segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Cisne Negro

Nina Sayers (Natalie Portman) é uma jovem bailarina que tem que lidar com as pressões e os desgastes emocionais e psicológicos provenientes de sua escolha para participar de uma grande produção de "Cisne Branco". Eis aqui um dos melhores filmes dos últimos dez anos em Hollywood. Uma produção que consegue aliar boa arte, sofisticação e popularidade uma vez que alcançou um belo resultado nas bilheterias, o que me deixou surpreso em certo sentido pois não o considero um filme para todos os públicos. Ele não tem qualquer característica que o transforme em um produto pop de fácil consumo. Pelo contrário, "Cisne Negro" é um raro caso atual de primor cinematográfico. Seus vinte minutos finais são soberbos, um dos melhores clímax que o cinema americano conseguiu produzir em muito tempo. O filme todo aliás é um atestado do talento do cineasta Darren Aronofsky que, na minha opinião, está seguramente entre os cinco melhores diretores em atividade no momento. A fusão cinema e espetáculo transborda em cada cena, em cada momento desse filme extremamente inspirado (e inspirador). É uma aula de bom cinema!

O roteiro é muito bem escrito e tem subtextos bem relevantes. O primeiro é aquele que mostra um velho problema que atinge certos pais quando eles tentam compensar suas frustrações pessoais almejando de todas as formas se realizarem em seus filhos, a todo custo. Nesse aspecto Nina é apenas uma vítima nas mãos de sua mãe, uma bailarina frustrada. Outro aspecto importante é o que coloca em oposição a beleza da dança com a rudeza do mundo dos bastidores da companhia de ballet retratada no filme. É um contraste que chama muita atenção e choca pelo realismo apresentado. Nem é necessário citar também o conflito psicológico proveniente da pressão extrema pela qual passa Nina, que no fundo é apenas uma jovem meiga e terna (como o próprio Cisne Branco da peça). Por fim temos Natalie Portman. O que falar de sua interpretação? Ela está fenomenal mesmo e sua premiação com o Oscar foi uma das mais justas da história da Academia. Ela não apenas interpretou pois na minha opinião fez algo a mais, “incorporou” o papel, como nos bons tempos do Actors Studio. Simplesmente genial. Enfim, "Cisne Negro" é aquele tipo de filme que quando chega ao final não ficamos menos do que abismados. Comigo foi exatamente assim! Uma grata surpresa em um época tão carente de grandes filmes. 

Cisne Negro (Black Swan, EUA, 2010) Direção: Darren Aronofsky / Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz / Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Winona Ryder / Sinopse: Nina Sayers (Natalie Portman) é uma jovem bailarina que tem que lidar com as pressões e os desgastes emocionais e psicológicos provenientes de sua escolha para participar de uma grande produção de "Cisne Branco". 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 29 de janeiro de 2012

W.E: O Romance do Século

Esse filme foi tão massacrado pela mídia desde seu lançamento que estava esperando por uma verdadeira bomba! Bobagem. A verdade é que toda essa onda de críticas negativas foram mais dirigidas à pessoa de Madonna (que assinou roteiro e direção do filme) do que qualquer outra coisa. Só isso explica a má vontade com que a produção foi recebida. Na verdade se trata sim de um bom filme, elegante, com boa direção de arte, bons atores e um roteiro que me envolveu. A ideia de unir duas linhas narrativas (uma no presente e outra no passado) me agradou bastante. Muito mais adequada do que se tivessem simplesmente contando a história de Edward e Wallis de forma convencional, burocrática. Ponto para Madonna nesse aspecto. Outra coisa que me agradou no roteiro foram as delicadas cenas em que personagens do passado e do presente interagem. O curioso do argumento é que ele consegue identificar em um mesmo nível problemas inerentes a duas mulheres de tempos diferentes que passam por situações extremas simplesmente pela posição que ocupam em relação aos seus maridos. A tese é que não importa a época histórica em que vivem, geralmente as mulheres acabam tendo que lidar com os mesmos dilemas, seja em que momento da história for.

Historicamente o filme é, como não poderia deixar de ser, incompleto mas não incorreto. Claro que toda a celeuma causada pela abdicação do futuro rei da Inglaterra em prol de uma união com uma americana de sangue plebeu e ainda por cima divorciada não apenas uma, mas duas vezes, é tratada de forma levemente superficial, mas isso definitivamente não é um problema. De fato não haveria como contar tudo o que significou em sua época algo tão surpreendente como esse. Mesmo assim Madonna conseguiu ser muito sutil ao abordar em essência o que tudo aquilo significou. Na verdade muitas das nuances do roteiro são extremamente eficientes. Por fim ficamos intrigados com essa figura de Edward. Ao longo dos anos já se escreveu muito sobre ele. Uns o acusam de ter sido nazista, outros de ser um fútil imprestável e por fim existem aqueles que afirmam que o casamento foi na verdade uma farsa pois ele seria homossexual e ela lésbica e tudo teria sido feito para encobrir esse aspecto de suas vidas. Não importa, o que importa no final das contas é saber que o filme é bom e nada comparado ao que se andou dizendo dele. Recomendamos sem receio.

W.E. - O Romance do Século (W.E. EUA - Inglaterra, 2011) Direção de Madonna / Roteiro: Madonna, Alek Keshishian / Elenco: Abbie Cornish, James D'Arcy, Andrea Riseborough / Sinopse: O filme mostra duas linhas narrativas. Na primeira acompanhamos a vida conturbada de Wally Winthrop (Abbie Cornish) uma nova-iorquina que tenta engravidar de seu marido, um médico que a negligencia. Na segunda linha narrativa somos apresentados aos incríveis eventos que culminaram na abdicação do Rei da Inglaterra, Edward VIII (James D'Arcy) que apaixonado por uma divorciada americana chamada Wallis Simpson (Andrea Riseborough) tem que abrir mão da coroa para viver ao lado da pessoa que ama.

Pablo Aluísio.

sábado, 28 de janeiro de 2012

As Bruxas de Salem

A peça "As Bruxas de Salem" foi escrita por Arthur Miller no auge das "caças às bruxas" (Macarthismo) quando o senador Joseph McCarthy começou a implantar uma política de paranoia e perseguição contra pessoas e setores que ele julgava serem de esquerda ou comunistas. Muitas pessoas eram acusadas sem nenhuma prova ou base legal. Era a perseguição pela perseguição, onde várias reputações foram destruídas sem qualquer justificativa plausível. Entre os acusados de subversivo estava o próprio Arthur Miller que foi perseguido e interrogado no congresso americano. Depois de passar por tudo isso ele se inspirou em um fato real ocorrido em Salem, Massachusetts, no ano de 1692, para criar uma metáfora da situação política que era vivida nos EUA naquele momento. Naquela ocasião uma pequena garota acusou vários moradores da cidade de bruxaria o que levou a uma convulsão social, com todos acusando a todos em um delírio fanático religioso. "As Bruxas de Salem" nos leva a várias conclusões sobre tudo o que ocorreu naquela vila. A primeira é que religião em excesso leva ao histerismo completo. Hoje em dia leis civis e penais protegem os cidadãos de loucuras como essa que ocorreu em Salem mas tenho certeza que se não fosse isso teríamos muitos casos parecidos até nos dias atuais. Eu mesmo conheço pessoas que de tão religiosas se tornaram completamente insanas. Tenho absoluta convicção que essas mesmas pessoas não pensariam duas vezes antes de tomar as mesmas atitudes que vemos no filme.

O enredo também demonstra sem rodeios a verdadeira face da coletividade humana. Utilizando-se do clima geral de paranoia e histerismo muitos moradores de Salem simplesmente acusaram desafetos que tinham sem nenhuma base ou prova das supostas atividades demoníacas. Muitos cidadãos ditos exemplares da comunidade começaram a acusar todos com quem tinham alguma diferença pessoal apenas por vingança e mesquinharia pessoal. Sobre o filme em si não há muito o que comentar. É um excelente trabalho de atores de extremo talento. Elogiar Daniel Day-Lewis é chover no molhado. Winona, a cleptomaníaca, está ótima também. Tiveram que adaptar seu personagem pois a verdadeira Abigail Williams tinha apenas onze anos quando começou a delirar e mandar os habitantes de Salem para a forca. Assim Winona faz uma personagem com mais idade, saindo já da adolescência, com o óbvio objetivo de afastar o caráter pedófilo de seu envolvimento com John Proctor.. Em conclusão "As Bruxas de Salem" expõe como poucos textos a podridão da alma humana. Tape o nariz e encare o filme, vai valer a pena!

As Bruxas de Salem (The Crucible, EUA, 1996) Diretor: Nicholas Hytner / Roteiro: Arthur Miller baseado em sua peça "The Crucible" / Elenco: Daniel Day-Lewis, Winona Ryder, Paul Scofield, Joan Allen, Bruce Davison, Rob Campbell./ Sinopse: Abigail Williams (Winona Ryder) é uma jovem que se apaixona por um homem casado, John Proctor (Daniel Day-Lewis), Rejeitada começa a inventar estórias de bruxaria na pequena Salem onde mora. As inverdades trarão consequências terríveis para todos no local.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

9 1/2 Semanas de Amor

Mickey Rourke foi um dos maiores símbolos sexuais do cinema nos anos 80. Sabia disso? Hoje ele está com sua aparência prejudicada por várias cirurgias plásticas mal realizadas mas há vinte anos o ator era considerado um sex symbol absoluto. Ele inclusive ditou moda no jeito de se vestir, andar, se comportar, sempre surgindo com barba por fazer dando aquele toque desleixado que as mulheres adoravam. Ninguém era mais cool do que Mickey Rourke em Hollywood. Esse "9 1/2 Semanas de Amor" foi feito para capitalizar em cima dessa imagem. Basicamente o filme não possui muita substância ou conteúdo, sendo mesmo uma produção que apela para a sensualidade, para o instinto do espectador. O roteiro tem ecos de "O Último Tango em Paris" pois as situações são muito parecidas entre si. Duas pessoas se conhecem, se envolvem e ignoram todos os demais fatores como convenções sociais, tabus e preconceitos. Eles se bastam a si mesmos. No fundo somos levados a presenciar apenas o encontro avassalador entre um homem e uma mulher que levam a paixão até suas últimas consequências. É em essência a adoração do corpo, do prazer sexual, sem culpa, sem mancha, sem medo. A paixão se bastando a si mesma.

Como é um filme sensorial não existem grandes falas ou teses em debate, nada disso. A paixão não precisa ser intelectual, bastando a química funcionar entre os dois corpos e nada mais. Nada de conversas intelectuais ou algo do tipo. É de pele, calor, sensualidade, que o filme trata. Nesse ponto o diretor Adrian Lyne foi muito feliz pois realizou uma metáfora do desejo sexual livre de tabus ou sentimentos de culpa. Tudo muito simples. Um homem, uma mulher e a paixão que dura exatamente nove semanas e meia de amor. Tudo tão simples (e definitivo). Quem nunca passou por uma paixão assim? Essas geralmente são justamente as que mais duram pois a aventura traz um sabor todo especial para o libido tanto masculino quanto feminino. Casamentos são chatos e aborrecidos. Relacionamentos sérios demais também. Bom mesmo é se entregar de corpo e alma a momentos assim, sem se preocupar com o dia de amanhã! Depois desse filme Mickey Rourke fez filmes bem melhores como "Coração Satânico" ou "Barfly", por exemplo, mas nunca mais conseguiu repetir o fenômeno comercial e social de "9 1/2 Semanas de Amor " que ficou em cartaz em São Paulo por anos a fio, se tornando o maior cult movie de sua carreira. As cenas viraram referências e influenciaram comercias de TV, videoclips e muito mais. Kim Basinger também nunca mais esteve tão bela e sensual como aqui. É aquela coisa, certos filmes se tornam a cara de uma geração justamente por terem sido realizados em determinada época. Esse é um caso típico. Amado por uns, odiado por outros, o fato é que a áurea de cult permanece intacta. Em sua simplicidade viril e instintiva o filme conseguiu atingir o público de forma muito especial. Era um reflexo da cultura sexual de sua época. Só isso já é o bastante para transformar a produção em um marco do cinema dos anos 80.

9 1/2 Semanas de Amor (9 1/2 Weeks, EUA, 1986) Direção: Adrian Lyne / Roteiro: Sarah Kernochan, Zalman King / Elenco: Mickey Rourke, Kim Basinger, Margaret Whitton / Sinopse: Elizabeth (Kim Basinger) é uma corretora de arte que conhece casualmente John (Mickey Rourke). A atração é imediata e juntos embarcam em um relacionamento sexual e emocional intenso.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Chuva Negra

Nick Conklin (Michael Douglas) é um policial norte-americano que é designado para levar um perigoso criminoso até o Japão e entregar sua custódia às autoridades locais. Chegando lá é enganado e acaba entregando o bandido para seus antigos companheiros de crime. Parte então para tentar corrigir seu erro caçando o fugitivo pelas ruas japonesas. Filmes dos anos 80 usaram e abusaram de gelo seco, néon e trilhas sonoras cheias de sintetizadores. Esse "Chuva Negra" não nega sua origem e nem a época em que foi realizado. O diferencial fica por conta da direção de Ridley Scott. O filme é visualmente muito bonito justamente por causa de seu trabalho. Ridley nasceu como cineasta no mercado publicitário e levou todos os maneirismos desse meio para seus filmes. Cada tomada parece ser um comercial de algum produto à venda. De qualquer maneira também procurou dar o melhor de si, aproveitando ao máximo a beleza natural das locações realizadas no Japão, chegando ao ponto de usar a famosa poluição visual das grandes cidades japonesas em seu favor. O roteiro não é inovador, pelo contrário, repete de certa fórmula que foi muito usada nos policiais daquela década. Michael Douglas ao lado de Andy Garcia conseguem manter o interesse pois carisma é o que não falta à dupla de atores.

A única critica maior que tenho a fazer a "Chuva Negra" é a forma muito estereotipada que os japoneses são mostrados em cena. Todos eles são de uma forma ou outra clichês orientais ambulantes. Até o parceiro de Douglas no Japão, interpretado pelo bom ator Ken Takakura, não consegue fugir a isso. O fato é que na época em que o filme foi lançado Japão e EUA disputavam uma ferrenha guerra comercial. Grandes grupos japoneses estavam adquirindo empresas americanas em um ritmo jamais visto. Até no meio cinematográfico isso vinha ocorrendo com a compra da Columbia Pictures pelo grupo Sony. Isso de certa forma mexeu com os brios dos americanos que resolveram se vingar dos orientais nas telas, geralmente os retratando como caricaturas e não como personagens reais. Apesar disso "Chuva Negra" ainda é um bom filme policial dos anos 1980. Diverte e serve como bom passatempo. Pode conferir sem receios.

Chuva Negra (Black Rain, EUA, 1989) Direção: Ridley Scott / Roteiro: Craig Bolotin, Warren Lewis / Elenco: Michael Douglas, Andy Garcia, Ken Takakura / Sinopse: Nick Conklin (Michael Douglas) é um policial norte-americano que é designado para levar um perigoso criminoso até o Japão e entregar sua custódia às autoridades locais. Chegando lá é enganado e acaba entregando o bandido para seus antigos companheiros de crime. Parte então para tentar corrigir seu erro caçando o fugitivo pelas ruas do Japão.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Um Lugar ao Sol

George Eastman (Montgomery Clift) é o jovem sobrinho de um rico industrial do mercado de roupas femininas. Seu tio logo o emprega em uma das fábricas como empacotador. Lá conhece a operária Alice (Shelley Winters) e logo se enamora dela. Ao mesmo tempo em que corteja Alice acaba se envolvendo também com Angela Vickers (Elizabeth Taylor) uma rica garota da alta sociedade. O triângulo amoroso trará consequências trágicas para todos os envolvidos. "Um Lugar Ao Sol" é um dos grandes clássicos da carreira de Montgomery Clift e Elizabeth Taylor. O filme mescla muito bem romance, suspense e drama. Vivendo em dois mundos completamente distintos o personagem de Montgomery Clift, um pobre rapaz que anseia subir na vida algum dia, acaba perdendo o controle dos acontecimentos em sua vida emocional, o que o levará a pagar um alto preço por se envolver com duas garotas ao mesmo tempo. George Stevens foi um dos grandes diretores do cinema americano. Austero e detalhista ele filmava muitas tomadas diferentes, de ângulos diversos para só depois montar o filme ao seu bel prazer. Assistindo "Um Lugar ao Sol" é fácil perceber que ele estava literalmente obcecado pelo belo rosto juvenil de Elizabeth Taylor. O cineasta usa e abusa de vários closes do rosto de sua atriz, o que não é nada mal uma vez que Liz estava no auge de sua beleza. Com traços delicados e lindos olhos azuis (que infelizmente não foram captados pois o filme foi rodado em preto e branco) a estrela poucas vezes esteve tão bonita como aqui.

O roteiro foi baseado no livro "An American Tragedy" de Patrick Kearney. Embora ficcional a estória foi inspirada em fatos reais acontecidos em Chicago na década de 20. A situação toda é bastante sórdida e demonstra que não existem muitos limites para a maldade da alma humana, embora no filme o personagem Geroge Eastman seja de certa forma amenizado. É fácil compreender a razão. Não haveria como rodar toda uma produção como essa em cima de um mero assassino. Assim tudo foi cuidadosamente suavizado para não chocar muito o público americano dos anos 50. O resultado de tanto capricho veio depois nas bilheterias e nas ótimas críticas que o filme conseguiu. Shelley Winters e Montgomery Clift foram indicados ao Oscar. Embora não tenham sido premiados o filme em si conseguiu vencer em seis categorias (inclusive direção e roteiro), se consagrando naquele ano. Até o gênio Charles Chaplin se rendeu ao filme declarando que havia sido o "melhor filme que já tinha assistido em sua vida". Além disso os bastidores da produção deram origem a muitas histórias saborosas envolvendo Clift e Taylor, que se tornariam amigos até o fim de suas vidas. Depois disso não há muito mais o que escrever. Para os cinéfilos "Um Lugar ao Sol" é mais do que obrigatório. Um filme essencial.

Um Lugar ao Sol (A Place In The Sun, EUA, 1951) Direção: George Stevens / Roteiro: Harry Brown, Michael Wilson / Elenco: Montgomery Clift, Elizabeth Taylor, Shelley Winters, Anne Revere / Sinopse: George Eastman (Montgomery Clift) é o jovem sobrinho de um rico industrial do mercado de roupas femininas. Seu tio logo o emprega em uma das fábricas como empacotador. Lá conhece a operária Alice (Shelley Winters) e logo se enamora dela. Ao mesmo tempo em que corteja Alice acaba se envolvendo também com Angela Vickers (Elizabeth Taylor) uma rica garota da alta sociedade. O triângulo amoroso trará consequência trágicas para todos os envolvidos.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A Hora Final

Filme estranhíssimo da carreira de Gregory Peck. Quem pensa que vai assistir um filme convencional de submarinos vai ter uma surpresa e tanto! Para começo de conversa a estória se passa após uma guerra nuclear entre Estados Unidos e União Soviética! Isso mesmo, você não leu errado! Peck é tudo o que sobrou da outrora gloriosa marinha americana e só escapou do hecatombe nuclear justamente porque estava dentro de um submarino! O interessante é que esse cenário pós apocalipse só vai sendo informado ao espectador aos poucos, enquanto se vai acompanhando o estranho flerte entre o Peck e Ava Gardner. Aliás uma das coisas que mais chamam atenção aqui é o elenco. Formado por jovens atores que iriam despontar para o estrelado nos anos seguintes (como o estranho Anthony Perkins de Psicose) e veteranos das telas (como Fred Astaire em um papel particularmente melancólico).

Mas o principal mérito de “A Hora Final” é realmente a ousadia da proposta do argumento do filme. Claro que em plena guerra fria, onde a paranóia na sociedade americana estava a mil, o filme fazia mais sentido. Hoje em dia se torna muito anacrônico e estranho. O diretor também foca muito em cima das relações pessoais dos personagens que mesmo sabendo que vão morrer em breve tentam seguir com suas vidas, namorando, passeando à beira mar, etc. Confesso que esse clima surreal é uma das coisas mais surpreendentes que já vi, ainda mais em filmes antigos. “A Hora Final” tem pinta e jeito de filme de guerra mas não é. É uma ficção apocalíptica que pode ser considerado o “avô” das produções pós apocalipse como “O Dia Seguinte”. Assista e se surpreenda.

A Hora Final (On The Beach, EUA, 1959) Direção de Stanley Kramer / Roteiro de John Paxton e Nevil Shute / Elenco: Gregory Peck, Ava Gardner, Anthony Perkins e Fred Astaire / Sinopse: Capitão da Marinha americana (Peck) chega na Austrália para uma missão secreta com um submarino nuclear australiano.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Lanceiros da Índia

O filme enfoca a ocupação inglesa nos postos mais avançados da fronteira indiana. Para quem andou cabulando as aulas de história é bom relembrar que durante longos anos o império britânico dominou a Índia. O roteiro obviamente adota a visão do colonizador. Não é para menos, a produção é de 1935 então é lógico que os indianos não iriam aparecer como heróis ou virtuosos. Pelo contrário, os colonizados aqui são retratados como animais traidores e covardes. Já os ingleses são o supra sumo da honra, são à prova de torturas e chegam ao ponto de não revidar fogo inimigo para cumprir ordens dos superiores! Uma situação no mínimo esquisita, vamos convir. Luvas de pelica é pouco! O elenco é liderado por Gary Cooper em um figurino que hoje chama a atenção! Roupas espalhafatosas parecem ter sido a marca registrada das tropas coloniais inglesas. Tudo é muito exagerado e chamativo (e por incrível que pareça de acordo com o protocolo militar daquela época!). Cooper inclusive está muito parecido com Rodolfo Valentino nas cenas - até o famoso bigodinho de Valentino ele adotou!

A despeito de seus problemas ideológicos temos que admitir que "Lanceiros da Índia" tem uma bela produção. Há ótimas cenas de batalha, inclusive a explosão real de um paiol dos rebeldes da fronteira. Curiosamente apesar de passar uma extrema veracidade em termos de fotografia o filme não foi feito em terras indianas mas sim no americaníssimo Alabama. De qualquer forma não fez muita diferença naquela época. O diretor Henry Hathaway teve com "Lanceiros da Índia" sua primeira oportunidade de dirigir um grande filme de estúdio. O êxito comercial de Lanceiros iria lhe proporcionar uma carreira longa e produtiva nos anos seguintes em Hollywood onde teria a oportunidade de dirigir grandes mitos do cinema como John Wayne e Marilyn Monroe. No final das contas "Lanceiros da Índia" é um boa aventura que diga-se de passagem não envelheceu tanto assim apesar de passados quase 80 anos de seu lançamento.

Lanceiros da Índia (The Lives of a Bengal Lancer, EUA, 1335) Direção: Henry Hathaway / Roteiro: Grover Jones baseado no romance de Francis Yeats-Brown / Elenco: Gary Cooper, Franchot Tone, Richard Cromwell, Guy Standing / Sinopse: O filme enfoca a ocupação inglesa nos postos mais avançados da fronteira indiana.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 22 de janeiro de 2012

A Carga da Brigada Ligeira

Produção da década de 1930 que mostra com muita eficiência um dos fatos mais marcantes da história militar inglesa. O filme é de 1936 mas tem um roteiro tão bom, uma produção tão bem feita que nem parece que tem mais de sete décadas de existência. O argumento é baseado em fatos históricos: a história do regimento 27 de lanceiros do exército britânico na Índia. Durante uma invasão a um forte guarnecido pela companhia, um líder tribal local promoveu uma verdadeira chacina matando mulheres e crianças. Em represália o jovem Major Geoffrey Vickers (Errol Flynn) resolve por conta própria e em desrespeito a uma ordem direta atacar as tropas russas e do Khan para vingar a morte daquelas pessoas. A história real foi trágica e culminou na morte de vários soldados mas o roteiro, como era de se esperar, não trata do assunto como um erro de guerra mas como um ato de bravura desses militares. O debate sobre o valor ou desvalor desse ato segue em discussão até os dias de hoje. Até que ponto um oficial pode ignorar ordens superiores mesmo que baseado em um correto senso de justiça?

O elenco é liderado pelo astro da época, Errol Flynn. Lembrando certos momentos de filmes anteriores seus o ator consegue trazer credibilidade ao papel. Como era um galã o roteiro traz o seu inevitável interesse romântico contando novamente com Olivia de Havilland. O diferencial é que aqui ela é disputada por Flynn e seu irmão, um agente da diplomacia inglesa. David Niven também está no filme mas em um papel tão apagado que sua presença é desperdiçada,  pois o seu personagem é totalmente secundário e coadjuvante. A produção é mais uma bem sucedida parceria entre o cineasta veterano Michael Curtiz e o astro Errol Flynn. Juntos realizaram grandes sucessos como "As Aventuras de Robin Hood" e "Capitão Blood", sempre contando com a ótima produção dos estúdios Warner. Em suma, "A Carga da Brigada Ligeira" ainda é um excelente filme e mostra que é possível mesclar eventos reais históricos com ficção sem perder a qualidade e o interesse. Recomendo com certeza!

A Carga da Brigada Ligeira (The Charge of the Light Brigade, EUA, 1936) Direção: Michael Curtiz / Roteiro: Michael Jacoby baseado na obra de Alfred Lord Tennyson / Elenco: Errol Flynn, Olivia de Havilland, Patric Knowles, Henry Stephenson, Donald Crisp, Nigel Bruce, David Niven / Sinopse: O filme narra a história do regimento 27 de lanceiros do exército britânico na Índia. Durante uma invasão a um forte guarnecido pela companhia, um líder tribal local promoveu uma verdadeira chacina matando mulheres e crianças. Em represália o jovem Major Geoffrey Vickers (Errol Flynn) resolve por conta própria e em desrespeito a uma ordem dada atacar as tropas russas e do Khan para vingar a morte daquelas pessoas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Papillon

Henri 'Papillon' Charriere (Steve McQueen) é condenado por assassinar um gigolô e é enviado para a terrível penintenciária de Saint Laurent na Guiana Francesa. A prisão era conhecida por seu regime de trabalhos forçados em pântanos e pela rígida disciplina interna. Na viagem para o local acaba conhecendo Louis Dega (Dustin Hoffman) um falsificador de bônus de guerra que acumulou grande riqueza com sua atividade ilegal. Papillon lhe oferece proteção em relação a outros prisioneiros que já sabem que Dega tem uma verdadeira fortuna pessoal e certamente vão querer tirar algum proveito disso. O que começa como um simples acordo de proteção acaba ao longo dos anos se tornando uma sólida amizade pessoal entre ambos. "Papillon" é um filme visceral. O roteiro foi baseado no relato autobiográfico de Henri Charrière que foi mandado para a Ilha do Diabo na década de 1930. Seu teor cru e realista até hoje impressiona. Não poderia ser diferente. Aqui temos um dos maiores roteiristas da história de Hollywood, Dalton Trumbo, o mesmo de Spartacus que foi perseguido durante o macartismo e que foi trazido de volta do ostracismo por Kirk Douglas. Seu texto é brilhante, um grande estudo e denúncia sobre as péssimas condições que existiam no local. Um claro atentado aos direitos mais básicos dos apenados.

Para se ter uma pequena ideia da rigidez do sistema prisional basta citar o fato de que era prática constante o envio de prisioneiros para a solitária durante longos anos. O próprio Papillon passou cinco anos encarcerado no chamado "buraco" por ter agredido um guarda da prisão que estava espancando seu amigo Dega. Isolado, sem luz e com comida racionada ele aos poucos vai perdendo o senso de realidade chegando ao ponto de saciar sua fome comendo pequenos insetos que infestam sua cela como baratas e centopeias. Essas cenas passadas na solitária aliás são as melhores de todo o filme, mostrando de forma inequívoca o grande talento de Steve McQueen, um ator que sempre achei muito subestimado pela crítica. Outro ponto muito marcante é a obstinação de seu personagem que nunca se rende e está sempre em busca de sua liberdade. Sua frase "Estou vivo desgraçados!" é muito significativa nesse ponto. Papillon é uma pessoa que não se rende, que não desiste. No fundo o filme é uma crônica sobre a perseverança humana que a despeito de todas as adversidades jamais se dobra ao que o destino parece lhe impor. Um grande momento do cinema americano da década de 70 e uma obra essencial para todos os cinéfilos.

Papillon (Papillon, EUA, 1973) Direção: Franklin J. Schaffner / Roteiro: Dalton Trumbo, Lorenzo Sample Jr baseado no livro "Papillon" de Henri Charrière / Elenco: Steve McQueen, Dustin Hoffman, Victor Jore, Don Gordon / Sinopse: Henri 'Papillon' Charriere (Steve McQueen) é condenado por assassinar um gigolô e é enviado para a terrível penintenciária de Saint Laurent na Guiana Francesa. Lá se torna protetor e amigo de Louis Dega (Dustin Hoffman). Ao longo dos anos não desiste de sempre ir em busca de sua liberdade, sempre pronto a planejar fugas cada vez mais mirabolantes.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Psicose

Norman Bates (Anthony Perkins) é um rapaz solitário que toma conta de um decadente motel de beira de estrada ao lado de sua mãe, que mora numa velha casa nos fundos do Bates Motel. Para sua surpresa uma jovem e bonita garota chamada Marion (Janet Leigh) resolve se hospedar em seu sinistro estabelecimento. Isso basta para que o lado mais obscuro de Norman venha à tona. "Psicose" é seguramente o filme mais famoso do genial diretor Alfred Hitchcock. Temendo uma reação muito negativa diante do teor violento da estória o cineasta tomou uma decisão polêmica ao decidir filmar em preto e branco. Posteriormente em entrevista Hitchcock esclareceu que seria de muito mal gosto filmar a famosa cena do chuveiro em cores berrantes pois o vermelho sangue jorrando pelo ralo da banheira seria demais para o público daquela época. O roteiro foi baseado em uma novela de Robert Bloch, um escritor de terror e ficção muito popular na década de 60. Embora seja ficcional é impossível negar que o personagem de Norman Bates também foi inspirado em assassinos em série famosos nos EUA, como por exemplo, Ed Gein. Esse também vivia isolado da sociedade, era acometido por alucinações com pessoas falecidas e tinha uma verdadeira obsessão pela mãe morta, que era fanática religiosa e rotineiramente punia o filho como a mãe rígida de Norman Bates apresentada em "Psicose".

Além do suspense e do tema mórbido "Psicose" também se tornou um marco do cinema por causa de alguns detalhes que fizeram toda a diferença em relação aos demais filmes da época. O primeiro deles é sua excelente trilha sonora, assinada por Bernard Herrmann. O tema musical das cenas mais marcantes ainda hoje soa familiar aos ouvidos de qualquer cinéfilo, de associação imediata ao filme (basta ouvir para saber que se trata de "Psicose"). Além disso foi tão imitada ao longo dos anos que acabou virando marca registrada. Nove em cada dez filmes de terror atuais trazem em suas trilhas incidentais apenas variações do famoso tema do filme de Hitchcock. Outro aspecto a se louvar aqui é a brilhante interpretação de Anthony Perkins, tão brilhante aliás que marcou a carreira do ator para sempre o deixando praticamente prisioneiro de Norman Bates para o resto de sua vida. Por fim só nos resta aplaudir todo o domínio de cena e ambientação de Hitchcock. Não é por outro motivo que ele passou para a história como o "Mestre do Suspense". O cineasta nunca era óbvio em suas decisões, surpreendendo em cada cena, em cada tomada. A própria cena do chuveiro é uma aula de direção, abrilhantada com uma das mais inspiradas edições da história do cinema. Em suma "Psicose" é item obrigatório para quem gosta de cinema. Um clássico do suspense que segue soberbo, firme, como o melhor e mais influente já produzido até hoje.

Psicose (Psycho, EUA, 1960) Direção: Alfred Hitchcock / Roteiro: Joseph Stefano baseado na novela de Robert Bloch / Elenco: Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles / Sinopse: Norman Bates (Anthony Perkins) é um rapaz solitário que toma conta de um decadente motel de beira de estrada ao lado de sua mãe, que mora numa velha casa nos fundos do Bates Motel. Para sua surpresa uma jovem e bonita garota chamada Marion (Janet Leigh) resolve se hospedar em seu sinistro estabelecimento. Isso basta para que o lado mais obscuro de Norman venha à tona.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Júlio César

Em sua autobiografia Marlon Brando tirou duas conclusões sobre o filme “Júlio César”. A primeira foi que ele era ainda muito jovem e inexperiente para assumir um papel tão complexo em um texto tão rico (e muito fiel ao original escrito por William Shakespeare). O ator ficou inseguro durante as filmagens, também pudera, rodeado de monstros da arte de interpretação, Brando teve que se esforçar muito mais do que o habitual para não só decorar o rebuscado texto como também compreender o que ele significava. A segunda conclusão que Brando chegou é a de que filmes assim não encontram muita recepção e ressonância entre a cultura americana que em essência é a cultura do chiclete e da Coca-Cola, uma cultura que nem chega perto da milenar cultura europeia do qual provém essa maravilhosa peça.

Durante a exibição do filme fiquei pensando na opinião do ator e cheguei na conclusão pessoal de que ele estava certo apenas em termos. Realmente o ator está muito jovem, até inexperiente, para recitar Shakespeare. Atores ingleses obviamente se saem melhor nesse aspecto. Porém é impossível não reconhecer seu talento em duas grandes cenas do filme. A primeira ocorre quando Marco Antônio (Brando) encontra o corpo esfaqueado de César no senado. Se nos primeiros minutos de filme ele está em segundo plano aqui nesse momento assume posição de destaque no desenrolar dos acontecimentos. A segunda grande cena do ator no filme surge depois quando ele discursa para a multidão. Levando o corpo de César nos braços ele joga com as palavras de forma maravilhosa. Essa segunda cena é seguramente um dos maiores momentos de Brando no cinema. Esqueça seus famosos resmungos, aqui ele surge com uma dicção perfeita e uma oratória ímpar (mostrando que sua passagem pelo Actors Studio não foi em vão). Com pleno domínio ele instiga o povo contra os senadores que mataram César. Brando está perfeito no discurso, em um momento realmente de arrepiar.

Sobre o segundo aspecto realmente devo dar razão à opinião do ator. O público americano provavelmente estranhou a forma do filme. A cultura americana (e a nossa, diga-se de passagem) não abre muitas brechas para um texto tão bem escrito e profundo como esse. Os diálogos são declamados com grande eloqüência, por maravilhosos atores. O texto obviamente é riquíssimo em todos os sentidos e ao final de cada grande diálogo o espectador mais atento certamente ficará impressionado pela grandeza que a palavra escrita alcançava nas mãos de Shakespeare. Por se tratar de tão culto autor o filme exige uma certa erudição do público.

O espectador deve entender principalmente o contexto histórico do que se passa na tela (o fim da República Romana e o surgimento do Império). Deve também entender que Brutus (brilhantemente interpretado por James Mason) não é um vilão em cena mas sim um cidadão romano que acreditava no sistema político de então. Aliás é bom frisar que o tempo acabaria de certa forma dando razão a ele e aos senadores que mataram César. Os ideais republicanos de Roma tiveram muito mais influência nos séculos seguintes do que o arcaico e corrupto sistema que foi implantado pelos imperadores que iriam suceder César no poder. O legado do Império acabou mas as fundações do republicanismo que tanto foram defendidas por Brutus seguem firme até os dias de hoje. Enfim, Júlio César é um excelente filme, uma aula de cultura em todos os aspectos. Brando não está menos do que magnífico, apesar de ter ficado inseguro no resultado final. Em tempos de sub-cultura que vivemos “Júlio César” é não menos do que obrigatório

Júlio César (Julius Caesar, EUA, 1953) / Diretor: Joseph L. Mankiewicz / Roteiro: Joseph L. Mankiewicz baseado na obra de William Shakespeare / Elenco: Marlon Brando, James Mason, John Gielgud, Deborah Kerr, Alan Napier./ Sinopse: Júlio César (Louis Calhern) é um habilitoso político e general romano que é assassinado no senado nos idos de março. Após sua morte duas facções se formam, os que querem a morte dos assassinos liderados por Marco Antônio (Marlon Brando) e Otáviano e os que comemoram sua morte liderados por Brutus (James Mason) e Cícero (Alan Napier). O palco da guerra civil está armado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O Cálice Sagrado

Esse é o primeiro filme da carreira de Paul Newman. Isso por si só já basta para atiçar a curiosidade de qualquer cinéfilo. Além de Newman há no elenco atores e atrizes que de uma forma ou outra entraram na história do cinema como Jack Palance (como Simão, o Mago) e Pier Angeli (a namoradinha e grande amor da vida de James Dean). Pois bem, a primeira coisa que chama a atenção de quem assiste "O Cálice Sagrado" é sua estranha direção de arte. Tudo soa estilizado no filme, principalmente os cenários que são pouco realistas, parecendo até mesmo ambientações para peças de teatro. Cheguei a pensar que se tratava de uma produção pobre mesmo mas depois em uma cena de crucificação coletiva entendi finalmente a intenção do diretor. Não é que o filme seja mal feito mas se trata realmente de uma opção artística do cineasta Victor Saville (um veterano da época do cinema mudo).

O roteiro mistura ficção com realidade histórica (pelo menos para os que aceitam o conteúdo bíblico como fato histórico). Personagens que na Bíblia são secundários aqui ganham bastante atenção como José de Arimatéia e Simão, o Mago. Esse último é citado no novo testamento como um mágico que desafiou Pedro publicamente. Ofereceu dinheiro pelo poder de realizar milagres e foi repelido pelo principal apóstolo de Cristo. A cena final com Simão tentando provar ao imperador Nero que poderia voar (algo que nem Jesus conseguiu em vida) é muito divertida mesmo. Enfim, apesar de Newman ter odiado sua atuação aqui (chegou a publicar um pedido de desculpas em um jornal americano por sua fraca atuação) não posso dizer que o resultado final seja ruim. "O Cálice Sagrado" é um épico diferente, estranho até em certas passagens, mas que tenta ser inteligente e instigante. Isso já justifica sua existência.

O Cálice Sagrado (The Silver Chalice, EUA, 1954) Direção: Victor Saville / Roteiro: Thomas B. Costain, Lesser Samuels / Elenco: Paul Newman, Virginia Mayo, Pier Angeli, Jack Palance / Sinopse: Escravo de nome Basilio (Paul Newman) é designado para a confecção daquele que teria sido o último cálice usado por Jesus Cristo na última ceia.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Hatari!

Um grupo de aventureiros caçam animais selvagens na África para eles serem vendidos a Zoológicos ao redor do mundo. Sua rotina de trabalho finalmente muda com a chegada de uma bonita fotógrafa especializada em retratar o reino animal. Hatari é uma aventura muito interessante, com cenas de capturas de animais que prendem a atenção pois são bem reais (bem ao contrário do que se fossem feitas hoje em dia pois teríamos várias tomadas com animais digitais). John Wayne sai um pouco de seus filmes habituais de western para encarnar um personagem diferenciado, mais leve, lidando com várias situações de humor e diversão (algo que ele repetiria também em filmes como por exemplo "O Aventureiro do Pacífico). A atriz que faz seu interesse romântico, a italiana Elsa Martinelli, não me convenceu muito. Com forte sotaque, ela só serve mesmo como babá dos três elefantinhos do filme (sempre lembrados em suas cenas ao som da ótima trilha sonora de Henry Mancini). O roteiro foi baseado no livro de Harry Kurnitz um famoso jornalista da década de 30 que adorava participar de aventuras exóticas em lugares distantes. Seus textos acabariam sendo adotados pelo cinema, inclusive vários deles inspiraram filmes com Errol Flynn durante as décadas de 30 e 40.

A tônica do filme é de humor leve, soft. Bem ao estilo do cineasta que o realizou. O diretor Howard Hawks tinha um grande prestigio em Hollywood e ao longo de sua carreira realizou quase 50 filmes, com grande versatilidade, indo das comédias musicais aos filmes de aventura. Esse Hatari inclusive nem foi seu primeiro trabalho na África pois durante a época dourada do cinema americano ele já havia estado lá filmando o clássico "Uma Aventura na Martinica" com Humphrey Bogart e esposa, Lauren Bacall. Quando ele se deparou com o livro de Kurnitz ficou com a idéia fixa por anos de transpor aquela estória para as telas. Após ter o roteiro de Leigh Brackett em mãos o enviou a John Wayne para saber se ele tinha interesse no filme. Com o sinal positivo do ator finalmente conseguiu que o projeto fosse aceito. Era uma produção cara, filmada em locações africanas e apenas a participação de um grande nome como John Wayne viabilizaria a realização da produção. Aqui em Hatari encontramos todos os elementos que fizeram a fama de Hawks: Belas tomadas abertas, fotografia caprichada e cenas de aventura ao velho estilo. Quem precisa mais? Não deixe de conferir.

Hatari! (Hatari, EUA, 1962) Direção: Howard Hawks / Roteiro: Leigh Brackett baseado no livro de Harry Kurnitz / Elenco: John Wayne, Elsa Martinelli, Hardy Krüger, Red Buttons, Hardy Krüger / Sinopse: Um grupo de aventureiros caçam animais selvagens na África para eles serem vendidos a Zoológicos ao redor do mundo. Sua rotina de trabalho finalmente muda com a chegada de uma bonita fotógrafa especializada em retratar o reino animal.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Ou Vai ou Racha!

Mais uma parceria da dupla Jerry Lewis / Dean Martin. Aqui eles protagonizam um verdadeiro Road Movie cômico pois boa parte do filme se passa durante a viagem que ambos fazem, atravessando os EUA de costa a costa para chegar até a Califórnia. No caminho várias cenas de pastelão bem ao estilo de Jerry Lewis. O curioso é que o humor além de físico é muito cartunesco, utilizando linguagem de desenhos animados da época. Esse filme foi o último realizado pela dupla. Dean Martin após inúmeras brigas com Jerry Lewis resolveu se afastar do colega de tantos anos (estavam juntos desde a época em que se apresentavam em clubes de segunda categoria). Martin achava que Lewis não lhe dava o devido reconhecimento e destaque, o que acho injusto pois Dean Martin nada mais era do que uma escada para Jerry brilhar em cena, esse o verdadeiro comediante da dupla. Além disso Jerry Lewis sempre encaixava alguma canção de Martin nos filmes na tentativa de promover o talento musical de Martin (como acontece aqui onde Dean Martin tem a oportunidade de apresentar várias canções). De qualquer forma por um motivo ou outro Jerry iria estrelar sozinho seus filmes daqui em diante, sendo o "Delinquente Delicado" sua primeira produção solo.

Além de ser o último filme da dupla Martin / Lewis, "Hollywood Or Bust" traz ainda duas outras curiosidades. A primeira é a presença de Anita Ekberg no elenco, tentando emplacar no cinema americano. Sua participação não é muito relevante, diria até antipática, mas até que segura bem as pontas (inclusive com poucos diálogos pois não sabia falar muito bem inglês). O segundo ponto forte desse filme é a direção de Frank Tashlin, o melhor diretor de filmes da dupla. Ele inclusive dirigiu aquele que é considerado o melhor filme de Martin / Lewis, o ótimo "Artistas e Modelos". Aqui o resultado é mais modesto. É sem dúvida uma comédia divertida e agradável, mas longe de seus melhores momentos no cinema. Enfim, "Ou Vai Ou Racha" marcou o fim de uma era. Foi a última chance de ver essa bela dupla junta.

Ou Vai Ou Racha! (Hollywood or Bust, EUA, 1956) Direção: Frank Tashlin / Roteiro: Erna Lazarus / Elenco: Jerry Lewis, Dean Martin, Pat Crowley, Anita Ekberg / Sinopse: Steve Wiley (Dean Martin) dá um golpe durante um sorteio de carro e tem que dividir o prêmio com Malcolm Smith (Jerry Lewis), o verdadeiro vencedor do concurso. Juntos resolvem viajar com o carro para Hollywood.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Zona Verde

Os atos do governo George W. Bush continuam a assombrar os americanos. Uma prova é o argumento desse filme que retrata um oficial americano envolvido na busca das chamadas ADM (Armas de Destruição em Massa). Como hoje sabemos nada foi encontrado no Iraque. Para quem não se lembra foi justamente a existência dessas armas que justificou a invasão americana ao país de Saddam Hussein. Curiosamente mesmo após tantos anos nenhum figurão foi responsabilizado pelas mortes e pela operação militar naquele país. Pelo jeito não é só em nosso país que existe impunidade para os altos cargos governamentais. Mas deixemos esse debate um pouco de lado. "Zona Verde" é um bom filme de inteligência militar. O roteiro é bem escrito, bem desenvolvido. Matt Damon surge à vontade em seu papel, com ecos de sua franquia bem sucedida Bourne. O filme também mostra um aspecto curioso envolvendo duas das maiores agências de segurança dos EUA: a CIA e o FBI. O Pentágono e o complexo industrial armamentista também são lembrados e citados. Afinal a quem interessava um conflito dessa dimensão?

Como, apesar das boas intenções, se trata de um produto comercial "Zona Verde" traz diversas concessões. Uma delas é a própria figura do personagem principal. O "mocinho" aqui é personificado pelo Oficial Miller (Matt Damon) que é ajudado por um agente da CIA inconformado pelos rumos que a guerra tomou. Já o antagonista é todo centralizado em apenas uma figura cheia de mistérios (talvez para simplificar o que acontece em cena ao grande público) interpretado pelo sempre eficiente Greg Kinnear. Nesse labirinto de intrigas, meias verdades e falsas pistas o filme vai se desenvolvendo de forma que realmente prende a atenção do espectador. As cenas de ação propriamente ditas são bem realizadas, com muita câmera na mão e correria (o que pode incomodar alguns) mas mesmo assim não chegam a comprometer o resultado final. Há uma cena em especial que achei bem conduzida, já no final, com uma queda de um helicóptero americano. Até me recordei do bom "Falcão Negro em Perigo". Em conclusão "Zona Verde" é um bom filme de ação que não se descuida de uma bem escrita trama de espionagem. Vale a sessão certamente.

Zona Verde (Green Zone, EUA, 2010) Direção de Paul Greengrass / Roteiro: Brian Helgeland baseado no livro de Rajiv Chandrasekaran / Elenco: Matt Damon, Jason Isaacs, Greg Kinnear / Sinopse: Oficial americano (Matt Damon) se envolve em complexa rede de espionagem e inteligência envolvendo a questão das chamadas Armas de Destruição em Massa.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Pecado de Todos Nós

"O Pecado de Todos Nós" definitivamente não é uma obra para todos os públicos que vá agradar a todos os setores, pelo contrário, o diretor John Huston não fez nenhuma concessão e entregou uma obra crua, visceral, sem nenhum tipo de amenização. Marlon Brando, como sempre, se destaca. Acho esse um de seus personagens mais corajosos. O ator joga a imagem de galã fora e encara um papel extremamente complexo e polêmico. Aqui ele interpreta um Major do exército americano com o casamento em crise, em frangalhos. Sua esposa, interpretada por Elizabeth Taylor em mais uma de seus excelentes caracterizações, é uma fútil dona de casa que passa os dias em longas cavalgadas ao lado de seu amante (um oficial que mora vizinho ao casal na vila militar onde residem). Isso já bastaria para caracterizar esse casamento como disfuncional mas isso não é tudo. O problema básico do Major feito por Brando é que ele não tem mais nenhum desejo sexual pela esposa pois na realidade é um homossexual enrustido que não consegue exteriorizar e vivenciar sua verdadeira orientação sexual. Após ver um soldado cavalgando nu pelo bosque o Major acaba ficando obcecado por ele. Tudo caminha então para um clímax ao melhor estilo do diretor Huston, com muitas nuances psicológicas e tensão entre os principais personagens. A hipocrisia do núcleo familiar considerado ideal pela moralista sociedade norte-americana também é exposta sem receios.

O argumento soa na realidade como uma provocação por parte de John Huston para com toda a sociedade norte-americana. A família tradicional e o sistema militar são obviamente seus principais alvos. Na porta de entrada dos EUA na guerra do Vietnã ele ousou colocar um tema tabu em cena: o homossexualismo dentro das casernas militares. Mais explosivo do que isso impossível. Além disso expõe os problemas que existiam por baixo da imagem impecável das famílias conservadoras daquele país. O marido que posa de cidadão exemplar na verdade despreza sua esposa e esconde seus desejos sexuais mais inconfessáveis. A esposa é infiel, sem conteúdo, rasa, materialista e tola. Um retrato demolidor de um modelo que nos anos 1960 vinha abaixo. "Reflections in a Golden Eye" foi baseado na obra da escritora Carson McCullers, uma autora que não tinha receio de tocar nas feridas mais profundas da América. Aqui ao lado de Huston, Liz Taylor e Marlon Brando ela finalmente encontrou a transposição perfeita para as telas. Em suma, "O Pecado de Todos Nós" é uma produção nada confortável e nem amenizadora. No fundo é um retrato controvertido que coloca na berlinda alguns dos pilares mais prezados pelos americanos. Não deixe de conhecer.

O Pecado de Todos Nós (Reflections in a Golden Eye, EUA, 1967) Direção de John Huston / Roteiro: Chapman Mortimer, Gladys Hill baseado na obra "Reflections in a Golden Eye" de Carson McCullers / Elenco: Elizabeth Taylor, Marlon Brando, Brian Keith, Julie Harris / Sinopse: O Major do exército americano Weldon Penderton (Marlon Brando) se torna obcecado por um jovem soldado da tropa. Com fortes inclinações homossexuais ele não consegue mais conter seus desejos ao mesmo tempo em que negligencia sua esposa Leonora (Elizabeth Taylor) em um casamento de aparências.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Dois na Gangorra

Jerry Ryan (Robert Mitchum) é um advogado de Nebraska que chega a Nova Iorque após ver seu casamento destruído. Sem emprego, procurando se adaptar na grande cidade, acaba conhecendo casualmente numa festa no bairrro boêmio de Greenwich Village a dançarina Gittel "Mosca" (Shirley MacLaine). Após se aproximarem começam um complicado relacionamento enquanto tentam reconstruir suas vidas. "Two for the Seesaw" é um delicado estudo sobre o relacionamento amoroso de duas pessoas que aparentemente nada tinham em comum mas que acabam superando tudo isso apenas pela força do afeto e do carinho mútuos. O texto é belíssimo, baseado na peça de mesmo nome do autor William Gibson. Poucas vezes vi tantos diálogos bem estruturados e de bom gosto como aqui. Talvez só sejam superados por Tennessee Williams em termos de capricho e profundidade. O casal é destrinchado psicologicamente em cena com rara sutileza. Ela, jovem e impulsiva, jamais conseguiu ter um relacionamento adulto estável enquanto ele, maduro e calejado pela vida, acaba descobrindo os pequenos detalhes que fazem um romance ser inesquecível. A cena final do filme inclusive é um momento de rara beleza, onde os personagens se desnudam de todas as amarras sociais que muitas vezes impedem que duas pessoas sejam felizes juntas.

Em termos de atuação não há absolutamente nada a criticar. Shirley MacLaine está soberba. Na flor da idade, jovem e com uma beleza que sempre achei muito atraente, ela domina completamente a cena. É emocional e divertida nos momentos certos demonstrando que sempre foi uma grande atriz - e não apenas em sua fase mais madura como muitos ainda insistem em afirmar. Já Robert Mitchum está perfeito. O ator que construiu sua carreira com personagens à margem da sociedade, cínicos e durões, aqui esbanja sofisticação na pele do advogado Jerry Ryan. Ele é sutil na dose exata e demonstra, ao declamar o rico texto, que tinha um talento nato, que infelizmente nem sempre foi aproveitado adequadamente nas telas de cinema. Curiosamente o relacionamento entre Mitchum e MacLaine ultrapassou as telas e chegou em suas vidas reais. Ambos iniciaram um caso amoroso durante as filmagens e continuaram apaixonados por longos anos conforme ela mesma confessou em uma entrevista recente. Não deixa de ser mais um bom motivo para ver o filme. Por tudo isso e muito mais recomendo "Two for the Seesaw" para pessoas sensíveis, inteligentes e sofisticadas. Um aula de cinema de bom gosto e sofisticação que vai tocar fundo na sensibilidade dos mais românticos.

Dois na Gangorra (Two For The Seesaw, EUA, 1962) Direção: Robert Wise / Roteiro: Isobel Lennart baseado na peça teatral de William Gibson / Elenco: Shirley MacLaine, Robert Mitchum, Edmon Ryan / Sinopse: Jerry Ryan (Robert Mitchum) é um advogado de Nebraska que chega a Nova Iorque após ver seu casamento destruído. Sem emprego, procurando se adaptar na grande cidade acaba conhecendo casualmente numa festa no bairrro boêmio de Greenwich Village a dançarina Gittel "Mosca" (Shirley MacLaine). Após se aproximarem começam um complicado relacionamento enquanto tentam reconstruir suas vidas.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Torrentes de Paixão

"Torrentes de Paixão" é um thriller de suspense passado nas famosas cataratas do Niagara (situada na fronteira entre EUA e Canadá). Esse é um local bem popular ainda nos dias de hoje para casais em lua de mel. Após realizar "Almas Desesperadas" Marilyn Monroe foi novamente escalada pelos estúdios Fox para um papel bem parecido com o do filme anterior. Bem longe das comédias musicais que fizeram sua fama, Marilyn aqui interpreta novamente uma mulher fatal que não mede esforços para alcançar seus objetivos. Na trama acompanhamos Rose (Marilyn Monroe) e George (Joseph Cotten) um casal que passa férias em Niagara Falls. Ela é uma jovem que não consegue mais impedir seus impulsos sexuais e acaba se envolvendo com um amante local bem debaixo do nariz do marido traído. Ele é um homem com traumas de guerra que não consegue mais satisfazer sua jovem esposa pois retornou do conflito da Coreia completamente impotente, neurótico e irascível. Como não poderia deixar de ser eventos dramáticos vão marcar a passagem deles pelo local.

A Rose de Marilyn Monroe como o próprio marido descreve no filme é uma "vagabunda completa". Isso é bem curioso pois diante do desafio de interpretar a jovem esposa infiel, Marilyn Monroe não se fez de rogada e usou e abusou de sua sensualidade latente nas cenas. Aliás é um dos papéis em que a atriz mais se serviu de seu grande sex appeal. Sua exuberância aqui beira a vulgaridade. Numa das sequências mais famosas Marilyn faz aquele que parece ter sido o mais longo rebolado da história do cinema. São quase dois minutos e meio apenas mostrando Monroe caminhando de costas para a câmera. Literalmente um desbunde em plenos anos 50, um dos períodos mais moralistas da história americana. Usando de roupas sensuais e colantes o espetáculo na época foi considerado totalmente indecente. Aliás é bom frisar que Marilyn está linda no filme, inclusive podemos perceber bem sua boa forma em um enorme close up de seu rosto focalizado bem de pertinho. Simplesmente maravilhosa! Com batom exageradamente vermelho e voluptuoso Marilyn esbanja lascívia em cada cena que aparece. De certa forma o diretor Henry Hathaway sabia que tinha em mãos um dos maiores símbolos sexuais de sua era e resolveu mesmo abusar dessa situação. O filme foi realmente pensado nela e feito para ela. Todo o resto se torna secundário. Naquela altura ela já era um mito de popularidade e "Torrentes de Paixão" se aproveita a todo momento disso. Além de Marilyn ainda temos de bônus a bela Jean Peters com toda sua beleza sofisticada e refinada. No final tudo resulta em um belo espetáculo de beleza feminina a desfilar pela tela. Os estetas certamente vão se esbaldar. Assista e entenda como se constrói um sex symbol genuinamente Made in Hollywood.

Torrentes de Paixão (Niagara, EUA, 1953) / Direção: Henry Hathaway / Roteiro: Charles Brackett, Walter Reisch / Elenco: Marilyn Monroe, Joseph Cotten, Jean Peters, Max Showalter / Sinopse: Jovem esposa infiel (Marilyn Monroe) tenta dar cabo de seu marido impotente (Joseph Cotten) por intermédio de um jovem amante mas os planos não saem exatamente como ela queria.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Amar é Sofrer

Frank Elgin (Bing Crosby) é um ator e cantor decadente com sérios problemas de alcoolismo que tenta se reerguer na carreira. Tentando conseguir um papel em uma peça off Broadway ele acaba sendo ajudado pelo produtor Bernie Dodd (William Holden) que resolve lhe dar uma última chance. Para isso conta com o apoio da esposa de Frank, Georgie (Grace Kelly), uma mulher de forte personalidade que quer ver o marido brilhar novamente nas marquises da Broadway em Nova Iorque. "Amar é Sofrer" é um excelente drama que foca nos bastidores do meio teatral norte-americano na década de 50. O personagem de Bing Crosby é um presente a qualquer ator. Embora Crosby não fosse um intérprete brilhante aqui ele mostra muita desenvoltura e talento em um papel extremamente complexo, principalmente para ele que era mais cantor do que essencialmente um ator de profissão. Considerado ao lado de Elvis e Frank Sinatra uma das mais belas vozes do século XX, Crosby brilha como Frank Elgin, um sujeito corroído por dentro, amargurado pela vida que tenta desesperadamente por uma redenção final. Para quem é fã do Crosby cantor também não há o que reclamar. Ele interpreta várias canções ao longo do filme, até porque a peça que seu personagem estrela é na verdade um musical de vaudeville. Crosby tinha uma voz poderosa e rica mas era um artista bem modesto em relação ao seu grande talento tanto que mandou colocar em sua lápide a despretensiosa inscrição: "Era apenas um bom sujeito que sabia levar uma boa canção em frente".

Além de Bing Crosby em grande forma o elenco ainda reserva duas outras grandes surpresas. A primeira é a presença magnífica de Grace Kelly. Aqui ela foge completamente dos tipos que costumavam interpretar nas telas. Praticamente sem maquiagem sua caracterização mescla momentos de forte personalidade com ternura. Muitos duvidavam da capacidade interpretativa da atriz, principalmente na época, mas tiveram que dar o braço a torcer diante desse excelente trabalho dela. Grace Kelly acabou vencendo o Oscar de Melhor Atriz e o Globo de Ouro na mesma categoria por essa maravilhosa atuação. Completando o ótimo trio central temos aqui um William Holden dominando todas as cenas com sua imponente presença. Curiosamente em um enredo que toca tão fundo na questão do alcoolismo, Holden parece não ter aprendido muito uma vez que ele próprio sofreu desse mal por anos até ter uma morte indigna de seu nome após uma noite de bebedeiras. Uma ironia do destino? Certamente. Como se tudo isso não bastasse "Amar é Sofrer" ainda tem um dos finais mais sofisticados e elegantes que já vi no cinema. Uma aula de bom gosto em uma produção bem acima da média. Perfeito.

Amar é Sofrer (The Country Girl, EUA, 1954) Direção: George Seaton / Roteiro: George Seaton baseado na peça de Cliford Odets / Elenco: Bing Crosby, Grace Kelly, William Holden, Anthony Ross / Sinopse: Frank Elgin (Bing Crosby) é um ator e cantor decadente com sérios problemas de alcoolismo que tenta se reerguer na carreira. Tentando conseguir um papel em uma peça off Broadway ele acaba sendo ajudado pelo produtor Bernie Dodd (William Holden) que resolve lhe dar uma última chance. Para isso conta com o apoio da esposa de Frank, Georgie (Grace Kelly) , uma mulher de forte personalidade que quer ver o marido brilhar novamente nas marquises da Broadway em Nova Iorque.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O Selvagem

Se James Dean representava o jovem encucado e confuso em seus filmes, Marlon Brando em "O Selvagem" representou o outro lado da moeda, a do jovem que não se intimidava e junto aos amigos formava uma gangue de motocicletas para aterrorizar as pequenas cidades do meio oeste americano. O personagem dele nesse filme acabou gerando uma repercussão tão grande entre os jovens que espantou não só Brando como os próprios produtores do filme. Embora esse tipo de grupo fosse bastante comum em poucos lugares da Califórnia, após o filme ser exibido as gangues proliferaram por todo o país em um ritmo assombroso. A influência chegou até no Brasil quando também foram formados grupos como o do filme. De repente andar de moto em couro preto virou moda da noite para o dia. Algumas alterações de última hora acabaram irritando o ator, inclusive a inserção de um tedioso aviso advertindo aos jovens dos perigos de se envolver com tais grupos. Na realidade os produtores sofreram pressão por grupos conservadores e no meio do clima paranóico que existia na década de 1950 resolveram colocar a advertência fora de propósito. Marlon achou aquilo de uma caretice sem tamanho. Ele adorava motos e desde seus primeiros dias em Nova Iorque adotou o veículo como o seu preferido, conhecia vários motoqueiros e achava o cúmulo da moralidade e estupidez associar motos imediatamente à deliquência juvenil.

Isso não adiantou muito. Assim que o filme foi lançado Brando logo foi acusado de incentivador da delinquência juvenil, de servir de mal exemplo para os jovens americanos. Em sua autobiografia o ator dedicou alguns capítulos ao filme. Na realidade ele nem mesmo achou o filme grande coisa, o considerou curto demais, violento e sem muito propósito, mas se confessava totalmente surpreso com toda a repercussão que "O Selvagem" alcançou dentro da cultura pop nos anos seguintes. O fato é que sua imagem de "motoqueiro de jaqueta negra" invadiu o inconsciente coletivo e ainda hoje é marca registrada de qualquer jovem "rebelde" que se preze. Até mesmo o jovem aspirante a ator, James Dean, apareceu na frente de Brando completamente vestido de seu personagem nesse filme. Marlon obviamente ficou espantado pois compreendeu que Dean realmente associava o personagem do motoqueiro com o próprio estilo de vida dele, o que era uma grande bobagem pois Marlon nunca fez parte de gangue nenhuma durante toda a sua vida. Dean queria encontrar uma forma de identificação com seu maior ídolo e por isso se vestiu de Johnny, o motoqueiro, ao se encontrar com Marlon. Brando não gostou muito e o dispensou discretamente. Ao longo dos anos Brando se veria perseguido por essa imagem, jamais conseguindo se livrar dela. Ele deveria ter entendido que algumas imagens ganham vida própria e sobrevivem a tudo, até mesmo ao tempo. Brando em sua moto aterrorizando uma cidadezinha qualquer perdida dos EUA é uma dessas imagens que ficaram cravadas para sempre na mente dos cinéfilos. "O Selvagem" é realmente um filme apenas mediano mas como produto pop jamais poderá ser subestimado. É um marco absoluto dos chamados "anos dourados". Simplesmente definitivo.

O Selvagem (The Wild One, EUA, 1953) Direção. Laslo Benedek / Roteiro: John Paxton, Frank Rooney / Elenco: Marlon Brando, Mary Murphy, Robert Keith / Sinopse: Johnny (Marlon Brando) chega numa pacata cidadezinha com sua gangue de motoqueiros de couro preto. Na localidade conhece a linda Kathie (Mary Murphy) com quem simpatiza ao mesmo tempo em que tem que lidar com um grupo rival de rebeldes motorizados.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

10 Curiosidades sobre Francis Ford Coppola

10 Curiosidades sobre Francis Ford Coppola

 1. No total foi indicado mais de 80 vezes em prêmios diversos do cinema ao redor do mundo

2. Venceu o Oscar de Melhor Direção por "O Poderoso Chefão II" e o Prêmio Irving G. Thalberg dado pela Academia pelo conjunto da obra em 2011.

 3. Foi mais premiado como roteirista pelo Oscar do que como diretor. Ao todo venceu dois prêmios na categoria Roteiro - com "O Poderoso Chefão" e "Patton"

 4. Produziu 73 filmes ao longo da carreira, dirigiu 34 e escreveu 27 roteiros

 5. Embora poucos saibam ele também foi ator, aparecendo nos filmes "Desafiando a Morte" e "Obsessão de Matar"

 6. Sua produtora, a Zoetrope, foi por três vezes à falência em 20 anos. Cansado dos problemas financeiros Coppola resolveu fechá-la definitivamente nos anos 90 mas manteve a marca em alguns de seus filmes seguintes.

 7. Ao invés de investir em estúdios de cinema passou a usar seu dinheiro numa bem sucedida vinícola na Califórnia, a Francis Ford Coppola Winery localizada em Napa Valley.

 8. É pai da diretora e atriz Sofia Coppola e tio de Nicolas Cage.

 9. Seu último filme foi "Virgínia" em 2011.

 10. Começou a carreira realizando pequenas obras de terror como "Sombras do Terror" e "Dementia 13".

Pablo Aluísio.

Sangue Sobre a Terra

Extremamente interessante esse drama passado no Quênia durante um levante da população negra contra os fazendeiros colonizadores brancos. No meio da luta dois jovens que foram criados juntos (Rock Hudson e Sidney Poitier) ficam em lados opostos do conflito. A priori era de se supor que em um filme feito nos anos 50, estrelado pelo galã Hudson, o roteiro fosse tomar partido pelos brancos, colocando os negros como selvagens sanguinários com facão na mão. Felizmente e para minha surpresa isso não acontece em momento algum. O roteiro baseado em um famoso livro que tratou sobre a questão racial no Quênia não toma partido. Em cena somos apresentados aos lados positivos e negativos de ambos os lados em conflito. O racismo dos brancos não é jogado para debaixo do tapete e as atrocidades cometidas pelos negros também são expostas de maneira visceral. Os dois lados são mostrados da forma mais imparcial possível.

O impacto do filme só é quebrado para mostrar o azedo romance entre Rock e a starlet Dana Wynter mas ele não decola nunca. O ponto forte fica mesmo com as lutas e as questões raciais que são tratadas com o devido respeito e seriedade. O diretor Richard Brooks era acima da média pois já havia dirigido o cult do surgimento do rock "Sementes da Violência" e depois realizaria alguns clássicos como "Gata em Teto de Zinco Quente". "A Sangue Frio" e "Doce Pássaro da Juventude", ou seja, era realmente um craque na direção. Enfim, "Sangue Sobre a Terra" é inteligente, humano e trata a questão dos direitos das populações negras africanas com muita sensibilidade. Altamente recomendado para quem se interessa pelo tema.

Sangue Sobre a Terra (Something of Value, EUA. 1957) Direção de Richard Brooks / Roteiro de Richard Brooks baseado no livro de Robert C. Ruark / Com Rock Hudson, Sidney Poitier, Dana Wynter e Wendy Hiller / Sinopse: Dois garotos, um branco (Rock Hudson) e outro negro (Sidney Poitier) são criados juntos em uma fazenda no Quênia. Anos depois quando estoura um movimento de expulsão dos brancos ingleses ambos ficam em campos opostos no campo de batalha.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O Desafio das Águias

General americano é feito prisioneiro por tropas alemãs. O alto oficial tem conhecimento dos planos aliados para o desembarque do dia D. Temendo que sob tortura ele revele esses planos uma equipe de elite do exército inglês é enviada com a missão de resgatá-lo de uma fortaleza quase inexpugnável onde ele é mantido sob rígida vigilância. Juntar o veterano Richard Burton ao jovem Clint Eastwood em um filme que une II Guerra Mundial e contra espionagem parece, a priori, uma ótima ideia. Foi justamente isso que o diretor Brian G. Hutton fez no finalzinho dos anos 60 com esse "O Desafio das Águias". O filme é ágil (apesar da duração) e mantém um bom nível nas diversas cenas de ação. Embora haja uma interessante subtrama de espionagem envolvida no roteiro o que dá o tom aqui realmente são as cenas de batalha, sabotagem e alpinismo. O filme em nenhum momento nega seu objetivo de ser um entretenimento de bom nível apenas. Em uma época em que os efeitos visuais eram primitivos, as cenas no teleférico da base alemã nos alpes impressiona. Embora o uso de back projection seja claro se percebe também que os dublês realmente ficaram pendurados por lá em diversos momentos, o que demonstra como eram bons em suas funções.

Curioso entender que "O Desafio das Águias" faz parte da última geração de filmes de guerra aonde não se discutia ou se colocava em debate os problemas que conflitos como esse causavam. De certa forma os filmes de guerra mudariam radicalmente com o lançamento de "Apocalypse Now" alguns anos depois. Ao invés de simples filmes de ação as produções desse gênero iriam ser bem mais psicológicas, nada ufanistas ou patrióticas. Tudo iria desandar no chamado círculo do Vietnã com filmes que iriam invadir as telas na década de 80. Nesse aspecto não procurem nada parecido aqui em " Where Eagles Dare" pois o filme é pura diversão escapista apenas. Se o roteiro não inova o elenco pelo menos é de primeira linha. Richard Burton, já envelhecido e com olhos de ressaca (seu alcoolismo só aumentou ao longo dos anos) consegue dar conta do recado, apesar de estar visivelmente fora de forma. Já Clint Eastwood mostra porque iria se tornar um dos grandes astros de Hollywood. Jovial, com vasta cabeleira e pinta de durão o futuro Dirty Harry não economiza nas balas e nas porradas, ambas distribuídas fartamente ao longo do filme. Enfim, "Desafio das Águias" é indicado para apreciadores de filmes de guerra bem movimentados, com fartas doses de ação e que não se importem com um ou outro furo do roteiro. Faz parte de uma linha de produção que estava chegando ao fim. Filmes de guerra com muita ação e só. Se isso faz seu gosto pessoal procure assistir, não vai se arrepender.

O Desafio das Águias (Where Eagles Dare, Reino Unido, 1968) Direção: Brian G. Hutton / Roteiro: Alistair MacLean baseado no romance de Alistair MacLean / Elenco: Richard Burton, Clint Eastwood, Mary Ure, Patrick Wymark / Sinopse: General americano é feito prisioneiro por tropas alemãs. O alto oficial tem conhecimento dos planos aliados para o desembarque do dia D. Temendo que sob tortura ele revele esses planos uma equipe de elite do exército inglês é enviada com a missão de resgatá-lo de uma fortaleza quase inexpugnável onde ele é mantido sob rígida vigilância.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 8 de janeiro de 2012

A Águia Pousou

O filme narra o planejamento e execução de um plano no mínimo ousado. Um grupo de paraquedismo alemão liderado pelo Coronel Kurt (Michael Caine) vai até a Inglaterra com o objetivo de sequestrar, ou caso isso seja impossível, matar o primeiro ministro Winston Churchill. O roteiro é detalhista, mostrando desde os bastidores do plano (onde até Himmler, o braço direito de Hitler, dá as caras) até a execução propriamente dita, onde os paraquedistas disfarçados de tropas polonesas tentam dar cabo à missão. A fita é bem produzida e mantém o interesse. Hoje em dia os mais jovens vão achar um pouco arrastado, isso porque estão acostumados a filmes de ação sem freios, onde tudo acontece em ritmo alucinante. "A Águia Pousou" foi produzido nos anos 70 e naquele tempo havia sempre um capricho nos roteiros, onde davam bastante prioridade em desenvolver melhor todos os personagens. Há um lado bom e um ruim nesse aspecto. Sub tramas desnecessárias poderiam ser removidas sem prejuízo ao filme, como por exemplo o romance entre Liam Devlin (Donald Sutherland) e uma moradora local. Já pelo lado positivo com personagens bem mais desenvolvidos o espectador acaba criando vínculo maior com eles.

O elenco está todo bem. Entre as boas interpretações duas se destacam, a de Robert Duvall no papel do Coronel Max Radl e de Donald Pleasence no papel de Heinrich Himmler. Pleasence tem poucas cenas mas todas elas são um primor, nos fazendo lembrar bem do braço direito de Hitler. Outro destaque é a presença do ator Treat Williams, novinho, interpretando um capitão aliado. Williams infelizmente não faria muito sucesso no cinema mas anos depois encontraria finalmente seu nicho na TV, participando de boas séries, como por exemplo, "Everwood". Em suma, bom filme de guerra da década de 70 que se não é tão bom quanto os grandes clássicos pelo menos em momento algum decepciona.

A Águia Pousou (The Eagle Has Landed, EUA, 1876) Direção: John Sturges / Roteiro: Tom Mankiewicz baseado no livro de Jack Higgins / Elenco: Michael Caine, Donald Sutherland, Robert Duvall / Sinopse: O filme narra o planejamento e execução de um plano no mínimo ousado. Um grupo de paraquedismo alemão liderado pelo Coronel Kurt (Michael Caine) vai até a Inglaterra com o objetivo de sequestrar, ou caso isso seja impossível, matar o primeiro ministro Winston Churchill.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 7 de janeiro de 2012

O Homem de Bronze

Cinebiografia do atleta americano Jim Thorpe (Burt Lancaster) que ganhou várias medalhas de ouro durante as olimpíadas de 1912. Algumas particularidades faziam de Thorpe um esportista diferenciado. A primeira delas é que era indígena, nativo americano, o que o diferenciava e muito dos outros atletas americanos da época. Os pais de Jim fizeram todo o esforço possível para que ele continuasse seus estudos até o fim e foi justamente no meio acadêmico que Thorpe encontrou sua verdadeira vocação: os esportes. Nos EUA há grande tradição em universidades que dão bolsa integral a bons esportistas e foi assim que Jim foi subindo em sua carreira. Outro fato bem marcante na trajetória dele é que ao contrário dos demais atletas, Jim Thorpe não se limitava a apenas uma modalidade esportiva, pelo contrário, praticava todos os esportes que apareciam pela frente: atletismo, beisebol, futebol americano, saldo, hipismo, arco e flecha e mais uma série de outras categorias, se saindo bem em todas elas para surpresa geral. Não é à toa que venceu suas medalhas olimpícas no pentatlo e no decatlo. que agregam vários esportes numa só competição. Era considerado um atleta completo em sua era.

Com uma biografia tão rica assim não era de se exigir muito mais do filme. Realmente o roteiro expõe de forma bem didática toda a biografia do atleta, mostrando desde sua entrada em uma instituição de ensino do governo americano dirigido especialmente para as populações indígenas, passando pelas olimpíadas, sua bem sucedida passagem pelo time New York Giants até finalmente mostrar sua decadência pessoal e esportiva. Para quem já assistiu filmes como "Touro Indomável" fica bem fácil acompanhar a ascensão e queda de ídolos esportistas como esse. Suas biografias no fundo mostram que o esporte tanto pode redimir tais pessoas como também acentuar a queda de suas vidas pessoais. Thorpe infelizmente decaiu vítima do ostracismo e do alcoolismo. Burt Lancaster não decepciona em sua interpretação de Jim, o fazendo com garra e convicção, porém fica a sensação desagradável de ver um ator branco interpretando um personagem índio. Em plena época do Star System realmente nenhum grande estúdio de Hollywood iria investir numa produção estrelada por um nativo americano. A mentalidade da época ainda era bem atrasada e nada politicamente correta. De qualquer forma esse trabalho de Michael Curtiz (diretor de Casablanca) merece ser redescoberto. É uma obra de certa forma ufanista e que apenas toca de leve nos problemas pessoais do atleta mas que mesmo assim cumpre bem seus objetivos, imortalizando o nome de Jim Thorpe também na história do cinema.

O Homem de Bronze (Jim Thorpe, All-American, EUA, 1951) Direção: Michael Curtiz / Roteiro: Douglas Morrow, Everett Freeman / Elenco: Burt Lancaster, Charles Bickford, Steve Cochran, Phyllis Thaxter / Sinopse: Cinebiografia do atleta americano Jum Thorpe (Burt Lancaster) que ganhou várias medalhas de ouro durante as olimpíadas de 1912, se destacando também como jogador de Beisebol, Futebol Americano e mais de uma dezena de modalidades esportivas.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Círculo do Medo

Max Cady (Robert Mitchum) sai da prisão e parte atrás de vingança contra as pessoas que ele considera responsáveis por sua condenação. Entre elas está o advogado Sam Bowden (Gregory Peck) que se vê ameaçado pela presença do criminoso de volta na cidade em que vive. Ele havia sido testemunha no processo que jogou Max durante longos oito anos na prisão. Agora é a hora dele promover o que entende ser o acerto de contas entre ambos. "Círculo do Medo" é um eficiente thriller de suspense dirigido pelo apenas mediano J. Lee Thompson, um diretor que ao longo da carreira alternou filmes bons com abacaxis medíocres. Esse "Círculo do Medo" (que teve o título mudado anos depois no Brasil por causa do famoso remake "Cabo do Medo" de Scorsese) tem como maior destaque e mérito a ótima caracterização do ator Robert Mitchum. Ele passa longe da caricatura feita por De Niro anos depois do mesmo personagem. Se no remake tínhamos um sujeito completamente fora de controle, violento, com ares de delírio completo, aqui Mitchum desenvolve uma caracterização bem mais sutil (e eficiente na minha opinião). A maldade está lá, porém em um nível mais interior, sem profusão de cenas violentas desnecessárias. Obviamente que muitos preferem o filme recente de Martin Scorsese porém não compartilho dessa opinião. "Círculo do Medo" é bem melhor em termos de tensão e clima psicológico.

O advogado interpretado por Gregory Peck não tem muito o que fazer já que o filme pertence mesmo a Mitchum e seu personagem. Se limitando a se defender na medida do possível, Peck se mostra competente em sua interpretação, embora pela própria estrutura do roteiro seja limitada. Claro que não podemos aqui comparar com outras atuações brilhantes do ator como a que ele apresentou em "O Sol é Para Todos", por exemplo. É um diferente tipo de atuação, mais ligeira, com propósito específico de entreter e não conscientizar como naquela produção. Mesmo assim o saldo é muito positivo embora se deva reconhecer que o filme perde um pouco de pique justamente no terceiro ato, quando todos vão para um lugar isolado nos pântanos da Flórida (o próprio lugar que dá nome ao filme, cabo do medo). Até esse momento o filme tem um ritmo muito bom, de caçada gato ao rato entre os dois personagens principais. Depois disso a tensão perde espaço para a violência e o filme decai um pouco. De qualquer forma o resultado final é muito bom (e bem melhor que seu famoso remake). Não deixe de conferir para comparar depois com o famoso filme de Martin Scorsese. Eu certamente recomendo

Círculo do Medo (Cape of Fear, EUA, 1962) Direção: J. Lee Thompson / Roteiro: James R. Webb baseado no romance de John D. MacDonald / Elenco: Gregory Peck, Robert Mitchum, Polly Bergen, Lori Martin / Sinopse: Max Cady (Robert Mitchum) sai da prisão e parte atrás de vingança contra as pessoas que ele considera responsáveis por sua condenação. Entre elas está o advogado Sam Bowden (Gregory Peck) que se vê ameaçado pela presença do criminoso na cidade em que vive. Ele havia sido testemunha no processo que jogou Max durante longos oito anos na prisão. Agora é a hora dele promover o que entende ser o acerto de contas entre ambos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Anáguas a Bordo

Oficial da Marinha Americana (Cary Grant) é designado para comandar velho submarino precisando de reparos. Como o sistema de provisões da marinha americana não funciona de forma adequada ele tem que contar com os inúmeros cambalachos do tenente Holden (Tony Curtis) que providencia tudo que a velha lata de sardinha do mar precisa para voltar a funcionar de forma eficiente. É uma comédia típica do final dos anos 50, tudo muito inofensivo e sem maiores consequências. O roteiro ainda aproveita para explorar o fato do submarino resgatar várias mulheres da Marinha que se encontravam à deriva numa ilha do pacífico. Obviamente que existem muitas e muitas piadinhas que envolvem a chamada guerra dos sexos (os marinheiros há muito tempo sozinhos no mar não perdem a chance de dar em cima das garotas). Cary Grant é o comandante do navio que chega inclusive a ser pintado de cor de rosa por falta de uma tinta de cor adequada. Já Tony Curtis desfila seu papel típico - o sujeito boa pinta, levemente cafajeste que dá em cima de todas e nas horas vagas surrupia algum objeto de propriedade da Marinha americana para consertar o submarino Sea Tiger.

"Anáguas a Bordo" não é uma comédia de dar gargalhadas. Claro que o bom humor está presente em várias cenas mas de maneira em geral nada desbanca para o pastelão ou algo parecido. O diretor Blake Edwards está bem contido e muito longe de alguns de seus futuros trabalhos onde ele assumidamente adotaria uma postura exagerada, cartunesca mesmo. Aqui o humor é de pequenos sorrisinhos e não de tortas na cara dos personagens (como ele inclusive faria em futuras parcerias com Tony Curtis). Enfim, vale a pena conhecer esse que foi um dos maiores clássicos da "Sessão da Tarde" nos anos 70 e 80.

Anáguas a Bordo (Operation Petticoat, EUA, 1959) Direção: Blake Edwards / Roteiro:: Stanley Shapiro e Maurice Richlin / Com Cary Grant, Tony Curtis e Joan O'Brien / Sinopse: Oficial da Marinha Americana (Cary Grant) é designado para comandar velho submarino precisando de reparos. Como o sistema de provisões da marinha americana não funciona de forma adequada ele tem que contar com os inúmeros cambalachos do tenente Holden (Tony Curtis) que providencia tudo que a velha lata de sardinha do mar precisa para voltar a funcionar de forma eficiente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O Aventureiro do Pacífico

Em 1961 Elvis Presley estourou nas bilheterias americanas com "Feitiço Havaiano". A fita seria a primeira do cantor realizada nas ilhas havaianas. Diante do sucesso o mesmo estúdio do filme de Elvis resolveu reunir praticamente a mesma equipe e o mesmo produtor, Hall Wallis, para repetir o sucesso usando da mesma fórmula: muitas paisagens bonitas, roteiro leve e divertido e música local. O curioso nesse projeto foi o fato da Paramount ter escalado a dupla John Wayne / John Ford para a empreitada. Conhecidos pelos grandes westerns, verdadeiros clássicos do cinema, foram ao Havaí para filmar "O Aventureiro do Pacífico" que em Portugal recebeu o curioso título de "A Taberna do Irlandês" (nome que também ficou conhecido no Brasil pois foi exibido na TV algumas vezes com esse mesmo título). A fita destoa de tudo o que um dia já realizaram. Era despretensiosa, tipicamente um filme de verão para ser consumido nas matinês da garotada em férias escolares. Pode-se afirmar inclusive sem medo de errar que "O Aventureiro do Pacífico" é o filme mais leve e sem pretensão de toda a carreira de John Ford.

Assim como "Feitiço Havaiano", "O Aventureiro do Pacífico" é basicamente isso mesmo, um filme de verão, muito leve, divertido, o que se pode chamar de uma aventura para toda a família. John Wayne continuava com seu carisma intacto, fazendo o dono de uma taberna para marinheiros. Já Lee Marvin faz um dos poucos personagens cômicos de sua carreira. O roteiro ainda toca timidamente na questão racial envolvendo nativos e americanos mas tudo numa sutileza planejadamente inofensiva, para não chocar ninguém. No final das contas a produção vale por sua fotografia (não poderia ser diferente uma vez que o Havaí é maravilhoso) e pelas cenas divertidas e descompromissadas. Da carreira do John Ford esse é seguramente seu filme mais inofensivo em todos os aspectos.

O Aventureiro do Pacífico (Donovan's Reef, EUA, 1963) Direção: John Ford / Roteiro: Frank S. Nugent, James Edward Grant / Elenco: John Wayne, Lee Marvin, Elizabeth Allen, Jack Warden / Sinopse: Michael Patrick 'Guns' Donovan (John Wayne) vive tranquliamente no Havaí quando é surpreendido pela chegada na ilha de Ameilia Dedham (Elizabeth Allen) que vem trazer várias surpresas para seu sossegado e tranquilo cotidiano.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.