terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

10 Curiosidades - Matar ou Morrer

1. Quando o filme foi lançado o ator Gary Cooper estava com 51 anos de idade e muitos não acreditavam que ele retornaria ao sucesso do começo de sua carreira. Pois bem, com a ótima bilheteria desse faroeste Cooper voltou ao Top 10 dos atores mais populares de Hollywood.

2. O roteirista Carl Foreman era considerado um escritor brilhante, mas caiu nas garras do macartismo. Acusado de ser um comunista entrou na lista negra do senador Joseph McCarthy.

3.  Gary Cooper e Grace Kelly tiveram um breve romance durante as filmagens, apesar da diferença de idade entre eles. Cooper tinha 51 anos e Kelly apenas 21.

4. Gregory Peck queria muito fazer o filme após ler seu roteiro original. Por problemas de agenda acabou sendo impossível para ele interpretar o mitológico xerife. Anos depois confessou que no final havia ficado impressionado com a atuação de Cooper, reconhecendo que ninguém poderia fazer aquele personagem a não ser Cooper.

5. O xerife interpretado por Gary Cooper chamava-se inicialmente Will Doane, depois mudado para Will Kane por sugestão da atriz Katy Jurado.

6. Esse foi o filme de estreia do ator Lee Van Cleef. Inicialmente ele foi escalado para atuar como um dos auxiliares do xerife, mas o diretor Fred Zinnemann entendeu que Cleef tinha mais jeito para interpretar vilões.

7. John Wayne não gostou do filme. Ele achou que certas cenas escritas por Carl Foreman passavam mensagens subliminares comunistas. Sua má vontade contra o filme durou anos e anos. Ele explicou que o xerife isolado e abandonado pela própria cidade era uma metáfora sobre a vida do próprio escritor, abandonado depois que foi colocado na lista negra do macartismo.

8. Fred Zinnemann escolheu pessoalmente todos os figurinos pois ele queria que a fotografia preto e branco do filme fosse realçada também com as roupas dos atores. Por isso o xerife usa roupas pretas e brancas, para tornar tudo ainda mais forte na tela.

9. Henry Fonda não participou do filme porque caiu na garagem de sua casa, quebrando a perna. Ele lamentaria esse pequeno acidente pelo resto de sua vida pois perdeu a chance de atuar nesse grande clássico do western americano.

10. Em seu testamento o diretor Fred Zinnemann deixou claro que não autorizava em nenhuma hipótese a colorização do filme. Os herdeiros de seus direitos autorais deveriam seguir esse seu último desejo, o que acabaria resultando em um processo judicial anos depois.

Pablo Aluísio.

Tarzan

Título no Brasil: Tarzan
Título Original: Tarzan
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Walt Disney Pictures
Direção: Chris Buck, Kevin Lima
Roteiro: Tab Murphy, Bob Tzudiker
Elenco: Tony Goldwyn, Minnie Driver, Glenn Close, Nigel Hawthorne, Lance Henriksen, Rosie O'Donnell
  
Sinopse:
Após um acidente de avião, o único sobrevivente da queda, um garotinho de uma aristocrata família inglesa, passa a ser criado na selva por macacos. Os anos passam e ele vira uma lenda da floresta, conhecido como Tarzan, o Rei dos macacos. Além de lidar com os perigos do meio onde vive, Tarzan precisará ainda superar um grupo de vilões, enquanto protege Jane, sua amada. Filme vencedor do Oscar e do Globo de Ouro na categoria de Melhor Música Original ("You'll Be In My Heart" de Phil Collins).

Comentários:
A Disney só entra no jogo para ganhar. Duvida disso? Então não deixe de conferir essa animação "Tarzan" do final dos anos 90. O estúdio investiu incríveis 130 milhões de dólares no desenho, um orçamento digno de qualquer superprodução de Hollywood. Isso porém não bastou. O estúdio deslocou um grupo de animadores para a África, para que eles capturassem os movimentos e modo de agir dos primatas. Isso seria utilizado não apenas nos personagens animais do filme, mas também no próprio Tarzan, uma vez que se ele havia sido criado por macacos, nada melhor do que agir como um! Como sempre gosto de escrever, elogiar o absurdo padrão de qualidade dos estúdios Disney é meio como chover no molhado. Tudo é tão perfeito, tão bem realizado, que não sobram espaços para a crítica. Nem em relação ao próprio roteiro há o que criticar. Os escritores optaram pela fidelidade ao texto original do escritor Edgar Rice Burroughs que criou Tarzan em seu livro "Tarzan of the Apes". Assim estão lá a recriação histórica, os figurinos de época, tudo, mas tudo mesmo, perfeito. O diretor Chris Buck é o mesmo de outra animação muito querida da Disney, "Frozen: Uma Aventura Congelante". Nesse campo de animações para o cinema ele é seguramente um dos melhores diretores do mundo. Simplesmente genial.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

As Vantagens de Ser Invísivel (2012)

Título no Brasil: As Vantagens de Ser Invísivel
Título Original: The Perks of Being a Wallflower
Ano de Produção: 2012
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Stephen Chbosky
Roteiro: Stephen Chbosky
Elenco: Emma Watson, Nina Dobrev, Logan Lerman, Paul Rudd
  
Sinopse:
Durante os anos 80 o introvertido Charlie (Logan Lerman) chega em um novo colégio. Como novato ele sente dificuldades em se enturmar para fazer novas amizades. A salvação vem com dois alunos que parecem fora do comum, mas logo se mostram bem colegas dele. Ela se chama Sam (Emma Watson) e ele Patrick (Ezra Miller). Juntos acabam formando um grupinho de amigos para atravessar essa fase tão complicada da vida chamada adolescência. 

Comentários:
Filmes sobre adolescentes americanos sempre são problemáticos. Ou são comédias debiloides ou então fitas de pura vulgaridade, pura desculpa para mostrar jovens seminuas e muita nudez gratuita. Só na década de 1980 é que surgiram bons filmes no gênero, justamente aqueles assinados pelo mestre John Hughes. Talvez por essa razão o enredo de "The Perks of Being a Wallflower" se passe justamente nesse momento histórico. O diretor obviamente busca uma identificação com aqueles filmes. Cada um dos personagens procura retratar jovens reais e não caricatos, como já estamos acostumados a ver. O drama de Charlie talvez seja o mais complicado de superar. Além da timidez e da falta de jeito com as garotas ele ainda tem que superar uma série de sintomas que podem indicar o surgimento de algum tipo de problema mental. Para Patrick a situação é ainda mais delicada já que ele é gay e namora às escondidas o principal atleta da escola. Se descobrirem certamente ele passará por uma situação extremamente comprometedora - isso para não dizer perigosa. O diretor e roteirista Stephen Chbosky realizou um bom filme, honesto e correto dentro de suas possibilidades. Além disso traz a cultuada (pelo menos entre os adolescentes) Emma Watson, aqui tentando se livrar um pouco do estigma de ter sido uma das protagonistas da franquia Harry Potter.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Adeus, Minha Rainha

Título no Brasil: Adeus, Minha Rainha
Título Original: Les Adieux à la Reine
Ano de Produção: 2012
País: França, Espanha
Estúdio: GMT Productions, Les Films du Lendemain
Direção: Benoît Jacquot
Roteiro: Benoît Jacquot, Gilles Taurand
Elenco: Léa Seydoux, Diane Kruger, Virginie Ledoyen, Xavier Beauvois, Michel Robin
  
Sinopse:
Nos últimos dias de reinado do Rei Louis XVI, a rainha Marie Antoinette (Diane Kruger) tenta organizar sua fuga para a Áustria, sua terra natal. Dentro do Palácio de Versailles a movimentação se torna intensa, com a nobreza tentando escapar com vida da Revolução Francesa, tudo sendo visto sob a ótica de uma criada da rainha, a jovem Agathe-Sidonie Laborde (Léa Seydoux). Filme indicado ao Urso de Ouro no Berlin International Film Festival e vencedor do César Awards nas categorias de Melhor Fotografia (Romain Winding), Melhor Figurino (Christian Gasc) e Melhor Desenho de Produção (Romain Winding).

Comentários:
Esse é mais um filme que explora a figura da última rainha da França, Marie Antoinette. Muito badalado em seu lançamento essa produção tem aspectos positivos e negativos. Um dos seus maiores atrativos vem do fato de ter sido rodado nas locações reais onde tudo aconteceu, no Chateau de Versailles e no Le Trianon, o pequeno palacete privado e pessoal da Rainha. Apesar disso, de ter tido essa honraria de filmar em lugares tão especiais, o diretor Benoît Jacquot não conseguiu aproveitar bem isso em cena. Percebe-se que apesar de ter sido rodado em lugares tão exuberantes (o que custou grande parte do orçamento do filme), o filme nunca se torna especialmente belo. Muitas vezes o cineasta priorizou os closes e não os ambientes abertos, perdendo muito potencial. O roteiro explora um antigo boato, a de que a rainha teria uma paixão lésbica pela duquesa Gabrielle de Polignac (Virginie Ledoyen), uma fofoca que nunca conseguiu ser provada por historiadores. No filme isso surge como um fato. A rainha sofre mais pela separação de sua amada, do que por propriamente perder seu poder. Marie Antoinette é interpretada pela atriz alemã Diane Kruger (da série "The Bridge"). Ela não é parecida fisicamente com a verdadeira rainha, nem tem o tipo de personalidade adequada para interpretá-la. A rainha era pequenina, de gestos finos, Kruger tem uma presença mais opulenta, é alta demais, o que prejudica o filme como um todo. O roteiro tenta compensar isso realçando o lado mais frívolo de Antoinette, mas não funciona muito bem. A atriz Léa Seydoux interpreta a verdadeira protagonista do filme, a de uma criada da rainha. Ela seria a incumbida de ler livros importantes para Marie Antoinette, pois a rainha era conhecida por não gostar muito de ler, embora tivesse uma das melhores bibliotecas do mundo ao seu dispor. No saldo final temos que reconhecer que "Les Adieux à la Reine" tinha muito potencial, mas tudo fica de certa forma pelo meio do caminho. Poderia ter sido um filme bem melhor.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

John Wayne - Metade Cowboy


John Wayne - Metade Cowboy
Curiosa foto tirada do astro de filmes de western John Wayne. Ele foi procurado pelo estúdio para refilmar algumas poucas cenas em close up. Como Wayne estava de férias, curtindo uma piscina, ele nem se deu ao trabalho de se vestir completamente de cowboy. Em trajes de banho, com a metade do figurino de cowboy, o ator finalmente filmou suas cenas de câmera fechada em seu rosto. Coisas de Hollywood.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

King Kong (1933)

Título no Brasil: King Kong
Título Original: King Kong
Ano de Produção: 1933
País: Estados Unidos
Estúdio: RKO Radio Pictures
Direção: Merian C. Cooper, Ernest B. Schoedsack
Roteiro: James Ashmore Creelman, Ruth Rose
Elenco: Fay Wray, Robert Armstrong, Bruce Cabot, Frank Reicher, Noble Johnson, Steve Clemente
  
Sinopse:
Uma equipe de cinema vai até uma distante e isolada ilha no Pacífico Sul e descobre que lá existe um imenso gorila, um animal colossal, de natureza pré-histórica. Eles então decidem levar o exótico primata (agora chamado de King Kong) para Nova Iorque com a intenção de explorar comercialmente sua exibição em shows pagos, mas a ideia acaba dando muito errada quando King Kong consegue se livrar de suas correntes, trazendo caos e devastação na grande cidade. Tudo acaba no alto do Empire State, em uma luta épica.

Comentários:
Em breve teremos mais uma versão da imortal história de King Kong chegando aos cinemas em todo o mundo. Foram muitas as versões ao longo de todos esses anos, algumas boas, marcantes e outras nem tanto assim. Todas elas devem inspiração a esse primeiro filme lançado na década de 1930 que já trazia todos os elementos que iriam estar presentes em todos os filmes posteriores. Obviamente que uma produção como essa que, em poucos anos completará cem anos de seu lançamento, está certamente datada, principalmente em termos de efeitos especiais, mas é impossível negar o charme atemporal dessa produção. O King Kong original não passava de um pequeno boneco, pouco maior do que uma mão humana, que era manipulado em seus movimentos usando a conhecida técnica de Stop motion, onde lentamente todos os movimentos eram filmados quadro a quadro! O resultado é dos melhores e dos mais nostálgicos. Há alguns anos o filme foi restaurado por modernas técnicas e enviado para o Congresso americano para preservação. Um claro sinal de que o filme, apesar de ser uma pura fita pop, também tem seus inegáveis valores históricos. Um momento em que o cinema entendeu que poderia ser pura diversão, sem ter nada de errado nisso. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Oscar 2017

O Oscar 2017 não será esquecido tão cedo e não pelos motivos certos! A festa foi certamente uma das piores dos últimos anos. Infestada por um sentimento de revanche do partido democrata (do qual vários membros da Academia são filiados),  com um discurso politiqueiro em excesso (e não político, é bom frisar), a festa foi ofuscada por uma insistência em fazer propaganda partidária no lugar errado, tudo aliado a muita, muita desorganização.

O auge do caos foi, como todos já sabemos, quando "La La Land" foi anunciado como o filme vencedor da noite. A equipe do filme subiu ao palco, os emocionados discursos de agradecimento começaram e... de repente, descobriram que o verdadeiro vencedor foi "Moonlight"! Algo assim só havia acontecido no concurso de Miss Universo! Um papelão, um vexame, de uma festa que começou errada e terminou de forma desastrosa! Como eu escrevi, a insistência de fazer piadinhas e críticas ao presidente Trump saiu pela culatra, essa não deveria ser a tônica da cerimônia, mas foi! E então aquelas pessoas que supostamente sabiam tanto sobre o mundo e a política dos Estados Unidos cometeram o erro mais básico possível numa festa como essa: trocaram os envelopes dos prêmios! Não sabem nem dar o envelope certo ao apresentador e querem ditar regras e "verdades" sobre política para todos? Ridículo demais...

E nos demais prêmios houve muita contestação. Tudo bem que Casey Affleck, esteve bem em "Manchester À Beira-Mar", mas será que merecia mesmo o Oscar de Melhor Ator? Tenho minhas dúvidas! Denzel Washington certamente está bem melhor em "Um Limite Entre Nós", mas resolveram não premiá-lo porque ele já havia ganho duas vezes antes! Mas isso nunca foi motivo para não se premiar alguém! Atitude politiqueira (novamente!). Emma Stone, merecia por La La Land - Cantando Estações? A grande dama Isabelle Huppert esteve muito superior em Elle. Injustiça, vamos dizer a verdade!

Na direção também houve um equívoco. Barry Jenkins (Moonlight - Sob a Luz do Luar), Dennis Villeneuve (A Chegada) e até Kenneth Lonergan (Manchester À Beira-Mar) mereciam muito mais do que Damien Chazelle, por La La Land. Além disso a premiação de melhor direção sempre deve ser seguida da de melhor filme, para haver uma lógica na premiação. Não foi o que aconteceu. Um dos poucos prêmios merecidos foi o de melhor atriz coadjuvante dado a Viola Davis, por Um Limite Entre Nós. Não tanto por seu desempenho ter sido tão brilhante, mas sim porque não havia concorrentes à altura. Acertaram também na categoria de Melhor Ator Coadjuvante, com Mahershala Ali (Moonlight - Sob a Luz do Luar), muito embora eu preferisse que Jeff Bridges levasse o prêmio.

E as gafes não tiveram fim, colocaram até pessoas vivas na parte em que se homenageiam os falecidos. A figurinista Janet Patterson, mostrada como morta, está viva e reclamou do uso de sua imagem na sessão In Memorian! Que coisa absurdamente desorganizada! Um lixo! Então é isso. O Oscar que quis fazer de Donald Trump a piada da noite acabou virando ele próprio a piada. Politicagem em excesso e competência de menos marcaram a noite. Espero que melhorem para o ano que vem.

Pablo Aluísio.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

James Dean - Giant


James Dean - Giant
Três fotos com James Dean tiradas durante as filmagens de "Assim Caminha a Humanidade". O filme acabou se tornando o último do jovem rebelde ator, que morreria poucas semanas após o fim das filmagens ao sofrer um acidente de carro com seu Porsche Spyder. Em cena Dean interpretava o capataz de uma grande fazenda chamado Jett Rink, que acabava encontrando petróleo em seu pequeno pedaço de terra, o tornando um homem milionário. O filme, sob direção do excelente George Stevens, foi rodado no interior do grande estado americano do Texas e Dean procurou absorver a cultura local, se vestindo de cowboy, interagindo com os moradores da região.


Amante do Seu Marido

Título no Brasil: Amante do Seu Marido
Título Original: Ex-Lady
Ano de Produção: 1933
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Robert Florey
Roteiro: David Boehm, Edith Fitzgerald
Elenco: Bette Davis, Gene Raymond, Frank McHugh, Monroe Owsley, Claire Dodd
  
Sinopse:
Helen Bauer (Bette Davis) é uma artista bem sucedida que nem quer ouvir falar em casamento. Para ela o matrimônio, com papel passado na frente do juiz ou do padre, acaba matando o romance. Ela gosta do compositor Don Peterson (Gene Raymond) e sente que, um dia, quem sabe, pode vir até mesmo a se casar com ele. O que Helen não quer é pressão e nem pressa para subir ao altar, mas acaba mudando de ideia quando aparece uma concorrente, a bela e doce Peggy Smith (Kay Strozzi) que também está de olho em seu futuro marido!

Comentários:
Qualquer filme que seja estrelado pela grande diva do cinema clássico Bette Davis certamente valerá a pena! Esse aqui, por exemplo, não passa de uma espécie de comédia romântica, com roteiro que critica os costumes dos relacionamentos amorosos de sua época. Não há nada de muito relevante nele, pois é um filme para pura diversão. Isso porém não quer dizer que não tenha méritos. Um deles é explorar a figura de uma mulher independente e dona de si e seu destino em plenos anos 1930, onde ainda havia forte pressão no papel da mulher que deveria se casar e ter filhos. Bette interpreta uma mulher moderna, dos novos tempos, que não está muito preocupada com isso. Seu figurino, seus penteados e suas atitudes são pura Belle Époque! Um tempo em que se procurava por mudanças, para não existir mais tanta repressão moralista! Um momento em que as mulheres finalmente procuravam seguir por seus próprios caminhos. E isso não acontecia apenas nas telas, mas nos bastidores também. A atriz Bette Davis exigiu um salário melhor (ela ganhava menos do que o ator que tinha um papel secundário no filme!) e acabou assinando um contrato muito vantajoso com os estúdios da Warner. Davis, que nunca foi de fazer concessões, acabou assim abrindo um caminho importante em Hollywood para a valorização das mulheres dentro da indústria cinematográfica.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Maria Antonieta

Maria Antonieta foi a última rainha da França. Ela e seu marido, o rei Luís XVI, foram decapitados pelos líderes da revolução francesa. Tudo embasado em um julgamento claramente parcial e injusto, que tinha como objetivo apenas matar os monarcas do antigo regime. Maria Antonieta, em seu últimos momentos, se agarrou em sua fé católica e escreveu uma carta de despedida para sua irmã, onde reafirmava sua crença na religião católica, naquele momento final de extrema tragédia. Nesse texto ele pede perdão a Deus pelas coisas erradas que teria feito em vida e pedia ao seus filhos que não se vingassem dos revolucionários pois apenas a Deus caberia a justiça.

Ela foi muito difamada e caluniada, crimes horríveis lhe foram atribuídos, sem nenhuma prova, mostrando que o novo regime que nascia poderia ser tão fanático e radical como os antigos detentores do poder que eles criticavam. Maria Antonieta foi assim transformada em um bode expiatório da revolução francesa, um momento muito cruel para a religião católica pois muitos membros do clero foram assassinados brutalmente, de forma sumária, pelos revolucionários. O chamado "Terror" levou quase todo o clero francês para a guilhotina. Houve certamente uma perseguição religiosa brutal contra a fé e o cristianismo naquele momento trágico. Vários padres, bispos, monges, freiras e religiosos em geral eram colocados em carroças, sendo levados para a guilhotina em longas procissões onde o povo enfurecido lhes diziam ofensas, calúnias e injúrias.

O grau de fanatismo louco da revolução francesa foi tamanho que chegou-se a acusar a rainha até mesmo de incesto, algo que era uma grande mentira. O pior de tudo é que todos sabiam que era uma mentira, mesmo assim condenaram a rainha Maria Antonieta para ser executada, onde ela seria decapitada de forma cruel. A rainha porém mostrou-se muito lúcida em seus momentos finais, não blasfemando, não devolvendo as ofensas, mesmo tendo sofrido todos os tipos de violências físicas e psicológicas. Seus filhos haviam sido tirados dela, seu filho, o herdeiro da coroa, morreria logo após. Era uma criança apenas, mas os revolucionário o jogaram em um calabouço imundo.

Hoje em dia a figura de Maria Antonieta é muito associada ao luxo, à moda, aos exageros do palácio de Versalhes. A rainha foi realmente exuberante, já que isso era uma característica da época, porém ela também foi esposa e mãe, que sofreu muito ao ver sua família ser dizimada por loucos revolucionários com sede de sangue. Mesmo que a dinastia Bourbon fosse destronada era no mínimo civilizado deixaram Maria Antonieta e sua família irem embora para a Áustria, sua terra natal (ela era filha da imperatriz Maria Tereza). Matá-los, inclusive seus filhos pequenos, que eram apenas crianças quando a monarquia foi deposta, só mostrava mais uma faceta violenta de uma revolução que a despeito de usar o slogan da "Liberté, Egalité, Fraternité" (Liberdade, igualdade, fraternidade) certamente cometeu muito crimes contra católicos e pessoas religiosas em geral. Sob o ponto de vista religioso a revolução francesa foi sanguinária, injusta e bárbara. 

Na última noite de vida a Rainha escreveu para a irmã e encerrou sua carta de despedida com as seguintes palavras: "Morro na religião Católica Apostólica Romana, que foi a de meus pais, que me trouxe a vida e que sempre professei. Não havendo nenhum consolo espiritual para procurar, e nem ao menos sabendo se existem nesse lugar padres dessa religião (realmente o lugar onde estou os exporia a perigo demais), eu sinceramente imploro o perdão de Deus por todos os pecados que eu possa ter cometido durante a minha vida. Confio que, em Sua bondade, Ele irá aceitar minhas últimas preces com misericórdia, tal como aquelas que eu tenho endereçado a Ele faz tempo, e que irá receber minha alma dentro de Sua piedade."

Pablo Aluísio. 

Maria Antonieta

Título no Brasil: Maria Antonieta
Título Original: Marie-Antoinette
Ano de Produção: 2006
País: Canadá, França
Estúdio: GMT Productions, Télé-Québec
Direção: Francis Leclerc, Yves Simoneau
Roteiro: Jean-Claude Carrière
Elenco: Karine Vanasse, Olivier Aubin, Marie-Eve Beaulieu, Danny Gilmore, Hélène Florent
  
Sinopse:
Marie-Antoinette (Karine Vanasse) é uma jovem duquesa austríaca, filha da imperatriz Maria Teresa, que é dada em casamento ao futuro Rei da França, Louis XVI (Olivier Aubin). Ela chega a Paris com apenas 14 anos de idade. Após a morte do Rei Luís XV ela se torna Rainha da França, em um dos períodos mais turbulentos da história, com a eclosão da Revolução Francesa. Filme premiado pela Visual Effects Society Awards.

Comentários:
Produção franco canadense, muito bem realizada, que se propõe a contar a história da Rainha Marie-Antoinette (1755 - 1793). A estrutura do filme é bem interessante, quase adotando uma postura de semi documentário. Há uma narração que vai da primeira a última cena, tal como se houvesse alguém narrando um livro de história (ou um conto de fadas, dependendo do ponto de vista). A história de Maria Antonieta já é por si só por demais interessante, pois ela foi o símbolo do Antigo Regime, absolutista, com todos os exageros de luxo e poder, enquanto o povo francês padecia de uma grave crise, com fome e miséria por todo o reino. A rainha e o marido subiram ao poder ainda muito jovens, viviam alienados entre os muros do fabuloso palácio de Versalhes. O resultado de uma situação como essa não poderia ser diferente, pois logo explodiu um movimento revolucionário de consequências trágicas para toda a família real. Obviamente houve erros por parte de Luís XVI e Maria Antonieta, mas o filme também procura mostrar que eles também foram vítimas de injustiças, principalmente em seus julgamentos, verdadeiras farsas que visavam apenas punir e matar os membros da monarquia. Um dos pontos altos desse filme é a atuação da bela atriz canadense Karine Vanasse. Além de ser parecida com a rainha, ela ainda demonstra um grande carisma em cena. Outro ponto digno de nota é que o roteiro procurou colocar nos diálogos trechos de cartas que foram escritas pela própria Maria Antonieta, fazendo com que tudo seja historicamente ainda mais preciso. Um filme muito interessante para quem deseja conhecer melhor a vida da última rainha francesa.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Cinema: Estreias da Semana (23/02 a 02/03)

Semana de carnaval. Como sempre acontece todos os anos os exibidores no Brasil guardam seus melhores lançamentos nessa época, procurando segurar seus melhores filmes. Isso não quer dizer que não haja novidades no cinema e aqui vão algumas dicas para quem não curte a folia. O maior lançamento da semana é "A Grande Muralha", filme épico estrelado pelo ator Matt Damon. Como se pode perceber é um filme de aventura passado na época da construção da grande muralha da China. O filme contou com dinheiro do governo chinês, então o espectador não encontrará nada que sirva de crítica contra aquele regime socialista, o que não deixa de ser uma ironia já que o ator Matt Damon passou todo o lançamento do filme reclamando da truculência do governo Trump, mas não ousou criticar Pequim e seus dirigentes ditatoriais. Acabou sendo acusado, com certa razão, de ser um hipócrita por isso.

Já Ben Affleck surge nas telas com seu novo filme "A Lei da Noite". Dentre os lançamentos da semana esse é o que estou mais ansioso para assistir. O filme se passa durante a vigência da lei seca e como sabemos essa foi a época de ouro dos gângsters. Pois é, Affleck arrisca adotando um tipo de gênero cinematográfico que está há muito tempo fora das telas, do circuito comercial.  De minha parte acho tudo muito bem-vindo, até porque sempre gostei de filmes assim, com bandidos dos tempos de Al Capone. De maneira em geral o filme tem sido elogiado pela luxuosa produção, mas também criticado por não ter um bom roteiro. Vamos conferir para ver quem tem ou não razão.

Outra boa estreia é "Moonlight: Sob a Luz do Luar", um dos concorrentes ao Oscar. O filme é sobre um jovem americano negro que acaba trilhando o caminho do crime por não ter uma boa estrutura familiar. Na ausência dos pais, os traficantes do bairro onde mora acabam o adotando. Ainda não assisti ao filme, pretendo em breve, mas fica o receio de ser mais um daqueles roteiros politicamente corretos que acusam a sociedade pelos atos criminosos do protagonista, o isentando de qualquer culpa, um tipo de maniqueísmo até perigoso. Vamos ver o que nos aguarda.

Além dessas três produções, que precisam ser conferidas, o circuito ainda disponibiliza outras opções de filmes menores. Para quem gosta de cinema nacional e Youtube está chegando nas telas "Internet - O filme" com um elenco composto de youtubers brasileiros famosos. Deve ser uma droga teen, como o filme da Kefera, mas certamente encontrará seu público. Para quem procura por algo mais culturamente relevante seguem duas dicas: o filme sueco "A Jovem Rainha" e o francês "A Garota Desconhecida", duas boas opções para quem aprecia o cinema europeu.

Pablo Aluísio.

Catedral Medieval de Reims


Catedral Medieval de Reims
Uma das mais belas catedrais da Europa situa-se em Reims, França. Dedicada a Nossa Senhora, a magnífica obra religiosa foi erguida pela primeira vez em 401. No lugar havia um antigo templo pagão romano. As autoridades da Igreja Católica então resolveram erguer no mesmo terreno uma igreja realmente majestosa, simbolizando a grandeza do cristianismo sobre as antigas religiões sem Deus que varriam a Europa desde tempos imemoriais. Nessa Igreja, que se tornaria a preferida dos monarcas franceses, vários reis da dinastia carolíngia seriam coroados. Em 1211 um incêndio destruiu a maravilhosa obra, mas o povo de Reims se uniu e conseguiu reerguer a igreja, dessa vez de forma ainda mais majestosa. A catedral hoje em dia faz parte do patrimônio cultural da humanidade, sendo considerada uma das mais belas igrejas do continente europeu.

Pablo Aluísio.

John Lennon - Imagine (1971)

John Lennon - Imagine
Algumas músicas definem toda a carreira de um artista. De certa forma é justamente isso que acontece com "Imagine", a música símbolo de John Lennon. De estrutura bem elaborada, a letra transmite com bastante êxito um resumo (diria até mesmo didático) do pensamento do ex beatle. Obviamente a mensagem do cantor e compositor pode soar simplista demais frente aos problemas da sociedade, porém temos que levar em conta que se trata da filosofia de um poeta, que não era (e para falar nem devia) tentar solucionar os conflitos da humanidade de forma analítica e pormenorizada. De forma sutil Lennon investe contra os Estados (e sua inerente necessidade de lutar pelas fronteiras nacionais), a religião (e seus eternos conflitos ideológicos e dogmáticos) e propõe uma espécie de sociedade livre de preconceitos e divisões. Escapismo poético vazio? Pode até ser, mas até que funciona bem, até mesmo nos dias atuais. Interessante notar que o arranjo funciona muito bem pois a canção foi gravada tal como composta (basicamente voz e piano - com o uso de bateria acrescida posteriormente, além de uma singela e discreta orquestração ao fundo que foi muito bem colocada não tirando a atenção do ouvinte da simplicidade da canção e arranjo). Sem dúvida um bom trabalho do produtor Phil Spector (curiosamente Yoko Ono também foi creditada como "produtora" do LP).

Embora "Imagine" tenha entrado para a cultura popular de forma definitiva o resto do disco não parece ter alcançado o mesmo alcance. "Imagine" é aquele tipo de álbum com uma faixa de trabalho extremamente superiora ao resto do conjunto. Um ícone pop seguido por coadjuvantes sem grande brilho próprio. Analisando friamente o resto do disco chegamos facilmente na conclusão que apenas "Jealous Guy" conseguiu se sobressair nas paradas e ser conhecida do grande público (embora hoje em bem menor escala). O resto das músicas não conseguiu abrir seu próprio espaço caindo em um (até injusto) esquecimento musical. O incrível é que o LP ficou muitos anos em catálogo (até mesmo no Brasil) mas isso definitivamente não ajudou na popularização das demais canções. Só a título de comparação podemos citar "Plastic Ono Band", um álbum bem menos popular, que conseguiu no mínimo destacar 3 faixas fortes (Mother, God e Working Class Hero) enquanto "Imagine", em seu conjunto, só conseguiu mesmo se sobressair em duas delas.

Dentre as faixas remanescentes podemos destacar algumas boas canções e outras nem tanto. Entre as ruins temos "I Don´t Wanna Be a Soldier" cuja letra tem sua importância mas que é infelizmente embalada por uma melodia enjoativa e derivativa que não leva à canção a lugar nenhum. Lennon aqui entra em um redemoinho melódico, se perdendo completamente dentro dele, não conseguindo sair mais. Por isso essa é certamente uma das músicas menos inspiradas do ex beatle em sua carreira solo. As baladas são bem melhores. "Oh My Love" é sinceramente bem conduzida e tem uma melodia linda, tudo resultando em um belo momento do disco. Um pouco menos relevante está "How?" que em certos momentos parece entrar numa encruzilhada melódica, embora felizmente tenha sido salva por causa de seu bom refrão. Yoko Ono também ganha sua música de homenagem, o countryzinho "Oh Yoko", simples mas agradável em sua pegada despretensiosa de contagiante felicidade. Nesse conjunto de coadjuvantes o grande erro de Lennon realmente é a faixa "How do You Sleep?", uma música feita exclusivamente para provocar e ofender seu ex colega de banda, Paul McCartney. Além de feia (e mal produzida) a música destoa completamente do tema proposto da faixa título, pois ao mesmo tempo em que prega a paz em "Imagine" Lennon solta farpas em relação ao ex parceiro nessa letra cheia de ressentimentos. Como conciliar tamanha contradição? Bom, entender isso é como tentar entender a personalidade de Lennon, algo nem sempre fácil de decifrar.

Imagine (John Lennon) - Certa vez Paul McCartney disse que John Lennon era um gênio, mas não um santo. Ele tinha toda a razão do mundo. John Lennon sabia como poucos escrever e compor grandes músicas, realmente maravilhosas, mas passava longe de ser uma alma pura, santificada. Em muitos momentos ele poderia soar completamente hipócrita. Veja o caso de "Imagine" considerada por muitos como a sua grande música na carreira após o fim dos Beatles. Em frases muito bem escritas John propõe um mundo sem fronteiras, sem propriedades e até mesmo sem religiões. Em determinado trecho John canta a frase "Imagine não existir posses, sem necessidade de ganância, Imagine todas as pessoas compartilhando...". Ok, nada de errado, tudo muito bonito a não ser pelo fato de que Lennon era proprietário de fazendas enormes nos Estados Unidos com centenas de milhares de cabeças de gado, onde o acesso de pessoas estranhas era completamente proibido. E o que dizer de seus vários apartamentos de luxo na parte mais cara de Nova Iorque? Não há nenhum sinal de que ele um dia os tenha compartilhado com ninguém, a não ser Yoko Ono e seu filho. "Imagine não existir nenhuma religião", afirma a letra em outro trecho. Ora, John foi fiel seguidor do Hinduísmo, depois se aproximou bastante do Budismo a ponto de se auto declarar Zen Budista em uma de suas últimas entrevistas. Suas frases contra o cristianismo também lhe trouxe muitos problemas, demonstrando que o próprio John Lennon tinha alguns problemas com as religiões dos outros. Assim soa mais do que uma hipocrisia em falar algo nesse sentido e ao mesmo tempo usar do sentimento religioso das demais pessoas para atacá-las de alguma maneira. Além de contraditório é certamente uma grande hipocrisia. Mesmo assim a canção "Imagine" ainda é um belo momento de sua carreira. Embora em muitos aspectos ele fosse realmente um grande hipócrita o fato é que John continuava muito talentoso para compor letras e melodias maravilhosas. Como disse Paul ele poderia não ser um santo (e não era mesmo), mas pelo menos continuava a ser um gênio musical.

Crippled Inside (John Lennon) - "Crippled Inside" (literalmente "Aleijado por Dentro") cria uma imagem sobre a auto percepção de se estar emocionalmente abalado, doente da alma. Claro que nos dias atuais o uso da palavra "Crippled" (aleijado) iria despertar muitos protestos, por causa do mundo politicamente correto em que vivemos. Porém na época em que a música chegou no mercado isso não foi colocado em debate. Eu gosto bastante desses versos. São simples, diretos, possuem uma mensagem fácil de captar, até mesmo por quem não tem uma visão muito abstrata da vida sentimental. Basicamente Lennon afirma que não importa as diversas máscaras exteriores que você tente usar para esconder o que está sentindo por dentro, pois elas nunca vão funcionar. Não adiantaria assim colocar sua melhor roupa, usar seus melhores sapatos, arrumar seu cabelo, estampar o mais falso sorriso, nada disso iria importar no final das contas. Nada iria esconder o fato de que você estaria aleijado por dentro, em seu interior. John costumava dizer que não era um poeta com formação intelectual, pois não tinha estudado para isso. No fundo ele era apenas um artista popular que expressava da melhor forma possível aquilo que pensava e sentia. Essa canção, com sua mensagem sendo bem direta, é um exemplo perfeito do que ele quis dizer. John tinha realmente razão sobre isso.

Jealous Guy (John Lennon) - "Jealous Guy" chegou a ser lançada em single e de certo modo conseguiu uma boa resposta por parte de público e crítica. É interessante notar que Lennon, nessa fase solo de sua carreira, começou a escrever obsessivamente sobre si mesmo, seu mundo e seus relacionamentos. Obviamente ele estava perdidamente apaixonado pela artista plástica Yoko Ono e de certa forma ela acabou se tornando o tema principal de praticamente todas as suas composições. Musicalmente, em termos de arranjo, as músicas de Lennon em sua carreira solo eram econômicas. Nada dos arranjos bem elaborados da época dos Beatles. Afinal nem George Martin e nem Paul McCartney estavam ao seu lado para enriquecer melodicamente as gravações. Era um som mais cru. Assim o interessante é mesmo prestar atenção nas letras, todas, como disse, autorais. "Jealous Guy" é um grande pedido de desculpas para Yoko. Eles tiveram uma briga, John foi acusado de ser um cara ciumento e assim ele, reconhecendo seu erro, escreveu essa letra. A mensagem é bem direta, sem rodeios

It's So Hard (John Lennon) - Por fim a última canção do álbum composta por John foi a confessional "It's So Hard". Essa música trazia outra declaração bem pessoal do cantor, mostrando suas dificuldades de seguir em frente. Na época John tinha muitos problemas, o governo americano queria deportá-lo, a imprensa o ridicularizava, ele tinha conflitos com Yoko Ono e a Apple, a empresa dos Beatles, que deveria ser um sopro de vitalidade no mundo empresarial, tinha se tornado uma fonte de dores de cabeça, com muitos processos na justiça, desvios de dinheiro, histórias mal contadas e brigas pelo controle acionário. Tudo acabou sendo resumido na primeira estrofe da letra quando John escreveu: "Você tem que viver. Você tem que amar. Você tem que ser alguém. Você tem que se superar. Mas é tão difícil, é realmente difícil. Às vezes eu sinto vontade de desistir."

Don't Wanna Be A Soldier Mama I Don't Wanna Die (John Lennon) - Para não ficar tão feio para John, mais à frente no álbum ele encaixou a canção " I Don't Wanna Be A Soldier Mama, I Don't Wanna Die" cuja letra era clara e direta, como convinha a John na época. A música intitulada "Eu não quero ser um soldado, mãe, eu não quero morrer" era obviamente uma mensagem contra a Guerra do Vietnã que na época estava no auge, com milhares de militares americanos sendo enviados para as florestas asiáticas para morrerem em uma guerra que nem eles mesmos entendiam direito. O curioso é que inicialmente bem recebida pela crítica americana logo começaram as represálias contra John. O governo de Richard Nixon considerou a música uma clara ofensa aos valores patrióticos da nação. John, por ser inglês e não ter ainda o green card (que lhe daria a nacionalidade norte-americana) logo virou alvo de um processo de deportação. Era considerado uma persona non grata pelo governo Nixon. Parte da imprensa americana também se virou contra ele, chegando ao ponto de eleger Lennon "O Palhaço do Ano". Como tinha o espírito de brigar por aquilo que acreditava logo Lennon comprou a briga, dando origem a uma luta que durou anos para ter o direito de viver e morar nos Estados Unidos.

Give me Some Truth (John Lennon) - Já em "Give me Some Truth" John pedia um pouco de verdade. Não era novidade para ninguém que John estava farto das mentiras dos políticos, da imprensa, dos ricos e poderosos. Assim ele compôs essa canção pedindo, na verdade clamando, por um pouco de verdade no mundo. O estilo era novamente bem direto, sem meias palavras. Chamando os políticos de suínos, Lennon destroçava o poder de manipulação da verdade dentro da sociedade. Essa é uma das letras mais polêmicas de John em "Imagine", Nos versos finais ele não apenas pede pela verdade, mas também por dinheiro para comprar drogas e uma corda! (uma óbvia referência ao suicídio). Não é a toa que Kurt Cobain do Nirvana considerava essa letra uma das melhores de Lennon em sua discografia solo. Essa porém não foi a opinião da crítica inglesa da época de lançamento do disco. Para muitos Lennon havia ido longe demais... Mal sabiam eles o que estaria por vir nos anos seguintes...

Oh My Love (John Lennon) - Como era de praxe também não faltou outra exaltação a Yoko Ono em "Oh My Love". É curioso que havia uma dualidade bem escondida ao público em relação ao relacionamento entre John e Yoko. Para o público, em canções como essa, John passava a imagem de estar vivendo o maior amor romântico do século. Não era verdade. O caso amoroso entre ele e Yoko tinha muitos problemas. Tantos que poucos meses depois da gravação de canções como essa, Yoko simplesmente deixou John. Foi dar um tempo. Não aguentava mais o estilo de vida dele, sua personalidade irascível e seus comportamentos doentios (como o abuso de drogas como a famigerada heroína).

How Do You Sleep? (John Lennon) - John Lennon era um sujeito bem contraditório. No mesmo álbum em que ele lançou o clássico da paz "Imagine" ele resolveu incluir uma canção que de pacífica não tinha nada. "How Do You Sleep?" havia sido composta para afrontar e agredir seu ex-companheiro dos Beatles, Paul McCartney. Ambos estavam se processando, o clima não era bom, John e Paul trocavam farpas pela imprensa e assim Lennon resolveu destroçar o antigo colega em uma canção que tinha apenas um objetivo: falar mal de Paul. "How Do You Sleep?" é apenas isso. Uma longa e agressiva indireta (ou melhor dizendo, direta mesmo) mensagem contra Paul McCartney. E o lado que John resolveu atacar foi o profissional. Entre outras coisas Lennon colocou em sua letra que a única coisa boa que Paul havia feito em sua carreira musical havia sido a canção "Yesterday". Obviamente um absurdo e uma mentira, mas John não quis saber, partiu para o ataque, deixando sua mensagem de "Imagine" no vácuo! Afinal como alguém poderia pregar tanto pacifismo em uma faixa para depois destruir seu próprio amigo e companheiro de banda? No mínimo uma contradição.

How? (John Lennon) - Finalizando a análise do álbum "Imagine" de John Lennon vamos tecer alguns comentários sobre as demais canções do disco. Como se sabe Lennon quis com esse lançamento voltar a ser um artista comercialmente bem sucedido. Seus primeiros LPs venderam mal e a crítica também não gostou muito. Assim John queria provar para a indústria fonográfica que ele ainda podia ser um artista de sucesso. Mesmo tentando voltar ao topo John também não abriu mão de continuar sendo bem autoral e sincero nas letras. Em "How?" ele aproveitou para desfilar uma série de questionamento existenciais que tinha em sua mente. A letra abre justamente com uma indagação sobre os próprios rumos de sua vida. De forma aberta John perguntava: "Como eu posso seguir em frente quando não sei que caminho escolher?"

Oh Yoko! (John Lennon) - O álbum "Imagine" segue em frente com a faixa "Oh Yoko!". Bom, desnecessário comentar muito. O título é auto explicativo. É mais uma música feita em homenagem à diva suprema de Lennon, Yoko Ono. Esse romance não foi dos mais tranquilos. A imprensa britânica não gostava de Yoko que para eles era apenas mais uma japonesa esquisita e bizarra. Lennon, que era bom de briga, também comprou um atrito com jornalistas ingleses, defendendo Yoko sempre que possível. E assim foi também em seus álbuns. Uma das críticas que jornais ingleses tinham feito em relação a John é que ele se mostrava muito submisso e dependente de Yoko após se apaixonar por ela. Assim John fez uma letra que era ao mesmo tempo uma afirmação sobre isso e uma auto paródia. Nela John surge sempre chamando Yoko, não importando o que estivesse fazendo: no banho, fazendo a barba, no meio de uma nuvem, ele sempre chamaria por Yoko! Pois é...

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Pânico 2

Título no Brasil: Pânico 2
Título Original: Scream 2
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: Dimension Films
Direção: Wes Craven
Roteiro: Kevin Williamson
Elenco: Neve Campbell, Courteney Cox, David Arquette, Jada Pinkett Smith, Heather Graham
  
Sinopse:
Dois anos após os acontecimentos do primeiro filme Sidney Prescott (Neve Campbell) tenta retomar sua vida. Ela volta para a sua escola, Windsor College. Tudo vai bem até que as roupas que foram usadas pelo serial killer Ghostface desaparece. Primeiro todos pensam se tratar apenas de um trote de alunos querendo fazer brincadeiras de humor negro. Depois as coisas ficam mais sérias quando começa uma nova onda de crimes pelos corredores do colégio. Filme premiado no MTV Movie Awards na categoria de Melhor Atriz (Neve Campbell).

Comentários:
Diante da mediocridade do gênero terror nos anos 90 e diante do imenso sucesso do primeiro filme "Scream", alguém realmente tinha alguma dúvida de que uma sequência iria ser lançada nos cinemas? Obviamente não! Assim em 1997 chegou nas telas essa muito fraca continuação, tão fraca que sequer encontramos ânimo suficiente para começar a criticar, diante de tantos problemas. O roteiro é basicamente o mesmo, com estudantes de high school enfrentando problemas com o reaparecimento do serial killer conhecido como Ghostface. Mas afinal o que teria acontecido? Prenderam o assassino errado? Ou é apenas alguém se fazendo passar pelo criminoso, usando seus métodos tão conhecidos de matar? Não adianta perder muito tempo procurando por respostas pois esse "Pânico 2" é uma bobagem, uma mera tentativa de faturar mais alguns milhões nas bilheterias sem muito esforço - algo que efetivamente conseguiram pois o filme, que custou pouco mais de 20 milhões, acabou faturando 150 milhões de dólares em todo o mundo! Nada mal não é mesmo? Os produtores e executivos da Dimension Films certamente agradeceram aos fãs da franquia. Lucro rápido e fácil.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

8mm - Oito Milímetros

Título no Brasil: 8mm - Oito Milímetros
Título Original: 8MM
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos, Alemanha
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Joel Schumacher
Roteiro: Andrew Kevin Walker
Elenco: Nicolas Cage, Joaquin Phoenix, James Gandolfini
  
Sinopse:
O detetive particular Tom Welles (Nicolas Cage) é contratado por uma rica senhora, agora viúva, que descobriu um material perturbador no cofre do marido falecido. É um filme e ao que tudo indica ele traz cenas reais de um assassinato. Ela quer descobrir a origem e a veracidade das filmagens. Cabe a Welles agora investigar, indo para o submundo da pornografia e criminalidade da cidade. Filme indicado ao Urso de Ouro do Berlin International Film Festival.

Comentários:
O cineasta Joel Schumacher sempre foi conhecido pela irregularidade em sua filmografia. Ele tanto conseguiu dirigir bons filmes, como verdadeiras bombas ao longo de sua carreira. Esse aqui fica no meio termo. Na verdade pode-se considerar até um bom filme, principalmente por explorar um tema bem complicado, o submundo dos chamados "snuff films", filmes trazendo imagens reais de crimes como assassinatos, estupros, etc. Algo direcionado mais para um público bem doentio. Ao ser contratado por uma viúva rica ele cai fundo no pior submundo de Los Angeles e lá descobre todos os tipos de perversões e taras sexuais. Além do bom roteiro outro aspecto que chama a atenção nessa produção é o elenco de apoio. Não é para menos, temos aqui um ótimo Joaquin Phoenix, em um papel bem estranho e fora dos padrões e James Gandolfini, da série de sucesso "Família Soprano" como um sujeito bem desprezível. Em suma, " 8mm - Oito Milímetros" é um bizarro passeio pelo submundo da alma humana, algo que acaba destruindo até mesmo a vida familiar e profissional do detetive, protagonista da fita. Entre os vários filmes de Joel Schumacher esse é certamente um dos que valem a pena ser conhecidos, embora não seja indicado para pessoas de estômagos fracos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Ou Tudo, Ou Nada

Título no Brasil: Ou Tudo, Ou Nada
Título Original: The Full Monty
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Peter Cattaneo
Roteiro: Simon Beaufoy
Elenco: Robert Carlyle, Tom Wilkinson, Mark Addy
  
Sinopse:
Um grupo de seis trabalhadores comuns resolve montar um show de nudez, com homens normais, sem músculos, sem nenhum grande atrativo. A situação incomum logo chama a atenção da sociedade e a imprensa que começa a dar destaque ao estranho evento! Filme indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Comédia ou Musical. Filme premiado pelo Oscar na categoria de Melhor Música (Anne Dudley). Também indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Direção (Peter Cattaneo), Melhor Filme e Melhor Roteiro Original (Simon Beaufoy).

Comentários:
Filme que foi muito badalado, absurdamente badalado, pela crítica internacional. Isso levou o filme a ser indicado a prêmios importantes, sem nenhuma justificativa. E afinal do que se trata? Se trata basicamente de uma comédia muito simples, que explora apenas uma situação pretensamente divertida e engraçada: um bando de trabalhadores que resolvem ficar pelados para ganhar uma grana extra. Por serem totalmente diferentes dos profissionais strippers, com todos aqueles músculos e corpo cheio de óleo, eles acabam atraindo a atenção para si mesmos. É isso, nada mais, nada menos. No começo você ainda pode - fazendo muita força - dar algumas risadinhas amarelas. Depois vai ficando cansativo, cansativo e lá pelo final você vai ficar torcendo para o filme acabar logo. De bom mesmo apenas algumas cenas que exploram os problemas sociais da classe trabalhadora. Mesmo assim nem isso é muito trabalhado. Enfim, tudo muito fraco e muito superestimado. Pode ser dispensado sem maiores dificuldades.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A Morte Não Manda Aviso

Título no Brasil: A Morte Não Manda Aviso
Título Original: The Quiller Memorandum
Ano de Produção: 1966
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Michael Anderson
Roteiro: Trevor Dudley Smith, Harold Pinter
Elenco: George Segal, Alec Guinness, Max von Sydow, Senta Berger, George Sanders
  
Sinopse:
Cortina de ferro, em pleno auge da guerra fria. Depois do assassinato de uma agente inglês em Berlim, um novo agente chamado Quiller (George Segal) é enviado para investigar. Segundo seu superior no departamento de inteligência, o comandante Pol (Alec Guinness), há um grupo de neonazistas operando na cidade alemã. Eles seriam liderador por uma figura misteriosa e desconhecida, que usaria o codinome Oktober (Max von Sydow). Caberá então a Quiller descobrir onde atua e como se coordena essa organização de criminosos nazistas. Filme indicado ao BAFTA Awards nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado (Harold Pinter), Melhor Edição (Frederick Wilson) e Melhor Direção de Arte (Maurice Carter).

Comentários:
As adaptações dos livros de James Bond ao cinema fizeram escola. Depois delas um nova onda de filmes inspirados no famoso agente inglês foi lançado nos cinemas durante a década de 1960. Tentando pegar carona no sucesso de 007 tivemos filmes como esse "The Quiller Memorandum" estreando nas telas. É, como se pode perceber, mais um filme de espionagem, com agentes britânicos tentando colocar as mãos em um líder de uma verdadeira seita de neonazistas no pós-guerra em Berlim. Nada é muito discutido sobre o fato da ideologia nazista ter sobrevivido ao caos do fim da II Guerra Mundial. O que parece ter interessado mais aos realizadores do filme foi justamente o clima de mistério e suspense que atravessa todo o enredo. No elenco há dois excepcionais atores em papéis secundários. O primeiro deles é o grande Sir Alec Guinness, que interpreta o chefe do setor de inteligência inglesa em Berlim. Ele tem poucas cenas, praticamente apenas duas, mas como sempre rouba o show, dando um ar um tanto afetado ao seu personagem. Max von Sydow, outro fabuloso talento, é o vilão do filme. Usando uma postura de fina elegância, bons modos e educação prussiana, ele se mostra a melhor coisa do filme, tanto em termos de atuação, como de personagem. Curiosamente o protagonista, o agente Quiller interpretado por George Segal, é fraco, uma mera imitação pálida de Bond. Melhor para o espectador é prestar atenção na beldade austríaca Senta Berger. Ele é uma nazista charmosa e sensual que seduz o agente britânico, o manipulando completamente. Com um roteiro extremamente simples ao meu ver (onde o agente apenas localiza o esconderijo dos criminosos, é feito refém e tenta sobreviver), o filme "The Quiller Memorandum" não chegou a me impressionar. Tem boa fotografia, um elenco de apoio acima da média, mas no plano geral não consegue ser uma grande obra prima do gênero espionagem internacional. No fundo é apenas uma boa fita para diversão e esquecimento logo em seguida. Não passou definitivamente no teste do tempo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Manchester À Beira-Mar

Já que estamos perto do Oscar, nada mais interessante do que conferir os filmes que estão concorrendo na categoria de Melhor Filme do ano. Um deles é justamente esse drama sobre morte, recomeço e redenção. A história se passa em uma cidade chamada Manchester (não a cidade inglesa, mas sim a  americana). É justamente para lá que retorna Lee Chandler (Casey Affleck). Seu irmão falece, vítima de uma doença cardíaca, e ele precisa providenciar não apenas seu funeral, como também guiar o futuro de seu sobrinho daqui para frente.

Lee não é exatamente o sujeito certo para ajudar na vida dos outros, já que sua própria vida é um caos desde que uma tragédia destruiu seu casamento alguns anos antes. Ele foi embora de Manchester justamente por causa dos traumas de um passado trágico, que ele prefere esquecer. Seu retorno assim não é algo que ele desejasse fazer. E para sua surpresa ele descobre no testamento de seu irmão que terá que, a partir de agora, cuidar do sobrinho pois se torna seu tutor legal. Como se isso não fosse ruim o bastante Lee ainda precisa lidar com sua ex-esposa, que ainda mora em Manchester, se casou novamente e tem um pequeno filho. Para ele, óbvio, tudo isso é péssimo!

Assim "Manchester by the Sea" se desenvolve. É um drama pesado, longo, mas também bastante humano, mostrando um sujeito comum, um trabalhador, que precisa superar um monte de coisas ruins que aconteceram em sua vida. O roteiro é bem escrito, ao estilo fragmentado. O espectador perceberá isso logo nas primeiras cenas. O diretor Kenneth Lonergan vai contando sua história usando vários flashbacks que vão surgindo sem aviso prévio. Tudo, de maneira em geral, vai se formando na própria mente de Lee, através de lembranças. Gostei desse estilo narrativo, pois é bem elegante.

Esse filme foi produzido por Matt Damon que inclusive iria interpretar o personagem Lee. Isso só não aconteceu porque ele foi para a China filmar seu novo filme e não houve tempo suficiente para retornar aos Estados Unidos. Assim o próprio Damon escalou Casey Affleck para o papel, uma escolha que se mostrou muito acertada, por Casey tem esse estilo de cara comum, que nunca parece estar em paz consigo mesmo. Já Michelle Williams precisa repensar um pouco sua carreira. Não que ela esteja ruim em cena, pelo contrário, seu papel é um dos melhores dos últimos anos, o problema é que Michelle parece ter se especializado ultimamente em interpretar apenas mulheres sofridas, deprimidas, quase como uma imagem no cinema de sua vida real. Uma mudança de ares seria bem-vinda.

Manchester À Beira-Mar (Manchester by the Sea, Estados Unidos, 2016) Direção: Kenneth Lonergan / Roteiro: Kenneth Lonergan / Elenco: Casey Affleck, Michelle Williams, Kyle Chandler, Lucas Hedges / Sinopse: O filme "Manchester by the Sea" conta a história de Lee Chandler (Casey Affleck), um sujeito comum que precisa voltar para sua cidade natal Manchester para cuidar do funeral de seu irmão. Uma vez lá ele precisará enfrentar velhos traumas e fantasmas de seu próprio passado. Filme premiado no Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator - Drama (Casey Affleck). Também indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator (Casey Affleck), Melhor Ator Coadjuvante (Lucas Hedges), Melhor Atriz Coadjuvante (Michelle Williams), Melhor Direção (Kenneth Lonergan) e Melhor Roteiro Original (Kenneth Lonergan).

Pablo Aluísio.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Garotas Selvagens

Título no Brasil: Garotas Selvagens
Título Original: Wild Things
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Mandalay Entertainment
Direção: John McNaughton
Roteiro: Stephen Peters
Elenco: Kevin Bacon, Matt Dillon, Neve Campbell, Denise Richards, Theresa Russell, Robert Wagner, Bill Murray
  
Sinopse:
O professor Sam Lombardo (Matt Dillon) é detido, acusado de ter estuprado uma aluna, Kelly Van Ryan (Denise Richards), de uma tradicional família da Flórida. O detetive Ray Duquette (Kevin Bacon) começa então a investigar o caso e encontra furos e histórias mal contadas. Mesmo com a testemunha de Suzie Toller (Neve Campbell), outra aluna, de origem humilde, ele acredita que a verdade não está com a versão que as garotas contam.

Comentários:
Nunca gostei muito desse filme, isso apesar de contar com um ótimo elenco, uma mistura esperta entre veteranos e estrelas jovens em ascensão. A tentativa de tornar tudo sensual em uma história de cobiça, luxuria e traição, só funciona em termos. Quando tudo desanda para a (quase) vulgaridade, o filme se perde bastante. É um filme curioso também porque foi produzido pelo ator Kevin Bacon que usou seu prestígio pessoal e amizades no meio cinematográfico para trazer gente como Robert Wagner e Bill Murray em pequenas pontas. Também foi o filme que transformou as gatinhas adolescentes Neve Campbell e Denise Richards em musas sensuais para os jovens dos anos 90. Pena que nenhuma delas acabou fazendo uma carreira mais consistente nos anos que viriam. Pelo visto, como costumava dizer John Lennon, um rostinho bonito só dura alguns anos, depois se não tiver talento dramático real a carreira entra em pane, levando todas elas para um ostracismo. Então é isso, hoje em dia "Wild Things" já nem parece mais tão selvagem, embora na época de seu lançamento tenha chamado bastante a atenção. Revisto, vale como mera curiosidade.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Ouija: Origem do Mal

De tempos em tempos Hollywood consegue produzir bons novos filmes usando para isso apenas de velhas ideias. Um exemplo vem desse "Ouija: Origem do Mal". A premissa é simples: após a morte de seu marido, Alice Zander (Elizabeth Reaser) precisa ganhar a vida de algum jeito. Ela tem duas filhas para criar, um adolescente e uma garotinha de nove anos. Para isso ela arruma uma sala em sua casa para receber espíritos de pessoas falecidas, queridas de seus familiares. Claro que tudo é uma fraude, um "teatrinho" como ela gosta de dizer. O importante é ganhar dinheiro em cima das crenças dos outros.

Os problemas começam quando ela compra um tabuleiro Ouija, muito popular nos Estados Unidos na década de 1960 (na mesma época em que a história do filme se passa). Esse "jogo" era usado para que os vivos pudessem se comunicar com os mortos. Só era necessário respeitar três regras básicas: 1. Nunca jogar sozinho. 2. Nunca jogar em um cemitério e 3. Sempre diga adeus no fim das sessões. Claro que uma vez colocadas as regras elas serão desrespeitadas pelos personagens, dando origem a um surto de manifestações sobrenaturais demoníacas que vão literalmente infernizar a vida de toda a família.

Para dar aquele jeitão de filme antigo, o diretor Mike Flanagan introduziu alguns pequenos elementos que vão passar até despercebidos por muitos espectadores. O logotipo da Universal Pictures que abre o filme é o mesmo que era utilizado antigamente pelo estúdio. Há "marcas" na película, algo comum em antigos projetores de cinema que informavam aos exibidores a hora de trocar os rolos dos filmes nos cinemas e por aí vai. Cinéfilos mais experientes certamente vão notar essas peculiaridades cinematográficas.

No elenco eu destacaria, como não poderia deixar de ser, a atriz mirim Lulu Wilson que interpreta a garotinha possuída Doris! Ela impressiona ora parecendo inocente, ora mordaz, ora demoníaca, provando que talento realmente não tem idade. Ajudada por efeitos digitais bem oportunos (e nada gratuitos) para se contar esse enredo, ela se torna a alma do filme. O roteiro, como já escrevi, utiliza velhos elementos bem conhecidos dos fãs de terror (a casa com passado obscuro, a menina possuída, o padre exorcista, etc), mas tudo muito bem coordenado, nos lugares certos. Na parte final o filme derrapa um pouquinho, isso é verdade, mas quando isso acontece o espectador já foi presenteado com um dos bons filmes de terror do ano. Assim pude conferir que a boa recepção que teve por parte da crítica americana não foi em vão. É de fato um bom filme de horror, acima da média do que se vê por ai. Que venham outros com a mesma qualidade.

Ouija: Origem do Mal (Ouija: Origin of Evil, Estados Unidos, 2016) Direção: Mike Flanagan / Roteiro: Mike Flanagan / Elenco: Elizabeth Reaser, Lulu Wilson, Annalise Basso, Henry Thomas / Sinopse: Garotinha de nove anos é possuída por demônios após sua mãe comprar um tabuleiro Ouija e trazer para casa. Agindo de forma estranha, escrevendo em línguas estrangeiras, tendo surtos de possessão, ela chama a atenção do padre da escola católica onde estuda, dando origem a uma luta entre as forças do bem e do mal.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Aliados

Casablanca, Marrocos. II Guerra Mundial. O agente canadense Max Vatan (Brad Pitt) desce de paraquedas no meio do deserto para uma missão importante: assassinar o embaixador nazista na região. Para isso ele precisa contar com um disfarce e se torna o "marido" de outra agente, a francesa Marianne Beauséjour (Marion Cotillard), que trabalha para os alemães. O primeiro obstáculo a vencer é conseguir ter acesso ao embaixador e para isso eles precisam ser convidados para a festa de recepção dele, a ser celebrada dentro de alguns dias. Será que conseguirão?

Assim começa esse novo filme estrelado pelo ator Brad Pitt. Logo nas primeiras cenas descobrimos as reais intenções do diretor Robert Zemeckis. Veterano, colecionador de sucessos de bilheteria (tais como os filmes  da franquia "De Volta Para o Futuro"), ele aqui quis reproduzir o clima e o estilo dos antigos filmes clássicos de espionagem passados na II Guerra. A referência mais óbvia é justamente o próprio "Casablanca" de Michael Curtiz, considerado um dos melhores filmes de todos os tempos. Tentar atingir algo tão elevado? É óbvio que uma tentativa assim não teria muitas chances de dar certo.

E realmente o filme se perde em um aspecto essencial: seu roteiro! Desde o começo ficamos com aquela sensação ruim de que nada do que vemos na tela tem verossimilhança, nada é muito convincente. A paixão que nasce entre os dois protagonistas não convence, as cenas de ação (como o atentado ao embaixador alemão em Marrocos) também não convence e a guinada que o filme toma em determinado momento - de filme de espionagem para romance piegas - é ainda pior do que tudo isso. De repente o frio e objetivo agente interpretado por Pitt vira uma maridão apaixonado demais, piegas, bobão e... muito chato! Claro que haverá uma grande reviravolta para mudar isso, porém a que preço? A produção é luxuosa, os figurinos são realmente excelentes, porém isso é pouco para justificar esse roteiro cheio de problemas.

Como eu escrevi, um dos problemas vem do fato do filme falhar ao tentar passar paixão entre os personagens interpretados pelo casal Brad Pitt e Marion Cotillard. Supostamente era para existir uma paixão avassaladora entre eles. O espectador porém nunca ficará convencido sobre isso. Ela ainda dá mostras de vivacidade, de ter uma personalidade mais envolvendo e cativante. Ele porém está muito mal em cena. Pitt desfila sua cara de tédio e preguiça por praticamente todos os momentos. Ele realmente está sorumbático. Na primeira parte do filme, quando ele precisa ser um agente mortal e calculista, isso até que ainda funciona, mas depois sua interpretação vai decaindo, ficando óbvio que ele não está muito interessado em atuar bem. O saldo final de tudo isso é que simplesmente não se consegue, nos dias atuais, se reviver o charme e a elegância daqueles antigos filmes. Isso é algo que se perdeu com o tempo. Não tem mais volta!

Aliados (Allied, Estados Unidos, 2016) Direção: Robert Zemeckis / Roteiro: Steven Knight / Elenco: Brad Pitt, Marion Cotillard, Jared Harris, Camille Cottin / Sinopse: Max Vatan (Brad Pitt) e Marianne Beauséjour (Marion Cotillard), dois agentes aliados no Marrocos ocupados por tropas nazistas, precisam cumprir uma missão perigosa: matar o embaixador alemão na região. Nesse meio tempo acabam se apaixonando um pelo outro. Filme indicado ao Oscar e ao BAFTA Awards na categoria de Melhor Figurino (Joanna Johnston).

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Regras do Jogo

Título no Brasil: Regras do Jogo
Título Original: Rules of Engagement
Ano de Produção: 2000
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: William Friedkin
Roteiro: Jim Webb, Stephen Gaghan
Elenco: Tommy Lee Jones, Samuel L. Jackson, Guy Pearce, Ben Kingsley, Bruce Greenwood, Anne Archer
  
Sinopse:
O Coronel Terry Childers (Samuel L. Jackson) é levado para ser julgado em uma corte marcial pela acusação de que teria atirado em civis desarmados durante a tentativa de ocupação da embaixada americana no distante e conturbado Iêmen, no Oriente Médio. O militar se defende da acusação dizendo que tudo foi necessário, diante da gravidade da situação. Filme indicado ao BET Awards na categoria de Melhor Ator (Samuel L. Jackson).

Comentários:
Um filme dirigido pelo cineasta William Friedkin, o mesmo de "O Exorcista". Aqui ele deixou o terror de lado para dirigir um drama de tribunal militar, numa história que foi parcialmente inspirada em fatos reais. O enredo explora um longo flashback mostrando a tentativa de invasão de uma embaixada no Oriente Médio, quando o comandante militar encarregado da segurança do corpo diplomático americano decidiu abrir fogo contra manifestantes civis que tentavam invadir o lugar. Levado à corte marcial se impõe o caso: teria ele cometido algum crime ou apenas se defendeu de uma multidão em delírio? O elenco é bem acima da média, contando não apenas com Samuel L. Jackson (naquela que provavelmente foi sua melhor atuação na carreira), mas também com um inspirado Tommy Lee Jones interpretando um coronel linha dura chamado Hayes 'Hodge' Hodges. Esse tipo de interpretação aliás sempre foi especialidade do durão com cara de poucos amigos Jones. No saldo geral é um filme muito bom, muito coeso, com roteiro extremamente bem escrito. Mesmo que você não goste muito de filmes de tribunais, certamente vai acabar apreciando essa produção por causa de seus méritos cinematográficos. Esse filme é certamente um item para ter em sua coleção.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Senhor da Guerra

O filme se passa na Idade Média, em pleno auge do Feudalismo. O cavaleiro Chrysagon (Charlton Heston) recebe de seu Duque um feudo para administrar, um lugar isolado na Normandia (norte da França). A região é cheia de pântanos e terras alagadas, mas tem uma vila promissora, formada por descendentes dos antigos Druídas. Embora esse povo seja cristianizado eles ainda procuram manter antigos rituais do paganismo antigo. Assim que chega o novo senhor feudal descobre que o lugar não é muito bem protegido e sofre constantes invasões de povos do norte.

Para sua segurança existe apenas uma torre única no litoral, uma fortaleza de combate não muito eficiente. Chrysagon então tenta organizar militarmente uma defesa, mas sempre sabendo que ela nunca será muito poderosa. Ao mesmo tempo ele acaba se apaixonando por uma moradora local, uma jovem muito bonita que já está comprometida com um camponês. A tensão aumenta entre ele e os camponeses e vai ficando cada vez pior, principalmente após ele exigir o direito de ficar na primeira noite com a noiva (uma velha tradição medieval). A partir daí o cavaleiro descobre que precisará enfrentar não apenas os invasores estrangeiros, mas o próprio povo que vive naquele feudo.

"O Senhor da Guerra" não deixa de ser um filme muito interessante por explorar e mostrar os costumes da Idade Média, alguns deles bem estranhos ao nosso tempo (como o tal direito da primeira noite com as noivas recém casadas). Isso cria um certo problema pois o protagonista interpretado pelo astro Charlton Heston acaba se tornando aos olhos do público atual um sujeito antipático, opressivo, autoritário e em muitos aspectos sem valores morais. Como torcer por alguém assim em um filme? Complicado. Não é de se admirar que em determinado momento passemos a torcer mais pelos camponeses oprimidos do que pelo Senhor feudal de Heston.

Cinematograficamente falando porém o filme é muito bom. Tem ótimos cenários (com destaque para a fortaleza da torre única) e boa reconstituição de época. Há também ótimos diálogos, todos herdados da peça de teatro original em que o roteiro foi inspirado. A insistência também em explorar cenas dentro da fortaleza, em cenário único, se explica justamente por causa das origens teatrais da história. Curiosamente as cenas de batalhas mostrando táticas medievais de guerra acabam roubando o show nos momentos finais do filme. Com isso o romance de Heston e a camponesa (interpretada pela linda atriz canadense Rosemary Forsyth) acaba ficando em segundo plano.

O Senhor da Guerra (The War Lord, Estados Unidos, 1965) Direção: Franklin J. Schaffner / Roteiro: John Collier, Millard Kaufman/ Elenco: Charlton Heston, Richard Boone, Rosemary Forsyth, Maurice Evans / Sinopse: O cavaleiro Chrysagon (Charlton Heston) é enviado por seu Duque para tomar conta de um feudo distante, no norte da França. Uma vez lá começa a ter problemas com invasores do norte, vindos pelo mar, e com o próprio povo de origem druída que vive no lugar.

Pablo Aluísio.

A Sombra de Chikara

Título no Brasil: A Sombra de Chikara
Título Original: The Shadow of Chikara
Ano de Produção: 1977
País: Estados Unidos
Estúdio: Embassy Pictures
Direção: Earl E. Smith
Roteiro: Earl E. Smith
Elenco: Joe Don Baker, Sondra Locke, Ted Neeley, Dennis Fimple
  
Sinopse:
Com o fim da Guerra Civil Americana, ex-soldados confederados passam a vagar pela imensidão do deserto do oeste americano. Nessas terras isoladas e hostis eles acabam conhecendo uma velha lenda nativa que afirma que há tesouros escondidos nas montanhas do Arkansas. Eles decidem então ir em busca da fortuna, mas acabam descobrindo que forças desconhecidas e sobrenaturais protegem aquele santuário perdido.

Comentários:
Filme de faroeste dos anos 1970 que não deixa de ser muito curioso e interessante, principalmente pela exploração por parte do roteiro de aspectos referentes ao sobrenatural e ao misticismo. Pegando carona no sucesso da época de filmes de terror, o diretor e roteirista Earl E. Smith tentou criar um filme que fosse ao mesmo de western e terror, tentando unir os dogmas de ambos os gêneros cinematográficos. Não ficou uma obra prima, longe disso, mas também passa longe de ser uma bomba ou uma decepção. Há elementos que realmente fazem com que o espectador fique atenta aos acontecimentos até o fim do filme. Smith conseguiu realmente, de fato, explorar bem o suspense, o inexplicável e o mistério. No elenco não há grandes astros e estrelas, apenas a atriz Sondra Locke é mais conhecida dos fãs de filmes de western, principalmente por ela ser casada na época com Clint Eastwood, que dizem alguns boatos, também ajudou na realização desse filme de western e magia! Enfim, uma obra bem interessante, curiosa e bem fotografada, toda filmada nas terras onde nasceu o ex-presidente americano Bill Clinton. Coloque em sua lista, a conferir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Nascimento de Uma Nação

O filme conta a história real de um escravo negro chamado Nat Turner. Ele viveu em Southampton, na Virgínia, sul dos Estados Unidos, no século XIX. Nascido e criado em uma fazenda de algodão ele poderia ter sido apenas um dos milhares de escravos que existiam nas extensas fazendas sulistas se não fosse por um detalhe que o diferenciava dos demais: ele aprendeu a ler e começou a estudar o evangelho. Naqueles tempos isso era extremamente raro pois a imensa maioria dos cativos eram analfabetos. Isso despertou a curiosidade dos demais fazendeiros brancos que começaram a pagar ao seu dono para levá-lo para pregar aos demais escravos da região.

Em um primeiro momento poderia até parecer que isso seria uma atitude caridosa dos donos de escravos, porém as intenções eram outras. Eles determinavam a Nat que ele apenas recitasse e ensinasse os trechos bíblicos que justificavam a escravidão, uma forma de amenizar e reprimir os desejos de rebelião dos escravos negros. Assim Nat nada mais era do que um instrumento a mais de dominação e repressão e não um verdadeiro pregador da mensagem bíblica. Aos poucos porém ele vai percebendo a deplorável situação de seus irmãos, muitos deles submetidos a torturas, castigos físicos e toda série de brutalidades que se possa imaginar. A partir desse ponto não é complicado imaginar o sentimento de revolta que acabou tomando conta de seus pensamentos e atos. Após ser brutalmente chicoteado, apenas por ter batizado um homem branco, Nat resolveu então liderar uma revolta de escravos, dando origem a um conflito sangrento que entrou para a história.

Esse é um excelente filme. Ele foi prejudicado nos Estados Unidos em seu lançamento porque o ator e diretor Nate Parker foi acusado de estupro, justamente na semana em que o filme chegava nos cinemas americanos. Isso fez com que a imprensa se concentrasse apenas nisso, deixando os méritos cinematográficos dessa produção completamente de lado. Uma pena. O filme conta uma história relevante, desconhecida até mesmo pelos negros americanos. Seria o resgate histórico da figura de Nat Turner, que apesar de ter escolhido os meios errados pela luta de sua causa, teve o importante papel de ser um dos pioneiros na busca pela liberdade dos escravos de sua época. Por fim um dado histórico estarrecedor: a história de Nat e sua rebelião serviram de justificativa para que uma lei fosse aprovada na Virgínia. Essa lei determinava que era proibido, a partir daquele momento, o ensino e aprendizado dos escravos negros, ou seja, era proibido ensinar a um escravo a ler e escrever. Tempos completamente obscuros eram aqueles.

O Nascimento de Uma Nação (The Birth of a Nation, Estados Unidos, 2016) Direção: Nate Parker / Roteiro: Nate Parker / Elenco: Nate Parker, Armie Hammer, Penelope Ann Miller / Sinopse: Nat Turner (Nate Parker) é um jovem escravo que decide liderar uma rebelião pela liberdade de seu povo no sul racista dos Estados Unidos do século XIX, dando origem a um verdadeiro banho de sangue entre negros e brancos. Filme indicado aos prêmios da African-American Film Critics Association (AAFCA) e Black Reel Awards.

Pablo Aluísio.

Boca do Inferno

Título no Brasil: Boca do Inferno
Título Original: Nothing Left to Fear
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Anchor Bay Films / Slasher Films
Direção: Anthony Leonardi III
Roteiro: Jonathan W.C. Mills
Elenco: Anne Heche, Clancy Brown, Jennifer Stone

Sinopse: 
Um pastor da cidade grande aceita o convite para assumir uma pequena igreja no interior dos Estados Unidos. O antigo pastor está se aposentando e assim ele se muda para a comunidade para conhecer todos. É uma cidade pacata, onde todos os moradores se conhecem entre si. Inicialmente todos os recebem muito bem mas o local guarda um terrível segredo que vai se revelar aos poucos para todos os membros de sua família.

Comentários:
Esqueça o horrível título nacional (que de certa forma acaba entregando parte da trama). Para surpresa geral esse "Nothing Left to Fear" é realmente bom! O grande diferencial vem no roteiro. De forma bem inteligente e criativa o texto explora um trecho por demais conhecido do velho testamento para trazer uma realidade sobrenatural aos dias atuais. E isso funciona muito bem. As referências bíblicas são utilizadas de forma muito sutil e curiosa. Esse é o tipo de enredo que vai se revelando aos poucos ao espectador que vai montando o quebra-cabeça lentamente. Isso  por si só já é um aspecto por demais positivo pois cria um clima muito envolvente mas há mais. Efeitos digitais pontuais e bem realizados garantem a harmonia da produção. Alguns dirão que a trama é bem interessante até o momento em que se revela completamente mas penso um pouco diferente. Mesmo após tudo revelado ainda restam detalhes muito interessantes para chamar a atenção. Assim fica a dica desse "Boca do Inferno", um filme de terror que conseguiu extrair de uma velha história da bíblia um misto de terror e medo que vai agradar aos fãs do gênero.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O Perdão de Jesus - Setenta Vezes Sete

Em determinado momento do evangelho segundo Mateus 18:22, o apóstolo Pedro pergunta a Jesus sobre o perdão. Quantas vezes deveria se perdoar ao próximo? Sete vezes? Jesus respondeu: "Não digo que se deve perdoar sete vezes, mas sim setenta vezes sete!". Essa expressão "setenta vezes sete" significava no tempo de Jesus o mesmo que "sempre!", ou seja, deve-se perdoar sempre ao próximo, sem limites!

Ao longo da vida certamente alguém nos ofenderá, nos trairá, nos magoará. Faz parte da natureza humana. O que propõe Jesus é que o cristão perdoe sempre. Claro que a ofensa, a traição e a deslealdade não ficaram em vão. Aqueles que cometem esses tipos de atitudes responderão perante Deus, porém apenas a Deus. Não cabe ao homem a vingança, a justiça pelas próprias mãos e o justiçamento. A Deus cabe a punição, ao homem só caberá o perdão, porque a mágoa, a raiva, a ira e os sentimentos negativos apodrecem a alma do homem.

A expressão "setenta vezes sete" usada por Jesus nessa parte do evangelho pode ser encontrado em outras partes da Bíblia, principalmente no velho testamento. Em Gênesis 4:24 lemos o seguinte trecho: "Porque sete vezes Caim será castigado; mas Lameque setenta vezes sete." Em outras palavras, certamente Caim pagará por seu pecado, mas Lameque será castigado pela eternidade por aquilo que fez.

Assim Jesus segue os ensinamentos dos antigos profetas. Salmos já deixava claro que a Deus cabe a justiça, não ao homem. "O Senhor faz justiça e juízo a todos os oprimidos." Em Romanos 12:19 temos a essência de tudo o que foi escrito: "Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor." A vingança, a justiça divina pertencem a Deus. Não cabe ao homem se colocar no lugar de Deus, pois ao fazer isso estará infringindo as leis divinas. Cabe ao homem apenas perdoar e entregar a Deus tudo o que de mal lhe foi feito. A justiça de Deus não falhará jamais!

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Cinema: Estreias da Semana (17/02 a 22/02)

Ok, hora de conferir as estreias da semana. Como acontece sempre temos um filme de ponta no circuito comercial que serve de cavalo de batalha para os demais. Nessa semana esse papel cabe ao novo filme de Brad Pitt, "Aliados". Em breve vou publicar uma resenha aqui sobre essa produção dirigida por Robert Zemeckis. O enredo mistura II Guerra Mundial, espionagem e Casablanca! Ei, não seria uma espécie de remake do clássico de Humphrey Bogart? Calma, ainda é cedo para chegar a esse tipo de conclusão. De qualquer maneira esse filme é um dos obrigatórios dessa semana, não apenas pelo tema vintage, mas também pelos nomes envolvidos.

Outro lançamento comercial da semana com potencial de gerar bastante bilheteria é "John Wick - Um Novo Dia Para Matar", filme de ação estrelado por Keanu Reeves e Laurence Fishburne. Vou logo adiantando que não gostei do primeiro filme (essa é a sequência), uma vez que esses filmes seguem uma linha bem exagerada mesmo, não é apenas um filme de ação como tantos outros. É ação impossível que beira o nonsense. Até o poster promocional vai por essa linha, com centenas de armas apontadas para a cabeça de Reeves! Pelo visto hoje em dia o que não for exagerado ao extremo corre o risco de ser ignorado pelo público jovem nos cinemas. Sinal dos tempos.

Para quem gosta de filmes mais alternativos, do gênero drama, indico "Lion - Uma Jornada Para Casa", a história de um garoto indiano que se perde dos pais. No elenco o grande chamariz é a estrela Nicole Kidman. O que será que deu nela para atuar em filmes como esse, tão fora da rota do cinemão americano? Já no documentário "Eu Não Sou Seu Negro", o ator Samuel L. Jackson narra a odisseia que o livro "Remember This House" percorreu desde que foi escrito. Tendo como tema as mortes de líderes do movimento negro americano, esse manuscrito ficou anos perdido, sendo reencontrado apenas após várias décadas. Um filme, digamos, curioso. Só será exibido em poucas salas pelo Brasil. Especialmente indicado para quem estiver em busca de um cinema de causa, ativista, principalmente em relação às minorias.

E para fechar a semana aqui vão algumas dicas de filmes para os admiradores de cinema cult em geral: "A Cura", produção alemã, que mostra um executivo em tratamento com águas milagrosas nos Alpes suícos; "Um Homem Chamado Ove" sobre um aposentado dinamarquês mau humorado que vê seus dias passando de forma lenta e entediante; "Eu, Olga Hepnarová", drama polonês e tcheco sobre a vida de uma homossexual reprimida por sua sociedade e finalmente a animação de arte "A Tartaruga Vermelha", sobre um homem naufragado e uma incomum visitante da natureza que vem para lhe ajudar. Bucólico e ecológico, uma graça de filme. Vale o ingresso.

Pablo Aluísio.

Anjos da Noite: Guerras de Sangue

Título no Brasil: Anjos da Noite - Guerras de Sangue
Título Original: Underworld - Blood Wars
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Lakeshore Entertainment
Direção: Anna Foerster
Roteiro: Cory Goodman, Kyle Ward
Elenco: Kate Beckinsale, Theo James, Tobias Menzies, Lara Pulver, Charles Dance

Sinopse:
A vampira Selene (Kate Beckinsale) agora é uma completa pária, tanto entre os lycans como entre os vampiros. Todos querem vê-la morta! As coisas mudam porém quando se descobre que sua filha poderia ser uma peça chave na guerra entre os clãs. A garotinha, uma híbrida, poderia conter o segredo para a vitória em uma guerra que já atravessa os séculos e não parece ter fim! Selene porém está disposta a defender sua filha a todo custo, sem pensar duas vezes. Após ser contactada para treinar os guerreiros vampiros, ela descobre que caiu em uma armadilha, uma traição que poderá custar sua existência.

Comentários:
Uma das coisas que sempre me irritaram nessa franquia "Underworld" e que em todos os filmes, sem exceção, a fotografia sempre se mostrou extremamente escura, absurdamente negra, onde em determinados momentos o espectador não consegue ver nada - mesmo nas melhores salas de cinema! Aqui o velho problema continua o mesmo, principalmente quando os lobisomens atacam (seria uma forma de esconder o fato de que os efeitos especiais não são assim tão bons?). A única diferença mais notável nesse novo filme vem da direção de arte de uma forma em geral. O velho visual ao estilo Matrix foi substituído por algo mais na linha "Game of Thrones". Já era hora de mudanças! Claro, Selene continua com sua roupa de couro negro, mas fora isso, todos os demais personagens parecem ter saídos da famosa série! E as semelhanças não param por aí, os roteiristas criaram inclusive um clã de vampiros que vive isoladamente em terras do norte, um lugar completamente congelado por um inverno que parece eterno, tudo protegido por uma enorme muralha (uma óbvia referência à Patrulha da Noite). Pois bem, se há inovações nesses aspectos periféricos o mesmo não se pode dizer isso em relação ao roteiro. Eles seguiram na mesma linha, com Selene no meio da guerra entre vampiros e lycans. Esse é o quinto filme da franquia, por isso resolveram apostar no mais do mesmo, no que deu certo antes, sem mudar muitas coisas. Penso que os fãs vão gostar, porém os cinéfilos em geral, aqueles que apenas estão em busca de uma boa diversão, a coisa pode soar bem decepcionante. Além de praticamente não conseguir enxergar quase nada (por causa da escuridão das cenas) corre-se o risco de ficar entediado já nas primeiras sequências. Penso que chegou a hora de encerrar "Underworld" pois já se está andando em círculos há bastante tempo. Melhor encerrar antes de ficar completamente ridículo, não é mesmo? No geral é apenas mais um filme da série, sem nada muito interessante. Nenhum efeito especial exuberante e sem nenhuma mudança mais significativa em termos de roteiro. Enfim, um verdadeiro zero a zero no placar.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.