quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Perdido em Marte (2015)

Por livre e espontânea pressão fui assistir ao filme Perdido em Marte com o meu filho hoje. Eu não queria ver. Filmes sobre Marte geralmente são péssimos. Eu me recordo de um estrelado por Val Kilmer (antes dele virar um boneco inflado) que era realmente de amargar. Roteiro ruim, história sem pé e nem cabeça e tudo de ruim que você possa imaginar. Outro com Arnold Schwarzenegger e Sharon Stone até que era bonzinho, porém nada demais também. Tive que engolir tudo isso para levar o guri ao cinema. Filho é filho e de repente você está fazendo coisas que se fosse solteiro teria vergonha de fazer. Acabei também indo numa sessão 3D. Como eu odeio 3D!!! Tudo fica escuro demais e aqueles óculos me incomodam demais. Eu não estava em uma posição confortável na cadeira e o preço salgado do ingresso me deixou ainda mais chateado.

O filme começou e tive que encarar trailers de filmes nacionais horrorosos. Encarar Regina Casé em 3D tentando parecer engraçada é dose para leão sarnento. Mas enfim, é a vida. Como era dirigido por Ridley Scott percebi que as coisas não seriam tão desastrosas como pensei, fiquei surpreso até quando foram ficando melhores com o passar do tempo. Não há nada de muito original no roteiro, tampouco o Damon pode ser considerado o Marlon Brando. Mesmo com tanta coisa pesando contra até que curti o filme, apesar da minha rabugice. O Ridley parece encantado com o planeta vermelho e aquele deserto sem fim, uma verdadeira imensidão de nada. O céu vermelho é de deixar qualquer ser humano deprimido. Uma desolação até que poética. Para Ridley porém tudo parece ser seu parque de diversões particular.


O filme tem problemas de lógica. Aqui vai alguns furos do roteiro - e contém spoilers. Em resumo: Matt Damon e seu eterno jeito de adolescente baby face fica em Marte após uma tempestade épica. Seus companheiros de missão vão embora e ele fica para trás, enterrado na areia. Pior do que isso, sua barriga foi perfurada por um pedaço de metal. Bom, sabemos que naquele ambiente radioativo isso seria morte certa, mas vamos relevar, afinal de contas ele se recupera bem rapidinho (absurdo 1). Seguindo em frente... Ele volta ferido para a estação e lá encontra tudo o que precisa para sobreviver, menos comida que tem em estoque limitado. Para viver até que uma missão de resgate venha lhe salvar ele precisa fazer como Quincas Borba e plantar batatas numa hortinha improvisada dentro da estação (absurdo 2: aquela terra cheia de radiação jamais seria adequada para a germinação de qualquer tipo de alimento viável). Embora esteja em uma estação espacial de última tecnologia ele não tem como se comunicar com a Terra (absurdo 3, que nunca é explicado direito, como um equipamento daquele não possui um único rádio primitivo?). Para achar um modo de comunicação ele então vai atrás de uma antiga sonda, a Mars Pathfinder (absurdo 4 - como ele achou um equipamento pequeno daqueles em um planeta daquela dimensão?).

Por fim no momento do resgate ele entra em órbita com uma nave adaptada, sem nariz (é sério!) e com uma lona cobrindo tudo (absurdo dos absurdos, não merece nem comentários). No final fica aquela sensação de ter visto algo que parece sério, mas não é! Parece científico, mas também não é! Pelo menos parece divertido... e pelo menos nesse ponto é de fato mesmo. Se eu gostei do filme? Bom, depende do que você espera ver. Se for apenas para levar a gurizada para o cinema até que não chega a dar dor de barriga. Agora se você estiver em busca de algo bom de verdade é melhor desistir de Marte porque no cinema americano o planeta vermelho realmente não dá muito certo mesmo. Melhor os produtores tentarem algo em Plutão da próxima vez...

Perdido em Marte (The Martian, EUA, 2015) Direção: Ridley Scott / Roteiro: Drew Goddard / Elenco: Matt Damon, Jessica Chastain, Kristen Wiig.

Erick Steve.

Filmografia Comentada - James Dean

Hoje faz 60 anos da morte de James Dean. Ele está sendo lembrado por inúmeros órgãos de imprensa mundo afora. Em meus blogs - em especial o de Cinema Clássico - estou sempre escrevendo sobre Dean, sua vida e seus filmes. Assim o eterno Rebelde Sem Causa é sempre uma presença constante, alguém para ser lembrado todos os meses e não apenas em datas especiais. O material é vasto e você pode conferir apenas acessando a página. Muitas matérias em grandes jornais e revistas andam afirmando que James Dean realizou apenas 3 filmes, o que é um erro, na verdade ele esteve presente em 6 produções que já comentamos em nossos blogs. De uma forma ou outra vamos homenagear Dean com o aspecto mais importante de seu legado, sua obra. Segue abaixo a filmografia comentada desse verdadeiro ícone do cinema e da rebeldia.

Baionetas Caladas
Durante a Guerra da Coreia (1950 - 1953), um general americano decide recuar seu exército. Para que a manobra seja bem sucedida e segura, ele determina que um pequeno pelotão fique na retaguarda para evitar ao máximo a aproximação do exército inimigo. A missão, considerada suicida por muitos, acaba sendo colocada em prática com o pagamento de um alto preço em termos de bravura e vidas humanas. Roteiro baseado na novela de John Brophy. Um dos clássicos da filmografia do genial cineasta Samuel Fuller (1912 - 1997). O diretor ficou conhecido na história do cinema americano por realizar obras que desvendavam a alma humana, mesmo contando com poucos recursos e orçamentos econômicos. Aqui temos um bom exemplar de sua filmografia. O enredo se passa todo em uma região montanhosa e gelada, nos postos mais avançados da fronteira coreana. Os soldados que são deixados para trás para evitar um combate direto com as forças inimigas, praticamente se colocam numa situação de tentar sobreviver o máximo de tempo possível para que seus companheiros em armas consigam se retirar do front sem baixas. Seu número é infinitamente menor, mas contando apenas com sua coragem devem enfrentar com baionetas fixadas (daí o título original do filme) as tropas vermelhas que estão chegando em grande número e armadas com material bélico pesado, inclusive tanques de infantaria. Enquanto os soldados americanos ficam entrincheirados, eles tentam com armadilhas, usando até minas terrestres (hoje tão condenadas por vários tratados internacionais), deter o poderoso exército inimigo. O roteiro não se foca em particular em nenhum personagem, uma característica que Samuel Fuller repetiria anos depois em "Agonia e Glória", mas ao mesmo tempo tenta desenvolver psicologicamente cada um dos membros do pelotão.  Assim ele consegue a um só tempo dar um rosto para aqueles combatentes sem esquecer que se trata mesmo de um exército, enfocando sua força coletiva. Em suma, o que basicamente temos aqui é um filme clássico sobre uma guerra pouco explorada pelo cinema americano, mostrando o drama de soldados que sabem que provavelmente não sairão vivos da missão que lhes foi ordenada, mas que mesmo assim lutam, em nome de suas vidas e de sua pátria. O ator James Dean está no filme, é um dos inúmeros figurantes que surgem como soldados anônimos no campo de batalha. / Baionetas Caladas (Fixed Bayonets, EUA, 1951) Direção: Samuel Fuller / Roteiro: Samuel Fuller / Elenco: Richard Basehart, Gene Evans, Michael O'Shea, Richard Hylton.

O Marujo Foi Na Onda
Jerry Lewis começou a carreira se apresentando em pequenas espeluncas de Nova Iorque em troca de alguns trocados e só viu sua sorte mudar quando se uniu a um cantor desconhecido que também estava tentando abrir as portas do sucesso. Era Dean Martin. Eles criaram então um número perfeito. Um cantor galã que tentava se apresentar com todo o glamour e romantismo possível enquanto era atrapalhado por um pateta que fazia as maiores confusões. Esse novo show lhes trouxe mais público, melhores lugares para se apresentar e finalmente lhes abriram as portas do mundo do cinema. Foi o produtor Hall B. Wallis que deu as melhores oportunidades para a dupla Martin / Lewis na Paramount. Esse produtor tinha uma visão incrível pois ele sabia que o que fazia sucesso nos palcos poderia também muito bem fazer sucesso nas telas de cinema. Assim ele conseguiria ótimas bilheterias com a dupla e repetiria a dose anos depois ao acreditar em um jovem roqueiro que estava fazendo muito sucesso com seus shows ao vivo! O nome dele? Elvis Presley. Pois bem, mas voltamos a Lewis e Martin. Esse “O Marujo foi na Onda” foi um dos primeiros filmes da dupla na Paramount. Rodado ainda em preto e branco a película seguia por uma fórmula que se tornaria sucesso absoluto de bilheteria nos anos que viriam. O roteiro é de certa forma uma repetição do que havia sido usado com muito sucesso em “O Palhaço do Batalhão” onde Jerry Lewis ia para o exército dando origem a muitas confusões. Aqui se trocou o exército pela marinha e repetiu-se o que havia dado tão certo antes, ou seja, muitas cenas divertidas, intercaladas com momentos musicais românticos a cargo de Dean Martin, que apresentava suas músicas entre uma palhaçada e outra de Lewis. O filme tem aquele clima bem leve, descontraído, que tentava agradar ao público que ia ao cinema apenas em busca de uma diversão bem humorada e descompromissada. Por fim um aspecto muito curioso sobre “O Marujo Foi na Onda”: nesse filme, no meio de tantos figurantes anônimos, surge um que se tornaria um dos maiores mitos da história do cinema alguns anos depois, o ator James Dean. Ela faz uma pequena ponta não creditada na cena da luta de boxe de Jerry Lewis. Ele era então apenas um jovem tentando a sorte em Hollywood e deu graças a Deus quando ganhou esse pequeno e quase imperceptível papel. Curiosamente anos depois Dean confessaria que no dia das filmagens havia tomado um milk shake estragado e que por isso quase vomitou em cima de Jerry Lewis. Uma pena não ter acontecido pois se encaixaria perfeitamente no enredo maluco do filme! / O Marujo Foi Na Onda  (Sailor Beware, EUA, 1952) Direção: Hal Walker / Roteiro: James B. Allardice, Martin Rackin / Elenco: Dean Martin, Jerry Lewis, Corinne Calvet, James Dean (não creditado).

Sinfonia Prateada
Samuel Fulton (Charles Coburn) é um dos homens mais ricos do mundo. Magnata da indústria percebe que sua vida está chegando ao fim e ele não tem a quem deixar sua fortuna milionária. Nunca se casou e nunca teve filhos, pois sua vida sempre foi focada no mundo dos negócios. Nesse momento lembra-se de uma antiga paixão, que já não vive mais. Resolve então transformar em herdeiros a filha e os netos de seu amor do passado mas antes disso resolve ir conhecer a todos pessoalmente. Se fazendo passar por um velho artista aposentado vivendo de empregos medíocres chamado John Smith ele se hospeda na casa da família para entender se eles merecem mesmo se tornarem seus herdeiros após sua morte. A experiência mudará a vida de todos mas principalmente a do velho milionário. "Sinfonia Prateada" é um primor. Dirigido por Douglas Sirk o filme reúne um ótimo elenco aliado a uma produção muito bem realizada, embalada por uma estória cativante. Sirk realizou uma fina comédia de costumes onde mostra que dinheiro e riqueza podem apenas revelar o verdadeiro caráter das pessoas mas nunca mudar sua verdadeira essência. O milionário que se faz passar por pobre velhinho sem ter onde cair morto é um achado. Interpretado excepcionalmente bem pelo talentoso Charles Coburn ele é a alma da produção. Em determinado momento resolve testar a verdadeira personalidade da família que está conhecendo (e estudando) para ver como eles se comportam como novos ricos. Doa 100 mil dólares para observar como aquela família reage com um dinheiro desses. Claro que a partir desse momento tudo muda. A família que era unida e muito humana se torna vaidosa, dada a exageros, desvalando para a pura cafonice. John Smith, claro, assiste tudo sem revelar sua verdadeira identidade. Uma das melhores coisas de "Sinfonia Prateada" é seu elenco. A começar pelos figurantes - isso mesmo! Imagine que numa ponta não creditada temos nada mais, nada menos, do que o mito James Dean em cena. Foi uma das primeiras oportunidades que teve em Hollywood. Ele interpreta o pequeno papel de um jovem desmiolado que pede um complicado sundae para John Smith, naquela altura de seu disfarce trabalhando como balconista de uma pequena mercearia. São poucos minutos em cena mas que entraram para a história do cinema. Já outro astro, Rock Hudson, faz o papel de um pobretão que quer casar com a doce Millicent Blaisdell (Piper Laurie) mas vê suas chances diminuírem consideravelmente após perceber que ela ficou rica da noite para o dia! Embora todos os jovens atores estejam marcantes de uma forma ou outra temos que admitir que o filme pertence mesmo ao veterano Charles Coburn, que está realmente arrasador em seu personagem - que aliás é o principal de todo o enredo. Em suma, "Has Anybody Seen My Gal" é realmente uma delícia de filme. Encantador, charmoso e nostálgico é aquele tipo de obra que nos deixam mais leves e felizes no final da exibição. / Sinfonia Prateada (Has Anybody Seen My Gal, EUA, 1952) Direção: Douglas Sirk / Roteiro: Joseph Hoffman, Eleanor H. Porter / Elenco: Piper Laurie, Rock Hudson, Charles Coburn, James Dean, Gigi Perreau.

Vidas Amargas
A história conta a história de dois irmãos, Cal e Aron, que disputam a afeição do pai. Esse deseja ganhar dinheiro com a venda de verduras congeladas mas não obtém sucesso. Cal (James Dean) então resolve ganhar seu próprio lucro com a venda de feijões para as tropas americanas que estão sendo enviadas para a I Guerra Mundial. Nesse ínterim Cal acaba descobrindo um terrível segredo sobre sua mãe que é localizada por ele na cidade vizinha de Monterrey. Seu pai havia mentido pois dizia que ela havia falecido quando os irmãos eram apenas crianças. A verdade finalmente irá abalar toda a família. “Vidas Amargas” se baseia no famoso livro do escritor John Steinbeck. Na realidade se trata de uma grande metáfora sobre os personagens bíblicos do gênesis no velho testamento. Na estória acompanhamos um pobre rancheiro que tem dois filhos, Cal e Aron. Aron (Richard Davalos) é o filho que todo pai gostaria de ter, estudioso, educado e polido. Sua vida emocional é estável e ele namora a delicada e bela Abra (Julie Harris). Aron é em suma um modelo de bom filho. Ele é o oposto de Cal (James Dean) um jovem perturbado, complicado, complexo que sempre toma as piores decisões em sua vida. Numa delas decide investigar o que teria acontecido à sua mãe que os abandonou ainda jovens. Acaba descobrindo um terrível segredo sobre ela na cidade vizinha de Monterrey o que trará trágicas conseqüências para toda a sua família. O livro original é uma obra robusta e por isso aqui optou-se por transpor para as telas apenas parte dele. A adaptação é excelente uma vez que a estória se fecha muito bem em si mesma, não dando pistas de que faltou algo em seu enredo. Uma produção do mais alto nível. A reconstituição de época é perfeita (a estória se passa em 1917, pouco antes dos EUA entrar na Primeira Guerra Mundial). Figurinos, costumes, carros, tudo recriado com perfeição. O estúdio Warner resolveu realizar “Vidas Amargas” no formato widescreen, sendo muito eficiente seu resultado final. “Vidas Amargas” foi indicado aos Oscars de melhor diretor, roteiro adaptado, ator (James Dean) e atriz coadjuvantes (Jo Van Fleet). Um reconhecimento merecido de seus méritos cinematográficos. Elia Kazan sempre dirigiu com maestria seus atores. Aqui em “Vidas Amargas” ele decidiu inovar, ensaiando o filme por duas semanas antes de começar a rodar as cenas. O método deu muito certo até porque todo o elenco vinha do meio teatral em Nova Iorque. Kazan também incentivou os atores a trazer elementos novos para seus personagens algo que caiu como uma luva para James Dean que gostava desse tipo de liberdade criativa. De fato o ator trouxe muito de si mesmo para a atuação de Cal. No aspecto puramente técnico Kazan também procurou inovar criando ângulos inusitados com a câmera, além de literalmente interagir com as cenas (a melhor acontece quando Dean aparece se balançando num brinquedo de criança e Kazan balança a câmera junto com ele). Enfim, mais uma magnífica direção de Kazan, aqui no auge de sua criatividade e talento. O grande atrativo de “Vidas Amargas” é a presença no elenco de James Dean. Embora ele tenha participado de 3 filmes anteriores (todos como ponta) aqui o ator tem a primeira grande chance de verdade em sua carreira. Elia Kazan havia assistido Dean numa montagem off Broadway e decidiu que ele seria a escolha perfeita para interpretar o perturbado e irascível Cal, um personagem intenso que exigiria muito do ator. James Dean em cena não decepcionou. Ele está perfeito em sua caracterização, colocando para fora tudo o que aprendeu no Actor´s Studio de Nova Iorque. Seu personagem transmite toda a complexidade de sua alma não apenas nos diálogos mas no próprio modo de ser, andar, agir. O trabalho corporal que James Dean trouxe para Cal até hoje impressiona. O ator se entrega como poucas vezes vi no cinema. De certa forma Dean era Cal e o incorporou com perfeição no filme, ofuscando completamente todo o resto do elenco que também é todo bom. A atuação inspirada lhe valeu a primeira indicação póstuma ao Oscar da história. Infelizmente quando a Academia anunciou seu nome para o prêmio James Dean já havia morrido em um trágico acidente de carro aos 24 anos. Melhor se saiu sua colega de cena, Jo Van Fleet, que venceu o Oscar de melhor atriz coadjuvante. Ela interpretou a mãe de Cal e Aron no filme. Prêmio merecido aliás. / Vidas Amargas (East Of Eden, EUA, 1955) Direção: Elia Kazan / Roteiro: Paul Osborn baseado na obra de John Steinbeck / Elenco: James Dean, Raymond Massey, Julie Harris, Burl Ives, Richard Davalos, Jo Van Fleet.

Juventude Transviada
O filme definitivo da carreira de James Dean. "Juventude Transviada" é a quintessência do mito. De certa forma foi o filme que criou a cultura jovem na década de 50. Os personagens são jovens desiludidos, perdidos, que procuram por algum tipo de redenção. Toda a estória se passa em menos de 24 horas. No filme acompanhamos o primeiro dia de aula de Jim Stark (James Dean) em sua nova escola. Filho de pais que vivem se mudando de cidade o jovem Jim não consegue por essa razão criar genuínos laços de amizades com outros jovens de sua idade. Nesse primeiro dia em Los Angeles ele busca por um recomeço, tudo o que deseja é se enturmar e se possível não se envolver em problemas. Dois objetivos que ele logo entenderá que são bem complicados de alcançar. Desafiado por um grupo de valentões liderados por Buzz (Corey Allen) ele logo se vê envolvido numa briga com punhais. Depois aceita o desafio de participar de um racha altas horas da noite numa colina da cidade, o que trará consequências trágicas para todos os envolvidos. Juventude Transviada demonstra bem que alguns temas são realmente universais, não importando a época em que acontecem. O jovem novato na escola que sofre bullying e é hostilizado pelos valentões locais, o desejo de ser aceito, a dor da rejeição e a frustrada tentativa de se enquadrar são temas pertinentes ao roteiro que dizem respeito não apenas aos personagens do filme mas a todos nós, principalmente no período escolar onde tudo isso vem à tona de forma muito transparente, para não dizer cruel. James Dean está simplesmente arrasador na pele de Jim Stark. Usando de sua já conhecida expressão corporal o ator esbanja versatilidade em uma interpretação realmente inspirada. Não é de se admirar que tenha sido tão idolatrado por tantos anos. Natalie Wood é outro destaque. Interpretando uma jovem com problemas de relacionamento com seu pai ela mostra bem porque era considerada um dos maiores talentos jovens daquela época. Por fim fechando o trio principal temos o frágil Platão, o personagem mais conturbado do filme. Em sensível atuação de Sal Mineo ele transporta carência afetiva e emocional, procurando a todo custo criar algum tipo de amizade, seja com quem for. Quando "Juventude Transviada" chegou aos cinemas o ator James Dean já tinha morrido em um trágico acidente, com apenas 24 anos. A comoção por sua morte aliada á sua interpretação majestosa nesse filme criaram um dos mais fortes mitos da história de Hollywood. O nome James Dean ficou associado eternamente à figura do jovem rebelde. Unindo sua história trágica, muito parecida com as dos antigos mitos românticos, à força do cinema, James Dean logo virou ídolo de milhões de jovens ao redor do mundo. Mito esse que sobrevive até os dias de hoje pois mesmo após tantas décadas de sua morte o ator ainda é uma das celebridades falecidas que mais faturam em termos de licenciamento de produtos e direitos de imagem. De certa forma o mito James Dean ultrapassou e muito a influência do ator James Dean, embora essa também seja significativa. Juventude Transviada é assim seu testamento definitivo, o filme que criou toda uma mitologia em torno de seu nome, que se recusa a morrer de forma definitiva. Revisto hoje em dia o filme só cresce em importância e qualidade. Definitivamente é uma das produções mais importantes da história do cinema. / Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, EUA, 1955) Direção: Nicholas Ray / Roteiro: Stewart Stern, Irving Shulman, Nicholas Ray / Elenco: James Dean, Sal Mineo, Natalie Wood, Corey Allen, Dennis Hopper.

Assim Caminha a Humanidade
"Giant" entrou para a história do cinema por vários motivos. O mais lembrado deles é o fato de ter sido o último filme de James Dean. Poucos dias após o fim das filmagens o ator resolveu participar de uma corrida e na viagem até lá morreu em um trágico acidente com apenas 24 anos. Outro ponto a se destacar é que esse é considerado até hoje o melhor filme de George Stevens. Diretor habilidoso, conseguia ótimos resultados por causa de um método inovador de trabalho. Ele utilizava várias câmeras, todas em ângulos diferentes e depois passava meses trancado no estúdio assistindo a cada registro, a cada tomada de cena. Só depois de montar o filme em sua própria mente é que ele finalmente dava o corte final em suas obras. Por essa razão "Assim Caminha a Humanidade" é uma verdadeira obra prima, uma ode ao Texas que até hoje impressiona por sua força e atemporalidade. Por fim, e não menos relevante, "Giant" é sempre lembrado pelas ótimas atuações do casal Rock Hudson e Elizabeth Taylor. Rock aliás considerado até aquele momento um mero galã de Hollywood conseguiu sua primeira e única indicação ao Oscar. O reconhecimento da Academia foi mais do que merecido pois o trabalho de Rock é realmente primoroso, onde ele interpreta um personagem em vários momentos de sua vida, desde a juventude até sua velhice. Permeando tudo temos os vastos campos do Texas. A própria imagem da casa de fazenda ao longe, sem nada por perto reflete bem a grandeza daquela região, onde grandes fortunas foram feitas praticamente da noite para o dia. O Ouro negro, como era chamado o Petróleo, fez a riqueza de muitas famílias texanas. E é justamente sobre isso que seu enredo enfoca. Em sua autobiografia Rock Hudson relembra como foi tratado por George Stevens. O diretor lhe colocou a par de todos os aspectos da produção e chegou a dizer a ele que escolhesse a cor da casa de seu personagem no filme. Nunca um diretor havia feito algo assim com ele. Isso demonstrava o modo de trabalhar de Stevens, ele queria que todos se sentissem parte do processo de realização do filme. Hudson afirmou em seu livro que nunca vira nada igual antes. Se o diretor queria aproximação completa entre ele e o elenco o mesmo não se podia dizer dos dois atores principais. Desde o começo Rock Hudson e James Dean não se deram bem. Dean vinha de Nova Iorque e procurava ir fundo em suas interpretações. Hudson foi formado na Universal, dentro do Star System, e estava pouco preocupado com maneirismos do Actors Studio. Assim travou-se uma verdadeira batalha nas cenas, dois atores com formação completamente diferente que não se gostavam muito pessoalmente. Dean achava Rock um mero galã e um "poste" - apelido que usou por causa da grande altura do ator. Como ele era baixinho, Dean acabou sentindo-se intimidado por Rock. Já Hudson achava Dean esquisito, complicado de se lidar. Curiosamente apesar de ambos não se darem bem, os dois se tornaram grandes amigos da estrela Elizabeth Taylor. Para Dean, Liz era como uma irmã que nunca teve. Amorosa e simpática procurava entender o rebelde ator mesmo quando ele nitidamente se comportava mal com os outros. Já em relação a Rock ela se comportava como uma amiga de farras. Ambos tomaram grandes porres juntos e inventaram o Martini de chocolate, uma combinação explosiva que exigia um intestino de aço de quem ousasse beber aquela mistureba toda. Elizabeth Taylor virou amiga até os últimos dias de vida de Rock Hudson e quando esse morreu de AIDS em 1985 ela fundou uma instituição de apoio a pesquisas para combater a doença. A edição do filme foi complicada e demorada. Havia muito material gravado, por diversas câmeras e assim George Stevens passou longos meses montando tudo aquilo. Quando o filme finalmente ficou pronto e foi lançado James Dean já havia morrido há mais de um ano. Como tinha se tornado um mito eterno da sétima arte com sua morte suas jovens fãs correram para os cinemas para conferir o último trabalho do encucado ator. O que viram foi uma produção completamente diferente de "Juventude Transviada". Enquanto aquele era uma crônica sobre a juventude e seus problemas, "Giant" era monumental, de enorme duração e com ares de cinema épico. A crítica se dividiu mas de forma em geral todos concordaram que estavam na presença de um dos maiores filmes já feitos por Hollywood. Um dos pontos mais criticados foi justamente a maquiagem realizada nos atores nas cenas em que eles surgem envelhecidos. Para Rock Hudson e Elizabeth Taylor as perucas grisalhas realmente não caíram bem. De fato apenas James Dean surge bem nessas cenas, o que não deixa de ser uma grande ironia pois ele nunca teria a chance de envelhecer como seu personagem, que aparece bêbado e caindo em um vexame público. Aliás muitas das falas de Dean ficaram ruins nesse momento final e o diretor George Stevens, sem opção, teve que contratar o ator Nick Adams para dublar certas partes do texto do ator falecido. Assim em conclusão podemos dizer que "Assim Caminha a Humanidade" não é apenas uma obra de cinema fenomenal mas também um marco histórico do cinema americano. Um filme tão grande quanto o Texas. Um momento maravilhoso do cinema americano que todos os cinéfilos devem assistir. / Assim Caminha a Humanidade (Giant, EUA, 1956) Direção: George Stevens / Roteiro: Fred Guiol, Ivan Moffat baseados na obra de Edna Ferber / Elenco: Elizabeth Taylor, Rock Hudson, James Dean, Carroll Baker, Mercedes McCambridge, Jane Withers, Chill Wills, Sal Mineo, Dennis Hopper / Sinopse: "Assim Caminha a Humanidade" conta a estória do rico fazendeiro Bick Benedict (Rock Hudson) . Após cortejar e se casar com a mimada Leslie (Elizabeth Taylor) ele retorna para sua imensa casa de fazenda bem no meio do grandioso estado americano do Texas. Lá tem que lidar com todos os problemas de sua propriedade, inclusive seus empregados. Entre eles se destaca o estranho e taciturno Jett Rink (James Dean) que parece nutrir uma indisfarçável paixão pela esposa de seu patrão.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

O Pagamento Final / O Alfaiate do Panamá

O Pagamento Final
Provavelmente tenha sido o último grande filme da carreira de Brian De Palma. Contando com um excelente roteiro e um elenco em estado de graça, ele acabou realizando um dos melhores filmes de gangsters do cinema americano. A trama mostra um velho criminoso que, de volta às ruas após cumprir uma pesada pena, procura por um recomeço em sua vida. Obviamente que em termos de interpretação todas as atenções se fixam no grande trabalho de atuação de Al Pacino. Carlito, seu personagem, é uma espécie de anti-herói trágico que acabou sendo tragado pelas armadilhas do destino. Embora Pacino esteja excepcionalmente bem temos que reconhecer que o grande destaque mesmo do elenco é o ator Sean Penn. Quase irreconhecível, com forte maquiagem, careca e usando figurino dos anos 70, ele praticamente desaparece dentro de seu personagem, um advogado corrupto com problemas de dependência química. Cheirando uma carreira de cocaína atrás da outra, completamente alucinado, ele é responsável por alguns dos melhores momentos de todo o filme. De Palma desfila elegância e bom gosto em cada tomada, o que me fez lembrar do grande diretor que ele sempre foi ao longo de sua carreira. Pena que ao lado do enorme talento também haja uma irregularidade absurda em sua obra, pois De Palma consegue ir do genial ao medíocre com grande facilidade, numa verdadeira montanha russa artística. Em relação a esse filme porém não há o que se preocupar pois certamente é uma de suas melhores obras primas. Filme indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante - Drama (Sean Penn) e Melhor Atriz Coadjuvante - Drama (Penelope Ann Miller). / O Pagamento Final (Carlito's Way, EUA, 1993) Direção: Brian De Palma / Roteiro: David Koepp, baseado na novela escrita por Edwin Torres / Elenco: Al Pacino, Sean Penn, Penelope Ann Miller, John Leguizamo, Viggo Mortensen.

O Alfaiate do Panamá
O problema de interpretar um personagem tão famoso como James Bond é que você acaba ficando prisioneiro dele. É o que aconteceu com Roger Moore e de certa maneira com Pierce Brosnan também. O roteiro desse filme não tem nada a ver com Bond, na verdade foi inspirado em um best-seller escrito por John le Carré, mas mesmo assim todos fizeram a associação com o famoso agente secreto justamente por causa da presença do ator no elenco. Uma pena já que o filme tem identidade própria e pode ser considerado um bom suspense de espionagem. Além disso foi dirigido por John Boorman, cineasta de obras requintadas e sofisticadas como "Esperança e Glória", "Muito Além de Rangum" e "Amargo Pesadelo". O enredo, como convém a toda história criada por John le Carré, se passa no mundo da espionagem e das conspirações internacionais. Andrew 'Andy' Osnard (Pierce Brosnan) é um agente inglês que é enviado ao Panamá para descobrir a extensa e complexa rede de corrupção que se forma após o famoso canal ser devolvido ao país da América Central. Nesse processo ele acaba também revelando algo maior, envolvendo figurões do governo e de organismos internacionais. Considero, como já escrevi, um bom filme, muito embora os fãs do livro tenham reclamado e muito da adaptação. Subtramas foram omitidas e sequências inteiras desapareceram, algo que temos que convir é até normal de acontecer já que cinema e literatura definitivamente são expressões culturais bem diferentes. Mesmo assim é um bom programa para o fim de noite. Filme indicado ao Berlin International Film Festival. / O Alfaiate do Panamá (The Tailor of Panama, EUA, 2001) Direção: John Boorman / Roteiro: Andrew Davies, baseado no livro escrito por John le Carré / Elenco: Pierce Brosnan, Geoffrey Rush, Jamie Lee Curtis, Daniel Radcliffe.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Caravana da Coragem / Jack

Caravana da Coragem
O diretor George Lucas ficou tão encantando com os Ewoks (aqueles bichinhos de pelúcia guerreiros do filme "O Retorno de Jedi") que resolveu escrever o roteiro e produzir esse filme focado apenas neles. A verdade é que apesar de Lucas ser um dos cineastas mais celebrados da história do cinema por causa de sua maior criação, a saga "Star Wars", ele também deu vários tropeços ao longo da carreira. Um deles foi justamente esse filme. Tudo bem, os ursinhos eram legais, divertidos e tudo mais, porém não havia razão e nem conteúdo para fazer um filme todo apenas contando a estorinha deles. Ficou bobo, vazio, infantil demais e completamente descartável. Como Lucas sempre foi um péssimo diretor de atores ele resolveu escalar o veterano diretor de TV John Korty para dirigir. Esse fez um filme nada marcante, bem cheio de clichês e cenas de dar sono. Provavelmente apenas a garotada - até 12 anos - poderá curtir a produção. Hoje em dia a situação ainda é bem pior porque os efeitos especiais ficaram velhos e datados e a meninada para falar a verdade nem conhece mais muito bem os filmes "Star Wars" originais. Provavelmente com o lançamento da nova franquia o interesse volte a surgir entre os mais jovens, até lá não tem para onde ir, "Caravana da Coragem" ficou velho e esquecido. Filme vencedor do Emmy Awards na categoria de Melhores Efeitos Especiais. / Caravana da Coragem - Uma Aventura Ewok (The Ewok Adventure, EUA, 1984) Direção: John Korty / Roteiro: George Lucas, Bob Carrau/ Elenco: Eric Walker, Warwick Davis, Fionnula Flanagan.

Jack
Outro filme de um grande diretor que de certa maneira foi esquecido com o tempo. "Jack" foi dirigido por Francis Ford Coppola, um dos maiores diretores de cinema da história. O enredo é pueril. Um garoto tem uma estranha síndrome que faz com que seu corpo envelheça quatro vezes mais rápido do que a de um ser humano normal. Assim quando ele finalmente vai para a escola ele está com a aparência de um homem de 40 anos (interpretado por Robin Williams). Coppola optou por fazer uma comédia leve, divertida e nada mais, sem espaço para explorar dramas ou qualquer coisa parecida. O resultado não poderia ser diferente. Tudo é muito sem importância, nada marcante e sendo bem sincero até chato. É aquele tipo de filme que você levava para casa na época das locadoras VHS e depois de uma semana esquecia completamente, o que é bem anormal em se tratando de um filme assinado por esse excelente diretor. A única coisa que se salva no meio da irrelevância geral é justamente a atuação de Robin Williams que, carismático como sempre, consegue até mesmo convencer o espectador de que ele é na realidade apenas um garotinho preso no corpo de um adulto. Fora isso o filme é tão descartável como um saco de pipocas ou uma lata de Coca-Cola. Filme indicado ao Kids' Choice Awards na categoria de Melhor Ator (Robin Williams). / Jack (Jack, EUA, 1996) Direção: Francis Ford Coppola / Roteiro: James DeMonaco, Gary Nadeau / Elenco: Robin Williams, Diane Lane, Jennifer Lopez, Fran Drescher, Brian Kerwin.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 27 de setembro de 2015

Ainda Serás Minha

Título no Brasil: Ainda Serás Minha
Título Original: Somewhere I'll Find You
Ano de Produção: 1942
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Wesley Ruggles
Roteiro: Charles Hoffman, Walter Reisch
Elenco: Clark Gable, Lana Turner, Robert Sterling
  
Sinopse:
Paula Lane (Lana Turner) é uma jovem jornalista em busca de sua primeira grande chance profissional. Depois de um tempo tentando ser levada a sério ele consegue ser enviada pelo jornal onde trabalha como correspondente de guerra na Indochina. Se a vida profissional vai bem para Paula, o mesmo não se pode dizer dos assuntos do coração. Ela namora sério com Kirk 'Junior' Davis (Robert Sterling), mas na verdade é loucamente apaixonada por seu irmão, Jonathon 'Jonny' Davis (Clark Gable). Enquanto tenta decidir com quem ficará todos são enviados para o oriente para registrar a nova guerra mundial que se aproxima.

Comentários:
Um filme pouco conhecido nos dias de hoje que conta com duas grandes estrelas em seu elenco: o eterno galã Clark Gable e uma das atrizes mais populares daquela época, a bela loira platinada Lana Turner. O jornalista interpretado por Gable traz várias características que marcaram muito sua carreira nas telas. Ele é levemente cínico, faz o estilo mais cafajeste e sempre tem uma ironia mordaz na ponta de língua. Para completar seu jeito mau caráter ele também começa a se insinuar para a própria noiva de seu irmão, a também jornalista Paula Lane (Lana Turner). E ela é caidinha por ele. Sempre se provocando com diálogos picantes os dois passam o filme inteiro se separando e voltando. O irmão de Gable faz o tipo certinho para fazer um contraponto com o tipo conquistador inveterado do famoso galã. Por falar em diálogos alguns deles são extremamente ousados. Em determinado momento Gable conhece uma garota de programa em um bar e ela lhe diz com toda a sensualidade que está pronta para apagar sua tocha na cama do quarto de hotel! Ora, nos anos 1950 isso causaria um verdadeiro problema por causa do falso moralismo do Macartismo. Já em plena segunda guerra não havia esse problema, uma vez que a autocensura ainda não havia chegado para valer nos estúdios. O roteiro tem um pegada leve, de comédia romântica mesmo, com boas cenas de amor entre Gable e Turner. Lana era muito sensual e como estava ainda bem jovem quando fez o filme sensualiza muito bem a cada momento - com direito até a mordidinhas na orelha de Clark Gable. Já para quem for atrás de cenas de batalha é melhor desistir. Só existe uma sequência rápida de guerra, já no final, com menos de 10 minutos de duração. A coisa toda foi construída mesmo em torno do triângulo amoroso dos protagonistas (Gable, Turner e Sterling). Fora disso não há maiores atrativos para quem procura por algo diferente ou mais movimentado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

 

Inimigo Íntimo / Mr. Jones

Inimigo Íntimo
Rory Devaney (Brad Pitt) é um jovem irlandês ligado ao grupo terrorista IRA (Exército Republicano Irlandês, muito ativo na época) que vai até Nova Iorque com o objetivo de comprar armamento pesado para a luta de sua organização dentro da Irlanda. Uma vez lá acaba se hospedando com uma falsa identidade na casa de um policial, Tom O'Meara (Harrison Ford), que em pouco tempo começa a desconfiar das suas atividades em solo americano. Bom, como é de esperar em Hollywood a intenção dos produtores ao realizar esse filme foi unir dois astros do cinema, campeões de bilheteria na época, o jovem Pitt e o veterano Ford. Claro que era uma boa ideia do ponto de vista comercial. Além disso seria bem interessante unir duas gerações de atores em apenas um filme. A questão é que se você é um cinéfilo experiente sabe logo de antemão que nem sempre um elenco famoso garante um excelente filme. É bem o caso desse "Inimigo Íntimo". Apesar do argumento interessante o resultado é bem morno e sem graça. Provavelmente a indefinição sobre qual rumo a seguir tenha prejudicado o resultado final. O roteiro ora valoriza o lado mais dramático de sua história, com ênfase nas relações humanas, ora tenta ser um filme de ação com baixo teor de adrenalina. Sem saber direito para onde ir acaba aborrecendo ambos os públicos. Os fãs de filmes de ação acharam tudo sem sal e o público acostumado com dramas acabou achando tudo mal desenvolvido. Some-se a isso a atuação preguiçosa de Harrison Ford e os ataques de estrelismo de Brat Pitt e você entenderá porque uma boa iniciativa acabou mesmo ficando pelo meio do caminho. / Inimigo Íntimo (The Devil's Own, EUA, 1997) Direção: Alan J. Pakula / Roteiro: Kevin Jarre, David Aaron Cohen / Elenco: Harrison Ford, Brad Pitt, Margaret Colin.
 
Mr. Jones
Uma renomada psiquiatra acaba se envolvendo emocionalmente com seu próprio paciente, o maníaco-depressivo Mr. Jones (Richard Gere). Além de ferir o código de ética de sua profissão ela logo entenderá que também está caminhando por um caminho perigoso por causa do estado mental de seu novo affair. Esse foi um romance dramático que teve uma recepção fria em seu lançamento. Não se tornou um sucesso de bilheteria (bem ao contrário disso) e tampouco conseguiu levantar alguma polêmica em torno de seu argumento. Na verdade foi mais uma tentativa de revitalizar a carreira do galã Gere, naquela altura do campeonato com o prazo de validade já praticamente vencido. O elenco conta com boas atrizes, em especial Anne Bancroft que nunca foi devidamente reconhecida por seu talento dramático. Lena Olin está muito bonita e charmosa no filme. Ela anda mais do que sumida ultimamente. Uma pena já que sempre a considerei uma das atrizes suecas mais interessantes que já atuaram em Hollywood. É de se admirar que o filme tenha se tornando tão inexpressivo haja visto que o cineasta Mike Figgis já havia trabalhado e sido muito bem sucedido ao lado de Gere no excelente drama policial "Justiça Cega" três anos antes. Ao que tudo indica era melhor terem escolhido um roteiro melhor, mais relevante, com uma trama mais pertinente, incisiva, e não um romance tão açucarado baseado em uma anti-ética relação entre médico e paciente. Pelo menos teria sido mais importante para a carreira de todos os envolvidos. / Mr. Jones (Mr. Jones, EUA, 1993) Direção: Mike Figgis / Roteiro: Eric Roth / Elenco: Richard Gere, Lena Olin, Anne Bancroft.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Papa Francisco no Madison Square Garden


Papa Francisco no Madison Square Garden
Uma imagem vale mais do que mil palavras! Na extremamente bem sucedida passagem do Papa Francisco por Nova Iorque o líder espiritual mais carismático do mundo levou o Madison Square Garden em Nova Iorque ao delírio com sua presença. O impacto da passagem de Francisco pelas cidades americanas causou um verdadeiro furor na imprensa e no povo americano. No Madison o Papa Francisco rezou uma missa emocionante que já é considerada histórica pela mídia dos Estados Unidos. Nunca se viu nada parecido antes. Viva Francisco!



sábado, 26 de setembro de 2015

Papa Francisco nos Estados Unidos

Se há algo de bom que vem acontecendo nesses últimos dias essa é a visita do Papa Francisco nos Estados Unidos. Há um sentimento positivo no ar, nos jornais, pelas ruas das cidades por onde ele passa. Sei que minha opinião pode ser considerada pouco isenta pois sou um católico que adora minha religião, mas o fato é que poucas vezes se viu um líder religioso com tamanho impacto na mídia e nas pessoas em geral. O Papa Francisco é um fenômeno de popularidade, um furacão e isso é tão bom para o mundo em geral. Em uma época onde lemos e ouvimos tantas coisas ruins, negativas, desanimadoras, ver algo assim é um verdadeiro descanso e alívio para a alma e a mente.

Além do aspecto puramente religioso (que foi emocionante), a ida de Francisco ao Congresso americano e à ONU colocou na ordem do dia uma agenda positiva e saudável como há muito não se via. Levando para o lado americano o que temos visto é um desarme nas ideias de certos candidatos republicanos (como o idiota do Trump). A postura de Francisco sobre vários temas desmascara essa política de revanchismo e xenofobia, a removendo do caminho, colocando tudo em seu devido lugar. Saem o preconceito, o ódio, a intolerância e entram a misericórdia, a solidariedade e o amor. Isso é a base da religião e filosofia cristã e o Papa Francisco tem sido genial nesse aspecto. Ao invés de propor soluções absurdas como a construção de um muro entre México e Estados Unidos, a expulsão sumária de famílias de imigrantes, o Papa estendeu sua mão a todos os que vivem nos Estados Unidos e sonham com um futuro melhor para si e seus filhos. Um gesto de imensa grandeza e significado. Ao se declarar também um membro de uma família de imigrantes (seu pai imigrou da Itália para a Argentina), Francisco colocou abaixo qualquer tipo de sentimento preconceituoso e racista em relação a essas pessoas que muitas vezes são consideradas injustamente cidadãos de segunda classe. Sua presença dentro dos Estados Unidos certamente desarmou corações e mentes e prevejo daqui em diante o naufrágio dessas candidaturas radicais e retrógradas em solo americano.

É tamanho o impacto que o Papa vem causando em sua passagem pelas cidades americanas que um texto apenas não poderia ser suficiente para analisar tudo o que vem acontecendo. Só hoje aconteceu inúmeros eventos marcantes como a ida ao marco zero do WTC e a missa no Madison Square Garden para milhares de pessoas. Pensou que apenas os grandes superstars do rock iam ao Madison? Pois está enganado. Enfim, Francisco traz um sopro de ar fresco para o mundo poluído por cinzas, ódio e amargura. Francisco condenou a pena de morte, o comércio de venda de armas de fogo, ressaltou a importância da valorização do meio ambiente e criticou a desumanidade das políticas capitalistas ferozes que transformaram o ser humano em uma mera máquina e instrumento de lucro. Escrever mais o quê? Francisco é um ser de luz e só posso tirar o chapéu para o sumo pontífice. O Papa Francisco é literalmente uma benção nesse mundo tão dividido, preconceituoso, racista e intolerante. Sua presença demonstra que sim, há uma luz no fim do túnel. Não percamos nossas esperanças jamais. Grande Papa Francisco...

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

2010 - O Ano Em Que Faremos Contato

Título no Brasil: 2010 - O Ano Em Que Faremos Contato
Título Original: 2010
Ano de Produção: 1984
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Peter Hyams
Roteiro: Peter Hyams
Elenco: Roy Scheider, John Lithgow, Helen Mirren
  
Sinopse:
Baseado no livro de ficção escrito por Arthur C. Clarke, o filme "2010 - O Ano Em Que Faremos Contato" dá sequência aos acontecimentos vistos no clássico de Stanley Kubrick "2001 - Uma Odisséia no Espaço". Uma nova expedição, dessa vez soviética, é enviada até os confins do sistema solar. O objetivo é chegar o mais rapidamente possível em Júpiter para descobrir o que teria acontecido com a tripulação da expedição anterior que desapareceu misteriosamente, sem deixar vestígios. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhores Efeitos Especiais, Som, Figurino, Maquiagem e Direção de Arte.

Comentários:
Acredito que seja um dos filmes mais subestimados da história. Há muitos pontos positivos, mas primeiro vamos comentar alguns probleminhas que a história apresenta nos dias de hoje. Em termos de futurologia o roteiro apresenta vários erros de previsão sobre o futuro. Acontece que no enredo do filme temos uma nave espacial soviética indo até Júpiter no ano de 2010. Tudo bem, na época em que o livro foi escrito era de se esperar que os russos tivessem mesmo capacidade no futuro para uma viagem espacial desse nível. Arthur C. Clarke só não contava que o muro de Berlim seria derrubado em 1989, colocando por terra todo o império socialista soviético naquele mesmo ano. Ele foi atropelado por um evento histórico que ninguém conseguiria prever na época. Outro fato que não se cumpriu, fruto de um otimismo típico dos anos 1960, vem da própria expedição humana rumo ao planeta Júpiter. No filme isso acontece em 2010 de uma forma quase rotineira. Pois bem, estamos em 2015 e até hoje a humanidade não conseguiu pisar em nenhum outro astro cósmico além da Lua. Nem o mais pessimista amante de astronomia dos anos 60 poderia antecipar um futuro tão decepcionante como esse! Quem diria... Também não há nenhum sinal de contato com seres extraterrestres. A não ser que você considere as aparições de OVNIs como algo válido nesse sentido. Para a ciência séria porém nada aconteceu. Estamos na mesma. Enfim, esses são equívocos de previsão, afinal de contas ninguém pode antecipar com segurança o que aconteceria no futuro próximo. De qualquer maneira considero um filme muito bem realizado, com um enredo muito bom, que embora muitos não digam, seria fartamente copiado nos anos que viriam por outras produções de Hollywood. Uma maneira de balancear o lado mais intelectual do filme original com uma história mais acessível ao fã de ficção mais comum. Também não podemos negar que o elenco é excelente. Além de Roy Scheider e John Lithgow, dois atores que gosto bastante, ainda temos a presença da dama da atuação Helen Mirren. Elegância e sofisticação que salvam o filme no quesito atuação. Só ela já justificaria o interesse em todo o filme. Em suma, vale a pena rever o filme para uma boa revisão.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

The Beatles - Beatles VI

Certa vez John Lennon disse que não conseguia entender direito a discografia americana dos Beatles. Como se sabe a Capitol, gravadora que detinha os direitos de lançamento dos discos dos Beatles nos Estados Unidos, criava seus próprios álbuns e esses eram bem diferentes dos discos ingleses (só para situar o leitor é interessante explicar que a discografia inglesa é de fato a oficial dos Beatles, bem semelhante em termos à discografia brasileira). Isso se deveu em parte a questões de direitos autorais na América. Como se sabe a editora Northern Songs (a titular original dos direitos do quarteto) vendeu os direitos dos Beatles aos Estados Unidos bem antes deles estourarem nas paradas. Na época era apenas um grupo de rock inglês desconhecido. Assim o preço foi irrisório, algo que sequer pode ser comparado com o valor que a obra do grupo alcançou após eles alcançarem o sucesso mundial. Quem comprou inicialmente o passe dos Beatles foi o pequenino e inexpressivo selo Vee-Jay Records. Quando os Beatles se tornaram o grupo mais popular do mundo o império fonográfico Capitol Records precisou comprar a Vee-Jay para ter o direito de lançar os discos dos Beatles nos Estados Unidos! No final era uma barganha comercial e tanto!

Isso tudo porém não significou que a discografia americana seria menos bagunçada do que antes. Na verdade o caos continuou. Os executivos da Capitol geralmente pincelavam faixas soltas e as misturavam com canções dos álbuns originais ingleses. Para completar o caldeirão fundiam tudo com singles ingleses e europeus. "Beatles VI" vai por esse caminho. Na verdade se trata, muito a grosso modo, de uma fusão dos discos "Beatles For Sale" e "Help!". Isso superficialmente porque pessoalmente acho tudo muito bagunçado e fora de ordem. Um lixo desorganizado para ser bem sincero. O curioso é que esses álbuns venderam imensamente mais cópias do que os originais britânicos, uma vez que o mercado inglês não poderia ser comparado com a complexidade e a imensidão do mercado consumidor americano. Para nós, brasileiros, esses discos Made in USA soam completamente estranhos pois felizmente a Emi Odeon no Brasil resolveu seguir, sabiamente, o catálogo original que foi lançado na Inglaterra a partir de 1964 (com obviamente pequenas exceções como os discos brazucas ao estilo "Beatlemania" e "Beatles Again"). Por fim vale chamar a atenção para o fato de que o disco é basicamente uma seleção de covers, principalmente de cantores e compositores americanos (como Buddy Holly e a dupla Leiber e Stoller). Um tipo de homenagem fabricada Made in USA dos Beatles em relação ao rock feito na América. Uma espécie de "Yankees Go Home" ao avesso! O som é bom no final das contas, mas a seleção musical é de amargar. Hoje em dia vale como simples curiosidade entre colecionadores, nada mais do que isso.

Beatles VI (1965) - Kansas City / Eight Days A Week / You Like Me Too Much / Bad Boy / I Don't Want To Spoil The Party / Words Of Love / What You're Doing / Yes It Is / Dizzy Miss Lizzie / Tell Me What You See / Every Little Thing.

Pablo Aluísio. 

Ghoul

Título no Brasil: Ghoul
Título Original: Ghoul
Ano de Produção: 2015
País: República Tcheca, Ucrânia
Estúdio: J.B.J. Film
Direção: Petr Jákl
Roteiro: Petr Bok, Petr Jákl
Elenco: Jennifer Armour, Alina Golovlyova, Jeremy Isabella
  
Sinopse:
Um grupo de amigos americanos, estudantes de cinema, decide ir até a Ucrânia para filmar um pequeno documentário sobre um homem que ficou vários anos preso após ser condenado por canibalismo. A intenção dos jovens é produzir uma entrevista com o criminoso e depois ligar sua história a várias lendas sobrenaturais da região que nasceram durante a ditadura soviética de Stálin, na década de 1930. Na ocasião se deu um grande surto de fome no país e a população sem ter o que comer começou a praticar em massa o canibalismo. Filme vencedor do Grossmann Fantastic Film and Wine Festival na categoria de Melhor Filme de terror.

Comentários:
Inicialmente você pensa estar assistindo a mais um daqueles filmes ao estilo mockumentary, que anda tão popular nos Estados Unidos. Há diferenças porém. A primeira e mais óbvia é que o filme foi produzido na Europa. Os produtores inclusive fizeram questão de filmar na Ucrânia, algo até perigoso nos dias de hoje por causa dos inúmeros conflitos que existem por lá. A segunda diferença substancial é que o roteiro fez uma bem bolada ligação do enredo com a vida do infame serial killer ucraniano Andrei Chikatilo. Esse foi um dos mais violentos psicopatas da história, acusado de ter matado mais de 50 pessoas e depois praticar canibalismo com seus corpos. Era um louco perigoso que ficou muito conhecido pelas atrocidades que cometeu em sua vida miserável. Tão violento que agora acabou virando vilão de filmes de terror. A ideia não é ruim, embora Chikatilo tenha conseguido ser mais sanguinário e monstruoso do que qualquer tipo de história ficcional que se possa imaginar. Infelizmente a criatividade também não vai muito além disso. Um mockumentary que usa uma história real, a utilizando como ponto de partida para a pura ficção é uma boa sacada, porém seu desenvolvimento fica no lugar comum. As mocinhas gritando, as imagens sem foco, tremendo e o caos e a gritaria imperando de forma banal. Mesmo com tantas ressalvas ainda vale a pena conferir, nem que seja para mudar um pouco, vendo um filme realizado no leste europeu; se bem que na verdade qualquer documentário que conte a história do verdadeiro Chikatilo é bem mais aterrorizante do que esse filme.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Papa Francisco nos Estados Unidos

Esse é um papa diferenciado. Desde que aterrisou em Washington e foi recebido pelo presidente Obama ele tem dominado todas as atenções. Pela primeira vez na história um papa discursou no congresso americano. Sua visita tem tido uma grande repercussão na mídia, fruto da própria personalidade de Francisco, um homem muito carismático e afetuoso. Seus exemplos de humildade e simplicidade com o próximo tocaram fundo no coração de todos, até mesmo dos americanos, uma nação de forte tradição protestante. Em sua fala para os deputados e senadores americanos o papa tocou em assuntos importantes, mas dois chamaram mais a atenção. Um deles obviamente foi a condenação à pena de morte. Para quem acompanha Francisco em seus pronunciamentos no Vaticano isso não seria exatamente uma surpresa pois ele sempre tratou sobre o tema em suas homilias. A imprensa americana porém não esperava que Francisco viesse ao congresso condenar a pena capital. Na realidade esse foi um tema surpresa pois poucos esperavam de fato que Francisco fosse tocar nesse assunto tão controverso.

A questão é que muitos estados americanos aboliram a pena de morte nos últimos anos. Pesquisas e estudos demonstram que seu impacto nos índices de criminalidade são modestos, ao contrário do que prega o senso comum. No outro arco Francisco também condenou a venda de armas de fogo, outro aspecto muito polêmico de seu discurso uma vez que tradicionalmente os Estados Unidos sempre deram direito ao porte de arma a praticamente qualquer cidadão. Essa relativa facilidade inclusive deu origem a tragédias infames, inclusive envolvendo jovens estudantes em instituições de ensino. Basta lembrar do massacre de Columbine e outros casos semelhantes. Existem grupos que defendem o uso irrestrito de armas de fogo na América, inclusive formado por setores mais radicais. Para essas pessoas o uso de armas faz parte do espírito da nação. Enfrentar esse tipo de pensamento retrógrado não é algo fácil.

Outro tema que chamou muito a atenção desde que Francisco chegou nos Estados Unidos é o problema dos imigrantes no país. Desde sua formação essa nação foi criada e forjada pela força do trabalho do imigrante. Não é por outra razão que esse aspecto é tradicionalmente conhecido como o "sonho americano". Os que chegam na América vão com a intenção de recomeçarem suas vidas, abrindo novos caminhos e horizontes no futuro. Esse é um tema muito presente na corrida presidencial. Alas mais conservadoras do partido republicano defendem o slogan da restrição cada vez maior de direitos a famílias de imigrantes. O próprio candidato Trump defende que muitos mexicanos que entram nas fronteiras americanas só o fazem para formar gangues de criminosos. Um pensamento insensato e muito preconceituoso. Assim cresce a cada dia uma tendência na política para a expulsão dessas pessoas. Em seu discurso no congresso o Papa Francisco se posicionou em favor dessas pessoas, inclusive chamando a atenção dos senhores congressistas que ele próprio era um filho de imigrante (seu pai imigrou da Itália para a Argentina antes de seu nascimento). 

Para Francisco todos os esforços devem ser feitos para ajudar a fixação dessa leva imigratória em direção aos Estados Unidos. Dar trabalho digno para essas famílias para que elas consigam atingir seus objetivos e sonhos. Nada baseado em preconceito ou xenofobia poderá prosperar em um país tão cristão. Por fim Francisco também lembrou dos jovens. Muitos estão desempregados, sem trabalho e sem esperanças. O Papa Francisco lembrou a todos que os jovens formam o futuro e devem ser protegidos pelo Estado. O primeiro emprego, a primeira afirmação como tais, como trabalhadores, para que ganhem o direito à sua própria dignidade. Usando figuras históricas como exemplos tais como Lincoln e Martin Luther King, Francisco finalizou suas palavras lembrando que o exemplo deles deve ser usado como guia para as decisões futuras. No fim da cerimônia Francisco se dirigiu até a sacada do congresso americano e lá saudou uma multidão de pessoas. Muito simpático falou uma frase muito espirituosa que arrancou risos ao dizer: "Estou muito feliz de estar aqui no meio de tantas pessoas poderosas... claro que estou me referindo às nossas crianças". Mais Francisco do que isso, impossível.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

A Forca

Título no Brasil: A Forca
Título Original: The Gallows
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Blumhouse Productions
Direção: Travis Cluff, Chris Lofing
Roteiro: Travis Cluff, Chris Lofing
Elenco: Reese Mishler, Pfeifer Brown, Ryan Shoos
  
Sinopse:
Vinte anos depois de um evento trágico, quando um jovem estudante morreu em uma encenação de uma peça escolar chamada "A Forca", ela volta a ser encenada pelo grupo teatral da escola. Os atores são todos estudantes que querem dar o melhor de si no palco. O jovem Ryan Shoos resolve então gravar os bastidores da peça e acaba descobrindo que existe algo muito sinistro por trás de tudo o que está acontecendo.

Comentários:
Uma produção praticamente amadora que acabou caindo nas graças da Warner Bros que resolveu distribuir o filme nos cinemas (inclusive no Brasil). Os atores do filme usam seus próprios nomes para seus personagens e tudo é muito caseiro mesmo. Como era de esperar a linguagem e a estética seguem a linha do estilo mockumentary (uma verdadeira praga que assola o gênero terror nos Estados Unidos). Assim o espectador acaba acompanhando todos os acontecimentos em péssimas imagens  feitas naquelas pequenas câmeras de mão usadas por um dos personagens. Uma tremenda chateação. Além de não vermos praticamente quase nada do que acontece, a sensação de tontura também estará garantida (já que a câmera não para de balançar de um lado para o outro). Além da experiência nauseante você ainda será presentado (presente de grego é bom salientar) por uma trama bobinha e sem novidades. Como era de se esperar o tal fantasma do ator morto no passado volta para se vingar, com uma corda na mão e uma roupa de carrasco (fala sério!). São apenas quatro atores em cena (dois rapazes e duas garotas) que se revezam entre gritos e sustos dentro de um teatro na madrugada sem fim. Tudo muito chatinho e sem graça. As mortes não são assustadoras e nem criativas e vamos ser sinceros, quem ainda vai se assustar com esse tipo de fitinha B completamente sem originalidade? No final você vai procurar por uma corda mesmo, mas para se enforcar, com tanta raiva de ter perdido seu precioso tempo assistindo a essa bobagem nada arrepiante. É melhor pular do cadafalso do que assistir a essa bomba.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Susan Hayward

Ontem eu tive a oportunidade de assistir ao clássico "Meu Maior Amor" (leia a resenha no blog Cinema Clássico) e me encantei com a atriz Susan Hayward. Ela interpreta a personagem principal, uma mulher frustrada na vida amorosa. Seus sentimentos ficam em ruínas após ela perder a chance de ser feliz ao lado do homem que sempre amou. Ao se casar com alguém que não conseguiu preencher o vazio em seu coração ela acabou entrando em um círculo de tristeza e infelicidade, agravada ainda mais pela bebida. É um romance dramático muito bem conduzido que se destaca pela beleza da atriz. Susan tinha um visual que de certa maneira fugia bastante do padrão das estrelas da época. Ao invés de ser uma loira glamourosa, inacessível ao homem comum, ela se apresentava com uma beleza diferente. De cabelos escuros, muito carisma e sensibilidade, ela se tornava um tipo de mulher mais próxima do soldado americano que na época lutava na Europa durante a II Guerra Mundial. Aquela que poderia ser sua namorada após conhecê-la em um baile - como acontece no roteiro do filme aliás.

Curiosamente Susan quase foi escolhida para interpretar Scarlett O'Hara em "..E o Vento Levou" logo no começo da carreira. Claro que teria sido o filme que mudaria sua vida para sempre. O destino porém tinha outros planos para ela e até que a bonita brunette não se saiu nada mal trilhando esse outro caminho. Embora tenha perdido esse grande papel da história do cinema ela logo se destacou em diversos outros filmes, sempre se destacando em papéis de mulheres fortes que tinham que enfrentar momentos decisivos em suas vidas. Foi assim que ela finalmente venceu seu Oscar pela atuação em "Quero Viver!" de 1958 onde interpretava uma prostituta condenada à morte após ser acusada de ter matado um de seus clientes. Um roteiro que foi recusado por inúmeras atrizes, com receios de mancharem suas imagens públicas, afinal aqueles eram tempos moralistas e puritanos. Para a corajosa Susan isso definitivamente não tinha importância, mas sim o fato de dar vida a um texto corajoso e bem à frente de seu tempo. Ela aceitou fazer o filme, encarou o desafio e acabou  encantando os críticos e os membros da Academia. O resultado? Foi merecidamente premiada com a estatueta mais cobiçada do cinema.

Elegante, muito atraente, Susan soube transitar por quase todos os gêneros. Nunca se contentou em ser vista apenas como uma mulher bonita ou uma pin-up sensual. Ela queria vencer na arte de atuar e certamente conseguiu alcançar seus objetivos. Para alegria dos cinéfilos Susan teve uma carreira longa e produtiva no cinema que se estendeu por quatro décadas. Na sua filmografia de mais de 60 filmes encontramos vários filmes memoráveis como "As Neves do Kilimanjaro", "Demetrius e os Gladiadores", "Duelo de Paixões", "Meu Coração Canta", "David e Betsabá", "Casei-Me Com Uma Bruxa", "Eu Chorarei Amanhã" e "Desespero". Susan Hayward representou muito bem as mulheres de seu tempo, assumindo diversas facetas, deixando de lado muitas vezes sua vaidade pessoal para abraçar a pura arte cinematográfica. Acabou, com seu exemplo pessoal, com o velho estigma preconceituoso de que atrizes bonitas não podiam ser também extremamente talentosas.

Pablo Aluísio. 

Meu Maior Amor

Título no Brasil: Meu Maior Amor
Título Original: My Foolish Heart
Ano de Produção: 1949
País: Estados Unidos
Estúdio: RKO Radio Pictures
Direção: Mark Robson
Roteiro: Julius J. Epstein, Philip G. Epstein
Elenco: Susan Hayward, Dana Andrews, Kent Smith, Lois Wheeler
  
Sinopse:
Após vários anos de casamento, Eloise Winters (Susan Hayward) não consegue mais esconder sua frustração e infelicidade. Acontece que ela se casou com um homem que não amava. Para superar isso bebe cada vez mais, algo que se torna insuportável para seu marido. Após vários meses sem rever sua amiga Mary Jane (Lois Wheeler) ela a recebe em casa e começa a recordar os anos felizes do passado, quando viveu uma grande história de amor ao lado do militar Walt Dreiser (Dana Andrews). O destino porém não quis que esse grande romance se eternizasse. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Susan Hayward) e Melhor Música Original ("My Foolish Heart" de Victor Young e Ned Washington).

Comentários:
Um belo drama romântico cujo roteiro extremamente sentimental procura explorar a vida infeliz e cheia de mágoas da protagonista Eloise Winters. Interpretada com maestria pela talentosa atriz Susan Hayward, ela é uma mulher que não conseguiu encontrar a verdadeira felicidade em sua vida amorosa. Após ver o grande amor de sua vida partir, ela afunda em um mar de sentimentos de ressentimento, mágoas e frustrações que não consegue mais lidar. Para suportar começa a beber e afiar cada vez mais a sua acidez verbal, usando como alvo justamente seu atual marido, um homem que ela definitivamente nunca amou! Em situações assim a vida conjugal logo se torna um verdadeiro inferno doméstico, o que faz com que a iminência do divórcio se torne cada vez mais presente. O roteiro é na verdade um longo flashback. Após receber a amiga Mary Jane em seu lar problemático, Eloise começa a recordar o passado e assim o espectador é levado até os anos em que ela era apenas uma jovem estudante. Durante um baile conhece o bonito e charmoso Walt Dreiser (Dana Andrews) e fica logo perdidamente apaixonada por ele. Um caso de amor à primeira vista! Ao contrário dos outros homens de sua idade, Dreiser também tem um bom humor à toda prova, o que o torna ainda mais atraente. Depois de alguns encontros e desencontros eles começam finalmente um romance ardente, mas os Estados Unidos entram na Segunda Guerra Mundial e Dreiser é logo convocado para servir em um dos bombardeiros da força aérea americana sobre a Europa. A partir daí a vida de Eloise muda para sempre. Particularmente gostei de tudo no filme, do seu ritmo, do clima romântico, nostálgico e afetuoso, mas principalmente da atuação de Susan Hayward. Indicada ao Oscar merecidamente por essa atuação ela está em estado de graça em cena. É interessante porque é um dos filmes em que a atriz está mais bonita, valorizada enormemente por uma bela fotografia em preto e branco, além de um figurino elegante que realça ainda mais sua beleza. Para os que admiram a carreira de Susan esse é certamente um filme obrigatório. Já para os românticos de plantão será com certeza um excelente programa para assistir a dois. Está mais do que recomendado. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Catolicismo nos Estados Unidos

A visita do Papa Francisco vem em um momento interessante do catolicismo americano. Várias pesquisas foram realizadas nos últimos dias sobre o perfil médio do católico norte-americano. Embora alguns dados sejam contraditórios há um certo consenso sobre as estatísticas apuradas. Há uma clara mudança do rebanho católico em relação com às suas origens. Quando Bento XVI visitou os Estados Unidos em 2008 havia mais católicos entre a população branca nascida nos Estados Unidos. Agora os dados apresentam um ligeiro aumento no número de católicos em geral por causa da forte presença de imigrantes em sua maioria vinda da América Latina com queda entre o primeiro grupo. Quando Bento XVI veio para sua primeira visita um a cada quatro americanos brancos nascidos nos Estados Unidos se declarava católico. Agora um a cada cinco americanos natos se diz católico. Em contrapartida entre os imigrantes esse número aumentou. Entre os que vieram de outras nações o catolicismo subiu cinco pontos percentuais - um aumento expressivo que puxou o número total de católicos nos Estados Unidos para cima como um todo - mostrando a força da presença de origem estrangeira no país. Os dados são da empresa de consultoria e estatística Pew Research Center.

Em relação a regiões o catolicismo americano sempre foi tradicionalmente mais presente no nordeste e centro-oeste do país. Isso se deveu a forte presença de imigrantes europeus que chegaram nos estados dessa região em meados do século XIX. Agora a grande massa católica americana está localizada nos grandes centros urbanos, nas grandes cidades, principalmente nos estados da Califórnia e Nova Iorque, fruto da intensa imigração hispânica. Segundo dados recentes vinte e sete por cento dos católicos adultos nasceram no estrangeiro. Os políticos estão de olho nesse tipo de pesquisa e isso obviamente levou a mudanças dentro da própria classe política. Para se ter uma ideia da atual situação mais de seis candidatos republicanos à presidência dos Estados Unidos hoje são católicos. Um número muito relevante se formos pensar que o último presidente católico a sentar na Casa Branca foi John Kennedy nos anos 1960. Jeb Bush, irmão de George W. Bush, um dos candidatos à presidência, é um católico convertido, com grandes chances de disputa ao cargo. Na última eleição presidencial, que elegeu Obama, o rebanho católico se dividiu entre democratas e republicanos. Cinquenta por cento dos católicos votaram no candidato democrata Obama, enquanto quarenta e oito por cento deram seus votos ao adversário republicano. O apoio democrata a mudanças na legislação em prol dos imigrantes ilegais deve mudar esse estado de coisas, fazendo com que a partir de agora mais católicos votem no partido democrata.

Já entre o clero americano a maioria se diz conservadora. É curioso que em um dos países mais liberais do mundo o clero católico seja fortemente conservador e tradicionalista, criando inclusive fortes focos de resistência ao próprio Papa, visto como um dos mais liberais dos últimos tempos. Um dos representantes mais ativos dessa ala mais conservadora da Igreja americana é representada pelo Cardeal Raymond Leo Burke (foto acima), que inclusive manteve uma postura de oposição ferrenha contra certos grupos da Igreja romana que ansiavam por mudanças teológicas na doutrina da instituição. Para analistas do Vaticano o ultra conservadorismo da Igreja norte-americana provém dos vários casos de pedofilia que assolaram a Igreja americana nos últimos anos. Para combater esse tipo de situação escandalosa foi necessária uma guinada forte rumo ao conservadorismo, rejeitando qualquer tipo de postura mais liberal entre o clero. É justamente essa a Igreja que Francisco encontrará na América: conservadora, dura em suas convicções e mostrando forte disposição de lutar por uma doutrina mais tradicional.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Papa Francisco nos Estados Unidos


Papa Francisco nos Estados Unidos - O Papa Francisco desembargou hoje nos Estados Unidos, em Washington. Ele foi recebido pessoalmente pelo próprio presidente americano Barack Obama que fez questão de apresentar toda a sua família para o Santo Padre. Muito sorridente, como sempre, e carismático, Francisco agradeceu as boas-vindas. No primeiro dia nos Estados Unidos o Papa não terá agenda a cumprir, a não ser descansar de seus compromissos em Cuba, visita que foi considerada um completo sucesso. Na América o Papa Francisco discursará na ONU, no Congresso Americano e rezará missa para esperados dois milhões de pessoas na Pensilvânia no chamado encontro mundial das famílias.


Reencarnação / O Libertino

Reencarnação
Bom, dentro da ampla liberdade religiosa em que vivemos (pelo menos enquanto certos setores fanáticos não ganharem cada vez mais poder) você pode escolher a linha de crença que bem entender. Para os Kardecistas ou adeptos do espiritismo um dos dogmas de sua doutrina é justamente a reencarnação. Através de sucessivas vidas ou voltas ao plano material o espírito vai se engrandecendo e enriquecendo a cada nova reencarnação, que assim funcionaria como um mecanismo de compensação de pecados de vidas passadas e aprendizado de existência. A cada nova reencarnação o ser espiritual vai aprendendo com os erros, pagando pelas falhas do passado. Eu pessoalmente não acredito em reencarnação - como bom católico acredito que só temos essa vida e que a devemos levar bem à sério. Deixando de lado isso tudo o fato é que os roteiristas de Hollywood resolveram explorar o tema em um dos roteiros mais absurdos de todos os tempos. Tudo bem dar asas à imaginação e à fantasia, mas não vamos exagerar. Nesse "Birth" um garoto tenta convencer uma mulher adulta que ele é na realidade a reencarnação de seu marido falecido. Sentiu o peso da apelação? Pois é. Se fosse apenas isso ainda vá lá. O problema é que ela acredita no que o garoto diz e começa a lutar contra tudo e todos na defesa dessa absurda hipótese. Nicole Kidman que interpreta a jovem viúva surge em cena completamente sem graça, sorumbática e ostentando um péssimo corte de cabelo (resolveram até mesmo pintar seus lindos cabelos loiros de um preto caixão para deixar bem claro que nada poderia ser bom nesse filme, nada!). Eu tive o desprazer de assistir esse filme no cinema e quase dormi de tédio. É de uma chatice sem tamanho. Desse jeito continuarei a definitivamente não crer em reencarnações. / Reencarnação (Birth, EUA, 2004) Direção: Jonathan Glazer / Roteiro: Jean-Claude Carrière, Milo Addica / Elenco: Nicole Kidman, Cameron Bright, Lauren Bacall.

O Libertino
Filme de época que conta a história de John Wilmot (Johnny Depp), Conde de Rochester. Poeta do século XVII ele teve seu trabalho reconhecido apenas postumamente. Seus escritos foram influenciados pelo seu modo de viver excessivo. Um amante da boa vida, do vinho e da devassidão, acabou encontrando o caminho da morte ainda bem jovem. Uma espécie de herói do hedonismo sem culpas. Era de se esperar que o filme baseado em sua vida fosse ao menos interessante. Particularmente não gostei do resultado. Com uma fotografia excessivamente escura - provavelmente para esconder as cenas mais quentes passadas nos bordéis da época - o roteiro parece confundir a todo tempo a proposta do poeta com um sensacionalismo barato e sem conteúdo. O estúdio errou também ao dar muito poder e controle sobre o filme ao ator Johnny Depp. Em troca de um cachê menor, ele recebeu maior controle sobre praticamente toda a produção. Ao escalar um amigo, Laurence Dunmore, para dirigir o filme acabou estragando tudo. Laurence nunca havia dirigido um longa-metragem antes na vida e abusou da chance de errar. Não deu bom ritmo ao filme, truncou o enredo com uma edição equivocada e perdeu uma excelente oportunidade de contar uma boa história. Depois de tantos erros o filme praticamente passou em brancas nuvens e foi logo esquecido. No caso o ego de Depp foi o grande responsável pelo fracasso comercial e artístico da fita. Filme vencedor do British Independent Film Awards na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante (Rosamund Pike). / O Libertino (The Libertine, Inglaterra, Austrália, 2004) Direção: Laurence Dunmore / Roteiro: Stephen Jeffreys / Elenco: Johnny Depp, Samantha Morton, John Malkovich, Rosamund Pike.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Dark Was the Night

Título Original: Dark Was the Night
Título no Brasil: Ainda Não Definido
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Image Entertainment
Direção: Jack Heller
Roteiro: Tyler Hisel
Elenco: Kevin Durand, Lukas Haas, Steve Agee, Nick Damici,
  
Sinopse:
O xerife e seu assistente precisam investigar uma série de aparições inexplicáveis nas redondezas de uma pequena cidade americana. Os moradores relatam ter visto estranhas criaturas, com cascos de cavalos, mas que andam sobre duas pernas, algum tipo de animal desconhecido da ciência. Em pouco tempo todos os mais antigos moradores relembram velhas lendas, de demônios que supostamente  habitariam as profundezas da floresta local, mas o xerife considera esse tipo de coisa uma grande bobagem, uma crendice sem qualquer tipo de fundamento. Os acontecimentos que virão irão demonstrar que ele está redondamente enganado em pensar assim. Filme vencedor do Screamfest na categoria de Melhores Efeitos Visuais.

Comentários:
Bom, se você curte Criptozoologia (o estudo de espécies animais lendárias, mitológicas, hipotéticas ou avistadas por poucas pessoas) certamente vai ao menos se interessar por esse terror. A história se passa numa daquelas cidadezinhas sonolentas do interior dos Estados Unidos. O xerife local não tem muito o que fazer até que algo incomum acontece. Durante uma expedição floresta adentro um grupo de madeireiros é brutalmente assassinada. Ao mesmo tempo em que ocorrem as mortes inexplicáveis, as pessoas da cidade começam a contar avistamentos fantásticos, como animais estranhos e o surgimento de aparições de pessoas falecidas (o próprio xerife começa a ver seu jovem filho, morto alguns meses antes). Não demora muito e o policial toma conhecimento de velhas lendas. Os mais antigos afirmam que existem demônios ancestrais dentro da escura floresta e agora eles estão de volta para expulsar os moradores que invadiram o território de seu antigo lar. "Dark Was the Night" prioriza bastante o suspense, por essa razão não vá esperar um show de computação gráfico a todo momento. Sim, os monstros surgem nas cenas finais, mas até lá o diretor Jack Heller se mostra mais interessado em criar todo um clima antes do surgimento dos estranhos seres. Como é um filme de curta duração não há como se aborrecer com a ausência explícita dos monstros. Para falar a verdade quando finalmente eles surgem algo se perde, já que o mais interessante era imaginar como seriam. São bem feitos, mas eram melhores em nossa pura imaginação. Quando eles começam a atacar uma velha igreja católica grande parte do suspense também se vai. Não faz mal, é uma boa fita que diverte e consegue manter a atenção, mesmo com a presença de clichês aqui e acolá. Vale conhecer.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Chisum - O Senhor do Oeste

Pelo que eu me lembre esse foi o único filme da carreira de John Wayne que retratou a famosa guerra do condado de Lincoln, o que não deixa de ser curioso porque Wayne foi um dos maiores mitos dos filmes de western e nunca antes havia interpretado nenhum personagem desse famoso evento da mitologia do oeste americano. O projeto foi de certa forma uma escolha pessoal de Wayne justamente para sanar essa lacuna em sua extensa filmografia. Obviamente que John Wayne naquela altura de sua vida não iria mais interpretar Billy The Kid ou Pat Garrett, então a solução foi colocar o velho cowboy para fazer John Simpson Chisum. Esse era um grande latifundiário da região que no meio do caos do conflito em Lincoln se posicionou ao lado do bando de Kid, o apoiando em vários momentos. Foi justamente nas vastas terras de Chisum que Billy The Kid e seu bando se esconderam quando a coisa ficou feia para o lado dele.

Claro que o personagem real Chisum não era o pistoleiro intrépido mostrado no filme. Ele, por exemplo, nunca se envolveu naqueles tiroteios todos que vimos na fita mas de qualquer maneira não deixa de ser uma escolha inteligente para inserir o duke no meio da história de Kid. Nesse aspecto tenho que confessar que o filme fica um pouco truncado. Como realizar um filme sobre a guerra do condado de Lincoln colocando Billy The Kid e Pat Garrett como coadjuvantes? E como inserir Chisum, uma peça secundária naquele conflito como o personagem principal? Basicamente é isso o que descobrimos ao assistir "O Senhor do Oeste". De qualquer forma, apesar disso, recomendo bastante esse "Chisum", que conseguiu finalmente reunir Billy The Kid e John Wayne num mesmo filme. Só isso já basta para demonstrar a importância dessa produção.

Chisum - O Senhor do Oeste / Chisum - Uma Lenda Americana (Chisum, EUA, 1970) Direção: Andrew V. McLaglen / Roteiro: Andrew J. Fenady / Elenco: John Wayne, Forrest Tucker, Christopher George / Sinopse: John Chisum (John Wayne) é um velho cowboy e proprietário de terras que se vê envolvido até involuntariamente na chamada Guerra do condado de Lincoln, um evento histórico que imortalizou os nomes de figuras lendárias do velho oeste como Billy The Kid e Pat Garrett. Roteiro parcialmente inspirado em fatos reais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Garotos Incríveis / Susie e os Baker Boys

Garotos Incríveis
Foi badalado em seu lançamento, chegou inclusive a vencer um Oscar (na categoria de Melhor Canção Original por "Things Have Changed" de Bob Dylan), mas nunca consegui gostar muito do filme e olha que até tentei. O enredo passado em um meio universitário, com diálogos mais bem escritos do que o usual, poderia ser um diferencial. O problema é que o ritmo é pesado, não avança, não flui naturalmente. Outro aspecto que me fez desanimar em relação a essa produção foi o papel de Michael Douglas. Ele aqui interpreta um professor intelectual que tenta potencializar os sonhos de seus pupilos. Esse tipo de personagem não combinou muito bem com o ator. Primeiro porque é complicado enxergar Douglas como um membro da academia. Segundo porque ao longo dos anos você vai criando uma imagem dele, até mesmo por causa de seus filmes anteriores, que por essa razão nada consegue soar crível ou convincente. De bom mesmo resta apenas o elenco mais jovem. Tobey Maguire, antes do Homem-Aranha, está muito bem. Idem para uma ainda gatinha adolescente Katie Holmes. Por fim temos aqui um raro papel bem coadjuvante de Robert Downey Jr. Não é demais lembrar que o ator passou anos e anos tentando superar sua dependência química e isso significava muitas vezes encarar um projeto apenas como coadjuvante de luxo - nem que fosse para apenas ganhar o dinheiro suficiente para pagar as clínicas de rehab. Então é isso. Um roteiro até interessante que foi rodado de forma preguiçosa e pouco convincente. Infelizmente é lento e muitas vezes chato. O mundo universitário americano, o melhor do mundo, merecia algo melhor. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Edição (Dede Allen) e Melhor Roteiro Adaptado (Steve Kloves). / Garotos Incríveis (Wonder Boys, EUA, 2000) Direção: Curtis Hanson / Roteiro: Steve Kloves, baseado no romance de Michael Chabon / Elenco: Michael Douglas, Tobey Maguire, Frances McDormand, Robert Downey Jr, Katie Holmes.

Susie e os Baker Boys
Quando se consegue unir boa música e cinema com elegância o resultado costuma ser dos melhores. Veja o caso desse drama romântico musical. Com uma trilha muito fina e de bom gosto e uma história interessante servindo de cenário, tudo soa muito prazeroso aos ouvidos e aos olhos. O enredo mostra dois irmãos músicos, Jack Baker (Jeff Bridges) e Frank Baker (Beau Bridges). Durante muitos anos eles conseguiram sobreviver cantando e se apresentando em pequenos clubes noturnos de Nova Iorque. O tempo passou e naturalmente  tudo começou a se tornar mais complicado, como conseguir arranjar os mesmos trabalhos de antes. Para dar uma turbinada na dupla eles então resolvem contratar uma bela cantora para se apresentar junto a eles, Susie Diamond (Michelle Pfeiffer). Nasce assim o grupo Susie e os Baker Boys. Apesar do bom sucesso inicial as coisas começam a se complicar quando eles acabam confundindo aspectos profissionais com a vida pessoal de cada um. Além da já citada ótima trilha sonora o filme ganha muito também por causa da presença de Michelle Pfeiffer. Ainda jovem e muito bonita, ela chama todas as atenções para si, roubando o filme dos irmãos Bridges, que também são ótimos, mas que não conseguem se sobressair por causa do brilho de Michelle. Com aqueles olhos azuis dela seria realmente impossível para eles se destacarem, nem se contassem com todo o talento do mundo. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Michelle Pfeiffer), Melhor Fotografia (Michael Ballhaus), Melhor Edição (William Steinkamp) e Melhor Música (Dave Grusin). Vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz - Drama (Michelle Pfeiffer). / Susie e os Baker Boys (The Fabulous Baker Boys, EUA, 1989) Direção: Steve Kloves / Roteiro: Steve Kloves / Elenco: Jeff Bridges, Michelle Pfeiffer, Beau Bridges.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.