sábado, 30 de maio de 2009

Elvis Presley - Elvis e Marilyn Monroe?

Ao longo de vários anos como dono de site sobre Elvis Presley recebi inúmeros E-mails com dúvidas sobre a vida dele. As perguntas eram de todos os tipos imagináveis, iam desde dúvidas sobre aspectos técnicos de sua carreira (como por exemplo qual era a marca de violão que Elvis mais gostava) até aspectos de sua intimidade e vida pessoal (perdi a conta, por exemplo, de quantos Emails me foram enviados perguntando quando e com quem teria sido a primeira vez de Elvis, etc).

Ano passado (ou foi no anterior?) correu pela internet a suposta história de que Elvis teria tido um rápido affair com a atriz Marilyn Monroe em Hollywood quando ambos estavam por lá filmando nos mesmos estúdios de cinema. Fato ou ficção? Realmente para o imaginário popular poucos romances seriam tão eletrizantes quanto esse, envolvendo dois dos maiores símbolos sexuais que se tem notícia na história. Já imaginaram a repercussão de um relacionamento desses na imprensa da época? Seria um dos maiores acontecimentos sociais da história da cultura pop recente, com absoluta certeza.

Eu particularmente adoraria que fosse verdade. Sou fã assumido de ambos os mitos e acho que eles foram marcos na nossa cultura que nunca mais serão superados. Fizeram parte de uma época e de um tempo que simplesmente não terá similar. Os anos 50 e 60 foram especiais pois representaram a ruptura de uma sociedade dita inocente para a plena liberdade que a revolução cultural, sexual e social proporcionou a todos. Mas enfim, tiveram ou não um romance? A versão On line era curiosa, pois trazia detalhes picantes interessantes, como encontros às escondidas de Elvis e Marilyn em hotéis da Sunset Boulevard, com Elvis declamando melosos versos de amor para ela (com destaque para alguns retirados de suas próprias canções dos filmes dos anos 60).

Porém nada disso é verdade, infelizmente. Nada aconteceu de fato. Por mais incrível que isso possa parecer sequer existem registros de um encontro, mesmo que casual, entre os dois mitos. A razão é até simples de explicar: Elvis raramente se socializava com os demais atores dos estúdios. Poucas foram suas amizades no meio. Dentro dos estúdios Elvis podia até mesmo se envolver com alguma de suas partners (como aconteceu várias vezes) mas fora do set de filmagem de seus próprios filmes Elvis raramente encontrava alguém famoso. Seus encontros com astros da época são raros e podem ser citados nos dedos: o aniversário realizado no set de GI Blues com a presença de Dean Martin, por exemplo, é uma grande exceção.

Elvis também trabalhou relativamente pouco no estúdio em que Marilyn fez praticamente todos os seus filmes: a 20th Century Fox. Nesse estúdio Elvis realizou seu primeiro filme (Love Me Tender) mas não na mesma época em que Marilyn estava filmando algum de seus filmes. Depois Presley só voltaria a filmar na Fox no começo dos anos 60 e por essa época seria pouco provável ele esbarrar com Marilyn (ela estava tendo diversos problemas pessoais e praticamente não comparecia mais regularmente aos sets de filmagens). As datas de filmagens dos filmes de Marilyn e Elvis também não bateram em nenhum momento. Enfim, um encontro casual pelos corredores da Fox, que seria o caminho mais provável para ambos se conhecerem, jamais aconteceu.

O outro local mais certeiro para ambos um dia se encontrarem em Hollywood seria nas famosas festas de celebridades dos grandes estúdios, mas Elvis detestava esses eventos sociais e jamais comparecia a eles. Assim nunca sequer trocaram um mero aperto de mãos. Outro aspecto a se considerar: embora para nós ambos fossem o par perfeito, dos sonhos, a realidade não era bem assim. Elvis era bem mais jovem que Marilyn (ela nascida em 1926 e ele em 1935). Nada contra relacionamentos envolvendo mulheres mais velhas com homens mais jovens mas isso definitivamente não era o estilo de Elvis, que sempre preferia as bem mais jovens (Priscilla tinha 14 anos quando o conheceu).

Elvis também não simpatizava com mulheres independentes e se fossem starlets a situação seria ainda pior (talvez a única exceção em toda a sua vida tenha sido o romance com a atriz Ann Margret, que mesmo assim não foi adiante). Marilyn por sua vez também já tinha a sua enorme lista de conquistas amorosas, que jamais incluiu Elvis Presley. Anos atrás inclusive foi achado um manuscrito escrito por ela intitulado "Os dez homens que gostaria de levar para a cama". Na lista constam dez nomes, incluindo outros famosos como Marlon Brando, mas não Elvis. Desses dez os seus principais biógrafos afirmam que Marilyn conseguiu seu objetivo com sete deles. Nenhuma vez o nome de Elvis é mencionado. A principal biografia de Marilyn escrita até hoje, intitulada "A Deusa", fruto de uma intensa pesquisa sobre sua vida, nada fala sobre um suposto romance entre ela e Elvis. idem para as biografias que tratam sobre a vida de Elvis. Enfim, o romance do século jamais aconteceu e ficou apenas na nossa imaginação. Não seria ótimo? Pena que não foi verdade. Não é à toa que Hollywood é até hoje conhecida como a Terra das Ilusões... Não custa nada sonhar de vez em quando. Era bom demais para ser verdade.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Elvis Presley - FTD Long, Lonely Highway

Esse CD do selo FTD é bem curioso por vários motivos. Um deles é sua capa. Perceba que é antes de tudo uma homenagem à capa do disco Elvis Golden Records vol. 2, uma das mais lembradas da carreira do cantor. Com fundo branco e várias figuras de Elvis a capa fez escola sendo bastante imitada por outros artistas, inclusive no Brasil. É aquela coisa, nem sempre uma boa ideia precisa ser megalomaníaca ou exagerada para marcar época. A simplicidade do design chama muito atenção até nos dias de hoje. Outro aspecto curioso desse título é a grande quantidade de takes iniciais presentes (takes 1 ou 2, por exemplo). Esse tipo de gravação é relevante pois traz a primeira tentativa de acertar a música dentro dos estúdios. Certa vez escrevi sobre a grande eficiência de Elvis Presley dentro dos estúdios, geralmente gravando um LP inteiro em apenas uma ou duas noites.

Pois bem, esse CD mostra bem isso. Quando a luz acendia dentro da cabine de gravação Elvis já estava praticamente pronto ao lado de seus músicos. Muitos takes inicias são praticamente iguais às masters oficiais que conhecemos. Elvis chegava lá e resolvia como regra geral tudo de forma rápida e o mais importante, com qualidade. Com Elvis Presley certamente não se aplicava o velho lema de que "A Pressa é inimiga da perfeição". "Long Lonely Highway" foca nos anos 60, com gravações que vão desde o começo da década até praticamente seu final. Muitas pessoas que escrevem sobre música ainda insistem em qualificar essa fase de Elvis como um período de menor qualidade musical por parte do cantor, onde ele teria deixado o rock mais visceral de seus primeiros discos por um som mais suave, de romantismo extremo. Bobagem. Elvis apenas seguiu a própria tendência musical que acontecia na música americana no período. Não foi Elvis que suavizou, foi a própria cultura musical do período que seguiu para um lado mais pop. De qualquer forma engana-se quem pensa que essa fase foi destituída de valor. As próprias canções aqui presentes mostram justamente o contrário.

As faixas foram retiradas principalmente das sessões que deram origem aos discos "Elvis is Back" e "Pot Luck With Elvis", além de singles e bonus songs de trilhas para filmes. Muitas delas inclusive saíram diretamente do conhecido projeto "The Lost Album", o LP nunca lançado por Elvis nos anos 60. Eu particularmente gosto muito desse material pois foi uma tentativa muito válida por parte de Elvis e banda em produzir material com maior qualidade que suas costumeiras trilhas pós 1963. Entre os destaques cito a sempre curiosa "Come What May", uma daquelas canções que caíram em um injusto limbo dentro da discografia do cantor, tanto por terem sido mal lançadas e pessimamente divulgadas, o que em absoluto tiram seus méritos em termos de qualidade sonora. Hoje o título está parcialmente ultrapassado até mesmo pelos lançamentos posteriores do selo FTD (que trouxeram muitas dessas sessões quase na íntegra) mas de qualquer forma vale a citação de seu lançamento. É um bom produto para o fã de Elvis Presley ter em casa na sua coleção.

FTD Long, Lonely Highway
01. It's Now or Never (take 1)
02. A Mess Of Blues (take 1)
03. It Feels So Right (take 2)
04. I'm Yours (take 2)
05. Anything That's Part of You (take 2)
06. Just For Old Time Sake (take 1)
07. You'll Be Gone (take 4)
08. I Feel That I've Known You Forever (take 3)
09. Just Tell Her Jim Said Hello (take 5)
10. She's Not You (take 1, WP-4)
11. Devil In Disguise (takes 2, 3)
12. Never Ending (take 1)
13. Finders Keepers, Losers Weepers (take 1)
14. Long Lonely Highway (take 1)
15. Slowly But Surely (take 1)
16. By And By (take 4)
17. Fools Fall In Love (take 4)
18. Come What May (stereo master)
19. Guitar Man (take 10)
20. Singing Tree (take 13)
21. Too Much Monkey Business (take 9)
22. Stay Away (take 2)

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Elvis Presley - FTD One Night in Vegas / FTD Too Much Monkey Business

FTD One Night in Vegas
Já tive a oportunidade de escrever um longo e detalhado review desse CD e portanto não irei me alongar em demasia. O que mais posso escrever em relação ao "FTD One Night in Vegas"? Se trata realmente de um título maravilhoso do selo FTD, muito bem organizado e completamente focado em sua proposta histórica. O CD foi gravado ao vivo durante um concerto realizado por Elvis Presley em Las Vegas durante a temporada de agosto de 1970. Essa terceira rodada de shows de Elvis é até hoje considerada uma das melhores de toda a sua carreira. Não havia mais o nervosismo da temporada inicial e nem tampouco a tensão da temporada do começo do ano, quando todos disseram que era precipitado voltar a Vegas em uma época de baixa no fluxo de turistas. Temia-se até um fracasso comercial, que de fato não aconteceu.

Assim Presley se mostra totalmente à vontade no palco, com repertório maduro e bem selecionado. O show do dia 10 de agosto surge na íntegra, o que é fantástico, pois dá uma ideia geral para o fã de Presley saber como era um concerto dele naquela época. Para completar cronologicamente o álbum o produtor Ernst Jorgensen resolveu colocar mais cinco canções gravadas no dia 4. Dessa segunda seleção o destaque vai para a versão ao vivo de "Twenty Days And Twenty Nights", uma linda balada do álbum "That´s The Way It Is" que Elvis raramente cantou em suas apresentações. Do concerto do dia 10 vale ressaltar as ótimas versões de "Words" (de seu primeiro disco ao vivo), "I Just Can't Help Believing" (a bela canção romântica que abriu o lado A da edição original de "That´s The Way It Is") e "Something" dos Beatles, ainda sem encontrar seu arranjo ideal dentro da banda de Elvis. Embora ele tivesse sérias restrições sobre as posições políticas do grupo inglês resolveu não deixar de fora de sua carreira clássicos imortais como esse, "Yesterday" e "Hey Jude", uma das poucas canções do quarteto a serem gravadas por ele em estúdio. Então é isso, esse é um título que definitivamente não pode faltar em sua coleção.

FTD One Night in Vegas - 1: Opening Theme 2: That's All Right 3: Mystery Train/Tiger Man 4: Elvis talks 5: I Can't Stop Loving You 6: Love Me Tender 7: The Next Step Is Love 8: Words 9: I Just Can't Help Believing 10: Something 11: Sweet Caroline 12: You've Lost That Loving Feeling 13: You Don't Have To Say You / Love Me 14: Polk Salad Annie / Intro: band 15: I've Lost You 16: Bridge Over Troubled Water17: Patch It Up 18: Can't Help Falling In Love 19: Words 20: Cattle Call / (Yodel) 21: Twenty Days And Twenty Nights 22: You Don't Have To Say You Love Me 23: Brigde Over Troubled Water (incomplete).

FTD Too Much Monkey Business
Esse é o patinho feio da coleção FTD. Mereceu o título. Muito ruim a ideia de se mexer nas gravações originais de Elvis. Há limites que não se devem ultrapassar sobre isso. De qualquer maneira o repertório pelo menos é de bom nível. O que liga a grande maioria das músicas desse CD é o sabor nitidamente country de praticamente todas as faixas. A country music sempre foi muito subestimada pela crítica em relação à obra do cantor. Elvis, e poucos param para pensar seriamente sobre isso, foi um grande artista country. Presley realmente vestiu mesmo a camisa desse estilo musical durante toda a sua carreira. Ele de certa maneira nasceu dentro dessa sonoridade e jamais a abandonou. Provavelmente se ainda estivesse vivo estaria lançando álbuns desse gênero até hoje!

"Too Much Monkey Business", por exemplo, foi subestimada em sua época de lançamento, mas a ouvindo hoje em dia podemos notar a força de seu sabor caipira. "Clean Up Your Own Backyard" é outra que não ganhou o destaque merecido. Além da boa letra tem uma performance incrível por parte de Elvis, que conseguiu impor uma fina ironia (diria até mesmo sarcasmo) em sua execução. Coisa de gênio realmente. "Just Call Me Lonesome" por outro lado é aquele tipo de som regional para não deixar dúvidas sobre o tipo de ritmo que Elvis estava abraçando na época. São boas músicas, boas faixas. Isso porém não é novidade pois elas já eram conhecidas desde o seu lançamento original. O CD, que se propõe a ser uma releitura do álbum póstumo "Guitar Man", assim me soa levemente descartável, apesar das boas canções presentes no repertório. Há coisas infinitamente melhores dentro do selo FTD.

FTD Too Much Monkey Business - 1: Burning Love 2: I'll Be There 3: Guitar Man 4: After Loving You 5: Too Much Monkey Business 6: Just Call Me Lonesome 7: Loving Arms 8: You Asked Me To 9: Clean Up Your Own Backyard 10: She Thinks I Still Care11: Faded Love 12: I'm Movin' On 13: I'll Hold You In My Heart14: In The Ghetto15: Long Black Limousine16: Only The Strong Survive17: Hey Jude18: Kentucky Rain19: If You Talk In Your Sleep 20: Blue Suede Shoes (Las Vegas, Aug '69).

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Elvis Presley - Close Up

Como o tempo passa rápido! Está completando 10 anos de lançamento desse box muito interessante, Close Up. Na ocasião de sua chegada nas lojas eu escrevi em meu site EPHP o seguinte texto: "A BMG Heritage anunciou em 1º de julho o lançamento de "Elvis: Close Up", um conjunto de quatro CDs que inclui amplo material até agora inédito do rei do rock'n'roll. No ano passado a RCA lançou o conjunto de CDs "Elvis Today, Tomorrow, and Forever" e a coleção "ELV1S 30 #1 Hits", num CD único, que já estreou no primeiro lugar da lista Billboard 200 e, desde então, vendeu 2,8 milhões de cópias nos Estados Unidos e no total 9.9 milhões de cópias ao redor do mundo, de acordo com a Nielsen SoundScan. O conjunto "Elvis: Close Up" inclui ao todo 89 faixas. Cada um dos quatro CDs remasterizados cobre um aspecto distinto da carreira de Elvis Presley.

O primeiro disco traz as fitas master em estéreo dos anos 50, sendo o primeiro lançamento desse tipo de "Blueberry Hill", "Loving You", "(There'll Be) Peace in the Valley (For Me)", "Don't Leave Me Now" e outras. O disco 2 traz faixas de quatro dos filmes em que Elvis trabalhou: "Saudades de um Pracinha", "Feitiço Havaiano", "Estrela de Fogo" e "Coração Rebelde". O disco traz 25 faixas nunca antes lançadas. O terceiro CD cobre as sessões que Elvis fez nos anos 60 no Estúdio B da RCA em Nashville. Estão incluídas 21 faixas de várias sessões diferentes, incluindo "Make Me Know It", "U.S. Male", "Surrender", "His Latest Flame", "The Girl of My Best Friend" e "Singing Tree". O último disco traz um concerto inteiro gravado em 18 de abril de 1972 em San Antonio, em gravação até agora inédita. O show teve 23 canções, incluindo "Burning Love", "Proud Mary", "Suspicious Minds", "Never Been to Spain", "Funny How Time Slips Away" e "Polk Salad Annie".

DISC 1 - UNRELEASED STEREO MASTERS FROM THE 50'S - 1.Peace In The Valley (Take 9 MASTER) 2.I Beg Of You (Take 11) 3.That's When Your Heartaches Begin (Take 2) 4.It Is No Secret (Take 13 MASTER) 5.Blueberry Hill (Take 9 MASTER) 6.Have I Told You Lately That I Love You (Take 15 MASTER) 7.Is It So Strange (Take 12 MASTER) 8.Loving You (FAST Take 5) 9.Jailhouse Rock (MASTER) 10.Treat Me Nice (Version 1, Take 19) 11.Young & Beautiful (Takes 11 - 13 : Take 11 is the Master which consists of Takes 21 & 22 spliced!) 12.Young & Beautiful (SOLO MASTER Take 3) 13.Young & Beautiful (NIGHT CLUB MASTER Take 7) 14.I Want To Be Free (Movie version Take 12) 15.Treat Me Nice (2nd version Take 13) 16.I Want To Be Free (Record version Take 11 MASTER) 17.Don't Leave Me Now (Takes 2 - Elvis on piano) 18.Don't Leave Me Now (Movie version Take 21) 19.Baby I Don't Care (MASTER)

DISC 2 - UNRELEASED MOVIE GEMS - 1.GI Blues (Take 6) 2.Doin The Best I Can (Takes 10 - 12) 3.Wooden Heart (Take 1) 4.Pocketful of Rainbows (Takes 15 & 16) 5.Shoppin Around (Takes 4 & 5) 6.Frankfurt Special (Takes 4 & 5) 7.Big Boots (FAST - Take 1) 8.Tonight's All Right For Love (Takes 14 & 15) 9.Summer Kisses Winter Tears (Take 2) 10.Flaming Star (Take 2) 11.Lonely Man (SOLO - Take 3) 12.In My Way (Take 2) 13.Forget Me Never (Take 1) 14.Wild In The Country (Takes 1 & 14) 15.Lonely Man (Take 1) 16.I Slipped I Stumbled I Fell (Takes 14 - 16) 17.Aloho-oe (Take 1) 18.Hawaiian Sunset (Takes 6 & 7) 19.No More (Take 11) 20.Slicin Sand (Takes 6 & 7) 21.Steppin Out Of Line (Take 15) 22.Almost Always True (Take 3) 23.Moonlight Swim (Take 4 edited) 24.Can't Help Falling In Love (Takes 14 - 16)

DISC 3 - THE MAGIC OF NASHVILLE - 1.Make Me Know It (Take 1) 2.Soldier Boy (Take 10) 3.I Feel So Bad (Take 1) 4.Girl Of My Best Friend (Take 9) 5.Surrender (Takes 5 & 6) 6.Workin' on The Building (Take 4) 7.Starting Today (Take 1) 8.Kiss Me Quick (Take 4) 9.That's Someone You'll Never Forget (Take 7) 10.His Latest Flame (Take 12) 11.I Met Her Today (Take 16) 12.Just Tell Her Jim Said Hello (Take 4) 13.Echoes Of Love (Take 8) 14.Ask Me (Take 7) 15.Stand By Me (Take 10) 16.Somebody Bigger Than You & I (Take 15) 17.Without Him (Take 8) 18.Mine (Takes 8 & 9) 19.Singing Tree (First version Take 4) 20.U.S. Male (Take 10)

DISC 4 - LIVE IN TEXAS 1972 - (Recorded "live" in San Antonio, Texas on April 18, 1972) 1.See See Rider 2.Proud Mary 3.Never Been To Spain 4.You Gave Me A Mountain 5.Until It's Time For You To Go 6.Polk Salad Annie 7.Love Me 8.All Shook Up 9.Teddy Bear / Don't Be Cruel 10.Heartbreak Hotel 11.Hound Dog 12.How Great Thou Art 13.I Can't Stop Loving You 14.Love Me Tender 15.Suspicious Minds 16.For The Good Times 17.Burning Love 18.American Trilogy 19.Funny How Time Slips Away 20.Can't Help Falling In Love

Pablo Aluísio.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Elvis Presley - Elvis at Sun

Segundo os diretores da Sony este seria o lançamento definitivo sobre os "anos Sun" da carreira de Presley. Será mesmo? Dois argumentos fortes militam contra esse "marketing". Primeiro ponto: Desde o surgimento do CD até os dias de hoje, os engenheiros de som da BMG RCA não conseguiram captar com perfeição o "Sun Sound" de Sam Phillips. Será que eles conseguem agora? Pessoalmente acho difícil, pois cada vez mais me convenço que o único formato que consegue capturar a essência das músicas na Sun é o vinil mesmo!

Os absurdos cometidos na era do CD foram tantos que até mesmo "eliminaram" o eco da Sun, que não é defeito e sim uma marca registrada do estúdio de Sam Phillips. Vamos torcer para que não ocorra outro absurdo deste tipo com esse novo CD! Segundo ponto: Onde está "Uncle Pen", a mais badalada música perdida de Elvis na Sun Records? Houve muitos boatos sobre sua existência, inclusive falou-se muito sobre seu lançamento nesse CD, o que não ocorreu. Alguns especialistas afirmam que a música realmente existe, mas que a BMG só pretenderia mostrá-la ao público no futuro, em um evento mais importante.

Outro aspecto curioso sobre as gravações de Elvis Presley na Sun Records é o fato do próprio cantor ter dito em entrevistas que "havia muito eco" nas músicas. Será que o próprio Elvis não tinha consciência da importância de seu trabalho na Sun Records? Ao que tudo indica sim, pois penso que Presley via suas faixas na Sun como um ponto importante em sua vida profissional, afinal de contas a Sun foi a primeira a lhe dar uma chance como cantor, mas o resultado técnico em sua visão deixava muito a desejar. E olhando sob um certo ponto de vista isso é algo até bem comum com alguns artistas.

Eles sempre olham para suas primeiras gravações com uma visão muito crítica pois enxergam ali a falta de experiência, o pouco domínio vocal, a falta de um arranjo mais bem elaborado, etc, etc. Mesmo não estando com o gosto pessoal de Elvis é impossível negar a importância histórica de todas as músicas da Sun Records que ele nos legou. É um momento em que realmente as canções deixaram de ser meros country para se tornar algo diferente, que viria a ser conhecido como rock. Sendo assim esse CD não é completo e nem muito menos definitivo mas vale a pena conferir, afinal o gênese do Rock ´n´Roll está aqui.

Elvis Presley - Elvis at Sun (2004)
Harbor Lights 
I Love You Because (alternate take 2)
That's All Right
Blue Moon Of Kentucky
Blue Moon
Tomorrow Night
I'll Never Let You Go (Little Darlin')
Just Because
Good Rockin' Tonight
I Don't Care If The Sun Don't Shine
Milkcow Blues Boogie
You're A Heartbreaker
I'm Left, You're Right, She's Gone (slow version)
I'm Left, You're Right, She's Gone
Baby, Let's Play House
I Forgot To Remember To Forget
Mystery Train
Trying To Get To You
When It Rains, It Really Pours

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Elvis Presley - O Natal com Elvis!

De todas as datas e feriados do ano, o Natal era particularmente adorado por Elvis Presley. Ao longo da vida procurou sempre desfrutar a noite de natal ao lado de seus familiares, amigos e namoradas. Elvis, que era muito próximo de sua mãe, sempre se lembrava dos natais que passou ao seu lado, quando era apenas uma criança em Tupelo e Memphis. Não é para menos. Quando seu pai foi preso, por ter falsificado um cheque, Elvis só tinha uma pessoa para celebrar a noite de natal: sua querida e estimada mãe Gladys. Mesmo absurdamente pobres, Gladys jamais deixou Elvis de mãos abanando nessa data. O presente poderia ser humilde e sem grandes atrativos, mas para Elvis significava tudo.

Quando era jovem demais para entender completamente o que era ser pobre, sua mãe fazia todo o esforço do mundo para que seu filho não se sentisse diferente das outras crianças da vizinhança nesse dia. Se os seus amiguinhos ganhavam presentes, Gladys, mesmo sozinha, pobre e sem recursos, arranjaria uma maneira de presentear seu filho. Elvis ficava extremamente feliz pelas pequenas lembranças que sua mãe trazia para a noite de natal e conforme foi ficando adulto compreendeu melhor o significado dos presentes que recebia de sua amada mãe. Anos depois, já rico e famoso, entendeu completamente o ato de Gladys nessas ocasiões e procurou fazer o mesmo, sempre presenteando pessoas que passavam por dificuldades.

Ao longo da vida Elvis mostrou toda a sua generosidade. Não é segredo para ninguém todos os atos dele dando presentes a amigos, parentes e até desconhecidos. Era uma forma que Elvis encontrava de retribuir o que havia recebido. Também era uma maneira de manter o espírito de Gladys vivo. A morte da mãe, quando estava prestando serviço militar na Alemanha, foi um fator decisivo na vida de Elvis. Quando ela morreu Elvis ficou arrasado e quando a primeira noite de natal sem Gladys chegou ele se trancou em seu quarto e chorou por toda a noite, completamente sozinho. O falecimento dela já era por si devastador e passar a noite natalina sem que fosse ao seu lado foi um dos piores sentimentos que sentiu em sua vida. Os presentes dados a Elvis nesse ano ficaram quase uma semana embaixo da árvore de natal, intocados. Para Elvis o natal havia perdido muito do seu significado. A noite que deveria ser uma das mais alegres e felizes do ano se tornaria logo uma das mais depressivas, pois Gladys não estava mais lá para compartilhar o espírito natalino ao seu lado. Era muito triste para Elvis, que tinha grandes lembranças dos natais passados. Sempre se lembrava com carinho do primeiro natal ao lado de seu pai, após cumprir pena, ou então do primeiro natal em uma casa própria, um dos grandes sonhos realizados pela família Presley. O último grande natal passado ao lado de Gladys inclusive ainda era uma lembrança feliz e recente, pois havia sido o primeiro natal na sua querida mansão Graceland.

Depois que voltou do exército Elvis resolveu reconstruir sua família, que a partir daquele momento seria basicamente formada por seu pai, sua avó e pelos amigos que Elvis considerava leais e bons companheiros. Em cada natal Elvis fazia questão de presentear a todos. Não era muito bom em receber presentes pois para Elvis o mais importante era presentear as pessoas, pois esse era o verdadeiro sentido da noite de natal. Embora tentasse demonstrar felicidade por fora, não era bem isso que sentia em seu interior. Ao longo dos anos isso foi bem notado por Priscilla Presley. Nessa época do ano Elvis decorava Graceland, comprava todos os enfeites imagináveis e transformava a própria mansão em uma grande e pomposa árvore de natal. Convidava todos e procurava se divertir o máximo que podia, porém como bem deixa claro Priscilla em sua autobiografia, ela sempre notava um ar de tristeza, melancolia e depressão em Elvis nessas ocasiões. Era impossível esquecer Gladys e no natal isso era particularmente doloroso.

Embora tenha passado felizes natais ao lado de seus amigos e esposa durante a década de 60 o natal voltou a se tornar um momento triste para Elvis quando Priscilla o abandonou anos depois. Para Elvis natal significava basicamente família e quando o divórcio saiu ele não tinha mais o que celebrar. Isso foi decisivo para o crescente sentimento de solidão que se abateu sobre ele em seus momentos finais. As últimas noites de natal da vida de Elvis foram melancólicas. Atormentado por diversos problemas pessoais e de saúde o cantor não reunia mais ânimo para celebrar como nas ocasiões anteriores. Em algumas dessas noites Elvis descia por poucos momentos para ficar ao lado de seus amigos e familiares e voltava logo após aos seus aposentos. Em outras nem descia, trocando felicitações de natal com todos pelo circuito interno de tv da mansão. O natal nunca mais seria o mesmo sem sua querida mãe, Gladys, e sua esposa, Priscilla, que amou até o fim da vida. Após sua morte a família Presley decidiu que o natal sempre seria especial em Graceland, como nos bons anos em que Elvis o celebrava. Dessa forma não há um só ano em que o presépio não seja montado em frente a mansão, tal como Elvis tanto gostava. Graceland também ganha luzes, enfeites e brilho nessa época do natal. Agindo assim o espírito natalino que um dia foi tão festejado por Elvis e Gladys jamais se apagará em seu querido lar.

Pablo Aluísio.

domingo, 24 de maio de 2009

Elvis Presley - Let It Roll

Alguns títulos de Elvis Presley são simpáticos. Veja bem, eles não irão mudar sua vida, não vão causar grandes surpresas em colecionadores de longa data, eles não vão mudar o conceito que você tem de Elvis Presley, nada disso. Eles apenas são bons lançamentos, com bom gosto em seu aspecto visual e na escolha do repertório e vai somar, mesmo que timidamente, em sua coleção apenas como um CD interessante e agradável. Eles são apenas títulos simpáticos. É justamente esse o caso desse CD do selo Madison denominado Let It Roll. Não há entre suas faixas nenhuma grande novidade, apesar do CD ter sido produzido inteiramente com takes alternativos de estúdio de Elvis durante os anos 60 e 70. Quase todos esses registros já tinham sido lançados antes em outros CDs, mas o selo Madison resolveu unir um belíssimo repertório com um grande apuro visual em seu encarte, o que acaba gerando pontos em seu favor. Aliás é bom que se diga que a produção visual e a direção de arte da capa e encartes internos é de alto nível. Interessante como lançamentos como esse, meros bootlegs, podem colocar facilmente à nocaute as produções artísticas dos discos oficiais de Elvis. Já escrevi aqui mais de uma vez sobre a pobreza artística das capas dos discos oficiais de Elvis nos anos 70 e volto a repetir que, quando me deparo com um título tão bem produzido como esse, realmente fico não menos do que surpreso. Quem dera os LPs oficiais de Elvis tivessem tido uma direção de tamanho bom gosto como essa!

"Let It Roll" é um CD que traz versões de estúdio não aproveitadas por Elvis na época. Essas faixas que foram descartadas são denominadas de "takes alternativos", ou seja, bem poderiam ter sido consideradas as oficiais caso assim fossem escolhidas pelos produtores de Elvis na época. Mas não o foram. Muitas delas foram arquivadas e ficaram longos anos longe do público. Talvez se o mito Elvis não tivesse tanta força como tem atualmente elas simplesmente seriam perdidas para sempre. Porém como o nome do cantor é cada vez mais forte e presente, gerando muita curiosidade das novas gerações, pessoas que eram encarregadas do armazenamento desses takes resolveram trazer tudo à tona e lançar todo o material em CDs oficiais e não oficiais. Aqui o período enfocado é o final dos anos 60 e grande parte dos anos 70 (indo mais ou menos até meados dessa década). Considerada por muitos a melhor fase de Elvis Presley em sua carreira, esse período foi aquele em que o artista resolveu realmente crescer como intérprete e artista, deixando os temas juvenis de suas trilhas para trás para se dedicar de corpo e alma a um material bem mais adulto e maduro. Se antes Elvis cantava sobre romances adolescentes agora ele estava realmente interpretando canções que falavam mais diretamente com pessoas de sua real faixa etária, com todos os seus problemas, sem fantasias de pré adolescentes no meio. Realmente não havia mais como Elvis ficar cantando pérolas fantasiosas de aborrescentes com quase quarenta anos de idade! Se continuasse naquele caminho das trilhas infantiloides ele certamente ficaria patético em pouco tempo. Felizmente os anos 70 para Elvis Presley começaram mesmo em 1969 no American Studios como bem demonstram os diversos takes de "Wihout Love" presentes no disco.

Essa canção é geralmente associada como "aquela música que Elvis sempre tentou gravar e nunca conseguiu". Segundo alguns autores desde os tempos da Sun Elvis tentava chegar numa versão que o agradasse sem contudo conseguir. Aqui temos os takes 1,2,3,4 e 5. O take 1 demonstra Elvis sussurrando a faixa baixinho com a banda ensaiando e afinando os instrumentos ao fundo. Finalmente entra o piano e começa o take 1 que dura poucos segundos. O take 2 é bem mais completo porém também não vai muito longe, mesmo Elvis a cantando corretamente. O que estraga esse take é um erro, quase imperceptível, do guitarrista na primeira fase da faixa. Apesar disso Elvis segue em frente, talvez para pegar o gancho certo da faixa ou talvez por não ter notado o pequeno erro do instrumentista de seu grupo musical. Apesar de tudo o que se nota é que, desde os primeiros takes, Elvis está seguro e com pleno controle da situação. A velha tese de que essa música teria se transformado no verdadeiro terror para Elvis nos estúdios durante sua longa carreira cai por terra rapidamente pois ele não demonstra o menor sinal de dificuldades em executá-la. Aliás é bom que se diga que não é certo e nem confirmado com absoluta certeza ser essa a música que Elvis tentou e não conseguiu gravar durante seus primeiros registros na Sun Records.

Promised Land mais uma vez rouba o show, sendo o centro das atenções. Aqui o take não captura o clima das gravações, a faixa começa a mil e demonstra uma grande semelhança com sua versão oficial. Tecnicamente está ótima embora se perceba algumas variações no vocal de Elvis, principalmente por seu riso incontido logo no comecinho da versão. Após o solo de James Burton Elvis perde por poucos segundos o tempo exato da canção mas segue em frente! Não há grandes surpresas, existem mínimas diferenças de bateria (algumas ideias muito boas que infelizmente ficaram de fora da gravação master) e um solo praticamente idêntico ao oficial o que de certa forma coloca por terra a afirmação de Burton de que o solo dessa canção teria sido praticamente improvisado! As duas versões demonstram claramente que não, embora existam certas diferenças e nuances no solo final.

A master My Way, lançada na caixa Walk a Mile in My Shows quebra um pouco o clima do disco! Aqui não há nenhum espaço para improvisos ou brincadeiras, o take é pra valer e embora essa faixa nunca tenha sido lançada na discografia oficial de Elvis pré 77, podemos facilmente reconhecer a perfeição técnica dessa versão. Uma das grandes interpretações da carreira de Elvis, embora não tenha encontrado nenhum espaço em sua carreira oficial. Se My Way é um símbolo de perfeccionismo e profissionalismo por parte do cantor a seguinte, na verdade uma Jam Session, vem de encontro aos anseios daqueles que querem compartilhar um pouco o humor de Elvis dentro dos estúdios. Johnny B.Good não passa de um ensaio descompromissado e Holly Night sequer deveria ter sido creditada pois não passa de uma gozação de Elvis em cima das músicas natalinas que ele era forçado a gravar pelo Coronel Parker e pela RCA. Elvis está até mesmo um pouco alterado além da conta, muito acima e além da animação corrente e costumeira que estamos tão familiarizados ao ouvir nesse tipo de registro. O cantor realmente passa nítida impressão de estar um pouco "alto" demais! De qualquer maneira vale o bom astral.

Patch Up, canção que nunca simpatizei, aparece em seguida e pouco acrescenta. A única nota relevante é saber que a faixa é muito bem executada, sem brincadeiras fora de hora, erros ou equívocos por parte de Elvis e banda. Para quem gosta da canção é uma boa pedida, para quem não curte o melhor mesmo é manter distância. Já Help Me é bem melhor. Embora creditada como "Live Multi Track" a canção fica bem na média, bem na regularidade das versões que Elvis apresentava na época. Essa canção também quebra um pouco o ritmo do CD pois é uma faixa ao vivo, o que destoa muito das outras versões (praticamente todas de estúdio). Sobre ela ainda tecerei algumas observações importantes logo abaixo.

It's Midnight que inclusive abre o CD apresenta duas faixas. A primeira nada mais é do que um mero ensaio, altamente recomendado para aqueles que gostam de ouvir os bastidores das gravações de Elvis em estúdio. Aqui temos os dois principais componentes do grupo de Elvis ensaiando. Em primeiro plano o grupo vocal tenta acertar a nota certa, tudo acompanhando pelo grupo musical que também tenta se achar. Em um segundo momento Elvis vai tentando achar, não só o tom certo da canção como também memorizar alguns trechos da música. Ao lado de J.D.Summer Elvis vai tentando se encontrar na música. Ao fundo muito barulho das vocalistas. Finalmente depois de alguns momentos Elvis interrompe o que estava fazendo e chama a atenção delas para que assim possam começar as gravações. O clima é descontraído, leve, com Elvis sempre de bom humor, o que desmente muitas biografias que sempre o colocam como um ser sorumbático e necrosado durante as sessões do Stax. Basta ouvir um pouquinho do que acontecia dentro dos estúdios para perceber que nada estaria mais longe da verdade! Elvis brinca, se diverte, solta piadinhas, faz brincadeiras. Não há o menor sinal de depressão ou melancolia, muito pelo contrário. Se há um grande mérito desses registros é realmente colocar por terra a imagem de um Elvis Presley desabando de decadente dentro dos estúdios de gravação durante os anos 70.

Bossom of Abraham, praticamente perfeita e completa, vem para fazer entender a todos porque o Gospel é uma das vertentes que deram origem ao Rock'n'Roll. Percebam que a vocalização é praticamente idêntica àquela usada nos primórdios do surgimento do bravo Rock'n'roll. A única notável diferença seria encontrada mesmo apenas no teor das letras, essas bem mais mundanas e seculares do que as de teor religioso. Porém isso não importa e nem desqualifica a teoria de que o novo idioma musical que nascia era realmente uma grande mistura de sons, gêneros e sonoridades que pairavam no ar no velho Delta do Mississippi. Já no passar dos anos ambos os gêneros iriam nitidamente se distanciar. O Rock'n'Roll iria se unificar cada vez mais ao pop, principalmente após a ida de Elvis para o exército e o Gospel, mesmo fiel às suas origens vocais das capelas, iria absorver cada vez mais outros gêneros regionais do Sul como o Country and Western e as baladas sentimentais. O exemplo mais perfeito disso é justamente Help Me. Percebam sua letra. Ao mesmo tempo em que o autor, em primeira pessoa, pede forças ao senhor (Lord, Help me walk another mile, just one more mile;) ele adota uma postura nitidamente melancólica e sentimental das mais conhecidas canções country e regionais do período! Mais eclética impossível. O ritmo pouco lembra os corais vocais dos cultos evangélicos, mas está presente, mesmo que de forma um tanto quanto tímida. Na realidade é outra das músicas de Elvis que não se enquadram em classificações restritas, sendo na realidade uma grande e colorida colcha de retalhos sonora.

Always On My Mind aparece em versões interessantes, bastante peculiares. Geralmente quem é fã há muito tempo de Elvis acaba ficando um pouco exausto de seus grandes sucessos e procura se dedicar mais aos seus momentos menos conhecidos e populares. Essa canção curiosamente já esteve nos dois lados da balança. Em um primeiro momento foi negligenciada a um obscuro lado B nos anos 70 e praticamente não causou qualquer impacto na carreira do cantor. Mas depois que Priscilla Presley a elegeu como tema principal do seriado "Elvis e Eu" a coisa mudou completamente de figura. De lado B a música foi catapultada para o Olimpo onde reinam seus grandes hits, seus maiores sucessos! Não é de se admirar que hoje, depois de ter sido executada exaustivamente, muitos colecionadores torçam o nariz para ela. Mas não vamos tomar esse caminho, a canção é uma das melhores melodias da carreira de Elvis, além de trazer uma letra nitidamente autobiográfica (impossível não fazer a conexão entre o pedido de desculpas implícita em seus versos e o fracasso do casamento entre Elvis e sua esposa). Aqui temos um ótimo momento para uma reavaliação equilibrada dessa linda canção. E por falar em lindas canções, melodias divinas, nada mais chama nossa atenção do que a harmonia de I'm Leavin. Se uma palavra define esse momento sem dúvida o termo correto nesse instante seria "elegância"! De uma sobriedade poucas vezes vista na carreira de Elvis Presley, I'm Leavin sempre vai figurar entre as mais divinas melodias da carreira do cantor. Um dos pontos altos do CD, sem a menor sombra de dúvidas.

Resumindo: o CD é muito válido. Além de colocar canções coadjuvantes do repertório de Elvis em primeiro plano ainda consegue manter, em praticamente todas as faixas, um belo nível técnico no aspecto de sua qualidade sonora. Também é recomendado para os admiradores dos bastidores das gravações de Elvis pois traz bons registros de seu humor durante as mesmas e o mais importante, de forma contextualizada ao repertório em si e sem exageros e arroubos inadequados. O conjunto não traz surpresas mas até que se mostra coeso em seu resultado final. Vale a pena ser adquirido e ouvido. Sua coleção vai agradecer.

Pablo Aluísio.

sábado, 23 de maio de 2009

Elvis Presley - Elvis: O Preço da Fama

Elvis Presley sempre teve problemas em relação a dormir bem. Desde a adolescência ele sentia dificuldades em relaxar e ter uma boa noite de sono. Como a família Presley era muito pobre Elvis se virava para dormir na sala da casa, seja no sofá, seja em colchões pelo chão. Não é complicado entender que nessas circunstâncias era realmente difícil descansar. Em vista disso Elvis adquiriu o hábito nada saudável de dormir muito tarde e acordar muito cedo. Quando sua carreira de cantor tomou um bom rumo a coisa toda tendeu a piorar. Na estrada Elvis pouco dormia entre as apresentações. Bill Black, o baixista de seu grupo, o definia como uma “coruja”, uma pessoa que nunca dormia e que preferia passar a noite no carro ouvindo rádio até o dia amanhecer.

Para segurar o pique Elvis acabou conhecendo alguns remédios que lhe ajudavam a sempre estar bem disposto mesmo quando dormia mal (ou não dormia em absoluto). Quem iniciou Elvis nessas pílulas? Não se sabe ao certo. Para alguns os primeiros comprimidos foram receitados por um médico para Elvis em sua adolescência, já para outros Elvis acabou tomando conhecimento de uma grande variedade de soníferos e estimulantes na estrada mesmo, com os músicos que participavam dos mesmos shows em que ele cantava. As chamadas “bolinhas” eram bem populares entre os músicos que as usavam para aguentar a dura rotina de viagens e shows. O fato é que Elvis logo começou a se sentir muito familiarizado com essas drogas e em pouco tempo estava em busca de mais informações, lendo revistas e livros técnicos sobre farmacologia. Tão interessado ficou no assunto que alguns anos depois deu uma pista ao responder a uma pergunta numa entrevista sobre qual seria seu hobby preferido. “Eu gosto de ler livros médicos” – respondeu na lata o cantor.

Por volta de 1956 Elvis começou a sentir novamente seus velhos problemas de saúde em decorrência da correria a que estava sendo submetido. Sempre viajando, cumprindo compromissos, em Los Angeles, Nova Iorque, Nashville, tudo ao mesmo tempo agora Elvis foi sentindo a pressão aumentar a cada dia. Não havia semana livre – quando não estava em estúdio gravando discos, estava na estrada fazendo shows, quando não estava em um canal de TV estava em um set de filmagens. As pessoas esqueciam que Elvis era apenas um jovem de 21 anos de idade que agora assumia responsabilidades enormes, fora a pressão de sempre fazer sucesso nas paradas, de sempre alcançar o topo dos mais vendidos. Diante de tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo Elvis começou a ter sérios problemas para conseguir dormir. Ele sempre sofreu de insônia mas agora com a pressão de sua vida profissional as coisas foram piorando cada vez mais. Elvis não conseguia relaxar quando ia para a cama – seu pensamento ficava a mil, ele pensava nas obrigações do dia seguinte, no que teria que enfrentar, no lançamento de seus novos discos. Alarmada pelo estado de Elvis sua mãe Gladys mandou um de seus primos para acompanhar Presley nas viagens. Gladys temia que seu filho tivesse um ataque de sonambulismo durante as excursões e caísse pela janela de algum quarto de hotel nas cidades pelas quais passava.

Assim não era raro ele passar dias sem dormir, mesmo com as pílulas que tomava. Para aguentar a rotina puxada do dia Elvis começou a tomar estimulantes pela manhã. Claro que ele ainda estava muitos anos distantes da forte dependência que iria desenvolver nos anos seguintes mas isso já era um claro sinal de que algo definitivamente não ia bem. Uma bolinha à noite para tentar dormir bem e outra pela manhã para aguardar a rotina de gravações e shows. O pior acontecia nas noites de concertos. Elvis ficava com a adrenalina a mil e após as apresentações não conseguia relaxar de jeito nenhum. Elétrico era uma boa definição para seu estado após descer do palco. Ficava a noite inteira ligado e na manhã do dia seguinte seguia viagem para outra cidade para fazer um novo show. Isso tudo sem dormir, sem descansar. Uma rotina realmente penosa. Como odiava voar ele cumpria todos os seus compromissos viajando de carro com a banda. Não é preciso muito para entender o quanto isso era desgastante e cansativo. Para aguentar, mais pílulas. A fama e o sucesso começavam certamente a cobrar seu preço. E não era barato.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Elvis Presley - Elvis no Brasil

A data em que Elvis Presley morreu está chegando e é curioso que geralmente nesses momentos as pessoas param um pouco para relembrar os grandes nomes do passado. Assim também ocorre com Elvis. Morto em 1977 o nome do cantor ainda hoje se faz presente pois dificilmente se encontrará alguém que não saiba quem foi ele. Até mesmo no Brasil seu nome segue como referencial, principalmente quando algum outro ídolo da música morre no auge da popularidade (como aconteceu com Michael Jackson e Amy Winehouse). Para não cair no clichê resolvi escrever um texto mais abrangente sobre a influência e a extensão da popularidade que o nome de Elvis alcançou em nosso país.

É fato que a cultura brasileira, principalmente a musical, sempre foi muito forte e presente na vida de todos. Via de regra o brasileiro realmente aprecia mais sua própria musicalidade, os seus próprios ídolos nacionais. Não é muito comum para o nosso povo eleger ídolos internacionais como seus preferidos. Se é assim hoje em dia imagine há mais de 50 anos quando provavelmente o nome de Elvis Presley foi pela primeira vez ouvido por algum brasileiro. Tente imaginar o Brasil em plena década de 1950. A moralidade, os costumes, tudo era muito diferente do que vemos hoje em dia. As mulheres eram de certa forma reprimidas em sua vida social, profissional e principalmente afetiva. Namorar apenas no portão de casa, passear só levando o irmãozinho (ou a irmãzinha) mais novos juntos. Sexo antes do casamento, nem pensar. Moças de família que tivessem vida sexual pré matrimônio logo caiam na boca do povo, ficavam "mal faladas". A revolução sexual ainda não havia acontecido, a pílula anticoncepcional ainda era peça de filme de ficção e o medo da gravidez precoce era muito presente. Pode ter certeza que tornar o nome de Elvis Presley tão popular assim dentro desse contexto histórico não foi nada fácil.

Elvis chegou no Brasil no comecinho de 1956. As lojas receberam um compacto simples com duas músicas do jovem cantor americano. Não havia capa - era apenas o acetato em uma embalagem simples da RCA Victor. O single era pesado, de 78 RPM e vinha sem muito promoção. No lado A "Heartbrek Hotel" e no B "I Was The One". Curiosamente a filial brasileira só decidiu lançar o disquinho após Elvis ser comentado na revista O Cruzeiro. Lá ele era apresentado aos brasileiros da época como um cantor revolucionário, cabelo grande e pasmem "Rebolativo"! Imaginem o rebuliço que isso causou! Embora Elvis ainda fosse uma novidade seu alter ego, James Dean, já era bem conhecido por aqui. A moçada já estava adotando seu visual "transviado", então quando Presley estourou em polêmica logo foi adotado pela geração "topete e brilhantina". E Elvis era bem isso mesmo, um "James Dean de guitarras" ou um "Marlon Brando que sabia cantar"!

Com toda essa onda em torno de seu nome o disquinho acabou vendendo bem. "Heartbreak Hotel" virou modinha nas rodinhas cults da juventude carioca. Ouvir Elvis, aquele rebelde americano, era sinal de que o jovem estava por dentro do que acontecia nos meios musicais. Com a popularidade logo Elvis também virou ídolo das garotas. Não era para menos. Bem apessoado, sensual e com imagem "perigosa" (para os padrões morais daqueles anos) Elvis logo virou poster nos quartos das beldades. Aliás é interessante notar que a popularidade de Elvis estourou primeiro no Brasil no Rio de Janeiro. Elvis, o roqueiro, logo virou ídolo da moçada carioca. Em São Paulo também houve interesse no cantor na época de seu surgimento, mas não no nível do que aconteceu no Rio. Lá ele fez muito sucesso e foi adotado pelos jovens cariocas de braços abertos.

De fato fora do Rio a explosão da popularidade de Elvis se deu por causa do cinema. Embora Elvis tenha se tornado popular nos EUA graças às suas aparições na TV, tais apresentações não chegaram ao Brasil. Foi o cinema e sua máquina publicitária que colocou o nome Elvis Presley na boca do povo brasileiro. Primeiro com o western B, "Love Me Tender" e depois com seus três filmes posteriores da década de 1950 que logo o transformaram em ícone popular. Os compactos foram sendo lançados um atrás do outro, as capas tentavam de maneira geral seguir a direção de arte dos lançamentos americanos, tornando Elvis um produto comercial quente no Brasil. A exceção ocorreu porém no primeiro álbum lançado por aqui. O disco chamado simplesmente "Elvis Presley" nada tinha a ver com o primeiro LP de Elvis nos EUA. Ao invés de copiarem a famosa capa com letras em rosa e vermelho do disco original preferiram colocar como capa uma imagem que havia sido em um EP nos EUA. Embora confusa a coisa deu certo e o hoje conhecido BKL 60 vendeu um bocado bem. Felizmente no segundo disco do cantor, chamado simplesmente "Elvis" a RCA brazuca resolveu seguir os passos da discografia americana.

Hoje em dia há uma certa visão entre especialistas e fãs de que os filmes de Elvis representaram um erro em sua carreira. Em termos artísticos pode até ter sido um erro mas do ponto de vista de popularização do nome de Elvis não há o que discutir. Se olharmos para a realidade brasileira teremos então uma perspectiva bem mais ampla desse aspecto. O cinema foi extremamente importante na carreira de Elvis aqui no Brasil. Embora os filmes nem sempre tenham sido bons o fato é que estrelando um filme atrás do outro nos anos 60 o cantor conseguiu se manter na ordem do dia e se tornar popular até mesmo em pequenas cidades do interior brasileiro, onde se não fosse por seus filmes ele não teria sido tão conhecido.

Depois do impacto inicial e da popularização pelo cinema o nome de Elvis Presley se firmou em nosso país. Fãs clubes foram formados e o artista ganhou grupos de fãs fiéis, que sempre acompanharam seu trabalho ao longo dos anos. A regularidade acabou se refletindo em sua discografia nacional. Embora nem todos os discos de Elvis tenham sido lançados oficialmente no Brasil, muitos deles chegaram por aqui assim que eram lançados no mercado americano. Nos anos 70 a filial da RCA em nosso país manteve vários discos de Elvis em catálogo por anos a fio. Com sua morte o interesse ficou ainda maior e a gravadora relançou quase todos os seus discos em 1982, fato único no Brasil. Hoje, 34 anos após sua morte a música de Presley chega aos mais distantes rincões pela maravilhosa ferramenta chamada Internet. Sem necessidade de ter um meio físico para existir a obra do cantor não mais encontrou barreiras para se difundir. Jovens ainda nos dias atuais se encantam com o incrível talento de Elvis e assim logo se tornam fãs. É um ciclo natural que não terá mais fim. Sobreviverá a minha pessoa, a você que lê esse texto e a de muitas gerações que já se foram ou que ainda virão. A arte tem essa grandeza. Ela não encontra barreiras ou fronteiras, se espalha por todos os lugares. Assim será eternamente com Elvis Presley, esse grande talento musical que nos deixou há décadas, mas que fincou raízes na cultura humana com a beleza de sua arte, de sua música.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Elvis Presley - 10 Filmes obscuros sobre Elvis Presley que você nunca ouviu falar!

Elvis Presley foi um dos grandes mitos da cultura pop. Cantor e ator, ele foi um dos mais populares artistas de todos os tempos. E como tal também virou personagem de vários filmes que o mostraram em diversas situações. Conheça dez filmes sobre Elvis que você muito provavelmente nunca tenha ouvido falar.

1. Elvis Stories (1989) Dir: Ben Stiller / Elenco: Jeremy Piven, Jeff Kahn, John Cusack / Comentários: Quase uma brincadeira feita em torno das centenas de histórias escandalosas publicadas em tabloides sensacionalistas sobre Elvis. Produção independente que pouca gente conhece. Entre os pequenos contos estão "Elvis is John Lennon" e "Hairdresser Possessed by Elvis". Divertido mas alguns fãs podem se incomodar pelas bizarrices exploradas pelo roteiro.

2. Blue Suede Wings (2007) Dir: Marian Yeager / Elenco: Breuer Bass, Zach Hopkins, Leslie Langee / Comentários: No mínimo bizarro. Um garoto de oito anos fica obcecado em conhecer a fada dos dentes (uma figura popular nos EUA) e quando acorda dá de cara com... Elvis Presley! O famoso cantor aqui é interpretado por Zach Hopkins. O roteiro é até bem intencionado mas o resultado é bem fora do comum.

3. Tears of a King (2007) Dir: Rob Diamond / Elenco: Sebastian Anzaldo, John T. Armstrong, Bryce Bishop / Comentários: Feito com apenas 170 mil dólares (uma mixaria para os padrões americanos) esse filme independente mostra os últimos dias de Elvis. Sem qualquer preocupação em ser historicamente correto ele mostra o lado mais problemático do cantor e seu vício em drogas de farmácia. Destaque para um encontro (que nunca existiu) entre Elvis e Frank Sinatra em Las Vegas, poucos dias antes da morte do rei.

4. Tales from the Catholic Church of Elvis! (2009) Dir: Mercy Malick, Michael Traynor / Elenco: Mercy Malick, Larry Gelman, Mary Eileen O'Donnell / Comentários: Filme muito louco sobre um grupo de garotas, estudantes de uma escola católica de Las Vegas, que decide se converter a uma nova religião que tem como principal nome não Jesus Cristo mas sim Elvis Presley! Obviamente uma brincadeira com o nível de fanatismo que certos fãs demonstram em suas vidas. O roteiro não sabe se vira drama ou comédia, embora seja impossível não rir da bizarrice generalizada da fita!

5. När Elvis kom på besök (2006) Dir: Andreas Tibblin / Elenco: Josef Säterhagen, Ben Solimanaznavi, Leila Haji / Comentários: Elvis atravessa fronteiras. Nessa produção dinamarquesa ele surge como um americano que, de passeio pela Dinamarca, acaba influenciando um grupo de jovens que sonham um dia serem roqueiros. Nem pense que se trata de algo historicamente correto. Elvis jamais pisou os pés na Dinamarca mas o filme até que diverte pela imaginação. Elvis é interpretado pelo ator Ben Solimanaznavi (que não é nada parecido com o real Presley).

6. Boulevard Cafe (1997) Dir: Russ Weatherford / Elenco:  Heath Black, Vanise Castillo, Jake Myers / Comentários: Elvis Presley (Craig Newell) após passar anos escondido decide voltar. Vai para uma feira de covers dele mesmo mas é reprovado por não ser tão exagerado quanto seus concorrentes. Então se apaixona por uma garota que imita Marilyn Monroe. Como se não bastasse decide finalmente virar um cover de James Dean, seu ídolo de juventude. Precisa dizer mais alguma coisa? Super bizarra a produção.

7. Luckytown (2000) Dir: Paul Nicholas / Elenco: Kirsten Dunst, James Caan, Vincent Kartheiser / Comentários: Garota chega em Las Vegas em busca do pai e acaba conhecendo o "mundo Elvis" que impera na cidade. Filme estranho mas com bom elenco. Elvis Presley surge como um fantasma na estória.

8. Easy Six (2003) Dir: Chris Iovenko / Elenco: Julian Sands, Alex Sol, Ruth Williamson, James Belushi / Comentários: O famoso ator e comediante James Belushi interpreta um Elvis Presley gordo e balofo nessa mistura de drama e comédia que não teve qualquer repercussão em seu lançamento e que depois desapareceu de circulação. Diversão ligeira.

9. Dixie (1989) Dir: Martin Davidson / Elenco: Ally Sheedy, Virginia Madsen, Phoebe Cates / Comentários: Três jovens garotas tentam encontrar os homens de seus sonhos no Alabama dos anos 1950, durante o auge da crise dos movimentos civis. Elas são fãs de Elvis Presley e ele surge na pele do ator Michael St. Gerard.

10. Liberace: Behind the Music (1988) Dir: David Greene / Elenco: Victor Garber, Saul Rubinek, Michael Dolan / Comentários: Durante a temporada de 1957 do cantor Liberace em Las Vegas ele é apresentado a um novo cantor jovem que está tentando fazer sucesso na cidade. Seu nome? Elvis Presley. Paul Hipp interpreta o jovem Presley nesse telefilme bem interessante que, apesar de ser bom, apresenta alguns pequeninos erros históricos e de data.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Elvis Presley - Welcome Home Elvis (1960)

Quando Elvis voltou do serviço militar no começo de 1960 havia uma enorme ansiedade sobre os rumos que sua carreira iria tomar. Também pudera. Quando Elvis foi convocado pelo exército americano ele estava no auge de sua popularidade como roqueiro. Embora os fatos não tivessem ligação entre si o que aconteceu durante seu período militar aumentou ainda mais o sentimento de ausência por parte de seus jovens fãs. Os demais roqueiros da década de 1950 sofreram uma série de tragédias pessoais, problemas com a lei e decadência artística que literalmente jogou o nascente Rock´n´Roll no chão. Haveria saída? Para a juventude desamparada só havia uma salvação para o gênero, a volta triunfal de seu grande Rei, Elvis. Mas seria essa a questão mesmo? Estaria Presley realmente interessado na ressurreição do antes bravo Rock´n´Roll ou estaria ele pronto para partir para outros caminhos musicais? Essas eram perguntas que todos faziam durante aqueles primeiros meses da década de 1960. A realidade mostrou-se bem mais interessante do que muitos supunham. A priori Elvis não abandonou literalmente o barco do Rock e virou suas costas a ele como muitos já escreveram. Seu primeiro disco após a volta à carreira civil demonstra isso. Elvis Is Back! era uma aula de musicalidade, Blues, Pop e Rock em doses generosas.

Claro que seu som sofreu modificações, Elvis deixou o som mais cru e simples de seus primeiros discos e investiu em novos arranjos mais consistentes e harmônicos. Não era um ato de simplesmente virar as costas para o Rock mas sim procurar novos rumos musicais. As primeiras sessões que realizou em Nashville demonstram bem isso. Ecletismo talvez fosse a palavra mais adequada para esse novo caminho musical que Elvis iria percorrer. Outro acontecimento marcante era o fato de Elvis começar a se interessar em canções que lhe trouxessem mais respeito como cantor. Músicas como It´s Now Or Never foram incorporadas aos discos justamente por essa razão, sua aproximação com a sonoridade de grandes ícones do passado como Mario Lanza, que Elvis tanto admirava, era o sinal mais claro de suas reais intenções e pretensões. Outro aspecto a se considerar foi a gravação de um programa de TV ao lado do cantor Frank Sinatra. Elvis e o Coronel poderiam ter fechado um contrato para se apresentar em qualquer canal ou programa que quisessem porém quando Sinatra fez uma oferta irrecusável para que Elvis retornasse a TV justamente em seu programa televisivo o Coronel não pensou duas vezes. Mas afinal qual era o real interesse de Parker com colocar Elvis e Sinatra lado a lado cantando para a nação americana em horário nobre? Simples, o Coronel queria mostrar para a família norte-americana o novo Elvis! Recém saído do serviço militar com ficha impecável, rigorosamente bem vestido e se portando da melhor forma possível e de quebra se apresentando ao lado de Frank Sinatra, o maior ídolo dos pais de seus jovens fãs dos anos 50. Tom Parker armou muito bem e conseguiu inverter completamente aquela imagem de "jovem selvagem, roqueiro alucinado" que os mais velhos tinham concebido de Elvis nos anos anteriores. A metamorfose estava completa. Até mesmo comentários desabonadores de Sinatra em relação ao rock e a seus artistas foram esquecidos pelo próprio quando contratou a preço de ouro o passe de Elvis por uma noite.

Frank Sinatra era um homem de opinião certamente, mas também naquela altura já era um ambicioso homem de negócios dentro do show business ianque. Como seu programa vinha declinando de audiência a cada mês ele resolveu apostar alto e trazer Elvis, que era naquele momento o assunto mais comentado na mídia mundial. Infelizmente o futuro demonstraria que artisticamente o programa em si seria muito abaixo das expectativas de um encontro dos dois maiores cantores do século XX. Infelizmente o lado publicitário do evento suplantou em muito o aspecto meramente artístico que um encontro desses poderia proporcionar. Elvis e Sinatra apenas apresentaram um dueto fraco, cheio de brincadeiras entre ambos, e que trouxe pouco para a carreira desses fantásticos artistas. Nada de muito relevante foi feito e por isso a crítica especializada tenha sido tão dura quanto à qualidade do especial. A Billboard, por exemplo, criticou a pobreza da produção e até os modos de Elvis durante o especial: "A dinamite tão esperada foi subestimada e colocada de maneira por demais polida. Tivemos a impressão que Presley tem muito a aprender para conseguir interpretar no estilo de um Sinatra, de um Joey Bishop e especialmente de um Sammy Davis Jr. Este simplesmente estraçalhou o show. Elvis tem o hábito que causa a impressão de nunca estar tranquilo. Não admite que alguém cante seus números. Na verdade ele necessita de um trato para aprender a falar e se comportar". Os jornais de um modo geral demonstraram desapontamento com o resultado final do programa. Elvis se limitou a apresentar seu novo single Stuck On You, seguido de seu lado B, Fame and Fortune, e como encerramento um dueto muito abaixo do esperado com a dobradinha Witchcraft / Love Me Tender ao lado de Sinatra. Muito pouco para o que poderia se esperar de um evento tão importante como esse. Mas será que o programa realmente foi tão ruim assim?

A TV americana nos anos 60 era voltada para a classe média suburbana daquele país. Eram os únicos que podiam comprar uma Televisão, que naquela época ainda era um luxo ao alcance de apenas uma pequena parcela da população. Assim o importante era o entretenimento, acima de tudo. Elvis e Sinatra no palco apenas fizeram aquilo que era a média do que era exibido na época. Antes de Elvis aparecer na TV na parte final do programa a trupe de Sinatra se esbaldou com a audiência extra que sua presença trouxe e apresentou vários números musicais. Juntos, Frank Sinatra, Nancy Sinatra, Joey Bishop e Sammy Davis saudaram o retorno de Elvis com a música It’s Nice To Go Travelling. Sinatra cantou seus grandes sucessos Witchcraft e Gone With The Wind e Sammy Davis interpretou There’s A Boat That’s Leaving Soon For New York. Fora isso não poderia faltar os diversos números cômicos tão característicos do chamado Rat Pack. Agora imaginem esse tipo de coisa sendo assistida por fãs que se consideravam órfãos do Rock da época! Não deve ter sido nada fácil. Talvez por isso criou-se tão fortemente na consciência coletiva a ideia de que Elvis simplesmente virou as costas para o Rock. Quem estava assistindo o programa esperando encontrar o jovem selvagem interpretando Ready Teddy com fúria, como aconteceu nos programas dos anos 50, realmente tomou um susto quando Elvis cantou suas novas músicas. Stuck On You era uma boa canção, com uma levada extremamente agradável, bem ao estilo pop e Fame and Fortune tinha uma vocalização que não ficaria estranha na voz até mesmo de um Sinatra.

Eram músicas interessantes mas não era aquilo que se esperava de um "Messias Redentor" que estava voltando para resgatar o Rock das trevas. A tal "dinamite" como bem afirmou a Billboard não explodiu como todos esperavam. Era o Novo Elvis, concebido por Parker certamente. De qualquer forma para o Coronel naquela altura o que importava não era a opinião dos jovens fãs de Elvis, pois esses já estavam devidamente conquistados na visão dele. A intenção do empresário de Elvis era clara nesse sentido. O que importava mesmo era a opinião dos mais velhos que assistiram ao encontro, Elvis deveria ser consumido não apenas pelos roqueiros de outrora, mas também por seus pais, tios e avôs. Se essa era a real intenção de Parker então ele conseguiu completo êxito. Financeiramente a forma de ver a situação por Parker era completamente correta. Ora, se Elvis era um produto que só interessava a uma parcela da população (os jovens) então era dever de Parker como homem de negócios vender Elvis também para a outra parcela da população (os mais velhos). Levantar dólares era sua função, então se os mais velhos também começassem a consumir os discos e filmes de Elvis, ótimo! Porém existe também o outro lado da questão. Ideologicamente, para quem vê o Rock como algo mais do que um gênero musical, mas também um estilo de vida, contestador e revolucionário por natureza, a estratégia de Parker foi simplesmente desastrosa. Para esses não há perdão, Elvis simplesmente não quis mais saber de se envolver com Rock´n´roll e pulou fora para ser recebido de braços abertos pela ala mais conservadora da sociedade norte-americana. Foi acima de tudo um traidor do movimento, no apagar das luzes.

Embora convincente em certos momentos, essa é uma forma simplista de entender o contexto histórico em que tudo aconteceu. É certo que Elvis explodiu com a primeira geração de roqueiros mas mesmo dentro de seus discos nos anos 50 podemos perceber que o Rock era apenas uma face de sua linguagem musical. No final a tão comentada "virada" em sua carreira no começo dos anos 60 nada mais seria do que apenas a continuidade do que ele sempre fez, porém vista sob uma nova ótica. Obviamente que nos anos que viriam Elvis se tornaria apenas um cantor contratado dos estúdios de gravação e de cinema, sem controle sobre o material que lhe era imposto, principalmente na pior fase de suas futuras trilhas sonoras, porém em 1960 isso ainda não era algo definitivo, embora se mostrasse presente. Assim aquele encontro com Sinatra acabou se tornando um sinal dos tempos que estavam por vir, com Elvis perdendo gradativamente sua liberdade artística em prol do sucesso fácil e de rápido consumo, lição aliás já devidamente aprendida e seguida ao pé da letra pelo próprio Ol' Blue Eyes. A América e Elvis finalmente perdiam a inocência.

Welcome Home Elvis! (1960): Local de gravação: Fountainbleau Hotel, Miami / Data de gravação: 26 de março de 1960 / Data de exibição: 12 de maio de 1960 / Direção musical e arranjos: Nelson Riddle / Produção: Sammy Cahn & James Van Heusen para a Hobart Productions / Direção: Richard Dunlap / Convidados: Elvis Presley, Nancy Sinatra, Joey Bishop, Sammy Davis Jr. Peter Lawford & The Tom Hansen Dancers / Músicas: 1. It’s Nice To Go Travelling-Frank Sinatra, Nancy Sinatra, Joey Bishop, Sammy Davis, Tom Hansen Dancers. Timex introduction sequence 2. It’s Nice To Go Travelling (reprise)-Elvis Presley Joey Bishop/Frank Sinatra comedy routine 3. Witchcraft-Frank Sinatra Frank Sinatra introduces Sammy Davis 4. There’s A Boat That’s Leaving Soon For New York-Sammy Davis Frank Sinatra introduces oriental dance routine from The Tom Hansen Dancers Joey Bishop/Frank Sinatra/Sammy Davis comedy routine 5. Gone With The Wind-Frank Sinatra Joey Bishop introduces Tom Hansen Dancers routine Frank Sinatra introduces Sammy Davis Jr Impersonation routine, with Peter Lawford, Joey Bishop and Frank Sinatra, includes All The Way performed by Sammy as Tony Bennett, Louis Armstrong and Dean Martin. 6. Fame & Fortune-Elvis Presley 7. Stuck On You-Elvis Presley 8. Witchcraft/Love Me Tender Medley Duet-Frank Sinatra & Elvis Presley 9. You Make Me Feel So Young-Frank Sinatra & Nancy Sinatra - Nancy Sinatra Dance Routine 10. It’s Nice To Go Travelling -Frank Sinatra

Pablo Aluísio.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Elvis Presley - Documentários e Filmes

Elvis Presley - Documentários e Filmes
Aqui vai, atendendo a pedidos, uma pequena lista com documentários e filmes em que Elvis Presley surge como personagem principal. A lista foi escrita em 2003 e por isso atualmente está relativamente desatualizada. Com a explosão da Internet surgiram muitos documentários com cenas amadoras de Elvis. A maioria desses vídeos vazaram na net e alguns deles foram compilados por fãs depois dando origem a títulos próprios. Como não são oficiais não fazem parte da relação a seguir. Espero em artigo futuro tratar sobre eles pois formam um universo próprio. Vou realizar em breve também uma atualização sobre os documentários oficiais lançados após 2003. Muita coisa interessante chegou ao mercado e merece ser comentada. Aguardem. Embaixo disponibilizo uma pequena amostra do que foi lançado oficialmente sobre Elvis no Brasil até o ano citado.

Documentários sobre o Rei do Rock:

This is Elvis (Elvis, o ídolo imortal) - Dir: Andrew Solt / M.Leo - Warner - 1981 - Documentário com cenas reais e recriadas em estúdio sobre a vida de Elvis. Apresenta entrevistas e depoimentos de pessoas que conviveram com o cantor, além de trechos de suas aparições na TV americana e cenas de seus principais filmes. É sem dúvida o melhor documentário sobre a vida e a carreira de Elvis Presley.

The Great Perfomances vol. 1 e 2 - Dir: Andrew Solt - Buena Vista - 1990 - Documentário lançado em vídeo em duas partes. O vídeo traz imagens inéditas de Elvis junto de trechos de seus filmes, de seus shows e de seus especiais de TV. Muito bem elaborado e editado contando com a narração de George Klein.

Elvis '56 Dir: Phillip Huyrut - Metro Home Vídeo - 1990
Outro documentário muito bem feito produzido diretamente para o vídeo. Mostra cenas e shows de Elvis Presley em 1956, ano em que o Rei estourou mundialmente. De quebra cenas raras de Elvis em casa junto de parentes e amigos. Narrado por Lenon Hemon.

Elvis, The Lost Performances - Dir: Andrew Solt - MGM/UA Vídeo - 1992
Traz muito material da última fase de Elvis. Cenas inéditas que foram gravadas para os filmes "That's the Way it is" e "Elvis On Tour" são mostradas pela primeira vez aqui. Retrato muito bem feito dos últimos anos do Rei.

Elvis In Hollywood, the 50's - Dir: William Ruller - BMG Vídeo - 1994
Fantástico documentário mostrando como foram feitos os primeiros filmes de Elvis. Entrevistas com atores e diretores que trabalharam com o Rei. Um dos melhores registros feitos sobre o cantor.

Elvis, One Night With You - Dir: Steve Binder - Media Home Vídeo - 1995
Foi lançado junto com o "NBC TV Special" em vídeo e traz material inédito gravado para o histórico especial e que não foi utilizado e nem exibido na época. Registro histórico importante.

Filmes que tiveram o Rei como personagem principal:

Elvis Não Morreu - Dir: John Carpenter - ABC TV - 1979
Telefilme produzido logo após a morte de Elvis que foi lançado nos cinemas brasileiros. O Ator Kurt Russel faz o papel de Elvis nesta produção muito fraquinha que apresenta diversos erros históricos.

Elvis e a Rainha da Beleza - Dir:Gus Trikonis - CBS TV - 1981
Outro telefilme muito fraco contando a história de amor entre Elvis e Linda Thompson. O Ator Don Johnson (da série Miami Vice) faz Elvis. Ele engordou vinte quilos para fazer o cantor em seus anos finais. O resultado final, apesar dos esforços, é apenas mediano.

Elvis e Eu - Dir: Larry Pierce - ABC TV - 1988
Minisérie baseada no livro de Priscilla Presley "Elvis e Eu". A produção é o que de melhor foi feito sobre a história de Elvis na TV. A reconstituição é muito boa e o ator que faz Elvis, Dale Midkiff, não compromete. Foi um grande sucesso de audiência na TV norte americana. No Brasil foi exibido várias vezes pelo canal SBT. Curiosamente não apresenta versões originais de Elvis, apesar da série ter contado com o apoio do espólio e da ex esposa do cantor.

Elvis e o Coronel - Dir: Larry Sanders - ABC TV - 1989
Outro telefilme muito ruim que desperdiça tempo e paciência contando a história de Elvis e do Coronel Tom Parker. Tudo muito mal feito e barato. O Ator que faz Elvis é péssimo.

Uma Noite com o Rei do Rock - Dir:Chris Columbus - Touchstone Pictures - 1992
Comédia em que um bando de garotos raptam o cantor para tirar sua mãe da depressão. Tem bons momentos, mas no geral é uma grande bobagem. O diretor Columbus fez o grande sucesso "Esqueceram de Mim".

O Encontro de Elvis com Nixon - Dir. John Lester - 1999
Esse telefilme conta a história do encontro de Elvis Presley com Nixon, durante a primeira metade dos anos 70. Uma boa história que foi desperdiçada (mais uma vez!). O maior erro é retratar Elvis como um bobo; o ator que interpreta o cantor está exagerado e caricato, assim como o ator que faz Nixon. Para confundir ainda mais colocam algumas pessoas dando depoimentos como se fossem os verdadeiros envolvidos no histórico encontro. Perda total de tempo. Fuja!

Um Estranho chamado Elvis - Direção: David Winkley - EUA, 1999
Com: Harvey Keitel, Johnathon Schaech, Bridget Fonda.
Byron Gruman (Jonathon Schaech) perdeu o ânimo pela vida, desde que sua mulher Beatrice (Gretchen Mol) faleceu. Decide viajar sem rumo pela estradas dos Estados Unidos e em uma de suas viagens, enxerga ao longe um homem vestido com uma jaqueta cor-de-rosa, segurando uma placa onde se lê "Graceland". O homem se apresenta com o nome de Elvis e insiste em dizer que é o próprio Presley -- apesar de não ser nem um pouco parecido com ele. Byron dá carona ao estranho e começa uma aventura, que o faz mudar seus sentimentos em relação a vida, ajudado por acontecimentos inusitados. . O filme demonstra que Elvis Presley está mais presente do que nunca no mundo atual, seja através de sua música ou de sua imagem.

3,000 Miles to Graceland - Direção: Damien Lichtenstein - EUA, 2000
Com: Kevin Costner, Kurt Russel - A história do filme gira em torno de um grupo de ex-presidiários que planeja um último grande golpe que vai torná-los todos milionários, vivendo numa praia do Caribe. A idéia é pegar o dinheiro do cassino Riviera, em Las Vegas, mas na data de uma convenção internacional de imitadores de Elvis Presley. Interessante só para quem gosta do universo dos covers do cantor.

Nota: Além destes, Elvis é citado em milhares de filmes. Entre Eles: Forrest Gump, Mystery Train, Amor à queima roupa, A fera do Rock, Backbeat, Querida América - Cartas do Vietnã, Grease - Nos tempos da Brilhantina e muitos outros. O Rei do Rock não ganhou ainda uma cinebiografia definitiva, e no geral os atores que o representam no cinema não conseguem nem chegar perto do talento de Elvis Presley, isso quando não ficam totalmente ridículos tentando imitar a dança do cantor. Espero realmente que um dia a história de Elvis ganhe um filme à altura do mito.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Elvis Presley - Livros sobre Elvis Presley

O texto a seguir foi publicado originalmente em meu site EPHP (Elvis Presley Home Page). Nele comento os principais livros sobre Elvis Presley, é uma bibliografia selecionada de obras que tentam desvendar à sua maneira o mito desse grande astro do século XX.

Last Train to Memphis / Careless Love (Peter Guralnick) - Sem sombra de dúvida, dois dos melhores livros já escritos sobre o mito Elvis Presley. O autor é um jornalista consagrado que já trabalhou na mais importante revista de música jovem dos Estados Unidos: A Rolling Stone. Excepcionalmente bem escrito, embasado em ampla pesquisa e entrevistas com pessoas que conviveram com o astro. Talvez o retrato mais honesto já feito sobre Elvis. O grande mérito de Guralnick é sua posição frente ao mito, aqui o autor o retrata com imparcialidade, sem tomar partido ou paixões. A obra definitiva sobre Elvis Presley, um show de literatura de ótima qualidade. Simplesmente indispensável e essencial para se conhecer Elvis com profundidade e honestidade. Em suma, são obras maravilhosas.

Trecho: ...Eles conversaram um pouco enquanto Phillips fazia os acertos finais no estúdio. A Conversa foi se alongando, e Marion confusa com a ousadia e "arrogância" do garoto tímido. Ela perguntou: "Que tipo de cantor você é?" "Eu canto qualquer tipo de música", respondeu Elvis. Ela voltou a perguntar: "Você canta parecido com quem?". Elvis Presley respondeu de primeira: "Eu não me pareço com ninguém". O que ele disse estava próximo da realidade. As duas canções que ele gravou naquele dia - "My Happiness" e "That's When Your Heartaches Begin" - atestam que Elvis não só era diferente de qualquer outro cantor, como também havia uma grande qualidade em sua voz, um tipo de melancolia, de lamento que não se alterava e que grudava na mente. Elvis soava diferente de tudo.

Elvis e Eu (Priscilla Presley) - O livro escrito pela esposa de Elvis despertou ódios e paixões na ocasião de seu lançamento. Uns o acusam de superficial e bobo, outros o consideram um livro excelente, que foi escrito por uma pessoa que foi a mais próxima do cantor, na maior parte de sua vida. Sem dúvida "Elvis e eu" é um importante documento histórico sobre a vida de Elvis. É superficial no tocante a carreira artística do Rei do Rock, mas não no aspecto pessoal e humano. No final das contas é um retrato bem elaborado sobre o cantor, e qualquer relato escrito por Priscilla não pode ser ignorado, pois sem dúvida ela foi o grande amor da vida de Elvis. No fundo este é um livro sobre sentimentos, descobertas, paixões, amores e decepções. Um livro passional e necessário para os fãs de Elvis Presley.

Trecho: ...Eu sabia que minha vida nunca mais seria a mesma. A morte de Elvis tornou-me muito mais consciente de minha própria mortalidade e das pessoas que eu amava. Compreendi que era melhor começar a partilhar mais com as pessoas com quem me importava, cada momento que tinha com minha filha ou meus pais se tornou mais precioso. Aprendi com Elvis, muitas vezes – lamentavelmente – com seus erros. Aprendi que Ter muitas pessoas ao redor pode minar suas energias. Aprendi o preço de tentar fazer todos felizes. Elvis dava presentes a alguns e deixava outros ciumentos, frequentemente criando rivalidades e ansiedades no grupo. Aprendi a confrontar as pessoas e os problemas – duas coisas que Elvis sempre evitara. Aprendi a assumir o controle da minha vida. Elvis era tão jovem quando se tornara um astro que nunca fora capaz de manipular o poder e o dinheiro que acompanhavam a fama. Sob muitos aspectos, ele foi uma vítima, destruído pelas próprias pessoas que atendiam a todos os seus desejos e necessidades. Foi também uma vítima de sua imagem. O público queria que ele fosse perfeito, enquanto a imprensa implacavelmente exagerava os seus defeitos. Nunca teve a oportunidade de ser humano, de crescer para se tornar um adulto amadurecido, experimentar o mundo além de seu casulo artificial. Quando Elvis Presley morreu, um pouco de nossas próprias vidas nos foi tirado, de todos que conheciam e amavam Elvis Presley, que partilharam suas Músicas e filmes, que acompanharam sua carreira. Sua paixão era divertir os amigos e os fãs. O público era seu verdadeiro amor. E o amor que Elvis e eu partilhamos foi profundo e permanente.

A Life in Music (Ernst Jorgensen) - Este livro é recomendado para quem quer conhecer o músico Elvis Presley. São relatados detalhes relacionados ao aspecto profissional do Rei do Rock. O autor é um especialista consagrado sobre Elvis, talvez só superado por Peter Guralnick. A RCA BMG, gravadora de Elvis reconheceu o conhecimento do autor e hoje Ernst Jorgensen é o encarregado dos lançamentos mundiais de Elvis. Sob sua supervisão, foram lançados ótimos CDs e raridades foram desenterradas, ele é um verdadeiro caçador de tesouros perdidos do Rei do Rock. Aqui temos o retrato de Elvis visto sob o prisma de um expert em The Pelvis.

Day by Day (Ernst Jorgensen e Peter Guralnick) - A união entre os maiores especialistas mundiais sobre Elvis só poderia resultar em uma pequena obra prima como essa. A pretensão é fazer um levantamento com todos os acontecimentos importantes da vida de Elvis. Assim este livro acabou se tornando um guia prático para quem quer achar uma informação sobre a vida do Rei do Rock, de uma maneira fácil e rápida. Vale a pena conferir. Infelizmente este livro, como vários outros, não foi lançado no Brasil. A única opção é a versão em língua inglesa.

Elvis – Top Secret (Earl Greenwald e Kathleen Tracy) - Um dos mais curiosos livros já escritos sobre Elvis. Os autores usaram como fonte os arquivos secretos do FBI que vieram a domínio público após determinação judicial. Muito bem escrito e desenvolvido o livro é dividido nos seguintes capítulos: Fama Precoce e Controvérsia, A Vida no Exército e o estranho caso do Dr. Schmidt, Visões do Apocalipse e Ameaças de Morte e Dores de Cabeça Judiciais. Para maiores informações sobre esta obra leia o artigo "O arquivo secreto do FBI sobre Elvis Presley" neste site.

Trecho: ...Sob as ordens diretas de seu todo-poderoso diretor J.Edgar Hoover, a força policial número um dos EUA – o FBI – manteve e mantém arquivos sobre gente supostamente perigosa e subversiva, ou considerada individualista e excêntrica demais. Entre tais pessoas tem havido celebridades, e entre estas o alvo de observação oficial mais surpreendente foi talvez Elvis Presley – O Rei do Rock. Pode-se imaginar Hoover permanentemente obcecado com os movimentos coreográficos de quadris que valeram a Elvis o apelido de The Pelvis. Do início ao apogeu de sua carreira, Elvis Presley representou um perigo para a moral, os valores sacrossantos e quanto o FBI entendesse como a quintessência da alma da juventude americana. Na época, os americanos não desconfiavam de seu próprio governo como desconfiam hoje. Não ocorreria a ninguém, nem mesmo ao coronel Tom Parker, que o FBI espionasse seu cliente Elvis Presley. Foi só depois da morte de Hoover, em 1972, que táticas discutíveis e, em alguns casos, ilegais vieram a público e passaram a ser questionados. 

Infinite Elvis: An Annotated Bibliography (Mary Hancock) - Este livro retrata o começo da carreira de Elvis, enfocando seus primeiros anos, principalmente seus shows no Grand Ole Opry. É um livro muito bom, principalmente por reunir também um grande número de artigos escritos sobre Elvis. Recebeu uma resenha extremamente elogiosa na revista Rolling Stone, na ocasião de seu lançamento.

Tryin' to Get to You : The Story of Elvis Presley - Outro livro que retrata o começo da vida de Elvis. Começa com um retrato do pobre garoto rural do Sul dos EUA, a vida de adolescente em Memphis, seus primeiros singles e a explosão mundial, quando se tornou o Rei do Rock, revolucionando a música pop.

Colonel of Lies - 'Colonel Tom Parker: The Curious Life of Elvis Presley's Eccentric Manager' - Quem foi o Coronel Parker? Através deste livro descobre-se que seu nome não era Tom Parker e sim Andreas Cornelius van Kuijk, que ele não era americano e sim holandês, que não era coronel coisa nenhuma e que muitos pontos sobre sua vida continuam sendo um mistério. E pensar que esse sujeito foi o empresário de Elvis de 1955 a 1977.

Elvis Culture - O livro tenta captar o verdadeiro Elvis e suas várias facetas: do ídolo jovem, rockabilly rebelde, soldado da pátria, superstar de Las Vegas, ator de filmes B, e chega a uma conclusão de que Elvis foi um dos mais importantes artistas dos Estados Unidos. A pretensão do livro é tentar explicar a razão de todo este sucesso. Erika Doss, a autora, faz um belo trabalho de pesquisa sociológica sobre o Rei do Rock.

Elvis, o que aconteceu? - Elvis, What Happened? (Red West / Sonny West / Hebbler) - Este é o famoso livro escrito pelo guarda costas pessoal de Elvis. Foi lançado em 1977 e Elvis teve a oportunidade de ler este retrato demolidor de sua imagem. Red West conheceu o cantor na adolescência, em Memphis e se tornou seu amigo. Anos depois Elvis o levou a acompanhá-lo em suas viagens como guarda costas. Assim nasceu uma relação de amizade que durou mais de vinte anos. Em 1976, Elvis despediu Red e Sonny West e toda a máfia de Memphis. A primeira coisa que Red e cia fizeram foram assinar contratos milionários para contar os segredos do cantor. Nasceu assim este livro, que foi lançado perto da morte de Elvis. O Cantor desabafou: "Eu os considerava irmãos e agora eles me apunhalam pelas costas, escrevendo um livro comprometedor". Quando o cantor morreu em 1977, "Elvis, what happened?" vendeu milhões de exemplares, principalmente por enfocar uma visão sensacionalista sobre a vida do Rei do Rock. Apesar de hoje ser considerado ultrapassado e de pegar pesado em vários trechos esse livro vale como registro histórico, mesmo que um pouco cruel, de Elvis.

Elvis (Albert Goldman) - Outro livro que fez muito sucesso. Foi lançado no começo dos anos 80 e foi considerado na época um dos mais bem elaborados retratos de Elvis. O Livro contou com depoimentos de inúmeras pessoas que conviveram com o Rei do Rock. Apesar disso o livro é quase que inteiramente dedicado a aspectos pessoais de Presley, sua carreira artística é deixado de lado. Também é bem sensacionalista, exagerando em alguns pontos. O Autor também escreveu um livro estraçalhando a imagem de John Lennon, anos depois. Nos dias atuais este livro é considerado um mero tablóide pelos especialistas.

Trecho: ...O tema básico de minha biografia era a total incongruência entre Elvis, o homem e Elvis, o mito. A fama pesava muito ao cantor. Começou a rezar fervorosamente. Não era raro David encontrá-lo de joelhos, exclamando em voz alta: "Deus, tem piedade de mim! Perdoa-me, ajuda-me! Não posso continuar!" Sentia-se culpado pela vida que levava, as drogas, mulheres e todas as extravagâncias. É evidente que, nas últimas e dramáticas semanas, Elvis estava possuído do desejo de morte. David estava convencido baseado em duas perspectivas intoleráveis: a reação do público ao livro dos guardas costas e o aparecimento diante dos fãs numa nova tournée. No auge de todas essas angústias, Elvis insistiu que Dick se ajoelha-se e rezasse com ele: "Deus, perdoa meus pecados" suplicou. "Permite que as pessoas que lêem esse livro tenham compaixão e compreensão das coisas que fiz"

Travels With Elvis : A Guide Across America to All the Places Where the King Lived, Loved, and Laughed - Este livro é muito legal. É um guia que mostra os diversos lugares por onde o Rei do Rock passou em sua vida. Todos os Estados em que ele visitou e fez shows, onde passou férias, em locações de seus filmes etc. Claro que Memphis, Nashville, Tupelo e Las Vegas ganham destaque especial. Os autores fizeram um belo trabalho de pesquisa. Vale a pena conferir.

All Shook Up : The Life and Death of Elvis Presley - Um bom texto com fotos raras e de primeira qualidade. Um livro correto que enfoca toda a carreira de Elvis, desde seus primeiras anos de estrada até seus últimos shows. Um enfoque bem sincero e honesto sobre o Rei do Rock.

Elvis Search For God - O livro que retrata o Elvis religioso. Contém depoimentos de pessoas que conviveram com o cantor e presenciaram este aspecto muito forte de sua personalidade. Muito bem elaborado, trata do amor que Elvis tinha pela música Gospel e a influência que este gênero exerceu sobre sua música.

Essential Elvis - Este é um best seller na Inglaterra. Foi um dos livros mais vendidos sobre o Rei do Rock na terra da rainha. É basicamente um resumo biográfico sobre o cantor, com muitas fotos bacanas. Sem causar polêmica, este livro conseguiu ser hoje a obra mais vendido sobre Presley na Europa.

Images of Elvis Prelsey in American Culture 1977-1997 - Tese de mestrado que enfoca Elvis que chamou tanta atenção na época que acabou virando livro. Realmente é um trabalho de alto nível que estuda Elvis e sua influência na cultura ocidental. Uma obra acadêmica que foi aprovada com louvor na Universidade de Oxford. Para estudiosos sobre Elvis Presley.

Elvis Immortal - Este é um livro para fãs. Muito material inédito como fotos raras, discografia completa, filmografia e capas de discos. Prova mais uma vez que Elvis é imortal.

Elvis Aaron Presley - Revelations from the Mafia Memphis (Alanna Nash) - O livro que busca entender e descobrir os segredos da famosa máfia de Memphis, o grupo de amigos de Elvis que o acompanhava em sua vida. Muito interessante a autora entrou fundo na confusões em que o grupo se meteu ao longo da história. Um dos capítulos mais interessantes é o que trata sobre um curioso personagem que fez parte da Máfia de Memphis: Hamburguer James. Só lendo para acreditar.

Word for Word (Jerry Osborne) - Reunião de entrevistas que Elvis concedeu ao longo de sua carreira. Um belo resgate histórico do que Elvis disse. Aqui temos sua opinião sobre o Rock, as drogas, sua vida no exército, sua religião, a guerra do Vietnã, seus fãs e seus discos, filmes e shows. Um retrato do homem através de suas opiniões.

Elvis! Elvis! Elvis : The King and His Movies - Este livro retrata a carreira de Elvis no cinema. Ricamente ilustrado com posters e fotos de Elvis em seus filmes e nos sets de filmagens. Contém as fichas técnicas de cada filme, as principais críticas da época etc. São no total 150 fotos, muitas delas raras, tiradas por fãs e que são publicadas pela primeira vez aqui.

Elvis Presley Sings Leiber & Stoller - Livro que retrata a vitoriosa parceria entre Elvis e Leiber & Stoller. Uma verdadeira aula de história do Rock'n'Roll, essencial para quem quer conhecer a essência deste ritmo musical que mudou o mundo nos anos 50 e 60. Essencial.

Nota: Foram escritos centenas de livros sobre Elvis Presley e por isso esta é só uma pequena amostra deste universo literario sobre o Rei do Rock. Entre outros títulos importantes pode-se citar ainda: "Elvis in His Own Words", "Elvis" e "The final Years" de Jerry Hopkins, "We Love you Tender" de Billy, David e Rick Stanley, "A Presley Speaks" de Vester Presley, "The Truth About Elvis", "A Life In Music: The Complete Recording Sessions", "All Shook Up : Collected Poems About Elvis", "Down at the End of Lonely Street: The Life and Death of Elvis Presley", "Elvis After Elvis", "Even Elvis", "Elvis in the Morning", "Elvis Presley 1956", "Elvis Presley : An Unauthorized Biography", "Elvis por ele mesmo", "Elvis Inc.", "Everything Elvis", "Graceland, coming home with Elvis", "His Life In Pictures", "Infinite Elvis: An Annotated Bibliography", "Jailhouse Rock / The Bootleg Records Of Elvis 1970 - 1983", "King On The Road - Elvis Live On Tour", "Memories At The Graceland Gates", "Memphis Elvis-Style", "(Elvis) Presley, Richard Nixon and the American Dream", "Elvis Presley (People Who Made History)", "Race, Rock And Elvis", "The Rebel Years", "Songs Of Inspiration", "The Day Elvis Met Nixon", "The Ultimate Elvis Quiz Book : What Do You Know About the King of Rock & Roll?", "The Hitchhiker's Guide to Elvis : An A-Z of the Elvis Universe", "The Official Price Guide to Elvis Presley Records and Memorabilia", "The Truth About Elvis Aron Presley : In His Own Words", "Unknown Stories Behind The Legend" e "When Elvis Died".

Pablo Aluísio.

domingo, 17 de maio de 2009

Elvis Presley - O Último Elvis

Título no Brasil: O Último Elvis
Titulo Original: El Último Elvis
Ano de Produção: 2012
País: Argentina
Estúdio: Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales
Direção: Armando Bo
Roteiro: Armando Bo, Nicolás Giacobone
Elenco: John McInerny, Griselda Siciliani, Margarita Lopez.

Sinopse: 
Carlos Gutiérrez (John McInerny) sonha um dia ser como seu ídolo, Elvis. Sua realidade porém é muito dura. Durante o dia ele trabalha como um simples operário numa linha de montagem e à noite canta como cover de Presley em boates, bingos e até asilos da terceira idade. Ficando cada vez mais careca, obeso e envelhecido, sua vida como cantor parece ter entrado numa encruzilhada sem saída. Se sua vida profissional não parece promissora a vida pessoal é ainda mais caótica. Sua ex-mulher o hostiliza frequentemente e sua única filha (chamada de Lisa tal como a filha de Elvis) tem um relacionamento frio com ele. Diante de tantas desilusões Carlos resolve tomar uma decisão completamente inesperada. Uma última louvação com ares de desespero ao seu ídolo decaído.

Comentários:
"O Último Elvis" é um belo retrato, muito humano, de uma pessoa que tenta sonhar em um mundo muito inglório. Ele quer ser como Elvis mas sua realidade fica muito longe das luzes de Las Vegas ou dos grandes palcos do mundo. No fundo o roteiro explora a dualidade em que vive o personagem principal, na diferença brutal entre seu mundo idealizado e a sua rotina diária, massacrante. Outro ponto muito positivo é a exploração que o texto faz dos perigos do fanatismo sem controles ou limites. Deslumbrado com o mundo no qual seu ídolo viveu ele vai perdendo aos poucos o contato com a realidade ao seu redor, passando em determinado momento a agir, pensar e se comportar como o próprio Elvis, inclusive comendo os mesmos sanduíches de banana preferidos do cantor e tratando todos ao seu redor como se eles estivessem na presença de seu deus morto. Analisando de forma profunda temos aqui um boa imagem das armadilhas que podem aparecer no caminho de fãs de ídolos da cultura pop que perdem o seu próprio sentido de vida. Nesse aspecto "El último Elvis" é realmente brilhante. Não deixe de assistir, seja você fã ou não de Elvis Presley.

Pablo Aluísio.