segunda-feira, 30 de abril de 2012

Prece Para Um Condenado

Um dos melhores filmes da carreira de Mickey Rourke também é um de seus mais subestimados. Nesse excelente filme o ator interpreta um terrorista do IRA (Exército Revolucionário Irlandês) que entra em crise existencial após um atentado mal sucedido aonde pessoas e crianças inocentes morreram. Rourke ficou tão comovido pela luta dos irlandeses contra os ingleses que acabou tatuando a sigla do grupo em seu próprio braço. Nas filmagens deu entrevistas corajosas defendendo a causa do IRA mesmo sabendo que tais declarações iriam mais cedo ou mais tarde se voltarem contra ele. As filmagens não foram simples. Logo no primeiro dia de trabalho Rourke entrou numa séria briga com um dos produtores executivos. Acontece que Mickey aceitou realizar o filme baseado em um roteiro que o estúdio queria mudar de última hora. Com medo de perdas financeiras os produtores queriam deixar a crise existencial do personagem de Rourke de lado para investir em mais ação. O ator ficou possesso. Numa das entrevistas que deu para a agência Reuters atacou o produtor do filme: "Esse cara pousou de pára quedas no primeiro dia de gravação e disse que o roteiro estava muito introspectivo e sem movimento. Então quis mudar tudo, tirando o drama para colocar cenas de tiroteiro e ação. Era atroz! Ele queria um filme de Chuck Norris! Eu falei que se mudassem iria embora naquele mesmo dia. Se você estiver lendo essa entrevista saiba que você não passa de um imbecil!"

A briga de Rourke pareceu surtir algum efeito mas os problemas com o filme continuaram. Pelo tema polêmico a produção enfrentou sérios problemas com o estúdio antes de seu lançamento. Foi proposta uma mudança de edição, numa tentativa de amenizar o tom provocativo do roteiro. Rourke entrou na briga novamente e foi aos jornais denunciar o que estavam fazendo com o filme. No meio da confusão o filme foi mal lançado e distribuído, o que talvez explique o fato de ser tão pouco conhecido. Rourke também ficou revoltado com o corte final dado pelos produtores. Em sua forma de pensar muito do potencial do filme foi simplesmente jogado fora. De qualquer forma a fita chegou ao mercado de vídeo no Brasil na época e alcançou um relativo sucesso em nossas locadoras no encalço de "Coração Satânico". Hoje é um filme complicado de se achar mas merece ser conhecido pelo tema importante e pela ótima atuação de Rourke, em um de seus momentos mais inspirados. Certamente poderia ter sido melhor se não tivesse enfrentado tantos problemas mas pela coragem de Rourke vale muito a pena ser redescoberto.

Prece Para Um Condenado (A Prayer for the Dying, Inglaterra, 1987) Direção: Mike Hodges / Roteiro: Edmund Ward Baseado no livro "A Prayer for the Dying" de Jack Higgins / Elenco: Mickey Rourke, Bob Hoskins, Alan Bates, Sammi Davis / Sinopse: Martin Fallon (Mickey Rourke) é um terrorista do IRA (Exército Revolucionário Irlandês) que entra em crise existencial após participar de um atentado mal sucedido aonde pessoas e crianças inocentes morreram.

Pablo Aluísio.

sábado, 28 de abril de 2012

Máquina Mortífera 2

Primeira sequência de "Lethal Weapon" lançado dois anos antes. Se Mel Gibson estava em busca de um sucesso de bilheteria e uma nova franquia para estrelar e levantar sua carreira ele acertou em cheio. O filme é o que se pode chamar de blockbusters anos 80. Ação, roteiro simples e piadinhas aqui e acolá. Nesse segundo filme quem faz o alívio cômico é o ator Joe Pesci. Seu personagem é um contador que em troca de informações de seus clientes mafiosos entra no serviço de proteção às testemunhas. Curioso que os vilões do filme são arianos sul africanos que usando de imunidade diplomática montam uma enorme rede de tráfico e lavagem de dinheiro nos EUA. Na época em que o filme foi realizado ainda havia grande revolta mundial por causa do regime racial do Apartheid que vigorava naquela país. O próprio ator que faz o vilão tem uma semelhança enorme com o primeiro ministro sul africano da época. Mais direto do que isso impossível. Além disso esse mesmo regime de separação absoluta entre brancos e negros acabou levando o líder Nelson Mandela a se tornar um símbolo ao redor do mundo. Quando o filme foi lançado ele ainda cumpria pena de prisão. Por essa razão a fita foi proibida de ser exibida nos cinemas sul africanos. Isso porém não iria durar muito. Quando o regime caiu, Mandela acabou se tornando presidente da África do Sul por vários anos.

O filme obviamente envelheceu. As cenas vistas hoje em dia são mais do que clichês. Nos anos 80 eles tinham bastante preferência por cenas exageradas de ação como se pode ver na cena em que Riggs (Mel Gibson) derruba toda uma casa que fica no alto de uma colina. Na outra sequência vemos vários carros de policia batendo e voando uns sobre os outros numa movimentada rua de Los Angeles (chegou até mesmo a me lembrar de outro sucesso da época, a comédia musical "Os Irmãos Cara de Pau"). Nos bastidores Mel Gibson já demonstrava ter problemas com alcoolismo o que o levou a ter várias brigas no set com o diretor Richard Donner. Ele muitas vezes chegou atrasado e alcoolizado para rodar suas cenas. Como foi uma superprodução contou-se até mesmo com luxos como contratar o trio George Harrison, Tom Petty e Jeff Lynne para compor a trilha sonora. Nessa revisão cheguei a me lembrar de uma ou outra cena já que fazia muitos anos desde que havia assistido pela última vez. A única coisa que ainda me lembrava claramente do filme era aquela cena em que Gibson deslocava seu próprio ombro para se safar de uma camisa de força. Pois é, desde aquele tempo o Mel já era completamente alucinado! Em suma vale pela nostalgia e pelo tom absurdo que os filmes de ação da década de 80 sempre apresentavam de um maneira ou outra.

Máquina Mortífera 2 (Lethal Weapon 2, EUA, 1989) / Direção: Richard Donner / Roteiro: Jeffrey Boam / Estúdio: Warner Bros, Sony Pictures / Elenco: Mel Gibson, Danny Glover, Joe Pesci, Joss Ackland, Patsy Kensit / Sinopse: Os policiais Martin Riggs (Mel Gibson) e Robert Murtaugh precisam proteger um informante enquanto investigam o envolvimento de diplomatas sul africanos com o tráfico de drogas internacional e lavagem de dinheiro. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhores Efeitos Sonoras (Robert G. Henderson e Alan Robert Murray). Vencedor do BMI Film & TV Awards na categoria de Melhor Música (Eric Clapton, Michael Kamen e David Sanborn).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Amor Obsessivo

Julie (Jess Weixler) é uma garçonete em Nova Iorque que acaba se apaixonando pelo escritor Max Oliver (Willem Dafoe). Esse está ainda tentando superar a perda de sua esposa, recém falecida. Após um encontro ele decide de forma impulsiva e prematura convidar ela para ir até a Itália, onde pretende escrever seu novo romance. Mesmo hesitante um pouco ela aceita e juntos vão para uma bucólica cidadezinha italiana no Mediterrâneo. Lá sem ter muito o que fazer Julie acaba se interessando pelo passado da ex esposa de Max, chegando ao ponto de se tornar obcecada por ela. "Amor Obsessivo" é um filme independente rodado na Itália com ares de cinema de arte. A jovem diretora Giada Colagrande tenta criar um trama psicológico em torno do relacionamento entre Julie e Max mas sem maiores resultados. O filme é praticamente todo passado num casarão clássico italiano, onde os dois tentam manter uma rotina de normalidade e paixão mas sem nunca chegar a lugar nenhum. A produção também falha em tentar mostrar uma suposta rivalidade entre Julie e uma amiga que vai passar alguns dias em sua nova casa. Tudo soa bastante artificial e sem maior impacto.

O elenco se apoia bastante na dupla central, Willem Dafoe e Jess Weixler. Ela é uma atriz bonita mas não consegue dar conta do papel. A personagem que interpreta, Julie, começa a ficar obcecada em determinada parte do filme mas Jess não consegue em momento algum trazer alguma veracidade a esse estado emocional em sua caracterização. Suas caras e bocas, além de expressões ruins fazem o filme perder seu potencial mais dramático. Já Willem Dafoe não se sai melhor. Preguiçoso em cena, não se envolve muito. Passeando pra lá e pra cá com sandálias de dedo seu personagem é passivo, sem carga emocional. Em conclusão esse "Amor Obsessivo" é uma vã tentativa de se realizar um filme de arte. Faltou maior talento para se chegar lá.

Amor Obsessivo (A Woman, EUA / Itália, 2010) Direção: Giada Colagrande / Roteiro: Giada Colagrande / Elenco: Willem Dafoe, Jess Weixler, Stefania Rocca / Sinopse: Julie (Jess Weixler) é uma garçonete em Nova Iorque que acaba se apaixonando pelo escritor Max Oliver (Willem Dafoe). Esse está ainda tentando superar a perda de sua esposa, recém falecida. Após um encontro ele decide de forma impulsiva e prematura convidar ela para ir até a Itália, onde pretende escrever seu novo romance.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Highlander, O Guerreiro Imortal

Antes que estraguem de vez com Highlander em mais um remake idiota resolvi conferir o original mais uma vez. Concordo com a opinião dominante: Highlander jamais deveria ter tantas continuações horríveis como teve. É um filme que se fecha em si mesmo, não tendo lógica nenhuma os filmes que vieram depois. Em termos narrativos o filme é bem eficiente com duas linhas narrativas bem enxutas (uma no passado mostrando sua origem nas terras altas escocesas) e outra no presente (onde ele se esconde sob uma falsa identidade em Nova Iorque). O roteiro não perde muito tempo com detalhes, é uma fita que nasceu para ser ágil, sem muita perda de tempo, o que transparece inclusive na explicação da origem dos imortais (que no fundo não são explicados, como se fossem frutos apenas de um evento natural).

No elenco a curiosidade fica por conta da caracterização de Sean Connery. Para uma pessoa que se orgulha das tradições escocesas fica no mínimo estranho ele aparecer como um misto de espanhol / egípcio em cena! Sua participação não é lá grande coisa mas dentro do contexto consegue ser marcante. O filme envelheceu, obviamente, principalmente em seus efeitos especiais. Na cena final a animação utilizada fica muito evidente. De qualquer forma a trilha sonora do Queen é muito adequada (mais até do que me lembrava) e Lambert não compromete (apesar de ser apático em alguns momentos). Enfim é isso. Highlander deveria ter ficado por aqui mas a ganância fez surgir várias continuações toscas e um remake que vem por aí que provavelmente vai ser igualmente horrível. Highlander era imortal mas no cinema conseguiram matar o personagem.

Highlander, O Guerreiro Imortal (Highlander, EUA, 1986) Direção: Russell Mulcahy / Roteiro: Gregory Widen, Gregory Widen / Elenco: Christopher Lambert, Roxane Hart, Clancy Brown, Sean Connery, Beatie Edney / Sinopse:: Connor MacLeod (Christopher Lambert) faz parte de uma estranha linhagem de imortais que se enfrentam ao longo dos séculos entre eles para cumprir a lenda que afirma só poder existir um imortal.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Coração de Cavaleiro

O tempo é interessante. Eu me recordo que quando "Coração de Cavaleiro" chegou aos cinemas brasileiros em 2001 muitos críticos arrasaram com o filme e um de seus alvos principais de chacotas foi o fato do filme ser estrelado por Heath Ledger. Os jornalistas fizeram piada com a tentativa do estúdio em lançar Ledger para o estrelato. O ator foi satirizado de várias formas, tachado de inepto, pouco talentoso e medíocre. O tempo passou, Ledger fez grandes filmes após esse e com Batman se consagrou definitivamente com um grande ator. Curiosamente muitos que o desqualificaram impiedosamente em "Coração de Cavaleiro" se viram depois elogiando sua atuação como Coringa na famosa produção. A nota de lamento vem pelo fato de Ledger ter partido muito cedo, justamente no momento em que despontava para o auge de sua carreira. Diante de uma morte tão prematura (e sem explicação para muitos até hoje) sobrou como seu legado apenas sua filmografia que analisada friamente mostra sua grande versatilidade pois ele participou de filmes bem diversos, de quase todos os gêneros.

Esse "Coração de Cavaleiro" foi um deles. Realmente se tratou de uma tentativa de transformar o ator em ídolo juvenil. O filme foi concebido para tentar levar ao público mais jovem o charme das antigas produções épicas de Hollywood, mais especificamente àquelas passadas na Idade Média. A trama é simples:
William Thatcher (Heath Ledger) é filho de um camponês que sonha um dia se tornar cavaleiro. Como se sabe na Idade Média a sociedade era rigidamente hierarquizada, onde se tornava quase impossível subir na escala social. Quem era de filho de camponeses geralmente morria camponês. Apenas nobres de alta estirpe viravam cavaleiros. O filme gira em torno desse sonho do rapaz mas não se preocupe, a produção não se leva tanto à sério assim. Tudo é levado em tom mais leve, soft, sem grandes pretensões. Chegam ao ponto de usar uma trilha sonora moderna (com músicas do Queen) em uma produção de época! No fundo isso nem importa muito. De fato "Coração de Cavaleiro" tem que ser assistido apenas como entretenimento ligeiro, fugaz. Ledger parece se divertir com o filme então o espectador deve seguir pelo mesmo caminho. Não é marcante, mas até que como produto pop tem seus méritos e para os fãs do ator se torna obrigatório.

Coração de Cavaleiro (A Knight's Tale, EUA, 2001) Direção: Brian Helgeland / Roteiro: Brian Helgeland / Elenco: Heath Ledger, Mark Addy, Rufus Sewell, Shannyn Sossamon, Paul Bettany, Laura Fraser, Alan Tudyk / Sinopse: William Thatcher (Heath Ledger) é filho de um camponês que sonha um dia se tornar cavaleiro. Para realizar seus sonhos acaba se envolvendo em muitas aventuras ao lado de seus amigos.
Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Contra o Tempo

Um soldado americano acaba sendo selecionado para fazer parte de uma experiência envolvendo regresso no tempo / espaço. Algumas considerações iniciais: "Contra o Tempo" é um filme extremamente bem elaborado, pensado e construído. Ele lida com muitos temas que inclusive vão passar em branco para a maioria dos espectadores (como o conceito de universos paralelos) e o mais interessante de tudo, o filme só tem 8 minutos de duração. Isso mesmo, embora obviamente sua metragem não seja essa, o fato é que o filme se desenvolve apenas nesses oito minutos de trama. Claro que poderia ser bem cansativo assistir algo assim, nesse formato, mas o roteiro é tão bem desenvolvido que não ficamos aborrecidos, pelo contrário, o argumento realmente flui bem nesse aspecto. Além disso o manejo eficiente de conceitos físicos como tempo, espaço, universos paralelos, teoria do caos e relação causa e efeito são tão bem articulados que convidam o espectador a rever o filme várias vezes para que ele consiga penetrar em todas as nuances do intrigante argumento. Uma boa revisão naquele seu velho livro de física da escola também ajuda na compreensão do roteiro do filme.

Como conceito "Contra o Tempo" é muito bom e por incrível que pareça consegue ao mesmo tempo ser boa diversão. Algo que é bem raro para filmes assim, conceituais. Na minha forma de pensar o filme mesmo bem construído apresenta alguns furos de lógica. Não vou aqui desenvolver esses furos pois seria impossível delimitar eles sem entregar toda a estória - algo que não farei para não estragar o filme para quem ainda não viu. Mesmo assim, se ignorarmos esses pequenos deslizes racionais, teremos enfim um ótimo programa, inteligente, bem sacado e com final surpresa (e altamente científico, por mais incrível que isso possa parecer). Enfim, recomendo bastante e sugiro para quem gostar do filme que procure conhecer os novos campos de estudo da física moderna. Certamente muita coisa foi utilizada pelos roteiristas.

Contra o Tempo ((Source Code, EUA, 2011) Direção: Duncan Jones / Roteiro: Ben Ripley / Elenco: Jake Gyllenhaal, Michelle Monaghan, Vera Farmiga / Sinopse: Um soldado americano acaba sendo selecionado para fazer parte de uma experiência envolvendo regresso no tempo / espaço.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Busca Implacável

Bryan Mills (Liam Neeson) é um ex agente da CIA que tem sua filha sequestrada por um grupo de criminosos. Em busca dela ele acaba caçando os sequestradores pelo continente europeu, numa busca que beira à obsessão pessoal. "Taken" foi um projeto pensado e executado para transformar Liam Neeson em um novo herói dos filmes de ação. Aqui ele conta com um eficiente produto, de edição rápida, cortes ágeis e muita correria, perseguições e caçadas humanas. Bem ao gosto do público atual. Sua filha está nas mãos de uma quadrilha especializada em prostituição internacional, muito comum nos países do leste Europeu (República Tcheca, Hungria e Romênia). Curiosamente optou-se no filme pela França, muito provavelmente para aproveitar as belas locações de Paris. Eu pessoalmente achei um produto bem realizado, tecnicamente muito bem feito embora em termos de roteiro e argumento não traga nenhuma novidade. Liam Neeson se esforça mas não empolga. Sua carreira não foi projetada e nem começou para ser um ator de filmes de ação, sua participação aqui é uma tentativa apenas.

O filme foi dirigido pelo cineasta francês Pierre Morel. Eu não tenho boas referências sobre ele uma vez que dirigiu Carga Explosiva com Jason Statham. Eu considero esse filme simples ação pela ação sem nenhuma idéia dentro. O curioso é que apesar de ser bem modesto em termos artísticos acabou fazendo sucesso e virou franquia. Uma produção que também foi roteirizado por Luc Besson, conhecido diretor francês. Besson é uma figura interessante no cinema internacional. Ele geralmente posa de intelectual e participa de júris de festivais famosos mas parece gostar de fazer fortuna com filmes como esse "Taken" que ele obviamente não gosta muito de creditar a si mesmo. Em suma, "Busca Implacável" pode até funcionar se você estiver a fim de ver um filme como puro entretenimento escapista. Mais do que isso não encontrará aqui.

Busca Implacável (Taken, EUA, 2008) Direção: Pierre Morel / Roteiro: Luc Besson, Robert Mark Kamen / Elenco: Liam Neeson, Maggie Grace, Famke Janssen / Sinopse: Bryan Mills (Liam Neeson) é um ex agente da CIA que tem sua filha sequestrada por um grupo de criminosos. Em busca dela ele acaba caçando os sequestradores pelo continente europeu, numa busca que beira à obsessão pessoal.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Você Não Conhece Jack

Jack Kevorkian (Al Pacino) é um médico defensor da chamada morte assistida. Pessoas com doenças incuráveis teriam direito a finalizar suas próprias vidas sem dor e nem sofrimento com o auxílio de um médico ao lado. O filme mostra a luta do médico pela legalização desse procedimento de atendimento a pacientes terminais. "Você Não Conhece Jack" já nasceu polêmico por causa de seu personagem principal que acabou ficando conhecido como o "Dr Morte". O filme é muito bom e a interpretação do Pacino mereceu todos os prêmios. O alto nível de interpretação porém não se restringe somente a ele. Susan Sarandon também tem uma participação muito digna, trazendo muita humanidade a uma personagem que até poderia ter sido mais bem explorada. Ela sempre foi uma liberal em defesa de causas sociais semelhantes e não me admira em nada estar no elenco dessa produção. Danny Huston que interpreta o advogado também se sobressai, embora em alguns momentos fique caricato. Em termos técnicos repito: o filme é muito bom, acima da média. A HBO mantém seu alto padrão de qualidade. Embora seja um telefilme tenho certeza que se fosse lançado no cinema ninguém notaria a diferença, tal sua qualidade.

Já sobre Jack Kevorkian, o "Dr Morte" sua atuação desperta admiração e ódio em doses semelhantes. Alguns acreditam ser bastante válida sua visão enquanto outros simplesmente abominam esse procedimento que no fundo não passaria de um suicídio assistido por um profissional de saúde. A chamada "Máquina de suicídio" realmente me pareceu algo fora dos padrões da razoabilidade. Em alguns países, inclusive o Brasil, o induzimento e auxílio ao suicídio é crime previsto no código penal. Nos EUA os grupos religiosos nunca aceitaram os métodos do médico e por isso ele foi processado até o fim de seus dias. O médico morreu ano passado sem conseguir legalizar o seu invento e o debate continua principalmente envolvendo familiares de pacientes terminais em confronto com grupos religiosos e de apoio à vida! O assunto pelo visto vai longe ainda. De qualquer forma o filme serve como belo documento de suas idéias, para o bem ou para o mal.

Você Não Conhece Jack (You Don't Know Jack, EUA, 2010) Direção: Barry Levinson / Roteiro: Adam Mazer / Elenco: Al Pacino, Brenda Vaccaro, John Goodman. Susan Sarandon, Danny Huston / Sinopse: Jack Kevorkian (Al Pacino) é um médico defensor da chamada morte assistida. Pessoas com doenças incuráveis teriam direito a finalizar suas próprias vidas sem dor e nem sofrimento com o auxílio de um médico ao lado. O filme mostra a luta do médico pela legalização desse procedimento de atendimento a pacientes terminais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 22 de abril de 2012

A Mulher do Quinto Andar

Uma boa dica para quem gosta de thrillers de suspense que fujam do convencional que é apresentado pelo cinema comercial americano atualmente é essa produção britânica francesa chamada "La femme du Vème". A premissa é até simples: Tom Ricks (Ethan Hawke) é um escritor e professor norte-americano que vai até Paris atrás de sua filhinha. Ele é divorciado e sua ex-esposa tem contra ele uma ordem de restrição judicial que o impede de chegar perto da garota. Tentando de todas as formas ficar em Paris o professor acaba se hospedando numa pensão de segunda categoria nos arredores da cidade. A partir daí o filme toma rumos surpreendentes. Isso porque o roteiro é bem sofisticado, ao mesmo tempo colocando o personagem principal como suspeito de algumas mortes sem nunca deixar claro ao espectador se ele tem mesmo algo a ver com os crimes ou se tudo não passa de uma estranha coincidência. O curioso aqui é que nem mesmo o professor sabe ao certo o que está acontecendo ao seu redor. Como se não bastasse a intrigante trama ainda temos a beleza natural de Paris como pano de fundo, aqui mostrada mais em sua parte menos turística - o que torna bem mais interessante para quem quer conhecer um pouco o outro lado menos glamouroso da cidade luz.

Para completar o clima de surrealismo e mistério do filme há ainda uma estranha mulher que o escritor conhece numa festa. Margit (Kristin Scott Thomas) surge do nada e traz algum consolo ao melancólico professor que parece viver em constante tristeza por causa da situação aflitiva que vive. Margit é justamente a tal mulher citada no título do filme. Sua inserção na trama é muito especial e não convém contar mais nada sobre ela para não estragar as surpresas que o roteiro tem para o público. "A Mulher do Quinto Andar" tem ritmo europeu, ou seja, nada de explosões e correrias como vemos nos thrillers americanos. Aqui a trama é desenvolvida muito mais no aspecto psicológico onde nada é explicitamente esclarecido cabendo ao espectador tirar suas próprias conclusões. Tudo acontece de forma gradual, com calma e clima dando chance de reflexão ao público. O argumento é tecido de forma muito inteligente e bem desenvolvido. O final é particularmente enigmático, o que certamente dará margem a muitas interpretações diferenciadas. Recomendo a produção para quem deseja assistir um produto mais inteligente, sofisticado, diria até sensorial. Valerá a pena a experiência.

A Mulher do Quinto Andar (La femme du Vème, França, Inglatera, 2011) Direção: Pawel Pawlikowski / Roteiro: Douglas Kennedy, Pawel Pawlikowski / Elenco: Ethan Hawke, Kristin Scott Thomas, Joanna Kulig / Sinopse: Tom Ricks (Ethan Hawke) é um escritor e professor norte-americano que vai até Paris atrás de sua filhinha. Ele é divorciado e sua ex-esposa tem contra ele uma ordem de restrição judicial que o impede de chegar perto da garota. Tentando de todas as formas ficar em Paris o professor acaba ficando numa pensão de segunda categoria nos arredores da cidade.

Pablo Aluísio

sábado, 21 de abril de 2012

Conan, o Bárbaro

Conan é um dos personagens mais emblemáticos do mundo dos quadrinhos. Foi criado pelo inspirado escritor Robert E. Howard durante a década de 1930. Suas estórias eram recheadas de violência, sensualidade e magia e logo caíram no gosto popular. Infelizmente o autor não teve tempo de aproveitar da fama de sua criação pois morreu muito jovem com apenas 30 anos. Conan, seu personagem mais famoso, porém foi em frente. O chamado Cimério de Bronze nasceu como literatura no conto The Phoenix on the Sword em Dezembro de 1932. Suas estórias eram publicadas em revistas conhecidas como Pulp Fiction. Após alguns anos ele foi transposto com grande êxito para o mundo das histórias em quadrinhos onde reinou absoluto por décadas, inclusive no Brasil onde ganhou título próprio por vários anos. Dito isso é fácil entender que Conan tem longa tradição e uma sólida base de fãs formada. Ele já havia ido para as telas antes no começo da década de 80 com "Conan, o Bárbaro" e "Conan, o Destruidor", bons filmes que mantiveram a chama do personagem acessa. Infelizmente essa nova releitura nos cinemas não conseguiu fazer jus ao famoso guerreiro.

A nova versão de Conan foi fracasso de público e crítica lá fora. Depois de assistir ao filme chego na conclusão que foi merecido. Devo dizer que dos filmes aspirantes a blockbuster de 2011 esse é dos piores. O argumento não foi bem desenvolvido, não há empolgação na estória do filho (no caso Conan) buscando a vingança pela morte de seu pai (interpretado por Ron Perlman, aliás a única coisa que presta no filme inteiro). Além do desenrolar sem ritmo Conan tem uma produção feia, sem inspiração. Os vilões, pai e filha, são fracos e exagerados, beirando o ridículo. O filme também é completamente sem foco. Mas o pior de Conan é o ator que o interpreta. Jason Momoa é completamente medíocre, horrível em cena. Ator de carisma zero não consegue dizer uma linha de diálogo com eficiência. Também não consegue passar nenhuma veracidade em seu sentimento de vingança que afinal o move durante a trama inteira. Aliás ele não consegue expressar sentimento nenhum - e para piorar luta mal, em cenas de ação sem inspiração e emoção. A sua partner em cena é interpretada pela atriz Rachel Nichols, um rostinho bonito que também não tem nenhum talento. Os efeitos especiais são pobres e derivativos (lembrando até os da franquia da Múmia). Enfim, não foi dessa vez que o velho e querido Conan conseguiu retornar ao cinema em grande estilo. No final das contas o filme só serve mesmo para deixar os fãs do Cimério com saudades do Arnold Schwarzenegger no papel...

Conan, o Bárbaro (Conan the Barbarian, EUA, 2011) Direção: Marcus Nispel / Roteiro: Thomas Dean Donnelly, Joshua Oppenheimer, baseado na obra de Robert E. Howard / Elenco: Jason Momoa, Ron Perlman, Rose McGowan / Sinopse: Conan é um bárbaro criado em um ambiente hostil e selvagem após ter seus pais mortos por uma tribo rival. Adulto parte em busca de vingança.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Marilyn Monroe e John Kennedy

John Kennedy e Marilyn Monroe povoam o imaginário popular há décadas. Ele foi um dos mais populares presidentes da história norte-americana. Jovem, rico e bem sucedido JFK representou como poucos uma era de esperança e otimismo em relação ao futuro daquela nação. Era o começo da década de 60 e na Casa Branca os americanos tinham um líder quase mítico, tanto que sua presidência acabou sendo conhecida anos depois como “A Era de Camelot” em Washington. Se Kennedy era um ícone, Marilyn Monroe não ficava atrás. Uma atriz que saiu do nada e conseguiu se tornar uma das estrelas mais populares do cinema americano. Com uma biografia recheada de histórias trágicas Monroe conseguiu escalar os picos da fama e se tornar eterna na imaginação de toda uma geração. Uma Deusa em celuloide.
Isso de fato é o que ficou da dita história oficial. Cabe agora indagar até que ponto tudo não passou de um mito. 

Quem realmente eram Marilyn Monroe e JFK? O que os moveu a entrarem num dos relacionamentos mais controvertidos e debatidos da história? O que realmente aconteceu? Quais foram os efeitos trágicos desse romance? O caso deles até hoje é tratado oficialmente como mero “boato”. A biblioteca de JFK (John F. Kennedy Libraty and Museum) afirma até hoje “ignorar” qualquer tipo de envolvimento do presidente com a atriz. Essa também é a postura oficial da família Kennedy até os dias atuais. Para essas pessoas que vivem do legado do nome Kennedy tudo não passou de um boato espalhado pelos inimigos do presidente. Nada aconteceu de fato. JFK mal conhecia a atriz e a viu de forma esporádica e casual durante alguns eventos sociais e isso é tudo. Se trata apenas de um dos “não romances” mais comentados da história americana. Kennedy segundo essa visão era um exemplar pai de família que dedicava todas as suas horas livres para os dois filhos e sua amada esposa, Jacqueline Kennedy. Qualquer coisa fora dessa visão é mera especulação criada para macular a memória do saudoso líder americano.

Recentemente o jornalista francês François Forestier lançou o livro "Marilyn e JFK" sobre o famoso romance. Um dos grandes erros do livro é que Forestier não consegue manter uma postura imparcial em relação aos personagens retratados. Para falar a verdade ele parece odiar Marilyn e Kennedy na mesma intensidade. O autor não consegue sequer ter uma visão positiva sobre ambos, tudo é negativo, com sinais de rancor e raiva. A Marilyn que surge de suas páginas é manipuladora, interesseira, pouco inteligente e até mesmo suja (François não perde a chance de sempre dizer que ela não gostava de tomar banho). Sua visão de Kennedy não é menos negativa e apelativa. O presidente é retratado como um tarado, um maníaco sexual, um sujeito sem qualquer mérito pessoal cuja administração em sua ótica foi quase um milagre pois não havia tempo de ser presidente ao se envolver com tantas mulheres ao mesmo tempo. Quanta bobagem! 

Nem o céu e nem a terra, senhores. Nem JFK e MM eram anjos de pureza e nem tampouco demônios encarnados. Tanto a versão dita oficial é uma bobagem quanto a releitura de pessoas como Forestier. Deve-se procurar um meio termo no meio de tantas informações equivocadas e distorcidas. Ao que tudo indica ambos se aproximaram por mera curiosidade. Eram famosos, ricos e célebres em sua era. Tanto Kennedy tinha enorme curiosidade em conhecer Marilyn como vice versa. Obviamente no meio de tudo havia o poder político. Para Marilyn um romance sério com Kennedy e quem sabe a possibilidade de um dia se tornar a primeira dama dos EUA era certamente um ápice de uma vida como a dela. Para Kennedy a atriz era de certa forma apenas uma aventura deliciosa que só homens que ocupavam sua posição poderiam desfrutar sem medo de correr maiores riscos. Enquanto estavam juntos tudo correu às mil maravilhas, o problema foi após o momento do rompimento.

Foi Robert Kennedy o indicado pelo presidente para informar a Marilyn Monroe que tudo estaria acabado entre eles. John Kennedy havia sido informado que Monroe estava saindo na mesma época com um dos mafiosos do grupo de Sam Giancana, justamente um chefão que ele próprio e seu irmão queriam mandar para a cadeia. Namorar uma atriz que dividia os lençóis com um dos membros da gangue Giancana era demais até para Kennedy. O problema é que o tiro acabou saindo pela culatra e Bob acabou se envolvendo ele mesmo com Marilyn. Naquela altura Procurador Federal, marido e pai de vários filhos, o sensato Bob jogou o juízo pela janela e acabou se enroscando com a diva. Imaginem o teor explosivo de algo assim vazar para a imprensa.

O fato é que Marilyn há tempos vinha mostrando sinais de desequilíbrio em relação aos Kennedy. Ao se ver rejeitada por John e depois por Bob o sonho de virar esposa de um figurão da família veio abaixo. A partir daí surgem as várias e várias teorias de conspiração. Para os mais radicais Monroe ameaçou contar tudo para a imprensa e apavorados Bob e John teriam armado um complô para tirá-la de circulação. Será verdade? Quem pode afirmar algo com certeza? Absolutamente ninguém. Como sabemos histórias envolvendo ricos e poderosos nunca são contados de forma completa, tudo é propositalmente obscurecido por sombras e falsas informações. O assunto até hoje parece incomodar, mesmo passado meio século dos eventos. O tema acabou dando origem a uma literatura própria, aonde convivem obras sérias com bobagens (como o livro de Forestier). No meio desse pântano de evidências só resta ao leitor procurar um fundo de verdade nesse material farto e confuso. Se algo vai ser encontrado algum dia não sabemos, só nos resta mesmo tentar chegar o mais perto possível do que efetivamente aconteceu.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Um Homem Sério

Durante a década de 60 um pacato professor de física vê os principais aspectos de sua vida desmoronar. Sua esposa decide lhe abandonar por outro homem, seu irmão não consegue se firmar direito na vida, seu filho o odeia e sua filha é uma pessoa artificial e tola que só pensa em dinheiro e bens materiais. Sem entender porque mesmo sendo um homem bom e religioso tudo dá errado em sua vida, resolver procurar por três rabinos para entender a razão porque afinal Deus o estaria punindo. "Um Homem Sério" é um filme para reflexão. Eu fiz uma leitura muito interessante sobre essa produção. Na minha forma de ver o filme tem como tema principal o acaso! Isso mesmo, o acaso. Poucos se deram conta mas o universo é regido pelo acaso. As coisas acontecem por acaso - a vida na terra foi uma grande acaso do universo. Se existisse realmente uma mente pensante por trás do universo não teríamos leis da física que demonstram que o universo foi formado por puro acaso, sorte ou qualquer denominação melhor que você queira. E o que isso tem a ver com o personagem principal do filme? Tudo.

Reparem que o professor do filme é um sujeito pacato, honesto que tenta levar a vida na linha. A despeito disso porém tudo dá errado para ele! Por isso ele não consegue compreender porque sua vida se transforma em um caos sem ele ter dado razão a nada disso. Por qual razão Deus não intervém para proteger esse homem bom e sério de todos esses percalços que enfrenta? Por que as leis divinas não o protegem? Onde estaria Deus, por exemplo? Ora, em lugar nenhum, porque afinal tudo acontece por mero acaso. O filme de certa forma tenta provar justamente essa tese. Percebam que os religiosos do filme (os três rabinos) são retratados como perfeitos idiotas que não tem respostas para nada! Claro que não tem. Reparem também que em certo momento o professor de física fala sobre as chamadas teorias da imprevisão do universo (onde tudo é ocasionado pelo acaso). É isso, poucos entenderam mas "Um Homem Sério" é no fundo uma fina ironia sobre o acaso que nos cerca e domina as leis do Universo. A religião é bastante baseada em outros dogmas, entre eles o da lei da ação e reação (seja honesto e bonzinho que Deus lhe proporcionará uma vida feliz, próspera e tranquila). Na base do roteiro desse filme nada disso é real. Todos fazemos parte apenas de um grande acaso do cosmos. Nada mais, nada menos.

Um Homem Sério (A Serious Man, EUA, França, Inglaterra, 2009) Direção: Joel Coen, Ethan Coen / Roteiro: Joel Coen, Ethan Coen / Elenco: Michael Stuhlbarg, Richard Kind, Fred Melamed, Sari Lennick, Aaron Wolff / Sinopse: Durante a década de 60 um pacato professor de física vê os principais aspectos de sua vida desmoronar. Sua esposa decide lhe abandonar por outro homem, seu irmão não consegue se firmar direito na vida, seu filho o odeia e sua filha é uma pessoa artificial e tola que só pensa em dinheiro e bens materiais. Sem entender porque mesmo sendo um homem bom e religioso tudo dá errado em sua vida, resolver procurar por três rabinos para entender a razão porque afinal Deus o estaria punindo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

terça-feira, 17 de abril de 2012

A Condessa

Erzebet Bathory (Julie Delpy) é uma condessa húngara que se torna obcecada por beleza e juventude. Tentando a todo modo permanecer sempre jovial e bonita ela começa a se tornar ávida por sangue humano pois acredita ser esse um excelente modo de se manter sempre jovem e bela. Em sua mente perturbada nada seria mais rejuvenescedor do que tomar um grande banho de sangue humano em sua banheira imperial, hábito que logo cultivaria com frequência em seu castelo isolado. Em busca de mais e mais sangue de jovens donzelas ela começa a assassinar jovens criadas de seu próprio quadro de serviçais. Não satisfeita e sem ter mais a quem matar entre sua criadagem, ela começa a sumir com jovens nobres da sociedade. O fato logo chega aos ouvidos do Rei que alarmado envia um nobre de alta estirpe para investigar o caso. Por mais bizarra e surreal que pareça a história da Condessa Bathory esse foi um fato real acontecido no século XVI na chamada Europa Central. Seus crimes se tornaram famosos pois estima-se que a nobre tenha levado à morte mais de 600 jovens mulheres que viviam em seu feudo. O filme é bem fiel aos acontecimentos porém há relatos de que a Condessa real foi ainda mais sanguinária do que a mostrada na tela. Muitos livros históricos afirmam que ela na realidade sofria de uma grave doença mental que a fazia sentir enorme prazer em ver outras pessoas sendo torturadas e mortas ao seu lado. Ela mantinha um calabouço de torturas onde promovia mortes horríveis a todas as jovens que conseguia capturar.

Sua história macabra inspirou várias lendas ao longo dos séculos, inclusive o próprio Drácula dos livros de ficção. Bram Stoker ficou particularmente interessado na sede de sangue da Condessa e por isso trouxe ao seu monstro vampiro a necessidade de sempre se alimentar de sangue humano. Anos depois do sucesso do livro de Stoker a própria nobre húngara recebeu o título de "Condessa Drácula" numa fina ironia do destino. Ao mesmo tempo em que influenciou a criação do personagem foi batizada pelo nome do mais famoso vampiro da história. O elenco em cena está bem inspirado, principalmente William Hurt dando show de interpretação no papel do nobre Gyorgy Thurzo. Em uma época em que a nobreza estava acima da lei ele teve a sensatez de encarcerar a psicótica Condessa em seu castelo até o fim de sua vida. Já Julie Delpy está perfeita como a desequilibrada Erzebet Bathory, uma mulher completamente obcecada pela beleza e juventude eternas que apaixonada por um homem bem mais jovem do que ela não mede esforços para consumar essa relação. A produção é um projeto pessoal de Julie Delpy que não apenas estrelou o filme como também dirigiu e escreveu seu roteiro. O resultado é de excelente nível. Um filme que mostra que a despeito de toda a nossa cultura e civilização ainda existe em certas pessoas uma perversidade intrínseca, que não consegue ser detida. Assista "A Condessa" e conheça um pouco mais sobre o lado mais macabro da alma humana.

A Condessa (The Countess, EUA / França / Alemanha, 2009) Direção: Julie Delpy / Roteiro: Julie Delpy / Elenco: Julie Delpy, William Hurt, Daniel Brühl, Anamaria Marinca / Sinopse: Erzebet Bathory (Julie Delpy) é uma condessa húngara que se torna obcecada por beleza e juventude. Tentando a todo modo permanecer sempre jovial e bonita ela começa a se tornar ávida por sangue humano pois acredita ser esse um excelente modo de se manter sempre jovem e bela. Em sua mente perturbada nada seria mais rejuvenescedor do que tomar um grande banho de sangue humano em sua banheira imperial, hábito que logo cultivaria com frequência em seu castelo isolado. Em busca de mais e mais sangue de jovens donzelas ela começa a assassinar jovens criadas de seu próprio quadro de serviçais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Guia de Episódios - Mad Men

Compilo agora todos os textos sobre a série Mad Man que foram publicados no site. Segue texto compilado: Se você está cansado da mediocridade da TV aberta uma boa opção é procurar conhecer seriados e séries de canais mais alternativos. Geralmente nessas emissoras a pressão sobre o produto final é bem menor o que garante muitas vezes uma maior integridade do roteiro originalmente escrito. Um exemplo é a série Mad Men do canal pago AMC dos Estados Unidos. Longe de ser considerada uma das maiorais dentro do circuito de TV a cabo americano esse canal resolveu investir em produções ousadas e de bom gosto, coisa bem rara nos dias atuais onde impera a vulgaridade e a apelação para se conquistar a audiência a todo custo.

Conheci Mad Men justamente quando procurava algo diferente para assistir. Logicamente quando comecei a acompanhar a série ela era uma notória desconhecida do grande público, com poucos fãs, audiência e publicidade limitadas. Mad Men era basicamente um seriado cult para um público bem específico. E que público era esse? Basicamente admiradores de programas com mais conteúdo, que tivessem argumentos interessantes e instigantes. Mad Men, para quem ainda não sabe, retrata a vida de um grupo de publicitários americanos no começo da década de 1960. Embora traga um roteiro onde todo o elenco se destaca, a trama gira mais em torno de Don Draper, um típico cidadão americano, com uma bela esposa, uma casa, um carro do ano e filhos perfeitos e maravilhosos, ou seja, o próprio retrato do American Way of Life. Isso pelo menos em fachada pois ao longo dos episódios vamos descobrindo que nem tudo é o que parece ser e o bem sucedido publicitário tem um passado nebuloso e envolto em mistério.

Hoje em sua terceira temporada Mad Men perdeu muito do charme cult de sua estreia. O programa foi glorificado pela crítica americana (muito merecidamente é bom frisar) e acabou caindo no gosto popular nos Estados Unidos, vencendo inclusive vários prêmios importantes como o Globo de Ouro. Essa mudança de enfoque tem um lado bom e um ruim. O lado bom é que o trabalho de todos os envolvidos finalmente foi justamente reconhecido. O lado ruim dessa popularização é que agora com os holofotes em cima de si, Mad Men pode sofrer das mesmas pressões que costumam destruir boas ideias, principalmente no mundo da TV. Torço para que isso definitivamente não aconteça. Como admirador de bons seriados espero que o programa sobreviva ao seu próprio sucesso e que continue a surpreender aqueles que o assistem. Quer um bom conselho? Desliga o BBB e vá assistir Mad Men! (texto escrito em 2009).

Episódios Comentados - Sexta Temporada: 
 
Mad Men 6.07 - Man with a Plan
Se fosse definir esse episódio em poucas linhas diria que é algo ao estilo "Don Draper encontra 50 tons de cinza". Como se sabe ele está tendo um caso extraconjugal com sua vizinha do andar de baixo, uma mulher madura que está entediada com a vida chata que anda levando ao lado do maridão, um médico enfadonho. Nesse episódio Draper (Jon Hamm) resolve fazer um joguinho erótico com ela. Vão para um apartamento e juntos começam uma espécie de "mind games erótico", onde ela não entende muito bem o que ele quer, mas mesmo assim entra no jogo de dominação e sedução que ele propõe. Já no escritório as duas empresas de publicidade tentam organizar a fusão, algo que não será nada fácil. Destaque também para o flerte que vai surgindo entre Joan Harris e um novo empregado. Detalhe para registro: acho a atriz Christina Hendricks uma das mais sensuais da TV americana, mesmo ela não estando dentro dos padrões de magreza que impera hoje em dia na moda e no cinema. É uma ruiva exuberante para homem nenhum colocar defeito. E esse tipo de opinião é algo que apenas os homens entenderão plenamente.

Mad Men 6.08 - The Crash
Depois da fusão das duas companhias de publicidade é hora de criar uma nova campanha para a marca de carros Chevy. O problema é que esse é um momento ruim para Don Draper (Jon Hamm) em sua vida pessoal. Ele está envolvido com uma dona de casa, vizinha de porta de seu apartamento. Ela é casada com um médico, mas curtiu um caso extra conjugal com ele por um longo tempo. Agora, preocupado que o affair leve ao fim de seu casamento, decide colocar um fim no relacionamento. Para Draper levar um fora de uma mulher é sem dúvida algo novo em sua vida. Como se tudo não fosse caótico o bastante um médico visita a empresa e aplica uma estranha injeção nos funcionários que começam a agir de forma estranha, como se estivessem meio malucos (o roteiro não explica do que se trata ou qual seria a droga, mas tudo leva a crer que seria a infame LSD, muito em voga na época). Assim que toma a dose Draper começa a agir alucinadamente, pensando estar criando a melhor campanha de publicidade da história (embora suas ideias sejam um lixo completo, sem muito nexo ou sentido). Em casa sua filha Sally (Kiernan Shipka) fica sozinha de noite, cuidando de seus dois irmãos mais novos. Uma ladra aproveita a deixa e entra no apartamento, fazendo um arrastão nas coisas de Draper. Pega no flagra ela inventa uma lorota para Sally, dizendo ser sua avó que ela não conhece! Enquanto isso Draper segue em sua "Bad Trip". Bom episódio de Mad Men, valorizado por um clima um tanto quanto insano e lisérgico, vamos colocar desse modo / Mad Men 6.08 - The Crash (EUA, 2013) Direção: Michael Uppendahl / Roteiro: Matthew Weiner, Jason Grote / Elenco: Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser.

Mad Men - 6.09 - The Better Half
Don Draper (Jon Hamm) acaba encontrando casualmente sua ex-esposa Betty Francis (January Jones) em um posto de gasolina. Ela está lá para pegar seu filho Bobby em uma acampamento de férias. Conversa vai, conversa vem, eles começam a relembrar do tempo em que eram casados. O que se perdeu com o tempo? Por que não deu certo? Algumas garrafas de vinho depois, não tem jeito, vão para a cama. Detalhe: ambos ainda são casados com outras pessoas, mas para Draper essa é apenas uma noite de aventuras em memória aos velhos tempos. Já na agência de publicidade as coisas começam a se complicar. Roger Sterling (John Slattery) quer ser um pai presente na vida do filho que teve com a secretária Joan Harris (interpretada pela sempre exuberante Christina Hendricks). Ela porém não acha que isso seja uma boa ideia, pois pode confundir a vida do garoto que mal sabe quem é seu pai verdadeiro. O roteiro do episódio ainda faz uma pequena referência ao filme "O Planeta dos Macacos", um dos grandes sucesso da época nos cinemas. Roger Sterling é repreendido por sua própria filha por levar o neto para ver o filme em um cinema, causando pesadelos no garoto durante à noite. Pelo visto Roger não leva mesmo muito jeito nem como pai e nem como avô. Por fim Peggy Olson (Elisabeth Moss) passa por maus bocados por viver em um bairro negro. Sendo ela e o marido brancos, logo passam a ser hostilizados pelos afros que moram pela vizinhança (com direito a pedradas na janela de vidro da sala). Uma amostra da tensão racial que imperava na sociedade americana da época! / Mad Men - 6.09 - The Better Half (EUA, 2013) Direção: Phil Abraham / Roteiro: Matthew Weiner, Erin Levy/ Elenco: Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser.

Mad Men 6.10 - A Tale of Two Cities
Depois da fusão das duas empresas de publicidade todos os esforços são dirigidos para a conquista de novos clientes. O gigante do ramo dos cosméticos, a Avon, acaba criando interesse na empresa de Don Draper (Jon Hamm). O problema é que ele mal sabe disso. A aproximação acaba ocorrendo de forma casual quando Joan Harris (Christina Hendricks) conhece um executivo da empresa. Ela obviamente também quer mostrar seu valor trazendo mais essa importante empresa para o quadro de clientes de sua agência, a questão porém é que ela não tem essa função. Joan é apenas uma secretária executiva, sem poder de negociação com potenciais novas marcas. Ela porém passa por cima da hierarquia corporativa e vai em frente... o que acabará se revelando um desastre. A atriz Christina Hendricks é um dos grandes atrativos da série por causa de seu inegável sex appeal e por essa razão tem tido mais espaço nas tramas dos últimos episódios. No outro arco narrativo Draper e Roger Sterling (John Slattery) vão até a ensolarada Califórnia. A intenção é obviamente consolidar um novo mercado na costa oeste. Como nem sempre as viagens se resumem ao puro mundo dos negócios Draper acaba indo parar numa festa hippie, onde todos os tipos de "bichos-grilhos" consomem drogas à beira da piscina. Ele próprio acaba fumando haxixe em demasia, indo parar no fundo da água, onde quase morre afogado. Bad trip! Nessa altura do campeonato as tramas de "Mad Men" se passam mais ou menos no ano de 1968. Pequenas inserções de músicas e eventos jornalísticos da época procuram situar o espectador. Continua com bom nível, mostrando que ainda terá vida longa pela frente. Só resta saber como os roteiristas conseguirão vencer o desafio de levar a série em frente, já que em termos puramente dramáticos a coisa toda começa a saturar um pouco. / Mad Men 6.10 - A Tale of Two Cities (EUA, 2013) Direção: John Slattery / Roteiro: Matthew Weiner, Janet Leahy / Elenco: Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser.

Mad Men 6.11 - Favors
Mesmo após o fim de seu caso extraconjugal, Don Draper (Jon Hamm) ainda segue muito interessado em sua vizinha Sylvia Rosen (Linda Cardellini). Ela é casada com um bem sucedido cirurgião, mas seu casamento na prática já acabou há muitos anos. O problema é que seu filho acaba de ser convocado para servir o exército, em plena guerra do Vietnã. Assim ela acaba pedindo para Draper tentar de alguma forma livrar o garoto de ir para a guerra. Draper foi militar e serviu na guerra da Coréia, mas percebe que sua melhor chance de conseguir a dispensa do filho de sua amante pode surgir num jantar de negócios com executivos da GM, que possuem grande influência dentro do governo americano. As coisas porém não dão muito certo e um clima ruim surge na hora em que ele puxa o assunto da guerra. De uma forma ou outra Draper consegue, por meios insuspeitos, que o jovem não vá parar nas selvas vietnamitas. Isso reascende seu caso com Sylvia, mas ambos acabam sendo pegos no flagra pela filha de Draper, Sally (Kiernan Shipka). Ela entra no apartamento do pai e o pega literalmente com as calças nas mãos. O choque é inevitável, o constrangimento é completo e isso pode colocar Draper em apuros futuramente. Já no escritório de publicidade Pete Campbell (Vincent Kartheiser) acaba passando por uma situação também bem constrangedora e delicada ao descobrir que seu colega de trabalho é na verdade gay e está se insinuando para ele! Imagine a saia justa! Para piorar sua mãe, que sofre de lapsos mentais, está tendo um caso amoroso com seu próprio enfermeiro! Uma situação bizarra e muito complicada de se lidar. De certa maneira o roteiro desse episódio confirma o velho ditado que diz que a grama do vizinho é sempre mais verde, só que no caso Draper está de olho mesmo é na mulher de seu próprio vizinho que, coitado, nem desconfia do que acontece! / Mad Men 6.11 - Favors (EUA, 2013) Direção: Jennifer Getzinger / Roteiro: Matthew Weiner, Semi Chellas / Elenco: Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser.
 
Mad Men 6.12 - The Quality of Mercy
Depois de flagrar o próprio pai transando com a vizinha casada, Sally (Kiernan Shipka) decide que quer ir estudar em um colégio interno, instituição fina onde estudou Jacqueline Kennedy Onassis no passado. Para Don Draper (Jon Hamm) isso definitivamente não seria um problema, mas uma solução. Antes de ser admitida porém ela precisa passar por uma entrevista e um pequeno teste de convivência com as demais internas para só depois ser aprovada como uma nova aluna. Aí descobre que as garotas que estão estudando lá passam longe de apresentar um bom modelo de comportamento, pois gostam de fumar e beber às escondidas além de receber outros garotos escondidos em seu quarto durante a noite! Enquanto isso, na agência de publicidade, Don precisa lidar com uma ideia inteligente, mas em sua opinião pouco abrangente. Peggy (Elisabeth Moss) resolveu criar um comercial baseado no clássico de Roman Polanski, "O Bebê de Rosemary". Don acaba assistindo ao filme, mas termina achando a fita bem sinistra e sombria, pouco adequada para ser aproveitada no mundo da publicidade. Afinal eles estão ali para vender produtos e não assustar os consumidores. Peggy porém acha sua peça muito boa. Don argumenta afirmando que apenas as pessoas que viram o filme poderiam entender as nuances da publicidade. O choque de opiniões acaba criando um clima ruim dentro da agência, agravada pelo fato de Don achar que ela estaria se envolvendo com um dos diretores da empresa, misturando sua opinião pessoal com a criativa, que deveria ser completamente criativa. Embora já tenha chegado ao final nos Estados Unidos, ainda estou caminhando para ver os últimos episódios. "Mad Men" continua mantendo um excelente nível nos episódios, mesmo na sexta temporada. Uma série realmente imperdível. / Mad Men 6.12 - The Quality of Mercy (EUA, 2013) Direção: Phil Abraham / Roteiro: Matthew Weiner, André Jacquemetton / Elenco: Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheis, Kiernan Shipka.
 
Mad Men 6.13 - In Care Of
Esse é o último episódio da penúltima temporada de "Mad Men". Para Don Draper (Jon Hamm) é o momento de finalmente encarar velhos fantasmas do passado. E isso começa a interferir também em sua vida profissional. Uma das novas contas publicitárias de sua agência é com a fabricante da tradicional barra de chocolate Hershey's. Durante sua exposição sobre o produto, Draper começa a contar uma bonita história nostálgica onde ele acaba explicando para seus clientes que aquele produto fazia parte de sua vida, pois teria criado um elo de ligação emocional com seu pai no passado. Uma de suas melhores lembranças da infância era aquela em que seu velho o teria levado até uma loja de doces para comprar uma barra Hershey's para ele. Uma recordação que Don jamais teria esquecido. Assim Draper termina dizendo que essa seria uma boa ideia para o comercial, mostrando um pai comprando uma barra para seu filho, em um ambiente nostálgico, recriando um momento marcante do passado. Uma forma de mostrar indiretamente a tradição do chocolate na história americana. Tudo muito bem exposto e vendido, se o próprio Draper não sofresse um colapso emocional logo ali, bem na frente de sua clientela, algo que choca a todos, inclusive seus colegas de trabalho. Na verdade Don está se sentindo esgotado e pressionado e por isso decide que chegou o momento de mudar de ares, quem sabe ir morar na Califórnia, trabalhando em uma pequena sucursal de sua agência. Uma forma de recomeçar tudo, buscando por novos caminhos. Antes disso porém é chegado o momento de encarar algumas coisas que ficaram pelo meio do caminho em sua vida. Assim numa verdadeira catarse pessoal, ele resolve levar seus filhos para conhecer a velha casa em ruínas no qual cresceu. Um antigo bordel no lado mais barra pesada da cidade, o que acaba rendendo uma ótima cena final para essa série que a cada temporada consegue se renovar, sempre trazendo aspectos interessantes de todos os seus personagens. / Mad Men 6.13 - In Care Of (EUA, 2014) Direção: Matthew Hoffman Weiner / Roteiro: Matthew Hoffman Weiner / Elenco: Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser, January Jones, Christina Hendricks.


Mad Men - Sétima Temporada:

Mad Men 7.01 - Time Zones
Primeiro episódio da última temporada de Mad Men. Os tempos agora são outros. Don Draper (Jon Hamm) está tentando começar vida nova em Los Angeles. Desde que surtou perante um importante cliente ele foi colocado na geladeira por sua agência de publicidade. Como sua esposa tem a pretensão de iniciar uma carreira de atriz a cidade acaba se revelando uma boa opção, mas Draper não parece muito bem naquele outro estilo de vida. No fundo ele é um nova-iorquino nato, de nascimento e hábitos. Não demora muito e decide retornar para a Bib Apple com o objetivo de resolver alguns negócios pendentes. Na viagem conhece casualmente a viúva Lee Cabot (interpretada pela atriz Neve Campbell da franquia Pânico!). Claro que logo surge um flerte entre eles, com direito a troca de olhares e carinhos, muito embora tudo acabe dando em absolutamente nada depois. Ela até o convida para visitar seu apartamento em Manhattan, mas Draper, quem diria, declina do convite! Estaria o velho conquistador com seus dias contados? Enquanto isso na agência, Peggy Olson (Elisabeth Moss) tem um osso duro de roer. Todas as suas ideias para comerciais de novos produtos são barradas por seu chefe. Ela não consegue emplacar mais nenhum slogan, nenhum roteiro! O tempo, pelo visto, fechou completamente para ela em seu emprego. Assim começa a fase final de "Mad Men". Acredito que o tom dos episódios vão ficar cada vez mais melancólicos e soturnos daqui em diante. Afinal de contas Don Draper é um personagem meio trágico, o que viria bem de acordo com sua proposta dentro da trama. / Mad Men 7.01 - Time Zones (EUA, 2014) Direção: Scott Hornbacher / Roteiro: Matthew Hoffman Weiner / Elenco: Jon Hamm, Neve Campbell, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser.

Mad Men 7.02 - A Day's Work
Episódio do dia dos namorados. É tradição em séries americanas a produção de episódios como esses, que explorem datas e celebrações como natal, dia de ação de graças, etc. Nesse em particular o tema gira em torno do Valentine's Day. O amor está no ar, menos para os principais personagens de "Mad Men". Peggy Olson (Elisabeth Moss), por exemplo, tem um ataque após confundir as flores enviadas para sua secretária, pensando que foram enviadas para ela. Solteirona e infeliz, ela acaba protagonizando um papelão no escritório. Já para Sally Draper (Kiernan Shipka) o dia parece ser de revelações. Após ir ao enterro de uma colega de escola ela resolve ir até a agência de publicidade onde o pai trabalha, mas acaba descobrindo que ele foi afastado de lá (em episódios anteriores Don acabou surtando durante uma reunião importante, o que acabou queimando seu filme entre os colegas publicitários do escritório onde trabalhava). Agora ele passa os dias de bobeira, sem objetivos claros. Para piorar tem muitos conflitos com sua jovem namorada que tem sonhos de ir morar na Califórnia para emplacar como atriz de novelas e séries produzidas na costa oeste. Por fim, para explorar melhor o papel da mulher negra dentro do mercado de trabalho da época, o roteiro explora os problemas que vão surgindo dentro da agência envolvendo duas secretárias. Só para exemplificar: o velho sócio Bertram Cooper (Robert Morse) sugere a Joan Harris (Christina Hendricks) que ela transfira a nova recepcionista negra da entrada da agência para um setor mais interno, deixando meio óbvio seu racismo por medo de associar a imagem da empresa com uma trabalhadora de sua raça. Racismo sutil, mas igualmente danoso. / Mad Men 7.02 - A Day's Work (EUA, 2014) Direção: Michael Uppendahl / Roteiro: Matthew Weiner, Jonathan Igla / Elenco: Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser.
 
Mad Men 7.03 - Field Trip
Afastado da agência de publicidade (por ter surtado durante uma reunião, conforme visto em episódios anteriores) Don Draper (Jon Hamm) decide viajar até a Califórnia para encontrar sua esposa Megan (Jessica Paré). Ela foi tentar uma carreira como atriz, mas definitivamente as coisas não andam muito bem. Muitos testes e poucas aprovações fazem com que ela adote uma personalidade dada a escândalos públicos. Seu agente acaba ligando para Don para que ele tente controlar a situação. Com tudo dando errado na profissão Megan resolve descontar nos outros suas frustrações e acaba sobrando até mesmo para Don que atravessou o país com a intenção de realmente ajudá-la. Eles discutem e resolvem dar um tempo. Para surpresa de Don a viagem até a Califórnia, que poderia se transformar em pura perda de tempo, acaba lhe reservando um encontro completamente ao acaso com Roger Sterling (John Slattery). A conversa é breve. Roger diz a Don que ele deveria voltar para a agência. Conselho dado e aceito. De volta a Nova Iorque Draper faz o que Roger lhe sugeriu. Sua presença porém causa um certo desconforto. Os sócios se reúnem e mesmo com receios resolvem recolocar Don de volta ao trabalho. A questão é que ele também é acionista da agência e não haveria como simplesmente o demitir. Para isso se concretizar porém haverá certas condições para seu retorno, algo que Draper poderá ou não concordar. Bom episódio, porém na média de "Mad Men". Depois que Draper saiu da agência seu personagem perdeu um pouco o interesse. Ele ficou de bobeira, sem muito o que fazer. Em sua sétima temporada "Mad Men" realmente ficou tal como seu protagonista, rodando em círculos, sem ter para onde chegar. / Mad Men 7.03 - Field Trip (EUA, 2014) Direção: Chris Manley / Roteiro: Matthew Weiner, Heather Jeng Bladt / Elenco: Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser.

Mad Men 7.04 - The Monolith 
Anos atrás Don Draper (Jon Hamm) contratou Peggy (Elisabeth Moss) para trabalhar como redatora de sua agência. Ela não tinha experiência e só queria ser aceita no emprego. O tempo passou, Don caiu em desgraça dentro da agência de publicidade que ajudou a fundar como sócio e agora se vê na humilhante situação de ser subordinado justamente a ela, Peggy! Draper precisa segurar sua posição e para isso resolveu concordar em seguir regras, entre elas parar de beber e seguir a hierarquia dentro da empresa. Não passa dois dias e ele começa a romper todo o acordo que havia prometido cumprir. Tempos nebulosos começam a se formar em torno do escritório. Na década de 60 houve a explosão do movimento hippie. Os jovens começaram a renegar o modo de vida capitalista, com seu consumismo e começaram a formar comunidades por todos os Estados Unidos. E é justamente para uma delas que a filha de Roger Sterling (John Slattery) resolve fugir. Ela deixa o filho para trás e literalmente larga tudo. A ex-esposa de Roger o procura, desesperada, e o casal resolve ir buscá-la. Tentando ser mais amigável Roger faz de tudo para parecer compreensivo com a filha, mas perde a paciência ao presenciar ela aderindo ao chamado "amor livre", muito popular entre hippies. Basicamente uma regra onde ninguém seria de ninguém por baixo dos lençóis. Nem precisa dizer que tudo acaba muito mal entre eles. Mais um bom episódio de "Mad Men", uma das séries que melhor representa o grande salto de qualidade pelo qual atravessa a TV americana nos dias atuais. / Mad Men 7.04 - The Monolith (EUA, 2014) Direção: Scott Hornbacher / Roteiro:  Matthew Weiner, Erin Levy / Elenco: Jon Hamm, Elisabeth Moss, John Slattery, Vincent Kartheiser.

Mad Men 7.05 - The Runaways
Don Draper (Jon Hamm) tem uma surpresa quando recebe o telefonema de sua sobrinha. Apesar de ser uma linda jovem ela é do tipo vida louca. Hippie, grávida de um vagabundo que foi preso vendendo maconha, ela precisa urgentemente de dinheiro para seguir viagem. Draper que não está em Los Angeles aconselha que ela vá até o apartamento de sua esposa, Megan (Jessica Paré), até ele chegar na costa oeste. Nesse episódio ocorre algo completamente bizarro com Peggy Olson (Elisabeth Moss). Um dos desenhistas da agência pira e resolve dar para ele, como símbolo de seu afeto e amor, seu próprio mamilo que ele arranca com uma faca! Acaba parando numa camisa de força. Por fim Betty Francis (January Jones) anda tendo novos problemas em seu casamento. Desde que se separou de Draper ela se casou novamente com um homem mais velho, um figurão da política. Durante um jantar ela resolve soltar algumas opiniões sobre o governo Nixon e os protestos contra a guerra do Vietnã, algo que deixa o maridão possesso de raiva, até porque ele a considera apenas uma esposa trófeu, uma mulher bonita para exibir aos amigos. Nada de mostrar inteligência ou opinião própria! Imagine o grau de machismo estúpido do cidadão! As mulheres dos anos 60 eram, além de reprimidas, profundamente subestimadas e até mesmo maltratadas. Um sinal de tempos bem mais primitivos nas relações sociais e familiares. / Mad Men 7.05 - The Runaways (EUA, 2014) Direção: Chris Manley / Roteiro: Matthew Weiner, David Iserson/ Elenco: Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser, January Jones.

Mad Men 7.06 - The Strategy
Peggy Olson (Elisabeth Moss) é designada pela agência para criar um comercial de TV para uma rede de fast food. Ela então bola uma propaganda em que uma mãe em seu carro vai até uma lanchonete da rede para comprar o jantar de seu marido. Tudo muito tradicional e familiar, mostrando uma típica família americana conservadora. No meio do caminho para a apresentação aos clientes bate uma insegurança e ela fica indecisa se aquela seria mesmo a melhor ideia, a melhor estratégia. Pior fica quando Don Draper (Jon Hamm) resolve dar algumas sugestões, a deixando ainda mais insegura. Nesse episódio a agência também perde um cliente importante, uma empresa de carros. Em outro arco narrativo Joan Harris (Christina Hendricks) é pedida em casamento, mas seu pretendente é gay e só quer mesmo uma mulher de fachada, para não atrapalhar sua ascensão na carreira executiva. Uma situação bem delicada, literalmente falando. / Mad Men 7.06 - The Strategy (Estados Unidos, 2014) Direção: Phil Abraham / Roteiro: Matthew Weiner, Semi Chellas / Elenco: Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser, Christina Hendricks.

Mad Men 7.07 - Waterloo 
O evento histórico relembrado nesse episódio é a chegada do homem à lua em 1969. Todos os personagens param para assistir esse grande acontecimento pela TV. Bem interessante. Pois bem, nesse episódio também temos muitos problemas, entre eles o fato da agência de publicidade ir se esfacelando aos poucos. Ao longo da série vimos fusões, compras e agora temos o desmembramento da agência. Curiosamente um dos estopins para a separação vem do fato do novo diretor focar em demitir Don Draper (Jon Hamm). E dentro desse universo de puxadas de tapetes só fica em pé o mais bem preparado. No outro pólo narrativo Peggy Olson (Elisabeth Moss) fica com os nervos à flor da pele ao perceber que vai ter que fazer sozinha a apresentação da campanha da Burger Chef para os diretores da empresa. Algo de muita responsabilidade, que envolve muito dinheiro. Essa parte do roteiro explora a mudança da posição das mulheres no mercado de trabalho. De simples secretárias elas passaram a ter mais responsabilidades. Por fim esse episódio marca a despedida de Bertram Cooper (Robert Morse). O simpático velhinho, fundador da agência, morre de forma repentina. Sua cena de despedida foi feita com muita criatividade, com ele dançando e bailando como se estivesse em um velho musical estrelado por Fred Astaire. Simpático adeus, diria até mesmo lírico. Bacana, bonito. / Mad Men 7.07 - Waterloo (Estados Unidos, 2014) Direção: Matthew Weiner / Roteiro: Matthew Weiner, Carly Wray / Elenco: Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser, Robert Morse. 

Mad Men 7.08 - Severance
A série vai caminhando para seu fim já com sinais de desgaste. Os roteiros vão apenas se repetindo, sem maiores novidades. Isso é o que eu chamo de "síndrome do esgotamento", quando tudo já foi explorado e não há mais nada a se inovar. Os personagens e a trama apenas se arrastam, episódio após episódio, sem chegar a lugar nenhum. Nesse temos poucos momentos importantes dentro da trama. Há uma seleção de modelos para participarem de uma campanha de casacos de pele. Nada mal. Don Draper (Jon Hamm), para variar, flerta com várias delas. Tudo termina em uma lanchonete, onde Roger Sterling (John Slattery) mostra pela primeira vez seu exótico (e bizarro) bigode! Nessa mesma lanchonete Draper fica obcecado por uma garçonete que ele jura que já a conhecia de algum lugar, mas sem conseguir lembrar exatamente de onde e nem de quando. Outro bom momento desse episódio acontece quando Joan Harris (Christina Hendricks) leva cantadas nada sutis de alguns clientes de uma fábrica de meias de seda. Os caras não parecem ter muita noção. Nem os roteiristas pois esse tema de assédio é algo mais recente (precisamente dos dias atuais) e não do contexto histórico em que a série se passa (no final dos anos 1960). Assim houve um certo equívoco histórico no desenvolvimento do enredo. De qualquer forma não é algo que vá prejudicar a série como um todo. / Mad Men 7.08 - Severance (Estados Unidos, 2015) Direção: Scott Hornbacher / Roteiro: Matthew Weiner  / Elenco: Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser, Christina Hendricks, John Slattery.

Mad Men 7.09 - New Business
Mais um episódio da última temporada de "Mad Men". Aqui Don Draper (Jon Hamm) emplaca mais um romance em sua vida, uma garçonete divorciada que ele conheceu por acaso. Sua ex-esposa Megan (Jessica Paré) está indo embora, levando praticamente todos os móveis do apartamento onde vivia com Don. Só que isso não resolve a questão, Megan e seu advogado querem mais. Assim Don acaba assinando um cheque de um milhão de dólares para colocar fim na questão! Generosidade pouca é bobagem! Um aspecto curioso desse episódio é a participação da atriz Mimi Rogers. Ela foi a primeira esposa do astro Tom Cruise e andava sumida do cinema e da TV. Aqui Rogers interpreta uma modelo veterana chamada Pima Ryan. Durante uma das campanhas de publicidade da agência de Don ela resolve dar em cima de Peggy Olson (Elisabeth Moss) de uma maneira nada sutil. Sim, Pima é lésbica! Bom episódio, embora como já venha dizendo há tempos, com sinais de saturação. A verdade é que "Mad Men" foi se arrastando lentamente até o décimo quarto episódio dessa temporada quando finalmente a série foi encerrada. Já não era sem tempo! / Mad Men 7.09 - New Business (Estados Unidos, 2015) Direção: Michael Uppendahl / Roteiro: Carly Wray, Jonathan Igla / Elenco: Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser.


Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 15 de abril de 2012

Enterrado Vivo

Paul Conroy (Ryan Reynolds) é um motorista de caminhões de carga que trabalha em uma empresa que dá apoio a tropas americanas no Iraque. Capturado por um grupo de rebeldes iraquianos é literalmente enterrado vivo nas areias do deserto. Sua única possibilidade de sobrevivência é seu celular que lhe proporciona entrar em contato com autoridades americanas para que tentem salvar sua vida! "Enterrado Vivo" é mais um exemplo de filme recente cujo roteiro se desenvolve em apenas uma situação ao longo de todo o filme. Nesse aqui a situação é justamente a do personagem principal, enterrado vivo dentro de um caixão. Já estou consciente que esse tipo de filme está chegando para ficar. Vai ser um novo subgênero cinematográfico. Havia sido assim com "Pânico na Neve", foi assim com "127 Horas" e é assim com esse "Enterrado Vivo" que dos três é o mais radical pois o filme não sai de dentro do caixão (por mais estranho que isso possa parecer). Se o espectador sofre de claustrofobia, medo de lugares fechados, então deve evitar ao máximo a produção.

Eu confesso que achei o filme um pouco cansativo. Claro que o roteiro tenta driblar tudo isso se utilizando de um celular o que dá dinamismo a essa situação. Aliás se não fosse a existência desse meio de comunicação moderno esse filme jamais existiria, pois seria impossível filmar todo um filme dentro de um caixão sem o mínimo de interação com outras pessoas (justamente o que o fone proporciona para o roteiro). Tecnicamente falando o filme é competente. Embora a situação seja a mesma cena após cena o diretor tentou modificar um pouco o que seria um cenário único (e pra lá de tedioso) usando de um dos poucos recursos que sobraram: a iluminação do ambiente. Nesse ponto achei bem criativo. Fora isso nada demais. Não achei particularmente brilhante e nem muito marcante, apenas curioso. O que será que os produtores vão inventar nos próximos filmes? Quem viver verá...

Enterrado Vivo (Buried, EUA, 2010) Direção: Rodrigo Cortés / Roteiro: Chris Sparling / Elenco: Ryan Reynolds, José Luis García Pérez, Robert Paterson / Sinopse: Paul Conroy (Ryan Reynolds) é um motorista de caminhões de carga que trabalha em uma empresa que dá apoio a tropas americanas no Iraque. Capturado por um grupo de rebeldes iraquianos é literalmente enterrado vivo nas areias do deserto. Sua única possibilidade de sobrevivência é seu celular que lhe proporciona entrar em contato com autoridades americanas para que tentem salvar sua vida!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 14 de abril de 2012

Incontrolável

Um enorme trem carregado com uma perigosa carga explosiva passa por diversas cidades norte-americanas sem qualquer tipo de controle, pois está sem maquinista. Logo o pânico se instala e um grupo de especialistas é enviado para tentar deter uma catástrofe que parece certa! Os eventos mostrados no filme foram baseados em fatos reais. Definitivamente um filme muito bom de um estilo que andava meio em baixa ultimamente, o do cinema catástrofe. Gostei muito de "Incontrolável" porque é um filme honesto, pois entrega exatamente o que se espera dele: um entretenimento de primeira qualidade, com um roteiro ágil e muito bem bolado que a despeito de focar em apenas uma situação o faz da melhor maneira possível, mantendo sempre a atenção do público, que não desgruda os olhos da tela por nenhum segundo. Não tem firulas e não inventa e por isso é extremamente eficiente, um dos melhores desse gênero que já assisti.

Denzel Washington é um ator esperto. Sabia que ao se envolver em algo assim terminaria ganhando muito. Tony Scott, por sua vez, mostra uma grande habilidade no desenvolvimento da situação. Não deixa a bola cair em nenhum momento e utiliza cada minuto da melhor maneira possível (o que era de se esperar já que o filme é curtinho, pouco mais de 90 minutos, outro ponto positivo). Até o Chris Pine se sai bem em cena. Só fiquei um pouco decepcionado com a solução encontrada para parar o tal trem desgovernado. Na minha opinião foi uma solução um pouco banal demais para o nível de adrenalina que o roteiro passou a cada cena. De qualquer forma isso não compromete o resultado final que é bem acima da média do que o cinemão americano vem apresentando ultimamente. Um entretenimento eficiente em suma. Recomendo.

Incontrolável (Unstoppable, EUA, 2010) Diretor: Tony Scott / Roteiro: Mark Bomback / Elenco: Denzel Washington, Chris Pine, Rosario Dawson, Ethan Suplee, Kevin Dunn, Jessy Schram / Sinopse: Um enorme trem carregado com uma perigosa carga explosiva passa por diversas cidades norte-americanas sem qualquer tipo de controle, pois está sem maquinista. Logo o pânico se instala e um grupo de especialistas é enviado para tentar deter uma catástrofe que parece certa! Os eventos mostrados no filme foram baseados em fatos reais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Missão Madrinha de Casamento

Pensei que fosse ser uma comédia mais ao estilo "baixaria" uma vez que a coisa que mais ouvi ultimamente é de que se tratava de uma versão feminina de "Se Beber Não Case". Sinceramente não vi maiores semelhanças. Na realidade é uma comédia romântica bem na média do que o cinema americano anda produzindo ultimamente. Musiquinhas românticas, o velho clichê da solteirona de 30 anos louca porque ainda está solteira (de onde esses caras tiram a ideia de que o casamento é a solução para a infelicidade das pessoas?) e tudo o que você já viu em muitos e muitos filmes desse tipo. Na realidade achei tão convencional que me surpreendi. Acredito que a única grande diferença das demais "água com açúcar" é o clima acentuado de humor mas fora isso, nada de novo no front. Nesse aspecto os brasileiros são obviamente alvos, como se a culinária brasileira fosse tão indigesta a ponto de dar dor de barriga imediata nos americanos (e como se a comida deles, o tal de fast food, não fosse a pior refeição que um ser humano pudesse comer na face da terra), que o diga a gordinha Melissa McCarthy que sofre de obesidade mórbida e que, falando sinceramente, não faz nada no filme que justifique sua indicação ao Oscar.

O resto do elenco é formado por atrizes competentes devo confessar. Na realidade pode-se dizer que na falta de um roteiro melhor elas realmente carregam o filme nas costas. Eu pessoalmente gosto muito da Kristen Wiig desde os tempos em que via suas performances no SNL. Ela é uma comediante de mão cheia para interpretar balzaquianas neuróticas como a personagem do filme. Outra que se destaca é a Rose Byrne, o que é curioso, pois ela é atriz dramática na realidade (vide sua ótima participação em Damages). Em conclusão é como eu disse - tudo mais do mesmo. No final fica a pergunta: até quando vamos aguentar mais comédias românticas sobre casamentos? Será que o público não se cansa nunca disso?

Operação Madrinha de Casamento (Bridesmaids, EUA, 2011) Direção: Paul Feig / Roteiro: Annie Mumolo e Kristen Wiig / Elenco: Kristen Wiig, Maya Rudolph, Rose Byrne, Wendi McLendon-Covey, Ellie Kemper, Melissa McCarthy, Chris O'Dowd, Jill Clayburgh / Sinopse: O filme mostra as diversas confusões e problemas em que se envolve um grupo de mulheres na preparação do casamento de uma delas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Coração de Caçador

Um diretor excêntrico leva toda uma equipe de cinema de Hollywood para a África onde pretende rodar um filme de sucesso para pagar seus inúmeros credores. Chegando no continente selvagem ele se torna obcecado em caçar um elefante africano nas extensas savanas da região. O filme foi baseado numa história real. O diretor de cinema que Clint Eastwood interpreta é na realidade o famoso John Huston e o filme que eles tentam concluir é na verdade o clássico "Uma Aventura na África" com Katherine Hepburn e Humphrey Bogart. De tão conturbadas essas filmagens na África selvagem entraram para a mitologia de Hollywood. O roteirista do filme escreveu seu próprio diário das filmagens que acabaria dando origem a um popular romance (do qual esse filme é baseado). Até mesmo Katherine Hepburn resolveu colocar no papel todas as aventuras que passou ao lado de Huston. Material do que se passou realmente não falta. Para quem não sabe John Huston foi um dos maiores diretores da era de ouro do cinema americano. Gênio na direção era também um cineasta complicado de se lidar. Geralmente comprava brigas com produtores e estúdios e colocava seu elenco em situações de saia justa durante as filmagens. Huston colecionou tantos sucessos como inimizades no meio e por isso era uma personalidade controvertida. Mais de uma vez largou um filme pela metade e abandonou tudo sem maiores explicações. Seus projetos inacabados são geralmente citados em várias passagens da história de Hollywood. "Adeus às Armas" é um exemplo disso. Um belo dia se encheu das exigências do estúdio, pegou seu chapéu e simplesmente foi embora sem dar satisfação. Geralmente era processado depois, perdia fortunas em indenizações mas não mudava seu jeito de ser. Se auto denominava um autêntico artista e odiava os aspectos comercias de seus filmes.

Coração de Caçador é seguramente um dos filmes mais inspirados do cineasta Clint Eastwood, um inteligente exercício de metalinguagem que passeia pela história do cinema americano. Também é sua homenagem muito particular a John Huston, diretor que ele sempre admirou e procurou seguir seus passos. Clint certamente aprendeu muito com o mestre. Sua direção aqui é um exemplo, firme, segura e muito correta mas não é só. Quem acha que Eastwood é um ator limitado, de poucas caracterizações, precisa ver o filme para assistir uma de suas melhores interpretações. Compondo um tipo bem diferente do habitual Clint traz de volta à tona todas as nuances de John Huston: suas excentricidades, seu jeito despojado de ser e sua incrível sede de viver intensamente. Recentemente vi cenas de Huston captadas por membros de sua equipe dentro dos sets de filmagens. Basta assistir a essas imagens para entender como Clint foi feliz em sua caracterização. Até nos pequenos gestos, no cigarro eternamente acesso no canto da boca, no olhar fixo e penetrante, Clint recriou a personalidade de John Huston com extrema fidelidade. Enfim, "White Hunter, Black Heart" (Caçador Branco, Coração Negro) é seguramente uma das melhores obras da filmografia de Clint Eastwood. Uma homenagem mais do que sincera de um cineasta para outro. Simplesmente imperdível.

Coração de Caçador (White Hunter, Black Heart, EUA, 1990) Direção: Clint Eastwood / Roteiro: Peter Viertel basedo no livro "White Hunter Black Heart" / Elenco: Clint Eastwood, Jeff Fahey, Charlotte Cornwell / Sinopse: John Wilson (Clint Eastwood) é um excêntrico diretor americano que decide filmar seu próximo filme em pleno coração do continente africano. Uma vez lá resolve partir para um safári em busca de um elefante. Logo isso se torna uma obsessão pessoal em sua vida.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

127 Horas

Parece que Hollywood tem cada vez mais apostado em filmes cujo enredo se baseiam em apenas uma situação. Só de relance me lembro aqui de "Incontrolável" e "Pânico na Neve", filmes cujos os personagens são colocados em uma situação limite e tentam de todas as formas saírem dela. Esse "127 Horas" realmente me deu agonia. A situação na qual o personagem de James Franco se encontra é realmente agonizante. Eu não gosto muito do cinema de Danny Boyle mas aqui devo confessar que ele teve muito talento em levar uma situação limite dessas por 90 minutos sem cansar o espectador. Claro que o filme em algumas ocasiões cai na monotonia mas felizmente quando tudo parece saturar os delírios de Aron Ralston fazem o filme ganhar um fôlego extra até seu desfecho.

Duas considerações: Apesar de ser digno de muitos aplausos um ator sozinho levar um filme inteiro nas costas devo dizer que James Franco não mereceu a indicação ao Oscar. Quero deixar claro que achei sua interpretação muito digna e muito bem feita, o problema é que a situação em que seu personagem se encontra não dá margens a maiores exercícios dramáticos. Sendo assim pela própria limitação de seu papel não vejo porque ele mereça estar ao lado de atores como Colin Firth (que realmente está ótimo em "O Discurso do Rei"). E por fim fica aqui registrado meus elogios à belíssima fotografia do filme (o que não poderia ser diferente). Essa região onde o filme foi realizado, Utah Canyon, realmente chama a atenção pela beleza natural. Curiosamente o filme não concorreu a melhor fotografia. Ou seja, concorreu pelo que não devia e não concorreu pelo que deveria. Vai entender essa Academia...

127 Horas (127 Hours. EUA, 2010) Direção: Danny Boyle / Roteiro: Simon Beaufoy, Danny Boyle baseados no livro "Between a Rock and a Hard Place" de Aron Ralston / Elenco: James Franco, Amber Tamblyn, Kate Mara / Sinopse: Um esportista fica preso numa fenda no meio do deserto. Ele cai em um buraco e uma pedra enorme prende seu braço no local.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Nosferatu: O Vampiro da Noite

Essa é a releitura do clássico filme alemão Nosferatu, de Murnau, de 1922. Naquele ano, sem possibilidade de filmar a estória de Drácula por não ter os direitos autorais, o diretor alemão ousou filmar um roteiro que basicamente tinha o mesmo argumento de Drácula mas sem usar o famoso nome e sem estar diretamente ligado à obra de Bram Stoker. Pelo uso inovador de tomadas de cenas, iluminação e jogo de luz e sombras Nosferatu acabou virando um grande clássico do terror, cultuado até nos dias de hoje, mesmo sendo um filme mudo. Uma obra maldita que foi redescoberta e se tornou um ícone da história do cinema. No final dos anos 70 o diretor Werner Herzog resolveu trazer de volta à tona o mesmo espírito da produção original, tanto que aqui há poucos diálogos, tal como se fosse uma homenagem ao cinema mudo. Eu só penso que a decisão de filmar em cores prejudicou um pouco o resultado final, fiquei imaginando o filme e suas imagens em preto e branco, tenho certeza que o impacto teria sido maior. A produção não é muito rica, é verdade, nada comparado ao que se vê no cinema americano, mas Herzog conseguiu superar essa situação muito bem. Outra coisa que chama bem atenção nessa produção e a total ausência de efeitos especiais. Tudo é conseguido apenas com o uso de boa maquiagem e jogos de luzes e sombras, tal como no filme de Murnau. A trilha sonora incidental também é muito inspirada, ajudando na criação do clima sórdido do filme em si.

Por fim duas curiosidades que me chamaram bem a atenção. A primeira foi a caracterização de um Van Helsing que não acreditava em vampiros, envelhecido e sem muito poder de ação e uma Isabela Adjani com maquiagem forte mas branquíssima, como convém a sua personagem gótica; Uma atriz extremamente bonita em uma interpretação um pouco abaixo do esperado. Talvez sua interpretação tenha sido assim para lembrar ao espectador da exagerada forma de interpretar do cinema mudo. De uma forma em geral achei bastante válida a ideia que deu origem ao filme. O cinema europeu tem um ritmo próprio bem diferente do americano e por isso alguns espectadores atuais poderão a vir estranhar seu desenrolar mas é bastante válida a experiência de assistir algo assim. Por fim não poderia deixar de citar a caracterização muito inspirada do ator Klaus Kinski. Ele está ótimo, com maquiagem adequada, tudo soando bem estranho, horrível, monossilábico, como aliás convém ao personagem Nosferatu. No final das contas só de ver o Klaus fazendo esse papel já vale o filme inteiro.

Nosferatu - O Vampiro da Noite (Nosferatu, Alemanha, França, 1979) Direção: Werner Herzog / Roteiro: Werner Herzog baseado no livro Drácula de Bram Stoker / Elenco Klaus Kinski, Isabela Adjani, Bruno Ganz, Walter Ladengast / Sinopse: Baseado na famosa obra "Drácula" de autoria de Bram Stoker, "Nosferatu" mostra a estória da ida de Jonathan Harker (Bruno Ganz) até a propriedade do misterioso Conde Drácula (Klaus Kinski), um homem isolado do mundo. Ele acaba desenvolvendo uma forte obsessão pela jovem a bela Lucy (Isabelle Adjani), esposa de Jonathan. Refilmagem do clássico alemão Nosferatu, de Murnau, de 1922.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.