quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Meia-noite no Jardim do Bem e do Mal

Título no Brasil: Meia-noite no Jardim do Bem e do Mal
Título Original: Midnight in the Garden of Good and Evil
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: John Lee Hancock
Elenco: John Cusack, Kevin Spacey, Jude Law, Jack Thompson
  
Sinopse:
John Kelso (John Cusack) é um jornalista com muitos anos de profissão. Meio a contragosto ele é designado para cobrir as festas de fim de ano do magnata Jim Williams (Kevin Spacey). A matéria jornalística, como se pode ver, não iria fugir das banalidades sobre a vida social de gente rica e famosa, mas acaba tomando rumos inesperados quando Billy Hanson (Jude Law), um homossexual, é encontrado morto!

Comentários:
Filme que anda injustamente esquecido. É um dos melhores trabalhos de direção do astro Clint Eastwood que aqui se absteve de atuar para apenas dirigir. Sua grande felicidade foi ter escolhido um elenco de primeira, valorizado por ótimas atuações de atores como Kevin Spacey e John Cusack. Até mesmo Jude Law se sobressaiu e olha que nem o considero um intérprete tão especial assim como os demais. Como era de esperar houve quem reclamasse da adaptação para o cinema do livro escrito pelo autor John Berendt. Como bem explicou Eastwood na época de lançamento do filme não se pode esperar uma adaptação cem por cento fiel ao livro simplesmente porque se trata de um filme, sendo cinema, uma linguagem narrativa bem diferente das páginas de um livro. Mudanças são essenciais e inevitáveis. Como nunca li o livro original isso pouco importou. Como puro cinema esse "Midnight in the Garden of Good and Evil" é seguramente um ótimo filme. Dei nota quase máxima quando o vi pela primeira vez e em nada mudei minha opinião mesmo após tantos anos. É certamente uma pequena obra prima do mestre Clint Eastwood. Filme premiado pela Society of Texas Film Critics Awards na categoria de Melhor Ator (Kevin Spacey).

Pablo Aluísio.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Joe

Depois de ficar alguns anos preso, por ter agredido um policial, Joe (Nicolas Cage) segue com sua vida. Ele mantém um pequeno negócio, onde recruta trabalhadores para envenenar árvores no meio da floresta. A intenção é retirar a mata original para a plantação de pinheiros. É um trabalho duro. Gary (Tye Sheridan) é um jovem desempregado que pede um emprego a Joe. A vida familiar dele é caótica, com sua mãe e irmã oprimidas por seu pai, um sujeito alcoólatra e violento. Tentando ajudar, Joe emprega o rapaz, mal sabendo que isso lhe trará vários problemas no futuro.

Gostei desse filme "Joe". É um dos poucos da recente safra da filmografia do ator Nicolas Cage que realmente vale a pena. Não sei bem a razão, mas Cage entrou em uma fase ruim, trabalhando em produções cada vez piores, algumas com roteiros ridículos. Bom ator certamente ele é, o que faltava era escolher melhor seus projetos. "Joe" é uma pausa muito bem-vinda na mediocridade de sua carreira mais recente. É um bom drama, com personagens interessantes e argumento coeso, que prende a atenção. O protagonista é um homem comum, um trabalhador que tenta ganhar a vida da melhor forma possível.

O diretor David Gordon Green optou por escolher uma narrativa lenta, contemplativa. Nada é muito apressado e o enredo se desenvolve em seu próprio ritmo. A vida de Joe tem muitos problemas, inclusive uma rixa violenta com um sujeito intragável, um bêbado de bar com quem sempre sai na mão quando se encontram. O cenário onde tudo se passa é uma pequena cidadezinha do sul do Texas, com aquele clima de decadência econômica que os americanos do interior conhecem muito bem. A própria atividade de Joe - a de envenenar árvores - é clandestina, pois ele é contratado pelas grandes madeireiras para fazer o serviço sujo, abrindo caminho para elas depois devastarem a floresta. Não é um personagem heroico, muito pelo contrário, é um membro da classe trabalhadora, tentando ganhar a vida. Esse realismo aliás é o grande mérito desse filme.

Joe (Joe, Estados Unidos, 2013) Direção: David Gordon Green / Roteiro: Gary Hawkins, Larry Brown / Elenco: Nicolas Cage, Tye Sheridan, Gary Poulter / Sinopse: Joe (Cage), um ex-condenado, ganha a vida na floresta ao lado de seus contratados. Sua vida muda quando conhece um garoto com problemas familiares. Ao tentar ajudá-lo Joe acaba se envolvendo em uma situação no mínimo delicada e perigosa. Filme premiado pela Austin Film Critics Association e Venice Film Festival na categoria de Melhor Direção.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Filmes da TV Aberta: Semana (28/11 a 02/12)

Uma semana bem fraca em termos de filmes na TV aberta. Hoje de madrugada a Globo vai exibir Rambo IV, a tentativa tardia de Stallone em faturar mais alguns trocados com um de seus mais populares personagens. Curiosamente na época em que assisti o filme não achei tão ruim, muito provavelmente por causa do sabor da nostalgia de rever esse "exército de um homem só" que fazia a diversão das salas de cinema em minha adolescência. Tirando esse tipo de coisa pouca coisa sobra mesmo. É um filme fraco, com roteiro primário. Stallone poderia passar sem essa.

Na terça, também pela madrugada na Globo, eu indicaria o bom filme "Millennium: Os Homens que não Amavam as Mulheres", boa produção, valorizada por um roteiro inteligente e pela presença do ator Daniel Craig. Trata-se de um remake americano de um filme cult sueco também excelente que mostrava as tentativas para solucionar um mistério sobre o desaparecimento de uma jovem - afinal o que poderia haver por trás de tudo? Um tipo de roteiro ideal para os que gostam de desvendar mistérios e tramas. Particularmente gostei bastante dessa produção. Vale a pena conferir.

Na quarta e quinta nada de bom. Isso demonstra como a TV aberta do Brasil esqueceu dos filmes em geral. Cinema perdeu espaço para novelas e programas ruins, uma pena. A coisa só melhora um pouco na sexta pela tarde com a exibição da comédia "Todo Poderoso", aquela mesma em que Jim Carrey é Deus por uma semana, fazendo todos os tipos de tolices. Bobinho, mas diverte. Esse é do tempo em que o ator ainda conseguia ser divertido e engraçado, já que atualmente ele virou um verdadeiro "mala sem alça", sempre reclamando por nunca ter sido reconhecido pela Academia. Não force a barra, Jim!

Nessa mesma sexta-feira, para quem sofre de insônia, será exibido a comédia "Caramuru - A Invenção do Brasil" com Selton Mello. Um filme que até considerei engraçado, muito embora seu humor se baseie todo naquela velha visão vira-lata que os brasileiros insistem em ter de si mesmos. Basicamente é isso, apenas quatro filmes mais ou menos interessantes. Nenhum clássico, nenhuma obra prima, nada muito relevante. E assim vai a TV aberta brasileira, rumo à nulidade cultural.

Pablo Aluísio.

domingo, 27 de novembro de 2016

Filmografia em Fotos: Nicole Kidman

Terror a Bordo (1989) 
O primeiro filme com Nicole Kidman a ter sucesso internacional foi essa produção australiana chamada "Terror a Bordo". Era um suspense dirigido pelo cineasta veterano Phillip Noyce. O roteiro contava a estória de suspense e terror passada em um veleiro, no meio do oceano. O filme chamou a atenção da crítica internacional, ganhou status de cult movie e abriu as portas de Hollywood para a atriz.


Dias de Trovão (1990)
O primeiro filme de repercussão internacional que a atriz participou foi esse "Dias de Trovão". Foi a primeira grande produção da carreira da atriz que contracenava com o astro e ídolo Tom Cruise. O romance dos personagens acabou passando para fora das telas e Nicole e Cruise começaram a namorar, em um dos romances mais badalados dos anos 90. Romance esse que iria virar casamento que infelizmente não iria terminar muito bem, anos depois. "Dias de Trovão" foi dirigido por Tony Scott que em suas próprias palavras quis realizar um "Ases Indomáveis com carros de corrida".


Flertando - Aprendendo a Viver (1990)
Depois do blockbuster "Dias de Trovão", ao lado do namorado Tom Cruise, Nicole resolveu alisar seus cabelos que chamavam a atenção por causa de seus longos cachos ondulados, para atuar nesse pequeno filme independente chamado "Flirting", dirigido por John Duigan. O filme se passava todo em um ambiente escolar nada saudável. A produção australiana foi premiada em seu país, pelo Australian Film Institute, ganhando uma boa receptividade por parte da crítica internacional de um modo em geral.


Billy Bathgate: O Mundo a Seus Pés (1991)
Filme passado na era dos grandes gangsters americanos. Nicole Kidman interpretou uma personagem chamada Drew Preston, em um papel não muito significativo. Foi complicado para a atriz se sobressair em um elenco com tantos astros como Dustin Hoffman e Bruce Willis. Dirigido pelo cineasta Robert Benton, o filme não conseguiu fazer sucesso, ficando no meio do caminho. Com orçamento milionário o filme foi mal nas bilheterias. Uma das poucas coisas boas, segundo a crítica da época de lançamento da produção, era justamente a presença de Kidman, que com figurino de época ficou ainda mais bonita e glamorosa.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Filmes da TV aberta: Missão Impossível / O Casamento de Rachel / Amor por Acidente / Dose Dupla / O Imbatível

Nesse fim de semana a TV aberta brasileira tem algumas opções interessantes. Uma delas será a exibição do primeiro filme da franquia "Missão Impossível". Pegando carona na estreia do novo filme do ator Tom Cruise nas telas de cinema (com a segunda produção da série Jack Reacher), a Globo pegou o embalo promocional e exibirá o primeiro filme de Cruise como o agente Ethan Hunt na adaptação para o cinema da famosa série de TV. O filme foi lançado em 1996, então lá se vão vinte anos de sua produção! Mesmo assim o interesse se mantém por ter sido dirigido por Brian De Palma, que curiosamente é foco de um documentário que está também chegando nas telas de cinema exatamente hoje! (que grande coincidência!)

No sábado será exibido a comédia romântica "O Casamento de Rachel". Nada muito especial a não ser a boa presença da atriz Anne Hathaway. Ela interpreta uma jovem com problemas pessoais e familiares que precisa ir para o casamento de sua irmã. Como sempre acontece nem sempre é algo agradável encontrar toda a parentada, principalmente quando são um bando de fofoqueiros, que vivem se intrometendo na vida alheia. Vale conferir, embora realmente não seja nada maravilhoso.

Outra opção do sábado à noite, também na Globo, é a exibição do filme "Amor por Acidente". O elenco traz a veterana Shirley Maclaine e essa é infelizmente uma das poucas coisas atrativas em um filme bem comum, sem maiores novidades. O enredo, bem chato por sinal, envolve enganos e mal entendidos. Se não fosse a presença de Maclaine não valeria nem a citação. Por fim, para quem curte filmes de ação há duas opções no domingo de madrugada: o primeiro é "Dose Dupla" com Denzel Washington e Mark Wahlberg. Um pouco banal, mas bem realizado. Outra dupla, essa formada por Wesley Snipes e Ving Rhames também garante a diversão sem compromissos em "O Imbatível" de 2002. O enredo mostra um boxeador campeão que é acusado de um estupro (lembrou de Mike Tyson?). Depois de condenado ele é enviado para uma prisão de segurança máxima onde terá que se manter vivo, acima de tudo. Enfim, essas são opções interessantes e assistíveis na grade de programação de filmes da TV aberta nesse fim de semana.  Aproveite.

Pablo Aluísio.

Estreias da semana: De Palma / Elis / Rainha de Katwe / É Apenas o Fim do Mundo

Estreias da semana - Aqui vai uma lista para você que esteja com vontade de ir ao cinema nesse fim de semana. Os filmes escolhidos na lista abaixo se resumem aos gêneros documentário, drama e romance. Aproveite e boa sessão!


De Palma (2016) - Documentário que procura resgatar a filmografia do diretor Brian De Palma, um dos grandes herdeiros de mestres do passado como Alfred Hitchcock. Com uma carreira cheia de altos e baixos esse filme procura desvendar a obra desse grande cineasta que, apesar dos problemas pelos quais passou em sua carreira, ainda é um dos mais aclamados diretores de cinema de sua geração.


Elis (2016) - Filme brasileiro que conta a história da cantora Elis Regina, falecida em 1982 após sofrer uma overdose. Segundo alguns críticos, como Rubens Ewald Filho, o filme, apesar de ser bem produzido, tem algumas falhas em seu roteiro, como a omissão de pessoas importantes na vida da artista, como por exemplo, seu próprio irmão, figura muito presente em todos os momentos da carreira de Elis, mas que no filme foi ignorado. Uma produção bem mais indicada para os fãs da saudosa interprete.


Rainha de Katwe (2016) - Produção americana da Disney que conta uma curiosa história real. Phiona Mutesi é uma jovem africana, natural do país de Uganda, que sonha se tornar uma jogadora internacional de xadrez. Órfã, pobre e sem recursos para continuar seus estudos, ela enfrenta todas as adversidades para tornar seu sonho uma realidade. A direção é da indiana Mira Nair, uma especialista em filmes mostrando a luta das mulheres por seus direitos em diversas nações do mundo. Um bom filme de conteúdo bem relevante, mas contando com a sutileza dos estúdios Disney.


É Apenas o Fim do Mundo (2016) - Drama francês sobre um escritor que após 12 anos longe de sua família retorna com uma triste notícia. Ele em breve morrerá por causa de uma séria doença incurável. A volta para a antiga casa, com o encontro de vários parentes que há muito não via, desperta todos os tipos de mágoas, revoltas e tristezas. Esse drama pesado foi premiado no Festival de Cannes, no grande prêmio do júri. A direção é do premiado Xavier Dolan. Uma opção para quem deseja assistir a um filme mais sofisticado e artístico.

Pablo Aluísio.

10 Curiosidades - A Chegada

Top 10 Curiosidades - A Chegada

1. O filme que está estreando hoje no Brasil é um campeão de críticas positivas em todo o mundo. Para muitos críticos é o melhor filme do ano! O filme também foi aclamado no Festival de Veneza recentemente.

2. O roteiro procura trazer um enredo Sci-fi mais cerebral e complexo. Várias comparações estão sendo feitas com o recente "Interestelar", porém muitos dizem que esse argumento é bem superior. Na estória uma dupla de pesquisadores tenta entrar em contato com uma raça alienígena que chega em nosso planeta.

3. O cineasta Dennis Villeneuve, que dirige o filme, tem sido saudado por crítica e público como um dos mais interessantes diretores surgidos nos últimos tempos. Entre seus melhores trabalhos estão "Sicário: Terra de Ninguém", "Os Suspeitos" e "O Homem Duplicado". Dennis Villeneuve irá dirigir em breve "Blade Runner 2049" um dos filmes mais aguardados de 2017.

4. A atriz Amy Adams declarou que esse é provavelmente um de seus melhores trabalhos. Ela interpreta a Dra Louise Bank, uma especialista em linguagens, que tenta abrir algum tipo de comunicação com os aliens.

5. Já o ator Jeremy Renner declarou que o roteiro desse novo filme é tão bem escrito que uma só sessão de cinema será insuficiente para entender tudo. Ele aconselha que os cinéfilos vejam o filme mais de uma vez!

6. O filme teve um custo total de 47 milhões de dólares, um orçamento considerado mediano em Hollywood. Para alívio do estúdio a boa repercussão de crítica acabou levando muitos ao cinema e o filme já contabiliza lucros após superar recuperar seu custo nas bilheterias.

7. O filme é falado em várias línguas, inclusive russo e mandarim, além de ter cenas externas capturadas em diversas partes do mundo, mostrando a chegada dos aliens em praticamente todas as nações.

8. O formato das naves dos seres extraterrestres é uma homenagem ao diretor Stanley Kubrick que em 1968 dirigiu um dos maiores clássicos da ficção, "2001 - Uma Odisseia no Espaço".

9. O filme foi rodado com o nome de "Story of Your Life", o mesmo título do conto original escrito pelo escritor Ted Chiang que lhe deu origem. O estúdio porém achou que esse nome não seria tão comercial, assim mudou-se para "Arrival", pois teria maior apelo nas bilheterias de cinema. O conto original foi publicado em 1998.

10. No conto original seriam 112 naves extraterrestres ao redor do mundo. Os roteiristas do filme não acharam essa uma boa ideia, pois iria banalizar a chegado dos aliens. Assim eles diminuíram o número de espaçonaves em nosso planeta. (Pablo Aluísio).
 
Pablo Aluísio.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Nosso Fiel Traidor

Um casal em crise decide passar férias no Marrocos para tentar superar os problemas. Casualmente o marido Perry (Ewan McGregor) acaba conhecendo em um restaurante de Marrakech um russo conhecido apenas como Dima (Stellan Skarsgård). Falastrão e boa praça, logo faz amizade com o britânico, o convidando para uma festa, uma balada para a comunidade russa que vive na região. A noite acaba se estendendo além do limite e Perry no dia seguinte precisa se explicar para a esposa, até porque havia mulheres lindas no local.

A intenção de Dima em fazer amizade com Perry porém vai muito além da simples amizade. Ele quer que o inglês dê ao serviço secreto de seu país um pen-drive. Acontece que Dima é o encarregado das finanças da máfia russa e quer delatar todos os membros de sua organização em troca de asilo e proteção na Inglaterra. Perry que sempre foi um homem pacato, um mero  professor universitário de poesia, acaba assim entrando em um jogo perigoso, envolvendo mafiosos e políticos corruptos do próprio parlamento britãnico.

Essa é mais uma adaptação da obra do escritor John le Carré para o cinema. Especialista em tramas de espionagem esse autor é um dos mais populares da literatura. De forma em geral considerei apenas um filme mediano. O problema nem é tanto da obra cinematográfica em si, mas sim da própria estória que conta. Quem em sã consciência aceitaria levar arquivos secretos da máfia russa para entregar ao MI6 em seu retorno para a Inglaterra? Esse é apenas um exemplo da falta de veracidade desse enredo. Outros vão surgindo, em situação inverossímeis demais para se ignorar.

A única boa atuação do elenco vem por parte do trabalho do ator sueco Stellan Skarsgård. O seu mafioso russo é cheio de vida, um sujeito expansivo que precisa ir embora antes que o novo chefão da máfia o extermine. Ele pensa em sua família, tem receio que todos sejam mortos e vê naquele inglês pacata a chance de ir embora para sempre do mundo do crime. Já Ewan McGregor não está muito bem e isso é culpa do papel que interpreta, a de um marido meio bobão, bonzinho demais para ser crível. Com um penteado esquisito e cara de bobalhão, fica complicado torcer por ele em cena. Damian Lewis como o agente do MI6 se sai melhor, mas não tem o espaço adequado para desenvolver melhor seu personagem. Então é isso. Um filme bom, OK, bem produzido, mas que sofre pela própria trama que apresenta, pouco crível e verossímil.

Nosso Fiel Traidor (Our Kind of Traitor, Inglaterra, França, 2016) Direção: Susanna White / Roteiro: Hossein Amini, baseado na obra de John le Carré / Elenco: Ewan McGregor, Stellan Skarsgård, Damian Lewis, Naomie Harris, Grigoriy Dobrygin / Sinopse: Casal inglês decide ajudar mafioso russo a entregar provas para o serviço secreto inglês, se envolvendo em uma complexa rede de crime e espionagem.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Posters: Kong: A Ilha da Caveira


Kong: A Ilha da Caveira
Já é considerado um dos filmes mais aguardados de 2017. A super produção "Kong: Skull Island" tem estreia marcada para 20 de março do ano que vem, porém o estúdio que o produziu, a Warner Bros, já divulgou três posters da aventura. Com orçamento de 190 milhões de dólares (um recorde para filmes mais recentes) o blockbuster foi dirigido por Jordan Vogt-Roberts, um cineasta ainda jovem, emerso das séries de TV. O elenco conta com Brie Larson, Samuel L. Jackson, John Goodman, John C. Reilly, Tom Hiddleston e Toby Kebbell. O roteiro vai explorar as origens do gorila gigante em sua ilha misteriosa. As expectativas são as melhores. Agora é aguardar para conferir. J. Abreu.


10 Curiosidades - Animais Fantásticos e Onde Habitam

Top 10 Curiosidades - Animais Fantásticos e Onde Habitam

1. A intenção do estúdio é inaugurar uma nova franquia com cinco filmes. Inicialmente seria uma trilogia, porém com a boa recepção mudou-se os planos iniciais. O diretor David Yates planeja dirigir todos os filmes, porém o estúdio ainda não confirmou sua presença nas demais continuações. Provavelmente, se formos pensar na franquia Harry Potter, isso não acontecerá.

2. É a primeira vez que a escritora JK Rowling assina o roteiro de um filme. A autora esclareceu que a nova franquia não se trata de uma sequência, nem de um prequel de Harry Potter, mas sim de uma ambiciosa extensão de seu universo. Outros projetos na mesma linha não estão descartados.

3. O livro original foi escrito em 2001 pela escritora JK Rowling que doou oitenta por cento do lucro de suas vendas para instituições de caridade ao redor do mundo.

4. O filme teve várias locações na cidade de Liverpool, a terra natal dos Beatles. Antigo porto importante da Inglaterra suas históricas construções do século XIX se revelaram ideais para compor parte do cenário da produção.

5. "Animais Fantásticos e Onde Habitam" estreou em primeiro lugar nas bilheterias americanas, tirando "Doutor Estranho" do topo. O filme que custou 180 milhões de dólares faturou 77 milhões em seu primeiro fim de semana nas salas americanas.

6. Um fato curioso é que toda a estória que você assiste nesse filme virou um livro muito popular dentro do universo de Harry Potter. O bruxinho inclusive o leu em seus anos de estudante em Hogwarts.

7. Uma das grandes atrações em termos de elenco vem da atuação do astro Johnny Depp como o vilão Gellert Grindelwald. Inicialmente houve um certo receio do estúdio por causa das reações negativas envolvendo Depp com a imprensa recentemente. Ele foi acusado de ter batido em sua esposa. Depois todos se acalmaram quando o diretor Yates brincou dizendo: "Ora, ele é o vilão do filme! Ninguém verá Depp como o sujeito bonzinho na tela!"

8. Segundo algumas estimativas e boatos Depp teria recebido um cachê recorde de 10 milhões de dólares para atuar na franquia, um valor muito superior ao do ator Eddie Redmayne que interpreta o protagonista Newt Scamander.

9. Eddie Redmayne foi vencedor do Oscar por sua interpretação no filme "A Teoria de Tudo" onde representou o cientista Stephen Hawking em seus anos na faculdade.

10. Colin Farrell jamais pensou em atuar em um filme do universo de Harry Potter. Sobre isso ele declarou: "Eu sou um irlandês com cara de mosca de bar. Não sei como pensaram em mim para o papel".

Pablo Aluísio.

Olhos de Serpente

Título no Brasil: Olhos de Serpente
Título Original: Snake Eyes
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Brian De Palma
Roteiro: Brian De Palma, David Koepp
Elenco: Nicolas Cage, Gary Sinise, John Heard, Kevin Dunn
  
Sinopse:
Rick Santoro (Nicolas Cage) é um tira de Atlantic City que precisa descobrir quem teria matado o Secretário de Defesa do Estado durante uma luta de boxe em sua cidade. Com ares de grandeza e egocentrismo (onde cabem até delírios de se ver como futuro prefeito da cidade) ele começa as investigações ao lado do comandante  Kevin Dunne (Gary Sinise), um escroque do departamento. Filme premiado pelo Blockbuster Entertainment Awards na categoria Melhor Ator (Cage).

Comentários:

Elenco bacana, uma boa produção com a marca Paramount, roteirista conhecido e um grande diretor no comando de tudo. Com esses ingredientes era de se esperar um ótimo filme, mas... Ainda me recordo de quando aluguei esse filme para assistir em casa (estou me lembrando da era VHS) e da decepção quando tive quando ele chegou ao final. Até aquele momento nunca havia assistido nada que pudesse ser qualificado como "Ruim" com a assinatura do grande Brian De Palma! Essa pequena bomba foi o primeira experiência nesse sentido. De fato pouca coisa resiste. Além do óbvio figurino brega do ator Nicolas Cage com aqueles horríveis ternos de pele de crocodilo, o filme desfila pela tela uma estória sem graça, um desenvolvimento tedioso e uma direção preguiçosa e sem vontade por parte do cineasta De Palma. Na época eu já lia resenhas de revistas de cinema alertando para o fato dele estar entrando em um espiral de decadência, porém nada me prepararia para um filme tão chato, ruim e sem graça. É aquele tipo de produção que você assiste apenas uma vez para nunca mais! Melhor esquecer sua existência.

Pablo Aluísio.

Terapia do Prazer

Título no Brasil: Terapia do Prazer
Título Original: Bliss
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: Triumph Films, Stewart Pictures
Direção: Lance Young
Roteiro: Lance Young
Elenco: Craig Sheffer, Sheryl Lee, Terence Stamp
  
Sinopse:
Um casal, recentemente casado, decide ir até um analista por causa de problemas sexuais. Ela não consegue chegar ao orgasmo com seu marido. Fazendo uma regressão psicológica o médico descobre que ela na verdade suprimiu um grave trauma psicológico em seu passado. Ao reviver o que tentava esquecer, a esposa começa a ficar novamente interessada em seu marido.

Comentários:
Um thriller erótico chic psicológico que chegou a fazer um relativo sucesso no Brasil, ainda na era do VHS. A intenção é ser ao mesmo tempo excitante e inteligente, fazendo com que seu roteiro desenvolvesse esses dois aspectos na vida da protagonista, uma bela e jovem mulher com problemas sexuais, de origem psicológica. O grande destaque dessa produção em minha visão vem da beleza da atriz Sheryl Lee. Dono de uma beleza marcante, com longos cabelos loiros cacheados, ela nunca conseguiu se tornar uma grande estrela. Lee ficou famosa na TV, por interpretar a misteriosa Laura Palmer na série cultuada "Twin Peaks". Depois conseguiu algum destaque em filmes no cinema como "Os Pervertidos" (que também escreverei aqui no blog), "Vampiros De John Carpenter" e principalmente "Backbeat - Os 5 Rapazes de Liverpool" onde interpretava a namorada de um dos Beatles, a artista alemã Astrid Kirchherr. Nesse filme aqui ela usou obviamente seus dotes estéticos para se destacar, mas comercialmente o resultado foi bem morno. Mesmo assim não é um filme ruim, pelo contrário. Em suma, uma boa produção erótica, que não apela e nem é vulgar. Especialmente indicado para casais que estejam vivendo alguma situação parecida. Pode ser um bom caminho para a reconciliação.

Pablo Aluísio.

Anthropoid

Em 1942, no auge da II Guerra Mundial, o governo inglês e os líderes da resistência tcheca em Londres enviaram um grupo de paraquedistas para Praga. Eles pularam além das linhas inimigas, bem no meio da floresta, e depois foram para a cidade com uma missão específica: localizar e assassinar o General Reinhard Heydrich, o terceiro homem na hierarquia do III Reich alemão, abaixo apenas de Hitler e Heinrich Himmler, o todo poderoso líder das tropas SS.

Reinhard Heydrich era um nazista fanático, que ficou conhecido como o "açougueiro de Praga", por causa de seus crimes. Ele era  um criminoso de guerra capaz das maiores atrocidades, como matar homens, mulheres e crianças inocentes, apenas para provar sua autoridade diante de uma nação ocupada e barbarizada por suas tropas. Assim o General era um grande troféu para os membros da resistência contra a invasão nazista naquela nação. A missão de matar esse militar, que acabou não sendo executada com tanta perfeição, é o ponto central do roteiro desse filme.

Desnecessário dizer que se você gosta de filmes de guerra esse é certamente um dos temas mais interessantes da II Guerra. Bem conhecido de estudiosos do período. Tudo é baseado em fatos históricos reais, ideal para quem gosta da história desse conflito. Com excelente reconstituição histórica, boa produção (o filme foi produzido pelos estúdios Universal), o roteiro procura ser o mais fiel possível aos acontecimentos. Um aspecto periférico que a história mostra, que é bem importante citar, é o papel importante desempenhado pelos membros da Igreja Católica contra a expansão nazista na Europa durante aquela época tenebrosa. Bem ao contrário de certas cartilhas marxistas que caluniam a Igreja, tentando convencer a todos que foi justamente o contrário do que efetivamente aconteceu. Aliás é dentro de uma Igreja em Praga que acontece a melhor cena de todo o filme, em clímax completamente violento e insano.

O elenco é formado por jovens atores, sendo o nome mais conhecido o de Cillian Murphy. Todos bem empenhados em homenagear seus personagens, que são considerados heróis até hoje pelo povo da atual República Checa. Um dos países mais belos do mundo, tão rico em história e cultura, acabou sendo também uma das primeiras vítimas de um regime atroz. No final das contas a única crítica maior que teria a fazer sobre o roteiro desse filme vem do fato dele se concentrar apenas no lado dos membros da resistência. Os roteiristas esqueceram de certa maneira de desenvolver o lado nazista da história, mostrando as atrocidades do General Heydrich. Isso teria mostrado ainda mais a urgência de toda a operação para matá-lo. No mais é com certeza um excelente filme, bem valorizado pela história edificante que conta. Está assim mais do que bem recomendado.

Anthropoid (Inglaterra, França, República Checa, Estados Unidos, 2016) Direção: Sean Ellis / Roteiro: Sean Ellis, Anthony Frewin / Elenco: Cillian Murphy, Toby Jones, Jamie Dornan, Charlotte Le Bon, Anna Geislerová / Sinopse: Baseado em fatos reais o filme mostra os preparativos para a operação Anthropoid, que tinha como objetivo o assassinato do General e líder nazista Reinhard Heydrich.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O Contador

Na infância Christian Wolff (Ben Affleck) foi diagnosticado como portador de uma das espécies mais raras de autismo. Seu pai, um militar linha dura, o treinou para controlar esse problema, evitando assim que ele fosse explorado por causa de seu transtorno. O objetivo era garantir uma vida normal para o garoto no futuro. Como se sabe pessoas autistas apresentam grandes problemas em relacionamentos sociais, porém são extremamente habilidosas para lidar com números, estatísticas, listas, etc. Assim Wolff acaba se tornando um auditor contábil dos mais eficientes em seu ramo profissional.

Inicialmente ele começa trabalhando para grupos criminosos, extremamente perigosos e letais, entre eles a máfia italiana em Nova Iorque. Sua racionalidade acima da média o faz sobreviver nesse submundo. Suas atividades porém chamam a atenção do governo americano que resolve descobrir sua identidade. Enquanto não é descoberto, Wolff aceita mais um serviço, em uma empresa especializada em robótica e próteses para deficientes físicos.

Lá descobre um grande desfalque, um desvio de 60 milhões de dólares nas contas. Um dos sócios desviou toda essa fortuna, embolsando o dinheiro para si. A descoberta acaba em tragédia e a auditoria fica pelo meio do caminho, mas Wolff, sem saber, acaba entrando em uma armadilha mortal. Ele precisa salvar não apenas sua vida, mas também a da jovem contadora da empresa, a primeira a descobrir o rombo milionário nas contas corporativas.

Eu achei bem interessante esse "O Contador". A premissa realmente é das melhores. Ter um protagonista autista já é um diferencial e tanto. Agora colocá-lo como um sujeito extremamente treinado e preparado para sobreviver até nas mais estressantes e violentas ações já achei um pouco além da conta. Em minha concepção o filme funciona muito bem até mais ou menos sua metade. Somos apresentados ao personagem de Ben Affleck, descobrimos que ele é autista, que tem problemas e transtornos mentais, etc. Tudo muito interessante. Depois que ele vira uma espécie de Rambo indestrutível o filme decai muito. O roteiro perde parte de sua graça ao explorar uma série de cenas de ação. Acho que não era bem por aí. O roteiro se tivesse focado mais no lado cerebral da trama teria sido bem melhor. De qualquer forma ainda está valendo. Não é uma obra prima, passa longe disso, mas pelo menos tenta ser um pouco diferente, fugindo em parte do lugar comum.

O Contador (The Accountant, Estados Unidos, 2016) Direção: Gavin O'Connor / Roteiro: Bill Dubuque / Elenco: Ben Affleck, Anna Kendrick, J.K. Simmons, John Lithgow / Sinopse: Christian Wolff (Ben Affleck) é um auditor contábil, com problemas de autismo, que precisa sobreviver a inimigos do passado e do presente. Ele, com os anos, se tornou um arquivo vivo que precisa ser eliminado de todas as formas possíveis.

Pablo Aluísio.

domingo, 20 de novembro de 2016

Jack Reacher: Sem Retorno

Jack Reacher (Tom Cruise) é um ex-major do exército americano que vaga pelo país em busca de algum propósito para sua vida. Ao entrar em contato com uma militar baseada em Washington DC ele acaba simpatizando com ela. Surge um flerte casual entre ambos. Sem pensar muito Jack resolve ir até a capital do país para conhecê-la pessoalmente. Quem sabe ele não consegue um encontro ou algo assim. Quando chega lá acaba descobrindo que ela está presa, acusada de espionagem!

Completamente surpreso, Reacher acredita que pode haver algo por trás de sua prisão. Ela provavelmente está sendo usada como bode expiatório, principalmente após ter descoberto um caso envolvendo crimes militares em uma base no Afeganistão. Tudo leva a crer que um carregamento de armas dado como desaparecido, foi vendido no mercado negro de tráfico internacional de armas. Ao começar a investigar o próprio Reacher porém se torna alvo de suspeitas de envolvimento com espionagem e traição ao país, tendo que fugir para sobreviver.

Segundo filme estrelado por Tom Cruise no papel do ex-militar Jack Reacher. Essa é uma nova franquia no qual o ator anda apostando suas fichas. Ele não apenas atua como também produz o filme. Os direitos dos livros foram comprados por ele, ou seja, é um projeto pessoal do próprio Cruise. O problema é que o filme, apesar de ser bem realizado, não foge muito da velha fórmula desgastada dos filmes de ação. Há uma pequena trama, de fácil entendimento por trás, que serve de pretexto para cenas e mais cenas de perseguição, tiroteios e coisas do gênero. Logo se torna cansativo pela repetição e falta de novas ideias.

O primeiro filme também tinha esses mesmos defeitos, mas até que me agradou por ser mais objetivo. Esse aqui peca por trazer uma personagem bem irritante e inútil para o roteiro, uma adolescente que supostamente seria a filha de Reacher. A garota só serve para ficar aborrecendo o tempo todo o casal fugitivo - e de quebra enche a paciência também do espectador. Aborrescentes deveriam ficar fora desse tipo de filme. Outro defeito é a velha mania que alguns roteiros americanos apresentam de ofender a inteligência do público. Em determinada cena, por exemplo, Cruise e sua colega conseguem fugir de uma prisão militar do exército de alta segurança sem grandes problemas. Sinceramente, momentos como esse ultrapassam qualquer sinal de bom senso. Enfim, um filme apenas mediano que parece melhor do que realmente é por causa da massiva campanha de marketing utilizada em seu lançamento.

Jack Reacher: Sem Retorno (Jack Reacher: Never Go Back, Estados Unidos, 2016) Direção: Edward Zwick / Roteiro: Richard Wenk, Edward Zwick / Elenco: Tom Cruise, Cobie Smulders, Aldis Hodge / Sinopse: Jack Reacher (Tom Cruise) é um ex-major do exército americano que acaba sendo envolvido em uma falsa acusação de espionagem de uma colega de farda. Assim ele tenta escapar da prisão (e provavelmente da morte) enquanto tenta desvendar a conspiração que existe por trás de tudo.

Pablo Aluísio.

sábado, 19 de novembro de 2016

O Encontro

Richard Gere foi um dos mais populares galãs de Hollywood. Curiosamente quando seus cabelos começaram a ficar grisalhos ele não morreu como ator, como era de se supor em relação a um galã. Pelo contrário, ele assumiu a idade e começou a estrelar uma série de filmes bem interessantes, alguns bem mais relevantes do que os que ele fazia quando era apenas um rostinho bonito em Hollywood. Esse "O Encontro", devo confessar, é um dos filmes  mais humanos de sua filmografia.

Gere interpreta George, um sem-teto que vaga por uma Nova Iorque cosmopolita e desalmada. Ele não tem trabalho, meios de sobreviver e nem onde ficar. Está velho e com sinais de desequilíbrio mental. Despejado de um velho apartamento caindo aos pedaços, que ele diz ser de uma amiga (possivelmente imaginária), ele acaba indo parar no lugar para onde vão todos os pobres e esquecidos da América: a rua!

E no mundo selvagem dos chamados homeless ele precisa viver a cada dia. Sem ter onde dormir procura por abrigos, muitas vezes perigosos. Vivendo da caridade alheia acaba vendendo peças de sua própria roupa para comprar bebidas alcoólicas - um velho mal que atinge muitos moradores de rua. O passado ficou para trás. Sua esposa morreu precocemente de câncer de mama e após perder o emprego, sua casa e praticamente toda a vida, acabou se tornando uma pessoa invisível, que anda pelas ruas da grande metrópole sendo ignorado pelos apressados moradores que viram o rosto sem cerimônia para a pobreza e a miséria de sua sociedade.

Sua única ligação com a vida que tinha é sua filha, que trabalha como bartender em um bar de periferia. Ele tenta uma reaproximação, mas tudo é muito difícil. Ela tem mágoas por ele não ter segurado a barra quando a esposa morreu. Velhas feridas e traumas familiares que custam a cicatrizar. Gere poucas vezes esteve tão bem. Ele leva o espectador para o mundo dos que não possuem mais nada, muitas vezes, nem ao menos esperança. O clima do filme é triste de uma maneira em geral, porém a cena final, com uma clara mensagem de redenção ao seu próprio modo, nos deixam pelo menos com um pequeno e tímido sorriso nos lábios. Afinal, nesse mundo tão injusto, nem tudo está irremediavelmente perdido.

O Encontro (Time Out of Mind, Estados Unidos, 2014) Direção: Oren Moverman / Roteiro: Oren Moverman, Jeffrey Caine / Elenco: Richard Gere, Ben Vereen, Jena Malone, Steve Buscemi, Jeremy Strong, Kyra Sedgwick / Sinopse: George (Richard Gere) é um sem-teto que tenta novamente se aproximar de sua filha, que o detesta e o odeia por causa de traumas familiares do passado. Filme premiado pelo Toronto International Film Festival.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Guia de Episódios - Penny Dreadful - Terceira Temporada

Penny Dreadful 3.01 - The Day Tennyson Died
Primeiro episódio da nova temporada. É interessante que no final da temporada anterior todos os personagens pareciam ir embora, para sempre. Agora todos estão de volta, de uma forma ou outra. Vanessa Ives (Eva Green) ressurge depois de uma forte depressão que a deixou arrasada. Escondida em sua casa, com muita sujeira e lixo, ela finalmente recomeça a andar. Aos poucos se recuperando, ela começa a frequentar uma terapeuta e conhece um interessante professor de história natural no museu de Londres. Sir Malcolm Murray (Dalton) é outro que parece retornar. Em um continente distante, ele percebe que é chegada a hora de retornar para Londres. Já o Dr. Victor Frankenstein (Harry Treadaway) ressurge para apresentar o novo personagem da série, o Dr. Henry Jekyll (sim, do clássico "O Médico e o Monstro", aqui interpretado pelo ator Shazad Latif em papel de um indiano!). Victor quer sua ajuda para destruir suas "criações"! Outro excelente ponto narrativo surge com Ethan Chandler (Josh Hartnett) que de volta aos Estados Unidos acaba sendo sequestrado por uma quadrilha de bandoleiros, provavelmente a mando de seu pai. O que esses cowboys criminosos nem desconfiam é que estão correndo risco todas as noites, principalmente naquelas com lua cheia. Por fim, na cena final, uma ótima notícia para os fãs da série que desejam a chegada do maior dos vampiros, o Conde Drácula. Ele finalmente surge, mas sem sair das sombras, por enquanto. Tudo o que podemos ouvir é sua voz, imersa nas sombras da noite. Ele quer colocar as mãos em determinadas pessoas e começa a usar seus vassalos para isso. Enfim, gostei bastante desse novo episódio. Trazendo novos personagens clássicos de terror, mantendo o mesmo nível das boas temporadas anteriores. Uma coisa parece certa: vem coisa boa por aí. Só nos resta aguardar. / Penny Dreadful 3.01 - The Day Tennyson Died (Estados Unidos, Inglaterra, 2016) Direção: Damon Thomas /  Roteiro:  John Logan / Elenco: Timothy Dalton, Eva Green, Harry Treadaway, Josh Hartnett.

Penny Dreadful 3.02 - Predators Far and Near 
Esse episódio é vital para compreender essa nova temporada, principalmente pela última cena que revela a verdadeira identidade do Conde Drácula. Pois bem, mas antes disso coisas interessantes acontecem. Ethan Chandler segue prisioneiro no oeste selvagem. Seu pai contratou um bando de criminosos para capturá-lo, só que uma lua cheia acaba ficando bem no meio do caminho. Daí já sabemos: massacre e corpos por todos os lados. Uma das jovens bruxas, da temporada anterior, o segue pelo meio do deserto, revelando uma verdadeira parceria entre as bestas. Enquanto isso Vanessa continua suas sessões de análise. Dessa vez ela resolve contar tudo (ou quase tudo) para sua terapeuta, que grava tudo em uma primitiva máquina de gravação (ainda nos primórdios do gramofone de rolo!). Ao se recuperar Vanessa acaba se interessando verdadeiramente por um culto (e tímido) professor de zoologia do museu de história natural de Londres. Ela inclusive o chama para um encontro e ambos acabam assistindo a uma sessão primitiva de cinema onde o personagem Nemo, de Julio Verne, é a grande estrela. Tudo muito agradável, porém Vanessa, embora enamorada, já começa a sentir os primeiros instintos de que algo não está certo. Por fim o casal formado por Dorian Gray e sua musa salvam uma jovem de um evento brutal e insano onde um bando de ricaços pagam para ver a morte real de uma pessoa inocente. Claro que Gray e sua querida dama acabam matando todos os presentes. Mais um banho de sangue dentro da série, que nessa terceira temporada, ainda está tecendo todos os detalhes de um enredo que aos poucos vai se conectando. / Penny Dreadful 3.02 - Predators Far and Near (Estados Unidos, 2016) Direção: Damon Thomas / Roteiro: John Logan / Elenco: Reeve Carney, Timothy Dalton, Eva Green.

Penny Dreadful 3.03 - Good and Evil Braided Be
E segue a terceira temporada de "Penny Dreadful". Nesse episódio algumas cenas são mais do que interessantes. Vanessa Ives (Eva Green) continua encantada com o charmoso e elegante professor do museu de ciências naturais de Londres, sem nem ao menos desconfiar sobre sua real identidade. O sujeito é o próprio Drácula! Confesso que não gostei muito do ator Christian Camargo que foi escalado para esse papel. Não faz jus ao personagem mitológico. Há uma boa sequência na sala de espelhos de um parque de diversões antigos que me chegou a lembrar de Orson Welles, porém nada muito aprofundado. Já para os que gostam de cenas mais sangrentas há uma orgia celebrada por Dorian Gray (Reeve Carney) e suas súditas. Visceral, mas também impactante. No eixo central da trama também temos ainda a caça em busca de Ethan Chandler (Josh Hartnett). Ele está cruzando o velho oeste americano ao lado de uma das jovens bruxas (da temporada anterior). Apesar de bem realizadas essas cenas ainda não impressionaram muito e nem despontaram como era previsto. Anda me soando como encheção de linguiça. Espero sinceramente que melhorem. E por fim há a descoberta por parte de John Clare de sua antiga família. Com resquicios de mémorias, antes de se tornar a criatura do Dr. Victor Frankenstein, ele finalmente reencontra sua esposa e filho. Essa linha narrativa com certeza promete. / Penny Dreadful 3.03 - Good and Evil Braided Be (Estados Unidos, 2016) Direção: Damon Thomas / Roteiro: John Logan / Elenco: Timothy Dalton, Eva Green, Josh Hartnett.

Penny Dreadful 3.04 - A Blade of Grass  
Em se tratando de "Penny Dreadful" você nunca estará totalmente surpreendido, pois surpresas podem surgir a cada episódio. Veja o caso desse quarto episódio da terceira temporada. Ele é todo passado dentro de um cela de manicômio. É lá que está Vanessa Ives (Eva Green), ou melhor dizendo, é lá que está a mente dela. Ives resolve radicalizar em sua terapia e se submete a uma sessão de hipnose. Isso a leva para os dias em que estava completamente enlouquecida, internada em um hospício. A partir daí, dentro dessa cela com paredes acolchoadas para evitar tentativas de se matar, ela começa a surtar, tendo alucinações, misturando delírio com realidade. Ótimo roteiro, até com toques teatrais. Em cena praticamente temos apenas três atores. Em um primeiro plano Eva Green e Patti LuPone, na sessão de hipnose, e no segundo encontramos Green e Rory Kinnear (como o funcionário da instituição psiquiátrica que lhe serve refeições). Quando Vanessa se recusa a se alimentar ele usa de meios violentos para que ela não morra de inanição e fome. E no roteiro temos um aspecto curioso, com o surgimento do próprio anjo caído e do senhor das criaturas da noite, tentando dominar a alma de Vanessa Ives, que para eles tem um enorme valor espiritual. Quem vencerá esse duelo sobrenatural? Assista ao episódio para conferir. Enfim, um dos melhores episódios dessa temporada, algo pesada, nada sutil ou leve, mas tudo muito bem realizado e interpretado. Excelente. / Penny Dreadful 3.04 - A Blade of Grass (Estados Unidos, 2016) Direção: Toa Fraser / Roteiro: John Logan / Elenco: Eva Green, Timothy Dalton, Rory Kinnear, Patti LuPone, Harry Treadaway, Josh Hartnett / Estúdio: Showtime Networks.

Penny Dreadful 3.05 - This World Is Our Hell
"Esse Mundo é o nosso inferno!" afirma o título original desse episódio. Realmente é uma frase que cai muito bem aqui. Ethan Chandler (Josh Hartnett) volta para a casa de seu pai. Conforme estamos acompanhando desde o começo da série o personagem foi caçado ao redor do mundo por homens contratados pelo próprio pai. Aqui o roteiro explica muito bem o que aconteceu no passado. Chandler se aliou aos nativos da região, um grupo de índios violentos que invadiram o rancho da família, mataram seu irmão na capela, com requintes de crueldade e depois assassinaram sua mãe e irmã. O pai, pelo que podemos constatar, tem mesmo todos os motivos do mundo para tentar se vingar do filho. Foi algo brutal demais. Esse episódio tem ótimas cenas, com destaque para o ataque de serpentes no acampamento, durante a madrugada. Outro aspecto que chama a atenção é o fato de que é um dos poucos episódios em que não aparece Vanessa Ives. Sua presença faz falta, mas não seria o caso de surgir nesse episódio em particular, já que de um modo geral ele nos remete ao velho estilo do western americano. Enfim, um momento que desvenda muitas coisas do passado de Chandler, fechando de uma vez por todas muitas pontas soltas que ainda não tinham sido bem explicadas. / Penny Dreadful 3.05 - This World Is Our Hell (Estados Unidos, 2016) Direção: Paco Cabezas / Roteiro: John Logan, Andrew Hinderaker/ Elenco: Josh Hartnett, Timothy Dalton, Reeve Carney.

Penny Dreadful 3.06 - No Beast So Fierce
Ethan Chandler (Josh Hartnett) acerta contas com o pai, em plena mesa de jantar a morte e a violência explodem! A jovem bruxa que estava ao lado de Chandler é eliminada. Seu pai é assassinado por Sir Malcolm Murray (Timothy Dalton). Enquanto isso em Londres Vanessa Ives (Eva Green) se despede do arqueólogo afeminado que esteve ao seu lado desde o começo das investigações. Ela também conhece uma bela esgrimista que parece conhecer bem a fundo a história de Drácula. Esse obviamente percebe o perigo e começa a planejar a melhor forma de se aproximar de Vanessa. Lily (Billie Piper) recebe a visita do Dr. Victor Frankenstein (Harry Treadaway) na casa de Dorian Gray (Reeve Carney). Ela fica irada com sua presença, mas resolve poupar sua vida. De qualquer forma avisa: da próxima vez que o encontrar não haverá uma segunda chance, ela o matará sem pensar duas vezes. / Penny Dreadful 3.06 - No Beast So Fierce (Estados Unidos, 2016) Direção: Paco Cabezas / Roteiro: John Logan, Andrew Hinderaker / Elenco: Reeve Carney, Timothy Dalton, Eva Green.

Penny Dreadful 3.07 - Ebb Tide
Finalmente depois de muitos encontros e desencontros e um inegável clima de flerte romântico, Vanessa Ives (Eva Green) descobre que o jovem cavalheiro que ela conheceu no museu nada mais é do que o próprio Drácula! O clima esquenta entre os dois e o mistério acaba se tornando luxúria, com ambos envolvidos, culminando finalmente na entrega de Vanessa que se deixa morder pelo mestre dos vampiros. Nos Estados Unidos Sir Malcolm Murray (Timothy Dalton) chega para acompanhar Ethan Chandler (Josh Hartnett) na volta à casa de seu pai. Velhas contas a acertar estão sobre a mesa e o final não será nada pacífico. Por fim Lily (Billie Piper) forma um verdadeiro exército de mulheres violentas, vadias e vis. Ela lhes pede um sinal de compromissos e as suas súditas retornam com pedaços de membros de seus maridos e companheiros. Uma verdadeira orgia de sangue e morte sobre a mesa! Mal sabe ela que está prestes a ser traída por aquele que pensa ser o grande amor de sua vida! / Penny Dreadful 3.07 - Ebb Tide (Estados Unidos, 2016) Direção: Paco Cabezas / Roteiro: John Logan / Elenco: Reeve Carney, Timothy Dalton, Eva Green.

Penny Dreadful 3.08 - Perpetual Night  
Londres está praticamente deserta. A noite é pura neblina tóxica. As poucas pessoas que se atrevem a andar pelas ruas acabam sendo atacadas pelas criaturas da noite. Quando Sir Malcolm Murray (Timothy Dalton) e Ethan Chandler (Josh Hartnett) chegam na cidade logo percebem que há algo de muito errado no ar. Pior do que isso, eles são atacados por vampiros quando vão atrás de Vanessa Ives (Eva Green). Ao que tudo indica ela realmente se aliou a Drácula, dando vazão ao seu lado sombrio. Será o fim dos tempos? Enquanto o mundo sucumbe o Dr. Victor Frankenstein (Harry Treadaway) cede aos apelos de Lily (Billie Piper) e a liberta de suas correntes. Ela havia sido entregue de bandeja por Dorian Gray (Reeve Carney), cansado de seus excessos e de suas aliadas, um monte de mulheres vis que passaram a frequentar sua mansão. Ao expulsá-las Gray mata a prostituta Justine (Jessica Barden) que havia ousado lhe desafiar. Ele lhe diz que prefere morrer de pé, do que continuar submissa como antes. Gray nem perde muito tempo ao quebrar seu pescoço! / Penny Dreadful 3.08 - Perpetual Night  (Estados Unidos, 2016) Direção: Damon Thomas / Roteiro: John Logan, Krysty Wilson-Cairns / Elenco: Reeve Carney, Timothy Dalton, Eva Green, entre outros.

Penny Dreadful 3.09 - The Blessed Dark 
Episódio final da série. De uma maneira em geral achei fraquinho. Claro que havia uma certa expectativa no enfrentamento do Drácula, mas quem for esperando por algo épico pode desistir. O confronto final é clichê e olhando bem quase nem acontece. O grande atrativo (spoiler) é a morte de Vanessa Ives. Ela se entrega à morte para que a humanidade seja salva. Um tiro, nada muito dramático e... fim! Achei simples demais, como se os roteiristas não tivessem mais nada de interessante para criar. Igualmente decepcionantes são os arcos narrativos para outros personagens, com exceção talvez da morte do filho da criatura do Dr. Victor Frankenstein. O garotinho morre (ele já vinha doente há bastante tempo) e seu pai o leva para um enterro nas águas de um rio cheio de poluição e fuligem nos arredores de Londres. Foi algo sombrio, triste, mas com uma certa beleza. O interessante é que sua esposa sugere que o corpo do menino seja levado ao Dr. Frankenstein, mas isso obviamente causa uma repulsa absoluta no "monstro". Como já escrevi antes essa ideia de juntar vários personagens diferentes da literatura em uma só estória já havia sido usada por Alan Moore em "Liga Extraordinária". É sempre divertido, embora nem sempre seja algo especial. Com "Penny Dreadful" a coisa funcionou bem por praticamente toda a série. Pena que esse episódio final tenha deixado um pouco a desejar. / Penny Dreadful 3.09 - The Blessed Dark (Estados Unidos, 2016) Direção: Paco Cabezas / Roteiro: John Logan / Elenco: Reeve Carney, Timothy Dalton, Eva Green.

Pablo Aluisio.

A Qualquer Custo

Ótimo filme! No enredo temos dois irmãos que se encontram após muitos anos por causa do falecimento de sua mãe. Ela morreu pobre e endividada, por causa de uma hipoteca feita para salvar seu rancho. O irmão mais velho Tanner (Ben Foster) passou muitos anos preso. De volta à liberdade acaba convencendo seu irmão mais jovem, Toby (Chris Pine), a realizar uma série de assaltos em pequenas agências bancárias de cidadezinhas perdidas no oeste do Texas. A ideia é roubar o dinheiro necessário para pagar a hipoteca do rancho da mãe, evitando assim que o banco fique com a propriedade.

Após os primeiros assaltos entram em cena dois policiais veteranos. O xerife Marcus (Jeff Bridges) é um velho homem da lei, prestes a se aposentar. Seu parceiro, o mestiço Alberto (Gil Birmingham), é um excelente policial, com muita experiência em campo. O segredo para prender os dois ladrões de bancos é antecipar seus próximos crimes. Descobrir onde eles atacarão em seguida. Para isso os tiras procuram descobrir qual será a próxima agência a ser roubada. Inicia-se assim uma verdadeira caçada humana no meio da imensidão do Texas.

De certa forma esse novo filme estrelado pelo sempre ótimo Jeff Bridges é uma espécie de faroeste moderno, passado no oeste americano da atualidade. Todos os personagens são bem desenvolvidos e o filme conta com um excelente roteiro. Os dois irmãos criminosos são apresentados como pessoas comuns, que tentam sobreviver de alguma forma. O excelente ator Ben Foster interpreta o irmão mais velho, ex-presidiário, que gosta do que faz, dos crimes que comete. Ele parece adorar a adrenalina da perseguição policial, do perigo em se entrar em um banco com armas na mão anunciando um assalto. Seu irmão mais jovem, interpretado pelo ator Chris Pine (sim, o Capitão Kirk da nova franquia "Star Trek") faz o sujeito com ficha limpa que embarca nos planos alucinados de seu mano.

O destaque porém vai para a ótima atuação de Bridges como o velho xerife. Experiente, com um sotaque todo característico da região, onde palavras são confundidas com resmungos ranzinzas, ele passa o filme inteiro trocando farpas com seu parceiro. Sendo ele um policial com origem mexicana, isso acaba rendendo ótimos momentos de humor, sem qualquer intenção de ser ofensivo, sendo apenas divertido. O filme tem um clímax muito bom, que me lembrou inclusive de velhos filmes de western, onde bandidos e mocinhos se enfrentam nas ingremes montanhas texanas. Um filme realmente muito bom, valorizado sobretudo por causa desse teor nostálgico de seu roteiro. Mais do que recomendado.

A Qualquer Custo (Hell or High Water, Estados Unidos, 2016) Direção: David Mackenzie / Roteiro: Taylor Sheridan / Elenco: Jeff Bridges, Ben Foster, Chris Pine, Gil Birmingham  / Sinopse: Uma dupla de policiais veteranos caça dois irmãos, assaltantes de bancos, no oeste texano. Tentando antecipar onde os próximos crimes serão cometidos, eles montam uma tocaia para aprisionar os criminosos. Filme indicado ao Cannes Film Festival.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A Série Divergente - Convergente

Título no Brasil: A Série Divergente - Convergente
Título Original: Allegiant
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Lionsgate
Direção: Robert Schwentke
Roteiro: Noah Oppenheim, Adam Cooper
Elenco: Shailene Woodley, Theo James, Jeff Daniels, Octavia Spencer, Naomi Watts
  
Sinopse:
Após a vitória dos rebeldes divergentes sobe ao poder Evelyn (Naomi Watts), que começa a tomar atitudes tirânicas, com execuções sumárias de inimigos e prisões arbitrárias. Cansada de tudo Tris (Shailene Woodley) decide explorar ao lado de seus amigos o mundo além dos muros da cidade, o que acaba revelando algo que ela nem sonhara existir.

Comentários:
Terceiro filme da saga Divergente. Depois do segundo filme, que foi bem mais ou menos, eu nem ia assistir esse terceiro filme, porém como diz o ditado se começou algo, termine. Assim resolvi conferir. É a tal coisa, a escritora Veronica Roth que escreveu os livros originais parece ter caído naquela velha armadilha de dar voltas sobre si mesma. No segundo filme tudo parecia resolvido, a trama tinha chegado ao fim, os rebeldes venceram os tiranos, mas... eis que tudo volta para a estaca zero. Uma vez no poder os revolucionários logo se tornam tão tirânicos como o regime anterior, sendo que não há outro caminho a seguir a não ser... uma nova guerra! Em poucas palavras: cansativo! Ok, estamos aqui na presença de um produto teen, feito para adolescentes, mas um pouquinho de criatividade ou inovação cairia muito bem. Voltar a contar a mesma estória de novo me soa uma grande picaretagem por parte dessa escritora. Deixando isso de lado devo dizer que até gostei da produção em geral. O filme tem bons efeitos visuais - mais do que os dois anteriores - e uma boa direção de arte. Só peca mesmo pelo roteiro, já que o livro original nunca fez muito sentido. Falando sinceramente essa trama é bem confusa, mal desenvolvida, sempre apelando para clichês de todos os tipos. De uma maneira ou outra, o fato é que essa terceira parte foi mal recebida por parte do público e crítica, o que fez com que a quarta parte no cinema fosse cancelada! (sim, as coisas ainda iriam em frente!). O estúdio porém resolveu que os fãs não ficarão sem o quarto filme, mas esse será produzido para ser exibido apenas na TV, em ritmo de orçamento modesto. Além disso o elenco original será todo substituído. A atriz Shailene Woodley (que inclusive foi presa recentemente nos EUA) está fora da quarta parte. Nada de gastos excessivos. A ordem agora é fazer um filme final, para encerrar o ciclo, porém sem gastar muito. Melhor assim, pois será mais fácil ignorar. A conclusão de tudo é simples: a série Divergente não terá mais futuro no cinema. Já era tempo. The End.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A Conexão Francesa

Há muitos pontos em comum entre esse "A Conexão Francesa" e "Operação França", o clássico. O contexto histórico é praticamente o mesmo. O filme se passa na década de 1970, em Marselha, no Sul da França. É nessa região que se forma uma extensa rede criminosa cujo maior objetivo é traficar para os Estados Unidos uma imensa quantidade de heroína, a droga letal injetável. Em pouco tempo a cidade acaba se tornando a principal exportadora da droga, envolvendo políticos, policiais e membros do governo.

Com tudo corrompido ficaria realmente complicado deter o avanço do tráfico internacional, até que um juiz, Pierre Michel (Jean Dujardin), resolve enfrentar a questão de frente. Durante anos a polícia da cidade jamais conseguiu chegar no líder da conexão francesa (nome dado para a quadrilha), justamente por contar com integrantes do governo corrupto. O juiz Pierre Michel então forma uma aliança com os poucos policiais honestos da cidade e começa a prender os criminosos, gente miúda, que começa a revelar os nomes de seus comandantes.

É curioso esse roteiro porque é baseado em fatos reais. Não conheço a fundo o sistema judiciário francês, mas me deixou perplexo o fato de um magistrado se tornar praticamente um investigador, atuando ao lado dos policiais, procurando conseguir provas por todos os meios, legais e ilegais. No sistema judiciário brasileiro isso não seria possível pois o juiz jamais pode se tornar uma figura policial, completamente parcial nos processos em que irá atuar. Uma distância segura das investigações garante essa imparcialidade.

Deixando de lado essas peculiaridades jurídicas, esse é de fato um bom filme. Toda a trama é desenvolvida muito bem, mostrando inclusive a vida pessoal não apenas do juiz Pierre Michel, como também de seu antagonista, o chefe da operação do crime organizado atuando em Marselha, Gaëtan 'Tany' Zampa (Gilles Lellouche). Como eu disse, uma boa opção seria assistir aos dois filmes da saga "Operação França" e depois esse "A Conexão Francesa", pois são enredos que se completam entre si.

A Conexão Francesa (La French, França, 2014) Direção: Cédric Jimenez / Roteiro: Audrey Diwan, Cédric Jimenez / Elenco: Jean Dujardin, Gilles Lellouche, Céline Sallette / Sinopse: Juiz íntegro e honesto começa a desbaratar uma quadrilha especializada em tráfico internacional de heroína para os Estados Unidos. Filme indicado ao César Awards, o Oscar francês, nas categorias de Melhor Design de Produção e Melhor Figurino.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Top 10 Curiosidades - Doutor Estranho

Top 10 - Doutor Estranho

1. "Doutor Estranho" já é considerado um dos grandes sucessos comercias dos estúdios Marvel nessa temporada. Há duas semanas o filme lidera o ranking das maiores bilheterias dos Estados Unidos.

2. O filme custou 150 milhões de dólares, um dos mais altos orçamentos da Marvel no cinema. Grande parte desse custo foi consumido nos efeitos digitais de última geração, o que trouxe um visual único para o filme.

3. No roteiro o personagem Stephen Strange vai até o Oriente em busca de uma cura para suas mãos, mas encontra uma nova filosofia de vida. O ator Benedict Cumberbatch adorou filmar essas cenas em um mosteiro budista real localizado em Darjeeling, India. Acabou ficando muito próximo da comunidade local, atuando até mesmo como professor de inglês para crianças da região.

4. Desde o começo os executivos da Marvel queriam o ator Benedict Cumberbatch para interpretar o Doutor Estranho, mas ele havia assumido compromissos teatrais na mesma época prevista para as filmagens. O nome de Joaquin Phoenix foi então cogitado para assumir o papel. No final as filmagens foram adiadas por quase um ano, o que possibilitou enfim a atuação de Benedict Cumberbatch como o protagonista.

5. O ator Benedict Cumberbatch confessou que não conhecia muito o personagem antes do filme. Por isso comprou o maior número de revistas sobre o Doutor Estranho que conseguiu encontrar. As leu e se convenceu que era mesmo um personagem da Marvel bem diferente. Sobre o Doutor Estranho declarou: "Estou muito impressionado com o aspecto dimensional de suas histórias em quadrinhos. Acabei criando uma certa identificação pois sempre meditei em minha vida pessoal. Não é muito fácil entrar em sintonia com esse aspecto espiritual se você estiver no meio de uma produção complexa como essa, que mais parece um circo itinerante, mas no final eu procurei dar o melhor de mim para esse filme".

6. Stan Lee criou o personagem ao lado de Steve Ditko. Recentemente Lee confidenciou durante uma entrevista que sua inspiração para criar o Doutor Estranho teria vindo das apresentações teatrais do astro do terror Vincent Price.

7. A atriz Tilda Swinton levou seus filhos para as filmagens. Sua filha mais velha acabou trabalhando no departamento de figurinos, além de ter também colaborado em parte dos efeitos especiais.

8. Antes de Tilda Swinton ter assinado contrato com a Marvel, vários atores foram considerados para o papel do mestre Ancião, entre eles Morgan Freeman, Ken Watanabe e Bill Nighy.

9. O diretor Scott Derrickson confessou ser grande fã do personagem Doutor Estranho. Uma das coisas que ele quis preservar em seu filme foi o visual psicodélico lisérgico das primeiras revistas da década de 1960. Para Scott isso era essencial para capturar o contexto histórico em que o Doutor Estranho foi criado.

10. A adaptação do personagem Doutor Estranho não vem de hoje. Há anos um projeto visando justamente isso circula em Hollywood. Vários diretores se interessaram em dirigir o primeiro filme sobre o personagem da Marvel para o cinema, entre eles Wes Craven em 2001, David S. Goyer em 2008, Guillermo del Toro em 2014, etc. Nenhum desses projetos porém conseguiu sair do papel.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Top 10 Curiosidades - Jack Reacher: Sem Retorno

Top 10 - Jack Reacher: Sem Retorno

Dez informações vitais para você saber sobre o filme "Jack Reacher: Sem Retorno"

1. O filme foi lançado nos Estados Unidos e Europa no dia 20 de outubro. A estreia no Brasil está marcada para o dia 24 de novembro.

2. O filme custou em torno de 60 milhões de dólares, um valor considerado apenas mediano em termos de Hollywood. O ator Tom Cruise, que também produziu o filme, optou por um orçamento mais enxuto e econômico. No mercado americano o filme teve uma bilheteria apenas modesta até o momento: 54 milhões de dólares. Em termos mundiais já rompeu a barreira dos 100 milhões de dólares arrecadados.

3. Essa é a segunda vez que Tom Cruise interpreta o personagem. A primeira foi em "Jack Reacher: O Último Tiro" (2012). Curiosamente o enredo desse segundo filme foi tirado do oitavo livro com as aventuras de Jack Reacher. Cruise considerou essa estória mais adequada para essa sequência.

4. O filme foi praticamente todo rodado em New Orleans, na Louisiana. A região possui costumes e cultura bem próprios, fora a arquitetura bem característica, o que trouxe uma bela fotografia natural ao filme.

5. Tom Cruise pretende transformar Jack Reacher em sua nova franquia de sucesso, seguindo os passos de "Mission: Impossible". Para isso ele já determinou aos roteiristas a adaptação de mais dois novos filmes com o personagem. Os filmes não serão tão caros como Missão Impossível, mas terão o mesmo suporte de marketing e propaganda nos cinemas.

6. O veterano diretor Edward Zwick foi escolhido pessoalmente pelo astro Tom Cruise. O gênero ação nunca foi o seu preferido, apesar de ter dirigido o sucesso "Nova York Sitiada" e o fracasso "Coragem Sob Fogo". O cineasta sempre preferiu dramas históricos (como "Tempo de Glória") romances ("Lendas da Paixão", "Sobre Ontem a Noite...", "Amor e Outras Drogas") e dramas. Ele já havia dirigido Tom Cruise antes no sucesso de bilheteria "O Último Samurai" e agora repete a dose.

7. O livro original em cujo o roteiro se baseou foi publicado em 2013 com o título de ""Never Go Back".

8. O astro Tom Cruise recebeu algo em torno de 9 milhões de dólares de cachê, mais ou menos quinze por cento do total do custo da produção. A crítica americana recebeu o novo filme de Tom Cruise com reservas, embora reconhecendo sua boa produção. É um filme de ação genérico, com produção acima da média.

9. Durante o lançamento do filme Tom Cruise comentou sobre seu retorno em "Top Gun 2". Dessa vez seu personagem, o piloto Maverick, será um instrudor de aviação da Marinha.

10. Além desse filme Cruise ainda anunciou a relização de seus próximos filmes: "Luna Park" (uma ficção com renegados espaciais), "American Made" (outro filme de ação) e finalmente "Mission: Impossible 6" onde voltará a interpretar o agente Ethan Hunt.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.  

Asas do Amor

Título no Brasil: Asas do Amor
Título Original: The Wings of the Dove
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Miramax, Renaissance Dove
Direção: Iain Softley
Roteiro: Hossein Amini
Elenco: Helena Bonham Carter, Charlotte Rampling, Elizabeth McGovern, Linus Roache, Alex Jennings, Michael Gambon, Ben Miles
  
Sinopse:
Uma jovem aristocrata inglesa decadente, agora empobrecida, precisa decidir entre viver ao lado de sua tia rica ou se entregar ao amor que sente por um jornalista americano pobretão. Quando ela conhece uma rica herdeira, descobre que pode haver uma terceira alternativa para seu incerto futuro. Filme indicado ao Oscar de Melhor Atriz (Helena Bonham Carter), Melhor Roteiro Adaptado (Hossein Amini), Melhor Fotografia (Eduardo Serra) e Melhor Figurino (Sandy Powell). Também indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz - Drama (Helena Bonham Carter).

Comentários:
O cinema britânico sempre foi muito mais sofisticado do que o comercial cinema americano. Isso é um fato. Uma exceção na história aconteceu quando a Miramax resolveu apostar em filmes mais elegantes, baseados em grandes obras de literatura. "The Wings of the Dove" é um representante dessa safra mais fina e consistente. O roteiro foi baseado na obra literária do aclamado escritor Henry James. Muitos críticos salientaram, no lançamento desse filme, que uma obra tão tensa e complexa como a de James jamais poderia ser adaptada com sucesso para o cinema. De certa maneira há razão nesse tipo de pensamento, porém não podemos esquecer que dentro dos limites de um longa-metragem (com sua duração limitada, etc) até que esse filme acabou se tornando um dos melhores já feitos nessa linha. Não é por outra razão que conseguiu tantas indicações ao Oscar. No geral é uma história de amor amarga em plena era vitoriana. Certamente é uma produção para um público mais refinado, sofisticado. O interesse vem nas pequenas nuances, os pequenos detalhes. Se você se enquadra nesse seleto tipo de espectador não deixe de assistir. Outro ponto positivo vem do elenco, com excelentes atrizes, tendo como destaque a futura esposa do diretor Tim Burton, a talentosa Helena Bonham Carter. Ela é verdadeiramente a alma desse filme ora romântico, ora amargo. No quadro geral é realmente um excelente filme, dentro de sua proposta.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Doutor Estranho

Como não sou leitor de quadrinhos pouco sabia sobre esse personagem da Marvel chamado Dr. Estranho. Fazendo uma rápida pesquisa vi que ele foi criado em 1963 por Stan Lee. Provavelmente nessa época Lee criava um personagem novo por semana, tamanha a galeria de heróis que compõem sua coleção de criações para os quadrinhos. Para fugir um pouco do normal Lee resolveu ambientar as aventuras do Dr. Estranho em um mundo paralelo, uma outra dimensão. Por isso o aspecto psicodélico de suas histórias. Na procura por algo diferente realmente ele criou um herói sui generis, nada convencional!

Como esse é o primeiro filme do que promete ser uma nova série cinematográfica (já que a produção fez sucesso, ficando duas semanas no topo entre as maiores bilheterias dos Estados Unidos), o roteiro precisou se preocupar em apresentar o personagem para um novo público que não o conhecia (grupo do qual eu mesmo faço parte).

Assim somos apresentados a esse neurocirurgião arrogante e egocêntrico chamado Dr. Stephen Strange. Ele se considera o ápice de sua área, sempre procurando por desafios. Tudo muda quando sofre um sério acidente de carro e perde parte dos movimentos de suas mãos, algo essencial para um cirurgião. Desesperado por perder a capacidade de trabalho ele resolve apelar para tudo, até mesmo para uma suposta cura que pode encontrar no outro lado do mundo, no distante e frio Nepal. Lá conhece uma mestre em misticismo que acaba o levando para uma realidade que ele jamais sonhara existir.

O filme não deixa de ser interessante, inclusive em seu visual. Com efeitos especiais que lembram muito "A Origem", aquela ficção com Leonardo DiCaprio, esse "Dr. Estranho" mostra um mundo místico, espiritual, onde forças do bem e do mal se enfrentam. Justamente nisso reside o maior problema desse enredo, em minha visão. Dr. Estranho é bem diferente em sua formação, mas o enredo não foge muito do que se vê em filmes com os vingadores, por exemplo. No fundo é praticamente a mesma coisa - um ser muito poderoso, conquistador de mundos, ameaça o planeta e Strange tenta defender a humanidade. Nesse aspecto o roteiro se mostra banal. Mesmo assim, sem muitas novidades em termos de enredo, o filme ainda vale a pena. O ator Benedict Cumberbatch (da série Sherlock) finalmente tem a chance de ter seu próprio filme de sucesso nos cinemas. Já estava na hora disso acontecer.

Doutor Estranho (Doctor Strange, Estados Unidos, 2016) Direção: Scott Derrickson / Roteiro: Jon Spaihts, Scott Derrickson / Elenco: Benedict Cumberbatch, Tilda Swinton, Rachel McAdams, Mads Mikkelsen, Chiwetel Ejiofor / Sinopse: Neurocirurgião tenta se recuperar de um acidente de carro usando para isso os mistérios de um milenar conhecimento místico do oriente. Assim acaba descobrindo uma dimensão que jamais imaginara existir.

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

The Whole Truth

O ator Keanu Reeves interpreta um jovem advogado de defesa que precisa defender um adolescente acusado de matar seu próprio pai. Supostamente ao ver sua mãe sendo agredida e abusada por ele não pensou duas vezes e, em um ataque de fúria, o matou com uma faca, a sangue frio. Mesmo sendo menor de idade ele acaba indo a julgamento no tribunal do júri como adulto por causa da brutalidade do crime. Acontece que Reeves conhece toda a família do acusado, foi inclusive muito próximo ao pai assassinado (que também era um advogado bem sucedido) e precisa encontrar forças para ao menos tentar salvar o garoto acusado de assassinato da pena máxima, a pena de morte.

O que temos aqui é um drama de tribunal como aqueles antigos filmes dos anos 1970 cujos roteiros discutiam os limites entre a lei, a justiça e a verdade. O advogado protagonista do filme se vê em uma situação delicada, ainda mais quando vai supostamente chegando mais próximo da verdade, conforme o julgamento avança. Como era de se esperar temos aqui um roteiro com muitas reviravoltas, algumas bem criadas, outras soando forçadas. No geral porém é um roteiro que ao menos tenta manipular no bom sentido o espectador, tudo em nome da diversão, indo de um lado para o outro da verdade. Aquele público que gosta de desvendar mistérios certamente vai curtir as várias nuances desse roteiro. Prestar atenção em tudo o que acontece em cena se torna assim essencial.

Esse é apenas o segundo filme da diretora, nascida em Memphis, Courtney Hunt. Apesar da sua pouca experiência é de se reconhecer que seu primeiro filme "Rio Congelado" é muito bom, um drama humano sobre as pessoas pobres que vivem em estados em crise econômica dos Estados Unidos. Aqui ela mudou radicalmente seu foco, deixando a denúncia social para realizar um filme mais convencional em sua estrutura. A boa notícia é que a diretora conseguiu realizar um bom filme. A produção não é excelente, ficando na média de, digamos, um telefilme bem produzido. Não há grandes cenas bem elaboradas com bonita fotografia, mas a força do roteiro acaba compensando esse tipo de coisa.

Em termos de elenco até que gostei da atuação de Keanu Reeves, logo ele que sempre costuma ser tão criticado. Esse filme porém me chamou muito a atenção pois foi o primeiro que assisti de Renée Zellweger após sua tão falada cirurgia plástica. Levei até um certo tempo para reconhecê-la pois realmente virou uma outra pessoa de tão diferente que está. Aquela graciosidade texana de seus filmes antigos ficaram definitivamente no passado. Não gostei de seu visual. Realmente mais uma bela atriz que obcecada pela juventude eterna acabou estragando sua beleza. Uma pena.

The Whole Truth (Estados Unidos, 2016) Direção: Courtney Hunt / Roteiro: Courtney Hunt / Elenco: Keanu Reeves, Renée Zellweger, Jim Belushi, Gugu Mbatha-Raw, Gabriel Basso / Sinopse: O jovem advogado Ramsey (Reeves) precisa livrar o garoto Mike (Basso) da acusação de ter matado seu próprio pai durante uma briga, algo que definitivamente não será nada fácil pois não faltam provas de sua autoria nesse crime chocante.

Pablo Aluísio.


domingo, 13 de novembro de 2016

Robert Vaughn

Com os noticiários envolvidos na eleições presidenciais americanas poucos prestaram atenção nas notícias sobre a morte do ator Robert Vaughn, aos 83 anos de idade, no último dia 11. Também pudera, caso você não goste de cinema clássico realmente pouco se recordará ou prestará atenção em Vaughn. Já para os que gostam de seriados de TV ele sempre será lembrado como o "Agente da UNCLE", série de sucesso dos anos 60 que ficou quatro anos liderando a audiência na TV norte-americana.

Isso porém é muito pouco. O ator trabalhou em inúmeros filmes ao longo de sua produtiva carreira. Só para se ter uma ideia ele atuou em incríveis 220 filmes e séries - um número surpreendente. Como comecei a acompanhar cinema com mais afinco só a partir de um momento em que ele estava já praticamente se aposentando, as minhas lembranças de Robert Vaughn não são tão abrangentes.

A lembrança mais forte nesse sentido vem de sua atuação no clássico western "Sete Homens e um Destino", onde interpretava o pistoleiro durão Lee. É curioso também que esse filme acabou sendo o maior sucesso de sua filmografia, embora o ator sempre tenha se saído melhor em filmes de espionagem, policiais, etc. Para quem não centrava tanto sua carreira para o gênero faroeste é de se impressionar ele que tenha ficado tão marcado por um dos grandes clássicos do gênero em sua fase de ouro.

Também vale a citação da sua atuação no filme "O Moço de Filadélfia" de 1960, produção estrelada pelo astro Paul Newman, cuja atuação ele conseguiu obscurecer com sua ótima performance, ao ponto inclusive de ter sido indicado ao Oscar por seu trabalho. Esse papel também lhe valeu a indicação ao Globo de Ouro, que inclusive foi bem mais generoso com Vaughn, com quatro indicações ao longo de sua vida artística. Robert Vaughn tinha de certa forma uma imagem comum, do homem médio. Por essa razão ele sempre se deu muito bem interpretando esse tipo de personagem, a tal ponto que foi um dos grandes campeões em termos de número de filmes e séries de Hollywood. Que descanse em paz!

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Através da Sombra

Através da Sombra
Está sendo lançado hoje nos cinemas brasileiros esse suspense nacional dirigido pelo cineasta Walter Lima Jr. A história do filme se passa em um casarão durante a década de 1920. E para lá que vai uma professora e governanta, contratada para cuidar de duas crianças que vivem praticamente isoladas no lugar. Aos poucos ela vai percebendo que há algo sinistro e estranho naquela casa, ao ponto de haver uma ligação entre os pequenos e espíritos malignos.

O elenco conta com Virginia Cavendish, Domingos Montagner e Ana Lucia Torre. O grande destaque, como não poderia deixar de ser, vem da presença do falecido ator Domingos Montagner em seu último filme. Ele interpreta um dos personagens mais fortes e enigmáticos do filme que, por ser um suspense, gênero raro dentro do cinema brasileiro, já garante o interesse do cinéfilo.

Pablo Aluísio. 



quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Top 10 Curiosidades - Horizonte Profundo: Desastre no Golfo

1. O roteiro foi escrito pensando em ser estrelado pelo ator Jack Nicholson. O script foi enviado ao astro, mas ele recusou a proposta. Nicholson está há muitos anos afastado do cinema e não parece disposto a interromper sua aposentadoria. Existem boatos também que ele está com problemas de saúde que afetam sua capacidade de atuar.

2. Mark Wahlberg foi contratado bem depois. Os produtores pediram a ele que contactasse outros astros que estivessem interessados em atuar na produção. Um dos nomes sugeridos por Wahlberg foi justamente Kurt Russell, um de seus ídolos. Após um breve encontro em Los Angeles Russell aceitou a oferta, dizendo que havia adorado o roteiro.

3. A atriz Kate Hudson interpreta uma personagem chamada Felicia. Para ela o filme foi um momento muito especial na carreira pois ela nunca tinha trabalhado ao lado de seu padrasto Kurt Russell antes. Para celebrar a ocasião ela postou uma foto ao lado de Russell em seu Instagram. Alegre, escreveu que esse havia sido o primeiro filme feito com Kurt e que estava adorando a experiência.

4. As filmagens do filme foram feitas em locação na cidade de Chalmette, Louisiana. Não foi uma boa ideia pois o clima daquela região costuma ser muito irregular, trazendo vários transtornos para a equipe de filmagem. Os custos iniciais do orçamento logo passaram dos limites previamente estipulados.

5. A produção também precisou lidar com os familiares das pessoas que morreram nos eventos históricos reais. Muitos diziam que o roteiro não era respeitoso o bastante com certos trabalhadores das grandes estações de petróleo. Quem acalmou os ânimos foi o ator Mark Wahlberg que fez um belo trabalho de relações públicas com esses familiares, conversando com eles, convencendo a todos que o filme iria tratar todos os eventos de forma respeitosa.

6. O filme custou 110 milhões de dólares e não conseguiu recuperar o investimento em seu lançamento no mercado americano. A esperança do estúdio agora se concentra no lançamento internacional do filme.

7. Em termos de crítica o filme foi bem recebido, mesmo sendo uma produção com muitos efeitos visuais, que levam alguns críticos americanos a não gostarem muito do resultado final.

8. O filme foi lançado nos Estados Unidos no final de setembro de 2016.

9. A produção contou com investimento internacional, principalmente de produtores de cinema de Hong Kong. Por isso está garantida a distribuição no mercado asiático, um dos mais promissores em termos de bilheteria de todo o mundo.

10. Kristen Stewart foi convidada para atuar no filme, mas alegou que não tinha agenda pois já havia se comprometido com outros filmes. Emma Stone também recusou o convite pois o roteiro ainda não estava pronto quando ela foi convidada.

Pablo Aluísio.