sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Filipe II da Espanha

Filipe II da Espanha foi um dos monarcas mais destacados da história de sua nação. Foi um político extremamente habilidoso que também soube como poucos manter suas convicções pessoais intactas. Ele reinou de julho de 1554 até setembro de 1598. Um logo reinado que ajudou a modelar o mundo atual em que vivemos. Sua importância não se deu apenas dentro da Europa, mas atravessou os mares, principalmente no Brasil. Isso pode ser facilmente entendido quando Portugal e Espanha se tornaram um só Reino. O Brasil era uma distante colônia portuguesa na América do Sul, ainda pouco explorada e conhecida. Quando Filipe se tornou também o monarca de Portugal nosso país ficou sob sua regência. Essa fase ficou conhecida como a União Ibérica. A capital da Paraíba - hoje João Pessoa - passou a se denominar na época de Filipéia em sua homenagem. Essa é uma das mais antigas cidades do Brasil.

Pois bem, no campo religioso o Rei Filipe II da Espanha se destacou também por ter sido um fervoroso defensor da Fé Católica. Aqueles foram tempos conturbados na Europa. O protestantismo se espalhava por toda a Europa e o Rei precisou se posicionar sobre o que estava acontecendo. Filipe veio de uma família com longa tradição católica e não estava disposto a abrir mão disso. Ele negou em diversas ocasiões a tomada de decisões que porventura pudessem agredir a liberdade de culto do catolicismo ou a apropriação de seu bens, como havia acontecido na Inglaterra e países nórdicos. Sua posição firme ao lado do catolicismo logo causou problemas externos, principalmente com os chamados Países Baixos (Holanda e Bélgica, principalmente) que começavam a difundir enormemente o protestantismo. Nessas nações começou um movimento de perseguição contra os católicos. Filipe II ficou indignado com a situação que se desenvolvia por lá.

Dentro da Espanha o Rei ordenou que fosse construído o mosteiro de El Escorial onde agrupou uma das mais maravilhosas coleções de arte de cunho religioso. Para lá Filipe enviou os melhores quadros do Reino, entre eles peças de mestres consagrados. Também mandou organizar uma extensa biblioteca para onde foram enviados obras literárias de um momento considerado grandioso na língua espanhola. No campo jurídico mandou organizar em forma de códigos de leis as chamadas ordenações filipinas que inclusive tiveram vigência no Brasil Colônia.

Com a Inglaterra Filipe II teve inúmeros problemas. Ele era um ferrenho crítico do que havia feito Henrique VIII que, impedido de se casar pela segunda vez pela Igreja Católica, resolveu romper laços com o Vaticano, tornando de posse milhares de propriedades da Igreja para fundar sua própria religião, a Anglicana. Filipe considerava isso um grande insulto contra o que ele chamava de a fé verdadeira. Com o aumento de líderes fanáticos protestantes Filipe logo autorizou a instalação da chamada Inquisição espanhola que se tornou instrumento de combate contra as novas heresias que vinha do leste europeu.

Mesmo que esse tenha sido um ponto a se criticar de seu reinado uma coisa se torna clara: O protestantismo jamais conseguiu se firmar com solidez na península ibérica, se tornando sempre uma segunda vertente, algo que não se repetiu em diversos outros países europeus. A preservação da fé católica se estendeu rumo a Portugal e claro em suas colônias pelo mundo afora, inclusive o Brasil que se tornaria no futuro a maior nação católica do mundo, algo que certamente Filipe II apreciaria. Seu legado assim se torna bastante relevante pois sua lealdade ao catolicismo lhe valeu a eternidade em termos históricos.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Sr. Holmes

Título no Brasil: Sr. Holmes
Título Original: Mr. Holmes
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: BBC Films, Miramax
Direção: Bill Condon
Roteiro: Jeffrey Hatcher, baseado no livro de Mitch Cullin
Elenco: Ian McKellen, Laura Linney, Hiroyuki Sanada
  
Sinopse:
Aos 93 anos o detetive Sherlock Holmes (Ian McKellen) está aposentado, vivendo em uma casa de campo onde passa o tempo todo com seu hobbie preferido, a apicultura, criação de abelhas. Ao seu lado na casa vive a governanta, a senhora Munro (Laura Linney), e seu jovem filho, o garoto Roger (Milo Parker), que acaba se afeiçoando a Holmes. Para o veterano detetive a velhice porém é um tempo difícil. Sua outrora brilhante mente, tão afiada, que lhe ajudou a desvendar inúmeros casos e mistérios no passado, está falhando, apresentando lapsos por causa da idade. Além disso Holmes apresenta dificuldades para lembrar o que teria acontecido em seu último caso, algo que o fez largar a profissão, se aposentando definitivamente. Para ajudar em suas lembranças ele então começa a escrever suas memórias o que lhe abrirá novamente os caminhos obscuros de um passado há muito esquecido. Filme indicado aos prêmios Seattle International Film Festival e Sydney Film Festival.

Comentários:
Achei a premissa desse filme simplesmente genial. Imagine se Sherlock Holmes fosse uma pessoa real e não apenas um personagem de literatura. Agora pense nele como alguém que teria que enfrentar todos os desafios de um sujeito comum, como os problemas decorrentes da velhice. Para piorar ele teria ainda que conviver com a fama indesejada nascida de uma série de livros de mistério escritos por seu fiel escudeiro, o Dr. Watson. A maioria do que se leu nesses livros não passou de pura ficção, sendo apenas romances de investigação policial. Grande parte do público leitor porém jamais foi informado sobre isso e por essa razão acredita que tudo o que foi escrito aconteceu de fato. Para um velho Sherlock Holmes isso acaba virando um fardo a mais em sua vida. Para desmistificar grande parte desses escritos ele então resolve já na velhice escrever suas próprias memórias, a verdade sobre os fatos. O problema é que sua mente já não é mais a mesma. Ele tem problemas de memória causadas pela idade avançada e outros desafios impostos pela senilidade. Assim o espectador acaba sendo presenteado com um filme muito humano. Não espere encontrar pela frente mais um daqueles casos mirabolantes como o que nos acostumamos a ver em filmes com o famoso detetive. O enfoque aqui é completamente outro, bem mais sutil. Sim, existe um pequeno mistério a desvendar, mas esse serve muito mais para explorar o lado mais humano e sensível do personagem do que sua incrível capacidade de dedução. Ian McKellen está perfeito como o velho Holmes. Usando uma maquiagem discreta para aparentar mais idade (o Sherlock do filme está com mais de 90 anos) ele imprime sofisticação e elegância em sua atuação. O roteiro, que foi baseado no livro escrito por Mitch Cullin (que também recomendo bastante), se desdobra em basicamente três linhas narrativas. A primeira se passa no presente, com Holmes envelhecido e aposentado, tentando lembrar do passado, muitas vezes sem sucesso. A segunda é embasada nas memórias dele, de seu último caso. A terceira linha, também em flashback, explora uma viagem que Sherlock teria feito ao distante Japão. No final todas as três histórias se entrecruzam, tornando a narrativa fragmentada um dos pontos altos de todo a película. Ao final de sua longa jornada o velho detetive descobre que nem sempre a razão é suficiente para explicar o modo de ser e agir dos seres humanos. Há sempre algo que lhe escapa completamente das mãos, como essas três linhas de narração demonstram muito bem. Sherlock, um homem racional e equilibrado, muitas vezes não consegue entender completamente as motivações das pessoas justamente por causa desse pequeno porém importante detalhe. "Mr. Holmes" assim acaba se revelando um dos melhores filmes do ano, uma produção elegante, inteligente e muito perspicaz sob o ponto de vista da humanidade do famoso personagem. Uma pequena obra prima.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A Dama Dourada

Título no Brasil: A Dama Dourada
Título Original: Woman in Gold
Ano de Produção: 2015
País: Inglaterra
Estúdio: BBC Films
Direção: Simon Curtis
Roteiro: Alexi Kaye Campbell, E. Randol Schoenberg
Elenco: Helen Mirren, Ryan Reynolds, Katie Holmes, Elizabeth McGovern
  
Sinopse:
O roteiro trata de uma das chagas abertas da Segunda Guerra Mundial, o roubo de obras de artes por tropas da Alemanha Nazista. Como se sabe Hitler era um apaixonado admirador de arte - a ponto inclusive de ter sido um artista frustrado na juventude. Quando a guerra chegou aos países vizinhos da Alemanha ele imediatamente ordenou que as mais maravilhosas obras de arte fossem levadas até o coração do Reich, principalmente as que pertenciam a famílias de judeus ricos. Foi exatamente isso que aconteceu no passado de Maria Altmann (Helen Mirren). Praticamente todos os seus familiares foram mortos no holocausto, sendo a riqueza familiar roubada abertamente pelos nazistas. Agora, muitos anos depois desses acontecimentos, ela tenta recuperar a propriedade de vários quadros que eram de seus pais. Infelizmente acaba esbarrando na inflexibilidade do governo austríaco que começa a lutar nos tribunais pela propriedade definitiva das pinturas, dando início a um longo e penoso processo judicial que acaba se arrastando por anos a fio.

Comentários:
Uma produção demasiadamente interessante que discute através de um caso concreto judicial verídico o direito de propriedade dos bens que foram usurpados (na realidade roubados) pela Alemanha Nazista de Hitler. A protagonista é uma dona de casa humilde que vive de sua pequenina lojinha de roupas em Los Angeles. Ela é uma imigrante austríaca chamada Maria Altmann (Helen Mirren). Durante a ocupação da Áustria por tropas do III Reich ela viu sua vida desmoronar ainda na juventude. Os parentes foram presos e enviados para campos de concentração. O dinheiro, obras de arte e bens em geral de sua família foram todos roubados pelos chacais do nazismo. Agora, já na velhice, ela decide lutar judicialmente por aquilo que entende ser seu de direito, inclusive um famoso quadro cujo valor atual seria estimado em mais de cem milhões de dólares! Para isso ela resolve contratar não um grande escritório de advocacia de Nova Iorque, mas sim os serviços do jovem e inexperiente advogado chamado Randy Schoenberg (Ryan Reynolds). Ele certamente não pode ser considerado um advogado de renome, porém é inteligente, tem fibra e abraça a causa com uma paixão e dedicação fora do normal. A luta de Maria e Randy se torna assim o tema principal do filme. Dito isso é bom avisar que de certa maneira "A Dama Dourada" vai agradar mais aos profissionais da área jurídica do que ao público em geral. Isso decorre do fato de que o filme explora um caso judicial cheio de detalhes que acabou dando origem a vários precedentes jurisprudenciais no direito internacional - muitos deles ainda em vigor, principalmente no que se refere ao chamado direito de restituição de obras de artes roubadas pelos nazistas. Certamente por ter esse viés técnico o tema se tornará mais interessante para advogados e profissionais do mundo do direito. Esse aspecto abre outra questão importante. Em filmes de tribunal o elenco precisa estar sempre afiado. Felizmente é o que acontece aqui. O grande destaque, como era de se esperar, vai mesmo para a maravilhosa dama dos palcos e das telas Helen Mirren. Ela consegue imprimir suavidade e garra à sua personagem de uma maneira muito equilibrada e feliz. Contando com seu talento ao lado até mesmo o apenas mediano Ryan Reynolds consegue superar suas já conhecidas deficiências dramáticas. Seu advogado é um misto de doce ingenuidade e sincera capacidade de luta, mesmo diante de tribunais superiores francamente hostis como a Suprema Corte dos Estados Unidos. Apenas Katie Holmes surge muito apagada, mas isso é decorrente de sua própria personagem (a esposa do advogado) do que por qualquer outra coisa. No final ela acaba não fazendo a menor diferença dentro da trama. Então é isso, temos aqui um filme inegavelmente bom, nada extraordinário, mas realmente bom e eficiente, que conta da maneira mais honesta possível a sua relevante história.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Exorcistas do Vaticano

Título no Brasil: Exorcistas do Vaticano
Título Original: The Vatican Tapes
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Lionsgate, Lakeshore Entertainment
Direção: Mark Neveldine
Roteiro: Chris Morgan, Christopher Borrelli
Elenco: Olivia Taylor Dudley, Michael Peña, Dougray Scott
  
Sinopse:
Angela (Olivia Taylor Dudley) é como todas as outras garotas normais de sua idade a não ser um estranho comportamento que começa a desenvolver após uma festa de aniversário. Ela começa a falar em línguas estranhas, ficando completamente fora de si, além de cometer atos impensados como atacar um motorista de um carro em movimento, causando um sério acidente de trânsito. Sem saber o que fazer seu pai pede ajuda a psiquiatras, mas nem eles sabem ao certo o que poderia estar acontecendo. Sem saída ele então resolve ir atrás do padre do hospital onde sua filha está internada. Em pouco tempo ele descobre que a jovem está mesmo possuída por um demônio vindo diretamente das trevas.

Comentários:
No começo tudo parece até promissor. O roteiro explora as mudanças que vão acontecendo nessa garota interpretada pela atriz Olivia Taylor Dudley, que me lembrou inclusive muito de Reese Witherspoon quando era mais jovem. Pois bem, o filme começa e dá algumas pequenas pistas. Como muitos jovens por aí ela também flerta com alguns símbolos e imagens satânicas, nada que não fuja muito do que vemos em capas de álbuns de bandas de Heavy Metal. Aos poucos porém algo vai se modificando em seu jeito de ser. Ela fere o seu dedo ao tentar cortar um pedaço de bolo e a coisa toda desanda. No hospital surgem estranhos sinais como a presença constante de corvos na janela de seu quarto (uma antigo mitologia associa esses pássaros a verdadeiros enviados do diabo). Não precisa ser expert em filmes de horror para entender que ela vai sendo possuída aos poucos por entidade maligna desconhecida. A medicina não tem uma explicação definitiva sobre o que estaria acontecendo com ela e o pai, que é um católico irlandês, pede ajuda a um jovem padre chamado Lozano (Michael Peña), que no passado foi veterano de guerra na intervenção americana no Iraque. Nesse ponto do filme você começa a criar algumas esperanças que vem algo de bom venha por aí, afinal de contas até que o roteiro é minimamente organizado para criar toda uma situação de expectativa em torno da possessão demoníaca em cima de jovem. Quando ela finalmente fica sob domínio das forças das trevas e um cardeal chega do Vaticano especialmente para exorcizá-la, o filme perde completamente o rumo. O que era sutileza teológica e simbolismo vira apelação, o que poderia render um ótimo duelo entre o bem o mal se torna tão caricato que mais parece desenho animado. Que pena! Pior de tudo é quando as coisas vão se revelando gradativamente e você vai entendendo de quem se trata e qual seria o ente espiritual que estaria possuindo em definitivo o corpo da jovem, a decepção toma conta. Os quinze minutos finais são os piores que já assisti em filmes de terror nos últimos anos. Usando citações mal colocadas das escrituras o filme vai mostrando o novo caminho a ser percorrido pela garota que antes estava possuída e... melhor nem ir adiante. É tudo tão óbvio, sem graça e previsível que aguentar até os letreiros finais se torna um verdadeiro martírio. O mais interessante de tudo é que vários filmes menores, com pequenos orçamentos, inclusive alguns do estilo mockumentary vindos de outros países, estão se saindo infinitamente melhores e mais inteligentes do que esse aqui, que conta  com uma produção com mais dinheiro e melhores recursos. Assim só podemos lamentar mesmo, afinal de contas nem sempre orçamento generoso significa necessariamente um bom filme - aliás ultimamente a regra tem sido justamente o oposto disso. Enfim, não foi dessa vez que fizeram um novo e bom filme sobre exorcismos. Melhor rever o clássico de 1973.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - If I Can Dream / Edge of Reality

Esse Single celebrou a volta de Elvis ao sucesso e principalmente ao retorno a um material mais consistente, de qualidade. Por anos o cantor se dedicou a trilhas sonoras de filmes, algumas delas francamente infantis e juvenis demais. O problema é que Elvis não era mais um artista adolescente, mas um homem com mais de 30 anos de idade. Seus fãs também tinham envelhecido e não estavam mais dispostos a consumir bobagens. Por volta de 1968 Elvis finalmente decidiu voltar aos palcos, gravar material relevante e deixar a tralha de Hollywood para trás. Ao lado de "Memories" essa canção foi a única inédita apresentada no NBC TV Special. O curioso é que ela foi escolhida e gravada por Elvis mesmo a contragosto do Coronel Parker.

O empresário queria que Elvis encerrasse o programa cantando alguma canção natalina. O produtor do especial Steve Binder achou essa realmente uma péssima ideia e acabou convencendo Elvis a gravar uma música mais de acordo com a realidade que o país atravessava. Afinal os Estados Unidos estavam atolados na Guerra do Vietnã, a questão dos direitos civis das populações negras fazia crescer uma constante tensão dentro da sociedade, inclusive eclodindo em movimentos violentos e o clima geral era de desalento entre os americanos. Nada poderia soar mais atual e antenado com os acontecimentos do que a letra dessa música. Para gravá-la Elvis entendeu que precisava de um clima adequado, bem especial. Para isso pediu que as luzes do estúdio fossem apagadas. Ele se sentou no chão - algo que nunca havia feito antes na carreira - e lá mesmo gravou o take perfeito, final, em meio a muita inspiração interior.

No lado B a RCA Victor resolveu enfiar a fraca "Edge of Reality". A canção era da trilha sonora do filme "Live a Little, Love a Little", ou seja, uma típica representante de um aspecto da carreira de Elvis que ele queria deixar para trás definitivamente. Alguns autores inclusive afirmam que Elvis Presley ficou extremamente aborrecido quando soube que ela seria encaixada como o outro lado de sua preciosa "If I Can Dream". Quando tentou reverter já era tarde demais, o single já estava confeccionado e rodando nas máquinas da empresa em Nova Iorque. Olhando para trás temos que concordar com Elvis, esse foi um Lado B realmente fraco e sem propósito. O ideal seria a dobradinha de inéditas do NBC com "If I Can Dream" no Lado A e "Memories" no Lado B. Além de ser perfeita para o consumidor, ainda poderia fazer frente aos singles dos Beatles que dominavam as paradas na época.

Ao contrário da RCA o quarteto de Liverpool colocava grandes músicas em ambos os lados de seus singles, o que fazia com que os disquinhos explodissem em vendas no mercado. Quer um exemplo disso? Um mês antes de "If I Can Dream" chegar nas lojas os Beatles lançavam "Hey Jude / Revolution" no mercado. Dois clássicos absolutos, canções fortes e significativas, que entravam destruindo nas paradas. Mesmo Elvis renascendo das cinzas naquele momento era muito complicado para ele bater de frente com um lançamento desse porte! De qualquer maneira os fãs do velho Elvis  estavam contentes por ter novamente material de qualidade para comprar. O single de Presley fez sucesso e ganhou inúmeras resenhas elogiosas da crítica especializada. Era um alívio depois de tantos fracassos comerciais e matérias que destruíam seus mais recentes discos e singles.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Diocleciano, o Assassino de Cristãos

O século III foi particularmente caótico para o Império Romano. Não havia uma linha de sucessão clara para a subida dos imperadores ao trono e assim a lei do mais forte prevaleceu. Nessa época histórica aquele que tivesse o melhor exército subiria ao trono pela força bruta. Isso deu origem a uma série de imperadores generais, entre eles o sanguinário Diocleciano. Ao subir ao trono o novo imperador percebeu que não tinha força suficiente para dominar completamente o vasto império Romano. Assim resolveu dividir o império entre quatro outros generais, dando origem a uma tetrarquia (um governo de quatro imperadores). Dentre eles Diocleciano foi escolhido para ser o Autocrata Supremo, o líder máximo, cuja opinião iria sempre prevalecer sobre os demais.

General habilidoso no campo de batalha esse novo imperador não tinha muita paciência ou diplomacia para lidar adequadamente com os assuntos de Estado. Assim muitas vezes resolvia os problemas administrativos e sociais da mesma forma que agia no campo de batalha: matando e passando no fio da espada todos os que se atrevessem a cruzar seu caminho. Ele promoveu reformas tributárias e procurou reorganizar o caos que reinava em muitas províncias romanas. Em 303 Diocleciano determinou que aquela estranha religião chamada cristianismo deveria ser varrida dos territórios de Roma. Implantou pena de morte para quem seguisse esse Cristo, um Deus proveniente da Judeia. Para Diocleciano uma das razões da decadência do Império era justamente o abandono por parte dos romanos dos antigos rituais em honra aos seus deuses, como Marte, o deus da guerra e Baco, o deus do vinho. Os templos começavam a ficar vazios pois a cada ano aumentava o número de seguidores do Cristo dentro da própria Roma. Para Diocleciano a morte de cristãos iria inibir novas conversões.

Assim de 303 a 311 houve assassinatos em massa de comunidades cristãs pelo império. Para dar o exemplo o imperador ordenou aos seus generais que as penas fossem cumpridas com extrema brutalidade. Torturas e execuções em massa fizeram com que o chão do império ficasse impregnado do sangue dos mártires cristãos. Segundo historiadores a fúria de Diocleciano deu origem a mais sangrenta perseguição aos cristãos da história - nada poderia ser comparado ao número de mortes promovidas pelo general imperador, nem mesmo Nero que se notabilizou por tantas mortes poderia ser comparado a ele nesse aspecto. Para chocar ainda mais os adeptos da nova religião o imperador ordenou que todos os cristãos fossem crucificados tais como o seu mestre judeu. Cruzes podiam ser vistas por todas as estradas imperiais.

A morte não foi apenas a única pena aplicada. Lugares que eram usados para cultos, chamados de igrejas pelos seguidores do Cristo, foram destruídos e queimados. Qualquer funcionário do Império que fosse descoberto cristão perdia imediatamente seu cargo e sua vida. Relíquias e objetos tais como cruzes ou qualquer outro sinal que lembrasse o Cristo judeu era destruído e seus donos penalizados brutalmente. O que Diocleciano não contava era que sua perseguição acabaria criando um efeito contrário ao que ele planejava. Ao invés de diminuir o número de cristãos aconteceu justamente o oposto - a coragem dos mártires acabou inspirando milhares de romanos a também seguirem a nova fé. Em pouco tempo o número de cristãos em Roma duplicou e depois triplicou! Diocleciano ficou chocado com essa situação.

Para piorar ainda mais a situação o próprio governo do imperador começou a ruir. A tetrarquia foi desfeita, as fronteiras do império invadidas e o exército romano já bastante cristianizado começou a sofrer de indisciplina e desordem em suas fileiras. O imperador começou a ser visto como um assassino cruel e sanguinário. A infração se tornou crônica e a economia imperial entrou em colapso. O imperador acabou morrendo na distante Croácia, em pleno campo de batalha, aos 66 anos de idade, enquanto Roma passava por graves e conturbadas convulsões sociais. Ele que havia governado pela espada, também morreria por causa dela! Anos depois de sua morte os cristãos decidiram erguer uma Igreja em cima de sua tumba em Split na Croácia. A nova catedral foi construída em honra de São Domingos. Um monumento cristão sobre os despojos de um Imperador que passou para a história como um dos maiores assassinos de cristãos da Roma Antiga. O Cristianismo assim triunfava sobre a antiga religião pagã e seu imperador homicida.

Pablo Aluísio.

A Travessia

Título no Brasil: A Travessia
Título Original: The Walk
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures Entertainment
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Robert Zemeckis, Christopher Browne
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Ben Kingsley, Charlotte Le Bon
  
Sinopse:
Em 1974 com a construção das torres do World Trade Center um equilibrista francês chamado Philippe Petit (Joseph Gordon-Levitt) acaba tendo um ideia ousada. Ele planeja ir até os Estados Unidos para atravessar os dois arranha-céus em seu cabo de aço, sem qualquer tipo de equipamento de segurança e proteção. Com a ajuda de um grupo de amigos, da namorada Annie (Charlotte Le Bon) e dos conselhos preciosos do veterano de circo Papa Rudy (Ben Kingsley), Petit parte para a realização de seus sonhos. Filme baseado em uma história real.

Comentários:
Esse novo filme do cineasta Robert Zemeckis me deixou surpreso por causa do tema. Nunca foi a praia de Zemeckis realizar filmes desse estilo. Na realidade não consigo visualizar nada em sua filmografia no passado que se pareça com isso. Ponto para ele que resolveu mudar, ir por outros caminhos, afinal de contas nunca é tarde demais para se reinventar. A história real, que inclusive já tinha sido tema de um excelente documentário sobre o próprio Philippe Petit no passado chamado "O Equilibrista", surge também com uma pitada de nostalgia patriótica para os americanos por causa do que aconteceu com o próprio World Trade Center naqueles ataques terroristas que ocorreram em 2001. Assim Zemeckis e sua equipe tiveram que recriar as famosas torres em um trabalho visual magnífico, completamente verossímil, que nos deixam surpreendidos com o avanço da computação gráfica. Em nenhum momento você irá duvidar que os imensos prédios estão lá, na sua frente novamente. Um trabalho digno de Oscar. Em termos de roteiro temos dois atos básicos. O primeiro apresenta ao público o próprio Philippe Petit. Desde criança apaixonado pelas artes circenses ele decide dedicar sua vida ao equilibrismo, para desespero de seus pais. Depois de brigar com os velhos e deixar a velha casa paterna ele parte rumo a Paris em busca de seus sonhos. Acaba virando artista de rua e aos poucos vai melhorando cada vez mais na sua arte. Nesse meio tempo acaba conhecendo também outra artista de rua talentosa, Annie, que terá grande importância em sua aventura. O segundo ato começa quando Petit resolve realizar a maior façanha de sua vida - ao tentar atravessar se equilibrando em um cabo de aço as duas torres do World Trade Center. Tudo realizado de forma ilegal, contra as leis, na surdina para não serem presos. A história em si é tão incrível que custa para acreditarmos que ela foi real - e de fato aconteceu mesmo nos anos 1970. Não precisa ser cinéfilo para perceber que é justamente no segundo ato que Zemeckis aposta todas as suas fichas - e acerta em cheio em seus objetivos! As cenas de Petit na corda bamba são fantásticas, valorizadas enormemente por um 3D de extrema qualidade técnica. Não se admire pois em certo sentido você vai acabar se sentindo ao lado do próprio Petit naquele imenso vão vazio entre os dois arranha-céus. Um belo filme em suma, daqueles que valem o preço do ingresso no cinema.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

domingo, 25 de outubro de 2015

São Crispim e São Crispiniano

Esses dois santos são provenientes dos primeiros anos do cristianismo em Roma. Segundo diversas fontes históricas ambos seriam irmãos, membros de uma distinta família romana. Tocados pela nova fé cristã que nascia eles foram executados como exemplo pelo Imperador Diocleciano que considerava essa uma grande ofensa aos deuses romanos, pois não seria admitida mais a existência de um cristão entre os cidadãos da cidade eterna. Para que não houvesse outros casos ele mandou prender Crispim e seu irmão Crispiano. Ele foram executados com requintes de crueldade, sendo decapitados publicamente no dia 25 de outubro do ano de 285 (data em que se celebra sua memória).

Segundo a tradição os dois irmãos foram levados até o general Maximianus Herculius. Esse militar havia sido nomeado por Diocleciano para ser o governador da Gália, uma região muito agitada por rebeliões bárbaras. Era importante para Maximianus manter a ordem e a disciplina entre o povo que sempre resistira à dominação de Roma. Um dos pontos mais sensíveis era justamente o religioso. A religião pagã romana passava por grave crise, até mesmo dentro das fileiras do exército. Essa nova crença chamada de Cristã acreditava que um judeu crucificado na província da Judéia no século I era um enviado por Deus para curar os pecados do mundo. Outros iam além e diziam que o tal Jesus era o próprio Deus dos judeus encarnado entre os homens. Pregando uma fé de paz e amor ao próximo, a nova crença foi corroendo as bases do Império Romano e sua religião oficial, com todo aquele panteão de deuses como Marte, Saturno e Baco.

Os adeptos desse Cristo judeu diziam que havia apenas um Deus e não vários. Ele havia ressuscitado dos mortos após ser morto na cruz pelo governador Pôncio Pilatos naquela distante província de Roma. Para o imperador Diocleciano era imperativo descobrir, prender e executar todo aquele que se declarasse cristão. Essa religião era muito associada a estrangeiros, mas nos últimos ano havia avançando dentro das próprias famílias romanas. Para Diocleciano isso era algo extremamente grave e sério, pois destruía os valores romanos mais importantes da sociedade. O cristianismo pregando paz, igualdade e amor entre os homens atingia as próprias bases do militarismo do grande Império que se baseava na força bruta, na submissão e no domínio dos povos.

Assim era necessário matar a todos os cristãos, sem distinção. O fato de Crispim e Crispiniano serem romanos tornava tudo ainda mais grave. Durante seu breve julgamento o general Maximianus Herculius lhes deu uma alternativa: se eles negassem ao Cristo seriam poupados de uma morte extremamente dolorosa e cruel. Quando lhes foi dada a palavra porém disseram: "Tuas ameaças não nos aterrorizam! Cristo é a nossa vida e a ameaça de morte não nos fará renegar a Jesus e ao reino dos céus. Seu poder e suas posses nada significam para nós. Estamos felizes por sermos sacrificados pela causa do nosso mestre. Jesus não prometeu os tesouros dessa terra, mas sim a glória e a riqueza de uma vida eterna.". O duro militar ficou visivelmente comovido pela fibra de seus prisioneiros naquele momento. Que Deus estranho seria aquele que teria tanto poder assim sobre seus súditos? Aqueles homens estavam renegando suas próprias vidas em prol de uma crença em um novo Deus...

Na mesma hora os irmãos foram levados para a execução. Eles foram submetidos a torturas, suas roupas foram rasgadas, uma pesada pedra de moinho foi fixada em seus pescoços. Depois foram amarrados em uma árvore e brutalmente espancados. O carrasco ficou o tempo todo dizendo: "Reneguem ao Cristo, reneguem ao Cristo!", mas eles não voltaram atrás em sua fé. Finalmente no final do dia foram decapitados. O general Maximianus então mandou que seus corpos fossem trucidados, com os restos espalhados pelos portões da cidade, expostos como exemplo do que aconteceria aos que ousassem desafiar as crenças religiosas da Roma pagã! Depois de suas mortes os cristãos de Roma o transformaram em um grande símbolo de fé. Eram mártires da nova fé Cristã. Quando o império finalmente reconheceu a liberdade de crença aos cristãos anos depois esses construíram uma bela basílica em honra aos irmãos mortos. Suas relíquias foram então levadas até Roma e colocadas no altar da Igreja de São Lorenzo. Outras relíquias foram doadas pelo Rei Carlos Magno para a Igreja dedicada aos santos - e que décadas depois se transformaria numa bela catedral.

Pablo Aluísio. 

sábado, 24 de outubro de 2015

Willow Creek

Título no Brasil: Willow Creek
Título Original: Willow Creek
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Jerkschool Productions
Direção: Bobcat Goldthwait
Roteiro: Bobcat Goldthwait
Elenco: Alexie Gilmore, Bryce Johnson, Laura Montagna
  
Sinopse:
Um casal de namorados resolve acampar na mesma floresta onde 40 anos antes foram realizadas impressionantes imagens de um suposto Pé Grande por Roger Patterson e Bob Gimlin. Sua intenção é fazer um pequeno filme amador. Logo quando chegam na região descobrem que tudo por lá - comércio, lojas, pequenos motéis de beira de estrada - faz lembrar o mito do lendário monstro. Eles também percebem que alguns moradores não querem que eles adentrem a floresta para filmar no mesmo lugar do famoso filme. Ignorando conselhos e ameaças partem para o meio da trilha e descobrem que há algo muito sinistro no meio daquele lugar assustador. Filme premiado no Sitges - Catalonian International Film Festival.

Comentários:
Um mockumentary (falso documentário) sobre o Pé Grande. Não faz muito tempo que assisti a "Eles Existem" que tem temática bem parecida. Esse primata monstruoso ficou famoso justamente por causa de algumas filmagens amadoras que teriam sido feitas em Willow Creek na década de 1960. Esse material acabou entrando no imaginário popular, mesmo após tantos anos de debates - para os defensores seria um registro maravilhoso, para os detratores não passaria de uma farsa, com um homem usando uma roupa de gorila. De qualquer maneira o diretor e roteirista desse filme até que fez uma película bacaninha. Não espere por efeitos especiais e nem criaturas monstruosas surgindo o tempo todo na tela. Muito sabiamente o diretor optou pela sugestão, pelo suspense. Assim a grande cena do filme acontece quando o casal fica dentro de uma barraca, bem no meio da escuridão da floresta, ouvindo todos os tipos de sons estranhos. Sons animais estranhos, choros que parecem o lamento de uma mulher machucada, gritos apavorantes. Para criar o terror Bobcat Goldthwait não utiliza maquiagens em atores parecendo monstros e nada do tipo. Tudo é sugerido, nada é mostrado diretamente. Essa forma de conduzir sua pequena e simples história é o grande ponto positivo do filme como um todo. Uma diversão bem feita, de curta duração que não chega a decepcionar. Não é melhor do que "Eles Existem", mas tem tanto suspense como o outro filme.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - Sessão de gravação: Charro

Em outubro de 1968 Elvis foi até os estúdios Samuel Goldwyn em Hollywood para a gravação de mais uma trilha sonora. É curioso, nessa mesma época Elvis vinha produzindo muito bem em outras sessões, principalmente no American Studios em Memphis, para outros futuros projetos, mas agora que tinha que parar tudo e voltar para gravar mais músicas para filmes, algo que não o deixava muito animado. Além disso tinha que suspender as maravilhosas sessões em Memphis, em seu lar, para viajar até a costa oeste gravar canções de bangue-bangue! Era demais! Na verdade ele só estava ali para cumprir seu contrato. Se havia algo que Elvis se orgulhava era de sempre cumprir suas obrigações contratuais, sejam elas quais fossem. Quem produziu a sessão foi o arranjador e maestro Hugo Montenegro, especialista em temas desse tipo e que nunca havia antes trabalhado ao lado de Elvis. Como o filme era um faroeste a sessão tinha que registrar canções de filmes western, algo que deixava Elvis ainda mais preguiçoso e desanimado. Mesmo assim ele foi em frente. Essas duas primeiras noites de sessão não renderam nada de útil. Elvis estava com uma banda nova, a maioria dos músicos ele mal conhecia e isso talvez tenha deixado tudo ainda mais complicado. Assim o engenheiro Kevin Cleary relembra: "Elvis gravou apenas alguns takes de Let's Forget About the Stars e Charro. O resultado não ficou bom. Uma nova sessão foi marcada para dali algumas semanas".

Elvis foi embora e a orquestra de Hugo Montenegro providenciou a parte instrumental. Em novembro Elvis voltou para os mesmos estúdios e encontrou tudo pronto, só sendo necessário mesmo colocar sua voz e assim o fez, terminando rapidamente as duas músicas. Ao lado do cantor no estúdio havia apenas a equipe vocal de apoio (composta por Sue Allen, Allan Capps, Loren Faber, Ronald Hicklin, Ian Freebairn-Smith, Sally Stevens e Robert Zwirn). Elvis não gostava de gravar sobre uma faixa previamente gravada. Ele apreciava a troca de ideias com os músicos da banda dentro do estúdio, além do clima de estar cantando ao lado de sua equipe musical de rotina. Ele queria sentir melhor a música, algo que não acontecia nesse tipo de sistema de gravação. De uma forma ou outra o maestro e produtor Montenegro até que realizou um bom trabalho. Ele enriqueceu o background, colocando e tirando outros instrumentos, tudo para deixar as faixas no ponto certo. Depois os tapes foram enviados para a RCA Victor em Nova Iorque que nem se animou muito em lançá-las corretamente, afinal de contas era mais uma trilha sonora de filmes de Hollywood e esse tipo de material não animava mais aos executivos da grande multinacional do ramo fonográfico desde 1965. Logo a edição de um compacto apenas com canções de Charro foi deixado de lado. Também era impensável aproveitar aquele material em algum lançamento mais bem elaborado. As músicas seriam usadas nos cinemas, mas no mercado tinham pouca chance de fazer sucesso. Assim foram arquivadas para serem lançadas depois como meros tapas buracos dos discos e singles futuros (como a própria faixa título Charro que iria se tornar lado B do single Memories no ano seguinte).

Sessão de gravação da trilha sonora Charro
Data de gravação: 15 de outubro e 25 a 27 de novembro de 1968
Local de gravação: Samuel Goldwyn Studio, Hollywood, California
Produção: Hugo Montenegro
Engenheiros de som: Kevin Cleary
Músicos: Elvis Presley (vocais), Tommy Tedesco (guitarra), Ralph Grasso (guitarra), Howard Roberts (guitarra), Raymond Brown (baixo), Max Bennett (baixo), Carl O'Brian (bateria), Emil Radocchia (percussão), Don Randi (piano), The Hugo Montenegro Orquestra.

Pablo Aluísio.

Perdido em Marte

Título no Brasil: Perdido em Marte
Título Original: The Martian
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Drew Goddard, Andy Weir
Elenco: Matt Damon, Jessica Chastain, Jeff Daniels, Sean Bean, Michael Peña, Chiwetel Ejiofor, Kristen Wiig
  
Sinopse:
Durante uma expedição ao planeta vermelho Marte, um astronauta americano chamado Mark Watney (Matt Damon) é deixado para trás por sua tripulação após a nave exploradora ser atingida por uma imensa tempestade de areia. Dado como morto, ele precisa sobreviver no inóspito planeta contando apenas com recursos limitados de água, comida e oxigênio. Seu objetivo é ficar vivo até a chegada de uma improvável missão de resgate. Roteiro baseado no livro de ficção de Andy Weir.

Comentários:
Pessoalmente eu não gosto da tecnologia 3D. Em minha opinião ela atrapalha mais do que ajuda ao espectador na imersão do que se vê na tela. Há filmes porém que valem a pena o esforço. "The Martian" é um deles. A riqueza de detalhes do mundo marciano fica bem melhor em 3D, o que já era de se imaginar. Além disso esse é um filme que conta com ótimos efeitos visuais que podem ser bem apreciados nesse formato. O roteiro também me agradou bastante principalmente pela escolha de seguir por um caminho mais centrado na ciência. Certamente há boas cenas de ação e aventura, mas esse não é ponto focal da história. A premissa básica se concentra em um astronauta esquecido em Marte e a maneira que ele deverá encontrar para sobreviver em um mundo tão estéril e hostil como aquele. Sua salvação acaba vindo do fato dele ser um especialista em botânica, assim seu conhecimento é usado nas inúmeras tentativas de se criar uma pequena horta de alimentos dentro da base espacial a que fica recluso. Como Marte anda na moda por causa das várias missões robóticas que a NASA tem enviado para lá, o diretor Ridley Scott contou com a opinião de vários especialistas, cientistas que estão procurando há anos soluções para problemas que serão enfrentados numa futura viagem a Marte. Talvez o público mais jovem possa até vir a se aborrecer com o ritmo do filme por causa disso, mas quem estiver em busca de um filme inteligente e mais coerente sobre o que possivelmente venha a acontecer com uma viagem tripulada naquele planeta certamente vai gostar do resultado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Filmes de Ação - 2015

Eu até gostaria de ser mais otimista sobre o futuro dos filmes de ação, mas sinceramente falando acho que vivemos um momento complicado de transição. A geração que ainda está conseguindo chamar a atenção nas bilheterias em termos de filmes de ação puros é a mesma que brilhava há quase 40 anos atrás. Duvida? Veja os action movies mais vistos de 2015 e você verá que estou com a razão. Tom Cruise com "Missão: Impossível - Nação Secreta", Arnold Schwarzenegger com "O Exterminador do Futuro: Gênesis", Stallone ano passado com "Os Mercenários 3". São os velhos veteranos que ainda mantém a chama acessa. Nenhum novato se destaca mais, não ouvimos falar de novos heróis de ação surgindo no horizonte. Até os futuros projetos desses atores refletem o passado. Tom Cruise, por exemplo, anunciou que deseja fazer uma continuação de seu sucesso "Top Gun" dos anos 80. Stallone já confirmou a produção de "Os Mercenários 4". O agente de Arnold já anunciou a produção de "The Legend of Conan", ou seja, até mesmo os astros consagrados parecem sofrer de uma grande falta de novas ideias para suas carreiras. Estão se agarrando em antigos projetos, remakes e reboots de seus antigos sucessos e nada mais.

Nem Jason Statham, que pode ser considerado o novato da trupe, escapa. Ele pretende fazer mais um filme da série "Velozes e Furiosos" (a oitava produção da franquia) ao mesmo tempo em que volta para o personagem que interpretou em "Assassino a Preço Fixo" de 2011, sim o Mecânico estará de volta em "Mechanic: Ressurection" que chega às telas em 2016. E o chamado segundo escalão, o que nos reserva? Embora não tenha anunciado nada publicamente o fato é que Chuck Norris parece mesmo ter se aposentado. Longe das telas desde 2012 com "Os Mercenários 2", pessoas próximas a ele confirma que Norris não deseja voltar mais a atuar. Em seu rancho no Texas ele prefere curtir a velhice ao lado da esposa e família. Recentemente ele saiu de seu exílio para criticar duramente o governo americano por enviar tropas para o Texas. Para Chuck isso acabou soando como uma provocação contra o povo de seu amado estado. Vai entender....

Já Dolph Lundgren não quer nem ouvir falar em aposentadoria. Ele recentemente confirmou a participação em seis (isso mesmo que você leu: SEIS) filmes para 2016. Alguns já ficaram prontos e outros estão em fase de pré-produção. Um dos filmes será a continuação tardia de "Um Tira no Jardim de Infância", cujo filme original foi estrelado por Arnold Schwarzenegger. E por falar em anos 80 quais são os planos de Bruce Willis para um futuro próximo? O antigo astro de filmes de ação confirmou a produção de mais um filme da série "Duro de Matar" chamado "Die Hard Year One". Rumores em Hollywood dizem que Bruce aceitou fazer mais um filme da franquia desde que seja o último, encerrando uma longa linha de filmes. Seu personagem poderia até mesmo morrer heroicamente em cena para fechar tudo de uma vez por todas. Bruno (como os amigos mais chegados o chamam) parece estar realmente cansado de pular de prédios em chamas. Pois é, pelo que vemos não há nada de muito novo no ar. Para falar a verdade se a saga "De Volta Para o Futuro" fosse real e os personagens daquele filme viessem parar em 2015, na atualidade, certamente nem estranhariam muito os filmes novos em cartaz!

Pablo Aluísio.

Exorcistas do Vaticano (2015)

Atenção: O texto a seguir contém spoilers realmente infernais! Aproveitando vou tecer algumas considerações sobre esse filme que assisti alguns dias atrás. Confesso, eu esperava bem mais. O tema sobre exorcismos está em alta, até mesmo nos noticiários locais.

Recentemente houve o anúncio de que o Vaticano teria enviado um grupo de exorcistas ao México para realizar um dos maiores exorcismos da história já que aquele país estaria passando por uma infestação demoníaca em todos os setores da sociedade, com violência urbana fora de controle, assassinatos, pedofilia e tudo de ruim que você possa imaginar.

Para piorar os mexicanos andam adorando uma santa satanista chamada "Santa Morte", trazendo ainda mais devastação espiritual para seu país. Esse seria um excelente tema para um roteiro de um filme, porém o que os produtores e escritores de Hollywood fizeram? Realizaram mais um filme fraco, boboca e cheio de clichês por todos os cantos. Essa coisa de Anticristo já deu o que tinha que dar no cinema. Aliás como se pode pensar em algo melhor do que a série de filmes "A Profecia"? Lá a coisa toda era muito mais bem desenvolvida, com um argumento mais bem escrito, bem inteligente.

Aqui é de uma bobagem que vou te contar. Para ser o Anticristo pegaram uma jovem americana comum, uma adolescente loirinha bem bonitinha. Então depois de alguns ataques de loucura um padre latino chega na conclusão que ela está possuída mesmo, talvez por uma entidade toda poderosa, ainda desconhecida pela Igreja Católica. Chama então um especialista, um cardeal muito bom nesse tipo de ritual. E lá vamos nós para mais doses de vomitadas, corpos retorcidos e gritos em línguas de anjos que ninguém conhece!


Quando o filme chega nesse ponto você pensa que vai sair algo que preste - ledo engano! O ritual de exorcismo é péssimo, a cama anda, a garota praticamente levita e os padres não falam uma linha sequer do ritual de exorcismo real que é bem fácil de conhecer pois se encontra até mesmo na net para quem quiser conhecer por curiosidade. Infelizmente o roteirista não pensou dessa maneira, não pesquisou e criou um texto péssimo para os padres declamarem enquanto tentam expulsar o diabo. Ao invés de belas orações religiosas eles ficam lá gritando coisas como "Sai Diabo, sai Diabo!".

A tosquice é de rolar no chão de rir! E tome cabeçada, cacetada, porrada, soco na cara e até mesmo uma tentativa de esfaquear a jovem!!! Cruz credo! Tudo em vão, pois em determinado momento o capeta se manifesta e a garota vira um tipo de Pokémon dos infernos, mandando tudo pelos ares com um simples abanar de mãos. Depois ela sai andando pelo mundo, fazendo milagres, cumprindo as profecias de que o Anticristo iria ser adorado, amado, antes de destruir (ou tentar destruir) toda a humanidade. E nisso o filme acaba, assim, sem mais nem menos.

Sem clímax, sem conclusão, sem solução. Por certo os produtores pensaram que tinham um grande sucesso de bilheteria em mãos e resolveram escrever um "final gancho" para uma continuação. Ei meu chapa, não deu muito certo. O filme foi massacrado nos States e com toda razão pois é ruim de doer. Pior do que encontrar o capeta numa rua escura à Meia-Noite. Desce o Pano. / Exorcistas do Vaticano (The Vatican Tapes,2015) Direção: Mark Neveldine / Roteiro: Chris Morgan, Christopher Borrelli / Elenco: Olivia Taylor Dudley, Michael Peña, Dougray Scott.

Erick Steve.

A Intolerância Religiosa e os Ataques Contra a Igreja Católica

A Intolerância Religiosa e os Ataques Contra a Igreja Católica - É lamentável que com o aumento do número de protestantes no Brasil os ataques proferidos contra a Igreja Católica estão se multiplicando. É um absurdo. Alguns pastores fogem do razoável e afirmam coisas sem noção, sem sentido, acusando católicos de serem adoradores do diabo, idólatras, membros da falsa igreja, a grande prostituta e coisas semelhantes. Tiro algumas conclusões de tudo isso que anda acontecendo. A primeira é a de que estamos na frente de uma atitude de pura intolerância religiosa, que visa acima de tudo "desacreditar o concorrente!". Como eu afirmei antes muitas igrejas no Brasil são puro comércio e nada mais. Não é de se admirar que a Igreja Católica vire alvo na boca dessas pessoas, afinal a Igreja de Roma é encarada como mais uma "concorrente de mercado", por mais obtusa que seja essa forma de pensar. Para conseguir esse objetivo vale quase tudo, até mesmo usar de interpretações equivocadas do passado, baseadas em pura intolerância religiosa, para atacar de forma vil os católicos em geral. Afinal existe ofensa maior do que qualificar a sua religião de "A grande prostituta"? Acredito que não!

Outra coisa que me espanta é a completa falta de noção do mundo em que vivemos por parte dessas pessoas. Nos países civilizados e no Brasil impera a plena liberdade religiosa e nenhuma religião pode atacar outra de forma tão leviana. Nenhuma religião ou líder religioso tem autoridade para ofender e denegrir a religião de quem quer que seja! Não se pode promover ataques contra cultos afro-brasileiros e nem qualificar como satanistas quem não faz parte de sua Igreja. Se quisessem os líderes católicos processariam as pessoas que os acusam de "adoradores do diabo", "idólatras", "Blasfemos" e ofensas do mesmo calibre. Afinal de contas em nosso país existe lei e essa garante a liberdade religiosa. Mas sabiamente a Igreja não desce até o nível desses acusadores. Prefere ignorá-los já que o clero católico sempre foi o mais preparado do ponto de vista intelectual e teológico. No fundo acusações como as que são feitas contra a Igreja Católica são fruto de pura ignorância irrestrita de quem as proferem.

O fato é que a Igreja Católica segue em frente. É a religião com o maior números de membros, mais de 1 bilhão e 300 milhões ao redor do planeta. Alguns países como a Itália, por exemplo, possuem mais de 90% de católicos entre sua população e a religião de Roma cresce a passos largos na África e em regiões da Ásia, onde até bem pouco tempo atrás o número de cristãos ainda era bem pouco significativo. Até mesmo em países do Oriente Médio se faz presente, apesar do Islamismo. O curioso é que o avanço da Igreja Católica é fruto de sua extensa obra de caridade pois a fundação de escolas e hospitais sempre foi uma marca da caridade dessa instituição milenar fundada por Pedro pescador. Cresce também o bom senso entre a população em geral. Acusar a Igreja Católica de ser "A Grande Prostituta" já não causa os efeitos que os primeiros ofensores queriam alcançar. Ao contrário disso causa repulsa de quem ouve a ofensa, até porque basta apenas ter o mínimo de cultura e bom senso para compreender bem a importância da tolerância religiosa em nossa sociedade.

Há problemas no seio da Igreja Católica? Certamente sim. Uma instituição tão ampla e complexa não poderia passar sem enfrentar diversos problemas internos e principalmente externos. Isso porém não abre margem para esse tipo de ofensa pesada que inclusive distorce as escrituras de uma maneira absolutamente negativa e ofensiva. Por falar no Evangelho é bom salientar algo importante. Os ataques contra a Igreja já estavam previstos nas escrituras. O próprio Cristo previu isso ao afirmar que: "Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;" (Mateus 16:18). As portas do inferno, como todos sabemos, estão abertas, mas não vão triunfar.  E a Igreja fundada por Pedro não foi outra a não ser a Igreja Católica. Está nos livros de história e nenhum historiador respeitado contesta esse fato. O movimento cristão dos primeiros anos sobreviveu aos ataques do Império Romano e do paganismo, cresceu, gerou frutos e depois se transformou nessa bela instituição que aí está. Eu voltarei a tratar sobre isso aqui no blog pois já encontrei evangélicos negando tal fato. Querem mudar até mesmo a história da humanidade? Um verdadeiro despautério. Voltarei ao tema em breve afinal os católicos de todo o mundo estão em estado de graça pois o Papa Francisco é um novo líder realmente fenomenal, carismático, humanista, um dos maiores que já surgiram nas últimas décadas. Aguardem, ainda falaremos muito da nossa querida Igreja por aqui.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - Charro

Charro?! Muitas pessoas param e pensam: Por que Elvis fez todos esses filmes ruins? Eu poderia escrever linhas e mais linhas tentando dar mil e uma razões para vocês, mas a verdade é muito simples e básica: Elvis fez esses filmes por causa do dinheiro! Só isso! Ele era um trabalhador que vivia de seu talento e colocava sua força de trabalho à venda no mercado, como todos nós (pelos menos as pessoas honestas, pois os demais podem se candidatar a cargos públicos por exemplo, mas essa é uma outra história!). Enfim é só isso. Se Elvis era um artista ele vendia sua mão de obra a quem pudesse pagar, pagando ele iria fazer o serviço, ruim ou mal, bem feito ou não. Quantas vezes nós não trabalhamos em coisas de que não gostamos? Isso é da vida. Trabalhamos para viver, só isso. Claro que muita coisa ruim foi feita por Elvis em sua carreira do cinema, mas é o capitalismo meus amigos, a indústria cultural nem sempre quer saber de cultura, eles querem mesmo é faturar alto, como toda "indústria", ora. Se isso vale em todos os países, imagine no mais capitalista deles? Não existe almoço grátis no capitalismo e cada um tem se preço, não se enganem. Money, Money, Money....

A existência de Charro nos diz muito sobre o que movia e levava adiante a administração das empresas Presley no final dos anos 60. Em poucas palavras: grana! Por grana o Coronel (e Elvis também, diga-se de passagem) topavam quase tudo. Se o cachê fosse pago, no final da carreira de Elvis em Hollywood, ele topava e ponto final. Vira e mexe Elvis ficava muito perto de ficar sem tostão furado no bolso. Ele era assim. Dinheiro para Elvis era para se gastar e nada mais! A questão era que mais uma vez Elvis estava em sérios apuros financeiros. Nessa época ele ainda não tinha voltado aos shows e toda sua renda provinha dos discos e dos filmes. Não tinha outra opção, ou ele fazia o que lhe era oferecido ou então ele ia para a bancarrota. O problema de dinheiro para Elvis era bem sério, não que ele não tivesse ganho muito dinheiro em Hollywood, pelo contrário, ele ganhou quantias fabulosas com seus filmes, mas já tinha torrado praticamente tudo em caprichos, presentes, remédios e extravagâncias. Na verdade ele estava sem um dólar furado! Elvis nunca teve uma poupança em sua vida, o dinheiro que chegava em suas mãos se evaporava como o ar.

Por essa época por exemplo ele estava praticamente falido por causa de seu rancho Círculo G nos arredores de Memphis. Elvis torrou uma nota preta comprando cavalos, caminhões, tratores, gado e materiais relativos a essa propriedade. Ele já tinha presenteado todos os caras da Máfia de Memphis com todo tipo de coisas: caminhonetes, animais, selas, tudo! O pior de tudo é que ele nunca transformou o rancho que algo produtivo, só havia despesas e nenhum retorno. Era um hobbie dos mais caros e inúteis possíveis. Tudo caro e sem retorno financeiro, dinheiro jogado fora mesmo! Não tinha grana que desse conta, toda quantia se evaporava quando chegava na mão do perdulário astro. Outro problema era seu vício em pílulas. Elvis torrava uma grana preta na compra desses "remédios". Conforme sua dependência ia aumentando Elvis tinha que se virar para suprir seu estoque. Muitas das pílulas eram compradas por receitas legais, tudo nos conformes, receitadas por seus médicos particulares, mas essas eram insuficientes para saciar seu vício. Então muitas vezes ele tinha que comprar elas na base de uma maneira nada sutil, subornando balconistas de uma farmácia do Beverly Hills Hotel por uma grana alta, tudo feito por debaixo do pano. Para quem tomava muitas pílulas diariamente, era uma quantia considerável no final do mês! É triste, mas a verdade é que Elvis tinha se tornado um Drugstore Cowboy...

Então essa era a situação: Astro falido se alia com empresa cinematográfica à beira do abismo. A National General era outra das minúsculas empresas produtoras em Hollywood lutando desesperadamente para sobreviver à concorrência com as grandes da mega do cinema. Que chance ela tinha contra MGM, Warner, Paramount? Praticamente nenhuma a não ser que... encontrasse um ator de nome, mas decadente, que topasse encarar qualquer coisa por um cachê interessante. Primeiro ela entrou em contato com Peter O'Toole. Esse ator já tinha deixado sua época de ouro há tempos, seu grande momento no cinema se deu com Lawrence da Arábia, mas agora ele não passava de uma sombra do que fora. Corroído pelo alcoolismo, O'Toole só aparecia ultimamente na imprensa por causa de suas bebedeiras homéricas, escândalos e vexames em festas e nada mais. A National ofereceu a ele 250 mil dólares para filmar Charro. Ele recusou. Preferia ficar o dia de pileque do que encarar um filme incerto produzido por um estúdio sem grande projeção. Outro que também não quis fazer o filme, nem por 350 mil dólares, foi Richard Burton. Ele era outro famoso bêbado de Hollywood, que também tinha sérios problemas com o copo. Além de bebum, gostava de entrar em brigas nas espeluncas em que enchia a cara e quebrar botecos de quinta categoria nos arredores de Los Angeles. Era uma figura desprezível mesmo, um galês movido a teor alcoólico. Mas como ele tinha Elizabeth Taylor para pagar as suas contas resolveu se preservar e disse não. Até mesmo porque ele não arranjaria tempo para se dedicar ao filme pois quase todos os anos ele se separava de Liz Taylor para voltar a se casar com ela no ano seguinte. Os dois eram estranhos mesmo.

Depois de todas essas recusas tudo parecia perdido mesmo. Foi quando alguém lembrou de Elvis! O outrora Rei do Rock vinha de uma grande sucessão de filmes ruins, seu prestígio em Hollywood andava tão em baixa que por um cachê bom ele toparia fazer Charro. Entraram em contato com o Coronel Parker, pois esse tinha fama de aceitar tudo desde que fosse muito bem remunerado. No começo Tom Parker pediu um milhão de dólares pelo filme. Os produtores da National acharam aquilo um verdadeiro disparate. Ofereceram 450 mil dólares. O Coronel disse não. Depois fizeram um contra proposta de 500 mil dólares. O Coronel deu então o lance final: eles pagariam 500 mil dólares pelo cachê de Elvis e 100 mil dólares de luvas para ele, Tom Parker. O estúdio avisou que precisaria de uma semana para levantar a comissão de Parker. Finalmente o Coronel assinou o contrato. Detalhe importante: o Coronel nem sequer chegou a ler o roteiro, para falar a verdade ele nem sequer sabia do que se tratava. Sabia apenas que era um filme de faroeste e nada mais. Nem quis saber se a empresa tinha infra estrutura para fazer um filme digno. Tudo o que ele sabia era que iria levar sua nada pequena comissão de 100 mil pratas e Elvis seu cachê de 500 mil (descontado é claro mais 30% dos serviços de Tom Parker).

Fazendo uma conta rápida o Coronel levou 100 mil dólares pagos pela National + 150 mil verdinhas diretamente do cachê de Elvis, faturando algo em torno de 250 mil dólares, mais da metade do que Elvis ganharia para estrelar tamanha porcaria (e sofrer as humilhações das críticas sozinho depois). Viram o método do velhote? Quem se importaria com roteiro ou qualidade diante de uma grana fácil como essa? Depois de embolsar a grana, Elvis que se viraria para fazer o abacaxi! Como ele estava endividado até o pescoço topou correndo a produção do filme, cujo orçamento foi tão precário que chegaram a utilizar cenários baratos de programas de TV nas cenas. Logo no comecinho do filme tem um tiroteio dentro de uma saloon simplesmente hilário de tão malfeito (as janelas são claramente de papel luminoso, um horror trash!). E assim foi feito. Mesmo depois do NBC, mesmo depois de todo seu tão propagado renascimento artístico, Elvis passou por esse novo vexame! Só depois de 1969, quando ele voltou aos palcos e ganhou essa nova fonte de renda com seus shows ao vivo foi que ele finalmente pode deixar Hollywood para sempre! (graças a Deus!). Então para resumir tudo o que escrevi: O Coronel Parker, que era um homem "sem lei e sem alma" obrigou "por um punhado de dólares" Elvis a fazer esse filme pois ele estava sem "um dólar furado"... Esse Coronel era mesmo uma "raposa cinzenta"....

Erick Steve.

Carga Explosiva 3

Título no Brasil: Carga Explosiva 3
Título Original: Transporter 3
Ano de Produção: 2008
País: Estados Unidos, França, Inglaterra
Estúdio: EuropaCorp, TF1 Films Production
Direção: Olivier Megaton
Roteiro: Luc Besson, Robert Mark Kamen
Elenco: Jason Statham, Robert Knepper, Natalya Rudakova
  
Sinopse:
Frank Martin (Jason Statham) aceita mais um desafio, ou como ele gosta de dizer, um "serviço". Ele deve transportar a jovem Valentia (Natalya Rudakova) de Marselha até Odessa, no mar Negro. Ela é a filha sequestrada de um importante funcionário do governo ucraniano, o que significa que Martin terá que lidar com todos os tipos de bandidos que querem colocar as mãos na garota. No caminho também deverá frear todo tipo de envolvimento ou sentimento pessoal que venha a nutrir por ela, algo que definitivamente não será fácil. Filme indicado ao European Film Awards. Também indicado ao MTV Movie Awards, Russia, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Comentários:
Esqueça o nome dos diretores, a verdadeira mente pensante por trás da franquia "Carga Explosiva" pertence ao cineasta e produtor Luc Besson. E afinal de contas qual seria a razão para ele nunca dirigir esses filmes de ação que cria? Provavelmente Besson pense que irá de alguma forma arranhar seu prestígio dentro do mundo do cinema se começar a dirigir filmes como esse. Uma pena que tenha esse tipo de pensamento preconceituoso. Deveria se assumir logo, deixar claro que adora uma fita de pura porrada e correria. Essa coisa de lustrar uma imagem cult enquanto que nos bastidores fica escrevendo roteiros e mais roteiros de filmes de ação é meio covarde e boboca. De qualquer maneira o tal de Olivier Megaton, cujo nome não nega suas pretensões, acabou realizando um filme bem de acordo com o gosto do público alvo. Muitos tiros, socos e cenas espetaculares. Jason Statham, o mais autêntico herdeiro dos brucutus dos anos 80, não nega fogo em nenhum momento. Com sua voz de Pato Donald passa o rodo naqueles que querem lhe matar. O tom é praticamente absurdo, mas ao mesmo tempo deliciosamente divertido. Assim desligue seu senso crítico e se divirta o máximo que puder.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Nocaute

Título no Brasil: Nocaute
Título Original: Southpaw
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: The Weinstein Company
Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: Kurt Sutter
Elenco: Jake Gyllenhaal, Rachel McAdams, Forest Whitaker, 50 Cent, Miguel Gomez
  
Sinopse:
Billy Hope (Jake Gyllenhaal) é um lutador de boxe, campeão em sua categoria. Após muitos anos de competições esportivas ele finalmente começa a sentir o peso de sua idade. A cada final de luta ele sofre cada vez mais com os golpes sofridos. Sua visão está prejudicada e ele agoniza com fortes e duradouras dores provocadas por seus adversários no ringue. Afinal de contas ele já não é mais um jovem para aguentar as terríveis lutas pelas quais vem passando. Sua esposa Maureen (Rachel McAdams) sabe que seus dias na carreira estão chegando ao fim. Agora, desafiado pelo novo pugilista sensação da temporada, o jovem ganancioso Miguel 'Magic' Escobar (Miguel Gomez), Hope precisará superar até a si mesmo para novamente se tornar um campeão não apenas do boxe, mas também da vida!

Comentários:
Está sendo bem badalado pela crítica americana desde que chegou aos cinemas nesse último mês. Eu confesso que me decepcionei um pouco com o que vi. Não quero com isso afirmar que o filme é ruim - absolutamente não! Apenas é bom deixar claro que é um filme sem surpresas. Roteiros que contam histórias de superação de vida envolvendo pugilistas não são exatamente uma novidade. Desde a década de 1930 Hollywood vem explorando exatamente esse mesmo tipo de enredo. Depois há sempre a presença de filmes que se notabilizaram envolvendo esse tipo de drama esportivo, como a própria franquia "Rocky" ou até mesmo "Menina de Ouro" (que inclusive é infinitamente superior a essa filme). Assim quando assisti a esse novo "Nocaute" fiquei esperando por algo novo, alguma coisa que fosse um pouco original pelo menos. Foi uma espera em vão. Infelizmente o filme acabou e não consegui ver nada que justificasse tantos elogios. O que estraga esse "O Nocaute" é justamente isso, a sua terrível previsibilidade. Você começa a acompanhar a história do protagonista e já fica sabendo bem de antemão tudo o que acontecerá na tela. No começo o vemos como um grande campeão que tem uma família linda e uma esposa maravilhosa. Bom, nem precisa ser um cinéfilo veterano para saber que ele logo sofrerá um grande abalo e que será jogado literalmente na lona da vida. Depois virá o de praxe, ou seja, ele lutará para subir novamente na carreira e enfrentará muitos desafios até chegar em seu objetivo final. Seja sincero... conseguiu ver alguma novidade nesse tipo de roteiro? Obviamente que não! No fundo é tudo mais do mesmo. Mesmo assim eu ainda recomendaria o filme, não pelo seu enredo saturado, mas sim pelas boas atuações. Jake Gyllenhaal consegue sempre manter o interesse. Ele tem uma regularidade espantosa - sempre atuando bem. Aqui ele faz a mágica acontecer novamente. Mesmo com um roteiro tão sem surpresas consegue impressionar ao interpretar o trágico boxeador Billy Hope. Jake trouxe maneirismos físicos para seu papel que me fazem acreditar com convicção que ele realmente seja o melhor ator de sua geração. Um trabalho bem acima da média, diria até brilhante, valorizado pelo modo de ser (e até falar) bem peculiares do lutador. Outro que se destaca é Forest Whitaker. Que grande ator! Ele dá vida a esse velho e cansado dono de uma modesta e pobre academia de boxe da periferia. Seus alunos são em sua maioria garotos pobres que sonham um dia saírem da vida de miséria dos guetos negros de suas cidades. Por tudo o que passou em sua vida esse velho treinador já não tem mais grandes esperanças ou sonhos. É apenas um sobrevivente da luta pela vida. Sorte para Hope pois é justamente o que ele precisa em sua vida nesse momento. Em suma, "Nocaute" é bem isso, um filme com boa produção, um certo cuidado de direção por parte de Antoine Fuqua (um cineasta que admiro, é bom frisar), valorizado por um bom elenco, mas que não consegue trazer nenhuma novidade ao mundo dos dramas esportivos. Se ao menos tivessem trilhado por algo mais ousado ou diferente a sorte poderia ter sido bem melhor. Do que jeito que ficou não há como escapar da sensação sempre presente de Déjà vu.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Napoleão Bonaparte

Napoleão Bonaparte
Ontem assisti novamente ao grande clássico "Waterloo - A Batalha de Napoleão", cuja resenha completa você pode acessar clicando aqui. Fazia seguramente uns vinte anos que o tinha visto pela última vez. Por essa razão já não me lembrava mais de todos os detalhes. O que havia ficado bem marcante em minha lembrança mesmo durante todos esses anos era realmente a grande atuação do ator Rod Steiger como Napoleão. Ele era bem parecido fisicamente com o imperador francês e aliado a essa semelhança ainda conseguiu realizar um trabalho brilhante de atuação. Seu Napoleão é um sujeito já decadente, tentando se agarrar a um passado distante, dos tempos áureos em que teve em suas mãos praticamente toda a Europa. Sempre suando, com expressão de dor, ele vai ficando consciente que seu tempo passou, que ele não é mais aquele jovem destemido dos campos de batalha do passado, ainda mais agora que segue sofrendo terríveis dores de estômago, algo que até hoje é discutido por historiadores, sobre qual seria o mal exato que tanto atormentava o general e que curiosamente ficou incorporado em sua imagem, a do general com as mãos dentro de seu uniforme militar. No meio desse caos em que sua vida havia se transformado ele ainda tentava de todas as maneiras juntar os pedaços de seu império destroçado.

O Napoleão da história é seguramente uma das figuras mais emblemáticas da humanidade. Ele foi em essência um grande ceifador de vidas, estando no mesmo nível que um Júlio César ou Hitler. Era um ditador sanguinário que queria passar o poder para seus parentes, tal como as monarquias que dizia combater. Não admitia oposição e aniquilava a todos que ousassem contestar seus loucos sonhos de dominação continental. Isso porém não inibiu os franceses de o terem alçado ao posto de herói nacional, algo que sinceramente nunca consegui compreender completamente. Ora, vejo muitas contradições em Napoleão e sua trajetória. Ele foi fruto da revolução francesa, que pregava a soberania da vontade popular em oposição ao regime da nobreza hereditária, mas ao mesmo tempo acabou trazendo os velhos valores absolutistas da monarquia deposta para seu governo e isso da pior maneira possível. Megalomaníaco e ambicioso, tentou conquistar todos os países europeus, destronando dinastias e colocando em seus tronos parentes e amigos completamente incapacitados para exercer o poder nessas nações. Tampouco se importava com a vontade dos povos desses países conquistados a ferro e fogo. Dizia ser um representante do poder do povo, mas ao mesmo tempo ignorava a vontade popular e qualquer sinal de democracia nas terras onde impunha sua dominação através de guerras de conquista. Falava que amava suas origens humildes e a sabedoria popular do povo mais pobre, mas ao mesmo tempo adorava mesmo era o luxo e a pompa das mais tradicionais monarquias europeias, se vestindo tal como os reis do passado, o que o fazia ser basicamente um grande hipócrita.

Também tal como Hitler era um tanto quanto louco. Ao tentar invadir o imenso e congelado território russo se viu massacrado pelo famoso "General Inverno" que aniquilou suas tropas que morreram congeladas e famintas nas estepes russas sem fim. Não satisfeito tentou destruir a Inglaterra e seus ideais de liberdade e direitos fundamentais (algo que ignorava completamente na prática, embora se mostrasse publicamente como um liberal constitucional). E assim como Hitler se deu muito mal ao tentar destruir "a Ilha", como os ingleses carinhosamente chamavam seu país. Pior do que tudo foi a devastação que causou em termos de vidas humanas e bens materiais. As chamadas Guerras Napoleônicas custaram as vidas de mais de oito milhões de pessoas - algo absurdo para o tamanho da população naqueles tempos. Cidades inteiras, algumas delas milenares, foram queimadas por seus soldados. No final, quando praticamente toda a população francesa masculina havia morrido nos campos de batalha, Napoleão começou a recrutar adolescentes e até crianças para as fileiras de seu exército. Uma das coisas que mais chocou o general Arthur Wellesley, o 1.º Duque de Wellington, que o venceu na batalha decisiva de Waterloo, foi contemplar os corpos de crianças mortas no campo de batalha com o uniforme do exército de Napoleão. Enterradas na lama da guerra elas perderam suas vidas com 12 e até 11 anos de idade! E depois de tantas mortes, massacres e guerras sem sentido esse megalomaníaco chamado Napoleão ainda é considerado nos dias de hoje um herói nacional pelos franceses?! Quem pode realmente entender os caminhos sombrios da mente humana...

Leia também: Waterloo - A Batalha de Napoleão

Pablo Aluísio.

John Wayne - Os Cowboys

John Wayne - Os Cowboys
Ontem aproveitei o fim de noite para rever o faroeste "Os Cowboys". O western foi estrelado pelo maior mito americano do gênero, o imortal John Wayne. Em uma carreira longa e produtiva o veterano ator incorporou como poucos o símbolo do pioneiro americano rumo a um velho oeste selvagem, perigoso e violento. Nesse filme em particular temos uma variação bem interessante de seu tipo habitual. Ao invés de ser um membro da cavalaria enfrentando tribos de nativos hostis, o ator interpretou um velho rancheiro que precisa levar seu gado até a Califórnia. Sem homens para contratar (pois estão todos nas montanhas na chamada busca ao ouro) ele não vê outra alternativa a não ser contratar um bando de guris, garotos de escola mesmo, para lhe ajudar a tocar a boiada durante a viagem, atravessando as longas planícies áridas do oeste americano. O roteiro, baseado na novela escrita por William Dale Jennings, parte justamente dessa premissa para construir todo o enredo do filme. De um lado temos um velho cowboy, veterano da guerra civil, já calejado pelos anos, com muita experiência de vida. Do outro um bando de meninos que acabam se espelhando nele para crescer, se tornando enfim homens de verdade.

Curioso é que se fosse lançado hoje em dia "Os Cowboys" poderia muito bem criar problemas com o politicamente correto que impera nos dias atuais. Afinal de contas o personagem de John Wayne recruta todos aqueles garotos para um trabalho duro, arriscado. Hoje algo assim seria visto com reservas certamente. No caminho os meninos tomam conhecimento de aspectos da vida adulta como bebidas (imagine a confusão que isso iria dar) e até mulheres de vida fácil!!! Numa das cenas mais interessantes dois dos adolescentes encontram uma carruagem cheia de mulheres, coristas que vão se apresentar nos saloons do velho oeste. Elas se apresentam praticamente despidas, pois estão tomando banho em um rio da região. Claro que pela pouca idade eles até se assustam com a desenvoltura das moças que acabam achando eles tão bonitinhos, montados em seus cavalos, até parecendo cowboys de verdade! Tal cena certamente iria chocar para os padrões conservadores dos dias atuais. Conheço pessoas que ficariam escandalizadas com algo desse tipo!

O roteiro porém não se limita a isso. Há a questão racial também. O cozinheiro do grupo é Jebediah Nightlinger (Roscoe Lee Browne), um senhor negro, que chegou a também lutar na guerra civil e que agora ganha a vida cozinhando em caravanas. Os meninos que agora trabalham para o personagem de Wayne jamais tinham visto um negro antes! Numa das melhores cenas eles perguntam ao velho Jebediah se ele é igual aos outros homens (no caso, os brancos). O velho que já presenciou tantos momentos movidos pelo racismo acaba virando o jogo, contando uma velha lenda envolvendo seu pai, ao qual seria um velho guerreiro mouro em um mundo das mil e uma noites - o que obviamente acaba encantando todos aqueles jovens. Roscoe era um grande ator e nesse monólogo em particular prova bem isso. No final ele acaba liderando o bando de meninos em um momento crucial da trama, mostrando que a amizade e o respeito sempre vencem qualquer tipo de barreira racial que venha a existir entre brancos e negros.

Por fim, além da garotada, outro fato marcou muito esse "Os Cowboys". Encurralados e cercados por bandidos o personagem de John Wayne acaba sendo morto de forma covarde (pelas costas) pelo vilão Long Hair (Bruce Dern). Eu me recordo que quando assisti a esse filme pela primeira vez, ainda adolescente e nos anos 80, ao lado de meu pai, ele ficou visivelmente chocado e perturbado por ver o seu herói Wayne tombar em cena! Afinal John Wayne não poderia jamais morrer em seus próprios filmes, era um absurdo! O fato porém foi que esse tipo de situação veio muito bem a calhar pois trouxe a dose de realismo que faltava em sua carreira. Afinal o típico personagem de John Wayne poderia ser um bravo, um homem íntegro e honesto, representando tudo o que de valioso havia do homem do velho oeste americano, mas certamente não poderia ser imortal também! Por essas e outras é que esse "Os Cowboys" é da fato um filme tão marcante e inesquecível. Um ótimo western que todos os cinéfilos precisam ter em sua coleção.

Os Cowboys (The Cowboys, EUA, 1972) Direção: Mark Rydell / Roteiro: William Dale Jennings, Irving Ravetch / Elenco: John Wayne, Roscoe Lee Browne, Bruce Dern / Sinopse: Em plena corrida do ouro nas montanhas, o rancheiro Wil Andersen (John Wayne) acaba ficando sem cowboys para tocar seu gado do Colorado até a Califórnia onde os animais serão vendidos. Para resolver seu problema de mão de obra Andersen acaba tomando uma decisão radical: contratar um grupo de garotos para realizar a longa jornada oeste adentro.

Pablo Aluísio.

Charro

Título no Brasil: Charro
Título Original: Charro
Ano de Produção: 1969
País: Estados Unidos
Estúdio: National General Pictures
Direção: Charles Marquis Warren
Roteiro: Charles Marquis Warren, Frederick Louis Fox
Elenco: Elvis Presley, Ina Balin, Victor French
 
Sinopse:
Jess Wade (Elvis Presley) é falsamente acusado de ter roubado um canhão das forças revolucionárias mexicanas. Para então limpar seu nome e restabelecer a justiça ele resolve tentar encontrar os verdadeiros culpados, um bando de criminosos e bandoleiros que espalham terror por onde passam. "Charro!" é o último western da filmografia do cantor e ator Elvis Presley (1935 - 1977) que em pouco tempo deixaria Hollywood para se dedicar exclusivamente à sua carreira como cantor em Las Vegas.

Comentários:
Existem filmes que nem deveriam existir. Lamento dizer, mas esse é o caso de Charro! O filme foi claramente uma tentativa de levantar a carreira do cantor Elvis Presley no cinema. Ele que havia começado tão bem em Hollywood na década de 1950, estrelando bons filmes musicais - e alguns clássicos como "Balada Sangrenta" de 1958 - acabou perdendo o rumo na década seguinte. Os estúdios não se interessavam mais com qualidade e assim Elvis foi jogado em fitas comerciais com baixo teor artístico, realizadas em ritmo industrial. Em média três filmes por ano, sem qualquer capricho em termos de roteiro, atuação ou direção. Quando os anos 60 foram chegando ao fim, Elvis e seu empresário tentaram renovar um pouco sua estagnada carreira cinematográfica e "Charro!" foi certamente um dos veículos que foram usados nessa direção. Infelizmente não deu certo. Embora seja um faroeste americano o filme tenta seguir os passos da estética do chamado Western Spaghetti, com ênfase nos filmes italianos de bangue-bangue, como aqueles estrelados por Franco Nero, naquele período desfrutando do auge de sua popularidade. O problema básico era que Elvis Presley não era Franco Nero e nem Charro era Django. Mesmo de barba o grande astro do Rock não consegue convencer em seu papel. A produção mais lembra um telefilme, com orçamento restrito e problemas de ambientação. O roteiro também tem várias falhas, pois foi praticamente escrito no calor das filmagens. Enfim, nem o astro da música precisava de um filme assim em seu currículo e nem o mundo do Western estava precisando de uma cópia americana de filmes italianos de faroeste. Como eu disse, essa é realmente uma produção que não precisava ter existido.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Creep

Título Original: Creep
Título no Brasil: Ainda Não Definido
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Blumhouse Productions
Direção: Patrick Brice
Roteiro: Patrick Brice
Elenco: Patrick Brice, Mark Duplass
 
Sinopse:
Aaron (Patrick Brice) é um cinegrafista amador que ganha a vida fazendo vídeos de casamentos, batizados, etc. Um dia ele é contratado por Josef (Mark Duplass) para fazer um trabalho diferente. Seu novo cliente alega que está em fase terminal de câncer e precisa deixar alguns registros gravados para seu filho que está prestes a nascer. Uma forma de criar um vínculo com ele já que não terá tempo para isso pois está morrendo. Aaron então vai até uma cabana isolada onde Josef pretende gravar os vídeos só que algo muito sinistro se esconde por trás de tudo aquilo.

Comentários:
Depois de assistir a esse filme cheguei na conclusão que hoje em dia está extremamente barato e simples rodar um filme de terror e suspense. Usando da famigerada técnica do mockumentary (aquele estilo que tenta passar ao espectador a impressão de que ele está assistindo a imagens captadas em uma história real, um falso documentário), com um boa câmera na mão (algumas vezes nem isso) e elenco desconhecido, todos acabam virando cineastas. Veja esse caso. O elenco só tem dois atores. Não há qualquer tipo de efeito especial ou maquiagem, apenas dois personagens que se encontram numa cabana no meio da floresta e nada mais do que isso. Um deles é supostamente contratado pelo outro para rodar algumas imagens que ele quer deixar para que o filho assista no futuro, uma espécie de testamento visual. Tudo vai correndo bem até que, aos poucos, o cinegrafista vai entendendo que o seu cliente na verdade tem sérios problemas mentais. Ele na verdade é um sujeito solitário que gradativamente vai perdendo o contato com a realidade. Dito isso, da falta de maiores recursos em termos de produção, é bom salientar que também existem boas coisas nessa modesta fita. O ator Mark Duplass, que interpreta o desequilibrado Josef, é um cara talentoso. No começo, assim que surge, ele parece ser um sujeito muito boa praça, gente boa demais, simpático e muito fácil de se lidar. Tenta o tempo todo se mostrar carismático e bom anfitrião. O cinegrafista Aaron (Patrick Brice, que também dirigiu e escreveu o roteiro do filme), por sua vez, sempre fica com um pé atrás, mesmo com toda a simpatia de Josef. Algo não parece bem, alguma coisa não se encaixa direito naquela cabana isolada (e o tempo lhe dará razão sobre isso). O roteiro também explora bem a mente insana de Josef, mostrando que ele no fundo é apenas uma pessoa com sérios problemas psicológicos. De curta duração, "Creep" demonstra que mesmo com uma produção simplória ainda se pode tirar coisas boas de um mockumentary, basta apenas investir mais na inteligência do que em banhos de sangue gratuitos. Filme indicado ao Chicago International Film Festival e ao SXSW Film Festival.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Expresso do Amanhã

Título no Brasil: Expresso do Amanhã
Título Original: Snowpiercer
Ano de Produção:
País: Estados Unidos, França
Estúdio: Weinstein Company, Anchor Bay
Direção: Joon-ho Bong
Roteiro: Joon-ho Bong, Kelly Masterson
Elenco: Chris Evans, John Hurt, Ed Harris, Tilda Swinton, Octavia Spencer, Kang-ho Song
  
Sinopse:
O ano é 2031. Tudo o que restou da humanidade está viajando em um trem de alta tecnologia. O mundo lá fora está completamente congelado e inabitável. Dentro dos vagões as classes sociais foram devidamente separadas. Os pobres ocupam os últimos vagões. Há fome e desespero entre eles. O ricos e abastados vivem de forma luxuosa nos vagões dianteiros. Comandando tudo está o criador do trem, o cultuado e admirado Sr. Wilford (Ed Harris). Para acabar com todas as injustiças o jovem Curtis (Chris Evans) resolve liderar uma rebelião contra tudo o que está acontecendo. Filme vencedor do Georgia Film Critics Association na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante (Tilda Swinton).

Comentários:
O enredo é obviamente uma grande metáfora sobre a sociedade humana. O trem representa justamente isso. Após o planeta se tornar inabitável todas as pessoas que sobraram são confinadas nesse trem de última geração. As classes pobres ficam na parte de trás, sem comida adequada e condições mínimas de sobrevivência. Os ricos ficam na parte dianteira com todo o luxo e glamour que se possa imaginar. Nem precisa pensar muito para entender que a divisão de classes vira um dos fundamentos de tudo o que se vê na tela. Isso porém não deve animar muito os que valorizam o Marxismo ou teorias socialistas derivadas de seus princípios. O roteiro não vai até o fundo dessa questão e não está preocupado em levantar um debate mais sério sobre o tema. Na verdade é uma história até básica, contada sob um viés que pode ser classificado até mesmo como surreal. Há vagões que espelham a vida em nossa sociedade e que soam absurdos se olharmos com um pouquinho de bom senso. Assim ao atravessar o trem em direção ao lugar onde supostamente vive seu criador, os revolucionários liderados por Curtis (Evans) vão se deparando com vagões de fina classe, alguns adaptados para serem bonitos aquários, restaurantes e outros para serem animadas pistas de dança. Tudo representando a futilidade e o vazio que impera nas classes ricas. Inicialmente ao tomar contato com a sinopse não me entusiasmei muito. Não gosto de filmes que passam o tempo todo tentando provar uma tese ou uma teoria social. Eles logo se tornam chatos, enfadonhos e panfletários, além de extremamente simplistas. É basicamente o que acontece aqui. O roteiro está tão empenhado em provar um ponto de vista que tudo o mais fica em segundo plano, até mesmo o bom cinema. A produção é até interessante por causa de uma direção de arte que valoriza um mundo ao mesmo tempo absurdo e surrealista, mas os efeitos digitais são fracos e nada convincentes. O elenco é encabeçado por Chris Evans, mas ele é logo ofuscado por dois veteranos que roubam o filme: John Hurt e Ed Harris. Quando contracena com esses mestres, o apagado Evans simplesmente desaparece em sua insignificância. Seu personagem também é pouco desenvolvido e nada complexo. Um herói pseudo revolucionário nada inspirador. Certamente apenas o trabalho de Hurt e Harris salvam "Expresso do Amanhã" nesse quesito. Isso porém é pouco para justificar um bom filme. O saldo final é infelizmente sensivelmente negativo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Os Cowboys

Título no Brasil: Os Cowboys
Título Original: The Cowboys
Ano de Produção: 1972
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Mark Rydell
Roteiro: William Dale Jennings, Irving Ravetch
Elenco: John Wayne, Roscoe Lee Browne, Bruce Dern
  
Sinopse:
Em plena corrida do ouro nas montanhas, o rancheiro Wil Andersen (John Wayne) acaba ficando sem cowboys para tocar seu gado do Colorado até a Califórnia onde os animais serão vendidos. Todos estão atrás do suposto ouro das minas e ninguém mais deseja se empenhar em um trabalho tão árduo, perigoso e penoso como aquele. A jornada é longa e cheia de desafios e sem homens experientes se torna praticamente impossível de realizar. Seguindo a sugestão de um amigo e em desespero, Andersen acaba contratando como empregados um bando de jovens adolescentes, garotos que mal saíram da escola. Junta-se a esse inusitado grupo o cozinheiro Jebediah Nightlinger (Roscoe Lee Browne). No caminho uma série de desafios os esperam, algo que mudará a vida de todos para sempre. Filme premiado pelo Western Heritage Awards.

Comentários:
Esse é certamente um dos melhores filmes da fase final da carreira do grande John Wayne (1907 - 1979). O ator já caminhava para o seu final quando a Warner teve a brilhante ideia de produzir esse western diferente, mostrando um grupo de garotos tentando se transformar em homens no velho oeste. Para isso eles acabam sendo contratados por um rancheiro durão (interpretado pelo próprio Wayne) para uma jornada épica: atravessar as pradarias selvagens do oeste até a Califórnia para vender seu rebanho. Essa temática aliás sempre foi muito bem explorada pelo cinema americano, basta lembrar de outros filmes famosos e consagrados com o próprio John Wayne como "Rio Vermelho", por exemplo. Aqui o grande diferencial é realmente o elenco jovem pois Wayne jamais havia contracenado com tantos garotos de uma só vez antes. É justamente desse choque de realidades, entre um veterano rancheiro, já velho e experiente e os meninos que o acompanham que nasce o grande interesse do filme. John Wayne, como sempre, está ótimo. Mesmo envelhecido ele tinha uma presença e um carisma fora do comum. No roteiro desse faroeste ele se torna logo uma espécie de mentor para os cowboys adolescentes que fazem parte de seu grupo. O experiente cowboy precisa ensinar a todos eles o valor do trabalho duro, da disciplina e da honestidade. Os mesmos valores que construíram a saga do pioneiro do oeste americano. Ao seu lado conta com a ajuda de apenas outro adulto, o cozinheiro Jebediah Nightlinger. Interpretado pelo ótimo ator negro Roscoe Lee Browne, esse personagem logo se torna uma das melhores coisas do filme, já que ele é sábio também em relação à vida e não apenas ao seu ofício. Também se torna peça chave do enredo quando um assassinato covarde acontece no meio da jornada. O vilão Long Hair (Bruce Dern) também é outro achado do filme. Ele acabou de sair da prisão e procura Wil Andersen (Wayne) para fazer parte do trabalho de levar seu rebanho pela vastidão do oeste, mas é recusado por ser na realidade um mentiroso e um ladrão de gado. Ao perceber que a caravana será escoltada por meninos forma um novo bando de ladrões para roubar todos os animais na travessia. O ator Bruce Dern além de construir um vilão brilhantemente asqueroso ainda teve a "honra" de interpretar um dos poucos vilões que conseguiram matar John Wayne em cena! Essa cena que ficou famosa também chocou em parte o público que acompanhava a carreira de Wayne no cinema por tantos anos, já que era algo tão raro, afinal de contas os personagens de John Wayne sempre tinham sido praticamente imbatíveis em seus filmes anteriores. A sua morte porém foi plenamente justificada, abrindo espaço para um ato final saboroso de vingança e justiça por parte dos garotos que assim deixavam de ser meninos para se tornarem enfim homens de verdade, homens do velho oeste. Assim não temos outra conclusão, "The Cowboys" é de fato outro grande momento de John Wayne em sua já tão brilhante e maravilhosa carreira cinematográfica.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.