderosos da época. Em plena era das caças às bruxas da paranóia anticomunista ele foi o único em Hollywood que teve coragem de empregar profissionais que estavam na lista negra do Macartismo, entre eles o genial roteirista Dalton Trumbo que havia sido impedido de trabalhar nos grandes estúdios por ter sido acusado de ser membro do partido comunista. Douglas topou a briga e o contratou mesmo sob diversas ameaças de boicote. No final o filme se tornou um grande clássico e Kirk Douglas se tornou um dos responsáveis pelo fim daquela loucura que se espalhava na indústria cultural americana.

Já a atriz Virginia Mayo era outra profissional de muita garra na luta por sua carreira. Ela nasceu em St. Louis, Missouri, no ano de 1920. Desde cedo quis ser atriz de cinema, mas isso exigia um esforço e tanto para conseguir. Considerada uma rainha da beleza ela começou sua vida profissional atuando como modelo (linda como era, não houve maiores problemas sobre isso). Como também era dançarina teve sua primeira oportunidade de aparecer no musical "Follies Girl" de 1939. Aos pouquinhos foi subindo os degraus da fama. Quando atuou ao lado de Kirk Douglas em "Embrutecido Pela Violência" já era uma estrela de renome, capa de revistas e badalada dentro da indústria cinematográfica. Quando o filme foi lançado boatos de que estaria namorando Kirk surgiram na imprensa. No filme inclusive podemos notar seus esforços em se destacar apenas pelo talento dramático e não apenas pelo seu bonito rosto. Ela está com cabelos curtinhos, estilo Joãozinho, em roupas simples, rurais, e modos rudes e rústicos. Isso em nada tirou seu brilho pessoal, pelo contrário, só a deixou mais charmosa - mesmo que estivesse com um rifle nas mãos! Ela tinha um olhar muito expressivo que foi perfeitamente captado pelas lentes do cineasta Raoul Walsh. No roteiro do filme ela quer de todo custo salvar seu pai que caminha rapidamente para a morte (seja pelas mãos da justiça, seja pelos rancheiros que o acusam de vários crimes). Para isso vale tudo, até mesmo se enamorar pelo xerife durão Douglas - o que convenhamos não era nada fácil. Enfim, coisas de Hollywood...

Pablo Aluísio.