sábado, 31 de outubro de 2015

Suite Française

Título Original: Suite Française
Título no Brasil: Ainda Não Definido
Ano de Produção: 2014
País: Inglaterra, França, Bélgica, Canadá
Estúdio: Alliance Films
Direção: Saul Dibb
Roteiro: Matt Charman, Saul Dibb, baseados na obra de Irène Némirovsky
Elenco: Michelle Williams, Matthias Schoenaerts, Kristin Scott Thomas, Margot Robbie, Sam Riley
 
Sinopse:
Nas vésperas da ocupação alemã na França, durante a II Guerra Mundial, um grupo de moradores precisa lidar com a iminente chegada das tropas nazistas. A situação fica ainda mais delicada quando as casas e residências da região são ocupadas por soldados e oficiais do Reich. A convivência entre a população civil ocupada (em sua maioria mulheres e velhos) e o exército alemão logo torna a situação completamente tensa e perigosa. Nesse turbilhão político e social a jovem Lucile Angellier (Michelle Williams) acaba se apaixonando pelo tenente alemão Bruno von Falk (Matthias Schoenaerts), o que acaba gerando um enorme escândalo na cidade, agravado ainda mais pelo fato dela já ser casada e seu marido ser um prisioneiro de guerra em um campo de concentração nazista.

Comentários:
A história narrada nesse filme foi baseada em um romance escrito por Irène Némirovsky, uma jovem que vivia na França durante a invasão alemã ao seu país, em plena II Guerra Mundial. Ele escreveu o romance no calor do momento enquanto estava vivenciando a mesma situação que seus personagens no livro, com a chegada dos alemães em sua terra natal. Infelizmente Irène acabou sendo denunciada como judia e enviada para o campo de concentração de Auschwitz, onde veio a morrer um ano depois. Seu manuscrito porém sobreviveu ao tempo, ficando por décadas dentro de uma velha mala nos porões de sua casa. Descoberto por sua filha, ela resolveu publicá-lo, praticamente como uma homenagem para sua mãe que havia sido morta pela insanidade e loucura nazistas. O enredo explora o romance entre uma francesa e um jovem oficial alemão. O tema, completamente inusitado e incomum, tenta de todas as formas mostrar uma certa humanidade entre as forças de ocupação do exército alemão. O tenente Bruno von Falk é um perfeito cavalheiro, com modos nobres e uma educação tipicamente prussiana. Ao ficar na casa onde mora Lucile (Williams) a aproximação acaba despertando a paixão entre eles. Nem a oposição de sua própria sogra, que a adverte que o alemão na verdade representa o inimigo, consegue deter os sentimentos dela. Curiosamente ao mesmo tempo em que começa a ser vista como uma traidora da pátria pelos demais moradores, alguns deles vão até ela em busca de ajuda, principalmente para resolver pequenos e grandes problemas com as tropas alemãs. A dubiedade de todos fica bem à mostra nesses momentos. A convivência que começa pacífica e harmônica porém logo chega ao fim quando um oficial alemão é morto em um celeiro. A partir daí as execuções começam e o clima de terror se impõe na cidade. Um dos aspectos que mais gostamos desse filme foi a atuação da atriz Michelle Williams. Ela está linda, combinando perfeitamente com o figurino e o estilo da época em que a história se passa. Sua luta para vencer seus sentimentos, mesmo sabendo que se envolver com o tenente alemão seria certamente algo muito errado naquele contexto histórico, acaba sendo um dos grandes atrativos dessa história de amor. No final a grande lição que fica é a de que não conseguimos mesmo ter completo controle sobre o que sentimos. Mesmo quando tudo aponta para o errado, para o improvável e para o equivocado, o que sentimos dentro de nossos corações acaba sempre vencendo. O amor supera tudo, até mesmo a maior guerra que a humanidade já presenciou.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Alma Perdida

Título no Brasil: Alma Perdida
Título Original: The Unborn
Ano de Produção: 2009
País: Estados Unidos
Estúdio: Relativity Media
Direção: David S. Goyer
Roteiro: David S. Goyer
Elenco: Odette Annable, Gary Oldman, Cam Gigandet
  
Sinopse:
Casey Beldon (Odette Annable) é uma jovem estudante, completamente normal como outras de sua idade, que começa a sofrer de pesadelos e alucinações. Ela passa a ter visões de um garotinho que ao que tudo indica é apenas um espírito errante. Com o tempo a situação vai piorando e ela busca ajuda com o rabino Rabbi Sendak (Gary Oldman). Também parte em busca de maiores informações sobre o passado de sua família e encontra toda a explicação sobre a origem daquele mal com uma senhora que vive em um asilo, Sofi Kozma (Jane Alexander). Filme premiado pelo BET Awards.

Comentários:
Em nenhum momento chega a ser um grande filme de terror, porém apresenta alguns aspectos interessantes em seu roteiro. Quando Casey começa a ter visões de um garoto ela vai até Sofi Kozma, uma idosa que vive em um asilo, que acaba explicando quem é o que seria aquela alma perdida que estaria lhe atormentando. Tudo teria começado na II Guerra Mundial quando ela e seu jovem irmão foram enviados ao campo de concentração de Auschwitz. Como eram gêmeos logo caíram nas mãos dos médicos da SS (embora seu nome não seja citado, é óbvio que se trataria de Josef Mengele e sua equipe de psicopatas). Como se sabe Mengele promoveu experiências terríveis com gêmeos e assim Sofi e seu jovem irmão foram submetidos a todos os tipos de barbaridades. O garoto morre, mas ela sobrevive. Naquele ambiente de destruição absoluta um portal é aberto e um Dybbuk teria entrado em nosso universo (No folclore judeu, um dybbuk ou dibbuk seria um espírito humano que, devido aos seus pecados pregressos, vagueia incansavelmente até que encontre refúgio no corpo de uma pessoa viva). Assim ao longo dos anos esse espírito teria perseguido os membros da família de Casey. Pena que o roteiro não tenha se preocupado em explorar mais esse tema, se contentando em apenas reforçar o sensacionalismo barato, principalmente na cena final quando temos um exorcismo diferente, baseado no Judaísmo. Os efeitos especiais são apenas esporádicos e não muito relevantes. Apenas há uma boa cena que os explora adequadamente, quando o Rabino interpretado por Oldman encontra uma estranha criatura (um cão com o rosto invertido) no altar de sua sinagoga. Fora isso o suspense se mantém em nível apenas mediano, sendo os sustos realmente escassos e bem raros. A pancadaria final, no ritual do exorcismo, é a pá de cal em um filme que preferiu as estripulias e pirotecnias de uma Hollywood comercial demais a um trabalho mais desenvolvido em cima do tema central (que inegavelmente é bem curioso).

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Sr. Holmes

Título no Brasil: Sr. Holmes
Título Original: Mr. Holmes
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: BBC Films, Miramax
Direção: Bill Condon
Roteiro: Jeffrey Hatcher, baseado no livro de Mitch Cullin
Elenco: Ian McKellen, Laura Linney, Hiroyuki Sanada
  
Sinopse:
Aos 93 anos o detetive Sherlock Holmes (Ian McKellen) está aposentado, vivendo em uma casa de campo onde passa o tempo todo com seu hobbie preferido, a apicultura, criação de abelhas. Ao seu lado na casa vive a governanta, a senhora Munro (Laura Linney), e seu jovem filho, o garoto Roger (Milo Parker), que acaba se afeiçoando a Holmes. Para o veterano detetive a velhice porém é um tempo difícil. Sua outrora brilhante mente, tão afiada, que lhe ajudou a desvendar inúmeros casos e mistérios no passado, está falhando, apresentando lapsos por causa da idade. Além disso Holmes apresenta dificuldades para lembrar o que teria acontecido em seu último caso, algo que o fez largar a profissão, se aposentando definitivamente. Para ajudar em suas lembranças ele então começa a escrever suas memórias o que lhe abrirá novamente os caminhos obscuros de um passado há muito esquecido. Filme indicado aos prêmios Seattle International Film Festival e Sydney Film Festival.

Comentários:
Achei a premissa desse filme simplesmente genial. Imagine se Sherlock Holmes fosse uma pessoa real e não apenas um personagem de literatura. Agora pense nele como alguém que teria que enfrentar todos os desafios de um sujeito comum, como os problemas decorrentes da velhice. Para piorar ele teria ainda que conviver com a fama indesejada nascida de uma série de livros de mistério escritos por seu fiel escudeiro, o Dr. Watson. A maioria do que se leu nesses livros não passou de pura ficção, sendo apenas romances de investigação policial. Grande parte do público leitor porém jamais foi informado sobre isso e por essa razão acredita que tudo o que foi escrito aconteceu de fato. Para um velho Sherlock Holmes isso acaba virando um fardo a mais em sua vida. Para desmistificar grande parte desses escritos ele então resolve já na velhice escrever suas próprias memórias, a verdade sobre os fatos. O problema é que sua mente já não é mais a mesma. Ele tem problemas de memória causadas pela idade avançada e outros desafios impostos pela senilidade. Assim o espectador acaba sendo presenteado com um filme muito humano. Não espere encontrar pela frente mais um daqueles casos mirabolantes como o que nos acostumamos a ver em filmes com o famoso detetive. O enfoque aqui é completamente outro, bem mais sutil. Sim, existe um pequeno mistério a desvendar, mas esse serve muito mais para explorar o lado mais humano e sensível do personagem do que sua incrível capacidade de dedução. Ian McKellen está perfeito como o velho Holmes. Usando uma maquiagem discreta para aparentar mais idade (o Sherlock do filme está com mais de 90 anos) ele imprime sofisticação e elegância em sua atuação. O roteiro, que foi baseado no livro escrito por Mitch Cullin (que também recomendo bastante), se desdobra em basicamente três linhas narrativas. A primeira se passa no presente, com Holmes envelhecido e aposentado, tentando lembrar do passado, muitas vezes sem sucesso. A segunda é embasada nas memórias dele, de seu último caso. A terceira linha, também em flashback, explora uma viagem que Sherlock teria feito ao distante Japão. No final todas as três histórias se entrecruzam, tornando a narrativa fragmentada um dos pontos altos de todo a película. Ao final de sua longa jornada o velho detetive descobre que nem sempre a razão é suficiente para explicar o modo de ser e agir dos seres humanos. Há sempre algo que lhe escapa completamente das mãos, como essas três linhas de narração demonstram muito bem. Sherlock, um homem racional e equilibrado, muitas vezes não consegue entender completamente as motivações das pessoas justamente por causa desse pequeno porém importante detalhe. "Mr. Holmes" assim acaba se revelando um dos melhores filmes do ano, uma produção elegante, inteligente e muito perspicaz sob o ponto de vista da humanidade do famoso personagem. Uma pequena obra prima.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A Dama Dourada

Título no Brasil: A Dama Dourada
Título Original: Woman in Gold
Ano de Produção: 2015
País: Inglaterra
Estúdio: BBC Films
Direção: Simon Curtis
Roteiro: Alexi Kaye Campbell, E. Randol Schoenberg
Elenco: Helen Mirren, Ryan Reynolds, Katie Holmes, Elizabeth McGovern
  
Sinopse:
O roteiro trata de uma das chagas abertas da Segunda Guerra Mundial, o roubo de obras de artes por tropas da Alemanha Nazista. Como se sabe Hitler era um apaixonado admirador de arte - a ponto inclusive de ter sido um artista frustrado na juventude. Quando a guerra chegou aos países vizinhos da Alemanha ele imediatamente ordenou que as mais maravilhosas obras de arte fossem levadas até o coração do Reich, principalmente as que pertenciam a famílias de judeus ricos. Foi exatamente isso que aconteceu no passado de Maria Altmann (Helen Mirren). Praticamente todos os seus familiares foram mortos no holocausto, sendo a riqueza familiar roubada abertamente pelos nazistas. Agora, muitos anos depois desses acontecimentos, ela tenta recuperar a propriedade de vários quadros que eram de seus pais. Infelizmente acaba esbarrando na inflexibilidade do governo austríaco que começa a lutar nos tribunais pela propriedade definitiva das pinturas, dando início a um longo e penoso processo judicial que acaba se arrastando por anos a fio.

Comentários:
Uma produção demasiadamente interessante que discute através de um caso concreto judicial verídico o direito de propriedade dos bens que foram usurpados (na realidade roubados) pela Alemanha Nazista de Hitler. A protagonista é uma dona de casa humilde que vive de sua pequenina lojinha de roupas em Los Angeles. Ela é uma imigrante austríaca chamada Maria Altmann (Helen Mirren). Durante a ocupação da Áustria por tropas do III Reich ela viu sua vida desmoronar ainda na juventude. Os parentes foram presos e enviados para campos de concentração. O dinheiro, obras de arte e bens em geral de sua família foram todos roubados pelos chacais do nazismo. Agora, já na velhice, ela decide lutar judicialmente por aquilo que entende ser seu de direito, inclusive um famoso quadro cujo valor atual seria estimado em mais de cem milhões de dólares! Para isso ela resolve contratar não um grande escritório de advocacia de Nova Iorque, mas sim os serviços do jovem e inexperiente advogado chamado Randy Schoenberg (Ryan Reynolds). Ele certamente não pode ser considerado um advogado de renome, porém é inteligente, tem fibra e abraça a causa com uma paixão e dedicação fora do normal. A luta de Maria e Randy se torna assim o tema principal do filme. Dito isso é bom avisar que de certa maneira "A Dama Dourada" vai agradar mais aos profissionais da área jurídica do que ao público em geral. Isso decorre do fato de que o filme explora um caso judicial cheio de detalhes que acabou dando origem a vários precedentes jurisprudenciais no direito internacional - muitos deles ainda em vigor, principalmente no que se refere ao chamado direito de restituição de obras de artes roubadas pelos nazistas. Certamente por ter esse viés técnico o tema se tornará mais interessante para advogados e profissionais do mundo do direito. Esse aspecto abre outra questão importante. Em filmes de tribunal o elenco precisa estar sempre afiado. Felizmente é o que acontece aqui. O grande destaque, como era de se esperar, vai mesmo para a maravilhosa dama dos palcos e das telas Helen Mirren. Ela consegue imprimir suavidade e garra à sua personagem de uma maneira muito equilibrada e feliz. Contando com seu talento ao lado até mesmo o apenas mediano Ryan Reynolds consegue superar suas já conhecidas deficiências dramáticas. Seu advogado é um misto de doce ingenuidade e sincera capacidade de luta, mesmo diante de tribunais superiores francamente hostis como a Suprema Corte dos Estados Unidos. Apenas Katie Holmes surge muito apagada, mas isso é decorrente de sua própria personagem (a esposa do advogado) do que por qualquer outra coisa. No final ela acaba não fazendo a menor diferença dentro da trama. Então é isso, temos aqui um filme inegavelmente bom, nada extraordinário, mas realmente bom e eficiente, que conta da maneira mais honesta possível a sua relevante história.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

HQ - Arlequina / Superman

Por essa poucos esperavam, nem a DC Comics. A Arlequina se tornou a fantasia mais vendida para o próximo Halloween, superando até mesmo o Batman, Coringa e todos os personagens famosos do universo de Gotham. Ela superou em popularidade até mesmo a franquia Star Wars que atualmente está na crista da onda com a grande publicidade que está sendo feita para o lançamento de mais um filme da série espacial agora no próximo mês de dezembro. E o que afinal estaria trazendo tanta popularidade para a palhacinha psicopata? Para os experts no mundo dos comics a Arlequina estaria tão popular por causa da expectativa dos fãs de cultura pop em relação ao filme "Esquadrão Suicida". A produção só chegará nas telas em agosto de 2016, mas isso não significa que a ansiedade seja menor.

Arlequina será interpretada pela bonita e sensual atriz Margot Robbie, o que fez o interesse crescer ainda mais. Para alguns a personagem uniria elementos explosivos em sua personalidade. Apesar de ser uma loirinha linda ela também se comportaria de forma completamente fora dos padrões, namorando um maluco (o Coringa), sendo extremamente violenta. Violência, insanidade e sexo costumam atrair mesmo a atenção de muitos leitores em quadrinhos. Curiosamente a Arlequina foi criada há poucos anos, mais especificamente em 1992 e desde sua primeira aparição na série animada do Batman só tem chamado mais a atenção do público. Outro fato curioso é que ao contrário de todo o universo Batman ela nasceu primeiro em uma animação, para só depois ir para as revistas em quadrinhos.

Desde sua criação ela já transitou por vários outros universos da DC, tendo inclusive ganhado um título próprio mensal que começou a ser publicado em 2001. Essa primeira leva de revistas chegou ao fim dois anos depois. Atualmente Arlequina está sendo publicada na série "Os Novos 52" da DC e suas revistas andam chamando mais atenção do que a de demais personagens consagrados. Recentemente inclusive houve uma polêmica envolvendo as responsáveis pela revista da Arlequina pois elas foram acusadas de glamorizar uma cena de suicídio em uma das edições. A controvérsia teve ampla repercussão em jornais e revistas americanas. Será que isso abalará sua popularidade. Se depender dos fãs que vão comprar sua fantasia no Halloween certamente não!


Superman 
O Superman é o mais clássico dos personagens de quadrinhos e também o que mais sofre com os tempos atuais. Em uma época em que sujeitos sérios e com altos padrões éticos e morais são confundidos com conservadores chatos e boçais, o Superman corre o risco de virar obsoleto para as novas gerações. Espantado com o exercício de futurologia? Pois então pense. O homem de Kripton é de um bom mocismo à toda prova. Ele sempre honrou pai e mãe (sejam os verdadeiros, sejam os que o acolheram aqui na Terra) e por essa razão pode ser rotulado de ser um quadradão!

É de se espantar até mesmo que o Superman tenha sobrevivido aos loucos anos 1960. Naqueles tempos conturbados, com muito sexo, drogas e Rock ´n´ Roll os ideais do Homem de Aço certamente causavam arrepios nos hippies cabeludos. E que história é essa de usar uma bandeira como uniforme? Afinal de contas não adianta modernizar ou colocar o Superman em mil e uma novos contextos históricos. Ele foi criado como um garoto valoroso dos anos 1930 e 1940 e jamais mudou. Não adianta chamar o Superman de reacionário ou careta. Ele é o que sempre foi e mudar a essência do personagem é um tremendo erro. Ele é caretão supra sumo do bom mocismo? Sim e deve continuar desse jeito, da maneira que foi criado e pensado por seus criadores. Todo o resto é bobagem fora de contexto.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Exorcistas do Vaticano

Título no Brasil: Exorcistas do Vaticano
Título Original: The Vatican Tapes
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Lionsgate, Lakeshore Entertainment
Direção: Mark Neveldine
Roteiro: Chris Morgan, Christopher Borrelli
Elenco: Olivia Taylor Dudley, Michael Peña, Dougray Scott
  
Sinopse:
Angela (Olivia Taylor Dudley) é como todas as outras garotas normais de sua idade a não ser um estranho comportamento que começa a desenvolver após uma festa de aniversário. Ela começa a falar em línguas estranhas, ficando completamente fora de si, além de cometer atos impensados como atacar um motorista de um carro em movimento, causando um sério acidente de trânsito. Sem saber o que fazer seu pai pede ajuda a psiquiatras, mas nem eles sabem ao certo o que poderia estar acontecendo. Sem saída ele então resolve ir atrás do padre do hospital onde sua filha está internada. Em pouco tempo ele descobre que a jovem está mesmo possuída por um demônio vindo diretamente das trevas.

Comentários:
No começo tudo parece até promissor. O roteiro explora as mudanças que vão acontecendo nessa garota interpretada pela atriz Olivia Taylor Dudley, que me lembrou inclusive muito de Reese Witherspoon quando era mais jovem. Pois bem, o filme começa e dá algumas pequenas pistas. Como muitos jovens por aí ela também flerta com alguns símbolos e imagens satânicas, nada que não fuja muito do que vemos em capas de álbuns de bandas de Heavy Metal. Aos poucos porém algo vai se modificando em seu jeito de ser. Ela fere o seu dedo ao tentar cortar um pedaço de bolo e a coisa toda desanda. No hospital surgem estranhos sinais como a presença constante de corvos na janela de seu quarto (uma antigo mitologia associa esses pássaros a verdadeiros enviados do diabo). Não precisa ser expert em filmes de horror para entender que ela vai sendo possuída aos poucos por entidade maligna desconhecida. A medicina não tem uma explicação definitiva sobre o que estaria acontecendo com ela e o pai, que é um católico irlandês, pede ajuda a um jovem padre chamado Lozano (Michael Peña), que no passado foi veterano de guerra na intervenção americana no Iraque. Nesse ponto do filme você começa a criar algumas esperanças que vem algo de bom venha por aí, afinal de contas até que o roteiro é minimamente organizado para criar toda uma situação de expectativa em torno da possessão demoníaca em cima de jovem. Quando ela finalmente fica sob domínio das forças das trevas e um cardeal chega do Vaticano especialmente para exorcizá-la, o filme perde completamente o rumo. O que era sutileza teológica e simbolismo vira apelação, o que poderia render um ótimo duelo entre o bem o mal se torna tão caricato que mais parece desenho animado. Que pena! Pior de tudo é quando as coisas vão se revelando gradativamente e você vai entendendo de quem se trata e qual seria o ente espiritual que estaria possuindo em definitivo o corpo da jovem, a decepção toma conta. Os quinze minutos finais são os piores que já assisti em filmes de terror nos últimos anos. Usando citações mal colocadas das escrituras o filme vai mostrando o novo caminho a ser percorrido pela garota que antes estava possuída e... melhor nem ir adiante. É tudo tão óbvio, sem graça e previsível que aguentar até os letreiros finais se torna um verdadeiro martírio. O mais interessante de tudo é que vários filmes menores, com pequenos orçamentos, inclusive alguns do estilo mockumentary vindos de outros países, estão se saindo infinitamente melhores e mais inteligentes do que esse aqui, que conta  com uma produção com mais dinheiro e melhores recursos. Assim só podemos lamentar mesmo, afinal de contas nem sempre orçamento generoso significa necessariamente um bom filme - aliás ultimamente a regra tem sido justamente o oposto disso. Enfim, não foi dessa vez que fizeram um novo e bom filme sobre exorcismos. Melhor rever o clássico de 1973.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Demonologista

Aqui vai uma dica de livro para os leitores do blog. Se trata de "O Demonologista" do escritor Andrew Pyper. Do que trata o enredo? Basicamente é uma longa narração em primeira pessoa do personagem David Ullman. Ele é um professor universitário especializado em mitologia e religião. Durante toda a sua carreira ele lançou trabalhos acadêmicos cujo objeto de estudo era justamente a mitologia envolvendo demônios e forças do mal. Certo dia ele é procurado por uma mulher misteriosa que lhe faz um convite para ir até Veneza, na Itália.

Nada fica muito claro sobre o tipo de serviço que ele fará por lá, porém como sua vida pessoal não anda nada bem (sua mulher está apaixonada por outro homem e quer o divórcio) ele resolve fazer a viagem ao lado de sua pequena filha de nove anos. Uma garota inteligente e muito parecida com ele, com o mesmo modo de ser e agir. Uma vez em Veneza o professor é convidado a ir até uma casa no subúrbio da cidade. Lá um homem misterioso o leva até um quarto nos fundos onde ele é finalmente confrontado por um sujeito acorrentado, preso a uma cadeira, supostamente possuído por um demônio secular. Pyper é um cético, um ateu convicto e por essa razão pensa estar na presença apenas de um pessoa com sérios problemas mentais, o que ele nem desconfia é que a partir daí sua vida vai literalmente virar pelo avesso.

É um livro até curto, com meras 200 páginas, que procura seguir os passos de outros livros famosos como, por exemplo, "O Código Da Vinci". O próprio personagem principal, um especialista em religião e cultura antiga já revela esse aspecto da obra. Além disso o autor não está muito preocupado em ir a fundo na questão, mas apenas em divertir (e se possível também assustar) seu leitor. A prosa por essa razão passa longe de ser rica ou rebuscada, optando por uma linguagem comum, cotidiana. De vez em quando surgem alguma citação mais profunda, mas o livro nunca deixa o superficial. Provavelmente seja levado em breve para as telas, embora particularmente acredite que não haja nada demais em suas páginas. Para quem curte literatura de horror pode até funcionar. Para quem deseja algo mais substancial certamente vai ser um pouco decepcionante.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A Travessia

Título no Brasil: A Travessia
Título Original: The Walk
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures Entertainment
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Robert Zemeckis, Christopher Browne
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Ben Kingsley, Charlotte Le Bon
  
Sinopse:
Em 1974 com a construção das torres do World Trade Center um equilibrista francês chamado Philippe Petit (Joseph Gordon-Levitt) acaba tendo um ideia ousada. Ele planeja ir até os Estados Unidos para atravessar os dois arranha-céus em seu cabo de aço, sem qualquer tipo de equipamento de segurança e proteção. Com a ajuda de um grupo de amigos, da namorada Annie (Charlotte Le Bon) e dos conselhos preciosos do veterano de circo Papa Rudy (Ben Kingsley), Petit parte para a realização de seus sonhos. Filme baseado em uma história real.

Comentários:
Esse novo filme do cineasta Robert Zemeckis me deixou surpreso por causa do tema. Nunca foi a praia de Zemeckis realizar filmes desse estilo. Na realidade não consigo visualizar nada em sua filmografia no passado que se pareça com isso. Ponto para ele que resolveu mudar, ir por outros caminhos, afinal de contas nunca é tarde demais para se reinventar. A história real, que inclusive já tinha sido tema de um excelente documentário sobre o próprio Philippe Petit no passado chamado "O Equilibrista", surge também com uma pitada de nostalgia patriótica para os americanos por causa do que aconteceu com o próprio World Trade Center naqueles ataques terroristas que ocorreram em 2001. Assim Zemeckis e sua equipe tiveram que recriar as famosas torres em um trabalho visual magnífico, completamente verossímil, que nos deixam surpreendidos com o avanço da computação gráfica. Em nenhum momento você irá duvidar que os imensos prédios estão lá, na sua frente novamente. Um trabalho digno de Oscar. Em termos de roteiro temos dois atos básicos. O primeiro apresenta ao público o próprio Philippe Petit. Desde criança apaixonado pelas artes circenses ele decide dedicar sua vida ao equilibrismo, para desespero de seus pais. Depois de brigar com os velhos e deixar a velha casa paterna ele parte rumo a Paris em busca de seus sonhos. Acaba virando artista de rua e aos poucos vai melhorando cada vez mais na sua arte. Nesse meio tempo acaba conhecendo também outra artista de rua talentosa, Annie, que terá grande importância em sua aventura. O segundo ato começa quando Petit resolve realizar a maior façanha de sua vida - ao tentar atravessar se equilibrando em um cabo de aço as duas torres do World Trade Center. Tudo realizado de forma ilegal, contra as leis, na surdina para não serem presos. A história em si é tão incrível que custa para acreditarmos que ela foi real - e de fato aconteceu mesmo nos anos 1970. Não precisa ser cinéfilo para perceber que é justamente no segundo ato que Zemeckis aposta todas as suas fichas - e acerta em cheio em seus objetivos! As cenas de Petit na corda bamba são fantásticas, valorizadas enormemente por um 3D de extrema qualidade técnica. Não se admire pois em certo sentido você vai acabar se sentindo ao lado do próprio Petit naquele imenso vão vazio entre os dois arranha-céus. Um belo filme em suma, daqueles que valem o preço do ingresso no cinema.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

domingo, 25 de outubro de 2015

Mad Max - Estrada da Fúria

Título no Brasil: Mad Max - Estrada da Fúria
Título Original: Mad Max - Fury Road
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos, Austrália
Estúdio: Village Roadshow Pictures
Direção: George Miller
Roteiro: George Miller, Brendan McCarthy
Elenco: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keays-Byrne, Riley Keough
  
Sinopse:
Max Rockatansky (Tom Hardy) vaga por um mundo destruído e sem esperanças. Os bens mais valiosos do que restou da humanidade e da civilização são a gasolina para os motores e a água para a sobrevivência em um mundo deserto e hostil. Durante sua jornada ele acaba sendo feito prisioneiro por uma comunidade liderada por Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), um homem conhecido por sua violência e pulso de ferro para com os seus prisioneiros de guerra, que usa como meras bolsas de sangue para seus guerreiros feridos. Tentando escapar de suas garras a jovem combatente Furiosa (Charlize Theron) resolve fugir para o deserto usando uma de suas máquinas de guerra. Com ela segue um grupo de jovens que se transformaram com os anos em verdadeiras escravas sexuais de Joe. Para Max essa pode ser a chance de finalmente recuperar sua liberdade perdida, mesmo que antes disso ele precise sobreviver a uma caçada mortal pelas areias do deserto.

Comentários:
É incrível que mesmo após tantos anos o diretor George Miller tenha sido tão inovador em uma franquia que ele mesmo criou, lá nos distantes anos 1970. Miller poderia ter optado por realizar um reboot preguiçoso, sem maiores inovações, até mesmo porque ele com a trilogia "Mad Max" original já entrou definitivamente na história do cinema. Seu grande mérito foi não ter se acomodado nas glórias passadas, procurando reinventar a todo momento sua maior criação. Esse novo filme é um primor de inovação. O diretor optou por uma linguagem bem mais moderna, histérica, insana e sem controle. Não há momentos para pausas ou descansos na mente do espectador. "Mad Max - Fury Road" é pura pauleira, da primeira à última cena. É literalmente um veículo sem freios cruzando o deserto sem fim. O enredo é simples, como convém a esse tipo de filme de ação, mas isso em nenhum momento surge como um defeito, pelo contrário, em torno de sua história nitidamente simplória Miller acelera e explode a tela com sensacionais cenas de puro impacto narrativo. Optando por um fotografia saturada e excessiva, o diretor acabou criando um mundo pós-apocalíptico como poucas vezes se viu. A questão é que esse tipo de estilo cinematográfico foi praticamente todo criado por Mad Max e após tantos anos de imitações baratas o produto que deu origem a tudo poderia soar banal e repetitivo. Para evitar esse tipo de armadilha Miller procurou inovar e nesse processo acabou sendo realmente brilhante. Ouso até escrever que esse filme só não é superado pelo original de 1978 e isso por causa de sua importância histórica. Em termos de fluidez e ritmo nenhum outro filme da série se assemelha a nada do que se vê por aqui. Miller transformou acidentes espetaculares em pura obra de arte visual, totalmente alucinada, mas mesmo assim de uma beleza incrível! O elenco também se destaca, a começar por Charlize Theron. Para interpretar a guerreira Furiosa ele teve que ter parte de seu braço apagado digitalmente. Um trabalho visual simplesmente perfeito. Tom Hardy como o novo Max tampouco decepciona. Suas cenas iniciais mostram bem a luta pela sobrevivência nesse mundo em ruínas. O ator, que teve inúmeros problemas relacionados a abuso de drogas no passado, confessou depois em entrevistas que acabou se identificando com o estilo alucinante do filme. É bem por aí mesmo, o novo "Mad Max" chega a ser lisérgico! Caótico é pouco para definir. O resultado de tantas peças chaves bem colocadas no tabuleiro da produção se traduziu em um belo sucesso de público e crítica, a tal ponto que o estúdio já anunciou sua continuação, "Mad Max - The Wasteland" com a mesma equipe técnica e elenco. Se Mad Max continuar tão bom como nesse "Fury Road" novas sequências serão mais do que bem-vindas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 24 de outubro de 2015

Willow Creek

Título no Brasil: Willow Creek
Título Original: Willow Creek
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Jerkschool Productions
Direção: Bobcat Goldthwait
Roteiro: Bobcat Goldthwait
Elenco: Alexie Gilmore, Bryce Johnson, Laura Montagna
  
Sinopse:
Um casal de namorados resolve acampar na mesma floresta onde 40 anos antes foram realizadas impressionantes imagens de um suposto Pé Grande por Roger Patterson e Bob Gimlin. Sua intenção é fazer um pequeno filme amador. Logo quando chegam na região descobrem que tudo por lá - comércio, lojas, pequenos motéis de beira de estrada - faz lembrar o mito do lendário monstro. Eles também percebem que alguns moradores não querem que eles adentrem a floresta para filmar no mesmo lugar do famoso filme. Ignorando conselhos e ameaças partem para o meio da trilha e descobrem que há algo muito sinistro no meio daquele lugar assustador. Filme premiado no Sitges - Catalonian International Film Festival.

Comentários:
Um mockumentary (falso documentário) sobre o Pé Grande. Não faz muito tempo que assisti a "Eles Existem" que tem temática bem parecida. Esse primata monstruoso ficou famoso justamente por causa de algumas filmagens amadoras que teriam sido feitas em Willow Creek na década de 1960. Esse material acabou entrando no imaginário popular, mesmo após tantos anos de debates - para os defensores seria um registro maravilhoso, para os detratores não passaria de uma farsa, com um homem usando uma roupa de gorila. De qualquer maneira o diretor e roteirista desse filme até que fez uma película bacaninha. Não espere por efeitos especiais e nem criaturas monstruosas surgindo o tempo todo na tela. Muito sabiamente o diretor optou pela sugestão, pelo suspense. Assim a grande cena do filme acontece quando o casal fica dentro de uma barraca, bem no meio da escuridão da floresta, ouvindo todos os tipos de sons estranhos. Sons animais estranhos, choros que parecem o lamento de uma mulher machucada, gritos apavorantes. Para criar o terror Bobcat Goldthwait não utiliza maquiagens em atores parecendo monstros e nada do tipo. Tudo é sugerido, nada é mostrado diretamente. Essa forma de conduzir sua pequena e simples história é o grande ponto positivo do filme como um todo. Uma diversão bem feita, de curta duração que não chega a decepcionar. Não é melhor do que "Eles Existem", mas tem tanto suspense como o outro filme.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Perdido em Marte

Título no Brasil: Perdido em Marte
Título Original: The Martian
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Drew Goddard, Andy Weir
Elenco: Matt Damon, Jessica Chastain, Jeff Daniels, Sean Bean, Michael Peña, Chiwetel Ejiofor, Kristen Wiig
  
Sinopse:
Durante uma expedição ao planeta vermelho Marte, um astronauta americano chamado Mark Watney (Matt Damon) é deixado para trás por sua tripulação após a nave exploradora ser atingida por uma imensa tempestade de areia. Dado como morto, ele precisa sobreviver no inóspito planeta contando apenas com recursos limitados de água, comida e oxigênio. Seu objetivo é ficar vivo até a chegada de uma improvável missão de resgate. Roteiro baseado no livro de ficção de Andy Weir.

Comentários:
Pessoalmente eu não gosto da tecnologia 3D. Em minha opinião ela atrapalha mais do que ajuda ao espectador na imersão do que se vê na tela. Há filmes porém que valem a pena o esforço. "The Martian" é um deles. A riqueza de detalhes do mundo marciano fica bem melhor em 3D, o que já era de se imaginar. Além disso esse é um filme que conta com ótimos efeitos visuais que podem ser bem apreciados nesse formato. O roteiro também me agradou bastante principalmente pela escolha de seguir por um caminho mais centrado na ciência. Certamente há boas cenas de ação e aventura, mas esse não é ponto focal da história. A premissa básica se concentra em um astronauta esquecido em Marte e a maneira que ele deverá encontrar para sobreviver em um mundo tão estéril e hostil como aquele. Sua salvação acaba vindo do fato dele ser um especialista em botânica, assim seu conhecimento é usado nas inúmeras tentativas de se criar uma pequena horta de alimentos dentro da base espacial a que fica recluso. Como Marte anda na moda por causa das várias missões robóticas que a NASA tem enviado para lá, o diretor Ridley Scott contou com a opinião de vários especialistas, cientistas que estão procurando há anos soluções para problemas que serão enfrentados numa futura viagem a Marte. Talvez o público mais jovem possa até vir a se aborrecer com o ritmo do filme por causa disso, mas quem estiver em busca de um filme inteligente e mais coerente sobre o que possivelmente venha a acontecer com uma viagem tripulada naquele planeta certamente vai gostar do resultado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Filmes de Ação - 2015

Eu até gostaria de ser mais otimista sobre o futuro dos filmes de ação, mas sinceramente falando acho que vivemos um momento complicado de transição. A geração que ainda está conseguindo chamar a atenção nas bilheterias em termos de filmes de ação puros é a mesma que brilhava há quase 40 anos atrás. Duvida? Veja os action movies mais vistos de 2015 e você verá que estou com a razão. Tom Cruise com "Missão: Impossível - Nação Secreta", Arnold Schwarzenegger com "O Exterminador do Futuro: Gênesis", Stallone ano passado com "Os Mercenários 3". São os velhos veteranos que ainda mantém a chama acessa. Nenhum novato se destaca mais, não ouvimos falar de novos heróis de ação surgindo no horizonte. Até os futuros projetos desses atores refletem o passado. Tom Cruise, por exemplo, anunciou que deseja fazer uma continuação de seu sucesso "Top Gun" dos anos 80. Stallone já confirmou a produção de "Os Mercenários 4". O agente de Arnold já anunciou a produção de "The Legend of Conan", ou seja, até mesmo os astros consagrados parecem sofrer de uma grande falta de novas ideias para suas carreiras. Estão se agarrando em antigos projetos, remakes e reboots de seus antigos sucessos e nada mais.

Nem Jason Statham, que pode ser considerado o novato da trupe, escapa. Ele pretende fazer mais um filme da série "Velozes e Furiosos" (a oitava produção da franquia) ao mesmo tempo em que volta para o personagem que interpretou em "Assassino a Preço Fixo" de 2011, sim o Mecânico estará de volta em "Mechanic: Ressurection" que chega às telas em 2016. E o chamado segundo escalão, o que nos reserva? Embora não tenha anunciado nada publicamente o fato é que Chuck Norris parece mesmo ter se aposentado. Longe das telas desde 2012 com "Os Mercenários 2", pessoas próximas a ele confirma que Norris não deseja voltar mais a atuar. Em seu rancho no Texas ele prefere curtir a velhice ao lado da esposa e família. Recentemente ele saiu de seu exílio para criticar duramente o governo americano por enviar tropas para o Texas. Para Chuck isso acabou soando como uma provocação contra o povo de seu amado estado. Vai entender....

Já Dolph Lundgren não quer nem ouvir falar em aposentadoria. Ele recentemente confirmou a participação em seis (isso mesmo que você leu: SEIS) filmes para 2016. Alguns já ficaram prontos e outros estão em fase de pré-produção. Um dos filmes será a continuação tardia de "Um Tira no Jardim de Infância", cujo filme original foi estrelado por Arnold Schwarzenegger. E por falar em anos 80 quais são os planos de Bruce Willis para um futuro próximo? O antigo astro de filmes de ação confirmou a produção de mais um filme da série "Duro de Matar" chamado "Die Hard Year One". Rumores em Hollywood dizem que Bruce aceitou fazer mais um filme da franquia desde que seja o último, encerrando uma longa linha de filmes. Seu personagem poderia até mesmo morrer heroicamente em cena para fechar tudo de uma vez por todas. Bruno (como os amigos mais chegados o chamam) parece estar realmente cansado de pular de prédios em chamas. Pois é, pelo que vemos não há nada de muito novo no ar. Para falar a verdade se a saga "De Volta Para o Futuro" fosse real e os personagens daquele filme viessem parar em 2015, na atualidade, certamente nem estranhariam muito os filmes novos em cartaz!

Pablo Aluísio.

Exorcistas do Vaticano

Atenção: O texto a seguir contém spoilers realmente infernais! Aproveitando vou tecer algumas considerações sobre esse filme que assisti alguns dias atrás. Confesso, eu esperava bem mais. O tema sobre exorcismos está em alta, até mesmo nos noticiários locais.

Recentemente houve o anúncio de que o Vaticano teria enviado um grupo de exorcistas ao México para realizar um dos maiores exorcismos da história já que aquele país estaria passando por uma infestação demoníaca em todos os setores da sociedade, com violência urbana fora de controle, assassinatos, pedofilia e tudo de ruim que você possa imaginar.

Para piorar os mexicanos andam adorando uma santa satanista chamada "Santa Morte", trazendo ainda mais devastação espiritual para seu país. Esse seria um excelente tema para um roteiro de um filme, porém o que os produtores e escritores de Hollywood fizeram? Realizaram mais um filme fraco, boboca e cheio de clichês por todos os cantos. Essa coisa de Anticristo já deu o que tinha que dar no cinema. Aliás como se pode pensar em algo melhor do que a série de filmes "A Profecia"? Lá a coisa toda era muito mais bem desenvolvida, com um argumento mais bem escrito, bem inteligente.

Aqui é de uma bobagem que vou te contar. Para ser o Anticristo pegaram uma jovem americana comum, uma adolescente loirinha bem bonitinha. Então depois de alguns ataques de loucura um padre latino chega na conclusão que ela está possuída mesmo, talvez por uma entidade toda poderosa, ainda desconhecida pela Igreja Católica. Chama então um especialista, um cardeal muito bom nesse tipo de ritual. E lá vamos nós para mais doses de vomitadas, corpos retorcidos e gritos em línguas de anjos que ninguém conhece!


Quando o filme chega nesse ponto você pensa que vai sair algo que preste - ledo engano! O ritual de exorcismo é péssimo, a cama anda, a garota praticamente levita e os padres não falam uma linha sequer do ritual de exorcismo real que é bem fácil de conhecer pois se encontra até mesmo na net para quem quiser conhecer por curiosidade. Infelizmente o roteirista não pensou dessa maneira, não pesquisou e criou um texto péssimo para os padres declamarem enquanto tentam expulsar o diabo. Ao invés de belas orações religiosas eles ficam lá gritando coisas como "Sai Diabo, sai Diabo!".

A tosquice é de rolar no chão de rir! E tome cabeçada, cacetada, porrada, soco na cara e até mesmo uma tentativa de esfaquear a jovem!!! Cruz credo! Tudo em vão, pois em determinado momento o capeta se manifesta e a garota vira um tipo de Pokémon dos infernos, mandando tudo pelos ares com um simples abanar de mãos. Depois ela sai andando pelo mundo, fazendo milagres, cumprindo as profecias de que o Anticristo iria ser adorado, amado, antes de destruir (ou tentar destruir) toda a humanidade. E nisso o filme acaba, assim, sem mais nem menos.

Sem clímax, sem conclusão, sem solução. Por certo os produtores pensaram que tinham um grande sucesso de bilheteria em mãos e resolveram escrever um "final gancho" para uma continuação. Ei meu chapa, não deu muito certo. O filme foi massacrado nos States e com toda razão pois é ruim de doer. Pior do que encontrar o capeta numa rua escura à Meia-Noite. Desce o Pano. / Exorcistas do Vaticano (The Vatican Tapes,2015) Direção: Mark Neveldine / Roteiro: Chris Morgan, Christopher Borrelli / Elenco: Olivia Taylor Dudley, Michael Peña, Dougray Scott.

Erick Steve.

Carga Explosiva 3

Título no Brasil: Carga Explosiva 3
Título Original: Transporter 3
Ano de Produção: 2008
País: Estados Unidos, França, Inglaterra
Estúdio: EuropaCorp, TF1 Films Production
Direção: Olivier Megaton
Roteiro: Luc Besson, Robert Mark Kamen
Elenco: Jason Statham, Robert Knepper, Natalya Rudakova
  
Sinopse:
Frank Martin (Jason Statham) aceita mais um desafio, ou como ele gosta de dizer, um "serviço". Ele deve transportar a jovem Valentia (Natalya Rudakova) de Marselha até Odessa, no mar Negro. Ela é a filha sequestrada de um importante funcionário do governo ucraniano, o que significa que Martin terá que lidar com todos os tipos de bandidos que querem colocar as mãos na garota. No caminho também deverá frear todo tipo de envolvimento ou sentimento pessoal que venha a nutrir por ela, algo que definitivamente não será fácil. Filme indicado ao European Film Awards. Também indicado ao MTV Movie Awards, Russia, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Comentários:
Esqueça o nome dos diretores, a verdadeira mente pensante por trás da franquia "Carga Explosiva" pertence ao cineasta e produtor Luc Besson. E afinal de contas qual seria a razão para ele nunca dirigir esses filmes de ação que cria? Provavelmente Besson pense que irá de alguma forma arranhar seu prestígio dentro do mundo do cinema se começar a dirigir filmes como esse. Uma pena que tenha esse tipo de pensamento preconceituoso. Deveria se assumir logo, deixar claro que adora uma fita de pura porrada e correria. Essa coisa de lustrar uma imagem cult enquanto que nos bastidores fica escrevendo roteiros e mais roteiros de filmes de ação é meio covarde e boboca. De qualquer maneira o tal de Olivier Megaton, cujo nome não nega suas pretensões, acabou realizando um filme bem de acordo com o gosto do público alvo. Muitos tiros, socos e cenas espetaculares. Jason Statham, o mais autêntico herdeiro dos brucutus dos anos 80, não nega fogo em nenhum momento. Com sua voz de Pato Donald passa o rodo naqueles que querem lhe matar. O tom é praticamente absurdo, mas ao mesmo tempo deliciosamente divertido. Assim desligue seu senso crítico e se divirta o máximo que puder.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Nocaute

Título no Brasil: Nocaute
Título Original: Southpaw
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: The Weinstein Company
Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: Kurt Sutter
Elenco: Jake Gyllenhaal, Rachel McAdams, Forest Whitaker, 50 Cent, Miguel Gomez
  
Sinopse:
Billy Hope (Jake Gyllenhaal) é um lutador de boxe, campeão em sua categoria. Após muitos anos de competições esportivas ele finalmente começa a sentir o peso de sua idade. A cada final de luta ele sofre cada vez mais com os golpes sofridos. Sua visão está prejudicada e ele agoniza com fortes e duradouras dores provocadas por seus adversários no ringue. Afinal de contas ele já não é mais um jovem para aguentar as terríveis lutas pelas quais vem passando. Sua esposa Maureen (Rachel McAdams) sabe que seus dias na carreira estão chegando ao fim. Agora, desafiado pelo novo pugilista sensação da temporada, o jovem ganancioso Miguel 'Magic' Escobar (Miguel Gomez), Hope precisará superar até a si mesmo para novamente se tornar um campeão não apenas do boxe, mas também da vida!

Comentários:
Está sendo bem badalado pela crítica americana desde que chegou aos cinemas nesse último mês. Eu confesso que me decepcionei um pouco com o que vi. Não quero com isso afirmar que o filme é ruim - absolutamente não! Apenas é bom deixar claro que é um filme sem surpresas. Roteiros que contam histórias de superação de vida envolvendo pugilistas não são exatamente uma novidade. Desde a década de 1930 Hollywood vem explorando exatamente esse mesmo tipo de enredo. Depois há sempre a presença de filmes que se notabilizaram envolvendo esse tipo de drama esportivo, como a própria franquia "Rocky" ou até mesmo "Menina de Ouro" (que inclusive é infinitamente superior a essa filme). Assim quando assisti a esse novo "Nocaute" fiquei esperando por algo novo, alguma coisa que fosse um pouco original pelo menos. Foi uma espera em vão. Infelizmente o filme acabou e não consegui ver nada que justificasse tantos elogios. O que estraga esse "O Nocaute" é justamente isso, a sua terrível previsibilidade. Você começa a acompanhar a história do protagonista e já fica sabendo bem de antemão tudo o que acontecerá na tela. No começo o vemos como um grande campeão que tem uma família linda e uma esposa maravilhosa. Bom, nem precisa ser um cinéfilo veterano para saber que ele logo sofrerá um grande abalo e que será jogado literalmente na lona da vida. Depois virá o de praxe, ou seja, ele lutará para subir novamente na carreira e enfrentará muitos desafios até chegar em seu objetivo final. Seja sincero... conseguiu ver alguma novidade nesse tipo de roteiro? Obviamente que não! No fundo é tudo mais do mesmo. Mesmo assim eu ainda recomendaria o filme, não pelo seu enredo saturado, mas sim pelas boas atuações. Jake Gyllenhaal consegue sempre manter o interesse. Ele tem uma regularidade espantosa - sempre atuando bem. Aqui ele faz a mágica acontecer novamente. Mesmo com um roteiro tão sem surpresas consegue impressionar ao interpretar o trágico boxeador Billy Hope. Jake trouxe maneirismos físicos para seu papel que me fazem acreditar com convicção que ele realmente seja o melhor ator de sua geração. Um trabalho bem acima da média, diria até brilhante, valorizado pelo modo de ser (e até falar) bem peculiares do lutador. Outro que se destaca é Forest Whitaker. Que grande ator! Ele dá vida a esse velho e cansado dono de uma modesta e pobre academia de boxe da periferia. Seus alunos são em sua maioria garotos pobres que sonham um dia saírem da vida de miséria dos guetos negros de suas cidades. Por tudo o que passou em sua vida esse velho treinador já não tem mais grandes esperanças ou sonhos. É apenas um sobrevivente da luta pela vida. Sorte para Hope pois é justamente o que ele precisa em sua vida nesse momento. Em suma, "Nocaute" é bem isso, um filme com boa produção, um certo cuidado de direção por parte de Antoine Fuqua (um cineasta que admiro, é bom frisar), valorizado por um bom elenco, mas que não consegue trazer nenhuma novidade ao mundo dos dramas esportivos. Se ao menos tivessem trilhado por algo mais ousado ou diferente a sorte poderia ter sido bem melhor. Do que jeito que ficou não há como escapar da sensação sempre presente de Déjà vu.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Napoleão Bonaparte

Napoleão Bonaparte
Ontem assisti novamente ao grande clássico "Waterloo - A Batalha de Napoleão", cuja resenha completa você pode acessar clicando aqui. Fazia seguramente uns vinte anos que o tinha visto pela última vez. Por essa razão já não me lembrava mais de todos os detalhes. O que havia ficado bem marcante em minha lembrança mesmo durante todos esses anos era realmente a grande atuação do ator Rod Steiger como Napoleão. Ele era bem parecido fisicamente com o imperador francês e aliado a essa semelhança ainda conseguiu realizar um trabalho brilhante de atuação. Seu Napoleão é um sujeito já decadente, tentando se agarrar a um passado distante, dos tempos áureos em que teve em suas mãos praticamente toda a Europa. Sempre suando, com expressão de dor, ele vai ficando consciente que seu tempo passou, que ele não é mais aquele jovem destemido dos campos de batalha do passado, ainda mais agora que segue sofrendo terríveis dores de estômago, algo que até hoje é discutido por historiadores, sobre qual seria o mal exato que tanto atormentava o general e que curiosamente ficou incorporado em sua imagem, a do general com as mãos dentro de seu uniforme militar. No meio desse caos em que sua vida havia se transformado ele ainda tentava de todas as maneiras juntar os pedaços de seu império destroçado.

O Napoleão da história é seguramente uma das figuras mais emblemáticas da humanidade. Ele foi em essência um grande ceifador de vidas, estando no mesmo nível que um Júlio César ou Hitler. Era um ditador sanguinário que queria passar o poder para seus parentes, tal como as monarquias que dizia combater. Não admitia oposição e aniquilava a todos que ousassem contestar seus loucos sonhos de dominação continental. Isso porém não inibiu os franceses de o terem alçado ao posto de herói nacional, algo que sinceramente nunca consegui compreender completamente. Ora, vejo muitas contradições em Napoleão e sua trajetória. Ele foi fruto da revolução francesa, que pregava a soberania da vontade popular em oposição ao regime da nobreza hereditária, mas ao mesmo tempo acabou trazendo os velhos valores absolutistas da monarquia deposta para seu governo e isso da pior maneira possível. Megalomaníaco e ambicioso, tentou conquistar todos os países europeus, destronando dinastias e colocando em seus tronos parentes e amigos completamente incapacitados para exercer o poder nessas nações. Tampouco se importava com a vontade dos povos desses países conquistados a ferro e fogo. Dizia ser um representante do poder do povo, mas ao mesmo tempo ignorava a vontade popular e qualquer sinal de democracia nas terras onde impunha sua dominação através de guerras de conquista. Falava que amava suas origens humildes e a sabedoria popular do povo mais pobre, mas ao mesmo tempo adorava mesmo era o luxo e a pompa das mais tradicionais monarquias europeias, se vestindo tal como os reis do passado, o que o fazia ser basicamente um grande hipócrita.

Também tal como Hitler era um tanto quanto louco. Ao tentar invadir o imenso e congelado território russo se viu massacrado pelo famoso "General Inverno" que aniquilou suas tropas que morreram congeladas e famintas nas estepes russas sem fim. Não satisfeito tentou destruir a Inglaterra e seus ideais de liberdade e direitos fundamentais (algo que ignorava completamente na prática, embora se mostrasse publicamente como um liberal constitucional). E assim como Hitler se deu muito mal ao tentar destruir "a Ilha", como os ingleses carinhosamente chamavam seu país. Pior do que tudo foi a devastação que causou em termos de vidas humanas e bens materiais. As chamadas Guerras Napoleônicas custaram as vidas de mais de oito milhões de pessoas - algo absurdo para o tamanho da população naqueles tempos. Cidades inteiras, algumas delas milenares, foram queimadas por seus soldados. No final, quando praticamente toda a população francesa masculina havia morrido nos campos de batalha, Napoleão começou a recrutar adolescentes e até crianças para as fileiras de seu exército. Uma das coisas que mais chocou o general Arthur Wellesley, o 1.º Duque de Wellington, que o venceu na batalha decisiva de Waterloo, foi contemplar os corpos de crianças mortas no campo de batalha com o uniforme do exército de Napoleão. Enterradas na lama da guerra elas perderam suas vidas com 12 e até 11 anos de idade! E depois de tantas mortes, massacres e guerras sem sentido esse megalomaníaco chamado Napoleão ainda é considerado nos dias de hoje um herói nacional pelos franceses?! Quem pode realmente entender os caminhos sombrios da mente humana...

Leia também: Waterloo - A Batalha de Napoleão

Pablo Aluísio.

John Wayne - Os Cowboys

John Wayne - Os Cowboys
Ontem aproveitei o fim de noite para rever o faroeste "Os Cowboys" (cuja resenha completa você poderá ler clicando aqui). O western foi estrelado pelo maior mito americano do gênero, o imortal John Wayne. Em uma carreira longa e produtiva o veterano ator incorporou como poucos o símbolo do pioneiro americano rumo a um velho oeste selvagem, perigoso e violento. Nesse filme em particular temos uma variação bem interessante de seu tipo habitual. Ao invés de ser um membro da cavalaria enfrentando tribos de nativos hostis, o ator interpretou um velho rancheiro que precisa levar seu gado até a Califórnia. Sem homens para contratar (pois estão todos nas montanhas na chamada busca ao ouro) ele não vê outra alternativa a não ser contratar um bando de guris, garotos de escola mesmo, para lhe ajudar a tocar a boiada durante a viagem, atravessando as longas planícies áridas do oeste americano. O roteiro, baseado na novela escrita por William Dale Jennings, parte justamente dessa premissa para construir todo o enredo do filme. De um lado temos um velho cowboy, veterano da guerra civil, já calejado pelos anos, com muita experiência de vida. Do outro um bando de meninos que acabam se espelhando nele para crescer, se tornando enfim homens de verdade.

Curioso é que se fosse lançado hoje em dia "Os Cowboys" poderia muito bem criar problemas com o politicamente correto que impera nos dias atuais. Afinal de contas o personagem de John Wayne recruta todos aqueles garotos para um trabalho duro, arriscado. Hoje algo assim seria visto com reservas certamente. No caminho os meninos tomam conhecimento de aspectos da vida adulta como bebidas (imagine a confusão que isso iria dar) e até mulheres de vida fácil!!! Numa das cenas mais interessantes dois dos adolescentes encontram uma carruagem cheia de mulheres, coristas que vão se apresentar nos saloons do velho oeste. Elas se apresentam praticamente despidas, pois estão tomando banho em um rio da região. Claro que pela pouca idade eles até se assustam com a desenvoltura das moças que acabam achando eles tão bonitinhos, montados em seus cavalos, até parecendo cowboys de verdade! Tal cena certamente iria chocar para os padrões conservadores dos dias atuais. Conheço pessoas que ficariam escandalizadas com algo desse tipo!

O roteiro porém não se limita a isso. Há a questão racial também. O cozinheiro do grupo é Jebediah Nightlinger (Roscoe Lee Browne), um senhor negro, que chegou a também lutar na guerra civil e que agora ganha a vida cozinhando em caravanas. Os meninos que agora trabalham para o personagem de Wayne jamais tinham visto um negro antes! Numa das melhores cenas eles perguntam ao velho Jebediah se ele é igual aos outros homens (no caso, os brancos). O velho que já presenciou tantos momentos movidos pelo racismo acaba virando o jogo, contando uma velha lenda envolvendo seu pai, ao qual seria um velho guerreiro mouro em um mundo das mil e uma noites - o que obviamente acaba encantando todos aqueles jovens. Roscoe era um grande ator e nesse monólogo em particular prova bem isso. No final ele acaba liderando o bando de meninos em um momento crucial da trama, mostrando que a amizade e o respeito sempre vencem qualquer tipo de barreira racial que venha a existir entre brancos e negros.

Por fim, além da garotada, outro fato marcou muito esse "Os Cowboys". Encurralados e cercados por bandidos o personagem de John Wayne acaba sendo morto de forma covarde (pelas costas) pelo vilão Long Hair (Bruce Dern). Eu me recordo que quando assisti a esse filme pela primeira vez, ainda adolescente e nos anos 80, ao lado de meu pai, ele ficou visivelmente chocado e perturbado por ver o seu herói Wayne tombar em cena! Afinal John Wayne não poderia jamais morrer em seus próprios filmes, era um absurdo! O fato porém foi que esse tipo de situação veio muito bem a calhar pois trouxe a dose de realismo que faltava em sua carreira. Afinal o típico personagem de John Wayne poderia ser um bravo, um homem íntegro e honesto, representando tudo o que de valioso havia do homem do velho oeste americano, mas certamente não poderia ser imortal também! Por essas e outras é que esse "Os Cowboys" é da fato um filme tão marcante e inesquecível. Um ótimo western que todos os cinéfilos precisam ter em sua coleção.

Os Cowboys (The Cowboys, EUA, 1972) Direção: Mark Rydell / Roteiro: William Dale Jennings, Irving Ravetch / Elenco: John Wayne, Roscoe Lee Browne, Bruce Dern / Sinopse: Em plena corrida do ouro nas montanhas, o rancheiro Wil Andersen (John Wayne) acaba ficando sem cowboys para tocar seu gado do Colorado até a Califórnia onde os animais serão vendidos. Para resolver seu problema de mão de obra Andersen acaba tomando uma decisão radical: contratar um grupo de garotos para realizar a longa jornada oeste adentro.

Leia também - Os Cowboys (Cine Western)

Pablo Aluísio.

Creep

Título Original: Creep
Título no Brasil: Ainda Não Definido
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Blumhouse Productions
Direção: Patrick Brice
Roteiro: Patrick Brice
Elenco: Patrick Brice, Mark Duplass
 
Sinopse:
Aaron (Patrick Brice) é um cinegrafista amador que ganha a vida fazendo vídeos de casamentos, batizados, etc. Um dia ele é contratado por Josef (Mark Duplass) para fazer um trabalho diferente. Seu novo cliente alega que está em fase terminal de câncer e precisa deixar alguns registros gravados para seu filho que está prestes a nascer. Uma forma de criar um vínculo com ele já que não terá tempo para isso pois está morrendo. Aaron então vai até uma cabana isolada onde Josef pretende gravar os vídeos só que algo muito sinistro se esconde por trás de tudo aquilo.

Comentários:
Depois de assistir a esse filme cheguei na conclusão que hoje em dia está extremamente barato e simples rodar um filme de terror e suspense. Usando da famigerada técnica do mockumentary (aquele estilo que tenta passar ao espectador a impressão de que ele está assistindo a imagens captadas em uma história real, um falso documentário), com um boa câmera na mão (algumas vezes nem isso) e elenco desconhecido, todos acabam virando cineastas. Veja esse caso. O elenco só tem dois atores. Não há qualquer tipo de efeito especial ou maquiagem, apenas dois personagens que se encontram numa cabana no meio da floresta e nada mais do que isso. Um deles é supostamente contratado pelo outro para rodar algumas imagens que ele quer deixar para que o filho assista no futuro, uma espécie de testamento visual. Tudo vai correndo bem até que, aos poucos, o cinegrafista vai entendendo que o seu cliente na verdade tem sérios problemas mentais. Ele na verdade é um sujeito solitário que gradativamente vai perdendo o contato com a realidade. Dito isso, da falta de maiores recursos em termos de produção, é bom salientar que também existem boas coisas nessa modesta fita. O ator Mark Duplass, que interpreta o desequilibrado Josef, é um cara talentoso. No começo, assim que surge, ele parece ser um sujeito muito boa praça, gente boa demais, simpático e muito fácil de se lidar. Tenta o tempo todo se mostrar carismático e bom anfitrião. O cinegrafista Aaron (Patrick Brice, que também dirigiu e escreveu o roteiro do filme), por sua vez, sempre fica com um pé atrás, mesmo com toda a simpatia de Josef. Algo não parece bem, alguma coisa não se encaixa direito naquela cabana isolada (e o tempo lhe dará razão sobre isso). O roteiro também explora bem a mente insana de Josef, mostrando que ele no fundo é apenas uma pessoa com sérios problemas psicológicos. De curta duração, "Creep" demonstra que mesmo com uma produção simplória ainda se pode tirar coisas boas de um mockumentary, basta apenas investir mais na inteligência do que em banhos de sangue gratuitos. Filme indicado ao Chicago International Film Festival e ao SXSW Film Festival.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Expresso do Amanhã

Título no Brasil: Expresso do Amanhã
Título Original: Snowpiercer
Ano de Produção:
País: Estados Unidos, França
Estúdio: Weinstein Company, Anchor Bay
Direção: Joon-ho Bong
Roteiro: Joon-ho Bong, Kelly Masterson
Elenco: Chris Evans, John Hurt, Ed Harris, Tilda Swinton, Octavia Spencer, Kang-ho Song
  
Sinopse:
O ano é 2031. Tudo o que restou da humanidade está viajando em um trem de alta tecnologia. O mundo lá fora está completamente congelado e inabitável. Dentro dos vagões as classes sociais foram devidamente separadas. Os pobres ocupam os últimos vagões. Há fome e desespero entre eles. O ricos e abastados vivem de forma luxuosa nos vagões dianteiros. Comandando tudo está o criador do trem, o cultuado e admirado Sr. Wilford (Ed Harris). Para acabar com todas as injustiças o jovem Curtis (Chris Evans) resolve liderar uma rebelião contra tudo o que está acontecendo. Filme vencedor do Georgia Film Critics Association na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante (Tilda Swinton).

Comentários:
O enredo é obviamente uma grande metáfora sobre a sociedade humana. O trem representa justamente isso. Após o planeta se tornar inabitável todas as pessoas que sobraram são confinadas nesse trem de última geração. As classes pobres ficam na parte de trás, sem comida adequada e condições mínimas de sobrevivência. Os ricos ficam na parte dianteira com todo o luxo e glamour que se possa imaginar. Nem precisa pensar muito para entender que a divisão de classes vira um dos fundamentos de tudo o que se vê na tela. Isso porém não deve animar muito os que valorizam o Marxismo ou teorias socialistas derivadas de seus princípios. O roteiro não vai até o fundo dessa questão e não está preocupado em levantar um debate mais sério sobre o tema. Na verdade é uma história até básica, contada sob um viés que pode ser classificado até mesmo como surreal. Há vagões que espelham a vida em nossa sociedade e que soam absurdos se olharmos com um pouquinho de bom senso. Assim ao atravessar o trem em direção ao lugar onde supostamente vive seu criador, os revolucionários liderados por Curtis (Evans) vão se deparando com vagões de fina classe, alguns adaptados para serem bonitos aquários, restaurantes e outros para serem animadas pistas de dança. Tudo representando a futilidade e o vazio que impera nas classes ricas. Inicialmente ao tomar contato com a sinopse não me entusiasmei muito. Não gosto de filmes que passam o tempo todo tentando provar uma tese ou uma teoria social. Eles logo se tornam chatos, enfadonhos e panfletários, além de extremamente simplistas. É basicamente o que acontece aqui. O roteiro está tão empenhado em provar um ponto de vista que tudo o mais fica em segundo plano, até mesmo o bom cinema. A produção é até interessante por causa de uma direção de arte que valoriza um mundo ao mesmo tempo absurdo e surrealista, mas os efeitos digitais são fracos e nada convincentes. O elenco é encabeçado por Chris Evans, mas ele é logo ofuscado por dois veteranos que roubam o filme: John Hurt e Ed Harris. Quando contracena com esses mestres, o apagado Evans simplesmente desaparece em sua insignificância. Seu personagem também é pouco desenvolvido e nada complexo. Um herói pseudo revolucionário nada inspirador. Certamente apenas o trabalho de Hurt e Harris salvam "Expresso do Amanhã" nesse quesito. Isso porém é pouco para justificar um bom filme. O saldo final é infelizmente sensivelmente negativo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Maggie - A Transformação

O mundo passa por uma terrível ameaça. Descoberto há poucos anos um novo tipo de vírus começa a tomar conta da natureza. Plantações precisam ser destruídas para evitar novas contaminações e pessoas começam a ser infectadas por esse novo tipo de doença desconhecida pela ciência. Para os que são atingidos pelo mal não há muito o que fazer a não ser entrar em quarentena, esperando por uma nova cura que parece nunca chegar. Não há salvação à vista e os sintomas praticamente deixam o infectado com os modos e a aparência de um zumbi. Para Wade Vogel (Arnold Schwarzenegger) a situação é ainda mais desesperadora uma vez que ele descobre que sua própria filha adolescente Maggie (Abigail Breslin) está com a nova peste. Determinado a não levá-la para um abrigo do governo, Wade decide ficar ao seu lado, em sua fazenda, enquanto testemunha sua gradual degradação que aos poucos vai transformando a antes bela jovem em um ser repugnante, sedento por carne humana. Filme de apocalipse Zumbi com Arnold Schwarzenegger? Praticamente isso mesmo. O enredo se desenvolve em um futuro próximo quando o personagem de Schwarzenegger precisa lidar com um terrível drama familiar ao descobrir que sua própria filha Maggie (Breslin) estaria contaminada com esse novo e devastador vírus que transforma todos os infectados em zumbis devoradores de carne humana. Obviamente que o espectador vai ligar imediatamente o roteiro desse filme ao da série de sucesso "The Walking Dead". Sim, há zumbis e um clima de destruição no ar. As cidades parecem desertas e as autoridades não sabem o que fazer com a situação calamitosa. As semelhanças porém param por aí. A trama procura explorar e desenvolver o drama pessoal do pai em desespero Wade (Schwarzenegger), não abrindo praticamente nenhum espaço para uma história cheia de ação, violência e reviravoltas mirabolantes. Isso de certa maneira pode vir a decepcionar os fãs de Arnold Schwarzenegger, já que ele construiu toda a sua carreira em cima de filmes violentos de ação.

Muitos inclusive vão esperar que ele vá empunhar uma escopeta em todas as cenas para estourar os miolos dos zumbis que venha a encontrar pela frente. Desista, isso não acontecerá nesse filme. Ao invés disso o diretor Henry Hobson optou por desenvolver e explorar as angústias de um pai vendo sua filha adolescente sendo tomada gradualmente aos poucos por esse terrível mal. Embora seja aconselhado por todos (médicos e os policiais da cidade) a mandar ela com urgência para um lugar de quarentena determinado pelo Estado ele resiste, querendo ficar ao lado dela até o fim. No fundo é uma história de amor entre pai e filha. O veterano durão Schwarzenegger até mesmo deixa cair algumas lágrimas pelo rosto em um momento crucial do enredo, imagine você! O problema é que apesar de todas as suas boas intenções a doença rapidamente começa a tomar conta da jovem, fazendo com que ela aos poucos vá perdendo o contato com a realidade, sendo tomada por infectas feridas negras por todo o corpo, além de uma indisfarçável atração e gosto por carne humana. Conforme o tempo passa a fome vai se tornando cada vez mais presente e insuportável de resistir. Isso tudo vai acontecendo aos poucos. O ritmo é lento, contemplativo e com poucas cenas de ação (na verdade há apenas uma, bem tímida e discreta que não chega a fazer qualquer diferença). Fora isso tudo o que você encontrará pela frente é realmente a história de um pai fazendeiro que fica destruído emocionalmente por causa do estado de saúde cada vez mais deteriorado de sua própria filha. Quem poderia imaginar que um dia o brucutu Arnold Schwarzenegger iria estrelar um filme tão sensível como esse?

Maggie - A Transformação (Maggie, EUA, 2015) Direção: Henry Hobson / Roteiro: John Scott 3 / Elenco: Arnold Schwarzenegger, Abigail Breslin, Joely Richardson / Sinopse: Em um mundo sem esperanças o fazendeiro Wade Vogel (Arnold Schwarzenegger) tenta manter a salvo sua família enquanto a humanidade está em ruínas. Uma estranha doença está transformando a todos em zumbis. A única saída segundo Wade é se isolar em sua propriedade rural, mas tudo se torna em vão após sua própria filha Maggie (Abigail Breslin) se contaminar com o estranho vírus. Filme premiado no Edinburgh International Film Festival e no PAGE International Screenwriting Awards na categoria de Melhor Thriller / Terrror.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Espírito de Lobo

Título no Brasil: Espírito de Lobo
Título Original: Wolf Totem
Ano de Produção: 2015
País: China, França
Estúdio: China Film Co, Reperage Film
Direção: Jean-Jacques Annaud
Roteiro: Jiang Rong, Jean-Jacques Annaud
Elenco: Shaofeng Feng, Shawn Dou, Ankhnyam Ragchaa
 
Sinopse:
Em 1967, durante a revolução cultural na China, dois estudantes de Beijing são enviados para as estepes da Mongólia para ensinar as crianças da região a nova ideologia comunista que chegou ao poder no país. Uma vez lá eles se encantam pela riqueza natural da região, em especial pela presença de um grupo de lobos selvagens das montanhas. Enquanto tentam doutrinar o povo do lugar acabam também se maravilhando com os costumes e a cultura daquela sociedade.

Comentários:
Produção franco chinesa muito interessante que mostra a história de vida de dois jovens idealistas que acabam indo parar na distante Mongólia. A fotografia, como não poderia deixar de ser, é um dos pontos fortes da película. O diretor francês Jean-Jacques Annaud que assinou excelentes filmes no passado como "O Nome da Rosa", "A Guerra do Fogo", "Sete Anos no Tibet" e "Círculo de Fogo" conseguiu realizar uma obra que celebra a natureza selvagem das famosas estepes mongóis, no mesmo lugar de onde surgiu no século XIII o grande conquistador Gengis Khan. Os grandes protagonistas do filme porém não são os seres humanos, mas sim os lobos selvagens. Organizados em alcatéias, eles vivem em perfeita harmonia com as populações nativas locais. Isso vai até o dia em que o Partido Comunista resolve enviar um burocrata para lá. Com escassez de alimentos o sujeito, que não entende nada da fauna local, manda invadir os territórios dos lobos, destruindo suas caças e seus filhotes, quebrando a fina e delicada harmonia que reina naquele ecossistema. Esse aspecto do roteiro até que me deixou bem surpreso pois colocou um membro do partido agindo de forma errada e equivocada, algo que espanta em um regime de governo tão fechado como o de Pequim. De qualquer maneira isso acaba não indo muito fundo, procurando a produção se contentar em mostrar as belezas naturais daquele cenário lindo e maravilhoso. Um filme ecologicamente correto e com uma bela mensagem para passar a frente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Thelma & Louise

Existem filmes que nascem pequenos e despretensiosos e depois ganham a simpatia do público, se tornando grandes sucessos de bilheteria. Com o passar dos anos acabam também sendo considerados pequenas obras cultuadas, elevando seu status, se transformando em cult movies. Um exemplo perfeito disso temos aqui com "Thelma & Louise". A Warner bancou a realização do filme, porém jamais apostou muito nele. Foi lançado discretamente nos Estados Unidos e ganhou poucas resenhas significativas nas revistas de cinema da época. O público (especialmente o feminino) porém adorou o filme e assim começou uma propaganda boca a boca que acabou se refletindo nas bilheterias, tornando "Thelma & Louise" o grande campeão de venda de ingressos daquela temporada. O que explicaria esse tipo de fenômeno? Em minha forma de ver a situação o filme caiu nas graças do espectador porque explorava algo que diz respeito a muitas mulheres pelo mundo afora. As duas personagens principais são esposas frustradas, atoladas em casamentos ruins e relacionamentos destrutivos, que procuram encontrar uma saída para essa encruzilhada que se tornou suas vidas. Para elas o que deveria ser a felicidade de um casamento perfeito acabou se transformando em algo insuportável de tolerar. Então elas simplesmente pegam um carro e caem na estrada, procurando pela liberdade que sempre desejaram.

Não é complicado de entender que a fórmula e o segredo do filme se concentram justamente nisso, nessa situação de dar um basta a uma vida de fachada, infeliz e reprimida, para finalmente buscar o que se deseja, sair pelo mundo em busca de aventuras e ser feliz de uma vez por todas. Some-se a isso a bela atuação da dupla Susan Sarandon e Geena Davis e você entenderá porque afinal o filme fez tanto sucesso. De quebra ainda trouxe um jovem Brad Pitt, ainda desconhecida na época, como um cowboy sensual que seduz uma delas. Que mulher não ficaria extasiada com algo assim? A sociedade muitas vezes massacra a posição da mulher, geralmente a colocando numa situação de submissão e repressão. O enredo de "Thelma & Louise" funcionava justamente como uma válvula de escape para tudo isso. Olhando sob esse ponto de vista realmente o resultado foi acima das expectativas.

Thelma & Louise (Thelma & Louise, EUA, 1991) Direção: Ridley Scott / Roteiro: Callie Khouri / Elenco: Susan Sarandon, Geena Davis, Harvey Keitel, Brad Pitt, Michael Madsen / Sinopse: Thelma (Geena Davis) e Louise (Susan Sarandon) são duas amigas que resolvem dar uma guinada na vida. Cansadas de seus relacionamentos ruins e doentios elas resolvem pegar a estrada, buscando por aventuras na rota 66. Filme vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original (Callie Khouri). Também indicado na categorias de Melhor Atriz (Susan Sarandon e Geena Davis, ambas indicadas), Direção, Fotografia e Edição. Filme vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor Roteiro.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

Francisco, O Jesuíta

Ainda é muito cedo para que o Papa Francisco ganhe um grande filme sobre sua vida, até mesmo porque seu pontificado ainda está acontecendo. Há muito ainda por vir. De qualquer maneira ele já se firmou como um dos Papas mais populares e carismáticos dos últimos tempos. Um líder religioso grandioso no mais estrito sentido da palavra. No canal The History Channel começou a ser exibida uma nova série intitulada "Francisco, O Jesuíta". É uma produção do canal Telemundo que tenta contar a rica biografia de Jorge Mario Bergoglio desde os tempos de sua infância em Buenos Aires, na Argentina, até os dias de hoje. Nos dois primeiros episódios já temos uma ideia de como o roteiro da série se estrutura. Há sempre duas linhas narrativas sendo contadas, uma no passado e outra no presente, já com Bergoglio surgindo como o Papa Francisco. Além disso a vida de Francisco encenada por atores é sempre interrompida por excelentes depoimentos de autores, vaticanistas e até mesmo pessoas que viveram ao lado do Papa. O roteiro foi baseado no excelente Best Seller “El Jesuita” escrito pelos jornalistas Sergio Rubin e Francesca Ambrogetti.

No primeiro episódio Jorge Mario Bergoglio é eleito Papa. As cenas mostradas da euforia na Praça de São Pedro são reais. Até me recordei desse dia quando todas as emissoras do mundo entraram no ar de forma simultânea para saber quem iria assumir o trono de Pedro, o pescador. Uma coisa que chama a atenção é que a imagem real de Francisco sempre é preservada na série. Ele nunca surge nas imagens reais e sempre é substituído pelo ator que o interpreta (que devo dizer se parece mais com Pio XII do que com o próprio Francisco). Depois que ele é ovacionado por uma multidão a série volta no tempo e encontramos Mario como apenas um garotinho que gostava de voltar da escola para jogar futebol ao lado dos amiguinhos numa praça pública perto de sua casa. Desde aqueles anos remotos ele já era um torcedor apaixonado do San Lorenzo.

Ele é um jovem normal, como tantos outros de sua idade, mas se destaca por ter uma personalidade bondosa e religiosa, algo que teria herdado de sua avó, uma mulher muito católica. Bergoglio também se apaixona por uma garota de sua idade e lhe escreve um bilhete confessando seu amor por ela dizendo: "Se eu não me casar com você, vou me tomar padre" - uma promessa que ele cumpriria anos depois. Enquanto o espectador vai sendo apresentado para o passado de Francisco ele também vai acompanhando os primeiros desafios do novo Papa como os problemas envolvendo o Banco do Vaticano, a resistência da ala conservadora da Cúria Romana e o desgaste natural de um grande humanista que tenta suavizar certos dogmas da doutrina católica, como o tratamento dado a divorciados e homossexuais.

Outro ponto da biografia de Jorge Mario Bergoglio que é tratada com extrema elegância, sensatez e bom gosto se refere aos problemas que ele enfrentou durante o regime militar argentino. Como chefe dos Jesuítas em Buenos Aires ele tentou de todas as formas ajudar as mães que tiveram seus filhos desaparecidos e torturados pelo regime militar. Também é mostrado o drama que viveu ao saber que dois de seus jesuítas tinham sido levados pela repressão durante a madrugada. Embora a produção de "Francisco, O Jesuíta" não seja tão rica e impressionante, seu roteiro compensa bastante, mostrando a vida do nosso querido Papa de uma forma honesta, equilibrada e com muita honestidade. Recomendo aos católicos e aos cristãos em geral a série. É uma maneira muito interessante e até mesmo didática de conhecer aspectos biográficos de um dos homens mais importantes e fascinantes de nosso tempo.

Pablo Aluísio.

Star Wars - O Despertar da Força


A internet está pegando fogo com a divulgação do novo trailer de "Star Wars - O Despertar da Força". A grande surpresa foi a ausência do herói Luke Skywalker nele, o que já levantou inúmeras perguntas sobre o destino do famoso personagem. Será que Luke vai mesmo se tornar um Sith, indo para o lado negro da força para seguir os passos de seu pai, Darth Vader? Ah, muitas perguntas e poucas respostas o que serve para atiçar ainda mais a curiosidade dos fãs da saga. Enquanto o filme não chega nas telas (a estreia está prevista para o natal de 2015) aprecie a direção de arte do poster oficial

Pablo Aluísio.

domingo, 18 de outubro de 2015

Corinthians - Campeonato Brasileiro 2015

Atlético PR 1 x 4 Corinthians
Fazia bastante tempo que eu andava afastado dos jogos de futebol. Estudo e trabalho acabou me afastando de um dos meus hobbies mais queridos e antigos: torcer pelo Corinthians! Bom, quem me conhece sabe que sou um torcedor fiel de longa data do Corinthians Paulista e hoje, quase sem querer, parei para acompanhar meu time mais uma vez. Foi um reencontro de velhos amigos queridos. Seguramente fazia uns bons seis meses que havia visto um jogo do Timão pela última vez. Um absurdo já que na minha juventude não perdia uma só partida e acompanhava tudo com olhos de Lince! Sabe quando o Corinthians foi campeão em 1988 ou quando levantou pela primeira vez a taça de campeão brasileiro em 1990 com aquele time do Neto e cia? Pois é, eu estava lá vibrando por esse meu time do coração! Mesmo afastado fui percebendo que tinha algo de novo no ar. Os amigos mais próximos estavam sempre me aconselhando a começar a ver novamente os jogos do Corinthians pois esse time era realmente especial, fora de série. Não liguei muito para os conselhos já que ao longo da minha vida de torcedor já assisti a tantas grandes equipes que vestiram essa camisa mosqueteira que nada poderia me surpreender mais. Eu estava enganado!

Os números desse Corinthians 2015 são realmente de surpreender. Estamos a oito rodadas do final do brasileirão, mas o Corinthians segue imbatível na liderança com uma folga absurda do segundo lugar (justo o esforçado Atlético MG que hoje levou uma goleada do Sport, deixando o alvinegro do Parque São Jorge ainda mais disparado na frente). Eu não sou o melhor comentarista de esportes do mundo, mas de uma coisa tive certeza: esse time do Corinthians joga muita bola! A equipe é toda coesa, tem um excelente goleiro, uma defesa sólida que fecha bem e um meio de campo maravilhoso. Não é um time de futebol covarde e parte sempre para cima como eu gosto. Tem iniciativa e uma velocidade fora do comum. Em três toques já estão na grande área do time adversário! O mais curioso é que se trata de um time sem grandes estrelas, o que sempre considerei o grande segredo dos melhores times de futebol da história - sem estrelas todos jogam em equipe, no coletivo, pensando no melhor. Renato Augusto é um monstro e o velho conhecido Vagner Love tem faro de gol! Agora, de todos os jogadores o que mais me chamou a atenção foi o discreto e competente Jadson, jogador sério, inteligente e armador. Do jeito que está seremos campeões de maneira antecipada e na minha opinião de um jeito tão fácil que fará corintiano por aí estranhar (para quem não conhece a nossa história o Corinthians sempre foi conhecido por arrancar seus títulos e vitórias com muita garra e força de vontade). Enfim, só queria mesmo deixar registrado que deu gosto reencontrar essa minha velha paixão! Nada como um domingão com muito futebol ao lado da família. Agora vamos ao Hexa! Vai Corinthians... rsrsrsrs

Corinthians 1 x 0 Flamengo
Hoje assisti mais um jogo do Corinthians. Nada melhor para um domingão preguiçoso. Por falar em preguiça achei o Corinthians bem no controle remoto, burocrático, com extrema lerdeza. Ao contrário do jogo anterior onde a equipe realmente brilhou, hoje o time apenas garantiu o resultado sem maior esforço, levou a vitória e agora está com 70 pontos. O segundo lugar, o Atlético MG, está bem lá atrás, quase perdendo de vista o líder (a diferença no momento que escrevo esse texto é de 70 para 59 pontos). Bye, bye. Em relação ao Flamengo não há muito o que dizer. É um time ruim. Aliás verdade seja dita, faz seguramente uns vinte anos desde que o Flamengo teve uma equipe realmente de respeito. De lá para cá só formou times medíocres, com jogadores anônimos e sem expressão. Pior para Guerrero que saiu do Corinthians, que seguramente será campeão, para afundar junto do decadente Flamengo, que muito provavelmente não conseguirá nem ir para a Libertadores. Depois de perder cinco jogos seguidos é de se espantar que esse time rubro-negro ainda esteja na primeira divisão. Já deveria ter caído junto com o Vasco que está quase lá, na beira do abismo, na lanterninha do campeonato brasileiro.

Já o Corinthians... bom, continua o mesmo. Não jogou muito bem, é verdade, mas garantiu o resultado de forma pragmática. O gol de Vagner Love aos 47 minutos do primeiro tempo mostrou bem a principal característica do time: toque de bola rápido que coloca o atacante na frente do goleiro adversário em questão de segundos. O segredo do sucesso do Corinthians é seu meio de campo. Jadson é um armador que sabe colocar a bola no ponto certo para o artilheiro apenas finalizar. Nessa altura do campeonato, com 70 pontos, lá na frente da tabela, acredito que a torcida do Corinthians já pode vestir a faixa de campeão brasileiro, sem maiores problemas.

Atlético-MG 0 x 3 Corinthians
Pois é, o Atlético MG, como segundo lugar na tabela, tinha uma chance de ouro para diminuir a distância do primeiro, o Corinthians. Iria receber o adversário em casa com amplo apoio da torcida e uma vitória seria a chance de continuar vivo no Campeonato Brasileiro, uma forma de impedir o título do time paulista. Não deu. O Corinthians usou a tática de Rocky Balboa, ou seja, esperar o adversário vir para cima, bater, bater e bater até cansar. Foi o que aconteceu. O Atlético começou o jogo indo para cima, algo que todos esperavam. Quase na base do desespero o time de Minas Gerais tentou e lutou muito, mas foi em vão. O problema é que o Corinthians não tem apenas um grande ataque, mas também uma excelente defesa. Assim quando os atleticanos cansaram o timão foi para cima e... tome goleada!

Futebol é parecido com xadrez, não basta apenas suor, tem que usar de inteligência também. Tudo é uma questão de estratégia. Você não pode ir com tudo para cima de um time tão superior como o Corinthians porque isso acaba abrindo a sua própria defesa. E com o excelente toque de bola do time de São Paulo aliado a ótimos contra-ataques o resultado não poderia ser diferente. Com essa goleada o time paulista é o campeão virtual, o mais provável vencedor do título nacional de 2015. Se vencer o próximo jogo e esse mesmo Atlético vacilar em campo, o título será pela sexta vez do alvinegro de parque São Jorge. Em um campeonato de pontos corridos parte da imprensa dizia que esse jogo seria a verdadeira final do campeonato. Bom se isso se confirmar já podemos comprar nossas faixas de campeões, sem qualquer receio de algo acontecer de inesperado. A Inês parece mesmo morta. PS: Irei colocar todos os comentários sobre os jogos do Corinthians apenas nessa postagem para deixar o blog mais organizado. / Atlético-MG 0 x 3 Corinthians - Corinthians: Cássio, Edílson, Felipe, Gil e Guilherme Arana; Ralf, Jadson, Rodriguinho, Renato Augusto e Malcom; Vagner Love. Técnico: Tite. / Atlético: Victor; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Edcarlos e Douglas Santos; Leandro Donizete, Rafael Carioca, Luan, Giovanni Augusto (Thiago Ribeiro) e Dátolo; Lucas Pratto. Técnico: Levir Culpi. / Gols: Malcom, Vagner Love e Lucca.

Pablo Aluísio.