domingo, 31 de maio de 2015

Peggy Sue, Seu Passado a Espera / Na Rota do Oriente

Peggy Sue, Seu Passado a Espera
Definitivamente nunca gostei de "Peggy Sue", o que não deixa de ser algo surpreendente. Não é segredo para absolutamente ninguém que eu sempre gostei muito dos anos 1950. A cultura, tanto do ponto de vista musical como cinematográfica, sempre me agradou muito. Assim é de se admirar que eu realmente não tenha apreciado esse filme nostálgico sobre uma mulher que descobre que sua vida definitivamente não tomou o rumo certo. Frustrada e deprimida, ela acaba desejando voltar ao passado, em plenos anos 50, para consertar todos os seus erros. Então sem muita explicação lógica lá está a personagem de Kathleen Turner de volta aos anos de colégio, aos primeiros amores e passos na vida. A diferença agora é que ela tem uma mente de uma mulher madura e calejada pelas experiências vividas e assim começa a mudar tudo, pensando em finalmente ter um destino melhor para seu futuro. As coisas parecem no lugar nesse filme assinado pelo mestre Francis Ford Coppola, um dos meus diretores preferidos. O problema é que o enredo nunca se encaixa direito. De fato é necessário uma dose fora do normal de cumplicidade para curtir o filme em seu proposta principal. Quando a volta ao passado é jogada assim na cara do espectador, sem nenhuma explicação melhor, as coisas realmente ficam comprometidas. Se você não comprar a ideia do roteiro nos primeiros 20 minutos tudo vai acabar indo por água abaixo. Muito provavelmente é o que aconteceu no meu caso. Apesar de ser um fã da cultura vintage não consegui absorver a proposta (ou falta dela) de um roteiro que soa muitas vezes muito forçado e sem sentido. A direção de arte é bonita, a trilha sonora é recheada de grandes clássicos e Kathleen Turner está deslumbrante com seu figurino nostálgico. Nem tudo isso porém salva o filme de si mesmo. Uma grande pena. Faltou realmente uma dose maior de imaginação de seus roteiristas. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Kathleen Turner), Melhor Fotografia (Jordan Cronenweth) e Melhor Figurino (Theadora Van Runkle). Também indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Comédia ou Musical e Melhor Atriz (Kathleen Turner). / Peggy Sue, Seu Passado a Espera (Peggy Sue Got Married, EUA, 1986) Direção: Francis Ford Coppola / Roteiro: Jerry Leichtling, Arlene Sarner / Elenco: Kathleen Turner, Nicolas Cage, Barry Miller.

Na Rota do Oriente
Tom Selleck foi o escolhido pelo diretor Steven Spielberg para estrelar o primeiro filme com o personagem Indiana Jones, "Os Caçadores da Arca Perdida". O próprio personagem em si foi escrito e criado pela dobradinha Spielberg e George Lucas com o ator em mente. Selleck porém nunca interpretaria o mais famoso arqueólogo da história do cinema. Ele tinha compromissos contratuais com a série "Magnum" que na época era um dos maiores sucessos de audiência da TV americana. Assim teve que recusar o convite, que muito provavelmente teria mudado sua carreira para sempre. O sucesso do filme de Spielberg foi espetacular, uma das maiores bilheterias de todos os tempos. Imaginem o que teve ter sentido o pobre Selleck vendo Harrison Ford se consagrar em um papel que tinha sido escrito especialmente para ele. Como não se pode voltar atrás, retornando ao passado para consertar velhos erros, o jeito foi tentar superar tudo isso de uma maneira diferente. Assim Selleck surgiu nas telas com essa aventura "High Road to China". Um filme que, assim como as produções com Indiana Jones, procuravam reviver o espírito dos antigos filmes de aventuras das matinês das décadas de 1930 e 1940. Infelizmente só ficou tudo nas boas intenções mesmo. Apesar de ter boas cenas, principalmente captadas no ar, por cima de montanhas geladas, o filme nunca decola de verdade. É mal escrito e tem um roteiro chato e confuso. A boa produção está lá, Selleck o ex-futuro Indy também, mas nada dá muito certo. Um filme bonito de se ver, temos que admitir, mas complicado de se chegar até o fim por causa de seu desenvolvimento arrastado e tedioso. Para piorar foi um tremendo fracasso de bilheteria, sumindo dos cinemas tão rapidamente como chegou. Outra boa produção que foi prejudicada por um roteiro ruim. Mesmo com todos esse problemas "Na Rota do Oriente" ainda conseguiu ser indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films nas categorias de Melhor Filme - Fantasia e Melhor Atriz (Bess Armstrong). Um breve consolo que evitou que o filme se tornasse um desastre completo e absoluto. / Na Rota do Oriente (High Road to China, EUA, Iugoslávia, Hong Kong, 1983) Direção: Brian G. Hutton / Roteiro: Jon Cleary, Sandra Weintraub/ Elenco: Tom Selleck, Bess Armstrong, Jack Weston.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Dick Tracy

O personagem é um dos mais clássicos do mundo dos quadrinhos. Criado pelo desenhista Chester Gould em 1931 para ser publicado em jornais, em tirinhas seriadas, o detetive logo virou um ícone entre a garotada. Esse personagem acabou também sendo um dos mais influentes da história, basta lembrar de suas bugigangas eletrônicas e tramas para salvar o mundo, algo que anos depois iria inspirar até mesmo o escritor Ian Fleming na criação de seu famoso James Bond. Durante décadas se cogitou uma adaptação das aventuras de Dick Tracy para o cinema, mas muitos produtores consideraram que seria extremamente caro a realização de um filme como esse. Além do mais naquela altura o personagem já não era mais tão conhecido e querido pelo público jovem (muitos até desconheciam sua existência). O quadro mudou quando o ator Warren Beatty adquiriu os direitos de Dick Tracy no final da década de 1980. Usando de seu prestígio pessoal ele conseguiu levantar o financiamento necessário para a produção do filme com um grande estúdio de Hollywood. Além disso usando de sua rede de amigos na indústria conseguiu trazer para o elenco grandes nomes como Al Pacino para interpretar o vilão Big Boy Caprice e Dustin Hoffman como o esquisito Mumbles. Com tudo pronto Warren, que tinha interesse apenas em atuar, foi atrás de Steven Spielberg para dirigir a produção, mas esse, alegando estar com agenda cheia, declinou do convite. Para não perder milhões de dólares em investimento e nem o controle sobre o projeto que ele tanto adorava, o próprio Warren Beatty resolveu dirigir o filme, algo que ele só tinha feito duas vezes na carreira antes, com "O Céu Pode Esperar" em 1978 e "Reds" três anos depois.

Um dos movimentos mais corajosos de Warren Beatty foi optar por escolher a estética dos quadrinhos, dando um tom naturalmente cartunesco ao seu universo. Tudo muito puro e até inocente. Nada de tentar trazer Dick Tracy para o mundo atual e nem lhe dar uma estética realista (como tem acontecido ultimamente em adaptações de quadrinhos no cinema). Sua coragem em realizar um filme que se parecesse completamente com o mundo dos quadrinhos, inclusive com o elenco usando forte maquiagem, se mostrou bem certeira. Na verdade o que ele quis mesmo foi resgatar o detetive de seus tempos de infância. E para quem achava que ele não estava apostando alto o próprio Warren resolveu escalar sua namorada na época, ninguém menos do que a cantora popstar Madonna, para ser uma coadjuvante de luxo na pele da sensual e perigosa Breathless Mahoney. O resultado de tudo é certamente uma das mais criativas transições do universo comics para a sétima arte. Tudo muito colorido, excessivo até, mas com um belo sabor de nostalgia. O filme foi sucesso de público e crítica e agradou tanto ao próprio diretor que ele resolveu deixá-lo sem continuações, mesmo com a boa bilheteria arrecadada. Para Beatty foi uma maneira de preservar essa pequena obra prima que lhe trouxe tanto orgulho pessoal e artístico.

Dick Tracy (Dick Tracy, EUA, 1990) Direção: Warren Beatty / Roteiro: Warren Beatty, Jim Cash, baseados nos personagens criados por Chester Gould / Elenco: Warren Beatty, Madonna, Al Pacino, Dustin Hoffman, Charles Durning, Kathy Bates, Henry Silva, James Caan. / Sinopse: Na década de 1930, em uma cidade infestada de gangsters e criminosos de todos os tipos, o detetive Dick Tracy (Warren Beatty) precisa deter o infame vilão Big Boy Caprice (Al Pacino) de colocar em prática um ardiloso plano de dominação. Filme vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem e Melhor Música Original - "Sooner or Later (I Always Get My Man)" de Stephen Sondheim. Também indicado nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (Al Pacino), Fotografia, Figurinos e Som. Indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Comédia ou Musical e Melhor Ator Coadjuvante (Al Pacino).

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Elvis Presley - Elvis Gold Records Vol. 4 - Parte 2

Love Letters (Heyman / Young) - Muita gente boa ainda confunde essa versão com a mais conhecida, dos anos 1970, que inclusive deu origem ao nome de um álbum de Elvis. A versão aqui presente é outra, gravada em meados de 1966. Bem no meio de uma fase bem ruim e pouco inspirada em sua carreira, o produtor Felton Jarvis lutou para trazer maior qualidade técnica para suas gravações. Nada que lembrasse suas trilhas sonoras. Realmente basta ouvir a música para entender bem isso. A canção se apresenta com ótimo arranjo, com um piano melódico sempre presente, ao fundo. Para tornar a música ainda mais bonita Felton escreveu um arranjo vocal feminino (algo que era muito raro nas gravações de Elvis) para soar liricamente em segundo plano. O conjunto é mais do que agradável. Ficou muito bonita realmente. A original "Love Letters" nunca foi um sucesso, mas como a RCA Victor estava sem muitas opções e como a gravação ficou acima da expectativas resolveu-se colocá-la como faixa de abertura do álbum. Um cartão de apresentação com qualidade, acima de tudo.

Whitcraft (Bartholomew - King) - Outra versão que causa certa confusão por aí. Não se trata de uma versão de Elvis Presley para o hit "Witchcraft" de Frank Sinatra. Aquela era uma swing jazz, muito conhecida por sinal, um dos grandes sucessos de Sinatra em sua carreira, sempre presente em suas coletâneas mais populares. Essa é outra canção. Poderia qualificar como um pop nervosinho, com um ótimo solo de sax do mestre Boots Randolph (sem dúvida o melhor destaque da gravação, se sobressaindo ainda mais do que a boa vocalização de Mr. Presley). A faixa é bem curtinha, simples e direta. Não há espaço (e nem tempo) para maiores firulas. Produzida por Steve Sholes ela foi gravada em 1963, numa produtiva sessão com outras 14 canções. Fazia parte da ideia da RCA Victor em lançar um LP convencional de Elvis, sem músicas de filmes, que acabou indo por água abaixo. Desastrosamente as boas músicas gravadas nessa ocasião começaram a ser lançadas como bonus songs de trilhas, as deixando em um limbo injusto. Com o tempo foram praticamente esquecidas. Só muitos anos depois o disco saiu finalmente com o nome de "The Lost Album" (o álbum perdido), já na era do CD.

It Hurts Me (Byers - Daniels) - Outro caso curioso dentro da discografia de Elvis. A música foi originalmente gravada numa rápida sessão em janeiro de 1964, entra as gravações das trilhas sonoras de "Kissin Cousins" e "Roustabout". Sem saber direito o que fazer com a música a RCA Victor resolveu que era melhor arquivá-la por um tempo. Com o lançamento da trilha sonora de "Kissin Cousins" pensou-se em utilizá-la como bonus songs do disco, mas depois se descartou essa ideia. Ela assim foi renegada, sem muita razão ou lógica, como Lado B do single "Kissin' Cousins". Péssima decisão. A canção era muito boa, com arranjos do grande Chet Atkins (que inclusive a produziu) e deveria ter sido melhor trabalhada para fazer bonito nas paradas, batendo inclusive de frente com os singles dos Beatles que no auge da Beatlemania andavam dominando todas as paradas de sucesso pelo mundo afora. Mais um exemplo de que os executivos da gravadora de Elvis definitivamente não sabiam o que fazer com suas gravações.

What'd I Say (Ray Charles) - Gravada em 1964 como parte da trilha sonora de "Viva Las Vegas" a versão de Elvis para o clássico de Ray Charles tem admiradores e detratores na mesma proporção. Particularmente gosto da alegria contagiante que Elvis e sua banda conseguiram colocar na faixa. Certamente é bem mais pop que a gravação de Ray Charles e se distancia bastante de sua característica principal, a de ser uma canção com letra profana em uma base sonora típica de música gospel, mas isso em momento algum soa como um defeito ou um demérito. Pelo contrário, penso que Elvis sabia que a sua versão seria parte de um filme de Hollywood e que teria que ter por essa razão um melhor balanço para dar a devida agilidade na cena. Essa, por seu lado, também ficou muito divertida, animada e bem realizada. O diretor George Sidney sabia como poucos coreografar bem um número musical em seus filmes. Além disso some-se a isso a notável beleza e carisma da atriz Ann-Margret e você certamente terá o pacote completo em mãos. Não é algo para se reclamar, vamos convir.

Pablo Aluísio.

Osso Duro

Título no Brasil: Osso Duro
Título Original: Pound of Flesh
Ano de Produção: 2015
País: Canadá
Estúdio: ACE Film Company, ACE Studios
Direção: Ernie Barbarash
Roteiro: Joshua James
Elenco: Jean-Claude Van Damme, Darren Shahlavi, Charlotte Peters 
  
Sinopse:
Deacon (Jean-Claude Van Damme) é um estrangeiro hospedado em um hotel de Manila, nas Filipinas, que acorda no meio de uma banheira de gelo. Morrendo de frio e tentando entender o que teria lhe acontecido ele descobre que sua cama está encharcada de sangue. Tudo o que ele consegue se lembrar é que na noite anterior esteve em uma animada balada, ao lado de uma maravilhosa mulher, mas agora ele começa a entender que caiu como um pato em uma cilada! As coisas vão ficando cada vez mais claras e... sinistras!

Comentários:
Se trata de um filme canadense de baixo orçamento rodado nas Filipinas cujo roteiro brinca com aquela velha lenda urbana do "rim roubado". Após conhecer uma bela mulher numa balada o personagem de Jean-Claude Van Damme acaba sendo enganado, caindo numa grande armadilha. A garota o havia dopado na noite anterior e um grupo de médicos e traficantes de órgãos acabaram extraindo seu rim. A trama assim vai girar totalmente na luta de Van Damme em busca de seu órgão roubado. Por falar no astro da pancadaria ele me pareceu bem mais velho do que sua idade poderia ostentar. Ele surge com um semblante cansado e uma estranha maquiagem (que colocou esquisitas sombras em seus olhos!). Para piorar o roteiro passa longe de ser grande coisa. Nem as brigas cuidadosamente coreografadas, algo que sempre foi o forte das produções de Van Damme, conseguem empolgar. Ao que tudo indica o ex-astro está mesmo passando por um momento complicado na carreira, principalmente depois que foi divulgado que ele enfrenta uma grande luta pessoal, não contra lutadores profissionais, mas contra a dependência química. Agora, justiça seja feita, ele ainda consegue fazer uma cena com aquele seu conhecido e famoso abrir de pernas em 180 graus. O bizarro é que ele se utiliza disso ao tentar desarmar um bandido que está em um carro em movimento! Ficou meio bizarro, mas também divertido. No geral "Pound of Flesh" (literalmente "Meio quilo de carne", uma referência ao seu próprio rim roubado) é apenas um filme B de ação. Não há nada de muito excepcional ou digno de nota a não ser a luta de Jean-Claude Van Damme em tentar salvar o que restou de sua carreira.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.


Elvis Presley - FTD Raised On Rock

FTD Raised On Rock
Eu nunca fui exatamente um fã do álbum original "Raised on Rock". Na minha forma de entender o disco acabou trazendo pela primeira vez em um disco de estúdio alguns dos problemas físicos e emocionais pelos quais Elvis vinha passando. O fã mais atento logo percebeu isso. A sessão de gravação foi complicada, com Elvis em um momento particularmente complicado de sua vida, com forte depressão causada pela traição da esposa Priscilla. Assim Elvis não tinha energia e nem disposição suficientes para realizar uma boa sessão de estúdio. No máximo ele apenas suportou o compromisso e depois desabou novamente em seus próprios dramas pessoais. É interessante notar que inicialmente o produtor Felton Jarvis tinha planos de realizar ao lado de Elvis mais uma maratona, como aquela em que ele fez em 1970. A ideia era gravar dezenas de novas faixas para serem aproveitadas ao longo dos anos pela gravadora. Praticamente uma semana inteira de sessão, com mais de 30 canções selecionadas. Pelas condições do cantor porém isso não foi possível. Elvis compareceu a poucas noites das gravações programadas e depois de gravar poucas faixas desapareceu da RCA. Realmente algo a se lamentar. O que sobrou foi pouco mais de uma dezena de faixas, nenhuma delas particularmente brilhante ou clássica. Claro que existem boas músicas, mas vamos convir que nenhuma delas consegue figurar entre seus grandes momentos na carreira.

O CD FTD "Raised On Rock" assim resgata o disco original e de bônus traz uma série de takes alternativos dessa mesma sessão. Além das novas versões há um ensaio de uma música que Elvis jamais gravou em estúdio, "It's Different Now". Duas outras faixas são apenas instrumentais, "The Wonders You Perform" e "Good, Bad But Beautiful". Como Elvis não apareceu em determinadas noites de sessão o produtor Felton Jarvis achou por bem gravar a parte da TCB Band para quem sabe depois o próprio Elvis dar o ar de sua graça para gravar seus vocais. Isso nunca aconteceu, infelizmente. Como eu escrevi foram tempos complicados para o cantor. Agenda lotada, depressão, crise emocional e tristeza profunda formaram um quadro nada adequado para quem precisava cumprir longos compromissos de estúdio. Na verdade apenas com muita força de vontade foi que Presley conseguiu se levantar da cama para aparecer por poucos dias ao lado de seu grupo e do produtor nos estúdios da RCA Victor. Como se trata de uma sessão recente da carreira de Elvis grande parte dos registros foram preservados. Assim, apesar de tudo, o que temos aqui é inegavelmente um bom registro de resgate de um dos momentos mais delicados da vida pessoal do grande astro. Uma forma de entender, mesmo que de maneira indireta, todo o drama particular pelo qual ele passava naquele momento em sua vida.

FTD RAISED ON ROCK! (2007) - FTD Raised On Rock -  CD01: The Original Album Raised On Rock / Are You Sincere / Find Out What's Happening / I Miss You / Girl Of Mine / For Ol' Times Sake / If You Don't Come Back / Just A Little Bit / Sweet Angeline / Three Corn Patches / Session Highlights  I Miss You (Takes 10,11 composite) Find Out What's happening (Take 6) It's Different Now (Rehearsal) Three Corn Patches (Takes 1,2) If You Don't Come Back (Take 5) Girl Of Mine (Take 9) I Miss You (Take 5) Three Corn Patches (Takes 13,14) Are You Sincere (Take 2) Find Out What's Happening (Takes 8,7composite) For Ol' Times Sake (Take 4) Instrumental Tracks Color My Rainbow / Sweet Angeline. CD 02: Rough Mixes For Ol' Times Sake/ If You Don't Come Back / Find Out What's Happening / Raised On Rock / Three Corn Patches / Just A Little Bit (Including FS) Session Outtakes: If You Don't Come Back (Takes 1,2,3) I Miss You (Take 1) Girl Of Mine (Take 1) Find Out What's Happening (Takes 1,2,4,5) Three Corn Patches (Takes 4,5,6) For Ol' Times Sake (Takes 5,6,7) I Miss You (Take 10) If You Don't Come Back (Takes 8,6) Find Our What's Happening (Takes 8,7) Are You Sincere (Take 1) Girl Of Mine (Takes 3,4,5,6) Three Corn Patches (Takes 9,10) I Miss You (Takes 12,13,14,15) Instrumental Tracks: The Wonders You Perform / Good, Bad But Beautiful.

Pablo Aluísio. 

sábado, 30 de maio de 2015

Os Profissionais

Título no Brasil: Os Profissionais
Título Original: The Professionals
Ano de Produção: 1966
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Richard Brooks
Roteiro: Frank O'Rourke, Richard Brooks
Elenco: Burt Lancaster, Lee Marvin, Jack Palance, Claudia Cardinale, Robert Ryan
  
Sinopse:
O milionário JW Grant (Ralph Bellamy) resolve contratar o veterano S. Fardan (Lee Marvin) para encontrar sua esposa, Maria (Claudia Cardinale) que foi sequestrada pelo bandido e revolucionário mexicano Jesus Raza (Jack Palance). Fardan assim forma seu grupo, chamando para integrá-lo o especialista em explosivos Johnny Dolworth (Burt Lancaster). Definitivamente não será um trabalho dos mais fáceis, uma vez que Raza conta com um numeroso grupo de bandoleiros ao seu lado, mais de 150 bandidos fortemente armados. Entrar em seu território no México para resgatar a esposa de Grant e sair de lá vivo exigirá muita coragem e bravura por parte de Fardan e seu grupo de bravos homens.

Comentários:
Um dos grandes clássicos do Western americano, "Os Profissionais" foi um grande sucesso de público e crítica. Indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Direção, Roteiro e Fotografia e ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Drama e Melhor Revelação Feminina (Marie Gomez), o filme continua sendo um exemplo perfeito de ação, aventura e roteiro bem escrito. A trama em um primeiro momento pode parecer até simples. O grupo liderado por Lee Marvin é contratado para encontrar a mulher de um figurão americano, um sujeito muito rico que afirma que ela fora sequestrada pelo líder revolucionário e criminoso Raza. A questão é que há algo de errado com toda a história contada por ele, como bem deduz Dolworth (Lancaster). Mesmo assim eles topam o desafio, até porque o milionário lhes oferece dez mil dólares por cabeça caso eles consigam trazer de volta a jovem sã e salva aos Estados Unidos. A partir daí os quatro membros do grupo de Marvin vão até o México enfrentar centenas de bandidos armados até os dentes! Improvável o resgate? Bom, com um pouco de inteligência e sabendo jogar bem os dados certos até que não será algo impossível de fazer. Além da excelente direção do veterano cineasta Richard Brooks, esse faroeste conta com um elenco muito bom. Lee Marvin repete seu eterno papel de durão, um sujeito de poucas palavras, mas muito bom naquilo que se propõe a fazer. Ele tem um objetivo a cumprir e nada o fará parar. Burt Lancaster dá vida a um especialista em dinamite, um cowboy que nas horas vagas se dedica a tudo aquilo que mais gosta: jogo de cartas, whisky e mulheres, não necessariamente nessa ordem. Alguns de seus diálogos, cheios de ironias e uma visão cínica da vida, formam um dos melhores aspectos de todo o filme. Jack Palance está ótimo como o bandoleiro Jesus Raza. Com bigodes à la Josef Stálin, o ator encontrou um vilão bem de acordo com sua já tão conhecida personalidade nas telas. Por fim há a beleza de Claudia Cardinale. Provavelmente foi uma das atrizes mais bonitas da história do cinema. Aqui ela precisa desfilar não apenas sua bela estética, mas também convencer na pele de uma mulher que acreditava plenamente em seus próprios ideais. Com tantos pontos a favor não é de se admirar que "The Professionals" seja mesmo um dos melhores faroestes da década de 1960. Simplesmente Imperdível.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Vida Privada

Título no Brasil: Vida Privada
Título Original: Vie privée
Ano de Produção: 1962
País: França, Itália
Estúdio: CCM, CIPRA
Direção: Louis Malle
Roteiro: Jean-Paul Rappeneau, Louis Malle
Elenco: Brigitte Bardot, Marcello Mastroianni, Nicolas Bataille
  
Sinopse:
Jill (Brigitte Bardot) é uma jovem dondoca que mora com a mãe em uma bela propriedade em Genebra, na Suíça. Sua vida despreocupada e sem maiores problemas vira de cabeça para baixo quando começa a perceber que está ficando apaixonada pelo novo namorado de sua mãe, o editor de revistas de moda Fabio Rinaldi (Marcello Mastroianni). Tentando superar essa paixão Jill decide se mudar para Paris para viver como modelo. Seu êxito no mundo da moda acaba abrindo as portas para a carreira de atriz de cinema. Em pouco tempo ela acaba virando um mito de popularidade da indústria cinematográfica francesa. O sucesso  porém não ameniza o fato de ainda sentir-se muito atraída por Rinaldi, uma situação que a acaba jogando em uma terrível crise existencial e emocional.

Comentários:
Brigitte Bardot foi um dos maiores símbolos sexuais do cinema internacional na década de 60. Considerada uma das atrizes mais belas da história ela, assim como a personagem que interpreta nesse filme, acabou virando um ícone de seu tempo. O cineasta Louis Malle acabou assim escrevendo um roteiro que era de certa maneira uma biografia romanceada da estrela. Uma maneira de entender seu sucesso e fama incomparáveis. Tirando a parte em que Jill se apaixona perdidamente por um homem mais velho que se relaciona com sua mãe, todo o resto do filme mais parece ser um documentário sobre a vida de Bardot naquela época. Inclusive Malle resolveu adotar um certo tom documental em seu filme, fazendo com que BB passeasse pelas ruas de Paris para filmar a reação das pessoas ao encontrá-la, da forma mais espontânea possível. Assim tudo o que se vê nessas cenas é a pura realidade, onde a estrela caminha pelos cartões postais da cidade-luz ao mesmo tempo em que atende a centenas de pedidos de autógrafos dos fãs, que obviamente vão ficando histéricos com a oportunidade de a conhecer pessoalmente. Para os jovens de hoje em dia a linguagem de "Vie privée" pode soar um pouco fora dos padrões, nada convencional. Malle optou por grandes saltos narrativos e cortes que parecem abruptos na edição. Não, não é um defeito do filme, mas sim uma característica da linguagem narrativa daquela época. Dessa forma deixo a dica para conhecer esse pouco comentado filme de Bardot, onde ela desfila toda aquela beleza deslumbrante de sua juventude. Um filme cult e visualmente muito agradável.

Pablo Aluísio.

Jardins de Pedra / Bullet

Jardins de Pedra                      
Depois do fim da Guerra do Vietnã os americanos procuraram exorcizar os traumas desse que foi seguramente o conflito mais desastroso de sua história recente. Assim o cinema acabou cumprindo de certa maneira essa função, usando a obra cinematográfica como terapia coletiva do desastre daquela nação. Muitos filmes foram realizados tendo como tema central o Vietnã, principalmente na década de 1980, período em que as melhores produções sobre o assunto foram realizadas. Em "Jardins de Pedra" o aclamado diretor Francis Ford Coppola procurou mudar o ponto de vista, o foco sobre o tema. Ao invés de mostrar o drama dos militares americanos no meio das selvas do sudeste asiático ele optou por mostrar o outro lado da guerra, a dos corpos de jovens americanos sendo enviados de volta para casa, para serem sepultados em cemitérios militares, com toda a pompa e cerimônia a que tinham direito. Esse é o enfoque desse roteiro que sempre considerei um dos mais criativos e reveladores sobre o conflito que ceifou muitas vidas, todas elas em vão, lamento dizer. Coppola, com muita sensibilidade, captou muito bem esse aspecto pouco visto e pouco lembrado de uma matança em grande escala como aquela. Assim desfilam pela tela todos os dramas das famílias, dos entes queridos e também dos encarregados desses enterros. Afinal  imagine ter que trabalhar eternamente em luto, enterrando dezenas de seus companheiros de armas todos os dias, sem trégua ou descanso. É um excelente filme, mas não ousaria dizer que é uma obra fácil, para todos os gostos. Talvez por isso tenha fracassado comercialmente em seu lançamento. Para o público americano já era complicado lidar com a derrota americana no Vietnã, agora entenda como era bem pior ter que assistir o enterro dos seus soldados. É de fato um filme para um tipo de espectador mais refinado, específico. Sua grande lição é a de que em uma guerra estatísticas não podem ser encaradas como mera matemática, mas sim com humanidade, pois todos aqueles números representam na verdade pessoas que perderam suas vidas em combate. / Jardins de Pedra (Gardens of Stone, EUA, 1987) Direção: Francis Ford Coppola / Roteiro: Nicholas Proffitt, Ronald Bass / Elenco: James Caan, Anjelica Huston, James Earl Jones, Dean Stockwell, Mary Stuart Masterson.

Bullet
O ator Mickey Rourke passou por um período muito ruim em sua carreira durante a década de 1990. Depois de um começo promissor e recheado de pequenos e grandes clássicos como "O Selvagem da Motocicleta" e "Coração Satânico", um ainda jovem Rourke começou a brigar com produtores, diretores e executivos dos grandes estúdios. O resultado dessa sua rebeldia foi o ostracismo. Ele não foi mais escalado para nenhum grande filme, nenhuma produção milionária. Os produtores não confiavam mais nele e seu histórico de confusões nos set de filmagens jogaram sua carreira no fundo do poço. Durante quase uma década Rourke teve que se contentar em aparecer em pequenas produções independentes, sendo que muitas delas mal conseguiam espaço de exibição no circuito comercial. Esse "Bullet" é um exemplo típico do tipo de filme que Rourke teve que fazer para sobreviver. É um filme de baixo orçamento com roteiro escrito pelo próprio Mickey Rourke (que o assinou usando o estranho pseudônimo de Sir Eddie Cook!). É um daqueles policiais genéricos que não conseguem se sobressair do lugar comum do que era feito naqueles anos. Tudo bem básico e sem maiores novidades. Hoje em dia o filme ganhou um status cult impensável em seu lançamento. A razão de ser é até fácil de explicar pois o elenco traz o famoso rapper Tupac Shakur que seria assassinado naquele mesmo ano, o que contribuiria ainda mais para transformar seu nome em mito para os fãs de seu estilo musical. Shakur era amigo pessoal de Rourke e fez o filme quase como um favor pessoal para ele. Seu personagem não tem absolutamente nada demais, mas sua simples presença já vale o interesse, principalmente em relação aos seus fãs, que definitivamente não são poucos ao redor do mundo. Afinal de contas ele apareceu em apenas 10 filmes ao longo de sua vida e esse foi um dos seus últimos momentos no mundo do cinema. / Bullet (Bullet, EUA, 1996) Direção: Julien Temple / Roteiro: Mickey Rourke (como 'Sir' Eddie Cook) , Bruce Rubenstein / Elenco: Mickey Rourke, Frank Senger, Adrien Brody, Tupac Shakur.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - FTD Elvis 6363 Sunset

FTD Elvis 6363 Sunset
Vamos dar prosseguimento nas breves análises dos CDs da coleção FTD. Esse aqui em especial pode ser qualificado como um dos melhores já lançados. Na época de seu lançamento escrevi uma extensa matéria sobre ele. De fato é material de primeira qualidade, capturando Elvis em um momento particularmente inspirado de sua carreira. Se formos pensar bem Elvis teve dois grandes picos em sua trajetória artística. O primeiro começou em 1956 e se prolongou até sua ida ao exército americano em fins dos anos 50.

O segundo vai de 1969 (quando ele retorna aos estúdios em Memphis para uma sessão maravilhosa) até 1973 (com o Aloha From Hawaii que marca o auge de seu momento popstar). Pois bem, em 1972 Elvis realizou muitos concertos, fez boas temporadas em Las Vegas, gravou um longa-metragem "Elvis on Tour" e voltou aos braços de seu público. Era um momento de grande euforia. Nesse CD "FTD Elvis 6363 Sunset" temos um registro desse momento de pique e euforia. Elvis, com agenda lotada, teve que se desdobrar para dar conta de tantos compromissos. Para isso era necessário também muitos ensaios com sua banda, para que quando estivessem em turnê ou nos estúdios tudo estivesse em ordem. A seleção musical é acima da média, com Elvis cantando um repertório simplesmente fantástico, a espinha dorsal do que ele vinha apresentando de melhor naqueles anos agitados.

O CD pode ser dividido em três grandes partes. As portas se abrem com takes do álbum "Elvis" que seria lançado em 1973. Esse disco é mais conhecido nos Estados Unidos como "The Fool Album" por causa da faixa "Fool" que abria o lado A do álbum original em vinil. É uma colcha de retalhos sonora que ganhou status cult com o passar dos anos. Na segunda parte ouvimos Elvis em pleno ensaio de seus trabalhos no filme "Elvis On Tour". Material muito bom, apesar de ser em essência momentos de ensaios e até descontração do cantor com a TCB Band. A terceira e última parte é composta por takes alternativos e inéditos das gravações do disco "Elvis Today". Coisa fina.

A audição assim se torna extremamente prazerosa e gratificante. Entre os destaques é bom citar as versões deslumbrantes de belas canções como "Always on My Mind" (que só faria sucesso de verdade após a morte de Elvis), "Burning Love" (o clássico roqueiro temporão de sua carreira), "Green Green Grass of Home" (uma das mais evocativas músicas nostálgicas de sua discografia) e "And I Love You So" (bela música romântica, uma de suas mais intimistas performances em estúdio). Assim, embora um pouco ultrapassado hoje em dia tendo em vista lançamentos posteriores bem mais completos, o fato é que o CD "Elvis 6363 Sunset" ainda se mantém como uma bela pedida para os fãs. Um item que não fará feio em sua coleção.

FTD Elvis 6363 Sunset - Always on My Mind (take 3) Burning Love (take 2) For the Good Times (take 3) Where Do I Go from Here? (take 6) Fool (take 1) It's a Matter of Time (alt.) See See Rider (1972/03/31 rehearsal) Until It's Time for You to Go (1972/03/31 rehearsal) A Big Hunk o' Love (1972/03/31 rehearsal) All Shook Up (1972/03/31 rehearsal) Heartbreak Hotel (1972/03/31 rehearsal) Teddy Bear (1972/03/31 rehearsal ) Don't Be Cruel (1972/03/31 rehearsal) Can't Help Falling in Love (1972/03/31 rehearsal) Green Green Grass of Home (take 2-3) Susan When She Tried (take 1-2) And I Love You So (take 1) Bringin' It Back (take 2-3) T-R-O-U-B-L-E (take 1) Shake a Hand (take 2).

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

DUFF: Você Conhece, Tem ou É!

Título no Brasil: DUFF: Você Conhece, Tem ou É!
Título Original: The DUFF
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: CBS Films
Direção: Ari Sandel
Roteiro: Josh A. Cagan, Kody Keplinger
Elenco: Mae Whitman, Bella Thorne, Robbie Amell
  
Sinopse:
Bianca Piper (Mae Whitman) é um colegial que nunca se sentiu muito bem consigo mesma. Ela tem gostos diferentes, como velhos filmes de terror, além de jamais ter sido uma garota popular no colégio. Sua vida muda depois que um vizinho e amigo, Wesley 'Wes' Rush (Robbie Amell), resolve abrir o jogo e dizer na cara dela que ela não passaria de uma DUFF na escola. Essa é um gíria entre os jovens americanos para designar aquela típica garota que não é muito bonita (para não dizer feia) e que só anda acompanhada de suas amigas gatas, essas sim as populares entre a turma. Assim tudo em sua vida escolar, as amizades, os conhecidos, seu status pessoal, tudo giraria apenas em torno de suas amigas bonitas e desejadas e não dela própria. Depois que toma consciência disso sua vida começa finalmente a mudar.

Comentários:
Filmes sobre adolescentes se tornaram febre na década de 1980. Depois, aos poucos, esse tipo de produção foi sumindo de cartaz. A boa notícia é que esse "The DUFF" é bem legal, bem escrito e provavelmente vai agradar aos mais jovens. A protagonista é uma DUFF, uma garota considerada feinha se comparada com suas amigas, todas lindas e maravilhosas. Ela assim serviria, na maioria das vezes, apenas como um meio para que os caras conseguissem chegar junto de suas amigas. Uma ponte, alguém mais acessível, vamos colocar desse modo. Dessa forma todos os seus supostos amigos e conhecidos só estariam interessados de verdade em suas amigas bonitas e não nela! Afinal de contas todos estão atrás das populares e não das DUFFs. Quando Bianca começa a perceber esse seu verdadeiro status dentro da escola, ela resolve mudar tudo. Rompe com suas amigas gostosas e começa a tentar impor sua própria personalidade, por si mesma. Ela tem um amor platônico por um carinha que gosta de tocar violão e cantar, mas fica tão nervosa na presença dele que mal consegue falar duas palavras. Seu vizinho Wes tenta então ajudar a amiga, mas ela aos poucos vai entendendo melhor sua cabeça e descobre que está apaixonada pela pessoa errada. O filme é estrelado pela talentosa atriz Mae Whitman. Se você curte séries rapidamente vai reconhecê-la por causa de seu personagem Amber Holt em "Parenthood". Se na série ela interpretava uma jovem que via seus sonhos fracassarem após ser recusada nas universidades onde queria estudar, aqui ela acaba dando vida a uma papel bem mais humorístico, embora esse filme não possa ser considerado apenas uma comédia adolescente. Há boas sacadas e diálogos espertos que valorizam bastante a produção como um todo. Dessa nova safra de filmes nesse estilo é sem dúvida um dos melhores. Inteligente e criativo, cumpre todas as suas promessas, embora você obviamente vá encontrar alguns clichês pelo meio do caminho. Releve isso tudo e procure apenas se divertir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.


Uma Longa Jornada

Título no Brasil: Uma Longa Jornada
Título Original: The Longest Ride
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: George Tillman Jr
Roteiro: Nicholas Sparks, Craig Bolotin
Elenco: Scott Eastwood, Britt Robertson, Alan Alda
  
Sinopse:
Sophia (Robertson) e Luke (Eastwood) não poderiam ser mais diferentes. Ele é um cowboy de rodeios, nascido e criado no estado rural de North Carolina, um sujeito que deseja ser o maior campeão de montarias de touros bravos de sua região. Ela é uma garota universitária e estudiosa de New Jersey que sonha em ir para Nova Iorque para trabalhar no ramo que mais ama, a das artes plásticas. Mesmo sendo tão diferentes entre si, assim que se encontram surge uma atração irresistível entre eles. Um caso de amor como nos velhos tempos.

Comentários:
Filme romântico que aposta na máxima de que os opostos se atraem. Se isso vale para as leis do universo certamente vale também para os relacionamentos humanos. Sophia é uma jovem sofisticada que adora artes e deseja ter uma carreira em Nova Iorque. Luke é um sujeito rústico, que vive de rodeio em rodeio, um cowboy dos tempos modernos. Nem precisa explicar que o rapaz é meio chucro, um matutão mesmo. Pessoas tão diferentes assim poderiam dar certo juntos? O filme não se contenta em contar apenas uma história de amor, mas duas. Isso acontece porque quando retornam de seu primeiro encontro Sophia e Luke acabam salvando um senhor idoso da morte no meio da estrada. Seu carro havia perdido a direção e ele estava prestes a morrer após o acidente. Após salvar sua vida, Sophia começa a se interessar pela história do senhor e assim através de flashbacks o roteiro volta ao passado para mostrar como ele teria conhecida sua esposa na década de 1940, os primeiros encontros, o namoro e as dificuldades de um casamento problemático pelo fato deles não poderem ter filhos. Ao mesmo tempo em que vai lendo as antigas cartas de amor de Ira (em boa atuação do ator veterano Alan Alda) ela vai tentando se acertar com seu namorado vaqueiro. No geral se trata de um bom romance, valorizado por uma trilha sonora com muita country music. Talvez seu único grande defeito seja a excessiva duração. Como precisa contar duas histórias de amor ao mesmo tempo a coisa toda acaba ficando um pouco alongada demais. Além disso a história do senhor Ira nem é tão interessante assim para se perder tanto tempo. Um corte mais enxuto faria muito bem ao filme como um todo. Mesmo assim não chega a se tornar enfadonho, tedioso ou nada parecido. No fundo é uma boa fita romântica para se assistir ao lado da namorada, entre beijinhos e pipoca. Vale pela diversão e pelos bons momentos a dois.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Golpe Duplo

Título no Brasil: Golpe Duplo
Título Original: Focus
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos, Argentina
Estúdio: Warner Bros
Direção: Glenn Ficarra, John Requa
Roteiro: Glenn Ficarra, John Requa
Elenco: Will Smith, Margot Robbie, Rodrigo Santoro
  
Sinopse:
Nicky (Smith) é um sujeito que vive de aplicar golpes nos desavisados. Geralmente usando de grande astúcia e esperteza, ele engana quem cruzar com seu caminho. Assim acaba formando seu próprio grupo de criminosos cujo objetivo é obter a maior quantia possível, seja em furtos, seja com estelionatos. Casualmente acaba conhecendo a linda Jess (Margot Robbie) que deseja aprender seus truques. A relação que começa como mentor e pupila logo vira algo mais, despertando uma grande paixão entre eles, que só cresce entre um novo golpe e outro. Isso porém deve ser deixado em segundo plano na visão de Nicky, uma vez que o mais importante mesmo é manter o foco na próxima jogada ilegal.

Comentários:
Em um primeiro momento parece ser mais um daqueles filmes de ação genéricos que o ator Will Smith vem estrelando nos últimos anos. Assim que começa o filme porém você começa a perceber que existem algumas novidades. Uma delas é uma bem selecionada trilha sonora, cheia de clássicos de rock e da black music. Depois vamos percebendo que o roteiro, apesar de lidar com um casal de vigaristas que vivem de golpes, possui um argumento bem romântico, mais do que poderíamos esperar. Will Smith parece preocupado em trazer uma certa sofisticação e classe para seu personagem, embora ele seja, como já escrevi, um criminoso. A relação amorosa de seu personagem com Jess (Margot Robbie) é outro ponto que chama atenção pelo destaque que ganha ao longo da trama. O que parece ser um flerte habitual acaba ganhando dimensões de grande paixão, amor verdadeiro, por mais estranho que isso possa parecer em um filme como esse. A atriz Margot Robbie é inegavelmente muito bonita e sensual e ganha mais pontos ainda nesse aspecto ao desfilar na tela usando um figurino desenhado por figurões do mundo da moda. O conjunto certamente acaba se tornando um colírio para os nossos olhos. Curiosamente um dos vilões (se é que podemos dividir os personagens entre mocinhos e vilões, já que todos caminham pelo fio da navalha da criminalidade) é interpretado pelo ator brasileiro Rodrigo Santoro. Ele é dono de uma escuderia de Fórmula 1 que pretende destruir os concorrentes, mas não nas pistas, como era de se imaginar, mas sim usando Nicky (Smith) para lhes passar um aplicativo falso. Santoro até que se sai bem, mesmo com um personagem meio vazio e unidimensional que não abre margem a maiores pretensões nesse sentido. De certa maneira não há muito o que falar sobre ele, a ponto inclusive do roteiro não explicar sequer se seu personagem é brasileiro ou argentino (grande parte do segundo ato do filme se passa em Buenos Aires). Por falar nisso o roteiro se divide em dois arcos narrativos bem delimitados. No primeiro, passado nos Estados Unidos, o personagem de Will Smith conhece e se apaixona por Jess (Robbie). Ela é uma loira bonita que vive de dar pequenos golpes, como a do "marido traído". No segundo ato, todo rodado na Argentina, já após uma breve separação, ele a reencontra na terra dos hermanos. Ambos estariam envolvidos mais uma vez em golpes. Por fim e não menos importante é bom salientar que o roteiro traz algumas situações que não consegui digerir, por serem pouco críveis. Entre elas a mais absurda acontece em um jogo de futebol americano, quando Will começa uma insana rodada de apostas com um milionário oriental - só vendo para crer mesmo! Então é isso, "Focus" é um filme de ação certamente, mas Will procura de todas as maneiras injetar um certo grau de sofisticação em cada cena, tal como fazia no passado o grande Steve McQueen em algumas produções de sua filmografia. Funcionou? Em termos. Não é uma maravilha cinematográfica, mas também consegue escapar de ser apenas mais um filme de ação derivativo e sem novidades.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Grace - A Princesa de Mônaco

Título no Brasil: Grace - A Princesa de Mônaco
Título Original: Grace of Monaco
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos, França, Bélgica, Itália, Suíça
Estúdio: Stone Angels
Direção: Olivier Dahan
Roteiro: Arash Amel
Elenco: Nicole Kidman, Frank Langella,Tim Roth, André Penvern
  
Sinopse:
O filme narra a história da famosa atriz e estrela de Hollywood Grace Kelly (Nicole Kidman). Em meados dos anos 1950 ela decidiu abandonar uma bem sucedida carreira no cinema americano para se casar com o príncipe Rainier III, de Mônaco. Suas convicções pessoais em viver um verdadeiro conto de fadas porém logo ficam abaladas quando o aclamado diretor Alfred Hitchcock a procura novamente para que ela faça parte de seu novo filme, "Marnie". Será que Grace deixaria sua vida de princesa para retomar sua vida de estrela nos Estados Unidos? Filme baseado em fatos reais.

Comentários:
Quando Nicole Kidman foi anunciada para viver Grace Kelly no cinema particularmente criamos boas expectativas, afinal de contas sempre consideramos Kidman uma espécie de sucessora do charme e glamour da princesa Grace. Esse roteiro vinha há tempos rodando em Hollywood e nenhum grande estúdio parecia interessado em o levar para as telas. O que desanimava os produtores eram os altos custos envolvidos e o fato de que o nome de Grace Kelly hoje em dia já não é mais tão conhecido entre o público jovem (que é o maior consumidor de cinema mundo afora). Assim, com bastante luta e força de vontade, se conseguiu investimento na Europa e o filme finalmente pôde ser realizado. Ao custo de 30 milhões de dólares (um orçamento considerado bem enxuto em termos de Hollywood) e com Kidman no papel principal tudo parecia bem promissor. A produção acabou inclusive abrindo o Festival de Cannes em 2014. O problema é que apesar de toda a boa vontade temos que reconhecer que o resultado final é bem fraco, abaixo das expectativas. O roteiro se concentra em um período bem delimitado da vida da atriz, exatamente alguns anos após ela abandonar sua carreira. Seus filhos já estão um pouco crescidos e ela começa a se sentir frustrada com a vida que leva. Ser dona de casa com dois filhos pequenos para criar pode certamente deixar um sentimento bem decepcionante para uma mulher como ela, que viveu as glórias da fama. Para piorar o próprio principado de Mônaco vivia momentos turbulentos, causados pelos constantes atritos com a França. Grace assim tinha que conciliar suas obrigações como mãe e esposa com a vontade de protagonizar um retorno à Hollywood pelas mãos de Alfred Hitchcock e acima de tudo apoiar o marido em sua crise política com os franceses. O maior pecado desse filme é que ele se mostra polido e tímido demais ao contar sua história. A crua verdade é que após alguns anos casada com o príncipe, Grace Kelly começou a afundar em uma grande depressão e decepção com o que sua vida havia se transformado. Embora gostasse de Rainier ela nunca o amou de verdade. Foi mais um impulso para se tornar uma princesa e viver dias de nobreza na Europa do que qualquer outra coisa. Depois que vieram os filhos, ela acabou ficando presa nessa gaiola de ouro, que apesar da riqueza e luxo não deixava de ser uma gaiola. As coisas foram melancolicamente seguindo em frente até sua morte trágica em um acidente de carro (que o filme solenemente resolveu ignorar). Assim no final chegamos na conclusão de que além de medroso e fraco, o filme também perdeu a chance de contar uma grande história. O mito de Grace Kelly certamente merecia algo melhor.

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Contra o Sol

Título no Brasil: Contra o Sol
Título Original: Against the Sun
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: American Film Company
Direção: Brian Falk
Roteiro: Brian Falk, Mark David Keegan
Elenco: Tom Felton, Garret Dillahunt, Jake Abel
  
Sinopse:
Baseado em fatos reais, o filme narra a história de três tripulantes de um avião militar americano durante a Segunda Guerra Mundial. Após perder a rota em que estavam, descobrem que estão completamente perdidos bem no meio da imensidão do Oceano Pacífico. Algumas horas depois finalmente acaba o combustível e a aeronave faz um pouso forçado na água. Assim ficam à deriva os três militares, sem água, comida ou esperança de resgate. Um jogo de sobrevivência começa para testar todos os limites do ser humano.

Comentários:
Muito boa essa reconstituição de um fato real ocorrido durante a guerra. Imagine três aviadores totalmente perdidos, tentando sobreviver em um pequeno bote, bem no meio do Oceano Pacífico. Não existe água potável, comida e nem qualquer sinal de civilização por perto. No começo os três tentam de todas as formas sobreviver e acabam tendo muita sorte, com a ajuda providencial da própria natureza. Passam dias sem água, mas felizmente numa noite finalmente são abençoados com a chuva para os livrar de uma morte certa. Depois tentam pescar, algo muito complicado de se fazer, pois eles não tinham os meios adequados para isso. Para piorar o pequeno bote, que acaba virando uma verdadeira cápsula de sobrevivência, começa a ser cercado por centenas de tubarões famintos. O roteiro é muito bom, não deixando o filme cair em um marasmo, o que seria de se esperar em um enredo que se passa totalmente dentro de um pequeno bote à deriva no mar, com três homens dentro. Lá eles acabam passando por um teste brutal de superação, mostrando que o ser humano consegue superar qualquer limite, desde que haja a devida força de vontade e a garra necessária para se vencer. Em termos de elenco o nome mais conhecido do grande público é o de Tom Felton, o Draco Malfoy da série "Harry Potter". Outro que se destaca é Garret Dillahunt, como o capitão do avião. Dentro do pequeno bote ele precisa manter a moral de seus homens alta, para evitar que todos caiam no desespero. Seus esforços nesse sentido são essenciais, como a confecção de um mapa praticamente imaginário com a rota que os levará para a ilha mais próxima! Enfim, uma produção muito boa para levantar e fortalecer sua capacidade de superação em momentos complicados da vida.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Calvário

Título no Brasil: Calvário
Título Original: Calvary
Ano de Produção: 2014
País: Inglaterra, Irlanda
Estúdio: Reprisal Films, Octagon Films
Direção: John Michael McDonagh
Roteiro: John Michael McDonagh
Elenco: Brendan Gleeson, Chris O'Dowd, Kelly Reilly
  
Sinopse:
Após se tornar viúvo, James Lavelle (Brendan Gleeson) decide seguir uma velha vocação e se torna Padre. Depois de ordenado é enviado para um pequeno vilarejo na costa da Irlanda. Sua missão evangelizadora não se torna nada fácil naquele lugar. As pessoas da região não estão mais dispostas a serem religiosas e alguns o tratam até mesmo com hostilidade. Mesmo assim o velho Padre James segue em frente com todas as dificuldades. As coisas porém saem do controle quando, em uma confissão, um homem lhe avisa que irá matá-lo em uma semana pois teria sido vítima de abuso quando era uma criança. O autor do crime teria sido um Padre. Agora ele deseja se vingar da Igreja, matando o Padre James, mesmo que ele nada tenha a ver com o que aconteceu no passado. Filme vencedor de diversos prêmios entre eles o Berlin International Film Festival, British Independent Film Awards, European Film Awards e ASCAP Film and Television Music Awards.

Comentários:
Grande filme. Seu roteiro toca em muitas questões importantes. A mais relevante delas é a crise de fé que vive a Europa nos tempos atuais. O roteiro acompanha os esforços, muitas vezes em vão, desse sacerdote católico em reviver a crença dos moradores de uma pequena vila na Irlanda (um dos países europeus mais tradicionais na fé católica). Seu rebanho é desanimador. Poucos ainda cultivam a fé e muitos levam uma vida desregrada, sem o menor sinal de arrependimento por isso. Há uma esposa que trai o marido ostensivamente e se orgulha disso, um médico ateu sempre pronto a zombar das crenças do Padre James e um sujeito perturbado, que deseja se matar por não encontrar mais nenhuma razão para continuar em frente com sua vida. Há ainda um rico financista que mora na cidade que está disposto a ajudar a Igreja, doando bastante dinheiro para a paróquia. Ele porém é um ser espiritualmente vazio, que pouco se importa com o caráter ilegal de seus atos no mercado financeiro. Como se tudo isso não fosse ruim o bastante, o Padre ainda precisa lidar com um sujeito que o ameaça constantemente e que deseja matá-lo em uma semana. O roteiro assim mostra justamente os sete dias dessa semana que antecede o encontro do Padre com o sujeito que o está ameaçando de morte. O que há por baixo de todo esse enredo é um retrato realmente devastador da falta de fé de certas regiões da Europa atualmente. Como se sabe a fé cristã passa por um momento delicado naquele continente, principalmente por causa do avanço do ateísmo entre a população mais jovem. Assim se torna cada vez mais complicado levar uma missão de fé e evangelização em lugares onde a palavra do Cristo já não é mais tão aceita e acolhida como antigamente. O próprio Padre James (interpretado de forma maravilhosa pelo ator veterano Brendan Gleeson) também em certo momento já não parece mais tão disposto em lutar contra toda essa situação. O cinismo e a falta de respeito dominante com que suas pregações são recebidas começam a minar sua força de vontade e energia. Até mesmo quando dá a extrema-unção a um homem que está prestes a morrer ele vira alvo de piadas do médico ateu e sarcástico que trabalha no hospital local. Uma lástima completa. Em suma, um belo retrato, embora triste, da questão religiosa nos tempos em que vivemos. Para assistir e refletir depois sobre toda essa situação desanimadora.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

O Mundo em Seus Braços

Título no Brasil: O Mundo em Seus Braços
Título Original: The World in His Arms
Ano de Produção: 1952
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Raoul Walsh
Roteiro: Borden Chase, Horace McCoy
Elenco: Gregory Peck, Ann Blyth, Anthony Quinn
  
Sinopse:
O Capitão Jonathan Clark (Gregory Peck) lidera uma tripulação de veleiros que realiza viagens periódicas até o distante Alaska. O objetivo é trazer novas cargas de peles de focas para serem vendidas nas grandes cidades americanas. De volta a San Francisco ele resolve se hospedar em um hotel chique e luxuoso. Sua intenção é vender sua carga e aproveitar seus dias de folga com muitas festas, bebidas e mulheres. Nesse ínterim é procurado por uma condessa russa, Marina Selanova (Ann Blyth), que deseja contratar seus serviços para viajar até o Alaska, onde seu tio é governador. Clark não se anima muito com a ideia, afinal de contas ele detesta russos em geral. O que ele definitivamente não contava era se apaixonar perdidamente pela amável e linda nobre.

Comentários:
Aventura com doses de humor marcam esse "The World in His Arms". O diretor Raoul Walsh obviamente se inspirou nos antigos filmes de Michael Curtiz, estrelados pelo astro Errol Flynn, para criar sua obra. O contexto histórico vai até o século XVIII, quando os Estados Unidos começavam a pensar seriamente em comprar o vasto território do Alaska da Rússia Czarista. O personagem interpretado por Gregory Peck é um americano que vai até lá para caçar e depois vender as peles das focas no continente. Isso claro o coloca em confronto com autoridades russas que ainda dominavam a região. O roteiro porém não tem muita preocupação em ser historicamente correto. Ao invés disso aposta mesmo no romance do capitão com a condessa. Ela é interpretada pela linda atriz Ann Blyth que havia se destacado em filmes como "Alma em Suplício" (1945), "Mildred Pierce" (também de 1945, quando arrancou uma indicação ao Oscar) e "O Grande Caruso" (1951). Ann era inegavelmente talentosa, mas aqui com forte maquiagem, só consegue mesmo ser um bibelô de luxo na tela. Já Peck passa por um sufoco para não ser ofuscado pela vigorosa interpretação de Anthony Quinn. Ele interpreta um navegador português, falastrão e expansivo, que vira e mexe tenta passar a perna no personagem de Gregory Peck. A personalidade do personagem de Quinn acaba sendo uma das coisas mais divertidas do filme, principalmente quando solta algumas palavras em nosso idioma, tudo claro com aquele sotaque macarrônico que torna tudo ainda mais engraçado. A produção é boa, com cenas gravadas usando o sistema de Back Projection, ou seja, os atores atuavam em estúdio, com cenas do Alaska sendo projetadas em uma tela atrás deles. Na época isso era bem comum, até porque levar toda uma equipe de filmagem até aquela região distante e fria seria impensável. Enfim é isso. Um filme sem maiores pretensões a não ser o puro divertimento. Aventura, humor e cenas de mar para os que adoram esse tipo de produção.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 24 de maio de 2015

Exorcismo no Vaticano

Título no Brasil: Exorcismo no Vaticano
Título Original: The Vatican Exorcisms
Ano de Produção: 2013
País: Itália
Estúdio: Arturo and Mario Productions
Direção: Joe Marino 
Roteiro: Mauro Paolucci, Salvatore Scarico
Elenco: Piero Maggiò, Joe Marino, Anella Vastola
  
Sinopse:
Um diretor de documentários decide que seu próximo filme terá como tema o Diabo! Para isso ele resolve ir até o Vaticano atrás de padres exorcistas. Sua objetivo é ter contato direto com pessoas supostamente possuídas pelo próprio Satã. Uma vez lá descobre que, apesar de seu ceticismo inicial, começa a ter sintomas de que ele própria estaria sendo alvo de uma possessão demoníaca. Desesperado, ele percebe que está rapidamente perdendo o controle sobre o filme e sobre sua própria vida!

Comentários:
"The Vatican Exorcisms" é um mockumentary (falso documentário) italiano que investe na figura do diabo e do universo que gira em torno dos exorcismos realizados por sacerdotes católicos especialmente treinados para isso pelo Vaticano. Infelizmente esse tipo de estilo está dominando completamente os filmes de terror de baixo orçamento, afinal de contas são baratos, fáceis de filmar e não precisam de maior cuidado técnico em sua realização. Quanto mais tosco mais parecerá que se trata realmente de um documentários com imagens reais. Esse aqui começa com o diretor Joe Marino indo até o Vaticano. No começo há uma tentativa de caluniar a Igreja, a colocando como o lar do próprio Satã. Imagens de membros do clero são usadas de forma leviana, em especial do Papa Bento XVI e do cardeal Tarcisio Bertone, algo que daria margem a um pesado processo caso o Vaticano decidisse os acionar na justiça. A igreja porém resolveu sabiamente ignorar o filme, caso contrário iria trazer os holofotes da imprensa sobre ele e para falar a verdade essa obra B nem vale a pena o esforço. Pois bem, a primeira cena tenta recriar um ritual pagão em um cemitério de Roma. Supostamente membros do clero estariam envolvidos. Tudo é muito mal feito, desfocado e escuro. Uma piada. Depois o diretor parece desistir de atacar a Igreja Católica e parte finalmente para os exorcismos. São quatro no total. Até que são cenas interessantes, mas que em nada vão surpreender os que já assistiram inúmeros filmes de exorcismo. Há uma jovem possuída por um demônio que fica cantando músicas em louvor a Satã, uma freira católica que está possuída há mais de dez anos, um rapaz que se contorce ao declarar que está sob domínio de demônios como Mefistófeles e por fim uma garotinha de oito anos que completa a possessão do diretor do documentário. O filme é só isso, tem pouca duração, com meros 70 minutos e acaba rápido. Não há um roteiro digno de se elogiar. As coisas parecem acontecer realmente ao acaso. Por ser tão mal intencionado e fugaz passa longe de ser algo memorável para os apreciadores do gênero. Melhor fazer como a Igreja e ignorar completamente esse filmeco.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 23 de maio de 2015

Elvis Presley - Elvis Gold Records Vol. 4

No momento em que a carreira de Elvis parecia renascer a RCA Victor soltou no mercado um novo álbum do cantor. A filosofia era a mesma dos discos anteriores, ou seja, reunir grandes sucessos de Elvis que só tinham sido lançados antes em singles (compactos). O problema básico é que os sucessos estavam rareando cada vez mais na discografia do Rei do Rock. Assim quando os executivos da RCA determinaram a produção do quarto disco da série Golden Records o responsável pela seleção musical soltou uma pergunta fatal bem no meio da reunião: "Tudo bem, mas que sucessos Elvis realmente alcançou nesses últimos anos?". Era uma constatação bem ruim e verdadeira. Ao longo dos anos 1960 Elvis foi colecionando fracassos comerciais com seus singles. A bagunça e muitas vezes falta de promoção fizeram com que muitos compactos de Elvis se tornassem grandes desastres comerciais. Eles ficavam por meses nas estantes das lojas de discos, pegando poeira sem que ninguém os quisesse comprar. Lotes e mais lotes de caixas cheias de compactos de Elvis Presley eram enviados de volta para a fábrica da RCA por não terem encontrado compradores no mercado.

Por volta de 1967 a RCA inclusive chegou a colocar em dúvida se valia mesmo a pena renovar com o astro por mais alguns anos. O fato é que a má qualidade das trilhas sonoras e dos filmes tinham literalmente acabado com Elvis do ponto de vista comercial. Ele facilmente era superado por bandinhas sem nenhuma importância musical. Seu público havia debandado e pouco sobrara do antigo campeão das paradas. Quando as negociações começaram a RCA deixou claro ao Coronel Parker que estava ficando sem interesse no passe de Elvis. Ele não vendia mais como antigamente, no começo de sua carreira. Tirando poucos discos que tinham realmente feito sucesso, Elvis amargava baixas posições nas paradas. O público não se interessava mais pelo que ele vinha produzindo e nem as revistas de fofocas mais exploravam sua vida pessoal, que andava mais fechada e reclusa do que nunca. Elvis não aparecia em festas e nem em eventos, não fazia mais shows ao vivo e só aparecia para seu público através de filmes de Hollywood bem ruins. Era a fórmula mesmo do desastre.

Sem muitos sucessos comerciais para compor o disco o jeito mesmo foi pincelar alguns poucos bons momentos de vendas do cantor na década de 1960. Um terceiro lugar aqui, um quarto lugar acolá, tudo sendo colocado junto para preencher cronologicamente o álbum. O fato é que mesmo estando em maré baixa em termos de vendas o talento de Elvis continuava lá. O problema é que a sucessão de músicas ruins de seus filmes foram soterrando a voz e o carisma do cantor. Por volta de 1966 ele foi renascendo aos poucos. Algumas sessões livres de músicas de filmes foram realizadas e nelas Elvis finalmente pôde contar com material de qualidade novamente. Curiosamente foram justamente algumas dessas gravações que conseguiram o mínimo de repercussão nas paradas, mostrando um caminho para Elvis e a RCA Victor rumo de volta ao sucesso comercial. No caso tínhamos realmente o casamento entre qualidade e sucesso comercial, algo que hoje em dia é bem raro. O fato inegável porém era que naqueles tempos Elvis sempre conseguia bons números de vendas quando apresentava material de qualidade no mercado. O inverso também era verdadeiro: quanto piores eram as trilhas sonoras, menos elas vendiam a cada ano.

Elvis Presley não era um idiota. Ele sabia o que era bom e o que era ruim no material providenciado por sua gravadora. Geralmente as trilhas sonoras eram bem ruins depois de 1965. Eram compostas às pressas, sem capricho e sem cuidado. Os autores e compositores ganhavam mal e por essa razão também não mais se empenhavam em criar algo bom. Uma coisa ruim levava a outra e em pouco tempo Elvis ia amargando sucessivos fracassos. Depois de uma sessão particularmente muito fraca, Elvis, que sempre foi conhecido por seu bom comportamento e educação dentro dos estúdios, estourou com o microfone ainda aberto: "O que mais vocês querem que eu faça com essa merda?". Quando a RCA começou a disponibilizar um material de melhor qualidade finalmente as coisas foram ficando mais claras. Elvis, livre das amarras dos estúdios cinematográficos, conseguia finalmente contar com canções realmente boas, bem compostas, bonitas. Ficar cantando sobre ostras, cachorros e namoricos de adolescentes era um suplício para The Pelvis nesses tempos nebulosos. Quando ele finalmente recebeu bom material tudo foi melhorando, não apenas em termos de vendas, mas principalmente em termos de relevância artística. Assim por volta de janeira a RCA finalmente soltou a relação das canções que iriam fazer parte de seu disco (segue lista abaixo). No próximo artigo começarei a tecer comentários sobre cada canção. Até lá.

Elvis Presley - Elvis Gold Records Vol. 4
Love Letters
Whitcraft
It Hurts Me
What'd I Say
Please Don't Drag That String Around
Indescribably Blue
Devil in Disguise
Lonely Man
A Mess Of Blues
Ask Me
Ain't That Loving You Baby
Just Tell Her Jim Said Hello

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Serena

Título no Brasil: Serena
Título Original: Serena
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos, França, República Tcheca
Estúdio: Magnolia Pictures, StudioCanal
Direção: Susanne Bier
Roteiro: Christopher Kyle, Ron Rash
Elenco: Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Rhys Ifans, Sean Harris, Toby Jones 
  
Sinopse:
No estado americano da Carolina do Norte, no ano de 1919, o empresário do ramo de madeireiras, George Pemberton (Bradley Cooper), precisa lidar com dois grandes problemas: o primeiro é sua dívida com bancos da região, algo que só fez crescer em volume com o tempo por causa dos juros altos; o segundo é o surgimento de um movimento liderado pelo xerife da cidade contra a devastação da última floresta virgem dos Estados Unidos. Ele quer transformar toda a região em uma grande reserva nacional, de proteção ambiental, mas obviamente isso vai contra os planos de Pemberton que planeja extrair toda a madeira das montanhas para assim ter o lucro necessário para pagar seus inúmeros credores. No meio desse turbilhão de acontecimentos George acaba conhecendo e se apaixonando pela bela Serena (Jennifer Lawrence), uma garota com passado trágico que deseja lutar ao seu lado em prol de seus empreendimentos comerciais.

Comentários:
Esse filme foi produzido para fazer bonito no Oscar desse ano, mas a Academia resolveu ignorar a produção. Talvez a razão principal seja o fato do personagem principal ser politicamente incorreto para a mentalidade dos dias atuais. Ele é um barão da madeira, um sujeito que faz fortuna devastando vastas áreas de floresta, deixando um rastro de destruição por onde passa. Como se isso não fosse o bastante, também é um caçador, que nas horas vagas se empenha em caçar e matar uma das últimas panteras vivas soltas na natureza em sua região! Imagine torcer por um sujeito assim nos dias de hoje! Impossível. Outra questão que certamente assustou os membros da Academia é o fato de que o roteiro, que começa como um épico romântico, se tornar cada vez mais sombrio e trágico com o desenrolar da trama, principalmente em relação à personagem interpretada pela atriz Jennifer Lawrence, Serena. Após um breve romance, ela se casa com George Pemberton (Cooper), mas a medida que tenta dar um filho a ele e não consegue, começa a desenvolver uma personalidade doentia e obsessiva (com ares de loucura completa). Para acentuar ainda mais seu drama pessoal descobre que seu marido teve um filho com uma de suas ex-empregadas, uma jovem que volta a trabalhar com ele, com o seu filho a tiracolo. A presença dela acaba se tornando uma ameaça na mente de Serena e isso com o tempo vai se tornando um martírio psicológico insuportável. A produção, como não poderia deixar de ser, é classe A, com excelente reconstituição de época e figurinos luxuosos. Há toda uma reconstrução das empresas de extração de madeira da época, com direito a locomotivas e acampamentos no alto das montanhas. A região onde tudo foi filmado também é de uma beleza ímpar, resultando em uma belíssima fotografia natural. Tudo muito bem realizado. Assim temos aqui sem dúvida um bom filme que merecia ter sido melhor avaliado e com mais cuidado pela Academia. Algumas indicações não lhe fariam mal. Pena que o pensamento liberal e politicamente correto dos dias de hoje acabaram anulando qualquer pretensão do filme em relação ao Oscar.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

The Lovers

Esse filme tem duas linhas narrativas. Na primeira o espectador é levado até um futuro próximo. Uma expedição submarina procura por artefatos valiosos em um velho navio afundado. Um dos mergulhadores acaba encontrando um anel, que tudo indica ser indiano, por causa de seu design. Ele parece ser constituído de duas peças. Uma das garotas que fazem parte do grupo decide então ir atrás da outra parte, mas acaba tendo problemas, ficando presa nas profundezas. Para salvá-la da morte seu namorado resolve fazer um mergulho sem a devida proteção. Ele salva sua amada, mas acaba entrando em coma por quase ter morrido afogado. Na outra linha narrativa voltamos ao passado, mas especificamente ao século XVIII. É o auge do colonialismo inglês. Para aumentar o domínio da coroa britânica na Índia, um grupo do exército inglês é enviado até o interior do país. A finalidade é desestabilizar um reino distante, que está no caminho entre uma importante via de comunicação. Um dos militares é o escocês James Stewart (Josh Hartnett) que decide salvar por conta própria a vida da rainha que corre risco de vida após um golpe derrubar do trono o seu marido, o rei. O que ele não esperava era se apaixonar perdidamente por ela.

Com enredo que mais parece ter saído daqueles livros românticos ao estilo "Sabrina", esse "The Lovers" não me convenceu muito. Na verdade o roteiro é até mesmo confuso, forçado e não raras vezes cai no puro tédio. O que liga as duas histórias, passadas em tempos diferentes, é o tal do anel indiano que parece ter poderes especiais, unindo tempo e espaço diversos. Para um filme que se propõe a ser romântico o seu grande problema é justamente o casal central, que não convence em momento algum. O amor que nutrem entre si sempre soa falso e fora de propósito. O tal anel também não acrescenta em nada, mais parecendo um mero pretexto para contar duas histórias tão diferentes entre si. Delas a melhor realmente é a que se passa no passado. Há uma tentativa de trazer alguma ação quando tropas inglesas são encurraladas por rebeldes indianos. Mesmo assim logo a decepção toma conta porque nada é muito desenvolvido nesse aspecto. O filme no geral tem boa produção, uma bonita fotografia e bom visual, mas o que estraga mesmo é esse enredo que deixa a sensação de que realmente tudo o que é mostrado na tela não faz muito sentido.

The Lovers (Idem, Bélgica, Índia, Austrália, 2015) Direção: Roland Joffé / Roteiro: Ajey Jhankar, Roland Joffé / Elenco: Josh Hartnett, Tamsin Egerton, Alice Englert / Sinopse: Um oficial do exército inglês se apaixona por uma nobre indiana durante o período colonial britânico sobre a Índia. Como prova de amor entre eles surge um anel que representa o sentimento de ambos. No futuro o anel acaba sendo descoberto por um expedição também formada por um casal apaixonado. Ao tentar salvar sua namorada um dos mergulhadores acaba entrando em coma. Poderá a jóia ser a redenção desse amor?

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O Beijo da Morte / O Grande Assalto

O Beijo da Morte
Veterano ladrão de carros decide que vai deixar o mundo do crime para se dedicar à esposa e filhos. Seus planos porém são adiados após seu primo pedir que ele lhe ajude em um último e lucrativo golpe, envolvendo roubo de caminhões. A partir daí sua vida acaba dando uma grande guinada para pior. Esse é um remake de um antigo clássico da década de 1940 que tentou catapultar a carreira do ator David Caruso (de populares séries de TV como "NYPD Blue") para o cinema. Não deu muito certo. Na verdade Caruso nunca foi um ator muito carismático. Em séries seu jeito sisudo acabou dando certo, por causa da familiaridade que proporciona ao público, mas em um filme, onde a aproximação tem que ser muito mais rápida com o espectador a coisa definitivamente não funcionou. Quem acabou roubando assim as atenções foi novamente Nicolas Cage no papel do vilão Little Junior Brown! De barbicha e com cara de mau, Cage acabou sendo uma das coisas boas dessa fita policial que aliás conta com um elenco de apoio acima da média. Entre os coadjuvantes vale a pena destacar também a gracinha Helen Hunt, que também tentava uma transição do mundo das séries de TV para o cinema. Ela, pelo menos, foi muito mais bem sucedida nesse aspecto que seu colega David Caruso. Enfim, temos aqui um filme bem diferente da carreira do diretor Barbet Schroeder que por um momento deixou os filmes mais cults de lado para rodar esse bom policial de rotina. Vale conferir e conhecer. / O Beijo da Morte (Kiss of Death, EUA, 1995) Direção: Barbet Schroeder / Roteiro: Eleazar Lipsky, Ben Hecht / Elenco: David Caruso, Samuel L. Jackson, Nicolas Cage, Helen Hunt, Stanley Tucci, Ving Rhames.

O Grande Assalto
Após cumprir sua pena tudo o que Karen McCoy (Kim Basinger) desejar é voltar para sua família para recomeçar sua vida. Sua fama de ser uma das melhores assaltantes de bancos dos Estados Unidos porém não a deixará em paz. Um grupo de criminosos sequestra sua filha e em troca de sua vida exige que ela participe de um ousado roubo envolvendo milhões de uma agência bancária. O roteiro foi baseado no romance policial escrito por Desmond Lowden, o que acabou resultando em uma outra boa fita de ação e suspense dos anos 1990, dessa vez estrelada pela atriz Kim Basinger. Os produtores acharam que seria uma boa dobradinha colocar ela ao lado de outro símbolo sexual da época, o astro Val Kilmer. Em termos de sensualidade porém o filme naufragou. Não há qualquer química entre eles. O que acabou salvando tudo do lugar comum foi mesmo a habilidade do cineasta Russell Mulcahy em rodar excelentes sequências de ação e suspense. O assalto do título assim acabou se tornando o grande chamariz do filme - o que convenhamos era o que se esperava mesmo de um filme como esse. Basinger porém mostrou com as mornas bilheterias que ainda não conseguia segurar um filme sozinha. Ela não tinha ainda o status de grande estrela de cinema e no final não conseguiu entrar no exclusivo rol da 10 atrizes mais lucrativas de Hollywood. Depois disso acabou mesmo se tornando apenas uma coadjuvante de luxo ou então se contentou em estrelar filmes mais modestos, produções B sem muito destaque ou importância comercial. / O Grande Assalto (The Real McCoy, EUA, 1993) Direção: Russell Mulcahy / Roteiro: Desmond Lowden, William Davies / Elenco: Kim Basinger, Val Kilmer, Terence Stamp.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Willow / Labirinto

Willow - Na Terra da Magia
Mais um filme cujo roteiro foi escrito por George Lucas. É curioso que depois do enorme sucesso da franquia "Star Wars" o diretor e roteirista George Lucas tenha desistido de dirigir uma série de projetos que ele mesmo havia criado, alguns deles há anos. Provavelmente por ter receios de se expor em demasia, abrindo o espaço para críticas (algumas bem justas, aliás), ele tenha "terceirizado" a direção desses filmes. Na posição mais confortável de produtor ele não colocaria seu prestígio em perigo e tampouco sairia queimado caso o filme não fosse bem sucedido nas bilheterias. Trocando em miúdos, ele não estava disposto nessa altura de sua carreira a correr riscos desnecessários. Assim contratou o diretor Ron Howard para dirigir esse "Willow". O enredo é bem fantasioso, passado em um tempo medieval com monstros, dragões, rainhas maquiavélicas e feiticeiras. Uma espécie de "O Senhor dos Anéis" mais modesto e menos pretensioso. O mais interessante é que apesar de ter uma boa produção - onde não faltaram nem mesmo excelentes efeitos visuais, alguns usando tecnologia digital pela primeira vez na história - o filme derrapa mesmo no roteiro, justamente o que foi escrito por Lucas. O que foi tão original e inspirador na franquia "Star Wars" aqui soa repetitivo, sem encanto e nem carisma. Sendo extremamente sincero, Lucas se rendeu a clichês de todos os tipos, alguns bem óbvios e vergonhosos. No final o que temos em mãos é uma obra pouco memorável e nada marcante dentro da filmografia do cineasta. Esse enredo provavelmente ficaria melhor restrito apenas no mundo da literatura pois no cinema não funcionou muito bem. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhores Efeitos Especiais e Melhores Efeitos Sonoros. / Willow - Na Terra da Magia (Willow, EUA, 1988) Direção: Ron Howard / Roteiro: George Lucas, Bob Dolman / Elenco: Val Kilmer, Joanne Whalley, Warwick Davis.

Labirinto - A Magia do Tempo
Outro filme de fantasia dos anos 80. Se "Willow" não foi tão marcante para aquela geração, "Labirinto" certamente o foi. Esse filme tinha não apenas uma excelente produção como também uma história de contos de fadas realmente cativante e encantadora. Jim Henson, que o dirigiu, era um mestre nesse universo infantil. Ele criou os personagens dos Muppets e também foi responsável por um dos programas infantis mais duradouros e bem sucedidos da TV americana, Vila Sésamo. Assim o que não lhe faltava era experiência em lidar com esse universo. Esse enredo foi escrito pelo próprio Henson. Inicialmente ele pensava em transformar seu roteiro em um telefilme, mas o produtor George Lucas (sim, ele mesmo, o próprio criador de "Star Wars") pensava diferente. O material era bom demais para ser desperdiçado em uma produção menor, com poucos recursos, como era praxe na época para esse mercado televisivo. Assim resolveu colocar à disposição de Henson toda a capacidade técnica da Lucasfilm, a mesma produtora de seus clássicos da ficção. O resultado não poderia ser melhor. Aliado a uma direção de arte muito bonita, excelentes efeitos especiais e um roteiro bem escrito que explorava uma boa história, o filme realmente não poderia dar errado. A escolha do elenco também foi muito acertada. Para o papel de Jareth, Lucas convenceu o cantor David Bowie a fazer uma de suas raras aparições no cinema. Com um estranho penteado ele se deu muito bem com sua atuação, assustadora e carismática nas devidas proporções. Outro destaque vem para uma ainda adolescente Jennifer Connelly. Eu sempre a considerei uma das atrizes mais bonitas do cinema americano e aqui, na flor da idade, ainda com o frescor da juventude, ela está simplesmente arrasadora, de encher os olhos. Recentemente "Labirinto" ganhou uma edição de luxo em DVD e Blu-Ray nos Estados Unidos. Esperamos que no ano que vem, quando o filme completar 30 anos de seu lançamento original, o mesmo se repita aqui no mercado brasileiro. Filme indicado ao BAFTA Awards na categoria de Melhores Efeitos Especiais. / Labirinto - A Magia do Tempo (Labyrinth, EUA, 1986) Direção: Jim Henson / Roteiro: Dennis Lee, Jim Henson / Elenco: David Bowie, Jennifer Connelly, Toby Froud.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 19 de maio de 2015

O Destino de Júpiter

Título no Brasil: O Destino de Júpiter
Título Original: Jupiter Ascending
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Village Roadshow Pictures, Warner Bros
Direção: Andy Wachowski, Lana Wachowski
Roteiro: Andy Wachowski, Lana Wachowski
Elenco: Channing Tatum, Mila Kunis, Sean Bean, Eddie Redmayne
  
Sinopse:
Jupiter Jones (Mila Kunis) não conheceu seu pai que foi morto em um assalto quando sua família morava na Rússia. Depois da morte dele sua mãe decide ir embora para os Estados Unidos. A nova vida não é fácil, Jupiter ganha a vida como faxineira, onde trabalha muito, mas ganha muito pouco. Ele odeia sua vida, mas vê tudo mudar radicalmente da noite para o dia quando descobre que estranhas criaturas estão atrás dela. Para salvá-la do perigo surge Caine Wise (Channing Tatum) que lhe explica que ela está bem no meio de uma disputa espacial envolvendo um dos clãs mais poderosos do universo. Ela seria a reencarnação de uma das mais poderosas imperatrizes de todas as galáxias.

Comentários:
É outro produto pop feito para o público adolescente. Outro que também não tem muita originalidade. Logo no começo você percebe que as semelhanças com "Star Wars" beiram o plágio. Se na saga de George Lucas tínhamos um jovem comum (Luke Skywalker) jogado bem no meio da guerra espacial entre rebeldes e o império, aqui temos uma humana também bem comum que de repente se vê herdeira de um dos maiores impérios do universo e tudo isso acontecendo praticamente da noite para o dia. Essa produção custou quase 200 milhões de dólares e seu maior problema, além da falta de originalidade, é o excesso de informações que é jogado em cima do espectador. De repente ele descobre que não apenas existe vida fora da Terra como também eles são "donos" do nosso planeta, criaram a raça humana e basicamente nos usam como adubos. Os seres alienígenas também vivem milênios (e não apenas poucos anos como todos nós) e acreditam na reencarnação, mas em uma versão científica, baseada em traços genéticos! E tudo isso você ficará sabendo em menos de vinte minutos de filme! No meio de tudo isso muita ação desenfreada e, temos que admitir, ótimos efeitos especiais, como convém a qualquer filme assinado por Andy Wachowski (um dos irmãos Wachowski, que criaram o universo de "Matrix"). Curiosamente ele assina o filme ao lado de uma tal de Lana Wachowski! Muitos pensaram que seria a esposa de Andy, mas não, é o próprio irmão dele, Laurence Wachowski, que agora assina como Lana depois que resolveu assumir sua identidade GLS. Pintou o cabelo de vermelho, começou a usar roupas femininas e não aceita mais ser chamado por seu nome masculino! Bizarrices à parte, o fato é que o filme tem excesso de ação, efeitos digitais e visual inovador, pena que não tenha também ideias novas e originais. Do jeito que está só ficou excessivo, algumas vezes confuso e nada interessante - com menos de 60 minutos de duração você deixa de se importar com o que está acontecendo. O filme foi considerado um fracasso de bilheteria nos Estados Unidos, o que talvez só venha confirmar que os irmãos Wachowski só consigam se dar bem mesmo com a franquia "Matrix". São criadores de um universo só! Fora disso até hoje só colecionaram mesmo fracassos comerciais e filmes exagerados. Pior para o público que adora um chicletinho pop nas telas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

A Última Diligência

Título no Brasil: A Última Diligência
Título Original: Stagecoach
Ano de Produção: 1966
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Gordon Douglas
Roteiro: Joseph Landon, Dudley Nichol
Elenco: Ann-Margret, Alex Cord, Bing Crosby, Stefanie Powers, Van Heflin, Red Buttons
  
Sinopse:
Um grupo de viajantes decide enfrentar um longo trajeto até a cidade de Cheyenne. O problema é que a região está dominada por guerreiros Sioux comandados por um cacique conhecido por sua violência contra caravanas de homens brancos. Contando com o apoio da cavalaria até um terço da jornada, eles precisam sobreviver durante todo o restante do trajeto, algo que definitivamente não será nada fácil de alcançar. Os perigos são muitos, mas todos anseiam ir embora por um motivo ou outro, de acordo com seus próprios problemas pessoais. O objetivo é começar vida nova em um novo lugar.

Comentários:
Gostei bastante desse western. O roteiro é muito bom e consegue desenvolver bem todos os personagens ao mesmo tempo em que não deixa o filme cair no marasmo ou no lugar comum. Basicamente temos esse grupo bem diferente de pessoas precisando se unir para sobreviver a uma perigosa viagem de diligência até a distante Cheyenne. No caminho precisam vencer o perigo da presença dos nativos e guerreiros comandados pelo infame Cachorro Louco (o mesmo cacique que chacinou a Sétima Cavalaria do General Custer). O grupo é bem diversificado, havendo desde bandidos procurados pela lei como Ringo Kid (Alex Cord), até o próprio xerife da região, Curly Wilcox (interpretado pelo veterano ator de faroestes Van Heflin), passando ainda por uma prostituta e dançarina de saloon, Dallas (Ann-Margret), até uma respeitada dama da sociedade, a senhorita Lucy Mallory (Stefanie Powers, que anos depois iria fazer muito sucesso na TV com a série "Casal 20"). Por fim, completando o grupo temos um banqueiro almofadinha (que na verdade está tentando fugir com o dinheiro da empresa onde trabalha), um jogador inveterado, um vendedor de whisks e um médico alcoólatra conhecido como "Doc" Josiah Boone (curiosamente interpretado pelo famoso cantor Bing Crosby, que se sai excepcionalmente muito bem em sua atuação). O elenco, como se pode perceber, é acima da média, mas quem se destaca mesmo é uma jovem (e linda) Ann-Margret! Dois anos após seu sucesso ao lado do roqueiro Elvis Presley em "Viva Las Vegas" ela conseguiu outra excelente atuação. Sua personagem Dallas é ao mesmo tempo uma figura doce e terna, mas também esperta, até mesmo por causa da vida que leva. Ela se apaixona pelo fugitivo Ringo Kid e pretende recomeçar vida nova ao seu lado. Se você ainda tinha alguma dúvida se ela foi mesmo uma das mais bonitas atrizes da história de Hollywood basta vê-la aqui em cena. Ann-Margret está simplesmente linda, com figurino de época, realçando ainda mais sua beleza ruiva, roubando todas as atenções do espectador. Enfim, grande faroeste que vale muito a pena conhecer. Uma das melhores produções da Fox no gênero, sem favor ou exagero algum.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.