quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O Filho da Estrela Nascente

Título no Brasil: O Filho da Estrela Nascente
Título Original: Son of the Morning Star
Ano de Produção: 1991
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Television, The Mount Company
Direção: Mike Robe
Roteiro: Evan S. Connell, Melissa Mathison
Elenco: Gary Cole, Rosanna Arquette, Stanley Anderson, George Dickerson, Terry O'Quinn, Dean Stockwell

Sinopse:
Enviado pelo governo americano para combater guerreiros rebeldes das nações Sioux e Apache, o General George Armstrong Custer (Gary Cole) acaba caindo em uma emboscada numa região conhecida como Little Bighorn. O dia é 25 de junho de 1876 e a chacina da Sétima Cavalaria dos Estados Unidos entraria para a história. Filme vencedor do Primetime Emmy Awards nas categorias de Melhor Som, Figurino e Edição. 

Comentários:
Essa é uma minissérie que foi lançada no Brasil, no mercado de vídeo VHS, em edição dupla. A intenção dos produtores foi contar de forma isenta e historicamente correta a verdadeira história do General Custer e a Sétima Cavalaria. Como se sabe esse foi um dos eventos mais famosos da história do velho oeste americano, quando Custer e seus homens foram derrotados e mortos por nativos liderados por Cachorro Louco e Touro Sentado. A morte dos soldados e seu general traumatizou os americanos na época, a tal ponto que o exército entrou definitivamente na chamada guerra indígena, onde centenas de milhares de índios foram mortos em batalhas sangrentas e brutais. Outros foram despachados para territórios desertos, hostis, onde muitos morreram de fome ou pela exaustão de se viver em lugares tão impróprios para a vida humana. Assim o roteiro procura responder a pergunta que perdurou por todos esses séculos: Custer era um verdadeiro herói ou um carniceiro que foi fazer o serviço sujo do governo americano, matando homens, mulheres, idosos e crianças sem distinção? No meio da barbárie se destacam as boas cenas de luta e a reconstituição histórica perfeita que fez esse filme ser premiado pelo Emmy, o Oscar da TV americana. Hoje em dia essa produção anda meio esquecida. Pessoalmente nunca vi uma reprise nos canais de TV a cabo. Seria uma boa ideia resgatar esse bom momento televisivo sobre um dos generais mais controversos da história dos Estados Unidos e sua colonização rumo ao oeste selvagem. 

Pablo Aluísio.

Alien Thunder

Esse filme nunca foi lançado oficialmente nos cinemas no Brasil. Uma pena pois é uma produção das mais interessantes que explora a figura dos nativos americanos. Após serem derrotados nas chamadas guerras indígenas (aquelas onde o General Custer foi morto por guerreiros de Cachorro Louco e Touro Sentado), muitas tribos foram tiradas de suas terras e enviadas para desertos hostis onde não existiam caças, plantações e meios de vida. Subjugados, muitos índios, principalmente os mais jovens e fortes, não aceitaram essa situação, entrando em guerra novamente contra o homem branco.

Essa produção, também conhecida nos Estados Unidos como "Dan Candy's Law" mostra um desses jovens guerreiros que revoltados com sua situação e de sua gente resolve se insurgir contra os soldados americanos. Ele foge da reserva e começa um reinado de terror, até que um grupo de homens, caçadores de recompensas, é enviado para caçar os nativos revoltosos. O filme é dos anos 70 e apresenta uma boa produção. A direção ficou a cargo de um cineasta canadense, Claude Fournier, que trouxe um certo ritmo mais cadenciado ao filme, como se fosse um western americano dirigido por um francês! Donald Sutherland lidera o elenco. Com seus grandes olhos de peixe morto ele dá muita frieza e crueldade ao seu personagem, algo até bem adequado para a proposta desse faroeste. Então é isso, caso se depare com esse pouco conhecido western não deixe de conferir. Vale a pena.

Alien Thunder (Estados Unidos, Canadá, 1974) Direção: Claude Fournier / Roteiro: George Malko / Elenco: Donald Sutherland, Gordon Tootoosis, Chief Dan George / Sinopse: O ex-caçador de recompensas e agora sargento da cavalaria Dan Candy (Donald Sutherland) é designado para caçar e matar índios fugitivos. Ele está disposto a matar todo pele vermelha que encontrar em seu caminho. Filme baseado em fatos históricos reais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Duelo dos Fora da Lei

"O duelo dos fora da lei" conta a história de um caçador de recompensas que chega numa pequena cidade do velho oeste. Em cima de seus cavalos dois bandidos procurados. Ele obviamente entrega os corpos pensando justamente no dinheiro que irá receber por eles. O xerife da cidadezinha fica impressionado pela captura daqueles criminosos pois eram pistoleiros perigosos, procurados há anos. Assim oferece um emprego de delegado para o caçador de recompensas, que porém tem outros planos.

A questão é que a cidade é dominada por um sujeito inescrupuloso, cafetão e pistoleiro, que extorque dinheiro dos comerciantes locais em troca de "segurança". É uma extorsão velada já que o único perigo que existe no lugar vem dele mesmo. Há pouco tempo o facínora matou um honesto homem de negócios da cidade, um dono de saloon, que se recusou a pagar por seus "serviços". Será que o exímio atirador, que vive de capturar criminosos vai finalmente ceder, se tornando o novo delegado daquela cidade?

"O duelo dos fora da lei" é uma produção B, com orçamento modesto. Isso deixa transparecer para a tela. Você fica com a impressão de estar assistindo a um telefilme ou então uma produção feita para ser lançada diretamente em DVD, em venda direta ao consumidor. Em qualquer hipótese não é um filme para ser lançado nos cinemas. O roteiro é bem tradicional, alguns vão dizer que é repleto de clichês, mas devo dizer que tudo funciona bem, apesar dos eventuais problemas. Como escrevi não é um filme com produção suntuosa ou nada do tipo. Em sua falta de recursos até vale uma espiada pelos fãs do western.

O Duelo dos Fora da Lei (The Gundown, Estados Unidos, 2011) Direção: Dustin Rikert / Roteiro: Dustin Rikert, William Shockley / Elenco: Sheree J. Wilson, Andrew W. Walker, Peter Coyote / Sinopse: Caçador de recompensas chega numa cidadezinha poeirenta do velho oeste para receber o dinheiro da captura de dois criminosos procurados e acaba, sem querer, se envolvendo nas disputas locais. Os comerciantes da cidade são extorquidos por um criminoso que oferece "segurança" em troca de dinheiro.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Hickok

Achei bem fraca essa nova versão da vida do pistoleiro Wild Bill Hickok. O melhor filme sobre ele segue sendo aquela boa produção com Jeff Bridges. Aqui temos um roteiro bem fraco, explorando a figura do lendário mito do velho oeste sem nenhuma surpresa nova. Quando o filme começa Wild Bill está lutando na guerra civil. Esqueça aquelas bem produzidas cenas de batalha. Sim, a batalha entre confederados e nortistas está lá, mais bem mal feita. Depois disso já encontramos o pistoleiro vagando pelo oeste, a esmo, em busca de trabalho ou algum serviço que lhe pague o almoço e o jantar do dia. Entre jogos, duelos em bares e conquistas amorosas de uma noite apenas, ele vai levando a vida em cima de seu cavalo, atravessando enormes distâncias.

Assim ele vai parar em Abilene, uma cidade que em determinados meses do ano vira entreposto de venda de grandes rebanhos de gado. E onde há gado há cowboys de todos os tipos, armados até os dentes, entrando em duelos nos saloons da cidade; Dessa maneira o prefeito resolve contratar um pistoleiro profissional para ser o novo xerife e Wild Bill acaba sendo o homem que ele precisava. Detalhe interessante: o prefeito é interpretado pelo veterano cantor, compositor e ator  Kris Kristofferson. Ele está bem envelhecido, com os anos bem marcados em cada ruga de seu rosto. É um veterano que merece todo o nosso respeito. Uma pena que o filme não esteja à sua altura. Já o protagonista é interpretado por um fraco Luke Hemsworth, que nem se esforça para melhorar um pouco o filme no quesito atuação. Então é isso, um filme fraco, para ser exibido em canais de TV a cabo. Sem surpresas, sem uma boa produção, esse novo filme sobre o tão temido Wild Bill Hickok é bem decepcionante. Melhor rever o filme com Jeff Bridges.

Hickok (Idem, Estados Unidos, 2017) Direção: Timothy Woodward Jr / Roteiro: Michael Lanahan / Elenco: Luke Hemsworth, Trace Adkins, Kris Kristofferson / Sinopse: Famoso pistoleiro do velho oeste, Wild Bill Hickok é escolhido para ser o novo xerife de Abilene, uma cidade que em alta temporada vira ponto de encontro de cowboys, bandoleiros e pistoleiros de todos os tipos. Manter a lei e a ordem ali não vai ser algo fácil de se fazer.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Atirador

Até que gostei desse novo western chamado no Brasil de "O Atirador". O roteiro explora uma situação já bem conhecida em filmes de faroeste: a caçada humana! No enredo temos um fugitivo, Jasper Mudd (Orson Ossman), que após matar um xerife que o perseguia vai parar em um rancho bem distante e isolado. Lá encontra uma mulher sozinha. O marido dela está fora, na cidade mais próxima. Quando matou o xerife esse criminoso pegou suas roupas, sua estrela de prata e documentos... assim se apresenta para a rancheira como um homem da lei. Só que ele está ferido pois levou um tiro no ombro e tem apenas uma bala no tambor de seu revólver. Todo cuidado é pouco, ainda mais ao descobrir que em seu encalço vem um detetive frio e calculita, Eugene Stockton (Chris Voss), que está disposto a pendurá-lo na árvore mais próxima.

Então a trama segue basicamente por esse caminho. O pistoleiro foragido é interpretado pelo ruivo Orson Ossman, que também assina a direção do filme. Ele parece ser uma pessoa bem frágil, algo que fica ainda mais evidente por ter sido ferido e estar sangrando. Há algumas cenas muito boas, como o duelo de Mudd contra dois outros bandoleiros que ele encontra por acaso. Os foras-da-lei estão com seu cavalo. Logo começa um violento acerto de contas. Embora não apresente uma bela produção (o filme foi feito para venda direta ao consumidor e exibição em canais a cabo), esse aspecto não chega a atrapalhar. Há boa movimentação, cenas realmente interessante e um enredo que faz você ficar ligado nos acontecimentos até o final. Desses novos filmes é um dos que mais me deixaram satisfeito com o resultado final.

O Atirador (Estados Unidos, 2016) Direção: Orson Ossman, Tyler Graham Pavey / Roteiro: Orson Ossman, Tyler Graham Pavey / Elenco: Orson Ossman, Chris Voss, Martha Magruder, Eric Roberts / Sinopse: Após um assalto a banco o criminoso Jasper Mudd (Orson Ossman) passa a ser perseguido por um xerife (interpretado por Eric Roberts). Jasper consegue matá-lo, fugindo com suas roupas e pertences. Fazendo-se passar por homem da lei chega em um rancho onde encontra uma mulher sozinha. Ele tem planos para isso, mas antes precisa se livrar de um detetive, um agente especial, que quer enforcá-lo de todas as formas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Os Renegados

Dois fugitivos da lei conseguem fugir de seus perseguidores e acabam indo parar numa pequena cidadezinha no norte da Califórnia. Lá ouvem falar de um chinês que chegou na região para se estabelecer como rancheiro. Segundo os boatos a propriedade havia sido comprada com dinheiro roubado pois o oriental teria trabalhado em uma grande ferrovia onde em um descuido da segurança teria roubado bastante ouro e dinheiro. Para sondar se isso tudo era de fato verídico os dois foras-da-lei decidem achar o tal rancho e seu proprietário. O problema é que como a estória se espalhou sem controle outros bandidos da região também irão ao local atrás do tão falado tesouro em ouro roubado. Os Renegados é um novo western que chega ao Brasil diretamente em DVD. O roteiro tem pretensões de ser um western psicológico pois toda a trama se desenrola dentro do rancho onde supostaria haveria um grande carregamento de ouro da ferrovia. Assim as situações vão se sucedendo pois um grupo de ladrões tomam como reféns o chinês, sua jovem esposa e sua filhinha recém nascida. Afinal o ouro realmente existe ou se trata de puro boato?

Não há nenhum grande astro no elenco. A dupla de fugitivos da lei é interpretada pelos (bons) atores  Andrew Simpson e Richard Doyle. O personagem desse último é bem interessante pois enquanto vai cometendo os crimes vai citando passagens do novo testamento (quase sempre em citações completamente erradas e sem noção!). Para os fãs do ator Patrick Swayze o filme tem uma curiosidade: a presença do irmão mais jovem dele, Don Swayze. Ele interpreta o personagem Sherman que se diz um ex-oficial do exército da União, embora tudo leve a crer que não passa de um ladrão barato. Sua semelhança física com Swayze impressiona, principalmente na fase final do irmão quando esse estrelava seus últimos papéis em sua carreira. Apesar de ser uma produção modesta "Os Renegados" foi dirigido por dois cineastas,  Megan Peterson e John Douglas Sinclair. O resultado final se não chega a ser brilhante pelo menos serve como passatempo eficiente. O enredo flui bem apesar do filme ter uma duração um pouco maior do que seria adequada. De qualquer modo vale a recomendação.

Os Renegados (Heathens and Thieves, EUA, 2012) Direção: Megan Peterson, John Douglas Sinclair /  Roteiro: John Douglas Sinclair / Elenco: Andrew Simpson, Gwendoline Yeo, Don Swayze, Richard Doyle, Michael Robert Brandon  / Sinopse: Dois fugitivos ouvem falar que em um rancho próximo de propriedade de um casal oriental está escondido um grande carregamento de ouro roubado. Fingindo ser um cowboy um dos ladrões se infiltra na propriedade para tentar descobrir o paradeiro do ouro.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

10 Curiosidades sobre "Três Homens em Conflito"

10 Curiosidades sobre "Três Homens em Conflito"
1. O diretor Sergio Leone incentivou o elenco a improvisar em cena. Um dos maiores exemplos acontece na cena em que o personagem do ator Eli Wallach entra em uma loja de armas. Ali não havia nada escrito no roteiro e ele precisou improvisar praticamente toda a cena, principalmente quando manuseia os revólveres. Essa improvisão porém nem sempre deu certo. Na cena do trem o ator passou por apuros após seu cavalo se assustar com o som de um tiro dado por um dos figurantes. Com as mãos amarradas Eli Wallach passou por um aperto e tanto para controlar o animal. Curiosamente como Wallach não falava italiano e nem Leone inglês ambos decidiram se comunicar falando francês entre si.

2. O cemitério confederado chamado de Sad Hill Cemetery pelo roteiro foi totalmente construído pela equipe do filme. Não houve autorização para que Leone filmasse em um cemitério real. Assim eles resolveram recriar todo o lugar, usando como modelo uma foto antiga de um cemitério real das tropas rebeldes durante a guerra civil.

3. Embora não fosse o mesmo personagem dos dois filmes anteriores de Sergio Leone, Clint Eastwood resolveu usar praticamente o mesmo figurino que havia usado nas outras produções. O pistoleiro sem nome assim usou o mesmo ponche que havia usado em "Por um Punhado de Dólares" e "Por uns Dólares a mais". No filme o personagem de Eli Wallach o chama de "blondie", mas esse é apenas um nome genérico que significa "loiro" ou "loirinho", não sendo o verdadeiro nome do pistoleiro.

4. O filme foi um dos mais caros da carreira de Sergio Leone, realizado ao custo de mais de um milhão de dólares (uma verdadeira fortuna para a época). Na versão americana houve quatro cortes para que o filme não ficasse tão longo, o que iria prejudicar sua carreira comercial. Apenas alguns anos depois o público americano finalmente pôde assistir a versão completa que foi lançada em alguns cinemas e no mercado de vídeo.

5. Sergio Leone resolveu que não haveria nenhum diálogo nos dez primeiros minutos de filme, algo que assustou os produtores. Leone queria captar o clima do velho oeste. O estúdio só aceitou a decisão do diretor quando o ator Clint Eastwood o apoiou. Ninguém queria ter problemas com o astro e maior chamariz de bilheteria do filme.

6. Leone queria realismo total. Para isso acabou tendo problemas com o ator Lee Van Cleef. Numa das cenas ele deveria bater em uma mulher, lhe aplicando vários murros e chutes. A cena incomodou Cleef que tentou convencer o diretor a mudar de ideia. Leone porém não aceitou as sugestões de Lee Van Cleef e ordenou que tudo fosse feito como estava no roteiro. Para Lee Van Cleef a cena acabou sendo uma das mais complicadas de realizar, conforme ele diria depois em uma entrevista.

7. Apenas Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach falavam inglês de forma fluente. Todos os demais atores ou só falavam italiano ou espanhol. Para resolver esse problema o diretor Sergio Leone determinou que eles falassem suas línguas naturais durante as filmagens. Apenas depois todos seriam dublados em inglês para o lançamento internacional do filme.

8. O famoso tema do filme foi composto pelo genial maestro e compositor Ennio Morricone. Anos depois ele explicaria que sua intenção na melodia foi imitar o som de um chacal no meio do deserto. Quando foi contratado por Sergio Leone ele resolveu tentar várias ideias por duas semanas antes de mostrar a música para o diretor. Só depois de gravar tudo com sua orquestra é que finalmente mostrou a Leone o resultado final. Esse tema acabou se tornando um dos mais conhecidos do gênero western em todos os tempos, chegando a ser lançado como trilha sonora não apenas no mercado europeu, mas no americano também, se tornando campeão de vendas, algo raro nesse segmento na época.

9. Orson Welles aconselhou Sergio Leone a desistir de mostrar imagens da guerra civil americana, isso porque Welles achava que filmes sobre a guerra civil estavam fora de moda e não fariam mais sucesso de bilheteria. Leone, felizmente, não seguiu seus conselhos. O filme, como se sabe, foi um grande sucesso de bilheteria.

10. Charles Bronson foi convidado duas vezes para fazer parte do elenco. Na primeira vez Sergio Leone o chamou para viver o personagem Tuco e depois para interpretar o pistoleiro vilão que acabou sendo feito por Lee Van Cleef. Embora Bronson estivesse muito interessado em trabalhar no filme não houve tempo. Ele estava trabalhando em "Os Doze Condenados" e o filme acabou atrasando seu cronograma original, levando muito tempo para ficar pronto. Assim ele teve que desistir. Já Clint Eastwood aceitou participar em troca de um cachê de 250 mil dólares, mais uma Ferrari dada pelo estúdio italiano.

Pablo Aluísio.

Balas de um Bandoleiro

Título no Brasil: Balas de um Bandoleiro
Título Original: Guns of a Stranger
Ano de Produção: 1973
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Robert Hinkle
Roteiro: Charles W. Aldridge
Elenco: Marty Robbins, Chill Wills, Dovie Beams, Bill Coontz, Charles W. Aldridge, Ronny Robbins
  
Sinopse:
Durante uma confusão em sua cidade, o xerife Matthew Roberts (Marty Robbins) acaba matando um jovem aspirante à pistoleiro, um forasteiro de Abilene que estava de passagem pela região. A morte de alguém tão jovem frustra o velho xerife, que decide deixar sua estrela de prata de lado para cavalgar pelo velho oeste. No Arizona ele acaba encontrando uma quadrilha de bandoleiros que está aterrorizando a população local. Em pouco tempo seu instinto de homem da lei aflora novamente e ele resolve então enfrentá-los com armas em punho.

Comentários:
Filme de faroeste dos anos 70 que tenta seguir os passos dos filmes italianos, do famoso gênero Western-Spaghetti. Sinceramente falando, essa influência que veio da Europa é uma das coisas mais curiosas que já aconteceram dentro da indústria cinematográfica americana. Quando os primeiros filmes italianos chegaram no mercado americano eles foram ridicularizados pela crítica, porém com o tempo eles foram conquistando cada vez mais público. O western americano estava em crise e assim acabou copiando muito do estilo do cinema europeu. Os filmes americanos dos anos 70 assim já foram produzidos com essa forte influência, a tal ponto que chegaram até mesmo a perderem um pouco de sua própria identidade. "Guns of a Stranger" tem um roteiro muito eficiente, com trama redondinha, explorando a velha figura (mítica para alguns) dos xerifes do velho oeste. Homens quase sempre retratados como pessoas honestas, acima de qualquer suspeita! Claro que no mundo real não era bem assim - havia certamente xerifes corruptos que se aliavam à criminalidade - porém para o lado mais tradicional do western americano isso quase nunca acontecia (efeitos de uma visão de mundo conservadora e moralista da época). Embora não seja um grande filme, "Guns of a Stranger" pelo menos consegue divertir em certos momentos. O ator Marty Robbins era fraco, o que compromete a fita de uma maneira em geral. Mesmo assim, com esses problemas, ainda vale a pena ser conhecido, mesmo que tudo seja pela mera curiosidade apenas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Meia-noite no Jardim do Bem e do Mal

Título no Brasil: Meia-noite no Jardim do Bem e do Mal
Título Original: Midnight in the Garden of Good and Evil
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: John Lee Hancock
Elenco: John Cusack, Kevin Spacey, Jude Law, Jack Thompson
  
Sinopse:
John Kelso (John Cusack) é um jornalista com muitos anos de profissão. Meio a contragosto ele é designado para cobrir as festas de fim de ano do magnata Jim Williams (Kevin Spacey). A matéria jornalística, como se pode ver, não iria fugir das banalidades sobre a vida social de gente rica e famosa, mas acaba tomando rumos inesperados quando Billy Hanson (Jude Law), um homossexual, é encontrado morto!

Comentários:
Filme que anda injustamente esquecido. É um dos melhores trabalhos de direção do astro Clint Eastwood que aqui se absteve de atuar para apenas dirigir. Sua grande felicidade foi ter escolhido um elenco de primeira, valorizado por ótimas atuações de atores como Kevin Spacey e John Cusack. Até mesmo Jude Law se sobressaiu e olha que nem o considero um intérprete tão especial assim como os demais. Como era de esperar houve quem reclamasse da adaptação para o cinema do livro escrito pelo autor John Berendt. Como bem explicou Eastwood na época de lançamento do filme não se pode esperar uma adaptação cem por cento fiel ao livro simplesmente porque se trata de um filme, sendo cinema, uma linguagem narrativa bem diferente das páginas de um livro. Mudanças são essenciais e inevitáveis. Como nunca li o livro original isso pouco importou. Como puro cinema esse "Midnight in the Garden of Good and Evil" é seguramente um ótimo filme. Dei nota quase máxima quando o vi pela primeira vez e em nada mudei minha opinião mesmo após tantos anos. É certamente uma pequena obra prima do mestre Clint Eastwood. Filme premiado pela Society of Texas Film Critics Awards na categoria de Melhor Ator (Kevin Spacey).

Pablo Aluísio.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Joe

Depois de ficar alguns anos preso, por ter agredido um policial, Joe (Nicolas Cage) segue com sua vida. Ele mantém um pequeno negócio, onde recruta trabalhadores para envenenar árvores no meio da floresta. A intenção é retirar a mata original para a plantação de pinheiros. É um trabalho duro. Gary (Tye Sheridan) é um jovem desempregado que pede um emprego a Joe. A vida familiar dele é caótica, com sua mãe e irmã oprimidas por seu pai, um sujeito alcoólatra e violento. Tentando ajudar, Joe emprega o rapaz, mal sabendo que isso lhe trará vários problemas no futuro.

Gostei desse filme "Joe". É um dos poucos da recente safra da filmografia do ator Nicolas Cage que realmente vale a pena. Não sei bem a razão, mas Cage entrou em uma fase ruim, trabalhando em produções cada vez piores, algumas com roteiros ridículos. Bom ator certamente ele é, o que faltava era escolher melhor seus projetos. "Joe" é uma pausa muito bem-vinda na mediocridade de sua carreira mais recente. É um bom drama, com personagens interessantes e argumento coeso, que prende a atenção. O protagonista é um homem comum, um trabalhador que tenta ganhar a vida da melhor forma possível.

O diretor David Gordon Green optou por escolher uma narrativa lenta, contemplativa. Nada é muito apressado e o enredo se desenvolve em seu próprio ritmo. A vida de Joe tem muitos problemas, inclusive uma rixa violenta com um sujeito intragável, um bêbado de bar com quem sempre sai na mão quando se encontram. O cenário onde tudo se passa é uma pequena cidadezinha do sul do Texas, com aquele clima de decadência econômica que os americanos do interior conhecem muito bem. A própria atividade de Joe - a de envenenar árvores - é clandestina, pois ele é contratado pelas grandes madeireiras para fazer o serviço sujo, abrindo caminho para elas depois devastarem a floresta. Não é um personagem heroico, muito pelo contrário, é um membro da classe trabalhadora, tentando ganhar a vida. Esse realismo aliás é o grande mérito desse filme.

Joe (Joe, Estados Unidos, 2013) Direção: David Gordon Green / Roteiro: Gary Hawkins, Larry Brown / Elenco: Nicolas Cage, Tye Sheridan, Gary Poulter / Sinopse: Joe (Cage), um ex-condenado, ganha a vida na floresta ao lado de seus contratados. Sua vida muda quando conhece um garoto com problemas familiares. Ao tentar ajudá-lo Joe acaba se envolvendo em uma situação no mínimo delicada e perigosa. Filme premiado pela Austin Film Critics Association e Venice Film Festival na categoria de Melhor Direção.

Pablo Aluísio.

Promessa de Sangue / Pistoleiros em Conflito

Título no Brasil: Promessa de Sangue
Título Original: Per 100.000 Dollari T'ammazzo
Ano de Produção: 1968
País: Itália
Estúdio: Zenith Cinematografica
Direção: Giovanni Fago
Roteiro: Ernesto Gastaldi, Luciano Martino
Elenco: Gianni Garko, Carlo Gaddi, Claudio Camaso, Fernando Sancho, Bruno Corazzari, Susanna Martinková
  
Sinopse:
Johnny Forest (Gianni Garko) é um caçador de recompensas que percorre o velho oeste em busca de criminosos procurados. Sempre com cartazes do tipo "procurado vivo ou morto" em mãos, Forest caça impiedosamente os bandidos para ficar com os prêmios por suas capturas. Ao chegar em uma velha cidade empoeirada no meio do deserto texano, ele descobre que seu próprio irmão se tornou um procurado. Assim Forest, que tem contas a acertar com ele por causa do passado, sai em seu encalço pelas areias do deserto. 

Comentários:
Esse bang bang à italiana também é conhecido pelo nome de "Pistoleiros em Conflito". É um típico western spaghetti que coloca em posições opostas dois irmãos. Eles eram de uma família aristocrata no passado, mas tudo foi destruído quando Clint Forest (Claudio Camaso) matou o próprio pai, pelas costas, com um tiro certeiro de rifle. Pior do que isso, ele acusou seu irmão mais velho, Johnny Forest (Gianni Garko), pelo crime. Para não ser preso injustamente Johnny fugiu com seu cavalo, se tornando um caçador de recompensas do velho oeste. Já na primeira cena do filme encontramos Johnny enfrentando um bando de bandoleiros mexicanos. Eles os enfrenta dentro de uma velha igreja abandonada. Quando os bandidos chegam Forest se esconde dentro de caixões para liquida-los. Uma ótima cena, diga-se de passagem. Com todos eles mortos ele chega então numa cidadezinha perdida onde o xerife lhe informa que seu irmão Clint agora também é procurado pela lei. Há uma recompensa de mil dólares por sua captura - nada mal! Acontece que Clint também está envolvido em um roubo de ouro de uma guarnição militar durante a guerra civil. Assim o roteiro tece a teia da trama. Johnny em busca de Clint para prendê-lo e vários criminosos em busca de Clint para colocarem as mãos no ouro roubado. De maneira em geral é realmente um bom faroeste spaghetti, valorizado por uma boa produção e cenas realmente bem boladas - como aquela em que Johnny Forest, o caçador de recompensas, fica pendurado de cabeça para baixo no meio do deserto. Todos os ingredientes da fórmula spaghetti de fazer filmes como o tema da vingança, a trilha sonora sempre eloquente e presente em cada cena e a violência estilizada estão presentes. Vai agradar em cheio aos fãs do estilo. Pode conferir sem receios.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Filmes da TV Aberta: Semana (28/11 a 02/12)

Uma semana bem fraca em termos de filmes na TV aberta. Hoje de madrugada a Globo vai exibir Rambo IV, a tentativa tardia de Stallone em faturar mais alguns trocados com um de seus mais populares personagens. Curiosamente na época em que assisti o filme não achei tão ruim, muito provavelmente por causa do sabor da nostalgia de rever esse "exército de um homem só" que fazia a diversão das salas de cinema em minha adolescência. Tirando esse tipo de coisa pouca coisa sobra mesmo. É um filme fraco, com roteiro primário. Stallone poderia passar sem essa.

Na terça, também pela madrugada na Globo, eu indicaria o bom filme "Millennium: Os Homens que não Amavam as Mulheres", boa produção, valorizada por um roteiro inteligente e pela presença do ator Daniel Craig. Trata-se de um remake americano de um filme cult sueco também excelente que mostrava as tentativas para solucionar um mistério sobre o desaparecimento de uma jovem - afinal o que poderia haver por trás de tudo? Um tipo de roteiro ideal para os que gostam de desvendar mistérios e tramas. Particularmente gostei bastante dessa produção. Vale a pena conferir.

Na quarta e quinta nada de bom. Isso demonstra como a TV aberta do Brasil esqueceu dos filmes em geral. Cinema perdeu espaço para novelas e programas ruins, uma pena. A coisa só melhora um pouco na sexta pela tarde com a exibição da comédia "Todo Poderoso", aquela mesma em que Jim Carrey é Deus por uma semana, fazendo todos os tipos de tolices. Bobinho, mas diverte. Esse é do tempo em que o ator ainda conseguia ser divertido e engraçado, já que atualmente ele virou um verdadeiro "mala sem alça", sempre reclamando por nunca ter sido reconhecido pela Academia. Não force a barra, Jim!

Nessa mesma sexta-feira, para quem sofre de insônia, será exibido a comédia "Caramuru - A Invenção do Brasil" com Selton Mello. Um filme que até considerei engraçado, muito embora seu humor se baseie todo naquela velha visão vira-lata que os brasileiros insistem em ter de si mesmos. Basicamente é isso, apenas quatro filmes mais ou menos interessantes. Nenhum clássico, nenhuma obra prima, nada muito relevante. E assim vai a TV aberta brasileira, rumo à nulidade cultural.

Pablo Aluísio.

domingo, 27 de novembro de 2016

Papa Júlio III

Foi um ato de coragem do cardeal Giovanni Maria Giocci adotar o nome Papal de Júlio III. Isso porque Júlio II havia sido um dos grandes Papas daquele século. Evocar o título Papal Júlio era realmente a prova que o cardeal Giocci queria nada mais do que a grandeza para seu pontificado. Ele subiu ao trono em novembro de 1549, no conclave que foi convocado após a morte do Papa Paulo III. O alto clero de Roma queria mudar alguns aspectos para o novo Papa. Era necessário escolher um sucessor não tão idoso como havia sido Paulo III e não tão jovem como Leão X (que se tornou Papa com apenas 37 anos de idade!).

O que eles procuravam então? Um homem de meia idade, culto, bem relacionado diplomaticamente e que tivesse poder dentro da cúria romana. Nenhum nome se encaixava melhor nesse perfil do que Giocci. Assim que assumiu ele percebeu que o velho problema da cisão do Cristianismo continuava na Europa. Monarcas estavam fundando suas próprias igrejas protestantes, muitas delas controladas por protegidos da nobreza, pessoas sem qualquer qualificação religiosa que só queriam explorar os fiéis. Roma estava apreensiva com essa situação.

Júlio III enquanto cardeal foi um homem de confiança do Papa Paulo III. Muitos diziam que ele era seu braço direito. Assim não houve mudanças significativas no rumo da Igreja durante seu pontificado. O novo Papa se dedicou a completar tudo o que havia começado na gestão de Paulo III, entre eles o desenvolvimento do Concílio de Trento. Essa reunião de mestres e estudiosos católicos tinha sido inaugurada por Giocci quando ele era cardeal. Foi dele a incumbência de fazer as orações iniciais do Concílio e agora como Papa as discussões teológicas deveriam seguir em frente.

As teses de Martinho Lutero foram debatidas durante o Concílio e rejeitadas. Houve uma preocupação especial de Júlio III com os seminários católicos ao redor do mundo. Ele temia influências por parte dos reformistas nas mentes dos jovens estudantes. Por isso reforçou os colégios eclesiásticos, em especial da Alemanha e de Roma. Ajudou a elaborar os estatutos dos jesuítas, considerados essenciais para a Igreja Católica naquele momento delicado. Também fortaleceu a doutrina católica, evitando que fosse contaminada pelas novas heresias vindas dos seguidores de Lutero.

No plano externo, em questões políticas, o Papa Júlio III se aliou a Maria Tudor, filha de Henrique VIII, que havia rompido com o catolicismo. Com a morte do rei o Papa viu a oportunidade de reorganizar a Igreja Católica na Inglaterra, algo em que alcançou certo êxito. Também procurou abrir diálogo com os protestantes alemães, pois apesar de haver discordâncias dogmáticas, as duas linhas de pensamento religioso eram cristãs, acima de tudo. O Papa porém não conseguiu ver suas obras concluídas. Seu papado foi relativamente breve. Após cinco anos no trono de Pedro ele morreu, vítima de gota, uma doença bem dolorosa, que o impedia de se deslocar por sua corte e seus domínios, algo que lhe trouxe fama de ser recluso e alheio ao povo católico da época.

Pablo Aluísio.

Filmografia em Fotos: Nicole Kidman

Terror a Bordo (1989) 
O primeiro filme com Nicole Kidman a ter sucesso internacional foi essa produção australiana chamada "Terror a Bordo". Era um suspense dirigido pelo cineasta veterano Phillip Noyce. O roteiro contava a estória de suspense e terror passada em um veleiro, no meio do oceano. O filme chamou a atenção da crítica internacional, ganhou status de cult movie e abriu as portas de Hollywood para a atriz.


Dias de Trovão (1990)
O primeiro filme de repercussão internacional que a atriz participou foi esse "Dias de Trovão". Foi a primeira grande produção da carreira da atriz que contracenava com o astro e ídolo Tom Cruise. O romance dos personagens acabou passando para fora das telas e Nicole e Cruise começaram a namorar, em um dos romances mais badalados dos anos 90. Romance esse que iria virar casamento que infelizmente não iria terminar muito bem, anos depois. "Dias de Trovão" foi dirigido por Tony Scott que em suas próprias palavras quis realizar um "Ases Indomáveis com carros de corrida".


Flertando - Aprendendo a Viver (1990)
Depois do blockbuster "Dias de Trovão", ao lado do namorado Tom Cruise, Nicole resolveu alisar seus cabelos que chamavam a atenção por causa de seus longos cachos ondulados, para atuar nesse pequeno filme independente chamado "Flirting", dirigido por John Duigan. O filme se passava todo em um ambiente escolar nada saudável. A produção australiana foi premiada em seu país, pelo Australian Film Institute, ganhando uma boa receptividade por parte da crítica internacional de um modo em geral.


Billy Bathgate: O Mundo a Seus Pés (1991)
Filme passado na era dos grandes gangsters americanos. Nicole Kidman interpretou uma personagem chamada Drew Preston, em um papel não muito significativo. Foi complicado para a atriz se sobressair em um elenco com tantos astros como Dustin Hoffman e Bruce Willis. Dirigido pelo cineasta Robert Benton, o filme não conseguiu fazer sucesso, ficando no meio do caminho. Com orçamento milionário o filme foi mal nas bilheterias. Uma das poucas coisas boas, segundo a crítica da época de lançamento da produção, era justamente a presença de Kidman, que com figurino de época ficou ainda mais bonita e glamorosa.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Filmes da TV aberta: Missão Impossível / O Casamento de Rachel / Amor por Acidente / Dose Dupla / O Imbatível

Nesse fim de semana a TV aberta brasileira tem algumas opções interessantes. Uma delas será a exibição do primeiro filme da franquia "Missão Impossível". Pegando carona na estreia do novo filme do ator Tom Cruise nas telas de cinema (com a segunda produção da série Jack Reacher), a Globo pegou o embalo promocional e exibirá o primeiro filme de Cruise como o agente Ethan Hunt na adaptação para o cinema da famosa série de TV. O filme foi lançado em 1996, então lá se vão vinte anos de sua produção! Mesmo assim o interesse se mantém por ter sido dirigido por Brian De Palma, que curiosamente é foco de um documentário que está também chegando nas telas de cinema exatamente hoje! (que grande coincidência!)

No sábado será exibido a comédia romântica "O Casamento de Rachel". Nada muito especial a não ser a boa presença da atriz Anne Hathaway. Ela interpreta uma jovem com problemas pessoais e familiares que precisa ir para o casamento de sua irmã. Como sempre acontece nem sempre é algo agradável encontrar toda a parentada, principalmente quando são um bando de fofoqueiros, que vivem se intrometendo na vida alheia. Vale conferir, embora realmente não seja nada maravilhoso.

Outra opção do sábado à noite, também na Globo, é a exibição do filme "Amor por Acidente". O elenco traz a veterana Shirley Maclaine e essa é infelizmente uma das poucas coisas atrativas em um filme bem comum, sem maiores novidades. O enredo, bem chato por sinal, envolve enganos e mal entendidos. Se não fosse a presença de Maclaine não valeria nem a citação. Por fim, para quem curte filmes de ação há duas opções no domingo de madrugada: o primeiro é "Dose Dupla" com Denzel Washington e Mark Wahlberg. Um pouco banal, mas bem realizado. Outra dupla, essa formada por Wesley Snipes e Ving Rhames também garante a diversão sem compromissos em "O Imbatível" de 2002. O enredo mostra um boxeador campeão que é acusado de um estupro (lembrou de Mike Tyson?). Depois de condenado ele é enviado para uma prisão de segurança máxima onde terá que se manter vivo, acima de tudo. Enfim, essas são opções interessantes e assistíveis na grade de programação de filmes da TV aberta nesse fim de semana.  Aproveite.

Pablo Aluísio.

Estreias da semana: De Palma / Elis / Rainha de Katwe / É Apenas o Fim do Mundo

Estreias da semana - Aqui vai uma lista para você que esteja com vontade de ir ao cinema nesse fim de semana. Os filmes escolhidos na lista abaixo se resumem aos gêneros documentário, drama e romance. Aproveite e boa sessão!


De Palma (2016) - Documentário que procura resgatar a filmografia do diretor Brian De Palma, um dos grandes herdeiros de mestres do passado como Alfred Hitchcock. Com uma carreira cheia de altos e baixos esse filme procura desvendar a obra desse grande cineasta que, apesar dos problemas pelos quais passou em sua carreira, ainda é um dos mais aclamados diretores de cinema de sua geração.


Elis (2016) - Filme brasileiro que conta a história da cantora Elis Regina, falecida em 1982 após sofrer uma overdose. Segundo alguns críticos, como Rubens Ewald Filho, o filme, apesar de ser bem produzido, tem algumas falhas em seu roteiro, como a omissão de pessoas importantes na vida da artista, como por exemplo, seu próprio irmão, figura muito presente em todos os momentos da carreira de Elis, mas que no filme foi ignorado. Uma produção bem mais indicada para os fãs da saudosa interprete.


Rainha de Katwe (2016) - Produção americana da Disney que conta uma curiosa história real. Phiona Mutesi é uma jovem africana, natural do país de Uganda, que sonha se tornar uma jogadora internacional de xadrez. Órfã, pobre e sem recursos para continuar seus estudos, ela enfrenta todas as adversidades para tornar seu sonho uma realidade. A direção é da indiana Mira Nair, uma especialista em filmes mostrando a luta das mulheres por seus direitos em diversas nações do mundo. Um bom filme de conteúdo bem relevante, mas contando com a sutileza dos estúdios Disney.


É Apenas o Fim do Mundo (2016) - Drama francês sobre um escritor que após 12 anos longe de sua família retorna com uma triste notícia. Ele em breve morrerá por causa de uma séria doença incurável. A volta para a antiga casa, com o encontro de vários parentes que há muito não via, desperta todos os tipos de mágoas, revoltas e tristezas. Esse drama pesado foi premiado no Festival de Cannes, no grande prêmio do júri. A direção é do premiado Xavier Dolan. Uma opção para quem deseja assistir a um filme mais sofisticado e artístico.

Pablo Aluísio.

10 Curiosidades - A Chegada

Top 10 Curiosidades - A Chegada

1. O filme que está estreando hoje no Brasil é um campeão de críticas positivas em todo o mundo. Para muitos críticos é o melhor filme do ano! O filme também foi aclamado no Festival de Veneza recentemente.

2. O roteiro procura trazer um enredo Sci-fi mais cerebral e complexo. Várias comparações estão sendo feitas com o recente "Interestelar", porém muitos dizem que esse argumento é bem superior. Na estória uma dupla de pesquisadores tenta entrar em contato com uma raça alienígena que chega em nosso planeta.

3. O cineasta Dennis Villeneuve, que dirige o filme, tem sido saudado por crítica e público como um dos mais interessantes diretores surgidos nos últimos tempos. Entre seus melhores trabalhos estão "Sicário: Terra de Ninguém", "Os Suspeitos" e "O Homem Duplicado". Dennis Villeneuve irá dirigir em breve "Blade Runner 2049" um dos filmes mais aguardados de 2017.

4. A atriz Amy Adams declarou que esse é provavelmente um de seus melhores trabalhos. Ela interpreta a Dra Louise Bank, uma especialista em linguagens, que tenta abrir algum tipo de comunicação com os aliens.

5. Já o ator Jeremy Renner declarou que o roteiro desse novo filme é tão bem escrito que uma só sessão de cinema será insuficiente para entender tudo. Ele aconselha que os cinéfilos vejam o filme mais de uma vez!

6. O filme teve um custo total de 47 milhões de dólares, um orçamento considerado mediano em Hollywood. Para alívio do estúdio a boa repercussão de crítica acabou levando muitos ao cinema e o filme já contabiliza lucros após superar recuperar seu custo nas bilheterias.

7. O filme é falado em várias línguas, inclusive russo e mandarim, além de ter cenas externas capturadas em diversas partes do mundo, mostrando a chegada dos aliens em praticamente todas as nações.

8. O formato das naves dos seres extraterrestres é uma homenagem ao diretor Stanley Kubrick que em 1968 dirigiu um dos maiores clássicos da ficção, "2001 - Uma Odisseia no Espaço".

9. O filme foi rodado com o nome de "Story of Your Life", o mesmo título do conto original escrito pelo escritor Ted Chiang que lhe deu origem. O estúdio porém achou que esse nome não seria tão comercial, assim mudou-se para "Arrival", pois teria maior apelo nas bilheterias de cinema. O conto original foi publicado em 1998.

10. No conto original seriam 112 naves extraterrestres ao redor do mundo. Os roteiristas do filme não acharam essa uma boa ideia, pois iria banalizar a chegado dos aliens. Assim eles diminuíram o número de espaçonaves em nosso planeta. (Pablo Aluísio).
 
Pablo Aluísio.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Galeria de Cowgirls: Peggy Stewart / Amanda Blake / Linda Evans


Peggy Stewart
Uma das atrizes mais constantes em filmes de western entre as décadas de 1930 a 1950 foi Peggy Stewart, cujo nome real era Margaret O'Rourke. A atriz nascida na Flórida, em Palm Beach, foi para Hollywood em busca do sonho de ser atriz e acabou virando uma das mais conhecidas Cowgirls da época. No total atuou em 127 filmes, entre eles "Quadrilha do Vale", "O Filho do Zorro" e "Motim em Nevada". Também se destacou nas séries de faroeste, atuando em "Cisco Kid", "The Gene Autry Show" e "The Roy Rogers Show". A atriz nascida em 1923 ainda está viva e sempre participa de convenções de fãs de filmes de western nos Estados Unidos.


Amanda Blake
A jovem Beverly Louise Neill foi outra atriz que ficou bem famosa por causa de sua atuação em filmes de western durante os anos 40, 50 e 60. Com o nome artístico de Amanda Blake ela ficou bem conhecida do público em geral por causa de seu papel como Kitty Russell na série "Gunsmoke", um dos maiores sucessos de audiência da TV americana. Também se destacou no cinema em faroestes como "Rincão das Tormentas" e "Sombras que Vivem". Como curiosidade é interessante citar que Amanda foi outra das paixões platônicas loiras da vida do diretor Alfred Hitchcock que trabalhou ao seu lado em sua série de suspense para a TV. Amanda faleceu em 1989, aos 60 anos de idade, em Sacramento, Califórnia.


Linda Evans
O sucesso demorou um pouco a chegar para a atriz Linda Evans. O auge de sua popularidade como atriz veio na série de TV "Dinastia", mas antes disso ela emprestou sua beleza para várias produções de western no cinema como "Tom Horn, o Cowboy", "Mitchell", "Caravana" e "The Big Valley". Sobre seus anos trabalhando como Cowgirl ela afirmou: "Adorava trabalhar em filmes de faroeste, não apenas por causa dos lindos lugares onde os filmes eram feitos, mas também por causa dos belos vestidos de época. As mulheres do velho oeste eram muito elegantes e bem vestidas". Atualmente a atriz está aposentada. Seu último trabalho foi o filme de terror "A Bela Face da Morte".



Galeria de fotos: Kirk Douglas


Kirk Douglas e o Western
Nas fotos temos quatro momentos distintos do ator Kirk Douglas em filmes de western Ao longo da carreira o astro sempre fez questão de atuar em produções de faroeste. Sobre isso disse certa vez: "Nenhum gênero cinematográfico é mais americano do que o western. Aqui podemos louvar a memória dos pioneiros que foram para o velho oeste construir uma nação. Eu nunca digo não a um convite para atuar em um filme desse estilo. É parte essencial da formação do nosso povo, do nosso país". 




A Estrada dos Homens sem Lei

Numa cidade infestada de gângsters e políticos corruptos, um novo capitão é designado para comandar um dos distritos mais violentos da metrópole. Seu nome é Thomas McQuigg (Robert Mitchum). Assim que assume seu posto ele precisa desvendar o assassinato de um mafioso que se colocou no caminho do violento gângster Nick Scanlon (Robert Ryan). Ele é encontrado morto, no meio de uma das avenidas mais movimentadas da cidade. McQuigg é velho conhecido de Scanlon. No passado ambos se enfrentaram, mas o policial se deu mal pois o criminoso tinha contatos com políticos importantes que o transferiram para outros distritos.

Agora chegou a sua vez de se vingar de Scanlon. Para isso porém precisará superar o próprio sistema corrupto em que vive. O promotor está na folha de pagamento do chefão do crime organizado na cidade e Scanlon tem grandes contatos na prefeitura, inclusive o principal candidato ao posto de novo magistrado é um sujeito que recebe ordens dele. Para reunir provas o veterano tira McQuigg começa então a se utilizar de métodos nada tradicionais, como prisões arbitrárias, chantagens e provas plantadas. Vale tudo para prender Scanlon, tirando das ruas um criminoso perigoso e sociopata.

"A Estrada dos Homens sem Lei" é um filme policial noir, produzido pelo excêntrico milionário Howard Hughes (aquele mesmo que foi interpretado por Leonardo DiCaprio no filme de Martin Scorsese, "O Aviador"). Ele adorava um antigo filme mudo de 1928 e resolveu produzir esse remake para os estúdios RKO. Para estrelar seu filme Hughes contratou o ator Robert Mitchum (que curiosamente sempre se saía melhor no papel do gângster, mas que aqui acabou interpretando o policial honesto e íntegro). Uma velha conhecida do milionário, a atriz Lizabeth Scott, também foi contratada. Scott foi uma das primeiras atrizes de Hollywood na história a assumir sua condição de homossexual, algo que praticamente destruiu sua carreira. 

Como o roteiro foi baseado na peça teatral original o espectador vai sentir algumas características bem próprias do estilo teatro filmado, porém isso só ficará mais claro aos mais atentos. No geral é um bom filme policial, com cenas de ação, perseguições, tiroteios e aquele bem conhecido clima de decadência e cinismo que marcou muitos dos filmes noir. Há inclusive uma ótima cena quando Mitchum persegue um dos membros da gang em uma escada cheia de sombras e luzes, bem característico desse estilo cinematográfico. Com duração enxuta e roteiro objetivo, esse noir sem dúvida fez jus ao cinema clássico da época. 
 
A Estrada dos Homens sem Lei (The Racket, Estados Unidos, 1951) Direção: John Cromwell / Roteiro: William Wister Haines, W.R. Burnett / Elenco: Robert Mitchum, Lizabeth Scott, Robert Ryan / Sinopse: Policial honesto tenta limpar as ruas de sua cidade de uma quadrilha de criminosos que possui ramificações dentro do próprio governo, com políticos corruptos fazendo parte da folha de pagamentos do grande chefão conhecido apenas como "O Velho".

Pablo Aluísio. 


Nosso Fiel Traidor

Um casal em crise decide passar férias no Marrocos para tentar superar os problemas. Casualmente o marido Perry (Ewan McGregor) acaba conhecendo em um restaurante de Marrakech um russo conhecido apenas como Dima (Stellan Skarsgård). Falastrão e boa praça, logo faz amizade com o britânico, o convidando para uma festa, uma balada para a comunidade russa que vive na região. A noite acaba se estendendo além do limite e Perry no dia seguinte precisa se explicar para a esposa, até porque havia mulheres lindas no local.

A intenção de Dima em fazer amizade com Perry porém vai muito além da simples amizade. Ele quer que o inglês dê ao serviço secreto de seu país um pen-drive. Acontece que Dima é o encarregado das finanças da máfia russa e quer delatar todos os membros de sua organização em troca de asilo e proteção na Inglaterra. Perry que sempre foi um homem pacato, um mero  professor universitário de poesia, acaba assim entrando em um jogo perigoso, envolvendo mafiosos e políticos corruptos do próprio parlamento britãnico.

Essa é mais uma adaptação da obra do escritor John le Carré para o cinema. Especialista em tramas de espionagem esse autor é um dos mais populares da literatura. De forma em geral considerei apenas um filme mediano. O problema nem é tanto da obra cinematográfica em si, mas sim da própria estória que conta. Quem em sã consciência aceitaria levar arquivos secretos da máfia russa para entregar ao MI6 em seu retorno para a Inglaterra? Esse é apenas um exemplo da falta de veracidade desse enredo. Outros vão surgindo, em situação inverossímeis demais para se ignorar.

A única boa atuação do elenco vem por parte do trabalho do ator sueco Stellan Skarsgård. O seu mafioso russo é cheio de vida, um sujeito expansivo que precisa ir embora antes que o novo chefão da máfia o extermine. Ele pensa em sua família, tem receio que todos sejam mortos e vê naquele inglês pacata a chance de ir embora para sempre do mundo do crime. Já Ewan McGregor não está muito bem e isso é culpa do papel que interpreta, a de um marido meio bobão, bonzinho demais para ser crível. Com um penteado esquisito e cara de bobalhão, fica complicado torcer por ele em cena. Damian Lewis como o agente do MI6 se sai melhor, mas não tem o espaço adequado para desenvolver melhor seu personagem. Então é isso. Um filme bom, OK, bem produzido, mas que sofre pela própria trama que apresenta, pouco crível e verossímil.

Nosso Fiel Traidor (Our Kind of Traitor, Inglaterra, França, 2016) Direção: Susanna White / Roteiro: Hossein Amini, baseado na obra de John le Carré / Elenco: Ewan McGregor, Stellan Skarsgård, Damian Lewis, Naomie Harris, Grigoriy Dobrygin / Sinopse: Casal inglês decide ajudar mafioso russo a entregar provas para o serviço secreto inglês, se envolvendo em uma complexa rede de crime e espionagem.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Posters: Kong: A Ilha da Caveira


Kong: A Ilha da Caveira
Já é considerado um dos filmes mais aguardados de 2017. A super produção "Kong: Skull Island" tem estreia marcada para 20 de março do ano que vem, porém o estúdio que o produziu, a Warner Bros, já divulgou três posters da aventura. Com orçamento de 190 milhões de dólares (um recorde para filmes mais recentes) o blockbuster foi dirigido por Jordan Vogt-Roberts, um cineasta ainda jovem, emerso das séries de TV. O elenco conta com Brie Larson, Samuel L. Jackson, John Goodman, John C. Reilly, Tom Hiddleston e Toby Kebbell. O roteiro vai explorar as origens do gorila gigante em sua ilha misteriosa. As expectativas são as melhores. Agora é aguardar para conferir. J. Abreu.


10 Curiosidades - Animais Fantásticos e Onde Habitam

Top 10 Curiosidades - Animais Fantásticos e Onde Habitam

1. A intenção do estúdio é inaugurar uma nova franquia com cinco filmes. Inicialmente seria uma trilogia, porém com a boa recepção mudou-se os planos iniciais. O diretor David Yates planeja dirigir todos os filmes, porém o estúdio ainda não confirmou sua presença nas demais continuações. Provavelmente, se formos pensar na franquia Harry Potter, isso não acontecerá.

2. É a primeira vez que a escritora JK Rowling assina o roteiro de um filme. A autora esclareceu que a nova franquia não se trata de uma sequência, nem de um prequel de Harry Potter, mas sim de uma ambiciosa extensão de seu universo. Outros projetos na mesma linha não estão descartados.

3. O livro original foi escrito em 2001 pela escritora JK Rowling que doou oitenta por cento do lucro de suas vendas para instituições de caridade ao redor do mundo.

4. O filme teve várias locações na cidade de Liverpool, a terra natal dos Beatles. Antigo porto importante da Inglaterra suas históricas construções do século XIX se revelaram ideais para compor parte do cenário da produção.

5. "Animais Fantásticos e Onde Habitam" estreou em primeiro lugar nas bilheterias americanas, tirando "Doutor Estranho" do topo. O filme que custou 180 milhões de dólares faturou 77 milhões em seu primeiro fim de semana nas salas americanas.

6. Um fato curioso é que toda a estória que você assiste nesse filme virou um livro muito popular dentro do universo de Harry Potter. O bruxinho inclusive o leu em seus anos de estudante em Hogwarts.

7. Uma das grandes atrações em termos de elenco vem da atuação do astro Johnny Depp como o vilão Gellert Grindelwald. Inicialmente houve um certo receio do estúdio por causa das reações negativas envolvendo Depp com a imprensa recentemente. Ele foi acusado de ter batido em sua esposa. Depois todos se acalmaram quando o diretor Yates brincou dizendo: "Ora, ele é o vilão do filme! Ninguém verá Depp como o sujeito bonzinho na tela!"

8. Segundo algumas estimativas e boatos Depp teria recebido um cachê recorde de 10 milhões de dólares para atuar na franquia, um valor muito superior ao do ator Eddie Redmayne que interpreta o protagonista Newt Scamander.

9. Eddie Redmayne foi vencedor do Oscar por sua interpretação no filme "A Teoria de Tudo" onde representou o cientista Stephen Hawking em seus anos na faculdade.

10. Colin Farrell jamais pensou em atuar em um filme do universo de Harry Potter. Sobre isso ele declarou: "Eu sou um irlandês com cara de mosca de bar. Não sei como pensaram em mim para o papel".

Pablo Aluísio.

Olhos de Serpente

Título no Brasil: Olhos de Serpente
Título Original: Snake Eyes
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Brian De Palma
Roteiro: Brian De Palma, David Koepp
Elenco: Nicolas Cage, Gary Sinise, John Heard, Kevin Dunn
  
Sinopse:
Rick Santoro (Nicolas Cage) é um tira de Atlantic City que precisa descobrir quem teria matado o Secretário de Defesa do Estado durante uma luta de boxe em sua cidade. Com ares de grandeza e egocentrismo (onde cabem até delírios de se ver como futuro prefeito da cidade) ele começa as investigações ao lado do comandante  Kevin Dunne (Gary Sinise), um escroque do departamento. Filme premiado pelo Blockbuster Entertainment Awards na categoria Melhor Ator (Cage).

Comentários:

Elenco bacana, uma boa produção com a marca Paramount, roteirista conhecido e um grande diretor no comando de tudo. Com esses ingredientes era de se esperar um ótimo filme, mas... Ainda me recordo de quando aluguei esse filme para assistir em casa (estou me lembrando da era VHS) e da decepção quando tive quando ele chegou ao final. Até aquele momento nunca havia assistido nada que pudesse ser qualificado como "Ruim" com a assinatura do grande Brian De Palma! Essa pequena bomba foi o primeira experiência nesse sentido. De fato pouca coisa resiste. Além do óbvio figurino brega do ator Nicolas Cage com aqueles horríveis ternos de pele de crocodilo, o filme desfila pela tela uma estória sem graça, um desenvolvimento tedioso e uma direção preguiçosa e sem vontade por parte do cineasta De Palma. Na época eu já lia resenhas de revistas de cinema alertando para o fato dele estar entrando em um espiral de decadência, porém nada me prepararia para um filme tão chato, ruim e sem graça. É aquele tipo de produção que você assiste apenas uma vez para nunca mais! Melhor esquecer sua existência.

Pablo Aluísio.

Terapia do Prazer

Título no Brasil: Terapia do Prazer
Título Original: Bliss
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: Triumph Films, Stewart Pictures
Direção: Lance Young
Roteiro: Lance Young
Elenco: Craig Sheffer, Sheryl Lee, Terence Stamp
  
Sinopse:
Um casal, recentemente casado, decide ir até um analista por causa de problemas sexuais. Ela não consegue chegar ao orgasmo com seu marido. Fazendo uma regressão psicológica o médico descobre que ela na verdade suprimiu um grave trauma psicológico em seu passado. Ao reviver o que tentava esquecer, a esposa começa a ficar novamente interessada em seu marido.

Comentários:
Um thriller erótico chic psicológico que chegou a fazer um relativo sucesso no Brasil, ainda na era do VHS. A intenção é ser ao mesmo tempo excitante e inteligente, fazendo com que seu roteiro desenvolvesse esses dois aspectos na vida da protagonista, uma bela e jovem mulher com problemas sexuais, de origem psicológica. O grande destaque dessa produção em minha visão vem da beleza da atriz Sheryl Lee. Dono de uma beleza marcante, com longos cabelos loiros cacheados, ela nunca conseguiu se tornar uma grande estrela. Lee ficou famosa na TV, por interpretar a misteriosa Laura Palmer na série cultuada "Twin Peaks". Depois conseguiu algum destaque em filmes no cinema como "Os Pervertidos" (que também escreverei aqui no blog), "Vampiros De John Carpenter" e principalmente "Backbeat - Os 5 Rapazes de Liverpool" onde interpretava a namorada de um dos Beatles, a artista alemã Astrid Kirchherr. Nesse filme aqui ela usou obviamente seus dotes estéticos para se destacar, mas comercialmente o resultado foi bem morno. Mesmo assim não é um filme ruim, pelo contrário. Em suma, uma boa produção erótica, que não apela e nem é vulgar. Especialmente indicado para casais que estejam vivendo alguma situação parecida. Pode ser um bom caminho para a reconciliação.

Pablo Aluísio.

Anthropoid

Em 1942, no auge da II Guerra Mundial, o governo inglês e os líderes da resistência tcheca em Londres enviaram um grupo de paraquedistas para Praga. Eles pularam além das linhas inimigas, bem no meio da floresta, e depois foram para a cidade com uma missão específica: localizar e assassinar o General Reinhard Heydrich, o terceiro homem na hierarquia do III Reich alemão, abaixo apenas de Hitler e Heinrich Himmler, o todo poderoso líder das tropas SS.

Reinhard Heydrich era um nazista fanático, que ficou conhecido como o "açougueiro de Praga", por causa de seus crimes. Ele era  um criminoso de guerra capaz das maiores atrocidades, como matar homens, mulheres e crianças inocentes, apenas para provar sua autoridade diante de uma nação ocupada e barbarizada por suas tropas. Assim o General era um grande troféu para os membros da resistência contra a invasão nazista naquela nação. A missão de matar esse militar, que acabou não sendo executada com tanta perfeição, é o ponto central do roteiro desse filme.

Desnecessário dizer que se você gosta de filmes de guerra esse é certamente um dos temas mais interessantes da II Guerra. Bem conhecido de estudiosos do período. Tudo é baseado em fatos históricos reais, ideal para quem gosta da história desse conflito. Com excelente reconstituição histórica, boa produção (o filme foi produzido pelos estúdios Universal), o roteiro procura ser o mais fiel possível aos acontecimentos. Um aspecto periférico que a história mostra, que é bem importante citar, é o papel importante desempenhado pelos membros da Igreja Católica contra a expansão nazista na Europa durante aquela época tenebrosa. Bem ao contrário de certas cartilhas marxistas que caluniam a Igreja, tentando convencer a todos que foi justamente o contrário do que efetivamente aconteceu. Aliás é dentro de uma Igreja em Praga que acontece a melhor cena de todo o filme, em clímax completamente violento e insano.

O elenco é formado por jovens atores, sendo o nome mais conhecido o de Cillian Murphy. Todos bem empenhados em homenagear seus personagens, que são considerados heróis até hoje pelo povo da atual República Checa. Um dos países mais belos do mundo, tão rico em história e cultura, acabou sendo também uma das primeiras vítimas de um regime atroz. No final das contas a única crítica maior que teria a fazer sobre o roteiro desse filme vem do fato dele se concentrar apenas no lado dos membros da resistência. Os roteiristas esqueceram de certa maneira de desenvolver o lado nazista da história, mostrando as atrocidades do General Heydrich. Isso teria mostrado ainda mais a urgência de toda a operação para matá-lo. No mais é com certeza um excelente filme, bem valorizado pela história edificante que conta. Está assim mais do que bem recomendado.

Anthropoid (Inglaterra, França, República Checa, Estados Unidos, 2016) Direção: Sean Ellis / Roteiro: Sean Ellis, Anthony Frewin / Elenco: Cillian Murphy, Toby Jones, Jamie Dornan, Charlotte Le Bon, Anna Geislerová / Sinopse: Baseado em fatos reais o filme mostra os preparativos para a operação Anthropoid, que tinha como objetivo o assassinato do General e líder nazista Reinhard Heydrich.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O Contador

Na infância Christian Wolff (Ben Affleck) foi diagnosticado como portador de uma das espécies mais raras de autismo. Seu pai, um militar linha dura, o treinou para controlar esse problema, evitando assim que ele fosse explorado por causa de seu transtorno. O objetivo era garantir uma vida normal para o garoto no futuro. Como se sabe pessoas autistas apresentam grandes problemas em relacionamentos sociais, porém são extremamente habilidosas para lidar com números, estatísticas, listas, etc. Assim Wolff acaba se tornando um auditor contábil dos mais eficientes em seu ramo profissional.

Inicialmente ele começa trabalhando para grupos criminosos, extremamente perigosos e letais, entre eles a máfia italiana em Nova Iorque. Sua racionalidade acima da média o faz sobreviver nesse submundo. Suas atividades porém chamam a atenção do governo americano que resolve descobrir sua identidade. Enquanto não é descoberto, Wolff aceita mais um serviço, em uma empresa especializada em robótica e próteses para deficientes físicos.

Lá descobre um grande desfalque, um desvio de 60 milhões de dólares nas contas. Um dos sócios desviou toda essa fortuna, embolsando o dinheiro para si. A descoberta acaba em tragédia e a auditoria fica pelo meio do caminho, mas Wolff, sem saber, acaba entrando em uma armadilha mortal. Ele precisa salvar não apenas sua vida, mas também a da jovem contadora da empresa, a primeira a descobrir o rombo milionário nas contas corporativas.

Eu achei bem interessante esse "O Contador". A premissa realmente é das melhores. Ter um protagonista autista já é um diferencial e tanto. Agora colocá-lo como um sujeito extremamente treinado e preparado para sobreviver até nas mais estressantes e violentas ações já achei um pouco além da conta. Em minha concepção o filme funciona muito bem até mais ou menos sua metade. Somos apresentados ao personagem de Ben Affleck, descobrimos que ele é autista, que tem problemas e transtornos mentais, etc. Tudo muito interessante. Depois que ele vira uma espécie de Rambo indestrutível o filme decai muito. O roteiro perde parte de sua graça ao explorar uma série de cenas de ação. Acho que não era bem por aí. O roteiro se tivesse focado mais no lado cerebral da trama teria sido bem melhor. De qualquer forma ainda está valendo. Não é uma obra prima, passa longe disso, mas pelo menos tenta ser um pouco diferente, fugindo em parte do lugar comum.

O Contador (The Accountant, Estados Unidos, 2016) Direção: Gavin O'Connor / Roteiro: Bill Dubuque / Elenco: Ben Affleck, Anna Kendrick, J.K. Simmons, John Lithgow / Sinopse: Christian Wolff (Ben Affleck) é um auditor contábil, com problemas de autismo, que precisa sobreviver a inimigos do passado e do presente. Ele, com os anos, se tornou um arquivo vivo que precisa ser eliminado de todas as formas possíveis.

Pablo Aluísio.

James Dean O Mito Rebelde - Parte 3

Para não contrariar seu pai, Dean continuou frequentando o curso de Direito na UCLA. Morando em uma fraternidade no campus ele tinha liberdade suficiente para ir atrás do que realmente gostava. E Dean não gostava de leis e decisões judiciais, mas sim de teatro e artes cênicas. Assim sua presença foi ficando cada vez mais rara no departamento jurídica e cada vez mais presente entre os alunos aspirantes a atores.

Dean também começou a participar de grupos amadores de teatro. Era comum na época pessoas comuns participando de peças de teatro montados e encenados dentro da própria comunidade. Donas de casa, advogados, enfermeiras, todos podiam ter a chance de subir em um palco e ser um ator por um dia. James Dean viu aí uma boa oportunidade de começar por algum lugar. Em pouco tempo estava fazendo parte de grupos desse tipo.

Conforme o tempo foi passando suas notas em Direito foram desabando. Depois de um tempo nesse impasse James resolveu jogar tudo pela janela. Abandonou o curso e consequentemente a fraternidade do qual fazia parte. Era onde ele morava, sem o curso de Direito James Dean estaria literalmente no meio da rua, até porque seu pai também havia ficado irado com sua decisão de largar tudo. Mesmo com essa pressão, Dean resolveu abandonar a UCLA. Ele sabia, em seus pensamentos, que não tinha futuro nessa area.

Depois que Dean largou a faculdade o seu relacionamento com seu pai, que já era frio e distante, ficou ainda pior. Não parecia haver volta para a relação entre pai e filho. Durante um tempo James Dean pensou em ir para Nova Iorque, onde estavam as melhores escolas de atuação do mundo, mas ele não tinha grana nem para a viagem. Sem ter onde morar, sem emprego, sem universidade, esse parecia um dos piores momentos de sua vida. Além do mais Dean não queria voltar para Indiana, para a casa de seus tios. Seria aceitar uma derrota. Foi então que Dean começou a procurar um emprego, qualquer um, para tentar se manter em Los Angeles, até conseguir algo melhor ou conseguir transformar seu sonho de ser ator em realidade.

Pablo Aluísio.

domingo, 20 de novembro de 2016

Jack Reacher: Sem Retorno

Jack Reacher (Tom Cruise) é um ex-major do exército americano que vaga pelo país em busca de algum propósito para sua vida. Ao entrar em contato com uma militar baseada em Washington DC ele acaba simpatizando com ela. Surge um flerte casual entre ambos. Sem pensar muito Jack resolve ir até a capital do país para conhecê-la pessoalmente. Quem sabe ele não consegue um encontro ou algo assim. Quando chega lá acaba descobrindo que ela está presa, acusada de espionagem!

Completamente surpreso, Reacher acredita que pode haver algo por trás de sua prisão. Ela provavelmente está sendo usada como bode expiatório, principalmente após ter descoberto um caso envolvendo crimes militares em uma base no Afeganistão. Tudo leva a crer que um carregamento de armas dado como desaparecido, foi vendido no mercado negro de tráfico internacional de armas. Ao começar a investigar o próprio Reacher porém se torna alvo de suspeitas de envolvimento com espionagem e traição ao país, tendo que fugir para sobreviver.

Segundo filme estrelado por Tom Cruise no papel do ex-militar Jack Reacher. Essa é uma nova franquia no qual o ator anda apostando suas fichas. Ele não apenas atua como também produz o filme. Os direitos dos livros foram comprados por ele, ou seja, é um projeto pessoal do próprio Cruise. O problema é que o filme, apesar de ser bem realizado, não foge muito da velha fórmula desgastada dos filmes de ação. Há uma pequena trama, de fácil entendimento por trás, que serve de pretexto para cenas e mais cenas de perseguição, tiroteios e coisas do gênero. Logo se torna cansativo pela repetição e falta de novas ideias.

O primeiro filme também tinha esses mesmos defeitos, mas até que me agradou por ser mais objetivo. Esse aqui peca por trazer uma personagem bem irritante e inútil para o roteiro, uma adolescente que supostamente seria a filha de Reacher. A garota só serve para ficar aborrecendo o tempo todo o casal fugitivo - e de quebra enche a paciência também do espectador. Aborrescentes deveriam ficar fora desse tipo de filme. Outro defeito é a velha mania que alguns roteiros americanos apresentam de ofender a inteligência do público. Em determinada cena, por exemplo, Cruise e sua colega conseguem fugir de uma prisão militar do exército de alta segurança sem grandes problemas. Sinceramente, momentos como esse ultrapassam qualquer sinal de bom senso. Enfim, um filme apenas mediano que parece melhor do que realmente é por causa da massiva campanha de marketing utilizada em seu lançamento.

Jack Reacher: Sem Retorno (Jack Reacher: Never Go Back, Estados Unidos, 2016) Direção: Edward Zwick / Roteiro: Richard Wenk, Edward Zwick / Elenco: Tom Cruise, Cobie Smulders, Aldis Hodge / Sinopse: Jack Reacher (Tom Cruise) é um ex-major do exército americano que acaba sendo envolvido em uma falsa acusação de espionagem de uma colega de farda. Assim ele tenta escapar da prisão (e provavelmente da morte) enquanto tenta desvendar a conspiração que existe por trás de tudo.

Pablo Aluísio.

Galeria de Fotos: E O Vento Levou

E O Vento Levou...
Fotos promocionais do grande clássico "E O Vento Levou..." de 1939. Vencedor de oito prêmios da Academia, foi o primeiro filme colorido da história a ser premiado na principal categoria do Oscar. Curiosamente por ter sido uma produção extremamente cara e complexa, acabou sendo dirigido por três cineastas: Victor Fleming, George Cukor e Sam Wood. O estúdio MGM porém decidiu que apenas Fleming seria creditado nesse marco do cinema.

 


Galeria de fotos: James Stewart / John Wayne


Winchester 73
Na foto uma das duplas mais produtivas da história do western americano: James Stewart e Anthony Mann. Juntos trabalharam cinco vezes. Ator e cineasta acabaram realizaram alguns dos melhores clássicos do gênero. O primeiro filme de ambos foi justamente esse "Winchester 73" de 1950. Apenas John Wayne e John Ford tiveram uma parceria tão produtiva dentro do cinema americano clássico.


John Wayne - Stagecoach
Um ainda bem jovem John Wayne, em 1939, em cena do clássico "No Tempo das Diligências". Foi a primeira grande parceria entre o astro e o diretor John Ford. Também foi o primeiro filme do diretor rodado em locações no Monument Valley, em Arizona. Depois desse filme ele voltaria várias vezes ao lugar para rodar praticamente todos os seus clássicos de faroeste. Para Ford aquela região era o símbolo máximo do velho oeste americano.

Pablo Aluísio.

sábado, 19 de novembro de 2016

Papa Paulo III

O cardeal Alessandro Farnese se tornou o Papa Paulo III em outubro de 1534, pouco tempo após o assassinato de Clemente VII, seu antecessor. Alessandro era um velho cardeal na ocasião, muito bem relacionado nos bastidores do alto clero do Vaticano. Romano de nascimento, ele conhecia toda a cúpula da Igreja Católica na intimidade. Ao subir no trono de Pedro, Farnese precisou lidar com alguns aspectos negativos que envolviam sua biografia no passado. Uma delas era o fato de ter sido muito próximo do corrupto Papa Alexandre VI. Muitos cronistas diziam que a ascensão desse Papa representava a subida novamente ao poder do grupo que cercava o Papa Bórgia.

Outro problema é que Alessandro Farnese tinha filhos! Ele formou uma família enquanto era cardeal, isso em uma época em que o celibato já era regra oficial da Igreja. Ele tinha quatro filhos com uma nobre chamada Silvia Ruffini. Todos eles eram bem conhecidos em Roma e de certa maneira a notícia de que o novo Papa era realmente pai de família não chocou muito as pessoas da época, pois isso era de certa maneira notório dentro daquela sociedade. O celibato ainda era contestado por vários membros do clero, muitos alegavam que não havia base bíblica para essa norma. Curiosamente os escritos de Paulo (ao qual o nome do novo Papa se inspirava) tinham servido de fundamento para os defensores do celibato clerical.

Os problemas de sua vida pessoal porém pareciam menores diante da crise que a Igreja vinha passando. O avanço do protestantismo começava a preocupar os líderes da Igreja Católica. Os papas anteriores não tinham se empenhado muito em deter esse avanço, mas Paulo III chegara na conclusão que a coisa toda havia saído do controle. Durante mil e quinhentos anos o cristianismo havia sido unido sob a bandeira do Vaticano. Era uma igreja única. Com as publicações de Martinho Lutero várias novas igrejas iam surgindo nas mais diversas sociedades da Europa. Mal um novo monarca subia ao trono e logo ele rompia com o catolicismo, criando sua própria igreja. Foi o que fez o Rei inglês Henrique VIII. Com a recusa do Papa Clemente VII em lhe dar o divórcio ele resolveu romper com Roma. Expulsou os membros do clero católico do país e fundou sua própria igreja, a Anglicana. Casou-se com sua amante Ana Bolena e acabou sendo excomungado justamente por Paulo III que o declarou herege, adúltero e pecador.

Para combater o avanço do pensamento Luterano pela Europa, Paulo III também tomou outras providências, dando início ao que ficou conhecido como Contra-Reforma, uma série de medidas que visavam parar a reforma protestante pelo continente. Uma dessas medidas foi a implantação da terrível inquisição que visava julgar e condenar todos os hereges da fé católica. Sob essa bandeira muitos foram mortos em fogueiras por toda a Europa. Paulo III também promoveu e incentivou a fundação da Companhia de Jesus, criada por Inácio de Loyola em 1540.

De certa maneira Paulo III foi um Papa contraditório. Ao mesmo tempo em que ele autorizou coisas terríveis como a inquisição ibérica, também foi um patrono das artes, servindo de Mecenas para que Michelangelo pintasse uma de suas maiores obras primas, o juízo final no altar da Capela Sistina. Também se mostrou muito humanista ao escrever e defender os direitos dos povos nativos das recentes colônias espanholas e portuguesas no novo mundo. Em 1545 também promoveu outra de suas grandes obras, a convocação do Concílio de Trento, que iria mudar a Igreja para sempre. Tudo porém acabou ruindo da noite para o dia. Um de seus filhos foi assassinado por causa de intrigas palacianas e brigas por direitos sucessórios. A morte dele arrasou o Papa. Ele nunca mais conseguiu ser o mesmo. Ao entrar em depressão acabou sofrendo um colapso do coração, pois já estava em idade avançada, com 81 anos. Depois de sua morte ele foi enterrado na Basílica de São Pedro, como havia se tornado tradição no século XVI.

Pablo Aluísio.